INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA ALBERTO CHIPANDE
MANUAL DE
INTRODUÇÃO À
ADMINISTRAÇÃO
Msc. Etelvina Cumbe
Índice
Nota Introdutória ............................................................................................................................. 1
As Organizações e a Administração: conceitos e fundamentos ...................................................... 5
O conteúdo e o objeto de estudo da administração ......................................................................... 7
Conceito de organização ................................................................................................................. 8
Eficiência, eficácia e efetividade .................................................................................................... 8
A Administração na sociedade moderna......................................................................................... 9
Teorias da Administração e das Organizações ............................................................................... 9
Administração científica ............................................................................................................... 12
A Administração como ciência ................................................................................................. 12
A obra de Taylor ....................................................................................................................... 13
Primeiro Período de Taylor ................................................................................................... 13
Segundo Período de Taylor ................................................................................................... 13
A organização racional do trabalho ...................................................................................... 14
Apreciação crítica da administração científica ............................................................................. 16
Os elementos e os princípios da Administração como as bases do processo administrativo ... 17
Os princípios da Administração .................................................................................................... 18
A obra de Fayol ............................................................................................................................. 19
A Teoria da Administração ....................................................................................................... 21
A apreciação crítica da Teoria Clássica .................................................................................... 21
Abordagem das Relações Humanas .............................................................................................. 22
Elton Mayo e a experiência de Hawthorne ............................................................................... 23
A sociedade industrializada e o homem........................................................................................ 25
A concepção de administração a partir de um novo enfoque do ser humano ............................... 26
Apreciação crítica da abordagem das relações humanas .......................................................... 26
Funções Administrativas e organizacionais .............................................................................. 27
Níveis de Administração ........................................................................................................... 28
Funções Organizacionais .......................................................................................................... 30
Habilidades dos Administradores ................................................................................................. 32
Nota Introdutória
Vários estudos indicam que a Administração foi a maior invenção do Século XX. Foi o processo
de buscar aperfeiçoar os recursos, fazê-los operar de forma ordenada, contando com pessoas que
cooperassem entre si, que fez o mundo dar um grande salto em termos de desenvolvimento. Os
inventos que marcaram o século passado não teriam a possibilidade de impactar de forma definitiva
a sociedade se não estivessem estruturados de forma planejada, organizada, dirigida e controlada,
e voltada para o alcance d e objetivos.
Este caderno contém os primeiros passos na Teoria Geral da Administração. Nele estão contidos:
os Conceitos e Objetivos da Administração; os Campos de Estudo da Administração; a
Importância do Estudo da Teoria Administrativa para o Administrador; as Bases Históricas da
Teoria Administrativa; as Tendências e Mudanças na Administração, que inclui: a Administração
Científica; a Abordagem Anatômica; a abordagem das Relações Humanas; o Modelo da
Burocracia; a abordagem sistêmica e seus desdobramentos; o resgate do Pensamento Clássico e o
Processo de Gestão (planejamento, organização, direção e controle).
As Organizações e a Administração: conceitos e fundamentos
O que você compreende por administração? Certamente, você deve ter pensado em vários tipos de
administração: de empresa, de hospital, de escola, de condomínio, do lar, de repartição pública e
muitos outros.
Pois bem, a palavra administração vem do latim ad, que significa direção, e minister, subordinação
ou obediência; isto é, uma atividade realizada por alguém sob o comando de outro.
Megginson et al. (1998) conceituam administração como sendo o trabalho realizado com recursos
humanos, financeiros e materiais a fim de atingir objetivos organizacionais por meio do
desempenho das funções de planejar, organizar, liderar e controlar.
Já para Maximiano (2006a, p. 6), a administração [...] é o processo de tomar decisões sobre
objetivos e utilização de recursos. O processo administrativo abrange cinco tipos de funções:
planejamento, organização, liderança, execução e controle.
Observe que o conceito acima caracteriza a administração de um modo geral, e se aplica a toda e
qualquer organização, seja ela de fins lucrativos ou não. É por meio da administração que as
organizações funcionam, já que necessitam de diretrizes, ações estratégicas e instrumentos que
controlem os resultados e o desempenho pretendido. Assim, podemos afirmar que a função do
administrador consiste em fazer com que as pessoas exerçam suas atividades, ao mesmo tempo em
que atendam aos anseios do cliente ou público, dos parceiros e colaboradores.
Em outras palavras, podemos dizer que a finalidade da administração é estabelecer e alcançar
objetivos e metas.
Planeja
Recuros
Organiza Para atingir os
Humanos,
Administração objectivos da
Lidera Financeiros e
organização
Materias
Controla
Como futuro administrador público você precisa desenvolver a visão sistêmica no sentido de
compreender essa interdependência entre as organizações. Para alcançar os objeti vos de uma insti
tuição pública, é fundamental considerar como as organizações privadas e de fi nalidade social
podem infl uenciar a sua decisão e os seus resultados.
As organizações, em sua maioria, necessitam organizar as funções administrativas como
planejamento e liderança e se utilizam de pessoas (recursos humanos), de dinheiro (recursos
financeiros) e de edifícios, equipamentos e matérias-primas (recursos materiais). No entanto, é
importante frisar que o modelo tradicional de organização, com estruturas definidas e equipes
extensas, não é mais predominante; e que surgem novas organizações com mínimos recursos,
outras originam-se de parcerias, muitas são criadas apenas virtualmente e atingem seus objetivos,
cumprem sua missão. O importante é que sejam bem administradas, que envolvam as pessoas e
tenham boas ideias e inovações.
É comum a palavra administração ser relacionada a empresas privadas que visam lucro. É como
se só essas empresas fossem cientificamente administradas; e ainda, só elas necessitariam de certos
controles. Pois essa é uma ideia errônea e vários são os autores que se pronunciam a respeito, como
Megginson et al. (1998). Esses autores afirmam que relacionar administração somente às empresas
privadas é uma ideia parcialmente correta, mas incompleta – uma vez que a administração é
necessária em todos os tipos de atividades e em todos os tipos de organização.
Vivemos em um mundo de organizações, sejam elas públicas, privadas ou as chamadas de Terceiro
Setor (conjunto de organizações e iniciativas privadas que visam à produção de bens e serviços
públicos. Este é o senti do positi vo da expressão. “Bens e serviços públicos”, nesse caso, implicam
uma dupla qualificação: não geram lucros e respondem a necessidades coletivas.).
Todas as atividades humanas estão organizadas e inseridas em um ambiente cada vez mais mutável
e complexo: são diversas empresas que desenvolvem produtos e serviços para atender a pessoas
ou outras organizações, que mudam constantemente, de acordo com os problemas e necessidades
que se apresentam. Podem se diferenciar quanto a: objetivos, setores (público, indústria, comércio,
serviços) e portes (micro, pequenas, médias e grandes).
Assim, para que as organizações alcancem seus objetivos, processem suas atividades e forneçam
o produto final ao usuário ou comprador, precisam de dinheiro, equipamentos, tecnologias,
pessoas, estrutura, informação, conhecimento e insumos. No entanto, para fazer uso adequado
desses recursos, precisarão de um profissional de administração, de alguém que consiga
estabelecer a interação e o envolvimento das partes durante todo o processo. Para compreender o
papel dessas organizações e como ele deve ser cumprido, você precisa estudar administração.
Provavelmente, irá fazer parte de alguma organização, seja pública ou privada, se já não faz parte.
A administração conduz as organizações de forma integrada, de modo que as áreas como gestão
orçamentária ou gestão de pessoas, por exemplo, possam convergir para os objetivos comuns, o
que, no final das contas, significa contribuir com o desenvolvimento socioeconômico do país, por
meio de produtos e serviços de qualidade. O desempenho das organizações no mundo
contemporâneo é motivo para avaliar o impacto no desenvolvimento de uma sociedade.
