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PORTICH e AMARAL

O documento propõe uma abordagem metodológica para a seleção de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados ao uso de ferramentas portáteis motorizadas, como motosserras e roçadeiras, visando minimizar riscos de acidentes e danos à saúde do trabalhador. A proposta inclui três fases: pré-análise, análise e pós-análise, envolvendo revisão de normas, alinhamento de produtos e entrevistas com stakeholders. Os resultados indicam a conformidade dos EPIs com os riscos, embora haja discrepâncias nas percepções de conforto e aprovação entre as partes interessadas.
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PORTICH e AMARAL

O documento propõe uma abordagem metodológica para a seleção de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados ao uso de ferramentas portáteis motorizadas, como motosserras e roçadeiras, visando minimizar riscos de acidentes e danos à saúde do trabalhador. A proposta inclui três fases: pré-análise, análise e pós-análise, envolvendo revisão de normas, alinhamento de produtos e entrevistas com stakeholders. Os resultados indicam a conformidade dos EPIs com os riscos, embora haja discrepâncias nas percepções de conforto e aprovação entre as partes interessadas.
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Proposta de abordagem para seleção de Equipamentos de Proteção Individual adequados à

utilização de ferramentas portáteis motorizadas

Leo Plentz Portich* [email protected]

Fernando Gonçalves Amaral* [email protected]

* Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

Resumo
As atividades laborais com Ferramentas Portáteis Motorizadas (FPM) compreendem riscos inerentes, os quais
podem gerar acidentes e provocar danos à saúde do trabalhador. Desta forma, observa-se a necessidade de
utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) específicos. Há, contudo, dificuldades de adesão ao uso
de proteções por parte dos usuários, devido à falta de informação e ações em conjunto das partes interessadas. O
objetivo deste trabalho foi elaborar e propor uma abordagem metodológica para selecionar e indicar EPI
pertinentes à utilização de motosserras e roçadeiras. Neste sentido, a proposta baseou-se na execução de três
macro fases (pré-análise, análise e pós-análise) que consideraram respectivamente: a revisão de normas e
legislação vigentes; a análise do alinhamento dos EPI e produtos oferecidos no portfólio da empresa; a execução
de entrevistas individuais com as partes interessadas; e a elaboração de módulos ou kits de EPI para determinada
família de máquinas, considerando a opinião de stakeholders (especialistas de produtos da empresa,
concessionários, empresas prestadoras de serviço e clientes/usuários de máquinas). Os principais resultados
indicaram a existência de pequenas discrepâncias nos fatores de conforto e certificado de aprovação entre as
partes interessadas, no que tange a avaliação e seleção de determinados EPI. Outrossim, todos os EPI do
portfólio da empresa estudada demonstraram conformidade para os riscos envolvidos de acordo com os
respectivos certificados de aprovação e pertinência no pacote de produtos proposto.

Palavras-chave: Equipamentos de Proteção Individual, certificado de aprovação, riscos de


acidente, motosserra, roçadeira.

1. Introdução
No século XXI, o trabalho vem ganhando avanços tecnológicos e implementando
técnicas mais seguras e produtivas para manipular a natureza e seus recursos disponíveis. A
substituição da mão-de-obra humana em algumas atividades por processos automatizados ou
máquinas inteligentes vem ocorrendo gradativamente, porém muitas outras ainda requerem
esforços exclusivamente dos seres humanos. No Brasil, o trabalho humano vem tentando
acompanhar as evoluções tecnológicas juntamente com o desenvolvimento econômico,
gerando pressões por maior produtividade e resultados financeiros. Atualmente, há também
uma preocupação cada vez maior com a saúde e segurança do trabalhador. No entanto, apesar
das novas legislações e normas decretadas, ainda observam-se em média 700 mil acidentes de
trabalho nos últimos anos, segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS,
2014). Considerando a população economicamente ativa de aproximadamente 103 milhões de
pessoas (AEPS, 2014), este número de acidentes é preocupante. Ademais, os gastos
econômicos decorridos das indenizações e benefícios pagos aos trabalhadores que tiveram sua
capacidade laboral reduzida de maneira temporária (acidentes, doenças) ou permanente
(morte, invalidez) são alarmantes. Estima-se que foram pagos para clientela urbana R$ 26,2
bilhões em aposentadorias por invalidez, R$ 14,1 bilhões em auxílio-doença e R$ 2,4 bilhões
em auxílio-acidente (AEPS, 2014). Em 2016, os gastos previdenciários com auxílio-doença
atingiram a marca de R$ 22,3 bilhões de reais, sendo R$ 1,8 bilhão para beneficiários rurais.

1
Além dos custos os aspectos humanos do trabalho do ponto de vista da Ergonomia,
apresentam duas finalidades básicas: a preservação da saúde do trabalhador e o desempenho
satisfatório do sistema técnico do ponto de vista produtivo com a máxima segurança, que
inclui as ferramentas de trabalho (WISNER, 1994). Em diversos segmentos da economia,
particularmente na agricultura, pecuária, exploração florestal, atividades de prestação de
serviços urbanos e rurais, a força e habilidade do trabalho humano ainda são necessárias para
desempenhar certas funções. Muitas vezes, os trabalhadores contam com o auxílio de diversas
ferramentas, entre elas ferramentas portáteis motorizadas (FPM), máquinas que se apresentam
como soluções viáveis para facilitar o trabalho e aumentar a produtividade (ANDRADE et al.,
2009).
A utilização dessas máquinas apresenta riscos de acidentes devido a sua
periculosidade inerente e dificuldade de operação da tarefa, sendo assim de suma importância
o manuseio correto. Desse modo, para garantir a segurança e conforto do trabalhador,
minimizar riscos, evitar possíveis acidentes e manter a produtividade no trabalho, faz-se
necessária a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) (CABEÇAS, 2007) .
Em estudo realizado com trabalhadores em atividades de poda de árvores no Distrito Federal
(FIEDLER, 2006), 65,2% dos trabalhadores já sofreram acidentes e 56,5% afirmaram que
sofreram acidentes de trabalho, 73,9% dos afastamentos por problemas de saúde decorreram
de acidentes de trabalho, e para a maioria dos trabalhadores (60,9%), alguns EPIs eram
considerados desconfortáveis. A reposição desses equipamentos foi considerada insatisfatória
para 78,3% deles.
Outro estudo, realizado por Walk (2012), com operadores de motosserras que
prestavam serviços de limpeza de áreas com vegetação leve e robusta no Estado do Paraná,
verificou que, apesar da consciência dos operadores quanto ao uso dos EPI, havia falta de
cuidado com relação à obrigatoriedade do seu uso completo e adequado. As empresas
produtoras de máquinas e ferramentas portáteis motorizadas vêm se preocupando com a
indicação e utilização de EPI adequados ao uso das máquinas vibrantes em diversas situações
de trabalho. Logo, decidir e indicar os EPI necessários à utilização adequada durante
operações com máquinas vibrantes é essencial para proteção do operador, bem como indica
uma visão holística com relação à venda do produto máquina vibrante. Assim, selecionar e
indicar EPI adequados pode auxiliar na redução de número de acidentes das empresas e
usuários, e por consequência, os danos à saúde.
Frente a esse cenário, tomou-se como objeto de estudo uma empresa produtora de
FPM, a qual oferece inúmeras opções de máquinas e alguns itens de proteção no seu portfólio.
Há uma dificuldade por parte de colaboradores da rede de distribuição (concessionários,
promotores e vendedores) de identificar os riscos das máquinas comercializadas e conhecer os
EPI mais indicados para cada modelo de máquina, seja por falta de material de divulgação,
seja por falta de treinamento e conhecimento da legislação e dos produtos oferecidos no
portfólio. Os clientes e usuários finais também percebem certa dificuldade na seleção do EPI
adequado para cada máquina, devido à falta de informações relevantes sobre indicação de uso,
falta de conhecimento sobre os EPI ou por falta de noções de segurança.
Considerando o contexto explicitado, o objetivo deste trabalho foi elaborar e propor
uma abordagem metodológica para selecionar e indicar EPI adequados à utilização de
modelos de ferramentas portáteis motorizadas. Isto considerando-se o mix de produtos, e
inserindo um conceito de famílias ou hierarquias de produtos. Tais procedimentos poderiam
permitir que empresas deste segmento orientassem as partes interessadas de uma maneira
simplificada e acessível, facilitando a compreensão dos riscos capazes de serem atenuados
pelos EPI e de acordo com a correta seleção destes. A abordagem incluiu: identificação dos
2
riscos associados ao trabalho com os diversos tipos de máquinas presentes no portfólio da
empresa; identificação do tipo de proteção necessária específica ao operador, de acordo com
os tipos de máquinas; identificação das necessidades de desenvolvimento de novos EPI para
o portfólio da empresa estudada; e a proposição de um kit de EPI para o uso de determinadas
máquinas alinhado com o portfólio de máquinas e EPI da empresa. Tais procedimentos
poderiam auxiliar na geração de um material de compreensão e orientação correta de EPI para
os colaboradores da empresa, concessionários e clientes finais.
Este artigo é composto de quatro seções, sendo: Introdução; Referencial Teórico,
dividido em duas subseções: Segurança do Trabalho e Ferramentas Portáteis Motorizadas; os
Procedimentos Metodológicos; a seção de Resultados obtidos e, por fim, as Conclusões.

