Tipologia Textual
Antes de estudarmos os tipos textuais, é importante compreendermos que:
Um gênero textual não é um tipo de texto.
Tipologia textual refere-se às sequências textuais que possuem características
próprias e que juntas, duas ou mais, organizam um determinado texto.
Geralmente, em um gênero textual, as características de um determinado tipo
textual se sobressaem às de outros tipos textuais.
Os gêneros textuais possuem funcionalidades distintas dentro de um contexto
específico, em que estão inseridos os participantes, que interagem por meio desses
gêneros textuais.
Todo gênero textual possui um propósito comunicativo e os tipos textuais
contribuem para que os interactantes alcancem esse propósito com êxito.
Os tipos de textos são classificados de acordo com suas características, que podem
estar misturadas em um único texto, mas um deles sempre se destaca mais que os
outros.
Agora sim, vamos relembrar os tipos textuais, que são:
1. Texto Injuntivo;
2. Texto Narrativo;
3. Texto Descritivo;
4. Texto Expositivo; e,
5. Texto Dissertativo.
Figura 1 - Representação dos tipos textuais compondo um único texto.
1. Texto Injuntivo:
É caracterizado por ser uma explicação de um método com a intenção de concretizar
uma ação.
Sua função é oferecer um guia para o leitor, apresentando uma linguagem instrutiva
e clara.
O uso de verbos no imperativo serve para ordenar uma ação.
Em sua estrutura, não há marcas de pessoalidade.
As frases e tópicos são mais curtos.
Exemplos: receitas culinárias, guias/manuais e bulas de remédios.
2. Texto Narrativo:
Sua função é contar uma história ou um enredo.
É possível identificar espaço, tempo e personagens.
Sua estrutura possui partes bem definidas, como introdução, desenvolvimento,
clímax e desfecho.
O enredo é linear ou não.
O narrador pode ser um observador (onipresente/onisciente) ou fazer parte da
história.
Exemplos: crônicas literárias, contos, fábulas, novelas, romances.
No contexto acadêmico: relatórios.
3. Texto Descritivo:
Descreve subjetivamente ou objetivamente alguém ou algo.
Induz o leitor a criar uma imagem dos objetos, animais, pessoas, coisas descritas.
Costuma apresentar o uso frequente de comparações ou metáforas.
O uso de adjetivos é frequente.
Exemplos: classificados, cardápios de restaurantes, folhetos.
Na esfera acadêmica, a descrição pode fazer parte de resenhas e de relatórios.
4. Texto Expositivo:
Introduz um tema a partir de comparações, descrições, definições e conceitos.
Apresenta informações sobre determinado assunto de maneiras diferentes.
Sua função é expor pontos de vista, ideias e conhecimentos sobre algo, sem o
objetivo de convencer o leitor.
Exemplos: verbetes, palestras, enciclopédias e seminários.
5. Texto Dissertativo:
Tem por função esclarecer e informar o leitor por meio da exposição clara e rigorosa
de um determinado tema.
Pode ser argumentativo ou expositivo.
O dissertativo-expositivo apenas expõe um ponto de vista, sem a necessidade de
convencer o leitor.
O dissertativo-argumentativo persuade e convence a pessoa a concordar com a ideia
defendida.
Exemplos de texto dissertativo-expositivo: verbetes de dicionário, enciclopédias.
Exemplos de texto dissertativo-argumentativo: crônicas jornalísticas, cartas do leitor,
editoriais.
Como já relembramos os tipos textuais e suas principais características, vamos,
agora, compreender um pouco mais sobre Gêneros Textuais, especialmente sobre os
Gêneros Textuais do Domínio Acadêmico.
Gêneros Textuais do
Domínio Acadêmico
As instituições de educação superior (IES) são voltadas à formação profissional de
nível superior e à produção e divulgação do conhecimento.
Essas instituições possuem um importante papel na sociedade.
