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2 - Renegada - Erica Stevens

livro 2 da série Cativa, de Erica Stevens, dá continuidade a história de amor improvável entre um vampiro destinado ao trono e sua amada, Ária, lutadora pelos rebeldes.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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livro 2 da série Cativa, de Erica Stevens, dá continuidade a história de amor improvável entre um vampiro destinado ao trono e sua amada, Ária, lutadora pelos rebeldes.
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Renegada

Erica Stevens
––––––––

Traduzido por Coral Domínguez


“Renegada”
Escrito pela Erica Stevens
Copirraite © 2015 Erica Stevens
Todos os direitos reservados
Distribuído pelo Babelcube, Inc.
www.babelcube.com
Traduzido por Coral Domínguez
“Babelcube Books” e “Babelcube” são marcas registrada do Babelcube Inc.
Tabela de Conteúdos

Página de Titulo
Página de Copirraite
Renegada
CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 17
ONDE ENCONTRAR À AUTORA?
BIOGRAFIA DA AUTORA
Quero dar as obrigado especialmente a meu marido, melhor amigo e maior
apoio;
a meus pais, por me ensinar a não me render nunca;
a meus irmãos, sobrinhas e sobrinhos, que fazem minha vida muito mais
interessante e divertida;
a meus amigos, por todas as risadas e as idéias para os personagens;
e ao Leslie Mitchell do G2 Freelance editing, por seu duro trabalho e seus
ânimos
ÍNDICE
––––––––

CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 17
ONDE ENCONTRAR À AUTORA?
BIOGRAFIA DA AUTORA
CAPÍTULO 1

Ária não teve que levantar a vista para saber que Max tinha chegado.
Levavam reunindo-se ali à mesma hora todos os dias durante o último
mês. Inclusive se não o tivesse estado esperando, teria notado sua presença
por seu aroma sutil e seus sigilosos passos. O menino se sentou no chão a seu
lado e permaneceu em silêncio enquanto recolhia uma pedra e a lançava
tranqüilamente fazendo-a saltar sobre o lago. Ária lhe deu a vara de pescar que tinha
junto a ela. A ceva já estava posta no anzol e preparado para que ele o usasse. Max o
agarrou e o lançou com facilidade ao centro do
lago.
Ária balançou os pés de adiante para trás, seus dedos roçavam a água. Era
maravilhoso senti-la tão fria contra sua pele, excessivamente cálida. limpou-se o suor
com o antebraço, pois já tinha a frente coberta de gotitas. Permaneceram um momento
sentados, tirando silêncio os peixes
que apanhavam. ficaram com os que valiam para comer e devolveram
ao água os que eram muito pequenos.
Ária tinha começado a retirar-se a esse lugar pouco depois de que
tivesse escapado de ser uma pulseira de sangue e de sua posterior volta a
casa. Max a tinha encontrado ali dois dias mais tarde. Estranha vez falavam,
não tinham que fazê-lo. Ambos tinham estado dentro daquele sítio, ambos
tinham sido controlados e utilizados, e danificados para sempre pelos vampiros
que os haviam poseído. Os monstros que tinham sido seus
donos. Embora, indubitavelmente, a experiência do Max tinha sido muito
pior que a sua.
a tinham controlado, levado com uma correia e usado. Mas o
alcance desse uso tinha sido culpa dela, já que lhe tinha entregue
voluntariamente seu sangue ao príncipe acreditando de forma equivocada que
estava-se apaixonando por aquele embusteiro malnacido; entretanto, isso
tinha sido antes de que tivesse descoberto que ele estava comprometido. E
embora agora odiava ao príncipe, não podia negar a pontada aguda de aflição
que a brocava quando pensava nele casando-se com outra mulher.
Os olhos lhe enchiam de lágrimas cada vez que a idéia lhe passava pela
cabeça, que estava acostumado a ser muito mais freqüentemente do que lhe
teria gostado de admitir.
Mas dava igual o muito que a tivesse ferido, dava igual o muito
que a tivesse traído, sua experiência não tinha sido nem de longe tão espantosa
como a do Max. em que pese a que não falavam disso, Ária sabia o
que faziam aos escravos de sangue. Usavam-nos, abusavam deles e, quando
seus donos se cansavam dos ter, desfaziam-se deles. A pesar
de que Max sempre levava manga larga, de vez em quando a camisa se o
subia e ela espionava as cicatrizes e queimaduras que marcavam sua pele clara.
Também tinha visto o olhar atormentado que enchia seus
brilhantes olhos azuis quando acreditava que ninguém o olhava.
Ela tinha sofrido maus entendimentos no palácio, mas à mãos de uma faxineira
humana, e não do príncipe vampiro. O príncipe lhe tinha quebrado o
coração, mas nunca lhe tinha infringido intencionadamente nenhum dano que
não lhe tivesse pedido. Em realidade, o homem tinha sido em todo momento amável
com ela.
E embora odiava reconhecê-lo, sabia que se durante sua última noite em
o palácio o príncipe não tivesse tomado uma quantidade tão grande de seu
sangue, deixando-a inconsciente, lhe teria entregue então muito mais que solo o sangue.
Lhe teria dado seu corpo sem reservas, a última parte de dignidade que ficava. Por esse
motivo se odiava a si mesmo e
tentava não pensar nisso. Sobre tudo porque a idéia ainda a deixava
extrañamente afetada e desejando algo que se ficou incompleto,
e que sempre o estaria.
Pode que o príncipe não a tivesse maltratado fisicamente, mas, sem
embargo, a proprietária do Max tinha sido tão cruel e desumana com ele como
sempre tinham escutado que os vampiros eram com seus escravos. Ária só
tinha o pescoço marcado por uma mordida, uma que ela tinha desejado tanto que todas
as partes de seu ser o tinham suplicado. Uma mordida que quase lhe tinha arrancado a
alma, e que a teria convertido
em uma pessoa muito distinta a que tinha sido antes de que ele se houvesse
alimentado dela. Uma marca que se desvanecia mais rápido do que o
teria gostado e ao mesmo tempo nem de longe tão rápido como teria querido.
Não gostava de estar perdendo a marca, era seu último vínculo com
o príncipe, e dava igual o muito que o odiasse, não podia negar que ele sempre
teria uma parte de seu coração. Mas solo poderia ser uma parte muita
pequeno, porque tinha conseguido lhe romper o resto.
Ária esperava ser capaz de esquecer ao príncipe, uma vez que a marca
foi-se. Possivelmente quando se foi, poderia seguir adiante com
sua vida e não lhe doeria tanto todo o tempo. Possivelmente não sentiria tanto
dor
constantemente, os sonhos deixariam de atormentá-la e poderia deixar de
existir somente e começar a viver de novo. Queria voltar a desfrutar de do
bosque outra vez, mas desde sua volta tinha encontrado pouca alegria em
a natureza que uma vez tinha amado tanto.
Max recolheu o linha, desenganchou do anzol uma lubina de bom
tamanho e a acrescentou ao montão de capturas, que cada vez crescia mais.
Ária
subiu as escuras calças deixando suas pernas ao descoberto até os joelhos.
Avançou oscilando e se aproximou da borda do lago, onde colocou
as pernas até as pantorrilhas na água. Gostava de ir nadar, lavar o cabelo e o
corpo. Uma das poucas coisas que sentia falta de do palácio, à parte do príncipe, eram as
duchas e os banhos
reconfortantemente quentes que ali se tomou. Inundar-se no lago não causava o
mesmo efeito de limpeza, embora agora o fazia muito mais freqüentemente que antes de
que a tivessem capturado. Lavar-se cada dia no palácio tinha feito que, agora que estava
em casa, desejasse
poder fazer o mesmo.
Ao cabo de uma hora, Max falou finalmente:
—Ontem à noite teve outro mau sonho.
Ária se sentou em silêncio, não sabia como lhe dizer que ela não tinha
pesadelos como as suas. Ela não revivia surras brutais nem torturas. Seus
sonhos tratavam sobre a última noite que tinha passado com o príncipe, a
fascinação que havia sentido, a alegria e o amor que a alagaram. Que
ele se alimentasse dela tinha sido tão impressionante e assombroso que seguia
sentindo falta dessa união. Mas isso era algo que jamais
admitiria. Para o Max tinha sido doloroso que sua proprietária bebesse dele,
mas
para ela, tinha sido um momento de puro êxtase que a tinha comovido
profundamente. Ter perdido esse prazer, havê-lo perdido a ele era o que
a fazia chorar, gemer e despertar pelas noites. Para ela a noite não
consistia em reviver um tortura, como acontecia ao Max, a não ser a dor de
seu coração.
Nunca se tinha enganado acreditando que nada entre ela e o príncipe
poderia durar. Ela teria tido que morrer em algum momento; o resto de
a família real e sua mulher se teriam encarregado disso. Entretanto, sim que se
enganou ao acreditar que ela poderia lhe importar a ele de verdade.
Mas isso tinha sido antes de que tivesse descoberto que já estava
comprometido com outra pessoa. Pensar nisso ainda a fazia sentir-se furiosa e traída.
Max lhe envolveu com suavidade as mãos, tentando que as
mantivera firmes, já que lhe tremiam sobre a vara de pescar.
—Os peixes saberão que está aqui.
Ela conseguiu lhe devolver um sorriso débil enquanto se esforçava
por respirar, lutando por recuperar o controle de seu orgulho ferido e de
seu coração quebrado.
—Não acredito que meus pesadelos sejam tão malotes como as tuas —disse
em
voz baixa.
Lhe apertou a mão com ternura antes de soltar-lhe a contra gosto.
Nunca tinham falado de sua experiência, embora era evidente que a ambos
tinha-os trocado para sempre. Não obstante, Ária tinha ganho peso durante seu
cativeiro, enquanto que Max se ficou inclusive mais magro e seus ossos ainda eram
visíveis contra sua pálida pele. Tinha muitos mais moretones, cicatrizes e marcas de
mordidas que ela,
embora as cicatrizes de Ária estavam quase todas por dentro. A experiência
do Max tinha sido muito mais dura fisicamente, mas tão abusiva
mentalmente, e prejudicial, como a dela.
—Isso é bom —murmurou ele.
Ela inclinou a cabeça lhe dedicando uma meia sorriso. Os claros olhos
azuis do Max a olhavam com carinho. Seu cabelo loiro como a areia lhe caía
por suas atrativas facções e seus duros rasgos. Tinha sido sua culpa que Max tivesse
passado por essa situação espantosa. Ele se tinha deixado capturar depois de que a
tivessem apanhado a ela com a esperança de que poderia salvá-la. Por desgraça, não
tinha previsto o tipo de fechamento ao
que submetiam aos escravos de sangue. Embora lhe tinham dado muita mais
liberdade que a ele.
A garota baixou a vista a sua boneca, a que tinha cicatrizes pela correia que
tinha tentado arrancar-se. Quão único tinha conseguido com
seus esforços tinha sido uma boneca e uns dedos ensangüentados e um príncipe
cheio o saco que depois tinha sido incrivelmente amável.
Obrigou-se a apartar esse pensamento porque recordar ao príncipe tão
amável e carinhoso solo reabria as feridas em carne viva e agudas que
ainda supuravam em seu coração.
—Nunca teria que ter estado ali, Max, sinto muito.
Era a primeira vez que lhe pedia desculpas por sua participação em seu
captura; antes nem sequer tinha sido capaz de encontrar as palavras. Havia
tentado desculpar-se muitas, muitíssimas vezes, mas a nenhum dos dois
gostavam que lhes recordassem o tempo que tinham acontecido ali.
Ambos o guardavam para eles mesmos em um falso intento de negar que tinha
acontecido, mas os dois estavam fracassando miserablemente. Dava
igual o muito que tentassem fingir que seu cativeiro não tinha ocorrido,
não poderiam consegui-lo.
Max ficou calado um momento observando com olhar ausente o
lago. Depois se voltou para ela com os olhos cheios de angústia; mas havia
outra coisa neles, algo mais.
Solo outro homem a tinha cuidadoso assim, e ao final a tinha deixado
destroçada e rota. Logo que era capaz de respirar pela dor que
continuamente lhe rasgava as vísceras. O príncipe a tinha feito pedaços e Max
ainda não o compreendia de tudo. Esperava que algum dia
fizesse-o. Quão último queria era que Max ficasse triste outra vez por
sua culpa, mas pela forma em que a olhava, sentia que era inevitável.
—Eu escolhi ir detrás de ti, Ária, foi minha culpa que me apanhassem, não tua.
E agora, até sabendo o que estava fazendo, não trocaria nada.
Nunca te deixaria sozinha, Ária, nunca.
Ela examinou seu rosto enquanto lhe devolvia o olhar. Sempre o
tinha encontrado atrativo, e seguia fazendo-o, mas não tinha a dureza escura e
perigosa que o príncipe possuía. Max era loiro, com os olhos azul
claro e uma cara sincera e doce que fazia que muitas garotas ficassem
encantadas. Houve um tempo em que ela também o tinha estado. Tanto é
assim com o Max tinha compartilhado seu primeiro e único beijo, antes de que
tivesse conhecido ao príncipe. Então compreendeu que não importava os
sentimentos que uma vez tivesse sentido pelo Max, não tinham sido nada
comparados com os que sentiu pelo príncipe.
E agora o príncipe se foi, tinha-o perdido para sempre. Max
estava-a olhando com a mesma quantidade de desejo que tinha visto nos
olhos do príncipe. tragou-se o nó que tinha na garganta, lutando contra as
lágrimas que ameaçavam derramando-se. Embora, a diferença
do príncipe, Max nunca a deixaria sozinha, nunca a trairia ou a usaria como
tinha feito o príncipe. Max a amaria e nunca trataria de destrui-la.
Faria tudo o que estivesse em sua mão para mantê-la a salvo, para lhe levantar
de novo o ânimo, e se sacrificaria a si mesmo uma e outra vez
por ela. Inclusive se o príncipe tivesse podido encontrá-la, nunca teria ido
procurar a. Tinha uma prometida a que agora tinha que cuidar, uma vampira com a que
construir uma vida, com a que ter filhos. Ela não era
mais que um mísero brinquedo humano para ele.
Mas, apesar de saber todas essas coisas, por que seguia amando a esse
desgraçado? por que demônios não podia querer a alguém tão carinhoso e
doce como Max? Por estranho que pareça, sim que amava ao Max. Amava-o
com uma classe de amor protetor muito intenso, mas não estava apaixonada
dele, e no fundo de seu coração sabia que nunca o estaria.
Ária sacudiu a cabeça tratando de negar as palavras do menino.
—Max...
—Não passa nada, Ária, um dia o esquecerá, seguirá adiante.
—Sabe o nosso? —sussurrou enquanto uma vergonha inesperada o
invadia o corpo.
Sentia-se uma traidora e uma estúpida. Seu pai era o líder dos rebeldes, seus
irmãos e Max eram três dos lutadores mais fortes em
a causa, ao igual a ela o tinha sido antes de que a capturassem. Eles tinham
estado dispostos a arriscar suas vidas pela sua, e ela...
Lhe tinha entregue seu coração a um vampiro, nada menos que ao
filho maior da família real, o herdeiro ao trono. Eles tinham estado dispostos a
morrer por ela enquanto ela se apaixonava por um de seus maiores inimigos. Via o
príncipe como um monstro e, como o amava,
também tinha acabado aceitando o fato de que ela devia ser também
um.
—Suspeitava-o —murmurou—. Não te jogue a culpa, Ária, foram
uns tempos terríveis. Ali as coisas se viam distorcidas e estavam muito mal.
Não é sua culpa que confiasse nele. É obvio que o fez,
tinha medo e estava confundida. Teve um mês para te manipular, para te fazer
acreditar que podia confiar nele, que podia lhe amar.
—OH, Max —suspirou, desejando que a explicação fora tão simples
como essa, mas sabia que não o era. O príncipe não a tinha enganado, não
tinha usado seu terror e confusão em seu contrário. Tinha sido amável e
carinhoso com ela, e a tinha necessitado, disso estava segura.
Apesar de ter tido uma prometida durante todo esse tempo, como
mínimo sabia que ela tinha sido um poquito especial para ele. Mas mesmo
assim
deveria ter lutado mais contra seus sentimentos. Ele era seu inimigo, sempre
seria seu inimigo, e nunca teriam a oportunidade de um futuro juntos. Ária tinha sido
consciente de todo aquilo e, entretanto, havia-lhe
devotado seu sangue sem reservas e sem medo.
Também lhe tinha entregue de forma voluntária seu coração. Odiava
ter que desiludir ao Max, mas não podia deixar que seguisse pensando
essas coisas. Tinha que saber que a ela não a tinham corrompido naquele lugar,
mas sim tinha atuado de forma intencionada, inclusive entusiasta.
Tinha que saber que ela era uma pessoa horrível. Tinha que saber todo isso
para que assim pudesse deixar de olhá-la assim, para que pudesse entender que nunca
lhe poderia importar da maneira em que lhe importava ela.
—Sinto muito, Max —sussurrou—, mas isso não é o que aconteceu. Ele não
me
manipulou, não me corrompeu. Foi amável comigo, cuidou-me. Pode que
eu fora sua pulseira de sangue, mas ele sozinho me tratou assim quando foi
absolutamente necessário. Eu gostaria de dizer que ele não chegou a me importar,
que me mantive fiel a ti e a toda a gente daqui, mas não posso. Eu o amava,
Max... —interrompeu-se, incapaz de falar pela pena que a rasgava—. Ainda o amo —
disse com voz afogada.
Ele a observou fixamente durante um momento com os olhos abertos
pela incredulidade, depois negou com a cabeça muito rápido. Seu cabelo loiro
como a areia lhe caiu pela frente enroscando-se ao redor de seus
brilhantes olhos.
—Mas, Ária, não vê que assim é como te enganou? Sabia que você nunca
tinha tido nada, que sua vida tinha sido dura. Sabia que sendo amável,
te dando as coisas que nunca tinha tido, chegaria a depender dele, a confiar
nele, e talvez, inclusive convenceria a ti mesma de que ele te importava. Desse modo
seria muito mais divertido te destruir, por isso mesmo não te disse nunca que estava
comprometido.
Ária cravou as unhas na borda do rio enquanto o assimilava. Tentou
acreditar nas palavras do Max. Possivelmente, talvez, pudesse passar página se
acreditava
nelas, mas não podia fazê-lo. Sim, o príncipe lhe tinha oculto que tinha
uma prometida; sim, não tinha sido honesto; e sim, tinha-lhe quebrado o
coração, mas algo do que houve entre eles tinha sido real. Do primeiro momento tinha
existido uma estranha conexão entre ambos. Max sabia que
o príncipe era cego, mas o que não sabia era que quando estava perto de
ela podia ver de novo.
E apesar de que o príncipe tivesse omitido coisas sobre sua vida, Ária sabia
que não lhe tinha mentido ao lhe dizer que solo podia ver quando estava perto dela. O
fato de que pudesse vê-la era a razão pela qual
tinha-a reclamado como sua primeira pulseira de sangue. Não, Max não sabia
nada disso, e quanto a ela respeita, ninguém saberia nunca, nem sequer
o irmão do príncipe, Jack. Era um segredo que guardariam por completo
entre os dois. Era o único secreto ao que se aferrava, a única idéia que o fazia
acreditar que não tudo tinha sido uma mentira. Quão único a ajudava a
aliviar um pouco o desprezo que sentia para si mesmo.
Entretanto, em que pese a saber que não voltaria a vê-lo ou a senti-lo nunca,
e embora lhe tivesse feito tanto dano, precisava acreditar que lhe tinha
importado, pelo menos um poquito. Aferrar-se a essa crença
provavelmente não era a melhor ideia, não quando tinha que deixá-lo ir, mas
não podia evitá-lo. Agora mesmo era quão único a ajudava a passar os dias.
—Eu não acredito que isso seja assim, Max.
—Eu sim —replicou ele com mais confiança da que ela sentia—. E
algum dia você também te dará conta. Solo necessita tempo para que sua
manipulação mental deixe de te fazer efeito. E quando o fizer, eu estarei aqui.
Ária negou com a cabeça.
—Não, Max...
Interrompeu suas palavras quando ele a agarrou pelo queixo e a girou para que
tivesse que olhá-lo, depois lhe secou as lágrimas da cara.
Ela nem se queira se deu conta de que estava chorando.
—Sim, Ária.
antes de que pudesse reagir, ele se inclinou para frente e a beijou. Ária se
sobressaltou, não sabia o que fazer ou como reagir, mas antes
de que pudesse fazer nada ele já se estava se separando dela. A garota sozinho
pôde sentar-se e contemplá-lo enquanto lhe sorria.
—Pensei que era um bom momento para que nos déssemos nosso
segundo beijo.
Ela não podia estar menos de acordo, mas não o disse. Estava sendo
uma egoísta por não dizer-lhe mas já tinha perdido tanto nos últimos dois
meses que não podia suportar perder a amizade do Max também. Entretanto, quando ele
se desse conta de como era ela em realidade, do pouco que se merecia seu amor,
voltaria-se em seu contrário.
—Deveríamos ir —conseguiu dizer com voz afogada.
Assentindo, o menino ficou rapidamente em pé e se sacudiu a
sujeira e o barro das calças. Ária escutou os sons familiares
do bosque, seu bosque, enquanto o seguia. Sempre tinha achado consolo e
refúgio entre esse espesso bosque, mas ultimamente não tinha sido capaz
de encontrar nenhuma daquelas coisas.
***

Apoiando-se contra a parede da cova, Ária observou a entrada. Nas sombras do


entardecer, logo que podia distinguir as figuras de uns poucos guardas, mas solo os via
porque sabia que estavam ali. Se não o houvesse
sabido, jamais teria sido capaz de vê-los em seus esconderijos
estrategicamente situados. As covas eram um bom refúgio, mas sem o aviso
rápido de que se morava um ataque, era fácil ficar apanhado
entre seus grossos muros. Havia muitas vias de escapamento em todo o sistema
subterrâneo, mas contava com o mesmo número de becos sem saída.
Ária olhou a suas costas, mas a cova estava às escuras. As fogueiras
acendiam-se em zonas mais profundas, onde não podiam ver-se do bosque.
Não se enganava acreditando que estava ali sozinha; desde que a haviam
raptado seu pai tinha gente vigiando-a como um falcão, mas agora ao menos
sentia um pouco de paz e tranqüilidade. Ou assim foi até que notou que
William se aproximava.
Deu-se a volta quando seu gêmeo emergiu das escuras curvas
da cova. Podia reconhecê-lo em qualquer parte e às vezes o sentia vir
antes de que tivesse chegado. Ele se apoiou na parede oposta à sua com
os braços cruzados sobre o peito enquanto a olhava. Ambos tinham os
mesmos brilhantes olhos azuis e o mesmo cabelo castanho avermelhado
escuro. A
pesar de que tinham nascido de dois óvulos distintos, pareciam-se ainda mais
que a maioria dos gêmeos idênticos. Inclusive em seu mau gênio e seus atos impulsivos.
Esses atos impulsivos eram os que a tinham levado a ser capturada
e posteriormente convertida em pulseira de sangue. E embora lhe teria gostado
de dizer que agora os dois eram mais reflexivos, sabia que estaria mentindo. Quão único
tinha trocado era que agora ela estava mais triste e era mais amadurecida do que tinha
sido antes de ir ao palácio, e William estava mais furioso. culpava-se a si mesmo por
não ter estado com ela aquele dia, em que pese a que se encontrava ferido e não tinha
podido acompanhá-la a caçar. William odiava aos vampiros por haver-lhe llevado, y
en especial al príncipe por haberla reclamado como esclava de
levado, e em especial ao príncipe por havê-la reclamado como pulseira de
sangue.
Ária tinha tratado de lhes explicar a todos que não tinham abusado dela, que o
único que lhe tinham mutilado tinha sido o coração. Supunha que não ajudava o fato de
que desde sua volta tivesse sido mais um zombi que uma pessoa viva. Sem lugar a
dúvidas, não era a mesma garota à
que se tinham levado do bosque, e outros culpavam ao príncipe disso.
Não compreendiam que ele a tinha salvado de um destino muito pior que o
que em realidade tinha experiente. Tinha sido outro vampiro o que a tinha
reclamado em primeiro lugar, se não tivesse sido pelo príncipe, lhe teriam feito costure
muito piores. Os outros pensavam que a haviam
torturado, em troca ela sabia que tinha tido bastante sorte.
—Crie que alguma vez te apaixonará? —perguntou-lhe a garota.
Ele se voltou para ela, os olhos lhe brilhavam na noite e tinha as escuras
sobrancelhas arqueadas enquanto a estudava.
—Isso é o que crie que te passou?
Ela permaneceu em silêncio enquanto meditava sua próxima frase.
Nunca lhe tinha oculto nada ao William, sempre o tinham compartilhado tudo,
mas ultimamente ele estava tão furioso que temia que suas palavras o
tirassem de suas casinhas. Mas não podia lhe mentir.
—Sim
Ele tragou com dificuldade enquanto se passava uma mão pelo cabelo
desgrenhado. Ária se deu conta de que estava tratando de controlar seu gênio, lutando
por lhe ocultar a intensidade que havia atrás de seus sentimentos.
—Ária, ali aconteceram coisas, coisas que nem sequer posso
imaginar.
—Não o faça, William. Max pode que escolha acreditar nisso, mas você o
sabe melhor. Conhece-me, sabe quem sou. De verdade pensa que não sei o
que senti naquele lugar?
—Acredito que crie sabê-lo.
Ária fechou os punhos pela frustração; parecia que todo mundo pensava que
não conhecia seus próprios sentimentos. Mas supôs que de ter sido William o que lhe
tivesse contado todo isso, ela tampouco acreditaria.
—E não, não acredito que vá apaixonar me nunca.
—OH.
Ele se separou da parede e, lhe passando o braço de forma casual pelos
ombros, atraiu-a para seu lado. Dedicou-lhe um grande sorriso e ela não pôde
evitar devolver-lhe Pela primeira vez em sua vida ele não podia
entendê-la, mas sempre a quereria. Passasse o que acontecesse.
Ela deixou cair a cabeça sobre seu peito e lhe rodeou a cintura com os
braços. Escutou o som de seu coração enquanto ambos contemplavam a
noite. Estava tão absorta no reconfortante batimento do coração que demorou
um momento em dar-se conta de que todos os animais e insetos se ficaram em silêncio.
Ária levantou a cabeça devagar. O coração lhe pulsava com força
enquanto observava a escuridão. Procurou os guardas entre as árvores e
divisou suas figuras tendidas no chão em meio da escuridão.
—William —sussurrou.
—Sei, vamos.
Ele a empurrou para o interior da cova com a mão em suas costas,
enquanto se abriam aconteço rapidamente através do terreno conhecido. Os
guardas ainda não tinham dado o alarme (um assobio baixo que se podia camuflar
facilmente com o ruído dos insetos), mas Ária se esforçou por escutá-lo. Tinha que estar
a ponto de chegar.
—Date pressa!
Teve um pressentimento de fatalidade que descendeu por seu corpo ao
tempo que sua respiração se acelerava.
Agarrou a mão do William e quando estiveram o bastante longe de
a entrada, puseram-se a correr. Seus pés voavam sobre o chão rochoso da
cova. Pode que já fosse muito tarde para fugir se os vampiros já foram atrás
deles. Com a visão extraordinária que estes tinham na escuridão, e sua grande
velocidade, escapar seria quase impossível para ela e William. Tomaram um túnel
lateral à direita e se agacharam, já que o
teto se fez mais baixo. William se deu a volta e agarrou uma das pesadas
grades de ferro que tinham instalado na parede.
—Os guardas! —vaiou ela, agarrando-o do braço antes de que ele
pudesse fechar a grade.
—É muito tarde para eles, Ária.
O horror a invadiu quando o assobio desço de advertência ressonou por
a cova. William ficou imóvel durante um momento, a grade seguia
médio aberta quando Ária sentiu, mais que ouviu, que algo se aproximava. Em
efeito, William deixou aos guardas fora e fechou a grade fazendo o menor
ruído possível. Havia muitos outros túneis que conduziam ali. Aos
vampiros podia lhes levar um momento encontrar o túnel correto, e a grade
deveria lhes conceder o tempo suficiente para tratar de escapar.
Fugiram movendo-se tão rápido como puderam através do túnel
inclinado. A Ária pulsava o coração muito depressa no peito, uma sensação lhe
esmaguem de que lhes acabava o tempo se apoderou dela quando algo grande e pesado
se estrelou contra a grade, fazendo-a tremer no marco.
CAPÍTULO 2

Ária ofegava para recuperar o fôlego enquanto corriam para frente. Se


moviam unicamente por instinto e de cor, já que estavam muito
transtornados pelo que tinham detrás deles para agarrar uma das
tochas apagadas que havia nas paredes que os rodeavam. William a
conduziu dobrando outra curva, parando o tempo suficiente para estirar o braço
e fechar uma grade mais. Já não estavam longe da sala principal. Ária tropeçou com
uma pedra solta e o tornozelo lhe torceu quando ele a empurrou para frente. Um grito
surdo lhe escapou mas seguiu correndo, negando-se a que as pontadas de dor que lhe
subiam por
a perna a obstaculizassem.
O túnel começou a estreitar-se depois de que William fechasse outra
grade. Ao girar na seguinte curva, o fogo da sala principal se fez
visível e Ária pôde ouvir o tênue som das risadas. O coração o martilleaba no
peito, logo que podia respirar. Nunca antes havia sentido
claustrofobia nos túneis, mas agora se sentia como um rato enjaulado
correndo sem rumo para frente. Se saíam desta, jurou-se que jamais voltaria
para essas covas. Claro que, de todas formas, jamais poderiam voltar para
elas, já nunca mais seriam seguras.
Tinham-nos descoberto.
William e Ária entraram precipitadamente na sala principal. Tudo
o mundo ficou em silêncio enquanto William se dava a volta para fechar outra
grade.
—Estão aqui! —informou-lhes Ária.
Havia mais de cem pessoas na sala e o pânico se apropriou de mais
da metade de seus corpos. ouviram-se gritos, os meninos puseram-se a chorar.
Apesar de que tinham feito simulacros e tinham praticado para este tipo
de coisas, nunca antes tinham acontecido. Ária ficou conmocionada e
horrorizada ao ver o caos que em seguida se apoderou deles. ficou boquiaberta
quando a gente começou a correr por ali, tentando reunir tantas de seus pertences como
fora possível. Por sorte, alguns
mantiveram a cabeça fria o tempo suficiente para fechar as três
grades que bloqueavam o passo dos túneis à sala principal.
Desejou que seu pai ou Daniel estivessem ali. lhes resultaria mais
fácil conseguir que a gente mantivera a calma, mas tinham ido reunir se com
outro grupo de rebeldes a um quilômetro de distância, em outras
covas.
—Escutem todos! Escutem! Têm que lhes tranqüilizar! —Ária
correu ao centro da sala com as mãos em alto enquanto tentava acalmar
a revolta.
Ninguém lhe emprestou atenção, mas sim começaram a abrir acontecer com
empurrões e cotoveladas para a única saída que ficava.
—Esperem! —gritou, tentando detê-los antes de que se pisoteassem
os uns aos outros e perdessem a última oportunidade de escapar.
Max a agarrou por braço liberando a dos corpos puxadores. A
empurrou detrás dela, e Ária ficou apanhada entre seu corpo e a parede da
cova. A garota se aferrou a sua camisa quando ele se apertou contra ela,
tratando de proteger a dos empurrões e os golpes.
—Que todo mundo se acalme! —gritou Max; sua voz soou mais forte
do normal, mas não tão forte como para que ricocheteasse pelos túneis,
nem tanto como para que fizesse vacilar a ninguém durante mais de um
instante
—. Maldita seja!
Sua frustração era evidente pela forma em que apertava os
músculos e fechava as mãos em punhos. girou-se para ela e apoiou uma mão
na parede junto a sua cabeça enquanto lutava e empurrava ao montão de corpos. lhe
agarrando a mão, atraiu-a para si para começar
a abrir acontecer com trancos pelo caos, lutando contra a aparentemente
interminável enjoa de gente. Ária procurou o William, mas não pôde vê-lo
entre a quebra de onda de pessoas.
Quando por fim se livraram da multidão, a garota se esforçou em levar
oxigênio a seus maltratados pulmões. de repente William estava
diante dela e lhe arrojou seu arco e um carcaj com flechas.
—Teremos que encontrar outra forma de sair —disse.
O túnel que tinham detrás, aquele no que todo mundo se empurrava
para avançar, era o único que não voltava para túnel principal que acabavam de
deixar. Havia outras formas de sair ao exterior, através de outros túneis, mas
cabia a possibilidade de que os vampiros já estivessem em algum de
eles. Abrir qualquer grade de novo e entrar nesses túneis supunha um
grande risco. Era algo que nunca se planejaram ter que fazer.
Ária voltou o olhar para o túnel de saída, estava abarrotado de corpos que se
empurram e golpeavam os uns aos outros. Nos
simulacros que tinham feito, a maioria da gente já deveria estar a meio
caminho do túnel. O pânico tinha obstaculizado as coisas; estava segura de que havia
gente no chão a que a multidão estava pisoteando.
—Temos que ajudá-los.
Deu um passo para eles mas William a agarrou por braço e a apartou
com brutalidade.
—Agora não há forma de ajudá-los, Ária, temos que sair daqui
antes de que fiquemos apanhados. Devemos ir.
—Mas a gente... —sussurrou.
—Estarão bem, têm a saída de emergência, recorda? —replicou
ele—. Vamos.
Atirou dela para a grade pela que tinham entrado na caverna.
—viemos que aqui —murmurou a garota.
—Há três grades fechadas entre nós e a sala principal. Este é
o caminho mais seguro.
Seus largos dedos manipularam habilmente as fechaduras e as
abriram em seguida. Outros três homens e uma mulher se uniram a eles. Ao
parecer tinham decidido apostar por eles em lugar de pela arrolladora massa de
gente do outro lado. Ária não sabia quem eram, mas a gente de
as covas trocava freqüentemente. A maioria dos rebeldes se transladavam
constantemente, já que preferiam estar em movimento que permanecer
encerrados em um único sítio. Era uma teoria que sua família também havia
seguido, mas seu pai se ficou ali durante mais tempo do normal. Ária sabia que
tinha sido por ela. Queria que descansasse e se recuperasse em um mesmo lugar, e que
talvez inclusive tivesse certa sensação de estabilidade por uma vez em sua vida.
Ela odiava estar ali apanhada, e agora sabia por que. sentia-se muito
mais segura quando estavam em constante movimento; muito mais segura
fora, no bosque que tão bem conhecia. Embora ao longo dos anos tinham
acontecido tanto tempo entrando e saindo dos sistemas de covas,
que se conhecia a maioria deles de cor. Sempre se sentia como um animal
enjaulado quando estava nas covas. Mas queria fazer a seu pai feliz, sobre tudo quando
era evidente que estava preocupado por ela, por isso não se queixou de ter que ficar.
Agora desejaria havê-lo feito. As covas poderiam ter sido atacadas, inclusive se não
tivessem estado ali, mas não podia evitar sentir que era de algum modo seu
culpa, que de algum jeito ela os tinha levado até ali.
—Vamos —disse Max lhe agarrando a mão.
Voltaram a inundar-se nos negros túneis. A escuridão os
envolveu. Embora se esforçasse, Ária logo que era capaz de distinguir a parte
posterior da cabeça do Max. Entretanto, não podiam usar nenhuma das tochas,
isso seria suplicar que os capturassem e matassem, ou pior, ela
poderia ser recapturada e levada de volta ao destino horrível que a esperava no
palácio. Tinha a impressão de que se a levavam de volta ao palácio, as coisas não
sairiam nada bem. De fato, embora o príncipe estivesse comprometido, supunha que lhe
faria pagar muito cara sua fuga.
Sabia o muito que odiava que o desobedecessem e essa fuga tinha sido
o desafio definitivo. Ele a castigaria por isso. Ou possivelmente nem sequer lhe
importaria que houvesse tornado e a deixaria ir com quem quer que a reclamasse esta
vez.
Estremeceu-se ao pensá-lo. Aferrou com a mão a correia do arco e o
carcaj que tinha pendurados à costas. Eram sua especialidade; podia lançar
uma flecha melhor que nenhuma outra pessoa. Mas naquele espaço
reduzido não seria capaz de fazê-lo, e pela direção em que William
dirigia-se, sabia que a zona estava a ponto de voltar-se muito mais apertada.
Odiava aquela rota através das cavernas, mas nesses momentos era a que mais sentido
tinha seguir. Para os vampiros também
seria mais difícil deslocar-se por ali, e nesse ponto os outros túneis que
tinham para escolher conduziam a uma cascata. Era uma vista formosa, mas o
som da água correndo tampava o ruído de seus perseguidores, e eles
dependiam agora principalmente de seu ouvido. As rochas também estariam
escorregadias, e as escalar, embora fora nas melhores circunstâncias, já era o bastante
arriscado sem acrescentar o obstáculo adicional da corrente.
William girou bruscamente à direita. O túnel começou a ascender
de forma muito levantada. dirigiam-se para a parte traseira da montanha e
o que uma vez tinha sido uma velha exploração mineira de carvão, ou isso o
haviam dito. Ária odiava as velhas minas de carvão, eram horripilantes,
perigosas e imundas. Por sorte, William girou à esquerda e
começou a subir para o outro lado da montanha. O ar se fez mais fácil
de respirar e, embora as paredes ainda se apertavam contra eles, já não
sentia-se tão encurralada.
Max lhe apertou a mão com mais força. Ela agradecia seu
reconfortante presencia, sua sólida força e seu calidez enquanto a conduzia
apressadamente para frente. William se deteve de repente, fazendo que a
mulher chocasse fortemente contra ele. ficaram em silêncio, esforçando-se por escutar
algo naquele espaço escuro e úmido. Sozinho
estavam a cem metros do final do túnel. Solo a cem metros da liberdade, ou de
uma morte segura.
—Teremos que nos mover rápido. lhes agache e dirigíos direitos
para o bosque. Se por alguma razão nos separamos, encontraremo-nos na borda
sul do lago —deu instruções William—. Se não podermos chegar à borda sul do lago,
encontraremo-nos na árvore dos banquetes.
A árvore dos banquetes era algo que ela e William haviam
descoberto quando eram meninos. tratava-se unicamente de uma macieira
extremamente grande, mas lhes tinha parecido gigante e
fantástico, já que tinham acontecido horas escalando seus imensos ramos e
abarrotando-se das maçãs que daí recolhiam. Durante um par de semanas cada ano
tiveram um abundante fornecimento de fruta e de barrigas
doloridas, mas sempre haviam valido a pena.
Eles também eram quão únicos sabiam onde estava a árvore.
Tinham levado a fruta aos acampamentos, compartilhando-a de boa vontade
com todo mundo, mas nunca tinham revelado sua localização, e agora que
pensava-o, não recordava que ninguém o tivesse perguntado nunca. Era como
se todos tivessem entendido que ela e William necessitavam um lugar
próprio e lhes tivessem permitido ficar o William estaba sobre todo
preocupado por su seguridad, pero no podía perder a Max. Él había arriesgado su vida
por la suya, se había sacrificado
Ária apertou a mão do Max com mais força. Compreendeu que
William estava sobre tudo preocupado por sua segurança, mas não podia
perder ao Max. Ele tinha arriscado sua vida pela sua, sacrificou-se
por ela. Não se arriscaria a que agora os separassem. Pensou em que deveria
sentir mais culpa pela possibilidade de perder aos outros, mas não podia, não
quando se tratava de seu irmão e de seu amigo. Seu mundo era cruel, desumano, e para
a maioria da gente, cada um se ocupava de si mesmo, exceto para as poucas pessoas que
se moviam em círculos algo maiores, como ela.
Era agradável ter amigos e família dos que depender, aos que
poder lhes confiar a vida. A parte má era a dor que traria a perda
de algum deles. até agora ela tinha tido sorte.
William se precipitou para frente, liderando o caminho enquanto
corriam através da escuridão e subiam a costa para o desconhecido.
Inundaram-se na noite. Ária inspirou com avidez grandes
baforadas de ar fresco, aliviada de haver-se liberado do limitado espaço
das covas. encontravam-se quase a cem metros da saída da cova quando os
gritos transpassaram o som do rápido batimento do coração de seu coração em
seus ouvidos. A garota ficou paralisada, a tristeza cobriu seu corpo quando se
deu a volta. encontravam-se mais acima, na ladeira da montanha, olhando para baixo o
caminho. O lago estava debaixo, brilhando
à luz da lua que ali se refletia. Ao outro lado do lago se achava a saída do túnel
de escapamento, escondida dentro de um bosquecillo.
Tinha sido escolhida porque era o ponto mais afastado da entrada
principal, e estava bem escondida. Também era dali de onde vinham os
gritos. A Ária ficou a boca seca, deu um passo adiante quando a repugnância e
o terror a atravessaram. Ao outro lado do lago podia ver gente disseminada em todas
direções, fugiam tratando de escapar dos monstros que os perseguiam.
Ária não podia compreender do todo o açougue que tinha diante.
Tinham que fazer algo. Agora! precipitou-se à frente decidida a baixar ali e
ajudar a essas pessoas. Max a agarrou por braço atirando dela para trás. Ela lutou contra
seu amigo enquanto este a arrastava para o bosque.
—Temos que ajudá-los! —protestou.
Max a agarrou por outro braço e a sustentou frente a ele, sacudindo-a
ligeiramente.
—Não há nada que possamos fazer, Ária, temos que ir!
Temos que ir agora!
Ela tentou lutar contra ele, mas o jovem seguiu sujeitando-a com firmeza.
—Não podemos deixá-los aqui!
Os olhos do menino se viam escuros, tristes, quebrados sob a luz da lua.
—É muito tarde para eles.
O olhar da moça voltou para espetáculo que tinha debaixo, não
podia abandoná-los.
—Assim é como nos capturaram a outra vez, Ária; não pode voltar para
te lançar imprudentemente.
Suas palavras a deixaram paralisada, não podia mover-se posto que a seu
coração lhe custava trabalho bombear sangue pelo corpo, que lhe havia
ficado repentinamente gélido. Assim era como os tinham capturado a outra
vez, tinha sido sua culpa que os tivessem levado e não podia permitir que isso
passasse outra vez. Seu olhar se desviou irremediavelmente para o William. Estava
quieto no bordo do bosque, esperando-os com
impaciência. Os outros já tinham fugido na escuridão. Se ela voltava a baixar
ali, se tratava de interferir outra vez, eles a seguiriam, e os apanhariam.
Nenhum deles podia fazer nada para ajudar às pessoas a que agora estavam
caçando. Não havia forma de deter a massacre atroz que tinha lugar por debaixo deles,
não havia forma de silenciar os gritos. Não
havia ninguém que pudesse salvá-los se recapturavam os, ninguém iria resgatar
os porque Jack já tinha revelado sua identidade ante sua família. A
família real já sabia que Jack era um traidor, e não voltariam a recebê-lo a
menos que fosse torturá-lo e destrui-lo. Embora possa que esta vez não os
capturassem, possivelmente os sacrificassem diretamente.
Max a apartou com suavidade da cena que tinham diante.
—Depressa! —apressou-os William.
—Não passará nada, Ária. Não passará nada.
Max lhe pôs a mão sobre a parte posterior da cabeça,
aproximando-a a ele durante um breve instante antes de arrastá-la para o
bosque. inundaram-se na escuridão, movendo-se muito rápido pelo denso bosque.
William ia à cabeça, tomando uma rota em ziguezague que serpenteava para a árvore
dos banquetes.
Ária se sentia intumescida, vazia. Os gritos dos torturados a
seguiram inclusive depois de que estivessem fora do alcance do ouvido. Se
deixou cair contra a grande árvore, aferrando-se a um de seus ramos enquanto
ofegava em busca do ar que não podia conseguir. Suas pernas cederam, caiu de joelhos
ante a árvore de sua infância. Tantos sonhos e planos e esperanças tinham crescido nesse
sítio.
Agora esses sonhos se acabaram e em seu lugar ficava uma
sombrio desespero e o eco dos gritos dos inocentes. O que uma
vez tinha sido um lugar de segurança e refúgio, agora estava embaciado pela
perda e o sofrimento. Entretanto, debaixo de todo isso, havia algo mais, algo novo que
se elevava abrindo acontecer com través dela, um sentimento que não podia identificar
entre toda a agonia e a confusão que a rasgava. Durante um momento não soube o que
era isso que a estava
consumindo. E então, descobriu-o.
Era ódio.
Era ódio puro e duro. Odiava esse mundo de crueldade, odiava aos
monstros que o tinham criado. Odiava-o com todo seu ser. E odiava ao monstro
que lhe tinha feito isso, a criatura que lhe tinha pisoteado todo o
coração, voltando-a mais débil, convertendo-a em uma sombra rota da
pessoa que uma vez tinha sido. E agora... agora essa sombra se estava
recuperando. Essa sombra se torceu e estava enfurecida e tão enche
de ódio que apenas lhe deixava respirar porque a consumia intensamente.
O príncipe. deu-se conta de que odiava ao príncipe. Já não sentiria mais dor
por ele, já não se faria mais pergunta nem estaria afligida. O que
tinha acontecido entre eles era parte do passado. acabou-se. Ela o
esqueceria, seguiria adiante, e, se seus caminhos voltavam a cruzar-se, mataria-
o.
CAPÍTULO 3

