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ASSESSORIA JURÍDICA
JUSTIÇA Advogados Associados DIREITO
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RONDÔNIA
RENATO PAULO DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, advogado, inscrito na OAB/RO,
sob o número 02445 e CPF 532.658,932-19, residente e domiciliado nesta cidade,
com escritório localizado conforme timbre desta, vem, respeitosamente, perante V.
Exa., com fulcro no art. 5º, LXVII da Constituição da República e 647 do CPP, impetrar
o presente
HABEAS CORPUS
em favor TÉRCIO FRANCISCO DA SILVA, brasileiro, casado, pintor, nascido em
20/12/1982, filho de Maria Helena da Silva e José Manoel da Silva, natural de Ouro
Preto do Oeste- RO, RG 1204693, CPF nº 569.314.552.23, residente na Rua Minas
Gerais, Bairro: Novo Horizonte, na cidade de Ouro Preto do Oeste-RO, contra ato de
constrangimento ilegal praticado pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ouro
Preto do Oeste-Rondônia, no Processo Criminal n° 7005238-95.2019.822.0004, pelos
seguintes fatos e fundamentos:
I- DOS FATOS
O Paciente foi preso, em flagrante delito, dia 18 de setembro de 2016, por
volta das 23h:40m, na Rua Jose Lenk, Bairro Nova Ouro Preto, na cidade de Ouro
Preto do Oeste-RO, por uma Guarnição da Polícia Militar sob a alegação de que teria
cometido o crime tipificado no artigo 157, § 2º, II, e § 2º-A, do Código Penal e logo
AV. DANIEL COMBONI, 1234, UNIÃO, OURO PRETO DO OESTE -RO, (69) 3461-5259
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apresentado na Unidade Integrada de Segurança Pública- UNISP onde a prisão em
flagrante foi ratificada pelo delegado de plantão.
Consta na peça investigatória que prisão se deu após ter acontecido um
roubo à mão armada feito por três indivíduos ao Estabelecimento Comercial
denominado “Lanchonete Bom Sabor’’ e durante as diligências da Guarnição da
Policia Militar, o paciente foi encontrado, em local próximo ao do roubo, na companhia
de outros dois indivíduos e por ter características semelhante a descrição dada pelas
vítimas foi preso. Contudo, os outros amigos que estavam com ele não foram
reconhecidos, a arma e o objetos do roubo não foram encontrados sendo a prisão
baseada apenas no reconhecimento pessoal de uma das vítimas.
Em ato continuo, fora homologada a prisão em flagrante pelo juiz
plantonista e convertida em prisão preventiva. Foi solicitado pedido de Liberdade
Provisória por meio deste Patrono, (id. 03423, Processo n° 7005238-
95.2019.822.0004), o qual não prosperou. O membro do Parquet estadual entendeu
pela existência de materialidade e indícios de autoria e ofereceu denúncia (Processo
n° 7005238-95.2019.822.0004, id. 03418), com tipificação no art. 157, § 2º, II, e § 2º-
A, I do Código Penal. Por fim, o magistrado de 1° Grau, entendeu por receber a
denúncia ofertada pelo representante do Ministério Público Estadual, alegando
que existe materialidade e indícios suficientes de autoria, concluindo pela
manutenção da prisão preventiva, sendo importante ressaltar que em momento algum
fora apresentado um fundamento concreto que justificasse a aplicação da segregação
cautelar.
Posto os fatos, em que pese a respeitável decisão do Douto Magistrado de
piso, autoridade coatora, não satisfeito com a referida decisão, vem propor o
presente remédio constitucional com o fim de cassar este ato de constrangimento
ilegal que se impõe ao paciente desta.
II- DA ILEGALIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA. DA INEXISTÊNCIA DOS
PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES DA PRISÃO CAUTELAR. DA
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA
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Preliminarmente, se faz necessário frisar que apesar de figurar em alguns
registros de ocorrência o Paciente é réu primário, não possui processos criminais em
curso, tem uma filha de 07 anos a qual depende de seu labor e possuía trabalho lícito
antes da imposição da segregação em comento. É importante destacar que o
Paciente se encontra preso a mais de 90 (noventa) dias.
Posto isto, verifica-se que o decreto de prisão preventiva expedido pela
autoridade coatora mostra-se totalmente desprovido de qualquer fundamentação
válida. Pois fundamenta o Juiz Plantonista:
“A prisão cautelar mostra-se totalmente justificável, tendo em vista a
revolta social que tipo de crime provoca na sociedade. Há de ser
ressaltado que, crimes dessa natureza causam um grande temor à
sociedade e à ordem pública, onde a liberdade do conduzido
prejudicaria a instrução criminal, e a aplicabilidade da lei penal.
Ademais, o conduzido possui extensa ficha criminal.’’
Como sabido, ilações abstratas acerca da gravidade do delito em apuração
e de clamor público são argumentos inválidos para fundamentar a medida excepcional
que é a prisão preventiva.