2. Referencial Teórico
2.1 Segurança do Trabalho
A segurança do trabalho pode ser caracterizada como a área de conhecimento que
estuda as possíveis causas de acidentes no trabalho e atua na prevenção de suas ocorrências.
Isto, por meio da implementação de medidas que visam eliminar ou controlar os fatores de
risco existentes na execução do trabalho, buscando a preservação da integridade física e
mental dos trabalhadores, bem como a redução da frequência e gravidade de acidentes e,
consequentemente, a continuidade do processo produtivo (SALIBA, 2004).
A preocupação com a segurança do trabalho e com a saúde do trabalhador data a partir
da criação Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1919. Desde então, as normas
sobre proteção à saúde e integridade física do trabalhador ganharam força e vêm contribuindo
significativamente na prevenção de acidentes e doenças do trabalho (SALIBA, 2004). O
Brasil é um Estado-Membro da OIT e há diversas convenções ratificadas e incorporadas à
legislação interna do país, entre elas a Convenção n° 155, que dispõe sobre Segurança e
Saúde dos Trabalhadores e o Meio Ambiente de Trabalho, em vigência desde 1993 (OIT
Brasil). Em 1999, definiu-se pela OIT o Trabalho Decente, o uma proposta para fornecer
oportunidades para que homens e mulheres possam desempenhar um trabalho produtivo e de
qualidade, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humanas (OIT Brasil).
Observa-se na Norma Regulamentadora 17 – NR 17 – a mesma preocupação com a saúde e
segurança do trabalhador, a qual visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das
condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a
proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente (MTE, 2016).
Em 2004, através da portaria interministerial n° 774, DOU de 29/04/2004 (ANAMT,
2016) houve avanços para criar uma Política Nacional de Saúde do Trabalhador (ANAMT,
2016). Em 2005, foi formado um Grupo de Trabalho composto por três ministérios,
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Previdência Social (MPS) e da Saúde (MS)
para elaboração de um documento-base, conforme Associação Nacional de Medicina do
Trabalho (ANAMT, 2016). Neste mesmo ano foram publicadas as Diretrizes sobre Sistemas
de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho, baseada nas diretrizes da OIT, aplicáveis nos
âmbitos nacional e organizacional, apoiadas na legislação nacional (FUNDACENTRO,
2005). Finalmente, em 2011, foi decretada a Política Nacional de Segurança e Saúde no
Trabalho (PNSST), através do Decreto N° 7.602, tendo em vista o artigo quatro disposto na
Convenção n° 155 (ANAMT, 2016). A PNSST foi elaborada por representantes da tripartite,
através de entidades do Governo, dos Empregadores e dos Empregados. Desde então, a
PNSST serve como base para estabelecer diretrizes para garantir a saúde e segurança do

3
trabalhador, cujo objetivo é a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida do
trabalhador e a prevenção de acidentes e de danos à saúde advindos, relacionados ao trabalho
ou que ocorram no curso dele, por meio da eliminação ou redução dos riscos no ambiente de
trabalho (ANAMT, 2016).
Nesse contexto, observa-se uma evolução na tentativa de disseminar e aplicar a
Segurança do Trabalho pelas organizações do país, e uma preocupação cada vez maior com a
saúde do trabalhador. Contudo, ainda existem números alarmantes em relação aos acidentes
de trabalho (AT), que requerem atenção às partes envolvidas. Em 2014 foram registrados
704.136 acidentes totais, contra 717.911 acidentes totais no ano anterior (MPS, 2014).

2.1.1 Acidente de trabalho e doença profissional


Conforme a Norma Brasileira NB-18 (ABNT, 1975), acidente de trabalho (AT) pode
ser definido como ocorrência não programada e indesejável, instantânea ou não, relacionada
com o exercício físico do trabalho, que provoca lesão pessoal ou de que decorre risco próximo
ou remoto dessa lesão. Saurin (2002) reforça a mesma ideia de acidente e o reconhece como
um evento imprevisível, acrescentando o fato de ser decorrente da interação do ser humano
com seu meio ambiente físico e social, bem como também considerar acidentes de trabalho
acidentes quando ocorrem somente com danos materiais. Acidente é a causa e a lesão é a
consequência quando, por exemplo, ocorre o fato de um empregado escorregar e cair
(acidente), enquanto pode haver dano a sua saúde (lesão) devido à queda.
Pela Lei N° 8213 (BRASIL, 1991), em seu art. 19, acidente do trabalho é o que ocorre
pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo
exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando
lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente
ou temporária, da capacidade para o trabalho.
Os acidentes de trabalho também podem ser entendidos como doença profissional e
doença do trabalho. Também é possível equiparar ao acidente de trabalho o acidente ligado ao
trabalho que, embora não tenha sido causa única, tenha contribuído diretamente para a morte
do segurado; o acidente sofrido pelo segurado no local e horário de trabalho; a doença
proveniente da contaminação acidental do empregado no exercício da sua atividade; o
acidente sofrido a serviço da empresa e o acidente sofrido no trajeto entre a residência e o
local de trabalho (art. 20 da Lei °8213/1991).
Barbosa Filho (2010) esclarece as principais diferenças entre acidente e doença. O
acidente tem como resultado uma resposta abrupta em curto prazo e, geralmente, associa
danos pessoais e danos materiais. Assim, sua ocorrência torna-se mais aparente. Já a doença
apresenta, na maioria dos casos, uma resposta lenta. Em médio e longo prazo, manifesta-se de
forma insidiosa. Logo, se faz necessário manter os registros sobre saúde dos empregados por
longos prazos.
De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho – AEAT - (MTPS,
2014), os acidentes são eventos que tiveram de Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT
– registrada no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e aqueles que, embora não
tenham sido objeto de CAT, deram origem a benefício por incapacidade de natureza
acidentária.
Ainda, pode-se encontrar na literatura alguns conceitos de acidente que são
discriminados pela AEAT (MTPS, 2014). Por exemplo, Acidentes Típicos são aqueles
decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo segurado
4
acidentado; acidentes de Trajeto são os ocorridos no trajeto entre a residência e o local de
trabalho do segurado e vice-versa. Equipara-se a acidente a Doença do Trabalho, aquelas
doenças profissionais produzidas ou desencadeadas pelo exercício do trabalho peculiar a
determinado ramo de atividade, conforme disposto no Anexo II do Regulamento da
Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048, de 6 de maio de 1999.
Conforme consulta no AEAT (MTPS, 2014), houve 704.136 acidentes de trabalho
totais no ano de 2014, incluindo acidentes com e sem registro de CAT. Dos acidentes com
CAT, foram registrados 427.939 Acidentes Típicos (Tabela 1). Considerando a Classificação
Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), somente para atividades da Agricultura,
Pecuária e Serviços Similares houve 13.574 acidentes típicos (3,1%), enquanto que em
atividades como Produção Florestal houve 1840 acidentes (0,4%) e para Serviços para
Edifícios e Atividades Paisagísticas houve 6.450 acidentes (1,5%), somando um subtotal de
21,8 mil casos. Segundo o AEPS de 2014, foram concedidos 216 mil auxílios-doença, 26,9
mil aposentadorias por invalidez e 20 mil auxílios-acidente a beneficiários rurais do INSS no
país, equivalendo a um gasto de R$ 189 milhões. Conforme definição do INSS, o auxílio-
doença é um benefício concedido ao trabalhador que teve sua capacidade laboral reduzida
temporariamente devido à doença ou acidente sofridos no trabalho. Já o auxílio-acidente é um
benefício concedido ao segurado do INSS quando este sofrer sequela permanente devido à
atividade laboral, como forma de indenização ao trabalhador (AEPS, 2014).
Ao analisar os registros de acidentes, percebe-se que em determinadas atividades
econômicas, os trabalhadores utilizam ferramentas manuais, equipamentos ou FPM as quais
podem apresentar riscos à saúde do trabalhador. Em estudo realizado entre trabalhadores
rurais atendidos em decorrência de AT em um hospital de Ribeirão Preto, São Paulo, de uma
amostra de 120 trabalhadores, 13 haviam sofrido AT devido ao contato com máquinas e
aparelhos agrícolas, enquanto que sete haviam sofrido injúrias devido a contato com objetos
cortantes e ferramentas manuais (SILVEIRA et al., 2005). Quase a totalidade desses 120
trabalhadores eram homens (96%).
QUANT IDADE DE ACIDENT ES DO T RABALHO NO BRASIL
Com CAT Registrada
Sem CAT
T otal Motivo
CNAE T otal Registrada
T ípico T rajeto Doença do T rabalho
2014 2014 2014 2014 2014 2014
T O T A L....................................... 704.136 559.061 427.939 115.551 15.571 145.075
Agric ultura , P e c uá ria e S e rviç o s S im .. 18.347 15.371 13.574 1.679 118 2.976
P ro duç ã o F lo re s ta l 2.460 1.999 1.840 153 6 461
s e rviç o s p/ e dific io s e a tivid. pa is a gis t. 14.331 10.408 6.450 3.718 240 3.923
S ubto ta l 35.138 27.778 21.864 5.550 364 7.360

Tabela 1: Quantidade de acidentes do trabalho, por situação do registro e motivo.


