Pgri RH1
Pgri RH1
Maio 2016
1
PLANO DE GESTÃO DOS
RISCOS DE INUNDAÇÕES
FICHA TÉCNICA
Nuno Lacasta
António Sequeira Ribeiro
Cláudia Brandão
Cláudia Brandão Desenvolvimento dos trabalhos de base
José Salvado
Sofia Cunha
Paula Machado
Fernanda Gomes Colaboração e apoio geral
João Mamede
Manuel Silva Carvalho
Sandra Sarmento
Teresa Álvares
José Proença
Fernando Magalhães
Celso Pinto
Ricardo Guerreiro
Augusto Serrano
Filipe Távora
Carla Jorge
Olga Graça
Maria João Amaral
Patrícia Pires
António Oliveira Direção Geral do Território
Ricardo Gonçalves
Nuno Oliveira
Secretaria Regional dos Recursos Naturais dos
Renato Verdadeiro
Açores
Adelaide Valente Secretaria Regional da Madeira
EQUIPAS CONSULTORAS
AGRADECIMENTOS
A todos os Departamentos e colegas da APA, I.P. não diretamente envolvidos nos trabalhos, mas que
contribuíram com informação relevante para a sua elaboração.
A todas as entidades e cidadãos que, no âmbito da consulta pública, participaram nas sessões e
enviaram o seu contributo.
Índice
Índice de Figuras
Indice de Quadros
Indice de Anexos
Anexo 1 - Cartas de riscos de inundações..................................................................................................... 90
Anexo 2 - Massas de água subterrâneas e superficiais................................................................................. 92
Anexo 3 - Identificação das zonas da Diretiva Aves, incluindo as áreas protegidas – sítios relevantes
da Rede Natura 2000 .................................................................................................................................... 94
Anexo 4 - Identificação das atividades económicas e do património cultural ............................................. 96
Anexo 5 - Reserva Ecológica Nacional .......................................................................................................... 98
Anexo 6 - Planos de Emergência de Proteção Civil ..................................................................................... 100
Anexo 7 - Códigos das medidas PGRI .......................................................................................................... 104
Anexo 8 - Características das infraestruturas hidráulicas ........................................................................... 106
Anexo 9 – Infraestruturas viárias e de tratamento de águas residuais ...................................................... 108
Anexo 10 - Representação de massas de água, áreas inundáveis e elementos expostos.......................... 110
Anexo 11 – Massas de água superficiais consideradas nos PGRH .............................................................. 111
Anexo 12 - Principais Intervenções na Orla Costeira .................................................................................. 113
Acrónimos e
Designação
Siglas
AAPC Albufeiras de Águas Públicas Classificadas
ANMP Associação Nacional de Municípios Portugueses
ANPC Autoridade Nacional da Proteção Civil
APDL Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo
ARH Administração de Região Hidrográfica
APA Agência Portuguesa do Ambiente
ASF Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões
CCDR Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional
CDOS Comando Distrital de Operações de Socorro
CE Comissão Europeia
CNGRI Comissão Nacional da Gestão dos Riscos de Inundações
CP Consulta Pública
DGRN Direcção-Geral dos Recursos Naturais
DGRAH Direcção-Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos
DGADR Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural
DGPC Direção-Geral do Património Cultural
DGT Direção-Geral do Território
DQA Diretiva Quadro da Água
DRH Departamento de Recursos Hídricos
EC European Comission
EDIA Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, S.A.
EDP Energias de Portugal
EU European Union
FD Flood Directive (Diretiva das Inundações)
FIL Feira Industrial de Lisboa
FHRM Flood Hazard and Risk Maps (Cartas de Zonas Inundáveis de Risco de Inundações)
FRMP Flood Risk Management Plan (Plano de Gestão dos Riscos de Inundações)
ICNF Instituto de Conservação da Natureza e Florestas
IGIDL Instituto Geofísico do Infante D. Luís
IGT Instrumentos de Gestão Territorial
IPMA Instituto Português do Mar e da Atmosfera
IST Instituto Superior Técnico
LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil
MA Massas de Água
NWRM Natural Water Retention Measures (Medidas Verdes)
PAAP Programa de Albufeiras de Águas Públicas
PCCRL Projeto de Controlo de Cheias na Região de Lisboa
PCIP Prevenção e Controlo Integrado da Poluição
PDEPC Planos Distritais de Emergência de Proteção Civil
PDM Plano Diretor Municipal
PEOT Plano Especial de Ordenamento do Território
PEPC Plano de Emergência de Proteção Civil
PGRI Plano de Gestão dos Riscos de Inundações
Acrónimos e
Designação
Siglas
PGRH Plano de Gestão de Região Hidrográfica
PI Participação Interativa
PIOT Plano Intermunicipal de Ordenamento do Território
POA Plano de Ordenamento das Albufeiras
POAAP Plano de Ordenamento de Albufeiras de Águas Públicas
POOC Plano de Ordenamento da Orla Costeira
POC Programa de Orla Costeira
POE Plano de Ordenamento do Estuário
POSEUR Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos
PMEPC Planos Municipais de Emergência de Proteção Civil
PMOT Plano Municipal de Ordenamento do Território
PNEPC Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil
PNPOT Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território
PP Plano de Pormenor
PP Participação Pública
PROT Planos Regionais de Ordenamento do Território
PU Plano de Urbanização
REN Reserva Ecológica Nacional
RH Região Hidrográfica
RH1 Região Hidrográfica do Minho e Lima
RH2 Região Hidrográfica do Cávado, Ave e Leça
RH3 Região Hidrográfica do Douro
RH4 Região Hidrográfica do Vouga, Mondego e Lis
RH5 Região Hidrográfica do Tejo e Oeste
RH6 Região Hidrográfica do Sado e Mira
RH8 Região Hidrográfica do Algarve
RNAP Rede Nacional das Áreas Protegidas
SAP Sistema de Alerta Próprio
SEPNA Serviço de Protecção da Natureza
SMAS Serviço Municipalizado de Água e Saneamento
SMPC Serviço Municipal de Proteção Civil
SNIRH Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos
SVAC Sistema Vigilância Alerta Cheias
SVARH Sistema de Vigilância e Alerta de Recursos Hídricos
WISE Water Information System for Europe
UoM Unit of Management (Unidade de Gestão)
ZAC Zonas Ameaçadas pelas Cheias
ZC Zona Crítica
A Agência Portuguesa do Ambiente, I.P. (APA) tem por missão propor, desenvolver e acompanhar a
gestão integrada e participada das políticas de ambiente e de desenvolvimento sustentável, de
forma articulada com outras políticas sectoriais e em colaboração com entidades públicas e
privadas, que concorram para o mesmo fim, tendo em vista um elevado nível de proteção e de
valorização do ambiente e a prestação de serviços de elevada qualidade aos cidadãos prosseguindo
entre outras as seguintes atribuições: exercer as funções de Autoridade Nacional da Água, nos
termos e para efeitos do disposto na Lei da Água e demais legislação complementar. Neste âmbito
insere-se a gestão de cheias, a coordenação da adoção de medidas excecionais em caso de cheias,
bem como a aplicação de medidas para criar sistemas de alerta para salvaguarda de pessoas e bens.
Na sequência das cheias ocorridas na Europa Central, entre 1998 e 2004, cuja magnitude afetou
gravemente as atividades económicas europeias, a União Europeia decidiu iniciar um processo de
avaliação dos prejuízos e análise do fenómeno e dos procedimentos de mitigação e adaptação,
visando a definição de uma estratégia para diminuir as vulnerabilidades da Europa, face à ocorrência
de cheias, e, consequentemente permitir reduzir as consequências prejudiciais.
Neste contexto, a Comissão Europeia iniciou o desenvolvimento de uma estratégia comunitária que
culminou com a publicação da Diretiva 2007/60/CE, de 23 de outubro, relativa à avaliação e gestão
dos riscos de inundações com sua transposição para o direito nacional através do Decreto-Lei nº
115/2010, de 22 de outubro. Esta norma legal estabelece um quadro nacional para a avaliação e
gestão dos riscos de inundações, com o objetivo de reduzir as consequências prejudiciais associadas
a este fenómeno para a saúde humana (incluindo perdas humanas), o ambiente, o património
cultural, as infraestruturas e as atividades económicas.
As etapas são executadas em ciclos de seis em seis anos, visando a respetiva reavaliação da
informação, sendo que a primeira etapa do segundo ciclo terá que estar concluída até final de 2018.
Na figura 1 ilustram-se as datas de desenvolvimento das fases do 1.º ciclo em Portugal e a ligação
com as atividades do 2.º ciclo de planeamento.
Decorrente da publicação da Lei nº 31/2014, de 30 de maio, Lei de Bases Gerais da Política Pública
de Solos, de Ordenamento do Território e de Urbanismo, e do Decreto-Lei nº 80/2015, de 14 de
maio, que define o regime de coordenação de âmbito nacional, regional intermunicipal e municipal,
o regime geral de uso do solo e o regime de elaboração, aprovação, execução e avaliação dos IGT, os
PGRI tomam a forma de programas sectoriais. São, pois, programas que estabelecem, no âmbito
nacional e de acordo com as políticas setoriais da União Europeia, a incidência territorial da
programação ou concretização de políticas públicas da administração central do Estado,
nomeadamente no domínio dos recursos hídricos e prevenção de riscos e simultaneamente planos,
que estabelecem opções e ações concretas em matéria de planeamento e organização do território.
Até dezembro de 2018 deverá estar concluída a primeira fase do 2º ciclo de planeamento com a
reavaliação e atualização das Zonas Críticas na Região Hidrográfica. A segunda fase corresponde ao
reexame e atualização das cartas de zonas inundáveis e das cartas de riscos de inundações e deverá
estar concluída até dezembro de 2019. O 2º ciclo de planeamento deverá integrar o impacto
provável das alterações climáticas na ocorrência de inundações, fluviais, e costeiras e de origem
subterrânea.
Para esse efeito deverá ser garantida a estreita articulação com outros instrumentos de gestão
territorial, nomeadamente os Programas da Orla Costeira (antigos Planos de Ordenamento da Orla
Costeira) e os Programas de Estuário enquanto Programas Especiais de âmbito Nacional, conforme
disposto no Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de maio, que estabelece o novo Regime Jurídico de
Instrumentos de Gestão Territorial, de forma a manter uma coerência entre os diferentes
instrumentos de planeamento.
No Quadro 1 são apresentadas algumas características fisiográficas dos cinco rios principais, na área
da respetiva bacia hidrográfica portuguesa, bem como de outros cursos de água com fozes no
Oceano Atlântico, onde são importantes as consequências adversas relacionadas com a ocorrência
das cheias. Estas características foram fundamentalmente obtidas a partir do portal do Sistema
Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH - [Link] sendo considerado o caudal
instantâneo máximo histórico observado na secção de medição mais próxima da foz.
Na elaboração do MET que serviu de base à análise hidrológica, foi usado o método de interpolação
ANUDEM (Michael Hutchinson, 1988 e 1989) recorrendo ao comando “Topo to Raster” da extensão
“Spatial Analyst” do software ArcGIS da ESRI. Este método de interpolação obtém um MET que
permite reproduzir uma topografia com definição adequada para delimitação e caracterização das
bacias hidrográficas. Sobre o MET obtido, foi efetuada a delimitação das bacias hidrográficas
naturais recorrendo a ferramentas SIG, de acordo com a metodologia descrita por Jenson e
Domingue (1988).
