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Intro Duca o Moral

O documento explora a consciência moral, sua definição, tipos e funções, destacando a relação entre ética e moral. Apresenta uma análise filosófica sobre o dever moral, abordando influências de pensadores como Kant, Freud e Nietzsche. A pesquisa visa contribuir para a compreensão da consciência moral e sua importância na tomada de decisões éticas na sociedade contemporânea.
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Intro Duca o Moral

O documento explora a consciência moral, sua definição, tipos e funções, destacando a relação entre ética e moral. Apresenta uma análise filosófica sobre o dever moral, abordando influências de pensadores como Kant, Freud e Nietzsche. A pesquisa visa contribuir para a compreensão da consciência moral e sua importância na tomada de decisões éticas na sociedade contemporânea.
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Sumário

Introducao....................................................................................................................................2

Obejctivos....................................................................................................................................3

Metodologia.................................................................................................................................3

Conceito.......................................................................................................................................4

A consciência moral.....................................................................................................................5

Tipos de Consciência Moral:.......................................................................................................9

Função da Consciência Moral:.....................................................................................................9

Outros Aspectos:..........................................................................................................................9

Grau de consciência.................................................................................................................10

Etica e Moral..............................................................................................................................12

Considerações finais..................................................................................................................14

REFERÊNCIAS.........................................................................................................................15
Introducao

O presente trabalho visa dar um panorama geral da questão que


Envolve as acepções filosóficas do dever moral e da consciência moral no mundo
hodierno. Ainda apõe breves adendos da filosofia de Levinhas e Sartre
como modelos oposicionistas que as diversas acepções éticas podem tomar
dentro de um sistema abrangente da sociedade como um todo. Ademais, o texto
apresenta uma distinção terminológica entre ética e moral que será necessária para
a concepção do sistema da consciência moral tal e qual apresentada por Vázquez.
Posteriormente, traça os elementos constitutivos essenciais da filosofia kantiana
que embasam o dever moral em suas raízes racionais, postulando o
elemento da Razão como pressuposto básico e objetivo de toda a construção
filosófica e ética de seu sistema.

Numa abordagem mais moderna dos assuntos que envolvem uma dicotomização
entre consciência e dever moral se tem que qualquer desencadeamento acerca de
temas de cunho moral tende a ter uma expressão social forte. Essa é também uma
característica própria das obrigações morais. Tal obrigação (ou dever) como já
explanado anteriormente não se liga a nenhum tipo de coação, e nem a ele pode
estar adstrito, pois assim perderia ser caráter de múltipla possibilidade de rumo.
Tolhendo o conceito de liberdade e autonomia da vontade tão evocados no
pretérito. Como já suscitado o envolvimento das relações sociais possuem certa
influência na condição moral do indivíduo, mesmo que o fator pessoal
seja determinante para a consecução das obrigações morais (subjetividade), e
entrelace do caráter social da ação é algo deveras importante (objeto da obrigação
moral).
Obejctivos

Geral

Investigar e compreender o conceito de consciência moral, seus diferentes graus e


a relação entre ética e moral, visando contribuir para a reflexão sobre o
desenvolvimento da capacidade ética do indivíduo e sua importância para a tomada
de decisões responsáveis e moralmente fundamentadas.

Específicos

 Definir o conceito de consciência moral segundo diferentes autores.

 Identificar e descrever os graus de consciência moral.

 Compreender a distinção e a relação entre ética e moral no contexto da consciência


moral.

Metodologia

Será adotada uma abordagem bibliográfica e documental, com levantamento e análise de fontes
teóricas como livros, artigos científicos, teses e documentos que tratem da consciência moral,
ética e moral.
Conceito

Não é sem razão que Coimbra afirma que “ética e moral são sinônimos de origens” distintas, que
em si uma é a mesma coisa”, isto é, possuem os mesmos sentidos. Por isso argumentar que não
se pode tirar nenhuma conclusão do que se pode entender por ética e moral a partir das origens
das palavras. De fato, etimologicamente, esses termos possuem conteúdos idênticos semânticos.
Razão pela qual muitas vezes são empregados no cotidiano indistintamente.

