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Pediatria IVAS e Pneumonia

O documento aborda o resfriado comum, suas causas, sintomas e tratamento, destacando a infecção viral e complicações como otite média aguda e sinusite bacteriana. Também discute faringite aguda, suas causas bacterianas e virais, e epiglote aguda, enfatizando a importância do tratamento adequado e diagnóstico. Além disso, menciona pneumonia bacteriana e atípica, com ênfase em sinais clínicos e indicações de hospitalização.

Enviado por

Julia Rios
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Pediatria IVAS e Pneumonia

O documento aborda o resfriado comum, suas causas, sintomas e tratamento, destacando a infecção viral e complicações como otite média aguda e sinusite bacteriana. Também discute faringite aguda, suas causas bacterianas e virais, e epiglote aguda, enfatizando a importância do tratamento adequado e diagnóstico. Além disso, menciona pneumonia bacteriana e atípica, com ênfase em sinais clínicos e indicações de hospitalização.

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Resfriado comum

Infecção viral: inflamação da mucosa nasal, seios paranasais e nasofaringe. Bastante


frequente.
Nos primeiros cinco anos de vida, costuma observar cerca de 6 a 8 resfriados por ano
nas crianças
EBologia: principal é o rinovírus; pode ter resfriado pelo coronavírus, influenza;
parainfluenza; sincicial respiratório (responsável pela bronquiolite viral aguda)
Clínica:
à Coriza clara nos primeiros dias e depois ela se torna esverdeada e purulenta,
obstrução nasal, espirros, roncos (ruídos na ausculta pulmonar e eles indicam
que a criança tem secreção nas vias aéreas superiores)
à Dor de garganta, hiperemia de mucosas
à Tosse muitas vezes incômoda e predominantemente noturna por conta de um
gotejamento na hipofaringe
à Pode ou não ter febre. Febre alta necessariamente não significa que ela está
desenvolvendo um processo bacteriano
Tratamento:
à AnBpiréBcos (analgésicos): dipirona, paracetamol, ibuprofeno em dose baixa.
Não pode prescrever o ácido aceBl salicílico, pois aumenta o risco da síndrome
de Reye.
à Desobstrução nasal: solução salina fisiológica
à Para melhorar a tosse noturna: mel
Como evitar a doença? Lavagem compulsiva das mãos
Complicações bacterianas:
à OBte média aguda: mais comum. Infecção bacteriana com inflamação da orelha
média. Tudo começa com uma disfunção tubária, como consequência há o
acúmulo de secreção no interior da orelha média e ele favorece a proliferação
bacteriana.

Roxo: tuba audiBva – faz a comunicação entre a orelha média (em vermelho) e a
nasofaringe
Tuba audiBva: venBla a orelha média; permite que secreções que se acumulem na
orelha média sejam escoadas para a nasofaringe e impede a ascensão de
microrganismos para a orelha média. A mucosa da tuba audiBva é con^nua com a da
nasofaringe, então no resfriado comum, quando a nasofaringe está inflamada,
consequentemente, a mucosa da tuba audiBva também fica. Assim, a tuba audiBva fica
disfuncional (colabada, ocluída) e acumula secreções na orelha média e é uma questão
de tempo até que uma bactéria que está na nasofaringe consiga ascender. Quando
essa bactéria ascende e vai para a orelha média, ela encontra as secreções acumuladas
e aquela secreção esBmula a proliferação bacteriana e ela fica purulenta.
EBologia:
a) S. pneumoniae (pneumococo)
b) H. influenzae (não Bpável)
c) Moraxella catarrhalis – menos frequente
Clínica:
1) Irritabilidade, choro
2) Otalgia
3) Otorreia (quando a otorreia aparece, a dor some)
DiagnósBco:
à Otoscopia normal
o Transparente
o Brilhante – reflete a luz do otoscópio
o Côncava
o Móvel
o Presença do triângulo de luz

à Otoscopia Alterada
o Opaca
o Hiperemiada
o Hiper vascularizada
o Abaulada – dado mais específico de oBte média aguda
Tratamento:
Ø Analgésico
Ø Avaliar anBbioBcoterapia
Indicação:
Crianças menores de 6 meses de idade Sempre fazer an+bio+coterapia
6 meses a 2 anos Fazer anBbioBcoterapia em casos graves/
otorreia/ acomeBmento bilateral
Com 2 anos ou mais Fazer anBbioBcoterapia em casos graves/
otorreia

