TECNOLOGIA ASSISTIVA NA EDUCAÇÃO E ESPECIAL
CAMPOS, Daniele Cristina de Lima1
Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva – FAIT
CERDEIRA, Valda Aparecida Antunes2
Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva – FAIT
RESUMO
Este artigo tem como objetivo investigar como a Tecnologia Assistiva poderá auxiliar uma pessoa com
Necessidade Educacional Especial no processo ensino aprendizagem. Apesar da importância desse recurso para
o aluno NEE seu uso e considerado restrito não sendo o ideal para o ambiente escolar e o quanto a contribui para
o desenvolvimento da aprendizagem deste aluno, ampliando as habilidades funcionais da área afetada pela
deficiência. A Tecnologia Assistiva amplia a possibilidade de desenvolvimento do Ensino aprendizagem.
Buscarmos referências bibliográficas com relevância neste assunto no uso desta ferramenta para o processo do
ensino aprendizagem do aluno NEE e na melhoria da qualidade de vida. A metodologia de pesquisa escolhida foi
a qualitativa de revisão bibliográfica buscando as literaturas pertinentes ao tema.
Palavras-Chave: Educação Especial. Tecnologia Assistiva. Recurso Pedagógico
ABSTRACT
This article aims to investigate how Assistive Technology can assist a person with Special Educational Need in
the teaching-learning process. Despite the importance of this resource for the SEN student, its use is considered
restricted and is not ideal for the school environment and how much it contributes to the development of this
student's learning, expanding the functional skills of the area affected by the disability. Assistive Technology
expands the possibility of developing teaching and learning. We look for bibliographic references with relevance
in this subject in the use of this tool for the teaching process learning of the SEN student and in improving the
quality of life. The research methodology chosen was the qualitative bibliographic review looking for literature
relevant to the theme.
Keywords: Special education. Assistive Technology. Pedagogical Resource
1. INTRODUÇÃO
O CAT (Comitê de Ajudas Técnicas), define Tecnologia Assistiva (TA) como uma
área do conhecimento interdisciplinar que abrange além de produtos, também recursos,
metodologias, estratégias, práticas e serviços no intuito promover a funcionalidade das
atividades, cooperando para a participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou
mobilidade reduzidas, proporcionando autonomia, independência, qualidade de vida e
inclusão social. (BRASIL, 2009).
1
Acadêmico do Curso de Pedagogia do 4º ano – FAIT. E-mail: danielelima16041984@[Link]
2
– Especialista pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Professora na área de Pedagogia na FAIT. E-mail:
vcerdeira@[Link]
REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE CIÊNCIAS APLICADAS DA FAIT. n. 2. Novembro, 2020.
A tecnologia Assistiva tem papel fundamental na aprendizagem e desenvolvimento do
aluno NEE (Necessidades Educacionais Especiais), contudo, Coupley; Ziviani (2004 apud
Rocha, 2013) lembra que essa importante ferramenta tem o seu uso muito restrito e está longe
de ser ideal no ambiente escolar.
Portanto, o problema de pesquisa a ser investigado, consiste em como a Tecnologia
Assistiva contribui para o desenvolvimento da aprendizagem do aluno com Necessidades
Educacionais Especial?
Esta pesquisa se justifica em duas situações distintas, mas que se integram no processo
de ensino aprendizagem, a primeira está relacionada a legislação que legaliza a Educação
Especial, onde segundo o Ministério da Educação (MEC), o novo documento que norteia a
educação no Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) determina que:
A Educação Especial na perspectiva inclusiva contempla a identificação e a
eliminação das barreiras, principalmente as de acesso aos conhecimentos,
deslocando o foco da condição de deficiência de estudantes para a organização e a
promoção da acessibilidade aos ambientes escolares (arquitetônica) e à comunicação
(oral, escrita, sinalizada, digital), em todos os níveis, etapas e modalidades, visando
a autonomia e a independência dos educandos (BRASIL, 2017, p. 36).