—Houve um ataque.
Braith meditou em silêncio as palavras do Caleb enquanto o alfaiate se
movia deliberadamente a seu redor. O homem por fim tinha deixado de
murmurar para si mesmo, e, embora seguia trabalhando, Braith sabia que
estava escutando absorto a conversação.
—E? —urgiu-o Braith
—Não estava entre os capturados.
—E entre os mortos?
—Não. Os soldados sabem que têm que trazê-la viva de volta se a apanharem.
Sabem que têm que trazê-los vivos a todos.
Braith se encolheu de ombros, não gostava da sensação do casaco
que tinha posto.
—Não me importam os outros, sempre há vítimas na guerra —
murmurou.
Esperava que Caleb se fora depois de lhe dar a notícia. Nem sequer ao
perverso e cruel do Caleb gostava já estar perto dele. A ninguém gostava. O
caráter do Braith se tornou instável. Sua fúria e esteira de destruição eram muito
conhecidas, e temidas, entre os habitantes do
palácio.
Durante os últimos dois meses, manchou-se as mãos com uma
grande quantidade de sangue. Tinha consumido mais sangre nas últimas oito
semanas que nos últimos oito anos. Mas não era suficiente; nunca seria
suficiente para enterrar o ódio que supurava em seu interior. Sua conduta
assassina tinha diminuído, mas solo porque se acalmou o bastante
para dar-se conta de que a morte de pessoas inocentes não aliviava
sua raiva e não o fazia esquecer tanto como teria esperado. Agora
simplesmente consumia enormes quantidades de sangue, mas a maioria de
as vezes a gente sobrevivia.
—Há mais? —perguntou-lhe com impaciência a seu irmão.
Caleb se esclareceu garganta.
—A garota não estava entre os mortos e não estava entre os
capturados, mas estava ali.
Braith levantou a cabeça devagar e se girou para seu irmão. Não
podia vê-lo, a escuridão controlava sua vida uma vez mais, mas podia cheirar
o sutil pingo de emoção que emanava. ficou quieto durante um comprido
instante, aturdido pelas palavras do Caleb. Não tinha havido nem rastro de
ela desde que partisse, e embora ele poderia havê-la encontrado em qualquer
momento, negava-se a rebaixar-se indo atrás dela, lhe fazendo acreditar que desejava
que voltasse, porque não era assim. depois de tudo, ela o
tinha traído. Não queria ter nada mais que ver com essa zorra
traidora.
E, entretanto, um instante de apreensão o sacudiu. Embora quisesse
que a castigassem por sua traição, embora quisesse que sofresse pelo que
tinha-lhe feito, de verdade a queria morta? De verdade queria que voltasse para
lugar onde a torturariam e castigariam por sua traição? Isso tinha acreditado, e tinha
querido que fosse assim, mas agora que suas tropas se
tinham topado com ela, agora que estavam lhe pisando os talões, não sabia
o que faria se a recapturaban. A garota seria torturada, espancada e
finalmente assassinada. Tachariam-na de traidora e a tratariam como tal. Seria
um castigo cruel.
Embora se de verdade a quisesse de volta, então teria ido ele mesmo detrás
dela e já teria a trazido de volta. Mas apesar de que a
odiava, apesar de que o tinha ferido profundamente e de que queria que
sofresse tanto como ele quando descobriu que se partiu, tinha que
admitir que não a queria morta.
No período de tempo transcorrido após, era a primeira
vez que se dava conta disso. Ansiava seu sangue, desejava saboreá-la e ver a
garota outra vez; e seria ele quem lhe fizesse pagar por seu engano, não
seu pai ou seu irmão. Apertou a mandíbula e aferrou as lapelas da jaqueta que
levava. Odiada-a jaqueta. O alfaiate emitiu um leve ruído de
protesto quando ele se desceu do soalho em que estava subido, ignorando
ao pesado do homem.
—Como sabe que estava ali? —grunhiu.
—Um dos nossos a viu; por isso entraram. Esperavam poder
capturá-la.
—Entraram?
—Estavam em um conjunto de covas, ao parecer muito bem desenhadas
com uma série de túneis e grades nelas. As covas foram descobertas
a semana passada, mas foram esperar até que soubessem onde estavam todas as
saídas antes de atacá-los. Nossos guardas se emocionaram muito quando a viram e se
precipitaram.
Covas, estava vivendo em covas. Lhe tinha falado de seu bosque com tanta
veneração que ele tinha assumido que voltaria diretamente ali
logo que fora livre. Em troca estava vivendo em covas,
escondida sob o chão, apanhada sob pilhas de terra e rochas. Não tinha nenhum
sentido para ele, mas o que ainda tinha menos sentido era que o
importasse remotamente onde vivia ou o que estava fazendo.
Ele tinha seguido com sua vida, agora tinha várias pulseiras de sangue, e,
embora nenhuma era como ela, descobriu que sim que desfrutava as tendo.
Faziam-lhe esquecer durante um momento; faziam-lhe que não fora tão difícil
suportar os dias. A diferença da Arianna, estas pulseiras eram muito mais
manejáveis e muito menos insolentes. Ele ia se casar em questão de meses, não
podia suportar à mulher, por descontado, mas solo necessitava
ter um herdeiro varão com ela e então não teria que ter nada mais
que ver com sua esposa. Não tinha planejado casar-se com aquela mulher,
apesar do que seu pai tivesse organizado, mas agora se havia
resignado a isso. Por uma vez, não tinha tido a intenção de cumprir com
seu dever de filho maior. Não até que Arianna o abandonou, fugindo com
seu irmão e outro escravo de sangue.
depois disso, tudo o que tinha desejado tinha sido esquecer.
Inclusive havia vezes, durante o dia, em que quase o esquecia, breves
momentos nos que encontrava um pequeno indulto de suas lembranças
graças às abundantes quantidades de sangue. Entretanto, esses
momentos nunca duravam, e havia uma parte dele que se odiava a si mesmo
por isso estava fazendo, mas sabia que com suficiente sangue, e suficiente
tempo, acabaria esquecendo-a. Arianna acabaria morrendo, era humano e vivia uma
vida arriscada. Solo era questão de tempo que passasse, ele saberia quando tinha
chegado o momento, e pensava que se sentiria aliviado quando acontecesse.
Agora já não estava tão seguro.
—Encontraram algum indício do Jericho?
O ressentimento ferveu em seu interior ao mencionar a seu irmão
pequeno, o irmão em quem tinha crédulo e ao que mais tinha querido,
e também o que o tinha traído no mais profundo. que lhe havia
tirado a Arianna. Embora duvidava de que ela houvesse oposto resistência.
De fato, estava bastante seguro de que, apesar de seus votos de amor e de
as promessas de que nunca o deixaria, tinha deslocado ansiosamente pelo túnel
uma vez que o tiveram revelado. depois de tudo, era uma zorra
caprichosa, ou ao menos isso é o que ele tinha chegado a acreditar. por que se
não lhe teria prometido amá-lo para sempre para depois deixá-lo à manhã
seguinte?
E Jericho agora se converteu em seu inimigo número um.
Pode que Braith não destruíra pessoalmente a Arianna, mas pensava tentá-lo
com ele.
—Não viram o Jericho, mas estou seguro de que estava perto.
depois de tudo, traiu-nos por ela, deve significar algo para ele.
Jericho havia dito que foi ali para resgatar a Arianna porque seu pai era o líder
dos rebeldes. Tinha ido ali por ela porque ele era um dos poucos que poderia liberá-la.
Isso era o que tinha afirmado, mas a
Braith lhe havia flanco muito acreditar nada do que tinha saído da boca
de seu irmão durante aqueles dias. Seu irmão também havia dito que
não faria nada sem consultar primeiro ao Braith, e logo tinha desaparecido
ao dia seguinte.
Em realidade acreditava que Caleb tinha razão, que Jericho sim que sentia algo
mais pela Arianna que só amizade e lealdade, por que se não a teria levado
desse modo? Braith nunca lhe tinha revelado ao Caleb, ou a seu pai,
a verdadeira história da Arianna. Não tinha sentido fazê-lo, ela se tinha ido, e
já não havia maneira de usá-la contra sua família.
—Um homem distinto estava com ela.
A boca do Braith se curvou em uma careta de brincadeira.
—Ah, sim? —disse com ironia.
Quantos homens tinha a zorrita?, especulou com aborrecimento. Primeiro
tinha sido o escravo de sangue, Max; depois seu irmão e agora outro homem
misterioso. Fechou as mãos em punhos e lutou contra o arrebatamento
de sede de sangue que o atravessou. Estava desesperado por enterrar suas
presas em algo para tentar esquecer a ira que se estendia por seu corpo.
—Sim. Não têm nem idéia de quem era, mas não se tratava do Jericho e
tampouco era o outro escravo de sangue.
Um músculo lhe tremeu na bochecha pela irritação; sentia seu mau gênio
começando a desatar-se. Tinha acreditado que Arianna era uma garota doce e inocente
que havia trazido a luz de volta a sua vida, mas estava começando a descobrir que não
podia estar mais longe da realidade.
—Já entendo.
Mas não entendia e se perguntava por que não ia atrás dela e a
arrastava de volta a contra gosto. por que não ia atrás dela, destruía a sua
família, destroçava sua causa rebelde, caçava ao traidor de seu irmão e fazia que todos o
pagassem?
Afastou-se caminhando e se tirou a jaqueta sentindo de repente
claustrofobia com o objeto posto. O alfaiate fez um ruído afogado de desespero
quando o tecido se rasgou, mas ao Braith não importou.
—trouxeram algum escravo de sangue? —perguntou.
—Sim, agora mesmo os estão conduzindo ao cenário.
Braith assentiu, agarrou sua fortificação e o elevou com as mãos. Keegan, seu
fiel lobo e seu cão guia, bocejou antes de ficar em pé. Suas garras rangeram contra o
chão de madeira enquanto caminhava ao lado do Braith.
—Vamos.
Caleb vacilou tão solo um instante antes de pôr-se a caminhar a seu lado.
Braith estava acostumado à escuridão, a deslocar-se por ela. Não necessitava
nenhuma ajuda enquanto se movia pelos corredores do palácio.
O fortificação tocava o chão, mas sempre era Keegan quem o alertava de
qualquer obstáculo que pudesse haver no caminho. Com uma sutil pressão
contra sua perna, Keegan podia dirigi-lo com facilidade de um lado a outro.
Braith se abriu aconteço rapidamente até o cenário onde estavam os
futuros escravos de sangue. Apesar de que estava frente ao cenário, não
recuperou a visão como lhe tinha acontecido o dia em que Arianna esteve em
o leilão. Ao vê-la tinha sido incapaz de mover-se, incapaz de acreditar que
podia ver algo outra vez, nem muito menos a essa garota assustada, suja e desalinhada
que representava tudo o que lhe desagradava de uma mulher.
Não tinha curvas, não era voluptuosa, seu aroma estava muito longe de ser
decente, e, apesar de tudo, tinha-a visto. Era a primeira coisa que tinha presenciado em
mais de cem anos. E pouco a pouco, com o passar do tempo que
tinha passado com ela, tinha acabado lhe parecendo imensamente formosa.
Sim, era insolente, dura, muito fraca para seu gosto e nem sequer bonita
no sentido clássico da palavra, mas também era forte, doce, inocente e
incrivelmente imponente. Tinha chegado a lhe importar muitíssimo, até
que se deu conta de que tudo era uma mentira. De que em realidade ela não
era nenhuma dessas coisas, a não ser uma arpía ardilosa e manipuladora.
Olhou uma vez mais em direção ao cenário, mas seguiu sem ocorrer
nada. Nenhuma outra mulher apareceu ante ele, ninguém lhe devolveu a visão
outra
vez.
—Há alguém aí acima que possa ser de sua família?
Caleb ficou em silencio durante uns momentos.
—Não que eu possa ver. vou agarrar uns quantos, estou seguro de
que ao final nos dirão algo. E se não o fazem —Braith escutou que Caleb se
encolhia de ombros com indiferença—, desfrutarei tentando fazer que falem.
Braith permaneceu em silêncio e escutou como apresentavam e
leiloavam aos escravos de sangue. Caleb reclamou a quatro deles.
Braith contemplou por um instante a possibilidade de levar-se uns quantos
mais para ele, mas decidiu não fazê-lo. por agora tinha suficientes.
Deu-se a volta. Se havia algo que descobrir, Caleb o faria.
Empreendeu o caminho de volta ao palácio perguntando-se onde havia
estado Jericho durante o ataque, perguntando-se quem era a pessoa que
tinha estado com ela. Outro homem? Quantos malditos homens tinha em
sua vida? Tentou convencer-se de que não lhe importava a resposta a essa
pergunta, mas sabia que sim. Não podia negá-lo. A zorra o havia
traído, e agora era livre e estava fazendo que ainda mais homens
comessem de sua retorcida mão. Odiava-a por havê-lo convertido em um
deles.
Abriu-se passo com facilidade entre a multidão. Tinha a mente agitada.
O ressentimento fervia acaloradamente em seu interior. Necessitava um plano
novo. Não podia sentar-se ali tranqüilamente e permitir que ela escapasse com
todas as coisas que lhe tinha feito. Não podia permitir que seu
irmão estivesse entre os humanos, rendo-se de como tinha obtido
enganar a seu irmão maior e a sua família.
Braith tinha tomado a decisão de deixá-lo estar, mas agora estava começando a
reconsiderar essa decisão. Tinham que pagar pelo que
faziam, e ele podia conseguir que o fizessem. Possivelmente eram capazes de
esquivar a seus homens, mas a ele não poderiam esquivá-lo.
Sobre tudo ela.

***

A chuva caía melódicamente sobre a improvisada loja de campanha O


parte de lona oferecia pouco amparo contra os elementos, mas a Ária não
importava. O ar era refrescante e lhe dava sensação de liberdade depois de todo o tempo
passado encerrada nas covas. Ajudava-lhe a aliviar a claustrofobia que seguia
atormentando-a, mas não servia para apagar os gritos persistentes que a tinham
despertado cada noite durante
a última semana.
Ária poderia haver-se retirado ao resguardo das covas, mas sabia que não o
faria. De momento não se atrevia a voltar para elas, se é que alguma vez o conseguia.
Assim em seu lugar se sentou em silêncio, escutando o som da água ao cair sobre a loja.
Max e William a tinham acompanhado constantemente da noite do ataque. William
saía de vez em quando a recolher comida, mas Max nunca se ia de seu lado.
O menino lhe aproximou e lhe colocou uma manta ao redor dos
ombros. Suas mãos se atrasaram sobre seu corpo um instante e ela não
apartou-o. Nesses momentos sentia que necessitava seu consolo e seu amor
leal e inquebrável.
Inclinou-se para ele e se apoiou contra suas pernas.
—Tem que dormir —disse ele.
—Farei-o.
Os dois sabiam que mentia, mas Max não discutiu com ela.
Quando a garota se estremeceu, ele a envolveu com os braços. A
atraiu para seu peito e a sustentou brandamente. em que pese a que o coração
não o
palpitava de emoção, como lhe acontecia quando o príncipe a tocava, seu forte
abraço era reconfortante. sentia-se segura entre seus braços, querida.
Não, não lhe afetava como o príncipe, mas era um bom homem, amava-a e
faria algo por ela.
Ao melhor algum dia ela também o amava, embora esse dia não
pudesse ser agora. Agora solo queria sentir algo distinto ao ressentimento e
o desespero. Agora o único que queria era sentar-se com seu amigo, satisfeita
entre seus braços, enquanto escutava cair a chuva.
—Cheira bem —sussurrou.
Max assentiu, lhe acariciando o cabelo com o nariz um momento.
—Sim —disse.
Ária fechou os olhos, concentrando-se no batimento do coração do coração do
Max.
O príncipe não tinha ritmo cardíaco, em realidade nunca tinha tido um coração
no que a ela respeita. Mas Max sim, e o levava a descoberto.
O menino colocou a manta com mais firmeza a seu redor; o calor de seu
corpo e o salpicar melodioso da chuva a sossegaram até conduzi-la a
um sonho inquieto.
Quando voltou a despertar, o céu começava a brilhar. Os
pássaros nem sequer tinham começado a cantar ainda. Observou em silêncio
o amanhecer crescendo sobre as paredes da loja. Max tinha o braço enroscado
ao redor de sua cintura, William estava acurrucado contra a parede do fundo e roncava.
Ária se escabulló de seu abraço, foi até o bordo da loja e abriu a abertura da entrada para
sair. ia ser um dia quente, e já fazia abafado. Suspirou com suavidade e saiu da loja.
Tinha a intenção de dar um banho e logo talvez caçar um pouco com o Max
e William.
Reuniu algumas de suas roupas e agarrou o arco e o carcaj. Max e
William seguiam dormindo. O sol acabava de aparecer pelo horizonte quando
voltou a fechar a cremalheira da loja. Avançou pelo bosque serpenteando até o rio perto
de onde estavam acampados. Sabia que não
deveria estar fazendo isso sozinha, que deveria despertar a alguém para que
fosse com ela, mas necessitava um pouco de tempo a sós para tentar pôr em
ordem a multidão de emoções que se formavam redemoinhos em seu interior.
Dirigiu-se com rapidez à borda do rio. Teria preferido o lago, mas depois do
ataque se transladaram longe das covas,
instalando-se em uma zona nova do bosque. Passaria um tempo antes de que
voltassem perto do lago. Ao chegar ao rio, despiu-se e se inundou no
água geada. Sentiu falta de, e não pela primeira vez, a água quente do palácio e
o delicioso jorro da ducha. O lago estava medianamente quente e era agradável, mas o
rio consistia em água fresca das montanhas, e não esquentava nada.
Lavou-se o mais depressa que pôde, os dentes lhe tagarelavam e se
estremecia todo o tempo. alegrou-se de livrar da água gélida e ficar
um pouco de roupa para entrar em calor. Agarrou o arco e o carcaj, e se
pendurou o
carcaj à costas. O sol estava irrompendo nas montanhas; seus brilhantes raios
iluminaram o bosque a seu redor penetrando através do frondoso dossel arbóreo. Ária
ficou quieta durante um instante com
a cabeça arremesso para trás para deixar que seu calidez a acariciasse, para que
a acalmasse, embora solo fora um poquito.
Não soube quanto tempo permaneceu ali, mas o estalo de uma
ramita a separou da curativa luz do sol e a devolveu ao mundo de seu redor.
concentrou-se e escutou outro estalo débil. Colocando-se
detrás de uma árvore, tirou uma flecha do carcaj e se ajoelhou. Não teve que
esperar muito antes de que um cervo saísse do bosque e se dirigisse para o rio.
Ária o contemplou admirando-o, mas embora era um animal precioso, também lhes
proporcionaria suficiente carne para o acampamento
durante uns quantos dias. Alimentaria aos meninos famintos; e a ela, pensou ao
dar-se conta de que seu estômago rugia ansiosamente pela espera.
Estava a ponto de lançar uma flecha quando o sentiu. O bosque estava
enraizado em sua alma, era parte dela, e sabia quando havia um
depredador perto. O pêlo da nuca lhe arrepiou, um calafrio descendeu
por suas costas antes de filtrar-se por suas extremidades. Ária ficou paralisada,
não podia respirar. Não se moveu. Preocupava-lhe que mover-se pudesse desencadear
um ataque. Sabia quando um animal se encontrava perto de seu fim, mas esta vez ela
não era a jaqueta, e era seu próprio final o que temia. Estava segura de que o mais
mortífero dos depredadores
estava agora mesmo perto dela.
Devagar, muito devagar, deu-se a volta para encarar à criatura que a espreitava,
que a observava. Viu-o quase imediatamente. Braith estava de
pie entre as árvores. Seu cabelo negro, ressaltado pelo sol nascente, fazia um
forte contraste contra a vegetação que o rodeava. A luz se refletia em
os escuros óculos que levava para cobrir seus chamativos olhos, mas inclusive
assim podia sentir a intensidade de seu olhar enquanto a escrutinava. O coração
o martilleó contra as costelas, pôs a cem, tamborilou-lhe e palpitou a um ritmo
acelerado que a deixou imóvel e sem fôlego. Era tão
esplêndido, escuro e poderoso como o recordava, mas ao vê-lo ali, em
seu mundo, também se deu conta do selvagem e indômito que era. O perigoso
e letal que podia ser.
A emoção vibrou em seu interior. Durante um breve instante a
consumiu o impulso de correr para ele, de lhe jogar os braços ao pescoço, de
enterrar-se em seu forte abraço e apartar toda a miséria do mundo como
solo ele poderia ajudá-la a fazê-lo. Durante um breve instante, toda a alegria e
fascinação que tinha experiente com ele no palácio
voltaram a invadi-la muito depressa. Nesse palácio se havia sentido
aterrorizada, perdida e à deriva em um mundo que não conhecia e jamais
entenderia. Mas também tinha sido mais feliz que nunca em sua vida. Havia
sido estúpida e ingênua. E se tinha apaixonado.
Titubeou com o braço no arco e o baixou um pouco durante um
momento. Podia sentir a cálida pressão das lágrimas lhe ardendo nos
olhos. Braith era impressionante, assombroso; e estava ali. Finalmente tinha
ido a por ela. Embora odiasse admiti-lo, uma parte de si mesmo o tinha estado
desejando. Uma parte de seu ser tinha suspirado por que ele voltasse
a por ela, por que a levasse longe de toda essa desolação e dor, e a mantivera a
salvo e a amasse. Odiava a essa parte de si mesmo, tratava de
negar sua existência, mas sempre tinha estado aí, desejando, esperando,
rezando, e agora ele estava aqui por fim.
Mas era evidente que não tinha ido sozinho para vê-la.
Podia apreciá-lo na rigidez de sua mandíbula e na tensão de seus
largos ombros. Podia senti-lo na ira que irradiava seu corpo. Estava ali, mas
não tinha ido por uma boa razão. Ária tragou com dificuldade,
a inquietação se apoderou de seu ser quando se deu conta de que o príncipe
estava verdadeiramente furioso. Notava a enorme quantidade de fúria
dirigida exclusivamente para sua pessoa. Bom, isso gostava, porque ela
também estava bastante cheia o saco com ele.
Não sabia por que tinha ido finalmente atrás dela, mas por seu aspecto
parecia que queria lhe fatiar o pescoço. Estreitando os olhos, apertou a
mandíbula enquanto elevava o arco de novo e o colocou justo à altura de
seu coração, que não pulsava. Sim, ao final tinha ido a por ela e era evidente
que um deles não sairia bem parado desse encontro.
CAPÍTULO 4

Braith a estudou durante comprido momento. Quase tinha esquecido o


assombroso que
era vê-la, e tudo o que a rodeava. O bosque cobrava vida quando ela estava ali,
as cores eram vívidas, duros para uns olhos tão
acostumados à escuridão. Mas embora o bosque fora formoso, não era nada em
comparação com ela.
Tinha a cara mais magra e amadurecida que a última vez que a tinha visto. A
redondez infantil de suas bochechas também tinha desaparecido de
seu rosto, por causa da malnutrición. Seus olhos eram de uma brilhante cor
azul safira que rivalizava com o belo céu sobre ela. Em seu olhar havia
uma sabedoria e maturidade, e tinha um ar de estar destroçada que parecia
envolvê-la, mas que não tinha estado aí a última vez que a tinha visto.
Braith não sabia o que lhe tinha passado durante os últimos dois meses, mas
parecia maior e muito mais ferida do que recordava.
O cabelo lhe caía pelos ombros e as costas; ao estar molhado
parecia mais escuro de sua cor normal, que era de um intenso castanho
avermelhado e sempre o tinha cativado. Agora estava muito mais limpa que
a primeira vez que a tinha visto, mas outra vez levava a mesma roupa
masculina e feia. Uma roupa que escondia uma figura que uma vez tinha sido
exuberante, mas que agora era esbelta de novo. Apesar de que estava mais
magra do que lhe gostaria, não pôde negar sua beleza simples e
doce.
Viu os sentimentos que cintilavam em seu rosto: a esperança, a alegria e, por
um instante, algo que quase acreditou que podia ser amor. Mas se
foram tão rápido que não estava do todo seguro de havê-los visto. As lágrimas
brilhavam em seus olhos e sua mão titubeou no arco até que o baixou. Braith quase
tinha esquecido quão convincentes podiam ser seus falsos
sentimentos. lembrou-se da noite em que lhe tinha suplicado que não
matasse ao outro escravo de sangue com o que a tinham capturado. Tinha sido
tão sincera, tinha jurado que Max não era nada mais que um amigo para
ela. Mas Braith já não acreditava, não acreditava nada do que lhe tinha
contado.
Não conhecia a garota que tinha diante, mas sim sabia que não era como ele
tinha acreditado. Nunca o tinha sido.
Tinha ido ali para trazer a de volta, para lhe fazer pagar por seu
traição. Mas agora tudo o que queria era destrui-la ele mesmo. O braço
de Ária titubeava, mas a mão com a que tinha baixado o arco agora o
voltou a subir, ajustando-o à altura de seu coração. Não tinha nenhuma dúvida
de que ela lançaria a flecha, ao igual a não lhe preocupava se de verdade o alcançava.
Do mesmo modo, não tinha nenhuma dúvida de que lhe jogaria as mãos
em cima e o faria pagar.
—Arianna.
Ela apertou seus carnudos lábios e uniu as sobrancelhas sobre seu estreito
nariz.
—Príncipe.
Ele se separou da árvore contra o que estava apoiado e deu um passo para ela.
Apesar de que tivesse o arco e a flecha nas mãos, podia
aproximar-se o alcançá-la em um instante, ter a de volta em seus braços e seu
doce sangue outra vez na boca. Ela a tinha dado voluntariamente a
última vez e ele quase a tinha matado em seu afã de consumi-la. Agora ia a
prová-la de novo, e lhe importava uma mierda se a dava livremente ou não.
encontrou-se desfrutando com a idéia de tirar-lhe à força, de lhe fazer tanto dano como
tinha feito a ele.
—Então, tornaste para me levar de volta? —inquiriu ela
bruscamente
—Não.
A garota tragou com dificuldade e elevou o queixo um pouco mais. Braith não
tinha esquecido sua insolência, sua teima, mas já não lhe pareciam tão
encantadas como antes. De fato, estavam-no tirando de gonzo. Ária teria que
estar encolhida e tremendo de medo. Já deveria saber que não
sobreviveria a esse encontro, e mesmo assim não mostrava nenhuma pingo de
inquietação.
«Valente até a imprudência», assim era como se havia descrito a si mesmo e a
seu irmão. E era certo. Provavelmente estava olhando à morte aos olhos, mas não ia
retroceder ante ele. Não ia encolher se de
medo ou suplicar piedade. ia se ficar ali de pé e o ia encarar de
frente, e ia lançar essa flecha. Disso ele estava seguro, solo tinha que estar
preparado para isso.
—A me matar, então? —inquiriu, sua voz muito mais firme do
que ele pensava que deveria estar.
—Talvez —murmurou.
Tinha planejado levar a de volta, fazer o pagar, mas então a matariam, e ao
olhá-la agora já não estava tão seguro de estar disposto a
perder a estranha visão que havia trazido de voltado para sua vida. O que ia
fazer com ela então?
—Já vejo.
A garota piscou um momento percorrendo o bosque com o olhar.
Braith podia ver as engrenagens de seu cérebro girando enquanto tratava de
desenvolver um plano de escapamento. Ambos sabiam que era inútil, não
poderia fugir
dele.
—Onde está Jericho?
O olhar da garota voltou a deslizar-se ao homem.
—Hoje não me tocava vigiá-lo —replicou.
A frustração e o aborrecimento tomaram rapidamente forma em seu interior,
Braith estava acostumado a sua insolência, mas não gostava, e não ia a
suportá-la depois de tudo o que lhe tinha feito.
—Surpreende-me que lhes tenham separado, embora esteja seguro de que
a estas alturas já haveria passado a outro.
Arianna assentiu, um sorriso cínico lhe curvou os carnudos lábios.
—Sempre você gostou de pensar o pior de mim —murmurou, mas não havia
ofensa em seu olhar, solo uma fúria ardente que fez que seus olhos se
voltassem de um tom azul mais escuro e intenso.
—E você nunca me decepciona.
Uma ira autêntica curvou suas facções, a mão lhe tremeu no arco.
Então endireitou os ombros e se levantou sem pressas de sua posição agachada.
—Alegra-me ter completo todas suas expectativas. —Revolveu a
terra com o pé que tinha mais atrás, escavando enquanto se preparava para
atuar logo—. Espero que sua prometida também as cumpra.
O homem pareceu ligeiramente surpreso de que soubesse isso,
embora deveria haver-se dado conta de que seu irmão não manteria a
boca fechada.
—Jericho lhe disse isso.
—Alguém tinha que fazê-lo, não crie? E certamente não foste ser
você.
—Quando?
—Quando o que?
—Quando lhe disse isso?
—E isso o que importa? —espetou-lhe ela, pela primeira vez
desconcertada.
Braith deu um passo para ela, mas a garota não se apartou, nem sequer se
alterou. Já estava farto de sua insolência, de sua hostilidade. Deveria estar lhe
contando tudo o que lhe exigisse saber. Deveria estar suplicando por seu
vida como tinha suplicado pela do Max, mas não o estava fazendo, e não o
faria.
—Mas é que não tem nenhum sentido comum? —inquiriu; sua voz
um grunhido baixo enquanto a observava—. Nem sequer instinto de
sobrevivência?
—Vivo no inferno todos os dias —grasnou apertando os dentes
—. Um inferno que vós os monstros criaram para nós. O único instinto que
tenho é o de sobrevivência, mas já que virtualmente
admitiste que está aqui para me matar, não vejo por que teria que me preocupar
com nada mais agora mesmo, e você?
O príncipe deu outro passo para ela.
—vou disparar, juro-o, farei-o —vaiou.
Braith arqueou uma sobrancelha divertido por sua ameaça. Dispararia, mas o
serviria de pouco.
—Fará-o agora?
A garota fechou a mão entreabro ao arco.
—Desgraçado-los de seus lacaios estiveram perto daqui o outro
dia. Atacaram um de nossos acampamentos. Estou segura de que já sabe
porque suponho que algum deles me viu de algum modo. Assim é
como soube onde começar para me buscar. —interrompeu-se, mas seguiu
olhando-o, esperando a que ele dissesse algo, mas como não o fez,
continuou—: Havia meninos nessas covas! —rugiu—. Meninos!
—Há leis e sua gente as está rompendo.
Seus olhos brilhavam com bastante ira, podia sentir que perdia o controle
rapidamente. Sempre tinha desfrutado provocando-a, observando seu
reação, mas isto era diferente, ela não era a garota que se ficou
em seu apartamento do palácio. Não, esta garota era mais forte, mais cruel,
mais fria. Esta garota vibrava de aborrecimento e hostilidade. Parecia uma jaqueta,
era uma jaqueta, deu-se conta. Sempre tinha sido uma lutadora, mas agora era
muito mais que isso.
Não era a garota que lhe tinha devotado sua veia. Era a mulher que ia a
disparar essa flecha em qualquer momento.
—Leis —disse com desprezo—. Leis! É um bode pior que
esses monstros que vieram aqui a nos caçar e nos matar. Sinta-se em você
palácio dourado e nos usa de comida e de escravos, e faz que sempre
tenhamos que estar morrendo de fome e fugindo. E a mesmo assim julga,
hipócrita filho de puta!
Tinha-a pressionado ao máximo, tinha levado seu controle até o
limite. A corda do arco produziu um tangido quando a flecha se deslizou pelo
ar. O homem se moveu com rapidez, esquivando o mortífero projétil momentos antes de
que este se estrelasse contra a árvore que tinha
detrás. Não lhe passou por cima que teria sido um disparo mortal se ele
houvesse
seguido ali de pé. Ela não tinha mostrado piedade, e ele tampouco o faria.
Arremeteu contra ela. Tinha esperado que corresse, que tentasse
fugir a pé. Teria sido inútil, mas era instinto humano, ao fim e ao cabo. O que
não se esperou é que subisse às árvores como um macaco.
Tornando o arco por cima do ombro, agarrou-se a um ramo e subiu em cima
com agilidade. Ascendeu oscilando pela grande árvore,
movendo-se velozmente pelos ramos. Braith se equilibrou sobre ela e quase
apanhou-lhe a perna da calça da calça. Lhe devolveu o olhar com os olhos
muito abertos, mas não se deteve e seguiu apressando-se árvore acima.
Saltou a outro ramo e se sentou durante um instante, logo ficou em pé
com elegância. Agarrando-se ao tronco e ao ramo que tinha em cima de seu
cabeça, recuperou o equilíbrio. Observou-o de acima estreitando os olhos e
com a respiração agitada. Braith não tinha intenção de subir a por
ela, e ela não poderia ficar ali todo o dia, mas solo era questão de
tempo que alguém fora a procurá-la ou ao rio. Tinha que conseguir que
descesse dessa maldita árvore. E uma vez que o fizesse, estrangularia-a.
Ela o observou fixamente durante um comovedor momento e
depois se deu a volta e correu. Braith ficou boquiaberto, observou-a
com incredulidade enquanto a jovem corria a toda velocidade pelas grosas
ramos. A garota não vacilou, não se deteve quando se lançou em picado do
ramo e voou a campo aberto antes de agarrar outro ramo da árvore do lado. Durante uns
segundos, Braith esteve muito aturdido como
para poder mover-se, solo pôde observá-la enquanto ela se balançava com
facilidade no ramo, saltava até ficar de pé e se precipitava pelo seguinte ramo.
Recordava as palavras do Jericho de que ninguém conhecia o
bosque como ela, mas parecia que não só conhecia o bosque, mas sim o
tinha domado. Ainda seguia olhando-a com a boca aberta quando ela
saltou com facilidade a outro ramo e desapareceu da vista.
Foi seu desaparecimento o que o pôs em marcha; apressou-se pelo
bosque, seguindo-a enquanto ela saltava e caía em picado e corria pelos
árvores com a agilidade de um esquilo. Nunca tinha visto ninguém mover-se
como ela, com tanta facilidade e sem esforço. Ária se dirigia a uma zona mais
profunda do bosque, atraindo-o mais longe da zona para a que ela se encaminhava
quando ele a tinha encontrado. Estava tentando
afastar o de sua família e amigos.
Ária baixou correndo por outro ramo, o homem observou consternado e
com assombro como saltava da árvore, mas esta vez não havia outra árvore ao
que agarrar-se. A garota se dobrou sobre si mesmo, abraçando-as pernas
com os braços enquanto girava no ar. Braith não compreendeu o que era o
que tinha em mente até que a moça caiu ao chão. Aterrissou com facilidade
com os pés e ricocheteou rapidamente para cima. precipitou-se como uma flecha pelo
bosque seguindo uma trajetória em ziguezague e esquivou com facilidade qualquer
obstáculo no caminho. Era assombroso observá-la, era assombroso ver sua impecável
agilidade e seu conhecimento profundo do mundo que a rodeava.
Apesar de que Braith estava fascinado e sentia que ainda havia
muitas outras coisas que ela podia fazer, muitos secretos e habilidades que
tinha escondidos, estava cansado de que o evitasse. A moça se dirigia para outra grande
árvore, se chegava ali, seguiriam jogando jogo do camundongo e o gato. Braith
aumentou a velocidade, precipitando-se atrás dela, pois não estava disposto a deixar que
aquilo continuasse. Ária acabava de rodear com os braços o ramo da árvore quando ele
a apanhou. A garota não
chiou, não gritou, em seu lugar plantou as pernas no tronco e o empurrou com
todas suas forças.
O príncipe trastabilló ligeiramente para trás enquanto ela se o
sacudia com brutalidade com toda a força de seu peso leve. Mas Braith
agarrou-a pelo pescoço da camisa e se aferrou a ela enquanto a garota tratava
de correr para frente e liberar-se de sua presa. Era muito mais teimosa e selvagem, e
estava mais decidida a escapar do que tinha pensado que estaria. Sabia que estalava
como um vulcão, mas era muito mais irascível do que ele recordava. Ária se jogou para
à frente e o fino tecido de sua roupa se rasgou pela rigidez com que Braith a deixava
sujeita.
A garota se cambaleou, igual de surpreendida que ele de haver-se liberado
momentaneamente de seu agarre. Braith se aferrou a ela, lhe rodeando a cintura
com os braços para sujeitá-la. Ela gritou pela surpresa quando caíram ao chão. Embora
ao homem não lhe importasse a garota, apartou seu peso de cima dela, tentando não
esmagá-la enquanto rodavam pelo chão. Agora Ária estava fora de controle e se retorcia
contra ele. O terror
que sentia era evidente enquanto tentava escapar de seu agarre férreo.
Ao príncipe lhe surpreendeu o breve instante de culpa que o invadiu.
Queria que pagasse por sua perfídia, mas não tinha pretendido aterrorizá-la
até esses extremos. Cambaleando-se, a jovem tentou ficar em pé, mas
ele a tinha arranca-rabo pela cintura e a arrastou outra vez sob seu corpo lhe
dando a volta. Ária o olhou com os olhos vades enquanto ele a esmagava;
seu cabelo era um matagal despenteado ao redor do rosto avermelhado.
Ofegava sob o homem, seu medo era evidente conforme continuava
tentando retorcer-se para livrar-se de seu agarre.
O príncipe a agarrou pelo cabelo envolvendo a mão no matagal
espessa e úmida. Lhe pressionou o peito, lhe empurrando enquanto um gemido
lhe escapava. Braith não sabia no que estava pensando, o que estava
fazendo, mas em lugar de enterrar os dentes em seu pescoço e deixá-la seca,
como se tinha imaginado que faria durante os últimos dois meses, seus lábios
descenderam sobre sua boca, apoderando-se dela. As mãos da
garota se debilitaram em seu peito e ficou tão quieta como uma pedra sob seu
corpo. Braith se apertou mais contra a garota, exigindo algum tipo
de resposta. Necessitava que fizesse algo, algo.
Precisava destroçá-la embora solo fosse um pouco, ao igual a ela o
tinha destroçado a ele.
Então, Ária enroscou as mãos em sua camisa e afundou os dedos em
sua pele. Um pequeno ofego lhe escapou quando abriu os suaves lábios contra
os do homem. aferrou-se a ele enquanto seu corpo se fundia com
o seu. Ele a invadiu, desfrutando de seu sabor e de seu contato enquanto se
fundia com ela. esqueceu-se de tudo, de seu engano, do ódio e do sofrimento
enquanto a abraçava. Era difícil recordar nada quando se sentia tão bem tendo-a em seus
braços. Nunca havia sentido nada tão magnífico como ela, e enquanto seguisse
abraçando-a, não lhe importava o
que tivesse passado entre eles.
Mas até que não provou o sabor salgado de suas lágrimas contra seus lábios,
não se deu conta de que a moça estava chorando. Até que não
apartou-se para lhe secar as lágrimas de suas sedosas bochechas, não se deu
conta de que lhe importava muito mais do que estaria disposto a admitir. E até que ela
não apoiou a frente contra seu peito e começou a
soluçar com força, não se deu conta de que estavam condenados.

***

Ária observou em silencio ao príncipe jogar outro tronco ao fogo. A garota


uniu as mãos e as estreitou entre suas pernas. Sentia os olhos pesados e
em carne viva por ter estado chorando. Ainda lhe doía o peito a causa
da força dos soluços que a tinham assolado. A pesar do calor do dia, tinha frio,
em realidade estava congelando-se, intumescida pela
comoção e o horror que ainda se aferravam a ela. Braith se afastou da garota.
Os músculos de suas largas costas se flexionaram quando agarrou outro
tronco e o lançou ao fogo.
Ária contemplou a casita a que a tinha levado. Não sabia por que
estava ali, como tinha sabido ele da existência desse lugar, mas era uma
pitoresca casita de campo. O homem se acuclilló no chão e a estudou
durante um momento, depois ficou em pé e se aproximou dela.
—Tem que te secar, está tiritando.
Ária não lhe disse que tiritava porque seguia molhada e geada do rio.
Ambos sabiam que esse não era o motivo.
—Arianna?
A garota assentiu levemente com a cabeça antes de ficar em pé e aproximar-se
do fogo lhe chispem. acomodou-se diante, estendendo as intumescidas mãos para as
chamas. Ele se acomodou no braço do sofá detrás dela e estirou as largas pernas sobre
as almofadas enquanto a observava. Ela se jogou o cabelo para frente e se ocupou
daquele matagal espesso e úmido, tentando secar-lhe e desenredar-lhe había
sentido completa y viva una vez más. Durante un fantástico instante,
Não sabia o que lhe dizer, o que fazer. Não sabia o que queria dela.
Começou a tremer de novo e tentou não tornar-se a chorar outra vez ao
recordar a maravilhosa intensidade do beijo. Durante um breve instante, se
havia sentido completa e viva uma vez mais. Durante um fantástico instante,
toda a dor dos últimos meses desapareceu ao tocá-lo, tudo se fundiu
sob a paixão de sua boca contra a sua. Ária tinha tratado de esquecer o
incrível que ele podia fazê-la sentir, mas o tinha recordado em um segundo. E
estava bastante segura de que já nunca mais poderia esquecê-lo.
—Quanto te falou Jericho do Gwendolyn?
Os dedos de Ária ficaram imóveis sobre seu cabelo. girou-se
para ele e admirou a luz recreando-se contra seus chamativos rasgos.
—Gwendolyn? —perguntou, desconcertada pela pergunta e pelo
nome.
—A mulher com a que se supõe que devo me casar.
—OH.
Os dedos lhe escorreram do cabelo quando o intumescimento
retornou com toda sua força. esqueceu-se desse pequeno detalhe, dessa traição
enorme e terrível. Durante um momento não pôde respirar por culpa da dor que lhe
oprimia o peito, por culpa da faca que lhe apunhalou profundamente o coração,
destruindo-o. Apertou os dedos sobre
seu regaço e afundou as unhas em sua palma. Se tivesse acreditado que tinha
alguma possibilidade de êxito, lhe teria pego um murro, mas já tinha conseguido
golpeá-lo uma vez, no palácio, e não acreditava que fosse ter
outra oportunidade.
—Não sabia que se chamasse assim.
Braith inclinou a cabeça para um lado, tirou-se os escuros óculos revelando
toda a beleza de seus olhos cinza aço e da franja azul
brilhante que lhe rodeava cada íris. Era muito estranho que não levasse os
óculos
postas e que baixasse o guarda o suficiente para tirar-lhe Ária podia ver o leve
indício das cicatrizes que danificavam seus chamativos olhos. Cicatrizes que serviam de
aviso de que não importava quão extraordinários fossem seus olhos, eram imperfeitos e
cegos.
—Quando, Arianna?
Ela se separou do homem com brutalidade, incapaz de seguir
olhando-o. O fazia muito dano.
—A manhã em que veio a por mim.
—por que lhe disse isso?
Ela voltou a girar-se zangada para ele; as mãos fechadas em punhos
enquanto lutava contra o impulso de lhe pegar um murro.
—E isso o que importa ? —lhe soltou.
Braith lhe devolveu o olhar em silêncio.
—Quero sabê-lo, por isso importa.
—E eu quero paz, mas não sempre podemos ter o que queremos.
Ele se inclinou para frente enquanto a contemplava.
—Tinha esquecido quão obstinada foi.
Ela o olhou com ódio, lutando contra as lágrimas que ameaçavam
derramando-se o —Eso no va a pasar, Arianna. Responde a mi pregunta.
—Então possivelmente deveria deixar que me fora.
Os carnudos lábios do príncipe se curvaram em um sorriso de ironia
enquanto negava com a cabeça.
—Isso não vai passar, Arianna. Responde a minha pergunta.
Ária sacudiu a cabeça, desconcertada ao não saber por que estava ali.
Braith só queria torturá-la lhe fazendo rememorar a agonia com que tinha
vivido desde que se inteirou do de sua prometida? ficou
olhando o fogo, observando como crepitava, chispava e lançava faíscas. Não
queria lhe dizer por que lhe tinha contado Jack o de sua prometida, não queria que
soubesse o muito que lhe tinha importado então. O homem já tinha bastante poder e
controle sobre ela e não necessitava que lhe desse ainda mais.
Mas agora a ela não lhe importava tanto, já não lhe podia importar tanto,
recordou-se. Tinha sido tola e inocente nnaquele tempo. naquele tempo. Mas já não
voltaria a ser nenhuma dessas duas coisas. Não no que a ele se referia.
Dava igual se sabia por que o tinha contado Jack, ele já não podia dirigi-la.
—Porque não queria ir —admitiu ao fim. A surpresa alagou os
olhos do príncipe conforme o assombro se propagava por seu corpo—. Fui
o bastante parva para acreditar que queria ficar... contigo, a pesar
das conseqüências que esse ato pudesse ter. Jack simplesmente me informou de
quão idiota era.
—Arianna...
A garota ficou em pé de um salto, incapaz de seguir sentada, incapaz
de escutá-lo. Uma sensação dilaceradora crescia dentro dela, um
impulso desesperado de ser livre, a necessidade se desesperada para escapar de
essa situação horrível. afastou-se do fogo e se deteve diante da janela
para observar o bosque. Estavam longe das covas, em uma zona que ela
não conhecia já que estava perto da civilização. Era uma zona do bosque
a que ela não viajava, não era segura. Apertou os dedos contra o cristal
conforme a nostalgia a invadia. O sol já tinha saído, sua família e amigos
estariam preocupados com ela, estariam-na procurando. Tinha que voltar com eles; tinha
que escapar dele.
—Planejava ficar no palácio?
—Não importa —sussurrou. Apertou um momento a frente contra o
cristal enquanto inalava o ar fresco que se filtrava pelos borde da folha—. É o
passado, não se pode trocar. acabou-se.
Não o escutou mover-se, mas isso não era uma surpresa; era estranho ouvi-lo
quando se aproximava. O homem pôs as mãos sobre os ombros de Ária
e a abraçou durante um breve instante antes de apartá-la deliberadamente de
a janela. Quando ela se negou a olhá-lo, agarrou-lhe com suavidade o queixo e
a elevou para que tivesse que encontrar-se com seu olhar implacável.
—Deveria te haver falado dela, mas eu não sabia, não esperava...
—Que não esperava? —inquiriu a garota quando ele se interrompeu.
Braith sacudiu a cabeça e se inclinou para lhe dar um beijo na boca.
—por que te foste ficar? —inquiriu, suas mãos lhe sujeitando com
suavidade a cara.
Ela tentou apartar-se dele, mas o homem a sujeitou com firmeza. Se
aproximou mais e seu peito roçou o da moça. Tinha o corpo um pouco mais
frio que o dela; a força de sua presença era entristecedora. Apenas
podia respirar pela combinação de emoção e inquietação que palpitavam
em seu interior. Ali não podia deixar-se levar, não podia permitir-se ter a
esperança de que aquilo terminasse de um modo distinto a como o havia
feito antes. As coisas nunca poderiam trocar entre eles; vinham de mundos
completamente distintos. Inclusive eram de espécies completamente distintas.
—E isso o que importa? —perguntou.
O príncipe se aproximou ainda mais; seus lábios estavam tão solo a
centímetros dos seus. Era o homem mais irresistível que havia
conhecido nunca, e apesar de que tentasse lutar contra ele, sentia que seu
corpo reagia ao dele e se aproximava inclusive mais.
—Porque preciso saber por que te foste ficar, Arianna.
—Não importa, príncipe.
—Braith.
—O que?
—Já te disse uma vez que me chamasse Braith, não príncipe.
Ária suspirou e baixou o olhar. Sim, já o havia dito antes, mas desde que tinha
fugido do palácio tinha começado a referir-se a ele outra vez
como «príncipe». Lhe ajudava a distanciar-se dele, algo que tinha que fazer
desesperadamente para sobreviver ao desengano que quase a havia
destruído. Pode que ele quisesse que deixasse de lhe chamar príncipe, mas ela
não estava segura de poder fazê-lo. Isso significaria voltar a deixá-lo entrar
em seu coração.
Não acreditava que pudesse sobreviver a isso uma segunda vez.
—Arianna, me diga por que te foste ficar.
—Não! —sua voz soou mais áspera do que tinha esperado. O
envergonhava admitir que inclusive ela podia escutar sua aflição—. Não!
Não pode te sair com a tua sempre. por que não pode deixá-lo estar?
Me deixe em paz! por que vieste aqui!? por que me deste caça depois de todo
este tempo? Como é que me encontraste? Estava começando a passar página e tem que
aparecer e destrui-lo todo outra vez!
Me destruir a mim de novo.
Tratou de fazê-la valente, tentou endireitar os ombros e elevar a
queixo, mas podia sentir que o lábio lhe tremia. Tampouco ajudava que
a tristeza cobrisse suas facções, que um olhar de perda brilhasse em seus
surpreendentes olhos. Esteve a ponto de gritar pela frustração. Tudo
era tão injusto. Tinha tentado acontecer página enquanto tratava de recuperar
um pouco parecido à vida que tinha tido antes de que ele tivesse entrado em
seu mundo. Mas o homem tinha aparecido de novo e imediatamente o
tinha recordado que a única vida que de verdade queria, mas nunca poderia
ter, era uma vida com ele.
—Arianna.
A garota apartou o olhar, esforçando-se por não voltar a chorar.
—Por favor, Braith.
Esperava que ao usar seu nome ganhasse um indulto. Não foi assim.
O príncipe lhe beijou a frente, o nariz. Ária se estremeceu, tentando
não fundir-se com ele, lutando por não sucumbir a seus desejos. Mas quando
seus lábios roçaram os dela, sentiu que se inclinava para ele. Sentiu que
procurava a reconfortante carícia de sua boca e de suas mãos. odiou-se a si
mesmo por sua debilidade, mas ele tinha algo, algo ao que não podia resistir.
Os dedos do príncipe se enredaram em seu cabelo, aproximou-a mais a ele e
sua língua lhe acariciou os lábios. Ária estava tremendo, era incapaz de opor
resistência a seus poderosos beijos e a suas absorventes mãos.
Quando lhe esfregou a mordida, que sanava em seu pescoço, ao fim voltou um
pouco em si. Tratou de apartar-se dele, mas o homem lhe rodeou os ombros
com uma mão. Muito brandamente, baixou-lhe um pouco a andrajosa camisa,
revelando a marca. Um calafrio a percorreu quando o príncipe riscou a
forma com os dedos.
De repente a alagaram lembranças dessa noite, do Braith sobre ela,
alimentando-se dela, abastecendo seu corpo com o seu. Ária tinha estado
encantamenta, incrivelmente perdida nele e na alegria que a impregnava enquanto lhe
drenava o sangue do corpo. Enquanto ele usava
sua força vital para nutrir a sua própria. Ela não tinha querido que o momento
acabasse nunca, mas isso tinha sido antes de que se inteirou de tudo, antes de que
tivesse visto o ataque às covas, antes de que tivesse descoberto que ele se comprometeu
com outra. Outra à
que provavelmente amava.
Ária apartou seu pescoço do homem e se voltou a cobrir a mordida.
Essa noite não voltaria a repetir-se agora. Não podia permitir perder-se desse
modo outra vez, apesar do muito que o desejasse.
—Amava-te —sussurrou a garota.
—Perdão? —perguntou surpreso ele.
—Me ia ficar no palácio porque te amava. Disse ao Jack que
deixasse-me ali porque não me importava o que pudesse passar, o que seria
de mim, sempre e quando estivesse contigo. Amava-te tanto que quando se
tratava de ti, não pensava em minha própria segurança ou em minha própria
vida.
—Arianna...
—E então Jack me contou a verdade —continuou como se ele não
tivesse falado, porque se não deixava sair todo isso agora, nunca o faria.
Se não tirava fora todo isso, então voltaria a entregar-se a ele e esta vez
destruiria-a—. E então meu amor deixou de importar, já nada importava.
Nem sequer eu importava. Estava tão doída, tão louca, tão perdida, e confusa, e
assustada. Sei que nunca me prometeste nada, sei que jamais poderia ter havido nada
entre nós, (ao final não), mas nunca haveria
chegado tão longe se tivesse sabido a verdade. Se tivesse sabido que queria
a outra pessoa, que foste casar te com ela, nunca teria deixado que o de
essa noite passasse. Nunca. Quase me destruiu com suas mentiras e enganos.
Nunca deixarei que isso volte a passar!
Ele ficou imóvel durante um momento e então a agarrou pela
queixo, sujeitando-a entre o polegar e o índice sem apertá-la. Ela o olhou
huraña e com antipatia enquanto se cruzava de braços. Estava sendo infantil, sabia, mas
chegados a esse ponto não se atrevia a ser de tudo amadurecida. Os últimos dois meses
tinham sido muito confusos, aterradores e
tão incrivelmente extenuantes que sentia que se merecia um pouco de
comportamento infantil agora mesmo.
E agora ele tinha reaparecido e tinha arruinado todo o duro trabalho
que lhe havia flanco tentar recompor-se.
—Não sabia, Arianna.
—Não me importa! —replicou ela.
Lhe aconteceu brandamente o polegar pelo lábio inferior.
—Sei que essa noite me amava, disse-me isso, mas o que eu não
entendia de tudo era o que tinha chegado a sentir por ti.
Ária se esforçou por lutar contra a esperança e o desejo que se retorciam em
seu interior. Não importava o que ele dissesse, aquilo nunca poderia passar. Ele teria que
ir-se e ela teria que voltar para bosque e às covas.
—Não —sussurrou.
—Se tivesse sabido o que ia passar, Arianna, eu mesmo te haveria
falado de minha prometida. Te teria deixado sozinha, faria qualquer outra coisa
distinta ao que fiz essa noite. Nunca quis te fazer danifico, juro-o. O que sinto por ti é
algo que não esperava. Nunca pensei que poderia
me passar a mim. Se tivesse sido mais forte, teria resistido a oferta de seu
presente até que soubesse a verdade, mas essa noite também foi toda uma
surpresa para mim.
Ela o olhou sem dizer nada, a boca aberta pela dor.
—Braith...
—Não amo a minha prometida, Arianna. De fato, não me agrada em
absoluto. É um matrimônio consertado, sua família é muito poderosa. Não é
nada que nenhum de nós dois pedisse.
Ária ficou em silêncio enquanto refletia sobre suas palavras.
—Isso não troca nada, Braith —sussurrou—. Você voltará e te casará
com ela, e eu... Bom, suponho que terminarei sendo capturada, assassinada
ou possivelmente inclusive algum dia acabarei me casando com o Max ou
algum outro
rebelde. Embora seja pouco provável que viva o bastante como para que isso
aconteça.
Braith juntou as sobrancelhas bruscamente e se aproximou dela empurrando-a
contra a janela. Ária o olhou surpreendida e desconcertada por sua fúria
abrasadora.
—Com o Max? —rugiu.
Ária franziu o cenho, estava tratando de não deixar-se intimidar por ele, mas
sua repentina mudança a tinha deixado totalmente perplexa.
—Sim, suponho que, possivelmente... OH, não sei —gemeu—. Não tenho a
intenção de trazer filhos a este espantoso mundo, mas ele é um bom homem, é
prudente e lhe importo. Talvez inclusive me ame. Isso deveria ser
suficiente, não?
Ele a contemplava como se lhe tivesse crescido outra cabeça.
— Não vais sair com o Max.
Ela piscou surpreendida pela forma em que lhe grunhiu a ordem,
então recuperou seu orgulho.
—Não é meu pai, não pode me dizer o que posso ou não posso
fazer! —espetou-lhe.
O príncipe tinha uma mão a cada lado de seu corpo e a empurrou
contra a janela enquanto se inclinava ainda mais perto dela.
—Tem razão, não sou seu pai, mas sou uma parte de ti, e como essa
parte te digo que não vais sair com o Max.
Ela franziu o cenho, confundida por sua resposta.
—Parte de mim? Não o entendo.
—Meu sangue flui por suas veias, Arianna, assim é como te encontrei.
Assim é como sempre poderei te encontrar.
Ária abriu a boca de repente, a cabeça lhe dava voltas. Recordava seu
última noite juntos, quando ele tinha tomado seu sangue. Depois, ela tinha
entrado e saído da confusa inconsciência. Tinha sonhado com que
ele a abraçava com cuidado e lhe dava algo doce e delicioso para beber. A
repulsão tomou forma em seu interior ao dar-se conta de que a doce bebida
tinha sido seu sangue. Ao mesmo tempo a nostalgia floresceu nela como
uma flor da primavera quando se lembrou da ternura daquela noite.
—Eu não... —sacudiu a cabeça tentando esclarecer idéias, tentando
esclarecer névoa que se aferrava a ela—. Não. Foi um sonho, verdade?
A tensão se desvaneceu de seu corpo. Braith tinha as mãos
apoiadas em seus ombros e lhe acariciou o pescoço.
—Não, Arianna, não foi um sonho. Foi minha culpa. Tinha tanta fome...
—Não te tinha estado alimentado bem por minha culpa. Para
me proteger! —recordou com um ofego.
—Sim. Ninguém podia saber que não me estava alimentando de ti. Mas
tomei muita, Arianna, estava tão deliciosa. Tomei muita mais da que tinha
previsto, e a única forma de te manter viva foi te dar um pouco
de meu sangue. Ao fazê-lo, vinculei-nos para sempre.
As lágrimas ardiam nos olhos da garota. Apartou o olhar e
contemplou a parede por cima de seu ombro. Também lhe havia dito essa noite
que a amava, tudo tinha estado nublado, impreciso, mas agora que sabia que não tinha
sido um sonho, soube que ele também o havia dito. Havia-lhe dito que a amava, e ela o
tinha deixado ao dia seguinte.
—Por isso Jack me perguntou se eu tinha provado seu sangue —sussurrou.
O príncipe lhe agarrou a cara com as mãos e a girou para ele. Em seus
olhos havia uma ferocidade que a deixou atônita.
—Jericho te perguntou isso? —inquiriu.
Ária tragou com dificuldade e assentiu.
—Sim, quando veio a por mim, quando viu o sangue que seguia sobre meu
corpo, perguntou-me se tinha provado seu sangue. Mas eu pensei que havia
sido um sonho, estive segura disso quando me contou que estava
comprometido.
Ária pensou que ao homem lhe foram romper os dentes se apertava
a mandíbula mais forte.
—Me teria deixado ali se lhe tivesse dado uma resposta distinta?
Ele negou com a cabeça, seus escuros cabelos lhe caíam ao redor do rosto
destacando as duras facções.
—Não sei o que teria feito, Arianna. Se acaso, os acontecimentos
recentes me têm feito me dar conta de que não conheço absolutamente a meu
irmão pequeno.
Ária lhe agarrou as mãos, sujeitando-lhe com ternura contra sua própria
cara. Fechou os olhos, desfrutando de seu suave contato, desfrutando de sua
força. Sim, tinha uma prometida. Sim, não podia esperar muito dele, se acaso.
Mas, entretanto, tinha-a amado, o havia dito. Não tinha estado usando-a
simplesmente, jogando com ela para lhe causar ainda mais
tortura quando se voltasse em seu contrário.
—Disse que me amava —sussurrou.
Ele a atraiu para si, envolvendo-a com os braços e seu corpo se fundiu com o
seu.
—Sim.
Ária queria voltar a chorar por tudo o que quase tinham tido, por tudo o que
tinham perdido. Por tudo o que perderiam e nunca poderiam ter. Mas era impossível
sentido quando ele a abraçava. Era impossível
sentir dor quando lhe beijava a frente com doçura, lhe acariciando a orelha com
o nariz, tocando-a com tanta veneração e fascinação. deixou-se levar, deixou-se perder-
se nele. Os últimos meses tinham sido tão terríveis,
mas seu contato aliviou toda a crueldade e a pena que se obstinado a
ela. Seu contato fez que tudo melhorasse; foi como um bálsamo para a precária
ferida que se esteve apodrecendo em seu interior desde sua separação. Solo por um
momento, nesse instante, precisava sentir-se melhor.
Precisava senti-lo a ele.
CAPÍTULO 5

