Língua Portuguesa
Conto – Parte 2
2º bimestre Ensino
Aula 2 Médio
● Gênero literário conto: estrutura, ● Analisar visões de mundo em
elementos da narrativa; textos literários;
● Advérbio e locução adverbial; ● Ler e analisar um conto;
● Tipo textual narrativo; ● Reconhecer e classificar tipos de
narrador;
● Foco narrativo.
● Refletir sobre foco narrativo.
Relembre
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5 minutos
Reúnam-se em pequenos grupos e
discutam:
• O que é foco narrativo? Quais são
eles?
Saiba mais
• Quais são os tipos de narrador sobre foco
existentes? narrativo:
• Quais são os efeitos obtidos com o
emprego de cada foco narrativo?
KHAN ACADEMY BRASIL. O foco narrativo em uma história. Disponível em:
[Link] Acesso em: 14 fev. 2025.
Foco no conteúdo
Leitura de um conto
Natal na barca
Lygia Fagundes Telles
Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na
embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.
O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre
nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de
uma figura antiga.
Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra.
Nem combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não
dizer nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio.
[...]
Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros,
extraordinariamente brilhantes. Reparei que suas roupas (pobres roupas puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade.
— De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando.
— Quente?
— Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem por estas
bandas?
Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma outra pergunta:
— Mas a senhora mora aqui perto?
— Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje…
A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de
cadeira de balanço. Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era sereno.
— Seu filho? (TELLES, 2013)
Foco no conteúdo
Leitura de um conto
— É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem mas piorou de
repente. Uma febre, só febre… Mas Deus não vai me abandonar.
— É o caçula?
Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo mas o olhar tinha a expressão doce.
— É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi
grande, o muro não era alto, mas caiu de tal jeito… Tinha pouco mais de quatro anos.
[...]
— E esse? Que idade tem?
— Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não
saía nada, mas era muito engraçado… A última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os braços. E voou.
Levantei-me. Eu queria ficar só naquela noite, sem lembranças, sem piedade. Mas os laços (os tais laços humanos) já ameaçavam me envolver. Conseguira evitá-
los até aquele instante. E agora não tinha forças para rompê-los.
— Seu marido está à sua espera?
— Meu marido me abandonou.
Sentei-me e tive vontade de rir. Incrível. Fora uma loucura fazer a primeira pergunta porque agora não podia mais parar, ah! aquele sistema dos vasos
comunicantes.
— Há muito tempo? Que seu marido…
— Faz uns seis meses. Vivíamos tão bem, mas tão bem. Foi quando ele encontrou por acaso essa antiga namorada, me falou nela fazendo uma brincadeira, a Bila
enfeiou, sabe que de nós dois fui eu que acabei ficando mais bonito? Não tocou mais no assunto. Uma manhã ele se levantou como todas as manhãs, tomou café,
leu o jornal, brincou com o menino e foi trabalhar. Antes de sair ainda fez assim com a mão, eu estava na cozinha lavando a louça e ele me deu um adeus através
da tela de arame da porta, me lembro até que eu quis abrir a porta, não gosto de ver ninguém falar comigo com aquela tela no meio… Mas eu estava com a mão
molhada. Recebi a carta de tardinha, ele mandou uma carta. Fui morar com minha mãe numa casa que alugamos perto da minha escolinha. Sou professora.
(TELLES, 2013)
Foco no conteúdo
Leitura de um conto
Olhei as nuvens tumultuadas que corriam na mesma direção do rio. Incrível. Ia contando as sucessivas desgraças com tamanha calma, num tom de quem relata
fatos sem ter realmente participado deles. Como se não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, via pairar uma
sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos
vivíssimos, aquelas mãos enérgicas. Inconsciência? Uma certa irritação me fez andar.
— A senhora é conformada.
— Tenho fé, dona. Deus nunca me abandonou.
— Deus — repeti vagamente.
— A senhora não acredita em Deus?
