2023 ApostilaBotanicanoInverno
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Apostila
XII Botânica no Inverno 2023
Organizadores
Adriana dos Santos Lopes Elielson Rodrigo Silveira Jhullyrson Osman F. de Brito
[email protected] [email protected] [email protected]
Bruna Santos da Cruz Ivan Hurtado Caceres Lucas Girotto L. da Silva
[email protected] [email protected] [email protected]
Professora Responsável
Claudia Maria Furlan - [email protected]
203 p. : il.
ISBN: 978-65-88234-15-0
LC: QK45.2
PREFÁCIO, 1
De modo geral as macroalgas podem ser divididas em três grandes grupos: Ulvophyceae, que
representam as macroalgas verdes incluídas no Filo Chlorophyta; Rhodophyta, as macroalgas
vermelhas e Phaeophyceae, as macroalgas pardas agrupadas no Filo Ochrophyta. Do ponto de vista
sistemático, Ulvophyceae e Rhodophyta estão agrupadas na Linhagem Archaeplastida por
compartilharem algumas características, tais como: cloroplastos envoltos por dupla membrana, um
indício da endossimbiose primária com uma cianobactéria e a presença da clorofila “a”. Enquanto
Phaeophyceae está posicionada na linhagem Stramenopila, uma vez que seus representantes possuem
flagelos morfologicamente distintos (curto e liso e outro longo e ciliado) e cloroplastos envoltos por
até 4 membranas.
costa nordeste. Essas macroalgas podem ser encontradas habitando a zona entre marés, do mesolitoral
superior ao infralitoral, crescendo principalmente sobre substratos rochosos. Algumas espécies são
restritas ao infralitoral, ocorrendo de 30 a 80 metros de profundidade.
Na costa brasileira, destacam-se os gêneros: Cladophora Kütz., Cladophoropsis Børgesen,
Pseudorhizoclonium Boedeker, Chaethomorpha Kütz., Rhizoclonium Kütz., Dictyosphaeria Decne.,
Valonia C.Agardh, Chamaedoris Mont., Microdictyon Decne., Boodlea G.Murray & De Toni e
Anadyomene J.V.Lamour.
Figura 1. Aspecto geral dos talos de macroalgas verdes. A. Talo diferenciado em rizoides, estolão e
ramos assimilados de Caulerpa chemnitzia (Caulerpaceae - Bryopsidales) (Foto: Fillype Quintella. B.
Talo articulado e calcificado de Halimeda opuntia (Halimedaceae - Bryopsidales). C. Talo flabeliforme
de Udotea dotti (Udoteaceae - Bryopsidales). D. Talo filamentoso ramificado de Boodlea composita
(Boodleaceae - Cladophorales). E. Talo reticulado de Phyllodictyon anastomosans (Boodleaceae -
Cladophorales). F. Talo filamentoso de Chaetomorpha sp (Cladophoraceae - Cladophorales). G. Talo
globoso de Dictyosphaeria versluysii (Siphonocladaceae - Cladophorales). H. Talo laminar de Ulva
lactuca (Ulvaceae - Ulvales).
Figura 2. Alguns dos caracteres morfológicos empregados de importância taxonômica de algas verdes. A.
Utrículos agrupados em família são típicos de espécies crostosas do gênero Codium (Foto: Fátima Carvalho).
B. Corte transversal do estolão de C. chemnitzia mostrando estrutura cenocítica, característica comum a todas
as Bryopsidales. C. Em Cladophorales, alguns gêneros são caracterizados por apresentarem filamentos
unisseriados e não ramificados, como Chaetomorpha sp. observada na foto. D. As veias são células muito
alongadas, politômicas, de aspecto pinado. São exclusivamente encontradas em gêneros da família
Anadyomenaceae, como essas de Anadyomene stellata observadas na foto. E. Anastomoses em
Cladophorales são formadas por células tenaculares, que são células especializadas capazes de projetar uma
estrutura fixadora sobre outra célula de um ramo adjacente. Na foto, observa-se anastomoses em
Phyllodictyon anastomosans (setas). F. O número de pirenóides (setas) é uma característica muito empregada
para identificação a nível específico em Ulva. G. Talos distromáticos, constituídos por duas camadas de
células, ocorrem principalmente nas espécies laminares do gênero Ulva.
Ordem Ceramiales
Essa ordem abriga um total de 2.711 espécies (táxons infragenéricos), quase um terço de toda
a diversidade referida para Florideophyceae, sendo considerada a ordem mais diversa dentro de
Rhodophyta. Os representantes de Ceramiales são caracterizados pelo crescimento uniaxial e pela
formação de uma célula auxiliar a partir da célula suporte do ramo carpogonial, o qual é constituído
por quatro células. A riqueza encontrada na ordem também se reflete na diversidade estrutural dos
talos que podem ser filamentosos (células dispostas em fileiras) formando tufos (Fig. 3C, 4D-E), talos
membranosos (de textura delgada e flexível, usualmente translúcidos como uma membrana) ou
folhosos (com forma similar a uma folha), ocasionalmente cartilaginosos (talo rígido, porém flexível).
Para além da sua diversidade estrutural, os táxons da ordem estão amplamente distribuídos
em todo globo, desde os trópicos até as regiões polares. Apesar da ordem ser majoritariamente
marinha, diversos representantes são capazes de se desenvolver em ambientes de águas salobras, e
mais raramente águas continentais.
Na costa brasileira, destaca-se a ocorrência dos seguintes gêneros: Acanthophora
J.V.Lamour., Alsidium C.Agardh, Amansia J.V.Lamour., Bostrychia Mont., Caloglossa (Harv.)
G.Martens, Ceramium Roth., Centroceras Kütz., Dasya C.Agardh, Digenea C.Agardh, Grifthisia
C.Agardh, Herposiphonia Nägeli, Laurencia J.V.Lamour., Osmundaria Stack., Palisada K.W.Nam,
Polysiphonia Grev., Spirydia Harv. e Wrangelia C.Agardh.
Ordem Corallinales
As algas calcárias da ordem Corallinales apresentam como característica principal a parede
celular da maioria das células vegetativas completamente impregnadas com carbonato de cálcio. Com
base em sua morfologia, as algas calcárias são classificadas em dois grupos: (i) as formas articuladas
que formam talos eretos com segmentos calcificados (intergenículos) unidos regularmente por
articulações não calcificadas (genículos). As demais, são as (ii) formas não articuladas ou incrustantes
com talo inteiramente calcificado, que consistem em um ou mais células prostradas compactadas. As
coralináceas incrustantes podem se desenvolver em até 250m de profundidade e podem formar
extensos bancos que desempenham importante papel ecológico enquanto recifes biogênicos,
abrigando complexa diversidade de organismos.
Na costa brasileira destaca-se a ocorrência dos seguintes gêneros: Amphiroa J.V.Lamour.,
Arthrocardia Decne., Corallina L., Jania J.V.Lamour, Pneophyllum Kütz e Titanoderma Nägeli.
Ordem Gigartinales.
Atualmente, essa ordem abriga um total de 965 espécies distribuídas em 40 famílias. Com
relação à aspectos morfológicos observa-se que a ordem apresenta espécies com talos cilíndricos ou
achatados, eretos ou prostrados, ramificados, com córtex compacto e medula variando entre
parcialmente preenchida ou ocas, com filamentos rizoidais e células estreladas frouxamente dispostas.
A constituição do talo pode ser pseudoparenquimatosa ou filamentosa. Cistocarpo interno sem
filamentos envolventes (pericarpo), presença de célula estéril na base do ramo carpogonial tricelular,
espermatângios alongados e produção de carragenanas em suas paredes celulares.
Essas macroalgas podem ser encontradas habitando a zona entre marés, do mesolitoral
superior ao infralitoral, crescendo principalmente sobre substratos rochosos, isoladas ou formando
tufos. Na costa brasileira, destaca-se a ocorrência dos seguintes gêneros Hypnea J.V. Lamouroux,
Chondracanthus kitzing, Gymnogongrus C. Martius, Catenella Grev. e Solieria J. Agardh.
Ordem Gelidiales
A ordem Gelidiales abriga uma riqueza estimada em 240 espécies, encontrada em zonas
tropicais até zonas temperadas. Os seus representantes possuem taxonomia complexa e são
caracterizados pelo talo pseudoparenquimatoso com desenvolvimento por apical uniaxial, carpogônio
intercalar e célula auxiliar ausente, padrão único de germinação dos esporos, entre outras
características. Os táxons da ordem também chamam atenção pela sua capacidade de produção ágar
com alto grau de pureza, constituindo um grupo economicamente relevante. Quanto à morfologia,
esses organismos podem possuir talo cilíndrico, compresso ou achatado (Fig. 3F-H), formar estolão,
apressório corticado ou não, diferentes formas de células corticais (circulares, radialmente ou
transversalmente elípticas), além da presença de rizines (células alongadas, arredondadas, pequenas,
com paredes espessas e conteúdo refrativo).
Na costa brasileira destaca-se a ocorrência dos seguintes gêneros: Gelidium J.V.Lamour,
Gelidiella Feldmann & Hamel, Pterocladiella Santel. & Hommers. e Parviphycus Santel.
Ordem Gracilariales
Na ordem Gracilariales estão circunscritos 239 táxons infraespecíficos válidos que estão
distribuídos em quatro gêneros de uma única família, Gracilariaceae Nägeli. A maior diversidade do
grupo é encontrada em águas tropicais e temperadas. Em relação à morfologia, nesse grupo, os talos
apresentam-se de várias formas, podendo ser eretos ou decumbentes, cilíndricos ou achatados,
simples ou ramificados. O crescimento do talo é aparentemente uniaxial, com estrutura
pseudoparenquimatosa. A medula é constituída por células grandes células hialinas, graduando-se
para um córtex com células menores, pigmentadas. Os espermatângios surgem na superfície das
células corticais ou em depressões semelhantes a conceptáculos. Os ramos carpogoniais estão
voltados para fora, bicelulares, sustentados por uma célula de suporte intercalar que também possui
dois ou mais ramos estéreis. As células auxiliares e células de conexão ausentes. O gonimoblasto
forma fusões secundárias com tecido gametofítico no assoalho do cistocarpo, às vezes também no
pericarpo sobrejacente. Os cistocarpos são salientes, hemisféricos, com pericarpo geralmente
possuindo um ostíolo, com paredes espessas. Os tetrasporângios são cruciantemente divididos. O
histórico de vida trifásico, com gametófitos e tetrasporófitos isomórficos.
Podem ser encontradas habitando a zona entre marés, do mesolitoral superior ao infralitoral,
crescendo principalmente sobre substratos rochosos. Importantes fontes de ágar, são abundantemente
distribuídas na costa brasileira, na qual se destaca a ocorrência dos seguintes gêneros: Gracilaria
Grev. e Gracilariopsis E.Y.Dawson.
Figura 3. Aspecto geral dos talos de macroalgas vermelhas. A. Talo moniliforme de Griffithsia
caribaea (Wrangeliaceae - Ceramiales). B. Talo esponjoso em forma de fita ramificada de
Haloplegma duperreyi Mont. (Wrangeliaceae - Ceramiales). C. Talo filamentoso com
ramificação dicotômica e corticação restrita aos nós de Ceramium sp. (Ceramiaceae -
Ceramiales) epífitas um ramo de Amphiroa anastomosans Weber-Bosse. D. Talo calcificado,
ramificado e articulado de Corallina officinalis L. (Corallinaceae - Corallinales). E. Talo
cilíndrico e ramificado de Hypnea musciformis Wulf. J. V. Lamour. (Cystocloniaceae -
Gigartinales) (Foto: J. M. Huisman). F. Hábito do talo da agarófita Gracilaria caudata J.
Agardh. (Gracilariaceae - Gracilariales). G. Talo cilíndrico e abundantemente ramificado de
Gracilaria cervicornis (Turn.) J. Agardh.. H. Talo prostrado, achatado e com ramificação pinada
de Gelidium sp. (Gelidiaceae - Gelidiales).
luminosidade, além de servirem de alimento, berçário, substrato para diversos outros organismos.
Atualmente são aceitas cerca de 19 ordens de macroalgas marinhas pardas, dentre estas vale
destacar as ordens Dictyotales, Fucales, Ectocarpales, Ralfsiales e Sphacelariales enquanto as ordens
mais representativas nos oceanos tropicais, incluindo a costa brasileira.
Ordem Dictyotales
Uma das ordens mais diversas nos trópicos, com 370 espécies aceitas e circunscritas em única
família, Dictyotaceae. Seus representantes possuem ciclo de vida isomórfico, com meiose espórica.
Morfologicamente, os talos são foliosos, podendo ser flabeliformes ou em forma de fita, geralmente
ramificada (Fig. 5A, 6B), de constituição parenquimatosa (Fig. 6 C,E). O desenvolvimento do talo
pode ocorrer por desenvolvimento por distinta célula apical (Fig6A), que sofre divisões transversais
e longitudinais, ou por diversas células marginais. Os esporângios são formados nas células corticais
e são uniloculares, podendo se dispor de maneira isolada, em soros ou em linhas concêntricas.
Gametângios masculinos são pluriloculares, agrupados em soros. Oito gêneros são referidos para a
costa brasileira, ocorrendo em ambientes marinhos costeiros desde a costa do Maranhão até o Rio
Grande do Sul.
Gêneros mais comuns na costa brasileira: Canistrocarpus De Paula & De Clerck, Dictyota
J.V.Lamour., Dictyopteris J.V.Lamour., Lobophora J.Agardh, Padina e Spatoglossum Kütz..
Ordem Ectocarpales
Com maior riqueza entre as algas pardas, a ordem abriga 765 espécies aceitas, sendo estes
organismos com históricos de vida heteromórficos e ampla diversidade de talos. Esses organismos
são mais diversos em ambientes marinhos, contudo há registro de representantes que podem ocorrem
em ambientes continentais. Morfologicamente seus representantes podem ser filamentosos com
divisão intercalar, subcilíndricos corticados (Fig. 5D), ou até mesmo
parenquimatosos com talos globosos (Fig.5D). Em seu ciclo de vida heteromórfico, os talos
macroscópicos são o gametófito, produzindo órgãos pluriloculares, inclusive gametângios, os
esporófitos são por outro lado reduzidos, crostoso ou filamentosos, produzindo esporângios
uniloculares.
Gêneros mais comuns na costa brasileira: Chnoospora J.Agardh, Colpomenia
(Endlicher) Derbes & Solier, Elachista Duby, Ectocarpus Lyngbye e Scytosiphon C.Agardh.
Ordem Fucales
Os representantes são amplamente distribuídos no globo, desde os mares polares até os
trópicos, com 572 espécies. Possuem talos densamente parenquimatosos, com padrões de ramificação
diversos, podendo ser dicotômico, monopodial, radial ou bilateral. Em alguns casos os talos dos
representantes podem ainda apresentar meristoderme, córtex e medula, com crescimento sendo
resultante de crescimento apical e meristemático. Do ponto de vista anatômico, esses organismos são
capazes de conduzir produtos da fotossíntese por elementos de condução das porções apicais até os
ramos mais basais.
Na reprodução, a produção de gametas nos representantes de Fucales ocorre em ramos
especializados, os receptáculos. O gênero Sargassum (Fig.5C) quanto a morfologia, formando talos
complexos formando estruturas análogas às plantas, com eixo cilíndrico, filídios com espessamentos
similares a nervuras e receptáculos. Além disso, formam grandes massas flutuantes no Atlântico por
reprodução vegetativa, além de serem capazes de fornecer abrigo à distinta biodiversidade.
Gêneros mais comuns na costa brasileira: Sargassum C. Agardh.
Ordem Sphacelariales
Sphacelariales inclui cerca 101 espécies distribuídas mundialmente em ambientes marinhos,
mas se destaca também pela presença de organismos de água doce. Em termos de morfologia, seus
representantes são filamentosos (Fig.6F-G) até parenquimatosos, formados a partir de conspícua
célula apical, se desenvolvendo por série de divisões transversais seguidas de divisões longitudinais.
Os representantes da ordem possuem ciclos de vida isomórfico, além da reprodução assexuada através
da produção de propágulos. No Brasil são referidos cerca de quatro gêneros da ordem, com registros
mais reduzidos.
Gêneros mais comuns na costa brasileira: Lithoderma Aresch. e Sphacelaria Lygnbye.
Figura 5. Aspecto geral dos talos de macroalgas pardas. A. Talo foliáceo e flabeliforme de Lobophora
variegata (J. V. Lamour.) Womers. ex E. C. Oliveira. (Dictyotaceae - Dictyotales). B. Talo em forma
de fita estreita de Canistrocarpus cervicornis (Kütz.) De Paula & De Clerck (Foto: Fillype Quintella)
(Dictyotaceae - Dictyotales). C. Talo diferenciado em filoides e cauloide semelhante a uma planta
vascular de Sargassum sp. (Sargassaceae - Fucales). D. Talo globoso oco de aspecto cerebroide de
Colpomenia sinuosa (Mertens ex Roth) Derbès & Solier (Scytosiphonaceae - Ectocarpales) (Foto:
Fillype Quintella). Talo achatado e ramificado de Chnoospora minima (Hering) Papenfuss
(Scytosiphonaceae - Ectocarpales).
auxiliado na confirmação do táxons da costa brasileira e revelado que a riqueza anteriormente referida
para costa era, em muitos casos, subestimada, bem como tem relatado a existência de complexos de
espécies (grupo de espécies cujos limites precisam ser revisados) e espécies crípticas.
Atualmente são referidas, para a costa brasileira, cerca de 534 espécies de macroalgas
vermelhas, 223 de macroalgas verdes e 104 táxons de algas pardas, número que segue em constante
atualização dadas as adições resultantes de revisões sistemáticas. Apesar desse panorama, ainda há
necessidade de maiores estudos, especialmente com macroalgas verdes e pardas, grupos cuja
aplicação de métodos moleculares por vezes é problemática. A riqueza de macroalgas vermelhas, por
outro lado, vem sendo amplamente investigada, com os principais grupos tendo passado por revisões
taxonômicas.
Conhecer a diversidade de macroalgas marinhas utilizando a abordagem integrativa, além de
servir de subsídio para o reconhecimento do status taxonômico de cada espécie, que é de extrema
relevância, também pode ser efetivamente útil para atender a demanda crescente de conservação dos
ecossistemas costeiros. Macroalgas, além de propiciarem uma série de serviços ecossistêmicos ao
ambiente, também são uma fonte viável e muito interessante de recursos naturais. Elas têm mostrado
cada vez mais potencial biotecnológico e o aproveitamento sustentável desses recursos também
depende da mobilização de um aporte científico, do ponto de vista biológico, que possa permitir que
essa biorriqueza seja conservada e, se possível, explorada de maneira racional.
Referências
Estruturas
De modo geral, as hepáticas, musgos e antóceros são formados por estruturas do gametófito
(a qual produz gametas) e do esporófito (a qual produz esporos), porém cada divisão pode apresentar
modificações morfológicas (Figura 2).
Gametófito: Pode se apresentar como folhosos ou talosos. Musgos e hepáticas folhosas apresentam
filídios (gametófito folhoso). Enquanto os Antóceros e Hepáticas talosas apresentam talos
(gametófito taloso) (Figura 3).
O ramo principal do gametófito dos musgos e das hepáticas folhosas denomina-se caulídio,
uma estrutura que cresce por meio de uma célula apical, e no qual estão aderidos os filídios, ou seja,
briófitas que possuem talos, não possuem caulídios.
Os rizóides ocorrem para hepáticas (talosas e folhosas), musgos e antóceros e servem apenas
para fixação no solo. Diferente das raízes, para as briófitas essas estruturas não servem para absorção.
São hialinos e unicelulares em antóceros e hepáticas, castanhos e pluricelulares nos musgos.
Esporófito: pode conter pé, seta e cápsula, como nos musgos e nas hepáticas, ou somente pé
e cápsula para os antóceros (Figura 4). Representam a fase esporofítica e é totalmente dependente do
gametófito.