Ária despertou com calma, os olhos lhe pesavam e o sonho se aferrava a ela.
Era a primeira vez desde que tinha deixado o palácio, que dormia sem
que a acossassem pesadelos. A primeira vez que não se levantava dolorida, a
primeira vez que podia despertar e voltar a respirar com facilidade. Seu olhar
recaiu imediatamente no Braith; estava junto à janela,
contemplando a escura noite. Ária ficou tombada em silêncio,
desfrutando daquele bendito momento de paz, mas a realidade a golpeou
com força muito logo.
Ergueu-se de repente, a angústia dando voltas em seu interior enquanto
contemplava o céu noturno. O dia se acabou. Braith se girou para ela e a
estudou com olhar inquieto.
—Meu pai vai se preocupar muito, e minha família, e meus amigos. —
Embora lhe fosse matar dizer as palavras, disse-as de todos os modos—: Tenho
que ir, Braith.
Ele se girou outra vez para a noite antes de voltar a olhá-la.
—É tarde, Arianna.
—Sei, mas...
—Esta noite, só esta noite.
Ela o observou com nostalgia, a boca lhe abriu e o coração o martilleó pela
emoção. Tinha tantas vontades de ficar com ele essa noite,
e todas as noites seguintes. Não poderia ter essas noites, mas sim que podia ter
esta. A culpa se apoderou dela durante um breve instante enquanto pensava em sua
família e amigos, mas solo seria uma noite. Seria

a única noite que teria para o resto de sua vida. Estava mau, estava sendo
egoísta, mas por uma vez não lhe importou.
—Vale —disse em voz baixa.
Braith esboçou um sorriso de diversão e inclinou a cabeça para um lado.
—Esperava-me algo mais de briga.
Lhe devolveu o sorriso enquanto seus dedos brincavam com o
almofada do sofá.
—Não sou difícil sempre.
—Poderia me haver enganado. Vêem.
Tendeu-lhe uma mão enquanto caminhava para ela.
Tomou a mão e lhe sorriu timidamente.
O homem a conduziu por um corredor às escuras, acendendo
interruptores à medida que avançavam. Um aroma de comida que fazia a boca
água lhe chegou antes inclusive de que tivessem chegado à cozinha.
Abriu a boca e os olhos lhe aumentaram pela surpresa quando entraram
na habitação. A comida estava disposta nas encimeras: queijos, pães, frutas e
carnes empilhados ordenadamente sobre dois pratos. Ária olhou
a seu redor perguntando-se quem tinha feito isso, mas não havia ninguém
mais na casita. Seu olhar recaiu no Braith, que a contemplava com diversão.
—Tem-no feito você.
—Não sou de tudo inútil —replicou em brincadeira.
Ária não pôde evitar lhe devolver o sorriso. Era uma das coisas mais doces que
alguém tinha feito nunca por ela. Não se parou a pensar no
que aquilo dizia sobre sua vida, não merecia a pena. Lhe dava bem arrumar-lhe
com muito pouco.
—Venha, tem fome.
A garota não lhe perguntou como sabia, seu estômago rugia com força
uma e outra vez. acomodou-se em um tamborete junto à encimera enquanto ele
enchia-lhe o prato com comida. Ária levantou uma sobrancelha, divertida pela
grande
quantidade de comida que lhe estava amontoando.
—Não me estou morrendo de fome —lhe disse.
—tornaste a perder peso —replicou ele, lhe deslizando o prato diante.
Ária se encolheu de ombros; no bosque não ficava outro
remédio. Não tinham suficiente para comer e trabalhavam sem cessar.
—Obrigado.
Ele se sentou em frente e se cruzou de braços. Ária o estudou durante um
momento, sentindo-se coibida enquanto ele a observava comer.
—Que lugar é este? —perguntou.
—Pertencia à família de minha mãe, era seu refúgio de férias.
—De verdade? —Ária percorreu com a vista a cozinha espaçosa e
luminosa—. É muito agradável. Virão aqui para te buscar?
—Jericho e eu somos quão únicos alguma vez vínhamos aqui, a
exceção de alguns serventes que uma vez à semana repõem a comida no caso
de trazemos para algum humano conosco.
—por que vinham vós dois aqui?
Braith se encolheu de ombros, recostou-se no assento e entrelaçou as
mãos sobre o peito.
—Para caçar, para escapar. Para estar a sós um tempo.
—Para escapar do que?
—De muitas coisas —replicou evasivamente—. Come, Arianna.
A garota escolheu uma parte de maçã e começou a mastigá-lo, mas
logo que notou sua doçura na boca, já que estava pensando em suas palavras.
—Virão aqui para te buscar?
—Não. Duvido que meu pai nem sequer recorde onde está este sítio, e
Caleb está ocupado. Nem se darão conta de que me fui.
—E o que passa com o Jack? Virá aqui para me buscar?
A confusão se estendeu por seus olhos antes de que o compreendesse.
—Esquecia que o chamava Jack.
Ária sorriu e se inclinou para ele.
—Assim é como o conhecemos. Sem dúvida, não é um príncipe para
nós.
Lhe devolveu o sorriso e lhe deu um toquecito no nariz antes de voltar a
acomodar-se em seu assento.
—Suponho que não. Mas não, Jericho não virá aqui. Duvido que se o
ocorra sequer.
Ária assentiu, aliviada ao saber que não os incomodariam essa noite.
acomodou-se e um grande peso lhe tirou de cima quando lhe fincou o dente
ansiosamente à deliciosa comida. Falaram com facilidade,
intercambiaram histórias. Lhe contou como era crescer no bosque. Falou-lhe de
seu pai e de seus irmãos, Daniel e William. Contou-lhe coisas que antes tinha estado
muito assustada para lhe contar, quando ele não sabia que seu pai era o líder dos
rebeldes. Ária não sabia muito aproxima
de sua mãe, tinha sido assassinada quando ela e William eram pequenos.
Seu pai não falava dela muito freqüentemente, era muito doloroso para
ele, mas quando lhes contava algo sobre ela, Ária escutava com atenção,
ansiosa por descobrir algo sobre a mulher que em realidade nunca
tinha conhecido.
Apesar de que lhe contou muitas coisas, não lhe deu nenhum detalhe sobre
onde se alojavam nem como trabalhavam exatamente cada dia. Acreditava que
podia confiar nele, mas ainda havia muito entre eles como para
pensar sequer em lhe dar algum desses detalhes, e ele não perguntou.
em que pese a que Braith a escutou, não disse muito sobre sua vida. Sua mãe
também tinha morrido. De seu pai não falou quase nada, e quando o fez,
Ária teve o pressentimento de que não gostava e de que não se levavam
bem. Logo que mencionou ao Caleb ou a suas irmãs; do Jericho falou um
pouco mais e, embora Ária apreciou a tensão subjacente em sua voz, também
notou que o único indício de carinho que mostrou para algum membro de seu
família ia dirigido a ele, seu irmão pequeno.
Ela desfrutava escutando-o falar, e embora poderia ter seguido
escutando-o toda a vida, em que pese a que sabia que isso era impossível,
decidiu
fingir que solo por essa noite, teriam toda a vida. Era incrível ser seu igual,
para variar, e não sua pulseira.
A lua se elevou alta no céu e quando estava começando seu
descida, ele ficou de pé.
—Deve estar cansada.
Estava cansada, mas não se ia dormir. Queria desfrutar de cada momento dessa
noite. Amanhã poderia dormir, quando ele se foi e
ela estivesse sozinha outra vez.
—Estou bem.
Braith lhe agarrou a mão e a atraiu para si. Envolveu-lhe a parte posterior da
cabeça com a mão e a embalou contra ele. Ela o abraçou deleitando-se simplesmente no
contato de seu corpo firme contra o seu, memorizando a sensação de estar em seus
braços de novo. Abriu a
boca enquanto a surpresa a invadia quando ele se inclinou e a elevou em braços
com facilidade. Observou-o com delirante fascinação enquanto lhe acariciava com os
dedos a nuca. Braith não apartou seu olhar intenso e ardente da sua enquanto saía
facilmente da habitação com grandes
pernadas.
Abriu-se caminho pelos escuros corredores sem dificuldade até que se deteve
ante uma porta e a abriu. Não se incomodou em pulsar o interruptor,
mas sim avançou com passos largos e a colocou com ternura sobre a cama.
Ária o observou mover-se de um lado a outro, fechando as cortinas e
bloqueando a luz da lua, que já se atenuava. O coração o martilleaba
com emoção, tinha a boca seca e a incerteza se apoderou dela. Não
sabia o que ia passar, o que esperava ele ou nem sequer o que estava disposta
ela a lhe dar. Lhe teria gostado de fingir que tinham toda a vida, mas não era
assim. Entretanto, era Braith. Embora não voltasse a vê-lo nunca, sabia que
jamais amaria a ninguém como a ele. Essa era, com toda probabilidade, sua
última
noite juntos, se não ia voltar a vê-lo nunca, então não quereria lhe dar
tudo o que pudesse?
O homem estava tão calado como um fantasma quando voltou junto
a ela e se deslizou a seu lado na cama. Atraiu-a para si, beijando-a com
suavidade. Todas as dúvidas e preocupações se desvaneceram; não ia pensar
nisso, agora não. E ele fazia que fora tão fácil esquecê-lo tudo, exceto a ele. O homem
lhe acariciou a cara e o cabelo com as mãos enquanto a apertava contra a cama. Os
olhos lhe brilhavam na tênue iluminação da habitação e lhe pôs uma mão a cada lado da
cara com
suavidade.
—É preciosa.
Ela nunca tinha pensado que o fora, mas se sentia preciosa quando
estava com ele. sentia-se como se fora a única mulher do mundo, e, em certo
modo, para ele o era. Tinha sido a primeira mulher que tinha visto em
anos. Ária baixou as pestanas quando as lágrimas lhe arderam nos olhos, não
queria pensar em nada mais, mas não podia evitá-lo. Isso era tudo. Isso era tudo o que
teria dele.
—Arianna?
Ela levantou o olhar e forçou um sorriso.
—Estou bem, Braith, genial.
Lhe deu um beijo no nariz, atraindo-a a seu lado enquanto descia de
em cima dela.
—Tenho que te contar algumas costure mais, Arianna. Minha intenção não é
que te zangue, mas não quero que te surpreenda nada do que ouça sobre
mim.
Ela franziu o cenho e elevou a cabeça para olhá-lo. Ele parecia
preocupado; os olhos distantes, atormentados.
—O que acontece? —perguntou.
O príncipe deixou que seus dedos se deslizassem por seu cabelo.
—antes de ti, nunca tinha tido uma pulseira de sangue.
—Sei.
—depois de ti... —Sua voz se apagou durante um momento, os dedos
lhe esticaram um instante em seu cabelo—. Houve muitas.
Ária o olhou surpreendida, e então uma súbita punhalada de traição
abrasou-a com a intensidade de um raio. Custou-lhe todas suas forças seguir
respirando. Tinha acreditado que ela era especial. Não, ela era especial para ele. Não
podia começar a pensar dessa forma, não podia permitir-se
começar a duvidá-lo porque arruinaria o pequeno pedacinho de felicidade que
tinham conseguido encontrar juntos. Ela era especial para ele, a ele sim que lhe
importava ela. Tinha que seguir acreditando que era certo. Ele não estaria ali se não o
fora.
—por que? —perguntou com voz afogada.
Braith não apartava o olhar da sua. Tinha um ar à defensiva,
quase desafiante.
—Estava tratando de esquecer.
—Esquecer o que?
—A ti.
Ela conhecia essa sensação, a necessidade imperiosa de não pensar em
nada, de não sentir nada nunca mais, embora só fora durante um breve instante.
—E funcionou?
—Por isso estou aqui.
Ária conseguiu sorrir fracamente, mas não podia apartar o
persistente dor que sentia.
—Nunca lhes dei meu sangue, Arianna, nunca tenho feito isso com
nenhuma outra pessoa.
A garota assentiu levemente, tentando não mostrar o molesta que
estava, mas sabia que estava fracassando.
—Não passa nada.
—Arianna, eu pensava que... não sei o que pensava. Esse é o
problema, estava decidido a não pensar.
—Sei, Braith, entendo como se sentia, como te doía pensar,
inclusive respirar. Sei porque eu tampouco queria pensar ou sentir nunca mais.
Não me agrada, mas o entendo. É... é o que tinha que fazer.
Para quando terminou a frase, quase não podia falar, as lágrimas lhe obstruíam
a garganta, mas não lhe saía zangar-se com ele nesses momentos.
Ela não tinha estado ali para ele, tinha acreditado que o príncipe lhe tinha
mentido, enquanto que ele tinha pensado que ela o tinha traído. Não
podia enfurecer-se quando a estava olhando com uma expressão tão
vulnerável e necessitada. Pode que não lhe tivesse dado seu sangue às demais
pulseiras, mas estava segura de que tinham feito outras coisas; coisas
que eles nem sequer tinham feito juntos.
Ária desprezou rapidamente a idéia. Ali não tinha lugar, essa era sua noite, o
príncipe estava sendo sincero e não podia culpá-lo por isso. O
tinha aberto seu coração, apesar de que não tivesse necessidade de fazê-lo;
ela já estava em sua cama. Ária não aprovava o que tinha feito, nunca o
perdoaria, mas não ia deixar que aquilo lhes arruinasse essa noite, não podia.
—E o que fazia você para deixar de pensar? —perguntou-lhe Braith
fracamente, embora ela sentiu a tensão de sua voz.
Ele se tinha entregue às mulheres e ao sangue. Ela se tinha entregue ao bosque,
à natureza, à solidão.
—Ir de pesca.
Braith arqueou uma sobrancelha com diversão.
—Foi de pesca?
—Sim, ia ao lago quase todos os dias e pescava. Estava tão tranqüilo que podia
me perder na natureza e serenidade. Inclusive quando Max...
—Max? —Braith quase lhe rugiu o nome.
A garota franziu o cenho. Ela se tinha tomado seus inquietantes
notícias relativamente bem, assim que lhe devia o mesmo respeito.
—Sim, Max. É meu amigo. Também foi um escravo de sangue, embora
sua experiência foi muito pior que a minha. Ele necessitava a solidão, a paz
e a companhia de alguém que entendesse, ao menos um poquito, o que lhe
tinha passado. Vinha comigo e simplesmente nos sentávamos juntos em
silêncio.
—Eu acredito que ao Max gostaria de ser algo mais que seu amigo. —Sua voz
soou grave e áspera quando lhe grasnou as palavras.
—Braith... —Não sabia o que dizer ou o que fazer. Se começava a negá-lo,
sabia que solo conseguiria irritá-lo, mas ele estava sendo sincero, assim
ela também deveria sê-lo—. Sim, é certo. E durante um tempo eu gostava
muitíssimo. Era maior que eu, ele melhor amigo de meu irmão, e lhe dava meu
primeiro beijo. —Ao Braith lhe pôs tensa a mão que tinha apoiada em seu
nuca—. Mas inclusive antes de que fôssemos escravos de sangue, inclusive
antes de te conhecer, decidi que nunca poderia haver nada entre nós.
A luta do Braith por manter a calma se fazia evidente na
força com que apertava a boca.
—por que não?
Ária se encolheu de ombros.
—Não lhe desejo o tipo de vida que tenho a ninguém, sobre tudo a um menino.
É muito crua.
O homem permaneceu em silêncio enquanto a estudava, depois a
aproximou para si. Seus lábios estavam quentes, eram suaves e reconfortantes
contra os seus. Acariciou-lhe a nuca com a mão. Ela voltou a perder-se
nele, esquecendo-se de tudo e de todos. O efeito que tinha sobre ela era incrível
e absoluto.
O príncipe a beijou nos lábios e depois no nariz antes de apartar-se dela.
—Tudo irá bem —sussurrou—. Todo se arrumará.
A garota sorriu com ironia e assentiu. Os dois sabiam que não iria bem,
mas ali, essa noite, em seus braços, podia acreditar-se algo. sumiu-se
no beijo, perdendo-se em seu contato e na sensação de estar com ele.
Era incrível; tudo o que ela sempre tinha cobiçado e nunca tinha podido ter.
Lhe deu a volta enquanto sua boca se movia sem pressa por seu
pescoço. Baixou-lhe a camisa para deixar seus ombros ao descoberto. deteve-
se
na marca da mordida, seus lábios se abateram sobre ela e a garota
sentiu a forte pressão das presas do príncipe contra sua carne.
—Não passa nada —exalou a garota com os dedos enroscados em seu
espessa cabeleira—. Não passa nada, Braith.
Ele não vacilou, mas sim a mordeu reabrindo a marca da
mordida e fazendo que o sangue saísse a fervuras outra vez. Ária arqueou o
corpo, mas a espetada foi intenso e fugaz. Então sentiu um
puxão familiar quando seu sangue passou de seu corpo ao do homem. Mas a
diferença da primeira vez, ele não estava esfomeado nem quase enlouquecido
por
a fome. Nesta ocasião, estava muito mais sereno e foi muito mais carinhoso
enquanto se movia em cima dela. Ária se aferrou a seus rígidos braços; as lágrimas se
derramavam por seu rosto enquanto desfrutava da
maravilhosa sorte do momento. Não queria que acabasse nunca, não queria
separar-se nunca dele, já que o prazer que Braith sentia se deslizava para
ela e sua felicidade a enchia.
O homem se separou dela e a sujeitou enquanto lhe limpava as
lágrimas das bochechas.
—Não chore, Arianna.
Ela não podia conter as lágrimas nem as emoções que se o
transbordavam. Passou-lhe as mãos por seu amado rosto tentando
memorizar cada detalhe antes de que voltassem a separar-se, esta vez para
sempre. Ele se apartou ligeiramente dela e se fez uma mordida
profunda em sua própria boneca. Ária não pôde apartar o olhar enquanto a
sangue emanava dele. A diferença da última vez, recordaria esse intercâmbio.
Parecia-lhe que deveria sentir repulsão ante a idéia de beber seu
sangue; depois de tudo, os vampiros eram seus inimigos; sempre o tinham
sido, mas não sentiu tal repulsão quando lhe tendeu a boneca. A
necessidade que havia em seus olhos saltava à vista e ela não ia rechaçar o.
Jamais lhe faria mal daquela forma. Observou-o enquanto tomava sua boneca e
a levava a boca. Os olhos do príncipe brilhavam com desejo
e amor.
Seu sangue era doce à medida que fluía para ela, capitalista enquanto
penetrava em suas células. O príncipe a beijou na frente e seu nariz lhe roçou
levemente a sua enquanto lhe acariciava o pescoço com a cara.
—Eu também te amo, Arianna —sussurrou; a boca quente contra seu
orelha.
Suas palavras só conseguiram que lhe derramassem mais lágrimas.

***

Ária despertou com o aroma de algo delicioso que se estava cozinhando.


Sorriu com alegria, estirando-se na cômoda cama enquanto seu estômago
rugia com espera. Não sabia o que lhe estava preparando Braith, mas cheirava
estupendamente. Ao arrastar-se fora da cama, descobriu o quarto de banho, e a
ducha. Atraída pela tentação da água quente, foi incapaz de
resistir a meter-se na ducha. Quando se obrigou a sair do calor, que já
diminuía, encontrou uma bata pendurada detrás da porta do banho.
A bata cheirava a ele, o que fez que fosse ainda mais irresistível ficar a O
tecido aveludado se sentia estupendamente contra sua pele nua. Vacilou durante um
momento, coibida por sua nudez sob a bata, mas não estava lista para voltar a ficar sua
roupa. Não é que estivessem sujas, mas sem dúvida não estavam tão limpa como a bata,
e ela
desfrutaria de seu breve indulto durante um pouco mais de tempo; não
acreditava que ao Braith fosse importar.
Se escabulló da habitação, seguindo seu olfato enquanto caminhava
em silencio pelo corredor.
«Há algo que cheira genial, e decidi que a ducha é o melhor invento do
mundo», pensou.
Ao dobrar a esquina se sujeitou o nó do cinturão já que Braith apareceu na
vista. Estava de pé na porta da cozinha, de costas. Ária
franziu o cenho sem saber o que estava fazendo ali. O homem girou a cabeça
para a garota e quando a viu, seu olhar foi escura e turbulenta.
Ária vacilou, confundida por seu evidente angustia. Quando se haviam
ficado dormidos, estavam bem, melhor que bem, inclusive. Ela nunca se havia
sentido tão contente e feliz em sua vida, nunca se havia sentido tão unida a outra pessoa.
E agora parecia como se solo vendo-a, fora suficiente para que ele
enfurecesse-se. Ária se estremeceu; as mãos lhe tremeram no nó de
a bata. O que estava passando?
O príncipe estreitou os olhos com severidade e a seguir estrelou
a mão contra a porta com tanta força para estilhaçar a madeira.
Ária deu um salto quando a madeira se partiu fazendo muito ruído e os
partes se dispersaram pelo chão. O coração lhe deu um tombo pela
surpresa, mas seguiu sem ter medo, não dele. Não lhe faria mal, sabia,
mas não entendia o que é o que lhe acontecia nesses momentos.
Braith se separou dela; as costas reta como uma tabela, os músculos
lhe tremendo sob o tecido da camisa. Ária desviou o olhar de sua rígida
costas, então abriu de repente os olhos e a boca quando viu o Jack ao outro
lado da habitação. Estava de pé junto à porta que dava ao exterior, olhando-a fixamente.
Em seus rasgos se apreciava a surpresa, mas
também a confusão e uma tristeza vibrante que a impactou.
Nesse instante compreendeu que seu maravilhoso mundo de felicidade se
fazia pedacinhos uma vez mais.
—Ária —a saudou Jack.
Ela desejava aproximar-se do Braith, mas a mão ficou congelada
na bata. Não sabia o que dizer ou o que fazer. Estava virtualmente nua,
de pé na casa de sua família, com o cabelo úmido e despenteado. dava-se
conta do que parecia, mas não lhe importou. O que sim lhe importava era que
Jack os tinha encontrado. Que tinha ido ali para arruinar o breve tempo que podiam
acontecer juntos, outra vez. A irritação a invadiu, tinham passado tão pouco tempo
juntos, em especial como iguais, e agora todo se
tinha acabado.
Olhou-o com fúria, as mãos fechadas em punhos aos flancos. Jack
arqueou uma sobrancelha enquanto a estudava de forma inquisitiva.
—Suponho que não a obrigaste a vir aqui —enunciou com voz
inexpressiva.
—Não —respondeu Ária, quando viu que Braith não dizia nada.
Jack a contemplou fixamente durante um momento e depois centrou a
atenção em seu irmão.
—O que está fazendo, Braith? —balbuciou.
Braith ficou com o corpo rígido, mas o braço que havia
estrelado contra a parede lhe tremia e os nódulos lhe puseram brancos. Ária
sabia que não só se agitava porque Jack estivesse ali, a não ser
pelo fato de que seu tempo juntos se acabou. Os dois sabiam
que Jack tinha ido ali para levar-se a de volta, e não havia nada que nenhum
deles pudesse fazer para detê-lo. Ela tinha que voltar para seu
mundo, ao igual a Braith tinha que retornar ao dele.
—Isso não é de sua incumbência —se queixou Braith.
Os olhos do Jack brilharam com irritação.
—Sim que me incumbe. Ela é uma menina, não tem direito...
—Não sou uma menina! —interrompeu-o Ária com brutalidade—. E você
não é meu pai nem meu irmão, Jack.
Jack a olhava de forma implacável.
—Não, seu pai e seus irmãos teriam vindo aqui para matar. Eles
teria horrorizado te encontrar assim.
Ária retrocedeu ante suas duras palavras, sentia como se lhe houvesse
dado uma bofetada.
—Para —rugiu Braith—, não lhe fale assim.
—Não tem nem idéia de no que te colocaste, Ária —continuou Jack
como se Braith não houvesse dito nada—. E sim, é uma menina. Sobre tudo
comparada conosco. É um leve pestanejo em toda a duração de nossa vida, Ária. Você
deveria sabê-lo melhor, Braith, não te acreditava capaz de
lhe fazer isso a uma menina, e nada menos que a uma menina humana!
O que te crie que está fazendo!?
Braith se enfureceu pela reprimenda e os músculos das costas se
agitaram-lhe.
—Como já te hei dito antes, isso não te incumbe.
Jack torceu para cima o lábio superior ao mesmo tempo que tinha
um espasmo no olho, que teria sido gracioso se aquilo não fora tão terrível.
—Como é que a encontraste? O que é o que está fazendo
fora do palácio?
Nem Braith nem Ária lhe responderam. Jack olhou rapidamente a um e a outro,
então deixou cair os ombros e seu olhar se posou sobre ela.
—Mentiu-me.
Ária negou com a cabeça.
—Não te menti.
—Então como chamas a isto!? —explorou—. Te perguntei se ele
tinha compartilhado seu sangue contigo! Você me disse que não!
—Não vou voltar a te repetir que vigie como lhe fala! —bramou
Braith.
Ária lhe agarrou o braço ao sentir que o homem perdia o controle rapidamente.
Estava a ponto de chegar a seu ponto crítico, que era muito instável. Ela não ia deixar
que brigassem, não só porque fossem irmãos, mas também porque pressentia que
destroçariam a casa e a eles
mesmos se o faziam. Não estava disposta a deixar que isso passasse por sua
culpa.
—Não passa nada, Braith.
Ele se relaxou um pouco, mas seus músculos seguiram tremendo e ela não se
enganou acreditando que não ia atacar em qualquer momento.
—Não o recordava, Jack, acreditei que foi um sonho. Não menti a
propósito. O que passou foi... —Não sabia o que tinha passado, não podia
explicar-lhe O sinto, Jack.
—Não lhe peça desculpas —lhe disse Braith.
—Puseste a todos em perigo —a arreganhou Jack.
Ária se aproximou do Braith; necessitava seu contato para aliviar seus
nervos a flor de pele. Lhe devolveu o olhar, os olhos lhe suavizaram
conforme a observava. Ela o contemplou durante um momento tentando
acalmar os batimentos do coração acelerados de seu coração. O príncipe por
fim apartou a
mão da parede para atrair à garota para ele e a empurrou um pouco para
suas costas para tentar apartá-la do escrutínio do Jack.
Ária apoiou a frente no peito do Braith e inspirou profundamente,
tratando de acalmar seus selvagens nervos a flor de pele. Braith lhe cobriu a
nuca com a mão e a abraçou durante um momento prolongado enquanto
inclinava a cabeça para a sua.
—por que não te veste, Arianna? —sussurrou-lhe ao ouvido.
Ela negou com a cabeça e seu olhar se precipitou de novo para o Jack.
—Não, não lhes vou deixar sozinhos.
—Não passará nada —lhe assegurou—. Mas prefiro que esteja vestida,
de acordo?
A garota se sentia vulnerável nesses momentos e lhe teria gostado de ter roupa,
mas não estava disposta a deixá-los juntos a sós.
—Não, Braith —disse.
O homem grunhiu com impaciência. Ária podia sentir a frustração
que lhe causava, mas não ia-se dali se existia a mais mínima possibilidade de
que se atacassem o um ao outro.
—Vete, Ária —lhe disse Jack.
—Jack, pode que sejamos amigos, mas tem que deixar de me tratar
como a uma menina. —Jack elevou as sobrancelhas com surpresa—. Os dois
—acrescentou
voltando a centrar sua atenção no Braith—. Não sou tão velha como você, mas
vi e experiente muitas coisas. Assim não, não irei daqui até que esteja segura de que não
lhes matarão o um ao outro.
Braith apertou a mandíbula com chateio e Jack torceu a boca com
sardônica diversão.
—Bom, ao parecer desobedece a todo mundo, inclusive ao futuro e
poderoso rei —disse Jack, arrastando as palavras. Braith lhe lançou um olhar
feroz—. Você vais ser sua rainha, Ária? OH, mas se não poder sê-lo,
já há outra acordada para lhe dar herdeiros. Então o que, será a amante,
a mulher mantida?
Ária se encolheu ante o brusco aviso de que não poderia ser seu
reina, de que nunca o seria. Afundou os dedos com mais força no braço
do Braith e se esforçou por respirar apesar da angústia que lhe oprimia o
peito.
—Já é suficiente! —bramou Braith—. Como diz uma palavra mais,
arrancarei-te a língua, Jericho, entendeste-me!?
—Uma palavra mais da verdade? —perguntou-lhe Jack.
Ária se aferrou ao Braith enquanto ele tratava de apartar-se dela e arremeter
contra seu irmão.
—Para, o Braith, por favor. lhes detenha os dois, parem!
Braith tentou que o soltasse, mas a garota conseguiu meter-se entre ambos.
—Parem!
Ária respirava com dificuldade, aterrorizava-lhe estar a ponto de
presenciar a dois irmãos matando-se entre eles. Não se deu conta de que
a manga de sua bata se baixou, deixando seu ombro ao descoberto, até que
Braith a agarrou. Levou-a para trás e lhe subiu a manga para lhe cobrir a pele e a escura
marca que ali tinha. Entretanto, já era muito tarde, Jack não tinha passado por cima a
recente mordida. Se
ficou olhando fixamente seu ombro, agora coberto, antes de elevar por fim
seu perplexo rosto para ela.
—Já lhe hei isso dito, estou aqui por vontade própria —lhe informou
Ária.
CAPÍTULO 6

Braith lhe rodeou a bata, surpreso ao dar-se conta de que não levava nada
debaixo. Tinha esperado que ao menos tivesse a fina camisola que lhe havia
preparado, mas talvez a garota não o tinha visto, ou ao melhor simplesmente
tinha dito não ficar o Em qualquer caso, não levava roupa. Não sabia se a perspectiva o
emocionava ou enfurecia mais. Embora,
se seu irmão não tivesse estado ali de pé, Braith sabia qual teria sido
a resposta terminante a essa pergunta.
Para sua surpresa, Arianna parecia alheia ao novo descobrimento que
Braith fazia, pela forma em que seguia olhando de maneira
desafiante ao Jack. O príncipe voltou o olhar para seu irmão.
—Vim aqui por vontade própria, e sei que não temos um futuro
juntos, Jack —disse ela—. Não faz falta que me recorde continuamente
algo do que sou dolorosamente consciente. Eu queria isto. O
necessitava.
em que pese a que sua voz era firme, Braith viu as lágrimas em seus olhos.
—Ária —disse Jack, de mau humor e com aspecto de estar perdido e
atônito.
A garota fechou os dedos entreabro ao braço do Braith.
—Sei todo —lhe disse—. Tudo. E o aceito pelo que é, Jack.
—Sabe o das pulseiras de sangue? —perguntou-lhe Jack—. A
grande quantidade que teve nos últimos meses? Sabe o que lhes tem feito, o
que tem feito com elas, Ária? Você não é especial!
Apesar de que Braith seguia considerando-o seu irmão, começava a
dar-se conta de que o homem que tinha diante não era o Jericho que ele tinha
conhecido, a não ser Jack, como Arianna o conhecia. Não era o mesmo irmão dele que
tinha deixado o palácio seis anos atrás, não era o mesmo
Jericho com o que Braith tinha crescido e ao que tinha estado unido. Este
homem era um estranho, um que parecia decidido a lhe arrebatar a Arianna.
Braith não acreditava que fosse porque Jericho tivesse sentimentos românticos
para ela, mas sim porque tinha chegado a considerá-la como a uma irmã
ou uma boa amiga. Uma a que tentava proteger, mas, por desgraça,
tratava de proteger a dele. Jericho também parecia decidido a feri-la em seu
intento de afastar a dele.
Seu irmão não se dava conta de que tentava mantê-la a salvo de
alguém que morreria para assegurar-se de que ela estava bem. Braith sabia
que o homem que tinha frente a ele não era Jericho, a não ser o homem em que
transformou-se. Agora era esse indivíduo chamado Jack, e Arianna o conhecia
muito melhor que Braith.
Ária o olhou e se mordeu o lábio inferior enquanto os olhos lhe alagavam de
lágrimas. A ira se disparou pelo corpo do príncipe; já tinham jogado bastante com a
garota. Não podia suportar que tivesse que sofrê-lo outra vez. Sujeitou-lhe o rosto com
as mãos, desfrutando de do tato
de sua sedosa pele.
—Também sei o das pulseiras —disse ela em voz baixa.
Braith apoiou a frente na sua e se tomou um instante para desfrutar
da paz e o esplendor que ela havia trazido para seu ocupado mundo. Quão
último tivesse querido teria sido lhe revelar a classe de monstro que
tinha sido durante os últimos dois meses, mas agora se alegrava
imensamente de haver-lhe dito antes de que Jack o fizesse.
—Você é especial —lhe assegurou.
—E uma mierda —sussurrou Jack. Agarrou uma cadeira da mesa e se deixou
cair sem forças—. O que tem feito, Braith? O que têm feito vós dois?
Braith lhe deu um prolongado beijo à garota antes de apartar-se dela.
—Tirei-te algumas roupas, estão sobre o baú de minha habitação.
Por favor, vá vestir te, Arianna.
A moça olhou ao Jack e enrugou a frente com consternação.
—Estaremos bem —lhe assegurou.
Ela se deteve um momento antes de assentir finalmente em sinal de
consentimento. Braith a observou apressar-se pelo corredor lhes lançando
olhadas de receio, depois dobrou a esquina e desapareceu da vista.
Então, o homem voltou a girar-se para seu irmão e se cruzou
firmemente de braços minta o estudava. Jack não sabia que Braith podia
ver a incredulidade de seu rosto, não sabia que via cada movimento de seu
irmão.
—O que passa contigo, Braith? —inquiriu.
—Não sei —respondeu ele, com sinceridade.
Jack franziu o cenho e fechou as mãos em punhos sobre a mesa.
—Possivelmente ela pense que pode suportá-lo, mas não. É forte, Braith,
viu muitas costure, mas também é muito inocente, não sabe como
funciona o mundo. Você não a conhece do modo em que eu a conheço...
—E o que se supõe que significa isso? —exigiu saber Braith.
Jack suspirou, inclinou-se para frente na cadeira e entrelaçou as mãos sobre a
mesa.
—estive no bosque seis anos, Braith. Vi de primeira mão
o que esta gente sofre, o que nossa espécie lhes obrigou a sofrer.
Conheço ária há quatro anos, é orgulhosa, é selvagem e tem um dos corações
mais bondosos que vi nunca. Desde que a tirei desse palácio esteve destroçada, desde
que lhe tirei isso. Possivelmente ela cria que pode suportá-lo, talvez sinta que está
preparada para isso,
mas comparada conosco, solo é uma menina, e é evidente que está apaixonada
por ti.
Braith se deu a volta para ver se Ária voltava. Estava enfurecido, ressentido
com seu irmão por suas palavras e pelo fato de que parecesse
acreditar que ele sabia muito mais sobre ela.
—Não é sozinho uma menina —grasnou.
—Tem dezessete anos! Você vais ser o rei, vais casar te...
—Não necessito que me recorde isso constantemente, nem a ela! —
rugiu Braith—. Não tive a sorte de nascer o filho médio ou o pequeno.
Não tive a sorte de ter a oportunidade de deixar o palácio e todas minhas
responsabilidades atrás. Não tive a sorte de escapar da crueldade de pai!
Jack meditou suas palavras antes de responder finalmente:
—Já sei, Braith, provavelmente melhor que ninguém, por isso fui o
primeiro em ir. Embora ao princípio tinha pensado em ganhar o favor
de pai fazendo um pouco atrevido e arriscado. Pretendia ganhar seu
respeito, ia fazer que se desse conta de que era algo mais que um saco de
boxe. Entretanto, uma vez que fui livre, ao conviver entre a gente que ele
tinha maltratado inclusive mais que a nós, dava-me conta da classe de
monstro que nosso pai era. A família de Ária, e a própria Ária, foram os que
mais contribuíram a que me desse conta disso, e eles me
importam. Você é meu irmão, quero-te, mas nunca retornarei ali. Já não
compartilhamos as mesmas metas. Agora esta é minha gente, e os protegerei.
—E crie que eu não a protegerei?
Jack estudou ao Braith com ar de desesperança.
—Acredito que o tentará, mas não pode fazer muito. Odeia a pai
tanto como eu, mas sempre te importou a responsabilidade e o dever. Não lhe
dará as costas a isso. Por essa razão não te disse que me ia levar isso. Sabia que me
deteria simplesmente porque te pesaria muito
sobre a consciência estar envolto em dita traição.
—estiveste bastante tempo fora, Jack, não tem nem idéia do que
está dizendo —grunhiu Braith.
Jack estendeu as mãos sobre a mesa enquanto ficava médio em
pé.
—E por que será? —perguntou.
Braith voltou a olhar para o corredor. Arianna seguia sem estar à vista, mas
voltaria logo. girou-se para seu irmão. Jack se tinha convertido em um homem durante o
tempo em que tinha estado fora, mas Braith seguia vendo o menino dentro dele.
—vais casar te, Braith, vais relevar a pai. Esse é seu mundo, este não é...
— Ela é meu mundo —o interrompeu Braith com brutalidade.
Jack olhou além do Braith, mas este já lhe tinha tendido uma mão
a Arianna antes de que ela chegasse a seu lado. A garota lhe agarrou a mão e
a apertou entre as suas. Jack os estudou antes de voltar a deixar cair na cadeira.
—Por Deus, Braith, isto é um desastre —suspirou—. Seu pai está
preocupado por ti, Ária.
—Lamento-o.
Jack se passou a mão pelo cabelo desgrenhado e assentiu enquanto
jogava com o garfo que Braith tinha colocado na mesa.
—Como soube que estava aqui? —perguntou a garota.
—Não sabia. Supus que Braith poderia estar aqui.
Arianna o olhou franzindo o cenho com consternação.
—Não acreditava que ele fora a vir a me buscar —admitiu Braith—. Não
pensei que fosse esperar que estivéssemos juntos e, embora o fizesse, não
pensei que viria aqui.
—Entendo —murmurou ela.
—Solo esperava que houvesse a trazido aqui e não de volta ao palácio.
Esperava que não tivesse sido outra pessoa quem houvesse a trazido aqui —
explicou Jack.
—Agora confia em mim? —grasnou Braith.
Jack arqueou uma sobrancelha e inclinou a cabeça.
—Apesar do que tenha escutado ultimamente sobre ti, sigo
acreditando que pai não conseguiu destruir toda sua humanidade, como sim
fez com o Caleb. Sabia que estaria enfurecido porque te tinha tirado
à garota. Uma parte de mim esperava que tentasse encontrá-la de novo solo
para aliviar seu orgulho, mas não acreditava que a fosses castigar por algo que eu tinha
feito.
Braith continuou fulminando com o olhar a seu irmão, furioso com
ele. O fraco rugido do estômago de Ária foi o que fez que apartasse a atenção
de seu irmão.
—Deveria comer algo, Arianna.
—Braith...
—Posso escutar como ruge seu estômago. —À garota lhe pôs a
cara vermelha e agachou a cabeça—. Venha.
Conduziu-a para frente e tirou uma cadeira para que se sentasse.
Observou a seu irmão com suspicacia enquanto lhe empurrava a cadeira sem
pressas. Jack franziu o cenho e a frente lhe enrugou enquanto os estudava.
Arianna lhe devolveu o olhar, receosa e resignada. Braith lhe serve um prato de
comida e o deslizou diante dela.
A jovem vacilou durante um momento, mas ao final a fome ganhou e
afundou-se com anseia nos ovos.
—Pode ver! —soltou surpreso Jack.
Arianna ficou paralisada com o garfo a meio caminho da
boca e seu olhar se precipitou para o Braith. Nem sequer respirou enquanto o
observava com ansiedade. Braith apoiou uma mão em seu ombro para
tranqüilizá-la.
—Sim posso —confirmou.
—O que? Quando? Como?
Braith se encolheu de ombros e se acomodou no assento ao lado de
Arianna.
—Come —a animou.
Ela deu um par de bocados mais, mas o homem se deu conta de que
o temor tinha feito que lhe tirasse o apetite.
— Como, Braith? —pressionou-o Jack.
Ele se voltou para seu irmão, mas manteve uma mão na coxa
da Arianna. Pode que Jack lhe tivesse tirado à garota, mas era uma de
as poucas pessoas no mundo a que lhe teria crédulo a Arianna.
—Não sei —respondeu com sinceridade.
—Mas recuperaste a vista? Pode ver outra vez? —perguntou
com emoção Jack.
Durante um instante, a irritação e incredulidade se foram e a alegria
pura que sentia pelo Braith apareceu súbitamente. Braith nunca se queixou de
sua cegueira, o tinha tomado relativamente bem, mas o odiava. Jack sabia, e o
compadecia por isso.
—Às vezes posso, sim.
Jack franziu o cenho com confusão. Arianna estava imóvel, Braith
podia escutar o enérgico batimento do coração de seu coração, podia sentir a
ansiedade
que a percorria. Lhe havia dito que não contasse a ninguém sua capacidade
para ver quando estava perto dela. Entretanto, Jack não lhe faria mal,
Braith estava seguro disso. Passou as mãos pelo espesso cabelo da garota,
desfrutando de seu tato sedoso enquanto tentava aliviar sua tensão.
—E as outras vezes?
—Sigo sendo cego.
Jack estava totalmente confundido, mas Braith não sentiu a necessidade
de dar mais detalhes. Acreditava que podia lhe confiar a seu irmão a segurança
de Ária, mas Jack a tinha tirado, tinha-o traído e, para falar a verdade, ao
Braith gostava de deixá-lo na pobreza e confundido. Era uma vingança mínima, mas ao
menos era algo. Arianna ficou em silêncio,
a boca apertada em uma linha tensa enquanto os observava. Agarrou o garfo de
novo e começou a comer outra vez.
—Pois é muito estranho —murmurou Jack.
—Suponho que sim —assentiu Braith.
—Quando começou?
—Recentemente tempo.
Arianna continuou comendo até que ao final apartou o prato.
—Deveria voltar logo. Já preocupei bastante a minha família.
Não olhou a nenhum dos dois enquanto pronunciava as palavras.
Braith pôde escutar a dor de sua voz, o esforço que lhe havia flanco
dizer essas palavras. inclinou-se para ela e inalou seu doce aroma enquanto
acariciava-lhe brevemente o cabelo com o nariz. A garota finalmente se girou
para ele, dirigiu-lhe um olhar taciturno, mas em seus olhos havia um pingo
de resignação e determinação de aço.
—Arianna...
Lhe sorriu fracamente e lhe acariciou a bochecha.
—Obrigado por me trazer aqui. Obrigado por me dar a noite passada.
Lhe agarrou a mão. Odiava vê-la assim, odiava a distância que sentia
que estava pondo entre ambos.
—Ainda não, Arianna.
Lhe sorriu com tristeza e lhe pôs a bochecha na mão.
—Sim, é mais fácil fazê-lo agora. Jack me levará de volta. Tudo
sairá bem.
Tinha o olhar triste quando lhe apertou a mão e se levantou. Ao Braith
lhe oprimiu o peito e o pânico o atravessou. Não podia perdê-la outra vez;
não podia, simplesmente. A cadeira se derrubou quando ficou em pé de um
salto.
—Arianna...
—Não passa nada, Braith, os dois estaremos bem. —Seu coração pulsava
com força enquanto dizia as palavras—. Estarão bem —repetiu.
Braith a atraiu para si com firmeza. Podia ficar ali, podia
converter-se em alguém como Jack e esconder-se naquele bosque. Podia ficar
com ela, ajudá-la com a causa rebelde, assegurar-se de que estava
a salvo. Os dois podiam ser felizes. Mas assim que a idéia lhe passou pela
cabeça, soube que não podia ser. Seu pai não tinha destruído o bosque em busca do
Jack, mas se Braith se ia, e seu pai descobria por que, destruiria tudo e a todos com o
fim de encontrá-lo e castigá-lo. E se alguma vez encontrava a Arianna...
Braith não pôde finalizar esse pensamento, era muito terrível. O
que seu pai lhe faria à garota para castigar ao Braith seria horrível, atroz.
Não podia pô-la nessa situação, não podia arriscar sua vida dessa forma. Ária
enterrou a cabeça contra seu peito enquanto o abraçava de todo coração.
Depois se apartou a contra gosto com a cabeça encurvada. O homem a
agarrou pelo queixo e lhe inclinou a cabeça para beijá-la. Ela se fundiu com ele
e um suspiro baixo lhe escapou. Braith quase não se deu conta do som
que fez a porta ao abrir-se e fechar-se, pois se perdeu na incrível sensação de
estar com ela. Passou um momento até que despertou do doce sabor
de sua boca.
A garota o olhou sem piscar e esboçou uma sonrisita.
—vou jogar isto de menos.
Braith lhe aconteceu os dedos pelos lábios inchados.
—Posso voltar —lhe disse em um impulso. Não tinha planejado voltar
nunca; era muito arriscado para ela, mas ante a perspectiva de não
voltar a vê-la nunca mais, as palavras surgiram de sua boca—. Voltarei.
As lágrimas escorregaram pelas bochechas de Ária.
—Braith, vais casar te.
Ele negou com a cabeça, seus pensamentos se obscureceram. O último
que lhe preocupava nesses momentos era suas iminentes bodas e a zorra com
a que ia casar se. Sobre tudo agora que estava abraçando à mulher com
a que desejava passar toda a vida.
—Voltarei, Arianna, logo que possa. Retornarei. Lhe
encontrarei.
—Não será perigoso para ti?
—Encontrarei o modo —lhe prometeu lhe acariciando a cara.
Lhe sorriu de forma trêmula. Braith se deu conta de que queria discutir com
ele, de que queria lhe dizer que não, mas nenhum deles era o
bastante forte para partir. Ao menos, agora não. Voltou para
beijá-la e depois tomou a mão e a levou até a porta.
Jack estava de pé perto do bosque, de costas à casa. deu-se a volta ao escutar
que a porta se abria. Arianna apertou a mão do príncipe e um tremor a percorreu.
—As pulseiras de sangue, Braith, vai A...?
—Não haverá mais, Arianna.
Ela tentou acreditá-lo, mas seguia havendo duvida em seus olhos. Braith sabia
que a garota poderia lhe perdoar estes últimos meses; odiava o que ele
fazia, mas tinha entendido o motivo que o tinha levado a fazê-lo. Entretanto,
não o perdoaria nem o entenderia se continuava em
essa direção. Então não poderia haver nada entre eles, ele não seria o homem
que ela amava se continuava maltratando a seu povo, e não estava
disposto a perdê-la de novo caindo tão sob outra vez. Ao notar sua incerteza,
inclinou-se sobre ela e lhe acariciou a bochecha com a mão.
—Juro-te, Ária, que não haverá mais pulseiras de sangue.
Ela sorriu fracamente e assentiu um pouco. Ele a beijou com ternura e depois
voltou sua atenção para o Jack, que se aproximou deles. Tinha os olhos cansados e
tristes.
—Te assegure de que está a salvo até que possa voltar —grasnou
Braith.
—vais voltar?
Jack os olhou aos duas com a boca aberta e Braith o fulminou com a
olhar.
—Sim.
CAPÍTULO 7