As razões dessas divergências constatamos, sem dúvida, nas origens das palavras, sobre as quais
passaremos em revista, para depois apresentar alguns conceitos extraídos da literatura
especializada. O que aconteceu? No latim não existia uma palavra para traduzir o etos, nem
tampouco outro para representar o sentido do termo ethos, dado na língua grega. Então, na
essência esta distinção foi perdida. Ambas foram traduzidas por “mos"ou"costumes" (plural
demos, do que vem o termo moralis), pois era a palavra que mais se aproximado sentido de
ethos, que nessa língua pode significar tanto “costumes” como “caráter” ou gênero de vida.

Entretanto, este não é o único direcionado para determinar o significado das palavras, pois assim
como as línguas evoluem segundo a sua cultura, as palavras podem adquirir significados
diferentes de acordo com o sentido em que são empregadas. Além da dimensão semântica dos
vocabulários e das expressões, há uma dimensão pragmática, visto que uma mesma palavra pode
assumir significados diferentes num determinado contexto sociocultural.

A consciência moral é a capacidade de reconhecer e avaliar a qualidade moral de um ato, ou seja,


a capacidade de distinguir entre o certo e o errado, o justo e o injusto, o bom e o mau. É um
processo interno de avaliação e reflexão sobre as próprias ações e decisões, com base em
princípios morais e valores.

A consciência moral é a capacidade de distinguir o certo do errado, o bem do mal, em termos de


ação e comportamento. É um juízo da razão que permite avaliar a qualidade moral de uma ação e
sentir, internamente, a aprovação ou reprovação dela. Em outras palavras, é a voz interna que nos
guia no caminho do bem, denunciando o erro e nos levando a refletir sobre nossas ações. A
consciência moral é um juízo da razão pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral
de um ato concreto.

A consciência moral
A consciência moral é uma competência avaliadora dos actos pessoais e dos alheios, a
capacidade de discriminar entre o que é o bem e o que é o mal. Em resumo, a consciência moral
é uma construção complexa, resultante da interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais
e culturais, que nos permite avaliar as nossas ações e as ações dos outros sob o ponto de vista do
bem e do mal.

A consciência é fruto da evolução do sistema nervoso. Portanto, percepções, individualidade,


linguagem, ideias, significado, cultura, escolha (ou livre arbítrio), moral e ética, todos existem
em decorrência do funcionamento cerebral.

Qual a NATUREZA desta capacidade cuja manifestação no ser humano o eleva à dignidade de
um ser moral?

 A consciência moral tem uma base racional. Todos os actos humanos são julgados e
avaliados pela razão, em função de valores livre e racionalmente escolhidos. Não é, pois,
“às cegas” que concebemos e realizamos a ação. É com a intervenção do pensamento que
tomamos consciência dos problemas, que os compreendemos e que equacionamos
soluções que nos parecem possíveis. A racionalidade permite-nos analisar criticamente
aquilo com que nos deparamos, avaliar as ações pessoais e as dos outros, confrontando o
que queremos fazer com aquilo que julgamos que devemos fazer.

 A consciência moral tem um elemento afetivo. As relações interpessoais manifestam na


consciência uma componente emocional tão forte que é capaz de dinamizar a ação
humana do mesmo modo que a razão. Por vezes, junta-se à razão, colaborando e
reforçando o seu papel, ou, então, opondo-se lhe e entrando em conflito com ela. Assim,
quer os sentimentos positivos de amor, amizade, simpatia e fraternidade quer os seus
contrários manifestam uma “lógica” própria que interfere de modo significativo na ação.
 A consciência moral tem uma componente social. É interagindo com os outros e através
do processo de educação que a consciência moral se vai formando. O seu
desenvolvimento passa pela interiorização de um “dever-se” que lhe vai sendo
apresentado pelos diferentes agentes (família, escola, media, grupo de pares, etc.) no
decorrer do processo de socialização.