Contribuindo com essa perspectiva, Bersch (2006) explica que a Tecnologia Assistiva
(TA) contém recursos e serviços que buscam ampliar as habilidades funcionais de uma pessoa
com deficiência e tem como objetivo promover qualidade de vida e inclusão social de que as
usufrui.
Diante dessa problemática, surgiram as seguintes hipóteses: a Tecnologia Assistiva
atua como uma ferramenta que amplia a habilidade funcional da área afetada pela deficiência;
a Tecnologia Assistiva amplia a possibilidade de desenvolvimento do Ensino aprendizagem.
Para análise das hipóteses foram estabelecidos os seguintes objetivos: conceituar a tecnologia
Assistiva; buscar referência bibliográficas quanto a relevância dessa ferramenta para o
processo ensino aprendizagem do aluno NEE e na melhoria da qualidade de vida. A
metodologia de pesquisa escolhida foi a qualitativa de revisão bibliográfica através de revisão
da literatura pertinentes ao tema.
2. TECNOLOGIA ASSISTIVA NA EDUCAÇÃO ESPECIAL
REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE CIÊNCIAS APLICADAS DA FAIT. n. 2. Novembro, 2020.
Bersch (2008) sugere que a tecnologia com o objetivo de ser “assistiva” no âmbito
educacional, ocorre quando ela é utilizada por um aluno com deficiência no intuito romper
barreiras que limitam/impedem seu acesso às informações ou de expressão sejam ela
sensoriais, motoras ou cognitivas sobre os conhecimentos que são adquiridos por eles. Afirma
ainda o autor que esse acesso e participação ativa e autônoma em projetos pedagógicos
possibilitam a manipulação de objetos de estudos. “Quando percebemos que sem este recurso
tecnológico a participação ativa do aluno no desafio de aprendizagem seria restrita ou
inexistente”. (BERSCH, 2008, p.12).
Para que uma Educação seja realmente inclusiva, é necessário valorizar as
caraterísticas e necessidades individuais de cada criança. Nesse sentido para a criança com
NEE (Necessidades Educacionais Especiais) é necessário criar condições de aprendizagem e
desenvolver suas habilidades. As crianças com deficiência (física, auditiva, visual ou mental)
têm dificuldades que limitam sua capacidade de interagir com o mundo. Estas dificuldades
podem impedir que as mesmas desenvolvam habilidades que formam a base do seu processo
de aprendizagem (VALENTE, 1991, p.1).
A inclusão necessita de ação em mão dupla, onde sociedade e a pessoa com
deficiência se esforçam para ampliar as concepções e ações que visam assegurar e garantir a
igualdade de oportunidades com condições sociais. A potencialização desta a ação se inicia na
escola por meio social em relação aos desafios que a deficiência impõe, é nesse sentido que a
educação, deixa de estar centrado exclusivamente em um tipo de aluno e passa a trabalhar
com um conjunto de recursos humanos, físicos, materiais, técnicos e tecnológicos para
responder e oferecer propostas educativas de acordo com as singularidades dos alunos em seu
processo de aprendizagem (FERNANDES, 2011).
Contudo, Radabaugh (1993 apud Bersch, 2008), traz uma reflexão importante
considerando que a tecnologia está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas facilitando
as coisas para aqueles que não tem deficiência. E tornando possíveis para aqueles que têm
deficiência, favorecendo assim uma vida com maior participação por aqueles que necessitam
usar essas ferramentas de tecnologias assistivas.