Ária contemplou ao Max enquanto este se aproximava do mapa que haviam


disposto em metade da caverna. O menino o observou com olhar escuro e
intensa e elevou bruscamente as sobrancelhas. William estava de pé detrás dele
com
os braços cruzados sobre o peito e se mordia o lábio inferior
pensativamente. O pai de Ária falava em voz baixa e tinha a escura cabeça
inclinada sobre o mapa enquanto Daniel riscava uma linha em cima
com um pau.
Daniel era o único deles que tinha herdado a tez clara de sua mãe. Tinha o
cabelo da cor do trigo e a pele clara e salpicada de sardas, que lhe faziam parecer muito
mais jovem dos vinte e um anos que em
realidade tinha. Entretanto, seus olhos eram da mesma cor azul brilhante
que os de Ária e William. Ária estava em cuclillas, sentia cãibras nas
pernas, mas não podia apartar do mapa. Estava muito fascinada e
horrorizada por ele.
Centrou sua atenção no Jack, que estava afastado de outros em um lado com os
braços cruzados sobre o peito enquanto observava a parede
do fundo. Seu olhar foi para a seu muito devagar e a Ária custou todas suas
forças não ficar em pé de um salto, agarrá-lo por braço e arrastá-lo fora da caverna para
lhe exigir que lhe dissesse o que estava pensando.
Ária voltou a contemplar o mapa e tragou com dificuldade enquanto
Daniel assinalava o sítio onde estava o palácio. Ela sempre tinha tido
o conhecimento rudimentar necessário para ler um mapa, mas Braith o
tinha ensinado a ler muito mais. Entretanto, não tinha compartilhado esta
informação com a gente de seu redor, não acreditava que fossem apreciar o
muito e, independentemente do que dissesse ou fizesse, seguiriam
acreditando que Braith a tinha manipulado. Estava cansada de tentar
convencer os de que se equivocavam, isto lhe estava crispando os nervos,
desmoralizando-a, fazendo que sua luta diária por sobreviver fora
ainda mais tediosa.
—Assim é como o recorda?
Ária não se deu conta de que seu pai lhe estava falando até que advertiu que
todos a estavam olhando de forma inquisitiva. Tragou com dificuldade para tentar
umedecê-la garganta, que de repente lhe havia
ficado seca.
—Suponho. A verdade é que não emprestei muita atenção. Tampouco
saía muito —terminou em um murmúrio.
Apesar de que as lembranças de quando foi uma pulseira de sangue não
eram os que faziam que lhe tremesse a voz, seu pai pareceu pensar que sim.
Dirigiu-lhe um olhar compassivo e lhe apoiou a mão no ombro. Desde
que tinha retornado, tratava-a como se fora frágil e ela começava a estar
frustrada.
—Max?
Max estava afastado de outros em um lado com os braços cruzados
sobre o peito enquanto contemplava a parede distante. Tinha a mandíbula
apertada e a frente enrugada. A Ária não a tinham maltratado, mas a ele sim,
e agora seu pai estava falando de voltar ali como se fora a coisa mais
simples e fácil do mundo. Dizia que todos foram voltar.
—Por isso eu recordo, sim.
A Ária o martilleó o coração e depois lhe deu um tombo, logo que podia
respirar por culpa do terror que lhe oprimia o peito.
—Não podem fazer isso —sussurrou—. Entrar aí dentro seria uma
massacre, não podemos.
Seu pai lhe deu uns tapinhas no ombro antes de ficar em pé.
Sabia que era uma temeridade, sabia que era uma loucura, mas parecia
decidido a fazê-lo de todos os modos. E Ária sabia que o fazia por ela, porque
acreditava que a tinham maltratado durante o tempo que esteve com o Braith. Dava
igual quantas vezes lhe houvesse dito que não lhe tinham feito
nada, ele estava convencido de que mentia.
Seu pai se separou do mapa para deixar que William e Daniel se
inclinassem sobre ele.
—Primeiro enviaremos a uma equipe de exploração e faremos que
sondem a zona. Eles se encarregarão de descobrir as áreas mais débeis e
o melhor lugar para estabelecer a nossos soldados. Teremos que tomar
o castelo muito depressa.
—Papai —sussurrou Ária, espremendo-as mãos. As pernas o
tremiam e a cabeça lhe dava voltas—. A última vez que alguém tratou de
tomar o palácio foi uma massacre.
Entretanto, não lhe estava emprestando atenção e se afastou. O terror
rasgava o corpo de Ária. Não podia permitir que aquilo acontecesse, não podia
permitir que a gente morrera porque seu pai procurasse vingar-se de
coisas que nunca tinham ocorrido. Pelo menos a ela não.
Mas sim que tinham acontecido a outras pessoas, e seguiam
lhes acontecendo nesse mesmo instante.
Os rebeldes tinham feito um intento de tomar o palácio quando ela
era uma menina, e tinham sido dizimados. Como represália à atitude desafiante
dos rebeldes, o rei tinha mandado milhares de tropas que tinham arrasado, queimado e
massacrado os povos e bosques. Assim era como seu pai se converteu no líder. Tinham-
no eleito depois
de que o último fosse brutalmente assassinado e exibissem seu corpo no
povo maior como exemplo do que fariam a outros que tentassem atacar o
palácio.
—Esta vez teremos que ser mais preparados, abordá-lo de uma
perspectiva mais metódica —disse seu pai.
—eu gostaria de ir —se ofereceu William.
Ária abriu a boca de repente e se girou para seu irmão, seu gêmeo,
sua outra metade.
—Não, William —resfolegou—. Não pode ir ali.
—Sim posso.
—Não! Seu tom de pele e cabelo é muito similar ao meu. Lhe
reconheceriam. Diga-lhe Jack. Diga-lhe voltou-se virtualmente rogando
para o irmão do Braith—. lhe Fale do Caleb e da classe de monstro
que é. o conte o que Caleb lhe faria se o descobrisse ali! lhe diga que é
um idiota! Que todos o são!
—Arianna, já é suficiente —lhe disse de forma brusca seu pai.
—Quem é Caleb? —inquiriu Daniel.
—Meu irmão —respondeu Jack.
—O médio —explicou Max.
—Pensava que esteve com o major —disse Daniel.
Ária tremia enquanto tentava recuperar o controle de si mesmo. Se
atuava de forma desequilibrada e selvagem não conseguiria que a
escutassem. A nenhum deles lhe faria nenhum bem que se comportasse como
uma louca de atar. Se ia falar lhes de sua desatinada missão de suicídio, tinha que
permanecer tranqüila e serena.
—Sim —disse—. Braith é um bom homem...
—Não é um homem —o interrompeu Max.
Ária o olhou. Odiava a traição e o aborrecimento que irradiava seu
amigo ao posar seu olhar mordaz nela. Odiariam-na, todos a odiariam se
soubessem a verdade, mas, nesse momento, não lhe importava.
—Meu irmão maior acredita no dever e a honra. Tem-nos em alta estima. —
contou-lhes Jack.
—E isso inclui seqüestrar moças e as usar —o interrompeu o
pai de Ária bruscamente.
—Braith foi amável comigo —disse ela, por enésima vez, mas
nenhum a escutou.
—Caleb não é como Braith ou como eu —continuou Jack e olhou a Ária
de forma compassiva, mas com dureza—. Caleb é como nosso pai:
cruel, retorcido, vingativo. Se descobrir que é o irmão de Ária, torturará-te de
formas que não pode nem imaginar. Somente a cor de você
cabelo pode que seja suficiente para que se vingue contigo.
—Acaso seu irmão maior não o faria? —inquiriu William, o
desdém de sua voz era mais que evidente.
Ária pôde sentir o implacável olhar do Jack fixa nela. A garota não
sabia o que dizer ou o que fazer. Se descobriam que acabava de estar com o
Braith
e que tinha a intenção de voltar a vê-lo, ficariam feitos uma fúria.
Pensariam que tinha perdido a cabeça, que o tempo que tinha passado como
pulseira de sangue a tinha transtornado. Não se parariam a pensar em que estava com
ele porque de verdade o amava, mas sim, em seu lugar, assumiriam que tinha perdido a
cabeça e a encerrariam. Não voltaria a ver
ao Braith nunca mais e eles sairiam correndo sem pensar-lhe duas vezes,
decididos a vingá-la por nenhuma razão absolutamente além da tozudez e
cabezonería masculinas.
—Não, não o faria —admitiu Jack.
Ária estava muito envergonhada para voltar a olhá-lo.
Estava atuando a costas de sua família, e, entretanto, agora tinha que
agüentar essa horrível reunião em que discutiam como invadir o palácio.
Isso era algo que poderia ferir gravemente ao Braith, se é que não o matava.
Algo que podia fazer que os membros de sua família acabassem mortos.
Ela tinha passado toda sua vida lutando contra os vampiros,
tentando destrui-los, e agora se surpreendeu a si mesmo se desesperada por
fazer algo para deter aquilo.
—Bom, o futuro rei é especial, não? —disse Max, arrastando as
palavras.
—Sim, o é —insistiu Ária.
Max torceu a boca com desgosto. Sua família a contemplou como se o
tivesse crescido outra cabeça.
—Vale, então William não pode ir; mas eu sim posso —disse
Daniel.
—Daniel —gemeu Ária e deixou cair a cabeça em suas mãos porque
sentia que lhe dava voltas. Tinha que pensar em algo, algo que parasse aquilo.
girou-se para o Jack, mas outra vez estava apoiado contra a
parede com as mãos cruzadas sobre o peito.
—Não sabe o que está fazendo.
—Sim que sei.
Ária logo que podia respirar a causa do nó que tinha na garganta,
logo que podia ver por causa das lágrimas que lhe ardiam nos olhos. Tinha
que parar aquilo, não sabia como nem o que fazer, mas sabia que tinha que
pará-lo. Ignorava quando voltaria Braith e nem sequer sabia se deveria lhe contar o que
eles tinham em mente. Se o fazia trairia a sua própria
família. Trairia a sua própria espécie.
Mas se ficava calada e acontecia algo ao Braith ou a alguém de seu
família...
Desprezou a idéia. Não poderia viver em paz consigo mesma se acontecia
algo e ela poderia havê-lo impedido. As pernas lhe cederam e se escorreu
ao chão. A cabeça lhe dava voltas enquanto outros continuavam com os
planos que lentamente a partiam em dois.

***

Ária sabia que não devia fazê-lo, mas não pôde evitar escapulir-se pelo bosque,
de volta ao lago. Nos últimos dois meses, converteu-se em
seu lugar preferido, e agora, quando mais o necessitava, não lhe permitiam
aproximar-se dele. Entretanto, depois dos acontecimentos das últimas horas,
importava-lhe um pimiento o que lhe permitissem ou não fazer. Já não.
Se escabulló pelo bosque, pegando-se às árvores e escondendo-se
entre sua espessa folhagem enquanto se precipitava de um ramo a outra. Esteve
muito pendente se por acaso via qualquer ameaça. Conhecia o bosque melhor
que ninguém e os sinais de perigo. Era capaz de mover-se pelas árvores
tão bem como podia entender aos animais. Estes estavam alerta e ativos. Os
pássaros seguiam cantando, os esquilos saltavam ansiosamente pelos ramos. Logo que
notavam a presença de Ária entre eles.
Quando chegou ao lago, sentou-se entre os ramos de uma árvore e
inspecionou a zona. O lago estava imaculado, transparente. Não havia nem
uma só onda que perturbasse a superfície cristalina. Entrelaçou as mãos,
apoiou a cabeça sobre elas e se tombou no ramo, feliz de estar ali e poder ver a atividade
dentro e fora do lago, e de encontrar consolo em
a formosa vista que tinha diante.
Não se deu conta de que se adormeceu até que tentou dar-se
a volta e quase caiu da árvore. despertou pelo susto e se sentou surpreendida no
ramo. Nem sequer estava cansada, mas os
acontecimentos daquele dia a tinham esgotado e lhe tinham acontecido fatura,
embora não se deu conta. Dirigiu a vista ao céu. A julgar pelo
que se tinha movido o sol, ficou-se dormida um par de horas.
Teria que voltar logo, mas antes disso se daria um banho rápido.
Tirou-se os sapatos e deixou que caíssem ao chão do bosque. Depois ficou em
pé, correu até o final do ramo e se mergulhou no lago.
Permaneceu sob a água, nadando um comprido trecho antes de emergir de
novo à superfície. A água lhe resultou refrescante e purificadora depois dos terríveis
acontecimentos do dia.
Nadou um momento curto antes de retornar. deteve-se poucos metros da
borda e andou pisoteando a água. Jack estava apoiado contra a árvore, tinha
seus sapatos pendurando da ponta dos dedos e a observava. Ária franziu o cenho,
apartou-se o cabelo da cara e nadou para ele.
—Tem que deixar de te largar assim.
—Posso cuidar de mim mesma.
Agarrou os sapatos de sua mão, mas não os pôs.
—O que está fazendo aqui?
—Te buscar.
—Enviou-te meu pai?
—Não, ainda estão fazendo planos. O que vais fazer, Ária?
—A que te refere?
—O vais contar?
Ária não foi capaz de lhe sustentar o olhar. A água tinha conseguido
acalmá-la durante um momento, mas agora estava de volta na dura realidade de
sua vida.
—E você? —sussurrou.
—É meu irmão, mas quando te tirei do palácio decidi a quem
devia lealdade. Agora já não posso voltar atrás.
—vais permitir que o matem?
Jack se removeu com angústia, mas tinha os olhos tristes e aspecto de
resignação.
—Ele deixaria que me passasse o mesmo se nossas posições se
investissem. Odiaria-o tanto como eu, mas estamos em bandos distintos em
esta guerra. Não podemos fazer nada a respeito. Agora você tem que escolher
um bando, Ária.
A garota negou com a cabeça. Odiava sentir outra vez o impulso de chorar.
—Como vou escolher um bando, Jack? Não é tão singelo. Se o
escolho a ele, renunciaria para mim vida, não teria nenhum sítio aonde ir
depois disso. Mas se escolher a minha família, estaria abandonando ao único homem
que me tem feito sentir assim, a única pessoa da que estive apaixonada.
Ária o seguiu enquanto ele se abria passo pelo bosque.
—Não hei dito que fora a ser uma eleição singela; tampouco foi
para mim. Mas vais ter que fazê-la, e logo.
—Não sei quando voltará —sussurrou.
—Não estará fora muito tempo...
—Isso você não sabe.
Jack se deteve bruscamente e se voltou para encarar a à luz
minguante do dia. O grande parecido que tinha com seu irmão lhe oprimiu
o coração. Ele a observava com a mesma intensidade com que seu irmão
sempre o fazia, estudava-a com a mesma confusão que ela tinha visto
freqüentemente no rosto do Braith. Parecia que nenhum dos dois sabia o que
pensar exatamente dela. Embora a verdade é que ela tampouco sabia o que
pensar deles.
Tinha acreditado que Braith era um bode cruel e monstruoso, e agora
estava apaixonada por ele. Tinha pensado que Jack era um humano, seu amigo
e companheiro rebelde, mas resultou ser um vampiro e um membro da família
real. Tinham-lhe oculto a identidade do Jack porque pensavam que
era muito fraco para suportar a verdade. Em realidade era mais forte de
o que nenhum deles sabia. Ela era muito mais do que se imaginaram. O único
que parecia entendê-lo, e aceitar a verdadeira
profundidade de sua força, era Braith. Ele era o único que não tratava de
sobreprotegê-la, que não tratava de resguardar a da dura realidade de seu
existência. Era o único que sabia que ela era o bastante forte para suportá-lo.
E se de algo estava começando a cansar-se ela, era de que a
sobreprotegessem.
— Sim que sei, e assim que volte, vais ter que tomar uma decisão.
—E se escolher mau?
Ele a olhou com as sobrancelhas elevadas enquanto a estudava.
—Não acredito que haja uma opção correta, Ária.
—Tem razão. O vais contar a minha família?
Jack negou com a cabeça e pôs-se a andar outra vez.
—Não. Braith não é uma ameaça para eles. Embora os escolhesse, não
iria a por eles, ele não é assim. Se não o escolher, não te fará mal a propósito
dessa forma. Com independência do muito que o aduela te perder.
Ária se agarrou ao braço do Jack e atirou dele até que o homem se deteve seu
lado.
—Amo-o —disse com firmeza.
Ele esboçou um leve sorriso e lhe envolveu as mãos com as suas.
—Sei, Ária, e embora me resulte incompreensível, sei que ele também
quer-te.
Ela franziu o cenho porque não lhe tinha gostado de seu comentário.
—Pois obrigado.
Lhe sorriu de forma zombadora e lhe apertou a mão antes de soltá-la.
—Como futuro rei, Braith sempre guarda uma parte de si mesmo
afastada, distante. Seu trabalho é manter seus deveres e responsabilidades, e
para o Braith essas responsabilidades sempre são o primeiro. Eu nem sequer
acreditava- capaz de amar a ninguém algum dia; mantinha-se muito afastado
para isso. Pode que você seja o primeiro que escolhe por cima de suas
obrigações. O primeiro signo de deslealdade que exibe para nosso pai.
Ária ficou um momento em silêncio e depois reatou a marcha a
seu lado.
—Mas ele não me escolheu .
—Escolheu-te mais do que jamais o vi escolher nenhuma outra
coisa. Veio aqui a por ti, não?
Ária sacudiu a cabeça. observou-se os pés descalços enquanto
avançavam pelo bosque para evitar qualquer obstáculo que pudesse
surgir. Não lhe disse que estava bastante segura de que Braith tinha ido ali ao
princípio para matá-la, ou ao menos para lhe fazer pagar duramente seu
desobediência.
—Eu escolho seu bando antes que a minha família —disse Jack.
Ária se apartou o cabelo úmido enquanto o contemplava.
—por que? —perguntou-lhe, ainda não muito segura de por que havia
escolhido seu bando.
—Porque uma vez que estive aqui, dava-me conta de que tinha estado
no bando equivocado. Não há nenhum motivo para que uma pessoa
tenha que viver assim, não há nenhum motivo para a crueldade que
adjudicaram aos humanos. Já não.
—Parece que descreva um mundo onde todos possamos coexistir em
harmonia.
Ele se encolheu de ombros.
—Não sou um iludido. Não acredito que vá ser fácil, mas sim que acredito que
as coisas poderiam ter sido diferentes, possivelmente ainda possam sê-lo.
—Talvez —disse ela, embora não albergava muitas esperanças.
—Mas vais ter que deixar de te largar você sozinha. Nem sequer Braith poderá
te ajudar se lhe apanharem outra vez, e o que te faria Caleb... —lhe cortou a voz. Tinha
os olhos distantes enquanto contemplava o bosque que os rodeava.
Ária não queria sequer imaginá-lo que Caleb lhe faria. O
inquietava desde a primeira vez que o tinha conhecido. Havia algo mau no
Caleb, algo sádico e cruel. Desfrutaria muitíssimo fazendo que gritasse,
fazendo que rogasse piedade. deleitaria-se fazendo-a sofrer.
Ária se estremeceu e tentou deixar de pensar nisso, mas não podia.
—Está bem?
Tragou com dificuldade enquanto assentia. Odiava que a controlassem,
mas Jack tinha razão.
—Sim —afirmou.
Ele enganchou seu braço com o seu e a atraiu para seu lado.
—Para mim é como uma irmã.
Ária sorriu fracamente e se apoiou em seu flanco.
—Uma insuportável?
—Sim —respondeu—. Também vais ter que fazer algo com o Max.
—Com o Max? —perguntou confusa.
—Está apaixonado por ti.
Ária franziu o cenho e apertou a mão que tinha sobre o braço do Jack. Ele tinha
razão; devia deixar claro ao Max que nunca haveria nada entre
eles. Não tinha sido justa com ele ultimamente, lhe dizendo que não, enquanto
seguia apoiando-se nele para que a ajudasse a suportar os últimos meses.
A culpa e o ódio para si mesmo se retorceram em seu estômago. Max ia
a sofrer outra vez por sua culpa. Embora agora ela sabia que, apesar de que
não voltasse a ver o Braith nunca mais, ele sempre seria o dono de seu coração.
Nunca poderia haver nada entre ela e Max.
—E agora mesmo não está muito equilibrado —seguiu falando Jack.
—A mulher que o reteve o tratou de forma espantosa, não?
Jack parecia não decidir-se a confirmar suas palavras, mas ele nunca
antes lhe tinha suavizado a verdade.
—Sim, e Max está convencido de que te passou o mesmo.
—Já lhe hei dito que não.
—Para ele é mais fácil pensar que somos monstros. Se eu não vos
tivesse tirado dali, também me odiaria. Ainda segue sem confiar
em mim.
Ária o olhou franzindo o cenho e disse:
—Crie que faria algo para te fazer danifico?
Jack se encolheu de ombros.
—Pode que o tente, mas de momento não. Não até que as coisas
estejam mais estabelecidas. Sabe que agora me necessitam aqui, mas logo...
Ária o olhou surpreendida.
—E isso não faz que te zangue?
Ele a observou.
—O que lhe fizeram ali foi espantoso, Ária. Nunca saberemos o
alcance da crueldade que experimentou, dos abusos que suportou.
Ninguém sai dali completamente normal. Compreendo seu ressentimento e seu
ódio. Mas se tenta me matar, não me conterei.
Ária tragou com dificuldade. Odiava a situação espantosa em que
estavam apanhados, odiava o fato de que teria que escolher entre o Braith e
sua família, odiava começar a estar cada vez mais preocupada com o Max, e
sentir mais medo dele.
CAPÍTULO 8

-Alguma vez faz o que te diz?


Ária não se incomodou em levantar o olhar dos bagos que estava
compilando.
-Normalmente, não.
-Sabe que tem que ficar perto.
A garota olhou ao Max quando este se deteve seu lado. Sua sombra caiu
sobre ela, lhe tampando o sol.
-Estou-o.
-À vista, Ária -disse-lhe com brutalidade.
Ela deixou cair os bagos no cubo e lutou por conservar a
paciência. Odiava que lhe desse ordens, odiava seu comportamento
prepotente, mas o que mais odiava era que sentisse que tinha algum direito a
lhe dizer o que podia ou não podia fazer. A jovem não estava longe
das covas. Todo mundo sabia aonde tinha ido e a ninguém tinha parecido mau.
À exceção, ao parecer, do Max.
-Tenho o arco -recordou-lhe.
-Isso te servirá de muito contra um grupo de vampiros saqueadores.
Ária pôs os olhos em branco, limpou-se as mãos e ficou em pé.
-Sou perfeitamente capaz de cuidar de mim mesma -recordou-lhe.
-Tanto que já lhe apanharam uma vez.
Ária lançou um suspiro de impaciência. Agarrou o arco e tentou ignorar
as quebras de onda de culpa que a atravessavam. Não acreditava que fosse
poder perdoar-se nunca o que lhe tinha passado ao Max, mas não podia seguir vivendo
com o peso dessa culpa. Tampouco podia deixar que ele continuasse
pensando que tinham alguma possibilidade de estar juntos, porque embora ela
deixasse ao Braith, não o escolheria a ele.
-Estou bem, Max.
-Compreendo que necessite solidão, Ária, eu também, mas tem
que entender que solo me preocupo com sua segurança.
-Sei.
Solo lhe estava dando a razão com a esperança de que deixasse de
incomodá-la. de repente ele a agarrou pelo queixo e ela saltou pela surpresa.
Franziu o cenho com ferocidade e tentou controlar seu gênio.
-Sei que pensa que este ataque é uma má idéia, sei que crie que ele
tratou-te de forma amável quando esteve ali, mas...
-Max, hei-te dito muitíssimas vezes que me tratou de forma amável
quando estive ali. Sei que para ti foi horrível, sei, mas tem que me acreditar
quando te digo que para mim não. O ataque é uma má idéia, uma idéia horrível e
espantosa. Sei que quer te vingar, mas pôr em risco as vistas de inocentes não é a forma
de consegui-lo.
Ele a olhou com fúria. Jack acreditava que Max estava apaixonado por ela, mas
nesse momento, a Ária pareceu que em realidade possivelmente a odiava
mais.
-Max -sussurrou.
Seu cabelo, desgrenhado e loiro, caiu-lhe pela frente enquanto negava
com a cabeça.
-Não sabe o que está dizendo, Ária. Ali lhe confundiram.
Ária queria seguir discutindo com ele, mas não tinha sentido e além disso
outra coisa captou sua atenção. Inclinou a cabeça e estreitou os olhos enquanto
todos seus sentidos se centravam no bosque. Contemplou as sombras a seu
ao redor e o pânico a brocou quando se deu conta de que os pássaros tinham
deixado de cantar e os esquilos já não corriam pelas árvores.
-Algum dia te dará conta...
Ária lhe pôs uma mão na boca e depois se colocou um dedo sobre
os lábios, lhe indicando por gestos que permanecesse em silêncio. O menino
franziu o cenho, mas ela deixou de lhe emprestar atenção. Podia ler o bosque
melhor que um livro, e agora mesmo lhe estava dizendo que algo não estava
bem, que ali fora havia uma ameaça. Entretanto, não sabia de que direção
vinha nem para que lado fugir. Jogou a cabeça para trás e observou os ramos mais altas
da árvore.
Assinalou-as ao tempo que tirava a mão ao Max da boca.
Movendo-se silenciosamente, agarrou-se ao ramo mais baixo e se abriu
caminho depressa e com facilidade pelas demais. Max não era tão rápido como
ela, mas a seguiu. Ária subiu mais alto e se ocultou na espessa folhagem.
Inspecionou o bosque, mas seguiu sem encontrar a causa do estranho silêncio
que tinha descendido sobre este.
Agachou-se para agarrar a mão do Max e o ajudou a subir ao ramo.
Tinha a pele mais pálida e parecia como se estivesse a ponto de vomitar. Ele
sempre tinha odiado as alturas, mas agora não tinham muitas
opções. O menino abriu a boca para falar, mas ela negou
energicamente com a cabeça. Ainda não tinha podido encontrar o
perigo escondido entre as sombras.
E então os viu. Tinham vindo de atrás da árvore e em seguida
estiveram debaixo deles antes de que ela soubesse o que tinha passado. Se
pegou ao tronco da árvore agarrando-se a este enquanto Max se apertava contra
ela. Ária tremia, se olhavam para cima...
Se olhavam para cima, ela e Max estavam mortos. Max não podia
mover-se pelas árvores como ela e nem sequer a garota poderia
avantajá-los por sempre. Ao final a apanhariam. O coração lhe pulsava tão
forte que estava segura de que o escutariam, segura de que olhariam acima e os veriam
entre a folhagem da árvore. O fôlego ficou apanhado na garganta, logo que conseguiu
respirar quando Caleb apareceu
debaixo deles. movia-se sem pressas detrás dos seis soldados que tinha
diante e girava a cabeça constantemente enquanto inspecionava o
bosque. A emoção que vibrava por seu corpo era quase evidente.
A Ária tremiam tanto as pernas que quase não podia manter-se em
pé. Max estava paralisado; seu esbelto corpo duro como uma rocha
enquanto se apertava contra ela. Se Caleb estava ali, então solo podiam
acontecer coisas más.
Ária ficou paralisada. A boca lhe abriu de repente quando Braith
apareceu à vista detrás de seu irmão. O coração lhe deu um tombo e logo pôs a
cem enquanto apreciava sua magnífica figura. A nostalgia estalou por seu interior e
esteve a ponto de chamá-lo, a ponto de
arrojar da árvore em seus braços. E se não tivesse sido porque Caleb estava
a uns escassos metros dele, provavelmente o teria feito.
Tinha passado uma semana da última vez que o tinha visto. Uma
semana de tortura que tinha estado cheia de incerteza, inquietação e um
desejo desesperado que agora a fazia estremecer-se por completo. Havia
passado dois meses sem ele, dois meses tentando esquecê-lo, mas esta última
semana tinha sido muito mais dura. Já não sentia nenhum ódio nem
aborrecimento ao
que pudesse recorrer agora que ansiava seu contato. Os dedos lhe crisparam,
quase chorou pela injustiça daquela situação. Mas em seu lugar ficou paralisada, imóvel
pelo terror que tinha feito que os músculos ficassem bloqueados no sítio.
Braith se deteve, girou a cabeça de um lado a outro e depois a jogou
para trás. A jovem soube imediatamente que seus olhos em sombra se fixaram
neles. Max se aproximou um pouco mais a ela dando um passado. Ária logo que podia
respirar porque estava apertada contra o tronco da árvore.
Braith apertou a mandíbula e um músculo lhe contraiu na bochecha, mas
além disso não mostrou nenhum outro signo de que os tivesse visto.
Afastou-se deles avançando pelo bosque enquanto a pequena tropa
desaparecia. Então Max se relaxou e exalou um suspiro de alívio.
-Menos mal que seu antigo amo é cego.
Ária lutava contra as lágrimas e a necessidade de gritar pela
frustração. morria de vontades de lhe dizer ao Max que Braith os tinha visto,
que sabia que estavam ali e que os manteria a salvo. Acreditava que o ajudaria
a compreender que Braith não era mau, mas sim em realidade era um homem muito
bom, e que a amava. Acreditava que ajudaria a que Max compreendesse que não todos
os vampiros eram perversos, mas não
conseguia que as palavras lhe saíssem da garganta. Tinha-lhe prometido a
Braith que não contaria a ninguém seu segredo e queria manter essa promessa,
embora isso significasse continuar inimizando-se com seu amigo.
-Temos que avisar a outros -sussurrou Ária.
Max assentiu e se separou dela para começar a baixar com cautela do
árvore. Ária titubeou enquanto procurava qualquer sinal do Braith e dos outros,
mas se tinham ido. Descendeu muito depressa e caiu sem fazer ruído
no chão junto ao Max. Depois avançaram rapidamente pelo bosque para o
acampamento que tinham deixado atrás.
***

-O que estão fazendo aqui?


Ária sacudiu a cabeça com impotência. Como se supunha que ia a
saber ela o que estavam fazendo ali?
-Não sei, Jack.
-Falou-te Braith a respeito disto?
-Não -replicou exasperada-. De ser assim, teria preparado às pessoas.
Seguro que não teria estado pendurando de uma árvore com o Max se ele me
houvesse isso dito! Se por acaso não te deste conta, não se levam precisamente bem.
Jack a olhou bastante irritado; os olhos frios e pensativos, o rosto sombrio.
-Pode que ele não soubesse que Caleb planejava vir aqui.
-É obvio que não sabia! Se o tivesse sabido, não me haveria
deixado aqui despreparada.
-Ária...
-Não o teria feito, Jack -insistiu ela, furiosa porque ao Jack se o
ocorresse tal coisa. Furiosa porque agora ela também estava pensando em
isso, apesar de saber que não era certo.
-Ele sabia que estávamos nessa árvore, Jack. Se estivesse aqui para nos fazer
danifico, ou para recapturarnos, nos teria entregue. Eu não haveria
podido escapar de todos eles, e não teria deixado ao Max atrás.
-Pode que não te visse. Ele mesmo disse que sua vista vem e vai, não temos
nenhuma forma de saber quão boa é quando sim a tem.
- Sei que me viu -insistiu Ária, pouco disposto a discutir como sabia.
Jack se afastou e depois retornou rapidamente e se deteve frente a ela.
-Não sei que classe de vínculo têm vós dois, não sei o que dizer ao
respeito nem o que significa, mas o que sim sei é que pôs a todos em
perigo. Sobre tudo se Caleb tiver vindo com ele.
Ária o fulminou com o olhar.
-Paraste-te a pensar em que possivelmente Braith está aqui porque
Caleb decidiu vir primeiro? pensaste sequer em que está aqui para
nos brindar o amparo ou ajuda que possa nos dar? -perguntou-lhe-.
Diz que você e Braith estavam unidos e que foram bons amigos, mas, sem
embargo, não tem fé nele. Não tem nem idéia da classe de homem que é
em realidade!
-E você sim? -perguntou-lhe.
Ária o contemplou de maneira desafiante.
-Sim.
Jack soltou um insulto e voltou a afastar-se ansiosamente. Ária não estava
disposta a segui-lo, já que se dirigia para as covas, escuras e cavernosas. Quão
último queria era voltar a ficar apanhada nas covas, mas ali era aonde todo mundo se
retirou com a esperança de estar a salvo. Jack se girou para ela, mas a garota
permaneceu imóvel a solo uns metros da cova.
-Ária! -vaiou.
Foi uma provocação continuar respirando apesar da opressão que sentia em
o peito. Em realidade nunca lhe tinham gostado das covas, mas agora se
encontrava aterrorizada ante a perspectiva de voltar ali. Tinha a pele suarenta e estava
tremendo. deu-se conta de que quase preferiria estar em
mãos do Caleb que de volta aí dentro, apanhada entre a fria rocha.
Deu um passado para trás quando Jack foi para ela com o cenho
franzido e perplexo.
-Ária?
-Não posso -sussurrou-. Não posso voltar ali.
Ele a observou com incredulidade.
-Ária, deve fazê-lo -insistiu.
Ela voltou a negar com a cabeça e deu outro passo para trás. O coração lhe
tamborilava, tremia-lhe todo o corpo. O homem a escrutinou
com o olhar e logo se voltou para as covas.
-Estarei bem nas árvores -disse-lhe ela.
-Nem em sonhos -replicou ele.
-Estarei mais segura nas árvores que ali dentro! Posso me mover
mais rápido pelas árvores que pelas covas.
-Não pode ficar aqui fora, Ária, não podemos nos arriscar a
que lhe recapturem.
O homem foi para ela antes de que à garota desse tempo a piscar. Um grito
brotou de sua garganta, mas lhe pôs a mão na boca, elevou-a e a levou com força para as
covas. Ária se retorceu tentando livrar-se de seu agarre férreo. Então entraram na cova e
a
ela a consumiram as vontades de escapar do reduzido espaço e do ar viciado.
Não podia respirar, não podia pensar e a cabeça lhe dava voltas muito depressa. ficou
flácida e lutou por inspirar pelo nariz enquanto ele
levava-a para o interior da terra.
Quando Jack a soltou finalmente, tinham percorrido meio quilômetro.
Ária caiu de joelhos tentando recuperar o fôlego, lutando por
controlar o rápido batimento do coração de seu coração ao tempo que um grito
emergia de
sua garganta. Não sabia o que lhe acontecia, o que lhe estava passando, mas
não podia
controlar as sacudidas selvagens e frenéticas de seu corpo. Tentou afogar
o grito, mas não podia seguir guardando-lhe tudo em seu interior.
Liberou-o e este ecoou sonoramente pela caverna, ricocheteando em
as paredes de rocha em uma onda incessante que rapidamente atravessou o ar.
CAPÍTULO 9

Braith ficou imóvel em metade de um passo, o pé ficou pendurando


no ar e girou a cabeça para um lado. Deixou de escutar os sons normais do
bosque e filtrou o ruído enquanto se esforçava por escutar
o que lhe tinha chamado a atenção. Estava seguro de que tinha sido um grito,
seguro de que tinha sido o grito de Ária. Deixou cair o pé sobre o
chão do bosque, fazendo ranger as folhas e ramitas sob sua bota. Os homens
que estavam com ele deixaram de caminhar e se giraram para olhá-lo.
-O que acontece? -quis saber Caleb.
Braith sacudiu a cabeça. Seu irmão não tinha escutado o grito, nem
nenhum dos outros. Não sabia se era porque não estavam tão em sintonia com
Ária como ele ou pelo fato de que seu ouvido era mais agudo por causa de seu
cegueira. Ao Keegan, que estava a seu lado, lhe pôs o pêlo de ponta e se
girou para inspecionar a zona do bosque por onde Braith estava seguro
de que tinha vindo o grito.
-Nada -replicou.
Mas era muito mais que nada. Esse grito tinha ecoado e havia
divulgado aterrorizado. E tinha saído da única pessoa que lhe importava.
-Tenho que ir.
-Espera, o que!? -balbuciou Caleb.
O pânico se apoderou dele, arranhou-lhe o peito e lhe rasgou as
vísceras. Tinha que afastar-se de seu irmão e tinha que encontrá-la. Tinha-a
visto na árvore com esse menino e se lhe tinha feito algum dano, Braith o destroçaria.
Avançou depressa pelas árvores, que se esfumavam
conforme corria pelo bosque. em que pese a que não podia ver seu redor, podia
sentir os obstáculos que havia no caminho e esquivá-los
facilmente. Keegan foi incapaz de lhe seguir o ritmo, mas Braith soube o
momento em que o lobo se deteve e se retirou para o interior do bosque.
Outros trataram de lhe seguir o ritmo, mas ele era mais rápido e mais
forte que eles, e os perdeu com facilidade. Saltou a uma grande rocha e se
deslizou por um lado antes de saltar ao chão. As árvores começaram a enfocar-se,
oscilando nos limites de sua visão. Podia cheirar seu sangue, saboreá-la de novo na
boca. estava-se aproximando dela.
A sede brotou por seu corpo, as veias lhe ardiam com a necessidade
intensa de alimentar-se. Não tinha bebido desde que a tinha deixado fazia uma
semana. Tinha retornado ao palácio, mas já ninguém lhe atraía, nem sequer
as humanas voluntárias das que se alimentou antes. De fato, o
surpreendeu dar-se conta de que a simples ideia de alimentar-se de outra
pessoa lhe resultava repulsiva. O que precisava era o sangue de Ária e até que pudesse
alimentar-se dela outra vez, não o faria de ninguém mais.
Então, por alguma estranha razão, Caleb tinha insistido em ir em uma
das partidas de caça. Braith soube que tinha que ir com ele; não podia correr o
risco de que Caleb a encontrasse por acidente sem que ele estivesse ali.
A idéia lhe resultava horripilante. Tinha ido com o Caleb para assegurar-se que
algo assim não passasse, e quase tinha acontecido antes, e ainda podia passar
se Caleb conseguia lhe seguir a pista de algum modo.
Escorregou em um terreno coberto de folhas ao parar-se bruscamente
diante de uma estreita greta entre as rochas. A teria passado por cima se
não tivesse estado seguindo o rastro de Ária. deslizou-se pela abertura,
embora logo que cabia entre as rochas lisas que o rodeavam. Seus olhos se
acostumaram às trevas; recolhia os trocitos de iluminação na escuridão que o envolvia.
O doce aroma da garota se fez mais forte e
seu medo quase evidente nos limites da cova.
Braith avançou pelas curvas sinuosas e rodeadas mantendo seus
sentidos atentos a outras presenças enquanto se movia pela cova. Tinha
que chegar até ela, mas sabia que devia atuar com precaução. Estava seguro de
que acabava de meter-se justo na boca do lobo. Estava rodeado de rochas, paredes e
inimigos. sentia-se como um rato apanhado em um labirinto enquanto seguia
sigilosamente seu aroma. Não podia acreditar que vivessem ali abaixo, que Arianna
vivesse aí.
Ela odiava estar encerrava, odiava estar apanhada em qualquer sítio.
Era exatamente como o bosque: aberta, selvagem e livre. Ao Braith
desconcertava que a garota pudesse estar clandestinamente naquele reduzido espaço
viciado.
Seu aroma o envolveu quando dobrou outra esquina. Podia ouvir o som
de vozes levadas pelos túneis da cova. deteve-se e inclinou a cabeça
enquanto captava três vozes masculinas. Uma delas era a do Jack, mas
as outras dois não as reconheceu. aproximou-se devagar esforçando-se por
ouvir as palavras.
-O que passou? -perguntou uma das vozes desconhecidas.
-Não sei -respondeu Jack-. Mas temos que tirar a daqui.
Temos que seguir, agora.
Braith se enfureceu, supunha que estavam falando da Arianna, pois
seu aroma era excepcionalmente forte ali e ele tinha a vista quase perfeita
outra vez. Titubeou entre as sombras.
-Disposta atenção, Jack! Cuidado com sua cabeça! -ordenou a outra
voz desconhecida-. Maldita seja, dêem-me isso Braith cerró las manos en
puños, una neblina roja le ensombreció la
-Tenho-a eu, Max.
-Dêem-me isso espetou-lhe Max.
-Dásela a ele, Jack, terá que ter as mãos livres se eles entrarem
aqui.
Braith fechou as mãos em punhos, uma neblina vermelha lhe escureceu a
vista. Já era o bastante mau que seu irmão a estivesse tocando; decididamente
não queria que esse menino a sujeitasse. Houve um rangido
silencioso, e então Arianna soltou um gemido desço de desgosto.
-Baixa me! -ordenou-. Max, baixa me!
-Ária...
-Me solte! me solte!
-Ária...
Escutou-se o som de resistências e então ela gemeu com força.
-Para, por favor.
Sua voz foi apenas um gemido de angústia, e isso foi mais do que Braith podia
suportar; ia matar a alguém.
Saiu pela esquina e teve um arrebatamento de sede de sangue quando
contemplou o espetáculo que tinha diante. Jack estava de pé perto da
entrada da pequena abertura com o rosto de pedra e a mandíbula apertada.
Arianna lutava contra Max, o menino que a sujeitava, enquanto tratava de liberar sua
mão do restritivo agarre por moço.
-Para, Max, deixa-a.
O outro menino deu um passo para frente e alcançou a Arianna quando
sua luta por soltarse fez mais frenética.
-Ária, tem que te acalmar, por favor.
-Me deixe! -espetou-lhe ela, respirando entrecortadamente. Braith
solo a tinha visto uma vez assim, quando acreditou que a vida do Max estava
em
perigo. Então o terror o tinha sentido por seu amigo, mas agora era
por si mesmo, algo que ele tinha acreditado impossível até agora.
-Deixa-a.
Todos giraram a cabeça para ele e abriram a boca pela surpresa.
-Braith -sussurrou Jack com pesar.
A Arianna lhe escapou um gritito. Por fim conseguiu liberar sua mão
da do Max quando este a afrouxou. A garota correu até ele e se jogou em
seus braços. O príncipe a elevou e a embalou contra seu peito enquanto ela se
enterrava nele. lhe envolvendo a nuca com a mão, passou-lhe os dedos por
o sedoso cabelo ao tempo que saboreava brevemente a sensação de tê-la em
seus braços de novo. Ela se pegou mais a ele, tremendo.
-Shhh, Arianna, shhh -tranqüilizou-a ele-. O que passou?
-Braith, o que está fazendo aqui? -exigiu saber Jack.
Ele inclinou brevemente a cabeça para a de Ária, pressionou a boca contra seus
sedosos cabelos e inalou ansiosamente seu doce aroma. Era o
melhor que havia meio doido nunca, o melhor que tinha abraçado. Jack se
separou da parede. O assombro pela repentina aparição do Braith estava
começando a dissipar-se dos outros dois. Ao príncipe não lhe passou por cima
a
estaca que apareceu na mão do Max, mas Jack agarrou o braço do menino e o
manteve atrás conseguindo que este lhe dirigisse um olhar assassino.
-Já sabe por que estou aqui -disse a seu irmão.
Ajustou a forma em que tinha sujeita a Arianna para manter seu
corpo entre ela e a crescente hostilidade dos homens que tinha em frente.
Agarrou-lhe a cara e a apartou com suavidade de seu peito. Ainda
tinha os ombros encurvados, mas parecia ter recuperado um pouco o
controle de si mesmo.
-Está bem?
Ela conseguiu assentir; seus brilhantes olhos inquisitivos enquanto o
estudava.
-Aqui não está a salvo -sussurrou-lhe a garota.
-Sei.
Voltou a olhar a outros, seus olhos se detiveram no ruivo que
contemplava-os boquiaberto com estupefação. O olhar do menino passou
deliberadamente a Arianna antes de voltar para o Braith. Max parecia estar a
ponto de estalar; a ira irradiava de cada centímetro de seu ser enquanto os fulminava
furiosamente com o olhar.
-Têm-lhe feito mal? -grunhiu o príncipe.
Não lhe importava se eram seus amigos e sua família, tinha vontades de uma
boa briga.
-Não deveria estar aqui -sussurrou ela com firmeza. aferrava-se a ele
com as mãos e o olhava com desespero-. Braith...
-Não passa nada, Arianna -disse-lhe-. Estarei bem.
-Tem razão, Braith, tem que ir -insistiu Jack-. Onde está
Caleb?
-Em outro sítio.
-Braith...
-Não sabe onde estou -interrompeu-o com brutalidade.
-Mas poderia te encontrar, e ao fazê-lo, encontraria-nos também a
nós.
-Também poderia te encontrar a ti.
Jack ficou em silêncio, tinha os olhos entreabridos enquanto
observava a Arianna, que seguia tremendo, embora seus tremores já eram
menos graves.
-Têm-lhe feito mal? -perguntou-lhe Braith de novo.
Odiaria ter que fazê-lo, mas mataria ao Jack se a tinha ferido de algum modo.
Ela negou com a cabeça e se mordeu o lábio enquanto o terror
brilhava em seus olhos.
-Eu não gosto de estar aqui embaixo.
É obvio que não gostava. Ele já sabia.
-Então te levarei fora.
-Não -interveio Jack bruscamente de uma vez que os outros dois
homens davam um passo para frente.
-Tem que ficar conosco e tem que estar em um lugar
seguro. Agora mesmo a superfície não o é.
-Estarei a salvo nas árvores -disse-lhe ela.
-Não, Ária, de maneira nenhuma. Temos que nos reunir com seu pai.
-Não, não, não. Não vou mais dentro, não pode seguir
me obrigando!
Braith lhe aconteceu as mãos pelo cabelo tentando acalmá-la, mas não
teve êxito pois ela continuava tremendo como uma folha contra ele.
-Obrigou-te a vir aqui embaixo? -quis saber Braith.
-Braith...
-Retrocede, Jack, ou te romperei o pescoço se der um passo mais para ela, se a
voltar a tocar!
-Não -interpôs-se Arianna-. Não podem lutar; aqui não, agora não.
Por favor.
Braith esticou as mãos em seus ombros, estava tentando mantê-la
a suas costas, mas ela seguia insistindo em tratar de ficar diante dele.
-Quem te crie que é? -exigiu saber Max.
-Não me provoque! -rugiu Braith, lutando contra as crescentes
quebras de onda de hostilidade que surgiam em seu interior. Eles a tinham
obrigado a
ir até ali abaixo, tinham-na obrigado a ir a esse lugar que evidentemente a
aterrorizava. Jack atirou do Max um passo para trás, mas o outro homem se
ficou imóvel enquanto os observava com atenção.
-Que não te provoque! -espetou-lhe Max lutando contra a
restritiva mão do Jack-. Tem sorte de que não lhe mate!
-Poderia tentá-lo, mas não o conseguiria.
A raiva se refletiu no rosto do Max. Jack o empurrou para trás, já
que o menino tentava arremeter contra o príncipe. Max lutou, mas Jack
conseguiu mantê-lo pego à parede da cova.
-Parem! -ordenou Arianna com força-. Parem!
Seguia tremendo, mas Braith também pôde sentir a crescente
exasperação que havia sob seu terror. Max a escrutinou mordazmente e a
fulminou com o olhar de cima abaixo. A seu lado, Braith se enfureceu e a
apartou um pouco mais do menino furioso. Não se confiava no Max. Sabia que
este
poderia matá-lo rapidamente, mas começava a lhe preocupar que
também pudesse ferir a Arianna por causa da raiva e o ódio.
O outro menino lançou ao Max um olhar sombrio e se situou entre eles.
-Eu irei fora com ela.
-Não, William -disse-lhe Arianna e se jogou o escuro cabelo para
atrás. Braith se deu conta das chamativas similitudes que havia entre a Arianna
e aquele menino. lembrou-se de que Arianna lhe tinha falado de seu gêmeo. lembrou-se
de que Jack lhe havia dito que tinham a cor de cabelo