Maximiano (2006a) afirma que as organizações têm assumido importância, sem precedentes, na
sociedade e na vida das pessoas.
Administração é o processo de planejar organizar, dirigir e controlar o uso de recursos
organizacionais para alcançar determinados objetivos de maneira eficiente e eficaz”
(CHIAVENATO, 1999, p. 6).
O conteúdo e o objeto de estudo da administração
A Administração configura-se como uma das áreas mais complexas e desafiantes do conhecimento
humano. Em cada atividade relacionada com a Administração, as situações são altamente
diversificadas, na medida em que as organizações são extremamente diferenciadas. Assim como
não há dois seres humanos idênticos, não há duas organizações iguais. Cada organização tem sua
área de atuação, objetivos, pessoas, problemas, mercado, situação financeira, tecnologia, recursos
básicos, cultura e política de negócios. Logo, o conhecimento dos aspectos históricos e filosóficos
da Administração e suas diferentes escolas de pensamento tornam-se importante referência para o
administrador.
A tarefa básica da Administração é realizar coisas através do esforço cooperativo e sinérgico das
pessoas para a obtenção dos melhores resultados possíveis. Em qualquer forma de
empreendimentohumano, a efetividade com que as pessoas trabalham em conjunto para a
realização de objetivos comuns depende, principalmente, da capacidade daqueles que exercem a
função gerencial.
Toda organização precisa ser convenientemente administrada para alcançar os seus objetivos com
a maior eficiência e melhores resultados, e onde quer que a cooperação entre indivíduos, para a
realização de objetivos, torne-se organizada e formal, o fundamento dessa associação é a
Administração.
Assim, o objeto de estudo da Administração é a organização, inicialmente compreendida como um
conjunto de cargos, tarefas, órgãos e funções. E o objetivo precípuo da Administração é assegurar
a sobrevivência da organização, para que esta continue a atender às necessidades e expectativas da
sociedade onde ela se insere.
Conceito de organização
No senso comum, organizar-se é uma forma de ter tudo arrumado para projetar ações etc. Já na
literatura você encontrará diferentes definições. Conheça algumas:
Existe uma organização todas as vezes que duas ou mais pessoas interagem para alcançar
certo objetivo (MEGGINSON et al., 1998);
A organização consiste num grupo humano compost por especialistas que trabalham em
conjunto numa atividade comum (DRUCKER, 1994 apud CARAVANTES, 1998);
Organização é a reunião de duas ou mais pessoas trabalhando juntas cooperativamente
dentro de limites identificáveis, para alcançar um objetivo ou meta comum (SILVA, 2005);
Uma organização é um sistema de recursos que procura realizar algum tipo de objetivo ou
conjunto de objetivos (MAXIMIANO, 2006a).
Existem conceitos e princípios fundamentais em Administração que possibilitam identificar se a
organização está indo em direção à realização de suas propostas/metas ou se está fazendo outro
caminho não especificado/não esperado. Dentre esses conceitos podemos indicar três que são
fundamentais para medir o seu desempenho: a eficiência, a eficácia e a efetividade.
Quando as empresas satisfazem seus diversos públicos – como clientes, usuários, funcionários, a
sociedade de uma forma geral e o governo, entre outros – e ainda por cima resolvem seus
problemas e atingem seus objetivos, elas estão sendo eficientes e eficazes em sua administração.
Eficiência, eficácia e efetividade
Principais diferenças entre esses conceitos?
Eficiência é a capacidade de “fazer as coisas direito”; é um conceito matemático, que se estabelece
com base na relação entre entrada e saída (input e output). Um administrador eficiente é aquele
que consegue maior produtividade ou desempenho em relação à quantidade de insumos (mão de
obra, material, dinheiro, máquinas e tempo) utilizados para a sua consecução. Para Maximiano
(2006a), eficiência é a palavra usada para indicar que a organização utiliza produtivamente, ou de
maneira econômica, seus recursos. Em outras palavras, significa usar menor quantidade de
recursos para produzir mais.
A eficácia consiste na capacidade de “fazer as coisas certas” ou de conseguir bons resultados; e
isso inclui a escolha dos objetivos mais adequados e os melhores meios de alcançá-los
(MEGGINSON et al., 1998). Para Maximiano (2006a), eficácia é a palavra usada para indicar que
a organização está realizando seus objetivos. Quanto mais alto for o grau de realização dos
objetivos, maior é a eficácia organizacional.
A efetividade é a relação equilibrada e otimizada entre os resultados alcançados e os objetivos
propostos pela empresa ao longo do tempo (OLIVEIRA, 2012). Assim, podemos expressar essa
medida como manutenção da empresa no mercado, com resultados positivos ao longo do tempo e
de forma permanente. No contexto das organizações públicas, a administração é efetiva quando
consegue atender continuamente ao longo do tempo as necessidades da sociedade.
A Administração na sociedade moderna
O século XX foi palco de grandes realizações em todos os campos do saber. A Administração não
é uma exceção. Apesar de as empresas e sua gestão existirem de forma embrionária desde os
primórdios dos tempos, foi somente no início do século XX que surgiu o primeiro estudo científico
dos métodos de gestão, apresentado sob a forma de uma teoria.
Chiavenato (2003) afirma que a Administração é um fenômeno universal no mundo moderno e
que cada vez mais, a organização contemporânea demanda pelo atingimento de objetivos em uma
sociedade em que a competição é extremamente acirrada. Nesse contexto, numerosas atividades
administrativas desempenhadas pelos gestores – orientadas para áreas e problemas diversos –
precisam ser realizadas e coordenadas de maneira integrada.
Teorias da Administração e das Organizações
Neste tópico serão apresentadas a você as diversas teorias que constroem o corpo teórico da
Administração e das Organizações. Mas o que é teoria? E Teoria da Administração e das
Organizações?
No campo científico a teoria pode ser definida, segundo Kerlinger (1973, p. 9), como [...] um
conjunto de construções, definições e proposições inter-relacionadas que apresenta uma visão
sistemática dos fenômenos através de uma especificação de relações entre variáveis com o objetivo
de explicar e prever os fenômenos.
O que o autor quis dizer é que uma teoria deve:
Explicar os fatos observados (de modo o mais simples possível);
ser consistente com outro(s) corpo(s) de conhecimento e fornecer meios para a sua
verificação (testes investigativos de relações entre variáveis resultando na confirmação de
tais afirmações ou não); e
Ser útil (uma teoria é sempre um modelo).
As Teorias da Administração, segundo Maximiano (2006a), são conhecimentos organizados e
produzidos pela experiência prática das organizações. Chiavenato (2006, p. 2), assevera que “[...]
a teoria das organizações é o campo do conhecimento humano que se ocupa do estudo das
organizações em geral”. Enquanto as teorias da administração são conhecimentos organizados e
codificados em decorrência da experiência prática e empírica da administração em organizações.
Na Ciência da Administração, ao longo do tempo, os resultados de estudos, pesquisas,
experiências, levantamentos e observações nas organizações deram origem a um conjunto de
teorias, que podem ser divididas em várias correntes ou abordagens. Cada abordagem representa
uma maneira específica de encarar a tarefa e as características do Trabalho de Administração. A
classificação das escolas de Administração permite visualizar estas etapas lógicas de aprendizado.
