MÉTODO DOS BLOCOS
Aplicável na: trefilação, forjamento, extrusão e laminação
O método dos blocos baseia-se no estudo das forças atuantes em um determinado elemento
de volume (bloco). Este elemento de volume deve ser tomado de modo a melhor representar o
processo de deformação plástica do material metálico. A geometria do processo de conformação
mecânica, pode variar entre uma tira, um disco, um tubo ou simplesmente um bloco.
Algumas hipóteses simplificadoras e convenções são tomadas para viabilizar o estudo do
elemento de volume separado, nem todas são essencialmente empregadas:
• As direções do sistema de referência adotado no estudo devem ser iguais às direções principais
de deformação;
• As tensões atuantes variam predominantemente em uma direção apenas ou então podem ser
facilmente correlacionáveis à variação da tensão em apenas uma direção;
• Quando considerado, o atrito fica confinado somente na superfície e seu efeito é representado
não pela deformação localizada que promove, mas sim por uma força superficial que se opõe
à conformação;
• O material deverá iniciar a sua deformação quando as forças, atuantes no elemento de volume
tomado para estudo, estiverem na situação crítica de equilíbrio;
• Após o isolamento de elemento de volume e da descrição das forças em equilíbrio, a
representação deste equilíbrio reduz-se a uma equação como descrita por Helman e Cetlin
(1983):
𝑑𝜎𝑥𝑖 1
+ 𝐹 (𝜎𝑥𝑖 , 𝜎𝑥𝑗 ) = 0
𝑑𝑥𝑖 𝑥𝑖
Onde:
• 𝑥𝑖 é a coordenada correspondente à direção na qual as tensões variam predominantemente;
• 𝜎𝑥𝑖 e 𝜎𝑥𝑗 são as tensões principais correspondentes às direções 𝑥𝑖 e 𝑥𝑗;
• 𝐹 (𝜎𝑥𝑖 , 𝜎𝑥𝑗 ) é uma função linear e inclui o efeito do atrito e a incidência dos parâmetros
geométricos do processo.
Na equação exposta acima, o efeito do encruamento pode ser levado em consideração na
integração da equação diferencial, bastando introduzir-se a função que descreva a variação da tensão
em função da deformação, 𝜎 = 𝑓(𝜀).
Como a hipótese básica de equilíbrio de forças não existe na prática, mesmo para os casos
mais adequados à aplicação deste método, as soluções tendem a subestimar os reais valores da força
necessária para a conformação.
CÁLCULO SIMPLES DA TENSÃO DE TREFILAÇÃO
A figura a seguir ilustra uma ampliação do elemento de volume detalhando a posição relativa
das forças atuantes em relação do sistema de referência (eixo X na horizontal, eixo Y na direção
vertical e eixo Z na direção da profundidade). Basicamente, sobre o elemento de volume, estão
atuantes a tensão de tração do processo (𝜎𝑥 ), a pressão de contato metal-matriz (𝑃) e a tensão de
atrito entre o metal e a matriz (𝜏𝑎𝑡𝑟𝑖𝑡𝑜 = 𝜇𝑃).
Inicialmente, desprezando-se a força de atrito, determina-se as forças atuantes no elemento de
volume, para se fazer o seu balanço nas condições de equilíbrio.
EIXO X:
• Do lado direito: 𝜎𝑥 . ℎ. 𝑤
1 1