similar. Era mais que evidente que se referiam a ele-. Estará a salvo se lhe
fica aqui.
-Não vou deixar que vá ali fora sozinha.
Voltou seus olhos de safira com intensidade para o Braith e o examinou com
olhar de desconfiança, mas tampouco cheia de ódio, a diferença de
a do Max.
-Não estarei sozinha -recordou-lhe ela.
-Ária...
-Estarei bem, William, de verdade.
William permanecia indeciso.
-Não, Ária, isso ou vai passar.
-A ela posso pô-la a salvo, mas a ti não lhe posso prometer isso o
disse Braith.
William assentiu.
-Não me importa.
-Não -disse Jack energicamente-. Não posso me arriscar a que vos
capturem aos dois. Teriam muita influência sobre seu pai se algo saísse mau.
-Manterei-a a salvo -disse Braith com voz baixa e mortífera-. E
você não tem eleição, Jack; a vou tirar daqui o queira ou não.
Arianna fechou os dedos entreabro a sua camisa, pegou-se mais a ele e
apoiou a frente um momento em seu peito.
-Está fazendo o parvo, Braith. Sei que você não gosta de vê-la desgostada,
mas preferiria vê-la morta? Sei razoável, está mais segura aqui
dentro! -protestou Jack.
-Estou sendo razoável, e só te estou dizendo o que vai passar.
Manterei-a a salvo. Quando retornar à superfície, já sabe onde estaremos.
-Não lhe pode levar isso à casa de mãe. Caleb irá ali.
-Não vou levar a à casa do verão.
Jack ficou em silencio durante um instante e então a
compreensão se refletiu em seus olhos. Abriu a boca e esticou os dedos aos
custados. Durante um instante deixou de agarrar tão forte ao Max.
-Sabe o que significa que a leve ali, Braith.
-Sei. Vêem nos buscar quando for capaz. -Voltou sua atenção
para o William-. Deve ficar aqui. Ela estará bem, mas não posso lhes proteger
aos dois.
-Não. -William sacudia a cabeça energicamente-. De nenhuma
maneira. Pode que ela confie em ti, mas eu não.
-Tem que fazê-lo -disse-lhe Jack-. Não pode ir com eles.
-Não estará considerando a sério que os deixemos partir! Que
deixemos que este monstro a leve ali de volta! -explorou Max, com o rosto
avermelhado-. perdeste a cabeça?
-Parte -insistiu-os Jack.
-Não!
William ia para eles, a mandíbula apertada com determinação.
Jack o agarrou por braço e atirou dele para trás.
-Não se vai daqui sem ela -O olhar do Jack era firme, e até
assim triste enquanto os contemplava-. Não voltará a separar-se dela, e lhe
matará se tenta detê-lo. Não pode ir com eles, William. Isto tem que acontecer
-disse Jack energicamente.
-Deveríamos matá-lo! -soltou Max.
Em sua luta por manter aos meninos apartados, Jack atirava de
William, que continuava lutando, para levá-lo para onde estava Max.
-Isso não vai ser possível -murmurou Jack, com crescente frustração.
-Sabia, é um desgraçado traidor. Está em seu bando, não no
nosso. A está entregando a ele!
-Não, Max. -Arianna afundou os dedos na camisa e na pele do
príncipe ao apertar-se mais contra este-. Eu me entreguei mesma ao Braith, faz
muito tempo.
Max ficou sem forças, abriu a boca e os olhos lhe saíram de
as órbitas.
-Ária -exalou William.
Ela inclinou a cabeça um momento, depois levantou outra vez a
olhar para seu irmão e seu amigo.
-Sinto muito, mas tratei de lhes dizer isso interrompeu-se. Uma única
lágrima escorregou por sua bochecha enquanto tragava com dificuldade-.
Nenhum
de nós o pretendia, mas passou, e não posso... não posso deixar que
parta.
Braith lhe acariciou a bochecha durante um momento tratando de
consolá-la por aquela situação turbulenta.
-Devemos ir -insistiu-a.
-Espera.
Arianna se separou dele. Braith tentou agarrá-la, mas ela ficou habilmente
longe de seu alcance. Jack a agarrou, sujeitou-lhe os braços e a reteve enquanto a garota
tratava de empurrá-lo para avançar. Ária olhou ao Jack com ferocidade e lutou para que
a soltasse, mas Braith a recuperou tomando-a brandamente de mãos do Jack.
-Deixa que me despedida de meu irmão! -protestou zangada.
Braith olhou ao irmão da garota. Tinha medo de que William não
deixasse-a ir. Entretanto, Jack tinha razão em algo: Braith odiava ver a Arianna
triste, e ela estaria destroçada se não lhe permitia fazê-lo. Assentiu de forma enérgica
com a cabeça olhando ao Jack, que se apartou para deixar
que William se aproximasse. Os irmãos se abraçaram enquanto Max os
fulminava com o olhar.
CAPÍTULO 10

Ária se aferrou ao Braith e enterrou a cabeça em suas costas enquanto o


homem a levava através do bosque. Estava esgotada, os pés lhe davam espetadas e quão
único queria era acurrucarse e ir-se dormir, mas Braith insistiu em que seguissem
movendo-se, que se afastassem tanto como fora possível das covas e dessa zona do
bosque. A lua iluminou um
atalho que cruzava o chão enquanto se arrastava cada vez mais alto em
o céu noturno.
Apesar de que o tentou, Ária foi incapaz de reprimir um bocejo em
sua luta contra o sonho. Não tinha dormido bem da última vez que o
tinha visto, e agora que estava outra vez com ele, sabia que poderia dormir
tranqüila e profundamente, e não podia esperar mais. Braith se deteve de repente e
jogou a cabeça para trás para estudar o céu noturno.
Então a soltou e a pôs de pé.
-Tem que descansar -disse-lhe.
Ela assentiu e se apartou as grosas ondas de cabelo que lhe caíam por
o rosto. Ele se tirou o casaco e o colocou sobre a terra.
-Eu gostaria de poder fazer algo mais.
Ária sorriu um pouco.
-Estou acostumada a dormir no chão, não se preocupe.
A resignação apareceu nas facções do homem e depois
voltou devagar para ela.
-Espero que não por muito mais tempo.
-Eu gosto do bosque. É o sítio ao que pertenço.
Ele sorriu burlonamente e a beijou.
-Sim, é-o. Mas também você gosta das camas.
-Certo -afirmou-. E adoro as duchas.
Ele riu entre dentes e sacudiu a cabeça retrocedendo um passo.
-aonde vamos, Braith?
O homem se ajoelho junto ao casaco e lhe ofereceu uma mão. Ela se
tomou e se acomodou a seu lado.
-Conheço um lugar onde deveríamos estar a salvo.
-E onde está esse lugar?
-A uns oitenta quilômetros daqui. Chegaremos amanhã.
-E Jack saberá onde estaremos?
-Sim.
Ela o observou ficar em pé e começar a mover-se pelo bosque.
-O que vai passar, Braith?
-Não sei -respondeu com sinceridade.
-vais retornar ao palácio?
O homem deixou de caminhar e se girou para ela.
-Não poderei retornar nunca mais, Arianna.
Ela apertou as mãos sobre as pernas enquanto o contemplava com
os olhos muito abertos pela incredulidade.
-É sua família, Braith, sua herança.
O príncipe estava imóvel, a mandíbula apertada enquanto observava
o bosque atrás dela. Então, muito devagar, voltou a dirigir o olhar para a
garota.
-Agora você é minha família -disse com ênfase-. E me assegurarei de
te manter a salvo.
Uma exalação de surpresa lhe escapou e as lágrimas brotaram de seus olhos.
-Braith -suspirou.
Ele se colocou a suas costas rapidamente. Enroscou a mão em seu cabelo. Sua
boca era suave mas firme contra a sua. Ária encolheu os dedos dos pés ao sentir umas
ondas de calor e desejo lhe percorrendo o corpo a causa do beijo. Tremia enquanto o
abraçava. perdeu-se em seu
incrível contato, aroma e sensação. Sua presença era entristecedora, mas tão
maravilhosamente reconfortante. O homem a acariciava deslizando as mãos por seu
corpo, apartando sua roupa para roçar sua pele.
Os tremores de Ária aumentaram e a alagaram umas emoções
que se moviam em redemoinhos por seu interior. A cabeça e o corpo lhe davam
voltas enquanto ele a empurrava contra seu casaco; seu duro corpo pressionando contra
o seu ao tempo que se tornava em cima dela. Ária se
aferrou a ele, pois necessitava algo sólido naquele mundo que girava em
espirais e estava fora de controle. Os músculos dos braços do príncipe tremiam
enquanto a envolvia. Ela notava as presas contra
sua boca, pressionavam-na conforme sua excitação crescia.
Ária enredou os dedos em seu cabelo, sujeitou-o com mais força e lutou
contra as lágrimas de amor e alegria que lhe ardiam nos olhos. Lhe roçou
as bochechas com os dedos enquanto se separava dela.
-Arianna...
-Quero-te -sussurrou ela, deslizando os dedos por suas presas
estendidos.
Ao homem lhe brilharam os olhos intensamente; a fome ardia em seu
olhar. Voltou a apertar os lábios contra os dela, mas a fome premente tinha
abandonado o beijo e tinha sido substituído por uma delicadeza que a deixou sem
fôlego. Acariciou-o e guiou sua cabeça para o que ele mais desejava nesses momentos:
seu sangue.
O príncipe lhe roçou a pele brevemente com a boca antes de mordê-la.
Ária se aferrou a seus braços com as mãos e um gemido baixo lhe escapou
quando sentiu o incitante puxão do sangue ao ser extraída dela. Fechou
os olhos desfrutando da deliciosa sensação de que se alimentasse dela,
de que se nutrisse de seu corpo. deixou-se levar pela sorte que a percorria
e a consumia em seu refúgio de felicidade e assombro.
Braith se separou dela; seus lábios eram quentes contra sua pele. Ária estava
meio dormida, flutuava em um mundo de sorte e felicidade. Então
lhe ofereceu a boneca para lhe permitir alimentar-se, nutrir-se e desfrutar
também de seu corpo.

***

Ária lançou um olhar rápido aos edifícios enquanto Braith a conduzia pelas
ruas destroçadas do povo. Era um povo pobre, o qual se fazia
evidente nos deteriorados edifícios e os animais excessivamente
magros que espreitavam nas sombras. Braith a manteve fortemente sujeita da
mão enquanto a conduzia para frente. Desde detrás de algumas janelas, Ária podia ver
gente aparecendo, mas ninguém saiu, e
cada vez que a garota os olhava, as cortinas voltavam rapidamente para seu
lugar.
-Que povo é este? -inquiriu.
Braith sacudiu a cabeça.
-Não sei.
Conduziu-a por outra rua; esta tinha lojas. Havia umas quantas
pessoas movendo-se pela zona. apressavam-se de um lugar a outro sem deter-
se falar entre eles. Parecia aterrorizados, vencidos,
destroçados por quais fossem os acontecimentos que a vida lhes tinha arrojado.
Eram as pessoas mais tristes e desoladas que ela tinha visto nunca.
-Braith... -Ele a aproximou mais para si e acelerou o passo um pouco
mais-. Esta gente...
-Estão destroçados.
Ária se estremeceu ao escutar a palavra, mas era a forma mais
apropriada de descrever a essas almas perdidas que vagavam pelas ruas.
Dobraram outra esquina e se apressaram para frente deixando atrás casas
que estavam inclusive mais desgastadas pelo tempo e a pobreza. A garota
tinha um nó de angústia na garganta. Aos povos mais próximos do
palácio ia muito melhor que a esta terra esquecida. Aqui pareciam não
ter nada. Ali, embora fossem pobres, havia mais oportunidades de
emprego, e os residentes ricos soltavam mais dinheiro nos povos do palácio.
Lutou contra as lágrimas quando um moço saiu disparado de um
beco. Suas roupas não eram mais que farrapos, levava os pés envoltos com
tecido como se fossem sapatos, e estava tão sujo que não podia discernir
sua verdadeira cor de cabelo. Braith atirou dela para trás quando a garota
deu um passo para o menino. Sentia que tinha que fazer algo, mas não tinha
nem
idéia do que se supunha que devia fazer. O menino se parou para observá-la,
os olhos lhe brilharam perigosamente quando a viu bem.
-Segue andando, Arianna -urgiu-lhe Braith, ficando tenso.
-Tem que haver algo...
-Não são humano.
Ária abriu a boca e se voltou para ele.
-O que? -ofegou.
-São vampiros.
A inquietação se disparou por seu interior, deu um passo para o Braith e se
apertou contra seu corpo musculoso. O coração o martilleaba, custava-lhe
trabalho respirar e olhou freneticamente as desmanteladas ruas. Não sabia que
houvesse vampiros que vivessem assim nem que alguns tivessem tão pouco como ela
tinha no bosque. Acreditava que todos eram ricos, que todos desfrutavam da luxuosa
vida que o palácio lhe tinha mostrado. Mas estes
vampiros tinham muito pouco, e estavam mortos de fome.
E ao parecer ela era o único bocado de comida pelos arredores.
-Virão a por nós?
-Não se querem seguir vivendo.
Um calafrio se deslizou pelas costas de Ária quando Braith grunhiu
essas palavras. O homem a atraiu para si e lhe envolveu a cintura com o
braço para sujeitá-la. Dobraram outra esquina, as casas começaram a estar mais
dispersas conforme os bosques as cobriam de novo. Ária olhou por
em cima do ombro, alarmada e para nada surpreendida de ver que tinha atraído
a um pequeno grupo de perseguidores.
-Estão-nos seguindo -exalou com horror.
-Sei.
Ela tragou nervosamente, tratando de manter-se sob controle
enquanto o coração lhe palpitava e lhe desbocava com renovada
intensidade. Foram a por ela, mas matariam ao Braith para chegar até ela.
-Por isso William não podia vir conosco. Não posso
lhes proteger aos dois. -Ela assentiu com a cabeça e se mordeu
nervosamente o lábio inferior-. Não se aproximarão de ti, Arianna.
-E a ti? -sussurrou.
Lhe lançou uma sonrisita arrogante que não lhe chegou de tudo aos olhos.
-Impossível.
Ária tentou consolar-se com sua resposta, mas agora tinham ainda
mais vampiros detrás deles. sentiu-se agradecida pelo peso
tranqüilizador das flechas em seu ombro, mas não estava segura de que
tivesse suficientes em seu carcaj para reduzir a crescente população
que tinham detrás.
-Não deixe de olhar à frente -instruiu-lhe Braith.
Ela voltou a dá-la volta e moveu muito rápido os dedos para
agarrar o arco.
-O que vamos fazer?
Dobraram outra esquina. Os bosques se apertaram mais contra eles.
-Lembra-te dessa coisa que sabe fazer com as árvores? -Ária
assentiu-. por que não sobe correndo a um agora?
-Não vou deixar te solo aqui embaixo! -protestou.
-Estarei bem, Arianna. Tem que subir aí acima.
-Braith...
-Vete, Arianna! Agora!
Era a primeira vez que lhe falava com tanta dureza em muito tempo
e a deixou aturdida. O coração lhe deu um tombo e a boca ficou seca
quando voltou a olhar a crescente multidão. Braith era forte, mas ali
detrás havia muitos.
-Vete -urgiu-a, sua voz um pouco mais amável.
Ária tragou com dificuldade, mas não se opôs quando lhe deu um
empurrãozinho.
-Estarei bem, Arianna, vete.
Ária se agarrou à primeiro ramo baixo com a que se encontrou. Jogou
os braços ao redor desta, passou as pernas por cima e subiu agilmente pelo
grande carvalho. Olhou para baixo para ver o Braith, que tinha
a cabeça arremesso para trás e a observava. Ela titubeou um momento, odiava
ter que deixá-lo, mas necessitava uma posição e um ângulo
melhores se queria ter alguma possibilidade de liquidar às criaturas com suas
flechas.
Subiu mais alto e procurou o ramo que poderia usar para alcançar o
seguinte árvore. Uma vez que encontrou a adequada, correu por ela. Saltou ao
ar e sentiu um breve momento de euforia quando este passou a seu redor.
Deu várias patadas com as pernas até que conseguiu agarrar-se ao ramo
da outra árvore. Fechou os braços a seu redor e se balançou com facilidade
pelos frondosos ramos.
Braith se movia depressa pelo chão baixo ela e mantinha os olhos fixos
enquanto caminhava. Ária olhou à multidão de quinze vampiros que
alcançaram o extremo do bosque. Tinha que manter o tremor de suas mãos sob
controle se queria seguir abrindo-se passo pelas árvores e que
não a matassem. lançou-se para outro ramo, logo saltou com facilidade a outro
árvore e depois a outro mais.
Braith manteve seu ritmo, mas os outros lhes estavam ganhando terreno
e ela precisava adiantar-se um pouco mais. moveu-se com facilidade,
correndo e saltando, até que encontrou uma zona em uma árvore que seria um
bom sítio para colocar-se. Tirou uma flecha e a pôs com facilidade no arco.
Adorava a sensação de poder que vibrava no arco e em suas mãos. Braith a estudou um
momento e sacudiu a cabeça enquanto a olhava.
Ária não teve tempo de disparar a flecha já que Braith se lançou de repente
para frente. A velocidade com a que correu para seus
perseguidores fez que se voltasse impreciso. Ária abriu a boca de repente
quando ele agarrou ao primeiro deles e o estrelou contra o chão. A garota
ficou pasmada e momentaneamente aturdida por sua exibição de
velocidade e poder entristecedor. À vítima lhe escapou um chiado confuso,
mas durou pouco, pois o príncipe esmagou sua garganta com a força de sua mão. Outros
três se lançaram para o Braith.
Apartando as folhas com a ponta da flecha, Ária apontou a uma das
criaturas que arranhavam as costas do Braith. A flecha saiu disparada com
um marcado som vibrante, voou direita pelo ar e golpeou a seu objetivo nas
costas.
O vampiro caiu do Braith, gritou lhe arranhando as costas, retorceu-se
e se murchou no chão. Cinco pares de olhos vermelhos se giraram para ela e
atraiu sua atenção para sua posição na árvore. Mas não tinha medo de que
conseguissem separá-la da árvore, para isso primeiro teriam que apanhá-la. Sua
principal preocupação seguia sendo Braith. Tirou
rapidamente outra flecha, colocou-a no arco e apontou a seguinte criatura que
se dirigiu para o Braith.
Voltou a disparar. Esta vez a flecha voou direta ao coração da criatura, que se
deu a volta, soltou um bramido ao cair ao chão e esperneou
grosseiramente em sua agonia. Quatro dos vampiros fugiram correndo
para o povo. Outros três se excitaram pelo aroma do sangue. Ária retrocedeu,
as náuseas davam voltas em seu interior quando os vampiros se atiraram com malícia
selvagem sobre o que ela tinha matado.
Braith usou essa distração para destruir a outros dois lhes arrancando a
cabeça do corpo, depois voltou a atenção por volta dos três que agora se
davam um banquete com seu amigo. Ária não soube o que fazer enquanto ele
os
olhava fixamente, a sede de sangue era evidente na rigidez de seus ombros.
Ária se deu a volta, incapaz de ver como atacava às criaturas. Lutou contra o impulso de
tampá-los ouvidos e fugir pelas árvores para escapar da atrocidade em que estava
apanhada.
Entretanto, não fez nenhuma das duas coisas. ficou paralisada
na árvore, tremendo pela angústia que a aferrava. Um puxão forte de
seu pé a pilhou despreparada e quase a arrancou da árvore. apartou-se
espantada do que a tinha sujeito e procurou com os dedos algo ao que
agarrar-se no resistente ramo. Enganchou o braço no ramo e logo que
conseguiu salvar-se de cair em picado da árvore. Respirou com dificuldade, estava
aterrorizada, mas conseguiu reunir o sentido comum suficiente para olhar para baixo ao
que quase a tinha feito descer em queda livre.
Um vampiro lhe devolveu o olhar, tinha as presas estendidas e
os olhos vermelhos com intenções assassinas. Ária abriu tanto a mandíbula que
quase tocou o chão. Tinha estado tão afetada pelo açougue que tinha lugar
diante dela, que tinha passado por cima essa ameaça que se aproximava. Tinha sido tola,
estúpida, e agora ia pagar as
conseqüências, já que a mão do vampiro lhe agarrou a bota.
Ária jogou seu outro braço para cima tentando chegar a uma melhor posição na
árvore. A criatura lhe deu outro puxão forte e fez que perdesse seu recente agarre ao
ramo. Um gritito de dor lhe escapou quando o braço que tinha enganchado no ramo se
levou a pior parte do
violento puxão. A garota deu uma patada tratando de livrar-se da criatura,
mas esta se negou a soltá-la e sua mão reptó até seu tornozelo. Era
surpreendentemente forte, a pesar do estado gasto em que se
encontrava. Ou possivelmente era a fome o que a levava a esses níveis de
força.
A Ária doía o braço, tinha a axila em carne viva. O ombro se o
caiu como se fora a desprender-se de sua articulação. Logo que estava arranca-
rabo, apenas se sustentava nos ramos da árvore. Voltou a dar uma patada, tentando
livrar-se da criatura quando esta atirou outra vez dela.
Um grito de tortura lhe escapou, uma agonia dilaceradora lhe atravessou o
ombro no instante em que um sonoro estalo alagou o ar. Não sentiu o braço
quando este se soltou do ramo.
A criatura seguia sujeita a seu tornozelo enquanto ela caía em picado vários
metros. O agarre por vampiro a manteve na árvore, mas não evitou
que se estrelasse contra outro ramo. Suas costas gritou em sinal de protesto, lhe
saiu todo o ar. Logo que conseguiu manter seu braço bom em alto para protegê-la
cabeça do impacto contra o tronco da árvore. Conseguiu dá-la volta e atirar-se do ramo
enquanto o vampiro se apressava a agarrá-la melhor e subia a mão até sua pantorrilha.
Ária lhe deu uma patada por debaixo do queixo fazendo que jogasse a cabeça para trás.
A criatura lançou um bufido e arremeteu contra ela, que agora pendurava de
barriga para baixo. Ária voltou a lhe dar uma patada e o apartou um pouco mais.
balançou-se com sua mão boa e usou toda a força de sua ira para lhe dar um
murro. Um osso se partiu e o sangue lhe salpicou quando o nariz do vampiro se
rompeu com um forte estalo.
A criatura uivou. Instintivamente a soltou e se sujeitou o nariz torcido.
A Ária lhe escapou um grito de surpresa ao ver que caía em picado para a
nada. esforçou-se por voltar-se para agarrar à árvore, mas era muito tarde.
Tentou manter-se reta com a esperança de evitar a maior quantidade de ramos que fora
possível enquanto se desabava, mas estas a
esbofeteavam e a rasgavam.
Ouviu o Braith gritar seu nome, mas não pôde lhe responder já que se
golpeava e ricocheteava rapidamente de um lado a outro. Felizmente, as
ramos lhe cederam o passo e caiu para o chão. Uns braços a rodearam e
protegeram-na para que não me chocasse contra o chão. Braith recebeu o
impacto de seu corpo. À garota lhe escapou um grito de dor quando ele
abraçou-a contra seu peito.
O príncipe lhe apartou os cabelos enredados em seu intento por olhá-la.
-Arianna -sussurrou freneticamente-. Arianna?
Ela respirou fundo e fez um gesto de dor já que seu corpo
machucado protestou pelo movimento. tomou um momento para avaliar
os danos que se feito. Ao final ficou satisfeita porque, embora
estivesse ferida, ao final se curaria.
-Estou bem -disse-lhe apertando os dentes, pois até esse pequeno
movimento fazia que a dor estalasse em seu peito.
-Me olhe.
Ela inspirou um pouco de ar e se obrigou a abrir os olhos. Piscou surpreendida,
sem estar segura de quais eram as emoções que se
deram procuração dela. Os olhos que tanto amava do príncipe a olhavam com
intensidade, estavam aterrorizados e tinham um tom vermelho arroxeado. Não
soube o que pensar daquele cru aviso do que ele era, do que era
capaz de fazer, inclusive embora fosse por ela. O homem examinou seu rosto e
a percorreu rapidamente, tratando de assegurar-se de que de verdade
estava bem.
Então Braith elevou o olhar para a árvore, e a quantidade de raiva
que irradiou a sacudiu até a medula dos ossos. Ela não voltou a olhar à criatura
na árvore. Possivelmente ainda seguia vivo, mas já podia
dar-se por morto.
Braith se mordeu a boneca e lhe tendeu o braço quando o sangue
gotejou.
-Ajudará-te a que te cure antes -informou-lhe.
Ela titubeou durante um breve instante; já tinha tido suficiente
sangre por hoje, mas não podia rechaçá-lo. Não quando todas as partes de
seu corpo lhe doíam e não quando ele a olhava com essa expressão suplicante.
Lhe agarrou a boneca e a apertou contra sua boca. Seu sangue era doce,
deliciosa e curativa. filtrou-se em seu corpo e fluiu por seus músculos machucados e seu
ombro deslocado. Quando ele considerou que a garota
tinha bebido o bastante, apartou a boneca. Tocou-lhe com suavidade a frente
com os lábios e a soltou.
-Mantén os olhos fechados, Arianna.
-Braith -sussurrou, lutando contra os calafrios e as lágrimas
que lhe ardiam nos olhos.
-Você sozinho mantén os olhos fechados, acabará-se em seguida.
Ária fechou os olhos, sem poder resistir a obedecê-lo. obrigou-se a estar em
calma enquanto tratava, e fracassava, de bloquear os sons da
massacre que seguiu.
CAPÍTULO 11

Arianna se acurrucó contra seu peito, fechou a mão em um punho e apertou


sua camisa enquanto dormia profundamente em seus braços. Braith havia
tido a esperança de que para então já estivessem em seu destino, mas
a briga com os outros vampiros e o ocupar-se das feridas da garota, tinha-os
atrasado. A noite tinha cansado de novo e Ária estava esgotada e
derrotada. Seu sangue a ajudaria a curar-se mais rápido, mas seguia
gemendo de vez em quando e ainda tinha a cara enrugada pela dor.
Braith a observou enquanto caminhava. Estava assombrado pelo fato
de que pudesse vê-la, surpreso por que não lhe tivesse parecido formosa
ao princípio. Sim, estava muito magra para seu gosto, e ele sempre tinha
preferida cores de cabelos mais claros e uma beleza mais refinada. Mas
suas facções, embora afiadas pela magreza, eram sedutoras e
inocentes, e mesmo assim possuíam um forte caráter que era completamente
cativante.
Sem dúvida o cativava. Não podia apartar os olhos de seus lábios carnudos, seu
nariz ligeiramente arrebitada e suas pestanas negras que se curvavam contra as sardas
dispersas por suas bochechas. Quando ela tinha estado no palácio, longe dos raios do
sol, essas sardas tinham desaparecido quase por completo.
A garota despertou e abriu as pálpebras. Seus olhos de safira o
prenderam fogo, um sorriso pícaro lhe curvou a boca e se acurrucó mais
contra ele. Era um sorriso estranho, mesmo assim deslumbrante e
tremendamente
formosa. Braith sabia que o que tinha presenciado antes a tinha afetado
e horrorizado, mas não o reprovaria ou lhe jogaria a culpa de sua escura
natureza. Ela não se afastou dele nem lhe tinha pedido que ele se afastasse
dela.
-Já quase chegamos -disse-lhe.
Ária fez uma careta de dor quando seu ombro mau lhe tremeu. A
fúria se apoderou dele, mas a enterrou antes de que ela pudesse vê-la ou senti-
la. Já tinha tido suficiente caos por hoje e não necessitava que ele causasse mais nesse
momento. A garota olhou o bosque de ao redor e enrugou sua delicada frente com
confusão. Não parecia que o bosque fosse a
acabar nunca, mas o faria logo.
-Posso andar -murmurou.
-Não faz falta.
Ária se girou para ele e junto as escuras sobrancelhas firmemente.
-Deve ter os braços cansados.
-Estou bem, Arianna, pesa tanto como uma pluma.
O desgosto lhe cruzou o rosto. Braith se inclinou para lhe dar um beijo em
o nariz com a esperança de aliviar sua irritação contra ele.
-Estaremos a salvo?
Desejou poder lhe dizer que sim, que o estariam. Desejava poder lhe dar isso,
mas não podia. Ela nunca tinha conhecido a segurança, nunca havia
conhecido um lugar ao que chamar lar, um sítio onde pudesse sentir-se segura,
e algum dia lhe daria isso, mas por desgraça não seria hoje.
Provavelmente não seria em muito tempo. A tristeza se filtrou pelos olhos
da moça e apoiou a cabeça contra seu peito.
-Estaremos juntos, verdade? -perguntou preocupada.
-Sim.
-Então isso é quão único importa.
O homem a estreitou com as mãos; tentaria lhe dar a lua se se o
pedia, mas nunca lhe tinha pedido quase nada. Não necessitava dinheiro ou
jóias, não gostava da roupa de luxo, solo desejava segurança, um lugar ao que chamar
lar, e a ele. Por desgraça, Braith não tinha a capacidade para
lhe dar essas coisas nesses momentos. Algum dia o faria, prometeu-se a si
mesmo. Os bosques cederam e se abriram dando passo a uma casa que se
elevava no meio do claro. A luz resplandecente das janelas
iluminava o chão a seu redor.
Arianna contemplou a casa com os olhos cheios de admiração e apertou
a camisa do príncipe com as mãos. Estava edificada sobre pilote, elevada no ar,
e algumas parte tinham sido construídas nas árvores
que rodeavam o claro. Os lados eram todos de tabuletas, embora algumas parte
estavam mais deterioradas que outras. A casa tinha aumentado de tamanho da última vez
que Braith a tinha visto e parecia desaparecer
no bosque que havia detrás. estendia-se para o exterior em um vigamento de
edifícios e habitações.
Alguém tinha estado muito ocupado.
-Latido! -exclamou Arianna.
Retorceu-se em seus braços e esta vez o homem lhe permitiu ficar em
pé. Seus lábios rosados formaram uma «Ou» pequena enquanto se deleitava
com a visão da casa da árvore que tinha diante. sentia-se mais cômoda
entre as árvores; para ela essa moradia era espetacular e maravilhosa.
-Que sítio é este?
Braith contemplou o crescente conjunto de edifícios e os corredores que
conectavam-nos entre si.
-Em um princípio pertencia à família de minha mãe.
Ária se voltou para ele interrogando-o com o olhar.
-E agora?
-E agora pertence a meu cunhado.
Arianna abriu de repente a boca e se girou para a casa da árvore.
-Onde está você irmana? -inquiriu.
-Conheceu a Natasha quando chegou pela primeira vez ao palácio.
Ela não deixou o palácio quando trouxeram para o Ashby aqui.
-Nem sequer por seu marido?
Braith deslizou sua mão até a da Arianna e a atraiu mais fazia sim.
-Não todas as relações são como esta, Arianna, não todo mundo
elije a seu casal. Foram suas famílias as que obrigaram a que Natasha e Ashby
estivessem juntos. Natasha é uma mulher malcriada, rica, e está acostumada à vida
luxuosa. Inclusive se Ashby lhe tivesse importado quando estiveram juntos, jamais teria
deixado todo isso atrás por ele. Não o
deixaria por ninguém.
-Você o deixou por mim -disse ela com voz afogada.
Ele assentiu e lhe acariciou um momento a bochecha.
-Eu faria algo por ti.
Uma lágrima lhe escapou. Ele a limpou e logo se inclinou para beijá-la.
-por que trouxeram para o Ashby aqui? -perguntou ela com a voz
afogada pela emoção.
Braith centrou a vista nos desmantelados edifícios da casa da árvore.
-Durante a guerra contra os humanos, a família do Ashby ficou
de parte deles. Como castigo todos foram sacrificados, mas ao Ashby o
enviaram a viver aqui no exílio, onde tinha que ficar só e faminto. Mas ao
parecer decidiu acrescentar mais edifícios à estrutura original.
-por que o deixaram com vida?
-Meu pai pensou que este seria um castigo melhor para ele. Sem luxos,
sem sangue humano disponível, e sem mulheres. Ashby era conhecido por seu
amor para as mulheres e o sangue. Toda a gente e todos os vampiros de
a zona receberam a ordem de manter-se afastados daqui. Estava acostumado a
haver guardas, mas parece que desapareceram, e tenho o pressentimento de
que Ashby não está tão débil e desfavorecido como meu pai pretendia. Em
uma ocasião os guardas nos informaram que estava tão esfomeado e dizimado
que era incapaz de mover-se. -O temor brilhou no rosto da Arianna e olhou rapidamente
aos edifícios-. Não deixarei que te aproxime,
Arianna.
Ela assentiu mas seguiu estando nervosa.
-por que não vão vir aqui para te buscar, se esta era a casa de sua mãe?
Uma sombra passou depois das cortinas de uma janela quando alguém se
moveu pela habitação. Braith ficou tenso ao ver o Asbhy caminhar por
a casa. Suas maneiras e passos decididos demonstraram o que ele suspeitava:
Ashby já não estava muito fraco para ser uma ameaça.
-Porque Ashby é o culpado de que esteja cego.
Arianna inspirou bruscamente. Os olhos lhe brilhavam no resplendor
da lua.
-Braith...
Ele a agarrou da mão e a aproximou para si. Jogou-lhe o cabelo para
adiante e lhe pôs as grosas ondas ao redor do pescoço, tratando de mascarar o
aroma de seu sangue, embora era impossível passar por cima o doce aroma. Tampouco
havia muito com o que cobri-la, já que os meses
do verão não permitiam levar muita roupa extra. E, embora ao parecer
Ashby se tivesse estado alimentando, Braith não sabia como de bem ou quando
foi a última vez. Arianna era uma tentação depois da que não estava seguro de que
Ashby não fora. E Braith não queria ter que matá-lo, ao
menos não imediatamente.
-Vêem.
A garota o seguiu, mas um estremecimento lhe percorreu o corpo e o
estreitou a mão com as duas delas. Braith a conduziu por uma escada
desvencilhada e apertou a mandíbula, já que o rangido dos degraus fazia quase
impossível manter em segredo sua presença. A escada se balançou quando chegaram ao
final e entraram em uma terraço de madeira que
cambaleava-se e da qual Braith não estava do todo seguro de que pudesse
suportar seu peso. Não lhe teria surpreso que Ashby tivesse instalado
armadilhas explosivas. Quando Arianna tratou de caminhar a seu lado, empurrou-a
para trás como reprimenda para que solo caminhasse por onde ele já tinha
pisado. Ela o olhou franzindo o cenho ferozmente, mas por uma vez não discutiu.
Braith voltou a perguntar-se onde estariam os guardas. Teria que
ter deixado a Arianna no bosque, porque embora não pudesse sentir aos
guardas, isso não queria dizer que não estivessem por ali. Não podia correr esse risco
com a vida de Ária. Estendeu o braço e a manteve detrás dele enquanto tentava abrir a
porta. Não lhe surpreendeu
encontrar-lhe fechada com chave.
Esperou um momento tratando de decidir se devia forçar a fechadura ou
bater na porta. Olhou a Arianna, que se mordia o lábio inferior e o suor tinha
começado a formar-se o no nascimento do cabelo. Apertou-lhe a
emano para tranqüilizá-la, mas se deu conta de que não a apaziguava muito.
Ao final decidiu chamar. Naquela situação havia algo estranho e
desconjurado, e por alguma razão sentiu que bater na porta poderia ser
o mais surpreendente de tudo.
Do interior escutou o som de uns passos aproximando-se. Um
assobio leve atravessou o ar. Braith se levou um sobressalto e por um instante
voltou para uma época em que todos tinham vivido juntos no palácio.
Ashby sempre assobiava, não era um assobio forte e penetrante, a não ser um
melodioso que flutuava alegremente pelos corredores. Era vivaz e
despreocupado, tão animado e depravado como o homem que o emitia.
Todas as mulheres adoravam ao Ashby, lançaram-se a seus pés
cativadas por sua boa aparência e encantadores maneiras.
Agora o sussurro flutuava com facilidade pelo ar; era vago e casual,
para nada o som que um prisioneiro lutando por sua vida deveria estar
fazendo. Este era um assobio feliz, depravado, e tão incrivelmente alegre que
pôs ao Braith dos nervos. Eles dois tinham sido bons amigos uma
vez; mais que cunhados, irmãos. Então Ashby os tinha traído, Braith se tinha
ficado cego e sua amizade se quebrado para sempre. Se
supunha que Ashby tinha que ter sido castigado por essa traição, mas era mais
que evidente que ele já não estava cumprindo esse castigo.
A porta se abriu de repente e Braith se encontrou cara a cara com o homem que
uma vez tinha sido seu melhor amigo e agora era um de seus maiores inimigos. Ashby
sorria como um parvo; os olhos lhe brilharam de
júbilo até que caiu na conta da realidade. Estava como Braith o recordava, não
se tinha consumido, não parecia morto de fome, e, de fato, parecia pesar um pouco mais
que no palácio.
Então o sorriso do Ashby se desvaneceu e a incredulidade, a
alarme e, finalmente, o terror, apareceram em seu rosto. Braith avançou para
frente, apesar de que Ashby estivesse tentando fechar a porta
de uma portada. A sólida madeira ricocheteou e golpeou contra a parede com
um grande estrondo que destroçou a madeira e fez que Arianna desse um grito
afogado. Ashby saiu espantado para trás e tratou de escapar, mas Braith
agarrou-o pela garganta, levantou-o e o estrelou contra a parede com a força
suficiente para destroçar o gesso.
Não tinha visto o Ashby em um centenar de anos, mas a punhalada de traição
que o atravessou foi tão recente e intensa como o tinha sido nnaquele tempo. naquele
tempo. Isto tinha sido uma má idéia. Braith tinha ido a aquele lugar sabendo que
ninguém o buscaria ali, tinha ido ali pensando que Ashby possivelmente seguia tendo
contatos que o ajudassem a manter a salvo a Arianna. Tinha ido ali esperando que
Ashby estivesse pagando por seus pecados, não desfrutando plenamente da vida.
Toda a força de seu ódio para o Ashby o percorreu com rapidez, e
todos os motivos que tinha para estar ali se desvaneceram imediatamente.
Agora solo queria matá-lo. Os brilhantes olhos verdes do Ashby
estavam cheios de terror, aferrou-se com as mãos ao braço do Braith tratando
de soltar a força com a que o tinha agarrado. golpeou-se os talões contra a parede e um
grunhido afogado lhe escapou. Braith tinha os
presas completamente estendidas, pôs a cara mais perto da do Ashby,
desfrutando de do crescente temor que irradiava.
-Olá, irmão -burlou-se Braith.
Ashby se engasgou, moveu-se de forma mais selvagem conforme o Braith
pressionava-o sem piedade.
-Braith.
O sussurro aturdido da Arianna logo que atravessou a neblina vermelha de seu
fúria. voltou-se para ela e tratou de distingui-la entre a nuvem que lhe nublava
a visão.
-Braith.
Braith o apertou com mais força e logo afrouxou seu agarre. Arianna
sabia exatamente do que era capaz, mas ele não se atrevia a matar a sangue
fria diante dela. Pode que mais tarde o matasse, mas requereria uma desculpa
melhor que o fato de que seu ex-cunhado tivesse aberto a porta.
Empurrou ao Ashby bruscamente para trás e se afastou dele.
Ashby se levou a mão à garganta e se apartou cambaleando da parede com os
olhos entreabridos enquanto olhava fixamente ao Braith. Arianna
ficou um pouco mais atrás apertando com as mãos o arco contra seu flanco.
Braith não se deu conta até agora de que o tinha tirado, e ela não ia guardar o, se é que o
gesto obstinado de sua mandíbula queria significar isso. Olhou-o desafiante durante um
instante e
depois dirigiu seu olhar de aborrecimento para o Ashby.
Ashby enrugou a frente ao desviar a atenção para a Arianna. A
percorreu com o olhar, esquadrinhando a da cabeça aos pés. Quando se
voltou para o Braith, a confusão era evidente em seus brilhantes olhos verdes.
-Onde estão os guardas? -inquiriu Braith em voz baixa e feroz.
Ashby tragou saliva, esfregou-se a garganta outra vez, mas não falou.
Braith lhe agarrou pelos ombros, golpeou-o contra a parede e o sacudiu
bruscamente. Ashby se cambaleou, mas rapidamente recuperou o equilíbrio.
Torceu os lábios em uma careta, estendeu as presas, mas não se lançou
para o Braith, era muito inteligente para fazer isso. Braith era maior,
mais forte e estava satisfeito.
-Onde estão os guardas? -perguntou de novo.
Ashby endireitou os ombros, arrumou-se a camisa e se separou da
parede. Sempre tinha ido meticulosamente vestido e muito arrumado.
-Mortos.
Braith assentiu e jogou uma olhada a grande habitação; já se tinha esperado
essa resposta.
A família de sua mãe uma vez tinha tido a casa elegantemente
decorada com móveis clássicos e obras de arte. Mas quando Ashby foi banido
ali, despojaram à casa de todas essas coisas. E agora, em que pese a que a habitação
ainda seguia bastante nua, ao Braith não o
surpreendeu ver que Ashby as tinha arrumado para encontrar umas poucas
coisas bonitas com as que decorá-la. Ashby sempre tinha apreciado
as coisas boas da vida, e encontrava a forma das incorporar em seu
lar.
-Quem fala com os guardas do palácio quando chamam?
-Eu.
-Então tem descoberto a palavra chave e os mataste.
Não tinha sido uma pergunta, mas Ashby respondeu de todos os modos:
-Sim.
-Quando voltará a ficar em contato contigo alguém de palácio?
-Não até manhã pela manhã. Fizeram a comprovação faz
ao redor de uma hora. Não te direi a contra-senha.
Braith não tinha acreditado que se a fora a dizer. Ashby teria que seguir com
vida durante o tempo que fora necessário. Quando o olhar
de seu cunhado voltou a deslizar-se para a Arianna, Braith se interpôs entre
eles.
-É humano.
-Muito ardiloso por sua parte -replicou Braith.
Ashby estreitou os olhos e o olhou.
-por que está aqui, Braith? O que está fazendo com uma humana?
por que não leva uma correia?
Arianna se enfureceu e deu um passo para frente.
-Não sou uma pulseira de sangue.
-Arianna.
Braith a empurrou para trás tentando mantenarla tão longe do Ashby
como fora possível.
Ashby a estudava com surpresa e incredulidade. Então seu olhar
desviou-se a seu ombro. Folgada-a camisa lhe tinha escorrido para revelar as
marcas que o afeaban a pele de porcelana. A fome cintilou
nos olhos do vampiro, mas algo mais passou fugazmente por seu rosto.
-Não é uma pulseira de sangue e não é uma mulher do palácio,
mas mesmo assim o alimenta?
Arianna apertou o arco com força. Ao Braith não teria sentido saudades nada
que a garota tirasse uma flecha e disparasse ao homem só para sentir-se melhor. Subiu-
lhe o pescoço da camisa lhe acariciando a pele durante um breve instante e depois lhe
cobriu as marcas. À garota se o
acenderam os olhos de amor e curvou os lábios em um sorriso.
-Como sabia que lhe tinha baixado a camisa?
Braith se voltou para o Ashby e curvou os lábios em uma sonrisita.
Ashby abriu a boca de repente e alargou os olhos quando o compreendeu.
-Pode ver! -Braith solo se encolheu de ombros em resposta-.
O que? Como? Não o entendo.
A atenção do Ashby voltou para a Arianna e o cabelo loiro escuro se o
esparramou pela frente ao sacudir a cabeça.
-Acreditava que sua visão tinha desaparecido para sempre.
-Tem algum sítio onde possa deitar-se? -perguntou Braith, que
não estava disposto sequer a começar a satisfazer um pouco a curiosidade
do Ashby e suas perguntas.
-Não vou deixar te sozinho -protestou Arianna.
-Está esgotada.
-Estou bem, Braith.
-Arianna...
-Não, não vou deixar te a sós com ele! -replicou com brutalidade.
-Que demônios? -sussurrou Ashby enquanto passava o olhar de
um e a outro como uma bola do PING pong.
-Te cale! -espetou-lhe Braith-. Arianna...
-Estou bem, Braith, de verdade. dormi de caminho aqui,
recorda? Não quero te deixar só nem tampouco ficar eu sozinha.
Sua resposta foi tão sincera, tão vulnerável que lhe oprimiu o
coração. Não queria que estivesse perto do Ashby, mas não podia obrigá-la
a que se fora. Sobre tudo agora que se deu conta de que sob seu
expressão e postura desafiantes, estava aterrorizada.
-Sente-se.
Não lhe surpreendeu que ela não se movesse, mas sim ficasse de pé,
imóvel, com as mãos apertadas em torno do arco.
-Por Deus -murmurou Ashby-. O que está passando, Braith? Por
o que está aqui? E o que significa ela para ti!?
-Isso não é de sua incumbência -informou-lhe Braith-. A quem
estava esperando?
-Não sei a que te refere -replicou Ashby, tratando de parecer
despreocupado, mas fracassando rotundamente.
-Estava assobiando quando abriu a porta, não se preocupava que
pudesse haver uma ameaça ao outro lado. A quem estava esperando?
Ashby elevou o queixo e fulminou com o olhar ao Braith.
-Você tem seus segredos e eu tenho meus -respondeu secamente.
-Tenho meus segredos mas o que sim posso, e farei, é te tirar os
olhos. -Braith o empurrou para trás e o apertou firmemente contra a parede-.
Ainda te devo uma, Ashby. Crie que não desfrutarei te deixando cego para logo seguir
prolongando sua morte?
Ashby se girou para a Arianna com as sobrancelhas arqueadas.
-A ela não parece lhe gostar de muito a idéia.
-Eu não tenho por que vê-lo -informou-lhe Arianna com voz tensa.
Braith lhe fez um gesto de aprovação e voltou sua atenção para
Ashby. O ruído de alguém batendo na porta fez que todos girassem a
cabeça de repente. Ashby abriu a boca para gritar uma advertência, mas Braith
o agarrou pela garganta e rapidamente interrompeu seu grito.
antes de que Ashby pudesse reagir, Braith lhe atirou um golpe
demolidor que imediatamente o derrubou. Arianna o contemplou com a boca
aberta e o olhar aturdido pelo assombro. O príncipe se colocou um
dedo nos lábios para lhe indicar que permanecesse em silêncio e depois
encaminhou-se para a porta. Ouviu que a garota colocava uma flecha no arco,
mas não olhou para trás.
Apartou as cortinas um pouco. Não podia ver quem estaria no alpendre,
mas estava convencido de que solo era uma pessoa. Abriu a porta e não
surpreendeu-lhe absolutamente encontrar-se a uma moça ali fora. Ela, sem
embargo, sim que se surpreendeu ao vê-lo ele, e lhe escapou um gritito quando
Braith a agarrou por braço e a colocou de um empurrão na casa.
CAPÍTULO 12