O que são casos graves? Quando a criança tem uma febre maior ou igual a
39 graus/ quando a criança tem uma dor moderada a intensa/ quando a
criança tem mais de 48 horas de doença
Amoxicilina: dose padrão – 40 a 50 mg/kg/dia (10 dias) – usar em dose dobrada
Amoxicilina com clavulanato – quando a criança além da oBte tem uma conjunBvite –
usar em dose normal

Complicação da OBte Média Aguda:


Ø OBte média serosa: efusão sem processo inflamatório adjacente
o Observação por 3 meses
o Após 3 meses e ainda conBnua: encaminhar para o otorrino e avaliar
colocar tubo de Bmpanostomia
Ø Mastoidite aguda: inflamação do periósteo
o Hiperemia e edema retroauricular
o Deslocamento do pavilhão

Ø Sinusite Bacteriana Aguda:

Resfriado comum: compromete a drenagem dos seios paranasais e tem-se um


acúmulo de secreção e favorece a proliferação bacteriana levando a uma
sinusite bacteriana aguda (duração inferior a 30 dias)
Em crianças menores de cinco anos, vai ter uma sinusite de seios etmoidais e
de seios maxilares. O seio frontal que é o principal formador de sinusite no
adulto não está formado em crianças menores de cinco anos e só termina de
ser formado na adolescência.
Clínica:
1) Resfriado arrastado (10 ou mais dias)
2) Coriza abundante, com secreção mucopurulenta
3) Tosse intensa, diurna e noturna
4) Quadro grave (3 ou mais dias): febre alta, coriza mucopurulenta, tosse intensa
5) Quadro que piora (bifásico)
DiagnósBco: Clínico
Tratamento: amoxicilina – manter por mais 7 dias após a melhora clínica

Faringite aguda
Principais causas: infecções virais.
Faringite Bacteriana: eBologia –
Ø Streptococcus beta hemolíBco do grupo A ([Link]) – mesmo que ela não
receba um tratamento, na maioria das vezes, vai evoluir com resolução
espontânea. No entanto, sem tratamento, aumento o risco da criança de ter
febre reumáBca.
Clínica:
Ø Frequente entre 5 e 15 anos
Ø Febre e manifestações inespecíficas
Ø Dor de garganta
Ø Exsudato amigdaliano

Observação: Nem toda


faringite estreptocócica é
exsudaBva e nem toda
faringite exsudaBva é
bacteriana

Ø Petéquias no palato

Observação: Petéquias no
palato também pode ser por
conta de um quadro viral, mas
as petéquias no palato são
alterações que reforçam
infecção bacteriana

Ø AdenopaBa cervical
Ø Não tem tosse, coriza, não tem manifestações catarrais
Exames:
Ø Testes rápidos: pode fazer durante a consulta. Coleta a secreção, coloca em um
líquido e coloca a fita reagente. Rápido e tem alta especificidade, mas pouco
sensível
Ø Cultura de orofaringe: padrão ouro, pois tem alta sensibilidade. Ela confirma o
resultado do teste rápido, se este for negaBvo.
Tratamento:
Ø Analgésico e anBpiréBco
Ø AnBbioBcoterapia: Penicilina BenzaBna (Benzetacil); amoxicilina por 10 dias
Complicações:
Ø Abscesso Periamigdaliano: comum em adultos jovens
1. Amigdalite
2. Disfagia/sialorreia (marcador de disfagia grave)
3. Trismo (espasmo do pterigoide)
4. Desvio da úvula
Ø Abscesso Retrofaríngeo: pode ser complicação de qualquer infecção de VAS
1. Formação de um abscesso na região retrofaríngea. Fica entre a parede
posterior da faringe e os corpos vertebrais

Em crianças <5 anos, esse


espaço é ocupado por uma
cadeia de linfonodos. A parBr
de cinco anos, essa cadeia
involui.

