Capa_Busch_Caro candidato_P2.
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Fred Busch
Busch
É analista didata e supervisor no “Caro candidato é um livro verdadei-
Instituto Psicanalítico de Boston e ramente comovente que dá vida a
na Faculdade do Instituto e Socie- aspectos reais e pessoais da formação
dade de Estudos Psicanalíticos de analítica e da vida após a formação.
Los Angeles. Publicou mais de Como uma boa análise, a jornada de
setenta artigos de literatura psica- leitura das cartas desperta e ao mes-
nalítica e foi convidado a apresen- Neste livro pioneiro, psicanalistas seniores do mundo todo pro- mo tempo incentiva e estimula a
tar suas ideias sobre técnica clínica põem reflexões pessoais sobre sua formação, como foi tornar- curiosidade pelas muitas emoções
no mundo todo. Publicou quatro -se psicanalista e o que eles mais gostariam de transmitir ao conflitantes encontradas durante o
livros sobre o método psicanalíti- candidato de hoje. tempo da formação. Diferente de
co, os dois últimos pela Routledge: qualquer outra obra da literatura
C
Esta coletânea, com 42 cartas pessoais aos candidatos, ajuda
Caro candidato
Creating a Psychoanalytic Mind (2013) analítica até o momento, este livro
M
Y os analistas em formação e os recém-ingressados na profis-
e The Analyst’s Reveries: Explorations in é um guia a respeito de como ter
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são a refletirem sobre o que significa ser candidato a psicana-
Bion’s Enigmatic Concept (2019). compaixão pelo mundo interno e
lista e ingressar na profissão. As cartas abordam as ansieda-
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Organizador externo de alguém enquanto candi-
des, as ambiguidades, as complicações e os prazeres enfrenta-
CY
dato e futuro analista. Um livro
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dos nessas tarefas. A partir dessas reflexões, o livro serve Fred Busch
PSICANÁLISE
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poderosamente rico que todo candi-
como guia para essa experiência extremamente pessoal, dato deveria ler no início e no final
complexa e significativa, ajudando os leitores a considerar os do período de formação. Caro candi-
inúmeros significados diferentes de ser candidato de um dato se mostrará com certeza um
instituto de psicanálise.
Perfeito para candidatos e professores de psicanálise, este livro
Caro candidato companheiro reconfortante para can-
didatos de todo o mundo durante a
formação psicanalítica nos próxi-
inspira analistas de todos os níveis a pensar mais uma vez a
Analistas do mundo todo propõem reflexões mos anos.”
respeito dessa profissão impossível, mas fascinante, e a levar
pessoais sobre a formação, o ensino e a
em consideração seu desenvolvimento psicanalítico pessoal.
profissão de psicanalista Angela Vuotto
PSICANÁLISE Secretária do Conselho de Candidatos da APA
CARO CANDIDATO
Analistas do mundo todo propõem
reflexões pessoais sobre a formação,
o ensino e a profissão de psicanalista
Fred Busch
Tradução
Tania Mara Zalcberg
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Título original: Dear Candidate: Analysts from around the World Offer Personal
Reflections on Psychoanalytic Training, Education, and the Profession
Caro candidato: analistas do mundo todo propõem reflexões pessoais sobre a
formação, o ensino e a profissão de psicanalista
© 2020 Routledge
© 2023 Editora Edgard Blücher Ltda.
Tradução autorizada da edição em inglês publicada por Routledge, membro do
Taylor & Francis Group.
Publisher Edgard Blücher
Editores Eduardo Blücher e Jonatas Eliakim
Coordenação editorial Andressa Lira
Produção editorial Catarina Tolentino
Preparação de texto Bárbara Waida
Diagramação Roberta Pereira de Paula
Capa Leandro Cunha
Imagem da capa iStockphoto
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Angélica Ilacqua CRB-8/7057
Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4o andar Caro candidato : analistas do mundo todo
04531-934 – São Paulo – SP – Brasil propõem reflexões pessoais sobre a formação, o
Tel.: 55 11 3078-5366 ensino e a profissão de psicanalista / organizado
[email protected] por Fred Busch ; tradução de Tania Mara
www.blucher.com.br Zalcberg. – São Paulo : Blucher, 2023.
320 p.
Segundo o Novo Acordo Ortográfico,
conforme 6. ed. do Vocabulário Bibliografia
Ortográfico da Língua Portuguesa, ISBN 978-65-5506-763-7
Academia Brasileira de Letras,
julho de 2021.
