Direito das obrigações
O direito das obrigações é o campo mais democrático do Direito Privado, pois se trata das relações jurídicas
obrigacionais, havendo presença da manifestação da vontade e RESPONSABILIDADE DO
ADIMPLEMENTO – a obrigação de alguém de assumir as consequências de sua atitude.
- O direito obrigacional é de extrema importância para a economia do país – dívidas de valor.
- Seguem uma SISTEMÁTICA TRADICIONAL, lembrando sempre das necessidades sociais.
CONCEITO DE OBRIGAÇÃO: “A obrigação é a relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida
entre credor e devedor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa,
devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio”.
CONCEITO DE DIREITO OBRIGACIONAL: consiste num complexo de normas que regem as relações
jurídicas de ordem PATRIMONIAL, que tem por objetivo prestações de um sujeito em proveito de outro
(credor e devedor), cujo adimplemento recai sobre o patrimônio do DEVEDOR. TEM QUE HAVER
reciprocidade.
NATUREZA JURÍDICA DOS DIREITOS PESSOAIS:
São direitos relativos, ou seja, se dirigem a pessoas determinadas, são também, direitos de uma prestação
POSITIVA ou NEGATIVA e há patrimonialidade, conteúdo econômico.
DISTINÇÃO ENTRE OS DIREITOS REAIS E OS DIREITOS OBRIGACIONAIS:
O direito real pode ser definido como o poder jurídico, direto e imediato, do titular sobre a COISA. O
direito obrigacional ou pessoal consiste num vínculo jurídico pela qual o sujeito ativo pode exigir do
sujeito passivo determinada prestação.
Direitos Reais Direitos Obrigacionais
- Absoluto - Relativo
- Permanente - Transitório
- Entre uma pessoa e a COISA - Vínculo Jurídico entre o DEVEDOR e CREDOR
CATEGORIA JURÍDICA HÍBRIDA
- Obrigação propter rem: obrigações próprias da COISA, e não à pessoa, transmitindo-se automaticamente ao
seu novo titular, com a transferência = INDETERMINAÇÃO SUBJETIVA PASSIVA TRANSITÓRIA. O
adimplemento recai sobre o patrimônio do devedor.
SEM MANIFESTAÇÃO DE VONTADE – condomínio
SEM POSSIBILIDADE DE ABANDONO
- Ônus reais = são obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade, para que haja ônus real é essencial
que o titular da coisa seja realmente devedor, e não apenas proprietário ou possuidor de determinado bem
cujo valor assegura o cumprimento de dívida alheia. Prestações POSITIVAS. O adimplemento recai sobre
o próprio bem.
- Obrigações de eficácia real = obrigação por força da lei – REGISTRO. Ex: contrato de locação devidamente
registrado
ELEMENTOS RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL:
- Elemento pessoal ou SUBJETIVO:
a) sujeito passivo (devedor)
b) sujeito ativo (credor)
Podendo ser DETERMINADO ou de INDETERMINAÇÃO MOMENTÂNEA (contrato a declarar e
promessa de recompensa por exemplo)
PESSOA JURÍDICA OU PESSOA NATURAL
- Elemento material ou OBJETIVO:
a) objeto imediato (prestação positiva ou negativa – DAR, FAZER OU NÃO FAZER)
b) objeto mediato (bem móvel, imóvel ou semovente ou atividade / abstenção)
Prestação: PATRIMONIALIDADE
COLABORAÇÃO DEVIDA
RELATIVIDADE
AUTÔNOMA
LICITUDE
POSSIBILIDADE (indeterminação momentânea do objeto – dar coisa incerta)
DETERMINABILIDADE
- Elemento espiritual – VÍNCULO JURÍDICO ENTRE O DEVEDOR E CREDOR
b) dever de prestar (Schuld ou debitum) / responsabilidade (Haftung ou obligatio)
c) teorias (monista / dualista / eclética)
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
Súmula Vinculante 25 – Depositário infiel: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. –
CIVIL = PATRIMÔNIO
FONTES DO DIREITO OBRIGACIONAL: nasce por lei ou por vontade humana:
• Lei
• Contrato
• Atos unilaterais (Promessa de Recompensa, Gestão de Negócios, Pagamento Indevido,
Testamento)
• Ato ilícito (Responsabilidade Civil)
Classificação das obrigações
1. QUANTO AO VÍNCULO
- Obrigação civil: perfeita – debitum e obligatio
- Obrigação natural: imperfeita – ausência da responsabilidade (obligatio), o credor não pode exigir prestação, pois
não há pretensão. PERDEU SUA EXIBILIDADE
Não cabe a ação de restituição
Não é obrigação moral
- Obrigação moral: dever de consciência
2. QUANTO AO OBJETO
- OBRIGAÇÃO DE DAR: entregar alguma coisa, certa ou incerta pelo devedor ao credor.
