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Dodo DIPr

mnv

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Índice

Resumo....................................................................................................................................................2
Introdução................................................................................................................................................3
Objetivo Geral..........................................................................................................................................4
Objetivos Específicos..........................................................................................................................4
Justificativa..............................................................................................................................................4
Estrutura do trabalho................................................................................................................................4
Lei Reguladora Das Coisas E Das Obrigações Contratuais....................................................................5
A) Aspectos Gerais..............................................................................................................................5
B) Designação Pelas Partes Do Direito Aplicável...............................................................................9
A Designação Do Direito Competente Pode Ser Anterior Ou Posterior A Celebração Do Contrato. . .12
Conexão Supletiva Geral...................................................................................................................12
As Obrigações Voluntárias‐ Outras Fontes De Regulação Na Ordem Interna......................................15
a) Normas De Conflitos Do Código Civil.........................................................................................15
b) Títulos De Crédito E Valores Mobiliários.....................................................................................16
c) Cláusulas Contratuais Gerais Nos Contratos Com Consumidores................................................17
Regimes Especiais Aplicáveis A Certos Negócios Obrigacionais........................................................18
Contratos De Mediação E Representação E Contrato De Agencia...................................................18
Contrato De Mediação Imobiliária....................................................................................................18
Contrato De Timesharing...................................................................................................................19
Contrato A Distância.........................................................................................................................19
Contrato De Venda De Bens De Consumo........................................................................................19
Contrato De Crédito A Consumidor E Comercio Eletrónico............................................................19
Costume e Usos do Comercio Internacional......................................................................................20
As Obrigações Involuntárias: Responsabilidade Extracontratual, Enriquecimento Sem Causa E Gestão
De Negócios...........................................................................................................................................21
Responsabilidade Extracontratual- Regulamento Roma II................................................................21
Responsabilidade Extracontratual Art 45 CC....................................................................................23
Enriquecimento Sem Causa E Gestão De Negócios..........................................................................24
Gestão De Negócio............................................................................................................................24
Avaria Comum, Abalroação E Salvação...........................................................................................24
Conclusão...............................................................................................................................................25
Bibliografia............................................................................................................................................26

1
Resumo
Neste presente trabalho procuramos abordar de forma superficial e percetível em relação a lei
reguladora das coisas e das obrigações contratuais. A prior importa ressalvar que quando fala-
se de Lei reguladora das coisas e das obrigações contratuais no âmbito do Direito
Internacional Privado, tem-se como fim último desencadear qual lei deve ser aplicada no
âmbito de uma obrigação contratual que extravasa os limites territoriais dos Estados. O
Direito de conflitos em matéria de contratos obrigacionais nos Estados-Membros da União
Europeia foi unificado, primeiro pela convenção de Roma sobre a Lei Aplicável às
Obrigações Contratuais (1980) e em seguida pelo reg. n°. 593/2008 sobre a Lei Aplicável às
Obrigações Contratuais, existe ainda o Regulamento Roma II, a Convenção Bruxelas I, o
Regulamento Bruxelas I e a Convenção da Cidade do México, que são instrumentos legais
que reforçam a matéria sobre a problemática de aplicação da lei reguladora das coisas e das
obrigações contratuais. Ao longo do trabalho, perceberemos que no que tange às obrigações
contratuais, temos, as obrigações voluntárias que são aquelas decorrentes de um prévio
contrato, com inteira intenção e vontade das partes contratantes, no entanto, temos
também, às obrigações involuntárias que diferentemente das voluntárias, as involuntárias
são obrigações resultantes dos danos extracontratuais, ou seja, algo que não foi
acordado pelas partes, mas que produzem danos a uma das partes. Responsabilidade
extracontratual, enriquecimento sem causa e gestão de negócios. Podemos determinar que: as
obrigações provenientes de negócio jurídico, assim como a própria substância dele, são
regulados pela lei que os respetivos sujeitos tiverem designado ou houverem tido em vista.
Na falta de determinação da lei competente, atende-se, nos negócios jurídicos unilaterais, à
lei da residência habitual do declarante e, nos contratos, à lei da residência habitual
comum das partes. Na falta de residência comum, é aplicável, nos contratos gratuitos, a lei
da residência habitual daquele que atribui o benefício e, nos restantes contratos, a lei do
lugar da celebração. Quando a gestão de negócios: é aplicável a lei do lugar em que decorre
a principal actividade do gestor. Quanto ao enriquecimento sem causa: é regulado pela lei
com base na qual se verificou a transferência do valor patrimonial a favor do enriquecido.

Palavra-chave: Lei reguladora das coisas e das obrigações contratuais

2
Introdução
Neste presente trabalho procuramos abordar de forma superficial e percetível em relação a lei
reguladora das coisas e das obrigações contratuais. A prior importa ressalvar que quando fala-se de
Lei reguladora das coisas e das obrigações contratuais no âmbito do Direito Internacional Privado,
tem-se como fim último desencadear qual lei deve ser aplicada no âmbito de uma obrigação contratual
que extravasa os limites territoriais dos Estados.

O Direito de conflitos em matéria de contratos obrigacionais nos Estados-Membros da União


Europeia foi unificado, primeiro pela convenção de Roma sobre a Lei Aplicável às Obrigações
Contratuais (1980) e em seguida pelo reg. n°. 593/2008 sobre a Lei Aplicável às Obrigações
Contratuais.

No longo do trabalho, perceberemos que no que tange às obrigações contratuais, temos, as obrigações
voluntárias que são aquelas decorrentes de um prévio contrato, com inteira intenção e vontade das
partes contratantes, no entanto, temos também, às obrigações involuntárias que diferentemente das
voluntárias, as involuntárias são obrigações resultantes dos danos extracontratuais, ou seja, algo que
não foi acordado pelas partes, mas que produzem danos a uma das partes. Responsabilidade
extracontratual, enriquecimento sem causa e gestão de negócios.

3
Objetivo Geral
 Estudar a lei reguladora das coisas e das obrigações contratuais.

Objetivos Específicos
 Estudar as obrigações voluntárias;
 Estudar as obrigações voluntárias - outras fontes de regulação na ordem interna;
 - Estudar as obrigações voluntárias - regulação directa e imediata pelo Direito Internacional
Público;
 Estudar as obrigações involuntárias: responsabilidade extracontratual, enriquecimento sem
causa, gestão de negócios.

Justificativa
O presente trabalho é de extrema importância pois faz uma abordagem clara e precisa do estudo
relativamente a lei reguladora das coisas e das obrigações contratuais, pois é importante saber que lei
regulará um determinado contrato obrigacional privado relativamente as coisas com um elemento
estranho (internacionais).

Estrutura do trabalho
A primeira parte: aborda sobre a introdução que contem os objetivos da pesquisa;
A segunda parte: aborda sobre o desenvolvimento do respetivo tema;
A terceira parte: aborda sobre à conclusão e a bibliografia, onde faz um sumário do assunto
abordado.

4
Lei Reguladora Das Coisas E Das Obrigações Contratuais
As obrigações voluntárias - Convenção de Roma sobre a Lei Aplicável às Obrigações Contratuais e
Regulamento Roma I

A) Aspectos Gerais
O Direito de conflitos em matéria de contratos obrigacionais nos Estados-Membros da União
Europeia foi unificado, primeiro pela convenção de Roma sobre a Lei Aplicável às Obrigações
Contratuais (1980) e em seguida pelo reg. n°. 593/2008 sobre a Lei Aplicável às Obrigações
Contratuais.

Portugal e Espanha aderiram à convenção de Roma por meio da convenção do Funchal de 1992. A
convenção entrou em vigor para Portugal em 1 de Setembro de 1994.

A convenção aplica-se, em Portugal, aos contratos celebrados após a sua entrada em vigor no país
(art. 17.°) que não caiam dentro do âmbito de aplicação do Regulamento Roma I.

