Valter Fernando Vilanculo
Resumo das aulas da cadeira de didáctica geral
Universidade Save
Resumo da aula da primeira semana
1. Introdução à Didática
• Origem etimológica da palavra “Didática” (do grego techné didaktiké –
arte ou técnica de ensinar).
• A didática é um ramo da pedagogia que estuda métodos e técnicas de
ensino.
• Jan Amos Comenius, considerado o “pai da didática moderna”, escreveu
a obra “Didática Magna”.
2. Papel e Função da Didática
• Relaciona-se à interligação entre teoria e prática no ensino.
• Estuda o processo de ensino-aprendizagem, incluindo condições, meios,
princípios, finalidades, conteúdos, objetivos e métodos.
3. Elementos da Didática (Libâneo, 1993)
1. Objetivos e conteúdos
2. Métodos de ensino
3. Avaliação
4. Organização do ensino (aula)
5. Planificação escolar
6. Relação professor-aluno
4. Dimensões da Didática
• Ensinar
• Aprender
• Pesquisar
• Avaliar
5. Importância da Didática para o Aluno
• Auxilia na construção do conhecimento e no desenvolvimento de
habilidades cognitivas.
6. Didática como Ciência da Educação
• Considerada a ciência de ensinar, investiga fundamentos e práticas da
instrução e ensino.
7. Componentes do Processo Didático
• Objetivos (gerais e específicos), conteúdos, métodos, meios e avaliação.
8. Tarefa do Professor na Didática
• O professor deve planejar, executar e avaliar o ensino com clareza e
eficácia.
9. Capacidades Didáticas do Professor
• Transmitir conhecimentos aplicáveis à vida cotidiana.
• Adaptar e recriar métodos para melhor ensinar e aprender.
10. Pilares da Educação (Delors, 1996)
1. Aprender a conhecer
2. Aprender a fazer
3. Aprender a viver com os outros
4. Aprender a ser
11. Triângulo Didático
• Três vértices:
1. O aprendiz
2. O educador
3. A atividade
12. Princípios da Didática
1. Inclusão
2. Diversidade
3. Complexidade
4. Adequação ao aluno
13. Perfil do Professor
• Saber escutar, ensinar, despertar interesse e adaptar conteúdos ao nível
dos alunos.
• Ter método de trabalho claro e eficaz.
14. Requisitos do Professor
• Vocação, empatia, justiça, alegria e capacidade de comunicação.
15. O Aluno no Processo de Aprendizagem
• Deve ser tratado conforme seu nível cognitivo e social.
• Importância do ensino positivo, escuta e uso da bondade e razão.
16. Conteúdo de Ensino
• Baseia-se no conhecimento acumulado da humanidade e na cultura da
sociedade.
17. Contexto da Aprendizagem
• Envolve fatores naturais, sociais, políticos, culturais e econômicos.
18. Tipos de Aprendizagem
• Aprendizagem Direcionada (centrada no professor).
• Aprendizagem Facilitada (centrada no aluno).
19. Estilos de Aprendizagem
• Diferentes formas como os alunos aprendem.
20. Teoria VARK
• Quatro tipos principais:
1. Visual (gráficos, mapas)
2. Auditivo (escuta e discussão)
3. Leitura/Escrita (textos)
4. Cinestésico (prática e movimento)
5. Multimodal (combinação de mais de um tipo)
21. Teoria de Kolb
• Experiência Concreta – aprendizado baseado em vivências.
• Observação Reflexiva – aprendizado por meio da observação.
• Experimentação Ativa – aprendizado por meio da prática.
22. Domínios da Aprendizagem
1. Físico (sentidos: visão, audição, tato, paladar, olfato)
2. Cognitivo (pensamento e raciocínio)
3. Emocional (psicológico e fisiológico)
23. Estilos de Ensino (Mosston)
• Comando – professor controla o ensino.
• Tarefa – professor decide objetivos, aluno tem alguma autonomia.
• Avaliação Recíproca – alunos avaliam o desempenho dos colegas.
• Programação Individualizada – aprendizado autônomo com orientação do
professor.
• Descoberta Orientada – professor guia a aprendizagem por perguntas.
• Solução de Problemas – aluno aprende resolvendo desafios.
Resumo dos trabalhos apresentados na segunda semana.
Grupo 1. A Ciência e Seu Objeto de Estudo – Histórico da Didática
A Didática tem suas raízes no pensamento de Jan Amos Komensky, também conhecido
como Comenius (1592-1670), um dos maiores educadores do século XVII. Ele é
considerado o "pai da Didática" devido às suas contribuições inovadoras para a
educação.
Objetivo de Comenius:
Ensinar "tudo a todos", promovendo uma educação acessível e ideal para todos os
indivíduos.
