Estudos
epidemiológicos
Renata Freitas
[Link]@[Link]
Introdução aos Estudos
Epidemiológicos
◦Epidemiologia é a ciência que
estuda a distribuição e os
determinantes da ocorrência de
eventos de saúde e doenças em
populações humanas
A Epidemiologia fundamenta-se em
três eixos:
✔ um saber clínico-biológico;
✔ uma base metodológica que vem da
estatística e,
✔ um substrato social e demográfico.
Fundamentos dos Estudos Epidemiológicos
A epidemiologia no âmbito
da Saúde Pública tem a
função de:
❖ Descrever;
❖ Explicar;
❖ Prever,
O POVO
Tarsila do Amaral
Os fenômenos de saúde e doença em populações humanas.
Critérios pra classificação dos métodos
empregados em epidemiologia
• Propósito geral – distingue os estudos descritivos e analíticos;
•Modo de exposição das pessoas ao fator em foco –
observacionais ou de intervenção
•Temporalidade do estudo – estudos transversais ou longitudinais;
•Direção temporal das observações –estudos prospectivos,
retrospectivos e transversais;
•Unidade de observação – de indivíduos ou ecológicos
Métodos de Estudo – quanto ao propósito
❖ Descritivo → Estuda a distribuição de frequência das doenças e
agravos à saúde coletiva, em função de variáveis ligadas ao tempo,
ao espaço e às pessoas, possibilitando o detalhamento do perfil
epidemiológico.
Exemplo: Qual a prevalência de hipertensão em Juiz de Fora?
❖ Analítico → Comprova as relações causais (como e por que
ocorreu?). Podem ser experimentais (ensaio clínico randomizado) ou
observacionais (estudo de coorte (ou segmento), estudo de caso
controle, estudo transversal, estudo ecológico). Investiga se existe
associação entre um fator (exposição) e uma doença ou problema
de saúde (desfecho) na população.
Exemplo: Os indivíduos obesos têm maior risco de hipertensão do que
os indivíduos com peso corporal normal (de acordo com IMC)?
Métodos de Estudo – Quanto ao
Modo de exposição das pessoas ao
fator em foco
Tipo de Estudos
• Experimentais
– O investigador intervém
• Observacionais
– O investigador observa, sem
interferir
Estudos Observacionais
Permitem que a natureza determine seu curso: o investigador
mede mas não intervém.
ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS
Descritivo
Observacionais
Estudos Analítico
Experimentais
Estudos Descritivos
Primeiro passo em uma investigação.
Simples descrição do estado de saúde de uma
comunidade.
Podem ser utilizados dados secundários ou de
inquéritos especiais.
Não tentam analisar associações entre exposição e
efeito. São utilizados em estatísticas de mortalidade e
podem examinar o padrão de mortes por idade,
sexo, ou grupo étnico.
As características de um grupo de pacientes com
uma doença específica são descritas mas não
comparadas com uma população de referência.
No entanto, estimulam a realização de estudos mais
detalhados.
Estudos descritivos
Relato de casos;
Série de casos;
Prevalência;
Incidência.
RELATO DE CASO
Relato de caso e série de casos
- Tipo básico de estudo descritivo no nível individual
Cenário: - Manifestações clínicas inusitadas em indivíduos
- Experiência
Variáveis : Descrição detalhada de 1 caso clínico ou série de casos
Inferência : Apenas identifica questões relevantes
Vantagens : Fácil elaboração
Rapidez
Desvantagens : Não infere relação de causalidade
RELATO DE CASOS E SÉRIE DE CASOS
I-PROPÓSITOS:
1.1-DESCREVER EVENTOS CLÍNICOS RAROS
Defeitos congênitos pela Talidomida, Síndrome do choque tóxico, Infecção
pelo hanta vírus.
1.2-ESCLARECER MECANISMOS DE DOENÇAS
Anestésico halotano causa hepatite.
A experiência com um único indivíduo ajudou a esclarecer a questão.
1.3-DESCREVER MANIFESTAÇÕES NÃO USUAIS DE DOENÇAS
RELATO DE CASOS E SÉRIE DE CASOS
II-DIFICULDADES
2.1-RELATOS ISOLADOS
Difícil encontrar relatos de efeitos adversos raramente são publicados,
principalmente quando envolve efeitos adversos de medicamentos.
2.2-NÃO TEM GRUPO DE COMPARAÇÃO E PODE LEVAR A CONCLUSÕES
ERRÔNEAS:
A investigação de 40 pacientes com relato de dor nas costas mediante a
realização de ressonância magnética concluiu que a osteofitose (formação óssea
anormal) era a causa da dor.
