DOI: 10.1590/1413-81232018246.
09512019 2075
A rede de atenção integral à saúde da criança no Distrito Federal,
ARTIGO ARTICLE
Brasil
The integral child health care network in the Federal District
– Brazil
Renilson Rehem de Souza ([Link] 1
Martha Gonçalves Vieira ([Link] 2
Cláudio José Ferreira Lima Júnior ([Link] 2
Abstract The National Policy for IntegralChild- Resumo A Política Nacional de Atenção Integral
Health Care (PNAISC), established by Ordinance à Saúde da criança, estabelecida pela Portaria
GM/MS No. 1,130, of August 5, 2015, covers child GM/MS nº 1.130, de 5 de agosto de 2015, abran-
health care under anintegral approach, and gath- ge o cuidado da criança sob uma ótica integral,
ers actions in health care, promotion and preven- e reúne ações de atenção, promoção e prevenção
tion in seven strategic axes, across the different em saúde em sete eixos estratégicos, de maneira
levels of care. The aim of this article is to report the transversal nos diferentes níveis de atenção. O ob-
development of health care in the Federal District, jetivo deste artigo é relatar o desenvolvimento da
within the scope proposed by PNAISC and based atenção à saúde da criança no Distrito Federal,
on the guiding principles of the Unified Health dentro dos eixos propostos pela PNAISC e funda-
System. The actions developed in each axis are mentado nos princípios norteadores do Sistema
described after the presentation of the assistance Único de Saúde. As ações desenvolvidas em cada
network of the Federal District State Health Secre- eixo são descritas após apresentação da rede de
tariat (SHS/DF) and a brief history of child health assistência da Secretaria de Estado de Saúde do
care and its challenges, with the approach of the Distrito Federal – SES/DF e um breve histórico da
strategies developed for the establishment of a care atenção à saúde da criança e seus desafios, com
network focused on integral child health care. a abordagem das estratégias desenvolvidas para o
Key words Child, Adolescent, Public policies, estabelecimento de uma rede de atenção voltada
Health care, Health services para a assistência integral à saúde da criança.
Palavras-chave Criança, Adolescente, Políticas
públicas, Atenção à Saúde, Serviços de saúde
1
Hospital da Criança de
Brasília. SAIN Lote 4B, Asa
Norte. 70071-900 Brasília
DF Brasil.
[Link]@[Link]
2
Secretaria de Saúde do
Distrito Federal. Brasília DF
Brasil.
2076
Souza RR et al.
Introdução SUS, o da integralidade seja o de realização mais
complexa e que requeira a atenção organizada
Inúmeros são os relatos produzidos na literatura em Rede que tenha a Atenção Primária como
especializada, discutindo os modelos de atenção coordenadora. Na Lei Orgânica da Saúde, (Lei
à saúde de uma maneira geral1-3. No entanto, 8.080, de 19/09/1990) houve o detalhamento do
raros são os estudos dirigidos a compreender e significado da integralidade da assistência como
a discutir a organização do sistema de saúde na princípio do SUS, sendo esta entendida como
perspectiva da atenção integral à saúde da crian- conjunto articulado e contínuo das ações e servi-
ça4. Considerando o processo de reorganização ços preventivos e curativos, individuais e coletivos,
da rede de atenção no Distrito Federal no que exigidos para cada caso em todos os níveis de com-
tange à saúde da criança, é oportuno refletir so- plexidade do sistema6.
bre a evolução das políticas e dos impactos das Ainda no processo de construção aparente-
experiências desenvolvidas até o presente, visan- mente contraditório, porém rico em fomentar
do subsidiar as necessárias transformações fu- processos criativos e solidários, a partir do ano
turas. O objetivo deste estudo é apresentar uma de 2007, o Ministério da Saúde e o Instituto Na-
síntese das políticas públicas que disciplinam a cional de Saúde da Mulher, da Criança e do Ado-
atenção integral em pediatria no Brasil e uma lescente Fernandes Figueira da Fundação Osval-
análise crítica da estruturação da atenção pediá- do Cruz (IFF/Fiocruz) optaram por iniciar um
trica no Distrito Federal. trabalho conjunto, em consonância com o artigo
A Constituição Federal de 19885 trouxe bene- 227 da Constituição Federal1, e também com o
fícios e avanços quanto aos direitos sociais desta- Estatuto da Criança e do Adolescente de 19907,
cando-se a criação do Sistema Único de Saúde, o visando à formulação e implantação de uma po-
SUS. No art. 196 estabelece que A saúde é direito lítica nacional voltada para a atenção integral à
de todos e dever do Estado, garantido mediante saúde da criança. Isso a partir da compreensão
políticas sociais e econômicas que visem à redução fomentada pela Estratégia Brasileirinhas e Bra-
do risco de doença e de outros agravos e ao acesso sileirinhos Saudáveis (EBBS) de que os padrões
universal e igualitário às ações e serviços para sua saudáveis para a vida são construídos desde os seus
promoção, proteção e recuperação. Esta garantia primórdios, com uma primeira infância favorece-
constitucional de acesso universal e igualitário dora do desenvolvimento infantil pleno8.
