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Aquecimento Global

O aquecimento global é o aumento da temperatura média da Terra devido a emissões de gases de efeito estufa, principalmente resultantes da atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis e desmatamento. Esse fenômeno provoca alterações climáticas significativas, afetando ecossistemas, disponibilidade de água e a biodiversidade, com consequências potencialmente irreversíveis. A urgência em reduzir as emissões é vital para mitigar os impactos negativos do aquecimento global, que já está afetando o planeta e suas populações, especialmente as mais vulneráveis.
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Aquecimento Global

O aquecimento global é o aumento da temperatura média da Terra devido a emissões de gases de efeito estufa, principalmente resultantes da atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis e desmatamento. Esse fenômeno provoca alterações climáticas significativas, afetando ecossistemas, disponibilidade de água e a biodiversidade, com consequências potencialmente irreversíveis. A urgência em reduzir as emissões é vital para mitigar os impactos negativos do aquecimento global, que já está afetando o planeta e suas populações, especialmente as mais vulneráveis.
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Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da

Terra causado por massivas emissões de gases que intensificam o efeito estufa, originados de uma
série de atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da
terra, como o desmatamento, bem como de várias outras fontes secundárias. Essas causas são um
produto direto da explosão populacional, do crescimento econômico, do uso de tecnologias e fontes
de energia poluidoras e de um estilo de vida insustentável, em que a natureza é vista como matéria-
prima para exploração. Os principais gases do efeito estufa emitidos pelo homem são o dióxido de
carbono (ou gás carbônico, CO2) e o metano (CH4). Esses e outros gases atuam obstruindo a
dissipação do calor terrestre para o espaço. O aumento de temperatura vem ocorrendo desde
meados do século XIX e deverá continuar enquanto as emissões continuarem elevadas.

O aumento nas temperaturas globais e a nova composição da atmosfera desencadeiam alterações


importantes em virtualmente todos os sistemas e ciclos naturais da Terra. Afetam os mares,
provocando a elevação do seu nível e mudanças nas correntes marinhas e na composição química da
água, verificando-se acidificação, dessalinização e desoxigenação. Interferem no ritmo das estações e
nos ciclos da água, do carbono, do nitrogênio e outros compostos. Causam o degelo das calotas
polares, do solo congelado das regiões frias (permafrost) e dos glaciares de montanha, modificando
ecossistemas e reduzindo a disponibilidade de água potável. Tornam irregulares o regime de
chuvas e o padrão dos ventos, produzem uma tendência à desertificação das regiões florestadas
tropicais, enchentes e secas mais graves e frequentes, e tendem a aumentar a frequência e a
intensidade de tempestades e outros eventos climáticos extremos, como as ondas de calor e de frio.
As mudanças produzidas pelo aquecimento global nos sistemas biológicos, químicos e físicos do
planeta são vastas, algumas são de longa duração e outras são irreversíveis, e provocam uma grande
redistribuição geográfica da biodiversidade, o declínio populacional de grande número de espécies,
modificam e desestruturam ecossistemas em larga escala, e geram por consequência problemas
sérios para a produção de alimentos, o suprimento de água e a produção de bens diversos para a
humanidade, benefícios que dependem da estabilidade do clima e da integridade da biodiversidade.
Esses efeitos são intimamente inter-relacionados, influem uns sobre os outros amplificando seus
impactos negativos e produzindo novos fatores para a intensificação do aquecimento global. O
aquecimento e as suas consequências serão diferentes de região para região, e o Ártico é a região
que está aquecendo mais rápido. A natureza e o alcance dessas variações regionais ainda são difíceis
de prever de maneira exata, mas sabe-se que nenhuma região do mundo será poupada de
mudanças. Muitas serão penalizadas pesadamente, especialmente as mais pobres e com menos
recursos para adaptação. Mesmo que as emissões de gases estufa cessem imediatamente, a
temperatura continuará a subir por mais algumas décadas, pois o efeito dos gases emitidos não se
manifesta de imediato e eles permanecem ativos por muito tempo. É evidente que uma redução
drástica das emissões não acontecerá logo, por isso haverá necessidade de adaptação às
consequências inevitáveis do aquecimento. Uma vez que as consequências serão tão mais graves
quanto maiores as emissões de gases estufa, é importante que se inicie a diminuição destas
emissões o mais rápido possível, a fim de minimizar os impactos sobre esta e as futuras gerações.