Os caudais instantâneos máximos históricos apesar de estarem associados a grandes caudais, com
consequências devastadoras, a sua grandeza é bastante menor do que aqueles que são observados
em outras bacias hidrográficas de área equivalente, mas localizadas em diferentes climas (Figura 2).
Em Portugal, o regime hidrológico dos pequenos cursos de água é, geralmente, torrencial. Durante
parte do ano o caudal é nulo ou quase e decorrem anos sem que ocorra transbordamento do leito
menor. Em contrapartida, em caso de precipitação intensa, o escoamento superficial atinge grande
velocidade, sendo os caudais específicos das cheias centenárias muito elevados (Quintela, 1984).
Existe pois uma resposta imediata da bacia hidrográfica às intensidades de precipitação elevadas
associadas a pequenos tempos de concentração (até algumas horas), característicos destas bacias
hidrográficas (Figura3).
Figura 3 – Precipitações associadas ao período de retorno de 100 anos para durações de 30 min, 1 h
e 6 h (Brandão, C., Rodrigues, R., et al., 2004 e 2005).
Este regime de incremento significativo do volume precipitado com a duração ocorre até cerca das 6
h, a partir das quais o aumento da precipitação se realiza de forma muito menos significativa,
No Quadro 2 enumeram-se algumas ocorrências de cheias com maior magnitude e que ocorrem em
território continental, abrangendo as consideradas grandes e pequenas bacias hidrográficas.
As inundações decorrentes das cheias podem pôr em causa a segurança de pessoas e bens e
Compete ao Estado compatibilizar as utilizações sustentáveis dos recursos hídricos com a sua
proteção e valorização, bem como com a proteção de pessoas e bens contra fenómenos extremos.
Decreto-Lei n.º 21/98, de 3 de fevereiro – Cria a Comissão de Gestão de Albufeiras, que tem
como missão estabelecer o regulamento técnico, que estipula as regras de elaboração dos
programas de exploração, apreciar, avaliar e aprovar os vários programas. Em situações de
emergência decorrente de cheias ou rutura de barragens, decidir e adotar medidas
oportunas de encaixe ou descarga extraordinária das albufeiras pertinentes;
Decreto-Lei n.º 364/98, de 21 de novembro – Impõe aos “municípios com aglomerados
urbanos atingidos por cheias num período de tempo que, pelo menos, inclua o ano de 1967
e que ainda não se encontrem abrangidos por Zonas Adjacentes classificadas nos termos do
artigo 14.o do Decreto-Lei nº 468/71, de 5 de novembro, na redação conferida pelo Decreto-
Lei nº 89/87, de 26 de fevereiro” a elaboração de uma carta de zonas inundáveis, que
demarque, no interior dos perímetros urbanos, as áreas atingidas pela maior cheia
conhecida”, sendo que estas zonas terão de ser incluídas nos PMOT;
Decreto-Lei n.º 112/2002, de 17 de abril - Aprova o Plano Nacional da Água (PNA);
Lei n.º 54/2005, de 15 de novembro - Estabelece a titularidade dos recursos hídricos (revoga
o Decreto-Lei nº 468/71, de 5 de novembro, capítulo I e II);
Lei n.º 58/2005, de 29 de dezembro (revoga o Decreto-Lei nº 468/71, de 5 de novembro,
capítulo III e IV, e o Decreto-Lei nº 46/94 de 22 de fevereiro), alterado e republicado pelo
Na sequência das cheias de 1983, com prejuízos avultados na Região Metropolitana de Lisboa, foram
desenvolvidas diversas iniciativas legislativas no âmbito da promoção do estudo das causas das
cheias ocorridas e da análise do ordenamento do território (desorganização),bem como a proposta
de medidas corretivas. Para esse efeito em 1984 foi criado pela RCM n.º 2/1984, de 4 de janeiro, o
“Grupo de Trabalho das Cheias”. Dos resultados dos estudos desenvolvidos tornou-se claro que,
além de uma estratégia de ocupação do território que permitisse minorar os problemas das cheias,
era indispensável uma intervenção corretiva a curto prazo, com incidência direta nas linhas de água
e zonas adjacentes. Neste contexto foi criado, através do Despacho Conjunto A-114/87, de 30 de
junho, o PCCRL que desenvolveu inicialmente a sua ação nas áreas dos concelhos de Alenquer,
Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Oeiras, Setúbal, Sintra,
Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.
O PCCRL funcionou junto da Direção-Geral dos Recursos Naturais (DGRN) que foi sucedida em 1990,
pelo INAG. Em 2012 com a extinção do INAG, e sua sucessão pela APA, as suas competências foram
integradas nesta Agência.
Na década de 90, e atendendo a que aquando da primeira geração da REN nem sempre se procedeu
à delimitação das Zonas Ameaçadas pelas Cheias, o legislador entendeu a necessidade da elaboração
de cartografia de zonas inundáveis. Neste contexto o Decreto-lei n.º 364/98, de 21 de novembro,
pretendia “não só considerar os riscos decorrentes de uma eventual ocupação urbana, propiciando,
desde já, uma gestão de prevenção mais eficaz, mas também assegurar às populações o
conhecimento de uma situação que as pode afetar”. Este decreto-lei impõe aos municípios com
aglomerados urbanos atingidos por cheias num período de tempo que, pelo menos, inclua o ano de
1967, e que à data ainda não se encontravam abrangidos por zonas adjacentes classificadas nos
termos do artigo 14.º do Decreto-Lei 468/71, de 5 de novembro, na redação conferida pelo Decreto-
Lei 89/87, de 26 de fevereiro, a elaboração de uma carta de zonas inundáveis, que demarque, no
interior dos perímetros urbanos, as áreas atingidas pela maior cheia conhecida.
Define ainda que as plantas de síntese dos PMOT devem incluir esta delimitação das zonas
inundáveis. Os regulamentos dos PMOT devem estabelecer as restrições necessárias para fazer face
ao risco de cheia, designadamente, nos seguintes termos: a) Nos espaços urbanos, minimizando os
efeitos das cheias, através de normas específicas para a edificação, sistemas de proteção e de
drenagem e medidas para a manutenção e recuperação das condições de permeabilidade dos solos;
b) Nos espaços urbanizáveis, proibindo ou condicionando a edificação.
Em 1996, no seguimento das cheias severas que fustigaram Portugal, foram lançados os estudos de
base para a instalação de um Sistema de Vigilância e Alerta de Cheias (SVAC), que reduzisse a
vulnerabilidade das populações, infraestruturas e ambiente face a estes fenómenos extremos. Esses
estudos de índole hidrológica e hidráulica identificaram as áreas afetadas e os meios técnicos mais
fiáveis (sensores, telecomunicações e sistemas informáticos) para operacionalização de um SVAC,
que é o sistema de informação utilizado na Comissão de Gestão de Albufeiras. Este Sistema foi
posteriormente atualizado, tendo sido incorporado novas funcionalidades e objetivos, dando origem
ao Sistema de Vigilância e Alerta de Recursos Hídricos de Portugal (SVARH). As previsões são
estabelecidas prioritariamente para pontos críticos:
Montante de albufeiras (caudal);
Núcleos urbanos (cotas);
Estações hidrométricas da rede de vigilância (caudal e cota).
e da biodiversidade.
O regime jurídico da REN reconheceu desde a sua instituição, a necessidade de salvaguarda das
áreas expostas às inundações, prevendo a delimitação de áreas ameaçadas pelas cheias e de áreas
de salvaguarda do litoral. A revisão do regime jurídico, através do Decreto-Lei nº 166/2008, veio a
considerar, especificamente, as zonas ameaçadas pelo mar como uma das tipologias de áreas a
delimitar no âmbito das Áreas de Prevenção de Riscos Naturais, prevendo um regime de interdição.
Esta delimitação tem como premissa, a necessidade de assegurar não só as funções desempenhadas
por estas áreas no que respeita à manutenção dos processos de dinâmica costeira e do equilíbrio do
sistema litoral, como a prevenção e redução da vulnerabilidade, garantindo a segurança de pessoas
e bens.
A elaboração dos primeiros Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) foi regulamentada pelo
Decreto-Lei nº 309/93, de 2 de setembro, posteriormente revogado pelo Decreto-Lei n.º 159/2012,
de 24 de julho. Os POOC foram criados numa perspetiva de proteção e valorização dos recursos e
valores naturais, consagrando regras, que visam a salvaguarda de objetivos de interesse nacional
com incidência territorial, estabelecem regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais e o
regime de gestão compatível com a utilização sustentável do território, definindo opções
estratégicas para a proteção e integridade biofísica da área envolvida, com a valorização dos
recursos naturais e a conservação dos seus valores ambientais e paisagísticos. A RH 1 está abrangida
pelo POOC de:
POOC Caminha – Espinho, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 25/1999,
de 7 de abril, e posteriormente alterado pela Resolução do Conselho de Ministros nº
154/2007, de 2 de outubro.
Decorre, atualmente, a revisão e alteração dos POOC. Desde a data da publicação dos POOC em
vigor ocorreu uma significativa alteração do enquadramento jurídico destes planos em matéria de
ordenamento do território e proteção e valorização de recursos hídricos.
Até 2014 os POOC eram planos de natureza especial, vinculativos das entidades públicas e privadas,
e constituíam um meio supletivo de intervenção do Governo tendo em vista a salvaguarda dos
recursos e dos valores naturais de forma a assegurar a utilização sustentável do território.
Em 2014, com a aprovação da nova lei de bases da política pública de solos, do ordenamento de
território e do urbanismo, e consequente revisão, em 2015, do regime jurídico dos instrumentos de
gestão territorial, estes planos passam a ser designados programas especiais, os quais visam a
prossecução de objetivos considerados indispensáveis à tutela de interesses públicos e de recursos
de relevância nacional com repercussão territorial, estabelecendo, exclusivamente, regimes de
salvaguarda de recursos e valores naturais. Não fazem classificação ou a qualificação do uso do solo
e devem as normas relativas a regimes de salvaguarda ser transpostas para os planos municipais de
ordenamento do território, planos vinculativos dos particulares.
Com a revisão dos POOC da primeira geração há a oportunidade de dar resposta aos novos desígnios
que se colocam relativos à gestão integrada da zona costeira, procurando uma efetiva articulação
com o espaço marítimo e a adoção de um modelo proactivo e dinâmico que dê resposta às
exigências dos sistemas costeiros e em particular à ameaça inerente, promovendo o
desenvolvimento de um modelo territorial que garanta a proteção dos recursos hídricos e a
salvaguarda de pessoas e bens.
Neste âmbito os Programas da Orla Costeira (POC) delimitam Faixas de Salvaguarda ao Galgamento
e Inundação Costeira, que correspondem às áreas potencialmente afetadas por galgamentos e
inundação costeira naqueles horizontes temporais e definem regimes de proteção que visam conter
a exposição de pessoas e bens a estas ameaças, assegurando que não será transferido para o futuro
um quadro de exposição mais gravoso do que se verifica atualmente.
