Geometria Espacial
Geometria Espacial
Geometria
Desenvolvido por
Licença: Patrocínio:
O que?
Noções de dimensão em Geometria. Conceitos básicos da Geometria Espacial de posição. Revisão sobre
sólidos geométricos.
Por que?
Este capítulo revisa conceitos básicos necessários ao estudo de volumes, tema de outro capítulo. Além
disso, a Geometria Espacial visa construir o raciocínio e a linguagem necessários ao entendimento do
mundo tridimensional que nos cerca. Contribui para o desenvolvimento de um tipo de pensamento próprio
que se relaciona diretamente com a memória de trabalho (ou memória de curto prazo).
Introdução ao Professor
Este capítulo não aborda diretamente qualquer das habilidades listadas na BNCC do Ensino Médio (BRASIL,
2019).
Objetivos Gerais
Este texto foi pensado para ser utilizado no “ciclo básico” do Ensino Médio, estudantes que pretendam seguir
itinerários formativos ligados às exatas podem necessitar de estudos complementares, que devem figurar nas
seções “Para saber mais”, em edições futuras deste módulo.
1. Dimensão. O objetivo central é a noção de dimensão no espaço euclidiano para desenvolver o Pensamento
Espacial (Glossário ao final do capítulo). O conceito de dimensão pode ser visto de diversas formas,
mas poucas são acessíveis no Ensino Médio. Escolhemos uma abordagem informal em que a dimensão
de determinado “espaço ambiente” (ponto, reta, plano, espaço, cilindro, esfera etc) é o número de
coordenadas necessárias para se localizar qualquer ponto do espaço ambiente. Isso é feito sem definições
precisas dos termos “dimensão” ou “espaço ambiente”. O termo “espaço” é utilizado com o estudante
apenas para indicar o espaço euclidiano tridimensional, ambiente de estudo da Geometria Espacial. Esta é
a seção mais curta do capítulo e não costuma figurar em livros didáticos da Educação Básica. O professor
pode decidir omitir esta seção com seus estudantes. Espera-se que seja ensinada em 3 horas-aula.
2. Elementos de Geometria Espacial. Esta é a seção central do capítulo. Nela são estudadas as posições
relativas de retas, de planos e de retas e planos no espaço, em particular, o perpendicularismo entre retas
e planos. A linguagem nela fixada é necessária para as seções seguintes. Espera-se que seja ensinada em
5 horas-aula.
3. Cilindros (e prismas). A seção aborda uma noção de cilindro mais geral que a usual, permitindo-se que as
bases sejam qualquer região do plano. Desta forma os cilindros circulares e os prismas são sub categorias
contidas na categoria dos cilindros. Nela a noção de congruência é expandida para figuras quaisquer e
é utilizada para justificar que as bases de qualquer cilindro são figuras congruentes. Essa abordagem
visa incluir um repertório maior de exemplos de sólidos geométricos aos estudantes e também trazer a
reflexão sobre o agrupamento dos sólidos em classes (cilindros e cones). A ênfase é dada nas seções de
cilindros por planos e na planificação desses objetos. Espera-se que a seção ocupe 4 horas-aula.
4. Cones (e pirâmides). A seção também considera cones com bases genéricas, o que permite que parte do
estudo de cones circulares e pirâmides ocorra simultaneamente. Aqui a ideia de semelhança é revisitada
no contexto mais geral de figuras planas quaisquer, não necessariamente polígonos, essa ideia é usada
para se justificar que a seção de um cone por um plano paralelo à base é uma região semelhante à base.
Esta seção precisa de aproximadamente 4 horas-aula.
5. Esfera. A seção introduz a definição, aborda as interseções possíveis de uma esfera se um plano, instiga a
localizar pontos na esfera com a linguagem de meridianos e paralelos e desenvolve a noção de comprimento
de arcos sobre esferas. Uma inovação da seção é a linguagem: conjunto limitado e conjunto ilimitado no
espaço, que é possibilitada pela presença do conceito de esfera.
A Seção 1.3 e a Seção 1.4 podem ser vistas sem o estudo da Seção 1.2, caso os estudantes tenham boas
noções de paralelismo de planos e de perpendicularismo de reta e plano. Cabe ressaltar que ambas as seções
abordam a habilidade EF06MA17 da BNCC do Ensino Fundamental (BRASIL, 2017) “Quantificar e estabelecer
10.a
relações entre o número de vértices, faces e arestas de prismas e pirâmides, em função do seu polígono da base,
para resolver problemas e desenvolver a percepção espacial”, veja, por exemplo, o Exemplo 2, na Seção 1.3.
Cada seção está subdividida em quatro subseções: Explorando, Organizando, Praticando e Exercícios. Os
conceitos ou ideias centrais de cada seção são abordados, por meio de atividades no Explorando, a partir do
nível de visualização, do desenvolvimento do pensamento geométrico de van Hiele (ver Kaleff et al., 1994, para
mais detalhes). Essas atividades costumam conduzir o estudante às suas primeiras análises (nível seguinte) dos
conceitos ou ideias. Esses conceitos ou ideias são retomados no Organizando, onde busca-se alcançar o nível
de dedução informal por meio de uma sistematização e complementação do que já foi visto no Explorando,
esta seria a fase didática do Fechamento de van Hiele. No Praticando, os estudantes são convidados a realizar
atividades, se possível ainda na sala de aula, para consolidar o aprendizado.
Pré-requisitos
O pré-requisito básico para o estudo deste capítulo são as Geometrias Plana e Espacial do Ensino Fundamental,
com destaque para as noções intuitivas de ponto, reta e plano no espaço, posições relativas de retas no plano,
os casos de congruência de triângulos, os casos de semelhança de triângulos, o Teorema de Pitágoras, a Lei
dos Cossenos (capítulo de Trigonometria), comprimento de arcos de circunferência e áreas de figuras planas
(capítulo de Revisão de Áreas no Plano). Nas seções sobre cilindros e cones, fazemos uso da linguagem
de funções para apresentar as definições de congruência e semelhança entre figuras. Mais precisamente,
em dois trechos, usamos as expressões “função bijetiva”, “correspondência biunívoca” e “correspondência
um-a-um” como sinônimos para acessar aquela que os estudantes já conhecem. O estudo de funções não é um
pré-requisito para este capítulo. Mas o conhecimento de um desses termos deve ajudar o estudante a entender
mais precisamente as definições citadas.
Escolhas pedagógicas
Todas as habilidades da BNCC do Ensino Médio (BRASIL, 2019) relacionadas à Geometria Espacial referem-
-se aos cálculos de áreas e de volumes e às projeções cartográficas. Autores e pesquisadores da Educação
Matemática (LIMA, 2001 e Battista e Mikusa, 2001) criticam o “excesso de algebrização” da Geometria,
com o enfoque em medidas. Soma-se a isso, o fato de que, não raro, dificuldades no aprendizado de áreas e
volumes no contexto da Geometria Espacial estão relacionadas ao baixo entendimento sobre a estrutura dos
objetos tridimensionais (Battista e Mikusa, 2001). A organização da BNCC sugere que esse entendimento deve
ocorrer no Ensino Fundamental. Caso os Objetivos Gerais deste capítulo tenham sido plenamente alcançados
anteriormente, o professor deve considerar não abordá-lo.
Por anos educadores matemáticos como Bishop, Clements, Mitchelmore, Tatha entre outros têm
defendido que um dos maiores objetivos do ensino de geometria está sendo preterido durante a
onda da ‘nova matemática’ e precisa ser restabelecido. Trata-se do desenvolvimento da intuição
espacial dos estudantes, incluindo sua habilidade de visualização espacial e de comunicação de
informações espaciais de várias maneiras (Gaulin, 1985, p.64).
10.b
Além disso, mais recentemente, o próprio Guia do Plano Nacional do Livro Didático do Ensino Médio afirma
que nos livros didáticos
Este capítulo faz uso de aplicativos construídos no GeoGebra para que os estudantes possam manipular e
visualizar figuras e relações entre elas. A maioria delas pode ser utilizada em dispositivos móveis. Algumas
atividades também indicam construções com materiais concretos, como papel, tesoura, cola etc. Temos ciência
e somos sensíveis à dificuldade adicional que o uso desses recursos traz para o trabalho do(a) professor(a)
em sala de aula. Ainda assim, recomendamos fortemente que se considere seu uso sempre que indicado nas
atividades porque os ganhos em aprendizagem e engajamento dos estudantes costumam valer a pena (Fabian
et al., 2016).
O(A) Professor(a) não deve subestimar a dificuldade de visualização dos estudantes. O desenvolvimento dessa
Percepção Espacial é um dos objetivos da Atividade 2 e dos vídeos indicados no Organizando 1 da Seção 1.1.
As três atividades do Explorando 2 também têm esse propósito.
10.c
Para o professor:
Objetivos específicos
Pré-requisitos:
Sugestões e discussões:
• Escolhemos uma abordagem informal em que a dimensão de determinado “espaço ambiente” (ponto,
reta, plano, espaço, cilindro, esfera etc) é a quantidade de coordenadas necessárias para se localizar
qualquer ponto do espaço ambiente. Isso é feito sem definições precisas do termo “dimensão”.
• Esta seção visa contribuir para o desenvolvimento da percepção espacial do estudante e da comunicação
de informações espaciais. Esses são conhecimentos relevantes que, geralmente, não têm lugar na Educação
Básica e são percebidos de maneira intuitiva. Acreditamos que ter um momento para refletir sobre
as questões aqui colocadas, deve tornar menos árduo o aprendizado de Geometria Espacial porque o
estudante deve entender melhor o espaço e suas representações quando passar a estudar os objetos do
espaço.
• São indicados quatro vídeos, três no Organizando 1 e um no Praticando 1. Sugere-se que o professor
convide os estudantes a assistirem aos vídeos em casa.
10.h
1.1 Dimensão
Objetivos Específicos
PARTE 1: Na hora de escolher o ar-condicionado, Gelson encontrou na internet uma regra para identificar o A Parte 1 pode ser feita em discussão com os
estudantes, sem que eles precisem resolver no papel.
aparelho recomendado: “Multiplique a área do cômodo em metros quadrados por 600 para obter o número de
Espera-se que os estudantes percebam que a
BTU/h adequado ao ambiente.”
primeira fórmula de cálculo não inclui a altura do
cômodo porque considera uma altura padrão de
aproximadamente 3 metros.
a) De acordo com a recomendação anterior, quantos BTU/h são necessários para esse quarto? A Parte 2 leva o estudante a reconhecer e usar o
fato de que multiplicando-se as dimensões de um
b) Algumas instruções de como comprar ar-condicionado usam outra fórmula: “Multiplicar 200 pelo volume quadrado por um número positivo, a área desse
do ambiente em metros cúbicos para obter o número de BTU/h”. Faça o cálculo agora com esse método. quadrado fica multiplicada pelo quadrado desse
número. Esse fato é fundamental e será revisitado e
formalizado na ?? do ??.
c) Explique por que, para cômodos típicos de casas e apartamentos, essas duas formas de cálculo têm
resultados próximos. Indique dimensões possíveis de um ambiente em que essas fórmulas não resultem em A Parte 3 item b) relaciona massa e volume na
valores próximos, gerando dúvida entre comprar um aparelho de 45.000 BTU/h ou um de 60.000 BTU/h. grandeza densidade. Caso os estudantes não
identifiquem a densidade como massa sobre o
volume, sugira que analisem as unidades envolvidas
em kg/m3 . Você pode dar a fórmula do volume do
PARTE 2: Ao comprar o piso de cerâmica para o quarto, Gelson se interessou pelas opções de tamanhos: cilindro para os estudantes. Isso passa a mensagem
30 cm × 30 cm e 60 cm × 60 cm. de que a fórmula não é o foco, ele não precisa
lembrar dela o tempo todo.
a) Qual piso você entende que daria mais trabalho para instalar na mesma área? Considerando que o piso Solução
será revestido com filas de peças de cerâmicas paralelas às paredes, determine a razão da quantidade
necessária de peças de lado 60 cm para a de peças de lado 30 cm. Faça representações da vista superior
PARTE 1:
do cômodo com cada um dos tipos de pisos instalados para ilustrar a razão obtida.
a) A área do quarto é 3,6 m × 4,8 m = 17,28 m2 .
b) E se cada peça de cerâmica tivesse 10 cm de lado, qual a razão da quantidade de peças de lados 30 cm Pela regra, basta multiplicar
para a quantidade de peças de lado 10 cm? 17,28 × 600 = 10.368 BTU/h.
b) O volume do ambiente é
c) Você provavelmente utilizou as dimensões do quarto para encontrar as razões solicitadas nos itens a) e 3,6 m × 4,8 m × 2,8 m = 48,384 m3 . Pela nova regra,
b). É possível encontrar essas razões sem o conhecimento das dimensões do quarto? Explique. basta multiplicar 48,384 × 200 = 9676,8 BTU/h.
c) As duas regras apresentam resultados próximos
porque a altura da maioria dos cômodos é próxima a
3 metros. A primeira regra considera essa altura fixa
PARTE 3: Gelson não sabia a espessura do fio de cobre que deveria comprar para as instalações elétricas. enquanto a segunda depende da altura real do
Decidiu então medir o diâmetro de um fio que já tinha instalado em seu quarto e obteve aproximadamente cômodo. Digamos que um cômodo tenha dimensões
2 mm (veja Figura 1.2). Na hora de comprar o fio, percebeu que os fios não são vendidos pela medida do a, b e c metros, em que c é a altura. Uma
diâmetro, mas pela medida da área da seção do fio de cobre, ou seja, em mm2 . possibilidade é encontrar valores das dimensões a, b
11
e altura c de modo que, na primeira regra, sejam
necessários 45 mil e, na segunda, 60 mil BTU/h.
