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Futebol: Aula 1

O documento aborda a história e evolução do futebol, desde suas origens antigas até a formalização das regras no século XIX na Inglaterra. Destaca a introdução do futebol no Brasil por Charles Miller em 1894 e a gradual popularização do esporte no país. Além disso, discute a organização do futebol mundial sob a FIFA e suas confederações continentais, que regulam competições e promovem o esporte globalmente.

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Futebol: Aula 1

O documento aborda a história e evolução do futebol, desde suas origens antigas até a formalização das regras no século XIX na Inglaterra. Destaca a introdução do futebol no Brasil por Charles Miller em 1894 e a gradual popularização do esporte no país. Além disso, discute a organização do futebol mundial sob a FIFA e suas confederações continentais, que regulam competições e promovem o esporte globalmente.

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FUTEBOL

AULA 1

Prof. Emerson Liomar Micaliski


CONVERSA INICIAL

Atualmente, o futebol é uma das principais modalidades esportivas


praticadas, discutidas ou vivenciadas por grande parte da população brasileira
em seus diversos contextos. A hegemonia desse esporte também é presente em
outros países, considerado, inclusive, como uma das modalidades esportivas
mais praticadas no mundo. No entanto, antes de se tornar esse fenômeno
popular e midiático que mobiliza países de todos os continentes em competições,
como a Liga dos Campeões da Europa ou a Copa do Mundo, vamos verificar os
caminhos percorridos desse esporte.
Abordaremos, também, a evolução das regras voltadas diretamente à
prática do jogo e organização institucional desse esporte. Por fim, faremos uma
abordagem sobre as manifestações das torcidas de futebol. Vamos lá?

TEMA 1 – O CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO DO FUTEBOL

Jogar bola com os pés é uma prática que vem de muito antes da
normatização das regras do futebol pelos ingleses, no século XIX, que acabou
por constituir um dos esportes mais populares do mundo, tal como o
conhecemos hoje. Nesse sentido, há relatos bastante conhecidos enfatizando
que os primeiros registros do futebol surgem na China, com indícios de sua
prática por volta dos anos 2000 a.C., nomeado de tsu-chu. Outro registro
ancestral é o Kemari, criado no Japão, com registros a partir do século I a.C.
(Franco Júnior, 2007). Ambas vinculações são justificadas pela existência de
fontes históricas que demonstram pessoas brincando com objetos esféricos.
Também há referências da prática no século I a.C., na cidade-estado de
Esparta, na qual os gregos praticavam atividades de “pé na bola”, denominada
como epyskiros (Franco Júnior, 2007). Na Idade Média, surge o soule, praticado
pela aristocracia e militares franceses. Essa prática era uma atividade parecida
com o harpastum, que significava jogo com bola pequena, que, por sua vez, era
muito semelhante ao rúgbi. O harpastum era praticado pelos militares como
propósito de aperfeiçoar sua capacidade atlética e, com a expansão do império
romano, foi introduzido em diversas regiões da Europa (Souza, 2014).
Nesse contexto histórico, foram descobertos vestígios arqueológicos que
lembram espaços destinados à prática do futebol pela civilização maia, no
México e na Guatemala. Já ao final da Idade Média, surge o cálcio com a versão

