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SUPLEMENTACAO

O documento aborda a suplementação com micronutrientes em pó e outros suplementos, destacando a importância de combater deficiências nutricionais, especialmente em gestantes e crianças. A pesquisa bibliográfica explora as carências de micronutrientes, como ferro e vitamina A, e apresenta programas de suplementação em Moçambique. O objetivo é compreender a suplementação e suas implicações para a saúde materno-infantil.
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SUPLEMENTACAO

O documento aborda a suplementação com micronutrientes em pó e outros suplementos, destacando a importância de combater deficiências nutricionais, especialmente em gestantes e crianças. A pesquisa bibliográfica explora as carências de micronutrientes, como ferro e vitamina A, e apresenta programas de suplementação em Moçambique. O objetivo é compreender a suplementação e suas implicações para a saúde materno-infantil.
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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DE SAÚDE

=ISCISA=
EXTENSÃO DE QUELIMANE
Curso de Licenciatura em Nutrição
Io Semestre do 4o Ano
II⁰ Grupo
Cadeira: Nutrição e Saúde Materno Infantil
Tema: Suplementação com micronutrientes em pó e outros suplementos

Discentes: Docente:
Águas Carimo Abacar dra. Rabia Massinga
Dédia João Matos
Orlanda Bacião Orlando
Narcísio Basilio
Safe Silvestre da Silva Safe

Quelimane, Abril de 2025

1
2
INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DE SAÚDE

=ISCISA=

EXTENSÃO DE QUELIMANE

Curso de Licenciatura em Nutrição

Io Semestre do 4o Ano

II⁰ Grupo

Cadeira: Nutrição e Saúde Materno Infantil

Tema: Suplementação com micronutrientes em pó e outros suplementos

Trabalho de carácter avaliativo a ser entregue no


Instituto Superior de Ciências de Saúde, no departamento
de nutrição, na cadeira de Nutrição e Saúde Materno
Infantil leccionado pela docente dra. Rabia Massinga.

Quelimane, Abril de 2025

3
Índice
1. Introdução..................................................................................................................4
2. OBJECTIVOS............................................................................................................5
2.1. Objectivo Geral...................................................................................................5
2.2. Objectivo Especifico...........................................................................................5
3. Metodologia...............................................................................................................5
4. Fundamentação Teórica.............................................................................................6
4.1. Principais carências de micronutrientes na infância...........................................6
4.2. Deficiência de Ferro e Anemia...........................................................................6
4.3. Deficiências dos Micronutrientes e as Prioridades de Intervenção....................7
4.4. Iodo e vitamina A...............................................................................................8
4.5. Micronutrientes em pó........................................................................................9
4.6. Suplementação com Micronutrientes em Pó......................................................9
4.7. Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF)....................................9
4.8. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A.....................................10
4.9. Iniciativas para o Combate das Deficiências dos Micronutrientes...................10
5. Conclusão.................................................................................................................13
6. Referências Bibliográficas.......................................................................................14

4
1. Introdução

As deficiências de micronutrientes, especialmente a anemia por deficiência de


ferro, são importantes problemas de saúde pública. Esses agravos nutricionais são
resultados de uma complexa rede de factores determinantes, que incluem, no âmbito da
alimentação e nutrição, a insegurança alimentar, a ingestão inadequada e/ou insuficiente
de alimentos in natura e minimamente processados, a baixa qualidade nutricional da
alimentação e a biodisponibilidade de micronutrientes.

Embora as deficiências de micronutrientes possam ocorrer ao longo da vida,


gestantes e crianças menores de 2 anos estão entre os grupos mais susceptíveis e podem
ter repercussões em sua saúde e nutrição. A anemia materna está associada ao maior
risco de perda sanguínea durante o parto, à hemorragia pós-parto e à mortalidade
materna, além de aumentar o risco de nascimento prematuro e baixo peso ao nascer.
Entre as crianças, a anemia impacta negativamente o desenvolvimento cognitivo e
motor e casos graves aumentam o risco de mortalidade infantil.