Os novos POC assumem a visão estratégica para a gestão da zona costeira e do litoral, formulada na
Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira e adotam as recomendações do Grupo
de Trabalho do Litoral.
A Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira (ENGIZC) aprovada pela Resolução
de Conselho de Ministros n.º 82/2009, de 8 de setembro, dá resposta às orientações da
Recomendação 2002/413/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 30 de maio. Esta estratégia
privilegia uma visão integradora, sendo coerente com as políticas setoriais com impacto na zona
costeira, assentes num quadro de referência que potencia a participação de todos os responsáveis
envolvidos no planeamento, gestão, ordenamento e utilização da zona costeira.
O Grupo de Trabalho para o Litoral foi constituído pelo despacho nº 6574/2014, de 20 de maio, com
o objetivo de “desenvolver uma reflexão aprofundada sobre as zonas costeiras, que conduza à
definição de um conjunto de medidas que permitam, no médio prazo, alterar a exposição” à
vulnerabilidade, “incluindo nessa reflexão o desenvolvimento sustentável em cenários de alterações
climáticas”.
Este grupo de trabalho produziu diversas recomendações que têm vindo a ser acolhidas e que,
essencialmente, dizem respeito à definição de um modelo de governação, à aquisição e partilha de
conhecimento científico e técnico, bem como o desenvolvimento de programas de monitorização,
que sustente a tomada de decisões e à adoção duma Estratégia de Adaptação nas suas três
No âmbito da revisão e alteração dos POOC de primeira geração a abordagem efetuada contempla
já os eventuais efeitos das alterações climáticas na orla costeira, incorporando medidas específicas
de adaptação. Neste contexto, os novos Programas irão incorporar explicitamente cenários
climáticos (SIAM I e II) e respetivas medidas de adaptação para horizontes temporais definidos (50 e
100 anos) em que se prevê uma modificação da frequência e intensidade das inundações costeiras.
Em termos de intervenção impõe-se assim hoje uma atitude dominantemente de antecipação dos
problemas, adotando-se a estratégia de adaptação, nas suas três vertentes, a desenvolver aos
diversos níveis, coerentes e articulados entre si, em linha com as recomendações do Grupo de
Trabalho do Litoral.
Os pontos essenciais desta estratégia de adaptação estão já hoje a ser considerados no âmbito da
elaboração dos novos programas da orla costeira, enformando as opções quer em termos de
regimes das faixas de salvaguarda, quer em termos de intervenções previstas nos respetivos
programas de execução. Nestes instrumentos identificam-se faixas de salvaguarda ao galgamento e
inundação costeira, considerando os cenários climáticos e definem-se os respetivos regimes de
salvaguarda, de acordo com a estratégia de adaptação.
Para além das situações previstas no Plano de Ação de Proteção e Valorização do Litoral (2012-
2015), cabe ainda referir as intervenções em situação de emergência, nomeadamente, as que
resultaram dos temporais, com grande potencial destrutivo, que afetaram severamente a costa
portuguesa no inverno de 2013/2014. No Anexo 12 inclui-se a descrição das principais intervenções,
realizadas e em curso, em várias praias na sequência dos aludidos temporais, tais como substituição
de acessos, melhoramentos nas estruturas de apoio e estabilização de arribas.
Na Figura 6 apresenta-se de forma sistemática os instrumentos, que desde os anos 70, foram criados
e implementados para dar resposta aos efeitos das inundações.
Figura 6 – Evolução cronológica dos instrumentos legais criados e implementados para dar resposta aos efeitos das inundações.
Com base na experiência e nos estudos desenvolvidos ao longo de vários anos, no âmbito do
conhecimento dos fenómenos das cheias e seu impacto no território (anteriores e posteriores à
publicação da Diretiva 2007/60/CE), foram identificadas Zonas Críticas (ZC) considerando as
consequências das inundações. Apesar de Portugal ter investido em instrumentos de ordenamento
do território e em infraestruturas de proteção, visando diminuir o impacto das cheias no território,
as zonas selecionadas continuam a estar sujeitas à ameaça das inundações com consequências
prejudiciais significativas, confirmando ser estratégico avaliar o seu risco e gizar um conjunto de
medidas que visem diminuir o mesmo.
A seleção das Zonas Críticas, para além de utilizar a informação mencionada anteriormente, obrigou
à compilação da informação sobre a ocorrência de inundações e suas consequências, recolhida por
diferentes organismos: ARH, ANPC, Autarquias, Governos Civis, ANMP, LNEC e EDP. Numa primeira
fase, iniciada em 2008, foram contactadas 73 entidades, das quais foram obtidas 32 respostas (43%).
Numa segunda fase, iniciada em 2010, continuou-se a recolher informação, mais focalizada na
Autoridade Nacional da Água, desenvolveu-se uma base de dados específica para armazenar a
informação recolhida e realizar simultaneamente a sua análise. Foram recolhidas mais de 2000
ocorrências, abrangendo os séculos XIX, XX e XXI.
que esta bacia se desenvolve maioritariamente em território português. Por este motivo a gestão de
cheias não integra as obrigações consagradas na Convenção, sobre a Cooperação para a Proteção e
o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas, designadamente
no que respeita ao regime de caudais.
Estuário do Fluvial e
RH4 10/1 1 914 Não Naturais
rio Mondego estuarina
Nº de
ocorrências Pessoas
Perdas de
Região com afetadas, Cobertura Observações
Zonas vidas Origem das
Hidrográfica impacto evacuados pelo relevantes
Críticas humanas ou inundações
(RH) negativo ou SVARH (mecanismos)
desaparecidas
ou desalojados
prejuízos
Torres
11/2 2 438 Fluvial Sim Naturais
Vedras
Tomar 10/6 1 266 Fluvial Sim Naturais
Setúbal 8/1 3 163 Fluvial Não Naturais
Alcácer do
5/4 6 20 Fluvial Sim Naturais
Sal
Naturais
RH6 Santiago do condicionadas,
Cacém atualmente,
4/1 1 15 Fluvial Sim
(freguesia de pela
Alvalade) exploração de
albufeiras
Aljezur 5/6 1 15 Fluvial Sim Naturais
Fluvial e
Tavira 5/12 1 93 Sim Naturais
estuarina
Monchique 1/1 0* 35 Fluvial Sim Naturais
Fluvial e
RH8 Faro 8/3 3 16 Sim Naturais
estuarina
Naturais
condicionadas,
atualmente,
Silves 11/3 1 119 Fluvial Sim
pela
exploração de
albufeiras
Legenda: Vermelho ([Link] Azul ([Link] intranet cheias/inundações);* - avultados prejuízos ambientais com alterações
significativas de leitos e margens.
RH1:
Ponte de Lima e Ponte da Barca (rio Lima);
RH2:
Esposende (rio Cávado);
RH3:
Régua (rio Douro);
Porto/Vila Nova de Gaia (rio Douro);
Chaves (rio Tâmega, afluente do rio Douro).
RH4:
Coimbra (rio Mondego);
Estuário do rio Mondego (rio Mondego);
Águeda (rio Águeda, afluente do rio Vouga);
Ria de Aveiro (rio Vouga);
Pombal (rio Arunca, afluente do rio Mondego).
RH5:
Abrantes> Santarém> Vila Franca Xira (rio Tejo);
Loures e Odivelas (rio Trancão, afluente do rio
Tejo);
Torres Vedras (rio Sizandro);
Tomar (rio Nabão, afluente do rio Zêzere e do rio
Tejo).
RH6:
Setúbal (ribeira do Livramento);
Alcácer do Sal (rio Sado);
Santiago do Cacém – freguesia de Alvalade (rio
Sado).
RH8:
Aljezur (rio Aljezur);
Tavira (rio Gilão);
Monchique (ribeira de Monchique);
Faro (rio Seco/sistema da ria Formosa);
Silves (rio Arade).
Figura 7 – Identificação e localização das 22 Zonas Críticas e respetivos cursos de água, por RH,
selecionadas para a elaboração da cartografia e dos PGRI.
A Autoridade Nacional da Água promoveu a elaboração de cartografia sobre inundações, tendo sido
concluída, para cada Zona Crítica e para três cenários hidrológicos (associados aos períodos de
retorno de 20, 100 e 1000 anos) considerando os seguintes parâmetros:
Limite - extensão da inundação;
Profundidade – altura do escoamento (d);
Velocidade - velocidade do escoamento (v);
Critérios adotados para valoração das consequências em função dos elementos expostos
(Quadro 4);
Perigosidade - função da altura e velocidade de escoamento (Quadro 5);
Risco – combinação entre a perigosidade e a natureza dos elementos expostos (Figura 8).
1
Fonte - Entidades: APA; ANPC; COS 2007 nível 5; DGADR; DGPC; ICNF e INE.
A metodologia utilizada para a elaboração da cartografia de inundações teve por base o esquema
apresentado na Figura 9.
Para a modelação hidráulica nas zonas estuarinas foi utilizado o modelo MOHID Water e nas zonas
interiores o modelo MOHID Land.
O PGRI foi desenvolvido em estreita articulação com o PGRH, tendo as Zonas Críticas, sido agrupadas
por Região Hidrográfica. Estes planos contemplam um conjunto de medidas que serão
implementadas ao longo das três fases previstas na Diretiva (até 2018, 2019 ou 2021). Esta
articulação permitirá compatibilizar as medidas do PGRI com os objetivos da Lei da Água e da
Diretiva Quadro da Água (DQA) avaliando, nomeadamente, se as medidas preconizadas no PGRI
implicam ou não alteração do estado das massas de água.
O objetivo geral do PGRI é obter, nas áreas de possível inundação, uma redução do risco através da
diminuição das potenciais consequências prejudiciais para a saúde humana, as atividades
económicas, o património cultural e o meio ambiente. Este poderá ser atingido mediante os
seguintes objetivos estratégicos:
1. Aumentar a perceção do risco de inundação e das estratégias de atuação na população e nos
agentes sociais e económicos;
2. Melhorar o conhecimento e a capacidade de previsão para a adequada gestão do risco de
inundação;
3. Melhorar o ordenamento do território e a gestão da exposição nas áreas inundáveis;
4. Melhorar a resiliência e diminuir a vulnerabilidade dos elementos situados nas áreas de
possível inundação;
5. Contribuir para a melhoria ou a manutenção do bom estado das massas de água.
Neste enquadramento pretende-se que o risco associado às zonas inundáveis seja reduzido através
de medidas, traduzidas por ações, que alterem fundamentalmente a exposição dos elementos ou a
forma de exposição., Recorre-se às três tipologias de medidas, prevenção, proteção e preparação
para reduzir as consequências prejudiciais das inundações para:
A saúde humana, representada pela população potencialmente atingida;
O ambiente, representado pelas massas de água, zonas protegidas definidas no âmbito da
Lei da Água (zonas de captação de água para consumo humano, zonas designadas como
sensíveis, zonas designadas como vulneráveis, águas balneares, Diretiva Habitats e Diretiva
Aves e áreas protegidas – sítios da Rede Natura 2000) e Rede Nacional de Áreas Protegidas
(RNAP) e RAMSAR;
As águas minerais naturais são apenas identificadas, considerando que medidas de
proteção dos recursos hídricos constituem uma mais-valia para estes recursos específicos;
O património cultural, representado pelo Património Mundial, Monumento Nacional, Imóvel
de Interesse Público ou Municipal e Sítios Arqueológicos;
As infraestruturas, representadas pelos edifícios sensíveis, infraestruturas rodoviárias e
ferroviárias, de abastecimento público de água e de tratamento de resíduos e de águas
residuais;
As atividades económicas, representadas pela agricultura, turismo, instalações com PCIP e
estabelecimentos Seveso entre outros.