Fonte: Adaptado do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho – AEAT (2014).

Medeiros e Jurado (2013) realizam uma compilação de dez estudos entre 2003 e 2012
que acusaram alta prevalência de AT e riscos ocupacionais no setor florestal. Um dos estudos
(CAMARA et al., 2007) apontou quatro acidentes com vítimas fatais na atividade de
derrubada de árvores, com riscos ambientais presentes. Outro estudo de Vianna et al. (2008)
apontou 38 acidentes durante cinco anos, sendo o risco físico apontado como o principal
motivo. Ainda, um estudo realizado por Lopes et al. (2011) com 48 trabalhadores do setor
5
florestal, demonstrou que 17,4 % dos entrevistados já tinham sofrido algum tipo de acidente
de trabalho, sendo mãos e pernas as partes do corpo mais atingidas. Também em Hasse et al.
(2012) houve registro de 591 acidentes numa empresa do setor florestal, entre 2005 e 2008,
com riscos físicos prevalentes e causa principal relacionada ao uso de EPI. A análise dos
artigos estudados apontou o risco físico como risco ocupacional mais citado em relação ao
índice de acidentes, devido às características do ambiente de trabalho (MEDEIROS, 2013).
2.1.2 Riscos
Segundo Moura (2000), o perigo pode ser uma circunstância que prenuncia um mal
para alguém ou alguma coisa. Sendo assim, esta circunstância é uma característica inerente de
uma determinada atividade, processo, objeto ou substância, que poderá provocar danos à
saúde das pessoas ou danos materiais. Por exemplo, enumera-se a produção, manipulação ou
utilização de substâncias tóxicas, inflamáveis ou radioativas. Para o autor, o termo risco é
uma incerteza associada ao perigo, sendo um evento imaginário ou possível que poderá vir a
ocorrer no futuro, capaz de alterar e reduzir a segurança de um sistema. Desse modo, o risco
está ligado à probabilidade de ocorrência de um evento que poderá vir a gerar danos, lesões
ou acidentes. Por exemplo, o risco de óbito de uma pessoa na eventualidade de esmagamento
por queda de árvores.
A Constituição da República Federativa do Brasil (1988), em seu Artigo 7°, inciso
XXII, assegura a todos os trabalhadores urbanos e rurais, a “redução dos riscos inerentes ao
trabalho, por meio das normas de saúde, higiene e segurança”. De forma complementar, a
Norma Regulamentadora 09 – NR-09 – estabelece os critérios obrigatórios para empregadores
no que tange a antecipação, identificação, avaliação e consequente controle dos riscos
ambientais existentes no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio
ambiente e dos recursos naturais, através da implementação de um Programa de Prevenção de
Riscos Ambientais – PPRA (BRASIL, 2016). Percebe-se também um alinhamento desta
norma com a Recomendação n° 192 da OIT, a qual propõe de maneira semelhante diretrizes
de avaliação e controle de riscos.
A NR 09 (BRASIL, 2016) igualmente define como riscos ambientais os riscos físicos,
químicos e biológicos presentes no ambiente de trabalho. Os riscos físicos são aqueles
derivados da exposição dos trabalhadores a diversas formas de energia, tais como ruídos,
vibrações, temperatura, radiações e pressões anormais; os riscos biológicos são aqueles
provenientes de bactérias, fungos, vírus, parasitas, protozoários, etc. Já os riscos químicos são
provenientes de substâncias ou produtos químicos, tais como gases, poeira e vapores,
podendo ser absorvidos pelo organismo por ingestão, inalação ou contato com a pele
(BRASIL, 2016). Na NR 31 (BRASIL, 2016), são mencionadas as condições de melhoria do
trabalho que devem abranger os riscos físicos, químicos, mecânicos e biológicos.
Há outros tipos de risco, conforme Rodrigues (2004), relacionados com a não
ergonomia, como aqueles provenientes dos esforços físicos, posturas desfavoráveis ou
movimentos repetitivos presentes na atividade; riscos de acidente presentes nos processos de
trabalho, tais como tombamento de árvores, queda de objetos, picadas por animais
peçonhentos, manuseio e movimentos involuntários de equipamentos e máquinas. Para Sêcco
et al. (2012), os riscos de acidentes associados ao uso de máquinas e equipamentos também
podem ser chamados de riscos mecânicos, quando, por exemplo, pode ocorrer o rompimento
da corrente de uma motosserra durante a operação. No caso deste tipo de uso de máquina,
também é possível ocorrer acidente devido ao golpe de retrocesso ou rebote (kickback),
quando a ponta do sabre da motosserra atinge a madeira mas não a penetra, e os dentes da
corrente causam um movimento brusco de lançamento contra o operador, podendo até mesmo
gerar ferimentos fatais.
6
Medeiros (2013) cita um estudo realizado por Assunção e Câmara (2011) em que a
maioria dos acidentes (40%) acontece no momento da derrubada com motosserra.

2.1.3 Equipamentos de Proteção Individual – EPI


Entende-se como equipamento de proteção individual todo dispositivo ou produto, de
uso individual pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a
segurança e a saúde no trabalho (subitem 6.1 da NR-06, MTE, 2016). Não obstante, sempre
que as medidas de ordem geral não oferecerem proteção completa contra os riscos de trabalho
ou doenças profissionais ou do trabalho, a empresa deverá se responsabilizar por oferecer
gratuitamente os EPI adequados ao risco aos seus funcionários (subitem 6.3 da NR-06, MTE,
2016). A norma estabelece através de caráter obrigatório os critérios, vinculados aos riscos
inerentes, quanto ao uso de EPI, tanto para empregadores quanto para empregados. Ao
fabricante também são responsabilizados os critérios quanto à comercialização, certificação,
manutenção da qualidade, além de orientações de uso e higienização dos EPI (Quadro 1).
Para assegurar a qualidade e a funcionalidade dos EPI, há uma documentação
expedida pelo MTE denominado de Certificado de Aprovação (CA), o qual libera a
distribuição e venda somente o produto portador deste documento. Assim, todos os produtos
que passarem por testes específicos e atenderem a exigências técnicas estipuladas pelos
órgãos certificadores, podem ser comercializados pelos fabricantes (subitem 6.8.1, NR-06,
MTE, 2016). Assim, os usuários devem utilizar somente os EPI certificados e sob data de
validade vigente, cumprindo as determinações dos empregadores quanto ao uso adequado
(Quadro 1).
A Recomendação N° 192, que dispõe sobre precauções e adoção de medidas de Saúde
e Segurança na Agricultura (OIT, 2001), também propõe a utilização de equipamentos de
proteção individual, sempre que houver trabalhos que ofereçam riscos à saúde e segurança do
trabalhador, inclusive no uso de máquinas, equipamentos e instrumentos de trabalho.
Assim, percebe-se que o uso de EPI é mandatório para o trabalho com máquinas e
ferramentas motorizadas, especialmente no caso de operações com motosserras, em todas as
ocasiões da atividade.

2.2 Ferramentas portáteis motorizadas


Consideram-se as máquinas ou ferramentas portáteis motorizadas (FPM) as que
podem ser manipuladas e transportadas à mão, as quais podem ser classificadas de acordo
com o tipo de energia utilizada: elétricas (serras circulares, lavadoras), à combustão
(motosserras, roçadeiras, podadores) e à bateria (sopradores).
As máquinas facilitam a execução de tarefas que, de outra forma, obrigariam um
trabalho manual extenuante. Não obstante, qualquer trabalho realizado com máquinas pode
apresentar algum risco associado, por isso a importância de cuidados e precauções por parte
do operador para evitar lesões e acidentes.

