8 História
Resistência indígena na
América portuguesa no
final do período colonial: os
guaicurus
2o bimestre Ensino Fundamental:
Aula 8 Anos Finais
● Resistência indígena. ● Explorar as resistências indígenas
contra a ocupação e a exploração
territorial impostas pelos
colonizadores, como no caso dos
guaicurus;
● Analisar as estratégias de
resistência e as alianças protegidas
pelos indígenas para preservar sua
cultura, seus territórios e sua
autonomia.
Para começar
Link para vídeo
Resistência indígena Resistência indígena | Vídeo da
exposição “Nhe’ẽ Porã: Memória e
Na aula de hoje, veremos um pouco Transformação”, do
sobre a história dos povos indígenas no Museu da Língua Portuguesa
Brasil. Para introduzir o tema, vamos ver
o vídeo ao lado e debater as questões.
A. Levando em consideração o vídeo, é
possível dizer que a História do
Brasil é pacífica? Justifique.
B. Quais são os motivos que levaram à
queda do número de línguas
indígenas faladas no Brasil?
C. De que forma os indígenas resistiram
ao domínio colonial no Brasil? MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA. Resistência indígena | Vídeo da
exposição “Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=6WmJS1VCzZE. Acesso em: 24 out. 2024.
10 minutos
Para começar
Correção
A) Levando em consideração o vídeo, é possível dizer que a História do Brasil é pacífica?
Justifique.
Não é possível afirmar que a História do Brasil é pacífica. Desde a chegada dos
colonizadores europeus, o Brasil viveu diversos episódios de violência, especialmente no
que diz respeito ao tratamento dos povos indígenas. Esses povos foram forçados a
resistir à exploração, ao genocídio e à escravização impostas pelo regime colonial.
B) Quais são os motivos que levaram à queda do número de línguas indígenas faladas no Brasil?
A queda do número de línguas indígenas faladas no Brasil pode ser atribuída a uma série
de fatores, principalmente relacionados à colonização. A imposição da língua portuguesa,
combinada com a violência e o extermínio de muitas populações indígenas, contribuiu
para a diminuição drástica da diversidade linguística. Além disso, a assimilação cultural
forçada, promovida por políticas de integração, fez com que muitos povos indígenas
abandonassem suas línguas nativas. A perda de territórios, resultado de invasões
coloniais e desmatamento, também fragmentou as comunidades, dificultando a
transmissão das línguas para as novas gerações.
Para começar
Correção
C) De que forma os indígenas resistiram ao domínio colonial no Brasil?
Os povos indígenas resistiram ao domínio colonial de diversas maneiras. Eles
combateram fisicamente os colonizadores em guerras e levantes, fugiram para regiões
remotas para manter sua autonomia e sua proteção, bem como preservaram suas
culturas, suas tradições e suas línguas, resistindo às tentativas de assimilação. Além
disso, em momentos específicos, estabeleceram alianças estratégicas entre diferentes
grupos indígenas ou com colonizadores. Essas alianças foram uma forma de manter
certo controle sobre seus territórios e condições de vida. Essa resistência, tanto física
quanto cultural, foi crucial para a preservação das identidades indígenas no Brasil,
mesmo diante de séculos de opressão.
Foco no conteúdo
O caso dos guaicurus
A resistência indígena foi uma constante
durante todo o período colonial brasileiro e,
até os dias de hoje, os povos indígenas
ainda precisam resistir a diferentes tipos de
agressões.
Nesta aula, realizaremos um estudo mais
aprofundado sobre os Guaicurus, um povo
que habitava, principalmente, as regiões do
Pantanal e do Chaco, no atual Mato Grosso
do Sul e no Paraguai. Eles ficaram
conhecidos por oferecer uma resistência
dura e prolongada à presença dos Mapa representando a localização geográfica dos Guaicurus.
colonizadores portugueses e espanhóis, o
que lhes rendeu fama de violentos e Reprodução – BAGEENSE/WIKIMEDIA COMMONS, 2022. Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_guerras_ind%C3%ADgenas_no_Brasil#/media/
causou temor entre os colonizadores. Ficheiro:Resist%C3%AAncia_Guaicuru,_mapa.jpg. Acesso em: 24 out. 2024.