Foram ainda considerados outros tipos de ocupação do solo na metodologia utilizada para avaliar o
risco, como por exemplo as agropecuárias (parte 2.1).
Para além das três tipologias de medidas, anteriormente mencionadas, há que considerar a
recuperação e a aprendizagem que têm momentos de execução diferentes dos anteriores, sendo
que a recuperação só é implementada em caso de ocorrência de inundações, com a magnitude
prevista na Diretiva, e a aprendizagem corresponde a um processo contínuo ao longo do tempo.
A indicação das zonas vulneráveis e das zonas sensíveis como elemento exposto não corresponde a
uma imposição da Diretiva 2007/60/CE, de 23 de outubro, nem do Decreto-Lei que a transpôs, mas
corresponde a uma opção metodológica para determinação do risco. A identificação destas zonas
poderá permitir avaliar a alteração do seu estado devido ao arrastamento de substâncias nocivas ao
ambiente.
Para a Zona Crítica identificadas na Região Hidrográfica do Minho e Lima, ilustrada na figura
seguinte, foram desenvolvidos os estudos necessários à elaboração da cartografia de inundações
prevista no artigo 8.º do Decreto-lei n.º 115/2010. Estes elementos estão disponíveis em
[Link]
De acordo com a metodologia apresentada no capítulo 1.4, a simulação dos três cenários
hidrológicos permitiu obter os caudais de ponta de cheias (Figura 13), sendo que nesta Região
Hidrográfica os valores obtidos variam entre 2302 m3/s e 2818 m3/s (período de retorno de 20 anos),
3022 m3/s e 3837 m3/s (período de retorno de 100 anos) e 3302 m3/s e 4578 m3/s (período de
retorno de 1000 anos).
Figura 13 – Caudais de ponta de cheias para os três períodos de retorno, nos dois troços da Zona
Crítica (Aqualogus & Action Modulers, 2014).
A metodologia hidrológica, hidráulica e de avaliação de risco utilizada, preconizada pela CNGRI, para
elaboração da cartografia de risco de inundações exigida pela Diretiva 2007/60/CE baseou-se nos
dados hidrometeorológicos históricos armazenados no SNIRH ([Link] na atual ocupação do
território e nos registos históricos dos prejuízos, tendo sido preparada para ser aplicável a outras
zonas, que serão objeto de avaliação no segundo ciclo de aplicação desta Diretiva.
O PGRI-RH1 inclui uma Zona Crítica com dois troços cujas áreas atingidas estão indicadas no Quadro
6, onde uma parte significativa das medidas irá ser implementada. As áreas delimitadas nos dois
troços da Zona Crítica têm dimensões semelhantes, sendo, contudo, a de maior extensão a obtida
para o troço de Ponte de Lima.
Quadro 6- Áreas atingidas pelas inundações nos dois troços da Zonas Críticas do PGRI-RH1.
Área atingidas (km2)
Zona Crítica
T=1000 anos T=100 anos T=20 anos
A aplicação da metodologia ilustrada anteriormente conduz a que as áreas atingidas pela mesma
inundação não estão sujeitas ao mesmo risco, visto este depender dos elementos expostos e da
perigosidade hidrodinâmica da inundação, esta decorrente da magnitude da cheia e das suas
características hidráulicas. Neste contexto, na Figura 14 é apresentada a distribuição dos vários
níveis de risco associada aos três cenários hidrológicos, para os dois troços da Zonas Críticas. Esta
análise resultou da informação contida nas cartas de risco de inundações (Anexo 1).
Figura 14 - Resultados sobre as áreas de risco nos dois troços da Zona Crítica do PGRI-RH1, expressos
em km2 e %, associada aos três cenários hidrológicos e aos cinco níveis de risco.
O PGRI será desenvolvido com a informação proveniente da cartografia de risco de inundações para
a qual contribuiu a identificação de determinados elementos expostos e as características
hidráulicas do escoamento, associado às três magnitudes das cheias. No processo de elaboração da
cartografia foram individualizados diversos elementos, tendo como objetivo definir algumas
medidas específicas, visando a redução do risco e por conseguinte dos potenciais prejuízos. Neste
As zonas inundáveis atingem várias Massas de Água (MA) da RH1, definidas pela DQA, oito massas
de água superficiais, das quais seis massas de água de rio e duas de transição e, ainda, uma massa de
água subterrânea, não tendo sido intercetada nenhuma massa de água costeira (Quadro 7). No
Anexo 2 são identificadas a totalidade das massas de água superficiais e subterrâneas atingidas pelas
inundações.
Na RH1 são intercetadas, com as áreas inundáveis, uma zona protegida associada às aves e habitats,
não tendo sido identificados sítios RAMSAR, nem áreas da Rede Nacional de Áreas Protegidas,
apenas a zona protegida associada às aves e habitats (Quadro 7). A totalidade desta informação,
nomeadamente das zonas da Diretiva Aves, incluindo as áreas protegidas – sítios relevantes da Rede
Natura 2000 e das áreas da Rede Nacional de Áreas Protegidas, está referida no Anexo 3.
Troços: Ponte de 20 - 14
Lima e Ponte da 100 Ponte da Barca 16
Barca 2
1000 17
Legenda: (2) - Agricultura, Industria, Turismo e Serviços e (3) - Equipamento cultural e zonas históricas: (património mundial, monumento de interesse
nacional, imóveis de interesse público) ou municipais e sítios arqueológicos.
As Zonas Críticas são intercetadas por alguns IGT, REN (no que concerne às Zonas Ameaçadas pelas
Cheias) e Zonas Adjacentes (Quadro 9), os quais deverão ser considerados nos PGRI, uma vez que
estes já consideram algumas ações que visam minimizar as potenciais consequências em caso de
ocorrência de inundações provenientes das cheias, através da sua fiscalização da sua observância ou
através da melhoria destes instrumentos (incorporar ou alargar as ações aí consagradas).
Os POOC e os POC apesar de existirem e serem IGT não serão considerados neste plano sectorial
devido a três razões fundamentais:
1. Nas Zonas Críticas as inundações decorrem do fenómeno fluvial;
2. Os POOC estão em revisão;
3. Os POC, instrumentos que estão agora a serem elaborados não apresentam a análise de
risco de uma forma compatível com o definido neste PGRI. Nos POC o risco é apenas
considerado como a ameaça das inundações costeiras que potencialmente provocam erosão
do litoral, colocando em risco pessoas e bens.
Por outro lado, Portugal, apesar de consagrado em lei, não possui publicado qualquer Plano de
Ordenamento do Estuário (POE) pelo que não poderão ser considerados nestes PGRI.
Na RH1 não existe qualquer Zona Adjacente. Na Zona Crítica da RH1 as Zonas Ameaçadas pelas
Cheias (ZAC) existentes, definidas na REN, são todas definidas ao abrigo do Decreto-Lei nº 93/90, de
19 de março, sendo que na generalidade não é possível identificar se esta delimitação está associada
à maior cheia conhecida ou à cheia associada ao período de retorno de 100 anos. No Quadro 9 estão
indicados o número de municípios para os quais existe REN publicada, com ZAC, e o número total de
municípios atingidos pelas áreas inundáveis, determinadas ao abrigo da Diretiva 2007/60/CE.
O PGRI constitui um plano setorial e, simultaneamente, específico para inundações, sendo que o
atual está vocacionado para a avaliação de Zonas Críticas onde o fenómeno das inundações é
fundamentalmente de origem fluvial (cheias). Portanto, nesta fase de aplicação da Diretiva 2007/60
de 23 de outubro, não estão incluídas inundações cuja origem seja pluvial (associado ao sistema de
drenagem de águas pluviais e domésticas, as geralmente designadas por cheias urbanas), costeira
nem de origem subterrânea. Assim sendo, a ameaça aqui avaliada não será coincidente com a
maioria dos PMOT e PDM publicados, onde o fenómeno é essencialmente pluvial (dentro dos
perímetros urbanos) e onde a escala de aplicação é diferente da utilizada no PGRI (escala geográfica
adaptada a instrumentos de planeamento nacional e regional). Há em muitas situações a
necessidade de efetuar uma análise local (maior escala). Neste contexto, a referência no PGRI a
Instrumentos de Gestão Territorial com escala local não é adequado, sendo mais apropriado existir
posteriormente uma análise local, ao nível da elaboração dos PMOT e PDM, que concilie estes dois
instrumentos de planeamento.
Há, ainda, PDM que delimitam as ZAC em áreas urbanas, excluídas da REN. No entanto convém
novamente referir que estes PGRI de 1º ciclo não têm como âmbito as cheias urbanas, inundações
decorrentes de eventos pluviosos intensos de curta duração ou da deficiente drenagem urbana.
Deste modo, as ZAC que poderiam ser incluídas são as delimitadas no âmbito da REN,
essencialmente suportada pelo regime jurídico do Decreto-lei nº93/90 de 19 março, mas que pelos
motivos expostos anteriormente também não poderão ser consideradas.
No Anexo 5 são apresentadas algumas informações relevantes, no que concerne à delimitação das
Zonas Ameaçadas pelas Cheias definidas na REN.
O SVARH é o subsistema do SNIRH (Quadro 9), que permite conhecer em tempo-útil o estado
hidrológico dos rios e albufeiras do país e informação meteorológica, possibilitando ainda a
antevisão da sua possível evolução. Este sistema é constituído por uma rede de estações
automáticas com teletransmissão, que medem variáveis hidrometeorológicas, dados fornecidos por
entidades externas à APA e por uma estrutura informática para armazenamento e disseminação da
informação.
O SVARH é o sistema de suporte à atividade da ANPC essencial para realizar as ações que visam a
salvaguarda de pessoas e bens em caso de ocorrência de inundações. Para além de entidades de
proteção civil está também disponível a organismos que têm atividades relacionadas com a gestão
de recursos hídricos. Atualmente os utilizadores do SVARH são:
A Zona Crítica, formada por dois troços Ponte de Lima e Ponte da Barca, é abrangida pelo SVARH,
composto por várias estações hidrométricas e meteorológicas, sendo que só um troço possui
modelos hidrológicos e hidráulicos e que não estão calibrados nem validados (Quadro 10). Assim
sendo, o sistema poderá ser construído de raiz ou ser atualizado, tanto para acompanhar a evolução
tecnológica como para acompanhar as intervenções antropogénicas no território afetado pelas
inundações.
O PGRI é composto por um conjunto de medidas, que têm como enquadramento estratégico a
obrigatoriedade reduzir os riscos associados às inundações, considerando o período temporal que é
necessário para a sua execução e o tempo disponível para a sua concretização até 2021, ou seja,
durante o primeiro ciclo de planeamento.