Os micronutrientes, que incluem vitaminas e minerais, são fundamentais para


processos como a imunidade, produção de energia, saúde óssea e equilíbrio hormonal.
No entanto, deficiências nutricionais são comuns, especialmente em populações
vulneráveis como crianças, idosos, atletas ou pessoas com dietas restritivas. Assim,
além do pó, existem outras formas de suplementação – cápsulas, líquidos, géis, entre
outras – que permitem adaptar a ingestão às necessidades individuais de cada pessoa.

Neste artigo, vamos explorar os benefícios, indicações e cuidados a ter com os


diferentes tipos de suplementação, com especial foco nos micronutrientes em pó, uma
solução moderna e eficaz para quem procura otimizar a saúde e o bem-estar de forma
prática.

5
2. OBJECTIVOS

2.1. Objectivo Geral

 Compreender a suplementação com micronutrientes em pó e outros


suplementos.

2.2. Objectivo Especifico

 Identificar os micronutrientes em pó e outros suplementos;


 Descrever os micronutrientes e sua importância;
 Identificar as deficiencias de micronutrientes em diferentes faixas etarias.

3. Metodologia

O método de abordagem aplicado no presente trabalho é a pesquisa bibliográfica


desenvolvida a partir de materiais tais como Livros, artigos científicos, publicações
periódicas e documentos eletrônicos visando assim uma revisão de trabalhos científicos
publicações já existentes.

A metodologia a ser seguida para o trabalho consiste em Levantamento


Bibliográfico: que consiste em realizar pesquisas para compor a fundamentação teórica
fornecendo uma estrutura conceitual que dará sustentação ao tema em causa, segundo
Smith J.K. 2018.

6
4. Fundamentação Teórica

4.1. Principais carências de micronutrientes na infância

A alimentação adequada e saudável na infância é essencial para que o indivíduo


consiga alcançar o pleno potencial de crescimento e desenvolvimento. As deficiências
de vitaminas podem ocorrer paralelamente a deficiência de minerais, e suas
consequências durante a préconcepção até os 23 meses de idade podem estar
relacionadas ao aumento da mortalidade e morbidade neonatal, além de disfunções
físicas e cognitivas que podem acarretar, a longo prazo, efeitos negativos e irreversíveis
para a saúde (WHO, 2011).

Uma alimentação desbalanceada é um potencial factor de risco para deficiências


de micronutrientes e para doenças não transmissíveis relacionadas à alimentação, além
disso, estudos realizados em países de média e baixa renda indicam que o elevado
consumo de alimentos ultraprocessados na infância está associado à menor ingestão de
micronutrientes, ocasionando deficiências nutricionais, como por exemplo, deficiências
de proteínas e micronutrientes essenciais, como ferro, folato, vitaminas B6, B12, C, D e
cálcio, além de escores Z de comprimento para a idade mais baixos, coexistência de
déficit de estatura infantil e riscos aumentados de obesidade (HAWKES et al., 2019).

Dentre essas deficiências, contudo, a deficiência de ferro é considerada a de


maior magnitude, devido à pluralidade e vulnerabilidade dos fatores que estão
associados. Essa deficiência acomete 1/3 da população mundial e mais de 800 milhões
de crianças, sendo 42% dos casos em crianças menores de 5 anos. A OMS aponta que a
anemia pode ocorrer por deficiência de outros micronutrientes, como por exemplo,
folato, vitamina A, B2, C, B12, Zinco, Cobre e vitaminas do complexo B (WHO, 2017,
2011).

4.2. Deficiência de Ferro e Anemia

O ferro é amplamente presente no organismo, atua no sistema respiratório,


processos oxidativos e anti-infecciosos e de todas as fases da síntese proteica
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2021). O ferro heme, encontrado nas
fontes de origem animal, é eficientemente absorvido e menos suscetível à modulação
por outros componentes da dieta, porém suas fontes alimentares (peixe, frango, carne

7
vermelha) são alimentos relativamente mais caros, quando comparados as fontes de
ferro não-heme, encontrado nos vegetais (PARSICHA et al., 2020).