- Restituir: a tradição é a devolução, presume-se que já houve a entrega.
- Contribuir
- Obrigação pecuniária: dinheiro fixo em moeda nacional. DÍVIDA pode haver juros, com limitações previstas
em lei.
DAR COISA CERTA: obrigação específica, o credor não é obrigado a receber outra coisa, ainda que
melhor.
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário
resultar do título ou das circunstâncias do caso.
PERECIMENTO ≠ DETERIORIZAÇÃO
DAR Sem culpa – resolve-se Sem culpa – resolver ou aceitar com abatimento
DAR Com culpa – equivalente + perdas e danos Com culpa – exigir equivalente + perdas e danos
RESTITUIR Sem culpa – resolve-se Sem culpa – resolve-se
RESTITUIR Com culpa – equivalente + perdas e danos Com culpa – exigir equivalente + perdas e danos
Obs.: entende-se resolve-se voltar à situação primitiva, anterior do negócio.
MELHORAMENTOS NA OBRIGAÇÃO DE DAR: antes da tradição – pode o devedor da coisa exigir o
aumento do preço, caso o devedor prestacional não aceite, o negócio será desfeito.
MELHORAMENTOS NA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR: lucrará o credor, sem obrigação de indenização.
DAR COISA INCERTA: ao menos gênero e quantidade = INDETERMINAÇÃO TRANSITÓRIA
Modelos obrigacionais
- OBRIGAÇÃO DE FAZER: objeto imediato da prestação, sendo o objeto mediato a atividade pessoal ou impessoal,
instantânea ou duradoura.
1. FUNGÍVEL – devedor + terceiros poderão realizar
Se caso não fizer, cabe ao devedor ressarcir com o terceiro ou o credor pede reembolso e contrata o terceiro.
PROVAR URGÊNCIA
2. INFUNGÍVEL – somente o devedor pode realizar
Inadimplemento absoluto – PERDAS E DANOS
Impossibilidade – volta anteriormente (antes do negócio)
Obs.: quem define a fungibilidade é o credor.
- OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER: objeto imediato da prestação, sendo o objeto mediato a abstenção de praticar.
1. DURADOURA = não fazer + perdas e danos
2. INSTANTÂNEA = perdas e danos
Sem culpa: resolve-se
- QUANTO AO TEMPO DO ADIMPLEMENTO
1. Obrigação instantânea: um ato em um certo momento, no exemplo de não ter sido ajustada =
IMEDIATAMENTE.
2. Obrigação de execução diferida: único ato em momento FUTURO
3. Obrigação de execução continuada: se portai no tempo
- OBRIGAÇÃO SIMPLES
Único efeito, positiva ou negativa
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.
- OBRIGAÇÃO PLURAL – pluralidade objetiva
1. Objetivamente plural – dois ou mais objetos
1.1 CUMULATIVAS: e, todas as prestações previstas pela MESMA causa. Ex: um carro E uma moto
1.2 ALTERNATIVAS: ou, duas ou mais prestações com objetos distintos – NÃO INDIVIDUALIZADA no
PERÍODO
Perecimento na obrigação alternativa:
- Impossibilidade de UMA sem culpa = remanescente
- Impossibilidade de TODAS sem culpa = resolve-se
- Impossibilidade de UMA com culpa = remanescente + perdas e danos
- Impossibilidade de TODAS com culpa = equivalente + perdas e danos
1.3 FACULTATVAS: começa de uma obrigação simples
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a
pagar, por partes, se assim não se ajustou.
Obrigação subjetivamente plural – divisível e indivisível
Em linhas gerais, divisível é o bem que pode e, indivisível, o que não pode fracionar-se (considerando a
NATUREZA do objeto)
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações,
iguais e distintas, quantos os credores ou devedores. As partes se satisfazem com a divisão
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetível de divisão, por sua natureza,
por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico.
