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Modulo 4

O documento aborda as atualizações e inovações no setor bancário na era digital, destacando a importância da Inteligência Artificial e do machine learning na segurança e eficiência das operações financeiras. Ele menciona a crescente adoção de tecnologias como internet banking, open banking, e a automação de processos, além de discutir a relevância da LGPD e da legislação anticorrupção. O texto também explora a integração da tecnologia com o metaverso e as novas perspectivas de consumo no setor financeiro.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Modulo 4

O documento aborda as atualizações e inovações no setor bancário na era digital, destacando a importância da Inteligência Artificial e do machine learning na segurança e eficiência das operações financeiras. Ele menciona a crescente adoção de tecnologias como internet banking, open banking, e a automação de processos, além de discutir a relevância da LGPD e da legislação anticorrupção. O texto também explora a integração da tecnologia com o metaverso e as novas perspectivas de consumo no setor financeiro.
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CONHECIMENTOS BANCÁRIOS

PROF.º PATRICIA BIZERRA

MÓDULO 4 – CONHECIMENTOS BANCÁRIOS contratação de financiamentos e empréstimos


TÓPICO 9 sem a necessidade do comparecimento a uma
PROFª : PATRICIA BIZERRA agência ou de documentos físicos para a aprova-
ção do crédito passaram a estar presentes nas dis-
9. Atualidades do mercado financeiro. 9.1 Os
bancos na Era Digital: Atualidade, tendências cussões entre executivos do setor de maneira
e desafios. 9.2 Internet banking. 9.3 Mobile nunca antes vista.
banking. 9.4 Open banking. 9.5 Novos mode- Afinal de contas, na era dos bancos digitais, a ino-
los de negócios. 9.6 Fintechs, startups e big- vação não pode ser desestimulada por crimes fi-
techs. 9.7 Sistema de bancos sombra (Sha- nanceiros. Os bancos devem responder aos desa-
dow banking). 9.8 Funções da moeda. 9.9 O fios de segurança com força tecnológica, ao
dinheiro na era digital: blockchain, bitcoin e
mesmo tempo que criam novos produtos e ofere-
demais criptomoedas. 9.10 Marketplace.
9.11 Correspondentes bancários. 9.12 Arran- cem uma experiência sem atrito para seus clien-
jos de pagamentos. 9.13 Sistema de paga- tes. Portanto, a seguir, saiba mais sobre as ten-
mentos instantâneos (PIX). 9.14 Segmenta- dências e evoluções recentes na segurança das
ção e interações digitais. 9.15 Transforma- transações bancárias.
ção digital no Sistema Financeiro. 9.16 Lei Inteligência Artificial na prevenção de crimes
Geral de Proteção de Dados (LGPD): Lei nº financeiros
13.709, de 14 de agosto de 2018 e suas alte-
Apontada nos maiores e mais recentes eventos in-
rações. 9.17 Legislação anticorrupção: Lei nº
12.846/2013 e Decreto nº 11.129 de ternacionais do mercado financeiro como a chave
11/07/2022. 9.18 Segurança cibernética: do sucesso na prevenção e combate aos crimes
Resolução CMN nº 4.893, de 26/02/20211. financeiros, a Inteligência Artificial tem sido tra-
9. ATUALIDADES DO MERCADO FINANCEIRO. tada com prioridade pelas instituições no Brasil.
9.1 - OS BANCOS NA ERA DIGITAL: ATUALI- Segundo a pesquisa de tecnologia bancária 2021
DADE, TENDÊNCIAS E DESAFIOS.
realizada pela Febraban (Federação Brasileira de
Um dos setores mais afetados pela aceleração da Bancos), 93% das empresas consideram a Inteli-
transformação digital nos últimos anos é, sem gência Artificial fundamental para o sucesso do
sombra de dúvidas, o bancário. Afinal de contas, negócio. Ainda de acordo com o estudo, os inves-
o que era uma tendência inerente ao avanço da timentos feitos pelo setor bancário em tecnologia
tecnologia se tornou uma necessidade após o sur- em 2020 (ano base da pesquisa) cresceram 8%
gimento, crescimento e sucesso de algumas finte- em relação ao ano anterior, e o orçamento total
chs e bancos digitais. chegou a R$ 25,7 bilhões.
A rápida bancarização de milhões de brasileiros ao Isso acontece porque a Inteligência Artificial, so-
longo da pandemia deixou ainda mais latente a mada à aplicação de técnicas de machine learning
necessidade de as instituições oferecerem, por e outros avanços da tecnologia bancária, permite
meio da tecnologia bancária, produtos e soluções o processamento e a análise de um grande volume
financeiras mais simples e menos burocratizadas de dados complexos em processos críticos, tudo
aos seus clientes, para que todos pudessem utili- isso com muita rapidez. Dessa forma, as institui-
zar os bancos de maneira totalmente digital, sem ções são capazes de otimizar a identificação de
complicações e com ótima experiência de usuário ameaças, ter rapidez na investigação de alertas e
em sites e, principalmente, aplicativos para smar- maior eficiência nas ações a serem tomadas, sem
tphones. que todo esse processo seja perceptível aos clien-
O problema é que, ao mesmo tempo que a tecno- tes, que passam a ser autenticados sem incômo-
logia permite a criação de novos produtos e solu- dos na experiência de usuário.
ções, ela também faz com que surjam constante- Em um mundo totalmente imerso em meios digi-
mente novos desafios de segurança às institui- tais, a capacidade de processar e analisar dados
ções. Questões que vão desde a autenticação de de maneira escalável é primordial para diversas
identidade em aberturas de contas digitais até a frentes, e isso não é diferente na prevenção a
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fraudes. Equilibrando Inteligência Artificial e ma- grande quantia em pequenos valores, de modo a
chine learning para interpretar os dados com a su- escapar do controle administrativo imposto às ins-
pervisão de um olhar humano especializado, fica tituições financeiras evitando assim que grandes
vultos). De outro modo, os cientistas de dados
muito mais fácil manter a segurança das informa-
também treinam sistemas para detectar e isolar
ções intacta e os olhos atentos dos fraudadores ameaças cibernéticas, que podem comprometer a
cada vez mais longe. disponibilidade dos recursos e serviços e a segu-
O machine learning, que pode ser traduzido como rança digital dos bancos.
aprendizado de máquina ou aprendizagem de má- Veja, a seguir, 4 aplicações práticas para o setor
quina: esse é um conceito associado à inteligência financeiro: #1 Automação de processos - Essa é
artificial, razão pela qual é cada vez mais desta- uma das aplicações mais comuns do aprendizado
cado pela mídia. O conceito de machine learning da máquina em finanças. O machine learning per-
(ML) pode ser definido como um subconjunto de mite automatização de tarefas repetitivas, aumen-
ciência de dados que usa modelos estatísticos para tando a agilidade dos processos e a produtividade
extrair insights e fazer previsões. do time. Logo, o uso da tecnologia gera outros ga-
O fato é que a tecnologia pode ser incorporada a nhos para os bancos, como otimização de recur-
vários processos nas instituições financeiras. Mui- sos, redução de custos, amplo portfólio de servi-
tos executivos de serviços financeiros já investem ços e foco na experiência do cliente.
no aprendizado de máquina. Eles são motivados Confira alguns exemplos práticos de automação
por uma série de razões, entre elas: Redução de no mercado financeiro: Uso de chatbots no aten-
custos operacionais graças à automação de pro- dimento; Automação de call center;
cessos; Aumento da receita por conta da maior #2 Subscrição e pontuação de crédito - Os algo-
produtividade do time e das melhorias contínuas ritmos de aprendizado da máquina podem otimi-
na experiência do usuário; Maior aderência aos zar as tarefas de subscrição que são tão comuns
critérios de conformidade e compliance; no setor de finanças e seguros. Usando o machine
Fortalecimento das políticas de segurança da ins- learning, os cientistas de dados treinam modelos
tituição. Como o mercado bancário dispõe de um em milhares de perfis de clientes com centenas de
grande volume de dados históricos, explorando entradas de dados para cada cliente. Dessa ma-
essas informações e a variedade de algoritmos e neira, um sistema bem treinado pode executar as
ferramentas, o machine learning tem potencial mesmas tarefas de subscrição e pontuação de cré-
para aprimorar muitos aspectos do ecossistema fi- dito nos ambientes da vida real. Os mecanismos
nanceiro. de pontuação orientam os profissionais, que con-
Machine learning contribui para a segurança do seguem trabalhar com muito mais rapidez e pre-
sistema financeiro cisão.
Com o número crescente de transações, usuários #3 Negociação algorítmica - Neste caso, o apren-
e integrações de terceiros, as ameaças à segu- dizado de máquina ajuda a tomar decisões mais
rança do sistema financeiro também aumentam. inteligentes. A negociação algorítmica consiste no
Neste contexto, o machine learning deve ser uso de um modelo matemático que monitora os
usado pelas instituições financeiras também na resultados das notícias e do comércio em tempo
estratégia de segurança, gerenciamento de risco e real. Desse modo, ele detecta padrões que podem
compliance. Isso porque os algoritmos de apren- levar os preços das ações a subir ou descer. A par-
dizado de máquina são treinados para detectar tir das suas projeções, o modelo pode agir proati-
fraudes. Os bancos, por exemplo, podem usar vamente para vender, manter ou comprar ações.
essa tecnologia para acompanhar os parâmetros Contudo, os profissionais também podem usar os
de transação das contas em tempo real. Desse algoritmos de aprendizado de máquina para obter
modo, conseguem identificar comportamentos uma pequena vantagem sobre a média do mer-
fraudulentos com alta precisão, avisando o cliente cado. Em grandes operações comerciais, essa pe-
e até impedindo a transação quando a probabili- quena vantagem pode gerar lucros expressivos.
dade de fraude chega a 95%. #4 Robo-banker - O uso de robôs consultores já é
O machine learning é usado também no treina- realidade nas instituições financeiras. Atualmente,
mento do sistema financeiro para que ele seja ca- os robôs se destacam em duas aplicações de ma-
paz de detectar um grande número de micropaga- chine learning: Gerenciamento de portfólio: trata-
mentos e apontar técnicas de lavagem de di- se de um serviço on-line de gerenciamento de pa-
nheiro, como o smurfing (fracionamento de uma trimônio que usa algoritmos e estatísticas para
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alocar, gerenciar e otimizar os ativos dos clientes. tecnologia é capaz de cruzar dados para encontrar
Aos clientes, basta informar os ativos e objetivos melhores procedimentos para serem incluídos no
financeiros atuais. A partir daí, o robô advisor compliance empresarial, potencializando os pro-
aloca os ativos atuais em oportunidades de inves-
cessos de segurança da empresa.
timento com base nas preferências de risco e nos
objetivos do cliente. Recomendação de produtos Machine learning (ML) — ou aprendizado de má-
financeiros: muitos bancos e corretoras já usam quina — é uma subcategoria da inteligência artifi-
robôs consultores para recomendar planos de se- cial. A IA é o panorama da criação de máquinas
guros personalizados. O robô advisor oferece vá- semelhantes às humanas, e o ML ensina as má-
rias vantagens como taxas mais baixas, recomen- quinas a aprender com os dados sem a ajuda ex-
dações personalizadas e calibradas e disponibili- plícita de humanos.
dade 24/7.
Internet das Coisas e perspectivas de con-
Na prática, as soluções de aprendizado de má-
quina aprendem com a experiência sem exigir sumo
uma programação detalhada. Basta selecionar os A Internet das Coisas é um conceito que vem ga-
modelos estatísticos e alimentá-los com dados. nhando muito espaço no meio bancário. Basica-
Feito assim, cada modelo ajusta seus parâmetros, mente, ele pressupõe a integração do meio físico
automaticamente, para melhorar os resultados. ao digital, assim, proporcionando o controle de
ferramentas e equipamentos por meio de sistemas
altamente avançados.
Uso da Inteligência Artificial (IA) no setor ban- Nesse sentido, dizer que a era da Internet das Coi-
cário sas (ou IoT, na sigla em inglês) trouxe novas pers-
pectivas de consumo e novas possibilidades de ne-
Tecnologia se alia a análise de dados, machine gócio não seria nenhuma novidade. A questão é
learning e big data para expandir serviços aos que, ao se somar a essa equação a chegada da
clientes e acelerar processos internos das insti- tecnologia 5G ao Brasil e os mais recentes avanços
tuições financeiras: em Inteligência Artificial, tem-se um cenário im-
portante de avanços nas formas como instituições
Chatbots para atender clientes com mais agi- e clientes se relacionam e realizam transações fi-
lidade e tirar dúvidas de funcionários já recebem nanceiras.
tecnologias assim Nunca antes foi tão real pensar na personalização
e individualização de produtos e serviços financei-
Transações pelas redes sociais, com serviços ros como agora. Por meio dos dados gerados o
por Messenger e WhatsApp Reconhecimento de tempo todo no mundo, as instituições podem apli-
assinaturas em cheques car tecnologia avançada para melhorar o atendi-
mento em todos os pontos de contato com o cli-
Reconhecimento de fachada na abertura de ente, bem como conhecer suas dores e necessida-
conta de pessoa jurídica des para desenvolver novos produtos e serviços.
Banco do Brasil lança jogo de educação fi-
Abertura de contas digitais nanceira no metaverso Roblox com foco no
público jovem – https://exame.com/future-
Oferta de serviços personalizados of-money/banco-do-brasil-lanca-jogo-de-
educacao-financeira-no-metaverso-roblox-
Segurança e combate a fraudes com-foco-no-publico-jovem/
O que é metaverso
Ainda com relação aos cuidados antifraude, a in- Metaverso é uma espécie de nova camada da re-
alidade que integra os mundos real e virtual. Na
teligência artificial pode contribuir com o compli-
prática, é um ambiente virtual imersivo construído
ance empresarial. Esse conceito pressupõe a colo- por meio de diversas tecnologias, como Realidade
cação do negócio em perfeita conformidade com Virtual, Realidade Aumentada e hologramas.
os processos de prevenção a fraude. A inteligência E não são apenas empresas estrangeiras que
artificial auxiliará a empresa a encontrar inconfor- apostam nesse mercado. O Banco do Brasil tam-
midades que podem gerar fragilidade perante cer- bém entrou na “brincadeira”, e lançou no final de
tos tipos de fraude. Além disso, esse tipo de 2021 uma experiência virtual dentro do servidor
do game GTA. No jogo, o gamer pode abrir na
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instituição bancária uma conta para seu persona- O “Complexo” conduz o gamer na interação de um
gem – é possível até trabalhar como abastecedor edifício do Banco do Brasil com base na sede exis-
de caixa. tente, em Brasília, e promove um tour virtual pelo
Objetivo do projeto é oferecer orientações de in- prédio histórico que abriga o Centro Cultural
teligência financeira a partir de enigmas, ajudando Banco do Brasil no Rio de Janeiro (CCBB-RJ),
a resolver problemas reais. acompanhando de perto a exposição “Egito An-
O Banco do Brasil, anunciou durante a Brasil Game tigo”.
Show (BGS) na sexta-feira, 07.12.2022, o lança- O metaverso “Complexo” do Banco do Brasil é um
mento do BraBlox, a primeira experiência do servidor de RolePlay criado pela organização de
banco no metaverso do jogo Roblox, um dos mais eSports do Fluxo e gerenciado pela 3C Gaming.
populares do segmento atualmente.
Desenvolvida para o público infantojuvenil, a ação REGISTRATO – BACEN – FAQ -
funciona como um game que guia os jogadores https://www.bcb.gov.br/acessoinforma-
por um mapa repleto de enigmas que entregam cao/perguntasfrequentes-respos-
orientações de inteligência financeira, ajudando a tas/faq_registrato/false
resolver problemas reais de economia e planeja- 1 - O que é Registrato? O Registrato é um sistema
mento. onde você pode consultar, de graça, informações
No BraBlox, os gamers são inseridos em um mapa sobre empréstimos em seu nome, em quais ban-
repleto de brasilidades que leva os jogadores a vá- cos você possui conta, chaves Pix cadastradas, dí-
rios pontos turísticos do Brasil, desvendando enig- vidas com órgãos públicos federais, cheques sem
mas enquanto conhece diversos cartões postais e fundos e dados de compra ou venda de moeda es-
monumentos com representatividade de todos os trangeira feita por você. Consulte seus relatórios
estados do país. no sistema Registrato.
A ação foi inteiramente desenvolvida por funcio- 2 - Quais são os relatórios do Registrato?
nários do Banco do Brasil. Os criadores inseriram Relatório de Chaves Pix, Relatório de Empréstimos
na história os Amigos Imaginários BB, protagonis- e Financiamentos (SCR), Relatório de Contas e Re-
tas das campanhas publicitárias do banco. lacionamentos em Bancos (CCS), Relatório de
Os personagens guiam os participantes pela aven- Câmbio e Transferências Internacionais, Relatório
tura, ajudando-os a passar por desafios que refle- de Cheques Sem Fundos e Relatório de Cadastro
tem diretamente em questões financeiras da vida Informativo de créditos não quitados do setor pú-
real, e no final os presenteiam com uma skin, tipo blico federal – Cadin.
de visual customizado para o jogo. 3 - Os relatórios do Registrato são atualizados até
"Com a solução criada no Roblox, o Banco do Bra- a data da minha solicitação?
sil ratifica seu posicionamento como uma das em- Cada relatório do Registrato tem um prazo de atu-
presas mais inovadoras do mundo, proporciona alização diferente. Para consultar as informações
uma memória afetiva da marca ao público infan- em tempo real, procure o banco, instituição ou ór-
tojuvenil, potencializa um futuro incremento na gão que incluiu o dado no relatório.
base de clientes e pode criar novos serviços ade- 4 - Recebi um relatório do Registrato incorreto,
rentes ao ambiente virtual e imersivo proposto como faço?
pela plataforma”, destaca Marcelo Cavalcante, Se tem alguma informação que você não concorda
vice-presidente de negócios digitais e tecnologia ou não reconhece no seu relatório, no sistema Re-
do banco. gistrato, procure a instituição ou o órgão público
Banco do Brasil e Metaverso credor responsável pela informação.
O Banco do Brasil anunciou sua entrada no meta- 5 - Como acesso o Registrato?
verso em dezembro de 2021 com o lançamento do Para acessar o Registrato e ver seus relatórios,
"Complexo", uma plataforma própria da instituição faça o login no sistema Registrato <https://regis-
financeira. Segundo o BB, no metaverso da insti- trato.bcb.gov.br/registrato> . Para acessar com a
tuição o jogador poderá abrir contas e receber be- Conta gov.br é preciso ter o nível prata ou ouro.
nefícios para seu personagem. 6 - Como uma pessoa jurídica pode se cadastrar
Também serão ofertados empregos, como o de no Registrato? Pode ser feito pelo site (internet
abastecedor de caixa eletrônico, com a responsa- banking) ou aplicativo de seu banco?
bilidade de trabalhar com remessas de valores, in- Veja como cadastrar a pessoa jurídica no sistema
clusive dirigindo um carro forte, exatamente como Registrato <https://www3.bcb.gov.br/regis-
na vida real. trato/login/> . A opção de usar o internet banking
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para credenciamento no Registrato só existe para Para pedir relatórios do Registrato ou informações
pessoa física. sigilosas de outras pessoas (inclusive falecidas) ou
7 - Esqueci a senha do login Registrato. E agora? de empresas (caso não tenha certificado digital de
Se você informou um e-mail quando fez o autoca- pessoa jurídica), você precisa comprovar que tem
dastro no Registrato, poderá utilizar a opção "Es- autorização para isso.
queci minha senha". Caso não tenha informado o
e-mail, terá que refazer o autocadastro, seguindo DREX – REAL DIGITAL.
o passo a passo. No caso de pessoa jurídica, é pre- O que é o
ciso refazer o cadastro pela página Registrato -
Cadastro (bcb.gov.br) <https://credencia-
mento.bcb.gov.br/> .
8 - Bloqueei a minha senha, tentando diversas ve-
zes com senhas incorretas. Como resolver? ➢ É o real, a moeda brasileira oficial, em for-
O bloqueio nesse caso é temporário. Aguarde 2 mato digital
horas antes de utilizar o "esqueci minha senha" ou
"refazer o cadastro".
➢ Tem o mesmo valor e a mesma aceitação
Ao tentar acessar novamente o sistema, sugeri-
mos ainda que preencha o campo "Conta ou CPF"
do real tradicional
no formato completo
980000001.XXXXXXXXX, onde X representa os ➢ Regulado pelo Banco Central e emitido so-
nove primeiros dígitos do seu CPF. mente em sua plataforma
9 - Usuário pessoa jurídica que possui senha no
Sisbacen precisa de cadastro no Registrato para ➢ Tem as mesmas garantias e segurança do
ter acesso? real tradicional
Não. Para acessar o Registrato poderá utilizar a
mesma senha do Sisbacen. ➢ Depende de um banco ou de outra institui-
10 - O que é necessário para que o usuário master ção para seu uso pelo cidadão
de uma instituição possa reabilitar senha ou incluir
outro master? Movimento Open Banking (ATUAL Open fi-
O máster da pessoa jurídica deverá estar cadas- nance) no Brasil
trado no sistema Autran no grupo STRA1300 e se- A expressão, na tradução literal do inglês, significa
guir as orientações do manual desse sistema. O "banco aberto". Na prática, o significado está re-
campo e-mail é de preenchimento obrigatório para lacionado à abertura e à integração dos sistemas
as contas másteres da instituição. de diferentes instituições financeiras, via APIs,
11 - Como me cadastro no Gov.br? para padronizar e facilitar a comunicação entre as
Para criar sua Conta gov.br ou recuperar sua se- empresas e possibilitar ao cliente mais liberdade
nha, digite seu CPF na página de acesso para levar suas informações financeiras para onde
<https://gov.br/login> . Se tem dúvida ou pro- achar melhor.
blema com a Conta gov.br, acesse a FAQ – Gov.br No open banking, os dados bancários de cada ci-
https://portaldeservicos.economia.gov.br/atendi- dadão passam a pertencer ao próprio cidadão, e
mento/faq.html. não mais às instituições financeiras — que costu-
12 - Por que preciso de nível prata ou ouro para mavam ter total controle sobre cada aspecto de
ver o Registrato com a conta Gov.br? suas operações e como cada atividade era execu-
O sistema Registrato pode ser acessado com seu tada —, o que promete mudar a forma como esse
login Registrato ou sua Conta gov.br, nível prata mercado funciona, impactando diretamente ban-
ou ouro. Para aumentar o nível da sua Conta cos, fintechs e outros negócios ligados ao setor.
gov.br, acesse a página de login gov.br O open banking gerará um grande desafio para os
<https://sso.acesso.gov.br/> . Novos cadastros bancos. Afinal, como a pessoa terá total liberdade
apenas com a Conta gov.br. Se não lembrar da para levar seus dados para outra instituição, é im-
sua senha do Registrato, será preciso acessar com portante oferecer serviços de qualidade, de modo
sua Conta gov.br. que o cliente não queira mudar de agência.
13 - Como ter acesso a informações sigilosas de Mobile Banking em crescimento
outras pessoas ou de empresas Ainda de acordo com o relatório da Febraban, o
mobile banking tem se tornado, cada vez mais,
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um canal-chave para a contratação de produtos e transferências de valores por meio de dispositivos


para a realização de transações financeiras, com móveis, principalmente smartphones, sem a ne-
crescimento acentuado em operações de investi- cessidade de cartões de crédito físicos, por exem-
mentos, seguros e depósitos virtuais. plo.
Para se ter uma ideia, em 2020, pela primeira vez, Via de regra, as e-wallets usam dois tipos de tec-
o mobile banking representa mais da metade do nologias para a realização das transações: o QR
total de transações bancárias, contabilizando 15,9 Code ou o NFC (pagamento por aproximação). No
bi a mais que o ano anterior. primeiro caso, o smartphone lê um código dispo-
Em uma análise rápida, isso quer dizer que a tec- nibilizado pelo lojista para finalizar o pagamento,
nologia bancária segue uma tendência já vista em enquanto o NFC realiza a transação apenas ao
outros setores: os clientes querem movimentar aproximar dois dispositivos.
suas contas e realizar suas transações sem ter que Pagamentos em mídias sociais
usar nada além de um smartphone conectado à A mudança drástica que a crise do novo coronaví-
internet. Por isso, atuar de forma efetiva e ofere- rus trouxe à rotina das pessoas fez com que os
cer cada vez mais possibilidades em canais digitais hábitos de consumo também mudassem. Novas
já podem ser considerados uma grande obrigação formas de comprar e vender produtos e serviços
das instituições financeiras. vieram à tona e, entre elas, os pagamentos via
Pagamentos cada vez mais rápidos redes sociais, como no caso do WhatsApp Pay,
Uma das coisas que mais ajudam no crescimento passaram a estar na pauta do mercado financeiro.
do mobile banking é o nível de exigência do con- O WhatsApp Pay é uma ferramenta para transfe-
sumidor atual. Os clientes das instituições finan- rência de valores desenvolvida pelo aplicativo e di-
ceiras esperam acessar pagamentos instantâneos vulgada oficialmente em meados de junho do ano
que sejam convenientes e seguros, assim como passado. Com ela, usuários podem, segundo a
ter novas alternativas para essas transações. própria publicidade do WhatsApp, enviar e receber
E é justamente por isso que, no Brasil, por exem- dinheiro com a mesma facilidade com a qual en-
plo, o Pix tem tido tanta adesão e as e-wallets viam e recebem mensagens.
(carteiras digitais) também seguem um viés de Além das transferências bancárias para amigos e
crescimento. familiares, por exemplo, usuários poderão efetuar
Pix pagamentos de produtos e serviços de empresas
O Pix, definitivamente, caiu no gosto da popula- que utilizam o WhatsApp Business. Essa modali-
ção. Atualmente, contabiliza mais de 260 milhões dade de pagamentos já é bastante aceita e de-
de contas cadastradas, com transações que movi- mandará novos mecanismos de segurança para
mentam mais de R$ 600 milhões mensais. evitar fraudes.
Tanto sucesso tem justificativa: o novo arranjo de Digitalização de serviços
pagamentos para transferências instantâneas O estudo da Febraban mostra que 67% das tran-
simplifica, agiliza, barateia e traz mais segurança sações financeiras do Brasil já são realizadas por
à cadeia de pagamentos. canais digitais. Cada vez mais, eles vêm sendo uti-
Além disso, por meio do Pix, pessoas podem trans- lizados como canal principal, não só para o dia a
ferir valores, pagar contas e recolher impostos de dia, mas também para contratação de novos pro-
forma rápida, intuitiva e prática. Ao contrário do dutos, como seguros, crédito e investimentos.
que se vê nas restrições de dias e horários para a Onboarding digital
realização de DOCs e TEDs, a nova plataforma O processo de onboarding digital de clientes é a
funciona 24 horas, 7 dias por semana e com o di- forma como uma instituição financeira acolhe e
nheiro imediatamente disponível ao recebedor. orienta novos clientes sobre o uso de produtos e
E-wallets serviços. O objetivo é que tal processo faça com
Presentes no Brasil desde 2018, as e-wallets já fa- que clientes tenham a melhor experiência possível
zem sucesso em países como a China, por exem- desde os primeiros passos da jornada de con-
plo, onde aproximadamente 70% da população sumo. É o primeiro valor, o que faz com que o cli-
economicamente ativa já usa esse meio como o ente perceba, logo de cara, as vantagens que
principal para pagamentos, com números que aquele produto ou serviço têm, sem qualquer difi-
chegam aos trilhões de dólares em transações to- culdade.
dos anos. Para fazer esse onboarding digital de forma esca-
As e-wallets podem ser definidas, basicamente, lável, as empresas do mercado financeiro têm uti-
como uma tecnologia que permite pagamentos e lizado cada vez mais Inteligência Artificial, que é
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aplicada para que, por meio de análise de dados, crime de falsidade ideológica, passando-se por ou-
o atendimento, ainda que não humano, possa ser tro indivíduo.
individualizado e personalizado. Tecnologias disruptivas
Abertura de contas por canais digitais O termo "tecnologia disruptiva" tem ganhado
Graças às tecnologias mais modernas, abrir uma muita importância no cenário da inovação dos ne-
conta bancária não é mais uma tarefa que exige gócios de modo geral. Basicamente, são ferra-
burocracia e deslocamento físico. Consumidores mentas e processos que têm como objetivo mudar
podem abrir contas utilizando apenas um smar- as experiências das pessoas.
tphone e preenchendo poucos campos de informa- Disruptivo significa eliminar padrões e criar novas
ção. rupturas. Sendo assim, a tecnologia surge como
Rapidamente, por meio da análise de documentos um pilar fundamental para incrementar essa ideia.
e dados, a autenticação de identidade é realizada Um exemplo prático para você entender o que é
e a conta é aberta. Segundo a Febraban, em 2020, algo disruptivo está na criação do telefone.
contas abertas em canais digitais apresentaram Durante décadas, as pessoas se comunicavam por
90% de crescimento. meio de telégrafos e cartas. Atualmente, é possí-
Esse processo proporcionou o surgimento de di- vel conversar com pessoas ao redor do mundo
versas Fintechs que oferecem serviços bancários com poucos cliques e utilizando um equipamento
completos, gerando uma concorrência importante que cabe na palma da mão. Perceba que, no pas-
para os grandes bancos que atuam em ambiente sado, o telefone foi uma tecnologia disruptiva,
digital. Logo, eles tiveram que informatizar seus apesar de ser tão comum atualmente.
processos e, atualmente, temos várias instituições Nos dias atuais podemos citar como tecnologias
de porte maior que já trabalham com abertura de disruptivas o metaverso, que se propõe a ser um
contas em meio online. ambiente de realidade virtual capaz de proporcio-
O mais interessante desse processo é que surgem nar experiências hiper-realistas e customizadas —
oportunidades para os consumidores escolherem o Banco do Brasil, por exemplo, já estreou na pla-
os melhores produtos bancários e financeiros, taforma, inaugurando um espaço chamado Com-
dessa forma, aquecendo ainda mais o mercado e plexo —; a blockchain, que possibilitou a criação
gerando novos desafios, bem como oportunidades das criptomoedas e dos contratos digitais, e o
para o segmento. Open Banking.
Empréstimo e crédito Foco no atendimento ao cliente
Assim como acontece na abertura de contas, a Melhorar o atendimento ao cliente é urgente para
contratação de empréstimos e a obtenção de cré- instituições que querem se manter competitivas
dito não precisam mais de burocracia e desloca- no atual cenário, em especial as ligadas ao setor
mentos físicos. Por meio da tecnologia bancária, financeiro.
as instituições conseguem não apenas autenticar Se até pouco tempo permanecer na fila de um
a identidade dos solicitantes, como também co- banco por horas para conversar com um gerente
nhecer seu comportamento de compra, seus hábi- era uma situação aceita por parte dos consumido-
tos de consumo, pagamento etc. Tudo isso para res, atualmente, com a evolução tecnológica, isso
oferecer um crédito responsável, justo e com bai- não é mais tolerado. Afinal, bastam poucos cliques
xos riscos de inadimplência. para procurar uma alternativa que promova um
A contratação de empréstimos e financiamento melhor atendimento.
online gera uma grande demanda para os siste- A pesquisa "Experiência do cliente no setor finan-
mas antifraude. As empresas que trabalham com ceiro”, realizada pela Frost & Sullivan a pedido da
esse segmento devem implementar sistemas de Infobip comprova essa informação. De acordo com
segurança avançados, que verifiquem o cadastro o levantamento, 68% dos brasileiros consideram
de pessoas físicas, bem como das pessoas jurídi- mudar de banco em busca de um atendimento
cas. Afinal, elas também são usuárias desse tipo melhor, mais simples e engajador.
de crédito. A necessidade de repetir dados de segurança du-
Ferramentas que são capazes de checar os ante- rante cada atendimento e de contar a mesma his-
cedentes dos solicitantes de um empréstimo ou fi- tória, além de questões relacionadas à dificuldade
nanciamento também são interessantes. Dessa de acesso estão entre as principais queixas
forma, é possível saber se trata-se de uma pessoa Nesse sentido, investir em tecnologias capazes de
real, algum fraudador ou alguém que comete o promover a personalização, a integração de siste-
mas é indispensável.
CONHECIMENTOS BANCÁRIOS
PROF.º PATRICIA BIZERRA

Virtualização do modelo de trabalho quais são os interesses e necessidades dessa nova


Outra tendência em tecnologia bancária é a virtu- geração de consumidores, assim como o que eles
alização do modelo de trabalho. Por conta da ne- esperam dos serviços financeiros.
cessidade de isolamento social, a pandemia de Co- A geração digital deseja ser localizada por seus in-
vid-19 acelerou o processo de trabalho remoto. teresses específicos e características peculiares e
Bancos e instituições financeiras seguiram essa não ser somente um número em amplos dados de-
tendência e liberaram parte de seus colaboradores mográficos. Ela é composta por clientes participa-
para trabalhar de casa. Como reflexo, de acordo tivos e que desejam ser questionados sobre os
com a Confederação Nacional das Instituições Fi- produtos e serviços que o banco oferece.
nanceiras, foi possível enxergar melhora no aten- São consumidores que esperam que o banco te-
dimento e até mesmo na satisfação dos funcioná- nha uma visão ampla de seu relacionamento, atu-
rios com a empresa. O Itaú, por exemplo, notou ando de forma antecipatória, observando possí-
melhora em 75% de seus indicadores de produti- veis problemas e criando soluções. Eles querem
vidade e aumento de 10 pontos no NPS (métrica ser surpreendidos com serviços especiais em mo-
de satisfação). mentos inesperados e esperam que a instituição
Porém, para que esse cenário seja possível, existe financeira esteja ao seu lado no longo prazo, nos
a necessidade de se investir cada vez mais em tec- diversos momentos da sua vida.
nologias que ampliem a segurança dos dados e Estes clientes também esperam que o banco tenha
das informações e em orientação dos funcionários. caráter informativo e orientador. Além de terem
O que é um banco digital? interesse em assuntos financeiros, querem que a
Muito além de oferecer serviços por internet ban- instituição os eduque através de dicas e canais on-
king ou mobile banking que auxiliem clientes a re- line, assim como os informe sobre o atual cenário
alizar suas transações financeiras, o banco digital econômico, alertando-os sobre mudanças finan-
se caracteriza por oferecer serviços de forma to- ceiras.
talmente digital. Diferente dos bancos digitaliza- Quais os desafios e estratégias de um banco digi-
dos, que oferecem plataformas digitais e canais tal?
interativos, esse tipo de banco (digital) dispensa a O Banco digital é composto de interações através
necessidade de presença do cliente na agência de canais virtuais, mas principalmente, da auto-
bancária. mação e digitalização dos processos para susten-
Eles surgiram da necessidade de desburocratizar tar as expectativas do cliente e promover a melhor
os processos dos grandes bancos com tecnologia experiência possível.
focando na experiência do cliente com segurança, Para atender a estas expectativas, um banco digi-
transparência e agilidade. Além disso, por resol- tal deve construir uma nova forma de se relacionar
verem todas as necessidades dos clientes pelo com o cliente, baseando-se na análise do seu com-
computador ou aplicativos, esses bancos possibi- portamento e necessidades, através de dados ofe-
litam a inclusão bancária de milhões de pessoas recidos por suas transações financeiras, intera-
ao viabilizar a utilização simplificada do dinheiro. ções com canais digitais e atividades de mídia so-
Em dados mais atualizados, a pesquisa FEBRA- cial, com uso maximizado de big data.
BAN 2020 mostra a consolidação dos canais digi- Big Data é o conceito que descreve conjuntos de
tais como meios mais usados pelos clientes. Em dados extremamente amplos e que, por esse mo-
apenas 1 ano, o mobile banking já registrou um tivo, precisam ser tratados com ferramentas es-
crescimento de 19%, com incremento de 41% em pecíficas para grandes volumes. Assim, toda e
transações com movimentação financeira e 44% qualquer informação nesse conjunto pode ser en-
de composição das transações totais. Indicando contrada, analisada e aproveitada em tempo hábil.
assim que em breve esse canal poderá represen- Trabalhar dados a fim de extrair informações rele-
tar a metade das transações bancárias. vantes, ter visão ampla do relacionamento com o
Como este tipo de instituição financeira se adequa cliente, simplificar processos, agir de maneira in-
ao comportamento de seus clientes? formativa e proativa são alguns dos desafios do
O perfil do cliente de serviços bancários mudou. banco digital. Eles podem ser alcançados com
Bancos tradicionais já não conseguem suprir as ações baseadas na análise de Big Data, associação
necessidades de clientes que nasceram mergulha- com FinTechs e disponibilidade de canais alterna-
dos na era digital, como a geração Y. tivos.
Por isso, a fim de oferecer um relacionamento Transações bancárias e interações com canais de
mais personalizado, é essencial compreender mídia social fornecem dados e informações aos
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bancos. É preciso saber cruzar e analisar esses da- competir com as fintechs (da qual falaremos mais
dos a fim de criar uma experiência mais persona- a seguir).
lizada para o cliente. Visualizar clientes através de O banco digital deve ser atrativo e interessante
dados analíticos possibilita aos bancos descobrir para seus clientes, além de buscar a possibilidade
novos segmentos baseados em comunidades ou de interação pessoal. O uso de diversas mídias e
estilos de vida, criando conexão emocional com o canais para realizar transações que antes só eram
cliente. Também é possível conhecer, orientar e possíveis de forma presencial, são alguns dos di-
informar de acordo com seus problemas e neces- ferenciais. É importante dar ao cliente a possibili-
sidades, assim como surpreendê-los com estraté- dade de escolha dos canais com os quais ele
gias preventivas. queira interagir.
A abertura de canais de relacionamento mais in- Outra forma de manter a vantagem competitiva é
tuitivos e que melhorem a experiência do cliente, fazer uso da computação cognitiva, uma poderosa
também cria uma relação mais próxima, baseada ferramenta do banco digital. Com ela, é possível
na troca de informações. combinar dados internos de transações bancárias
Assim, as novas tecnologias que surgem no mer- com dados externos de redes sociais e aplicativos,
cado podem contribuir para antecipar o comporta- criando interações e novas formas de informar e
mento dessa geração cada vez mais exigente. E aconselhar clientes, antecipando-se aos proble-
assim oferecer produtos e serviços que resolvam mas de forma proativa. Ou seja, quanto mais per-
problemas reais, criando vínculos com os clientes sonalizado for o atendimento oferecido pelo
cada vez mais fortes. Fique por dentro das princi- banco, maior vantagem competitiva este terá.
pais tendências de Tecnologia! Banco Digital é o nome dado às instituições finan-
Quais os níveis de maturidade digital dos bancos ceiras que funcionam de forma online. Isso signi-
e como se dá o processo de transformação digital fica que praticamente tudo o que o cliente precisa
Segundo a Strategy& na Pesquisa FEBRABAN de pode ser feito virtualmente – da abertura da conta
tecnologia bancária, a adaptação ou reinvenção ao atendimento e pagamento de boletos.
das estruturas de middle e back office age como Outra característica de um banco digital é que ele,
ferramenta facilitadora da transformação digital, de forma geral, não possui uma estrutura física
agilizando o serviço a um nível de custo adequado. como os bancos tradicionais (agências e postos de
Os bancos, então, variam em termos de maturi- atendimento, por exemplo), o que diminui bas-
dade digital de acordo com o nível de automação tante seu custo de operação.
e digitalização dos processos. O nível máximo de Mas não confunda banco digital com banco digita-
maturidade digital significaria ter procedimentos lizado. Apesar de muitos bancos tradicionais ofe-
de gestão de risco automatizados, segmentação recerem app e internet banking para os clientes
dinâmica de clientes, ofertas focadas de produtos realizarem algumas operações online, eles não são
e serviços, integração total entre os canais e fer- considerados bancos digitais – mas bancos digita-
ramentas complexas de CRM. lizados. Afinal, para diversos serviços ainda é
O Wells Fargo, por exemplo, possui elevado nível necessário ir a uma agência ou caixa eletrônico –
de integração entre seus sistemas, o que leva aos até mesmo para desbloquear o app.
menores custos de processamento em aprovações Mas os bancos digitais são seguros?
de crédito aos consumidores. Paralelamente, o Da mesma forma que o Banco Central (BC) fisca-
Bank of America, procurou obter uma segmenta- liza os bancos tradicionais, ele também regula as
ção de clientes refinada, o que permite a realiza- fintechs brasileiras que oferecem conta digital,
ção de prospecção e marketing mais focados e cartão de crédito, empréstimo e outros serviços fi-
consequentemente um melhor aproveitamento da nanceiros. Isso significa que os bancos digitais
base de clientes. também têm que seguir regras específicas para
Sendo assim, segundo a Strategy&, em grandes continuar operando. Além disso, o Conselho Mo-
bancos, o processo de transformação digital tem netário Nacional (CMN) anunciou, em abril de
passado por três estágios: 2019, novas regras de segurança para instituições
O ambiente digital pode ser bastante competitivo financeiras operarem na internet.
e é preciso traçar estratégias para se destacar. Segundo a Resolução nº 4658, essas empresas
Para utilizar a inovação tecnológica com sucesso, precisam ter uma “política de segurança ciberné-
o banco deve simplificar seus produtos e proces- tica”, e define “requisitos para a contratação de
sos, proporcionando uma experiência mais intui- serviços de processamento e armazenamento de
tiva e agradável ao usuário. Principalmente, para dados e de computação em nuvem”. Essa medida
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surgiu como uma forma de trazer ainda mais se- (B) dispensa do armazenamento de dados dos cli-
gurança aos clientes. entes
(C) uso de inteligência artificial
QUESTÕES SOBRE O TEMA (D) generalização de plataformas off-line
1 - (CESGRANRIO – BB – 2021 – AGENTE CO- (E) utilização mínima de big-data
MERCIAL). O Registrato é um sistema criado em 4 – (IADES - 2019 - BRB – Escriturário) O sis-
2014 e administrado pelo Banco Central, que per- tema bancário vem passando por um processo
mite aos cidadãos terem acesso pela internet a re- acelerado de transformação digital. Entretanto, o
latórios contendo informações sobre nível de maturidade digital varia de banco para
(A) seus relacionamentos com as instituições fi- banco. A respeito desse assunto, assinale a alter-
nanceiras, suas operações de crédito e operações nativa correta.
de câmbio. a. Uma característica do banco digital é a realiza-
(B) suas receitas e despesas realizadas em todas ção de processos não presenciais, como o envio de
as instituições financeiras onde têm conta-cor- informações e documentos por meio digital e a co-
rente. leta eletrônica de assinatura para a abertura de
(C) seus dados registrados junto aos serviços de contas.
proteção de crédito. b. Um banco digital é o mesmo que um banco di-
(D) seus relacionamentos interpessoais com pes- gitalizado, visto que ambos apresentam o mesmo
soas da mesma família (ex: pai, filho e irmão, en- nível de automação dos processos.
tre outros) que também possuem contas-corren- c. A oferta de canais de acesso virtual representa
tes. o mais alto nível de maturidade digital.
(E) seus contratos de prestação de serviço firma- d. O banco digitalizado dispensa o atendimento
dos na esfera cível. presencial e o fluxo físico de documentos.
2 - (CESGRANRIO – BB – 2021 – AGENTE CO- e. Por questão de segurança, o banco digital per-
MERCIAL) Um token físico, no contexto de tran- mite a consulta de produtos e serviços financeiros
sações bancárias, é um dispositivo eletrônico que por meio de canais eletrônicos, mas ainda não
possui um botão de ativação e um pequeno visor. permite a contratação.
O token permite gerar senhas aleatórias, tempo- 5 - (IADES - 2019 - BRB – Escriturário) Quanto
rárias e numéricas (por exemplo, de seis dígitos). às diferenças entre bancos digitalizados e bancos
Essa senha é utilizada para dar mais segurança às digitais, assinale a alternativa correta.
transações bancárias realizadas via internet. No A. Um banco digital pode permitir que o próprio
passado, os bancos comerciais disponibilizavam cliente ajuste o respectivo limite de transferência
esses pequenos dispositivos aos seus clientes, de ou do cartão de crédito e, por medida de segu-
modo que pudessem ser afixados a um chaveiro. rança, demandar que tal cliente dirija-se a um
Mais recentemente, nos últimos 10 anos, esses caixa eletrônico ou agência para concluir o pro-
dispositivos foram sendo gradativamente substi- cesso.
tuídos para a grande maioria dos clientes, por um B. Permitir que o cliente abra a própria conta cor-
(A) dispositivo que continua com apenas essa fun- rente sem precisar sair de casa e não cobrar taxa
cionalidade, porém um pouco maior, mas que de manutenção da conta são os únicos requisitos
ainda assim cabe em um bolso de camisa. obrigatórios que diferenciam um banco digital de
(B) aplicativo de cada banco, instalado e configu- um banco digitalizado.
rado no celular do correntista. C. Para que um banco seja considerado digital,
(C) porta-moedas eletrônico, semelhante aos car- basta que disponibilize um ambiente de internet
tões que dão acesso a meios de transporte. banking e aplicativos móveis, mesmo que, por
(D) cartão de crédito que permite autorizar opera- medida de segurança, seja necessário instalar sof-
ções por aproximação. twares de segurança adicionais que possam com-
(E) sensor específico para captura de impressões prometer a experiência do cliente.
digitais. D. Demandar que o cliente se dirija a um caixa
3 - (CESGRANRIO – BB – 2021 – AGENTE CO- eletrônico para desbloquear o respectivo cartão ou
MERCIAL) A inserção dos bancos digitais no Sis- senha de internet é aceitável para bancos digitali-
tema Financeiro Nacional acarreta a disseminação zados, mas não para bancos digitais.
de tecnologias e culturas inovadoras, dentre as E. Disponibilizar serviços gratuitos e pacotes pa-
quais merece menção o (a) dronizados de serviços, tais como os exigidos pela
(A) maior contato físico entre bancos e clientes
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Resolução nº 3.919, art. 2º , inciso I, do Banco movimentações como transferências, pagamentos


Central, é o que define um banco como digital. e visualização de investimentos.
6 - CESGRANRIO- BANRISUL – 2023. Constitui Atualmente todos os grandes bancos possuem
serviço ou operação tipicamente digital, à EXCE- uma forma de internet banking tornando possível
ÇÃO de aos seus clientes que nunca precisem ir até uma
(A) pagamento instantâneo através do Pix agência para lidar com suas finanças.
(B) compra em ambientes de tipo marketplace Como acessar o internet banking?
(C) compensação de cheque administrativo Já há algum tempo os correntistas não precisam
(D) registro de transações em base de dados blo- mais visitar uma agência bancária para concluir a
ckchain maioria de suas transações, podendo fazer isso de
(E) pagamento com cartão digital disponível em acordo com sua própria conveniência e onde qui-
aparelho móvel (smartphone) serem – seja casa, no trabalho ou até mesmo em
7 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil - trânsito.
Escriturário - Agente Comercial - Prova A. Para acessar o internet banking, é preciso ter
No Brasil, uma característica do modelo de negó- acesso a um computador ou um dispositivo móvel,
cios dos bancos na era digital é a uma conexão com a Internet e uma conta em al-
A. maior proximidade física com os clientes nas gum banco. Para acessar o serviço, o cliente pre-
agências bancárias. cisa se cadastrar na plataforma oferecida por sua
B. dispensa de regulação por parte do Banco instituição, registrando-se e criando uma senha de
Central do Brasil. acesso. Feito isso, é só começar a utilizar o inter-
C. disseminação das plataformas on-line. net banking para lidar com suas transações.
D. lentidão dos canais de comunicação. As transações bancárias oferecidas online variam
E . menor oferta de produtos e serviços aos clien- de acordo com a instituição. A maioria dos bancos
tes. geralmente oferece serviços básicos, como trans-
ferências e pagamentos de contas. Alguns bancos
GABARITO também permitem que os clientes abram novas
1–A 2–B 3–C 4–A 5–D 6–C 7 contas e solicitem cartões de crédito por meio de
-C portais bancários online. Confira algumas das fun-
ções que podem ser realizadas via internet ban-
9.2. INTERNET BANKING.
king: Pagamentos (contas e boletos); Transferên-
Também conhecida como “online banking” ou cias entre contas da própria instituição; Licencia-
“web banking”, a prática já faz parte do cotidiano mento de veículos e pagamento de multas (de-
dos brasileiros e facilita muito a vida dos usuários. pende do banco); Consulta de saldo e extrato;
O ambiente promovido pela internet tornou mais Transferência Internacional; Aplicação em investi-
fácil uma série de atividades como a compra, mentos; Recarga de celular; Resgate de aplica-
venda e envio de produtos, pedidos de delivery e ções; Solicitação de produtos e serviços financei-
até mesmo consultas médicas. Essa comodidade ros (cartão de crédito, empréstimo, cheques, etc);
acabou se estendendo também às movimentações Transferência via TED ou DOC para qualquer
bancárias, permitindo que empresas e consumido- banco; pix.
res pudessem tratar de maneira mais ágil certas As vantagens do Internet Banking
tarefas. A nova tecnologia veio com o objetivo de diminuir
Tudo isso acabou sendo ainda mais potencializado a quantidade de atendimentos presenciais, ponto
com a chegada da pandemia. Uma vez que dimi- de atenção para os bancos devido às grandes filas
nuímos nossa presença na rua, tivemos que en- que ainda são geradas dentro das agências. Além
contrar novas soluções para as questões do coti- de empobrecer a experiência de seus clientes com
diano. O internet banking é uma delas e é sobre a marca, a situação acaba indo contra as medidas
isso que iremos falar hoje. de isolamento social promovidas nos últimos anos.
O que é internet banking? Porém, mais que diminuir a frequência de pessoas
O internet banking permite ao usuário realizar dentro de agências, o internet banking promove
transações financeiras pela internet. Dessa forma, diversos benefícios para os clientes dessas insti-
os usuários podem acessar contas bancárias tra- tuições:
dicionais a partir de um smartphone, PC ou outro Disponibilidade 24 × 7: Serviços bancários pela
dispositivo conectado à rede para efetuar Internet, ao contrário dos horários de bancos con-
vencionais, não são limitados por tempo. Ou seja,
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estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por se- Dadas as questões relacionadas a segurança das
mana, durante todo o ano. A maioria dos serviços transações bancárias, o internet banking foi per-
disponíveis online não tem restrição de tempo. Os dendo gradativamente sua importância para o Mo-
usuários podem verificar seu saldo bancário, ex- bile Banking (banco pelo aplicativo – via celular).
tratos de conta e fazer transferências de fundos a
qualquer momento e de acordo com suas necessi- QUESTÕES SOBRE O TEMA
dades. 8 – (CESGRANRIO - 2012 - Banco do Brasil –
Conveniência para iniciar transações financeiras: Escriturário) Com o crescente avanço tecnoló-
O Internet Banking é bastante popular entre os gico, está cada vez mais fácil realizar operações
correntistas devido à facilidade e agilidade que bancárias sem que se precise ir pessoalmente a
oferece durante a transferência de valores e paga- uma agência. Que nome se dá ao tipo de acesso
mentos de contas. Os usuários registrados podem bancário realizado em terminais de computadores,
utilizar quase todos os serviços bancários sem ter caixas eletrônicos e bancos 24 horas?
de se deslocar ao banco e ficar em filas. a. Banco de Dados
Rastreamento adequado das transações: Os com- b. Débito Automático
provantes de recebimento são instantaneamente c. Home Office Banking
gerados pelas instituições logo após as devidas d. Internet Banking
autorizações dos usuários. e. Remote Banking
Transações Não Financeiras: Além da transferên- 9 – (Objetiva Concursos - Prefeitura de Au-
cia de valores, o internet banking permite ao usu- gusto Pestana - Procurador Jurídico – 2020)
ário usufruir de serviços não financeiros, como De acordo com a Cartilha de Segurança para In-
saldo em conta-corrente, extrato de conta, pedido ternet, sobre alguns dos principais cuidados que
de emissão de talão de cheques, recargas de ce- se deve ter ao efetuar transações bancárias e
lular e muito mais! acessar sites de Internet Banking, assinalar a al-
Dicas de segurança em como acessar o internet ternativa CORRETA:
banking A. Utilizar um site de busca para acessar o site do
Ao levar sua conta bancária para seus dispositivos seu banco (há necessidade disso, já que URLs
conectados à internet, é preciso tomar bastante desse tipo são, geralmente, pouco conhecidas).
cuidado pois ela passa a estar sujeita aos riscos B. Fornecer senhas ou dados pessoais a terceiros,
relacionados à segurança de dados. especialmente por telefone.
Dessa forma, sempre esteja atento ao acessar dis- C. Realizar transações bancárias por meio de com-
positivos compartilhados (como computadores de putadores de terceiros ou redes Wi-Fi públicas.
LAN houses ou até mesmo o PC da casa de ami- D. Antes de instalar um módulo de segurança, de
gos). Antes de concluir a utilização, limpe todo o qualquer Internet Banking, certificar-se de que o
registro de atividades e não se esqueça de “deslo- autor do módulo é realmente a instituição em
gar” da plataforma do banco. questão.
Também é preciso levar em consideração as ques-
tões relacionadas às fraudes bancárias realizadas
pela internet. GABARITO
Para sua segurança, nunca forneça dados pessoais 8–E 9–D
pelo telefone, e-mail ou WhatsApp. Os próprios
bancos sempre comunicam via aplicativo ou site
que nunca pedem esse tipo de informação para
seus usuários.
Uma forma de se precaver contra aplicações mali- 9.3 - Mobile banking.
ciosas nesse tipo de ambiente é sempre contar Trata-se de uma nova forma de realizar transa-
com um bom antivírus e monitorar se ele está ções e operações bancárias, diretamente pelo ce-
sempre atualizado contra as mais novas ameaças, lular. O termo mobile banking também está asso-
garantindo a segurança de seus dados e tornando ciado ao uso de qualquer dispositivo móvel, como
sua experiência de Internet Banking muito mais tablets e relógios tecnológicos, para acessar ser-
tranquila. viços que antes só eram oferecidos nas agências
Não confundir com Remote Banking tipo de bancárias.
acesso bancário realizado em terminais de com- Atualmente todos os bancos já oferecem aos cli-
putadores, caixas eletrônicos e bancos 24 horas. entes opções de atendimento via mobile banking.
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É como ter uma agência bancária personalizada no que muda a cada novo acesso. Isso significa que
próprio bolso. O sucesso dessa inovação na forma os bancos tomam cuidado sim com a segurança.
de lidar com dinheiro foi muito bem recebido pela Usar o mobile banking possui o mesmo risco de
sociedade moderna. realizar qualquer outro serviço online. Ou seja,
Como o mobile banking está revolucionando o se- quase zero.
tor? Interação com clientes no mobile banking: pratici-
A pandemia desencadeada pela Covid-19 tornou dade e mais sintonia
ainda mais evidente a necessidade do uso da tec- Não é porque não há interação física que não
nologia para diminuir distâncias e aproximar as existe relacionamento com o cliente. Muito pelo
pessoas. contrário, no mobile banking existe a oportuni-
Nesse cenário, o uso do aplicativo pelo mobile dade de conversar com o cliente via atendimento
banking vai ao encontro dessa tendência ao pro- dentro do app e também é possível auxiliar o cor-
mover serviços bancários através de dispositivos rentista por meio de um assessor financeiro.
móveis. Os bancos atingiram, em 2021, a marca de mais
Assim, as vantagens proporcionadas por essa so- de 653 milhões de chamados atendidos via
lução permitem a realização de diferentes opera- chatbots.
ções financeiras a qualquer tempo, sendo esse um Desse montante, um número expressivo é desti-
dos grandes atrativos para os usuários. nado a realizar transações como consulta de sal-
Outro estudo da Febraban revelou que, em 2021, dos e investimentos e agendamento de transfe-
pela primeira vez, as transações realizadas no mo- rências sem a necessidade de interação humana.
bile banking representaram mais da metade Essas consultas, chamadas de transacionais, tive-
(51)% do total das operações feitas no país. ram o crescimento significativo de 53% entre
Esse percentual é bastante expressivo, se consi- 2020 e 2021. A interação por meio de canais tra-
derarmos os demais dispositivos eletrônicos: 32% dicionais, como e-mail e SMS, também registra-
desktop; 27% laptop; 4% tablet. ram crescimento no período.
Ainda de acordo com a Febraban, o número de Diversas são as opções de estar mais próximo do
transações feitas pelo celular chegou a 52,9 bi- usuário e entregar soluções para suas reais neces-
lhões, ante 37 bilhões no ano anterior. sidades.
A pesquisa também revelou que, juntos, os canais Os bancos que investem em mobile banking con-
digitais (internet banking e mobile banking) con- seguem estar mais próximos do cliente, uma vez
centram 67% de todas as transações (68,7 bi- que buscam sanar suas necessidades e trazer ao
lhões). dia a dia dos correntistas uma forma mais prática
Esses canais ainda são responsáveis por 8 em de fazer suas transações. Mais do que nunca, é
cada 10 pagamentos de contas, e por 9 em cada possível orientar, educar financeiramente e con-
10 contratações de crédito. versar com seu cliente a qualquer hora do dia.
Para os próximos anos, a expectativa é que novos
serviços sejam disponibilizados no mercado. Para QUESTÕES SOBRE O TEMA
entender bem o que é mobile banking, vale a pena 10 - (IADES - BRB - Escriturário – 2022) Se-
fazer um paralelo entre essa ferramenta e o banco gundo a Federação Brasileira de Bancos (Febra-
tradicional. Afinal de contas, essa ferramenta ban), 7 em cada 10 transações bancárias são fei-
surge como alternativa aos serviços tradicionais tas por meio de canais digitais. Um dos grandes
oferecidos pelos bancos. Por certo, o mobile ban- motivadores desse aumento é o Pix, que teve um
king não substituirá as agências bancárias, mas crescimento de 809% no número de pessoas que
tende a conquistar cada vez mais espaço nesse fizeram mais de 30 operações com Pix no mesmo
cenário. mês. Com relação aos canais digitais, assinale a
Muitos imaginam que o mobile banking não é se- alternativa correta.
guro, já que os processos são realizados pelo ce- A. O mobile banking e o internet banking são ca-
lular. Acontece que existem recursos de segurança nais digitais que os bancos disponibilizam para os
pensados para proporcionar aos clientes total se- seus clientes realizarem apenas transferências.
gurança na hora de acessar a conta. Primeiro, a B. O internet banking é uma plataforma disponibi-
senha eletrônica, que é diferente da senha do lizada pelo Banco Central do Brasil, e cada banco
banco. é responsável por criar uma interface para que os
Outro recurso de segurança é a verificação por seus clientes se autentiquem a fim de acessarem
meio do iToken, um gerador de senhas automático os recursos.
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C. O cliente não pode contratar serviços/produtos seu histórico com o banco eram informações sigi-
por canais digitais sem assinar um termo de res- losas.
ponsabilidade de forma presencial. A ideia do modelo é promover a concorrência entre
D. Tanto o mobile banking quanto o internet ban- instituições financeiras, de modo que precisem
king são canais digitais que os bancos fornecem atrair clientes e, assim, gerar novos produtos e
para que os seus clientes utilizem diversos servi- serviços para o usuário.
ços, apesar de nem todos estarem disponíveis em Por que open banking mudou para open fi-
ambas as plataformas. nance
E. O internet banking é um canal digital exclusivo O Banco Central do Brasil (Bacen) mudou o nome
de bancos digitalizados, enquanto o mobile ban- do projeto de compartilhamento de dados de open
king é um conceito de canal digital disponível ape- banking para open finance. Isso foi feito pois os
nas para bancos digitais. dois termos possuem abrangência diferentes.
Ou seja, o Bacen mudou o nome pois o Brasil
conta com um projeto bem abrangente de com-
GABARITO partilhamento de dados, o que vai resultar em
10 - D uma mudança estrutural no mercado financeiro.
Desse modo, o open banking sugere uma mu-
dança apenas em relação ao compartilhamento de
9.4 - OPEN BANKING (ATUAL OPEN FI- dados e informações relacionados com serviços
NANCE) bancários tradicionais.
É um modelo de negócios que visa simplificar os Por outro lado, o termo open finance indica uma
processos do mercado financeiro, de forma que o mudança mais ampla, que engloba outros tipos de
usuário consiga ter mais controle e liberdade so- serviços como, por exemplo, seguros e previdên-
bre suas finanças. O termo em inglês, traduzido cia.
literalmente para “Banco Aberto”, funciona como Diferenças entre open banking e open finance
uma espécie de rede de dados entre instituições Na prática, a diferença entre open finance e open
financeiras, que depende do aval do usuário. Os banking é a abrangência. Isso porque, o open ban-
principais agentes da novidade são bancos digi- king se refere ao compartilhamento de dados e in-
tais, como o Nubank, e fintechs (startups financei- formações relacionadas aos serviços bancários
ras), mas os bancos tradicionais não ficam de fora, tradicionais.
como o Itaú e o Santander. No Brasil, o processo Já o open finance engloba outros serviços. Lem-
de implementação foi realizado pelo Banco Central brando que o open banking é um sistema onde o
do Brasil (BCB). cliente pode levar suas informações de uma insti-
Assim, o novo modelo permite que os consumido- tuição para outra, sem ter que começar do zero
res tenham acesso a serviços distintos de empre- em uma nova organização.
sas ou bancos. Diferentes taxas e condições de pa- Portanto, o open finance é um tipo de expansão
gamentos eram impeditivos, mas o open banking do open banking. Sendo assim, mais instituições
facilita o processo pelo compartilhamento de da- irão fazer parte deste sistema, não apenas os ban-
dos. Por exemplo, ainda que um cliente possua cos e fintechs.
bom histórico em um banco específico, os demais Logo, a intenção é que sejam incluídas empresas
não sabem disso, o que pode fazer com que o usu- como corretoras, fundos de previdência, compa-
ário não consiga melhores opções de crédito. nhias de câmbio e etc.
Saiba o que é e como vai funcionar o open banking Dessa maneira, o open finance é o mesmo sistema
no Brasil. do open banking, só que ele não engloba apenas
O open banking é um sistema que muda a forma os bancos e fintechs, mas também outros tipos de
que o usuário e as empresas abordam o uso de empresas financeiras.
dados financeiros. A partir do consentimento do Por exemplo, com o open finance você pode auto-
cliente, os bancos e prestadores de serviços deve- rizar uma companhia de seguros a ter dados do
rão compartilhar seus dados e informações, seja seu histórico financeiro para obter melhores con-
pessoa física ou jurídica. Antes, as instituições fi- dições.
nanceiras tendiam a gerenciar todos os serviços e É claro que esse compartilhamento de dados
aplicações de maneira interna, sem que outras ocorre apenas se você quiser. Contudo, comparti-
empresas tivessem conhecimento sobre aquela lhar os dados pode ser uma forma de obter
pessoa. Consequentemente, suas transações e
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Dados públicos das Compartilhamento de Serviços à escolha do Ampliação de dados,


instituições Financei- dados do consumidor consumidor produtos, e serviços
ras

Inclusão de novos dados


As instituições financei- O consumidor poderá Os consumidores terão
que poderão ser com-
ras disponibilizam dados compartilhar seus dados acesso a serviços finan-
partilhados, além de no-
de forma padronizada. (cadastros, transações ceiros como pagamen-
vos produtos e serviços,
a. Nessa fase, devem em conta, informações tos e encaminhamento
tais como contratação
ser disponibilizadas as sobre cartões e opera- de propostas de crédito,
de operações de câm-
informações de seus ca- ções de crédito) com as sem a necessidade de
bio, investimentos, se-
nais de atendimento e instituições de sua pre- acessar os canais das
guros e previdência pri-
de seus produtos e ser- ferência. Tudo é feito instituições financeiras
vada.
viços, incluindo as taxas por meio de consenti- com as quais eles já têm
e tarifas de cada tem mento, que pode ser re- relacionamento.
ofertado. vogado a qualquer mo-
mento.