1. Psicanálise I. Busch, Fred II. Zalcberg,
Tania Mara
É proibida a reprodução total ou parcial
por quaisquer meios sem autorização
escrita da editora. 23-1649 CDD 150.195
Todos os direitos reservados pela Editora Índices para catálogo sistemático:
Edgard Blücher Ltda. 1. Psicanálise
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Conteúdo
Introdução 11
1. Arthur Leonoff 15
2. Michael Diamond 23
3. Roosevelt Cassorla 31
4. Eric Marcus 37
5. Cláudio Laks Eizirik 45
6. Theodore Jacobs 51
7. Paola Marion 57
8. Otto F. Kernberg 65
9. Stefano Bolognini 69
10. Cordelia Schmidt-Hellerau 73
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8 conteúdo
11. Abel Mario Fainstein 83
12. Jay Greenberg 89
13. Heribert Blass 95
14. Elias e Elizabeth da Rocha Barros 103
15. Daniel Jacobs 111
16. Eike Hinze 119
17. Alan Sugarman 125
18. Paola Golinelli 133
19. Allannah Furlong 139
20. Barbara Stimmel 145
21. Abbot Bronstein 153
22. Cecilio Paniagua 159
23. Ellen Sparer 167
24. Harriet Wolfe 173
25. Maj-Britt Winberg 181
26. Arlene Kramer Richardson 187
27. Gohar Homayounpour 191
28. Ines Bayona 197
29. Donald Moss 203
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caro candidato 9
30. Virginia Ungar 209
31. Arnold Richards 215
32. Ellen Pinsky 219
33. H. Shmuel Erlich 225
34. Bent Rosenbaum 233
35. Fredric Perlman 239
36. Claudia Lucía Borensztejn 247
37. Jane Kite 255
38. Gabriela Goldstein 263
39. Eva Schmid-Gloor 269
40. Adriana Prengler 275
41. Rachel Blass 283
42. Donald Campbell 289
P.S. 297
Referências 299
Colaboradores 303
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1. Arthur Leonoff
Ottawa, Canadá
Caro candidato,
É uma honra compartilhar este momento de retrospecto da
minha formação psicanalítica. Essa tarefa dá um empurrão valio-
so em direção ao après coup, reimaginando o passado ou ao menos
como eu poderia vivenciar esse passado, na expectativa do que
vem a seguir. Na verdade, sempre há um “a seguir”. Uso a palavra
“imaginar” para destacar o aspecto criativo e dinâmico do recor-
dar. O que recordo parece estar vivo no presente. Assim como a
metáfora capta o conhecido para antecipar o desconhecido, o pas-
sado abre portas para o desafio atual.
De qualquer modo, minha recordação é o concentrado do que
vivenciei durante meus anos de instituto, em comparação a algo
empírico ou enciclopédico. Ao compartilhar isso com você, reali-
zarei um “dever duplo”, comunicando algo do que no meu caso
constituiu a formação psicanalítica e, em segundo lugar, o que
isso significa para mim hoje em termos de identidade e até de
ambição. Talvez possa ajudá-lo a imaginar sua própria carreira
em desenvolvimento.
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16 arthur leonoff
Por mais que em vários momentos eu tenha sentido necessi-
dade de refletir sobre minha formação analítica, de revisitar seus
valiosos ensinamentos, também precisei elaborar experiências
de desilusão. Sempre há algo a lamentar, a perda da inocência,
uma disfunção familiar que ameaça minar o que é mais precio-
so. Isso poderia descrever a formação psicanalítica, mas também
retrata a vida tal como é vivida – o precioso e o profano menos
em tensão combativa e mais como necessidade de elaborar um
meio-termo inevitável.
Ingressei na formação psicanalítica aos 38 anos como psicólo-
go que tinha começado a ler Freud durante a faculdade, mas tinha
encontrado aplicação real e excitante nas obras de inspiração ana-
lítica de David Rappaport e Roy Shafer sobre metapsicologia e tes-
tes projetivos. Em minha formação como psicólogo num hospital
psiquiátrico, fiquei surpreso que as apresentações de casos clínicos
eram adiadas se eu ainda não tivesse concluído a formulação dinâ-
mica que a equipe clínica estava ansiosa para ouvir e da qual de-
pendia. Compreender o paciente como pessoa jamais era garanti-
do, conforme aprendi. Foi algo que aguçou meu apetite.
Para mim, nunca teria sido suficiente desfrutar simplesmente
da busca intelectual da psicanálise. Precisaria ser algo que me tor-
nasse melhor clínico, com escopo e experiência mais amplos. Por
isso candidatei-me à formação para me tornar psicanalista.
Na época, e provavelmente até agora, não estava claro para
mim qual seria o destino da minha identidade como psicólogo,
mesmo que a profissão de psicólogo fosse a porta de entrada e a
estrutura legal na qual eu poderia exercer a prática e ganhar a
vida. No final, tem sido uma relação ambivalente, mais necessida-
de do que escolha. Se eu pudesse, teria desistido totalmente. A psi-
canálise tem sido meu métier, perspectiva e identidade de traba-
lho. Meus colegas e amigos incluem psicanalistas que conheci ao
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caro candidato 17
redor do mundo todo. Quaisquer que tenham sido as brechas nes-
se alicerce, as decepções encontradas ao longo do caminho, foram
amenizadas pelo carinho, pela consideração de colegas que povoam
nossa profissão em qualquer parte do mundo onde trabalhem. Po-
dem ser seu principal apoio quando soprarem os ventos da desilu-
são, como inevitavelmente acontecerá. Olhe além do seu local.