2
“pé na bola”, desenvolvida pela aristocracia de Florença, na Itália. Nesse
período, por volta de 1580, foram introduzidas algumas regras formais, como: o
uso de mãos e pés para tocar na bola; registo de gols quando a bola passava
pelas barracas armadas no fundo de cada campo; a figura do árbitro (em número
de 10) para controlar o jogo; e a limitação do número de jogadores (27 jogadores
por equipe), que dependia do tamanho de cada campo. Apesar da exclusão do
uso das mãos na versão fiorentina pelos ingleses, os italianos mantêm a
denominação de cálcio para designar o futebol até os dias de hoje (Franco
Junior, 2007).
Já na Inglaterra, antes da normalização da prática enquanto esporte,
Franco Junior (2007, p. 16) enfatiza que os primeiros registros de pé na bola na
Inglaterra ocorrem por volta “do ano de 1174, quando ingleses de várias cidades
saíram às ruas chutando uma bola de couro, em comemoração pela expulsão
dos invasores dinamarqueses”. Em 1365, a prática do jogo de bola com os pés
já havia se tornado popular como prática de rua, no entanto, como não tinha
nenhuma regra estabelecida, gerava muitos acidentes entre os praticantes e
passou a ser considerada por parte da sociedade como uma atividade violenta
e rancorosa. No início do século XVIII foram definidas regras para limitar a
violência e o contato físico, o que encaminhou o jogo para a forma atual. Passou,
então, a ser praticado em escolas tradicionais de Londres e conquistou novos
adeptos, embora cada instituição tivesse um rol de regras próprias, a respeito,
por exemplo, da possibilidade ou não de usar as mãos (Franco Junior, 2007).
Um fato interessante sobre o futebol é que ele se consolidou após uma
separação de outra modalidade, o rúgbi. Anteriormente, havia a existência
dessas duas práticas, uma que permitia agarrar a bola com as mãos e chutá-la
em alguns momentos, se necessário. Entretanto, passaram a acontecer algumas
divergências entre os praticantes, e os adeptos de algumas escolas preferiam
um jogo com mais contato físico – rúgbi – e, de outras, um que tivesse no drible
a principal característica – futebol.
Em 1863, ocorreu a unificação das regras do jogo com os pés, numa
reunião na cidade de Londres, com representantes de escolas inglesas.
Considera-se a data como a da fundação do futebol moderno, com a constituição
da Football Association da Inglaterra, que passou a definir, além das normas,
tabelas de jogos e credenciar equipes para os seus campeonatos.

3
2.1 Um breve contexto histórico do futebol no Brasil

A versão mais aceita e repercutida sobre a inserção do futebol no Brasil


indica Charles Miller como responsável por apresentar esse novo esporte em
território nacional de forma oficial. No ano de 1894, após concluir seus estudos
na escola de Banister, em Southamton, Miller regressou para São Paulo (tinha
20 anos de idade) e trouxe alguns materiais esportivos e um livro de regras do
futebol (Santos, 2009).
O primeiro jogo com regras formais ocorreu em São Paulo, em abril de
1895, entre dois times – funcionários da São Paulo Railway versus funcionários
da Companhia de Gás – formados por ingleses e anglo-brasileiros, como o
próprio Miller. O jogo terminou em 4 a 2 para a equipe dos funcionários da São
Paulo Railway (Santos, 2009).
Paralelo a Charles Miller em São Paulo, Oscar Cox, em 1897, foi um dos
introdutores do futebol normalizado no Rio de Janeiro, quando regressou da
Suíça, após um tempo estudando em Lausanne, e depois de ter tido contato com
o esporte (Unzelte, 2002). Em seguida, outros nomes vão aparecendo em outras
regiões do país: “Johannes Minerman e Richard Woelckers, no Rio Grande do
Sul (1900); José Ferreira Filho, na Bahia (1901); Guilherme da Aquino Fonseca,
em Pernambuco (1903), Vitor Serpa, em Minas Gerais (1904); Charles Wright,
no Paraná (1908)” (Unzelte, 2002, p. 22).
Apesar dessas versões apontarem com evidência os introdutores do
futebol no Brasil, algumas pesquisas relatam que marinheiros holandeses,
franceses e ingleses aproveitavam o tempo disponível de seus navios para
praticarem futebol em algumas praias do Rio de Janeiro após as viagens da
Europa, além de alguns empresários buscarem a disseminação desse esporte
anteriormente, mesmo sendo de forma mais tímida. Nesse sentido, “o que Miller
introduziria no Brasil seria o perfil competitivo do futebol, com suas regras,
limitações e artimanhas, provável razão pela qual ele é considerado o pioneiro
desse esporte no país” (Guterman, 2009, p. 18).
O futebol não atingiu sua popularidade de imediato, tendo em vista que,
no início do século XIX, era uma atividade secundária, na qual esportes como o
remo e o ciclismo eram protagonistas. O futebol passou a ser utilizado então
como fator de distinção social, pois era restrito a grupos que frequentavam com
exclusividade clubes compostos pela sociedade elitista, em que jovens

4
buscavam praticar uma atividade que os distanciassem das classes baixas.
Como a procura da prática desse esporte foi crescendo gradativamente, foram
nascendo os primeiros clubes brasileiros e a expansão do futebol para outros
meios.