Ao investigar 40 controles sem relato de dor nas costas encontrou-se que a
frequência de osteofitose não diferia entre os grupos.
Estudos Descritivos
❖ Distribuição de um evento na população;
❖ Não há grupo para comparação;
❖ O perfil epidemiológico de um evento de saúde pode
ser descrito a partir de dados existentes (secundários)
ou de dados provenientes de investigação específica
(primários);
❖ A distribuição de frequência de um evento,
geral/estratificada segundo variáveis de interesse
(escolaridade, renda, sexo, idade, local de residência,
etc.), pode auxiliar na consecução de dois objetivos:
❖ identificação de grupos carentes de intervenções;
❖ levantar hipóteses para as variações de frequência, servindo de base para o
prosseguimento da investigação do tema, usando estudos analíticos.
Métodos de Estudo – quanto a
temporalidade do estudo
✔Transversais;
✔Longitudinais.
Métodos de Estudo – quanto a direção
temporal das observações
✔ Prospectivos
✔ Retrospectivos
✔Transversais.
Métodos de Estudo – quanto a unidade de
observação
✔Individuais;
✔Ecológicos
Estudos individuais são aqueles
em que as informações de
interesse são obtidas
individualmente (das pessoas)
Estudos ecológicos (ou coletivos) são
aqueles em que as informações de
interesse são obtidas coletivamente
(da comunidade)
Será que Será que pessoas
populações que que tomam vinho
tomam vinho tinto estão
tinto estão protegidas contra o
protegidas contra infarto agudo do
o infarto agudo miocárdio ?
do miocárdio ?
ECOLÓGICO INDIVIDUAL
Estudos de correlação ecológica
Inferência :
Estabelecer correlação entre características das
populações e medidas de ocorrência das doenças
Vantagens :
Baixo custo
Utilização de dados secundários
Desvantagens :
Impossibilidade de inferir causalidade no nível
individual
Estudos Analíticos
Esquema básico dos estudos analíticos:
Estudos de Coorte
Ensaios Clínicos
Exposição Doença
(Intervenção)
Estudos de Caso-Controle
Estudo Transversal
Estudo Seccional / Transversal /
Prevalência
Em um dia comum, quantos hamburgueres a
senhora costuma comer?
Estudos Seccionais
● Usos de estudos seccionais:
◆ Medir a frequência de doenças;
◆ Descrever a distribuição de doenças;
◆ Medir a frequência de fatores de risco
conhecidos;
◆ Identificar novos fatores de risco;
◆ Planejar serviços e programas de saúde;
◆ Avaliar serviços e programas de saúde.
Estudos Transversais
Arquitetura do Estudo.
Exposição
População Amostra
Doença
t
Estudos seccionais
Cenário:
✔ Fase exploratória do estudo de uma
doença/agravo em populações
✔ Inquéritos populacionais
✔ Levantamento de “necessidades” de populações
Variáveis:
Características de exposição e doenças relativas ao
indivíduo são investigadas concomitantemente
Estudos seccionais
Inferência :
Formulação de hipóteses de associações causais
Vantagens :
Relativamente rápido
Desvantagens :
✔ Dilema temporal
✔ Não infere relação de causalidade
Estudo Caso Controle
“Eu me lembro perfeitamente que no dia 17 de abril de 1991,
no almoço, eu comi 1 peito de frango grelhado, com salada de
alface e 2 colheres de arroz e 1 colher de feijão...”
Estudos de Caso-Controle
Arquitetura do Estudo.
Expostos
Doentes
Não Expostos
População
Expostos
Não Expostos
Estudos de Caso-Controle
Cenário:
✔Comparação de grupos de indivíduos doentes e não doentes
com o propósito de determinar se a frequência de exposição
é diferente para indivíduos doentes e não doentes.
✔Doenças/agravos raros e doenças com longo período de
latência.
✔Facilidade de selecionar pelo “status” de doença/agravo
✔Quando se quer avaliar várias exposições
✔Avaliação de eficácia de vacinas
Investigação de surtos
Estudos de Caso-Controle
Inferência:
Infere relação de causalidade entre exposição e doença.
Vantagens:
✔Possibilita inferir causalidade (testar hipóteses
epidemiológicas)
✔Eficiente em termos de custos e tempo
Estudos de Caso-Controle
Desvantagens :
✔Dificuldade em selecionar o grupo controle adequado
✔Dificuldade em evitar BIAS
✔Dificuldade em controlar variáveis de confusão
Estudos caso-controle Grupo de
interesse
(casos)
Coleta as
histórias
Comparar as histórias
Faz as conclusões
(exposições)
Coleta as
histórias
Grupo de
comparação
(controles)
Estudo de Coorte
Coorte
Uma legião romana constava de 10 coortes.