demarca a existência de um sistema público de
saúde para todos e não apenas para os mais ne-
cessitados. Encerra o fim de uma era em que os Material e métodos
brasileiros estavam divididos quanto ao direito a
saúde, em classes de cidadãos de primeira, os que Desenvolvendo uma análise do percurso histó-
tinham direito ao Instituto Nacional de Assistên- rico específico da construção de políticas para
cia Médica e Previdência Social - INAMPS e, de a atenção integral à saúde da criança no Brasil,
segunda, os indigentes, sem nenhum direito. os autores apresentam uma revisão narrativa da
Os constituintes apontaram a necessidade literatura e dos marcos legais. Analisam a aten-
de construção de Redes de Atenção (Art. 198 da ção pediátrica no Distrito Federal no processo de
Constituição) estabelecendo que as ações e os reorganização da atenção à saúde da criança no
serviços públicos de saúde integram uma rede âmbito distrital, fundamentados em documentos
regionalizada e hierarquizada e constituem um técnicos e institucionais da Secretaria de Saú-
sistema único, organizado de acordo com diretri- de do DF. Analisam os resultados obtidos, bem
zes pré-estabelecidas. Definiram, como uma das como os limites e os desafios atuais. Finalizam
diretrizes, o atendimento integral, com priorida- com uma análise crítica sinalizando para oportu-
de para as atividades preventivas, sem prejuízo nidades de melhorias.
dos serviços assistenciais. Além de construir um A partir de 2011, durante 3 anos, 13 encontros
Sistema de Saúde de acesso universal, assegurou, e a imersão coletiva no tema, reuniram represen-
ao longo dos ciclos de vida, a atenção integral à tantes do Ministério da Saúde, dos Estados, do
saúde. DF e das capitais brasileiras que, subsidiados por
No processo de implantação do SUS são vi- uma metodologia colaborativa desenvolvida pela
síveis os avanços obtidos com relação ao princí- EBBS, em parceria com a Coordenação Geral de
pio da Universalidade. No entanto, o mesmo não Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Mi-
pode ser dito em relação ao princípio da Integra- nistério da Saúde (CGSCAM/MS) e outros par-
lidade. Talvez dentre os princípios e diretrizes do ceiros, num processo intenso de escuta, debates
2077
Ciência & Saúde Coletiva, 24(6):2075-2084, 2019
e deliberações, trabalharam para a construção da No Brasil, o Ministério da Saúde estabeleceu
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da as bases para a adoção das RASs, definiu o con-
Criança no âmbito do Sistema Único de Saúde ceito e os princípios, formulou um processo de
– PNAISC/SUS-Portaria GM MS Nº 1.130, de 5 transição por meio dos territórios integrados de
de agosto de 2015. Como um marco referencial atenção à saúde e linhas de cuidado. Propôs as
ela traz um conjunto de ações programáticas e diretrizes para sua implantação, na perspectiva
estratégicas para o desenvolvimento da criança, de que as redes são o instrumento de garantia do
organizada em sete eixos estratégicos9. direito, ampliando acesso e diminuindo desigual-
dades1,2.
A atenção Integral à Criança
na perspectiva das Redes de Atenção à Saúde Integralidade da atenção
A implementação da PNAISC considera o Para tratarmos da Rede de Atenção Integral
contexto da evolução epidemiológica das condi- à Saúde da Criança, precisamos considerar, em
ções de saúde pediátricas que, no Brasil, a exem- especial, a Integralidade da Atenção. Dentre as
plo de outros países em desenvolvimento, tem bandeiras de luta pela Reforma Sanitária Brasi-
um crescente incremento de condições crônicas, leira, que era baseada nas críticas às práticas, às
coexistindo com causas externas e doenças infec- instituições e à organização do sistema de saúde,
ciosas. As condições crônicas exigem um dese- estava a bandeira da integralidade12,13.
nho de sistema de saúde, que à luz das evidências A integralidade é um substantivo feminino
científicas de países que trilharam esse caminho que significa “a reunião de todas as partes que
(EUA, Canadá, Reino Unido, entre outros) res- formam um todo: totalidade, completude”. In-
ponde melhor às necessidades da população de corporada ao sistema como princípio, a noção
se integrar longitudinalmente às atenções primá- de Integralidade está presente em vários níveis
ria, secundária e terciária. Esse desenho opõe-se das discussões e das práticas na área da saúde. Ela
ao modelo vigente estabelecido pelo SUS, que à passa pelo comportamento dos profissionais, pe-
época era pautado na atenção a condições agudas las relações dessas equipes com a rede de serviços
e, portanto, é episódico, fragmentado e reativo. como um todo, pelas políticas públicas e por um
Os ensinamentos de países que desenvolveram desenho de sistema preparado para entender e,
redes de atenção à saúde revelam economia de a partir daí, atender às demandas e necessidades
escala, otimização de recursos, acesso facilitado e das pessoas.