— Acredito — murmurei. E ao ouvir o som débil da minha afirmativa, sem saber por quê, perturbei-me. Agora entendia. Aí estava o segredo daquela segurança,
daquela calma. Era a tal fé que removia montanhas…
Ela mudou a posição da criança, passando-a do ombro direito para o esquerdo. E começou com voz quente de paixão:
— Foi logo depois da morte do meu menino. Acordei uma noite tão desesperada que saí pela rua afora, enfiei um casaco e saí descalça e chorando feito louca,
chamando por ele! Sentei num banco do jardim onde toda tarde ele ia brincar. E fiquei pedindo, pedindo com tamanha força, que ele, que gostava tanto de mágica,
fizesse essa mágica de me aparecer só mais uma vez, não precisava ficar, se mostrasse só um instante, ao menos mais uma vez, só mais uma! Quando fiquei sem
lágrimas, encostei a cabeça no banco e não sei como dormi. Então sonhei e no sonho Deus me apareceu, quer dizer, senti que ele pegava na minha mão com sua
mão de luz. E vi o meu menino brincando com o Menino Jesus no jardim do Paraíso. Assim que ele me viu, parou de brincar e veio rindo ao meu encontro e me
beijou tanto, tanto… Era tamanha sua alegria que acordei rindo também, com o sol batendo em mim.
Fiquei sem saber o que dizer. Esbocei um gesto e em seguida, apenas para fazer alguma coisa, levantei a ponta do xale que cobria a cabeça da criança. Deixei cair
o xale novamente e voltei-me para o rio. O menino estava morto. Entrelacei as mãos para dominar o tremor que me sacudiu. Estava morto. A mãe continuava a niná-
lo, apertando-o contra o peito. Mas ele estava morto.
Debrucei-me na grade da barca e respirei penosamente: era como se estivesse mergulhada até o pescoço naquela água. Senti que a mulher se agitou atrás de mim.
— Estamos chegando — anunciou.
(TELLES, 2013)
Foco no conteúdo
Leitura de um conto
Apanhei depressa minha pasta. O importante agora era sair, fugir antes que ela descobrisse, correr para longe daquele horror. Diminuindo a marcha, a barca fazia
uma larga curva antes de atracar. O bilheteiro apareceu e pôs-se a sacudir o velho que dormia:
— Chegamos!… Ei! chegamos!
Aproximei-me evitando encará-la.
— Acho melhor nos despedirmos aqui — disse atropeladamente, estendendo a mão.
Ela pareceu não notar meu gesto. Levantou-se e fez um movimento como se fosse apanhar a sacola. Ajudei-a, mas ao invés de apanhar a sacola que lhe estendi,
antes mesmo que eu pudesse impedi-lo, afastou o xale que cobria a cabeça do filho.
— Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.
— Acordou?!
Ela sorriu:
— Veja…
Inclinei-me. A criança abrira os olhos – aqueles olhos que eu vira cerrados tão definitivamente. E bocejava, esfregando a mãozinha na face corada. Fiquei olhando
sem conseguir falar.
— Então, bom Natal! — disse ela, enfiando a sacola no braço.
Sob o manto preto, de pontas cruzadas e atiradas para trás, seu rosto resplandecia. Apertei-lhe a mão vigorosa e acompanhei-a com o olhar até que ela
desapareceu na noite.
Conduzido pelo bilheteiro, o velho passou por mim retomando seu afetuoso diálogo com o vizinho invisível. Saí por último da barca. Duas vezes voltei-me ainda
para ver o rio. E pude imaginá-lo como seria de manhã cedo: verde e quente. Verde e quente.
(TELLES, 2013)
Foco no conteúdo
Lygia Fagundes Telles (1923-2022) foi uma escritora brasileira considerada
uma das maiores autoras da literatura nacional. Nascida em São Paulo,
começou a escrever ainda jovem, publicando seu primeiro livro de contos aos
15 anos. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo, onde
conviveu com importantes intelectuais da época, o que influenciou sua
carreira literária.
Lygia é conhecida por obras que exploram temas como a condição feminina,
a complexidade das relações humanas e a busca por identidade. Sua escrita
é marcada por uma profunda análise psicológica de seus personagens. Entre
seus trabalhos mais notáveis, estão os romances Ciranda de pedra (1954),
Verão no aquário (1963) e As meninas (1973), além de diversos contos.
