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Apg 22 - Absorção e Microbiota

O documento aborda a absorção de água e eletrólitos no intestino, destacando que cerca de 9L de água entram diariamente, com a maioria sendo absorvida no intestino delgado. Também discute o papel da microbiota intestinal e os efeitos de prebióticos, probióticos e pós-bióticos. Além disso, detalha os mecanismos de absorção de sódio, cloro, bicarbonato, potássio, cálcio e ferro, enfatizando a importância do equilíbrio osmótico e a regulação hormonal na absorção de nutrientes.

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Apg 22 - Absorção e Microbiota

O documento aborda a absorção de água e eletrólitos no intestino, destacando que cerca de 9L de água entram diariamente, com a maioria sendo absorvida no intestino delgado. Também discute o papel da microbiota intestinal e os efeitos de prebióticos, probióticos e pós-bióticos. Além disso, detalha os mecanismos de absorção de sódio, cloro, bicarbonato, potássio, cálcio e ferro, enfatizando a importância do equilíbrio osmótico e a regulação hormonal na absorção de nutrientes.

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APG 22 - INTESTINO GROSSO E MICROBIOTA

OBJETIVO:
Cerca de 9L de água entram no trato digestório a
1.​ Explique a absorção de água e eletrólitos no cada dia como uma combinação dos fluidos
intestino- cloreto, bicarbonato, potássio, cálcio e ingeridos e secretados (2L ingeridos e 7L de
ferro; secreções gástricas).
2.​ Compreender o papel da microbiota intestinal -
mecanismo de defesa (GALT); Dos 9L, cerca de 92% são absorvidos no intestino
3.​ Demonstrar o efeito do uso de pré, pró e pós delgado, e outros 6 a 7% são absorvidos no
bióticos na microbiota.​
intestino grosso. No final, aproximadamente 100mL
de água é eliminada juntamente às fezes. (Seeley)
ABSORÇÃO DE ÁGUA E ELETRÓLITOS NO INTESTINO
- CLORETO, BICARBONATO, POTÁSSIO, CÁLCIO E Toda a absorção de água no canal alimentar
FERRO ocorre por osmose a partir do lúmen dos
intestinos, por meio das células absortivas, e pelos
ABSORÇÃO DE ÁGUA E ELETRÓLITOS capilares sanguíneos.

(Tratado de Fisiologia Médica - Guyton - 14ª ed) Como a água pode atravessar a túnica mucosa
intestinal em ambos os sentidos, a absorção de
(Anatomia e Fisiologia de Seeley - 10ª ed)
água a partir do intestino delgado depende da

(Princípios de Anatomia e Fisiologia - Tortora) absorção de eletrólitos e nutrientes para manter


um equilíbrio osmótico com o sangue. (Tortora)
ÁGUA E ABSORÇÃO ISOSMÓTICA DE ÁGUA
Como o gradiente osmótico é produzido conforme
A água é transportada através da membrana os nutrientes são absorvidos no intestino delgado,
intestinal inteiramente por difusão. Além disso, quase toda a água que entra no intestino delgado,
essa difusão obedece às leis usuais de osmose. seja pela boca ou pelas secreções gástricas e
Portanto, quando o quimo está suficientemente intestinais, é reabsorvida.(Seeley)
diluído, a água é absorvida através da mucosa
intestinal para o sangue das vilosidades quase ABSORÇÃO DE ÍONS

inteiramente por osmose, mior parte no intestino


O sódio é transportado ativamente pela
delgado;
membrana intestinal. Vinte a trinta gramas de

Por outro lado, a água também pode ser sódio são secretados nas secreções intestinais

transportada na direção oposta – do plasma todos os dias. Além disso, uma pessoa ingere em

para o quimo. Esse tipo de transporte ocorre média 5 a 8 gramas de sódio por dia. Portanto,

especialmente quando as soluções para evitar a perda líquida de sódio nas fezes, os

hiperosmóticas (muito salgado ou doce) são intestinos devem absorver 25 a 35 gramas de

descarregadas do estômago para o duodeno. Em sódio por dia, o que é igual a cerca de um sétimo

minutos, uma quantidade suficiente de água será de todo o sódio presente no corpo.

transferida por osmose para tornar o quimo


O organismo secreta bastante sódio na região na
isosmótico com o plasma.
saliva, bile, secreções pancreáticas, entre outras.
Sempre que quantidades significativas de passivamente pelas cargas elétricas positivas dos
secreções intestinais são perdidas para o exterior, íons sódio.
como na diarreia extrema, as reservas de sódio
O transporte ativo de sódio através das
do corpo podem às vezes ser reduzidas a níveis
membranas basolaterais da célula reduz a
letais em poucas horas.
concentração de sódio dentro da célula a um
Normalmente, no entanto, menos de 0,5% do sódio valor baixo (cerca de 50 mEq/ℓ). Como a
intestinal é perdido nas fezes todos os dias, porque concentração de sódio no quimo é normalmente
é rapidamente absorvido pela mucosa intestinal. de cerca de 142 mEq/ℓ (ou seja, quase igual à do
O sódio também desempenha um papel plasma), o sódio desce esse gradiente
importante em ajudar a absorver açúcares e eletroquímico acentuado do quimo pela borda em
aminoácidos escova da célula epitelial para o citoplasma da
célula epitelial.
O mecanismo básico de absorção de sódio pelo
intestino é mostrado O sódio também é cotransportado através da
membrana da borda em escova por várias
proteínas carreadoras específicas, incluindo as
seguintes:

(1) o cotransportador 1 de glicose de sódio (SGLT1);


(2) cotransportadores de aminoácidos de sódio; e
(3) o trocador de Na+/H+.