PARTE 2:
a) Se Gelson quiser comprar um fio como o que tem em seu quarto, qual deve ser aproximadamente, a
a) A primeira parte da resposta é pessoal. bitola (medida de área da seção do fio em mm2 )?
Costuma ser mais fácil usando peças de cerâmica
maiores pois assim é necessário colocar menos peças b) Qual o peso do fio? Na internet, obtém-se que a densidade do cobre é de 8890 kg/m3 . Desprezando
e fazer menos cortes nas peças. No caso deste o peso da borracha que reveste o fio, calcule o peso do fio que Gelson deve comprar. Utilize todos os
problema, não é necessário cortar a cerâmica. recursos que tiver à disposição.
Na dimensão de 3,6 m são necessárias
360 cm/60 cm = 6 peças de 60 cm × 60 cm e
360 cm/30 cm = 12 peças de 30 cm × 30 cm. Na PARTE 4: Gelson precisa saber a quantidade de tinta que vai precisar. Para isso, decidiu medir o quarto (veja
dimensão de 4,8 m são necessárias, respectivamente, Figura 1.3).
480 cm/60 cm = 8 peças de 60 cm × 60 cm e
480 cm/30 cm = 16 peças nessa dimensão.
Portanto, usando peças de 60 cm × 60 cm, são
necessárias 6 × 8 = 48 peças de cerâmica, enquanto
que usando peças de 30 cm × 30 cm, são necessárias
12 × 16 = 192 peças. A razão entre o número de
peças é 192/48 = 4 = 22 . A Figura 1.1 representa
as vistas superiores solicitadas.
12
Você Sabia?
Após a secagem da pintura, a espessura de uma tinta reduz em média para 70% da inicial. Essa
porcentagem é chamada Razão Sólido por Volume (SV) da tinta e quanto maior ela for, maior é o
rendimento da tinta. Figura 1.2: Uma peça de 60 × 60 equivale a
quatro de 30 × 30 e esta a nove de 10 × 10
Fonte: Elaborada pelos autores. Ilustração
Dimensão técnica. Refazer.
Organizando
PARTE 3:
Para decorar o quarto da filha, Gelson precisou determinar várias medidas. Entre elas o comprimento necessário
a) Se o diâmetro for de 2 mm, o raio é de 1 mm,
de fio, a área da parede a ser pintada e o volume da sala para a especificação do aparelho de ar condicionado. então a área da seção transversal é de
Comprimento, área e volume são grandezas que estão relacionadas à ideia de dimensão. Mas o que é dimensão? aproximadamente 3 mm2 (aproximação de π).
De forma intuitiva, a ideia de dimensão está associada a conceitos elementares: uma reta é unidimensional,
b) Como a densidade é dada pela razão da massa
um plano é bidimensional e o espaço é tridimensional. Já o ponto é considerado adimensional, ou seja, sem pelo volume (a unidade é kg/m3 ), pode-se encontrar
dimensão. Vivemos em um mundo tridimensional. No mundo real, objetos, corpos e seres são tridimensionais. a sua massa (popularmente chamado de “peso”)
Uma folha de papel, em que duas dimensões se destacam, é tridimensional, tem espessura. Um fio, muitas multiplicando a densidade pelo volume de fio de
vezes associado apenas ao comprimento, tem espessura. Até um grão de areia é um sólido tridimensional. cobre. Para determinar o volume aproximado do fio
Figuras unidimensionais e bidimensionais são representações de elementos concretos. Por exemplo, um fio de cobre, pode-se identificá-lo com um cilindro
pode ser representado por uma linha, que é unidimensional. Já uma parede pode ser associada a um retângulo, circular reto de altura 50 m e raio 1 mm. O volume
que é uma figura bidimensional. Uma sala fica representada por um paralelepípedo, que é tridimensional. A de um cilindro é dado pelo produto da área da base
um grão de areia (que é tridimensional!) pode-se corresponder um ponto, que é adimensional. pela altura. Usando 3 como aproximação de π,
obtém-se que o volume de cobre será de
Quando se fala de dimensão, refere-se a dimensão do objeto. Nos exemplos anteriores os objetos eram reta, aproximadamente
plano e o espaço. De maneira um pouco mais precisa, a noção de dimensão de um “objeto” está associada à 3(10−3 )2 m2 × 50 m = 150 × 10−6 m3 . Portanto, a
quantidade de informações necessárias para estabelecer a localização de um ponto. Vejamos alguns exemplos: massa de cobre é
b) Uma circunferência é unidimensional. Intuitivamente, um ser muito pequeno que habite sobre uma Duas latas de tinta bastam.
circunferência e que não pode sair dela, deve achar que vive em uma reta, afinal, ele só pode andar b) Como a tinta é diluída a 80%, o volume total
para frente e para trás. Na abordagem mais precisa, para localizar um ponto em uma circunferência de de tinta necessário para pintar uma demão de
centro O, também escolhemos um ponto de referência, digamos X . Cada ponto P da circunferência pode 100 m2 é 3,6 L × 1,8 = 6,48 L = 6,48 × 10−3 m3 .
13
Considere uma área plana de 100 m2 , como um ser localizado pela indicação do ângulo XOP
\ (veja a Figura 1.5) e de um sentido de percurso do ângulo
muro retangular. Quando pintada, a tinta sobre essa previamente escolhido. Como um único número basta para localizar qualquer ponto na circunferência, a
área pode ser observada como um paralelepípedo de circunferência é unidimensional.
área da base 100 m2 cuja altura é justamente a
(finíssima) espessura de tinta da pintura. O volume
desse paralelepípedo é 6,48 × 10−3 m3 . Logo a
espessura da tinta é aproximadamente P
(6,48 × 10−3 m3 )/100 m2 = 6,48 × 10−5 m = 40◦ X
−2
O
6,48 × 10 mm = 0,0648 mm.
Na Figura 1.7, o ponto P do plano tem coordenadas x = 5 e y = 2, o que é representado pelo par
ordenado (5, 2), isto é, P = (5, 2). Como são necessários dois números para localizar qualquer ponto do
plano, o plano é bidimensional.
Uma observação importante é a seguinte: uma maneira de se representar uma circunferência de centro
na origem do sistema de coordenadas e com raio 1 é por meio da equação x2 + y 2 = 1, isto é, os pontos
da circunferência são os pontos de coordenadas (x, y) que satisfazem a equação x2 + y 2 = 1. Isso não
significa que a circunferência tem dimensão dois porque as coordenadas x e y da circunferência
√ não
são realmente
√ independentes, já que fixado x, o valor de y só tem duas possibilidades y = 1 − x 2 ou
y = − 1 − x2 .
14
Outras figuras bidimensionais. Uma maneira informal de se pensar em objetos bidimensionais é pensar
que um bichinho muito pequeno que viva sobre essa figura, vai acreditar que vive em um plano. A
superfície esférica é bidimensional pois desconsidera-se a região interior à esfera. De fato, mesmo um ser
humano em barco no meio do oceano pode achar que a terra é plana.
d P = (40◦ : d)
40◦ X
O P
O
e) O espaço é tridimensional. Analogamente, para localizar um ponto no espaço considera-se três eixos,
digamos OX , OY e OZ , com uma origem O, comum, de modo que quaisquer dois deles são perpendi-
culares entre si (Figura 1.9). Infelizmente, ainda não temos a linguagem adequada para explicar como
são obtidas as coordenadas de um ponto P do espaço a partir dos eixos OX , OY e OZ e da posição do
ponto P 1 . Mas, grosso modo, determinam-se as coordenadas (x, y) da “sombra” do ponto no plano
OXY e toma-se z como a altura de P em relação a esse plano. A Figura 1.9 dá uma ideia de como
determinar as três coordenadas de um ponto no espaço no sistema de coordenadas OX , OY e OZ .
f) Outras figuras tridimensionais. A esfera divide o espaço em duas regiões tridimensionais, a região interior
à esfera e a região exterior à esfera. Do mesmo modo, são tridimensionais as regiões interiores (e
exteriores) a um cilindro e a um paralelepípedo (veja a Figura 1.10). Na Geometria Espacial não é
comum fazer diferença entre a região e sua fronteira, então nos três exemplos de figuras tridimensionais,
pode-se considerar como partes das figuras as suas fronteiras: esfera, contorno do cilindro e as faces do
paralelepípedo.
Figura 1.10: Os interiores da esfera, do cilindro circular e do paralelepípedo são figuras tridimensionais
1 As coordenadas de qualquer ponto são obtidas pela projeção ortogonal deste ponto sobre cada um dos três eixos coordenados OX,
15
Dimensão e medidas
A dimensão de uma figura tem relação com as medidas a ela associadas. Por exemplo, mede-se o comprimento
de um segmento. Mede-se também o comprimento do contorno do retângulo, ou seja, o perímetro do retângulo.
De forma análoga, mede-se o raio de uma esfera. O segmento, o contorno do retângulo e o raio da esfera são
objetos matemáticos de dimensão um.
Já a área é a medida de uma forma bidimensional. Por exemplo, mede-se a área de um retângulo ou da
superfície da esfera. O volume é a medida de uma forma tridimensional. Mede-se o volume da região interior à
esfera. É importante observar que uma linha tem medidas de área e volume iguais a zero, pois uma linha é
unidimensional. Da mesma forma, os retângulos têm volume zero pois são formas bidimensionais.
Já reparou? No mundo real, tridimensional, muitas vezes a medida observada é de um atributo unidimensional
ou bidimensional dos objetos, corpos ou seres. Por exemplo, um fio elétrico: no momento da compra, é o
comprimento, uma grandeza unidimensional, que determina a quantidade a ser adquirida. No entanto, são
diferenciados pela área de sua seção reta (a bitola do fio), uma grandeza bidimensional.
Para refletir
Em diversas áreas das ciências são necessárias mais do que três dimensões para que sejam descritos alguns
fenômenos. Para melhor entender dimensões superiores a três, podemos começar por um exercício que
envolve dimensões menores. Como seria um mundo de seres bidimensionais? Como apresentar para eles o
mundo tridimensional, que eles não conseguem enxergar? Isso e muito mais nos vídeos da Refletindo 1.
Fonte: Jos Leys, Étienne Ghys, Aurélien Alvarez Fonte: Isto é Matemática
Figura 1.11: Imagens dos vídeos sobre Dimensão 2 e Dimensão 3 e Dimensão 4, respectivamente
Praticando
Atividade 2
A coelha e o cervo2
As questões a seguir referem-se ao vídeo “A coelha e o cervo” disponível neste link.
Objetivos Específicos
Sinopse
A coelha e o cervo A coelha e o cervo vivem juntos e felizes em um universo plano, até que o cervo fica intrigado com um
Entender o conceito de dimensão. cubo mágico que aparece em sua TV quando esta se quebra. O cervo fica obcecado em descobrir o mundo
tridimensional. Um acidente o projeta para esse universo e ele então se vê separado de sua amiga coelha.
Veja como esses dois personagens resolvem essa situação nesse encantador curta metragem de Péter Vácz (
Sugestões e discussões Figura 1.12).
16
turma, escolhas ou modificações devem ser feitas.
Sinta-se livre para fazê-las!
Parece óbvio, mas vale o conselho: sempre
assista ao vídeo antes de trabalhar com ele em sala
de aula.
Antes dos alunos assistirem ao vídeo, sugerimos
que eles leiam as questões que serão trabalhadas.
Figura 1.12: Imagens ilustrativas do curta-metragem Enriquecimento da discussão:
Fonte: Péter Vácz
Este curta-metragem já ganhou mais de 100
prêmios internacionais.
