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Apostila de Contabilidade Ambiental

O documento aborda a Contabilidade Ambiental, destacando a importância da formação de profissionais com consciência cidadã e a atuação da Faculdade Multivix na oferta de cursos de qualidade. Ele apresenta um panorama ambiental, valor ambiental, princípios contábeis, gestão estratégica de custos e a elaboração de balanços patrimoniais ambientais. Além disso, enfatiza a responsabilidade ambiental corporativa e a necessidade de transparência na divulgação de resultados ambientais.

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Apostila de Contabilidade Ambiental

O documento aborda a Contabilidade Ambiental, destacando a importância da formação de profissionais com consciência cidadã e a atuação da Faculdade Multivix na oferta de cursos de qualidade. Ele apresenta um panorama ambiental, valor ambiental, princípios contábeis, gestão estratégica de custos e a elaboração de balanços patrimoniais ambientais. Além disso, enfatiza a responsabilidade ambiental corporativa e a necessidade de transparência na divulgação de resultados ambientais.

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Contabilidade Ambiental

CONTABILIDADE
AMBIENTAL

FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD


Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
SUMÁRIO 1
Contabilidade Ambiental

GRUPO A Faculdade Multivix está presente de norte a sul


do Estado do Espírito Santo, com unidades em
MULTIVIX Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova
Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória.
Desde 1999 atua no mercado capixaba, des-
tacando-se pela oferta de cursos de gradua-
ção, técnico, pós-graduação e extensão, com
qualidade nas quatro áreas do conhecimen-
to: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sem-
pre primando pela qualidade de seu ensino
e pela formação de profissionais com cons-
ciência cidadã para o mercado de trabalho.

Atualmente, a Multivix está entre o seleto


grupo de Instituições de Ensino Superior que
possuem conceito de excelência junto ao
Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institui-
ções avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram
notas 4 e 5, que são consideradas conceitos
de excelência em ensino.

Estes resultados acadêmicos colocam


todas as unidades da Multivix entre as
melhores do Estado do Espírito Santo e
entre as 50 melhores do país.

MISSÃO

Formar profissionais com consciência cida-


dã para o mercado de trabalho, com ele-
vado padrão de qualidade, sempre mantendo a
credibilidade, segurança e modernidade, visando
à satisfação dos clientes e colaboradores.

VISÃO

Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci-


da nacionalmente como referência em qualidade
educacional.

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2 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

EDITORIAL

FACULDADE CAPIXABA DA SERRA • MULTIVIX

Diretor Executivo Revisão de Língua Portuguesa


Tadeu Antônio de Oliveira Penina Leandro Siqueira Lima

Diretora Acadêmica Revisão Técnica


Eliene Maria Gava Ferrão Penina Alexandra Oliveira
Alessandro Ventorin
Diretor Administrativo Financeiro Graziela Vieira Carneiro
Fernando Bom Costalonga
Design Editorial e Controle de Produção de Conteúdo
Diretor Geral Carina Sabadim Veloso
Helber Barcellos da Costa Maico Pagani Roncatto
Ednilson José Roncatto
Diretor da Educação a Distância Aline Ximenes Fragoso
Flávio Janones Genivaldo Félix Soares

Coordenadora Acadêmica da EaD Multivix Educação a Distância


Carina Sabadim Veloso Gestão Acadêmica - Coord. Didático Pedagógico
Gestão Acadêmica - Coord. Didático Semipresencial
Conselho Editorial Gestão de Materiais Pedagógicos e Metodologia
Eliene Maria Gava Ferrão Penina (presidente Direção EaD
do Conselho Editorial) Coordenação Acadêmica EaD
Kessya Penitente Fabiano Costalonga
Carina Sabadim Veloso
Patrícia de Oliveira Penina
Roberta Caldas Simões

BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)

Flavia Cristina da Silva.


Contabilidade Ambiental / Da Silva, Flavia Cristina,. – Serra: Multivix, 2019.

Catalogação: Biblioteca Central Anisio Teixeira – Multivix Serra


2019 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei.

As imagens e ilustrações utilizadas nesta apostila foram obtidas no site: http://br.freepik.com

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SUMÁRIO 3
Contabilidade Ambiental

APRESENTAÇÃO Aluno (a) Multivix,

DA DIREÇÃO Estamos muito felizes por você agora fazer parte


do maior grupo educacional de Ensino Superior do

EXECUTIVA Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a


Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional.

A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoei-


ro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia,
São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999,
no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de
cursos de graduação, pós-graduação e extensão
de qualidade nas quatro áreas do conhecimento:
Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na mo-
dalidade presencial quanto a distância.

Além da qualidade de ensino já comprova-


da pelo MEC, que coloca todas as unidades do
Grupo Multivix como parte do seleto grupo das
Instituições de Ensino Superior de excelência no
Brasil, contando com sete unidades do Grupo en-
tre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa-
-se bastante com o contexto da realidade local e
com o desenvolvimento do país. E para isso, pro-
cura fazer a sua parte, investindo em projetos so-
ciais, ambientais e na promoção de oportunida-
des para os que sonham em fazer uma faculdade
de qualidade mas que precisam superar alguns
obstáculos.
Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina
Diretor Executivo do Grupo Multivix Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é:
“Formar profissionais com consciência cidadã para o
mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-
dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança
e modernidade, visando à satisfação dos clientes e
colaboradores.”

Entendemos que a educação de qualidade sempre


foi a melhor resposta para um país crescer. Para a
Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o
mundo à sua volta.

Seja bem-vindo!

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4 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

LISTA DE FIGURAS

>>FIGURA 1 - Infográfico sobre economia linear 22


>>FIGURA 2 - Infográfico sobre recursos naturais 24
>>FIGURA 3 - Poluição do ar 29
>>FIGURA 4 - Poluição da água 30
>>FIGURA 5 - Poluição do solo 30
>>FIGURA 6 - Tripé da sustentabilidade 36
>>FIGURA 7 - Transição da base econômica 38
>>FIGURA 8 - Tipos de serviços ecossistêmicos 51
>>FIGURA 9 - Comparação entre as abordagens econômicas
voltadas ao meio ambiente 62
>>FIGURA 10 - Esquema de elementos contábeis 85
>>FIGURA 11 - Esquema de distribuição dos gastos ambientais 86
>>FIGURA 12 - Esquema de princípios contábeis 86
>>FIGURA 13 - Esquema de evidenciação contábil ambiental 87
>>FIGURA 14 - Mapeamento de atividades 95
>>FIGURA 15 - Infográfico centro de custos 96
>>FIGURA 16 - Direcionadores de custos 98
>>FIGURA 17 - Classificação das atividades ambientais 103
>>FIGURA 18 - SEvidenciação ambiental 114
>>FIGURA 19 - Elementos da Evidenciação 115
>>FIGURA 20 - Riscos de Auditoria 122

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SUMÁRIO 5
Contabilidade Ambiental

LISTA DE QUADROS

>>QUADRO 1 - Aspectos e impactos ambientais 25


>>QUADRO 2 - Valoração ambiental 54
>>QUADRO 3 - Tabela de valoração ambiental 57
>>QUADRO 4 - Despesas ambientais, maio de 2019 76
>>QUADRO 5 - Classificação dos custos ambientais 78
>>QUADRO 6 - Classificação de gastos quanto ao tipo 81
>>QUADRO 7 - Atribuição de despesas ambientais, junho de 2019 82
>>QUADRO 8 - Atribuição de custos ambientais, junho de 2019 84
>>QUADRO 9 - Identificação dos direcionadores ambientais 105
>>QUADRO 10 - Proposta de Balanço Ambiental 119
>>QUADRO 11 - Balanço Patrimonial Ambiental 120

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6 SUMÁRIO
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LISTA DE TABELAS

>>TABELA 1 - Atribuição de custo 99


>>TABELA 2 - 1º passo: mapeamento do processo de modernização
da linha de pintura 106
>>TABELA 3 - Identificação dos custos 107
>>TABELA 4 - 2º passo: atribuição de custos 107

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SUMÁRIO 7
Contabilidade Ambiental

SUMÁRIO

UNIDADE 1 1 PANORAMA AMBIENTAL 16


1.1 PANORAMA AMBIENTAL 16
1.1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 17
1.1.1.1 ASPECTOS QUANTITATIVOS 17
1.1.1.2 ECONOMIA LINEAR 20
1.1.1.3 ELEMENTOS QUALITATIVOS 23
1.2 PROBLEMAS E PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS 23
1.2.1 ASPECTO E IMPACTO AMBIENTAL 24
1.2.2 ESGOTAMENTO DE RECURSOS NATURAIS 27
1.2.3 POLUIÇÃO 28
1.3 SUSTENTABILIDADE 33
1.3.1 TRÊS PILARES DA SUSTENTABILIDADE 34
1.3.2 ECONOMIA CIRCULAR 36
1.4 GESTÃO AMBIENTAL 39
1.4.1 RESPONSABILIDADE AMBIENTAL CORPORATIVA 42
1.4.2 SELOS AMBIENTAIS 44
1.4.3 SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL 45

CONCLUSÃO 46

UNIDADE 2 2 VALOR AMBIENTAL 49

INTRODUÇÃO 49
2.1 VALOR AMBIENTAL 50
2.1.1 ABORDAGEM ECONÔMICA 52
2.1.1.1 ECONOMIA DO MEIO AMBIENTE 52
2.1.1.2 MÉTODOS DIRETOS DE VALORAÇÃO AMBIENTAL 54
2.1.1.3 MÉTODOS INDIRETOS DE VALORAÇÃO AMBIENTAL 55
2.1.2 ECONOMIA ECOLÓGICA 59
2.2 ABORDAGEM CONTÁBIL 63
2.2.1 INTERAÇÕES COM O MEIO AMBIENTE 63
2.2.2 IMPLEMENTAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES 66

CONCLUSÃO 68

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8 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

SUMÁRIO

UNIDADE 3 3 CONTABILIDADE AMBIENTAL 70

INTRODUÇÃO DA UNIDADE 70
3.1 CONTABILIDADE AMBIENTAL 71
3.1.1 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS 71
3.1.1.1 PRINCÍPIO DA ENTIDADE 72
3.1.1.2 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE 72
3.1.1.3 PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL 72
3.1.1.4 PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA 72
3.1.1.5 PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE 72
3.1.1.6 PRINCÍPIO DA PRUDÊNCIA 73
3.2 GASTOS AMBIENTAIS 74
3.2.1 DESPESAS AMBIENTAIS 76
3.2.2 CUSTOS AMBIENTAIS 77

CONCLUSÃO 88

UNIDADE 4 4 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS AMBIENTAIS 91

INTRODUÇÃO 91
4.1 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS AMBIENTAIS 92
4.1.1 MÉTODO DE CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES 93
4.2 ATRIBUIÇÃO DE CUSTOS 97
4.2.1 IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS AMBIENTAIS 102
4.3 APURAÇÃO DOS CUSTOS AMBIENTAIS 105

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 108

CONCLUSÃO 109

UNIDADE 5 5 BALANÇO PATRIMONIAL AMBIENTAL 112

INTRODUÇÃO DA UNIDADE 112


5.1 BALANÇO PATRIMONIAL AMBIENTAL 113
5.2 EVIDENCIAÇÃO 114
5.2.1 ATIVO AMBIENTAL 116

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SUMÁRIO 9
Contabilidade Ambiental

SUMÁRIO

5.2.2 PASSIVO AMBIENTAL 117


5.2.3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO AMBIENTAL 118
5.3 AUDITORIA 121
5.3.1 PLANEJAMENTO E REALIZAÇÃO 121
5.3.2 DOCUMENTAÇÃO 123

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 1 124

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 2 124

CONCLUSÃO 125

UNIDADE 6 6 DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS AMBIENTAIS 127

INTRODUÇÃO DA UNIDADE 127


6.1 DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS AMBIENTAIS 128
6.2 DESEMPENHO AMBIENTAL E CONTROLE ORGANIZACIONAL 129
6.2.1 INDICADORES DE DESEMPENHO AMBIENTAL 132
6.3 RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE 133
6.3.1 BALANÇO SOCIOAMBIENTAL 135
6.3.2 EMAS – ECO-MANAGEMENT AND AUDIT SCHEME 135
6.3.3 GRI – GLOBAL REPORTING INITIATIVE 136
6.3.4 ISE – ÍNDICE DE SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL BOVESPA 137
6.3.5 LIMITAÇÕES À CREDIBILIDADE DOS RELATÓRIOS 137

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 1 138

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 2 138

CONCLUSÃO 139

REFERÊNCIAS 141

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10 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

ICONOGRAFIA

ATENÇÃO ATIVIDADES DE
APRENDIZAGEM
PARA SABER

SAIBA MAIS
ONDE PESQUISAR CURIOSIDADES
LEITURA COMPLEMENTAR
DICAS

GLOSSÁRIO QUESTÕES

MÍDIAS
ÁUDIOS
INTEGRADAS

ANOTAÇÕES CITAÇÕES

EXEMPLOS DOWNLOADS

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SUMÁRIO 11
Contabilidade Ambiental

BIODATA DO AUTOR
Flavia Cristina da Silva

Mestra em Administração, Gestão Ambiental e Sustentabilidade pela UNINOVE


(2014-2016), bacharela em Ciências Biológicas pela UNINOVE (2009-2012) e tecnó-
loga em Gestão pela UNIA (2006-2008). Atuou por mais de doze anos (2007-2019)
na área de operações da indústria automotiva, especialmente nas atividades ligadas
à gestão da cadeia de suprimentos, gestão da qualidade e meio ambiente. É autora
de artigos científicos publicados nas principais revistas brasileiras de ciências, como
RAE, RAM e REGE. Participa da comissão de avaliação de projetos da FEBRACE – Feira
Brasileira de Ciências e atua como parecerista de estudos submetidos a eventos cien-
tíficos da área de Ciências Sociais Aplicadas, como ENANGRAD, EnAPG, EnANPAD e
SEMEAD, e de periódicos nacionais e internacionais.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8245082722401355.

JUSTIFICATIVA
A Contabilidade Ambiental reúne conceitos de diversas áreas para mensurar os
impactos que as empresas exercem sobre a natureza, o que estimula a aquisição
de conhecimentos multidisciplinares e o desenvolvimento pessoal. É também uma
ferramenta útil à tomada de decisões relacionadas ao alinhamento do planejamento
estratégico à postura ambiental das organizações. O profissional que domina esses
conhecimentos se destaca no mercado de trabalho por estar apto a avaliar e contro-
lar o patrimônio das organizações, tomar decisões estratégicas e planejar a imple-
mentação das ações.

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12 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

ENGAJAMENTO
Aumento do consumo, industrialização, investimentos e aumento da riqueza são
alguns dos fatores que contribuem para o crescimento econômico, mas um país que
cresce economicamente é necessariamente um país que se desenvolve?

Todos os produtos industrializados dependem, em certo grau, dos recursos naturais


que são em sua maioria não renováveis. Nesse sentido, podemos dizer que a Ecologia
limita o crescimento econômico?

O desmatamento, o esgotamento de recursos naturais e o aumento da poluição


são consequências das atividades econômicas, entretanto, é possível promover, ao
mesmo tempo, o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental?

APRESENTAÇÃO DA
DISCIPLINA
Caro aluno,

Seja bem-vindo ao estudo da disciplina que aplica os elementos convencionais da


Contabilidade ao estudo do meio ambiente e prepara você para atuar localmente,
porém, com uma visão organizacional global a respeito das funções contábeis do
meio ambiente.

Neste curso, você irá avaliar como o desenvolvimento econômico se relaciona com o
meio ambiente, quais as consequências desse relacionamento e as principais filoso-
fias e estratégias de preservação ambiental.

Analisará os modelos econômico e contábil de valoração do meio ambiente, os méto-


dos de contabilização de custos, receitas, despesas, ativo e passivo ambiental, bem
como a sistemática de realização do balanço patrimonial ambiental. Por fim, irá
conhecer os elementos para a avaliação do desempenho e as principais metodolo-
gias de divulgação dos resultados.

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SUMÁRIO 13
Contabilidade Ambiental

O conteúdo está estruturado de forma a desenvolver as competências necessárias


para que, sob a perspectiva contábil, você atue como um mediador entre as ativida-
des da organização e o meio ambiente, mas se lembre de o sucesso da sua formação
depender de você. Utilize o material que foi desenvolvido especialmente para você:
leia o texto, acesse as informações adicionadas nos ícones, assista às videoaulas, reali-
ze os exercícios, participe das atividades conjuntas e busque informações externas
em livros e outras fontes confiáveis. Invista na sua formação, afinal você é o seu maior
patrimônio!

OBJETIVOS DA DISCIPLINA
• Descrever os fundamentos contábeis, explicando sua utilização na gestão
ambiental.

• Interpretar os conceitos da Contabilidade Ambiental, examinando sua aplica-


ção nas atividades das organizações.

• Planejar o uso das ferramentas contábeis, decidindo a estratégia ambiental de


gestão de custos e alocação de recursos.

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14 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

UNIDADE 1

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Descrever aspectos


do desenvolvimento
econômico, interpretando
seus reflexos no meio
ambiente.

> Explicar os problemas e


preocupações ambientais,
demonstrando suas
consequências potenciais
e reais.

> Debater as filosofias de


preservação ambiental
mais difundidas,
coordenando estratégias,
métodos, técnicas e
ferramentas de gestão
ambiental.

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SUMÁRIO 15
Contabilidade Ambiental

1 PANORAMA AMBIENTAL
As relações da sociedade com o meio ambiente são contraditórias. Nós consumimos
cada vez mais e, por isso, produzimos cada vez mais, o que significa utilizar maiores
quantidades de recursos naturais. Acontece que nem todas as reservas da natureza
se renovam no ritmo do nosso consumo, alguns elementos se formaram ao longo de
milhões de anos e serão exauridos se não reduzirmos o seu consumo. O petróleo é
talvez o exemplo mais claro dessa situação, mas há outros casos preocupantes, como
o do fósforo, que é um mineral essencial para a agricultura e produção de alimentos.

Mas essa é só uma parte do problema, temos produzido quantidades exorbitantes


de resíduos, que sem o correto gerenciamento acabam por causar poluição, dete-
riorando o meio ambiente e escasseando ainda mais nossas fontes de recursos. Por
outro lado, os processos industriais geram empregos, conhecimentos e cultura que
a sociedade precisa. Esse cenário é especialmente desafiador para as empresas, que
para se manterem competitivas deverão desenvolver novas formas de se relacionar
com o meio ambiente – e para isso dependerão de profissionais habilitados na gestão
ambiental.

1.1 PANORAMA AMBIENTAL

A extração de recursos naturais somada à atividade industrial e ao uso de combustíveis


responde por mais de 90% da escassez hídrica e perda da biodiversidade mundial.
Os oceanos recebem a cada ano aproximadamente 8 milhões de toneladas de resí-
duos plásticos, e cerca de 1/3 da produção mundial de alimentos é desperdiçada.

Esses e outros dados foram compilados no relatório do sexto Panorama Ambiental


Global, que traz previsões nada animadoras para o futuro da população mundial,
caso o modelo de desenvolvimento e os atuais padrões de produção, consumo e utili-
zação de recursos naturais não sejam revistos (ONU, 2019).

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16 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

Onde pesquisar:

A Organização das Nações Unidas – ONU reúne diferentes grupos de cien-


tistas ao redor do mundo para o estudo das transformações ambientais no
planeta. O Panorama Ambiental Global (Global Environment Outlook – GEO)
é a publicação periódica mais importante em termos de avaliação das conse-
quências das atividades humanas sobre o meio ambiente e suas perspecti-
vas futuras.

1.1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

O modelo de desenvolvimento econômico mais adotado em todo mundo é aquele


que baseado no capitalismo transforma relações em produtos tendo o lucro como
objetivo final.

O grau de desenvolvimento econômico de uma cidade ou país pode ser entendido


como um mecanismo composto por diversas engrenagens. Algumas dessas engre-
nagens são qualitativas e estão relacionadas à condição de vida da população, como
qualidade e expectativa de vida e acesso à educação. Outras são quantitativas e
dizem respeito ao crescimento econômico (VEIGA, 2010).

O desenvolvimento é um conceito bastante vasto, e o primeiro passo para assimilar


seu significado consiste em compreender os elementos que o compõem, a começar
por seus aspectos quantitativos.

1.1.1.1 ASPECTOS QUANTITATIVOS

Os aspectos quantitativos do desenvolvimento econômico estão relacionados à quan-


tidade de riqueza e determinam o crescimento econômico de uma cidade, estado
ou país.

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SUMÁRIO 17
Contabilidade Ambiental

Essa forma de mensuração pode ser aplicada tanto ao capital humano, como, por exem-
plo, na quantificação do ganho potencial incorporado à renda das pessoas, quanto na
medição do capital físico, como aumento de estoque e número de equipamentos.

O crescimento econômico corresponde ao aumento da renda per capita ao longo


do tempo, ou seja, à expansão da economia, e pode ser representado por indicado-
res como taxa de investimento, de poupança e as relações entre produto e capital
(CORREIA; DIAS, 2017).

O Produto Interno Bruto – PIB representa as relações entre produto e capital.


É o resultado da multiplicação da quantidade total de produtos produzidos
e serviços prestados em um país no período de três meses ou um ano, pelo
preço que foi praticado pelas empresas.

Há três formas de cálculo do PIB: pela perspectiva da demanda, da ofer-


ta e do rendimento, entretanto, os diferentes métodos chegam ao mesmo
resultado.

Percebe-se, então, que a base do crescimento econômico são a produção e o consu-


mo. Quando essa relação demanda mais recursos físicos, humanos ou de capital para
aumentar a expansão da economia, tem-se o crescimento econômico extensivo, uma
estratégia de aumento da escala produtiva adotada desde a Revolução Industrial,
que requer ampla exploração dos recursos naturais e causa a degradação ambiental.

O crescimento econômico extensivo da era industrial estabeleceu uma relação preda-


tória com o meio ambiente, pois, além da utilização excessiva dos recursos naturais,
diversos materiais e substâncias químicas que até então não existiam na natureza
passaram a ser utilizados em larga escala e descartados incorretamente, o que tem
causado a poluição do ar, corpos d’agua e solo (BARBIERI, 2015).

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18 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

Desenvolvido no final do século XVIII o inseticida DDT (diclorodifeniltriclo-


retano) passou a ser utilizado amplamente por volta dos anos 1940 para
combater o mosquito causador da malária; e, devido ao seu baixo custo
e elevada eficácia, passou a ser muito utilizado como defensivo agrícola
combatendo as pragas da lavoura. Contudo, pesquisas evidenciaram que o
DDT é facilmente transportado pelo ar e água, está relacionado à incidência
de câncer, tem efeito cumulativo e permanece no organismo por mais de
50 anos, sendo transmitido de mãe para filho por meio da amamentação.
A partir de 1970 diversos países proibiram sua utilização, o que ocorreu no
Brasil somente em 2009.

Fonte: D’AMATO; TORRES; MALM, 2002; BRASIL, 2009.

De acordo com dados de pesquisas recentes (ONU, 2019), calcula-se existirem mais
de 100.000 substâncias químicas no mercado, o que torna a poluição química uma
ameaça global. Consomem-se três vezes mais recursos naturais do que se consumia
em 1970, e, se esse modelo de crescimento econômico que explora extensivamen-
te a natureza persistir até 2060, a perspectiva é que o uso dos recursos aumente em
mais de 100%.

A expansão da economia pode ocorrer por meio de um outro tipo de crescimen-


to econômico, o intensivo, quando se utiliza a mesma quantidade de recursos com
maior eficiência. Nesse caso, o uso da tecnologia torna os processos mais eficientes,
e com o aumento da produtividade ocorre a diminuição do impacto ambiental em
relação ao PIB. Entretanto, em longo prazo esse modelo não diminui a pressão exerci-
da sobre o meio ambiente, pois ambos os tipos de crescimento se baseiam em uma
economia extrativista (VEIGA; ISSBERNER, 2012).

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SUMÁRIO 19
Contabilidade Ambiental

1.1.1.2 ECONOMIA LINEAR

A Primeira Revolução Industrial ocorreu entre os séculos XVIII e XIX, uma série de
invenções e descobertas transformou não só o modo como os artefatos eram produ-
zidos, como também as relações que as pessoas mantinham com a terra.

A invenção da máquina à vapor possibilitou que processos e técnicas de produção


rudimentares fossem mecanizados, assim como as locomotivas favoreceram a redu-
ção das distâncias e aumentaram a circulação de mercadorias. Ao mesmo tempo,
novos implementos agrícolas otimizaram a forma de cultivo de alimentos e diminuí-
ram a necessidade de mão de obra, o que provocou a migração em massa da popu-
lação rural para as cidades.

No período entre o final do século XIX e meados do século XX, avanços tecnológi-
cos ainda maiores marcaram a Segunda Revolução Industrial, como a utilização do
petróleo como fonte de energia nos motores à combustão, a substituição do vapor
pela eletricidade e do ferro pelo aço.

A Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Tecno-científica, se distingue pelo


progresso tecnológico nas áreas de telecomunicações, transportes, saúde e muitas
outras. Atualmente fala-se em uma quarta fase da Revolução Industrial diferenciada
por seu alto refinamento tecnológico. A Indústria 4.0 é caracterizada pelos altos níveis
de automação e conectividade, como inteligência artificial (Artificial Intelligence – AI),
internet das coisas (Internet of Things – IoT) e outros processos baseados na ciência de
dados (SCHWAB, DAVIS, 2019).

Todas as fases da Era Industrial têm em comum o fato de que a produção se baseia
na extração de recursos naturais, como se as fontes desses recursos fossem inesgotá-
veis. De outra parte, essa lógica produção-consumo é responsável pela geração expo-
nencial de resíduos e sua disposição no meio ambiente, causando a poluição.

Esse sistema produtivo baseia-se na economia linear, que tem por princípio a extra-
ção-produção-descarte (take-make-dispose). A vida útil dos produtos diminui cada
vez mais em resposta ao que se chama de obsolescência e feedback positivo: os
consumidores utilizam seus produtos por curtos períodos, substituindo-os por novos
produtos frequentemente.

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Contabilidade Ambiental

Pela obsolescência o ciclo de vida de um produto termina antes mesmo que ele
perca sua função primária e pode apresentar três características: i) técnica, quando
ocorre devido a inovações; ii) planejada, quando tem o objetivo de estimular o consu-
mo; e iii) percebida, quando é determinada pelo consumidor.