Reprodução e desenvolvimento
Os gametófitos haplóides, desenvolvem-se a partir de uma célula apical (não por meio de um
meristema), e produzem os gametângios, chamados de Anterídios (masculinos) e Arquegônios
(femininos), os quais são os órgãos responsáveis pela produção dos gametas. Os Anterídios e
Arquegônios podem se desenvolver num mesmo indivíduo (planta monóica), ou estar em indivíduos
separados (planta dioica). Frequentemente, os gametângios encontram-se envolvidos por filídios,
nesse caso chamados de perianto, que promovem a proteção dessas estruturas.
Para reprodução sexuada, o ciclo se inicia com os anterídios produzindo os anterozóides,
que necessitam chegar até o arquegônio para que haja a fecundação na oosfera. Quando isso ocorre,
desenvolve-se um embrião que a partir de diversas divisões celulares origina o esporófito diplóide,
aderido ao gametófito. As cápsulas presentes no ápice dos esporófitos (2n) produzem esporos (n),
estes que, em contato com um substrato adequado, germinam e dão origem ao um novo gametófito
(n), continuando assim, o ciclo reprodutivo (Figura 5).
Habitats e Substratos
As briófitas ocorrem em diversos ambientes, sendo os locais úmidos os mais adequados para
a sobrevivência destes organismos, tendo em vista a necessidade de água para a fecundação. Apesar
XII BOTÂNICA NO INVERNO – 2023 24
Tema 1: Diversidade e Evolução
Capítulo 2 – Lima et al. 2023
disso, elas são amplamente distribuídas no mundo, ocorrem nos pólos, nos trópicos, em ambientes
submersos a desérticos, com exceção apenas do ambiente marinho. Crescem em vários tipos de
substratos (Fig. 6), sendo consideradas como terrestres ou terrícolas, epíxilas (sobre troncos em
decomposição), rupícolas (superfícies rochosas), corticícolas (em troncos de árvores), epifilas (sobre
folhas) e podem crescer sobre materiais introduzidos pelo homem.
Divisões
Marchantiophyta – As hepáticas podem ser subdivididas em dois grupos morfológicos: as folhosas
e as talosas (Fig. 7). As hepáticas folhosas são caracterizadas pela ausência da costa (espessamento
de células no centro do talo), pela presença ou ausência de estruturas especializadas denominadas
anfigastros (filídios diferenciados na posição ventral dos ramos) e lóbulos (ausentes, reduzidos ou de
tamanho variável) (Fig. 8), e pela presença de rizóides unicelulares.
As hepáticas talosas podem ser simples ou complexas, não se diferenciam em filídios, além
disso, a costa pode estar presente ou ausente no talo. Os rizóides são unicelulares, e podem apresentar
escamas pluricelulares ventrais.
Bryophyta – Os musgos possuem as estruturas mais variáveis entre as briófitas, variando na forma,
no tamanho e na estrutura do gametófito (Fig. 9). O esporófito apresenta frequentemente dentes do
peristômio e um opérculo, já no gametófito, diversas especializações podem estar presentes, como a
costa e as células alares.
Os musgos são artificialmente divididos em acrocárpicos e pleurocárpicos, isto é, em relação
às características do crescimento do gametófito e a posição de surgimento do esporófito.
Anthocerotophyta – Os antóceros são talosos e multilobados (Fig. 10), possuem células com apenas
um cloroplasto (e geralmente um pirenóide), e rizóides unicelulares com paredes lisas. O esporófito
é persistente, apresenta crescimento contínuo, além de pseudoelatérios, que são estruturas para
dispersão dos esporos e não possuem seta. A ornamentação dos esporos é bastante variável (visível
em microscopia óptica), sendo uma característica importante para a identificação dos gêneros.
Figura 10. Talos (em vermelho) e esporófitos (em branco) de Antóceros. Fotos: E.L. dos Santos & J.S. de
Lima.
Figura 11. Descrição comparativa das características morfológicas entre Hepáticas, Musgos e Antóceros.
Elaborado por: J.S. de Lima
Referências
Os principais critérios utilizados pelos autores para seleção de marcador barcode das espécies
foram (1) universalidade: a região de DNA utilizada deveria, pelo menos idealmente, estar presente
em todos os organismos eucariotos; (2) ausência de íntrons: ou seja, a ausência de regiões não
codificantes de proteínas no marcador, (3) pouca exposição a recombinação gênica: variação genética
decorrente da reprodução sexuada; e (4) herança haploide: um único conjunto de cromossomos. Além
destes, o (5) comprimento da região deveria ser curto (>700pb), de modo a ser sequenciado em uma
única leitura de sequenciamento. O melhor candidato com base nos critérios propostos foi o gene
mitocondrial da citocromo c oxidase I (COI). Uma importante vantagem na proposta do gene foi a
taxa de substituição, levando a maior taxa de evolução, de modo a permitir a discriminação não só de
espécies proximamente relacionadas, mas grupos filogeográficos dentro de uma mesma espécie.
A proposta de Hebert et al (2003) representou um importante passo no estudo da diversidade
biológica especialmente em estudos com animais cujo banco de dados era robusto, permitindo uma
nova perspectiva na investigação da biodiversidade. Contudo, com o passar do tempo e ampliação
dos estudos, observou-se dificuldades para o uso do COI em toda diversidade biológica, a presença
de íntrons em alguns grupos, a baixa resolução taxonômica ou dificuldades metodológicas são
algumas barreiras. Emergindo a necessidade de proposição de novos marcadores que fossem
universalmente funcionais em grupos específicos como fungos, algas verdes, plantas terrestres, entre
outros.
Figura 1 Esboço conceitual do uso de DNA barcode na taxonomia (adaptado de Hubert & Hanner 2015).
avaliação de diversos marcadores plastidiais e nucleares, Saunders & Kucera (2010) propuseram o
fator de elongação tufA como marcador para as macroalgas verdes (exceto Cladophorales), com base
em altas taxas de universalidade, qualidade das sequências e baixa contaminação.
Contudo, as macroalgas verdes representam uma situação mais complexa quando comparadas
aos demais grupos de macroalgas (Tab. 1). O marcador universal proposto (tufA) funciona apenas
para algumas ordens de Ulvophyceae como Ulvales e Bryopsidales. Para as demais ordens como
Cladophorales e Ulotrichales, a aplicação do marcador não foi exitosa. No caso de Cladophorales o
uso de marcadores plastidiais é inviável, análises recentes do genoma indicaram que é altamente
fragmentado. Dessa forma, os estudos com os representantes de Cladophorales são realizados a partir
da combinação marcadores moleculares nucleares, o gene LSU (28S) que codifica a unidade maior
do ribossomo, e o SSU (18S) que codifica a unidade menor do ribossomo. No caso das Ulotrichales
apesar da disponibilidade de algumas sequências de tufA e rbcL, os marcadores 18S e ITS são mais
amplamente utilizados constituindo uma base de dados mais robusta.
Tabela 1. Resumo dos marcadores barcode primários e secundários usados e recomendados para diferentes
grupos de macroalgas.
Tabela 2. Resumo dos marcadores barcode primários e secundários usados e recomendados para diferentes
grupos de organismos fotossintetizantes.
Referências
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A origem da vida é um dos maiores mistérios da ciência e tem sido objeto de estudo e
especulação por muitos séculos. Desde a antiguidade, filósofos e cientistas buscam compreender
como a vida surgiu na Terra. Com o avanço da tecnologia e das pesquisas em diversas áreas da
ciência, novas teorias e hipóteses têm sido propostas e aprofundadas. Atualmente, a teoria mais aceita
é a da evolução química de Oparin, que postula que a vida surgiu a partir de moléculas orgânicas
simples que ocorriam no oceano primitivo. Ao longo de milhões de anos essas moléculas interagiram
e produziram moléculas complexas auto replicativas, até formar as células e organismos complexos
que conhecemos hoje. De acordo com essa teoria, os primeiros seres vivos eram procariontes
heterotróficos, e as linhagens eucariontes surgiram posteriormente. De acordo com registros fósseis,
estima-se que a vida na Terra tenha surgido há cerca de 3 bilhões de anos. Naquele momento, as
únicas formas de vida existentes eram células procarióticas, que habitavam um ambiente carente em
oxigênio, mas rico em gases como o dióxido de carbono.
Há evidências fósseis, geoquímicas e moleculares que indicam o aparecimento dos
organismos fotossintetizantes há cerca de 2,8 a 2,5 bilhões de anos atrás. Esses organismos eram
semelhantes às cianobactérias atuais e a clorofila-a foi a molécula responsável pelo início da
fotossíntese oxigênica em um ancestral de cianobactéria. A fotossíntese oxigênica alterou
significativamente o ambiente, liberando oxigênio que se acumulou na atmosfera, resultando na
primeira grande poluição atmosférica. A maioria dos organismos procariontes existentes naquela
época possuía um metabolismo redutivo anaeróbio, e a oxidação causada pelo oxigênio era tóxica
para eles, o que resultou em uma extinção em massa. No entanto, a oxidação do ambiente permitiu o
surgimento de um metabolismo mais eficiente - a respiração aeróbia - e consequentemente o
aparecimento dos organismos eucariontes.
A origem dos eucariontes teria ocorrido há mais de 1.4 bilhões de anos a partir de procariontes
primitivos com capacidade de fagocitose, que, ao fagocitar outros procariontes, deu origem à
mitocôndria. É consensual que a origem dos eucariotos é única, ou seja, ocorreu apenas uma vez.
Essa única ocorrência de endossimbiose resultou em uma profunda mudança estrutural e genômica
nas células envolvidas, e deu origem a toda a diversidade biológica encontrada no grupo Eukarya.
Algo a se notar no surgimento dos primeiros eucariotos é a rápida diversificação desses organismos,
em comparação ao longo tempo decorrido desde o surgimento da vida até o surgimento do primeiro
eucarionte. Foram necessários de 2 a 1,5 bilhões de anos para o surgimento da primeira célula
eucariótica, enquanto a diversificação subsequente ocorreu em apenas 1,5 bilhões de anos. A
diversidade de eucariontes, tanto atuais quanto extintos, é enorme. Esse boom evolutivo dos
eucariontes provavelmente só foi possível graças a um terceiro evento importante e concomitante,
causado também pela oxidação da atmosfera: a formação da camada de ozônio, que protegeu a vida
contra os raios UV que danificam o DNA.
Endossimbiose primária
O evento de fagocitose de uma cianobactéria primitiva por um eucarioto primitivo não foi um
processo simples, e sabe-se que a fagocitose e a subsequente simbiose foram eventos complexos.
Além disso, a endocitose teve um papel importante no surgimento de endomembranas, através da
compartimentalização celular gradual. Dois passos chave foram essenciais para que ocorresse a
evolução das organelas dos eucariontes: (i) estabelecimento de uma relação simbiótica estável e
efetiva entre a célula hospedeira e o endossimbionte, permitindo a comunicação e a troca de
substâncias entre elas; (ii) integração genética entre a célula hospedeira e o endossimbionte, com a
transferência de genes do endossimbionte para o genoma da célula hospedeira, o que foi essencial
para o estabelecimento de uma relação de dependência. Esses processos foram fundamentais para a
evolução dos cloroplastos, estruturas celulares responsáveis pela fotossíntese. Ou seja, houve uma
coevolução entre a célula hospedeira e a cianobactéria intracelular primitiva, que se transformou em
organela.
Diversas são as evidências que sustentam a teoria da endossimbiose como origem dos
cloroplastos. Por exemplo, a presença de DNA nos cloroplastos, semelhante aos de procariontes pela
ausência de proteínas básicas (histonas); a presença de ribossomos 70S nos cloroplastos, semelhantes
aos encontrados em procariontes; a constituição do cloroplasto por uma membrana dupla, sendo a
mais interna de origem procariótica e a mais externa de origem vacuolar (eucariótica); e a presença
de clorofila-a como principal pigmento fotossintetizante tanto nos cloroplastos quanto em
procariontes. Além disso, é importante destacar a incapacidade de formação "de novo" dessas
organelas em células em que foram removidas e a capacidade de síntese proteica, devido à presença
de DNA e ribossomos, resultando em sistemas genéticos semi-independentes. Clorofila-a é a
principal molécula de captação de luz em organismos que realizam fotossíntese oxigênica. Seu
sistema químico e fotoquímico é tão complexo que é difícil conceber que tenha surgido mais de uma
vez no planeta.
No caso das plantas e das algas, os cloroplastos não são capazes de viver fora dos organismos
hospedeiros, devido a eventos de transferência lateral (ou horizontal) de genes que ocorreram durante
a coevolução das células vegetais e dos cloroplastos. Durante esse processo, genes essenciais que
pertenciam ao genoma da cianobactéria primitiva foram transferidos para o núcleo da célula
hospedeira. A célula hospedeira passou a produzir proteínas importantes para a vida da cianobactéria,
tornando-a dependente da célula hospedeira. Se a transferência lateral de genes não tivesse ocorrido,
é improvável que a cianobactéria tivesse coevoluído com a célula vegetal para formar o cloroplasto.
A célula ancestral que incorporou o cloroplasto primário deu origem a três linhagens distintas:
glaucófitas, algas vermelhas e algas verdes (incluindo plantas terrestres), que compõem uma
linhagem monofilética: Archaeplastida (Fig. 1).
Endossimbiose secundária
Na Terra, a vida fotossintetizante é abundante e, embora as cianobactérias sejam os únicos
procariontes conhecidos capazes de realizar esse processo, todas as outras formas de vida
fotossintetizante são eucariontes. Após esse primeiro evento que resultou no surgimento do
cloroplasto, a capacidade de realização da fotossíntese apenas se espalhou dentre os eucariotos, e isto
se deu a partir de novos eventos: as endossimbioses secundária e terciária. Ou seja, os organismos
que realizam fotossíntese, mas não pertencem ao grupo Archaeplastida, não possuem cloroplastos
provenientes da endossimbiose primária, isto é, originados de uma cianobactéria.
Estes grupos obtiveram seus cloroplastos por meio de endossimbioses secundárias, nas quais
células eucarióticas pré-existentes que já possuíam cloroplastos primários incorporaram outras
células contendo cloroplastos. Diferentemente da endossimbiose primária, que ocorreu apenas uma
vez na história evolutiva, a endossimbiose secundária ocorreu diversas vezes em diferentes grupos,
tais como euglenófitas, dinoflagelados, algas heterocontes (diatomáceas e algas pardas), haptófitas,
criptófitas, apicomplexas e clorarachniófitas.
(Bacillariophyceae)
Pigmentos Fotossintetizantes
Desde os primeiros estudos sobre a evolução do cloroplasto, os mecanismos de captação de
luz, bem como expressão de genes associados e transporte de proteínas foram investigados com
intuito de compreender a evolução da organela. A clorofila-a é o principal pigmento fotossintetizante
e está presente em todos os eucariotos fotossintetizantes e nas cianobactérias, contudo esses
organismos também possuem pigmentos acessórios que não estão diretamente ligados a fotossíntese,
mas atuam ampliando o espectro luminoso que pode ser utilizado no processo. Os pigmentos
acessórios são moléculas capazes de absorver luz em comprimentos de onda específicos e transferir
a energia capturada para a molécula de clorofila-a. Estes pigmentos podem ser de modo geral de 3
tipos: outra forma de clorofila, ficobilinas ou carotenóides.
Esses pigmentos ajudam a ampliar a faixa de comprimento de onda da luz que pode ser
absorvida, permitindo que os organismos capturem a energia luminosa de forma mais eficiente e,
portanto, aumentem a taxa de fotossíntese. Por exemplo, as xantofilas (um tipo de carotenóide)
absorvem luz em comprimentos de onda mais longos do que a clorofila, aumentando a eficiência da
fotossíntese em condições de baixa intensidade de luz. Além disso, os pigmentos acessórios
desempenham um papel importante na fotoproteção, absorvendo a energia excessiva da luz e
Classificação
A classificação dos seres vivos, antigamente, se limitava a plantas e animais. Isso se alterou
com a invenção do microscópio, de modo que um novo mundo de organismos unicelulares foi
conhecido. Esses organismos apresentavam características distintas e não podiam ser classificados de
forma precisa nos grupos já existentes. Para lidar com essa nova diversidade, a categoria dos protistas
foi criada. No século XIX, os cientistas já compreendiam a importância da evolução no estudo da
vida. Um exemplo disso é a árvore filogenética de Haeckel (1866), que visava relacionar os diferentes
grupos de seres vivos.
A partir da visão clássica de Haeckel, o esquema dos cinco reinos de Whittaker (1969) foi
desenvolvido, o qual se tornou o modelo dominante até a década de 1980: Reinos Monera, Protista,
Fungi, Plantae e Animalia. A possibilidade de sequenciamento de DNA, que ocorreu na década de
1970, trouxe um grande avanço para a biologia, permitindo a construção de árvores filogenéticas
universais baseadas em sequências de DNA. Em 1983, Woese utilizou o sequenciamento de um gene
para propor a divisão dos seres vivos em três grandes grupos. Essa divisão permitiu um melhor
entendimento da diversidade biológica e permitiu a classificação mais precisa de muitos organismos
unicelulares anteriormente difíceis de serem classificados. Dessa forma, atualmente, a classificação
da diversidade biológica em nosso planeta pode ser feita em três grandes grupos conhecidos como
domínios: Archaea, Bacteria e Eukarya. Enquanto os dois primeiros são compostos por organismos
procariontes, o último é composto por eucariontes.
Atualmente, sabemos que existem cinco grandes grupos em Eukarya, dos quais apenas um
não possui representantes fotossintetizantes: os Unicontes. A endossimbiose primária, que ocorreu
apenas uma vez, teve lugar em um ancestral comum do grupo Archaeplastida. Esse grupo é
monofilético, contendo todas as espécies fotossintetizantes conhecidas, e se divide em três linhagens
distintas: Rhodophyta (algas vermelhas), Chloroplastida (que inclui as algas verdes e as plantas
terrestres) e Glaucophyta (Fig. 3). Todas as outras espécies fotossintetizantes em Eukarya foram
originadas a partir de eventos de endossimbiose secundária (Fig. 3).
As clorofíceas são um grupo diverso de algas verdes e plantas terrestres que incluem espécies
unicelulares, coloniais e multicelulares. Elas são encontradas em uma variedade de ambientes
aquáticos, bem como em ambientes terrestres. As clorofíceas são importantes na produção primária
em muitos ecossistemas, e algumas espécies são usadas como alimento para seres humanos e animais.
Elas são caracterizadas pela presença de clorofilas-a e b.
As rodofíceas são um grupo diverso de algas vermelhas que são encontradas em ambientes
marinhos em todo o mundo. Elas são frequentemente encontradas em águas rasas, onde podem crescer
em grandes tapetes que são importantes em muitos ecossistemas costeiros. As rodofíceas são
caracterizadas pela presença de ficobilinas, pigmentos que lhes dão a coloração vermelha.
As glaucófitas são um grupo de algas pouco conhecido, encontrado principalmente em água
doce. Elas são caracterizadas pela presença de cloroplastos com uma estrutura semelhante a das
cianobactérias. Os cloroplastos das glaucófitas possuem clorofilas-a e b, além do pigmento acessório
de ficobiliproteína. As glaucófitas são importantes para a compreensão da evolução dos cloroplastos.
As euglenófitas são um grupo de organismos fotossintetizantes pertencentes ao grupo dos
Excavados. São amplamente distribuídas em ambientes aquáticos e terrestres, e são importantes
componentes do fitoplâncton em muitos ecossistemas aquáticos. A presença de cloroplastos em
apenas algumas espécies indica que a endossimbiose não ocorreu no ancestral comum do grupo, mas
sim em momentos diferentes da sua evolução.
Os cromoalveolados são um grupo de protistas que possuem cloroplastos derivados de
endossimbiose secundária de alga vermelha. Este grupo inclui membros importantes como
Stramenópilas, Haptófitas, Criptófitas e Alveolados.
Os stramenópilas são um grupo que incluem tanto espécies unicelulares como multicelulares.