PARTE 1: questões gerais No vídeo, o cubo colorido que aparece várias
vezes é conhecido como o cubo mágico ou cubo de
Rubik. Este quebra-cabeça foi inventado em 1974
pelo escultor e professor de arquitetura húngaro Ernö
a) Na sua opinião, o vídeo quer transmitir alguma mensagem? Qual? Rubik. Resolvê-lo consiste em deixar cada uma de
suas seis faces com uma única cor. Para isso, o
b) Como a coelha e o cervo veem um ao outro, no mundo bidimensional em que vivem no início do vídeo? usuário pode girar seus mecanismos. O matemático
português Rogério Martins fala um pouco mais sobre
c) No mundo bidimensional em que vivem a coelha e o cervo no início do vídeo é possível que personagens o cubo mágico no vídeo (https://goo.gl/eQhDXo)
e objetos passem um pelos outros. Observe, por exemplo, a cena em que a massa de bolo suja a coelha da série Isto é Matemática. Uma curiosidade:
(1:09-1:14). Supondo que, nesse mundo bidimensional dois corpos não possam ocupar a mesma posição existem 43.252.003.274.489.856.000 posições
diferentes para o cubo de Rubik (Bandelow, 1982).
ao mesmo tempo, isto seria realmente possível? Como seria uma abraço? Como você acha que eles
Uma versão interativa virtual do cubo de Rubik que
deveriam fazer para passar por alguma coisa que estivesse em seu caminho?
pode ser executada em dispositivos móveis pode ser
encontrada em http://goo.gl/sc2qUL.
d) Após um sonho, o cervo começa uma pesquisa frenética em busca de algo. Qual objeto o instiga a
Existem várias outras animações que tratam da
pesquisar? O que ele busca?
questão da dimensão e que podem ser exibidas junto
com “A Coelha e O Cervo”: “Homer” do seriado
e) Depois que o cervo e a coelha vão para o mundo tridimensional, em uma das cenas, aparece uma “Os Simpsons”, “2-D Blacktop” do seriado
borboleta pousada na coelha. No vídeo, você diria que a borboleta está representada mais como um “Futurama”, “Planolândia - O Filme” e “Dimensões”
objeto semelhante a coelha, bidimensional, ou ao cervo, tridimensional? Por quê? (http://goo.gl/dgYi6S).
f) Na sua pesquisa, o cervo consultou vários livros e se deparou com um desenho e as letras x, y e z ( Link para o vídeo:
Figura 1.13). Por que, na sua opinião, o cineasta decidiu usar essas duas representações nesse ponto da https://www.youtube.com/watch?v=_IEvklgjC-U.
Tem apenas 16’25”. Página web oficial:
história?
http://www.rabbitanddeer.com.
17
horizontal, deveria passar por cima ou por baixo do
objeto.
d) Um cubo mágico. O cervo busca entender o
mundo tridimensional.
e) Resposta pessoal. Possível resposta:
Bidimensional, embora não esteja sempre contida
em um único plano. Parece que cada asa da Figura 1.14: O cervo interage com um quadrado
borboleta está contida em um plano. Fonte: Péter Vácz
f) Resposta pessoal. Possível resposta: o cineasta
deve ter considerado que nos estudos do cervo ele c) Que figuras começam a surgir do chão depois que o cervo joga o quadrado no chão? Em que elas se
teria entendido o conceito de dimensão considerando transformam? (02:48-02:59)
sistemas de coordenadas OXY Z, por exemplo.
d) O que o cervo acha em um dos livros que está estudando? Por que você acha que a letra z está
PARTE 2: destacada? (03:21-03:41)
a) Resposta pessoal. Possível resposta: o cineasta
e) No vídeo (04:15-04:19), o cervo desenha um círculo, com um “cervo vitruviano” no seu interior, usando
queria representar um cubo.
um compasso (Figura 1.15). Em um mundo bidimensional, seria possível o cervo desenhar um círculo
b) Resposta pessoal. Possível resposta: o cervo fazendo os movimentos que ele fez com o compasso, como mostra o vídeo?
está tentando visualizar o cubo a partir do quadrado.
Isto é, intuir sobre a terceira dimensão, a partir das
duas dimensões em que vive.
c) Surgem quadrados coloridos do chão e eles se
transformam em paralelepípedos.
d) O cervo encontra um cubo com as letras x, y e
z no livro. A resposta à outra pergunta é pessoal.
Uma possível resposta é: a letra z estava destacada
porque o livro explica o mundo tridimensional para Figura 1.15: O cervo usa um compasso para desenhar o cervo vitruviano
seres bidimensionais, que usam apenas as Fonte: Péter Vácz
coordenadas x e y para representar esse mundo.
e) Não é possível usar o compasso da maneira f) Depois que a bebida cai no computador do cervo, ele recebe uma descarga elétrica e desaparece. Ao
indicada. Aparentemente, o vídeo mostra o que seria
reaparecer, qual é o primeiro objeto que ele vê? Que diferenças você consegue ver no cervo antes e
a projeção ortogonal sobre um plano vertical do uso
de um compasso no mundo tridimensional. depois deste acontecimento? (05:28-06:06)
f) O primeiro objeto que ele vê é um cubo mágico.
O cervo está tridimensional. Pode-se ver dois olhos,
dois chifres e duas orelhas, antes só se via um lado.
Exercícios
Assista aos vídeos disponibilizados no Refletindo 1, e escreva um texto com entre 15 e 25 linhas sobre o que
você aprendeu. Use as perguntas na Atividade 2 como inspiração para construir o seu texto.
18
19
20
21
Para o professor:
Nesta seção são estabelecidas a linguagem matemática da Geometria Espacial, as posições relativas entre
retas (concorrentes, paralelas ou reversas), entre retas e planos (contida, paralela ou secante) e entre planos
(paralelos ou secantes). O desenvolvimento da percepção espacial e da habilidade de visualização espacial
também está presente em toda a seção. Os principais objetivos desta seção são:
Entender conceitos da geometria espacial como o significado de pontos e retas não coplanares, que
planos são ilimitados etc.
Nesta seção, os estudantes devem alcançar o nível de Demonstração Informal no pensamento geométrico
de van Hiele para os conceitos estudados. Dentre as novidades em relação ao tradicionalmente estudado no
Ensino Fundamental estão o foco na argumentação, a precisão na linguagem matemática, as definições de
retas reversas, reta perpendicular a plano e planos secantes. Além disso, a Atividade 6 oportuniza a reflexão e
a discussão sobre as fragilidades da representação gráfica de planos. Neste material não abordamos planos
perpendiculares nem ângulo entre reta e plano ou ângulo entre planos.
22
1.2 Geometria Espacial
Objetivos Específicos
Explorando Geometria Espacial
Percepção espacial
Sugestões e discussões
Atividade 3
Percepção espacial
A Parte 1 desta atividade não tem solução única ou
mesmo solução correta. Ele visa estimular a
PARTE 2:a A Figura 1.17 sugere a imagem de um cubo do
percepção espacial dos estudantes e levá-los a
PARTE 1: Observe as imagens na Fi- qual um pedaço foi retirado, gerando uma superfície plana reconhecer que a visualização espacial e a
gura 1.16 e decida se, em cada uma delas, circular. Isso é possível? Ou seja, é possível retirar um comvermelhounicação de informações espaciais, por
os segmentos destacados em vermelho têm pedaço de um cubo por meio de um único corte gerando uma meio de figuras não é simples. Permita que os
o mesmo comprimento. Explique a sua res- superfície plana circular? estudantes se expressem e discutam entre eles. O
posta. reconhecimento das dificuldades para se expressarem
vai ajudá-los a entender o motivo de fixarmos, nesta
seção, a linguagem própria da Geometria Espacial.
Solução
Figura 1.17: Esta é uma seção possível do cubo? PARTE 1: Depende da interpretação dada às
figuras. Medindo com uma régua, obtém-se que os
Figura 1.16: Compare as linhas vermelhas Fonte: Mitsumasa Anno
quatro segmentos vermelhos têm o mesmo
Fonte: Elaborada pelos autores a Adaptada de Jacobs, H. R. (2003). Geometry: seeing, doing, unders-
comprimento. Contudo, na figura da esquerda o
tanding. Macmillan.
sombreamento pode indicar profundidade na
representação em perspectiva de uma imagem
tridimensional. Neste caso, o segmento vermelho da
direita, nesta figura, deve ser maior do que o
Atividade 4 segmento vermelho da esquerda na mesma figura.
Pintando o cubo com o GeoGebra 3
PARTE 2: A interseção de um cubo (sólido) com
um plano não pode ser um círculo. A interseção de
Construa um cubo na janela 3D do GeoGebra e nomeie os vértices do cubo de acordo com a Figura 1.18. um plano com cada uma das faces que intersecta o
Rotacione o sólido e, utilizando as movimentações necessárias, siga as orientações abaixo: cubo é um segmento de reta, então os pontos A, B
e C da Figura 1.3 precisam estar alinhados, ou seja,
sobre uma mesma reta.
a) Pinte de azul as arestas paralelas à aresta CD.
D0 C0
b) Que faces contêm o vértice B ? Pinte-as de amarelo e pinte B0
de vermelho as que não contém. A0
c) Construa uma reta perpendicular à face ADD0 A0 que passe
pelo centro dessa face.
D C
d) Marque em vermelho, se houver, a interseção entre as faces
A B
BCC 0 B 0 e CDD0 C 0 .
e) Construa uma reta paralela ao plano BCC 0 B 0 que não con- Figura 1.18: Colorindo o cubo Figura 1.3: Os pontos A, B e C estão na inter-
tém aresta do cubo. Fonte: Elaborada pelos autores seção de dois planos
Fonte: Adaptada de Mitsumasa Anno
3 Atividade adaptada de BORSOI, Caroline. Situações Geométricas espaciais no Geogebra 3D. In: VII CONGRESSO INTERNACIONAL
23
Atividade 5
Objetivos Específicos Relações espaciais
PARTE 1: Para responder às perguntas, procure imaginar pontos, retas e planos no espaço. Se necessário, use
Pintando o cubo com o GeoGebra desenhos ou materiais concretos, tais como folhas de papel, para representar planos e lápis, canetas ou canudos
Reconhecer retas paralelas, retas paralelas e para representar retas. Lembre-se: pontos são adimensionais, retas unidimensionais, planos bidimensionais e o
perpendiculares a planos, interseção entre planos. espaço tridimensional. Caso alguma palavra ou expressão não faça sentido para você, procure no Glossário,
pergunte ao seu professor ou pesquise na internet.
Sugestões e discussões
a) Considere um ponto A no espaço. Quantas retas no espaço contêm A?
Esta atividade visa contribuir para a visualização b) Considerando o mesmo ponto A do item anterior. Existe reta no espaço que não contenha A? Se sim,
espacial dos estudantes e iniciar o contato com a quantas?
linguagem que será relembrada ou introduzida nesta
seção. Consideramos que o estudante está no nível c) Considere agora dois pontos distintos A e B no espaço. Quantas são as retas que contêm A e B ?
da visualização para as relações espaciais entre
pontos, retas e planos. Caso a turma esteja d) Considere agora duas retas r e s paralelas. Existe algum plano no espaço que contenha r e contenha s,
avançada, considere resolver o problema no quadro ou seja, essas retas são coplanares?
usando um projetor ligado a um computador
enquanto conversa com os estudantes, isso deve
e) Considere duas retas r e t no espaço tais que r e t não têm ponto comum, ou seja, não se intersectam.
poupar tempo.
As retas r e t são necessariamente paralelas? Explique a sua resposta, pode ser com uma figura.
A atividade propõe o uso do aplicativo GeoGebra e,
para isso, depende que os estudantes tenham f) As retas r e t do item anterior são coplanares?
dispositivos móveis com o app GeoGebra 3D
instalado ou que estejam conectados à internet. g) Explique por que dadas duas retas distintas no espaço, elas necessariamente são concorrentes, paralelas
ou reversas (ou seja, não coplanares).
Importante manter o foco na linguagem utilizada
pelos estudantes assim como na habilidade de
visualizar em 3D. Evite subestimar a dificuldade de PARTE 2: Considere três pontos A, B e C no espaço. Suponha que os pontos A, B e C não são colineares,
visualização dos estudantes. isto é, que nenhuma reta contenha todos os três pontos.
Solução a) Quantas são as retas que contêm dois desses três pontos?
b) Os três pontos são coplanares? Isto é, existe um plano que contenha todos os três pontos?
a) Devem ser coloridas de azul as arestas C 0 D0 ,
A0 B 0 e AB. c) Existem dois planos diferentes que contenham os mesmos três pontos não colineares, A, B e C ?
b) As faces que contêm o vértice B são ABCD,
ABB 0 A0 e BCC 0 B 0 . d) Considere um quarto ponto D no espaço. Este ponto é necessariamente coplanar com os pontos A, B
c) A reta em questão é determinada pelo ponto I,
e C?
centro da face ADD0 A0 , e J, centro da face
BCC 0 B 0 . e) Em uma folha de papel, faça uma figura que represente quatro pontos não coplanares e faça os segmentos
de reta ligando cada dois destes pontos. Busque deixar claro quais elementos estão na frente e quais
d) A aresta CC 0 deve ser colorida de vermelho.
estão atrás.
e) Existem infinitas retas com as propriedades
solicitadas, uma possibilidade é a reta LK, onde L é
o ponto médio de A0 B 0 e K é o ponto médio de PARTE 3: Use este aplicativo ou folhas de papel para visualizar e responder às perguntas:
AB.
24
a) É possível que uma reta intersecte um plano em exatamente dois pontos? Por quê?
Sugestões e discussões
b) Pode haver uma reta e um plano que não se intersectam no espaço? Faça uma figura para ilustrar a sua
resposta.
Esta atividade pretende levar os estudantes a refletir
livremente sobre o espaço e suas características a
c) Represente por figuras as possíveis interseções entre um plano e uma reta no espaço.
partir da visualização. Espera-se que os estudantes
reflitam individualmente e negociem com seus
d) Escolha um ponto P em um plano α. Dentre todas as retas que passam por P , mas não estão contidas colegas e o professor quais são as características
em α, existe alguma que lhe parece especial em relação ao ângulo que faz com as retas de α? Use este “razoáveis” das relações entre os objetos primitivos
aplicativo antes de responder. Como deveríamos nomear essa reta? da geometria espacial. Isto é, buscamos fazer a
ponte entre a visualização e a análise, no nível de
desenvolvimento do pensamento geométrico dos
estudantes.
