Atividade de laboratório 4B
Dissecação de um coração de porco
Introdução
O coração é um órgão fascinante. É uma «bomba» que durante décadas bombeia o sangue
para todos os órgãos do corpo. A sua estrutura revela a forma como o sangue circula no seu
interior e permite inferir o trajeto do sangue no corpo.
Questão-problema
Que relações existem entre a morfologia (estrutura) e a fisiologia (funcionamento) do
coração de um mamífero?
Fundamentação teórica
Princípios e teorias
• O coração é o órgão central do sistema cardiovascular dos mamíferos, pois é uma estrutura
vital para a circulação do sangue, cuja função principal é distribuir nutrientes e oxigénio e
remover os produtos de excreção.
• Nos mamíferos, a circulação é dupla e completa. O seu coração tem quatro cavidades: duas
aurículas e dois ventrículos.
• Existe um septo que separa completamente os dois ventrículos.
• Nas cavidades cardíacas do lado direito circula sangue venoso, e nas do lado esquerdo
sangue arterial.
• Cada aurícula abre para um ventrículo através de uma válvula que impede o refluxo de
sangue.
• À saída dos ventrículos existem válvulas sigmoides.
• As artérias coronárias fornecem sangue oxigenado ao músculo cardíaco – miocárdio.
Conceitos
Coração, miocárdio, cavidades e válvulas cardíacas, vasos sanguíneos, circulação dupla e
completa.
Procedimento experimental
Material
• Coração de porco
• Tabuleiro de dissecação (ou outro facilmente lavável)
• Materiais de dissecação: bisturi, sonda, tesoura, agulha e lanceta
• Luvas
Método
1. Morfologia externa do coração.
1.1 Coloque o coração no tabuleiro de dissecação.
1.2 Para poder fazer a identificação das estruturas através de esquemas ou de
fotografias, deve identificar a face ventral, o que é relativamente fácil pois é mais
arredondada.
1.3 Descubra, por palpação, os ventrículos (muito mais volumosos e consistentes) e as
aurículas (que apresentam uma prega lateral).
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1.4 Distinga as artérias das veias. As artérias têm paredes muito mais resistentes e
espessas e uma coloração mais clara.
1.5 Observe as coronárias. Faça um corte transversal numa (use o bisturi) e introduza
uma agulha de dissecação para testar a resistência da sua parede. Identifique se é
uma artéria ou uma veia.
1.6 Faça a legenda do esquema da figura (pode não dispor de todas as estruturas, por
terem sido removidas pelo fornecedor).
2. Morfologia interna do coração
2.1 Coloque o coração no tabuleiro de dissecação com a face ventral virada para cima.
2.2 Realize os cortes indicados na figura.
2.2.1 Comece por dissecar a parte à sua esquerda: iniciando o corte pela artéria
pulmonar, avance em direção ao sulco intraventricular e, com o coração
assente no tabuleiro, corte a parede do ventrículo direito com um bisturi.
2.2.2 Proceda de igual forma para a parte à sua direita.
2.3 Compare a espessura da parede dos dois ventrículos.
2.4 Observe as válvulas arteriais/sigmoides (em forma de meia lua) e as válvulas
auriculoventriculares (membranas esbranquiçadas associadas a filamentos da
mesma cor). Com uma pinça, explore a sua elasticidade.
2.5 Faça a legenda da figura 4.
Registo/apresentação de resultados
Fig. 4
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Discussão dos resultados
1. Relacione a circulação sanguínea com as diferenças que se encontram na espessura das
paredes:
1.1 das aurículas relativamente à dos ventrículos;
1.2 dos dois ventrículos.
2. Refira de que modo a estrutura das paredes de artérias e veias reflete a função de cada
vaso.
3. Explique por que razão as coronárias estão localizadas na periferia do coração.
4. Relacione o tipo de sangue transportado pelas veias (cavas e pulmonares) com as
cavidades cardíacas onde se inserem.
5. Indique a função das válvulas sigmoides e das válvulas auriculoventriculares.
6. Explique de que forma a estrutura do coração de um mamífero revela que apresenta
uma circulação dupla e completa.
Conclusão
Responda à questão-problema.
Notas para o Professor: Se quando for feita a encomenda dos corações para dissecação pedir um coração
com os pulmões garante que tem um coração com os vasos sanguíneos associados e pode ainda explorar
mais alguns órgãos, como o esófago e os pulmões.
Relativamente ao esófago, é interessante mostrar a espessura e a elasticidade da parede, bem com a
presença de tecido muscular (e referir a sua relação com os movimentos peristálticos).
Quanto aos pulmões, é útil mostrar a sua elasticidade, fazendo uma demonstração muito simples e
recorrendo a equipamento que existe nos laboratórios de física e química – uma bomba de vácuo. Sugere-se
o envolvimento do Professor dessa disciplina para transformar uma bomba de vácuo num compressor
(processo muito fácil). Então basta ligar o tubo que expele o ar à traqueia e ver os pulmões inflar
dramaticamente, aumentando em muito o seu volume. Se alguma região não se dilatar é porque está
danificada e deixa escapar o ar. Desligando o aparelho, a elasticidade do pulmão fá-lo retomar o volume
inicial. O Professor pode então lançar algumas questões para discussão:
– Que movimentos da caixa torácica implicam contrações musculares com gastos energéticos?
– Que estrutura permite a aderência dos pulmões à caixa torácica e ao diafragma? Se não existisse o que
aconteceria?
Na sua demonstração, o Professor pode ainda cortar um fragmento do pulmão e colocar em água,
evidenciando que flutua. Os alunos devem encontrar a razão de tal facto. Propõe-se ainda permitir que os
alunos explorem, através do tato, um fragmento de pulmão. Certamente vão referir a existência de
estruturas tubulares rígidas (brônquios). É uma oportunidade para o Professor questionar os alunos sobre se
conhecem estruturas similares noutros animais (traqueias dos insetos) e se têm uma função idêntica.
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