A Organização das Nações Unidas publica um relatório periódico sintetizando os estudos feitos sobre
o aquecimento global em todo o mundo, através do Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC). Estes estudos têm, por motivos práticos, um alcance de tempo até o ano de 2100.
Todavia, já se sabe que o aquecimento e suas consequências deverão continuar por séculos adiante,
e algumas das consequências mais graves, como a elevação dos mares e o declínio da biodiversidade,
serão irreversíveis dentro dos horizontes da atual civilização. Os governos do mundo em geral
trabalham hoje para evitar uma elevação da temperatura média acima de 1,5 °C, considerada o
máximo tolerável antes de se produzirem efeitos globais em escala catastrófica. Num cenário de
elevação de 3,5 °C a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos
Naturais (IUCN) prevê a extinção provável de até 70% de todas as espécies hoje existentes. Se a
elevação superar os 4 °C, uma possibilidade que não está descartada e que a cada dia parece se
tornar mais plausível, pode-se prever sem dúvidas mudanças ambientais em todo o planeta em
escala tal que comprometerão irremediavelmente a maior parte de toda a vida na Terra. Num
cenário de altas emissões continuadas, superpopulação humana e exploração desenfreada da
natureza, semelhante ao que hoje está em curso, prevê-se para um futuro não muito distante o
inevitável esgotamento em larga escala dos recursos naturais e uma rápida escalada nos índices de
fome, epidemias e conflitos violentos, a ponto de desestruturar todos os sistemas produtivos e
sociais e tornar as nações ingovernáveis, levando ao colapso da civilização como hoje a conhecemos.
Se considerarmos o futuro para além do limite de 2100, admitindo a queima de todas as reservas
conhecidas de combustíveis fósseis, projeta-se um aquecimento dos continentes de até 20 °C,
eliminando a produção de grãos em quase todas as regiões agrícolas do mundo e criando um planeta
praticamente inabitável.

A imprensa ainda dá espaço para controvérsias mal-informadas, tendenciosas ou distorcidas sobre a


realidade e a gravidade do aquecimento e seus efeitos, e influentes grupos de pressão política e
econômica financiam campanhas de negacionismo climático, opondo-se ao consenso
científico virtualmente unânime dos climatologistas. Este consenso afirma que o aquecimento global
está acontecendo inequivocamente e precisa ser contido com medidas vigorosas sem nenhuma
demora, pois os riscos da inação, sob todos os ângulos, são altos demais. De todas as ameaças
ambientais contemporâneas, o aquecimento global é a maior e a mais grave, em vista dos seus
efeitos múltiplos e duradouros e do seu impacto generalizado sobre todo o mundo. O Protocolo de
Quioto e outras políticas e ações nacionais e internacionais visam a redução das emissões. Todavia,
as negociações intergovernamentais não têm sido muito frutíferas, os avanços nas ações de
mitigação e adaptação têm sido muito lentos e pobres, e a sociedade em geral resiste
irracionalmente em acatar as conclusões da ciência e mudar seu estilo de vida. O resultado é que as
emissões de gases têm crescido sem cessar, não havendo sinais de que se reduzirão
substancialmente no futuro próximo. Ao mesmo tempo, as evidências concretas do aquecimento
global e das suas consequências têm se avolumado ano a ano. Os meios necessários para evitar a
materialização das previsões mais pessimistas já existem, como por exemplo o uso de energia limpa,
redução nos níveis de consumo, reflorestamento, reciclagem de materiais e tratamento de resíduos,
e devem ser implementados imediata e agressivamente em ampla escala, caso contrário essas
previsões se materializarão de maneira inevitável.