Ao longo de sua carreira, recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio
Camões em 2005, o mais importante da literatura em língua portuguesa.
Lygia também foi membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a Reprodução – AUGUSTO
cadeira nº 16. Sua obra é amplamente estudada, tanto no Brasil quanto CANUTO/WIKIMEDIA COMMONS,
2013. Disponível em:
internacionalmente, pela profundidade e universalidade de seus temas. [Link]
e:Lygia_Fagundes_Telles_-
_MinC_(7)_cropped.jpg. Acesso em:
14 fev. 2025.
Foco no conteúdo
Discutam as seguintes questões:
1. Qual é o foco narrativo e o tipo de narrador do conto lido?
2. Que efeito foi obtido com essas escolhas?
Foco no conteúdo
CORREÇÃO
1. Qual é o foco narrativo e o tipo de narrador do conto lido?
O foco narrativo de “Natal na barca”, de Lygia Fagundes Telles, é em primeira pessoa, com
narrador-personagem. A narradora participa da história, contando os eventos a partir de sua
própria perspectiva.
2. Que efeito foi obtido com essas escolhas?
Essa escolha de foco narrativo também traz um tom mais subjetivo à narrativa; as
percepções e os sentimentos da narradora influenciam a interpretação dos fatos.
Foco no conteúdo
Personagens são seres que participam
da história, podendo ser pessoas,
animais ou, até mesmo, entidades
Elementos da narrativa fictícias. Eles são os responsáveis por
vivenciar os eventos do enredo. Podem
ser principais (protagonistas) ou
secundários.
O narrador é a voz que
conta a história. Ele pode ser
classificado como:
O tempo se refere ao período em
narrador-personagem,
que os eventos da história ocorrem.
narrador-onisciente e
Pode ser o tempo cronológico,
narrador-observador.
que segue uma linha temporal
linear, ou o tempo psicológico,
que está relacionado à percepção
subjetiva do tempo pelos
personagens.
O espaço é o ambiente físico ou
geográfico onde a narrativa ocorre. Pode
ser um lugar real ou imaginário; também O enredo é a sequência de eventos que
pode influenciar diretamente a atmosfera compõem a história. Ele é formado por uma
e o desenvolvimento do enredo. série de ações e acontecimentos que se
desenvolvem ao longo da narrativa.
Foco no conteúdo
Elementos da narrativa no conto Como o espaço e o
Os personagens que tempo contribuem
“Natal na barca” participam da narrativa são para a construção
a narradora, a mulher com do sentido do conto
o bebê e outros “Natal na barca”?
No conto lido, a passageiros da barca.
narradora é do tipo Que reflexões
narrador- O conto ocorre sobre a realidade
personagem, pois a em um período são possíveis a
história é contada muito partir da leitura do
pela própria específico: conto?
personagem que durante a
participa dos eventos véspera de
descritos. Natal.
No conto, a narradora embarca em uma barca na
A barca é o espaço véspera de Natal para atravessar um rio com outros
físico onde toda a passageiros. Durante a travessia, uma mulher
narrativa se pobre entra na barca carregando um bebê
desenrola. visivelmente doente. Ao contar sua história, ela
revela a angústia e o sofrimento de não poder
cuidar adequadamente de seu filho.
Foco no conteúdo
Estrutura da narrativa: o enredo
1 2 3 4
Situação inicial Conflito Clímax Desfecho
São apresentados O enredo começa a Ponto de maior A tensão diminui à
os personagens se desenvolver com tensão ou emoção medida que o
principais, o cenário a introdução de um na narrativa. É o conflito se resolve.
(tempo e espaço) e conflito ou problema momento crucial em Os personagens
o contexto geral da que os que o conflito atinge lidam com as
história. personagens seu ápice e as consequências do
precisarão consequências das clímax, e a narrativa
enfrentar. É nessa ações dos caminha para uma
parte que a ação personagens são conclusão. O
começa a se decisivas. O clímax desfecho pode
intensificar, e os representa o ponto incluir a resolução
personagens são de virada da de subtramas e o
colocados em história, em que os fechamento de
situações que os eventos tomam um arcos dos
desafiam. rumo irreversível. personagens.