Cumpre destacar ainda, que o fundamento genérico encontra-se
equivocado, posto que o principal alicerce autorizador da segregação cautelar fora a
vasta ficha criminal, todavia o Paciente em análise é réu primário e não possuí
processos em curso, conforme certidão em anexo, com exceção deste que
decretou sua prisão.
O decreto de prisão preventiva deve ser fundamento em alguma das
hipóteses do art. 312 do CPP, dentre as quais não se encontram “certeza da
impunidade, incentivo à prática criminosa, clamor público e insatisfação da
comunidade local”, expressões vazias de conteúdo utilizadas pelo Juiz a quo.
A prisão preventiva tem a natureza de prisão cautelar e, por isso, apenas
se justifica ante a demonstração clara por parte do Magistrado de razões de cautela
fundadas em elementos concretos de convicção.
A toda evidência, não é isso que se verifica no decreto de prisão
preventiva.
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Tentar justificar a prisão preventiva afirmando que “manter o réu em
liberdade seria incentivo à prática delituosa” configura-se como inaceitável
antecipação de juízo de culpabilidade, com flagrante violação ao princípio
constitucional da presunção de inocência. In casu, a prisão preventiva está sendo
utilizada como antecipação de eventual pena o que, obviamente, é inadmissível.
Os demais argumentos lançados pela autoridade coatora não são apoiados
em dados concretos, não passando de meras ilações abstratas que, sem dúvida, não
se prestam a fundamentar decreto de prisão preventiva, independentemente da
gravidade do delito imputado ao réu.
É neste sentido que se comporta a Jurisprudência conforme abaixo:
“HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA
O TRÁFICO DE DROGAS. CONTROVÉRSIA QUANTO À
PARTICIPAÇÃO DO PACIENTE NOS CRIMES A ELE IMPUTADOS.
DECISÕES QUE OLVIDAM APONTAR DETALHADAMENTE A
PARTICIPAÇÃO DO PACIENTE NOS CRIMES INVESTIGADOS.
PRIMARIEDADE. DECRETO DE PRISÃO GENÉRICO.
CONCESSÃO DA LIBERDADE PROVISÓRIA COM A IMPOSIÇÃO
DE MEDIDAS CAUTELARES. ORDEM PARCIALMENTE
CONCEDIDA. I- A manutenção da medida constritiva apenas deve
ocorrer em situações absolutamente necessárias, quando provada
a presença dos requisitos do art. 312 do CPP, quais sejam risco à
ordem pública, economia, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal. II- No caso em apreço, as decisões
e manifestações da autoridade coatora quanto à prisão do paciente
não apontam detalhadamente a sua participação nos crimes a ele
imputados, tampouco elementos concretos a justificar a
segregação como garantia da ordem pública ou aplicação da lei
penal. III- Ordem conhecida e parcialmente concedida para revogar a
prisão preventiva do paciente, concedendo-lhe a liberdade provisória
mediante a imposição de medidas cautelares.
(TJ-AL – HC: 08007406920158020000 AL 0800740-
69.2015.8.02.0000, Relator: Des. Sebastião Costa Filho, Data de
Julgamento: 08/07/2015, Câmara Criminal, Data de Publicação:
09/07/2015)” (grifo nosso)
Destaca-se ainda os ensinamentos de FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO:
‘’O periculum libertatis, isto é, o risco à ordem pública e econômica, à
instrução criminal e à aplicação da lei penal deve estar demonstrado
nos autos em elementos concretos.’’ “É preciso que dos autos
ressuma prova pertinente a qualquer uma das circunstâncias
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referidas. E o Juiz, então, no despacho que decretar a medida
extrema, fará alusão aos atos apurados no processo que o levaram à
imposição da providência cautelar. Fatos concretos, e não
suposições”. Acrescenta o mestre que “nada vale” o “convencimento
pessoal extra – autos. De nada vale a mera suposição, a simples
suspeita” (Código de Processo Penal Comentado, vol. 1. 13. ed. São
Paulo: Saraiva, 2011. p. 845 – 846).
Fica claro, portanto, em face dos respaldos da tese ora sustentada, que o
decreto de prisão preventiva expedido pela autoridade coatora é totalmente destituído
de qualquer fundamentação válida.
O paciente não pode permanecer custodiado porque não estão presentes
os requisitos Autorizadores da prisão preventiva, tampouco foram apontados os
motivos concretos que justificam à custódia cautelar.
III- DOS PEDIDOS
Ante o exposto requer:
a) Que se consolide a ordem de Habeas Corpus e seja determinado a
imediata libertação do Paciente, expedindo-se o competente alvará de
soltura.
b) Sejam requisitadas as informações da autoridade coatora e ouvida a
Procuradoria-Geral de Justiça.
c) Em caso de Vossas Excelências entenderem por necessário, que sejam
impostas outras medidas cautelares diversas da prisão (art. 319 do CPP).
Termos em que,
Pede deferimento.
Ouro Preto do Oeste- RO, 03 de outubro de 2023.
RENATO PAULO DE OLIVEIRA
OAB/RO 2445
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