O ferro participa de várias reações metabólicas do cérebro, sua deficiência pode


levar a alterações nos neurônios centrais, ocasionando prejuízos no desenvolvimento
psicomotor (PIVINA et al., 2019). Além disso, sua escassez contribui para redução da
resistência às infecções e para uma diminuição no desempenho do indivíduo no trabalho
durante a vida adulta (WHO, 2017).

A anemia atinge principalmente países de baixa e média renda, os baixos níveis


de condições socioeconômicas, más condições de vida e de trabalho e a insegurança
alimentar ou baixa diversidade alimentar, são alguns dos fatores que estão associados na
prevalência dessa deficiência nutricional. A OMS classifica prevalências entre 5% a
19,9% como um leve problema de saúde pública, de 20% a 39,9%, como um problema
moderado e prevalências superiores a 40%, são definidas como um severo problema de
saúde pública (WHO, 2017).

A causa da anemia é multifatorial, podendo acontecer por hemorragias, anemias


hereditárias, hemoglobinopatias, doenças crônicas e parasitárias e deficiência de
nutrientes (WHO, 2001, 2015). Em regiões endêmicas e em locais que população vive
em situações higiênico-sanitárias inadequadas, doenças com a esquistossomose,
infestação parasitária, diarreia e infecções respiratórias, ganham destaque por favorecer
a ocorrência desse agravo, devido a menor absorção intestinal de ferro (DUNCAN et al.,
2013).

4.3. Deficiências dos Micronutrientes e as Prioridades de Intervenção

Os elevados níveis de deficiência de micronutrientes a nível infantil e materno


em Moçambique representam uma grave situação de saúde pública que afecta o
desenvolvimento cognitivo, reduz o desempenho escolar, impede a produtividade
adulta, reduz a imunidade e eventualmente contribui para os elevados índices de
morbidade e mortalidade infantil. Estudos referem que existem nas dietas das crianças
de 12-24 meses carências em termos do ferro, cálcio, zinco e B12, e em alguns casos
para o ácido fólico, ácido pantoténico e vitamina A. Anemia O consumo inadequado de
ferro, paralelamente à malária endémica e outros factores, contribuem para os elevados
níveis de anemia em crianças pequenas e mulheres. Moçambique tem níveis alarmantes

8
de anemia, o que prejudica o desenvolvimento cognitivo das crianças, a sua saúde e
futura productivade como adulto. A anemia afecta cerca de 64 por cento das crianças
com idade compreendida entre os 6 e os 59 meses, dos quais 34 por cento tem anemia
moderada e 3 por cento com anemia severa. As crianças com idade entre os 6-18 meses
são as que mais sofrem de anemia, cerca de 80 por cento, não obstante, a anemia é
abrangente ao longo de toda a infância, em todas as províncias e níveis económicos em
Moçambique. A deficiência de ferro é um factor importante para anemia em
Moçambique, considerando que um terço das crianças urbanas de 12- 23 meses tem
deficiência de ferro. Parte desta anemia deve –se ao fraco consumo de alimentos ricos
em ferro. De acordo com o IDS do ano 2011, menos de metade das crianças com idade
compreendida entre os 6 e os 24 meses tinha consumido alimentos ricos em ferro nas
últimas 24 horas, e apenas um quarto tinha recebido um suplemento de ferro nos
últimos sete dias.

A anemia em mulheres em idade reprodutiva está em 54 por cento, considerado


nível crítico, neste contexto, é preciso dar ênfase nas intervenções do sector da saúde,
em combinação com outras estratégias como a fortificação industrial, vinculado ao
combate da anemia em crianças.

