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Livro Texto - Unidade II

O documento explora a composição e o projeto gráfico, enfatizando a importância da percepção visual e dos elementos que compõem a comunicação visual, como formas, cores e tipografia. Discute como a disposição dos elementos afeta a interpretação da mensagem e a experiência do espectador, além de abordar a influência dos sentidos na percepção e na criação de projetos visuais. A compreensão dos diferentes tipos de percepção é crucial para a eficácia na comunicação visual e no design gráfico.
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Livro Texto - Unidade II

O documento explora a composição e o projeto gráfico, enfatizando a importância da percepção visual e dos elementos que compõem a comunicação visual, como formas, cores e tipografia. Discute como a disposição dos elementos afeta a interpretação da mensagem e a experiência do espectador, além de abordar a influência dos sentidos na percepção e na criação de projetos visuais. A compreensão dos diferentes tipos de percepção é crucial para a eficácia na comunicação visual e no design gráfico.
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COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

Unidade II
Composição: sentir a mensagem, criar as formas e entender os elementos de construção
para a comunicação visual

[...] existe uma correspondência entre a ordem que o projetista escolhe para
distribuir os elementos de sua composição e os padrões de organização,
desenvolvidos pelo sistema nervoso. Estas organizações, originárias da
estrutura cerebral são, pois, espontâneas, não arbitrárias, independentemente
de nossa vontade e de qualquer aprendizado.

Caetano Fraccaroli

Fraccaroli, em seu livro A Percepção da Forma e sua Relação com o Fenômeno Artístico, define a
base do desenvolvimento sobre a composição, a forma de distribuição, seus padrões e organização. A
partir desta unidade vamos desvendar as funções cerebrais, a utilização e o significado dos elementos
que envolvem o processo de entendimento da mensagem, interpretação das formas, tipografia, cor,
imagem e todos os códigos que apresentam a comunicação visual. Também buscaremos entender os
elementos, formas, o reconhecimento do espaço, nomenclaturas, teorias das cores, classificação dos
tipos e a informação que será aplicada.

De que forma iremos distribuir toda esta informação e a melhor maneira de atrair e agradar a
atenção do espectador? Como e onde usar as teorias e conceitos que envolvem a comunicação visual
para distribuir e atingir este desafio? Iremos reconhecer os diferentes tipos de materiais utilizados
para cada tipo de arte e projeto a ser executado, e descobrir os meios que serão os propositores desta
comunicação e das artes visuais.

Iniciaremos o estudo dos principais elementos que envolvem a comunicação: as formas, a imagem,
as cores e os tipos.

Identificaremos as finalidades das figuras que conhecemos e como, a partir das formas básicas do
círculo, do quadrado e do triângulo, conseguimos todas as outras formas, geométricas e orgânicas, que
iremos utilizar em nosso projeto.

Compreenderemos os três principais elementos que formam a comunicação visual como a Imagem,
a cor e os tipos, e como esses elementos agem de forma estrutural ou emocional nos receptores e
emissores das mensagens.

Estudaremos a imagem como poderosa ferramenta de comunicação e sua ajuda na construção


da mensagem, sozinha ou acompanhada do texto, finalizando toda a informação. Descobriremos o
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Unidade II

aparecimento da imagem, sua evolução na história da arte e como a imagem é utilizada nos meios de
comunicação de massa.

Desvendaremos os conceitos que envolvem a cor, sua harmonia, psicodinâmica, a aplicação nos
projetos e sua configuração cromática. Veremos a função da cor como provocadora das emoções,
transformadora estética e ajudante no complemento da comunicação.

Entenderemos os tipos e a construção dos caracteres, a criação, os contornos que cercam as letras,
sua utilização nos diferentes meios de comunicação e como irão compor toda a informação visual e
textual. Estudar as diferenças entre tipologia e tipografia e sua classificação por desenho e períodos na
história do homem.

5 PERCEPÇÃO E FORMAS

5.1 Percepção: trabalhar os sentidos para uma comunicação eficiente

Primeiro vamos estudar quais são os principais elementos envolvidos na elaboração de um projeto
visual, ou, por exemplo, em um projeto de mídia impressa com o estudo da forma, tipografia, cor e
imagem.

Analisaremos os mais diversos meios de expressão artística e de comunicação, como o desenho,


pintura, mosaico, escultura, fotografia e o audiovisual, e os elementos envolvidos para a sua construção;
além de aprender e estudar o desenvolvimento de projetos editoriais como a revista, jornal, livro ou os
projetos promocionais como a criação de marcas, brindes e anúncios publicitários ou a criação e projeto
de produtos e embalagens.

Ao iniciarmos um processo de criação, primeiro precisamos das informações que cercam este projeto,
como seu objetivo, público‑alvo, sua função, valores envolvidos, materiais, reprodução e onde e como
será utilizado. Depois, a análise da concorrência, pesquisas de referências, aplicação de materiais e
tecnologia.

Devemos tomar cuidado com a escolha das cores, a textura que vamos produzir, o tom com
a sua variação de luz e sombra, as proporções relativas do grande e do pequeno e todos os
elementos que interagem na produção deste projeto. Uma das partes mais importantes dessa
criação é saber qual vai ser o seu verdadeiro significado. A somatória de todos os elementos que
envolvem a construção é seu significado. Para decifrar este significado devemos ter atenção na
composição do projeto, no objetivo de sua criação e na absorção e entendimento dessa criação
pela percepção visual.

Além dessa percepção visual, que será a mais utilizada em nosso curso de Artes Visuais,
devemos estar atentos aos exercícios de outros sentidos, como a da audição, paladar, o tato e
o olfato. Temos também a percepção temporal e a percepção espacial. Juntamente com a visão,
estes sete tipos de percepção englobam todos os sentidos que recebemos e fazem parte das
funções cerebrais.
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COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

Observação

Se o curso é de Artes Visuais, por que devemos entender os outros


sentidos?

Gomes Filho cita, em seu livro Gestalt do Objeto, um trecho da obra


de Donis Dondis: “[...] captamos a informação visual de muitas maneiras.
As forças perceptivas e cinestésicas de natureza fisiológica são vitais
para o processo visual. Nossa maneira de permanecer de pé, de nos
movermos, assim como de reagir à luz, à escuridão ou aos movimentos
bruscos, são fatores importantes para o nosso modo de perceber e
interpretar mensagens visuais. Todas essas respostas são naturais e
atuam sem esforços; não temos de estudá‑las e nem aprender a dá‑las
(GOMES, 2010, p. 10)”.

Explorar todos os sentidos amplia nossa compreensão acerca das


informações, podemos perceber sinais escondidos e entender melhor a
mensagem. A abrangência sensorial também é aplicada na publicidade ou
nos meios de comunicação visual, explorando além da percepção visual os
outros tipos de percepção.

5.1.1 A aplicação de todos os sentidos para a comunicação visual

Para refletir melhor nesta questão, faço a análise da evolução das campanhas publicitárias em
revistas, os catálogos impressos e a sua comunicação. Um dos exemplos vem dos anúncios de perfumes
que são colocados em revistas. Você já notou, nessas campanhas de perfumes, uma lapela que quando é
puxada exala o cheiro do perfume? A utilização das tintas com cheiros, para os trabalhos de impressão,
veio para aguçar a percepção e fortalecer a comunicação. No caso das campanhas publicitárias, servem
para aumentar a sedução entorno deste perfume. Nesta ação, o leitor estará experimentando, além da
percepção visual, outro tipo de percepção, a olfativa.

Outro exemplo é o dos catálogos de produtos, ou as capas das revistas, que usam a textura para
representar tipos diversos de materiais. Ou seja, em um catálogo de bolsas, usa‑se no processo de
acabamento de impressão, a tinta a base de polímeros que é aplicada em cima destas bolsas. O polímero
é um material plástico, feito com PVC e tinta, que aumenta o volume da tinta e forma uma textura onde
é colocado. No caso das bolsas, trabalha‑se, além da percepção visual, a percepção tátil. A comunicação
será reforçada através destas duas sensações. O receptor, ou leitor, passará a mão para sentir a textura
do couro das bolsas.

Vamos entender melhor o que é a percepção.

49
Unidade II

Lembrete

A percepção é uma função que atribui significado a estímulos sensoriais,


ou seja, através das sensações provocadas em nossa mente pelos cinco
sentidos, o cérebro vai trabalhar para perceber estas sensações, buscar o
entendimento e registrar o seu significado.

Em outras palavras, é a aquisição, seleção, organização e interpretação das informações obtidas


pelos sentidos. O que não é exercido pelos cinco sentidos, não é percebido, portanto, a comunicação ou
interpretação, não será estabelecida. A forma de perceber as coisas é diferente para cada pessoa.

Toda interpretação é baseada nas ações e comportamentos das pessoas e como elas sentem a realidade.
Por exemplo, muitas vezes o que acontece na realidade não é exatamente o que essas pessoas estão
entendendo ou interpretando. Tomamos como exemplo o déjà vu, ou termo francês que significa “já visto”.
Representa as reações psicológicas das pessoas em um determinado lugar, com outras pessoas ou ações. A
visão é acionada e faz com que sejam transmitidas ideias de que já estivemos naquele lugar antes, ou que
tenha visto aquelas mesmas pessoas, ou na ação de ler um livro, ou de fazer um movimento.

A explicação pode vir de alguns estudos em torno da memória.

Os psicólogos defendem que é uma ação do cérebro para sentir de novo as sensações boas que nossa
memória guardou. Ou seja, o cérebro guardou certos sinais parecidos com os novos, e parece que você
já viu, fez ou sentiu aquilo antes.

Para os cientistas, o fato ocorre porque há vários tipos de memórias. A memória imediata, a memória de
curto prazo e a memória de longo prazo. Todas estas memórias são acionadas por comandos cerebrais de
cada pessoa. A memória imediata faz você lembrar na hora de algo que acabou de acontecer e depois você
esquece. A memória de curto prazo faz com que o cérebro guarde as informações recentes, na memória,
por dias ou semanas, como em um comercial de televisão que você assistiu. E na memória de longo prazo,
você determina e guarda por meses ou anos a informação, como no estudo das disciplinas nas escolas.
Uma falha no cérebro faz com que guardemos alguns contatos nos lugares errados. Em vez de guardar na
memória imediata, de lembrar imediatamente e depois esquecer, o cérebro guarda na memória de longo
prazo. Quando isto acorre, ele resgata sinais parecidos na memória de longo prazo, para aquilo que você
está experimentando pela primeira vez, e fica parecendo que você já viu, fez ou sentiu anteriormente.

5.1.2 As influências e os tipos de percepção

A percepção sofre duas influências para intensificar sua construção e interpretação e é baseada em
relação ao indivíduo; são as influências externas e internas.

A influência externa: envolve as ações fora do corpo, motivam e variam em sua intensidade,
contraste e movimento. Na intensidade a percepção é sentida de forma mais forte ou mais fraca, quando

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COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

se está muito quente ou frio, ou se está muito claro ou escuro. No contraste esta alteração se dá na
oposição das sensações, por exemplo, se todos estão vestindo branco e há apenas um de vermelho ou
se em uma cesta de frutas apenas uma está estragada. E no movimento, a percepção varia de acordo
com a ação ou passividade, ou, tomando como exemplo, os alunos que estiverem sentados e apenas um
andando pela sala.

A influência interna: envolve as ações dentro do corpo, motivam e variam em sua motivação,
experiência e cultura. Na motivação a percepção é sentida através de seu estado emocional, ou se você
está triste, alegre, calmo ou nervoso. Com a experiência, sua percepção é afetada de acordo com as
experiências vivenciadas durante a vida de cada um, no dia a dia, no ambiente, nas relações, do nascer
até morrer. Na cultura, cada pessoa vai em busca do conhecimento, no estudo, na leitura, na ida ao
teatro, no cinema... Quanto mais culta for a pessoa, melhor será sua interpretação através da percepção.