melhoras qualitativas na experiência do usuário1. A integralidade como princípio articulador
O conceito de Redes de Atenção à Saúde no SUS, visa à promoção da saúde e à assistência
(RASs) está completando um século. Foi descri- à saúde. Para que este princípio se torne uma re-
ta no Relatório Dawson, de 1920, que teve como alidade, se faz necessário uma reorganização do
pontos essenciais: a organização da atenção inte- modelo de assistência vigente. De acordo com o
grando a medicina preventiva e curativa, o papel texto constitucional, aperfeiçoado e complemen-
central do médico generalista, a porta de entrada tado pela Lei Orgânica da Saúde, a assistência
na atenção primária, a atenção secundária pres- à saúde pelo SUS deve abranger tanto as ações
tada em unidades ambulatoriais e a atenção terci- assistenciais ou curativas quanto, e prioritaria-
ária. Foi a base para a implementação do Sistema mente, as atividades de promoção da saúde e
de Saúde do Reino Unido, quase 30 anos depois, prevenção de doenças6. Aparentemente, para os
e fonte de inspiração para os sistemas unificados constituintes, este todo seria formado por ati-
de saúde de vários países10. vidades segmentadas em preventivas e serviços
A Organização Pan-Americana da Saúde ela- assistenciais. Por outro lado, na perspectiva dos
borou um documento sobre redes integradas de usuários, a atenção integral à saúde tem sido
serviços de saúde que faz uma análise crítica dos frequentemente associada ao tratamento huma-
sistemas fragmentados e de suas causas. Concei- nizado, respeitoso, digno, com qualidade e aco-
tua os sistemas integrados de serviços de saúde e lhimento.
identifica suas diferentes modalidades, estabelece Para Viegas e Penna14, a integralidade é uma
seus atributos essenciais, define os instrumentos rede de serviços com diversos níveis de comple-
de política pública e os mecanismos institucio- xidade e competências, em que se realiza a inte-
nais para conformá-los e propõe uma rota para a gração entre as ações nos diversos níveis e satisfaz
implantação desses sistemas na Região das Amé- o conjunto de cuidados demandados por um in-
ricas11. divíduo. Destaca-se aqui a atuação decisiva dos
2078
Souza RR et al.
gestores que organizam os serviços de saúde e Histórico
estabelecem articulações favorecedoras de uma
integralidade entre os diferentes níveis de com- 1990 -2009
plexidade e competências de uma rede de servi- O Programa de Assistência Integral à Saúde
ços de saúde. da Criança (PAISC) foi implantado na SES-DF
A construção da integralidade não acontece no ano de 1994. O PAISC atuava no desenvolvi-
em um lugar só, seja porque as várias tecnolo- mento das ações de promoção, prevenção e assis-
gias em saúde para melhorar e prolongar a vida tência à saúde infantil, na redução da morbimor-
estão distribuídas em ampla gama de serviços, talidade, na promoção do acesso, da equidade e
seja porque a melhoria das condições de vida é da integralidade. As ações básicas de saúde eram
tarefa para um esforço intersetorial15. Para Reis desenvolvidas nas 15 regionais de saúde, com
e Andrade16, a organização e a articulação entre destaque, para o incentivo ao aleitamento mater-
os serviços e a integralidade configuram-se de no, o controle e a avaliação das infecções respira-
forma a se ter um sistema que seja integrado em tórias agudas e das doenças diarreicas, incluindo
todos os seus níveis de complexidade. Integração a terapia de reidratação oral.
é entendida como uma rede de serviços que fun- Na década seguinte, foram incorporadas
cione de modo a dar condições de acesso e que ações como a realização do Teste do Pezinho, o
seja resolutiva para os problemas apresentados e Projeto Canguru, a Estratégia Amamenta Brasil
para os fatores de risco que afetam a qualidade (EAB) e a vigilância ao óbito. Buscou-se a unifor-
de vida da população. Inclui a articulação entre midade de ações e protocolos em todas as UBS,
os serviços públicos e privados, bem como todas com monitoramento de indicadores de saúde,
as instituições15. numa época que a mortalidade infantil no DF es-
Para Penello e Rosário17, o êxito das políticas tava em 22,1 (ano: 1994). Desde então apresenta
públicas de redução de miséria e pobreza, asso- tendência de queda (Gráfico 1).