Obsolescência técnica, ou funcional, acontece com produtos que tiveram


suas funções superadas por uma tecnologia mais moderna, por exemplo: a
superação da tecnologia analógica pela digital.

Obsolescência planejada, ou programada, é uma estratégia da indústria


para reduzir a duração dos produtos e estimular a venda, como é o caso de
eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos. Países como Itália e França
já adotaram leis rígidas contra esse tipo de prática e têm aplicado multas
aos fabricantes que não prestam informações detalhadas aos consumidores
sobre o ciclo de vida de seus produtos.

Obsolescência percebida, ou psicológica, ocorre quando o consumidor é


induzido a deixar de utilizar produtos que são plenamente funcionais em
razão de novos lançamentos que apresentam pequena diferença em aspec-
tos visuais ou funcionais. As indústrias de roupas e calçados lançam novas
coleções a cada estação, incentivando a moda e o consumo (RUBIO, 2018;
ZAMBON et al., 2015).

A economia linear é uma forma de organização econômica inviável. Os riscos de


colapso desse modelo estão relacionados ao aumento crescente da população e
afinidade dos recursos, além disso são previstas diversas consequências da poluição
relacionadas à perda da saúde. Além dos fatores correspondentes à geração de rique-
za, o desenvolvimento econômico abrange aspectos relacionados às condições de
vida da população.

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SUMÁRIO 21
Contabilidade Ambiental

FIGURA 1 - INFOGRÁFICO SOBRE ECONOMIA LINEAR

ECONOMIA

LINEAR

Os limites planetários e o aumento da população colocam


em risco o suprimento de recursos.

O FLUXO INSUSTENTÁVEL

Desde 1970, a extração mundial de


EXTRAÇÃO materiais passou de 27 bilhões de
toneladas para 92 bilhões.

As indústrias metalúrgica, de
eletroeletrônicos, automóveis e
COMMODITIES transporte dependem de materiais
críticos que têm reservas reduzidas.

O preço das commodities flutua de


acordo com a disponibilidade,
PRODUÇÃO tornando indústrias e investidores
vulneráveis ao mercado.

Nos últimos 50 anos, a


população mundial dobrou
CONSUMO de tamanho. O PIB global
aumentou 4 vezes.

Em 2016, foram geradas mais de 2


DESCARTE bilhões de toneladas de resíduos em
todo o mundo, cerca de 270 kg/pessoa.

COM ESSA ORGANIZAÇÃO ECONÔMICA ATÉ 2060, ESTIMA-SE QUE:

• A EMISSÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA AUMENTE CERCA DE 50%.


• A CARGA DE POLUENTES QUÍMICOS AFETARÁ A FERTILIDADE DE
HOMENS E MULHERES E COMPROMETERÁ O DESENVOLVIMENTO
NEUROLÓGICO INFANTIL.
• A POLUIÇÃO DO SISTEMA DE ÁGUAS AUMENTARÁ A RESISTÊNCIA
MICROBIANA E SERÁ RESPONSÁVEL PELO MAIOR NÚMERO DE MORTES.

REFERÊNCIAS
ONU (2019); WWB (2017).

Fonte: Elaborada pela autora.

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1.1.1.3 ELEMENTOS QUALITATIVOS

Os primeiros estágios da Era Industrial trouxeram a concepção de que a medida


adequada de desenvolvimento seria a quantidade de riqueza produzida por uma
sociedade predominantemente urbana e altamente industrializada, contudo, obser-
vou-se que os indicadores de renda per capita não eram equivalentes ao real poder
de compra, especialmente nos países mais pobres. As taxas de crescimento baseadas
no PIB não representavam as formas de distribuição de renda e outros elementos
não quantificáveis, como os direitos individuais e o bem-estar-social.

A partir dos anos 1990 aspectos da qualidade de vida foram incorporados ao relatório
anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, ampliando
o conceito de desenvolvimento para além dos resultados financeiros e alargando o
foco para a análise dos resultados que a geração de renda proporcionou à determi-
nada sociedade (PNUD, 2019).

O índice de Desenvolvimento Humano – IDH mede a renda, educação e saúde de


acordo com os critérios padrão de vida, acesso ao conhecimento e expectativa de
vida ao nascer. O valor do IDH pode variar entre 0, que significa nenhum desenvolvi-
mento, até 1, que representa total desenvolvimento.

No entanto, o IDH não avalia em que condições ambientais ocorreu o desenvolvi-


mento, quais as consequências trazidas para o meio ambiente e nem mesmo se esse
desenvolvimento tem possibilidades de se sustentar ao longo do tempo.

1.2 PROBLEMAS E PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS

Uma vez que a existência da vida depende do meio ambiente, todos os insumos,
bens e serviços da natureza são considerados recursos naturais (TOWNSEND, BEGON,
HARPER, 2009).

O ser humano desenvolveu a crença de que a natureza existe para servi-lo, e essa cren-
ça foi a base de toda a organização social. Algumas poucas culturas ainda sobrevivem
em harmonia com a natureza, mas a maioria dos povos apartou-se dela e passou
a utilizá-la desmedidamente para o progresso de suas sociedades. Desse modo, os
recursos ambientais comumente são classificados em função de sua utilidade de
acordo com a perspectiva de vida humana.

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SUMÁRIO 23
Contabilidade Ambiental

FIGURA 2 - INFOGRÁFICO SOBRE RECURSOS NATURAIS

RECURSOS NATURAIS
CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO
AO SEU USO

RENOVÁVEIS
RENOVÁVEIS NÃO RENOVÁVEIS
SOB RISCO

Inalteráveis Que podem ser Qualidade ou quantidade pode Que existem em quantidade limitada
alterados aumentar ou diminuir
• Energia solar direta • Combustíveis fósseis minerais
• Energia indireta • Recursos biológicos • Recursos físico-químicos como ar, água,
(dos ventos e mares) como populações ciclo de nutrientes, fertilidade do solo
animais e vegetais

FONTE: Adaptada de ALVES, 2016; BARBIERI, 2015.

Fonte: Elaborada pela autora.

O crescimento exponencial da população e o aumento da escala de produção e


consumo são as principais causas dos problemas ambientais que enfrentamos hoje.

1.2.1 ASPECTO E IMPACTO AMBIENTAL

As organizações estabelecem relações de causa e efeito com o meio ambiente devi-


do às atividades que praticam, aos produtos que fabricam e consomem ou aos servi-
ços que prestam. As interações de causa são chamadas de aspectos ambientais e se
referem à utilização que a empresa faz dos recursos naturais para realizar suas ativi-
dades, como, por exemplo, ao utilizar o espaço para instalação de sua estrutura física,
ao consumir água e matérias-primas nos processos de manufatura, transportar seus
produtos para serem vendidos ou armazenar e descartar resíduos (ABNT, 2018).

As interações de efeito são chamadas de impactos ambientais e correspondem à


modificação adversa ou benéfica que a organização provocou no meio ambiente ao
utilizar seus recursos (ABNT, 2018).

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Observe que a origem de uma interação com o meio ambiente pode ocasio-
nar diversos aspectos ambientais, da mesma forma, um mesmo aspecto
pode originar vários impactos.

QUADRO 1 - ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS

MOTIVO DA INTERAÇÃO TIPO DA INTERAÇÃO

ASPECTO AMBIENTAL IMPACTO AMBIENTAL


ORIGEM DESCRIÇÃO
(CAUSA) (EFEITO)
Remoção da cobertura
Alteração da paisagem
vegetal do terreno
Atividade Construção de edifício
Eliminação do habitat Alteração do ecossistema

Emissão de ruído Poluição sonora

Ocupação do solo
Equipamentos de
Descarte em aterro Poluição de águas
Produto Proteção Individual –
sanitário Classe I subterrâneas
EPI (contaminados)
Poluição do solo

Consumo de água Utilização de recursos


Consumo de energia naturais

Poluição de corpos hídricos


Serviço Lavagem de veículos Descarte de efluentes
Poluição do solo

Instalação de bacia
de contenção para Prevenção da poluição
decantação de efluentes

Fonte: Elaborado pela autora.

Em termos de avaliação, a análise primordial a ser feita sobre um impacto ambiental


é em relação ao tipo de efeito produzido: benéfico ou adverso. Os impactos benéfi-
cos trazem melhorias como poupar a extração de recursos e recuperar uma condição
existente, são exemplos a reciclagem de metais e o reflorestamento, respectivamente.

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Contabilidade Ambiental

Em relação ao tipo de dano causado, os impactos ambientais adversos podem ser


resumidamente agrupados em esgotamento dos recursos naturais e a poluição.
Análises detalhadas consideram atributos como a frequência com que o impacto
ocorre, a severidade e extensão do dano, assim como a abrangência de suas conse-
quências.

Saiba mais

A realização de empreendimentos de elevado impacto ambiental, como a


construção de obras de infraestrutura e a instalação e operação de indús-
trias, depende de licenças ambientais emitidas pelos órgãos governamen-
tais, e a emissão dessas licenças está condicionada à avaliação dos impactos
ambientais desses empreendimentos.

A metodologia de Avaliação de Impactos Ambientais – AIA requer a elabo-


ração de estudos aprofundados sobre os impactos ambientais potenciais
e reais, bem como o planejamento para mitigá-los ou evitá-los. Os instru-
mentos utilizados para esse propósito são o Estudo de Impacto Ambiental
– EIA e o Relatório de Impacto Ambiental – RIMA, que abrangem também
a identificação e análise de impactos sociais e econômicos.

Quando a avaliação dos impactos ambientais é necessária ao desenvolvi-


mento de políticas, planos e programas públicos, utiliza-se o método de
Avaliação Ambiental Estratégica – AAE, por se tratar de um processo de
avaliação ampla e sistemática, adequada à tomada de decisão nos níveis
estratégicos de uma hierarquia.

Fonte: SANTIAGO et al., 2015.

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1.2.2 ESGOTAMENTO DE RECURSOS NATURAIS

As causas para a escassez e elevado risco de esgotamento dos recursos naturais estão
na associação entre crescimento populacional, aumento da produção e do consumo.
Os minerais exercem papel fundamental no crescimento econômico e atividades da
sociedade moderna.

A base identificada de um recurso mineral é composta por quantidades mensura-


das, indicadas e inferidas, além dos recursos ainda não identificados. Embora alguns
estudos estimem que existam vastas reservas no planeta, a prática da mineração está
sujeita a outros desafios além do declínio da disponibilidade e da incerteza a respei-
to de reservas desconhecidas. A atividade tem alto consumo de energia e água, gera
grande quantidade de resíduos e apresenta baixos investimentos tecnológicos em
favor da saúde e segurança, além disso, está associada a danos significativos ao meio
ambiente, como a remoção da cobertura vegetal, a modificação da paisagem e alte-
ração dos ecossistemas, a perda da biodiversidade, danos à propriedade, à integrida-
de física e perda de vidas humanas (ARNDT et al., 2017). O rompimento de barragens
nas cidades mineiras de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, são exemplos
recentes do potencial de degradação ambiental e prejuízo à sociedade.

Até o século XX os materiais mais utilizados eram madeira, tijolos, ferro, cobre,
ouro, prata e uma pequena variedade de plásticos. Atualmente os produ-
tos são compostos por uma grande variedade de materiais, ainda que em
pequenas quantidades. Você sabia que um moderno chip de computador
utiliza mais de 60 elementos químicos diferentes? Isso significa que um chip
carrega cerca de metade da tabela periódica.

Fonte: GRAEDEL et al., 2015.

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Acompanhando as estimativas de aumento da população, a produção de alimentos


deverá aumentar 70% até o ano de 2050. Nesse sentido há uma grande preocupa-
ção com a capacidade de produção de alimentos. O fósforo é um elemento químico
que provém de fontes finitas e não renováveis. Como macronutriente tem grande
importância pela transferência de energia nos ciclos biogeoquímicos, e sua ausência
nos solos compromete o crescimento das plantas e a produção de frutos e sementes.
As atividades humanas têm interferido no ciclo do fósforo, evitando que este retorne
à natureza, principalmente devido à utilização em larga escala na produção de ferti-
lizantes e detergentes (QUEVEDO; PAGANINI, 2011).

Mas não somente os recursos não renováveis estão ameaçados. As modificações no


uso da terra e a destruição de ecossistemas têm colocado mais espécies da fauna e
flora em risco de extinção. Se medidas efetivas não forem tomadas, presume-se que
cerca de 75% das espécies serão extintas nos próximos 50 a 80 anos.

A disponibilidade de água tem sido reduzida devido à intensificação da agricultura


e aumento das atividades industriais. Hoje em dia, cerca de 20% da população não
têm acesso à quantidade mínima de água potável para sua sobrevivência, e essa
parcela tende a subir progressivamente, caso não sejam tomadas ações globais para
reverter esse quadro (UN ENVIRONMENT, 2019).

Como se vê, a disponibilidade dos recursos ambientais que suportam a vida no plane-
ta está comprometida não apenas em razão da exploração desmedida, mas também
devido às alterações ambientais provocadas pela poluição.

1.2.3 POLUIÇÃO

A poluição é um impacto ambiental adverso, resultado da adição ou remoção de


substâncias ao meio ambiente, que causa o desequilíbrio das funções dos ecossiste-
mas e prejuízo da qualidade de vida dos seres vivos. Alguns exemplos são os efluen-
tes líquidos que contaminam os rios ou os resíduos plásticos que poluem os oceanos.

Mas não se trata apenas do que é visível, a poluição pode ser microscópica, como,
por exemplo, no caso dos microplásticos contaminantes da água e dos alimentos, ou
invisível, na forma de ruído ou calor. A classificação mais utilizada de poluição é em
função do meio agredido, ar, água e solo, e outros métodos de categorização podem
ser pelo tipo ou duração (SANTOS, 2017).

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FIGURA 3 - POLUIÇÃO DO AR

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM, 2019.

A poluição atmosférica ocorre pela presença de matéria ou energia que possa causar
danos ao meio ambiente, saúde humana e patrimônio, em razão de seus atributos,
composição e tempo de suspensão no ar (DONAIRE; OLIVEIRA, 2018).

Entretanto, a poluição atmosférica não é resultado apenas das atividades humanas,


como os processos de manufatura, realização de queimadas e transportes. Sua origem
pode ser natural, por meio da erupção de vulcões, tempestades de areia, incêndios
florestais causados por descargas elétricas ou combustão espontânea, além de outros
fenômenos naturais.

Longas exposições a ambientes poluídos reduz a expectativa de vida da população,


principalmente por causa da inalação de gases tóxicos e partículas suspensas que
podem provocar doenças respiratórias e causar sérios danos ao sistema cardiovascular.

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FIGURA 4 - POLUIÇÃO DA ÁGUA

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM, 2019.

A água encontrada na natureza tem em sua molécula outros elementos além de H2O.
Essa pureza química somente pode ser alcançada em um laboratório, pois no meio
ambiente há sempre substâncias adicionadas que são essenciais à manutenção da
vida, como minerais dissolvidos e partículas orgânicas. Portanto, uma água de quali-
dade é aquela que tem mais moléculas puras do que contaminantes dissolvidos.

A poluição da água a deixa imprópria para o consumo humano e manutenção da vida


dos animais, torna-a nociva para uso em atividades de recreação e inadequada para as
aplicações industriais. Uma forma de classificação da poluição é em função do seu uso
para suprir as necessidades humanas e da quantidade de poluentes concentrados.

FIGURA 5 - POLUIÇÃO DO SOLO

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM, 2019.

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Observe a complexidade do solo:

• É heterogêneo, pois apresenta características físicas, químicas e biológicas.

• Possui composição variável, seu tipo resulta das interações com outros fatores,
como clima, organismos e tempo.

• Divide-se em três compartimentos, formado por minerais em estado sólido,


água e minerais dissolvidos em estado líquido e ar atmosférico e gases em
estado gasoso.

Essa diversidade resulta em inúmeras funções prestadas à natureza, como sustentar


o habitat de muitas espécies, ser o meio de produção de alimentos, manter a cicla-
gem da água e nutrientes, conter fontes de recursos minerais e águas superficiais e
subterrâneas, entre outras.

Intencionalmente ou não, os solos são a destinação final de diversos resíduos. A depo-


sição natural de resíduos orgânicos e minerais, como ocorre, por exemplo, nas flores-
tas com os restos de árvores e animais, contribui para a ciclagem dos nutrientes,
devolvendo ao solo os elementos que lhe foram retirados. O mesmo não aconte-
ce com a maioria dos resíduos gerados pelo homem, pois, devido à quantidade ou
composição, esses materiais não são absorvidos pelo solo.

De acordo com dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (ABRELPE, 2018),
entre 2015 e 2017, em média 29 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos
foram dispostas incorretamente em aterros controlados e lixões. Estima-se que 3 bilhões
de pessoas em todo o mundo não tenham seus resíduos corretamente geridos.

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Dicas

O documentário Lixo Extraordinário, de Lucy


Walker, apresenta o projeto do artista plásti-
co brasileiro Vik Muniz que envolveu catado-
res na criação de imensos quadros a partir
de sucata. Filmado no aterro sanitário Jardim
Gramacho no Rio de Janeiro, o maior da
América Latina, recebeu em 2010 o prêmio
de melhor documentário nos Festivais de
Berlim, na Alemanha, e Sundance, nos Esta-
dos Unidos. Com roteiro envolvente e relatos
emocionantes, o filme aborda temas como a
desigualdade social e a reciclagem de mate-
riais, ideias e vidas.

O avanço tecnológico tem contribuído para o controle da poluição. Diversas técnicas


têm sido desenvolvidas para capturar e tratar os poluentes e as inovações nesse senti-
do aumentam a cada dia. Apesar de sua extrema importância, os recursos tecnoló-
gicos são apenas um aspecto, a solução dos problemas ambientais precisa do envol-
vimento da população e de seus representantes políticos para a tomada de decisão
sobre os aspectos culturais, econômicos e sociais que contribuirão para um estilo de
vida mais sustentável.

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Leitura complementar

O livro Poluição do Meio Ambiente, de Marcos Auré-


lio dos Santos, Editora LTC, aborda detalhadamente os
tipos de poluição e suas consequências para o meio
ambiente e seres humanos. Após uma breve introdu-
ção sobre o que é a poluição, o tema é classificado em
meio poluído, ar, água e solo, e tipos de poluição, radia-
ção, térmica, por resíduos e vazamentos. O livro tem
organização prática e funcional que permite fácil loca-
lização da informação.

1.3 SUSTENTABILIDADE

Qualidade de vida, desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente, de


forma que as gerações atuais e futuras tenham as mesmas condições de sustentar
seu desenvolvimento. O conceito da sustentabilidade surgiu na década de 1970 em
resposta às preocupações com os crescentes níveis de poluição e perda da qualida-
de ambiental. A Conferência das Nações Unidas em Estocolmo, na Suécia, em 1972,
marcou o início da mobilização mundial em favor do meio ambiente.

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SUMÁRIO 33
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Saiba mais

Hiroshima, Nagasaki e Minamata, no Japão, Seveso, na Itália, Bophal, na Índia,


e Vila Socó, Mariana e Brumadinho, no Brasil, foram palco de grandes tragé-
dias ambientais. Conheça detalhes desses e outros acidentes graves pesqui-
sando na internet pelos piores desastres ambientais da história mundial.

As mudanças constantes que nossa sociedade atravessa são fatores que contribuem
para o abandono da antiga crença de que a natureza está à nossa disposição, ao
mesmo tempo em que nos movimenta em direção a um paradigma sustentável.
Mercados cada vez mais competitivos obrigam empresas a buscarem inovações
contínuas em termos de eficiência e produtividade, e os valores humanos e sociais
têm se flexibilizado em busca de maior tolerância.

De outra parte, as relações entre empresas e governos têm se tornado mais transpa-
rentes, e a formação de parcerias tem apresentado ganho de resultados ao longo do
tempo. Apesar de todas as dificuldades de transição, a sociedade moderna tem se
esforçado em busca de se desenvolver e preservar a natureza.

1.3.1 TRÊS PILARES DA SUSTENTABILIDADE

O grande desafio de nossa existência é desenvolver um modelo econômico global


que possa ser suportado pelo planeta ilimitadamente.

O pilar econômico corresponde a questões fundamentais, à longevidade da empre-


sa, como, por exemplo: a taxa de inovação se manterá a longo prazo? A empresa
permanecerá competitiva em relação a seus fornecedores? Há risco de perda do
capital humano e intelectual por meio do desligamento de funcionários? A gestão
é transparente?

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Os reflexos das decisões internas das empresas têm alcance para além de seus portões
e impactam não somente o ambiente e a comunidade do entorno, mas o planeta e
a sociedade de uma forma geral. Adequar seus processos e produtos ao desenvolvi-
mento sustentável significa manter a empresa em padrão de igualdade em relação
a seus competidores.

Esse cenário traz às organizações uma mudança significativa na relação com o meio
ambiente, a transição do conceito de recurso para capital natural. O pilar ambien-
tal consiste em incorporar o valor aos bens e serviços prestados pela natureza, de
modo que a empresa adeque seus produtos e processos e evite a dependência de
um recurso finito, ao mesmo tempo em que previne a poluição. São ações que fazem
com que ela aumente seu capital natural.

Em princípio pode parecer que a sustentabilidade se trate de uma questão pura-


mente econômica e ambiental, mas na verdade um modelo de desenvolvimento
sustentável envolve várias questões sociais (ELKINGTON, 2012).

O pilar social diz respeito aos aspectos culturais, éticos, o direito das minorias e o
compromisso de equidade, em resumo, a distribuição equilibrada de recursos entre
todos os povos. Para tanto, as empresas precisam desenvolver o capital social, que
consiste na reunião e organização das pessoas para um fim comum: geração de
riqueza, saúde, qualidade de vida, educação e desenvolvimento de habilidades.

É fato que esse objetivo só poderá ser alcançado mediante a ação conjunta em várias
frentes: empresas, governos, sociedade civil, associações e entidades não governa-
mentais.

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FIGURA 6 - TRIPÉ DA SUSTENTABILIDADE

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM, 2019.

O modelo de desenvolvimento que equipare a importância entre os aspectos econô-


micos, ambientais e sociais é a premissa para a sustentabilidade, entretanto, é incom-
patível com a base linear que, como visto anteriormente, não condiz com as capaci-
dades de carga do planeta.

A viabilidade do desenvolvimento sustentável depende de uma filosofia econômi-


ca que privilegie a extração moderada de matérias-primas e a redução máxima da
poluição.

1.3.2 ECONOMIA CIRCULAR

O conceito de economia circular sugere um sistema de desenvolvimento contrário ao


pensamento linear de exploração do meio ambiente, em que os recursos, depois de
extraídos e transformados em produtos, são descartados no meio ambiente.

O eixo fundamental da economia circular é a dissociação entre o desenvolvimen-


to econômico e a degradação, que prevê a restauração dos sistemas ambientais e
a economia dos recursos naturais por meio da extensão da vida útil de materiais e
produtos e sua incorporação nos processos produtivos (GENG; SARKIS; UGLIATI, 2016).

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Não se limita apenas a diminuir os impactos ambientais do modelo linear de desen-


volvimento, mas implementar uma mudança sistêmica que conduza à sustentabi-
lidade em longo prazo, gerando oportunidades econômicas em todas as escalas de
negócios, tanto para indivíduos como organizações, em nível local e global.

O que a economia circular sugere é que o capital natural seja preservado por meio da
gestão eficiente das reservas e que a poluição seja reduzida ao se eliminar a geração
de resíduos. Propõe também que a utilização dos produtos seja estendida e, ao final
dela, esses produtos voltem aos fluxos de produção na forma de matérias-primas
para novos produtos. Nesse contexto, os recursos geoquímicos como fósforo, ferro,
cobre e minerais em geral devem ser poupados e os ciclos biológicos devem ser utili-
zados com cautela, respeitando-se a taxa de renovação dos recursos.

Para implementar a economia circular é preciso seguir cinco premissas básicas (EMF,
2019):

1. Eliminar os resíduos na fase de projeto – manter a ciclagem indefinida dos


materiais.

2. Priorizar a resiliência – criar sistemas modulares, versáteis e adaptáveis às incer-


tezas externas.

3. Estabelecer uma matriz energética renovável – investir na geração de energia


solar, eólica e proveniente das marés ao mesmo tempo que diminui o uso de
combustíveis fósseis.

4. Planejar a integração – desenvolver a interdependência entre os sistemas


alimentares, industriais, habitacionais etc.

5. Projetar níveis de circularidade – favorecer a criação de valor dos materiais e


produtos que são empregados em outras aplicações e processos.

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SUMÁRIO 37
Contabilidade Ambiental

FIGURA 7 - TRANSIÇÃO DA BASE ECONÔMICA

ECONOMIA LINEAR ECONOMIA CIRCULAR

r
ze
Fa

Usar
Levar Fazer Descartar
Rec
icla
r

ENERGIA DE FONTES FINITAS ENERGIA DE FONTES RENOVÁVEIS

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM, 2019.

Em resumo, a economia circular busca reproduzir na atual sociedade tecnológica e


consumista a eficiência dos conceitos naturais em que os elementos são submetidos
a ciclos contínuos com total aproveitamento de massa e energia. Entretanto, a aplica-
ção dessa filosofia depende de métodos e instrumentos que a aproximem dos níveis
de planejamento em que ela é necessária. Para isso, independentemente do âmbito
de atuação, entre economias globais ou no ambiente interno de uma empresa fami-
liar, temos a gestão ambiental.

Dica
Conheça as iniciativas da Fundação Ellen MacArthur para a economia circu-
lar. No site você encontra estudos de casos realizados no Brasil e no exterior,
diversas publicações e indicações de cursos on-line gratuitos.

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Contabilidade Ambiental

1.4 GESTÃO AMBIENTAL

Os problemas ambientais apresentam uma particularidade, as dimensões que os


impactos ambientais alcançam. Um vazamento de produto químico local pode
contaminar o lençol freático e comprometer o suprimento de água de poços situa-
dos a quilômetros de distância. As emissões atmosféricas causam poluição imediata
a uma determinada região, mas também contribuem para o aumento do efeito estu-
fa em todo o globo.