2.1. Tecnologia Assistiva
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O Comitê de Ajudas Técnicas – CAT, traz o conceito muito mais amplo em relação a
Tecnologia Assistiva e considera que é um elemento chave para a promoção dos Direitos
Humanos, proporcionando a pessoa com deficiência alcançar autonomia e independência em
sua vida. No entanto, é preciso adotar medidas que assegurem seu acesso em condições de
igualdade as demais pessoas, para que isso ocorra, é necessário eliminar as barreiras e
obstáculos da acessibilidade. (BRASIL, 2009)
O Instituto de Tecnologia Social, Brasil (2008) aborda que o conceito da Tecnologia
Assistiva não se restringe exclusivamente a recursos a ser usado em sala de aula, mas sim, em
todos os ambientes da escola que tem por objetivo proporcionar o acesso e a participação
efetiva para todos os alunos e ao todo tempo. Todos os artefatos simples, como uma colher
adaptada ou um lápis com uma empunhadura mais grossa para facilitar a preensão, até
sofisticados programas especiais de computador que visam à acessibilidade (INSTITUTO DE
TECNOLOGIA SOCIAL, 2008 p.27)
O CAT completa ao afirmar que Tecnologia Assistiva quando aplicada envolve todas
as áreas da atuação humana, auxiliando tanto nas tarefas básicas de autocuidado até o
desenvolvimento de atividades profissionais (BRASIL, 2009).
Nazari (2017) conclui que os recursos da Tecnologia Assistiva são classificados de
acordo com a função em que são destinados, em sua análise realizada em cima da
classificação escrita por José Tonolli e Rita Bersch, e apresenta por meio da tabela a seguir a
classificação das categorias.
Figura 1- Classificação das categorias de Tecnologia Assistiva
Classificação Conceito Exemplos
Auxílios para a Materiais e produtos que Talheres modificados, suportes para utensílios
vida diária e favorecem desempenho domésticos, roupas desenhadas para facilitar o vestir e
vida prática autônomo e independente em despir, abotoadores, velcro, recursos para
tarefas rotineiras ou facilitam o transferência, barras de apoio, equipamentos para
cuidado de pessoas em situação facilitar o uso do relógio, da calculadora, verificar a
de dependência de auxílio, nas temperatura do corpo, identificar se as luzes estão
atividades como se alimentar, acesas ou apagadas, cozinhar, identificar cores e peças
cozinhar, vestir-se, tomar banho do vestuário, verificar pressão arterial, identificar
e executar necessidades pessoais. chamadas telefônicas, escrever etc.
Destinada a atender pessoas sem Recursos como as pranchas de comunicação,
Comunicação fala ou escrita funcional ou em construídas com simbologia gráfica (BLISS, PCS e
Aumentativa e defasagem entre sua necessidade outros), letras ou palavras escritas (para expressar
Alternativa comunicativa e sua habilidade desejos, sentimentos, entendimentos), vocalizadores
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(CAA) em falar e/ou escrever. (pranchas com produção de voz) ou o computador
com softwares específicos e pranchas dinâmicas em
computadores tipo tablets.
Conjunto de hardware e software Recursos de dispositivo de entrada como teclados
Recursos de especialmente idealizado para modificados, os teclados virtuais com varredura,
acessibilidade ao tornar o computador acessível a mouses especiais e acionadores diversos, software de
computador pessoas com privações sensoriais reconhecimento de voz, dispositivos apontadores que
(visuais e auditivas), intelectuais valorizam movimento de cabeça, movimento de olhos,
e motoras. Inclui dispositivos de ondas cerebrais (pensamento), órteses e ponteiras para
entrada (mouses, teclados e digitação, entre outros. Como dispositivos de saída
acionadores diferenciados) e podemos citar softwares leitores de tela, software para
dispositivos de saída (sons, ajustes de cores e tamanhos das informações (efeito
imagens, informações táteis). lupa), os softwares leitores de texto impresso (OCR),
impressoras braile e linha braile, impressão em relevo,
entre outros.