7
N OR MA R EGU LAMEN T AD OR A 06 - N R 06

R e sponsa bilida de s e crité rios obriga tórios

Ao Fa brica nte Ao Empre ga dor Ao Empre ga do

6.8.1 O fabricante nacional ou importador deverá: 6.3 A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, 6.7.1 Cabe ao
a ) cadastrar-se junto ao órgão nacional competente gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito empregado
em matéria de segurança e saúde no trabalho; estado de quanto ao uso de
b) solicitar a emissão do Certificado de Aprovação - conservação e funcionamento, nas seguintes EPI:
CA; circunstâncias:
c) solicitar a renovação do CA quando vencido o a ) sempre que as medidas de ordem geral não a ) usar, utilizando-
prazo de validade estipulado ; ofereçam completa proteção contra os riscos de o apenas para a
d) requerer novo CA quando houver alteração das acidentes do trabalho finalidade a que
especificações do equipamento aprovado; ou de doenças profissionais e do trabalho. se destina;
e ) responsabilizar-se pela manutenção da
qualidade do EPI que deu origem ao Certificado de 6.6.1 Cabe ao empregador quanto ao EPI: b)
Aprovação - CA a ) adquirir o adequado ao risco de cada atividade; responsabilizar-
f) comercializar ou colocar à venda somente o EPI, b) exigir seu uso; se pela guarda e
portador de CA; c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo conservação;
g) comunicar ao órgão nacional competente em órgão nacional competente em matéria de segurança e
matéria de segurança e saúde no trabalho saúde no c) comunicar ao
quaisquer alterações dos dados cadastrais trabalho; empregador
fornecidos; d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso qualquer
h) comercializar o EPI com instruções técnicas no adequado, guarda e conservação; alteração que o
idioma nacional, orientando sua utilização, e ) substituir imediatamente, quando danificado ou torne impróprio
manutenção, restrição e extraviado; para uso;
demais referências ao seu uso; f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção
i) fazer constar do EPI o número do lote de periódica; e, d) cumprir as
fabricação; e, g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade determinações
j) providenciar a avaliação da conformidade do EPI observada. do empregador
no âmbito do SINMETRO, quando for o caso; h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo sobre o uso
k) fornecer as informações referentes aos ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico. adequado.
processos de limpeza e higienização de seus EPI.

Quadro 1: critérios e obrigações da Norma Regulamentadora 6 – NR 06. Fonte: Adaptado do MTE (2016)

No Brasil, a NR-12 do MTE (BRASIL, 2016) estabelece referências técnicas e


medidas de proteção contra utilização de máquinas e equipamentos de todos os tipos.
Especificamente para manuseio de motosserras, há o Anexo V, que exige no item 1 os
seguintes dispositivos de segurança contidos na máquina: a) freio manual ou automático da
corrente; b) pino pega-corrente; c) protetor da mão direita; d) protetor da mão esquerda e; e)
trava de segurança do acelerador. As motopodas e similares também devem atender esses
quesitos.
O Anexo V da NR-12 discorre ainda sobre as informações relativas à saúde e
segurança que os fabricantes devem fornecer nos catálogos e manuais de instrução. Entre elas,
podem-se destacar instruções de segurança no trabalho com equipamento; riscos à saúde do
trabalhador no manuseio; especificações técnicas de ruído e vibrações; alertas de advertência
no perigo de acidente ao utilizar a máquina; advertências sobre o uso inadequado;
disponibilizar material e treinamento para usuários e utilização correta da máquina,
juntamente com certificado de garantia.
A NR-31 (BRASIL, 2016) tem por objetivo estabelecer os preceitos a serem
observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o
planejamento e o desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura,
exploração florestal e aquicultura com segurança e saúde no meio ambiente de trabalho.
Outrossim, é vedado o trabalho de máquinas e equipamentos acionados por motores de
combustão interna, em locais fechados ou sem ventilação suficiente, salvo quando for
assegurada a eliminação de gases do ambiente.
8
3. Procedimentos metodológicos

3.1 Descrição do cenário


O presente trabalho foi executado numa empresa de manufatura fabricante de
ferramentas portáteis motorizadas, a qual faz parte de um grupo multinacional com diversas
unidades fabris espalhadas por países como Alemanha, Áustria, Suíça, Estados Unidos, China
e Brasil. A unidade brasileira é responsável pela produção e exportação de cilindros às outras
unidades do grupo, juntamente com a importação, produção e distribuição de motores e
máquinas no mercado nacional. Também é efetuada a exportação de máquinas a outros
mercados internacionais, bem como de atender subsidiárias da América Latina e Caribe. A
unidade do Brasil está localizada no município de São Leopoldo - RS e possui mais de dois
mil colaboradores diretos e outros duzentos indiretos, os quais trabalham nas mini fábricas
dos processos de fabricação de cilindros, fabricação dos motores, fabricação dos sabres, peças
de reposição e demais áreas de apoio.
As principais máquinas produzidas são motosserras, roçadeiras, sopradores,
pulverizadores, motopodas, cortadores de palma e ferramentas com implementos
multifuncionais. Do mesmo modo, são importados outros modelos dessas famílias de
máquinas, além de cortadores à disco, perfuradores de solo, derriçadores de café e oliva,
varredeiras e cortadores de grama. Esses produtos são comercializados e distribuídos para
mais de três mil pontos de venda espalhados pelo território nacional, denominado de sell in,
entre os quais estão concessionárias, revendas exclusivas e não exclusivas, cooperativas e
canais de varejo alternativos. Da mesma forma são comercializados acessórios, ferramentas
manuais, peças de reposição, produtos florestais e equipamentos de proteção individual para
esses canais.
O setor de Produtos e Planejamento no qual foi desenvolvido este trabalho, pertence
ao departamento de Marketing, sendo responsável pela gestão do portfólio da empresa e
atendimento ao mercado nacional, pela tomada de decisão dos processos de introdução de
novos produtos e descontinuação de produtos desatualizados. Tais produtos atendem diversos
segmentos de mercado como Agropecuário, Florestal, Construção Civil, Limpeza e
Conservação, Doméstico e Jardinagem Profissional.
O setor é composto por quatro consultores de produtos que se dividem na gestão das
famílias de produtos, denominadas de hierarquias, além de um analista de previsão de
demanda, um analista de inteligência de mercado, o estagiário e o supervisor. São realizados
estudos mercadológicos, monitoramento de concorrentes, identificação de oportunidades,
avaliações de risco, viabilidade econômico-financeira, estudos de precificação e preparação
de materiais de divulgação interna e externamente, em conjunto com o setor de Comunicação.
Dentre os materiais de divulgação da empresa há um catálogo, que apresenta o
portfólio dos produtos da empresa, tanto máquinas, quanto acessórios e EPI. Todavia, não se
encontra informação específica sobre uso de EPI adequado de acordo com escolha de
máquina específica e tipo de trabalho desempenhado pelo usuário final. Isso auxiliaria tanto
compradores do sell in quanto usuários e clientes finais (sell out) quanto à escolha do EPI
correto. Percebe-se uma dificuldade em conhecer o tipo de proteção que os EPIs do portfólio
oferecem, para dessa maneira selecioná-lo e vendê-lo juntamente com as máquinas que o
cliente final adquire. Os próprios compradores do sell in algumas vezes desconhecem os
atributos dos EPI que a empresa oferece e em quais situações de trabalho estes devem ser
usados para garantir a segurança e conforto do operador.

9
3.2 Caracterização do método de pesquisa
Inicialmente foi feita pesquisa bibliográfica em periódicos, sites, e em manuais dos
equipamentos do portfólio. O método de pesquisa utilizado neste estudo apresentou uma
natureza aplicada. Quanto à abordagem, buscou-se tanto dados qualitativos, devido às
informações levantadas com base na leitura e revisão de normas e manuais e nas entrevistas
com stakeholders da empresa (especialistas de produto, concessionários, empresas prestadoras
de serviço e clientes), quanto dados quantitativos, extraindo informações quanto a avaliação
dos parâmetros dos EPI pelos entrevistados e quanto à valores mensuráveis de agentes de
risco. O objetivo da pesquisa possuiu caráter exploratório, por se tratar da proposta de
familiarizar-se com o objeto de estudo de ferramentas portáteis motorizadas e o uso específico
de EPI associado para tal tipo de trabalho, considerando exemplos práticos e experiência de
profissionais do ramo. Igualmente possuiu caráter descritivo, pois procurou estabelecer as
características comuns de um grupo de máquinas e a relação do uso de EPI necessários ao tipo
de trabalho, através da observação das atividades de trabalho, descrevendo as dificuldades e
riscos encontrados.