O programa de medidas constitui uma das peças mais importantes do Plano de Gestão dos Riscos de
Inundações, definindo as ações, técnica e economicamente viáveis, que permitam reduzir os riscos
associados às inundações, em estreita articulação com os objetivos definidos no Plano de Gestão de
Região Hidrográfica.
Sendo a população o elemento exposto mais determinante nesta estratégia (conforme está
espelhado na metodologia do risco adotada) e as Zonas Críticas localizadas, fundamentalmente, em
regiões com ocupação urbana relevante e, na maioria das vezes, legal e consolidada, o PGRI tem
como meta melhorar a resiliência da população através do desenvolvimento e da implementação de
medidas que diminuam a vulnerabilidade da população (por exemplo, pelo aviso).
Nesta abordagem poderá ser considerado o cenário zero, isto é, não promover qualquer intervenção
e ceder ao rio o seu espaço fluvial associado às inundações médias, assegurando que esta área seja
preservada e não ocupada de forma indevida (medida de natureza preventiva). A estratégia do plano
considera também a eventual existência de fonte de financiamento. Para além de assegurar o
financiamento, as entidades responsáveis pela execução das medidas propostas deverão requerer
junto das autoridades competentes todas as autorizações e licenças necessárias à sua boa execução.
Em termos metodológicos importa descrever o que carateriza cada uma das tipologias definidas:
a) Prevenção
Identificadas as áreas inundáveis para diversos períodos de retorno pretende-se com a
implementação das medidas de “Prevenção” que não haja novos riscos sobre pessoas, bens
públicos e privados, património, atividades económicas e ambiente. Para esse efeito são
preconizadas medidas no âmbito do ordenamento do território, do licenciamento (fiscalização do
cumprimento das condições das licenças e no âmbito de renovação de licenças/concessões) e da
gestão de recursos hídricos (por exemplo, gestão de albufeiras). Em síntese, a prevenção consiste
na redução dos danos das inundações através de políticas de ordenamento e utilização do solo,
incluindo a sua fiscalização, e da relocalização de infraestruturas.
b) Preparação
As medidas de “Preparação” têm como principais objetivos - preparar, avisar e informar a
população e os agentes de proteção civil sobre o risco de inundação, diminuindo a
vulnerabilidade dos elementos expostos. Estas incluem a resposta à situação de emergência, ou
seja, planos de emergência em caso de uma inundação. Destacam-se como exemplo as seguintes
medidas:
a) Sistemas de Previsão e Aviso (SPA) - desenvolvimento e modernização tecnológica de
sistemas de aviso e previsão;
b) Planos de Emergência de Proteção Civil (PEPC) - Planos que visam a interação entre os
diversos agentes de proteção civil (evacuação e realojamento de pessoas);
c) Preparação da população - Ações que visem a preparação da população para os eventos de
inundações, como por ex. realização de simulacros de situações de inundação.
São estas as atividades que o Sistema Nacional de Proteção Civil, ou seja, os Serviços de Proteção
Civil, os Agentes de Proteção Civil e todas as instituições que detêm competências e, por
conseguinte, responsabilidades nesta temática, têm que levar a cabo. Os objetivos globais da
Autoridade Nacional de Proteção Civil para o combate a cheias em Portugal são os seguintes:
garantir a segurança de pessoas, bens e equipamentos; e, garantir a qualidade dos serviços
básicos prestados à população afetada.
Para atingir estes objetivos torna-se necessário conhecer a cada momento, e em articulação com
a Comissão de Gestão de Albufeiras e com o auxílio do SVARH, a situação e as previsões
hidrometeorológicas para o país, ter a possibilidade de acompanhar as descargas das barragens
em situação de emergência, assumir a direção e coordenação nacional das operações de
emergência e promover a informação pública nos órgãos de comunicação social nacionais. Neste
contexto existem três níveis de planeamento de emergência espelhando a organização da
administração desconcentrada ao nível nacional, regional e local, onde pela mesma ordem
deverão concorrer em Portugal Continental o Plano Nacional de Emergência, os Planos Distritais
de Emergência e finalmente os Planos Municipais de Emergência.
Os PEPC são documentos formais, regulados pela Resolução nº 30/2015, de 7 de maio, nos quais
as autoridades de proteção civil, nos seus diversos níveis, definem as orientações relativamente
c) Proteção
As medidas de “Proteção” enquadram-se no âmbito da redução da magnitude da inundação, ora
por atenuação do caudal de cheia ora pela redução da altura ou velocidade de escoamento. Entre
estas medidas poder-se-á equacionar ações de natureza mais estrutural (por exemplo,
construção de diques e barragens com capacidade de amortecimento do hidrograma de cheia) ou
menos estruturais, designadas por infraestruturas verdes (Natural Water Retention Mesures -
NWRM).
Está também prevista a implementação de medidas estruturais, que visam a redução da área
inundável.
d) Recuperação e Aprendizagem
As medidas de “Recuperação e Aprendizagem” visam repor o funcionamento hidráulico da rede
hidrográfica e a atividade socioeconómica da população afetada por uma inundação, sendo,
também, uma oportunidade de aprender com as boas práticas do passado. Destacam-se como
exemplo as seguintes medidas:
1. Recuperação de danos - Planeamento, integrando o risco de inundação, e execução de
medidas de recuperação das infraestruturas públicas danificadas;
2. Proteção Civil - Execução dos Planos Municipais de Emergência por exemplo:
abastecimento de emergência, alojamento de pessoas;
3. Avaliação e análise - Avaliação dos estragos, compensações pelos prejuízos causados,
análise do evento, análise da resposta à situação de emergência com vista a eventual
alteração de procedimentos.
Conforme já salientado anteriormente, as medidas são ainda associadas aos seguintes objetivos
estratégicos:
1. Aumentar a perceção do risco de inundação e das estratégias de atuação na população e nos
agentes sociais e económicos;
2. Melhorar o conhecimento e a capacidade de previsão para a adequada gestão do risco de
inundação;
3. Melhorar o ordenamento do território e a gestão da exposição nas áreas inundáveis;
4. Melhorar a resiliência e diminuir a vulnerabilidade dos elementos situados nas áreas de
possível inundação;
5. Contribuir para a melhoria ou a manutenção do bom estado das massas de água.
O PGRI-RH1 pretende gerir o risco de inundações de forma integrada. Para esse efeito estabelece as
medidas a implementar de acordo com quatro tipologias: prevenção, preparação, proteção e
recuperação e aprendizagem. Esta abordagem à gestão do risco de inundação pretende estabelecer
medidas com o objetivo de impedir ou evitar as inundações e reduzir os efeitos catastróficos que
provocam.
Por fim, dever-se-á avaliar a eficácia das medidas que depende, seguramente, do período de retorno
para o qual se pretende obter resultados.
Nos capítulos seguintes são apresentadas as diferentes medidas visando a diminuição do risco das
inundações (redução dos prejuízos para os vários objetivos) e, como tal, mitigar os efeitos das
inundações de origem fluvial (cheias), sendo que os respetivos códigos estão indicados no Anexo 7.
O Quadro 12 apresenta a caracterização das medidas sintetizadas numa ficha tipo que contempla as
seguintes áreas:
1. Identificação;
2. Enquadramento legal;
3. Caracterização;
4. Programação da medida;
5. Financiamento da medida;
6. Indicadores de acompanhamento.
Ficha de Medida
Identificação
Designação da medida:
Código:
Zona Crítica:
Tipologia:
Objetivos Estratégicos
Objetivos Operacionais
Enquadramento legal
Diplomas relevantes:
Código:
Designação:
Caracterização
Descrição
Localização
Fases de implementação
Incidência da medida
Elementos expostos Problema que visa resolver Causa(s) em que incide
Programação da medida
Prioridade da medida:
Máxima Alta Média Reduzida Mínima
Financiamento
Fontes de financiamento
Indicadores de monitorização
Indicador
Periodicidade (relatório
Duração (a definir medida a Entidade responsável
intermédio e relatório final)
medida)
Observações
As medidas propostas centram-se nas inundações associadas aos períodos de retorno de 20 anos,
uma vez que é esta a magnitude do fenómeno que mais frequentemente poderá ocorrer e onde as
medidas terão um efeito mais eficaz.
Nos troços da Zona Crítica da RH1 não foram identificadas instalações PCIP, nem qualquer edifício
sensível, sendo estas áreas inundáveis ocupadas, fundamentalmente, pela população.
visto estar a uma cota superior àquela que foi obtida para o parâmetro profundidade.
Nesta Zona Crítica não foram identificadas qualquer infraestrutura agrícola que pudesse ser atingida
por inundações com o período de retorno de 20 anos, 100 ou 1000 anos.
Com o objetivo de avaliar o impacto global das inundações na atividade económica, associada aos
três setores, primário (agricultura), secundário (indústria) e terciário (serviços e comércio), foram
identificadas as infraestruturas rodoviárias, ferroviárias e de tratamento de águas para consumo
afetadas pelas inundações, para os três períodos de retorno e independentemente do risco
associado (Anexo 9).
Na Zona Crítica foram identificadas infraestruturas de tratamento de águas residuais atingidas pelas
cheias, para qualquer período de retorno, tendo sido localizadas três infraestruturas deste tipo. As
medidas propostas, inclusão no SVARH e compatibilização do PEPC, serão aplicadas a estas
infraestruturas, independentemente do grau de risco associado, mas apenas às que são afetadas
pela inundação com o período de retorno de 20 anos (Quadro 13).
Face ao anteriormente exposto, as intervenções ao nível do SVARH têm uma grande relevância, pois
uma grande parte das medidas propostas é suportada pela restruturação deste sistema, sendo este
essencial à proteção da população exposta às inundações. As intervenções ao nível do SVARH
poderão ser catalogadas em quatro módulos, conforme o estado atual de desenvolvimento do
Sistema, sendo a sua execução da responsabilidade da APA. Estes módulos são caracterizados
conforme descrito seguidamente:
população.
No Quadro 14 estão indicados os módulos de SVARH propostos para os dois troços da Zona Crítica,
em função do que atualmente existe e do objetivo definido nas medidas preconizadas neste PGRI.
O PGRI proposto inclui também medidas de Prevenção de carácter genérico, cujos objetivos
fundamentais são: a) criar conhecimento para permitir, no futuro, ser mais assertivo quanto às
medidas propostas, considerando a sua maior eficácia, b) assegurar a manutenção do
funcionamento da rede fluvial ou hidrográfica, pois permitirá manter a continuidade hidráulica, são
medidas territorialmente estruturantes (Quadro 15).
Na RH1 foram identificadas as albufeiras que poderão contribuir para atenuar as inundações nas
Zonas Críticas através da implementação de regras de exploração, considerando os eventos de cheia
(Quadro 16), sendo que o seu efeito só será relevante ou significativo aquando da ocorrência de
inundações com período de retorno de 20 anos.
As características das barragens e albufeiras com relevância para a gestão de eventos de cheias,
referenciadas no Quadro 15, estão indicadas no Anexo 8. A implementação de medidas desta
natureza poderá conduzir a uma perceção de segurança excessiva em relação à ocupação humana
localizada a jusante dos aproveitamentos, pelo que será necessário promover, simultaneamente, a
sensibilização da população para esta realidade. Por outro lado, existe obrigatoriedade de
salvaguardar os direitos adquiridos de utilização de recursos hídricos e promover as medidas em
articulação com as entidades envolvidas na gestão de cheias.