Recomenda-se que:
25
Na Parte 3 itens b) e d) é importante ajudar os Além disso, pode ser necessário identificar a interseção
estudantes a reconhecer que os planos são ilimitados de figuras tridimensionais com planos. Por exemplo, a
em todas as direções. É comum que os estudantes Figura 1.21 ilustra a interseção de um cone com um
confundam planos com regiões planas como
plano, nesse caso, formando uma elipse. Em resumo: as
paralelogramos.
representações podem levar a dúvidas ou a equívocos,
como na Atividade 3 e isso reforça a necessidade de se re-
Solução forçar o uso adequado da linguagem e da argumentação
matemática.
As noções geométricas primitivas de ponto, reta e plano
PARTE 1:
são também a base da Geometria Espacial. A partir
a) Infinitas. dessas noções discutimos e estabelecemos resultados
próprios da Geometria Espacial. A Atividade 5 per-
b) Sim, infinitas. Figura 1.21: Seção de um cone por um plano
mitiu reconhecer alguns fatos intuitivos da Geometria
c) Uma única reta contém dois planos distintos.
Espacial: Fonte: Adaptado pelos autores de TikzBlog
d) Sim, retas paralelas são coplanares, por
definição. Isso será estabelecido no Organizando 2.
e) Não, as retas r e t podem ser reversas também.
Por exemplo, as retas que contêm as arestas AB e P1. por dois pontos passa uma única reta,
DG, no cubo da Atividade 4.
f) Não são coplanares.
P2. por três pontos não colineares passa um único plano,
g) Dadas duas retas elas podem ser coplanares ou
P3. se uma reta possui dois de seus pontos em um plano, então esta reta está contida no plano,
não. Já sabemos da Geometria Plana que duas retas
coplanares distintas são paralelas ou concorrentes.
Quando não são coplanares são chamadas de P4. se dois planos possuem um ponto em comum, então eles possuem uma reta em comum.
reversas.
PARTE 2:
Esses fatos são assumidos como verdadeiros e não serão justificados. São, portanto, chamados postulados,
a) Três retas contêm dois dos três pontos que são princípios que fundamentam a teoria subsequente. A partir deles são provadas todas as demais afirmações da
as retas AB, AC e BC. teoria. Segue um exemplo de afirmação e sua respectiva prova a partir dos postulados:
b) Sim, três pontos são sempre coplanares.
c) Não, existe um único plano que contém três Afirmação: Se r e s são duas retas concorrentes, então as retas r e s são coplanares, isto é, existe um plano
pontos não colineares dados. que contém r e s.
d) Não, o ponto D pode não pertencer ao plano
que contém A, B e C. Por exemplo, os pontos A, Prova: Como r e s são retas concorrentes, elas se intersectam em um único ponto. Vamos chamar esse ponto
B, C e D podem formar um tetraedro. de A. Sejam B um ponto de r e C um ponto de s, ambos diferentes de A, como na Figura 1.22.
e) É importante que se deixe claro o que está na
frente e o que está atrás usando tracejado, por
exemplo. A Figura 1.4 ilustra quatro pontos não
coplanares. Eles, necessariamente, formam um
tetraedro.
26
Posições relativas entre retas. b) A interseção de dois planos pode ser vazia,
uma reta ou os planos podem ser iguais.
Na Atividade 5, você percebeu que duas retas diferentes no espaço podem ser coplanares ou não-coplanares.
Coplanares significa que existe um plano que contém as duas retas. Nessa situação, as retas ou são paralelas c) Dois planos diferentes dividem o espaço em 3
três regiões, caso sejam paralelos, e dividem o
ou são concorrentes, como você já conhece da Geometria Plana. Naturalmente, duas retas são não-coplanares
espaço em 4 regiões, caso não sejam paralelos.
quando nenhum plano contém as duas. Retas não-coplanares são também chamadas de retas reversas (veja
Figura 1.23). Dadas duas retas r e s distintas, temos as seguintes possibilidades no espaço: d) Não é possível. Dois planos que têm um ponto
em comum são iguais ou têm uma reta como
interseção. Esse é um postulado que será introduzido
no Organizando. Mas intuitivamente, cada plano
indica duas direções diferentes (dimensões) e o
espaço tem apenas três dimensões, então dois planos
distintos sempre têm ao menos uma direção comum.
PARTE 4:
Observando o cubo ABCD − A0 B 0 C 0 D0 da Figura 1.24, qual é a posição relativa entre as retas AB e DA0 ?
Pelo Postulado 2, existe um único plano que contém os pontos A, B e A0 . Esse é o plano que contém a
face ABB 0 A0 . No entanto, esse plano não contém o vértice D. Portanto, as retas AB e DA0 são reversas.
Quantos pares de retas paralelas você consegue identificar usando as arestas desse cubo? Na sua contagem,
você incluiu as retas AB e D0 C 0 ? Essas retas são paralelas e, portanto, coplanares! ;-)
Até aqui, dados uma reta e um plano no espaço temos três possibilidades: a reta é paralela ao plano (interseção
vazia), a reta é secante ao plano (a interseção é exatamente um ponto) ou a reta está contida no plano
(a interseção é a reta inteira). Como afirmado no Postulado 3, e confirmado por nossa intuição, se uma
27
reta intersecta um plano em dois pontos, então essa reta está contida no plano. Observe que isso esgota as
possibilidades de posições relativas entre reta e plano.
Elementos na
Linguagem usada Exemplo visual
interseção
0 “r é paralela a α” ou “α é paralelo a r”
1 “r é secante a α” ou “α é secante a r”
Fixados um plano α e um ponto P desse plano, existem infinitas retas secantes a α passando pelo ponto
P . Uma dessas retas tem posição privilegiada em relação às demais, é a reta que é perpendicular a todas as
retas de α que passam por P (veja Figura 1.25). Diremos que uma reta secante a um plano é perpendicular
a esse plano quando for perpendicular a todas as retas que passam pelo ponto de interseção da reta com o
plano. Nesse caso, também é comum dizer que o plano é perpendicular à reta. Se você sentir necessidade
de manipular os objetos para melhor visualizar a definição, use este aplicativo. Nele você pode reconhecer
também o seguinte fato que não justificamos aqui: “Se uma reta é perpendicular a duas retas concorrentes de
um plano, então ela é perpendicular ao plano.”
Reta r perpendicular ao
Vista frontal Vista lateral Vista superior
plano α
Fixado um plano α é um fato importante, que não será justificado aqui, que por cada ponto P do espaço,
existe uma única reta perpendicular a α passando por P . O ponto P 0 definido como a interseção dessa reta
com α é chamado de projeção ortogonal de P sobre α (veja a Figura 1.27). Da mesma forma, a projeção
ortogonal de um conjunto em um plano é o conjunto formado pela projeção ortogonal de cada um de seus
pontos. Essa linguagem é usada nos exercícios.
28
Posições relativas entre planos.
Como vimos, o espaço da Geometria Espacial tem três dimensões. É disso que trata o Postulado 4: se dois
planos possuem um ponto em comum, então eles possuem uma reta em comum. Intuitivamente, como cada
plano representa duas dimensões e o espaço possui apenas três dimensões, ou esses dois planos determinam as
mesmas “direções” (são iguais ou paralelos) ou eles compartilham uma “direção” (são secantes). Isto é, se
dois planos são diferentes, então ou eles são paralelos ou a interseção dos dois é exatamente uma reta (veja
Tabela 1.2). Perceba que se três pontos não colineares pertencem à interseção de dois planos, então os planos
são iguais.
Distâncias no espaço.
A distância entre dois pontos no espaço é o comprimento do segmento de reta que une esses dois pontos. No
espaço, assim como no plano, é comum que esse comprimento seja calculado usando-se para isso o Teorema
de Pitágoras.
Sejam a, b e c números reais positivos. A Figura 1.26 ilustra o paralelepípedo ABCD − A0 B 0 C 0 D0 reto-
-retângulo (todas as faces são retângulos) de lados AB = a, BC = b e CC 0 = c. Calcule o comprimento
da diagonal DB 0 do paralelepípedo em função de a, b e c.
29
α é d(P ; α) = P P 0 em que P 0 é o ponto de α mais próximo de P (veja a Figura 1.28), pois se Q é qualquer
outro ponto de α, então P Q é a hipotenusa do triângulo retângulo P P 0 Q, logo P P 0 < P Q.
P P
d d
α P0 α P0 Q
Figura 1.27: Distância do ponto P ao plano α Figura 1.28: d(P ; α) ≤ P Q para todo Q ∈ α
Fonte: Elaborada pelos autores Fonte: Elaborada pelos autores
A distância entre dois planos paralelos é a distância entre um dos planos e um ponto qualquer do outro plano.
Repare que essa distância não depende do ponto escolhido em um dos planos (Exercício Item 5.).
Praticando
Atividade 6
Representação limitada de planos ilimitados
a) Duas folhas de papel estão apoiadas numa mesa b) Discuta a veracidade da afirmação: “a Fi-
de escritório como indicado na Figura 1.29 e gura 1.30 ilustra dois planos que se intersectam
Objetivos Específicos em um único ponto.”
representam os planos α e β . Os planos α e β
representados são iguais, paralelos ou secantes?
Representação limitada de planos
ilimitados α
α β
Reconhecer que um plano é ilimitado em todas
as direções por ele determinadas.
Reconhecer fragilidades da representação usual
de planos por paralelogramos. β
A
Sugestões e discussões Figura 1.29: Representação de planos Figura 1.30: Dois planos se intersectam em A?!
Fonte: Adaptada pelos autores de Frédéric Fonte: Elaborada pelos autores
Nota 1
Um plano é ilimitado, isto é, fixando um ponto O do Atividade 7
plano e qualquer número r > 0, o círculo de centro Paralelas e reversas no cubo
O e raio r está inteiramente contido no plano.
Assim como não é possível desenhar uma reta Considere o cubo ABCD − A0 B 0 C 0 D0 da Figura 1.31.
(inteira), não é possível desenhar um plano inteiro.
A representação usual é a de paralelogramos, que
representam regiões do plano. Mas essa
representação pode levar a confusões, como as
destacadas nos itens desta atividade.
Solução
30
em todas as direções. As folhas de papel são apenas
a) Liste todas as retas reversas à reta AB que passem por dois D0 C0 representações do plano, não são planos realmente.
vértices do cubo que você conseguir. b) Embora esteja representado na figura apenas
B0
b) Escolha uma dessas retas e explique por que não existe um A0 por uma região, o plano α é ilimitado. Então ele
plano que contenha a reta escolhida e a reta AB . intersecta o plano β em uma reta que contém o
ponto A. Essa percepção é ratificada no Postulado
c) Liste todas as retas paralelas à reta AB que passem por dois
4.
vértices do cubo. D C
A B
d) Escolha uma dessas retas e explique por que ela é paralela a
AB . Se for necessário na sua argumentação, você pode usar Figura 1.31: Reversas e paralelas
o seguinte fato: Se duas retas são paralelas a uma terceira no cubo
Objetivos Específicos
reta, então as retas iniciais são paralelas entre si. Fonte: Elaborada pelos autores
Paralelas e reversas no cubo
d) Se uma reta r não está contida no plano α e é perpendicular à reta s que está contida no plano α, então Considere adaptar esta atividade para que o
a reta r e o plano α são perpendiculares. estudante use cores para identificar as reversas e
paralelas ao invés de listar. Neste caso, pode ser
e) Veja as Figura 1.32 e reveja as suas respostas nos itens a), b), c) e d). desenvolvida no GeoGebra.
Solução
31
d) Explicação para AB e CD. As retas AB e CD
são paralelas porque contém os segmentos opostos posição α∩β β∩γ α∩γ α∩β∩γ Representação gráfica
do quadrado ABDC, que são paralelos. Explicação
para AB e C 0 D0 . Da mesma forma como justificado
1 plano plano plano plano
que AB e CD são paralelas mostra-se que CD e
D0 C 0 são paralelas. Se AB é paralela a CD e CD é
paralela a C 0 D0 , então AB é paralela a C 0 D0 .
2 plano ∅ ∅
3 plano reta
Objetivos Específicos
7 reta reta
a) Verdadeira.
32
3. No espaço existem polígonos diferentes daqueles do plano. Um quadrilátero reverso é um quadrilátero
em que os lados opostos estão contidos em retas reversas. Desenhe um quadrilátero reverso.
4. Quantos planos podem ser formados por 4 pontos não coplanares? Faça uma figura representando esses
planos pelos triângulos que determinam cada um deles.
5. Considere α e α0 dois planos paralelos, considere também a reta r, que intersecta α no ponto A e α0 em
A0 . Seja s reta paralela a r, que intersecta α em B e α0 em B 0 .
a) Explique por que o quadrilátero ABB 0 A0 é um paralelogramo.
b) Conclua que a distância de A a α0 coincide com a distância de B a α0 quaisquer que sejam A e B
em α.