A expressão “voz da consciência” torna-se significativa para se compreenderem as


principais FUNÇÕES / PAPÉIS da consciência moral. Ela é, antes de mais, uma voz que
chama, uma voz que julga, uma voz que coage e uma voz que sanciona. Neste sentido, a
consciência moral desempenha as funções/papéis de ordem:

 Apelativa, a consciência moral chama-nos para indicar que há valores, normas e deveres
a que não podemos renunciar, isto é, orienta as nossas ações;

 Imperativa, obriga-nos a agir de acordo com a hierarquia de valores que assumimos


como nossos;

 Judicativa, julga-nos de acordo com o que fazemos, tendo em conta os ideais/valores


que selecionamos para orientar a nossa vida;

 Punitiva, sanciona-nos levando-nos a viver de “consciência pesada”, ou seja, a natureza


dos actos praticados determina o aparecimento de sentimentos incomodativos de culpa,
arrependimento, vergonha, remorso, etc.

 Para Nietzsche, a consciência moral surge da interiorização dos instintos selvagens do


homem, impulsos agressivos que se voltam como violência contra o próprio homem em
prol da preservação da dinâmica social estabelecida de acordo com as regras internas
instituí- das por um grupo que pune aqueles que não as respeitam e se tornam assim uma
ameaça a coesão que sustenta a civilização.
 Todos os instintos que não se descarregam para fora voltam-se para dentro – isto é o que
chamo interiorização do homem; é assim que no homem cresce o que depois se denomina
sua “alma”. Todo o mundo interior, originalmente delgado, como que comprimido entre
duas membranas, foi se expandindo e se estendendo, adquiri- do profundidade, largura e
altura, na medida em que o homem foi inibido em sua descarga para fora. Aqueles
terríveis bastiões com que a organização do Estado se protegia dos velhos instintos de
liberdade – os castigos, sobretudo, estão entre es- se bastiões – fizeram com que todos
aqueles instintos do homem selvagem, livre e errante se voltassem para trás, contra o
próprio homem. (GM II, 16)
 Sendo assim, a consciência é formada sob a pressão desse “Estado” prime-vos que leva o
indivíduo a internalizar a violência que antes seria externalizada contra algum
semelhante, esse processo é consequência de uma “violenta separação do homem de seu
passado animal” (GM II, 16.).
 Essa Má Consciência que se dá por meio da interiorização dos impulsos agressivos é o
ponto central do processo de hominização e por ser um processo de autoagressão, o
indivíduo adoece e assim permanece. “Com ela [a má consciência], porém, foi
introduzida a maior e mais sinistra doença, da qual até hoje não se curou a humanidade, o
adoecimento do homem com o próprio homem” (GM II, 16.).

Em Freud, a consciência moral do homem surge, primeiro, a partir da culpa gerada pelo receio
que o individuo tem de ser punido por uma autoridade externa ao realizar algum ato tido como
proibido; em seguida, da internalização dessa culpa pelo Superego funcionando como um agente
moral da civilização interiorizado no homem e, por assim dizer, vigiando, não apenas as atitudes
tomadas, como também os pensamentos e desejos mais profundos. Ou seja, mesmo sem a
consumação do ato, o superego age, já que ainda existe o desejo de realizá-lo.

A consciência moral é essencial para a organização e o bom funcionamento da sociedade, pois


orienta os indivíduos sobre o que é certo e errado, promovendo a harmonia e a justiça. Ela
influencia a tomada de decisões, a responsabilidade individual e a busca por um comportamento
ético. A consciência moral contribui para a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa,
onde os valores morais são valorizados e a busca pela verdade e pela justiça é um objetivo
comum.