Foco no conteúdo
Definição do nome
Observe o significado do nome, entendendo cada
partícula que o compõe:
O termo ‘guaicuru’ era usado de forma
genérica pelos guaranis para designar os - “Guá”: gente, habitante, nativo;
vizinhos que habitavam a margem
ocidental do médio rio Paraguai, entre os - “Aí”: malvado, falso, traidor;
afluentes Pilcomayo e Yabebiri. Na época - “Curú”: “sarna”, portanto “icurú” significa cheio de
da conquista hispânica, esse termo sarnas ou com a pele suja.
generalizou-se para os diferentes grupos
que habitavam o rio Paraguai adentro.
Esses grupos indígenas falavam idiomas Ao juntarmos, fica: “gente malvada e suja”, o que
semelhantes entre si, os quais hoje demonstram uma relação de inimizade entre os
pertencem à mesma família linguística guaranis e os guaicurus.
guaicuru; eram caçadores, pedestres
nômades, guerreiros. Possuíam uma
conduta considerada hostil pelos nativos Os guaicurus também são chamados de
vizinhos.” Mbayá-Guaicurú, já que eles têm uma proximidade
(HERBERTS, 1988. p. 39) linguística e cultural com o povos Mbayá, que
habitavam a região do atual Paraguai. Os
guaicurus também se chamam Eyiguayegui.
Foco no conteúdo
Os cavaleiros guaicurus
Os Guaicurus recebiam influências de
várias regiões, incluindo a Amazônia, os
Pampas e os Andes, mas mantinham um
estilo de vida nômade, dividido em aldeias
sem unidade política. Quando os europeus
chegaram no século XVI, os Guaicurus
dominavam a região.
Não se sabe exatamente como, mas os
guaicurus tiveram contato com cavalos
trazidos pelos europeus e os
domesticaram, utilizando esses animais
em conflitos. Eles desenvolveram uma
técnica de montaria única. Na metade do Pintura de Debret que retrata a técnica de montaria dos Guaicurus.
século XVIII, estima-se que tinham cerca
de 8 mil cavalos. Reprodução – BRASILIANA ICONOGRÁFICA, 2023. Disponível em:
https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/23776/os-temidos-guaicurus-
Fonte: BRASILIANA ICONOGRÁFICA, 2023. ancestrais-dos-kadiweus. Acesso em: 24 out. 2024.
Pause e responda Quem foram os guaicurus?
Um grupo de indígenas Uma civilização nômade que
sedentários que adotaram habitava o litoral do Brasil e era
práticas agrícolas semelhantes conhecida por sua cultura
às dos incas e dos guaranis. marítima.
Um povo indígena que habitava Uma povo que viveu
as regiões do Pantanal e do exclusivamente na Amazônia e
Chaco, conhecidos por sua foi responsável pela criação de
resistência aos colonizadores. grandes redes de comércio.
Correção
Pause e responda
Quem foram os guaicurus?
Um grupo de indígenas Uma civilização nômade que
sedentários que adotaram habitava o litoral do Brasil e era
práticas agrícolas semelhantes conhecida por sua cultura
às dos incas e dos guaranis. marítima.
Um povo indígena que habitava Uma povo que viveu
as regiões do Pantanal e do exclusivamente na Amazônia e
Chaco, conhecidos por sua foi responsável pela criação de
resistência aos colonizadores. grandes redes de comércio.
Foco no conteúdo
Conflito entre os guaicurus e os
portugueses
Durante os séculos XVII e XVIII, os
guaicurus aliaram-se aos paiaguás,
conhecidos por suas canoas velozes e
pelos remos que se transformavam em
lanças. Juntos, esses dois povos
conseguiram exercer o domínio na região,
impondo grandes derrotas aos
colonizadores.
