Estatística Aplicada
Apostila I
O MÉTODO ESTATÍSTICO
1. HISTÓRICO
A Estatística é o ramo da Matemática Aplicada que teve origem no convívio social,
das trocas, da contagem, com caráter prático, empírico. Desde a antiguidade vários povos já
registravam o número de habitantes, de nascimento, de óbitos, faziam estimativas das
riquezas individuais e sociais, distribuíam equitativamente terras ao povo, cobravam impostos
e realizavam inquéritos quantitativos por processos que, hoje, chamaríamos de “estatísticas”.
Na Idade Média colhiam-se informações, geralmente com finalidades tributárias ou bélicas
(CRESPO, 2002).
A partir do século XVI, começaram a surgir as primeiras análises sistemáticas de fatos
sociais, como batizados, casamentos, funerais, originando as primeiras tabelas e os primeiros
números relativos. No século XVIII, o estudo de tais fatos foi adquirindo, aos poucos, feição
verdadeiramente científica. Godofredo Achenwall batizou a nova ciência (ou método) com o
nome de Estatística, determinando o seu objetivo e suas relações com as ciências. As tabelas
tornaram-se mais completas, surgiram as representações gráficas e o cálculo das
probabilidades, e a Estatística deixou de ser simples catalogação de dados numéricos
coletivos para se tornar o estudo de como chegar a conclusões sobre o todo (população),
partindo da observação das partes desse todo (amostras).
2. A ESTATÍSTICA
No nosso cotidiano geralmente damos “palpites” com relação a acontecimentos
futuros em nossas vidas, a fim de prever o que acontecerá em novas situações ou
experiências. Por exemplo, poderíamos votar em algum candidato que prometesse resolver os
nossos problemas, ou apostar na megasena. Em ambos os casos podemos acertar ou errar.
De modo mais ou menos semelhante, o cientista tem idéias sobre a realidade (idéias
que ele denomina hipóteses) e freqüentemente testa suas idéias através de pesquisa
sistemática, aumentando assim o seu conhecimento dos problemas e das conseqüências deste
problema em seu campo de estudos.
Crespo (2002) define a Estatística como a ciência que envolve a coleta, a classificação,
o resumo, a organização, a análise e a interpretação da informação numérica oriunda de
estudos ou experimentos, realizados em qualquer área do conhecimento. A Estatística é
dividida em:
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• Estatística Descritiva: consiste na utilização de métodos numéricos e gráficos
para mostrar os padrões de comportamento dos dados, para resumir a informação
contida nesses dados e para apresentar a informação de forma conveniente.
• Inferência Estatística: consiste na utilização de métodos inferenciais que
permitam conclusões que transcendam os dados obtidos inicialmente.
Assim, a análise e a interpretação dos dados estatísticos tornam possível o diagnóstico
de problemas, a formulação de soluções apropriadas e um planejamento objetivo de ação.
3. O MÉTODO ESTATÍSTICO
3.1. OS MÉTODOS CIENTÍFICO, EXPERIMENTAL E ESTATÍSTICO
Muitos dos conhecimentos que temos foram obtidos na Antiguidade por acaso, por
necessidades práticas, sem aplicação de um método. Atualmente, quase todo acréscimo de
conhecimento resulta da observação e do estudo desenvolvido através de processos
científicos.
Podemos dizer, então, que Método é um conjunto de meios dispostos
convenientemente para se chegar a um fim que se deseja. Dos métodos científicos, vamos
destacar o método experimental e o estatístico (CRESPO, 2002).
O método experimental consiste em manter constantes todas as causas (fatores) que
influenciam um determinado fenômeno, menos uma, e variar esta causa de modo que o
pesquisador possa descobrir seus efeitos, caso existam. O método experimental é muito
utilizado para resolver problemas de causa-e-efeito. Nesse tipo de pesquisa há interferência
constante do pesquisador, que exerce controle sobre o método em estudo e a quantidade de
dados é pequena (MALHOTRA, 2011). Exemplo: Pesquisa sobre a comparação entre dois
tipos de medicamento, sendo que um deles já é bastante utilizado e o outro não.
