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Mono Fabiana

O documento aborda a micropropagação de orquídeas, destacando a importância econômica e farmacológica das espécies, especialmente do gênero Cyrtopodium. Ele discute as características das orquídeas, suas utilizações comerciais e farmacológicas, bem como os métodos de reprodução e cultivo in vitro. A conservação das orquídeas é enfatizada devido à ameaça de extinção causada por fatores antrópicos.

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Mono Fabiana

O documento aborda a micropropagação de orquídeas, destacando a importância econômica e farmacológica das espécies, especialmente do gênero Cyrtopodium. Ele discute as características das orquídeas, suas utilizações comerciais e farmacológicas, bem como os métodos de reprodução e cultivo in vitro. A conservação das orquídeas é enfatizada devido à ameaça de extinção causada por fatores antrópicos.

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CONCENTRAÇÃO DE HORMÔNIOS DE CATASETUM FIMBRIATUM

INTRODUÇÃO

Atualmente tem ocorrido uma considerável expansão das técnicas de


multiplicação e melhoramento genético de plantas. A utilização da micropropagação para fins
comerciais já ocorre em diversos países do mundo. Surgiram laboratórios comerciais, que na
grande maioria, estão agregados a viveiros como iniciativa das próprias companhias
produtoras de mudas. Os laboratórios trabalham com o objetivo de satisfazer as necessidades
internas de material de propagação livre de doenças, ou para acelerar os métodos
convencionais de propagação vegetativa (GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998; MELLO
ET AL, 1998)

No Brasil, a aplicação comercial da micropropagação é bastante recente, ainda


assim, conta com diversos grupos de trabalho em instituições públicas de pesquisa e
universidades, mas ainda são poucas as empresas que atuam na área. A prática de se instalar
laboratórios junto a viveiros ainda não é difundida, com exceção de algumas empresas que
produzem orquídeas e outras reflorestadoras que, nos últimos anos, têm iniciado a propagação
vegetativa in vitro de árvores selecionadas. (GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998)

A família Orchidaceae é considerada uma das maiores famílias de plantas com


flores (SILVA & SILVA, 2000; AWASTHI ET AL, 1995; DRESSLER, 1993; ARDITTI,
1979). Estima-se que esta família possua cerca de 2500 gêneros (ROYAL HORTICULRAL
SOCIETY, 2002) e 35.000 espécies. (ROYAL HORTICULTURAL SOCIETY, 2002;
DRESSLER, 1993; ARDITTI, 1979)

CARACTERÍSTICAS

As orquídeas estão distribuídas em todo o mundo, exceto nas regiões polares e


desérticas (MELLO, 2000; ARDITTI, 1979). Contudo, já foi encontrado algumas espécies nas
regiões sub-árticas (LUMSDEN, 1940). Sua distribuição é mais evidente nas regiões
tropicais. (CARAMASCHI, 2001; MELLO, 2000; SILVA & SILVA, 2000)
O Brasil possui cerca de 190 gêneros e 2.300 espécies de orquídeas, sendo por
isso considerado um dos países mais ricos em orquídeas. No cerrado foram descritas 593
espécies e no Distrito Federal já foram catalogadas 233 espécies. (MELLO, 2000)

As orquídeas são plantas perenes e herbáceas, podendo ser terrestres, rupícolas


e epífitas (vivem presas a árvores, arbustos ou superfícies rochosas). Estas duas formas são
facilmente encontradas nos trópicos (CARAMASCHI, 2001; ARDITTI, 1979). Existem
ainda, orquídeas saprófitas, destituídas de clorofila, cujas raízes exploram matéria orgânica.
(DECKER, 1953)

As orquídeas diferem bastante em seu comprimento, desde alguns milímetro de


comprimento, como espécies do gênero Bulbophyllum (Thouars) (de 1 a 1,5mm), podendo
chegar a três metros ou mais de comprimento, como em Grammatophyllum speciosum
(Blume) (DRESSLER, 1990; ARDITTI, 1979). Em geral, o desenvolvimento das orquídeas é
bastante lento.

