Importância da consulta farmacêutica para a população em
uso de medicamentos e seus fatores.
Danilo Andrade
A atividade clínica farmacêutica é um conceito ainda muito novo na
nossa cultura, por essa e outras variáveis, a ideia de dar mais atribuições
clínicas para o profissional farmacêutico é confrontada por várias barreiras de
natureza cultural e de interesses comerciais. As farmácias são na maioria das
vezes a primeira escolha da comunidade para a solução de um problema de
saúde. Ainda hoje, o comércio e dispensação de medicamentos em farmácias
comunitárias compõem um cenário de frequente falta de domínio por parte
dos profissionais que nela atuam e muitas vezes pela ausência de um
farmacêutico de plantão.
A utilização de medicamentos é a forma mais comum de tratamento na
nossa sociedade. Pesquisas apontam para fatores que influenciam
negativamente para o sucesso da terapia medicamentosa, dentre esses
fatores temos o uso irracional de medicamentos, a taxa de mortalidade
relativa ao uso de MIPS, o uso irracional de substancias antimicrobianas e
etc.
Para desenvolver a atenção farmacêutica e aumentar a chance de
sucesso das terapias com medicamento, foram criados alguns projetos de leis
para direcionar as farmácias para um rumo mais clínico, como exemplo temos
a lei 13.021/2014 que engrandece a farmácia como estabelecimento de
saúde e atribui caráter clínico ao serviço farmacêutico. A resolução nº 585, de
29 de agosto de 2013 é um marco importante para o rumo clínico das
farmácias por definir e estruturar as atividades farmacêuticas nesse sentido.
De acordo com a resolução nº585/13, a consulta farmacêutica é o
atendimento realizado pelo farmacêutico ao paciente, respeitando os
princípios éticos e profissionais, com a finalidade de obter os melhores
resultados com a farmacoterapia e promover o uso racional de medicamentos
e de outras tecnologias em saúde. A consulta farmacêutica é a principal
atividade clínica desenvolvida em farmácias comunitárias, pois é através dela
que o farmacêutico cria um vínculo de cuidado e redireciona a farmacoterapia
do paciente de acordo com suas necessidades e com base na entrevista
clínica.
A consulta farmacêutica se realizada de acordo com os padrões
estabelecidos na resolução 585/13 e em protocolos de saúde, ela pode ser a
diferença entre uma terapia medicamentosa bem sucedida ou uma
complicação medicamentosa que pode resultar em uma piora da saúde do
paciente.
Apesar do nosso cenário legislativo favorecer o desenvolvimento do
caráter clínico das farmácias, alguns fatores culturais como a falta de
informação e banalidade sobre uso de medicações sejam elas controladas ou
não por receitas médicas, ou fatores comerciais como a concorrência do
mercado farmacêutico e a perda da qualidade do serviço de farmácia
compõem as principais barreiras para o desenvolvimento da atividade clínica
na farmácia.
Como exemplo de fatores comerciais, temos a lei 5991/73 que
determina que farmácias devem ter a presença constante de um profissional
farmacêutico, em consequência disso e da alta oferta de profissionais no
mercado, o serviço do farmacêutico segue pro caráter de gestão. Ou seja, as
farmácias procuram farmacêuticos que assumam responsabilidades clínicas e
administrativas, dessa forma o profissional com dupla atribuição se torna mais
rentável pro negócio e assim o mercado molda uma geração de
farmacêuticos gerentes que na maioria das vezes ficam impedidos de exercer
a consulta e a atenção farmacêutica o que por fim acaba colaborando para
que essas atividades percam a sua importância e continuem despercebidas
pelos usuários de medicamentos.
A cultura deformada do uso de medicamento por parte dos pacientes
também configura um fator negativo para a adesão e prática dos serviços
farmacêuticas nas farmácias. Isso acontece na maioria das vezes porque o
paciente perde muito tempo para conseguir uma consulta. O atendimento
médico termina com um pedaço de papel e uma demanda de medicação ali,
mas as vezes isso não elucida totalmente como o medicamento deve ser
administrado. Os usuários de medicamentos não enxergam a farmácia como
uma oportunidade de se informar sobre o uso correto da medicação ou os
males que ela pode lhe causar se não utilizada corretamente. O que mais se
busca numa farmácia comercial é rapidez no atendimento e produtos menos
custosos e em consequência disso as farmácias se tornam centraras em
promover a venda vantajosa e o uso contínuo não racional onde muitas vezes
o paciente não retorna as suas avaliações médicas mas continua utilizando a
medicação por conta própria. A mesma coisa acontece com os laboratórios e
fabricantes de produtos farmacêuticos que criam programas que beneficiam
pacientes ao uso contínuo, sem se preocupar se o paciente aderiu
positivamente ao tratamento e se está sendo acompanhado.
A importância do exercício da atenção farmacêutica é gritante quando
analisa-se os diversos fatores da farmacoterapia. As atribuições clínicas
farmacêuticas já se mostraram uma aliada importante na recuperação do
paciente e no direcionamento clínico do farmacêutico junto a equipe
multidisciplinar de saúde. A consulta farmacêutica deve se tornar uma cultura
não só para os usuários de medicamentos como também para os
farmacêuticos, para que resgatem a sua função clínica no cenário improvável
das farmácias comerciais e dessa forma trabalhar reeducando a população
quanto ao uso do medicamento para que estes passem a adotar e valorizar o
serviço da consulta em farmácias e assim talvez com a valorização dos
serviços, as farmácias possam investir nos recursos que promovam a
atividade clinica na farmácia e tenham retorno
REFERENCIAS
FERREIRA, Paula. Importância da consulta farmacêutica e dicas importantes.
Portaldasaúde, 2021. Disponível em:
[Link]
valiosas/. Acesso em: 29, abril de 2022.
FARMÁCIA AMBIENTE DE SAÚDE. Pfarma, 2014. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 de Abril
de 2022.
ANGONESI.D,SEVALHO.G. Atenção Farmacêutica: fundamentação
conceitual e crítica para um modelo [Link], Belo Horizonte MG,
novembro, 2010.