As IES possuem compromisso com o desenvolvimento e a socialização do saber e
exige que sua comunidade (alunos, professores e pesquisadores) apresente
produtividade intelectual, a qual, segundo Motta-Roth e Hendges (2010, p. 13), “é
medida pela produtividade na publicação”, muito impulsionada pela cultura do
“Publique ou pereça!” (Publish or perish!), como meio de assegurar espaço intelectual
e profissional.
No contexto das IES, são produzidos gêneros textuais exclusivos, que visam a
comunicação de saberes entre os membros da mesma comunidade.
Na academia, são utilizados, produzidos e consumidos muitos Gêneros Textuais.
Alguns desses gêneros são mais representativos da esfera acadêmica e mais
recorrentes que outros, como o resumo, a resenha, o relatório e o artigo científico.
O resumo, ou abstract, tem como objetivo sintetizar as informações de um texto
integral, chamando a atenção do leitor para a abordagem do tema, o modo como o
texto foi elaborado e as ideias a ele subjacentes.
Com a finalidade de resumir e avaliar um livro, a resenha acadêmica apresenta
referências sobre um livro recentemente publicado, seu autor, seu conteúdo e sua
organização, avaliando a relevância da obra para sua área de conhecimento e a
qualidade e inovação de sua contribuição.
O artigo científico visa discutir, apresentar e divulgar os resultados, parciais ou
finais, obtidos em uma pesquisa científica, que pode ter sido elaborada a partir de
um problema ou de uma revisão da literatura sobreum determinado tema de uma
área específica.
O relatório é uma modalidade de monografia muito conhecida no meio
universitário justamente por ser muito solicitada pelo corpo docente. Tem o objetivo
de relatar alguma atividade, seja um estágio obrigatório, uma visita a uma escola,
uma prática desenvolvida em um determinado período, entre outros.
Além desses, os agentes em um meio acadêmico produzem outros Gêneros
Textuais, como Monografias – nas especializações lato sensu, Dissertações (no
Mestrado) e Teses (no Doutorado). Mas esses últimos não serão foco de nossos
estudos, nesta disciplina.
Você, enquanto estudante de graduação, do IFFar, será exposto constantemente a
esses gêneros, sendo chamado a lê-los e a produzi-los.
Para que você possa se inserir efetivamente no espaço acadêmico, é imprescindível
que se aproprie desses gêneros textuais, acostumando-se com suas particularidades
composicionais e estilísticas e suas funções sociais.
Ler e escrever no âmbito acadêmico-científico são tarefas intelectuais bastante
complexas, que requerem uma série de exigências que, talvez, alguns estudantes
antes de ingressarem no ensino superior de graduação, desconheciam.
Características do Discurso Acadêmico:
a) Sua função primordial é gerar um novo conhecimento a partir de conhecimentos
formulados anteriormente.
b) Tem como público-alvo integrantes da comunidade acadêmica (alunos, professores e
pesquisadores), que se inserem na mesma área do conhecimento.
c) Supõe a representação de um leitor que conhece o tema.
d) Os conceitos centrais abordados devem ser claramente definidos, assim como a
fundamentação teórica desde a qual se abordará o problema tratado.
e) É caracterizado pelo rigor científico: linguagem clara, objetiva e impessoal;
apagamento das marcas do sujeito que escreve (valorativas, apreciativas ou afetivas),
primando pela terceira pessoa do singular (ele/impessoalidade) e a primeira do plural
(nós), mas sem impeditivos para ser utilizada a primeira pessoa do singular (eu);
remissão às fontes consultadas mediante o discurso reportado (citações diretas e
paráfrases), primando pela linguagem técnica e pela elegância linguística, sem usar
gírias, palavras de baixo calão, jargões, coloquialismos e abreviações para agilizar a
comunicação comumente utilizadas nas redes socias.
Na próxima unidade, iremos estudar algumas especificidades dos Gêneros Textuais
Acadêmicos: Resumo, Resenha, Artigo e Relatório.
Referências:
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KOCH, I. G. V. O texto e a construção de sentidos. São Paulo: Contexto, 2007.
MARCUSCHI, L. A. Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão. São Carlos:
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MOTTA-ROTH, Désirée; HENDGES, Graciela H. Produção textual na universidade. São
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