A gestão ambiental pode ser entendida como uma metodologia ou um conjunto de


diretrizes aplicado nas atividades administrativas e operacionais visando ao plane-
jamento, articulação, controle, monitoramento e alocação de recursos para tratar os
problemas ambientais (BARBIERI, 2012).

As dimensões de atuação da gestão ambiental

Global – a Organização das Nações Unidas – ONU é uma associação de mais


de 170 países para tratar de problemas globais. Um departamento espe-
cífico chamado Programa das Organizações Unidas para o Meio Ambiente
reúne especialistas do mundo inteiro para o estudo de questões ambientais
de ordem planetária, como o aquecimento global, a escassez hídrica, o esgo-
tamento dos recursos naturais, bem como suas consequências ambientais,
sociais e econômicas. Importantes acordos têm sido firmados internacional-
mente para a melhoria da qualidade ambiental, como a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, em que os países signatários se compromete-
ram com o alcance dos dezessete Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
– ODS. Conheça o tratado, acessando o site Nações Unidas.

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SUMÁRIO 39
Contabilidade Ambiental

Regional – os países, estados e municípios planejam as políticas de preserva-


ção ambiental em suas esferas de atuação. A Política Nacional de Resíduos
Sólidos – PNRS, implementada pela Lei Federal nº 12.305/2010, determina
a forma como o país deve se organizar no gerenciamento de seus resíduos,
atribuindo responsabilidades a estados, municípios, pessoas físicas e jurídicas.

Local – os municípios elaboram seus planos de gestão de resíduos para aten-


der às determinações da PNRS em relação à geração, coleta, tratamento e
disposição dos resíduos, enquanto empresas monitoram o consumo e imple-
mentam estratégias de logística reversa de seus produtos.

As organizações são instituições que, ao mesmo tempo em que influenciam os


ambientes políticos, econômicos e sociais, estão sujeitas às pressões exercidas pelos
governos, mercados e sociedade. Sua atuação é progressivamente complexa e ampla,
por outro lado, está cada vez mais exposta ao olhar vigilante das partes interessadas
em seu comportamento ético, inclusive em relação ao meio ambiente.

A gestão ambiental na empresa aborda as questões ambientais sob três perspectivas


complementares em relação à poluição, controle, prevenção e eliminação. O modo
como as questões ambientais são abordadas determina as tendências atuais e futu-
ras do posicionamento da empresa no mercado (BARBIERI, 2012).

Empresas que orientam seus esforços para controle da poluição apresentam uma
postura reativa em relação à valorização do meio ambiente como capital natural, em
geral seus empresários e administradores possuem a visão de que o investimento
ambiental significa custo e raramente tomam parte nas decisões. Suas preocupa-
ções resumem-se ao cumprimento das leis e o alvo de suas ações são unicamente as
fontes geradoras de poluição.

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40 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

Organizações voltadas à prevenção da poluição têm preocupação com o uso eficiente


dos materiais, pois a percepção de seus gestores é de que o investimento ambiental
traz redução de custos e aumento da produtividade. Por isso as ações se concentram
em corrigir e prevenir falhas, conservar e substituir matérias-primas, utilizar tecnolo-
gias menos poluentes e ampliar a atuação para outros departamentos além daque-
les que contêm a fonte geradora de poluição. Oscilando entre posturas reativas e
proativas, envolvem-se periodicamente na tomada de decisão.

Empresas com foco na eliminação da poluição preocupam-se em se manter compe-


titivas em um mercado de incertezas. Embora ainda conservem traços reativos em
sua postura ambiental, utilizam tecnologias limpas, implementam ações que se ante-
cipam aos problemas ambientais e capturam oportunidades. A alta direção envolve-
-se contínua e sistematicamente no processo decisório, e as atividades ambientais
são estendidas para a comunidade do entorno e parceiros da cadeia de suprimentos
(DONAIRE; OLIVEIRA, 2018).

Independentemente de qual seja a abordagem adotada pela empresa, ela deverá ser
suportada por dados legítimos e verdadeiros pelos quais a empresa responda civil e
criminalmente.

Leitura complementar
O livro Gestão Ambiental na Empresa, de Donaire e Oliveira (2018), discor-
re sobre a inserção da variável ambiental no ambiente de negócios e suas
consequências sobre o contexto econômico e desempenho das empresas. O
livro aborda o tema sob o ponto de vista estratégico em relação à estrutura
interna da empresa e aos seus competidores.

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SUMÁRIO 41
Contabilidade Ambiental

1.4.1 RESPONSABILIDADE AMBIENTAL CORPORATIVA

Há um movimento crescente de conscientização em nossa sociedade sobre a neces-


sidade de que as empresas assumam a responsabilidade pelos impactos causados
ao meio ambiente. Isso implica clareza nas operações, conformidade com as exigên-
cias legais, além do comprometimento com a melhoria do meio ambiente. As orga-
nizações começam a se preocupar em evitar a imagem de empresas poluidoras e a
construir relações positivas com seu público, pois os consumidores estão propensos a
puni-las ao deixar de adquirir seus produtos.

Algumas empresas arriscam sua reputação ao divulgar informações de maneira sele-


tiva, omitindo resultados de baixo desempenho e ressaltando os benefícios alcança-
dos. Há ainda casos mais graves em que os dados são alterados propositadamente
a fim de demonstrar uma condição melhor que a real. Essas práticas caracterizam o
que se conhece no mercado como greenwashing ou lavagem verde, quando empre-
sas intencionalmente vinculam seus produtos ou serviços a mensagens ambientais
falsas com o objetivo de obter benefícios comerciais e financeiros (FIALHO; MARQUE-
SAN, 2018).

Como identificar a lavagem verde

Muito mais comuns do que imaginamos e nem tão fáceis de serem identifi-
cadas, observe algumas características do discurso ambiental vazio:

Falta de evidências – produtos declarados como sustentáveis ou ecológicos


que não apresentam selos ou certificações independentes para garantirem
sua procedência. Nessa categoria cabem também as autodeclarações, selos
de pureza, conformidade, etc., criados pela própria empresa.

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Divulgar o cumprimento da legislação – as empresas têm seus negócios sujei-


tos a determinadas legislações e atendê-las é parte de suas obrigações, mas
algumas empresas utilizam isso como publicidade, como quando anunciam
que estão reflorestando áreas degradadas para proteger o meio ambiente,
mas na verdade estão compensando impactos ambientais causados.

Enfatizar informações imprecisas – muitos produtos ressaltam que são não


tóxicos, livres de produtos químicos ou 100% naturais, o que não é suficien-
te para provar que em grandes quantidades não será causa de intoxicação,
além do mais todos os produtos têm algum grau de elemento químico em
sua composição e metais pesados, como o chumbo e mercúrio, que também
são naturais.

Omitir informações importantes – algumas empresas destacam as qualida-


des ambientais positivas de seus produtos, mas se silenciam a respeito das
negativas, como, por exemplo, destacar que um produto tem baixo consu-
mo de energia sem mencionar que ele não é reciclável.

Mentir – algumas empresas inventam certas características para seus produ-


tos, falseando a composição e iludindo o consumidor.

Apresentar benefícios verdadeiros em produtos considerados nocivos –


algumas empresas ressaltam as características positivas de produtos que são
rejeitados pela população, como, por exemplo, divulgar que um cigarro ou
inseticida é orgânico.

Fonte: DIMITRIESKA; STANKOVSKA; EFREMOVA, 2017.

As empresas precisam de mecanismos que protejam sua reputação e as diferenciem


de seus concorrentes, em especial, que forneçam um aval para atrair a confiança e
preferência dos consumidores. Para isso, podem utilizar os selos ambientais.

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SUMÁRIO 43
Contabilidade Ambiental

1.4.2 SELOS AMBIENTAIS

Buscar o reconhecimento de um organismo independente demonstra que as empre-


sas asseguram a conformidade ambiental de acordo com requisitos específicos.
Os selos ambientais comprovam que foram tomadas medidas ambientalmente
sustentáveis em relação a um produto, processo ou sistema. Sua proposta é que, a
partir da confirmação de uma instituição confiável representada por um símbolo, o
consumidor se sinta seguro.

Três tipos de selos ambientais são amplamente reconhecidos, os de terceira parte,


as autodeclarações e os independentes. Um selo atribuído por um organismo de
terceira parte pode se orientar parcial ou integralmente pelos critérios da abordagem
de ciclo de vida para atestar a conformidade de um produto, processo ou sistema.
A instituição de terceira parte que o fornece pode ser pública ou privada.

As autodeclarações ambientais são afirmativas em relação aos benefícios ambientais


de um produto ou conformidade ambiental de um processo ou sistema, bem como
dos impactos ambientais causados. Essas declarações devem ser fixadas pelo produ-
tor de acordo com uma metodologia específica (ABNT; 2017), entretanto não estão
obrigadas à verificação de uma parte independente.

Os selos independentes estão vinculados à reputação de uma associação, comunida-


de, organismo não governamental, entre outros. Seu objetivo é desenvolver a cons-
ciência para determinados aspectos do produto ou serviço e criar diferenciação no
mercado, ao mesmo tempo em que influencia a escolha do consumidor e o compor-
tamento da empresa.

Autodeclarações – uma empresa realiza o sistema de gestão ambiental implementa-


do segundo a norma ABNT NBR ISO 14001:2015 e declara sua conformidade; entre-
tanto, o sistema não é verificado pelo organismo de terceira parte.

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Contabilidade Ambiental

Selos ambientais são sistemas de garantia de que produtos, processos ou


sistemas estão em conformidade com requisitos de proteção ambiental.
Observe os diferentes tipos:

Selos de terceira parte – certificação ISO 14001 para empresas que possuem
um sistema de gestão ambiental em acordo com a norma ABNT NBR ISO
14001:2015. O selo PROCEL é conferido a produtos que comprovam sua
eficiência energética.

Selos independentes – selo de produto orgânico atribuído a produtos que


tiveram seu sistema de produção verificado por uma associação. A associa-
ção dos produtores de café mantém um selo de pureza do produto.

Para lidar com os problemas ambientais resultantes de suas atividades, as organiza-


ções dependem de um conjunto de atividades administrativas e operacionais empre-
gadas de maneira metódica e contínua. Nesse sentido são empregados os sistemas
de gestão ambiental.

1.4.3 SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL

A finalidade de um Sistema de Gestão Ambiental – SGA é integrar a perspectiva


ambiental em todas as atividades da empresa, de administrativas a operacionais,
internas ou terceirizadas. O objetivo mínimo do SGA é garantir que a empresa aten-
da à legislação, mas para fazer frente a seus competidores é necessário que ele seja
parte do planejamento estratégico.

Em relação ao modelo de SGA, é possível que a empresa desenvolva o seu próprio


ou adote o padrão de alguma instituição, convém, entretanto, que a decisão esteja
alinhada aos propósitos da empresa, mercado de atuação e tipo de clientes.

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SUMÁRIO 45
Contabilidade Ambiental

As referências mundiais em SGA são a Câmera de Comércio Internacional (Internatio-


nal Chamber of Commerce – ICC) e o Conselho da Comunidade Econômica Europeia
(conhecido como Eco Management and Audit Scheme – EMAS). O primeiro tem seus
processos estruturados em planejamento, organização, implementação e controle. O
segundo baseia seus processos em planejamento, execução, verificação e ação para a
melhoria. A principal diferença entre ambos é que o ICC não define o modo de abor-
dagem dos problemas ambientais, enquanto o EMAS define como meta a prevenção
da poluição (BARBIERI, 2015).

O SGA orientado segundo as normas ABNT NBR ISO 14001:2015 e 14004:2018


também é compromissado com a melhoria contínua, devendo apresentar evolução
a cada ciclo. Sua estrutura deve ser amparada por atividades, procedimentos e regis-
tros, enquanto seus fundamentos consistem na política ambiental, na identificação
dos aspectos e impactos ambientais e da legislação aplicável às atividades da empre-
sa, objetivos, metas e programas.

CONCLUSÃO
A partir da análise da situação ambiental atual, foram estabelecidas relações de causa
e efeito com o modelo de desenvolvimento econômico empregado desde o início da
Era Industrial, de modo a interpretar a degradação ambiental como consequência
das estratégias de crescimento econômico dependentes da exploração de recursos
naturais.

Os conceitos de aspecto e impacto ambiental foram explorados na discussão sobre


os principais problemas atuais e preocupações ambientais futuras: esgotamento
de recursos naturais e poluição. Em contrapartida, foram expostos os argumentos
e propostas dos três pilares para a sustentabilidade e economia circular, correntes
filosóficas mais influentes para a restauração do equilíbrio entre desenvolvimento
econômico, ambiental e social. Por fim, foi discorrido sobre a gestão ambiental como
metodologia para implementação dessas filosofias.

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46 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

Conclui-se que o alinhamento entre os pilares do desenvolvimento sobre uma nova


base econômica circular deverá ser mensurado, isolada e conjuntamente, por meio
de ferramentas que se ajustem à transição desse novo modelo. Nesse sentido surge
a Contabilidade Ambiental, com a intenção de suprir a necessidade da empresa
em demonstrar monetariamente os resultados de sua postura em relação ao meio
ambiente.

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SUMÁRIO 47
Contabilidade Ambiental

UNIDADE 2

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Identificar as
metodologias de
valoração ambiental,
comparando as teorias
econômicas ambiental e
ecológica.

> Interpretar as relações


entre a contabilidade
e o meio ambiente,
discutindo a abrangência
da contabilidade
ambiental.

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48 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

2 VALOR AMBIENTAL
Nesta unidade, será discutido o valor do meio ambiente a partir das abordagens
econômica e contábil. Sob a perspectiva econômica, primeiramente será discutido o
papel do poder público como mediador do consumo dos recursos naturais e o papel
da sociedade como consumidora desses recursos. Em seguida, serão apresentados os
princípios de duas correntes filosóficas. Em economia do meio ambiente, será discor-
rido sobre os parâmetros e técnicas para atribuir valor monetário aos bens e serviços
ambientais, além das vantagens e desvantagens trazidas por esses métodos para a
efetiva preservação do meio ambiente. Em economia ecológica, serão expostos os
princípios e diretrizes para o desenvolvimento sustentável.

A partir do ponto de vista contábil, serão descritas as dimensões em que a conta-


bilidade interage com o meio ambiente. Investidores, governo, funcionários, clien-
tes, fornecedores, associações de classes, organizações não governamentais (ONGs)
e a sociedade em geral são as partes interessadas em uma empresa. À medida que
essas partes interessadas passaram a solicitar que as empresas divulgassem, além da
tradicional prestação de contas, informações relacionadas aos seus aspectos sociais
e ambientais, surgiu a necessidade de expandir o balanço para além dos aspectos
econômicos, demonstrando a responsabilidade da empresa para com as necessida-
des sociais e sua interação com o meio ambiente. Nesse contexto, a contabilidade
ambiental tem a função de sistematizar e quantificar as informações ambientais das
empresas.

INTRODUÇÃO
Questões éticas e interesses políticos são algumas entre as diversas razões para se
preservar o meio ambiente. Embora esses motivos não sejam econômicos, podem
trazer consequências econômicas significativas para pessoas, organizações e gover-
nos. De modo geral, as empresas causam impactos ambientais, tanto pelo consu-
mo de recursos quanto pela geração de poluição, porque esse é o meio mais barato
de produzir em larga escala. Entretanto, frente à possibilidade de que esses impac-
tos causados se transformem em valores monetários a serem deduzidos do lucro, as

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SUMÁRIO 49
Contabilidade Ambiental

empresas tomam medidas efetivas para evitá-los. Da mesma forma, estão interessa-
das em poupar recursos e liderar ações de preservação se puderem agregar algum
valor às suas operações.

As pressões exercidas pela sociedade para a conservação ambiental tendem a moldar


novos padrões de relacionamento com a natureza e utilização de seus recursos. Nesse
cenário, as empresas serão impelidas a ter rígido controle sobre seus bens, direitos e
deveres ambientais, o que, sem dúvida, constitui oportunidades para o profissional
habilitado em contabilidade ambiental.

2.1 VALOR AMBIENTAL

Uma empresa siderúrgica, ao comprar uma tonelada de minério de ferro de uma


mineradora, paga um preço determinado para cobrir os custos que a mineradora
teve em extrair e beneficiar o mineral, mais a rentabilidade pelo capital investido.
No entanto, esse preço não remunera a terra por produzir o metal ou diminuir suas
reservas.

O mesmo ocorre com a água que chega às torneiras. O preço cobrado pelas compa-
nhias se refere à captação, tratamento e distribuição, não há uma retribuição mone-
tária pelo uso do recurso natural, isso porque a água é essencial à manutenção da
vida, um bem público de livre apropriação, seu acesso é um direito assegurado pela
Constituição Federal.

Existem diferenças entre preço e valor. Preço corresponde à quantidade monetária


que se paga pela aquisição de um bem ou serviço. Já o valor desse mesmo bem ou
serviço pode variar de acordo com o grau de necessidade ou satisfação que cada
pessoa atribui a ele. No caso dos recursos naturais, essa diferença pode ser mais bem
percebida quando se considera sua escassez.

Os recursos naturais são os bens e serviços prestados pela natureza e são normal-
mente classificados de acordo com a utilização que se faz deles, conforme já estuda-
do. Trata-se, portanto, do conjunto de elementos que fazem parte do meio ambiente.
Para fins de valoração, é necessário detalhar o que são exatamente os bens e os servi-
ços que fazem parte dos recursos naturais.

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50 SUMÁRIO
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De acordo com Fiorillo (2018), bens ambientais são os recursos naturais essenciais à
manutenção da saúde, e o uso comum pela população é assegurado pela constitui-
ção. Já os serviços ambientais ou serviços ecossistêmicos englobam benefícios que a
humanidade obtém direta ou indiretamente da natureza por meio dos ecossistemas,
a fim de sustentar a vida no planeta. Segundo o relatório Ecossistemas e bem-estar
humano (MILLENIUM ECOSYSTEM ASSESSMENT, 2005), os serviços ecossistêmicos
são classificados em quatro grupos, conforme a figura a seguir.

FIGURA 8 - TIPOS DE SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS

CLASSIFICAÇÃO DOS

SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS

PROVISÃO REGULAÇÃO
Produtos adquiridos Benefícios advindos da regulação
dos ecossistemas de processos sistêmicos

• Água doce • Regulação do clima


• Alimentos • Regulação hídrica
• Madeira • Polinização
• Fibras • Controle de doenças
• Produtos bioquímicos
• Recursos genéticos

CULTURAIS SUPORTE
Benefícios imateriais advindos Serviços indispensáveis à
dos ecossistemas existência de todos os demais

• Espirituais • Formação do solo


• Recreação • Ciclagem de nutrientes
• Turismo • Produção primária
• Estéticos • Habitat para espécies
• Herança cultural

Fonte: Adaptado de BARBIERI, 2017.

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SUMÁRIO 51
Contabilidade Ambiental

Retornando ao exemplo da água, o consumidor reconhece facilmente se o preço da


conta é alto ou baixo dependendo da quantidade que consome, O valor da água,
no entanto, é incontestável quando se atravessam períodos de escassez que podem
levar ao racionamento no fornecimento, ou seja, somente na iminência da falta que
se atribui o devido valor. O mesmo acontece em relação aos demais recursos naturais:
sob o risco de esgotamento, seu valor passa a ser evidente.

O valor de um recurso ambiental pode ser abordado econômica e contabilmente.


Abordar o valor dos recursos naturais em termos econômicos compreende examinar
a relação entre economia e meio ambiente em termos gerais. A perspectiva contábil
interpreta essas relações no ambiente das empresas.

2.1.1 ABORDAGEM ECONÔMICA

A economia tem uma estreita relação com o meio ambiente, pois todas as ativida-
des econômicas dependem de alguma maneira dos recursos naturais. Entre as várias
abordagens, a valoração monetária do meio ambiente é um esforço para interrom-
per a degradação dos recursos naturais, antes que estes cheguem ao esgotamento.
Nesse sentido, aplicam-se os conceitos da economia do meio ambiente.

2.1.1.1 ECONOMIA DO MEIO AMBIENTE

O meio ambiente ou sistema natural provê o sistema econômico com seus recursos
e, ao mesmo tempo, serve como depósito dos resíduos. Além disso, as atividades de
produção e consumo modificam todo o entorno do espaço em que se desenvolvem.
Essa dinâmica é derivada da escola de economia neoclássica e possui característica
linear, em que a evolução do sistema econômico é limitada pela capacidade do siste-
ma natural.

Uma vez admitida a finitude dos recursos naturais e a possibilidade de que os cres-
centes níveis de poluição chegassem ao ponto de não serem absorvidos pelo plane-
ta, os modelos econômicos passaram a incorporar o princípio do balanço de mate-
riais na busca do equilíbrio nas relações entre os sistemas econômico e natural. Dessa
forma, a temática ambiental foi inserida na teoria econômica (ANDRADE, 2008).

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52 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

A economia do meio ambiente, ou economia ambiental, consiste em aplicar os prin-


cípios econômicos à gestão ambiental, analisando as funções de utilidade da natu-
reza, ou seja, receber a poluição ou fornecer recursos. A economia do meio ambiente
se concentra em descobrir como as decisões tomadas no meio econômico podem
trazer melhorias ou provocar a destruição dos ambientes naturais (FIELD; FIELD, 2014).

Produzir bens ou serviços gera consequências, chamadas de externalidades, que


podem ser positivas ou negativas, de modo que a missão da economia do meio
ambiente é identificar os mecanismos ideais de controle da poluição e encontrar a
taxa ótima de exploração dos recursos, a fim de que o sistema econômico continue a
se expandir ilimitadamente.

Os instrumentos da economia do meio ambiente são os métodos de valo-


ração ambiental por meio dos quais atribui-se valor monetário aos bens e
serviços ambientais e preço às externalidades. Trata-se de mensurar como
as alterações ambientais afetam o bem-estar da sociedade e quanto essa
sociedade está disposta a pagar ou receber para manter esses recursos.

Valorar um recurso ambiental economicamente consiste em atribuir valor a todo tipo


de uso que se possa fazer dele e igualmente atribuir valor pelo não uso ou simples-
mente pela existência desse recurso. De acordo com Motta (1997), o Valor Econômico
Total (VET) de um recurso ambiental abrange três componentes: Valor de Uso Direto
(VUD), Indireto (VUI) ou ambos, Valor de Opção (VO) e Valor de Existência (VE). Veja
cada um deles.

Valor de uso direto: disponibilidade a pagar pela visitação a um parque natural, por
exemplo, como o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ou pela extração de
bauxita no Pará, etc.

Valor de uso indireto: disponibilidade a pagar pelo benefício secundário que o recur-
so proporciona, como preservar uma floresta com o objetivo de conservar a biodiver-
sidade, mas ao mesmo tempo ser beneficiado pelo sequestro de CO2.

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Contabilidade Ambiental

Valor de opção: possibilidade de optar pela utilização direta ou indireta do recurso


ou preservá-lo para obter benefício futuro. Muitas vezes é possível utilizá-lo e simul-
taneamente preservá-lo para benefício futuro. Ao se tomar uma floresta como exem-
plo, pode-se utilizá-la como recreação e fins de turismo, como o Parque Nacional da
Serra do Caparaó entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, e preservá-la para
o futuro, quando talvez seja descoberta uma nova espécie animal ou propriedades
terapêuticas de alguma planta. Mas se a área for desmatada para atividade de mine-
ração, por exemplo, a utilização será somente no presente e os recursos florestais não
serão mantidos no futuro.

Valor de existência: atribuído aos recursos independentemente de se ter intenções


de explorá-lo ou obter benefícios, ou seja, o recurso tem valor simplesmente por exis-
tir. A mobilização pública pela preservação de espécies em risco de extinção é um
exemplo.

Há diversas técnicas de valoração ambiental. Os métodos apresentados no quadro


seguem a classificação apresentada no estudo de Maia, Romeiro e Reydon (2004).

QUADRO 2 - VALORAÇÃO AMBIENTAL

MÉTODOS DIRETOS MÉTODOS INDIRETOS


DAP Direta

Produtividade
Avaliação contingente Produtividade marginal
marginal

Custos evitados
Preços hedônicos
Mercado de Custos de controle
Indireta

bens substitutos Custos de reposição


DAP

Custo de viagem
Custos de oportunidade

Fonte: MAIA; ROMEIRO; REYDON, 2004.

2.1.1.2 MÉTODOS DIRETOS DE VALORAÇÃO


AMBIENTAL

Os métodos diretos avaliam a Disposição a Pagar (DAP) direta ou indiretamente


pelo bem ou serviço ambiental. A DAP direta corresponde à estimativa do valor total
que se pretende pagar pelo uso e existência de um recurso. O método de avaliação

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Contabilidade Ambiental

contingente é utilizado para estimar esse valor caso o recurso seja modificado ou
deixe de existir, portanto adaptável à maioria dos problemas ambientais.

A DAP indireta utiliza bens complementares para avaliação do valor do bem, por
exemplo, a conservação da biodiversidade em relação ao número de visitas ao Parque
Nacional Marinho de Fernando de Noronha. O método de preços hedônicos, que
trata da avaliação de um bem de acordo com o bem-estar proporcionado, é frequen-
temente aplicado ao preço de propriedades em relação aos benefícios que podem
ser obtidos por meio dos recursos ambientais, tais como qualidade do ar e da água,
vista privilegiada, entre outros. Os custos de viagem, método que valora um bem ou
serviço ambiental em função com os gastos para visitá-lo, são aplicados aos espaços
naturais de visitação pública, estimado pelos gastos dos visitantes com deslocamen-
to, tempo de viagem, taxa de entrada e outras despesas.

2.1.1.3 MÉTODOS INDIRETOS DE VALORAÇÃO


AMBIENTAL

Os métodos indiretos utilizam como referência para cálculo de um recurso o preço


de produtos que sejam afetados por sua modificação. Para tanto, é necessário conhe-
cer a relação entre o impacto ambiental e o impacto econômico na produção.

O método da produtividade marginal mensura o impacto no sistema produtivo devi-


do a uma variação marginal no abastecimento do recurso natural que integra esse
processo produtivo, por exemplo, o nível de poluição pode comprometer a qualidade
da água e diminuir a produção de peixes.