TEMA 2 – EVOLUÇÃO DAS REGRAS

Desde a regulamentação do futebol enquanto esporte, suas regras


passaram por determinadas modificações ou inovações voltadas diretamente à
prática do jogo. Em 1863, foi escrita a primeira versão de um código de normas
relacionado a esse esporte de forma universal e, em 1886, foi fundada a primeira
instituição independente da modalidade – International Football Association
Board – pelas quatro associações de futebol britânicas (Inglaterra, Escócia, País
de Gales e Irlanda do Norte) como a entidade mundial responsável pelo
desenvolvimento e preservação das regras do Jogo (CBF, 2019).
As modificações ou inovações das regras foram sendo incorporadas no
futebol no transcorrer dos anos, possibilitando que até o início do século XX já
houvesse a introdução das principais normas que caracterizam esse esporte
praticado na atualidade. Em 1913, houve a união da FIFA1 (criada em 2004) com
a IFAB2 e, desde então, para que uma regra sofra qualquer tipo de alteração, é
necessário que o IFAB seja convencido de que a mudança trará benefícios à
prática do futebol (CBF, 2019).
As regras que estabelecem a forma e os parâmetros de disputa entre as
equipes buscam tornar a prática do esporte como algo seguro e prazeroso para
seus praticantes. Entretanto, isto requer que os jogadores respeitem seus
adversários e as decisões do árbitro, que, por sua vez, deve aplicar as regras
seguindo as normas estabelecidas e o “espírito” esportivo, a fim de tornar o
ambiente seguro e legítimo.
As regras que regulamentam a prática do futebol, tanto de forma
competitiva, quanto estética, são designadas da seguinte forma:

I – o campo de jogo; II – a bola; III – número de jogadores; IV –


equipamento dos jogadores; V – árbitro; VI – fiscais de linha; VII –
duração da partida; VIII – início da partida; IX – bola em jogo e fora de
jogo; X – contagem de gols; XI – impedimento; XII – infrações e

1
Federação Internacional de Futebol Association.
2
International Football Association Board.
5
indisciplina; XIII – o tiro livre; XIV – pênalti; XV – arremesso lateral; XVI
– tiro de meta e XVII, tiro de canto. (Toledo, 2008, p. 197)

Ao analisar o contexto histórico das regras, é possível identificar a


alteração ou evolução de cada uma delas. Como exemplo, pode-se destacar a
padronização que delimita o campo de jogo para competições nacionais ou
internacionais; os tipos de materiais usados para confecções da bola; a
obrigatoriedade da caneleira, as cores dos uniformes padronizadas, uniforme do
goleiro e inovação nas chuteiras; a introdução dos cartões amarelos e vermelhos
pela arbitragem na Copa do Mundo de 1970; delimitação do tempo de jogo com
os tempos extras; tipos de saída de bola – início de jogo, tiro de meta – e outros
tipos de bola parada etc.
Segundo a CBF (2019, p. 18), “para que uma regra seja alterada o IFAB
deve estar convencido de que a mudança trará benefícios ao futebol”. A exemplo
disso, destacamos alguns fatos históricos que ficaram marcados e foram pautas
de diversas discussões, como: o gol de mão do jogador Maradona na final da
Copa do Mundo de 1986, na qual a Argentina sagrou-se campeã mundial sobre
a Inglaterra, 2x1. A validação do gol inexistente da Inglaterra na Copa do Mundo
de 1966, contra a Alemanha; nesse lance, a bola não ultrapassou a linha da meta
do goleiro alemão. Vale destacar, também, a não marcação do pênalti para a
seleção brasileira nas quartas de finais da Copa do Mundo de 1982, o jogador
italiano puxou a camisa do brasileiro dentro da área, a camisa de Zico chegou a
rasgar.
Se esses lances fossem praticados atualmente, é muito provável que os
gols seriam invalidados e o pênalti assinalado, isso graças ao uso da tecnologia
que vem sendo implantada nas principais competições envolvendo o futebol. Na
Copa do Mundo de 2014, foi implantado o VAR – do inglês Video Assistant
Referee – com a finalidade de auxiliar a arbitragem para interpretar lances
duvidosos do jogo, como a infração cometida dentro ou fora da área; jogada de
escanteio ou tiro de meta; lances de impedimentos; entre outros. Além do chip
na bola, indicando quando a bola cruzava as linhas laterais, escanteio ou de
meta, ou seja, se ultrapassava a linha do gol.
Como em outras modalidades esportivas, atualmente é nítida a evolução
e modernização do futebol. Os materiais esportivos, os estádios e as
transmissões midiáticas estão cada vez mais qualificadas e avançadas devido à
evolução tecnológica. Nesse caminho, podemos considerar que as mudanças

6
que ocorrem anualmente nas regras buscam deixar o esporte mais dinâmico e
atrativo para o público, acabando com as sensações de injustiças que possam
ocorrer no jogo, ou seja, prevalecendo a vitória e conquista de forma justa.