Assim, no meu caso, a psicanálise foi menos a identidade for-
mada e mais o reencontro de algo que inerentemente já me definia.
A formação foi apresentada pelo instituto no exato momento em
que o imaginei por meio das minhas aspirações e autoexpressão
pessoal. Nesse sentido, a psicanálise sempre serviu como objeto
subjetivo que é tanto eu quanto não eu. É muito pessoal, o que a
torna especial.
Se tornar-se analista é um processo transformador, como pa-
rece ser, tanto o instituto quanto o candidato devem fazer sua par-
te. Isso tem a ver com a ação centrípeta da formação analítica, que
cria o fermento a partir do qual a identidade psicanalítica pode
evoluir. Embora raramente discutida, a composição da classe é
importante. Entrei para uma turma de dez. Meus colegas candida-
tos eram brilhantes, criativos e bem-sucedidos. Foi emocionante e
dinâmico e, para mim pessoalmente, um alívio. O instituto mos-
trou-se justamente o terreno fértil que eu buscava.
Ao revisitar o currículo e os analistas que nos ensinaram, a
reminiscência reforça o quanto a dedicação deles ao ensino da
psicanálise ampliou suas contribuições muito reais. Vinham pro-
fessores de perto e de longe para complementar a pesada carga do
corpo docente local em meu pequeno instituto. Robert Langs e
Peter Swales, o controverso estudioso de Freud, vieram de Nova
York. Tivemos alunos de Kohut para nos ensinarem psicologia do
self, um analista de crianças de formação britânica para um ano
de observação de bebês e crianças pequenas, e um estudioso de
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18 arthur leonoff
história da medicina para nos apresentar as origens vienenses e
francesas que fizeram surgir a psicanálise. Em retrospecto, tudo
isso era importante. Era a educação que eu sempre quis, e eu a
prezava tanto quanto hoje. Era tanto fundamental como aspira-
cional, o que é muito abrangente.
A psicanálise entra pelos poros intelectuais e emocionais, onde
se mistura com outras influências para criar um amálgama singu-
lar. Comecei minha análise pessoal quatro anos antes de entrar no
instituto e continuei durante os quatro anos seguintes de formação.
O que não foi solucionado na primeira análise foi sanado em um
segundo tratamento de três anos. Se eu não tivesse feito o segundo
tratamento, teria dificuldade de acreditar em análise. Eu precisava
que funcionasse para mim onde era mais importante. Tenho a im-
pressão de que as carreiras analíticas devem construir-se com base
em uma análise pessoal sólida. Assim, deve ser boa, não apenas
suficientemente boa. Muito depende simplesmente disso.
As desilusões têm sido mais difíceis de superar, mas há um
benefício importante nesse trabalho. Faz parte da sabedoria. A
inspiração por trás do instituto foi um chefe perturbador do de-
partamento de psiquiatria da universidade, que, em sua liberalida-
de, importava talentos de todo o mundo analítico, apenas para se
indispor rapidamente com eles em contendas hostis. Na melhor
das hipóteses, o fato de esse analista ser o “pai” do instituto era
problemático. Ele quase nada teve a ver diretamente com a minha
formação, mas sua presença era desconcertante, uma fonte de
cisão e rancor que por anos agitou-se sob a superfície e causou
enorme impacto no instituto. Os analistas didatas que eram fun-
damentais para a implementação da formação precisavam manter
certa paz com ele, o que inevitavelmente os colocava ao lado dele
nos conflitos fragmentadores que minavam a coesão da pequena
comunidade analítica.
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caro candidato 19
Apesar da turbulência que envolveu nossa formação, havia
uma bolha protetora permitindo que a classe aprendesse em con-
junto de forma relativamente desimpedida. Houve até uma queixa
formal à Associação Psicanalítica Internacional (IPA) que foi in-
vestigada e considerada sem valor. A verdade é que recebíamos
um ensino psicanalítico excelente, por mais defeituosa que fosse a
embalagem. Isso se devia à elevada qualidade do ensino, à gestão
cuidadosa do Comitê de Formação e à qualidade dos candidatos.
A segunda fonte de desilusão, que poderá contradizer um
pouco o que eu disse anteriormente, foi a revelação de que nin-
guém menos que o diretor do instituto vinha tendo relações se
xuais com uma jovem desfavorecida que era sua paciente. Para os
candidatos em análise pessoal com ele (eu não era um deles), isso
deve ter sido desastroso. Ele supervisionou meu primeiro caso e,
apesar de tudo, devo admitir que aprendi muito com ele. Tam-
bém participou pessoalmente de todos os seminários, ao longo
dos quatro anos, prática que nunca vi duplicada. Recordo que
essa mácula desastrosa veio à tona após a conclusão dos seminá-
rios. Senti-me muito mal pela paciente e pela confusão e dor que
ela deve ter vivenciado.