3.3 Caracterização do método de trabalho


Os procedimentos consistiram em desenvolver uma abordagem para a seleção de EPI
a serem empregados quanto do uso de determinadas ferramentas portáteis motorizadas,
seguindo três macro fases (Figura 2):
a) 1ª Macro fase – Pré-Análise: visou traçar um panorama ou cenário para
identificar as normas e legislação de saúde e segurança vigentes no Brasil, bem como das
normas vigentes sobre EPI relacionadas ao trabalho com FPM no exterior, assim como aos
equipamentos de proteção individual. Isto, de modo a obter o levantamento de critérios de
responsabilidades do fabricante de FPM para com os compradores: canais de venda
(concessionárias, revendas exclusivas, revendas não exclusivas, cooperativas e alguns
parceiros varejistas) e usuário final (empregadores e trabalhadores);

b) 2ª Macro fase – Análise: a partir dos critérios referentes às normas pertinentes


foram levantados os produtos do portfólio da empresa. Ademais foram revisados os manuais
de instrução todas as máquinas oferecidas pela empresa, com intuito de identificar os riscos
associados à utilização dessas e os EPI indicados para cada modelo de máquina. Em seguida,
foram comparados estes riscos e dos EPI indicados pelos manuais versus o portfólio da linha
de EPI oferecido pelo fabricante. Esta análise visou garantir que os EPI oferecidos no
portfólio estivessem adequados às normas e alinhados com a indicação dos EPI pelos
manuais;

c) 3ª Macro fase – Pós-análise: foi criada uma proposta de módulos ou kits de EPI
para determinadas família de máquinas, respeitando os itens da etapa anterior. Nesta etapa foi
considerada a opinião de stakeholders, entre especialistas de produtos da empresa,
concessionários, empresas prestadoras de serviço e clientes/usuários de máquinas, através de
entrevistas aplicadas pelo próprio autor. Por fim, foram identificadas as oportunidades de
melhoria no que tange a introdução de novos EPI para o portfólio. Esta etapa serviu para
auxiliar na tomada de decisão dos compradores na escolha de EPI, a partir da escolha do
modelo e família de máquina e do tipo de atividade exercida. Como conclusão, as três Macro
fases constituíram uma proposta metodológica estruturada para realização de trabalhos

10
relacionados à seleção de EPI. A figura 2 esquematiza as etapas e procedimentos da
abordagem proposta.

Figura 2: Abordagem metodológica para seleção de EPI. Fonte: autor.

11
4. Resultados e Discussão
4.1 Pré-Análise
Foi realizada uma análise das normas e legislação vigentes no Brasil, pertinente ao
contexto socio-técnico de trabalhos com ferramentas portáteis motorizadas, com o intuito de
identificar situações aplicáveis para cada tipo de norma, sempre respeitando o caráter da SST
e da produtividade. Por conseguinte, as respectivas normas e situações de trabalho que podem
ser aplicadas foram resumidas no Quadro 2.

Normas Descrição Exemplo


Empresa do ramo de podas e limpeza urbana que
Responsabilidades e critérios obrigatórios de EPI para deve adquirir EPI adequados ao risco para seus
NR 6 - Equipamentos
fabricantes, empregadores e empregados. Todo e qualquer EPI
de Proteção Individual deve proteger o trabalhorador a riscos suscetíveis da atividade. operadores de roçadeiras, sopradores. Ex: óculos de
proteção, luvas, bota de segurança.

Trabalho com máquina pulverizadora, considerando os


NR 9 - Programa de Avaliação e controle de riscos ambientais no trabalho, por parte
agentes químicos como o inseticida aplicado na
Prevenção de Riscos de empregadores, que preservem a saúde e integridade do
plantação. Se houver o risco de contaminação, deve-
Ambientais trabalhador, tendo em vista a proteção do meio ambiente
se mudar a organização do trabalho ou fornecer EPI.

São consideradas insalubres as operações que são expostas Trabalhos com motosserras ou cortadores à disco
a alguns riscos e agentes físicos, químicos ou biológicos. que excedam os ruídos de 85 dBA ou vibrações de 5
NR 15 - Atividades e
Destaque para limite de tolerância de 85 dBA de ruído para m/s² quando em operação, podem ser consideradas
Operações Insalubres atividades com jornada de até 8 horas e Vibrações Mãos e insalubres e portanto deve-se fornecer os EPI
Braços (VMB) que não excedam 5 m/s². adequados para atenuação dos fatores de risco.

Operadores de máquina devem ser treinados e


Adaptar o trabalho e equipamento às caraceterísticas
orientados sobre posturas e técnicas corretas de
psicofisiológicas do trabalhador, garantindo máxima segurança
NR 17 - Ergonomia trabalho, respeitando os procedimentos e limites
e desempenho eficiente. Questões que envolvem biomecânica,
estabelecidos. Desse modo, previne-se lesões, ou
antropometria, fisiologia da relação empregado-trabalho.
possíveis doenças ocupacionais (DORT).

Operadores de motosserra que trabalham em


Nos trabalhos realizados a céu aberto, é obrigatória a
NR 21 - Trabalhos a florestas ou zonas isoladas da indústria madeireira
existência de abrigos, ainda que rústicos, capazes de proteger
Céu Aberto devem possuir um abrigo ou área de vivência para se
os trabalhadores contra intempéries.
proteger de tempestades, calor, frio, ventos, umidade.
Cabe as empresas rurais avaliar os riscos, assim
NR 31 - Segurança e Discorre sobre os preceitos a serem observados na como promover melhorias no ambiente de trabalho,
Saúde no Trabalho na organização e no ambiente de trabalho sobre saúde e com uso de ferramentas e máquinas em lavouras e
Agricultura, Pecuária, segurança para empregados e empregadores, compatível com plantações, transporte de cargas. Os trabalhadores
Silvicultura, Exploração atividades da agropecuária, exploração florestal, silvicultura e devem estar cientes dos riscos, respeitar as regras e
Florestal e Aquicultura aquicultura. estarem habilitados para exercer atividade. Medidas
de proteção, como EPI.
Se o trabalhador for cortar ou podar uma árvore acima
Considera-se trabalho em altura toda atividade executada acima
de 2,00 m de altura, deve observar os procedimentos,
NR 35 - Trabalho em de 2,00 metros de altura acima do nível inferior, observando os
ferramentas e EPI corretos, além de avaliar os riscos
Altura requisitos mínimos para planejamento, organização e execução
antes da execução da tarefa. Também deve-se
das atividades.
possuir treinamento específico para tal fim.

Quadro 2: contextos de trabalho aplicados as Normas Regulamentadoras do MTE. Fonte: autor.

A aplicação dos requisitos mínimos dessas normas e procedimentos de maneira básica


não garantem a SST e a produtividade; logo, é recomendado fornecer condições de trabalho
em níveis ótimos além do previsto. Embora os riscos sejam avaliados, mensurados e
atenuados, a probabilidade de ocorrência de um acidente ou quase acidente jamais é nula.