O Regulamento Roma I visa substituir a convenção de Roma entre os Estados-Membros por ele
vinculados, com excepção dos territórios dos Estados-Membros que são abrangidos pelo âmbito de
aplicação territorial da convenção e que ficam excluídos do Regulamento por força do art. 299.° do
Tratado da Comunidade Europeia (art. 24/1 do Regulamentos).

O Regulamento Roma I vincula todos os Estados-Membros com excepção da Dinamarca.

Quando o Regulamento se refere a "Estados-Membro" entende-se apenas os Estados-Membros por ele


vinculados, com excepção do disposto nos arts. 3,°/4 e 7.° (art. 1.°/4).

Uma vez que o Regulamento constituirá a breve trecho a principal fonte de Direito de conflitos
vigente na ordem jurídica portuguesa em materia de obrigações voluntárias, o nosso estudo incidirá
principalmente sobre o regime nele contigo. No entanto, serão assinaladas as principais diferenças
relativamente à Convenção de Roma e será feita referência a outras fontes de regulação na ordem
interna.

O art. 1°. do Regulamento estabelece, em primeiro lugar( n.° 1), que "O presente regulamento é
aplicável às obrigações contratuais em matéria civil e comercial que impliquem um conflito de leis".
"Não se aplica, em especial, às matérias fiscais, aduaneiras e administrativas.

Por um lado, este preceito está alinhado com o âmbito de aplicação do Reg. (CE) n.° 44/2001, de
22/12/2000, Relativo à competência judiciária, ao Reconhecimento e à Execução de Decisões em
matéria Cívil e Comercial (Doravante designado Regulamento Bruxelas I) (art. 1°/ deste
Regulamento) e deve ser interpretado do mesmo modo. A jurisprudência do Tribunal de Justiça das
Comunidades (TCE) com respeito ao art. 1.°/1 do Regulamento Bruxelas l, bem como a
jurisprudência do mesmo tribunal com respeito ao art. 1°/1 da convenção de Bruxelas sobre a

5
competência Judiciária e a Execução de Decisões em Matéria Cívil e Comercial (1968) (doravante
designada Convenção de Bruxelas I), são, portanto, relevantes para a aplicação do art. 1.°/1 do
Regulamento Roma I.

Antes do mais, a qualificação de uma relação como obrigação contratual deve ser "autónoma", e deve
ser baseada numa interpretação autónoma do conceito.

No contexto da Convenção Bruxelas I, o TCE decidiu que a expressão "matéria contratual", empregue
no art. 5.°/1 da convenção, deve ser entendida no sentido de não abranger situações em que não existe
nenhum compromisso livremente assumido por uma parte relativamente à outra, tais como a acção
intentada pelo subadquirente de uma coisa contra o fabricante, que não é o vendedor, em razão dos
defeitos da coisa ou da sua inadequação à utilização a que se destina e a acção de indemnização por
avarias de carga intentada pelo destinatário da mercadoria ou o segurador sub-rogado nos seus direitos
contra o transportador marítimo efetivo e não contra o emitente do conhecimento de carga.

Mas será sempre suficiente, para incluir a situação no conceito de matéria contratual, que haja uma
obrigação assumida por um compromisso de uma parte perante a outra, designadamente um negócio
unilateral? A recente decisão do TCE no caso engler aponta nesta direcção quando afirma que está
incluída uma acção em que um consumidor pretende obter o pagamento de prémio que lhe foi
prometido na condição de celebrar um contrato de venda. O ponto é controverso relativamente ao
âmbito material de aplicação da Convenção Roma l, mas, de acordo com a melhor opinião, o conceito
de "obrigação contratual" deve ser entendido em sentido amplo, por forma a incluir as obrigações
resultantes de negócios unilaterais.

À semelhança do que se verifica com a Convenção de Roma, a designação do Regulamento reporta-o


às "obrigações contratuais". Concretamente ao que sugere a designação, porém, resulta das normas
convencionais e comunitárias que o acento é colocado no negócio e não na obrigação. Observa-se
ainda que o Regulamento se aplica aos negócios geradores de obrigações, ainda que o negócio tenha
por objecto um direito real sobre um bem imóvel.

Por outro lado, o art.1°/1 do Regulamento Roma I está coordenado com o art. 1°/1 do Regulamento
Roma II que se refere às Obrigações extracontratuais em matéria civil e comercial. A intenção do
legislador comunitário é aparentemente que o Regulamento Roma I e o Regulamento Roma II sejam
complementares e abranjam, em princípio, todas as obrigações que não são expressamente excluídas.
O Regulamento Roma I deve abranger a generalidade das obrigações voluntárias e o Regulamento
Roma II a generalidade das obrigações involuntárias.

Contrariamente à Convenção Bruxelas I e o Regulamento Bruxelas I, a convenção de Roma não


limitou o seu âmbito de aplicação à "matéria civil e comercial" nem excluiu a sua aplicação a
"matérias administrativas". Tão-pouco resulta a exclusão de contratos com elementos públicos.

6
A razão de ser desta divergência não está inteiramente esclarecida mas é razoável que o legislador
Internacional, ao mesmo tempo que não quis interferir com as regras internas de competência
judiciária com respeito a contratos que envolvem o exercício de poderes de autoridade (e em que
podem estar em causa problemas de imunidade de jurisdição), quis estabelecer um regime de
determinação do Direito aplicável com respeito a todos os contratos obrigacionais que " impliquem
um conflito de leis". Quando os tribunais de um Estado se ocupem de contratos que são submetidos
pela ordem jurídica do foro a um regime especial de Direito Público não se suscita um "conflito de
leis" e, por isso, é aplicável diretamente o Direito Público interno. Quando os tribunais de um Estado
se ocupem de contratos em que estão implicam sujeitos públicos estrangeiros suscita-se sempre
"conflitos de leis" e, por isso, tem de recorrer-se, em princípio, a Convenção de Roma para determinar
o Direito aplicável.

No entanto, a situação é alterada pelo Regulamento Roma I que, como já se assinalou, alinha o seu
âmbito material de aplicação com o do Regulamento de Bruxelas I e, assim, circunscreve-se à
"matéria civil e comercial" e exclui as "matérias administrativas". Esta alteração não é feliz, porque
limita o alcance da unificação e, na falta de soluções especiais, suscita uma indesejável incerteza e
imprevisibilidade sobre a determinação do Direito aplicável aos contratos de Estado que envolvam o
exercício de poderes de autoridade.

O Regulamento Roma I não se aplica a todas as obrigações em matéria civil e comercial. O art. 1.°/2
Exclui as seguintes matérias:

 Obrigações do estatuto pessoal, sem prejuízo do disposto no art. 13.° Sobre a invocação da
incapacidade (a), b) e c).
 Obrigações que decorrem de letras, cheques e livranças, bem como de outros títulos
negociáveis, na medida em que as obrigações decorrentes desses outros títulos resultem do sei
caráter negociável (d);
 As convenções de arbitragem e de eleição do foro (e);
 As questões reguladas pelo Direito das sociedades e pelo Direito aplicável a outras entidades
dotadas ou não de personalidade jurídica (f);
 A questão de saber se um agente pode vincular, em relação a terceiros, a pessoa por conta da
qual pretende agir ou se um órgão de uma sociedade ou de outra entidade dotada ou não de
personalidade jurídica pode vincular essa sociedade ou entidade perante terceiros (g);
 A constituição de trusts e as relações que criam entre os constituintes, os trustees e os
beneficiários (h);
 As obrigações decorrentes de negociações realizadas antes da celebração do contrato (i);

7
 Os contratos de seguro decorrentes de actividades levadas a efeito por organismos que não as
empresas referidas no artigo 2°. Da Directiva 2002/83/CE Relativa aos Seguros de Vida cujo
objetivo consista em fornecer prestações a assalariados ou a trabalhadores não assalariados
que façam parte de uma empresa ou grupo de empresas, a um ramo comercial ou grupo
comercial, em caso de morte ou sobrevivência, de cessação ou redução de actividades, em
caso de doença profissional ou de acidente de trabalho (j).