Seria melhor se eu pudesse dizer que toda a comunidade ana-
lítica local e o que restava do Comitê de Formação uniram-se em
torno dos candidatos cercados. Infelizmente, não foi o que ocor-
reu. Houve apenas um silêncio ensurdecedor e ocorreu um abafa-
mento quase imediato. Isso incluiu a forclusão do nome dele e, até
certo ponto, da sua existência. Ao refletir sobre esse manejo da si-
tuação, percebo que isso teve muito a ver com o desamparo e a
interrupção da destrutividade desencadeada. Representou um
profundo ataque à sua profissão; seu desejo de despedaçá-la e es-
capar de qualquer prisão em que se percebesse vivendo. Foi menos
uma lição sobre a potencial destrutividade da sexualidade do que
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20 arthur leonoff
sobre como a destrutividade pode usar a sexualidade para dar va-
zão à sua fúria niilista.
Esses ataques a pacientes e colegas, à Sociedade e ao instituto e,
em última análise, à própria psicanálise são especialmente difíceis
para os candidatos. A destrutividade ricocheteia nas fileiras e amea
ça envenenar o poço em que os candidatos bebem avidamente. No
entanto, e pode ser surpreendente, o que mais me atingiu foi a pas-
sividade do meu instituto. A mensagem inconfundível era que a
análise pessoal é a ferramenta multifuncional para lidar com qual-
quer adversidade. Em outras palavras, converse a esse respeito com
seu analista. Algo que perdeu totalmente o sentido. Era uma res-
posta defensiva e de autoproteção inadequada. No mínimo, contu-
do, impulsionou-me a ser mais ativista em minha vida e minha
carreira. Embora os psicanalistas não sejam um cardume de peixes
nadando em ritmo coletivo, nossa responsabilidade ética deve ir
além do consultório. Acho que isso estimulou meu envolvimento
amplo e significativo na IPA, a que sou imensamente grato.
Assim, esse acontecimento adverso não destruiu o “bom” nem
me privou da oportunidade de ser analista. Há algo sobre o élan
vital da psicanálise, o fervor intelectual e a aspiração clínica de
ajudar as pessoas, que cria seu próprio impulso animador e volta-
do para o futuro. Não se tratava de curar pelo tempo, mas de in-
vestir em uma forma psicanalítica de trabalhar e pensar que pre-
servasse e fomentasse mesmo em meio à desilusão. Isso só se
aprofundou e ampliou com a experiência, o ensino e o estudo.
A psicanálise com certeza pode ser nostálgica, mas, se mergu-
lha no passado, o faz com uma temporalidade que une passado,
presente e futuro. Não posso dizer que o que esse mentor incorreto
fez era impensável. Na verdade, era o oposto – muito pensável, o
que o torna especialmente assustador. Essa história perseguiu a
psicanálise desde o início, embora muitas vezes repudiada como
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caro candidato 21
idiossincrasia perversa de algumas pessoas. Se esse incidente foi
mais a expressão de um trauma coletivo, o pensável deslizando
facilmente para o factível, então o risco à identidade é uma espécie
de nostalgia defensiva, idealizando e lavando um passado que tal-
vez nunca tenha existido. A psicanálise tem seus detratores exter-
nos, com certeza, mas seus verdadeiros inimigos vêm de dentro,
dos seus próprios membros. Isso não era algo que eu estivesse pre-
parado para saber na época, mas poderia ser resumido como: “a
psicanálise jamais consegue escapar da condição humana, da qual
só pode ser reflexo”.
Sou grato por ter tido um pai muito bom em minha vida. Éra-
mos amigos íntimos até sua morte, quando eu tinha 60 anos e ele,
92. Se sou nostálgico é graças a esse homem e a essa experiência
vivida na infância. Jamais seria Freud ou seu xará, o diretor de
formação desviante. Além disso, o “bom” estava firmemente re-
presentado em meu ego de trabalho e aprendizado, e nem mesmo
essa desilusão arrasadora destruiu a base que havia começado a se
formar antes mesmo de eu entrar no instituto.
Além do mais, nunca terei espaço nem tempo em minha vida
para abordar ou lamentar todas as desilusões acumuladas ao lon-
go do caminho, incluindo todas as ocasiões em que não consegui
viver de acordo com meus padrões e expectativas pessoais. Afinal,
optei por adotar a psicanálise, com todas as suas fragilidades,
como um empreendimento muito humano que faz muito mais
bem do que mal ao mundo. Certamente é possível adentrar o trau-
ma coletivo desorientador, que é profundo e intergeracional, mas
existe também o sonho coletivo, algo extremamente vibrante e re-
siliente. A disposição para a destrutividade existe em todos os as-
pectos da vida humana. A psicanálise não é exceção.