12
4.2.1 Análise dos riscos associados ao uso de máquinas portáteis
Depois de efetuada a revisão de procedimentos e normas vigentes no Brasil e
levantados os critérios exigidos aos stakeholders adaptados para trabalhos com FPM,
realizou-se a leitura e compreensão dos manuais de instrução de máquinas do atual portfólio
da empresa manufatureira. Foi possível compreender e identificar os riscos ambientais
associados ao uso e manejo dessas máquinas, alinhados com a NR-09 (MTE, 2016),
igualmente às necessidades de proteção dos usuários para atenuar esses riscos e evitar
possíveis lesões e acidentes. Devido à extensão e limitação deste trabalho em apresentar todas
as máquinas do respectivo portfólio, selecionou-se apenas as famílias de máquinas do tipo
motosserras e roçadeiras, por se tratar dos produtos com maior relevância e volume de vendas
no mercado, bem como maior número de usuários e casos de acidente.
Constatou-se que as máquinas possuem dispositivos de segurança para proteger o
usuário, bem como silenciadores para atenuar os ruídos, amortecedores para absorver
vibrações e protetor da corrente alinhados com a NR-12 (MTE, 2016), mesmo assim os
manuais evidenciam situações de trabalho com as quais os operadores estão expostos aos
diferentes tipos de riscos sob condição latente. As motosserras à bateria, elétricas ou à
combustão apresentaram riscos de acidente variados, devido a agentes mecânicos e ao cenário
socio-técnico, entre eles, riscos de ruptura da corrente, riscos de escorregar, riscos de rebote
da máquina (kickback), entre outros. Em relação à riscos químicos, as motosserras à bateria ou
elétricas apresentam agentes como óleo da corrente em contato com a pele, inalação de poeira
e partículas e possíveis vazamentos de substâncias tóxicas de baterias avariadas. As
motosserras à combustão apresentaram riscos químicos mais perigosos quanto ao vazamento
de óleo ou combustível, os quais podem causar incêndios e queimaduras, inclusive
intoxicação devido aos gases emitidos (Quadro 3).
Para todo tipos de motosserras há riscos físicos presentes, no entanto, as motosserras
elétricas ou à bateria apresentam emissão de ruídos e vibrações menores em relação às
elétricas. As motosserras elétricas ou à bateria apresentaram valor mediano de 84 dB(A) de
pressão sonora Lpeq conforme ISO 22868:2011, e de acelerações equivalentes ahv,eq de 2,9
m/s² para vibrações conforme ISO 22867:2011, os quais estão adequados aos limites
estabelecidos pela NR-15 (MTE, 2016). Já as motosserras à combustão apresentaram valor
mediano Lpeq de 100 dB(A) de pressão sonora e acelerações equivalentes ahv,eq de 6,4 m/s²
para vibrações, considerados acima dos limites estabelecidos, podendo causar perda auditiva e
“doença dos dedos brancos”. Alguns riscos de não ergonomia confome Wisner (1994),
Rodrigues (2004) e a NR-17 (MTE, 2016) também foram levantados, tais como: posturas e
técnicas incorretas de trabalho, cargas excessivas de trabalho e más condições
psicofisiológicas do trabalhador (Quadro 3).
As roçadeiras também apresentaram riscos semelhantes às motosserras, no que tange a
agentes físicos, químicos e de não ergonomia (posturas desfavoráveis, carga de trabalho, etc.).
Particularmente, as roçadeiras à combustão podem acoplar ferramentas de corte do tipo
lâmina e serra, cujos riscos podem gerar efeito inércia, efeito rebote da máquina (kickback),
ruptura da ferramenta de corte, riscos de queda de objetos e galhos em trabalhos de desbaste
ou mata fechada. O trabalho com roçadeiras à bateria ou elétricas com cabeçotes de corte de
13
nylon acoplados não apresentam esses riscos mecânicos, mas assim como às máquinas à
combustão, apresentam riscos de acidente de objetos lançados contra o operador e outras
pessoas que estejam dentro do raio de trabalho de 15 metros ou mais. Quanto aos agentes
físicos, os ruídos das roçadeiras à bateria, à combustão ou elétricas superaram os limites
estabelecidos pela NR-15 (MTE, 2016), enquanto que as vibrações indicadas pelos modelos
de máquinas mantiveram-se abaixo do parâmetro de 5 m/s². Os modelos à bateria ou elétricos
apresentaram valor mediano Lpeq de 89 dB(A) de pressão sonora e acelerações equivalentes
ahv,eq de 1,4 m/s², enquanto que os modelos à combustão apresentaram valor mediano ahv,eq de
3,7 m/s² (Tabela 2).

Máquinas Riscos de acidente Riscos químicos Riscos físicos Riscos não-ergonomia

- Óleo da corrente em
- Acionamento involuntário da contato com a pele;
corrente; - Inalação de poeiras e
Motosserras - Manutenção e troca da partículas;
Elétricas ou à Bateria corrente e sabre; - Possíveis vazamentos de
- Ruptura da corrente; substâncias tóxicas de baterias
- Rebote da máquina avariadas. - Condições ambientais - Posturas e técnicas incorretas
(kickback );
(calor, frio, vento chuva, ar de trabalho;
- Queda de galhos e objetos;
livre, iluminação); - Carga de trabalho excessiva;
- Objetos lançados contra o
- Vazamento ou - Ruídos da máquina; - Más condições
operador (madeira, lascas);
derramamento de óleo ou - Vibrações da máquina; psicofisiológicas do operador.
- Escorregar e tropeçar em
combustível;
Motosserras à locais lisos ou obstáculos;
- Riscos de incêndio e
Combustão - Rebote da máquina
queimaduras;
(kickback );
- Inalação e intoxicação por
- Choque elétrico (máquinas
gases tóxicos.
elétricas).

- Efeito inércia da ferramenta - Inalação de poeiras e


de corte (acionamento); partículas;
Roçadeiras Elétricas
- Manutenção e troca da - Possíveis vazamentos de
ou à Bateria substâncias tóxicas de baterias
ferramenta de corte;
- Ruptura da ferramenta de avariadas.
corte (lâmina, serra);
- Condições ambientais - Posturas e técnicas incorretas
- Rebote da máquina
(calor, frio, vento chuva, ar de trabalho;
(kickback ); - Vazamento ou livre, iluminação); - Carga de trabalho excessiva;
- Queda de galhos e objetos; derramamento de óleo ou - Ruídos da máquina; - Más condições
- Objetos lançados contra combustível;
Roçadeiras à - Vibrações da máquina. psicofisiológicas do operador.
operador e outras pessoas - Riscos de incêndio e
Combustão (lascas, pedras); queimaduras;
- Escorregar e tropeçar em - Inalação e intoxicação por
locais lisos ou obstáculos; gases tóxicos.
- Choque elétrico (máquinas
elétricas).

Quadro 3: Riscos de trabalho com motosserras e roçadeiras. Fonte: Manuais de Instrução, STIHL (2016)

ruídos dB(A) acelerações m/s² kg


bateria, elétrica 84 2,9 2,7
motosserras
combustão 100 6,4 4,9
bateria, elétrica 89 1,4 2,7
roçadeiras
combustão 98 3,7 7,3

Tabela 2: valores medianos de ruídos Lpeq e vibrações equivalentes de manuais de máquinas. Fonte: autor.

14
4.2.2 Análise dos EPI da base do manual e portfólio

A análise foi complementada pela comparação da proteção necessária indicada pelos


manuais com os EPI presentes no portfólio da empresa. Foi possível realizar o levantamento
dos principais EPI necessários para o trabalho com essas máquinas, de acordo com as famílias
de máquinas, respectivos modelos e fonte de energia dos motores, características e sistemas
de segurança das máquinas, além das ferramentas acopladas e dos tipos de serviço específicos
nos quais essas máquinas podem ser aplicadas. Esses EPI atenuam os diferentes tipos de
riscos presentes durante o trabalho (Quadro 4).

Motosserras Roçadeiras
Motosserras à Roçadeiras à
Elétricas ou à Elétricas ou à
Combustão Combustão
Bateria Bateria

Riscos
mecânicos

mecânicos

mecânicos

mecânicos
químicos

químicos

químicos

químicos
físicos

físicos

físicos

físicos
Proteção

roupas anti-corte

macacão


○●

○●

○●

○●

○●

○●

calça anti-corte
botas com biqueira de
○●

○●

○●

○●

○●

○●

○●

○●

○●

aço
○●

○●

○●

○●

○●

○●

botas antiderrapantes
○●

○●

○●

luvas em couro
○●

○●

○●

○●

○●

○●

○●

○●

○●

luvas anti-corte
○●

○●

○●

○●

protetor auricular
○●

○●

○●

○●

protetor facial

máscara


○●

○●

○●

○●

óculos de proteção
○●

○●

○●

capacete de proteção
Legenda: ○● contém no manual e portfólio ○ contém só no manual

Quadro 4: EPI da base dos manuais versus o portfólio de EPI da empresa. Fonte: autor.

As motosserras apontaram indicação de proteção necessária para o usuário de maneira


idêntica, considerando os tipos de riscos envolvidos. Foram citadas a utilização de botas de
segurança com proteção anti-corte para a corrente, biqueira de aço e solado antiderrapante,
macacão de tecido, roupas anti-corte (Ex: calças, antebraço), luvas com proteção anti-corte,
15
óculos de segurança e protetor facial, protetor auricular, e capacete de proteção quando
houver risco de queda de objetos. Verificou-se que o portfólio oferece todos esses itens, com
exceção de máscaras contra poeira e gases, e um capacete florestal que possui um protetor
auricular e viseira acoplados. Porém, não estão disponíveis para aquisição como produtos
únicos os protetores auriculares e protetor facial com viseira, somente como peças de
reposição do capacete florestal, o qual limita a opção de escolha do comprador.

