Índice
Introdução
Como o presente trabalho pretendemos abordar o HIV a infecção pelo HIV é um dos
grandes constrangimentos enfrentados pelo continente africano. As elevadas taxas de
infecção e o seu contínuo crescimento fazem deste um verdadeiro problema de saúde
pública. Por isso, todos os profissionais de saúde devem conhecer bem as características
da infecção pelo HIV a todos os níveis.
A epidemia de HIV é um problema de saúde pública no mundo, na África Sub-
Sahariana e em Moçambique.
A adesão do doente ou das pessoas que vivem com o HIV/SIDA não se traduz apenas
na toma de medicamentos anti-retrovirais se, mas também no compromisso,
determinação e conhecimentos sobre a doença.
Objetivo
Objetivo geral
Até ao final deste trabalho, o leitor estará capacitado:
Saber definir o HIV
Ciclo de vida de HIV
Transmissão
Aconselhamento
Infeções oportunistas
Saber tratar o HIV/SIDA
HIV/SIDA
A epidemia de HIV é um problema de saúde pública no mundo, na África Sub-
Sahariana e em Moçambique.
HIV é o vírus que ataca o sistema imunológico e causa o SIDA. Numa pessoa infectada,
O HIV pode ser encontrado no sangue, no leite, no sémen, nos fluidos vaginais e outros.
O HIV é um retrovírus, ou vírus lento, que necessita de longos períodos de incubação e
de uma célula hospedeira para se replicar.
Existem dois tipos de HIV: HIV-1 e HIV-2
O HIV-1 é o mais frequente em Moçambique.
H significa humano, e quer dizer que este vírus só ataca os seres humanos.
I significa Imunodeficiência, o que quer dizer que o sistema de defesa do
organismo não está a funcionar devidamente, está débil.
V significa Vírus.
SIDA é o nome que recebe o grupo de doenças que afectam as pessoas infectadas pelo
HIV. São doenças que aparecem ou se manifestam quando o organismo da pessoa
infectada com o vírus do HIV já não é capaz de se defender das infecções devido ao
enfraquecimento do sistema imunológico.
S = Síndrome.
I = Imunológico.
D= Deficiência.
A = Adquirida.
As infecções oportunistas são aquelas que, em condições normais, não conseguem
afectar as pessoas. Apenas em casos de fraqueza extrema do sistema imune é que estas
infecções são capazes de produzir doença na pessoa infectada.
CINCLO DE VIDA DO HIV
É o período que compreende desde o momento que o vírus entra na célula hospedeira
(linfócito T CD4) do sangue até a formação de novas cópias do vírus.
Fusão.
Transcrição
Integração dentro do núcleo da célula
Tradução ou reprodução das componentes virais
Formação de novos vírus
Passos do ciclo de vida do HIV:
1˚ Passo:
Fusão: Depois de entrar no sangue, ocorre a fusão do envelope do vírus, com a
membrana do linfócito T (receptor CD4) da célula hospedeira.
Transcrição: Ocorre dentro do citoplasma da célula hospedeira sob ação da
enzima do vírus denominada transcriptase reversa, transformando o material
genético ARN em ADN.
2˚ Passo:
Integração: O ADN viral recém-formado integra-se no ADN da célula
hospedeira por meio da enzima viral chamada integrasse.
3˚Passo:
Formação viral da estrutura externa de novos vírus, que serão liberados pela
célula hospedeira.
COMO O HIV CAUSA DOENÇAS
Uma vez que penetra no organismo, o HIV enfraquece o sistema imunológico, atacando
os linfócitos do tipo CD4, que desempenham um papel importante na resposta
imunitária e, consequentemente, o organismo fica desprotegido contra as doenças,
levando ao desenvolvimento de infecções oportunistas. O HIV ataca diretamente
sistemas vitais do organismo, como:
Sistema nervoso.
Sistema respiratório.
Sistema gastrointestinal.
Sistema endócrino.
Sistema cardiovascular
O sistema imunológico é responsável pela defesa do organismo humano, produzindo
anticorpos (imunoglobulinas) específicos para cada agente invasor. É formado por
órgãos e tecidos linfoides, que são:
medula óssea.
timo.
gânglios linfáticos.
Baço.
Amígdalas.
Adenoides.
Apêndice.
Sanguê e vasos linfáticos.