Tipos de percepção

A percepção está dividida em sete tipos. A soma de todos os tipos de percepção resulta em toda a
informação que recebemos em nosso cérebro e memória. A memória é um grande arquivo que guarda
todas as experiências que temos na vida. Podemos relacionar a memória com um gigantesco HD
de computador, onde buscamos as informações para dar significados aos estímulos e contatos que
sofremos. A partir dos significados e da interpretação de todos os sinais recebidos é que vamos traduzir
a informação, racionalizar, compreender e nos emocionar. Os tipos de percepção são: visual, auditiva,
olfativa, gustativa, tátil, temporal e a espacial.

• Visual: este tipo de percepção é a principal, e a mais utilizada, ferramenta em nosso curso de
Artes Visuais. É através deste órgão de visão, ou os olhos, que podemos entender as formas e
suas características, determinar os tamanhos relativos de formas, como o grande e o pequeno,
explorar os planos e sua profundidade, trabalhar a perspectiva, transformar as formas através do
volume adquirido pela luz e sombra e, a partir de duas dimensões, formar figuras e formas em
três dimensões. Sentir a intensidade da luz com o claro ou escuro e, por fim, entender as cores,
descobrindo quais são as cores quentes ou as frias, o cromático, o acromático e o monocromático
e sua atração, psicodinâmica, harmonia, comunicação e funções.

• Auditiva: é pelos ouvidos que percebemos o som. As características sonoras variam de acordo com
sua produção; como a alteração de timbres, como o grave e o agudo, ou a altura associada com a
frequência sonora. Ou seja, quanto maior for a frequência, mais alto e agudo será o som e, quanto
menor for a frequência mais baixo e grave será o som. Além disto, a intensidade relacionada com
o volume, ou, quanto mais intenso, mais alto será o som e, quanto menos intenso, mais baixo será.
Podemos distinguir também o canto do monólogo com o entendimento do ritmo que esse som
é produzido e a facilidade, ou não, da compreensão desse som, dependendo de sua localização
auditiva. Quanto mais perto, mais fácil o entendimento do som e, quanto mais longe, menor o
entendimento.

• Olfativa: através do nariz, que é o órgão de percepção que define o cheiro, podemos discriminar os
odores com suas diferenças e efeitos. Pelo olfato conseguimos entender as sensações propagadas
51
Unidade II

pelo ar. Quando sentimos o cheiro, desenvolvemos relações com experiências vividas, ou se este
cheiro é agradável ou não. A associação é feita por lembranças, ou memórias olfativas que temos
desde criança. O cheiro dos perfumes e fragrâncias, das flores, das frutas frescas, do mato ou da
madeira nos traz sensações agradáveis. Já o cheiro da decomposição da carne, ou carniça, da fruta
podre e de todo material orgânico estragado nos traz lembranças desagradáveis. Alguns odores
podem trazer sensações boas para alguns ou sensações ruins para outros, como, por exemplo, o
cheiro do fumo ou cigarro. Já o alcance olfativo determina se este cheiro será forte ou fraco.

• Gustativa: é pela boca que sentimos o sabor. Através deste órgão perceptivo, mais precisamente
a língua ou as papilas gustativas, é que sensações relacionadas com o azedo ou amargo são
acionados. No séc. XIX teorias defendiam que o gosto doce ou salgado é acentuado pela localização
em determinadas partes da língua. Por exemplo, na ponta da língua sentimos melhor o doce e
na parte inferior, perto da garganta, sente melhor o amargo. Hoje, sabe‑se que, em toda a região
lingual, sensores percebem todos os sabores que experimentamos.

• Tátil: este tipo de percepção abrange toda a extensão do corpo. Algumas áreas são mais
sensíveis que outras, isto quer dizer que o tato não é uniforme para o corpo todo. Por exemplo,
nas mãos costuma‑se ter mais sensibilidade que nos pés. Mas, há pessoas com um elevado
grau de sensibilidade na região da planta dos pés, onde sentem muitas cócegas. Na percepção
tátil distinguimos o tamanho dos objetos, se o objeto é grande ou pequeno, arredondado ou
pontiagudo, com textura ou liso, macio ou duro, áspero ou não. Também é através do tato que
percebemos a temperatura dos elementos, se o fogo é quente ou se o gelo é frio e, juntamente
com o sistema neurosensorial, definimos a dor e o prazer.

• Percepção temporal: a relação com o tempo é a principal característica deste tipo de sensação
perceptiva. A duração do tempo e o som, por exemplo, definem se a comunicação será longa ou
breve. Um grito de socorro, alto e breve, faz uma comunicação imediata. Já o discurso, com uma
longa duração, exige mais atenção para entender sua a comunicação. A produção de ritmos é
outra característica deste tipo de percepção, como a música e suas diferenças. O ritmo define
as categorias musicais, se ela será mais agitada como o samba ou mais calma como a erudita.
A ordem temporal e sua simultaneidade exprimem as sensações conjuntas do tempo e a ação.
Para entendermos melhor, vamos explorar o olfato e como o cheiro vai se acentuando de acordo
com o tempo que ficamos em contato com ele e a proximidade do local da emissão deste cheiro.
Outra relação com a percepção temporal é com o movimento. O tempo que levamos para
perceber um movimento e entender uma informação. Por exemplo, em uma aula de dança, para
aprendermos um passo, temos que treinar com movimentos lentos e depois incorporar ao ritmo
com movimentos mais rápidos. Outro exemplo, o movimento do ar ou o vento, que é invisível, é
percebido com a visão das nuvens em movimento, ou mesmo, sentindo na pele, no balançar dos
cabelos e das roupas. A intensidade deste movimento vai definir se o vento é fraco ou muito forte,
como na presença de uma tempestade ou tornado.

• Percepção espacial: neste tipo de percepção, o espaço, a dimensão ou o tamanho de


uma área servem de referências para a exploração sensorial. Para entendermos melhor,
precisamos compreender o ambiente em que nos encontramos ou que estamos observando.
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COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

O reconhecimento do espaço é importante para medir a distância dos objetos, seres vivos ou
fenômenos. Por exemplo, se um objeto está perto, ele vai parecer maior, mais nítido e vamos
conseguir perceber melhor seus detalhes. Se este objeto estiver longe, ele vai parecer menor,
vamos perceber menos detalhes e ele ficará mais embaçado. Em relação ao fenômeno gasoso
e sua condensação, como no caso das nuvens, esta relação é inversa. Ou seja, quando a nuvem
está longe podemos definir sua forma, quando ela está bem perto, conseguimos identificar
apenas uma neblina esbranquiçada. Esta diferença de informação muda o entendimento da
comunicação em relação à percepção espacial. Outro exemplo vem do tamanho relativo das
formas dos objetos, seres vivos ou fenômenos em uma determinada área. Esta associação é feita
a partir da visão e do posicionamento das “coisas”. A relação da profundidade, proximidade e
planos definem os tamanhos relativos. Por exemplo, sabemos que uma estrutura de um prédio é
maior que uma pessoa. Mas se esta pessoa estiver perto de nós e o prédio longe, ela vai parecer
maior que o prédio. Esta ilusão de ótica é bastante explorada em tomadas fotográficas em que
observamos fotos de pessoas “segurando” a Torre de Pisa, para que ela não caia, ou apoiando
as Pirâmides do Egito na palma de sua mão.

Observação

Para a percepção da dor são acionados três subtipos perceptivos: os


receptores mecânicos de altolimiar, que detectam a pressão; os receptores
mecanotermais de baixolimiar, que detectam a pressão e o calor; e os
receptores polimodais, que detectam a pressão, o calor e os fatores químicos.

5.1.3 Os tipos de configuração e a Escola de Gestalt

Para começar a elaboração de um projeto, devemos saber que tipo de configuração será desenvolvida.
Ou seja, saber se o projeto vai ser de uma fotografia ou desenho, feitos em papel ou digital, ou a
produção de um vídeo com imagens e sons, ou mesmo de uma revista ou embalagem que envolve vários
elementos como o texto, tipografia, fotografia, ilustração, gráficos, cores e materiais para impressão.

A partir daí, podemos categorizar a composição por duas vertentes:

• A configuração real: que é a retratação da realidade e a busca do naturalismo. Ela é construída por
meio de registros reais ou figurativos e analógicos ou digitais. Temos como exemplos a fotografia,
ilustrações, desenho, gravura, pintura, estatuária, mosaico, monumentos e outros produtos.

• A configuração esquemática: que se dá por intermédio de representação do conceito de


esqueleto estrutural, geométrico ou orgânico e que junta vários elementos visuais para formar
outra imagem. Como exemplo de composição estrutural, temos o envolvimento do texto, da cor e
da imagem, como nas páginas diagramadas de uma revista, na estrutura de uma embalagem ou
mesmo na criação de uma arte contemporânea de instalação, mesclando vários elementos como
o som, a imagem e o ambiente.

53
Unidade II

Figura 7 – Reprodução de capa da revista Stuff Brasil (2010)

A Escola de Gestalt

Outra parte fundamental para o exercício da construção que envolve a composição é estudar a
estrutura cerebral e descobrir como a principal parte do corpo funciona e comanda todo o resto. O
sistema de interpretação e da percepção são baseados no entendimento das partes separadas em
função da compreensão do todo. Para esclarecer melhor, vamos nos aprofundar nas pesquisas e estudos
da Escola de Gestalt.

A palavra Gestalt, de origem alemã, não tem um significado exato. Seu estudo é formado na análise
e entendimento das partes fragmentadas, ou separadas, e a busca da integração destas partes em
oposição à soma do todo, ou seja, o cérebro percebe o todo, porém, organiza as partes de maneira
particular e individualizada a cada pessoa.

Vamos entender melhor, o cérebro recebe as informações e vai separando de acordo com o
conhecimento e experiência de cada um. Esta maneira particular é como cada indivíduo recebe as
informações, a todo instante, de forma diferente uns dos outros. Estas experiências sofrem influências
externas e internas e pode mudar o sentido das coisas.

Em síntese, a teoria da Gestalt estuda o motivo pelo qual algumas formas agradam mais do que
outras.

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COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

Lembrete

Gomes Filho (2000) esclarece que os estudos e pesquisas realizados pela


Escola de Gestalt caminham no campo da Psicologia Perceptual da Forma.
Analisar a forma é o ponto de partida de nosso estudo.

O entendimento da Teoria de Gestalt será a base para o desenvolvimento de qualquer projeto, seja
em uma peça industrial, arte gráfica, arquitetura, escultura, pintura, fotografia, desenho ou qualquer
manifestação visual que venha a ser construída. A principal utilização será pela estrutura, seu equilíbrio,
sua harmonia e pela pregnância com sua clareza de comunicação visual.

Para Gomes Filho, a Escola de Gestalt é um estudo desenvolvido na Escola de Psicologia Experimental,
onde explica que o movimento gestaltista age no âmbito da forma, atingindo com eficiência os
atributos da percepção, linguagem, inteligência, memória, experiências, aprendizagem, motivação e
comportamento social. A Teoria de Gestalt nos responde o porquê de umas formas agradarem mais que
outras. A maneira de perceber o objeto vai em oposição ao subjetivismo, uma vez que a Psicologia da
Forma se apoia no sistema nervoso para explicar a relação de sujeito e objeto.

Por isso o termo Gestalt, que é o nome dado ao movimento, significa a integração das partes em
oposição à soma do todo.