Para o cliente: os consu-


Para o cliente: podem Para o cliente: novos Para o cliente: nesta
midores passam a ter o
surgir novas compara- produtos e serviços, fase poderão ser envia-
controle do comparti-
ções de produtos e ser- mais personalizados e das e contratadas pro-
lhamento de uma gama
viços financeiros, o que acessíveis podem ser postas de crédito de ou-
maior de informações, o
facilitará a escolha de acrescentados. Mas o tras instituições de es-
que pode levar à criação
produtos de acordo com compartilhamento de colhado consumidor,
de produtos ainda mais
as necessidades de cada dados entre instituições que ganha autonomia
personalizados para
cliente. só será possível por no acesso a serviços fi-
cada necessidade.
meio de consentimento. nanceiros.

melhores condições em serviços e produtos finan- 2- Amplitude - Apesar de ter o mesmo foco, o open
ceiros. finance se diferencia por ser mais amplo. O open
Em resumo, as semelhanças e diferença entre os banking se relacionava com o compartilhamento
dois são: de informações relacionadas com os serviços ban-
1- Foco - O foco dos dois é: possibilitar um sistema cários tradicionais.
bancário mais aberto, onde os clientes possam le- Por outro lado, o open finance é mais amplo e en-
var suas informações para onde quiser, sem pre- globa outros tipos de empresas financeiras. Por-
cisar começar do zero em uma nova instituição. tanto, o open finance é a evolução do open ban-
king.
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Participação das instituições Os clientes do Banco do Brasil podem usar o saldo


Para fazer parte do open banking, as empresas de outras instituições financeiras para pagar em-
devem disponibilizar suas APIs no sistema. Dessa préstimos via Pix, realizando o procedimento no
forma, para que uma instituição possa acessar os aplicativo da empresa, sem necessidade de tran-
dados de outras instituições, ela deve liberar os sações em diferentes aplicativos.
dados que possui. A instituição tornou-se o primeiro banco a adotar
Sendo que fazer parte do sistema tem várias van- a opção de pagar parcelas vencidas de emprés-
tagens, tanto para as instituições quanto para os timo por meio do Pix Open Finance, que é o uso
clientes. da função de iniciador de transações de paga-
Para as instituições, essa é uma forma de ter mento (ITP) com dados compartilhados entre di-
acesso aos dados dos clientes e poder oferecer ferentes instituições financeiras.
serviços e produtos que se encaixem com ele. No serviço de iniciação de transação de paga-
Já para os clientes, essa é uma maneira de obter mento no Pix, o usuário autoriza o início de uma
condições melhores. Afinal de contas, ele pode transação de pagamento em uma instituição dife-
usar os dados para comprovar o seu histórico rente daquela onde possui conta. Trata-se de uma
como bom pagador, por exemplo. comodidade uma vez que a instituição que prestar
Banco do Brasil (BBAS3): ações sobem após o serviço de iniciação facilita a realização de paga-
adesão ao Pix Open Finance mento criando uma jornada única ao usuário. A
A instituição tornou-se o primeiro banco a adotar iniciação de pagamentos via Pix está disponível a
a opção de pagar parcelas vencidas de emprés- partir da 3ª fase do Open Banking, conforme cro-
timo por meio da modalidade. nograma definido pela Instrução Normativa BCB
nº 171.
LEGISLAÇÃO OPEN FINANCE - RESOLUÇÃO III - instituição transmissora de dados: instituição
CONJUNTA Nº 1, DE 4 DE MAIO DE 2020 (Dis- participante que compartilha com a instituição re-
põe sobre a implementação do Open Finance. ceptora os dados do escopo desta Resolução Con-
(Redação dada, a partir de 2/5/2022, pela junta;
Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022 e IV - instituição receptora de dados: instituição
Resolução Conjunta n° 7 de 26/10/2023) participante que apresenta solicitação de compar-
CAPÍTULO I - DO OBJETO E DO ÂMBITO DE APLI- tilhamento à instituição transmissora de dados
CAÇÃO para recepção dos dados do escopo desta Resolu-
Art. 1º Esta Resolução Conjunta dispõe sobre a ção Conjunta;
implementação do Open Finance por parte de ins- V - instituição detentora de conta: instituição par-
tituições financeiras, Instituições de pagamento e ticipante que mantém conta de depósitos à vista
demais instituições autorizadas a funcionar pelo ou de poupança ou conta de pagamento pré-paga
Banco Central do Brasil. (Redação dada, a partir de cliente;
de 2/5/2022, pela Resolução conjunta nº 4, de VI - instituição iniciadora de transação de paga-
24/3/2022.) mento: instituição participante que presta serviço
CAPÍTULO II - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES - Se- de iniciação de transação de pagamento sem deter
ção I - Das Definições em momento algum os fundos transferidos na
Art. 2º Para os fins do disposto nesta Resolução prestação do serviço;
Conjunta, considera-se: VII - serviço de iniciação de transação de paga-
I -Open Finance: compartilhamento padronizado mento: serviço que possibilita a iniciação da ins-
de dados e serviços por meio de abertura e inte- trução de uma transação de pagamento, ordenado
gração de sistemas; (Redação dada, a partir de pelo cliente, relativamente a uma conta de depó-
2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de sitos ou de pagamento pré-paga, comandada por
24/3/2022.) instituição não detentora da conta à instituição
II - cliente: qualquer pessoa natural ou jurídica, que a detém; (Redação dada, a partir de
exceto as instituições de que trata o art. 1º, que 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de
mantém relacionamento destinado à prestação de 24/3/2022.)
serviço financeiro ou à realização de operação fi- VIII - consentimento: manifestação livre, infor-
nanceira com as instituições de que trata esta Re- mada, prévia e inequívoca de vontade, feita por
solução Conjunta, inclusive para a realização de meio eletrônico, pela qual o cliente concorda com
transação de pagamento; o compartilhamento de dados ou de serviços para
finalidades determinadas;
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IX - chamada de interface: requisição de dados e 24/3/2022.) I - dados sobre: a) canais de atendi-


de serviços apresentada pela instituição receptora mento relacionados com: 1. dependências pró-
de dados ou iniciadora de transação de pagamento prias; 2. correspondentes no País; 3. canais ele-
à instituição transmissora de dados ou detentora trônicos; e 4. demais canais disponíveis aos clien-
de conta; tes; b) produtos e serviços relacionados com: 1.
X - assinatura de método: é a identificação única contas de depósito à vista; 2. contas de depósito
de cada método, que consiste na definição do de poupança; 3. contas de pagamento pré-pagas;
nome do método, bem como dos parâmetros de 4. contas de pagamento pós-pagas; 5. operações
entrada e saída em uma função de programação; de crédito; 6. operações de câmbio; 7. serviços de
XI - transações de pagamento sucessivas: transa- credenciamento em arranjos de pagamento; 8.
ções de pagamento realizadas entre os mesmos contas de depósito a prazo e outros produtos com
pagadores e recebedores de acordo com uma pe- natureza de investimento; 9. seguros; e 10. pre-
riodicidade, decorrentes de um mesmo negócio ju- vidência complementar aberta; c) cadastro de cli-
rídico ou relação jurídica; e entes e de seus representantes; e d) transações
XII - agregação de dados: consolidação de dados de clientes relacionadas com: 1. contas de depó-
compartilhados de acordo com o disposto nesta sito à vista; 2. contas de depósito de poupança;
Resolução Conjunta com a finalidade de prestar 3. contas de pagamento pré-pagas; 4. contas de
serviços aos seus clientes. pagamento pós-pagas; 5. operações de crédito; 6.
Seção II - Dos Objetivos e Dos Princípios conta de registro e controle de que trata a Reso-
Art. 3º Constituem objetivos do Open Finance: lução nº 3.402, de 6 de setembro de 2006; 7. ope-
(Redação dada, a partir de 2/5/2022, pela Reso- rações de câmbio; 8. serviços de credenciamento
lução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) I - incentivar em arranjos de pagamento; 9. contas de depósito
a inovação; II - promover a concorrência; III - au- a prazo e outros produtos com natureza de inves-
mentar a eficiência do Sistema Financeiro Nacional timento; 10. seguros; 11. previdência comple-
e do Sistema de Pagamentos Brasileiro; e IV - pro- mentar aberta; e II - serviços de: a) iniciação de
mover a cidadania financeira. transação de pagamento; e b) encaminhamento
Art. 4º As instituições de que trata o art. 1º, para de proposta de operação de crédito.
fins do cumprimento dos objetivos de que trata o § 1º É facultado às instituições participantes de
art. 3º, devem conduzir suas atividades com ética que trata o art. 6º, por meio da convenção de que
e responsabilidade, com observância da legislação trata o art. 44, incluir outros dados e serviços no
e regulamentação em vigor, bem como dos se- escopo do Open Finance, desde que observados os
guintes princípios: I - transparência; II - segu- princípios, os requisitos para compartilhamento e
rança e privacidade de dados e de informações so- as demais disposições desta Resolução Conjunta.
bre serviços compartilhados no âmbito desta Re- (Redação dada, a partir de 2/5/2022, pela Reso-
solução Conjunta; III - qualidade dos dados; IV - lução
tratamento não discriminatório; V - reciprocidade; Conjunta nº 4, de 24/3/2022.)
(Redação dada, a partir de 2/5/2022, pela Reso- § 2º Para fins do compartilhamento de dados so-
lução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.); VI - intero- bre produtos e serviços de que trata o inciso I, alí-
perabilidade: (Redação dada, a partir de nea "b", do caput, devem ser considerados apenas
2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de os produtos e serviços disponíveis à contratação
24/3/2022.) a) entre os participantes; e (Incluída, por meio dos canais de atendimento da instituição
a partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº transmissora de dados, inclusive correspondentes
4, de 24/3/2022.) b) com outras iniciativas de no País.
Open Finance no âmbito dos mercados financeiro, § 3º É necessário obter consentimento do cliente,
de capitais, de seguros, de previdência e de capi- nos termos do art. 10, para fins do compartilha-
talização. (Incluída, a partir de 2/5/2022, pela Re- mento de dados de cadastro e de transações e de
solução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) serviços de que tratam os incisos I, alíneas "c" e
CAPÍTULO III - DO ESCOPO DO OPEN FINANCE "d", e II, do caput, bem como dos que tratam o §
(Denominação alterada, a partir de 2/5/2022, pela 1º, no caso de dados e serviços a ele relacionados.
Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) Seção I § 4º O compartilhamento de dados de cadastro de
- Do Escopo de Dados e Serviços que trata o inciso I, alínea "c", do caput, deve
Art. 5º O Open Finance abrange o compartilha- abranger:
mento de, no mínimo: (Redação dada, a partir de I - os dados fornecidos diretamente pelo cliente ou
2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de obtidos por meio de consulta a bancos de dados
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de caráter público ou privado, exceto: a) os dados firmado contrato de correspondente no País, cujo
classificados como dado pessoal sensível pela le- objeto contemple a atividade de atendimento para
gislação; b) as notas ou pontuações de crédito; e fins de recepção e encaminhamento de propostas
c) as credenciais e outras informações utilizadas de operações de crédito e de arrendamento mer-
com o objetivo de efetuar a autenticação do cli- cantil, por meio de plataforma eletrônica, conce-
ente; e II - o último dado disponível, com discri- didas pela instituição contratante, bem como ou-
minação da data de sua obtenção. tros serviços prestados para o acompanhamento
§ 5º O compartilhamento de dados de transações da operação, conforme previsto na regulamenta-
de que trata o inciso I, alínea "d", do caput: ção sobre contratação de correspondentes no País.
I - diz respeito a dados relacionados com o cliente: (Redação dada, a partir de 2/5/2022, pela Reso-
a) sobre produtos e serviços contratados ou distri- lução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.)
buídos por meio da instituição transmissora de da- § 1º É obrigatório o compartilhamento dos dados
dos; e b) acessíveis por meio dos seus canais de e dos serviços: (Redação dada pela Resolução
atendimento eletrônicos, inclusive no tocante aos Conjunta nº 3, de 24/6/2021).
limites de crédito eventualmente contratados; e II I - em formato para o acesso pelo público, con-
- abrange, no mínimo, os dados e o histórico de forme disposto no art. 23, § 2º, para os dados do
transações realizadas nos últimos doze meses com art. 5º, inciso I, alíneas “a” e “b”; e II - entre as
relação aos produtos e serviços com contratos vi- instituições participantes de cada caso mencio-
gentes nesse período. nado nos incisos I e II do caput para os dados do
§ 6º Para fins do compartilhamento de dados so- art. 5º, incisos I, alíneas “c” e “d”, e II, alínea “a”.
bre canais de atendimento, produtos e serviços de § 2º Excetuam-se da exigência de participação
que trata o inciso I, alíneas "a" e "b", do caput, a obrigatória de que trata o inciso I,
confederação constituída por cooperativas cen- alínea "a", do caput, as instituições integrantes de
trais de crédito em sistema de três níveis e a coo- conglomerados prudenciais que não prestem os
perativa central de crédito em sistema de dois ní- serviços a que se referem os dados de transações
veis podem incumbir-se da disponibilização das in- de clientes previstos no art. 5º, inciso I, alínea "d".
formações de forma § 3º A participação voluntária de que trata o inciso
agregada de suas filiadas, mantida a responsabili- I, alínea "b", do caput, pressupõe a disponibilidade
dade de cada filiada sobre as informações compar- de interface dedicada de que trata o art. 23 na
tilhadas a ela relacionadas. (Incluído, a partir de condição de instituição transmissora de dados. §
2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de 4º Excetuam-se das exigências de participação
24/3/2022.) obrigatória de que tratam os incisos I a III do ca-
Seção II - Da Participação no Open Finance (De- put as instituições assim dispensadas pelo Banco
nominação alterada, a partir de 2/5/2022, pela Central do Brasil, com base em critérios relaciona-
Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) dos à quantidade e à natureza de clientes, aos ti-
Art. 6º São participantes do Open Finance: (Reda- pos de serviço contratados e distribuídos, bem
ção dada, a partir de 2/5/2022, pela Resolução como aos canais de acesso eletrônicos disponíveis
Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) I - no caso do com- e utilizados pelos clientes, observados os objetivos
partilhamento de dados de que trata o art. 5º, in- e princípios constantes desta Resolução Conjunta.
ciso I: a) de forma obrigatória, as instituições en- (Incluído, a partir de 2/5/2022, pela Resolução
quadradas nos Segmentos 1 (S1) e 2 (S2), de que Conjunta nº 4, de 24/3/2022.)
trata a Resolução nº 4.553, de 30 de janeiro de Art. 7º As instituições participantes devem regis-
2017; e trar sua participação no repositório de participan-
b) de forma voluntária, as demais instituições de tes mantido por meio de sistema eletrônico, men-
que trata o art. 1º; II - no caso do compartilha- cionado no art. 44, inciso VI.
mento de serviço de iniciação de transação de pa- CAPÍTULO IV - DOS REQUISITOS PARA COMPAR-
gamento de que trata o art. 5º, inciso II, alínea TILHAMENTO - Seção I - Da Solicitação de Com-
"a", de forma obrigatória: a) as instituições deten- partilhamento
toras de conta; e b) as instituições iniciadoras de Art. 8º A solicitação de compartilhamento de da-
transação de pagamento; e III - no caso de com- dos de cadastro e de transações e de serviços de
partilhamento de serviço de encaminhamento de que trata o art. 5º, incisos I, alíneas "c" e "d", e
proposta de operação de crédito de que trata o art. inciso II, alínea "a", compreende as etapas do con-
5º, inciso II, alínea "b", de forma obrigatória, as sentimento, autenticação e confirmação.
instituições de que trata o art. 1º que tenham
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Parágrafo único. As etapas de que trata o caput a outros casos previstos na legislação ou regula-
devem: I - ser efetuadas com segurança, agili- mentação em vigor.
dade, precisão e conveniência, por meio da inter- § 6º (Revogado pela Resolução Conjunta nº 7, de
face dedicada de que trata o art. 23; II - ser rea- 26/10/2023.)
lizadas exclusivamente por canais eletrônicos; III § 7º Para alterar as condições de que tratam os
- ocorrer de forma sucessiva e ininterrupta; e IV - incisos II, III ou V do § 1º, a instituição receptora
ter duração compatível com os seus objetivos e de dados ou a instituição iniciadora de transação
nível de complexidade. de pagamento deve informar ao cliente o teor da
Art. 9º As instituições participantes devem asse- alteração, de forma específica, e obter a sua con-
gurar a prestação de informações aos clientes de cordância, ficando dispensada a obrigatoriedade
forma clara, objetiva e adequada sobre: I - as eta- dos procedimentos de autenticação e confirmação
pas de que trata o art. 8º, caput; II - os procedi- no ambiente da instituição transmissora de dados
mentos associados às etapas de que trata o inciso ou da instituição detentora de conta de que tratam
I; e III - o redirecionamento para outros ambien- os arts. 16 a 22. (Incluído pela Resolução Con-
tes ou sistemas eletrônicos, inclusive de outras junta nº 7, de 26/10/2023.)
instituições, quando aplicável. § 8º A concordância de que trata o § 7º deve ocor-
Seção II - Do Consentimento rer por meio de manifestação específica e ativa do
Art. 10. A instituição receptora de dados ou inici- cliente. (Incluído pela Resolução Conjunta nº 7, de
adora de transação de pagamento, previamente 26/10/2023.)
ao compartilhamento de que trata esta Resolução Art. 11. Os dados objeto de compartilhamento po-
Conjunta, deve identificar o cliente e obter o seu dem ser apresentados ao cliente de forma agru-
consentimento. pada, com base em critérios a serem estabeleci-
§ 1º O consentimento mencionado no caput deve: dos na convenção de que trata o art. 44.
I - ser solicitado por meio de linguagem clara, ob- Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, o
jetiva e adequada; agrupamento de dados deve: I - ser identificado
II - referir-se a finalidades determinadas III - ter de forma clara, objetiva e adequada; II - possibi-
prazo de validade compatível com as finalidades litar a discriminação dos dados pelo cliente em ní-
de que trata o inciso II ; vel granular; e III - guardar relação com os dados
(Redação dada pela Resolução Conjunta nº 7, de representados em nível granular. Art. 12. A insti-
26/10/2023.); IV - discriminar a instituição trans- tuição receptora de dados deve assegurar que os
missora de dados ou detentora de conta, conforme dados objeto do compartilhamento sejam perti-
o caso; V - discriminar os dados ou serviços que nentes às finalidades determinadas de que trata o
serão objeto de compartilhamento, observada a art. 10, § 1º, inciso II.
faculdade de agrupamento de que trata o art. 11; Art. 13. Para o compartilhamento de serviço de
VI - incluir a identificação do cliente; e VII - ser iniciação de transação de pagamento de que trata
obtido após a data de entrada em vigor desta Re- o art. 5º, inciso II, alínea "a", além dos requisitos
solução Conjunta, com observância do crono- previstos no § 1º do art. 10, o consentimento deve
grama de implementação estabelecido pelo Banco contemplar, no mínimo, as seguintes informações:
Central do Brasil. (Redação dada pela Resolução I - a forma de pagamento; II - o valor da transa-
Conjunta nº 3, de 24/6/2021). ção de pagamento; III - as informações referentes
§ 2º Para alterar a condição de que trata o inciso ao recebedor da transação de pagamento; e IV -
IV do § 1º é necessário obter novo consentimento a data de pagamento.
do cliente. (Redação dada pela Resolução Con- § 1º No caso de transações de pagamento suces-
junta nº 7, de 26/10/2023.) sivas, o consentimento deve ainda dispor sobre a
§ 3º É vedado obter o consentimento do cliente: I periodicidade das transações e o prazo. (Redação
- por meio de contrato de adesão; II - por meio de dada pela Resolução Conjunta nº 7, de
formulário com opção de aceite previamente pre- 26/10/2023.)
enchida; ou III - de forma presumida, sem mani- § 2º O disposto no inciso II do caput é facultativo
festação ativa pelo cliente. nos casos de transações de pagamento sucessivas
§ 4º É vedada a prestação de informação para a cujo valor pactuado seja variável.
instituição transmissora de dados sobre as finali- § 3º As informações exigidas no caput devem ser
dades de que trata o § 1º, inciso II. aquelas estritamente necessárias para a execução
§ 5º A vedação de que trata o § 4º não se aplica da transação de pagamento e compatíveis com o
aos contratos de parceria de que trata o art. 36 ou regulamento ou Instrumento que discipline o
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funcionamento do arranjo de pagamento referente devem: I - no caso da autenticação de cliente, ser


à respectiva transação de pagamento. realizados uma única vez a cada consentimento; e
§ 4º A instituição iniciadora de transação de paga- II - no caso da autenticação de instituição recep-
mento deve solicitar o consentimento do cliente a tora de dados ou iniciadora de transação de paga-
cada nova transação de pagamento, exceto em mento, ser realizados uma única vez a cada cha-
caso de transações de pagamento sucessivas. mada de interface.
(Redação dada pela Resolução Conjunta nº 7, de Art. 17. Os procedimentos e controles para auten-
26/10/2023.) ticação de cliente devem ser compatíveis com os
Art. 14. As instituições participantes devem pres- aplicáveis ao acesso, pelos clientes, a canais de
tar ao cliente, no mínimo, as seguintes informa- atendimento eletrônicos disponibilizados pela ins-
ções sobre os consentimentos, com prazos váli- tituição, levando-se em consideração: I - o nível
dos, relativos aos compartilhamentos nos quais de risco; II - o tipo de dado ou serviço objeto de
estejam envolvidas: I - a identificação das insti- compartilhamento; e III - o canal de atendimento.
tuições participantes; II - os dados e serviços ob- § 1º A compatibilidade de que trata o caput
jeto de compartilhamento; III - o período de vali- abrange, inclusive: I - os fatores de autenticação;
dade do consentimento; IV - a data de requisição II - a quantidade de etapas; e III - a duração do
do consentimento; e procedimento.
V - a finalidade do consentimento, no caso de ins- § 2º A convenção de que trata o art. 44 pode pro-
tituição receptora de dados ou iniciadora de tran- por recomendações quanto a padrões relaciona-
sação de pagamento. dos aos procedimentos e controles de que trata o
Art. 15. As instituições participantes envolvidas no caput, com vistas à observância por parte das ins-
compartilhamento de dados ou serviços devem as- tituições participantes do disposto no art. 8º, pa-
segurar a possibilidade da revogação do respec- rágrafo único.
tivo consentimento, a qualquer tempo, mediante Art. 18. Os procedimentos e controles para auten-
solicitação do cliente, por meio de procedimento ticação de que tratam os arts. 16 e 17 devem ser
seguro, ágil, preciso e conveniente, observado o compatíveis com a política de segurança ciberné-
disposto na legislação e regulamentação em vigor. tica da instituição, prevista na regulamentação em
§ 1º Para os fins do disposto no caput, as institui- vigor.
ções devem disponibilizar ao cliente a opção da Art. 19. É admitida a contratação de serviços para
revogação de consentimento ao menos pelo execução dos procedimentos e controles para au-
mesmo canal de atendimento no qual foi conce- tenticação de que tratam os arts. 16 e 17, com
dido, caso ainda existente. observância do disposto no: I - Capítulo III da Cir-
§ 2º É vedado à instituição transmissora de dados cular nº 3.909, de 16 de agosto de 2018, e, no
ou detentora de conta propor ao cliente a revoga- que couber, nos Capítulos IV e V da referida Cir-
ção de consentimento, exceto em caso de suspeita cular, no caso de instituições de pagamento; e II
justificada de fraude. - Capítulo III da Resolução nº 4.658, de 26 de abril
§ 3º A revogação de que trata o caput deve ser de 2018, e, no que couber, nos Capítulos IV e V
efetuada com observância dos seguintes prazos: da referida Resolução, no caso de instituições fi-
I - em até um dia, contado a partir da solicitação nanceiras e demais instituições autorizadas a fun-
do cliente, no caso do compartilhamento de ser- cionar pelo Banco Central do Brasil.
viço de iniciação de transação de pagamento de § 1º No caso da contratação de que trata o caput,
que trata o art. 5º, inciso II, alínea "a"; e II - de a responsabilidade para os fins desta Resolução
forma imediata, para os demais casos. Conjunta permanece com a instituição transmis-
§ 4º A efetuação da revogação, na forma do § 3º, sora de dados ou detentora de conta.
deve ser informada imediatamente para as demais § 2º É vedada a contratação para fins da autenti-
instituições participantes envolvidas no comparti- cação de instituição de que trata art. 16, inciso II,
lhamento. da própria instituição receptora de dados ou inici-
Seção III - Da Autenticação adora de transação de Pagamento.
Art. 16. A instituição transmissora de dados ou de- Seção IV - Da Confirmação de Compartilhamento
tentora de conta deve adotar procedimentos e Art. 20. A instituição transmissora de dados ou de-
controles para autenticação: I - do cliente; e II - tentora de conta deve solicitar confirmação de
da instituição receptora de dados ou iniciadora de compartilhamento ao cliente. Parágrafo único. O
transação de pagamento. Parágrafo único. Os pro- procedimento de confirmação deve: I - ocorrer si-
cedimentos e controles de que trata o caput multaneamente aos procedimentos para
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autenticação de que trata o art. 16; e II - assegu- alíneas “a” e “b”, as instituições participantes de-
rar ao cliente a possibilidade de discriminar o teor vem assegurar o seu acesso gratuito ao público,
do compartilhamento, observado o escopo de da- com possibilidade de definição, com base em pa-
dos e serviços e a faculdade de agrupamento de râmetros justificados e equitativos, por meio da
que tratam os arts. 5º e 11, bem como os dados convenção de que trata o art. 44, de limites de
ou serviços discriminados na etapa de consenti- chamadas de interface.
mento de que trata o art. 10, § 1º, inciso V. § 3º A confederação constituída por cooperativas
Art. 21. No caso do compartilhamento de dados de centrais de crédito em sistema de três níveis e a
cadastro e de transações de que trata o art. 5º, cooperativa central de crédito em sistema de dois
inciso I, alíneas "c" e "d", devem ser discriminadas níveis podem incumbir-se, em relação às suas fili-
na confirmação, no mínimo, as seguintes informa- adas, da disponibilização da interface de que trata
ções: I - identificação da instituição receptora de o caput.
dados; II - período de validade do consentimento; Art. 24. As instituições devem fornecer às demais
e III - dados que serão objeto de compartilha- participantes informações a respeito das interfa-
mento, com observância do escopo de dados e ces dedicadas de forma clara, adequada à natu-
serviços e da faculdade de agrupamento de que reza do compartilhamento e acessível, inclusive
tratam os arts. 5º e 11, bem como os dados ou com relação ao controle de versões e ao suporte à
serviços discriminados na etapa de consentimento conexão.
de que trata o art. 10, § 1º, inciso V. Art. 25. Os casos de indisponibilidade que gerem
Art. 22. No caso do compartilhamento de serviço situação de crise na instituição devem ser comu-
de iniciação de transação de pagamento de que nicados tempestivamente ao Banco Central do
trata o art. 5º, inciso II, alínea "a", devem ser dis- Brasil. (Redação dada pela Resolução Conjunta nº
criminadas na confirmação, no mínimo, as seguin- 3, de 24/6/2021). § 1º (Revogado pela Resolução
tes informações: I - valor da transação de paga- Conjunta nº 3, de 24/6/2021). § 2º (Revogado
mento; II - informações referentes ao recebedor pela Resolução Conjunta nº 3, de 24/6/2021).
da transação de pagamento; e III - data de paga- Seção VI - Disposições Gerais
mento. Art. 26. A instituição transmissora de dados ou de-
§ 1º No caso de transações de pagamento suces- tentora de conta deve prestar informações tem-
sivas, a confirmação deve dispor ainda sobre a pe- pestivas à instituição receptora de dados ou inici-
riodicidade das transações e o prazo. (Redação adora de transação de pagamento acerca da efe-
dada pela Resolução Conjunta nº 7, de tivação da solicitação de compartilhamento ou, se
26/10/2023.) for o caso, dos motivos que impossibilitarem o
§ 2º O disposto no inciso I do caput é facultativo compartilhamento. § 1º A convenção de que trata
nos casos de transações de pagamento sucessivas o art. 44 deverá padronizar os motivos de impos-
cujo valor pactuado seja variável. sibilidade de compartilhamento de que trata o ca-
§ 3º As informações exigidas no caput devem ser put. § 2º No caso do compartilhamento do serviço
compatíveis com o regulamento ou instrumento de iniciação de transação de pagamento, a padro-
que discipline o funcionamento do arranjo de pa- nização dos motivos de que trata o § 1º deve ser
gamento referente à respectiva transação de pa- compatível com o regulamento ou instrumento
gamento. que discipline o funcionamento do arranjo de pa-
Seção V - Das Interfaces Dedicadas ao Comparti- gamento referente à respectiva transação de pa-
lhamento gamento. § 3º A impossibilidade de compartilha-
Art. 23. As instituições participantes devem dispo- mento de que trata o caput deve ser devidamente
nibilizar interfaces dedicadas ao compartilha- documentada, acompanhada dos motivos e evi-
mento de dados e serviços de que trata esta Re- dências que a fundamentaram.
solução Conjunta, padronizadas de acordo com os Art. 27. A instituição receptora de dados ou inici-
padrões estabelecidos pela convenção de que adora de transação de pagamento deve comunicar
trata o art. 44. ao cliente a efetivação da solicitação de comparti-
§ 1º Os dados e serviços mencionados no caput lhamento.
devem ser representados em meio digital e pro- § 1º A comunicação de que trata o caput deve, no
cessáveis por máquina, em formato livre de res- mínimo: I - discriminar as finalidades determina-
trição quanto à sua utilização. das de que trata o art. 10, § 1º, inciso II, bem
§ 2º No caso das interfaces para o compartilha- como os dados e serviços objeto de compartilha-
mento dos dados de que trata o art. 5º, inciso I, mento; e II - ser realizada por canais de
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atendimento eletrônicos. § 2º No caso do compar- Parágrafo único. O diretor mencionado no caput


tilhamento de serviço de iniciação de transação de pode desempenhar outras funções na instituição,
pagamento de que trata o art. 5º, inciso II, alínea desde que não haja conflito de interesses.
"a", a comunicação de que trata o caput deve Art. 33. O diretor responsável pelo compartilha-
ainda observar as regras do arranjo de pagamento mento de que trata o art. 32 deve elaborar relató-
referente à respectiva transação de pagamento. rio semestral referente ao compartilhamento de
Art. 28. É vedado às instituições participantes a dados e serviços em que a instituição esteve en-
criação de obstáculos ao compartilhamento, tais volvida, nas datas-bases de 30 de junho e 31 de
como requisição de autorizações adicionais do cli- dezembro.
ente, validação adicional do consentimento dado § 1º O relatório de que trata o caput deve abordar,
pelo cliente à instituição receptora de dados ou ini- no mínimo: I - as demandas de clientes a respeito
ciadora de transação de pagamento, ou instruções do compartilhamento registradas no período, se-
de acesso complexas. gregando as decorrentes de fraudes das demais,
Art. 29. É vedado às instituições detentoras de com as providências adotadas para o seu trata-
contas restringir, limitar ou impedir a iniciação de mento; II - as demandas do canal de atendimento
transação de pagamento de que trata o art. 5º, para a prestação de suporte técnico, segregando
inciso II, alínea "a", bem como discriminá-la em as relativas a indisponibilidade das interfaces de-
relação às transações executadas diretamente dicadas; III - os incidentes relacionados com a vi-
pelo cliente por meio dos seus canais de atendi- olação da segurança dos dados e informações so-
mento. bre serviços relacionados ao compartilhamento,
Art. 30. As instituições participantes devem dispo- bem como as medidas adotadas para a sua pre-
nibilizar canal de atendimento para a prestação de venção e solução de que tratam os arts. 38, § 3º,
suporte técnico relacionado à solicitação de com- e 48, inciso III, se for o caso; IV - os resultados
partilhamento às demais instituições participan- dos testes de continuidade de negócios de que
tes, inclusive no que diz respeito: I - às etapas de trata o art. 48, inciso IV, considerando os cenários
compartilhamento de dados ou serviços; II - à co- de indisponibilidade das interfaces utilizadas para
nectividade com as interfaces dedicadas ao com- o compartilhamento de que trata esta Resolução
partilhamento; Conjunta; e V - a quantidade de chamadas de in-
III - à indisponibilidade das interfaces dedicadas; terface no período, segregadas por cliente e por
e (Redação dada pela Resolução Conjunta nº 3, de tipo de dado ou serviço compartilhado, bem como
24/6/2021). IV - à confiabilidade, à integridade e os indicadores referentes ao desempenho das in-
à disponibilidade dos dados compartilhados. Pará- terfaces usadas para o compartilhamento de que
grafo único. As instituições participantes devem trata o art. 41.
registrar no repositório de participantes mencio- § 2º O relatório mencionado no caput deve ser: I
nado no art. 44, inciso VI, informações sobre a - submetido ao comitê de risco da instituição,
forma de acesso ao canal de atendimento de que quando existente; e II - apresentado ao conselho
trata o caput. de administração ou, na sua inexistência, à dire-
CAPÍTULO V - DAS RESPONSABILIDADES - Seção toria da instituição até noventa dias após a res-
I - Da Responsabilidade pelo Compartilhamento pectiva data-base.
Art. 31. A instituição participante é responsável Seção III - Da Responsabilidade pelo Encaminha-
pela confiabilidade, pela integridade, pela disponi- mento de Demandas
bilidade, pela segurança e pelo sigilo em relação Art. 34. As instituições de que trata o art. 1º são
ao compartilhamento de dados e serviços em que responsáveis por tratar as demandas encaminha-
esteja envolvida, bem como pelo cumprimento da das por seus clientes a respeito do compartilha-
legislação e da regulamentação em vigor. mento de dados e serviços em que estiveram en-
Seção II - Do Diretor Responsável pelo Comparti- volvidas.
lhamento Parágrafo único. A exigência de que trata o caput
Art. 32. As instituições participantes e as institui- também se aplica ao tratamento de demandas do
ções contratantes da parceria de que trata o art. público quanto à interface de que trata o art. 23,
36 devem designar diretor responsável pelo com- § 2º.
partilhamento de que trata esta Resolução Con- Art. 35. As instituições de que trata o art. 1º de-
junta. vem informar aos seus clientes que as demandas
a respeito do compartilhamento de dados e servi-
ços podem ser apresentadas por meio: I - dos
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canais de atendimento da instituição; e II - dos adoção de práticas de governança corporativa e de


canais para encaminhamento de demandas de que gestão proporcionais aos riscos a que estejam ex-
trata o art. 44, inciso III, no caso de instituições postas; e II - a verificação da capacidade do po-
participantes. tencial parceiro de assegurar: a) o cumprimento
Parágrafo único. As instituições de que trata o art. da legislação e da regulamentação em vigor; b) o
1º devem prestar informações aos seus clientes a acesso da instituição contratante a informações
respeito das formas de acesso aos canais de que sobre a efetividade da transferência de dados e de
trata do caput. informações sobre serviços compartilhados; c) a
Seção IV - Da Contratação de Parceria confidencialidade, a integridade, a disponibilidade
Art. 36. É admitida a contratação de parceria por e a recuperação de dados e de informações sobre
parte das instituições de que trata o art. 1º com serviços compartilhados; d) a aderência a certifi-
entidades não autorizadas a funcionar pelo Banco cações exigidas pela instituição contratante para a
Central do Brasil com o objetivo de compartilhar execução do compartilhamento, inclusive as esta-
dados de que trata o art. 5º, inciso I, alíneas "c" e belecidas nos termos do inciso I, alínea "b", do art.
"d", bem como de outros dados e serviços que ve- 44; e) o acesso da instituição contratante aos re-
nham a ser incluídos no escopo do Open Finance latórios elaborados por empresa de auditoria es-
nos termos do art. 5º, § 1º. (Redação dada, a par- pecializada independente, contratada pelo poten-
tir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de cial parceiro, relativos aos procedimentos e aos
24/3/2022.) controles utilizados no compartilhamento; f) o
§ 1º O compartilhamento de que trata o caput provimento de informações e a existência de re-
pressupõe prévio e expresso consentimento do cli- cursos de gestão adequados ao monitoramento do
ente. compartilhamento; e g) a qualidade dos controles
§ 2º As instituições devem assegurar que suas po- de acesso voltados à proteção dos dados e de in-
líticas e estratégias para gerenciamento de riscos formações sobre serviços compartilhados. § 1º Os
previstas na regulamentação em vigor contem- procedimentos de que trata o caput, inclusive no
plem, inclusive, os critérios de decisão para a con- que diz respeito às informações relativas à verifi-
tratação de parcerias com o objetivo de que trata cação mencionada no inciso II, devem ser docu-
o caput. mentados e mantidos atualizados.
§ 3º No caso da contratação de parcerias em que § 2º Os recursos de gestão de que trata a alínea
se preveja o compartilhamento com entidades lo- "f" do inciso II do caput devem contemplar o
calizadas no exterior, as políticas e estratégias de acesso a:
que trata o § 2º devem contemplar os parâmetros I - registros de consentimento dos clientes arma-
utilizados pela instituição para a avaliação dos pa- zenados pelo potencial parceiro; e II - confirma-
íses e da região em cada país para onde os dados ções de que os dados ou informações sobre servi-
dos clientes poderão ser compartilhados, com ob- ços compartilhados pela instituição contratante fo-
servância da legislação vigente. ram recebidos pelo potencial parceiro.
§ 4º As políticas e as estratégias de que trata o § § 3º A instituição contratante deve possuir recur-
2º devem ser aprovadas pelo conselho de admi- sos e competências necessários para a adequada
nistração ou, na sua inexistência, pela diretoria da gestão da parceria, inclusive a análise de informa-
instituição. ções e uso dos recursos providos nos termos da
§ 5º É vedada a contratação de parcerias de que alínea "f" do inciso II do caput.
trata o caput: I - entre instituições autorizadas a § 4º Os procedimentos de que trata o caput devem
funcionar pelo Banco Central do Brasil; e II - com contemplar a avaliação da legislação e da regula-
o objetivo de que o parceiro contratado atue em mentação dos países e da região em cada país
nome da instituição contratante para fins de com- para onde os dados ou informações sobre serviços
partilhamento. de clientes poderão ser compartilhados, observa-
§ 6º A contratação de parceria de que trata o ca- dos os parâmetros mencionados no art. 36, § 3º,
put deve ser precedida da emissão de parecer fa- caso a contratação contemple o compartilhamento
vorável por parte do diretor de que trata o art. 32, para o exterior, bem como o disposto na legislação
com observância das exigências de que trata o art. vigente.
37. Art. 38. O contrato de que trata o art. 36 deve
Art. 37. As instituições de que trata o art. 1º, pre- prever, no mínimo: I - o objeto do contrato, que
viamente à contratação de que trata o art. 36, de- deve contemplar o compartilhamento de que trata
vem adotar procedimentos que contemplem: I - a o art. 36; II - os papéis e as responsabilidades das
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partes contratantes; III - a indicação dos países e sobre serviços relacionados ao compartilhamento
da região em cada país para onde os dados ou in- e as medidas adotadas pelo parceiro contratado
formações sobre serviços de clientes poderão ser para a sua prevenção e solução.
compartilhados; IV - a adoção de medidas de se- § 4º O contrato mencionado no caput deve prever,
gurança para a recepção e o armazenamento pelo para o caso da decretação de regime de resolução
parceiro contratado dos dados ou informações so- da instituição contratante pelo Banco Central do
bre serviços compartilhados de clientes; V - o Brasil: I - a obrigação de o parceiro contratado
acesso da instituição contratante a: a) informa- conceder pleno e irrestrito acesso do responsável
ções fornecidas pelo parceiro contratado, visando pelo regime de resolução aos contratos, aos acor-
a verificar o cumprimento do disposto nos incisos dos, à documentação e às informações referentes
III e IV; b) informações relativas às certificações ao compartilhamento, bem como aos códigos de
e aos relatórios de auditoria especializada, citados acesso, citados no inciso VII do caput, que este-
no art. 37, inciso II, alíneas "d" e "e"; e c) infor- jam em poder do parceiro; e
mações e recursos de gestão adequados ao moni- II - a obrigação de notificação prévia do responsá-
toramento do compartilhamento, citado no art. vel pelo regime de resolução sobre a intenção de
37, inciso II, alínea "f"; VI - a obrigação de o par- o parceiro contratado interromper o compartilha-
ceiro contratado notificar a instituição contratante mento, com pelo menos trinta dias de antecedên-
sobre a subcontratação de serviços relativos ao cia da data prevista para a interrupção, observado
compartilhamento; VII - a permissão de acesso do que: a) o parceiro contratado obriga-se a aceitar
Banco Central do Brasil aos contratos firmados eventual pedido de prazo adicional de trinta dias
para o compartilhamento, à documentação e às para a interrupção do compartilhamento, feito
informações referentes aos dados ou informações pelo responsável pelo regime de resolução; e b) a
sobre serviços compartilhados, bem como aos có- notificação prévia deverá ocorrer também na situ-
digos de acesso a tais informações; VIII - a adoção ação em que a interrupção for motivada por ina-
de medidas pela instituição contratante, em de- dimplência da contratante. Art. 39. A instituição
corrência de determinação do Banco Central do contratante é responsável pela confiabilidade, pela
Brasil; IX - a observância dos padrões tecnológi- disponibilidade, pela segurança e pelo sigilo do
cos e de procedimentos operacionais estabeleci- compartilhamento de que trata o art. 36, bem
dos no inciso I, alínea "b", do art. 44; X - a obri- como pelo cumprimento da legislação e da regu-
gação de o parceiro contratado manter a institui- lamentação em vigor.
ção contratante permanentemente informada so- Seção V - Dos Mecanismos de Acompanhamento e
bre eventuais limitações que possam afetar o Controle
compartilhamento ou o cumprimento da legislação Art. 40. As instituições de que trata o art. 1º de-
e da regulamentação em vigor; e XI - os procedi- vem instituir mecanismos de acompanhamento e
mentos para o tratamento de demandas encami- de controle com vistas a assegurar a confiabili-
nhadas pelo cliente de que trata o art. 34. dade, a disponibilidade, a integridade, a segu-
§ 1º É vedado incluir, no objeto do contrato de que rança e o sigilo de que tratam os arts. 31 e 39,
trata o inciso I do caput: I - a prestação de servi- bem como a implementação e a efetividade dos
ços, pelo parceiro contratado, de atividades de requisitos de que trata esta Resolução Conjunta,
atendimento a clientes em nome da instituição incluindo: I - a definição de processos, testes e
contratante, previstas na regulamentação que dis- trilhas de auditoria; II - a definição de métricas e
põe sobre correspondentes no País; e II - o com- indicadores compatíveis; e III - a identificação e a
partilhamento de dados de transações de clientes correção de eventuais deficiências. § 1º A defini-
que trata o art. 5º, inciso I, alínea "d", relativos a ção dos mecanismos de que trata o caput deve
produtos e serviços contratados em outras insti- contemplar: I - os registros de consentimento, de
tuições. autenticação, de confirmação e de revogação do
§ 2º Os papéis e responsabilidades citados no in- consentimento para o compartilhamento de que
ciso II do caput devem contemplar o dever do par- trata esta Resolução Conjunta, no caso de institui-
ceiro contratado e da instituição contratante de in- ções participantes;
formar o cliente que o parceiro não atua em nome II - as informações a respeito dos dados e serviços
da instituição, para fins do compartilhamento. § compartilhados, inclusive das credenciais de iden-
3º A obrigação de que trata o inciso X do caput tificação dos clientes; III - as notificações recebi-
deve contemplar a comunicação de incidentes de das sobre a subcontratação de que trata o art. 38,
violação da segurança dos dados e informações inciso VI, quando houver; e IV - as comunicações
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recebidas sobre os incidentes de que trata o art. cento e vinte chamadas de interface ao mês, por
38, § 3º, quando houver. instituição participante e por cliente, no que se re-
§ 2º Os mecanismos de que trata o caput devem: fere aos dados de transações de que trata o art.
I - ser submetidos a testes periódicos pela audito- 5º, inciso I, alínea "d".
ria interna, quando aplicável, compatíveis com os CAPÍTULO VI - DA CONVENÇÃO
controles internos da instituição; II -ser compatí- Art. 44. As instituições participantes devem cele-
veis com a política de segurança cibernética da brar convenção, com observância das disposições
instituição, prevista na regulamentação em vigor; desta Resolução Conjunta, sobre aspectos relati-
e III - assegurar que as demais instituições envol- vos: I - aos padrões tecnológicos e aos procedi-
vidas no compartilhamento não tenham acesso às mentos operacionais, que abrangem, no mínimo:
credenciais utilizadas pelo cliente para sua identi- a) a implementação de interfaces dedicadas de
ficação e autenticação. que trata o art. 23, inclusive: 1. o desenho da in-
Art. 41. Os mecanismos de acompanhamento e terface; 2. o protocolo para transmissão de dados;
controle da instituição devem abranger indicado- 3. o formato para troca de dados; e 4. os controles
res relativos ao desempenho das interfaces usa- de acesso às interfaces e aos dados; b) os padrões
das para o compartilhamento. Parágrafo único. A e certificados de segurança; e c) a solicitação de
convenção de que trata o art. 44 poderá definir compartilhamento de dados e serviços, de forma
indicadores complementares relativos ao desem- a harmonizar: 1. as informações apresentadas aos
penho das interfaces de que trata o caput, bem clientes; 2. a forma de interação com os clientes;
como mecanismos de transparência e divulgação e 3. a duração das etapas; II - à padronização do
de tais indicadores ao público. leiaute dos dados e serviços, abrangendo, inclu-
Seção VI - Do Ressarcimento de Despesas entre sive: a) o dicionário de dados; e b) o agrupamento
Instituições Participantes de dados de que trata o art. 11; III - aos canais
Art. 42. Admite-se o ressarcimento de despesas para encaminhamento de demandas de clientes;
entre instituições participantes decorrentes do IV - aos procedimentos e aos mecanismos para o
compartilhamento de dados e serviços de que tratamento e a resolução de disputas entre as ins-
trata esta Resolução Conjunta, observadas as ve- tituições participantes, inclusive as decorrentes de
dações à cobrança de que trata o art. 43. Pará- demandas encaminhadas por meio dos canais de
grafo único. Para efeitos do disposto no caput, que trata o inciso III; V - ao ressarcimento entre
com relação aos dados e serviços de que trata o os participantes; VI - ao repositório de participan-
art. 5º, incisos I, alíneas "c" e "d", e II, alínea "a", tes; VII - aos direitos e às obrigações dos partici-
as instituições participantes devem assegurar: pantes; (Redação dada, a partir de 2/5/2022, pela
I - o tratamento equitativo e o acesso não discri- Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) VIII -
minatório de instituições participantes, o que pres- aos procedimentos e aos mecanismos para moni-
supõe, entre outros, o acesso aos dados atualiza- toramento dos participantes quanto ao cumpri-
dos, sem imposição de janelas de acesso e sem mento de: (Redação dada, a partir de 2/5/2022,
prioridade entre participantes; e II - a definição, pela Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) a)
por meio da convenção de que trata o art. 44, com obrigações de que trata o inciso VII; e (Incluída, a
base em parâmetros justificados, aplicáveis igual- partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4,
mente a todas as instituições participantes, de: a) de 24/3/2022.) b) outras obrigações previstas em
limites de chamadas de interface por cliente, por documentos elaborados no âmbito da convenção;
instituição, por dia e por assinatura de método, no (Incluída, a partir de 2/5/2022, pela Resolução
caso do compartilhamento de dados de que trata Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) IX - às medidas
o art. 5º, inciso I, alíneas "c" e "d"; e b) valores e aplicáveis aos participantes pelo eventual descum-
forma de cobrança entre participantes. primento das obrigações previstas em documen-
Art. 43. É vedado o ressarcimento de despesas, tos elaborados no âmbito da convenção de que
entre as instituições participantes: I - por quais- trata o inciso VIII e aos procedimentos para apli-
quer chamadas de interface com relação aos ser- cação de tais medidas; (Incluído, a partir de
viços de iniciação de transação de pagamento de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de
que trata o inciso II, alínea "a", desse artigo; II - 24/3/2022.) X - às políticas e aos procedimentos
por, no mínimo: a) duas chamadas de interface ao de controles internos, de gestão de riscos, de au-
mês, por instituição participante, por cliente e por ditoria e de transparência referentes aos serviços
assinatura de método, acerca dos dados de cadas- prestados aos participantes no âmbito da conven-
tro de que trata o art. 5º, inciso I, alínea "c"; e b) ção; (Incluído, a partir de 2/5/2022, pela
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Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) XI - à ajustes em seus procedimentos decorrentes de


política de governança, contemplando as respon- problemas identificados no curso da atividade de
sabilidades, as diretrizes e as atribuições referen- monitoramento de que trata o inciso VIII do caput,
tes aos serviços prestados aos participantes no inclusive quanto a prazos para tais ajustes, de
âmbito da convenção; (Incluído, a partir de forma compatível com a criticidade e a complexi-
2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de dade da situação. (Incluído, a partir de 2/5/2022,
24\3\2022) XII - às políticas e aos procedimentos pela Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) §
de comunicação à sociedade acerca do processo 6º As políticas e os procedimentos de que trata os
de implementação do Open Finance, das respon- incisos X e XII do caput devem contemplar os ser-
sabilidades e das atribuições dos participantes e viços prestados aos participantes no âmbito da
dos resultados alcançados; e (Incluído, a partir de convenção que forem subcontratados. (Incluído, a
2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4,
24/3/2022.) de 24/3/2022.) § 7º No âmbito da convenção de
XIII - aos demais aspectos considerados necessá- que trata o caput, fica vedado o estabelecimento
rios para o cumprimento do disposto nesta Reso- de quaisquer mecanismos ou sistemas que centra-
lução Conjunta. (Incluído, a partir de 2/5/2022, lizem informações relativas a dados e a transações
pela Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) § de clientes no âmbito do Open Finance, exceto
1º Para fins do disposto no caput, deve ser esta- quando expressamente previsto na regulamenta-
belecida estrutura responsável pela governança ção vigente. (Incluído, a partir de 2/5/2022, pela
do processo, constituída de forma a garantir: I - a Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.)
representatividade e a pluralidade de instituições Art. 45. As regras, os procedimentos e os padrões
e segmentos participantes; II - o acesso não dis- definidos na convenção de que trata o art. 44 de-
criminatório das instituições participantes; III - a vem ser formalizados em instrumento firmado en-
mitigação de conflitos de interesse; e IV - a sus- tre as instituições participantes: I - em nível indi-
tentabilidade do Open Finance. (Redação dada, a vidual; II - por outra instituição que detenha po-
partir de 2/5/2022, pela deres de representação da instituição mencionada
Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) § 2º As no inciso I; ou III - por meio de suas associações
informações sobre o padrão para implementação representativas de nível nacional. § 1º O instru-
das interfaces dedicadas de que trata o inciso I, mento que formalizar a convenção deve conter o
alínea "a", do caput, inclusive os controles de ver- termo inicial para a observância obrigatória dos
sionamentos, devem ser mantidas atualizadas e seus dispositivos. § 2º As regras, os procedimen-
acessíveis às instituições participantes. § 3º As in- tos e os padrões de que trata o caput devem ser
formações de que trata o § 2º devem ser mantidas observados de maneira uniforme pelas instituições
atualizadas e acessíveis ao público, no que diz res- participantes.
peito às interfaces de que trata o art. 23, § 2º. § § 3º O instrumento que formalizar a convenção de
4º Os procedimentos e os mecanismos para mo- que trata o § 1º, bem como os eventuais termos
nitoramento de que trata o inciso VIII do caput de adesão de novos participantes, devem ser
devem contemplar, no mínimo, os seguintes as- mantidos à disposição do Banco Central do Brasil.
pectos: (Incluído, a partir de 2/5/2022, pela Re- Art. 46. O Banco Central do Brasil deverá: I - es-
solução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) I - a ade- tabelecer a estrutura inicial responsável pela go-
quação do uso pelos participantes dos serviços vernança do processo de implementação do Open
prestados no âmbito da convenção; (Incluído, a Finance, com base nas diretrizes dispostas no art.
partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, 44, § 1º; e (Redação dada, a partir de 2/5/2022,
de 24/3/2022.) II - a aderência dos participantes pela Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) II -
ao conteúdo dos guias e de outros documentos participar do processo de elaboração da conven-
técnicos e operacionais elaborados no âmbito da ção de que trata o art. 44, de forma a garantir o
convenção, quando aplicável; e (Incluído, a partir cumprimento dos objetivos previstos no art. 3º e
de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de a observância dos princípios de que trata o art. 4º.
24/3/2022.) III - a apuração da qualidade dos da- Parágrafo único. Para a definição de que trata o
dos compartilhados pelos participantes de que inciso I do caput, o Banco Central do Brasil deverá
trata o art. 5º, inciso I, alíneas "a" e "b". (Incluído, promover discussões entre as instituições partici-
a partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº pantes, representadas por meio de suas associa-
4, de 24/3/2022.) § 5º Os participantes devem ser ções representativas de nível nacional.
notificados quanto à necessidade de eventuais
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Art. 47. O conteúdo da convenção de que trata o Parágrafo único. Para fins do disposto nos incisos
art. 44, bem como suas alterações, devem ser IX e XI do caput, o prazo deve ser contado a partir
submetidos à aprovação do Banco Central do Bra- da data de implementação dos citados mecanis-
sil, nos prazos por ele estabelecidos. (Redação mos. (Redação dada, a partir de 2/5/2022, pela
dada pela Resolução Conjunta nº 3, de Resolução Conjunta nº 4, de 24/3/2022.)
24/6/2021). CAPÍTULO VIII - DISPOSIÇÕES FINAIS
I - (Revogado II - (Revogado III - (Revogado IV - Art. 50. As instituições participantes podem reali-
(Revogado Parágrafo único. (Revogado zar a agregação de dados de seus clientes com-
CAPÍTULO VII - DISPOSIÇÕES GERAIS partilhados no âmbito desta Resolução Conjunta,
Art. 48. As instituições devem assegurar que suas desde que essa atividade guarde relação com o
políticas para gerenciamento de riscos, previstas seu objeto social e seja inerente à consecução de
na regulamentação em vigor, disponham, com re- seus objetivos.
lação à continuidade de negócios, sobre: I - os Art. 51. O Banco Central do Brasil poderá adotar
procedimentos a serem seguidos no caso da indis- as medidas necessárias para o cumprimento do
ponibilidade das interfaces utilizadas para o com- disposto nesta Resolução Conjunta, bem como es-
partilhamento; (Redação dada pela Resolução tabelecer:
Conjunta nº 3, de 24/6/2021). II - o prazo estipu- I - o detalhamento dos dados e serviços objeto de
lado para reinício ou normalização da disponibili- compartilhamento, de que trata o art. 5º; II - os
dade da interface de que trata o inciso I; parâmetros relativos: a) à indisponibilidade das
III - o tratamento de incidentes relacionados com interfaces de que trata o art. 25; e b) ao desem-
a violação da segurança dos dados relacionados ao penho de processos de solicitação de compartilha-
compartilhamento e as medidas tomadas para a mento pelo cliente de que trata o art. 8º; III - os
sua prevenção e solução; e prazos para comunicação dos casos de indisponi-
IV - a execução de testes de continuidade de ne- bilidade de que trata o art. 25; (Redação dada, a
gócios, considerando os cenários de indisponibili- partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4,
dade das interfaces de que trata o inciso I e a ava- de 24/3/2022.) IV - a exigência de certificações e
liação dos seus resultados. Art. 49. As instituições de outros requisitos técnicos a serem requeridos
de que trata o art. 1º devem manter à disposição das parceiras contratadas, pela instituição contra-
do Banco Central do Brasil pelo prazo de cinco tante, no compartilhamento que trata o art. 36; V
anos: I - as informações referentes aos consenti- - os parâmetros complementares relativos às ve-
mentos em vigor de que trata o art. 14; II - as dações para o ressarcimento de
informações relativas à revogação do consenti- despesas de que trata o art. 43; VI - a forma de
mento de que trata o art. 15; III - (Revogado, a participação de que trata o art. 46; VII - a forma
partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de submissão da convenção de que trata o art. 47;
de 24/3/2022.) IV - a documentação de que trata VIII - os prazos máximos para reinício ou norma-
o art. 26, § 3º; V - o relatório semestral, de que lização da disponibilidade das interfaces, de que
trata o art. 33; VI - o parecer técnico de que trata trata o art. 48, inciso II; (Redação dada pela Re-
o art. 36, § 6º; VII - os procedimentos relativos à solução Conjunta nº 3, de 24/6/2021). IX - demais
verificação da capacidade do potencial parceiro de requisitos e procedimentos operacionais para o
que trata o art. 37, § 1º; VIII- os contratos de que cumprimento desta Resolução Conjunta; (Reda-
trata o art. 38, contado o prazo referido no caput ção dada, a partir de 2/5/2022, pela Resolução
a partir da extinção do contrato; IX - os dados, os Conjunta nº 4, de 24/3/2022.) X - o cronograma
registros e as demais informações relativas aos de: (Incluído pela Resolução Conjunta nº 3, de
mecanismos de acompanhamento e de controle de 24/6/2021). a) entregas de conteúdo da conven-
que trata o art. 40; (Redação dada, a partir de ção de que trata o art. 47; e (Incluído pela Reso-
2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de lução Conjunta nº 3, de 24/6/2021). b) implemen-
24/3/2022.) X - o instrumento e os termos de ade- tação do Open Finance; e (Redação dada, a partir
são de que trata o art. 45, § 3º; e (Redação dada, de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 4, de
a partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta nº 24/3/2022.) XI - outros aspectos necessários à
4, de 24/3/2022.) XI - os dados, as informações e implementação do Open Finance, de acordo com
a documentação relativos ao monitoramento de as competências legais do Banco Central do Brasil.
que trata o inciso VIII do caput do art. 44. (Inclu- (Incluído, a partir de 2/5/2022, pela Resolução
ído, a partir de 2/5/2022, pela Resolução Conjunta Conjunta nº 4, de 24/3/2022.)
nº 4, de 24/3/2022.)
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Parágrafo único. Os parâmetros relativos à indis- Conselho Monetário Nacional. O open banking
ponibilidade e ao desempenho eventualmente de- tem, entre outros, o objetivo de
finidos de acordo com o caput, inciso II, devem (A) criar um mercado eletrônico exclusivo para
ser compatíveis com a regulamentação vigente, operação das fintechs.
inclusive com o regulamento ou instrumento que (B) permitir que mais instituições participem como
discipline o funcionamento do arranjo de paga- bancos comerciais do mercado brasileiro, abrindo
mento referente à respectiva transação de paga- esse mercado.
mento. (C) possibilitar o compartilhamento de informa-
Art. 52. O Banco Central do Brasil poderá vetar ou ções, mediante autorização expressa de cada cli-
impor restrições ao compartilhamento de que ente, e a movimentação de suas respectivas con-
trata o art. 36 desta Resolução Conjunta, quando tas bancárias, entre diferentes instituições finan-
constatar, a qualquer tempo, a inobservância do ceiras.
disposto nesta Resolução Conjunta, bem como a (D) controlar as operações de concessão de cré-
limitação à atuação do Banco Central do Brasil, es- dito de cada instituição financeira participante au-
tabelecendo prazo para a adequação de proces- torizada pelo Banco Central, dando mais transpa-
sos. rência ao setor.
Art. 53. As instituições de que trata o art. 1º que, (E) recomendar a utilização de um sistema de in-
na data de entrada em vigor desta Resolução Con- formações único, de código aberto, para gestão de
junta, já tiverem contratos com entidades não au- contas-correntes e suas movimentações, de modo
torizadas por esta Autarquia para compartilhar da- a ser adotado por todas as instituições financeiras
dos e serviços nos termos do art. 36, devem apre- em operação no Brasil.
sentar ao Banco Central do Brasil, até 3 de no- 12 – (IADES - 2022 - BRB – Escriturário) De
vembro de 2020, cronograma para adequação ao acordo com a Resolução Conjunta nº 1/2020, o
cumprimento do disposto no art. 38. Banco Central do Brasil estabeleceu a estrutura
Parágrafo único. O prazo final previsto no crono- inicial do open banking, plataforma que permite
grama para adequação mencionado no caput não aos clientes optarem por compartilhar os respec-
pode ultrapassar 31 de dezembro de 2021. Art. tivos dados de uma conta com outras instituições
54. A Resolução nº 3.919, de 25 de novembro de financeiras, com o intuito de fazer com que o cli-
2010, passa a vigorar com as seguintes altera- ente tenha acesso às melhores condições de cada
ções: "Art. 1º § 2º I - em contas à ordem do Poder serviço contratado, por exemplo. Para se benefi-
Judiciário e para a manutenção de depósitos em ciar disso, ele deve dar o consentimento para o
consignação de pagamento de que trata a Lei nº compartilhamento de seus dados. No que se refere
8.951, de 13 de dezembro de 1994; II - do sa- ao contexto de um consentimento dado pelo cli-
cado, em decorrência da emissão de boletos ou ente, assinale a alternativa correta.
faturas de cobrança, carnês e assemelhados; e III A. A partir do momento em que o cliente permitiu
- pelo compartilhamento de dados de que trata a o acesso a seus dados, os bancos participantes do
Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020." open banking podem compartilhar essas informa-
(NR) "Art. 5º .XIX - fornecimento emergencial de ções por tempo indeterminado.
segunda via de cartão de crédito; XX - leilões agrí- B. Um consentimento sempre está associado à
colas; e XXI - agregação de dados compartilhados conta do cliente, portanto, caso ele opte por auto-
no âmbito da Resolução Conjunta nº 1, de 2020. rizar o compartilhamento dos dados, quaisquer in-
Art. 55. Esta Resolução Conjunta entra em vigor formações de sua conta poderão ser compartilha-
em 1º de junho de 2020. (Redação dada pela Re- das com outras instituições financeiras.
solução Conjunta nº 3, de 24/6/2021). C. Um dado consentido pelo cliente para ser com-
partilhado poderá ser utilizado por qualquer insti-
tuição financeira participante do open banking.
QUESTÕES SOBRE O TEMA D. O cliente não pode revogar o consentimento
11 – (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO- previamente dado para determinada informação
MERCIAL) A partir do início de 2021, começou a compartilhada.
primeira fase de implantação do open banking E. Os bancos podem usar um consentimento dado
(sistema financeiro aberto) no Brasil. As institui- pelo cliente por até 12 meses.
ções financeiras participantes devem obedecer a 13 – (IADES - 2019 - BRB – Escriturário) Por
regras definidas pelo Banco Central e pelo meio do Comunicado nº 33.455/2019, o Banco
Central aprovou os requisitos fundamentais para a
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implementação do Sistema Financeiro Aberto BCB, bem como a movimentação de suas contas
(open banking) no Brasil. De acordo com o modelo bancárias a partir de diferentes plataformas, e não
proposto, o conceito de open banking refere-se à apenas pelo aplicativo ou site do banco.
(ao) A essa nova modalidade denomina-se
A. integração de plataformas e infraestruturas de (A) Fintech
sistemas de informação para fins de compartilha- (B) Open banking
mento de produtos e serviços entre as instituições (C) Shadow banking
financeiras, sendo vedada a identificação do cli- (D) Internet banking
ente. (E) Pix
B. atribuição de uma nota de crédito ao cliente 16 – CESGRANRIO – BANRISUL 2023. Um dos
(credit score), que poderá ser consultada por qual- objetivos do Open Finance é que as instituições
quer instituição financeira, mediante prévio con- participantes incentivem a inovação e promovam
sentimento. a cidadania financeira. Para fins do cumprimento
C. compartilhamento de dados cadastrais, produ- desses objetivos, essas instituições devem condu-
tos e serviços pelas instituições financeiras, medi- zir suas atividades com ética e responsabilidade,
ante prévia autorização, por meio de sistemas de e com observância da legislação, da regulamenta-
informações integrados que garantam uma expe- ção em vigor, além de considerar outros princí-
riência simples e segura ao cliente. pios. O princípio que NÃO deve ser seguido pelas
D. inclusão do nome do cliente em um cadastro instituições participantes do Open Finance é a(o)
positivo para fins de compartilhamento de dados, (A) transparência
produtos e serviços pelas instituições financeiras, (B) unilateralidade
garantindo ao cliente acesso a taxas de juros me- (C) qualidade dos dados
nores. (D) segurança e a privacidade de dados
E. implementação de uma interface de integração (E) tratamento não discriminatório
digital para compartilhamento de dados entre ins- 17 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil -
tituições financeiras, com base no princípio de que Agente Comercial - Prova B. As instituições par-
os dados pertencem às instituições, e não aos usu- ticipantes envolvidas no compartilhamento de da-
ários. dos ou serviços do Open Finance, regulamentado
14. (CESPE/CEBRASPE - ALE CE - Analista Le- pelo Banco Central do Brasil, devem assegurar a
gislativo - Área Publicidade e Propaganda – possibilidade da revogação do respectivo consen-
2021) A indústria bancária internacional vem pas- timento, a qualquer tempo, mediante solicitação
sando por profundas modificações: além da am- do cliente, por meio de procedimento seguro, ágil,
pliação das empresas financeiras de tecnologia preciso e conveniente, observado o disposto na le-
fintechs no mercado de banking, observam-se im- gislação e regulamentação em vigor.
portantes mudanças no mercado bancário promo- Essa revogação deve ser efetuada com observân-
vidas pelos principais reguladores globais. Nesse cia dos seguintes prazos:
contexto, o open banking (sistema financeiro A . em até um dia, contado a partir da solicitação
aberto, em tradução livre) do cliente, no caso do compartilhamento de ser-
A. está restrito aos bancos de varejo. viço de iniciação de transação de pagamento, e de
B. busca reduzir o custo financeiro do dinheiro forma imediata, para os demais casos.
(spread) por meio dos ganhos relacionados à eco- B. em até um dia, contado a partir da solicitação
nomia de escala e de escopo. do cliente, no caso do compartilhamento de ser-
C. torna o compartilhamento de dados de clientes viço de iniciação de transação de pagamento, e em
parte central do modelo de negócios. até sete dias, para os demais casos.
D. não envolve transações relacionadas a paga- C. em até dois dias, contado a partir da solicitação
mentos bancários. do cliente, no caso do compartilhamento de ser-
E. reduz o risco de ataques cibernéticos. viço de iniciação de transação de pagamento, e de
15 - CESGRANRIO - BB - 2021 O Conselho Mo- forma imediata, para os demais casos.
netário Nacional e o Banco Central do Brasil (BCB) D. em até dois dias, contado a partir da solicitação
vêm estabelecendo novas regras no Sistema Fi- do cliente, no caso do compartilhamento de ser-
nanceiro Nacional. Uma delas abre a possibilidade viço de iniciação de transação de pagamento, e em
de clientes de produtos financeiros permitirem o até sete dias, para os demais casos.
compartilhamento de dados cadastrais entre dife- E. em até três dias, contado a partir da solicitação
rentes instituições financeiras autorizadas pelo do cliente, no caso do compartilhamento de
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serviço de iniciação de transação de pagamento, e flexíveis e com alta qualidade. Exemplo: Uber,
em até trinta dias, para os demais casos. Serviços de aluguel de filmes online.
Modelo Marketplace: Este seguimento prioriza a
oferta de uma grande variedade de produtos e
GABARITO serviços através de uma plataforma que compile
11 – C 12 – E 13 – C 14 – C 15 – B 16 os diversos produtos ofertados. A ideia é propor-
–B 17 – A cionar uma grande vitrine para integração entre
vendedor e cliente / oferta e procura, facilitando e
intermediando as transações comerciais.
9.5 - NOVOS MODELOS DE NEGÓCIOS. Lucros no Modelo Marketplace: Através da inter-
A transformação digital e os Novos Modelos de Ne- mediação das transações comercias as empresas
gócio, principais modelos: Modelo Free; Modelo do Marketplace lucraram com uma porcentagem
Freemium; Modelo On Demand; Modelo Mar- das vendas realizadas em sua plataforma e lucrar
ketplace; Modelo Assinatura; Modelo Bait and com sistema de merchandising. Exemplo: Dafit;
Hook – (Isca e Anzol), Marketing digital. Mercado Livre; Magalu.
Modelo Free: É a oferta de serviços e produtos Modelo Assinatura: consiste em oferecer produ-
atrativos e gratuitos. tos/serviços, definidos previamente, através de
Lucros no Modelo Free: Através da adesão de uma um pagamento mensal, sendo possível fazer um
grande quantidade de clientes e gera-se um forte upgrade do que é oferecido através de um au-
fluxo de dados. Esses dados são armazenados e mento no preço da assinatura.
vendidos para empresas que fazem publicidade Lucros no Modelo Assinatura: O consumidor paga
dos seus respectivos produtos/serviços destinadas periodicamente para ter acesso a produtos e ser-
aos usuários de acordo os interesses obtidos com viços. Exemplo: Netflix, Sky, Kindle Unlimited,
Compartilhamento de dados. Por exemplo: GloboPlay.
quando você está vendo um vídeo e aparece uma Modelo Bait and Hook – (Isca e Anzol): Este se-
propaganda na tela em apps: TikTok; Facebook; guimento consiste em oferecer um produto básico
Instagram; Jogos gratuitos; WhatsApp. a um preço muito baixo ou até mesmo com preju-
Modelo Freemium: É a oferta de serviços gratuitos ízo (a Isca), porém esse produto depende de um
em uma plataforma, entretanto com limitações, outro produto complementar para seu funciona-
sendo necessário pagar para obter os recursos mento e esse produto secundário (recargas) são
adicionais / vip. O consumidor pode escolher entre vendidas com alta margem de lucro (o Anzol).
a opção free ou opção por assinatura. Estima-se Lucros no Modelo Isca e Anzol: Cobrança preços
que 90% da base de usuários se beneficiam pela excessivos pelas recargas, produtos secundários
opção grátis e cerca de 10% dos usuários pagam essenciais. Exemplos: Gillette - “Barbeador e Lâ-
pelos serviços. mina”; HP – Impressora e as recargas; Games –
Lucros no Modelo Freemium: As empresas que Jogos e suas DLCs.
ofertam esse tipo de serviços lucram com a venda Marketing Digital
de dados dos seus usuários para outras empresas É o conjunto de estratégias voltadas para a pro-
que fazem publicidade destinadas aos usuários do moção de uma marca no ambiente online, sempre
produto/serviço, além de aumentar a seus pro- com o objetivo de promover empresas e produto
ventos com a venda das assinaturas. Exemplo: e com a criação e manutenção de anúncios na in-
Skype; Dropbox; Spotify; Youtube; CandyCrush; ternet. Com isso, as marcas podem fazer uso de
Pokémon Go; Freefire. diferentes canais digitais e métodos que permitem
Modelo On Demand: São produtos e serviços ofer- a análise dos resultados em tempo real.
tados sob demanda, ou seja, de acordo com a ne-
cessidade consumidor. As empresas deste segui- QUESTÕES SOBRE O TEMA
mento prestam serviços de fácil acessibilidade e 18 – (AOCP – 2018- ADM) Uma das principais
com alto nível de qualidade e flexibilidade que fi- vantagens do modelo freemium é permitir que
cam sempre disponíveis para o cliente contratar o consumidor teste um determinado serviço a
quando for necessário. custo zero , obtendo dele uma funcionalidade
Lucros no Modelo On Demand: Lucros sob de- suficiente para que a utilidade do mesmo seja
manda, de acordo com a procura do cliente, por praticamente plena. Podemos dizer que uma
isso essas empresas priorizam serviços ágeis, possível consequência do modelo freemium se-
ria:
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A. O modelo freemium não incentiva o usuá- alimentação, tecnologia, vestuário, ou qualquer


rio a adquirir o serviço após sua utilização. outro do mercado.
B. O usuário efetivar a compra de um nível Fintechs: “tecnologia financeira” – São empresas
superior do serviço , após o teste de uma ver- com bases tecnológicas que apresentam iniciati-
são plenamente funcional; vas inovadoras para oferecer soluções no mercado
C. A restrição de funcionalidade afeta financeiro. Representam a evolução do uso da tec-
seriamente a utilização do serviço; nologia nos serviços financeiros. Geralmente as
D. O usuário desistir da compra devido às empresas Fintechs em seu período emergente po-
fortes limitações de uso. dem ser classificadas com Startups de serviços de
19 – CESGRANRIO – BANRISUL – 2023. Ao tecnologia financeira.
utilizar mídias sociais, como o Facebook e o You- Big techs: São as grandes empresas do mercado
Tube, frequentemente aparecem anúncios de pro- tecnológico: Apple, Facebook, Google, Nvidia, Sy-
dutos e serviços, inclusive financeiros, oferecidos mantec, Microsoft.
por empresas de diversas áreas de negócios. Nos Big Techs e o mercado bancário: Gigantes da tec-
novos modelos de negócios, a estratégia através nologia no mercado financeiro – O novo ramo de
da qual as empresas buscam promover marcas em interesses entre as grandes empresas de tecnolo-
ambientes on-line ou atrair clientes para seus pro- gia é o mercado financeiro, por isso Big Techs es-
dutos e serviços, por meio da criação e manuten- tão voltando os seus projetos para esse ramo.
ção de anúncios na internet, é denominada O Facebook, por exemplo, quer investir em paga-
(A) marketplace mentos online com o apoio do blockchain (sistema
(B) bitcoin que permite o funcionamento e transação das cha-
(C) blockchain madas criptomoedas, ou moedas digitais ). A fer-
(D) fintech ramenta já chegou ao WhatsApp, com o WhatsApp
(E) marketing digital Pays. O Brasil foi o primeiro país a receber a fer-
20 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil - ramenta que promete facilitar as transações co-
Agente de Tecnologia - Microrregião 158 - TI. merciais no país, é possível realizar pagamentos
A economia digital propiciou a criação de um mo- com cartões de crédito ou débito do Nubank,
delo de negócios em que uma empresa gerencia Banco do Brasil e Sicredi de bandeiras Visa e Mas-
uma plataforma digital por meio da qual diversas tercard. A Apple já lançou o Apple Card e o Google
empresas, concorrentes ou não, ofertam e ven- lançou sua conta digital gratuita Google Plex dis-
dem produtos e serviços on-line num ambiente ponível inicialmente apenas nos Estados Unidos.
que se assemelha a um shopping virtual. A plata- Empresas como fintechs, startups e big techs sur-
forma digital descrita acima é denominada giram há cerca de 30 anos e, desde então, redefi-
A . startup niram os requisitos que um negócio deve ter para
B. marketplace entrar no “jogo”.
C. fintech Se até então a capacidade de inovação era um di-
D. mobile banking ferencial, com o surgimento dessas empresas, ele
E. internet banking passou a ser condição sine qua non para o su-
cesso.
O resultado disso é a multiplicação do número de
empresas que surgem pautadas nesses modelos,
GABARITO como as fintechs.
18 – B 19 – E 20 – B Até o final de 2021, elas eram mais de 10 mil nas
Américas, enquanto na Europa, África e Oriente
Médio elas já são mais de 9 mil.
9.6 - FINTECHS, STARTUPS E BIG TECHS. Essa expansão se justifica quando analisamos um
Startups: São empresas em um estágio inicial, re- pouco mais a fundo as características do modelo
cém criada, normalmente com bases tecnológicas de negócios que tais empresas adotam.
e com propostas inovadoras, disruptivas e que Nele, o modo de produzir bens e serviços deixa de
apostam em investimentos de risco, pois se en- depender de instalações físicas e equipamentos,
contram em um campo de negócios arriscado e in- podendo ser desenhado a partir de cloud compu-
certo. As startups não necessariamente fazem ting e tecnologias virtuais.
parte do setor financeiro. Elas podem atuar no
mercado de entretenimento, seguros,
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Tanto que, hoje, o que mais existe são empresas Outra característica é o viés altamente tecnoló-
que começam sem precisar de uma sede física ou gico, que permite a atuação das startups em pra-
de salas comerciais. ticamente qualquer segmento da indústria, co-
De qualquer forma, esses três tipos de empresa mércio e de serviços.
digital têm suas peculiaridades que, como tais, de- Big Techs
finem a forma como atuam. Se antes da Transformação Digital o “sonho de
Fintechs - O mercado de fintechs deve crescer consumo” de uma empresa era tornar-se uma
12% até 2024, segundo o site Statista (em in- multinacional, hoje elas se miram no exemplo das
glês). big techs. Também conhecido como “Big Five”,
Essa é mais uma demonstração do potencial desse esse é o seletíssimo grupo das cinco maiores em-
novo arranjo das empresas que atuam no seg- presas de tecnologia do mundo, formado por Go-
mento bancário e financeiro, em que produtos e ogle, Facebook/Meta, Microsoft, Amazon e Apple.
investimentos tornaram-se muito mais acessíveis, Qual A Diferença Das Empresas Tradicionais?
a maioria gratuitos. Se considerarmos apenas a forma de atuação, as
O melhor exemplo das mudanças proporcionadas empresas do tipo “tech” não se diferenciam das
pela expansão das fintechs é a consolidação dos que nos acostumamos a ver. Ou seja, todas elas
bancos digitais. estão no mercado para oferecer algum tipo de pro-
Embora alguns estejam a caminho de se tornarem duto ou serviço mediante uma contrapartida por
big techs, a maioria começa oferecendo serviços parte do consumidor, sendo também orientadas
financeiros sem contar com uma agência física se- para o lucro. O diferencial está mais no modelo de
quer. negócios que elas adotam, via de regra baseado
Isso não só tornou possível a disseminação das em plataformas na nuvem e serviços prestados re-
fintechs como impulsionou o avanço delas por ou- motamente. É o que fazem, por exemplo, ao co-
tros ramos, como veremos mais à frente. mercializar os chamados Software as a Service
Quais Os Tipos De Fintechs? (SaaS) que, por sua vez, abriram caminho para
Sem demandar uma infraestrutura física, as finte- um novo conceito, o de Everything as a Service
chs podem crescer rapidamente, caindo nas gra- (XaaS). Em muitos casos, elas chegam a redefinir
ças do cliente que, hoje, não precisa mais pagar todo o mercado, como fez a Uber na área de trans-
as tarifas bancárias tradicionais. portes, a Airbnb no ramos de hotelaria, e o Spotify
Dessa forma, surgiram a reboque “techs” financei- no segmento fonográfico.
ras ainda mais especializadas, tais como as de: Quais As Características Das Fintechs, Startups E
Pagamentos; Crédito e investimentos; Seguros Big Techs?
(insurtechs); Gestão financeira Crowdfunding; Outro diferencial em relação às empresas tradici-
Criptomoedas; Empréstimos e renegociação de dí- onais está na rapidez com que essas empresas
vidas. crescem. Como destaca um artigo publicado na
Portanto, hoje o cliente pode contar com uma em- Forbes, elas podem crescer a taxas realmente im-
presa para gerir sua conta bancária convencional, pressionantes. Foi o que aconteceu com o Face-
outra para cuidar dos seus investimentos e outra book que, em seu primeiro ano, mais que quadru-
para fazer crowdfunding. plicou sua base de usuários. A plataforma Slack,
Tudo isso sem os pesados custos dos bancos co- por sua vez, expandiu o número de adesões em
muns que, diga-se de passagem, estão também incríveis 534% ainda nos primeiros 12 meses.
se transformando em bancos digitais. Esse crescimento se sustenta em um modus ope-
Startups randi bastante agressivo, vinculado a certas ca-
Há quem prefira dizer que uma startup não é uma racterísticas essenciais.
empresa no conceito tradicional, mas um embrião Entre os méritos das fintechs, startups e big techs
do que pode vir a se tornar um grande negócio. bem sucedidas está a capacidade de responder
Se tomarmos a tradução convencionada para o prontamente aos desafios do mercado.
termo “empresa emergente”, esse raciocínio até Muitas delas inclusive puxam demandas até então
que faz sentido. Afinal, as startups se caracteri- inexistentes, inaugurando nichos que ninguém ja-
zam por explorar novas formas de fazer negócios, mais havia pensado em explorar.
muitas das quais totalmente disruptivas. Em algu- A extrema agilidade em atender aos anseios dos
mas delas, o novo modelo comprova seu poten- clientes é baseada em grande parte em uma ca-
cial, escalando-se em pouco tempo. racterística da Transformação Digital: o uso de da-
dos coletados pela internet.
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Uma vez tratados, esses dados geram insights que trouxeram de novo foi a digitalização das próprias
podem ou não indicar tendências, permitindo as- relações de consumo, que passaram a acontecer
sim que as empresas tomem decisões arrojadas. online. O comércio, por exemplo, agora é puxado
Inovação mais pelo e-commerce do que pelo próprio varejo
O viés inovador faz parte do DNA das “techs”. A físico.
maioria delas começa como uma startup, traba- A indústria passou a produzir utilizando máquinas
lhando para que sua proposta inovadora seja vali- e equipamentos que mais parecem videogames,
dada pelo mercado. Para isso, elas fazem uso de operados com auxílio de softwares desenvolvidos
uma série de técnicas, processos e ferramentas de como se fossem jogos.
base digital para testar as soluções a serem ofe- Preço - Talvez o setor de serviços seja o que mais
recidas antes de entrar no jogo para valer. Uma tenha evoluído com a expansão das “techs”. No
delas é o chamado Mínimo Produto Viável (MVP), segmento financeiro, tarifas sobre operações
versão enxuta de um produto ou serviço. Dessa como transferências e manutenção de contas fo-
forma, a inovação chega ao mercado já validada ram extintas, graças à digitalização dos bancos. O
por meio de experimentos e estratégias que fazem já destacado Uber mudou a forma como os servi-
das startups verdadeiras minas de ouro em poten- ços de transporte são cobrados, ao introduzir a
cial. economia do compartilhamento.
Flexibilidade Durante muito tempo, ela foi uma empresa de
Claro que ser uma empresa do tipo startup não é transporte que não tinha um carro próprio sequer
por si só uma garantia de sucesso. Esse é o alerta em sua frota.
feito por um estudo da PwC, publicado na Folha. São alguns exemplos da forma como as empresas
De acordo com o levantamento, nove em cada dez tecnológicas vêm revolucionando o mercado, le-
startups brasileiras morrem prematuramente. vando aos clientes serviços tão eficientes quanto
Isso significa que, para ser realmente bem-suce- baratos.
dida, uma empresa de viés tecnológico precisa Menos Burocracia - Boa parte dessas empresas se-
também ser capaz de se ajustar ao mercado, guem os princípios ágeis, conforme os valores do
ainda que isso implique mudar seu próprio core Manifesto Ágil de 2001, segundo o qual responder
business. às mudanças vale mais do que seguir um plano.
A flexibilidade também deve estar presente no Esse pensamento vem pautando o processo deci-
modelo de gestão da empresa, afinal, a imensa sório das empresas de base tecnológica, levando
maioria das startups é gerida horizontalmente, a uma saudável redução da burocracia em seus
sem uma hierarquia rígida. processos internos. Isso se reflete em serviços
Quais Os Diferenciais Desses Novos Modelos? mais de acordo com o “fit” de seus clientes, que
Cada estágio evolutivo da economia de mercado esperam por soluções rápidas ou, se possível, em
tem suas próprias características, embora muitas tempo real. Mais uma vez, as fintechs ilustram
delas não se modifiquem ao longo dos anos. Se na bem esse processo de desburocratização, ao per-
Primeira Revolução Industrial foi a introdução dos mitir a abertura de contas 100% online com pou-
teares mecânicos que acelerou a expansão das cos documentos.
empresas, na Indústria 4.0, essa expansão é pau- Adaptabilidade - As empresas tecnológicas preci-
tada na virtualidade e na cibernética. sam ser “camaleônicas” em algum grau.
Em comum entre ambos os momentos, temos o Isso porque a digitalização dos processos e a ex-
surgimento de tecnologias que permitiram avan- pansão das comunicações digitais levou o próprio
ços na produtividade e o desenvolvimento de pro- consumidor a se reinventar.
dutos e serviços melhores. Tanto que, hoje, ele é chamado de cliente omni-
Mas, como já destacamos, há aspectos que tor- channel, já que se faz presente nas relações com
nam o modelo seguido por fintechs, startups e big as marcas em meios físicos e eletrônicos de comu-
techs único. nicação.
Saiba então de que forma essas empresas utilizam Cercadas por todos os lados por clientes atentos,
os recursos modernos a favor do consumidor, ge- as empresas precisam redobrar seus cuidados na
rando maior valor para seus negócios e satisfação parte do relacionamento e na gestão da qualidade.
para seus clientes. Dessa forma, elas precisam ser capazes de res-
Como vimos, esse é o principal propulsor do ponder às demandas do consumidor com muito
avanço das empresas desde que a economia de mais agilidade e de acordo com as expectativas de
mercado existe. O que as empresas tecnológicas cada um.
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PROF.º PATRICIA BIZERRA