Objetivos Específicos
Sugestões e discussões
Solução
Nota 2
33
Solução dos exercícios
1. a) Verdadeira. Pelo Postulado 1, por dois pontos diferentes passa uma única reta.
b) Verdadeira. Pelo Postulado 2, por três pontos não colineares, passa um único plano. Caso os três
pontos sejam colineares, então também são coplanares, mas não vale mais a unicidade.
c) Falso. Três pontos não colineares determinam um plano. Se os três pontos são colineares, existem
infinitos planos que os contêm, então nenhum plano fica “determinado” pelos três pontos.
f) Verdadeira. Por dois pontos distintos passa uma reta e por uma reta passam infinitos planos.
2. É verdade que retas reversas não estão contidas em um mesmo plano. Mas retas concorrentes ou
paralelas, embora sejam coplanares, podem estar contidas em planos diferentes. Afinal, existem infinitos
planos que contém cada uma das retas no espaço. Assim, a afirmação não serve para definir as retas
reversas.
Retas reversas são retas não coplanares, isto é, não existe um plano que contenha as duas retas.
4. Se 4 pontos não são coplanares, então cada três deles são não colineares. Se os pontos são A, B , C e
D, então os quatro planos são BCD, ACD, ABD e ABC . A Figura 1.34 ilustra um exemplo.
34.a
Figura 1.34: Planos determinados por quatro pontos não coplanares
Fonte: Ilustração técnica. Refazer.
5. Um paralelogramo é um quadrilátero que possui os lados opostos paralelos. Por construção, as arestas
laterais AA0 e BB 0 estão contidas em retas paralelas. Falta explicar que AB e A0 B 0 definem retas
paralelas (veja Figura 1.35). As retas AB e A0 B 0 não podem ser concorrentes porque estão contidas em
planos paralelos. Mas as retas AB e A0 B 0 também não podem ser reversas porque ambas estão contidas
no plano que contém as retas paralelas AA0 e BB 0 . Como duas retas distintas no espaço só podem ser
paralelas, concorrentes ou reversas, as retas AB e A0 B 0 são paralelas. Portanto, o quadrilátero ABB 0 A0
é um paralelogramo. O item b) decorre do item a). Para isso, basta considerar a reta r perpendicular
aos planos α e α0 .
r s
α0
A0
B0
α
A
B
34.b
34.c
34.d
34.e
Para o professor:
Nesta seção a linguagem estabelecida na seção anterior é usada para se construir a classe de exemplos que
chamamos de cilindro. Diferente da maioria dos textos para o Ensino Médio, aqui definimos cilindros de base
qualquer e não apenas com base circular. O objetivo é incluir na mesma classe os prismas, além de outros
exemplos. Apesar da generalidade da definição, o foco será maior nos casos particulares dos cilindros circulares
e dos prismas. A primeira atividade desta seção (Atividade 10) traz uma reflexão sobre as diversas maneiras
de se agrupar os sólidos estudados e uma discussão mais geral sobre classificação de objetos em Matemática
está no Organizando 3. Aqui, especificamente, essa organização permite sugerir uma infinidade de sólidos
tradicionalmente não estudados no Ensino Médio, como o da Parte II da Atividade 11. A abrangência da
definição de cilindro é coerente com a opção destacada no início do capítulo por desenvolver as habilidades de
visualização e de representação espacial. No capítulo que trata de Volumes deste módulo (??), o estudante
verá que o volume de qualquer objeto da categoria dos cilindros tem a mesma expressão de cálculo, dada
pelo produto da área da base pela altura. A grande ideia da matemática que é enfatizada nesta seção é a
congruência de figuras planas. Nesta seção não são destacadas relações métricas como comprimento, área ou
volume dos sólidos estudados. Os principais objetivos específicos desta seção são:
Entender cilindros e prismas por meio de suas propriedades e não apenas por associação ou semelhança
visual.
Desenvolver a habilidade de visualização espacial por meio do reconhecimento de seções do cubo por um
plano.
34.f
1.3 Cilindros
Objetivos Específicos
Explorando Cilindros
Solução
Atividade 11
Congruências no espaço
Objetivos Específicos
São dados os planos paralelos α e α0 , a reta s, secante a ambos os planos e uma região R no plano α.
Considere a seguinte construção:
Congruências no espaço
Construção: “Por cada ponto P de R, seja P0 o ponto de interseção do plano α0 com a reta paralela a s que
passa por P .”
Entender que a construção que define um
cilindro determina bases congruentes.
Nessa situação dizemos que os pontos P e P0 são correspondentes.
35
Sugestões e discussões
Esta atividade pode ser desenvolvida com recurso PARTE 1: Considere a Figura 1.37 ou o aplicativo
computacional. Mas isso não é essencial. Esta
para esta parte. Que figura é formada em α0 pelos
atividade deve desenvolver o pensamento geométrico
dos estudantes nos níveis de visualização, análise e
pontos P 0 da construção, quando P se move por
uma introdução à dedução informal para o toda região R? No aplicativo, movimente o ponto
entendimento de cilindros. No Organizando P sobre R.
espera-se consolidar a dedução informal (ver Kaleff
et al., 1994 para mais detalhes).
Figura 1.37: Região R com forma menos usual
Recomenda-se que a atividade seja desenvolvida em
grupos de até 3 estudantes. Os aplicativos
Fonte: Ilustração técnica. Refazer.
construídos para esta atividade podem ser acessados
de dispositivos móveis conectados à internet. Isso
deve auxiliar na visualização da construção. Caso os
estudantes estejam compartilhando o mesmo PARTE 2: Considere a Figura 1.38 ou o aplicativo
dispositivo, recomenda-se que todos tenham a
para esta parte.
oportunidade de manusear os aplicativos. Caso a
atividade seja desenvolvida sem o uso de recurso
a) Marque os pontos A0 , B 0 e C 0 no plano α0
computacional, considere levar as figuras impressas e construa o triângulo A0 B 0 C 0 . Na versão
para distribuir aos estudantes. Em último caso, os eletrônica, use as ferramentas “reta paralela”,
estudantes podem desenhar as figuras em seus “ponto” e “polígono”.
cadernos. b) Identifique segmentos paralelos entre os seg-
Na PARTE 1 é recomendado que os estudantes mentos com extremidades nos vértices de
usem a janela de visualização 2D no aplicativo para ABC e de A0 B 0 C 0 . Trace esses segmentos
moverem o ponto P . Isso deve facilitar o manuseio e oculte eventuais retas suportes.
em dispositivos móveis. Figura 1.38: Ponto P 0 correspondente de P pela
c) Explique por que os triângulos ABC e
construção e R é o triângulo ABC
A0 B 0 C 0 são congruentes.
No item c) da PARTE 2, uma solução simples é usar
o aplicativo para exibir as medidas dos lados dos Fonte: Elaborada pelos autores
triângulos, por exemplo. Para isso, use a ferramenta
“distância, comprimento ou perímetro”. Mas
também pode-se resolver como na solução. PARTE 3: Sejam P e Q dois pontos de R e P 0 e Q0 seus correspondentes em R0 . Explique por que os
Havendo tempo, um desdobramento interessante é segmentos P Q e P 0 Q0 são congruentes e paralelos. Sugestão: considere o quadrilátero P QQ0 P 0 .
resolver problema análogo ao da Parte 2 com um
pentágono no lugar do triângulo. Nesse caso,
pode-se triangular o pentágono a partir de um
vértice e usar a congruência dos triângulos formados.
Lembre-se que é necessário argumentar que os
ângulos internos correspondentes são iguais.
PARTE 2:
36
b) A Figura 1.7 ilustra o resultado esperado.
As bases dos cilindros são congruentes Observação A justificativa da afirmação “As bases de qualquer
cilindro são regiões congruentes” usa linguagem de
funções e pode ser omitida numa primeira leitura.
Primeiro é necessário lembrar a definição de congruência entre duas figuras planas ou espaciais. Esta é
a noção de “igualdade da geometria”, duas figuras congruentes são indistinguíveis a partir de medições
de distâncias, áreas, volumes etc. Por exemplo, a Figura 1.42 mostra figuras diferentes nas cores, mas
congruentes entre si. As figuras são congruentes porque uma foi obtida da outra por meio de uma rotação.
Escolhendo-se dois pontos em uma figura, digamos P e Q e seus correspondentes P 0 e Q0 na outra figura,
as distâncias P Q e P 0 Q0 são iguais.
37
P
P0
Q
Q0
Definição: Uma congruência entre R e R0 é uma correspondência biunívoca entre pontos de R e pontos de
R0 que preserva distâncias. Isto é, uma congruência é uma função bijetiva f : R → R0 com a propriedade
de que dados quaisquer P e Q pontos de R e P 0 = f (P ) e Q0 = f (Q), então os comprimentos dos
segmentos P Q e de P 0 Q0 são iguais.
Afirmação: A função f : R → R0 é bijetiva. Outro fato relevante sobre os cilindros é que as seções por planos paralelos aos planos das bases são regiões
congruentes às bases. Considere uma seção do cilindro da Figura 1.44 por um plano β , paralelo às bases
Justificativa: Sobrejetividade. A região R0 foi do cilindro. A interseção do plano β com os segmentos P P 0 que formam o cilindro, também é uma região
definida como a reunião dos pontos P 0 , que são
congruente a R pois a porção do cilindro entre α e β também é um cilindro de base R.
correspondentes dos pontos P ∈ R. Portanto, o
contradomínio é igual à imagem e a função f é
sobrejetiva.
38
s (que acabamos de descobrir que são iguais) com o
α0 plano α são os pontos P e Q, temos que P = Q.
Portanto, f é injetiva.
R0
α
R
Quando a reta s é perpendicular aos planos α e α0 , o cilindro é chamado de cilindro reto, caso contrário,
dizemos cilindro oblíquo.
A distância entre os planos α e α0 é a altura do cilindro, embora também seja comum usar essa expressão
para se referir a um segmento de reta perpendicular aos planos que tenha uma extremidade em α e outra
extremidade em α0 (na Figura 1.45 os cilindros têm mesma altura h = P P 0 ).
P0
α0
α P
Cilindro circular
Quando as bases de um cilindro são círculos, o cilindro é chamado de cilindro circular (ver Figura 1.45).
Também é comum usar simplesmente a palavra cilindro, sem especificar a base, para se referir a cilindros
circulares. Os termos definidos a seguir são usados para esses cilindros (ver Figura 1.46).
As geratrizes dos cilindros circulares são os segmentos P P 0 em que P pertence à circunferência da base.
Repare que quando o cilindro é reto, as geratrizes são alturas do cilindro.
A união das geratrizes de um cilindro circular formam o que chamamos de superfície lateral do cilindro.
O eixo de um cilindro circular é o segmento de reta que liga os centros das bases.
39
Figura 1.46: Elementos do cilindro
Fonte: Ilustração técnica (refazer a figura, esta é de livro didático proprietário!!)
Os cilindros circulares retos também são chamados de cilindros de revolução. Recebem esse nome porque
podem ser vistos como a união dos retângulos gerados pela rotação de um retângulo (região retangular) em
torno de um de seus lados (veja a Figura 1.47). Repare que o eixo de rotação é o eixo do cilindro e que a
superfície lateral do cilindro é gerada pela rotação do lado do retângulo oposto ao eixo de rotação.
Prismas
Quando as bases de um cilindro são regiões poligonais, o cilindro é chamado de prisma. Os prismas costumam
ser nomeados com a caracterização do polígono da base seguido da informação se é reto ou oblíquo. A
Figura 1.48 ilustra alguns exemplos.
40
prisma · · ·
Cada lado dos polígonos da base de um prisma é denominado aresta da base. Fixada uma aresta da base de
um prisma, a união dos segmentos P P 0 , em que P pertence a essa aresta, é um paralelogramo chamada de
face lateral do prisma (veja os exercícios Item 5. da Seção 1.2 e Item 5. desta seção para uma justificativa
desse fato). Se a base de um prisma é um polígono com n lados, então o prisma tem n faces laterais. A união
das faces laterais de um prisma é chamada de superfície lateral do prisma. Os lados das faces laterais não
contidos nas bases são chamados de arestas laterais do prisma. Para nos referirmos indistintamente às faces
laterais ou às bases do prisma, usamos a palavra face do prisma. Analogamente, usamos a palavra aresta para
nos referirmos tanto às arestas laterais como às arestas das bases. Quando um prisma reto tem por base um
polígono regular, ele é chamado de prisma regular. Repare que, quando o prisma é reto, qualquer aresta lateral
é altura do prisma. A Figura 1.49 ilustra a terminologia apresentada.
A base de um prisma é um polígono de n lados. Quantos vértices, arestas e faces tem esse prisma?
41
Solução: Número de vértices. Os vértices de qualquer prisma pertencem às bases. Como são duas bases,
cada uma com n vértices, o prisma possui 2n vértices.
Número de arestas. As arestas de um prisma são as arestas laterais e as arestas das bases. Cada uma das
duas bases possui n arestas, então são 2n arestas da base. Há uma aresta lateral conectando cada vértice
de uma base em seu correspondente na outra base, então são n arestas laterais. Portanto, o prisma possui
3n arestas.
Número de faces. As faces de um prisma são as duas bases e as faces laterais. Cada aresta da base é lado
de uma face lateral, então se a base é um n-ágono, existem n faces laterais. Somando-se às duas bases
temos n + 2 faces.