No segundo capítulo de Totem e Tabu (1912), a consciência moral (Gewissen) é definida como
“a percepção interna da rejeição de um determinado desejo a influir dentro de nós” (Freud 2005,
76). A que desejo condenável ela está relacionada? Por meio da investigação dos tabus, trata-se
do desejo de hostilizar e de matar12, assim como do desejo sexual. No caso de transgressão dos
tabus, a consciência moral pune o indivíduo por meio da consciência de culpa
(Schuldbewusstsein) que, como a primeira, corresponde a uma percepção [Wahrnehmung], mas,
dessa vez, “da condenação interna de um ato pelo qual realizamos um determinado desejo”
(Freud 2005, 76). Desse modo, a ideia de ação parece ser determinante para distinguir um tipo e
outro de consciência.

A consciência moral possui a função de acusar os pensamentos impróprios do indivíduo — o seu


alcance vai desde os pensamentos conscientes e inconscientes até os atos dele que também são
igualmente vigiados e punidos por essa instância — enquanto a Schuldbewusstsein pune a
atuação do desejo proibido por aquela. Se considerarmos a ideia de realidade psíquica, podemos
pensar que a realidade do ato em questão não necessita ser “externa” para causar os efeitos de
culpabilização no indivíduo.

Nas palavras de Freud, “quem quer que tenha uma consciência (moral) deve sentir dentro de si a
justificação pela condenação, sentir a autocensura pelo ato que foi realizado” (Freud 2005, 76).
Além desse caráter de certeza, Freud ainda aponta para uma determinada independência que a
consciência moral possui em relação a outras instâncias psíquicas, pois nenhuma outra está em
condições de julgá-la, ou seja, de realizar a correção de suas sentenças reprobatórias.

A consciência moral vem a se desenvolver a partir das relações, ou seja, ações práticas em que o
respeito muda de natureza. De acordo com Piaget (1994), existe um primeiro fator que intervém
na construção da consciência moral: é o papel do respeito mútuo.

Ética e moral são termos de correção usados no cotidiano, porém definem o que significam não é
tarefa fácil. Basta perguntar se existe alguma distinção entre esses vocabulários para
constatarmos que as pessoas se vê em dificuldade ao tentar explicar. Este ensaio tem como
objetivo apresentar os fundamentos teórico-filosóficos relacionados às imprecisões conceituais a
partir da análise da raiz primitiva dos termos. Para tanto, parte de uma breve revisão sobre as
origens etimológicas dos termos ethos e mos. São apresentados os diversos sentidos em que
esses vocabulários podem ser empregados e conceitos utilizados.
A consciência moral, ou a capacidade de distinguir o certo do errado, tem uma origem
multifacetada, que pode ser abordada tanto desde uma perspectiva religiosa quanto científica e
filosófica. De forma geral, a sua origem é vista como um processo evolutivo e social, onde a
influência genética e a experiência cultural desempenham papéis importantes.

A consciência moral pode ser dividida em vários tipos, dependendo da perspectiva e da forma
como é abordada. Alguns dos tipos de consciência moral mais comuns incluem a consciência
moral individual, social, religiosa e laica, cada um com suas características e fontes de
referência. Além disso, a consciência moral também pode ser vista em termos de sua função,
como a capacidade de deliberar, decidir e escolher entre alternativas antes de agir.

Tipos de Consciência Moral:


 Consciência Moral Individual: Baseada nos valores pessoais, crenças e experiências de
cada indivíduo.
 Consciência Moral Social: Orientada por normas e valores compartilhados pela
sociedade em que o indivíduo vive.
 Consciência Moral Religiosa: Fundamentada nos ensinamentos e princípios de uma
determinada religião.
 Consciência Moral Laica: Baseada em princípios universais de respeito, justiça e
convivência, independentemente de crenças religiosas.

Função da Consciência Moral:


 Deliberação: A capacidade de ponderar e avaliar diferentes opções antes de agir.
 Decisão: A capacidade de escolher qual ação tomar, com base na avaliação das alternativas.
 Responsabilidade Moral: A consciência moral nos leva a responsabilizar-nos pelas nossas
ações e suas consequências.