Disruptividade - Outro conceito que entrou em empresas de investimento-anjo. Para receber in-
voga a partir da digitalização e da Transformação vestimentos, a empresa passa por sucessivas ro-
Digital é o de disruptividade. dadas de avaliação, nas quais o negócio deve
Durante muitas décadas, as empresas que encon- comprovar solidamente sua viabilidade e potencial
travam um nicho de mercado se dedicavam a ele para crescer.
por anos a fio sem encontrar concorrentes de FINTECH – BACEN - https://www.bcb.gov.br/es-
peso. tabilidadefinanceira/fintechs
Com o avanço da internet e das plataformas de
Fintechs são empresas que introduzem inovações
comércio eletrônicas, a regra do jogo mudou.
nos mercados financeiros por meio do uso intenso
As empresas hegemônicas passaram a ser amea-
de tecnologia, com potencial para criar novos mo-
çadas por negócios que, em muitos casos, come-
delos de negócios. Atuam por meio de plataformas
çam a operar sem nenhuma infraestrutura.
online e oferecem serviços digitais inovadores re-
E mais do que isso: alteraram totalmente a forma
lacionados ao setor.
como um produto ou serviço é consumido.
Mais uma vez, o Airbnb é um exemplo a se desta-
No Brasil, há várias categorias de fintechs: de cré-
car por ter alterado o formato de organização do
dito, de pagamento, gestão financeira, emprés-
setor de hotelaria a partir de um modelo total-
timo, investimento, financiamento, seguro, nego-
mente disruptivo.
ciação de dívidas, câmbio, e multisserviços.
Escaláveis - Estrelas sendo colocas em fileira de
forma escalável. As empresas digitais também
Podem ser autorizadas a funcionar no país dois ti-
trouxeram para o mercado o conceito de negócio
pos de fintechs de crédito – para intermediação
escalável. Elas se caracterizam por crescer em ta-
entre credores e devedores por meio de negocia-
xas muito elevadas já nos seus primeiros meses
ções realizadas em meio eletrônico: a Sociedade
de operação, como foi o caso do Facebook e Slack,
de Crédito Direto (SCD) e a Sociedade de Emprés-
entre outras. Por sua vez, elas são escaláveis por-
timo entre Pessoas (SEP), cujas operações cons-
que prescindem dos pesados investimentos típicos
tarão do Sistema de Informações de Créditos
das empresas “pré-digitais”. Note que isso não
(SCR).
quer dizer que elas não precisem de aportes de
capital para crescer. A diferença, no caso, é que a
Sociedade de Empréstimo entre pessoas
demanda por capital é muito menor na fase inicial.
(SEP)
Rápido Crescimento - O processo de crescimento
de uma startup segue hoje um roteiro mais ou me-
A SEP realiza operações de crédito entre pessoas,
nos parecido. A empresa começa como um expe-
conhecidas no mercado como peer-to-peer len-
rimento, podendo ser em uma incubadora de em-
ding. Nessas operações eletrônicas, a fintech se
presas ou como a iniciativa de um empreendedor
interpõe na relação entre credor e devedor, reali-
visionário. Se a base de clientes aumenta em altas
zando uma clássica operação de intermediação fi-
taxas, apesar dos pontos de melhoria a serem tra-
nanceira, pelos quais podem cobrar tarifas. Ao
balhados, a startup começa a chamar a atenção
contrário da SCD, a SEP pode fazer captação de
de investidores. Com isso, ela passa a receber su-
recursos do público, desde que eles estejam in-
cessivos aportes de capital, impulsionando ainda
teira e exclusivamente vinculados à operação de
mais o seu crescimento, já em altas taxas.
empréstimo.
Aumentando a capacidade operacional, o modelo
se expande além das fronteiras da sua cidade, es-
Neste caso, a fintech atua apenas como interme-
tado e país, podendo vir a se tornar um “unicór-
diária dos contratos realizados entre os credores e
nio”, ou seja, uma empresa de valor bilionário.
os tomadores de crédito. Os recursos são de ter-
Foco No Cliente - Nenhuma dessas características
ceiros que apenas utilizam a infraestrutura pro-
faria sentido se as fintechs, startups e big techs
porcionada pela SEP para conectar credor e toma-
não agregassem outro conceito recente.
dor. Nesse tipo de operação, a exposição de um
É o de customer centric, no qual o cliente é sempre
credor, por SEP, deve ser de no máximo R$ 15
o centro das atenções, pautando todas as decisões
mil. Adicionalmente, a SEP pode prestar outros
tomadas pelos líderes dessas empresas.
serviços como análise e cobrança de crédito para
Esses Novos Modelos São Confiáveis?
clientes e terceiros, e emissão de moeda eletrô-
Sim, se considerarmos o próprio modelo de vali-
nica.
dação de negócios adotado pelas startups e
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Os potenciais destinatários dos empréstimos de- endividamento, setor de atividade econômica e


vem ser selecionados com base em critérios como pontualidade e atrasos nos pagamentos, entre ou-
situação econômico-financeira, grau de tros.

Sociedade de Crédito Direto (SCD) Além de obter informações sobre os proprietários,


o BC precisa: comprovar a origem e da respectiva
O modelo de negócio da SCD caracteriza-se pela movimentação financeira dos recursos utilizados
realização de operações de crédito, por meio de no empreendimento pelos controladores e verifi-
plataforma eletrônica, com recursos próprios. Ou car se há compatibilidade da capacidade econô-
seja, esse tipo de instituição não pode fazer cap- mico-financeira com o porte, a natureza e o obje-
tação de recursos do público. tivo do empreendimento.

Seus potenciais clientes devem ser selecionados No Brasil, as fintechs estão regulamentadas desde
com base em critérios consistentes, verificáveis e abril de 2018 pelo Conselho Monetário Nacional
transparentes, contemplando aspectos relevantes (CMN) – Resoluções 4.656 e 4.657.
para avaliação do risco de crédito, como situação
econômico-financeira, grau de endividamento, ca- Benefícios das fintechs
pacidade de geração de resultados ou de fluxos de
caixa, pontualidade e atrasos nos pagamentos, se- • Aumento da eficiência e concorrência no
tor de atividade econômica e limite de crédito. mercado de crédito

Além de realizar operações de crédito, as SCDs • Rapidez e celeridade nas transações


podem prestar os seguintes serviços: análise de
crédito para terceiros; cobrança de crédito de ter- • Diminuição da burocracia no acesso ao cré-
ceiros; distribuição de seguro relacionado com as dito
operações por ela concedidas por meio de plata-
forma eletrônica e emissão de moeda eletrônica. • Criação de condições para redução do
custo do crédito
Autorização
• Inovação
Para entrar em operação, as fintechs que quise-
rem operar como SCD ou SEP devem solicitar au- • Acesso ao Sistema Financeiro Nacional.
torização ao Banco Central.
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que dificulta a competitividade com fintechs e


QUESTÕES SOBRE O TEMA startups.
21 – (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO- 24 - CESGRANRIO - BB - 2021 - Fintechs são
MERCIAL) Um indivíduo abriu uma conta em um empresas que
banco digital. Essa instituição tem um modelo de (A) funcionam com o principal objetivo de compar-
negócio que desburocratizou o mercado e oferece tilhar dados cadastrais entre diferentes institui-
soluções simples por meio da tecnologia, otimi- ções financeiras autorizadas pelo Banco Central do
zando serviços e deixando de repassar custos ope- Brasil (BCB).
racionais da empresa para seus clientes. Como (B) prestam serviços ao BCB, notadamente a pre-
são chamadas as empresas que introduzem ino- paração de Relatórios contendo dados e informa-
vações nos mercados financeiros por meio do uso ções sobre as
intenso de tecnologia, com potencial para criar no- operações de crédito e de câmbio de todas as ins-
vos modelos de tituições financeiras.
negócios? (C) prestam serviços ao BCB, notadamente a cri-
(A) Nutechs ação de sistemas de informações on-line que per-
(B) Inovatechs mitem o compartilhamento de dados entre diver-
(C) Fintechs sos órgãos reguladores, como o próprio BCB, a Co-
(D) SmartTechs missão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superin-
(E) HealthTechs tendência de Seguros Privados (Susep).
22 – (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO- (D) empregam tecnologias digitais de última gera-
MERCIAL) (As startups têm transformado os ne- ção e oferecem serviços financeiros à margem do
gócios. Um dos motivos para isso é que elas sistema bancário tradicional, estando, portanto, li-
(A) são ágeis, sempre vendem os seus produtos vres da regulação do BCB.
mais barato e visam a tornar-se um unicórnio. (E) atuam por meio de plataformas on-line, lan-
(B) inovam, transformam processos e têm poten- çando inovações no mercado financeiro, mediante
cial de rápido crescimento. uso intenso de tecnologias digitais com elevado
(C) sempre são compradas com valores mais bai- potencial de criação de novos modelos de negó-
xos que o mercado. cios.
(D) sempre possuem aplicativos para agilizar suas 25 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil -
operações. Agente Comercial - Prova C. Uma das tendên-
(E) são sempre empresas de internet. cias observadas no sistema financeiro contempo-
23 – (IADES - 2022 - BRB – Escriturário) No râneo é o aparecimento e a difusão das chamadas
que concerne ao cenário dos bancos na transfor- fintechs de crédito e dos bancos digitais. O princi-
mação digital, assinale a alternativa que indica o pal aspecto do modelo de negócios dessas institui-
maior desafio que os bancos tradicionais enfren- ções é o(a)
tam perante as fintechs e as startups. A. atendimento presencial
A. Os bancos tradicionais possuem sistemas muito B. uso de recursos tecnológicos avançados
antigos e que precisam ser mantidos de forma efi- C. redução da concorrência bancária
ciente, ao mesmo tempo em que precisam se D. redução da oferta de serviços bancários
mostrar competitivos, construindo sistemas mo- E. eliminação da insegurança bancária
dernos.
B. No que diz respeito à segurança dos dados, os
bancos tradicionais têm mais dificuldade de adap- GABARITO
tação a leis de proteção de dados, como a Lei Ge- 21 – C 22 - B 23 - A 24 – E 25 - B
ral de Proteção de Dados (LGPD).
C. Por terem sistemas mais modernos, as fintechs
e as startups conseguem entregar um serviço de 9.7 - Sistema de bancos sombra (Shadow
melhor qualidade. banking).
D. Fintechs e startups atraem mais jovens que Com a globalização, os mercados financeiros de
costumam gerar engajamento nas redes sociais, todo o mundo ficaram cada vez mais interligados
divulgando a marca de maneira mais abrangente e dependentes entre si. Mas apesar dos benefícios
que os bancos tradicionais. que essa integração trouxe, os riscos envolvidos
E. Os sistemas dos bancos tradicionais não podem em cada mercado deixaram de ter um caráter local
ser migrados para uma plataforma moderna, o e passaram a comprometer o mundo inteiro.
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Nesse contexto, um dos principais fatores de pre- argumentam que a atuação desse sistema bancá-
ocupação atualmente é a operação do controverso rio paralelo pode aumentar a eficiência econômica,
sistema de shadow banking. sua operação gera preocupações quanto ao risco
Por ser um estrutura paralela aos mercados tradi- sistêmico de sistema financeiro.
cionais, o shadow banking está sujeito a pouca ou Muitos acreditam, por exemplo, que o shadow
nenhuma regulação. Por, a atuação desse sistema banking foi o principal responsável pela crise de
pode colocar em risco todo o mercado global – 2008 – a maior recessão econômica desde a
como já aconteceu durante a crise do subprime Grande Depressão dos anos 1930.
ocorrida no final da década de 2000. Isso se deve porque, na véspera da crise de 2008,
O que é shadow banking? o sistema financeiro paralelo nos Estados Unidos
O shadow banking, também conhecido em portu- tinha crescido aproximadamente o mesmo tama-
guês como “sistema bancário sombra”, é um con- nho do sistema bancário tradicional do país.
junto de operações e intermediários financeiros Mas como todas essas operações estavam com-
que fornecem crédito em todo o sistema financeiro pletamente alavancadas (ou seja, sem nenhum
global de forma “informal”. lastro ou garantia real), não haviam fundos para
Ou seja, por meio de uma série de atividades pa- honrar nenhum compromisso. Logo, esse pro-
ralelas ao sistema bancário, algumas instituições blema se alastrou por todo o mercado financeiro,
e agentes conseguem realizar financiamentos de desencadeando todo o restante da crise e afe-
forma indireta, sem passar por nenhuma supervi- tando profundamente a economia mundial.
são ou regulação. Regulação e limitações propostas ao shadow ban-
Dentre os intermediários não-regulamentados que king
podem fazer parte do shadow banking estão os: Após a crise de 2008, as autoridades do mundo
Bancos de investimento; Fundos de hedge; Ope- inteiro se empenharam para aprovar uma série de
rações com derivativos e títulos securitizados; medidas que regulasse e limitasse a operação do
Fundos do mercado monetário; Companhias de shadow banking. Porém, apesar das reformas,
seguros; Fundos de capital privado; Fundos de di- principalmente aquelas aprovadas pelo Congresso
reitos creditórios; Factorings e fomentadoras mer- americano, essas instituições ainda não estão su-
cantis; jeitas aos mesmos regulamentos que os bancos
Empréstimos descentralizados (peer-to-peer len- depositários tradicionais.
ding). Isso significa que o shadow banking ainda perma-
Por que o shadow banking existe? Instituições que nece ativo e altamente alavancado, com uma alta
praticam o shadow banking geralmente servem proporção de dívida em relação aos seus ativos de
como intermediários entre credores e tomadores garantia. Por isso, muitos acreditam que o esse
de empréstimos, fornecendo crédito e capital para sistema ainda pode estar expondo os mercados fi-
investidores e corporações. nanceiros de todo mundo a um risco sistêmico ex-
Mas como essas instituições não são bancárias, cessivo.
elas não recebem depósitos tradicionais como um Estima-se que atualmente mais de 100 trilhões de
banco tradicional. Por isso, muitas operações fei- dólares em os ativos financeiros não bancários cir-
tas por essas instituições possuem maiores riscos culando pelo mundo.
de mercado, de crédito e de liquidez, além de não Segundo o relatório de estabilidade financeira do
possuir uma reserva de capital para servir como Banco Central publicado em 2015, no Brasil, 90%
garantia. dos ativos do shadow banking encontram-se em
Mas com o desenvolvimento dos mercados globais posse de Fundos de Investimentos, os quais são
e a estruturação de operações cada vez mais com- fiscalizados pela CVM.
plexas, o shadow banking passou a desempenhar Portanto, no Brasil, as instituições que realizam a
um papel cada vez mais revelante em todo o sis- atividade de Shadow banking já encontram-se sob
tema financeiro. De acordo com estudos da área, fiscalização de uma autoridade, a CVM. Link do
estima-se que em 2015 existiam 92 trilhões de dó- relatório do BCB sobre shadow banking:
lares em os ativos financeiros não bancários circu- https://www.bcb.gov.br/content/publica-
lando pelo mundo. coes/ref/201503/RELESTAB201503-refC6P_1.pdf.
Críticas e riscos envolvidos no shadow banking
O setor bancário paralelo desempenha um papel QUESTÕES SOBRE O TEMA
crítico ao atender crescente demanda por crédito 26 – (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO-
no mercado global. Porém, embora muitos MERCIAL) Uma pessoa estava querendo fazer um
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empréstimo e descobriu que algumas instituições identificadas como shadow banking (bancos som-
que praticam o shadow banking (“sistema bancá- bra). Essas entidades já se encontram sob alguma
rio sombra”) geralmente servem como intermedi- regulação e supervisão, feita por autoridades com
ários entre credores e tomadores de empréstimos, jurisdição nacional, como a(o)
fornecendo crédito e capital para investidores e A. Banco Caixa Econômica
corporações. B. Banco do Brasil
Ao fazer uso dessas instituições para fazer um em- C. Banco SICRED
préstimo, a pessoa incorre em riscos? D. Open finance
(A) Não, pois vai ter toda a assessoria para fazer E. CVM
o empréstimo.
(B) Não, pois o shadow banking realiza operações
passando por toda a supervisão ou regulação dos GABARITO
sistemas financeiros/ bancários do país. 26 – C 27 – A 28 - E
(C) Sim, pois essas instituições não são bancárias,
não recebem depósitos tradicionais como um
banco tradicional e são estruturas paralelas aos 9.8- FUNÇÕES DA MOEDA.
mercados tradicionais. Podemos agrupar as moedas em três tipos:
(D) Sim, pois o shadow banking é uma estrutura Moedas metálicas: emitidas pelo Banco Central,
paralela aos mercados tradicionais, embora passe constituem parcela da oferta monetária e visam
por todas as regulações e seja uma instituição facilitar as operações de pequeno valor e/ou com
bancária. unidade monetária fracionária (troco);
(E) Sim, pois o shadow banking não é uma insti- Papel-moeda: também emitido pelo Banco Cen-
tuição financeira, embora tenha registro no Banco tral, representa parcela significativa da quanti-
Central. dade de dinheiro em poder do público;
27 - (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO- Moeda escritural: representada pelos depósitos à
MERCIAL) Considere o texto a seguir, retirado de vista (depósitos em conta corrente) nos bancos
Relatório do Banco Central do Brasil. No sistema comerciais.
financeiro mundial, existem muitas entidades que A moeda é vista como um bem de uso comum em
oferecem serviços de intermediação financeira, todo tipo de transação que permite a participação
mas funcionam à margem do sistema de supervi- de operação de troca, na qual se realiza compra
são e regulação bancária. No Relatório de Estabi- ou venda simultânea de mercadorias, em opera-
lidade Financeira, de 2015, o Banco Central do ções separadas de intercâmbio. Na economia, a
Brasil (BCB) estima o valor total dos ativos dessas moeda cumpre quatro papéis importantes
entidades no país e adverte que elas podem “ser (FUNÇÕES):
fonte de risco sistêmico, por envolver, sem a de- Meio de pagamento: é a capacidade que a moeda
vida supervisão e regulação, riscos tipicamente tem de diminuir dívidas em últimas instância, ou
bancários, tais como alavancagem, transforma- seja, é um ativo financeiro de liquidez imediata.
ções de maturidade e de liquidez e transferência Em quase todas as transações de mercado na
de risco de crédito”. BRASIL. Banco Central do nossa economia, a moeda, na forma de dinheiro
Brasil. Relatório de Estabilidade Financeira, v.14, ou cheques, é um meio de pagamento. Ela é usada
n.1. Brasília: Banco Central do Brasil, mar. 2015, para pagar por bens e serviços. O uso da moeda
p.33. Disponível em: como meio de pagamento promove eficiência eco-
<https://www.bcb.gov.br/publica- nômica, eliminando muito do tempo gasto no in-
coes/ref/201503>. Acesso em: 24 jul. 2021. As tercâmbio de bens e serviços;
entidades financeiras descritas formam o sistema Reserva de valor: a função da reserva de valor é
denominado ser um repositório de poder de compra sobre o
(A) shadow banking tempo. Uma reserva de valor é usada para poupar
(B) internet banking o poder de compra da hora em que a renda é re-
(C) open banking cebida até a hora em que ela é gasta. Com a ado-
(D) mobile banking ção da moeda, os indivíduos adquiriram a capaci-
(E) blockchain dade de acumulação de riquezas, bem como um
28 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil - aliado na proteção contra a perda do poder de
Escriturário - Agente Comercial - Prova A. O compra para o futuro;
Banco Central tem dedicado atenção às entidades
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Unidade padrão de conta: a sua função é fornecer Papel-moeda emitido: trata-se do valor agregado
uma unidade de conta, ou seja, criar medição de que resulta na totalidade do meio circulante ex-
valor na economia. Uma unidade padrão de conta presso nominalmente, ou seja, é o total de papel-
é um instrumento que as pessoas utilizam para di- moeda legal existente, autorizado pelo Banco Cen-
vulgar preços e registrar débitos. A moeda cumpre tral. O papel-moeda emitido pode estar em poder
esse papel, uma vez que todos os bens e serviços do Banco Central, dos bancos comerciais e do pú-
de uma economia têm seus preços expressos em blico não bancário;
unidades monetárias; Papel-moeda em circulação: engloba todas as es-
Intermediária de trocas entre os agentes: sendo pécies emitidas do meio circulante. É calculado
um meio ou instrumento de troca geralmente com base no papel-moeda emitido menos o que
aceito pelos agentes na concretização de suas permanece no caixa do Banco Central (encaixes
transações, a mais importante função da moeda dos bancos comerciais);
na economia é ser intermediária de trocas entre Depósitos a vista no sistema bancário: também
os agentes econômicos. Superado as dificuldades chamado e moeda escritural, trata-se de um agre-
existentes no antigo escambo (no qual se troca- gado monetário que possui uma particularidade de
vam mercadorias por mercadorias e nem sempre alta relevância para a regulação da liquidez da
a pessoa que detinha um bem encontrava outro economia como um todo. Esses depósitos pos-
de sua preferência, na medida e quantidade dese- suem alto poder de expansão. Pode-se dizer que
jadas), a moeda permite que cada um se especia- a maior parte dos saldos dos depósitos à vista é
lize na produção de bens segundo sua capacidade. criada pelas operações ativas dos bancos. Não têm
A moeda pode ser mensurada de acordo com vá- existência física. Quanto a esse aspecto, são dia-
rias definições. Portanto, para medir a oferta de metralmente opostos aos demais agregados mo-
moeda, precisamos de uma definição que nos diga netários;
exatamente quais ativos deveriam ser incluídos. A Base monetária: consiste na soma de duas parce-
mais restritiva incluiria apenas dinheiro (notas e las: o papel-moeda emitido e as reservas voluntá-
moedas metálicas – também chamado de papel- rias e compulsórias, que os bancos mantêm no
moeda em poder do público não bancário, moeda Banco Central; e
manual ou moeda corrente) na definição de mo- Oferta monetária: em sentido restrito e convenci-
eda. Outras definições incluiriam outros ativos fi- onal, é dada pela totalidade dos ativos monetários
nanceiros, como depósitos a prazo, depósitos em mantido pelo público: papel-moeda e depósitos a
caderneta de poupança e, ainda, títulos públicos vista. Em sentido amplo, é dada pelos saldos to-
federais, que, apresar de não serem considerados talizados de todos os ativos financeiros monetários
moeda no sentido estrito, apresentam algumas e quase monetários.
características da moeda em sentido amplo. Assim O primeiro conceito de moeda é o mais restrito,
sendo, costuma-se chamá-los de quase moeda, composto por dois elementos: moeda manual
pois podem, sem grandes problemas, ser transfor- (moedas metálicas e notas em poder do público)
mados em moeda. e moeda escritural (depósitos a vista em institui-
Ao classificar-se o total de moeda de um país, tor- ções financeiras).
nam-se necessárias definições de medidas de Eles constituem o conceito de M1 , ou seja, a pri-
oferta de moeda. A essa oferta chamamos agre- meira definição de moeda.
gados monetários ou meio de pagamento, que são M1 = moeda manual + moeda escritural
definidos como estoque de moeda disponível para Dos dois componentes desse conceito, os depósi-
uso da coletividade (setor privado não bancário) a tos a vista correspondem à maior parte dos meios
qualquer momento e que podem ou não incluir as de pagamento, portanto, para se controlar a mo-
quase moedas. eda torna-se necessário um controle estrito dos
Objetiva-se com esse conceito medir a liquidez, ou bancos e sua capacidade de multiplicar moeda por
seja, as necessidades do setor produtivo privado meio de instrumentos de política monetária como
(excetuando-se o setor bancário), para satisfazer o open market, o compulsório e o redesconto.
suas transações com bens e serviços. Os agrega- O segundo conceito de moeda, o agregado mone-
dos monetários de maior relevância conceitual tário M2 , inclui, além dos elementos que com-
são: põem o M1 , os títulos federais, estaduais e muni-
Meio circulante: moeda em espécie (papel-moeda cipais em poder do público, excluindo-se os títulos
impresso e modas metálicas); que compõem as carteiras de títulos dos fundos de
aplicações financeiras (FAF).
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PROF.º PATRICIA BIZERRA

M2 = M1 + Títulos públicos usa-se a moeda como


O terceiro conceito de moeda inclui, além dos ele- (A) meio de troca
mentos que compõem o M2, os depósitos de pou- (B) reserva de valor
pança mantidos pelo público em instituições finan- (C) riqueza
ceiras. (D) unidade de conta
M3 = M2 + depósitos de poupança (E) valor intrínseco
O quarto conceito de moeda inclui, além dos ele- 32 – CESGRANRIO – BANRISUL – 2023. Du-
mentos que compõem o M3, os depósitos a prazo, rante as crises financeiras agudas, por causa da
letras de câmbio e letras hipotecárias, excluindo- enorme incerteza futura, os agentes econômicos
se os títulos pertencentes às carteiras de títulos brasileiros ou estrangeiros com aplicações em ati-
dos FAF. vos reais ou financeiros, expressos em Reais bra-
M4 = M3 + depósitos a prazo + letras de câmbio sileiros, tendem a entesourar moeda local ou a
+ letras hipotecárias. fazer operações de compra de Dólares americanos
nos mercados de câmbio no Brasil. Dentre as di-
QUESTÕES SOBRE O TEMA versas funções da moeda, o principal fator expli-
29 – (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO- cativo do entesouramento de moeda local ou es-
MERCIAL) Uma das funções desempenhadas pela trangeira em períodos de crise e incerteza é a
moeda é a de reserva de valor, no entanto, a mo- busca de
eda não é o único ativo que desempenha tal fun- (A) rentabilidade
ção. O motivo que faz com que os cidadãos rete- (B) liquidez
nham moeda como reserva de valor é o fato de ela (C) financiamento
(A) oferecer um rendimento a seu detentor. (D) competitividade
(B) possuir liquidez absoluta. (E) arbitragem
(C) prestar algum serviço ao seu possuidor. 33 – CESGRANRIO – BANRISUL – 2023. A
(D) propiciar um aumento no seu valor. base monetária da economia brasileira é definida
(E) ser protegida contra inflação. de forma a incluir no seu total
30 - (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO- (A) o montante de moeda manual emitida
MERCIAL) Um meio de troca é aquilo que os com- (B) a dívida do setor público
pradores oferecem aos vendedores quando aque- (C) os empréstimos de curto prazo concedidos pe-
les adquirem bens e serviços. Quando um consu- los bancos
midor, por exemplo, compra um perfume numa (D) os títulos emitidos pelo Banco Central
loja localizada numa economia onde o nível infla- (E) os depósitos à vista nos bancos comerciais
cionário é baixo e controlado, o vendedor entrega
o produto para o cliente em troca de
(A) moeda, por ser o meio de troca de maior acei- GABARITO
tabilidade. 29– B 30 – A 31 – D 32 – B 33 – A
(B) mercadoria, por ser o meio de troca mais efi-
ciente.
(C) moeda-mercadoria, por ser o meio de troca 9.9 - O DINHEIRO NA ERA DIGITAL: BLOCK-
mais durável. CHAIN, BITCOIN E DEMAIS CRIPTOMOEDAS.
(D) outro bem, por ser o meio de troca com menor As criptomoedas surgiram e evoluíram de forma
custo de carregamento. natural assim como o dinheiro que utilizamos em
(E) outro serviço, por ser o meio de troca de maior nosso dia a dia. Um dos grandes diferenciais delas
divisibilidade. está no fato de que não são controladas por um
31 - (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO- órgão, como um banco central, por exemplo, e
MERCIAL) Quando alguém vai a um shopping dispensam o uso de um intermediador na hora de
center pode observar que uma saia, por exemplo, fazer uma transação.
apresenta o preço de R$40,00 e uma garrafa Elas vieram para revolucionar a forma como nos
d’água, o preço de R$5,00. Apesar de não ser er- relacionamos com o dinheiro eletrônico e para re-
rado afirmar que o preço da saia são oito garrafas solver um problema específico. O bitcoin, a mais
d’água e que o preço da garrafa d’água é 1/8 do famosa delas, por exemplo, serve como meio de
preço da saia, os preços não costumam ser cota- pagamento e troca de valores entre pessoas.
dos assim. Quando se deseja mensurar e registrar Isso porque antes da invenção dessa criptomoeda
valor econômico, em 2008 pelo programador conhecido apenas
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como Satoshi Nakamoto, as transações online pre- sendo utilizadas para descentralizar os sistemas
cisavam sempre de um terceiro, que funcionaria financeiros e promover mais velocidade nas tran-
como um intermediário de confiança. sações.
Em outras palavras, se eu quisesse enviar um di- Tanto as criptomoedas quanto a blockchain são
nheiro a outra pessoa, eu teria que utilizar um in- tendências com capacidade de revolucionar o
termediário, como um banco, por exemplo. Sem mundo. Mas, apesar de terem nascido no mesmo
ele, os mesmos recursos poderiam ser enviados período e estarem conectadas, elas precisam ca-
quantas vezes a pessoa preferisse, já que não ha- minhar sempre juntas? A resposta é não.
veria um "controle" responsável por fazer regis- Influência da blockchain nas criptomoedas
tros. A blockchain é a base do funcionamento das crip-
Um grande banco de dados tomoedas, sendo o fio condutor para a segurança
A maior sacada de Nakamoto foi resolver esse nas transações digitais das moedas. Desta forma,
"problemão" que ficou conhecido como “gasto du- segundo Solange Gueiros, não é ousadia dizer que
plo”, sem a necessidade de existir um terceiro. No as criptomoedas não seriam possíveis sem block-
caso das criptomoedas, por exemplo, todas as chain.
transações são registradas em uma espécie de li- Bitcoin
vro contábil conhecido como blockchain. O Bitcoin é a primeira criptomoeda criada e a mais
Na prática, ele funciona como um grande banco de conhecida. Em 2008, Satoshi Nakamoto publicou
dados público que contém o histórico de todas as um artigo explicando o conceito e, um ano depois,
operações realizadas. seu sistema foi lançado, dando início à rede. É
E é justamente a existência do blockchain que per- uma tecnologia que não depende de um agente
mite que as transações feitas com uma moeda intermediador para realizar as transações. A pla-
possam ser validadas, o que significa mais pratici- taforma hospeda um livro-razão digital em que as
dade e segurança, já que toda nova operação é pessoas podem explorar, armazenar e trocar
verificada e registrada dentro dessa “corrente de Bitcoins, moedas digitais obtidas por meio de um
blocos”. algoritmo computacional e vinculadas a nenhuma
Blockchain e criptomoedas estão intimamente co- autoridade central reguladora.
nectadas desde o nascimento de ambas. A pri- Para alguns, é um futuro de moeda livremente
meira moeda digital mundial descentralizada foi o deslocada e desvinculada de qualquer banco cen-
Bitcoin, que surgiu tendo como base a tecnologia tral ou entidade governamental. O sistema é cha-
blockchain. Entretanto, ao longo dos anos, foram mado de peer-to-peer, ou seja, um dinheiro ele-
descobertas várias possibilidades de uso da block- trônico descentralizado que qualquer computador
chain além de servir como código fonte para as é capaz de ofertar. Um componente chave da tec-
criptomoedas. nologia blockchain do Bitcoin é o fato de ser um
Blockchain é uma cadeia de blocos interligados de ledger aberto e distribuído. Pela natureza distribu-
forma criptográfica, imutável e distribuída. Os blo- ída deste livro , as transações na blockchain são
cos são replicados para todos os computadores verificadas pelo consenso de cada membro, ofere-
que desejam participar da rede. Ou seja, se al- cendo segurança e confiança sem ter supervisor
guém tentar alterar uma transação em um bloco ou contraparte centralizada.
passado, precisa alterar todos os blocos que foram As transações estão conectadas ao endereço
validados (ou minerados) depois dele. Bitcoin dos usuários, que é armazenado em um
Blockchain surgiu com o objetivo de registrar in- ledger (ou livro-razão), chamado blockchain. Se
formações em um determinado carimbo de tempo esse endereço estiver vinculado a uma identidade
– data/hora determinada -, em uma estrutura real, as transações podem ser rastreadas até o
criptografada com possibilidades mínimas de usuário facilmente; se não estiver, somente são
fraude”, completou Solange. Com toda a segu- rastreáveis por meio de técnicas avançadas de tri-
rança que a blockchain transmite para as pessoas, angulação de camadas mais baixas da rede. O
a tecnologia agora está no caminho de ser muito Bitcoin é considerado o benchmark (referência) do
mais do que apenas criptomoedas. mercado de criptoativos.
Já as moedas criptografadas são, para muitos es- As entidades que registram novos blocos na cadeia
pecialistas, a evolução mais recente dos instru- são chamadas de mineradores.
mentos de valor da humanidade. Uma evolução Ethereum é uma plataforma descentralizada que
que passou por serviços, pedras preciosas, papel, executa contratos inteligentes, que são aplicações
cheque e cartão de crédito. As criptomoedas estão que rodam exatamente como programadas sem
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qualquer possibilidade de tempo de inatividade, É a criptomoeda descentralizada com o quarto


censura, fraude ou interferência de terceiros. Es- maior market cap, derivada de uma bifurcação no
ses apps são executados em uma blockchain pú- protocolo do Bitcoin. Sua blockchain é muito pare-
blica, que é uma infraestrutura global distribuída cida com a do BTC, sendo as três principais dife-
capaz de mover valores financeiros e representar renças:
posse da propriedade. • Transações mais rápidas que o Bitcoin (buscam
Isso permite aos desenvolvedores criarem merca- atingir 2,5 min por bloco contra os 10 min do
dos, armazenarem registros de dívidas ou pro- BTC), porém enquanto a Litecoin network tem
messas, moverem fundos de acordo com instru- uma redução no tempo, as transações do Bitcoin
ções dadas há muito tempo (como um testamento são mais difíceis de reverter;
ou contrato futuro) e muitas outras coisas ainda • O algoritmo de mineração utilizado pela Litecoin
não inventadas, tudo sem a intervenção de um é o Scrypt, enquanto o Bitcoin utiliza o SHA-256;
terceiro e sem risco de contraparte. O projeto foi • A Litecoin network é capaz de produzir 84 mi de
iniciado pela pré-venda de ether em agosto de moedas contra 21 mi moedas do Bitcoin;
2014 e é desenvolvido pela Fundação Ethereum, É uma das moedas com maior volume de transa-
organização suíça sem fins lucrativos, e conta com ções do mercado e busca cada vez mais otimizar
contribuições de grandes mentes de todo o mundo as suas transações. Recentemente (em maio
por ser um projeto open-source. 2017), o Litecoin ativou o Segwit, um processo em
Porém o que torna o Ethereum diferente das al- que o limite do bloco é aumentado por retirar da-
tcoins em geral e o diferencia da moeda digital dos de assinatura do input das transações.
mais difundida (o Bitcoin) é o fato de dispor-se a Quando esses dados são segregados, a capaci-
levar a tecnologia do blockchain e os contratos in- dade dos blocos é aumentada, possibilitando, as-
teligentes para tudo o que possa ser programado. sim, um número maior de transações por bloco.
Seu princípio é: toda transação, registro, execu- Ripple
ção de código distribuído, assinatura de contrato Pertence ao seleto grupo de top 10 em Market
digital ou qualquer outra aplicação executada na Cap, é uma solução em blockchain privado para
rede do Ethereum deve ser paga em ether. Dessa pagamentos globais. Tem como proposta aumen-
forma, o Ethereum pode ser considerado um tar a velocidade que as transações são realizadas
grande computador (de escala planetária) no qual globalmente e reduzir os custos de transação. Tem
usuários pagam pela quantidade de recurso utili- em seu portfólio de clientes, grandes instituições
zado para processar a execução dos contratos in- financeiras como UBS e Santander.
teligentes. Todas as moedas abaixo de Ethereum Moeda cercada de bastante controvérsia, por não
precisam ser revisadas, estão defasadas, algumas necessitar de mineradores (foi pré-mineirada) e
perderam quase todo o valor pelos organizadores terem uma porcentagem sig-
Bitcoin Cash nificativa das moedas (cerca de 20%)
O Bitcoin Cash é a primeira criptomoeda originada Monero é uma criptomoeda que promete total
de um fork do blockchain do Bitcoin. Tudo teve anonimato, em oposto ao relativo anonimato ofe-
início em um debate sobre a escalabilidade do recido pela Bitcoin. Seu sistema não-rastreável
Bitcoin. Uma das propostas de melhoria, a BIP 91, permite maior privacidade ao usuário ao ocultar
foi uma proposta de aumento do tamanho do bloco completamente o remetente, o destinatário e a
em duas etapas: a primeira com ativação do quantia da transação. Como já observado, isso
SegWit, que retira da seção “Entradas” a assina- pode ser uma possibilidade para negócios e tran-
tura digital e a insere num novo campo, “Teste- sações ilegais.
munha”. Essa medida aumentou o tamanho do Petro foi proposta em 2018 pelo governo Venezu-
bloco de 1MB para aproximadamente 2MB. A outra elano em uma tentativa de driblar a crescente in-
é a etapa 2x, que dobra o tamanho do bloco e, flação no país. A grande diferença dessa para as
assim, aumenta sua capacidade de 2MB para 4MB. outras criptomoedas, é que ela é emitida direta-
Todos os detentores de Bitcoins, até o bloco mente por um Estado. Em teoria, a moeda é aceita
478558, receberam gratuitamente a mesma como forma de pagamento de impostos, taxas,
quantidade em Bitcoin Cash. Dado que a moeda contribuições e serviços públicos nacionais? e tem
utiliza uma réplica do blockchain do Bitcoin, todas como preço base o preço de um barril de petróleo.
as transações anteriores ao fork foram integradas Dogecoin foi criada como uma piada em 2013, ins-
ao blockchain do Bitcoin Cash. pirada no meme doge imagem de um cão Shiba
Litecoin Inu acompanhado de legendas representando
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pensamentos e sentimentos, que viralizou em benefício proveniente desses produtos ou servi-


2013. Inicialmente com o intuito de ser apenas ços, a exemplo de pontos e recompensas de pro-
uma moeda divertida, a Dogecoin tomou dimen- gramas de fidelidade; e
sões tamanhas que chegou à patrocinar atletas IV - representações de ativos cuja emissão, escri-
olímpicos e pilotos da Nascar, e vem rapidamente turação, negociação ou liquidação esteja prevista
alcançando grandes proporções. em lei ou regulamento, a exemplo de valores mo-
LEI Nº 14.478, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2022 biliários e de ativos financeiros.
- Dispõe sobre diretrizes a serem observadas Parágrafo único. Competirá a órgão ou entidade
na prestação de serviços de ativos virtuais e da Administração Pública federal definido em ato
na regulamentação das prestadoras de servi- do Poder Executivo estabelecer quais serão os ati-
ços de ativos virtuais; altera o Decreto-Lei nº vos financeiros regulados, para fins desta Lei.
2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Pe- Art. 4º A prestação de serviço de ativos virtuais
nal), para prever o crime de fraude com a uti- deve observar as seguintes diretrizes, segundo
lização de ativos virtuais, valores mobiliários parâmetros a serem estabelecidos pelo órgão ou
ou ativos financeiros; e altera a Lei nº 7.492, pela entidade da Administração Pública federal de-
de 16 de junho de 1986, que define crimes finido em ato do Poder Executivo:
contra o sistema financeiro nacional, e a Lei I - livre iniciativa e livre concorrência;
nº 9.613, de 3 de março de 1998, que dispõe II - boas práticas de governança, transparência
sobre lavagem de dinheiro, para incluir as nas operações e abordagem baseada em riscos;
prestadoras de serviços de ativos virtuais no III - segurança da informação e proteção de dados
rol de suas disposições. Lei que regulamenta pessoais;
o mercado de criptomoedas, com definição IV - proteção e defesa de consumidores e usuá-
de ativos virtuais, prestadoras e do crime de rios;
fraude com com utilização de criptoativos e V - proteção à poupança popular;
suas penas. VI - solidez e eficiência das operações; e
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre diretrizes a serem VII - prevenção à lavagem de dinheiro e ao finan-
observadas na prestação de serviços de ativos vir- ciamento do terrorismo e da proliferação de armas
tuais e na regulamentação das prestadoras de ser- de destruição em massa, em alinhamento com os
viços de ativos virtuais. padrões internacionais.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei não se aplica Art. 5º Considera-se prestadora de serviços de ati-
aos ativos representativos de valores mobiliários vos virtuais a pessoa jurídica que executa, em
sujeitos ao regime da Lei nº 6.385, de 7 de de- nome de terceiros, pelo menos um dos serviços de
zembro de 1976, e não altera nenhuma compe- ativos virtuais, entendidos como:
tência da Comissão de Valores Mobiliários. I - troca entre ativos virtuais e moeda nacional ou
Art. 2º As prestadoras de serviços de ativos virtu- moeda estrangeira;
ais somente poderão funcionar no País mediante II - troca entre um ou mais ativos virtuais;
prévia autorização de órgão ou entidade da Admi- III - transferência de ativos virtuais;
nistração Pública federal. IV - custódia ou administração de ativos virtuais
Parágrafo único. Ato do órgão ou da entidade da ou de instrumentos que possibilitem controle so-
Administração Pública federal a que se refere o ca- bre ativos virtuais; ou
put estabelecerá as hipóteses e os parâmetros em V - participação em serviços financeiros e presta-
que a autorização de que trata o caput deste artigo ção de serviços relacionados à oferta por um emis-
poderá ser concedida mediante procedimento sim- sor ou venda de ativos virtuais.
plificado. Parágrafo único. O órgão ou a entidade da Admi-
Art. 3º Para os efeitos desta Lei, considera-se nistração Pública federal indicado em ato do Poder
ativo virtual a representação digital de valor que Executivo poderá autorizar a realização de outros
pode ser negociada ou transferida por meios ele- serviços que estejam, direta ou indiretamente, re-
trônicos e utilizada para realização de pagamentos lacionados à atividade da prestadora de serviços
ou com propósito de investimento, não incluídos: de ativos virtuais de que trata o caput deste ar-
I - moeda nacional e moedas estrangeiras; tigo.
II - moeda eletrônica, nos termos da Lei nº Art. 6º Ato do Poder Executivo atribuirá a um ou
12.865, de 9 de outubro de 2013; mais órgãos ou entidades da Administração Pú-
III - instrumentos que provejam ao seu titular blica federal a disciplina do funcionamento e a
acesso a produtos ou serviços especificados ou a
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supervisão da prestadora de serviços de ativos vir- alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qual-
tuais. quer outro meio fraudulento.
Art. 7º Compete ao órgão ou à entidade regula- Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e
dora indicada em ato do Poder Executivo Federal: multa.”
I - autorizar funcionamento, transferência de con- Art. 11. O parágrafo único do art. 1º da Lei nº
trole, fusão, cisão e incorporação da prestadora de 7.492, de 16 de junho de 1986, passa a vigorar
serviços de ativos virtuais; com as seguintes alterações:
II - estabelecer condições para o exercício de car- “Art. 1º Parágrafo único. I-A - a pessoa jurídica
gos em órgãos estatutários e contratuais em pres- que ofereça serviços referentes a operações com
tadora de serviços de ativos virtuais e autorizar a ativos virtuais, inclusive intermediação, negocia-
posse e o exercício de pessoas para cargos de ad- ção ou custódia;
ministração; Art. 12. A Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998,
III - supervisionar a prestadora de serviços de ati- passa a vigorar com as seguintes alterações:
vos virtuais e aplicar as disposições da Lei nº “Art. 1º § 4º A pena será aumentada de 1/3 (um
13.506, de 13 de novembro de 2017, em caso de terço) a 2/3 (dois terços) se os crimes definidos
descumprimento desta Lei ou de sua regulamen- nesta Lei forem cometidos de forma reiterada, por
tação; intermédio de organização criminosa ou por meio
IV - cancelar, de ofício ou a pedido, as autoriza- da utilização de ativo virtual.
ções de que tratam os incisos I e II deste caput; e “Art. 9º Parágrafo único. XIX - as prestadoras de
V - dispor sobre as hipóteses em que as atividades serviços de ativos virtuais.” (NR)
ou operações de que trata o art. 5º desta Lei serão “Art. 10. II - manterão registro de toda transação
incluídas no mercado de câmbio ou em que deve- em moeda nacional ou estrangeira, títulos e valo-
rão submeter-se à regulamentação de capitais res mobiliários, títulos de crédito, metais, ativos
brasileiros no exterior e capitais estrangeiros no virtuais, ou qualquer ativo passível de ser conver-
País. tido em dinheiro, que ultrapassar limite fixado pela
Parágrafo único. O órgão ou a entidade da Admi- autoridade competente e nos termos de instruções
nistração Pública federal de que trata o caput de- por esta expedidas;
finirá as hipóteses que poderão provocar o cance- “Art. 12-A. Ato do Poder Executivo federal regu-
lamento previsto no inciso IV do caput deste artigo lamentará a disciplina e o funcionamento do Ca-
e o respectivo procedimento. dastro Nacional de Pessoas Expostas Politica-
Art. 8º As instituições autorizadas a funcionar pelo mente (CNPEP), disponibilizado pelo Portal da
Banco Central do Brasil poderão prestar exclusiva- Transparência.
mente o serviço de ativos virtuais ou cumulá-lo § 1º Os órgãos e as entidades de quaisquer Pode-
com outras atividades, na forma da regulamenta- res da União, dos Estados, do Distrito Federal e
ção a ser editada por órgão ou entidade da Admi- dos Municípios deverão encaminhar ao gestor
nistração Pública federal indicada em ato do Poder CNPEP, na forma e na periodicidade definidas no
Executivo federal. regulamento de que trata o caput deste artigo,
Art. 9º O órgão ou a entidade da Administração informações atualizadas sobre seus integrantes ou
Pública federal de que trata o caput do art. 2º ex-integrantes classificados como pessoas expos-
desta Lei estabelecerá condições e prazos, não in- tas politicamente (PEPs) na legislação e regulação
feriores a 6 (seis) meses, para adequação das vigentes.
prestadoras de serviços de ativos virtuais que es- § 2º As pessoas referidas no art. 9º desta Lei in-
tiverem em atividade às disposições desta Lei e às cluirão consulta ao CNPEP entre seus procedimen-
normas por ele estabelecidas. tos para cumprimento das obrigações previstas
Art. 10. O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro nos arts. 10 e 11 desta Lei, sem prejuízo de outras
de 1940 (Código Penal), passa a vigorar acrescido diligências exigidas na forma da legislação.
do seguinte art. 171-A: § 3º O órgão gestor do CNPEP indicará em trans-
“Fraude com a utilização de ativos virtuais, valores parência ativa, pela internet, órgãos e entidades
mobiliários ou ativos financeiros que deixem de cumprir a obrigação prevista no §
Art. 171-A. Organizar, gerir, ofertar ou distribuir 1º deste artigo.”
carteiras ou intermediar operações que envolvam Art. 13. Aplicam-se às operações conduzidas no
ativos virtuais, valores mobiliários ou quaisquer mercado de ativos virtuais, no que couber, as dis-
ativos financeiros com o fim de obter vantagem posições da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de
ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo 1990 (Código de Defesa do Consumidor).
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Art. 14. Esta Lei entra em vigor após decorridos facilmente, de forma fracionária e em segundos.
180 (cento e oitenta) dias de sua publicação ofi- Eles podem ser usados em diversas aplicações
cial. descentralizadas e armazenados em contratos in-
teligentes (smart contracts), que serão executa-
DREX – REAL DIGITAL – BANCO CENTRAL: dos automaticamente quando todas as condições
https://www.bcb.gov.br/meubc/faqs/p/dr forem cumpridas (liquidação atômica).
ex O ecossistema de criptoativos utiliza geral-
Drex é o real em formato digital, emitido em pla- mente a tecnologia de blockchain, que funciona
taforma digital operada pelo Banco Central (BC). como um encadeamento de blocos de informações
Por isso, falamos que ele é uma moeda digital de criptografadas e validadas de forma comparti-
banco central (CBDC, de Central Bank Digital Cur- lhada, sincronizada e consensual nos múltiplos nós
rency, em inglês). de uma mesma rede.
O real tradicional são as cédulas e as moedas de No Brasil, a ausência de uma infraestrutura
real, emitidas pelo BC, que estão em circulação na descentralizada que tenha como ativo nativo a
economia e que podem ser depositadas em ban- moeda do Banco Central e que seja compatível
cos, cooperativas, instituições de pagamentos e com as transações com ativos "tokenizados" ex-
demais instituições autorizadas pelo BC. põe essas transações a riscos privados, o que pode
O Drex, o real em formato digital, será emitido: comprometer a estabilidade financeira. Além
pelo próprio BC, para transações de atacado (li- disso, uma infraestrutura DLT para o Drex permite
quidação de transações entre instituições autori- elevado grau de auditabilidade, rastreabilidade e
zadas); ou pelas instituições autorizadas pelo BC, transparência, garantindo as ferramentas neces-
para transações de varejo com seus clientes. sárias à sua supervisão e regulação.
Drex e a economia digital Os benefícios dessas tecnologias, a serem em-
A tecnologia de registro descentralizado (DLT, pregadas com o Drex, serão ofertados a uma base
da expressão Distributed Ledger Technology, em maior de cidadãos sem expor seus negócios às in-
inglês) impulsiona o surgimento de novos modelos certezas de um ambiente financeiro não regulado.
de negócios, que possuem potencial de atender à Lançamento do Drex
demanda da população por meios nativos digitais Ainda não há uma data específica para o lança-
de liquidação, similares aos disponíveis no ecos- mento do Drex. Ele está em fase de testes em am-
sistema de criptoativos. biente restrito, o Piloto Drex, iniciados em março
Além disso, a DLT promete redução de custos de 2023. Ao fim de 2024, o Banco Central deverá
por meio da automação (programabilidade), da incluir testes com a população no Piloto Drex. Mas,
padronização e interoperabilidade, da reutilização para que isso seja possível, o projeto e os partici-
de protocolos e composição (componibilidade) de pantes do mercado precisarão ter atingido o grau
serviços financeiros com a utilização acessíveis de maturidade adequado.
dos contratos inteligentes (smart contracts), que Benefícios do Drex
são executados automaticamente quando termos O Banco Central criou o Drex para que mais pes-
e condições predeterminados são atendidos. soas tenham acesso a: operações de produtos
Dada a falta de moeda do Banco Central com- e serviços tradicionais, como investimentos e fi-
patível com o ambiente DLT e com transações fi- nanciamentos, com mais segurança; contratos
nanceiras com ativos digitais (tokens), os partici- inteligentes, protocolos de intermediações de
pantes do mercado vêm usando moedas digitais compra e venda de produtos e serviços, de forma
de emissão privada sem regulação adequada, as facilitada e inovadora; e novos tipos de produtos
chamadas stablecoins, para a liquidação financeira e serviços financeiros digitais.
de transações envolvendo "ativos tokenizados". Produtos e serviços inteligentes na Plataforma
A "tokenização" de ativos refere-se à represen- Drex
tação digital de ativos não financeiros e a emissão O Drex busca estimular a oferta de produtos e ser-
de ativos digitais em redes de blockchain. Essa é viços financeiros inteligentes. São serviços digitais
uma tendência crescentes nos mercados financei- programáveis que utilizarão contratos inteligentes
ros. (smart contracts em inglês: regras ou protocolos
A disseminação da "tokenização" tem o poten- que podem ser criados para atender à conveniên-
cial de gerar ganhos concretos em acessibilidade cia do cliente), desde que as normas do Banco
a ativos e em eficiência das transações. Em geral, Central sejam observadas.
os ativos "tokenizados" podem ser transferidos
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Com contratos inteligentes, transações são con- As transações na Plataforma Drex serão realizadas
cluídas de forma automática quando as condições por meio de provedores de serviços financeiros
preestabelecidas acontecerem, trazendo segu- (PSF) autorizados pelo Banco Central (BC), como
rança para todas as partes envolvidas no negócio bancos, cooperativas e instituições de pagamento.
por meio da liquidação atômica. Essas transações seguirão regras que garantirão a
Por exemplo, no caso de compra de um imóvel, o segurança e a privacidade das operações.
contrato inteligente permitirá que a transferência A Plataforma Drex, atendendo às normas brasilei-
da escritura do imóvel para o comprador, e a ras, apresentará os mesmos níveis de segurança
transferência do valor em Drex para o vendedor, cibernética e de privacidade hoje disponíveis nas
aconteçam no mesmo instante, de forma atômica. operações realizadas no Sistema Financeiro Naci-
Tudo isso ocorrerá na Plataforma Drex, acessada onal (SFN) e no Sistema de Pagamentos Brasileiro
pelo vendedor e pelo comprador por meio de seus (SPB).
bancos. O Drex também será supervisionado e fiscalizado
Custo do Drex para o cliente pelo BC, assim como já acontece com os sistemas
Assim como as operações atuais, o cliente pagará financeiro e de pagamentos brasileiros.
o valor cobrado pela instituição pela oferta do pro- QUESTÕES SOBRE O TEMA
duto ou serviço na Plataforma Drex (crédito, in- 34 – (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO-
vestimento, seguros, serviços inteligentes etc.). MERCIAL) Uma investidora está querendo saber
Mas, com um ambiente mais eficiente e que faci- a relação entre a blockchain e o bitcoin. Em sua
lita a entrada de novas instituições, o Drex irá fa- pesquisa, ela esclareceu sua dúvida, ao descobrir
vorecer a oferta de produtos e serviços financeiros que
com custos menores aos praticados atualmente. (A) blockchain é o meio utilizado para registrar e
Impacto do Drex sobre a emissão do dinheiro fí- armazenar transações de bitcoin.
sico (B) blockchain é a tecnologia de inteligência artifi-
A princípio, a implantação do Drex não deverá ter cial aplicada na bitcoin.
muito impacto sobre a demanda por dinheiro fí- (C) bitcoin é uma moeda digital e blockchain é
sico. uma moeda em blocos.
O objetivo principal do Drex é facilitar o acesso da (D) bitcoin é tecnologia usada para implementar a
população a serviços financeiros inteligentes em blockchain.
um sistema seguro e eficiente: a Plataforma Drex. (E) bitcoin e blockchain são duas formas de imple-
Tecnologia do Drex mentar criptomoedas.
Os principais tipos de tecnologias utilizados na pla- 35 – (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO-
taforma do Drex são: tecnologia de registro distri- MERCIAL) A blockchain é um tipo específico de
buído (DLT, de Distributed Ledger Tecnology em banco de dados distribuído, no qual há uma cadeia
inglês), contratos inteligentes (smart contracts) e de blocos ordenados e interligados, com garantia
transações variadas com ativos digitais (tokens). de ordem cronológica. Os dados registrados nos
Essas tecnologias são utilizadas para dar segu- blocos podem variar de transações financeiras a
rança às transações e permitir que o Drex seja uti- contratos inteligentes. Na blockchain da bitcoin, as
lizado para liquidação de obrigação contratual. entidades que registram novos blocos na cadeia
A DLT é a tecnologia que permite que dados sejam são chamadas de
armazenados e editados de forma compartilhada. (A) registradores
Os contratos inteligentes permitem a prestação de (B) mineradores
serviços digitais inteligentes, tais como entrega (C) trabalhadores
contra pagamento (DvP em inglês); pagamento (D) gerenciadores
versus pagamento (PvP em inglês); protocolos (E) conectores
abertos para composição e programação; e outras 36 - (CESGRANRIO - BB - 2021 - AGENTE CO-
ferramentas de finanças descentralizadas. MERCIAL) A cliente de um banco está chateada
Os tokens são representações digitais de ativos ou com as taxas bancárias sobre as suas transações
direitos emitidos dentro de uma rede que opera e para manter a sua conta -corrente. Ela está pen-
com registro, onde todos os nós da rede validam sando em investir em criptomoedas para ter mais
simultaneamente as informações de cada transa- domínio sobre o seu dinheiro e não pagar tantas
ção taxas. As criptomoedas válidas que ela tem para
Segurança do Drex investir neste momento são
(A) zen e bitemoeda
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(B) bitcoin e tokecardume ofertas de vários vendedores. Assim, é possível