A Escola de Gestalt definiu algumas leis para ajudar na estruturação das formas e distribuição da
informação. A partir dessas leis, podemos entender e integrar todas as partes para um só entendimento.
Partindo deste princípio e da organização das partes, podemos entender melhor a comunicação e atingir
a maioria dos espectadores.

Leis de Gestalt:

• Unidade: um único elemento ou parte de um todo.

• Segregação: separar, identificar, evidenciar ou destacar unidades formais de um todo.

• Unificação: igualdade ou semelhança dos estímulos. Ocorre quando há harmonia, equilíbrio e


coerência.

• Fechamento: obtida pela continuidade da estrutura. Não é, necessariamente, um fechamento


físico.

• Continuidade: impressão visual ou como as partes se organizam formando uma fluidez visual.

• Proximidade: elementos óticos próximos uns dos outros tendem a ser vistos juntos.

55
Unidade II

• Semelhança: a igualdade de forma e de cor. Agrupamentos de partes semelhantes.

• Pregnância: Lei Básica da Percepção Visual. Equilíbrio, clareza, unificação visual de leitura e
interpretação. Mínimo de complicação na organização dos elementos.

• Alto grau de pregnância: simples, limpo e direto.

• Baixo grau de pregnância: complicado, poluído e confuso.

5.2 Formas: a criação das formas geométricas e orgânicas

No livro Princípios da Forma e Desenho, Wucius Wong esclarece que os elementos conceituais não
são visíveis e envolvem também o ponto, a linha ou plano em diferentes situações. Mesmo não existindo
estes elementos em um traçado real, podem parecer estar presentes. Vamos dar um pequeno exemplo:
a linha que divide o horizonte entre o céu e o mar ou o sol como único ponto no céu sem nuvens são
linha e ponto, conceituais. São reais como elementos da natureza o céu, o mar e o sol que também
existem. O que não existe de forma real, ou visível, ou não foi desenhado com uma finalidade específica
é o ponto e a linha, são a representação da linha na divisão das duas partes e a representação do ponto
como único elemento no espaço.

Esta representação muda de figura quando o ponto, a linha ou o plano se tornam visíveis, aí eles se
transformam em formas. Exemplos são boas formas de entendimento, então vamos lá: quando pegamos
um papel para desenhar uma paisagem e traçamos uma divisão na horizontal para pintar o céu e o mar,
este traçado desenhado no papel se torna forma linha. Ou, quando desenhamos em um outro papel
apenas um círculo para pintar o sol sobre um fundo todo azul, este desenho do círculo é a representação
visível da forma ponto.

Lembrete

E é a partir desta parte, da forma visível teorizada por Wong, que vamos
expandir nosso estudo.

Os elementos visuais aparecem quando desenhamos um objeto em um papel e podemos ver de fato.
A partir das linhas que vão representar este objeto visual, aplicamos o formato, tamanho, cor e sua
textura para completar sua forma.

Vejamos: o formato é qualquer coisa que pode ser vista e identificada pela nossa percepção.
O tamanho é a relação do pequeno e do grande. A cor vai delimitar o contorno dos objetos, ou
no sentido amplo, são todas as sensações cromáticas que podemos distinguir, incluindo o preto,
o branco e suas variações. A textura se refere às características da superfície, ela pode ser simples
ou rebuscada, lisa ou áspera, mole ou dura e pode trabalhar tanto a percepção visual como a
percepção tátil.

56
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

5.2.1 Forma ponto e o início da construção da imagem

Podemos começar a analisar a forma enquanto ponto. Quando a forma é reconhecida


como ponto, ela se torna pequena. Mas isto é relativo, pois, quando colocamos este ponto
em um espaço pequeno, ele se torna grande. E quando invertemos este processo, ou seja,
colocamos este ponto em um espaço grande, ele se torna pequeno. Para isto chamamos de
relação espacial. Seu formato mais comum é do círculo. Mas pode ser quadrado, triangular,
oval ou com formato irregular. Uma coisa é certa, o ponto precisa ter seu tamanho pequeno e
seu formato simples.

O ponto é o início de construção de qualquer imagem, ou melhor, é por onde começamos os traçados
para o desenvolvimento de qualquer estrutura visual, como em um desenho. É a menor parte de uma
imagem digital, como a fotografia digital ou a ilustração em bitmap, que também podemos chamar de
pixel. E é também a menor parte de uma impressão, que são todas as imagens impressas em revistas,
jornais, livros, catálogos e publicidade, que chamaremos de retícula.

José Ramalho, em seu livro Fotografia Digital, esclarece a formação da imagem digital e o pixel:

A resolução de uma imagem digital é expressa por pixels e pontos. Cada


imagem é composta por uma matriz de pixels em forma de linhas e colunas.
Num primeiro momento considere que quanto mais pixels, mais nítida será
a imagem, pois mais detalhes poderão ser gravados.

Um sensor que captura uma imagem com resolução de 1200 pixels de


largura por 1024 pixels de altura grava 1.228.800 pixels, ou seja, um pouco
mais de um milhão de pixels, ou um megapixel.

Aumentar o número de megapixels implica obter imagens que podem ser


ampliadas para dimensões maiores (RAMALHO, 2004, p. 5).

Saiba mais

Para se aprofundar os estudos sobre a construção da fotografia digital


e os segredos de impressão da fotografia, além de dicas e truques para se
tirar fotografias melhores e escolher os equipamentos digitais, a sugestão
é ler o seguinte livro:

RAMALHO, J. Fotografia digital. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2004.

Raquel Matsushita é diretora de arte e escritora. Em seu livro Fundamentos gráficos para um Design
Consciente, define a formação da imagem através do processo de impressão gráfica:

57
Unidade II

Todos os meios de impressão são feitos por meios de retículas, processo de


graduação de cores com base em pequenos pontos de tamanho e angulação
variados, que, ao serem observados a olho nu, criam a ilusão óptica de um
tom contínuo.

A variação de pontos de retícula acontece de 1% a 99%, passando por meio‑tons,


que dão contraste e profundidade às imagens. Quanto menor a porcentagem da
retícula, menores serão os pontos e mais longe estarão uns aos outros. Quando
a porcentagem alcança 100%, significa que os pontos de retícula encontram‑se
grudados uns nos outros e a imagem tornou‑se “chapada”.

Existem diferentes tipos: AM (Amplitude Modification). Há também a


retícula FM (Fraquency Modulated), também conhecida por estocástica.
E, por último, as retículas híbridas XM (Cross Modulated), processo pelo
qual as retículas de ponto e estocástica são utilizadas simultaneamente
(MATSUSHITA, 2011, p. 251‑252).

Saiba mais

Para se aprofundar os estudos sobre a concepção de uma ideia,


composição, variação e evolução do desenho tipográfico, construção da
imagem impressa, retícula e lineatura, leia o livro a seguir:

MATSUSHITA, R. Fundamentos para um design consciente. São Paulo:


Musa, 2011.

5.2.2 Forma linha e a base da estruturação dos projetos

Wucius Wong menciona que a forma enquanto linha é reconhecida por duas razões: sua largura, que
é bem fina, e seu comprimento, que é grande. Sua aparência pode ser reta, curva, quebrada, irregular ou
manuscrita. Geralmente a linha é representada como fininha, mas a espessura como fina ou pequena é
relativa. Existem três aspectos que devem ser considerados:

• O formato geral da linha tem relação com a sua aparência ou, como disse antes, se esta linha é
reta, curva, quebrada, irregular ou feitas à mão.

• O corpo da linha tem largura e seu corpo está contido entre duas bordas. Os formatos destas duas
bordas e a relação entre elas vão determinar a estrutura deste corpo. Normalmente as bordas são
lisas e paralelas, mas podem aparecer onduladas, irregulares ou afiladas.

• As extremidades podem ser insignificantes quando a linha é muito fina, mas, se for mais grossa,
podem ser quadradas, redondas ou pontiagudas.

58
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

Uma linha também pode ser um ponto em movimento ou “a história do movimento de um ponto”.
Ou seja, quando um ponto se movimenta o seu rastro constrói uma linha imaginária. Imaginem um
avião voando no céu ou o movimento de um pássaro. Quando colocamos vários pontos bem próximos
numa sequência regular, também construímos uma linha. Portanto, uma linha também é a sequência de
vários pontos, ou a união de dois pontos em um espaço.

A linha também é o elemento fundamental na execução da diagramação de uma página de revista,


jornal ou livro, serve como base de criação e estrutura de um projeto de arquitetura e é parte fundamental
do design de produto e embalagem.

As linhas definem o desenho, determinam a função, estilo e linguagem dos produtos e marcam sua
personalidade. Na construção de um edifício, as linhas determinam se a arquitetura, por exemplo, será
clássica, bizantina ou gótica. Um exemplo vem da arquitetura futurista e contemporânea da cidade de
Brasília, capital do Brasil. O arquiteto Oscar Niemeyer quebrou o mistério das formas, buscando, nas
linhas retas, curvas e ortogonais, seu significado. Abriu outro caminho, ao se inspirar nas curvas das
montanhas e das mulheres para montar sua arquitetura. Em sua busca pela criatividade e originalidade,
achou o novo e saiu da monotonia das arquiteturas convencionais.

Nas embalagens e produtos, as linhas marcam e personificam suas formas. Os formatos arredondados,
retos ou na união dos dois tipos de linhas emocionam e mostram a função de cada projeto. Outro
exemplo vem da indústria automobilística, com seus carros e a evolução do design de automóveis.
Vamos analisar os desenhos de três carros que foram projetados, desenvolvidos e fabricados numa
mesma região, na Itália. Os carros da Ferrari, Lamborghini e Maserati. O desenho dos carros da Ferrari
misturam, no geral, as linhas retas e curvas; já o desenho dos carros da Lamborghini têm na maioria de
suas linhas as retas; e no carro da Maserati suas linhas são predominantes curvas. Cada um com seu
estilo e linguagens próprias, marcando, definindo e assinando sua identidade por anos.

Figura 8 – Ferrari 430

59
Unidade II

Figura 9 – Lamborghini Gallardo police car

Figura 10 – Maserati Automobile Blue Sport

5.2.3 Forma plano e as figuras geométricas básicas e orgânicas

A forma enquanto plano se refere às figuras bidimensionais que não são reconhecíveis como o ponto
ou a linha. A forma plana tem uma infinidade de formatos e se classificam em formas planas geométricas,
orgânicas, retilíneas, irregulares, feitas à mão e acidentais. Enquanto os formatos orgânicos são mais fáceis
de serem adaptados às formas naturais, que são representações da natureza, os formatos abstratos criados
pelo homem, têm a geometria como base de construção, fazendo‑se uso de linhas retas e círculos.

Segundo Wong, as formas geométricas são construídas por meio de cálculos matemáticos e são
representadas pelas três principais figuras geométricas básicas: quadrado, triângulo, círculo ou a junção
destes.

Um formato geométrico depende de meios mecânicos de construção.


Linhas retas têm de ser desenhadas com o auxílio de réguas, círculos e arcos
com compasso. A nitidez e precisão devem prevalecer. Todos os indícios de
movimentos da mão ou de uso dos instrumentos devem ser eliminados ao
máximo.

[...]

60
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

Um círculo é estabelecido por um centro fixo e um raio. Após ter sido


desenhado, apenas a circunferência é visível. Descrito como um formato
linear, o círculo é uma linha contínua que encerra espaço. Esta linha contínua
também pode adquirir espessura e separa os espaços que circundam dentro
e fora dela mesma e não possui angulosidade nem direção.

[...]

Quando duas linhas se encontram, formam um ângulo. Ângulos são medidos


em graus e os ângulos de 30, 45, 60, 90 e 120 graus são considerados ângulos
regulares (WONG, 2010, p. 150‑161).