Ária se sentou no bordo do sofá com as mãos unidas, mas preparada para
agarrar em um instante o arco e o carcaj, junto a seus pés. Ashby se
sujeitava um trapo contra o corte do lábio. Ária se inclinou para frente;
não gostava da forma em que os brilhantes olhos verdes do Ashby observavam
ao Braith.
Ashby era excepcionalmente bonito de uma maneira singela e
encantadora. Seu cabelo loiro escuro estava desgrenhado e lhe caía em ondas
ao redor da superfície esculpida de seu rosto. Tinha um ar de indiferença que o
rodeava, e, mesmo assim, Ária pressentiu que havia algo mais,
algo do que nem sequer Braith sabia nada. Algo que Ashby tinha conseguido
ocultar a todos os que alguma vez o tinham conhecido.
Ária não sabia por que estava tão convencida disso (possivelmente pelos anos
de aprender a decifrar às pessoas no bosque), mas não podia tirá-la sensação de que
Ashby era muito mais do que aparentava.
A moça estava sentada frente a ele e com seus olhos marrons
olhava freneticamente ao redor enquanto os observava com nervosismo.
Era bonita, com cabelo escuro que lhe caía em grosas ondas sobre seus
delicados ombros. Era maior que Ária, aparentava ao redor de uns
vinte e dois ou vinte e três anos. Embora não havia maneira de saber sua idade
real,
já que não era humano. Um fato que tinha ficado patente quando havia
tentado atacar ao Braith, solo para ser afugentada rapidamente por ele.
Braith lhe tinha pacote as mãos à costas e depois a havia
sujeito a uma viga do teto com bastante corda para lhe permitir ter as mãos
para baixo. A moça também tinha as pernas atadas
com outra parte de corda que ia até outra viga. Ária estava inquieta, nervosa
pela situação, insegura sobre o que estavam fazendo ali e sobre
o que tinha Braith planejado para esses dois.
Ashby parecia igual de inseguro enquanto observava ao Braith com
receio.
-Em que confusão te colocaste, Braith? -inquiriu.
-Não acredito que isso seja de sua incumbência.
Ária pôde sentir a faísca de curiosidade que percorreu ao Ashby quando
seus olhos voltaram a escrutiná-la. Ária se removeu; odiava a forma em que
continuava observando-a como se fora algo de comer ou uma raridade que não
pudesse explicar. obrigou-se a si mesmo a não retorcer-se sob seu escrutínio, a lhe
devolver resolutamente o olhar.
-vieste até mim, Braith, isso faz que seja de minha incumbência.
trouxeste o problema no que seja que esteja metido a meu mundo. Tenho
direito ou seja o que é.
Braith se voltou para ele, mas tinha a mandíbula tensa e Ária se deu
conta de que não ia falar com o Ashby. Ela tinha tanta curiosidade como
este e estava igual de desconcertada pelo que Braith tinha planejado fazer, mas
se ele não estava disposto a dizê-lo diante do Ashby, ela não o
pressionaria.
-Este não é seu mundo, Ashby, é sua prisão. Ou ao menos é o que se
supunha que deveria ser. Quem é a garota?
-Quem é sua garota? -replicou Ashby.
Ao Braith lhe escapou um grunhido desço de frustração, enquanto que a
Ária lhe pôs o pêlo do pescoço e os braços de ponta ao ver que o príncipe se
encaminhava para o Ashby. Tinha medo de que fosse matar o;
ao parecer, Ashby temia o mesmo, já que retrocedeu.
Ária ficou em pé de um salto para deter o Braith, mas a
moça lhe jogou em cima com um violento vaio. girou-se, mas o repentino
ataque da moça a tinha pilhado com o guarda baixo.
Desconcertada pela brutalidade que irradiava a moça, Ária caiu para trás ao
tempo que a outra a investia com um rugido feroz, os olhos
vermelhos e os dedos em forma de gancho.
Ária estava indefesa porque se deixou o arco no sofá.
Reagindo somente por instinto, deu-lhe um murro na bochecha usando toda a
força de seu corpo. O golpe de Ária logo que afetou a vampira, mas as cordas a
apanharam de repente e atiraram bruscamente de
ela para trás. A moça caiu de culo, um gritou de frustração se o
escapou e estrelou as mãos contra o chão.
Braith estava diante de Ária e lhe agarrou os braços com as mãos.
-Está bem? -perguntou-lhe. Ária tragou com dificuldade enquanto
tratava de acalmar o ritmo frenético de seu coração-. Arianna?
-Estou bem, estou bem -assegurou-lhe.
Ele a agarrou pelo queixo e lhe girou a cara para si. O homem tinha
os olhos escuros e a ponto de estalar pela sede de sangue logo que contido que
palpitava em seu interior. Ela tinha visto esse olhar umas quantas vezes antes, mas
seguia assustando-a, sobre tudo porque sabia que
não havia nada que pudesse fazer para deter o que for que tivesse em mente.
-Braith...
Mas este não desforrou sua ira com a moça, a não ser com ela. Sua boca
apoderou-se da sua de uma forma se desesperada e necessitada que a deixou
pasmada e alterada. Tomou posse com firmeza dela e a atraiu
bruscamente para si. Embora ao princípio a garota ficou paralisada por
seu ardente desejo, sentiu que se fundia com ele. deixou-se levar por seu
selvagem desejo, principalmente porque não podia lhe negar nada, mas também porque
necessitava aquilo tanto como ele. Braith tinha as mãos postas com firmeza
sobre seu cabelo, acariciou-lhe a cabeça com os dedos enquanto intensificava o beijo.
Tinha a língua quente e embriagadora enquanto o
percorria a boca.
Separou-se dela a contra gosto; as mãos lhe tremiam quando
apoiou sua frente contra a sua. Ária não podia recuperar o fôlego enquanto
lutava por acalmar o zumbido de paixão que seu beijo colérico tinha aceso.
agarrou-se a seus braços, fortes e bem definidos, tratando de manter os pés na terra
naquele mundo novo e estranho, e nas sensações entristecedoras que lhe evocava.
-Necessito que vá à outra habitação.
-Braith...
-Solo um minuto, Arianna, não quero que veja isto.
A incredulidade e a repulsão a atravessaram ao dar-se conta do que
ele planejava. Os outros os ultrapassavam em número, com o Ashby e a
moça estariam em constante ameaça de ataque. Mas a garota estava atada,
indefesa. Isso não estava bem. Ária sacudia a cabeça, tentando articular as palavras, mas
ele já a estava empurrando para a porta de outra habitação.
-Braith, espera -disse, e lhe agarrou freneticamente os braços-. Não
faça-o. Assim não, Braith.
-Não vou matar a.
-Mas...
-Não passa nada, Arianna; agora vete, será sozinho um momento.
A garota o olhava com o cenho franzido, mas ele já tinha conseguido
conduzi-la através das portas e colocá-la em uma habitação que parecia
ser uma biblioteca. Braith olhou ao redor; o desgosto lhe atravessou o rosto
quando viu o vasto desdobramento de livros.
-Braith?
O homem a beijou rapidamente e se deu a volta.
-Solo necessito um pouco de tempo a sós com eles, com ele. Fique
aqui.
Ária não teve tempo para discutir com ele, já que lhe fechou a porta. A
exasperação e a incredulidade se apoderaram dela quando escutou o clique da
fechadura ao voltar para seu sítio. Fechou as mãos em punhos, mordeu-se o lábio
inferior e lutou contra o impulso de correr para a porta e golpeá-la até que ele a abrisse
de novo. Pareceria infantil, sabia, mas também sabia que não ia se ficar confinada
naquela maldita habitação, e não ia deixar que lhe desse ordens dessa forma.
Abriu-se aconteço rapidamente pelas outras habitações. Conforme
avançava pela casa desmantelada, as habitações e as comporta se voltaram
mais aleatórias. Era fácil saber qual tinha sido a casa original e
quais eram as incorporações mais recentes a enorme estrutura da árvore. O
estou acostumado a rangia sob seus pés, mas não lhe preocupava que pudesse derrubar-
se; parecia o bastante sólido. Passou por uma versão estendida da biblioteca; uma
cozinha bastante grande, e surpreendentemente bem equipada; uma sala de estar; três
dormitórios e dois quartos de banho com ducha. As benditas duchas das que, se ficavam
ali o tempo suficiente e as coisas se acalmavam, ela desfrutaria.
Logo estavam as habitações vazias, aparentemente construídas
solo para manter ao Ashby ocupado durante seu confinamento. As
incorporações se entrelaçavam mais profundamente com o bosque,
ramificando-se em ângulos novos e diferentes. Algumas ramos dos
árvores se tinham usado como suporte e se incorporaram à
estrutura labiríntica. Apesar de seu aspecto vazio e de seu ambiente um tanto
solitário, havia algo na estranha moradia que a intrigava. Ela sempre se havia sentido
mais em casa nas árvores que em nenhum outro sítio, esta era a classe de sítio onde
poderia viver. Esta era a classe de sítio ao que algum dia poderia chamar casa.
Compreendê-lo foi estranho,
assombroso inclusive para ela, já que nunca tinha pensado em ter uma casa
estável, mas de algum modo agora lhe parecia bem.
Chegou até o final da estrutura e se parou ao encontrar-se cara a cara com uma
parede. A frustração a invadiu, tinha esperado que aquele lhe serpenteiem labirinto
voltasse sobre si mesmo de alguma forma, mas não
era assim. Lutando contra o impulso de lhe dar uma patada à parede, Ária
fechou as mãos em punhos e se deu a volta. Ansiava estar com o Braith, mas
não ia deixar que a relegasse a aquele papel secundário, não ia deixar que
desse-lhe ordens ou que a escondesse como a uma menina que não pudesse
valer-se por si mesmo.
Ela podia valer-se por si mesmo; de fato, lhe dava muito melhor que a quase
todo mundo que conhecia.
Possivelmente não era tão rápida e forte como um vampiro, mas tinha seu
própria série de habilidades que a elevavam por cima da maioria dos humanos.
Voltou furiosa pelas habitações, decidida a discuti-lo com
ele. estava-se abrindo passo pela cozinha quando ele apareceu na soleira.
Ária pôde ver a tensão logo que contida sob a superfície do corpo do
príncipe, a ponto de estalar; pôde sentir o ligeiro controle que tinha sobre
si mesmo.
A garota ficou paralisada ao vê-lo. O homem estava sendo
insistente e controlador, mas pela primeira vez ela pôde espionar o medo
que tratava de lhe ocultar. Medo a que não fosse capaz de mantê-la a salvo,
a que a perdesse. Também viu a pressão pela que acontecia ter que enfrentar-se
ao Ashby.
Os olhos do Braith flamejavam e tinha os ombros rígidos. Sua sede era
quase evidente na habitação. alimentou-se recentemente, mas o
estresse da situação atual lhe estava claramente passando fatura. Ária pensou
em que não se deu conta do extenuante e exaustivo que isto
seria para ele.
Ela não podia lhe prometer que estariam a salvo, que sairiam desta, mas podia
lhe ajudar a aliviar a sede ardente que palpitava em seu interior.
Baixou-se a camiseta para deixar ao descoberto as marcas recentes sobre seu
pele. Os olhos do homem brilharam com fome. Ária pôde sentir a pressão de
suas presas contra o interior de sua apertada boca. Um músculo lhe contraiu na
bochecha. A garota não se sobressaltou quando ele
estrelou a mão contra a parede fazendo que várias panelas de um dos armários
se movessem e caíssem com um fraco repico.
-É muito logo. Não.
Grasnou-lhe as palavras com dureza pelo esforço que estava
empregando para manter o controle de si mesmo.
-Poderei suportá-lo.
-Hoje resultaste gravemente ferida. Não.
ia lutar contra ela, Ária sabia. Não importa o muito que o necessitasse, sua
segurança era o primeiro para ele. E se sentia que ia fazer lhe danifico ou que aquilo
seria um perigo para ela, então não o faria.
Mas ela era muito mais teimosa que ele, e desejava aquilo tanto como ele
necessitava-o. Começava a dar-se conta de que ansiava que ele se alimentasse
dela tanto como ele ansiava seu sangue. A pesar da leve dor que a experiência
lhe causava, também lhe causava momentos de pura e absoluta alegria. Era emocionante
e maravilhoso ser capaz de lhe dar sustento com seu
sangue, com seu corpo. Era estimulante o ter sobre ela, nela, ganhando
força dela. Talvez não era a única da que podia nutrir-se, mas era a única da
que ele queria alimentar-se. Se ia ter algum tipo de alívio, Ária era quão única poderia
dar-lhe tenía que hacerlo. Se detuvo frente a él. Braith le recolocó la camisa, pero
Aproximou-se dele com o coração lhe pulsando fortemente pela emoção
de ser consciente daquilo.
-Arianna.
Sua voz era uma súplica suave, mas a garota não podia dar marcha atrás.
Pode que ele não sentisse que fora seguro alimentar-se dela agora, mas
tinha que fazê-lo. deteve-se frente a ele. Braith o recolocó a camisa, mas
lhe agarrou a mão e a deixou apoiada sobre seu peito, por cima dos batimentos
do coração de seu coração.
-Sente-o? -Os olhos do homem estavam escuros e turbulentos
quando elevou o olhar para a sua. Ária sabia que podia senti-lo, era impossível
não notar seu enérgico batimento do coração-. É teu. Sou tua, Braith. Sou forte, posso
suportá-lo. Toma o que necessite de mim.
Apesar de que o príncipe seguia tremendo de fome, seus olhos se encheram de
assombro. Fechou os dedos entreabro a seu peito e se inclinou para beijá-la na frente, a
bochecha e a orelha.
-Eu também sou teu, Arianna, nunca o duvide.
-Nunca o farei -prometeu.
O homem enredou uma mão em seu cabelo e a acariciou com ternura.
em que pese a que seus dedos passaram sobre as antigas marcas, não a mordeu,
mas sim simplesmente ficou ali, reconfortando-a e acariciando-a. O príncipe se
estremeceu e seus músculos vibraram contra os dela, que sentiu sua debilitação. Braith a
beijou no pescoço com cautela e a dura pressão de suas presas fez que seu coração
palpitasse de emoção. Um grunhido desço de prazer lhe escapou, os joelhos quase lhe
dobraram quando a mordeu e ficaram unidos de novo. Ária se aferrou a ele e tremeu
enquanto umas quebras de onda de êxtase estalavam por seu interior. Não importava
quão horrível fora o mundo a seu redor, esse intercâmbio,
esse momento de perfeita felicidade e de prazer merecia cada horror com os
que estava segura de que se encontrariam, se é que não os tinham encontrado ali já.
Acariciou-a com o nariz enquanto lhe lambia as restantes gotas de
sangre sobre sua pele. Não tinha tomado tanta como normalmente.
-Tem que tomar mais...
-Estou bem.
-Braith, tem que estar forte, toma mais.
-É muito logo para ti.
Ela tragou com dificuldade tratando de livrar do nó que lhe estava
formando na garganta. Embora suas seguintes palavras foram matar a,
conseguiu as tirar fora.
-Então terá que recorrer a alguém mais.
Suas mãos ficaram imóveis sobre ela e lhe levantou a cara. Ária
não pôde ocultar a dor que aquela idéia lhe causava. Para o Braith seria
horrível recorrer a outra pessoa para isso. Para ela também seria horrível,
mas ele tinha que alimentar-se. Tinha que estar forte, sobre tudo agora, e ela
não podia lhe dar tudo o que necessitava nesse momento. Possivelmente algum
dia, quando ele não tivesse tanta pressão e estresse, ela poderia ser suficiente.
Mas esse dia não era hoje, e provavelmente tampouco o seria logo. Ambos
tinham que aceitar o fato de que ele teria que recorrer a outro sítio, a outra
pessoa, e não havia nada que nenhum dos dois pudesse fazer para
evitá-lo.
-A idéia não te faz feliz.
-É obvio que não, mas prefiro que esteja forte a que lhe façam
dano porque estava faminto, ou débil.
-Não estarei nenhuma das duas coisas.
-Braith...
-Encontrarei outra forma, Arianna. Substituirei o que você não pode
me dar com animais.
-É o mesmo? -sussurrou.
O homem sorriu e lhe beijou o nariz brandamente.
-Pode que não saiba tão bem, mas é igual de nutritivo. Nada sabe tão bem
como você. -A garota sacudiu a cabeça enquanto lhe jogava o cabelo para trás-. É o
mais delicioso com o que me topei nunca.
Ária se estremeceu. Um calafrio de prazer lhe percorreu a coluna
vertebral e seu corpo se aproximou mais ao dele.
-Não tem que dizer isso -sussurrou.
-É certo. -Tinha a mão apoiada sobre seu pescoço e com a palma
apertava-lhe as marcas. Suas marcas-. Não quero a ninguém mais que a ti,
Arianna. Solo a idéia me repulsa, sobre tudo porque sei que te desagrada.
-Não deixarei que sofra.
-Não sofrerei e não recorrerei a outra pessoa. É minha, sempre será minha.
Sua voz soava possessiva, podia sentir a tensão voltando a alcançar
seu ponto máximo. Era a primeira vez que se dava conta de que não só era toda
essa situação a que o fazia estar tão fora de si, mas também ela. Compreendê-lo foi
aterrador e desconcertante, não sabia como
ajudá-lo, como aliviar o estresse que vibrava em seu interior.
-A idéia de que você recorresse a outra pessoa, para algo, faz-me querer
destruir todo este lugar, fazer-me querer destroçar a alguém, membro a membro. Eu não
te infligiria essa classe de machuco a ti usando a outra pessoa para me sustentar.
Ela o contemplou surpreendida. Inquieta pela repentina mudança que
notava nele. Inquieta pelo fato de que ela fosse uma grande parte dessa
instabilidade que sentia crescendo em seu interior.
-Eu nunca faria isso -prometeu-lhe.
O homem atuava de forma sombria, desumana e distante como não
tinha-o sido desde que ela o tinha conhecido pela primeira vez entre as
paredes do palácio. Durante um momento pareceu como se não a visse, como
se estivesse apanhado na imagem dela com outro homem.
-Braith, eu nunca recorreria a outra pessoa. Você é o único que me
fez sentir assim.
O homem tragou saliva com dificuldade. Suas presas tinham voltado para
brotar por sua repentina instabilidade, mas Ária não acreditava consciente de
isso. Braith fechou os olhos um momento e, quando voltou a abri-los, à garota
aliviou comprovar que o olhar lhe tinha suavizado.
-Sei, Arianna. Sei que não o faria.
-Nunca, Braith. Nunca.
Esperava que sua insistência o ajudasse a chegar até ele, mas seguia
sentindo algo escuro e turbulento sob sua calma exterior. Sua mão estava
tensa sobre seu pescoço, agarrava-a por forma quase dolorosa.
-A idéia me repugna.
-Sei.
-Então por que parece tão inquieto? Tão zangado?
Braith pareceu surpreso por sua observação, seu olhar voou a seu
mão. Sacudiu a cabeça com os olhos cheios de um ódio para si mesmo que a
fez tremer. Apartou a mão e se apartou um passado dela.
-Sinto muito, Arianna; não pretendia te fazer danifico.
-Não me tem feito isso -assegurou-lhe rapidamente, aterrorizada pelo
estranho vazio que sentiu estender-se entre eles. Um vazio que ela não podia
entender, ao igual a não podia entender o que lhe estava acontecendo a ele. O
envolveu as mãos com as suas.
-Braith, nunca poderia me fazer danifico.
Suas palavras não pareciam havê-lo apaziguado. Nem sequer parecia que
as tivesse acreditado.
-Deveríamos voltar.
-Braith, o que acontece? -perguntou-lhe começando a assustar-se pela
estranha atmosfera que o rodeava.
O homem a agarrou e a atraiu para si. Um leve ofego de surpresa se
escapou-lhe quando ele se deixou cair de joelhos ante ela. Envolveu as mãos
ao redor de sua cintura e apoiou a cabeça contra seu estômago.
-Está-me dando uma lição de humildade, Arianna. Não te mereço.
Não tenho feito nada para ganhar seu amor ou o dom da vista que sua presença
há devolvido a minha vida.
Ária ficou paralisada, atônita ante a imagem da criatura mais capitalista que
tivesse conhecido nunca, seu príncipe, de joelhos ante ela, rota pela angústia que
emanava dele. Uma angústia que não entendia.
As lágrimas lhe derramaram e o peito lhe oprimiu pela
aflição. Enterrou as mãos em seu cabelo e um gemido baixo lhe escapou. Se
inclinou ante ele, embalando-o contra ela, lutando para não entregar-se aos
poderosos soluços que ameaçavam escapando Dizia que lhe tinha dado uma
lição de humildade, sentia que não a merecia e, entretanto, se não tivesse sido por ele
seguiria morta e perdida em si mesmo.
Bem poderia estar morta se ele não tivesse estado ali para intervir. Se não
tivesse sido por ele, nunca teria conhecido a alegria do amor, a maravilha das
coisas que nunca tinha entendido até que ele entrou em seu
vida. Se não tivesse sido por ele, nunca teria aprendido o que era a vida em
realidade; teria saído perdendo em tantas coisas sem seu amor para
salvá-la...
Deixou-se cair até ficar de joelhos frente ao príncipe e se aferrou a
ele quando este a envolveu, balançou-a contra si e a abraçou tocando-a com
tanta veneração que logo que pôde respirar pelo amor que se
formava redemoinhos e crescia dentro dela. Sua presença a afligiu, deixou-a
pasmada e a sacudiu por sua intensidade. O homem tinha as mãos em seu
cabelo. Sua boca e sua língua tomaram ferozmente posse da sua. Seu
beijo era apaixonado, ardia com um desespero que a deixou alterada. Por
primeira vez se deu conta de que, embora não a pressionasse nem empurrasse a
fazer nada, havia algo que queria dela inclusive mais que seu sangue.
Também queria seu corpo.
Ária se estremeceu. O desejo se acumulou em seu interior. Havia algo para o
que não estava preparada, algo que não lhe tinha dado porque as circunstâncias sempre
pareciam separá-los. Mas embora estivessem
fugindo e à deriva em um mundo que não lhes dava segurança, já não havia
barreiras entre eles. Nem sequer lhe importava que agora estivessem
ajoelhados no chão de uma cozinha. deixou-se levar de tudo por
o doloroso desejo que vibrava em seu interior.
Braith tremeu enquanto a abraçava.
-Arianna -gemeu.
-Entendo-o. Sei o que necessita. -Mas apesar de que disse as
palavras, não estava segura de se eram corretas. Sabia que o homem desejava
isso tanto como ela, mas a garota não estava do todo segura de se
seria suficiente. Sentia que ele talvez necessitava algo mais além de seu sangue
e de seu corpo. Já tinha seu coração e sua alma, não sabia que mais podia lhe dar para
aliviar a aflição que notava crescendo em seu interior.
-Arianna. -Sua voz foi um grunhido desço de tortura-. É tão
inocente. Tão doce...
-Não sou tão doce.
Seu sorriso foi forçada; seus olhos se viam escuros e atormentados.
-É certo -assentiu. Lhe sorriu notando que seu estado de ânimo
relaxava-se, como tinha estado esperando-. Há muitas coisas que não
sabe sobre mim. Tantas que nunca poderá as entender. Fiz coisas que...
A garota lhe colocou os dedos na boca e o silenciou.
-Não, Braith. Não vais conseguir que me assuste, não vais espantar me.
Não é seu pai, não é Caleb.
-Sou um assassino.
-Eu também matei -disse com voz afogada.
-Em defesa própria. Eu matei por prazer, por deleite.
Ária tentou apartar-se dele; não tinha vontades de escutar isso. Sabia o
que ele era, sabia do que era capaz. Já tinha presenciado toda a força
de sua brutalidade com antecedência. Braith a agarrou e atirou dela para si.
-Tem que escutá-lo, Arianna.
-Entendo-o, Braith. Não tem por que fazer isto.
-Tenho que fazê-lo porque não o entende. Nunca matava por
prazer, nunca matava para me deleitar. -A garota franziu o cenho, sem entender
aonde pretendia chegar com isso-. Até que Jack te afastou de mim.
Ária retrocedeu, a cor desapareceu de seu rosto. Tinha razão, não o
entendia. Tinha-lhe falado das pulseiras de sangue que tinha tido depois de sua
fuga e, embora não lhe tinha perguntado, tinha assumido que
não as tinha matado. O Braith que ela conhecia era amável, carinhoso,
sobreprotector, e estava disposto a morrer por ela, ao igual a estava disposto a matar por
ela, mas não era desumano. Mas aquela
conversação estava tomando um rumo para a crueldade que não se havia
esperado dele.
-E então me perdi no prazer do sangue, o prazer do sexo e
o prazer da morte.
Ária sentiu nauseia. ia vomitar. Ele era um assassino, isso o entendia.
Tinha havido outras mulheres antes que ela, isso sabia. Tinha mais de
novecentos anos de idade pelo amor de Deus, tinha sido uma idiota ao pensar que não
tinha havido outras mulheres, mas não gostava de ouvir falar
delas. E não queria escutá-lo falar de como se saciou com elas, como se tinha
divertido ao as destruir. O príncipe se aproximou mais a ela, seus olhos ardiam com um
fogo estranho.
-Não o desfrutei durante muito tempo, Arianna.
Ela sacudiu a cabeça e se obrigou a não retroceder ante ele. Amava-o,
mas como ia assimilar que o monstro que lhe estava descrevendo era
o homem que tinha diante?
-por que? -conseguiu grasnar.
-Porque durante alguns instantes breves de tempo, quase era capaz
de te esquecer, mas ao final me dava conta de que não o desfrutava e em
realidade não me ajudava.
Ária reprimiu um gemido e fechou os olhos. A culpabilidade lhe manchou
a alma e se retorceu em seu estômago. Não era sua culpa que ele tivesse feito
essas coisas. Braith tinha eleito matar, mas sua ausência tinha sido o
catalisador que lhe tinha feito cruzar o limite.
-por que me conta isto? -sussurrou.
Lhe agarrou o queixo com suavidade.
-Porque deve sabê-lo.
Ária negou com a cabeça. Amava-o, amava-o de verdade, mas agora
sentia-se feita pó e em carne viva. Lhe tinha recordado duramente costure que
não gostava de recordar, tinha-lhe recordado que, apesar de que
não tinha a ninguém com quem compará-lo, provavelmente havia centenas, a
não ser
milhares, de mulheres que se estariam comparando com ela. Também lhe havia
recordado com rudeza que era um monstro, ou ao menos tinha o potencial
para sê-lo. Nunca lhe faria mal, mas o que faria a qualquer pessoa
que se interpor em seu caminho?
Sabia a resposta, e seria algo imediato, e violento.
-Arianna, tem que entender o que te estou dizendo. -Ela
piscou, os olhos lhe ardiam pelas lágrimas, mas não entendia por que seguia
insistindo-. Não posso te perder outra vez; isso enviou a uma espiral escura. Algo se
rompeu dentro de mim, converteu-me em algo
malvado e retorcido. Destroçou-me. Mantive minha promessa, não reclamei
nenhuma pulseira de sangue da última vez que te vi. Não pude, pensar
nelas me repugnava. Mas não te posso perder outra vez, muitas não
sobreviveriam.
-Não vais fazer o -prometeu-lhe.
Braith lhe pôs as mãos no rosto. Olhava-a de forma
contundente e com olhos chamejantes.
-O que seja que há entre nós, é algo que não entendo, é
forte, intenso, puro e, entretanto, consome-me. É algo magnífico e precioso,
mas também me pode converter em algo horrível. te perder-me
voltaria louco. Sou um dos mais fortes de minha espécie, sou um príncipe, e
meu sangue é poderoso, velha, impoluta. Se me romper, se me enfurecer,
destruirei a muitíssimas pessoas antes de me deter. Se é que me detenho.
-Braith, eu nunca te deixarei -prometeu-lhe.
-És humano, Arianna. Enquanto siga sendo humano, será
mortal, correrá o risco de morrer.
-Braith...
-Não posso me arriscar a que lhe matem. Não posso me arriscar a isso.
Ao compreendê-lo sentiu frio, foi como se algo vil a golpeasse com a
força de uma bofetada bestial. Sim que cobiçava algo mais que seu sangue,
algo mais que seu corpo, inclusive.
Queria sua vida. Era o único que podia lhe dar agora, se é que alguma
vez lhe dava; mas ao ver a quantidade de estresse a que o príncipe estava
submetido, Ária não estava segura de poder evitar que a tirasse pela força.
CAPÍTULO 13

Arianna seguia pálida e tremendo. Não tinha falado desde que lhe fez
aquela revelação. Apenas se tinha movido sequer. de vez em quando, o
olhava. Então os olhos lhe obscureciam, e as mãos, que tinha sobre seu
regaço, começavam a lhe tremer outra vez. Era a humana mais forte com a
que ele se topou nunca, possivelmente o ser mais forte com o que tinha tido
contato, mas sua confissão, sua franqueza, tinham-na desconcertado
por completo.
Ao igual a sua intenção de lhe tirar a humanidade.
Não era algo que ele estivesse desejando fazer, mas era algo que tinha
que fazer. Algo que ia fazer. deu-se conta de que solo esperava que ao final ela
estivesse disposta. Não sabia como confrontaria a situação de não
ser assim, como o confrontaria se ela seguia sendo humano. Mas não podia
correr o risco de perdê-la de novo. Quando pensava nas coisas que tinha feito depois de
que ela o deixasse, suas ações o repugnavam. O
surpreendia a profundidade de sua depravação; surpreendia-lhe sua ardente
necessidade de perder-se no sangue, o sexo e a morte para tentar esquecê-la. Nunca
antes tinha experiente a brutalidade voraz que
então o tinha envolto. Tinha-o apanhado em uma rede de morte que o
tinha servido de pouco para aliviar o tortura que residia em sua alma.
Um tortura que lhe tinha infligido e só ela podia aliviar.
Braith se tinha dado conta de que somente Ária poderia tirar o daquele
escuro lugar. Um lugar ao que tinha entrado várias vezes aquele dia,
massacrando e matando a qualquer que tivesse suposto algum tipo de ameaça para a
vida da garota. Ela podia tirá-lo do bordo da loucura;
lhe dava certa aula de controle sobre si mesmo. Mas era um controle que
estava-se desmoronando rapidamente.
Sabia, podia senti-lo na medula de seus ossos. Ela seria sua perdição, ao igual a
ele seria a sua.
Ela era tudo para ele; era sua luz em um mundo que antes tinha sido negro.
Não podia ficar sendo humano, e ele não estava seguro de poder
trocá-la. Tinha escutado que se feito antes, mas nunca o havia
presenciado, e ele nunca tinha tentado tal façanha. Era arriscado, muitos
não sobreviviam.
Estava decidido a que ela sim o faria.
-Braith -Ashby o olhava com receio. Entretanto, havia algo em
seus olhos, um pouco quase familiar. Braith deixou de dar voltas e inclinou a
cabeça
para estudar a seu inimigo-. Em que confusão te colocaste?
Braith se dirigiu para a janela. Apartou a cortina para jogar uma olhada ao dia
que amanhecia. Não esperava que Jack chegasse hoje, mas talvez
ao cair a noite.
-renunciaste a seu direito ao trono?
Braith se deu a volta quando a jovem vampira emitiu um ruído de surpresa.
Apertou-lhe as ataduras fazendo que o fora quase impossível mover-se. As súplicas da
Arianna lhe tinham salvado a vida à mulher; embora não lhe custaria muito trocar de
opinião.
-É o príncipe? -perguntou-lhe assombrada.
-Não sou nenhum príncipe -grunhiu Braith.
A moça atirou das cordas, lutando por liberar-se. Arianna a observou com
fascinação, mas Braith não pôde ver a grande confusão que se agitava atrás de seus
olhos. Não gostava do que lhe tinha feito à moça,
mas tampouco protestou. Parecia resignada ao feito de que a mulher
permanecesse atada; embora a vampira não se resignava a essa situação e
voltou os olhos para ele.
-Assim que o filho lhe deu as costas a seu pai. Caleb deve estar
entusiasmado -ronronou Ashby-. O que pensará Jericho? -Braith se
ficou em silêncio; Ashby logo se inteiraria de que Jericho havia
abandonado seu posto no palácio antes que Braith-. As ruas de palácio se
tingiriam com o vermelho do sangue se Caleb chegasse a subir ao
trono.
Braith soprou com desgosto enquanto negava com a cabeça para
Ashby.
-De verdade crie que meu pai está disposto a entregar seu
reinado?
-Acredito que Caleb tentará tirar-lhe quando estiver preparado.
-Pode que tenha razão.
-Será espantoso e violento.
-Será-o -conveio Braith.
A frustração cintilou nos arrumados rasgos do Ashby.
-Sabe o que acontecerá Caleb está ao mando. Sabe o que fará.
Sabe o que lhe faria Caleb a esta cosita formosa que trouxeste aqui!
-Primeiro terá que encontrá-la.
Ashby ficou de pé. Deu um passo para frente e se deteve quando
as ataduras que o rodeavam atiraram dele.
-Braith, estamos falando do Caleb. Arrasará todas as cidades
para te encontrar, para assegurar-se de que não volta e tenta reclamar você
direito de nascimento. Crie que seu pai é um sádico filho de puta, mas
não é nada comparado com o Caleb.
-Conheço minha família, Ashby. -A voz do Braith era baixa,
mortífera.
Ashby sacudiu a cabeça.
-Não tem nem idéia da mancha que têm em sua alma -disse-lhe
Ashby-. De sua crueldade e imoralidade.
-E você sim? -inquiriu Braith.
O homem meditou a pergunta.
-Não nos voltamos contra sua família porque a minha esperasse
tomar o mando ou porque nos importassem os humanos. -Arianna olhou a
Ashby com fúria-. Não queríamos nada de poder, Braith, isso sabe.
Todos nós fomos um grupo tranqüilo. O poder nunca foi nosso objetivo; quão
único precisávamos era diversão, liberdade, que não houvesse restrições. Não era poder
o que procurávamos, Braith; não era salvar à raça humana.
Braith se cruzou de braços firmemente e se apoiou sobre os talões
enquanto estudava a seu cunhado com desdém.
-Então, o que é o que queriam? -perguntou.
-Paz, Braith, simplesmente procurávamos paz. As coisas estavam
bastante bem antes da guerra. E o que se os vampiros não se passeavam
abertamente em público? A quem lhe importava que tivéssemos que
manter nossa identidade em segredo? A mim não nem a minha família nem a
vós. Não é que não nos divertíssemos, não é que não tomássemos todo o
que necessitávamos quando o necessitávamos. por que alterar o
equilíbrio? por que correr o risco de que tudo saísse mau? De que fosse
inclusive pior depois?
»E foi pior depois. Para todo mundo. Relegaram a estes
postos que nenhum de nós queria. Você sempre tinha sido o
príncipe entre nossa gente, mas sabe que nunca te gostou, e até a
guerra nunca pensou seriamente no que significava. Crie que
desfrutei estando casado com a zorra de sua irmã? Natasha poderia
lhe chupar a diversão à pessoa mais feliz; que era eu, até esse momento.
Ao Braith não surpreendeu encontrar a Arianna encantada pelo que
Ashby estava dizendo. Queria tirar a dessa habitação e do veneno do Ashby,
mas sabia que ela não se iria. Além disso, Ashby tinha razão, Natasha
era fria, odiosa e quase tão retorcida como Caleb. E embora Ashby fora amante
da diversão e desfrutasse muito de sua parte do sangue, nunca
deleitou-se com a morte, como tantos membros da família de
Braith faziam. Ao igual a Braith o tinha feito.
-Não precisávamos poder, Braith, solo queríamos ser livres. Ao
parecer você decidiste o mesmo ou do contrário não estaria aqui.
Braith podia querer o mesmo, mas queria inclusive mais que Arianna
fosse livre. Aspirava a que ela experimentasse um mundo que nunca havia
conhecido, um que fosse seguro, um onde não tivesse que temer a seu irmão ou
a seu pai, um onde não tivesse que temê-lo a ele.
-Virão aqui, Braith? -inquiriu Ashby preocupado.
-Não sei -admitiu ele.
Ashby deu um puxão das cordas quando se lançou cambaleando-se
para frente.
-Não pode me deixar aqui se vierem! Lamento o que te passou,
sempre eu gostei, isso sabe. Foi uma vítima desafortunada, Braith, você não foi
a vítima intencionada, a não ser seu pai.
-E se supõe que isso vai melhorar as coisas? -ladrou Braith.
-Tampouco te importava o homem -replicou Ashby-. Eu vivi
entre essas paredes, conheço-te de uma idade temprana, sei o que esse
desgraçado te fez! Sei o que sofreste entre suas mãos!
Arianna se girou devagar para ele; ainda seguia extrañamente pálida
e havia um vazio em seus olhos que lhe fez estremecer-se. Embora não lhe
havia
oculto do todo o mau trato que tinha sofrido por parte de seu pai, tampouco
tinha aprofundado no tema. Ela não tinha por que saber nada
a respeito desse horror, além de tudo o que ela tinha sofrido.
-Braith?
Ele sacudiu a cabeça; não ia entrar em detalhes a respeito, agora não.
-vão vir aqui? -grasnou a vampira. Ao não haver resposta, se
lançou cambaleando-se para frente e de seu interior emergiu um grito de terror.
Tentou arrancar suas ataduras e atirou delas, a cabeça lhe movia
para trás e para frente enquanto seguia gritando grosseiramente.
Arianna retrocedeu. A mulher estava desenquadrada, louca, tinha estendido os
presas e seus olhos eram de um feroz tom de vermelho.
A mulher bem poderia liberar-se se continuava assim, e iria a pela Arianna
se o fazia.
-Não! -gritou Arianna e se lançou a seus pés quando Braith avançou
para a vampira enlouquecida. A garota tropeçou, extrañamente torpe já que
o pé lhe tinha ficado apanhado na esquina da mesa que tinha diante. Ashby se
lançou para ela e atirou da jovem para trás quando a
vampira atirou um murro que esteve a centímetros de lhe dar.
O vermelho alagou a visão do Braith, a raiva se estendeu por seu corpo.
Agarrou a vampira e a empurrou bruscamente contra a parede. Usando a
Arianna como um escudo contra Braith, Ashby a jogou diante dele. O
envolveu o pescoço com a mão e lhe jogou a cabeça para trás enquanto a
sujeitava firmemente. Um bramido de raiva emergiu do Braith. foi para
Ashby, decidido a destruir ao homem que sustentava à única pessoa que a
lhe importava já.
Ashby não fez nenhum movimento para lhe fazer danifico, mas seguiu
plantado firmemente detrás dela. Braith não podia chegar até ele sem ter que
passar por cima da Arianna. A frustração o alagou; podia sentir o aumento da sede de
sangue rasgando-o.
-Não sou tolo, Braith, não vou matar a menos que obrigue a
fazê-lo -murmurou Ashby, aparecendo apenas a cabeça desde detrás da
costas da Arianna-. Só intento que falemos de forma sensata, e que
você me escute.
Arianna inclinou o queixo e seus olhos resplandeceram de orgulho; era
evidente que lhe irritava ter sido apanhada e usada como um escudo.
Tentou soltar do agarre pelo Ashby, mas ele não a ia deixar ir.
-Não tem que me maltratar! -espetou-lhe.
A mão do Ashby diminuiu a presa de sua garganta, durante um
momento a diversão cintilou em seus brilhantes olhos. Entretanto, por debaixo
da diversão, Braith pôde ver seu terror. E tinha todo o direito
do mundo a ter medo, Braith ia matar o por atrever-se sequer a tocá-la.
-Você é a fierecilla -sussurrou Ashby.
Arianna girou a cabeça para olhá-lo com ódio e fechou as mãos em punhos aos
flancos.
-Não, Arianna -o advirió Braith, assustado de que pudesse tentar
algo temerário. Ela era assim, depois de tudo. Seus olhos, brilhantes e
enfurecidos, voltaram para ele.
-Devolva-me isso e poderemos falar.
-Conheço esse olhar em seus olhos, Braith -replicou Ashby-. Sei o
que me fará se a Libero. te acalme e tudo irá bem.
Braith deu outro passo para eles, Ashby retrocedeu um. apertou-se
contra a parede mantendo a Arianna diante dele.
-Ashby...
-Quero sair vivo disto, Braith. Isso é tudo. cheguei a estar satisfeito com esta
vida singela. Não é uma má existência. Só desejo mantê-la.
-Se vierem aqui...
-Não descida ficar aqui, Braith. Não sou idiota.
-Se isso fosse certo então nunca a haveria meio doido. -Ashby
apertou brevemente a Arianna com a mão fazendo que ela se
retorcesse-. Não! -grunhiu Braith.
Ashby afrouxou a presa.
-Me dê sua palavra de que não me fará mal, de que me deixará aqui,
com vida.
-Tem-na.
Ashby vacilou; a mão lhe tremeu.
-Necessito algo mais que solo o diga de palavra, Braith. Uma vez
que a libere...
-Então o que é o que quer? -exigiu saber Braith. O pânico
rasgava-lhe as vísceras. Seus dedos ansiavam agarrá-la, afastar a das garras do
Ashby.
-Quero a palavra dela.
-Perdão? -perguntou Braith surpreso.
-Não deixarei que Braith te faça mal -sussurrou Arianna-. Isso é o
que está pedindo? Isso é o que precisa ouvir?
Braith se opôs a aquela idéia. Arianna tinha mais poder sobre ele que
ninguém que tivesse conhecido nunca; mas se ele estava verdadeiramente
decidido a fazer algo, ela não poderia detê-lo, ou sim?
A idéia lhe parecia ridícula, mas o que ainda lhe parecia mais
ridículo e surpreendente é que pudesse ser verdade.
-Parece uma garota bastante boa, acredito-te quando o diz, mas de
verdade crie que pode detê-lo? -perguntou Ashby.
-Então não entendo o que esperas de mim -respondeu, e seu
aborrecimento se elevou outra vez até ficar em um primeiro plano.
Ashby voltou a aparecer a cabeça desde detrás dela e lhe girou a cara
para ele. Braith deu outro passo. O medo palpitava em seu interior.
-Não -disse.
Afetou-lhe o desespero que fez tremer sua voz. Se Ashby decidia
matar a Arianna, ela estaria morta antes de que Braith pudesse
alcançá-los. O príncipe estava alterado. O monstro dentro dele o arranhava
para liberar-se, enquanto que o homem dentro dele estava tentado
a deixar-se cair de joelhos e lhe suplicar ao Ashby que a devolvesse ilesa.
Nunca antes tinha estado tão inquieto e aterrorizado.
-Devolva-me isso Ashby, não te farei mal. Solo me devolva isso -¿Y tú
cómo sabes eso? -inquirió Ashby.
O olhar do Ashby voltou para a sua.
-De verdade está suplicando o filho do rei?, por uma garota?, por
nada menos que uma garota humana?
Braith se esforçou por manter o controle.
-por que te burla dele se souber que me vais devolver? -o
perguntou Arianna.
-E você como sabe isso? -inquiriu Ashby.
-Porque já me teria matado se não fosses fazer o. E você mesmo o
há dito, quão único quer da vida é diversão e prazer. Pode que
você goste de suas mulheres e o sangue, mas você não gosta da morte. E se me
matas
sua vida terá acabado, aconteça o que acontecer.
Ashby lhe acariciou levemente a cara com os dedos enquanto a
estudava.
-É uma garota estranha -informou-lhe.
Ela conseguiu sorrir um pouco.
-Isso me hão dito.
Ashby riu pelo nariz.
-OH, estou seguro.
Embora ao parecer se estivessem divertindo, Braith não.
-terminastes?! -espetou-lhes.
-Deixe ir -urgiu Arianna.
Ashby vacilou durante um momento, logo assentiu e a liberou. Braith se
lançou cambaleando para ela e a agarrou arrancando-a do outro vampiro.
Deu-se conta de que a estava tratando pior que Ashby, mas não era capaz
de controlar-se. Tremia quando a envolveu. Lutou contra o desejo de arrastá-la
fora dali e proteger a de tudo e de todos. Desde não ser porque
sabia que não podiam correr por sempre, faria exatamente isso, mas não
haveria escapatória. Agora começava a dar-se conta de que solo teriam luta e miséria se
as coisas não trocavam.
-Solo pode ver seu redor.
Braith elevou a cabeça do pescoço da Arianna, tentando ignorar
o poderoso ritmo de seu sangue bombeando por suas veias, tentando
ignorar o doce aroma que emanava e o apanhava em suas deliciosas
profundidades. Ashby os observava com incredulidade e com os olhos
cheios de assombro.
-Não vi os sinais quando chegaram, mas agora as vejo.
-Que sinais vê? -exigiu saber Braith, curioso por descobrir
como tinha adivinhado Ashby a fonte de sua visão-. Como sabe nada
a respeito do que há entre nós?
Ashby se recostou em suas ataduras. Voltou a atenção a Arianna; havia
um brilho de admiração em seu olhar brilhante.
-Ela é seu vínculo de sangue.
-Ela é o que?
Arianna parecia completamente confundida. Tinha os olhos turvos e
perdidos.
-Pensei que era algo que solo passava entre vampiros, mas ao parecer
equivocava-me. Nunca escutei que tenha passado com um humano. É
muito estranho.
A voz do Ashby estava cheia de assombro, parecia completamente
surpreso por essa revelação, seja a que fora. Braith estava tão perdido
como Arianna parecia estar.
-Do que está falando? -exigiu saber Arianna.
-É obvio, você não sabia, mas Braith... -a voz do Ashby se apagou, juntou as
sobrancelhas e inclinou a cabeça com curiosidade-. Não, você tampouco sabia, verdade?
-Ashby, juro que te romperei o pescoço só porque me está
incomodando.
Braith estava perdendo rapidamente a paciência, mas Ashby estava
muito ocupado se renda e sacudindo a cabeça para tomá-la
ameaça do Braith tão a sério como deveria.
-OH, Braith, está em um apuro pior ainda do que suspeitava. Não
solo é de sua família de quem a tem que proteger, também de ti.
-Que diabos quer dizer?! -rugiu-lhe virtualmente ao
lhe exasperem homem.
-Quer dizer que a descendência real está realmente arruinada.
Braith ficou paralisado quando a nova voz flutuou pela casa. Uma
voz que era inquietantemente familiar.
Sustentou a cabeça da Arianna contra ele e se girou para a mulher que
estava na soleira da porta. Não a tinha escutado chegar, não sabia quanto tempo
levava ali ou nem sequer de onde tinha vindo. amaldiçoou-se
a si mesmo por essa metedura de pata e lhe jogou a culpa daquele engano a seu
controle, que se desmoronava tão rápido. Podiam ter ferido a Arianna, podiam
havê-la assassinado, e tudo porque ele tinha baixado o guarda.
Seu assombro ao vê-la aparecer na soleira foi imediatamente
substituído pela incredulidade de que de verdade estivesse ali. O que estava
passando?
-Melinda.
Ela sorriu, seu olhar se deteve na Arianna antes de voltar
tranqüilamente para ele.
-Olá, irmão.
CAPÍTULO 14