Terminologia

O termo "aquecimento global" é um tipo específico de mudança climática à escala global. No uso
comum, o termo se refere ao aquecimento ocorrido nas décadas recentes devido à influência
humana.[1] O termo "alteração climática antrópica" equivale às mudanças no clima causadas pelo
homem. O termo "antrópico" parece ser mais adequado do que "antropogênico", um cognato do
inglês "anthropogenic", bastante usado neste assunto, inclusive em textos em português. Porém,
segundo os dicionários Priberam, Aulete e Michaelis, em português "antropogênico" refere-se
especificamente à antropogênese, a geração e reprodução humanas e às origens e desenvolvimento
do homem como espécie[2][3][4][5] (do grego ánthropos, homem + genesis, origem, criação, geração).[6]

Já "antrópico" é referente àquilo que diz respeito ou procede do ser humano e suas ações, de
maneira mais genérica (do grego anthropikos, humano).[7][8] O dicionário Michaelis define como
"pertencente ou relativo ao homem ou ao período de existência do homem na Terra".[9] O dicionário
Houaiss traz até mesmo, em uma de suas definições deste verbete, como "relativo às modificações
provocadas pelo homem no meio ambiente" — daí a preferência pelo termo "antrópico", neste
artigo, para designar as mudanças causadas pela influência humana.

História do clima

Estimativas da variação da temperatura na Terra

nos últimos 2000 anos Variação da temperatura


média global de 1880 até 2013

A Terra, em sua longa história, já sofreu muitas mudanças climáticas globais de grande amplitude.
Isso é demonstrado por uma série de evidências físicas e por reconstruções teóricas. Já houve épocas
em que o clima era muito mais quente do que o de hoje, com vários graus acima da temperatura
média atual, tão quente que em certos períodos o planeta deve ter ficado completamente livre de
gelo. Entretanto, isso aconteceu há milhões de anos, e suas causas foram naturais. Também
ocorreram vários ciclos de resfriamento importante, conduzindo às glaciações, igualmente por
causas naturais. Entre essas causas, tanto para aquecimentos como para resfriamentos, podem ser
citadas mudanças na atividade vulcânica, na circulação marítima, na atividade solar, no
posicionamento dos polos e na órbita planetária. A mudança significativa mais recente foi a última
glaciação, que terminou em torno de 10 mil anos atrás, e projeta-se que outra não aconteça antes de
30 mil anos.[10]

Este último período interglacial, chamado Holoceno, também sofreu mudanças climáticas naturais,
embora tenha sido um período de notável estabilidade quando comparado às interglaciais
anteriores. Houve variações perceptíveis, mas tiveram pequena amplitude e provavelmente foram
fenômenos localizados e não globais, como o período quente medieval ou a pequena idade do gelo,
que são melhor explicadas por causas naturais. Muitas dessas mudanças, especificamente os
períodos de aquecimento, são em alguns aspectos comparáveis às que hoje se verificam, mas em
outros aspectos o aquecimento contemporâneo é distinto, principalmente no que diz respeito às
suas causas e à velocidade em que está acontecendo.[11]
É inequívoco que a temperatura média da Terra tem se elevado desde meados do século XVII, e é
inequívoco que as atividades humanas têm sido o fator determinante nesse processo. No período de
1850–2021 a temperatura global, combinando os registros dos oceanos e dos continentes, aumentou
em média 1,09 °C. Os continentes estão aquecendo mais rápido do que os oceanos. Nos continentes
a média de aumento foi de 1,59 °C e nos oceanos de 0,88 °C.[12] Apesar de o oceano absorver mais
calor do que as massas continentais, responde com mais lentidão, e desde 1979 as temperaturas em
terra aumentaram quase duas vezes mais rápido que as temperaturas no oceano (0,25 °C por década
contra 0,13 °C por década).[13] A elevação na temperatura não foi, porém, linear, com várias
oscilações para mais e para menos. Variações desse tipo são naturais e esperadas, mas a tendência
geral é claramente ascendente.[14]