(C) bitcoin e bitemoeda comparar e escolher o melhor preço facilmente.
(D) bitcoin e ethereum Além disso, ele pode comprar de várias lojas dife-
(E) ethereum e tokecardume rentes e efetuar apenas um pagamento, em vez
37 - FGV - 2023 - Câmara dos Deputados - de passar por múltiplos processos de pagamento
Consultor Legislativo - Área VII - Tarde.Em em vários sites.
2023, foi anunciado que o Drex está previsto para Enquanto isso, para os lojistas, ele é sinônimo de
ser lançado no final de 2024 (sem data definida). colaboração. Anunciando seus produtos nos mar-
Sobre o Drex, analise os itens a seguir: ketplaces, as empresas — grandes ou pequenas —
I. O Drex poderá ser emitido pelas instituições au- ganham mais visibilidade e conseguem alavancar
torizadas pelo Banco Central do Brasil, para tran- as vendas.
sações de varejo com seus clientes. O conceito é o mesmo que justifica o sucesso de
II. O Drex, por ser uma moeda virtual, terá mais uma loja física em um shopping center. As pessoas
valor do que o real. podem entrar para comprar o produto de outra
III. Para ter acesso à Plataforma Drex, qualquer loja, mas veem os produtos na sua vitrine e aca-
pessoa precisará de um intermediário financeiro bam comprando também. O marketplace é uma
autorizado. vitrine em um shopping center virtual.
Está correto o que se afirma em Além da visibilidade, as empresas também ga-
A. I, II e III. nham em reputação junto ao consumidor. Quando
B. I e II apenas. uma loja menor, menos conhecida, coloca seu
C. I e III apenas. produto no marketplace de um gigante do mer-
D. II e III apenas. cado, consegue quebrar algumas objeções de
E. III apenas. compra ligadas tipicamente à falta de confiança.
Como funciona o sistema de marketplace?
Se você quiser fazer negócios em um marketplace,
GABARITO o processo é simples, mas requer atenção. Basi-
34 – A 35 – B 36 – D 37 - C camente, você deverá fazer um cadastro da sua
empresa e dos seus produtos.
Então seus produtos passam a ser divulgados. Eles
9.10 – MARKETPLACE. aparecem em pesquisas e são sugeridos aos usu-
O marketplace remete a um conceito mais coletivo ários de acordo com seu histórico de buscas e
de vendas online. Nessa plataforma, diferentes lo- compras. Esteja atento à comissão cobrada pela
jas podem anunciar seus produtos, dando ao cli- empresa que gerencia o marketplace.
ente um leque de opções. A comissão corresponde a um valor que vai de
Portanto, trata-se de uma rede cujos vendedores 9.5% a 30% de cada venda realizada. A variação
podem fazer suas ofertas dentro do mesmo site. corresponde ao nível de divulgação que você soli-
Em outras palavras, é como um shopping center cita durante o seu cadastro: quanto maior a visi-
online cujos visitantes têm acesso a várias lojas. bilidade dos seus produtos, maior também a co-
O conceito de marketplace não é novo. No Brasil, missão. Além da cobrança da comissão, o mar-
ele começou a ser implementado em 2012. Agora, ketplace também possui um prazo para liberação
muitas grandes empresas digitais já aderiram. Al- dos valores que você recebe em vendas. Este
guns exemplos são o B2W – fusão entre Lojas prazo varia de 02 a 45 dias, contados a partir da
Americanas e Submarino, a Livraria Saraiva e o postagem ou entrega do pedido. É uma maneira
Walmart. Como dito, existem diferenças entre um de garantir que você vai atender devidamente aos
marketplace e um e-commerce. clientes.
No caso de um e-commerce, você entra no site da Como nós já dissemos, o marketplace tem im-
Loja X e escolhe uma geladeira que é vendida e pacto positivo sobre a visibilidade e a credibilidade
enviada pela própria Loja X. No caso de um mar- junto aos clientes. Mas esses não são os únicos
ketplace, você pode entrar no site da Loja X e es- fatores que levam ao aumento nas vendas.
colher uma geladeira que está sendo vendida e O marketplace também é eficiente na fidelização
enviada pela Loja Y. dos clientes. Ele oferece todas as ferramentas
Quais as vantagens de um marketplace? para que você crie ações que agregam valor à ex-
Para os usuários, o marketplace representa mais periência do usuário com sua marca.
praticidade. Afinal, ele pode ver, em um único site,
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Em outras palavras, o marketplace aumenta o fa- na própria plataforma. Neste caso, o marketplace
turamento enquanto reduz os custos, potenciali- dá a possibilidade de vender em mais de um site.
zando a lucratividade. Vantagens e desvantagens de um Marketplace
Outra vantagem do marketplace é a escalabilidade Agora, que você sabe qual a diferença entre essas
deste modelo. Conforme você aumenta seu port- duas plataformas de vendas, descubra quais são
fólio de produtos, é muito fácil exibir os novos pro- as vantagens e desvantagens de investir no mar-
dutos para os clientes. Basicamente, não existem ketplace.
limites. Vantagens
Para completar, o marketplace é uma alternativa Maior visibilidade - O site oferece maior visibili-
de fácil manutenção. O processo de cadastrar pro- dade porque ele é visto por muito mais pessoas.
dutos pode ser feito por poucas pessoas. Assim, Sobretudo, quem está procurando determinado
sua equipe pode focar em atividades mais estra- item pode se interessar por outros.
tégicas, como analisar o mercado, definir preços e Aumento das vendas - Já que é visto por mais pes-
escolher novos produtos para seu portfólio. soas, a oportunidade de vendas aumenta. Logo,
Exemplos de Marketplace capriche na precificação, descrição da mercadoria,
Veja exemplos de marketplace do Brasil e interna- imagem, anúncios atrativos e na variedade de
cionais para que compreenda melhor essa plata- produtos.
forma online. Escalabilidade - O marketplace é um modelo de
1. Amazon negócio escalável porque o número de pessoas
Jeff Bezos criou a Amazon em 1994 com objetivo que o procuram cresce e isso não gera novos cus-
de vender livros, porém com o passar dos anos ele tos na operação.
percebeu a oportunidade que tinha em expandir o Alto potencial de faturamento - Sendo uma plata-
mix de produtos. forma escalável, logo proporciona alto potencial de
Hoje a plataforma comercializa variadas mercado- faturamento, consequentemente mais lucros. Isso
rias de diferentes fornecedores, pois suas comis- ocorre, por exemplo com a Uber, IFood, Magazine
sões são atrativas. Luiza, Mercado Livre e tantos outros.
2. Americanas Atividades de gestão - Para ter uma marketplace
Seguindo a mesma tendência, as Americanas co- o empreendedor deve entender de gestão, porque
mercializam tanto a marca própria como faz ven- terá que prospectar e intermediar contatos. Além
das de terceiros. Pois, um dos seus benefícios é o disso, ter conhecimento em marketing.
custo zero para iniciar o negócio. Desvantagens
Inclusive, um dos diferenciais do site é a proteção Identidade visual - Quem tem um e-commerce
contra invasões e fraudes, presentes também na tem sua identidade visual em todo o processo, no
Amazon. marketplace isso não existe. Pois, a ID será do
3. Airbnb próprio sistema, lembra do Mercado Livre? Isso
Pensando na área de serviço, o Airbnb surgiu mesmo, você e todas as pessoas compram o pro-
quando três amigos tiveram a ideia de alugar um duto sem atribuir a credibilidade à marca do for-
quarto dentro do próprio apartamento para desig- necedor.
ners porque havia na cidade deles um evento Taxas de serviço - Os marketplaces cobram taxas
desse mercado para os profissionais. para utilizarem o seu serviço, porcentagens sobre
Diferenças entre Marketplace e E-commerce vendas. Assim, deverá pesquisar qual tem menor
Uma das grandes diferenças entre marketplace e custo para não gerar prejuízo na sua empresa.
e-commerce está na descentralização do estoque Dependência - Se suas vendas ocorrem somente
e na ampliação do mix de produtos. Assim, o canal no marketplace isso gera uma relação de depen-
de vendas oferta um pool de mercadorias segmen- dência. Ou seja, se a plataforma fechar ou mudar
tado e direcionado ao cliente. Além disso, também sua forma de trabalho isso prejudicará seu negó-
são distintos no: formato de receita; formato jurí- cio.
dico; gerenciamento de estoque; profundidade de Desse modo, o correto é unir loja virtual ao mar-
produtos e serviços; grau de abertura; curadoria ketplace e redes sociais para atingir todos os pú-
de lojas etc. blicos.
Já o e-commerce utiliza fluxo de caixa intensivo Marketplace é vantajoso para todos os tipos de ne-
para fomentar o crescimento, o mix de mercado- gócios?
rias não é tão sortido e ele pode investir somente Sim, um marketplace é vantajoso para todos os
tipos de negócios, pois permite que os usuários
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realizem compras em qualquer lugar, a qualquer podem economizar dinheiro ao não precisarem pa-
momento, de forma rápida e segura. Além disso, gar uma taxa de comissão tão alta quanto a exi-
possibilita aos vendedores a oportunidade de ex- gida por outros sites de comércio eletrônico.
pandir sua visibilidade de marca, alcançar novos Ademais, há outros pontos positivos como a faci-
públicos e expandir seu alcance geográfico. lidade de gerenciar suas operações. Uma vez que
Ao usar essa plataforma, os comerciantes aprovei- as pequenas empresas não precisam se preocupar
tam a infraestrutura e a plataforma do provedor, com as complicações de configurar e operar seus
obtendo acesso a recursos de alta qualidade, como próprios sites de comércio eletrônico, elas podem
sistemas de pagamento seguros, recursos de mar- focar seu tempo e recursos em seu negócio de ma-
keting, análise de dados e muito mais. neira mais estratégica.
Todos eles favorecem quem vende na questão do Por último, favorece um ambiente seguro para as
gerenciamento de suas operações de maneira efi- pequenas empresas. Porque todas as transações
ciente, aumentando a produtividade e a rentabili- são realizadas em um único local, é mais fácil para
dade. Além disso, os marketplaces ajudam os ven- elas manterem o controle sobre seus pagamentos,
dedores a economizarem tempo e dinheiro, por- segurança e outras funções relacionadas.
que não é necessário investir em tecnologia, infra- Entenda primeiro se você precisa utilizar mar-
estrutura e equipe para a gestão do negócio. ketplace
Pra grandes empresas Antes de embarcar na jornada de um marketplace
O marketplace é vantajoso para grandes empre- é importante entender se esse modelo de negócio
sas porque proporciona que elas alcancem um nú- é realmente adequado para seu empreendimento.
mero maior de clientes e expandam o alcance de Afinal, eles são estratégias muito úteis para diver-
seus negócios. Um grande benefício é oferecer sos segmentos, mas é necessário investigar bem
seus produtos e serviços a um grupo maior de como funcionam para que seu negócio prospere e
compradores, aumentando assim suas chances de cresça de forma segura.
venda. Ganhe a confiança de seus consumidores
Aliás, as empresas podem ter acesso às informa- Uma das principais formas de garantir o sucesso
ções sobre seus clientes como: endereço de en- de seu negócio é ganhar a confiança dos consumi-
trega, histórico de compras, preferências de pro- dores. Isso significa manter a qualidade dos pro-
dutos, etc., com isso elas fornecem um melhor dutos e serviços oferecidos, além de ter um aten-
serviço a eles. dimento ao cliente eficaz e personalizado.
Outra vantagem é a economia de tempo e di- Ao obter esse objetivo, é possível criar uma estra-
nheiro, como já dito, ao não precisarem se preo- tégia de relacionamento com o consumidor que
cupar com o gerenciamento e manutenção de um garanta a satisfação deles e a reputação do seu
sistema de comércio eletrônico próprio. negócio.
Ainda, a plataforma ajuda a reduzir o custo de Dê atenção à logística
marketing, pois o negócio não precisa gastar di- A logística é outro ponto essencial para uma ope-
nheiro em campanhas de publicidade para atrair ração eficaz. É fundamental garantir que os pro-
os clientes. dutos cheguem aos clientes de forma rápida, se-
Para pequenos negócios gura, intacta e eficiente para evitar problemas e
Esse software é uma das principais ferramentas garantir a satisfação dos consumidores.
para o sucesso de uma pequena empresa. Visto
que, permite aos empreendedores e empresas de
pequeno porte criarem seus próprios negócios, Saiba lidar com as reclamações online a favor do
vendendo seus produtos e serviços a uma gama seu negócio
maior clientes. Mesmo com todas as medidas de segurança e qua-
A vantagem do marketplace para negócios desse lidade, é possível que os clientes reclamem. É im-
porte é que elas têm acesso a uma grande base portante saber lidar com essas críticas da melhor
de consumidores e podem alcançar um público forma possível a fim de manter a boa reputação
muito maior do que conseguiriam se operassem do seu negócio.
de forma independente. Ainda que, não seja possível agradar a todos, é
Isso significa que ampliam suas vendas, o que o fundamental demonstrar empenho em ouvir os cli-
ajudará a crescer. Como também, o marketplace entes e buscar uma solução que atenda às suas
proporciona melhores taxas de comissão para necessidades.
quem está começando. Isso significa que eles
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Assim como os grandes varejistas, o mar-


ketplace financeiro é um ambiente online que
conecta clientes a soluções financeiras. Nele, en- GABARITO
contram-se diversas instituições tradicionais e fin- 38 – E
techs interessadas em vender seus produtos e ser-
viços.
São bancos, corretoras de investimentos, adminis-
tradoras de consórcios, empresas de crédito, se-
guradoras e demais empresas que, por meio de 9.11 - CORRESPONDENTES BANCÁRIOS.
uma única plataforma, oferecem ao cliente final RESOLUÇÃO CMN Nº 4.935, DE 29 DE JULHO DE
uma variedade de soluções, de forma personali- 2021 - Dispõe sobre a contratação de correspon-
zada. dentes no País pelas instituições financeiras e pe-
o Open Finance democratizou esse novo modelo las demais instituições autorizadas a funcionar
de consumo, pois, com ele, diversas instituições pelo Banco Central do Brasil. O Banco Central do
têm acesso aos dados dos clientes, mediante a au- Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31
torização. Aí fica mais simples indicar uma oferta de dezembro de 1964, torna público que o Conse-
mais próxima do desejado, mesmo que não pos- lho Monetário Nacional, em sessão realizada em
sua histórico com a instituição. O marketplace fi- 29 de julho de 2021, com base nos arts. 3º, inciso
nanceiro organiza e centraliza, em um único am- V, e 4º, incisos VI, VIII e XXXI, da referida Lei, R
biente digital, todas as informações e condições ESOLVEU:
para comparar e adquirir produtos e serviços fi- CAPÍTULO I - DO OBJETO
nanceiros, encurtando o caminho para que o usu- Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre a contratação
ário possa ter poder sobre suas preferências. de correspondentes no País pelas instituições fi-
As vantagens de um marketplace financeiro nanceiras e pelas demais instituições autorizadas
Com tantas alternativas, as pessoas têm poder a funcionar pelo Banco Central do Brasil.
para analisar, comparar e escolher a melhor op- CAPÍTULO II - DA CONTRATAÇÃO DE CORRES-
ção. Nesse ecossistema, os marketplaces financei- PONDENTE - Seção I - Das Características Gerais
ros oferecem itens como: contas; cartões, cré- Art. 2º As instituições financeiras e demais insti-
dito; consórcios; financiamentos, investimentos, tuições autorizadas a funcionar pelo Banco Central
seguros, previdência privada; Em resumo, é um do Brasil devem observar as disposições desta Re-
espaço onde as instituições viabilizam suas solu- solução como condição para a contratação de cor-
ções para as pessoas. Além disso, os marketplaces respondentes no País, visando à prestação de ser-
financeiros oferecem diversas vantagens tanto viços, pelo contratado, de atividades de atendi-
para profissionais do setor financeiro como para mento a clientes e usuários da instituição contra-
os cliente. Entre as vantagens, podemos destacar: tante.
acesso simplificado em diversos dispositivos ou § 1º A prestação de serviços de que trata esta
aplicativos; desburocratização na hora de contra- Resolução, de forma pessoal ou por meio de pla-
tar; ampla variedade para perfis diferentes de cli- taforma eletrônica, somente pode ser contratada
entes; atendimento ágil e totalmente digital; com correspondente no País.
construção do papel do especialista. § 2º Considera-se plataforma eletrônica sistema
eletrônico operado pelo correspondente no País,
QUESTÕES SOBRE O TEMA que permite a realização das atividades de atendi-
38 - Escriturário (BB)/Agente Comer- mento de que trata o art. 12 desta Resolução por
cial/2021. Analise a seguinte sentença: Os (as) meio de sítio eletrônico na internet, aplicativo ou
__________ são plataformas virtuais que buscam outras plataformas de comunicação em rede.
promover a comunicação e o comércio eletrônico Art. 3º O correspondente atua por conta e sob as
entre seus usuários, exercendo a atividade de in- diretrizes da instituição contratante, que assume
termediação. Assinale a alternativa que preenche inteira responsabilidade pelo atendimento pres-
corretamente a lacuna do enunciado: tado aos clientes e usuários por meio do contra-
A. Mídias sociais. tado.
B. Arranjos de pagamento. Parágrafo único. Cabe à instituição contratante
C. Intermediários financeiros. garantir a integridade, a confiabilidade, a segu-
D. Correspondentes bancários. rança e o sigilo das transações realizadas por meio
E. Marketplaces. do contratado, bem como o cumprimento da
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legislação e da regulamentação relativas a essas Art. 10. Admite-se o substabelecimento do con-


transações. trato de correspondente, em um único nível,
Art. 4º Podem ser contratados, na qualidade de desde que o contrato inicial preveja essa possibi-
correspondente: lidade e as condições para sua efetivação, entre as
I - as sociedades, os empresários e as associações quais a anuência da instituição contratante.
definidos na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de § 1º A instituição contratante, para anuir ao subs-
2002 (Código Civil); tabelecimento, deve assegurar o cumprimento das
II - os prestadores de serviços notariais e de re- disposições desta Resolução pelas entidades subs-
gistro de que trata a Lei nº 8.935, de 18 de no- talebecidas.
vembro de 1994; e § 2º É vedado o substabelecimento do contrato
III - as empresas públicas. no tocante às atividades de atendimento em ope-
Art. 5º É vedada a celebração de contrato de cor- rações de câmbio.
respondente no País com: § 3º As entidades substabelecidas devem adotar
I - entidade cuja atividade principal seja a presta- as formas estabelecidas no art. 4º.
ção de serviços de correspondente para o desem- Art. 11. É vedada à instituição contratante:
penho das atividades de atendimento definidas I - a cobrança de clientes atendidos pelo corres-
nos incisos II, IV e VI do art. 12; e pondente de tarifa, comissão, valores referentes a
II - entidade cujo controle seja exercido por admi- ressarcimento de serviços prestados por terceiros
nistrador da instituição contratante ou por admi- ou qualquer outra forma de remuneração, pelo
nistrador de entidade controladora da instituição fornecimento de produtos ou serviços de respon-
contratante. sabilidade da referida instituição, ressalvadas as
Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso tarifas constantes da tabela adotada pela institui-
II não se aplica à hipótese em que o administrador ção contratante, de acordo com a regulamentação
seja também controlador da instituição contra- em vigor; e
tante. II - a prestação de serviços por correspondente no
Art. 6º Não é admitida a celebração de contrato recinto de suas dependências.
de correspondente que configure contrato de fran- Seção II - Do Objeto do Contrato de Correspon-
quia, nos termos da Lei nº 13.966, de 26 de de- dente
zembro de 2019, ou cujos efeitos sejam seme- Art. 12. O contrato de correspondente pode ter
lhantes no tocante aos direitos e obrigações das por objeto as seguintes atividades de atendi-
partes ou às formas empregadas para o atendi- mento, visando ao fornecimento de produtos e
mento ao público. serviços de responsabilidade da instituição contra-
Art. 7º A contratação, como correspondente, de tante a seus clientes e usuários:
instituições financeiras e demais instituições auto- I - recepção e encaminhamento de propostas de
rizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil abertura de contas de depósitos e de pagamento
deve observar as seguintes condições: mantidas pela instituição contratante;
I - dispensa das exigências estabelecidas nos arts. II - realização de recebimentos, pagamentos e
15 e 16, na hipótese de a instituição contratada transferências eletrônicas visando à movimenta-
oferecer a seus próprios clientes operações da ção de contas de depósitos e de pagamento de ti-
mesma natureza; e tularidade de clientes mantidas pela instituição
II - não incidência da vedação estabelecida no art. contratante;
14, inciso IX. III - recebimentos e pagamentos de qualquer na-
Art. 8º Depende de prévia autorização do Banco tureza, e outras atividades decorrentes da execu-
Central do Brasil a celebração de contrato de cor- ção de contratos e convênios de prestação de ser-
respondente com entidade não integrante do Sis- viços mantidos pela instituição contratante com
tema Financeiro Nacional (SFN) cuja denominação terceiros;
ou nome fantasia empregue termos característicos IV - execução ativa e passiva de ordens de paga-
das denominações das instituições do SFN, ou de mento cursadas por intermédio da instituição con-
expressões similares em vernáculo ou em idioma tratante por solicitação de clientes e usuários;
estrangeiro. V - recepção e encaminhamento de propostas de
Art. 9º A instituição contratante deve designar di- operações de crédito e de arrendamento mercantil
retor responsável pela contratação de correspon- concedidas pela instituição contratante, bem como
dentes no País e pelo atendimento por eles pres- outros serviços prestados para o acompanha-
tado. mento da operação;
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VI - recebimentos e pagamentos relacionados a Seção III - Das Condições Gerais do Contrato de


letras de câmbio de aceite da instituição contra- Correspondente
tante; e Art. 14. O contrato de correspondente deve esta-
VII - realização de operações de câmbio de res- belecer:
ponsabilidade da instituição contratante, obser- I - exigência de que o contratado mantenha rela-
vado o disposto no art. 13. ção formalizada mediante vínculo empregatício ou
Parágrafo único. Pode ser incluída no contrato a vínculo contratual de outra espécie com as pes-
prestação de serviços complementares de coleta soas naturais integrantes da sua equipe, envolvi-
de informações cadastrais e de documentação, das no atendimento a clientes e usuários;
bem como controle e processamento de dados. II - vedação à utilização, pelo contratado, de lo-
Art. 13. O atendimento prestado pelo correspon- gomarca ou de outros atributos que sejam simila-
dente em operações de câmbio deve ser contratu- res aos adotados pela instituição contratante em
almente restrito às seguintes operações: suas agências, postos de atendimento, sítio ele-
I - compra e venda de moeda estrangeira em es- trônico na internet, aplicativo ou outras platafor-
pécie, cheque ou cheque de viagem, bem como mas de comunicação em rede;
carga de moeda estrangeira em cartão pré-pago; III - divulgação ao público, pelo contratado, de sua
II - execução ativa ou passiva de ordem de paga- condição de prestador de serviços à instituição
mento relativa a transferência unilateral do ou contratante, identificada pelo nome com que é co-
para o exterior; e nhecida no mercado, com descrição dos produtos
III - recepção e encaminhamento de propostas de e serviços oferecidos e canais de contato da insti-
operações de câmbio. tuição contratante, inclusive de sua ouvidoria, em
Parágrafo único. O contrato que inclua o atendi- local visível, em destaque e em formato legível,
mento nas operações de câmbio relacionadas nos por meio de:
incisos I e II do caput deve prever as seguintes a) sítio eletrônico do correspondente na internet,
condições: acessível na página inicial;
I - limitação ao valor de US$3.000,00 (três mil dó- b) aplicativo e outras plataformas de comunicação
lares dos Estados Unidos), ou seu equivalente em em rede do correspondente; ou
outras moedas, por operação, e no caso de opera- c) painel mantido nos locais onde seja prestado
ção de compra ou de venda de moeda estrangeira atendimento aos clientes e usuários, no caso de o
em espécie com entrega do contravalor em moeda correspondente possuir dependências físicas;
nacional também em espécie, limitação ao valor IV - obrigatoriedade de apresentação aos clientes,
de US$1.000,00 (mil dólares dos Estados Unidos), durante o atendimento, dos custos e das condi-
ou seu equivalente em outras moedas; ções de contratação dos produtos e serviços ofe-
II - obrigatoriedade de informação ao cliente do recidos pelas instituições contratantes de que tra-
Valor Efetivo Total (VET) da operação, expresso tam os incisos I, V e VII do art. 12, na hipótese de
em reais por unidade de moeda estrangeira e cal- atuar como correspondente de mais de uma insti-
culado considerando a taxa de câmbio, os tributos tuição;
incidentes e as tarifas eventualmente cobradas; V - realização de acertos financeiros entre a insti-
III - obrigatoriedade de entrega ao cliente de com- tuição contratante e o correspondente, no má-
provante para cada operação de câmbio realizada, ximo, a cada dois dias úteis;
contendo a identificação da instituição contra- VI - utilização, pelo correspondente, exclusiva-
tante, da empresa contratada e do cliente, a indi- mente de padrões, normas operacionais e tabelas
cação da moeda estrangeira, da taxa de câmbio, definidas pela instituição contratante, inclusive na
dos valores em moeda estrangeira e em moeda proposição ou aplicação de tarifas, taxas de juros,
nacional e do VET, bem como a identificação do taxas de câmbio, cálculo de Custo Efetivo Total
pagador ou recebedor no exterior nas operações (CET) ou do VET e quaisquer quantias auferidas
de câmbio de que trata o inciso II do caput; ou devidas pelo cliente, inerentes aos produtos e
IV - cláusula de exclusividade do correspondente serviços de fornecimento da instituição contra-
com a instituição contratante para a prestação de tante;
serviços relativa às operações de câmbio de que VII - vedação ao contratado de emitir, a seu favor,
trata o inciso I do caput; e instrumentos de pagamento ou títulos relativos às
V - observância das disposições regulamentares operações realizadas, ou de cobrar em seu próprio
que dispõem sobre o mercado de câmbio. benefício, a qualquer título, valor relacionado com
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os produtos e serviços de fornecimento da institui- I - uso de crachá pelos integrantes da equipe do


ção contratante; correspondente que prestem atendimento nas
VIII - vedação à realização de adiantamento a cli- operações de que trata o caput, expondo ao cli-
ente, pelo correspondente, por conta de recursos ente ou usuário, de forma visível, a denominação
a serem liberados pela instituição contratante; do contratado, o nome da pessoa e seu número de
IX - vedação à prestação de garantia, inclusive co- registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), no
obrigação, pelo correspondente nas operações a caso de o correspondente prestar serviços presen-
que se refere o contrato; cialmente;
X - realização, pelo contratado, de atendimento II - envio, anexo à documentação encaminhada à
aos clientes e usuários relativo a demandas envol- instituição contratante para decisão sobre aprova-
vendo esclarecimentos, obtenção de documentos, ção da operação pleiteada, da identificação do in-
liberações, reclamações e outros referentes aos tegrante da equipe do correspondente, contendo
produtos e serviços fornecidos, as quais serão en- o nome e o número do CPF, especificando:
caminhadas de imediato à instituição contratante, a) no caso de operações relativas a bens e serviços
quando não forem resolvidas pelo correspon- fornecidos pelo próprio correspondente, a identifi-
dente; cação da pessoa certificada de acordo com as dis-
XI - permissão de acesso do Banco Central do Bra- posições do art. 16, § 2º, responsável pelo aten-
sil aos contratos firmados ao amparo desta Reso- dimento prestado; e
lução, à documentação e informações referentes b) nas demais operações, a identificação da pes-
aos produtos e serviços fornecidos, bem como às soa certificada que procedeu ao atendimento do
dependências do contratado e respectiva docu- cliente;
mentação relativa aos atos constitutivos, regis- III - liberação de recursos pela instituição contra-
tros, cadastros e licenças requeridos pela legisla- tante a favor do beneficiário, no caso de crédito
ção; pessoal, ou da empresa fornecedora, nos casos de
XII - possibilidade de adoção de medidas adminis- financiamento ou arrendamento mercantil, po-
trativas pela instituição contratante, por sua inici- dendo ser realizada pelo correspondente por conta
ativa, nos termos do art. 18, ou por determinação e ordem da instituição contratante, desde que, di-
do Banco Central do Brasil; ariamente, o valor total dos pagamentos realiza-
XIII - observância da política de atuação e de con- dos seja idêntico ao dos recursos recebidos da ins-
tratação, estabelecida pela instituição contratante tituição contratante para tal fim; e
nos termos do art. 18, e das medidas administra- IV - pagamento de remuneração, da seguinte
tivas nela previstas; e forma:
XIV - declaração de que o contratado tem pleno a) na contratação da operação: pagamento à
conhecimento de que a realização, por sua própria vista, relativo aos esforços desempenhados na
conta, das operações consideradas privativas das captação do cliente quando da originação da ope-
instituições financeiras ou de outras operações ve- ração; e
dadas pela legislação vigente sujeita o infrator às b) ao longo da operação: pagamento pro rata tem-
penalidades previstas nas Leis ns. 7.492, de 16 de poris ao longo do prazo do contrato, relativo a ou-
junho de 1986, e 13.506, de 13 de novembro de tros serviços prestados após a originação.
2017. § 1º Na hipótese de contratação por meio da pla-
Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso taforma eletrônica, para fins de atendimento do
IX não se aplica às operações de financiamento e inciso II, alínea “b”, do caput, deve ser identificada
de arrendamento mercantil de bens e serviços for- a pessoa natural responsável pela plataforma ele-
necidos pelo próprio correspondente no exercício trônica, de que trata o § 6º do art. 16.
de atividade comercial integrante de seu objeto § 2º Com relação ao disposto no inciso IV, alínea
social. "a", do caput, o valor pago na contratação da ope-
Seção IV -Do Encaminhamento de Propostas de ração deve representar:
Operações de Crédito e de Arrendamento Mercan- I - no máximo 6% (seis por cento) do valor de
til operação de crédito encaminhada, repactuada ou
Art. 15. O contrato de correspondente que incluir renovada; ou
as atividades relativas a operações de crédito e de II - no máximo 3% (três por cento) do valor de
arrendamento mercantil, referidas no art. 12, in- operação objeto de portabilidade.
ciso V, deve prever, com relação a essas ativida- § 3º O contrato de que trata o caput deve prever
des: que, no caso de liquidação antecipada da operação
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com recursos próprios do devedor ou com recur- Art. 17. A instituição contratante deve colocar à
sos transferidos por outra instituição, será cessado disposição do correspondente e de sua equipe de
o pagamento da remuneração referida no inciso atendimento documentação técnica adequada,
IV, alínea "b". bem como manter canal de comunicação perma-
Art. 16. O contrato deve prever que o atendi- nente com objetivo de prestar esclarecimentos
mento em operações de crédito e arrendamento tempestivos à referida equipe sobre seus produtos
mercantil seja prestado com qualidade técnica e serviços, e deve atender, conforme o art. 14,
compatível com a natureza e o risco dessas ope- inciso X, às demandas apresentadas pelos clientes
rações. e usuários ao contratado.
§ 1º A qualidade técnica do atendimento de que Art. 18. As instituições mencionadas no art. 1º
trata o caput deve ser atestada por exame de cer- que mantiverem contratos de correspondente no
tificação aplicado à equipe do correspondente que País devem estabelecer e manter atualizada polí-
preste atendimento em operações de crédito e ar- tica de atuação e de contratação desses prestado-
rendamento mercantil e organizado por entidade res de serviços, prevendo, no mínimo:
de reconhecida capacidade técnica. I - critérios exigidos para contratação;
§ 2º No caso de correspondentes que forneçam, II - mecanismos de controle de qualidade da atu-
ao mesmo tempo, bens e serviços financiados ou ação do correspondente, levando em conta indica-
arrendados, admite-se a certificação de uma pes- dores de acompanhamento de qualidade de aten-
soa por ponto de atendimento presencial, que se dimento dos clientes, considerando, inclusive, de-
responsabilizará, perante a instituição contra- mandas e reclamações registradas; e
tante, pelo atendimento ali prestado aos clientes. III - regras de remuneração pela prestação dos
§ 3º A certificação de que trata o § 1º deve ter serviços.
por base processo de capacitação que aborde, no § 1º Os mecanismos a que se refere o inciso II do
mínimo, os aspectos técnicos das operações, a re- caput devem conter medidas administrativas, con-
gulamentação aplicável, a Lei nº 13.709, de 14 de tratualmente previstas, a serem adotadas pela
agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados instituição contratante em relação ao correspon-
Pessoais), a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de dente, aos substabelecidos e aos agentes certifi-
1990 (Código de Defesa do Consumidor), ética e cados, se verificadas irregularidades ou inobser-
ouvidoria. vância dos padrões estabelecidos, incluindo a pos-
§ 4º O correspondente deve manter cadastro da sibilidade de suspensão do atendimento prestado
equipe referida no § 1º permanentemente atuali- ao público e o encerramento antecipado do con-
zado, contendo os dados sobre o respectivo pro- trato nos casos considerados graves pela institui-
cesso de certificação, com acesso a consulta pela ção contratante.
instituição contratante a qualquer tempo. § 2º As medidas administrativas de que trata o §
§ 5º A qualificação técnica deve assegurar que o 1º devem prever orientações, treinamentos e san-
atendimento, a comunicação e a experiência do ções, e sua aplicação deve ser ponderada levando-
cliente por meio de plataforma eletrônica obser- se em consideração aspectos qualitativos e quan-
vem os requisitos de: titativos relacionados à gravidade da irregulari-
I - oferta de produtos e serviços adequados às ne- dade detectada.
cessidades, interesses e objetivos dos clientes e § 3º As regras de remuneração de que trata o
usuários; inciso III do caput devem:
II - prestação de informações necessárias à livre I - ser compatíveis com a política de gestão de
escolha e à tomada de decisões por parte de cli- riscos, de modo a não incentivar comportamentos
entes e usuários; e que elevem a exposição ao risco acima dos níveis
III - utilização de linguagem clara e adequada à considerados prudentes nas estratégias de curto,
natureza e à complexidade das operações de que médio e longo prazos adotadas pela instituição;
trata o caput. II - ter viabilidade econômica no caso das opera-
§ 6º O correspondente deve indicar, à instituição ções de crédito e de arrendamento mercantil cujas
contratante, pessoa natural responsável pela pla- propostas sejam encaminhadas pelos correspon-
taforma eletrônica, que deverá ser considerada dentes; e
apta em exame de certificação de que trata o § III - considerar qualquer forma de remuneração,
1º. inclusive adiantamentos por meio de operação de
CAPÍTULO III - DO CONTROLE DAS ATIVIDADES crédito, aquisição de recebíveis ou constituição de
DO CORRESPONDENTE garantias, bem como o pagamento de despesas, a
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distribuição de prêmios, bonificações, promoções § 2º Os relatórios gerenciais referidos no caput


ou qualquer outra forma assemelhada. devem ficar à disposição do Banco Central do Bra-
§ 4º A política de que trata o caput deve ser for- sil até cinco anos após o término da operação.
malizada em documento específico e aprovada CAPÍTULO IV - DA DIVULGAÇÃO DE INFORMA-
pelo conselho de administração ou, na sua ausên- ÇÕES
cia, pela diretoria da instituição. Art. 21. A instituição contratante deve manter
§ 5º Admite-se que a política de que trata o caput atualizada a relação de seus contratados:
seja unificada por: I - na forma de dados abertos; e I - no seu sítio
I - conglomerado; ou eletrônico na internet, acessível na página inicial e
II - sistema cooperativo de crédito. em local visível e formato legível. § 1º A relação
§ 6º O documento de que trata o § 4º deve ser de que trata o caput deve conter as seguintes in-
mantido à disposição do Banco Central do Brasil. formações: I - identificação; II - localização; e III
Art. 19. As instituições mencionadas no art. 1º - atividades de atendimento, referidas no art. 12,
devem adequar o sistema de controles internos incluídas no contrato e, no caso de o contratado
com o objetivo de monitorar as atividades de aten- prestar serviços presencialmente, especificadas
dimento ao público realizadas por intermédio de por ponto de atendimento.
correspondentes, compatibilizando-os com o vo- § 2º O Banco Central do Brasil divulgará o conte-
lume e a complexidade das operações realizadas. údo e as especificações para divulgação das infor-
§ 1º A auditoria interna da instituição contratante mações de que trata o § 1º nos termos definidos
deve avaliar, anualmente, a efetividade dos me- no caput.
canismos de controle de qualidade. Art. 22. A instituição contratante deve segregar
§ 2º Fica o Banco Central do Brasil autorizado a: as informações sobre demandas e reclamações re-
I - determinar a adoção das medidas administra- cebidas pela instituição, nos respectivos serviços
tivas de que trata o § 1º do art. 18, inclusive a de atendimento e de ouvidoria, apresentadas por
suspensão do atendimento prestado ao público ou clientes e usuários atendidos por correspondentes.
o encerramento do contrato; ou Art. 23. A instituição contratante deve informar
II - condicionar a contratação de novos correspon- ao Banco Central do Brasil, na forma definida pela
dentes à correção de deficiências na política de referida autarquia:
que trata o art. 18. I - o diretor responsável de que trata o art. 9º
§ 3º Nas hipóteses do § 2º, a decisão do Banco desta Resolução; e
Central do Brasil deverá ser precedida de manifes- II - a celebração de contrato de correspondente,
tação da instituição contratante. bem como posteriores atualizações e encerra-
Art. 20. Na hipótese de o contrato de correspon- mento.
dente incluir as atividades relativas a operações CAPÍTULO V - DISPOSIÇÕES FINAIS
de crédito e de arrendamento mercantil, referidas Art. 24. Fica o Banco Central do Brasil autorizado
no art. 12, inciso V, a instituição contratante deve a baixar as normas e a adotar as medidas neces-
implementar sistemática de monitoramento e con- sárias à execução do disposto nesta Resolução.
trole da viabilidade econômica da operação, cuja Art. 25. Ficam revogados: I - os arts. 1º a 19 da
proposta seja encaminhada por correspondente, Resolução nº 3.954, de 24 de fevereiro de 2011;
com a produção de relatórios gerenciais contem- II - os arts. 21, 22, incisos I e II, e 23 da Resolu-
plando todas as receitas e despesas envolvidas, ção nº 3.954, de 24 de fevereiro de 2011; III - a
tais como custo de captação, taxa de juros e re- Resolução nº 3.959, de 31 de março de 2011; IV
muneração paga e devida ao correspondente sob - a Resolução nº 4.035, de 30 de novembro de
qualquer forma, bem como prazo da operação, 2011; V - a Resolução nº 4.114, de 26 de julho de
probabilidade de liquidação antecipada e de ces- 2012; VI - a Resolução nº 4.145, de 27 de setem-
são. bro de 2012; VII - a Resolução nº 4.294, de 20 de
§ 1º Para a apuração da viabilidade econômica, o dezembro de 2013; e
valor presente das rendas da operação de crédito VIII - o art. 2º da Resolução nº 4.811, de 30 de
ou de arrendamento mercantil, bem como de sua abril de 2020.
repactuação ou renovação, considerada a possibi- Art. 26. Esta Resolução entra em vigor em 1º de
lidade de sua liquidação antecipada ou inadim- fevereiro de 2022.
plência, deve ser superior ao valor presente do so- FAQ BACEN – CORRESPONDENTE BANCÁRIO
matório da remuneração do correspondente com -
as demais despesas envolvidas.
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https://www.bcb.gov.br/acessoinforma- Perguntas e Respostas. Assinale a alternativa que


cao/perguntasfrequentes-respos- preenche corretamente a lacuna do enunciado:
tas/faq_correspondentes A. Bancos comerciais.
1 - Quem são correspondentes no País? B. Correspondentes.
São empresas contratadas pelos bancos e demais C. Instituições de pagamento.
instituições autorizadas pelo BC para prestar ser- D. Corretoras e distribuidoras de valores mobiliá-
viços de atendimento aos seus clientes e usuários rios.
como, por exemplo, as lotéricas e o banco postal. E. Cooperativas de crédito.
Importante! O correspondente não precisa de au- 40 - FGV. 2021. FAPENE. Os correspondentes
torização do BC, apenas a instituição que o con- desempenham um vasto leque de atividades de
trata! atendimento, estando vinculados ao objeto da
2 - Serviços oferecidos. contratação por parte da instituição financeira
Os correspondentes podem prestar os seguintes contratante. Dentre as alternativas abaixo, qual
serviços em nome do banco contratante: daquelas NÃO PODE ser oferecida pelos corres-
• receber e encaminhar intermediação de propos- pondentes:
tas: de abertura de contas, de empréstimos e fi- A. Recepção e encaminhamento de propostas de
nanciamentos, de cartões e/ou operações de câm- abertura de contas de depósitos.
bio; • pagamentos (inclusive de contas de água, B. Realização de recebimentos, pagamentos e
luz, telefone, etc); e transferências eletrônicas transferências eletrônicas.
• ordens de pagamento; • pagamentos de letras C. Realização de operações de fomento mercantil
de câmbio de aceite da instituição contratante; • (factoring).
coleta e atualização de informações cadastrais e D. Recepção e encaminhamento de propostas de
de documentação; • compra e vendar moeda es- fornecimento de cartões de crédito.
trangeira em espécie, cheque ou cheque de via- 41 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil -
gem, bem como carga de moeda estrangeira em Agente Comercial - Prova B. Quando um cliente
cartão pré-pago, limitadas ao valor equivalente a paga uma conta mensal de energia elétrica em
US$3 mil dólares dos Estados Unidos por opera- uma casa lotérica, essa lotérica está atuando
ção; • transferência unilateral do ou para o exte- como
rior limitada ao valor equivalente a US$ 3 mil dó- A. correspondente bancário
lares dos Estados Unidos por operação. B. banco digital
3 - Lista de correspondentes no País C. banco comercial
Para saber a lista de correspondentes e os pontos D. banco múltiplo
de atendimento (site BACEN). Você pode filtrar por E. agência postal
banco e por município, além de consultar quais os
serviços prestados pelos correspondentes. Você
pode, ainda, pesquisar por um correspondente es- GABARITO
pecífico, para ver se ele é contratado por algum 39 – B 40 – C 41 – A
banco.
4 - Cobrança de tarifas
O correspondente só pode cobrar as tarifas previs-
tas na tabela da instituição contratante. Ou seja, 9.12 - ARRANJOS DE PAGAMENTOS. FAQ BA-
ele cobra as tarifas que seriam cobradas pelo CEN - https://www.bcb.gov.br/acessoinfor-
banco e não pode cobrar tarifas na condição de macao/perguntasfrequentes-respos-
correspondente. tas/faq_arranjodepagamentos
1 - O que é um arranjo de pagamento?
Arranjo de pagamento é o conjunto de regras e de
QUESTÕES SOBRE O TEMA procedimentos para fazer pagamento de compras,
39 – Escriturário (BB)/Agente Comer- viabilizar transferências de recursos, aportes e sa-
cial/2021. Analise a seguinte sentença: Os (as) ques e tudo mais que puder ser definido como ser-
______ são empresas contratadas por instituições viço de pagamento ao público.
financeiras e demais instituições autorizadas pelo O serviço de pagamento disciplinado no âmbito de
Banco Central para a prestação de serviços de um arranjo é o conjunto de atividades que pode
atendimento aos clientes e usuários dessas insti- envolver aporte e saque de recursos, emissão de
tuições. Fonte: Site do Banco Central do Brasil – instrumento de pagamento, gestão de uma conta
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que sirva para fazer compras, pagar contas ou re- de fundos, entre outras atividades listadas no in-
alizar transferências, credenciamento para aceita- ciso III do art. 6º da Lei 12. 865, de 2013.
ção de um instrumento de pagamento, remessa 2 - Quais seriam exemplos de arranjos de paga-
mento?
São exemplos de arranjos de pagamento as regras outros participantes no momento em que o ar-
e os procedimentos utilizados para realizar servi- ranjo de pagamento é criado.
ços de: 1. compras com cartões de crédito, débito 3 - O que é um arranjo de pagamento aberto?
e pré-pago, sejam em moeda nacional ou em mo- O arranjo de pagamento aberto não é definido
eda estrangeira; 2. transferência de recursos, pela regulamentação, podendo ser entendido, por
como TED e DOC; 3. pagamentos instantâneos exclusão, como aqueles não classificados como fe-
(Pix); 4. cheques; e 5. boletos. chados. Cabe ressaltar que, nos arranjos abertos,
3 - Qual a função do arranjo de pagamento? a emissão e o credenciamento devem ser faculta-
O arranjo conecta seus usuários - pessoas, em- dos a todas as instituições de pagamentos e insti-
presas e instituições governamentais - que, sem tuições financeiras que cumpram os requisitos es-
ele, não teriam como realizar transações financei- tabelecidos nos regulamentos dos arranjos.
ras entre si ou que somente as realizariam pre- 4 - O que é um arranjo de pagamento “transfron-
sencialmente com troca de dinheiro vivo. teiriço”?
É o que acontece quando o usuário utiliza o cartão De acordo com Circular 3.682, de 2013, um ar-
de crédito ou de débito de uma determinada ban- ranjo de pagamento pode ser classificado como
deira em uma compra, que só é possível porque o "transfronteiriço" quando o
vendedor aceita receber aquela bandeira. instrumento de pagamento disciplinado no arranjo
4 - Onde encontro informações sobre arranjos de for emitido em território nacional para ser utilizado
pagamento? em outros países, ou for emitido fora do território
No site do Banco Central, existe uma página dedi- nacional para ser utilizado no Brasil.
cada a esse assunto. 5 - O que é o BR Code?
2 - Conceitos importantes. O BR Code passará a ser o padrão único para QR
1 - O que é o instituidor de arranjo de paga- Codes (código de barras bidimensional) a serem
mento? utilizados para a iniciação de transações em arran-
É a pessoa jurídica responsável pela criação do ar- jos de pagamento. A Resolução BCB nº10, que en-
ranjo de pagamento e pela manutenção do seu trou em vigor em 20/08/2020, estabelece que os
funcionamento. A ele cabe o papel de organizar e arranjos de pagamentos terão até 21/04/2021
criar regras para o funcionamento do arranjo, ob- para adaptarem os QR Codes ao BR Code. Com
servada a regulamentação do Banco Central, e de esse novo padrão, o usuário pagador poderá utili-
monitorar se os participantes dos arranjos estão zar o mesmo QR Code para iniciar uma transação
seguindo as regras e os procedimentos estabele- em diferentes arranjos – a depender do aplicativo
cidos. As bandeiras de cartão de crédito são exem- escolhido, de acordo com suas preferências. Os
plo de instituidor de arranjo. O Banco Central é o prestadores de serviço de pagamento devem in-
instituidor dos arranjos TED, DOC, boleto e Pix. formar ao usuário qual o arranjo de pagamento
2 - O que é um arranjo de pagamento fechado? está sendo utilizado naquela transação.
Um arranjo de pagamento é considerado fechado
quando as atividades inerentes à prestação dos
serviços de pagamento, a exemplo da emissão e
do credenciamento, são executadas: 1. por ape-
nas uma instituição de pagamento ou instituição
financeira, cuja pessoa jurídica é a mesma do ins-
tituidor do arranjo; 2. pelo próprio instituidor, por
instituição de pagamento ou instituição financeira
controladora do instituidor do arranjo ou por este
controlada; ou 3. por instituição de pagamento ou
por instituição financeira que possuir o mesmo
controlador do instituidor do arranjo. Normal-
mente os arranjos novos são instituídos dessa
forma, já que, em geral, é muito difícil atrair
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3 - Supervisão dos arranjos pelo BC. II - em que o conjunto de participantes apresen-


1 - Quais tipos de arranjos de pagamento não são tar, de forma consolidada e acumulada nos últi-
supervisionados pelo BC? mos 12 (doze) meses, volumes inferiores a:
RESOLUÇÃO BCB Nº 150, DE 6 DE OUTUBRO DE a) R$20.000.000.000,00 (vinte bilhões de reais)
2021 - Consolida normas sobre os arranjos de pa- de valor total das transações; e
gamento, aprova o regulamento que disciplina a b) 100.000.000 (cem milhões) de transações;
prestação de serviço de pagamento no âmbito dos III - em que o instrumento de pagamento for: (Re-
arranjos de pagamento integrantes do Sistema de dação dada, a partir de 1º/3/2023, pela Resolução
Pagamentos Brasileiro (SPB), estabelece os crité- BCB nº 289, de 25/1/2023.)
rios segundo os quais os arranjos de pagamento a) oferecido no âmbito de programa destinado a
não integrarão o SPB e dá outras providências. A conceder benefícios a pessoas naturais em função
Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em de relações de trabalho, de prestação de serviços
sessão realizada em 6 de outubro de 2021, com ou similares, instituído por lei ou por ato do Poder
base nos arts. 6º, 9º e 15 da Lei nº 12.865, de 9 Executivo federal, estadual ou municipal; ou (In-
de outubro de 2013, e tendo em vista o disposto cluída, a partir de 1º/3/2023, pela Resolução BCB
na Resolução nº 4.282, de 4 de novembro de nº 289, de 25/1/2023.)
2013, R E S O L V E : b) destinado à utilização do auxílio-alimentação de
Art. 1º Fica aprovado, na forma do Anexo I, o que trata o § 2º do art. 457 da Consolidação das
Regulamento sobre a Prestação de Serviços de Pa- Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº
gamento no Âmbito dos Arranjos de Pagamento 5.452, de 1º de maio de 1943, assim como de be-
Integrantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro nefício de mesma natureza, para o pagamento de
(SPB). refeições em restaurantes e estabelecimentos si-
Art. 2º Não integram o SPB os arranjos de paga- milares ou para a aquisição de gêneros alimentí-
mento (arranjos): cios em estabelecimentos comerciais, instituído
I - de propósito limitado, quando os instrumentos por lei ou por ato do Poder Executivo federal, es-
de pagamento forem: tadual ou municipal. (Incluída, a partir de
a) aceitos apenas na rede de estabelecimentos de 1º/3/2023, pela Resolução BCB nº 289, de
uma mesma sociedade empresária, quando não 25/1/2023.)
emitido por ela, ou nas redes de lojas de socieda- § 1º O arranjo de pagamento não integrante do
des integrantes do mesmo grupo empresarial, in- SPB com base nos critérios estabelecidos no inciso
dependentemente do emissor; II do caput passa a integrar o SPB caso o seu ins-
b) aceitos apenas em rede de estabelecimentos de tituidor seja responsável por outro arranjo de pa-
distribuição e comercialização de produtos ou ser- gamento integrante do SPB.
viços que apresentem claramente a mesma iden- § 2º O instituidor de arranjo de pagamento não
tidade visual entre si, sob o regime de franquia integrante do SPB com base no inciso II do caput
empresarial ou por meio de acordo de uso da deve acompanhar a evolução dos limites indicados
marca; e, ao verificar a superação de qualquer desses li-
c) destinados exclusivamente para o pagamento mites por algum dos arranjos por ele instituído,
de serviços públicos prestados diretamente pelo deve, ressalvados os casos de dispensa previstos
poder público ou sob regime jurídico de outorga, no art. 21 do Anexo I a esta Resolução, apresentar
concessão, permissão ou autorização; ou pedido de autorização de todos os arranjos por ele
d) emitidos e aceitos exclusivamente no âmbito de instituídos que não estejam enquadrados nos inci-
um arranjo fechado, nos termos do inciso I do art. sos I ou III do caput, no prazo de 90 (noventa)
2º do Anexo I a esta Resolução, e que sejam des- dias, contados a partir da data de superação.
tinados exclusivamente para o pagamento: § 3º Ressalvados os casos de dispensa previstos
1. de um tipo de produto ou serviço específico; no art. 21 do Anexo I a esta Resolução, a institui-
2. de um conjunto restrito de produtos; ou ção de novos arranjos de pagamento não enqua-
3. de serviços destinados a atender uma determi- drados nos incisos I e III do caput por instituidor
nada atividade econômica ou a mercados especi- responsável por arranjo que já integra o SPB deve
alizados;
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ser precedida de autorização nos termos da regu- modelo de negócios conste da Relação de Modelos
lação vigente. de Negócios de Arranjos de Pagamentos de Propó-
§ 4º Enquadram-se na alínea “d” do inciso I do sito Limitado, presente no Anexo II a esta
caput unicamente os arranjos de pagamento cujo

Resolução.2 - Quais arranjos de pagamento são supervisionados pelo BC?


O BC supervisiona todos os arranjos de pagamento que não se enquadrem nas condições descritas na
resposta da questão 1 acima. Os arranjos supervisionados são considerados arranjos integrantes do Sistema
de Pagamentos Brasileiro (SPB).
3 - Todos os arranjos de pagamento supervisionados pelo BC se sujeitam à autorização?
Não. Alguns arranjos supervisionados estão dispensados de autorização, independentemente do valor e da
quantidade de
transações. São eles: 1. arranjo instituído por ente governamental; 2. arranjo fechado instituído por banco
comercial, banco múltiplo com carteira comercial, caixa econômica, cooperativa singular de crédito e soci-
edade de crédito, financiamento e investimento; ou 3. arranjo fechado instituído por instituição de paga-
mento autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil em que a liquidação das transações de paga-
mento no âmbito do arranjo seja realizada exclusivamente nos livros do emissor do instrumento, transações
também chamadas de "book transfers" (a exemplo de uma transferência de valores entre dois clientes de
um mesmo banco)
4 - Quando deve ser solicitada autorização para funcionamento do arranjo?
Assim que um arranjo, que não seja dispensado de autorização nos termos da questão 3, alcançar algum
dos valores citados abaixo, o seu instituidor deve solicitar a autorização para instituição desse arranjo ao
BC em até 30 dias.
3. de serviços destinados a atender uma determinada atividade econômica ou a mercados especializados;
II - em que o conjunto de participantes apresentar, de forma consolidada e acumulada nos últimos 12
(doze) meses, volumes inferiores a:
a) R$20.000.000.000,00 (vinte bilhões de reais) de valor total das transações; e
b) 100.000.000 (cem milhões) de transações;
5 - Onde consulto a lista de arranjos autorizados ou em processo de autorização?
Para consultar informações sobre os arranjos de pagamentos integrantes do Sistema de Pagamentos Bra-
sileiro, acesse a página Arranjos de pagamento integrantes do SPB. Por essa página, é possível acessar a
lista de arranjos autorizados e a dos arranjos integrantes cujo processo de autorização ainda esteja em
análise.
6 - Os arranjos que não precisam de autorização do BC são supervisionados?
Sim. Tanto os arranjos autorizados pelo BC quanto os citados na questão 3 (casos de dispensa de autori-
zação) são supervisionados pelo BC. Não são supervisionados aqueles que enquadrem nas condições des-
critas na questão 1.
Especificamente em relação aos arranjos com baixo número de transações e de volume de transações
(questão 1, item 1) do escopo de supervisão, o BC visa assegurar a inovação, a diversificação e a eficiência
do mercado, tendo em conta o baixo potencial de risco que oferecem ao normal funcionamento das transa-
ções de pagamentos de varejo.
7 - Como o instituidor de arranjo de pagamento deve prestar informação ao BC sobre seu funcionamento?
Tanto os arranjos de pagamento autorizados quanto os não autorizados (integrantes ou não do SPB) têm
obrigação de prestar informações ao BC. A prestação de informações ocorre da seguinte forma:
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4 - Compras e relações de consumo. financiamentos e, em geral, são expressamente


1 - Os leitores de cartões e estabelecimentos co- vedadas nos regulamentos dos arranjos de paga-
merciais são obrigados a aceitar todas as bandei- mento.
ras de cartões? Esses estabelecimentos, ao serem identificados
Não há regulamentação específica do BC que obri- pelo instituidor do arranjo ou por seu credencia-
gue um estabelecimento comercial a aceitar todas dor, devem ser descredenciados para aceitar no-
as bandeiras ofertadas no mercado brasileiro de vas transações. Essa atuação indevida pode su-
cartões. jeitá-los a processo administrativo sancionador na
A definição de quais bandeiras são aceitas é esta- esfera de atuação do BC.
belecida por meio dos contratos entre estabeleci- 5 - Interoperabilidade, liquidação centralizada e
mentos comerciais e a empresa que lhe presta compulsório
serviço de pagamento, credenciador ou subcre- 1 - Os arranjos de pagamento devem ser intero-
denciador. As leitoras instaladas nos estabeleci- peráveis?
mentos (as chamadas "maquininhas") apenas Não há regra que obrigue expressamente a inte-
aceitarão os cartões das bandeiras aceitas pelo co- roperabilidade dos arranjos. Contudo, a interope-
merciante. rabilidade é um dos objetivos a serem perseguidos
Por outro lado, a regulamentação aplicável a ar- pelos arranjos, conforme a Lei 12.865, de 2013.
ranjos de pagamentos estabelece a participação 2 - Como o BC trata a questão da interoperabili-
aberta, não discriminatória, nesses arranjos, dos dade entre arranjos?
prestadores de serviço de rede, que são os prove- As normas do BC deixam claro que, quando exis-
dores dos dispositivos de leitura de cartões, de tirem, os acordos de interoperabilidade entre ar-
modo a permitir que um estabelecimento comer- ranjos devem prever a possibilidade de os usuá-
cial possa aceitar o máximo de bandeiras que de- rios finais utilizarem uma única conta corrente ou
sejar contratando apenas um dispositivo. de pagamento para realizar pagamentos para usu-
2 - É possível ocorrer diferenciação de preços no ários de outros arranjos.
âmbito dos arranjos de pagamento? Além disso, há um princípio de não discriminação
Sim. A Lei 13.455, de 2017, autoriza a diferencia- nos acordos de interoperabilidade, ou seja, os
ção de preços de bens e serviços oferecidos ao pú- contratos de interoperabilidade firmados por insti-
blico, em função do prazo ou do instrumento de tuidores de arranjos de pagamento devem obser-
pagamento utilizado. var condições semelhantes – sejam elas técnicas
A referida Lei estabelece, ainda, que é nula a cláu- ou negociais – para situações semelhantes.
sula contratual, estabelecida no âmbito de arran- 3 - Existe um modelo único de interoperabilidade
jos de pagamento ou de outros acordos para pres- entre arranjos?
tação de serviço de pagamento, que proíba ou res- Não. Atualmente, ainda não existe um modelo
trinja a diferenciação de preços. único de interoperabilidade, mesmo que ela seja
3 - Os arranjos de pagamento podem ofertar cré- um dos objetivos a serem
dito a seus clientes? perseguidos (inclusive enfatizado pela Lei 12.865,
Não. Inicialmente, é importante lembrar que um de 2013).
arranjo de pagamento é um conjunto de regras e 4 - Qual a vantagem da liquidação centralizada?
essas somente podem ser classificadas como de O modelo atual de liquidação centralizada elimina
compra ou de transferência (art. 8º do Regula- as ineficiências trazidas pela existência de múlti-
mento Anexo à Circular 3.682, de 2013) e que plos prestadores de serviço de compensação e de
conceder empréstimo não faz parte das atribui- liquidação para um mesmo arranjo de pagamento.
ções de um instituidor de arranjo de pagamento, Dessa forma, a grade de liquidação centralizada
conforme previsto na Lei 12.865, de 2013. contempla as informações e os fluxos financeiros
Entretanto, alguns estabelecimentos comerciais, necessários para que a instituição detentora da
profissionais liberais, MEI e outros, credenciados conta corrente ou de pagamento do usuário rece-
de determinados arranjos, têm ofertado crédito bedor credite diretamente na conta desse usuário
(empréstimo) a seus clientes por meio da "venda" os valores devidos.
do limite do cartão de crédito, simulando opera- 5 - Existe recolhimento compulsório sobre institui-
ções de compra e venda. Essas operações, que ções de pagamento?
consistem na simulação de operações de compra, O recolhimento compulsório, que consiste em um
são irregulares dado que somente instituições fi- depósito obrigatório feito pelos bancos comerciais
nanceiras podem conceder empréstimos e
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junto ao Banco Central, não existe sobre institui- C. aumento da demanda de papel moeda pelos
ções de pagamento. possuidores de cartão, para pagamento de suas
Dessa forma, as instituições de pagamento que transações.
atuem como emissoras de moeda eletrônica de- D. aumento da segurança da transação, tanto
vem manter recursos líquidos correspondentes para o comprador quanto para o vendedor.
aos saldos de moedas eletrônicas mantidas em E. indução ao crescimento de vendas para os es-
contas de pagamento, acrescido dos saldos de tabelecimentos credenciados.
moedas eletrônicas em trânsito entre contas de 43 -IBADE - 2018 - CRMV - ES - Agente Admi-
pagamento na mesma instituição de pagamento. nistrativo. Cartões de Crédito são utilizados para
(Circular 3.681, de 2013). a aquisição de bens ou serviços nos estabeleci-
Conforme a Lei 12.865, de 2013, Art. 7º Os arran- mentos credenciados. Sobre os termos técnicos
jos de pagamento e as instituições de pagamento usados nesse segmento, leia os itens a seguir.
observarão os seguintes princípios, conforme pa- I. Portador- é a pessoa física ou jurídica usuária
râmetros a serem estabelecidos pelo Banco Cen- do cartão.
tral do Brasil, observadas as diretrizes do Conse- lI. Bandeira - instituição que autoriza o emissor a
lho Monetário Nacional: gerar cartões com sua marca e que coloca estabe-
I - interoperabilidade ao arranjo de pagamento e lecimentos no mundo inteiro à disposição do por-
entre arranjos de pagamento distintos; tador.
II - solidez e eficiência dos arranjos de pagamento IlI. Emissor - é a administradora que afilia estabe-
e das instituições de pagamento, promoção da lecimentos ao sistema de cartões de crédito da
competição e previsão de transferência de saldos bandeira que é associada.
em moeda eletrônica, quando couber, para outros IV. Acquirer - é a administradora vinculada a uma
arranjos ou instituições de pagamento; instituição financeira autorizada pela bandeira a
III - acesso não discriminatório aos serviços e às emitir cartões com seu nome.
infraestruturas necessárias ao funcionamento dos Está correto apenas o que se afirma nos itens:
arranjos de pagamento; A lI e IV.
IV - atendimento às necessidades dos usuários fi- B l e Il.
nais, em especial liberdade de escolha, segurança, C lI e IlI.
proteção de seus interesses econômicos, trata- D I, lI e IV.
mento não discriminatório, privacidade e proteção E I, IlI e IV.
de dados pessoais, transparência e acesso a infor- 44 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil -
mações claras e completas sobre as condições de Agente Comercial - C. NÃO configura um arranjo
prestação de serviços; de pagamento bancário a
V - confiabilidade, qualidade e segurança dos ser- A. compra com cartão de crédito
viços de pagamento; e B. compra com cartão de débito
VI - inclusão financeira, observados os padrões de C. compra com cartão pré-pago
qualidade, segurança e transparência equivalen- D. compra com dinheiro vivo entre dois amigos
tes em todos os arranjos de pagamento. E. transferência financeira via PIX
Parágrafo único. A regulamentação deste artigo
assegurará a capacidade de inovação e a diversi-
dade dos modelos de negócios das instituições de
pagamento e dos arranjos de pagamento. GABARITO
42 – C 43 - B 44 – D
QUESTÕES SOBRE O TEMA
42 - CESGRANRIO - 2015 - Banco do Brasil -
Escriturário - 001. Os cartões de crédito são, às 9.13 - SISTEMA DE PAGAMENTOS INSTANTÂ-
vezes, chamados de “dinheiro de plástico”. Seu NEOS (PIX).
uso crescente como meio de pagamento implica FAQ BACEN PIX -
vários aspectos, EXCETO o(a) https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinan-
A. ganho sobre a inflação para os possuidores de ceira/perguntaserespostaspix
cartão, sendo os valores das compras pagos ape- 1 - O que é o Pix?
nas no vencimento do cartão. O Pix é uma forma de pagamento rápido, que você
B. crédito automático até certo limite para os pos- pode usar para fazer pagamentos ou transferên-
suidores de cartão. cias, em qualquer hora do dia, todos os dias da
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semana. O Pix pode ser realizado a partir de uma transações, às informações pessoais e ao combate
conta corrente, poupança ou conta de pagamento. à fraude e lavagem de dinheiro.
Cadastre sua chave Pix, que é como um apelido Os requisitos de disponibilidade, confidenciali-
da sua conta, no banco ou instituição onde possuir dade, integridade e autenticidade das informações
conta. Com essa chave, você não precisa mais in- foram cuidadosamente estudados e diversos con-
formar banco, agência e conta para receber um troles foram implantados para garantir alto nível
Pix. de segurança.
2 - O Pix é um meio de pagamento? A segurança do Pix está pautada em quatro di-
O Pix é uma forma de pagamento instantâneo, que mensões:
você pode usar para fazer pagamentos ou trans- 1. Autenticação do usuário: toda e qualquer tran-
ferências, em qualquer hora do dia, todos os dias sação, inclusive aquelas relacionadas ao gerencia-
da semana. O Pix é concluído em poucos segundos mento das chaves Pix, só pode ser iniciada em am-
e pode ser realizado a partir de uma conta cor- biente seguro da instituição de relacionamento do
rente, poupança ou conta de pagamento. Cadastre usuário que seja acessado por meio de uma senha
sua chave Pix, que é como um apelido da sua ou de outros dispositivos de segurança integrados
conta, no banco ou instituição onde possuir conta. ao telefone celular, como reconhecimento biomé-
Com essa chave, você não precisa mais informar trico e reconhecimento facial ou uso de token;
banco, agência e conta para receber um Pix. 2. Rastreabilidade das transações: por seu dese-
3 - Onde posso acessar o Pix? nho tecnológico, todas as operações com o Pix são
O acesso ao Pix ocorre exclusivamente pelos ca- totalmente rastreáveis, o que permite a identifica-
nais de atendimento das instituições financeiras e ção das contas recebedoras de recursos produtos
de pagamento (celular, internet banking, agên- de fraude/golpe/crime, permitindo a ação mais in-
cias, caixas eletrônicos) ou nos correspondentes cisiva da polícia e da Justiça, o que não acontece
bancários, como lotéricas, por exemplo. O Pix é com saques em caixas eletrônicos, por exemplo;
um meio de pagamento disponibilizado por esses 3. Tráfego seguro de informações: o tráfego das
prestadores de serviço. informações das transações é feito de forma crip-
Para as pessoas físicas, as instituições são obriga- tografada na Rede do Sistema Financeiro Nacional
das a disponibilizar o Pix por meio de aplicativo (RSFN), que é uma rede totalmente apartada da
para celular. Já para as pessoas jurídicas, o Pix internet e na qual cursam as transações do Sis-
deve ser disponibilizado por meio do principal ca- tema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Todos os
nal digital, ou alternativamente, por outro canal, participantes do Pix têm que emitir certificados de
desde que haja acordo expresso entre o partici- segurança para conseguir transacionar nessa
pante e o usuário pessoa jurídica. rede. Além disso, todas as informações das tran-
Para evitar golpes, tenha a certeza de que está sações e os dados pessoais vinculados às chaves
acessando um dos canais autorizados pelo seu Pix são armazenados de maneira criptografada em
banco ou instituição. Não acesse links de sites fal- sistemas internos do BC; e
sos. 4. Regras de funcionamento do Pix: o regulamento
Adicionalmente, o Pix pode ser iniciado por aplica- do Pix prevê medidas que mitigam o risco de frau-
tivos ou lojas virtuais que utilizem o serviço de ini- des, como, por exemplo: (a) a previsão de que os
ciação. Nesses casos, o consumidor deve dar o seu participantes do Pix (instituições financeiras e de
consentimento para a iniciação da transação, pagamentos que ofertam o Pix a seus clientes) de-
sendo automaticamente redirecionado para o am- vem se responsabilizar por fraudes no âmbito do
biente da instituição na qual mantém conta para Pix decorrentes de falhas nos seus mecanismos de
fazer a autenticação da transação, usando os me- gerenciamento de riscos; (b) mecanismos de pro-
canismos usuais como senha, biometria ou reco- teção, pelo BC e pelas instituições, que impedem
nhecimento facial. varreduras de informações pessoais relacionadas
4 - O Pix usa blockchain? a chave Pix; (c) a possibilidade de colocação de
Não. O Pix usa estrutura tecnológica centralizada, limites máximos de valor com base no perfil de
na qual a comunicação entre os diversos partici- risco de seus clientes, por parte das instituições,
pantes e o BC é realizada por meio de mensageria. tais limites podem se diferenciar pelo período que
5 - O Pix é seguro? ocorre a transação, titularidade da conta, canal de
A segurança faz parte do desenho do Pix desde atendimento, forma de autenticação do usuário,
seu princípio, e é priorizada em todos os aspectos entre outros; (d) a possibilidade dos próprios usu-
do ecossistema, inclusive em relação às ários, por meio dos aplicativos, ajustarem os
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limites de valor estabelecidos pelas instituições, Somente está


sendo que pedidos de redução tem efeitos imedi- disponível em
atos e os pedidos de aumento, não são imediatos dias úteis, en- Pode ser inici-
e carecem de uma análise pelas instituições para Disponibili- tre 6 horas da ado em qual-
verificar a compatibilidade ao perfil do cliente; (e) dade manhã e cinco quer dia e ho-
tempo máximo diferenciado para autorização da e meia da rário.
transação, pelas instituições participantes, nos ca- tarde, em ge-
sos de transações não usuais iniciadas por seus ral.
clientes com elevada probabilidade de serem uma Atende qual-
Uso mais limi-
fraude; (f) centro de informações, compartilhadas Escopo quer caso de
tado.
com todos os participantes, sobre chaves Pix, nú- uso.
meros de conta e CPF / CNPJ que se envolveram Do ponto de vista do recebedor:
em alguma transação fraudulenta; (g) geração de TED Pix
QR Code dinâmico permitida apenas para os par- Apesar de os
ticipantes que enviam certificados de segurança recursos esta-
específicos para o BC; e (h) mecanismos que faci- rem disponí-
litam o bloqueio e eventual devolução dos recur- Recursos dis-
veis no
sos em caso de fraude, como o bloqueio cautelar Recebimento poníveis na
mesmo dia, o
e o mecanismo especial de devolução do recurso conta em pou-
momento
6 - Como posso ter acesso ao Regulamento do Pix? cos segundos.
dessa disponi-
O Regulamento do Pix abrange a Resolução BCB bilização é in-
Nº 1, de 2020, que disciplina seu funcionamento. certo.
Na página do Pix no site do Banco Central, é pos- Recebedor é
sível encontrar a relação de manuais do Pix, no notificado da
menu à direita, em 'Regulamentação relacionada Recebedor disponibiliza-
ao Pix'. Notificação não é notifi- ção dos recur-
2 - Entendendo a diferença entre o Pix e os outros cado. sos na conta,
meios de pagamento (TED, DOC, boleto bancário a cada transa-
e cartões) ção.
1 - Qual a diferença entre o Pix e a TED? Somente está
Do ponto de vista do pagador: disponível em
TED Pix dias úteis, en- Pode ser
Pagador pre- Disponibili- tre 6 horas da aceito em
cisa conhecer dade manhã e cinco qualquer dia e
e digitar os e meia da horário.
dados do re- Pagador pre- tarde, em ge-
cebedor, cisa apenas: ral.
Forma de pa- como seu • informar a Atende qual-
gamento banco, o nú- chave Pix ou Uso mais limi-
Escopo quer caso de
mero da agên- • ler o QR tado.
uso.
cia, o número Code do rece- Além disso, destaca-se que o Pix tem funcionali-
da conta, o bedor. dades que facilitam o processo de conciliação, de
tipo da conta e automatização de processos e de integração de
seu CPF ou sistemas.
CNPJ 2 - Qual a diferença entre o Pix e o DOC?
Pagador sem- As mesmas diferenças existentes entre o Pix e a
pre será noti- TED se aplicam para o DOC.
ficado a res- A única especificidade é que a disponibilização do
peito da con- DOC para o recebedor é ainda mais demorada do
Pagador não é
Notificação clusão da que no caso da TED: o DOC só é disponibilizado
notificado.
transação (in- no dia útil seguinte ao momento da sua iniciação.
clusive em 3 - Qual a diferença entre o Pix e o boleto?
caso de insu- Do ponto de vista do pagador:
cesso). Boleto Pix
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Pagamento é Pagador pre- ser comple-


via leitura ou cisa apenas: xas.
Forma de pa-
digitação do • ler o QR Além disso, destaca-se que o Pix tem funcionali-
gamento
código de bar- Code do rece- dades que facilitam o processo de conciliação, de
ras. bedor. automatização de processos e de integração de
Pagador sem- sistemas.
pre será notifi- 4 - Posso pagar boleto usando Pix?
cado a res- Será possível o pagamento de contas e de faturas
peito da con- com o Pix. O boleto é um meio de pagamento dis-
Pagador não é
Notificação clusão da tinto do Pix, com regras próprias. Por exemplo, a
notificado.
transação (in- forma e o tempo de liquidação dos boletos, ou
clusive em seja, de repasse dos recursos entre os usuários e
caso de insu- as instituições envolvidas, não é em tempo real,
cesso). como ocorre no Pix.
Pagamento Há a opção de o recebedor substituir o boleto ou
Pagamento
pode ser inici- complementar a cobrança com uma das formas de
Disponibili- somente está
ado em qual- iniciação do Pix, como o QR Code. Dessa forma,
dade disponível em
quer dia e ho- contas e faturas poderão conter dois instrumentos
dias úteis.
rário. de pagamento: o código de barras do boleto e o
Atende qual- QR Code do Pix. Nesse caso, tratam-se de formas
Tem uso mais
Escopo quer caso de de pagamento distintas, ainda que possam estar
limitado.
uso. previstas na mesma conta ou fatura, por opção do
credor. Importante! Documento que contenha
Do ponto de vista do recebedor: apenas o código de barras, e não contenha o QR
Boleto Pix Code, não pode ser pago utilizando Pix.
Recursos só 5 - Qual a diferença entre o Pix e o cartão de dé-
estão disponí- Recursos dis- bito?
Recebimento veis no dia útil poníveis na Do ponto de vista do pagador:
do recurso seguinte ao conta em pou- Cartão de dé-
Pix
dia em o bo- cos segundos. bito
leto é pago Todas as tran-
Recebedor é sações podem
notificado da ser iniciadas
Forma de pa- Pagamento de-
Recebedor disponibiliza- por meio do te-
gamento pende do ins-
Notificação não é notifi- ção dos recur- lefone celular,
cado. sos na conta, trumento car-
sem a necessi-
a cada transa- tão de débito.
dade de qual-
ção. quer outro ins-
Somente está trumento.
disponível em
dias úteis, en- Pode ser Mais usual-
Disponibili- tre 6 horas da aceito em mente utilizado Atende qual-
dade manhã e cinco qualquer dia e Escopo para compras quer caso de
e meia da horário. de bens ou ser- uso.
tarde, em ge- viços.
ral.
Atende qual-
Uso mais limi-
Escopo quer caso de Do ponto de vista do recebedor:
tado.
uso.
A geração de Cartão de dé-
Emissão do Pix
QR Code para bito
boleto tem re-
Facilidade aceitação de
gras próprias,
Pix é muito
que podem
simples.
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Existe um dia
Recursos só fixo para o pa-
estão disponí- gamento da fa-
Recursos dis-
veis, em mé- tura, de forma
Recebimento poníveis na
dia, dois dias que os recur-
do recurso conta em pou- Débito dos re- Ocorre em
após a realiza- sos só são de-
cos segundos. cursos em poucos segun-
ção do paga- bitados dias
mento. conta dos
após a realiza-
ção da compra,
Atende qual- a depender da
Tem uso mais
Escopo quer caso de datada transa-
limitado.
uso. ção.
Oferta uma li-
Recebedor Recebedor não
nha de crédito
deve ter ou precisa ter ou Não se consti-
específica (li-
alugar uma alugar uma Oferta de cré- tui como ope-
Instrumento mite do cartão)
maquininha ou maquininha ou dito ração de cré-
para a realiza-
instrumento si- qualquer outro dito.
ção de com-
milar. instrumento.
pras.
6 - Qual a diferença entre o Pix e o cartão de cré-
dito? Do ponto de vista do recebedor:
Do ponto de vista do pagador:
Cartão de cré-
Cartão de cré- Pix
Pix dito
dito
Todas as tran- Recursos só
sações podem estão disponí-
ser iniciadas Recursos dis-
Forma de pa- Pagamento de- veis, em mé-
por meio do te- Recebimento poníveis na
gamento pende do ins- dia, 28 dias
lefone celular, do recurso conta em pou-
trumento car- após a realiza-
sem a necessi- cos segundos.
tão de crédito. ção do paga-
dade de qual- mento.
quer outro ins-
trumento. Atende qual-
Tem uso mais
Escopo quer caso de
limitado.
Mais usual- uso.
mente utilizado Atende qual-
Recebedor
Escopo para compras quer caso de Recebedor não
deve ter ou
de bens ou ser- uso. precisa ter ou
alugar uma
viços. alugar uma
Instrumento maquininha ou
maquininha ou
qualquer outro
instrumento si-
instrumento si-
Mais usual- milar.
milar.
mente utilizado Atende qual- 7 - Com o Pix, a TED e o DOC vão acabar?
Pagamento de
para compras quer caso de Assim como a TED e o DOC, o Pix é um meio de
anuidade
de bens ou ser- uso. pagamento à disposição da população. Trata-se de
viços. uma forma adicional de realizar pagamentos e
transferências. Não há intenção do BC em extin-
guir outros meios de pagamento.
3 - Entendendo quem pode usar o Pix e como usar
o Pix
1 - Quem pode fazer um Pix?
Qualquer pessoa física ou jurídica que possua uma
conta transacional (conta de depósito à vista,
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popularmente conhecida como conta corrente, de pagamento participante do Pix e disponibilize