Há uma diferença nos níveis de emissão de ruídos, vibrações (agentes físicos) ou gases
(agentes químicos) entre máquinas elétricas ou à bateria e à combustão. Mesmo assim, os EPI
são de uso comum em ambos os tipos de máquinas. As roçadeiras elétricas ou à bateria que
trabalham com cabeçotes de nylon em vez de ferramentas de corte de metal (serras, lâminas),
possuem riscos mecânicos de menor periculosidade e, em vista disso, permitem a utilização
de botas de segurança com biqueira de aço e solado antiderrapante, sem a proteção anti-corte
e luvas de material robusto tipo couro. Mesmo assim, exigem a proteção da cabeça do usuário
com óculos de proteção e protetor facial caso haja lançamento de detritos ou outros objetos
contra o operador e outras pessoas próximas. Constatou-se que a linha de EPI da empresa
estudada não oferece um protetor facial com protetor auricular para as roçadeiras. O capacete
florestal atenderia esses requisitos de proteção, todavia esse item pode ser dispensado quando
não houver risco de queda de objetos.

4.3.1 – Pós-Análise: Entrevistas


Após o término da análise da base de manuais e do portfólio de EPI pertinentes ao uso
de FPM, foi realizada uma pesquisa de campo com as visões de diferentes stakeholders,
envolvendo quatro usuários de máquina, cinco empresas prestadoras de serviço, sete
concessionários e revendedores e oito especialistas de produto da empresa fabricante de
máquinas. Foram levantadas uma amostra de 24 entrevistas individuais - sendo somente um
entrevistado do sexo feminino (especialista) - avaliando nove parâmetros (preço, certificado
de aprovação (CA), atributos, marca, conforto, design/estética, qualidade, facilidade no uso e
nível de proteção) comparados a sete diferentes tipos de EPI (botas de segurança, calça de
segurança, luvas de proteção, protetor auricular, perneira de proteção, óculos de proteção e
capacete de segurança). Os entrevistados julgaram o grau de importância numa escala de 1 a
5, sendo 1 não importante e 5 extremamente importante, os nove parâmetros cruzados para os
sete diferentes tipos de EPI, obtendo-se uma matriz completa de dados. Assim, foram
calculadas as medianas de cada valor individual, reunindo a avaliação final de todos
stakeholders em relação ao grau de importância desses EPI com os parâmetros analisados. A
figura 3 evidencia a visão e julgamento de cada grupo de stakeholders.

16
Figura 3: Grau de importância de EPI para diferentes grupos de stakeholders. Fonte: autor.

Do ponto de vista dos usuários, os fatores de nível de proteção, qualidade, conforto e


facilidade no uso foram considerados muito importantes na seleção de EPI para trabalhos com
ferramentas portáteis motorizadas. Observou-se que os fatores marca, preço, atributos e o
próprio CA foram classificados com menor importância em relação aos anteriores para esses
trabalhadores, enquanto que o design/estética não foi considerado importante. Alguns motivos
pelos quais os próprios usuários ou clientes deixam de adquirir e utilizar esses EPI foram:
falta de conhecimento e funções técnicas dos EPI; falta de compreensão dos riscos envolvidos
do trabalho com as máquinas; falta de conforto; não considerar a obrigatoriedade no uso; falta
de material de divulgação com informação e indicação adequadas de uso; e falta de vantagens
financeiras para aquisição de EPI junto aos produtos.
Os empregadores, concessionários e especialistas de produto também classificaram os
itens nível de proteção, qualidade e conforto com maior relevância, ademais julgaram
extremamente importante o CA na escolha de EPI, demonstrando priorização generalizada
neste quesito. Os empregadores citaram algumas ações que poderiam estimular o uso e maior
comercialização de EPI, tais como campanhas de conscientização de uso de EPI e
17
treinamentos de segurança por parte de fabricantes e representantes, levantamento dos riscos
nas atividades previstas a executar, criação de legislação e incentivos a venda de EPI de
maneira obrigatória junto com produtos por parte dos fabricantes, fiscalização dos órgãos
competentes, estudos de caso de acidentes e conforto na execução do trabalho. Os
empregadores entrevistados também ponderaram que a escolha dos EPI depende do tipo de
serviço a ser realizado, tipo de máquina atrelada à necessidade de proteção, além da
responsabilidade de reforçar e propagar a cultura de segurança nas suas respectivas empresas.
Sob a ótica dos concessionários e revendedores, foi mencionado que seus clientes e
usuários de máquina desconhecem os riscos e perigos envolvidos nestas máquinas,
desconsiderando a necessidade de utilização dos EPI ou não enxergando real valor nestes,
preconizando preço em detrimento da segurança. Similarmente aos empregadores, os
concessionários propuseram reforçar a divulgação e material de merchandising em
campanhas de venda de EPI, com maior ênfase nas consequências e exposição aos riscos,
fácil entendimento dos usuários, sensibilização e demonstração em situações reais de trabalho.
Os incentivos financeiros na aquisição conjunta dos EPI com máquinas e aprimoramento no
conforto foram igualmente assinalados.
Os especialistas de produto demonstraram estar em consonância com os
concessionários, apontando soluções como a promoção de campanhas de conscientização de
EPI, qualificação de colaboradores para argumentação e orientação correta do uso aos
usuários, tanto de maneira proativa na oferta quanto no ato na venda das máquinas com os
respectivos EPI. As melhorias de conforto e a venda em conjunto dos EPI com as máquinas,
também permitiriam agregar valor aos produtos, somado a possibilidade de receber incentivos
financeiros e subsídios governamentais neste tipo de transação. Todos os grupos entrevistados
admitiram que os principais benefícios da utilização de EPI são evitar acidentes e danos à
saúde do trabalhador e evitar prejuízos econômicos.
Ao reunir todas essas perspectivas, percebeu-se a importância da SST aplicada ao
trabalho com tais ferramentas, atendendo às necessidades de todas as partes interessadas,
principalmente dos usuários que vivenciam estas atividades no cotidiano. As respostas
permitiram analisar opiniões e julgamentos de parâmetros relacionados ao uso de EPI com
FMP. O desenvolvimento de produtos do ramo, como máquinas e acessórios devem adaptar-
se aos requisitos dos usuários, agregando valor naqueles parâmetros que delimitam a
qualidade percebida com as funções de performance e segurança, entendendo de maneira
sistêmica as reais necessidades desses trabalhadores. As empresas fabricantes e seus
parceiros, bem como empregadores, podem utilizar dessas informações para alinhar suas
estratégias e planos de ação com o incentivo ao uso desses EPI em conjunto com essas
máquinas. A seleção e utilização dos EPI pelas partes interessadas deveriam ser capazes de
distinguir o uso compulsório, prevendo a proteção dos usuários contra os riscos inerentes.

4.3.2 Proposição de um kit de EPI para motosserras e roçadeiras


Com base no levantamento de informações das fontes reunidas até então, foi proposta
a montagem de um pacote de EPI referente aos tipos de máquinas estudadas neste estudo, de
acordo com suas peculiaridades envolvidas e o portfólio disponível (Quadro 5).
O pacote de EPI apresentado às motosserras foi único, composto por sete itens, sendo
que o macacão e a máscara contra pó podem ser oportunidades de desenvolvimento futura. No
caso das roçadeiras, há uma pequena variação no pacote sugerido, segundo a seleção do
cabeçote de corte, se for do tipo lâmina ou do tipo nylon. As ferramentas de lâmina acopladas

18
exigiriam uma proteção maior contra riscos mecânicos, como botas com resistência ao corte
tipo C e perneiras de proteção, enquanto que as roçadeiras com cabeçote de nylon permitiriam
utilização de bota tipo B com solado antiderrapante. Quando não há risco de queda de objetos,
o capacete florestal se tornaria um item dispensável também pela questão do conforto,
portanto uma escolha mais plausível seria um protetor facial e auricular unificados. Este item
poderia se tornar um produto a ser desenvolvido pela empresa, ou até mesmo protetor
auricular e protetor facial independentes. Todos EPI do portfólio demonstraram conformidade
com proteção dos riscos, segundo consulta dos respectivos Certificados de Aprovação (MTE,
2016).