Outros Aspectos:
 A consciência moral também pode ser entendida como um sentimento, como remorso,
arrependimento ou culpa, que surge quando a ação de alguém contraria seus valores ou
princípios morais.
 Alguns autores, como Pinker, identificam diferentes tipos de consciência, incluindo
sentience (consciência subjetiva), consciência de acesso à informação e consciência de
auto-conhecimento.

Grau de consciência

O grau de consciência é um tema central para diversas disciplinas, incluindo a psicologia, a


filosofia, a neurociência e a psicanálise. Ele se refere à intensidade e à qualidade da percepção
que um indivíduo possui sobre si mesmo, seus pensamentos, emoções e o ambiente que o cerca.
Compreender os diferentes níveis ou graus de consciência é fundamental para desvendar a
complexidade da experiência humana e as formas pelas quais nos relacionamos com o mundo.

Desde os primórdios da psicologia, o conceito de consciência tem sido objeto de estudo e


reflexão. William James, frequentemente considerado o pai da psicologia moderna, propôs uma
visão dinâmica da consciência. Em sua obra clássica The Principles of Psychology (1890), James
afirmou que "a consciência não é uma coisa, mas uma contínua corrente de pensamentos." Essa
metáfora da “corrente” ou “fluxo” de consciência destaca que a mente humana está em constante
movimento, alternando entre diferentes focos de atenção e estados mentais. Para James, a
consciência não é um estado fixo, mas um processo que varia em intensidade, clareza e extensão,
o que já aponta para a ideia de graus variados de consciência.

Avançando para o campo da psicanálise, Sigmund Freud trouxe uma contribuição fundamental
ao estruturar a mente humana em diferentes níveis de consciência: o consciente, o pré-consciente
e o inconsciente. Freud comparou a mente a um iceberg, onde "a maior parte está submersa no
inconsciente." Essa imagem poderosa ilustra que o que percebemos e temos acesso consciente é
apenas uma pequena fração da totalidade dos processos mentais que ocorrem em nosso interior.
O inconsciente, embora invisível à consciência, exerce uma influência decisiva sobre nossos
pensamentos, desejos e comportamentos. Assim, o grau de consciência pode ser entendido como
a extensão do acesso que temos a esses conteúdos mentais, que podem variar desde pensamentos
claros até impulsos reprimidos e memórias inacessíveis.

Carl Gustav Jung, um dos discípulos de Freud que desenvolveu uma abordagem própria, ampliou
ainda mais essa perspectiva ao introduzir o conceito do inconsciente coletivo. Para Jung, "a
consciência é apenas a ponta do iceberg da psique." Ele argumentava que além do inconsciente
pessoal, que contém experiências reprimidas ou esquecidas do indivíduo, existe um inconsciente
coletivo, formado por arquétipos e símbolos universais compartilhados por toda a humanidade.
Essa dimensão profunda da psique sugere que o grau de consciência é limitado não só pela mente
individual, mas também pelas estruturas simbólicas e culturais que moldam nossa percepção do
mundo. A expansão da consciência, portanto, pode ser vista como um processo de integração
dessas camadas profundas da psique.

No campo da neurociência, Antonio Damasio trouxe uma perspectiva inovadora ao relacionar a


consciência a processos biológicos e neurológicos. Em seu livro O Erro de Descartes (1994),
Damasio afirma que "a consciência é um processo biológico que permite ao organismo sentir a si
mesmo." Segundo ele, a consciência emerge da capacidade do cérebro de criar representações do
corpo e do ambiente, uma espécie de mapa interno que permite ao organismo perceber sua
existência e agir de forma adaptativa. Para Damasio, o grau de consciência está diretamente
relacionado à complexidade dessas representações neurais e à integração entre diferentes
sistemas cerebrais. Isso implica que estados alterados de consciência, como o sono, o coma ou o
estado meditativo, refletem mudanças na atividade cerebral e na forma como essas
representações são processadas.