Esses transportadores funcionam de maneira


semelhante aos túbulos renais, e fornecem ainda
mais íons sódio a serem transportados pelas
células epiteliais para o líquido intersticial e para
os espaços paracelulares. Ao mesmo tempo, eles
também fornecem uma absorção ativa
secundária de glicose e aminoácidos,
alimentados pela bomba ativa de sódio-potássio
Na+/K+ ATPase na membrana basolateral.

ELETRÓLITOS
A absorção de sódio é alimentada pelo transporte
ativo de sódio de dentro das células epiteliais 1.​ CLORO
através das paredes basal e lateral dessas células
para os espaços paracelulares. Esse transporte Na parte superior do intestino delgado, a
ativo obedece às leis usuais do transporte ativo. absorção do íon cloro é rápida e ocorre
Requer energia, e o processo energético é principalmente por difusão (ou seja, a absorção
catalisado pelas enzimas adenosina trifosfatase de sódio através do epitélio cria
(ATPase) apropriadas na membrana celular. eletronegatividade no quimo e eletropositividade
nos espaços paracelulares entre as células
Parte do sódio é absorvida junto com os íons cloro; epiteliais).
na verdade, os íons cloro carregados
negativamente são principalmente arrastados
Os íons cloro então se movem ao longo desse A proteína CFTR, que transporta cloro na
gradiente elétrico para seguir os íons sódio, membrana basolateral e apical, está mutada na
especialmente no jejum, via transportadores na fibrose cística.
membrana apical das células intestinais.
Isso impede a secreção normal de Cl⁻ e água,
O cloro também é absorvido através da causando muco espesso e obstrução de ductos
membrana da borda em escova de partes do íleo (inclusive intestinais e pancreáticos).
e do intestino grosso por um trocador de
Alguns pacientes com fibrose cística têm
cloro-bicarbonato (contratransporte Cl−/HCO3−)
síndrome de obstrução intestinal meconial ao
de membrana da borda em escova.
nascer, causada por secreções espessas no íleo.
O cloro sai da célula pela membrana basolateral
2. BICARBONATO
pelos canais específicos de cloro. (Guyton)

Frequentemente, grandes quantidades de íons


bicarbonato (HCO3−) devem ser reabsorvidas do
intestino delgado superior, pois grandes
quantidades foram produzidas no duodeno
(secreção) tanto na secreção pancreática quanto
na bile.

O HCO3− é absorvido de forma indireta da


seguinte maneira: quando os íons sódio são
absorvidos, quantidades moderadas de H+ são
secretadas no lúmen do intestino em troca de
parte do sódio.

Esses H+, por sua vez, combinam-se com o HCO3−


para formar ácido carbônico (H2CO3), que então
se dissocia para formar água e dióxido de
carbono (CO2).

A água permanece como parte do quimo nos


intestinos, mas o CO2 é prontamente absorvido
absorção paracelular, que acontece quando o pelo sangue e, subsequentemente, expira pelos
cloro passa entre as células, acompanhando o pulmões.
gradiente elétrico criado pela absorção ativa de
Esse processo é chamado de absorção ativa de
sódio. Depois de entrar, o cloro sai da célula pela
HCO3−. É o mesmo mecanismo que ocorre nos
membrana basolateral através de canais
túbulos dos rins. (Guyton)
específicos, como os canais CFTR.”

a perda de bicarbonato nas fezes pode levar a


última no cólon e íleo
acidose metabólica.
Curiosidade clínica: Fibrose Cística
Já em vômitos persistentes, há perda de H⁺
gástrico, gerando alcalose metabólica.
Secreção de bicarbonato e absorção de íons cloro O potássio pode ser absorvido ou secretado,
no íleo e no intestino grosso. As células epiteliais dependendo do estado fisiológico do corpo.
nas superfícies das vilosidades do íleo, bem como
Em dietas com baixo teor de potássio, pode haver
em todas as superfícies do intestino grosso, têm
absorção ativa via H⁺/K⁺-ATPase na membrana
uma capacidade especial de secretar HCO3− em
apical dos colonócitos.
troca da absorção de íons cloro. Essa capacidade
é importante porque fornece HCO3− alcalino que
Por outro lado, o cólon também é um local de
neutraliza produtos ácidos formados por bactérias
secreção de potássio, especialmente sob a ação
no intestino grosso.
da aldosterona, que estimula a secreção via
canais de K⁺ apicais.

Diarreias crônicas aumentam a secreção e perda


de potássio pelas fezes, podendo causar
hipocalemia.

3. POTÁSSIO

Potássio, magnésio, fosfato e provavelmente


ainda outros íons também podem ser ativamente
absorvidos pela mucosa intestinal.

