___________________________ Prof.
Márcio Plastina
Direito Civil
Domicilio
Prof. Márcio Plastina
Página 1 de 4
___________________________ Prof. Márcio Plastina
▪ DOMICÍLIO (CONCEITO)
Domicílio é a sede jurídica da pessoa. O instituto do domicílio é de grande importância
para o Direito. As pessoas fazem parte de diversas relações, de natureza civil, empresarial,
processual, administrativa, tributária, eleitoral etc.; e, em todas essas, precisam ser
encontradas para responder por suas obrigações. Esse ponto de referência é o domicílio,
que vem do latim domus, que quer dizer “casa” ou “morada”. O instituto está
regulamentado nos arts. 70 a 78 do CC.
▪ DOMICÍLIO DA PESSOA NATURAL
O domicílio da pessoa natural é local onde ela estabelece sua residência com ânimo
definitivo. Repare que o domicílio da pessoa natural tem dois elementos, o objetivo (ato
de fixação em determinado local) e o subjetivo (ânimo definitivo de permanência). Não
se deve confundir morada (local onde a pessoa natural se estabelece provisoriamente),
residência (que, pressupondo maior estabilidade, é o lugar onde a pessoa natural se
estabelece habitualmente) e domicílio, que requer residência com ânimo definitivo. O
domicílio básico, que é o local onde se estabelece a residência com ânimo definitivo, pode
ser modificado, desde que a pessoa natural transfira sua residência com a intenção
manifesta de o mudar.
A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares,
que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não forem feitas, da própria mudança,
com as circunstâncias que a acompanharem. Caso a pessoa natural tenha mais de uma
residência, considera-se domicílio qualquer uma delas.
Trata-se do caso, por exemplo, daquele que reside numa cidade durante a semana e, em
outra, nos finais de semana. Caso a pessoa natural não tenha residência habitual, é
domicílio o lugar onde for encontrada (domicílio aparente ou ocasional). Quanto às
relações profissionais, é também domicílio da pessoa natural o local onde estas são
exercidas. Se a pessoa exercer profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá
domicílio para as relações que lhe corresponderem.
Tem domicílio necessário, ou seja, domicílio que não pode ser fixado por sua própria
vontade, mas por vontade da lei, as seguintes pessoas: a) o incapaz, sendo seu domicílio
o de seu representante ou assistente; b) o servidor público, sendo seu domicílio o local
onde exerce permanentemente suas atribuições; c) o militar, sendo seu domicílio o local
onde servir, e, sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se
encontrar imediatamente subordinado; d) o marítimo, sendo seu domicílio o do local
onde o navio estiver matriculado; e) o preso, sendo seu domicílio o lugar em que cumprir
a sentença.
Página 2 de 4
___________________________ Prof. Márcio Plastina
Vale citar a Súmula 383 do Superior Tribunal de Justiça, pela qual “a competência para
processar e julgar as ações conexas de interesse do menor é, em princípio, do foro do
domicílio do detentor de sua guarda”. O agente diplomático do Brasil, que, citado no
estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, seu domicílio,
poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde
o teve.
• DOMICÍLIO DAS PESSOAS JURÍDICAS
O domicílio da pessoa jurídica é o local onde funcionarem as respectivas diretorias ou
administrações, ou aquele eleito no estatuto. Caso tenha mais de um estabelecimento em
lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados.
Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da
pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o
lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.
Quanto às pessoas jurídicas de direito público, o domicílio é, da União, o Distrito Federal,
dos Estados e Territórios, as respectivas capitais, e do Município, o lugar onde funcione a
administração municipal.
• DOMICÍLIO NOS CONTRATOS
Admite-se nos contratos escritos que os contratantes especifiquem o domicílio onde se
exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. É possível, portanto,
estabelecer o foro de eleição para a hipótese de se ingressar com ação judicial.
Em matéria de relação de consumo, caso o foro de eleição tenha sido fixado de modo a
dificultar a defesa do aderente em juízo, pode o juiz declinar de ofício de sua competência,
reconhecendo a ineficácia da cláusula de eleição de foro (art. 63, § 3º, do NCPC).
Página 3 de 4
___________________________ Prof. Márcio Plastina
Página 4 de 4