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Grandes Lago

O documento é um trabalho acadêmico sobre a Região dos Grandes Lagos, abordando sua instabilidade histórica e conflitos, como o genocídio de Ruanda e as guerras do Congo. Ele analisa a influência da comunidade internacional e a cooperação regional, destacando o papel de Angola na pacificação da região. O estudo utiliza metodologias de pesquisa bibliográfica e documental para fundamentar suas análises.

Enviado por

Adão Mussumba
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Grandes Lago

O documento é um trabalho acadêmico sobre a Região dos Grandes Lagos, abordando sua instabilidade histórica e conflitos, como o genocídio de Ruanda e as guerras do Congo. Ele analisa a influência da comunidade internacional e a cooperação regional, destacando o papel de Angola na pacificação da região. O estudo utiliza metodologias de pesquisa bibliográfica e documental para fundamentar suas análises.

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UNIVERSIDADE GREGÓRIO SEMEDO

FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E POLÍTICAS

GRUPO Nº 01

GRANDES LAGOS (AFRICANO)

LUANDA
2024/2025
INTEGRANTES DO GRUPO Nº 01

1. Adão João Mussumba


Luís....................................................................................231318
2. Dorivalda da Silva.................................................................................................231413
3. Eva José Carlos
Vieira...........................................................................................231565
4. Gaspar Pascoal
Piedade.........................................................................................231297
5. Guido Manuel H. da Costa Portalegre..................................................................
231354
6. Kujiza Adilson Beny Baco
Fortuna.......................................................................231503
7. Matilde Jandira
Alberto.........................................................................................111625

GRANDES LAGOS (AFRICANO)

Trabalho de avaliação contínua, apresentado à


Faculdade de Ciências Jurídicas e Políticas da
Universidade Gregório Semédo, como
requisito para obtenção de nota do 2º ano na
cadeira de Direito Internacional Público.
Orientador: MSc. Walker Garcia

LUANDA
2024/2025

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................4

2 NOÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO DA REGIÃO DOS GRANDES LAGOS..5

2.1 Noção Sobre A Região dos Grande Lagos........................................................5

2.2 Factores que desencadearam instabilidade na RGL..........................................5

2.2.1 Conferência de Berlim (1884-1885)............................................................5

2.2.2 O Genocídio de Ruanda (1994)...................................................................6

2.2.3 As Guerras do Congo..................................................................................7

2.2.4 Guerra Civil no Burundi..............................................................................7

2.2.5 Conflito em Uganda....................................................................................7

3 CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO DOS GRANDES LAGOS............................8

3.1 População, ÁREA e densidade populacional dos países da RGL 2024............8

3.2 População e Producto Interno Bruto (PIB) 2023..............................................8

4 COMUNIDADE INTERNACIONAL E INTERVENÇÃO HUMANITÁRIA.......8

4.1 Presença de Actores Externos...........................................................................9

4.2 Acordos e Tratados Internacionais....................................................................9

5 COOPERAÇÃO REGIONAL E INSTRUMENTOS JURÍDICOS.........................9

5.1 Objectivos principais da CIRGL.....................................................................10

5.2 O papel de Angola na CIRGL.........................................................................10

6 CONCLUSÃO........................................................................................................11

7 REFERÊNCIAS.....................................................................................................12
7.1 Livros:.............................................................................................................12