• Do lado esquerdo (devido as tensões longitudinais): (𝜎𝑥 + 𝑑𝜎𝑥 ). (ℎ + 2 𝑑ℎ + 2 𝑑ℎ) . 𝑤 =
(𝜎𝑥 + 𝑑𝜎𝑥 ). (ℎ + 𝑑ℎ). 𝑤
• Na parte superior do elemento de volume (devido à pressão na matriz na interface):
𝑑𝑥
𝑃. sin ∝ . (cos∝) . 𝑤
• Na parte inferior do elemento de volume (devido à pressão na matriz na
𝑑𝑥
interface): 𝑃. sin ∝ . (cos∝) . 𝑤
∑ 𝐹𝑋 = 0
𝑑𝑥
𝜎𝑥 . ℎ. 𝑤 + (𝜎𝑥 + 𝑑𝜎𝑥 ). (ℎ + 𝑑ℎ). 𝑤 + 2. 𝑃. sin ∝ . ( ).𝑤 = 0
cos ∝
sin ∝
𝜎𝑥 . ℎ. 𝑤 + 𝜎𝑥 . ℎ. 𝑤 + 𝜎𝑥 . 𝑑ℎ. 𝑤 + 𝑑𝜎𝑥 . ℎ. 𝑤 + 𝑑𝜎𝑥 . 𝑑ℎ. 𝑤 + 2. 𝑃. 𝑑𝑥. ( ) . 𝑤 = 0 (÷ 𝑤)
cos ∝
𝜎𝑥 . ℎ + 𝜎𝑥 . ℎ + 𝜎𝑥 . 𝑑ℎ + 𝑑𝜎𝑥 . ℎ + 𝑑𝜎𝑥 . 𝑑ℎ + 2. 𝑃. 𝑑𝑥. tan ∝ = 0
𝜎𝑥 . 𝑑ℎ + ℎ. 𝑑𝜎𝑥 + 2. 𝑃. 𝑑𝑥. tan ∝ = 0
Observando as figuras apresentadas acima, é possível verificar que existe uma relação entre ℎ e 𝑥:
ℎ 1
𝑥 = ( ).( ) ∴ ℎ = 2. 𝑥. tan 𝛼
2 tan ∝
𝑑ℎ
𝑑𝑥 = ∴ 𝑑ℎ = 2. tan ∝ . 𝑑𝑥
2 . tan ∝
Fazendo as respectivas substituições da variável 𝑥 por ℎ
𝜎𝑥 . 𝑑ℎ + ℎ. 𝑑𝜎𝑥 + 2. 𝑃. 𝑑𝑥. tan ∝ = 0
𝑑ℎ
𝜎𝑥 . 𝑑ℎ + ℎ. 𝑑𝜎𝑥 + 2. 𝑃. . tan ∝ = 0
2 . tan ∝
𝜎𝑥 . 𝑑ℎ + ℎ. 𝑑𝜎𝑥 + 𝑃. 𝑑ℎ = 0 (÷ ℎ. 𝑑ℎ)
𝜎𝑥 𝑑𝜎𝑥 𝑃
( )+( ) + ( ) = 0, 𝑟𝑒𝑎𝑔𝑟𝑢𝑝𝑎𝑛𝑑𝑜
ℎ 𝑑ℎ ℎ
𝑑𝜎𝑥 𝜎𝑥 + 𝑃
( )+( )=0
𝑑ℎ ℎ
A última equação obtida é exatamente a mesma forma da equação mencionada na teoria que
é obtida na resolução deste tipo de problema. Para resolver esta equação é necessária a determinação
de uma equação que relacione 𝜎𝑥 com 𝑃. Esta equação pode ser obtida através do equilíbrio de forças
na direção 𝑦.
EIXO Y:
• Do lado de dentro do elemento de volume: 𝜎𝑦 . 𝑤. 𝑑𝑥
𝑑𝑥
• Do lado da matriz: 𝑃. cos ∝ . (cos∝) . 𝑤 = 𝑃. 𝑤. 𝑑𝑥
∑ 𝐹𝑦 = 0
𝜎𝑦 . 𝑤. 𝑑𝑥 + 𝑃. 𝑤. 𝑑𝑥 = 0
𝜎𝑦 = −𝑃
Como a pressão de contato (𝑃) é considerada positiva, torna-se óbvio que a tensão vertical
interna do elemento de volume 𝜎𝑦 é negativa, ou seja, de compressão.
Por outro lado, o estado de tensões atuantes é deformação plana, neste caso a tensão
necessária ao escoamento do material é dada pela equação:
2
𝑌= . 𝜎𝑦𝑠 = 1,15. 𝜎𝑦𝑠
√3
Considerando o critério de escoamento de Tresca:
𝜎1 − 𝜎3
𝜏2 = 𝜏𝑚á𝑥 ≥
2
Ou
(𝜎𝑚á𝑥 − 𝜎𝑚𝑖𝑛 ) ≥ 𝑌 = 1,15. 𝜎𝑦𝑠
Considerando que 𝜎𝑚á𝑥 = 𝜎𝑥 e 𝜎𝑚𝑖𝑛 = 𝜎𝑦 e 𝜎𝑦 = −𝑃, então:
𝜎𝑥 + 𝑃 ≥ 𝑌
Ou
(𝜎𝑥 + 𝑃) = 𝑌 (𝑛𝑎 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖çã𝑜 𝑙𝑖𝑚𝑖𝑡𝑒)
Substituindo este resultado na equação obtida anteriormente
𝑑𝜎𝑥 𝜎𝑥 + 𝑃
( )+( )=0
𝑑ℎ ℎ
𝑑𝜎𝑥 𝑌
( )+( )= 0
𝑑ℎ ℎ
𝑑𝜎𝑥 𝑑ℎ
=− , agora se integra a equação em ℎ, obtendo:
𝑌 ℎ
𝜎𝑥
= − ln ℎ + 𝑐𝑡𝑒
𝑌
Considera-se, como condição de contorno, que a tensão 𝜎𝑥 será igual à zero na entrada da
matriz (fieira), ou seja: 𝜎𝑥 = 0 quando ℎ = ℎ𝑖 :
𝜎𝑥
= − ln ℎ + 𝑐𝑡𝑒 = 0 𝑠𝑒 𝑐𝑡𝑒 = ln ℎ𝑖
𝑌
𝜎𝑥 ℎ𝑖
= − ln ℎ + ln ℎ𝑖 = ln
𝑌 ℎ
ℎ 𝐴𝑓
Para se calcular a tensão de trefilação deve-se considerar que o ℎ = ℎ𝑓 . Como ℎ 𝑖 = , então a
𝑓 𝐴𝑖
tensão de trefilação (na saída da fieira) será dada pela equação:
2 𝐴𝑖
𝑌= . 𝜎𝑦𝑠 .
√3 𝐴𝑓
Onde: 𝜎𝑦𝑠 é o limite de escoamento obtido em ensaio de tração, 𝐴𝑖 é a área de entrada e 𝐴𝑓 a
área de saída do material da fieira.