Muitas vezes temos necessidade de descobrir fatos em um campo em que o método
experimental não se aplica, já que normalmente, os vários fatores que afetam o fenômeno em
estudo não podem permanecer constantes enquanto fazemos variar a causa que, naquele
momento, nos interessa (CRESPO, 2002). Como exemplo, podemos citar a determinação das
causas que definem o preço de uma mercadoria. Para aplicarmos o método experimental
poderíamos fazer variar a quantidade da mercadoria e verificar se tal fato iria influenciar seu
preço. Porém, seria necessário que não houvesse alteração nos outros fatores. Assim, deveria
existir no momento da pesquisa uma uniformidade dos salários no mercado local, o gosto dos
consumidores deveria permanecer constante, seria necessária a fixação do nível geral dos
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preços das outras necessidades, etc. Mas isso tudo é impossível. Nesses casos lançamos mão
de outro método, chamado de método estatístico.
Diante da impossibilidade de manter todas as causas de um fenômeno constantes, o
método estatístico admite todas variando. Registram-se essas variações através de
questionários ou entrevistas e procura-se determinar, no resultado final, que influências
cabem a cada uma delas. Nesse tipo de pesquisa a observação é feita com pouca interferência
do pesquisador e a quantidade de dados gerados é grande (MALHOTRA, 2011). Exemplo:
Censo realizado pelo IBGE.
3.2. FASES DO MÉTODO ESTATÍSTICO
Crespo (2002) define o método estatístico em cinco fases: o planejamento da pesquisa,
a coleta dos dados, a crítica dos dados, o processamento dos dados, a apresentação dos dados
e a análise dos resultados.
3.2.1. O PLANEJAMENTO DE UMA PESQUISA
Antes de se iniciar o processo de pesquisa, é importante que haja planejamento. Ele é
imprescindível para que não ocorram falhas, ré-trabalho, gasto não previsto e perda de tempo
desnecessária. O planejamento de uma pesquisa é formado por quatro etapas: a definição do
problema, a definição dos objetivos da pesquisa, a definição do tipo de pesquisa e a definição
do tipo de coleta.
a) Definição do Problema
O planejamento de uma pesquisa começa pela definição do problema que será
estudado. Deve-se ter bem claro qual o objeto de pesquisa e o que se quer determinar
através desse objeto. Uma ampla revisão da literatura referente ao tema em estudo
pode ser muito útil nesta fase inicial da pesquisa.
b) Os Objetivos de uma Pesquisa
Os objetivos de uma pesquisa determinam o direcionamento do estudo, sendo a
base das próximas fases do planejamento. O objetivo geral corresponde à
característica que queremos observar ou medir. O objetivo específico indica a forma
que será utilizada para indicar a característica observada. Abaixo temos alguns
exemplos de pesquisas e seus objetivos:
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Exemplo 1: A fim de elaborar um cadastro, e posteriormente um relatório de
características gerais, um pesquisador está interessado em traçar um perfil dos
funcionários da Companhia MB.
O objetivo geral, neste caso, é conhecer o perfil dos funcionários da
Companhia MB. Já os objetivos específicos poderiam ser os seguintes:
• Conhecer a idade média dos funcionários;
• Conhecer o grau de instrução dos funcionários;
• Conhecer o salário médio dos funcionários;
• Verificar o número de filhos dos funcionários;
• Analisar a opinião dos funcionários sobre a empresa.
Exemplo 2: O presidente de uma empresa que fabrica lâmpadas está
interessado em conhecer o grau de satisfação dos seus clientes em relação ao seu
produto.
O objetivo geral, neste caso, é identificar o grau de satisfação dos clientes em
relação às lâmpadas fabricadas pela empresa. Os objetivos específicos poderiam ser:
• Identificar o grau de satisfação dos clientes em relação à duração da
lâmpada;
• Identificar o grau de satisfação dos clientes em relação ao preço da
lâmpada;
• Identificar o grau de satisfação dos clientes em comparação com outras
marcas de lâmpada.
c) O Tipo de Pesquisa
É nesta fase do planejamento que o pesquisador define se utilizará o método
experimental ou estatístico, já citados anteriormente (tópico 3.1). É também nesta fase
que se define a utilização ou não de amostragem.
d) O Tipo de Coleta
Aqui o pesquisador define o tipo de coleta de dados que utilizará e a
periodicidade em que será realizada. A coleta dos dados consiste na obtenção dos
dados numéricos e alfanuméricos que descrevem o fenômeno em estudo. Vale
ressaltar que esta fase acontece após a definição das características do fenômeno
passíveis de mensuração.