É importante observar que as Teorias de Administração praticadas, com o passar dos anos,
receberam contribuições e influências variadas de importantes correntes de pensamento
administrativo e também de cientistas de diversas áreas do saber; e tiveram como base modelos
diversos de condução de organizações, como por exemplo: organização da Igreja Católica (modelo
de hierarquia simples); organização Militar (conceitos de unidade de comando, linha,
centralização, descentralização, estratégia); e Revolução Industrial (modelo de administração hoje
conhecido). Na elaboração das Teorias Administrativas, diversas ciências influenciaram e
contribuíram de forma efetiva para a formação do campo do conhecimento administrativo, como
a Engenharia no desenvolvimento das Teorias da Administração Científica e Clássica; a Psicologia
e Sociologia com as Teorias das Relações Humanas e Comportamental; a Biologia e Ecologia com
a Teoria Sistêmica e Estruturalista; e a Ciência Política com a Teoria da Burocracia
Levitt (1985) afirma que administrar consiste em analisar racionalmente uma situação e selecionar
os objetivos a serem alcançados, desenvolvendo sistematicamente estratégias para atingir tais
objetivos, coordenando os recursos, desenhando racionalmente a estrutura, dirigindo e controlando
com precisão, e finalmente motivando e recompensando as pessoas que trabalham para que os
objetivos sejam efetivamente alcançados, isto é, Administração é uma ciência.
De outro modo, Boettinger (1978) entende que administrar consiste em arrastar a outros, e isso
implica, para quem administra, a capacidade de compreender as necessidades e os desejos dos
outros para compartilhar com eles uma visão que aceitam como própria, isto é, administrar é uma
arte.
Por outro lado, Megginson et al. (1998) afirmam que, em muitos aspectos de planejamento,
liderança, comunicação e trato com o elemento humano, os administradores também usam as
abordagens artísticas, baseando suas decisões em julgamento, intuição ou simplesmente em
“palpite”.
A Administração é ciência; o ato de administrar é uma arte. Levitt (1985) assevera que o sucesso
está nas mãos daqueles que encaram a função que exercem com a paixão do arti sta e o método do
cientista.
As ciências sociais englobam todas as actividades que estão preocupadas em sistematicamente
investigar e explicar aspectos da relação entre o indivíduo e a sociedade da qual faz parte
(LUPTON, 1972 apud CARAVANTES, 1998). E quando se utiliza o conhecimento para agir,
então passa para o campo das Ciências Sociais Aplicadas.
As ciências sociais englobam todas as atividades que estão preocupadas em sistematicamente
investigar e explicar aspectos da relação entre o indivíduo e a sociedade da qual faz parte
(LUPTON, 1972 apud CARAVANTES, 1998). E quando se utiliza o conhecimento para agir,
então passa para o campo das Ciências Sociais Aplicadas.
A Administração é denominada Ciência Social Aplicada, pois investiga as organizações, de modo
a conhecê-las, para que possa sobre elas aplicar constantemente novos conhecimentos, teorias,
princípios, contribuindo assim com o desenvolvimento organizacional. É uma ciência que aplica
os conhecimentos à ação, como afirma Peter Drucker (é considerado por todos o pai da gestão
moderna – ciência que trata sobre pessoas nas organizações). Daí devemos observar que se trata
de uma ciência não exata, que possibilita a cada ação receber reações distintas que vão depender
do momento, das pessoas envolvidas, do modo como se definiu o problema, do local onde se agiu
etc.
Administração científica
A Escola da Administração Científica possui uma abordagem que se baseia na ênfase colocada nas
tarefas. Teve seu início no começo do século XX e sua figura central é o engenheiro americano
Frederick Winslow Taylor.
Foi denominada Administração Científica devido à tentativa de aplicar os métodos científicos a
problemas da Administração, a fim de aumentar a eficiência das indústrias.
A Administração Científica mudou completamente o pensamento administrativo, revolucionando
o mundo industrial naquela época.
A Administração como ciência
Taylor foi o primeiro a fazer uma análise completa do trabalho. Para ele, a Administração e a
organização devem ser estudadas de maneira científica e não empírica. Taylor ficou conhecido
pelo seu estudo dos tempos e movimentos. Também treinou os operários, estabeleceu padrões de
execução das tarefas e especializou o pessoal. Ele não acreditava em improvisação; tudo tinha que
ser planejado.
Nos padrões de produção podemos ver a aplicação da Escola Científica na padronização das
máquinas, no estabelecimento de rotinas para a execução de tarefas e no incentivo aos
trabalhadores com prêmios para aumentar a produtividade.
A Administração Científica possui como principal objetivo assegurar o máximo de prosperidade
ao patrão e, ao mesmo tempo, ao empregado também. Deve haver, então, uma identidade de
interesses entre empregador e empregado; deve haver uma harmonia no ambiente de trabalho.
A obra de Taylor
Frederick Winslow Taylor (1856-1915), fundador da Administração Científica, nasceu em
Filadélfia, Pensilvânia. Era um engenheiro americano que buscava melhorar a eficiência industrial.
Nasceu em uma família quaker muito rica e foi educado com muita disciplina, devoção ao trabalho
e poupança. Ele queria ir para a Universidade de Harvard, porém por causa de um problema de
visão, foi forçado a escolher uma carreira alternativa. Começou a trabalhar na Midvale Steel Co.
Lá, o preço da tarefa era fixo por hora e os operários reduziam o ritmo da produção para aumentar
seu pagamento. A partir de então, começou a estudar o problema de produção da fábrica a fim de
achar uma solução que atendesse tanto empregadores quanto empregados.
Primeiro Período de Taylor
Nesse período, Taylor mostrou as técnicas de racionalização do trabalho do operário através do
Estudo de Tempos e Movimentos (Motion-time Study) no seu livro Shop Management (1903). Tal
Estudo consistia na análise do trabalho de cada operário, dividindo os processos e movimentos
realizados com o objetivo de racionalizá-los e aperfeiçoá-los.
Taylor dizia que a Administração tinha como objetivo pagar salários melhores e reduzir os custos
da produção. Para tanto, deveriam ser aplicados métodos científicos de pesquisa. Acreditava que
os empregados deveriam ser escolhidos cientificamente e colocados em lugares com condições
adequadas de trabalho. Deveriam, também, ser treinados a fim de aperfeiçoar suas habilidades.
No ambiente de trabalho era necessário que houvesse uma atmosfera harmônica e cordial entre os
trabalhadores para que houvesse uma produtividade maior.
Segundo Período de Taylor
Nesse período, concluiu que deveria haver uma estruturação geral para acompanhar a
racionalização do trabalho. Isso era necessário para que os princípios fossem aplicados de maneira
coerente.
Taylor achava que a indústria daquela época sofria de três problemas: a vadiagem dos operários,
o desconhecimento por parte da gerência das rotinas de trabalho e, a falta de uniformidade das
técnicas de trabalho.
Com o propósito de acabar com esses problemas, criou a Administração Científica. Dizia que esta
é uma combinação de: ‘‘Ciência em lugar de empirismo. Harmonia em vez de discórdia.
Cooperação e não-individualismo. Rendimento máximo em lugar de produção reduzida.
Desenvolvimento de cada homem a fim de alcançar maior eficiência e prosperidade.
(CHIAVENATO, 2003).’’
A organização racional do trabalho
Podemos chamar de Organização Racional do Trabalho (ORT) a tentativa de substituir processos
empíricos pelos métodos científicos. A ORT se fundamenta nos seguintes aspectos:
1. O estudo da fadiga humana Tal estudo evita movimentos desnecessários na execução de
uma tarefa. Baseia-se na anatomia e fisiologia humanas. Propõe a adequação dos
movimentos do corpo ao material e local de trabalho para que a fadiga seja reduzida.
2. A análise do trabalho e do estudo dos tempos e movimentos Essa análise ajudou a eliminar
movimentos inúteis, estabelecer uma base uniforme para os salários, definir uma rotina
para a execução de trabalhos, entre outras coisas. Esse estudo também ajudou Frank
Gilbreth, outro seguidor da Administração Científica, a reduzir o trabalho manual a
movimentos elementares, aos quais chamava de therbligs.
3. 3. A divisão do trabalho e especialização dos operários Tanto a divisão do trabalho quanto
a especialização dos operários foram conseqüências do estudo dos tempos e movimentos.