Para refletir
Uma maneira de se intuir a resposta para a pergunta do Exemplo 2 é analisar de maneira organizada o
que ocorre para alguns valores de n. Tabulando alguns valores a partir da observação direta em exemplos
como na Figura 1.48 obtém-se:
3 6 9 5
4 8 12 6
5 10 15 7
6 12 18 8
n 2n 3n n+2
Observe as colunas da tabela. Quando o gênero do polígono da base n cresce de um em um, o número de
vértices cresce de dois em dois, é o dobro de n; o número de arestas cresce de três em três, é o triplo de n;
e o número de faces cresce de um em um. Essa afirmação foi observada, a partir da contagem direta nos
exemplos, para n = 3, 4, 5 e 6.
Isso leva a crer que para qualquer n maior que ou igual a 3, o prisma tenha 2n vértices, 3n arestas e n + 2
faces. Mas, com esse argumento, nada se pode dizer sobre os números de vértices, arestas e faces quando
n é diferente de 3, 4, 5 e 6. Faz-se necessário uma argumentação geral como a feita no exemplo. Lá
trabalhamos com n inteiro maior que 2 qualquer.
O exemplo a seguir, envolvendo funções, ajuda a ilustrar como esse tipo de raciocínio por meio de exemplos
pode levar a conclusões equivocadas, como a seguinte afirmação, que é falsa:
“Prove que para p(n) = n2 + n + 17. Se n é um número inteiro positivo, então p(n) é um número primo.”
Observe que p(1) = 19, p(2) = 23, p(3) = 29, p(4) = 37 (19, 23, 29 e 37 são números primos) e assim
por diante até n = 16, mas p(17) = 172 + 17 + 17 = 323, que não é um número primo porque é múltiplo
de 17.
A conclusão desta observação é que, embora a construção de exemplos seja um recurso riquíssimo, cujo
uso encorajamos para ajudar a refletir sobre problemas, suas conclusões podem não ser válidas em outras
situações.
42
Para refletir
Qual é o prisma em que qualquer face pode ser tomada como base do prisma?
Praticando
Atividade 12
Alturas de prismas
Esta atividade precisa de um computador ou dispositivo móvel conectado à internet. Mas pode ser adaptada
para uso sem esses recursos com o uso da Figura 1.50. Link para aplicativo. Objetivos Específicos
Alturas de prismas
Reconhecer relações entre alturas, arestas
laterais e base de prismas.
Entender (analisar, segundo Van Hiele) prismas
por meio de suas propriedades e não apenas por
associação e semelhança visual (visualização,
segundo Van Hiele).
Solução
43
a reta e sobre o plano da outra base. Com o cursor
sobre a reta, clique com o botão direito e depois em
“ocultar objeto”. Selecione a ferramenta “segmento”
e clique nos pontos criados. Selecione os pontos, o
segmento e use o menu de estilo para trocar as
cores. O resultado deve ser algo como ilustrado na
Figura 1.8.
Objetivos Específicos
Figura 1.52: Duas planificações do cubo
Seções do cubo Fonte: Elaborada pelos autores. Refazer.
Sugestões e discussões
44
Solução
4. Determine os números de vértices, arestas e faces dos cilindros cujas planificações estão indicadas na
Figura 1.55.
6. (ENEM 2015) Uma empresa necessita colorir parte de suas embalagens, com formato de caixas cúbicas,
para que possa colocar produtos diferentes em caixas distintas pela cor, utilizando para isso um recipiente
com tinta, conforme Figura 1.56 (à esquerda). Nesse recipiente, mergulhou-se um cubo branco, tal como
se ilustra na Figura 1.56 (à direita). Desta forma, a parte do cubo que ficou submersa adquiriu a cor da
tinta. Qual é a planificação desse cubo após submerso?
7. (ENEM 2014) Conforme regulamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o passageiro que
embarcar em voo doméstico poderá transportar bagagem de mão, contudo a soma das dimensões da
bagagem (altura + comprimento + largura) não pode ser superior a 115 cm. A Figura 1.57 mostra a
planificação de uma caixa que tem a forma de um paralelepípedo retângulo. O maior valor possível para
x, em centímetros, para que a caixa permaneça dentro dos padrões permitidos pela Anac é
(A) 25. (B) 33. (C) 42. (D) 45. (E) 49.
45
Figura 1.57: Planificação de caixa nos padrões da Anac
Fonte: INEP
8. (Enem PPL 2019) Uma formiga encontra-se no ponto X , no lado externo de um copo que tem a forma
de um cilindro reto. No lado interno, no ponto V , existe um grão de açúcar preso na parede do copo. A
formiga segue o caminho XY ZW V (sempre sobre a superfície lateral do copo), de tal forma que os
trechos ZW e W V são realizados na superfície interna do copo. O caminho XY ZW V é mostrado na
Figura 1.58.
Supondo que o copo é de material recortável, realiza-se um corte pelo segmento unindo P a Q,
perpendicular à borda do copo, e recorta-se também sua base, obtendo então uma figura plana.
Desconsidere a espessura do copo.
46
(A) (B)
(C) (D)
(E)
47
Solução dos exercícios
1. A Figura 1.59 contém todas as planificações do cubo.
3. Da esquerda para a direita os sólidos são esfera, octaedro regular e cubo. As imagens estão na Figura 1.60.
4. Imagem da esquerda. O número de faces é 6, basta contar diretamente. O número de arestas é 12, uma
maneira de se perceber isso é reconhecer que as arestas externas da planificação serão identificadas com
aresta de outra face para juntas formarem uma aresta do sólido. O número de vértices é 8, pois trata-se
da planificação de um prisma com base quadrangular.
Imagem da direita. O número de faces é 16. O número de arestas é 32. O número de vértices é 16
porque uma das duas bases possui 8 vértices.
5. Um paralelogramo é um quadrilátero que possui os lados opostos paralelos. Seja ABB 0 A0 uma face
lateral de um prisma. Suponha que A e B estão em uma base e A0 e B 0 são seus correspondentes na
outra base. Por construção, as arestas laterais AA0 e BB 0 estão contidas em retas paralelas. Falta
explicar que AB e A0 B 0 definem retas paralelas. As retas AB e A0 B 0 não podem ser concorrentes
porque estão contidas em planos paralelos. Mas as retas AB e A0 B 0 também não podem ser reversas
porque ambas estão contidas no plano da face lateral. Como duas retas distintas no espaço só podem
ser paralelas, concorrentes ou reversas, as retas AB e A0 B 0 são paralelas. Portanto, as faces laterais de
qualquer prisma são paralelogramos.
6. A face inferior do cubo ficará inteiramente colorida. As quatro faces adjacentes à face inferior ficarão
parcialmente coloridas. Além disso, nestas últimas faces, a parte colorida contém a aresta comum da
face em questão com a face inferior (totalmente colorida). A única opção que cumpre essas condições é
o item (C).
A Figura 1.57 sugere que o paralelepípedo é reto-retângulo, assim todas as faces seriam retangulares.
Mas isso não é necessário para resolver o exercício. Em qualquer paralelepípedo, as faces opostas são
paralelogramos congruentes. Portanto, em cada face os lados opostos são congruentes. Para resolver o
48.a
exercício é necessário identificar algumas faces opostas na planificação (veja a Figura 1.61) e escolher
as dimensões como altura, comprimento e largura. Uma possibilidade é a da Figura 1.61. De onde se
obtém que o comprimento é 24 cm e que a largura é x.
A informação apresentada na Figura 1.57 indica que altura + 2comprimento = 90 cm. Assim, altura =
42 cm. Retornando ao problema principal com essas informações, obtemos:
8. A planificação da superfície lateral de um cilindro é um retângulo, então apenas as opções (A) e (C) são
possíveis. O caminho de menor distância entre dois pontos “próximos” sobre o cilindro é o comprimento
do segmento de reta que liga esses dois pontos na planificação. Como V é diametralmente oposto a X ,
a distância de V a X sobre, o cilindro, é metade do comprimento da circunferência da base do cilindro.
Portanto, metade da largura do retângulo. Isso exclui o item (C) e o exercício está resolvido.
Além disso, cabe observar que, o menor caminho entre W e V sobre o cilindro também corresponde a um
segmento de reta na planificação. Isso fornece outra forma de excluir as possibilidades (B), (D) e (E).
48.b
48.c
48.d
48.e
Para o professor:
Nesta seção, definimos cone como uma classe de sólidos que contém os cones circulares, as pirâmides entre
outros. A grande ideia da Matemática em destaque é a semelhança de figuras planas. Essa definição é revisitada
e utilizada para se verificar que a seção de cone por um plano paralelo à base é uma região semelhante à base
do cone. Muitos termos são introduzidos porque são necessários à comunicação sobre esses sólidos. Cabe
reforçar que o conhecimento desses termos está longe de ser o objetivo central aqui. Usamos aqui a linguagem
e as noções de espaço construídos na Seção 1.2 deste capítulo, recomenda-se que elas sejam bem entendidas,
antes de se iniciar o estudo desta seção.
Entender que a construção que define um cone determina seções transversais semelhantes à base.
48.f
1.4 Cone
Objetivos Específicos
Explorando Cone
Cone circular reto
Reconhecer relações métricas entre um cone
circular reto e sua planificação.
Atividade 14
Cone circular reto Sugestões e discussões
A Figura 1.62 ilustra um setor circular de ângulo central 90° e raio 10 cm. Imagine que esse setor está recortado A organização dos estudantes em pequenos grupos
de uma folha de papel e que foi usado para formar a Figura 1.63 a partir da identificação dos segmentos V A e deve facilitar a disponibilização do material concreto
V B. necessário, reduzir as dificuldades com os
pré-requisitos da geometria plana e favorecer a
discussão, o que enriquece a reflexão dos estudantes.
PARTE 1: Recorte um setor circular com as medidas acima e cole-o como indicado para formar a Figura 2. Recomenda-se estimular os estudantes a conferirem
as suas contas dos itens a) e b) com medições
PARTE 2: Responda: diretas dos modelos construídos.
Material necessário: Uma folha de papel, régua,
compasso ou barbante e cola branca ou tipo bastão.
a) Qual é o raio do círculo de centro O na base da Figura 1.63? Pré-requisitos: No item a) será necessário
reconhecer que o comprimento de arco do setor
b) Supondo que o ângulo AOV na Figura 1.63 seja reto, quanto vale o comprimento OV ? circular é proporcional à fração do círculo que o
setor ocupa. Como o comprimento de arco da
circunferência de raio r é 2πr, o comprimento (C)
de arco do setor é
90°
C= 2π10 cm = 5π.
360°
Atividade 15
Semelhanças no espaço
Solução
Esta atividade também pode ser desenvolvida com auxílio de recurso computacional. São dados um par de
planos paralelos, digamos α e β , um ponto V tal que β esteja entre V e α e uma região R contida em α.
a) O comprimento de arco do setor circular
Considere a seguinte construção. (2π10/4), na Figura 1.62, coincide com o
comprimento da circunferência da base na
Construção: “Para cada ponto P de R seja P 0 o ponto de interseção de P V com β .” Figura 1.63. De onde decorre que r = 2,5 cm.
b) Como o triângulo AOV é retângulo em O, o
Use o aplicativo ou reproduza a Figura 1.64 para realizar a atividade (link do aplicativo). Teorema de Pitágoras garante que
49
AV 2 = AO2 + OV 2 , logo
OV 2 = AV 2 − AO2 = 102 − (2, 5)2 = 93,75.
Portanto, AV = 9,7 cm aproximadamente.
Objetivos Específicos
Semelhanças no espaço
Organizando Cone
Solução
A Figura 1.9 ilustra as soluções dos itens a), b) e c). Outra categoria de sólidos é o que chamamos de cone. Ele inclui, entre outros, duas subcategorias especiais:
os cones circulares e as pirâmides. Considere uma região R num plano α e um ponto V não pertencente a α.
Chamamos de cone de base R e vértice V ao conjunto formado pela união dos segmentos P V onde P pertence
à região R (veja a Figura 1.65).
50
A altura do cone é a distância do vértice do cone ao plano que contém a base. A seção de um cone por um De fato, como V AB e V A0 B 0 são semelhantes, vale
plano paralelo à base é uma região semelhante à base. Para tornar a afirmação um pouco mais precisa e para
A0 B 0 V A0 V B0
justificá-la, vamos relembrar o conceito de semelhança usando a linguagem de funções. = = . (1.1)
AB VA VB
51
Sejam H e H 0 os pés da perpendicular a α e a α0 baixada de V (veja a Figura 1.68). Como os
triângulos retângulos V HP e V H 0 P 0 são semelhantes, temos V P 0 /V P = V H 0 /V H = h0 /h. Portanto,
P 0 Q0 = (h0 /h)P Q. Isso conclui a justificativa.
Cone circular. Quando a base de um cone é um círculo, ele é chamado de cone circular. Nesse caso, a reta
que liga o vértice do cone ao centro do círculo é chamada de eixo do cone (Figura 1.69). Quando o eixo
do cone é perpendicular ao plano da base, diz-se que trata-se de um cone reto, caso contrário é um cone
oblíquo. Os segmentos de reta cujos extremos são o vértice do cone e um ponto da circunferência da base
são chamados de geratrizes do cone. Assim, como no cilindro circular, a união das geratrizes é chamada de
superfície lateral do cone circular. Além disso, um cone circular reto também é chamado de cone de revolução
(ver Figura 1.70). Isso porque ele pode ser visto como a união de todos os triângulos obtidos da rotação de
um triângulo retângulo em torno de um de seus catetos, este cateto é o eixo de rotação e será o eixo do cone.