Quando não se consegue obter o preço de um produto que tenha sido afetado pela
alteração de um recurso ambiental, é possível estimá-lo por meio de algum substitu-
to que exista no mercado. O método de custos evitados é bastante utilizado em rela-
ção a impactos ambientais que prejudiquem a saúde da população, por exemplo, as
ações de saneamento básico diminuem o risco de várias doenças e geram uma esti-
mativa do valor dado à vida humana.

O método de custos de controle se refere ao gasto frequente e necessário para evitar


as variações e manter a qualidade dos recursos, por exemplo, realizando o tratamen-
to de esgotos para evitar a poluição de rios e mares.

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Contabilidade Ambiental

Custos de reposição é o método em que os benefícios gerados por um recur-


so ambiental são obtidos pelo valor dos gastos necessários para sua repo-
sição ou reparação, portanto o valor de uma floresta pode ser obtido pelo
cálculo dos custos para reflorestamento.

A conservação ambiental implica em abdicar de algum tipo de atividade econômica.


Nesse caso, o valor da conservação é medido pelo método de custo de oportunidade,
que corresponde ao valor da atividade econômica que poderia estar sendo desen-
volvida, ou seja, refere-se às perdas econômicas para conservar o recurso ambiental.

Veja um exemplo de como esses conceitos são aplicados.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina abrange uma região de serras no centro


do território baiano, rica em nascentes, cachoeiras e piscinas naturais, que atraem
muitos viajantes em busca do turismo de aventura. Ali nascem alguns dos rios mais
importantes para o abastecimento da população e desenvolvimento de atividades
agrícola e pesqueira. Além disso, registra cerca de 500 espécies de fauna e flora endê-
micas, ou seja, animais e plantas que só existem naquele lugar (GUIA TURÍSTICO
CHAPADA DIAMANTINA, 2019).

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Contabilidade Ambiental

QUADRO 3 - TABELA DE VALORAÇÃO AMBIENTAL

RECURSOS NATURAIS VALOR AMBIENTAL


CLASSIFI- MÉTODO
CAÇÃO DO UTILIZAÇÃO DE VALO-
DESCRIÇÃO SERVIÇO TIPO JUSTIFICATIVA RAÇÃO
ECOSSISTÊ-
MICO
O valor é devido
Valor de independentemente
existência de que recurso seja
utilizado.
A atividade turística
Valor de
é desenvolvida no
uso direto Custos de
Turismo presente.
viagem
Atual e futuro, pois,
em vez de manter
Valor de a paisagem, pode-
opção ria haver atividade
econômica. Ex.: mine-
Beleza Serviços ração.
cênica culturais
O valor é devido
Valor de independentemente
existência de que recurso seja
utilizado.
Valor de A propriedade é utili-
Valorização
uso direto zada no presente. Preços
de proprie-
hedônicos
dade Atual e futuro, pois,
em vez de manter
Valor de a paisagem, pode-
opção ria haver atividade
econômica. Ex.: mine-
ração.
O valor é devido
Valor de independentemente
existência de que recurso seja
utilizado.
A atividade turística
Valor de
é desenvolvida no
uso direto
presente. Avaliação
Vegetação Serviços de
Turismo Valor de contin-
endêmica provisão Sequestro de carbo-
uso indi- gente
no.
reto
Uso atual e futuro,
pois estudos futuros
Valor de
poderão identificar
opção
propriedades tera-
pêuticas nas plantas.

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SUMÁRIO 57
Contabilidade Ambiental

O valor é devido
Valor de independentemente
existência de que recurso seja
utilizado.
Valor de O recurso é utilizado
uso direto no presente.
Avaliação
Serviços de Abasteci- Valor de contin-
provisão mento uso indi- Manutenção dos rios. gente
reto
Uso atual e futuro,
pois o recurso deve
Valor de
ser mantido para
opção
gerações atuais e
futuras.
Nascentes O valor é devido
Valor de independentemente
existência de que recurso seja
utilizado.
A atividade econômi-
Valor de
ca é desenvolvida no
uso direto
presente. Produ-
Serviços de
Agricultura Valor de tividade
provisão
uso indi- Manutenção da vida. marginal
reto
Uso atual e futuro,
pois o recurso deve
Valor de
ser mantido para
opção
gerações atuais e
futuras.

Fonte: Elaborado pela autora.

Observe que um recurso pode ser valorado por mais de um método, dependendo do
uso que se faz dele. Quando se valora um recurso considerando a possibilidade de
seu esgotamento, utiliza-se o método de avaliação contingente, mas se esse mesmo
recurso estiver associado a uma atividade produtiva, como a água para a agricultu-
ra, utiliza-se o método de produtividade marginal. A economia do meio ambiente
baseia-se no progresso científico para equilibrar as relações entre o meio ambiente e
o sistema produtivo, estipulando métodos de valoração aos benefícios prestados pela
natureza, com a intenção de administrar a utilização dos recursos e evitar a escassez
que limitaria o processo produtivo.

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58 SUMÁRIO
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A Serra da Moeda é uma área prioritária para o abastecimento de água no


estado de Minas Gerais e o Projeto Oásis Brumadinho é uma iniciativa de
conservação da região. O projeto consiste no cadastramento das proprie-
dades e valoração ambiental dos recursos naturais. A proposta é pagar aos
proprietários pela manutenção desses recursos e preservar a região contra a
especulação imobiliária e mineração.

Porém, esta não é a única forma de relacionamento possível entre a economia e o


meio ambiente. Em uma outra abordagem, a economia ecológica, as relações entre
homem, natureza e economia são niveladas a partir da perspectiva de que não há
hierarquia entre elas.

2.1.2 ECONOMIA ECOLÓGICA

A economia ecológica reconhece os limites da exploração dos recursos naturais e


defende que eles não sejam mais predatoriamente explorados pelo sistema econô-
mico, concentrando esforços em entender como esses limites alteram a dinâmica
das atividades econômicas e postulando que as atividades econômicas devem ser
adaptadas à utilização sustentável dos recursos.

Ao contrário da economia do meio ambiente, a economia ecológica se posiciona


contrariamente às bases lineares de extração, produção e descarte, postulando que
o sistema natural e o sistema econômico são equivalentes em importância, visto que
são as partes de um todo, o que significa que, independentemente do valor atribuído
pela humanidade, a natureza possui seu próprio valor.

Como ressaltado por Cechin (2018), a economia não pode ser compreendida como
um sistema isolado, mas como um subsistema aberto, uma vez que está envolvida
nas trocas com o sistema natural (outro subsistema aberto), recebendo materiais e
gerando resíduos dentro de um sistema isolado, o universo.

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SUMÁRIO 59
Contabilidade Ambiental

As leis da física são aderentes ao sistema econômico no que diz respeito ao fato de
que nem toda energia é aproveitada nas transformações, pois parte dela se dissipa na
forma de calor. A segunda lei da termodinâmica, a lei da entropia, postula que, em
um sistema isolado, a dissipação de energia tende ao máximo, sem que seja possível
a reversão desse processo.

As leis da termodinâmica

A termodinâmica é uma ciência que investiga a transferência de energia


entre os sistemas. O objeto que estiver sendo estudado pela termodinâmica
é chamado de sistema. Pode ser qualquer coisa, uma célula, um objeto, um
ecossistema ou um planeta. O que não estiver no foco do estudo, ou seja, o
que não for sistema, é chamado de meio. O sistema é aberto quando troca
energia e matéria com o meio, como um lago que perde calor e vapor de
água para o meio. Sistemas fechados trocam energia sem trocar matéria, ao
se encher uma garrafa com a água do lago e a tampar, ela poderá ser aque-
cida ou resfriada, mas não perderá água. Há ainda os sistemas isolados, que
não realizam trocas, como um congelador, ao se colocar a garrafa d’água
dentro dele, haverá troca de energia com os demais objetos e a água será
congelada, mas a garrafa não realizará troca de energia com o meio externo.

Primeira lei da termodinâmica: estabelece que a energia não pode ser cria-
da ou destruída, mas somente conservada e transferida entre os objetos.
Como exemplo, tem-se uma lâmpada que transforma energia elétrica em
luz, a energia radiante, ou uma planta que, por meio da fotossíntese, trans-
forma a energia radiante da luz solar em energia química, a seiva. Entretanto,
em todo processo de transformação há perda de energia, essa condição é
chamada de entropia.

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60 SUMÁRIO
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Segunda lei da termodinâmica: todo processo de transferência de energia


contribui para o aumento de entropia do universo e reduz a quantidade de
energia disponível. De volta ao exemplo da lâmpada, além da produção de
luz ou energia radiante, há a geração de calor, que não pode ser utilizado em
novas transformações (BORGNAKKE; SONNTAG, 2018).

Dizer que determinada matéria é de baixa entropia significa dizer que há baixa dissi-
pação de energia, ou seja, quase toda a matéria é aproveitada. Observa-se, portanto,
que o sistema econômico absorve materiais de baixa entropia (recursos naturais) e
libera resíduos de alta entropia. Se nos processos naturais não há geração de resíduos,
pois todos os elementos são ciclados, presume-se que a má utilização dos recursos
naturais no sistema econômico é a razão para o aumento de entropia.

Portanto, para o perfeito funcionamento do sistema econômico, os ciclos biofísicos


e ecológicos que regulam o sistema natural devem ser não somente considerados,
mas também integrados aos princípios socioeconômicos. Em outras palavras, signi-
fica que um recurso natural não pode ser valorado apenas monetariamente, mas
também em termos físicos e sociais (CAIXETA, 2008).

Por essa razão, a economia ecológica reúne diversas escolas de pensamento, sendo
que cada uma delas emprega seus próprios métodos e instrumentos, desde a valora-
ção monetária à aplicação das leis da termodinâmica, passando pelo balanço ener-
gético. Uma de suas linhas, a Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade, tradução
do termo em inglês The Environment Economy and Biodiversity (TEEB) resultou da
reunião G8 + 5 entre os países que representavam as maiores economias em 2007. O
método propõe estimar os efeitos da perda de biodiversidade para alcançar os bene-
fícios econômicos advindos com a preservação (ROMA et al., 2013), para tanto, utiliza
valores preestabelecidos globalmente.

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SUMÁRIO 61
Contabilidade Ambiental

A Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO) disponibiliza aces-


so on-line a diversas publicações, como boletins anuais e artigos científicos
apresentados em seus encontros realizados desde 1995.

De acordo com Amazonas (2019), a economia ecológica é uma ciência nova, que,
apesar do rápido desenvolvimento, ainda não tem sua estrutura teórico-analítica e
suas ferramentas definidas.

FIGURA 9 - COMPARAÇÃO ENTRE AS ABORDAGENS ECONÔMICAS VOLTADAS AO MEIO


AMBIENTE

ECONOMIA DO ECONOMIA
MEIO AMBIENTE ECOLÓGICA

ANÁLISE DE INDICADORES INDICADORES


FUNÇÃO ANÁLISE ÉTICA
CUSTO E MONETÁRIOS FÍSICOS E
UTILIDADE MULTIDIMENSÕES AMBIENTAL
BENEFÍCIO BIOLÓGICOS

SISTEMA UNIVERSO
NATURAL

SISTEMA
SISTEMA NATURAL
RECURSOS ECONÔMICO RESÍDUOS SISTEMA
NATURAIS
PRODUÇÃO ECONOMICO
CONSUMO
ECONOMIA

ECONOMIA CIRCULAR
LINEAR

PRIORIDADE ALOCAÇÃO ESCALA


ÓTIMA DE PRIORIDADE
À EFICIÊNCIA ÓTIMA DE
RECURSOS AO SUSTENTÁVEL
PRODUÇÃO

Fonte: Elaborado pela autora.

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Alerta-se para o fato de que o emprego de qualquer uma dessas filosofias, economia
do meio ambiente ou ecológica, encontra diversas limitações. Entre elas, a falta de
conhecimento dos processos ecológicos, o que desencadeia a ausência de dados. Por
vezes, as barreiras se encontram na própria metodologia ou na dificuldade de apli-
cá-la à escala adequada de valoração (ROMA et al., 2013). De qualquer forma, aplicar
tais metodologias depende de que as informações ambientais e econômico-finan-
ceiras sejam estruturadas sistematicamente, prática comum às ciências contábeis.

2.2 ABORDAGEM CONTÁBIL

A prática de registrar, mensurar, avaliar e divulgar os resultados das atividades econô-


micas vem acompanhando a evolução da humanidade desde o surgimento da mate-
mática. As constantes mudanças impostas às organizações têm ditado o ritmo de
adaptação da contabilidade às necessidades jurídicas, econômicas, organizacionais
e sociais. Da mesma forma, as questões ambientais têm contribuído para o seu apri-
moramento e integração com outras ciências.

2.2.1 INTERAÇÕES COM O MEIO AMBIENTE

A sociedade tem sofrido grandes transformações, em parte devido ao desenvolvi-


mento tecnológico. Empresas negociam com clientes e fornecedores em todas as
partes do mundo e a competição por mercados ultrapassou o nível das organizações,
alcançando as cadeias de suprimentos.

A disponibilidade de informação favoreceu a formação de grupos dedicados à defe-


sa dos interesses comuns em termos sociais, ambientais, políticos e econômicos. A
opinião pública tem ganhado força e o consumidor tem seu poder de negociação
aumentado cada vez mais.

As entidades são forçadas a adotar posturas com maior transparência, considerando


as requisições de suas partes interessadas. Nesse sentido, as demonstrações contá-
beis medeiam a relação entre a sociedade e as instituições, prestando contas do
patrimônio e da postura corporativa das organizações (RIBEIRO, 2017).

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SUMÁRIO 63
Contabilidade Ambiental

Em termos ambientais ou ecológicos, a contabilidade provê um método de organiza-


ção das informações sobre a utilização e o valor dos bens e serviços ambientais, bem
como sobre as despesas relativas à preservação e gestão desses recursos. Em resu-
mo, pode-se dizer que a grande contribuição da contabilidade ambiental é integrar
dados econômicos e ambientais em quatro diferentes níveis (WORKING GROUP OF
ENVIRONMENTAL AUDITING, 2010):

A) Contas de ativos de recursos naturais: reúne dados sobre os estoques utilizados


e não utilizados de recursos naturais, as mudanças na utilização dos estoques devido
a atividades econômicas e mudanças em virtude de processos naturais. Os aponta-
mentos são realizados em termos de quantidades físicas e de valores monetários.

B) Contas de fluxos físicos de materiais e poluição: provê informações no nível das


indústrias a respeito das quantidades de recursos consumidos e resíduos gerados nos
processos produtivos.

C) Contas híbridas físico-monetárias: agrega taxas e despesas para gestão e preser-


vação dos recursos e fundos arrecadados das indústrias para pagamento do recurso.

D) Contas macroeconômicas ambientalmente ajustadas: integra os dados sobre


produção e renda aos dados ambientais apontados pelos três tipos de contas ante-
riores para avaliar impactos sobre a saúde, meio ambiente e desenvolvimento econô-
mico.

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Tipos de apontamentos na contabilidade ambiental

A) Contas de ativos de recursos naturais: a área total florestada é um esto-


que, pode ser apontada fisicamente, se quantificada em quilômetros ou
hectares, e em termos monetários, se os bens e serviços dessa área forem
valorados. Se parte dessa área for desmatada para cultivo de soja, houve
mudança na utilização do estoque devido à atividade econômica, se a parte
restante for incendiada por causa de um raio, houve mudança desencadea-
da por processo natural.

B) Contas de fluxos físicos de materiais e poluição: consumo de água, ener-


gia, matérias-primas, emissão de poluentes.

C) Contas híbridas físico-monetárias: taxas de mineração e gastos dispendi-


dos com tratamento de água e gerenciamento de resíduos sólidos.

D) Contas macroeconômicas ambientalmente ajustadas: Produto Interno


Bruto (PIB) e Produto Interno Verde (PIV).

Segundo Ribeiro (2010), a contabilidade ambiental identifica, mensura e explica


eventos econômico-financeiros ocorridos em um determinado período e relaciona-
dos à preservação ambiental, com o intuito de evidenciar a situação patrimonial de
uma entidade.

O sistema de contabilidade ambiental pode ser implementado em diversas pers-


pectivas, sendo aplicável tanto à contabilidade das empresas como à de países e até
mesmo do planeta, computando o valor dos recursos de toda a biosfera. Sua adoção
tem sido incentivada pela Organização das Nações Unidas como instrumento de
decisão para políticas públicas, entre os países pioneiros na implementação, estão
França, Noruega e Holanda.

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A Lei Federal nº 13.793 de 17 de outubro de 2017 instituiu o Produto Inter-


no Verde (PIV) para mensurar o grau de desenvolvimento sustentável do
país. Esse índice será apurado por meio do sistema de contas econômicas
ambientais, aplicando uma metodologia padrão aprovada pela Comissão
de Estatística das Nações Unidas. Essas informações serão utilizadas em
complemento ao sistema de contas nacionais, pelo qual se obtém o Produ-
to Interno Bruto (PIB), para a elaboração de políticas públicas de desenvolvi-
mento e preservação num modelo de contas macroeconômicas ambiental-
mente ajustadas (BRASIL, 2019).

No âmbito das empresas, as informações apuradas pela contabilidade ambiental se


relacionam ao fluxo de materiais e poluição, com vistas a fornecer elementos para a
tomada de decisão da própria empresa e de suas partes interessadas.

2.2.2 IMPLEMENTAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES

Nas últimas décadas, tem havido crescente pressão social pela responsabilidade das
organizações para com as consequências ambientais e sociais de suas atividades.
Nesse sentido, as contribuições contábeis consistem em determinar os custos sociais
e prover informações para as decisões gerenciais.

De modo geral, as empresas são resistentes à adoção de novas tecnologias ou equi-


pamentos ambientalmente amigáveis, pois esses desembolsos impactam o fluxo de
caixa. Identificar e relacionar esses gastos com economia de custos, como a redução
do consumo e desperdício de materiais, otimização da produtividade e ganho de
competitividade, é uma entre as muitas atribuições da contabilidade ambiental, que
tem por objetivo avaliar os eventos econômico-financeiros capazes de afetar o estado
patrimonial presente e futuro.

Entre os benefícios da adoção da contabilidade ambiental, destaca-se o contro-


le sobre os aspectos e impactos ambientais das atividades da organização, o que

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acarreta a melhoria da qualidade ambiental e ao mesmo tempo evita as sanções


legais e os gastos para recuperação de danos ao meio ambiente.

A sistematização dos dados gera indicadores que suportam a tomada de decisão a


respeito da alocação racional de recursos. Além disso, viabilizam a divulgação dos
resultados às partes interessadas nas atividades da empresa. Com o fortalecimento
das relações e os ganhos de reputação, a empresa pode obter vantagem competitiva
frente a seus concorrentes.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA
FIELD, Barry C.; FIELD, Martha K. Introdução à economia do meio ambiente. Porto
Alegre: AMGH, 2014.

O livro “Introdução à economia do meio ambiente”, de Field e Field, é um excelente


ponto de partida para aprender mais sobre o tema. São apresentadas ferramentas
de análise que possibilitam a interpretação de grandes questões ambientais sob a
perspectiva econômica. Conceitos, como disposição a pagar, disposição a receber,
eficiência econômica e mercados, são amplamente discutidos e exemplificados em
questões práticas.

SANTOS, T.; SANTOS, L. Economia do meio ambiente e da energia: fundamentos


teóricos e aplicações. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018.

O livro discute a estreita relação entre economia, energia e meio ambiente e sua
importância para o desenvolvimento sustentável, principalmente em relação à agen-
da de compromissos ambientais para 2030. O papel das instituições, as consequên-
cias das mudanças climáticas, como o risco de perda da biodiversidade, além dos
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) são abordados por meio de uma
visão multidisciplinar, que reúne princípios da engenharia, ecologia, economia e rela-
ções internacionais.

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Contabilidade Ambiental

CONCLUSÃO
A reconhecida importância dos recursos naturais foi abordada nesta aula a partir da
perspectiva de valor. Uma vez que esses recursos são a base das atividades econô-
micas, discutiram-se os conceitos e metodologias mais comumente adotados para a
atribuição de valor monetário a bens naturais, como água, energia, metais, e serviços
prestados pelas florestas e outros ecossistemas.

Em termos econômicos, foram apresentados, discutidos e comparados os critérios


das duas principais correntes de valoração ambiental: a economia do meio ambiente
e a economia ecológica. A demonstração da aplicação dos conceitos de valor e dos
métodos de valoração permitiu conhecer os princípios da abordagem que estende
aos recursos naturais os conceitos e métodos da visão econômica linear, a econo-
mia do meio ambiente. Em contraponto, analisou-se o desenvolvimento da estrutura
multidisciplinar da economia ecológica e seu alinhamento com bases econômicas
restaurativas e circulares.

A valoração dos recursos naturais, qualquer que seja a filosofia adotada, depende de
um rigoroso sistema de registro, mensuração e avaliação de dados, práticas inerentes
às ciências contábeis. Nesse sentido, foi discutido em que dimensões há compati-
bilidade entre a contabilidade e o meio ambiente e como se dão essas interações.
Foram apresentados e exemplificados quatro níveis de integração de dados econô-
micos e ambientais: contas de ativos de recursos naturais, contas de fluxos físicos de
materiais e poluição, contas híbridas físico-monetárias e contas macroeconômicas
ambientalmente ajustadas.

Evidenciou-se que o conceito de contabilidade ambiental é aplicável à incorporação


dos dados econômicos aos ambientais a qualquer entidade, de empresas a conti-
nentes. No que se refere ao âmbito das empresas, a aderência da contabilidade
ambiental foi evidenciada em relação aos benefícios advindos do controle dos aspec-
tos e impactos ambientais, da alocação apropriada de recursos, fortalecimento das
relações com as partes interessadas, ganhos de reputação e aquisição de vantagem
competitiva.

Em resumo, conclui-se que a valoração dos recursos ambientais consiste em uma


estratégia importante para sua preservação. Embora as metodologias de valoração
econômica ainda se encontrem em desenvolvimento, a abordagem contábil é indis-
pensável para que se obtenha sucesso na conservação do planeta.

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Contabilidade Ambiental

UNIDADE 3

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Compreender os
elementos básicos
de um apontamento
contábil, interpretando
sua aplicação aos eventos
ambientais.

> Comparar os conceitos


de despesa e custo,
contrastando
seu significado e
características.

> Discutir os conceitos


apresentados nesta
unidade, observando sua
aplicação nas situações
exemplificadas.

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SUMÁRIO 69
Contabilidade Ambiental

3 CONTABILIDADE
AMBIENTAL
Nesta unidade, serão abordados os princípios contábeis da prudência, competência
e oportunidade e sua delicada relação com o apontamento dos eventos ambientais.

Você dará o primeiro passo para a evidenciação contábil, que consiste em interpretar
os significados e características dos elementos, bem como diferenciá-los para fazer
uma correta classificação e evitar lançamentos incorretos.

A partir desta unidade a teoria se aproxima da prática e os temas passam a ser trata-
dos por meio de exemplos e exercícios. No cenário dos gastos ambientais serão apre-
sentados os conceitos de despesas e custos, suas diferenças, categorias, métodos
de apuração e atribuição, além disso serão tratados os métodos de custeio, amor-
tização e a natureza e estrutura das receitas. Ao longo de toda a unidade você será
convidado a perceber diferenças, relembrar os significados e observar a aplicação
desses elementos em situações reais da rotina das empresas, de modo a compreen-
der como a Contabilidade Ambiental é estruturada e como pode contribuir para a
gestão ambiental das empresas.

INTRODUÇÃO DA UNIDADE
O controle financeiro corresponde à gestão dos gastos e receitas e é importante tanto
para os indivíduos quanto para as organizações. Controlar as finanças efetivamente,
permite identificar se as receitas ou despesas são frequentes ou esporádicas, saber
qual a melhor fonte de investimento e ainda fazer previsões.

Um controle financeiro preciso é uma ferramenta de grande utilidade na tomada de


decisões gerenciais, contribuindo para a implementação de medidas que reduzam
os custos e proporcionem tranquilidade financeira em tempos de instabilidade do
mercado.

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70 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

Isso é importante também para a gestão ambiental de uma empresa, pois o controle
financeiro ambiental permite o controle do consumo e melhor alocação dos recur-
sos, avaliação dos riscos e previsão de demandas, fornecendo elementos para a toma-
da de decisão a respeito dos aspectos e impactos ambientais da organização.

O domínio desses conhecimentos confere ao gestor ambiental competência e auto-


nomia para realizar os lançamentos contábeis, analisá-los e oferecer suporte aos
níveis hierárquicos mais elevados para a tomada de decisão.

3.1 CONTABILIDADE AMBIENTAL

A contabilidade gerencial consiste em uma metodologia de identificação, coleta e


análise de dados para gerar informações que auxiliem o processo gerencial inter-
no na otimização de resultados, em especial em relação aos custos e receitas. Em
termos ambientais, a contabilidade aplica essa metodologia aos balanços de massa,
fluxos de materiais e energia, e na informação do custo ambiental.

De outra parte, a contabilidade financeira se atém à elaboração e divulgação do


desempenho contábil e financeiro a suas partes interessadas. Em termos de equi-
valência pode-se dizer que a Contabilidade Ambiental tem a especial finalidade de
relatar custos, despesas e demais informações ambientais que sejam responsabilida-
de da organização (TINOCO; KRAEMER, 2009).

Entretanto, em qualquer âmbito em que a contabilidade seja aplicada deverão ser


seguidos seus princípios básicos.

3.1.1 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS

A Contabilidade é regida por um conjunto de normas, os princípios contábeis, com o


objetivo de guiar a rotina de controle do patrimônio das instituições. A Resolução nº
1.280 do Conselho Federal de Contabilidade estabelece seis princípios: da entidade,
da continuidade, da oportunidade, do registro pelo valor original, da competência e
da prudência (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2010).

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SUMÁRIO 71
Contabilidade Ambiental

3.1.1.1 PRINCÍPIO DA ENTIDADE

Reconhece que o objeto da contabilidade é o patrimônio empresarial, que deve


ser autônomo e não pode ser confundido com o patrimônio pessoal dos sócios da
empresa.

3.1.1.2 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE

Presume que as operações da empresa continuarão no futuro, de modo que a conta-


bilidade dos eventos deve ser permanente, registrando os eventos durante todo o
tempo que a empresa existir, e nunca somente por um período determinado.