- Casos de INDIVISIBILIDADE
1. pluralidade de DEVEDORES: cada um é obrigado pela dívida toda, COM A QUOTA PARTE
(CONCURSO PASSIVO)
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda.
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados.
2. pluralidade de CREDORES: cada um dos credores poderá exigir a dívida toda dos devedores –
conjuntamente ou um só, exigindo caução de ratificação (RECIBO). Todo credor terá direito
restrito à sua parte.
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se
desobrigarão, pagando:
I - A todos conjuntamente;
II - A um, dando esta caução de ratificação dos outros credores.
Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em
dinheiro a parte que lhe caiba no total.
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir,
descontada a quota do credor remitente.
Obrigação subjetivamente plural – solidária
Existe obrigação solidária quando há pluralidade de credores e\ou devedores – compatível com qualquer tipo de
obrigação
Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou
obrigado, à dívida toda.
A obrigação solidária não pode ser presumida = princípio da não presunção
Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.
Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável
em lugar diferente, para o outro.
SOLIDARIEDADE ATIVA
Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro.
SOLIDARIEDADE PASSIVA
Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o
pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.
Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores.
Adimplemento nas obrigações:
Resulta na extinção da obrigação, liberando o devedor
PAGAMENTO = prestação prometida e a satisfação dos legítimos interesses do credor.
Quando há o inadimplemento absoluto = inutilidade da prestação, por isso há PERDAS E DANOS.
MEIOS DE SOLVER A OBRIGAÇÃO:
1. Extinção pelo modo direto – pagamento direto
É a execução voluntária e exata da prestação, do devedor ao credor no tempo, forma e lugar previstos no
título constitutivo.
Teoria do pagamento: modo subjetivo
QUEM DEVE PAGAR? Solvens
a) Devedor
b) Terceiro interessado – haverá a sub-rogação legal, sendo ela automática. O direito ao reembolso existe e
não será necessário provar a dívida ao credor.
c) Terceiro não interessado – quando feito em nome próprio há direito ao reembolso no vencimento
provando a obrigação.
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração
do devedor.
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste.
Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se
sub-roga nos direitos do credor.
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento.
A QUEM SE DEVE PAGAR? Accipiens
a) Credor
b) Representante do credor
c) Credor aparente ou putativo – teoria da aparência
d) Pagamento feito a credor impedido legalmente de receber
Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou
tanto quanto reverter em seu proveito.
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor.
Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por
terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso
contra o credor.
Teoria do pagamento: modo objetivo
COMO SERÁ FEITO O PAGAMENTO?
A prestação deve ocorrer no modo devido, pontualmente.
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar,
por partes, se assim não se ajustou.
Princípios norteadores:
a) Especificidade
b) Integralidade
c) Nominalismo – moeda nacional
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos
subsequentes.
Nas obrigações de trato sucessivo pode haver a atualização monetária e correção dos contratos – os juros sempre
acompanham o principal, nunca podendo ser pagos separados.
Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas.
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua
execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação.
PROVA DO PAGAMENTO: quitação (documento formal) e posse do título.
Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada.
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome
do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante.
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar
haver sido paga a dívida.
Art. 321. Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do título, perdido este, poderá o devedor exigir, retendo o pagamento,
declaração do credor que inutilize o título desaparecido.
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de
estarem solvidas as anteriores.
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos.
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento.
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a falta do pagamento.
LUGAR DO PAGAMENTO: há liberdade de eleição, quando não ocorrer domicílio do devedor
(quérable) e domicílio do credor (portable), respectivamente.
Quando o pagamento ocorre em local diverso por motivo grave cabe o princípio da boa fé objetiva e as teorias da
suspensão (do local) e da surreição de um novo local.
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar
da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles.
Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato.
TEMPO DO PAGAMENTO: vencimento = momento em que a obrigação deve ser adimplida.
Quando não se coloca tempo determinado, a satisfação é IMEDIATA (salvo prazo MORAL). O credor
não pode cobrar antes do vencimento, mas o devedor pode pagar.
Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente.
VENCIMENTO ANTECIPADO: quando perde a garantia do pagamento
Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo estipulado no contrato ou marcado neste Código:
I - No caso de falência do devedor, ou de concurso de credores;
II - Se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor;
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-
las.
Vencimento de obrigação CONDICIONAL: momento futuro e incerto – aguardar o momento futuro.
Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que deste teve
ciência o devedor.
Inadimplemento
Inexecução da obrigação (inexecução total ou feita de forma errada) – o inadimplemento traduz a falta da prestação
devida
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles
responsabilizado.