ciado à expansão da cobertura da atenção pri-
mária à saúde contribuem com a melhoria das 2010-2015
condições de saúde das crianças. No entanto, a O Hospital da Criança de Brasília José de
integração dos serviços em rede é necessária para Alencar (HCB) é resultado de uma iniciativa da
garantir a integralidade da atenção à saúde. sociedade por meio da Associação Brasileira de
O Distrito Federal está passando por um pro- Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de
cesso de reorganização do modelo assistencial, Câncer e Hemopatias, que construiu e equipou a
em que busca organizar o sistema na lógica de primeira etapa e doou-o ao Governo do Distrito
Rede de Atenção à Saúde, com a atenção primária Federal, passando a integrar a rede de hospitais
à saúde no centro, como coordenadora do cuida- públicos do DF. Foi inaugurado em 21 de novem-
do e ordenadora da rede de atenção, no modelo bro de 2011 e concentrou o atendimento pediá-
da Estratégia de Saúde da Família. trico ambulatorial terciário especializado da rede
e de internação em onco-hematologia, através de
A rede de atenção integral à saúde contrato de gestão com o Instituto do Câncer In-
da criança no DF fantil e Pediatria Especializada (ICIPE).
Em 18 de maio de 2012 o Hospital Regional
A atenção à saúde da criança se desenvolve da Asa Sul passa a se chamar Hospital Materno
na Rede Pública do DF em 168 Unidades Bási- Infantil de Brasília (HMIB), e em 17 de abril de
cas de Saúde (UBS), 11 policlínicas, 3 Centros de 2018 passa à categoria de Unidade de Referência
Atenção Psicossocial infantil, 2 Centros Especiais na Rede de Saúde do DF, consolidando seu pa-
de Reabilitação, 11 Centros de Especialidades pel como referência no atendimento à mulher e
Odontológicas, 1 casa de parto e 16 hospitais. Há à criança, especialmente nas áreas de obstetrícia
10 serviços de emergência e internação pediátri- de alto risco, reprodução humana, neonatologia,
ca hospitalar, 6 Unidades de Terapia Intensiva cirurgia pediátrica, infectologia pediátrica e tera-
(UTIN) e 9 Unidades de Cuidados Intermediá- pia intensiva materna e pediátrica, além de emer-
rios Neonatais (UCIN) e 4 Unidades de Terapia gência pediátrica 24h.
Intensiva Pediátrica (UTIP). O atendimento am- No segundo semestre de 2011, o DF, em
bulatorial especializado é realizado no Hospital consonância com as políticas do MS e buscan-
da Criança de Brasília José de Alencar (HCB), do qualificar a atenção à mulher no ciclo graví-
nas policlínicas e nos ambulatórios hospitalares dico-puerperal e à criança nos dois primeiros
da rede. anos de vida, adere oficialmente à Rede Cegonha,
2079
Ciência & Saúde Coletiva, 24(6):2075-2084, 2019
Taxa de mortalidade por 1000 nascidos vivos
Gráfico 1. Taxa de mortalidade infantil, neonatal precoce, neonatal tardia e pós-neonatal – DF, 1999-2016.
Fonte: GIAS/SVS/SES/DF.
instituída no âmbito do SUS pela Portaria GMS odos de sazonalidade viral respiratória, passou a
Nº 1459, de 24 de junho de 201118. Como ações sobrecarregar os serviços, com prejuízo ao aten-
prioritárias destacaram-se a implementação da dimento dos casos graves ou críticos e o desgaste
triagem sorológica da gestante; a realização de di- das longas horas de espera daqueles com menor
versos encontros (seminários, fóruns e oficinas) gravidade. Nesse contexto, o ambiente de traba-
de pactuação, sensibilização e capacitação para lho tornou-se permeado de relações conflituosas
os servidores, com foco na melhora na assistên- e consequentemente pouco atraente aos novos
cia pré-natal, no modelo de assistência ao parto pediatras, egressos de programas de residência
e nascimento e no seguimento do crescimento e locais ou de outros estados, resultando em fal-
desenvolvimento da criança. ta de pediatras para o atendimento emergencial
Se por um lado houve ações estruturantes dessa faixa etária19.