Cada uma das quatro últimas décadas têm sido mais quente do que a década anterior,[12] recordes de
temperatura têm sido batidos a cada ano nos últimos anos, e evidências recentes apontam para uma
tendência de aceleração na velocidade do aquecimento nos últimos 15 anos.[15] Esse aumento não
pode ser explicado satisfatoriamente sem levarmos em conta a influência humana. De fato, há fortes
evidências indicando que o aquecimento antrópico tem sido tão importante que reverteu uma
tendência natural dos últimos 5 mil anos de resfriamento do planeta.[14]

Emissões antrópicas de alguns poluentes — em especial aerossóis de sulfato — podem gerar um


efeito refrigerante através do aumento do reflexo da luz incidente. Isso explica em parte o
resfriamento observado no meio do século XX, embora isso possa também ser atribuído em parte à
variabilidade natural.[16]

O aquecimento global

Ver artigo principal: Mudança do clima

O efeito estufa e o aquecimento global

Ver artigos principais: Causas do aquecimento global, Efeito estufa, e Poluição atmosférica

Por efeito estufa entende-se a retenção de calor pela atmosfera, impedindo-o de se dissipar no
espaço. A origem primária deste calor é o Sol, que continuamente emite imensas quantidades de
radiação em vários comprimentos de onda, incluindo a luz visível e a radiação térmica (calor), mas
também em comprimentos não observáveis pelo ser humano sem a ajuda de instrumentos, como
o ultravioleta. Cerca de um terço da radiação que a Terra recebe do Sol é refletida pela atmosfera de
volta para o espaço, mas dois terços dela chegam à superfície, sendo absorvida pelos continentes e
oceanos, fazendo com que aqueçam. A atmosfera, por sua vez, é aquecida em parte pela radiação
direta do Sol, mas principalmente pelo calor refletido pela superfície da Terra, mas por virtude do
efeito estufa, ali fica retido e não se dissipa para o espaço.[17]

O efeito estufa é um mecanismo natural fundamental para a preservação da vida no mundo e para a
regulação e suavização do clima global, que oscilaria entre extremos diariamente, caso ele não
existisse. O efeito estufa funciona como um amortecedor de extremos. Sem ele, a Terra seria cerca
de 30 °C mais fria do que é hoje. Provavelmente ainda poderia abrigar vida, mas ela seria muito
diferente da que conhecemos e o planeta seria um lugar bastante hostil para a espécie humana viver.
[18]
Porém, mudanças na composição atmosférica podem desequilibrá-lo. O que ocorre hoje, em vista
da mudança na composição atmosférica provocada pela emissão continuada e massiva de diversos
gases, é sua intensificação, fazendo com que passe a abafar demais o planeta.[16][19][20]
Vários gases obstruem a perda de calor da atmosfera, chamados em conjunto gases do efeito
estufa ou, abreviadamente, gases estufa. Eles têm a propriedade de serem transparentes à radiação
na faixa da luz visível, mas são retentores de radiação térmica. Os mais importantes são o vapor
d'água, o gás carbônico (dióxido de carbono ou CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (NO2) e
o ozônio (O3).[21] Apesar de em proporções absolutas o vapor d'água e o gás carbônico serem os mais
efetivos, por existirem em maiores quantidades, a potência desses gases, comparada
individualmente, é muito distinta. O metano, por exemplo, é de 20 a 30 vezes mais potente que o gás
carbônico.[16] Não só os gases estufa vêm aumentando. O crescimento das concentrações de
poluentes aerossóis, que bloqueiam parte da radiação solar antes que atinja a superfície, e tendem a
provocar um resfriamento, contribuiu para retardar o processo de aquecimento global.[16]

Causas básicas

Gráficos ilustrando a evolução de vários indicadores


socioeconômicos (esquerda) e indicadores de impacto
ambiental (direita) no período de 1750 a 2010.
Destaca-se o período a partir da década de 1950, que
enfoca a chamada Grande Aceleração do Antropoceno,
quando o impacto das atividades humanas sobre a face
do planeta se tornou exponencial[22]