AS ESPÉCIES E SUAS UTILIZAÇÕES

UTILIDADES COMERCIAIS

Devido à diversidade e exuberância de suas flores, as orquídeas são de grande


interesse comercial (MELLO, 2000). Em termos de aproveitamento econômico, as orquídeas
podem ser empregadas na floricultura devido a sua utilização ornamental, na extração de
baunilha a partir dos frutos da Vanilla (RAVEN ET AL, 2001; MELLO, 2000; ARDUTTI,
1979; BRAGA, 1977), na obtenção de alcalóides que são utilizados na farmacologia
(BRAGA, 1977). Algumas outras, como o Cyrtopodium, são utilizadas com fins medicinais,
principalmente em inflamações que produzem pus (CARAMASCHI, 2001; RAVEN ET AL,
2001; MELLO, 2000; ARDITTI, 1979). Porém, estas indicações medicinais ainda não foram
comprovadas cientificamente.

O cerrado brasileiro ocupa uma área de 2 milhões de km 2 e nele abriga um


ecossistema que possui inúmeras espécies típicas de fauna e da flora (MELLO, 2000), muitas
delas ameaçadas de extinção, entre elas as orquídeas (MENEZES, 2000). No entanto, apenas
1/5 da área é mantida como reserva florestal. (MELLO, 2000)
Devido a fatores antrópicos, como a ocupação habitacional desordenada e a
expansão de terras agrícolas, a vegetação do cerrado vêm sendo destruída (MELLO, 2000).
Muitas espécies de orquídeas nativas têm sido coletadas para fins comerciais, diretamente de
seu habitat (MELLO, 2000).

UTILIDADES FARMACOLÓGICAS

Sua utilização, além da ornamental, está voltada para o uso farmacológico


(MENEZES, 1995) e, na produção de cola para papéis (MENEZES, 1995 a; HOEHNE,
1942), couros e mesmo madeiras (HOEHNE, 1942), sendo que as substâncias utilizadas para
estes fins são extraídas do pseudobulbo (MENEZES, 1995 a; FOSSAT, 1970; HOEHNE,
1942). Segundo Balbach (1993), na medicina popular, o suco de algumas espécies, como, por
exemplo, Cyrtopodium punctatum (Lindl.) e Cyrtopodium brasiliensis, é indicado em casos
de inflamações cutâneas, como abscessos e furúnculos. No entanto, segundo Caramaschi et al
(1997), a maioria das farmácias do Distrito Federal não conhece as espécies que são utilizadas
na farmacologia e acreditam que todas elas possuem estas propriedades. Foram encontrados
em extratos de pseudobulbos e folhas, flavonóides, heterosídeos de núcleo esteroidal,
derivados cumarínicos e antracênicos livres em algumas espécies de Cyrtopodium,
substâncias estas que podem ser usadas na fabricação de medicamentos (CARAMASCHI ET
AL, 1997). O cozimento da planta é indica do também em tratamentos contra a coqueluche e
tosses rebeldes (BALBACH, 1993; BARROS, 1982). As pomadas ou dinamizações da planta
são vendidas na maioria das farmácias de manipulação do Distrito Federal (CARAMASCHI
ET AL, 1997; BARROS, 1982). Todavia, estas indicações medicinais ainda não foram
comprovadas cientificamente.

REPRODUÇÃO

Normalmente, a floração é anual e, em muitas espécies a maturação dos frutos


pode demorar mais de um ano (CARAMASCHI, 2001). As orquídeas produzem um grande
número de sementes (BATTY ET AL, 2001; ARDITTI, 1979). Cada fruto (cápsula) pode
conter aproximadamente de 1.000 a 4.000.000 sementes (MELLO, 2000; ARDITTI, 1979) e,
apesar disso, apenas algumas conseguem crescer até chegar à fase reprodutiva (KERBAUY &
HANDRO, 1981). As sementes das orquídeas são bastante leves e pequenas (MELLO, 2000;
VUJANOVIC ET AL, 2000; DRESSLER, 1993; ARDITTI; 1979) podendo pesar de 0,3 a 14
µg e medir de 0,25 a 1,2mm de comprimento e de 0,09 a 0,27 mm de largura. (MELLO, 2000;
DRESSLER, 1993; ARDITTI, 1979)