conta de depósito de poupança ou conta de paga- esse serviço aos usuários atendidos por sua rede
mento pré-paga) em um prestador de serviço de de correspondentes.
pagamento (instituições financeiras ou instituições 6 - Tenho uma conta conjunta com meu cônjuge.
de pagamento) participante do Pix. É possível ambos utilizarmos essa conta para o re-
2 - Preciso ter conta corrente em banco ou insti- cebimento de recursos?
tuição de pagamento para poder fazer um Pix? Sim. Titulares de contas conjuntas podem fazer e
Não necessariamente. Você precisará possuir uma receber um Pix a partir da mesma conta. Ou seja,
conta em um prestador de serviços de pagamento podem movimentar as contas transacionais os ti-
(instituição financeira ou instituição de paga- tulares dessas contas. Assim, por exemplo, se o
mento) participante do Pix. Essa conta pode ser pai quiser que o filho possa movimentar a conta
uma conta corrente, uma conta de poupança ou pelo Pix, ele deve cadastrá-lo como titular dessa
uma conta de pagamento pré-paga. Importante! conta. Não há a figura do dependente, como no
O Pix não está restrito a bancos. Outras institui- caso dos cartões.
ções financeiras e também instituições de paga- 4 - Entendendo quem são os participantes do Pix
mento (como algumas fintechs) podem ofertar 1 - Quem pode ofertar Pix?
Pix. Instituições financeiras (IFs) e instituições de pa-
3 - Só posso fazer um Pix se tiver um aparelho gamento (IPs), incluindo fintechs, podem ofertar
celular? o Pix aos seus clientes.
Não necessariamente. O Pix poderá ser disponibi- Algumas dessas instituições têm que ofertar de
lizado pelas instituições participantes em diversos forma obrigatória. São elas: IFs ou IPs autorizadas
canais de acesso. O telefone celular, desde que pelo BC com mais de 500 mil contas de clientes
seja um smartphone, é um desses canais. Acre- ativas (considerando contas de depósito à vista,
dita-se que o smartphone será o canal de acesso conta de depósito de poupança e conta de paga-
mais utilizado. Outros possíveis canais de acesso, mento pré-paga). As demais IFs e IPs, inclusive as
que podem ser oferecidos a critério de cada insti- IPs não sujeitas à autorização pelo BC, podem
tuição, são: internet banking e presencialmente ofertar esse serviço de forma facultativa, desde
nas agências, nos caixas eletrônicos ou nos cor- que façam adesão ao Pix. Nesses casos, elas serão
respondentes bancários, como lotéricas, por consideradas integrantes do Sistema de Pagamen-
exemplo. tos Brasileiro (SPB) e estarão sujeitas a uma re-
4 - Se eu não tiver acesso à internet, é possível gulação mínima, a partir do momento em que
fazer um Pix? apresentarem pedido de adesão ao Pix. Além
Em um primeiro momento, você somente poderá disso, destacamos que é facultada a adesão ao Pix
fazer um Pix se estiver conectado à internet. Há, à Secretaria do Tesouro Nacional, na condição de
no entanto, previsto na agenda evolutiva do Pix o ente governamental.
desenvolvimento de novas formas de iniciação que 2 - Onde encontro informações sobre quais insti-
viabilizará, no futuro, que o Pix seja iniciado, tuições ofertam o Pix?
mesmo no caso em que o pagador não tenha O BC manterá atualizado em seu site a relação
acesso à internet. com as instituições autorizadas a oferecer o ser-
5 - Poderei fazer um Pix nos pontos de atendi- viço. A lista de participantes em processo de ade-
mento de correspondentes bancários, a exemplo são ao Pix pode ser consultada na página do
das lotéricas? Pix no botão à direita, em 'Veja se sua instituição
Não há nenhuma proibição a esse respeito, desde financeira ou de pagamento já aderiu ao Pix' ou na
que a instituição financeira responsável pelo cor- página de participantes.
respondente bancário seja prestadora de serviço 3 - Startups de pagamentos poderão ofertar o Pix?
Sim, desde que a startup seja uma instituição de procedimentos previstos na regulamentação em
pagamento que tenha feito a adesão para partici- vigor. O processo de adesão é composto por três
par no Pix. etapas.
4 - Como é o processo de adesão ao Pix das insti- 5 - O que eu faço se meu banco não me oferece o
tuições financeiras e de pagamento que queiram Pix?
ofertar o Pix? O oferecimento de Pix aos clientes será obrigatório
As instituições financeiras e de pagamento não apenas para algumas instituições (ver questão 1
obrigadas a ofertar o Pix aos seus clientes e que acima). Caso a instituição em que possua conta
queiram aderir ao arranjo devem observar os não ofereça o serviço, você precisará procurar
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alguma instituição que seja participante do das transações fáceis de serem encontradas. Os
Pix para poder utilizar esse meio de pagamento. demais requisitos a serem observados podem ser
6 - Quais os critérios mínimos para as Instituições encontrados no Capítulo XIV da Resolução BCB nº
de Pagamentos (IPs) não sujeitas à autorização ou 1, de 2020 e no documento de Requisitos Mínimos
em processo de autorização do BC poderem parti- para a Experiência do Usuário, encontrado na pá-
cipar do Pix? gina do Pix, em 'Regulamentação relacionada ao
As IPs não sujeitas à autorização de funciona- Pix'.
mento ou em processo de autorização de funcio- 9 - O que as instituições participantes do Pix de-
namento pelo Banco Central do Brasil deverão: • vem considerar ao utilizar a marca do Pix?
aderir às regras, às condições e aos procedimen- Qualquer tipo de uso da marca do Pix deverá estar
tos estabelecidos no Regulamento; • possuir ca- em conformidade com os termos da Resolução
pacidade técnica e operacional para cumprir os de- BCB Nº 1, de 2020 e com o Manual de Uso da
veres e as obrigações previstos no Regulamento; Marca, disponível na página do Pix, em 'Regula-
• possuir contrato firmado com participante res- mentação relacionada ao Pix'.
ponsável; e • comprovar a integralização e a ma- Dessa forma, destacam-se as seguintes vedações
nutenção de, no mínimo, R$1.000.000,00 (um mi- ao uso da marca Pix:
lhão de reais) de capital. • Afirmar a existência de quaisquer direitos sobre
7 - Quais são as modalidades de participação do a marca Pix não previstos, de forma expressa, no
Pix? Regulamento ou no Manual de Uso da Marca; •
As modalidades de participação do Pix são as se- Questionar a titularidade da marca Pix; • Registrar
guintes: ou tentar registrar razão social, nome fantasia, lo-
• Provedor de conta transacional: instituição fi- gotipo ou qualquer nome de domínio de internet
nanceira ou de pagamento que oferta uma conta contendo referência à marca Pix; • Associar a
transacional ao usuário final, para fins de paga- marca Pix a produtos não relacionados ao arranjo;
mento ou de recebimento de um Pix. e • Utilizar a marca Pix ou termo que esteja rela-
• Ente governamental: Secretaria do Tesouro Na- cionado à marca Pix além dos limites fixados no
cional, com a finalidade exclusiva de realizar reco- Regulamento (Resolução BCB nº1) e no Manual de
lhimentos e pagamentos relativos às suas ativida- Uso da Marca. Com a divulgação do Manual, as
des típicas; e • Liquidante especial: instituição fi- instituições em adesão já podem utilizar a marca
nanceira ou de pagamento autorizada a funcionar e iniciar ações de comunicação e marketing rela-
pelo Banco Central do Brasil que tem por objetivo cionadas ao Pix junto a seus clientes.
prestar serviço de liquidação para outros partici- 10 - Todas as instituições que ofertam o Pix são
pantes e observe os requisitos para atuar como obrigadas a oferecerem o Pix Cobrança aos usuá-
participante liquidante no SPI. Não se enquadra no rios recebedores?
critério de obrigatoriedade de participação do Pix Não. A oferta do Pix Cobrança é facultativa aos
e não realiza o envio ou recebimento de um Pix a participantes do Pix, sendo obrigatória apenas a
usuários finais. oferta de serviço de geração de QR Code estático
• Iniciador: instituição financeira, instituição de aos usuários recebedores pessoa natural. As fun-
pagamento e demais instituições autorizadas a cionalidades do Pix Cobrança estão previstas no
funcionar pelo Banco Central do Brasil que, no âm- Manual de Padrões para Iniciação do Pix, na pá-
bito do Pix, tenha como objetivo exclusivo prestar gina do Pix, em 'Regulamentação relacionada ao
serviço de iniciação de transação de pagamento. Pix'.
Importante! Usuários finais não são participantes 11 - Quais são as penalidades que os participantes
Pix ou precisam fazer adesão. O Pix está disponí- do Pix estão sujeitos?
vel para os clientes das instituições que forem As instituições participantes ou em processo de
aprovadas como participantes do Pix. adesão ao Pix estão sujeitas a multas, suspensão
8 - Quais os requisitos mínimos que os participan- ou exclusão do Pix, caso cometam infrações espe-
tes (instituições financeiras e instituições de paga- cíficas no arranjo. A Resolução BCB Nº 31, de
mentos) devem observar para oferecer a melhor 2020 traz o Manual de Penalidades do Pix, com
experiência para o usuário? mais detalhes. Importante! O Banco Central do
Os participantes do Pix devem ofertar ao usuário Brasil poderá suspender cautelarmente, a qual-
final uma experiência simples e intuitiva, segura, quer tempo, a participação no Pix do participante
com clareza de linguagem, ágil, precisa, transpa- cuja conduta esteja colocando em risco imediato o
rente, conveniente e com opções para realização
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regular funcionamento do arranjo de pagamentos, e qualquer outra transação podem ser feitas por
de acordo com a Resolução BCB Nº 30, de 2020. meio do Pix. A única condição para que a operação
12 - As informações de todas as instituições parti- se concretize é que o recebedor aceite o Pix.
cipantes do Pix constam no relatório de contas em 3 - Existe um limite mínimo ou máximo de valor
bancos e outros relacionamentos (CCS)? para fazer um Pix?
Não. O Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Não há limite mínimo para pagamentos ou trans-
Nacional (CCS) não contempla os dados de insti- ferências via Pix. Contudo, no caso de pessoas fí-
tuições de pagamento não autorizadas a funcionar sicas, as instituições participantes, por questões
pelo BC, ainda que sejam participantes do Pix, por de segurança, devem estabelecer limites máximos
ausência de obrigatoriedade normativa. Assim, as de valor com base no perfil de cada cliente, con-
informações relativas aos relacionamentos dos cli- forme o período (diurno e noturno), bem como ser
entes com essas instituições não são exibidas no compatíveis com os parâmetros definidos pelo
Relatório de contas e relacionamentos em bancos Banco Central, descritos a seguir:
e outros relacionamentos (CCS). A relação de Transferência via Pix: • para pessoa física - perí-
segmentos de instituições integrantes do CCS odo diurno: igual ao da TED; • para pessoa física
pode ser verificada na sua página de perguntas e - período noturno: R$ 1.000,00; e • para pessoa
respostas. jurídica – diurno ou noturno: igual ao da TED. Por
5 - Entendendo como se faz um Pix padrão, o período noturno é das 20h às 6h, mas
1 - Como faço um Pix? as instituições que queiram podem permitir aos
Para realizar um pagamento via Pix, você pode: clientes solicitar que o período noturno seja das
• ler um QR Code com a câmera do seu smar- 22h às 6h, ficando o período diurno das 6h às 22h.
tphone, na opção de fazer um Pix no aplicativo da Se o banco ou a instituição do pagador não dispo-
sua instituição financeira ou de pagamento; • uti- nibilizar TED a seus clientes, o limite máximo
lizar a opção "Pix Copia e Cola", com ela você cola passa a ser o mesmo definido para transferência
o código relacionado ao QR Code. Opção para entre contas da mesma instituição, exceto quando
quando você está usando o seu celular e não pode houver expressa solicitação do usuário.
fazer a leitura do QR code pela câmera. Essa opção 4 - Os limites do Pix podem ser alterados?
também pode ser usada no internet banking; • in- Os clientes pessoas físicas podem solicitar a suas
formar a chave Pix do recebedor, que pode ser instituições, por meio do app da instituição, no bo-
CPF/CNPJ, e-mail ou telefone celular, ou uma tão "Meus Limites" ou similar na área dedicada ao
chave aleatória, por meio da opção disponibilizada Pix, a definição de limites diferentes, seja menor
por sua instituição financeira ou de pagamento no ou maior do que o previsto, conforme a seguir: 1.
aplicativo instalado em seu smartphone, essa op- redução – a instituição deve alterar de imediato;
ção também pode ser usada no internet banking; e 2. aumento – depende de avaliação do perfil de
• Usar o serviço de iniciação de transação de pa- riso do cliente, realizada pela instituição e, em
gamento. Embora não seja o padrão esperado, por caso positivo, a alteração será realizada entre 24
sua pouca praticidade e demora, há alternativa- e 48 horas após a solicitação.
mente a opção de digitar manualmente os dados Atenção! Caso o cliente solicite um limite máximo
da conta transacional do usuário recebedor, como acima do definido na regra, esse atendimento
ocorre hoje para iniciar uma TED ou DOC. Essa fica a critério da instituição, e a resposta deve ser
opção pode ser usada quando o usuário recebedor fornecida no mesmo prazo, entre 24 e 48 horas
não tiver chave Pix cadastrada, por exemplo. Im- após a solicitação.
portante! A chave Pix é somente utilizada para fa- 5 - Se eu fizer um Pix em um dia não útil ou fora
cilitar o recebimento de um Pix. Assim, para pagar de horário comercial, quando o recurso é creditado
com Pix, não é necessário ter a Chave Pix. na conta do recebedor? O recurso será disponibi-
2 - O que posso comprar ou pagar com Pix? lizado para o recebedor em poucos segundos,
De forma geral, qualquer transação de pagamento mesmo em dia não útil ou fora de horário comer-
pode ser feita por Pix, independentemente de suas cial, pois o serviço está disponível durante 24 ho-
características, como valor, característica do rece- ras, sete dias por semana e em todos os dias do
bedor, característica do bem ou serviço comprado, ano.
horário, etc. Assim, podem ser realizadas transfe- 6 - Se tenho uma conta com vencimento em dia
rências entre pessoas, pagamento de taxas e im- não útil e realizo o pagamento com o Pix no dia
postos, compra de bens ou serviços, inclusive no útil seguinte, terei de pagar juros e multa?
comércio eletrônico, pagamento de fornecedores
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Não. De acordo com o art. 132, §1º, do Código configurações, acessando a página do Pix, em 'Re-
Civil, obrigações com vencimentos em dias não gulamentação relacionada ao Pix'.
úteis têm o seu vencimento postergado para o dia 10 - Terei acesso a algum histórico das minhas
útil imediatamente posterior, independentemente transações?
do meio de pagamento utilizado para liquidar a Sim. As transações do Pix (pagamentos, recebi-
obrigação. Assim, apesar de a transferência via mentos e devoluções) devem estar disponíveis no
Pix sensibilizar as contas transacionais de forma extrato da conta habilitada para fazer o Pix, de
quase imediata, inclusive em dias não úteis, se forma facilmente diferenciada das demais transa-
uma fatura vence em dia não útil, o pagamento da ções.
obrigação pode ser feito no primeiro dia útil sub- No Manual de Requisitos Mínimos para Experiência
sequente. do Usuário é possível visualizar essa e outras con-
7 - É possível agendar um Pix para uma data fu- figurações, acessando a página do Pix, em 'Regu-
tura? lamentação relacionada ao Pix'.
Sim. A oferta da possibilidade de agendamento é 11 - Preciso comprovar um Pix que fiz há algum
obrigatória. O Pix pode ser agendado para uma tempo atrás. É possível resgatar esse compro-
determinada data futura (Pix agendado). Para que vante?
a transação efetivamente ocorra, é necessário que Sim. As instituições detentoras da conta deverão
o usuário tenha saldo suficiente na data em que a manter, no extrato, as transações realizadas via
transação foi agendada. Pix, bem como os comprovantes dessas transa-
8 - Se eu fizer um Pix, mas digitar o valor errado, ções, pelo tempo determinado pela legislação per-
é possível fazer o estorno ou o cancelamento da tinente.
operação? 12 - Como pago a partir de um QR Code do Pix,
Você poderá alterar o valor a ser pago ou cancelar quando estou fazendo uma compra usando o pró-
a transação apenas antes da confirmação do pa- prio telefone celular?
gamento. Após a confirmação, como a liquidação Você pode utilizar a opção "Pix Copia e Cola", co-
do Pix ocorre em tempo real, a transação não po- piando o código com as informações do QR Code.
derá ser cancelada. No entanto, você poderá ne- Caso você não tenha esse código, é preciso soli-
gociar com o recebedor a devolução do valor pago. citá-lo ao recebedor que, ao gerar o QR Code, pos-
A devolução é uma funcionalidade disponível no sui a opção de compartilhar a imagem do QR
Pix e é iniciada pelo próprio usuário recebedor, Code, bem como copiar o código atrelado ao ele.
que pode devolver o valor total ou o valor parcial Ao copiar esse código, você pode colá-lo usando a
da transação. funcionalidade Pix Copia e Cola na opção Pix, do
9 - Terei algum comprovante da realização de um aplicativo de sua instituição ou via internet ban-
Pix? king. Para saber mais informações sobre essa fun-
Sim. Ao concluir uma transação no Pix, um com- cionalidade, consulte a seção específica descrita
provante é gerado. No comprovante deverá con- no Manual de Requisitos Mínimos para Experiência
ter, no mínimo: o número da ID/Transação, o va- do Usuário, disponível na página do Pix em 'Regu-
lor, a data/hora, a descrição da transação e as in- lamentação relacionada ao Pix', no menu à direita.
formações do destinatário (quem receberá o Pix) 13 - Ao iniciar um pagamento, como se certificar
e do pagador. O comprovante estará disponível in- de que os dados do recebedor estão corretos?
dependentemente do procedimento de iniciação Ao incluir a chave, os dados da conta, ou utilizar o
do Pix utilizado para o pagamento. No caso das QR Code (pela leitura ou pela opção "Pix Copia e
transações feitas a partir do serviço de iniciação, Cola"), o app da sua instituição indica, na tela de
também constará a identificação da instituição que confirmação da operação, as informações do rece-
prestou o serviço de iniciação (CNPJ e o nome do bedor. Confira se os dados batem com o da pessoa
iniciador). ou empresa a quem você quer transferir o recurso
No Manual de Requisitos Mínimos para Experiência
do Usuário é possível visualizar essa e outras
ou efetuar o pagamento. Caso os dados não ba- Sim. Existe essa possibilidade, tanto para paga-
tam, é importante que busque a informação cor- mento de fatura quanto para recarga de serviços
reta com o destinatário, para que confirme os da- pré-pagos e fixos de celular. Mas é importante que
dos, efetue sua operação com sucesso e evite gol- o usuário verifique se sua empresa de telefonia
pes ou pagamentos para o destinatário incorreto. está ofertando esse serviço.
14 - Posso pagar minha conta de celular pelo Pix?
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15 - Existe uma quantidade máxima de Pix que Caso não queira gerar o QR Code ou informar a
posso realizar em um mês? chave, há a opção de informar os dados completos
Não. Os participantes do Pix não podem limitar o de sua conta ao pagador, que terá que inserir os
número de transações que poderão ser enviadas dados manualmente. Uma vez concluída a transa-
ou recebidas pelos usuários finais, de acordo com ção, o recurso será imediatamente encaminhado
a Resolução BCB 79, de 2021. O objetivo é evitar para sua conta e você receberá em tempo real
o estabelecimento de limitação ao uso do Pix, em uma mensagem confirmando o crédito na conta.
detrimento a outros meios de pagamento. 2 - Como faço para gerar um QR Code?
6 - Entendendo como receber um Pix Existem dois tipos de QR Code (estático e dinâ-
1 - Como recebo um Pix? mico). Podem ser disponibilizados em papel ou em

Para receber um Pix, você pode: • gerar um QR meio eletrônico. Atenção! Para a geração de QR
Code e apresenta-lo ao pagador (seja a imagem Code estático ou dinâmico é necessário que você
do QR Code ou o códio atrelado a ele); ou • infor- tenha uma chave Pix cadastrada, pode ser qual-
mar ao pagador sua chave Pix, que pode ser quer tipo, inclusive aleatória. Veja abaixo as prin-
CPF/CNPJ, e-mail, telefone celular ou chave alea- cipais diferenças:
tória. Atenção: para gerar um QR Code é preciso
necessariamente ter uma chave Pix cadastrada.
poderá ter um único QR Code para aceitar Pix e as
3 - Ao gerar um QR Code, devo obrigatoriamente demais formas de pagamento que usam QR Code.
determinar um valor? 5 - Terei algum comprovante de recebimento de
No caso do QR Code dinâmico, o valor da transa- um Pix?
ção é obrigatório. Ao receber um Pix, você recebe uma notificação
No caso do QR Code estático, é opcional a coloca- da transação.
ção do valor da transação. Nesse caso, o pagador 6 - Terei acesso a algum histórico dos meus rece-
deverá inserir manualmente o valor a ser pago. bimentos?
4 - Se sou comerciante e aceito outros meios de Sim. As transações do Pix, inclusive os recebimen-
pagamento que usam QR Code, vou precisar apre- tos, devem estar disponíveis no extrato da conta
sentar QR Codes diferentes para o cliente? habilitada para fazer o Pix, de forma facilmente
Não. O QR Code do Pix segue o padrão estabele- diferenciada das demais transações.
cido pelo BR Code. Desde outubro de 2020, todos 7 - Existe uma forma de facilitar a interação do
os arranjos de pagamento integrantes do Sistema usuário recebedor com um participante do Pix que
de Pagamentos Brasileiro que ofertem iniciação de presta serviço de pagamento?
pagamento por meio de QR Code devem seguir Sim. A API Pix foi criada pelo Banco Central para
esse padrão. Isso implica que o comerciante facilitar e automatizar a interação entre os
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participantes e usuários finais que recebam paga- ser feita em dimensão inferior às marcas, aos sím-
mentos. Ela contempla funcionalidades de criação bolos ou aos logotipos dos demais instrumentos
e gestão de cobranças, verificação de liquidação, de pagamento aceitos pelo estabelecimento co-
conciliação e suporte a processos de devolução. mercial; e nem deve transmitir a impressão de
Sem a API padronizada, o usuário que queira mu- que o Pix possui aceitação mais restrita ou menos
dar de conta precisaria reconfigurar seus sistemas vantajosa do que os demais instrumentos aceitos
de gestão para APIs diferentes. Essa situação po- pelo estabelecimento comercial.
deria deixar o usuário recebedor "travado" 7 - Entendendo sobre a Chave Pix. 1 - O que é
(locked-in) em uma instituição devido aos custos uma chave Pix?
de mudar para outra. As funcionalidades contem- A chave é como um apelido da sua conta. Você
pladas pela API Pix e o seu detalhamento estão escolhe, pode ser CPF/CNPJ, email, número de ce-
previstos no Manual de Padrões para Iniciação do lular ou uma chave aleatória. Com essa chave,
Pix, na página do Pix, em 'Regulamentação relaci- você não precisa mais informar banco, agência e
onada ao Pix'. conta para receber um Pix. Cadastre sua chave Pix
8 - O que é o Pix Cobrança? no aplicativo, site (internet banking) ou agência
O Pix Cobrança é um instrumento de cobrança, ini- da instituição onde possui conta.
ciado por meio de QR Code ou do tratamento de 2 - O que é a chave aleatória?
um Pix Copia e Cola, que serve para: • Pagamen- A chave aleatória é uma forma de você receber um
tos imediatos; • Pagamentos com vencimento, re- Pix sem precisar informar quaisquer dados pesso-
alizados em data futura, que podem incluir outras ais ao pagador. É um código único, de 32 caracte-
informações como juros, multas, outros acrésci- res com letras e símbolos, gerado aleatoriamente
mos, descontos e outros abatimentos, semelhante pelo Banco Central e atrelado a uma única conta.
ao boleto. É obrigatório a todas as instituições fi- Essa opção foi criada principalmente para ser uti-
nanceiras e de pagamentos participantes do Pix lizada com QR codes gerados por meio do aplica-
ofertar às pessoas físicas, MEI e EI: • Possibilitar tivo de sua instituição, a fim de facilitar o recebi-
pagamentos imediatos de Pix Cobrança, a partir mento de recursos financeiros. Ela também pode
da leitura de QR Code e do Pix Copia e Cola; • ser copiada e enviada, por exemplo, por mensa-
Possibilitar pagamentos com vencimento de Pix gem, não sendo a intenção que seja memorizada
Cobrança, a partir da leitura de QR Code e do Pix pelo usuário. O usuário pode cadastrar múltiplas
Copia e Cola, possibilitando que o usuário pagador chaves aleatórias, seja vinculada à mesma conta
defina em qual data efetuará o pagamento, seja ou a contas diferentes, desde que dentro do limite
na data da leitura do QR Code, na data do venci- de 5 chaves por conta, se pessoa física, e 20 cha-
mento, ou outra data desejada; • Disponibilizar a ves por conta se pessoa jurídica. Esse é o único
geração de cobranças por meio de QR Code está- tipo de chave que não é possível realizar a porta-
tico via aplicativo. É facultativo às instituições par- bilidade. Assim, basta simplesmente excluir na
ticipantes do Pix: • Disponibilizar às contas de pes- conta origem e cadastrar uma nova chave aleató-
soa jurídica a iniciação de Pix por chave, QR está- ria na conta destino.
tico e/ou dinâmico; • Disponibilizar às contas de 3 - Sou obrigado a cadastrar uma chave Pix para
pessoa jurídica a geração de QR Code estático; e poder utilizar o Pix?
• Disponibilizar as demais funcionalidades relacio- Não é necessário cadastrar uma chave para fazer
nadas ao Pix Cobrança, tais como, geração de co- ou receber um Pix. No entanto, o cadastramento
branças por meio de QR Code dinâmico; criação da chave é altamente recomendável para receber
de lote de cobranças; gerenciamento de Pix rece- um Pix. Ainda que você possa receber transações
bidos e devolução, entre outros. apenas informando os dados da sua conta, essa
9 - Tenho um estabelecimento comercial ou sou forma não tem a mesma praticidade que o uso da
um autônomo e recebo por meio do Pix, posso chave possibilita e pode gerar demora na iniciação
usar a marca Pix? da transação, diminuindo o benefício do pagador
Sim. É importante sinalizar a aceitação do Pix em fazer um Pix.
como meio de pagamento, utilizando a marca, de 4 - Quantas chaves eu posso ter?
modo que os clientes facilmente saibam que po- Cada conta de pessoa física pode ter até 5 chaves
dem pagar com o Pix. É necessário que o uso da vinculadas à ela, independentemente da quanti-
marca esteja em conformidade com as regras pre- dade de titulares. Ou seja, se a conta for individual
vistas no Regulamento do Pix e no Manual de Uso ou conjunta, ela poderá ter, no máximo, 5 chaves
da Marca. A apresentação da marca Pix não deve
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Pix. Já no caso de pessoa jurídica, o máximo é de 17 - É possível verificar na lista de contatos do


20 chaves por conta. meu celular quem possui uma chave Pix?
5 - Como efetuar o registro das minhas chaves no De forma facultativa, as instituições participantes
Pix? do Pix, podem desenvolver soluções que proporci-
Você poderá realizar o registro das suas chaves onem a integração de seus aplicativos com a lista
por meio de um dos canais de acesso da instituição de contatos dos celulares dos usuários, possibili-
em que você possui conta (inclusive aplicativo ins- tando a identificação simples e intuitiva dos con-
talado em seu smartphone). Para realizar o regis- tatos que possuem o telefone celular ou e-mail ca-
tro, você precisará confirmar a posse da chave e dastrados como Chave Pix.
vinculá-la a uma conta para recebimento dos re- 18 - Como posso alterar a chave Pix de uma insti-
cursos. Para confirmação da posse da chave, sua tuição para outra?
instituição enviará um código por SMS para o nú- Você tem que acessar a funcionalidade "minhas
mero de telefone celular que você quer utilizar chaves" do canal da instituição de destino e requi-
como chave (ou para o e-mail que se quer utilizar sitar a portabilidade ou a transferência de sua
como chave, se for o caso). Esse código deverá chave. A instituição de origem não pode impedir
ser inserido no canal de acesso disponibilizado por essa transferência que deve ser concluída em até
sua instituição financeira ou de pagamento, medi- 7 dias, e nesse prazo você receberá um pedido de
ante autenticação digital apropriada, como solici- confirmação dessa instituição de origem para que
tação de senha, biometria ou reconhecimento fa- a portabilidade seja realizada. Um outra forma é
cial, por exemplo. Atenção! A confirmação não acessar a opção "minhas chaves" e excluir a chave
pode ser efetivada por contato telefônico nem por cadastrada originalmente e então acessar o apli-
link enviado por meio de SMS ou por e-mail. cativo da outra instituição, também, na opção "Mi-
15 - O que devo fazer se os dados vinculados à nhas chaves", e efetuar o cadastro da respectiva
minha chave Pix estiverem incorretos ou desatua- chave. Nessa opção, é importante lembrar que en-
lizados? tre o período em que o cadastro original foi exclu-
A atualização e a correção das informações cadas- ído e a confirmação do novo cadastro, essa chave
trais, como o nome próprio do titular, são respon- não estará vinculada a nenhuma de suas contas.
sabilidade da instituição (financeira ou partici- 1 - Quanto o usuário paga para usar o Pix?
pante) do Pix. Caso seja identificado algum erro As pessoas físicas são isentas de cobrança de ta-
ou seus dados estejam desatualizados, o cliente rifas para: • Fazer um Pix (envio de recursos, com
deve solicitar a retificação junto à participante na finalidade de transferência e de compra); e • Re-
qual a chave foi registrada. ceber um Pix (recebimento de recursos, com a fi-
16 - Quais são os dados vinculados à chave Pix nalidade de transferência). As situações que as
que os usuários podem alterar? pessoas físicas poderão ser tarifadas são as se-
A alteração de informações vinculadas à Chave guintes: • Ao fazer um Pix: quando utilizado canal
Pix, pode ser solicitada pelo usuário final, nos se- de atendimento presencial ou pessoal da institui-
guintes casos: • Quando houver alteração dos ção, inclusive por telefone, quando estiverem dis-
identificadores de agência ou de agência e de poníveis meios eletrônicos; • Ao receber um Pix,
conta; e • Mesmo sem o pedido do usuário final, em contrapartida a vendas comerciais, nos se-
no caso em que houver alteração dos identificado- guintes casos: - recebimento de mais de 30 Pix
res de agência ou de agência e de conta, no por mês, via inserção manual, chave Pix, QR Es-
mesmo participante, mantida sua titularidade pelo tático ou serviço de iniciação de transação de pa-
usuário final. Desde 1º de abril de 2021, é possível gamento, quando o participante possui todas as
ainda que os usuários finais possam solicitar alte- informações do usuário recebedor (a cobrança só
ração de algumas de suas informações, sem a ne- pode ser feita a partir do 31º Pix recebido); - re-
cessidade de excluir e registrar novamente a cebimento com QR Code dinâmico; - recebimento
chave, como: • nome completo, inserindo também com QR Code de um pagador pessoa jurídica; -
o nome civil, conforme registrado no CPF, ou o recebimento em conta definida em contrato como
nome social, caso esteja registrado em documento de uso exclusivo para fins comerciais. Atenção! No
de identidade legalmente válido; • Nome empre- âmbito do Pix, aplicam-se aos microempreende-
sarial; • Título do estabelecimento (nome de fan- dores individuais (MEIs) e empresários individuais
tasia); • Número da agência ou número da agên- as mesmas regras de pessoas físicas. Por sua vez,
cia e da conta transacional. aplicam-se à Empresa Individual de
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Responsabilidade Limitada (EIRELI) as regras de 5 - O que se configura como atividade comercial


pessoa jurídica. para pessoas físicas e jurídicas, gerando tarifação
2 - Pessoas jurídicas são isentas de tarifas do Pix? no Pix?
Não. No caso de pessoa jurídica, a instituição de- No caso de pessoas físicas, incluindo empresá-
tentora da conta do cliente pode cobrar tarifa em rios individuais e MEIs, os seguintes critérios con-
decorrência de envio e de recebimento de recur- figuram atividade comercial e, portanto, estão su-
sos, com as finalidades de transferência e de com- jeitos a tarifação: • Recebimento de recursos por
pra. • A pessoa jurídica pode ser cobrada para fa- QR Code Dinâmico; • Recebimento de mais de
zer um Pix nas situações de transferência, que trinta transações com Pix no mês, por conta, por
são: ◦ Pagador pessoa jurídica e recebedor pessoa meio de QR Code estático, chave Pix ou inserção
natural, com Pix iniciado por inserção manual dos manual dos dados. Neste caso, a tarifa pode ser
dados, chave Pix ou serviço de iniciação de tran- praticada a partir da 31ª transação. • Recebi-
sação de pagamento, quando o participante possui mento de transação por usuário pagador pessoa
todas as informações do usuário recebedor ◦ Pa- jurídica que inicia a transação por meio de QR
gador pessoa jurídica e recebedor pessoa jurídica, Code estático, dinâmico ou outra forma de inicia-
com Pix iniciado por meio de inserção manual ou ção associada ao Pix Cobrança. • Quando a conta
chave Pix. • A pessoa jurídica pode ser cobrada for utilizada exclusivamente para fins comerciais,
para receber um Pix nas situações de compra, que desde que previsto no contrato entre usuário e
são: ◦ Pagador é pessoa natural e recebedor é pes- instituição financeira ou de pagamento detentora
soa jurídica, independente da forma de iniciação da conta. No caso de pessoa jurídica, isso ocorre
do Pix; ◦ Pagador é pessoa jurídica e recebedor quando: • o usuário pagador é pessoa natural; ou
pessoa jurídica, com Pix iniciado por QR Code es- • o usuário pagador pessoa jurídica inicia a tran-
tático ou dinâmico, ou serviço de iniciação de tran- sação por meio de QR Code estático, dinâmico ou
sação de pagamento, quando o participante possui outra forma de iniciação associada ao Pix Co-
todas as informações do usuário recebedor. brança.
É possível, ainda, a cobrança de tarifa em decor- 6 - Meu banco ou instituição onde tenho conta
rência da contratação de serviços acessórios rela- pode me cobrar tarifa pelo recebimento de um pa-
cionados ao envio ou ao recebimento de recursos, gamento via QR Code estático ou dinâmico? De-
com o objetivo de permitir que atividades comple- pende. Nos casos de QR Code estático, para Pes-
mentares possam ser oferecidas especificamente soas Físicas, Microempreendedor Individual e Em-
às pessoas jurídicas. O modelo de precificação presário Individual, pode ser cobrada a tarifa se
(custo fixo ou percentual) e os valores das tarifas forem recebidos mais de 30 Pix no mês por meio
podem ser livremente definidos pelas instituições. de QR Code estático, chave Pix ou inserção manual
3 - De que forma os valores das tarifas pela pres- de dados. Já para o QR Code dinâmico, é permitida
tação de serviços devem ser informados aos clien- a cobrança de tarifa independentemente do nú-
tes? mero de transações, pois se configura como ativi-
Os valores das tarifas devem ser informados aos dade comercial. Em ambos os casos, é possível a
clientes, das seguintes formas: cobrança de tarifa para Pessoa Jurídica.
• no comprovante da transação Pix e do serviço 9 - Segurança e proteção de dados no Pix
de iniciação de transação de pagamento; 1 - As informações pessoais disponibilizadas ao fa-
• no extrato da conta, bem como no extrato anual zer um Pix estão protegidas?
consolidado de tarifas;
• no demonstrativo de utilização do serviço de
iniciação de transação de pagamento, caso o valor
não seja informado nos extratos ordinários; e
• em tabela de tarifas de serviços prestados no
sítio eletrônico da instituição na internet e em de-
mais canais eletrônicos.
4 - Poderá haver cobrança de tarifas por serviços
de iniciação de transação de pagamentos no Pix?
Sim. É facultada a cobrança de tarifa do cliente,
inclusive pessoa física, pela prestação do serviço
de iniciação de transação de pagamento.
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As informações pessoais e as informações relacio-


nadas à operação (valor, dados pessoais do rece-
bedor etc.) trafegadas nas transações Pix, assim
como nas transações de TEDs e DOCs, estão pro-
tegidas pelo sigilo bancário, de que trata a Lei
Complementar nº 105 <http://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp105.htm> ,
de 2001, e pelas disposições da Lei Geral de Pro-
teção de Dados Pessoais <http://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2018/lei/l13709.htm> , 13.709, de 2018. O
tráfego das informações das transações é feito de
forma criptografada na Rede do Sistema Finan-
ceiro Nacional (RSFN).
2 - Em caso de fraude identificada, será feito o
ressarcimento ao cliente? Se sim, por quem?
Caberá aos prestadores de serviço de pagamento,
tanto da vítima quanto do fraudador, a análise do
caso de fraude e o eventual ressarcimento, a
exemplo do que ocorre atualmente em fraudes
bancárias. Ver pergunta 12 sobre o que uma pes-
soa ou empresa deve fazer se tiver sido vítima de
golpe, de fraude ou de crime, para tentar recupe-
rar os recursos. No Pix existem mecanismos que
aumentam a chance de o recurso ser ressarcido.
São eles o Bloqueio Cautelar e o Mecanismo Espe-
cial de Devolução. • Bloqueio cautelar: permite
que a instituição que detém a conta do usuário re-
cebedor pessoa física possa efetuar um bloqueio
preventivo dos recursos por até 72 horas em casos
de suspeita de fraude. A opção possibilita que a
instituição realize uma análise de fraude mais ro- Vale ressaltar que a responsabilidade da avaliação
busta, aumentando a probabilidade de recupera- das situações de fraude é das instituições finan-
ção dos recursos pelos usuários pagadores vítimas ceiras ou instituições de pagamentos envolvidas
de algum golpe, fraude ou crime. na transação. O BC cria as regras e os procedi-
• Mecanismo Especial de Devolução: padroniza as mentos operacionais que permitem a comunicação
regras e os procedimentos para viabilizar a devo- padronizada entre as duas instituições e pode pe-
lução de valores nos casos de fundada suspeita de nalizar as instituições que utilizarem incorreta-
fraude pela instituição detentora da conta do usu- mente os mecanismos.
ário recebedor. Com esse mecanismo, o BC define 3 - Quais são os mecanismos de segurança adota-
os procedimentos e os prazos para que as institui- dos pelo Pix?
ções possam bloquear os recursos, avaliar o caso O Pix conta com diversos mecanismos de segu-
suspeito de fraude e realizar a efetiva devolução, rança: • a identidade do pagador é digitalmente
dando mais eficiência e celeridade ao processo, o autenticada, por senha, token, reconhecimento bi-
que aumenta a possibilidade de o usuário reaver ométrico, reconhecimento facial ou outro método
os fundos. de segurança adotado pela instituição de relacio-
namento, antes da confirmação de qualquer paga-
mento ou transferência; • os dados das transações
do Pix transitam criptografados na Rede do Sis-
tema Financeiro Nacional, que é uma rede de da-
dos extremamente segura e resiliente, totalmente
apartada da internet e na qual cursam as transa-
ções do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
Todos os participantes do Pix têm que emitir
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certificados de segurança para conseguir transaci- identificado; • a geração de QR Codes dinâmicos


onar nessa rede; • todas as instituições participan- do Pix é permitida apenas para as instituições fi-
tes do Pix possuem "motores antifraude" que per- nanceiras e instituições de pagamento que pos-
mitem identificar transações atípicas, fora do perfil suam certificados de segurança específicos; • o Pix
do usuário. Em transações atípicas, a instituição apresenta segurança superior aos demais instru-
de relacionamento do pagador pode bloquear os mentos de pagamento nos crimes "sem contato
recursos da transação por até 30 minutos, durante pessoal", considerando as exigências de autenti-
o dia, ou 60 minutos, durante a noite, para efetuar cação robusta utilizando senha, biometria ou re-
uma análise mais robusta sobre a idoneidade da conhecimento facial; e • existência de mecanis-
transação. Em caso de suspeita de fraude, as tran- mos específicos – bloqueio cautelar e mecanismo
sações podem ser rejeitadas; • o Pix possui, em especial de devolução – que facilitam a recupera-
sua base de dados de chaves Pix (DICT), mecanis- ção de recursos transferidos em situações em que
mos de proteção que impedem varreduras das in- o cliente sofreu um golpe, uma fraude ou um
formações pessoais vinculadas às chaves Pix re- crime. Ver pergunta 2 para ter mais detalhes so-
gistradas, evitando vazamento de dados pessoais. bre esses mecanismos. Todos esses mecanismos
Os participantes do Pix também devem desenvol- em conjunto fazem o Pix um meio de pagamento
ver mecanismos de proteção contra varreduras, tão ou mais seguro que os demais, a exemplo de
para garantir a segurança das informações pesso- transferências bancárias e de cartões. 4 - Se o ce-
ais dos usuários do Pix; • o Pix possui uma base lular/chip for clonado, furtado ou roubado, outra
de dados centralizada que armazena informações pessoa poderá fazer um Pix a partir da minha
de pessoas, de empresas e de chaves Pix envolvi- conta ou desviar transferências que viriam para
das em algum caso de fraude. Essas informações minha conta? Não, para fazer uma transferência
são compartilhadas com todos os participantes do ou qualquer outra transação é necessário acessar
Pix e podem ser acessadas a qualquer momento, a conta por meio do aplicativo da instituição de
dando mais subsídios aos mecanismos de preven- relacionamento ou internet banking. Esse acesso
ção à fraude das instituições. Tais informações po- requer a autenticação do usuário da conta, seja
dem ser consultadas inclusive em processos não por senha, token, reconhecimento biométrico ou
relacionados ao Pix, como, por exemplo, em aber- facial, ou outro método que assegure que a pessoa
turas de contas; • as instituições devem estabele- que está acessando a conta e fazendo as transa-
cer limites máximos de valores para as transações ções é de fato o seu titular.
com base no perfil de cada cliente, horário em que 5 - Se o celular for clonado, furtado ou roubado,
a transação está sendo feita, canal de atendi- outra pessoa poderá roubar minhas chaves?
mento utilizado para iniciar a transação, forma de Não, a alteração ou exclusão das chaves por meio
autenticação do usuário e outros critérios defini- do aplicativo de celular ou internet banking é pre-
dos por cada instituição. Tais limites se ancoram cedida pela autenticação do usuário da conta por
nos limites estabelecidos para outros instrumen- meio de senha, token, reconhecimento biométrico
tos de pagamento, como TED. O limite máximo ou facial, ou outro método que assegure que a
para transações entre pessoas físicas distintas en- pessoa que está acessando a conta e alterando ou
tre 20 horas e 6 horas deve ser de R$1.000,00 excluindo as chaves é de fato o seu titular.
(essa limitação é apenas para pessoas físicas, ou 6 - Alguém pode utilizar a minha chave Pix para
seja, não impacta pagamentos para empresas, pa- sacar dinheiro da minha conta ou praticar outro
gamentos de contas ou compras). Os usuários po- tipo de golpe?
dem solicitar ajustes nos limites, inclusive no li- Não, a chave serve exclusivamente para facilitar a
mite noturno, por meio do próprio aplicativo da identificação do recebedor, ou seja, do destinatá-
sua instituição de relacionamento. Solicitações rio da transação, facilitando a experiência do pa-
para redução do limite devem ser acatadas imedi- gamento, dado que reduz a quantidade de infor-
atamente pelas instituições, enquanto solicitações mações que têm que ser inseridas pelo pagador
para aumento do limite devem ser processadas para identificar o beneficiário da operação. Aten-
apenas 24 horas após o pedido do cliente; • o Pix, ção: Só realize transações em ambientes logados.
assim como outros meios eletrônicos, tem transa- Para usar o Pix, inclusive para cadastrar ou para
ções integralmente rastreáveis, por serem opera- excluir chaves, o usuário deve ter os mesmos cui-
ções de conta a conta. Ou seja, o destinatário de dados que possui em outros meios eletrônicos, ou
qualquer transferência, inclusive em situações de seja, não compartilhe senha ou dados pessoais e
golpe, de fraude ou de crime, é totalmente
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tenha cuidado com links não solicitados que che- instrumentos de pagamento, como cartão de dé-
gam por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem. bito e TED. No período noturno, em que há maior
7 - Quais as orientações gerais do BC para cadas- vulnerabilidade dos cidadãos, as transações entre
trar as chaves Pix com segurança e evitar golpes? pessoas físicas tem por padrão limite de R$
O cadastramento das chaves somente é realizado 1.000,00. Tais limites poderão variar a depender
em ambiente logado no aplicativo ou site da sua do perfil de cada cliente, do período, da titulari-
instituição de relacionamento, o mesmo que já é dade da conta, do canal de atendimento e da
utilizado para as demais transações financeiras, forma de autenticação do usuário pagador. Infor-
como consultar saldo, fazer transferências ou to- mamos, ainda, que o usuário final (cliente) pode
mar dinheiro emprestado. Assim, não instale apli- solicitar alteração desses limites diretamente pelo
cativos desconhecidos nem acesse links ou sites aplicativo. As solicitações para diminuir o valor do
diferentes para realizar o cadastramento. No am- limite devem ser acatadas imediatamente.
biente logado da sua instituição, o cadastramento 10 - Autoridades públicas como juízes, promotores
das chaves requer o consentimento do cliente e e auditores fiscais podem acessar minhas transa-
para cadastrar a chave Pix é feita uma validação ções no Pix?
em duas etapas. O cadastro do número de celular As transações realizadas por intermédio do Pix são
ou do e-mail como chave Pix depende da confir- alcançadas pelo sigilo de que trata a Lei Comple-
mação por meio de um código que será enviado, mentar (LCP) nº 105, de 10 de janeiro de 2001,
por exemplo, por SMS ou para o e-mail informado. isto é, constituem informações protegidas pelo
Já o CPF/CNPJ só pode ser usado como chave se chamado sigilo bancário. Assim, autoridades pú-
estiver vinculado à conta, informação necessária blicas só poderão ter acesso às informações nas
no momento de sua abertura, comprovada por restritas hipóteses previstas naquela lei, como,
meio de documento. Informamos, ainda, que não por exemplo, nas situações em que houver deci-
há sites ou aplicativos do Banco Central ou do Pix são judicial específica determinando a revelação
criados exclusivamente para cadastramento das dos dados. Autoridades fiscais, nos termos da LCP
chaves, nem para a realização das transações Pix. nº 105, de 2001, apenas terão acesso às informa-
8 - Quais as orientações gerais do BC para trans- ções nos casos em que houver processo adminis-
ferir valores ou fazer pagamentos via Pix com se- trativo instaurado ou procedimento fiscal em curso
gurança e evitar golpes? e elas forem consideradas indispensáveis para a
Na tela de confirmação da transação, seja o paga- condução dos trabalhos.
mento por QR Code ou Chave Pix, certifique-se de 11 - O Banco Central entra em contato direta-
que o beneficiário do recurso é realmente quem mente com os usuários do Pix?
você quer transferir. Além disso, nunca transfira O BC não faz contato prévio com os usuários do
dinheiro a pedido de amigos ou parentes em fun- Pix solicitando dados bancários ou chaves Pix.
ção de mensagens em aplicativos de mensagens Para saber quais as chaves Pix registradas em seu
(como whatsapp e telegram), principalmente para nome, o usuário deve necessariamente acessar o
conta de outras pessoas. O ideal é telefonar antes Registrato do Banco Central ou realizar o acesso
para a pessoa para confirmar se ela realmente fez por meio da Conta Gov.br
o pedido. <https://www.gov.br/pt-br> (níveis prata ou
9 - O Pix facilita a ação de sequestradores e outros ouro). O BC somente entra em contato com o ci-
criminosos? dadão que registrou previamente uma demanda,
Não, todas as operações do Pix são rastreáveis, o inclusive sobre o Pix, em nossos canais oficiais.
que significa que o Banco Central e as instituições Caso queira saber se uma comunicação do Banco
envolvidas podem, a mando das autoridades com- 12 - O que devo fazer caso eu tenha sido vítima
petentes, identificar os titulares das contas de ori- de um golpe, de uma fraude ou de um crime?
gem e de destino de toda e qualquer transação de Se você foi vítima de um golpe, de uma fraude ou
pagamento no Pix. Os saques em espécie, que po- de um crime, o primeiro passo é entrar em contato
dem ser feitos em qualquer horário, não são ras- com sua instituição de relacionamento, por meio
treáveis, e por isso é que os criminosos, no "se- de qualquer canal de atendimento disponibilizado
questro relâmpago", se utilizam da coação para por ela, relatar o caso e solicitar a devolução dos
que a vítima realize um saque e entregue o di- valores. Informe todos os dados disponíveis em
nheiro. Ademais, cada cliente poderá ter limites de seu comprovante de pagamento, para que sua ins-
valores, por transação e por período, baseados tituição consiga identificar a instituição do crimi-
nos limites que o mesmo cliente tem em outros noso. Quanto mais rápido esse contato for
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realizado, maior a probabilidade de os recursos se- idêntica, o número da demanda anterior. Atenção!
rem recuperados. O procedimento padronizado Desacordos comerciais não são objetivo do pro-
para a recuperação de valores é o seguinte: 1. ví- cesso de resolução no âmbito do Pix e devem ser
tima registra o caso junto à sua instituição (algu- tratados entre as partes envolvidas.
mas instituições disponibilizam opção no próprio 2 - Fiz um Pix e não deu certo. O que faço?
aplicativo e outras nos canais tradicionais); 2. ins- O Pix não chegou na conta do recebedor? Tem
tituição registra notificação de infração por meio comprovante do débito na conta? Não tem com-
do BC (deve ocorrer imediatamente após o regis- provante? Então o débito não foi feito. Tem com-
tro da reclamação do cliente); 3. instituição do su- provante? O valor foi debitado, mas não chegou
posto criminoso/golpista bloqueia os valores; 4. no destino. Apresente o comprovante do débito
ambas as instituições possuem um prazo de 7 dias para o recebedor poder questionar o banco ou ins-
corridos para a análise do caso; e 5. configurada tituição de destino.
a fraude, os recursos são devolvidos à vítima em 3 - Após o registro da reclamação, como ocorre a
até 96 horas, a contar do término do prazo da resolução de disputa entre o usuário final e o par-
etapa anterior. Caso não haja saldo suficiente para ticipante do Pix?
efetuar a devolução total dos valores, até o prazo A partir do registro da reclamação, o participante
máximo de 90 dias da transação original, a insti- deve encaminhar resposta ao usuário final no
tuição de relacionamento do recebedor deve mo- prazo de até 10 dias úteis (podendo também soli-
nitorar a conta e, surgindo recursos na conta, deve citar prorrogação do prazo). A resposta deve ser
efetuar devoluções parciais. Caso você não tenha encaminhada por meio eletrônico ou por corres-
sucesso na recuperação dos valores, você pode re- pondência registrada ao endereço indicado no ca-
gistrar uma reclamação no BC, aqui. Além disso, dastro do usuário final mantido pelo participante
em qualquer hipótese, você pode procurar o Pro- ou, não sendo o usuário final cliente do partici-
con do seu estado ou o Poder Judiciário. Reco- pante, ao endereço informado no RDR. O partici-
menda-se também o registro de boletim de ocor- pante deverá também encaminhar ao RDR os do-
rência na Polícia, que é responsável por investigar cumentos comprobatórios da busca de resolução,
crimes. O Banco Central não tem competência relatando as providências adotadas. Para saber
para resolver assuntos criminais e a mais informações sobre o assunto, incluindo o
instauração de ações penais compete ao Ministério fluxo do processo, acesse o Manual de Resolução
Público. de Disputas do Pix, na página do Pix, em 'Regula-
10 - Entendendo sobre reclamações contra parti- mentação relacionada ao Pix'.
cipantes do Pix 4 - É possível haver pedido de resolução de dispu-
1 - É possível registrar uma reclamação contra tas entre participantes do Pix?
participante do Pix? Sim. A resolução de disputas entre participantes
Sim. O cliente pode registrar uma reclamação nos do Pix se inicia com o pedido de resolução de dis-
canais de atendimento da própria instituição em putas sobre o caso questionado pela parte que se
até 80 dias corridos da ocorrência do fato objeto sentir prejudicada. Ela só ocorre após esgotadas
da reclamação. Além disso, desde o dia 30 de ju- todas as possíveis tratativas entre as partes en-
nho de 2021, as instituições passaram a disponi- volvidas, sem a possibilidade de abertura de múl-
bilizar um atalho no ambiente Pix de seus aplica- tiplos pedidos de resolução de disputas relaciona-
tivos para o canal oficial a ser utilizado para regis- dos a um mesmo caso. Além disso, o pedido deve:
tro dessas demandas. Caso o problema não seja ser feito pelo Protocolo Digital do BC; ocorrer em
resolvido, o cliente pode registrar uma reclamação até 45 dias corridos da ocorrência do fato; ser
no Banco Central, no Fale Conosco do BC. Essa re- realizado por usuário que conste do cadastro do
clamação pode ser registrada em até 45 dias cor- participante no Pix; Atenção! Documentos e evi-
ridos da ocorrência do caso. O pedido será proces- dências deverão ser anexados no momento do ca-
sado por meio do Sistema de Registro de Deman- dastramento do pedido de resolução de disputa.
das do Cidadão (RDR). Documentos e evidências 5 - Como ocorre o processo de resolução de dis-
deverão ser anexados no momento do cadastra- puta entre participantes Pix?
mento do registro de reclamação. Somente será Após o registro no Protocolo Digital, o BC encami-
analisado um único registro de reclamação sobre nha o pedido de resolução à outra parte. Inicia-se,
um mesmo caso, não sendo considerados válidos então, o prazo de 15 dias corridos para que as
os excedentes, cabendo às instituições participan- partes assinem um acordo conciliatório, dando
tes do Pix indicarem, na resposta à demanda como encerrada a disputa em questão. Caso não
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ocorra acordo, o comitê de resolução de disputas objetivo exclusivo, no âmbito do Pix, a prestação
instaurado pelo BC decidirá e comunicará a deci- de serviço de iniciação de transação de paga-
são da disputa em até 40 dias corridos (prorrogá- mento. • Instituições financeiras ou de pagamento
vel por igual período). A decisão pode ser objeto que ofertem o Pix a seus clientes a partir de cor-
de recurso das partes envolvidas. Para saber mais rente, poupança e conta de pagamento-pré-paga,
informações sobre o assunto, incluindo o fluxo do desde que sejam autorizadas pelo BC e certifica-
processo, acesse o Manual de Resolução de Dispu- das no âmbito do Open Banking. Atenção: As ins-
tas do Pix, na página do Pix, em 'Regulamentação tituições de pagamento participantes do Pix que
relacionada ao Pix'. não se enquadram nos critérios previstos na regu-
6 - O Banco Central possui iniciativas de monito- lamentação em vigor para serem autorizadas a
ramento das reclamações sobre o Pix? funcionar pelo BC não podem participar do Open
O Banco Central faz constantes análises sobre o Banking. Assim, clientes que possuem conta nes-
fluxo de reclamações que envolvam o Pix inclu- sas instituições não poderão fazer um pagamento
sive, o Banco Central está disponibilizando uma ou transferência pelo Pix a partir do serviço de ini-
Pesquisa de Satisfação àqueles que fizerem uma ciação, mas continuarão podendo usar o Pix a par-
reclamação em seus canais que indique alguma ir- tir dos canais de seu banco ou instituição a qual
regularidade relacionada ao Pix. Assim que a res- possui conta. 4 - Quem pode pagar ou transferir
posta da Instituição (IF ou IP) ocorrer, o cidadão com Pix a partir do serviço de iniciação? Todos os
recebe a pesquisa. O objetivo é verificar se o pro- usuários Pix que tenham conta em instituições
blema com a instituição em questão foi resolvido, participantes do Pix que sejam autorizadas pelo
além de avaliar o serviço prestado pela instituição. Banco Central. Para usar o serviço de iniciação
Essa pesquisa também está alinhada com a neces- será necessário que o usuário dê o consentimento
sidade de intermediação de disputas, entre cida- para o compartilhamento do serviço junto ao ini-
dão e IF ou IP, conforme previsto no Manual de ciador, conforme regras do Open Banking. Aten-
Resolução de Disputas do Pix. ção: Usuários do Pix que possuem conta em insti-
11 - Entendendo sobre iniciação de transação de tuições de pagamento participantes do Pix que não
pagamento no Pix se enquadram nos critérios previstos na regula-
1 - O que é iniciação de pagamento no Pix? mentação em vigor para serem autorizadas a fun-
No serviço de iniciação de transação de paga- cionar pelo BC não terão acesso a esse serviço,
mento no Pix, o usuário autoriza o início de uma uma vez que tais instituições não podem participar
transação de pagamento em uma instituição dife- do Open Banking.
rente daquela onde possui conta. Trata-se de uma 5 - Como funcionará o pagamento ou transferên-
comodidade uma vez que a instituição que prestar cia com o serviço de iniciação no Pix?
o serviço de iniciação facilita a realização de paga- Funcionará assim: • O usuário a partir de app ou
mento criando uma jornada única ao usuário. A site que tenha a solução de iniciação integrada au-
iniciação de pagamentos via Pix estará disponível toriza a iniciação do Pix (esse passo é o consenti-
a partir da 3ª fase do Open Banking, conforme mento para o compartilhamento do serviço de ini-
cronograma definido pela Instrução Normativa ciação); • O usuário é automaticamente direcio-
BCB nº 171. nado para o canal eletrônico (app, internet ban-
2 - Por que foi criado o serviço de iniciação de king) da instituição onde possui conta, no qual é
transação de pagamento no Pix? apresentada tela com as informações da transação
O serviço de iniciação de pagamento no Pix é o para que o usuário confira e, no ambiente seguro
ponto que liga o Open Banking com o Pix. Essa de sua conta, efetue a autenticação da transação;
novidade visa a: • aumentar a competição, permi- • O usuário é redirecionado automaticamente para
tindo que mais instituições participem do Pix; • o app ou site utilizado para iniciar a transação,
aumentar a conveniência no uso do Pix; • fortale- para que possa verificar se a transação foi reali-
cer ainda mais o uso do Pix no comércio eletrô- zada com sucesso.
nico; e • fomentar a inovação. 3 - Quem pode 6 - Quando a iniciação de transação de pagamento
ofertar o serviço de iniciação de transação de pa- no Pix estará disponível?
gamento no Pix? • Participantes do Pix na modali- A iniciação de transação de pagamento no Pix, po-
dade iniciador: nova modalidade de participação derá ser feita via qualquer procedimento de inici-
no Pix, destinada a instituições financeiras, insti- ação no Pix, conforme cronograma, conforme cro-
tuições de pagamento ou demais instituições au- nograma definido pela Instrução Normativa BCB
torizadas a funcionar pelo BC que tenham como nº 171.
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7 - Qual a diferença entre fazer um Pix informando todos os tipos de chave (celular, e-mail,
uma chave ou lendo um QR Code e fazer o Pix por CPF/CNPJ, aleatória).
meio da iniciação? 12 - No caso de suspeita de fraude, qual institui-
Há algumas situações em que a dinâmica com o ção tem a responsabilidade de, se necessário, usar
serviço de iniciação oferece uma experiência mais o tempo adicional para analisar a transação?
simples ao usuário. Por exemplo, se você está A instituição que presta o serviço de iniciação não
usando um aplicativo para troca de mensagens ou deve iniciar a transação se houver fundada sus-
para efetuar uma compra, é mais simples iniciar a peita de fraude. Nesse caso, deve notificar o usu-
transação diretamente nesse próprio aplicativo e ário. Caso a transação seja iniciada, a instituição
já ser redirecionado ao app do seu banco apenas detentora da conta do pagador tem a responsabi-
para autenticar a transação do que precisar abrir lidade de analisar as transações atípicas em caso
manualmente o aplicativo do banco, selecionar a de suspeita de fraude, podendo usar um tempo
opção Pix, selecionar a forma desejada (digitar a adicional para tal análise e, nesse caso, deve se
chave ou via Pix copia e cola) e só então autenticar comunicar com a instituição iniciadora que notifi-
a transação. Ou seja, é mais uma forma de fazer cará o usuário, dando a ele a opção de cancelar a
um Pix que pretende facilitar ainda mais a realiza- transação.
ção de pagamentos e transferências. 12 - Entendendo o Pix Saque e o Pix Troco
8 - Posso fazer um Pix Agendado por meio de um 1 - Por que foram criados o Pix Saque e o Pix
iniciador? Troco?
O agendamento por meio do serviço de iniciação Com a criação desses dois produtos, o Banco Cen-
está previsto na agenda evolutiva, e será disponi- tral busca alcançar os seguintes objetivos: • au-
bilizado a partir de 01/11/2021, não estando dis- mentar os pontos de retirada de dinheiro em es-
ponível neste momento. Por enquanto, para fazer pécie, com conveniência e facilidade para o usuá-
um Pix agendado, é necessário efetuar a transa- rio do Pix; • aumentar a competição, melhorando
ção diretamente do aplicativo da instituição a qual as condições de oferta e de valores de serviços de
você possui conta. saque; • fomentar a eletronização, a partir da
9 - O pagamento com iniciador também deve ser maior quantidade de saques disponíveis as pes-
feito em até 40 segundos? soas tendem a retirar valores mais adequados às
Do momento em que a ordem de pagamento necessidades ao invés de altos valores; e • fomen-
chega na instituição que detém a conta do paga- tar a inovação, possibilitando diversidade de mo-
dor, a transação deve seguir os mesmos tempos delos de negócio.
até a sua finalização. Entretanto, fica a cargo da 2 - Como funciona o Pix Saque e o Pix Troco?
instituição que presta o serviço de iniciação o Tanto no Pix Saque quanto no Pix Troco, o usuário
tempo para efetuar a etapa de iniciação. Acredita- que deseja retirar dinheiro em espécie irá realizar
se que tais instituições possuem os incentivos ne- um Pix da mesma forma como faz um Pix hoje. O
cessários para prestar um serviço bastante efici- usuário irá ler um QR Code e fazer um Pix da sua
ente. conta para a conta do agente que está disponibili-
10 - Há limites diferenciados para fazer um Pix via zando o serviço (seja o facilitador de serviço de
iniciador? saque diretamente ou o agente de saque, estabe-
Não. Quando estabelecidos, os limites Pix valem lecimento comercial ou correspondente bancário,
para qualquer transação Pix, independente do pro- por exemplo), que entregará ao usuário o dinheiro
cedimento de iniciação (chave, QR Code, inserção em espécie indicado. No caso do Pix Saque, o di-
manual, Pix copia e cola e serviço de iniciação). nheiro em espécie corresponderá ao valor da tran-
11 - O iniciador deve seguir as mesmas regras dos sação Pix realizada. Já no caso do Pix Troco, o va-
requisitos da experiência do usuário? lor entregue ao usuário será a diferença entre o
Não. Há regras específicas definidas no âmbito do valor do total do Pix e o valor da compra realizada.
Open Banking e adicionalmente existem requisitos
específicos no âmbito do Pix, que devem ser ob-
servados na prestação do serviço de iniciação no
Pix.
Atenção: no caso do serviço de iniciação por meio
da chave Pix, as instituições que prestam o serviço
podem escolher o tipo de chave Pix a ser utilizado,
não sendo obrigatório ofertar a iniciação com
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do usuário pagador podem cobrar uma tarifa pela


transação. O valor da tarifa cobrada é de livre es-
tabelecimento pela instituição e deve ser infor-
mado ao usuário pagador antes da etapa de con-
firmação da transação. Os usuários nunca poderão
ser cobrados diretamente pelos agentes de saque.
Atenção! Os quatro saques tradicionais gratuitos
realizados pelo usuário fora do âmbito do Pix Sa-
que e Pix Troco podem ser descontados da fran-
quia de gratuidades (oito por mês). Ou seja, se o
usuário realizar 1 saque da sua conta em institui-
ção participante, sem ser por meio do Pix Saque
ou Pix Troco, esse saque poderá ser contabilizado
e sua franquia de gratuidades poderá ser reduzida
de 8 para 7, a critério da instituição.
6 - Haverá limite de valor para o Pix Saque ou Pix
3 - A partir de quando poderei utilizar o Pix Saque Troco?
e o Pix Troco? O Banco Central fixou em R$3.000,00 o limite de
A infraestrutura tecnológica para o Pix Saque e Pix valor máximo, para a retirada de recursos em es-
Troco está disponível desde 29 de novembro de pécie nas transações Pix com finalidade de saque
2021. A disponibilização dos serviços aos usuários e de troco, para saques realizados no período di-
finais será feita de forma gradual e facultativa pe- urno (em regra de 6h e 20h), e em R$1.000,00
las instituições financeiras e de pagamentos parti- para saques realizados no período noturno. Res-
cipantes do Pix, por meio de caixas eletrônicos, peitados esses limites, os participantes do Pix e os
correspondentes bancários e pela rede varejista. agentes de saque podem definir limites adicionais,
4 - Onde poderei utilizar o Pix Saque e o Pix Troco? a depender das características do seu negócio. Por
Em estabelecimentos comerciais, caixas eletrôni- exemplo, uma loja pode estipular que o limite má-
cos e correspondentes bancários que tenham op- ximo por saque é de R$ 200 durante o dia. Já o
tado por disponibilizar o Pix Saque e Pix Troco. A prestador de serviço de pagamento do usuário pa-
lista de locais que disponibilizam o Pix Saque e Pix gador deve estabelecer limites de valor por perí-
Troco está disponível em formato de dados aber- odo para o Pix com finalidade de saque e de troco,
tos em: https://dadosabertos.bcb.gov.br/da- observado o perfil de risco do usuário pagador.
taset/pixsaque <https://dadosaber- Esses limites não podem ser superiores a
tos.bcb.gov.br/dataset /pixsaque> O participante R$3.000,00 ou inferiores a R$1.000,00, no perí-
do Pix facilitador de serviço de saque deve publicar odo diurno. No período noturno, tal limite deve
informações relativas ao serviço de saque disponi- sier equivalente a R$ 1.000,00. A qualquer tempo,
bilizado diretamente por ele e pelos agentes de o usuário pagador pode solicitar aumento, desde
saque com os quais possui relação contratual em que não ultrapasse o limite máximo definido pelo
formato de dados abertos e conteúdo indicado Banco Central, e diminuição do valor do limite es-
pelo Banco Central. tabelecido pela instituição. Atenção! os limites es-
As informações serão divulgadas pelo Banco Cen- pecíficos para saques por meio do Pix não se con-
tral no endereço "dadosabertos.bcb.gov.br" e es- fundem com os limites para as transações Pix de
tarão disponíveis para que qualquer pessoa ou pagamentos e transferências. As instituições que
empresa desenvolva funcionalidades de conveni- queiram podem permitir aos clientes solicitar que
ência que facilitem a localização dos pontos de Pix o período noturno compreenda o período entre as
Saque e Pix Troco, além de informações adicionais 22 horas e as 6 horas (caso em que o período di-
sobre a disponibilização do serviço como horários urno passa a ser das 6 às 22 horas). Os clientes
disponíveis para saque, por exemplo. podem solicitar a redução ou o aumento do valor
5 - O Pix Saque e o Pix Troco serão gratuitos para do limite, observados os limites máximos para Pix
o usuário? Saque e Pix Troco de R$ 3 mil e R$ 1 mil, para os
Para as pessoas físicas, até a oitava transação, os períodos diurno e noturno respectivamente. Alte-
serviços de saque ou de troco são gratuitos. A par- rações na definição do horário de início do período
tir da nona transação realizada, as instituições fi- noturno devem produzir efeito entre 24 e 48 horas
nanceiras ou de pagamentos detentoras da conta após a solicitação do usuário.
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Os agentes de saque, que são as lojas, as lotéricas numerário; • Diferencial competitivo;• Recebi-
e os caixas eletrônicos que ofertam Pix Saque e mento de valor por transação (R$ 0,25 a R$ 1,00);
Pix Troco, podem definir seus próprios limites para • Facilidade de implementação; • Flexibilidade na
disponibilização de dinheiro em espécie. Por disponibilização do serviço* Mais explicações so-
exemplo, uma loja pode estipular que o limite má- bre benefícios do uso do Pix e suas funcionalidades
ximo por saque é de R$ 200 durante o dia. para negócios podem ser encontra-
7 - Em alguma hipótese, a transação relativa ao dos aqui: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefi-
Pix Saque ou Pix Troco pode ser devolvida? nanceira/negociopix.
A devolução, total ou parcial, é cabível em duas 11 - Tenho um estabelecimento comercial, como
situações: (1) ocorrência de erro na transação posso disponibilizar o Pix Saque e o Pix Troco?
ocasionado pelo facilitador de serviço de saque ou As pessoas jurídicas interessadas devem estabe-
pelo agente de saque ou (2) na hipótese de desa- lecer relação contratual com alguma instituição
cordo entre as partes, antes da entrega de recur- participante* do Pix que facilite o serviço de sa-
sos em espécie. Nesses casos, o usuário pagador que. *Não precisa necessariamente ser a mesma
deve se manifestar imediatamente solicitando a instituição que detém a conta da pessoa jurídica
devolução ao facilitador de serviço de saque ou ao que quer disponibilizar o Pix Saque e o Pix Troco.
agente de saque, conforme o caso. Para os canais Caso a escolha seja por manter relação com insti-
de atendimento eletrônicos, deverá ser disponibi- tuições diferentes, uma detentora da conta e a ou-
lizado ao usuário pagador mecanismo que possi- tra para facilitar o serviço de saque, é necessário
bilite essa manifestação imediata. Uma vez que o que, após estabelecer o contrato para a disponibi-
facilitador de serviço de saque ou o agente de sa- lização do Pix Saque e/ou Pix Troco, seja comuni-
que, conforme o caso, verifique que a devolução é cado à instituição na qual possui a conta quanto a
devida, deverá iniciá-la em até uma hora. disponibilização do serviço e a vigência do con-
8 - Todos os clientes de instituições participantes trato, para que seja habilitada a opção de geração
do Pix podem fazer um Pix com finalidade de sa- de QR Code com a finalidade saque e/ou troco.
que ou de troco? PSP do recebedor: Prestador de Serviços de Paga-
Todas as pessoas físicas podem fazer um Pix com mento da pessoa jurídica que deseja atuar como
finalidade de saque ou de troco. No caso de pes- agente de saque- instituição financeira ou institui-
soas jurídicas, fazer um Pix com finalidade de sa- ção de pagamento que provê serviços de paga-
que ou de troco é possível, a depender dos proce- mento (onde a pessoa jurídica possui conta).
dimentos de iniciação ofertados por cada partici- FSS: Facilitador de Serviço de Saque* – instituição
pante do Pix. Caso o participante ofereça a inicia- financeira ou instituição de pagamento com quem
ção por QR Code estático ou dinâmico, deve tam- a pessoa jurídica que quer disponibilizar Pix Saque
bém possibilitar a iniciação de um Pix com finali- e/ou Pix Troco estabelece relação contratual para
dade de saque ou troco. a facilitação do serviço de saque.
9 - Que tipo de pessoa jurídica pode disponibilizar *Pode ser a mesma instituição que atua como PSP
Pix Saque e Pix Troco? do recebedor, caso este facilite o serviço e haja
O Pix Saque e o Pix Troco poderão ser disponibili- interesse em contratá-lo para esse fim. É impor-
zados pelas pessoas jurídicas abaixo: • Institui- tante pesquisar a instituição que ofereça as me-
ções financeiras e instituições de pagamento par- lhores condições.
ticipantes do Pix por meio da rede própria de ATM 12 - Tenho um estabelecimento comercial que não
(caixa eletrônico); • Agentes de saque: ◦ Entida- aceita pagamentos por Pix. Posso disponibilizar o
des que ofertam rede independente de ATM (caixa Pix Saque e o Pix Troco?
eletrônico compartilhado por mais de uma institui- Não. O usuário pagador, que deseja retirar os re-
ção); ◦ Estabelecimentos comerciais; ◦ Correspon- cursos em espécie, fará um Pix com finalidade de
dentes bancários no pais. O Pix Saque pode ser saque ou troco para o estabelecimento comercial,
disponibilizado por qualquer uma das pessoas ju- a partir da leitura do QR Code gerado por meio da
rídicas mencionadas, enquanto o Pix Troco pode instituição que possui conta.
ser disponibilizado apenas por estabelecimentos Para disponibilizar Pix Saque e/ou Pix Troco, será
comerciais ou correspondentes bancários. necessário que o estabelecimento comercial esta-
10 - Quais os benefícios para um estabelecimento beleça contrato com uma instituição financeira ou
comercial disponibilizar o Pix Saque e o Pix Troco? de pagamento participante do Pix para facilitar o
• Aumento do fluxo de clientes no estabeleci- serviço.
mento; • Redução de custos com a gestão do
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13 - No meu negócio, recebo pagamentos com a O que é o Pix Open Finance?