na atenção à saúde da criança, os anos de 2010- Em 2010 havia 13 emergências pediátricas
2015 assistiram a uma progressiva diminuição hospitalares ativas no DF, algumas já com dificul-
do funcionamento das emergências pediátricas, dade em manter o funcionamento integral por
tanto em UPAs como em hospitais. A carência incompletude das escalas. Com a adesão à Rede
de profissionais nesses serviços levantou um si- de Urgências e Emergências, em 2011, o DF inau-
nal de alerta, uma vez que comprovadamente já gurou quatro Unidades de Pronto Atendimento
havia dificuldade de acesso ao atendimento sob – UPA 24h e passou a contar com 17 pontos de
demanda espontânea às crianças na APS, onde atenção para urgências pediátricas. No entanto,
os pediatras atendiam uma população não terri- em pouco tempo, perdeu-se a força de trabalho,
torializada sob a lógica da demanda programa- devido às exonerações recorrentes, aposentado-
da em modelo convencional. Adicione-se a este rias e baixa adesão de novos pediatras aos cargos
cenário de baixa cobertura territorial da APS, públicos, resultando em progressiva inativação
a dificuldade na inserção da população infantil de serviços recém-abertos. Entre 2011 e 2016 to-
como um grupo prioritário, em especial nos pri- das as UPAs do DF e três serviços de emergência
meiros anos de vida, por parte de muitas equi- hospitalar fecharam o atendimento em pediatria
pes da ESF, assim como a persistente restrição enquanto outras emergências passaram a funcio-
no atendimento de crianças que, sob demanda nar de forma intermitente.
espontânea, buscavam assistência. A lotação nas A carência de pediatras associada à baixa re-
emergências pediátricas, especialmente nos perí- solutividade da APS, ambos consequentes a um
2080
Souza RR et al.
modelo de atenção fragmentado e pouco resolu- em leitos de pronto socorro infantil, contribuin-
tivo, levou a um cenário de desassistência à crian- do para aumento da carga de trabalho e do risco
ça, não obstante os constantes investimentos aos pacientes nessas unidades.
em saúde. A peregrinação dos pais em busca de
pronto atendimento passou a ser uma constante, O Projeto de atenção integral à saúde
levando à superlotação dos hospitais estrutura- da criança (PNAISC-DF)
dos e à insatisfação da população, com repercus-
sões negativas na mídia, órgãos de controle e de A partir de 2015, a Subsecretaria de Atenção
classe. Notou-se aumento do adoecimento dos Integral à Saúde (SAIS) da SES-DF com a inten-
pediatras das emergências, com afastamentos ção de promover a organização das ações e ser-
e restrições laborais, e dificuldade crescente em viços de atenção à saúde da criança, fomentou a
fixar profissionais, especialmente nas áreas vul- discussão entre as áreas afins dessa temática, nos
neráveis do DF. diferentes níveis de atenção, norteada para a inte-
Constatou-se evidente desequilíbrio na dis- gração dos diversos serviços como caminho para
tribuição da força de trabalho pediátrica nos qualificação e melhoria da assistência à criança e
serviços da SES/DF, com maior concentração de ao adolescente no DF. Após 10 meses, esses en-
pediatras na área central, fechamento de leitos contros culminaram com a definição de um pro-
de internação pediátrica em hospitais regionais e jeto estratégico para a implantação da PNAISC
baixa produtividade e resolutividade na APS. En- no âmbito do SUS no DF (PNAISC-DF). Foi de-
caminhamentos para as consultas ambulatoriais finida pelo menos uma ação prioritária relacio-
em especialidades pediátricas tornaram-se mais nada a cada um dos sete eixos estratégicos dessa
frequentes, com aumento exponencial do tempo Política: I - atenção humanizada e qualificada à
de espera por consulta nessas especialidades, evi- gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-
denciado pelo sistema de regulação ambulatorial. nascido; II - aleitamento materno e alimentação
complementar saudável; III - promoção e acom-
Neonatologia e terapia intensiva pediátrica panhamento do crescimento e do desenvolvi-
mento integral; IV - atenção integral a crianças
A primeira UTI neonatal pública no DF foi com agravos prevalentes na infância e com do-
inaugurada em 1986, no HMIB. O crescimento enças crônicas; V - atenção integral à criança em
desta área de atuação pediátrica nas últimas duas situação de violências, prevenção de acidentes e
décadas resultou na presença majoritária de ne- promoção da cultura de paz; VI - atenção à saúde
onatologistas titulados ou com experiência práti- de crianças com deficiência ou em situações es-
ca atuando dentro das unidades neonatais. Esse pecíficas e de vulnerabilidade; e VII - vigilância e
movimento qualificou o cuidado ao recém-nas- prevenção do óbito infantil, fetal e materno.
cido (RN) de alto risco, mas trouxe a dificuldade
em manter o atendimento ao RN de risco habi- Eixo I
tual por pediatras, chegando a ocorrer questiona- O Manual de Atenção à Saúde da Criança
mento judicial por parte de pediatras que não se com normas e procedimentos para o atendimen-
consideravam qualificados para atender em sala to às crianças no âmbito da APS foi publicado
de parto. Desde então, os editais para concurso em 2006 para a orientação dos profissionais que
público para pediatra especificam o atendimento lidam com a população deste ciclo de vida e or-
em sala de parto e alojamento conjunto, mas há ganização dos serviços.