Máquinas EPI portfólio C.A. Nível Performance KIT indicado


1 - Proteção da cabeça
Motosserras 1 - 498 do usuário contra queda
Elétricas ou 1 - Capacete Florestal; (capacete) + de objetos e atenuação de
à Bateria 2 - Óculos de proteção; 27972 (prot. 22 dB(A) de ruídos;
3- Luva Universal;
Auricular); 2 - Proteção dos olhos do
4- Calça de segurança;
2 - 25046; usuário;
5- Macacão* ;
3 - 31624; 3 - Proteção das mãos em
6- Bota Premium;
4 - 35739; couro vaqueta-nível 4444;
Motosserras 7 - Máscara contra pó*
5 - N/A; 4 - proteção classe 2
à Combustão 6 - 35186. contra motosserras;
* a desenvolver
6 - Proteção tipo C dos
pés do usuário contra
motossera
1 - Capacete Florestal; 1 - Proteção da cabeça
2 - Óculos de proteção; do usuário contra queda
1 - 498
3 - Luva Special; de objetos e atenuação de
(capacete) +
Roçadeiras 4 - Perneira; 27972 (prot.
22 dB(A) de ruídos;
Elétricas ou 5 - Macacão* ; Auricular);
2 - Proteção dos olhos do
à Bateria 6 - Bota Standard 2 - 25046;
usuário;
(cabeçote lâmina); 3 - Proteção das mãos em
3 - 31621;
7 - Bota Worker couro vaqueta-nível 3334;
4 - 17136;
(cabeçote nylon); 4 - proteção das pernas
5 - N/A;
8 - Máscara contra pó*; do usuário;
6 - 34514;
9 - Prot. 6 - Proteção tipo C ao
7 - 34262;
Roçadeiras à Facial+auricular*. corte dos pés do usuário;
Combustão 7 - Proteção tipo B dos
* a desenvolver pés do usuário com solado
antiderrapante;

Quadro 5: Proposta de kit de EPI indicados para motosserras e roçadeiras. Fonte: autor.

5. Conclusão
O trabalho desenvolvido permitiu evidenciar que existem riscos presentes nas
atividades laborais com uso de ferramentas portáteis motorizadas, os quais devem ser
mitigados e eliminados sempre que possível, desde o processo de desenvolvimento do
produto até situações reais de operação. A indicação e seleção correta dos EPI adaptados aos
trabalhadores, ao tipo de máquina e a tarefa, garantem proteção contra esses riscos e podem
até evitar lesões e constrangimentos causados pelos acidentes. Entretanto, a complexidade e a
variabilidade inerente do ofício podem causar danos à saúde do trabalhador e passivos
trabalhistas, mesmo com as proteções e precauções tomadas por todos envolvidos.

19
Embora os resultados obtidos fossem uniformes em alguns critérios, no que tange a
triagem de uso de EPI ligados a essas máquinas, observou-se a contradição entre os usuários e
os demais grupos com relação à percepção do certificado de aprovação desses produtos. A
qualidade deve ser percebida como um atributo fundamental para a escolha dos EPI, tanto
para as partes interessadas quanto para usuários. Igualmente, a questão do conforto para os
usuários foi fator determinante para seleção e utilização destes EPI, portanto deveria ser mais
reconhecida pelas partes interessadas que desenvolvem e disponibilizam esses produtos no
mercado. Os EPI jamais devem ser julgados somente como custo, pois sua utilização pode
evitar acidentes e, inclusive, prevenir desfechos fatais para os trabalhadores.
A metodologia de seleção de EPI aplicada foi concebida para facilitar a identificação
de proteção necessária, respeitando os preceitos normativos e o nível de desempenho
almejado conforme o tipo de máquina definida. Ela pode ser replicada em outras análises de
outros equipamentos diferentes dos considerados nesta pesquisa, auxiliando na tomada de
decisão das partes interessadas. Assim, espera-se que este trabalho contribua para a segurança
e produtividade dos trabalhadores com máquinas e partes interessadas. Neste trabalho não foi
possível identificar a probabilidade de ocorrência e gravidade de acidentes, portanto, para
trabalhos futuros, sugere-se estudar situações reais de trabalho sujeitas à avaliação e controle
de riscos segundo a norma ISO 45001.

6. Agradecimentos

Aos meus pais Maria Inês e Paulo, agradeço o apoio incondicional e carinho durante minha
vida e trajetória acadêmica, exemplo de pessoas que me fizeram chegar até aqui.

A minha irmã Júlia pela amizade e companheirismo fraterno de todas as horas.

A minha namorada Naira pelo amor e apoio recentes.

Aos colaboradores do Marketing da Stihl e demais áreas pela contribuição neste trabalho.

Ao Professor Fernando Amaral pela persuasão, paciência e orientação neste trabalho.

Aos meus colegas, cúmplices e amigos que me ajudaram e enriqueceram essa trajetória.

“A ciência é uma irmã caçula, talvez bastarda, da arte.” César Lattes.

20
7. Referências

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cadastro de


Acidentes: NB-18. Rio de Janeiro, 1975.

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em Altura. Diário Oficial da União. Poder Executivo, Brasília, DF, 2016. Disponível em:
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(Pós-graduação em Engenharia de Segurança no Trabalho) – Departamento de Engenharia
Civil, Setor de Ciências Agrárias e de Tecnologia, Universidade Estadual de Ponta Grossa,
Paraná, 2012.

WISNER, A. A Inteligência no trabalho. Textos selecionados em ergonomia. 1ed, São Paulo:


Fundacentro, 1994.

24
8. Apêndice

QUESTIONÁRIO – EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI

Aluno: Leo Plentz Portich Tel. 51 99812 9535 Curso Engenharia de Produção UFRGS

Sou: ( )concessionários/revendedores ( )empresa/prestadora ( )usuário/cliente ( )especialista

1. Você sabe o que é Equipamento de Proteção Individual (EPI)?

2. Sabe a função de um EPI? Explique.

3. Numa escala de 1 a 5, sendo 1 não importante e 5 extremamente importante, qual o grau de


importância para você do uso de EPI? 1 2 3 4 5

4. Indique em ordem de maior para menor importância (9 a 1) os itens que você julga serem importantes
na escolha e compra do EPI, que geram valor ao produto? Por que comprar um EPI?

∆ Preço ∆ Certificado de Aprovação (CA) ∆ atributos ∆ marca


∆ conforto ∆ desing/estética ∆ facilidade no uso ∆ nível de proteção
∆ qualidade

5. Numa escala de 1 a 5, sendo 1 não importante e 5 extremamente importante, relacionando os itens que
você escolheu na questão anterior, assinale o grau de importância na escolha do EPI para trabalhos
com ferramentas portáteis motorizadas (motosserras, roçadeiras, etc).

Grau de
importância
Equipamentos proteção individual
(1 a 5) Botas de Calça de Luva de Protetor Perneira de Óculos de Capacete de
segurança segurança Proteção auricular Proteção proteção segurança
Preço
Cert. De Aprov
Atributos
Marca
Conforto
Design/Estética
Qualidade
Facilidade uso
Nível de proteção

6. Na hora da escolha de uso de um EPI, assinale quais dessas alternativas justificam a escolha do
produto:
∆ tipo de máquina específica (roçadeiras/motosserras/outros/etc)
∆ tipo de serviço realizado (corte de árvores/manutenção de estradas/limpezas/etc)
∆ tipo de mercado (florestal, agropecuário, jardinagem profissional, doméstico, construção civil,
limpeza e conservação)
∆ necessidade de proteção (mãos, pés, cabeça, olhos)
∆ tipo de usuário (ocasional, profissional, doméstico)
25
7. Na sua opinião, quais os motivos que fazem com que stakeholders (clientes/usuários/concessionários,
empregadores) deixem de comprar EPI para trabalhos com ferramentas portáteis motorizadas
(motosserras, roçadeiras, etc.)?

∆ falta de conhecimento do cliente sobre questões técnicas do EPI e suas funções


∆ desconhece os riscos e perigos envolvidos no uso da máquina
∆ falta de divulgação do CAVABEN (características , vantagens e benefícios)
∆ falta de orientação dos concessionários/vendedores quanto à necessidade do uso (argumentação
técnica de vendas)
∆ falta de material de divulgação/informação com indicação de uso de EPI adequado
∆ preço
∆ qualidade do EPI
∆ noção de custo/benefício
∆ não achar necessário
∆ falta de conhecimento sobre procedimentos e noções de segurança
∆ falta de conforto do EPI
∆ falta de conhecimento sobre necessidades/requisitos dos clientes
∆ desconhecimento de normas e legislação vigentes
∆ não achar obrigatório uso do EPI
∆ falta um kit de EPI específico para cada tipo/família de máquina
∆ falta de venda casada com máquinas/acessórios (se tivesse vantagem compraria)

8. Na sua opinião, por que concessionárias ou fabricantes de máquinas deixam de vender


proporcionalmente produtos de segurança para o usuário (EPI)?

9. Na sua opinião, quais os benefícios do uso do EPI:


∆ proporciona maior conforto ao operador durante o trabalho
∆ mantém a produtividade do trabalho
∆ evita acidentes e possíveis danos à saúde do trabalhador (lesões, afastamentos)
∆ evita prejuízos econômicos
∆ mantém uma aparência estética boa
∆ garante proteção do trabalhador contra riscos e perigos
∆ Outros: _______________________________________

10. Cite três ações que poderiam ser tomadas para estimular o uso ou vender mais EPI?

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