2. História: uma criança que teve IVAS recente


3. Febre alta e odinofagia
4. Disfagia e sialorreia
5. Dor à mobilização do pescoço (diagnósBco diferencial de torcicolo na
infância)
Faringites Virais
Febre faringoconjunBval:
Ø Adenovírus
Ø Faringite + conjunBvite + adenomegalia pré auricular
Herpangina:
Ø Coxsackie A
Ø Úlceras no palato mole, região mais pos-
terior
Mononucleose infecciosa:
Ø Epstein-Barr
Ø Mesma clínica da faringite estreptocócica
Ø LinfadenopaBa generalizada
Ø Esplenomegalia

EpigloBte aguda
Sempre que a gente inspira, tem uma tendência natural de colapso da laringe (seu
calibre diminui), quando a gente exala, seu calibre aumenta. Quando tem algum
processo infeccioso que acomete a laringe, essa infecção pode causar edema da
mucosa e na hora que inspirarmos, com diminuição do calibre da laringe, mais levar a
uma diminuição ainda mais intensa no diâmetro da via aérea. Na hora que o ar
encontra dificuldade para passar, ele “sacode”, oscila e surge um ruído: o estridor.
Estridor: ruído predominantemente inspiratório, que Bpicamente sinaliza uma
obstrução na via aérea adjacente ao orivcio glóBco.

EBologia:
Ø Haemophilus influenzae B (principal agente)
Clínica:
Ø Início agudo, evolução rápida
Ø Febre alta; toxemia
Ø Dor de garganta; disfagia; sialorreia
Ø Dificuldade respiratoria; estridor
Ø Posição do “TRIPÉ” Criança sentada, apoia seus braços e pés, coloca seu tronco
pra frente e faz uma hiper extensão cervical, em geral coloca a língua pra fora.
Tratamento:
Ø Conduta imediata: estabelecer uma via aérea pérvia (intubar)
Ø Enquanto isso, deixa a criança quieta
Ø Ofereça O2
Ø Não tente visualizar a orofaringe
Ø Não solicite exames

Radiografia: exame para confirmar a


suspeita diagnósBca
Epiglote edemaciada: circulado em rosa
– Sinal do polegar

Após intubação: suporte + anBbioBcoterapia

Infecções das vias aéreas inferiores


Como idenBficar? Pelo aumento da frequência respiratória (taquipneia)
Ø <2 meses: maior ou igual a 60ipm
Ø 2 a 12 meses: maior ou igual a 50ipm
Ø 1 a 5 anos: maior ou igual a 40ipm

Pneumonias Bacteriana: quadro mais grave


Pneumonia a^pica: quadro insidioso
Bronquiolite: sibilo

Pneumonia Bacteriana
EBologia:
Crianças menores de 1 – 2 meses: S. agalacBae (grupo B); Gram-negaBvos entéricos
([Link]);
Crianças a parBr de 2 meses: [Link]; Staphylococcus aureus (pneumonia grave
+ complicações + porta de entrada)
Quadro clínico:
Ø Pródromos catarrais
Ø Febre alta e tosse o tempo todo
Ø Sinais clássicos – Estertores inspiratórios (processo infeccioso dentro do alvéolo
e acúmulo de exsudato dentro dele e na hora que o ar passa através desse
exsudato que está se acumulando no alvéolo, eu consigo auscultar o estertor).
Conforme a doença vai se desenvolvendo, eu posso ter uma síndrome de
consolidação pulmonar e tem toda uma região do parênquima pulmonar com
alvéolos abarrotados de exsudato e assim tem-se um aumento do frêmito
tóraco-vocal, macicez. Broncofonia; Pectorilóquia afônica.
Ø Taquipneia
Ø Sinais de gravidade: Bragem subcostal (retração dos arcos costais nos pontos de
inserção do diafragma) (1)e ela significa que a complacência pulmonar está
diminuída. Se você tem uma diminuição da complacência pulmonar, você tem
que fazer mais força para insuflar o pulmão; BAN (baBmento de asa nasal) é
uma tentaBva da criança de diminuir o esforço respiratório; Gemência é um
som expiratório oriundo da passagem de ar através da glote contraída e seu
objeBvo é aumentar a capacidade residual funcional (volume de ar que fica
dentro dos pulmões ao final da expiração)

(1)
Avaliação complementar:
Ø Radiografia de tórax: não é obrigatória; indicar nas hospitalizações e é
possível visualizar a presença de um infiltrado nesse parênquima pulmonar
e evidencia-se consolidações (alvéolos preenchidos pelo exsudato – imagem
1); aerobroncograma; pneumonia redonda (imagem 2).