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não eram possíveis de evitar ou impedir.
RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL: Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do
devedor.
ESPECÍES DE INADIMPLEMENTO
1. INADIMPLEMENTO ABSOLUTO – mora absoluta
É o total descumprimento da obrigação – inutilidade ao credor (objetiva)
A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser aferida objetivamente,
consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do sinalagma, e não de acordo com o mero interesse subjetivo do
credor.
Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e
danos.
Hipóteses de incidência: DAR (perda ou destruição), FAZER (recusa do devedor), NÃO FAZER
2. INADIMPLEMENTO RELATIVO – mora configurada pois não foi no tempo, forma e lugar previstos
Ainda há uma utilidade da prestação.
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma
que a lei ou a convenção estabelecer.
Mora = ATRASO DA PRESTAÇÃO.
Mora do DEVEDOR - PRESTAÇÃO DEVIDA + PERDAS E DANOS
-Mora automática: lei
- Mora pendente: extracontratual, sem um prazo fixo, a mora ocorre após a provocação do credor.
Características: vencimento, imperfeição da obrigação e culpa do devedor.
Efeitos: responsabilização por todos os prejuízos causados ao credor.
Mora do CREDOR – recusa em receber a prestação por motivo INJUSTIFICADO, sendo assim, estando o credor
em MORA, deve arcar com o custo da conservação
Características: vencimento, vontade do devedor e recusa do credor.
Efeito: o credor arcará com o ressarcimento das despesas decorrentes da conservação da coisa.
Purgação da MORA - Art. 401. Purga-se a mora:
I - Por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do
dia da oferta;
II - Por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da
mora até a mesma data.
CONSEQUÊNCIAS DA MORA
1. Perdas e Danos: equivalente do prejuízo ou do dano suportado pelo credor, seja de ordem patrimonial
(danos materiais) ou extrapatrimonial (danos morais).
DANO EMERGENTE: prejuízo direto
LUCRO CESSANTE: o que o prejudicado deixou de ganhar
Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele
efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.
PERDAS PRIVADAS: descumprimento da obrigação sem que haja a necessidade de se provar os prejuízos
a) Cláusulas penais
b) Juros moratórios
c) Arras penitenciárias
Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes
por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.
2. Juros Legais: rendimentos que o capital produz
JUROS MORATÓRIOS: constituição da mora - PERDAS PRIVADAS
JUROS COMPENSATÓRIOS: para compensar a mora
- Art. 407 do CC "Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívidas em
dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial,
arbitramento, ou acordo entre as partes."
3. Violação Positiva do Contrato: adimplemento INSATISFATÓRIO
4. Cláusula Penal: pacto ACESSÓRIO – consequência de uma inexecução parcial ou total fixando as
perdas e danos, é necessário ter uma obrigação principal – PERDAS PRIVADAS.
Art. 408. Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua
em mora.
Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da
obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora.
Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal.
Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o
montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio.
5. Arras: quantia em dinheiro ou outro bem dada por um dos contratantes ao outro para assegurar o
contrato (conhecidas também como SINAL)
- Confirmatórias: garantia
- Penitenciais: direito de arrependimento (função indenizatória)
Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as
arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal.
Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de
quem recebeu as arras, poderá quem as deu a ver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização
monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.
Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente
indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente.
Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.
4º bimestre
Responsabilidade Civil
Aquele que por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo – responsável.
Responsabilidade = dever de indenizar/arcar com as consequências de um ato, fato ou negócio danoso, ou
seja, é um dever SUCESSIVO, consequente a violação da obrigação. Não há responsabilidade sem a
correspondente obrigação.
a) Responsabilidade civil por fato próprio – resposta direta
b) Responsabilidade civil por fato de terceiro – resposta indireta
• aquele que fica responsável por outrem, tem a obrigação de responder pelos atos ilícitos praticados por
eles.
c) Responsabilidade civil por fato da coisa – resposta indireta
• Art. 983. aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele
caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Com base nos artigos do Código Civil acima a obrigação de
reparar o dano não se limita às condutas da própria pessoa, pois inclui a responsabilidade pelo fato da coisa.
Resposta = perdas e danos, DANO = certo e atual
Princípios norteadores:
1. Dignidade da pessoa humana: nenhuma pessoa será submetida à tratamento desrespeitante, degradante,
de caráter humilhante. Caráter protetivo e promocional - resultante da boa-fé objetiva para evitar
abusos de direito e tratamento desrespeitante.