Quando juntamos quatro linhas iguais com ângulos de 90 graus, formamos o quadrado. Já na junção
de três linhas iguais com ângulos de 60 graus, formamos o triângulo. Portanto, somados ao círculo, o
quadrado e o triângulo, temos as três figuras básicas geométricas. Através das junções e modificações
destas três figuras, construímos todas as formas que conhecemos.

Para o estudo da simbologia destas três figuras podemos fazer várias associações. Esses estudos
variam desde a relação das formas com o emocional, relação com os elementos da natureza, como estes
elementos nos afetam e até a relação dessas figuras com a estrutura física das arquiteturas antigas.

Vamos lá, o quadrado simboliza solidez, sobriedade, resistência, caráter e o masculino. Podemos
associar esta relação e interpretação com a arquitetura romana antiga. Com a base estrutural mostrando
elementos quadrangulares e retangulares, a arquitetura romana determina, em seu significado, a
representação do Império Romano que era o mais poderoso em sua época. As características gerais
da arquitetura romana vinham da busca do útil imediato e o senso de realismo, da grandeza material,
realçando a ideia de força, energia, do sentimento de superioridade e predomínio do caráter sobre a
beleza. Na construção das formas, em geral, quanto mais retas forem essas linhas, mais irão agradar o
público masculino. A relação com as linhas retas também está associada às linhas do corpo do homem.
Um exemplo de utilização do quadrado é a marca do Banco Itaú.

O círculo representa a infinitude, totalidade, calidez, romantismo e proteção. Podemos fazer esta
associação com os elementos da natureza, a rotação da terra, o sistema solar, que agem de forma
circular num movimento constate e infinito. A calidez, sensação de calor, está associada ao dia e ao sol
por sua forma redonda. Já o romantismo e o mistério fazem esta relação com a lua. E a proteção é a
relação da evolução da vida, ou a nossa lembrança do ventre materno e a gestação de cada indivíduo.
Como representação da graça e da beleza, o círculo remete ao feminino. Na construção das formas,
em geral, quanto mais curvas forem estas linhas, mais irão agradar ao público feminino. A relação com
as linhas circulares também está associada às linhas do corpo do mulher. A exemplo de utilização do
círculo, verificamos a marca de telefonia Claro.

O triângulo representa tensão, ação e conflito. Por conta das diagonais, a associação está diretamente
relacionada com nosso senso de equilíbrio. Desde que começamos a andar, nosso equilíbrio se relaciona
com a base horizontal, que é o chão, e o ficar de pé, que é o vertical. Tudo que se destoa deste eixo
61
Unidade II

horizonta/vertical causa um estranhamento e é provocador. O triângulo difere em sua posição. Se a


base maior está para baixo e a ponta para cima, ele representa a estabilidade, direção e verticalidade.
Com a base maior no eixo horizontal, temos a estabilidade do equilíbrio. As pontas do triângulo também
representam direção, como a esquerda, direita e para o alto, trazendo a sensação de verticalidade,
crescimento. Se o triângulo estiver com uma das pontas para baixo e a base maior para cima, representa
a instabilidade e não mais o equilíbrio. Já a tensão é causada pelas pontas e relaciona‑se com a percepção
da dor ao nosso corpo. Exemplo de utilização do triângulo é a marca da Leroy Merlin.

a b c

Figura 11 – Vetorização de marcas do Itaú, Claro e Leroy Merlin

Já as formas planas orgânicas que sugerem curvas livres e fluidez visual são formas irregulares
limitadas em linhas curvas e retas que não se relacionam matematicamente. Podem ser as formas planas
feitas a mão por caligrafia sem a ajuda de instrumentos e as formas planas acidentais sem um propósito
definido e produzido ao acaso. Wong define que:

Um formato orgânico mostra convexidade e concavidade por meio de curvas


que fluem suavemente. Também inclui pontos de contato entre curvas. Ao se
fazer uma forma como um formato orgânico, todas as linhas à caneta e as
pinceladas devem ser controladas para minimizar indícios dos movimentos
da mão e efeitos reconhecíveis dos instrumentos empregados.

[...]

Formatos orgânicos são formados por curvas que fluem suavemente com
transições imperceptíveis ou conexões salientes. As curvas em geral são
feitas à mão, mas algumas vezes são utilizados instrumentos de desenho
como a curva francesa (régua com vários tipos de curvas para auxiliar
no desenho), ou curvas flexíveis. Raramente são usadas linhas retas. Um
formato criado com curvas e linhas retas exibe características geométricas
assim como orgânicas (WONG, 2010, p. 150‑172).

As outras formas como as retilíneas são limitadas por linhas retas que não se relacionam umas às
outras matematicamente e fogem das figuras como o círculo, quadrado, triângulo, retângulo, losango
e trapézio. As formas irregulares também não se relacionam matematicamente umas às outras e são
limitadas por linhas e curvas, ou a junção das formas retilíneas e geométricas com as linhas curvas. As
formas feitas à mão, que são manuscritas e caligráficas, não precisam de instrumentos tecnológicos
como os programas de desenhos por computador para a sua execução e podem misturar linhas retas e
62
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

curvas, ou apenas uma ou outra. Já a forma acidental é feita com materiais especiais e determinada pelo
efeito de processos ao acaso ou acidental. Ou seja, quando pingamos em uma folha de papel uma gota
de café, esta gota, aparentemente redonda, possui arestas em seu contorno, construindo uma forma
acidental. E é improvável construirmos outra forma acidental igual, de gota de café.

6 IMAGENS, CORES E TIPOS

6.1 Imagem: a evolução das principais linguagens e estilos da história da arte

A partir das junções das todas as formas, como as geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares,
manuscritas e as produzidas acidentalmente, conseguimos construir qualquer imagem que
identificamos através do sistema visual.

Para isso faremos uma breve retrospectiva da evolução da imagem na história da civilização e depois
a utilização da imagem na comunicação.

6.1.1 O nascimento da imagem

A imagem teve início quando o homem começou a comunicar‑se através das formas, quando este
homem da Pré‑história começou a pensar e entender estas formas marcadas por desenhos, pinturas
ou gravuras nas paredes das rochas. No início os homens utilizavam as mãos para produzir arte, depois
começaram a fabricar os próprios instrumentos de pintura, como os pincéis feitos de pelos de animais
e de penas de aves. Para a pigmentação utilizavam diversos tipos de matérias de origem vegetal, animal
ou mineral. Por exemplo, o carvão vegetal para a cor preta e o calcário mineral para a cor branca. Como
tinta usavam sangue, ovo, plantas, pedras coloridas e a banha animal como cola. Além dos desenhos
e pinturas, produziam também gravuras que eram talhadas nas paredes dos vales onde viviam ou
passavam.

O sítio de gravuras rupestres da região da Foz do Côa, no norte de Portugal, que foi descoberto
em 1994, possui um raro e rico acervo considerado hoje Patrimônio Mundial da Humanidade e é o
maior conjunto de arte rupestre a céu aberto do mundo. O sítio comporta um dos mais importantes
registros de gravura rupestre da humanidade e possui de 22.000 a 10.000 anos. As gravuras feitas
na superfície do xisto têm em suas representações animais como a cabra, cavalo, peixes e o auroque,
espécie de antepassado do boi.

Relato de viagem

Durante minha visitação ao Museu de Arte Rupestre de Foz do Côa, partimos de carro
e seguimos rumo à cidade de Vila Nova da Fóz do Côa, por aproximadamente uma hora.
Lá, uma funcionária autorizada pelo sítio nos aguardava. Pegamos outra condução do Vale
Arqueológico da Foz do Côa, um jeep quatro por quatro, e descemos colina abaixo por mais
trinta minutos. O caminho era bem seco, íngreme, cheio de pedregulhos e a rota foi feita
em zigue e zague. Chegando ao vale, conferimos que a entrada é supervisionada por um
guarda. Era um dia ensolarado e propício para o estudo ao ar livre.
63
Unidade II

As paredes de xisto, onde se encontram as gravuras, ficam em um vale a beira de um


afluente do rio Côa, bem pertinho das águas. A guia da expedição era uma versão feminina
do Indiana Jones, da série de filmes para o cinema, Caçadores da Arca Perdida. Nossa
“Indiana Jones”, com seu chapéu castanho e uniforme estilo militar de tom bege, conduziu
o grupo até as rochas. O grupo era formado por mim, outro brasileiro e três franceses, todos
estudiosos da comunicação e desbravadores da história, imagem e dos mistérios do homem
primitivo.

Datadas do Paleolítico Superior, do homem cro‑magnon, gravações nas rochas que impressionam
pelo domínio da perspectiva e da animação representam animais que eram objetos de caça, como forma
mística de preservação do alimento. Neste período o homem já tinha uma produção artística, que era a
representação da vida cotidiana, a caça. Desde esse tempo já se produzia arte para marcar território, se
comunicar ou para se produzir imagem.

Uma das mais destacadas pesquisadoras de imagem da atualidade, Marie‑José Mondzain afirma que
a pintura é a mais antiga representação da imagem até a chegada da fotografia. Faz uma análise da
arte rupestre e a intenção do homem primitivo para marcar e deixar vestígios de sua inteligência. Este
homem cro‑magnon, aquele que detém o saber e o pensar, foi o primeiro a produzir signos e, a partir
destes sinais, permitir que fossem vistas e percebidas as manifestações de seu desejo e a possibilidade
de interpretação de seu pensamento.

A partir desse momento o homem marca na Pré‑história sua entrada para a História. Com o
espetáculo da arte e diante de sua fraqueza, ele representa a delimitação territorial e marca suas
necessidades e domínios. Este domínio imaginário é a capacidade de colocar o espaço e o tempo em
uma época de confusão cronológica.

Para ela, a Paleontologia descobre o homem no momento em que este se faz ver, ao dar a ver aquilo
que ele quis mostrar‑nos. O nascimento do seu olhar está endereçado ao nosso. Só sabemos alguma
coisa deste remoto antepassado, porque ele deixou marcas. Traços, gestos da sua tecnicidade, do seu
engenho, da inteligência no que remeteu. Mas se a Paleontologia nos ensina aquilo que este homem
sabia fazer, eu proponho fazer e ver aquilo que este homem via. Mais ainda, desejo encenar uma ficção
verossímil e mostrar que este homem se apresenta aos milênios que o sucederam como um espectador.

Através dos estudos e pesquisas, podemos assim dar voz ao homem ausente e criar uma prosopopeia.
Nós vemos a intenção através das marcas. Se nós temos a capacidade de produzir imagem, podemos
receber esta imagem, criando um circuito de comunicação: produzida, codificada e interpretada. Nesse
momento o homem primitivo transforma‑se em homem moderno, a Pré‑história entra na História e a
imagem ganha perenidade.

6.1.2 Um passeio pelos movimentos artísticos

Quando o homem consegue o poder de se comunicar através das formas e desenhos, a comunicação
através das imagens evolui rapidamente. Vamos dar um salto e passear por algumas linguagens que
utilizaram a imagem como modelo único de linguagem, estilo e representação.
64
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

A arte egípcia determinou um tipo de arte e imagens únicas. Foi uma das civilizações mais ricas
e culturalmente avançadas que se formou na História. Dominavam as artes, arquitetura, agronomia,
engenharia, medicina, alquimia; e sua religião era politeísta, com adoração a vários deuses. Estes deuses
eram representados pelo Faraó, como o próprio deus na terra, através da imagem de animais e na mistura
de homens com animais. A civilização egípcia fez parte das grandes civilizações da humanidade. As
características gerais da pintura são: ausência de três dimensões, ignorância da profundidade, colorido
a tinta lisa, sem claro‑escuro e sem indicação do relevo, e a Lei da Frontalidade, que determinava que
o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, suas pernas e seus pés
eram vistos de perfil.