Uma forma de se evitar a extinção de muitas espécies de orquídeas é a


propagação por técnicas agronômicas. (MELLO, 2000; SILVA, 1986)

Uma das formas de propagação é a vegetativa que, nas orquídeas, é feita


principalmente a partir de divisão de touceiras (LUMSDEN, 1940; CARAMASCHI, 2001;
SILVA, 1986; ARDITTI, 1979). Esse processo é bastante lento pois, para dividir uma
orquídea é necessário que cada novo indivíduo tenha no mínimo três pseudobulbos, e como
cada pseudobulbo leva um ano para ser produzido, precisaria de três anos para que uma planta
pudesse ser propagada desta forma (CARAMASCHI, 2001). Outra forma de propagação é a
partir de sementes, que podem ser jogadas nas raízes da planta adulta (SILVA, 1986).
Procede-se deste modo para se ter à certeza da presença dos fungos simbióticos, a micorriza,
nas raízes das orquídeas (LUMSDEN, 1940). É um método bastante utilizado, apesar do
baixo rendimento e da metodologia rústica. (CARAMASCHI, 2001; SILVA, 1986;
LUMSDEN, 1940)

Segundo Arditti (1967), um pequeno número de espécies de orquídeas pode ter


o embrião relativamente diferenciado, incluindo um cotilédone rudimentar, como, por
exemplo, Sobralia macrantha (Lindl.) e Bletilla hyacinthina (Reichb. f.). Estas sementes são
mais fáceis de germinar. Porém, a grande maioria das espécies tem semtnes relativamente
indiferenciadas, sem cotilédones e sem endosperma (ARDITTI, 1967). Por este motivo, a
ação de um fungo micorrízico é essencial à germinação destas sementes.

CULTIVO IN VITRO

A produção de orquídeas em meio de cultura, o cultivo in vitro, surgiu como


uma alternativa mais rápida e eficiente de propagação (KERBAUY & HANDRO, 1981). O
método de germinação in vitro consiste em se inocular e desenvolver em condições assépticas
e em meio nutritivo sementes obtidas de cápsulas (LUMSDEN, 1940), que podem estar ainda
imaturas (KERBAUY & HANDRO, 1981). Segundo Valmajor & Sagawa (1987), em vários
gêneros e espécies de orquídeas, os embriões estariam em condições de serem utilizados logo
após a fertilização dos óvulos que, na maioria das espécies estudadas, ocorre cerca de 60 a 90
dias após a polinização. (KERBAUY & HANDRO, 1981)
O GÊNERO CYRTOPODIUM

O gênero Cyrtopodium foi descrito pela primeira vez por Robert Brow, em
novembro de 1813. A descrição original mencionava apenas uma espécie, o Cyrtopodium
andersonii ([Link].)(MENEZES, 2000). O gênero pode ser encontrado por toda a América
tropical e subtropical e, principalmente na região centro-oeste do Brasil (CARAMASCHI,
2001; MENEZES, 2000; HOEHNE, 1942). É nos campos secos e úmidos do interior do
Brasil que têm sido registradas muitas espécies e torna-se digno de menção o fato de que
muitas delas suportam perfeitamente as conseqüências dos incêndios anuais, enterrando dois
terços da altura dos pseudobulbos no solo. (HOEHNE, 1942)

Em relação à taxanomia, o gênero Cyrtopodium pertence à Família


Orchidaceae, subfamília Epidendroidreae, tribo Cymbidieae, e subtribo Cyrtopodiinae
(MENEZES, 2000). As espécies de Cyrtopodium, podem ser epífitas como o C. palmifrons
(RCHB.F. & WARM) e C. puctatum (Lindl.), rupícolas como o [Link] (Brade) e C.
aliciae (LINDEN & ROLFE) e ainda terrestres como o C. eugenii (Reichb.f.) e o C.
andersonii ([Link]) (MENEZES, 1995 a; MENEZES, 1995 b; MENEZES, 1995 c; MENEZES,
1995 d; MENEZES, 1995 e; DECKER, 1953).

