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Comunicacao Animal

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Comunicação

Animal vs. Humana

Profa. Dra. Clariana Vieira


UFPR / USP
Comunicação Animal
Golfinhos

King, Harley, & Janik (2014): Cada golfinho-nariz-de-


garrafa desenvolve, desde filhote, um assobio único, com
um padrão específico de modulação de frequência —
como se fosse seu nome sonoro.

Outros golfinhos são capazes de reconhecê-lo e usá-lo para


chamar aquele indivíduo específico.

Memória auditiva de longo prazo


Reconhecimento individual sofisticado
Capacidade de aprendizagem vocal
Golfinhos

Kuczaj (2013): “embora tenha sido amplamente


especulado que a comunicação entre golfinhos e humanos
seja possível, não existe nenhuma evidência científica que
indique a possibilidade de conversas significativas entre
golfinhos (ou entre golfinhos e humanos) que envolvam
troca mútua de informações (…) ainda não se sabe o que
os chamados dos golfinhos significam tanto para quem os
emite quanto para quem os recebe, nem se os golfinhos
são capazes de perceber o estado emocional de outro
golfinho ou de um ser humano” (apud Birchenall, 2016)
Pássaros

Brainard & Doupe (2002): autores mostram que o


cérebro dos filhotes de aves canoras não é uma tábula
rasa. Mesmo sem exposição a cantos, eles produzem
vocalizações com traços da espécie e reagem mais
intensamente a cantos de indivíduos da mesma espécie.
(apud Birchenall, 2016)

Fenômeno semelhante ocorre com recém-nascidos


humanos, que conseguem distinguir a voz da mãe e
a língua materna de outras vozes e idiomas (Gervain
& Mehler, 2010).

NATUREZA vs. EXPERIÊNCIA


Pássaros

Birchenall (2016): Além disso, aves expostas mais


tarde a cantos adultos de sua espécie conseguem
reproduzi-los normalmente, o que indica que a
aprendizagem vocal depende da interação entre
predisposição inata e experiência auditiva.

Essa aprendizagem ocorre dentro de um período


crítico (geralmente entre 10 dias e 4 meses), no qual o
filhote precisa ouvir um adulto para formar um
modelo do canto, que será praticado mais tarde,
mesmo sem o tutor presente.
Abelhas

Karl von Frisch: “A dança em círculo


anuncia que o local do alimento deve ser
procurado a pequena distância, num raio de
cem metros aproximadamente ao redor da
colmeia. (…) A outra dança, que a operária
colhedora executa vibrando e descrevendo
oitos (wagging-dance), indica que o ponto está.
situado a uma distância superior, além de
cem metros e seis quilômetros. Essa
mensagem comporta duas indicações
distintas - uma sobre a distância, outra sobre
a direção.” (Benveniste, 1976: 62-63)
Abelhas

Karl von Frisch: “A distância está implícita


pelo número de figuras desenhadas num
tempo determinado; varia sempre na razão
inversa da sua frequência. Por exemplo, a
abelha descreve nove a dez "oitos"
completos em quinze segundos quando a
distância é de cem metros (…) Quanto
maior é a distância, mais lenta é a dança.
Quanto à direção em que se deve procurar o
achado, é o eixo do "oito" que assinala, em
direção ao sol; (…) esse eixo indica o ângulo
que o local da descoberta forma com o sol.”
(Benveniste, 1976: 62-63)
Primatas Não
Humanos (NHPs)
Chimpanzé

• Os primeiros experimentos tentaram


ensinar a fala humana a chimpanzés, mais
notavelmente o caso de Viki nos anos
1930 e 1940.

• Projeto Washoe: psicólogos Allen e


Beatrix Gardner na década de 1960
ensinaram a chimpanzé Washoe a usar
ASL - cerca de 100 sinais e foi relatado
que ela os utilizava de maneira criativa e
até mesmo os ensinava a outros
chimpanzés.
Chimpanzé

• Projeto Nim: Herbert Terrace na


década de 1970 ensinou um
chimpanzé chamado Nim Chimpsky a
usar sinais de ASL .