Controles que são programados Através de um controle remoto as pessoas com
Sistemas de para realizar funções (apagar ou limitações motoras, podem ligar, desligar e ajustar
controle de acender luzes, desligar fogo ou aparelhos eletroeletrônicos como a luz, o som,
ambiente torneira, trancar ou abrir portas, televisores, ventiladores, executar a abertura e
etc.) e promover maior fechamento de portas e janelas, receber e fazer
independência. chamadas telefônicas, acionar sistemas de segurança,
entre outros, localizados em seu quarto, sala,
escritório, casa e arredores. O controle remoto pode
ser acionado de forma direta ou indireta e neste caso,
um sistema de varredura é disparado e a seleção do
aparelho, bem como a determinação de que seja
ativado, se dará por acionadores (localizados em
qualquer parte do corpo) que podem ser de pressão, de
tração, de sopro, de piscar de olhos, por comando de
voz etc.
Projetos de edificação e Adaptações estruturais e reformas na casa e/ou
Projetos urbanismo que garantem acesso, ambiente de trabalho, através de rampas, elevadores,
arquitetônicos funcionalidade e mobilidade as adaptações em banheiros, mobiliário entre outras, que
para pessoas, independentemente de retiram ou reduzem as barreiras físicas.
acessibilidade sua condição física e sensorial.
Próteses são peças artificiais que São normalmente confeccionadas sob medida e
Órteses substituem partes ausentes do servem no auxílio de mobilidade, de funções manuais
e corpo. Órteses são colocadas (escrita, digitação, utilização de talheres, manejo de
Próteses junto a um segmento corpo, objetos para higiene pessoal), correção postural, entre
garantindo-lhe um melhor outros.
posicionamento, estabilização
e/ou função.
Recursos que ajudem os sujeitos Cadeira de rodas, poltrona postural, recursos que
Adequação a ter uma postura estável e auxiliam e estabilizam a postura deitada e de pé,
Postural confortável, favorecendo um almofadas no leito, os estabilizadores ortostáticos, etc.
bom desempenho funcional.
Recursos utilizados para auxiliar Bengalas, muletas, andadores, carrinhos, cadeiras de
Auxílios de na mobilidade dos sujeitos. rodas manuais ou elétricas, scooters e qualquer outro
mobilidade veículo, equipamento ou estratégia utilizada na
melhoria da mobilidade pessoal.
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Auxílios para Equipamentos que visam à Auxílios ópticos, lentes, lupas manuais e lupas
qualificação da independência das pessoas com eletrônicas; os softwares ampliadores de tela. Material
habilidade visual deficiência visual na realização gráfico com texturas e relevos, mapas e gráficos táteis,
e recursos que de tarefas diárias. software OCR em celulares para identificação de texto
ampliam a informativo, etc.
informação às
pessoas com
deficiência visual
Equipamentos que visam à Equipamentos como infravermelho, FM, aparelhos
Auxílios para independência das pessoas com para surdez, telefones com teclado-teletipo (TTY),
pessoas com deficiência auditiva na sistemas com alerta táctil-visual, celular com
deficiência realização das tarefas diárias. mensagens escritas e chamadas por vibração, software
auditiva que favorece a comunicação ao telefone celular
transformando em voz o texto digitado no celular e em
texto a mensagem falada. Livros, textos e dicionários
digitais em língua de sinais. Sistema de legendas
(close-caption/subtitles).
São adaptações realizadas em Acessórios que possibilitam uma pessoa com
Mobilidade em veículos automotores para deficiência física dirigir um automóvel, facilitadores
veículos auxiliar no deslocamento da de embarque e desembarque como elevadores para
pessoa com deficiência cadeiras de rodas (utilizados nos carros particulares ou
de transporte coletivo), rampas para cadeiras de rodas,
serviços de autoescola para pessoas com deficiência.
Recursos que favorecem a Cadeira de rodas/basquete, bola sonora, auxílio para
Esporte e Lazer prática de esporte e participação segurar cartas e prótese para escalada no gelo, etc.
em atividades de lazer.
Fonte:[Link]
sciodt=0,5#d=gs_qabs&u=%23p%3DbL-OBH0gpPAJ
Segundo o autor, o objetivo dessa classificação é a promoção da qualidade de vida,
inclusão social, acessibilidade, independência e autonomia da pessoa com deficiência.