A partir daí, cada operário passou a se especializar em uma única tarefa a fim de se ajustar
a padrões e normas de desempenho.
4. 4. Desenho de cargos e tarefas Nessa etapa, especificou-se o conteúdo, como executar as
tarefas e as relações com os outros cargos existentes. O desenho de cargos e tarefas permitiu
uma admissão de empregados com menores custos de produção, uma redução nos erros de
execução e uma facilidade de supervisão, além da melhoria na eficiência do trabalhador.
5. Incentivos salariais e prêmios de produção A idéia básica da implementação de incentivos
era de que a remuneração baseada na produção de cada operário (salário por peça
produzida) motivaria muito mais os empregados do que aquela baseada no tempo (salário
mensal, diário ou por hora).
6. Conceito de homo economicus O homo economicus, ou, homem econômico é aquele ser
que é basicamente influenciado por recompensas econômicas, salariais e materiais. Ele não
faz um trabalho porque gosta, mas pela necessidade de receber dinheiro para viver. Assim,
os incentivos salariais e os prêmios de produção fazem com que o homem dê o máximo de
si para obter um ganho maior.
7. Condições ambientais de trabalho A adequação dos instrumentos, máquinas, utensílios de
trabalho era necessária para diminuir a quantidade de movimentos desnecessários, o
esforço feito pelos operários e, também, a fadiga. Percebeu-se que em um ambiente com
melhores condições de trabalho, como menos ruídos, mais ventilação, iluminação e
conforto, a produção só tendia a aumentar.
8. Padronização de métodos e máquinas A partir de então, houve certa uniformidade em
métodos e processos de trabalho envolvendo máquinas, equipamentos, ferramentas,
matérias primas e componentes. Assim, evitava-se desperdício e se aumentava a eficiência.
9. Supervisão funcional Taylor era contra a centralização de autoridade. Ele propunha a
existência de diversos supervisores, cada qual especializado em determinada área e
possuidores de autoridade funcional sobre os mesmos subordinados.
Os princípios da administração científica
Após anos de experimentos para determinar melhores métodos de trabalho, Taylor propôs os
quatro princípios da Administração Científica:
Substituir os métodos empíricos por métodos baseados em um estudo científico das tarefas
(Princípio do Planejamento);
Selecionar, treinar e preparar cientificamente os trabalhadores, ao invés de deixá-los treinar
a si mesmos de maneira passiva (Princípio do Preparo);
Trabalhar junto com os operários para assegurar que o método cientificamente
desenvolvido está sendo seguido (Princípio do Controle);
Dividir o trabalho quase que igualmente entre trabalhadores e gerentes, de forma que os
gerentes apliquem os princípios da Administração Científica no planejamento do trabalho
e, que os trabalhadores façam as tarefas (Princípio da Execução).
Esses princípios foram aplicados em várias fábricas, na maioria das vezes aumentando sua
produtividade.
Apreciação crítica da administração científica
De acordo com Chiavenato (2003), a obra de Taylor, e seguidores, é suscetível de críticas, que não
diminuem o mérito e o galardão de pioneiros e desbravadores da nascente Teoria da
Administração. Esse autor destaca que na época, a mentalidade reinante e a falta de conhecimento
sobre assuntos administrativos, além da precária experiência industrial e empresarial não
apresentavam condições propícias de formulação de hipóteses nem o suporte adequado para
elaboração de conceitos rigorosos. As principais críticas à Administração Científica são as
seguintes:
a) Mecanismo exacerbado
Tal mecanismo é restrito às tarefas, aos cargos, métodos e tempos e movimentos. A Administração
Científica era pouco voltada às pessoas. Os chamados incentivos eram utilizados apenas como
motivação, porém eram passivos e sem iniciativa. O trabalho especializado era humilhante e
repetitivo. Havia uma exploração do trabalhador. No entanto, Taylor acreditava que o
conhecimento é uma fonte produtiva e deve ser sistemático, trazendo produtividade.
b) Especialização do operário
Com a divisão e a subdivisão de tarefas, ficava mais fácil selecionar, supervisionar e treinar os
operários, porém o nível de insatisfação dos operários era alto.
c) Visão microscópica das pessoas
Individualiza cada um em relação aos seus instrumentos e companheiros. O homem era o apêndice
do maquinário industrial.
d) Ausência de comprovação científica
Apesar de tentar utilizar métodos científicos, a verdade é que, na Administração Científica de
Taylor, muitos dos métodos utilizados eram empíricos, baseados em evidências e dados.
e) Abordagem incompleta da organização
A abordagem da organização omitia aspectos informais e humanos, além de ignorar as interações
entre os indivíduos, como se estes fossem seres isolados. Voltada somente para os problemas da
fábrica, essa abordagem esquecia-se de focar no resto da organização.
f) Limitação do campo de ação
A tecnologia da Administração Científica permanecia inalterada, pois o campo de ação era sempre
o mesmo. As mesmas operações nas fábricas, processos estáveis e previsíveis.
g) Abordagem prescritiva e normative
Taylor já tinha um receituário antecipado para cada situação. Essa abordagem visualiza a
organização como deveria funcionar ao invés de explicar seu funcionamento.
h) Abordagem de sistema fechado
As empresas eram vistas como se estivessem no vácuo, de maneira previsível, como se fossem
autônomas, fechadas e mecânicas. Algumas variáveis eram levadas em consideração, porém a
maioria delas era omitida.
i) Pioneirismo
Por ser uma abordagem pioneira, havia imaturidade no diagnóstico. Na Administração Científica,
a competência técnica era o principal requisito aliando-se aos métodos utilizados, o tipo de
engenharia e equipamentos necessários.
Porém, para os fundadores desta Escola era fundamental que as organizações fossem guiadas pela
seguinte máxima: “[...] uma maneira de ganhar dinheiro é deixar de perdê-lo”. E, eles afirmavam
que isso só pode ser alcançado lutando contra o desperdício de esforço, energia, maquinário e
tempo e contra a displicência e instabilidade.
Os elementos e os princípios da Administração como as bases do processo administrativo
Na definição de Fayol, Administração é a realização de atividades administrativas. Os elementos
dessa Administração são o POC3, representados por:
Previsão – avalia o futuro, estabelecendo um plano e fazendo todas as provisões para que
este se realize;
Organização – cuida dos recursos humanos e materiais a fim de que transformem o plano
em ação;
Comando – orienta os empregados para que as tarefas sejam feitas;
Coordenação – é conseqüência da unificação e harmonia das demais atividades e esforços;
Controle – verifica se tudo está acontecendo de acordo com as regras estabelecidas e
expressas pelo comando.
Fayol denominou esses elementos de funções administrativas. Para ele, a principal função
administrativa era a previsão.
Outros autores clássicos possuem maneiras diferentes para definir os elementos da Administração.
Um exemplo é Urwick, que os divide em: Investigação, Previsão, Planejamento, Organização,
Coordenação, Comando e Controle. Temos também Gulick que, por sua vez, divide os elementos
em Planejamento, Organização, Assessoria, Direção, Coordenação, Informação e Orçamento.
É visível que esses outros autores não diferem muito da concepção fayoliana.
Os princípios da Administração
Grande parte dos princípios sugeridos por Fayol ainda são considerados úteis pelos
administradores da atualidade.