Dentre eles, destacam-se as diatomáceas e as algas pardas. As diatomáceas são organismos
unicelulares que possuem uma carapaça de sílica formando duas válvulas que se encaixam, chamada
frústula. Essa carapaça é altamente ornamental, e as diatomáceas possuem uma grande diversidade
morfológica, sendo frequentemente usadas como bioindicadores de qualidade ambiental. Já as algas
pardas, como o nome sugere, possuem pigmentos de coloração marrom, como a fucoxantina, que é
responsável pela cor característica desses organismos. As algas pardas são encontradas em ambientes
marinhos, e podem ser tanto uni quanto multicelulares. Elas são capazes de realizar fotossíntese em
baixas condições de luz, o que lhes permite habitar ambientes mais profundos do oceano. Além disso,
as algas pardas possuem um grande potencial econômico, sendo utilizadas na produção de alimentos,
cosméticos, fertilizantes e até mesmo biocombustíveis.
As haptófitas apresentam características únicas, como a presença de uma estrutura flagelada
conhecida como haptonema. São encontradas em ambientes marinhos e de água doce, e muitas
espécies são capazes de realizar fotossíntese, enquanto outras são heterotróficas. As células das
haptófitas são geralmente cobertas por placas calcárias, o que confere resistência e proteção contra
predadores. Além disso, algumas espécies de haptófitas são capazes de formar blooms, podendo
causar problemas ambientais e econômicos. Estudos recentes mostram que as haptófitas apresentam
uma relação evolutiva próxima com os stramenópilas e que compartilham alguns genes relacionados
Figura 3. Árvore filogenética de Eukarya, mostrando os grandes grupos. Os ramos pretos indicam a presença
de organismos capazes de realizar fotossíntese. Modificado de Baudalf (2008) por Fernando Sena.
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Figura 1. Esquema dos tipos de folhas, microfilos e megafilos, das licófitas e samambaias,
respectivamente. Elaborado por: A. P. Della.
Figura 2. Esquema demonstrando os tipos de cilindros vasculares presentes nas licófitas (protostelo) e
nas samambaias (sifonostelo). Elaborado por: A. P. Della.
Figura 4. Representantes dos grupos de plantas vasculares atuais. A: Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze
(Araucariaceae, Gimnosperma); B: Lytoneuron ornithopus (Hook.) Yesilyurt (Pteridaceae, Samambaia); C:
Asteraceae (Angiosperma); D: Adiantopsis chlorophylla (Sw.) Fée (Pteridaceae, Samambaia); E: Abutilon
Mill. (Malvaceae, Angiosperma); F: Palhinhaea cernua (L.) Franco & Vasc. (Lycopodiaceae, Licófita).
Fotos: A. P. Della.
As eufilófitas são caracterizadas pela presença de protoxilema da raiz exarco, pelas folhas do tipo
megafilo, por feixes vasculares formando sistemas complexos, que apresentam medula
parenquimática (sifonostelo ou eustelo), e pela presença de alguns pares de bases invertidas no DNA
do cloroplasto (sinapomorfia molecular).
Evolução
A origem das licófitas e samambaias é muito antiga. Os primeiros registros fósseis de
organismos semelhantes a elas datam de 425 milhões de anos, no período geológico conhecido como
Siluriano. Porém, foi supostamente no Carbonífero (a cerca de 360 milhões de anos atrás), que houve
uma ampla diversificação e irradiação desse grupo, momento em que possivelmente se tornaram os
elementos dominantes nas florestas. Esse período do Siluriano/Carbonífero é reconhecido como a
primeira grande radiação das licófitas e samambaias.
A segunda grande radiação é do Carbonífero/Triássico, até cerca de 245 milhões de anos atrás,
onde registros fósseis indicam a existência de verdadeiras florestas formadas, principalmente, por
licófitas arbóreas com até 25 metros de altura. Nesse período, as licófitas deviam corresponder a cerca
de 50% das espécies.
Na era Mesozóica tivemos o aparecimento e a irradiação das angiospermas, isso
provavelmente promoveu a extinção de muitas linhagens de samambaias e licófitas (derivadas das
duas grandes radiações destacadas acima), assim como de muitas gimnospermas. Essas extinções
ocorreram principalmente por meio de competição por espaço, nutrientes, luz, etc.
No entanto, ao mesmo tempo que houve extinções de muitas linhagens, ocorreu o surgimento
de outras, como a linhagem de samambaias polipodiódes (que correspondem a ordem Polypodiales,
ver próximos tópicos), que acabaram por se diversificar “na sombra das angiospermas” (é a chamada
terceira grande radiação das licófitas e samambaias).
As florestas de angiospermas que foram surgindo, principalmente entre o final da era
Mesozóica e o início da era Cenozóico, eram mais diversas que as florestas de gimnospermas
existentes até então. Além disso, tinham diferentes estratos (plantas de dossel, de sub-bosque, etc.),
assim o estabelecimento das angiospermas deve ter proporcionado grande mudanças ambientais, e
o surgimento de novos ecossistemas, bem como de novos nichos ecológicos, potencialmente
ocupáveis pelas samambaias e licófitas. O termo “na sombra das angiospermas” refere-se então, ao
fato de que esses ecossistemas e nichos estarem localizados no interior das florestas, ou seja, na
sombra.
Hoje as samambaias polipodióides (Ordem Polypodiales), que se diversificaram
principalmente nos últimos 50 milhões de anos, correspondem a cerca de 80% das espécies existentes.
Esse grupo de plantas deve ter se estabelecido, principalmente, sob o dossel florestal (epífitas,
rupícolas e terrícolas de sub-bosque), onde provavelmente havia poucas gimnospermas e
angiospermas, ou seja, onde havia menor competição.
Como visto nos parágrafos acima, as licófitas e samambaias atuais correspondem a grupos
muito recentes, ao contrário do que se imaginava antigamente, que elas eram “fósseis vivos” e
remanescentes das linhagens antigas. Deve-se ressaltar, no entanto, que as cavalinhas (ordem
Equisetales), plantas pouco representativas nos ecossistemas atuais, são muito antigas e mudaram
muito pouco (tanto morfologicamente, quanto seu Genoma) desde o Siluriano/Carbonífero, por isso
podem ser consideradas como “fósseis vivos”.
Reprodução
Reprodução sexuada
O ciclo de vida das licófitas e samambaias, assim como as demais plantas terrestres, é
diplobionte, ou seja, envolve a alternância de gerações. A geração gametofítica, a qual produz os
gametas, é haplóide (x=n) e efêmera, já a geração esporofítica, que produz os esporos, é diplóide
(x=2n) e de longa duração (Figura 5).
multiflagelados.
Os gametófitos podem ser unissexuados (apresentam órgãos sexuais masculinos e femininos
em indivíduos diferentes) ou bissexuados/hermafroditas (apresentam órgãos sexuais masculinos e
femininos num mesmo indivíduo). Quando o anterozóide chega até o arquegônio e fecunda a oosfera,
é gerado o zigoto, iniciando-se assim a fase diplóide. O gametófito permanece vivo até a formação
dos primórdios foliares, e em seguida morre. O zigoto, formado pela fecundação, sofre sucessivas
divisões mitóticas gerando um novo indivíduo (esporófito), que apresenta raízes, rizoma e folhas, e
ao atingir a maturidade produzirá os esporos.
É extremamente importante aqui ressaltarmos um detalhe que diversos livros texto de botânica
descrevem e enfatizam erroneamente: a autofecundação (quando um gameta masculino fecunda um
gameta feminino do mesmo indivíduo) como a forma mais comum de reprodução do gametófito. Isso
é apresentado tanto em explicações no texto como em figuras. No entanto, a maioria dos eventos de
fecundação, que ocorrem nesses grupos é por meio de fecundação cruzada (quando gametas
masculinos fecundam gametas femininos de indivíduos diferentes) gerando assim maior variabilidade
genética.
Reprodução assexuada
A reprodução assexuada pode ocorrer por meio de apomixia e/ou de propagação vegetativa.
No ciclo de vida de uma samambaia apomítica, há produção de 32 esporos diploides (por meio de
falhas na disjunção dos cromossomos na meiose), ao invés dos 64 esporos haploides formados
normalmente (ciclo de vida não apomítico). Dessa forma, não há fecundação (fusão de gametas), uma
vez que os esporos já são diploides. Estes esporos apomíticos (diplóides) germinam e se desenvolvem
em gametófitos menores do que os normais, além disso, esses eles não produzem gametângios. Então,
a partir de uma célula do gametófito há o desenvolvimento de um esporófito, que apresenta raiz,
rizoma e folhas. O gametófito morre a medida que essa nova plântula se desenvolve. O esporófito
apomítico poderá produzir esporos, também apomíticos, fechando o ciclo.
A apomixia é bastante comum em alguns grupos de samambaias, que vivem em ambientes
onde a água é um fator limitante. Assim, uma alternativa evolutiva “encontrada” por essas plantas foi
a reprodução via apomixia, uma vez que não ocorre reprodução sexuada, não havendo então,
necessidade de água para fecundação.
A propagação vegetativa é uma alternativa mais rápida do que a reprodução sexuada. As
plantas (esporófito) produzem gemas, as quais podem estar localizadas tanto na raque, quanto na
lâmina foliar. Essas gemas se desenvolvem e dão origem a plântulas, que são clones da planta mãe.
Ao tocarem o chão (quando folhas da planta mãe murcham) e/ou quando se desprendem da planta
mãe (Figura 6), tornam-se indivíduos independentes, sem a necessidade de reprodução sexuada. Os
gametófitos também podem apresentar gemas, as quais podem se desenvolver, segregar e dar origem
a um novo gametófito.
Outro fenômeno comum entre as licófitas e samambaias é a hibridização, que consiste no
cruzamento de duas espécies distintas, gerando descendentes com características combinadas de
ambos parentais. A hibridação ocorre quando o anterozóide do gametófito de uma espécie fecunda a
oosfera do gametófito de outra espécie. Identificam-se híbridos com certa facilidade por estes
apresentarem características intermediárias entre os parentais, no entanto, nem sempre são expressas
de forma proporcional. Indivíduos híbridos geralmente apresentam esporos abortados, o quais podem
inclusive ser maiores que os esporos dos parentais. Esporos abortados têm a aparência de uma
“sujeira” sob o microscópio estereoscópico, pois eles são irregulares, enegrecidos e sem forma
definida. Os híbridos são estéreis na maioria dos casos, uma vez que não ocorre o pareamento correto
dos cromossomos provenientes dos diferentes parentais.
Figura 6. Imagem de Doryopteris rediviva Fée, onde se pode verificar uma plântula
jovem formada a partir da gema presente na base da fronde. Foto: A. P. Della.
do cromossomo. Esse processo pode ocorrer naturalmente ou ser induzido em laboratório. Com uma
cópia a mais, ocorrerá o pareamento correto dos cromossomos na divisão celular, sendo assim será
possível a reprodução.
A duplicação cromossômica está relacionada com outro fenômeno comum em licófitas e
samambaias que é poliploidia. A poliploidia ocorre quando há duplicação do genoma, assim, em
organismos poliploides há mais de um conjunto de cromossomos homólogos numa célula. Haploide
significa que há apenas um conjunto cromossômico, diploide apresenta dois, triploide três, e assim
sucessivamente. Quando ocorre a duplicação de genoma de uma espécie dizemos que houve a
formação de autopoliploides. Se ocorrer a duplicação em indivíduos híbridos, que apresentam dois
ou mais genomas distintos, dizemos que houve a formação de alopoliploides.
A hibridização e a poliploidia são importantes fenômenos quando se estuda a evolução das
samambaias e licófitas. Hoje sabe-se que muitas espécies surgiram via hibridização seguida de
poliploidia.
Fase esporofítica
O esporófito da maioria das licófitas e samambaias é perene, ou seja, vive mais do que um
ano. Não sabemos quantos anos a maioria das espécies pode viver, mas há registros de espécies com
32 até 150 anos. Em regiões tropicais as samambaias crescem lentamente, o que significa que podem
levar anos para se reproduzirem sexuadamente. A morfologia do esporófito é bastante variável, e em
geral, licófitas e samambaias apresentam raízes, caules (frequentemente do tipo rizoma) e folhas
(comumente chamadas de frondes). Contudo, as licófitas e as samambaias possuem diferenças
morfológicas entre si (como comentado anteriormente). As licófitas apresentam microfilos, que são
folhas inteiras, geralmente, menores que 1 cm de comprimento, sésseis, com apenas uma nervura, e
um esporângio por microfilo (este localizado na superfície superior do microfilo). Já as samambaias
possuem megafilos, que são folhas simples ou compostas, sésseis ou pecioladas, com várias nervuras,
e numerosos esporângios por folha (geralmente na face inferior da folha).
XII BOTÂNICA NO INVERNO – 2023 64
Tema 1: Diversidade e Evolução
Capítulo 5 – Della, 2023
Figura 8. Diferentes formas e dissecções das frondes de samambaias. A: fronde inteira, simples. B: fronde pinatissecta,
simples. C: fronde pinada, composta. D: fronde pinada-pinatífida. E: fronde 2-pinada-pinatífida. F: fronde 3-pinada-
pinatífida. Fotos: A. P. Della.
As folhas das samambaias são divididas em lâmina (porção geralmente verde e expandida) e
pecíolo (porção alongada e cilíndrica), sendo estas partes ausentes nas licófitas (Figura 8). A lâmina
pode ser inteira ou parcialmente dividia, em graus crescentes de dissecção até uma lâmina totalmente
composta. A lâmina que apresenta alguns lobos e/ou incisões (as quais chegam a nervura central) é
chamada de pinatissecta, se não chegar a nervura central é considerada pinatífida. Se a lâmina é
completamente dividida até a nervura central ela é chamada pinada, onde cada unidade da lâmina é
uma pina e o eixo entre as pinas é a raque. Se a pina é dividida mais uma vez, a lâmina é bipinada, se
esta se divide mais uma vez, é tripinada e assim sucessivamente.
As folhas das samambaias nascem enroladas em uma espiral (isso porque o meristema é
ápical, e não basal como nas angiospermas), ou seja, apresentam venação circinada, e ao longo do
tempo vão se desenrolando gradualmente. A folha jovem (enrolada) das samambaias é chamada de
báculo, pela similaridade do báculo (cajado) dos papas da igreja católica. Lembrando que essa
característica foi perdida na linhagem das licófitas.
O formato da folha também pode variar muito entre os grupos, assim como as nervuras das
folhas, as quais são importantes para identificar algumas famílias. As nervuras podem ser: lineares
(livres ao longo de toda lâmina), furcadas (em forma de Y) ou reticuladas (nervuras unem-se em
aréolas).
Na superfície das folhas, pecíolos ou rizomas pode haver escamas ou tricomas, ambos de
origem epidérmica. As escamas são estruturas laminares com mais de uma célula de espessura e
podem ter formatos e cores variados. Tricomas são formados por uma célula de espessura e também
podem apresentar cores diversas. Escamas e tricomas podem apresentar glândulas secretoras, com as
mais variadas substâncias químicas, as quais auxiliam na proteção contra herbivoria.
Existem dois tipos de esporângios nas licófitas e samambaias: o eusporângio e o
leptosporângio. O eusporângio é formado a partir da divisão de várias células da epiderme da folha,
e o leptosporângio é originado a partir de uma única célula epidérmica. O eusporângio está presente
nas licófitas e nas ordens Equisetales, Psilotales, Ophioglossales, Marattiales e parte das Osmundales
(dentro de Polypodiopsida). Já o leptosporângio é encontrado em alguns grupos de Osmundales e em
todas as outras seis ordens de Polypodiopsida, dessa forma, as samambaias leptosporangiadas são
muito mais numerosas.
As folhas podem ser de dois tipos (dimorfas): férteis ou estéreis. As folhas férteis contêm os
soros, conjunto de leptosporângios, cujo formato e posição são muito importantes para a identificação
dos grupos. Os soros são castanhos quando maduros e podem ter formato arredondado, cônico, lunar,
linear, ou podem ainda recobrir toda a superfície da folha (neste caso o soro é chamado de
acrosticóide). O indúsio é uma membrana epidérmica, frequentemente fina, que recobre parcial ou
totalmente os soros até a maturidade dos esporos, pode estar presente ou ausente, sendo também um
importante caráter taxonômico. O indúsio frequentemente apresenta formato compatível com o soro
(cônico, redondo, em forma de lua, linear, etc.), e tem como função a proteção dos esporângios.
O caule da samambaias é em sua maioria do tipo rizoma (estrutura que porta as raízes e
frondes, frequentemente se situando, em sua maior parte ou inteiramente, no interior do substrato),
este pode ser reptante (quando este é paralelo ao substrato), ou ser ereto (cresce verticalmente; em
alguns casos chegando a formar um “tronco” (cáudice) com diâmetro e altura consideráveis, como
nas samambaias arborescentes). Há alguns tipos de caules menos comuns, como o cormo (sólido,
curto e mais ou menos globular), que ocorre em Isoëtaceae, e o turbérculo (estrutura comumente
escamosa e globular presente nos rizomas), presente em algumas Polypodiaceae. Frequentemente, o
rizoma também apresenta escamas e tricomas. As licófitas e samambaias são plantas herbáceas, uma
vez que não apresentam crescimento secundário (por isso o cáudice das samambaias arborescentes é
bem diferente de um tronco de angiosperma, tanto morfologicamente, quanto anatomicamente). São
plantas relativamente pequenas, mas podem chegar a 15 metros, como nas samambaias arborescentes.
Distribuição geográfica
As licófitas e samambaias apresentam ampla distribuição geográfica (plantas consideradas
cosmopolitas), ocorrendo desde as tundras geladas, acima do círculo polar ártico, até as florestas
tropicais, quentes e úmidas, na linha do equador. No entanto, o número de espécies aumenta no
sentido dos polos para os trópicos (há um gradiente de riqueza), como pode ser visto nesses exemplos:
na Groelândia há cerca de 30 espécies, 100 na Inglaterra, 130 na Flórida, 652 na Guatemala, 1.160
na Costa Rica e 1.250 no Equador.
As regiões montanhosas (como Andes, e Serras do Mar, Mantiqueira, e Cadeia do Espinhaço
no Brasil) abrigam uma quantidade desproporcional de espécies de samambaias e licófitas em relação
a área que ocupam, o que se acredita ser impulsionado por fatores ecoclimáticos, como precipitação
e especialização edáfica.
Na América do Sul, há estimativas de ocorrência de 3.500 espécies, e no Brasil 1.403. Nosso
país abriga um dos centros de endemismo de samambaias e licófitas, este se localiza nas regiões sul
e sudeste. A Mata Atlântica e a Amazônia são os domínios fitogeográficos mais ricos, apesar disso,
deve-se ressaltar que o primeiro domínio abriga quase o dobro de espécies (941 espécies na Mata
Atlântica vs. 574 na Amazônia). Isso se deve a existência de gradientes altitudinais (de 0 a +2.000
metros de altitude), com distintas condições ecológicas, que inexistem na Amazônia (é uma área
relativamente plana). Em menor proporção, há espécies que ocorrem nas áreas de Cerrado, Caatinga
e Pampa.
Além do maior número de espécies, é na região tropical onde elas apresentam maior
diversidade de formas de vidas, havendo plantas: terrícolas (plantas que nascem e passam todo o
ciclo de vida em contato com o solo), rupícolas (em contato com rochas), epífitas (nunca em contato
com o solo, nascem e passam todo o ciclo de vida em tronco de árvores), hemiepífitas (nascem no
solo, mas crescem subindo em outras plantas, só se reproduzem depois de atingir certa altura) e
aquáticas (todo ciclo de vida flutuando sobre a água).
O calor excessivo pode causar o ressecamento destas plantas, por isso a maioria das espécies
ocorrem em condições microclimáticas de umidade constante, principalmente nas áreas próximas a
cursos de água, como riachos, igarapés e rios. As licófitas e samambaias apresentam mecanismos de
controle estomático menos eficientes do que os das angiospermas, por isso a água é um fator limitante
para essas plantas (além de ser importante para a reprodução sexuada). Assim, muitas plantas que
ocorrem em áreas úmidas são exclusivas (endêmicas) destes ambientes. No entanto, apesar das
licófitas e samambaias atingirem maior frequência e abundância em florestas úmidas, elas também
crescem em habitats secos. Uma das regiões secas no norte do México é considerada como um centro
de riqueza e de endemismo de certos grupos, principalmente, da família Pteridaceae. As plantas que
ocorrem nessas áreas secas apresentam adaptações, tais como reprodução somente assexuada (tendo
em vista que a sexuada necessita de água), além de escamas que absorvem umidade, e capacidade de
perda de até 95% da água do corpo, sem causar danos fisiológicos ao organismo.