ESPÉCIES PALUDÍCOLAS

Há ainda espécies paludícolas, que suportam mesmo as inundações


prolongadas, mantendo-se vivas completamente submersas para erguerem a inflorescência
acima da água. (HOEHNE, 1942)

CARACTERÍSTICAS DA CYRTOPODIUM

Levando em consideração suas características morfológicas, as espécies de


Cyrtopodium apresentam pseudobulbos fusiformes, coroados com uma densa copa de folhas
herbáceas, inteiras, alternadas bilateralmente com nervuras longitudinais proeminentes e
estreitas mais ou menos laminadas (lembrando um aspecto de leque), que são perdidas
durante o ano (DECKER, 1953; HOEHNE, 1942). Suas flores são pequenas e reunidas em
inflorescências racemonas ou paniculadas, geralmente mais altas do que as folhas
(MENEZES, 2000; DODSON & ROMERO, 1993; DECKER, 1953). As flores têm cor que
varia do amarelo ao marrom e possuem duas políneas sem granulação e a antera é caduca
(HOEHNE, 1942)

O crescimento de Cyrtopodium spp., de um modo geral, é lento. Sua floração é


anual e é acompanhada da formação de um novo pseudobulbo, que só atinge tamanho maduro
alguns meses após a floração. Seus frutos levam cerca de um ano para completar o seu
desenvolvimento. O fruto (cápsula) quando maduro se abre e dispersa milhares de sementes,
porém, poucas conseguem germinar em condições naturais. (CARAMASCHI, 2001)

MÉTODOS IN VITRO

Para a germinação in vitro de sementes de orquídeas podem ser utilizados


diversos meios básicos de cultura, como Knudson “B” e “C” (1946), Vacin & Went (1949),
Chang (1962), Withner (1959), Murashige & Skoog – MS (1962), Arditti (1967), Ernest
91974) e Mead & Bulard (1975). Os mais utilizados são Knudson “C” e Vacin & Went com
algumas poucas modificações (CARAMASCHI, 2001; ROSA & LANERI, 1977). As
variações mais freqüentes do meio básico dizem respeito a pequenas modificações das
fórmulas originais “B” e “C” feitas por Knudson (1946) com o intuito de aumentar a taxa de
germinação e o desenvolvimento das plântulas de algumas espécies que são difíceis de
cultivar in vitro. (CARAMASCHI, 2001; GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998;
ARDITTI, 1967)

GERMINAÇÃO IN VITRO

Os primeiros trabalhos sobre germinação de sementes in vitro continham sucos


e homogeneizados de frutas adicionados ao meio básico (CARAMASCHI, 2001; ERNEST,
1974; KOTOMORI & MURASHIGE, 1965). Atualmente, tais substâncias estão sendo
substituídas por hormônios, reguladores de crescimento, vitaminas e aminoácidos em função
de um maior controle nas respostas das plantas (CARAMASCHI, 2001; KERBAUY &
HANDRO, 1981). Algumas dessas misturas complexas são água de coco, extrato de malte e
suco de frutas (CARAMASCHI, 2001; GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998; CALDAS
ET AL, 1998; ARDITTI, 1979; ROSA & LANERI, 1977; FONNESBECH, 1972b; ERNST
ET AL, 1970). O aditivo mais utilizado in vitro é a água de coco que estimula o crescimento
de calo. A água de coco é retirada de cocos verdes ou maduros e, depois de filtrada, pode ser
diretamente utilizada ou ainda misturada com parte da massa de coco ralado ou moído. A
água de coco é composta por sais minerais, mio-inositol e citocininas, além de nucleotídeos e
outros compostos orgânicos. Aditivos como antibióticos e fungicidas também podem ser
adicionados aos meios nutritivos para controle da contaminação microbiana.

Um fator de extrema importância na germinação in vitro de sementes de


orquídeas é o pH dos meios nutritivos (CARAMASCHI, 2001; GRATTAPAGLIA &
MACHADO, 1998). As sementes na maioria das espécies, germinam mais rapidamente se o
pH estiver em torno de 5. Quando abaixo de 4 e acima de 8 dificilmente a germinação
ocorrerá (ROSA & LANERI, 1977; KNUDSON, 1946). O pH do meio diminui gradualmente
durante a germinação e o desenvolvimento das sementes. Aparentemente, as plântulas
esgotam mais os cátions dos sais presentes do que os ânions, liberando ácidos ao meio. O pH
também influencia na utilização do amônio como fonte de nitrogênio em células vegetais.
Valores de pH mais baixos (meios básicos) dificultam a utilização do amônio, enquanto
valores mais altos diminuem a utilização do nitrato.