Fayol sugeriu os seguintes princípios da Administração:
Especialização do Trabalho – a especialização encoraja a melhoria contínua das
habilidades e desenvolvimento dos métodos; • Autoridade – o direito de dar ordens e o
poder de exigir obediência;
Disciplina – nada de quebrar as regras ou fazer um trabalho mal feito;
Unidade de Comando – cada empregado possui um único chefe;
Unidade de Direção – uma única pessoa cria um plano e todos participam desse plano;
Subordinação do Interesse Individual ao Interesse Geral – quando no trabalho, deve-se
somente pensar e tentar alcançar os objetivos e interesses da organização;
Remuneração – os empregados recebem um pagamento justo pelos seus serviços e não
somente o que a empresa decide;
Centralização – consolidação das funções administrativas. As decisões são feitas pelos
superiores;
Cadeia Escalar (linha de autoridade) – uma cadeia formal de comando indo do topo à base
da cadeia, como a organização militar;
Ordem – todos os materiais e pessoal possuem um lugar certo e eles devem permanecer
naquele lugar;
Equidade – igualdade no tratamento de operários e chefes, mas não necessariamente
tratamento idêntico;
Estabilidade do Pessoal no Cargo – a retenção dos trabalhadores mais produtivos deve ser
prioridade da administração. Devem-se evitar trocas de pessoal;
Iniciativa – deve-se encorajar a iniciativa do trabalhador, definida como uma nova
atividade empreendida por vontade própria;
Espírito de Equipe – harmonia e boa vontade entre o pessoal, já que eles são as grandes
forças da organização.
Dos 14 princípios, Fayol considerava os mais importantes: especialização, unidade de comando,
cadeia escalar e coordenação de gerentes (uma junção de autoridade e unidade de direção).
A obra de Fayol
Henri Fayol (1841-1925) nasceu em Constantinopla. Vindo de uma família burguesa, estudo no
Liceu de Lyons, na França, e, em 1860, se graduou engenheiro de minas pela Escola Nacional de
Minas em Saint Étienne. A seguir, começou a trabalhar na mineração de carvão e fundição de
ferro.
Em 1916, publicou o livro Administration Industrielle et Générale, expondo, neste, suas idéias
sobre a Teoria da Administração. Segundo Chiavenato (2003), Fayol diz que toda empresa possui
seis funções básicas:
Funções técnicas – relacionadas à produção de bens e serviços;
Funções comerciais – relacionadas à compra, venda e troca; • Funções financeiras –
relacionadas à gerência e procura de capitais;
Funções de segurança – relacionadas à proteção e preservação de bens e pessoas;
Funções contábeis – relacionadas aos inventários, registros, balanços, custos e estatísticas;
Funções administrativas – coordenam e sincronizam as demais funções.
Para Fayol, os elementos de previsão, organização, comando, coordenação e controle são aqueles
que definem a Administração. Constituem o chamado processo administrativo, ou seja, cada
colaborador da empresa irá, independente de seu nível hierárquico, utilizar tais elementos para
desempenhar suas atividades.
Ele acreditava que a função administrativa era proporcional a todos os níveis. Dividia-se em entre
eles, não se concentrando somente no topo da pirâmide hierárquica.
Diferenciava organização de administração. Para ele, a organização encontra-se dentro da
administração. Administração é um conceito mais amplo, geral, um conjunto de processos
interligados e unificados, e que abrange mais processo que a organização. A organização seria
somente a estrutura e/ou forma.
Fayol (apud SILVA, 2004) assegurava que qualquer organização necessitava de administração,
fosse do tipo de comércio, indústria, política, religião, militar ou filantrópica; em qualquer
condição, existe uma função administrativa a ser desempenhada. Ele ressaltava ainda, a
necessidade da profissionalização e do ensino da Administração.
Silva (2004) destaca também que Fayol afirmava que os administradores necessitavam de certas
qualidades, conhecimentos e experiências, como:
a) Qualidades físicas – saúde, vigor, trato;
b) Qualidades mentais – habilidade de aprender, entender, julgar, e ter vigor mental e
adaptabilidade;
c) Qualidades morais – energia, firmeza, iniciativa, disposição para responsabilidade,
lealdade, dignidade, tato;
d) Educação geral – familiaridade geral com outros assuntos não exclusivamente da função
desempenhada;
e) Conhecimento especial – aquele peculiar à função seja técnica, comercial, financeira,
administrativa, entre outras;
f) Experiência – conhecimento advindo do próprio trabalho, o conjunto de lições que uma
pessoa tira das coisas.
Uma avaliação prematura de Fayol (conforme SILVA, 2004) colocou o seu trabalho em
competição ou contraste com o trabalho de Taylor. Mas Fayol insistia que não era assim e que os
trabalhos eram complementares no sentido de que ambos procuravam a melhoria administrativa
por caminhos diferentes de análise.
A Teoria da Administração
A Teoria da Administração (TA) tem seu início juntamente com o estudo da Administração
Científica. Esta possui uma concepção tradicional, hierarquizada e antiga do que é organização.
Ela abrange o estabelecimento da estrutura e da forma. A preocupação com a estrutura e forma da
organização é a essência da TA. A estrutura organizacional constitui uma cadeia de comando, uma
linha de autoridade que conecta as posições da organização e define quem está subordinado a
quem.
A divisão do trabalho é a razão da organização e, a leva à especialização e diferenciação das tarefas.
A divisão do trabalho pode ser tanto vertical (segundo os níveis de autoridade e responsabilidade)
quanto horizontal (segundo os diferentes tipos de atividades da organização).
Para Fayol, coordenar é reunir, harmonizar e unificar toda a atividade e esforço de uma
organização, e, portanto, será tão necessária quanto o tamanho desta organização. Por exemplo,
quanto maior a organização, maior será a necessidade de coordenação para assegurar sua
eficiência.
Fayol dava preferência pela organização linear, que é um tipo de estrutura organizacional em forma
de pirâmide. Nesse tipo de organização ocorre a supervisão linear que se baseia na unidade de
comando e que é vital para a organização. Na organização linear, os órgãos de linha seguem o
princípio escalar, porém não devemos confundir órgãos de linha com órgãos de staff. Os órgãos
de staff são órgãos estranhos às atividades dos órgãos de linha e, portanto, possuem uma autoridade
diferente. A autoridade de linha é a autoridade na qual os gerentes possuem o poder formal de
controlar e gerenciar seus subordinados imediatos. Por sua vez, a autoridade de staff é aquela
atribuída aos especialistas de staff em sua área de atuação.
A apreciação crítica da Teoria Clássica
Embora tenha tentado substituir o empirismo, a Teoria Administrativa Clássica possui seus
conceitos fundamentados na observação e senso comum. Seus métodos são, sim, empíricos e
concretos, baseados somente na experiência direta e no pragmatismo. Tais métodos não
confrontam a teoria com elementos de prova.
Essa Teoria aborda a organização de uma maneira muito simplificada. Seus autores limitam-se a
organização formal estabelecendo sistemas lógicos, e sendo, assim, prescritivos e normativos. Os
autores se esquecem de voltar, também, seus focos para a organização informal e, apesar de não
ignorarem os problemas humanos da organização, não deram tratamento sistemático à interação
entre pessoas e grupos informais.
A Teoria Clássica mostrava a organização somente por um prisma do comportamento mecânico,
como se esta fosse uma máquina. Mostrava a organização como um sistema fechado, com algumas
variáveis, mas estas eram muito previsíveis. O abstracionismo e formalismo dos autores clássicos
são criticados por levarem a análise da Administração à superficialidade, à supersimplificaçao e à
falta de realismo. Porém, apesar de todas as críticas, essa ainda é a abordagem mais utilizada para
os iniciantes de Administração, justamente por permitir uma visão simples e ordenada.