Em geral, os íons monovalentes são absorvidos


com facilidade e em grandes quantidades.
(Guyton)

No intestino delgado:
4.CÁLCIO
A absorção de potássio ocorre principalmente por
via passiva, através do espaço paracelular. Os íons cálcio são ativamente absorvidos pelo
sangue, especialmente a partir do duodeno, e a
Isso acontece por difusão passiva impulsionada
quantidade de absorção de íons cálcio é
pela reabsorção de água — à medida que a água
controlada exatamente para suprir a necessidade
é absorvida, o potássio é arrastado junto (solvente
diária de cálcio do corpo.
drag).
Um fator importante que controla a absorção de
O processo é mais intenso no jejum e íleo.
cálcio é o hormônio da paratireoide (PTH),
secretado pelas glândulas paratireoides, e outro é
Não há transporte ativo significativo de potássio
a vitamina D. O hormônio da paratireoide a ativa,
no intestino delgado.
e a vitamina D ativada, por sua vez, aumenta
No intestino grosso (cólon): muito a absorção de cálcio.
As taxas usuais de ingestão são aprox. A absorção do ferro pelo intestino é
1.000mg/dia de cálcio e fósforo, o que extremamente lenta, a uma taxa máxima de
corresponde às quantidades presentes em 1ℓ de apenas alguns miligramas por dia. Essa lenta
leite. taxa de absorção significa que, mesmo quando
grandes quantidades de ferro estão presentes nos
Normalmente, os cátions divalentes, como os íons
alimentos, apenas pequenas proporções podem
cálcio, são mal absorvidos pelos intestinos. Logo,
ser absorvidas.
um fator importante é o hormônio da paratireóide
(paratormônio - PTH), o qual ativa a vitamina D, a Quando o corpo fica saturado com ferro, de forma
qual promove a absorção de cálcio pelos que praticamente toda a apoferritina já esteja
intestinos, e cerca de 35% (350 mg/dia) do cálcio combinada com o ferro, a taxa de absorção de
ingerido costumam ser absorvidos; o cálcio ferro adicional pelo trato intestinal diminui
remanescente no intestino é excretado nas fezes. acentuadamente.

250 mg/dia de cálcio chega ao intestino por meio Por outro lado, quando os estoques de ferro se
dos sucos gastrointestinais secretados e pelas esgotam, a taxa de absorção pode provavelmente
células descamadas da mucosa. acelerar cinco ou mais vezes do normal. Assim, o
ferro corporal total é regulado principalmente pela
Assim, cerca de 90% (900 mg/dia) da ingestão
alteração da taxa de absorção.
diária de cálcio são excretados nas fezes.

5. FERRO
Potássio, magnésio, fosfato e provavelmente
O ferro é absorvido em todas as partes do
ainda outros íons também podem ser ativamente
intestino delgado.
absorvidos pela mucosa intestinal. Em geral, os
íons monovalentes são absorvidos com facilidade
Os princípios de absorção de ferro e de regulação
e em grandes quantidades. Os íons bivalentes são
da sua absorção em proporção à necessidade de
normalmente absorvidos apenas em pequenas
ferro do corpo, em particular para a formação de
quantidades; por exemplo, a absorção máxima de
hemoglobina.
íons cálcio é de apenas 1/50 da absorção normal
O fígado secreta quantidades moderadas de de íons sódio. Felizmente, apenas pequenas
apotransferrina na bile, que flui para o duodeno. quantidades de íons bivalentes são necessárias
Aqui, a apotransferrina se liga ao ferro livre e diariamente pelo corpo.
também a certos compostos férricos, como a
A maior parte da absorção no intestino grosso
hemoglobina e a mioglobina da carne. Essa
ocorre na metade proximal do cólon, dando a
combinação é chamada de transferrina.
essa porção o nome de cólon absorvente,
Ela, por sua vez, é atraída e se liga a receptores enquanto o cólon distal funciona principalmente
nas membranas das células epiteliais intestinais. para armazenamento de fezes até um momento
propício para a excreção de fezes e, portanto, é
Então, por pinocitose, a molécula de transferrina é chamado de cólon armazenador.
absorvida pelas células epiteliais e posteriormente
liberada nos capilares sanguíneos situados abaixo Absorção e secreção de eletrólitos e água. A
dessas células, na forma de transferrina mucosa do intestino grosso, assim como a do
plasmática. intestino delgado, tem alta capacidade de
absorção ativa de sódio, e o gradiente de
potencial elétrico criado pela absorção de sódio O trato gastrointestinal humano é dividido em
também causa a absorção do cloro. As junções diferentes compartimentos, permitindo a digestão
estreitas entre as células epiteliais do epitélio do e a absorção de nutrientes na região proximal,
intestino grosso são muito mais estreitas do que que é separada de uma grande população
as do intestino delgado. Essa característica evita microbiana presente no intestino grosso.
quantidades significativas de retrodifusão de íons
Ao nascimento, o intestino é estéril, porém
por essas junções, permitindo que a mucosa do
diferentes microrganismos são introduzidos com
intestino grosso absorva os íons sódio muito mais
os alimentos. À medida que os hábitos
completamente – isto é, contra um gradiente de
alimentares evoluem para o padrão do adulto, a
concentração muito maior – do que pode ocorrer
microbiota intestinal modifica-se.
no intestino delgado. Isso é particularmente
verdadeiro quando grandes quantidades de
A microbiota humana refere-se ao conjunto de
aldosterona estão disponíveis, porque ela
microrganismos — principalmente bactérias, mas
aumenta muito a capacidade de transporte de
também vírus, fungos e arqueias — que habitam
sódio.
diversas regiões do corpo, como pele, boca, trato
respiratório, geniturinário e, sobretudo, o trato
Além disso, como ocorre na porção distal do
gastrointestinal. Esses microrganismos vivem em
intestino delgado, a mucosa do intestino grosso
simbiose com o hospedeiro e exercem funções
secreta HCO3− enquanto absorve
essenciais para a manutenção da homeostase e
simultaneamente um número igual de íons cloro,
da saúde geral.
em um processo de transporte de troca (já
descrito). O HCO3− ajuda a neutralizar os produtos
Em termos funcionais, a microbiota é considerada
finais ácidos da ação bacteriana no intestino
por muitos autores como um "órgão metabólico"
grosso.
devido à sua vasta influência sobre processos
fisiológicos, como digestão, imunidade e
A absorção de íons sódio e cloro cria um
metabolismo energético (Guyton & Hall, Tratado
gradiente osmótico ao longo da mucosa do
de Fisiologia Médica).
intestino grosso, que causa a absorção de água.