chave Pix, posso disponibilizar Pix Saque e Pix Segundo o Banco Central, a modalidade do Open
Troco? Finance - ou sistema financeiro aberto - é a possi-
Não. Se o estabelecimento comercial aceita Pix bilidade dos clientes poderem compartilhar suas
apenas com a chave Pix, é necessário que passe a informações entre diferentes instituições autoriza-
receber com QR Code. das pelo Banco Central e movimentar os recursos
A integração para a geração do QR Code deve ser de suas contas bancárias, a partir de plataformas
verificada junto à instituição detentora da conta distintas, e não apenas pelo aplicativo ou site do
(Prestador de Serviço de pagamento (PSP) do es- banco.
tabelecimento comercial. "Com a permissão de cada correntista, as institui-
O Pix Saque está disponível para transações Pix ções se conectam diretamente às plataformas de
recebidas através de QR estático ou dinâmico. Já outras instituições participantes e acessam exata-
o Pix Troco está disponível apenas através do re- mente os dados autorizados pelo(a)s clientes.
cebimento por QR dinâmico. Todo esse processo é feito em um ambiente se-
14 - Que instituições o estabelecimento comercial guro e a permissão poderá ser cancelada pela pes-
que quer atuar como Agente de Saque pode con- soa sempre que ela quiser", ressalta o BC.
tratar como Facilitador de Serviço de Saque Os clientes do Banco do Brasil (BB) podem usar o
(FSS)? saldo de outras instituições financeiras para pagar
O estabelecimento comercial pode verificar se a empréstimos via Pix. Todo o procedimento é feito
instituição em que mantém sua conta (Prestador no aplicativo do BB, sem necessidade de transa-
de Serviço de Pagamento - PSP) facilitará o serviço ções em diferentes aplicativos.
de saque. Se sim, a instituição poderá, além de A instituição tornou-se o primeiro banco a adotar
ser seu PSP, ser também o seu Facilitador de Ser- a opção de pagar parcelas vencidas de emprés-
viço de Saque (FSS) para a disponibilização do Pix timo por meio do Pix Open Finance, que é o uso
Saque e Pix Troco. Se o PSP do estabelecimento da função de iniciador de transações de paga-
comercial não atuar como FSS ou se o estabeleci- mento (ITP) com dados compartilhados entre di-
mento comercial preferir contratar outra institui- ferentes instituições financeiras.
ção porque encontrou condições melhores de ne- Por meio da inovação digital, os clientes com con-
gociação, é possível manter a conta em uma ins- tas em vários bancos podem regularizar os em-
tituição e ter a geração do QR Code com ela e es- préstimos vencidos com saldo disponível em ou-
tabelecer um contrato específico para a facilitação tros bancos no mesmo aplicativo. O cliente pode
desse serviço com outra instituição (essa institui- quitar rapidamente uma parcela vencida de um
ção será o seu FSS). PSP e FSS não precisam ser empréstimo no BB com recursos mantidos em ou-
a mesma instituição. Acesse a página do Pix para tras instituições.
verificar a lista de instituições participantes que Todo o processo é feito no aplicativo do Banco do
atuam como FSS. Brasil. O cliente escolhe o empréstimo e as parce-
15 - Como registrar uma reclamação no Banco las que deseja pagar com recursos de outros ban-
Central sobre o Pix Saque e Pix Troco? cos. Em seguida, escolhe uma das instituições ha-
Você pode registrar uma reclamação envolvendo bilitadas na qual deseja debitar as parcelas e é au-
os serviços de Pix Saque ou Pix Troco no Fale Co- tomaticamente enviado ao ambiente da instituição
nosco. A recomendação é que a reclamação seja escolhida, dentro da mesma sessão de atendi-
aberta contra a instituição destinatária do Pix, ou mento.
seja, aquela que aparece no comprovante do Pix Para usar o pagamento por meio do Pix Open Fi-
no aplicativo do seu banco. Geralmente, essa ins- nance, o cliente não precisa ter compartilhado da-
tituição oferece ao estabelecimento comercial, dos com o Banco do Brasil. A instituição esclarece
como supermercado, padaria, etc, os serviços de que a autorização, nesse caso, é específica para
pagamento (que lhe permite o recebimento de Pix cada transação de pagamento.
de seus clientes, inclusive por QR Code no caixa)
Pix Cobrança
e a facilitação dos serviços de saque (que lhe per-
mite atuar como agente de saque). Caso não seja
As empresas podem contratar essa forma direta e
essa a instituição que facilite o serviço de saque
automatizada de cobrança. Nesses casos, os clien-
ao estabelecimento, ela terá até 3 dias úteis para
tes podem pagar a cobrança da empresa com o
te responder, indicando contra qual a instituição a
Pix utilizando o QR Code ou Pix Copia e Cola, tanto
reclamação deverá ser registrada.
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para pagamentos imediatos ou com vencimento diferentes de modo instantâneo, em qualquer dia
em data futura. e horário, incluindo finais de semana e feriados.
C) O Pix eliminará, já na sua fase inicial, o uso dos
Pix Automático cartões de débito e crédito e a necessidade dos
lojistas de manter contratos com as administrado-
Com o Pix Automático você poderá pagar suas ras de cartões, diminuindo sensivelmente as des-
contas recorrentes como, por exemplo, de ener- pesas de vendas.
gia, telefone, escolas, academias, condomínios, D) Uma das formas de receber recursos via Pix
assinaturas, entre outras, de forma automática. será por meio do envio do código de barras pes-
Este serviço será gratuito para o pagador e poderá soal para a pessoa que deverá efetuar o paga-
ser tarifado no recebimento pelas empresas. mento, o que irá reduzir os erros de digitação e as
devoluções que tanto acontecem com as Teds e os
O serviço dependerá da sua autorização para a Docs.
efetivação do pagamento. O lançamento do Pix 48 – CESGRANRIO – BANRISUL – 2023. O Pix
Automático está previsto para 28 de outubro de possui uma estrutura flexível e aberta de partici-
2024 pação a fim de garantir o acesso e o surgimento
de participantes que ofertem serviços inovadores
e diferenciados que atendam às necessidades dos
QUESTÕES SOBRE O TEMA
usuários finais. A participação no Pix é obrigatória
45 - CESGRANRIO - 2021 - Caixa Econômica
para as instituições financeiras e para as institui-
Federal - Técnico Bancário Novo. A principal
ções de pagamento autorizadas a funcionar pelo
marca distintiva do Pix, em relação aos mecanis-
Banco Central do Brasil, que tenham uma quanti-
mos de pagamento com cartões de débito auto-
dade de contas de clientes ativas acima de
mático, é que o Pix é um sistema de pagamento
(A) 100.000
instantâneo criado pelo(s)
(B) 200.000
a) Banco do Brasil
(C) 300.000
b) Banco do Nordeste
(D) 400.000
c) Banco Central do Brasil
(E) 500.000
d) bancos comerciais
49 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil -
e) bancos de investimento
Escriturário - Agente Comercial - Prova A. O
46 - CESGRANRIO - 2021 – BB - Um dos obje-
Internet banking facilita a realização de transa-
tivos almejados pelo Banco Central do Brasil, ao
ções bancárias, mas também oferece risco para
criar o Pix, é
usuários finais que são pessoas naturais. Para mi-
(A) reduzir a velocidade de circulação da moeda.
nimizar os riscos, o Banco Central do Brasil deter-
(B) inibir a concorrência bancária.
mina que os participantes provedores de conta
(C) aumentar os fluxos de pagamento com cartões
transacional do Pix devem estabelecer limites má-
eletrônicos.
ximos de valor para iniciação de um Pix com fina-
(D) disseminar os fluxos de pagamento de forma
lidade de compra ou de transferência, por conta
eletrônica.
transacional, e possibilidade de diferenciação do
(E) aumentar o número de intermediários finan-
limite estabelecido para o período diurno e para o
ceiros envolvidos nos fluxos de pagamentos.
período noturno.
47 - IDIB - 2020 - Câmara de Condado - PE -
Os participantes poderão, a seu critério, ofertar
Auxiliar Legislativo. Está programada para o dia
funcionalidade para que o usuário final possa soli-
16 de novembro de 2020 a entrada em vigor do
citar que o período noturno compreenda o período
Pix, o novo sistema de pagamentos e transferên-
entre
cias desenvolvido pelo Banco Central. A respeito
A. 21 horas e 6 horas
das características e vantagens dessa modalidade
B. 22 horas e 6 horas
de pagamento, assinale a alternativa correta.
C. 23 horas e 6 horas
A) Para enviar recursos para uma pessoa, o emis-
D. 0 hora e 7 horas
sor do Pix deverá ter acesso à chave pública e à
E. 1 hora e 7 horas
chave privada do destinatário do crédito, o que
garantirá mais segurança às transações financei-
ras e evitará fraudes.
GABARITO
B) A principal vantagem do Pix é a possibilidade
45 – C 46 – D 47 – B 48 – E 49 - B
de transferir recursos entre contas de bancos
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9.14 - SEGMENTAÇÃO E INTERAÇÕES DIGI- comportamentos dos brasileiros após o fim do iso-
TAIS. lamento social.
Há no mercado um novo contingente de consumi- Como atender às expectativas dos consumidores
dores bancários. Boa parte desse grupo traz con- bancários?
sigo características diferenciadas, como é o caso Dada a predisposição da maioria dos consumido-
das pessoas enquadradas na faixa etária dos mil- res bancários em buscar novas e melhores solu-
lennials. ções, não há outro caminho para as instituições
De uma forma geral, podemos caracterizar os no- financeiras senão o do investimento em inovação.
vos consumidores bancários como pessoas que Inovação com segurança - Assim como ocorre
são francamente adeptas das novas tecnologias. com as instituições tradicionais, as novas soluções
O que caracteriza o momento ideal para o surgi- de atendimento ao cliente precisam mostrar-se
mento de organizações inovadoras, como os ne- estáveis, sólidas e confiáveis. A transparência será
obanks. um fator essencial nessa relação, mais ainda nes-
Uma pesquisa realizada pela empresa iProspect ses tempos em que legislações de proteção aos
com quatro mil consumidores de diferentes países dados pessoais entram em vigor mundo afora.
da América Latina (Brasil, Argentina, México, Chile Inovação e personalização - Respeitando os limi-
e Colômbia) revelou alguns importantes aspectos tes no uso dos dados pessoais de seus consumi-
a respeito de sua relação com os serviços bancá- dores, os novos serviços bancários deverão explo-
rios. rar ao máximo o conhecimento do perfil e dos há-
Por exemplo, em relação ao cenário atual, a pes- bitos de cada cliente para oferecer soluções cada
quisa revelou que: 68% dos entrevistados man- vez mais personalizadas, capazes até mesmo de
têm suas contas em instituições financeiras tradi- antecipar desejos e necessidades.
cionais, acreditando na segurança das transações O toque humano - Mas, para que todo esse inves-
por elas realizadas; 56% confiam na estabili- timento em tecnologia ganhe a simpatia e a confi-
dade e solidez dessas instituições; 43% consi- ança do consumidor, é preciso dar-lhe um toque
deram a comodidade de contarem com agências humano.
próximas; 32% dos entrevistados já utilizam Inovações tecnológicas são muito eficientes para
serviços bancários, tradicionais e não tradicionais; atrair novos clientes, mas não são suficientes para
25% gerenciam suas finanças a partir de meios mantê-los. Cabe às empresas definir quando e
digitais. com que intensidade introduzir intervenções hu-
Por outro lado, alguns indicadores da pesquisa manas na aparentemente eficiente interação digi-
mostram que esse mesmo público tem a expecta- tal. É importante que cada empresa faça o acom-
tiva de contar com serviços inovadores. Por exem- panhamento da jornada do seu cliente, identifi-
plo: 46% têm expectativas de que seu banco ofe- cando os pontos em que a comunicação mera-
reça soluções de atendimento inovadoras, dispo- mente digital se mostra insuficiente para levá-lo
níveis 24 horas por dia; 35% querem sites mais ao engajamento.
intuitivos, acessíveis por computador e por dispo- Uma experiência realizada pela consultoria McKin-
sitivos móveis; 34% querem programas de be- sey indicou que introduzir interações humanas na
nefícios; 87% de todo esse público se mostrou abordagem aos clientes podia trazer até cinco ve-
disposto a experimentar os serviços bancários ofe- zes mais receita em relação a uma interação to-
recidos por fintechs, embora 21% pretendam talmente automatizada.
manter negócios com suas atuais instituições fi- Portanto, aos olhos dos novos consumidores ban-
nanceiras. cários, a solução parece estar num equilíbrio entre
Outra conclusão interessante da pesquisa é a inovação digital e relacionamento humano.
constatação de que há um enorme potencial de Dito isso, você sabia que o processo de onboarding
que as novas tecnologias venham a alcançar um dos bancos impacta diretamente a experiência dos
público que atualmente mantém pouco ou ne- consumidores bancários? Isso porque é capaz de
nhum relacionamento com instituições financei- otimizar a satisfação dos clientes, trazendo resul-
ras. tados positivos no processo, além de melhorar a
A pandemia do coronavírus obrigou as pessoas a produtividade dos bancos, possibilitando automa-
mudarem completamente seus hábitos cotidianos. tizar os processos, diminuir o tempo de resposta
Veja neste infográfico um levantamento das ex- ao cliente e reduzir o esforço humano. Desta
pectativas de mudanças de hábitos e forma, os funcionários podem se dedicar à tarefas
mais estratégicas pensando nos clientes.
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Benefícios da segmentação: Especialização do as pessoas interagem com os demais. Isso pode


produto mais ao gosto do cliente; Melhor comuni- incluir a criação de novos produtos ou serviços, a
cação; Recursos direcionados ao público certo e modificação de processos internos ou a alteração
consequentemente menor gasto com campanhas da forma como as pessoas se comunicam com os
publicitárias. Estreitamento de relacionamento e demais membros de sua equipe.
consequentemente aumento da identificação do Na visão de David Rogers, autor do livro The Digi-
cliente com a marca. Possibilidade de descobrir tal Transformation Playbook, a preparação para a
um nicho rentável e inexplorado pela concorrên- transformação digital, que exige uma rápida adap-
cia. tação, passa por cinco domínios fundamentais, os
Processo de segmentação: 1. Escolher os critérios; quais: clientes, competição, dados, inovação e va-
2. Descrição de cada segmentos; 3. Escolha do lor.
segmento (s) que atuará; Por meio desse tipo de recurso, as corporações
4. Definição da política de marketing. conseguem adquirir um importante ganho de pro-
dutividade em relação às atividades exercidas por
QUESTÃO meio de métodos antigos. Assim, todas as tarefas
50 - CESGRANRIO Órgão: Banco da Amazô- são redesenhadas para incluir tais elementos, se-
nia. A segmentação é uma estratégia importante jam eles aplicativos, sistemas, plataformas e de-
para que as marcas se consolidem no mercado. mais recursos digitais.
Entre os diversos fins de sua aplicabilidade pelas Como funciona o financeiro digital?
empresas, está a A fim de explorar os benefícios das inovações, o
A. A alocação dos produtos em áreas de maior mercado financeiro também está desenvolvendo
concorrência. diversos recursos a fim de assegurar agilidade,
B. análise dos fatores que atuam no macroambi- produtividade e resultados favoráveis em seus
ente. processos.
C. avaliação das forças e fraquezas da companhia. Tais recursos podem ser utilizados tanto por em-
D. identificação de nichos rentáveis de mercado. presas que atuam diretamente no sistema finan-
E. paridade com as marcas concorrentes. ceiro, quanto pela equipe financeira das empre-
sas. Visto que o sucesso financeiro é fundamental
para manter a corporação lucrativa, o uso de pro-
GABARITO gramas, aplicativos e ferramentas desenvolvidos
50 – D para esse fim, contribui de forma direta para man-
ter sua empresa competitiva no mercado.
A geração e uso de dados representa um ótimo
exemplo de como a transformação digital está tra-
9.15 - TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NO SIS- zendo melhores condições para todo o mercado.
TEMA FINANCEIRO. Enquanto as instituições financeiras podem explo-
A tecnologia está conseguindo viabilizar diversas rar as inovações do Open Finance para fazer bons
alternativas que, antes, eram restritas aos méto- negócios, em um nível empresarial, você pode ter
dos antigos. Por isso, é importante que se entenda acesso a dados relevantes para o processo de to-
os efeitos da transformação digital no sistema fi- mada de decisões.
nanceiro, a fim de aproveitar os benefícios desse Qual é a importância da transformação digital no
tipo de inovação no seu próprio mercado. sistema financeiro?
O acúmulo de papel é um dos entraves resolvidos, Muito provavelmente, a transformação digital é o
e isso ocorre pela utilização da assinatura eletrô- grande agente causador da inovação no mercado
nica que atua de maneira vital para a aceleração financeiro. Diversos procedimentos que antes
de processos internos nas empresas. eram repletos de burocracia, agora, contam com
Ao ler o texto, você tomará conhecimento da im- uma agilidade nunca antes vista.
portância desse tema para o mercado de finanças Dessa forma, podemos concluir que, sem as novas
e conhecerá os efeitos decorrentes de tanta tec- tecnologias, o mercado financeiro não se apresen-
nologia aplicada de forma inteligente, visando à taria tão disruptivo como é hoje. Um bom exemplo
otimização de processos. disso é a assinatura eletrônica para bancos e ins-
O que é transformação digital? tituições financeiras.
A transformação digital representa o processo de Esse tipo de transformação digital permite que se
usar tecnologias digitais para mudar a forma como abram contas digitais e empréstimos sejam feitos
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no conforto do lar, sem precisar de deslocamento. aumentar a segurança dos usuários e proporcionar
A antiga papelada deu vez a processos dinâmicos maior facilidade para acessar os dados da conta
e, muitos deles, são encabeçados por diversas fin- bancária.
techs do mercado brasileiro. Nesse sentido, os bancos digitais também dispo-
Quais são os efeitos da transformação digital no nibilizam esse recurso aos clientes para acessar o
sistema financeiro? aplicativo, confirmar operações financeiras e au-
Entre os diversos impactos positivos causados mentar a proteção das contas dos seus usuários.
pela transformação digital no sistema financeiro Além disso, o reconhecimento facial está ga-
certamente está a revolução nos métodos de pa- nhando campo, elevando ainda mais a segurança
gamentos. O caso mais emblemático é a recente e evitando fraudes no mercado financeiro.
implantação do PIX, um meio de transações de- Utilização de Inteligência Artificial
senvolvido pelo Banco Central que disponibiliza A Inteligência Artificial (IA) é uma aliada impor-
transferências e pagamentos em até 10 segundos, tante na hora de automatizar tarefas dos bancos
todos os dias da semana. e instituições financeiras, gerando eficiência e pro-
Além disso, casos de profundo ganho operacional porcionando melhores serviços aos clientes. Por
se verificam em empresas que adotaram soluções meio dela, é possível ter acesso a muitos dados
em assinatura eletrônica. Foi o que aconteceu com importantes na hora de fidelizar o consumidor.
o Banco Inter. Ao utilizar a assinatura no formato Além disso, é plausível conhecer mais sobre os cli-
eletrônico em seus processos, o tempo de contra- entes e melhorar a tomada de decisão na organi-
tação de empréstimos consignados caiu para ape- zação, por meio da coleta e tratamento de dados
nas 6 dias (antes eram 15). A taxa de desistência usando IA. Há ainda mais um uso comum desse
também caiu para, aproximadamente, 10%. recurso, no atendimento ao cliente.
Já a área de seguros da Unimed conseguiu exce- Por meio de chatbots, evitam-se filas longas, o
lentes resultados implementando recursos que a que melhora o suporte ao cliente e garante maior
transformação digital oferece. Até o momento, fo- satisfação aos usuários. Assim, pode-se destinar
ram mais de R$ 13 milhões em insumos de escri- os colaboradores para atividades mais estratégi-
tório economizados, 10 milhões de folhas de papel cas.
usadas em 3 anos, e uma incrível redução de 70% Recursos de criptografia
no tempo gasto na conclusão de procedimentos A proteção de dados é um aspecto cada vez mais
internos. importante em todos os setores. No mercado fi-
Quais são as principais tecnologias do mercado fi- nanceiro, ainda mais, dado a sensibilidade das in-
nanceiro? formações financeiras das pessoas. Além disso,
Entender quais são as principais tecnologias apli- com a LGPD se faz relevante encontrar meios de
cadas no mercado financeiro é relevante para en- assegurar tranquilidade e proteção aos seus clien-
contrar e aplicar as melhores soluções. Com o in- tes.
tuito de ajudá-lo nessa tarefa, separamos várias Nesse sentido, a criptografia é uma aliada impor-
ferramentas fundamentais para o sucesso nesse tante para as empresas no setor financeiro. Por
segmento. Continue lendo e confira! meio dela, garantem-se transações seguras e
Uso de API transparentes, dados armazenados em locais ade-
As APIs (Application Programming Intergace) ser- quados a fim de evitar vazamentos e tranquilidade
vem para interligar informações importantes por aos clientes na hora de usar suas contas bancá-
meio de códigos de programação. Assim, é possí- rias.
vel ampliar a visão e encontrar boas oportunida- Portanto, investir em soluções de transformação
des no mercado. digital que usam criptografia e assegurar que essa
Por exemplo, por meio das APIs, é possível ter e as demais ferramentas sejam aplicadas é funda-
uma comunicação interna e externa mais eficaz. mental para ter sucesso. Além disso, é válido
Desse modo, consegue-se melhorar o relaciona- acompanhar as novidades do mercado para imple-
mento com o cliente e encontrar meios de perso- mentar na empresa.
nalizar soluções e oferecer serviços mais adequa- E as tendências da transformação digital para o
dos, aumentando o resultado da instituição finan- mercado financeiro?
ceira. Agora que você já conhece como a transformação
Aplicação de identificação biométrica digital está impactando o mercado financeiro, é
Nos caixas eletrônicos, a biometria já é utilizada hora de entender quais as principais tendências
há muitos anos. Por meio dela, foi possível
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para esse setor, além de saber o que esperar do É importante que você entenda os efeitos da
futuro dessas inovações. transformação digital no sistema financeiro e
Centralização dos pagamentos como podem auxiliar na hora de alcançar resulta-
A centralização de pagamentos é uma das inova- dos incríveis para as organizações. Contar com to-
ções mais importantes para trazer segurança e dos os recursos tecnológicos disponíveis promove
agilidade para todos os envolvidos com as etapas ganho de tempo e ótima redução de custos, além
financeiras de uma empresa. de aumentar o faturamento pela aquisição de mais
Entre as principais novidades que estão em desen- clientes. Outro ponto de grande benefício é ajudar
volvimento, há expectativa para a centralização o meio ambiente com colaborações sustentáveis,
dos tributos em um único meio para facilitar as como a redução no uso de material impresso de
atividades contábeis do negócio. Como a legisla- utilização geral.
ção tributária do Brasil é profundamente com- QUESTÃO SOBRE O TEMA
pleta, é necessário realizar o pagamento de tribu- 51 - Instituto AOCP - BANESE - Técnico Bancário
tos em diversos níveis: estadual, federal e muni- - Área: Informática - Desenvolvimento – 2022. A
cipal. transformação digital gera estratégia e novos mo-
Nesse contexto, uma das principais inovações pre- dos de pensar que a era digital exige para a atua-
vistas para entrar em vigor nos próximos anos é a lização mental das pessoas de negócio. Isso vai
utilização de uma plataforma que centraliza o pa- além de uma infraestrutura de tecnologia da infor-
gamento de tributos ao contar com um Carteira mação. Sabendo disso, a transformação digital
Digital. Esse tipo de instrumento promete reduzir considera cinco domínios. Três desses domínios
os erros de cálculo e facilitar o processo contábil são:
nas empresas. A. valor do negócio, inovação e competição.
Uso de certificado eletrônico B. cliente, dados e liderança digital.
Os certificados eletrônicos são uma tecnologia que C. valor digital, educação digital e competição.
utiliza mecanismos de segurança no intuito de as- D. educação digital, cliente e finança digital.
segurar a autenticidade de uma assinatura eletrô- E. globalização, inovação e liderança digital.
nica. Por meio dessa inovação, há o armazena-
mento de um arquivo eletrônico em uma mídia di-
gital que pode ser ligada a um cartão — chamado GABARITO
smart card — ou token, semelhante a um pen- 51 – A
drive.
Desse modo, o arquivo digital contém o nome de
usuário, um código usado para validação da assi- EDITAL: 12.12 - Não serão objeto de avalia-
natura e uma chave privada que apenas o propri- ção nas provas deste Concurso Público legis-
etário tem acesso. Assim, é possível realizar a as- lação com entrada em vigor após a data de
sinatura de maneira simples, prática e segura. publicação deste Edital, bem como altera-
Desse modo, o certificado pode ser utilizado para: ções em dispositivos legais e normativos a
trazer segurança de informações restritas na em- ela posteriores.
presa; trazer agilidade para os processos internos;
reduzir custo com a impressão física dos docu- 9.16 Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD):
mentos; trazer uma nova perspectiva alinhada aos Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 e
melhores padrões de sustentabilidade; gerar mo- suas alterações.
bilidade para que os líderes tenham acesso aos CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
documentos, independentemente de onde este- Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o tratamento de da-
jam. dos pessoais, inclusive nos meios digitais, por pes-
soa natural ou por pessoa jurídica de direito pú-
Quais são os 5 domínios da Transformação Digital?
blico ou privado, com o objetivo de proteger os
direitos fundamentais de liberdade e de privaci-
Na visão de Rogers, a preparação para a
dade e o livre desenvolvimento da personalidade
transformação digital, que exige uma rápida
da pessoa natural.
adaptação, passa por cinco domínios
Parágrafo único. As normas gerais contidas nesta
fundamentais, os quais: clientes, competição,
Lei são de interesse nacional e devem ser obser-
dados, inovação e valor.
vadas pela União, Estados, Distrito Federal e
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Municípios. (Incluído pela Lei nº 13.853, de público, observados o devido processo legal, os
2019) Vigência princípios gerais de proteção e os direitos do titu-
Art. 2º A disciplina da proteção de dados pessoais lar previstos nesta Lei.
tem como fundamentos: I - o respeito à privaci- § 2º É vedado o tratamento dos dados a que se
dade; II - a autodeterminação informativa; III - a refere o inciso III do caput deste artigo por pessoa
liberdade de expressão, de informação, de comu- de direito privado, exceto em procedimentos sob
nicação e de opinião; IV - a inviolabilidade da inti- tutela de pessoa jurídica de direito público, que
midade, da honra e da imagem; V - o desenvolvi- serão objeto de informe específico à autoridade
mento econômico e tecnológico e a inovação; VI - nacional e que deverão observar a limitação im-
a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do posta no § 4º deste artigo.
consumidor; e, VII - os direitos humanos, o livre § 3º A autoridade nacional emitirá opiniões técni-
desenvolvimento da personalidade, a dignidade e cas ou recomendações referentes às exceções
o exercício da cidadania pelas pessoas naturais. previstas no inciso III do caput deste artigo e de-
Art. 3º Esta Lei aplica-se a qualquer operação de verá solicitar aos responsáveis relatórios de im-
tratamento realizada por pessoa natural ou por pacto à proteção de dados pessoais.
pessoa jurídica de direito público ou privado, inde- § 4º Em nenhum caso a totalidade dos dados pes-
pendentemente do meio, do país de sua sede ou soais de banco de dados de que trata o inciso III
do país onde estejam localizados os dados, desde do caput deste artigo poderá ser tratada por pes-
que: I - a operação de tratamento seja realizada soa de direito privado, salvo por aquela que pos-
no território nacional; II - a atividade de trata- sua capital integralmente constituído pelo poder
mento tenha por objetivo a oferta ou o forneci- público. (Redação dada pela Lei nº 13.853,
mento de bens ou serviços ou o tratamento de da- de 2019) Vigência
dos de indivíduos localizados no território nacio- Art. 5º Para os fins desta Lei, considera-se:
nal; ou III - os dados pessoais objeto do trata- I - dado pessoal: informação relacionada a pessoa
mento tenham sido coletados no território nacio- natural identificada ou identificável;
nal. II - dado pessoal sensível: dado pessoal sobre ori-
§ 1º Consideram-se coletados no território nacio- gem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião
nal os dados pessoais cujo titular nele se encontre política, filiação a sindicato ou a organização de
no momento da coleta. caráter religioso, filosófico ou político, dado refe-
§ 2º Excetua-se do disposto no inciso I deste ar- rente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou
tigo o tratamento de dados previsto no inciso IV biométrico, quando vinculado a uma pessoa natu-
do caput do art. 4º desta Lei. ral;
Art. 4º Esta Lei não se aplica ao tratamento de III - dado anonimizado: dado relativo a titular que
dados pessoais: I - realizado por pessoa natural não possa ser identificado, considerando a utiliza-
para fins exclusivamente particulares e não econô- ção de meios técnicos razoáveis e disponíveis na
micos; II - realizado para fins exclusivamente: a) ocasião de seu tratamento;
jornalístico e artísticos; ou, b) acadêmicos, apli- IV - banco de dados: conjunto estruturado de da-
cando-se a esta hipótese os arts. 7º e 11 desta dos pessoais, estabelecido em um ou em vários
Lei; III - realizado para fins exclusivos de: a) se- locais, em suporte eletrônico ou físico;
gurança pública; b) defesa nacional; c) segurança V - titular: pessoa natural a quem se referem os
do Estado; ou, d) atividades de investigação e re- dados pessoais que são objeto de tratamento;
pressão de infrações penais; ou VI - controlador: pessoa natural ou jurídica, de di-
IV - provenientes de fora do território nacional e reito público ou privado, a quem competem as de-
que não sejam objeto de comunicação, uso com- cisões referentes ao tratamento de dados pesso-
partilhado de dados com agentes de tratamento ais;
brasileiros ou objeto de transferência internacional VII - operador: pessoa natural ou jurídica, de di-
de dados com outro país que não o de proveniên- reito público ou privado, que realiza o tratamento
cia, desde que o país de proveniência proporcione de dados pessoais em nome do controlador;
grau de proteção de dados pessoais adequado ao VIII - encarregado: pessoa indicada pelo contro-
previsto nesta Lei. lador e operador para atuar como canal de comu-
§ 1º O tratamento de dados pessoais previsto no nicação entre o controlador, os titulares dos dados
inciso III será regido por legislação específica, que e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados
deverá prever medidas proporcionais e estrita- (ANPD);
mente necessárias ao atendimento do interesse
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IX - agentes de tratamento: o controlador e o ope- XIX - autoridade nacional: órgão da administração


rador; pública responsável por zelar, implementar e fis-
X - tratamento: toda operação realizada com da- calizar o cumprimento desta Lei em todo o territó-
dos pessoais, como as que se referem a coleta, rio nacional. (Redação dada pela Lei nº 13.853,
produção, recepção, classificação, utilização, de 2019) Vigência
acesso, reprodução, transmissão, distribuição, Art. 6º As atividades de tratamento de dados pes-
processamento, arquivamento, armazenamento, soais deverão observar a boa-fé e os seguintes
eliminação, avaliação ou controle da informação, princípios:
modificação, comunicação, transferência, difusão I - finalidade: realização do tratamento para pro-
ou extração; pósitos legítimos, específicos, explícitos e informa-
XI - anonimização: utilização de meios técnicos ra- dos ao titular, sem possibilidade de tratamento
zoáveis e disponíveis no momento do tratamento, posterior de forma incompatível com essas finali-
por meio dos quais um dado perde a possibilidade dades;
de associação, direta ou indireta, a um indivíduo; II - adequação: compatibilidade do tratamento
XII - consentimento: manifestação livre, infor- com as finalidades informadas ao titular, de
mada e inequívoca pela qual o titular concorda acordo com o contexto do tratamento;
com o tratamento de seus dados pessoais para III - necessidade: limitação do tratamento ao mí-
uma finalidade determinada; nimo necessário para a realização de suas finali-
XIII - bloqueio: suspensão temporária de qualquer dades, com abrangência dos dados pertinentes,
operação de tratamento, mediante guarda do proporcionais e não excessivos em relação às fi-
dado pessoal ou do banco de dados; nalidades do tratamento de dados;
XIV - eliminação: exclusão de dado ou de conjunto IV - livre acesso: garantia, aos titulares, de con-
de dados armazenados em banco de dados, inde- sulta facilitada e gratuita sobre a forma e a dura-
pendentemente do procedimento empregado; ção do tratamento, bem como sobre a integrali-
XV - transferência internacional de dados: trans- dade de seus dados pessoais;
ferência de dados pessoais para país estrangeiro V - qualidade dos dados: garantia, aos titulares,
ou organismo internacional do qual o país seja de exatidão, clareza, relevância e atualização dos
membro; dados, de acordo com a necessidade e para o cum-
XVI - uso compartilhado de dados: comunicação, primento da finalidade de seu tratamento;
difusão, transferência internacional, interconexão VI - transparência: garantia, aos titulares, de in-
de dados pessoais ou tratamento compartilhado formações claras, precisas e facilmente acessíveis
de bancos de dados pessoais por órgãos e entida- sobre a realização do tratamento e os respectivos
des públicos no cumprimento de suas competên- agentes de tratamento, observados os segredos
cias legais, ou entre esses e entes privados, reci- comercial e industrial;
procamente, com autorização específica, para VII - segurança: utilização de medidas técnicas e
uma ou mais modalidades de tratamento permiti- administrativas aptas a proteger os dados pesso-
das por esses entes públicos, ou entre entes pri- ais de acessos não autorizados e de situações aci-
vados; dentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração,
XVII - relatório de impacto à proteção de dados comunicação ou difusão;
pessoais: documentação do controlador que con- VIII - prevenção: adoção de medidas para preve-
tém a descrição dos processos de tratamento de nir a ocorrência de danos em virtude do trata-
dados pessoais que podem gerar riscos às liberda- mento de dados pessoais;
des civis e aos direitos fundamentais, bem como IX - não discriminação: impossibilidade de realiza-
medidas, salvaguardas e mecanismos de mitiga- ção do tratamento para fins discriminatórios ilíci-
ção de risco; tos ou abusivos;
XVIII - órgão de pesquisa: órgão ou entidade da X - responsabilização e prestação de contas: de-
administração pública direta ou indireta ou pessoa monstração, pelo agente, da adoção de medidas
jurídica de direito privado sem fins lucrativos le- eficazes e capazes de comprovar a observância e
galmente constituída sob as leis brasileiras, com o cumprimento das normas de proteção de dados
sede e foro no País, que inclua em sua missão ins- pessoais e, inclusive, da eficácia dessas medidas.
titucional ou em seu objetivo social ou estatutário CAPÍTULO II - DO TRATAMENTO DE DADOS PES-
a pesquisa básica ou aplicada de caráter histórico, SOAIS
científico, tecnológico ou estatístico; e (Reda- Seção I - Dos Requisitos para o Tratamento de Da-
ção dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência dos Pessoais
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Art. 7º O tratamento de dados pessoais somente consentimento específico do titular para esse fim,
poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: ressalvadas as hipóteses de dispensa do consenti-
I - mediante o fornecimento de consentimento mento previstas nesta Lei.
pelo titular; § 6º A eventual dispensa da exigência do consen-
II - para o cumprimento de obrigação legal ou re- timento não desobriga os agentes de tratamento
gulatória pelo controlador; das demais obrigações previstas nesta Lei, espe-
III - pela administração pública, para o tratamento cialmente da observância dos princípios gerais e
e uso compartilhado de dados necessários à exe- da garantia dos direitos do titular.
cução de políticas públicas previstas em leis e re- § 7º O tratamento posterior dos dados pessoais a
gulamentos ou respaldadas em contratos, convê- que se referem os §§ 3º e 4º deste artigo poderá
nios ou instrumentos congêneres, observadas as ser realizado para novas finalidades, desde que
disposições do Capítulo IV desta Lei; observados os propósitos legítimos e específicos
IV - para a realização de estudos por órgão de para o novo tratamento e a preservação dos direi-
pesquisa, garantida, sempre que possível, a ano- tos do titular, assim como os fundamentos e os
nimização dos dados pessoais; princípios previstos nesta Lei. (Incluído pela
V - quando necessário para a execução de con- Lei nº 13.853, de 2019) Vigência
trato ou de procedimentos preliminares relaciona- Art. 8º O consentimento previsto no inciso I do art.
dos a contrato do qual seja parte o titular, a pe- 7º desta Lei deverá ser fornecido por escrito ou
dido do titular dos dados; por outro meio que demonstre a manifestação de
VI - para o exercício regular de direitos em pro- vontade do titular.
cesso judicial, administrativo ou arbitral, esse úl- § 1º Caso o consentimento seja fornecido por es-
timo nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setem- crito, esse deverá constar de cláusula destacada
bro de 1996 (Lei de Arbitragem) ; das demais cláusulas contratuais.
VII - para a proteção da vida ou da incolumidade § 2º Cabe ao controlador o ônus da prova de que
física do titular ou de terceiro; o consentimento foi obtido em conformidade com
VIII - para a tutela da saúde, exclusivamente, em o disposto nesta Lei.
procedimento realizado por profissionais de sa- § 3º É vedado o tratamento de dados pessoais
úde, serviços de saúde ou autoridade sanitária; mediante vício de consentimento.
(Redação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vi- § 4º O consentimento deverá referir-se a finalida-
gência des determinadas, e as autorizações genéricas
IX - quando necessário para atender aos interes- para o tratamento de dados pessoais serão nulas.
ses legítimos do controlador ou de terceiro, exceto § 5º O consentimento pode ser revogado a qual-
no caso de prevalecerem direitos e liberdades fun- quer momento mediante manifestação expressa
damentais do titular que exijam a proteção dos do titular, por procedimento gratuito e facilitado,
dados pessoais; ou ratificados os tratamentos realizados sob amparo
X - para a proteção do crédito, inclusive quanto ao do consentimento anteriormente manifestado en-
disposto na legislação pertinente. quanto não houver requerimento de eliminação,
§ 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº nos termos do inciso VI do caput do art. 18 desta
13.853, de 2019) Vigência Lei.
§ 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº § 6º Em caso de alteração de informação referida
13.853, de 2019) Vigência nos incisos I, II, III ou V do art. 9º desta Lei, o
§ 3º O tratamento de dados pessoais cujo acesso controlador deverá informar ao titular, com desta-
é público deve considerar a finalidade, a boa-fé e que de forma específica do teor das alterações,
o interesse público que justificaram sua disponibi- podendo o titular, nos casos em que o seu consen-
lização. timento é exigido, revogá-lo caso discorde da al-
§ 4º É dispensada a exigência do consentimento teração.
previsto no caput deste artigo para os dados tor- Art. 9º O titular tem direito ao acesso facilitado às
nados manifestamente públicos pelo titular, res- informações sobre o tratamento de seus dados,
guardados os direitos do titular e os princípios pre- que deverão ser disponibilizadas de forma clara,
vistos nesta Lei. adequada e ostensiva acerca de, entre outras ca-
§ 5º O controlador que obteve o consentimento racterísticas previstas em regulamentação para o
referido no inciso I do caput deste artigo que ne- atendimento do princípio do livre acesso: I - fina-
cessitar comunicar ou compartilhar dados pesso- lidade específica do tratamento; II - forma e du-
ais com outros controladores deverá obter ração do tratamento, observados os segredos
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comercial e industrial; III - identificação do con- I - quando o titular ou seu responsável legal con-
trolador; IV - informações de contato do controla- sentir, de forma específica e destacada, para fina-
dor; lidades específicas;
V - informações acerca do uso compartilhado de II - sem fornecimento de consentimento do titular,
dados pelo controlador e a finalidade; VI - respon- nas hipóteses em que for indispensável para:
sabilidades dos agentes que realizarão o trata- a) cumprimento de obrigação legal ou regulatória
mento; e, VII - direitos do titular, com menção pelo controlador;
explícita aos direitos contidos no art. 18 desta Lei. b) tratamento compartilhado de dados necessá-
§ 1º Na hipótese em que o consentimento é re- rios à execução, pela administração pública, de
querido, esse será considerado nulo caso as infor- políticas públicas previstas em leis ou regulamen-
mações fornecidas ao titular tenham conteúdo en- tos;
ganoso ou abusivo ou não tenham sido apresen- c) realização de estudos por órgão de pesquisa,
tadas previamente com transparência, de forma garantida, sempre que possível, a anonimização
clara e inequívoca. dos dados pessoais sensíveis;
§ 2º Na hipótese em que o consentimento é re- d) exercício regular de direitos, inclusive em con-
querido, se houver mudanças da finalidade para o trato e em processo judicial, administrativo e ar-
tratamento de dados pessoais não compatíveis bitral, este último nos termos da Lei nº 9.307, de
com o consentimento original, o controlador de- 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem) ;
verá informar previamente o titular sobre as mu- e) proteção da vida ou da incolumidade física do
danças de finalidade, podendo o titular revogar o titular ou de terceiro;
consentimento, caso discorde das alterações. f) tutela da saúde, exclusivamente, em procedi-
§ 3º Quando o tratamento de dados pessoais for mento realizado por profissionais de saúde, servi-
condição para o fornecimento de produto ou de ços de saúde ou autoridade sanitária; ou (Re-
serviço ou para o exercício de direito, o titular será dação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigên-
informado com destaque sobre esse fato e sobre cia
os meios pelos quais poderá exercer os direitos do g) garantia da prevenção à fraude e à segurança
titular elencados no art. 18 desta Lei. do titular, nos processos de identificação e auten-
Art. 10. O legítimo interesse do controlador so- ticação de cadastro em sistemas eletrônicos, res-
mente poderá fundamentar tratamento de dados guardados os direitos mencionados no art. 9º
pessoais para finalidades legítimas, consideradas desta Lei e exceto no caso de prevalecerem direi-
a partir de situações concretas, que incluem, mas tos e liberdades fundamentais do titular que exi-
não se limitam a: I - apoio e promoção de ativida- jam a proteção dos dados pessoais.
des do controlador; e, II - proteção, em relação ao § 1º Aplica-se o disposto neste artigo a qualquer
titular, do exercício regular de seus direitos ou tratamento de dados pessoais que revele dados
prestação de serviços que o beneficiem, respeita- pessoais sensíveis e que possa causar dano ao ti-
das as legítimas expectativas dele e os direitos e tular, ressalvado o disposto em legislação especí-
liberdades fundamentais, nos termos desta Lei. fica.
§ 1º Quando o tratamento for baseado no legítimo § 2º Nos casos de aplicação do disposto nas alí-
interesse do controlador, somente os dados pes- neas “a” e “b” do inciso II do caput deste artigo
soais estritamente necessários para a finalidade pelos órgãos e pelas entidades públicas, será dada
pretendida poderão ser tratados. publicidade à referida dispensa de consentimento,
§ 2º O controlador deverá adotar medidas para nos termos do inciso I do caput do art. 23 desta
garantir a transparência do tratamento de dados Lei.
baseado em seu legítimo interesse. § 3º A comunicação ou o uso compartilhado de
§ 3º A autoridade nacional poderá solicitar ao con- dados pessoais sensíveis entre controladores com
trolador relatório de impacto à proteção de dados objetivo de obter vantagem econômica poderá ser
pessoais, quando o tratamento tiver como funda- objeto de vedação ou de regulamentação por
mento seu interesse legítimo, observados os se- parte da autoridade nacional, ouvidos os órgãos
gredos comercial e industrial. setoriais do Poder Público, no âmbito de suas com-
Seção II - Do Tratamento de Dados Pessoais Sen- petências.
síveis § 4º É vedada a comunicação ou o uso comparti-
Art. 11. O tratamento de dados pessoais sensíveis lhado entre controladores de dados pessoais sen-
somente poderá ocorrer nas seguintes hipóteses: síveis referentes à saúde com objetivo de obter
vantagem econômica, exceto nas hipóteses
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relativas a prestação de serviços de saúde, de as- § 2º O órgão de pesquisa será o responsável pela
sistência farmacêutica e de assistência à saúde, segurança da informação prevista no caput deste
desde que observado o § 5º deste artigo, incluídos artigo, não permitida, em circunstância alguma, a
os serviços auxiliares de diagnose e terapia, em transferência dos dados a terceiro.
benefício dos interesses dos titulares de dados, e § 3º O acesso aos dados de que trata este artigo
para permitir: será objeto de regulamentação por parte da auto-
I - a portabilidade de dados quando solicitada pelo ridade nacional e das autoridades da área de sa-
titular; ou (Incluído pela Lei nº 13.853, de úde e sanitárias, no âmbito de suas competências.
2019) Vigência § 4º Para os efeitos deste artigo, a pseudonimiza-
II - as transações financeiras e administrativas re- ção é o tratamento por meio do qual um dado
sultantes do uso e da prestação dos serviços de perde a possibilidade de associação, direta ou in-
que trata este parágrafo. § 5º É vedado às ope- direta, a um indivíduo, senão pelo uso de informa-
radoras de planos privados de assistência à saúde ção adicional mantida separadamente pelo contro-
o tratamento de dados de saúde para a prática de lador em ambiente controlado e seguro.
seleção de riscos na contratação de qualquer mo- Seção III - Do Tratamento de Dados Pessoais de
dalidade, assim como na contratação e exclusão Crianças e de Adolescentes
de beneficiários. Art. 14. O tratamento de dados pessoais de crian-
Art. 12. Os dados anonimizados não serão consi- ças e de adolescentes deverá ser realizado em seu
derados dados pessoais para os fins desta Lei, melhor interesse, nos termos deste artigo e da le-
salvo quando o processo de anonimização ao qual gislação pertinente.
foram submetidos for revertido, utilizando exclu- § 1º O tratamento de dados pessoais de crianças
sivamente meios próprios, ou quando, com esfor- deverá ser realizado com o consentimento especí-
ços razoáveis, puder ser revertido. fico e em destaque dado por pelo menos um dos
§ 1º A determinação do que seja razoável deve pais ou pelo responsável legal.
levar em consideração fatores objetivos, tais como § 2º No tratamento de dados de que trata o § 1º
custo e tempo necessários para reverter o pro- deste artigo, os controladores deverão manter pú-
cesso de anonimização, de acordo com as tecno- blica a informação sobre os tipos de dados coleta-
logias disponíveis, e a utilização exclusiva de dos, a forma de sua utilização e os procedimentos
meios próprios. para o exercício dos direitos a que se refere o art.
§ 2º Poderão ser igualmente considerados como 18 desta Lei.
dados pessoais, para os fins desta Lei, aqueles uti- § 3º Poderão ser coletados dados pessoais de cri-
lizados para formação do perfil comportamental anças sem o consentimento a que se refere o § 1º
de determinada pessoa natural, se identificada. deste artigo quando a coleta for necessária para
§ 3º A autoridade nacional poderá dispor sobre pa- contatar os pais ou o responsável legal, utilizados
drões e técnicas utilizados em processos de ano- uma única vez e sem armazenamento, ou para sua
nimização e realizar verificações acerca de sua se- proteção, e em nenhum caso poderão ser repas-
gurança, ouvido o Conselho Nacional de Proteção sados a terceiro sem o consentimento de que trata
de Dados Pessoais. o § 1º deste artigo.
Art. 13. Na realização de estudos em saúde pú- § 4º Os controladores não deverão condicionar a
blica, os órgãos de pesquisa poderão ter acesso a participação dos titulares de que trata o § 1º deste
bases de dados pessoais, que serão tratados ex- artigo em jogos, aplicações de internet ou outras
clusivamente dentro do órgão e estritamente para atividades ao fornecimento de informações pesso-
a finalidade de realização de estudos e pesquisas ais além das estritamente necessárias à atividade.
e mantidos em ambiente controlado e seguro, § 5º O controlador deve realizar todos os esforços
conforme práticas de segurança previstas em re- razoáveis para verificar que o consentimento a
gulamento específico e que incluam, sempre que que se refere o § 1º deste artigo foi dado pelo res-
possível, a anonimização ou pseudonimização dos ponsável pela criança, consideradas as tecnologias
dados, bem como considerem os devidos padrões disponíveis.
éticos relacionados a estudos e pesquisas. § 6º As informações sobre o tratamento de dados
§ 1º A divulgação dos resultados ou de qualquer referidas neste artigo deverão ser fornecidas de
excerto do estudo ou da pesquisa de que trata o maneira simples, clara e acessível, consideradas
caput deste artigo em nenhuma hipótese poderá as características físico-motoras, perceptivas,
revelar dados pessoais. sensoriais, intelectuais e mentais do usuário, com
uso de recursos audiovisuais quando adequado,
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de forma a proporcionar a informação necessária quais o controlador realizou uso compartilhado de


aos pais ou ao responsável legal e adequada ao dados; VIII - informação sobre a possibilidade de
entendimento da criança. não fornecer consentimento e sobre as conse-
Seção IV - Do Término do Tratamento de Dados quências da negativa; IX - revogação do consen-
Art. 15. O término do tratamento de dados pesso- timento, nos termos do § 5º do art. 8º desta Lei.
ais ocorrerá nas seguintes hipóteses: § 1º O titular dos dados pessoais tem o direito de
I - verificação de que a finalidade foi alcançada ou peticionar em relação aos seus dados contra o
de que os dados deixaram de ser necessários ou controlador perante a autoridade nacional.
pertinentes ao alcance da finalidade específica al- § 2º O titular pode opor-se a tratamento realizado
mejada; com fundamento em uma das hipóteses de dis-
II - fim do período de tratamento; pensa de consentimento, em caso de descumpri-
III - comunicação do titular, inclusive no exercício mento ao disposto nesta Lei.
de seu direito de revogação do consentimento § 3º Os direitos previstos neste artigo serão exer-
conforme disposto no § 5º do art. 8º desta Lei, cidos mediante requerimento expresso do titular
resguardado o interesse público; ou ou de representante legalmente constituído, a
IV - determinação da autoridade nacional, quando agente de tratamento.
houver violação ao disposto nesta Lei. § 4º Em caso de impossibilidade de adoção imedi-
Art. 16. Os dados pessoais serão eliminados após ata da providência de que trata o § 3º deste ar-
o término de seu tratamento, no âmbito e nos li- tigo, o controlador enviará ao titular resposta em
mites técnicos das atividades, autorizada a con- que poderá:
servação para as seguintes finalidades: I - comunicar que não é agente de tratamento dos
I - cumprimento de obrigação legal ou regulatória dados e indicar, sempre que possível, o agente;
pelo controlador; ou
II - estudo por órgão de pesquisa, garantida, sem- II - indicar as razões de fato ou de direito que im-
pre que possível, a anonimização dos dados pes- pedem a adoção imediata da providência.
soais; § 5º O requerimento referido no § 3º deste artigo
III - transferência a terceiro, desde que respeita- será atendido sem custos para o titular, nos pra-
dos os requisitos de tratamento de dados dispos- zos e nos termos previstos em regulamento.
tos nesta Lei; ou § 6º O responsável deverá informar, de maneira
IV - uso exclusivo do controlador, vedado seu imediata, aos agentes de tratamento com os quais
acesso por terceiro, e desde que anonimizados os tenha realizado uso compartilhado de dados a cor-
dados. reção, a eliminação, a anonimização ou o bloqueio
CAPÍTULO III - DOS DIREITOS DO TITULAR dos dados, para que repitam idêntico procedi-
Art. 17. Toda pessoa natural tem assegurada a ti- mento, exceto nos casos em que esta comunica-
tularidade de seus dados pessoais e garantidos os ção seja comprovadamente impossível ou impli-
direitos fundamentais de liberdade, de intimidade que esforço desproporcional. (Redação dada
e de privacidade, nos termos desta Lei. pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência
Art. 18. O titular dos dados pessoais tem direito a § 7º A portabilidade dos dados pessoais a que se
obter do controlador, em relação aos dados do ti- refere o inciso V do caput deste artigo não inclui
tular por ele tratados, a qualquer momento e me- dados que já tenham sido anonimizados pelo con-
diante requisição: I - confirmação da existência de trolador.
tratamento; II - acesso aos dados; III - correção § 8º O direito a que se refere o § 1º deste artigo
de dados incompletos, inexatos ou desatualiza- também poderá ser exercido perante os organis-
dos; IV - anonimização, bloqueio ou eliminação de mos de defesa do consumidor.
dados desnecessários, excessivos ou tratados em Art. 19. A confirmação de existência ou o acesso a
desconformidade com o disposto nesta Lei; V - dados pessoais serão providenciados, mediante
portabilidade dos dados a outro fornecedor de ser- requisição do titular:
viço ou produto, mediante requisição expressa, de I - em formato simplificado, imediatamente; ou
acordo com a regulamentação da autoridade naci- II - por meio de declaração clara e completa, que
onal, observados os segredos comercial e indus- indique a origem dos dados, a inexistência de re-
trial; VI - eliminação dos dados pessoais tratados gistro, os critérios utilizados e a finalidade do tra-
com o consentimento do titular, exceto nas hipó- tamento, observados os segredos comercial e in-
teses previstas no art. 16 desta Lei; VII - informa- dustrial, fornecida no prazo de até 15 (quinze)
ção das entidades públicas e privadas com as dias, contado da data do requerimento do titular.
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§ 1º Os dados pessoais serão armazenados em Informação) , deverá ser realizado para o atendi-
formato que favoreça o exercício do direito de mento de sua finalidade pública, na persecução do
acesso. interesse público, com o objetivo de executar as
§ 2º As informações e os dados poderão ser for- competências legais ou cumprir as atribuições le-
necidos, a critério do titular: I - por meio eletrô- gais do serviço público, desde que:
nico, seguro e idôneo para esse fim; ou, II - sob I - sejam informadas as hipóteses em que, no
forma impressa. exercício de suas competências, realizam o trata-
§ 3º Quando o tratamento tiver origem no consen- mento de dados pessoais, fornecendo informações
timento do titular ou em contrato, o titular poderá claras e atualizadas sobre a previsão legal, a fina-
solicitar cópia eletrônica integral de seus dados lidade, os procedimentos e as práticas utilizadas
pessoais, observados os segredos comercial e in- para a execução dessas atividades, em veículos de
dustrial, nos termos de regulamentação da auto- fácil acesso, preferencialmente em seus sítios ele-
ridade nacional, em formato que permita a sua uti- trônicos; II - (VETADO); III - seja indicado um en-
lização subsequente, inclusive em outras opera- carregado quando realizarem operações de trata-
ções de tratamento. mento de dados pessoais, nos termos do art. 39
§ 4º A autoridade nacional poderá dispor de forma desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 13.853,
diferenciada acerca dos prazos previstos nos inci- de 2019) Vigência
sos I e II do caput deste artigo para os setores IV - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.853,
específicos. de 2019) Vigência
Art. 20. O titular dos dados tem direito a solicitar § 1º A autoridade nacional poderá dispor sobre as
a revisão de decisões tomadas unicamente com formas de publicidade das operações de trata-
base em tratamento automatizado de dados pes- mento.
soais que afetem seus interesses, incluídas as de- § 2º O disposto nesta Lei não dispensa as pessoas
cisões destinadas a definir o seu perfil pessoal, jurídicas mencionadas no caput deste artigo de
profissional, de consumo e de crédito ou os aspec- instituir as autoridades de que trata a Lei nº
tos de sua personalidade. 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de
§ 1º O controlador deverá fornecer, sempre que Acesso à Informação) .
solicitadas, informações claras e adequadas a res- § 3º Os prazos e procedimentos para exercício dos
peito dos critérios e dos procedimentos utilizados direitos do titular perante o Poder Público obser-
para a decisão automatizada, observados os se- varão o disposto em legislação específica, em es-
gredos comercial e industrial. pecial as disposições constantes da Lei nº 9.507,
§ 2º Em caso de não oferecimento de informações de 12 de novembro de 1997 (Lei do Habeas Data)
de que trata o § 1º deste artigo baseado na ob- , da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (Lei
servância de segredo comercial e industrial, a au- Geral do Processo Administrativo) , e da Lei nº
toridade nacional poderá realizar auditoria para 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de
verificação de aspectos discriminatórios em trata- Acesso à Informação) .
mento automatizado de dados pessoais. § 3º (VE- § 4º Os serviços notariais e de registro exercidos
TADO). (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) em caráter privado, por delegação do Poder Pú-
Vigência blico, terão o mesmo tratamento dispensado às
Art. 21. Os dados pessoais referentes ao exercício pessoas jurídicas referidas no caput deste artigo,
regular de direitos pelo titular não podem ser uti- nos termos desta Lei.
lizados em seu prejuízo. § 5º Os órgãos notariais e de registro devem for-
Art. 22. A defesa dos interesses e dos direitos dos necer acesso aos dados por meio eletrônico para
titulares de dados poderá ser exercida em juízo, a administração pública, tendo em vista as finali-
individual ou coletivamente, na forma do disposto dades de que trata o caput deste artigo.
na legislação pertinente, acerca dos instrumentos Art. 24. As empresas públicas e as sociedades de
de tutela individual e coletiva. economia mista que atuam em regime de concor-
CAPÍTULO IV - DO TRATAMENTO DE DADOS PES- rência, sujeitas ao disposto no art. 173 da Consti-
SOAIS PELO PODER PÚBLICO tuição Federal , terão o mesmo tratamento dis-
Seção I - Das Regras pensado às pessoas jurídicas de direito privado
Art. 23. O tratamento de dados pessoais pelas particulares, nos termos desta Lei.
pessoas jurídicas de direito público referidas no Parágrafo único. As empresas públicas e as socie-
parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.527, de 18 dades de economia mista, quando estiverem ope-
de novembro de 2011 (Lei de Acesso à racionalizando políticas públicas e no âmbito da
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execução delas, terão o mesmo tratamento dis- Art. 29. A autoridade nacional poderá solicitar, a
pensado aos órgãos e às entidades do Poder Pú- qualquer momento, aos órgãos e às entidades do
blico, nos termos deste Capítulo. poder público a realização de operações de trata-
Art. 25. Os dados deverão ser mantidos em for- mento de dados pessoais, informações específicas
mato interoperável e estruturado para o uso com- sobre o âmbito e a natureza dos dados e outros
partilhado, com vistas à execução de políticas pú- detalhes do tratamento realizado e poderá emitir
blicas, à prestação de serviços públicos, à descen- parecer técnico complementar para garantir o
tralização da atividade pública e à disseminação e cumprimento desta Lei. Art. 30. A autoridade
ao acesso das informações pelo público em geral. nacional poderá estabelecer normas complemen-
Art. 26. O uso compartilhado de dados pessoais tares para as atividades de comunicação e de uso
pelo Poder Público deve atender a finalidades es- compartilhado de dados pessoais.
pecíficas de execução de políticas públicas e atri- Seção II - Da Responsabilidade
buição legal pelos órgãos e pelas entidades públi- Art. 31. Quando houver infração a esta Lei em de-
cas, respeitados os princípios de proteção de da- corrência do tratamento de dados pessoais por ór-
dos pessoais elencados no art. 6º desta Lei. gãos públicos, a autoridade nacional poderá enviar
§ 1º É vedado ao Poder Público transferir a enti- informe com medidas cabíveis para fazer cessar a
dades privadas dados pessoais constantes de ba- violação.
ses de dados a que tenha acesso, exceto: Art. 32. A autoridade nacional poderá solicitar a
I - em casos de execução descentralizada de ati- agentes do Poder Público a publicação de relató-
vidade pública que exija a transferência, exclusi- rios de impacto à proteção de dados pessoais e
vamente para esse fim específico e determinado, sugerir a adoção de padrões e de boas práticas
observado o disposto na Lei nº 12.527, de 18 de para os tratamentos de dados pessoais pelo Poder
novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação) Público.
II - (VETADO); CAPÍTULO V - DA TRANSFERÊNCIA INTERNACIO-
III - nos casos em que os dados forem acessíveis NAL DE DADOS
publicamente, observadas as disposições desta Art. 33. A transferência internacional de dados
Lei. pessoais somente é permitida nos seguintes ca-
IV - quando houver previsão legal ou a transferên- sos:
cia for respaldada em contratos, convênios ou ins- I - para países ou organismos internacionais que
trumentos congêneres; ou (Incluído pela Lei proporcionem grau de proteção de dados pessoais
nº 13.853, de 2019) Vigência adequado ao previsto nesta Lei;
V - na hipótese de a transferência dos dados ob- II - quando o controlador oferecer e comprovar
jetivar exclusivamente a prevenção de fraudes e garantias de cumprimento dos princípios, dos di-
irregularidades, ou proteger e resguardar a segu- reitos do titular e do regime de proteção de dados
rança e a integridade do titular dos dados, desde previstos nesta Lei, na forma de:
que vedado o tratamento para outras finalidades. a) cláusulas contratuais específicas para determi-
§ 2º Os contratos e convênios de que trata o § 1º nada transferência;
deste artigo deverão ser comunicados à autori- b) cláusulas-padrão contratuais;
dade nacional. c) normas corporativas globais;
Art. 27. A comunicação ou o uso compartilhado de d) selos, certificados e códigos de conduta regu-
dados pessoais de pessoa jurídica de direito pú- larmente emitidos;
blico a pessoa de direito privado será informado à III - quando a transferência for necessária para a
autoridade nacional e dependerá de consenti- cooperação jurídica internacional entre órgãos pú-
mento do titular, exceto: blicos de inteligência, de investigação e de perse-
I - nas hipóteses de dispensa de consentimento cução, de acordo com os instrumentos de direito
previstas nesta Lei; internacional;
II - nos casos de uso compartilhado de dados, em IV - quando a transferência for necessária para a
que será dada publicidade nos termos do inciso I proteção da vida ou da incolumidade física do ti-
do caput do art. 23 desta Lei; ou tular ou de terceiro;
III - nas exceções constantes do § 1º do art. 26 V - quando a autoridade nacional autorizar a
desta Lei. transferência;
Parágrafo único. A informação à autoridade nacio- VI - quando a transferência resultar em compro-
nal de que trata o caput deste artigo será objeto misso assumido em acordo de cooperação inter-
de regulamentação. Art. 28. (VETADO). nacional;
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VII - quando a transferência for necessária para a ser requeridas informações suplementares ou re-
execução de política pública ou atribuição legal do alizadas diligências de verificação quanto às ope-
serviço público, sendo dada publicidade nos ter- rações de tratamento, quando necessário.
mos do inciso I do caput do art. 23 desta Lei; § 3º A autoridade nacional poderá designar orga-
VIII - quando o titular tiver fornecido o seu con- nismos de certificação para a realização do pre-
sentimento específico e em destaque para a trans- visto no caput deste artigo, que permanecerão sob
ferência, com informação prévia sobre o caráter sua fiscalização nos termos definidos em regula-
internacional da operação, distinguindo clara- mento.
mente esta de outras finalidades; ou § 4º Os atos realizados por organismo de certifi-
IX - quando necessário para atender as hipóteses cação poderão ser revistos pela autoridade nacio-
previstas nos incisos II, V e VI do art. 7º desta Lei. nal e, caso em desconformidade com esta Lei,
Parágrafo único. Para os fins do inciso I deste ar- submetidos a revisão ou anulados.
tigo, as pessoas jurídicas de direito público referi- § 5º As garantias suficientes de observância dos
das no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.527, princípios gerais de proteção e dos direitos do ti-
de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à In- tular referidas no caput deste artigo serão tam-
formação) , no âmbito de suas competências le- bém analisadas de acordo com as medidas técni-
gais, e responsáveis, no âmbito de suas ativida- cas e organizacionais adotadas pelo operador, de
des, poderão requerer à autoridade nacional a acordo com o previsto nos §§ 1º e 2º do art. 46
avaliação do nível de proteção a dados pessoais desta Lei.
conferido por país ou organismo internacional. Art. 36. As alterações nas garantias apresentadas
Art. 34. O nível de proteção de dados do país es- como suficientes de observância dos princípios ge-
trangeiro ou do organismo internacional mencio- rais de proteção e dos direitos do titular referidas
nado no inciso I do caput do art. 33 desta Lei será no inciso II do art. 33 desta Lei deverão ser comu-
avaliado pela autoridade nacional, que levará em nicadas à autoridade nacional.
consideração: CAPÍTULO VI - DOS AGENTES DE TRATAMENTO
I - as normas gerais e setoriais da legislação em DE DADOS PESSOAIS
vigor no país de destino ou no organismo interna- Seção I - Do Controlador e do Operador
cional; Art. 37. O controlador e o operador devem manter
II - a natureza dos dados; registro das operações de tratamento de dados
III - a observância dos princípios gerais de prote- pessoais que realizarem, especialmente quando
ção de dados pessoais e direitos dos titulares pre- baseado no legítimo interesse.
vistos nesta Lei; Art. 38. A autoridade nacional poderá determinar
IV - a adoção de medidas de segurança previstas ao controlador que elabore relatório de impacto à
em regulamento; proteção de dados pessoais, inclusive de dados
V - a existência de garantias judiciais e institucio- sensíveis, referente a suas operações de trata-
nais para o respeito aos direitos de proteção de mento de dados, nos termos de regulamento, ob-
dados pessoais; e servados os segredos comercial e industrial.
VI - outras circunstâncias específicas relativas à Parágrafo único. Observado o disposto no caput
transferência. deste artigo, o relatório deverá conter, no mínimo,
Art. 35. A definição do conteúdo de cláusulas-pa- a descrição dos tipos de dados coletados, a meto-
drão contratuais, bem como a verificação de cláu- dologia utilizada para a coleta e para a garantia da
sulas contratuais específicas para uma determi- segurança das informações e a análise do contro-
nada transferência, normas corporativas globais lador com relação a medidas, salvaguardas e me-
ou selos, certificados e códigos de conduta, a que canismos de mitigação de risco adotados.
se refere o inciso II do caput do art. 33 desta Lei, Art. 39. O operador deverá realizar o tratamento
será realizada pela autoridade nacional. segundo as instruções fornecidas pelo controlador,
§ 1º Para a verificação do disposto no caput deste que verificará a observância das próprias instru-
artigo, deverão ser considerados os requisitos, as ções e das normas sobre a matéria.
condições e as garantias mínimas para a transfe- Art. 40. A autoridade nacional poderá dispor sobre
rência que observem os direitos, as garantias e os padrões de interoperabilidade para fins de porta-
princípios desta Lei. bilidade, livre acesso aos dados e segurança, as-
§ 2º Na análise de cláusulas contratuais, de docu- sim como sobre o tempo de guarda dos registros,
mentos ou de normas corporativas globais subme- tendo em vista especialmente a necessidade e a
tidas à aprovação da autoridade nacional, poderão transparência.
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Seção II - Do Encarregado pelo Tratamento de Da- quando a produção de prova pelo titular resultar-
dos Pessoais lhe excessivamente onerosa.
Art. 41. O controlador deverá indicar encarregado § 3º As ações de reparação por danos coletivos
pelo tratamento de dados pessoais. que tenham por objeto a responsabilização nos
§ 1º A identidade e as informações de contato do termos do caput deste artigo podem ser exercidas
encarregado deverão ser divulgadas publica- coletivamente em juízo, observado o disposto na
mente, de forma clara e objetiva, preferencial- legislação pertinente.
mente no sítio eletrônico do controlador. § 4º Aquele que reparar o dano ao titular tem di-
§ 2º As atividades do encarregado consistem em: reito de regresso contra os demais responsáveis,
I - aceitar reclamações e comunicações dos titula- na medida de sua participação no evento danoso.
res, prestar esclarecimentos e adotar providên- Art. 43. Os agentes de tratamento só não serão
cias; responsabilizados quando provarem:
II - receber comunicações da autoridade nacional I - que não realizaram o tratamento de dados pes-
e adotar providências; soais que lhes é atribuído;
III - orientar os funcionários e os contratados da II - que, embora tenham realizado o tratamento
entidade a respeito das práticas a serem tomadas de dados pessoais que lhes é atribuído, não houve
em relação à proteção de dados pessoais; e violação à legislação de proteção de dados; ou
IV - executar as demais atribuições determinadas III - que o dano é decorrente de culpa exclusiva
pelo controlador ou estabelecidas em normas do titular dos dados ou de terceiro.
complementares. Art. 44. O tratamento de dados pessoais será irre-
§ 3º A autoridade nacional poderá estabelecer gular quando deixar de observar a legislação ou
normas complementares sobre a definição e as quando não fornecer a segurança que o titular dele
atribuições do encarregado, inclusive hipóteses de pode esperar, consideradas as circunstâncias rele-
dispensa da necessidade de sua indicação, con- vantes, entre as quais:
forme a natureza e o porte da entidade ou o vo- I - o modo pelo qual é realizado;
lume de operações de tratamento de dados. II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele
§ 4º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.853, de se esperam;
2019) Vigência III - as técnicas de tratamento de dados pessoais
Seção III - Da Responsabilidade e do Ressarci- disponíveis à época em que foi realizado.
mento de Danos Parágrafo único. Responde pelos danos decorren-
Art. 42. O controlador ou o operador que, em ra- tes da violação da segurança dos dados o contro-
zão do exercício de atividade de tratamento de da- lador ou o operador que, ao deixar de adotar as
dos pessoais, causar a outrem dano patrimonial, medidas de segurança previstas no art. 46 desta
moral, individual ou coletivo, em violação à legis- Lei, der causa ao dano.
lação de proteção de dados pessoais, é obrigado a Art. 45. As hipóteses de violação do direito do ti-
repará-lo. tular no âmbito das relações de consumo perma-
§ 1º A fim de assegurar a efetiva indenização ao necem sujeitas às regras de responsabilidade pre-
titular dos dados: vistas na legislação pertinente.
I - o operador responde solidariamente pelos da- CAPÍTULO VII - DA SEGURANÇA E DAS BOAS PRÁ-
nos causados pelo tratamento quando descumprir TICAS
as obrigações da legislação de proteção de dados Seção I - Da Segurança e do Sigilo de Dados
ou quando não tiver seguido as instruções lícitas Art. 46. Os agentes de tratamento devem adotar
do controlador, hipótese em que o operador equi- medidas de segurança, técnicas e administrativas
para-se ao controlador, salvo nos casos de exclu- aptas a proteger os dados pessoais de acessos não
são previstos no art. 43 desta Lei; autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de
II - os controladores que estiverem diretamente destruição, perda, alteração, comunicação ou
envolvidos no tratamento do qual decorreram da- qualquer forma de tratamento inadequado ou ilí-
nos ao titular dos dados respondem solidaria- cito.
mente, salvo nos casos de exclusão previstos no § 1º A autoridade nacional poderá dispor sobre pa-
art. 43 desta Lei. drões técnicos mínimos para tornar aplicável o dis-
§ 2º O juiz, no processo civil, poderá inverter o posto no caput deste artigo, considerados a natu-
ônus da prova a favor do titular dos dados quando, reza das informações tratadas, as características
a seu juízo, for verossímil a alegação, houver hi- específicas do tratamento e o estado atual da tec-
possuficiência para fins de produção de prova ou nologia, especialmente no caso de dados pessoais
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sensíveis, assim como os princípios previstos no organização, o regime de funcionamento, os pro-