Os meios nutritivos podem ser sólidos, semi-sólidos ou líquidos. Normalmente,


culturas em meios líquidos exigem algum tipo de suporte ou leves agitações (10-69 rpm) para
fornecer o oxigênio necessário para a respiração do vegetal (CALDAS ET AL, 1998). O meio
líquido estimula a germinação de sementes de muitas espécies quando comprados aos meios
contendo ágar. A solidificação dos meios pode ser feita com a utilização de ágar, um
polissacarídeo extraído de algas marinhas. Atualmente, uma nova classe de polímeros está
sendo usada com melhores resultados do que o ágar em algumas culturas. São as gomas do
tipo “gelan”, que são produzidas por certas bactérias e comercializadas com os nomes.....

O PAPEL DO FUNGO NA GERMINAÇÃO

Os primeiros cultivadores de orquídeas descobriram que havia, nas raízes


destas plantas, um fungo, micorriza, vivendo simbióticamente com elas (SILVA, 1986;
KERBAUY & HANDRO, 1981). Noel Bernard, em 1904, decobriu a necessidade do fungo
durante a germinação das sementes de orquídeas (JOHNSON, 1994; KERBAUY &
HANDRO, 1981; ARDITTI, 1979). Durante muitos anos, acreditou-se que a germinação das
sementes dependia de fungos do gênero Rhizoctonia, isolado por Bernard, que infectava o
embrião das sementes (VUJANOVIC ET AL, 2000; MASUHARA & KATSUYA, 1994;
KERBAUY & HANDRO, 1981). Trabalhos posteriores mostraram que outros gêneros de
fungos também estimulavam a germinação das sementes (KERBAUY & HANDRO, 1981).
Este método de reprodução, no qual o fungo era necessário ao desenvolvimento das sementes
foi denominado simbiótico (CARAMASCHI, 2001; MELLO, 2000).

Lewis Knudson, em 1916, analisando a constituição do extrato radicular de


Ophris sp. Utilizado por Bernard na germinação de sementes de orquídeas, encontrou 48% de
mucilagem, 27% de amido, 5% de proteína, alguns açúcares e sais minerais. Knudson, sugeriu
então, que o fungo micorrízico, participava da germinação das sementes de orquídeas por
meio da quebra de moléculas como o amido e de substâncias nitrogenadas, transformando-as
em substâncias mais simples, passíveis de utilização pelo embrião, além de produzir
substâncias estimuladores do crescimento. (KERBAUY & HANDRO, 1981)

Em 1922, por meio de um meio de cultura sintético constituído de sais


minerais, açúcar e ágar, Knudson inoculou sementes de Cattleya, Laelia e Epidendrum e
mostrou que o fungo não era essencial para a germinação das sementes se algumas
substâncias fossem fornecidas às sementes (KERBAUY & HANDRO, 1981; ARDITTI,
1979). Surge então, um novo método de propagação denominado germinação assimbiótica, no
qual os nutrientes fornecidos pela associação com o fungo eram adicionados ao meio (SILVA,
1986; KERBAUY & HANDRO, 1981; ARDITTI, 1979)

PROPAGAÇÃO IN VITRO

A propagação vegetativa in vitro, também conhecida como micropropagação,


por causa do tamanho pequeno dos propágulos utilizados, é a técnica mais prática e a de
maior impacto, para cultura de tecidos. A micropropagação in vitro foi iniciada utilizando-se
apenas o meristema apical, com intuito de livrar os vegetais de doenças e produzir plantas
sadias. (CARAMASCHI, 2001; GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998)

A primeira aplicação comercial de micropropagação foi realizada por Morel


em 1960, ao multiplicar orquídeas (Cymbidium spp.) mediante cultura de ápices caulinares e
regeneração de protocormos, diminutas estruturas que se diferenciavam e davam origem a
embriões. A sucessiva divisão desses protocormos possibilitou acelerar o processo de
propagação de orquídeas. (GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998; BEECHEY, 1970)