As obrigações extracontratuais decorrentes de negociações realizadas antes da celebração do contrato


caem dentro do âmbito de aplicação do Regulamento Roma II, como atrás assinalado. Mas o
Regulamento Roma II remete, em primeira linha, para a lei aplicável ao contrato ou que lhe seria
aplicável se tivesse sido celebrado e, por conseguinte, as regras do Regulamento Roma I são
indirectamente aplicáveis.

Já a responsabilidade por violação de negócios ou contratos preliminares, é abrangida directamente


pelo Regulamento Roma I.

O considerando n.º 31 Parece indicar que o Regulamento também não se aplica aos acordos que
instituam sistemas de pagamentos e liquidação de valores mobiliários na acepção da alínea a) do art.
2.° da Directiva 98/26/CE Relativa ao caráter Definitivo da liquidação nos sistemas de pagamentos e
de liquidação de valores mobiliários.

Naturalmente que as regras de conflitos do Regulamento só actuam para questões substantivas. O art.
1.°/3 Confirma que o Regulamento não se aplica à prova e ao processo, sem prejuízo do disposto no
art. 18.° Com respeito às regras sobre presunções legais, ônus da prova e meios de prova de actos
jurídicos.

O Regulamento, à semelhança da Convenção de Roma, é aplicável às obrigações contratuais "que


impliquem um conflito de leis". Para a compreensão do sentido desta fórmula é útil convocar o
Relatório GIULIANO/LAGARDE sobre a Convenção de Roma, que se refere a "situações que
comportam um ou mais elementos estranhos à vida social interna de um país e que são aos sistemas
jurídicos de vários países vocação a aplicar-se. Esta definição não evita as dúvidas relativamente a
situações internas em que o único elemento estranho é a escolha de uma lei estrangeira pelas partes.
Este ponto está relacionado com a interpretação do art. 3.°/3 do Regulamento.

Do art. 22.°/2 do Regulamento resulta que um Estados-Membro em que diferentes unidades


territoriais tenham normas próprias em matéria de contratos obrigacionais pode, mas não é
obrigatório, a aplicar Regulamento aos conflitos de leis internas ( interlocais).

O Regulamento tem um caráter universal porque deve ser aplicado pelos tribunais de qualquer
Estado-Membro por ele vincula (art.º. 1.°/4), sempre que a situação caia dentro do seu âmbito material
de aplicação (e do seu âmbito temporal de aplicação) e envolva um conflito de leis, para este efeito é

8
irrelevante que a relação não tenha conexão com um Estado-Membro ou que a lei designada pelas
regras de conflitos do Regulamento seja a de um terceiro Estado (art.º. 2.°).

No considerando n.º 40 O legislador comunitário manifestou a sua intenção de evitar a dispersão por
vários instrumentos das normas de conflito de leis e as divergências entre essas regras. O
Regulamento Roma I, porém, não exclui a possibilidade de, em matérias específicas, se incluírem
normas de conflitos sobre obrigações contratuais noutros instrumentos de Direito comunitário. Por
conseguinte, o art.º. 23.° determina que, à excepção do art.º. 7.° (contratos de seguro), o Regulamento
não prejudica a aplicação das disposições do Direito Comunitário que, em matérias específicas,
regulem os conflitos de leis em matéria de obrigações contratuais.

Salvo no que se refere à Convenção de Roma, o Regulamento não prejudica a aplicação das
Convenções internacionais de que um ou mais Estados-Membros sejam parte na data de aprovação do
Regulamento e que estabelece normas de conflitos de leis referentes a obrigações contratuais. É este o
caso da Convenção de Haia sobre a Lei Aplicável aos Contratos de Mediação e a Representação
(1978).

Todavia, entre Estados-Membros, o Regulamento prevalece sobre as Convenções celebradas


exclusivamente entre dois ou vários Estados-Membros, na medida em que estas incidam sobre
matérias regidas pelo Regulamento (art. 25.°/2).

B) Designação Pelas Partes Do Direito Aplicável


A autonomia da vontade na determinação do Direito aplicável aos contratos obrigacionais constitui
hoje um princípio de Direito Internacional Privado comum à esmagadora maioria dos sistemas
nacionais.

No Regulamento Roma I este princípio encontra-se consagrado no n.°1 do art.º. 3.°.

Na liberdade de designação do Direito aplicável manifesta-se a auto-determinação das partes. Para a


justificação da eficácia jurídica da convenção sobre o Direito aplicável, concorrem ainda razões de
certeza, previsibilidade e facilidade para as partes na determinação da disciplina material do caso,
ligadas à protecção da confiança recíproca.

Não se deve confundir a referência conflitual feita pelas partes no exercício da sua liberdade
designação do Direito aplicável ao contrato com a referência material a regras jurídicas de um Direito
estrangeiro no quadro da liberdade da estipulação concedida pelo Direito material competente. O art.
405.° CC, assim como permite que as partes regulem directamente os seus Direitos e obrigações
dentro dos limites fixados pelas normas imperativas, também permite, dentro dos seus limites, que as
partes remetam para normas estrangeiras, incorporando-as como cláusula do contrato. Mas a liberdade
designação do Direito aplicável nos contratos internacionais tem um alcance diferente: a referência

9
conflitual do Direito estrangeiro não é limitada pelas normas imperativas do foro; as normas
imperativas aplicáveis são, em principio, as do Direito escolhido.

O art. 3.° do Regulamentos Roma I, semelhança do art. 3.° da Convenção de Roma, não estabelece
quaisquer limites quanto a ordens jurídicas estaduais que podem ser designadas.

A favor desta solução pode dizer-se que a existência de um laço objectivo com a lei escolhida não
corresponde às necessidades do comércio internacional e que, na falta de conexão objetiva com a Lei
escolhida, evita as dificuldades de averiguação do interesse sério e torna mais certa a determinação do
Direito aplicável.

Do art. 22.°/1 Resulta que as partes também podem escolher diretamente um sistema local vigente
dentro de uma ordem jurídica complexa de base territorial (i.e., em que diferentes unidades territoriais
do mesmo Estado tenham normas próprias em matéria de contratos obrigacionais).

O Regulamento salvaguarda em alguns casos a aplicação de normas imperativas da lei que, na falta de
designação, seria objetivamente competente. Por esta via limita o alcance da escolha feita pelas partes.

É o caso dos números 3 e 4 do art. 3.°, do art. 6.° (contratos celebrados por consumidores) e do art. 8.
° (contratos individuais de trabalho). O Regulamento também salvaguarda a aplicação das normas de
aplicação necessária do Estado do foro (art. 9.°/2) e certas normas de aplicação necessária do Estado
em que as obrigações devam ser ou tenham sido executadas (art. 9.°/3). Enfim, o Regulamento coloca
limites à escolha da Lei Aplicável ao contrato de transporte de passageiros (art. 5.°/2/2.°) e a certos
contratos de seguro (art. 7.°/3).

Nos termos do art. 3.°/3, caso " todos os outros elementos relevantes da situação se situem, no
momento da escolha, num país que não seja o país da lei escolhida, a escolha das partes não prejudica
a aplicação das disposições da Lei desse outro país não derrogáveis por acordo".

O art. 3.°/3 da Convenção de Roma é entendido no Relatório GIULIANO/LAGRADE como


referindo-se a situações puramente internas a um Estado-Membro que só são abrangidas pelo âmbito
da aplicação da Convenção pelo facto de as partes terem escolhido uma lei estrangeira.

Por exemplo, duas sociedades sedeadas em Portugal celebram um contrato que deve ser executado em
Portugal mas escolhem a lei francesa para gerar o contrato. Está escolha seria válida, mas em caso de
litígio o tribunal (português ou de outro Estado contratante) deveria aplicar, cumulativamente com a
lei francesa, as regras imperativas portuguesas.