A emissão aumentada dos gases estufa decorre de uma série de mudanças introduzidas pela
sociedade contemporânea. O fator básico é a explosão populacional, que desencadeou a exploração
dos recursos naturais em escala cada vez maior e mais rápida a fim de atender às crescentes
necessidades de energia, alimento, transporte, educação, saúde e materiais para construção de
habitações e infraestruturas e para a produção de uma série infindável de bens de consumo e
mesmo luxos supérfluos, criando-se uma civilização que prima pelo desrespeito à natureza,
pelo consumismo, pela insustentabilidade, pelos elevados índices de desperdícios e pela vasta
produção de lixo e poluição.[23][24][25][26] Segundo o professor da UFRGS Róber Avila, "os defensores de
políticas natalícias não levam em conta também a questão ambiental. Quanto maior é a população,
há mais esgoto, trânsito, plástico nos rios, congestionamento, gás carbônico na atmosfera, lixo,
pobreza e mais problemas sociais".[27]

Desde o início do século XIX a população humana aumentou seu tamanho em sete vezes, desde a
década de 1960 até o presente os níveis de consumo duplicaram e cerca de 60% dos recursos
naturais já estão esgotados ou em vias de rápido esgotamento.[28] Ao longo do século XXI espera-se
um aumento acelerado no consumo, que pode chegar a ser 900% maior do que os níveis atuais.[29]

Neste processo de acelerado crescimento populacional e econômico, desenvolveram-se tecnologias


e sistemas produtivos que consomem muitos recursos naturais e são altamente poluidores, e que
ainda têm no uso dos combustíveis fósseis sua principal fonte de energia. Ao mesmo tempo, a
necessidade de espaço para urbanização e para a formação de lavouras e pastagens determinou a
derrubada de imensas áreas florestais e a degradação da maior parte dos ecossistemas da Terra. A
queima de combustíveis fósseis e as mudanças no uso da terra — incluindo o desmatamento, uso
de fertilizantes e agrotóxicos, as queimadas e outras práticas agropecuárias — são as principais
fontes de gases estufa. Outras fontes importantes são a degradação dos solos, o desperdício de
alimentos e a produção de resíduos (lixo, esgotos, efluentes industriais, etc).[23][30][31]

Em 2010 o setor elétrico e a produção de energia calorífera respondiam por 25% das emissões
globais de gases estufa, incluindo a queima de carvão, gás natural e derivados do petróleo. A
indústria respondia por 21% do total, incluindo queima de combustíveis fósseis para processos
químicos, metalúrgicos, transformação mineral e manejo de resíduos. A agricultura, a silvicultura, o
desmatamento e outros usos da terra eram responsáveis por 24% do total. Ao setor de transporte
cabiam 14%, à construção civil 6%, e o restante a uma série de outros agentes de menor expressão.
[30]

Evidências do aquecimento global

Ver artigos principais: Recuo dos glaciares desde 1850 e Subida do nível do mar

Recuo do Glaciar McCarty entre 1909 e


2004

Que está em andamento um aquecimento generalizado do planeta é fato comprovado por várias
evidências concretas, e reconhecido como inequívoco pelo consenso dos climatologistas. As
evidências são recolhidas através de estações meteorológicas, registros
de paleoclima, batitermógrafos, satélites, entre outros métodos de medição.[14] Elas incluem:

 O aumento na temperatura da atmosfera sobre terras e mares.[16][32] Cada uma das quatro
últimas décadas foi mais quente que a década anterior. Entre 2001 e 2020 a média global de
aumento da temperatura foi de 0,99 °C maior que no período de 1850-1900. Entre 2011 e
2021 a média de aumento foi de 1,09 °C. Os continentes estão aquecendo mais rápido do
que os oceanos. Nos continentes a média de aumento foi de 1,59 °C e nos oceanos de
0,88 °C.[12]

 O aumento no nível de umidade atmosférica, possível graças à capacidade do ar quente reter


mais vapor de água do que o ar frio;[32]

 A retração da vasta maioria das geleiras;[16][32][33]

 A diminuição da área coberta por neve;[16][32][34]

 A retração do gelo oceânico global;[16][32][35]


 Migração de muitas espécies animais e vegetais de climas mais quentes em direção aos
pólos, ou a altitudes mais elevadas;[16][36][37][38]

 O aumento da temperatura do mar, com o resultado de elevar-se o seu nível pela expansão
térmica;[16][32]

 O adiantamento da ocorrência de eventos associados à primavera, como as cheias de rios e


lagos decorrentes de degelo, brotamento de plantas e migrações de animais.[16]

Esses dados dão provas materiais seguras de que o clima está realmente esquentando.