Biografia de Comenius:
Nasceu na Morávia (atual República Tcheca) em 1592.
Superou o pessimismo medieval, acreditando no potencial humano para o
conhecimento.
Defendeu um sistema educacional estruturado, onde todos tivessem direito ao saber.
Propôs uma educação revolucionária para a época.
Dividiu a educação em três fases:
Escola Materna: Desenvolvimento dos sentidos e aprendizado da fala.
Escola Elementar: Ensino da língua materna, ciências sociais e matemática.
Escola Latina: Foco no estudo das ciências.
Para a Universidade, sugeria aprendizado prático e viagens, reservando a academia para
os mais capacitados.
Didática Magna – O Tratado de Ensino Universal
Comenius foi um pacifista, defendendo o desarmamento e o diálogo inter-religioso.
Defendia a educação universal e igualitária para todas as pessoas, independentemente de
origem ou classe social.
Sua vida foi marcada por perseguições e exílio; faleceu na Holanda após perder sua
pátria e bens.
Os Três Princípios Fundamentais de Comenius:
Todos devem ter acesso à educação, independentemente de idade ou condição social.
A educação deve ser integral, capacitando as pessoas a se expressarem e discutirem com
sabedoria.
A formação deve abranger aspectos morais, racionais e espirituais, desenvolvendo a
verdade, sabedoria e honra.
GRUPO II
Histórico da Didática e Seu Caráter Pedagógico
Definições de Didática (Maria Amélia Castro, 1991)
A palavra Didática já era conhecida na Grécia Antiga.
Pode ser definida como a ciência que estuda estratégias de ensino, metodologias
e aprendizagem.
Não se trata apenas de treinar habilidades, mas sim de uma arte de ensinar,
como afirmava Paulo Freire.
O que é Ensinar?
Ensinar significa orientar, educar e transmitir conhecimento.
O ensino está diretamente relacionado à Didática, que surgiu como disciplina no
século XVII, revolucionando a educação.
Principais Educadores e suas Contribuições
1. Ratíquio e Comenius (século XVII) – Organizaram conhecimentos
pedagógicos.
2. Rousseau (1712-1778) – Introduziu um novo conceito de infância.
3. Pestalozzi (1746-1827) – Destacou a importância social da educação e o
desenvolvimento do aluno.
4. Herbart (1776-1841) – Defendeu a ideia da "Educação pela Instrução", que
mais tarde foi criticada pela Escola Nova.
Escola Nova (1920)
A industrialização e urbanização exigiram mudanças na educação.
A Psicologia do final do século XIX trouxe novas descobertas sobre a infância e
o aprendizado.
Evolução da Didática no Final do Século XIX
A Didática passou a ser interpretada de diversas maneiras, oscilando entre
diferentes paradigmas.
Surgiram debates sobre a relação professor-aluno.
O campo da Didática começou a se inter-relacionar com outras áreas do
conhecimento, tornando-se mais complexo e interdisciplinar.
A Didática, ao longo da história, adaptou-se às mudanças sociais, tornando-se essencial
para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.
GRUPO III
Didática no Brasil e seu Sentido Científico
Didática na Década de 1930 no Brasil
Caracterizada pelo conservadorismo e conteúdos tradicionais.
O foco estava no professor e na memorização.
A aprendizagem era exigida apenas do aluno, sem ênfase na participação ativa.
Provas serviam apenas para atribuir notas, sem preocupação com o
desenvolvimento do aluno.
Didática na Década de 1970 no Brasil
Tecnicismo como tendência dominante na educação.
Ensino rígido, baseado em atividades mecânicas, com pouco espaço para
criatividade.
O professor era visto como um aplicador de manuais técnicos, não como
mediador do conhecimento.
Valorização da eficiência por meio de planos de ensino e seleção de conteúdos.
Controle excessivo da prática pedagógica, reduzindo a autonomia do professor.
Situação Atual da Didática
Não é apenas um conjunto de orientações práticas, mas também uma ciência
teórica e explicativa.
Busca entender a relação entre ensino e aprendizagem.
Compromisso com a qualidade cognitiva da educação.
O professor assume o papel de mediador da aprendizagem, incentivando a
reflexão dos alunos.
Segundo Castro (1991), a didática teórica e prática são interdependentes,
formando um único campo de estudo.
Sentido da Ciência Didática
A Didática vem do grego e significa a arte ou técnica de ensinar.
É um ramo da Pedagogia que aplica estratégias de ensino para colocar em
prática a teoria da aprendizagem.
Tavares define a Didática como um conjunto de estratégias para operacionalizar
o ensino.
Piletti (2006) reforça que a Didática tem um caráter técnico, direcionando o
processo de aprendizagem.