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Crespo (2002) afirma que a coleta pode ser direta ou indireta. Na coleta
direta as informações vêm de registro (exemplo: nascimentos e óbitos, casamentos,
freqüência de alunos, etc) ou de coleta realizada pelo próprio pesquisador através de
inquéritos e questionários (exemplo: censo demográfico, avaliação de professor, etc).
A coleta direta de dados pode ser classificada, relativamente ao fator tempo, em:
• Contínua (registro): quando feita continuamente, tal como a de nascimentos
e óbitos e a de freqüência de alunos às aulas;
• Periódica: quando feita em intervalos constantes de tempo, como os censos
(de 10 em 10 anos) e as avaliações mensais de alunos;
• Ocasional: quando feita extemporaneamente, a fim de atender a uma
conjuntura ou a uma emergência, como no caso de epidemias que assolam ou
dizimam rebanhos inteiros.
Na coleta indireta a informação é inferida de elementos conhecidos (coleta
direta) e/ou de conhecimentos de outros fenômenos relacionados ao fenômeno
estudado. Ex: pesquisa sobre a mortalidade infantil, que é feita através de dados
oriundos de coleta direta (CRESPO, 2002).
Às vezes, as informações em estudo já existem em alguma publicação ou
arquivo, não sendo necessário obter os dados diretamente. Neste caso os dados são
chamados de secundários. A existência de dados secundários pode reduzir
substancialmente o tempo e os custos da pesquisa, sendo importante uma ampla
verificação do que já existe a respeito da característica em estudo (MALHOTRA,
2011). Exemplo: Numa pesquisa sobre o grau de instrução dos funcionários de uma
determinada empresa, os dados poderiam ser obtidos no setor de departamento
pessoal.
Malhotra (2011) afirma ainda que quando os dados precisam ser levantados
observando-se diretamente as características em estudo, eles são chamados de
primários. Para os dados primários é necessário elaborar um instrumento de coleta
chamado questionário. Exemplo: Numa pesquisa de opinião sobre a satisfação dos
moradores de uma determinada cidade com os políticos locais, é necessária a obtenção
dos dados através da aplicação de um questionário.
3.2.2. A COLETA DOS DADOS
Como vimos anteriormente, se o tipo de coleta escolhida for a direta, duas
ferramentas podem ser utilizadas: o registro ou o questionário.
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Os dados oriundos de registro geralmente são obtidos junto a órgãos e instituições que
detêm um grande número de informações. Já a utilização do questionário requer extremo
cuidado na elaboração e na aplicação do mesmo. Por compreender um planejamento
específico, o processo de coleta por questionário merecerá um tratamento especial no Tópico
3.3.
3.2.3. A CRÍTICA DOS DADOS
A crítica dos dados consiste em analisar cuidadosamente os dados coletados,
verificando possíveis falhas que possam influir nos resultados (CRESPO, 2002). Exemplo:
observar uma possível má interpretação das perguntas por parte do entrevistado, observar um
possível erro de digitação no registro, etc.
3.2.4. O PROCESSAMENTO DOS DADOS
O processamento dos dados consiste na organização dos dados, dispondo-os de
forma criteriosa. Exemplo: digitação, classificação em ordem crescente, soma, etc.
Tabela 1 – Exemplo de arquivo digital de dados.
2. 3. 4. 5. OPINIÃO 6. OPINIÃO 7. OPINIÃO
ORDEM 1. NOME
SEXO IDADE SALÁRIO CHEFE EMPRESA AMBIENTE
1 Adalberto M. Silva M 28 785 Satisfeito Mais ou Menos Mais ou Menos
2 Amélia S de Souza F 24 955 Satisfeito Mais ou Menos Satisfeito
3 Bruno de S. Carvalho M 26 973 Mais ou Menos Satisfeito Satisfeito
4 Caio V. Junqueira M 26 1193 Insatisfeito Insatisfeito Satisfeito
5 Daniela C. Gonçalves F 23 733 Mais ou Menos Mais ou Menos Mais ou Menos
6 David B. Ramalho M 29 811 Mais ou Menos Satisfeito Satisfeito
7 Eliza N. Batista F 30 1091 Satisfeito Mais ou Menos Insatisfeito
8 Emilia de S. Ferreira F 31 973 Satisfeito Mais ou Menos Satisfeito
9 Everton F. Bentes M 23 1365 Insatisfeito Insatisfeito Insatisfeito
10 Getúlio V. Porto M 32 815 Satisfeito Satisfeito Mais ou Menos
11 Ítalo P. Bastos M 27 909 Mais ou Menos Satisfeito Mais ou Menos
12 Janaína N. Matias F 25 1018 Insatisfeito Mais ou Menos Satisfeito
13 João B. S. da Silva M 30 741 Insatisfeito Insatisfeito Mais ou Menos
14 Júlia K. Maciel F 23 940 Insatisfeito Mais ou Menos Mais ou Menos
15 Maria B. de Souza F 25 848 Insatisfeito Mais ou Menos Insatisfeito
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3.2.5. A APRESENTAÇÃO DOS DADOS
A apresentação dos dados consiste na sintetização dos dados colocando-os de forma
adequada, de fácil observação para uma posterior análise. Exemplo: tabelas e gráficos,
percentuais e taxas, etc.