Os impactos das inundações poderão, também, ser minimizados por medidas associadas ao
ordenamento territorial que promovam a infiltração, retenção ou interceção da precipitação,
conduzindo à atenuação dos caudais de cheia.
Entende-se por galeria ripícola, propriamente dita, a formação de espécies lenhosas arbóreas ou
arbustivas autóctones, que se desenvolvem ao longo das margens dos cursos de água, constituindo
um sistema em forma de faixas que interliga e interatua com os sistemas terrestres e aquáticos. A
galeria ripícola constitui um sistema essencial para os ecossistemas fluviais, e desempenha grande
relevância no ramo terrestre do ciclo hidrológico ao potenciar a infiltração e interceção da
precipitação minimizando o escoamento superficial. Refere-se ainda a sua importância na retenção
dos sedimentos da erosão hídrica, na retenção dos nutrientes de lixiviação, na potencialização da
biodiversidade e produtividade biológica, para além da sua relevância ao nível paisagístico.
Na zona terrestre de proteção das albufeiras, sem POAAP ou PAAP, nos cursos de água afluentes
dessas albufeiras deverá proceder-se à instalação da galeria ripícola. O troço a intervencionar deverá
ter um comprimento que abranja toda a zona terrestre de proteção e uma largura equivalente,
preferencialmente à respetiva margem, variando entre 5 e 30 metros.
No Quadro 17 encontram-se propostas as medidas para a zona de protecção terrestre das albufeiras
de águas públicas através das quais se visa reduzir a área inundada. Contudo é de realçar que o
efeito destas medidas só será relevante ou significativo para as inundações com período de retorno
de 20 anos, isto é, caudais associadas a probabilidades elevadas.
Na Zona Crítica deverá proceder-se à instalação da galeria ripícola, na margem dos diferentes cursos
de água tributários da respetiva zona, com uma largura, preferencialmente equivalente à margem,
podendo variar entre 5 e 30 metros., Na implementação desta medida como é evidente, deve-se
atender, sempre, às especificidades territoriais e culturais, e ainda, à possibilidade legal de
implementar estas medidas (Quadro 18).
Curso Tipologia
Zona Efeito Objetivo Entidade
de Medidas (Número de Prazo
Crítica expectável (s) Responsável
Água medidas)
Número de
Medidas
Prevenção Proteção
4 9
Preparação Recuperação
e
7 aprendizagem
4
Figura 18 - Indicação das tipologias das medidas por Zona Crítica, na RH1.
Esta tomada de decisão impõe uma reflexão quanto à estratégia a adotar: prevalência por medidas
de prevenção, onde a relocalização das infraestruturas, a fiscalização e o condicionamento de
ocupação destas áreas é a chave da resolução do problema, ou por medidas de preparação, que
fundamentalmente planeiam e organizam a sociedade para a ameaça, diminuindo a sua
vulnerabilidade, deixando as medidas de proteção como medidas supletivas.
A adotação de medidas preventivas, mais difíceis de implementar, permitirão responder com mais
eficácia às potenciais consequências das alterações climáticas. Uma vez que afastam a sociedade do
perigo, sendo mais onerosas a curto prazo e mais conflituosas com os, eventuais, direitos adquiridos,
havendo contudo um maior retorno a longo prazo.
As medidas de proteção têm sempre um limite físico a partir do qual deixam de ser eficazes,
havendo, portanto, que ser complementadas por medidas de preparação, aquelas que são de mais
fácil implementação e menos dispendiosas, mas bastante exigentes em termos de coordenação dos
serviços públicos envolvidos nestas ações.
Os elementos expostos escolhidos para realizar esta avaliação são as instalações PCIP (afetadas
independentemente da magnitude e do nível do risco), os edifícios sensíveis, turismo e agricultura
(afetadas pelas inundações com período de retorno de 20 anos e com risco alto e muito alto),e as
infraestruturas de tratamento de águas residuais (atingidas pelas inundações com período de
retorno de 20 anos, independentemente do risco).
Estes elementos são aqueles onde as medidas propostas podem diminuir a ameaça de contaminação
das massas de água onde se localizam (o SAP, incorporação no SVARH, relocalização do edifício,
compatibilização com o Plano de Emergência de Proteção Civil - PEPC). O potencial impacto das
medidas, preconizadas neste PGRI, nas massas superficiais foi considerado quando entre estas
massas de água superficiais e o elemento exposto distam até 30 m (largura das margens considerada
para as águas navegáveis ou flutuáveis, nos termos da lei que estabelece a titularidade dos recursos
hídricos, Lei nº 54/2005, de 15 de novembro).
Quando o elemento exposto é uma instalação PCIP, o seu impacto sobre as massas de água
superficiais só será considerado se esta drenar para a bacia hidrográfica definida por estas massas de
água. Para este exercício serão também consideradas as medidas propostas no âmbito das AAPC,
que poderão ter impacte nas massas de águas das áreas inundáveis desta Zona Crítica.
Nas áreas inundáveis da Zona Crítica, da RH1, foram identificados os elementos expostos (Estação
elevatória e ETAR) sujeitos às medidas deste plano setorial, localizados em massas de água, havendo
também de considerar as medidas relacionadas com a AAPC, que se localiza a montante da Zona
Crítica, logo fora das áreas inundáveis (Quadro 20).
Quadro 20 – Massas de água sobre as quais existem medidas do PGRI relevantes para o seu Estado e
associadas às AAPC.
Esta avaliação não considerou as medidas associadas ao património cultural, à gestão das albufeiras,
às planícies de inundações, às obras eventualmente propostas, às ferrovias e rodovias, às do PGRH e
às genéricas. O impacte das medidas propostas no PGRH será aí avaliado.
3.4. Articulação entre o Plano de Gestão dos Riscos de Inundações e o Plano de Gestão de
Região Hidrográfica: massas de água significativamente atingidas pelas inundações
Elaborou-se o cruzamento entre as massas de água superficiais (rios, albufeiras, águas de transição e
águas costeiras), que são significativamente atingidas pelas áreas inundáveis para o período de
retorno de 100 anos e, como tal, onde poder-se-á aplicar as exceções previstas na DQA, ponto 6,
artigo 4.º. Nestas massas de água a ocorrência de inundações extremas poderá justificar a
deterioração temporária do estado das massas de água, não correspondendo à violação dos
requisitos da DQA. Entendeu-se como massas de água significativamente atingidas pelas inundações
aquelas que tenham as seguintes características:
• Massa de água rios: mais de 2 km de extensão da massa de água ou mais de 20% da massa
de água afetada pela inundação;
• Massas de água fortemente modificadas: mais de 0,4 km2 da massa de água ou mais 20% da
massa de água afetada pela inundação;
• Massas de água de transição: mais de 0,5 km2 da massa de água ou mais 20% da massa de
água afetada pela inundação;
• Massas de água costeiras: mais de 0,5 km2 da massa de água afetada pela inundação.
Com estes critérios foram selecionadas para a RH1, quatro massas de águas (Anexo 11), duas no
troço de Ponte da Barca e outras duas no troço de Ponte de Lima. A partir do cruzamento destas
massas de água com as medidas previstas no PGRI, não foram identificadas nenhumas massas de
água superficial, que poderão beneficiar, contribuindo para os objetivos da DQA, com as medidas do
PGRI, promovidas sobre estas massas de água.
Para obter mais informação sobre a metodologia adotada, sugere-se a consulta dos PGRH.
No que se refere às medidas estruturais também é importante avaliar o impacte que têm nas massas
de água afetadas, nomeadamente para comprovar que não existem alternativas ambientalmente
mais favoráveis, nos termos do n.º 5 do artigo 51.º da Lei n.º 58/2005 ou do 4 (7) da DQA. Na Figura
19 ilustra-se a relação estabelecida entre os PGRH e PGRI.
PGRI - RH1
10 2 500 000 €
9
9
2 136 286 €
8 2 000 000 €
7
7
6 1 500 000 €
5
4 4
4 1 000 000 €
3
2 500 000 €
1 87 143 € 119 429 €
60 714 €
0 0€
Proteção Prevenção Preparação Aprendizagem e
Recuperação
Após aplicação dos critérios de seleção, efetuou-se uma priorização das medidas propostas, que se
baseou nas seguintes regras:
Preferência a medidas passíveis de eventual financiamento;
Preferência a medidas praticáveis dentro de um período compatível com o prazo de
execução do PGRI (entre março 2016 a dezembro de 2020);
Preferência a medidas com contributo para o maior número de objetivos;
Preferência às medidas realizadas em áreas com risco muito alto, em detrimento do risco
alto e médio;
Preferência a medidas de prevenção e preparação em detrimento das de proteção.
A implementação das medidas poderá ocorrer com atrasos decorrentes de fatores externos às
entidades responsáveis pela sua execução, pelo que poderão existir alguns desfasamentos
temporais.
O sistema tem como âmbito de intervenção a Região Hidrográfica (RH) e as zonas críticas
identificadas, avalia a concretização das medidas previstas, promovendo o envolvimento das
organizações responsáveis pela implementação dessas medidas e da Comissão Nacional de Gestão
dos Riscos de Inundações.
O Sistema de Promoção, Acompanhamento e Avaliação zela ainda para que a aplicação das medidas
implementadas para alcançar os objetivos definidos, seja coordenada com a restante política da
água e que contemple os âmbitos regional, nacional, luso-espanhol e europeu.
Tipo de
Código das Medidas Medidas Indicadores de monitorização Meta
medidas
Troço requalificado (m)/ troço total 100% até
Proteção PTLIMA_PROT1_RH1 Reabilitação das margens do rio Lima (Touvedo)
T1000 (m) 2018
Nº programas elaborados/nº de 100% até
Proteção PTLIMA_PROT2_RH1 Regras de Exploração de Infra estruturas hidráulicas
programas previstos 2017
Troço requalificado (m) / troço total 100% até
Proteção PTLIMA_PROT3_RH1 Instalação de parque urbano com resiliência a cheias, no baixo Vez
T1000 (m) 2018
Instalação de parque natural com resiliência a cheias na zona inundável do rio Área reabilitada (m2) / área total 100% até
Proteção PTLIMA_PROT4_RH1
Lima/Ponte de Lima (Arnado) (T20)(m2) 2019
Instalação de parque ecológico com resiliência a cheias na zona inundável do rio Área reabilitada (m2) / área total 100% até
Proteção PTLIMA_PROT5_RH1
Lima/Ponte da Barca (MD) (T20)(m2) 2018
Intervenção de requalificação e proteção das margens e leitos dos rios Lima e Vade, Área reabilitada (m2) / área total 100% até
Proteção PTLIMA_PROT6_RH1
no concelho de Ponte da Barca (ME) (T20)(m2) 2018
Troços reabilitados (m)/ troço total 100% até
Proteção PTLIMA_PROT7_RH1 Galeria ripícolas nos tributários de albufeiras
zona de proteção (m) 2020
Intervenção de proteção de Recursos Hídricos- Controlo da erosão das margens do rio Troço requalificado (m) / troço total 100% até
Proteção PTLIMA_PROT8_RH1
Lima, no concelho de Ponte de Lima T1000 (m) 2018
Sistema de
Informação
Geográfica
Sistema de
promoção.
acompanhamen
to e avaliação
Será desenvolvida uma plataforma de acompanhamento do PGRI constituída por uma interface
disponível via internet e por uma base de dados alfanumérica, estruturada de forma a conter a
informação referente ao 1.º ciclo de planeamento, onde se encontra programada a ficha de medida,
apresentada no Anexo 13.