Agora entendo melhor por que os analistas trabalham bem até
e durante a velhice. Certamente, muitas vezes há uma questão
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22 arthur leonoff
financeira, trabalhamos “por demanda”, limitados pelas horas do
dia e pela energia, mas esse não é o principal motivo. Há o encan-
to de ser analista – a capacidade de ajudar profundamente as pes-
soas, de levá-las a mudanças mais profundas, de aprender o que
antes era incognoscível, e enquanto isso refinando cada vez mais
a capacidade analítica, que continua a crescer. É difícil para mim
imaginar desistir enquanto houver pacientes dispostos e ansiosos
para trabalhar comigo e lucrar com o que nós, enquanto grupo de
clínicos comprometidos, temos a oferecer.
Lembro-me de estar em uma conferência quando era um jo-
vem analista, a reunião anual da Sociedade Psicanalítica Cana-
dense. O falecido dr. Henry Kravitz, analista didata sênior de
Montreal e um de meus supervisores, discutia um caso. Ele pedira
ao apresentador para fazer uma pausa após ouvir o início da apre-
sentação, que ouvia pela primeira vez. O que se seguiu foi um sur-
preendente desenvolvimento da dinâmica, um eloquente retrato
clínico oferecido como uma série de hipóteses. Quando o apresen-
tador continuou, ficou claramente evidente para o público que o
que o dr. Kravitz tinha previsto se confirmava totalmente no ma-
terial clínico que se seguiu. Na época, pensei “Quero ser capaz de
fazer isso um dia”.
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2. Michael Diamond
Los Angeles, EUA
Caro candidato,
Quero compartilhar algumas reflexões que podem ajudá-lo a ti-
rar o máximo proveito da sua formação psicanalítica. Recordações
do meu tempo de candidato ao prosseguir de psicoterapeuta para
psicanalista, bem como experiências sucessivas como analista, pro-
fessor, supervisor, escritor e membro ativo de uma vibrante comuni-
dade analítica, desempenham um papel importante para dar forma
à minha contribuição para este livro único e muito necessário.
Agora que você se abriu para um modo de vida totalmente
singular como psicanalista, é útil lembrar que ser analista não só
exige trabalho duro e enorme responsabilidade, como também
talvez encarne a mais pessoal das carreiras – a saber, um meio de
vida que Freud considerava uma profissão “impossível”, pois apa-
rentemente era marcada por “resultados insatisfatórios” (dados
seus ideais irrealizáveis). Além disso, como candidato, as deman-
das temporais, financeiras e pessoais/familiares são amplas e, con-
sequentemente, paciência – consigo próprio, com os pacientes e
com o processo de aprendizagem analítica – é tudo! Espero
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24 michael diamond
esclarecer que os desafios de ser candidato definirão o curso para
uma jornada excepcionalmente rica e duradoura, embora muitas
vezes cheia de tensão, que mudará a direção de sua vida, propor-
cionando enormes oportunidades de constante aprendizado e
crescimento pessoal. Será possível surpreender-se ao descobrir,
enquanto trafega no domínio da psique, que pode haver grandes
mudanças nos tipos de relacionamento que você tem e, talvez, no
tipo de pessoas com quem você escolhe passar seu tempo. Por
muitas razões, então, o papel de sua psicanálise pessoal – além de
leituras, trabalhos do curso e experiência clínica supervisionada –
torna-se fundamental para navegar pelas trilhas à frente.
Como a condição de candidato em si dá ensejo a conflitos e
regressões inesperados, a escolha do psicanalista para a análise
pessoal torna-se vital. Portanto, é aconselhável fazer entrevistas
com vários possíveis analistas antes de escolher alguém a quem
seja possível possa confiar seus aspectos mais primitivos – al-
guém que, conforme a observação de um candidato, “pode su-
portar sua loucura”. Ainda assim, dadas as limitações inerentes
das análises didáticas, você poderá até querer fazer uma segunda
análise pós-formação (em geral com um analista não ligado ao
seu instituto de formação).
O que se inicia ao se tornar candidato se desenvolverá como
um projeto de carreira em que se espera que sua capacidade de
trabalhar com material inconsciente e compreender a vida psíqui-
ca se amplie. No entanto, trata-se de algo que invariavelmente tes-
tará sua capacidade de tolerar incertezas, confusão, insegurança e
sentimentos intensos, muitas vezes de maneiras que ocasionam
enorme vulnerabilidade. Além disso, especialmente por meio de
experiências úteis de supervisão e da sua análise pessoal, será ne-
cessário contar com sua capacidade de tolerar decepções, respon-
sabilidades e administrar o investimento narcísico em seu traba-
lho, muitas vezes com grande solidão interna. Apesar da intimidade
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caro candidato 25
no espaço analítico, estamos inexprimivelmente sozinhos nos as-
pectos mais profundos e importantes do nosso trabalho. Sua soli-
dão como analista deve tornar-se a âncora em que você afinal
pode encontrar seu caminho, muitas vezes em meio a condições
turbulentas e desconhecidas que o fato de ser candidato pode aju-
dá-lo a aprender a aceitar e até mesmo tolerar com curiosidade.