Evidências da origem humana do aquecimento

Em tese, vários fatores poderiam ser responsáveis por um aquecimento do sistema climático
terrestre. Modificações na composição do ar por causas naturais já ocorreram antes na história da
Terra, produzindo mudanças climáticas e ecológicas às vezes em larga escala.[39] O diferencial
contemporâneo é que mudanças importantes estão sendo agora induzidas pelo homem, cujas
atividades geram gases estufa e os liberam na atmosfera, aumentando a sua concentração e
provocando finalmente um aumento na retenção geral de calor.[40] As evidências observadas,
sintetizadas principalmente no Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas, apontam que o aquecimento é uma realidade inequívoca e que sua origem
deriva principalmente do efeito estufa intensificado pela atividade humana.[14] É extremamente
improvável que essas mudanças possam ser explicadas por causas naturais, especialmente
considerando que nos últimos 50 anos a tendência das causas naturais sozinhas teria sido
provavelmente resfriar o planeta.[41] A responsabilização das atividades humanas por esta
amplificação é apoiada por várias evidências:

Variação da concentração atmosférica de

CO2 nos últimos 400 mil anos Curvas de


concentração na atmosfera de vários gases estufa no período 1976-2013: CO2, N2O, CH4, CFC-12, CFC-
11, HCFC-22 e HFC-134a. Apenas dois, dos menos importantes, mostram declínio recente. Todos os
outros, inclusive os mais potentes, cresceram constantemente

 A composição isotópica do gás carbônico atmosférico (CO2) indica que tem principalmente
origem fóssil, derivando da combustão do petróleo, do gás natural e do carvão mineral,
combustíveis fósseis de uso generalizado na sociedade moderna. A quantidade de
O2 também tem diminuído de forma consistente com a liberação de CO2 por meio de
combustão.[19][42] Nos últimos 800 mil anos a concentração de CO2 atmosférico manteve-se
relativamente estável, variando de 170 a 300 ppm (partes por milhão). Contudo, desde
a Revolução Industrial, iniciada em meados do século XVIII, a concentração atmosférica
aumentou aproximadamente 35%,[19] ultrapassando as 410 ppm em 2011,[12] resultado da
emissão de cerca de 375 bilhões de toneladas de gás desde 1750 até 2011 somente nas
áreas de combustíveis fósseis e produção de cimento. (Um bilhão de toneladas equivale a 1
gigatonelada). De 100 a 260 bilhões de toneladas a mais foram emitidas no mesmo período
por mudanças no uso da terra, principalmente o desmatamento nas regiões tropicais.
Menores quantidades tiveram origem em outras fontes. Do total, cerca de 240 bilhões se
acumularam na atmosfera, e o restante foi absorvido pelos oceanos, pelos solos e
pela biomassa.[14] Nas últimas décadas, cerca de 80% desse aumento deriva da queima de
combustíveis fósseis, e cerca de 20% advém do desmatamento e de mudanças nas práticas
agrícolas.[19] Os níveis de emissão têm crescido quase continuamente, chegando nos últimos
anos à ordem de dezenas de gigatoneladas por ano.[43] Em 2012, foram emitidas 31,6
gigatoneladas,[44] e somente nas áreas de combustíveis fósseis e indústria foram 35,9
gigatoneladas em 2014 e 35,7 gigatoneladas em 2015.[45] Dados da FAO mostram que o
desperdício de alimentos é a terceira maior causa de emissões de carbono, respondendo
pelo lançamento anual de 3,3 bilhões de toneladas de CO2 e outros gases estufa na
atmosfera.[31]