Foco no conteúdo
Estrutura da narrativa: o enredo do conto “Natal na barca”
1 2 3 4
Situação inicial Conflito Clímax Desfecho
O conto começa O conflito central O clímax ocorre No desfecho, a
com a narradora em surge quando uma quando a protagonista
uma barca mulher com um protagonista pensa percebe que a
atravessando um bebê doente revela que o filho da criança está viva.
rio na véspera de seu sofrimento e a mulher com quem Também ocorre a
Natal. Ela descreve angústia de não conversa está despedida das duas
a atmosfera poder cuidar morto. mulheres.
melancólica e a adequadamente da
situação das outras criança.
pessoas ao seu
redor.
Estrutura da narrativa: o enredo
Pause e responda
Qual das seguintes partes da estrutura narrativa é responsável
por apresentar personagens, cenário e contexto inicial da história,
preparando o leitor para os eventos que se seguirão?
Clímax. Desfecho.
Situação inicial. Conflito.
Correção – Estrutura da narrativa: o enredo
Pause e responda
Qual das seguintes partes da estrutura narrativa é responsável
por apresentar personagens, cenário e contexto inicial da história,
preparando o leitor para os eventos que se seguirão?
Clímax. Desfecho.
Situação inicial. Conflito.
Foco no conteúdo
Advérbios e locuções adverbiais na narrativa Advérbio: é uma palavra que modifica ou
Os advérbios e locuções adverbiais ajudam a situar o leitor no intensifica o sentido de um verbo, adjetivo
tempo, no espaço e no estado emocional dos personagens. ou outro advérbio, indicando
circunstâncias como tempo, modo, lugar,
intensidade, dúvida, afirmação, negação,
entre outros. Exemplos de advérbios
Locução adverbial de incluem “rapidamente” (modo), “hoje”
Na embarcação lugar: situa onde se (tempo), “aqui" (lugar), “muito”
desconfortável, tosca, desenrola a narrativa. (intensidade), “sim” (afirmação) e “não”
apenas quatro (negação).
passageiros. Uma
Locução adverbial: é um conjunto de
lanterna nos iluminava Locução adverbial de duas ou mais palavras que, juntas,
com sua luz vacilante: modo: indica a forma desempenham a função de um advérbio,
um velho, uma mulher como os personagens ou seja, modificam ou intensificam o
sentido de um verbo, adjetivo ou outro
com uma criança e eu.” são iluminados.
advérbio, indicando as mesmas
(TELLES, 2013)
circunstâncias que os advérbios
individuais. Exemplos de locuções
adverbiais incluem “à noite” (tempo), “de
Apanhei depressa Advérbio de modo: indica repente” (modo), “em cima” (lugar), “de
como a ação foi vez em quando” (frequência) e “sem
minha pasta.” dúvida” (afirmação).
(TELLES, 2013) realizada.
Na prática Atividade 1 Veja no livro! 10 minutos
— Chegamos!… Ei! chegamos!
Advérbios e locuções Aproximei-me evitando encará-la.
— Acho melhor nos despedirmos aqui — disse atropeladamente,
adverbiais na construção estendendo a mão.
Ela pareceu não notar meu gesto. Levantou-se e fez um movimento
do enredo como se fosse apanhar a sacola. Ajudei-a, mas ao invés de apanhar a
sacola que lhe estendi, antes mesmo que eu pudesse impedi-lo,
Leia o trecho final do conto “Natal afastou o xale que cobria a cabeça do filho.
— Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma
na barca”, de Lygia Fagundes febre.
Telles. — Acordou?!
Ela sorriu:
1) Releia o trecho e transcreva — Veja…
um advérbio ou locução Inclinei-me. A criança abrira os olhos – aqueles olhos que eu vira
cerrados tão definitivamente. E bocejava, esfregando a mãozinha na
adverbial de: face corada. Fiquei olhando sem conseguir falar.
a) modo. — Então, bom Natal! — disse ela, enfiando a sacola no braço.
b) tempo. Sob o manto preto, de pontas cruzadas e atiradas para trás, seu rosto
resplandecia. Apertei-lhe a mão vigorosa e acompanhei-a com o olhar
c) lugar. até que ela desapareceu na noite.