Entretanto, esse entendimento entra em contradição com o âmbito espacial de aplicação estabelecido
no art. 1.°/1 do Regulamento, que se reporta a situações que impliquem um conflito de leis. As

10
situações internas não implicam um conflito de leis. A designação de uma lei estrangeira pelas partes
de um contrato interno só constitui uma referência material, e a incorporação das regras da lei
estrangeira como cláusulas do contrato. Esta incorporação é permitida pelo princípio da liberdade
contratual e não pelo art. 3.°/3.

O art. 3.°/3 tem sentido útil para outro tipo de situações: aquelas em os tribunais de um Estado-
Membro decidem um litígio emergente de uma "situação meramente estrangeira", uma situação que
está exclusivamente conectada com um Estado estrangeiro, e as partes escolhem a lei do foro ou de
um terceiro Estado. Neste caso, há uma situação envolvendo um conflito de leis, portanto o tribunal
tem de determinar a lei aplicável. A escolha feita pelas partes deve ser respeitada pelo tribunal, mas o
seu alcance é limitado pela aplicação das regras imperativas do Estado estrangeiro em que a situação
está localizada.

Por exemplo, duas sociedades sedeadas em Portugal celebram um contrato para ser executado em
Portugal, escolhem a lei francesa para reger o contrato e atribuem competência aos tribunais franceses
para a resolução dos litígios emergentes do contrato. Perante os tribunais franceses trata-se de um
contrato meramente estrangeiro (é um contrato interno à ordem jurídica).

Neste caso, o n.º 3 do art.3.° assume um duplo significado. Por um lado, limita domínio de aplicação
da lei escolhida pelas partes. Por outro, remete, por meio de uma norma de conflitos implícita, para os
regimes imperativos da ordem jurídica do Estado com que o contrato estabelece todos os laços (que
não sejam os que resultam da escolha do Direito aplicável ou do pacto de jurisdição).

Nos termos do art. 3.°/4, caso "todos os outros elementos relevantes da situação se situem, no
momento da escolha, num ou em vários Estados-Membros, a escolha pelas partes de uma lei aplicável
que não seja de um Estado-Membro não prejudica a aplicação, se for caso disso, das disposições de
direito comunitário não derrogáveis por acordo, tal como aplicadas pelo Estado-Membro do foro.

A designação da lei aplicável é, em regra, objecto de um negócio jurídico, tornando-se necessário


determinar qual o Direito que rege esse negócio.

A eficácia designativa do negócio está submetido ao Direito Internacional Privado do foro. É uma
norma de conflitos aí contida que associa, à convenção sobre o Direito competente, a referência ao
Direito escolhido.

Também a interpretação da professio iuris se deve orientar pelos critérios de interpretação e pelas
normas interpretativas estabelecidas pela lex fori.

Já a lei aplicável a formação e à validade do consentimento é a própria lei escolhida.

11
O preceito homólogo da Convenção de Roma exige que a escolha resulte de modo inequívoco, o que
dificulta a demonstração de uma vontade tácita. Subsistem, no entanto, divergências entre as
diferentes versões linguísticas do Regulamento que podem suscitar alguma incerteza.

A Designação Do Direito Competente Pode Ser Anterior Ou Posterior


A Celebração Do Contrato
O n.° 2 do art. 3.° do Regulamento Roma I estabelece que, em "qualquer momento, as partes podem
acordar em subordinar o contrato a uma lei diferente da que precedentemente o regulava, quer por
força de uma escolha anterior nos termos do presente artigo, quer por força de outras disposições de
presente Regulamento.

A possibilidade de escolha do Direito competente posterior à celebração do contrato ou de alteração


de escolha anterior assume considerável importância prática, designadamente em ligação com a
conduta observada pelas partes perante um litígio concreto.

Quer a designação realizada posteriormente à celebração do contrato venha substituir a lei


previamente escolhida ou a lei objetivamente competente, ocorre uma mudança de lei aplicável,
devido à alteração do conteúdo concreto do elemento de conexão.

Porquanto esta mudança da lei aplicável resulta de uma escolha das partes, entende-se que as partes
também são livres de determinar se a escolha produz efeitos ex tunc ou ex nunc. Se corresponder à
vontade das partes a revalorização jurídica dos factos anteriormente ocorridos, devem em todo o caso
ser salvaguardados os direitos adquiridos por terceiros no abrigo da lei competente no momento da
verificação dos factos.

Conexão Supletiva Geral


Na falta de designação pelas do Direito aplicável, o n.°1 do art. 4.° da Convenção de Roma determina
que o contrato é regulado pela lei do país com qual apresente uma conexão mais estreita. Também o
art. 9.° da Convenção da Cidade do México remete para o Direito do Estado com o qual o contrato
tenha os vínculos mais estreitos.

A entrada em vigor da Convenção da Cidade do México na ordem jurídica portuguesas também


apresentou uma alteração profunda quanto a conexão supletiva em matéria de contratos obrigacionais,
visto que o art. 42.°CC se baseia em critérios de conexão determinados (residência habitual comum
das partes e, na sua falta, nos contratos gratuitos, a residência habitual daquele que atribui o benefício
e, nos contratos onerosos, o lugar da celebração).

12
Para compreensão da cláusula geral de conexão consagrada na Convenção de Roma é importante
assinalar, em primeiro lugar, que a conexão mais estreita não é, necessariamente, a estabelecida por
um elemento de conexão determinado no caso concreto, mas a que resulta de uma avaliação do
conjunto das circunstâncias do caso, atendendo não só ao significado que, por si, cada um dos laços
existentes pode assumir, mas também à combinação destes laços.

Em segundo lugar, é de sublinhar que o critério geral da conexão mais estreita permite atender a laços
de qualquer natureza. Relevam em primeira linha os laços de natureza objetiva e espacial. Pense-se
designadamente em elemento em elementos de conexão tais como lugar de residência, da sede ou do
estabelecimento das partes, e o lugar onde se situa a coisa corpórea que seja objecto mediato do
contrato. Refira-se ainda o lugar da execução do contrato, e com menor significado, a nacionalidade
das partes.

Em geral, deve conferir-se maior peso na determinação da conexão mais estreita aos laços que
traduzem uma ligação efetiva à esfera económico-social de um país do que às ligações mais visíveis e
palpáveis.

Mas a cláusula geral de conexão mais estreita permitirá ter em conta laços objetivos de outra natureza,
como por exemplo o idioma do contrato, a referência a disposições de uma determinada ordem
jurídica, ou o emprego de termos e expressões característicos desta ordem jurídica (que contudo não
permitam inferir uma designação tácita), e o nexo funcional que o contrato estabeleça com outro
contrato regido por certo Direito.

Subsidiariamente, poderão ainda revelar elementos subjetivos, como as representações e as


expectativas justificadas das partes.

O significado da cláusula geral de conexão mais estreita resulta não só do disposto no n.° 1 do art. 4.°
da Convenção de Roma mais também do estabelecido no n.°5 do mesmo artigo (segunda parte). Este
último preceito permite afastar as "presunções" de conexão mais estreita previstas nos números 2 a 4
"sempre que resulte do conjunto das circunstâncias que o contrato apresenta uma conexão mas estreita
com outros pais". O n.º 2 Contém uma "presunção" geral de conexão mais estreita a favor da lei do
Estado do devedor da prestação característica. O n.º 3 Uma "presunção" a favor da lei da situação do
imóvel ou um direito obrigacional de uso de um bem imóvel e o n.º 4 Uma "presunção" com respeito
ao contrato de transporte de mercadoria.

Nos contratos que concernem à troca de bens e serviços por dinheiro a prestação característica é a que
consiste na entrega da coisa, na cessão do uso da coisa ou na prestação do serviço. Quer isto dizer, por
exemplo, que o devedor da prestação característica é, no contrato de venda, o vendedor, no contrato
de locação, o locador, e, no contrato de prestação de serviço, o prestador de serviço.