baixa adesão desses profissionais à carreira pú- Em consonância com a construção da
blica no DF, resultando na interrupção do aten- PNAISC e como uma estratégia de visualização e
dimento ao nascimento em várias maternidades organização do trabalho coletivo nas unidades de
públicas, de forma intermitente ou por períodos saúde, em 2014 a SES-DF publicou os protocolos
prolongados, com impacto negativo para a po- de saúde da criança no âmbito da APS e de aten-
pulação. ção à saúde de adolescentes revisados e ajustados
O atendimento nas UTIs pediátricas passa em 2016. Destaca-se nesse eixo o trabalho con-
por dificuldades análogas, resultando em redu- junto do Grupo Condutor Central da Rede Cego-
ção da capacidade instalada da rede pública para nha e Regiões de Saúde do DF para a implemen-
a criança que necessita de cuidados intensivos. tação da Alta Segura do RN das maternidades,
Observa-se aumento do tempo de espera pelo que contempla o agendamento da consulta do
leito de UTI, com permanência da criança grave RN na UBS dentro da primeira semana de vida.
2081
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Eixo II Eixo III
A promoção, a proteção e o apoio ao aleita- A mudança na APS do DF, com a adoção da
mento materno nos serviços da SES-DF, e o es- Estratégia de Saúde da Família (ERSF) como mo-
tabelecimento de hábitos alimentares saudáveis delo de atenção e a ampliação de sua cobertura
na infância, foi um compromisso sempre eviden- territorial mostra a preocupação em garantir o
ciado no âmbito assistencial. Tais ações corrobo- desenvolvimento pleno de todas as crianças, em
raram com a sobrevivência e o desenvolvimento especial na primeira infância. No entanto, o aces-
pleno de muitas crianças e ganhou notoriedade so diferenciado aos recursos especializados se faz
e maior impacto a partir de 1986, com a organi- necessário para a consolidação da integralidade
zação formal da rede distrital de Bancos de Leite do cuidado prestado à população infantil e de
Humano (rBLH-DF). O primeiro BLH do DF e adolescentes.
da região Centro-oeste foi fundado em 1978 no Diante disso, houve uma reorganização das
Hospital Regional de Taguatinga (HRT), em uma práticas em saúde para esta população no ní-
parceria da Fundação Hospitalar do DF com o vel secundário, com a instituição de Policlínicas
Rotary Clube Taguatinga Norte. Atualmente, são - um processo ainda em consolidação e ama-
nove BLHs situados em hospitais da SES-DF e durecimento dos atores envolvidos (usuários,
dois postos de coleta de leite humano. A coleta trabalhadores e gestores), através da articulação
domiciliar do leite materno se iniciou em 1988 e entre os pontos de atenção da rede. A partir de
se fortaleceu a partir da parceria com o Corpo de discussões com a equipe envolvida no projeto
Bombeiros Militar do DF, que desde 2010 apóia PNAISC-DF, foram publicadas sete Notas Técni-
todos os BLHs. Além do apoio continuado da so- cas que trazem elementos e instruções sobre as
ciedade civil, outros fatores que corroboram com condições clínicas e critérios a serem observados
as ações deste eixo foram a utilização de central para o encaminhamento de crianças e adolescen-
telefônica, site e aplicativo de celular para a do- tes da APS para as especialidades pediátricas nas
ação de leite materno, a definição de legislação Policlínicas. Além disso, foi elaborado e publica-
distrital sobre o aleitamento materno e a insti- do o Protocolo de Acolhimento e Classificação de
tuição de datas comemorativas, a exemplo do Risco nas Portas Fixas de Urgência e Emergência
Dia de Doação de Leite Materno e do mês Agosto em Pediatria da SES/DF, e iniciada a implantação
Dourado. com o treinamento dos servidores que atuam nas
O projeto PNAISC ainda vislumbrou neste emergências pediátricas da rede.
eixo a renovação dos selos de qualidade da Ini-
ciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) do Eixo IV
DF, conferido pelo MS aos hospitais que cum- Desde 1996, a SES-DF treinou profissionais
prem os 10 passos para o sucesso do aleitamento para sistematizar o atendimento à população
materno, instituídos pelo Fundo das Nações Uni- infantil na estratégia de Atenção Integrada às
das para a Infância (UNICEF) e pela Organiza- Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI)21, Em
ção Mundial de Saúde (OMS), além do cuidado parceria com a Coordenação Geral de Saúde da
respeitoso e humanizado à mulher durante o Criança do MS, esta iniciativa foi retomada em
pré-parto, parto e o pós-parto, a garantia à mãe 2018 com a formação de grupo de multiplicado-
e ao pai do livre acesso e permanência junto ao res da versão atualizada da estratégia, que leva-
recém-nascido internado durante 24 horas, e o ram as oficinas da AIDPI às equipes de ESF das
cumprimento da Norma Brasileira de Comercia- regiões de saúde do DF, buscando maior resolu-
lização de Alimentos para Lactentes e Crianças tividade das ações de saúde e redução da morbi-
na Primeira Infância20. mortalidade infantil.