PRINCIPAIS MODO DE TRENSMISSÃO DE HIV /SIDA
A transmissão do HIV consiste no processo de propagação (ou a passagem do HIV de
uma pessoa para outra) através de diversos mecanismos de transmissão que podem ser:
Sexuais não protegidas com uma pessoa infectada
Transmissão vertical que ocorre de mãe para o filho
Pelo sangue contaminado (durante a transfusão sanguínea ou feridas abertas), ou
ainda através de objectos perfurantes contaminados.
Esperma
Fluido vaginal;
Leite materno
Líquido pleural, ascítico, LCR, pericárdico.
Modos que não transmite
Contacto social: abraços, aperto de mãos, beijos, respirar o mesmo ar, contacto
com o suor (por exemplo na prática desportiva), lágrimas, e o consolo a uma
pessoa triste.
Compartilhando: assentos tanto da casa de banho como da casa em geral,
utensílios de mesa ou domésticos, roupa, casas de banho públicas ou piscinas,
sabonete/sabão.
Picadas de insectos: picada de mosquito, de pulgas, percevejos, picada ou
mordedura de qualquer outro insecto ou animal.
TIPOS DE TESTE DO HIV
Estes Serológicos: Os Testes Rápidos são os mais usados devido à sua
capacidade de dar o resultado rapidamente (em poucos minutos) e de não
precisar de equipamentos de laboratório complexos. o Os resultados dos Testes
Rápidos de HIV, no geral, precisam de apenas entre 5 a 30 minutos para estarem
prontos. o Devido a essas características, os Testes Rápidos são considerados
mais apropriados para os serviços de aconselhamento e testagem de HIV.
Quando os dois testes são positivos, podemos falar de infecção por HIV
confirmada. o Existem outros testes serológicos, nomeadamente o teste de Elisa
e o teste Western Blot. Estes testes são mais complexos de realizar e só estão
disponíveis nos grandes hospitais do país.
Teste Virológico (PCR
Este teste permite a detecção de restos do vírus no sangue dos pacientes. É usado
no diagnóstico da infecção pelo HIV nas crianças de até 9 meses. o Nas crianças,
os testes serológicos não são úteis porque todas as crianças nascidas de mães
positivas têm anticorpos maternos que chegam no corpo através da placenta e,
portanto, os testes sempre são positivos. o Só a partir dos 9-18 meses de idade
estes anticorpos desaparecem do sangue. Se a partir dessa idade os testes rápidos
ou serológicos são positivos, pode-se afirmar que a criança está infectada pelo
HIV.
CLASSIFICAÇÃO DOS ESTADIOS DO HIV
Estádio I
Assintomático
Linfoadenopatia persistente generalizada, mas sem critérios para estádio II, III
ou IV.
Estádio II
Perda de peso inexplicada e moderada (< 10% do peso corporal total)
Perda de peso inexplicada e moderada (< 10% do peso corporal total)
Infecções recorrentes das vias respiratórias superiores (episódio actual +1 ou
mais nos últimos 6 meses).
Estádio III
Perda de peso >10% do peso corporal.
Diarreia crónica há mais de um mês.
Febre intermitente ou não explicada há mais de um mês.
Candidíase oral.
Tuberculose pulmonar actual ou nos últimos dois anos (para Moçambique)
Estádio VI
Síndrome de Caquexia.
Pneumonia por Pneumocystis jirovecii.
Pneumonia bacteriana severa e recorrente.
Infecção crónica por herpes simplex (oro labial, genital ou ano rectal) de> 1 mês
ou infecção visceral de qualquer duração.
Toxoplasmose do SNC.
Demência/encefalopatia por HIV.
Sarcoma de Kaposi.
Citomegalovirose .
Encefalopatia por HIV.
Diagnostico para o HIV/SIDA
Exames laboratoriais.
Determine/ uni Gold.
ACONSELHAMENTO NA TESTAGEM DO HIV/SIDA
O Aconselhamento Pré-teste deve estar essencialmente focalizado nos seguintes
aspectos:
Explicações sobre o HIV e o SIDA: O profissional de saúde deve falar com o utente
sobre o que é o HIV, e sobre o significado do resultado do teste.
1 Passo:
aconselhamento Pré Teste
2 Passo:
Recolha de amostras de sangue
3 Passo:
Resultados e Aconselhamento Pós testem.
4 Passo:
Conhecimento do seu estado sobre o HIV.
5 passos:
Apoio na revelação.
MALARIA NO DOENTE COM HIV
Os doentes infectados pelo HIV têm maior risco de contrair malária e, às vezes, um
risco aumentado de desenvolver malária grave. A malária é endémica em Moçambique,
afetando grande parte da população.