Classificação
A classificação das licófitas e samambaias passou por muitas alterações ao longo do tempo.
Desde as primeiras classificações baseadas somente em caracteres morfológicos (tais como: formas
do rizoma, da fronde, a disposição dos soros, a presença ou a ausência de indúsio, etc.), as quais, em
geral não levam em conta as relações filogenéticas, a classificações que passaram a incorporar dados
moleculares (as quais, partem de uma filogenia, e usam o princípio de monofiletismo para o
estabelecimento dos grupos).
O Pteridophyte Phylogeny Group I (PPG I, 2016), a classificação mais recente desses grupos,
corresponde de certa forma um resumo das diversas filogenias, que vem sendo obtidas a partir de
dados moleculares. As licófitas são tradadas como a classe Lycopodiopsida, e as samambaias como
Polypodiopsida (Figura 9).
Tabela 1. As famílias mais ricas (em números de espécies) da classe Polypodiopsida. Dados obtidos do PPG I (2016).
Família Ordem N° de gêneros N° de espécies
Dryopteridaceae Polypodiales 26 2115
Polypodiaceae Polypodiales 65 1652
Pteridaceae Polypodiales 53 1211
Thelypteridaceae Polypodiales 30 1034
Aspleniaceae Polypodiales 2 730
Athyriaceae Polypodiales 3 650
Cyatheaceae Cyatheales 3 643
Hymenophyllaceae Hymenophyllales 9 434
Como pode ser visto a partir da Tabela 1, as seis famílias mais ricas (em espécies) de
samambaias pertencem a Polypodiales. Essa ordem é caracterizada pelos leptosporângios geralmente
agrupados em soros, sendo a maioria das espécies homosporadas. Como abriga mais de 8.000
espécies, essa ordem apresenta morfologia bem variada. A seguir comentarei algumas características
das famílias mais ricas.
A família Dryopteridaceae é caracterizada por rizomas eretos a longo-reptantes, escamosos;
pecíolo articulados ou não, com três ou mais feixes vasculares na base; lâminas simples a 5-pinadas;
soros arredondados ou acrosticóides; indúsio ausente ou presente; e esporos monoletes.
A família Polypodiaceae apresenta rizomas curto a longo-reptantes, frequentemente com
escamas; pecíolo geralmente articulado com o rizoma, formando filopódios (como pequenos
“joelhos” na base dos pecíolos - polypodióides), ou contínuos e não formando filopódios
(grammitidóides); lâminas simples, furcadas, pinatífidas ou variavelmente divididas a pinadas,
raramente 2-pinadas ou mais divididas, glabras, pubescentes e escamosas; soros arredondados a
alongados; sem indúsio; e esporos monoletes ou triletes.
A família Pteridaceae possui rizomas eretos a reptantes, escamosos ou pilosos; pecíolos não
articulados ao rizoma, com 1 a vários feixes vasculares na base; lâminas simples, ou 1 a 6-pinadas,
glabras a pilosas; soros ao longo das nervuras, ou na margem da pina/pínula protegidos por um falso
indúsio (formado pela margem revoluta da lâmina), ou acrosticóides; e esporos triletes ou monoletes.
A família Thelypteridaceae é caracterizada por rizomas eretos, ou curto a longo-reptantes,
geralmente revestido por escamas pilosas ou glabras; pecíolos não articulados ao rizoma, na base com
dois feixes vasculares em forma de cavalo marinho, que se unem em um feixe em forma de U na
porção distal; lâminas frequentemente 1-pinadas a 1-pinado-pinatífidas, tricomas aciculares, simples,
ramificados ou estrelados, unicelulares ou pluricelulares presentes em várias partes das frondes; soros
sobre as nervuras, geralmente arredondados, raramente lineares ou oblongos, com ou sem indúsio; e
esporos monoletes.
A família Aspleniaceae apresenta rizomas eretos ou reptantes, geralmente revestido por
escamas clatradas; pecíolos não articulados ao rizoma, com dois feixes vasculares que geralmente
unem-se formando um “X” distalmente; lâminas simples a várias vezes divididas, geralmente
glabrescentes; soros elípticos a alongados, com indúsio membranáceo a coriáceo, alongado a
raramente cupuliforme; e esporos monoletes.
A família Athyriaceae possui rizomas reptantes, eretos ou decumbentes protegidos por
escamas (clatradas) no ápice; pecíolos não articulados ao rizoma, com dois feixes vasculares
dispostos face à face em secção transversal e unindo-se distalmente; lâminas simples, pinadas ou 1-
3-pinado-pinatífidas; soros oblongos, simples, pareados margeando cada lado de uma vênula, ou
forma de J atravessando a vênula de um lado para outro; indúsio membranáceo ou cartáceo (raro sem
indúsio); e esporos monoletes.
A ordem Cyatheales compreende as samambaias arborescentes, popularmente chamadas de
xaxins, aqui no Brasil. Essas plantas apresentam um rizoma ereto, chamado de cáudice, e uma coroa
de frondes no ápice deste. São plantas homosporadas, cujos soros (na maioria das espécies) são
arredondados, podendo ter ou não indúsio. As duas principais famílias são Cyatheaceae e
Dicksoniaceae, com destaque para esta última que engloba Dicksonia sellowiana (Presl.) Hooker,
espécie característica do Brasil, hoje ameaçada de extinção.
A ordem Hymenophyllales, abriga a família Hymenophyllaceae, conhecidas mundialmente
como as “filmy ferns”. Esse nome deve-se a presença de frondes com 1 a 3 camadas de células e a
ausência de estômatos. Nessas plantas homosporadas os soros são protegidos por indúsio e estão
dispostos na margem das frondes, e os esporos são clorofilados e triletes.
Algumas samambaias também apresentam nectários, estes estão presentes em várias famílias
da ordem Polypodiales. Os grupos que apresentam nectários não formam um clado, ou seja, a
presença dessa estrutura é uma novidade evolutiva, que surgiu diversas vezes, de forma independente.
A função dos nectários ainda não está clara, mas pode estar relacionada com a defesa. Os nectários
apresentam morfologia variada, podem estar localizados em distintas partes da planta (geralmente
nas frondes ou nos rizomas), e secretam açúcares durante a noite, na folhas jovens. Vários animais
consomem a secreção dos nectários das samambaias.
As samambaias apresentam algumas estratégias visando reduzir a herbivoria e a predação.
Uma dessas estratégias, é conhecida em angiospermas como “atraso verde”, onde a coloração verde
da folha é obtida somente após algumas semanas de desenvolvimento, e não imediatamente ao nascer
(Figura 10). As folhas jovens em geral são muito finas e delicadas quando nascem, bem como
apresentam menos compostos secundários (substâncias tóxicas aos herbívoros), assim são alvos
fáceis para os herbívoros. Dessa forma, sabendo que esses animais são atraídos pela coloração verde,
a alteração da cor para vermelho ou branco em estágios iniciais pode ser uma defesa dessas plantas.
No entanto, ter outra coloração se torna um pouco desvantajoso, uma vez que estas folhas possuem
pouca capacidade de realizar fotossíntese, já que a clorofila (pigmento responsável pela absorção de
luz) não está presente. Outras defesas/estratégias são estruturais, tais como a presença de fibras,
tricomas e espinhos, ou bioquímicas como a presença de alcaloides, saponinas, taninos, etc. A
famílias Dryopteridaceae e Dennstaedtiaceae são ricas em metabólitos secundários como terpenos e
fenóis, que são compostos tóxicos para a maioria dos mamíferos. Todas as samambaias com exceção
de Ophioglossales tem capacidade de sintetizar taninos.
Figura 10. Indivíduo pertencente à família Blechnaceae, onde se pode verificar as frondes jovens
avermelhadas, estratégia para evitar a herbivoria conhecida como atraso foliar. Foto: A. P. Della.
As samambaias e licófitas também apresentam galhas, que são estruturas desenvolvidas num
determinado órgão da planta através de hipertrofia e hiperplasia de tecidos, em resposta ao ataque de
organismos indutores, tais como vírus, bactérias, fungos, nematódeos, ácaros ou insetos. As galhas
sempre foram estudadas em angiospermas, mas nas licófitas e samambaias foram subestimadas. No
entanto, estudos recentes tem demonstrada que as galhas são frequentes nesses grupos, e são causadas
principalmente por insetos.
As samambaias influenciam o estabelecimento de outras plantas no sub-bosque, uma vez que
reduzem o nível de iluminação existentes sob a copa em até 32%. O solo onde crescem samambaias,
em geral, é mais profundo comparado com áreas livres de samambaias, o que pode atuar como uma
barreira mecânica para sementes que alcançam o solo e para as plântulas emergentes.
Além disso, muitas espécies de samambaias podem apresentar compostos tóxicos, que inibem
o estabelecimento de outras plantas, principalmente, no início da sucessão ecológica, atuando, dessa
forma, no controle da estrutura final do dossel de uma área em regeneração. Apesar de muitas vezes
limitar o crescimento de muitas as espécies nesses estágios iniciais, deve-se destacar que a presença
das samambaias em locais perturbados leva a estabilização e o melhoramento das condições
nutricionais do solo.
As samambaias também apresentam associações simbióticas com fungos, na qual ambos os
organismos são beneficiados (com a transferência de nutrientes e carbono orgânico), como nas
micorrizas. Estima-se que essas plantas tenham associações com os fungos desde o Paleozoico. Há
associações com Glomeromycotas, Ascomycotas e Basidiomycotas, constituindo ecto e
endomicorrizas. Cerca de 80% dos esporófitos das samambaias apresentam associação facultativa
com fungos micorrizicos. Os gametófitos de Lycopodiaceae, Psilotaceae e Ophioglossaceae
apresentam associação obrigatória com fungos. No entanto, podem existir fungos parasitas que
causam danos nos tecidos vegetais, um exemplo é Taphrina faulliana que infecta específicamente
Polystichum munitum.
Conservação
A diversidade de licófitas e samambaiais, assim como de quase todos os organismos presentes
em florestas tropicais, é fortemente ameaçada pelo desmatamento. As espécies que ocorrem no
interior de florestas maduras dificilmente conseguem sobreviver em ambientes alterados, tais como:
pastagens, plantações, e florestas secundárias. Assim, muitos táxons correm o risco de serem extintos.
Na Mata Atlântica, uma grande ameaça às licófitas e samambaias é a redução e fragmentação
dos ambientes florestais. O uso dos solos, antes ocupados por florestas, é histórico, sendo que hoje a
floresta cobre menos de 10% da área original, que existia antes da chegada dos europeus. Muitas
espécies endêmicas desse ecossistema estão fortemente ameaçadas, pois já sofreram uma drástica
redução no tamanho de suas populações. Aqui vale ressaltar que as licófitas e samambaias são muito
sensíveis às alterações microclimáticas, que ocorrem, nas bordas de matas.
Na Amazônia, essas plantas são ameaçadas pelo desmatamento, executado principalmente
pelas atividades agropecuárias e de extração de madeira. Nos últimos anos também houve a queima
de vários quilômetros de floresta, por meio ações não naturais (humanas). A fronteira sul da
Amazônia vem sendo fortemente ameaçada nos últimos anos. Diversos estudos realizados na
Amazônia constaram que as licófitas e samambaias são bons indicadores ecológicos, sendo inclusive
importantes para o planejamento da conservação da biodiversidade desse ecossistema.
É importante também destacar que muitas espécies de samambaias foram introduzidas em
áreas que não ocorreriam naturalmente, e tornaram-se “pregas” nessas áreas. Um exemplo é
Lygodium microphyllum (Cav.) R. Br., planta natural de Ásia, que foi introduzida nos Estados Unidos
como ornamental em jardins. Essa planta escapou dos jardins e se dissipou rapidamente pelo país, em
função da grande capacidade de competição e resistência a condições estressantes.
Importância econômica
Diversas espécies de licófitas e samambaias são usadas em todo o mundo, com diferentes
finalidades, por diferentes populações tradicionais. Na China, é muito comum o emprego de espécies
desses grupos na alimentação, sendo consumido tanto folhas e báculos, quanto rizomas. Há estimativa
de que 50 espécies sejam usadas para essa finalidade nesse país. Nos Estados Unidos, frequentemente
consome-se Matteuccia struthiopteris (L.) Tod, principalmente em saladas.
Em regiões tropicais as samambaias e licófitas podem ser usadas como cosmético
(desodorante), também como tempero, ou mesmo para usos medicinais e na produção de tintas e
fibras. Na Amazônia, elas são usadas principalmente para fins medicinais, havendo registro de uso
de licófitas e samambaias no tratamento de dor de estômago, diarréia, dor de dente, dores no corpo e
nos rins, gripe, cicatrização de feridas, e inclusive para uso veterinário.
A cavalinha (Equisetum L.) é comumente encontrada em casas de produtos naturais para o
emprego de infusões em problemas renais. Antigamente o talo de Equisetum também era usado para
polir panelas em virtude da alta concentração de sílica. O extrato de E. arvense L. têm sido usado na
fabricação de xampu, o qual é usado no tratamento de dermatites seborreicas.
Extrato de Polypodium leucotomos L., planta que cresce nos Andes entre 700 a 2.500 metros
era usada na medicina popular por suas propriedades anti-inflamatórias cutâneas, bem como
fotoprotetoras prevenindo o fotoenvelhecimento. Hoje ainda usamos extratos de P. leucotomos como
protetor solar na forma de cápsulas (protetor solar via oral). Selaginella denticulata (L.) Spring. era
usada como anti-helmíntico. Botrychium lumaria (L.) Swartz., segundo os alquimistas, era capaz de
coalhar o mercúrio, além de apresentar propriedades afrodisíacas em gado bovino. Asplenium
trichomanes L. era usado para afecções do baço e do fígado, Asplenium ruta-muraria Michx. para
curar problemas de baço, rins e peito, Asplenium scolopendrium L. como diurético e expectorante, e
Lycopodium clavatum L. para combater catarros e inflamações das vias urinárias. Cyathea medullaris
G. Forst, conhecida na Nova Zelândia como Mamaku, tem ação de ativar os queratinócitos e a divisão
celular, o que reflete no aumento do número de células na derme. Huperzia selago (L.) Bernh é uma
planta muito venenosa para humanos pela sua alta concentração de alcaloides, e para animais tem
capacidade de liberar parasitas. Um alcaloide extraído de Huperzia serrata (Thunb.) Trevis. é usado
no controle da epilepsia.
O gênero Pteridium Gled. ex Scop., que apresenta ampla distribuição mundial, é
frequentemente consumido (principalmente os báculos) por chineses, japoneses e brasileiros (em
Minas Gerais). Contudo, o consumo excessivo de plantas desse gênero aumenta o risco de câncer de
estômago em humanos, e intoxicação no gado.
Samambaias também são utilizadas para fitorremediação, ou seja, para descontaminação de
ambientes naturais, poluídos por substâncias químicas e/ou metais pesados. Pteris vittata L. é uma
espécie com grande potencial fitorremediador. Essa planta usa mecanismos de evasão ou exclusão,
os quais minimizam a incorporação dos metais pela célula. Assim, através de processos de
detoxificação intracelular, compartimentalização ou biotransformação, a planta consegue sobreviver
na presença de elevada concentração do metal.
Recentemente, tem-se discutido o potencial de algumas proteínas extraídas de samambaias
serem usadas no tratamento contra o câncer. Algumas espécies estudadas nesse sentido foram:
Blechnum Orientale Linn e Pteridium aquilinum (L.) kuhn.
As samambaias também apresentam grande potencial ornamental, sendo as mais utilizadas
em jardinagem e paisagismo as espécies dos gêneros: Adiantum L. (avencas), Cyathea Sm.
(samambaiaçu), Dicksonia L'Hér. (xaxim-bugio), Davallia Sm. (renda-portuguesa), Platycerium
Desv. (chifre-de-veado), Nephrolepis Schott (samambaia-de-metro) e Selaginella P. Beauv.
(erroneamente chamada de musgo). As samambaias aquáticas Salvinia Ség., Azolla Lam.
(samambaia-mosquito) e Marsilea Adans. (trevo-de-quatro-folhas) são usadas em aquários ou em
lagoas. O cáudice da Dicksonia sellowiana Hook., planta nativa da Mata Atlântica, já foi muito
utilizado como substrato para cultivo de orquídeas, pela capacidade de retenção de água, no entanto,
em virtude da intensa exploração comercial, atualmente essa planta é ameaçada de extinção. As folhas
de Rumohra adiantiformis (G. Forst.) Ching têm sido vendidas há muito tempo para a produção de
arranjos e buquês de flores no Brasil e na África do Sul.
Conclusões
Licófitas e samambaias são dois grupos filogeneticamente distintos, que tradicionalmente são
tratadas pelo termo “pteridófita”. São plantas vasculares, que apresentam ciclo de vida diplobionte
(alternância de gerações), com fase esporofítica dominante sobre a gametofítica. Foram grupos
diversos e predominantes em todos os ecossistemas terrestres do período Carbonífero ao Triássico.
Atualmente apresentam cerca de 12 mil espécies, ocorrentes em praticamente todo o globo, sendo,
no entanto, a região tropical a mais diversa. A maioria das espécies de licófitas e samambaias que
vemos atualmente são plantas muito recentes (pertencem a ordem Polypodiales, originadas
principalmente no Cenozóico), as quais apresentam morfologia muito variada, principalmente, quanto
as secções da lâmina foliar. Essa morfologia laminar atrai muita atenção (pela sua beleza), por isso
são plantas muito usadas como ornamentais. Hoje, no entanto, com o desmatamento descontrolado,
queimadas e fragmentação de habitats há um grande risco de muitas dessas espécies serem extintas,
principalmente, plantas endêmicas.
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Figura 1. Experimento realizado por Charles Darwin e Franscis Darwin (Adaptado de Kerbauy,
2008).
Em 1928 Frits Warmolt Went realizou um experimento semelhante àquele de Charles Darwin
e Francis Darwin, entretanto com modificações que lhe permitiram descrever uma substância capaz
de promover o crescimento das células. Went cortou os ápices dos coleóptilos e deixou sobre blocos
¹Universidade de São Paulo
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Tema 2: Estrutura e fisiologia
Capítulo 6 – Neto et al. 2023 A
de ágar-ágar. Os blocos foram inseridos sobre coleóptilos decapitados, que mostraram capacidade de
curvar-se novamente, em relação a capacidade da qual haviam perdido por terem seus ápices
retirados. O pesquisador nomeou essa substância, como auxein, uma palavra do grego que significa
crescer ou aumentar. Ainda concluiu que a auxina seria a responsável pelo fototropismo positivo,
com a curvatura das plântulas de aveia em direção a luz (Fig. 2).
Figura 2. Experimento realizado por Frits Warmolt Went (Adaptado de Kerbauy, 2008).
Nas plantas são encontradas auxinas que ocorrem naturalmente, ou seja, são naturais,
produzidas por vias biossintéticas dos vegetais. Entretanto também existem substâncias chamadas de
auxinas sintéticas, ou seja, sintetizadas em laboratórios. É importante que tenhamos conhecimento
destas substâncias, pois algumas delas são utilizadas em maior quantidade em laboratório com testes
de exposição externo para indução de organogênese. Além da importância de conhecer sobre as
respostas fisiológicas internas dos vegetais as auxinas naturais. Em laboratórios usa-se com
frequência os naturais, ácido indol-3-acético (AIA) e ácido indolil-3-butírico (AIB). Como sintéticos
são utilizados o ácido 2,4-diclorofenoxiacético (2,4-D) e ácido α-naftalenoacético (α-ANA). Mas vale
ressaltar que alguns protocolos de aplicação in vitro ou ex vitro de auxinas utilizam outras substâncias
das listadas na figura abaixo (Fig. 3).
É importante ressaltar ainda o papel das auxinas sintéticas na agricultura como herbicidas e
promotores da abscisão foliar. E de forma positiva para os processos de cultivo, quando em pequenas
concentrações e pequenas exposições, como promotores do sistema radicular. Um exemplo desta
última aplicação pode ser observada em brotos de bromélias sem raízes que são submetidas à água
ou a duas concentrações diferentes de AIB (Fig. 4).