Entre todas as regiões do corpo, o intestino,


Capacidade máxima de absorção no intestino
especialmente o cólon, abriga a maior e mais
grosso. O intestino grosso pode absorver no
diversa população microbiana. A composição
máximo 5 a 8 litros de líquido e eletrólitos por dia.
dessa microbiota é altamente complexa e
Quando a quantidade total que entra no intestino
variável entre os indivíduos, mas segue padrões
grosso pela válvula ileocecal ou pela secreção do
funcionais comuns.
intestino grosso ultrapassa essa quantidade, o
excesso aparece nas fezes como diarreia.
Estima-se que, por amostra fecal, um adulto
Conforme observado anteriormente, as toxinas do
saudável apresente cerca de 160 espécies
cólera ou de certas outras infecções bacterianas
bacterianas distintas, totalizando dezenas de
costumam fazer com que as criptas no íleo
trilhões de microrganismos — superando em
terminal e no intestino grosso secretem 10 ou mais
número as células humanas em até 10 vezes
litros de líquido por dia, causando diarreia grave e,
(Tortora, Princípios de Anatomia e Fisiologia).
às vezes, letal.
A composição da microbiota é influenciada por
O PAPEL DA MICROBIOTA INTESTINAL- MECANISMO
fatores como genética, dieta, estilo de vida e uso
DE DEFESA (GALT)
de medicamentos, incluindo antibióticos. A
compreensão desses fatores é essencial para A atividade de algumas bactérias intestinais sobre
manter uma microbiota saudável. Estudos uma categoria de nutrientes permite um melhor
mostram que desequilíbrios na microbiota estão desempenho intestinal. Esse processo acontece
associados a doenças como obesidade, diabetes normalmente com substratos que não foram
e doença inflamatória intestinal. digeridos e chegam ao lúmen do cólon,
especialmente os carboidratos, que são
As importantes funções da microbiota intestinal
fermentados e formam ácidos absorvidos pela
podem ser divididas em três categorias principais.
mucosa. Esse mecanismo é denominado
salvamento energético e forma os ácidos graxos
A primeira desta são as funções de proteção, nas
de cadeia curta (AGCC) tais como o buritato e
quais as bactérias residentes deslocam e inibem
propionato, que são a principal fonte nutritiva dos
indiretamente patógenos potenciais pela
colonócitos e apresentam efeito trófico no epitélio
competição por nutrientes e receptores, ou
do intestino (PAIXÃO; CASTRO, 2016).
diretamente por meio da produção de fatores
antimicrobianos, como bacteriocinas e ácido
↠ A microbiota do TGI sintetiza vitamina K e
láctico.
vitamina do complexo B que são úteis e
importantes para o metabolismo do indivíduo.
Em segundo lugar, organismos comensais são
Essas vitaminas são produzidas pelas bactérias
importantes para o desenvolvimento e a função
Propionibacterium, Fusobacterium, Bifi
do sistema imunológico das mucosas. Eles
dobacterium, Lactobacilos, Clostridium,
induzem a secreção de IgA, influenciam o
Enterobacterium, Veillonella, Enterococcus e
desenvolvimento do sistema imunológico humoral
Estreptococcus e são sintetizadas no cólon
intestinal e modulam a resposta T celular e os
intestinal (PAIXÃO; CASTRO,
perfis de citocinas.

função imunomoduladora
A terceira categoria consiste em uma grande
variedade de funções metabólicas.
↠ No período neonatal, a instalação da microbiota
está associada com o tecido linfoide intestinal. O
- A microbiota do intestino delgado pode
estabelecimento desse sistema imunológico local
contribuir para as necessidades de aminoácidos
com ação conjunta ao estímulo da microbiota
apresentadas pelo hospedeiro, caso isso não seja
ativa o sistema imune. O tecido linfoide reconhece
fornecido pela alimentação.
as espécies e antígenos que são benéficas ao
- As bactérias intestinais produzem ácidos graxos hospedeiro, procedendo, assim, uma resposta de
de cadeia curta que controlam a diferenciação tolerância imunológica.
das células epiteliais intestinais.
Cerca de 80% de todas as células imunológicas
- Elas sintetizam vitamina K, biotina e folato e ativas do corpo humano estão localizadas no TGI
melhoram a absorção de íons. (PAIXÃO; CASTRO, 2016).

- Certas bactérias metabolizam substâncias ↠ As células epiteliais da mucosa intestinal são as


carcinogênicas da dieta e auxiliam na grandes responsáveis pelo reconhecimento inicial
fermentação de resíduos não digestíveis da dieta. do sistema imunológico, o contato direto com a
(Jawetz) luz intestinal é primordial para que ocorra esse
processo. A ativação dos mecanismos de defesa é
nutrição dependente da rápida detecção de risco por meio
dos receptores inatos que identifica componentes
estruturais com características de fungos,
INTESTINO GROSSO
leveduras e bactérias (PAIXÃO; CASTRO, 2016).