Freud deixou muito claro (em seu Esboço da psicanálise, publi-
cado postumamente em 1940) que o trabalho da sua vida na abor-
dagem da “psique” havia sido dedicado a compreender da maneira
mais completa possível o mundo da alma do homem. Ele estava
convencido de que, apesar da linguagem da metapsicologia, deve-
-se pensar (e, eu acrescentaria, relacionar-se com) a alma para
compreender seu sistema. Como muitas vezes é possível sentir-se
dominado por termos e conceitos psicanalíticos complexos, bem
como pela sobrecarga de experiências, é útil considerar que o tra-
balho clínico envolve fundamentalmente a alma, que, de acordo
com o pensamento de Freud (que surge do ponto de vista de John
Stuart Mill) implica “aquilo que sente”.
A partir desse nexo de trabalho analítico vivo experiencial
com a alma, a psicanálise exige que se tente fazer contato com o
que pode estar ocorrendo no mundo interno amplamente incons-
ciente do paciente para propiciar o que se reflete como “experiên-
cia de ser compreendido”. Algo que contrasta com obter compreen-
são por meio da atividade interpretativa do analista, inteligente,
mas inerte, baseada em teoria, distante do envolvimento emocio-
nal significativo. Exige muito mais que simplesmente tentar fazer
os pacientes se sentirem melhor ou livrá-los de sentimentos, sinto-
mas ou partes indesejadas do eu. Em suma, não há como escapar
da natureza pessoal do trabalho psicanalítico bem-sucedido que
traz desenvolvimento psicológico por meio do contato emocional
direto, criando um novo modo de se relacionar tanto com a nossa
mente quanto com a de nosso paciente.
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26 michael diamond
Como guia e investigador mais experiente e ousado da vida psí-
quica, a humanidade, a integridade, a compaixão e o compromisso
corajoso do analista para compreender o funcionamento mental
inconsciente trazem vida à psicanálise. À medida que encontre seu
caminho como candidato, seu enfoque deve ser a imersão na escuta
ao paciente, em vez de buscar escutar a confirmação de ideias teóri-
cas ou apaziguar seu supervisor ou professor. Isso é mais fácil dito
do que feito e é especialmente desafiador em virtude dos aspectos de
avaliação referentes ao fato de ser candidato. Persistência e fé no de-
senvolvimento pessoal são necessárias, apesar de vivenciarmos mo-
mentos frequentes de “não saber”, de repetição sem fim, repetidas
decepções, limitações perturbadoras e experiências intensas de con-
tratransferência. Vergonha – tanto entre candidatos e até mesmo
entre analistas mais experientes – ocorre com frequência ao expor-
mos nosso trabalho e limitações a colegas e supervisores. No entan-
to, saiba que certo nível de coragem, resistência, disciplina e deter-
minação persistente, bem como a consequente e merecida fé na
psicanálise, ajudarão a manter um espaço de reflexão e abertura
com a maioria dos pacientes (e com você).
Portanto, volto à ideia fundamental de desenvolver paciência,
que é de vital importância para quem for jovem no ofício. Embora,
como analistas, nosso ramo seja de palavras e linguagem, muitos
eventos que ocorrem na complexa e estruturada intimidade do es-
paço psicanalítico são inicialmente inexprimíveis, ocorrendo em
um território no qual nenhuma palavra jamais entrou. Como in-
térprete do inconsciente de outra pessoa, é necessário aprender a
permitir que suas opiniões interpretativas (ou seja, hipóteses)
amadureçam e se desenvolvam, o que, como aprendi, não pode ser
pressionado nem apressado. Há uma espécie de procriação mater-
na ou paterna muito semelhante a dar à luz; portanto, a arte do
trabalho cotidiano de análise que ultrapassa a técnica se assemelha
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caro candidato 27
à gestação que permite o amadurecimento e a geração de uma
compreensão profunda.
Como psicanalista iniciante, a incumbência é criar o espaço refle
xivo interno necessário que utiliza o que foi estimulado dentro de
você para entender seus pacientes. Isso exige que se cultive abertura
para a surpresa, bem como receptividade para a não compreensão.
Se tudo correr bem, você terá apoio durante grande parte de sua
formação para desenvolver e manter sua curiosidade, sua capaci
dade de observação (sem necessariamente entender) e sua aceitação
da experiência humana. À medida que você aprende a acreditar com
mais ceticismo e a duvidar com empatia, seu sucesso como candidato
e futuro analista dependerá em parte de seu senso de contenção,
seu equilíbrio narcísico e sua integridade.
