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Trabalho de Doenças Infecciosas

O documento aborda três doenças infecciosas: Tripanossomíase, Filariose e Febre Tifóide, detalhando suas características, transmissão, quadro clínico, diagnóstico e tratamento. A Tripanossomíase é causada pelo Trypanosoma brucei, a Filariose por nemátodes como Wuchereria bancrofti, e a Febre Tifóide por Salmonella typhi. A compreensão dessas doenças é crucial para profissionais de saúde, visando diagnóstico precoce e medidas preventivas para controle de sua disseminação.

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Trabalho de Doenças Infecciosas

O documento aborda três doenças infecciosas: Tripanossomíase, Filariose e Febre Tifóide, detalhando suas características, transmissão, quadro clínico, diagnóstico e tratamento. A Tripanossomíase é causada pelo Trypanosoma brucei, a Filariose por nemátodes como Wuchereria bancrofti, e a Febre Tifóide por Salmonella typhi. A compreensão dessas doenças é crucial para profissionais de saúde, visando diagnóstico precoce e medidas preventivas para controle de sua disseminação.

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 2

TRIPANOSSOMÍASE ................................................................................................................... 3

FILARIOSE .................................................................................................................................... 5

FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE ............................................................................................. 7

CONCLUSÃO .............................................................................................................................. 10

REFERENCIA BIBLIOGRAFICA .............................................................................................. 11


1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho aborda três doenças infecciosas importantes: Tripanossomíase, Filariose e
Febre Tifóide. Cada uma dessas doenças apresenta características únicas em termos de etiologia,
transmissão, quadro clínico, diagnóstico, tratamento e prevenção. A compreensão detalhada dessas
doenças é crucial para profissionais de saúde, visando o diagnóstico precoce, tratamento eficaz e
implementação de medidas preventivas para controlar sua disseminação e impacto na saúde
pública.

2
2. TRIPANOSSOMÍASE
[Link]ção
A Tripanossomíase, ou doença do sono, é uma parasitose zoonótica causada pelo protozoário
sanguíneo Trypanosoma brucei, transmitida pela picada da mosca tsé-tsé (Glossina spp.). Em
animais, a doença é conhecida como nagana.

[Link]
O agente etiológico é o Trypanosoma brucei, com duas subespécies principais:
 T. b. rhodesiense: África oriental, virulento, incubação curta, evolução clínica rápida.
 T. b. gambiense: África ocidental e central, menos virulento, incubação longa, evolução
clínica lenta.

[Link]ão
Ocorre pela picada da mosca tsé-tsé (Glossina), sendo a Glossina morsitans a mais importante em
Moçambique. A mosca é hematófaga e o reservatório inclui animais como o imbabala, sengo, vaca
do mato, impala, elande, boi, cão e porco.

[Link] de Vida
Pode ocorrer de três formas: animal-mosca-animal, animal-mosca-homem ou homem-mosca-
homem.
Em epidemias, predominam os ciclos homem-mosca-homem ou animal doméstico-mosca-
homem. O parasita é introduzido na pele, passa para o sistema linfático e sanguíneo (fase
hemolinfática), e pode invadir o sistema nervoso central (fase nervosa ou meningoencefálica).
Quando a mosca vai se alimentar, ingere os parasitas do animal ou homem infectado, e o
Trypanossoma, no intestino da mosca, passa por um ciclo de vida complexo que dura 15 a 30 dias.

[Link] Clínico
 Fase Hemo-Linfática: Lesão no local da picada (cancro tripanossómico), febre, mal-estar,
cefaleia, mialgias, artralgias, rash, linfadenopatia (Sinal de Winterbottom),
hepatoesplenomegalia, emagrecimento, anemia, icterícia, edema facial e periférico.

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 Fase Nervosa ou Meningo-encefálica: Cefaleia intensa, tremores, fasciculações,
movimentos coreiformes ou atetónicos, convulsões, ataxia cerebelosa, olhar indiferente,
fala hesitante, Sinal de Kerandel positivo, inversão do ritmo do sono.
 Sinais Característicos: Sonolência (fase avançada), Sinal de Kerandel, Sinal de
Winterbottom (T.B. gambiense), cancro tripanossómico, rash.

[Link]ções
Esterilidade, aborto, amenorreia, pericardite, insuficiência cardíaca congestiva (T. rhodesiense),
coma e morte.

[Link]óstico:
 Exames Auxiliares: Hemograma (leucopenia, anemia, trombocitopenia, VS elevada),
exame de sangue (Trypanosomas), punção lombar (LCR com parasitas).
 Diagnóstico Clínico: Suspeitar em síndromes febris não responsivas a antimaláricos ou
antibióticos, com linfadenopatias, perda de peso, edema, anemia, sinais neurológicos ou
psicóticos, sonolência marcada ou coma. Confirmar laboratorialmente.
 Diagnóstico Diferencial: Malária, septicemia, meningite, síndromes psiquiátricas, SIDA.

