O Índice de Suporte Califórnia, mais conhecido pela sigla CBR (do inglês
California Bearing Ratio), é um dos parâmetros geotécnicos mais importantes e
amplamente utilizados no dimensionamento de pavimentos. Ele representa a capacidade
de suporte de um solo compactado, servindo como um indicador da sua resistência à
penetração sob condições controladas de umidade e energia de compactação.
Para projetos de pavimentação, o valor do CBR é crucial na definição das
espessuras das camadas do pavimento (sub-base, base e revestimento asfáltico). Solos
com CBR mais elevado indicam maior capacidade de suporte, permitindo a utilização
de camadas de pavimento menos espessas, o que pode resultar em economia de custos.
Por outro lado, solos com baixo CBR exigem camadas mais robustas para distribuir
adequadamente as cargas do tráfego e evitar deformações excessivas e afundamentos
prematuros da estrutura do pavimento.
No Brasil, o ensaio de CBR é padronizado pelo DNIT, que estabelece os
procedimentos detalhados para sua execução em laboratório. No entanto, órgão
estaduais como o DER-SP, pode fornecer outras orientações, mas sem grandes
divergências. Assim, fica à critério do projetista a escolha da norma que irá embasar os
experimentos para o projeto.
O ensaio de CBR envolve, a preparação da amostra de solo, que, neste caso,
será o “Linhão do Brôa” e o “SP-215” seguida pela imersão do corpo de prova em água
para simular condições de saturação e medir a expansão. O principal objetivo do ensaio
de expansão é quantificar o aumento vertical (inchaço) de um corpo de prova de solo
compactado quando submetido à saturação por um período determinado, geralmente sob
uma sobrecarga que simula as condições de confinamento em campo. O resultado é
expresso como uma porcentagem da altura inicial do corpo de prova.
Posteriormente, realiza-se o ensaio de penetração, onde um pistão é cravado no
solo a uma velocidade constante, registrando-se as cargas necessárias para penetrações
específicas. Finalmente, o valor do CBR é calculado comparando as pressões obtidas
com as de um material padrão, fornecendo um índice percentual que orienta o
dimensionamento da estrutura do pavimento.
Neste relatório foram realizados ensaios de CBR na umidade ótima e o CBR
simultâneo (em múltiplos pontos com diferentes umidades). Assim, o valor do CBR
para diversos teores de umidade, geralmente aproveitando os corpos de prova moldados
durante o ensaio de compactação, serve para detrminar um conjunto de valores de CBR,
cada um correspondente a um teor de umidade de moldagem específico, permitindo
traçar uma curva de CBR versus umidade.
A tabela 1 resume as principais características do CBR na umidade ótima e
simultâneo.
Característica CBR na Umidade Ótima CBR Simultâneo (ou em Múltiplos Pontos)
Um único ponto: a umidade ótima
Teor de Múltiplos pontos: diversos teores de umidade da
determinada no ensaio de
Umidade curva de compactação.
compactação.
Número de Um ensaio de penetração CBR por Vários ensaios de penetração CBR, um para cada
Ensaios CBR amostra de solo. teor de umidade selecionado.
Resultado Uma curva de CBR em função do teor de
Um único valor de CBR.
Principal umidade de moldagem.
Determinar a capacidade de suporte Avaliar como a capacidade de suporte do solo
Objetivo na condição ótima de compactação varia com o teor de umidade de compactação.
Principal (considerada crítica para projeto em Pode ser útil para análises de sensibilidade ou
muitos casos). quando o controle de umidade em campo é difícil.
Neste relatório será detalhado os procedimentos realizados bem como os
resultados obtidos para os dois solos estudados na umidade ótima e na umidade
diferente da ótima (amostra deformada).1
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 Aparelhagem
a) Molde cilíndrico metálico: consiste em um recipiente cilíndrico feito de
metal, com aproximadamente 15,24 cm de diâmetro interno e 17,78 cm de altura, que
possui um rebaixo na parte superior externa. A este se acopla um colar extensor de
metal, com 6,08 cm de altura e o mesmo diâmetro do molde, apresentando um rebaixo
interno na sua base. Uma placa de base metálica, com um sistema para prender
firmemente tanto o molde quanto o colar, completa este conjunto
b) Disco espaçador: trata-se de uma peça metálica circular com cerca de 15,00
cm de diâmetro e 6,35 cm de altura. Este disco é utilizado dentro do molde durante a
compactação da amostra
c) Soquete metálico cilíndrico: É um martelo metálico cilíndrico com uma base
chata de aproximadamente 5,08 cm de diâmetro. Este soquete tem uma massa de cerca
de 4,536 kg e é projetado para cair de uma altura de 45,72 cm. O tubo que guia o
soquete (camisa cilíndrica) deve possuir, no mínimo, quatro aberturas de 1 cm de
diâmetro, espaçadas a 90 graus entre si e localizadas a aproximadamente 20 cm da sua
base. Equipamentos mecanizados podem ser empregados para realizar a mesma função,
desde que a altura de queda do soquete seja precisamente ajustada por um mecanismo
regulador para a aplicação dos golpes.