7.2 Sites acessados:...............................................................................................12


5

1 INTRODUÇÃO

Ao longo das últimas décadas, a Região dos Grandes Lagos tem sido cenário de
inúmeros desafios que combinam conflitos armados, instabilidade política, crises
humanitárias e exploração predatória de recursos naturais. O presente trabalho, inserido no
âmbito do Direito Internacional Público e das Ciências Jurídicas, aborda a Região dos
Grandes Lagos como um espaço de convergência entre o direito internacional humanitário, os
interesses estratégicos externos e os processos internos de pacificação.
Esta temática tem como escopo precípuo compreender os factores históricos, políticos
e económicos que explicam a instabilidade na Região dos Grandes Lagos, analisando o papel
da comunidade internacional, os processos de cooperação regional e a actuação de organismos
como a CIRGL (Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos). Através de
uma abordagem analítica, tenciona-se, identificar as causas e consequências dos principais
conflitos armados na região; caracterizar os Estados-membros da Região dos Grandes Lagos,
quanto à sua estrutura geopolítica e indicadores de desenvolvimento sustentável; examinar as
estratégias de intervenção humanitária e diplomática; e reflectir sobre o papel de Angola no
processo de pacificação regional.
No que respeita às metodologias de pesquisa utilizadas, recorreu-se essencialmente à
análise bibliográfica e documental, privilegiando fontes académicas e institucionais de
reconhecida idoneidade. A metodologia bibliográfica fundamentou-se na consulta de obras
clássicas e contemporâneas. Por seu turno, a pesquisa documental apoiou-se em documentos
oficiais e relatórios especializados, bem como fontes noticiosas de prestígio como o Diário de
Notícias, a Revista Militar e outras de referências.
6

2 NOÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO DA REGIÃO DOS GRANDES LAGOS

2.1 NOÇÃO SOBRE A REGIÃO DOS GRANDE LAGOS

A Região dos Grandes Lagos, é uma vasta área geográfica localizada na África
Central e Oriental, caracterizada pela presença de grandes corpos de água doce, como os lagos
Vitória, Tanganica, Albert, Eduardo, Kivu e Malawi. Esta região é partilhada por diversos
países1, onde destacamos os principais, Burundi, RDC (República Democrática do Congo),
Uganda, Ruanda, Quénia e Tanzânia.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Conferência Internacional
sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), esta região é definida não apenas pela geografia,
mas também pelos vínculos sociais, históricos e políticos entre os países que a compõem. Ela
é considerada uma das regiões mais densamente povoadas da África e, ao mesmo tempo, uma
das mais ricas em recursos naturais e biodiversidade (UNESCO, 2010).

2.2 FACTORES QUE DESENCADEARAM INSTABILIDADE NA RGL

2.2.1 Conferência de Berlim (1884-1885)

A Conferência de Berlim reuniu 14 potências europeias e os Estados Unidos 1, tendo


como pretexto a promoção de uma “colonização civilizada” 2 e a regulamentação do comércio
e navegação nos rios Congo e Níger. Contudo, por detrás do discurso diplomático,
prevaleceram os interesses económicos e estratégicos europeus. A imposição do chamado
“princípio da ocupação efectiva”3 determinava que apenas os territórios efectivamente
ocupados poderiam ser reconhecidos como colónias legítimas, desencadeando uma corrida
imperialista frenética pelo interior do continente. Este modelo de divisão resultou em
fronteiras traçadas com régua, sem qualquer base nos elementos culturais, linguísticos ou
étnicos africanos. Como sublinha a historiografia crítica contemporânea, essas fronteiras
constituíram verdadeiros cortes artificiais na malha identitária do continente. A célebre
expressão “partilha da África com lápis e mapa”, utilizada por autores como Walter Rodney
(Rodney, 1972), evidencia a insensibilidade dos colonizadores quanto à complexidade
sociocultural africana.
___________________________
1
Geográficamente além dos países mencionados, vários países fazem parte desta região, como,
Malawi (po meio do lago Malwi); 2 Colonização civilizada, ver também Missão Civilizadora
7

3
Princípio da ocupação efectiva, estabelecido na Conferência de Berlim (1884–1885) determinava as
potencialidades das colónias europeia sobre territórios africanos, se estas incluíssem presenças
militares e ajudasse a desenvolver as infra-estrutura nas colónias.
Nenhum africano participou da Conferência de Berlim. A exclusão total dos
verdadeiros detentores do território africano transformou o continente em mero objecto de
disputa geoestratégica. A chamada “Acta Geral da Conferência” 4 conferiu legitimidade
jurídica à pilhagem colonial, revestindo-a com o discurso da missão civilizadora. O resultado
foi a consagração de um modelo de dominação que desconsiderava as formas tradicionais de
organização e governança dos povos autóctone. As fronteiras herdadas da Conferência de
Berlim forçaram a convivência de grupos étnicos com histórias de rivalidade ou com
estruturas políticas inconciliáveis.