Repare que a superfície lateral do cone circular reto é a união das hipotenusas de todos esses triângulos.
Para refletir
Seguem algumas perguntas para refletirmos sobre o que foi visto até aqui sobre o cone circular:
a) Sob que condições a altura está contida no eixo do cone?
d) Como calcular o comprimento de uma geratriz g de um cone de revolução em função da altura (h) e
do raio (r) desse cone?
Pirâmide. Outra subcategoria importante de cone são as pirâmides. Uma pirâmide é um cone cuja base é uma
região poligonal fechada. As pirâmides recebem nomes que indicam os polígonos da base: pirâmide triangular,
pirâmide quadrangular etc. (veja a Figura 1.71). Diz-se que uma pirâmide é regular quando ela cumpre duas
condições:
(i) a base é um polígono regular (e neste caso faz sentido dizer que o polígono da base tem um centro);
52
pirâmide triangular · · ·
pirâmide quadrangular · · ·
pirâmide pentagonal · · ·
Os segmentos que unem o vértice da pirâmide aos vértices do polígono da base são chamados de arestas
laterais. Os lados da base são chamados de arestas da base. Os triângulos formados pelo vértice da pirâmide e
dois vértices consecutivos da base são chamados de faces laterais. Assim como nos prismas, usamos a palavra
face para nos referirmos indistintamente às faces laterais ou à base da pirâmide. É comum usar a expressão
elementos da pirâmide para se referir indistintamente a essas partes destacadas do sólido (veja a Figura 1.72).
Como visto para cones em geral, a interseção de uma pirâmide com um plano paralelo à base é uma região
semelhante à base da pirâmide. Um fato interessante é que quando um plano paralelo à base divide uma
53
pirâmide em duas partes, uma delas é uma nova pirâmide semelhante à pirâmide original e a outra parte é
chamada de tronco de pirâmide.
D0 C0
A0 B0
D C
A B
Figura 1.73: Tronco de pirâmide de base quadrada
Fonte: Elaborada pelos autores
Para refletir
Qual é a pirâmide que qualquer face pode ser tomada como base da pirâmide?
Para refletir
O que é um triângulo? A união dos três segmentos de reta ou também a região por eles delimitada?
Essa segunda pergunta não é realmente relevante na maioria das situações. Podemos usar a palavra
triângulo em ambos os casos e sermos mais específicos dizendo região triangular ou linha poligonal triangular,
quando necessário. Por outro lado, é comum dizermos circunferência para indicar o contorno de uma região
circular e círculo para nos referirmos à região.
Da mesma forma, usaremos as expressões cilindro e cone tanto para identificar o sólido como para a
superfície que o delimita. A diferença fica determinada pelo contexto. Dizemos que uma vela e um
copo têm formato cilíndrico. Também nos referimos ao bloco de concreto e à caixa de papel como
paralelepípedos. Isso simplifica a comunicação.
54
Praticando
Atividade 16
Alturas de pirâmides
Esta atividade precisa de um computador ou dispositivo móvel conectado à internet. Neste link para o aplicativo
você encontra as pirâmides da Figura 1.74. Objetivos Específicos
Alturas de pirâmides
Reconhecer relações entre alturas, arestas
laterais e base de uma pirâmide.
Sugestões e discussões
55
d) Não é possível. A altura de uma pirâmide é a Um tetraedro regular é uma pirâmide triangular regular em que as arestas laterais têm mesmo comprimento
distância de seu vértice ao plano que contém a base. que as arestas da base (veja a Figura 1.76). Quais figuras podem ser obtidas como seções de um tetraedro
Suponha que V A seja arestas laterais e altura da regular? Use este aplicativo se desejar.
pirâmide. Se B é outro vértice da pirâmide, então o
triângulo V AB é retângulo em A, logo V B é a
hipotenusa e, portanto, V B > V A.
Objetivos Específicos
Solução
4. Explique por que a Figura 1.78 não representa a planificação de uma pirâmide.
56
Figura 1.78: Esta não é a planificação de uma pirâmide
Fonte: Elaborada pelos autores.
5. (ENEM 2020) Uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno é o Templo de Kukulkán, localizado na
cidade de Chichén Itzá, no México. Geometricamente, esse templo pode ser representado por um tronco
reto de pirâmide de base quadrada.
As quantidades de cada tipo de figura plana que formam esse tronco de pirâmide são
(A) 2 quadrados e 4 retângulos.
(B) 1 retângulo e 4 triângulos isósceles.
(C) 2 quadrados e 4 trapézios isósceles.
(D) 1 quadrado, 3 retângulos e 2 trapézios retângulos.
(E) 2 retângulos, 2 quadrados e 2 trapézios retângulos.
6. (UERJ 2020) A Figura 1.79 representa a trajetória curva do ponto P sobre a superfície lateral de um
cone circular reto cujo raio da base mede 10 cm e a geratriz, 60 cm. O ponto P inicia sua trajetória no
ponto A, que pertence à circunferência da base, e dá uma volta completa em torno do cone, até retornar
ao ponto A.
Com a planificação da superfície lateral do cone, é possível calcular o menor comprimento da trajetória
percorrida por P , que corresponde, em centímetros, a:
57
Solução dos exercícios
1. O tetraedro regular tem apenas duas planificações como indica a Figura 1.80:
3. As pirâmides têm o mesmo número de arestas na base que de arestas laterais. Então a base da pirâmide
em questão tem 24 lados. Logo, a pirâmide tem 24 faces laterais mais a base. Portanto, 25 faces.
4. Como todas quatro faces são triângulos, só poderia ser a planificação de um tetraedro. Contudo, em
cada vértice de um tetraedro incidem exatamente três arestas. Mas no vértice destacado na Figura 1.82,
incidem 5 arestas, duas das quais serão identificadas, formando 4 arestas do eventual sólido. Uma
contradição.
5. Um tronco de pirâmide é o sólido obtido da pirâmide pela retirada de uma pirâmide menor, obtida da
seção da pirâmide original por um plano paralelo à base. Tanto a base da pirâmide como sua seção pelo
plano são quadrados. A seção da pirâmide determina seções paralelas às bases nas quatro faces laterais,
portanto, são formados trapézios isósceles nas quatro faces laterais, logo a resposta é o item (C).
6. Considere a planificação a partir da geratriz do cone que liga o ponto A ao vértice do cone. De modo
que na Figura 1.83, V é o vértice do cone e os pontos X e Y são identificados para formar o ponto A
do cone.
58.a
Y
cm
60
V θ C
60
cm
X
Figura 1.83: Planificação do cone com a identificação X e Y para formar A
Fonte: Elaborada pelos autores
58.b
58.c
58.d
58.e
Para o professor: Esfera
Esta seção apresenta a definição de esfera e as posições relativas de uma esfera e um plano no espaço. As
coordenadas esféricas (sem usar esse nome) são introduzidas para localizar pontos na esfera. A linguagem da
Geometria Espacial estudada na Seção 1.2 será especialmente necessária na introdução dessas coordenadas.
Cabe ressaltar que esse assunto será retomado com outro enfoque no capítulo Projeções Cartográficas, ainda
neste volume. Outro aspecto destacado nas atividades e exercícios é a distância de pontos e comprimentos de
arcos na esfera.
Na Seção Organizando 5 é provado que a interseção de uma esfera com um plano é uma circunferência.
A demonstração é um alvo de oportunidade e pode ser omitida. Mas repare que na justificativa de que a
interseção está contida em uma circunferência, calcula-se o raio dessa circunferência. Esse cálculo é simples e
será necessária na Atividade 19 e nos exercícios.
Entender que a interseção de uma esfera com um plano é o conjunto vazio, um ponto ou uma circunferência.
58.f
1.5 Esfera
Objetivos Específicos
Explorando Esfera
Interseção de plano e esfera
Reconhecer coordenadas esféricas.
Determinar comprimentos de arcos de
Atividade 18 circunferências na esfera.
Interseção de plano e esfera
Sugestões e discussões
A imagem da esquerda na Figura 1.84 ilustra uma esfera de raio unitário e centro O. Considere N e S pontos
diametralmente opostos na esfera. Sejam α o plano perpendicular ao segmento N S que passa pelo centro O
e A um ponto da interseção da esfera com o plano α. O plano β é paralelo ao plano α e sua interseção com a Os estudantes podem encontrar dificuldade para
identificar os triângulos adequados aos cálculos nos
esfera é uma circunferência c de centro O0 . Chame de A0 o ponto de interseção de c com o plano determinado
itens da atividade. Considere auxiliá-los na
por N , S e A. O ponto B de c é tal que A\ 0 O 0 B = 90◦ (imagem da direita na Figura 1.84).
visualização e organização do item a).
Solução
r
A0 O0
r
A0 O0
Organizando Esfera
1
30◦
Dados um ponto O do espaço e um número r > 0, a esfera de centro O e raio r é o conjunto dos pontos do
espaço que estão à mesma distância r de O. Repare que trocando “espaço” por “plano” na frase anterior O
obtém-se a definição de circunferência no plano. Figura 1.13: Triângulo A0 OO0
Lembre-se que escolhidos um ponto P e um plano α no espaço, a distância de P a α é o comprimento do c) Como o ângulo A\ 0 O 0 B = 90◦ , em ambos os
segmento que liga o ponto ao plano e é perpendicular ao plano. Dito de outra forma, d(P ; α) = P P 0 em casos, o comprimento do arco A0 B é 1/4
que P 0 é o ponto de α mais próximo de P (veja a Figura 1.85), pois se Q é qualquer outro ponto de α, (90◦ /360◦ ) do comprimento de c. Assim,
então P Q é a hipotenusa do triângulo retângulo P P 0 Q, logo P Q > P P 0 . Tenha isso em mente ao ler esta √ √
√
3 2 · π · 23 π 3
subseção. r= ⇒ ComprimentoA0 B = = .
2 4 4
59
Por outro lado, P
1
1 2·π· π
r= ⇒ ComprimentoA0 B = 2
= .
2 4 4 d
α P0 Q
Dados um plano α e uma esfera de centro O e raio r no espaço, existem três possibilidades para a interseção
de α com a esfera (Figura 1.86):
Vazio. Se d(O; α) > r, então todos os pontos de α são externos à esfera pois distam mais que r de O.
Neste caso diz-se que o plano é externo à esfera.
Uma circunferência. Se d(O; α) < r, então a interseção da esfera com o plano é uma circunferência
(c na imagem da direita na Figura 1.86). Isso porque todos os pontos P da interseção estão à mesma
distância do ponto O0 ∈ α que realiza a distância de O para α, veja mais detalhes na observação a
seguir. Neste caso, diz-se que a esfera e o plano são secantes.
Parte da justificativa da afirmação a seguir é a conta que você fez na Atividade 18.
Justificativa: Chame de O0 o ponto de α tal que OO0 = d(O; α) = d. Suponha que O0 6= O, o outro
caso é ainda mais simples. Qualquer ponto P da interseção de α com a esfera s forma um triângulo
retângulo OO0 P (veja a Figura 1.87). Como O0 O = d √ e OP = r (pois P √ ∈ s), o Teorema de Pitágoras
nos garante que O0 P 2 + O0 O2 = OP 2 , logo O0 P = OP 2 − O0√ O2 = r2 − d2 . Isto é, o ponto P
pertence à circunferência c contida em α que tem centro O0 e raio r2 − d2 . Com isso justificamos que
os pontos da interseção α ∩ s estão contidos nessa circunferência c de α.
60
?
O0 P
d r
O
√
Figura 1.87: Se P ∈ α ∩ s, então O0 P = r2 − d2 . Isto é, P ∈ c
Fonte: Elaborada pelos autores
Repare que esta justificativa mostra uma igualdade de conjuntos, isto é, que os conjuntos têm exatamente
os mesmos elementos. Isso foi feito em duas partes: (i) α ∩ S ⊂ c e (ii) c ⊂ α ∩ s.
A linguagem introduzida a seguir é comum para localizar pontos na esfera e é usada em exercícios. É a
mesma ideia usada para representar a localização de pontos no globo terrestre (essas noções serão revisitadas
e aprofundadas no capítulo Projeções Cartográficas deste volume).
61
Meridiano de 0◦ Linha do Equador Meridiano 60◦ Leste
Escolha dois pontos diametralmente opostos na esfera, digamos N e S , são os polos Norte e Sul, respectivamente.
Cada um dos (infinitos) planos que contêm o segmento N S intersecta a esfera em uma circunferência de raio r,
que divide a esfera em dois hemisférios. Escolha uma dessas circunferências, essa escolha é arbitrária, qualquer
uma serve, mas uma vez escolhida a circunferência, ela deve ser mantida daqui para frente. No caso do globo
terrestre, a escolhida é a circunferência que contém o meridiano de Greenwich. Um dos hemisférios assim
determinados é chamado de hemisfério leste e o outro de oeste (veja a Figura 1.89). Cada semicircunferência
de extremos N e S é chamado de meridiano. Uma das semicircunferências daquela circunferência escolhida é
chamada de meridiano de zero grau (0◦ ).