A arte grega determinou alguns padrões que são seguidos até os dias de hoje. A preocupação do
homem na Grécia Antiga era o gozo pela vida presente. O culto ao corpo, à inteligência e aos padrões
estéticos. A escultura e a arquitetura grega foram classificadas como arte clássica devido aos rígidos
esquemas de execução e qualidade. Foi na arte grega que começou a preocupação da proporção do
corpo humano nas esculturas, a simetria na arquitetura, até conseguir o padrão máximo de beleza já
atingido pelo homem.

No Bizantino a retratação do cristianismo e a religião marcaram a arte produzida. Um novo tipo de


arte é desenvolvido nesta época, o mosaico. Diferentemente do mosaico romano, que era para decoração
das casas nobres, colocados no chão, feitos com cacos de cerâmicas opacas e com desenhos de flores,
animais e de acontecimentos de guerras e conquistas, os mosaicos bizantinos eram vitrificados para
ter um brilho mais intenso, com o predomínio da cor dourada como símbolo do maior bem da terra,
representações de santos e imperadores.

Já na Idade Média, o Renascimento marca o renascer da arte clássica grega. O homem deste
período preocupa‑se com o individualismo, o iluminismo e o saber. Um artista completo deveria
navegar por todas as áreas do conhecimento. Ter conhecimento sobre as artes como a escultura,
arquitetura e pintura, além da engenharia, ciência e anatomia, que eram fundamentais para o
homem do século XV. A principal característica era o uso da perspectiva, com as leis matemáticas,
pelas quais os objetos parecem diminuir de tamanho quando se afastam de nós. Também usavam o
claro‑escuro, como pintar algumas áreas mais iluminadas que outras; e o sombreado para reforçar
a sugestão de volume dos corpos. Tanto a pintura como a escultura, que antes apareciam quase que
exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas, tornam‑se manifestações independentes.
Surgem artistas com um estilo pessoal e diferente dos demais, já que o período é marcado pelo
ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo.

O impressionismo aplica a ação da luz na natureza em suas pinturas. A pintura trabalha as


tonalidades que a natureza reflete da luz do sol num determinado momento do dia ou do período
do ano. As cores naturais mudam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol em um
determinado período. É um exercício de, através da pintura, captar o momento, que era exclusividade
da fotografia. As figuras têm contornos nítidos, pois o desenho deixa de ser o principal foco do quadro,
e há o interesse na produção da mancha/cor, nas sombras e no tom escuro; o preto jamais é usado em
uma obra impressionista plena, elas devem ser coloridas, misturando as outras cores, como na forma
que enxergamos estes tons na realidade.
65
Unidade II

Com a criação da primeira imagem fotográfica, todos os artistas pesquisavam no processo de


perpetuação da imagem fotográfica em um material. Coube a Joseph Nicéphore Nièpce a consagração
do invento da primeira produção de uma imagem fotográfica e a Louis Jacquès Mandé Daguerre a
consagração da invenção do primeiro processo fotográfico com êxito, entre 1793 ‑1839, o daguerreotipo.

Com o expressionismo, os artistas buscam inspiração no sentimento e na emoção. Os artistas


expressionistas caracterizavam suas pinturas em formas exageradas e distorcidas, combinadas com
linhas simplificadas e cores estridentes, esses artistas sentiam um forte desejo de expressarem seus
sentimentos e emoções através da dor, angústia, depressão e medo.

O modernismo quebra todos os parâmetros com a arte clássica e busca algo diferente e inovador.
A arte moderna traz uma nova abordagem artística na qual não mais era importante a representação
literal de um assunto ou objeto, ou seja, o compromisso com o realismo não importava mais. Todas as
características da arte clássica, Renascimento e do Neoclássico são modificadas. O objetivo era romper
com os padrões antigos. Os artistas modernos buscavam constantemente novas formas de expressão
e, para isto, utilizam recursos como cores vivas, figuras deformadas, geometrismo e cenas sem lógica.

No cubismo, a deformação ganha força e chega a extrapolar em seu significado. Com características
ilusórias, ausência da perspectiva, sem a preocupação da representação da natureza, utilização dos
cubos, cones, volumes e planos geométricos entrecortados, reconstroem formas que se apresentam
simultaneamente de vários ângulos nas telas. O cubismo analítico mostra uma fragmentação total da
obra que pode ser dividida em partes e não se preocupa com o seu entendimento. Com cores sóbrias, o
artista produz sua obra na visão total das figuras em todos os seus ângulos. Apoiado na arte conceitual, o
cubismo analítico atingiu níveis de expressão que muitas vezes interfere na interpretação do observador.
No cubismo sintético, o artista suavisa esta produção, traz uma gama de cores mais intensas e mostra os
objetos, às vezes, de apenas um lado. Traz de volta o reconhecimento parcial das formas e utiliza outros
tipos de materiais em sua concepção, além das tintas, usa papéis, tecidos, metais e plásticos.

O surrealismo é marcado como a expressão dos sonhos, do lúdico, da fantasia e do subconsciente.


A imagem do movimento surrealista defendeu um mundo onírico, irracional e inconsciente, trazendo
um sentido de afastamento da realidade consciente. A arte surge como manifestação da imaginação
de forma livre, sem se importar com o senso crítico nem com a própria crítica acadêmica, o mais
importante nesta criação é o transporte psíquico. O objetivo é fazer a razão da mente humana perder
seu controle, penetrando em um mundo fantástico.

Na Pop Art o artista cria sua imagem através da ilusão ótica. A arte ótica, como definimos, é uma
arte puramente visual. Sem se preocupar com a emoção ou a realidade, age em função da sinestesia
do espectador com a obra. Nesta interação o espectador recorre à percepção visual para criar a ilusão
do movimento, mesmo quando ele não existe realmente. Ou seja, em uma pintura a obra parece se
movimentar mesmo que o observador saiba que ela é estática.

Com a Pop Art a imagem é produzida em relação ao comportamento da sociedade, os meios de


comunicação de massa e os produtos e personagens de consumo popular. A popularização do meio e a
sociedade. Representava os elementos mais fortes da cultura popular e a volta a uma arte figurativa, em
66
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da Segunda Guerra. A
busca das referências para a realização das obras vinha da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do
cinema e da publicidade.

A arte contemporânea atual transita pelos diversos meios de comunicação e envolve ao mesmo
tempo a pintura, escultura, arquitetura, audiovisual e a música. Pode se instalar em vários ambientes
como uma sala, interagindo com ela, na interferência de um parque com a mudança das formas de uma
árvore ou mesmo transformando uma imensa paisagem com o empacotamento de uma ilha.

6.1.3 O uso da imagem na comunicação

Agora que vimos alguns movimentos, linguagens e estilos que cercam a história da arte, vamos
estudar a utilização da imagem na comunicação, abordando a imagem fotográfica e a ilustração.

Todos os dias, em todos os momentos, somos bombardeados por imagens. Algumas dessas imagens
fazem parte de nosso contexto e das quais gostamos, mas de outras não. Mas por que somos obrigados
a ver essas imagens? Esta imposição faz parte de um procedimento voltado para a formação cultural e
social de um povo. Esta ação prevalece como consenso comum de uma sociedade, determina a ação da
indústria cultural e a força dos meios de comunicação de massa como as mídias impressas, televisão,
rádio, internet e o cinema.

A imagem fotográfica é uma das mais poderosas ferramentas de comunicação. Grande parte da
comunicação voltada para a massa utiliza deste recurso para transmitir sua mensagem e facilitar seu
entendimento.

Quem não gosta de um filhote de cachorro de um mês? Cachorrinho pequenino, peludinho, macio e
inofensivo, a maioria vai dizer que gosta. E essa sensação boa tem relação com a infância ou o contato
com algum cachorrinho em determinada época de sua vida. Mas, por que outros não gostam? Algumas
das explicações estão associadas à experiência ruim ou a ausência da convivência com o animal. Como
a comunicação de massa trabalha com o grande público, é a aceitação da maioria que vai definir os
rumos da mensagem que será produzida. Um exemplo é a embalagem dos papéis higiênicos da Scotty,
fabricados pela Kimberly‑Clark do Brasil. Junto do produto, ou o rolo do papel higiênico, há a imagem de
um cachorrinho de um mês aproximadamente. Mas qual é a relação do cachorro com o papel higiênico?
A sensação de fofura, maciez e bem-estar que a imagem do cachorro produz no produto. Esta associação
afetiva e emotiva causa um impacto positivo para o produto e muitas empresas utilizam estes artifícios
para seduzir e agradar seu público-alvo.

A fotografia é um processo de captura da luz para produzir uma imagem. Para entendermos melhor basta
dividir as palavras: foto = luz e grafia = escrita. Portanto, fotografar é escrever com a luz a emoção, a beleza, o
cotidiano através de uma ótica diversificada. Cada fotógrafo tem sua particularidade para produzir as imagens.
Pode ser por meio da cor, das sensações, do reconhecimento ou pelas formas da cena a ser capturada.

A imagem, mais especificamente a fotografia, conta uma história, roteiriza os fatos, congela as
cenas. Desta forma, os códigos oferecidos pela imagem podem levar a uma compreensão e leitura
67
Unidade II

muito mais rápida do que as produzidas somente pelo texto. Temos uma célebre frase que diz que uma
imagem fala mais que mil palavras. Na verdade, uma imagem é muito mais fácil e rápido de interpretar
que o texto. Nossa memória e cérebro trabalham com mais eficiência a imagética que a textualidade.

Em uma capa de revista ou jornal é comum utilizar‑se uma imagem fotográfica para reforçar o
entendimento do texto, ou vice‑versa. Um exemplo é a capa da revista Veja de 04 de junho de 2014,
em que há a imagem do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa, com a
chamada: “E agora, Joaquim?” Naquela semana o presidente do Supremo anunciou sua aposentadoria e
afastamento do cargo. A imagem ajuda na identificação do texto completando a comunicação.

A escolha da imagem para a capa de uma revista é um trabalho muito importante e fundamental
para o êxito da publicação. Outra capa, por exemplo, é da revista Vanity Fair, dos Estados Unidos da
América, que trazia a fotografia de Tom Cruise, Katie Holmes e de sua filha Suri. A capa publicava
com exclusividade a apresentação da primeira filha do casal. Na composição da imagem temos os dois
atores olhando para baixo, na direção da filha e a filha olhando para frente, ou melhor, para o leitor. É
interessante avaliar a posição dos olhares dos três. Se os atores famosos estivessem olhando para frente,
a atenção dos leitores seria desviada para os atores famosos e não para a filha. Fora este detalhe, o
contraste das roupas com os rostos também foi proposital. Roupas escuras para contrastar com as peles
claras e a chamada principal da revista, com a formatação da escrita em ultra light, para não desviar a
atenção da imagem da filha.

a b

Figura 12 – Reproduções das capas das revistas Veja (2014) e Vanity Fair (2006)

Outro bom exemplo de utilização da imagem está na campanha do dia dos namorados realizada pela
empresa BH Shopping. Nesta campanha vemos duas imagens, uma ao lado da outra. Do lado esquerdo
a fotografia de dois alimentos populares da cultura brasileira, o arroz e o feijão preto. Separados por
uma linha imaginária na diagonal, estes alimentos exploram a relação do claro e escuro, da relação
gastronômica e complementação do cardápio na comida brasileira e a relação do feijão com a África e do
arroz com a Ásia. A composição se completa com a frase no meio da fotografia, escrita: “Vocês fazem um

68
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

par perfeito”. Do outro lado, à direita, um casal abraçado. De um lado um negro e do outro, uma asiática.
Na parte inferior, à direita, a assinatura da campanha: “Dia dos namorados. BH Shopping”. Para a análise
desta campanha vejo alguns pontos bem interessantes, a relação da cultura brasileira com a formação
do povo brasileiro. Ou seja, a campanha explorou a culinária do Brasil e os imigrantes que chegaram
para ajudar no desenvolvimento econômico deste país. O par perfeito diz respeito ao arroz e feijão e
também aos namorados. Ótima utilização da brasilidade, de nossa cultura e das etnias que envolvem o
povo brasileiro, além da naturalidade do envolvimento entre o negro e o branco. Ótima exploração da
imagem fotográfica, excelente ideia com bom aproveitamento da criação e registro inteligente para a
campanha do Dia dos Namorados.