PROPAGAÇÃO VEGETATIVA IN VITRO


No meio de cultura, também pode ser feita à propagação vegetativa, na qual
explantes de uma planta matriz são inoculadas e cultivados até a obtenção de um novo
indivíduo (GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998). Esta técnica favorece a produção de
milhares indivíduos, num curto período de tempo, sem perder as características da espécie
(CALDAS ET AL, 1998; GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998). O meio de cultura
possibilita, ainda, a obtenção de indivíduos isentos de doenças bacterianas, viróticas e
vasculares, uma vez que a cultura in vitro é realizada sob condições de total assepsia.
(GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998)

MEIOS NUTRITIVOS

Os meios nutritivos utilizados para a cultura de células, tecidos e órgãos de


plantas fornecem o que é necessário ao crescimento do vegetal, além de controlar o
desenvolvimento in vitro. Geralmente, os meios nutritivos apresentam concentrações
adequadas de todos os macronutrientes, no entanto, as orquídeas se adaptam a uma grande
variedade de combinações e concentrações de sais inorgânicos. O ponto ótimo de
concentração destes sais e íons para desenvolvimento de orquídeas variam entre as diferentes
espécies. (CARAMASCHI, 2001; ARDITTI, 1979; KNUDSON, 1946; ARDITTI, 1967;
CALDAS ET AL, 1998; GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998)

Os macronutrientes, os elementos exigidos em maiores quantidades para o


crescimento de plantas, são adicionados ao meio como sais orgânicos. Deles o que mais difere
é o nitrogênio, pois apresenta-se na forma de cátions (amônio) e ânions (nitrito e nitrato).
Segundo Caramaschi (2001), baixas concentrações de nitrogênio no meio estimulam a
germinação de sementes de algumas espécies de orquídeas enquanto que altas concentrações
têm efeito inibitório. O nitrato auxilia em boa taxa de crescimento em várias espécies, além de
ser a melhor forma de nitrogênio. O amônio, como única fonte de nitrogênio em meio, causa
em células in vitro sintomas de toxidez. Já a combinação de nitrato e amônio estimula o
crescimento de muitas espécies de plantas in vitro. Quanto ao nitrito, acredita-se que este
elemento seja tóxico, de modo geral para as plantas, levando-se em consideração que as
concentrações de amônio e nitrato sejam bem mais elevadas. (CALDAS ET AL, 1998)

Outro elemento, o fósforo, é absorvido na forma de íon H 2PO4, sendo então


acrescentado aos meios para obtenção do crescimento de tecidos in vitro. Como
acompanhante do nitrato e fósforo, o potássio exerce funções metabólicas e bioquímicas na
planta. O cálcio, por depender da taxa de transpiração da planta para ser transportado no
xilema, pode desenvolver sintomas de deficiência em partes aéreas, devido a alta umidade do
ar presente na micropropagação. O magnésio é um componente importante de vias
metabólicas que utilizam ATP, até mesmo em tecidos de caules e raízes que não sintetizam
clorofila. Este quando é adicionado na forma de sulfato de magnésio, fornece também o
enxofre. (CALDAS ET AL, 1998)

Elemento intermediário aos macro e micronutrientes, o ferro é o único


elemento mineral essencial que não é absorvido como íon livre no meio. A forma mais
utilizada nos meios nutritivos é a de quelato de ferro com EDTA (etilenodiamino tetra-
acetato), que é facilmente absorvido pelas células e substituem o citrato, o cloreto e sulfato de
ferro. O EDTA impede que se formem quelatos com substâncias orgânicas e que o Ferro se
precipite no meio. (CALDAS ET AL, 1998)

Alguns meios, como o Murashige & Skoog (MS) são compostos por
micronutrientes necessários às plantas clorofiladas. Estes elementos minerais são o manganês,
zinco, boro, cobre, cloro e molibdênio. (CALDAS ET AL, 1998; MURASHIGE & SKOOG,
1962)

Inúmeros compostos orgânicos podem ser adicionados aos meios, como forma
de complementar as substâncias sintetizadas pelas células, suprindo assim, as necessidades
metabólicas, energéticas e estruturais das células. (CALDAS ET AL, 1998; ARDITTI, 1979;
FONNESBECH, 1972 b; ERNST ET AL, 1970)