• Aprendeu cerca de 125 sinais.

• O nível máximo de desenvolvimento linguístico alcançado por Nim consistia em


repetir enunciados feitos por outros e comunicando-se quase sempre a fim de
obter uma recompensa, em vez de transmitir informações (Savage-Rumbaugh,
Rumbaugh & Fields, 2009, p. 27).
Gorila

• Koko: gorila fêmea que ganhou fama


internacional por seu suposto entendimento da
American Sign Language (ASL).

• Dra. Francine Patterson reportou que Koko havia


aprendido mais de 1.000 sinais, e entendia
aproximadamente 2.000 palavras de inglês falado.

• Apesar do fascínio do público com Koko, as ações


de Koko podem ser explicadas pelo
condicionamento operante (ela fazia sinais porque
sabia que receberia uma recompensa)
Bonobo

• Kanzi: Savage-Rumbaugh et al. (1986)

• Kanzi usava um teclado com símbolos visuais


(lexigramas) para se comunicar. Cada símbolo
representava uma palavra (como "banana",
"brincar", "comer", "ir"). Ele aprendeu mais de
300 lexigramas e os usava espontaneamente.

• Kanzi compreendia comandos falados em


inglês que nunca tinha ouvido antes, como: "Leve a
batata até a geladeira.”
Macaco

• Em seu hábitat natural, NHPs exibem uma forma complexa de


comunicação com cantos que servem a funções como
posicionamento de grupos, defesa territorial e de comida,
atração de parceiros e fortalecimento do vínculo entre pares.

• Macacos vervet continuam a produzir chamados de alarme


mesmo quando todo o grupo já viu o predador e correu para a
segurança (Fitch, 2005).

• Birchenall (2016): Os NHPs não têm a intenção de transmitir


informações a outros quando se comunicam, e não organizam suas
mensagens de acordo com o estado de conhecimento do receptor.
O que a Linguagem Humana tem que a

Comunicação Animal não tem?


Deslocamento

• A capacidade de se referir a entidades distantes no


tempo ou no espaço. É uma das características
centrais da linguagem humana (Hockett, 1969).

• Essa habilidade surge em bebês entre 11 e 12 meses, na


forma do gesto de apontar (Elgier & Bentosela,
2009).

• O gesto de apontar pode ser imperativo ou


declarativo.
Deslocamento

• O ato de sinalizar não é exclusivo dos humanos: presente na maioria dos


primatas.

• Principalmente em cativeiro, os símios realizam espontaneamente apontamentos


imperativos, geralmente para indicar o desejo de comer ou alcançar um
objeto.

• A estruturação do gesto tende a ser diferente da humana, pois eles estendem a


mão inteira em vez de apenas o dedo indicador (Carpenter & Tomasello, 2009).

• Lyn et al. (2014) encontraram evidências de que chimpanzés e bonobos são


capazes de se referir a entidades ausentes e deslocadas.
Intencionalidade

• Diversos estudos indicam que os chimpanzés possuem, ao menos em certa


medida, a capacidade de reconhecer os estados intencionais de outros
indivíduos, e que essa habilidade melhora em contextos competitivos
(Tomasello, Call & Hare, 2003).

• Fitch (2010) propõe a existência de dois níveis de intencionalidade:


• Intencionalidade de primeira ordem: envolve uma ligação entre uma representação
mental e algo do mundo real.
• Intencionalidade de segunda ordem: vai além, pois tem o objetivo de informar ou
influenciar o pensamento de outra pessoa.

• Os NHPs teriam apenas a intencionalidade de primeira ordem.


Linguagem Humana

• 4 propriedades:
• Arbitrariedade
• Dupla Articulação
• Descontinuidade
• Produtividade
Arbitrariedade

• Não existe uma relação necessária ou natural entre a forma sonora de uma
palavra e seu significado.