3.2.6. A ANÁLISE DOS RESULTADOS
A análise dos resultados nos permite tirar conclusões sobre o fenômeno em estudo
através dos dados coletados. Fica atendido assim o objetivo maior da Estatística que é tirar
conclusões sobre o todo (população) a partir de informações fornecidas por parte
representativa do todo (amostra).
3.3. O PROCESSO DE COLETA POR QUESTIONÁRIO
O processo de coleta de dados utilizando a ferramenta questionário requer alguns
cuidados imprescindíveis para a veracidade e consistência das análises finais. Três etapas são
consideradas neste caso: a elaboração do questionário, a aplicação do questionário e o pré-
teste (MALHOTRA, 2011).
3.3.1. A ELABORAÇÃO DO QUESTIONÁRIO
A elaboração do questionário deve ser uma fase executada com muito cuidado. Um
questionário bem elaborado nos garante informações fidedignas, suficientes e a preço e tempo
razoáveis. É sempre interessante que a elaboração do questionário seja feita por uma equipe
com várias visões do problema estudado, o que evita a ocorrência de lacunas e falhas no
levantamento. Os procedimentos para a elaboração de um questionário são:
a) Identificar as características a serem levantadas
Com base nos objetivos específicos podemos identificar as características
(variáveis) que devem ser levantadas. Exemplo: Voltando ao Exemplo 1 citado
anteriormente, da Companhia MB, temos cinco objetivos específicos: conhecer a idade
média, o grau de instrução, o salário médio, o número de filhos e a opinião dos
funcionários. As variáveis que deverão ser levantadas são idade média, grau de
instrução, salário médio, número de filhos, opinião.
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b) Revisão bibliográfica
Para que as variáveis sejam medidas adequadamente, é necessária uma revisão
bibliográfica sobre o assunto. Existem muitos trabalhos que podem nos orientar sobre
como medir as variáveis que estamos levantando. Por exemplo, os questionários que o
IBGE utiliza para levantamento de dados socioeconômicos já foram amplamente
estudados e testados, podendo ser uma fonte de consulta confiável.
As Figuras 1 e 2 abaixo exemplificam algumas perguntas feitas pelo IBGE no
questionário da amostra do Censo 2000.
Figura 1 – Questões sobre naturalidade aplicadas no Censo 2000.
4.15 – MORA NESTE MUNICÍPIO DESDE QUE NASCEU? (Registre “SIM” somente para a
pessoa que nunca morou em outro Município)
SIM Passe para o quesito 4.27
NÃO
4.16 - HÁ QUANTO TEMPO MORA SEM INTERRUPÇÃO NESTE MUNICÍPIO?
ANOS
Figura 2 – Questões sobre características do domicílio aplicadas no Censo 2000.
2.05 – ESTE DOMICÍLIO É:
PRÓPRIO – JÁ PAGO Siga o quesito 2.06
PRÓPRIO – AINDA PAGANDO
ALUGADO Passe para o quesito 2.07
CEDIDO POR EMPREGADOR
CEDIDO DE OUTRA FORMA
OUTRA CONDIÇÃO
2.06 – O TERRENO EM QUE SE LOCALIZA ESTE DOMICÍLIO É:
PRÓPRIO
CEDIDO
OUTRA CONDIÇÃO
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c) Mensurar as características
Neste procedimento deve-se definir a forma de mensuração das variáveis que
serão levantadas.