Uma das formas de garantir o sucesso e a eficácia de qualquer fase de um processo de gestão é
assegurar o envolvimento de todos os interessados, contribuindo assim para aumentar a
transparência dos procedimentos, diminuir possíveis fontes de insatisfação no futuro,
potencialmente geradoras de conflitos, e contribuir para a sensibilização desse mesmo público para
as questões dos riscos associados às inundações.
Cada uma destas linhas de atuação é desenvolvida em diferentes vertentes (ou medidas) que se
concretizam através de ações.
Público-alvo
A identificação dos alvos da comunicação é essencial para se determinar os restantes elementos
básicos da comunicação, nomeadamente: a mensagem a transmitir e a(s) forma(s) de o fazer.
A integração da gestão dos riscos de inundações nos IGT permite que seja incorporado no dia-a-dia
das populações um conjunto de boas práticas que respeitam o rio e os eventos de cheias. Permite
também que a gestão dos recursos hídricos e do território garanta a sustentabilidade das políticas
de ocupação do solo e de desenvolvimento económico com informação disponível para os três
períodos de retorno considerados nos PGRI T=20, T=100 e T=1 000 anos.
Nos PGRI é utilizada uma escala geográfica adaptada a instrumentos de planeamento nacional e
regional. Há pois necessidade de se efetuar uma análise local a maior escala quando se proceder à
elaboração/revisão dos PMOT, PDM e carta da REN permitindo assim que se conciliem os vários
instrumentos de planeamento.
A articulação dos PGRI com os IGT concretiza-se pela atualização das zonas inundáveis, das zonas
ameaçadas pelas cheias e das zonas ameaçadas pelo mar aquando da elaboração, ou revisão, dos
PMOT e da elaboração das cartas da REN.
Concretiza-se também pela procura de sinergias, ganhos de eficiência e benefícios comuns com os
PGRH, os POAAP / POA (atuais PAAP), os POOC (atuais POC), e os POE, tendo sempre em
consideração os objetivos ambientais estabelecidos na Lei da Água.
A articulação com os PGRH passa também pela participação pública, uma vez que o público
interessado nos dois Planos coincide parcialmente.
No segundo ciclo de planeamento dos PGRI as inundações costeiras devido a galgamentos do mar
deverão ser tidas em consideração pelo que nessa altura a articulação com os POOC, atuais POC,
deverá ser aprofundada. Também deverão ser tidos em consideração nessa altura os POE e as Zonas
Adjacentes entretanto aprovados.
Os POOC e os POC, não são considerados nestes PGRI de 1º ciclo devido a quatro razões
fundamentais:
1. Nas Zonas Críticas identificadas e selecionadas neste primeiro ciclo de planeamento as
inundações decorrem do fenómeno fluvial;
2. Os POOC estão em revisão;
3. Os POC, instrumentos que estão agora a ser elaborados, não apresentam a análise do risco
de inundação de forma compatível com o estabelecido no Decreto-Lei nº115/2010, de 22 de
outubro;
4. Decorrem várias intervenções na orla costeira que alteram a susceptibilidade do território à
ameaça das inundações.
Nos POC o risco é relacionado com as especificidades físicas do território sendo considerado como a
ameaça das inundações costeiras à segurança de pessoas e bens, associada à potencial erosão do
litoral. No Decreto-Lei nº115/2010, de 22 de outubro entende-se como risco de inundação a
combinação da probabilidade de inundações, tendo em conta a sua magnitude, e das suas potenciais
consequências prejudiciais para a saúde humana, o ambiente, o património cultural, as infra-
estruturas e as atividades económicas, sendo as suas consequências prejudiciais avaliadas através da
identificação do número e tipo de atividade afetada, podendo por vezes ser apoiada numa análise
quantitativa.
As inundações resultantes de sobreelevação das águas do mar nas zonas costeiras serão
consideradas no segundo ciclo de planeamento de acordo com:
Até 2018 propostas as zonas de riscos potenciais significativos de inundações;
Até 2019 produzidas cartas de zonas de inundáveis e cartas de riscos de inundações para o
cenário de baixa probabilidade de ocorrência ou cenário de fenómenos extremos (T=1000
anos);
Até 2021 elaborados os planos de gestão de riscos de inundações.
A informação relevante dos POC deverá ser utilizada para a avaliação preliminar dos riscos de
inundações (a concluir até 2018).
Após 2019 a informação relevante das cartas de zonas de inundáveis para áreas de risco e das cartas
de riscos de inundações deverá ser integrada aquando da revisão dos respectivos POC.
Zonas Adjacentes
Zona Adjacente é a área contígua à margem de um rio que se estenda até à linha alcançada pela
maior cheia que se produza no período de um século (T=100 anos) demarcada como tal pela
Autoridade Nacional da Água e assim classificada em Portaria.
No âmbito dos PGRI é proposto a demarcação de Zonas Adjacentes para as 22 Zonas Criticas,
considerando na sua delimitação as áreas que correspondem às cartas de zonas de inundáveis
associadas à inundação de média probabilidade de ocorrência (T=100 anos). Nas áreas que
correspondem às cartas de zonas de inundáveis para áreas de associadas à inundação de elevada
probabilidade de ocorrência (T=20 anos) é proposta a ocupação edificada proibida. As áreas
compreendidas entre os dois cenários serão então as áreas de ocupação edificada condicionada.
Considerando que os limites da Zona Adjacente (T=100 anos) coincidem com os limites da REN
(T=100 anos), e como a elaboração das cartas da REN é competência dos Municípios e a demarcação
das Zonas Adjacentes cabe à Autoridade Nacional da Água, será necessário uma articulação entre as
entidades envolvidas, de modo a garantir que as delimitações sejam compatíveis e respeitem os
mesmos critérios.
A delimitação da REN é obrigatória no âmbito dos PMOT. A demarcação da REN tem incidido, na
maioria dos casos, nas áreas exteriores aos perímetros urbanos.
Com a cartografia agora produzida no âmbito dos PGRI fica disponível nova informação cartográfica,
fidedigna e atual, a uma escala regional. Nova informação de base, seja cartografia,
dimensionamento de obras de arte, perfis transversais, etc., que conduza a uma atualização do
modelo digital de terreno será refletida aquando da reavaliação e atualização da cartografia a
realizar até 2019.
como pontes, estrangulamentos, aterros, obras hidráulicas ou outras estruturas, não estavam
definidos nos elementos de base do modelo digital de terreno, pelo que não foram considerados.
Para estes casos, será necessário realizar estudos de pormenor, com base em cartografia a escala
adequada a cada situação. Nesta circunstância a aderência a um cenário real de inundação em
espaço urbano é limitado, uma vez que se considera a situação limite que é a inexistência, ou total
obstrução, do sistema de drenagem.
Assim, aquando de revisão dos PDM, na delimitação das zonas inundáveis deverá ser considerado
um modelo digital de terreno de elevada resolução, maior do que a resolução utilizada no âmbito da
cartografia produzido no âmbito dos PGRI’s, e também o sistema de drenagem, pluvial e doméstico,
existente. A articulação entre estes IGT deverá ter em conta a sua escala de delimitação, de modo a
garantir que as áreas inundáveis sejam compatíveis e respeitem os mesmos critérios.
Os regulamentos dos PMOT, PDM, Planos de Urbanização (PU) e Planos de Pormenor (PP) devem
estabelecer as restrições necessárias para fazer face ao prejuízo e efeitos provocados pelas cheias,
designadamente, nos seguintes termos:
1. Nos espaços urbanos, minimizando os efeitos das cheias, através de normas específicas para
a edificação devendo estabelecer designadamente que as cotas dos pisos inferiores das
edificações sejam superiores à cota local da máxima cheia conhecida, sistemas de proteção
e de drenagem e medidas para a manutenção e recuperação das condições de
permeabilidade dos solos;
2. Nos espaços urbanizáveis, proibindo ou condicionando a edificação.
No entanto para as Zonas Criticas localizadas em estuários a modelação hidrológica teve em conta o
efeito da maré para a produção da cartografia para os três períodos de retorno considerados de
zonas de inundáveis para T=20, T=100 e T=1 000 anos.
A reavaliação dos riscos de inundações será elaborada até 2018, de acordo com artigo 16.º do
Decreto-lei n.º 115/2010, de 22 outubro, tendo por base a informação disponível, incluindo registos
e estudos, acessíveis e fiáveis, sobre a evolução a longo prazo, nomeadamente do impacto das
alterações climáticas na ocorrência de inundações. Este trabalho será feito em estreita articulação
com as entidades que integram a Comissão Nacional de Gestão dos Riscos de Inundações,
envolvendo, numa segunda fase e de forma mais direta todos os municípios em que venham a ser
identificadas zonas onde existem riscos potenciais significativos de inundações ou nas quais a
concretização de tais riscos se pode considerar provável.
Serão consideradas cheias de origem fluvial, inundações urbanas (excluindo as inundações causados
unicamente por ineficácia dos sistema de drenagem) e inundações marítimas em zonas costeiras.
A avaliação preliminar dos riscos de inundações deve incluir, pelo menos, os seguintes elementos:
a) Cartas da região hidrográfica à escala apropriada, incluindo os limites das bacias
hidrográficas, das sub-bacias hidrográficas e das zonas costeiras, com a indicação de dados
topográficos e da afectação dos solos com o seu actual uso;
b) Uma descrição das inundações ocorridas no passado que tenham tido impactos negativos
importantes na saúde humana, no ambiente, no património cultural, nas infraestruturas e
nas actividades económicas, nos casos em que continue a existir uma probabilidade
significativa de inundações semelhantes voltarem a ocorrer no futuro, incluindo a extensão
das inundações, as vias de evacuação das águas, ou seja, o percurso preferencial do
escoamento, e uma avaliação qualitativa dos respectivos impactos negativos;
c) Uma descrição das inundações significativas ocorridas no passado, que não tenham sido
causadoras de impactos negativos importantes na saúde humana, no ambiente, no
património cultural e nas actividades económicas então existentes, mas que a ocorrer
futuramente possam ter consequências prejudiciais significativas;
d) Sempre que tal se revele necessário, uma avaliação das potenciais consequências
prejudiciais das futuras inundações para a saúde humana, o ambiente, o património cultural,
as infraestruturas e as actividades económicas, que tenha em conta as especificidades de
cada região hidrográfica.
Para que esta avaliação seja possível é necessário reunir um volume de informação significativo, pelo
que a cooperação de todas as entidades intervenientes, nomeadamente as Câmaras Municipais será
fundamental.
Para além de sessões públicas de esclarecimento abertas a todos os interessados realizou-se no dia
23 de novembro de 2015, em Coimbra, uma reunião com as Câmaras Municipais envolvidas para
discussão e avaliação das medidas previstas e para incentivar a participação durante o período da
participação pública.