A presença dos portugueses na região do
atual Mato Grosso do Sul aumentou com
a descoberta de ouro no começo do O Forte Coimbra, fundado pelos portugueses em 1775 na atual cidade de
Corumbá, foi palco de alguns enfrentados contra os guaicurus.
século XVIII, o que intensificou os
confrontos com os povos indígenas, Reprodução – EBACERVO, [s.d.]. Disponível em:
http://ebacervo.eb.mil.br/items/show/217. Acesso em: 24 out. 2024.
sendo os guaicurus um dos mais
afetados.
Foco no conteúdo
Persistência europeia versus resistência Mbayá-Guaicurú
Os guaicurus resistiram
As técnicas de guerra A resistência Contando com a
à colonização,
guaicurus e sua Mbayá-Guaicurú durou utilização de armas
defendendo seu modo
mobilidade dificultavam por várias décadas e de fogo, os europeus
de vida, seu território e
o avanço das forças representou um dos organizaram-se cada
sua autonomia. Eles
coloniais, realizando principais focos de vez mais,
enfrentaram as forças
ataques-surpresa e conflito na região.No aumentando a
coloniais em batalhas e
emboscadas. Eles entanto, os europeus intensidade dos
formaram alianças com
conheciam bem o persistiram em várias conflitos. Até em
outros grupos
terreno em que investidas que foram 1791, os guaicurus
indígenas, como os
habitavam, o que lhes responsáveis pela morte firmam um tratado de
terenas, nhandevas e
conferia uma vantagem de muitos guaicurus. paz com os
bororos, para combater
estratégica. portugueses.
a invasão de suas
terras.
Na prática 10 minutos Veja no livro!
Em 1791, foi assinado um tratado de paz entre os guaicurus e os portugueses. Esse
acordo partiu da iniciativa do comandante do Forte Coimbra, mas também atendia a
interesses dos guaicurus. Leia o texto a seguir e responda às questões.
Os novos aliados, a partir de 1791, estariam incorporados ao reino português e reconhecidos como
vassalos da Coroa portuguesa. Os Eyiguayegui (guaicurus) certamente tinham seus interesses para que
essa aliança se concretizasse. A situação para que continuassem com seu poder hegemônico na região
do Pantanal, no final do século XVIII, tornava-se cada vez mais desfavorável, pois estavam lutando com
dois inimigos poderosos: espanhóis e portugueses. [...]. Portanto, a aliança seria bem-vinda como uma
alternativa de defesa contra uma possível dizimação total do grupo. Os Paiaguá desde 1768 não eram
mais seus aliados; além disso, havia a disputa com outros grupos indígenas pelos bons lugares de caça e
pesca. [...]. Outro fator que contribuiu para que a aliança se concretizasse foi a garantia do governo
colonial de fornecer para esses índios presentes e a promessa, no caso de dificuldades, de receber
sempre seu auxilio.”
(WEBER, 2008)
a) Segundo Weber, quais foram os interesses dos guaicurus ao aceitarem se tornar vassalos
de Portugal?
b) Na sua opinião, é possível dizer que os guaicurus foram derrotados pelos portugueses?
Justifique.
Na prática
Veja no livro!
Correção
a) Segundo Weber, quais foram os interesses dos guaicurus ao aceitarem se tornar vassalos de
Portugal?
De acordo com Weber, os guaicurus tinham interesses estratégicos ao aceitarem se tornar
vassalos de Portugal. Um dos principais motivos foi o fato de que, naquela época, eles
enfrentavam dois inimigos poderosos: os espanhóis e os portugueses. A aliança com os
portugueses oferecia uma alternativa de defesa contra a possível dizimação total do grupo.
Além disso, os guaicurus disputavam com outros povos indígenas as melhores áreas de
caça e pesca. A aliança também era vantajosa, porque Portugal prometia fornecer
presentes e auxílio em caso de dificuldades, e isso era uma forma de garantir a proteção e
o sustento dos guaicurus.
b) Na sua opinião, é possível dizer que os guaicurus foram derrotados pelos portugueses?
Justifique.
A resposta é pessoal. Espera-se que o estudante perceba que o acordo de paz não
representava uma derrota, já que parte dos interesses dos guaicurus foi atendida nesse
acordo, algo que só foi possível devido à resistência exercida por eles.