O colo corresponde ao restante do intestino


↠ A microbiota natural do TGI realiza o papel de
grosso. No colo, há uma enorme quantidade de
barreira fisiológica, que é composta pelo epitélio
procariotos. O colo é essencialmente um frasco de
da mucosa do intestino. As partes integrantes da
fermentação in vivo; com a presença de muitas
barreira correspondem ao epitélio mucoso, o
bactérias, as quais utilizam os nutrientes
sistema imune local, Placa Peyer, lâmina própria,
derivados da digestão dos alimentos.
barreira linfoepitelial e a circulação hemato-
linfática (PAIXÃO; CASTRO, 2016).
Organismos aeróbios facultativos, como
Escherichia coli, estão presentes, embora em
↠ O tecido linfoide ligado ao intestino (GALT) é
menor número do que outras bactérias; a
dividido em duas estruturas funcionais, a Placa de
contagem total de aeróbios facultativos é inferior
Peyer (PP), local de contato luminal do antígeno
a 107/grama de conteúdo intestinal.
com o sistema imune e por linfócitos
intraepiteliais/lâmina própria que estão
Os aeróbios facultativos consomem qualquer
distribuídos aleatoriamente. A PP é revestida por
oxigênio remanescente, tornando o intestino
células M responsáveis pela captura e transporte
grosso estritamente anóxico. Essa condição
do lúmen e por células T que acionam os linfócitos
promove o crescimento de anaeróbios
B imaturo IgM a trocar o isótopo por IgA (PAIXÃO;
obrigatórios, incluindo espécies de Clostridium e
CASTRO, 2016).
Bacteroides.

↠ Após reconhecimento e ativação do mecanismo


O número total de anaeróbios obrigatórios
de defesa, a imunoglobulina IgA secrotora
presentes no colo é enorme. Contagens
neutraliza as bactérias impedindo que se aderem
bacterianas de 1010 a 1011 células/grama no
à parede da mucosa intestinal, segue então a
intestino distal e conteúdo fecal são normais,
ação dos macrófagos e neutrófilos que as
sendo Bacteroidetes e espécies gram-positivas
fagocitam. Os anticorpos são coadjuvantes na
correspondentes a mais de 99% de todas as
destruição das bactérias e em determinados
bactérias.
momentos ligam-se a toxinas por elas produzidas,
para neutralizar os efeitos desses produtos O metanogênico Methanobrevibacter smithii pode
também estar presente em números significativos.
INTESTINO DELGADO
Protistas não são encontrados no trato
gastrointestinal de indivíduos sadios, porém estes
O intestino delgado possui dois ambientes
podem causar infecções gastrintestinais se
distintos, o duodeno e o íleo, que são conectados
ingeridos em alimentos ou água contaminados.
pelo jejuno.
(Brock)
O duodeno, adjacente ao estômago, é bastante
PRODUTOS DA MICROBIOTA INTESTINAL
ácido, e sua microbiota normal assemelha-se
àquela encontrada no estômago.
Os microrganismos intestinais realizam ampla
variedade de reações metabólicas, as quais
Do duodeno ao íleo, o pH torna-se
produzem vários compostos essenciais.
gradativamente menos ácido, havendo um
aumento no número de bactérias. (Brock)
A composição da microbiota intestinal e a dieta bactérias no lúmen corresponde a uma ou duas
influenciam o tipo e a quantidade de compostos duplicações por dia. O número de bactérias
produzidos. Entre esses produtos estão as liberadas diariamente nas fezes humanas é da
vitaminas B12 e K. ordem de 1013. (Brock)

Essas vitaminas essenciais não são sintetizadas GALT - Tecido Linfóide Associado ao Intestino
pelo homem (e a vitamina B12 não se encontra
A resposta imune adaptativa no intestino é
presente nas plantas), sendo produzidas pela
iniciada em estruturas organizadas chamadas
microbiota intestinal e absorvidas a partir do
GALT (tecido linfóide associado ao intestino), que
colo.
fazem parte do MALT (tecido linfóide associado à
Adicionalmente, os esteróides, produzidos no mucosa).
fígado e liberados no intestino pela vesícula biliar
O tecido linfoide do trato gastrointestinal
na forma de ácidos biliares, são modificados no
compreende os seguintes elementos:
intestino pela microbiota; os compostos
esteróides modificados bioativos são então
•Tonsilas ou amígdalas
absorvidos no intestino.
•Adenoides ou tonsilas faríngeas
Outros produtos gerados pela ação de bactérias
fermentativas e organismos metanogênicos •Placas de Peyer
incluem gases e diversas substâncias produtoras
de odor. •Agregados linfóides do apêndice vermiforme e
intestino grosso
Os adultos normais expelem centenas de mililitros
de gás (flatos) diariamente a partir do intestino, •Tecido linfático acumulado com a idade no

dos quais cerca da metade é resultante do estômago

nitrogênio (N2) deglutido a partir do ar.


•Pequenos agregados linfoides do esófago

Alguns dos alimentos metabolizados por bactérias


•Células linfoides distribuídas difusamente e
fermentativas intestinais resultam na produção de
células plasmáticas da lâmina própria do
hidrogênio (H2) e dióxido de carbono (CO2).
intestino.

Os metanogênicos, encontrados no intestino de


As principais estruturas do GALT são as placas de
muitos, mas não de todos os adultos saudáveis,
Peyer, localizadas no íleo, e outros folículos
convertem o H2 e o CO2 em metano (CH4).
linfóides na lâmina própria do intestino.

