UNIVERSIDADE LÚRIO
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRARIAS
CURSO LICENCIATURA EM ENGENHARIA ZOOTÉCNICA
2º NIVEL
Desenho De Instalações pecuárias
TEMA:
CODORNIZES
Docente:
Arq. Floriano Muahache
Discentes:
Pascoa Afonso Xavier
Unango, Abril de 2025
ÍNDICE
I. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 3
1.1. OBJECTIVOS .................................................................................................................. 3
1.1.1. Objectivo Geral ......................................................................................................... 3
1.1.2. Objectivos ................................................................................................................. 3
1.2. JUSTIFICAÇÃO .............................................................................................................. 4
II. METODOLOGIA .................................................................................................................... 5
III. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................ 6
3.1. ESCOLHA DAS LINHAGENS....................................................................................... 6
3.2. SISTEMAS DE CRIAÇÃO ............................................................................................. 6
3.3. INFRAESTRUTURAS .................................................................................................... 6
3.4. ALIMENTAÇÃO E MANEJO ........................................................................................ 7
3.5. PRODUTOS DERIVADOS E COMERCIALIZAÇÃO ................................................. 7
3.6. ESTIMATIVA DE CUSTOS PARA 500 CODORNIZES .............................................. 7
3.7. RESULTADOS ESPERADOS ........................................................................................ 8
IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................... 9
V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 10
I. INTRODUÇÃO
A coturnicultura, ou criação de codornizes, tem vindo a destacar-se como uma actividade
promissora na avicultura de pequena e média escala, principalmente em países em
desenvolvimento. As codornizes são aves de pequeno porte, rústicas e de rápido crescimento,
que oferecem dupla aptidão: produção de carne e ovos. Com um ciclo produtivo curto e baixo
custo de manutenção, representam uma alternativa viável para garantir segurança alimentar,
geração de rendimentos e ocupação da mão-de-obra familiar no meio rural (Oliveira et al., 2019).
Em Moçambique, a criação de codornizes ainda é incipiente, estando limitada a experiências
isoladas, geralmente sem apoio técnico adequado. No entanto, o aumento da procura por
proteínas de alta qualidade, associada à crescente urbanização, cria uma oportunidade para
expandir esta actividade. Este projecto visa analisar os principais aspectos da produção de
codornizes no contexto moçambicano, incluindo a escolha das linhagens, condições de criação,
alimentação, instalações, custos iniciais e possibilidades de comercialização.
1.1. OBJECTIVOS
1.1.1. Objectivo Geral
Avaliar a viabilidade técnica e económica da criação de codornizes em Moçambique, abordando
os aspectos relacionados com o manejo zootécnico, alimentação, infraestruturas, comercialização
e custos de produção.
1.1.2. Objectivos Específicos
➢ Identificar as linhagens de codornizes mais adequadas à produção de carne e ovos.
➢ Descrever as condições ideais de alojamento, temperatura e densidade.
➢ Analisar o tipo de alimentação e suplementação disponível localmente.
➢ Apresentar os produtos derivados e as estratégias de comercialização.
➢ Estimar os custos iniciais e o retorno económico de um projecto com 500 codornizes.
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1.2. JUSTIFICAÇÃO
A coturnicultura apresenta diversas vantagens em relação à criação de outras espécies avícolas.
O ciclo de produção curto (entre 42 e 60 dias para abate) e a elevada produtividade em ovos (até
300 ovos/ano por fêmea) tornam a actividade atractiva mesmo em espaços reduzidos (Silva et al.,
2021). Para Moçambique, onde muitos pequenos produtores possuem acesso limitado a recursos
e espaço, a criação de codornizes surge como uma opção estratégica para melhorar os
rendimentos familiares e diversificar a dieta alimentar.
Além disso, as codornizes são altamente adaptáveis ao clima tropical, exigindo menos recursos
em termos de alimentação e infraestruturas. O desenvolvimento de pequenos projectos de
coturnicultura poderá impulsionar cadeias de valor locais, promover o empreendedorismo juvenil
e reduzir a dependência de importação de produtos avícolas.
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II. METODOLOGIA
Este projecto será elaborado com base em pesquisa bibliográfica e documental, utilizando fontes
nacionais e internacionais, como a FAO, EMBRAPA, MADER, artigos científicos e manuais
técnicos. Serão também recolhidos dados de mercado, entrevistas com pequenos criadores e
levantamento de preços de insumos, com foco em dados de Moçambique.
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III. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1. ESCOLHA DAS LINHAGENS
As codornizes domésticas mais utilizadas pertencem à espécie Coturnix coturnix japonica,
conhecida como codorniz japonesa. As linhagens são geralmente seleccionadas para produção de
carne ou ovos:
➢ Linhagem de corte: codorniz gigante (maior peso ao abate, cerca de 200 a 300 g).