caput do art. 6º desta Lei. cedimentos, incluindo reclamações e petições de
§ 2º As medidas de que trata o caput deste artigo titulares, as normas de segurança, os padrões téc-
deverão ser observadas desde a fase de concep- nicos, as obrigações específicas para os diversos
ção do produto ou do serviço até a sua execução. envolvidos no tratamento, as ações educativas, os
Art. 47. Os agentes de tratamento ou qualquer ou- mecanismos internos de supervisão e de mitiga-
tra pessoa que intervenha em uma das fases do ção de riscos e outros aspectos relacionados ao
tratamento obriga-se a garantir a segurança da in- tratamento de dados pessoais.
formação prevista nesta Lei em relação aos dados § 1º Ao estabelecer regras de boas práticas, o con-
pessoais, mesmo após o seu término. trolador e o operador levarão em consideração,
Art. 48. O controlador deverá comunicar à autori- em relação ao tratamento e aos dados, a natu-
dade nacional e ao titular a ocorrência de incidente reza, o escopo, a finalidade e a probabilidade e a
de segurança que possa acarretar risco ou dano gravidade dos riscos e dos benefícios decorrentes
relevante aos titulares. de tratamento de dados do titular.
§ 1º A comunicação será feita em prazo razoável, § 2º Na aplicação dos princípios indicados nos in-
conforme definido pela autoridade nacional, e de- cisos VII e VIII do caput do art. 6º desta Lei, o
verá mencionar, no mínimo: controlador, observados a estrutura, a escala e o
I - a descrição da natureza dos dados pessoais volume de suas operações, bem como a sensibili-
afetados; dade dos dados tratados e a probabilidade e a gra-
II - as informações sobre os titulares envolvidos; vidade dos danos para os titulares dos dados, po-
III - a indicação das medidas técnicas e de segu- derá:
rança utilizadas para a proteção dos dados, obser- I - implementar programa de governança em pri-
vados os segredos comercial e industrial; vacidade que, no mínimo:
IV - os riscos relacionados ao incidente; a) demonstre o comprometimento do controlador
V - os motivos da demora, no caso de a comuni- em adotar processos e políticas internas que asse-
cação não ter sido imediata; e gurem o cumprimento, de forma abrangente, de
VI - as medidas que foram ou que serão adotadas normas e boas práticas relativas à proteção de da-
para reverter ou mitigar os efeitos do prejuízo. dos pessoais;
§ 2º A autoridade nacional verificará a gravidade b) seja aplicável a todo o conjunto de dados pes-
do incidente e poderá, caso necessário para a sal- soais que estejam sob seu controle, independen-
vaguarda dos direitos dos titulares, determinar ao temente do modo como se realizou sua coleta;
controlador a adoção de providências, tais como: c) seja adaptado à estrutura, à escala e ao volume
I - ampla divulgação do fato em meios de comu- de suas operações, bem como à sensibilidade dos
nicação; e dados tratados;
II - medidas para reverter ou mitigar os efeitos do d) estabeleça políticas e salvaguardas adequadas
incidente. com base em processo de avaliação sistemática de
§ 3º No juízo de gravidade do incidente, será ava- impactos e riscos à privacidade;
liada eventual comprovação de que foram adota- e) tenha o objetivo de estabelecer relação de con-
das medidas técnicas adequadas que tornem os fiança com o titular, por meio de atuação transpa-
dados pessoais afetados ininteligíveis, no âmbito rente e que assegure mecanismos de participação
e nos limites técnicos de seus serviços, para ter- do titular;
ceiros não autorizados a acessá-los. f) esteja integrado a sua estrutura geral de gover-
Art. 49. Os sistemas utilizados para o tratamento nança e estabeleça e aplique mecanismos de su-
de dados pessoais devem ser estruturados de pervisão internos e externos;
forma a atender aos requisitos de segurança, aos g) conte com planos de resposta a incidentes e re-
padrões de boas práticas e de governança e aos mediação; e
princípios gerais previstos nesta Lei e às demais h) seja atualizado constantemente com base em
normas regulamentares. informações obtidas a partir de monitoramento
Seção II - Das Boas Práticas e da Governança contínuo e avaliações periódicas;
Art. 50. Os controladores e operadores, no âmbito II - demonstrar a efetividade de seu programa de
de suas competências, pelo tratamento de dados governança em privacidade quando apropriado e,
pessoais, individualmente ou por meio de associ- em especial, a pedido da autoridade nacional ou
ações, poderão formular regras de boas práticas e de outra entidade responsável por promover o
de governança que estabeleçam as condições de cumprimento de boas práticas ou códigos de
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conduta, os quais, de forma independente, promo- III - a vantagem auferida ou pretendida pelo in-
vam o cumprimento desta Lei. frator;
§ 3º As regras de boas práticas e de governança IV - a condição econômica do infrator;
deverão ser publicadas e atualizadas periodica- V - a reincidência;
mente e poderão ser reconhecidas e divulgadas VI - o grau do dano;
pela autoridade nacional. VII - a cooperação do infrator;
Art. 51. A autoridade nacional estimulará a adoção VIII - a adoção reiterada e demonstrada de meca-
de padrões técnicos que facilitem o controle pelos nismos e procedimentos internos capazes de mi-
titulares dos seus dados pessoais. nimizar o dano, voltados ao tratamento seguro e
CAPÍTULO VIII - DA FISCALIZAÇÃO adequado de dados, em consonância com o dis-
Seção I - Das Sanções Administrativas posto no inciso II do § 2º do art. 48 desta Lei;
Art. 52. Os agentes de tratamento de dados, em IX - a adoção de política de boas práticas e gover-
razão das infrações cometidas às normas previs- nança;
tas nesta Lei, ficam sujeitos às seguintes sanções X - a pronta adoção de medidas corretivas; e
administrativas aplicáveis pela autoridade nacio- XI - a proporcionalidade entre a gravidade da falta
nal: (Vigência) e a intensidade da sanção.
I - advertência, com indicação de prazo para ado- § 2º O disposto neste artigo não substitui a apli-
ção de medidas corretivas; cação de sanções administrativas, civis ou penais
II - multa simples, de até 2% (dois por cento) do definidas na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de
faturamento da pessoa jurídica de direito privado, 1990, e em legislação específica. (Redação
grupo ou conglomerado no Brasil no seu último dada pela Lei nº 13.853, de 2019)
exercício, excluídos os tributos, limitada, no total, § 3º O disposto nos incisos I, IV, V, VI, X, XI e XII
a R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) do caput deste artigo poderá ser aplicado às enti-
por infração; dades e aos órgãos públicos, sem prejuízo do dis-
III - multa diária, observado o limite total a que posto na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de
se refere o inciso II; 1990, na Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, e
IV - publicização da infração após devidamente na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011.
apurada e confirmada a sua ocorrência; (Promulgação partes vetadas)
V - bloqueio dos dados pessoais a que se refere a § 4º No cálculo do valor da multa de que trata o
infração até a sua regularização; inciso II do caput deste artigo, a autoridade naci-
VI - eliminação dos dados pessoais a que se refere onal poderá considerar o faturamento total da em-
a infração; presa ou grupo de empresas, quando não dispuser
VII - (VETADO);VIII - (VETADO); IX - (VETADO). do valor do faturamento no ramo de atividade em-
X - suspensão parcial do funcionamento do banco presarial em que ocorreu a infração, definido pela
de dados a que se refere a infração pelo período autoridade nacional, ou quando o valor for apre-
máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por igual sentado de forma incompleta ou não for demons-
período, até a regularização da atividade de trata- trado de forma inequívoca e idônea.
mento pelo controlador; § 5º O produto da arrecadação das multas aplica-
XI - suspensão do exercício da atividade de trata- das pela ANPD, inscritas ou não em dívida ativa,
mento dos dados pessoais a que se refere a infra- será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Di-
ção pelo período máximo de 6 (seis) meses, pror- fusos de que tratam o art. 13 da Lei nº 7.347, de
rogável por igual período; (Incluído pela Lei nº 24 de julho de 1985, e a Lei nº 9.008, de 21 de
13.853, de 2019) março de 1995. (Incluído pela Lei nº 13.853,
XII - proibição parcial ou total do exercício de ati- de 2019)
vidades relacionadas a tratamento de dados. § 6º As sanções previstas nos incisos X, XI e XII
§ 1º As sanções serão aplicadas após procedi- do caput deste artigo serão aplicadas: (Incluído
mento administrativo que possibilite a oportuni- pela Lei nº 13.853, de 2019)
dade da ampla defesa, de forma gradativa, isolada I - somente após já ter sido imposta ao menos 1
ou cumulativa, de acordo com as peculiaridades (uma) das sanções de que tratam os incisos II, III,
do caso concreto e considerados os seguintes pa- IV, V e VI do caput deste artigo para o mesmo
râmetros e critérios: caso concreto; e (Incluído pela Lei nº 13.853,
I - a gravidade e a natureza das infrações e dos de 2019)
direitos pessoais afetados;
II - a boa-fé do infrator;
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II - em caso de controladores submetidos a outros Art. 55-B. (Revogado pela Lei nº 14.460, de 2022)
órgãos e entidades com competências sancionató- Art. 55-C. A ANPD é composta de: (Incluído
rias, ouvidos esses órgãos. pela Lei nº 13.853, de 2019)
§ 7º Os vazamentos individuais ou os acessos não I - Conselho Diretor, órgão máximo de direção;
autorizados de que trata o caput do art. 46 desta (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
Lei poderão ser objeto de conciliação direta entre II - Conselho Nacional de Proteção de Dados Pes-
controlador e titular e, caso não haja acordo, o soais e da Privacidade; (Incluído pela Lei
controlador estará sujeito à aplicação das penali- nº 13.853, de 2019)
dades de que trata este artigo. (Incluído pela III - Corregedoria; (Incluído pela Lei nº
Lei nº 13.853, de 2019) 13.853, de 2019)
Art. 53. A autoridade nacional definirá, por meio IV - Ouvidoria; (Incluído pela Lei nº
de regulamento próprio sobre sanções administra- 13.853, de 2019)
tivas a infrações a esta Lei, que deverá ser objeto V - (revogado); (Redação dada pela Lei nº
de consulta pública, as metodologias que orienta- 14.460, de 2022)
rão o cálculo do valor-base das sanções de multa. V-A - Procuradoria; e (Incluído pela Lei nº
(Vigência) 14.460, de 2022)
§ 1º As metodologias a que se refere o caput deste VI - unidades administrativas e unidades especia-
artigo devem ser previamente publicadas, para ci- lizadas necessárias à aplicação do disposto nesta
ência dos agentes de tratamento, e devem apre- Lei.
sentar objetivamente as formas e dosimetrias Art. 55-D. O Conselho Diretor da ANPD será com-
para o cálculo do valor-base das sanções de multa, posto de 5 (cinco) diretores, incluído o Diretor-
que deverão conter fundamentação detalhada de Presidente.
todos os seus elementos, demonstrando a obser- § 1º Os membros do Conselho Diretor da ANPD
vância dos critérios previstos nesta Lei. serão escolhidos pelo Presidente da República e
§ 2º O regulamento de sanções e metodologias por ele nomeados, após aprovação pelo Senado
correspondentes deve estabelecer as circunstân- Federal, nos termos da alínea ‘f’ do inciso III do
cias e as condições para a adoção de multa sim- art. 52 da Constituição Federal, e ocuparão cargo
ples ou diária. em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento
Art. 54. O valor da sanção de multa diária aplicável Superiores - DAS, no mínimo, de nível 5.
às infrações a esta Lei deve observar a gravidade § 2º Os membros do Conselho Diretor serão esco-
da falta e a extensão do dano ou prejuízo causado lhidos dentre brasileiros que tenham reputação ili-
e ser fundamentado pela autoridade nacional. bada, nível superior de educação e elevado con-
(Vigência) ceito no campo de especialidade dos cargos para
Parágrafo único. A intimação da sanção de multa os quais serão nomeados.
diária deverá conter, no mínimo, a descrição da § 3º O mandato dos membros do Conselho Diretor
obrigação imposta, o prazo razoável e estipulado será de 4 (quatro) anos. (Incluído pela
pelo órgão para o seu cumprimento e o valor da Lei nº 13.853, de 2019)
multa diária a ser aplicada pelo seu descumpri- § 4º Os mandatos dos primeiros membros do Con-
mento. selho Diretor nomeados serão de 2 (dois), de 3
CAPÍTULO IX - DA AUTORIDADE NACIONAL DE (três), de 4 (quatro), de 5 (cinco) e de 6 (seis)
PROTEÇÃO DE DADOS (ANPD) E DO CONSELHO anos, conforme estabelecido no ato de nomeação.
NACIONAL DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS E (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
DA PRIVACIDADE § 5º Na hipótese de vacância do cargo no curso do
Seção I - Da Autoridade Nacional de Proteção de mandato de membro do Conselho Diretor, o prazo
Dados (ANPD) remanescente será completado pelo sucessor.
Art. 55. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
Art. 55-A. Fica criada a Autoridade Nacional de Art. 55-E. Os membros do Conselho Diretor so-
Proteção de Dados (ANPD), autarquia de natureza mente perderão seus cargos em virtude de renún-
especial, dotada de autonomia técnica e decisória, cia, condenação judicial transitada em julgado ou
com patrimônio próprio e com sede e foro no Dis- pena de demissão decorrente de processo admi-
trito Federal. (Redação Lei nº 14.460/2022) nistrativo disciplinar.
§ 1º (Revogado pela Lei nº 14.460, de 2022) § 1º Nos termos do caput deste artigo, cabe ao
§ 2º (Revogado pela Lei nº 14.460, de 2022) Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presi-
§ 3º (Revogado pela Lei nº 14.460, de 2022) dência da República instaurar o processo
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administrativo disciplinar, que será conduzido por reclamação ao controlador não solucionada no
comissão especial constituída por servidores pú- prazo estabelecido em regulamentação;
blicos federais estáveis. (Incluído pela Lei (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
nº 13.853, de 2019) VI - promover na população o conhecimento das
§ 2º Compete ao Presidente da República deter- normas e das políticas públicas sobre proteção de
minar o afastamento preventivo, somente quando dados pessoais e das medidas de segurança;
assim recomendado pela comissão especial de que (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
trata o § 1º deste artigo, e proferir o julgamento. VII - promover e elaborar estudos sobre as práti-
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) cas nacionais e internacionais de proteção de da-
Art. 55-F. Aplica-se aos membros do Conselho Di- dos pessoais e privacidade;
retor, após o exercício do cargo, o disposto no art. VIII - estimular a adoção de padrões para serviços
6º da Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013. e produtos que facilitem o exercício de controle
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) dos titulares sobre seus dados pessoais, os quais
Parágrafo único. A infração ao disposto no caput deverão levar em consideração as especificidades
deste artigo caracteriza ato de improbidade admi- das atividades e o porte dos responsáveis;
nistrativa. IX - promover ações de cooperação com autorida-
Art. 55-G. Ato do Presidente da República disporá des de proteção de dados pessoais de outros paí-
sobre a estrutura regimental da ANPD. ses, de natureza internacional ou transnacional;
§ 1º Até a data de entrada em vigor de sua estru- (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
tura regimental, a ANPD receberá o apoio técnico X - dispor sobre as formas de publicidade das ope-
e administrativo da Casa Civil da Presidência da rações de tratamento de dados pessoais, respei-
República para o exercício de suas atividades. tados os segredos comercial e industrial;
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
§ 2º O Conselho Diretor disporá sobre o regimento XI - solicitar, a qualquer momento, às entidades
interno da ANPD. (Incluído pela Lei nº do poder público que realizem operações de trata-
13.853, de 2019) mento de dados pessoais informe específico sobre
Art. 55-H. Os cargos em comissão e as funções de o âmbito, a natureza dos dados e os demais deta-
confiança da ANPD serão remanejados de outros lhes do tratamento realizado, com a possibilidade
órgãos e entidades do Poder Executivo federal. de emitir parecer técnico complementar para ga-
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) rantir o cumprimento desta Lei; (Incluído
Art. 55-I. Os ocupantes dos cargos em comissão e pela Lei nº 13.853, de 2019)
das funções de confiança da ANPD serão indicados XII - elaborar relatórios de gestão anuais acerca
pelo Conselho Diretor e nomeados ou designados de suas atividades; (Incluído pela Lei
pelo Diretor-Presidente. (Incluído pela nº 13.853, de 2019)
Lei nº 13.853, de 2019) XIII - editar regulamentos e procedimentos sobre
Art. 55-J. Compete à ANPD: (Incluído pela proteção de dados pessoais e privacidade, bem
Lei nº 13.853, de 2019) como sobre relatórios de impacto à proteção de
I - zelar pela proteção dos dados pessoais, nos dados pessoais para os casos em que o tratamento
termos da legislação; (Incluído pela Lei representar alto risco à garantia dos princípios ge-
nº 13.853, de 2019) rais de proteção de dados pessoais previstos nesta
II - zelar pela observância dos segredos comercial Lei; (Incluído pela Lei nº 13.853, de
e industrial, observada a proteção de dados pes- 2019)
soais e do sigilo das informações quando protegido XIV - ouvir os agentes de tratamento e a socie-
por lei ou quando a quebra do sigilo violar os fun- dade em matérias de interesse relevante e prestar
damentos do art. 2º desta Lei; contas sobre suas atividades e planejamento;
III - elaborar diretrizes para a Política Nacional de (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade; XV - arrecadar e aplicar suas receitas e publicar,
IV - fiscalizar e aplicar sanções em caso de trata- no relatório de gestão a que se refere o inciso XII
mento de dados realizado em descumprimento à do caput deste artigo, o detalhamento de suas re-
legislação, mediante processo administrativo que ceitas e despesas; (Incluído pela Lei nº
assegure o contraditório, a ampla defesa e o di- 13.853, de 2019)
reito de recurso; XVI - realizar auditorias, ou determinar sua reali-
V - apreciar petições de titular contra controlador zação, no âmbito da atividade de fiscalização de
após comprovada pelo titular a apresentação de que trata o inciso IV e com a devida observância
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do disposto no inciso II do caput deste artigo, so- regulatório. (Incluído pela Lei nº 13.853,
bre o tratamento de dados pessoais efetuado pe- de 2019)
los agentes de tratamento, incluído o poder pú- § 3º A ANPD e os órgãos e entidades públicos res-
blico; (Incluído pela Lei nº 13.853, de ponsáveis pela regulação de setores específicos da
2019) atividade econômica e governamental devem co-
XVII - celebrar, a qualquer momento, compro- ordenar suas atividades, nas correspondentes es-
misso com agentes de tratamento para eliminar feras de atuação, com vistas a assegurar o cum-
irregularidade, incerteza jurídica ou situação con- primento de suas atribuições com a maior eficiên-
tenciosa no âmbito de processos administrativos, cia e promover o adequado funcionamento dos se-
de acordo com o previsto no Decreto-Lei nº 4.657, tores regulados, conforme legislação específica, e
de 4 de setembro de 1942; (Incluído pela o tratamento de dados pessoais, na forma desta
Lei nº 13.853, de 2019) Lei.
XVIII - editar normas, orientações e procedimen- § 4º A ANPD manterá fórum permanente de co-
tos simplificados e diferenciados, inclusive quanto municação, inclusive por meio de cooperação téc-
aos prazos, para que microempresas e empresas nica, com órgãos e entidades da administração
de pequeno porte, bem como iniciativas empresa- pública responsáveis pela regulação de setores es-
riais de caráter incremental ou disruptivo que se pecíficos da atividade econômica e governamen-
autodeclarem startups ou empresas de inovação, tal, a fim de facilitar as competências regulatória,
possam adequar-se a esta Lei; fiscalizatória e punitiva da ANPD. (Incluído
XIX - garantir que o tratamento de dados de ido- pela Lei nº 13.853, de 2019)
sos seja efetuado de maneira simples, clara, aces- § 5º No exercício das competências de que trata o
sível e adequada ao seu entendimento, nos termos caput deste artigo, a autoridade competente de-
desta Lei e da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de verá zelar pela preservação do segredo empresa-
2003 (Estatuto do IdosoXX - deliberar, na esfera rial e do sigilo das informações, nos termos da lei.
administrativa, em caráter terminativo, sobre a in- § 6º As reclamações colhidas conforme o disposto
terpretação desta Lei, as suas competências e os no inciso V do caput deste artigo poderão ser ana-
casos omissos; lisadas de forma agregada, e as eventuais provi-
XXI - comunicar às autoridades competentes as dências delas decorrentes poderão ser adotadas
infrações penais das quais tiver conhecimento; de forma padronizada
XXII - comunicar aos órgãos de controle interno o Art. 55-K. A aplicação das sanções previstas nesta
descumprimento do disposto nesta Lei por órgãos Lei compete exclusivamente à ANPD, e suas com-
e entidades da administração pública federal; petências prevalecerão, no que se refere à prote-
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) ção de dados pessoais, sobre as competências cor-
XXIII - articular-se com as autoridades regulado- relatas de outras entidades ou órgãos da adminis-
ras públicas para exercer suas competências em tração pública. (Incluído pela Lei nº
setores específicos de atividades econômicas e go- 13.853, de 2019)
vernamentais sujeitas à regulação; e (In- Parágrafo único. A ANPD articulará sua atuação
cluído pela Lei nº 13.853, de 2019) com outros órgãos e entidades com competências
XXIV - implementar mecanismos simplificados, in- sancionatórias e normativas afetas ao tema de
clusive por meio eletrônico, para o registro de re- proteção de dados pessoais e será o órgão central
clamações sobre o tratamento de dados pessoais de interpretação desta Lei e do estabelecimento
em desconformidade com esta Lei. (In- de normas e diretrizes para a sua implementação.
cluído pela Lei nº 13.853, de 2019) (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
§ 1º Ao impor condicionantes administrativas ao Art. 55-L. Constituem receitas da ANPD:
tratamento de dados pessoais por agente de tra- (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
tamento privado, sejam eles limites, encargos ou I - as dotações, consignadas no orçamento geral
sujeições, a ANPD deve observar a exigência de da União, os créditos especiais, os créditos adicio-
mínima intervenção, assegurados os fundamen- nais, as transferências e os repasses que lhe fo-
tos, os princípios e os direitos dos titulares previs- rem conferidos; (Incluído pela Lei nº
tos no art. 170 da Constituição Federal e nesta Lei. 13.853, de 2019)
§ 2º Os regulamentos e as normas editados pela II - as doações, os legados, as subvenções e ou-
ANPD devem ser precedidos de consulta e audiên- tros recursos que lhe forem destinados;
cia públicas, bem como de análises de impacto III - os valores apurados na venda ou aluguel de
bens móveis e imóveis de sua propriedade;
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IV - os valores apurados em aplicações no mer- X - 2 (dois) de entidades representativas do setor


cado financeiro das receitas previstas neste ar- empresarial relacionado à área de tratamento de
tigo; (Incluído pela Lei nº 13.853, de dados pessoais; e
2019). V - (VETADO); (Incluído pela Lei XI - 2 (dois) de entidades representativas do setor
nº 13.853, de 2019) laboral. (Incluído pela Lei nº 13.853, de
VI - os recursos provenientes de acordos, convê- 2019)
nios ou contratos celebrados com entidades, orga- § 1º Os representantes serão designados por ato
nismos ou empresas, públicos ou privados, nacio- do Presidente da República, permitida a delega-
nais ou internacionais; (Incluído pela Lei ção.
nº 13.853, de 2019) § 2º Os representantes de que tratam os incisos I,
VII - o produto da venda de publicações, material II, III, IV, V e VI do caput deste artigo e seus su-
técnico, dados e informações, inclusive para fins plentes serão indicados pelos titulares dos respec-
de licitação pública. Art. 55-M. Constituem tivos órgãos e entidades da administração pública.
o patrimônio da ANPD os bens e os direitos: (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
(Incluído pela Lei nº 14.460, de 2022) § 3º Os representantes de que tratam os incisos
I - que lhe forem transferidos pelos órgãos da Pre- VII, VIII, IX, X e XI do caput deste artigo e seus
sidência da República; e (Incluído pela Lei nº suplentesI - serão indicados na forma de regula-
14.460, de 2022) mento; (Incluído pela Lei nº 13.853, de
II - que venha a adquirir ou a incorporar. (In- 2019)
cluído pela Lei nº 14.460, de 2022) II - não poderão ser membros do Comitê Gestor
Art. 56. (VETADO). Art. 5 7. (VETADO). da Internet no Brasil; (Incluído pela
Seção II - Do Conselho Nacional de Proteção de Lei nº 13.853, de 2019)
Dados Pessoais e da Privacidade III - terão mandato de 2 (dois) anos, permitida 1
Art. 58. (VETADO). (uma) recondução. (Incluído pela Lei
Art. 58-A. O Conselho Nacional de Proteção de Da- nº 13.853, de 2019)
dos Pessoais e da Privacidade será composto de § 4º A participação no Conselho Nacional de Pro-
23 (vinte e três) representantes, titulares e su- teção de Dados Pessoais e da Privacidade será
plentes, dos seguintes órgãos: (Incluído pela Lei considerada prestação de serviço público rele-
nº 13.853, de 2019) vante, não remunerada. (Incluído
I - 5 (cinco) do Poder Executivo federal; (Inclu- pela Lei nº 13.853, de 2019)
ído pela Lei nº 13.853, de 2019) Art. 58-B. Compete ao Conselho Nacional de Pro-
II - 1 (um) do Senado Federal; (Incluído pela Lei teção de Dados Pessoais e da PrivacidadeI - pro-
nº 13.853, de 2019) por diretrizes estratégicas e fornecer subsídios
III - 1 (um) da Câmara dos Deputados; para a elaboração da Política Nacional de Proteção
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) de Dados Pessoais e da Privacidade e para a atu-
IV - 1 (um) do Conselho Nacional de Justiça; ação da ANPD; (Incluído pela Lei nº
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 13.853, de 2019)
V - 1 (um) do Conselho Nacional do Ministério Pú- II - elaborar relatórios anuais de avaliação da exe-
blico; (Incluído pela Lei nº 13.853, de cução das ações da Política Nacional de Proteção
2019) de Dados Pessoais e da Privacidade; (In-
VI - 1 (um) do Comitê Gestor da Internet no Bra- cluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
sil; (Incluído pela Lei nº 13.853, de III - sugerir ações a serem realizadas pela ANPD;
2019) (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019)
VII - 3 (três) de entidades da sociedade civil com IV - elaborar estudos e realizar debates e audiên-
atuação relacionada a proteção de dados pesso- cias públicas sobre a proteção de dados pessoais
ais; e da privacidade; e (Incluído pela Lei nº
VIII - 3 (três) de instituições científicas, tecnoló- 13.853, de 2019)
gicas e de inovação; (Incluído pela Lei V - disseminar o conhecimento sobre a proteção
nº 13.853, de 2019) de dados pessoais e da privacidade à população.
IX - 3 (três) de confederações sindicais represen- Art. 59. (VETADO).
tativas das categorias econômicas do setor produ- CAPÍTULO X - DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓ-
tivo; RIAS
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Art. 60. A Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 II - 24 (vinte e quatro) meses após a data de sua
(Marco Civil da Internet) , passa a vigorar com as publicação, quanto aos demais artigos.
seguintes alterações: (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019).
“Art. 7º X - exclusão definitiva dos dados
pessoais que tiver fornecido a determinada aplica- QUESTÕES
ção de internet, a seu requerimento, ao término 52 - CESPE/CEBRASPE - APEX Brasil - Ana-
da relação entre as partes, ressalvadas as hipóte- lista - Área: Auditoria Interna – 2022. De
ses de guarda obrigatória de registros previstas acordo com a LGPD, a utilização de meios técnicos
nesta Lei e na que dispõe sobre a proteção de da- razoáveis e disponíveis no momento do trata-
dos pessoais; mento, por meio dos quais um dado perde a pos-
“Art. 16. II - de dados pessoais que sejam ex- sibilidade de associação, direta ou indireta, a um
cessivos em relação à finalidade para a qual foi indivíduo, denomina-se
dado consentimento pelo seu titular, exceto nas A. Parametrização.
hipóteses previstas na Lei que dispõe sobre a pro- B. anonimização.
teção de dados pessoais.” (NR) C. tratamento.
Art. 61. A empresa estrangeira será notificada e D. processo.
intimada de todos os atos processuais previstos 53 -CESGRANRIO - 2021 - Banco do Brasil
nesta Lei, independentemente de procuração ou S/A – Agente Comercial - Ao realizar a matrí-
de disposição contratual ou estatutária, na pessoa cula do seu curso, o estudante preencheu uma fi-
do agente ou representante ou pessoa responsá- cha cadastral com os seguintes dados: nome, en-
vel por sua filial, agência, sucursal, estabeleci- dereço, telefone, religião, estado civil, raça, nome
mento ou escritório instalado no Brasil. dos pais, número de filhos e sindicato ao qual era
Art. 62. A autoridade nacional e o Instituto Nacio- filiado. Segundo a Lei Geral de Proteção de Dados
nal de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio (LGPD), consideram-se sensíveis os seguintes da-
Teixeira (Inep), no âmbito de suas competências, dos solicitados:
editarão regulamentos específicos para o acesso a (A) religião, raça e filiação a sindicato
dados tratados pela União para o cumprimento do (B) religião, estado civil e filiação a sindicato
disposto no § 2º do art. 9º da Lei nº 9.394, de 20 (C) religião, estado civil e raça
de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases (D) número de filhos, raça e religião
da Educação Nacional) , e aos referentes ao Sis- (E) número de filhos, raça e estado civil
tema Nacional de Avaliação da Educação Superior 54 - CESGRANRIO - 2021 - Caixa - Técnico
(Sinaes), de que trata a Lei nº 10.861, de 14 de Bancário Novo. Uma administradora de empre-
abril de 2004 . sas é responsável por organizar os formulários uti-
Art. 63. A autoridade nacional estabelecerá nor- lizados pela instituição financeira onde atua. Ao
mas sobre a adequação progressiva de bancos de criar novo formulário para seguir comandos legais,
dados constituídos até a data de entrada em vigor depara-se com novos conceitos de dados pessoais
desta Lei, consideradas a complexidade das ope- que devem ser aplicados. Sendo assim, ela precisa
rações de tratamento e a natureza dos dados. saber que, nos termos da Lei n° 13.709/2018, da-
Art. 64. Os direitos e princípios expressos nesta dos pessoais sensíveis estão relacionados a
Lei não excluem outros previstos no ordenamento A. opção desportiva
jurídico pátrio relacionados à matéria ou nos tra- B. convicção religiosa
tados internacionais em que a República Federa- C. escolha de lazer
tiva do Brasil seja parte. D. método de trabalho
Art. 65. Esta Lei entra em vigor: (Re- E . hábito alimentar
dação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) 55 - CESGRANRIO - 2023 - Transpetro - Pro-
I - dia 28 de dezembro de 2018, quanto aos arts. fissional Transpetro de Nível Superior . A ne-
55-A, 55-B, 55-C, 55-D, 55-E, 55-F, 55-G, 55-H, cessidade de proteção de dados gerou a necessi-
55-I, 55-J, 55-K, 55-L, 58-A e 58-B; e (In- dade de legislação sobre o assunto por todo o
cluído pela Lei nº 13.853, de 2019) mundo. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Da-
I-A – dia 1º de agosto de 2021, quanto aos arts. dos (LGPD) regulamenta esse tema. A respeito da
52, 53 e 54; (Incluído pela Lei nº 14.010, LGPD, tem-se que ela
de 2020) A. é aplicada apenas a empresas localizadas no
Brasil, não tendo extraterritorialidade.
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B. é aplicada ao tratamento de dados pessoais co- representação no território brasileiro, constituídas


letados tanto por pessoas físicas quanto por pes- de fato ou de direito, ainda que temporariamente.
soas jurídicas em território nacional. Art. 2º As pessoas jurídicas serão responsabiliza-
C. é aplicada ao tratamento de dados pessoais, in- das objetivamente, nos âmbitos administrativo e
cluindo aqueles coletados por pessoa natural, para civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei pratica-
fins exclusivamente particulares e não econômi- dos em seu interesse ou benefício, exclusivo ou
cos. não.
D. exige o consentimento do titular apenas para Art. 3º A responsabilização da pessoa jurídica não
tratamento dos dados pessoais sensíveis. exclui a responsabilidade individual de seus diri-
E. estabelece que a revogação do consentimento gentes ou administradores ou de qualquer pessoa
é sumária, e que os dados não devem ser manti- natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilí-
dos, mesmo que anonimizados e para fins de pes- cito.
quisa. § 1º A pessoa jurídica será responsabilizada inde-
56 - CESGRANRIO - 2023 - BANRISUL – Es- pendentemente da responsabilização individual
criturário. Um funcionário de uma instituição fi- das pessoas naturais referidas no caput .
nanceira responsável pelo setor de cartões de cré- § 2º Os dirigentes ou administradores somente se-
dito recebe a solicitação de um cliente para a rão responsabilizados por atos ilícitos na medida
emissão de cartão para ele, titular, e para uma da sua culpabilidade.
amiga, que ficaria como sua dependente econô- Art. 4º Subsiste a responsabilidade da pessoa ju-
mica. Uma semana após o pedido, compareceu à rídica na hipótese de alteração contratual, trans-
agência a esposa do correntista, indagando sobre formação, incorporação, fusão ou cisão societária.
a emissão de cartões de crédito do seu esposo. § 1º Nas hipóteses de fusão e incorporação, a res-
Não sabendo o que fazer, o funcionário consulta a ponsabilidade da sucessora será restrita à obriga-
gerência. Consoante a Lei n° 13.709, de 14 de ção de pagamento de multa e reparação integral
agosto de 2018, o pedido da esposa deve ser in- do dano causado, até o limite do patrimônio trans-
deferido, pois deve ser preservada ao correntista ferido, não lhe sendo aplicáveis as demais sanções
a sua previstas nesta Lei decorrentes de atos e fatos
A. negociação ocorridos antes da data da fusão ou incorporação,
B. privacidade exceto no caso de simulação ou evidente intuito
C. liberdade de fraude, devidamente comprovados.
D. incomunicabilidade § 2º As sociedades controladoras, controladas, co-
E. independência ligadas ou, no âmbito do respectivo contrato, as
consorciadas serão solidariamente responsáveis
pela prática dos atos previstos nesta Lei, restrin-
GABARITO gindo-se tal responsabilidade à obrigação de pa-
52 – B 53 – A 54 – B 55 – B 56 gamento de multa e reparação integral do dano
–B causado.
CAPÍTULO II - DOS ATOS LESIVOS À ADMINIS-
TRAÇÃO PÚBLICA NACIONAL OU ESTRANGEIRA
9.17 Legislação anticorrupção: Lei nº Art. 5º Constituem atos lesivos à administração
12.846/2013 e Decreto nº 11.129 de pública, nacional ou estrangeira, para os fins desta
11/07/2022. Lei, todos aqueles praticados pelas pessoas jurídi-
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a responsabilização cas mencionadas no parágrafo único do art. 1º ,
objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas que atentem contra o patrimônio público nacional
pela prática de atos contra a administração pú- ou estrangeiro, contra princípios da administração
blica, nacional ou estrangeira. pública ou contra os compromissos internacionais
Parágrafo único. Aplica-se o disposto nesta Lei às assumidos pelo Brasil, assim definidos:
sociedades empresárias e às sociedades simples, I - prometer, oferecer ou dar, direta ou indireta-
personificadas ou não, independentemente da mente, vantagem indevida a agente público, ou a
forma de organização ou modelo societário ado- terceira pessoa a ele relacionada;
tado, bem como a quaisquer fundações, associa- II - comprovadamente, financiar, custear, patroci-
ções de entidades ou pessoas, ou sociedades es- nar ou de qualquer modo subvencionar a prática
trangeiras, que tenham sede, filial ou dos atos ilícitos previstos nesta Lei;
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III - comprovadamente, utilizar-se de interposta pelos atos lesivos previstos nesta Lei as seguintes
pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular sanções:
seus reais interesses ou a identidade dos benefici- I - multa, no valor de 0,1% (um décimo por cento)
ários dos atos praticados; a 20% (vinte por cento) do faturamento bruto do
IV - no tocante a licitações e contratos: último exercício anterior ao da instauração do pro-
a) frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combina- cesso administrativo, excluídos os tributos, a qual
ção ou qualquer outro expediente, o caráter com- nunca será inferior à vantagem auferida, quando
petitivo de procedimento licitatório público; for possível sua estimação; e
b) impedir, perturbar ou fraudar a realização de II - publicação extraordinária da decisão condena-
qualquer ato de procedimento licitatório público; tória.
c) afastar ou procurar afastar licitante, por meio § 1º As sanções serão aplicadas fundamentada-
de fraude ou oferecimento de vantagem de qual- mente, isolada ou cumulativamente, de acordo
quer tipo; com as peculiaridades do caso concreto e com a
d) fraudar licitação pública ou contrato dela decor- gravidade e natureza das infrações.
rente; § 2º A aplicação das sanções previstas neste ar-
e) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa tigo será precedida da manifestação jurídica ela-
jurídica para participar de licitação pública ou ce- borada pela Advocacia Pública ou pelo órgão de
lebrar contrato administrativo; assistência jurídica, ou equivalente, do ente pú-
f) obter vantagem ou benefício indevido, de modo blico.
fraudulento, de modificações ou prorrogações de § 3º A aplicação das sanções previstas neste ar-
contratos celebrados com a administração pública, tigo não exclui, em qualquer hipótese, a obrigação
sem autorização em lei, no ato convocatório da li- da reparação integral do dano causado.
citação pública ou nos respectivos instrumentos § 4º Na hipótese do inciso I do caput , caso não
contratuais; ou seja possível utilizar o critério do valor do fatura-
g) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-fi- mento bruto da pessoa jurídica, a multa será de
nanceiro dos contratos celebrados com a adminis- R$ 6.000,00 (seis mil reais) a R$ 60.000.000,00
tração pública; (sessenta milhões de reais).
V - dificultar atividade de investigação ou fiscali- § 5º A publicação extraordinária da decisão con-
zação de órgãos, entidades ou agentes públicos, denatória ocorrerá na forma de extrato de sen-
ou intervir em sua atuação, inclusive no âmbito tença, a expensas da pessoa jurídica, em meios de
das agências reguladoras e dos órgãos de fiscali- comunicação de grande circulação na área da prá-
zação do sistema financeiro nacional. tica da infração e de atuação da pessoa jurídica
§ 1º Considera-se administração pública estran- ou, na sua falta, em publicação de circulação na-
geira os órgãos e entidades estatais ou represen- cional, bem como por meio de afixação de edital,
tações diplomáticas de país estrangeiro, de qual- pelo prazo mínimo de 30 (trinta) dias, no próprio
quer nível ou esfera de governo, bem como as estabelecimento ou no local de exercício da ativi-
pessoas jurídicas controladas, direta ou indireta- dade, de modo visível ao público, e no sítio eletrô-
mente, pelo poder público de país estrangeiro. nico na rede mundial de computadores. § 6º (VE-
§ 2º Para os efeitos desta Lei, equiparam-se à ad- TADO).
ministração pública estrangeira as organizações Art. 7º Serão levados em consideração na aplica-
públicas internacionais. ção das sanções: I - a gravidade da infração; II -
§ 3º Considera-se agente público estrangeiro, a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator;
para os fins desta Lei, quem, ainda que transitori- III - a consumação ou não da infração; IV - o grau
amente ou sem remuneração, exerça cargo, em- de lesão ou perigo de lesão; V - o efeito negativo
prego ou função pública em órgãos, entidades es- produzido pela infração; VI - a situação econômica
tatais ou em representações diplomáticas de país do infrator; VII - a cooperação da pessoa jurídica
estrangeiro, assim como em pessoas jurídicas para a apuração das infrações; VIII - a existência
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder de mecanismos e procedimentos internos de inte-
público de país estrangeiro ou em organizações gridade, auditoria e incentivo à denúncia de irre-
públicas internacionais. gularidades e a aplicação efetiva de códigos de
CAPÍTULO III - DA RESPONSABILIZAÇÃO ADMI- ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica;
NISTRATIVA IX - o valor dos contratos mantidos pela pessoa
Art. 6º Na esfera administrativa, serão aplicadas jurídica com o órgão ou entidade pública lesados;
às pessoas jurídicas consideradas responsáveis e
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X - (VETADO). sugerindo de forma motivada as sanções a serem


Parágrafo único. Os parâmetros de avaliação de aplicadas.
mecanismos e procedimentos previstos no inciso § 4º O prazo previsto no § 3º poderá ser prorro-
VIII do caput serão estabelecidos em regulamento gado, mediante ato fundamentado da autoridade
do Poder Executivo federal. instauradora.
CAPÍTULO IV - DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Art. 11. No processo administrativo para apuração
DE RESPONSABILIZAÇÃO de responsabilidade, será concedido à pessoa ju-
Art. 8º A instauração e o julgamento de processo rídica prazo de 30 (trinta) dias para defesa, con-
administrativo para apuração da responsabilidade tados a partir da intimação.
de pessoa jurídica cabem à autoridade máxima de Art. 12. O processo administrativo, com o relatório
cada órgão ou entidade dos Poderes Executivo, da comissão, será remetido à autoridade instaura-
Legislativo e Judiciário, que agirá de ofício ou me- dora, na forma do art. 10, para julgamento.
diante provocação, observados o contraditório e a Art. 13. A instauração de processo administrativo
ampla defesa. específico de reparação integral do dano não pre-
§ 1º A competência para a instauração e o julga- judica a aplicação imediata das sanções estabele-
mento do processo administrativo de apuração de cidas nesta Lei.
responsabilidade da pessoa jurídica poderá ser de- Parágrafo único. Concluído o processo e não ha-
legada, vedada a subdelegação. vendo pagamento, o crédito apurado será inscrito
§ 2º No âmbito do Poder Executivo federal, a Con- em dívida ativa da fazenda pública.
troladoria-Geral da União - CGU terá competência Art. 14. A personalidade jurídica poderá ser des-
concorrente para instaurar processos administra- considerada sempre que utilizada com abuso do
tivos de responsabilização de pessoas jurídicas ou direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prá-
para avocar os processos instaurados com funda- tica dos atos ilícitos previstos nesta Lei ou para
mento nesta Lei, para exame de sua regularidade provocar confusão patrimonial, sendo estendidos
ou para corrigir-lhes o andamento. todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa
Art. 9º Competem à Controladoria-Geral da União jurídica aos seus administradores e sócios com po-
- CGU a apuração, o processo e o julgamento dos deres de administração, observados o contraditó-
atos ilícitos previstos nesta Lei, praticados contra rio e a ampla defesa.
a administração pública estrangeira, observado o Art. 15. A comissão designada para apuração da
disposto no Artigo 4 da Convenção sobre o Com- responsabilidade de pessoa jurídica, após a con-
bate da Corrupção de Funcionários Públicos Es- clusão do procedimento administrativo, dará co-
trangeiros em Transações Comerciais Internacio- nhecimento ao Ministério Público de sua existên-
nais, promulgada pelo Decreto nº 3.678, de 30 de cia, para apuração de eventuais delitos.
novembro de 2000. CAPÍTULO V - DO ACORDO DE LENIÊNCIA
Art. 10. O processo administrativo para apuração Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou
da responsabilidade de pessoa jurídica será con- entidade pública poderá celebrar acordo de leni-
duzido por comissão designada pela autoridade ência com as pessoas jurídicas responsáveis pela
instauradora e composta por 2 (dois) ou mais ser- prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem
vidores estáveis. efetivamente com as investigações e o processo
§ 1º O ente público, por meio do seu órgão de re- administrativo, sendo que dessa colaboração re-
presentação judicial, ou equivalente, a pedido da sulte: I - a identificação dos demais envolvidos na
comissão a que se refere o caput , poderá requerer infração, quando couber; e, II - a obtenção célere
as medidas judiciais necessárias para a investiga- de informações e documentos que comprovem o
ção e o processamento das infrações, inclusive de ilícito sob apuração.
busca e apreensão. § 1º O acordo de que trata o caput somente po-
§ 2º A comissão poderá, cautelarmente, propor à derá ser celebrado se preenchidos, cumulativa-
autoridade instauradora que suspenda os efeitos mente, os seguintes requisitos:
do ato ou processo objeto da investigação. I - a pessoa jurídica seja a primeira a se manifes-
§ 3º A comissão deverá concluir o processo no tar sobre seu interesse em cooperar para a apura-
prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da ção do ato ilícito;
data da publicação do ato que a instituir e, ao final, II - a pessoa jurídica cesse completamente seu en-
apresentar relatórios sobre os fatos apurados e volvimento na infração investigada a partir da data
eventual responsabilidade da pessoa jurídica, de propositura do acordo;
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III - a pessoa jurídica admita sua participação no Art. 19. Em razão da prática de atos previstos no
ilícito e coopere plena e permanentemente com as art. 5º desta Lei, a União, os Estados, o Distrito
investigações e o processo administrativo, compa- Federal e os Municípios, por meio das respectivas
recendo, sob suas expensas, sempre que solici- Advocacias Públicas ou órgãos de representação
tada, a todos os atos processuais, até seu encer- judicial, ou equivalentes, e o Ministério Público,
ramento. poderão ajuizar ação com vistas à aplicação das
§2º A celebração do acordo de leniência isentará seguintes sanções às pessoas jurídicas infratoras:
a pessoa jurídica das sanções previstas no inciso I - perdimento dos bens, direitos ou valores que
II do art. 6º e no inciso IV do art. 19 e reduzirá representem vantagem ou proveito direta ou indi-
em até 2/3 (dois terços) o valor da multa aplicá- retamente obtidos da infração, ressalvado o di-
vel. reito do lesado ou de terceiro de boa-fé;
§ 3º O acordo de leniência não exime a pessoa II - suspensão ou interdição parcial de suas ativi-
jurídica da obrigação de reparar integralmente o dades;
dano causado. III - dissolução compulsória da pessoa jurídica;
§ 4º O acordo de leniência estipulará as condições IV - proibição de receber incentivos, subsídios,
necessárias para assegurar a efetividade da cola- subvenções, doações ou empréstimos de órgãos
boração e o resultado útil do processo. ou entidades públicas e de instituições financeiras
§ 5º Os efeitos do acordo de leniência serão es- públicas ou controladas pelo poder público, pelo
tendidos às pessoas jurídicas que integram o prazo mínimo de 1 (um) e máximo de 5 (cinco)
mesmo grupo econômico, de fato e de direito, anos.
desde que firmem o acordo em conjunto, respei- § 1º A dissolução compulsória da pessoa jurídica
tadas as condições nele estabelecidas. será determinada quando comprovado:
§ 6º A proposta de acordo de leniência somente I - ter sido a personalidade jurídica utilizada de
se tornará pública após a efetivação do respectivo forma habitual para facilitar ou promover a prática
acordo, salvo no interesse das investigações e do de atos ilícitos; ou
processo administrativo. II - ter sido constituída para ocultar ou dissimular
§ 7º Não importará em reconhecimento da prática interesses ilícitos ou a identidade dos beneficiários
do ato ilícito investigado a proposta de acordo de dos atos praticados. § 2º (VETADO).
leniência rejeitada.
§ 8º Em caso de descumprimento do acordo de § 3º As sanções poderão ser aplicadas de forma
leniência, a pessoa jurídica ficará impedida de ce- isolada ou cumulativa.
lebrar novo acordo pelo prazo de 3 (três) anos § 4º O Ministério Público ou a Advocacia Pública
contados do conhecimento pela administração pú- ou órgão de representação judicial, ou equiva-
blica do referido descumprimento. lente, do ente público poderá requerer a indispo-
§ 9º A celebração do acordo de leniência inter- nibilidade de bens, direitos ou valores necessários
rompe o prazo prescricional dos atos ilícitos pre- à garantia do pagamento da multa ou da repara-
vistos nesta Lei. ção integral do dano causado, conforme previsto
§ 10. A Controladoria-Geral da União - CGU é o no art. 7º , ressalvado o direito do terceiro de boa-
órgão competente para celebrar os acordos de le- fé.
niência no âmbito do Poder Executivo federal, bem Art. 20. Nas ações ajuizadas pelo Ministério Pú-
como no caso de atos lesivos praticados contra a blico, poderão ser aplicadas as sanções previstas
administração pública estrangeira. no art. 6º , sem prejuízo daquelas previstas neste
Art. 17. A administração pública poderá também Capítulo, desde que constatada a omissão das au-
celebrar acordo de leniência com a pessoa jurídica toridades competentes para promover a respon-
responsável pela prática de ilícitos previstos na Lei sabilização administrativa.
nº 8.666, de 21 de junho de 1993, com vistas à Art. 21. Nas ações de responsabilização judicial,
isenção ou atenuação das sanções administrativas será adotado o rito previsto na Lei nº 7.347, de 24
estabelecidas em seus arts. 86 a 88. de julho de 1985.
CAPÍTULO VI - DA RESPONSABILIZAÇÃO JUDI- Parágrafo único. A condenação torna certa a obri-
CIAL gação de reparar, integralmente, o dano causado
Art. 18. Na esfera administrativa, a responsabili- pelo ilícito, cujo valor será apurado em posterior
dade da pessoa jurídica não afasta a possibilidade liquidação, se não constar expressamente da sen-
de sua responsabilização na esfera judicial. tença.
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CAPÍTULO VII - DISPOSIÇÕES FINAIS infração ou, no caso de infração permanente ou


Art. 22. Fica criado no âmbito do Poder Executivo continuada, do dia em que tiver cessado.
federal o Cadastro Nacional de Empresas Punidas Art. 26. A pessoa jurídica será representada no
- CNEP, que reunirá e dará publicidade às sanções processo administrativo na forma do seu estatuto
aplicadas pelos órgãos ou entidades dos Poderes ou contrato social.
Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as es- § 1º As sociedades sem personalidade jurídica se-
feras de governo com base nesta Lei. rão representadas pela pessoa a quem couber a
§ 1º Os órgãos e entidades referidos no caput de- administração de seus bens.
verão informar e manter atualizados, no Cnep, os § 2º A pessoa jurídica estrangeira será represen-
dados relativos às sanções por eles aplicadas. tada pelo gerente, representante ou administrador
§ 2º O Cnep conterá, entre outras, as seguintes de sua filial, agência ou sucursal aberta ou insta-
informações acerca das sanções aplicadas: lada no Brasil.
I - razão social e número de inscrição da pessoa Art. 27. A autoridade competente que, tendo co-
jurídica ou entidade no Cadastro Nacional da Pes- nhecimento das infrações previstas nesta Lei, não
soa Jurídica - CNPJ; adotar providências para a apuração dos fatos
II - tipo de sanção; e será responsabilizada penal, civil e administrativa-
III - data de aplicação e data final da vigência do mente nos termos da legislação específica aplicá-
efeito limitador ou impeditivo da sanção, quando vel.
for o caso. Art. 28. Esta Lei aplica-se aos atos lesivos pratica-
§ 3º As autoridades competentes, para celebra- dos por pessoa jurídica brasileira contra a admi-
rem acordos de leniência previstos nesta Lei, tam- nistração pública estrangeira, ainda que cometi-
bém deverão prestar e manter atualizadas no dos no exterior.
Cnep, após a efetivação do respectivo acordo, as Art. 29. O disposto nesta Lei não exclui as compe-
informações acerca do acordo de leniência cele- tências do Conselho Administrativo de Defesa Eco-
brado, salvo se esse procedimento vier a causar nômica, do Ministério da Justiça e do Ministério da
prejuízo às investigações e ao processo adminis- Fazenda para processar e julgar fato que constitua
trativo. infração à ordem econômica.
§ 4º Caso a pessoa jurídica não cumpra os termos Art. 30. A aplicação das sanções previstas nesta
do acordo de leniência, além das informações pre- Lei não afeta os processos de responsabilização e
vistas no § 3º , deverá ser incluída no Cnep refe- aplicação de penalidades decorrentes de:
rência ao respectivo descumprimento. I - ato de improbidade administrativa nos termos
§ 5º Os registros das sanções e acordos de leni- da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992 ; e
ência serão excluídos depois de decorrido o prazo II - atos ilícitos alcançados pela Lei nº 8.666, de
previamente estabelecido no ato sancionador ou 21 de junho de 1993, ou outras normas de licita-
do cumprimento integral do acordo de leniência e ções e contratos da administração pública, inclu-
da reparação do eventual dano causado, mediante sive no tocante ao Regime Diferenciado de Con-
solicitação do órgão ou entidade sancionadora. tratações Públicas - RDC instituído pela Lei nº
Art. 23. Os órgãos ou entidades dos Poderes Exe- 12.462, de 4 de agosto de 2011.
cutivo, Legislativo e Judiciário de todas as esferas Art. 31. Esta Lei entra em vigor 180 (cento e oi-
de governo deverão informar e manter atualiza- tenta) dias após a data de sua publicação.
dos, para fins de publicidade, no Cadastro Nacio-
nal de Empresas Inidôneas e Suspensas - CEIS, QUESTÕES
de caráter público, instituído no âmbito do Poder 57 - CESGRANRIO - 2018 - Petrobras - Advo-
Executivo federal, os dados relativos às sanções gado Júnior. A Lei no°12.846/2013 dispõe sobre
por eles aplicadas, nos termos do disposto nos a responsabilização administrativa e civil de pes-
arts. 87 e 88 da Lei no 8.666, de 21 de junho de soas jurídicas pela prática de atos contra a admi-
1993. nistração pública, nacional ou estrangeira, e dá
Art. 24. A multa e o perdimento de bens, direitos outras providências. Em relação a essa Lei, cons-
ou valores aplicados com fundamento nesta Lei tata-se que a(s)
serão destinados preferencialmente aos órgãos ou A) responsabilidade da pessoa jurídica não sub-
entidades públicas lesadas. siste na hipótese de alteração contratual, transfor-
Art. 25. Prescrevem em 5 (cinco) anos as infrações mação, incorporação, fusão ou cisão societária.
previstas nesta Lei, contados da data da ciência da B) responsabilização da pessoa jurídica exclui a
responsabilidade individual de seus dirigentes ou
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administradores ou de qualquer pessoa natural, será inferior à vantagem auferida, quando for pos-
autora, coautora ou partícipe do ato ilícito. sível sua estimação.
C) pessoas jurídicas serão responsabilizadas sub- D. multa, até 20% do faturamento bruto do último
jetivamente, nos âmbitos administrativo e civil, exercício anterior ao da instauração do processo
pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca
em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não. será inferior à vantagem auferida, quando for pos-
D) sociedades empresárias e as sociedades sim- sível sua estimação.
ples, personificadas ou não, independentemente E. multa, até 25% do faturamento bruto do último
da forma de organização ou modelo societário exercício anterior ao da instauração do processo
adotado, são passíveis de responsabilização. administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca
E) sociedades controladoras, controladas, coliga- será inferior à vantagem auferida, quando for pos-
das ou, no âmbito do respectivo contrato, consor- sível sua estimação.
ciadas serão subsidiariamente responsáveis pela
prática dos atos previstos nesta Lei, restringindo-
se tal responsabilidade à obrigação de pagamento GABARITO
de multa e reparação integral do dano causado. 57 - D 58 – D 59 - D
58 - CESGRANRIO - 2018 - TRANSPETRO -
Advogado Júnior. Constitui ato lesivo à adminis-
tração pública, nacional ou estrangeira, nos ter- DECRETO Nº 11.129, DE 11 DE JULHO DE
mos da Lei nº 2.846/2013, criar pessoa jurídica 2022
para participar de licitação pública ou celebrar CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
contrato administrativo, de modo Art. 1º Este Decreto regulamenta a responsabili-
a) blindado zação objetiva administrativa e civil de pessoas ju-
b) elisivo rídicas pela prática de atos contra a administração
c) especial pública, nacional ou estrangeira, de que trata a Lei
d) fraudulento nº 12.846, de 1º de agosto de 2013.
e) imunizado § 1º A Lei nº 12.846, de 2013, aplica-se aos atos
59 - CESGRANRIO - 2023 - Banco do Brasil - lesivos praticados:
Agente Comercial - Prova B. Um indivíduo foi I - por pessoa jurídica brasileira contra adminis-
selecionado para integrar os quadros de determi- tração pública estrangeira, ainda que cometidos
nada companhia que presta serviços de engenha- no exterior;
ria para setores públicos e privados. Em função de II - no todo ou em parte no território nacional ou
suas habilidades, foi incluído em programa de trei- que nele produzam ou possam produzir efeitos; ou
namento para coordenar medidas anticorrupção III - no exterior, quando praticados contra a ad-
na empresa. Um dos módulos apresenta as san- ministração pública nacional.
ções passíveis de ocorrer. § 2º São passíveis de responsabilização nos ter-
Nos termos da Lei nº 12.846/2013, na esfera ad- mos do disposto na Lei nº 12.846, de 2013, as
ministrativa, serão aplicadas às pessoas jurídicas pessoas jurídicas que tenham sede, filial ou repre-
consideradas responsáveis pelos atos lesivos pre- sentação no território brasileiro, constituídas de
vistos nessa Lei as seguintes sanções: fato ou de direito.
A. multa, até 5% do faturamento bruto do último Art. 2º A apuração da responsabilidade adminis-
exercício anterior ao da instauração do processo trativa de pessoa jurídica, decorrente do exercício
administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca do poder sancionador da administração pública,
será inferior à vantagem auferida, quando for pos- será efetuada por meio de Processo Administrativo
sível sua estimação. de Responsabilização - PAR ou de acordo de leni-
B. multa, até 10% do faturamento bruto do último ência.
exercício anterior ao da instauração do processo CAPÍTULO II - DA RESPONSABILIZAÇÃO ADMI-
administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca NISTRATIVA. Seção I - Da investigação preliminar
será inferior à vantagem auferida, quando for pos- Art. 3º O titular da corregedoria da entidade ou
sível sua estimação. da unidade competente, ao tomar ciência da pos-
C. multa, até 15% do faturamento bruto do último sível ocorrência de ato lesivo à administração pú-
exercício anterior ao da instauração do processo blica federal, em sede de juízo de admissibilidade
administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca e mediante despacho fundamentado, decidirá: I -
pela abertura de investigação preliminar; II - pela
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recomendação de instauração de PAR; ou III - pela administração pública federal, para decisão sobre
recomendação de arquivamento da matéria. a instauração do PAR.
§ 1º A investigação de que trata o inciso I do ca- Seção II - Do Processo Administrativo de Respon-
put terá caráter sigiloso e não punitivo e será des- sabilização
tinada à apuração de indícios de autoria e materi- Art. 4º A competência para a instauração e para
alidade de atos lesivos à administração pública fe- o julgamento do PAR é da autoridade máxima da
deral. entidade em face da qual foi praticado o ato lesivo
§ 2º A investigação preliminar será conduzida di- ou, em caso de órgão da administração pública fe-
retamente pela corregedoria da entidade ou uni- deral direta, do respectivo Ministro de Estado.
dade competente, na forma estabelecida em regu- Parágrafo único. A competência de que trata o
lamento, ou por comissão composta por dois ou caput será exercida de ofício ou mediante provo-
mais membros, designados entre servidores efeti- cação e poderá ser delegada, vedada a subdele-
vos ou empregados públicos. gação.
§ 3º Na investigação preliminar, serão praticados Art. 5º No ato de instauração do PAR, a autori-
os atos necessários à elucidação dos fatos sob dade designará comissão, composta por dois ou
apuração, compreendidas todas as diligências ad- mais servidores estáveis.
mitidas em lei, notadamente: § 1º Em entidades da administração pública fede-
I - proposição à autoridade instauradora da sus- ral cujos quadros funcionais não sejam formados
pensão cautelar dos efeitos do ato ou do processo por servidores estatutários, a comissão a que se
objeto da investigação; refere o caput será composta por dois ou mais em-
II - solicitação de atuação de especialistas com co- pregados permanentes, preferencialmente com,
nhecimentos técnicos ou operacionais, de órgãos no mínimo, três anos de tempo de serviço na en-
e entidades públicos ou de outras organizações, tidade.
para auxiliar na análise da matéria sob exame; § 2º A comissão a que se refere o caput exercerá
III - solicitação de informações bancárias sobre suas atividades com imparcialidade e observará a
movimentação de recursos públicos, ainda que si- legislação, os regulamentos e as orientações téc-
gilosas, nesta hipótese, em sede de compartilha- nicas vigentes.
mento do sigilo com órgãos de controle; § 3º Será assegurado o sigilo do PAR, sempre que
IV - requisição, por meio da autoridade compe- necessário à elucidação do fato ou quando exigido
tente, do compartilhamento de informações tribu- pelo interesse da administração pública, garantido
tárias da pessoa jurídica investigada, conforme à pessoa jurídica processada o direito à ampla de-
previsto no inciso II do § 1º do art. 198 da Lei nº fesa e ao contraditório.
5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tribu- § 4º O prazo para a conclusão dos trabalhos da
tário Nacional; comissão de PAR não excederá cento e oitenta
V - solicitação, ao órgão de representação judicial dias, admitida a prorrogação, mediante solicitação
ou equivalente dos órgãos ou das entidades lesa- justificada do presidente da comissão à autoridade
das, das medidas judiciais necessárias para a in- instauradora, que decidirá de maneira fundamen-
vestigação e para o processamento dos atos lesi- tada.
vos, inclusive de busca e apreensão, no Brasil ou Art. 6º Instaurado o PAR, a comissão avaliará os
no exterior; ou fatos e as circunstâncias conhecidas e indiciará e
VI - solicitação de documentos ou informações a intimará a pessoa jurídica processada para, no
pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou prazo de trinta dias, apresentar defesa escrita e
privado, nacionais ou estrangeiras, ou a organiza- especificar eventuais provas que pretenda produ-
ções públicas internacionais. zir.
§ 4º O prazo para a conclusão da investigação § 1º A intimação prevista no caput:
preliminar não excederá cento e oitenta dias, ad- I - facultará expressamente à pessoa jurídica a
mitida a prorrogação, mediante ato da autoridade possibilidade de apresentar informações e provas
a que se refere o caput. que subsidiem a análise da comissão de PAR no
§ 5º Ao final da investigação preliminar, serão que se refere aos elementos que atenuam o valor
enviadas à autoridade competente as peças de in- da multa, previstos no art. 23; e
formação obtidas, acompanhadas de relatório II - solicitará a apresentação de informações e do-
conclusivo acerca da existência de indícios de au- cumentos, nos termos estabelecidos pela Contro-
toria e materialidade de atos lesivos à ladoria-Geral da União, que permitam a análise do
programa de integridade da pessoa jurídica.
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§ 2º O ato de indiciação conterá, no mínimo: aos autos, caso tais provas não justifiquem a alte-
I - a descrição clara e objetiva do ato lesivo impu- ração da nota de indiciação; ou
tado à pessoa jurídica, com a descrição das cir- II - lavrar nova indiciação ou indiciação comple-
cunstâncias relevantes; mentar, caso as novas provas juntadas aos autos
II - o apontamento das provas que sustentam o justifiquem alterações na nota de indiciação ini-
entendimento da comissão pela ocorrência do ato cial, devendo ser observado o disposto no caput
lesivo imputado; e do art. 6º.
III - o enquadramento legal do ato lesivo impu- § 2º Caso a pessoa jurídica apresente em sua de-
tado à pessoa jurídica processada. fesa informações e documentos referentes à exis-
§ 3º Caso a intimação prevista no caput não tenha tência e ao funcionamento de programa de inte-
êxito, será feita nova intimação por meio de edital gridade, a comissão processante deverá examiná-
publicado na imprensa oficial e no sítio eletrônico lo segundo os parâmetros indicados no Capítulo V,
do órgão ou da entidade pública responsável pela para a dosimetria das sanções a serem aplicadas.
condução do PAR, hipótese em que o prazo para Art. 9º A pessoa jurídica poderá acompanhar o
apresentação de defesa escrita será contado a PAR por meio de seus representantes legais ou
partir da última data de publicação do edital. procuradores, sendo-lhes assegurado amplo
§ 4º Caso a pessoa jurídica processada não apre- acesso aos autos.
sente sua defesa escrita no prazo estabelecido no Parágrafo único. É vedada a retirada de autos fí-
caput, contra ela correrão os demais prazos, inde- sicos da repartição pública, sendo autorizada a ob-
pendentemente de notificação ou intimação, po- tenção de cópias, preferencialmente em meio di-
dendo intervir em qualquer fase do processo, sem gital, mediante requerimento.
direito à repetição de qualquer ato processual já Art. 10. A comissão, para o devido e regular exer-
praticado. cício de suas funções, poderá praticar os atos ne-
Art. 7º As intimações serão feitas por qualquer cessários à elucidação dos fatos sob apuração,
meio físico ou eletrônico que assegure a certeza compreendidos todos os meios probatórios admi-
de ciência da pessoa jurídica processada. tidos em lei, inclusive os previstos no § 3º do art.
§ 1º Os prazos começam a correr a partir da data 3º.
da cientificação oficial, excluindo-se da contagem Art. 11. Concluídos os trabalhos de apuração e
o dia do começo e incluindo-se o dia do venci- análise, a comissão elaborará relatório a respeito
mento, observado o disposto no Capítulo XVI da dos fatos apurados e da eventual responsabilidade
Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. administrativa da pessoa jurídica, no qual suge-
§ 2º Na hipótese prevista no § 4º do art. 6º, dis- rirá, de forma motivada:
pensam-se as demais intimações processuais, até I - as sanções a serem aplicadas, com a respectiva
que a pessoa jurídica interessada se manifeste nos indicação da dosimetria, ou o arquivamento do
autos. processo;
§ 3º A pessoa jurídica estrangeira poderá ser no- II - o encaminhamento do relatório final à autori-
tificada e intimada de todos os atos processuais, dade competente para instrução de processo ad-
independentemente de procuração ou de disposi- ministrativo específico para reparação de danos,
ção contratual ou estatutária, na pessoa do ge- quando houver indícios de que do ato lesivo tenha
rente, representante ou administrador de sua fi- resultado dano ao erário;
lial, agência, sucursal, estabelecimento ou escritó- III - o encaminhamento do relatório final à Advo-
rio instalado no Brasil. cacia-Geral da União, para ajuizamento da ação
Art. 8º Recebida a defesa escrita, a comissão ava- de que trata o art. 19 da Lei nº 12.846, de 2013,
liará a pertinência de produzir as provas eventual- com sugestão, de acordo com o caso concreto, da
mente requeridas pela pessoa jurídica processada, aplicação das sanções previstas naquele artigo,
podendo indeferir de forma motivada os pedidos como retribuição complementar às do PAR ou para
de produção de provas que sejam ilícitas, imperti- a prevenção de novos ilícitos;
nentes, desnecessárias, protelatórias ou intem- IV - o encaminhamento do processo ao Ministério
pestivas. Público, nos termos do disposto no art. 15 da Lei
§ 1º Caso sejam produzidas provas após a nota nº 12.846, de 2013; e
de indiciação, a comissão poderá: V - as condições necessárias para a concessão da
I - intimar a pessoa jurídica para se manifestar, no reabilitação, quando cabível.
prazo de dez dias, sobre as novas provas juntadas Art. 12. Concluído o relatório final, a comissão la-
vrará ata de encerramento dos seus trabalhos,
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que formalizará sua desconstituição, e encami- precedência o julgamento pelo Ministro de Estado
nhará o PAR à autoridade instauradora, que deter- competente.
minará a intimação da pessoa jurídica processada § 2º Para fins do disposto no caput, o chefe da
do relatório final para, querendo, manifestar-se no unidade responsável no órgão ou na entidade pela
prazo máximo de dez dias. gestão de licitações e contratos deve comunicar à
Parágrafo único. Transcorrido o prazo previsto no autoridade a que se refere o caput do art. 3º even-
caput, a autoridade instauradora determinará à tuais fatos que configurem atos lesivos previstos
corregedoria da entidade ou à unidade compe- no art. 5º da Lei nº 12.846, de 2013.
tente que analise a regularidade e o mérito do Art. 17. A Controladoria-Geral da União possui,
PAR. no âmbito do Poder Executivo federal, competên-
Art. 13. Após a análise de regularidade e mérito, cia:
o PAR será encaminhado à autoridade competente I - concorrente para instaurar e julgar PAR; e, II -
para julgamento, o qual será precedido de mani- exclusiva para avocar os processos instaurados
festação jurídica, elaborada pelo órgão de assis- para exame de sua regularidade ou para lhes cor-
tência jurídica competente. rigir o andamento, inclusive promovendo a aplica-
Parágrafo único. Na hipótese de decisão contrária ção da penalidade administrativa cabível.
ao relatório da comissão, esta deverá ser funda- § 1º A Controladoria-Geral da União poderá exer-
mentada com base nas provas produzidas no PAR. cer, a qualquer tempo, a competência prevista no
Art. 14. A decisão administrativa proferida pela caput, se presentes quaisquer das seguintes cir-
autoridade julgadora ao final do PAR será publi- cunstâncias:
cada no Diário Oficial da União e no sítio eletrônico I - caracterização de omissão da autoridade origi-
do órgão ou da entidade pública responsável pelo nariamente competente;
julgamento do PAR. II - inexistência de condições objetivas para sua
Art. 15. Da decisão administrativa sancionadora realização no órgão ou na entidade de origem;
cabe pedido de reconsideração com efeito suspen- III - complexidade, repercussão e relevância da
sivo, no prazo de dez dias, contado da data de pu- matéria;
blicação da decisão. IV - valor dos contratos mantidos pela pessoa ju-
§ 1º A pessoa jurídica contra a qual foram impos- rídica com o órgão ou com a entidade atingida; ou
tas sanções no PAR e que não apresentar pedido V - apuração que envolva atos e fatos relacionados
de reconsideração deverá cumpri-las no prazo de com mais de um órgão ou entidade da administra-
trinta dias, contado do fim do prazo para interpo- ção pública federal.
sição do pedido de reconsideração. § 2º Ficam os órgãos e as entidades da adminis-
§ 2º A autoridade julgadora terá o prazo de trinta tração pública obrigados a encaminhar à Contro-
dias para decidir sobre a matéria alegada no pe- ladoria-Geral da União todos os documentos e in-
dido de reconsideração e publicar nova decisão. formações que lhes forem solicitados, incluídos os
§ 3º Mantida a decisão administrativa sanciona- autos originais dos processos que eventualmente
dora, será concedido à pessoa jurídica novo prazo estejam em curso.
de trinta dias para o cumprimento das sanções Art. 18. Compete à Controladoria-Geral da União
que lhe foram impostas, contado da data de publi- instaurar, apurar e julgar PAR pela prática de atos
cação da nova decisão. lesivos a administração pública estrangeira, o qual
Art. 16. Os atos previstos como infrações admi- seguirá, no que couber, o rito procedimental pre-
nistrativas à Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021, visto neste Capítulo.
ou a outras normas de licitações e contratos da Parágrafo único. Os órgãos e as entidades da ad-
administração pública que também sejam tipifica- ministração pública federal direta e indireta deve-
dos como atos lesivos na Lei nº 12.846, de 2013, rão comunicar à Controladoria-Geral da União os
serão apurados e julgados conjuntamente, nos indícios da ocorrência de atos lesivos a adminis-
mesmos autos, aplicando-se o rito procedimental tração pública estrangeira, identificados no exer-
previsto neste Capítulo. cício de suas atribuições, juntando à comunicação
§ 1º Concluída a apuração de que trata o caput e os documentos já disponíveis e necessários à apu-
havendo autoridades distintas competentes para o ração ou à comprovação dos fatos, sem prejuízo
julgamento, o processo será encaminhado primei- do envio de documentação complementar, na hi-
ramente àquela de nível mais elevado, para que pótese de novas provas ou informações relevan-
julgue no âmbito de sua competência, tendo tes, sob pena de responsabilização.
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CAPÍTULO III - DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS anterior ao da instauração do PAR, deve-se consi-
E DOS ENCAMINHAMENTOS JUDICIAIS. Seção I - derar como base de cálculo da multa o valor do
Disposições gerais último faturamento bruto apurado pela pessoa ju-
Art. 19. As pessoas jurídicas estão sujeitas às se- rídica, excluídos os tributos incidentes sobre ven-
guintes sanções administrativas, nos termos do das, que terá seu valor atualizado até o último dia
disposto no art. 6º da Lei nº 12.846, de 2013: do exercício anterior ao da instauração do PAR.
I - multa; e, II - publicação extraordinária da de- Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o
cisão administrativa sancionadora. valor da multa será estipulado observando-se o in-
Parágrafo único. Caso os atos lesivos apurados tervalo de R$ 6.000,00 (seis mil reais) a R$
envolvam infrações administrativas à Lei nº 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais) e o li-
14.133, de 2021, ou a outras normas de licitações mite mínimo da vantagem auferida, quando for
e contratos da administração pública e tenha ocor- possível sua estimação.
rido a apuração conjunta prevista no art. 16, a Art. 22. O cálculo da multa se inicia com a soma
pessoa jurídica também estará sujeita a sanções dos valores correspondentes aos seguintes per-
administrativas que tenham como efeito a restri- centuais da base de cálculo:
ção ao direito de participar em licitações ou de ce- I - até quatro por cento, havendo concurso dos
lebrar contratos com a administração pública, a atos lesivos;
serem aplicadas no PAR. II - até três por cento para tolerância ou ciência
Seção II - Da multa de pessoas do corpo diretivo ou gerencial da pes-
Art. 20. A multa prevista no inciso I do caput do soa jurídica;
art. 6º da Lei nº 12.846, de 2013, terá como base III - até quatro por cento no caso de interrupção
de cálculo o faturamento bruto da pessoa jurídica no fornecimento de serviço público, na execução
no último exercício anterior ao da instauração do de obra contratada ou na entrega de bens ou ser-
PAR, excluídos os tributos. viços essenciais à prestação de serviços públicos
§ 1º Os valores que constituirão a base de cálculo ou no caso de descumprimento de requisitos re-
de que trata o caput poderão ser apurados, entre gulatórios;
outras formas, por meio de: IV - um por cento para a situação econômica do
I - compartilhamento de informações tributárias, infrator que apresente índices de solvência geral e
na forma do disposto no inciso II do § 1º do art. de liquidez geral superiores a um e lucro líquido
198 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário no último exercício anterior ao da instauração do
Nacional; PAR;
II - registros contábeis produzidos ou publicados V - três por cento no caso de reincidência, assim
pela pessoa jurídica acusada, no Brasil ou no ex- definida a ocorrência de nova infração, idêntica ou
terior; não à anterior, tipificada como ato lesivo pelo art.
III - estimativa, levando em consideração quais- 5º da Lei nº 12.846, de 2013, em menos de cinco
quer informações sobre a sua situação econômica anos, contados da publicação do julgamento da in-
ou o estado de seus negócios, tais como patrimô- fração anterior; e
nio, capital social, número de empregados, con- VI - no caso de contratos, convênios, acordos,
tratos, entre outras; e ajustes e outros instrumentos congêneres manti-
IV - identificação do montante total de recursos dos ou pretendidos com o órgão ou com as enti-
recebidos pela pessoa jurídica sem fins lucrativos dades lesadas, nos anos da prática do ato lesivo,
no ano anterior ao da instauração do PAR, excluí- serão considerados os seguintes percentuais:
dos os tributos incidentes sobre vendas. a) um por cento, no caso de o somatório dos ins-
§ 2º Os fatores previstos nos art. 22 e art. 23 trumentos totalizar valor superior a R$
deste Decreto serão avaliados em conjunto para 500.000,00 (quinhentos mil reais);
os atos lesivos apurados no mesmo PAR, devendo- b) dois por cento, no caso de o somatório dos ins-
se considerar, para o cálculo da multa, a consoli- trumentos totalizar valor superior a R$
dação dos faturamentos brutos de todas as pes- 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais);
soas jurídicas pertencentes de fato ou de direito c) três por cento, no caso de o somatório dos ins-
ao mesmo grupo econômico que tenham praticado trumentos totalizar valor superior a R$
os ilícitos previstos no art. 5º da Lei nº 12.846, de 10.000.000,00 (dez milhões de reais);
2013, ou concorrido para a sua prática. d) quatro por cento, no caso de o somatório dos
Art. 21. Caso a pessoa jurídica comprovadamente instrumentos totalizar valor superior a R$
não tenha tido faturamento no último exercício 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais); ou
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e) cinco por cento, no caso de o somatório dos b) R$ 6.000,00 (seis mil reais), na hipótese pre-
instrumentos totalizar valor superior a R$ vista no art. 21; e
250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões de II - máximo, o menor valor entre:
reais). a) três vezes o valor da vantagem pretendida ou
Parágrafo único. No caso de acordo de leniência, auferida, o que for maior entre os dois valores;
o prazo constante do inciso V do caput será con- b) vinte por cento do faturamento bruto do último
tado a partir da data de celebração até cinco anos exercício anterior ao da instauração do PAR, ex-
após a declaração de seu cumprimento. cluídos os tributos incidentes sobre vendas;
Art. 23. Do resultado da soma dos fatores previs- c) R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais),
tos no art. 22 serão subtraídos os valores corres- na hipótese prevista no art. 21, desde que não
pondentes aos seguintes percentuais da base de seja possível estimar o valor da vantagem aufe-
cálculo: I - até meio por cento no caso de não con- rida.
sumação da infração; II - até um por cento no § 1º O limite máximo não será observado, caso o
caso de: valor resultante do cálculo desse parâmetro seja
a) comprovação da devolução espontânea pela inferior ao resultado calculado para o limite mí-
pessoa jurídica da vantagem auferida e do ressar- nimo.
cimento dos danos resultantes do ato lesivo; ou, § 2º Na ausência de todos os fatores previstos
b) inexistência ou falta de comprovação de vanta- nos art. 22 e art. 23 ou quando o resultado das
gem auferida e de danos resultantes do ato lesivo; operações de soma e subtração for igual ou menor
III - até um e meio por cento para o grau de cola- que zero, o valor da multa corresponderá ao limite
boração da pessoa jurídica com a investigação ou mínimo estabelecido no caput.
a apuração do ato lesivo, independentemente do Art. 26. O valor da vantagem auferida ou preten-
acordo de leniência; dida corresponde ao equivalente monetário do
IV - até dois por cento no caso de admissão vo- produto do ilícito, assim entendido como os ga-
luntária pela pessoa jurídica da responsabilidade nhos ou os proveitos obtidos ou pretendidos pela
objetiva pelo ato lesivo; e pessoa jurídica em decorrência direta ou indireta
V - até cinco por cento no caso de comprovação da prática do ato lesivo.
de a pessoa jurídica possuir e aplicar um programa § 1º O valor da vantagem auferida ou pretendida
de integridade, conforme os parâmetros estabele- poderá ser estimado mediante a aplicação, con-
cidos no Capítulo V. forme o caso, das seguintes metodologias:
Parágrafo único. Somente poderão ser atribuídos I - pelo valor total da receita auferida em contrato
os percentuais máximos, quando observadas as administrativo e seus aditivos, deduzidos os cus-
seguintes condições: tos lícitos que a pessoa jurídica comprove serem
I - na hipótese prevista na alínea “a” do inciso II efetivamente atribuíveis ao objeto contratado, na
do caput, quando ocorrer a devolução integral dos hipótese de atos lesivos praticados para fins de
valores ali referidos; obtenção e execução dos respectivos contratos;
II - na hipótese prevista no inciso IV do caput, II - pelo valor total de despesas ou custos evita-
quando a admissão ocorrer antes da instauração dos, inclusive os de natureza tributária ou regula-
do PAR; e tória, e que seriam imputáveis à pessoa jurídica
III - na hipótese prevista no inciso V do caput, caso não houvesse sido praticado o ato lesivo pela
quando o plano de integridade for anterior à prá- pessoa jurídica infratora; ou
tica do ato lesivo. III - pelo valor do lucro adicional auferido pela
Art. 24. A existência e quantificação dos fatores pessoa jurídica decorrente de ação ou omissão na
previstos nos art. 22 e art. 23 deverá ser apurada prática de ato do Poder Público que não ocorreria
no PAR e evidenciada no relatório final da comis- sem a prática do ato lesivo pela pessoa jurídica
são, o qual também conterá a estimativa, sempre infratora.
que possível, dos valores da vantagem auferida e § 2º Os valores correspondentes às vantagens in-
da pretendida. devidas prometidas ou pagas a agente público ou
Art. 25. Em qualquer hipótese, o valor final da a terceiros a ele relacionados não poderão ser de-
multa terá como limite: duzidos do cálculo estimativo de que trata o § 1º.
I - mínimo, o maior valor entre o da vantagem Art. 27. Com a assinatura do acordo de leniência,
auferida, quando for possível sua estimativa, e: a) a multa aplicável será reduzida conforme a fração
um décimo por cento da base de cálculo; nele pactuada, observado o limite previsto no § 2º
do art. 16 da Lei nº 12.846, de 2013.
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§ 1º O valor da multa prevista no caput poderá § 5º Os acordos de leniência poderão pactuar