O cultivo in vitro não oferece condições adequadas de iluminação e


concentração de CO2 e, por isso, células, tecidos e plântulas às vezes não apresentam teores
de clorofila suficientes para realizar fotossíntese que sustente o crescimento. Sabe-se que isso
ocorre porque a presença de carboidratos no meio inibe a síntese de clorofila, reduzindo, desta
forma, a capacidade fotossintética das culturas. Mas, por outro lado, a adição de carboidratos
fornece energia metabólica e esqueletos orgânicos para a biossíntese de aminoácidos e
proteínas, polissacarídeos estruturais como celulose e todos os compostos orgânicos
necessários aos crescimentos das células. O carboidrato mais utilizado é a sacarose, por ela
suportar as mais altas taxas de crescimento na maioria das espécies. Porém, sabe-se que a
concentração de sacarose é fator importante para obter um crescimento ótimo. (CALDAS
ETA AL, 1998; FONNESBECH, 1972 b; ERNST ET AL, 1970)
Outros compostos, como vitaminas e aminoóacidos, podem ser adicionados aos
meios nutritivos. Entre eles a tiamina (vitamina B1), o ácido nicotínico (niacina) e a
piridoxina (vitamina B6) são os mais utilizados. A piridoxina tem participação durante a
fotorespiração, transaminação de aminoácidos aromáticos que formam a auxina AIA
endógena e a biossíntese de alcalóides. Já o ácido nicotínico, também contribui como
substrato para a biossíntese de alcalóides. Por outro lado, seguindo Linsmaier & Skoog
(1965), apenas a tiamina-pirofostato é um co-fator essencial para reações críticas da
respiração aeróbica, da fotossíntese e da biossíntese de alguns aminoácidos e terpenóides em
plantas. (CALDAS ET AL, 1998)

Entre essas e outras funções exercidas por complexos vitamínicos, o efeito


benéfico de determinada vitamina, acrescida ao meio nutritivo, dependerá, em grande parte,
da capacidade de biossíntese de cada tecido ou órgão cultivado. Outro fator importante para
estabelecer o uso ou não de vitaminas é a particularidade de cada espécie ou mesmo para
diferentes cultivares da mesma espécie. (CALDAS ET AL, 1998; ERNST ET AL, 1970)

REGULADORES DE CRESCIMENTO

Reguladores de crescimento ou hormônios podem ser adicionados aos meios


nutritivos (CARAMASCHI, 2001; CALDAS ET AL, 1998; GRATTAPAGLIA &
MACHADO, 1998; KERBAUY, 1993). O tipo e a concentração no meio são fatores
determinantes do crescimento e da taxa de desenvolvimento das plantas a serem cultivadas.
Os reguladores de crescimento mais utilizados são as auxinas e as citocininas. A
disponibilidade e interação desses reguladores interferem na formação de raiz, parte aérea e
calo em culturas de vegetais. A utilização dos hormônios dependerá da espécie e da fase de
crescimento e, também da concentração a ser testada (CALDAS ET AL, 1998; VAN WAES
& DEBERGH, 1986).

Dentre as auxinas tem-se o ácido naftalenoacético (ANA), ácido 3-indolacético


(AIA) e o ácido indol 3-butírico (IBA) (CALDAS ET AL, 1998; GRATTAPAGLIA &
MACHADO, 1998; FONNESBECH, 1972 a). As auxinas podem ser necessárias para suprir
as necessidades de meristemas isolados ou para complementar a concentração endógena
(GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998). Diferenças no metabolismo e na estabilidade das
auxinas contribuem para as diferenças observadas na resposta in vitro (CALDAS ET AL,
1998). O AIA é a melhor auxina para induzir à formação de raízes in vitro
(GANGAPRASAD ET AL, 1999; CALDAS ET AL, 1998; PERES ET AL, 1997). Em 1993,
Kerbauy ao induzir a formação de protocormóides em raízes de Oncidium varicosum
observou que o IBA induziu um prolongamento e vigoroso crescimento longitudinal dos
explantes e que ANA foi a auxina mais efetiva tanto na formação de calos quanto na
regeneração de protocormóides.