 O CO2 é o maior componente antrópico do efeito estufa,[46] mas outros gases também estão
elevando seus níveis atmosféricos. O metano (CH4) se origina no uso de combustíveis fósseis,
na agricultura, na pecuária e na decomposição de matéria orgânica (lixo, esgotos), mais que
dobrando sua concentração atmosférica desde o período pré-industrial, tendo passado de
uma média de 722 [± 697-747] ppb (partes por bilhão) em 1750 para 1869 ppb em 2018.[14]
[47]
Recentemente o papel do metano vem sendo reavaliado, e prevê-se que aumente muito
sua contribuição para o efeito estufa à medida que derrete o permafrost das regiões frias,
onde é estocado congelado em vastas quantidades. A elevação do óxido nitroso (N2O),
devida principalmente ao uso de fertilizantes, variou de 270 ppb pré-industrial para 331,1
ppb em 2018,[16][47] e os níveis de ozônio (O3) aumentaram de 25 para 34 ppb em 2012.[48]

 Menos calor está escapando para o espaço. Num planeta em aquecimento, este fato é
consistente apenas com um efeito estufa intensificado. Além disso, este calor é retido nas
faixas de frequência correspondentes aos gases estufa, como o CO2 e CH4.[49]

 Mais calor está retornando da atmosfera de volta à superfície. Esta evidência é o outro lado
da moeda da evidência anterior, pois o calor que deixa de ser liberado ao espaço acaba
retornando para a superfície. Também nesse caso, observam-se os padrões no espectro de
frequência que indicam a ação dos gases estufa.[50]

 O padrão de aquecimento nas diferentes profundidades dos oceanos é consistente com o


que se esperaria com o aumento do efeito estufa atmosférico.[51]
 A forma com que têm se aquecido as diferentes camadas da atmosfera é consistente com o
padrão provocado pela intensificação do efeito estufa.[52]

 As temperaturas noturnas têm aumentado mais do que as diurnas. Os invernos têm


apresentado maior aquecimento do que os verões.[53][54]

No seu conjunto, as evidências são consistentes apenas com a intensificação do efeito estufa
causado pela atividade humana.

Análise de hipóteses alternativas

Uma explicação "alternativa" popular é que o aquecimento recente poderia ser originado por maior
atividade solar. À luz das evidências, entretanto, esta hipótese não se confirma. Neste caso, as
temperaturas subiriam mais quando o sol está mais presente: durante o verão, e durante o dia; não
haveria aumento de retenção de energia na atmosfera nas faixas de frequência dos gases estufa; e
teria de haver aumento da atividade solar que justificasse, quantitativamente, o aquecimento
observado. Ao contrário, não há tendência de aumento dessa atividade pelo menos nos últimos 60
anos. É certo que, na história geológica de nosso planeta, variações de irradiância solar tiveram
consequências climáticas importantes. Todavia, o aquecimento das últimas décadas não pode ser
atribuído a isso.[19][55][56][57]

Alguns estudos indicaram que uma parte do aquecimento observado no início do século XX pode ser
atribuível a causas naturais, como a variabilidade climática natural e emissões vulcânicas de gases,
mas o consenso atual é de que a partir da segunda metade do século as atividades humanas têm
sido o fator largamente preponderante. Outras hipóteses sugeriram como possíveis influências
naturais no aquecimento os raios cósmicos e alterações no campo magnético da Terra, afetando a
formação das nuvens e de chuva, mas o IPCC considera que uma influência neste sentido não foi
comprovada com segurança, e mesmo se existir, ela seria pequena demais para ter exercido qualquer
modificação significativa no sistema climático ao longo do século XX.[14]