2. Solidariedade: todos os membros da obrigação são solidários. Quem violou deve conceder a
reparação independentemente da capacidade do ofendido provar.
3. Prevenção: evitar e mitigar o dano - proteção efetiva de direitos.
4. Reparação integral: repor o ofendido status quo ante.
Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz
reduzir, equitativamente, a indenização.
Classificação da Responsabilidade Civil:
Responsabilidade Moral: consciência individual, não tem repercussão na ordem jurídica.
Responsabilidade Jurídica: infração a uma norma jurídica civil ou penal.
Responsabilidade Penal: violação a uma norma penal, aplica-se uma sanção penal (privativa de
liberdade, restritiva de direitos ou pecuniária) - dano SOCIAL.
Responsabilidade Civil: o agente que cometeu tem a obrigação de reparar o dano PATRIMONIAL ou
MORAL, buscando restaurar o status quo ante - conversão no pagamento de uma indenização.
Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do
fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
Espécies de Responsabilidade Civil
a) Quanto ao fato gerador
- Contratual: decorrente de um negócio jurídico, há de fato uma obrigação
- Extracontratual: não há prévia obrigação entre as partes, ônus da prova = vítima
b) Quanto ao agente
- Responsabilidade direta = ato próprio
- Responsabilidade indireta = ato de terceiro ou da coisa
c) Quanto ao fundamento
- Responsabilidade subjetiva: é necessário apresentação de provas para provar a culpa (CC normalmente
adota esse tipo de responsabilidade). Dano, conduta, nexo de causalidade e culpa.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
- Responsabilidade objetiva: fundamento na lei, abuso de direito ou atividade de risco, independente de
culpa.
Art. 927. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua
natureza, risco para os direitos de outrem.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: denominação legal – responsabilidade objetiva
indireta.
I - Os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes
competir, ou em razão dele;
IV - Os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de
educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
V - Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.
Funções da Responsabilidade Civil
- Reparar (compensatória)
- Punir
- Educar
Pressupostos do dever de indenizar
1. Conduta: comportamento humano
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
2. Dano: certo e atual = lesão do patrimônio. Abrange o dano emergente e o lucro cessante + correção
monetária, juros e honorários.
Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir,
equitativamente, a indenização.
Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada, substituir-se-á pelo seu valor, em moeda
corrente.
Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras reparações:
I - No pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família;
II - Na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da vida
da vítima.
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e
dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.
Art. 950. Se dá ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe
diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da
convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação
que ele sofreu.
Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez.
3. Nexo de causalidade: teoria do dano direto e imediato
Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos
e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.
4. Culpa:
Elementos: voluntariedade, previsibilidade objetiva e ausência do dever de cuidado.
Grau: grave, leve, levíssimo, (negligência, imprudência e imperícia – mera culpa).
Espécies: contratual e extracontratual.
Espécies de dano:
Patrimonial
Extrapatrimonial – direitos da personalidade
Art. 953. A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na reparação do dano que delas resulte ao
ofendido.
Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao juiz fixar, equitativamente, o valor da
indenização, na conformidade das circunstâncias do caso.
Estético – aparência
Dano devido à perda de uma chance – a responsabilidade civil pela perda de chance não se limita à categoria
de danos extrapatrimoniais, pois, conforme as circunstâncias do caso concreto, a chance perdida pode apresentar
também a natureza jurídica de dano patrimonial. A chance deve ser séria e real, não ficando subordinada a
percentuais apriorísticos.
Dano reflexo – sofrimento de forma indireta
Dano in re ipsa – dano moral objetivo
Dano à vida – gozar dos prazeres da vida
Dano biológico – lesão física ou psíquica
Dano do direito ao esquecimento – a tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui
o direito ao esquecimento.
Nervous Shock – choque nervoso por determinada situação.
Prenatal Injuries – direitos do nascituro.
Wrongful conception – gravidez indesejada = esfera sexual, férias arruinadas e bullying.
Dano futuro – virá a acontecer
Código de Defesa do Consumidor: dano moral coletivo e dano social
6º, inciso VI do CDC. A reparação de danos deve se pautar tanto no prejuízo sofrido pelo consumidor – material ou
moral – bem como ter caráter punitivo e pedagógico para o fornecedor, para evitar reincidências.