[Link]:
O tratamento é baseado na fase em que a doença se encontra e a sua prevenção e controlo se baseia
nos principais intervenientes no processo da doença: o vector, o ser humano e o animal.
É importante o TMG referir ao médico todo o paciente com suspeita de doença do sono para o
observação e tratamento, visto que os medicamentos para o seu tratamento são de nível superior a
este.

[Link]ção:
 Controle do Vetor: Redução do contato com a mosca (pulverização com inseticidas,
armadilhas).
 Tratamento dos Animais Infectados: Coordenação entre os Ministérios da Saúde e
Agricultura para vigilância e tratamento da nagana.

4
3. FILARIOSE
[Link]ção
Doença crônica e incapacitante causada por nemátodes que habitam os vasos linfáticos, também
conhecida como elefantíase.

[Link]
Wuchereria bancrofti (90%), Brugia malayi ou Brugia timori (10%).

[Link]ão
Picada de mosquitos Culex, Anopheles e Aedes (W. bancrofti) ou Mansonia e Anopheles (B.
malayi). Humanos são os únicos hospedeiros da W. bancrofti.

[Link]
 Ciclo de Vida: Microfilárias ingeridas pelo mosquito, tornam-se larvas infectantes, são
transmitidas ao humano, migram para os vasos linfáticos e se transformam em vermes
adultos.
 Periodicidade das Microfilárias: Variação na presença de microfilárias no sangue
periférico ao longo do dia (noturna ou subperiódica). W. bancrofti tem periodicidade
noturna.

[Link] Clínico
o Filaríase Linfática Aguda: Adenolinfangite aguda (febre alta recorrente,
inflamação dos linfonodos e vasos linfáticos, edema local transitório).
o Filaríase Linfática Crônica: A forma crónica da doença se manifesta, geralmente
10 a 15 anos após a fase aguda, com Linfedema, hidrocele, quilúria, ascite linfática,
linfotórax, elefantíase.
o Eosinofilia Pulmonar Tropical (EPT): Bronquite asmatiforme (tosse, dispnéia
paroxística nocturna, sibilância, roncos, podendo apresentar febre)

[Link]ções: Elefantíase, linfedema, hidrocele, quilúria, quiloascite, quilotórax.

5
[Link]óstico
o Exames Auxiliares: Hemograma (eosinofilia marcada), exame de sangue gota
espessa (microfilárias), outros líquidos corporais.
o Diagnóstico Clínico: Detecção dos parasitas nas amostras biológicas.
o Diagnóstico Diferencial: Celulite, tromboflebite, funiculite, orquite bacteriana,
traumatismos (forma aguda); linfedema por outras causas (forma crônica).

[Link]
O tratamento da filaríase linfática tem como objectivo:
• Eliminar as microfilárias – cortando assim a transmissão
• Eliminar os vermes adultos – reduzindo a possibilidade de produzir microfilárias e sequelas
• Intervenção sobre as sequelas e complicações – restauração da qualidade de vida
Eliminação das Microfilárias e Vermes Adultos (macrofilárias)
O tratamento de eleição para a eliminação de microfilárias e de vermes adultos é a
Dietilcarbamazina (fármaco de nível 3). Este fármaco é útil para reduzir a transmissão da doença
e prevenir as sequelas resultantes dos danos do sistema linfático, mas o seu efeito sobre as lesões
crónicas é ausente ou muito pequeno. É um fármaco de nível 3, com potentes efeitos adversos,
pelo que é importante o TMG referir ao médico o paciente com filaríase para o tratamento.
Um tratamento alternativo é o Albendazol (comprimidos de 400mg): tem acção microfilaricida na
dose de 400 mg em dose única e macrofilaricida na dose de 400 mg duas vezes por dia durante 21
dias.

[Link]ção
Controle do vetor (eliminação de criadouros, uso de mosquiteiros, repelentes, roupas protetoras),
administração massiva de fármacos microfilaricidas (Ivermectina e Albendazol).

6
4. FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE
[Link]ção
A febre tifóide é uma doença bacteriana multissistêmica causada pela Salmonella typhi. A febre
paratifoide é semelhante, causada pela Salmonella paratyphi.

[Link]ão
Direta (feco-oral) ou indireta (água ou alimentos contaminados, vetores como moscas).
 Período de Incubação: Variável (1-3 semanas), mais curto na febre paratifoide (1-10 dias)
do que na febre tifóide (10-14 dias).
 Reservatórios: Humanos (doentes ou portadores). Portadores crônicos (1-4%) excretam a
bactéria por mais de 1 ano.
 Patogenia: Ingestão da bactéria, multiplicação no trato gastrointestinal, invasão dos
gânglios linfáticos, bacteremia primária, multiplicação hepatoesplênica, bacteremia
secundária e infecção multissistêmica.

[Link] Clínico
Febre alta e prolongada, cefaleia, mialgias, astenia, tosse seca, calafrios, dor abdominal, náuseas,
vômitos, diarreia ou obstipação, epistaxe, sintomas neurológicos.
Exame físico pode revelar bradicardia relativa, abdômen distendido, hepatoesplenomegalia,
exantema maculopapular, sinais neurológicos, icterícia.