Figura 4. Indução de raízes em bromélia por AIB. Fonte: Elaborada pelo autor.
A via metabólica que realiza a produção da auxina em fungos ocorre a partir da molécula do
XII BOTÂNICA NO INVERNO – 2023 83
Tema 2: Estrutura e fisiologia
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triptofano (Trp), com vias dependentes do Trp e independentes de Trp. A via com todos seus
metabólitos envolvidos ainda está em elucidação, assim como o papel específico em cada relação
estabelecida por uma espécie de fungo e uma espécie de planta.
Para sintetizar a principal e mais abundante auxina na maioria das plantas existem três rotas
biossintéticas capazes de produzir como molécula final o ácido indol-3-acético (AIA). Todas as rotas
partem da molécula de Trp, como aminoácido precursor dos intermediários que se seguem até o AIA.
A principal rota utilizada pela maioria das plantas é a rota AIP, no centro do esquema abaixo. Também
são claras outras rotas biossintéticas que convertem o Trp em AIA, como a rota TAM ou ainda a rota
IAN. É importante ressaltar que as plantas podem utilizar apenas uma única rota ou uma combinação
de rotas para produzir como molécula final o AIA (Fig. 6).
Divisão celular
O AIA que tem sua biossíntese nos tecidos jovens, especialmente em meristemas apicais
(caulinar e radicular), associa-se ao processo de divisão celular e alongamento celular. Em partes
aéreas das plantas, no meristema caulinar o AIA atua em rápidos crescimentos celulares. Nas raízes
o AIA por meio do transporte acrópeto no tecido de parênquima vascular é importante para a divisão
celular do periciclo. De acordo com a literatura as auxinas em conjunto com as citocininas, promovem
a progressão do ciclo celular por meio da formação de um complexo ativo, chamado de CDK/a-
CYC/D3 durante o intervalo da fase G1 para a fase S.
Diferenciação celular
A concentração de auxinas irá determinar o início da diferenciação celular em elementos
vasculares, como, por exemplo, o xilema, o qual a auxina impacta diretamente na sua formação de
acordo com a difusão do AIA. As auxinas estão presentes durante a rediferenciação, após uma lesão
no tecido. A concentração mais alta de auxinas foi observada na literatura como promotora da
diferenciação de xilema e floema, visto que baixais concentrações, promovem diferenciação apenas
de floema. Acredita-se que células ao redor da lesão com maior capacidade de transporte basípeto das
auxinas se diferenciam novamente nos elementos de vasos perdidos durante a lesão. O evento de
rediferenciação, postula-se como semelhante ao que acontece para que células meristemáticas apicais,
os quais passam à formar células pró-cambiais e posteriormente traqueais.
O AIA induz a formação de primórdios radiculares adjacentes aos vasos de protoxilema em
XII BOTÂNICA NO INVERNO – 2023 87
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aumento do fruto, também são correlacionadas com o aumento do volume do fruto por expansão das
paredes celulares e consequente aumento do volume de água em frutos carnosos. Durante o
amadurecimento dos frutos, por exemplo, em receptáculos de morangos, ocorre uma redução nos
níveis de auxinas, juntamente com o ABA que é sintetizado.
Abscisão foliar
A abscisão foliar é importante processo para descartar folhas velhas ou danificadas, como
estratégia de liberar frutos e sementes já prontos para a dispersão. Os órgãos separam-se da planta
por meio de uma pequena região anatômica chamada de zona de abscisão. No caso das folhas essa
região localiza-se na base do pecíolo que encontra o caule, anatomicamente as células na zona de
abscisão são conhecidas como camada de abscisão. As células têm menor tamanho que outras células
do tecido foliar ou caulinar próximos e contém conteúdo citoplasmático denso. A senescência foliar
ocorre devido a expansão da camada celular de abscisão foliar, digestão das paredes das células,
tornando-as mais maleáveis e fracas à fraturas (Fig. 10).
Figura 10. Observação de folha senescente com foco na zona de abscisão foliar. Fonte: Elaborada pelo
autor.
Observa-se maior concentração de auxinas nas folhas jovens, que normalmente não estão senescentes,
já em folhas mais velhas, a concentração de auxina é mais baixa ou até mesmo inexistente. Em
contrapartida em folhas jovens o fitohormônio etileno é pouco produzido e em folhas mais velhas à
maior produção assim como maior responsividade ao etileno. Sugere-se então que maiores fluxos de
auxinas transportadas ao longo da folha impedem o processo de senescência. Enquanto a redução da
auxina e aumento do etileno, levam a senescência e consequentemente a abscisão foliar (Fig. 11).
Figura 11. Representação das respostas de auxina e etileno em diferentes idades de folhas (Adaptado de
Kerbauy, 2008).
dentro do filo Anthophyta, com aproximadamente 25.000 espécies, em que a maioria das espécies
ocupa o ambiente epifítico, as Orchidaceae. Desta família existem relatos de acordo com a aplicação
exógena ou estudo de auxinas endógenas com respostas variadas aos fitohôrmonios auxinas isoladas
ou em conjunto com as citocininas (Tab. 1).
Tabela 1.. Auxinas como promotoras ou inibidoras de respostas em orquídeas (Adaptado de Novak et al.,
2014).
Promotor (P)
Resposta Ou Fitohormônio(s) Referências
Inibidor (I)
Auxinas (ANA, AIA) +
Floração P/I citocininas (BAP, TDZ) 3,9,13,14,15,16,21
Indução/crescimento
de raízes P Auxinas (ANA, AIA, IBA) 1,23,25,26,31,32,
(ANA) + citocinina, assim, conseguiram formação de maior número de indivíduos do que se obtêm
por meio da germinação de sementes.
Quanto ao uso das auxinas no cultivo in vitro devemos lembrar que a adição neste tipo de
cultivo será feita em concentrações que variam de micromolar (µM) à milimolar (mM). Por este
motivo que são feitas soluções concentradas em água, também chamadas de soluções estoques, já que
pesar pouquíssimas gramas várias vezes para cada litro de meio de cultura é inviável. Após prontas
as soluções estoques devem ser armazenadas no freezer -20 °C ou na geladeira entre 1,5 e 4 °C, a
depender de qual auxina será utilizada. Para dissolver os sólidos das substâncias de auxinas, que
se comportam como ácidos fracos, normalmente usa-se água morna e algumas gotas de KOH ou
NaOH. A solução estoque, que foi mantida na geladeira, deve ser observada quanto a presença de
contaminação. Se notada contaminação, por fungos ou bactérias, deve-se proceder o descarte e
realizar nova solução estoque. Abaixo é possível observar o exemplo da contaminação de uma
solução por fungos, na qual vê-se a estrutura visível a olho nu do contaminante (Fig. 13).
Considerações gerais
As auxinas são substâncias com muitas possibilidades de respostas vegetais, desde o processo
inicial de germinação, às divisões celulares, as diferenciações celulares ao longo do crescimento e
desenvolvimento vegetal. Atuam em processos da formação de estruturas germinativas em orquídeas
como protocormos, na embriogênese somática, formação de calos, desenvolvimento de gemas e
raízes, de forma indutiva ou ao reprimir os processos a depender de variados fatores. Sozinhas as em
baixas concentrações possuem um determinado efeito indutivo ao sistema radicular. Já em conjunto
com citocininas, induzem a formação de brotos adventícios em bromélias. Mesmo que a história sobre
as auxinas tenha mais de 100 anos, a beira de 150 anos desde os estudos iniciais sobre seus efeitos
nos vegetais, por ser um grupo de substância tão versátil em resposta metabólicas, fisiológicas e
anatômicas, ainda há muito para se compreender sobre esse fitohormônio. Principalmente em plantas
epífitas, como são muitas das espécies de orquídeas e bromélias.
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Figura 1. Representação da
molécula de cinetina (Adaptado
de Taiz e Zeiger, 2006).
Entretanto, a cinetina que tem atividade sobre a divisão celular de vegetais, como por
exemplo, sobre o tabaco (Nicotiana tabacum) uma planta modelo, não foi uma substância encontrada,
com biossíntese natural nas plantas, para induzir o efeito como fitohormônio. Essa substância é
derivada da degradação do DNA, onde há uma alteração das ligações químicas do açúcar
desoxirribose da adenosina e converte-se em anel furfuril. Porém, a descoberta desta substância serviu
para instigar pesquisadores de que as próprias plantas poderiam ter substâncias homólogas
naturalmente ocorrendo em seus tecidos vegetais. O pesquisador Philip White desenvolveu alguns
meios de cultivo in vitro, dentre os quais utilizava na formulação 10 a 20% de água de coco, junto de
auxina, e como resultado as plantas cultivadas in vitro mantinham altas taxas de divisão celular.
Então, formavam-se massas celulares indiferenciadas (calos) com manutenção contínua desde que
mantidos os tecidos na mesma formulação de meio de cultura.
Após alguns anos, em 1973, o pesquisador David Letham descobriu em extrato do
endosperma de milhos verdes (Zea mays) a Zeatina, que demonstrava efeito igual a cinetina (Fig. 2).
Ao adicionar a molécula de zeatina, 6-(4-hidroxi-3-metilbut-2-enilamino)purina, ao meio de cultivo
in vitro observou-se grande indução a divisão celular nas células jovens de vegetais quando em
conjunto com auxina.
Alguns compostos químicos atuam sobre as respostas dos vegetais de forma semelhante à
zeatina que é a citocinina natural encontrada nos vegetais ou à cinetina. Podem induzir a divisão
celular em massas celulares indiferenciadas (calos) junto com auxinas, induzir a formação de gemas
nos calos, retardar a senescência foliar, permitir a quebra da dominância apical, mobilizar nutrientes,
e de forma geral promover alterações tanto metabólicas, fisiológicas quanto anatômicas. Alguns
compostos foram testados com efeito de citocininas, e aos que demonstram esses efeitos foram
chamados de citocininas sintéticas. Dentre os quais destaca-se largamente utilizados em aplicações
in vitro e ex vitro a própria cinetina (KIN) e a benzilaminopurina (BAP) que possuem anel do tipo
purina como as citocinas naturais. Já a substância Thidiazuron (TDZ) é diferente das citocininas
naturais por não apresentar a base adenina (Fig. 3).
Figura 3. Representação das citocininas que não ocorrem naturalmente em vegetais (Adaptado de Taiz e
Zeiger, 2006).
detalhes para Agrobacterium tumefaciens, com grande importância para o gene IPT (responsável por
produzir a enzima isopentenil transferase). Em plantas, ao analisar o genoma do modelo Arabidopsis
foram encontrados nove genes IPT que seriam capazes de produzir proteínas com função enzimática
relacionada à biossíntese de citocininas livres. Enquanto as enzimas de bactérias para a biossíntese
de citocininas utilizam preferencialmente a adenosina monosfosfato (AMP) as enzimas de plantas
parecem utilizar preferencialmente a adenosina trifosfato (ATP) e a adenosina difosfato (ADP).
Abaixo podemos observar uma sugestão da via de biossíntese de citocininas que gerará a zeatina (Fig.
4)
Figura 4. Síntese de
citocininas em plantas
(Adaptado de Kerbauy,
2008).
(tZR). Já as citocininas encontradas no floema estão em sua forma glicosídica, se acumulam durante
o inverno, em folhas maduras, em direção a senescência, também chamadas de fontes. Essas folhas
fontes, durante a primavera/verão fornecem assimilados para as folhas jovens que são chamadas de
folhas dreno. Durante a primavera as citocininas seriam hidrolisadas em forma de bases livres para
quebrar a dormência das gemas e retomar o crescimento.
Uma das citocininas comuns e ativas que atuam sobre as gemas apicais é a trans-zeatina (tZ)
assim como é visto no esquema abaixo (Fig. 5). Essa citocinina para ser transportada terá como
precursores o ATP, ADP e dimetilalil difosfato (DMAAP) e passará por reações químicas. Ainda se
ressalta a importância da disponibilidade de luz e nitrogênio que modulam o processo de tZR e tZ.
citocininas endógenas também estão ligados à senescência, quebra da dormência das gemas
caulinares, mobilização de nutrientes, diferenciação de cloroplastos, produção das clorofilas,
expansão das folhas e entre outros processos nos vegetais.
se raízes. Uma proporção no sentido contrário, com maior concentração de citocinina oportuniza a
diferenciação do calo em brotos (Fig. 6).
Figura 7. Representação do efeito das citocininas endógenas em plantas. A – Planta adulta de Lantana camara.
B – Folhas com galhas ocasionadas por dípteros (Schismatodiplosis lantanae). Fonte: Elaborada pelo autor.
Os fungos que produzem citocininas e que induzem a proliferação celular também são
beneficiados com maior aporte de nutrientes para a área afetada. Esses fungos também podem induzir
em folhas algo conhecido como ilhas verdes que retardam a senescência foliar de forma localizada,
beneficiando o fungo no aporte nutricional. Entretanto algumas relações, por exemplo, bactérias que
infectam as raízes de plantas leguminosas (soja), do gênero Rhizobium são benéficas às plantas. As
citocininas neste caso são necessárias para aumento na proliferação celular, gerando maior massa
celular, para abrigar as bactérias e maior fixação do nitrogênio atmosférico indisponível para o uso
das plantas, mas que através das bactérias torna-se disponível ao uso vegetal.
A senescência foliar
É dito que a senescência é um processo fisiológico controlado de acordo com alguns fatores,
dentre eles, destaca-se a distribuição das citocininas das raízes às folhas. Cita-se como citocininas
principalmente envolvidas na senescência foliar a zeatina ribosídeo e a diidrozeatina ribosídeo.
Plantas de tabaco quiméricas com promotor gênico especial para ativar o gene IPT durante a
senescência, mostraram altos níveis de citocininas que bloquearam a senescência foliar. E inibiu a
expressão gênica posterior de IPT, assim evitou-se produzir citocininas em excesso nos tecidos
foliares. Observou-se por pesquisadores que ao aplicar citocinina em uma área específica do limbo
foliar em senescência, a região que recebeu a citocinina permanecia verde (Fig. 8), enquanto o restante
da folha adquire coloração de senescência (amarela e marrom). A aplicação das citocininas exógenas
no limbo foliar, na área específica, retardou a senescência, então foi observado, um aumento de
produção de RNAs, proteínas e mobilização de nutrientes dentro do limbo foliar até o local aplicado.
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falta deste para seus vizinhos. Este acúmulo de nutrientes por uma espécie mais eficiente reduz o
número de indivíduos próximos, aumentando ainda mais a disponibilidade deste recurso para si. Esta
é conhecida como teoria da redução de concentração.
Dentre as diversas forma de competição diferentes que ocorrem concomitantemente iremos
destacar uma: a competição química, ou alelopatia. Indivíduos liberam diferentes classes de
metabólitos secundários no ambiente visando vantagens competitivas para se manter em um
ambiente. A seguir iremos destacar quais são as principais substâncias ativas produzidas por plantas,
como elas afetam a competição, e como podemos medir a ação destes fatores.
Figura 2. Interação entre o metabolismo primário e as principais vias do metabolismo secundário vegetal.
Fonte: Modificado de Taiz & Zeiger (2009).
Figura 2. Principais blocos de montagem do metabolismo secundário. Fonte: elaborada por L. Girotto.
Figura 3. Exemplos das diferentes classificações de terpenos. Isopentano, estrutura básica de cinco
carbonos acompanhado de quatro moléculas, respectivamente: o monoterpeno S-Limoneno, o diterpeno
ácido abiético, o triterpeno beta-amirina, e o tetraterpeno betacaroteno. Fonte: elaborada por L. Girotto.
Figura 4. Estrutura básica dos compostos fenólicos, o anel fenólico, seguido de quatro subclasses
de flavonoides: Antocianidinas, catequinas, flavonóis e flavonas. Fonte: elaborada por L. Girotto.
alcaloides exclusivos.
Alcaloides possuem função de defesa contra herbivoria, tese construída sobre a grande
variedade de efeitos que estas substâncias têm em animais. A nicotina e a cafeína possuem forte ação
inseticida mesmo em concentrações baixas. Algumas classes de pequenos herbívoros se adaptaram
para evitar o consumo de espécies vegetais especificas a fim de evitar a toxicidade de seus metabólitos
secundários.
A complexidade de estruturas dos alcaloides muitas vezes extrapola simples caracterizações,
mas alcaloides tendem a ser classificados de acordo com a estrutura nitrogenada que possuem.
Aminoácidos podem sofrer reações de descarboxilação para doar seu nitrogênio e esqueleto carbônico
à formação de alcaloides. O agrupamento destas moléculas nitrogenadas baseado no aminoácido
precursor é comum, devido à baixa variedade de aminoácidos que participam deste processo.
Ornitina, lisina, ácido nicotínico, tirosina, triptofano, ácido antranílico e histidina são os
representantes deste grupo.
Uma porção significativa dos alcaloides é formada por reações de transaminação, recebendo
apenas o nitrogênio dos aminoácidos. No caso destes chamados pseudoalcaloides o restante da
estrutura molecular é integrado a partir de intermediários e produtos do metabolismo secundário.
Blocos de montagem formados nas vias do chiquimato, metileritritol-fosfato, mevalonato e acetato
podem ser incorporados nas estruturas moleculares de alcaloides, dando origem a alcaloides
esteroidais, terpenoidais, entre outros.
Figura 5. As estruturas moleculares dos alcaloides cocaína, atropina e cafeína. Fonte: elaborada
por L. Girotto.
Moléculas ativas para alelopatia são denominados compostos alelopáticos. Estes podem ser
produzidos por diferentes vias do metabolismo secundário vegetal e pertencer a diversas classes.
Alcaloides são a classe de compostos mais ativa, logo também mais visada em estudos, mas terpenos,
flavonoides e outros compostos fenólicos podem ser alelopaticamente ativos.
Existem diferentes formas de interação alelopática dependendo da natureza da molécula e da
forma de liberação no ambiente. Compostos secundários produzidos por plantas influenciam o
ambiente no qual eles são liberados por interações positivas ou nocivas, de forma direta ou indireta
através de microrganismos intermediários.
Aleloquímicos podem ser liberados no solo de diversas maneiras: lixiviação de compostos da
parte aérea das plantas, esteja essa viva ou morta, decomposição de estruturas vegetais e liberação de
exsudatos da raiz (Figura 6). Estes compostos alelopáticos podem agir diretamente ao serem
absorvidos pelas raízes de organismos vizinhos, ou indiretamente através da ação de microrganismos.
A microbiota do solo pode interferir na ação de compostos alelopáticos liberados. Certas
configurações de microrganismos no solo podem quebrar, inativar ou decompor compostos
alelopáticos liberados, protegendo espécies vegetais próximas impedindo a assimilação destes
metabólitos. Outras configurações podem ter atividade oposta, reagindo com metabólitos liberados
no solo e ativando ou aumentando sua atividade fitotóxica.
Arthrobacter sp é um gênero de bactérias que foi isolado do solo de regiões ocupadas por
Ageratina adenophora, espécie invasora conhecida. Foi observado que estas bactérias degradavam
os compostos alelopáticos liberados por A. adenophora, aumentando rapidamente o declínio destes
metabólitos no solo. Desta forma Arthrobacter sp age como defesa contra alelopatia, protegendo
espécies locais contra a ação química da espécie invasora.
Compostos orgânicos voláteis possuem grande potencial sinalizador. Estas moléculas
permitem rápida adaptação de defesa entre órgãos de uma mesma planta ao serem liberados. Podem
também ativar respostas de defesa em organismos próximos, que ainda não foram sujeitos ao estresse
em questão. Experimentos com compostos voláteis confirmaram também diversos outros efeitos
ativos, como atividade antimicrobiana, inseticida e herbicida.
Beta-terpineol e eugenol são dois compostos voláteis liberados por folhas da tomateira
(Solanum lycopersicum) e apresentaram efeito inibitório sobre o crescimento de Amaranthus
mangostanus, uma espécie tropical. O óleo volátil de Atriplex cana inibiu fortemente o crescimento
de espécies de ervas daninhas comuns em produções de alimentos orgânicos.
Figura 6. Diferentes formas da liberação de compostos alelopáticos no meio ambiente até sua
absorção pela planta alvo. Fonte: elaborada por L. Girotto.