Em síntese, a Didática pode ser entendida como "a técnica de estimular,
dirigir e orientar a formação do ser humano".
A Didática evoluiu de um modelo tradicional e rígido para um enfoque mais reflexivo e
integrador, destacando-se como um campo essencial para a formação de educadores e o
aprimoramento do ensino.
GRUPO IV
Didática Geral e Específica, Metodologia e o Papel do Professor
Didática Geral e Didática Específica
Didática Geral: Estuda princípios, normas e técnicas aplicáveis a qualquer
ensino, fornecendo uma visão geral da docência.
Didática Específica: Analisa os aspectos científicos de cada disciplina ou faixa
etária, identificando dificuldades e propondo soluções.
Didática e Metodologia
Ambas estudam os métodos de ensino.
A Metodologia classifica e descreve os métodos sem julgá-los.
A Didática analisa criticamente os métodos, avaliando sua eficácia.
Pode-se ser metodologista sem ser didático, mas não o contrário.
Objeto de Estudo da Didática
Piletti (2006): A técnica de ensino e a direção da aprendizagem.
Libâneo (2004): O processo de ensino-aprendizagem.
Componentes do Processo Didático
1. Conteúdos das matérias.
2. Ensino, com o professor como mediador.
3. Aprendizagem, com o aluno assimilando ativamente os conteúdos.
O ensino envolve objetivos, conteúdos, métodos, formas de organização e avaliação.
Tarefas do Professor
Objetivos principais:
Garantir a assimilação dos conhecimentos científicos.
Desenvolver autonomia e pensamento crítico nos alunos.
Auxiliar na formação da personalidade e valores dos alunos.
Fases do trabalho docente:
1. Planejamento:
o Relacionar educação escolar com objetivos sociais e políticos.
o Selecionar e organizar conteúdos conforme o contexto.
o Conhecer as características dos alunos e os programas oficiais.
2. Direção do Ensino e Aprendizagem:
o Utilizar métodos eficazes e adaptados ao perfil dos alunos.
o Expressar ideias com clareza e estimular o pensamento crítico.
o Relacionar conteúdos ao cotidiano dos alunos.
o Criar hábitos de estudo e trabalho intelectual.
3. Avaliação:
o Monitorar continuamente os resultados do ensino.
o Utilizar avaliações diagnósticas para ajustar o ensino.
o Empregar diferentes métodos avaliativos para medir o aprendizado.
Relação da Didática com Outras Ciências
Psicologia: Indica estratégias para melhor desenvolvimento da aprendizagem.
Biologia: Considera o desenvolvimento físico e a fadiga dos alunos.
Sociologia: Estuda as formas de trabalho em grupo, liderança e
responsabilidade.
Filosofia: Coordena todas as ciências envolvidas na educação.
Pedagogia e Didática
Pedagogia: Ciência da educação que reflete sobre teorias, modelos e técnicas de
ensino para aprimorá-los.
Didática: Aplicação prática dos conhecimentos pedagógicos para melhorar o
ensino.
Grupo V
Didática e Processo de Ensino-Aprendizagem
Didática Geral e Didática Específica
Didática Geral: Estuda princípios e técnicas aplicáveis ao ensino em geral.
Didática Específica: Analisa dificuldades e métodos específicos para cada
disciplina ou faixa etária.
Didática e Metodologia
Metodologia: Classifica e descreve métodos de ensino sem julgá-los.
Didática: Avalia e critica os métodos, buscando sua eficácia.
Objeto de Estudo da Didática
Piletti (2006): Direção técnica da aprendizagem.
Libâneo (2004): Processo de ensino-aprendizagem.
Componentes do Processo Didático
1. Conteúdo – Matérias a serem assimiladas.
2. Ensino – Mediação do professor.
3. Aprendizagem – Assimilação ativa do aluno.
Tarefas do Professor
Planejamento, direção do ensino e avaliação.
Desenvolvimento do pensamento crítico e autonomia do aluno.
Modalidades de Ensino
1. Ensino Tradicional – Professor como centro, aluno passivo.
2. Escola Nova – Foco na relação professor-aluno, aprendizagem ativa.
3. Concepção Tecnicista – Ênfase na eficiência e produtividade.
Características do Ensino-Aprendizagem
Processo intencional e sistemático.
Envolve transmissão e assimilação ativa de conhecimento.
Tipos de Aprendizagem
1. Motriz – Habilidades motoras e verbais.
2. Cognitiva – Aquisição de informações e conceitos.
3. Afetiva – Desenvolvimento de emoções e valores.
Fatores da Aprendizagem
Motivação: Essencial para o aprendizado.
Maturação: O aprendizado ocorre quando o indivíduo está pronto para ele.