4.4. Iodo e vitamina A

Menos de metade do sal nos agregados familiares era iodado segundo o IDS
2011, indicando uma situação altamente preocupante tendo em conta que a falta de iodo
prejudica o desenvolvimento intelectual nas crianças. Em constraste, a deficiência da
vitamina A parece ter melhorado desde 2002, quando foi reportada em 69 por cento nas
crianças com idade compreendida entre os 6 e os 59 meses. Dados de 2012-13 de cinco
zonas urbanas reportam a deficiência de vitamina A de 19 por cento nas crianças entre
os 6 e os 59 meses, e em 2015 encontraram quatro por cento das crianças de 6-59 meses
com deficiência de vitamina A em Sofala. Os dados mais recentes sugeriram que a
deficiência de vitamina A é um problema moderado ou leve para a saúde pública nas
zonas urbanas, mais não é possível concluir a prevalência nacional sem incluir as zonas
rurais. Contudo, o IDS de 2011 reportou que os alimentos ricos em vitamina A tinham
sido consumidos nas últimas 24 horas por 71 por cento das crianças com idade
compreendida entre os 6 e os 23 meses.

9
4.5. Micronutrientes em pó

São suplementos que contêm vitaminas e minerais essenciais (como ferro, zinco,
vitamina D, B12, entre outros) e vêm em forma de pó para dissolver em água, sumo ou
outros líquidos. São úteis porque:

 Facilitam a ingestão para quem tem dificuldades com cápsulas/comprimidos.


 Permitem personalizar a dose de acordo com as necessidades.
 Podem ser absorvidos mais rapidamente.

4.6. Suplementação com Micronutrientes em Pó


4.7. Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF)

A OMS recomenda a suplementação diária de ferro como uma intervenção de


saúde pública para a prevenção da deficiência de ferro e anemia em crianças de 6 a 24
meses, que vivem em locais onde a anemia é altamente prevalente (acima de 40%)
(WHO, 2016).

Considerando que a deficiência de ferro é uma das carências nutricionais mais


prevalentes entre o público infantil, foi instituído o Programa Nacional de
Suplementação de Ferro (PNSF), que visa reduzir a deficiência desse micronutriente em
crianças de 6 a 24 meses de idade e também em gestantes, independentemente da idade
gestacional, até o terceiro mês pós-parto. O programa atua através da suplementação
profilática associado às ações de EAN para promoção da alimentação saudável e
adequada para o público alvo (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013a).

Novas recomendações do Ministério da Saúde, consideram que a partir de 2022


o esquema de suplementação para as crianças de 6 a 24 meses ocorram através da oferta
diária de sulfato ferroso por três meses consecutivos, seguida de uma pausa de três
meses, no final do terceiro mês, iniciando-se um novo ciclo de três meses de
suplementação diária. Dessa maneira, as crianças deverão receber dois ciclos de
suplementação (BRASIL, 2022).

10
4.8. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A

A OMS recomenda a suplementação de vitamina A em altas doses para crianças de 6 a


59 meses de idade em locais onde a deficiência de vitamina A é um problema de saúde
pública (acima de 20%) (WHO, 2011). É importante destacar que, a deficiência de
vitamina A contribui para a manifestação da deficiência do ferro através da regulação da
hematopoiese e da concentração e mobilização de ferro dos estoques de ferro nos
tecidos, desregulando as ações da hepcidina e ferroportina, contribuindo para a etiologia
da anemia (KUMAR et al., 2022).

A suplementação com vitamina A está associada a redução da morbidade e mortalidade


de crianças de 6 a 5 anos de idade, além de reduzir a morte por diarreia em 12% nessa
população (IMDAD et a., 2022).

4.9. Iniciativas para o Combate das Deficiências dos Micronutrientes

As intervenções para o combate a anemia infantil ainda tinham baixas coberturas


no IDS do ano 2011, como a suplementação com ferro de crianças de 6 aos 59 meses de
idade que alcançou só um quarto delas e a desparasitação que alcançou menos da
metade. Mas a suplementação com vitamina A chegou a 75 por cento destas crianças.
Para 2019, o MISAU tem planeado reforçar a capacidade comunitária da suplementação
com micronutrientes e a desparasitação, como parte da expansão da provisão dos
serviços de nutrição.