Uma vez absorvidos os aleloquímicos podem ser quebrados e absorvidos, ou terão efeito ativo
sobre a planta. São diversos os pontos de ação, mas é possível destacar os principais:
• Inibição da divisão celular e da síntese de DNA. Organismos afetados por estes efeitos tiveram
a redução do número de células e do seu crescimento em altura.
• Estresse oxidativo. Espécies reativas de oxigênio são extremamente danosas e sua presença
deve estar sempre controlada. Porém, estas são frequentemente encontradas em maior
concentração após ação alelopática, fator que leva à degradação de proteínas e morte celular.
• Disrupção da respiração. A fosforilação oxidativa, a formação de CO2 ou mesmo a atividade
da ATPsintase podem ser afetados por aleloquímicos. Isto leva à redução na produção de
metabólitos cruciais para a sobrevivência da planta.
• Efeitos na fotossíntese. Inibição ou dano ao aparato fotossintético e decomposição acelerada
dos pigmentos são os principais efeitos de compostos alelopáticos nesta via. A redução na
produção de energia causada por ter efeitos por toda a planta.
observada. Estes extratos são então fracionados em diferentes partições por meio de extração líquido-
líquido e cromatografia em coluna. Esta partição permite análises mais específicas em busca das
moléculas ativas.
Partições geradas a partir do extrato bruto são utilizadas em novos bioensaios de germinação.
Assim é possível apontar especificamente quais são as frações relevantes para alelopatia. Estas
frações podem repetir o ciclo de partição-testagem mais vezes até próximo à purificação das frações
de interesse. Estas amostras são então analisadas molecularmente através de cromatografia líquida de
alta eficiência (HPLC) ou cromatografia gasosa (GC) e espectrometria de massas (MS). Por meio
destas análises é possível identificar isoladamente a molécula de interesse, e a correlacionar com o
efeito alelopático observado nos bioensaios de germinação.
Estas metodologias são exemplos de ensaios laboratoriais de alelopatia comumente utilizados,
mas ensaios em campo também são necessários. Resultados positivos no laboratório muitas vezes
não são traduzidos em resultados positivos no campo. É possível chegar a uma sugestão de efeito
alelopático em laboratório, mas sua comprovação deve ser feita no campo.
Ensaios feitos no campo esbarram em uma série de dificuldades provenientes da própria
natureza deste ambiente. O grande número de variáveis presentes como vento, incidência solar,
precipitação e herbivoria torna difícil quantificar ensaios alelopáticos. Assim é criada a dificuldade
em garantir que quaisquer efeitos observados sejam realmente resultado de alelopatia, e não de uma
combinação de fatores.
É importante dar continuidade a possíveis efeitos alelopáticos observados em laboratório
através de experimentos em campo. Contudo, é necessário resguardo ao confirmar efeito alelopático
devido à interferência de variáveis de difícil quantificação. Por vezes efeitos inibitórios são causados
por déficit hídrico ou incidência solar insuficiente, e não por efeito de compostos secundários ativos.
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Figura 1. Representação da reação química da fotossíntese mediada por luz (Adaptado de Taiz e
Zeiger, 2006).
Os carboidratos são utilizados por outra organela que é a mitocôndria, a qual transforma a
energia fixada nas ligações carbônicas em moléculas de adenosina trifosfato (ATP). Além disso, nas
reações da mitocôndria, é liberada a nicotinamida adenina dinucleótido na forma reduzida (NADH),
utilizada na transferência de elétrons durante a fosforilação oxidativa e há consumo de oxigênio neste
processo. Enquanto os cloroplastos proporcionam reações químicas no caminho de baixo nível
energético para altos níveis energéticos armazenados, as mitocôndrias seguem o caminho contrário,
de altos níveis para baixos de potencial de redução (Fig. 2).
Como foi visto no esquema acima, o quanto a fotossíntese será eficiente, com base no exposto
até o momento, dependerá dos ciclos C3 e C2 e isso é realmente o que acontece em muitas espécies
de vegetais. Entretanto, a disponibilidade de CO2 ou de O2 disponível para as funções de carboxilação
ou oxigenação da RUBISCO sofrerá influências de alguns fatores, como, estruturais dos vegetais,
fisiológicos e de condições abióticas, como, por exemplo, a condição nitrogenada.
Como maneira de reduzir ou mesmo evitar completamente a via fotorespiratória ao longo do
processo evolutivo, as plantas desenvolveram algumas estratégias de concentrar o CO2 no sítio da
RUBISCO. São conhecidos e estudados dois tipos de mecanismos concentradores de CO2 em plantas
vasculares. Um deles é o metabolismo C4 e o outro é o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM),
no qual ambos são concentradores de CO2 de maneira bioquímica no sítio da RUBISCO.
No caso das plantas C4 existem duas camadas celulares que são utilizadas durante a
fotossíntese, em que são feitos os ciclos de carboxilação e descarboxilação do CO2. A primeira
camada, mais próxima da atmosfera chamam-se as células do mesófilo e a segunda camada chamam-
se de células da bainha perivascular. Então há uma divisão espacial das tarefas executadas nos tecidos.
Nas células do mesófilo carboxila-se o ácido fosfoenolpirúvico (PEP) através da enzima
fosfoenolpiruvato carboxilase (PEPC) e forma-se um ácido orgânico de quatro carbonos. Este ácido
de quatro carbonos é transportado para as células da bainha perivascular onde é descarboxilado em
CO2 e mais uma molécula de três carbonos, que volta as células do mesófilo. O CO2 é então
concentrado no sítio da RUBISCO nas células da bainha perivascular que produzirá os carboidratos
(Fig. 4).
Em algumas outras plantas, como, por exemplo, aquelas que pertencem à família
Crassulaceae, é observado o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). É importante relatar que o
CAM não é encontrado apenas em plantas da família Crassulaceae, mas também em 26 outras
famílias de angispermas, 38 famílias de pteridófitas aquáticas e 2 famílias de gminospermas. Este
também é um mecanismo evolutivo concentrador de CO2. Entretanto diferente do mescanismo C4
que a concentração acontece em decorrência de divisão espacial, em plantas CAM a divisão é
temporal. Esse mecanismo CAM é relatado como essencialmente selecionado em resposta aos
ambientes áridos. Algumas plantas aquáticas também desenvolveram esse mecanismo pois vivem em
ambientes aquáticos com pouco CO2 disponível. Para plantas terrícolas o CAM oportuniza que as
plantas consigam assimilar o CO2 no período noturno, que a temperatura é menor no ambiente e
umidade é maior, assim reduz perdas de água por transpiração, quando realiza abertura estomática
(Fig. 5).
Então as plantas CAM realizam a fixação em grande quantidade de CO2 no período noturno
quando as condições ambientais são melhores para reduzir as perdas de água. Assim, pode-se dizer
que o a carboxilação é noturna, enquanto a descarboxilação no sítio da RUBISCO é diurna, quando
os estômatos estão fechados. Assim como em plantas C4 a fixação, que no caso de plantas CAM é
noturna, também é feita pela enzima PEPC que gera o ácido oxaloacético (oxaloacetato).
O oxaloacetato (OAA) é metabolizado pela enzima malato desidrogenase (MDH) em ácido
málico (malato). Então ao longo da noite a acidez irá aumentando nos tecidos das plantas, que
podruzem principalmente o malato ou ainda em alguns casos o ácido cítrico (citrato), que são
armazenados nos vacúolos das células. No período diurno com os estômatos fechados o malato ou o
citrato saem do vacúolo e são descarboxilados em CO2 e/ou ao piruvato para serem utilizados pelo
ciclo de Calvin. Este tipo de CAM que ocorre em muitas espécies com o CAM que pode ser observado
abaixo é chamdo de CAM clássico (Fig. 6).
Figura 6. Funcionamento metabolíco do CAM de acordo com o período diurno e notruno. (Adaptado de
Taiz e Zeiger, 2006).
Figura 7. Diferentes tipos de fotossínte CAM e a C3 com relação aos parâmetros de abertura estomática,
assimilação do CO2 e variação de ácidos orgânicos (Adaptado de Matiz et al, 2013 e Mioto et al ,2015).
As plantas que vivem em ambientes com alterações das condições ambientais hídricas, com
foco para os períodos de déficits hídricos, normalmente também estão submetidas à outras variações
como alta luminosidade, temperatura e ainda dificuldade para obtenção de nutrientes. Pois temos que
lembrar que os nutrientes são absorvidos do ambiente normalmente dissolvidos na solução de água.
Então podemos dizer que a água se torna por muitas vezes o veículo que transporta os nutrientes para
dentro dos vegetais. Em situações que há falta de recursos hídricos as plantas ficam sujeitas também
à falta de nutrientes por muitas vezes. Um exemplo de ambiente com variação intermitente de água
e consequentemente nutrientes, destaca-se o ambiente epifítico.
Figura 8. Impacto na condição nutricional na atvidade de uma das enzimas chaves do CAM de
G. mostachia adulta (Adaptado de Rodrigues et al, 2014).
hídrico será cada vez mais necessária. Visto que o nitrogênio é o elemento químico mais utilizado
por plantas, principalmente as agriculturáveis que produzem alguma parte comestível, por exemplo,
frutos ou sementes, que necessitam do aporte de carboidratos e proteínas.
As pesquisas que possibilitam maior compreensão do CAM, o qual economiza maior
quantidade de água. E pesquisas sobre o nitrogênio que poderá modular o CAM são de grande
importância para o futuro da agricultura. Já existem pesquisas com a proposta de ativar o CAM em
plantas C3 ou mesmo induzir carcaterísticas do CAM em plantas não CAM sejam elas C 3 ou C4. À
exemplo, da planta de interesse para essas pesquisas, podemos citar o Oryza sativa (arroz) que fornece
substâncial alimento aos seres humanos e que possuí o caminho fotossintético C3. Essas plantas em
um futuro podem ter características CAM induzidas e concomitante ter a sua modulação por fonte
nitrogena, melhorando a produtividade, mesmo em condições adversas hídricas e/ou nutricionais.
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Atualmente sabe-se que a luz além de servir como fonte energética para a fotossíntese,
também atua como um sinal que coordena processos fisiológicos importantes para a promoção do
crescimento e o desenvolvimento vegetal. Apesar da importância dos fotorreceptores para a
fotomorfogênese, somente na década de 20, as respostas à luz começaram a ser compreendidas,
através de experimentos realizados com soja (Glycine max (L.) Merr.) e tabaco (Nicotiana tabacum
L.), demonstrando a importância da luz durante a fase reprodutiva dessas espécies.
Outros estudos foram realizados ressaltando a influência da luz em outros processos
fisiológicos como na determinação da floração, da germinação, da síntese de pigmentos
fotossintéticos, da expansão foliar, do crescimento e desenvolvimento das plantas, entre outras
mudanças (fotorrespostas) através da percepção via fotorreceptores, até então desconhecidos.
Sabe-se que os fotorreceptores são moléculas receptoras de luz capazes de perceber os
diferentes comprimentos de onda, em que convertem os sinais luminosos em sinais bioquímicos,
desencadeando alterações fisiológicas. Entretanto, somente a partir de 1952, com estudos de
germinação em sementes de alface sob diferentes pulsos de luz na faixa do vermelho e vermelho-
distante, propuseram que a resposta ao estímulo de luz fosse mediada pelos fotorreceptores.
Assim como para outros estímulos ambientais, a percepção da luz através dos fotorreceptores
desencadeia uma cascata de reações de sinalizações que, geralmente, estão relacionados à
mensageiros secundários (e. g. íons de cálcio (Ca2+)), sinalizações via espécies reativas de oxigênio
e cascatas de fosforilação (adição de grupos fosfato a moléculas). Existem diferentes tipos de
fotorreceptores como os pigmentos fotossintéticos (clorofila e pigmentos acessórios), os
criptocromos, as fototropinas, a família ZEITULU-PE e os fitocromos. Esse último foi descoberto
em 1959 como molécula responsável por desencadear as fotorrespostas em função da qualidade e
quantidade de luz. Sendo assim, neste capítulo daremos foco aos fitocromos por serem os mais
importantes fotorreceptores relacionados à fotomorfogênese.
responsáveis pela absorção de luz, principalmente na região do vermelho (660 nm), vermelho-distante
(730 nm) e na região do azul (440-485). Eles são fundamentais para o ritmo circadiano e a
fotomorfogênese. São comumente encontrados em tecidos meristemáticos sem clorofila, em todas as
plantas terrestres e em algumas outras formas de vida como bactérias, fungos, diatomáceas,
cianobactérias e algas estreptófitas.
A família gênica que codifica as apoproteínas (PHY) apresenta uma grande diversidade,
possibilitando que diferentes espécies vegetais tenham quantidades e tipos distintos de fitocromos.
Por exemplo, Arabidopsis thaliana apresenta em seu genoma cincos genes, sendo eles: AtPHYA,
AtPHYB, AtPHYC, AtPHYD e AtPHYE. Em tomateiro (Solanum lycopersicum L.), encontramos
SlPHYA, SlPHYB1, SlPHYB2, SlPHYE e SlPHYF, em que houve uma duplicação gênica do PHYB.
Enquanto em outras, como G. max (soja) tem quatro GmPHYA, dois GmPHYB e dois GmPHYE
parálogos, enquanto o arroz (Oryza sativa L.). tem apenas três fitocromos, OsPHYA, OsPHYB e
OsPHYC.
Como consequências fisiológicas, essa diversidade gênica desencadeia diferentes
propriedades moleculares, com funções semelhantes ou distintas nos vegetais. Como observado,
AtPHYA está relacionado à percepção de luz ao longo do dia, nas razões entre os comprimentos de
onda do vermelho e vermelho-distante, sendo classificado como instável à luz e, os demais fitocromos
como fotoestáveis.
Figura 1. Esquema da
fotorreversibilidade do fitocromo
em sua forma inativa (Pr) após
absorver a luz vermelha, tornando-
se fisiologicamente ativo (Pfr) e o
mesmo voltando ao estado inativo,
pela absorção do vermelho-
distante.
a seguir algumas respostas em diferentes organismos induzidas pelos diferentes tipos de fitocromos.
Floração fotoperiódica
As plantas ajustam seu tempo de floração detectando mudanças sazonais no fotoperíodo
através de fotorreceptores como os fitocromos. Ao perceber o sinal luminoso (vermelho/vermelho
distante), o fitocromo sinaliza o relógio circadiano e o CONSTANS (CO) (regulador fotoperiódico
da floração), induzindo genes envolvidos na cascata de sinalização até culminar na floração.
Essa regulação via fitocromo ocorre tanto em plantas de dia longo (DL) quando de dia curto
(DC) (Fig. 2). Ao receber luz vermelha, o fitocromo B (PHYB) atrasada a floração em Arabidopsis
devido a degradação do fator chave da floração CONSTANTS (CO). Diferentemente, a luz vermelha
distante em PHYA promove à floração ao estabilizar CONSTANTS (CO). Embora isso ocorra, sabe-
se que o fitocromo B (PHYB) é o mais caracterizado e considerado um dos mais importantes. Estudos
recentes mostram que phyB promove à floração no trigo (Triticum) e controla à de arroz (Oryza sativa
L.), mas inibe em plantas de dia curto como sorgo (Sorghum bicolor (L.) Moench)) e milho (Zea
mays L.). Na soja, a floração é regulada principalmente por PHYA, enquanto PHYB tem um papel
menor. Na alfafa (Medicago sativa L.) e na ervilha (Pisum sativum L.), a floração fotoperiódica é
mediada principalmente por PHYA.
Desestiolamento
Após a emergência do meio de cultivo na ausência de luz, as plântulas apresentam
características de estiolamento que são semelhantes ao escapamento à sombra como plântulas
aclorofiladas, pálidas e com um acentuado alongamento do hipocótilo em busca de luz. Ao migrarem
para uma condição luminosa, os fitocromos e os criptocromos, agem conjuntamente promovendo a
síntese de clorofila, desestiolando as plântulas.
Nictinastia e fotonastia
Esses processos resultam da abertura da folha durante o amanhecer (fotonastia) e
fechamento/dobramento durante à noite (nictinastia). A nictinastia é a resposta de
fechamento/dobramento e abertura das folhas em resposta ao ciclo dia-noite, enquanto a fotonastia é
a resposta de movimento das folhas em direção à luz. Ambas as respostas são mediadas pelo
fitocromo, em que o fitocromo A (PHYA) é mais importante para a fotonastia e o fitocromo B
(PHYB) mais importante para a nictinastia.
Partenogênese fúngica
Os fitocromos presentes nos fungos regulam processos importantes, como germinação de
esporos e redução de espécies reativas de oxigênio, por meio da ação da catalase e superóxido
dismutase. Além disso, foi descoberto que essas proteínas também desempenham um papel na
patogênese durante a colonização do fruto, através da via de sinalização glicerol de alta osmolaridade.
Esse mecanismo de sinalização é ativado em resposta ao estresse osmótico, desencadeando a
produção de glicerol, o que ajuda o fungo a sobreviver em ambientes de alta salinidade ou seca. A
ativação dessa via de sinalização requer a presença de fitocromos fúngicos, que agem como sensores
de luz e iniciam a cascata de sinalização que resulta na produção de glicerol. Além disso, a regulação
da produção de glicerol também pode ajudar na defesa contra agentes patogênicos, como a resposta
imune das plantas à infecção fúngica.
Cutícula em plantas
O surgimento de uma camada lipofílica na superfície dos tecidos vegetais possibilitou a
transição das plantas do ambiente aquático para o ambiente terrestre. Essa inovação evolutiva,
conhecida como cutícula, permitiu a sobrevivência das plantas, evitando a dessecação, ataque à
patógenos, entre outras funções.
Dentre os principais fatores ambientais que afetam o desenvolvimento vegetal, a luz é
fundamental para os processos fotomorfogênicos, como foi apresentado nos tópicos anteriores. A
cutícula por sua vez, é essencial para os tecidos vegetais, principalmente se tratando de frutos
carnosos, sendo depositada desde os estágios iniciais e acumulado após o amadurecimento destes
frutos. Alguns estudos realizados com A. thalia e Z. mays, tem demonstrado que a luz pode ter
influência durante as etapas de biossíntese cuticular, em folhas.
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Fotografia Botânica
.
Equipamentos utilizados para o desenvolvimento desse capítulo
Na tabela 1, é apresentado os equipamentos utilizados para o desenvolvimento desse capítulo.
• Cada fotografia é um trabalho autoral, ou seja, não pode ser copiada, compartilhada ou
utilizada sem a autorização do profissional.
• Se o fotógrafo compartilhou o trabalho em redes sociais e você deseja compartilhar, sempre
faça menção ao autor.
• Nunca faça print do trabalho e edite qualquer item, ainda que alterada, a imagem continua
sendo plágio.
Figura 1. Botões com as funções básicas de uma câmera para fotografia em Modo Manual. Autor da Imagem: Danilo
Zavatin.
Modo Manual
Após selecionar o Modo Manual (A) e verificar que a câmera está nesse modo (C), certifique-
se de que a dioptria (E) está de acordo com seu grau de visão. A dioptria é um botão de rolagem onde
o fotógrafo, olhando no visor óptico, ao rolar o botão vai ajustando a nitidez do foco de acordo com
seu grau de visão. Ao rolar o botão, o fotógrafo vai perceber um desfoque do campo de visão, até
encontrar o campo de visão completamente focado. Esse botão é devido a diferença na visão de cada
pessoa, sendo útil para ajustar o grau, como a função dos óculos.
Exposição
O fotômetro (Fig. 2) é o responsável por informar o Valor de Exposição (EV) de uma foto,
antes mesmo dela ser produzida. O EV é uma unidade de medida universal utilizada na fotografia,
em escala exponencial com valores negativos e positivos. A cada EV a quantidade de luz dobra, ou
seja, se o fotômetro tiver marcando o EV em 1, ao ajustarmos as configurações e o EV mudar para 2,
não é apenas um ponto de luz que aumentou, mas sim, dobrou em relação a quantidade de luz anterior;
e assim respectivamente para valores negativos onde há a redução de luz.