Interações entre HIV e Malária
Mudanças da carga viral na presença da malária sintomática.
Incidência elevada da malária no doente HIV+.
Prevalência elevada da malária na mulher grávida seropositiva e implicações na
transmissão vertical.
Malária e anemia na pessoa seropositiva.
Falência terapêutica do tratamento antimalárico no doente HIV.
O tratamento de malária Segundo as Normas no do Programa Nacional de
Controlo da Malária em Moçambique
Contra-Indicações do (AL)
No primeiro trimestre da gravidez.
Malária grave (não recomendado)
Crianças com peso inferior a 5 kg
Prevenção da Malária na Pessoa Seropositiva
A profilaxia com Cotrimoxazol serve para reduzir a incidência da malária nos
adultos seropositivos.
PATOLOGIAS CONSTITUCIONAIS ASSOCIADAS AO HIV
As patologias constitucionais associadas ao HIV constituem um dos problemas clínicos
enfrentados nas consultas pelos Técnicos de saúde, não só pela frequência com que
estas acontecem, mas também pela necessidade de fazer diagnósticos diferenciais
apropriados, já que são sinais muito comuns em todos os doentes.
Os três sinais - febre, emagrecimento e anemia - que serão abordados neste módulo
podem ser condições para determinados estádios clínicos da OMS.
A febre é muito comum em doentes infectados pelo HIV.
O diagnóstico diferencial da febre em doentes seropositivos é mais complicado do que
em indivíduos seronegativos.
O emagrecimento ou perda de peso no doente seropositivo precisa de uma
abordagem sistemática por parte do Técnico de Medicina para que este possa
avaliar, diagnosticar e tratar.
A anemia é um quadro clínico com uma prevalência muito elevada em pessoas
infectadas pelo HIV.
As causas da anemia são várias nos doentes HIV+ em comparação com os
doentes seronegativos.
A febre é um quadro clínico comum na população geral, e ainda mais comum nas
pessoas seropositivas, que podem ter episódios múltiplos.
No estadiamento: A febre pode ser um sinal de uma condição de estádio III ou estádio
IV. Mas como nem todo caso de febre indica uma condição de estádio III ou IV, a febre
precisa de características específicas para ser considerada como tal, definidas pela
OMS.
A anemia é uma condição comum na população geral de Moçambique e encontra-se
distribuída em toda a região da África Sub-Sahariana. As causas da anemia são várias
destacando-se, de entre elas, a deficiência de ferro e outros nutrientes e a perda ou
destruição de glóbulos vermelhos por parasitas intestinais ou malária.
Nas pessoas vivendo com HIV/SIDA, a anemia é ainda mais frequente e responde às
mesmas causas e a outras específicas relacionadas com a infecção pelo HIV, ou com o
tratamento da mesma. Diferentes estudos mostram a sua prevalência aqui e noutros
países da África.
Causas de anemia no seroposectivo
Hemorragia
Desnutrição
Falta de ferro no nosso organismo
Sintomas de anemia no seroposetivo
Fadiga
Palidez
Dispneia
Fraqueza
Palidez da conjuntiva
Meios auxiliares Diagnóstico de anemia
Hemograma
Exemplo:
A trombocitopenia é a diminuição do número de plaquetas no sangue.
A leucopenia é uma diminuição do número de leucócitos no sangue. Os leucócitos
fazem parte das células de defesa do organismo. O seu valor normal varia entre 4.500 a
11.000 cels/mm3.
INFECÇÕES OPORTUNISTAS ASSOCIADAS A INFECÇÃO PELO HIV SIDA
Tuberculose.
Pneumonia pneumocística (PCP).
Pneumonia criptocócica.
Pneumonia toxoplasma.
Sarcoma de Kaposi (SK).
Candidíase oral.
Sífilis.
`MANIFESTAÇÃO NEUROLOGICA NO PACIENTE COM HIV̧ +
O Sistema Nervoso (SN), juntamente com o sistema endócrino, desempenha a maioria
das funções de controlo do corpo.
O doente seropositivo pode ter diversas manifestações neurológicas que se expressam
através de problemas do sistema nervoso central, incluindo mudanças do nível de
consciência e da função cognitiva, cefaleia e depressão.