2.2. Educação Especial e Inclusiva
Segundo a LBI- Lei Brasileira de Inclusão (2015), o capitulo IV fala sobre o direito a
educação, e partir do art. 27: enfatiza que a pessoa com deficiência é assegurado um sistema
educacional inclusivo em todos os níveis de aprendizagem e ao longo da vida, de forma a
desenvolver seus talentos e habilidades, sendo dever do Estado, da Família, da comunidade
escolar e da sociedade a educação de qualidade e colocá-lo a salvo de qualquer negligencia, e
a poder Público cabe o dever de assegurar, desenvolver , implementar incentivar acompanhar
e avaliar um sistema educacional que visa a permanência e a aprendizagem promovendo a
acessibilidade e a inclusão plena dessas pessoas.
Nessa perspectiva, Brasil (1994) conceitua a Educação Especial como:
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E um processo que visa promover o desenvolvimento das potencialidades de
pessoas portadoras de deficiências, condutas típicas ou de altas habilidades,
e que abrange os diferentes níveis e graus do sistema de ensino.
Fundamenta-se em referenciais teóricos e práticos compatíveis com as
necessidades específicas de seu alunado. O processo deve ser integral,
fluindo desde a estimulação essencial até os graus superiores de ensino. Sob
o enfoque sistêmico, a educação especial integra o sistema educacional
vigente, identificando-se com sua finalidade, que é a de formar cidadãos
conscientes e participativos (BRASIL 1994, p. 17).
A LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) segundo Bergamo (2010)
afirma que no art. 58 que a Educação Especial é uma modalidade educacional que deve ser
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para pessoas que possuam necessidades
especiais.
Ao longo da História foi ficando para trás atos como o Infanticídio, tolerados até fins
do século XVII, internações em orfanatos, manicômios, prisões entre outros, tomando
consciência da necessidade de ações de apoio as pessoas com deficiência no final do século
XVIII e início do século XIX, contudo, ainda de forma assistencial, e a partir do século XX,
com o movimento da escolarização universal, evidenciou a alunos com alguma dificuldade na
aprendizagem, multiplicando nesse período as classes e escolas especiais, porém, esse tipo de
atendimento fomentava a exclusão, surgiu em 1970, um movimento de Integração, pelo qual o
aluno era inserido no sistema educacional, mas sem que houvesse nenhum esforço da escola
para receber esse aluno, com o pensamento que era ele quem precisava se adaptar a sociedade
e não ao contrário, apenas na década de 90 com a promulgação da Constituição de 1988 e da
LDBEN de 1996 que a educação passou a ser discutida de forma a valorizar as diferenças e a
escola sendo capaz de trabalhar com a diversidade (BERGAMO 2010).
Todos Pela Educação (2020) disponibilizou em seu portal os principais documentos
legais que regem a educação especial, no qual podemos destacar
FIGURA 02 - Principais Documentos sobre Educação Especial
Lei Nº 4.024/61 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN)
fundamentava o atendimento educacional às pessoas com deficiência. (1988).
Constituição Federal. 1990 – Lei Nº 8.069 conhecida como Estatuto da Criança e do
Adolescente.1994 – Política Nacional de Educação Especial (1996).
Lei Nº 9.394 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em vigor tem um capítulo
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específico para a Educação Especial. (1999).
Decreto Nº 3.298 - regulamenta a Lei nº 7.853/89, que dispõe sobre a Política Nacional
para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida as normas de proteção,
além de dar outras providências. (2001).
Resolução CNE/CEB Nº 2 - o texto do Conselho Nacional de Educação (CNE) institui
Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. (2002).
Lei Nº 10.436/02 - reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua
Brasileira de Sinais (Libras), (2007).
Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) - no âmbito da Educação Inclusiva, o PDE
trabalha com a questão da infraestrutura das escolas, abordando a acessibilidade das
edificações escolares, da formação docente e das salas de recursos multifuncionais. (2008).
Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva - documento
que traça o histórico do processo de inclusão escolar no Brasil para embasar “políticas
públicas promotoras de uma Educação de qualidade para todos os alunos”. (2008).
Decreto Nº 6.571 - dispõe sobre o atendimento educacional especializado (AEE) na
Educação Básica. (2009).
Resolução Nº 4 CNE/CEB - o foco dessa resolução é orientar o estabelecimento do
atendimento educacional especializado (AEE) na Educação Básica, (2012).
Lei nº 12.764 - a lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com
Transtorno do Espectro Autista. (2019)
Decreto Nº 9.465 - cria a Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação,
extinguindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão
(SECADI). (2019)
Fonte: Portal todos pela Educação
No âmbito Internacional Todos Pela Educação (2020) apresenta a Declaração Mundial
de Educação para Todos de 1990, que aborda sobre as necessidades básicas de aprendizagem
das pessoas com deficiência. A Declaração de Salamanca de 1994, resolução da ONU que
dispões dos princípios e políticas e práticas das necessidades educacionais especiais,
Convenção da Guatemala que dispõem da eliminação de todas as formas de discriminação
contra as pessoas com deficiência e a mais atual, Declaração de Incheon de 2015 no qual os
países se comprometem com uma educação inclusiva de qualidade.
Nesse sentido, quando falamos em Educação Especial devemos pensar na Educação
Inclusiva onde compreendemos como algo além do direto fundamental, mas como alicerce
para uma sociedade mais justa. (BERGAMO, 2010).
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“Inclusão não é um ponto de chegada desqualificada, mas sim, um processo em
evolução baseado numa aprendizagem democrática” (SLEE, 2011 p. 206).
2.3. Benefícios da Tecnologia Assistiva para alunos NEE
Crianças que possuem alguma deficiência, também apresentam limitações na interação
que, por consequência, dificultam desenvolver habilidade que contribuem com o processo da
aprendizagem (VALENTE, 1991).
Dessa forma, Rocha (2013) explica que a tecnologia assistiva quando utilizada de
forma eficiente, contribui para a inclusão e acesso ao conteúdo escolar e para
desenvolvimento de habilidades necessária para aprendizagem.
Nazari (2017) acredita que a Tecnologia Assitiva foi criada com o objetivo de
promover qualidade de vida e inclusão para as pessoas com deficiências:
[...] através da ampliação de sua comunicação, mobilidade, controle de seu
ambiente, habilidades de seu aprendizado e trabalho. Além disso,
acreditamos que estes recursos têm como objetivo maior proporcionar
acessibilidade (entendida aqui como o direito do sujeito ser o que é, de poder
ir e vir e de poder comunicar), e consequentemente uma maior
independência e autonomia à pessoa com deficiência (NAZARI 2017, p. 8).
Conte e Basegio (2015) descrevem que as tecnologias assistivas, servem como apoio
para aprendizagem fornecendo ferramentas onde professor e aluno estejam inteirados com o
processo ensino/aprendizagem favorecendo a criatividade e os sentidos humanos.
No entanto, os autores afirmam na área da Educação Especial, apesar de ser um
desafio difícil, ao mesmo tempo é uma forma de promover vida independente e inclusão
social, (CONTE; BASEGIO 2015, p.38). A tecnologia Assistiva não modifica a morbidade do
deficiente, mas permite a ele e ao seu entorno uma vida mais satisfatória e cheia de
possibilidades (MELLO, 2006). Ou seja, as tecnologias assitivas não mudam o estado
deficiente do indivíduo, mas cria possibilidades e alternativas para que desenvolva uma
autonomia que lhe favoreça no seu dia a dia.