Distribuição geográfica

O aquecimento verificado não é globalmente uniforme, o que era previsto em teoria já desde o
trabalho seminal de Svante Arrhenius no fim do século XIX.[58] Os modelos climáticos esperavam que
as regiões polares fossem as mais afetadas,[16][59] que os continentes aqueceriam mais do que os
oceanos, e que o Hemisfério Norte aqueceria mais que o Sul.[38][60][61] Os registros confirmam a
previsão e indicam que a região do Ártico aumentou suas temperaturas duas vezes mais rápido do
que a média mundial nos últimos 100 anos.[16] Algumas partes do Ártico já se aqueceram 4 °C desde a
década de 1960, enquanto a média mundial elevou-se menos de 1 °C em todo o século XX.[62] A
maioria das projeções teóricas espera que o Ártico continue a experimentar os maiores índices de
aquecimento.[38][63]

A causa mais importante para essa diferença regional é a diferença na superfície coberta por terra
firme em relação à coberta por água. O Hemisfério Norte tem muito mais terras firmes do que o Sul.
Em primeiro lugar, as terras aquecem mais rapidamente do que o mar, e em segundo, há mais
superfície coberta por neve e gelo perenes. Os gelos, com sua brancura (albedo), têm grande
capacidade de refletir a radiação recebida do Sol de volta para o espaço. Com o rápido degelo que
ocorre no Ártico o albedo total se reduz e ao mesmo tempo mais terra fica exposta para aquecer.
Esses efeitos podem ser potencializados pela grande estabilidade da baixa troposfera sobre o Ártico
(a chamada inversão ártica), que tende a concentrar o calor junto à superfície, embora o real papel
da inversão seja disputado. Também influem na variabilidade regional mudanças na cobertura de
nuvens, na circulação marítima e nos sistemas de ventos e correntes de jato.[38][64][65][66][67]

Uma rápida elevação na temperatura também é observada no sul do globo em trechos da Antártida,
especialmente no centro-oeste e na Península Antártica, embora nestas regiões o fenômeno seja
muito menos compreendido e muito mais polêmico pela menor disponibilidade de dados confiáveis
e por estudos que trazem conclusões conflitantes. A causa do menor aquecimento observado no
continente antártico é incerta, mas foi atribuída a um aumento na potência dos ventos, originada por
sua vez de alterações na camada de ozônio.[68][69][69][70][71]

Mapa do globo mostrando a anomalia térmica mundial da década 2000-2009 em comparação à


média do período 1951-1980. As regiões mais aquecidas estão no Hemisfério Norte, próximas
ao Ártico e nas zonas temperadas. No Hemisfério Sul as mudanças mais importantes são limitadas
à Península Antártica. A diferente concentração do calor pelas várias regiões é consistente com os
modelos teóricos.

Perspectiva de aquecimento futuro

Por várias questões práticas, os modelos climáticos referenciados pelo IPCC normalmente limitam
suas projeções até o ano de 2100. São análises globais, e por isso não oferecem grande definição de
detalhes. Embora isso gere mais incerteza para previsão das manifestações regionais e locais do
fenômeno, as tendências globais já foram bem estabelecidas e têm se provado confiáveis.[72] Os
modelos usam para seus cálculos diferentes possibilidades (cenários) de evolução futura das
emissões de gases estufa pela humanidade, de acordo com tendências de consumo,
produção, crescimento populacional, aproveitamento de recursos naturais, etc. Estes cenários são
todos igualmente plausíveis, mas não se pode ainda determinar qual deles se materializará, uma vez
que dependem de desdobramentos imprevisíveis, como a evolução tecnológica e a adoção ou não
de políticas de mitigação. Considerando estes vários cenários, em seu 5º Relatório o IPCC previu que
até 2100 a temperatura média global deve ficar mais provavelmente na faixa de 1,5 °C a 4 °C acima
dos valores pré-industriais, com alguns cenários indicando até 6 °C.[14] As estimativas mais recentes,
contudo, apresentadas na Conferência do Clima de 2019 pelo secretário-geral das Nações Unidas,
apontam para uma elevação de 3,4 °C a 3,9 °C até 2100.[73] Embora níveis mais elevados sejam
considerados menos prováveis, não está excluída a possibilidade de mudanças abruptas e radicais
imprevisíveis nos parâmetros do clima, e essa possibilidade aumenta à medida que a temperatura
aumenta.[14][74]

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