Foco no conteúdo
A colonização chegou ao fim. O Brasil tornou-se um país independente, mas algumas
permanências ainda fazem parte do cenário de vida dos povos indígenas:
Persistência de
estereótipos negativos e Ocorrência de violências
preconceitos em relação aos físicas e verbais contra os
indígenas, como a visão deles indígenas, muitas vezes
como “selvagens” ou perpetuadas por setores da
Reprodução – ACERVO
“primitivos”.
ARQUIVO
NACIONAL/WIKIMEDIA
sociedade e instituições.
COMMONS, 2019.
Disponível em:
https://commons.wikimed
ia.org/wiki/File:%C3%8D
ndio_Guaicuru.jpg.
Acesso em: 24 out. 2024.
Violações dos direitos
Negligência na proteção e na
territoriais e culturais dos
preservação da cultura
indígenas, incluindo a usurpação
indígena, provocando perdas e
de suas terras e de seus recursos
ameaças à sua existência.
naturais.
Encerramento
Para sintetizar as principais questões da aula, responda às questões
abaixo.
1. Como a resistência dos guaicurus, incluindo suas táticas de guerra e suas alianças
estratégicas, contribuiu para sua sobrevivência diante da colonização europeia?
2. Quais são os desafios que os indígenas enfrentam atualmente no Brasil?
Referências
BRASILIANA ICONOGRÁFICA. Os temidos guaicurus, ancestrais dos kadiwéus, 14 nov. 2023. Disponível
em: https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/23776/os-temidos-guaicurus-ancestrais-dos-kadiweus.
Acesso em: 24 out. 2024.
CACERES, L. d’A. de M. P. e. Exploração do Rio Paraguay e primeiras práticas com os índios Guaikurús.
Revista Trimensal do Instituto Histórico Geográfico e Ethnographico do Brasil, v. 28, p. 70-117, 1865.
FIGUEIREDO, L. Índios do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949. Disponível em:
https://acervo.socioambiental.org/sites/default/files/documents/a5l00013.pdf. Acesso em: 24 out. 2024.
FUNDAÇÃO DE APOIO À PESQUISA, AO ENSINO E À CULTURA (FAPEC). Programa de Avaliação
Seriada Seletiva (PASSE), 2021. Triênio 2020-2022, 2a etapa. Disponível em:
https://ingresso.ufms.br/files/2021/06/Passe-1%C2%AA-Etapa.pdf. Acesso em: 24 out. 2024.
HERBERTS, A. L. História dos Mbayá-Guaicurú: panorama geral. Fronteiras, v. 2, n. 4, p. 39-76, 1998.
Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/FRONTEIRAS/article/view/13360/6812. Acesso em: 24 out.
2024.
LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2023.
LOPES, R. J. Os irredutíveis guaicurus. Aventuras na História, 2005.
MACHADO, M. M. A trajetória da destruição: índios e terras no Império do Brasil. Niterói: Universidade
Federal Fluminense, 2006. Disponível em: http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-
2007_MACHADO_Marina_Monteiro-S.pdf. Acesso em: 24 out. 2024.
Referências
PECHINCHA, M. T. S. Kadiwéu. Instituto Socioambiental (ISA), 23 jan. 2021. Disponível em:
https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Kadiw%C3%A9u. Acesso em: 24 out. 2024.
ROSENSHINE, B. Principles of instruction – research-based strategies that all teachers should know.
American Educator, v. 36, n. 1, p. 12-19, 2012. Disponível em: https://www.aft.org/ae/spring2012. Acesso
em: 24 out. 2024.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista, 2019. Disponível em:
https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/02/Curriculo_Paulista-etapas-
Educa%C3%A7%C3%A3o-Infantil-e-Ensino-Fundamental-ISBN.pdf. Acesso em: 24 out. 2024.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020. Disponível
em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/02/CURR%C3%8DCULO-
PAULISTA-etapa-Ensino-M%C3%A9dio_ISBN.pdf. Acesso em: 24 out. 2024.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ (UECE). Comissão Executiva do Vestibular. Vestibular, 2017.
2a fase, 2o dia, Geografia e História. Disponível em: https://www.cev.uece.br/wp-
content/uploads/2021/09/vtb20172d2geohisg1.pdf. Acesso em: 24 out. 2024.