Quando ela é utilizada por um aluno com deficiência e tem por objetivo
romper barreiras sensoriais, motoras ou cognitivas que limitam/impedem seu
acesso às informações ou limitam/impedem o registro e expressão sobre os
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conhecimentos adquiridos por ele; quando favorecem seu acesso e
participação ativa e autônoma em projetos pedagógicos; quando possibilita a
manipulação de objetos de estudos; quando percebemos que sem este
recurso tecnológico a participação ativa do aluno no desafio de
aprendizagem seria restrito ou inexistente. (BERSCH, 2017, p.12)
Radabaugh (1993) corrobora desse pensamento e afirma que “Para as pessoas sem
deficiência a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a
tecnologia torna as coisas possíveis” (apud BERSH 2017, p.2).
Bersh (2017) reforça que a tecnologia assistiva tornam as coisas possíveis quando
observa que através desses materiais e produtos as pessoas que as utilizam desenvolvem uma
autonomia em realizar tarefas como se alimentar, cozinhar, tomar banho dentre outras tarefas.
Em relação ao professor, o uso efetivo dessas tecnologias proporciona mais recursos
didático-pedagógicos, já que ele pode administrar bem o tempo e as atividades em grupo. Do
mesmo modo, o conjunto dessas ferramentas, assim como de suas práticas, amplia as
oportunidades de acesso para todos ao processo de construção de aprendizagens por meio da
comunicação e da interação, em que as ações desencadeadas promovem novas possibilidades
de interlocução entre todos os atores da ação educativa (CONTE; BASEGIO 2015, p.40).
Os principais benefícios do uso das tecnologias assistivas podem ser vistos na figura 3
conforme estruturou World Health Assembly (2016):
FIGURA 3 - Principais Benefícios das TA e seus Usuários
Fonte:[Link]
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Segundo Bersh (2017) o uso das tecnologias assistivas foram introduzidas na escola
através do programa de salas multifuncionais, dessa forma, cabe ao professor de AEE
(Atendimento Educacional Especializado) identificar os recursos pedagógicos e a tecnologia
assistiva que o aluno necessita para superar as barreiras do seu dia a dia e para sua plena
participação no processo de ensino/aprendizagem trabalhando juntamente com o aluno.
Contudo, uso dessa ferramenta na escola não beneficia somente o aluno, “pode apoiar
a ação docente tanto em processos de superação de limitações sensoriais, motoras, mentais e
sociais, quanto em processos de potencialização de capacidades (CORTELAZZO, ORG.
2012, p 97).
Conte e Basegio (2015) acreditam que o uso das tecnologias assistiva nas escolas
como pode ser considerada como ferramenta de mediação tanto para o desenvolvimento das
práticas educativas como para a inclusão, dão o direito do educando com deficiência o direito
de aprende e a conviver, no entanto, os autores explicam que a educação deve ir além do uso
funcional das tecnologias englobando todas as dimensões da racionalidade humana.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação especial passou por grandes transformações ao longo do tempo, contudo,
proporcionar uma educação de qualidade para pessoas com deficiência ainda é assunto que
precisa constantemente estar em pauta para que de fato possamos garantir a esses alunos o seu
direito a educação e a inclusão.
Através dos expostos, podemos considerar que a tecnologia assistiva para o aluno
NEE, tem como finalidade a inclusão e permitir o acesso aos conteúdos escolares ampliando
suas possibilidades e permitindo desenvolver suas habilidades para a aprendizagem, contudo,
os materiais e produtos que são destinados a esses usuários, permitem acima de tudo uma vida
com mais dignidade, contribuindo também para o desenvolvimento do trabalho do professor
com esse aluno.
É nesse sentido que podemos afirmar que o uso da tecnologia assistiva contribui para
reduzir os obstáculos que as deficiências impõem ao aluno com NEE, portanto, as hipóteses
levantadas nessa pesquisa são verdadeiras, pois através do estudo pode-se concluir que a
Tecnologia Assistiva atua como uma ferramenta que amplia a habilidade funcional da área
afetada pela deficiência e amplia a possibilidade de desenvolvimento do Ensino
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aprendizagem, além de favorecer o processo de inclusão permitindo ao sujeito uma maior
liberdade para desenvolver suas atividade e interagir melhor com meio.
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