TARV
O HIV é um retrovírus e, segundo o seu ciclo de vida, ele depende da célula hospedeira
para a sua replicação. São várias as células hospedeiras do corpo humano que
acomodam o vírus, mas ele tem preferência pelas células do sistema imune,
particularmente os linfócitos CD4
Tratamento Anti-retroviral (TARV) requer a prescrição correcta dos medicamentos anti-
retrovirais (MARV), que deve ser combinada com as medidas que permitam assegurar
que haja uma boa adesão ao tratamento e uma vigilância da evolução do doente.
Objectivos do TARV
Os principais objetivos do tratamento anti-retroviral são:
Reduzir a carga viral ao máximo possível e por um período de tempo mais longo
possível.
Restaurar tanto quanto possível o sistema imunológico do doente, ao manter a
contagem de células CD4+ dentro dos parâmetros normais.
Reduzir o aparecimento de infecções e outras doenças oportunistas e melhorar
assim o prognóstico, a qualidade de vida dos doentes e aumentar o seu tempo de
vida.
Benefícios do TARV
Pela sua capacidade de controlar o HIV, os TARV beneficiam não apenas as pessoas
com SIDA, mas também a família, a comunidade e o país em geral.
Prolonga a vida e melhora a qualidade de vida das Pessoa com o HIV.
Reduz a transmissão vertical (de mãe para o filho.
Aumenta o número de pessoas que aceitam o teste de HIV e o aconselhamento
TRATAMENTO DE INFECCAO POR HIV/SIDA
Para o início com a nova primeira linha de TARV:
Tenofovir 300 mg (TDF)+ Lamivudina 150 mg (3TC) +Efavirenz 600 mg (EFZ)
durante 12/12h
Zidovudina 300 mg (AZT)+Lamivudina 150 mg (3TC) +Nevirapina 200 mg
(NVP) durante 12/12h
a) Pela manhã: ZDV+3TC+NVP (Duovir-N).
b) Pela noite: ZDV+3TC (Duovir).
Contra-indicações Clínicas para Iniciar o TARV
Existem situações clínicas que devem levar ao clínico a adiar o início do TARV:
Doença hepática ou renal grave (anormalidades importantes de ALT, AST, ureia
e/ou creatinina, com ou sem sintomas): Nestes casos, o técnico deve referir o
doente ao médico.
Início da profilaxia CTZ há menos de duas semanas: O TARV e o CTZ não
devem ser iniciados ao mesmo tempo para evitar possíveis efeitos secundários.
O ideal seria esperar quatro semanas.
Nos doentes co-infectados TB/HIV, o TARV deve ser introduzido pelo menos 2
semanas após o início do tratamento para tuberculose, independentemente do
valor da contagem de CD4.
Indicações Clínicas e Imunológicas para Iniciar o TAR.
Todos os seguintes casos são elegíveis para iniciar o TARV:
Doentes nos estadios III e IV da OMS, independentemente do valor do CD4.
Todos os doentes HIV+ com CD4 ≤ 350 cels/mm3.
Todos os pacientes com co-infecção VHB (Virus da Hepatite B) -HIV e
HTLV (Virus Linfotrópico para Células T Humanas) -HIV.
Todas as mulheres grávidas HIV+.
Todos os pacientes com cancro invasivo (qualquer) e HIV.
Conclusão
Após uma pesquisa e leitura, mas detalhado o grupo chegou à conclusão de que
HIV/SIDA é actualmente um dos constrangimentos que o continente africano enfrenta.
O primeiro caso foi identificado em 1981 e, desde então, o índice de prevalência tem
estado a aumentar em muitos países da região e, de entre eles, Moçambique.
HIV é o vírus que ataca o sistema imunológico e causa o SIDA. Numa pessoa infectada,
O HIV pode ser encontrado no sangue, no leite, no sémen, nos fluidos vaginais e outros
No que respeita aos adultos, a taxa de prevalência é de 11.5%. A prevalência entre as
mulheres é superior à dos homens (13.1 e 9.2% respectivamente).
O impacto da epidemia em Moçambique é muito grande e o pessoal de saúde deve saber
transmitir as informações epidemiológicas relacionadas com o HIV de forma simples e
clara às suas comunidades.
Referência bibliográfica
Guia para o tratamento das infecções oportunistas no adulto infectado por HIV e
profilaxia das infecções oportunistas 2004
Aaron L, Saadoun D, Calatroni I, Launay O, Memain N, Vincent V, Marchal G, Dupont B,
Bouchaud O, Valere D, Lortholary O. Tuberculosis in HIV-infected patients: a