3.1.1.3 PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR


ORIGINAL

Determina que os eventos sejam registrados pelo valor original das transações, inde-
pendentemente do que valha no mercado, ou seja, pelo valor real apurado em moeda
corrente do país, e não pelo valor estimado.

3.1.1.4 PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA

Determina que os eventos devem corresponder aos períodos em que ocorrem e,


ainda, que os gastos devem ser confrontados com as receitas, independentemente
de quando ocorrerá o recebimento ou pagamento.

3.1.1.5 PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE

Determina que os eventos sejam registrados no período em que ocorreram, ou


seja, os lançamentos contábeis devem ser imediatos, na extensão e valores corretos.
A contabilidade deve ser realizada simultaneamente ao evento.

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3.1.1.6 PRINCÍPIO DA PRUDÊNCIA

Determina que seja adotado o menor valor para os elementos do ativo (bens, dinhei-
ro, móveis e imóveis) e de maior valor para os do passivo (obrigações e despesas),
sempre que apresentem alternativas igualmente válidas para se quantificar as altera-
ções do patrimônio. Com isso pretende-se que as receitas não sejam superestimadas
e as despesas não sejam subestimadas.

Ribeiro (2010) salienta que atualmente os princípios contábeis, em especial da


competência e prudência, não refletem os aspectos da responsabilidade social, e por
essa razão tem que ser adaptados ao contexto ambiental.

Mineração e produção de cimento – observe a aplicação dos princípios


contábeis em situações ambientais e em outros aspectos do funciona-
mento das empresas.

Princípio da entidade – a empresa Xnto atua no mercado de fabricação,


distribuição e comércio de cimento há mais de 70 anos e vive uma profun-
da crise financeira desde 2015, suas obrigações superam os bens e direi-
tos. Ao contrário de seus sócios proprietários que possuem fortuna avaliada
em R$105 bilhões, o patrimônio líquido da Xnto está negativo em R$ 643,5
milhões.

Princípio do registro pelo valor original – na tentativa de solver as dívidas,


a Xnto vendeu duas de suas instalações por valores em média 25% abaixo
do valor de mercado. O montante apurado integrou o fluxo de caixa para o
pagamento de despesas imediatas.

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Contabilidade Ambiental

Princípio da competência – a mineradora XMin, principal fornecedora de


matéria-prima e credora da Xnto, gera constante degradação ambiental
com a extração de calcário. Os gastos decorrentes desses impactos ambien-
tais são contabilizados de acordo com sua ocorrência, ou seja, de acordo
com as operações de extração da XMin. Da mesma forma, suas receitas são
contabilizadas pela data da entrega do material, independentemente da
data em que sua cliente Xnto realize o pagamento.

Princípio da oportunidade – os registros contábeis da XMin acompanham


os eventos, retratam com precisão as ocorrências e as informações são divul-
gadas em demonstrações periódicas, ao contrário da Xnto que inclusive
responde a sanções devido à falta de integridade de seus registros contábeis.

Princípio da continuidade – por meio dos apontamentos da XMin pode ser


acompanhado todo o seu histórico ambiental desde o início de suas opera-
ções. A Xnto enfrenta penalidades pela ausência de sua escrituração contábil.

Princípio da prudência – as estimativas de vendas da mineradora XMin para


o próximo período são feitas com base no menor valor; dessa forma suas
receitas não são superestimadas. Por outro lado, embora a Xnto tenha outras
propriedades de que possa dispor, suas expectativas de ganhos com capital
de imóveis não podem ser contabilizadas enquanto a venda não for realidade.

3.2 GASTOS AMBIENTAIS

Gasto é todo o compromisso financeiro assumido para a aquisição de bens ou servi-


ços, ou seja, aquilo que foi pago ao consumir, utilizar, distribuir. Pode-se dizer que o
ato de adquirir matérias-primas tem um gasto, como também há gastos em pagar
salários e abastecer um automóvel.

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Os gastos se classificam em custo e despesa, dependendo do destino que será dado


aos bens e serviços consumidos, o conhecimento anterior dessa classificação básica
dos elementos contábeis auxilia a assimilação do conceito nas situações ambientais.

Custos correspondem aos valores desembolsados para a fabricação de bens ou pres-


tação de serviços, se referem especificamente à atividade realizada pela empresa
para geração de receita.

As despesas também estão relacionadas à geração de receita, porém de uma forma


mais ampla, pois não se referem apenas aos gastos da produção, mas de todas as
atividades da empresa.

A confusão entre custo e despesa costuma ser frequente, principalmente porque


os dois elementos costumam contabilizar os mesmos tipos de gastos, por exemplo
a energia elétrica, que, no caso de uma indústria de garrafas plásticas, tanto é utili-
zada nas máquinas que produzem as garrafas (custo) como na iluminação geral da
empresa (despesa).

Os custos são demonstrados por unidade de produto, ou seja, x% do custo


de produto corresponde à matéria-prima.

As despesas são demonstradas por períodos, por exemplo, despesas do mês


de março de 2019.

Outros termos importantes para a contabilidade de custos são:

Investimento – equivale ao esforço financeiro que a empresa emprega com


objetivo de ter retorno futuro, como, por exemplo, galpões e equipamentos.

Desembolso – dispor de recurso financeiro para pagamento de um gasto


(custo ou despesa).

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Depreciação – diminuição do valor de um bem devido à sua utilização, desgas-


te ou obsolescência, como no caso da desvalorização de um automóvel.

Perda – consumo não previsto de um bem ou serviço, como, por exemplo,


as perdas de processo, em que ocorre desperdício de matérias-primas por
defeito ou refugo.

Amortização – quitação de uma dívida por meio de parcelas programadas.


Fonte: FRAGA; SPRENGER, 2018.

3.2.1 DESPESAS AMBIENTAIS

Despesas ambientais correspondem aos gastos para o gerenciamento ambiental,


estão relacionados às atividades administrativas, como, por exemplo, a realização
de auditorias e outras tarefas burocráticas, mesmo que ocorram também nas áreas
produtivas. As despesas ambientais são normalmente contabilizadas por período,
como dias de auditoria, horas de prestação de serviços de consultoria, entre outros.
Devem ser contabilizados preferencialmente em relação ao período em curso, embo-
ra alguns possam se referir a receitas futuras.

QUADRO 4 - DESPESAS AMBIENTAIS, MAIO DE 2019

DESPESA AMBIENTAL
DEPARTAMENTO VALOR DATA
TIPO DESCRIÇÃO
Gerente Ambiental R$ 8.765,35
Salários Analista ambiental R$ 3.525,30 05/05/2019
Estagiário R$ 1,091,50

Qualidade e Depreciação Móveis e equipamentos R$ 250,00 05/05/2019


Meio Ambiente Material de Apostilas para
R$ 65,00 07/05/2019
escritório treinamento
Realizado in company
Treinamento
para gerente, analista e R$ 1.250,00 19/05/2019
ISO 14001
estagiário.

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DESPESA AMBIENTAL
DEPARTAMENTO VALOR DATA
TIPO DESCRIÇÃO
40 horas trabalhadas e
insumos consumidos
Horas- realizando pesquisa,
Compras R$ 600,00 29/05/2019
insumos/mês seleção e aquisição
de itens para a área
ambiental.
12 horas trabalhadas e
insumos consumidos na
Recursos Horas-
seleção, recrutamento e R$ 180,00 29/05/2019
Humanos insumos/mês
treinamento do pessoal
da área ambiental.
4 horas trabalhadas e
insumos consumidos
Horas-
Financeiro no pagamento de R$ 60,00 29/05/2019
insumos/mês
aquisições de bens e
serviços ambientais.

Fonte: Adaptado de RIBEIRO, 2010.

Desde 2012 a ONU recomenda que as organizações incluam os custos


ambientais e sociais no preço final de seus produtos. Essa iniciativa tem por
objetivo cobrar de cada pessoa uma taxa pelo que foi poluído para a fabri-
cação daquele bem ou serviço. Visite o site da ONU e leia o relatório Pessoas
Resilientes, Planeta Resiliente.

3.2.2 CUSTOS AMBIENTAIS

Os gastos com a preservação ambiental trazem benefícios atuais e para as gerações


futuras, por esse motivo, devem ser incorporados aos custos da atividade produtiva
dos bens e serviços. Essa ação também se presta ao engajamento da sociedade, uma
vez que paga pela minimização dos impactos ambientais, adquire o direito de acom-
panhar a prestação de contas da empresa sobre o consumo de recursos e a geração
de poluição (CARVALHO, 2007).

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SUMÁRIO 77
Contabilidade Ambiental

Os custos ambientais compreendem todos os gastos relacionados, direta ou indire-


tamente, com a proteção do meio ambiente, com o gerenciamento dos impactos
ambientais das atividades da empresa, com as sanções imputadas e compensações
devidas a terceiros (RIBEIRO, 2010).

QUADRO 5 - CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS AMBIENTAIS

CUSTOS AMBIENTAIS

TIPO OBJETIVO DESCRIÇÃO EXEMPLOS


Instalação de filtros
para limpeza de gases
poluentes.
Gestão de resíduos
Controla a ocorrência de industriais.
1 – Controle de
impactos e apoia a conservação
impactos Apoio a projetos de
ambiental.
conservação global.
Pagamento de taxas
Controle rotineiras aos órgãos
ambientais.
Projetos de
Incentiva as ações de pesquisa desenvolvimento de
2 – Conservação e desenvolvimento para a produtos com foco em
de pesquisa e melhoria do desempenho ecodesign.
desenvolvimento ambiental, preservação ou Projeto de substituição
contra a poluição. de equipamentos
poluentes.
Programas de
conscientização
ambiental para
comunidade externa à
empresa.

Projetos para melhoria


Ações ambientais voltadas ao
3 – Atividades sociais Preservação da saúde humana.
benefício humano.
Implementação de
melhorias no processo
para benefícios
ambientais.
Voluntariado e apoio a
grupos ambientais.
Multa por
Recuperação de áreas desmatamento de
4 – Danos ambientais Recuperação degradadas, indenizações e área protegida.
penalidades. Compensação
ambiental.
Fonte: Adaptado de ANZILAGO et al., 2017.

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Observe que os custos ambientais do tipo 1 se referem basicamente ao


cumprimento da legislação, ou seja, a implementar os controles ambientais
mínimos necessários para o funcionamento da empresa, além disso, abran-
gem apoio a projetos de conservação global, como, por exemplo, contribui-
ções voluntárias à conservação da Mata Atlântica.

Os custos de tipo 2 abrigam gastos referentes a melhorias implementadas


na empresa que reflitam em benefícios ambientais, como, por exemplo, o
desenvolvimento de produtos que consumam menos recursos ou que sejam
reaproveitáveis, a substituição de um parque de máquinas obsoleto por equi-
pamentos de produção mais limpa.

Na categoria 3 atribuem-se os custos das atividades que revertem benefí-


cios às pessoas, como programas externos de difusão de conhecimentos,
proteção e embelezamento de áreas vegetais urbanas, ações voluntárias de
reflorestamento ou proteção de ecossistemas, bem como contribuições a
grupos ambientais locais. A essência dessa categoria é a ação para preserva-
ção ambiental no entorno da organização.

A quarta classe de custos corresponde aos gastos que a empresa tem quan-
do suas atividades impactam o meio ambiente de modo a infringir as deter-
minações legais, por exemplo: uma empresa que tem um córrego dentro de
sua propriedade e, sem acatar a legislação que determina um limite mínimo
de área preservada, realiza suas operações às margens do córrego. Quando
autuada pelo órgão ambiental deverá pagar multa pela infração ambiental e
realizar a compensação ambiental pelo desmatamento da área.

É importante saber que há diversas metodologias de classificação de custos, entre-


tanto, por mais distintas que sejam, todas convergem para os mesmos objetivos:
controle, preservação e recuperação.

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SUMÁRIO 79
Contabilidade Ambiental

Considere a seguinte situação problema em que os conceitos discutidos nessa


unidade são aplicados. A Indústria de Móveis Qualir produz conjuntos modulares
em madeira para cozinhas, e suas operações estão divididas em três departamentos
produtivos (serragem, pintura, montagem) e seis departamentos de suporte (recur-
sos humanos, compras, vendas, qualidade e meio ambiente, manutenção e finan-
ceiro). Seus 100 funcionários são alocados da seguinte forma: 18 funcionários na
serragem, 22 funcionários na pintura, 35 funcionários na montagem, três funcioná-
rios no RH, cinco funcionários em compras, sete em vendas, três na qualidade, cinco
funcionários na manutenção, e dois no financeiro. Preocupada com seu desempe-
nho ambiental e visando alcançar novos mercados, a Qualir está prestes a obter sua
certificação ISO 14001. Por essa razão, o mês de junho de 2019 foi bastante atípico
em questão de gastos:

• Treinamento de sensibilização ambiental para todos os funcionários:


R$ 2.500,00.

• Treinamento externo para analista ambiental: R$ 1.410,00.

• Pagamento de alimentação durante treinamento externo: R$ 220,00.

• Auditoria ambiental: R$ 4.800,00.

• Pagamento mensal da consultoria ambiental: R$ 5.600,00.

• Aquisição de livros e normas técnicas ambientais: R$ 560,00.

• Aquisição de 24 lixeiras para coletas seletivas para a área administrativa:


R$ 1.200,00.

• Aquisição de equipamento de separação de resíduos para o setor de manu-


tenção: R$ 1.850,00.

• Aquisição de filtro de lavagem de gases para o setor de pintura: R$ 23.400,00.

• Aquisição de equipamento de despoeiramento para o setor de serragem:


R$ 67.000,00.

• Pagamento de taxa municipal de tratamento de despoeiramento: R$ 1.000,00.

• Pagamento de taxa de renovação de licenciamento ambiental: R$ 3.260,00.

• Pagamento dos testes realizados para novo projeto de madeira plástica:


R$ 2.800,00.

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• Pagamento de multa por emissão atmosférica fora dos parâmetros permiti-


dos: R$ 7.560,25.

• Doação de mudas de espécies de árvores nativas à comunidade: R$ 980,00.

• Contribuição mensal com o Projeto de Conservação da Amazônia: R$ 150,00.

Para a correta atribuição dos gastos, inicialmente é necessário classificá-los quanto


ao tipo:

QUADRO 6 - CLASSIFICAÇÃO DE GASTOS QUANTO AO TIPO

DESCRIÇÃO VALOR TIPO


Treinamento de sensibilização ambiental para todos os funcio-
R$ 2.500,00 Despesa
nários.
Treinamento externo para gestor e analista ambiental. R$ 1.410,00 Despesa
Pagamento de alimentação durante treinamento externo. R$ 220,00 Despesa
Auditoria ambiental. R$ 4.800,00 Despesa
Pagamento mensal da consultoria ambiental. R$ 5.600,00 Despesa
Aquisição de livros e normas técnicas ambientais. R$ 560,00 Despesa
Aquisição de 24 lixeiras para coleta seletiva para a área admi-
R$ 1.200,00 Despesa
nistrativa.

TOTAL DAS DESPESAS R$ 16.290,00


Aquisição de filtro de carvão ativado para poço artesiano – setor
R$ 1.850,00 Custo
de manutenção.
Aquisição de filtro de lavagem de gases para a pintura. R$ 23.400,00 Custo
Aquisição de equipamento de despoeiramento a serragem. R$ 67.000,00 Custo
Pagamento de taxa municipal de tratamento de despoeira-
R$ 1.000,00 Custo
mento.
Pagamento de taxa de renovação de licenciamento ambiental. R$ 3.260,00 Custo
Pagamento dos testes realizados para novo projeto de madeira
R$ 2.800,00 Custo
plástica.
Pagamento de multa por emissão atmosférica fora dos parâ-
R$ 7.560,25 Custo
metros permitidos.
Doação de mudas de espécies de árvores nativas à comunida-
R$ 980,00 Custo
de.
Contribuição mensal com o Projeto de Conservação da Amazô-
R$ 150,00 Custo
nia.

TOTAL DOS CUSTOS R$ 108.000,25


Fonte: Elaborado pela autora.

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SUMÁRIO 81
Contabilidade Ambiental

Observe que a classificação dos eventos depende da capacidade de análise


do gestor ambiental, pois ele deve conhecer as implicações e consequên-
cias das ocorrências. As lixeiras para coleta seletiva foram classificadas como
despesas por dois motivos: 1) serão utilizadas nas áreas administrativas da
empresa; e 2) trata-se de um recipiente, mas não propriamente de um meca-
nismo de controle de impacto, portanto, não pode ser considerado como
custo. Ao contrário de outros equipamentos, como por exemplo o filtro de
carvão ativado para o poço artesiano, que retira da água material particulado
de modo a proteger a saúde das pessoas.

Uma vez identificadas as despesas, estas devem ser atribuídas ao departamento ou


centro de custo. Observe que despesas gerais devem ser divididas pelo número de
funcionários e multiplicadas pelo total de funcionários de cada departamento.

QUADRO 7 - ATRIBUIÇÃO DE DESPESAS AMBIENTAIS, JUNHO DE 2019

DEPARTAMENTO FUNCIONÁRIOS DESPESA VALOR


Treinamento de
R$ 450,00
sensibilização ambiental
Produção Serragem 18 Pagamento mensal da
R$ 1.008,00
consultoria ambiental
Auditoria ambiental R$ 864,00

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE SERRAGEM R$ 2.322,00


Treinamento de
R$ 550,00
sensibilização ambiental
Produção Pintura 22 Pagamento mensal da
R$ 1.232,00
consultoria ambiental
Auditoria ambiental R$ 1.056,00

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE PINTURA R$ 2.838,00


Treinamento de sensibiliza-
R$ 875,00
ção ambiental

Produção Montagem 35 Pagamento mensal da


R$ 1.960,00
consultoria ambiental

Auditoria ambiental R$ 1.680,00

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TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE MONTAGEM R$ 4.515,00

Treinamento de sensibiliza-
R$ 125,00
ção ambiental

Pagamento mensal da
R$ 280,00
consultoria ambiental
Suporte Manutenção 5
Aquisição de lixeiras para
R$ 200,00
coleta seletiva

Auditoria ambiental R$ 240,00

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE MANUTENÇÃO R$ 845,00


Treinamento de
R$ 75,00
sensibilização ambiental
Treinamento externo para
R$ 1.410,00
gestor e analista ambiental
Alimentação durante
R$ 220,00
treinamento externo
Qualidade
Aquisição de livros e
Suporte e Meio 3 R$ 560,00
normas técnicas ambientais
Ambiente
Aquisição de lixeiras para
R$ 200,00
coleta seletiva
Pagamento mensal da
R$ 168,00
consultoria ambiental

Auditoria ambiental R$ 144,00

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE QUALIDADE E MEIO AMBIENTE R$ 2.777,00


Treinamento de
R$ 75,00
sensibilização ambiental

Aquisição de lixeiras R$ 200,00


Recursos
Suporte 3
Humanos Pagamento mensal da
R$ 168,00
consultoria ambiental

Auditoria ambiental R$ 144,00

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE RECURSOS HUMANOS R$ 587,00


Treinamento de
R$ 125,00
sensibilização ambiental

Aquisição de lixeiras para


R$ 200,00
coleta seletiva
Suporte Compras 5
Pagamento mensal da
R$ 280,00
consultoria ambiental

Auditoria ambiental R$ 240,00

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SUMÁRIO 83
Contabilidade Ambiental

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE COMPRAS R$ 845,00


Treinamento de sensibiliza-
R$ 175,00
ção ambiental
Aquisição de lixeiras para
R$ 200,00
Suporte Vendas 7 coleta seletiva
Pagamento mensal da
R$ 392,00
consultoria ambiental
Auditoria ambiental R$ 336,00

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR DE VENDAS R$ 1.103,00


Treinamento de sensibiliza-
R$ 50,00
ção ambiental
Pagamento mensal da
R$ 112,00
Suporte Financeiro 2 consultoria ambiental
Aquisição de lixeiras para
R$ 200,00
coleta seletiva
Auditoria ambiental R$ 96,00

TOTAL DE DESPESAS DO SETOR FINANCEIRO R$ 458,00


TOTAL DE DESPESAS R$ 16.290,00
Fonte: Elaborado pela autora.

Em relação aos gastos, é necessário qualificar e quantificar.

QUADRO 8 - ATRIBUIÇÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS, JUNHO DE 2019

TIPO OBJETIVO CUSTO VALOR


Aquisição de filtro de carvão ativado
para poço artesiano – setor de R$ 1.850,00
manutenção.
Aquisição de filtro de lavagem de
R$ 23.400,00
gases para a pintura.
Aquisição de equipamento de
1 – Controle de R$ 67.000,00
Controle despoeiramento a serragem.
impactos
Pagamento de taxa municipal de
R$ 1.000,00
tratamento de despoeiramento.
Pagamento de taxa de renovação de
R$ 3.260,00
licenciamento ambiental.
Contribuição mensal com o Projeto
R$ 150,00
de Conservação da Amazônia.
2 – Conservação Pagamento dos testes realizados
de pesquisa e Controle para novo projeto de madeira R$ 2.800,00
desenvolvimento plástica.

TOTAL DE CUSTOS DE CONTROLE R$ 99.460,00


3 – Atividades Doação de mudas de espécies de
Preservação R$ 980,00
sociais árvores nativas à comunidade.

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84 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

TOTAL DE CUSTOS DE PRESERVAÇÃO R$ 980,00


Pagamento de multa por emissão
4 – Danos
Recuperação atmosférica fora dos parâmetros R$ 7.560,25
ambientais
permitidos.

TOTAL DE CUSTOS DE RECUPERAÇÃO R$ 7.560,25


TOTAL DE CUSTOS R$ 108.000,25
Fonte: Elaborado pela autora.

Existem ainda outras formas de agrupamento de custos para demonstração, como


por departamento, tipo de aquisição, entre outros. De qualquer forma, a base para
uma correta atribuição é a classificação básica entre despesas e custos, para, em
seguida, classificar os tipos de custos.

FIGURA 10 - ESQUEMA DE ELEMENTOS CONTÁBEIS

GASTOS

Unidade básica
para OS

Lançamentos
contábeis

Esforço financeiro Consumo não


com objetivo de previsto de um
retorno bem ou serviço

Investimento
Perda

Diminuição do valor
de um bem devido à
sua utilização
Dispor de recurso
financeiro para
pagamento de um gasto
Depreciação

Desembolso

Fonte: Elaborada pela autora.

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SUMÁRIO 85
Contabilidade Ambiental

FIGURA 11 - ESQUEMA DE DISTRIBUIÇÃO DOS GASTOS AMBIENTAIS

GASTOS
AMBIENTAIS

Destinados à preservação,
gerenciamento de impactos e
responsabilidade por sanções

Custos

Controle Preservação Recuperação

Controla a ocorrência Incentiva pesquisa e Ações ambientais Recuperação de áreas


e apoia a conservação desenvolvimento voltadas ao degradadas,
global para a preservação benefício humano indenização e
ou contra a poluição penalidades

Controle de Atividades
Conservação de sociais Danos
impactos ambientais
pesquisa e
desenvolvimento

Fonte: Elaborada pela autora.

FIGURA 12 - ESQUEMA DE PRINCÍPIOS CONTÁBEIS

Não superestimar receitas


Prudência
nem subestimar despesas

Não se confunde o
patrimônio empresarial Entidade
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS

com pessoal

Contabilização deve ser


Continuidade
permanente

Registro pelo valor


Valor real da transação
original

Eventos correspondem ao
Competência
período em que ocorrem

Registro contábil deve ser


Oportunidade
simultâneo ao evento

Fonte: Elaborada pela autora.

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86 SUMÁRIO
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
Contabilidade Ambiental

FIGURA 13 - ESQUEMA DE EVIDENCIAÇÃO CONTÁBIL AMBIENTAL

PRINCÍPIOS Conjunto de
CONTÁBEIS regras para: Despesas
Referem-se às tarefas de
gerenciamento ambiental

Contabilidade Controle de aspectos e


Gastos
Ambiental impactos ambientais

Custos Preservação ambiental

Recuperação ambiental

Fonte: Elaborada pela autora.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA
BIBLIOGRAFIA 1

RIBEIRO, Maisa de Souza. Contabilidade ambiental. São Paulo: Saraiva, 2017.

Contabilidade ambiental, de Maísa Souza Ribeiro, retrata a trajetória da Contabilida-


de na área ambiental, desde as mudanças conjunturais da sociedade que passaram
a demandar maior quantidade e qualidade de informações até os detalhes da conta-
bilização dos gastos ambientais. O livro é completo e apresenta narrativa fluida, além
de grande quantidade de exemplos que o tornam indicado para os não contadores
e todos os profissionais que buscam instrumentos para uma gestão ambiental eficaz
e eficiente.

BIBLIOGRAFIA 2

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

Contabilidade de custos, de Eliseu Martins, aborda o tema em suas minúcias: aspec-


tos técnicos, normativos e legais da contabilização de custos; riqueza de exemplos,
muitas situações práticas de aplicação do conceito; e narrativa simplificada. Pode ser

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SUMÁRIO 87
Contabilidade Ambiental

utilizado por professores, alunos, profissionais técnicos e autodidatas, sendo indicado


para contadores, administradores, gestores e profissionais relacionados em alguma
instância com a tomada de decisão nas organizações. Para os gestores ambientais,
agrega valioso conhecimento sobre métodos de custeio e técnicas de precificação, a
fim de se entender a dinâmica de custos de uma organização e relacioná-la com os
gastos e receitas ambientais.

CONCLUSÃO
Esta unidade abordou as aplicações da Contabilidade Ambiental do ponto de vista
de sua metodologia se aproximar de outras áreas contábeis, como a contabilidade
gerencial e a financeira, e em relação a todas foi apresentado o conjunto de normas
que regem o controle contábil patrimonial.

Você compreendeu que os tipos diferentes de patrimônio, como empresarial e


pessoal dos sócios, não podem ser confundidos, e que o controle contábil deve ser
permanente e simultâneo à ocorrência dos eventos. Você aprendeu também que os
registros devem ser realizados pelos valores reais das transações e devem correspon-
der ao período em que ocorrem, além disso, que receitas não devem ser superesti-
madas e as despesas não podem ser subestimadas.

Os princípios da entidade, registro pelo valor original, competência, oportunida-


de, continuidade e prudência foram discutidos em termos contábeis tradicionais e
contextualizados em situações ambientais, de modo que o contraste entre as aplica-
ções possa favorecer seu entendimento em situações práticas (FERREIRA et al., 2012).