A imagem fotográfica é vista e percebida por um observador que a fragmenta e a reconstrói


novamente em sua mente, quando esta imagem é remontada adicionam‑se valores, sentimentos,
conhecimento e cultura ao mesmo tempo. Cada pessoa interpreta essa imagem de uma forma diferente
e individualizada, porque as experiências são particulares de cada pessoa.

Temos que tomar cuidado na maneira de apresentar essa fotografia, o local onde será mostrada
essa imagem interfere na interpretação. Por exemplo, se utilizarmos a fotografia de culinária
na seção de esportes, esta imagem do prato de comida vai trazer um estranhamento à primeira
instância, pois a imagem mais óbvia seria de um atleta ou de algum tipo de esporte. Claro que
poderia ser uma matéria sobre alimentação de atletas, mas essa imagem deverá estar associada à
outra imagem de esporte.

Agora vamos analisar como funciona a fotografia na atualidade, suas especialidades e sua utilização
nos diferentes meios de comunicação. A fotografia está presente nos mais diversos e modernos processos
de comunicação.

No jornalismo, a fotografia ajuda a esclarecer os fatos, auxilia no entendimento do texto, leva o


espectador a viver e participar da notícia. Geralmente está associada em uma pauta predeterminada.
Antecipadamente, o fotógrafo precisa ter conhecimento sobre o que vai fotografar, onde e quando. Para
a produção da imagem, em primeiro lugar, o fotógrafo precisa ter uma visão geral e depois estar atento
a qualquer acontecimento que se passa ao seu redor, sem perder nenhum instante.

A fotografia na propaganda apresenta imagens que são produzidas com o objetivo de seduzir e
vender um produto, ideia ou conceito. Visando a um forte apelo ao consumo, são oferecidos os mais
diversos produtos, como sapatos, carros, viagens, cursos, apartamentos, restaurantes, eletrodomésticos
e roupas, assim como os serviços, como corte e costura, estética, saúde e bem-estar, línguas, limpeza
e os trabalhos personalizados. Para a produção dessas fotografias, o fotógrafo precisa passar uma
comunicação direta, sem a utilização da mensagem subliminar. A mensagem deve ser clara e objetiva,
para a produção específica em comida, as cores precisam estar saturadas e quentes.

Na área das pesquisas e ciências, a fotografia precisa captar o que nossos olhos não conseguem
perceber. Para essa produção, o fotógrafo necessita da adaptação de equipamentos apropriados, como
o uso do microscópio acoplado à câmera para a produção da micrografia ou a aquisição de uma objetiva
macro para a macrografia. E, em casos bem específicos, a junção da câmera ao telescópio.
69
Unidade II

Para a fotografia de documentação será necessário o prévio conhecimento do trabalho a ser realizado.
Um exemplo é a fotografia de um edifício. Além de registrar toda a estrutura e os detalhes que compõem
esta estrutura, há a necessidade de registro das plantas, da construção e sua evolução histórica. Já a
fotografia social envolve a relação do homem com a sociedade. Esta relação se modifica dependendo
da localização dessa sociedade, sua imposição de regras e suas leis em conjunto do comportamento do
homem, sua conduta cultural, política e judiciária nessa comunidade.

A fotografia esportiva, na maioria dos casos, requer a produção da imagem em movimento. Há a


necessidade de entender o tipo de esporte que será registrado para a seleção dos melhores ângulos que
serão escolhidos ou produzidos. Para a produção, a exploração da imagem requer, em sua captura, o
congelamento do movimento do esportista em uma determinada ação ou na captura por dinamismo,
que é o retrato do rastro desta ação ou movimento.

Mas se você apenas quer tirar suas fotografias de maneira despretensiosa, lembre‑se de que
fotografar é um hobby divertido, trabalha a percepção e a arte visual, e quem fotografa vê o mundo de
outra maneira, muito mais criativa e inusitada.

Nesta última parte sobre a imagem, vamos rever a história, características e a utilização da
imagem‑ilustração nos meios de comunicação.

Como vimos anteriormente, o desenho sempre foi uma poderosa ferramenta de comunicação. Antes da
fotografia a realidade era retratada com pigmentos de cores e traçados de lápis. Na Pré‑história a arte era
feita a base de pigmentos naturais com representações da vida através do desenho, da pintura e da gravura.

Já no Renascimento novas técnicas foram incorporadas e aprimoradas. O naturalismo em toda sua


excelência, com o uso do claro e do escuro, representação da profundidade através da perspectiva,
o esfumaçado e os ideais de proporção e anatomia em relação ao corpo humano. Depois, com o
modernismo, as artes tomaram outro rumo, e foram construídos novos tipos de expressão artística.

A ilustração, assim como a fotografia, ajuda no entendimento da comunicação, costuma acompanhar


um texto ou pode aparecer sozinha. Com a evolução dos movimentos artísticos, a ilustração tomou
força e se fragmentou em diversas categorias e para diferentes públicos.

Mas, afinal, quais são os principais tipos de ilustração?

O cartaz marca o início da propaganda fixada em lugar público. Os primeiros cartazes eram feitos
apenas com texto sem nenhuma técnica gráfica elaborada ou desenhos. Só a partir da segunda metade
do século XX, com o início da Revolução Industrial, que ele ganhou modificações relevantes. Com o
avanço tecnológico e as melhorias na produção gráfica, com novas técnicas de impressão, artistas
renomados começaram a colaborar com este tipo de trabalho. Jules Chéret, Tolousse‑Lautrec e Alphonse
Mucha foram alguns ilustradores que contribuíram com os cartazes publicitários.

Os tipos de ilustrações técnica e científica exigem um cuidado maior para a sua construção. O autor
precisa ter informações e rigor técnico apurado, além de não poder dar margens à criatividade e livre
70
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

interpretação. O artista não pode alterar as formas, texturas, medidas ou distorcer o assunto que está
sendo ilustrado, pois há a necessidade de expor aquilo que realmente são. Suas representações variam
muito e o trabalho pode estar vinculado à botânica, biologia, tecnologia, meio ambiente, história e
equipamentos.

A ilustração infantil retrata um mundo reconhecível pela criança. É a expressão visual melhor
recebida e identificada por ela. Por sua proximidade com os traços e referências do universo infantil,
o artista precisa estar atento à visão da criança, o universo em que vive seus sonhos e fantasias e às
cores que são identificadas e apreciadas, como o azul, vermelho, laranja, amarelo e verde. A anatomia da
criança também é outro objeto de atenção e determina sua identificação física. Cabeça grande, tronco e
membros pequenos, pernas grossas e dedos curtos. Na ilustração juvenil o universo muda de proporção
e de reconhecimento. O universo juvenil é investigado e aplicado nas ilustrações. As cores ficam mais
elaboradas e o uso da perspectiva é utilizado. A anatomia acompanha o crescimento do corpo jovem, a
cabeça diminui de tamanho e o tronco e membros aumentam em sua proporção. Na ilustração adulta
são explorados outros elementos que envolvem este universo. O sexo, os problemas sociais, a família e a
profissão são alguns temas expostos neste tipo de ilustração.

As histórias em quadrinhos são ilustrações contadas quadro a quadro, ou seja, um enredo com
começo, meio e fim. Com este tipo de ilustração, temos a impressão de que estamos assistindo a um filme,
só que sem som. Para um melhor dinamismo dos quadros e histórias, as expressões, movimentos, luzes,
sombras e perspectivas precisam ser trabalhadas de maneira que garantam a vida no papel. Outro tipo
de ilustração, o Storyboard, utiliza um processo parecido com a história em quadrinhos, mas sua função
é outra. Na publicidade e no cinema os ilustradores fazem uso deste recurso para dar suporte ao diretor
de um filme sobre a posição dos cenários para a gravação. Ajuda na demonstração e representação das
cenas e ambientes de um comercial ou filme antes de sua produção final.

A ilustração editorial geralmente complementa o entendimento do texto, em publicações como a


revista, jornal e livro, este tipo de ilustração ajuda o observador a compreender melhor a mensagem
descrita em formato textual. Antes da fotografia, era o tipo de imagem utilizada nos primeiros meios de
comunicação impressa da história, como os livros e jornais. Normalmente, sintetiza uma ideia e serve
de complemento de compreensão da mensagem para que seja interpretada da maneira mais correta
possível. Também entra nesta categoria a infografia. Diferentemente da ilustração editorial, a ilustração
publicitária ajuda na sedução do público e no convencimento da compra de um produto, conceito ou
ideia. Como características, tende ser mais forte no significado que o texto, a ilustração publicitária deve
ser objetiva, para transmitir de maneira rápida a informação desejada, a fim de expressar claramente o
produto ou serviço apresentado ao seu consumidor.

6.2 Cores e tipos: as sensações e emoções na configuração cromática e


tipográfica

A cor, como a imagem, influencia na emoção, no significado e ajuda na interpretação da mensagem.


As cores que percebemos são resultados da luz do sol, sem a luz não conseguimos enxergar as cores,
portanto, na ausência da luz não há cor. Esta luz que vem do Sol, que supostamente é branca, na
verdade é a soma de três cores irredutíveis, que são o verde, vermelho e o azul. A luz do Sol que vemos é
71
Unidade II

composta por sete cores, e elas são visíveis, por exemplo, quando o Sol bate nas gotas de água que caem
das nuvens. O fenômeno é chamado de arco-íris.

Além da imagem e da cor vamos estudar também outro elemento importante que trabalha na
composição e ajuda no posicionamento do texto na comunicação, os tipos. Vamos entender as diferenças
entre tipologia e tipografia e desvendar as pesquisas e teorias que envolvem a história, a criação, as
formas dos caracteres e a variação das fontes.

6.2.1 A Teoria e a Psicodinâmica das Cores

As cores que vemos na natureza na realidade são reflexos desta luz em nossos olhos. Ou melhor,
a luz bate na superfície, algumas cores são absorvidas nesta superfície e outras são refletidas. Estas
cores refletidas são captadas pelos nossos olhos, ou pela nossa visão, e percebidas pelo cérebro. Esse
fenômeno de percepção visual nos permite dizer qual a cor da fauna, flora, objetos, homem e ambiente.

A cor é o resultado da sensação provocada pela luz sobre os órgãos da visão, é impossível separar cor
e luz, pois é a própria luz que pode se decompor em muitas cores.

A “cor luz” é a mistura de cores que aparecem com a luz, já a soma de todas as cores que vêm da luz
produz o branco. Consequentemente a ausência das cores, ou da luz, produz o preto. Por isso, tanto o
branco como o preto não são propriamente cores, e sim características da luz.

As cores que vem da luz são produzidas pela soma das cores verde, vermelho e azul. A soma destas
três cores geram todas as outras cores que conhecemos. Este sistema de soma das cores que vêm da luz
é chamado de síntese aditiva. Além de encontrarmos estas cores na própria luz do Sol, também vemos
nos monitores de computador, telas de celulares, na televisão, no cinema e nos produtos eletrônicos em
geral.