As bactérias correspondem a cerca de um terço


De fato, o intestino possui a maior massa de
do peso da matéria fecal. Organismos que
tecido linfático do corpo humano.
habitam o lúmen do intestino grosso são
continuamente removidos pelo fluxo do material, e Esses locais contêm linfócitos B e T, células
essas bactérias eliminadas são continuamente dendríticas e macrófagos, organizados em
substituídas a partir de novo crescimento. centros germinativos e áreas parafoliculares.

O tempo necessário para a passagem do material As células M, localizadas no epitélio


ao longo de todo o trato gastrintestinal do homem folículo-associado, desempenham um papel
é de cerca de 24h, e a taxa de crescimento das crucial na captação de antígenos do lúmen
intestinal e seu transporte para células Em pacientes com deficiência de IgA, há maior
apresentadoras de antígeno (APCs) nas placas de vulnerabilidade a infecções gastrintestinais e
Peyer. respiratórias.

Diferentes das células epiteliais absortivas, as A IgA é produzida em maior quantidade do que
células M possuem características como qualquer outro anticorpo, com um adulto médio
microvilos curtos e menos células secretoras de secretando cerca de 2 g diariamente.
muco, facilitando a captação de antígenos.
Essa produção elevada ocorre porque 80% dos
As células M transportam antígenos e patógenos plasmócitos produtores de anticorpos no corpo
inteiros para APCs subjacentes sem processá-los, estão concentrados no GALT.
promovendo a apresentação de antígenos e a
A troca de classe para IgA nas células B no
ativação de linfócitos.
intestino pode ser dependente ou independente
de células T, sendo o TGF-β uma citocina chave
para ambos os processos.

Na troca T-dependente, a AID (enzima


deaminase) é ativada pelas interações entre
CD40 e seu ligante nas células T auxiliares
foliculares (Tfh).

Na troca T-independente, citocinas como APRIL e


BAFF, produzidas por DCs e células epiteliais
intestinais, promovem a produção de IgA.

A vitamina A (na forma de ácido retinoico)


também é crucial para o desenvolvimento da IgA
Contudo, patógenos como a Salmonella no intestino e para o direcionamento de células B
typhimurium podem explorar as células M para para a lâmina própria.
atravessar a barreira epitelial e invadir o
Esse ambiente rico em TGF-β e ácido retinoico
organismo, usando moléculas de superfície para
favorece a troca de classe para IgA, diferenciando
se ligar e penetrar nas células M.
o intestino de outros tecidos linfáticos.

IMUNIDADE CELULAR
IMUNIDADE HUMORAL
As células T no trato gastrointestinal têm papéis
A imunidade humoral no trato gastrointestinal é essenciais na proteção contra patógenos e na
essencial para neutralizar microrganismos no regulação das respostas aos antígenos
lúmen, principalmente por meio da IgA secretada comensais e alimentares.
pelos plasmócitos do GALT.
Essas células estão localizadas na camada
A IgA se liga a patógenos e toxinas no lúmen, epitelial, na lâmina própria, nas placas de Peyer e
impedindo sua adesão às células hospedeiras. outras estruturas do GALT.
Essa imunidade é chamada de imunidade
secretora e é fundamental para a proteção local.
As células T intraepiteliais são majoritariamente As células T reguladoras (Tregs) são uma
CD8+. Já as células T da lâmina própria são subpopulação de células T CD4+ especializadas
predominantemente CD4+. em suprimir respostas imunes excessivas,
especialmente no trato gastrointestinal.
Células dendríticas (DCs) e macrófagos são
cruciais para a captura e apresentação de Elas ajudam a prevenir reações inflamatórias
antígenos, influenciando a diferenciação das contra microrganismos comensais e antígenos
células T naive em subpopulações efetoras ou alimentares, evitando doenças inflamatórias
reguladoras. intestinais.

As DCs da lâmina própria captam antígenos Assim, a imunidade das células T no trato
luminais e os transportam para os linfonodos gastrointestinal é modulada pelas DCs e
mesentéricos, onde promovem a diferenciação macrófagos e influenciada pela microbiota,
em células Th1, Th2, Th17 ou Tregs. contribuindo tanto para a proteção contra
infecções quanto para a regulação da
Algumas DCs especializadas no íleo terminal
homeostase intestinal.
projetam dendritos através do epitélio para
coletar antígenos sem comprometer a barreira OS EFEITOS DO USO DE PRÉ, PÓS E PROBIÓTICOS NA
epitelial. MICROBIOTA (3)

No intestino, as subpopulações de células T CD4+ A microbiota intestinal humana exerce um papel