WEBER, A. Os Eyviguayegui-Mbayá-Guaicurú: o Tratado de Paz de 1791. História em Reflexão, v. 2,
n. 4, p. 1-13, 2008. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/historiaemreflexao/article/view/318/270. Acesso
em: 24 out. 2024.
Identidade visual: imagens © Getty Images.
Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando
Veja no livro!
(FAPEC, 2021) Leia o texto a seguir:
Antigamente os Cavaleiros senhoreavam mais vasto terreno, o qual pouco a pouco
foram perdendo com as povoações que formavam os portugueses e espanhóis,
estes forçando as correntes do Paraguai, e aqueles acompanhando as suas águas.
Os primeiros que deram notícias destes bárbaros foram os antigos paulistas, e já
os encontraram senhores de grandes manadas de gado vacum, cavalar e
lanígero.”
PRADO, Francisco Rodrigues do. História dos Índios Cavaleiros ou da Nação Guaicuru. Campo Grande: Instituto
Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, 2006. pág. 25-26.
O comandante do Forte Coimbra, Francisco Rodrigues do Prado, fez, em 1795, uma
minuciosa descrição dos índios guaicurus, atendendo ao pedido do então governador de
Mato Grosso Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.
Aprofundando
Veja no livro!
(FAPEC, 2021) Sobre os povos nativos que foram encontrados no Mato Grosso, durante o
processo de ocupação, como no caso dos guaicurus, é correto afirmar que:
tanto os índios quanto os povos europeus que se estabeleceram na América foram beneficiados pelo
contato ocorrido pós-1500, sendo que para os índios foi ainda mais proveitoso, pois acabaram acessando
A conhecimentos e saberes desconhecidos até então.
o choque cultural entre os povos ibéricos e os povos nativos ao longo do tempo foi devastador para os
B índios, contudo, é possível afirmar que este encontro, inicialmente, gerou uma troca de experiências
técnicas e culturais na qual ambos os lados se beneficiaram da mútua convivência por um curto período.
o contato cultural entre os povos nativos e europeus foi intenso e expressivo, já que pode ser considerado como
C a gênese da sociedade brasileira, contudo essa convivência intensificou a escravidão africana, pois os chefes
indígenas também passaram a ser senhores de escravos em fazendas de gado vacum e cavalar.
os povos nativos foram devastados tanto por portugueses quanto por espanhóis desde os primeiros contatos,
D sendo que, em casos como a dos índios guaicurus, o choque cultural foi tão intenso que os portugueses
passaram a obrigar os povos dessa etnia a cultivarem hábitos e padrões culturais europeus em pleno Pantanal
do Mato Grosso.
E isolados e reprimidos após o contato com os portugueses, os povos nativos que habitavam o Brasil passaram a
migrar para o lado espanhol, nas províncias de Moxos e de Chiquitos (Bolívia) e para a província do Paraguai,
onde eram mais respeitados e passaram a compor parte importante da sociedade, desenvolvendo relações de
trabalho como a encomienda e o compadrio.
Aprofundando
Veja no livro!
Correção - (FAPEC, 2021) Sobre os povos nativos que foram encontrados no Mato Grosso,
durante o processo de ocupação, como no caso dos guaicurus, é correto afirmar que:
tanto os índios quanto os povos europeus que se estabeleceram na América foram beneficiados
pelo contato ocorrido pós-1500, sendo que para os índios foi ainda mais proveitoso, pois
A acabaram acessando conhecimentos e saberes desconhecidos até então.
o choque cultural entre os povos ibéricos e os povos nativos ao longo do tempo foi devastador para os
índios, contudo, é possível afirmar que este encontro, inicialmente, gerou uma troca de experiências
B técnicas e culturais na qual ambos os lados se beneficiaram da mútua convivência por um curto
período.
o contato cultural entre os povos nativos e europeus foi intenso e expressivo, já que pode ser
C considerado como a gênese da sociedade brasileira, contudo essa convivência intensificou a
escravidão africana, pois os chefes indígenas também passaram a ser senhores de escravos em
fazendas de gado vacum e cavalar.