Conduzido pelo bilheteiro, o velho passou por mim retomando seu
2) Explique como esses afetuoso diálogo com o vizinho invisível. Saí por último da barca. Duas
advérbios e locuções vezes voltei-me ainda para ver o rio. E pude imaginá-lo como seria de
manhã cedo: verde e quente. Verde e quente.”
contribuem para a construção (TELLES, 2013)
do enredo.
Na prática Atividade 1 Veja no livro!
CORREÇÃO
1) Releia o trecho e transcreva um advérbio ou locução adverbial de:
a) modo.
Atropeladamente (modo): “— Acho melhor nos despedirmos aqui — disse atropeladamente,
estendendo a mão.”
Transmite a pressa e o nervosismo da personagem ao se despedir, indicando uma situação tensa e
apressada. Contribui para criar um clima de urgência.
b) tempo.
Agora (tempo): “E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.”
Ainda (tempo): “Duas vezes voltei-me ainda para ver o rio.”
Antes mesmo (tempo): “[...] mas ao invés de apanhar a sacola que lhe estendi, antes mesmo que eu
pudesse impedi-lo, afastou o xale [...]”
Até que (tempo): “Apertei-lhe a mão vigorosa e acompanhei-a com o olhar até que ela desapareceu na
noite.”
Por último (tempo): “Saí por último da barca.”
De manhã cedo (tempo): “E pude imaginá-lo como seria de manhã cedo: verde e quente.”
c) lugar.
Aí (lugar): “E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.”
(TELLES, 2013)
Na prática Atividade 1 Veja no livro!
CORREÇÃO
2) Explique como esses advérbios e locuções contribuem para a construção do
enredo.
Advérbios:
Atropeladamente: transmite a pressa e o nervosismo da personagem ao se despedir, indicando
uma situação tensa e apressada. Contribui para criar um clima de urgência.
Agora e aí: ancoram o momento presente e marcam uma mudança no estado da criança. Enfatizam
a surpresa e o alívio no ato de descobrir que a criança está bem.
Ainda: reforça o impacto emocional da personagem com os acontecimentos.
Locuções adverbiais:
Antes mesmo, até que, por último e de manhã cedo: situam temporalmente as ações, marcam a
sequência dos eventos e orientam o leitor na cronologia da história.
Encerramento 5 minutos
De acordo com o que foi estudado hoje, conversem sobre:
• Como o conflito central da história é introduzido e desenvolvido ao longo da narrativa?
Quais estratégias a autora utiliza para manter o interesse do leitor?
Referências
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA
(INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), 2023. Prova de Linguagens, Códigos e
suas Tecnologias e Redação; Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, 1o dia, Caderno
1 – Azul. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 14 fev. 2025.
KHAN ACADEMY BRASIL. O foco narrativo em uma história. YouTube, 21 ago. 2020.
Disponível em: [Link] Acesso em: 14 fev. 2025.
LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre:
Penso, 2023.
ROSENSHINE, B. Principles of instruction: research-based strategies that all teachers should
know. American Educator, v. 36, n. 1, Washington, 2012, pp. 12-19. Disponível em:
[Link] . Acesso em:14 fev. 2025.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020.
Disponível em: [Link]
content/uploads/2023/02/CURR%C3%8DCULO-PAULISTA-etapa-Ensino-
M%C3%A9dio_ISBN.pdf. Acesso em: 14 fev. 2025.
Referências
TELLES, L. F. Natal na barca – Conto de Lygia Fagundes Telles. Portal do Conto Brasileiro, 4
maio 2013. Disponível em: [Link]
fagundes-telles. Acesso em: 14 fev. 2025.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UERJ). Vestibular Estadual 2024, 2023.
2o Exame de Qualificação. Disponível em:
[Link] Acesso em: 14 fev. 2025.