O fato de estar conduzindo a análise de supervisão oficial en-
quanto ainda está em análise pessoal é um desafio. Fazer parte de
uma “família” instituída com dinâmicas pessoais e de grupo ex-
tremamente carregadas libera transferências negativas e regres-
sões potentes que exigem um tempo enorme de elaboração. Pode
haver longos períodos de dúvida quanto ao valor da psicanálise
(ou do analista didata), bem quando seus pacientes do caso de su-
pervisão oficial questionam seu trabalho, geralmente muito antes
de você adquirir a confiança duramente conquistada no processo
analítico em si. Acreditar na psicanálise em meio a resistências
sociais e pessoais pode exigir uma “fé cega” ao mesmo tempo que
se tolera enorme tensão na solidão. Embora você possa até se sen-
tir “diferente” de alguns dos entusiastas do seu grupo, é útil saber
que a maioria dos analistas experientes resistiu a tensões seme-
lhantes durante seu período de formação analítica.
Uma questão específica ao iniciar o trabalho analítico diz
respeito ao papel desempenhado pelas inevitáveis idealizações e
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identificações. É necessário internalizar ideais e aspirações analí-
ticas para dar apoio ao trabalho clínico e reforçar as funções ana-
líticas durante o processo de aprendizagem, o que implica se iden-
tificar com professores e analistas admirados. A formação envolve
a exposição a conceitos e pensamento intelectual brilhantes, bem
como a tendência a idealizar ideias e pensadores carismáticos da
psicanálise. Na verdade, antes de atingirmos nossa visão singular
do trabalho analítico por meio da experiência, precisamos confiar
em figuras de autoridade enquanto nos identificamos com os ide-
ais analíticos das teorias às quais estamos expostos e valorizamos.
Nesse contexto, ambições intelectuais e aspirações clínicas muitas
vezes produzem sentimentos de inadequação, bem como de com-
petição e de inveja, especialmente em nosso próprio grupo e em
relação a professores, supervisores e analistas didatas.
Dada a proliferação de sistemas teóricos e o desenvolvimento
de ideias psicanalíticas em diferentes comunidades culturais, os
candidatos são continuamente desafiados a questionar novas for-
mas de pensar que competem para dar forma à teoria e à prática.
Enquanto alguns candidatos tendem mais para a teoria, outros
podem não ser e, no entanto, ser igualmente ou mais habilidosos
na clínica (talvez com trabalho mais intuitivo). Se possível, tente
não ser duro consigo mesmo quando confuso pela multiplicidade
(de nomes) e pela complexidade (de casos e conceitos) à medida
que você aprende a respeitar sua mentalidade própria e seu jeito de
ser psicanalista. Acredito na utilidade de perceber que os concei-
tos e as teorias aprendidos ao longo da formação (e da vida após a
formação), quando forem posteriormente integrados à sua técnica
analítica, precisam apenas ser mantidos de forma leve (e não rígida)
no contexto clínico, em que a vinculação de alma para alma é pri-
mordial. Conseguir sua visão singular do trabalho analítico re-
quer tempo e experiência consideráveis para poder diferenciar-se
suficientemente das figuras de autoridade e apaziguar o domínio
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caro candidato 29
dos ideais internalizados a que no início era necessário agarrar-se
para obter apoio.
Considero benéfico permanecer ciente da tensão inerente ao
fato de ser psicanalista, que deve ser tolerada e administrada. In-
discutivelmente, cria-se uma tensão persistente, em especial para
analistas iniciantes a respeito de seu trabalho ser ou não genuina-
mente “psicanalítico”. De fato, desde o início o debate permanente
sobre o que é psicanálise está presente. É preciso aprender a aceitar
a vivência da tensão necessária para tolerar o paradoxo e viver em
uma transição entre realidade histórica e verdade psíquica. Leva
bastante tempo, que testará sua capacidade de tolerar incerteza,
ambiguidade e insegurança, para aprender a sustentar e utilizar
essa tensão de forma criativa (e com humildade e liberdade psíqui-
ca suficientes).
Portanto, espero que você possa ser gentil consigo mesmo
para nutrir firme paciência, resiliência e coragem persistente ao se
defrontar com os limites de sua compreensão e perícia – talvez o
que Samuel Beckett descreveu como capacidade de falhar melhor.
Idealmente, tanto sua formação didática quanto sua análise pessoal
aumentarão sua capacidade de reconhecer e se relacionar com o
próprio narcisismo sem recorrer com excessiva facilidade a gran-
diosidade, retaliação, ação excessivamente zelosa e prematura e/ou
retirada defensiva à inatividade. Adquirir uma relação mais sau-
dável com seu narcisismo permanecerá crucial tanto para sua ca-
pacidade de analisar quanto para a de viver satisfatoriamente nas
comunidades psicanalíticas mais amplas.