A “cor pigmento” é a mistura de cores que refletem com a luz, já a soma de todas as cores que
vêm do pigmento produz o preto. Consequentemente a ausência das cores, ou do pigmento, produz o
branco. Há pigmentos em toda a natureza, como no vermelho das flores, no verde das folhas ou no azul
dos minerais.

O pigmento pode ser encontrado em várias partes da natureza, como nos vegetais, animais ou
minerais. Ao extrairmos essas substâncias produzimos todas as cores que são utilizadas para pintar
ou desenhar algo. Desenvolvidas desde a Pré‑história, o homem evoluiu tecnicamente para produzir
substratos de tintas e imprimir sua comunicação.

As cores que vêm do pigmento, no sistema de impressão, são produzidas pela soma das cores
cyan, magenta, yellow e o preto gráfico. A soma destas três cores mais o preto gera todas as
outras cores que conhecemos. Este sistema de soma das cores que vêm do pigmento é chamado
de síntese subtrativa. Além de encontrarmos estas cores na própria natureza, também vemos nas
tintas para impressão de revistas, jornais, livros, catálogos e produtos, nas pinturas de fachadas e
no tingimento de tecidos.
72
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

Figura 13 – Vetorização de imagens das sínteses aditivas e subtrativas

Observação

O interessante é que a cor preta, utilizada para impressão, foi produzida


artificialmente. A cor preta originalmente deveria ser a soma das três cores:
cyan, magenta e amarelo. Mas gasta-se muita tinta para produzir o preto,
todas as vezes que os artistas e gráficos queriam esta cor era muito grande.
Então surgiu a ideia de produzir a quarta cor para a impressão.

Na formação das cores, tanto na “cor luz” quanto na “cor pigmento”, temos as cores primárias,
secundárias e terciárias.

As cores primárias são as cores irredutíveis, ou seja, as cores que não são misturadas com nenhuma
outra. Na “cor luz”, temos o RGB ou o vermelho, verde e azul. E na “cor pigmento”, ou de impressão,
temos o CMY ou ciano, magenta e o amarelo, mais o K que é o preto gráfico.

As cores secundárias são misturas das cores primárias em máxima quantidade, ou em 100%. A mistura da
“cor luz” do azul com o verde resulta no ciano, a soma do azul com o vermelho resulta no magenta e a soma
do vermelho com o verde, resulta na cor amarelo. Se observarmos bem a produção das cores secundárias da
“cor luz” resulta nas cores primárias da “cor pigmento” CMY ou ciano, magenta e amarelo. Quando somamos
as cores primárias da “cor pigmento”, o resultado será as cores secundárias RGB, vermelho, verde e azul.

As cores terciárias são todas as misturas das cores primárias e secundárias em porcentagens
diferentes. A partir da formação das cores primárias, secundárias e terciárias, é criado o disco cromático
ou roda das cores. É um disco com as doze principais cores‑pigmento e que servem para entender a
Teoria das Cores. De um lado ficam as cores quentes e do outro, as cores frias.

Agora, vamos estudar a Teoria das Cores: cores complementares, cores analógicas, cores quentes
e cores frias, harmonia das cores e a psicodinâmica das cores. Raquel Matsushita é diretora de arte e
escritora. Em seu livro sobre produção gráfica, explica a Teoria das Cores.
73
Unidade II

Para Matsushita, as cores complementares são as cores que ficam de lados opostos na roda das cores,
ou seja, a cor que está em oposição à cor primária é sempre uma cor secundária e complementar a ela.

Por exemplo, o amarelo e o violeta são cores complementares, opostos maiores na roda de cores,
assim como o verde e o vermelho, o azul e o laranja.

Os opostos apresentam maior contraste entre si. Quando justapostas, as complementares


intensificam‑se ao máximo. O máximo contraste de cores pode ser utilizado para equilibrar uma página
ou destacar elementos, mas também pode ser um desastre se usado sem o planejamento adequado
(MATSUSHITA, 2011, p. 182).

As cores analógicas são as cores que apresentam como base uma mesma cor, portanto fazem parte
de uma mesma gradação de tons. Tomamos como exemplo as cores que têm como base o amarelo.
O laranja, ouro, o próprio amarelo, o cobre e o vermelho são derivados da base amarela para as suas
construções. Estas cores apresentam baixo contraste entre elas e causam uma sensação visual agradável,
harmônica e uniforme.

Cores quentes Cores frias

Figura 14 – Disco das cores: cores primárias, secundárias e terciárias (cores quentes e frias)

Figura 15 – Disco das cores: cores análogicas

74
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

As cores quentes e as cores frias trabalham de forma diferente no sistema nervoso e emocional
do espectador, causando vários tipos de sensações. As cores quentes agem em nosso psicológico de
forma dinâmica e estimulante. Ao olharmos essas cores, sentimos alegria, animação, excitação, paixão e
entusiasmo, elas aproximam o espectador. Pela grande luminosidade que elas proporcionam aos nossos
olhos, elas expandem as figuras coloridas e fazem parecer maiores. Podemos associar também as cores
quentes com algo que conhecemos, como a cor amarela e a relação com o sol, o verão, o laranja com o
fogo e o vermelho com o sangue. Quando nos lembramos destas experiências através das cores, nosso
cérebro emite comandos ao sistema nervoso de sensações experimentadas, como a alegria e a excitação,
assim acelera‑se o batimento cardíaco, eleva‑se a pressão arterial e aumenta‑se nossa temperatura
corporal.

As cores frias agem em nosso psicológico de forma tranquilizante e relaxante. Ao olharmos estas
cores, sentimos calma, sono, relaxamento, preguiça e aconchego, afastando o espectador. Pela pouca
luminosidade que emanam aos nossos olhos, elas diminuem as figuras coloridas e as fazem parecer
menores. Os batimentos cardíacos são mais devagar, a pressão arterial diminui a nossa temperatura do
corpo é rebaixada com as cores frias através das relações e experiências do azul com o céu ou a água e
o verde com o mar, as árvores e a natureza.

Para trabalharmos uma boa harmonia das cores, devemos ter atenção com alguns fatores como
a latência e a percepção. Matsushita esclarece que, quando olhamos algo, o entendimento não é
imediato, a percepção visual manda mensagem para o cérebro e precisa de um tempo para decifrar
esta mensagem. Esse tempo de entendimento, que vai do olhar até a decodificação do cérebro,
chamamos de latência. A latência varia de acordo com as cores, as ondas das cores quentes são
maiores e mais rápidas de serem entendidas, enquanto as ondas das cores frias são mais curtas e
demora‑se mais para serem decifradas. Por exemplo, o vermelho apresenta o maior comprimento de
onda do espectro da cor e é percebido de imediato, enquanto o violeta tem a menor onda do espectro
e é mais demorado para ser percebido.

Observação

Em sua obra Fenômenos dos Corações Flutuantes, o médico e físico


alemão Hermann Helmholtz (1821‑1894) estudou o conceito da latência
e comprovou como o olhar se modifica através da percepção. Executou
uma pintura com corações vermelhos sobre um fundo azul. A diferença
do tempo de percepção causa um descompasso e uma vibração na visão,
criando uma sensação de que os corações estão piscando e flutuando.

Na combinação e harmonia não existem regras prontas a seguir. Para os trabalhos de impressão
gráfica, ou de design gráfico, precisamos saber qual é o objetivo do trabalho, pesquisar, analisar, criar
uma tabela cromática e executar este trabalho de forma original. Há vários tipos de combinações que
podem ser utilizadas de forma criativa e consciente. Depois de escolher quais são as cores que serão
utilizadas, precisamos checar os contrastes entre elas para um resultado satisfatório. O maior contraste
para a combinação das cores é a utilização do acromático, que é o branco com o preto.
75
Unidade II

Matsushita menciona Johanes Itten (1888‑1967), que foi professor da escola de Bauhaus e definiu
um esquema de cores feito a partir das figuras geométricas posicionadas na roda de cores, ou se preferir,
no disco cromático de 12 cores.

Quadrado: combinações com muito contraste, por trabalhar somente com


cores complementares diretas em pontos equidistantes no círculo cromático.

Retângulo: combinações entre duas duplas de cores com baixo contraste


e suas respectivas complementares. Essa combinação é balanceada, pois
apresenta o alto contraste das duas complementares e, ao mesmo tempo, o
baixo contraste entre as outras duas cores.

Triângulo equilátero: essa combinação consiste no uso de três cores


equidistantes umas das outras no círculo cromático. Mesmo sem o uso de
suas complementares diretas, também apresentam grande contraste.

Triângulo isósceles: usam‑se as duas cores vizinhas da complementar


direta no círculo cromático. Esse contraste é mais suave do que o das
complementares diretas, poisduas cores dessa combinação têm baixo
contraste entre si (MATSUSHITA, 2011, p. 188‑189).

Além das combinações em torno das figuras geométricas, temos a combinação analógica. São
uniformes, com baixo contraste, com variação das combinações das cores analógicas. Este tipo de
combinação traz leveza e elegância nos projetos, mas temos que tomar cuidado para que o projeto não
fique monótono.

A combinação monocromática utiliza uma só cor ou combinações entre diferentes porcentagens de


uma mesma cor. Apresenta um contraste de luminosidade da mesma cor, sensação de visão homogênea
na composição. Pode ir do azul 100% ao azul 10%. As cores mais saturadas, ou mais intensas, que
representam o azul 100%, tendem a ficar mais distantes, já as cores menos saturadas ou mais clarinhas
como o azul 10% tendem a ficar mais próximas.

E para finalizar este tópico das cores vamos entender a psicodinâmica das cores. Pelas retinas
captamos as informações da cor; quando deciframos pelo cérebro a mensagem que as cores emitem, são
provocadas sensações como o frio e o calor e também emoções que nos contagiam psicologicamente.

Cada cor emite uma sensação diferente e, à medida que formos nos relacionando com elas, vão
sendo construídos significados próprios. Essas cores possuem valor de símbolo e podem assim construir
imaginários sensitivos, ou seja, constroem pela percepção visual uma linguagem para comunicar, por
exemplo, a alegria, tristeza, raiva e a calma.

A função psicológica age com associação do subconsciente coletivo ou individual em relação


às experiências vividas pela maioria ou só por uma pessoa. Vamos fazer um exercício para entender
melhor. A exemplo do azul que, para a maioria, representa o céu a calma e o relaxamento, como dito
76
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

anteriormente, mas se formos analisar de forma individual pode ser a cor preferida de um parente
falecido. Para esta pessoa o azul pode trazer tristeza e afetividade. Estas sensações e emoções são
buscadas na memória a partir de experiências recentes ou de vivências anteriores. A utilização correta da
cor pode ativar a mente, estimulando, despertando e instigando o observador, assim como acalmando
seus impulsos e instintos. Direciona a mensagem para uma reação emocional com o observador e pode
induzir para uma comunicação específica. Vamos à análise de algumas cores:

• Branco: para a “cor luz”, ou síntese aditiva, é a soma de todas as cores, já na psicodinâmica
representa o nascimento ou morte, fim de uma história, o vazio interior e a solidão. O branco
também representa a pureza e a higiene, sendo usado em rituais religiosos como o batismo,
primeira comunhão e nos vestidos de noivas do casamento. A partir do século XX tornou‑se uma
forte representação de união entre os povos, a paz. O branco também representa a luz ou o dia.

• Preto: na síntese aditiva é a ausência de cor ou luz. Representa a noite com a luz ausente, o
descanso, silêncio e o mistério. No Egito representava a sombra, e no Norte da África o preto
era símbolo de fertilidade da terra. Na psicodinâmica representa a tristeza, a angústia, o luto e a
perda. Na simbologia representa as trevas, o mal, a morte. Pode representar luxo e elegância no
vestuário quando misturados com outras cores como o ouro, prata, azul ou vermelho.