Ária não pôde evitá-lo, sentiu que a boca lhe abria pela incredulidade e
fechou os dedos entreabro à duras costas do Braith. O homem atirou dela
para a porta principal, aquela por onde a mulher não tinha aparecido.
De fato, a estranha mulher, a irmã do Braith, tinha aparecido pela
porta que levava às outras habitações. As habitações para as que Ária sabia que
não havia outra entrada, ou ao menos isso tinha acreditado. Ao parecer se equivocou
muito. Ashby tinha estado prisioneiro, é obvio que teria criado outras rotas de
escapamento para sair da casa do
árvore. Rotas que, pelo visto, essa mulher conhecia muito bem.
Ária não podia apartar os olhos da formosa mulher que tinham
diante, esta os observava a ela e ao Braith absorta; seus formosos olhos cinzas
brilhavam no resplendor da habitação. O cabelo dourado lhe caía pelos ombros,
derramando-se por suas costas até lhe chegar aos joelhos. Embora não se parecia com
nenhum de seus irmãos, Melinda sim que
parecia-se com a irmã que Ária tinha conhecido no palácio, Natasha, a
exmujer do Ashby.
-Não vou fazer lhe danifico, Braith.
-O que está fazendo aqui, Melinda? -cuspiu-lhe Braith.
Melinda entrou pouco a pouco na habitação. Seu olhar se precipitou um
momento para o Ashby. Pode que Braith estivesse confundido pela
presença de sua irmã, mas Ária sabia o que a tinha levado ali. Ou
quem.
-Vamos, Braith, quem crie que matou aos guardas? Quem crie
que descobriu a contra-senha para transmitir informação ao palácio? De
verdade crie que Ashby foi capaz de fazer todo isso por si mesmo?
-Tenho muito talento -replicou Ashby sonriendo à formosa
loira que se deteve seu lado. Ela arqueou uma sobrancelha escura e seus olhos
brilharam alegremente em sua direção.
-Não tem tanto talento, carinho -assegurou-lhe.
-Onde estiveste, desavergonhada?
-Bom, no caso de não te inteiraste, houve um grande alvoroço
depois dos muros de palácio. Ninguém parece saber aonde se foi o príncipe
maior. Nosso pai está em pleno processo de destroçar a cidade e o bosque em
busca de seu filho desaparecido. Parece ser que culpa aos rebeldes desta afronta.
Ária deu um grito afogado. A mão lhe disparou à boca quando as náuseas
subiram muito depressa pela garganta e deu um apressado
passo para frente.
-Não -exalou.
Seus amigos, sua família, todos estavam sendo castigados por culpa de
ela e do Braith. Não queria pensar no que lhes estariam fazendo, mas não
podia apartar a mente desse pensamento que a consumia: estavam
sofrendo por sua culpa. Braith lhe apertou o braço, mas não serve de nada para
acalmá-la.
-Me imagino -disse Ashby sombríamente.
O sorriso da Melinda se desvaneceu. Acariciou o rosto do Ashby.
-Tem-te feito mal?
Ashby se encolheu de ombros, mas seu comportamento agora não
tinha nada de despreocupado.
-Solo em meu orgulho. vais desatar me?
Melinda se colocou as mãos nos quadris e o examinou com interesse.
-Acredito que poderia me gostar de assim.
-Sim que você gostaria.
Apesar de que Ária estava perdida em sua consternação, pôde sentir o
calor que rapidamente subia por seu rosto ante suas palavras e olhares.
-Não -advertiu-lhe Braith quando os dedos da Melinda caíram
sobre as cordas que sujeitavam ao Ashby.
-Braith -disse Melinda com voz lastimera. Seu comportamento
trocou rapidamente conforme o puro desespero brilhava em seus olhos.
-Não o desate, Melinda -respondeu Braith enfaticamente.
-Não irá a por ela.
-Não, ao parecer você sempre foi a verdadeira traidora entre
nós. Se fizer um só movimento mais para desatá-lo, não será
Arianna a que tenha que preocupar-se de que lhe façam mal.
Ashby se endireitou, seus olhos se voltaram vermelhos um instante e torceu o
lábio superior ante a ameaça. Não arremeteu contra as cordas, não fez
nenhum movimento enquanto pela primeira vez olhava ao Braith aos olhos
com verdadeiro ímpeto. Melinda tocou o braço do Ashby e o acalmou, logo
juntou as mãos. Embora parecesse tímida, Ária sabia que solo estava atuando.
Ela às vezes tinha usado a mesma conduta no palácio, quando tentava parecer muito
mais dócil do que era. Isso não tinha conseguido enganar ao Braith então; agora
tampouco o enganaria.
-Você não o entende -disse Melinda, suplicante.
-Que você e Ashby conspirastes para derrocar a nosso pai e
cegaste-me no processo. Sim, Melinda, entendo-o, apesar de que
não entenda os motivos que há atrás disso.
Pela primeira vez, Melinda pareceu verdadeiramente se desesperada e
assustada enquanto olhava ansiosamente a Ária.
-Se fosse ela...
-Não a conhece! -grunhiu Braith.
Melinda levantou o queixo e apertou a mandíbula enquanto os olhos o
reluziam com fogo.
-Tem razão, não a conheço, mas sei que se estivesse em perigo
faria o que fizesse falta para salvá-la.
-Nenhum de vós correu nunca perigo no palácio.
-Estava casado com a Natasha, Braith -recordou-lhe Ashby-. Sim que
estávamos em perigo.
-Então tinham uma aventura amorosa e estavam preocupados
por suas vidas?
Ao Braith vibrava muito o corpo. Ária tentou aliviar o
sentimento de traição e indignação lhe acariciando as costas, mas não
acreditava que ela pudesse fazer muito nessa situação. Se tivesse sido ela, e
William ou Daniel a tivessem traído daquele modo, não acreditava que tivesse
sido capaz de superá-lo nunca.
-Não, não havia nenhuma aventura amorosa. Do momento em que
conhecemo-nos, nunca mais existiu Natasha. Não houve nenhuma outra
mulher.
Solo estávamos nós, e se alguém mais o tivesse sabido, se sua família
tivesse-o sabido, fariam todo o possível para destruir o que havia
entre nós.
Braith pareceu duvidar enquanto os esquadrinhava com olhar feroz. Os
olhos da Melinda ardiam e estavam se desesperados enquanto olhava um
instante
a Ária e depois voltava a centrar toda sua atenção em seu irmão.
-De verdade crie que poderia te haver casado com o Gwendolyn?
-sussurrou a mulher com tristeza-. E embora te tivesse obrigado a ti mesmo a te
casar com ela, crie que poderia ter jazido com ela?,
intercambiar sangue com ela?
Ária não se deu conta de quem era Gwendolyn até que escutou essa
descrição. Para ouvir essas palavras o estômago lhe retorceu, e Braith pareceu
sentir quase tanta repulsão como ela.
-Não acredito. Do contrário, estaria ainda no palácio, estaria
te preparando para suas bodas. De fato, dei-me conta de que nas últimas
semanas não voltaste para seu desfile de pulseiras de sangue nem mulheres. até agora
não tinha somado dois e dois, mas como se supõe
que ia eu ou seja que tinha encontrado outra vez a seu esclavita de sangue
fugida, e que a estava usando de novo para te alimentar?
-Não sou uma pulseira de sangue! -replicou Ária com brutalidade,
começando a zangar-se muito porque seguissem pensando que ela era uma
propriedade.
Melinda a olhou e levantou uma sobrancelha de maneira altiva, mas havia um
brilho de admiração em seus olhos.
-É briguenta -murmurou Ashby com aprovação.
Melinda esboçou uma sonrisita e se cruzou de braços.
-Já o vejo.
-Eu não a uso -grasnou Braith.
-Alimenta-te dela, ou não?
-Isso não é usá-la! -ladrou ele.
Melinda pôs os olhos em branco, depois golpeou impacientemente o
revisto com o pé.
-Entendo que ela o faz de forma voluntária, ou isso suponho.
-É obvio que sim -disse-lhe Ária.
-por que?
-Perdão? -Ária estava surpreendida pela pergunta.
-por que o faz de forma voluntária? És humano, é uma
rebelde, por que te entregaria assim a meu irmão?
Ária olhou ao Braith. Estava cativada por sua beleza masculina e a alma tenra
que revelava sozinho a ela. Pensou nele ajoelhado ante ela, humilde graças a ela, seu
coração e sua alma nuas para que ela tomasse ou os rechaçasse. Pensou em toda sua
doçura, o cuidado e o amparo que sempre lhe tinha devotado, até quando tinha sido seu
dono. Ele era maravilhoso, ele era tudo, e ele era dele.
-Porque o amo -sussurrou-. Sempre o farei.
-Que doce! -disse a moça vampira arrastando as palavras e
atraiu olhadas duras de todos outros da habitação. Ela os fulminou
com a vista mas permaneceu inteligentemente em silêncio.
Os olhos cinzas da Melinda estavam tão frios como o metal.
-Crie-lhe isso? -inquiriu Ashby alegremente.
-Não -respondeu Melinda.
-Dá-me igual o que você cria! É a verdade! -espetou-lhe Ária.
Melinda curvou a boca em um sorriso, Ashby riu entre dentes de
forma irritante. Ária deu um passo para frente com frustração, mas Braith
atirou dela para trás.
-Fique detrás de mim -grunhiu como advertência.
-Acredito que o ama, de verdade que acredito -disse Melinda em tom
apaziguador-. Mas é que não posso me acreditar que isto lhe tenha acontecido a
Braith, de entre todos os vampiros. Que Dom Obrigações, Dom
Responsável, Dom Vê pelo Caminho Reto, tenha sucumbido a seu lado mais
escuro.
-Vete ao inferno! -grasnou Braith.
A Ária surpreendeu ver que tinha estendido as presas. Seu
aborrecimento e frustração começavam a destruir rapidamente o firme controle
e
a moderação que tinha exibido sobre si mesmo junto a outros.
Melinda arqueou uma sobrancelha, moveu-se um pouco e inclinou a cabeça
para
um lado enquanto apoiava uma mão no quadril.
-Ao inferno, Braith? Ao inferno? Se esquece que eu também vivi nesse maldito
palácio? Se esquece que eu estava ali depois de que
ela escapasse com o Jericho? Foi um banho de sangue, Braith; foi um vampiro
destruidor, um que fez que inclusive Caleb e pai estivessem orgulhosos. Acreditaram
que por fim te estava voltando como eles, e, com
toda sinceridade, Braith, eu também acreditei. Nunca suspeitei que de verdade
importasse-te a garota. Acreditei que estava reagindo de tal modo porque lhe
tinham ferido em seu orgulho. Se tivesse sabido a verdade, teria tratado de
explicar-lhe isso mas, de todas formas, não acredito que me tivesse escutado.
Sobre tudo não quando estava imerso na gula do sangue e a morte
em que te havia absorto.
Ária tragou com dificuldade e afundou os dedos nos rígidos músculos
que se marcavam no braço do Braith, que estava tremendo. O ódio para si
mesmo era evidente enquanto fulminava com o olhar a seu
irmã. Melinda tinha pintado uma imagem vívida do que ele tinha sido
depois de que ela fugisse e, embora Ária sabia tudo, seguia odiando escutá-lo.
-Eu não sou assim -vaiou Braith.
-Talvez normalmente não, e definitivamente não antes de que a
conhecesse. -Melinda deu um passado para frente com o olhar fixo no Braith.
Até Ária estava surpreendida pela força daquele olhar de aço-. Estou bastante segura de
que se fizesse algum movimento
ameaçador para ela, mataria-me, seja sua irmã ou não.
Ária esperou a que Braith protestasse por aquela declaração; por
suposto que não mataria a sua própria irmã. ficou esperando até que ao final
teve que voltar sua atenção a ele.
-Braith? -inquiriu finalmente, surpreendida porque o homem não
tivesse respondido ainda.
Parecia não decidir-se a responder e, quando o fez, não soou de tudo
convincente.
-Não te mataria.
-Faria-o se tivesse que fazê-lo. Faria-o se fosse necessário para
assegurar sua sobrevivência.
-Não, não o faria -insistiu Ária.
-É certo, Braith? Não o faria? -exigiu saber Melinda-. Vai
a ficar aí e mentir diante dela, a ela?
O coração de Ária bombeava trabalhosamente. Sua alma sofria por ele,
por si mesmo, pela irmã olhando com tanto ênfase a seu irmão.
-Não lhe mentirei -grasnou Braith-. Sim, mataria-te se isso salvasse seu
vida.
Ária aspirou bruscamente, logo que podia respirar pela incredulidade
que a sacudia.
-Braith?
-Não te horrorize tanto -disse-lhe Melinda-. Eu também tentaria
matá-lo, se se tratasse do Ashby. Não podemos evitá-lo, você é seu vínculo de
sangue; Ashby é o meu. Não temos eleição, se fosse um vampiro entenderia a
força que nos impulsiona a nos assegurar de que estão a salvo,
e a mantê-los conosco. Também entenderia que sua humanidade
põe a prova todos os limites de seu controle. Vi o que aconteceu esse palácio, o
que ele fez. Então você ainda estava viva, se morrera...
-os olhos lhe voltaram distantes por um momento. estremeceu-se-. Se
morrera seria como se o inferno mesmo tivesse desatado sua ira sobre
esta terra. Ninguém estaria a salvo.
Braith tremia com um poder logo que contido. Ária lhe tocou o braço
ligeiramente tentando acalmá-lo, mas não o estava obtendo. Não eram as
palavras de seu irmana as que o incomodavam tanto, a não ser o fato de que
tivesse mencionado a morte de Ária.
-Braith...
-Ela não vai se morrer -disse simplesmente, perdido na neblina de
emoções que o turvavam.
-Não em muito tempo -assegurou-lhe Ária.
- Nunca.
A habitação estava em silêncio, sacudida pelas palavras sortes em
voz baixa. A Ária o martilleaba o coração; sabia que lhe gostaria que
trocasse, mas fazê-lo... Fazê-lo seria converter-se em tudo o que sempre
tinha odiado e contra o que tinha lutado. Fazê-lo seria voltar-se contra
sua própria espécie, sua própria família. Tinha o peito oprimido e as lágrimas
lhe ardiam nos olhos.
-Braith -exalou.
Ele se girou para ela, o braço lhe tremia ainda mais, os músculos
lhe agitavam enquanto a sujeitava.
-Sabe o perigoso que é isso -disse-lhe Ashby.
Mas Ária estava bastante segura de que Braith não o tinha escutado.
Centrava a atenção nela. Todo seu ser estava conectado ao dele, ligado
ao dela. Ária podia converter-se em vampira e estar com sua família; ao final
eles a perdoariam, talvez. Também seria um aliado forte para eles e Braith seria uma
fonte de poder em seu bando. Ária poderia converter-se em vampira e ficar com ele para
sempre. Poderia lhe dar isso,
se era o que ele tão desesperadamente necessitava. Poderia lhe dar isso porque
lhe daria tudo o que pudesse.
Braith não tinha eleito o que lhe estava acontecendo a ele, a eles.
Braith se orgulhava de seu controle, estabilidade e auto-suficiência. orgulhava-
se de ser poderoso, e mesmo assim pormenorizado. Embora desde que ela tinha deixado
o palácio, não tinha sido nenhuma dessas coisas. havia-se
zangado, tornou-se instável e se converteu no mesmo monstro assassino pelo
que desprezava a seu pai e a seu irmão.
Melinda e Ashby entendiam o que estava passando, e, talvez, se Braith também
o chegava a entender, voltaria-se um pouco mais estável, mas agora
mesmo a confusão que sentia por culpa de seus selvagens emocione sozinho
aumentava seu temperamento irascível.
-Arianna? -Sua voz, tão profunda e formosa, estava entrecortada
pela emoção.
-Não passará nada -prometeu-lhe ela com ardor. Seus olhos, febris e
desesperado-se, suavizaram-se. Em seu brilhante interior, Ária pôde ver a
confusão, mas também viu seu desejo, seu amor-. Podemos fazê-lo, podemos fazer algo.
-Não é tão singelo -interveio Ashby-. Braith sabe. Não é um
vampiro, por isso me surpreende tanto que tenha passado isto entre vós.
Nunca antes tinha acontecido com um humano, nunca.
-Acredito que vós têm que me dizer o que é o que está passando
aqui exatamente -disse Braith com frieza.
-Posso desatá-lo primeiro? -inquiriu Melinda.
-Não.
A irritação brilhou em seu olhar de aço e fechou as mãos em punhos
aos flancos com inutilidade. Pode que fossem irmãos, mas não seria uma luta
de iguais. Braith era maior, mais forte e irradiava um poder profundo que Melinda não
parecia possuir.
-Imagine que fora ela a que estivesse atada, imagine como lhe
sentiria então, Braith! -suplicou.
-Não é ela, e nunca o será.
-Braith!
A frustração da Melinda crescia. Os olhos lhe estavam pondo
mais escuros, mais vermelhos. Seus sentimentos se balançavam grosseiramente
para o limite.
-Tranqüila, carinho -consolou-a Ashby-. Não passa nada, estou bem.
De todas formas, Braith não sabe como atar a alguém muito bem.
Os olhos lhe brilhavam com diversão, mas Ária podia sentir a tensão
sob sua fachada despreocupada. Quão último queria era ver a Melinda tentar
abrir-se passo lutando contra seu irmão.
Melinda se manteve cautelosa. inclinou-se e lhe deu um rápido beijo em
a boca ao Ashby. Ária se compadeceu deles. Não podia imaginar-se estar
afastada do Braith de tal modo. Entretanto, eram dois; por separado não seriam
uma grande ameaça para o Braith; juntos poderiam sê-lo.
-Deixa que seu irmão saiba o que está passando, talvez então deixe
de parecer que está a ponto de voltar-se louco e nos massacrar a todos -o
urgiu Ashby.
Ária se aproximou mais ao Braith, precisava senti-lo e tocá-lo mais. Tinha
a sensação de que não lhe ia gostar do que Melinda e Ashby tinham que
lhe dizer. Lhe envolveu a cintura com o braço. Tinha o corpo mais frio que o
dela, mas o calor seguia alagando-a e o peito lhe transbordava de
rubor contra seu flanco. Braith a acariciou levemente com a mão. Seus olhos
arderam nos seus.
-Alguma vez escutaste o término «vínculo de sangue»?
-inquiriu Melinda, rompendo seu momento.
Braith se separou dela a contra gosto.
-Não, não o escutei.
-Nem eu tampouco, até que conheci o Ashby. -Seu olhar se deslocou
tranqüilamente para a dele, estendeu uma delicada mão e agarrou a que
lhe alargava. Pareciam consolar-se com o contato do outro e entrelaçaram
as mãos-. E então todo mundo estava completamente bem, e tão
completamente mal.
-Eu já estava casado com a Natasha -continuou Ashby.
Melinda enrugou a cara e a repugnância lhe cruzou os delicados
rasgos.
-Se te lembrar, eu estava com mãe quando suas bodas teve lugar. Era
muito jovem para ficar atrás quando pai a desterrou e ele não queria a
responsabilidade de ter que cuidar de mim. Até que a mataram
não me permitiram voltar para palácio.
-Eu tinha casado com a Natasha cinco anos nesse momento -disse
Ashby.
-Recordo-o -interveio Braith com frieza.
Ashby lhe dirigiu um sorriso.
-Estávamos acostumados a nos divertir naqueles dias. antes da guerra, quando
tudo seguia sendo fácil. Você foi o herdeiro ao trono e eu era um vampiro
com um título, dinheiro, mulheres e uma esposa a que lhe importava tão pouco
como ela a mim. Bom, está bem, a parte da esposa pode que fosse horrível,
mas nos estávamos acostumados a evitar quase sempre. Tudo o que tínhamos que
fazer era conceber um filho para fazer a seu pai feliz, e então não teríamos que
estar juntos nunca mais. Simplesmente, não funcionava entre
nós.
A Melinda lhe tinham posto os olhos mais escuros ante a menção
de sua irmã. Tinha a cara turva como um céu tempestuoso. Ashby se
levou a mão da Melinda à boca e a beijou tentando aliviar sua tensão.
-Então mataram a mamãe, estalou a guerra e me enviaram de
volta ao palácio -disse Melinda lacónicamente.
-Seu pai sempre foi ambicioso, sempre aspirou a ter mais. Nunca
contou com que tantos vampiros estavam contentes com seu modo de vida.
Nem
sequer considerou nunca o fato de que algumas das demais famílias poderosas
poderiam não estar de acordo com ele. E nunca pensou que eu planejasse escapar de
meu matrimônio com uma irmã porque havia
perdido minha alma com a outra.
Pareceram comunicar-se em silencio entre si. Depois Ashby voltou
sua atenção para eles.
-Um vínculo de sangue é algo que acontece entre vampiros e, ao
parecer, com humanos também. Aconteceu a meus pais; assim é como eu
soube o que era e quais eram seus sinais. A maioria dos vampiros crie
que é um mito porque é muito estranho, mas eu sabia que era verdade, sozinho
que nunca tinha acreditado que me aconteceria . Meus pais tiveram a sorte de
encontrar o um ao outro e de não ter nenhum obstáculo em seu
caminho. Por desgraça, nós não; e vós tampouco.
»Meus pais viram a guerra como uma oportunidade de escapar do
regime tirânico de seu pai. Eu o vi como uma oportunidade de me liberar de
minha esposa. Era uma oportunidade para começar de novo e construir uma vida melhor
com a Melinda, assim que a aproveitei. Você ficou
apanhado no fogo cruzado, Braith, mas de verdade que não queria que
resultasse ferido. Como represália por nosso motim, mataram a meu
família, mas seu pai acreditou que este seria um castigo melhor para mim.
-Por sorte -sussurrou Melinda.
-O que é exatamente um vínculo de sangue? -inquiriu Ária.
-É uma conexão profunda entre vampiros. Nosso sangue chama a
a outra. Voltamo-nos mais fortes quando a compartilhamos. A conexão é
foto instantânea, como Braith bem sabe, e é inquebrável. Consumiria-lhes
vivos
se lhes separassem, algo que Braith também parece ter descoberto.
-Mais fortes -meditou Ária.
-É obvio, querida -ronronou Ashby-. Por isso Braith pode
voltar a ver, mas suponho que solo é quando você está perto.
-O que? -ofegou Melinda-. Braith?
Braith ficou em silêncio um momento. A tensão dentro dele
crescia por segundos.
-Sim, posso ver quando ela está perto. O que acontece com vós dois?
Ária tragou com nervosismo. Braith podia ver, e era um milagre, mas
eles também poderiam fazer milagres? Tinha julgado erroneamente a situação?,
seria Braith mais fraco que eles? Olhou a Melinda e ao Ashby, e
logo voltou para o Braith. Não, era evidente quem era o mais forte, mas se
Ashby se liberava...
Melinda estava franzindo o cenho com ferocidade.
-Ashby...
-Sei, carinho.
-Melinda, pode que seja minha irmã, mas se não me diz isso, o
destruirei -disse-lhe Braith.
Ária se estremeceu e apertou mais as mãos sobre o braço do Braith.
Queria lhe prometer que ela nunca deixaria que isso passasse. Quão último
queria era arruinar seu amor, mas se havia alguma possibilidade de que pudessem atacar
ao Braith, ela não ia dizer nada. Era melhor que tivessem
medo do Braith por agora. Melinda deu um passo mais para o Ashby em sinal
protetora.
-Não temos nada como isso, Braith. Somos mais fortes porque nos
temos o um ao outro, somos mais fortes porque o vínculo que há entre
nos tem feito mais fortes. Alimentamo-nos um do outro, o qual é algo que a
maioria dos vampiros não permitiriam que acontecesse.
Nosso sangue nos ajuda a melhorar nosso poder e rapidez. Como um frente
unido prevaleceremos contra um vampiro solitário, e a morte é o
único que nos dividirá. Mas vós...
-Vós são diferentes -concluiu Ashby por ela-. Possivelmente
porque ela é humano, possivelmente porque você é o príncipe herdeiro, o
primogênito, e seu sangue é mais capitalista que a de seus irmãos, mas tiveste uma
reação ao vínculo mais forte que ninguém de que tenha ouvido
falar nunca.
-De fato tiveste uma reação de fortalecimento físico sem a
sangue -continuou Melinda-. Suponho que por isso a comprou em
primeiro lugar, porque de verdade a viu.
Braith fez um direto assentimento de cabeça para confirmá-lo.
-Imagina que se convertesse em vampira? -refletiu Ashby.
-É possível? -perguntou-se Melinda.
Ária franziu o cenho enquanto os olhava.
-Não sei -admitiu Ashby-. Mas acredito que têm algo mais que um
vínculo de sangue. Acredito que pode que tenham uma união ainda mais forte.
-Pode que tenha razão -conveio Melinda-. Para ele, haver
recuperado assim a vista é muito estranho.
-É-o -confirmou Ashby.
Ária sentiu que a exasperação do Braith crescia e a ela também
começou a lhe frustrar o casal tanto como a ele.
-Já basta! -espetou-lhes ele, fazendo que Melinda saltasse
ligeiramente-. Já basta, vós dois, já basta. Se estiverem tão unidos,
então por que há outro vampiro aqui?
Os dois franziram o cenho com confusão e então seus olhares se
desviaram à garota que tinha permanecido em completo silêncio, a pesar
de que os estava escutando absorta.
-OH, ela -respondeu Melinda e riu brandamente.
Ashby se levou a mão da mulher ao peito e a envolveu com a sua. A
compostura do Braith se desmoronava rapidamente. Eles não
sabiam com quem estavam jogando nesse momento, não sabiam que estava
perto de perder todo o controle. Entretanto, Ária sim sabia. Tinha-o visto no bosque com
aqueles vampiros. Tinha visto do que era capaz, os castigos e mortes que podia causar
tão rápido e sem remorsos.
-Melinda -insistiu-a Ária.
A esta lhe caiu o sorriso quando voltou a centrar-se finalmente em
Braith.
-Solo é uma garota do povo, sabiam que voltaria logo.
-Como? -grunhiu Braith-. E por que teria vindo ela aqui?
-Consigo me escapulir do palácio mais freqüentemente do que crie.
Como a filha mais jovem e incompetente, ninguém disposta nunca atenção a
meus
idas e vindas. Trago escravos de sangue aqui comigo quando posso, com o fim
de manter às pessoas da zona tranqüila respeito ao feito de
que já não haja guardas. Ela está aqui com a esperança de retornar à
cidade com o que seja que eu tenha podido tirar de contrabando.
-por que? -exigiu saber Braith.
-Para manter ao Ashby a salvo, é obvio. Matei aos guardas
faz anos, mas Ashby não podia escapar. Não havia nenhum sítio ao que
pudéssemos ir. Todos os povos sabem quem é Ashby, pai se assegurou
disso, e a recompensa por ele é o bastante grande para que qualquer vampiro
faminto entregue ao Ashby, sem importar o muito que odeiem a
pai. Mas solo uma pessoa, ou uma família, podia ficá-la
recompensa, não o povo inteiro. E apesar de tudo, não havia nenhuma garantia
de que pai os fora dar de verdade o dinheiro. Eu comprei a lealdade da gente mais
próxima aqui lhes prometendo um fornecimento
constante de sangue se mantinham as bocas fechadas. Era mais do que pai
podia lhes prometer a todos.
Ária agachou a cabeça ante as implicações daquelas palavras.
As náuseas davam voltas dentro dela. Estava segura de que ia ficar doente. Sua
gente tinha sido usada para comprar o silêncio. comercializou-se com suas vidas
livremente como se não importassem
nada.
-É horrível -exalou.
-A vida não sempre é um caminho de rosas, querida. -Um
calafrio se deslizou pela coluna vertebral de Ária. encontrou-se incapaz de
sustentar o frio olhar da Melinda-. E eu faria algo
por manter ao Ashby com vida, suponho que ao igual a você faria o mesmo
pelo Braith.
Ária se mordeu o lábio inferior; não podia olhar a nenhum deles.
Ela faria algo pelo Braith, mas comercializar livremente com outras vistas pela
sua... não, não acreditava que pudesse fazê-lo. Mas ela era humano e eles não. Eles lhe
davam pouca importância a sua espécie, os humanos estavam por debaixo deles, não
lhes importava o que os
acontecesse. Ária sabia que comercializaria livremente com a vida de um
vampiro pela dele, estava segura disso.
-Há coisas que se devem fazer com o fim de assegurar a união entre
pessoas com vínculo de sangue -explicou-lhe Ashby.
Braith lhe apertou a mão. Estava tratando de consolá-la, mas Ária não
podia desfazer do temor que se agitava em seu interior. Este não era seu
mundo, ela não pertencia a esse lugar de sangue, morte e estranhos vínculos de sangue
que permitiam aos cegos ver. O que estava fazendo ali? Como se havia visto envolta em
todo aquilo?
Mas a resposta a estas questões estava de pé diante dela, disposto a morrer por
ela, já que usava seu corpo para bloquear qualquer
ataque que pudesse vir em sua direção. A Ária lhe inchou o coração;
as lágrimas lhe ardiam nos olhos. Não encaixava nesse mundo, mas agora
dava-se conta de que nunca mais se iria dele. Em seu momento não se havia
dado conta, mas quando tinha eleito abandonar o bosque com o Braith, tinha
selado seu destino. Não havia volta atrás, e, embora estava assustada pela incerteza de
seu futuro, estava disposta a suportar os desafios
que ainda estavam por vir.
-E que coisas são? -inquiriu Braith.
-Intercâmbio de sangue, de sexo -continuou Ashby. A Ária ardeu
a cara; era o único que podia fazer para seguir mantendo-se de pé diante deles-.
Mas isso são interações de vampiros. Para isso suponho que a mudança também será
necessária.
-E se ela não sobrevive? -perguntou Melinda.
-Então duvido que nenhum de nós o faça -murmurou
Ashby.
Ária por fim conseguiu levantar a cabeça para olhá-los.
-Não me vou morrer -disse-lhes.
Ashby e Melinda a inspecionaram com idênticos olhares de
desesperança.
-A maioria não sobrevive à mudança. O corpo humano é
muito frágil. Simplesmente não pode suportá-lo. Se segue sendo
humana, o que é seguro é que algum dia morrerá. E Braith se voltará louco por
isso.
-E isso em caso de que esteja disposta a te converter em vampira
-especificou Melinda.
Braith se girou para ela. A garota pôde sentir toda a força de seu olhar sobre
ela, mas não podia encontrar as palavras para responder a
pergunta-a não formulada. Estava disposta a converter-se em vampira?
Estava disposta a viver nesse mundo? Estava disposta a morrer?
Disposta a beber sangue e a alimentar-se de sua gente? Levantou o olhar
para o Braith. Podia sentir as lágrimas lhe ardendo nos olhos, mas não se
escorreram-lhe. O príncipe era tão forte, tão poderoso e tão sábio. Era ancião
comparado com ela, quase um deus em seu mundo. Ela era uma lutadora, e era forte,
mas ele poderia lhe partir os ossos com um movimento de boneca. E, entretanto,
enquanto a observava, Ária pôde
sentir a vulnerabilidade de seu olhar, a incerteza que flamejava nele
e o fazia quase tão fraco como ela.
Ária havia o tornado assim, estava-o voltando assim, e se odeia a si mesmo
por isso. Acariciou-lhe a cara com os dedos, adorava a sensação de seu
dureza e barba incipiente sob sua mão. Ele a assombrava e a inspirava de
tantas formas.
-Você também me faz sentir humilde -sussurrou-lhe.
Ao Braith lhe escapou um gemido baixo. Levantou-a como se não pesasse
mais que uma pluma e a apertou contra ele. Tinha as mãos em seu cabelo, os
lábios em sua bochecha e em sua orelha.
-Não será assim, Arianna -sussurrou. Ela se apartou para olhar o de
maneira inquisitiva-. Não me arriscarei a te matar. Não vou ser o que lhe
mate.
Ária franziu o cenho e inclinou a frente até apoiá-la na sua.
-Sobreviverei.
-Não há nenhuma garantia. Não correrei o risco.
-Mas eu morrerei de todas formas!
Lhe dirigiu um sorriso desanimado.
-Então solo terei que me assegurar de que não seja em muito
tempo.
-Farei-me velha.
-Fará-te inclusive mais formosa. E quando te tiver ido, eu lhe
seguirei.
As lágrimas se derramaram por suas bochechas. Resultava-lhe muito
mais fácil aceitar sua própria morte que a dele. Mas, de novo, ela havia
esperado morrer cada dia desde que foi o bastante major para
compreender o que era a morte.
-Não, Braith. Agora vejo como é, o que disse antes, na
cozinha...
-Estava equivocado -disse com firmeza-. Foi um momento de
debilidade, não voltará a acontecer. Não te farei isso a ti.
Seus olhos eram formosos, brilhavam enquanto a observava, sorria-lhe e
amava-a. Deu-lhe um beijo brandamente; sua boca era cálida e dócil contra a
sua própria. Por um momento, Ária se permitiu esquecer-se de que havia outras
pessoas na habitação e só estiveram eles dois. Durante uma pequena fração de segundo,
houve uma alegria completa, uma felicidade completa e uma fascinação pura dentro de
um mundo que freqüentemente
carecia dessas coisas.
Então Braith a apartou e o mundo voltou a entremeter-se entre
eles. Ária envolveu as mãos em seu pescoço. Deixou cair a cabeça em seu
ombro e enterrou a cara em seu pescoço tentando manter o mundo a raia durante um
pouco mais. Braith seguiu sujeitando-a com firmeza, mas ela
sabia que sua atenção já não estava unicamente centrada nela. Como o
príncipe, como o futuro governante de seu mundo, tinha outros assuntos que
atender.
CAPÍTULO 15

Arianna por fim se dormiu, solo tinha sido questão de tempo que
o esgotamento ganhasse contra sua natureza testadura. Lutou contra isso
durante um tempo, mas ao final sucumbiu às necessidades de seu corpo.
Estava acurrucada no sofá com a cabeça no regaço do Braith e a mão
enroscada em sua coxa.
O homem arrastou a mão por seu cabelo sedoso deixando que este
deslizasse-se por seus dedos. Melinda o observava com interesse, mas não
protestou porque Braith seguisse negando-se a desatar ao Ashby. Pode que ela fosse sua
irmã, mas não ia deixar que eles o superassem em número. Não quando a vida da
Arianna estava em jogo.
Apesar de que havia tensão nos olhos do Ashby, mantinha uma
postura casual e conservava seu ar travesso enquanto Melinda se apoiava
nele.
-Nunca suspeitei nada entre vós dois -murmurou Braith.
-Nessa época estavam acontecendo muitas coisas. -O olhar de
Melinda se desviou para a Arianna-. Eu tampouco suspeitei nada entre
vós dois, mas, de todas formas, nunca pensei que fosse capaz de amar. Sobre
tudo não a uma humana e sobre tudo não a sua pulseira de sangue,
embora me picava a curiosidade, queria saber por que tinha tomado uma
finalmente. Agora sei por que.
Braith não se ofendeu por suas palavras. Ele tampouco tinha acreditado que
fosse capaz de amar. Importava-lhe seu irmão Jericho; inclusive o
importava Melinda, embora nunca a tinha conhecido tão bem como a
Caleb ou a Natasha. Quando Melinda retornou ao palácio, tinha permanecido
geralmente distante de seus outros irmãos. Não obstante, ela não os conhecia
de verdade já que tinha passado seus primeiros vinte e sete de trinta
anos no exílio, com sua mãe.
Para quando Melinda retornou, a guerra se desatou com toda seu
força. Braith solo a tinha visto um punhado de vezes antes de que perdesse
sua visão. Embora ela tinha contínuo maturando com o passar do tempo,
a maior parte de seu crescimento se completou antes de que ele ficasse cego.
Não tinha trocado muito após. Inclusive depois
de que ele tivesse perdido a vista, solo tinha tido contato com ela uma
vez ao mês, se acaso. Tinha suposto que ela fazia as mesmas coisas que
Natasha. Que vagava pelo palácio desfrutando dos luxos e recreando-se
com o sangue.
Ao parecer, em realidade tinha estado escapando a terras selvagens para
alimentar-se e passar tempo com seu amante. Melinda sempre lhe havia
parecido tão doce e jovem. Pelo visto seu pitoresco rosto e seu comportamento
sereno escondiam uma personalidade muito mais forte de
o que ele tinha suspeitado.
-por que seguiu voltando para palácio? por que não ficou
aqui?
-Alguém tinha que trazer para os escravos e manter aos aldeãos
dos arredores tranqüilos. Alguém tinha que assegurar-se de que não mandavam
novos guardas e, se o faziam, tínhamos que estar preparados
para nos ocupar deles. Alguém tinha que espiar, ver se alguma vez teríamos
uma oportunidade de escapar juntos, e ser livres ao fim.
Braith assentiu, impressionado pela astúcia, ousadia e habilidade de seu
irmã. Também lhe causava rechaço sua manipulação e a frieza com que
reconhecia seus enganos. Fez uma nota mental para não confiar nela;
não acreditava que fosse cruel por natureza, mas era mais que evidente que
faria algo para manter ao Ashby a salvo, e Braith estava seguro de que Ashby faria o
mesmo por ela. Não ia tirar lhe a vista de
em cima a nenhum deles até que Jack chegasse. Era a única forma em que se
sentiria um poquito melhor pela segurança da Arianna.
Arianna se removeu; oprimiu-lhe a coxa com a mão.
-Sabe que não tem nenhuma possibilidade de conservá-la como
humana -disse-lhe Ashby.
-Não a trocarei.
-Pode que não queira trocá-la, pode que pense que pode
evitar fazê-lo, mas aqui todos sabemos a verdade, Braith. Crie que pode
acontecer os próximos cinco, dez, quinze anos arriscando sua vida e
vendo-a morrer?
-Se tiver que fazê-lo...
Ashby sacudiu a cabeça e se apoiou contra a parede. A jovem
vampira permanecia em silêncio. Não tinha devotado mais protesta a suas
ataduras. Estava áspera, resignada a permanecer atada por agora.
-Solo está na etapa inicial, Braith. -Ashby uniu as mãos e
olhou resolutamente ao Braith-. Crie que vai ser mais fácil conforme passem os
anos? O vínculo entre vós cresce e se intensifica, converterá-se em um pouco tão
intenso que te custará toda sua força estar um segundo sem ela. Antes me perguntou que
a quem estava esperando,
crie que era à moça? -Assinalou com brutalidade a jovem
vampira-. Não, acreditei que era Melinda a que estava na porta. Sabe o
difícil que é vê-la voltar ali? Odeio-me mesmo cada vez que se vai de
aqui, cada vez que volta para esse buraco depravado de mierda. Se alguma vez
não voltasse do palácio, iria ali rapidamente e mataria a todo mundo que encontrasse em
meu caminho até que finalmente me derrotassem.
Daria a bem-vinda à morte que acabariam por me dar. Ela é humano, Braith,
você viverá com sua mortalidade cada segundo de sua vida juntos.
Não será capaz de suportá-lo, lhe posso prometer isso Sobre todo si ella
sigue siendo humana.
Braith o fulminou com o olhar.
-Sou mais forte que você.
Ashby soprou enquanto se recostava.
-Que tolice. É mais forte fisicamente que todos, mas é de
longe o mais fraco entre nós agora mesmo. Seu talão do Aquiles está convexo
em seu regaço, e se algum de seus inimigos a apanha, lhe
controlarão por completo. Se a matarem, está acabado. Espabílate, Braith.
Sim, é mais forte com ela em sua vida, mas também é muito mais débil.
Sobre tudo se ela seguir sendo humano.
-Não tenho muita opção nesse aspecto.
-Manten humana até que ditas o que quer fazer. Embora,
começo a suspeitar que poderia ser destruir a seu pai, equivoco-me?
Os olhos e a delicada boca da Melinda se abriram de repente.
-Não -exalou.
Ashby lhe apertou as mãos e seus brilhantes olhos reluziram com
entusiasmo.
-Sim, carinho, acredito que Braith ao final se deu conta de que há algo mais
importante que o dever, a honra e a obediência. Verdade?
-Não matarei a meu pai -grasnou ele.
-Não, nem sequer estou seguro de que pudesse fazê-lo, mas outra vez
tem a vantagem da vista, e suponho que ele não sabe.
-Não sabe -confirmou-lhe Melinda quando Braith não disse nada.
Ashby assentiu e deu voltas distraídamente com os dedos. Braith quase
podia ver as engrenagens girando em sua retorcida mente.
-Tampouco mataria ao Caleb. Mas se pudesse acabar com eles,
derrocar seu governo, lhes arrebatar o controle, faria-o. Se pudesse conseguir
suficiente ajuda para fazê-lo. Por isso vieste aqui.
Braith tinha esquecido quão perspicaz Ashby era. Nesse momento o
estava tirando de gonzo.
-Esperas que eu ainda tenha relação com as famílias rebeldes que
lutaram com a minha, e que, de algum modo, conseguiram evitar que as
capturassem. Esperas que ainda conheça alguns vampiros que poderiam
estar dispostos a te ajudar. E a única razão pela que quereria saber tudo
isso é que tivesse a intenção de derrocar ao rei. Equivoco-me, Braith?
Braith voltou sua atenção à janela. Não negaria as palavras do Ashby;
tampouco as confirmaria. Não tinha deixado o palácio com o
objetivo de derrocar a seu pai do poder. Não tinha ido detrás a Arianna por
essas cavernas porque tivesse decidido que ia lutar; não a tinha liberado dali
com a intenção de reclamar o trono algum dia (ainda não
estava seguro de que fosse fazer o, dependia da Arianna). Somente tinha
pretendido levá-la a um lugar seguro, levá-la com gente que fosse
capaz de protegê-la, e tentar viver uma vida tranqüila com ela.
Entretanto, em algum momento, deu-se conta de que não
havia nenhum lugar seguro para ela, e de que ninguém poderia protegê-la,
exceto ele. E se ia manter a salvo, então teria que eliminar a
seu pai. Terei que estabelecer um poder novo, um sistema mundial
novo.
-Isto vai ser interessante, uma guerra civil -refletiu Ashby-.
Uma guerra civil em que participará o regime mais capitalista que nunca
tenha-nos governado. Uma guerra entre o pai assassino e sanguinário, e o
filho que o odeia. Imagine as conseqüências de algo assim, imagine o horror.
Braith ficou rígido e se voltou para eles. Melinda irradiava
alívio, a esperança brilhava em seus olhos.
-Ou imagine quão maravilhoso seria -sussurrou-. Imagine a
liberdade que haveria se se pudesse destroçar a um governante tão tirânico e
desumano.
-Seu amor para o Ashby é o que te tornou tão contra
nosso pai? -inquiriu Braith.
Ela inclinou a cabeça e o olhou arqueando uma escura sobrancelha. Naquele
instante se deu conta do muito que se parecia com sua mãe. Ele nunca tinha
pensado muito nisso; em realidade nunca tinha pensado muito em
sua mãe, já que a tinham arrebatado a uma idade muito temprana. Seu pai não
lhe tinha permitido acontecer muito tempo com uma mulher que pudesse mimá-lo e
debilitá-lo. O mesmo tinha acontecido com o Caleb e
Jericho. Não estava seguro quando a tinham tirado a Natasha, e Melinda ainda
era uma menina muito pequena quando sua mãe foi
desterrada do castelo. Ao rei não lhe tinha importado nada a menina mais
jovem que se foi com a mulher.
-Não, Braith, esse não é o motivo. Eu sempre o odiei.
-Não me dava conta.
-Não teria podido. -Braith a olhou com ferocidade durante um
momento, mas Melinda não deu marcha atrás-. Estava em seu próprio
mundo, Braith. Foi o príncipe, o futuro rei. Não te interessava sua irmã
menor que de repente reapareceu em sua casa. E uma vez que perdeu a vista,
eu estive ainda mais longe de seus pensamentos, dos
pensamentos de todo o mundo. Ninguém se dava conta de quando
desaparecia por um dia ou dois, ou às vezes até uma semana seguida. Eu sou
insignificante nesse palácio, sempre o fui, e isso me parece bem.
»Para ti foi muito pior que para mim, inclusive nos primeiros anos que passei
fora dos muros de palácio. Compreendo que meus
circunstâncias eram melhores que o escrutínio e a nuvem constante de ódio e
decepção sob a que teve que viver. Você nunca foste ser o monstro em
que pai tentava te converter. Dava igual o mal que te tratasse, dava igual o
freqüentemente que te pegasse. Caleb deveria ter sido o primogênito.
É o único que pai tivesse aprovado remotamente.
-Isso teria feito as coisas mais fáceis, e a pai mais feliz
-assentiu Braith sem sentir pena.
-Pode que Caleb seja mais difícil de derrocar que pai. Se ainda
não se deu conta, logo saberá que é o novo herdeiro legítimo. Não
renunciará a isso facilmente, e o que fará com esse poder...
Melinda se estremeceu e apertou com mais força a mão do Ashby.
Este parecia tão horrorizado como ela. Até a moça vampira os observava com
os olhos saídos e olhar frenético. O que Caleb poderia fazer com esse poder faria que
tudo o que seu pai tinha feito parecesse
insignificante e pequeno. O sangue se derramaria livremente pelas ruas de
palácio. A libertinagem e a morte governariam.
-Como pôde sobreviver ao dia em que mataram a mãe?
-inquiriu Braith. Nunca antes o tinha perguntado, nem sequer tinha pensado
nisso, e tampouco lhe tinha dado muitas voltas ao feito de que
sua irmã tivesse sobrevivido à briga que se levou a sua mãe.
Melinda fechou os olhos e pôs as mãos em punhos sobre seu regaço.
A dor brilhou um momento em seus rasgos e o lábio lhe tremeu. Ashby apoiou
a mão em seu ombro e o apertou para tranqüilizá-la.
-Não é evidente?
Braith ficou tenso, não se deu conta de que Arianna se havia
despertado até que a escutou falar. Tinha os olhos ligeiramente
inchados pelo sonho, mas estavam escuros e revoltos pela dor enquanto se
sentava. Sua pergunta flutuava no ar e esperou espectador a que ele dissesse algo.
-Não -admitiu, sentindo que estava decepcionando a de algum
modo por não saber a resposta.
A garota tinha os olhos cheios de tristeza e apoiou seu manita na cara
do príncipe. Entretanto, a dor não era por ela, ou nem sequer pela Melinda, era
por ele. Braith estava aturdido pela pena que podia ver em seu
rosto. Não o entendia.
-Sua mãe se sacrificou pela Melinda.
Braith se sobressaltou. Olhou com o cenho franzido a Arianna, agarrou-lhe
a mão e a separou de sua bochecha.
-Como pode saber isso? -exigiu saber.
Os carnudos lábios lhe tremiam, as lágrimas lhe ardiam em seus
preciosos olhos de safira.
-Porque assim é como William e eu sobrevivemos.
Braith ficou desconcertado. voltou-se para a Melinda e o
surpreendeu encontrar a sua irmã observando a Arianna com compaixão.
-É certo? -exigiu saber-. Nossa mãe se sacrificou por ti?
-Sim -confirmou Melinda.
Braith assimilou devagar esta informação. Em realidade ele não havia
conhecido a sua mãe. Ela tinha sido amável com ele durante o breve período de
tempo em que estiveram juntos, mas não sabia como tinha sido a vida para ela dentro do
palácio ou fora dele.
-por que faria algo assim?
Não foi Melinda quem respondeu, a não ser Arianna.
-Por amor. Simples e incondicional.
Braith observou a Arianna, viu a necessidade em seus olhos, o desejo
ardente de que ele o entendesse. E ele o entendia. Entendeu a classe de amor da
que falava, o que era morrer por outra pessoa, porque ele morreria por ela. Uns meses
atrás, antes de havê-la conhecido, nunca teria chegado a compreender como podia
alguém fazer algo assim por outra
pessoa. Agora nada poderia lhe impedir que lhe salvasse a vida.
-Entendo-o -assegurou-lhe. O sorriso da garota foi trêmula. Uma
lágrima lhe escapou. Ele a apartou com suavidade.
-O que aconteceu?
Arianna se afastou dele, os olhos lhe obscureceram, apartou-os
correndo e depois voltou a deslizá-los para ele. Apertou a mandíbula e
tirou o queixo com orgulho.
-Nosso pai pensou que o melhor seria nos esconder, não no
bosque, a não ser em uma casa. Pensava que se estávamos fora do bosque, se
vivíamos uma vida quase normal, estaríamos a salvo, e nos camuflaríamos.
Vivemos ali ao redor de um ano, e então um dia as tropas vieram a
atacar o povo.
-Meu pai tinha construído uma habitação pequena para que todos
escondêssemo-nos em caso de que algo passasse. Era uma espécie de
habitação do pânico: havia comida, ar e água para sobreviver durante dias.
Poderíamos haver ficado ali até que os soldados se fossem, até que pai voltasse.
Poderíamos haver ficado todos nessa habitação.
Arianna juntou as escuras sobrancelhas bruscamente. Tinha os lábios
apertados. O horror da lembrança estava gravada em seus rasgos e em seus
preciosos olhos.
-Mas não o fizeram?
Ária se concentrou nele, piscou e pareceu que voltava para presente.
-Não, não o fizemos. -Seu tom foi cortante, duro; sua voz
entrecortada.
-por que?
Ela se umedeceu os lábios e enrugou a frente. Parecia confundida pela
pergunta.
-Eu tampouco o entendi em seu momento. Pôs ao William e a mim
na habitação, disse-nos que ficássemos em silencio sem importar o
que acontecesse, sem importar o que escutássemos, e então fechou a porta.
Braith lhe agarrou a mão quando ela se estremeceu.
-E o que fizeram vós?
Ela o olhou com impotência.
-Nada, não fizemos nada. Não havia nada que pudéssemos fazer.
Tínhamos quatro anos, estávamos aterrorizados, e não sabíamos como sair
daquela habitação. Tentamo-lo, mas não pudemos encontrar a saída,
e então entraram na casa. Sentamo-nos em uma esquina, nos
abraçamos o um ao outro, e choramos. Fizemos o que nossa mãe nos
disse que fizéssemos, e escutamos em silêncio enquanto a torturavam e
matavam. Durante todo esse tempo, ela jurou que nos tínhamos ido com nosso pai, que
não estávamos.
Braith não acreditava que a garota fora consciente das lágrimas que se
deslizavam por suas bochechas. Não acreditava que fora consciente de nada à parte
do passado no que parecia estar apanhada. Um passado que o teria feito
algo por se separar dela, mas não havia nada que pudesse fazer.
Não havia forma de corrigir seu passado, nenhuma forma de aliviar sua dor.
Quão único podia fazer era lhe dar um futuro melhor.
Atraiu-a para si e lhe acariciou a nuca enquanto lhe beijava a frente com
ternura. Ela o agarrou pelos antebraços e se aferrou a ele como se fora um bote salva-
vidas no mar de sua agonia.
-Não poderia ter feito nada mais -assegurou-lhe.
A garota curvou os lábios em uma sonrisita, mas não havia alegria nela.
-Possivelmente seja certo, mas nunca acreditarei.
Ele fechou os olhos, desfrutando de seu assombroso aroma. Ela o
envolvia, enchia-o, aliviava cada coisa horrível de seu interior. Confiava em
que fizesse o mesmo a ela.
-por que não entrou ela na habitação? -perguntou Ashby.
-Porque os soldados teriam destroçado a casa buscando-os os
três, assim que se sacrificou. Permitiu que a torturassem até que ficaram
convencidos de que seus filhos realmente não estavam ali, verdade?
-inquiriu Melinda.
Arianna assentiu.
-Sim. Acredito que foi por isso.
Braith pensou na mulher que lhe tinha dado a vida a Arianna, a que
tinha ajudado a concebê-la e, ao final, a salvá-la. Deu-lhe as obrigado em
silêncio. Supôs que a pessoa orgulhosa, valente, generosa e forte que
tinha diante era exatamente igual a como sua mãe tinha sido.
-Isso é o que fez sua mãe? -perguntou Arianna.
-Eu era maior, já não era uma menina, apenas uma adolescente quando
chegaram -confirmou Melinda-. Minha mãe conseguiu nos levar a piso de
acima antes de que invadissem nossa casa. Metemo-nos em uma
habitação traseira e, usando os móveis, bloqueou a porta o melhor que
pôde. Ajudou-me a sair pela janela, empurrou-me até o pequeno telhado
e me ajudou a me deslizar pelo lateral. Prometeu-me que me seguiria antes
de que chegasse ao chão. Em vez disso, se escabulló outra vez pelo telhado,
fechou a janela e jogou o ferrolho. Para então eu já podia escutá-los
atirando a porta abaixo e apartando os móveis para chegar até ela, que
lutou contra eles para me dar um pouco mais de tempo para escapar.
»Tentei voltar atrás dela, mas me detiveram quatro dos serventes
que tínhamos. Mãe sempre tinha sido boa com eles, sempre os tinha tratado
com respeito e amabilidade. me tinha ensinado a fazer o
mesmo, e ao longo dos anos nos convertemos mais em uma família que
outra coisa. Eu era jovem, e, embora eles não eram vampiros fortes, os quatro
me contiveram. Obrigaram-me a ir longe desse lugar horrível.
Um deles voltou para dia seguinte a pelo corpo de mãe.
»Enterramo-la no bosque debaixo de seu salgueiro favorito e marcamos
sua tumba com uma singela pedra.
Arianna esfregou devagar os polegares contra a mão do Braith, que
lamentava que Melinda tivesse sofrido tal perda, lamentava que houvesse
tido que presenciá-lo. Odiava que sua mãe tivesse sido assassinada, que
ao final só tivesse conhecido terror, mas havia algo mais que Melinda havia
dito que tinha captado sua atenção.
-Não voltou para palácio até os vinte.
Melinda o olhou com o cenho franzido.
-Sei.
-Então não foi uma adolescente quando morreu.
-Tinha quatorze anos quando a mataram, Braith.
Uma estranha tensão crescia dentro dele. Nunca lhe tinha perguntado a
Melinda sua história, nunca tinha pensado muito nela. Sua mãe, uma mulher a
que logo que tinha visto em oitocentos anos até sua morte, não
tinha significado muito para ele. Mas seguia sendo sua mãe, e Melinda
era sua irmã. Necessitava respostas.
-Onde esteve todos estes anos Melinda? -grasnou. Arianna se
removeu com nervosismo; sentia sua tensão e sua ira aumentando.
Melinda tragou com nervosismo e Ashby lhe deu uns tapinhas na
emano para tranqüilizá-la.
-Não passa nada, Melinda, diga-lhe con preocupación. La mano comenzó a
temblarle en la suya.
-Me dizer o que? -A mulher continuou em silêncio e Braith ficou
em pé-. Me dizer o que? -grasnou.
-Braith, lhe dê tempo -insistiu-o Arianna.
-Esteve com os rebeldes? Capturaram-lhe depois de que a
enterrasse? -exigiu saber.
-Os rebeldes? -inquiriu Melinda; sua confusão era evidente.
-Quão rebeldes a mataram -grunhiu com impaciência.
Melinda se mordeu o lábio, Arianna ficou em pé junto a ele. O príncipe podia
escutar o furioso batimento do coração de seu coração, ela já o olhava
com preocupação. A mão começou a lhe tremer na sua.
-Nunca hei dito que a matassem os rebeldes, Braith -sussurrou
Melinda.
Algo se removeu nos limites mais afastados de sua mente, algo
escuro e sinistro começou a abrir-se caminho através dele. Braith endireitou os
ombros e agarrou forças da presença da Arianna a seu lado.
-Então, quem? -exigiu saber.
A Melinda tremia o lábio. Ashby se tinha posto de pé e
caminhou para frente até situar seu corpo diante do da Melinda, mas
Braith não tinha nenhuma intenção de ir atrás de sua irmã. Era a última coisa
do mundo que faria.
-Foram os homens de pai, Braith. Foram os guardas de pai
os que vieram a essa casa. Foi pai quem a matou. Eu não retornei ao palácio até
que me descobriram por acidente dez anos depois. Não tinha planejado voltar nunca,
odiava a esse homem, e estava segura de que
também me mataria.
Braith estava paralisado, não podia mover-se pela indignação que se
tinha dado procuração dele.
-Onde esteve todo esse tempo? -perguntou Arianna.
-Escondida com nossos serventes. Foi pura sorte que me
apanhassem, que me obrigassem a voltar ali. Tinham-me dado por morta,
embora os guardas tinham sido sinceros com pai e lhe haviam dito que
não me tinham visto. Supuseram que eu tinha morrido antes do ataque ou que
estava em algum outro sítio e tinha morrido depois. Pareceu-lhes pouco
provável que eu fora capaz de sobreviver e permanecer oculta por minha conta. Estava
em um povo que tinha sido considerado como possível ameaça de traidores. Quando o
atacaram, mataram a meus serventes, a meu
família. Se Jericho não tivesse estado ali, provavelmente também me
teriam matado, mas apesar de todos os anos que tínhamos passado separados,
reconheceu-me.
-O sangue conhece o sangue -disse Braith, Arianna se estremeceu.
-Ele é a razão pela que ainda estou viva.
-Sabe o que aconteceu com nossa mãe?
Melinda tragou com dificuldade. Ashby se estava pondo mais nervoso.
-O escondi ao princípio, mas quando quis me trazer de volta ao
palácio, neguei-me a ir. Tinha medo de pai, pelo que me faria. Pu-me
histérica quando insistiu em que tinha que retornar. Quando tratou de me
obrigar a voltar, soltei-lhe toda a história e lhe contei por que não podia retornar. Ele é o
único que sabe a verdade.
»Disse-me que dissesse a pai que eu não tinha visto nada o dia em que
mataram a nossa mãe, que os serventes me tinham levado fora de compras e que solo
encontrei o corpo de mãe de noite. Tinha que lhe dizer que não tinha retornado ao
palácio porque não estava segura de
como chegar ali e me assustava perambular muito longe do único
lar que tinha conhecido nunca. Disse-me que não dissesse nada, mas tinha que
me levar de volta. Os outros guardas me tinham visto, não havia forma de que pudesse
deixar ir parecer suspeito. Pai
continuaria me caçando até que me descobrisse de novo, e
provavelmente me mataria quando me encontrasse. Mas se eu voltava por
minha conta, poderia me guardar a informação do acontecido para mim
mesma. Dava igual o indignada e ressentida que estivesse, não tinha mais
remedeio que retornar. Quão único podia fazer era esperar a que pudesse
escapar algum dia.
-Jack sabia -grasno Braith-. Todo este tempo.
-Jack? -perguntou surpreso Ashby.
-Jericho -respondeu Arianna quando Braith ficou em silêncio.
Estava furioso porque seu pai tivesse feito aquilo e porque seus
irmãos o tivessem mantido na pobreza. Estava furioso porque ele tivesse estado
ao lado de seu pai e tivesse sido um peão em todas suas mentiras e enganos. Entendia as
razões pelas que não o tinham contado, mas gostava de estrangulá-los a todos por sua
hipocrisia. Não continuaria assim. Pode que já não fora o herdeiro de seu pai, mas ainda
era um príncipe, ainda era o seguinte na linha de sucessão.
Corrigiria todos os enganos que tão cegamente tinha seguido.
-Quando Jericho deveu viver conosco ao bosque, troco seu
nomeie ao do Jack. Assim é como o conhecemos.
-É o que ele é -grasnou Braith. Arianna o olhou com surpresa. A
garota o sujeitava com mãos firmes, cálidas e, OH, tão frágeis-. É o que foi
desde que se encontrou com a Melinda. Faz sozinho seis anos que pôde
liberar-se e converter-se oficialmente no Jack, e assim permitiu que esse outro
lado de si mesmo saísse fora. Deixou o palácio sem intenção de retornar nunca.
A traição foi intensa e muito mais profunda do que se havia
esperado. Quando Jack se levou a Arianna, Braith soube que havia
trocado, que já não era o irmão que ele sempre tinha conhecido, mas
Jack não tinha sido esse irmano desde fazia muito mais do que Braith
tinha suspeitado. Arianna se apoiou nele. Soltou-lhe a mão e lhe envolveu
o braço com a cintura para colocá-lo mais perto dela. Apoiou a frente
em seu peito. Ele podia sentir sua aflição e sabia que era por ele.
-por que não me disseram isso? -exigiu saber.
-Porque tentávamos te manter a salvo. Dá igual o pouco que
conhecesse nossa mãe, seu sentido do dever, seu sentido da responsabilidade,
seu sentido da honra lhe teriam conduzido a ir a por pai, e ele te teria matado.
Decidimos esperar, aguardar a hora propícia
até que pensássemos que de verdade poderia haver uma oportunidade de
derrotar a pai.
-E criem que agora é o momento?
Os olhos cinzas da Melinda piscaram; a tristeza se arrastou a
eles.
-Se me tivesse perguntado faz isso cinco meses, haveria-te dito
que não, mas não soube que Jericho se havia imerso na resistência até
que a levou a ela. Nunca me teria imaginado que você decidiria renunciar a seu
título por uma humana. É um aliado poderoso, Braith, os
rebeldes são aliados poderosos, e acredito que inclusive embora não
estivéssemos esperando-o, sim, este é o momento. As coisas estão
trocando rapidamente e não acredito que haja nenhuma forma de trocar o
curso da corrente. Agora já não.
-Alguma vez me o ibáis a dizer?
-Algum dia. Não estávamos do todo seguros de quando, sozinho
estávamos esperando o momento apropriado. Nunca esperei que fosse a
te apaixonar por uma humana, sua pulseira de sangue, e que ela fora nada
menos que uma das figuras mais destacadas da resistência. Como teria podido alguém
predizer isso?
Braith tomou forças da presença da Arianna de seu amor e lealdade
inquebráveis, mas não podia aliviar a traição que supurava em seu interior.
Tinha acreditado que Caleb e Natasha eram os mentirosos e os manipuladores, mas pelo
visto se equivocou. Ao parecer todos eram escuros e retorcidos, cada um a sua própria
maneira. Todos tinham tido secretos e os tinham guardado para si.
-Que família tão de confiança somos -disse arrastando as
palavras com sarcasmo.
-Solo tentávamos nos manter tão seguros como fora possível
-disse Melinda-. Se pai tivesse descoberto algo... -Lhe apagou a voz. O horror
lhe alagou o olhar e sacudiu a cabeça-. Horrível, haveria
sido horrível.
Braith esteve de acordo com ela, mas não estava disposto a admitir
nada.
-Seu pai usou a guerra como uma desculpa para matar a sua
mãe e, provavelmente, a Melinda, mas por que? -perguntou Arianna.
-Porque ele não usou a guerra como uma desculpa para matar a nossa
mãe, usou-a como uma desculpa para começar a guerra.
Arianna saltou pela surpresa, mas Braith já tinha percebido fazia uns poucos
minutos que Jack se aproximava de ritmo constante.
Empurrou com suavidade a Arianna para a parede e se deu a volta para
fazer frente a seu irmão. Entretanto, não pôde deter o impulso instintivo de
proteger a das pessoas que tinham entrado na
habitação. Inclusive antes de que ela pronunciasse a palavra «papai», soube
imediatamente qual dos homens curtidos, incrédulos e enfurecidos era seu pai.
E esse homem estava o bastante louco para matar.
CAPÍTULO 16