[Link]ções
Perfuração intestinal, sangramento gastrointestinal, colecistite, ulceração do cólon, estomatites,
parotidites, abscesso esplênico e hepático, meningite, osteomielite, miocardite, nefrite.

[Link]óstico:
 Exames Auxiliares: Hemograma (leucopenia ou leucocitose), culturas (hemocultura,
urocultura, coprocultura), Teste de Widal. Investigar coinfecção com Schistossoma.
 Diagnóstico Clínico: Suspeitar em casos de febre alta e prolongada com sintomas
gastrointestinais em áreas endêmicas. Confirmação por isolamento da bactéria.

7
 Diagnóstico Diferencial: Malária, hepatite, enterite bacteriana, infecção aguda por
HIV.

[Link]
A febre tifóide é uma doença infecto-contagiosa pelo que devem ser tomadas medidas de
isolamento do paciente. Em caso de surtos epidémicos, deve-se criar enfermarias de isolamento
(usar tendas em caso de necessidade) – centros de tratamento de doenças diarreicas (CTDD).
o Medidas de isolamento o CTDD vedado o Criar, sempre que possível, áreas no CTDD:
área de triagem e observação, área de internamento, área de convalescência e área neutra
o A porta de entrada deve ser diferente da porta de saída, e deve conter soluções
desinfectantes (hipoclorito)
o Os trabalhadores de saúde devem estar devidamente equipados com EPI (Equipamento de
Protecção Individual)
o A lavagem obrigatória e frequente das mãos é uma regra de ouro
o O tratamento dos produtos biológicos – sangue, fezes, urina, deve obedecer as normas de
biossegurança
o Proibir a circulação, entrada de pessoas e acompanhantes exceptuando-se os
acompanhantes de crianças menores
o Limitar a circulação de pessoas e bens dentro do CTDD
o Garantir que não entrem ou saíam alimentos, utensílios ou roupas pertencentes aos doentes
durante a sua permanência no CTDD
o Garantir que os doentes não saiam antes de receberem alta

Todas medidas de isolamento devem ser tomadas como se de um caso de cólera se tratasse (vide
aula de cólera da disciplina de Gastrointestinal para mais detalhes).
 Antibioticoterapia: A ciprofloxacina (nível de prescrição 3), é o fármaco de eleição,
administrado na dose de 250 a 750 mg (geralmente 500 mg) de 12 em 12 horas, durante 6
dias. O Cloranfenicol é o fármaco de 1ª linha para o tratamento da febre tifóide. Nas formas
ligeiras preferir tratamento ambulatório pela via oral. Nas formas moderadas a graves
preferir a via EV. o Posologia: Cloranfenicol (fármaco alternativo) – adultos e crianças
maiores de 2 meses: 50 a 100 mg/kg/dia em 4 tomas,6/6h (máximo 4 gramas/dia no adulto).

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Um esquema em adultos seria de cápsulas de 250 mg de 6 em 6 horas ou 500 mg de 6 em
6 horas. Nos casos graves usar o cloranfenicol succinato sódico EV 500 a 1000mg de 6 em
6 horas. Reduzir a dose logo que a situação melhore (recordar que o cloranfenicol pode
induzir a aplasia medular que é dose-dependente ou dose-independente). A duração do
tratamento é de 14 a 21 dias. A ceftriaxona (1 a 2 gramas/dia EV) é uma alternativa ao
cloranfenicol, se não houver melhoria.

• Se estiver presente co-infecção schistossoma, é necessário tratar: Praziquantel 40mg/kg


dose única
• Nos casos que se detecta perfuração intestinal com peritonite – aplicar a 1ª dose de
cloranfenicol, colocar líquidos endovenos (soro fisiológico ou lactato de ringer) e transferir
urgentemente para uma US com capacidade cirúrgica
 Terapia de suporte
o Manter o equilíbrio hidro-electrolítico: fluídoterapia oral (sais de rehidratação oral,
água de coco, sumos) ou por via endovenosa nos estados mais graves (Lactacto de ringer
ou soro fisiológico)
o Controlar a febre (arrefecimento corporal, anti-piréticos – paracetamol) o Se
anemia estiver presente, e dependendo da gravidade, usar suplementos de ferro e/ou
transfusão de sangue

[Link]ção
Medidas de saúde pública (água potável, saneamento, higiene pessoal), educação sanitária,
tratamento de portadores assintomáticos.

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5. CONCLUSÃO
A Tripanossomíase, Filariose Linfática e Febre Tifóide representam desafios significativos para a
saúde pública, especialmente em regiões endêmicas. A abordagem eficaz dessas doenças requer
uma compreensão abrangente de sua epidemiologia, patogenia e manifestações clínicas, bem como
a implementação de estratégias integradas de prevenção e controle. O diagnóstico precoce,
tratamento adequado e medidas preventivas são essenciais para reduzir a morbidade, mortalidade
e transmissão dessas infecções, melhorando assim a saúde e o bem-estar das populações afetadas.

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6. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA
 Republica de Moçambique; MANUAL DOENCAS INFECCIOSAS, Manual de
Formação Para Técnicos de Medicina Geral, 2013

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