Sendo assim, a Exposição é o valor que mostra o quanto a cena a fotografar está exposta a
luz. É a exposição que informa se a foto, está sub-exposta (mais escura), bem exposta ou superexposta
(mais clara) (Fig. 3).
Figura 3. Fotografia de Lecythis pisonis. Da esquerda para direita: valor negativo do fotômetro gera uma
foto sub-exposta, valor centralizado ou neutro do fotômetro gera foto bem exposta e valor positivo do
fotômetro gera foto superexposta. Autor da Imagem: Danilo Zavatin.
Figura 4. No visor ótico, é possível verificar os valores que representam o ajuste feito para o
obturador, diafragma e ISO. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Obturador
O obturador (Fig. 5) é uma peça que fica na câmera. Esse elemento fica fechado
permanentemente para proteger o sensor e abre para efetuar a foto. O obturador controla por quanto
tempo a luz passará até o sensor. A escala do obturador é expressa em fração de segundos ou
segundos inteiros (Fig. 6) e é o fotógrafo quem define a velocidade. Essa velocidade também é
chamada de tempo de exposição.
Por exemplo, em 1/1000 significa que o obturador vai se abrir por 1 milésimo de segundo, o
que é muito rápido. Já 1/100, significa que a velocidade é de 1 centésimo de segundo, que é mais
lento do que a velocidade anterior. É possível fotografar mais devagar, com velocidade de 1″, 5″, 10″
ou 15″ segundos inteiros.
Além de controlar a luz, a velocidade do obturador traz como resultado imagens de assuntos
rápidos que foram congelados ou de assuntos rápidos que se deseja capturar o caminho desse
movimento e gerar um borrão proposital na imagem (Fig. 7). Na botânica, se usa apenas tempo de
exposição mais curto (velocidades mais rápidas) para obter imagem da planta estática no ambiente
perturbado por vento (Fig. 8). Geralmente, a partir de 1/125 é possível manter estática a imagem de
plantas que estejam sobre ação de vento leve e a partir de 1/250 de vento moderado.
Figura 5. Obturador na câmera. À Esquerda, o obturador está aberto, sendo possível ver o sensor de recepção
de luz. À direita, o obturador está fechado. Autor da imagem: Sony.jp.
Figura 6. Escala em terços de pontos de EV. A partir de 1/125 é possível congelar imagem de plantas sob
ação de vento leve e a partir de 1/250 sob vento moderado a forte. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Figura 7. A velocidade do obturador define o tempo de exposição à luz e os efeitos de borrão ou captura do
caminho percorrido por um objeto ou o efeito de congelamento de um objeto em movimento. (A) Tribo
indígena em Manaus fazendo ritual: o tempo de exposição mais longo (velocidade do obturador mais lenta),
na foto utilizado em 1/60, não foi suficiente para congelar a imagem, gerando um efeito de borrão. (B)
Esponja de aço queimando: o tempo de exposição mais longo (velocidade do obturador mais lenta), na foto
utilizado em 8 segundos, foi o suficiente para capturar todo o movimento das faíscas de luz, desde sua saída
da esponja de aço, seu caminho percorrido, até tocar o chão. (C, D) Criança brincando na chuva: o tempo de
exposição mais curto (velocidade do obturador mais rápido), nas fotos utilizado em 1/800 e 1/640, foi o
suficiente para congelar a imagem dos movimentos da criança e da água. (E) Morcego se alimentando: o
tempo de exposição mais curto (velocidade do obturador mais rápido), na foto utilizado em 1/2000, foi o
suficiente para congelar a imagem do morcego voando. Autor das imagens: Danilo Zavatin.
Diafragma
O diafragma é uma peça que fica na objetiva e controla a quantidade de luz que entra até o
sensor (Fig. 9). Cada objetiva possui um valor de abertura do diafragma diferente. Na câmera, o
diafragma é representado pelo f. Além do controle da luz junto a outras configurações, o diafragma
define a profundidade de campo da foto. Na botânica, quando não dominamos bem o uso do
diafragma, acontece pontos de desfoque em uma flor (como exemplo), com pontos focados e pontos
desfocados na imagem (Fig. 9). Entender o diafragma é muito importante para colocar todas as partes
da flor em foco. Além disso, o diafragma é responsável por desfocar o fundo da imagem.
Figura 9. A esquerda é possível ver o diafragma da objetiva em seu fechamento máximo permitindo a
passagem de luz apenas pelo orifício central. A direita, Barbacenia spectabilis com pontos de foco e
desfoque. As linhas brancas mostram partes da flor que ficaram desfocadas enquanto a amarela, em foco.
Autor da Imagem: Danilo Zavatin.
No diafragma (Fig. 10), os valores maiores representam diafragmas mais fechados, como em
f 32 em seu fechamento máximo. Os valores menores representam diafragma mais aberto, como em
f 1.4 em sua abertura máxima. Quanto mais aberto o diafragma, menor será a profundidade de campo
e quanto mais fechado, maior (Fig. 11).
Figura 10. Da esquerda para direita. O valor mais alto de f representa diafragma mais fechado e como
resultado, maior profundidade de campo na foto. Conforme o valor de f é reduzido, o diafragma vai se
abrindo e como resultado, menor profundidade de campo na foto. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Figura 11. Da esquerda para direita. Hibiscus sp. Quanto mais fechado o diafragma, maior a profundidade
de campo, como em f 22 é possível ver mais nitidamente o solo atrás da flor. Quanto mais fechado o
diafragma, menor a profundidade de campo, como em f 1.4 onde o solo está bastante desfocado. Autor da
imagem: Danilo Zavatin.
Morfologia da planta
Cada planta possui morfologia específica, portanto ao fotografar é preciso analisar a
morfologia da planta, a luz do ambiente e o objetivo da profundidade de campo: mostrar mais
detalhes, ou esconder algo com desfoque por exemplo. No exemplo abaixo (Fig. 12) as plantas
estavam no mesmo ambiente, ou seja, com as mesmas condições de luz; após o ajuste das
configurações para a luz adequada, o fotógrafo manteve a abertura do diafragma igual para as três
plantas: f 2.8.
Apesar do ambiente ter a mesma luz e o diafragma ter sido usado igual para as três fotos, o
resultado foi diferente. Isso ocorreu devido a morfologia. Para entender como trabalhar o diafragma
de acordo com a morfologia, é preciso entender que a flor é um assunto tridimensional. Se o diafragma
resulta a profundidade de campo, precisamos entender quão profunda é a morfologia da planta
fotografada, ou quão tridimensional é.
Na figura 12, a imagem A e B correspondem as Bromélias. Grande parte das Bromélias
possuem morfologia em roseta. Nas fotos em vista frontal ao plano das rosetas, ao utilizar a abertura
f 2.8 (diafragma mais aberto e profundidade de campo menor) foi capturado apenas a parte frontal da
inflorescência, desfocando as demais partes da inflorescência. Em C, em Delphinium elatium, usar a
abertura f 2.8 capturou toda a inflorescência em foco e desfocou o fundo. Esse resultado é
consequência da morfologia das plantas, se pudéssemos medir uma escala tridimensional, poderíamos
certamente afirmar que as plantas A e B são muito mais tridimensionais que a planta C.
Se desejamos focar toda a inflorescência das Bromélias, o ideal é fechar mais o diafragma
(Fig. 13).
Figura 12. (A, B). Bromélias. (C) Delphinium elatium. Todas as fotos foram feitas no mesmo lugar, sob
mesma condição de luz e mesmo valor de diafragma, mas com resultados diferentes. Autor da imagem:
Danilo Zavatin
Figura 13. Bromélia. Para obter foco em todas as partes da inflorescência é preciso considerar a morfologia
tridimensional da planta: quanto mais tridimensional a planta, é necessário maior profundidade de campo
(= diafragma mais fechado). Na imagem, as linhas amarelas representam possíveis ajustes no diafragma
para que as demais partes pudessem ter sido focadas. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Distância focal
Quanto menor a distância focal da objetiva em relação a planta, maior será a profundidade de
campo ou quanto maior a distância focal da objetiva, menor a profundidade de campo (Fig. 14). Em
resumo: A distância focal define o enquadramento do quanto de informação cabe dentro de uma
fotografia: uma objetiva de 35 mm vai comportar mais informações dentro da foto, como os ramos,
folhas e flores enquanto uma objetiva de 100 mm irá enquadrar somente a flor.
Figura 14. Vitex polygama. Da esquerda para direita. Com a objetiva em 35 mm se obtém maior profundidade
de campo com mais informações dentro da foto e desfoque médio do plano de fundo. Em 55 mm, há menor
profundidade de campo com menos informações dentro da foto e desfoque moderado do plano de fundo. Em
100 mm, há a menor profundidade de campo, com menos informação dentro da foto (apenas uma flor) e desfoque
severo do plano de fundo. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Distância do objeto
A distância em que o fotógrafo está do objeto também altera a profundidade de campo. Quanto
mais próximo a planta, menor será a profundidade de campo e quanto mais distante da planta, maior
a profundidade de campo (Fig. 15). Como exemplo nessa imagem, ao fotografar Justicia riparia sob
mesma condição de luz, mesma abertura do diafragma e mesma distância focal, obteve-se resultado
diferente devido à distância do fotógrafo em relação a planta.
Figura 15. Justicia riparia. Em mesma condição de luz, mesma configuração de diafragma e mesma
distância focal obteve-se resultados diferentes entre (A) e (B). A única coisa que mudou de uma imagem
para outra foi a posição do fotógrafo: em (A) mais próximo a flor e em (B) mais distante.
Figura 16. Petrea subserrata. Parâmetros na foto: diafragma f 2.8, distância focal em 65 mm e distância
do objeto de 1 metro. Resultado: menor profundidade de campo. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Figura 17. Petrea subserrata. Parâmetros na foto: diafragma f 22, distância focal em 100 mm e distância
do objeto de 2 metros. Resultado: maior profundidade de campo. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
ISO
O ISO (Fig. 18) é a medida que indica a sensibilidade do sensor da câmera à luz do ambiente,
ou seja, quanto maior o valor do ISO, maior sensibilidade à luz, e quanto menor o valor do ISO,
menos luz é percebida pelo sensor. A cada vez que o ISO é aumentado, a sensibilidade do sensor a
luz dobra em relação a luz percebida anteriormente (ver fig. 1 e 4 para entender onde a informação
do ISO fica disponível na câmera). O ISO reflete diretamente na qualidade da foto: quanto menor o
ISO, mais qualidade a foto terá e quanto maior o ISO, menor a qualidade.
Figura 18. Escala de ISO. Quanto menor o valor do ISO, menos sensível à luz está o sensor da câmera e
resultará em foto de maior qualidade. Quanto maior o ISSO, mais sensível à luz está o sensor da câmera e
resultará em foto de menor qualidade. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Veremos a diferença entre fotos feitas com ISO baixo e ISO alto. Na figura 19, a Barbacenia
spectabilis foi fotografada com ISO 100, ou seja, pouco sensível a luz e com preservação de maior
qualidade da imagem. Entretanto, olhando a imagem à distância nem sempre é possível perceber a
dimensão de sua qualidade, mas ao ampliar, é notável a preservação de detalhes em alta qualidade
(Fig. 20). Quando fotografamos com o ISO alto, como na Figura 21, com Siphocampylus nitidus
fotografado em ISO 3200, apesar da imagem mais ampliada mostrar com clareza a foto, ao ampliar,
percebe-se o ruído e consequente perda da qualidade da imagem, visível na Figura 22.
Figura 19. Barbacenia spectabilis. Utilizou-se ISO 100, pouco sensível à luz, mas com preservação da
qualidade da imagem. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Figura 20. Barbacenia spectabilis. Em ampliação, é possível ver os detalhes das glândulas do escapo
floral.
Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Figura 21. Siphocampylus nitidus. Utilizou-se ISO 3200, muito sensível a luz, mas com perda na
qualidade da imagem. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Resumo
Fotografia é luz!
É preciso entender as configurações e parâmetros para o aproveitamento da luz em diferentes
ambientes, sejam eles muito escuros ou claros.
Obturador
Controla por quanto tempo a luz vai entrar até o sensor. É ele que define o movimento de
arraste ou congelamento de uma imagem.
Diafragma
Controla a quantidade de luz que vai entrar até o sensor. É ele que define a profundidade de
campo de uma imagem.
ISO
Controla a sensibilidade à luz. É ele que define a qualidade da imagem.
Triângulo de Exposição
Já entendemos que os três pilares da fotografia são: o obturador, diafragma e o ISO. A
velocidade do obturador, na botânica é sempre utilizado em uma velocidade que consiga congelar
qualquer sinal de trepidação da planta, mas afinal, por que as vezes se usa velocidade mais baixa? Se
ao fotografar uma planta com diafragma mais aberto, desfoca o fundo e realça a planta, por que usar
o diafragma mais fechado? Se o ISO mais baixo garante a qualidade da imagem, por que usar ISO
baixo e perder a qualidade?
Quando estamos em um ambiente com condições desfavoráveis, como pouca luz ou muito
vento, precisamos de mais ajustes para conseguir uma boa foto. Ambientes severamente sombreados
como as florestas, são desafiadores para produzir uma imagem em pouca luz. Já em áreas abertas,
como o Cerrado ou áreas litorâneas, pode haver luz em excesso, mas muito ruído provocado pelo
vento.
O triângulo de exposição (Fig. 23) é um triângulo de prioridade de cena, ou seja, diante de um
desafio no ambiente, o triângulo de exposição auxilia na ordem e prioridade das configurações que
devem ser alteradas na câmera na tentativa de obter a melhor foto. Diante de cenários desfavoráveis,
priorize alterar as configurações da câmera na ordem do triângulo: 1, 2 e 3.
Figura 23. Triângulo de exposição. Para realizar os ajustes de compensação de luminosidade deve-se seguir a
prioridade de ajustes (1-2-3) a fim de obter uma imagem equilibrada em condições desfavoráveis. Autor da
imagem: Danilo Zavatin.
Vento
Se o ambiente estiver com vento ao ponto de trepidar a planta, a prioridade de ajuste é a
velocidade do obturador (1). Nesse caso, quanto mais rápido a velocidade do obturador, melhor será
o congelamento da imagem. Se aumentar a velocidade representa luz entrando por menos tempo e o
fotômetro indicar imagem sub-exposta, tente equilibrar uma velocidade do obturador no limiar, onde
seja possível congelar a imagem sem deixar a imagem escura. Se mesmo assim, ainda não foi possível
o ajuste, basta seguir a lógica do triângulo de exposição e ajustar a abertura do diafragma (2) e o ISO
(3) se necessário.
Figura 24. (A) Macropeplus ligustrinus. Flores claras precisam de um fotômetro negativo pois a própria
cor da flor refletirá a luz e trará uma superexposição. (B) Aristolochia gigantea. Flores escuras precisam de
um fotômetro positivo pois a própria cor da flor absorverá a luz e trará uma subexposição. Autor da imagem:
Danilo Zavatin.
Foco
Para entender o que o fotógrafo quer que seja fotografado a câmera busca contraste na cena.
Sem contraste, muitas vezes a objetiva fica buscando, escutamos o motor da câmera se esforçando,
mas mesmo apertando o botão para disparar, a câmera sequer aceita registrar a foto. Isso acontece
quando a cena não oferece contraste suficiente e a câmera não entendeu qual assunto é importante. O
contraste é relativamente fácil de resolver, seja mudando a posição do fotógrafo, a posição da planta
ou adicionando algum recurso simples, como um tecido preto (Fig. 25). Na botânica, os principais
problemas de contraste são: contraste de cores semelhantes entre a planta fotografada e o fundo e
contraste de formato da planta fotografada semelhante ao formato do fundo (Fig. 26).
Figura 25. Exemplo de problemas típicos de contraste em plantas. (A) Planta verde com fundo verde
causado por vegetação ao fundo. (B) Adicionando um tecido preto ao fundo, mudando a posição da foto
ou mudando a posição da planta, cria-se o contraste. (C) Planta alva com fundo alvo (contra o céu ou solo
claro). (D) Adicionando um tecido preto ao fundo, mudando a posição da foto ou mudando a posição da
planta, cria-se o contraste. (E) Flores escuras em ambiente escuro. (F) Mudando a posição do fotógrafo,
da planta ou adicionando tecido claro ao fundo, cria-se o contraste. (G) Falta de contraste por forma.
Planta herbácea ou arbustiva à frente de outras plantas herbáceas ou arbustivas. (H) Removendo a planta
e posicionando em um local sem plantas ao fundo, ou adicionando um tecido preto, cria-se o contraste.
Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Figura 26. Típicos problemas na botânica para se obter foco por falta de contraste. (A) Roupala montana.
Problema de contraste de cor e forma. (B) Bomarea edulis. Problema de contraste de forma. (C) Mucuna
pruriens. Problema de contraste de cor. (D) Austroeupatorium inulaefolium. Problema de contraste de cor.
Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Fundo infinito
O fundo infinito (Fig. 27) é uma técnica bastante útil e de muita qualidade estética para uso
na botânica. A técnica precisa do uso do flash, mesmo o flash que já vem na câmera é suficiente. Os
principais ajustes para o sucesso dessa técnica são: a posição da flor a fotografar, o ajuste das
configurações e o uso do flash.
Figura 27. Musa sp. O fundo infinito retira toda a cena atrás da planta, realçando sua percepção em detalhes.
Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Fotografe durante o dia, de preferência de manhã ou pela tarde. Fique em uma posição que
garanta que não há nada próximo atrás da flor. Com as configurações ajustadas, bata a foto. (Fig. 28).
Figura 28. Paubrasilia echinata. Com as configurações pré-ajustadas, ao fazer a foto, o flash disparará sobre a
flor e atrás dela não haverá conteúdo para retornar a câmera, produzindo o fundo infinito. Autor da imagem:
Danilo Zavatin.
Se o fundo não ficar totalmente preto, ajuste as configurações seguindo a ordem do triângulo
de exposição (Fig. 23). Para um fundo infinito mais homogêneo, é importante pensar que o flash
oferece uma quantidade de luz significativa à flor, nesse caso, não queremos iluminar o ambiente que
a flor está, nem resolver problemas relacionados a cena; o interesse é registrar apenas a flor, por isso
é interessante iniciar com uma fotografia ultrarrápida, com a velocidade do obturador em 1/200 ou
ainda chegando até 1/2000, a depender dos ajustes necessários.
Já o diafragma mais fechado (f 14 por exemplo) funciona melhor em fotos de plantas com
flash pois não nos interessa mais pensar na profundidade de campo se a ideia é não ter profundidade
nenhuma visível na foto. O diafragma mais fechado produz o efeito de focar melhor os detalhes da
planta, enquanto o diafragma mais aberto cria pontos de desfoque nas plantas (Fig. 29), mesmo com
flash. O ISO deve ser mantido em 100 pois se o flash dispara uma quantidade grande de luz sobre a
flor, devemos manter o sensor da câmera pouco sensível a captação dessa luz. Se o resultado final
apresentar pontos desfocados indesejados, é preciso fechar o diafragma ou tomar mais distância da
flor (ver tópico: tabela de equilíbrio da profundidade de campo).
Figura 29. Bixa orellana. Em (A) o resultado apresentou vários pontos de desfoque. Ao fechar o diafragma,
em (B) o problema foi resolvido.
Figura 31. Oxalis triangularis. Devido a tridimensionalidade da planta, é possível traçar três planos
imaginários. O flash (linha amarela) incidiu no primeiro plano e gerou sombra nos demais. Na imagem à
direita, as setas amarelas indicam os pontos de sombra indesejados. É possível ver sombra também no
escapo floral posterior, gerado pela posição das flores em primeiro plano. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Para resolver a tridimensionalidade das plantas e conseguir um bom fundo infinito, basta
mudar a posição da fotografia, garantindo que não há muita informação que gere diferentes planos
atrás da flor (Fig. 32).
Figura 33. Manettia gracilis. A vegetação atrás da planta comprometeu o fundo infinito.
Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Figura 34. Schlumbergera russeliana. O barranco atrás da planta comprometeu o fundo infinito. Autor da
imagem: Danilo Zavatin.