Abordagem das Relações Humanas
As origens da Teoria das Relações Humanas
A Teoria das Relações Humanas surgiu nos Estados Unidos e constituiu-se num movimento de
reação e oposição à Teoria Clássica da Administração. Sua origem está fundamentada, sobretudo
nos seguintes fatos (CHIAVENATO, 2003):
a) Necessidade de humanizar e democratizar a Administração – baseada nos princípios
presentes na sociedade americana de então, havia as idéias da democratização dos
conceitos administrativos. Havia claro desejo de substituição dos conceitos rígidos e
mecanicistas presentes na Teoria Clássica;
b) O desenvolvimento das Ciências Humanas – tal ramo das Ciências buscava demonstrar a
inadequação dos princípios da Teoria Clássica. Ou seja, esta teoria foi feita em oposição à
Teoria Clássica, que havia colocado a tecnologia e o método de trabalho como as
principais preocupações da administração. Dentre essas ciências, destaca-se a forte
influência da Psicologia;
c) As idéias da filosofia pragmática de John Dewey e da Psicologia Dinâmica de Kurt Lewin
(fundador da Psicologia Social) – tais idéias foram fundamentais para o humanismo na
Administração servindo de base para a construção dos pilares dessa abordagem;
d) As conclusões da experiência de Hawthorne – essa experiência realizada na fábrica de
Hawthorne da Western Eletric Company, situada em Chicago, foi decisiva para a criação
dos fundamentos dessa abordagem.
Elton Mayo e a experiência de Hawthorne
George Elton Mayo, psicólogo industrial australiano que por volta de 1920 foi lecionar na
Universidade de Harvard nos Estados Unidos, coordenou a experiência, realizada no período de
1927 e 1932, na fábrica de Hawthorne da Western Eletric Company.
O objetivo da pesquisa era avaliar a correlação entre iluminação e eficiência dos operários, medida
por meio da produção. Os experimentos estenderam-se também à fadiga aos acidentes no trabalho,
à rotatividade do pessoal (turnover) e ao efeito das condições de trabalho sobre a produtividade do
pessoal. A pesquisa desenvolveu-se em quatro fases, a saber:
1ª Fase – Os estudos da iluminação – aqui, foram escolhidos dois grupos de operários que faziam
o mesmo trabalho e em condições idênticas: um grupo de observação trabalhava sob intensidade
de luz variável, enquanto o grupo de controle tinha intensidade constante. Os pesquisadores
pretendiam conhecer o efeito da iluminação sobre o rendimento dos operários.
Chiavenato (2003) assinala que os observadores não encontraram correlação direta entre ambas as
variáveis, mas verificaram a presença de uma variável inesperada, denominada fator psicológico.
Dessa forma, surge a preponderância do fator psicológico sobre o fator fisiológico, ou seja, a
eficiência dos operários é afetada por condições psicológicas.
2ª Fase – Sala de Montagem de relés – diante dos achados da primeira fase, os pesquisadores
prosseguiram os estudos por outro caminho. Eles isolaram um pequeno grupo de trabalhadores
numa sala especial, de modo que o comportamento desse grupo pudesse ser sistemática e
cuidadosamente observado: cinco moças montavam os relés, enquanto uma sexta operária fornecia
as peças para abastecer o trabalho. A sala de provas era separada do departamento que fazia
originalmente esse trabalho por uma divisão de madeira. O equipamento de trabalho era idêntico
ao utilizado no departamento, apenas incluindo um plano inclinado com um contador de peças que
marcava a produção em fita perfurada. A produção foi o índice de comparação entre os dois grupos.
Essa fase foi subdividida em 12 períodos para observar a produção. Em cada um deles alterava-se
uma variável e por vezes, voltava-se às condições iniciais e retirava-se, sem que soubessem, todos
os fatores intervenientes. O supervisor cuidava de manter um clima amigável entre os operários.
O resultado evidenciou que a produção cresceu seguidamente. Ou seja, o fator psicológico
evidenciado na primeira fase, tornou a aparecer.
3ª Fase – O Programa de Entrevistas – os resultados obtidos na segunda fase demonstraram que a
ação do supervisor fazia grande diferença. Até então, pouco se sabia sobre reclamações dos
empregados ou que tipos de comportamento dos supervisores contribuíam para o alto ou baixo
moral do empregado. Com o intuito de obter informações relativas ao observado nas fases
anteriores, os pesquisadores decidiram entrevistar um grupo de empregados, objetivando aprender
mais sobre suas opiniões com respeito ao trabalho, às condições de trabalho e à supervisão. O
número de entrevistados foi crescendo tanto a ponto de terem sido entrevistados mais de 21.000
empregados. Ficou patente que os empregados valorizavam a organização informal, fazendo com
que se mantivessem unidos através de laços de lealdade que quando é colocada à prova entre o
grupo e a empresa há geração de conflito, tensão, e descontentamento. Esses resultados ensejaram
a quarta fase.
4ª Fase – Sala de Montagem de Terminais – foi escolhido um grupo experimental para trabalhar
em uma sala especial com condições de trabalho idênticas às do departamento. A tarefa dos
operários da sala era enrolar bobinas para terminais de centrais telefônicas. Um observador ficava
dentro da sala e um entrevistador do lado de fora entrevistando o grupo. A dinâmica objetivava
analisar a organização informal dos operários. Logo ficou evidente que qualquer que fosse a
determinação da alta administração, o grupo tinha sua própria opinião sobre as quantidades que
deveriam produzir. O princípio fundamental do grupo era que ninguém devia trabalhar demais e
nem de menos; ninguém deveria dizer qualquer coisa aos superiores que prejudicasse outro
companheiro; todos tinham que aceitar as ordens do grupo informal. Essa fase permitiu o estudo
das relações entre a organização informal dos empregados e a organização formal da fábrica.
O resultado final da experiência de Hawthorne permitiu a obtenção de algumas conclusões de
grande importância para o estudo da Administração, como:
a) O nível de produção é resultante da integração social;
b) O comportamento do indivíduo se apóia totalmente no grupo;
c) O comportamento dos trabalhadores está condicionado por normas e padrões sociais;
d) A empresa passou a ser visualizada como uma organização social composta de grupos sociais
informais, cuja estrutura nem sempre coincide com a organização formal da empresa;
e) No local de trabalho, as pessoas participam de grupos sociais dentro da organização e mantêm-
se em uma constante interação social;
f) A especialização não é a maneira mais eficiente de divisão do trabalho, pois os operários
trocavam de posições para evitar a monotonia;
g) Os elementos emocionais não planejados e irracionais do comportamento humano merecem
atenção especial da Teoria Administrativa.
A sociedade industrializada e o homem
Chiavenato (2003) destaca que a Teoria das Relações Humanas teve o mérito de mostrar o
esmagamento do homem pelo impetuoso desenvolvimento da civilização industrializada. Esse
autor assinala que os métodos de trabalho presentes nas empresas buscam precipuamente a
eficiência e não a cooperação. Ou seja, a cooperação humana não é resultado de determinações
legais ou da lógica organizacional e que, portanto, faz-se necessário o entendimento de que:
a) O trabalho é uma atividade tipicamente grupal. Assim, a figura humana que surge como
resultado dessas experiências é a do homo social que valoriza as recompensas simbólicas em
oposição ao homo economicus da Teoria Clássica que valoriza as recompensas financeiras;
b) O operário não reage como indivíduo isolado, mas como membro de um grupo social;
c) A tarefa básica da Administração é formar uma elite capaz de compreender e de comunicar-se
com chefes democráticos, persuasivos e simpáticos com todo o pessoal;
d) O ser humano é motivado pela necessidade de “estar junto”, de “ser reconhecido”, de receber
adequada comunicação;
e) A civilização industrializada traz como conseqüência a desintegração de grupos primários da
sociedade, como a família, os grupos informais e a religião, enquanto a fábrica surgirá como uma
nova unidade social.
Pelo exposto, verifica-se que há um conflito social na sociedade industrial: a incompatibilidade
entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais dos empregados. Mayo (apud
CHIAVENATO, 2003) não vê a possibilidade de solução construtiva e positiva do conflito social.
Para ele, o conflito social é o germe da destruição da própria sociedade.