De fato, seus colegas de classe, de profissão e a comunidade
psicanalítica mais ampla geralmente são vitais para o sucesso
como analista. Desenvolver perícia exige em geral uma equipe de
colegas – um grupo de irmãos e irmãs analíticos – para nos conter,
apoiar e desafiar ao longo das pressões inevitáveis e dos benefícios
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profundos e inúmeras vezes misteriosos do trabalho. Os analistas
mais bem-sucedidos precisam trabalhar com colegas comprome-
tidos com seus pontos de vista e psicodinâmicas singulares. Ainda
assim, como Freud e Bion nos lembram, o coletivo analítico, espe-
cialmente na vida do instituto com seus sistemas regressivos, com-
põe-se de complicados processos e dinâmicas de grupo que em
geral permanecem bastante inconscientes; assim, o apoio de colegas
e mentores de confiança pode ser decisivo.
Finalmente, não é incomum, durante o período como candi-
dato, vivenciar feridas dolorosas, narcísicas e decepções inquie-
tantes – muitas vezes por meio de interações com professores, su-
pervisores, colegas e, ocasionalmente, até com o analista pessoal.
Colegas de confiança e mentores experientes, bem como amigos e
parceiros tornam-se ainda mais importantes ao navegar na com-
plexa dinâmica da trilha analítica. Permanecer curioso e ressoan-
te em relação ao mundo ao redor, ao mesmo tempo que se abre
para uma vida interior cada vez mais profunda, proporciona a
oportunidade e o privilégio consumados de tornar-se mais recep-
tivo ao sofrimento humano, e ao mesmo tempo mais aberto à ter-
nura, tanto em nosso trabalho quanto na inefável preciosidade da
vida em si.
Para encerrar, desejo com fervor que você tenha uma viagem
pujante, bem como suficientemente benigna e duradoura!
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Capa_Busch_Caro candidato_P2.pdf 1 28/03/2023 11:38:27
Fred Busch
Busch
É analista didata e supervisor no “Caro candidato é um livro verdadei-
Instituto Psicanalítico de Boston e ramente comovente que dá vida a
na Faculdade do Instituto e Socie- aspectos reais e pessoais da formação
dade de Estudos Psicanalíticos de analítica e da vida após a formação.
Los Angeles. Publicou mais de Como uma boa análise, a jornada de
setenta artigos de literatura psica- leitura das cartas desperta e ao mes-
nalítica e foi convidado a apresen- Neste livro pioneiro, psicanalistas seniores do mundo todo pro- mo tempo incentiva e estimula a
tar suas ideias sobre técnica clínica põem reflexões pessoais sobre sua formação, como foi tornar- curiosidade pelas muitas emoções
no mundo todo. Publicou quatro -se psicanalista e o que eles mais gostariam de transmitir ao conflitantes encontradas durante o
livros sobre o método psicanalíti- candidato de hoje. tempo da formação. Diferente de
co, os dois últimos pela Routledge: qualquer outra obra da literatura
C
Esta coletânea, com 42 cartas pessoais aos candidatos, ajuda
Caro candidato
Creating a Psychoanalytic Mind (2013) analítica até o momento, este livro
M
Y os analistas em formação e os recém-ingressados na profis-
e The Analyst’s Reveries: Explorations in é um guia a respeito de como ter
CM
são a refletirem sobre o que significa ser candidato a psicana-
Bion’s Enigmatic Concept (2019). compaixão pelo mundo interno e
lista e ingressar na profissão. As cartas abordam as ansieda-
MY
Organizador externo de alguém enquanto candi-
des, as ambiguidades, as complicações e os prazeres enfrenta-
CY
dato e futuro analista. Um livro
CMY
dos nessas tarefas. A partir dessas reflexões, o livro serve Fred Busch
PSICANÁLISE
K
poderosamente rico que todo candi-
como guia para essa experiência extremamente pessoal, dato deveria ler no início e no final
complexa e significativa, ajudando os leitores a considerar os do período de formação. Caro candi-
inúmeros significados diferentes de ser candidato de um dato se mostrará com certeza um
instituto de psicanálise.
Perfeito para candidatos e professores de psicanálise, este livro
Caro candidato companheiro reconfortante para can-
didatos de todo o mundo durante a
formação psicanalítica nos próxi-
inspira analistas de todos os níveis a pensar mais uma vez a
Analistas do mundo todo propõem reflexões mos anos.”
respeito dessa profissão impossível, mas fascinante, e a levar
pessoais sobre a formação, o ensino e a
em consideração seu desenvolvimento psicanalítico pessoal.
profissão de psicanalista Angela Vuotto
PSICANÁLISE Secretária do Conselho de Candidatos da APA