13
Nos contratos unilaterais, como a doação (em regra), só uma das partes está obrigada a realizar uma
prestação e, por conseguinte, só esta prestação pode ser considerada como "característica".

O art. 4.° da Convenção de Roma é no seu conjunto dominado pela cláusula geral de conexão mais
estreita. As "presunções" contidas nos números 2 a 4 do art. 4° constituem antes directrizes
interpretativas, que actuam nos casos em que, devido a uma dispersão dos elementos de conexão - por
exemplo quando contrato seja celebrado entre partes diferentes Estados e executado num terceiro
Estado - se suscita dúvida sobre a determinação da conexão mais estreita. Observa-se ainda que não se
trata de presunções em sentido técnico-jurídico, uma vez que a conexão mais estreita não é um facto
que se possa presumir, nem tais "presunções" se relacionam com o regime de ónus de prova.

O legislador comunitário considerou que os tribunais "deverão gozar de uma certa margem de
apreciação a fim de determinar a lei que apresenta a conexão mais estreita com a situação.

A conexão primária baseia-se principalmente na doutrina da prestação característica: o contrato é, em


princípio, regulado pela lei da residência habitual do devedor da prestação característica. No entanto,
o Regulamento Roma I não se limita a consagrar esta doutrina para estabelecer a conexão primeira.
Relativamente a um certo número de contratos, o Regulamento concretizou esta doutrina (venda,
prestação de serviço, franquia e distribuição), o que se revela útil nos casos em que é controversa a
determinação da prestação característica. É o que se verifica com os contratos de franquia e de
distribuição, que são submetidos à lei da residência habitual do franqueado e do distribuidor.

Os conceitos de "prestação de serviços" e de "venda de bens" deverão ser interpretados do mesmo


modo. Isto significa, designadamente, que a interpretação deve ser autónoma e que o conceito de
"prestação de serviços" deve ser entendido em sentido amplo, abrangendo a realização, em benefício
da outra parte, de uma actividade não subordinada de qualquer natureza, incluído a actividade
realizada no interesse de outrem.

O Regulamento estabelece conexões em considerações diversas (contratos sobre imóveis, venda de


mercadorias em hasta pública, contratos de venda de instrumentos financeiros no âmbito de sistemas
multilaterais)

Assim, o contrato que tenha por objecto um direito real sobre um bem imóvel ou o arrendamento de
um imóvel é regulado pela lei da situação do imóvel.

O recurso a lei do devedor da prestação característica para estabelecer a conexão supletiva em matéria
de contratos obrigacionais não é pacífico.

Perante a Convenção de Roma, a seguir-se o entendimento atrás propugnado, a lei do devedor da


prestação característica só é aplicável se for a do país com o qual o contrato apresente a conexão mais
estreita ou se ocorrer uma dispersão dos elementos de conexão que exige uma solução de recurso.

14
Com efeito, nos termos do art. 4.°/3 do Regulamento, caso "resulte claramente do conjunto das
circunstâncias do caso que o contrato apresenta uma conexão manifestamente mais estreita com um
país diferente do indicado nos termos dos números 1 ou 2, é aplicável a lei desse outro país".

O art. 19.° do Regulamento procura responder a estas questões determinando que:

 A residência habitual de sociedades e outras entidades dotadas ou não de personalidade


jurídica é o local onde se situa a sua administração central;
 A residência habitual de uma pessoa singular, no exercício da sua actividade profissional, é o
local onde se situa o seu estabelecimento principal.

As Obrigações Voluntárias‐ Outras Fontes De Regulação Na Ordem


Interna
a) Normas De Conflitos Do Código Civil
As normas de conflitos dos artigos 41°.e 42.° CC, que anteriormente regulavam todas as obrigações
voluntárias, têm agora um campo de aplicação residual perante a Convenção de Roma sobre a Lei
aplicável às Obrigações Contratuais e o Regulamento Roma I. Elas continuam a regular as obrigações
contratuais excluídas do âmbito de aplicação da Convenção e do Regulamento e que não sejam
abrangidas por normas especiais. Em edições anteriores da presente obra defende que essas normas
continuam também a regular os negócios obrigacionais unilaterais, por exemplo, o reconhecimento de
dívida e a promessa pública. Mas decorre do anteriormente exposto que parece hoje defensável a
aplicabilidade da Convenção e do Regulamento a esses negócios unilaterais.

Perante o artigo 41°. a designação pelas partes do Direito aplicável só e válida se a Lei escolhida
estiver em conexão com algum dos elementos do negócio jurídico atendíveis no domínio do Direito
Internacional Privado ou se a sua aplicabilidade corresponder a um interesse sério das partes( n°.2).

Caso exista uma conexão objectiva relevante com a Lei escolhida, será em princípio escusado
averiguar dos motivos que presidiram à designação. Na falta de tal conexão objectiva, será suficiente
a demonstração de um interesse sério, um interesse objectivamente justificado pelas necessidades da
vida jurídica internacional. São exemplos deste interesse sério o nexo existente entre o negócio e
outros negócios regidos pela Lei escolhida. A escolha pode pois ter em consideração um conteúdo das
Leis em presença, e não deixa de haver interesse sério só porque as partes visam, com a designação,
afastar a aplicada Lei que invalidaria o negócio. Assim, so em casos extremos a escolha será
invalidada por falta de um interesse sério, designadamente aqueles em que os seus motivos sejam
puramente arbitrários ou caprichosos.

A relevância das representações concordantes das partes para a determinação do Direito aplicável
suscita especiais hesitações à face do n.°1 do artigo 41°.CC, uma vez que este preceito coloca a par da
Lei designada pelas partes a Lei que as partes ʺhouverem tido em vistaʺ.

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Importa referir que o regime aplicável em caso de falta ou invalidade de designação pelas partes
diverge bastante do estabelecido pela Convenção de Roma e pelo Regulamento Romano I.

O n.°1 do artigo 42. Manda aplicar aos negócios jurídicos unilaterais a Lei da residência habitual do
declarante e aos contratos a Lei da residência habitual comum das partes. Quando se trate de pessoas
colectivas deverá atender‐se, por analogia, à sede da sua administração. No que toca aos contratos, se
as partes tiverem residência habitual comum o resultado o coincidirá, frequentemente, com aquele que
a levaria uma cláusula geral da conexão mais estreita, quando na sua concretização se de primazia aos
laços pessoais. Mas já não há coincidência de resultados quando se trate de partes que embora sem
residência habitual ou sede comum tenham estabelecimento no mesmo Estado, uma vez que o artigo
42.° Não dá relevância ao estabelecimento comum.

Na falta de residência habitual ou sede comum, o n.°2 do artigo 42°. Submetem os contratos gratuitos
à Lei da residência habitual daquele que atribui o benefício e os contratos onerosos à Lei do lugar de
celebração.

Isto quer dizer que antes da entrada em vigor da Convenção de Roma a grande maioria dos contratos
do comércio internacional era submetida, na falta de escolha pelas partes, à Lei do lugar da
celebração.

Um detalhe não menos importante, é que as normas de conflitos de fonte interna em matéria de
obrigações voluntárias continuam a regular certos contratos, justifica‐se uma reforma do regime
contido nos artigos 41.° e 42°. Que elimine os limites à liberdade de designação pelas partes e que, na
falta de designação pelas partes, consagre o critério da conexão mais estreita. O modo de
cumprimento dos negócios regidos por estes preceitos também está submetido à Lei do lugar da
execução.

b) Títulos De Crédito E Valores Mobiliários


Os títulos de crédito constituem matéria específica que se encontra excluída do âmbito de aplicação de
normas de conflitos sobre obrigações voluntárias. As Convenções de Genebra sobre os conflitos de
Leis em Matéria de Letras e Livranças e em matérias de Cheques, contêm normas de conflitos que
regulam uma parte das questões suscitadas por estes títulos.