Para as variáveis qualitativas, deve haver uma relação completa das
alternativas possíveis, às vezes sendo necessário incluir categorias como outros, não
sabe responder, não tem opinião, etc. Exemplo: A variável grau de satisfação pode
ser medida através de uma escala onde as alternativas possíveis poderiam ser 1 – não
sabe responder, 2 – completamente insatisfeito, 3 – insatisfeito, 4 – mais ou menos
satisfeito, 5 – satisfeito e 6 – completamente satisfeito.
Para as variáveis quantitativas, as unidades de medida devem estar bem
definidas e devem acompanhar as respostas. Exemplo: A variável peso pode ser
observada quantitativamente em quilos (kg), a variável altura em metros (m), etc.
d) Elaborar perguntas para cada característica
A elaboração das perguntas do questionário deve respeitar alguns critérios. Um
deles é a clareza. As perguntas devem ser feitas em linguagem compreensível para
todos os elementos da população, não deixando dúvidas de interpretação. Deve-se
considerar também a possibilidade de agilizar a entrevista através de perguntas
objetivas.
Outro critério que deve ser observado é a indução. É recomendável evitar
perguntas que induzam o entrevistado a alguma resposta. Por exemplo, voltando ao
Exemplo 2, sobre a empresa que fabrica lâmpadas, a pergunta referente ao grau de
satisfação dos clientes em comparação com outras marcas não deve conter exemplos
se a intenção do pesquisador é não induzir o entrevistado a dar alguma resposta
específica.
Por último, deve-se verificar a obviedade. Uma pergunta óbvia pode não
fornecer uma informação precisa. Por exemplo, uma pergunta referente à satisfação
dos funcionários de uma determinada empresa com o valor do salário que recebem
sempre será não se as opções de resposta forem somente sim ou não. A utilização de
uma escala de seis pontos, como a citada anteriormente, pode detectar melhor as
diferenças entre os entrevistados.
Nota: Questões com resposta aberta são recomendadas quando a intenção do pesquisador é
investigar com profundidade as informações prestadas pelo entrevistado. Diversas situações
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podem ocorrer neste caso, como falta de objetividade do entrevistado, interpretação
equivocada por parte do pesquisador, letra ilegível, tabulação complexa, etc. Se o pesquisador
está disposto a sacrificar a objetividade das respostas em prol do detalhamento, ele deve lidar
com as dificuldades que venham a surgir.
3.3.2. A APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO
A aplicação do questionário pode ser de duas formas. Em uma delas o questionário é
respondido pelo próprio elemento da população, sem que algum encarregado da pesquisa
auxilie no momento do preenchimento. Quando a pesquisa envolve aspectos íntimos dos
entrevistados, deve-se dar preferência a um questionário anônimo, pois o entrevistado se
sentirá à vontade para responder a todas as perguntas (MALHOTRA, 2011).
Quando a aplicação do questionário é feita por um entrevistador, que transcreve as
respostas ditas pelo entrevistado, pode haver ou não interferência sob forma de esclarecimento
de alguma pergunta. O entrevistador pode anotar aspectos que julgar relevantes, mas nunca
influenciando a resposta do entrevistado. Esse tipo de aplicação é a mais adequada quando
existe a possibilidade de pessoas não alfabetizadas serem entrevistadas.
A aplicação dos questionários deve ser homogênea. Havendo vários entrevistadores,
se faz necessário um treinamento prévio para garantir a semelhança na aplicação.
3.3.3. O PRÉ-TESTE
Antes do início da coleta dos dados, deve-se realizar um pré-teste para verificar a
eficiência do questionário elaborado. O pré-teste consiste na aplicação do questionário em
alguns indivíduos com características semelhantes às dos indivíduos da população em estudo.
Nesta fase, é possível detectar algumas falhas que tenham passado despercebidas durante a
elaboração do questionário, como a ocorrência de respostas não previstas ou a não
variabilidade de resposta em alguma pergunta. Durante o pré-teste, o tempo de aplicação do
questionário também pode ser estimado. Havendo alteração no questionário, realiza-se
novamente o pré-teste até que nenhuma correção seja mais necessária (MALHOTRA, 2011).
4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
• CRESPO, A. A. Estatística Fácil. 17ª edição. São Paulo: Editora Saraiva, 2002.
• MALHOTRA, N. K. Pesquisa de Marketing: foco na decisão. 3ª edição. São Paulo:
Editora Pearson Prentice Hall, 2011.
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