Desde 1992, quando o HRT recebeu o selo (o Outra importante ação neste eixo foi a inau-
quarto hospital do país a receber), outros hos- guração em 2018 do Bloco II do Hospital da
pitais regionais (HR) da SES-DF integraram a Criança de Brasília, que trouxe expressivo au-
IHAC na seguinte sequência: HR de Sobradinho mento da capacidade de atendimento pediátrico
(1995), HMIB, HR de Ceilândia e de Planaltina de alta e média complexidade. O hospital soma
(1996), HR do Gama e de Brazlândia (1998), HR 202 leitos à rede hospitalar da SES-DF, sendo 60
da Asa Norte (1999) e Unidade Mista de São Se- clínicos, 60 cirúrgicos, 38 de UTI pediátrica, 28
bastião/Casa de Parto – 2004. de onco-hematologia e 6 de cuidados paliativos.
2082
Souza RR et al.
Eixo V 2009, após a Resolução nº 59 de 04/11/2008 do
Após a publicação pelo MS da Linha de Cui- Conselho de Saúde do DF (CSDF). Foi iniciada
dado para a Atenção Integral à Saúde de Crian- em caráter seletivo para os recém-nascidos com
ças, Adolescentes e suas Famílias em Situação risco para deficiência auditiva, mas a partir de
de Violências, em 2010, a área técnica de saúde agosto de 2013 passou a ser disponibilizada de
da criança e de adolescentes, em parceria com forma universal. Com a instalação dos equipa-
o Núcleo de Estudos e Programas na Atenção e mentos de potencial evocado auditivo de tronco
Vigilância em Violência da SES-DF, iniciou um encefálico – triagem (PEATE-T) em 5 hospitais,
trabalho intersetorial para a implantação desta o DF ficou capacitado a cumprir o Protocolo
Linha de Cuidado para atuação em rede no ter- sugerido pelo MS. O gerenciamento periódico
ritório, envolvendo equipes de saúde e gestores, do programa auxilia na busca ativa e monitora-
realizando formações específicas para os profis- mento da evasão das crianças encaminhadas para
sionais de saúde e incluindo a temática nas ações diagnóstico audiológico. O desafio presente é as-
do Programa Saúde na Escola. segurar o acompanhamento e a verificação dos
No ano de 2016 uma parceria entre a SES-DF e marcos do desenvolvimento da audição e lingua-
o Fundo de População das Nações Unidas (UNF- gem nos RNs e lactentes que apresentem Indica-
PA) elaborou estratégias de melhoria na atenção à dor de Risco para Deficiência (IRDA) e tenham
saúde de adolescentes nos equipamentos da rede. obtido resultados satisfatórios na TAN. O teste
Após a realização de encontros com representan- do reflexo vermelho (Teste do Olhinho) foi im-
tes de um serviço de referência ao atendimento de plantado nas maternidades e no âmbito da APS
adolescentes (Adolescentro-DF), do comitê con- em 2013, bem como o teste para diagnóstico pre-
sultivo do Conselho dos Direitos da Criança e do coce de cardiopatia congênita crítica através da
Adolescente do DF e um grupo de adolescentes oximetria de pulso (Teste do Coraçãozinho), nas
vivendo com HIV/AIDS, foram realizadas ofici- maternidades. A partir do projeto PNAISC-DF
nas com profissionais e gestores para elaborar um foi estabelecida uma área técnica no âmbito da
diagnóstico situacional, discutir os desafios e as SES-DF com a atribuição de organizar, gerenciar
soluções possíveis no que tange à atenção à saúde e monitorar os programas de triagem neonatal
de adolescentes. Em seguida, foi estabelecida uma desenvolvidos pela SES-DF.
parceria com a Secretaria de Políticas para Crian-
ças, Adolescentes e Juventude e, em 2018, publi- Eixo VII
cado um edital de adesão aos serviços de saúde a Nas quatro últimas décadas, o coeficiente de
um selo de qualidade de serviços para adolescen- mortalidade infantil do DF foi monitorado, sub-
tes – “Chega Mais”. Foram inscritos 26 serviços, e sidiando as ações ligadas ao processo de gestão e
após avaliação quanto ao acolhimento e aborda- contribuindo com a assistência à saúde. A partir
gem integral da saúde de adolescentes, 19 foram da disponibilização pelo MS do Sistema de In-
agraciados com o “Chega Mais”. formação sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema
de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC),
Eixo VI atenção e vigilância em saúde se articularam
No início da década de 1990 foi instituída com a formação e institucionalização de comitês
no DF a coleta da triagem neonatal por amos- técnicos de prevenção e controle do óbito fetal
tra biológica (“Teste do Pezinho”), com o exame e infantil nas regiões de saúde, de composição
de TSH (triagem do hipotireoidismo congênito) heterogênea, com representantes da assistência,
e, em seguida, a triagem para fenilcetonúria. A vigilância e gestão. A divulgação ampla e perió-
triagem para as hemoglobinopatias foi incluída dica dos indicadores, com acompanhamento das
em 2006 e a partir de 2011 foram incorporadas áreas técnicas e gestores, e a capacitação contí-
a hiperplasia adrenal congênita, fibrose cística, nua dos profissionais da assistência em temáti-
deficiência de biotinidase, deficiência de glicose- cas afins, contribuíram para o fortalecimento do
6-fosfato desidrogenase, galactosemia e outros processo de vigilância do óbito infantil e aumen-
erros inatos do metabolismo. Em maio de 2012, to expressivo do percentual de óbitos infantis in-
a triagem para a toxoplasmose congênita. Em vestigados, conforme Tabela 1.