Foram apresentados conceitos básicos: gasto, despesa, custo, investimento, desem-


bolso, depreciação, perda e amortização, entretanto, essa aula foi concentrada na
exemplificação das diferenças entre custo e despesa, uma vez que esse é o alicerce
de todo lançamento contábil – e qualquer alicerce deve ser suficientemente robusto
a ponto de sustentar as estruturas seguintes. É importante observar que em contabi-
lidade os erros são cumulativos: classificações incorretas levam a atribuições erradas,
e, por fim, tem-se um controle equivocado, que não reflete a realidade e pode trazer
consequências desagradáveis para a organização.

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Dessa forma, essa aula tratou do conhecimento básico aos lançamentos da Contabi-
lidade Ambiental, sedimentando um alicerce resistente para a construção dos próxi-
mos conhecimentos.

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Contabilidade Ambiental

UNIDADE 4

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Conhecer a gestão


estratégica de custos
ambientais.

> Discutir os
instrumentos para a
apuração e atribuição
de custos.

- Compreender
o método de
custeio baseado
em atividades,
interpretando os
conceitos dessa
abordagem contábil.

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4 GESTÃO ESTRATÉGICA DE
CUSTOS AMBIENTAIS
Nesta unidade, serão estudados os conceitos de gastos, custos e despesas, a fim de
tratar da gestão estratégica de custos como ferramenta para a tomada de decisão
gerencial.

Você conhecerá o sistema de custeio por atividades e compreenderá como sua apli-
cação pode favorecer as empresas a melhorarem seu desempenho ambiental, redu-
zir custos e obter vantagem competitiva.

Os estudos começarão com o mapeamento dos processos. Você aprenderá a desdo-


brar uma função em processos, atividades, tarefas e operações, até chegar ao elemen-
to básico da função, bem como identificar os recursos consumidos e os seus dire-
cionadores de custo, para, posteriormente, atribuí-los e apurar o custo final dessas
atividades, processos ou funções.

De posse desses conhecimentos, como gestor ambiental você terá condições de apre-
sentar os custos de controle, preservação e recuperação ambiental de uma organi-
zação, analisar o desempenho, apontar as necessidades de melhoria e sugerir ações
para que a empresa diminua os riscos ambientais e aumente sua produtividade e
eficiência.

INTRODUÇÃO
O mercado tem se tornado cada vez mais competitivo, reflexo de consumidores mais
críticos, que têm exigido das empresas postura ética e boa imagem institucional por
atuação ambiental e socialmente responsável. Em resposta, as organizações têm
reestruturado suas estratégias de negócio, pois inserir a variável ambiental implica
arcar com gastos.

Nesse sentido, a utilização de ferramentas gerenciais para o monitoramento e contro-


le dos custos ambientais tem especial utilidade em identificar a relação entre custo

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e benefício, identificar as falhas de processo e o volume de investimento necessário


para corrigir essas falhas, de modo a conduzir a empresa a um processo de mudança
e desenvolvimento contínuo.

De posse de seu controle interno, a organização tem mais condições de buscar vanta-
gem competitiva e se destacar entre seus concorrentes, angariando maior participa-
ção no mercado e fidelização do cliente.

Esse cenário descortina novas possibilidades para o gestor ambiental, pois quanto
mais qualificado, mais aumentará sua empregabilidade.

4.1 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS


AMBIENTAIS

A administração das organizações é tradicionalmente fracionada em áreas: adminis-


trativa, financeira e produtiva são alguns dos exemplos mais comumente utilizados.
A justificativa para que as empresas adotem esse sistema consiste no fato de que
descentralizar as atividades viabiliza a gestão e, ao mesmo tempo, torna a empresa
mais apta a responder às mudanças internas e externas.

Apesar de essas áreas serem integradas, a administração financeira tem relação dire-
ta com todas as demais, pois mobiliza os recursos financeiros necessários à operação
de todas as atividades.

O sistema de contabilidade é o alicerce da administração financeira de uma empre-


sa, pois é por meio dele que os recursos econômico-financeiros da organização são
identificados e mensurados. Para isso, utilizam-se os métodos de custeio, ou seja, os
métodos de apuração de custos.

O nível de competição por mercados tem se intensificado muito entre as empre-


sas nos últimos tempos, de tal modo que existe um padrão de qualidade e preços
comum aos concorrentes que não permite grande diferenciação entre as empresas.
Some-se a isso o fato de que tanto o valor da matéria-prima como da mão de obra
direta tem reduzido significativamente. Percebe-se que as empresas não dispõem de
muitos recursos para diferenciarem-se de seus concorrentes, exceto pelo fato de que a
correta identificação e atribuição dos custos pode conduzir à vantagem competitiva.

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Nesse contexto, é importante observar que as empresas têm atravessado fases


progressivas de aumento dos custos indiretos de produto, tais como depreciação
de equipamentos e infraestrutura, gastos com sistemas de informação e engenharia,
entre outros. Esse aspecto torna os sistemas de custeio tradicionalmente adotados
mais ineficazes, pois esses custos indiretos devem ser rateados entre os departamen-
tos da empresa, o que faz a atribuição menos precisa.

Por essas razões, a adoção de critérios mais rigorosos e realistas, como a identificação
e atribuição de custos às atividades ambientais, confere maior visibilidade à condu-
ta ambiental da organização e oferece subsídios à tomada de decisão gerencial
(FERREIRA; SIQUEIRA; GOMES, 2012).

Relembrando conceitos

Gasto = compromisso financeiro assumido para a aquisição de bens ou servi-


ços.

Custo = valor desembolsado para a fabricação de bens ou serviços.

Despesas = valor desembolsado para o funcionamento da empresa de modo


geral, inclui todas as atividades da empresa, além da fabricação.

4.1.1 MÉTODO DE CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES

Uma atividade consiste em uma ação que consome recursos variados, como os
humanos, tecnológicos, materiais e econômicos, a fim de produzir bens e prestar
serviços (DUTRA, 2017).

A gestão dos custos depende da identificação do como e por que os custos ocorrem,
com que frequência e qual sua influência sobre o produto. Por isso, apurar os custos
das atividades permite obter informações mais reais, confiáveis e detalhadas a respei-
to dos custos de processos, funções e produtos.

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O método de custeio por atividades favorece também o mapeamento das atividades,


de modo a identificar aquelas que não agregam valor ao produto, os pontos em que
existe desperdício e as necessidades de melhoria. Além disso, possibilita identificar os
custos de processos que, mesmo não estando diretamente associados ao produto,
são essenciais à continuidade da empresa, como a gestão ambiental, que consome
considerável volume de recursos e recebe atenção do público externo da organização.

As organizações distribuem as responsabilidades e funções em estruturas devida-


mente hierarquizadas, sendo as atividades encadeadas de forma que as tarefas e
operações correspondentes estejam integradas.

O sistema ou método de custeio por atividades uniformiza os custos diretos e indi-


retos de produção, acumulando os custos por atividades, uma vez que os produtos
e serviços dependem delas para existirem. Nesse sentido, apurar os custos requer
o entendimento dos processos da empresa por meio de avaliações constantes de
desempenho.

Os elementos essenciais para o método de custeio por atividades são:

Função: refere-se a uma finalidade determinada, como contas a pagar,


manutenção, tecnologia da informação, entre outras.

Processo: agrupamento de atividades voltadas a um objetivo específico,


como processo seletivo de funcionários, processo de contratação de fornece-
dores, processo de descarte de resíduos.

Atividade: ação que consome recursos para atingir um objetivo.

Tarefa: subdivisão de atividade, trabalho empreendido para a realização da


atividade.

Operação: subdivisão de tarefa, menor fração de trabalho (RIBEIRO, 2010).

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A implementação desse sistema de custeio depende do mapeamento das funções


e processos da empresa, identificando suas respectivas atividades. O próximo passo
consiste em identificar as tarefas de cada atividade e, por fim, as operações de cada
tarefa. É nesse exercício que se identificam as atividades repetitivas e os consequen-
tes desperdícios de recursos, bem como as que não agregam valor.

FIGURA 14 - MAPEAMENTO DE ATIVIDADES

OPERAÇÃO
Identificar
TAREFA
Verificar volume
OPERAÇÃO
FUNÇÃO PROCESSO ATIVIDADE Inspeção visual
Proteção Controle de im- Monitorar des-
ambiental pacto ambiental carte de resíduos TAREFA OPERAÇÃO
Verificar peso
Pesar

Fonte: Adaptado de RIBEIRO, 2010.

É importante lembrar que o mapeamento é uma tarefa importante, a fim de iden-


tificar as falhas do processo e obter precisão na identificação dos custos, contudo
chegar a esse nível de detalhamento requer tempo e dedicação. É possível poupar
esforços e atribuir custos somente no nível da função ou processo, entretanto possí-
veis desperdícios e ineficiências não poderão ser averiguados.

Esse sistema demanda que a empresa seja reconfigurada em centros de custo que
podem agregar uma ou mais funções, se referir apenas a atividades ou, ainda, somen-
te a tarefas e/ou operações. Desde que o centro de custo seja o ponto de coleta da
informação contábil, não importa a forma que a empresa resolva defini-los.

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FIGURA 15 - INFOGRÁFICO CENTRO DE CUSTOS

AS EMPRESAS PODEM DECIDIR ORGANIZAR SEUS CENTROS DE CUSTOS DE


VÁRIAS FORMAS, DE ACORDO COM SUA CONVENIÊNCIA

OS CUSTOS DE CADA CATEGORIA SÃO REUNIDOS EM UM CENTRO DE CUSTO DIFERENTE

CENTROS DE CUSTOS POR CATEGORIA

Centro de Custo
por função Função Função Função Função Função

Centro de Custo
por processo Processo Processo Processo Processo Processo

Centro de Custo
Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade
por atividade

Centro de Custo
por tarefa Tarefa Tarefa Tarefa Tarefa Tarefa

Centro de Custo
Operação Operação Operação Operação Operação
por tarefa

CENTRO DE CUSTO
As diferentes DEPARTAMENTO

funções e suas Função Função


ramificações são
Processo Processo
agrupadas por
Atividade Atividade
departamento
ou área Tarefa Tarefa

Operação Operação

Cada produto se torna um centro de custo, reunindo todas as operações,


tarefas, atividades, processos e funções necessárias para produzi-lo, possi-
bilitando visualizar o custo de todas as fases de vida

CENTRO DE CUSTO POR PRODUTO

FUNÇÃO

PROCESSO

ATIVIDADE

TAREFA

OPERAÇÃO
OPERAÇÃ
ERAÇÃO

PROCESS
CESSO

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ATIVIDAD
VIDADE

FUNÇÃO
NÇÃO

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TAREFA
REFA

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PRODUTO
Operação Operação

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Cada produto se torna um centro de custo, reunindo todas as operações,


tarefas, atividades, processos e funções necessárias para produzi-lo, possi-
bilitando visualizar o custo de todas as fases de vida

CENTRO DE CUSTO POR PRODUTO

FUNÇÃO

PROCESSO

ATIVIDADE

TAREFA

OPERAÇÃO

OPERAÇÃO
OPERAÇÃO

PROCESSO
PROCESSO

ATIVIDADE
ATIVIDADE

FUNÇÃO
FUNÇÃO

TAREFA
TAREFA

PRODUTO

OPERAÇÃO

TAREFA

ATIVIDADE

PROCESSO

FUNÇÃO

Fonte: Elaborado pela autora.

4.2 ATRIBUIÇÃO DE CUSTOS

Para custear as atividades, é necessário estabelecer direcionadores de custo para


mensurar o seu desempenho, de modo que as atividades sejam classificadas de acor-
do com sua natureza, financeira e não financeira.

Os direcionadores são utilizados em dois estágios, inicialmente identificando os recur-


sos consumidos pelas atividades, chamados direcionadores de custos de recursos, e,
em um segundo momento, identificando como as atividades são consumidas pelos
produtos, os direcionadores de custos das atividades.

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Direcionadores de custos de recursos: considere os recursos consumidos


na atividade de injeção de uma cadeira plástica – matéria-prima, insumos
químicos, como aditivos e corantes, energia elétrica para funcionamento dos
equipamentos, água para refrigeração dos moldes, recursos tecnológicos, de
infraestrutura e mão de obra. Supondo que uma cadeira seja produzida em
seis minutos utilizando um único operador de máquina e que o valor da
mão de obra seja R$ 6,00/hora, chega-se ao custo de mão de obra para a
produção de uma cadeira, R$ 0,60.

Direcionadores de custos das atividades: para fabricar uma cadeira plásti-


ca, é necessário realizar a inspeção de qualidade em quatro momentos: 1)
quando a matéria-prima é recebida; 2) no início da produção; 3) durante o
turno de produção, a cada duas horas; 3) no momento da expedição para o
cliente. Dessa forma, o produto cadeira plástica consome quatro unidades
da atividade inspeção de qualidade, portanto, se a atividade custa R$ 2,00,
o custo total da atividade inspeção de qualidade para produzir uma cadeira
plástica será de R$ 8,00.

FIGURA 16 - DIRECIONADORES DE CUSTOS

Fonte: BENTO, 2010.

Os custos serão atribuídos às atividades de acordo com a proporção de recursos que


consomem. Para tanto, é necessário estabelecer uma relação de causa e efeito entre
o consumo dos recursos e os seus custos, ou seja, é necessário justificar os custos para
poder atribuí-los. Como exemplo, considere o recebimento de tecidos para a produ-
ção de sofás a seguir.

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TABELA 1 - ATRIBUIÇÃO DE CUSTO

Efeito Causa

Recurso Dire- Atividade Produto


ciona- Direcionador
dor de de custo de Custo Por que
O que Como gastamos?
custo de atividades gasta-
gastamos (R$) (Quantidade)
recursos mos?(R$)

Iluminação total kw x valor


Energia
2,80 kw/hora durante 3 horas kw x horas 8,40
elétrica
atividade gastas

Mão de 12,00 homem/ nº funcionários


obra hora Receber
0,5 hora x horas gastas x 6,00
direta 1 funcionário
homem/hora

nº funcionários
Inspecionar
2 horas x horas gastas x 24,00
1 funcionário
homem/hora

Mão de homem/ nº funcionários Sofá Atena


Supervisionar
obra 100,00 hora 3 horas x horas gastas x 300,00 2 lugares
e planejar
indireta salário homem/hora

Recursos nº horas gastas


valor de Registrar e
tecnoló- 20,00 0,5 hora x valor de uso / 10,00
uso/ hora verificar
gicos hora

Deprecia- Área área ocupada x


1,00 valor/m² 15 m² 15,00
ção ocupada valor/m²

Área área ocupada x


Aluguel 50,00 valor/m² 15 m² 750,00
ocupada valor/m²

Custo total da atividade de recebimento de tecido 1.113,40

Fonte: Elaborado pela autora.

Para fins de acuracidade, é preciso que cada atividade seja custeada por meio de
um único direcionador. Entretanto, um mesmo direcionador pode servir a mais de
uma atividade, por exemplo, observe no quadro anterior que o valor da depreciação
é atribuído somente por m², contudo esse direcionador (m²) também é utilizado para
atribuir o custo do aluguel. Esse processo chama-se rastreamento e é a forma mais
acertada de atribuir custo a um recurso ou atividade, pois trata-se de atribuição dire-
ta pela relação de causa e efeito, ou seja, supondo-se que o aluguel do imóvel seja R$
5.000,00, e a área total do imóvel, 100 m², tem-se o custo de R$ 50,00/m², se a ativida-
de de receber o tecido ocupa uma área de 15 m² (causa), o custo de aluguel atribuído
a essa atividade (efeito) será de R$ 750,00.

O rateio é um método de atribuição que consiste em dividir os custos proporcional-


mente, como o valor do aluguel pelo número de departamentos da empresa ou o
consumo de energia pela quantidade de produtos fabricados. Entretanto, o fato de
que os departamentos podem ocupar áreas diferentes e de que alguns produtos

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podem consumir mais energia do que outros é um exemplo da imprecisão do méto-


do de rateio, razão pela qual ele deve ser utilizado somente nos casos em que não
houver possibilidade de definir um direcionador preciso. De acordo com Ribeiro
(2010), as ressalvas em relação à utilização do rateio se devem à sua base arbitrária e
por vezes subjetiva, ao contrário dos direcionadores, que possuem base fundamen-
tada em pesquisa.

É importante observar que as atividades se organizam de forma diferente em cada


empresa, em função das características próprias de funcionamento e gestão. Desse
modo, mesmo entre empresas do mesmo segmento econômico não há um padrão
de atividades, o que significa que cada organização deve realizar seu mapeamento
de processos, a fim de identificar suas atividades. Entretanto, o sistema de custeio por
atividades só deve ser implementado mediante a atribuição de um volume conside-
rável de custos e despesas às atividades.

Essa metodologia de custeio inclui no custo final dos produtos, além dos custos dire-
tos de produção, as despesas e os custos chamados indiretos, que correspondem
às áreas administrativas, ou seja, todas as atividades realizadas na empresa, desde a
fabricação até as atividades de suporte devem ser mapeadas, analisadas e custeadas.

Alguns tipos de custos necessitam de adaptações em virtude da impossibilidade de


serem alocados com base nas atividades, como é o caso do aluguel e do impos-
to territorial, que devem ter seus custos atribuídos com base na área ocupada pela
atividade, como exemplificado na tabela anterior “Atribuição de custo”. O custeio de
recursos, como energia e água, também demanda adequação, caso a empresa não
disponha de medidores instalados por área e equipamentos. Nesses casos, a única
forma de atribuir custos será por meio do rateio.

O custo total das atividades é obtido por meio da soma dos custos de todos os recur-
sos consumidos, sejam adquiridos externamente, como matéria-prima e insumos,
sejam internamente, como mão de obra. É importante alocar também despesas
indiretas, como encargos sociais e tributos diversos. Dessa forma, chega-se ao custo
padrão, custo do processo e, finalmente, ao custo unitário do produto.

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Conceitos importantes no método de custeio por atividade

Custo padrão: refere-se a uma previsão do custo unitário do produto, geral-


mente obtido pelo total dos custos diretos da produção ou baseado no exer-
cício (ano ou período) anterior. O custo padrão serve como uma referência
para projeções futuras, trata-se de uma ferramenta que a empresa pode
utilizar para orientar suas operações futuras.

Custo padrão = estimativa de custo baseada no exercício anterior

Custo do processo: reúne o custo total das atividades relacionadas a uma


mesma função, como os exemplos citados anteriormente e o custo do
processo seletivo de funcionários.

Custo do processo= Atividade a+Atividade b + ⋯ + Atividade n

Custo total das atividades: obtido pela quantidade de recursos consumidos.


É importante ressaltar que o valor de cada recurso é obtido pela multiplica-
ção de sua quantidade pelo valor de seu indicador. Para identificar o valor do
recurso mão de obra, multiplica-se o total de horas necessárias (x horas) pelo
indicador (R$ 6,00/hora).

Custo total atividade

= quant.recurso a (indicador a) + qtde recurso b(indicador b)

Custo unitário do produto: refere-se ao custo das atividades envolvidas na


quantidade de produtos fabricados.

Atividade a+ Atividade b+& + Ativiidade n


Custo unitário do produto =
quantidade total de produtos

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Com o método de custeio por atividades, é possível visualizar e compreender as rela-


ções entre as unidades de trabalho, o que permite agir para corrigir desvios, promover
a integração entre as áreas e otimizar o desempenho.

Em termos de avaliação de impacto ambiental, a abordagem de avaliação do ciclo


de vida do produto se refere a todas as etapas de produção e utilização de um produ-
to ou serviço. No caso de um produto, desde a fase de projeto até o descarte final,
essa perspectiva é conhecida como do berço ao túmulo.

A economia e indústria têm outra visão sobre o ciclo de vida, encerrando-o na fase de
distribuição. Desse modo, para a aplicação do custeio por atividades você deve consi-
derar as atividades anteriores à produção, tais como projeto, testes e ensaios, que
serão contabilizadas. No momento em que são realizadas, essas atividades consistem
em investimentos necessários à futura comercialização do produto, pois esses custos
serão mensurados apenas no encerramento do ciclo, ou seja, quando o produto for
efetivamente comercializado.

4.2.1 IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS AMBIENTAIS

Os custos ambientais estão relacionados aos recursos consumidos pela organização,


com o propósito de controle, preservação e recuperação. A fim de seguir os precei-
tos contábeis e classificar os custos ambientais como diretos ou indiretos, é necessá-
rio que essa classificação seja aplicada inicialmente às atividades, como ilustrado no
esquema a seguir.

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102 SUMÁRIO
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FIGURA 17 - CLASSIFICAÇÃO DAS ATIVIDADES AMBIENTAIS

ATIVIDADES
AMBIENTAIS

DIRETAS INDIRETAS

TODAS AS
ATIVIDADES DE
CONTROLE PRESERVAÇÃO RECUPERAÇÃO SUPORTE ÀS
ATIVIDADES
DIRETAS

Fonte: Adaptado de RIBEIRO, 2010.

Os custos diretos são aqueles atribuídos diretamente à atividade ambiental. Já os


indiretos não podem ser evidenciados por uma relação de causa e efeito (direta),
contudo não devem ser preteridos.

Custos ambientais

Custos diretos: mão de obra, insumos contra a poluição, depreciação de


equipamentos antipoluentes.

Custos indiretos: depreciação das instalações.

O método de custeio por atividade possibilita a identificação dos custos correspon-


dentes às atividades ambientais e dos agentes que os causam, fornecendo elemen-
tos consistentes para a tomada de decisão e melhoria dos processos, como otimiza-
ção de resultados e gestão estratégica dos custos ambientais.

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SUMÁRIO 103
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Entre os benefícios da adoção do método de custeio por atividades para a gestão


ambiental de uma empresa, destaca-se a vantagem em conhecer não só o custo
de cada atividade, como também o custo integral do processo, o desempenho dos
centros de custos e os custos incorridos durante todo o ciclo de vida de um produto.

Ressalta-se ainda a crescente importância que os custos de controle, preservação e


recuperação vêm adquirindo entre as partes interessadas nas empresas, mais uma
razão para que o sistema de custeio por atividade seja avaliado periodicamente, em
termos físicos e monetários, a fim de analisar se os objetivos da organização estão
sendo atingidos.

Custos de controle: referem-se a atividades que têm por objetivo o cumpri-


mento da legislação para garantir o funcionamento da empresa, como tratar
os efluentes e também de apoio a projetos globais de conservação, por
exemplo, redução da pegada de carbono.

Custos de preservação: atividades voltadas ao benefício humano, como


redução do uso de produtos químicos e redução das emissões atmosféricas.

Custos de recuperação: atividades voltadas à recuperação de áreas degra-


dadas, pagamentos de multas e indenizações, por exemplo, compensação
ambiental.

A apuração dos custos ambientais depende da correta identificação dos custos.


Inicialmente, deve-se identificar a função ambiental (controle, preservação e recupe-
ração ambiental), para classificar as atividades em diretas ou indiretas.

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104 SUMÁRIO
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4.3 APURAÇÃO DOS CUSTOS AMBIENTAIS

É importante lembrar que as atividades ambientais diretas podem estar indiretamen-


te relacionadas à fabricação, como é o caso da mão de obra do técnico ambiental,
consumo de recursos contra a poluição e depreciação dos equipamentos de controle
ambiental, como filtros e outros. As atividades ambientais indiretas servem de supor-
te às diretas, como seleção de pessoal e compras de equipamentos ambientais.

Para definir os direcionadores de custo das atividades ambientais, deve-se primeira-


mente identificar a relação de causa e efeito, como no exemplo a seguir.

QUADRO 9 - IDENTIFICAÇÃO DOS DIRECIONADORES AMBIENTAIS

CAUSA EFEITO DIRECIONADOR DE CUSTO


ATIVIDADE TIPO RECURSO MEDIDA MEIO DE CÁLCULO
nº horas x valor hora
direta mão de obra horas trabalhadas
Separação homem
do resíduo m² x valor m² (aluguel +
indireta infraestrutura Área
impostos)

Fonte: Elaborado pela autora.

Observe como é realizada a identificação dos custos ambientais na situação-proble-


ma relatada a seguir.

Uma indústria de transformação de material plástico produz peças técnicas para


aplicação na indústria automotiva. As peças de utilização externa, como frisos, para-
-choques e grades de ventilação, são pintadas, e recentemente a empresa moderni-
zou sua linha de pintura, com vistas a controlar os aspectos e impactos ambientais
dessa atividade, bem como reduzir custos com a geração e gerenciamento dos resí-
duos perigosos.

A modernização da linha de pintura para a minimização de resíduos consiste em


um processo de controle e preservação ambiental, que teve início com a pesquisa
sobre as alternativas para controle dos aspectos ambientais da atividade de pintura.
Nessa fase, identifica-se os investimentos necessários em equipamentos, treinamen-
tos e materiais.

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SUMÁRIO 105
Contabilidade Ambiental

O projeto foi desenvolvido pela equipe de meio ambiente e recebeu aprovação da


diretoria. O departamento de compras solicitou orçamentos e selecionou os forne-
cedores de acordo com as melhores propostas, até finalmente fechar o pedido. Os
materiais consistem em filtros de lavagem de gases, elementos filtrantes e sensores
eletrônicos. A instalação foi realizada pelo departamento de manutenção e acompa-
nhada pelo fornecedor. Durante as operações diárias da linha de pintura, o técnico
ambiental inspeciona os registros de monitoramento de emissões.

TABELA 2 - 1º PASSO: MAPEAMENTO DO PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO DA LINHA DE PINTURA

Atividade Duração Tarefa Operação Entradas

Estudo do projeto Quantificação Quantidade


1 de modernização da 4 dos resíduos Mensurar custo do descar-
linha de pintura gerados te de resíduos

Identificação das
Seleção da
soluções para redu-
2 2 alternativa mais Analisar Equipamentos
ção da geração de
adequada
resíduos e emissões

Solicitação de Propostas
3 Pesquisa de preços 2 Comparar
orçamentos comerciais

Seleção de fornece- Avaliação de


4 3 Comparar Fornecedor
Processo

dores atributos
Função

Compra de equipa- Emissão de Pedido de


5 2 Comprar
mentos pedido compras

Recebimento de Inspeção de Equipamentos


6 1 Inspecionar
equipamentos recebimento nota fiscal

Armazenamento dos Armazenagem


7 96 Armazenar Armazenagem
equipamentos temporária

Reestruturação da Preparação da
8 16 Adequar Infraestrutura
linha de pintura área

Instalação dos equi- Modificação da Linha de pintura


9 8 Instalar
pamentos linha modificada

Funcionamento da Inspeção de Resíduos emis-


10 0,5 Inspecionar
linha de pintura funcionamento sões

Pagamento dos equi- Liberação de Baixa de contas


11 0,5 Pagar
pamentos pagamento a pagar

Fonte: Adaptado de RIBEIRO, 2010.