A concepção de administração a partir de um novo enfoque do ser humano
As conclusões de Mayo (apud MAXIMIANO, 2000) lançaram bases de uma nova filosofia de
Administração: a filosofia das Relações Humanas. Outros autores, alguns dos quais vinham
desenvolvendo trabalhos anteriores produziram outras contribuições que se juntaram para compor
o moderno enfoque comportamental. Na década de 30, Kurt Lewin liderou pesquisas a respeito da
influencia do grupo sobre o comportamento individual, e a partir do seu trabalho desenvolveramse
os conceitos e as técnicas da chamada “dinâmica de grupo”. Nos anos 50 e 60, tiveram grande
expansão os estudos e as pesquisas sobre liderança e motivação. Nos anos 90, começou a
estabelecer-se a Teoria da Inteligência Emocional que destaca a necessidade de maturidade e
equilíbrio emocional para o exercício de atividades profissionais.
A maior contribuição da Teoria das Relações Humanas, portanto, foi ressaltar a necessidade de
boas relações humanas no ambiente de trabalho, o tratamento mais humano dado às pessoas, a
adoção de uma administração mais democrática e participativa em que as pessoas possam ter um
papel mais acentuado e dinâmico. Esses pressupostos vêm orientando às organizações a investirem
no treinamento e no desenvolvimento de cursos na área, para os supervisores de primeira linha na
grande maioria das organizações industriais, a fim de melhorar o tratamento dado às pessoas e
propiciar um ambiente psicológico de trabalho mais favorável e amigável (CHIAVENATO, 1999).
Apreciação crítica da abordagem das relações humanas
Prestes Motta (2002) nos diz que devemos distinguir as críticas específicas à obra de George Elton
Mayo daquelas mais amplas, feitas à Teoria das Relações Humanas. Em relação à obra de Mayo
propriamente dita (ele publicou três livros) há críticas tanto dos industriais quanto dos psicólogos
e dos sociólogos.
Os industriais apontavam que as conclusões de Mayo são verdadeiras, mas inaplicáveis pois o que
a indústria quer mesmo é a obtenção do lucro e não a felicidade geral dos trabalhadores. Há outras
críticas que dizem o oposto: que Mayo quer iludir os trabalhadores em busca de maior
produtividade e lucro. Outra corrente de industriais destaca que as conclusões dos estudos de Mayo
valorizam o trabalhador em detrimento do consumidor, pois o sistema proposto onera a empresa e
aumenta os custos para o cliente final.
Os psicólogos, por seu turno, dizem que as conclusões de Mayo são verdadeiras, mas óbvias e que
outros psicólogos já haviam chegado a mesma conclusão anteriormente. Prestes Motta (2002)
rebate essa acusação afirmando que Mayo redescobriu a importância dos grupos informais, tirando
esse conceito do âmbito restrito das ciências comportamentais e transpondo para as ciências
administrativas.
Já os sociólogos, criticam Mayo, afirmando que suas conclusões não vão ao fundo ao problema,
pois ele não considerou o meio social dos trabalhadores, usou o método empírico de pesquisa e
suas conclusões favoreciam mais a administração da empresa do que os operários.
Na perspectiva de uma crítica mais ampla à Teoria das Relações Humanas propriamente dita,
Prestes Motta (2002) chama a atenção de que o interesse da administração nos problemas de
cooperação é uma conseqüência da especialização, mas a “ciência” das relações humanas que daí
resulta está mais interessada na manipulação ideológica do trabalhador do que em resolver os
problemas de ajustamento da estrutura individual. Esse autor ressalta que o ajustamento é
essencial, pois em uma organização burocrática, o conflito não pode ser oficialmente reconhecido,
pois reconhecê-lo seria legitimá-lo, coisa que o poder hierárquico burocrático não tem interesse.
O movimento das Relações Humanas pretendeu resolver – no plano teórico – o problema do
conflito por meio de sua simples negação, gerando desdobramentos estudados por outras correntes
do pensamento administrativo. Portanto, o que se vê ao longo dessas considerações é que os
conceitos predominantes sobre natureza humana vão se tornando mais complexos, à medida que
vão também aumentando os conhecimentos sobre o comportamento humano.
Funções Administrativas e organizacionais
Uma das primeiras classificações das funções administrativas foi feita por Henry Fayol, em 1916,
que sugeriu como funções principais a previsão, a organização, a coordenação, o comando e o
controle. Em qualquer que seja a organização privada (indústria, comércio, serviço), pública
(autarquias, empresas públicas, Estado etc.) ou do terceiro setor (ONGs, OSCIPs, associações),
pelo menos quatro funções devem ser desempenhadas por um administrador: planejamento,
organização, liderança e controle das atividades organizacionais. Essas funções estão inter-
relacionadas e coordenadas de forma a atingir os objetivos; e dependem umas das outras.
Planear: significa escolher ou estabelecer a missão da organização, seu propósito e
objetivos, e depois determinar diretrizes, projetos, programas, procedimentos, métodos,
sistemas, orçamentos, padrões e estratégias necessários para atingi-los (MEGGINSON et
al., 1998). Na Administração Pública temos o Plano Plurianual (PPA), instituído pela
Constituição Federal de 1988, que estabelece diretrizes, objetivos e metas da administração
pública por um prazo de pelo menos quatro anos, mas pode definir o destino de toda uma
geração. Elaborar um PPA é decidir quais são os investimentos mais importantes dentro de
um projeto de desenvolvimento nacional, regional ou municipal;
Organizar: é determinar os recursos e as atividades necessárias para se atingir os
objetivos da organização, combinar esses recursos e atividades em grupos práticos,
designar a responsabilidade de atingir os objetivos a empregados responsáveis e delegar a
esses indivíduos a autoridade necessária para realizar essas tarefas (MEGGINSON et al.,
1998). Em ambas – administração privada e pública –, contratar pessoas e alocar recursos
financeiros para os projetos criados no planejamento são exemplos de organização.
Liderar: é a arte de educar, orientar e estimular as pessoas a persistirem na busca por
melhores resultados num ambiente de desafios, riscos e incertezas (MACEDO, 2009).
Portanto, abrange não só a qualidade, o estilo e o poder do líder, mas também suas
atividades relacionadas à comunicação, motivação e disciplina.
Controlar: é delinear os meios para se ter certeza de que o desempenho planejado seja
realmente atingido. Definir as metas, considerando os indicadores atuais, para assim medir
o desempenho alcançado com as decisões (MEGGINSON et al., 1998). Observe que as
três primeiras funções serão ineficazes sem esta última: controlar. Além de medir os
resultados, a função controlar permite os ajustes, correções ou mudanças necessárias nas
ações estratégicas para que os objetivos sejam alcançados.
Para executar tais funções nas organizações, é preciso definir os níveis de administração, o que
significa a alocação de autoridades, gerência, operadores e suas atribuições.
Níveis de Administração
Teoricamente, são três os níveis de administração: o estratégico, o tático e o operacional.
Estratégico
Tático
Operacional
No nível administrativo ou estratégico a competência básica é traduzir as incertezas do
ambiente externo, altamente dinâmico, visando ao estabelecimento de objetivos. Através das
atividades de planejamento, organização e controle, de forma coordenada, tem-se em vista
atingir os objetivos macros da organização. As decisões estratégicas são normalmente de longo
prazo e tomadas no alto escalão da empresa, por isso geram atos cujos efeitos são duradouros
e mais difíceis de inverter. Na Administração Pública, esse nível administrativo abrange, por
exemplo, as atividades do prefeito municipal de uma cidade, com projetos que envolvem toda
a estrutura, e que por isso deve considerar as mudanças de ambientes como o social e o
econômico do município para desenvolver as ações necessárias.