TEMA 3 – ORGANIZAÇÃO DO FUTEBOL

A FIFA é considerada a entidade máxima do futebol, com sede em


Zurique, na Suíça, a instituição contém mais de 200 filiados e é responsável pela
organização das principais competições desse esporte, como a Copa do Mundo
de futebol (masculino e feminino); Mundial de Clubes; Copa das Confederações;
além de competições envolvendo categorias de base e das modalidades de
Futsal e Futebol de Areia.
Em conjunto com a FIFA, existem seis confederações continentais –
CONCACAF 3, CONMEBOL4, CAF5, UEFA6, AFC7, OFC8 – responsáveis pela
organização das competições de clubes ou seleções de países que estão
associados. Como exemplo, podemos destacar as principais competições
organizadas pela CONMEBOL: Copa Libertadores; Copa Sul-Americana;
Recopa (disputadas por clubes) e Copa América (disputada por seleções).
Na imagem a seguir, podemos visualizar a localização das confederações
e, consequentemente, os países associados:

Fugira 1 – Localização de cada Confederação associada à FIFA

Fonte: Wikipédia, S.d.

3
CONCACAF: Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe.
4
CONMEBOL: Confederação Sul-Americana de Futebol.
5
CAF: Confederação Africana de Futebol.
6
UEFA: União das Associações Europeias de Futebol.
7
AFC: Confederação Asiática de Futebol.
8
OFC: Confederação de Futebol da Oceania.
7
O continente americano é composto por duas confederações –
CONCACAF e CONMEBOL –, entretanto, três países que pertencem à América
do Sul estão associados à CONCACAF - Guiana, Suriname e a Guiana
Francesa – assim como alguns países da Ásia – Armênia, Azerbaijão, Chipre,
Geórgia, Israel e Cazaquistão – são filiados à UEFA, Confederação Europeia.
Já a Austrália, que fica na Oceania, está filiada a ACF, Confederação
Asiática. Os motivos que levam alguns países a se associar às confederações
de outro continente se baseiam em conflitos políticos ou rendimento esportivo.
Como exemplo, Israel e Austrália, respectivamente, optaram por esse tipo de
associação.
Cada Confederação continental é composta por países associados, que,
por usa vez, dirigem o futebol dentro de seu território. Portanto, o futebol
brasileiro é conduzido pela CBF – Confederação Brasileira de Futebol – na
organização das principais competições, como Campeonato Brasileiro séries A,
B, C, D; Copa do Brasil; Copa do Nordeste; Copa Verde; e outras envolvendo as
categorias de base.
O futebol no Brasil possui ainda as federações regionais, responsáveis
pelos campeonatos do tipo Paulista, Carioca, Mineiro, Gaúcho, Paranaense etc.
Essas competições possibilitam vagas aos clubes para disputa de competições
mais importantes – Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro série D.
Portanto, todas as competições do futebol de campo, areia e futsal devem
ser organizadas pelas instituições associadas e reconhecidas pela FIFA, de
outra forma, o clube ou a competição não terá reconhecimento. Destacamos, por
exemplo, a competição Primeira Liga – conhecida também como Copa-Sul-
Minas-Rio – organizada e disputada em 2016 e 2017 pelos principais clubes do
RS, SC, PR, MG e RJ (Flamengo e Fluminense). Como essa competição não
teve o reconhecimento da CBF, os clubes não tinham o direito de classificação
em outras competições voltadas ao futebol. Diferente da Copa do Nordeste ou
Copa Verde, por exemplo, nas quais a equipe campeã dessas competições
avança direto para a fase de oitavas de final da Copa do Brasil.