2012 houve a formalização do pedido junto ao A análise do comportamento da mortalidade
MS para habilitação na fase IV do Programa Na- infantil de modo retrospectivo, sem, no entanto,
cional de Triagem Neonatal, seguida pelo creden- perder o foco no momento atual evidencia que a
ciamento do HCB em 2013. A triagem neonatal maioria dos óbitos infantis ocorridos no primei-
auditiva no DF (TAN) teve início em outubro de ro ano de vida é por causas consideradas evitáveis
2083
Ciência & Saúde Coletiva, 24(6):2075-2084, 2019
e estão relacionadas às afecções perinatais, con- tos na saúde, tanto no perfil nosológico quanto
forme demonstrado na Tabela 2. nos modelos ou possibilidades de organização do
sistema de saúde.
Para a implementação da política integral de
Discussão e conclusão atenção à saúde da criança no Distrito Federal fo-
ram escolhidas ações estratégicas cujo desenvol-
O Distrito Federal, em função de sua recente vimento possa resultar, além da integração dos
constituição (1960) e de sua conformação híbri- níveis e pontos de atenção, na qualificação e me-
da de estado e município, teve o seu sistema de lhoria da assistência. São muitos os desafios, que
saúde estruturado de forma piramidal tendo na podem ser vencidos pela continuidade de ações
base os Centros de Saúde e Hospitais Regionais que estruturem o avanço gradual e constante
e tendo como principal referência o Hospital para um atendimento ordenado e integrado em
de Base, todos de natureza estatal. As enormes rede, focado nas necessidades da população usu-
transformações pelas quais passou o Brasil ao ária do SUS no DF. O modelo a ser consolidado
longo desse meio século trouxe também impac- é o de uma atenção primária forte e qualificada,
que atue como ordenadora da rede, complemen-
tada por uma atenção especializada ambulato-
rial e por uma rede hospitalar que assegurem a
prestação de uma assistência com qualidade para
todas crianças, adolescentes e suas famílias. O
esforço aqui relatado teve como objetivo a cons-
Tabela 1. Investigação de óbito infantil por ano de trução de uma Rede de Atenção Integral à Saúde
ocorrência - DF, 2009 a 2017*. da Criança de modo a atualizar a organização
Ano do Óbito % Investigado dos pontos de assistência em busca de melho-
2009 10,3 res resultados e impactos na saúde dessa faixa
2010 47,0 populacional. Dentre os pontos críticos pode-se
2011 77,4 identificar o prazo estendido para a conformação
2012 84,6 da estratégia política e o inicio de sua execução
2013 93,3 no período final do governo, notadamente em se
2014 94,1 considerando a baixa cobertura da Estratégia de
2015 92,6 Saúde da Família existente até então.
2016 96,0
2017* 95,3
Fonte: GIAS/SVS/SES/DF.
(*) Dados preliminares sujeitos à revisão.
Tabela 2. Causas de mortalidade infantil no DF, 2009 a 2017*.
Causas 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017*
01 Afecções perinatais 293 311 294 303 334 301 304 296 268
02 Malformações congênitas, 148 162 125 120 157 136 127 93 155
deformidades e anomalias
cromossômicas
03 Causas externas 21 15 22 19 20 14 8 10 13
(acidentes/violência)
04 Doenças do aparelho 15 9 22 21 15 19 23 11 11
respiratório
05 Doenças infecciosas e 13 23 7 18 15 13 12 15 17
parasitarias
06 Demais causas de morte 32 39 29 26 23 28 13 22 28
Total 522 559 499 507 564 511 487 447 492
Fonte: GIAS/SVS/SES/DF.
(*) Dados preliminares sujeitos à revisão.
2084
Souza RR et al.
Colaboradores
RR Souza, MG Vieira e CJF Lima Júnior contri-
buíram igualmente para a concepção, redação e
revisão crítica e aprovaram a versão a ser publi-
cada.
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