Moçambique foi bem sucedido nas experiências com a biofortificação,


especialmente com o cultivo e promoção da batata doce de polpa alaranjada, incluindo
sua importância para a segurança alimentar quando as outras culturas foram danificadas
por cheias e seca. Apesar da alta aceitabilidade e melhorias significativas no consumo
da batata doce de polpa alaranjada rica em vitamina A, a cobertura do cultivo ainda é
baixa. Precisa-se de mais ênfase para assegurar a disponibilidade de variedades
adequadas para as diferentes zonas do País. A batata doce de polpa alaranjada já teve
múltiplos exemplos de sucesso como alimento infantil e a ENAI apoia a expansão do
cultivo dirigido para a alimentação complementar e sua promoção ao nível comunitário.

A Lei de Fortificação de 2016 foi implementada recentemente para a fortificação


obrigatória da farinha de milho e trigo com ferro, do óleo alimentar e açúcar com
vitamina A, segundo o Regulamento de Fortificação de Alimentos com Micronutrientes

11
Industrialmente Processados. O uso de sal iodado vem sendo implementado desde 2000,
mas a cobertura é baixa, devido a deficiente aquisição do Iodeto de potássio por parte
dos produtores de sal, os quais, têm sido fornecidos pelos doadores. Para
operacionalizar o Lei de Fortificação, existe o Comité Nacional para a Fortificação de
Alimentos de Moçambique (CONFAM) que implementa o Programa Nacional de
Fortificação de Alimentos.

No que concerne a implementação da Lei de Fortificação, a ENAI enfatiza a


necessidade de garantir que a promoção dos alimentos fortificados inclua um enfoque
especial sobre a alimentação complementar. Um desafio enfrentado pela fortificação de
alimentos é que as famílias pobres com maior necessidade de micronutrientes adicionais
consomem menos alimentos fortificados, como o açúcar e o óleo alimentar. Para além
disso, dada a alarmante prevalência de deficiências de micronutrientes como o ferro,
vitamina A e as necessidades acrescidas de nutrientes por parte das crianças, é pouco
provável que essas necessidades de micronutrientes sejam satisfeitas através de
alimentos locais em combinação com a fortificação dos alimentos básicos porque a
quantidade dos alimentos que consomem é pequena relativamente as necessidades de
micronutrientes.

Moçambique já iniciou as actividades piloto e a planificação da distribuição de


micronutrientes em pó (MNP) para a fortificação caseira de alimentos complementares
para crianças com idade compreendida entre os 6 e os 24 meses. A ENAI está alinhada
a iniciativa de Fortificação Caseira com Micronutrientes em Pó, por ser um
investimento necessário e valioso para abordar os sérios níveis de deficiência em termos
de micronutrientes. Importa salientar que a massificação dos MNPs deve ser feita com
os devidos critérios de distribuição, segundo as normas do MISAU e acompanhada de
uma forte componente de educação nutricional por forma a incentivar de forma
sustentável o uso dos alimentos localmente disponíveis na preparação das dietas
equilibradas e ainda neste contexto torna-se relevante enfatizar que os MNPs de forma
alguma poderão substitutir os alimentos.

Ao longo do processo a estratégia de suplementação sofreu algumas


modificações desde sua implantação e atualmente está previsto que ela ocorra através da
dispensação dos sachês de micronutrientes pelas equipes de saúde da Atenção Primária
à Saúde (APS) exclusivamente para as famílias beneficiarias do Programa Bolsa

12
Família que farão a administração caseira do suplemento. A dispensação dos sachês será
semestral, considerando a faixa etária de 6 a 24 meses, ocorrendo três momentos de
dispensação: aos 6, 12 e 18 meses de idade da criança, a cada momento serão
dispensados 60 sachês, para que a criança possa receber 1 sachê diariamente até
consumir todos os sachês entregues, havendo intervalo de três a quatro meses. O
monitoramento da dispensação ocorrerá através da alimentação de dados do sistema e-
SUS e pela caderneta de vacinação da criança, a qual possui local especifico para dados
de suplementação (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022).