Para fazer o rastreamento dos custos, você deve apontar as horas de trabalho neces-
sárias para a realização das tarefas, o consumo de energia em cada fase, de recursos
tecnológicos, adequações da área para instalação, bem como custos indiretos essen-
ciais ao controle, tais como salários de superiores, computados na tabela de identifi-
cação dos custos.

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106 SUMÁRIO
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TABELA 3 - IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS

Financei-
Engenharia Compras Recebimento Manutenção Produção
ro

Mão de obra
29,00 20,45 14,54 21,25 10,90 8,74
(hora-homem)

Área (m²/h) 6,00 5,00 12,00 5,00 4,00 16,00

Energia
2,00 1,70 5,00 1,70 3,60 9,00
elétrica (kw/h)

Recursos
2,80 2,80 2,80 2,80 2,80 2,80
tecnológicos (h)

Coordenação
e supervisão
7,00 5,50 3,50 6,20 3,30 4,30
(mão de obra
hora-homem)

Total 46,80 35,45 37,84 36,95 24,60 40,84

Fonte: Adaptado de RIBEIRO, 2010.

Uma vez que os custos foram identificados, é possível fazer a atribuição dos custos
conforme a duração de cada atividade (tabela a seguir).

Observe a distribuição das atividades por centro de custos.

TABELA 4 - 2º PASSO: ATRIBUIÇÃO DE CUSTOS

Centro de custo
Atividade Total por
Engenharia Compras Recebimento Manutenção Financeiro
atividade

1 187,20 187,20

2 93,60 93,60

3 70,90 70,90

4 106,35 106,35

5 70,90 70,90

6 37,84 37,84

7 3.632,64 3.632,84

8 393,60 393,60

9 196,80 196,80

10 23,40 23,40

11 18,47 18,47

Total por
Centro de 304,20 248,15 3.670,48 590,40 18,47 4.831,70
Custo

Fonte: Adaptado de RIBEIRO, 2010.

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SUMÁRIO 107
Contabilidade Ambiental

Portanto, o processo de modernização da linha de pintura para redução dos impac-


tos ambientais e minimização de resíduos teve um custo de R$ 4.831,70. Essas infor-
mações são importantes para a tomada de decisão gerencial, pois é possível avaliar o
desempenho das equipes e identificar pontos de melhoria que permitam a redução
dos custos das atividades. Observe que o tempo de armazenagem dos equipamen-
tos (96 horas) foi quatro vezes maior que o tempo gasto para a preparação da área e
instalação dos equipamentos (24 horas), se as tarefas tivessem sido coordenadas para
que essas atividades ocorressem simultaneamente com o processo de orçamento e
seleção de fornecedores, poderia haver uma redução no tempo de armazenamento
de pelo menos 50% (48 horas), reduzindo o custo total do processo para R$ 2.999,46.

A gestão ambiental adquiriu importância estratégica para as empresas, em função


das responsabilidades relacionadas à marca e do considerável investimento de recur-
sos. As empresas devem se aparelhar de todos os recursos possíveis para adquirirem
vantagem competitiva, e é nesse sentido que a contabilidade ambiental contribui
para a tomada de decisão gerencial.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA
BIBLIOGRAFIA COMENTADA 1

DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.

O método de custeio por atividades é recomendado pela maioria dos autores para a
identificação de custos ambientais, entretanto convém ao gestor ambiental possuir
conhecimento abrangente sobre os demais métodos de custeio, a fim de entender
claramente as diferenças entre eles. O livro “Custos: uma abordagem prática”, de René
Gomes Dutra, apresenta os conceitos contábeis e os diversos métodos de custeio em
uma linguagem bem simples. Com o auxílio de fluxogramas, gráficos e outros recur-
sos visuais, o autor detalha o passo a passo da apuração de custos.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 2

IUDÍCIBUS, Sérgio; MARION, José Carlos. Curso de contabilidade para não contado-
res. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

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108 SUMÁRIO
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Em um mercado cada vez mais competitivo, os profissionais precisam ampliar suas


habilidades e competências para se destacarem. Com o gestor ambiental não é dife-
rente. Quanto mais habilidades e competências, maior a sua versatilidade para atuar
em qualquer tipo de empresa. O livro “Curso de contabilidade para não contadores”
é voltado à divulgação dos tópicos contábeis essenciais para profissionais de outras
áreas que geralmente exercem funções gerenciais. O objetivo do livro é familiarizar o
leitor com termos técnicos, instrumentos e ferramentas contábeis, a fim de que ele
possa fazer melhor uso deles na tomada de decisão.

CONCLUSÃO
Nesta unidade, foi abordada a gestão estratégica de custos ambientais como ferra-
menta para a tomada de decisão gerencial.

Você conheceu instrumentos para a identificação, apuração e atribuição de custos e


compreendeu os conceitos e modo de aplicação do método de custeio baseado em
atividades para fins de controle, preservação e recuperação ambiental.

Você relembrou conceitos básicos para a avaliação contábil, como gasto, custo e
despesa. Além disso, recapitulou a classificação dos custos ambientais em custos de
controle, preservação e recuperação.

Foram apresentados os elementos essenciais para a aplicação do método de custeio


por atividades, demonstrando como as funções ambientais englobam processos,
atividades, tarefas e operações e favorecendo o seu entendimento a respeito da
importância da definição dos centros de custo.

Por meio dos direcionadores de custo, você pôde compreender como os custos dos
recursos são atribuídos às atividades, e os custos das atividades, ao produto, de modo
a chegar aos custos das fases do ciclo de vida do produto.

Classificando as atividades em diretas e indiretas, você pôde reconhecer os custos


que estão diretamente ligados às funções ambientais, bem como aqueles que deri-
vam de atividades de suporte.

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SUMÁRIO 109
Contabilidade Ambiental

Acompanhando a aplicação dos conceitos discutidos em uma situação-problema,


você pôde identificar o mapeamento do processo de modernização da linha de
pintura, desdobrando a função até as operações e entradas. Também pôde observar
como os custos foram identificados e apurados até obter o custo total do processo.

Por meio da avaliação de desempenho do processo, você pôde enfim identificar os


pontos passíveis de melhoria e a possibilidade de redução de custos.

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110 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

UNIDADE 5

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Compreender a
aplicação do balanço
patrimonial ambiental,
contrastando as
diferenças entre ativo e
passivo ambiental.

> Compreender o
procedimento de
realização de auditoria,
interpretando
seus elementos
de definição e
operacionalização.

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SUMÁRIO 111
Contabilidade Ambiental

5 BALANÇO PATRIMONIAL
AMBIENTAL
É preciso reduzir o antagonismo entre o desenvolvimento econômico e a qualidade
ambiental, a fim de que as relações entre o homem e o planeta sejam mais susten-
táveis. Para tanto, nesta unidade, discute-se a evidenciação dos eventos ambientais, e
são retomados os conceitos de receita e despesa, a fim de apresentar a classificação
de ativo e passivo ambiental.

A necessidade de estreitar o relacionamento com o consumidor e responder às


demandas da sociedade pela responsabilidade ambiental de suas operações leva as
empresas a divulgarem informações qualitativas e quantitativas a respeito dos aspec-
tos e impactos ambientais de suas atividades.

A divulgação de dados físicos e monetários sobre o patrimônio ambiental e ações


voltadas ao controle, preservação e recuperação do meio ambiente tem a função de
participar as partes interessadas na empresa e favorecer sua tomada de decisão.

INTRODUÇÃO DA UNIDADE
A evidenciação é uma ferramenta contábil que confere às empresas visibilidade dos
custos, gastos e receitas, possibilitando o mapeamento de todas as ações econômi-
co-financeiras. Em termos ambientais, permite que as empresas demonstrem as
ações voltadas ao controle de seus aspectos e impactos ambientais, preservação e
recuperação ambiental, com base em dados numéricos criteriosamente analisados.

Esse recurso é estratégico para o gestor ambiental, especialmente no que se refere


a demonstrar como as atividades ambientais estão integradas às funções básicas da
empresa. A relevância desse tipo de informação é percebida na tomada de decisão
a respeito do desenvolvimento de novos produtos, mudança de processos, expansão
para novos mercados e fortalecimento da marca, entre outros fatores que requeiram
da empresa conhecimento apurado sobre suas operações.

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Desse modo, percebe-se que o domínio dos métodos contábeis confere ao profissio-
nal de gestão ambiental competências para se diferenciar no mercado de trabalho
no que consiste em ir além do monitoramento, de modo a participar de decisões
táticas e estratégicas sobre as questões ambientais da empresa.

5.1 BALANÇO PATRIMONIAL AMBIENTAL

Um dos principais benefícios do balanço patrimonial é a redução da subjetividade na


interpretação de dados financeiros, uma vez que utiliza termos qualitativos e quan-
titativos para evidenciar a situação financeira de uma empresa em relação a deter-
minado período. O balanço patrimonial ambiental trata da evidenciação dos eventos
ambientais em bases numéricas, a fim de proporcionar a análise crítica para a toma-
da de decisão.

Relembrando Conceitos

Gasto = compromisso financeiro assumido para a aquisição de bens ou servi-


ços.

Custo = valor desembolsado para a fabricação de bens ou serviços.

Despesas = valor desembolsado para o funcionamento da empresa de modo


geral. Inclui todas as atividades da empresa, além da fabricação.

Investimento = equivale ao esforço financeiro que a empresa emprega com


objetivo de ter retorno futuro, como, por exemplo, galpões e equipamentos.

Desembolso = dispor de recurso financeiro para pagamento de um gasto


(custo ou despesa).

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SUMÁRIO 113
Contabilidade Ambiental

Depreciação = diminuição do valor de um bem devido à sua utilização,


desgaste ou obsolescência, como no caso da desvalorização de um automó-
vel.

Perda = consumo não previsto de um bem ou serviço, como, por exemplo,


as perdas de processo em que ocorre desperdício de matérias-primas por
defeito ou refugo.

5.2 EVIDENCIAÇÃO

A evidenciação ambiental consiste em relatar no demonstrativo contábil e notas


explicativas, informações pertinentes às questões ambientais, que são classificadas
de acordo com a natureza dos gastos e evidenciadas quando o evento ocorrer (RIBEI-
RO, 2010).

FIGURA 18 - SEVIDENCIAÇÃO AMBIENTAL

EVIDENCIAÇÃO

O que? Como? Quando? Onde?


No momento No corpo das
Todas as Detalhado
em que o demonstrações
informações pela natureza
evento ocorrer contábeis e
ambientais dos gastos
nas notas
explicativas

Fonte: Adaptado de RIBEIRO (2010).

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114 SUMÁRIO
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Entre as razões para que a empresa se decida pela realização do balanço patrimonial
ambiental, destaca-se a necessidade de obter maior controle dos gastos ambientais
de suas operações (FERREIRA et al., 2012). A respeito da divulgação dessas informa-
ções, de acordo com o tipo de constituição legal, a empresa pode optar pelo uso
interno dessas informações ou pela divulgação externa às partes interessadas.

A respeito do tipo de informação a ser evidenciada, há que se considerar os aspectos


sigilosos em relação às atividades da empresa; entretanto, conforme apresentado na
figura a seguir, os aspectos normalmente evidenciados se referem a todas as intera-
ções entre a empresa e o meio ambiente.

FIGURA 19 - ELEMENTOS DA EVIDENCIAÇÃO

Incentivos
fiscais
recebidos
Ações de
controle, proteção
e recuperação
ambiental
Ativo e passivo
ambiental

Evidenciação
ambiental

Infrações e Medidas
multas de proteção
/Políticas e ambiental
programas

Natureza
dos gastos

Fonte: Adaptado de RIBEIRO (2010).

A evidenciação trata do detalhamento das ações ambientais e sua correspondência


financeira, de modo que, além dos números, seja também apresentada uma análise
crítica ou justificativa da ação tomada ou resultado obtido.

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Contabilidade Ambiental

5.2.1 ATIVO AMBIENTAL

O ativo ambiental refere-se aos recursos como bens, valores, créditos e direitos que
possam ser convertidos em dinheiro, a fim de serem utilizados pela organização para
obter benefícios futuros que estejam diretamente relacionados às questões ambien-
tais, seja para efeito de controle, preservação ou recuperação. Os ativos ambientais
consistem, portanto, nos investimentos realizados pela empresa para atingir a susten-
tabilidade ambiental de suas atividades, por meio de benefícios ambientais a serem
adquiridos no futuro.

Ativos são divididos em três categorias: imobilizado, estoque e diferido.

Imobilizados - correspondem aos elementos necessários à harmonização


das operações da empresa, com o meio ambiente e equipamentos antipo-
luição.

Estoque - refere-se à armazenagem, transporte e distribuição dos materiais


e insumos utilizados para controle, preservação e recuperação ambiental.

Diferido - relacionado às despesas com pesquisas e reestruturação de proces-


sos que obtiveram resultados em minimizar ou mitigar os impactos ambien-
tais.

As características principais de um ativo ambiental consistem na existência de bene-


fícios futuros, mesmo que exista incerteza a respeito de seu valor, além do fato de
que tais benefícios devem ser voltados a um indivíduo ou entidade específicos. Os
benefícios devem sempre resultar de transações ou eventos passados, de modo que
um ativo ambiental não pode ter origem futura ou estar fora do controle da empresa.
Ao contrário, ele deve ser utilizado no presente para obtenção de benefício futuro. É
importante ressaltar que deve haver também um meio legal de reivindicar o recebi-
mento de tais benefícios.

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Em outras palavras, não importa que o ativo seja proveniente de compra ou doação,
desde que possua valor econômico, esteja de posse da empresa e seja utilizado no
presente, para obtenção de benefício futuro.

Ativos tangíveis possuem forma concreta, enquanto os intangíveis são aqueles que
não possuem forma física, mas, mesmo se tratando de um conceito abstrato, possui
valor econômico, como, por exemplo, a marca de um produto.

O Banco Nacional de Desenvolvimento – BNDES tem firmado acordos de


cooperação com os governos estaduais, a fim de estimular o desenvolvimen-
to dos mercados de ativos ambientais que englobam diversas possibilidades,
como a venda de créditos de carbono, a criação de redes de conhecimento e
capacitação de empresas a mensurar, elaborar inventários e gerir a emissão
de gases do efeito estufa para futura comercialização dos créditos.

Os ativos podem ser ainda classificados como circulantes, quando se referem à


disponibilidade imediata de recursos, como, por exemplo, o fluxo de caixa, contas
em movimentação, aplicações financeiras e títulos negociáveis no prazo de até doze
meses. Já o ativo não circulante corresponde aos recursos indisponíveis.

Em resumo, ativo ambiental corresponde ao gasto capitalizado e amortizado duran-


te o período corrente, a fim de que se obtenha benefícios ambientais no futuro.

5.2.2 PASSIVO AMBIENTAL

Consiste em toda obrigação que resulte dos impactos causados ao meio ambiente,
seja para minimização ou mitigação desses impactos. Tais obrigações podem ser em
curto ou longo prazo. São contraídas perante terceiros, em geral representantes do
poder público, e implicam a recuperação da condição ambiental anterior ao impac-
to. Os passivos ambientais são geralmente penalizados por meio de autos de infração,

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advertências e multas. Dessa forma, uma indústria que não respeite os parâmetros de
emissões atmosféricas está causando impacto ao meio ambiente e simultaneamen-
te constituindo um passivo ambiental. Assim sendo, poderá vir a ser penalizada pelo
órgão fiscalizador.

No sistema de mineração tradicional, o processo de beneficiamento dos


minérios utiliza água para separar o material que não tem valor comer-
cial, gerando o que se chama de rejeito, uma mistura de água, areia, terra e
minerais de baixo valor comercial. Os rejeitos são armazenados em regiões
cercadas por barragens de contenção, construídas no sistema de alteamen-
to ou formato de degraus. Dessa forma, a geração de rejeitos é um impacto
ambiental da atividade de mineração. O armazenamento desses rejeitos em
barragens é um passivo ambiental que deve ser monitorado pela empresa
e mantido em condições controladas, de acordo com o que determina a
legislação. O rompimento de uma barragem causa novos impactos ambien-
tais, além dos sociais e econômicos, e pode ser caracterizado como crime
ambiental, uma vez que o passivo ambiental (barragem) não estava sendo
monitorado e controlado conforme determinado pela legislação.

Os passivos ambientais devem ser permanentemente monitorados em relação ao


risco que apresentam. De acordo com Aquino, Paletta e Almeida (2017), existem dife-
rentes metodologias de gerenciamento de riscos para evitar a poluição, de modo que,
para prevenir ou remediar danos, sejam considerados todos os aspectos do poluente
e sua fonte geradora.

5.2.3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO AMBIENTAL

O quadro, a seguir, apresenta um modelo de balanço patrimonial conjugado com


informações ambientais, de modo a ilustrar as interações entre a empresa e o meio
ambiente.

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QUADRO 10 - PROPOSTA DE BALANÇO AMBIENTAL

BALANÇO PATRIMONIAL AMBIENTAL

Ativo Ambiental Passivo Ambiental

Ativo Circulante Ambiental Passivo Circulante Ambiental

Créditos ambientais Fornecedores ambientais

Clientes ambientais Aquisições e serviços ambientais

Subvenções ambientais a receber Indenizações ambientais

Outros créditos ambientais Restaurações ambientais

Ativo ambiental realizável a longo prazo Passivo exigível a longo prazo

Permanente ambiental Patrimônio líquido

Investimentos ambientais Capital social

Participações em fundos de investimentos Reserva de lucros


ambientais
Multa por danos ambientais
Imobilizado ambiental
Proteção ambiental
Máquinas e equipamentos ambientais
Lucros/prejuízos ambientais do exercício
(-) Depreciação e amortização ambiental
acumulada

Diferido ambiental

Projetos de gestão ambiental

Gastos com reorganização ambiental

Gastos com pesquisas ambientais

Gastos de implantação ambiental

Fonte: CASTURINO, CASTURINO E TIESEN (2015).

De acordo com Carlan e Mareth (2017), a evidenciação por meio do balanço ambien-
tal favorece a identificação e visibilidade das informações ambientais, alocando corre-
tamente os gastos nas contas ambientais.

A tabela, a seguir, apresenta uma aplicação do balanço patrimonial integrado em


que as informações contábeis e ambientais são apresentadas quantitativamente.

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QUADRO 11 - BALANÇO PATRIMONIAL AMBIENTAL

Ativo circulante 3.011,035,61 Passivo circulante 1.137.397,70


Ativo circulante societá-
3.002.158,63 Passivo circulante societário 1.100.867,22
rio
Disponibilidades 179.434,90 Fornecedores 859.845,68
Clientes 1.672.651,38 Obrigações fiscais e sociais 39.938,35
Estoques 1.081.487,24 Obrigações trabalhistas 198.65975
Impostos a recuperar 45.159,33 Outras provisões 607,62
Outros créditos 13.722,96 Sócio conta particular 1.622,34
Despesas antecipadas 9.702,82 Adiantamentos de clientes 193,48
Ativo circulante ambien-
8.876,99 Passivo circulante ambiental 26.894,87
tal
Clientes 4.108,85 Fornecedores 26.897,87
Estoques 4.768,14 Passivo não circulante 1.234.425,56
Ativo não circulante 1.795.695,36 Longo prazo societário 205.279,12
Realizável a longo prazo 22.075,68 Longo prazo ambiental 1.029.146,44
Provisão para conta de recuperação
Investimentos 29,31 640.646,55
ambiental
Provisão para conta de multas
Imobilizado societário 1.594.838,21 388.499,89
ambientais
Ativo não circulante
178.752,17 Patrimônio líquido 2.434.907,71
ambiental
Imobilizado ambiental 178.752,17 Capital social 29.306,36
Reservas de capital 21.595,12
Correção monetária (Lei 8200/91) 4.374,26
Reserva de lucros/prejuízos acumu-
2.379.631,97
lados

Fonte: HAMMES, FEIL E AZEREDO (2015, p. 9).

As informações qualitativas devem ser inseridas nas notas explicativas e tratar dos
critérios utilizados para o cálculo, como método de cálculo dos estoques, taxas e
formas de cálculo da depreciação, avaliação do ativo diferido, dívidas e ônus rela-
cionados às questões ambientais, identificação do critério de atribuição de gastos e
todas as informações que permitam a correta interpretação do balanço patrimonial.

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5.3 AUDITORIA

No dia a dia das organizações, nem sempre os sistemas e processos funcionam da


forma como foram planejados. A competitividade acirrada dos mercados e a escassez
de prazos podem condicionar as empresas a operarem à margem do planejamento.
Se essa situação se tornar recorrente, a consequência mais grave é a empresa passar a
operar oficialmente no improviso, afastando-se cada vez mais de uma administração
estratégica. Esse caminho de tentativa e erro pode conduzir as organizações a cami-
nhos de ingerência, insolvência e até inviabilizar suas operações. É com o intuito de
evitar esse tipo de problema que a auditoria se faz necessária: detectando fragilidade
de controles internos, ineficácia dos sistemas de governança e desvios de conduta.

Auditoria consiste em um recurso para verificação da conformidade entre as ações


desempenhadas e os critérios predeterminados para essas ações. No que concerne
à gestão ambiental, as auditorias são ferramentas bastante utilizadas para verificar a
conformidade do sistema de gestão ambiental, da identificação e cumprimento dos
requisitos legais, da existência de passivos ambientais, a conformidade da eficácia
das ações corretivas e da adequação de fornecedores, entre outros aspectos.

Em termos contábeis, a auditoria tem o propósito de examinar documentos, livros e


fontes de informações diversas, a fim de confirmar a exatidão dos registros e demons-
trações que representam o patrimônio.

Além de verificar a acuracidade do controle de bens, direitos e obrigações, a realização


das auditorias contribui para a identificação e correção de desvios, antecipação e solu-
ção dos problemas. Os benefícios das auditorias são voltados às partes interessadas na
empresa, como administração, investidores, fisco e sociedade de maneira geral.

5.3.1 PLANEJAMENTO E REALIZAÇÃO

As auditorias realizadas pela própria organização são chamadas de auditorias inter-


nas, enquanto as auditorias de segunda parte são realizadas por partes interessa-
das na organização, como clientes e seus representantes. Já as auditorias de terceira
parte são conduzidas por organismos independentes de regulamentação e certifica-
ção (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2018).

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Contabilidade Ambiental

As auditorias devem ser comprometidas com a veracidade e exatidão dos fatos iden-
tificados, bem como adotar uma abordagem baseada em evidências, ser conduzida
com ponderação e imparcialidade nos julgamentos e conclusões, de modo a garantir
a segurança das informações.

Uma auditoria deve ser realizada de acordo com um programa que, além de deter-
minar sua abrangência, venha a suprir as informações e recursos necessários. Nesse
contexto, o programa de auditoria deve contemplar os objetivos, a abrangência, dura-
ção, procedimentos, critérios e métodos, a equipe auditora e as formas de tratamento
das informações, de modo a garantir a confiabilidade (IMONIANA, 2019).

Os riscos de que o auditor venha a emitir um parecer equivocado devem ser conside-
rados no planejamento, considerando-se ainda que esse risco possa apresentar dife-
rentes naturezas, conforme ilustrado na figura a seguir.

FIGURA 20 - RISCOS DE AUDITORIA

Risco de Risco de Risco Risco de


detecção distorção inerente controle

Fonte: Adaptado de ATTIE (2012).

A possibilidade de que os procedimentos realizados pelo auditor não identifiquem


desvios potencialmente relevantes é conhecida como risco de detecção. O risco de
distorção representa os desvios propriamente ditos e podem ser de dois tipos, ineren-
te ou de controle. Risco inerente se refere à suscetibilidade de uma informação estar
incorreta. Já o risco de controle diz respeito à falta de prevenção, detecção e correção
de uma distorção.

A auditoria se desenvolve em seis diferentes etapas:

1. Sondagem inicial – tem a finalidade de familiarizar o corpo auditor com as


operações da empresa.

2. Planejamento – consiste na definição da estratégia de auditoria.

3. Controle interno – documentação do planejamento, métodos e critérios.

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122 SUMÁRIO
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Contabilidade Ambiental

4. Teste de controle – observação sobre o cumprimento das normas.

5. Teste substantivo – avaliação da precisão dos lançamentos.

6. Parecer do auditor – análise crítica das evidências e emissão de parecer docu-


mentado.

É importante ressaltar que, não raro, os auditores se deparam com limitações de


auditoria que consistem em um problema ou situação que foge ao escopo da audi-
toria. Situações que escapam do controle ambiental e referem-se a uma questão de
engenharia ou operações da empresa deverão ser direcionadas a essas áreas. Nesses
a um profissional especializado.

5.3.2 DOCUMENTAÇÃO

Como dito, as auditorias são baseadas em evidências, razão pela qual todo processo
deve ser documentado, desde o planejamento até a emissão do parecer final.

Visto que a auditoria consiste na checagem ou conferência de um elemento com


um padrão preestabelecido, as convergências e discrepâncias entre o elemento e o
padrão devem ser registradas, a fim de constituírem o que se chama evidência de
auditoria.

Em relação ao programa, os registros devem incluir os objetivos, abrangência e riscos,


composição, responsabilidades e avaliação de desempenho da equipe auditora, bem
como as evidências e informações detalhadas a respeito dos auditados.

O relatório de auditoria deve fornecer o diagnóstico completo, de forma concisa e


clara, de modo a confrontar os objetivos e abrangência com os resultados alcançados.
Além disso, o relatório deve apresentar consistência em relação às normas, procedi-
mentos e critérios pelos quais a auditoria foi guiada. O parecer do auditor consiste na
análise crítica do desenvolvimento geral da auditoria, dos padrões observados, das
tendências apontadas, do resultado das comparações entre os padrões e elementos
observados (RIBEIRO; COELHO, 2013).