d) Prato perfurado: Uma chapa circular de bronze ou latão, com 14,90 cm de
diâmetro e 0,50 cm de espessura, dotada de furos. Possui uma haste central ajustável,
também de bronze ou latão, composta por uma seção rosqueada fixa e uma luva com
rosca interna e superfície externa serrilhada, cuja parte superior é plana para apoiar o
extensômetro.
e) Tripé porta-extensômetro: Uma base de três pés, feita de bronze ou latão,
que possui um mecanismo para fixar o extensômetro na posição correta para medição.
f) Disco anelar: Um disco de aço com um orifício central, dividido em duas
metades para facilitar o manuseio. A massa total deste anel é de 2,27 kg, com um
diâmetro externo de 14,90 cm e um diâmetro interno (do orifício) de 5,40 cm
g) Extensômetro: Um instrumento de precisão capaz de medir movimentos de,
no mínimo, 10 mm, com divisões de escala a cada 0,01 mm.
h) Prensa: Um equipamento utilizado para aplicar força de compressão de
forma controlada e medir a resistência do solo à penetração, fundamental para
determinar o Índice de Suporte Califórnia.
2.2 Ensaio
2.2.1 Moldagem do corpo de prova
1. Fixou-se o molde à sua base metálica, ajustou-se o cilindro complementar e
apoiou-se o conjunto em uma base. Compactou-se o material com o disco espaçador
com fundo falso, em cinco camadas iguais, de forma a se ter uma altura total de solo de
cerca de 12,5 cm após a compactação. Cada camada recebeu 26 golpes.
2. Removeu-se o cilindro complementar, tendo-se antes o cuidado de destacar,
com o auxílio de uma espátula, o material a ele aderente. Com uma régua rígida
biselada rasou-se o material na altura exata do molde e determinou-se, com
aproximação de 5 g, o peso do material úmido compactado.
3. Retirou-se do material excedente da moldagem uma amostra representativa
de cerca de 100 g, para a determinação do teor de umidade. Pesou-se essa amostra e
secou-se em estufa a 105 ºC – 110 °C, até constância de massa, e executaram-se as
pesagens, com incerteza de 0,1 g.
4. Repetiram-se os procedimentos para teores crescentes de umidade,
utilizando-se amostras de solo não trabalhadas, tantas vezes quantas foram necessárias
para caracterizar a curva de compactação. Estes corpos de prova moldados foram
utilizados nos ensaios de expansão e penetração.
2.2.2 Expansão
1. Terminadas as moldagens necessárias para caracterizar a curva de
compactação, o disco espaçador de cada corpo de prova foi retirado e os moldes foram
invertidos e fixados nos respectivos pratos-base perfurados.
2. Em cada corpo de prova, no espaço deixado pelo disco espaçador, foi
colocada a haste de expansão com os pesos anelares. Essa sobrecarga teve massa
superior a 4,536 kg.
3. Adaptou-se, ainda, na haste de expansão, um extensômetro fixo ao tripé
porta-extensômetro, colocado na borda superior do cilindro, destinado a medir as
expansões ocorridas, que foram anotadas de 24 em 24 horas, em porcentagens da altura
inicial do corpo de prova. Os corpos de prova permaneceram imersos em água durante
96 horas (quatro dias).
4. Terminado o período de embebição, cada molde com o corpo de prova foi
retirado da imersão e deixou-se escoar a água durante 15 minutos. Findo esse tempo, o
corpo de prova estava preparado para a penetração.
2.2.3 Penetração
1. O ensaio de penetração foi realizado em uma prensa, conforme
anteriormente.
2. Para esse ensaio foram colocadas no topo de cada corpo de prova, dentro do
molde cilíndrico, as mesmas sobrecargas utilizadas no ensaio de expansão.
3. Levou-se esse conjunto ao prato da prensa e fez-se o assentamento do pistão
de penetração no solo, por meio da aplicação de uma carga de, aproximadamente, 45N,
controlada pelo deslocamento do ponteiro do extensômetro do anel dinamométrico;
zeraram-se, a seguir, o extensômetro do anel dinamométrico e o que media a penetração
do pistão no solo. Acionou-se a manivela da prensa (dispositivo micrométrico) com a
velocidade de 1,27 mm/min. (0,05 pol/min.).
4. Cada leitura considerada no extensômetro do anel era função de uma
penetração do pistão no solo e de um tempo especificado para o ensaio.
3. RESULTADOS
3.1 CBR na Umidade Ótima