Estudos de Coorte
Arquitetura do Estudo.
Doentes
Expostos
Não Doentes
População
Doentes
Não Expostos
Não Doentes
Estudos de Coorte
Cenário:
Comparação de grupos de indivíduos expostos e não
expostos com o propósito de determinar
sistematicamente se a taxa de incidência de
doença/agravo é diferente para indivíduos expostos e
não expostos.
É possível acompanhar indivíduos
Estudos de Coorte
Inferência :
Infere relação de causalidade entre exposição e
doença.
Vantagens :
Possibilita inferir causalidade (testar hipóteses
epidemiológicas)
Desvantagens :
✔Dificuldade em acompanhar os indivíduos.
✔Perda de seguimento
✔Alto custo
Estudos de Coorte
Expostos Produz medidas diretas de risco
Seguimento
Compar
ar os
desfecho
s
Seguimento
Não
Expostos
Com base nesse estudo identificou-se o hábito de fumar como principal fator de risco para
periodontite com perda óssea, sendo o risco de os indivíduos expostos (fumantes)
desenvolverem a doença nesse período ser 3,2 vezes mais elevado que o risco dos indivíduos
que não fumavam.
CONCLUINDO...
Estudo de Coorte
EXPOSIÇÃO DOENÇA
Estudo de Caso-Controle
Estudo Transversal
1) ESTUDO DE CASO CONTROLE (O que aconteceu?)
Expostos Expostos
Casos Controles
Não expostos Não expostos
2) ESTUDO TRANSVERSAL (O que está acontecendo?)
Sadios
Doentes
3) ESTUDO DE COORTE (O que irá acontecer?)
Doentes
Expostos Sadios
Não Expostos Doentes
ou controles Sadios
Ensaio clínico
ESTUDOS DE INTERVENÇÃO
I- ENSAIOS CLÍNICOS
Cenário:
Os ensaios clínicos testam hipóteses terapêuticas coletando e analisando dados durante o
curso clínico de grupos de doentes tratados e não tratados;
O ensaio clínico é um tipo especial de estudo de coorte, no qual as condições do estudo são
definidas pelo investigador;
ESTUDOS DE INTERVENÇÃO
I- ENSAIOS CLÍNICOS
Cenário:
O objetivo do ensaio clínico é isolar para estudo a contribuição única do fator (tratamento)
de interesse, tornando constante (tanto quanto possível), todos os outros possíveis
determinantes do “outcome” ou evento;
A comparabilidade dos grupos é garantida pela alocação aleatória dos indivíduos nos grupos
de tratamento e controle.
•Ensaio clínico randomizado
ESTUDOS DE INTERVENÇÃO
Inferência:
Infere relação de causalidade entre o tratamento e o
efeito/outcome observado;
Vantagens:
Dados mais confiáveis, minimiza “bias” de seleção,
informação, interpretação e classificação; Pode-se
avaliar custo benefício de um determinado tratamento;
Desvantagens:
Dispendioso, demorado, necessita recursos humanos
bem treinados, envolve questões éticas delicadas.
Considerações finais
A epidemiologia é uma das áreas fundamentais na elaboração
das estratégias públicas de combate e prevenção às patologias que
acometem a sociedade brasileira. O processo de reformulação
institucional no qual o SUS tem passado nos últimos anos
necessariamente deve dispor de estatísticas epidemiológicas que
permitam a descentralização dos serviços e consequentemente
uma abordagem mais efetiva junto à comunidade permitindo
identificar populações e fatores de risco e combatê-los de maneira
mais efetiva.
É de suma importância que sejam investidos mais recursos e
capital humano na área epidemiológica, o levantamento de dados
precisos e integração desses dados de maneira funcional é o
melhor caminho na construção de um sistema de saúde eficiente.
Exercícios de fixação
Classificação básica dos tipos de estudos
INDIVIDUAL ECOLÓGICO
EXPERIMENTAL
NÃO-EXPERIMENTAL
Doze marinheiros que, durante longa viagem por
mar, haviam apresentado quadros graves de
escorbuto, foram divididos em seis grupos de dois.
Cada grupo recebeu seis diferentes tratamentos
recomendados à época. Apenas os dois integrantes
do grupo que recebeu duas laranjas e um limão por
dia, durante apenas seis dias - pois havia se
esgotado o suprimento existente na embarcação,
apresentaram melhoras substanciais
(Lind, 1747).