D os povos nativos foram devastados tanto por portugueses quanto por espanhóis desde os primeiros
contatos, sendo que, em casos como a dos índios guaicurus, o choque cultural foi tão intenso que os
portugueses passaram a obrigar os povos dessa etnia a cultivarem hábitos e padrões culturais europeus em
pleno Pantanal do Mato Grosso.
E isolados e reprimidos após o contato com os portugueses, os povos nativos que habitavam o Brasil passaram a
migrar para o lado espanhol, nas províncias de Moxos e de Chiquitos (Bolívia) e para a província do Paraguai, onde
eram mais respeitados e passaram a compor parte importante da sociedade, desenvolvendo relações de trabalho
como a encomienda e o compadrio.
Aprofundando
Veja no livro!
Resolução
A alternativa correta é a letra B. Embora o choque cultural entre europeus e indígenas tenha
sido devastador a longo prazo, a afirmação destaca que, de início, houve uma troca de
experiências técnicas e culturais, o que é historicamente preciso. Houve um período de
interação e aprendizado mútuo, e os guaicurus, por exemplo, tiveram contato com os cavalos
pelo contato com os europeus.
Aprofundando
Veja no livro!
(UECE, 2017) Leia atentamente os seguintes excertos:
[...] uma das principais causas da Entre os dias 26 de março e 22 de abril [de
dizimação dos índios, afora as doenças 2016], os indígenas Aponuyre, Genésio, Isaías
trazidas pelos europeus, foram os e Assis Guajajara, todos da Terra Indígena (TI)
massacres e a eliminação deliberada Arariboia, no Maranhão, foram assassinados.
dos nativos pelos portugueses. Isso Com pouca fiscalização e sem sinal de
resultou no fato de que apenas investigação dos culpados, os indígenas
aproximadamente 300.000 índios, cerca Guajajara que vivem na área – já demarcada e
de 5 por cento dos 6 milhões que habitada também por índios Awá isolados –
compunham a população indígena sofrem com a constante pressão de
em 1500, sobreviveriam para as madeireiros e temem por sua segurança.”
‘comemorações’ dos quinhentos anos da
chegada de Cabral a suas terras.” COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – CPT. Em um mês, quatro indígenas Guajajara
foram assassinados no Maranhão. 27 abr. 2016. Disponível em:
https://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noti cias/conflitos-no-campo/3191-em-
JANCSÓ, István (Coord.). Rebeldes brasileiros – homens e mulheres que um-mes-quatroindigenas- guajajara-foram-assassinados-no-maranhao. Acesso em: 11 maio
desafiam o poder. São Paulo: Casa Amarela, [s.d.]. fasc. 9. p. 261 (Caros 2017.
amigos)
Aprofundando
Veja no livro!
(UECE, 2017) Considerando os excertos acima, é correto afirmar que:
A os conflitos que ainda ocorrem entre indígenas e população não indígena se dão
exclusivamente pela ação predatória, promovida pelos índios, sobre os recursos naturais
protegidos por lei.
B as tensões geradoras dos massacres e a dizimação da população nativa brasileira ainda
perduram nos tempos atuais, apesar da atual proteção do Estado sobre as populações
indígenas.
C o interesse dos capitalistas em obter maiores lucros com a exploração da terra dos índios
e de seus recursos nunca foi motivação para os conflitos que dizimaram e ainda diminuem
a população indígena.
D os eventos de violência contra a população indígena, em diversas áreas do país, se dão
porque essa população não é aceita pelo Estado quando tenta integrar-se ao modelo
social, justo e inclusivo, do mundo civilizado.
Aprofundando
Veja no livro!
Correção - (UECE, 2017) Considerando os excertos acima, é correto afirmar que:
A os conflitos que ainda ocorrem entre indígenas e população não indígena se dão
exclusivamente pela ação predatória, promovida pelos índios, sobre os recursos
naturais protegidos por lei.
B as tensões geradoras dos massacres e a dizimação da população nativa brasileira
ainda perduram nos tempos atuais, apesar da atual proteção do Estado sobre as
populações indígenas.