2.2.2 O Genocídio de Ruanda (1994)

Ruanda foi colonizada primeiramente pela Alemanha e, após a Primeira Guerra


Mundial, tornou-se colónia da Bélgica, sob mandato da Liga das Nações. Durante esse
período, os colonizadores belgas impuseram uma lógica de hierarquização étnica,
favorecendo a minoria tutsi (14% da população) identificada com traços físicos europeizados
e estilo de vida aristocrático em detrimento da maioria hutu (85% da população) e o twas
(ocupa 1%), associados a funções camponesas.
Com a pressão pela independência, os belgas inverteram seu apoio, agora favorecendo
os hutus. Em 1962, Ruanda tornou-se independente, e os hutus chegaram ao poder,
desencadeando perseguições sistemáticas contra os tutsis, que passaram a ser marginalizados,
assassinados ou exilados. Muitos exilados tutsis organizaram-se no exterior e formaram a
Frente Patriótica Ruandesa (FPR), que invadiu Ruanda em 1990, dando início a uma guerra
civil que agravou o ódio étnico e polarizou ainda mais o país. O ápice da crise ocorreu em 6
de abril de 1994, quando os presidentes da Ruanda, Juvenal Habyarimana, e do Burundi,
Cyprien Ntaryamira, foram assassinados em um atentado contra o avião no qual voltavam de
uma conferência na Tanzânia onde discutiam um acordo de paz (Gourevitch, 2000).
Segundo os dados da ONU, cerca de 800.000 pessoas foram brutalmente
assassinadas5, principalmente do grupo tutsi, mas também hutus moderados que se opuseram
à violência e cerca de 500 000 mulheres tenham sido estupradas durante o genocídio, Jens
(2020). O massacre foi promovido por milícias hutus (como a Interahamwe) 6, com apoio de
sectores do governo, exército e até da mídia local, que incentivava o extermínio em,
transmissões diárias.
_________________________
8

4
Ver: Acta Geral da Conferência
5
https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/04/140407_ruanda_genocidio_ms
6
Interahamwe, na língua kinyarwanda "aqueles que atacam juntos “foi uma milícia armada formada
principalmente por membros da etnia hutu em Ruanda, considerados responsáveis pelo genocídio”.

2.2.3 As Guerras do Congo

A instabilidade histórica da Região dos Grandes Lagos tem como epicentro as guerras
que devastaram a República Democrática do Congo (RDC) entre 1996 a 2003, conhecidas
como Primeira e Segunda Guerra do Congo, ultrapassaram os limites territoriais da RDC e
envolveram de forma directa e indirecta diversos países vizinhos, configurando-se como os
mais mortíferos conflitos em solo africano desde a Segunda Guerra Mundial.
Primeira Guerra do Congo (1996–1997): Iniciada em 1996, a guerra teve como
causa principal a presença de milícias hutus responsáveis pelo genocídio de Ruanda em 1994,
que se refugiaram no leste do Zaire (actual RDC). Com o apoio de Ruanda e Uganda,
Laurent-Désiré Kabila liderou uma rebelião que derrubou o regime de Mobutu Sese Seko em
maio de 1997, encerrando a guerra (UNESCO, 2010).
Segunda Guerra do Congo (1998–2003): Teve início em 1998, quando Kabila
rompeu com seus antigos aliados, Ruanda e Uganda, exigindo a retirada de suas tropas. Em
resposta, esses países apoiaram novos grupos rebeldes, levando a um conflito que envolveu
nove nações africanas. A guerra resultou na morte de aproximadamente 3,8 milhões de
pessoas, principalmente devido a doenças e fome. O conflito terminou oficialmente em 2003
com o Acordo de Pretória, que estabeleceu um governo de transição na RDC (UNESCO,
2010).

2.2.4 Guerra Civil no Burundi

A Guerra Civil no Burundi começou em 1993, após o assassinato do presidente


Melchior Ndadaye, o primeiro hutu eleito, rompendo décadas de domínio tutsi. Esse evento
desencadeou uma violenta espiral de confrontos étnicos entre hutus e tutsis, prolongando-se
até 2005 e causando cerca de 300.000 mortes, além de milhares de deslocados internos e
refugiados. O conflito foi formalmente encerrado com a assinatura do Acordo de Arusha em
2000, que estabeleceu um governo de transição inclusivo e buscou restaurar o equilíbrio
político e promover a reconciliação nacional.