Já no nível tático ou intermediário temos os planos e projetos de setores, áreas ou
departamentos, a serem realizados pelo nível operacional. O tempo de planejamento no nível
tático é o de médio prazo. Neste nível há menos dúvidas para as tomadas de decisões, por isso
são mais facilmente revistas, quando necessárias, e de menos impacto no funcionamento
estratégico da empresa. O imperativo é que cada área ou função tenha seus planos específicos,
os quais estejam interligados umbilicalmente às ações estratégicas da companhia como um
todo. No contexto da Administração Pública, se enquadram nesse nível as secretarias
municipais, como, por exemplo, a secretaria de saúde de um município que desenvolve um
projeto de combate à dengue ou um programa de saúde da família.
No nível operacional, ou força de frente de trabalho da organização, os administradores
executam os projetos. Nesse nível as decisões operacionais estão ligadas ao controle e às
atividades operacionais da empresa e são eminentemente técnicas. Aqui o tempo do
planejamento é o curto prazo. Com relação à organização pública, um exemplo é a
operacionalização dos projetos elaborados pela Secretaria de Saúde, com as visitas dos agentes
de saúde às residências dos munícipes a fim de combater doenças ou conscientizar as pessoas
para enfrentarem o problema.
Funções Organizacionais
As funções administrativas nas organizações contemporâneas estão intimamente ligadas às
funções organizacionais, porque cada uma delas – como operações de serviço público e
orçamentos – requer dinheiro, pessoas, materiais e insumos, equipamentos, tecnologias
específicas, informações e estrutura física ou virtual.
Para exercer sua atividade profissional, o administrador ocupa diversas posições estratégicas nas
organizações e desenvolve papéis fundamentais para a sustentabilidade e o crescimento dos
negócios. Para desempenhar suas funções e sustentar sua posição, o bom administrador deve
desenvolver várias habilidades; e algumas delas são apontadas como fundamentais ao seu perfil.
Stoner e Freemam (1999) classifica o administrador pelo nível que ocupa na organização (de
primeira linha, intermediários e altos administradores) e pelo âmbito das atividades
organizacionais pelas quais é responsável (os chamados administradores funcionais e gerais.
Os administradores gerais ocupam o nível estratégico, que é o centro de tomada de decisão e
corresponde à direção da empresa, ou seja, o nível mais alto de sua estrutura. São responsáveis
também por determinar objetivos e estratégias organizacionais, trabalhando com o todo da
organização, coordenando a integração das áreas e tratando de assuntos de longo prazo. São
também eles que se relacionam com o ambiente externo da organização.
Na Administração Pública há os administradores funcionais, por exemplo, os secretários de
Educação, de Esporte, de Cultura, de Finanças. Já na iniciativa privada as funções principais são
marketing, finanças, operação/produção; e as de apoio incluem contabilidade, recursos humanos,
compras, pesquisa & desenvolvimento e jurídico.
No nível tático ou intermediário, os administradores funcionais são os responsáveis pela alocação
de recursos internamente na organização, e correspondem às principais funções da organização.
Seu papel consiste em, depois de definidas as estratégias, desdobrá-las em planos e programas,
que serão executados pelo nível operacional. É neste nível que se realizam as tarefas e operações
referentes às funções de apoio, os programas desenvolvidos e as técnicas aplicadas, ou seja, aqui
o trabalho é relacionado à fabricação dos produtos e à prestação de serviços. Este nível segue
programas e rotinas de curto prazo, desenvolvidas pelo nível intermediário.
A seguir, definimos algumas funções organizacionais:
Produção e Operações: esta função representa a reunião de recursos destinados à
produção de bens e serviços.
Denominam-se como Administração da Produção as atividades, decisões e responsabilidades dos
gerentes de produção, como afirmam Slack et al. (1997). De acordo com Corrêa e Corrêa (2009),
a gestão de operações ocupa-se da atividade de gerenciamento estratégico dos recursos escassos
(humanos, tecnológicos, informacionais e outros), de sua interação e dos processos que produzem
bens e serviços, visando atender a necessidades e desejos de qualidade, tempo e custos de seus
clientes. A inclusão de operações na literatura tornou-se fundamental porque a produção de
serviços, no mundo contemporâneo, supera a produção de bens tangíveis, e naquela se incluem os
serviços na área pública. Por exemplo, no hospital público, equipamentos e mão de obra são
transformados nos mais variados serviços prestados aos pacientes.
Marketing: em agosto de 2004, a American Marketing Association (AMA) elaborou uma
definição nova para o termo marketing: Marketing é uma função organizacional e uma
série de processos para criação, comunicação e entrega de valor para clientes, e
gerenciamento do relacionamento com os clientes de forma a beneficiar a organização e
seus públicos de interesse, ou stakeholders.
Financeira e orçamentária: esta função gerencia o dinheiro da empresa, para protegê-lo
e promover sua utilização eficaz. Isso inclui a maximização do retorno dos investimentos
e a manutenção de certo grau de liquidez, para o cumprimento das obrigações. As
demonstrações financeiras são relatórios que classificam e quantificam as contas de uma
empresa. E as três principais são: o balanço patrimonial, a demonstração dos resultados do
exercício e a demonstração do fluxo de caixa (MAXIMIANO, 2006b). No contexto da
Administração e Finanças Públicas, o orçamento inclui a previsão de receitas e despesas
do país em um dado exercício financeiro, discriminado as previsões de acordo com a
origem, natureza, finalidade ou periodicidade do movimento monetário (SANDRONI,
1985).
Recursos humanos ou de gestão de pessoas: função responsável por procurar encontrar,
atrair e reter as pessoas que a empresa precisa. A Administração de Pessoas abrange desde
o recrutamento até a rescisão de contrato, passando pelo treinamento e avaliação de
desempenho, dentre outras funções.
Habilidades dos Administradores
O trabalho do administrador deve compreender a análise dos ambientes interno e externo
(como economia, política, cultural, natural etc.); pesquisas e sondagens de parceiros, já que no
Brasil foi instituída a parceria público-privada, fornecedores, cidadãos atendidos ou usuários;
mensuração dos objetivos e ações; diagnóstico de problemas; busca constante de novas
informações, conhecimentos e aprendizagens; e inovação.
Para Levitt (apud CHIAVENATTO, 2006, p. 3), o conhecimento do administrador é apenas
um dos múltiplos aspectos da sua capacidade profissional. Ele é avaliado pelo seu modo de
agir e decidir, suas atitudes, conhecimentos, habilidades, competências, personalidade e estilo
de trabalho.
O administrador, para ocupar posições nas empresas, executar seus papéis e buscar as melhores
maneiras de administrar, deve desenvolver e fazer uso de várias habilidades. Katz (apud
CHIAVENATO, 2006) classificou-as em três grandes grupos: técnicas, humanas e conceituais.
Conclusão
REFERÊNCIAS
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Elsevier, 2003.
CURTY, Marlene Gonçalves; CRUZ, Ana Maria da Costa; MENDES, Maria Tereza Reis;
Apresentação de Trabalhos Acadêmicos, Dissertação e Teses. Maringá –PR: Dental Press,
2006.
FERREIRA, Ademir; REIS, Ana Carla Fonseca; PEREIRA, Maria Isabel. Gestão
Empresarial: de Taylor aos nossos dias: Evolução e Tendências da Moderna
Administração de Empresas. São Paulo: Thomson Learning, 2002.
LACOMBE, Francisco José; HEILBORN, Gilberto Luiz José. Administração - Princípios e
tendências. São Paulo: Saraiva, 2003.
MAXIMIANO, Antonio César Amauri. Teoria Geral da Administração: da Revolução
Urbana à Revolução Digital. São Paulo: Atlas, 2007.
___________, Antonio César Amauri. Introdução à Administração. São Paulo: Atlas, 2007.
MORAES, Anna Maris Pereira. Introdução à Administração. São Paulo: Prentice Hall, 2004.