C o interesse dos capitalistas em obter maiores lucros com a exploração da terra dos
índios e de seus recursos nunca foi motivação para os conflitos que dizimaram e
ainda diminuem a população indígena.
D os eventos de violência contra a população indígena, em diversas áreas do país, se
dão porque essa população não é aceita pelo Estado quando tenta integrar-se ao
modelo social, justo e inclusivo, do mundo civilizado.
Aprofundando
Veja no livro!
Resolução
A alternativa correta é a letra B. Os excertos destacam que, embora haja proteção legal do
Estado, os conflitos que resultaram na dizimação das populações indígenas ainda persistem
atualmente. A pressão de madeireiros e outros grupos sobre terras indígenas é um exemplo
claro disso, mostrando que essas tensões históricas não foram resolvidas por completo.
Para professores
Slide 2
Habilidade: (EF08HI12) Caracterizar a organização política e social no Brasil desde a
chegada da Corte portuguesa, em 1808, até 1822 e seus desdobramentos para a história
política brasileira. (SÃO PAULO, 2019. p. 477)
Slide 3
Tempo: 10 minutos
Dinâmica de condução: a ideia desta atividade é iniciar um debate sobre as situações de
violência e as ações de resistência empreendidas pelos povos indígenas no Brasil. Durante a
apresentação do vídeo, recomenda-se que o professor destaque a longa duração dessas
violências, enfatizando que elas persistem até os dias de hoje e ocorrem em diversas regiões
do país. Em um segundo momento, o professor pode orientar o debate mediado pelas
questões. É importante destacar que as ações de resistência indígena variavam desde o
enfrentamento direto até as estratégias para preservar sua cultura, como a recusa em aderir
aos padrões europeus.
Slide 6
Tempo: 10 minutos
Dinâmica de condução: o objetivo desta seção é apresentar aos estudantes os povos
guaicurus. Como dinâmica inicial, o professor pode perguntar se algum estudante conhece esse
povo e destacar que eles eram vistos como guerreiros pelos portugueses. Também é importante
mencionar as diferentes nomenclaturas desse povo, explicando que, embora "guaicuru" seja o
nome mais conhecido, eles se autodenominavam Eyiguayegui.
Slide 9
Tempo: 2 minutos
Dinâmica de condução: para que o professor possa verificar se os estudantes entenderam
o conteúdo, recomenda-se que ele faça a leitura da pergunta e solicite aos alunos levantarem
a mão para indicar a alternativa que considerarem correta.
Slide 11
Tempo: 6 minutos
Dinâmica de condução: nesta parte, o objetivo é destacar o aumento da intensidade dos
conflitos entre os portugueses e os guaicurus, causado pela descoberta de ouro na região. É
importante que o professor enfatize as estratégias de resistência dos guaicurus, como as
alianças com outros povos, que foram fundamentais para que eles conseguissem um acordo de
paz com condições favoráveis.
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Tempo: 10 minutos
Dinâmica de condução: o objetivo desta atividade é analisar o tratado de paz entre os
portugueses e os guaicurus. A ideia é que o professor realize uma leitura coletiva do texto e
permita que os estudantes respondam de forma autônoma. Durante a correção, o professor
pode promover um breve debate, destacando que a assinatura do acordo também pode ser
vista como um ato de resistência dos guaicurus, já que eles conseguiram negociar condições
favoráveis que contribuíram para sua sobrevivência.
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Tempo: 4 minutos
Dinâmica de condução: recomenda-se que o professor utilize o mapa mental para discutir
brevemente a situação atual da população indígena, que ainda obriga esses povos a manterem
práticas de resistência.
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Tempo: 3 minutos
Expectativa de resposta: 1) A resistência dos guaicurus, por meio de táticas de guerra e
alianças estratégicas com outros povos, permitiu-lhes defender seu território e garantir sua
sobrevivência diante da colonização europeia.
2) Atualmente, os indígenas no Brasil enfrentam desafios, como a invasão de terras, a
exploração de recursos naturais, a falta de reconhecimento de seus direitos e a ameaça de
políticas que reduzem suas terras e suas proteções.