As citoninas mais utilizadas em meio de cultura são abenzilaminopurina


(BAP), zeatina, isopenteniladenina (2iP) e Cinetina (CIN) (CALDAS ET AL, 1998;
GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998). O BAP induz a formação de inúmeros brotos e
uma alta taxa de multiplicação em muitos sistemas de micropropagação (GRATTAPAGLIA
& MACHADO, 1998). Já a cinetina e o 2iP estimulam apenas o crescimento normal sem
brotações múltiplas (CALDAS ET AL, 1998).

Quanto às giberelinas, as mais conhecidas são o ácido giberélico (GA 3) e uma


mistura de GA4 e GA7 (CALDAS ET AL, 1998). As giberelinas podem ser utilizadas para a
induzir alongamento de partes aéreas, para estimular a germinação de sementes, ou mesmo
para tentar induzir a floração (GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998). Van Waes &
Debergh (1986) observaram que a giberelina (GA 3) reduziu a germinação de sementes de
Dactylorhyza maculata (Necker.) e Listera ovata (R. Brown) porém produziram um efeito
positivo em Cypripedium calceolus (Linnaeus.) e Epipactis helleborine (L).

CONCLUSÃO

Orquidófilos consideram de difícil cultivo as espécies deste gênero


(CARAMASCHI, 2001; MENEZES, 2000; HOEHNE, 1942). E, como essas condições se
tornam relativamente difíceis de suprir para as plantas que são terrestres, são justamente estas
que menos aparecem nas culturas. (HOEHNE, 1942)
Vacin & Went modificado Knudson “C” modificado

Controle IBA BAP GA3

0,2 mg/L 0,5mg/L 2,5mg/L

4 repetições 4 repetições (cada)

Figura 01. Representação dos tratamentos utilizados na germinação de sementes de


Cyrtopodium eugenii.

Tabela 01. Composição dos meios nutritivos básicos Vacin & Went (VW) e Kundson “C”
(KC) e os modificados

VW original VW modificado KC original KC modificado


Macronutrientes (mM)
KNO3 5,2 5,2 - -
MgSO4 7H2O 1,0 1,0 1,0 1,0
KH2PO4 1,8 1,8 1,8 1,8
(NH4)2SO4 3,8 3,8 3,8 3,8
Ca3(PO4)2 0,65 0,65 - -
Ca(NO3)2 4H2O - - 4,2 4,2
Macronutrientes (mM)
MnSO4 4H2O - 0,10* - 0,10*
MnSO4H2O 0,03 - 0,03 -
H3BO3 - 0,10* - 0,10*
ZnSO4 7H2O - 0,03* - 0,03*
KI - 0,005* - 0,005*
Na2MoO4 2H2O - 0,001* - 0,001*
CuSO4 5H2O - 0,0001* - 0,0001*
CoCl2 6H2O - 0,0001* - 0,0001*
FeEDTA - 0,10* - 0,10*
Fe2(C4H4O6) 2H2O 0,09 - - -
FeSO4 7H2O - - 0,9 -
Sacarose 20 g/L 20 g/L 20 g/L 20 g/L
Phyta gel 2,5 g/L 2,5 g/L 2,5 g/L 2,5 g/L
PH 5,58 5,5 – 5,6 5,4 – 5,5 5,4 – 5,5
*micronutrientes da composição original do meio MS
Tabela 02. Composição do meio básico Murashige & Skoog (MS)

Macronutrientes (mM)
KNO3 18,8
MgSO4 7H2O 1,5
KH2PO4 1,3
CACl2 2H2O 3,0
NH4NO3 20,6
Macronutrientes (mM)
MnSO4 4H2O 0,10
H3BO3 0,10
ZnSO4 7H2O 0,03
KI 0,005
Na2MoO4 2H2O 0,001
CuSO4 5H2O 0,0001
CoCl2 6H2O 0,0001
FeEDTA 0,10
Vitaminas e aminoácidos (mM)
Tiamina HCL 0,0003
Ac. Nicotínico 0,004
Piridoxina 0,0024
Glicina 0,027
Outros
Mio-inositol 0,55 mM
Sacarose 30 g/L
Phyta gel 2,5 g/L
PH 5,7 – 5,8

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