8
TEMA 4 – FUTEBOL: UM ESPORTE HEGÊMONICO

Nos temas anteriores, acompanhamos resumidamente sobre as origens,


o desenvolvimento e a expansão do futebol até se tornar um dos esportes mais
populares do mundo. Pesquisas divulgadas pela FIFA (2006) apontam que 265
milhões de pessoas praticam esse esporte de forma regular em todo o mundo.
Esse número aumenta para 270 milhões ao considerar os profissionais –
técnicos, funcionários dos clubes, assessores – que atuam diretamente nesse
esporte. Os dados apontam ainda que, ao considerar familiares diretos dos
praticantes, mais de 1 bilhão de pessoas estão ligadas diretamente ao futebol.
A Copa do Mundo realizada a cada quatro anos abrange torcedores ou
telespectadores de todos os países, mesmo aqueles que não participam do
torneio. Na competição disputada na Rússia, em 2018, foram mais de 3.5 bilhões
de pessoas que assistiram aos jogos da copa – de 14 de junho a 15 de julho –
sendo que somente o jogo da final – França x Croácia – atraiu aproximadamente
1.2 bilhões de telespectadores (FIFA, 2018).
Na figura a seguir, podemos conferir o percentual de telespectadores da
Copa do Mundo 2018, conforme as regiões continentais. Para melhor
compreensão, vale destacar que os dados foram baseados conforme a
localização das confederações intercontinentais da FIFA, por isso, o continente
americano se dividiu em América do Sul e América Central/Norte/Caribe e África
com o Meio Oriente.

Gráfico 1 – Número de telespectadores que assistiram a Copa do Mundo 2018.

Fonte: FIFA, 2018.


9
Com base na imagem, podemos verificar que a maior audiência de
telespectadores durante os jogos da Copa de 2018 concentrou-se na Ásia,
43,7%(1 bilhão e 559,2 milhões de pessoas); seguido pela Europa, 20% (711,7
milhões de pessoas); África e Meio Oriente, 16,6 % (590,1 milhões de pessoas);
América do Sul, 10,7% (380,4 milhões de pessoas); América do
Norte/Central/Caribe, 10,7% (306,2 milhões de pessoas); e, por fim, Oceania,
0,5% (16,7 milhões de pessoas); resultando em 3.564 bilhões de
telespectadores durante a Copa, o que corresponde a mais da metade da
população mundial.
No Brasil, os índices de audiências voltados aos jogos de futebol são bem
elevados, inclusive os programas esportivos dispõem de maior tempo a essa
modalidade. No entanto, o envolvimento do brasileiro não se designa apenas em
assistir aos jogos pela TV ou outras mídias digitais, mas, sim, em praticá-lo. De
acordo com uma pesquisa realizada pelo Diesporte (Brasil, 2013), que investigou
as modalidades esportivas mais praticadas em nosso país, o futebol foi apontado
como o primeiro esporte por 59,8% dos brasileiros, seguido do vôlei (9,7%), da
natação (4,9%) e do futsal (3,3%). Na tabela a seguir, destacamos as primeiras
modalidades esportivas apontadas pelos entrevistados:

Tabela 1 – Classificação das modalidades esportivas conforme percentual de


praticantes no Brasil (2013)

Classificação Modalidade % de praticantes


1º Futebol 59,8%
2º Voleibol 9,7%
3º Natação 4,9%
4º Futsal 3,3%
5º Handebol 2,0%
6º Basquetebol 1,8%
7º Ciclismo 1,7%
8º Caratê 1,4%
9º Capoeira 1,2%
10º Artes marciais 0,8%
11º Dança 0,7%
12º Surf 0,6%
13º Skate 0,4%
14º Boxe 0,4%
15º Jiu-jítsu 0,3%
Fonte: Adaptado de Diesporte, 2015.

Com base nos dados, podemos verificar a hegemonia do futebol em


relação às demais modalidades esportivas praticadas no Brasil. Para melhor

10
compreensão, foram destacadas na tabela as 15 modalidades esportivas mais
votadas.
Com base nos dados apontados, consideramos a grandeza do futebol
enquanto esporte em diferentes partes do mundo e, principalmente no Brasil.
Toda essa supremacia desperta paixão e outros sentimentos capazes de serem
manifestados pelo ser humano, nesse sentido, no próximo tema, apontaremos
algumas dessas manifestações das torcidas de futebol.

TEMA 5 – DIFERENTES MANIFESTAÇÕES DAS TORCIDAS DE FUTEBOL

As manifestações de torcidas de futebol são temas em diversas matérias


e debates em programas esportivos. Pesquisas e publicações científicas de
diversas áreas realizam algumas abordagens voltadas às manifestações
culturais dos torcedores – comportamentos dentro e fora do estádio, cânticos ou
gritos de guerra, maneira de dirigir-se à arbitragem e ao adversário – tanto no
Brasil, quanto em outros países do mundo.
O Brasil conta com um dos povos mais apaixonados por futebol, milhões
de torcedores acompanham seus clubes e a seleção brasileira nos estádios ou
pelos meios de transmissões – TV, internet, rádio ou jornais – para manifestar
apoio ou cobranças aos jogadores e comissão técnica. Segundo dados do Globo
Esporte (2018), durante o ano de 2018, o Flamengo foi o clube que teve a maior
média de torcedores pagantes por jogo, 37.549. Cerca de 1,2 milhão de
ingressos foram vendidos para assistir aos jogos do clube quando tinha o mando
do jogo.
Na tabela a seguir, podemos visualizar a média de torcedores pagantes
dos clubes – séries A, B, C, D – que ficaram entre os dez primeiros:

11
Tabela 2 – Média de torcedores pagantes dos clubes que ficaram entre os dez
primeiros lugares

Fonte: Adaptado de Globo Esporte, 2018.