2.2.5 Conflito em Uganda

Em Uganda, o conflito mais emblemático foi travado entre o governo e o grupo


rebelde Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), liderado por Joseph
9

Kony. O conflito durou mais de duas décadas, causando mais de 100.000 mortes e o
deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Embora o LRA tenha sido expulso de
Uganda em meados dos anos 2000, o grupo ainda actuou em países vizinhos, como Sudão do
Sul, República Centro-Africana e RDC, até ser praticamente desarticulado.

3 CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO DOS GRANDES LAGOS

A Região dos Grandes Lagos situa-se no leste e centro-oeste da África, ao longo dos
grandes lagos africanos formados pela tectônica do Vale do Rift. Em razão da definição
proposta pela ONU e a Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da
História Geral da África, sobre a caracterização da Região dos Grandes Lagos, mencionamos
a
Países da RGL População Àrea total Densidade pop.
01 Burundi 14.047.786 27.834 km² 547 p/km²
02 RD Congo 109.276.265 2 344 858 km² 46,6 p/km²
03 Quénia 56.432.944 580.367 km² 97,2 p/km²
04 Ruanda 14.256.567 26 338 km² 541,3 p/km²
05 Uganda 50.015.092 241,550 km² 207 p/km²
06 Tanzánia 68.560.157 945 087 km² 72,5 p/km²
seguir densidade populacional e o PIB dos 6 Estados presentes à Região dos Grandes Lagos
(UNESCO, 2010): Burundi1, República Democrática do Congo, Quénia, Ruanda, Uganda e
Tanzânia.

3.1 POPULAÇÃO, ÁREA E DENSIDADE POPULACIONAL DOS PAÍSES DA RGL


2024

Fonte: https://www.worldometers.info/population/africa/

3.2 POPULAÇÃO E PRODUCTO INTERNO BRUTO (PIB) 2023

Fonte: https://www.worldometers.info/gdp/gdp-by-country/
10

4 COMUNIDADE INTERNACIONAL E INTERVENÇÃO HUMANITÁRIA

A Região dos Grandes Lagos tem sido palco de diversos conflitos ao longo das últimas
décadas, deslocamentos forçados e crises de saúde pública. Em resposta, a comunidade
internacional tem intensificado esforços para promover a paz, a segurança e o
desenvolvimento sustentável na região.
Organizações internacionais, como a União Europeia (UE), têm desempenhado um
papel crucial na assistência humanitária. Em 2021, a UE destinou 54,5 milhões de euros 7 e
em 2023 34 milhões8, tudo em ajuda humanitária para a região, com foco na RDC e
refugiados burundianos em países vizinhos. Os fundos foram aplicados em assistência
alimentar, saúde, protecção e educação em situações de emergência.

4.1 PRESENÇA DE ACTORES EXTERNOS

Países como os Estados Unidos, China e membros da União Europeia desempenham


papéis significativos. Em 2024, o presidente Joe Biden anunciou um investimento de US$ 600
milhões no Corredor Ferroviário de Lobito, conectando minas na RDC e Zâmbia ao porto
angolano.

4.2 ACORDOS E TRATADOS INTERNACIONAIS

Vários acordos internacionais têm sido celebrados para promover a paz e o


Países da RGL População PIB (total) PIB per capita
01 Burundi 13.689.450 $ 2.642.161.669 $ 193
02 RD Congo 105.789.731 $ 66.383.287.003 $ 628
03 Quénia 55.339.003 $ 108.039.000.000 $ 1.952
04 Ruanda 13.954.471 $ 14.097.768.472 $ 1.010
05 Uganda 48.656.601 $ 48.768.955.863 $ 1.002
06 Tanzánia 66.617.606 $ 79.062.403.821 $ 1.187
desenvolvimento na Região dos Grandes Lagos. Destaca-se o Acordo-Quadro de Adis
Abeba, assinado em 24 de Fevereiro de 2013. Este acordo visa pôr fim aos conflitos na RDC
e promover a cooperação regional. Declaração sobre a Erradicação da Apatridia (2017),
Os Estados membros da CIRGL adoptaram uma declaração comprometendo-se a erradicar a
apatridia, reconhecendo a importância de garantir a cidadania e os direitos associados a todas
as pessoas na região. Protocolo sobre os Direitos de Propriedade das Pessoas Retornadas
(2006), que estabelece diretrizes para proteger os direitos de propriedade de pessoas
11

deslocadas que retornam às suas áreas de origem, visando facilitar a reintegração e a


estabilidade pós-conflito.