Grupo VI
Ensino e Aprendizagem
Relação entre Ensino e Aprendizagem (Piletti, 2006)
O professor é um agente externo que colabora na aprendizagem, mas o sucesso
depende do aluno, assim como ocorre na medicina e na agricultura.
Estratégias de Ensino e Aprendizagem (Gil)
Englobam métodos, técnicas, meios e procedimentos de ensino.
Fatores do Processo de Aprendizagem (Gil)
1. Diferenças individuais – Aprendizagem varia por fatores genéticos, culturais e
educacionais.
2. Motivação – Essencial para o aprendizado; deve vir do próprio aluno.
3. Concentração – Influenciada por motivação e ambiente de ensino.
4. Reação – Alunos devem ser ativos no aprendizado.
5. Realimentação (Feedback) – Auxilia na fixação e motivação.
6. Memorização – Facilitada pela compreensão e repetição criativa.
7. Transferência – Aplicação do aprendizado em diferentes situações.
Princípios Psicológicos Aplicados à Aprendizagem (Gil)
Reconhecer diferenças individuais – Uso de testes e avaliações diagnósticas.
Motivar os alunos – Criar um ambiente envolvente e demonstrar a relevância
do conteúdo.
Manter a atenção – Uso de humor, entusiasmo, exemplos práticos e recursos
audiovisuais.
Estimular a participação – Incentivar perguntas, notas e debates.
Fornecer feedback – Escutar e orientar os alunos sobre acertos e dificuldades.
Favorecer a retenção – Organização do conteúdo, repetição criativa e
recapitulação.
Promover a transferência do aprendizado – Uso de exemplos práticos,
estudos de caso e dramatizações.
GRUPO: VII
Facilitação da Aprendizagem e Conteúdos de Ensino
Facilitador da Aprendizagem (Gil, 2012)
Rogers propõe mudar o foco do ensino para a facilitação da aprendizagem. O professor
deve possuir:
Autenticidade – Ser genuíno e expressar suas emoções sem imposições.
Apreço pelo estudante – Valorizar os alunos e suas opiniões de forma não
possessiva.
Compreensão empática – Colocar-se no lugar do estudante para tornar a
aprendizagem mais significativa.
Conceito e Organização dos Conteúdos (Libâneo, 2013)
Conteúdos de ensino – Incluem conhecimentos, habilidades, atitudes e valores
organizados pedagogicamente para assimilação e aplicação dos alunos.
Elementos dos conteúdos:
1. Conhecimentos sistematizados – Conceitos, leis científicas, fatos,
processos e fenômenos.
2. Habilidades – Capacidades intelectuais para assimilação e aplicação do
conhecimento.
3. Atitudes e convicções – Formam valores e modos de agir na vida social.
GRUPO: VIII
Critérios para a Seleção dos Conteúdos
Critérios de Gil (2012)
1. Vinculação aos Objetivos – Os conteúdos devem ser derivados dos objetivos
educacionais previamente definidos.
2. Validade – Os conteúdos precisam ser atualizados e representativos da
disciplina.
3. Significação – Devem estar relacionados às experiências dos alunos para
facilitar a assimilação.
4. Flexibilidade – Devem permitir adaptações conforme as necessidades da turma.
5. Utilidade – Devem atender aos interesses e necessidades dos alunos,
favorecendo a aplicação prática.
6. Adequação ao Nível dos Alunos – Considera fatores como idade, nível
socioeconômico, aspirações e conhecimentos prévios.
7. Adequação ao Tempo – Deve-se levar em conta o tempo disponível para
garantir profundidade no aprendizado.
Critérios de Piletti (2006)
1. Validade – Conteúdos confiáveis, representativos e atualizados.
2. Flexibilidade – Permite ajustes conforme mudanças e evolução do
conhecimento.
3. Significação – Relaciona-se às experiências dos alunos, despertando interesse.
4. Possibilidade de Elaboração Pessoal – Permite que o aluno compreenda,
compare, organize e critique a informação.
5. Utilidade – Deve ser aplicável a novas situações, conectando-se com o meio
ambiente dos alunos.
6. Viabilidade – Considera tempo e recursos disponíveis para garantir a
aprendizagem.
7. Correspondência com Objetivos Gerais – Deve estar alinhado aos objetivos
educacionais e sociais da escola.
8. Caráter Científico – Baseia-se na ciência moderna e destaca conhecimentos
essenciais.
9. Caráter Sistemático – O conteúdo deve seguir uma lógica interna e não ser
disperso.
10. Relevância Social – Deve contribuir para a participação ativa dos alunos na
sociedade.
11. Acessibilidade e Solidez – Deve ser compatível com o nível dos alunos, sem ser
excessivamente fácil ou difícil.