/ˈkazɐ/ /kaˈʃoʁu/
Arbitrariedade

• Dança das abelhas: não há nada intrinsecamente associado a dançar em ‘oito’


ou a dançar em ‘círculo’ que faça pensar em distância menor ou maior entre a
fonte de alimento e a colmeia.

• A informação da distância se dá pela velocidade com que a abelha executa o


padrão: quanto mais lenta a dança, mais distante a fonte de alimento. Essa
lentidão ou rapidez da dança, no entanto, é não arbitrária e é uma
decorrência direta das leias da física.

• O fato de existirem partes significativas do sistema de comunicação das abelhas


que são arbitrárias já nos faz considerar a arbitrariedade uma propriedade talvez
necessária, mas não suficiente para definir o caráter especial das línguas
humanas.
Dupla Articulação da Linguagem

• A linguagem é estruturada em dois níveis:


• Primeira Articulação: unidades com significado (como morfemas e
palavras).
• Segunda Articulação: unidades mínimas sem significado próprio (como
fonemas);

Essa propriedade permite a recombinação eficiente de um número limitado de


sons para criar um número quase ilimitado de palavras.

/k/, /a/, /s/, /ɐ/ — sozinhos não têm significado, mas combinados criam
sentido
Dupla Articulação da Linguagem

• Abelhas:
• A direção da fonte de alimento (em relação ao sol)
• A distância (pela duração da dança)

• Os diferentes tipos de movimento são significativos mas, até onde sabemos, não
parecem ter estrutura interna, ou seja, não podem ser decompostos em partes
menores para gerar outras mensagens.
Descontinuidade

• Os elementos da linguagem, como sons e palavras, são entidades discretas,


separadas por pausas ou divisões claras, e não um contínuo. Isso facilita a
identificação e interpretação de diferentes unidades linguísticas durante a
comunicação.

pata → [-sonora]
bata → [+sonora]

Não há meio termo – ou é /p/ ou é /b/. Nossa percepção é categorial.


Descontinuidade

• Abelhas: “quanto maior é a distância, mais lenta é a dança” (Benveniste, 1976).

• Pintarroxo: quando ele está demarcando seu território, um canto mais forte e
com mais contrastes marca maior decisão do pássaro em defender aquele espaço
e ali construir seu ninho (Grolla, Figueiredo Silva, 2015).

• Os humanos também usam variação de intensidade (gritos), mas é um traço


circunstancial das línguas humanas, não definidor de seu funcionamento, como
é o caso dos sistemas animais.

• A gente pode gritar, sussurrar ou falar normalmente e ainda assim a estrutura


linguística continuar a mesma.
Produtividade

• A linguagem permite aos usuários criar e entender uma vasta gama de novas
expressões e sentenças que nunca foram ouvidas antes, graças à capacidade
de recombinação das unidades linguísticas existentes de acordo com regras
gramaticais.

“A ideia de que o tempo é uma ilusão pode ser reconfortante para alguns
filósofos budistas contemporâneos.”

• Abelhas produzem mensagens novas o tempo todo, mas essas mensagens


estarão sempre restritas a dizer fundamentalmente a mesma coisa: dada a
posição do sol e a posição da colmeia, onde está a fonte da comida?
Recursividade

• Capacidade de uma estrutura linguística conter outra estrutura do mesmo tipo


dentro dela.

• O pai do João
• O pai d[o pai do João]
• O pai d[o pai d[o pai do João]

• O Paulo saiu
• A Maria acha que [o Paulo saiu]
• A Ana disse que [a Maria acha que [o Paulo saiu]]
• A Olivia ouviu que [a Ana disse que [a Maria acha que [o Paulo saiu]]]
Recursividade

• Considerada uma das principais características da linguagem humana

• Diversos autores pensam que ela é universal na espécie humana, ou seja, todas
as línguas naturais são recursivas.

• Específica da nossa espécie.

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