5 COOPERAÇÃO REGIONAL E INSTRUMENTOS JURÍDICOS

A CIRGL (Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos): é uma


organização intergovernamental formada pelos países africanos da região dos Grandes Lagos
Africanos para resolver questões de conflito entre estados-membros dentro da mesma região.
CIRGL foi formalmente estabelecida em 20 de novembro de 2004, com a Declaração de Dar
es Salaam, como resultado de uma iniciativa conjunta dos países da região, com o apoio das
Nações Unidas e da União Africana. A criação da organização foi motivada pelos intensos
conflitos que afetaram a região na década de 1990, incluindo o genocídio em Ruanda (1994),
as guerras civis no Burundi e na República Democrática do Congo (RDC), e os consequentes
fluxos massivos de refugiados e deslocados internos. No dia 15 de dezembro de 2006, em
Nairóbi, Quênia, foi assinado o Pacto sobre Segurança, Estabilidade e Desenvolvimento
na Região dos Grandes Lagos, durante a Segunda Cúpula de Chefes de Estado e de Governo
membros da CIRGL, e entrou em vigor em junho de 2008.
A CIRGL é composta por 12 Estados Membros: Angola, Burundi, República Centro-
Africana, República do Congo, República Democrática do Congo, Quênia, Ruanda, Sudão,
Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia. Entre os países que desempenharam um papel
fundamental na criação da organização, destacam-se Angola, Ruanda, Uganda e a RDC. Além
destes, a CIRGL compõe também 7 Estados Membros cooptados, Botsuana, Egipto, Etiópia,
Malawi, Moçambique, Namíbia, Zimbábue1. O Presidente em exercício é João Manuel
Gonçalves Lourenço, Presidente de Angola, e o Secretário Executivo, João Caholo também da
República de Angola, que assumiu o cargo em 2020.

5.1 OBJECTIVOS PRINCIPAIS DA CIRGL

 Promoção da paz e segurança: Implementar medidas para resolver conflitos na


região.
 Desenvolvimento econômico e social: Fomentar a cooperação regional para o
desenvolvimento sustentável.
 Boa governança e democracia: Fortalecer instituições democráticas e promover os
direitos humanos.
12

 Assistência humanitária: Coordenar esforços para atender às necessidades de


populações afetadas por conflitos e desastres naturais (Revista Militar, 2020).

5.2 O PAPEL DE ANGOLA NA CIRGL

A CIRGL tem servido de plataforma político-diplomática no que concerne à gestão e


resolução de problemas que enfermam a região, mas a falta de contribuição financeira e o
cumprimento escrupuloso das deliberações e pactos fragilizam a Conferência. Em 2014,
Angola assumiu a presidência da CIRGL. Nesta presidência de João Lourenço, deu-se espaço
para outro dinamismo sobre o papel de Angola na RDC e conseguiu fazer com que as partes
desavindas, que poderiam provocar uma guerra entre o Rwanda e Uganda, chegassem a um
entendimento, ver também (Revista Militar, 2020).