Esses dados podem ainda aumentar em jogos de seleções mundiais ou


de clubes nas principais competições organizadas pelas principais federações
ou confederações. Nesse sentido, geralmente as torcidas de futebol realizam um
espetáculo à parte, fazendo com que esse esporte se torne ainda mais
envolvente na sociedade.
Mas, por outro lado, algumas manifestações de torcedores devem ser
condenadas no que se refere ao verdadeiro espírito do esporte. Atos de
violência; ofensas raciais, religiosas, culturais e outras atitudes de desrespeito
estão presentes com frequência em diversas cidades, estados ou países, e o
futebol, que deve ser um esporte de entretenimento entre as pessoas e culturas,
por vezes, se torna em momentos de medo ou angústias.

NA PRÁTICA

O VAR foi implantado em jogos de futebol em 2014 para analisar os lances


duvidosos e auxiliar o árbitro a tomar a decisão correta. Entretanto, essa
12
tecnologia traz algumas discussões, especialmente dois fatores. O primeiro é
visto pelo lado positivo, como a revisão de lances duvidosos que podem levar à
correção de possíveis erros. Já o segundo recebe certas críticas devido à
demora para se definir uma jogada e, muitas vezes, não mudar a opinião inicial
da arbitragem. Agora, imagine que você é presidente de um clube e seu voto
poderá decidir a implantação ou não do VAR nos jogos do um determinado
campeonato. Qual seria sua posição, favorável ou contra?

FINALIZANDO

Nesta aula apresentamos alguns contextos fundamentais para


compreender o futebol enquanto esporte. Inicialmente, abordamos o processo
sócio-histórico do futebol, desde os primórdios de atividades de pé na bola até
se tornar um dos esportes mais praticados do mundo. Apresentamos, também,
sobre a evolução das regras, a necessidade do uso da tecnologia para ajudar
nas decisões duvidosas ou evitar sentimento de injustiça, sua hegemonia e as
diferentes manifestações das torcidas de futebol, sendo que, por um lado,
contribui para espetacularização e, por outro, muitas vezes, manifesta
comportamentos contrários ao verdadeiro espírito do esporte.

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REFERÊNCIAS

BALANÇO final: veja clubes com maiores médias de público e melhores rendas
em 2018. Globo Esporte. Disponível em:
<https://globoesporte.globo.com/numerologos/noticia/balanco-final-veja-clubes-
com-maiores-medias-de-publico-e-melhores-rendas-em-2018.ghtml>. Acesso
em: 23 out. 2019.

BRASIL. Ministério do Esporte. Diagnóstico Nacional do Esporte. Brasília:


2013. Disponível em: <http://www.esporte.gov.br/diesporte/2.html>. Acesso em:
23 out. 2019.

FIFA – Fédération Internationale de Football Association. FIFA Big Count 2006:


270 million people active in football. Disponível em:
<https://www.fifa.com/media/news/y=2007/m=5/news=fifa-big-count-2006-270-
million-people-active-football-529882.html>. Acesso em: 23 out. 2019.

_____. 2018 Fifa World Cup Russia. Disponível em:


<https://resources.fifa.com/image/upload/njqsntrvdvqv8ho1dag5.pdf>. Acesso
em: 23 out. 2019.

GUTERMAN, M. O futebol explica o Brasil: uma história da maior expressão


popular do país. São Paulo: Contexto, 2009.

SANTOS, H. S. Entre negros e brancos: considerações sobre a formação da


cultura futebolística em salvador, 1901-1920. Revista de História do Esporte,
v. 2, n. 1, jun. 2009.

TOLEDO, L. H. Jogo livre: analogias em torno das 17 regras do futebol. Revista


Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 14, n. 30, p. 191-219, jul./dez.
2008.

UNZELTE, C. Livro de ouro do futebol. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

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