efetoras, como Th1, Th2 e Th17, são influenciadas importante tanto na saúde quanto na doença e a
pela microbiota comensal e desempenham suplementação da dieta com probióticos e
funções distintas: prebióticos pode assegurar o equilíbrio dessa
microbiota.
1. Células Th17: predominam no intestino delgado
e são induzidas por bactérias específicas, como Prebióticos, probióticos e posbiótico
bactérias filamentosas segmentadas. Essas
↠ Considerados como alimentos funcionais, os
células produzem IL-17 e IL-22, que ajudam a
probióticos e prebióticos são atualmente bem
manter a função da barreira epitelial, promovendo
reconhecidos no mundo todo como sendo uns dos
a produção de mucinas e defensinas, essenciais
principais promotores da vitalidade da microbiota
para a proteção contra patógenos.
intestinal (SILVA; MARTINS, 2015).
2. Células Th2: são ativadas principalmente em
PREBIÓTICOS
infecções por helmintos, promovendo respostas
que facilitam a eliminação dos parasitas. As
↠ O termo prebiótico remonta de 1950 com a
citocinas IL-4 e IL-13 aumentam a secreção de
descoberta de fatores promotores de crescimento
muco e a motilidade intestinal, ajudando a
das bifidobactérias no leite humano.
expulsar os helmintos.
Posteriormente, em 1995, gleen Gibson e marcel
Roberfroid (Prebióticos: por que as definições são
3. Células Th1: presentes em menor número na
importantes) propuseram o conceito de
lâmina própria em condições normais, mas
prebióticos como: ingredientes alimentares não
aumentam em casos de doenças inflamatórias
digeríveis que estimulam seletivamente o
intestinais, contribuindo para a patogênese
crescimento e atividade de um número limitado
dessas doenças.
de bactérias no cólon, promovendo, assim, efeitos
benéficos à saúde do hospedeiro (MARQUES et. al., ↠ Para que um ingrediente (ou grupo de
2020). substâncias) possa ser definido como tal, deve
cumprir os seguintes requisitos: (RAIZEL et. al., 2011).
↠ Em 2010, esse conceito foi ligeiramente
modificado para “ingredientes seletivamente ➢ ser de origem vegetal;
fermentados que causam mudanças específicas
➢ formar parte de um conjunto heterogêneo de
na composição e/ou atividade da microbiota
moléculas complexas;
gastrointestinal, conferindo benefícios à saúde
do hospedeiro” (MARQUES et. al., 2020).
➢ não ser digerida por enzimas digestivas, nem
absorvido na porção superior do trato
↠ Em 2017, Gibson e colaboradores, passaram a
gastrointestinal;
definir os prebióticos como “um substrato que é
utilizado seletivamente por microrganismos
➢ ser seletivamente fermentado por uma colônia
hospedeiros, conferindo benefícios à saúde”
de bactérias potencialmente benéficas ao cólon,
(MARQUES et. al., 2020).
alterando para uma composição da microbiota
mais saudável e ser ativo osmoticamente
↠ Os prebióticos são definidos como sendo
ingredientes alimentares que são os principais
↠ Os prebióticos são seletivamente fermentados
substratos de crescimento dos microrganismos
pela microbiota comensal, produzindo ácidos
dos intestinos, não digeridos no intestino delgado
graxos de cadeia curta (AGCC).
que, ao atingir o intestino grosso, são
metabolizados seletivamente por um número Estes causam redução no pH e alterações no
limitado de bactérias denominadas benéficas, as lúmen intestinal e na morfologia tecidual, levando
quais alteram a microbiota do cólon gerando uma a produção de moléculas sinalizadoras, células
microbiota bacteriana saudável, auxiliando-a em imunes e metabólitos que promovem, por
seu crescimento e metabolismo através da exemplo, a formação e manutenção de adequada
competição pelo alimento probiótico que favorece densidade óssea.
a proliferação das bactérias benéficas,
principalmente os lactobacilos e as Os AGCC estão envolvidos no processo de

bifidobactérias, induzindo assim efeitos saciedade através de vários mecanismos, entre os

fisiológicos importantes para a saúde (RAIZEL et. quais, na estimulação da leptina, a partir da

al., 2011). interação com receptores específicos nos


adipócitos, que reduz a sinalização cerebral de
↠ Os prebióticos são, em sua maioria, grelina e a resposta orexígena; na gliconeogênese
pertencentes ao grupo dos carboidratos hepática ativada pelo propionato; e na produção
oligossacarídeos, mas outras substâncias como de hormônios anorexígenos (PYY e GLP1/2) pelas
polifenóis e ácidos graxos poli-insaturados podem células L, no cólon (MARQUES et. al., 2020).
exercer ação prebiótica (MARQUES et. al., 2020).
Mecanismos de Ação dos Prebióticos
↠ São encontrados na cebola, chicória, alho,
alcachofra, cereais, aspargos, beterraba, banana, 1. Fermentação e crescimento de bactérias

trigo e tomate, podem estar presentes no mel e benéficas:

açúcar mascavo, em tubérculos (RAIZEL et. al.,


Os prebióticos passam pelo trato digestivo sem
2011).
serem digeridos pelas enzimas humanas. No
cólon, eles são fermentados por bactérias
específicas, promovendo sua multiplicação e PROBIÓTICOS
aumentando sua atividade metabólica.
↠ Os probióticos são microrganismos que quando
2. Efeito "cross-feeding": administrados em quantidades adequadas
conferem benefício à saúde do hospedeiro
Durante a fermentação, as bactérias que
(MARQUES et. al., 2020).
metabolizam diretamente os prebióticos
produzem subprodutos (como ácido lático ou Probióticos são misturas de bactérias ou
oligossacarídeos menores). leveduras que, quando ingeridos, colonizam e
proliferam, mesmo que temporariamente, o
Esses subprodutos podem servir como nutrientes
intestino.
para outras bactérias benéficas, uma interação
chamada de cross-feeding. Os consumidores de probióticos acreditam que
sua ação ocorra pelo reequilíbrio do microbioma e
Assim, a ingestão de prebióticos não só favorece
de suas funções, como melhorar a digestão dos
bactérias específicas, mas também pode
alimentos e modular a resposta imune inata e
promover uma rede de interações positivas dentro
adaptativa do indivíduo.(Murray)
do microbioma intestinal.
O motivo mais comum de as pessoas usarem
3. Exclusão competitiva de patógenos:
probióticos de venda livre é para promover e
manter a função intestinal regular e melhorar a
Ao aumentar a quantidade e a atividade de
tolerância à lactose. Os probióticos são
bactérias benéficas, os prebióticos ajudam a inibir
comumente bactérias gram-positivas
o crescimento de bactérias patogênicas,
(Bifidobacterium, Lactobacillus) e leveduras
competindo com elas por espaço e nutrientes.
(Saccharomyces).
Essa exclusão competitiva dificulta a colonização
por microrganismos que podem causar doenças.
↠ Os probióticos exercem papel importante na
saúde humana, proporcionando um efeito
Efeitos no Hospedeiro
protetor sobre a microbiota no trato
Durante a fermentação dos prebióticos, as gastrointestinal através da colonização e da
bactérias produzem vários ácidos graxos de atividade transitória, dependendo da espécie
cadeia curta (AGCCs), como: acetato, propionato (MARQUES et. al., 2020)
e butirato.
↠ A definição aceita internacionalmente é que
Esses AGCCs são absorvidos pelas células probióticos são microrganismos vivos, que
intestinais e têm diversos efeitos benéficos: quando administrados em quantidades
adequadas, conferem benefícios à saúde do
● Estimulação da resposta imunológica hospedeiro (RAIZEL et. al., 2011).