No dia 23 de novembro de 2015 foi realizada em Coimbra uma reunião com as Câmaras Municipais
envolvidas para discussão e avaliação das medidas previstas e para incentivar a participação durante
o período de apresentação do projecto de PGRI.
Foi definido como prazo mínimo de três meses a contar da data de publicação da informação para o
envio de comentários e pareceres divulgados na página eletrónica da APA.
No relatório de participação pública anexo a este plano estão relatados todos os contributos
recebidos, bem como a avaliação e integração dos contributos na versão final do PGRI.
A elaboração do PGRI exigiu a consulta e utilização de várias fontes de informação, bem como de
estudos, publicações e projetos, que se mencionam seguidamente:
Elementos de Base
[Link]
[Link]
[Link]
12. Manuel Lacerda, Carlos Rodrigues, Rui Rodrigues, António C. Rodrigues, Aquilino Rodrigues,
Manuela Saramago, Cláudia Brandão e Paulo Diogo (1997) - “O Sistema Nacional de Vigilância e
Alerta de Cheias”, Simpósio sobre Aproveitamentos Hidroelétricos, LNEC, Lisboa (Portugal);
13. Cláudia Brandão e Rui Rodrigues (1998) - “Precipitações Intensas em Portugal Continental para
Períodos de Retorno até 1000 anos”. Publicação disponibilizada no portal do SNIRH
([Link]
14. Rui Rodrigues, Cláudia Brandão e Teresa Alvares (1998) - “Qual o grau de Excecionalidade das
Cheias Ocorridas no início do Ano Hidrológico de 1997/98?”, 4º Congresso da Água, FIL, Lisboa
(Portugal);
15. Cláudia Brandão e Rui Rodrigues (1998) – “Modelação Hidrológica de Cheias Afluentes a
Barragens como Mecanismo de Auxílio à Gestão de Albufeiras”, 4º Congresso da Água, FIL,
Lisboa (Portugal);
16. Aquilino Rodrigues, Manuela Saramago, Carlos Rodrigues, Manuel Lacerda, Rui Rodrigues (1999)
– “Evolução Recente do Sistema de Vigilância e Alerta de Cheias”. Lisboa (Portugal). Publicação
disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
17. Cláudia Brandão e Rui Rodrigues (1999) - “Probable Maximum Precipitation (PMP) for five
Portuguese Raingauges”, XXVIII International Association for Hydraulic Research Congress, Grass
(Áustria). Publicação disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
18. Cláudia Brandão, Rui Rodrigues, Rosa Gomes e Joaquim Pinto da Costa (2000) - “Isolinhas de
Precipitações Extremas para Diferentes Durações. Relações entre a Precipitação Horária e Sub-
Horárias”. 1º Congresso Sobre Aproveitamentos e Gestão de Recursos Hídricos em Países de
Idioma Português. Rio de Janeiro (Brasil);
19. Joaquim Pinto da Costa, Rui Rodrigues; Cláudia Brandão (2000) – “Modelação de Cheias apoiada
em Sistemas de Informação Geográfica. Publicação disponibilizada no portal do SNIRH
([Link]
20. Rui Rodrigues, Cláudia Brandão e Joaquim Pinto da Costa (2001) – “Hidrologia das Cheias do
Mondego de 26 e 27 de Janeiro de 2001”. Publicação disponibilizada no portal do SNIRH
([Link]
21. Rui Rodrigues, Ana Lopes et al. (2001) – “Monitorização da Recursos Hídricos no Limiar do Século
XXI”, INAG, MAOT, Setembro (Portugal). Publicação disponibilizada no portal do SNIRH
([Link]
22. Cláudia Brandão, Rui Rodrigues e Joaquim Pinto da Costa (2001) – “Análise de Fenómenos
Extremos. Precipitações Intensas em Portugal Continental”. Estudo apresentado no Curso de
Tecnologias da Informação em Hidrologia, IST, 4 a 6 de Março de 2002. Publicação
disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
23. Rui Rodrigues, Ana Rita Lopes e Cláudia Brandão (2002) – “Os Aspetos Ambientais Concernentes
à Água no Planeamento Civil de Emergência”. Revista nº 15 Planeamento Civil de Emergência.
Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência (CNPCE). 2002. Publicação
disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
24. Rui Rodrigues, Cláudia Brandão e Joaquim Pinto da Costa (2003) – Breve nota sobre as cheias no
Tejo e o seu sistema de vigilância e alerta. Publicação disponibilizado no portal do SNIRH
([Link]
25. Rui Rodrigues, Cláudia Brandão e Joaquim Pinto da Costa (2003) - As Cheias no Douro Ontem,
Hoje e Amanhã. Publicação disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
26. Rui Rodrigues, Cláudia Brandão e Joaquim Pinto da Costa (2003) - A regularização promovida
pelos aproveitamentos hidroelétricos, erradamente apreendida como estímulo adicional na
progressiva ocupação dos leitos de cheia. II Simpósio sobre Aproveitamentos Hidroelétricos.
Publicação disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
27. Rui Rodrigues, Manuela Saramago, Rosa Gomes (2003) – “SVARH”. Lisboa (Portugal). Publicação
disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
28. Rui Rodrigues, Cláudia Brandão e Joaquim Pinto da Costa (2004) - A Cheia de 24 de Fevereiro de
2004 no rio Ardila. Publicação disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
29. Cláudia Brandão, Rui Rodrigues e Joaquim Pinto da Costa (2004 e 2005) – Situações Hidrológicas
Extremas: precipitações intensas e caudais de cheia. As Cheias em Portugal. Estar Informado e
Preparado. Por um mundo mais seguro no século XXI. Publicação disponibilizada no portal do
SNIRH ([Link]
30. Rui Rodrigues, Cláudia Brandão, Ana Rita Lopes, Joaquim Pinto da Costa, Manuela Saramago e
Miguel Nunes de Almeida (2007) – “Breve caracterização das cheias do Outono de 2006”.
Publicação disponibilizada no portal do SNIRH ([Link]
31. M.I.P. de Lima, J.L.M.P. de Lima, R.R. Rodrigues, C. Brandão, A.S.S. Rosário (2006) – “Scale
invariant study of river discharges from the Tagus basin”. Workshop “Tagus Floods 06”. Lisboa
(Portugal);
32. Marcelo Fragoso e Cláudia Brandão (2007) – “Heavy rainfall and flooding in Central Portugal in
autumn 2006: climatological and hydrological analysis of three extreme events”. European
Geosciences Union, General Assembly, Vienna 15-20 April (Áustria);
33. Joaquim Pinto da Costa e Manuela Saramago (2008) – “Sistema de Vigilância e Alerta de
Recursos Hídricos (SVARH)”. Lisboa (Portugal). Publicação disponibilizada no portal do SNIRH
([Link]
34. Rui Rodrigues; Cláudia Brandão, Joaquim Pinto da Costa (2010) – “Rethinking precipitation
maxima estimates”. 10th International Precipitation Conference, 23 a 25 de Junho;
35. European Commission (2013) – Guidance for reporting under the floods directive (2007/60/EC);
36. LAWA (2013) – Recommendations on Coordinated Application of the EU Flood Risk Management
Directive and the EU Water Framework Directive- Potential Synergies in measures, data
management and public consultation. German Working Group on Water Issues of The Federal
States and Federal Government;
37. WG F and STAR-FLOOD (2013) –Workshop Report: Objectives, measures and prioritization;
38. Aqualogus (2014) – Elaboração de Cartografia sobre Risco de Inundação para Portugal
continental;
39. European Comission (2014) – EU Policy document for Natural Water Retention Measures;
40. European Commission (2015) – The Water Framework Directive and The Flood Directive: Action
towards the ’good status’ of EU water and to reduce flood risks.
Para obter as cartas de risco de inundações (PDF) deverá aceder ao seguinte endereço eletrónico:
[Link]
Em particular, no âmbito das cheias e inundações, podem ser considerados os seguintes objetivos
específicos:
Contribuir para uma gestão coordenada das descargas de barragens em situação de emergência
Garantir apoio em informação e em meios de reforço aos Comandos Distritais de Operações de Socorro
Neste contexto, o PNEPC articula-se com os com os planos Distritais, que descrevem nos respetivos
níveis territoriais a atuação das estruturas de proteção civil e referenciam as responsabilidades, o
modo de organização e o conceito de operação, bem como a forma de mobilização e coordenação
dos meios e os recursos indispensáveis na gestão do socorro.
O PNEPC é ativado automaticamente perante a ocorrência de uma cheia em mais que três bacias
hidrográficas afetando mais de 1000 pessoas. Note-se que esta tipificação de critérios não impede
que o PNEPC possa ser ativado em outras circunstâncias, de acordo com a iminência ou ocorrência
de acidente grave ou catástrofe.
Por fim, o sistema de aviso à polução assegura que a população é avisada e mantida informada, de
modo a que possa adotar as instruções das autoridades e as medidas de autoproteção mais
convenientes. O PNEPC indica quais as formas de aviso mais adequadas (informação direta, sirenes,
prestação de informação através dos órgãos de comunicação social, difusão de comunicados).
Garantir correta articulação com a Autoridade Nacional da Água de modo a acompanhar a evolução do
nível das barragens e dos níveis dos cursos de água
Realizar ações de sensibilização nas zonas de elevada suscetibilidade tendo em vista difundir os
procedimentos que deverão ser adotados pela população após receção de avisos por parte da proteção
civil
Num PMEPC o critério de ativação específico para cheias vai decorrer claramente da decisão da
autarquia de acordo com o histórico de ocorrências e o risco presente no concelho em causa. Note-
se que esta tipificação de critérios não impede que o PMEPC possa ser ativado em outras
circunstâncias, de acordo com a iminência ou ocorrência de acidente grave ou catástrofe.
Código medida = Código zona crítica + código tipo medida + Identificação da Região hidrográfica
Ponte de Lima
´
Minho e Lima
41°47'0"N
41°47'0"N
Cávado,Ave e Leça
41°46'0"N
41°46'0"N
41°45'0"N
41°45'0"N
0,5
Km Esri, HERE, DeLorme, MapmyIndia, © OpenStreetMap contributors, and
the GIS user community
Elementos Expostos
Rede Hidrográfica Período de retorno de 100 anos
Rede Hidrográfica Risco = f(Perigosidade, Consequência)
Regiões Hidrográficas Muito alto
Regiões Hidrográficas Alto
Massas de Água Médio
MA superficial Rio Área Inundada
MA superficial Costeira Área Inundada (Período retorno 100 anos)
MA superficial Lago
MA superficial Transição (estuário)
MA Subterrâneas
8°27'0"W 8°26'0"W 8°25'0"W 8°24'0"W 8°23'0"W
Ponte da Barca
´
41°50'0"N
41°50'0"N
Minho e Lima
Cávado,Ave e Leça
¡
¤
41°49'0"N
41°49'0"N
¡
¤
41°48'0"N
41°48'0"N
0,5
Km
Esri, HERE, DeLorme, MapmyIndia, © OpenStreetMap contributors, and
the GIS user community
Elementos Expostos