No que toca às letras, livranças e cheques haverá que partir do disposto nas Convenções de Genebra,
que representam um compromisso entre as várias concepções. Poderá pensar‐se que os conflitos de
Leis raramente assumam consistência prática em matéria de letras, livranças e cheques, em
consequência da uniformização do Direito aplicável nestas matérias, Mas a uniformização não elimina
conflitos de Leis porque não é global e porque as Convenções de uniformização admitem reservas.

16
Mesmo que se trate de caso omisso nestas Convenções, haverá que indagar se a lacuna não poderá ser
preenchida por aplicação analógica de uma das normas de conflitos aí contidas ou mediante a
concretização de um princípio geral subjacente ao regime convencional.

A convenção sobre letras e livranças atribui um papel principal à Lei do Estado onde estes títulos
sejam pagáveis. Aplica‐se a presente Lei aos efeitos das se obrigações do aceitante ou subscrito, artigo
4.° e as questões de saber se o aceite ou subscrição pode ser restrito a uma parte da importância a
pagar ou se o portador é ou não obrigado a receber um pagamento parcial, artigo 7.°.

Já os efeitos provenientes das assinaturas de outros co‐obrigados são determinados pela Lei do país
onde as assinaturas forem postas.

A Lei do lugar da emissão do título determina se o portador de uma letra adquire o crédito que
originou a emissão do título artigo 6.

A Convenção dos cheques adopta a convenção favorável ao fraccionamento das obrigações


decorrentes do cheque, que são submetidas à Lei do país em cujo território foram contraídas, artigo 5.

No entanto, a lei do país em que o cheque é pagável também desempenha um papel importante,
artigo7.

A exequibilidade do título de crédito é uma questão que, por dizer respeito à susceptibilidade de
satisfazer o crédito por meio de actos de coerção material, está exclusivamente submetida à Lei do
Estado do foro.

Os valores mobiliários são a representação de direitos, mais precisamente, trata‐se de documentos


representativos de situações jurídicas homogéneas susceptíveis de transmissão em mercado, artigo 1°.

São valores mobiliários, designadamente, as acções, as obrigações, os títulos de participação, as


unidades de participação em instituições de investimento colectivo.

O estatuto dos valores mobiliários compreende a titularidade e o conteúdo dos direitos de gozo e de
garantia sobre o valor mobiliário, ou, com mais rigor, sobre as situações jurídicas representadas pelo
valor mobiliário. Estes direitos não são direitos reais, porque não têm por objecto coisas corpóreas,
(cf.art.1302.°CC)

O direito de gozo do valor mobiliário compreende o poder de disposição e diversas posições activas
representadas no valor mobiliário, em que o seu titular fica investido perante a entidade inerente.

c) Cláusulas Contratuais Gerais Nos Contratos Com Consumidores


No que se refere à proibição de certas cláusulas contratuais gerais nos contratos celebrados com
consumidores finais, há que ter em conta o disposto no art.23°. do DL n° 446/85, de 25/10, com a
redação dada pelo DL n°.249/99, de 7/7.

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O n.°1 Deste artigo determina a aplicabilidade das normas contidas nos arts.20°. e segs. Daquele
diploma, independentemente da Lei que as partes hajam escolhido para reger o contrato, sempre que o
mesmo apresente uma conexão estreita com o território português.

Nos termos do n.°2, no caso de um contrato apresentar uma conexão estreita com o território de outro
Estado membro da Comunidade Europeia aplicam‐se as disposições correspondentes deste país na
medida em que este determine a sua aplicação.

Segundo o preâmbulo do DL n.º 249/99, o objectivo básico deste diploma foi o de adoptar o DL
n.°446/85 Ao disposto na Dir. 93/13/CEE, relativa às cláusulas abusivas nos contratos celebrados com
os consumidores (objectivo que já tinha levado à modificação do DL n.º 446/85 pelo DL n.º 220/95,
de 31/1). Com a nova redação dada ao art.23.° do DL n.º 446/85 o legislador nacional procurou
transpor o disposto no n.º 2 do art. 6°, da directivas.

Os Estados‐membros tomarão as medidas necessárias para que o consumidor não seja privado da
protecção concedida pela presente directiva pelo facto de ter sido escolhido o direito de um país
terceiro como direito aplicável do contrato, desde que o contrato apresente uma relação estreita com
o território dos Estados‐membros.

Na falta de escolha, o consumidor goza da protecção concedida pelas normas de actuação Directiva,
porque o contrato é regido pela Lei de um Estado‐membro, uma vez que a norma de conflitos sobre
contratos pelos consumidores já assegura, em casos determinados, a protecção das normas
imperativas da Lei do país da residência habitual do consumidor nos termos do art.5°. da Convenção
de Roma e art.6.° do Regulamento Roma I.

Perante o Regulamento de Roma I, sobreposição da das normas as de aplicação necessária do foro e


permitida pelo art.9.°/2. A situação já e mais problemática quando esteja em causa a sobreposição de
normas de transposição da Directiva de outro Estado-Membro à Lei de um Estado terceiro,
competente com base nas conexões objectivas estabelecidas pelo regulamento. O art.9./3 só permite
dar prevalência às normas de aplicação necessária do país da execução do contrato e na medida em
que, segundo essas normas de aplicação imediata, a execução do contrato seja ilegal.

Regimes Especiais Aplicáveis A Certos Negócios Obrigacionais


Contratos De Mediação E Representação E Contrato De Agencia
O negócio Jurídico que tem como objecto a relação de representação é regulada pela convenção de
Haia. Regula os contratos de mandatos e de procuração, contrato de agência (ambos com ou sem
representação). Nestes negócios, aplicam-se as normas de conflitos da Convenção de Haia.

Entende-se que os objectivos da Directiva n 86/653/CEE relactiva a coordenação do Direito dos


Estados-Membros sobre os Agentes Comerciais, decorre que os seus artigos 17 e 18 que garantem

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determinados Direitos ao agente comercial, depois da cessação do contrato, devem aplicar-se quando
o agente comercial exerceu a sua actividade num Estado-Membro, mesmo que o comitente esteja num
país terceiro e que por forca de uma cláusula do contrato este se reja pela lei desse país.

Contrato De Mediação Imobiliária


O Decreto-Lei n 28/2003 de 30 de Setembro este decreto define as regras e os requisitos para o
exercício da mediação imobiliária no pais, conte as normas sobre a forma e conteúdo de contrato de
mediação imobiliária, assim como as obrigações das partes. No entanto há duvida sobre este tipo
contratual, se e reconduzível a categoria de contrato de mediação utilizada pela convenção de Haia.
Do art.º. 1º/2 conta uma norma de conexão ad hoc onde há falta de clareza e também parece ter sido
pensada em primeira linha para o regime jurídico-económico de acesso e exercício de actividade (e
não para as normas de Direito Privado contidas no diploma).

Contrato De Timesharing
O art. 9 da Directiva 94/47 relactiva a protecção dos Adquirentes nos contratos de Timeshering,
estabelece que "Os estados-membros tomarão as medidas necessárias para que independentemente da
lei aplicável, o adquirente não seja privado da protecção instituída pela presente directiva, se o bem
imóvel estiver situado no território do Estado-Membro". Isto significa que as normas de atuacção da
directiva devem ser susceptíveis de aplicação necessária.

No caso de os contratos observarem os direitos reiais de habitação periódica e a direitos de habitação


turística em empreendimentos turísticos, sitos no território de outro Estado-Membro da Comunidade
Europeia, por períodos de tempo limitados em cada an, aplicam-se as disposições correspondentes
desse Estado-Membro qualquer que seja o lugar e a forma da sua celebração e a lei escolhida pelas
partes para regular o contrato.

Contrato A Distância
Os Estados membros devem tomar as medidas necessárias para que o consumidor não seja
privado da protecçao conferida pela presente Directiva pelo facto de ter sido escolhido o
direito de um país terceiro como direito aplicável ao contrato, desde que o contrato apresente
uma relação estreita com o território de um ou mais Estados-Membros.