➢ Linhagem de postura: codorniz japonesa comum (produção de até 300 ovos/ano).
➢ Linhagens mistas: adaptadas à produção dupla, embora com produtividade moderada.
➢ Recomendação para Moçambique: iniciar com linhagem de postura pela elevada procura
de ovos e menor custo de manutenção.
3.2. SISTEMAS DE CRIAÇÃO
➢ Extensivo: raramente utilizado, pois codornizes não se adaptam bem à liberdade total.
➢ Semi-intensivo: usa abrigos simples e acesso controlado a espaços abertos.
➢ Intensivo (recomendado): codornizes em gaiolas ou aviários controlados, com boa
ventilação, temperatura entre 20°C e 30°C, e densidade máxima de 25 aves/m².
3.3. INFRAESTRUTURAS
1. Gaiolas galvanizadas ou de madeira (3 a 4 níveis).
2. Comedouros e bebedouros automáticos ou manuais.
3. Iluminação artificial (14 a 16 horas/dia).
4. Telhado de zinco ou palha com boa ventilação lateral.
5. Piso em tela para facilitar a limpeza dos dejectos.
6. Área de incubação ou acesso a chocadeiras para reprodução.
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3.4. ALIMENTAÇÃO E MANEJO
➢ Fase inicial (1-14 dias): ração inicial (28% de proteína bruta).
➢ Fase de crescimento (15-35 dias): ração de crescimento (24% PB).
➢ Fase de postura (a partir de 36 dias): ração de postura (20% PB). Suplementação com
cálcio, vitaminas e acesso constante a água limpa.
Em Moçambique, podem ser utilizadas misturas locais com farelo de milho, soja, peixe e
suplementos minerais para reduzir custos.
3.5. PRODUTOS DERIVADOS E COMERCIALIZAÇÃO
➢ Ovos frescos: vendidos em mercados locais, padarias e supermercados.
➢ Codornizes para abate: vendidas vivas ou abatidas, com procura em restaurantes e
mercados urbanos.
➢ Produtos transformados: ovos cozidos embalados, patês e embutidos.
Pode-se estabelecer parcerias com hotéis, escolas, cantinas e criar canais de venda directa ou
feiras rurais.
3.6. ESTIMATIVA DE CUSTOS PARA 500 CODORNIZES
➢ Construção de aviário (20 m²): 60.000,00 MT
➢ Compra de 500 pintos: 12.500,00 MT
➢ Ração para 2 meses: 35.000,00 MT
➢ Equipamentos (comedouros, bebedouros, iluminação): 15.000,00 MT
➢ Vacinas e vitaminas: 5.000,00 MT
➢ Total estimado inicial: 127.500,00 MT
➢ Receita prevista (venda de ovos/mês): 22.500,00 MT
➢ Retorno previsto em menos de 6 meses.
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3.7. RESULTADOS ESPERADOS
1. Implementação de um sistema eficiente de criação de codornizes.
2. Redução da insegurança alimentar.
3. Criação de oportunidades de autoemprego nas zonas rurais e urbanas.
4. Estímulo à produção local e valorização de produtos avícolas moçambicanos.
5. Formação de cooperativas ou associações de produtores.
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IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A coturnicultura representa uma oportunidade prática e acessível para pequenos e médios
empreendedores em Moçambique, especialmente em zonas com recursos limitados. Com um
investimento inicial reduzido e retorno económico rápido, a criação de codornizes pode
contribuir para a diversificação das actividades agrícolas, inclusão social e desenvolvimento
sustentável. O incentivo a este tipo de produção, com formação técnica e apoio governamental,
poderá posicionar Moçambique como um produtor relevante de proteína animal alternativa nos
próximos anos.
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V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. EMBRAPA. (2022). Criação de codornas: manual técnico. Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária.
2. FAO. (2021). Guidelines for small-scale quail farming. Food and Agriculture Organization of
the United Nations.
3. MADER. (2023). Estratégias para o desenvolvimento da avicultura familiar em Moçambique.
Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural.
4. Oliveira, D. R., Silva, L. M., & Souza, P. R. (2019). Desempenho zootécnico de codornas de
corte em diferentes sistemas de criação. Revista de Avicultura Tropical, 14(2), 45–52.
5. Silva, M. F., Costa, A. L., & Rocha, V. T. (2021). A coturnicultura como alternativa
sustentável para pequenos produtores. Revista Brasileira de Agricultura Familiar, 26(3), 67–
75.
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