Chame de α o plano que é perpendicular à reta N S e que passa pelo ponto médio (centro O da esfera) desse
segmento (Figura 1.89). O plano α determina na esfera um círculo de raio r chamado de linha do Equador. O
plano α também dá origem a dois hemisférios. O que contém o polo norte é chamado de hemisfério norte,
o que contém o polo sul é o hemisfério sul. Chame de A o ponto de encontro da linha do Equador com o
meridiano de 0◦ . Dado qualquer outro ponto B sobre a linha do Equador, os pontos não colineares N , S e B
determinam um único meridiano que passa por B . Esse meridiano é identificado pelo ângulo AOB \ e pelo
hemisfério em que está contido: Leste ou Oeste. Repare que os meridianos 180 Leste e 180 Oeste são iguais.
◦ ◦
As circunferências formadas nas interseções de planos paralelos a α com a esfera são chamadas de paralelos. A
identificação dos paralelos também se dá pela indicação de um ângulo e do hemisfério em que ele está contido.
Seja c o ponto de interseção de um paralelo com o meridiano de zero grau. Esse paralelo é identificado com o
ângulo AOC
[ seguido do hemisfério em que está contido (veja na Figura 1.90). Assim, a linha do Equador é o
paralelo de zero grau, este é um paralelo especial, não tem indicação de hemisfério norte ou sul.
62
Finalmente, qualquer ponto na esfera é o polo norte, o polo sul ou é a interseção de um paralelo com um
meridiano e assim pode ser identificado por essas informações, como no exemplo da Figura 1.90.
Para refletir
Assim como a circunferência faz no plano, a esfera separa o espaço em três conjuntos: o interior da esfera,
o exterior da esfera e a esfera. Dizemos que um conjunto de pontos do espaço é limitado quando está
contido na região interior de alguma esfera (quando existe uma esfera que tem o conjunto em sua região
interior). Caso contrário, dizemos que o conjunto é ilimitado, isto é, quando nenhum esfera contém esse
conjunto em seu interior. Por exemplo, as retas e planos são conjuntos ilimitados do espaço. Por outro
lado, um segmento de reta, um polígono e uma pirâmide são exemplos conjuntos limitados do espaço.
É comum as pessoas usarem a palavra infinito querendo dizer ilimitado. Repare que um triângulo tem
infinitos pontos, mas é limitado. Por outro lado, pode-se mostrar que os conjuntos ilimitados sempre são
infinitos. Tente justificar que os conjuntos finitos são limitados. As duas afirmações são equivalentes.
Praticando Esfera
Atividade 19
Caminhos na Esfera
A Figura 1.91 representa um planeta fictício de forma esférica, com centro O e raio 6000 Km. A imagem
da esquerda destaca os pontos A e B , ambos localizados no paralelo 30◦ Norte. Sabendo que A está no Objetivos Específicos
meridianos de zero grau e B no meridiano 90◦ Leste, resolva:
Caminhos na Esfera
Reconhecer coordenadas esféricas na prática.
Calcular comprimentos de arco na esfera.
Sugestões e discussões
Figura 1.91: Caminhos num planeta fictício Ajude os estudantes no item (iii), eles podem
precisar de uma ajuda para lembrar resultados da
Fonte: Elaborada pelos autores
geometria plana e para usar a calculadora científica
no item c). Mas tome cuidado para não ajudar
demais nas partes (i) e (ii). O esforço aqui leva ao
a) Calcule o raio do paralelo 30◦ Norte. aprendizado.
b) Calcule o comprimento do arco AB sobre o paralelo 30◦ Norte destacado na imagem da esquerda. Seguindo a sugestão no item c), o estudante deve
encontrar o cosseno do ângulo usando a Lei dos
c) Calcule o comprimento do arco AB sobre o círculo de centro O no plano OAB destacado na imagem da Cossenos e depois precisa do valor do ângulo em si.
direita. Sugestão: calcule primeiro o comprimento do segmento AB , depois o cosseno do ângulo AOB
\ Para isso, recomenda-se o uso da função arco (acos
cosseno) em uma calculadora científica.
usando a Lei dos Cossenos e obtenha uma aproximação do ângulo usando uma calculadora científica.
Solução
63
A C Para refletir
6000 60◦ Quando um objeto se desloca sobre uma esfera, a menor distância para se ir de um ponto A a um ponto
O B não é mais dada pelo segmento de reta que liga esses pontos, mas sim por um arco de circunferência,
como experimentado na Atividade 19. Ocorre que existem infinitos arcos de circunferência ligando dois
Figura 1.14: triângulo AOC pontos na esfera.
Latitude Longitude
P 30◦ N 45◦ L
Q 30◦ N 15◦ O
64
Considerando a Terra uma esfera de raio 6300 km, a medida do menor arco P Q sobre a linha do
paralelo 30◦ N é, em quilômetros, igual a
√ √ √ √ √
a) 1150π 3 b) 1250π 3 c) 1050π 3 d) 1320π 3 e) 1350π 3
65
Solução dos exercícios
1. Seja O o centro da esfera, O0 o centro da circunferência determinada pelo plano de interseção com a
mesma e P um ponto de interseção da esfera com esse plano. Sabemos que OO0 = 12 cm, OP = 13 cm
(raio da esfera) e queremos determinar o comprimento do segmento O0 P = r (raio da circunferência). O
triângulo OO0 P é reto em O0 como mostra a Figura 1.93
r
O0 P
12
13
O
Figura 1.93: Triângulo OO0 P
Elaborada pelos autores
Portanto,
2. Seja O0 o centro da circunferência determinada pelo plano α e P um ponto de interseção da esfera com
esse plano. Sabemos que O0 P = 4 cm (raio da circunferência), OP = 5 cm (raio da esfera) e queremos
determinar o comprimento do segmento OO0 = d (distância entre o centro da esfera e o plano α). O
triângulo OO0 P é reto em O0 como mostra a Figura 1.94
4
O0 P
d
5
O
Figura 1.94: Triângulo OO0 P
Elaborada pelos autores
Portanto,
OP 2 = O0 O2 + O0 P 2 ⇒ 52 = d2 + 42 ⇒ r2 = 25 − 16 = 9.
Assim,
√
r= 9 = 3 cm.
3. Seja O o centro da esfera, O0 o centro do paralelo 60◦ Norte e O0 M = r o raio dessa circunferência.
Sabemos que o triângulo OO0 M é reto em O0 e que O0 OM ˆ = 30◦ , como mostra a Figura 1.95
66.a
r
M O0
6400
30◦
O
Figura 1.95: Triângulo O0 OM
Elaborada pelos autores
Portanto,
1
O0 M = OM · sin 30◦ ⇒ r = 6400 · = 3200.
2
Como o ângulo M \ O0 N = 30◦ , o arco M N destacado corresponde à fração 30◦ /360◦ do comprimento
do paralelo. Assim
30◦ 2 · 3 · 3200
· 2π · O0 M = = 1600 Km.
360◦ 12
4. Seja O o centro da esfera, O0 o centro do paralelo 30◦ Norte e O0 P = r o raio dessa circunferência.
Sabemos que o triângulo OO0 P é reto em O0 e que O0 OP
ˆ = 60◦ , como mostra a Figura 1.96
r
P O0
6300 60◦
O
Figura 1.96: Triângulo OO0 P
Elaborada pelos autores
Portanto, √
0 ◦ 3 √
O P = OP · sen 60 ⇒ r = 6300 · = 3150 3.
2
Como o ângulo P
\ O0 Q = 60◦ , o arco P Q corresponde à fração 60◦ /360◦ do comprimento do paralelo.
Assim √
60◦ 0 2 · π · 3150 3 √
◦
· 2π · O P = = 1050π 3Km.
360 6
66.b
66.c
66.d
66.e
Glossário de termos usados apenas na conversa com o(a) Professor(a)
66.f
66.g
Notas
Especialmente em turmas grandes, recomenda-se que os estudantes estejam separados em grupos para que
discutam entre eles.
O professor deve considerar não exigir que os estudantes registrem suas soluções por escrito. Basta que eles
argumentem com os colegas e reflitam sobre o conceito de plano.
No item a) os estudantes podem dizer que os planos são paralelos porque não se intersectam.
66.h
posição α∩β β∩γ α∩γ α∩β∩γ Representação gráfica
2 plano ∅ ∅ ∅
4 ∅ ∅ ∅ ∅
5 ∅ reta reta ∅
A argumentação se baseia no fato de que existem exatamente três posições relativas possíveis para dois planos
no espaço tridimensional e que também são 3 as posições possíveis de uma reta e um plano. Há três posições
possíveis para α e β :
66.i
ii) r paralela a γ . POSIÇÃO 7.
iii) r secante a γ . POSIÇÃO 8.
Esta atividade se relaciona com sistemas lineares de três equações com três variáveis. Isso é, dados doze
números reais ai , bi , ci e di para i = 1, 2 e 3, o problema é determinar quais são os valores de x, y e z (ou as
triplas ordenadas (x, y, z)) que satisfazem todas as três equações:
a1 x + b1 y + c1 z = d1
a2 x + b2 y + c2 z = d2
a3 x + b3 y + c3 z = d3
Se para algum i os coeficientes ai , bi e ci não são todos nulos, então a equação ai x + bi y + ci z = di representa
um plano no espaço. Existem exatamente 8 tipos de sistemas, segundo a existência e o tipo de solução. Cada
uma delas representa uma das posições relativas dos três planos.
66.j
Referências
Ausubel, D. P. (2003). Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 1.
Bakó, M. (2003). Different projecting methods in teaching spatial geometry. Proceedings of the Third Conference
of the European society for Research in Mathematics Education.
Battista, M. & Mikusa, D., M.and Clements. (2001). Space Geometry, Instruction. Em L. Grinstein & S. I.
Lipsey (Ed.), Encyclopedia of mathematics education (pp. 665–668). Routledge.
BRASIL. (2014). Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Recuperado 22 abril
2022, de http://www.fnde.gov.br/index.php/centrais-de-conteudos/publicacoes/category/125-
guias?download=9007:pnld-2015-matematica
BRASIL. (2017). Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Recuperado 22 abril 2022,
de http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/
BRASIL. (2019). Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Recuperado 22 abril 2022,
de http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/
Council, N. R. & Committee, G. S. (2005). Learning to think spatially. National Academies Press.
da Costa, A. P. (2020). PENSAMENTO GEOMÉTRICO: EM BUSCA DE UMA CARACTERIZAÇÃO À LUZ
DE FISCHBEIN, DUVAL E PAIS. Revista Paranaense de Educação Matemática, 9 (18), 152–179.
Fabian, K., Topping, K. J. & Barron, I. G. (2016). Mobile technology and mathematics: Effects on students’
attitudes, engagement, and achievement. Journal of Computers in Education, 3(1), 77–104.
Gaulin, C. (1985). The need for emphasizing various graphical representations of 3-dimensional shapes and
relations, 53–71.
Gutiérrez, A. et al. (1996). Visualization in 3-dimensional geometry: In search of a framework. Pme Conference,
1, 1–3.
Kaleff, A. M. M. R., de Souza Henriques, A., Rei, D. M. & Figueiredo, L. G. (1994). Desenvolvimento do
pensamento geométrico–o modelo de van Hiele. Bolema-Boletim de Educação Matemática, 9 (10),
21–30.
LIMA, E. L. (2001). Exame de textos: análise de livros de matemática para o ensino médio. Rio de Janeiro:
SBM.
Lowrie, T., Logan, T. & Hegarty, M. (2019). The influence of spatial visualization training on students’ spatial
reasoning and mathematics performance. Journal of Cognition and Development, 20(5), 729–751.
Mathias, C. V. & Simas, F. L. B. (2021). TAREFAS DE VISUALIZAÇÃO EM EXERCÍCIOS DE GEOMETRIA
ESPACIAL. Educação Matemática em Revista-RS, 2(22).
Parzysz, B. (1988). “Knowing” vs “seeing”. Problems of the plane representation of space geometry figures.
Educational studies in mathematics, 19 (1), 79–92.
66.
Percepção (ou intuição) Espacial A capacidade de percepção espacial é a habilidade para perceber
seus relacionamentos com o entorno ao seu redor e com você
mesmo.
Pensamento (ou Raciocínio) Espacial Não existe um consenso sobre o significado desse termo (Gutiérrez
et al., 1996, p.4). Mas envolve a compreensão de três propriedades
relacionadas: (1) a consciência do próprio espaço, como distância
e dimensões; (2) a representação de informações espaciais (inter-
namente, na mente, e externamente, em gráficos como diagramas
e mapas); e (3) o raciocínio envolvido na interpretação e na mani-
pulação da informação espacial para a resolução de problemas e
tomada de decisão (Council e Committee, 2005). Um olhar mais
abrangente e genérico diz que “é a capacidade mental de construir
conhecimentos geométricos, de aplicar de modo coerente os instru-
mentos geométricos na resolução de problemas. É a capacidade
de compreender a natureza dos fenômenos e inferir sobre eles,
de identificar e perceber a importância da Geometria como uma
ferramenta para entendimento do mundo físico e como um modelo
matemático para compreensão do mundo teórico.” (da Costa,
2020).
66.