Ária tentou dar um passo para seu pai, mas Braith a reteve. Sujeitou-a com
seus esculpidos braços. Tinha o músculos tensos e lhe moviam sob a
roupa. A garota não tinha passado por cima que Braith a tinha girado para pô-la
em uma posição mais segura, usando seu corpo para defender o de
ela.
Embora não havia nenhuma razão para que ele tivesse que protegê-la.
Esse era seu pai, essa era sua família, pensou enquanto observava ao William e
ao Daniel deslizar-se na habitação detrás do Jack e de seu pai.
-Não passa nada, Braith -sussurrou-lhe.
-Espera -vaiou ele; sua voz baixa e autoritária. Ela franziu o cenho, mas não
lutou contra seu agarre. O homem tinha perdido o equilíbrio, a
necessitava com ele para manter-se firme. Do contrário poderia ferir alguém
dessa habitação, alguém que lhe importasse ou alguém que a
lhe importasse.
-Contaste-lhe tudo? -inquiriu Jack.
Melinda assentiu. aproximou-se do Ashby e olhou à família de Ária com
receio. Melinda não confiava em sua própria espécie, e era mais que evidente
que tampouco confiava nos humanos. Sobre tudo nos humanos
rebeldes.
-Já posso desatá-lo? -perguntou ao Braith, sua voz vacilou
ligeiramente. Ele permaneceu imóvel; seus olhos escuros e intensos-. Não
podemos acabar contigo, Braith. Todos nós unidos provavelmente não
poderíamos acabar contigo.
-Sabe, e não é isso o que lhe preocupa. Já não -respondeu Jack.
-Então, o que!? -exigiu saber Melinda, começando a perder a
compostura. Estava tão frustrada com o Braith, tão furiosa porque Ashby
seguisse pacote-. O que, Braith? O que é o que quer!?
Jack posou o olhar em Ária.
-Pode proteger-se a si mesmo, mas se algum de nós, embora
solo seja um, chegasse até a ele...
-Não deve preocupar-se por minha família, Braith, eles não me farão
dano -assegurou-lhe Ária-. E não tem que temer à tua.
-Não?
Ela negou com a cabeça. ficou nas pontas dos pés e o atraiu para si para
assegurar-se de que ele pudesse ouvi-la, mas ninguém mais.
-Se fossem fazer te danifico, já lhe teriam feito isso a estas alturas.
Pode que lhe tenham oculto coisas, mas nenhum deles pretendia
te ferir, de fato, tratavam de te proteger por algum tempo. Qualquer de
eles poderia ter tentado te matar nesse palácio.
-Não vou arriscar sua vida -murmurou ele.
-Não o fará -prometeu-lhe ela-. Solo deixa que desate ao Ashby,
Braith. Eu tampouco suportaria verte a ti assim. Eles não se ganharam sua
confiança, ainda não; mas você tampouco te ganhaste a sua. Esta é uma
boa forma de começar.
O príncipe apertou a mandíbula, um músculo lhe contraiu na
bochecha. Durante um breve instante esticou os braços ao redor da garota e
então os afrouxou.
-Desata-o -ordenou energicamente-.Mas lhes matarei aos dois se vos
aproximam dela.
Melinda olhou fixamente a Ária durante um momento comprido. Seus olhos se
encheram de surpresa e gratidão enquanto lhe dirigia um pequeno
assentimento de agradecimento com a cabeça. Então se girou para o Ashby e
seus dedos voaram habilmente pelos nós. Ária se negou a olhar
a sua família. Podia sentir seus olhares horrorizados, não o fazia falta as ver.
Ashby estendeu as mãos e se esfregou as bonecas enquanto Melinda
desatava-lhe os tornozelos.
Quando a última das cordas caiu, abraçaram-se com força
aferrando o um ao outro. Ária se compadeceu deles e apertou ao Braith
com as mãos. Necessitava-o tanto, necessitava seu abraço, e seu contato, e
segurança. Desejava fugir dali com ele, e também com sua família, mas tinha a
sensação de que isso não ia ocorrer. Havia algo trocando dentro
do Braith, algo evoluindo e crescendo em seu interior que a assustou.
Ela tinha sido muito consciente de que ele não tinha nenhum plano sólido
quando fugiram daquelas covas. Agora sim tinha um plano, ou ao menos tinha
alguma idéia do que se propunha fazer. O único problema era que
seu plano a ia aterrorizar, e ele ia tentar deixá-la à margem, disso estava segura.
-Ária?
Ela se girou para sua família e lutou por manter as lágrimas a raia. Seu pai os
observava fixamente, tinha a cabeça girada para um lado enquanto a inspecionava.
Normalmente ia bem barbeado, mas hoje
tinha barba de um par de dias lhe escurecendo a forte mandíbula. Seu cabelo
era castanho avermelhado escuro, como o dela e William, mas
ultimamente lhe havia veteado de fios de cor branca que também o
escureciam a barba. Seus olhos eram de um verde brilhante e penetrante que
nunca deixava de deixá-la cravada no sítio e fazer que se retorcesse. O tempo tinha
gravado rugas ao redor de seus olhos e de sua boca, mas ainda era um homem atrativo.
Sobre tudo quando sorria, o qual não era muito freqüentemente, e sem dúvida agora não.
Ária desejava ir até ele, até todos eles, mas a tensão do Braith era muito forte.
-Estou bem, papai, de verdade.
Ofereceu-lhe um sorriso trêmulo que não conseguiu aliviar a tensão
zumbindo por seu corpo. O ódio fervia em seu olhar enquanto a centrava
no Braith, mas também parecia confuso e incrédulo.
-Este é o príncipe? -perguntou com mordacidade.
Ária apoiou a mão no peito do Braith para tentar acalmar a
hostilidade que notava formando-se rapidamente em seu interior. Sabia que não
ia ser fácil, mas sua família teria que aprender a confiar nele, ao igual a tinham
aprendido a confiar no Jack. E Braith ia ter que aprender a confiar em alguém mais além
de nela.
-Um deles -replicou Braith secamente-. O mais jovem está de
pé frente a ti.
Os olhos do pai de Ária se precipitaram para o Jack, mas não
entendeu as palavras do Braith.
-Você é o que reclamou a minha filha como pulseira de sangue, você
também é o que a levou esta vez.
-Sim.
A fúria cruzou o rosto de seu pai. William e Daniel abriram mais
os olhos, mas nenhum deles irradiava o mesmo ódio que seu pai.
-Você a reteve, você a torturou...
-Hei-te dito muitas vezes que ali não me torturaram! -o
interrompeu bruscamente Ária.
-Vi a marca de mordida! -espetou-lhe seu pai.
Ária piscou surpreendida. Apertou mais forte o braço do Braith, esta
vez não para consolá-lo, mas sim porque necessitava sua força.
-Tudo o que lhe dava, foi voluntariamente -disse com firmeza, com
sinceridade.
-Mentira!
Não foi seu pai o que tinha explorado com essa palavra, a não ser Max.
Ária não se deu conta de que estava justo fora da porta, detrás
de seu pai, do Daniel e do William. abriu-se aconteço para frente dando
bruscos empurrões até que os passou e entrou na habitação. Ária nunca
tinha-o visto tão enlouquecido e tão completamente fora de controle. Seus
olhos, de cor azul, estavam saídos e pareciam selvagens em sua cara; o cabelo
de ponta feito uma desordem. Braith ficou rígido e empurrou à garota para trás
quando Max carregou contra eles.
Jack saltou para frente e enganchou ao Max do braço quando Braith
deixou sair um grunhido que fez que inclusive o coração de Ária lhe desse um
tombo. Max girou sobre o Jack, agarrou-o bruscamente por debaixo do queixo
e o golpeou fazendo-o retroceder um passado. Jack era muito mais
forte que Max, mas não se esperou o murro e agora tinha perdido o equilíbrio.
Não só não se esperou o primeiro murro, mas sim certamente tampouco se esperou a
combinação de
esquerda e direita que Max descarregou contra ele a seguir.
Daniel e William arremeteram contra Max, mas ele já se havia
sacudido ao Jack e carregou contra Ária e Braith.
-Está mentindo! -acusou-a. Tinha os ombros rígidos enquanto
saía disparado para eles-. Confundiu-te! Está mentindo!
Daniel, William e Jack continuaram atrás dele, mas não foram conseguir
detê-lo a tempo. Tampouco Ashby, que apartou a Melinda e se lançou para
fazer um intento fracassado de agarrar ao Max. Braith soltou a Ária, empurrou-
aa
suas costas e usou seu corpo para bloqueá-la do ataque do Max. O terror
martilleaba através da garota, não podia permitir que isso passasse. Max estava fora de
controle, tinham-no torturado e usado como escravo de sangue, tinham abusado dele de
modos que ela não podia sequer nem imaginar. Max não entendia seu amor pelo Braith
porque estava convencido
de que Braith tinha feito o mesmo a ela.
-Espera! Para! -gritou ela.
Braith tentou empurrá-la mais atrás, mas a garota se agachou e esquivou
seu braço quando ele tentou enganchá-la. Agarrou impulso e se lançou entre o
Max e Braith. Por desgraça não tinha visto o que Max empunhava na mão até que foi
muito tarde. O braço do menino já estava
estendido para frente, a folha de metal açoitou o ar incluso quando ela
levantou-se em toda sua estatura.
A mão do Braith saiu disparada diante dela. A folha se estrelou
contra sua palma e atravessou carne e osso antes de surgir pelo outro lado.
Ária olhou com horror. Tinha estado a um escasso centímetro do centro de
sua frente, justo onde a suas costas estava o coração do Braith. Embora a
folha de metal não teria matado ao Braith, o teria ferido e derrubado o
suficiente como para que Max chegasse até ele, como para que tentasse usar a
estaca de madeira que agora empunhava.
A Ária pulsava o coração pesadamente no peito. ficou vesga ao
contemplar a horrível folha que tinha diante, a que a teria matado a ela, a que
seguia incrustada na mão do Braith. Tinha que doer como
um demônio, mas ele não mostrava nenhum signo disso enquanto estendia
o braço a seu lado, agarrava a folha e a tirava. O arranhão do metal contra o
osso se escutou forte na habitação, que se tinha ficado em silêncio
sepulcral.
O sangue descia pela mão do Braith e caía ruidosamente ao chão
de madeira. Ária tragou com dificuldade, aterrorizada pelo que estava por vir,
aterrorizada por qual seria a reação do Braith. Podia sentir a tensão mortífera que
vibrava nele. Estava tão enfurecido que ela não se acreditava capaz de impedir que
matasse ao Max. Ninguém se moveu, nem sequer respiraram.
Inclusive Max, horrorizado pelo fato de que quase a tinha matado a
ela, parecia ter recuperado um pouco o controle sobre si mesmo. Braith,
como era de esperar, foi o primeiro em reagir. Fez um punho com a mão e a
retorceu. Ária estava horrorizada pelo sangue que se derramou
livremente do grande talho. Tentou agarrá-lo, mas lhe agarrou a mão. Seu
contato foi surpreendentemente suave para a dor que tinha que estar sofrendo.
-Braith.
Ária pôde ouvir a tensão nervosa na voz do Jack. Entendia-o
perfeitamente, embora não podia ver a cara do Braith, sentia a intenção
assassina que rasgava seu interior. Max deu um passado para trás. Ária sabia
que o que estava vendo tinha que ser aterrador. Apesar de que era grande,
temperamental e poderoso, Braith sempre tinha sido
relativamente delicado e amável com ela. Assim era com ela, mas com os
outros, e para outros, podia ser cruel, desumano e letal.
Sua parte letal era o que mais a assustava agora.
Ária se deu a volta, tinha que vê-lo, tinha que saber o que estava pensando.
Seus olhos eram de um violento tom avermelhado enquanto os centrava
no Max que fez que a Ária tremessem os joelhos. Tinha as presas
estendidos, mas não lhe caíam por cima do lábio inferior. Em seu lugar
estavam contidos detrás de seus carnudos lábios, e um músculo lhe contraía na
bochecha.
Era aterrador, e mortal.
-Braith, por favor -sussurrou com voz trêmula. Ele posou os olhos em
ela, mas suas facções não se relaxaram-. Não sabia o que estava
fazendo.
-Poderia te haver matado -grasnou Braith.
-Não ia a por ela -replicou Max.
-Max, te cale! -ordenou-lhe Jack.
-Bom, é que não ia a por ela.
Jack se equilibrou para frente, agarrou o braço do Max e o arrastou
para trás.
-É idiota.
-Me deixe! -espetou-lhe ele-. vou matar o!
Jack estava lutando por manter ao Max sob controle justo quando
um grunhido baixo retumbou no peito do Braith. A Ária dava voltas a
cabeça, a confusão da habitação era entumecedora. Seu pai sujeitava
ao Max, a amargura estava gravada nas rugas de seu rosto.
-Já é suficiente Maxwell! -ordenou-lhe com brutalidade.
Mas inclusive seu pai, um homem que tinha ajudado a criar ao Max,
um homem ao que Max respeitava extremamente e ao que escutava, não pôde
penetrar na fúria que o envolvia. Seguiu lutando; a cara avermelhada e
uma veia lhe palpitando na frente.
-Corrompeu-a! Converteu-a em uma traidora, uma
desgraça para seu próprio povo e ele deve morrer por sua perversidade!
Ária retrocedeu ante suas palavras. Sentia como se a houvesse
esbofeteado, sentia como se ela fora a que tivesse apunhalado. Pela primeira
vez se deu conta de que Max nunca a perdoaria por isso. Tinha-o perdido para sempre.
-Zorra!
Ária ficou sem fôlego, mas não tinham sido as palavras do Max as
que provocaram sua reação, a não ser a repentina explosão de movimento
detrás dela. Logo que viu o Braith, e com toda segurança não o escutou enquanto o
homem corria pela habitação. Jack não teve tempo de reagir, seu pai tinha uma mão em
seu braço, mas não era o bastante
forte para impedir que Braith lhe arrancasse ao menino. Jack se lançou com
elegância para frente, mas era muito tarde. Braith já se estava
afastando de outros com um giro brusco. Então estrelou ao Max contra
a parede com tanta força que toda a habitação se estremeceu e a parede se
estilhaçou.
Melinda se levou correndo a mão à boca. Ashby passou junto a ela
enquanto Braith atirava do Max e voltava para estelar o contra a parede. Ashby
e Jack agarraram ao Braith pelos ombros, mas Ária sabia que não seriam
nada mais que molestos mosquitos para ele.
-Dá-me igual o que lhe tenham feito! -rugiu Braith, sua cara torcida
em uma máscara de brutalidade de uma magnitude tal que Ária não tinha visto
nunca antes-. Se lhe fizer mal, se lhe falar, se te atrever a olhá-la, estará morto
antes de que saiba sequer o que passou. Entende-me pedaço
de mierda!?
Apertou o pescoço do Max com a mão, levantou-o do chão e voltou para
esmagá-lo contra a parede. Ária tinha medo de que o edifício fora a derrubar-
se, já que se balançou sobre sua cimentação de pilote. Ao Max
lhe saíram os olhos e arranhou a mão do Braith quando seus pés começaram a
se chocar contra a parede.
-Braith! -chiou Jack, atirando inutilmente do braço do Braith-.
Deixa-o! Maldita seja, Braith, deixa-o!
O desconcerto e o estupor de Ária se desvaneceram. Se não fazia algo, Braith
ia matar ao Max agora.
-Arianna! -gritou Melinda quando Ária correu para o Braith.
-Para! Não, Braith! Por favor, deixa-o!
Empurrou ao Ashby para abrir-se passo. Depois agarrou o braço de
Braith, aquele com o que tinha parecido ao Max na parede, e deu um puxão
forte dele. Era como tentar dobrar o ferro, ele apenas se deu conta de
que ela estava ali. Apoiando as pernas na parede, voltou a atirar de seu
braço.
-É meu amigo! -gritou com frustração-. Para, está-lhe fazendo
dano!
Braith soltou ao Max tão repentinamente que Ária acidentalmente se
deu contra a parede. Saiu disparada para trás e perdeu o agarre por braço do
príncipe ao cair. Braith se girou de repente, seus braços descenderam até ela e a agarrou
antes de que pudesse se chocar contra o chão. Max caiu como um saco e golpeou o chão
com um sonoro golpetazo.
Ária olhou ao Braith com total incredulidade. Tinha sido tão rápido, tão
veloz ao agarrá-la e tão gentil ao embalá-la com uma ternura que lhe roubou o
fôlego. O vermelho se desvaneceu de seus olhos e as presas lhe retraíram
enquanto a olhava carinhosamente. Ignorou a outros e se afastou a grandes
pernadas carregando com ela pela habitação. A moça vampira os observava
surpreendida, mas havia um grande interesse em seu olhar que punha
a Ária algo nervosa.
Ária apareceu por cima do enorme ombro do Braith. Jack e
Ashby estavam ajudando ao Max a ficar em pé. O menino se esfregava a
garganta, a marca da mão do Braith era claramente visível nela.
-Eu ficaria calado se quer viver! -vaiou Jack quando Max
abriu a boca para dizer algo mais-. Ela não será capaz de detê-lo outra
vez.
Ária se tornou de novo para trás e olhou ao Braith. Nunca lhe havia
tido medo, uma vez inclusive lhe tinha esbofeteado, mas estava
verdadeiramente aterrorizada por todos os que ele poderia considerar uma
ameaça para ela. Pela primeira vez se deu conta da verdadeira
profundidade de seu desejo de protegê-la. Esta vez tinha deixado livre ao Max,
mas não voltaria a fazê-lo. Melinda os estudou com olhar incrédulo enquanto
se girava para o Braith e logo ao Ashby.
Ária viu a comunicação silenciosa que intercambiaram, a
intensidade de seus olhares e de sua preocupação.
-Baixa me, Braith -insistiu-lhe.
Ele deixou que se escorresse com facilidade de seus braços e a pôs em
equilíbrio sobre seus pés.
-Está bem? -inquiriu com ansiedade enquanto lhe apartava o cabelo
da cara para estudá-la.
-Estou bem, estou bem -assegurou-lhe a toda pressa.
A garota lhe agarrou a mão ferida e a estendeu ante ela. Ele a
manteve em um punho, mas ante seus insistentes puxões, abriu-a a
a contra gosto. Ela o olhou boquiaberta pela surpresa e abriu mais a boca
enquanto lhe media rapidamente a mão. O sangue ainda o afeaba a pele, mas ali não
havia nada. Já não. Observou-o assombrada, incapaz de acreditar que o que via era real.
Tinha sido ali, sabia que nesse
lugar lhe tinham feito um corte, mas já não havia nem um arranhão em sua
carne. O príncipe enroscou a mão na sua e a trouxe para si para lhe dar
um beijo rápido e firme na frente.
-Não passa nada, Arianna, quase não sinto nada.
Ela o observou; a boca lhe abriu. Estava pasmada pela velocidade
a que a ferida tinha desaparecido. Sabia que os vampiros podiam curar-se
rápido, mas o seu não só tinha sido impressionante e
assombroso, mas também um pouco desconcertante. Não pôde conter o
calafrio de temor que lhe descendeu pela coluna vertebral.
-Braith?
Ele voltou a beijá-la; deteve os dedos em sua nuca.
-Estou bem.
Ária lhe apertou a mão desejando que pudessem ir a algum sítio,
desejando que pudessem estar sozinhos durante uns momentos para
recuperar-se. Por desgraça, isso não era possível agora mesmo. Braith se
separou dela e, apesar de que não voltou a tentar separar a de outros, deixou uma mão
na parede ao lado de sua cabeça e a outra sobre sua cintura.
Ela era muito consciente de que o príncipe se situou em uma posição melhor
para detê-la se tentava lançar-se para frente outra vez.
Chateavam-lhe as ataduras invisíveis que lhe tinha posto e seu impulso
protetor, mas se lutava contra ele sozinho conseguiria irritá-lo mais. Braith
tinha que acreditar que nesse momento estava ao mando, inclusive embora não
o
estivesse. Max seguia entre as garras do Ashby e Jack, mas já não tratava
de lutar contra eles. Simplesmente os observava a ela e ao Braith como
se lhes tivesse crescido uma segunda cabeça a cada um, e estas tivessem
saltado à mesa e se puseram a dançar uma giga enquanto cantavam
a pleno pulmão. Ária entendia sua reação. Se tivesse sido qualquer outra
pessoa do acampamento, ela se haveria sentido igual. Mas não era
qualquer outra pessoa, era ela, e sabia que o que sentia pelo Braith era real, era
sincero e era tão bom e puro que os voltava mais fortes e melhores.
-Parece ser que temos muito do que falar.
Ária dirigiu a vista ao outro lado da habitação tentando manter
sua aparência de força e valentia, mas seu pai a olhava fixamente de uma
forma que a fazia sentir outra vez como uma menina. Queria ir até ele,
queria abraçá-lo, queria ser sua menina pequena durante solo um minuto mais,
mas sabia que nunca poderia voltar a sê-lo. Queria pedir desculpas, queria
lhe dizer a seu pai que nunca tinha pretendido que nada disso ocorresse,
mas não podia. A verdade era que o último que se teria esperado nunca
teria sido apaixonar-se por um vampiro, mas não podia trocar nada de todo
isso.
-Sim -afirmou.
CAPÍTULO 17

-A família de nossa mãe era quase tão capitalista como a de nosso pai.
Estiveram casados faz mais de mil anos, quando o mundo era um
lugar diferente, igual a era diferente faz cem anos, antes de que a guerra
começasse. Na época em que se casaram, a superstição governava, as bruxas eram
queimadas e nossa espécie foi relegada às
sombras. Isto sempre tinha vexado a nosso pai, mas sabia que tentar sair
durante esse tempo só provocaria morte. Assim esperou.
Aguardou seu momento e se casou com nossa mãe para ter mais poder, e
mais aliados, para quando a guerra estalasse.
»E sim, acredito que já estava fazendo planos para começá-la inclusive em
naquele tempo -disse Jack rapidamente, cortando a pergunta que ia fazer Braith
antes de que pudesse formulá-la-. Acredito que o planejou pode
que desde antes disso. ficou com nossa mãe, seguiu tendo filhos
com ela. Tinha que manter a aparência de que lhe importava um pouco mais do
que ao resto dos nobres lhes importavam seus cônjuges. Tinha que tratá-la bem se
pensava manter a sua família como aliada.
»Naquela época não havia rei, a não ser um conglomerado de nobres que
dirigiam o submundo, estabeleciam as normas e impunham rapidamente
castigos com uma imaginação nauseabunda. Os nobres se haviam
agrupado para lhe arrebatar o controle e assassinar ao rei anterior. Até essa
data, o submundo não tinha sido nada mais que uma série de guerras civis que
começaram a dizimar às famílias mais capitalistas conforme
caía cada rei. Quando derrocaram ao último, decidiu-se que eles
governariam como um grupo para manter a massacre interna um pouco
sob controle.
»Nosso pai tinha que encontrar um modo de lhes arrebatar o
controle se queria converter-se outra vez na figura única e mais poderosa.
-Bode! -vaiou Braith.
Ária contemplava ao Jack com os olhos completamente abertos
enquanto este falava. Apesar de que Braith parecia haver-se dado conta
de aonde foram chegar com tudo isso, ela ainda não estava muito segura.
A mão lhe agitou na do Braith enquanto ele a envolvia entre as suas. Podia
sentir um horrível tremor abrindo acontecer com través de seu corpo, mas não podia
detê-lo.
-Se ainda te lembrar, pai nunca era cruel com mãe, ao menos não
em público, e não tenho nem idéia do que acontecia porta fechada. Assim
quando ele se voltou em seu contrário, quando a acusou de infidelidade e
traição,
ninguém o pôs em dúvida, todo mundo acreditou nele.
Ária começou a tremer; podia senti-lo até na ponta dos dedos
dos pés. Sabia muito pouco sobre como tinha sido o mundo antes da
guerra. Tinha escutado histórias de um mundo onde os humanos
governavam, onde havia bibliotecas e escolas, e casas, e edifícios que tocavam
o céu. Tinha acreditado que a maior parte eram mitos; histórias transmitidas através das
gerações para entreter aos meninos e lhe dar
às pessoas algo pelo que lutar. Mas ao escutar ao Jack, tinha a sensação de que
havia muito mais que ela não conhecia, e que nunca veria.
Nenhum humano parecia saber qual tinha sido o lhe desencadeiem da
guerra que tinha deixado à população humana dizimada, morrendo de fome e
logo que aferrando-se à sobrevivência. Mas Ária começava a dar-se conta de que tinha
sido algo que ela nem sequer tinha começado a
entender.
-Durante centenas de anos aguardou seu momento, até que sentiu que
a situação se estava convertendo em algo que ele podia controlar, manipular e
usar em seu benefício.
-E então a exilou -declarou Braith.
-Sim.
-E logo fez que a matassem para poder acender a faísca que
iniciou a guerra.
-Sua família clamou vingança. Acusaram a quão humanos haviam
sido enganados para que carregassem com a culpa do assassinato. Pai
conseguiu tomar o controle da situação e manipulou a todo mundo a
seu desejo. Pode que a tivesse exilado, mas mãe ainda era sua esposa, e seguia
sendo sua filha a que tinham massacrado
sem piedade.
Ária ofegou com assombro quando se fixou na Melinda. A formosa
mulher estava de pé orgulhosamente com o queixo levantado de forma
desafiante. Não mostrava nenhum signo de que o fato de que seu pai tivesse esperado
que a matassem no ataque a afetasse. Entretanto, apesar de todo o tempo que tinha
passado, apesar do muito que ela desprezasse ao pai que tinha ajudado a concebê-la,
Ária sabia que ainda lhe doía. O leve brilho em seus olhos de prateado o revelava.
-Permitiram que pai tomasse o poder e o governo que ele
sempre tinha cobiçado -disse Braith.
-E uma vez que o teve não houve nada que o detivera -murmurou
Melinda.
Ária se estremeceu. A noite era cálida, mas ela estava
repentinamente geada. Tinha os ossos intumescidos, logo que era capaz de
seguir suportando-o. Notava a comoção que Braith irradiava ante a profunda
traição de seu pai.
-Quanto faz que sabe? -inquiriu ele.
Jack se removeu, parecia incômodo pela quantidade de hostilidade que
Braith irradiava.
-Há uns sessenta anos. Custou-me um tempo juntar todas as
peças da história e chegar a me acreditar isso Odeio a esse homem, nunca
houve nenhuma classe de afeto entre nós, mas mesmo assim me custou muito acreditar
que ele tivesse feito que matassem a mãe para seu próprio progresso.
Braith fechou os olhos um momento. Ária sofria por ele, sofria porque
queria consolá-lo, mas este não era o momento, e tampouco era o lugar.
Depois, quando estivessem sozinhos, tentaria lhe tirar algo de seu
sofrimento, mas não estava segura de que nem sequer ela fosse ser capaz
de acalmá-lo por essa traição e essa perda.
-Sua família está inclusive mais jodida que a nossa -murmurou
William.
Jack o olhou com uma sobrancelha arqueada, e um sorriso triste lhe curvou os
lábios.
-E isso que você não tiveste o prazer de conhecer o Caleb ou a
Natasha, ainda.
William assentiu devagar e logo desviou o olhar para Ária.
-No que te colocaste agora, hermanita?
Ária esboçou um sorriso débil. William tentava soar casual, mas
até seu tom normal e jovial ficava curto para aquela confusão espantosa.
A garota morria de vontades de ir até o William, de abraçá-lo, e também ao
resto de sua família. Entretanto, Braith ainda não estava preparado para deixá-
la ir.
-Braith -disse e lhe esfregou o braço tentando consolá-lo, tentando
que se relaxasse um pouco. Não parecia estar funcionando.
-Agora sabe tudo, Braith, sabe o que aconteceu o que pensamos
nós. A questão é: O que vais fazer? -perguntou-lhe Jack sem rodeios.
Os formosos olhos do Braith refulgiam na penumbra da
habitação. O azul era brilhante, intenso em contraste com o cinza implacável.
Havia algo em seu olhar, um pouco tão vulnerável e mesmo assim tão forte que sentia
suas vísceras derreter-se. Seus olhos lhe acariciaram o rosto, tocaram-na com amor, mas
a raia acerada de determinação que havia em
eles a deixou fria de medo.
-Braith -exalou.
-vou manter te a salvo.
Ela fez um leve assentimento de cabeça.
-Sei que o fará. Tenho fé absoluta nisso.
-Aconteça o que acontecer, Arianna, vou manter te a salvo.
Ela tragou saliva, o coração lhe pulsava muito depressa.
-Será uma guerra terrível a que liberaremos -sussurrou ela.
Uma guerra que ele não tinha experiente em cem anos, uma guerra
que ela sozinho tinha vivido através de suas horríveis conseqüências.
-Será-o. Mas terá que corrigir os resultados da última.
-Seguirão-lhe, Braith -animou-o Jack.
Ária lhe lançou um olhar sombrio, fulminante. Sabia o que Braith
tinha em mente, sabia que ela não poderia detê-lo, mas Jack não tinha por
o que fazê-lo sentir como se tivesse que fazê-lo, porque não era assim. Ela
permaneceria a seu lado sem importar o que decidisse. Inclusive se decidia fugir dali e
não voltar nunca. Essa pode que não fosse a eleição que ela
faria, mas o respaldaria porque o apoiava. Ela não seria a que iria em
contra de sua própria família; não o obrigaria a ele a ficar nessa situação.
-Farão-o, Jack? -inquiriu Braith secamente.
Jack tragou com dificuldade enquanto Braith lhe lançava um olhar
virulenta.
-Sim. Acredito que agora é tão forte como pai. -Jack centrou a
olhar nela. Braith ficou rígido e se colocou diante da garota-.
Possivelmente inclusive mais forte. Muitos verão em ti a um líder, sobre tudo
os vampiros da periferia, sobre tudo os que morrem de fome sob o
regime de pai.
-E a gente seguirá aos humanos -disse Braith fríamente. Ária se
estremeceu ante seu tom duro e cruel-. Não é isso certo, Jack?
-Farão-o.
-por que sinto como se me tivessem manipulado para
me conduzir a isto? -grasnou.
-Como se alguém pudesse haver-se esperado que te apaixonaria por
sua pulseira de sangue -replicou Melinda.
-Não sou uma pulseira de sangue! -espetou-lhe Ária.
-Talvez já não, mas foi. depois de tudo, assim é como começou
tudo.
Ária lhe lançou um olhar assassino.
-Ninguém o viu vir -assentiu Jack, tentando aplacá-los a todos
com seu afável tom de voz.
-Não acredito que vão seguir a um vampiro que se apaixonou por seu
pulseira de sangue. -Braith apertou tranquilizadoramente a mão de Ária
quando disse as palavras «pulseira de sangue»-. De fato, imagino que à maioria
deles lhes causará repulsão.
-Isso é algo que teremos que manter em segredo -coincidiu
Jack.
A ira e a dor brotaram no peito de Ária, mas levantou a
queixo de forma desafiante. Teria que ser forte, teria que aceitá-lo
se queria que tivessem êxito. E, se queria que tivessem alguma possibilidade de
ser felizes, teriam que ter êxito.
-por agora terá que parecer que formaste uma aliança com os
humanos, que vais trazer a paz e segurança à raça dos vampiros que
pai prometeu, mas foi incapaz de lhes dar. Os humanos lhe seguirão se os
garante segurança, que será o que lhes daremos. Depois quando tudo isto
acabe...
-Quando tudo isto acabe, nós dois iremos a algum lugar
seguro. Quando tudo isto acabe, deixarão-nos sozinhos -interrompeu-lhe
Braith com brutalidade.
Jack titubeou, Ária logo que era capaz de olhar a sua família, que a
observavam fixamente com uma mescla de confusão e derrota que lhe fez
sofrer por eles.
-Seguirão-lhe, Braith -sussurrou Melinda.
O homem ainda mantinha a Ária a suas costas e não estava disposta
a expô-la a nada que pudesse considerar uma ameaça.
-E depois seguirão ao Jack, e os humanos continuarão seguindo a
um deles.
Braith fez um gesto preguiçoso com a mão ao pai da garota e a seus irmãos.
-Sim, está bem. Podemos resolver todo isso mais tarde -assegurou-lhe
rapidamente Jack.
Ashby pareceu a ponto de protestar, mas Melinda apoiou uma mão em
seu braço e negou sutilmente com a cabeça. Ária entendeu esse gesto,
compreendeu o que significava. Possivelmente Braith acreditava que seriam livres se de
alguma forma conseguiam ter êxito, mas todos entendiam o que Braith estava
tratando desesperadamente de negar. Eles dois nunca seriam livres.
-Mas, comecemos pelo princípio -seguiu Jack.
-Pai tem que deixar o poder e Caleb tem que ser neutralizado
-declarou Braith.
Ária lhe apertou a mão, ele a olhou, as duras linhas de sua cara se suavizaram
quando lhe sorriu. Lhe devolveu o sorriso e passou por diante
dele para dirigir-se para sua família. sentia-se tímida, assustada pela reação que
receberia deles. William foi o primeiro que se adiantou para abraçá-la. Ela suspirou com
satisfação e estreitou a seu irmão gêmeo ao tempo que Daniel e seu pai se
aproximavam.
O alívio e o amor a encheram. Por diante tinham um caminho comprido e
selvagem, mas poderiam enfrentá-lo juntos. Com o amor de sua família, com o
amor do Braith, poderia enfrentar-se a tudo.
Desviou o olhar para o príncipe. Não podia resistir a ele. Soltou a seu
família e voltou a reunir-se com ele. Rodeou-lhe a cintura com os braços e
enterrou a cabeça em seu peito. A guerra que se morava era inevitável.
Ela renunciaria a tudo para ajudar a lutá-la, incluído o Braith. Era plenamente
consciente de que quando todo isso acabasse, ficaria muito
pouco para eles. Ele era quem tinha que governar, todos sabiam já, embora ele
mesmo não fora consciente. E como humana, não haveria lugar para ela a seu lado.
Mas agora não podia pensar nisso, primeiro havia uma guerra que
liberar.
Próximo à venda: Refugiada, o terceiro livro da saga.
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BIOGRAFIA DA AUTORA

Meu nome em realidade não é Erica Stevens, a não ser um pseudônimo que
escolhi
em memória de dois amigos estupendos que se foram muito logo.
Vivo em Massachusetts com meu marido, que é maravilhoso, e Loki, nosso
cachorrinho louco. Tenho uma família muito grande e amalucada com a que
encaixo muito bem. Dou obrigado todos os dias pelo amor e as risadas que trouxeram
para minha vida. Sempre me gostou de escrever e sou uma ávida leitora.
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Renegada
CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 17
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