Além disso, Dennett, em sua obra Consciousness Explained (1991), propõe uma visão
funcionalista e narrativa da consciência. Segundo Dennett, "a consciência é o que acontece
quando o cérebro cria uma narrativa coerente sobre si mesmo." Essa narrativa interna é uma
construção contínua que integra percepções, memórias, pensamentos e emoções em uma
experiência unificada e coerente. O grau de consciência, nessa perspectiva, pode ser entendido
como a qualidade e a clareza dessa narrativa, que pode variar desde estados de atenção plena até
estados confusos ou fragmentados. Dennett enfatiza que a consciência não é um "teatro interno"
fixo, mas um processo emergente que depende da interação de múltiplos sistemas neurais.

A compreensão do grau de consciência também tem implicações práticas e clínicas importantes.


Em contextos médicos, por exemplo, avaliar o nível de consciência de um paciente é crucial para
diagnósticos e tratamentos, especialmente em casos de trauma cerebral, anestesia ou estados
vegetativos. Escalas como a Escala de Coma de Glasgow foram desenvolvidas para medir o grau
de consciência a partir de respostas motoras, verbais e oculares, refletindo a importância desse
conceito para a prática clínica.

Além disso, em contextos filosóficos e espirituais, o grau de consciência está relacionado à ideia
de autoconhecimento e expansão da mente. Tradições como o budismo e outras práticas
meditativas visam elevar o grau de consciência por meio da atenção plena e da contemplação,
buscando uma compreensão mais profunda da realidade e do eu.

Etica e Moral.

Inicialmente, convém traçar os parâmetros distintivos entre o que viria a ser a ética e a moral.
Como é de conhecimento geral, a apreciação terminológica e sua correta aplicação constitui um
dos pilares da filosofia, tratar de algum termo em bases filosóficas sem a acurada tecnicidade é
incorrer em erro grosseiro, e, algo que sem duvida, não alcançará o objetivo de dirimir os
problemas acerca da devida questão. Seguir, portanto, tal axioma é espreitar a verdade filosófica
em sua máxima consecução. Desta maneira, temos que há, sem dúvida, um ponto de
convergência acerca do objeto que trata tanto a ética quanto a moral. Tal ponto se refere ao
objeto em questão, ou eja, o ethos. Há de se considerar o ethos como o conjunto de
elementos normativos correspondentes aos costumes da sociedade (LIMA, 1999. p. 15). Ambos
versam em seus enunciados acerca de como se opera (ou deve se operar) o agir humano1A
diferença básica entre a ética e a moral não reside no objeto, e sim na forma como atuam. A
ética incide diretamente no comportamento externo do indivíduo, é a representação de
suas ações (práxis), como ele se relaciona de forma exemplificativa para com os outros. Em
adendo bastante interessante, convém ressaltar essa questão dos “outros” para a ética moderna.
A moral por sua vez se caracteriza por ser um sistema de regramento interno do próprio
indivíduo. Mesmo tendo reverberação externa ela se ocupa em definir as estruturas basilares do
pensamento e do comportamento do individuo em seu aspecto interior. Podendo ser definida
como o código de conduta que o ser define seu dever ser, no âmbito unitário do pensamento.
Este é o pensamento básico de Sánchez Vásquez, que tenta impor uma
dicotomização entre o dever moral e a consciência moral, algo que não encontra distinção na
filosofia kantiana, dada a universalidade de sua abordagem. Assim, no artigo em tela, terá a
análise do dever moral sua base filosófica kantiana enquanto que o capítulo destinado à
consciência moral terá uma forte influência da análise do filósofo mexicano de
origem espanhola sobre tal tema abordado.

Tanto no estudo da ética, quanto da moral por sua referência teórica há


aproximação da metafísica. Na definição inicial de Kant acerca do tema infere-se que a
metafísica em questão não é mais o sistema utópico de idéias aludido pelos filósofos antigos2, e
sim um estudo das leis que regulam a conduta humana sobre um ponto de vista meramente
racional. Embasando¬se prioritariamente da exatidão e precisão fornecida pela razão para tal fim
(KANT, 2003b: p 15).

