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Exame DC Ii

O documento aborda questões constitucionais relacionadas à suspensão de direitos fundamentais em Portugal, destacando a aprovação de um decreto pela Assembleia da República e a promulgação tardia pelo Presidente. Discute a inconstitucionalidade de um Decreto-Lei do Governo que previa a suspensão de direitos antes da promulgação da lei de autorização, além da moção de censura apresentada por um deputado. O texto também menciona as competências do Tribunal Constitucional e os impedimentos do Presidente da República em promulgar decretos.

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Exame DC Ii

O documento aborda questões constitucionais relacionadas à suspensão de direitos fundamentais em Portugal, destacando a aprovação de um decreto pela Assembleia da República e a promulgação tardia pelo Presidente. Discute a inconstitucionalidade de um Decreto-Lei do Governo que previa a suspensão de direitos antes da promulgação da lei de autorização, além da moção de censura apresentada por um deputado. O texto também menciona as competências do Tribunal Constitucional e os impedimentos do Presidente da República em promulgar decretos.

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Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Direito Constitucional II - TB
Exame escrito - 26 de julho de 2024

I
(11 valores)

Considerando a proximidade geográfica do local dos Jogos Olímpicos (Paris) e os riscos de


atentados programados a partir de Portugal, em 25 de março de 2024 a Assembleia da
República aprovou um decreto de autorização do Governo, com 95 votos favoráveis, a
aprovar, nos 3 meses seguintes, um regime legal de suspensão imediata de direitos
fundamentais em caso de emergência.

O decreto foi enviado no dia 27 de março de 2024 para o Presidente da República, para ser
promulgado como lei parlamentar. Por se encontrar ausente em merecidas férias de três
semanas em Bali, o Presidente da República apenas toma conhecimento do decreto no dia 18
de Abril, promulgando-o no dia seguinte.

1. Aprecie as questões constitucionalmente relevantes (3v).

Correção:
- Reserva absoluta da Assembleia da República e lei orgânica [artigo 164.º, al. e)]
- Quórum e maioria de aprovação [artigos 116.º, n.º 2 e 3, embora devesse ser por lei
parlamentar que seria lei orgânica - artigos 166.º, n.º 2 e 164.º, al. e)].
- Em qualquer caso, trata-se de matéria que é reserva de constituição (artigo 19.º), o que
implicaria uma revisão constitucional.
- requisitos da lei de autorização: artigo 165.º, n.º 2.
- Ausência do Presidente da República de território nacional: artigo 129.º, n.º 1 (não se
aplica o n.º 2), com as consequências de perda de cargo, nos termos do n.º 3.
- prazo de 20 dias para promulgar ou exercer direito de veto (artigo 136.º, n.º 1); discussão
sobre conceito de «receção» (considerando que conhecimento apenas é posterior; em
princípio será irrelevante).

Em 16 de abril de 2024, ainda antes de a Lei X ter sido promulgada, o Governo (do partido
Alfa) aprova um Decreto-Lei (Y) identificando os direitos suscetíveis de suspensão. Todavia,
remete para portaria do Ministro da Administração Interna a definição, em concreto, das
situações em que os direitos fundamentais podem ser suspensos e as medidas policiais que
podem ser adotadas. Argumentando que a questão não podia ser tratada por regulamento, o
Presidente da República exerce o direito de veto e devolve à Assembleia, órgão que havia
autorizado o Governo, para apreciação parlamentar.
2. Aprecie a conduta do Governo, a constitucionalidade do Decreto-Lei Y e a
conduta do Presidente da República (4v).

Correção:
- inconstitucionalidade orgânica em virtude de decreto lei autorizado ser aprovado antes de
lei de autorização produzir efeitos; sem prejuízo do exposto, seria sempre organicamente
inconstitucional – v. supra; artigo 164.º, al. e).
- remissão para regulamento de matéria que seria reserva de decreto-lei autorizado;
relevância do n.º 5 do artigo 112.º.
- veto é definitivo, dado que se trata de decreto do Governo (artigo 136.º, n.º 4).
- não há devolução à Assembleia, nem é pertinente falar-se de apreciação parlamentar, que
tem o objeto (totalmente diferente) do artigo 169.º

O Deputado Abílio Basílio, do Partido Beta, chocado com a conduta do Governo minoritário,
apresenta uma moção de censura, aprovada com 150 votos a favor, 30 abstenções e 30 votos
contra. Vem a descobrir-se, posteriormente, que 40 deputados do partido Alfa se tinham
desvinculado do partido e se tinham inscrito no partido Beta. Considerando a união
esmagadora da Assembleia da República em torno da moção de censura proposta, o Presidente
da República nomeia Abílio Basílio Primeiro Ministro de um Governo de iniciativa
presidencial.

3. Aprecie as questões constitucionalmente relevantes e as consequências de


eventuais inconstitucionalidades (4v).

Correção:
- Competência para apresentação de moções de censura exclusiva de Grupos
Parlamentares [artigo 180, n.º 2, i) e artigo 8.º h) do Regimento]
- maioria absoluta de aprovação – artigo 195.º, f) – governo de gestão (artigo 186.º, n.º 5);
- «vem a descobrir-se, posteriormente, que 40 deputados do partido Alfa se tinham
desvinculado do partido e se tinham inscrito no partido Beta« - consequências do artigo
160, n.º 1, c); valorização da questão da relevância virtual; haveria aprovação de moção de
censura se não se contabilizassem os votos do deputados que deveriam ter perdido o
mandato?;
- violação grosseira do princípio democrático e do n.º 1 do artigo 187.º; a nomeação
presidencial teria de ser antecedida da marcação e realização de eleições (nos termos do n.º
6 do artigo 113.º se tivesse havido dissolução parlamentar).

II
(3 x 3 valores)

Responda, fundamentadamente, a três e apenas três das seguintes questões:


a) Que «especificidades políticas» tem o Tribunal Constitucional face aos tribunais
comuns?

J. Melo Alexandrino, Lições de Direito Constitucional, vol. II, 3.ª ed. (2.ª reimp.),
2023, pp. 178ss.

b) Em que medida a Constituição de 1976 adotou um conceito compósito de lei reforçada?

J. Melo Alexandrino, Lições de Direito Constitucional, vol. II, 3.ª ed. (2.ª reimp.),
2023, pp. 224ss.

c) Em que situações e com que fundamento está o Presidente da República impedido de


promulgar imediatamente decretos que lhe tenham sido enviados para promulgação?

Discussão sobre âmbito e articulação dos n.ºs 1, 4, 5 e 7 do artigo 278.º.

d) Em que consiste a apreciação parlamentar de atos legislativos?

J. Melo Alexandrino, Lições de Direito Constitucional, vol. II, 3.ª ed. (2.ª reimp.),
2023, pp. 249ss.

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