ser inferior ao limite mínimo previsto no art. 6º da prazo distinto do previsto no caput para recolhi-
Lei nº 12.846, de 2013. mento da multa aplicada ou de qualquer outra
§ 2º No caso de a autoridade signatária declarar obrigação financeira imputada à pessoa jurídica.
o descumprimento do acordo de leniência por falta Seção V - Dos encaminhamentos judiciais
imputável à pessoa jurídica colaboradora, o valor Art. 30. As medidas judiciais, no Brasil ou no ex-
integral encontrado antes da redução de que trata terior, como a cobrança da multa administrativa
o caput será cobrado na forma do disposto na Se- aplicada no PAR, a promoção da publicação extra-
ção IV, descontando-se as frações da multa even- ordinária, a persecução das sanções previstas no
tualmente já pagas. caput do art. 19 da Lei nº 12.846, de 2013 , a
Seção III - Da publicação extraordinária da deci- reparação integral dos danos e prejuízos, além de
são administrativa sancionadora eventual atuação judicial para a finalidade de ins-
Art. 28. A pessoa jurídica sancionada administra- trução ou garantia do processo judicial ou preser-
tivamente pela prática de atos lesivos contra a ad- vação do acordo de leniência, serão solicitadas ao
ministração pública, nos termos da Lei nº 12.846, órgão de representação judicial ou equivalente dos
de 2013, publicará a decisão administrativa sanci- órgãos ou das entidades lesadas.
onadora na forma de extrato de sentença, cumu- Art. 31. No âmbito da administração pública fe-
lativamente: deral direta, inclusive nas hipóteses de que tratam
I - em meio de comunicação de grande circulação, os art. 17 e art. 18, a atuação judicial será exer-
física ou eletrônica, na área da prática da infração cida pela Procuradoria-Geral da União, observadas
e de atuação da pessoa jurídica ou, na sua falta, as atribuições da Procuradoria-Geral da Fazenda
em publicação de circulação nacional; Nacional para inscrição e cobrança de créditos da
II - em edital afixado no próprio estabelecimento União inscritos em Dívida Ativa.
ou no local de exercício da atividade, em locali- Parágrafo único. No âmbito das autarquias e das
dade que permita a visibilidade pelo público, pelo fundações públicas federais, a atuação judicial
prazo mínimo de trinta dias; e será exercida pela Procuradoria-Geral Federal, in-
III - em seu sítio eletrônico, pelo prazo mínimo de clusive no que se refere à cobrança da multa ad-
trinta dias e em destaque na página principal do ministrativa aplicada no PAR, respeitadas as com-
referido sítio. petências da Procuradoria-Geral do Banco Central.
Parágrafo único. A publicação a que se refere o CAPÍTULO IV - DO ACORDO DE LENIÊNCIA
caput será feita a expensas da pessoa jurídica san- Art. 32. O acordo de leniência é ato administrativo
cionada. negocial decorrente do exercício do poder sancio-
Seção IV - Da cobrança da multa aplicada nador do Estado, que visa à responsabilização de
Art. 29. A multa aplicada será integralmente re- pessoas jurídicas pela prática de atos lesivos con-
colhida pela pessoa jurídica sancionada no prazo tra a administração pública nacional ou estran-
de trinta dias, observado o disposto no art. 15. geira.
§ 1º Feito o recolhimento, a pessoa jurídica san- Parágrafo único. O acordo de leniência buscará,
cionada apresentará ao órgão ou à entidade que nos termos da lei: I - o incremento da capacidade
aplicou a sanção documento que ateste o paga- investigativa da administração pública;
mento integral do valor da multa imposta. II - a potencialização da capacidade estatal de re-
§ 2º Decorrido o prazo previsto no caput sem que cuperação de ativos; e III - o fomento da cultura
a multa tenha sido recolhida ou não tendo ocorrido de integridade no setor privado.
a comprovação de seu pagamento integral, o ór- Art. 33. O acordo de leniência será celebrado com
gão ou a entidade que a aplicou encaminhará o as pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos
débito para inscrição em Dívida Ativa da União ou atos lesivos previstos na Lei nº 12.846, de 2013,
das autarquias e fundações públicas federais. e dos ilícitos administrativos previstos na Lei nº
§ 3º Caso a entidade que aplicou a multa não 14.133, de 2021, e em outras normas de licitações
possua Dívida Ativa, o valor será cobrado indepen- e contratos, com vistas à isenção ou à atenuação
dentemente de prévia inscrição. das respectivas sanções, desde que colaborem
§ 4º A multa aplicada pela Controladoria-Geral da efetivamente com as investigações e o PAR, de-
União em acordos de leniência ou nas hipóteses vendo resultar dessa colaboração: I - a identifica-
previstas nos art.17 e art. 18 será destinada à ção dos demais envolvidos nos ilícitos, quando
União e recolhida à conta única do Tesouro Nacio- couber; e II - a obtenção célere de informações e
nal.
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documentos que comprovem a infração sob apu- pessoa jurídica proponente em reportar à adminis-
ração. tração a descrição e a comprovação da integrali-
Art. 34. Compete à Controladoria-Geral da União dade dos atos ilícitos de que tenha ou venha a ter
celebrar acordos de leniência no âmbito do Poder ciência, desde o momento da propositura do
Executivo federal e nos casos de atos lesivos con- acordo até o seu total cumprimento.
tra a administração pública estrangeira. § 2º A parcela incontroversa do dano de que trata
Art. 35. Ato conjunto do Ministro de Estado da o inciso VI do caput corresponde aos valores dos
Controladoria-Geral da União e do Advogado-Ge- danos admitidos pela pessoa jurídica ou àqueles
ral da União: decorrentes de decisão definitiva no âmbito do de-
I - disciplinará a participação de membros da Ad- vido processo administrativo ou judicial.
vocacia-Geral da União nos processos de negocia- § 3º Nas hipóteses em que de determinado ato
ção e de acompanhamento do cumprimento dos ilícito decorra, simultaneamente, dano ao ente le-
acordos de leniência; e sado e acréscimo patrimonial indevido à pessoa
II - disporá sobre a celebração de acordos de leni- jurídica responsável pela prática do ato, e haja
ência pelo Ministro de Estado da Controladoria-Ge- identidade entre ambos, os valores a eles corres-
ral da União conjuntamente com o Advogado-Ge- pondentes serão:
ral da União. I - computados uma única vez para fins de quan-
Parágrafo único. A participação da Advocacia-Ge- tificação do valor a ser adimplido a partir do
ral da União nos acordos de leniência, considera- acordo de leniência; e
das as condições neles estabelecidas e observados II - classificados como ressarcimento de danos
os termos da Lei Complementar nº 73, de 10 de para fins contábeis, orçamentários e de sua desti-
fevereiro de 1993, e da Lei nº 13.140, de 26 de nação para o ente lesado.
junho de 2015, poderá ensejar a resolução con- Art. 38. A proposta de celebração de acordo de
sensual das penalidades previstas no art. 19 da Lei leniência deverá ser feita de forma escrita, opor-
nº 12.846, de 2013. tunidade em que a pessoa jurídica proponente de-
Art. 36. A Controladoria-Geral da União poderá clarará expressamente que foi orientada a res-
aceitar delegação para negociar, celebrar e moni- peito de seus direitos, garantias e deveres legais
torar o cumprimento de acordos de leniência rela- e de que o não atendimento às determinações e
tivos a atos lesivos contra outros Poderes e entes às solicitações durante a etapa de negociação im-
federativos. portará a desistência da proposta.
Art. 37. A pessoa jurídica que pretenda celebrar § 1º A proposta deverá ser apresentada pelos re-
acordo de leniência deverá: I - ser a primeira a presentantes da pessoa jurídica, na forma de seu
manifestar interesse em cooperar para a apuração estatuto ou contrato social, ou por meio de procu-
de ato lesivo específico, quando tal circunstância rador com poderes específicos para tal ato, obser-
for relevante; II - ter cessado completamente seu vado o disposto no art. 26 da Lei nº 12.846, de
envolvimento no ato lesivo a partir da data da pro- 2013.
positura do acordo; III - admitir sua responsabili- § 2º A proposta poderá ser feita até a conclusão
dade objetiva quanto aos atos lesivos; IV - coope- do relatório a ser elaborado no PAR.
rar plena e permanentemente com as investiga- § 3º A proposta apresentada receberá tratamento
ções e o processo administrativo e comparecer, sigiloso e o acesso ao seu conteúdo será restrito
sob suas expensas e sempre que solicitada, aos no âmbito da Controladoria-Geral da União.
atos processuais, até o seu encerramento; § 4º A proponente poderá divulgar ou comparti-
lhar a existência da proposta ou de seu conteúdo,
V - fornecer informações, documentos e elemen- desde que haja prévia anuência da Controladoria-
tos que comprovem o ato ilícito; VI - reparar inte- Geral da União.
gralmente a parcela incontroversa do dano cau- § 5º A análise da proposta de acordo de leniência
sado; e VII - perder, em favor do ente lesado ou será instruída em processo administrativo especí-
da União, conforme o caso, os valores correspon- fico, que conterá o registro dos atos praticados na
dentes ao acréscimo patrimonial indevido ou ao negociação.
enriquecimento ilícito direta ou indiretamente ob- Art. 39. A proposta de celebração de acordo de
tido da infração, nos termos e nos montantes de- leniência será submetida à análise de juízo de ad-
finidos na negociação. missibilidade, para verificação da existência dos
§ 1º Os requisitos de que tratam os incisos III e elementos mínimos que justifiquem o início da ne-
IV do caput serão avaliados em face da boa-fé da gociação.
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§ 1º Admitida a proposta, será firmado memo- cláusulas e obrigações que, diante das circunstân-
rando de entendimentos com a pessoa jurídica cias do caso concreto, reputem-se necessárias.
proponente, definindo os parâmetros da negocia- Art. 45. O acordo de leniência conterá, entre ou-
ção do acordo de leniência. tras disposições, cláusulas que versem sobre:
§ 2º O memorando de entendimentos poderá ser I - o compromisso de cumprimento dos requisitos
resilido a qualquer momento, a pedido da pessoa previstos nos incisos II a VII do caput do art. 37;
jurídica proponente ou a critério da administração II - a perda dos benefícios pactuados, em caso de
pública federal. descumprimento do acordo;
§ 3º A assinatura do memorando de entendimen- III - a natureza de título executivo extrajudicial do
tos: I - interrompe a prescrição; e II - suspende a instrumento do acordo, nos termos do disposto no
prescrição pelo prazo da negociação, limitado, em inciso II do caput do art. 784 da Lei nº 13.105, de
qualquer hipótese, a trezentos e sessenta dias. 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil;
Art. 40. A critério da Controladoria-Geral da IV - a adoção, a aplicação ou o aperfeiçoamento
União, o PAR instaurado em face de pessoa jurí- de programa de integridade, conforme os parâme-
dica que esteja negociando a celebração de acordo tros estabelecidos no Capítulo V, bem como o
de leniência poderá ser suspenso. prazo e as condições de monitoramento;
Parágrafo único. A suspensão ocorrerá sem pre- V - o pagamento das multas aplicáveis e da par-
juízo: I - da continuidade de medidas investigati- cela a que se refere o inciso VI do caput do art.
vas necessárias para o esclarecimento dos fatos; 37; e
e II - da adoção de medidas processuais cautela- VI - a possibilidade de utilização da parcela a que
res e assecuratórias indispensáveis para se evitar se refere o inciso VI do caput do art. 37 para com-
perecimento de direito ou garantir a instrução pro- pensação com outros valores porventura apurados
cessual. em outros processos sancionatórios ou de presta-
Art. 41. A Controladoria-Geral da União poderá ção de contas, quando relativos aos mesmos fatos
avocar os autos de processos administrativos em que compõem o escopo do acordo.
curso em outros órgãos ou entidades da adminis- Art. 46. A Controladoria-Geral da União poderá
tração pública federal relacionados com os fatos conduzir e julgar os processos administrativos que
objeto do acordo em negociação. apurem infrações administrativas previstas na Lei
Art. 42. A negociação a respeito da proposta do nº 12.846, de 2013, na Lei nº 14.133, de 2021, e
acordo de leniência deverá ser concluída no prazo em outras normas de licitações e contratos, cujos
de cento e oitenta dias, contado da data da assi- fatos tenham sido noticiados por meio do acordo
natura do memorando de entendimentos. de leniência.
Parágrafo único. O prazo de que trata o caput po- Art. 47. O percentual de redução do valor da
derá ser prorrogado, caso presentes circunstân- multa aplicável de que trata o § 2º do art. 16 da
cias que o exijam. Lei nº 12.846, de 2013, levará em consideração
Art. 43. A desistência da proposta de acordo de os seguintes critérios: I - a tempestividade da au-
leniência ou a sua rejeição não importará em re- todenúncia e o ineditismo dos atos lesivos; II - a
conhecimento da prática do ato lesivo. efetividade da colaboração da pessoa jurídica; e
§ 1º Não se fará divulgação da desistência ou da III - o compromisso de assumir condições relevan-
rejeição da proposta do acordo de leniência, res- tes para o cumprimento do acordo.
salvado o disposto no § 4º do art. 38. Parágrafo único. Os critérios previstos no caput
§ 2º Na hipótese prevista no caput, a administra- serão objeto de ato normativo a ser editado pelo
ção pública federal não poderá utilizar os docu- Ministro de Estado da Controladoria-Geral da
mentos recebidos durante o processo de negocia- União.
ção de acordo de leniência. Art. 48. O acesso aos documentos e às informa-
§ 3º O disposto no § 2º não impedirá a apuração ções comercialmente sensíveis da pessoa jurídica
dos fatos relacionados com a proposta de acordo será mantido restrito durante a negociação e após
de leniência, quando decorrer de indícios ou pro- a celebração do acordo de leniência.
vas autônomas que sejam obtidos ou levados ao § 1º Até a celebração do acordo de leniência, a
conhecimento da autoridade por qualquer outro identidade da pessoa jurídica signatária do acordo
meio. não será divulgada ao público, ressalvado o dis-
Art. 44. O acordo de leniência estipulará as con- posto no § 4º do art. 38.
dições para assegurar a efetividade da colabora- § 2º As informações e os documentos obtidos em
ção e o resultado útil do processo e conterá as decorrência da celebração de acordos de leniência
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poderão ser compartilhados com outras autorida- § 2º As informações relativas às etapas do pro-
des, mediante compromisso de sua não utilização cesso de monitoramento serão publicadas em
para sancionar a própria pessoa jurídica em rela- transparência ativa no sítio eletrônico da Contro-
ção aos mesmos fatos objeto do acordo de leniên- ladoria-Geral da União, respeitados os sigilos le-
cia, ou com concordância da própria pessoa jurí- gais e o interesse das investigações.
dica. Art. 52. Cumprido o acordo de leniência pela pes-
Art. 49. A celebração do acordo de leniência in- soa jurídica colaboradora, a autoridade compe-
terrompe o prazo prescricional da pretensão puni- tente declarará: I - o cumprimento das obrigações
tiva em relação aos atos ilícitos objeto do acordo, nele constantes; II - a isenção das sanções pre-
nos termos do disposto no § 9º do art. 16 da Lei vistas no inciso II do caput do art. 6º e no inciso
nº 12.846, de 2013, que permanecerá suspenso IV do caput do art. 19 da Lei nº 12.846, de 2013,
até o cumprimento dos compromissos firmados no bem como das demais sanções aplicáveis ao caso;
acordo ou até a sua rescisão, nos termos do dis- III - o cumprimento da sanção prevista no inciso I
posto no art. 34 da Lei nº 13.140, de 2015. do caput do art. 6º da Lei nº 12.846, de 2013; e
Art. 50. Com a celebração do acordo de leniência, IV - o atendimento dos compromissos assumidos
serão concedidos em favor da pessoa jurídica sig- de que tratam os incisos II a VII do caput do art.
natária, nos termos previamente firmados no 37 deste Decreto.
acordo, um ou mais dos seguintes efeitos: I - isen- Art. 53. Declarada a rescisão do acordo de leni-
ção da publicação extraordinária da decisão admi- ência pela autoridade competente, decorrente do
nistrativa sancionadora; II - isenção da proibição seu injustificado descumprimento:
de receber incentivos, subsídios, subvenções, do- I - a pessoa jurídica perderá os benefícios pactua-
ações ou empréstimos de órgãos ou entidades pú- dos e ficará impedida de celebrar novo acordo pelo
blicos e de instituições financeiras públicas ou con- prazo de três anos, contado da data em que se
troladas pelo Poder Público; III - redução do valor tornar definitiva a decisão administrativa que jul-
final da multa aplicável, observado o disposto no gar rescindido o acordo;
art. 27; ou II - haverá o vencimento antecipado das parcelas
IV - isenção ou atenuação das sanções adminis- não pagas e serão executados:
trativas previstas no art. 156 da Lei nº 14.133, de a) o valor integral da multa, descontando-se as
2021, ou em outras normas de licitações e contra- frações eventualmente já pagas; e
tos. b) os valores integrais referentes aos danos, ao
§ 1º No acordo de leniência poderá ser pactuada enriquecimento indevido e a outros valores por-
a resolução de ações judiciais que tenham por ob- ventura pactuados no acordo, descontando-se as
jeto os fatos que componham o escopo do acordo. frações eventualmente já pagas; e
§ 2º Os efeitos do acordo de leniência serão es- III - serão aplicadas as demais sanções e as con-
tendidos às pessoas jurídicas que integrarem o sequências previstas nos termos dos acordos de
mesmo grupo econômico, de fato ou de direito, leniência e na legislação aplicável.
desde que tenham firmado o acordo em conjunto, Parágrafo único. O descumprimento do acordo de
respeitadas as condições nele estabelecidas. leniência será registrado pela Controladoria-Geral
Art. 51. O monitoramento das obrigações de ado- da União, pelo prazo de três anos, no Cadastro
ção, implementação e aperfeiçoamento do pro- Nacional de Empresas Punidas - CNEP.
grama de integridade de que trata o inciso IV do Art. 54. Excepcionalmente, as autoridades signa-
caput do art. 45 será realizado, direta ou indireta- tárias poderão deferir pedido de alteração ou de
mente, pela Controladoria-Geral da União, po- substituição de obrigações pactuadas no acordo de
dendo ser dispensado, a depender das caracterís- leniência, desde que presentes os seguintes requi-
ticas do ato lesivo, das medidas de remediação sitos:
adotadas pela pessoa jurídica e do interesse pú- I - manutenção dos resultados e requisitos origi-
blico. nais que fundamentaram o acordo de leniência,
§ 1º O monitoramento a que se refere o caput nos termos do disposto no art. 16 da Lei nº
será realizado, dentre outras formas, pela análise 12.846, de 2013;
de relatórios, documentos e informações forneci- II - maior vantagem para a administração, de ma-
dos pela pessoa jurídica, obtidos de forma inde- neira que sejam alcançadas melhores consequên-
pendente ou por meio de reuniões, entrevistas, cias para o interesse público do que a declaração
testes de sistemas e de conformidade com as po- de descumprimento e a rescisão do acordo;
líticas e visitas técnicas.
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III - imprevisão da circunstância que dá causa ao a terceiros, tais como fornecedores, prestadores
pedido de modificação ou à impossibilidade de de serviço, agentes intermediários e associados;
cumprimento das condições originalmente pactu- IV - treinamentos e ações de comunicação perió-
adas; dicos sobre o programa de integridade;
IV - boa-fé da pessoa jurídica colaboradora em co- V - gestão adequada de riscos, incluindo sua aná-
municar a impossibilidade do cumprimento de lise e reavaliação periódica, para a realização de
uma obrigação antes do vencimento do prazo para adaptações necessárias ao programa de integri-
seu adimplemento; e dade e a alocação eficiente de recursos;
V - higidez das garantias apresentadas no acordo. VI - registros contábeis que reflitam de forma
Parágrafo único. A análise do pedido de que trata completa e precisa as transações da pessoa jurí-
o caput considerará o grau de adimplência da pes- dica;
soa jurídica com as demais condições pactuadas, VII - controles internos que assegurem a pronta
inclusive as de adoção ou de aperfeiçoamento do elaboração e a confiabilidade de relatórios e de-
programa de integridade. monstrações financeiras da pessoa jurídica;
Art. 55. Os acordos de leniência celebrados serão VIII - procedimentos específicos para prevenir
publicados em transparência ativa no sítio eletrô- fraudes e ilícitos no âmbito de processos licitató-
nico da Controladoria-Geral da União, respeitados rios, na execução de contratos administrativos ou
os sigilos legais e o interesse das investigações. em qualquer interação com o setor público, ainda
CAPÍTULO V - DO PROGRAMA DE INTEGRIDADE que intermediada por terceiros, como pagamento
Art. 56. Para fins do disposto neste Decreto, pro- de tributos, sujeição a fiscalizações ou obtenção
grama de integridade consiste, no âmbito de uma de autorizações, licenças, permissões e certidões;
pessoa jurídica, no conjunto de mecanismos e pro- IX - independência, estrutura e autoridade da ins-
cedimentos internos de integridade, auditoria e in- tância interna responsável pela aplicação do pro-
centivo à denúncia de irregularidades e na aplica- grama de integridade e pela fiscalização de seu
ção efetiva de códigos de ética e de conduta, polí- cumprimento;
ticas e diretrizes, com objetivo de: X - canais de denúncia de irregularidades, abertos
I - prevenir, detectar e sanar desvios, fraudes, ir- e amplamente divulgados a funcionários e tercei-
regularidades e atos ilícitos praticados contra a ros, e mecanismos destinados ao tratamento das
administração pública, nacional ou estrangeira; e denúncias e à proteção de denunciantes de boa-
II - fomentar e manter uma cultura de integridade fé;
no ambiente organizacional. XI - medidas disciplinares em caso de violação do
Parágrafo único. O programa de integridade deve programa de integridade;
ser estruturado, aplicado e atualizado de acordo XII - procedimentos que assegurem a pronta in-
com as características e os riscos atuais das ativi- terrupção de irregularidades ou infrações detecta-
dades de cada pessoa jurídica, a qual, por sua vez, das e a tempestiva remediação dos danos gera-
deve garantir o constante aprimoramento e a dos;
adaptação do referido programa, visando garantir XIII - diligências apropriadas, baseadas em risco,
sua efetividade. para:
Art. 57. Para fins do disposto no inciso VIII do a) contratação e, conforme o caso, supervisão de
caput do art. 7º da Lei nº 12.846, de 2013, o pro- terceiros, tais como fornecedores, prestadores de
grama de integridade será avaliado, quanto a sua serviço, agentes intermediários, despachantes,
existência e aplicação, de acordo com os seguintes consultores, representantes comerciais e associa-
parâmetros: dos;
I - comprometimento da alta direção da pessoa b) contratação e, conforme o caso, supervisão de
jurídica, incluídos os conselhos, evidenciado pelo pessoas expostas politicamente, bem como de
apoio visível e inequívoco ao programa, bem como seus familiares, estreitos colaboradores e pessoas
pela destinação de recursos adequados; jurídicas de que participem; e
II - padrões de conduta, código de ética, políticas c) realização e supervisão de patrocínios e doa-
e procedimentos de integridade, aplicáveis a todos ções;
os empregados e administradores, independente- XIV - verificação, durante os processos de fusões,
mente do cargo ou da função exercida; aquisições e reestruturações societárias, do come-
III - padrões de conduta, código de ética e políti- timento de irregularidades ou ilícitos ou da exis-
cas de integridade estendidas, quando necessário, tência de vulnerabilidades nas pessoas jurídicas
envolvidas; e
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XV - monitoramento contínuo do programa de in- III - impedimento de licitar e contratar com a


tegridade visando ao seu aperfeiçoamento na pre- União, os Estados, o Distrito Federal ou os Municí-
venção, na detecção e no combate à ocorrência pios, conforme disposto no art. 7º da Lei nº
dos atos lesivos previstos no art. 5º da Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002, no art. 47 da Lei
12.846, de 2013. nº 12.462, de 4 de agosto de 2011, e no inciso III
§ 1º Na avaliação dos parâmetros de que trata o do caput do art. 156 da Lei nº 14.133, de 2021;
caput, serão considerados o porte e as especifici- IV - suspensão temporária de participação em li-
dades da pessoa jurídica, por meio de aspectos citação e impedimento de contratar com a admi-
como: nistração pública, conforme disposto no inciso IV
I - a quantidade de funcionários, empregados e do caput do art. 33 da Lei nº 12.527, de 18 de
colaboradores; novembro de 2011;
II - o faturamento, levando ainda em consideração V - declaração de inidoneidade para licitar ou con-
o fato de ser qualificada como microempresa ou tratar com a administração pública, conforme dis-
empresa de pequeno porte; posto no inciso V do caput do art. 33 da Lei nº
III - a estrutura de governança corporativa e a 12.527, de 2011;
complexidade de unidades internas, tais como de- VI - declaração de inidoneidade para participar de
partamentos, diretorias ou setores, ou da estrutu- licitação com a administração pública federal, con-
ração de grupo econômico; forme disposto no art. 46 da Lei nº 8.443, de 16
IV - a utilização de agentes intermediários, como de julho de 1992;
consultores ou representantes comerciais; VII - proibição de contratar com o Poder Público,
V - o setor do mercado em que atua; conforme disposto no art. 12 da Lei nº 8.429, de
VI - os países em que atua, direta ou indireta- 2 de junho de 1992;
mente; VIII - proibição de contratar e participar de licita-
VII - o grau de interação com o setor público e a ções com o Poder Público, conforme disposto no
importância de contratações, investimentos e sub- art. 10 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de
sídios públicos, autorizações, licenças e permis- 1998; e
sões governamentais em suas operações; e IX - declaração de inidoneidade, conforme dis-
VIII - a quantidade e a localização das pessoas ju- posto no inciso V do caput do art. 78-A combinado
rídicas que integram o grupo econômico. com o art. 78-I da Lei nº 10.233, de 5 de junho
§ 2º A efetividade do programa de integridade em de 2001.
relação ao ato lesivo objeto de apuração será con- Parágrafo único. Poderão ser registradas no CEIS
siderada para fins da avaliação de que trata o ca- outras sanções que impliquem restrição ao direito
put. de participar em licitações ou de celebrar contra-
CAPÍTULO VI - DO CADASTRO NACIONAL DE EM- tos com a administração pública, ainda que não
PRESAS INIDÔNEAS E SUSPENSAS E DO CADAS- sejam de natureza administrativa.
TRO NACIONAL DE EMPRESAS PUNIDAS Art. 59. O CNEP conterá informações referentes:
Art. 58. O Cadastro Nacional de Empresas Inidô- I - às sanções impostas com fundamento na Lei nº
neas e Suspensas - CEIS conterá informações re- 12.846, de 2013; e
ferentes às sanções administrativas impostas a II - ao descumprimento de acordo de leniência ce-
pessoas físicas ou jurídicas que impliquem restri- lebrado com fundamento na Lei nº 12.846, de
ção ao direito de participar de licitações ou de ce- 2013.
lebrar contratos com a administração pública de Parágrafo único. As informações sobre os acordos
qualquer esfera federativa, entre as quais: de leniência celebrados com fundamento na Lei nº
I - suspensão temporária de participação em lici- 12.846, de 2013, serão registradas em relação es-
tação e impedimento de contratar com a adminis- pecífica no CNEP, após a celebração do acordo, ex-
tração pública, conforme disposto no inciso III do ceto se sua divulgação causar prejuízos às inves-
caput do art. 87 da Lei nº 8.666, de 21 de junho tigações ou ao processo administrativo.
de 1993; Art. 60. Constarão do CEIS e do CNEP, sem pre-
II - declaração de inidoneidade para licitar ou con- juízo de outros a serem estabelecidos pela Contro-
tratar com a administração pública, conforme dis- ladoria-Geral da União, dados e informações refe-
posto no inciso IV do caput do art. 87 da Lei nº rentes a: I - nome ou razão social da pessoa física
8.666, de 1993, e no inciso IV do caput do art. 156 ou jurídica sancionada; II - número de inscrição
da Lei nº 14.133, de 2021; da pessoa jurídica no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica - CNPJ ou da pessoa física no Cadastro de
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Pessoas Físicas - CPF; III - tipo de sanção; IV - reguladas, inclusive no caso de proposta e cele-
fundamentação legal da sanção; bração de acordo de leniência.
V - número do processo no qual foi fundamentada Art. 66. O processamento do PAR ou a negociação
a sanção; VI - data de início de vigência do efeito de acordo de leniência não interfere no segui-
limitador ou impeditivo da sanção ou data de apli- mento regular dos processos administrativos es-
cação da sanção; VII - data final do efeito limita- pecíficos para apuração da ocorrência de danos e
dor ou impeditivo da sanção, quando couber; VIII prejuízos à administração pública federal resultan-
- nome do órgão ou da entidade sancionadora; IX tes de ato lesivo cometido por pessoa jurídica,
- valor da multa, quando couber; e X - escopo de com ou sem a participação de agente público.
abrangência da sanção, quando couber. Art. 67. Compete ao Ministro de Estado da Con-
Art. 61. Os registros no CEIS e no CNEP deverão troladoria-Geral da União editar orientações, nor-
ser realizados imediatamente após o transcurso mas e procedimentos complementares para a exe-
do prazo para apresentação do pedido de reconsi- cução deste Decreto, notadamente no que diz res-
deração ou recurso cabível ou da publicação de peito a:
sua decisão final, quando lhe for atribuído efeito I - fixação da metodologia para a apuração do fa-
suspensivo pela autoridade competente. turamento bruto e dos tributos a serem excluídos
Art. 62. A exclusão dos dados e das informações para fins de cálculo da multa a que se refere o art.
constantes do CEIS ou do CNEP se dará: 6º da Lei nº 12.846, de 2013;
I - com o fim do prazo do efeito limitador ou im- II - forma e regras para o cumprimento da publi-
peditivo da sanção ou depois de decorrido o prazo cação extraordinária da decisão administrativa
previamente estabelecido no ato sancionador; ou sancionadora;
II - mediante requerimento da pessoa jurídica in- III - avaliação do programa de integridade, inclu-
teressada, após cumpridos os seguintes requisi- sive sobre a forma de avaliação simplificada no
tos, quando aplicáveis: caso de microempresas e empresas de pequeno
a) publicação da decisão de reabilitação da pessoa porte; e
jurídica sancionada; IV - gestão e registro dos procedimentos e san-
b) cumprimento integral do acordo de leniência; ções aplicadas em face de pessoas jurídicas e en-
c) reparação do dano causado; tes privados.
d) quitação da multa aplicada; e Art. 68. O Ministério da Justiça e Segurança Pú-
e) cumprimento da pena de publicação extraordi- blica, a Advocacia-Geral da União e a Controlado-
nária da decisão administrativa sancionadora. ria-Geral da União:
Art. 63. O fornecimento dos dados e das informa- I - estabelecerão canais de comunicação instituci-
ções de que trata este Capítulo pelos órgãos e pe- onal:
las entidades dos Poderes Executivo, Legislativo e a) para o encaminhamento de informações refe-
Judiciário de cada uma das esferas de governo rentes à prática de atos lesivos contra a adminis-
será disciplinado pela Controladoria-Geral da tração pública nacional ou estrangeira ou deriva-
União. das de acordos de colaboração premiada e acordos
Parágrafo único. O registro e a exclusão dos re- de leniência; e
gistros no CEIS e no CNEP são de competência e b) para a cooperação jurídica internacional e recu-
responsabilidade do órgão ou da entidade sancio- peração de ativos; e
nadora. II - poderão, por meio de acordos de colaboração
CAPÍTULO VII - DISPOSIÇÕES FINAIS técnica, articular medidas para o enfrentamento
Art. 64. As informações referentes ao PAR instau- da corrupção e de delitos conexos.
rado no âmbito dos órgãos e das entidades do Po- Art. 69. As disposições deste Decreto se aplicam
der Executivo federal serão registradas no sistema imediatamente aos processos em curso, resguar-
de gerenciamento eletrônico de processos admi- dados os atos praticados antes de sua vigência.
nistrativos sancionadores mantido pela Controla- Art. 70. Fica revogado o Decreto nº 8.420, de 18
doria-Geral da União, conforme ato do Ministro de de março de 2015.
Estado da Controladoria-Geral da União. Art. 71. Este Decreto entra em vigor em 18 de
Art. 65. Os órgãos e as entidades da administra- julho de 2022.
ção pública, no exercício de suas competências re- QUESTÕES
gulatórias, disporão sobre os efeitos da Lei nº 60 - CESGRANRIO - 2018 - Petrobras - Con-
12.846, de 2013, no âmbito das atividades tador Júnior. De acordo com o Decreto no
8.420/2015 (atual DECRETO Nº 11.129, DE 11 DE
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JULHO DE 2022) , a apuração da responsabilidade essa faculdade em reunião do conselho de admi-


administrativa de pessoa jurídica que possa resul- nistração ou, na sua inexistência, da diretoria da
tar na aplicação das sanções previstas no art. 6o instituição.
da Lei no 12.846, de 2013, será efetuada por meio Art. 3º A política de segurança cibernética deve
de Processo Administrativo de contemplar, no mínimo: I - os objetivos de segu-
A) Especialização rança cibernética da instituição; II - os procedi-
B) Fixação mentos e os controles adotados para reduzir a vul-
C) Contribuição nerabilidade da instituição a incidentes e atender
D) Responsabilização aos demais objetivos de segurança cibernética; III
E) Proporcionalização - os controles específicos, incluindo os voltados
para a rastreabilidade da informação, que bus-
GABARITO quem garantir a segurança das informações sen-
60 – D síveis;
IV - o registro, a análise da causa e do impacto,
9.18 Segurança cibernética: Resolução CMN bem como o controle dos efeitos de incidentes re-
nº 4.893, de 26/02/2021. levantes para as atividades da instituição;
CAPÍTULO I - DO OBJETO E DO ÂMBITO DE V - as diretrizes para: a) a elaboração de cenários
APLICAÇÃO de incidentes considerados nos testes de continui-
Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre a política de dade de negócios; b) a definição de procedimentos
segurança cibernética e sobre os requisitos para a e de controles voltados à prevenção e ao trata-
contratação de serviços de processamento e ar- mento dos incidentes a serem adotados por em-
mazenamento de dados e de computação em nu- presas prestadoras de serviços a terceiros que
vem a serem observados pelas instituições autori- manuseiem dados ou informações sensíveis ou
zadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. que sejam relevantes para a condução das ativi-
Parágrafo único. O disposto nesta Resolução não dades operacionais da instituição; c) a classifica-
se aplica às instituições de pagamento, que devem ção dos dados e das informações quanto à rele-
observar a regulamentação emanada do Banco vância; e d) a definição dos parâmetros a serem
Central do Brasil, no exercício de suas atribuições utilizados na avaliação da relevância dos inciden-
legais.* tes;
CAPÍTULO II - DA POLÍTICA DE SEGURANÇA CI- VI - os mecanismos para disseminação da cultura
BERNÉTICA de segurança cibernética na instituição, incluindo:
Seção I - Da Implementação da Política de Segu- a) a implementação de programas de capacitação
rança Cibernética e de avaliação periódica de pessoal; b) a prestação
Art. 2º As instituições referidas no art. 1º devem de informações a clientes e usuários sobre precau-
implementar e manter política de segurança ciber- ções na utilização de produtos e serviços financei-
nética formulada com base em princípios e diretri- ros; e c) o comprometimento da alta administra-
zes que busquem assegurar a confidencialidade, a ção com a melhoria contínua dos procedimentos
integridade e a disponibilidade dos dados e dos relacionados com a segurança cibernética; e
sistemas de informação utilizados. VII - as iniciativas para compartilhamento de in-
§ 1º A política mencionada no caput deve ser formações sobre os incidentes relevantes, menci-
compatível com: onados no inciso IV, com as demais instituições
I - o porte, o perfil de risco e o modelo de negócio referidas no art. 1º.
da instituição; § 1º Na definição dos objetivos de segurança ci-
II - a natureza das operações e a complexidade bernética referidos no inciso I do caput, deve ser
dos produtos, serviços, atividades e processos da contemplada a capacidade da instituição para pre-
instituição; e venir, detectar e reduzir a vulnerabilidade a inci-
III - a sensibilidade dos dados e das informações dentes relacionados com o ambiente cibernético.
sob responsabilidade da instituição. § 2º Os procedimentos e os controles de que trata
§ 2º Admite-se a adoção de política de segurança o inciso II do caput devem abranger, no mínimo,
cibernética única por: I - conglomerado pruden- a autenticação, a criptografia, a prevenção e a de-
cial; e II - sistema cooperativo de crédito. tecção de intrusão, a prevenção de vazamento de
§ 3º As instituições que não constituírem política informações, a realização periódica de testes e
de segurança cibernética própria em decorrência varreduras para detecção de vulnerabilidades, a
do disposto no § 2º devem formalizar a opção por proteção contra softwares maliciosos, o
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estabelecimento de mecanismos de rastreabili- Parágrafo único. O diretor mencionado no caput


dade, os controles de acesso e de segmentação da pode desempenhar outras funções na instituição,
rede de computadores e a manutenção de cópias desde que não haja conflito de interesses.
de segurança dos dados e das informações. Art. 8º As instituições referidas no art. 1º devem
§ 3º Os procedimentos e os controles citados no elaborar relatório anual sobre a implementação do
inciso II do caput devem ser aplicados, inclusive, plano de ação e de resposta a incidentes, mencio-
no desenvolvimento de sistemas de informação nado no art. 6º, com data-base de 31 de dezem-
seguros e na adoção de novas tecnologias empre- bro.
gadas nas atividades da instituição. § 1º O relatório de que trata o caput deve abor-
§ 4º O registro, a análise da causa e do impacto, dar, no mínimo: I - a efetividade da implementa-
bem como o controle dos efeitos de incidentes, ci- ção das ações descritas no art. 6º, parágrafo
tados no inciso IV do caput, devem abranger in- único, inciso I; II - o resumo dos resultados obti-
clusive informações recebidas de empresas pres- dos na implementação das rotinas, dos procedi-
tadoras de serviços a terceiros. mentos, dos controles e das tecnologias a serem
§ 5º As diretrizes de que trata o inciso V, alínea utilizados na prevenção e na resposta a incidentes
"b", do caput, devem contemplar procedimentos e descritos no art. 6º, parágrafo único, inciso II; III
controles em níveis de complexidade, abrangência - os incidentes relevantes relacionados com o am-
e precisão compatíveis com os utilizados pela pró- biente cibernético ocorridos no período; e IV - os
pria instituição. resultados dos testes de continuidade de negócios,
Seção II - Da Divulgação da Política de Segurança considerando cenários de indisponibilidade ocasi-
Cibernética onada por incidentes.
Art. 4º A política de segurança cibernética deve § 2º O relatório mencionado no caput deve ser: I
ser divulgada aos funcionários da instituição e às - submetido ao comitê de risco, quando existente;
empresas prestadoras de serviços a terceiros, me- e II - apresentado ao conselho de administração
diante linguagem clara, acessível e em nível de ou, na sua inexistência, à diretoria da instituição
detalhamento compatível com as funções desem- até 31 de março do ano seguinte ao da data-base.
penhadas e com a sensibilidade das informações. Art. 9º A política de segurança cibernética referida
Art. 5º As instituições devem divulgar ao público no art. 2º e o plano de ação e de resposta a inci-
resumo contendo as linhas gerais da política de dentes mencionado no art. 6º devem ser aprova-
segurança cibernética. dos pelo conselho de administração ou, na sua
Seção III - Do Plano de Ação e de Resposta a In- inexistência, pela diretoria da instituição.
cidentes Art. 10. A política de segurança cibernética e o
Art. 6º As instituições referidas no art. 1º devem plano de ação e de resposta a incidentes devem
estabelecer plano de ação e de resposta a inciden- ser documentados e revisados, no mínimo, anual-
tes visando à implementação da política de segu- mente.
rança cibernética. CAPÍTULO III - DA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS
Parágrafo único. O plano mencionado no caput DE PROCESSAMENTO E ARMAZENAMENTO DE DA-
deve abranger, no mínimo: DOS E DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM
I - as ações a serem desenvolvidas pela instituição Art. 11. As instituições referidas no art. 1º devem
para adequar suas estruturas organizacional e assegurar que suas políticas, estratégias e estru-
operacional aos princípios e às diretrizes da polí- turas para gerenciamento de riscos previstas na
tica de segurança cibernética; regulamentação em vigor, especificamente no to-
II - as rotinas, os procedimentos, os controles e cante aos critérios de decisão quanto à terceiriza-
as tecnologias a serem utilizados na prevenção e ção de serviços, contemplem a contratação de ser-
na resposta a incidentes, em conformidade com as viços relevantes de processamento e armazena-
diretrizes da política de segurança cibernética; e mento de dados e de computação em nuvem, no
III - a área responsável pelo registro e controle País ou no exterior.
dos efeitos de incidentes relevantes. Art. 12. As instituições mencionadas no art. 1º,
Art. 7º As instituições referidas no art. 1º devem previamente à contratação de serviços relevantes
designar diretor responsável pela política de segu- de processamento e armazenamento de dados e
rança cibernética e pela execução do plano de de computação em nuvem, devem adotar proce-
ação e de resposta a incidentes. dimentos que contemplem:
I - a adoção de práticas de governança corporativa
e de gestão proporcionais à relevância do serviço
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a ser contratado e aos riscos a que estejam ex- I - processamento de dados, armazenamento de
postas; e dados, infraestrutura de redes e outros recursos
II - a verificação da capacidade do potencial pres- computacionais que permitam à instituição con-
tador de serviço de assegurar: a) o cumprimento tratante implantar ou executar softwares, que po-
da legislação e da regulamentação em vigor; b) o dem incluir sistemas operacionais e aplicativos de-
acesso da instituição aos dados e às informações senvolvidos pela instituição ou por ela adquiridos;
a serem processados ou armazenados pelo pres- II - implantação ou execução de aplicativos desen-
tador de serviço; c) a confidencialidade, a integri- volvidos pela instituição contratante, ou por ela
dade, a disponibilidade e a recuperação dos dados adquiridos, utilizando recursos computacionais do
e das informações processados ou armazenados prestador de serviços; ou
pelo prestador de serviço; d) a sua aderência a III - execução, por meio da internet, de aplicativos
certificações exigidas pela instituição para a pres- implantados ou desenvolvidos pelo prestador de
tação do serviço a ser contratado; e) o acesso da serviço, com a utilização de recursos computacio-
instituição contratante aos relatórios elaborados nais do próprio prestador de serviços.
por empresa de auditoria especializada indepen- Art. 14. A instituição contratante dos serviços
dente contratada pelo prestador de serviço, rela- mencionados no art. 12 é responsável pela confi-
tivos aos procedimentos e aos controles utilizados abilidade, pela integridade, pela disponibilidade,
na prestação dos serviços a serem contratados; f) pela segurança e pelo sigilo em relação aos servi-
o provimento de informações e de recursos de ços contratados, bem como pelo cumprimento da
gestão adequados ao monitoramento dos serviços legislação e da regulamentação em vigor.
a serem prestados; g) a identificação e a segrega- Art. 15. A contratação de serviços relevantes de
ção dos dados dos clientes da instituição por meio processamento, armazenamento de dados e de
de controles físicos ou lógicos; e h) a qualidade computação em nuvem deve ser comunicada pe-
dos controles de acesso voltados à proteção dos las instituições referidas no art. 1º ao Banco Cen-
dados e das informações dos clientes da institui- tral do Brasil.
ção. § 1º A comunicação mencionada no caput deve
§ 1º Na avaliação da relevância do serviço a ser conter as seguintes informações: I - a denomina-
contratado, mencionada no inciso I do caput, a ção da empresa contratada; II - os serviços rele-
instituição contratante deve considerar a critici- vantes contratados; e III - a indicação dos países
dade do serviço e a sensibilidade dos dados e das e das regiões em cada país onde os serviços po-
informações a serem processados, armazenados e derão ser prestados e os dados poderão ser arma-
gerenciados pelo contratado, levando em conta, zenados, processados e gerenciados, definida nos
inclusive, a classificação realizada nos termos do termos do inciso III do art. 16, no caso de contra-
art. 3º, inciso V, alínea "c". tação no exterior.
§ 2º Os procedimentos de que trata o caput, in- § 2º A comunicação de que trata o caput deve ser
clusive as informações relativas à verificação men- realizada até dez dias após a contratação dos ser-
cionada no inciso II, devem ser documentados. viços.
§ 3º No caso da execução de aplicativos por meio § 3º As alterações contratuais que impliquem mo-
da internet, referidos no inciso III do art. 13, a dificação das informações de que trata o § 1º de-
instituição deve assegurar que o potencial presta- vem ser comunicadas ao Banco Central do Brasil
dor dos serviços adote controles que mitiguem os até dez dias após a alteração contratual.
efeitos de eventuais vulnerabilidades na liberação Art. 16. A contratação de serviços relevantes de
de novas versões do aplicativo. processamento, armazenamento de dados e de
§ 4º A instituição deve possuir recursos e compe- computação em nuvem prestados no exterior deve
tências necessários para a adequada gestão dos observar os seguintes requisitos:
serviços a serem contratados, inclusive para aná- I - a existência de convênio para troca de informa-
lise de informações e uso de recursos providos nos ções entre o Banco Central do Brasil e as autori-
termos da alínea "f" do inciso II do caput. dades supervisoras dos países onde os serviços
Art. 13. Para os fins do disposto nesta Resolução, poderão ser prestados;
os serviços de computação em nuvem abrangem II - a instituição contratante deve assegurar que a
a disponibilidade à instituição contratante, sob de- prestação dos serviços referidos no caput não
manda e de maneira virtual, de ao menos um dos cause prejuízos ao seu regular funcionamento
seguintes serviços: nem embaraço à atuação do Banco Central do Bra-
sil;
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III - a instituição contratante deve definir, previa- confirmação da integridade e da disponibilidade


mente à contratação, os países e as regiões em dos dados recebidos;
cada país onde os serviços poderão ser prestados V - o acesso da instituição contratante a:
e os dados poderão ser armazenados, processados a) informações fornecidas pela empresa contra-
e gerenciados; e tada, visando a verificar o cumprimento do dis-
IV - a instituição contratante deve prever alterna- posto nos incisos I a III do caput;
tivas para a continuidade dos negócios, no caso de b) informações relativas às certificações e aos re-
impossibilidade de manutenção ou extinção do latórios de auditoria especializada, citados no art.
contrato de prestação de serviços. 12, inciso II, alíneas "d" e "e"; e
§ 1º No caso de inexistência de convênio nos ter- c) informações e recursos de gestão adequados ao
mos do inciso I do caput, a instituição contratante monitoramento dos serviços a serem prestados,
deverá solicitar autorização do Banco Central do citados no art. 12, inciso II, alínea "f";
Brasil para: VI - a obrigação de a empresa contratada notificar
I - a contratação do serviço, no prazo mínimo de a instituição contratante sobre a subcontratação
sessenta dias antes da contratação, observado o de serviços relevantes para a instituição;
disposto no art. 15, § 1º, desta Resolução; e II - VII - a permissão de acesso do Banco Central do
as alterações contratuais que impliquem modifica- Brasil aos contratos e aos acordos firmados para a
ção das informações de que trata o art. 15, § 1º, prestação de serviços, à documentação e às infor-
observando o prazo mínimo de sessenta dias an- mações referentes aos serviços prestados, aos da-
tes da alteração contratual. dos armazenados e às informações sobre seus
§ 2º Para atendimento aos incisos II e III do ca- processamentos, às cópias de segurança dos da-
put, as instituições deverão assegurar que a legis- dos e das informações, bem como aos códigos de
lação e a regulamentação nos países e nas regiões acesso aos dados e às informações;
em cada país onde os serviços poderão ser pres- VIII - a adoção de medidas pela instituição con-
tados não restringem nem impedem o acesso das tratante, em decorrência de determinação do
instituições contratantes e do Banco Central do Banco Central do Brasil; e
Brasil aos dados e às informações. IX - a obrigação de a empresa contratada manter
§ 3º A comprovação do atendimento aos requisi- a instituição contratante permanentemente infor-
tos de que tratam os incisos I a IV do caput e o mada sobre eventuais limitações que possam afe-
cumprimento da exigência de que trata o § 2º de- tar a prestação dos serviços ou o cumprimento da
vem ser documentados. legislação e da regulamentação em vigor.
Art. 17. Os contratos para prestação de serviços Parágrafo único. Os contratos mencionados no ca-
relevantes de processamento, armazenamento de put devem prever, para o caso da decretação de
dados e computação em nuvem devem prever: regime de resolução da instituição contratante
I - a indicação dos países e da região em cada país pelo Banco Central do Brasil:
onde os serviços poderão ser prestados e os dados I - a obrigação de a empresa contratada conceder
poderão ser armazenados, processados e gerenci- pleno e irrestrito acesso do responsável pelo re-
ados; gime de resolução aos contratos, aos acordos, à
II - a adoção de medidas de segurança para a documentação e às informações referentes aos
transmissão e armazenamento dos dados citados serviços prestados, aos dados armazenados e às
no inciso I do caput; informações sobre seus processamentos, às có-
III - a manutenção, enquanto o contrato estiver pias de segurança dos dados e das informações,
vigente, da segregação dos dados e dos controles bem como aos códigos de acesso citados no inciso
de acesso para proteção das informações dos cli- VII do caput que estejam em poder da empresa
entes; contratada; e
IV - a obrigatoriedade, em caso de extinção do II - a obrigação de notificação prévia do responsá-
contrato, de: vel pelo regime de resolução sobre a intenção de
a) transferência dos dados citados no inciso I do a empresa contratada interromper a prestação de
caput ao novo prestador de serviços ou à institui- serviços, com pelo menos trinta dias de antece-
ção contratante; e dência da data prevista para a interrupção, obser-
b) exclusão dos dados citados no inciso I do caput vado que:
pela empresa contratada substituída, após a a) a empresa contratada obriga-se a aceitar even-
transferência dos dados prevista na alínea "a" e a tual pedido de prazo adicional de trinta dias para
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PROF.º PATRICIA BIZERRA

a interrupção do serviço, feito pelo responsável cibernética, do plano de ação e de resposta a inci-
pelo regime de resolução; e dentes e dos requisitos para contratação de servi-
b) a notificação prévia deverá ocorrer também na ços de processamento e armazenamento de dados
situação em que a interrupção for motivada por e de computação em nuvem, incluindo: I - a defi-
inadimplência da contratante. nição de processos, testes e trilhas de auditoria;
Art. 18. O disposto nos arts. 11 a 17 não se aplica II - a definição de métricas e indicadores adequa-
à contratação de sistemas operados por câmaras, dos; e III - a identificação e a correção de even-
por prestadores de serviços de compensação e de tuais deficiências.
liquidação ou por entidades que exerçam ativida- § 1º As notificações recebidas sobre a subcontra-
des de registro ou de depósito centralizado. tação de serviços relevantes descritas no art. 17,
CAPÍTULO IV - DISPOSIÇÕES GERAIS inciso VI, devem ser consideradas na definição dos
Art. 19. As instituições referidas no art. 1º devem mecanismos de que trata o caput.
assegurar que suas políticas para gerenciamento § 2º Os mecanismos de que trata o caput devem
de riscos previstas na regulamentação em vigor ser submetidos a testes periódicos pela auditoria
disponham, no tocante à continuidade de negó- interna, quando aplicável, compatíveis com os
cios, sobre: controles internos da instituição.
I - o tratamento dos incidentes relevantes relacio- Art. 22. Sem prejuízo do dever de sigilo e da livre
nados com o ambiente cibernético de que trata o concorrência, as instituições mencionadas no art.
art. 3º, inciso IV; 1º devem desenvolver iniciativas para o compar-
II - os procedimentos a serem seguidos no caso tilhamento de informações sobre os incidentes re-
da interrupção de serviços relevantes de proces- levantes de que trata o art. 3º, inciso IV.
samento e armazenamento de dados e de compu- § 1º O compartilhamento de que trata o caput
tação em nuvem contratados, abrangendo cená- deve abranger informações sobre incidentes rele-
rios que considerem a substituição da empresa vantes recebidas de empresas prestadoras de ser-
contratada e o reestabelecimento da operação viços a terceiros.
normal da instituição; e § 2º As informações compartilhadas devem estar
III - os cenários de incidentes considerados nos disponíveis ao Banco Central do Brasil.
testes de continuidade de negócios de que trata o CAPÍTULO V - DISPOSIÇÕES FINAIS
art. 3º, inciso V, alínea "a". Art. 23. Devem ficar à disposição do Banco Cen-
Art. 20. Os procedimentos adotados pelas insti- tral do Brasil pelo prazo de cinco anos:
tuições para gerenciamento de riscos previstos na I - o documento relativo à política de segurança
regulamentação em vigor devem contemplar, no cibernética, de que trata o art. 2º;
tocante à continuidade de negócios: II - a ata de reunião do conselho de administração
I - o tratamento previsto para mitigar os efeitos ou, na sua inexistência, da diretoria da instituição,
dos incidentes relevantes de que trata o inciso IV no caso de ser formalizada a opção de que trata o
do art. 3º e da interrupção dos serviços relevantes art. 2º, § 2º;
de processamento, armazenamento de dados e de III - o documento relativo ao plano de ação e de
computação em nuvem contratados; resposta a incidentes, de que trata o art. 6º;
II - o prazo estipulado para reinício ou normaliza- IV - o relatório anual, de que trata o art. 8º;
ção das suas atividades ou dos serviços relevantes V - a documentação sobre os procedimentos de
interrompidos, citados no inciso I do caput; e que trata o art. 12, § 2º;
III - a comunicação tempestiva ao Banco Central VI - a documentação de que trata o art. 16, § 3º,
do Brasil das ocorrências de incidentes relevantes no caso de serviços prestados no exterior;
e das interrupções dos serviços relevantes citados VII - os contratos de que trata o art. 17, contado
no inciso I do caput que configurem uma situação o prazo referido no caput a partir da extinção do
de crise pela instituição financeira, bem como das contrato;
providências para o reinício das suas atividades. VIII - os dados, os registros e as informações re-
Parágrafo único. As instituições devem estabele- lativas aos mecanismos de acompanhamento e de
cer e documentar os critérios que configurem uma controle de que trata o art. 21, contado o prazo
situação de crise de que trata o inciso III do caput. referido no caput a partir da implementação dos
Art. 21. As instituições de que trata o art. 1º de- citados mecanismos; e
vem instituir mecanismos de acompanhamento e IX - a documentação com os critérios que configu-
de controle com vistas a assegurar a implementa- rem uma situação de crise de que trata o art. 20,
ção e a efetividade da política de segurança Parágrafo único.
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PROF.º PATRICIA BIZERRA

Art. 24. O Banco Central do Brasil poderá adotar B. os procedimentos e os controles adotados para
as medidas necessárias para cumprimento do dis- reduzir a vulnerabilidade da instituição a inciden-
posto nesta Resolução, bem como estabelecer: tes e atender aos demais objetivos de segurança
I - os requisitos e os procedimentos para o com- cibernética.
partilhamento de informações, nos termos do art. C. os controles específicos, incluindo os voltados
22; para a rastreabilidade da informação, que bus-
II - a exigência de certificações e outros requisitos quem garantir a segurança das informações sen-
técnicos a serem requeridos das empresas contra- síveis.
tadas, pela instituição financeira contratante, na D. o registro, a análise da causa e do impacto,
prestação dos serviços de que trata o art. 12; bem como o controle dos efeitos de incidentes re-
III - os prazos máximos de que trata o art. 20, levantes para as atividades da instituição.
inciso II para reinício ou normalização das ativida- E. não compartilhamento de informações sobre os
des ou dos serviços relevantes interrompidos; incidentes relevantes.
IV - os requisitos técnicos e procedimentos opera- 62 - CESGRANRIO - 2021 - Caixa - Técnico
cionais a serem observados pelas instituições para Bancário Novo - Tecnologia da Informação. A
o cumprimento desta Resolução. Resolução CMN n° 4.893, de 26 de fevereiro de
Art. 25. As instituições referidas no art. 1º que, 2021, dispõe sobre a política de segurança ciber-
em 26 de abril de 2018, já tinham contratado a nética e sobre os requisitos para a contratação de
prestação de serviços relevantes de processa- serviços de processamento e armazenamento de
mento, armazenamento de dados e de computa- dados e de computação em nuvem, a serem ob-
ção em nuvem devem adequar o contrato para a servados pelas instituições autorizadas a funcionar
prestação de tais serviços: pelo Banco Central do Brasil. Essa Resolução de-
I - ao cumprimento do disposto no art. 16, incisos termina que a política de segurança cibernética e
I, II, IV e § 2º, no caso de serviços prestados no o plano de ação e de resposta a incidentes devem
exterior; e ser, no mínimo, documentados e revisados
II - ao disposto nos arts. 15, § 1º, e 17. A. trimestralmente
Parágrafo único. O prazo previsto para adequação B. semestralmente
ao disposto no caput não pode ultrapassar 31 de C. anualmente
dezembro 2021. D. bienalmente
Art. 26. O Banco Central do Brasil poderá vetar E. trienalmente
ou impor restrições para a contratação de serviços
de processamento e armazenamento de dados e
de computação em nuvem quando constatar, a GABARITO
qualquer tempo, a inobservância do disposto 61 – E 62 - C
nesta Resolução, bem como a limitação à atuação
do Banco Central do Brasil, estabelecendo prazo
para a adequação dos referidos serviços.
Art. 27. Ficam revogadas:
I - a Resolução nº 4.658, de 26 de abril de 2018;
e
II - a Resolução nº 4.752, de 26 de setembro de
2019.
Art. 28. Esta Resolução entra em vigor em 1º de
julho de 2021.

QUESTÕES
61 - CESGRANRIO - CEF - Técnico Bancário
Novo. 2021. Conforme o art. 3º da resolução
CMN n. 4.893, de 26 de fevereiro de 2021, a polí-
tica de segurança cibernética NÃO deve contem-
plar:
A. os objetivos de segurança cibernética da insti-
tuição.

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