Contrato De Venda De Bens De Consumo


Em Portugal, o decreto-lei n 95/2006 de 29 de Maio, no art.40 determina que a escolha, pelas partes,
da lei de um Estado não comunitário como lei aplicável ao contrato, não priva o consumidor da
protecção que lhe garantem as disposições do presente decreto-lei.

Se o contrato de compra e venda celebrado entre profissional e consumidor apresentar ligação estreita
ao território dos Estados Membros da União Europeia a escolha para reger o contrato de uma lei de

19
um Estado não membro que se revele menos favorável ao consumidor não lhe retira os direitos
atribuídos pelo presente decreto-lei.

Contrato De Crédito A Consumidor E Comercio Eletrónico


A regra geral sobre relação entre a liberdade comunitária de prestação de serviços e o Direito de
conflitos Internacional Privado, segundo o qual a liberdade de prestação de serviços não condiciona
em princípio o Direito de Conflitos Internacional Privado. Como foi assinalado a liberdade de
circulação de serviços não implica a competência do Direito do Estado de origem para reger o
contrato ou a responsabilidade extracontratual. O princípio do país de origem vale quando muito para
as normas de Direito Publico da economia com incidência sobre a liberdade de prestação de serviços.

Considerando da directiva sobre comércio eletrónico, segundo o qual, o disposto na legislação


aplicável por forca das normas de conflito do Direito Internacional Privado não deve restringir a
liberdade de prestar serviços da sociedade da informação nos termos constantes da presente directiva,
mas isto so pode suceder excepcionalmente, visto a aplicação de normas de Direito Privado não
conduz em princípio a uma restrição de liberdade de prestação de serviços.

Quanto ao regime aplicado aos contratos de celebrados atraves da internet, a directiva so contem
algumas regras fragmentárias sobre a admissibilidade de contratos celebrados por meios eletrónicos,
deveres de informação e ordens de encomenda.

Costume e Usos do Comercio Internacional


Quanto ao valor do costume comercial internacional como fonte da ordem jurídica interna há que
atender, em primeiro lugar, ao sistema de fontes do Direito vigente.

O ponto e controverso. A doutrina tradicional negava ao costume o valor de fonte de Direito. No polo
oposto, tem ganho força o entendimento segundo o qual a existência e, em princípio, a validade do
costume, não dependem de ser reconhecido. Defende-se uma posição intermedia, segundo a qual a
existência do costume não depende de reconhecimento legal mas o costume contra legem e invalido.
Certo é que os órgãos públicos estão obrigados a conceder primazia a lei.

Passe se agora a examinar o papel desempenhado pelos usos do comércio internacional como fonte
mediata de Direito vigente na ordem jurídica interna.

Já a relevância atribuída aos usos na interpretação e integração dos juridicos não implica a
sua positivação.

Os usos relevam aqui como elemento de interpretação, apreciado pelo interprete a par de
quaisquer outros elementos que possam relevar para o efeito com vista a esclarecer o que e
normal e razoável. Esta apreciação não pressupõe a atribuição de valores normativo aos usos
em causa. Diferentes são as tendências que podem ser dectetadas ao nivel de outros sistemas

20
nacionais e que se manifestam no plano da unificação internacional do Direito Material regulador de
contratos internacionais. O disposto no número 2 do art.º. 9 da convenção do Viena sobre a venda
internacional de mercadorias (1980) este e o exemplo mais significativo, pela vasta aceitação desta
convenção e por se exprimir no referido preceito, uma certa convergência internacional sobre a
relevância dos» usos do comércio internacional».

Considera-se nos termos do referido preceito, que as partes estipularam implicitamente a aplicação ao
contrato e a sua formação do uso de que as partes tinham ou devessem ter conhecimento e que no
comércio internacional seja largamente conhecido e regularmente observado pelas partes nos
contratos do mesmo tipo, no ramo comercial considerado.Na actualidade ainda não se verifica este
tratamento uniforme dos usos por parte das diversas ordens jurídicas estaduais. A convenção de Viena
sobre a venda internacional de mercadorias so assegura este tratamento uniforme com respeito aos
contratos por ela abrangidos e na ordem jurídica dos estados contratantes.

As Obrigações Involuntárias: Responsabilidade Extracontratual,


Enriquecimento Sem Causa E Gestão De Negócios
As obrigações são provenientes de negócio jurídico são consideráveis fontes: a responsabilidade
extracontratual, o enriquecimento sem causa e a gestão de negócios.

O conceito de obrigação extracontratual varia de um Estado membro para a outro. O regulamento de


Roma II não contém uma definição do conceito relevante, em qualquer caso, a qualificação de uma
relação como obrigação extracontratual deve ser “ autónomo” e deve ser baseada numa interpretação
autónoma do conceito.

O regulamento Roma II é aplicável às obrigações extracontratuais susceptíveis de surgir alguns danos


e factos.

As Obrigações extracontratuais são as que decorram de títulos negociáveis na medida em que estas
obrigações resultam do seu caracter negociável, e decorram do Direito das sociedades e do direito
aplicável a outras entidades dotadas ou não de personalidade jurídica e entre os instituintes os trustees
e os beneficiários de um trust voluntariamente criado, portanto, dizem respeito a matérias que
não são geralmente encaradas como pertencendo ao Direito das obrigações.

Naturalmente, as regras de conflitos do regulamento só actuam para questões substantivas segundo


artigo 1nr 3 e confirma que o regulamento não se aplica á prova e ao processo sem prejuízo dos arts
21 e 22 com respetivo atos jurídicos unilaterais relativos a uma obrigação extracontratual e às regras
sobre presunções legais, ónus da prova e meios de prova de actos jurídicos, atras referidos.

21
O regulamento é aplicável em situações que envolvam conflitos de leis, ou seja situações que
compreendem um ou mais elementos estranhos à vida social interna de um país e que são susceptíveis
de desencadear a aplicação de vários sistemas jurídicos

O regulamento tem um caracter universal porque deve ser aplicado pelos tribunais de qualquer Estado
membro com excepção de Dinamarca (art.º 1/ 4) sempre que a situação caia dentro do sei âmbito
material de aplicação e temporal de aplicação envolve em conflitos de leis.

Responsabilidade Extracontratual- Regulamento Roma II


Segundo art 14 do Regulamento Roma II permite a escolha da lei aplicável pelas partes com respeito à
generalidade das obrigações extracontratuais. Constituem excepções a concorrência desleal e actos
que restrinjam a livre concorrente específico (art 6/3) e a violação de direitos de propriedade
intelectual (art 8/3).

Segundo o mesmo artigo as partes podem acordar em subordinar as obrigações extracontratuais à lei
da sua escolha:

 Mediante convenção posterior ao facto que dê origem ao dano;


 Caso todas as partes desenvolvam actividades económicas, também mediante uma
convenção livremente negociada, anterior ao facto que dê origem ao dano.

O acordo feito por uma parte que não desenvolva uma actividade económica só é valido se for
celebrado após a concorrência do facto que dê origem ao dano. Esta limitação é justificada pela
preocupação de proteger as partes mas vulneráveis designadamente consumidores e trabalhadores.

A escolha pode ser expressa ou tácita.

A escolha deve decorrer de modo razoavelmente certo das circunstâncias do caso.

A escolha não prejudica os interesses de terceiros

Exemplo: Da escola é a obrigação de o segurador reembolsar a indemnização devida pelo segurado: o


acordo entre o lesado e o segurado com respeito à lei aplicável não pode prejudicar os direitos do
segurador.

Regulamento relativo a responsabilidade extracontratual contém uma norma de conflitos, geral e um


conjunto de normas de conflitos especiais que tem por objecto a responsabilidade por produtos
defeituosos, a concorrência desleal e actos que restrinjam a livre concorrência, danos ambientais,
violação de direitos de propriedade intelectual e acção colectiva.