● Melhora da função da barreira intestinal ↠ Os probióticos funcionam como uma barreira e


melhoram a função de barreira da mucosa
● Modulação da sinalização nervosa e
intestinal. O efeito de barreira ocorre por

endócrina mecanismos como: inibição competitiva com


patógenos por sítios de ligação e adesão na
● Saúde óssea e regulação do apetite mucosa; pela produção de bacteriocinas, redução
do pH via produção de AGCC e de
biossurfactantes com atividades antimicrobiana PÓS BIÓTICO
(MARQUES et. al., 2020).
↠ Os posbióticos correspondem a fração solúvel
↠ Em um intestino adulto saudável, a microflora intracelular secretada por bactérias vivas ou
predominante se compõe de microorganismos liberada após a lise bacteriana – ou seja,
promotores da saúde, em sua maioria subprodutos metabólicos e/ou componentes da
pertencente aos gêneros Bifidobacterium e parede celular de probióticos (Lactobacilos e
Lactobacillus. Esses gêneros estão presentes em Bifidobactérias) – e, devido a sua bioatividade,
iogurtes, produtos lácteos fermentados e podem mimetizar os efeitos benéficos dos
suplementos alimentares (RAIZEL et. al., 2011). probióticos sem a necessidade de administrar
micro-organismos vivos, reduzindo assim
↠ A seleção de bactérias probióticas tem como
possíveis efeitos colaterais.
base os seguintes critérios: o gênero, a origem
(que deve ser humana), a estabilidade frente ao São microrganismos mortos e/ou seus
ácido estomacal e aos sais biliares, a capacidade componentes que conferem um benefício à
de aderir à mucosa intestinal, a capacidade de saúde.
colonizar, ao menos temporariamente, o trato
Em outras palavras, são moléculas isoladas ou
gastrintestinal humano, a capacidade de produzir
mistas secretadas pelos probióticos, ou ainda
compostos antimicrobianos e a atividade
probióticos inativados pelo calor e dotados de
metabólica no intestino (RAIZEL et. al., 2011).
influências benéficas sobre o organismo.
↠ Para ser considerado probiótico cada cepa de (Faintuch)
(108-10 bactéria deve estar em concentração por
Para que uma preparação seja classificada como
dia) (RAIZEL et. al., 2011).
pós-biótica, deve atender a critérios rigorosos,
↠ Benefícios atribuídos aos probióticos são: como a caracterização molecular dos
preservação da integridade intestinal e microrganismos de origem, descrição do processo
atenuação dos efeitos de doenças intestinais, de inativação, confirmação da inativação,
inibição da colonização gástrica com Heliobacter comprovação de benefícios à saúde por meio de
pylori que é associado a gastrite, úlcera péptica e ensaios controlados e avaliação da segurança
câncer gástrico (RAIZEL et. al., 2011). para o hospedeiro. (Faintuch)

Muitos desses microrganismos são encontrados Os possíveis mecanismos de ação dos posbióticos
em cápsulas ingeríveis e como suplementos incluem:
alimentares (p. ex., iogurte, kefir).
● Modulação do microbioma residente.
Ainda que os probióticos, em geral, sejam
● Aumento das funções da barreira epitelial.
suplementos alimentares seguros, muitos deles
são ineficazes.
● Modulação das respostas imunológicas local

As espécies, mistura de espécies, dose, além da


e sistêmica.
viabilidade dos organismos probióticos dentro de
uma formulação probiótica influenciam sua ● Modulação da resposta metabólica sistêmica.
potência, eficácia e potencial terapêutico.
(Murray) ● Sinalização sistêmica via sistema nervoso.
Embora não possam colonizar o hospedeiro, eles
ainda podem influenciar a microbiota de forma
indireta, mas as evidências são limitadas,
especialmente em populações saudáveis.
(Faintuch)

Pesquisas em fórmulas infantis mostram


resultados promissores em crianças e adultos,
especialmente em pacientes imunossuscetíveis.

Como não contêm microrganismos vivos, os


pós-bióticos oferecem maior segurança contra
infecções. Contudo, o termo e os produtos
pós-bióticos ainda não foram regulamentados
oficialmente por agências internacionais.
(Faintuch)

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