(1) (2)
Ø A radiografia também pode ajudar a ver complicações: Derrame pleural (1)
(pneumo é o mais comum); Pneumatocele (imagem cavitaria que tem uma
parede fina) (pensar em estafilo); Abscesso pulmonar (3) (região de necrose
do parênquima pulmonar, parede espessa e inflamada) (considerar estafilo
e anaeróbio)

(1) (2)

(3)

Tratamento:
Indicações de hospitalização:
Ø Idade < 2 meses;
Ø CompromeBmento respiratório (Tiragem subcostal, Saturação < 9,2%)
Ø CompromeBmento do estado geral (incapaz de beber líquidos; vomita tudo
que ingere)
Ø Doença de base
Ø Complicações radiológicas
Tratamento ambulatorial:
Ø >2 meses: Amoxicilina VO e reavaliação em até 48 horas
Tratamento hospitalar:
Ø <2 meses: Ampicilina e gentamicina
Ø >2 meses: Penicilina Cristalina EV
Ø Observação: pneumonia muito grave: oxacilina + ce{riaxona
Complicação: Pensar nisso em uma possível falha terapêuBca!
Derrame Pleural: Exsudato inflamatório X Empiema (acúmulo de secreção dentro do
espaço pleural) – Fazer uma toracocentese (purulento; pH<7,2; Glicose<40mg/dl;
bactérias) – recomendar a drenagem torácica e manter o tratamento que já fazia.

Pneumonia A^pica
Aspectos gerais:
Ø Quadro insidioso (arrastada)
Ø Manifestações extrapulmonares
Ø Não melhora com penicilina
Formas clínicas:
Pneumonia a^pica: Mycoplasma (>5 anos)
Pneumonia afebril do lactente
EBologia:
Ø Chlamydia trachomaBs
Ø Parto vaginal: colonização conjunBva e nasofaringe
1. ConjunBvite neonatal
2. Pneumonia (período de incubação com 1 a 3 meses de vida): quadro
arrastado, afebril, tosse e taquipneia, eosinofilia e infiltração intersBcial.
Tratamento: macrolídeos.
Bronquiolite viral aguda
Tem-se uma bactéria na nasofaringe, ela vai
ser aspirada e chegar no interior dos
alvéolos. Uma vez no interior dos alvéolos,
essa bactéria começa a se mulBplicar e vai
sendo propagada e transmiBda para os
alvéolos adjacentes.

Um vírus que está na nasofaringe não irá ser


aspirado diretamente para o interior do
alvéolo, ele vai chegar no alvéolo e vai sendo
transmiBdo de uma célula para outra célula
vizinha. Se o meu alvéolo está cheio de vírus
(alveolite), o meu bronquíolo também está
inflamado.
EBologia: Vírus sincicial respiratório (VSR)
Clínica:
Ø <2 anos de idade
Ø Pródromos catarrais (resfriada anteriormente)
Ø Febre (pode ter) e tosse
Ø Taquipneia
Ø Sibilos: ruído expiratório que ausculta e indica uma obstrução da pequena via
aérea, pois na pequena via aérea, o calibre diminui na expiração.
DiagnósBco clínico
Avaliação complementar:
Ø RX de tórax: hiperinsuflação,
Tratamento:
Ø Avaliar necessidade de internação (criança menos de 12 semanas)
Ø TTO hospitalar: o
1. oxigenoterapia (se SpO2<90%) – CNAF (cateter nasal de alto fluxo)
2. Hidratação venosa, se necessário: solução isotônica
3. Avaliar nebulização com solução hipertônica
Prevenção:
Ø Palivizumabe: anBcorpo específico para o VSR – 1 dose mensal durante cinco
meses:
1. <1 ano: para prematuros que nasceram com menos de 29 semanas
2. <2 anos: crianças c/ cardiopaBa congênita ou doença pulmonar da
prematuridade

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