Perguntou-se a mulheres grávidas, que eram
acompanhadas numa clínica de assistência pré-natal entre
1949 e 1953, sobre seu hábito de fumar cigarros. Ao
darem à luz, um prontuário foi aberto para cada uma das
crianças ao nascimento, e informações sobre futuras
admissões hospitalares dos filhos dessas mães foram
obtidas. Observou-se que filhos de mães que fumavam
na gravidez apresentaram um número significativamente
maior de admissões hospitalares por bronquite e
pneumonia, se comparado àquele de mães que não
fumavam
(Harlap & Davies, 1974).
Relatórios de morbidade recebidos pelo departamento de
saúde de uma região administrativa indicavam que um
número de mulheres jovens que desenvolveram hepatite viral
(sem prévio contato com doentes de hepatite) tiveram suas
orelhas furadas em meses precedentes à doença. Para fins de
comparação, perguntou-se a um grupo de mulheres jovens,
de idade semelhante, e que eram acompanhadas numa clínica
de planejamento familiar, se tinham recentemente furado as
orelhas. Observou-se que 7 das 48 mulheres com hepatite,
mas somente uma entre 100 mulheres da clínica de
planejamento familiar, tinham tido suas orelhas furadas nos
últimos sete meses
(Johnson et al., 1973)
Resultados de estudos feitos em diversas
populações de diferentes partes do mundo, como
em esquimós do Alasca, nas ilhas Marshall do
Pacífico, em Brookhaven nos Estados Unidos,
em Hiroshima no sul do Japão, e em Akita no
norte do Japão, quando reunidos num só estudo,
mostraram uma forte correlação positiva entre
ingestão média diária de cloreto de sódio e
prevalência de hipertensão arterial
(Dahl, 1960).
Agora classifique o tipo de estudo
epidemiológico:
• Para determinar a prevalência de prolapso da
válvula mitral na população em geral foram
examinados uma única vez por meio de
ecocardiografia, 1.845 mulheres e 1.648
homens.
• Pacientes admitidos com sífilis congênita são
pareados por idade e sexo com recém
nascidos sem este diagnóstico, sendo
pesquisada a exposição materna a fatores de
risco para avaliar uma associação possível
entre escolaridade materna e sífilis congênita.
Exercícios
• Pessoas que tiveram contato com radiações
nucleares após acidente em usina e pessoas
que não tiveram contato foram acompanhadas
por 5 anos. Após este período, foram
identificados pacientes que desenvolveram
câncer bucal.
• Pacientes recentemente diagnosticados com
câncer de boca são alocados aleatoriamente
para tratamento apenas com cirurgia e
comparados com os tratados com cirurgia e
radioterapia.
Exercícios
Segundo registro de um serviço de referência em
tratamento de câncer de bexiga, 80 pessoas
com câncer foram selecionadas para uma
pesquisa. Para cada pessoa doente foram
selecionadas outras três pessoas sem a doença,
a partir de uma amostra representativa da
populaçã[Link] as pessoas selecionadas para
o estudo foram perguntadas sobre o consumo
de álcool e tabagismo durante a vida.
Exercícios
• Para determinar a prevalência de prolapso da
válvula mitral na população em geral foram
examinados uma única vez por meio de
ecocardiografia, 1.845 mulheres e 1.648
homens. TRANSVERSAL
• Pacientes admitidos com sífilis congênita são
pareados por idade e sexo com recém
nascidos sem este diagnóstico, sendo
pesquisada a exposição materna a fatores de
risco para avaliar uma associação possível
entre escolaridade materna e sífilis congênita.
CASOS E CONTROLES
Exercícios
• Pessoas que tiveram contato com radiações
nucleares após acidente em usina e pessoas que
não tiveram contato foram acompanhadas por 5
anos. Após este período, foram identificados
pacientes que desenvolveram câncer bucal.
COORTE
• Pacientes recentemente diagnosticados com
câncer de boca são alocados aleatoriamente
para tratamento apenas com cirurgia e
comparados com os tratados com cirurgia e
radioterapia.
ENSAIO CLÍNICO
Exercícios
• Segundo registro de um serviço de referência
em tratamento de câncer de boca, 80 pessoas
com câncer foram selecionadas para uma
pesquisa. Para cada pessoa doente foram
selecionadas outras três pessoas sem a
doença, a partir de uma amostra
representativa da populaçã[Link] as pessoas
selecionadas para o estudo foram
perguntadas sobre o consumo de álcool e
tabagismo durante a vida.
CASOS E CONTROLES
Muito
Obrigada!
Referências
Referências