Assim como a versão anterior, o suplemento deve ser adicionado em uma


pequena quantidade da refeição oferecida, não deve ser misturado em líquidos,
alimentos duros ou em alimentos que serão aquecidos posteriormente, os sachês não
alteram as características sensoriais (sabor, cor e textura) dos alimentos em que os
micronutrientes são adicionados. É importante destacar que por dia a criança deverá
consumir apenas um sachê, não podendo ocorrer acréscimos de sachês para compensar
faltas de consumo. Além disso, a criança que receberá esta suplementação não deverá
receber outros suplementos contendo ferro e também não necessitará receber a
megadose de vitamina A do PNVITA, porém, aquelas crianças que durante a
suplementação forem diagnosticadas com anemia, deverão interromper a suplementação
e iniciar o tratamento adequado (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022).

A estratégia de fortificação caseira com micronutrientes é respaldada por


diversas evidências científicas no mundo todo. Um estudo realizado em Bangladesh
com crianças de até 18 meses avaliou os efeitos da suplementação com múltiplos
micronutrientes, sendo eles, ferro, zinco e vitamina A, identificaram que houve um
aumento nos status de ferro e vitamina A, além de uma redução nos níveis de proteína C
reativa (PCR) (CAMPBELL et al., 2020).

De mesmo modo, a fortificação caseira com micronutrientes em pó contendo


ferro, ácido fólico, vitamina C, vitamina A, vitamina D, zinco, demonstrou reduzir
efetivamente o risco de deficiência de ferro em crianças com menos de dois anos de
idade em países de baixa renda (SUCHDEV et al, 2020). Recentemente, uma revisão
sistemática apontou que a suplementação com múltiplos micronutrientes composto por
ferro, vitamina A, zinco, diminuiu o risco da anemia e aumentou concentrações de
hemoglobina e ferritina em crianças de 6 a 23 meses (CSÖLLE et al., 2022).

13
5. Conclusão

Chegando ao final do presente trabalho podemos entender que os primeiros mil


dias de vida, referentes desde a concepção até os dois anos de idade são considerados
períodos críticos no desenvolvimento infantil, assim, intervenções realizadas durante
este intervalo de tempo podem trazer efeitos benéficos para a saúde.

Dessa forma, ações voltadas para factores modificáveis, como promoção da alimentação
adequada e saudável ainda durante as fases pré-natal e pós-natal podem potencializar
efeitos protectores no público infantil, como uma microbiota intestinal saudável,
estoques adequados de vitaminas e minerais e proteção do sistema nervoso e
imunológico. Além disso, os bons hábitos desenvolvidos nesse período aumentarão as
chances destas crianças se tornarem adultos saudáveis (COSTANZO et al., 2022;
BAGHERI et al., 2021).

Desse modo, segundo Stevens & Colaboradores (2019), mundialmente 40% das
crianças entre 6 a 59 meses são anêmicas. O público infantil é o mais atingindo devido
ao aumento das necessidades fisiológicas motivado pela fase acelerada de crescimento e
desenvolvimento. Contudo crianças em situação de pobreza possuem risco aumentado
para o desenvolvimento de carências específicas de micronutrientes como de ferro,
zinco e vitamina A, uma vez que estão expostos a múltiplas adversidades, com limitado
acesso a saúde, educação, condições adequadas de moradia e alimentação. A anemia
também pode ser atribuída à inflamação crônica, doenças hereditárias, infecções
parasitárias e a outras carências nutricionais (deficiência de vitamina A, B2, B6, B12, C,
D e E, ácido fólico e cobre) (WORLD HEALTH ORGANIZATION -WHO, 2017).

14
6. Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia de Fortificação da alimentação infantil com


micronutrientes (vitaminas e minerais) em pó. Brasília: MS, 2015. 52 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Ferro: Manual


de condutas gerais. Brasília: MS, 2013a. 27 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A:


Manual de condutas gerais. Brasília: MS, 2013b. 27 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento


de Promoção da Saúde. Instrutivo da estratégia de fortificação da alimentação infantil
com micronutrientes em pó – NutriSUS. Brasília:MS.2022.

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Micronutrientes. Brasília: MS.2022.

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16

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