Em campo, a solução mais viável é o uso do tecido preto, fosco e que não amasse. O tecido
pode ser colocado mais distante da planta ou mesmo como suporte da própria planta. Caso seja
colocado mais distante da planta, o fundo infinito será produzido. Se o tecido preto for utilizado como
suporte, há a vantagem de “modelar” o formato da planta, abrindo suas folhas e ajustando
esteticamente a disposição das partes, sem que as folhas fiquem sobrepostas, realçando as flores,
contudo a trama do tecido será registrada, sendo necessário edição em software para remover a trama
e preservar o fundo preto (Fig. 35).
Outra opção boa é um papel preto fosco, especialmente para partes menores como as flores.
O papel não tem trama à ser capturado pela câmera, mas também demandará edição para remover a
textura de fundo. Em campo, o papel não é útil devido ao desgaste.
Figura 35. (A, B) Cariniana estrellensis. (C, D) Nymphaea rubra. Plantas colocadas sobre tecido e com
fundo editado posteriormente. Autor da imagem: Danilo Zavatin.
Introdução
A União Internacional de Conservação da Natureza (em inglês: International Union for
Conservation of Nature – IUCN) é uma união de membros composta exclusivamente por
organizações governamentais e da sociedade civil. Criada em 5 de outubro de 1948, a IUCN é agora
a maior e mais diversificada rede ambiental do mundo, aproveitando o conhecimento, os recursos e
o alcance de nossas mais de 1.400 organizações membros e 15.000 especialistas. Essa diversidade e
experiência fazem da IUCN a autoridade global sobre o status e as medidas necessárias para protegê-
lo com abordagens conservacionistas (ver <https://www.iucn.org/about-iucn/history>).
Inicialmente a IUCN concentrava esforços para examinar o impacto das atividades humanas
na natureza e seus efeitos, e os efeitos nocivos dos pesticidas. Entre as principais contribuições
destacou-se o uso de avaliações de impacto ambiental. Atualmente a avaliação de impacto ambiental
se tornou uma norma para muitos setores e indústrias e constitui aspectos fundamentais das políticas
e legislação em vários países. Nas décadas subsequentes, nos anos de 1960 e 1970, a IUCN começou
dedicar a proteção das espécies e ambientes. Em 1964 a IUCN publicou a primeira Lista Vermelha
de Espécies Ameaçadas, e desde então se tornou a fonte global de informações para conservação de
espécies, estabelecendo diretrizes para biologia da conservação. Outros aspectos importantes da
IUCN foi a criação e apoio as convecções internacionais voltadas para conservação e debate público
sobre os temas relacionados.
A IUCN foi fundamental para a criação de importantes convenções internacionais, incluindo a
Convenção de Ramsar sobre Zonas Úmidas (1971), a Convenção do Patrimônio Mundial (1972),
a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (1974) e a Convenção sobre
Diversidade Biológica (1992). Em 1980, a IUCN, o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA) e o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) publicaram a Estratégia
Mundial de Conservação, que ajudou a definir o conceito de 'desenvolvimento sustentável' e assim
moldou a agenda global. Uma versão subsequente da estratégia, Caring for the Earth, foi publicada
pelas três organizações no período que antecedeu a Cúpula da Terra de 1992. Serviu de base para
a política ambiental internacional e orientou a criação das Convenções do Rio sobre biodiversidade
(CBD), mudança climática (UNFCCC) e desertificação (UNCCD).
Desde 1999 a IUCN é considerada pela ONU o observador oficial dos temas relacionados a
conservação, meio ambiente e mudanças climáticas. Uma revisão mais detalhada sobre os impactos
das resoluções da IUCN nos esforços internacionais de conservação pode ser encontrada em
<https://portals.iucn.org/library/node/10093>.
Dentre as inúmeras ações da IUNC, nesse capítulo iremos focar na Lista Vermelha. Desde
que a primeira Lista Vermelha foi lançada em 1964, não só os métodos foram aprimorados, mas
também os dados sobre a biodiversidade, principalmente sobre a ocorrências das espécies
aumentaram significativamente. A última Lista Vermelha Global foi publicada em 2022 e nela
chegamos ao marco de 42108 espécies ameaçadas e 150388 espécies avaliadas.
CR: 5336
VU: 9376
Figura 2: Interface do ConservaFlora: Painel de Dados do CNCFlora sobre Espécies da Flora Brasileira de
Extinção (1 de outubro de 2022). Fonte: ConservaFlora.
Uma espécie (ou táxon) é categorizada como Extinta quando não há dúvida razoável de que o
último indivíduo dessa espécie morreu. Uma espécie é considerada extinta quando levantamentos
exaustivos em habitats conhecidos e/ou esperados, em momentos apropriados (diurno, sazonal,
anual), em toda sua distribuição histórica, não registraram nenhum indivíduo. As pesquisas devem
ter sido realizadas em intervalo de tempo apropriado para os ciclos de vida e a forma de vida do
táxon.
Uma espécie (ou táxon) é categorizada como Extinta na Natureza quando se sabe que os últimos
indivíduos sobrevivem apenas em cultivo, em cativeiro ou como uma população (ou populações)
naturalizada sabidamente fora da distribuição histórica. Uma espécie é considerada Extinta na
Natureza quando pesquisas exaustivas em habitats conhecidos e/ou esperados, em momentos
apropriados (diurno, sazonal, anual), em toda sua distribuição histórica, não registraram nenhum
indivíduo. As pesquisas devem ser realizadas em um intervalo de tempo apropriado ao ciclo de
vida e à forma de vida do táxon.
Uma espécie (ou táxon) é categorizada como Criticamente em Perigo quando a melhor evidência
disponível indica que ela atende a qualquer um dos critérios de A a E para Criticamente em Perigo
e, portanto, considera-se que esteja sob risco extremamente alto de extinção na natureza.
EM PERIGO – EN (Endangered)
Uma espécie (ou táxon) é categorizada como Em Perigo quando a melhor evidência disponível
indica que ela atende a qualquer um dos critérios de A a E para Em Perigo e, portanto, considera-
se que esteja sob risco muito alto de extinção na natureza.
VULNERÁVEL – VU (Vulnerable)
Uma espécie (ou táxon) é categorizada como Vulnerável quando a melhor evidência disponível
indica que ela atende a qualquer um dos critérios de A a E para Vulnerável e, portanto, considera-
se que esteja sob risco alto de extinção na natureza.
Uma espécie (ou táxon) é categorizada como Quase Ameaçada quando foi avaliada pelos critérios,
mas não se qualificou como Criticamente em Perigo, Em Perigo ou Vulnerável neste momento,
estando, porém, próximo ou passível de ser categorizada em uma das categorias de ameaça em um
futuro próximo.
Uma espécie (ou táxon) é categorizada como Menos Preocupante quando foi avaliada de acordo
com os critérios e não se qualificou como Criticamente em Perigo, Em Perigo, Vulnerável ou Quase
Ameaçada. Táxons de ampla distribuição e abundantes são geralmente incluídos nesta categoria.
Uma espécie (ou táxon) é categorizada em Dados Insuficientes quando não há informações
adequadas para fazer uma avaliação direta ou indireta de seu risco de extinção com base em sua
distribuição e/ou status populacional. Um táxon nesta categoria pode ser bem estudado e ter sua
biologia bem conhecida, mas faltam dados apropriados sobre abundância e/ou distribuição. A
insuficiência de dados não é, portanto, uma categoria de ameaça. A inclusão nesta categoria indica
que mais informações são necessárias e reconhece que pesquisas futuras poderão demonstrar que
a inclusão em categorias de ameaça é apropriada. É importante fazer uso positivo de todos os dados
disponíveis. Em muitos casos, deve-se ter muito cuidado ao escolher entre DD e uma categoria de
ameaça. Se houver suspeita de que a distribuição de um táxon é relativamente restrita, ou se houver
transcorrido um tempo considerável desde o último registro do táxon, um status de ameaça pode
muito bem ser justificado.
Um táxon é categorizado como Não Avaliado se ainda não foi avaliado em relação aos critérios.
Critérios e subcritérios
Os critérios (Tabela 2) usados para determinar em qual das categorias de ameaça um táxon
(espécie ou subespécie) se enquadra como ameaçado nas categorias CR, EN e VU, são com base nos
limites quantitativos de parâmetros como: (i) redução populacional, (ii) distribuição geográfica e (iii)
tamanho populacional. Entretanto, alguns critérios utilizam das combinações desses parâmetros, de
um o mais deles. Alguns dos critérios inclui subcritérios, esses são usados como justificativa (essas
justificativas normalmente são as ameaças) para a classificação de um táxon em determinada
categoria.
Tabela 2. Síntese dos critérios e suas aplicações (IUCN 2001, 2012b,c 2022).
A. Redução do Tamanho Populacional (medida ao longo de 10 anos ou 3 gerações, o que for mais longo) baseado
em uma de A1 a A4.
Criticamente em Em Perigo Vulnerável
Perigo
A1 ≥ 90% ≥ 70% ≥ 50%
A2 ≥ 80% ≥ 50% ≥ 30%
A1 Redução da população observada, estimada, inferida ou (a) Observação direta
suspeitada de ter ocorrido no passado, sendo as causas da (exceto A3);
redução claramente reversíveis E compreendidas E
tenham cessado.
(b) índice de
abundância apropriado
A2 Redução da população observada, estimada, inferida ou para o táxon;
suspeitada de ter ocorrido no passado, sendo que as
causas da redução podem não ter cessado OU não serem (c) declínio na área
baseado em um de ocupação, extensão de
compreendidas OU não serem reversíveis.
ou mais dos ocorrência e/ou qualidade
A3 Redução da população projetada ou suspeitada de seguintes itens: do habitat;
ocorrer no futuro (até um máximo de 100 anos). [(a) não
pode ser usada para A3] (d) níveis reais ou
potenciais de exploração;
A4 Redução da população observada, estimada, inferida,
efeitos de táxons
projetada ou suspeitada, sendo que o período deve
introduzidos, hibridação,
incluir tanto o passado quanto o futuro (até um máximo
patógenos, poluentes,
de 100 anos no futuro), e as causas da redução podem
competidores ou
não ter cessado OU não serem compreendidas OU não
parasitas;
serem reversíveis.
B. Distribuição geográfica restrita e apresentando fragmentação, declínios ou flutuações
Criticamente em Em Perigo Vulnerável
Perigo
B1 Extensão de ocorrência (EOO) < 100 km2 < 5.000 km2 < 20.000 km2
B2 Área de ocupação (AOO) < 10 km2 < 500 km2 < 2.000 km2
E pelo menos duas das seguintes
condições:
(a) População severamente =1 ≤5 ≤ 10
fragmentada, OU número de
localizações condicionadas à ameaça
(b) declínio continuado observado, estimado, inferido ou projetado em: (i) extensão de ocorrência; (ii) área de
ocupação; (iii) área, extensão e/ou qualidade do habitat; (iv) número de localizações condicionadas à ameaça ou
subpopulações; (v) número de indivíduos maduros.
(c) flutuações extremas em: (i) extensão de ocorrência; (ii) área de ocupação; (iii) número de localizações
condicionadas à ameaça ou subpopulações; (iv) número de indivíduos maduros.
C. Tamanho da população pequena e em declínio
Criticamente em Em Perigo Vulnerável
Perigo
Número de indivíduos maduros < 250 < 2.500 < 10.000
É importante lembrar que os critérios são inferidos com base no conhecimento, Observado,
Estimado, Projetado, Inferido e Suspeitado, usado para se referir à natureza da evidência. É preciso
prestar atenção sobre a qualidade dos dados, pois alguns critérios possuem requisitos mínimos
específicos de qualidade de dados. Alguns critérios só aceitam dados inferidos, suspeitados (Critério
A), por exemplo. Na tabela 3, estão os requisitos mínimos de qualidade de dados. Para melhorar a
compressão da qualidade dos dados revisitar IUCN (IUCN 2001, 2012b,c, 2022).
Tabela 3. Requisitos mínimos de qualidade de dados para os critérios A-E (extraído de IUCN 2022)
Critério Parâmetro Qualidade
A Redução populacional suspeitado
B Área de ocupação (AOO) estimado
B Extensão de ocorrência (EOO) estimado
B1b, B2b Declínio continuado em EOO; AOO; área, extensão e/ou qualidade do habitat; número inferido
de localizações condicionadas à ameaça ou subpopulações; número de indivíduos
maduros
C, D Número de indivíduos maduros estimado
C1 Declínio continuado estimado estimado
Figura 04: Passiflora ita em seu habitat na Serra do Padre Ângelo, Minas Gerais, Brasil (Foto: Paulo
Gonella).
Critério A: Baseado na premissa que já citamos acima, que não temos informações populacionais
para aplicação desse critério, poderíamos classificar como DD (como exemplificado em Formigoni
et al. 2019).
Observa-se, que o caso do nosso táxon permite inferir esse critério e até mesmo quantificá-lo.
Para tal, existem os critérios B1 e B2 e subcritérios a), b) e c) de B1 e B2. B1 corresponde a EOO
(Área de Extensão de Ocorrência) e B2 a AOO (Área de Ocupação).
Então, o próximo passo é calcular a EOO e AOO, para isso, deve-se utilizar a ferramenta do
GEOCAT < https://geocat.kew.org/editor > para realizar este cálculo. Embora este cálculo pode ser
realizado em outros programas de SIG’s. É preciso construir uma planilha csv. das coordenadas
geográficas do táxon em estudo (ver modelo no GEOCAT). Após fazer upload no sistema do
GEOCAT, irá calcular o polígono mínimo convexo e disponibilizar/oferecer á área da EOO em km2.
O sistema do GEOACAT está padronizado com os critérios da IUCN, então automaticamente ele
oferece a categoria da EOO. Mas manualmente, com a soma da EOO em km2 seria necessário
consultar as regras dos critérios da IUCN. Em que á área da EOO, < 100 km2 (Categoria CR), < 5.000
km2 (EN), < 20.000 km2 (VU) (ver tabela 1, figura 5).
No caso da P. ita á área da EOO = 3.362 km2, ou seja, maior que 100km2 e menor que 5.000
km2= EN. Então para o critério B1, P. ita é avaliada com EN (Figura 05).
Agora, prosseguindo para o critério B2: Área de ocupação (AOO), calculada com base área
de 2x2km2, a mais usual para plantas vasculares (ver Formigoni e literatura citada). Aqui é
considerado o número de localidades e a fragmentação dessas localidades. E consideramos uma
localidade á área de 4km2 de onde táxon vive ou foi amostrado. Então para aplicar o critério B2a deve
se calcular a soma da área do número de localidades: <10 km2 (CR), < 500 km2 (EN) e < 2.000 km2
(VU) (ver tabela 1).
No caso de P. ita, a soma da AOO em é de 44 km2. Então para o critério B2b, P. ita é EN
(Figura 05).
Por fim, para Passiflora ita, foram avaliados os critérios, A, D, e C. O critério que apresentou
maior ameaça foi o Critério B, logo este é o mais inclusivo, ele deve ser utilizado para categorizar a
espécie. Ou seja, posso representar essa análise da seguinte forma: Passiflora ita [B1ab(iii)+2ab(iii)
= EN]. Entretanto, é importante que todo cientista e analista que estiver no processo de avaliação,
tem que ao final gerar para cada táxon uma discussão com justificativas para aquele resultado, no
caso de P. ita ver Mezzonato-Pires et al. (2021). Aqui as informações e conhecimento do taxonomista
ou analista é importante, principalmente sobre a condições do habitat da espécie (Figura 6).
Figura 05: Interface web do GEOCAT. EEO e AOO de Passiflora ita calculadas usando células quadráticas
de 2x2 km. Nota-se que o sistema oferece perspectiva do uso e ocupação do solo. Fonte GEOCAT.
Figura 6: Fogo como principal ameaça ao habitat e a AOO de Passiflora ita. Serra do Padre Ângelo,
Conselheiro Pena, Minas Gerais (Foto: Gabriele Andreia).
Figura 7: Interface de visualização para avaliação e aplicação dos critérios da IUCN no sistema Ameaçadas
ES. Fonte: Ameaçadas ES.
O critério B1: O Táxon possui 391,35 km2 (Figura 8), ou seja, mais que 100km2 e menor que
< 5.000 km2 (Tabela 02). Para esse critério a categoria é EN.
O critério B1 subcritério a: De acordo com a (Figura 8), a EOO possui 3 localidades (Figura
09), menor que 5. Para esse critério a categoria é EN.
O critério B1 subcritério b: lembrando que pode ser inferido com base na observação ou
quantificável. Aqui a extensão de ocorrência estava fragmentada em mais de 60%, causando declínio
na extensão de ocorrência e na qualidade de habitat (Figura 9).
O critério B2: O Táxon possui 12,00 km2, ou seja, mais que 10km2 e menor que < 500 km2
(Tabela 01). Para esse critério a categoria é EN.
O critério B2 subcritério a: De acordo com a figura 10, a AOO contabilizada em 3 localidades,
menor que 5. Para esse critério a categoria é EN.
O critério B2 subcritério b: lembrando que pode ser inferido com base na observação ou
quantificável. Aqui a área de ocupação estava fragmentada em mais de 40%, causando declínio na
AOO e na qualidade de habitat (Figura 10, 11).
Figura 10: Interface para aplicação do critério B2. Fonte: Ameaçadas ES.
Figura 11: Interface da AOO de 2x2km de Aphelandra claussenii. Fonte: Ameaçadas ES.
Ameaças
Em todo o processo de avaliação e aplicação dos métodos (critérios) da IUCN é preciso
quantificar ou qualificar o habitat e as ameaças existentes a sobrevivência dos táxons, no caso aquela
antrópicas. Mas também existe as ameaças naturais, causadas por eventos adversos (ver aplicação no
Critério C, IUCN 2001, 2022).
Mas, sobre as ameaças antrópicas, elas podem ser inúmeras e a maioria está associado a perda
de habitat. Em Fraga et al. (2019) foram consideradas por exemplo: desastre de Mariana, áreas
edificadas, extração mineral, decremento florestal, pastagem, solo exposto, incêndios, licenciamento
ambiental e títulos minerários como principais ameaças a Flora Capixaba.
Martinelli & Moraes (2013) mostram que as ameaças mais comuns a flora do Brasil são:
Agricultura, silvicultura, manejo de áreas não agrícolas, extração de recursos naturais, infraestrutura
e desenvolvimento, espécies invasoras (impacto direto ao hábitat), mudanças na dinâmica de espécies
nativas (impacto direto ao hábitat) e fogo. Na Amazônia Legal por exemplo, o agronegócio tem se
tornado a maior ameaça a conservação da biodiversidade.
Globalmente, a IUCN elenca: (i) Agricultura, (ii) infraestrutura e desenvolvimento comercial
– área urbanas, (iii) produção de energia, (iv) supressão da vegetação – fogo, entre inúmeras outras.
Considerações Finais
Avaliação e a revisão de Listas Vermelhas é uma tarefa contínua. Além das Lista Vermelhas,
existem os Planos de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção
(PANs), que são instrumentos importantes para garantir que as espécies saem dessas listas. Os PANs
promovem o desenvolvimento sustentável, a pesquisa, a educação ambiental, a conservação dos
ecossistemas, a recuperação populacional e, consequentemente a diminuição do risco de extinção das
espécies. Outro aspecto importante são as Unidades de Conservação (Áreas Protegidas) que garantem
a proteção principalmente das espécies ameaçadas, oferecendo viabilidade para as populações.
Em um mundo ideal, no futuro, todos os estados da federação brasileira precisam ter suas
listas vermelhas regionais para garantir uma melhor proteção da biodiversidade. Nosso papel como
botânicos, taxonomistas, sistematas e ecologistas, é de que precisamos melhorar o conhecimento da
distribuição das espécies e da delimitação taxonômica dos táxons de nossas expertises, e oferecer
nossas avalições preliminares como especialistas da biologia das espécies. Assim para que a
construção e revisão das Listas Vermelhas sejam mais rápidas e eficientes nos próximos anos.
Agradecimentos
Os autores agradecem a Gustavo Brito Bortolan e Diego Ferreira da Silva pela leitura e os
valiosos comentários ao texto. RSR agradece a CAPES. “O presente trabalho foi realizado com
apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) -
Código de Financiamento 001”. HAC agradece ao CNPq pela bolsa de doutorado.
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