Para emitir esse parecer, é necessário ter segurança a respeito dos resultados encon-
trados em relação ao modo como a auditoria foi conduzida, a fim de que não haja
ressalvas, ou seja, a fim de que o parecer não seja modificado futuramente.

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SUMÁRIO 123
Contabilidade Ambiental

De acordo com Imoniana (2019), o relatório de auditoria deve apresentar adequa-


ção às evidências, de modo que suas colocações venham a agregar valor. Por utilizar
linguagem clara e concisa, o relatório deve ser autoexplicável e utilizar um tom que
seja ao mesmo tempo empático com os auditados e construtivo para o tomador de
decisão.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 1
Veja, a seguir, algumas indicações de obras que complementarão seu conhecimento
sobre os assuntos abordados na disciplina.

Fonte: IMONIANA, J. O. Auditoria: planejamento, execução e reporte. São Paulo: Atlas,


2019.

A auditoria é um recurso eficiente na detecção de falhas dos controles internos e


desvios de conduta, possibilitando a identificação e correção. Uma auditoria eficaz
parte de um planejamento criterioso e se encerra com um reporte objetivo e, nesse
sentido, o livro Auditoria: planejamento, execução e reporte traz orientações bastan-
te claras, baseadas nas normas internacionais de auditoria. O livro pode ser utilizado
como guia para o planejamento e execução, pois fornece exemplos de aplicação dos
conceitos e ainda traz recomendações especiais a respeito da elaboração do relatório
de auditoria.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 2
Fonte: RIBEIRO, M. O. COELHO, R. M. J. Auditoria fácil. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

O auditor necessita de habilidades e competências específicas para lidar com o exame


minucioso dos registros e verificar a conformidade dos documentos com as normas
e parâmetros predefinidos. O livro Auditoria fácil é um guia completo que trata de
maneira simplificada os desafios da realização de auditorias. Seja como auditor inter-
no, externo ou independente, a condução de auditorias é uma tarefa complexa que
requer preparo e dedicação. Desse modo, o livro oferece suporte para profissionais de
diversas áreas, como administração, engenharias e gestão ambiental.

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Contabilidade Ambiental

CONCLUSÃO
Os temas abordados, nesta unidade, estão relacionados à demonstração dos resulta-
dos ambientais que tratam da evidenciação das ações direcionadas ao controle de
aspectos e impactos da organização, preservação e recuperação ambiental por meio
da interpretação dos termos numéricos.

Relembramos os elementos básicos para qualquer operação em Contabilidade


Ambiental, como gasto, custo, despesa, receita, investimento, depreciação e perda,
para, em seguida, abordar em profundidade os conceitos de ativo e passivo ambien-
tal.

Você compreendeu que o ativo ambiental corresponde aos recursos que podem ser
convertidos em valores monetários para utilização nos assuntos ambientais e, ainda,
que os ativos se dividem em três categorias: imobilizado, estoque e diferido e que
podem ser tangíveis ou intangíveis e circulantes ou não circulantes. Da mesma forma,
você compreendeu que o passivo ambiental consiste às obrigações da empresa para
com a minimização ou mitigação dos seus impactos ambientais.

Você conheceu uma proposta de balanço patrimonial ambiental e observou os tipos


de contas ambientais geralmente evidenciadas. Além disso, pôde examinar os lança-
mentos no exemplo fornecido.

Por fim, você aprendeu a finalidade das auditorias, no que se refere à verificação da
acuracidade dos dados, pôde compreender a importância do planejamento e elabo-
ração do relatório, bem como compreender o grau de responsabilidade do auditor.

Em resumo, esta unidade tratou da importância da demonstração dos resultados


ambientais como elemento para a tomada de decisão gerencial e ressaltou a impor-
tância de verificar a rastreabilidade desses resultados, por meio de um processo siste-
mático de auditoria. Em tempos de extrema competitividade entre as empresas, o
conhecimento e compreensão de tais temas representa a oportunidade de expandir
sua atuação como gestor ambiental.

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SUMÁRIO 125
Contabilidade Ambiental

UNIDADE 6

OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:

> Compreender a
divulgação dos
resultados ambientais,
interpretando seus
elementos.

> Conhecer as principais


metodologias de
divulgação de
resultados ambientais,
identificando os
diferentes padrões de
relatórios.

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6 DIVULGAÇÃO DE
RESULTADOS AMBIENTAIS
O ambiente das organizações empresariais apresenta uma série de riscos, tais como
agentes químicos, físicos ou biológicos que podem influir na saúde do colaborador e
nas condições gerais do meio ambiente (AQUINO; PALETTA; ALMEIDA, 2017). Diante
disso, a sociedade tem se mantido mais atenta aos problemas decorrentes da má
utilização dos recursos naturais e da degradação ambiental e, por consequência, tem
exigido das empresas maior transparência em relação às suas operações.

Em resposta, as organizações têm adotado certos padrões de comunicação de suas


práticas, evidenciando sua responsabilidade para com os fatores ambientais e sociais.
Com essa conduta, as empresas atendem a vários tipos de interesses, desde cumprir
com a obrigatoriedade legal de divulgação determinada em alguns países, até desta-
car-se de seus competidores por associarem sua marca à responsabilidade socioam-
biental.

De outra parte, a divulgação dos resultados ambientais fornece elementos às partes


interessadas nas empresas, como acionistas, funcionários, clientes, órgãos governa-
mentais e sociedade em geral, para tomada de decisão.

INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Os relatórios ambientais oferecem um panorama sobre o desempenho da empresa
em relação à comunidade em que está inserida, possibilitando a ela e suas partes
interessadas, informações que subsidiem a tomada de ações para ajuste de conduta
e melhoria contínua.

Por se tratar de um importante instrumento de gestão ambiental e serem cada vez


mais adotados pelas empresas, os relatórios de desempenho ambiental representam
uma oportunidade de trabalho para os gestores ambientais que podem se especia-
lizar no tema e auxiliar empresas públicas e privadas na elaboração de indicadores,
redação, design e divulgação dos relatórios, tanto em regime de vínculo trabalhista
direto, como na forma de consultorias.

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SUMÁRIO 127
Contabilidade Ambiental

Compreender as dimensões da divulgação de desempenho ambiental e sua inte-


ração com as informações sociais, bem como os diversos padrões de relatórios e
seus canais de divulgação, é uma forma de complementar o desenvolvimento das
competências necessárias a um profissional de meio ambiente multiespecialista e
com atuação sistêmica.

6.1 DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS AMBIENTAIS

A divulgação de resultados, também conhecida pelo termo em língua inglesa disclo-


sure, consiste em tornar públicas informações a respeito do desempenho econômico,
financeiro, social e ambiental das organizações às suas partes interessadas.

Entre as diversas razões pelas quais as empresas divulgam seus resultados, desta-
cam-se as intenções de se aproximar de suas partes interessadas de modo a solidi-
ficar sua imagem e reputação. Ações como essa possibilitam à empresa legitimar
suas atividades, valorizar seu capital e adquirir vantagem competitiva. Além disso,
as empresas que divulgam seus resultados ambientais recebem maior atenção da
mídia e concorrem frequentemente a premiações ambientais.

Por outro lado, há casos em que os relatórios apresentam problemas de imprecisão


e falta de rastreabilidade dos dados. Essa distorção do conceito, que faz a prática da
divulgação ser mais importante que as práticas ambientais, é conhecida como green-
washing ou lavagem verde e trata de apropriação indevida de virtudes e apresenta-
ção de resultados fictícios por meio das técnicas de marketing.

O greenwashing é uma prática bastante arriscada, pois coloca a reputação das empre-
sas em jogo e pode ser passível de responsabilização judicial.

Outros pontos negativos a serem considerados consistem nos custos diretos e indiretos,
além do fato de que nem sempre a divulgação de resultados é voluntária, podendo ser
praticada em resposta às pressões exercidas, exigências comerciais ou a apelos sociais.

Diante das frequentes mudanças do meio ambiente, crescentes cobranças por


responsabilidade corporativa, e a exemplo de países como Espanha, é possível que
no futuro as empresas brasileiras sejam obrigadas a divulgar seus resultados ambien-
tais (SAMPAIO; PORTE, 2013).

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De qualquer forma, a divulgação de resultados de uma empresa depende da mensu-


ração precisa e avaliação objetiva dos resultados, além de ser norteada por regras
claras, pois consiste em um instrumento de apoio à gestão ambiental das empresas.

6.2 DESEMPENHO AMBIENTAL E CONTROLE


ORGANIZACIONAL

A finalidade de acompanhar o desempenho ambiental de uma organização consiste


em monitorar como as operações realizadas interferem no estado do meio ambien-
te ao longo do tempo. Para tanto, é necessário implementar os controles organiza-
cionais que funcionam como instrumentos de verificação, análise e intervenção no
desempenho das organizações.

Os controles organizacionais dividem-se em três tipos:

Controle prévio ou preliminar – antecipação de informações com o intui-


to de identificar e prevenir problemas antes que aconteçam. É aplicado, de
modo geral, na administração dos recursos naturais, humanos, físicos e finan-
ceiros. Âmbito de administração.

Os controles prévios têm as finalidades de identificar o risco e reduzir sua


frequência ou ocorrência.

Controle simultâneo – acompanha o desenvolvimento das atividades e ajus-


ta os desvios durante a realização das operações. Esse tipo de controle avalia
a atividade e oferece resposta imediata, bloqueando sua continuidade caso
o desempenho tenha sido insuficiente.

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SUMÁRIO 129
Contabilidade Ambiental

Controle por retroalimentação ou feedback – consiste em coletar as infor-


mações sobre determinada atividade depois que ela foi realizada. É também
conhecido como controle de saída e utiliza resultados anteriores como
padrões de comparação com o desempenho atual, de forma a realizar
comparações e corrigir possíveis desvios.

Os controles podem utilizar abordagens qualitativas ou quantitativas. A utilização


de controles de desempenho quantitativos tem por objetivo oferecer um padrão de
coleta e análise de dados, a fim de reduzir a subjetividade das informações que serão
utilizadas na tomada de decisão. Nesse sentido, o monitoramento do desempenho
ambiental consiste em mensurá-lo em termos numéricos.

Controle ambiental prévio: indicador de redução do uso de produtos


químicos perigosos. Diminuir a utilização de produtos químicos perigosos
minimiza o impacto ambiental por contaminação do solo e corpos hídricos,
com ações como essa, a empresa atua preventivamente, evitando potenciais
impactos ambientais.

Controle ambiental simultâneo: parâmetros de análise de descarte de


efluentes.

As empresas analisam o efluente tratado antes de descartá-lo e, caso não


esteja em conformidade com os parâmetros determinados, o descarte
é suspenso para que as operações de tratamento sejam readequadas e o
desvio corrigido.

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Controle ambiental por retroalimentação ou feedback: indicador de


descarte de resíduos. Por meio da análise das quantidades e tipo de resíduo
descartado ao longo do tempo, a empresa tem a oportunidade de identificar
os setores e operações que mais geraram resíduos e implementar melhorias
para a redução.

Os controles reúnem três características básicas: mensuração, comparação e inter-


pretação.

1. Mensuração do desempenho – pode ser realizada por meio de uma abordagem


qualitativa ou quantitativa. Os termos numéricos podem ser financeiros ou não finan-
ceiros, e se referir a três dimensões do desempenho, eficácia, eficiência e efetividade,
descritas a seguir:

a. Eficácia – refere-se à quantidade de sucesso alcançado em relação aos objetivos


pretendidos.

b. Eficiência – corresponde à relação entre os resultados e as condições em que


foram alcançadas, ou seja, a quantidade de recursos consumidos para o alcance
dos objetivos.

c. Efetividade – refere-se à durabilidade e consequências dos objetivos atingidos.

2. Comparação do desempenho medido com parâmetros predeterminados – consis-


te no contraste entre os resultados obtidos e os padrões que foram determinados
previamente.

3. Interpretação dos resultados e correção de desvios – requer a análise crítica dos


dados apurados nos passos anteriores, a fim de definir ações de melhoria ou correção
de desvios.

Os controles organizacionais, sejam de natureza prévia, simultânea ou por retroali-


mentação, são aplicados por meio de diversas metodologias, entre elas, os indicado-
res, que consistem na ferramenta de gestão mais utilizada entre as empresas.

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SUMÁRIO 131
Contabilidade Ambiental

6.2.1 INDICADORES DE DESEMPENHO AMBIENTAL

Um indicador consiste na representação de um resultado em relação a um padrão


por meio de um conjunto de dados. Desse modo, um indicador ambiental traduz o
estado do ambiente em relação às atividades desenvolvidas pela empresa.

Os indicadores devem ser interpretados em contraste aos padrões definidos previa-


mente e aos objetivos da organização, de modo a consolidar informações que apoiem
a tomada de decisão na elaboração de políticas e programas organizacionais. Em
outras palavras, um indicador contém os registros dos resultados obtidos ao longo de
um período e a comparação desses resultados com padrões preestabelecidos.

Nesse sentido, o indicador serve à empresa como uma ferramenta de diagnóstico da


sustentabilidade ambiental das suas operações, da saúde do meio ambiente e das
condições em que esses dois aspectos se relacionam ao longo do tempo.

Diferença entre indicador e índice

Os indicadores são uma forma de controle isolado, pois se referem ao moni-


toramento de um único elemento ou aspecto, como, por exemplo, geração
de resíduos, descarte de efluente, consumo de água e consumo de energia,
entre outros.

Os índices consistem em sistemas de controles formados por agrupamentos


de indicadores de uma mesma natureza. Indicadores de geração de resíduos
e descarte de efluentes podem compor o índice de potencial de impacto
ambiental, enquanto os indicadores de consumo de água e energia podem
compor o índice de consumo de recursos naturais. Há ainda a possibilida-
de de que os índices sejam formados por indicadores variados, como o IDH
– Índice de Desenvolvimento Humano desenvolvido pela Organização das
Nações Unidas, que avalia o progresso ao longo do tempo em relação ao
nível de renda, educação e saúde da população (PNUD, 2019).

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No entanto, a definição por um indicador deve ser criteriosa em relação à sua compo-
sição, confiabilidade e adequação ao tipo de dado que se pretende mensurar (KEME-
RICH; RITTER; BORBA, 2014). Além disso, é necessário que os indicadores sejam
associados a aspectos realmente necessários, pois o excesso de indicadores tende a
burocratizar as operações, medir o que não é necessário e reduzir a eficácia da ferra-
menta.

Para a elaboração de indicadores e metas, as empresas costumam adotar o concei-


to SMART, que se refere à abreviação de palavras inglesas para características que os
indicadores devem apresentar: Specífic (específicos), Measuble (mensuráveis), Achi-
vable (atingível), Relevant (relevante), Time-bound (temporal).

De acordo com esse conceito, os indicadores devem conter metas numéricas para
pelo menos um aspecto, a fim de que possam ser mensuradas. É importante defi-
nir metas desafiadoras, mas que seja possível alcança-las, além disso, devem estar
relacionadas aos aspectos realmente importantes e estar vinculadas a um período
determinado.

Os indicadores ambientais podem ser utilizados para complementar ferramentas


de gestão, como o mapa estratégico, que considera diversas interfaces das empre-
sas, como suas perspectivas internas, as expectativas do cliente, as possibilidades de
inovação e aprendizagem, bem como o panorama financeiro para traçar suas estra-
tégias de atuação.

Outra finalidade atribuída aos indicadores é servir como um meio de comprovação


de boas práticas ambientais. Nesse sentido, as empresas os divulgam externamente
por meio de relatórios integrados de desempenho econômico, social e ambiental.

6.3 RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE

Por não estarem diretamente relacionados aos ganhos financeiros diretos, o desem-
penho ambiental e social foi por muito tempo relegado a segundo plano pelas empre-
sas até que, recentemente, a crescente preocupação com a degradação ambiental
fez com que a sociedade voltasse sua atenção para o comportamento das empresas
(RIBEIRO, 2010).

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A fim de responder ao questionamento sobre sua conduta, as empresas divulgam a


suas partes interessadas, detalhes relacionados ao desempenho, práticas e iniciativas
responsáveis para com as questões ambientais, com o intuito de serem legitimadas
socialmente (MOTA; MAZZA; OLIVEIRA, 2013).

Com exceção dos Microempreendedores Individuais – MEI que não desejam


participar de licitações públicas, todas as empresas brasileiras devem decla-
rar seu balanço patrimonial. Esse documento demonstra a evolução finan-
ceira da empresa durante o período de exercício, que pode ser trimestral
ou anual, fornecendo elementos às suas partes interessadas para a tomada
de decisão. Há várias condições para a divulgação, como porte, setor econô-
mico e constituição da empresa; no entanto, as empresas de capital aberto
hospedam essas informações em sites específicos na internet para facilitar o
relacionamento com seus acionistas.

Para acessar os resultados financeiros de alguma empresa que possua ações


na bolsa de valores, basta acessar um site de buscas e digitar o nome ou o
tipo da empresa que você quer consultar + relações com investidores, como
nesse exemplo:

Indústria de cimento + relações com investidores.

Os aspectos ambientais e sociais correspondem a dimensões da sustentabilidade,


assim como o aspecto econômico. Contrariamente à legislação que obriga as empre-
sas a divulgarem seus resultados financeiros, a divulgação dos resultados ambien-
tais e sociais não é obrigatória no Brasil, sendo realizada pelas empresas em caráter
voluntário, por meio de relatórios de sustentabilidade que seguem diferentes meto-
dologias, como as que são relatadas a seguir.

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6.3.1 BALANÇO SOCIOAMBIENTAL

O balanço socioambiental social é um tipo demonstrativo contábil que reúne infor-


mações a respeito das relações da empresa com seu contexto.

Embora, desde os anos 1970, a legislação brasileira exija das empresas a declaração
de algumas informações sociais por meio da Relação Anual de Informações Sociais
– RAIS e ofereça cerca de dez instrumentos que orientem a elaboração de balanços
sociais, a publicação é opcional.

Como não existe obrigatoriedade legal ou formatos oficiais, as empresas podem


adotar modelos sugeridos por associações e organizações não governamentais, de
forma integral ou em parte. O reconhecimento do balanço social como uma ferra-
menta precisa de conformidade da responsabilidade socioambiental é comprometi-
do devido a problemas com a falta padrão na escolha dos indicadores e de transpa-
rência a respeito da qualidade das informações.

No site do Conselho Federal de Contabilidade, é possível acessar os relatórios


do balanço socioambiental da instituição publicados desde 2006.

De outra parte, países como França, Portugal e Bélgica instituíram leis que obrigam
a utilização do balanço social como uma ferramenta de monitoramento da relação
capital-trabalho (CARVALHO; SIQUEIRA, 2012).

6.3.2 EMAS – ECO-MANAGEMENT AND AUDIT


SCHEME

A organização não governamental europeia EMAS define normas que são adotadas
voluntariamente pelas empresas para atendimento da legislação ambiental e melho-
ria contínua dos processos.

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Contabilidade Ambiental

O padrão de relatório ambiental sugerido inclui a descrição da empresa e seus proces-


sos de negócios, da política e sistema de gestão ambiental, bem como o resultado do
desempenho das variáveis diretas e indiretas que possam resultar em impactos signi-
ficativos ao meio ambiente, tais como as operações e atividades da empresa.

Além disso, a empresa deve relacionar metas a seus impactos ambientais, comparar
seu desempenho com os parâmetros legais e metas definidas e, ainda, apontar as
ações para corrigir desvios e obter melhores resultados.

6.3.3 GRI – GLOBAL REPORTING INITIATIVE

Consiste em uma organização independente, de atuação internacional, voltada ao


desenvolvimento e disseminação de procedimentos para a elaboração e divulgação
de relatórios de sustentabilidade socioambientais.

A metodologia GRI baseia-se nas seguintes premissas:

Perspectiva objetiva do impacto ambiental e social causado pela empresa.

• Fornecimento de informações relevantes e confiáveis.


• Compromisso com a avaliação e melhoria contínua do desempenho.
• Transparência e credibilidade.
• Formato padronizado e compreensível.
• Complementação das informações financeiras.
• Correspondência com as dimensões econômica ambiental e social da susten-
tabilidade.

O relatório ambiental padrão GRI deve apresentar características quantitativas e


qualitativas, políticas e programas, além de adotar indicadores gerais e específicos.
Entre os indicadores ambientais adotados nesta metodologia podem ser citados os
relativos a fornecedores, conformidade, transporte, biodiversidade e recursos naturais
como água e energia.

Os indicadores atrelados à dimensão social incluem práticas laborais, direitos huma-


nos, sociedade e produção responsável. Já os indicadores de cunho econômico abran-
gem clientes, fornecedores, empregados, entre outros.

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6.3.4 ISE – ÍNDICE DE SUSTENTABILIDADE


EMPRESARIAL BOVESPA

A metodologia de análise da eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social


e governança corporativa de empresas com capital aberto na Bolsa de Valores de São
Paulo tem por objetivo divulgar as práticas sustentáveis das empresas e orientar os
investidores na tomada de decisão sobre investimentos.

O índice é revisado anualmente por ocasião da alteração da composição do quadro


de empresas que, desde seu início em 2005, opera com quantidade entre onze e
quarenta empresas por exercício. Esse número representa a adesão de cerca de
cinquenta por cento do total de companhias participantes do Índice Bovespa, univer-
so bastante restrito, se comparado com o índice de sustentabilidade americano DJSI
– Dow Jones Sustainability Indicator (BEATO; SOUZA; PARISOTTO, 2009).

6.3.5 LIMITAÇÕES À CREDIBILIDADE DOS RELATÓRIOS

A qualidade das informações divulgadas tem comprometido a credibilidade dos rela-


tórios de sustentabilidade e consequentemente a imagem das empresas. Dentre os
problemas mais frequentes, foram evidenciados (MARTINI JUNIOR; SILVA, MATTOS,
2014):

a. ênfase na publicidade ambiental maior que as preocupações socioambientais


reais;

b. dissonância entre o alto desempenho ambiental publicado nos relatórios e as


notícias ambientais veiculadas pela mídia;

c. falta de aderência aos indicadores da metodologia adotada;

d. incompletude das informações;

e. falta de padronização;

f. omissão dos impactos e passivos ambientais;

g. falta de acurácia nas informações econômicas;

h. falta de verificação e validação dos relatórios por parte de entidades indepen-


dentes.

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Contabilidade Ambiental

As causas dos problemas citados incluem falhas na fase de coleta de dados, falta de
conhecimento técnico para a elaboração e monitoramento de indicadores, bem como
para a elaboração do relatório, e aspectos da cultura organizacional. Tais circunstân-
cias evidenciam que a seletividade na divulgação das informações socioambientais
ainda é prática corrente entre as empresas.

Como ressaltado por Fernandes (2013), a divulgação ambiental negativa pode trazer
diversas implicações para as atividades de uma empresa, como impactar considera-
velmente a resposta de acionistas e outras partes interessadas na empresa.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 1
Fonte: FERREIRA, A. C. S.; SIQUEIRA, J. R. M.; GOMES, M. Z. Contabilidade ambiental
e relatórios sociais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

O livro Contabilidade ambiental e relatórios sociais é uma coletânea de estudos


publicados por professores e alunos do Programa de pós-graduação da Universidade
Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, a respeito das formas de mensuração e divulgação
do desempenho ambiental, bem como sobre as regulamentações brasileiras para a
integração das informações ambientais ao balanço social. Embora todos os capítulos
abordem assuntos relevantes para a formação do gestor ambiental, merece atenção
especial o capítulo 12, que traça comparações entre os relatórios publicados no Brasil
e Estados Unidos, em relação aos problemas de falta de rastreabilidade e assimetria
de informações.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA 2
Fonte: MÜLLER, Cláudio José. Planejamento estratégico, indicadores e processos:
uma integração necessária. São Paulo: Atlas, 2000.

A fim de ampliar suas possibilidades de atuação, o profissional de meio ambiente


deve possuir formação interdisciplinar. Nesse sentido, o livro Planejamento estratégi-
co, indicadores e processos: uma integração necessária, contribui para a construção

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de competências gerenciais que possibilitarão ao gestor ambiental desenvolver o


pensamento sistêmico e atuar para a integração da temática ambiental aos proces-
sos da organização.

CONCLUSÃO
Esta unidade tratou dos elementos e razões da divulgação dos resultados ambientais,
econômicos e sociais das empresas por meio de relatórios de sustentabilidade. Você
compreendeu que a divulgação ou disclosure ambiental consiste em tornar públi-
cas as informações a respeito da relação entre as atividades empresariais e o meio
ambiente.

Você conheceu os controles organizacionais utilizados para verificação, análise e inter-


venção no desempenho das organizações e sua categorização em controles prévios,
simultâneos e por retroalimentação.

Pôde também perceber que, independentemente da categoria ou tipo, os controles


são implementados em três passos básicos: mensuração do desempenho, compara-
ção do desempenho medido com parâmetros predeterminados e interpretação dos
resultados e correção de desvios.

Além disso, você aprendeu que a mensuração do desempenho se dá nas dimensões


de eficácia, eficiência e efetividade, por meio de abordagem qualitativa ou quantita-
tiva.

Você conheceu os indicadores, que são ferramentas para aplicação dos controles, e
aprendeu que devem ser definidos de modo a serem específicos, mensuráveis, atin-
gíveis, relevantes e temporais.

Você compreendeu que os resultados apurados com os indicadores ambientais são


divulgados por meio de relatórios que integram essas informações às sociais e econô-
micas, em conformidade com as dimensões da sustentabilidade.

Você conheceu diferentes modelos de relatórios de sustentabilidade e pode


compreender que, entre diversas razões, as organizações divulgam seu desempenho
ambiental, a fim de solidificar sua imagem e reputação, aproximando- -se de suas
partes interessadas, de modo a valorizar seu capital e obter legitimidade social. Em

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complemento, você conheceu os principais problemas que limitam a credibilidade


das divulgações e as consequências trazidas para as operações da empresa.

Em resumo, esta unidade tratou dos elementos e meios utilizados pelas organizações
para a comunicação de seu desempenho ambiental às partes interessadas, desta-
cando a importância da confiabilidade e veracidade das informações, apresentando
a você os conhecimentos básicos de uma área da gestão ambiental que apresenta
grande potencial de crescimento e empregabilidade.

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