Identidade visual: imagens © Getty Images.
Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando Veja no livro!
1. (UERJ 2024 – Adaptada) A questão
refere-se ao livro Anos de chumbo e Saudades dela não tenho, nem
outros contos, de Chico Buarque. lembranças pungentes, nada.
No trecho, o narrador considera a possibilidade Quando a relembro, penso num
de reescrever o próprio conto em terceira tempo meio que girando em falso,
pessoa. Essa possibilidade de reescritura em
terceira pessoa, a partir dos sentimentos do
meio que transcorrendo sempre no
narrador, sugere a necessidade deste em: presente, meio que sendo um
gerúndio, por assim dizer. Melhor
A relatar suposição. dizendo, penso nela como um
episódio estanque, sem antes nem
depois, já destacado de mim. Para
B preservar memória. mim soaria inverossímil a nossa
relação, se eu mesmo não a tivesse
registrado neste conto, que talvez
C marcar afastamento. reescreva amanhã na terceira
pessoa.” (p. 149)
D questionar realidade.
Aprofundando Veja no livro!
1. (UERJ 2024 – Adaptada) A questão
refere-se ao livro Anos de chumbo e
outros contos, de Chico Buarque.
No trecho, o narrador considera a possibilidade
de reescrever o próprio conto em terceira
A frase “penso nela como um
pessoa. Essa possibilidade de reescritura em episódio estanque, sem
terceira pessoa, a partir dos sentimentos do antes nem depois, já
narrador, sugere a necessidade deste em: destacado de mim” revela
que o narrador gostaria de
A relatar suposição.
usar a terceira pessoa para
relatar os fatos como mero
intérprete, afastando da
B preservar memória.
memória o envolvimento
sentimental que o ligara
marcar afastamento. àquela mulher.
C
D questionar realidade.
Aprofundando Veja no livro!
2. (ENEM 2023) Dão Lalalão Nesse trecho do conto, o gosto dos moradores
Do povoado do Ão, ou dos sítios perto, alguém precisava urgente de do povoado por ouvir a novela de rádio
querer vir por escutar a novela do rádio. Ouvia-a, aprendia-a, recontada por Soropita deve-se ao(à):
guardava na ideia, e, retornado ao Ão, no dia seguinte, a repetia a
outros.
A qualidade do som do rádio.
Assim estavam jantando, vinham os do povoado receber a nova
parte da novela do rádio. Ouvir já tinham ouvido tudo, de uma vez,
fugia da regra: falhara ali no Ão, na véspera, o caminhão de um
comprador de galinhas e ovos, seo Abrãozinho Buristém, que B estabilidade do enredo
carregava um rádio pequeno, de pilhas, armara um fio no arame da contado.
cerca... Mas queriam escutar outra vez, por confirmação. – “A
estória é estável de boa, mal que acompridada: taca e não rende...”
– explicava o Zuz ao Dalberto. C ineditismo do capítulo da
novela.
Soropita começou a recontar o capítulo da novela. Sem trabalho, se
recordava das palavras, até com clareza – disso se admirava.
Contava com prazer de demorar, encher a sala com o poder de D jeito singular de falar aos
outros altos personagens. Tomar a atenção de todos, pudesse ouvintes.
contar aquilo noite adiante. Era preciso trazer luz, nem uns
enxergavam mais os outros; quando alguém ria, ria de muito longe.
E dificuldade de compreensão
O capítulo da novela estava terminando.
da história.
ROSA, J. G. Noites do sertão (Corpo de baile). São Paulo: Global, 2021.
Aprofundando Veja no livro!
(ENEM 2023) Nesse trecho do conto, o gosto dos
moradores do povoado por ouvir a novela de
rádio recontada por Soropita deve-se ao(à):
A qualidade do som do rádio.
O gosto dos moradores do
povoado por ouvir a novela B estabilidade do enredo
recontada por Soropita era contado.
causado pelo modo
C ineditismo do capítulo da
cativante com que o fazia. novela.
D jeito singular de falar aos
ouvintes.
E dificuldade de compreensão
da história.