6 CONCLUSÃO

O estudo da Região dos Grandes Lagos, à luz do Direito Internacional Público,


revelou um quadro geopolítico profundamente complexo, marcado por conflitos armados,
deslocamentos forçados, rivalidades étnicas históricas e dinâmicas de exploração económica.
A análise permitiu compreender que a instabilidade da região encontra raízes estruturais nas
decisões arbitrárias da Conferência de Berlim (1884–1885), na imposição de fronteiras
artificiais e na manipulação colonial das identidades étnicas, como ficou evidente no
genocídio de Ruanda, nas guerras do Congo e no prolongado conflito em Burundi.
A caracterização geográfica e socioeconómica dos Estados que integram esta região,
como Burundi, República Democrática do Congo, Ruanda, Quénia, Tanzânia e Uganda,
evidenciou não apenas a sua riqueza mineral e diversidade cultural, mas também as severas
disparidades de desenvolvimento e os baixos índices de rendimento per capita, fatores que
alimentam tensões internas e regionais. Com efeito, as fragilidades institucionais e a luta pelo
controlo de recursos naturais estratégicos perpetuam ciclos de violência e de instabilidade,
cuja superação exige intervenções coordenadas e de longo prazo.
Verificou-se igualmente que a actuação da comunidade internacional, através de
iniciativas humanitárias promovidas pela União Europeia, e por outras organizações
multilaterais, embora louvável, permanece insuficiente frente à magnitude dos desafios
humanitários e de reconstrução socioeconômica. A crescente presença de actores externos,
como a China, os Estados Unidos e a União Europeia, introduz novos elementos
13

geoestratégicos, ampliando a competição por influência e recursos. Nesse contexto, destaca-se


o papel de Angola no seio da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos
(CIRGL), ao assumir uma postura activa na mediação de conflitos e no reforço dos
mecanismos regionais de segurança e cooperação. A diplomacia angolana, sob as lideranças
de José Eduardo dos Santos e de João Lourenço, revelou-se fundamental para fomentar o
diálogo político, a estabilidade e a integração regional, assumindo responsabilidade acrescida
na promoção da paz.
Conclui-se, portanto, que a estabilidade duradoura na Região dos Grandes Lagos
depende da conjugação de esforços internos, da consolidação da democracia, da boa
governação, da gestão equitativa dos recursos e da intensificação da cooperação internacional
baseada no respeito aos princípios de soberania, autodeterminação dos povos e
desenvolvimento sustentável. A Região dos Grandes Lagos continua a ser, simultaneamente,
um espaço de enormes desafios e de vastas potencialidades para a construção de uma África
mais pacífica, justa e integrada.
14

7 REFERÊNCIAS

7.1 LIVROS:

UNESCO. História Geral da África – Volume IV: África desde o século XII até o
século XVI. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO). Paris: UNESCO, 2010.
Rodney, W. (1972). How Europe Underdeveloped Africa. London: Bogle-L'Ouverture
Publications.
Africa's World War: Congo, the Rwandan Genocide, and the Making of a Continental
Catastrophe" – Gérard Prunier

7.2 SITES ACESSADOS:

A Convenção de Kampala ao serviço das PDIs: Guia para a sociedade civil sobre o
apoio da ratificação e implementação da Convenção sobre a Proteção e Assistência às
Pessoas Deslocadas Internamente em África. Julho de 2010. Disponível: https://api.internal-
displacement.org/sites/default/files/inline-files/2010-making-the-kampala-convention-work-
thematic-pt.pdf
Acesso em: 25 abr. 2025.
ICGLR. The Pact on Security, Stability and Development in the Great Lakes Region.
Nairobi: ICGLR, 2006. Disponível em: https://icglr.org/the-pact/
Acesso em: 25 abr. 2025.
AGÊNCIA LUSA. UE anuncia nova ajuda para região dos Grandes Lagos. Diário de
Notícias, 18 set. 2019. Disponível em: https://www.dnoticias.pt/mundo/ue-anuncia-nova-
ajuda-para-regiao-dos-grandes-lagos-GC5235976.
Acesso em: 26 abr. 2025.
PANA. "Angola assume presidência da conferência dos Grandes Lagos." Panapress,
15 de janeiro de 2014. Disponível em: https://www.panapress.com/Angola-assume-
presidencia-da-con-a_893421-lang4-free_news.html
Acesso em: 27 de abril de 2025.
Revista Militar. N.º 10 – outubro 2020, pp. 843-859 P Disponível EM:
https://ciencia.ucp.pt/ws/portalfiles/portal/29349725/revista_militar_out_2020_1_.pdf. acesso
em: 27 de abril de 2025.
15

10
Acesso em 25 de abril de 2025: emergency-live.com/ ver em: dnoticias.pt

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