Algum Estados Membros Como Alemanha e a Itália, concedem ao lesado a faculdade de escolha
entre a lei do facto e a lei do dano. A exposição de Motivos da proposta da comissão esclarece as
razões pelas quais não foi adoptado este princípio de favorecimento do lesado enquanto regra básica:

22
tal solução vai das expectativas legítimas do lesado e reintroduziria uma incerteza jurídica que
prejudicaria o objectivo geral do Regulamento proposto.

A solução bem como a sua justificação São claramente inspiradas pela principal doutrina francês,
Também é, no essencial, a solução adoptada do Reino Unido pela Section II do private
internacional Law Act 1995.

A regra do lugar do dano é apropriada à protecção do lesado em melhor posição em situações


transnacionais do que em situações internas uma razão objectiva para confiar na lei do lugar do dano e
é razoável para o agente que em princípio pode prever que o dano ocorre aquele país e pode ter em
conta só as regras da sua lei.

A regra lex loci damni implica quando o efeito lesivo se produza em vários países que as leis de todos
os países envolvidos devam ser distributivamente aplicadas. Na Alemanha isto é conhecido como
perspectiva de mosaico.

Em certos Direitos estrangeiros surge uma responsabilidade com fundação puramente sancionadora de
que não é pressuposto a produção de um dano reparável. Neste caso pode pensar-se que deve ser
aplicado o Direito do país em que a conduta lesiva teve lugar uma vez que é a única conexão
significativa em presença. A reserva de ordem pública internacional actuará a posterior quando o
Direito aplicável que estabelece uma responsabilidade não compensatória atribuir uma indemnização
de montante excessivo.

A criação de uma conexão sucessiva ou subsidiária, acompanhada de uma cláusula de previsibilidade,


é vista como uma solução equilibrada.

O primeiro elemento de conexão a ter em conta é o lugar onde o lesado tenha a sua residência habitual
no momento em que ocorre o dano, se o produto tiver sido comercializado neste país.

Se o produto não tiver sido comercializado nesse país aplica- se o Direito do país onde o dano tenha
ocorrido, se o produto tiver sido comercializado neste país.

Esta conexão sucessiva é triplamente condicionada.

Primeiro, por uma excepção a favor da lei da residência habitual comum das partes. (art 4 / 2)

Segundo, por uma cláusula de previsibilidade (art 5/ ½)que determina que a lei aplicável é a lei do
país onde a pessoa cuja responsabilidade é invocada tenha a sua residência habitual se essa pessoa não
puder razoavelmente prever a concretização do produto ou de um produto do mesmo tipo .

Responsabilidade Extracontratual Art 45 CC


Segundo esse artigo submete a responsabilidade extracontratual fundada quer em acto ilícito quer no
risco ou em qualquer conduta lícita á lei do Estado onde decorreu a principal actividade causadora do

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prejuízo em caso de responsabilidade por omissão é aplicável a lei do lugar onde o responsável
deveria ter agido. Segundo artigo 483 do CC, As principais notas do conceito em direito material
interno são a violação ilícita de um direito de outrem ou de qualquer norma jurídica destinada a
proteger interesses alheios e a produção de um dano imputável a essa violação.

A responsabilidade extracontratual por danos causados através de uma actuação na Internet suscita
problemas específicos aplica- se o regime contido no Regulamento Roma II e nos casos excluídos de
seu âmbito de aplicação.

No que toca á responsabilidade extracontratual do fornecedor de acesso o lugar da actividade é aquele


em que se situa o servidor e a determinação do lugar de acesso do agente á rede pode suscitar grandes
dificuldades. Este lugar pode não ser detetável ou ser com custos proibitivos.

A possibilidade de aplicar o direito do lugar do efeito lesivo quando o Direito do lugar da actividade
não considerar agente responsável não anula este risco porque o Direito do lugar da actividade pode
submeter o agente a um regime de responsabilidade menos severo que o Direito do lugar do efeito
lesivo.

Enriquecimento Sem Causa E Gestão De Negócios


Segundo art 44 do CC o enriquecimento sem causa é regulado pela lei com base e se verificou a
transferência do valor patrimonial a favor do enriquecido.

Em conceito do mesmo esta disposto no art 473 cc

Da se Enriquecido sem causa quando o património de uma pessoa se valoriza ou deixa de se


desvalorizar a custa de outra pessoa sem que para isso exista uma causa justificativa mas é sempre
uma interpretação autónoma.

O enriquecimento sem causa abrange situações muito variadas o que não permite, a formulação de
uma solução unitária. Há diferentes tipos de enriquecimento sem causa designadamente
enriquecimento por prestação, por intervenção e outras modelas.

Enriquecimento por prestação é o que resulta de uma prestação feita com a intenção de cumprir uma
obrigação.

Enriquecimento por intervenção é quando alguém através de uma ingerência em património alheio,
obtêm um enriquecimento com um uso, consumo, fruição ou disposição de bens alheio.

Gestão De Negócio é aplicável a lei do lugar em que decorre a principal actividade do gestor.
Segundo art 464 CC, gestão de negócios quando uma pessoa assume a direção de negócios alheio no
interesse e por conta do respectivo dono sem para tal estar autorizado.

24
A gestão de negócios é submetida a um estatuto único, ainda que a actividade se tenha desenvolvido
no território de diferentes estados.

Avaria Comum, Abalroação E Salvação


O código comercial contem algumas normas de conflitos especiais sobre estatutos de direito marítimo
que podem gerar obrigações involuntárias.

Nestes termos dos pressupostos que submetem se ao Direito do estado defende se de iure condendo a
seguinte norma de conflitos:

1. Aos pressupostos e efeitos da avaria comum é aplicável o Direito escolhidos pelos


participantes na expedição marítima.
2. Escolha do direito aplicável pode ser posterior a ocorrência da avaria.
3. Na falta da escolha, é aplicável:
a) Aos pressupostos da avaria comum, o Direito do estado onde o avio se encontra
matriculado, salvo se avaria ocorrer em porto, caso em que se aplica o Direito
local;
b) Aos efeitos da avaria comum, o Direito do estado onde a regulação é realizada.

Conclusão
No que concerne ao tema acima citado pudemos concluir que, relativamente a lei reguladora das
coisas e das obrigações contratuais o direito de conflitos em matéria de contratos obrigacionais nos
Estados-Membros da União Europeia foi unificado, primeiro pela convenção de Roma sobre a Lei
Aplicável às Obrigações Contratuais (1980) e em seguida pelo reg. n°. 593/2008 sobre a Lei
Aplicável às Obrigações Contratuais. Ou seja, para além da Convenção de Roma, existe o
Regulamento Roma I que visa substituir a convenção de Roma entre os Estados-Membros por ele
vinculados, existe ainda o Regulamento Roma II, a Convenção Bruxelas I, o Regulamento Bruxelas I
a Convenção da Cidade do México, que são instrumentos legais que reforçam sobre a problemática de
aplicação da lei reguladora das coisas e das obrigações contratuais.

Podemos determinar que: as obrigações provenientes de negócio jurídico, assim como a própria
substância dele, são regulados pela lei que os respetivos sujeitos tiverem designado ou houverem tido
em vista.

Na falta de determinação da lei competente, atende-se, nos negócios jurídicos unilaterais, à lei da
residência habitual do declarante e, nos contratos, à lei da residência habitual comum das partes.

Na falta de residência comum, é aplicável, nos contratos gratuitos, a lei da residência habitual daquele
que atribui o benefício e, nos restantes contratos, a lei do lugar da celebração.

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Quando a gestão de negócios: é aplicável a lei do lugar em que decorre a principal actividade do
gestor.

Quanto ao enriquecimento sem causa: é regulado pela lei com base na qual se verificou a
transferência do valor patrimonial a favor do enriquecido.

Bibliografia
PINHEIRO, Luis De Lima, Manual de Direito Internacional Privado - Volume ||, 3a Edição
Refundida.

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