Sem sombra de dúvidas, a moral em si tem como fundamento a liberdade do pensamento, algo
que transcrito em termos filosóficos é representado pela autonomia da razão no aspecto da
liberdade. A tal evocada liberdade tem ligação direta com a faculdade do desejo denominada
vontade.

Caso haja alguma ligação dessa faculdade com a consciência do individuo em agir, isso será
denominada sua escolha, caso não haja tal liame, será considerada como mera aspiração. Isso
tudo é deveras importante para a compreensão do fundamento determinante encontrado na razão
do sujeito nomeado como vontade. Esse é o real fundamento da razão prática3, não por
determinar a ação do sujeito em si, mas por se basilar na orientação das escolhas do sujeito.

A lei moral propriamente dita é o enquadramento de alguns dos pontos da ética e da moral
disposta pelo filósofo alemão. Dentre esses pontos convém comentar acerca de três deles: a
vontade, as máximas e os imperativos. A única vontade que basta para um comportamento moral
adequado é a boa vontade. Isso porque com o intuito da prática dos atos corretos, a boa vontade é
a medida absoluta e intrínseca que satisfaz plenamente ao agir ético humano.
Obviamente, outras nuanças podem facilitar esse processo de adequação moral, tais quais o
caráter, a firmeza, a coragem dentre outros. Como bem disposto na Fundamentação, a boa
vontade não é boa apenas para a realização do seu fim, não coaduna com a consecução
teleológica (KANT, 2003b: p.22). Tal vontade é uma boa vontade pelo querer, isto é, em si
mesma ela se basta. Ela é boa pela formalidade de servir em ser o correto agir.

Considerações finais

A consciência moral pode ser compreendida como a capacidade que o indivíduo possui de
distinguir entre o certo e o errado, guiando suas ações segundo princípios éticos internalizados.
Esse conceito vai além de uma simples noção de comportamento; envolve um processo
complexo de reflexão e julgamento que se manifesta em diferentes graus de consciência. Esses
graus indicam o nível de percepção e entendimento que a pessoa tem sobre as implicações
morais de seus atos, variando desde uma consciência moral rudimentar, baseada em regras
externas, até uma consciência mais desenvolvida, que incorpora valores éticos profundos e
autônomos.

A relação entre ética e moral é fundamental para o entendimento da consciência moral. Enquanto
a moral refere-se ao conjunto de normas, costumes e valores que regulam o comportamento em
uma sociedade específica, a ética é a reflexão crítica sobre esses valores e normas, buscando
fundamentar e justificar as escolhas morais. Portanto, a consciência moral está intrinsecamente
ligada à capacidade ética do indivíduo, ou seja, à sua habilidade de questionar, avaliar e agir
conforme princípios que promovam o bem comum e o respeito à dignidade humana.
Em suma, a consciência moral representa um aspecto essencial do desenvolvimento humano,
sendo um indicador do grau de maturidade ética de cada pessoa. O aprofundamento nessa
consciência permite não apenas o cumprimento das normas sociais, mas também a construção de
uma vida pautada na responsabilidade, na empatia e na justiça. Assim, educar para a consciência
moral é promover uma sociedade mais consciente, ética e solidária, onde os indivíduos são
capazes de agir com integridade e coerência diante dos desafios morais do cotidiano.

REFERÊNCIAS

KANT, Immanuel. A Metafísica dos Costumes. São Paulo: Edipro 2003.

LIMA, Henrique C. Vaz de. Escritos de Filosofia IV: Introdução à Ética Filosófica 1. 2. ed. São
Paulo: Edições Loyola, 1999.

LOCKE, John. Ensaio Sobre o Entendimento Humano. 2. ed. Lisboa: Fundação Calou-te
Gulbenkian, 2005. 2 v.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Filosofia. Rio de Janeiro: Cortez. 1994.

VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 36. ed. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira.

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