• Azul: trabalha nos neurônios com suavidade, tranquilidade, plenitude e equilíbrio. O azul
reduz a tensão e acalma. Sua relação com o céu e o infinito abre as portas do inconsciente e
do pré‑inconsciente para a meditação e no transporte do real para o imaginário. Os egípcios
consideravam o azul como a cor da verdade, no budismo tibetano é a representação da sabedoria
transcendental que abre o caminho para libertação. Na Idade Média, o azul tinha relação com
realeza, nobreza, riqueza e superioridade para os que tinham o “sangue azul”. Também significa
intelectualidade, lealdade, justiça, fidelidade.

• Vermelho: é a cor quente mais saturada e intensa de todas. Quando aplicada em fundo preto ela
ganha energia, classe e força, pois traz luminosidade à mistura. Para muitos povos, o vermelho
é a cor do fogo e do sangue e passa a sensação de excitação, calor, energia, amor e paixão
verdadeira. No Japão é o símbolo da felicidade e da sinceridade. Também está relacionado com o
perigo, alerta e atenção e, é a melhor cor para chamar a atenção. Tem outros significados como a
vitalidade, dinamismo, intensidade e estímulo.

• Verde: é uma cor dúbia porque, na síntese subtrativa da “cor pigmento”, ela é a mistura da cor
quente do amarelo com a cor fria do azul. Portanto possui as características das duas cores primárias
que trazem os significados como a claridade e obscuridade, calor e frio, aproximação e afastamento,
expansividade e introspecção. Também traz a sensação repousante e significa a esperança,
longevidade e imortalidade. Na mistura do amarelo com o azul, quando a base amarela, que é a cor
quente, é mais forte, ela representa a alegria e vibração e, quando a cor fria, que é o azul, for mais
forte, representa calma e tranquilidade. É a representante da relação da natureza com o homem.

• Amarelo: é uma cor quente e a mais clara de todas. Quando aplicada junto do branco fica pouco
visível, porque seu contraste é muito baixo. Mas, se colocado sobre um fundo preto, mostra
77
Unidade II

toda a sua luminosidade com força e vibração. Quando misturado com o vermelho, a junção
amarelo‑vermelho modifica a ação do metabolismo, interfere nas funções gástricas, despertando
a fome. Com ondas longas do espectro cromático, a cor amarela é intensa e excitante, também
produz sensação de alegria, animação, euforia e espontaneidade, pois tem uma relação direta
com a cor mais forte do sol irradiado em todas as direções.

Saiba mais

Para saber mais sobre as cores, sua harmonia e como ela interfere no
inconsciente, mudando nossa sensação psicológica e a emoção, leia os livros
Fundamentos Gráficos para um Design Consciente, de Raquel Matsushita, e
Psicodinâmica das Cores em Comunicação, de Modesto Farina.

6.2.2 O estudo tipográfico e suas funções

O estudo tipográfico é um elemento importante para o trabalho da composição e na ajuda da


compreensão do texto na comunicação. A escolha tipográfica é fundamental para a estrutura de uma
composição e elaboração de uma boa mensagem. A partir deste ponto, veremos os estudos que envolvem
a história, a criação, as formas dos tipos e a variação das fontes. Para iniciarmos vamos ver as diferenças
entre a tipologia e a tipografia.

Termo pertencente à taxionomia, a ciência das classificações, a tipologia estuda as proximidades,


diferenças e características entre os tipos e os seres vivos de todas as espécies. Também é o estudo de
como são compostas as formas que envolvem os diferentes tipos como o formato do desenho das letras,
sua estrutura e tamanho.

A tipografia tem origem etimológica na implantação da impressão por tipos móveis na Europa. Nas
artes gráficas é o processo de impressão dos tipos, ou impressão tipográfica e desenho de tipos, é a arte
e o processo de criação de caracteres. A primeira tipografia utilizada para a impressão em escala, feita
por Guttemberg, também marcou a primeira escolha de tipo, ou fonte, utilizado em um projeto editorial
executado por impressão gráfica.

Com a invenção de Guttemberg foi possível a propagação do conhecimento que era destinado
para poucos. Antes da impressão da Bíblia no processo de impressão gráfica, o método utilizado era o
manuscrito. Além de demorar muito para a execução de um exemplar, esse livro era restrito à realeza,
nobres e clero. Com a nova invenção possibilitou‑se o acesso ao grande público, pois sua produção era
mais rápida e de um mesmo exemplar podiam‑se fazer quantas cópias fossem necessárias. A máquina
inventada por ele e seus tipos desenhados e fundidos em metal foram o ponto inicial para a revolução
na comunicação.

O termo tipografia vem do grego typos, que quer dizer forma, e graphein, que quer dizer escrita. É a
arte e o processo de criação na composição de um texto, seja no processo manual ou digital. No uso da

78
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

tipografia, o interesse visual é realizado a partir da escolha adequada de fontes tipográficas, composição
e cor do texto e a relação entre texto e elementos gráficos na página.

Vamos às nomenclaturas utilizadas no trabalho de produção dos tipos, a escolha tipográfica e ao


estudo da estrutura dos tipos.

Matsushita determina como nomenclatura tipográfica os nomes dados às diferenças das letras,
estrutura, os números, sinais de pontuação e letras maiúsculas e minúsculas. Estes tipos também são
chamados de caracteres. Quando possuem um mesmo alfabeto de um só desenho, mudam de nome
para fonte. Fontes são os tipos que tenham as variações de tamanho (corpos) e de estilo (redondo, itálico
ou negrito), reunidos para gerar uma família de tipos.

Abertura: é o espaço vazio aberto em letras como a, c, e, s. As fontes


humanistas têm abertura grande, enquanto as realistas e as românticas
apresentam abertura pequena.

Altura de versal: distância entre a linha de base e a linha do topo da versal


(maiúscula) de um alfabeto. Por exemplo, a altura da letra H.

Altura‑x: distância entre a linha de base e a linha mediana de um alfabeto.


Corresponde, geralmente, à altura das letras minúsculas sem haste, como x,
ao torso das letras com bojo, como o b.

Bojo: parte mais larga e arredondada da letra.

Bold: variação do desenho da letra em negrito e constitui um traço mais


grosso do que a versão regular.

Caixa‑alta: variação do desenho da letra em maiúscula, também chamada


de versal. A origem do nome caixa‑alta, assim como caixa‑baixa, vem
da composição tipográfica manual, na qual os tipos eram guardados em
gavetas. As maiúsculas ficavam em gavetas na parte alta do armário de
gavetas. Já as minúsculas, por serem mais utilizadas, localizavam‑se nas
gavetas da parte baixa do móvel para facilitar o acesso ao compositor.

Caixa‑baixa: variação do desenho da letra minúscula.

Caracteres: letras, números e sinais de pontuação.

Corpo: o tamanho dos caracteres tipográficos, geralmente expresso em


pontos. Por exemplo, corpo 10, corpo 20.

Eixo: o eixo do traço do desenho de uma letra revela o eixo da pena ou outro
instrumento que a desenhou. A linha imaginária entre as partes mais finas
do desenho da letra mostra se o eixo é vertical ou inclinado.
79
Unidade II

Entreletra: espaço entre as letras de uma palavra. Em alguns casos, os


espaços entre as letras devem ser manipulados à mão até chegar ao equilíbrio
visual, mesmo que matematicamente não estejam idênticos.

Entrelinha: espaço entre as linhas do texto. É a distância entre a linha


de base de uma linha para a linha seguinte. Para uma leitura confortável,
recomenda‑se a relação de dois pontos a mais para a entrelinha em relação
ao corpo do texto. Por exemplo: para um texto composto com tipos de corpo
10, aplica‑se uma entrelinha de 12 pontos, ou seja, 10/12.

Entrelinha negativa: o corpo do texto é maior do que a entrelinha, por


exemplo, 14/12. Dessa forma, as hastes ascendentes e descendentes das
letras tocam‑se ou intercalam‑se no decorrer das linhas.

Entrepalavras: espaço entre as palavras. Quando o texto é alinhado à


esquerda ou à direita, a entrepalavra é fixa. Se o texto for justificado, a
entrepalavra varia para a melhor acomodação das palavras em uma linha.

Extensores: hastes ascendentes e descendentes das letras.

Família tipográfica: conjunto de fontes de determinado tipo, incluindo


todas as variações de estilo, como itálico, negrito, versalete etc...

Fonte: conjunto de caracteres de derminado tipo. A denominação completa


de uma fonte, com variação de tamanhos e estilos, corresponde a uma
família tipográfica.

Haste: traço principal da letra que não faz parte do bojo. Por exemplo, a
letra “o” não tem haste, enquanto a letra “l” é formada por uma haste.

Haste ascendente: traço que excede para cima da altura‑x da letra em


caixa‑baixa. Por exemplo, as letras, t, h.

Haste descendente: traço que excede para baixo da altura‑x da letra em


caixa‑baixa. Por exemplo, as letras, p, q.

Itálico: variação do desenho da letra com angulação para a direita. Nessa


variação, o desenho da letra é redesenhado considerando os espaços
estruturais das letras e a inclinação desejada.

Linha de base: marca a base da letra, onde todas elas repousam. A base
das letras sem formas arredondadas, como m, r, f, coincide com a linha de
base. Já a base das letras com formas arredondadas como c, b, o, ou formas
pontudas como v, w, adentram um pouco a linha de base. E, por último,
a haste descendente de letras como p e q ultrapassam a linha de base.
Visualmente, todas essas variações garantem um alinhamento perfeito.

80
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

Linha de fundo: marca o limite inferior da haste descendente de letras


minúsculas como p, q.

Linha mediana: marca o topo das letras minúsculas como a, c, x. Marca


também o torso de letras minúsculas como b, d, h.

Linha de topo: limite superior das hastes ascendentes de letras minúsculas,


como b, d, l.

Linha de versal: marca o topo de letras maiúsculas. A linha de versal não


coincide necessariamente com a linha de topo das hastes ascendentes.

Maiúscula: variação do desneho da letra em caixa‑alta ou versal.

Minúscula: variação do desenho da letra em caixa‑baixa.

Olho: principal froma redonda ou elíptica que define o desenho da letra.


Por exemplo: C, G, O na caixa‑alta e b, o, p na caixa‑baixa. Também pode
ser chamado de bojo ou barriga. Dizer que uma letra possui um olho grande
é o mesmo que dizer que ela tem uma grande altura‑x. Já um olho aberto
significa uma grande abertura.

Orelha: pequena parte do desenho da letra que a equilibra e proporciona


acabamento. Nem todas as letras possuem orelha, ou bandeira, como
também pode ser chamada.

Peso: grau de escuridão, negrito de um tipo. Pode variar do ultra‑light ao


extra‑bold. Desenhos de tipos com traços mais grossos imprimem peso
maior ao texto, enquanto os traços mais finos permitem leveza.

Serifa: traço ou barra que remata cada haste de uma letra. As serifas variam
de acordo com os desenhos das letras. Podem ser uni ou bilaterais, compridas
ou curtas, grossas ou finas, abruptas (tangenciando as hastes bruscamente) ou
adnatas (fluem suavemente suas tangencias), quadradas, triangulares etc...

Sans serif: São letras‑bastão, que não apresentam serifas, chamadas de não
serifadas.

Terminais: desenhos no final do braço, perna ou bojo das letras. Podem ser
circulares, em gota ou pontiagudos.

Tipo: desenho de um caractere tipográfico. Em impressão tipográfica, é a


matriz para um caractere de determinada fonte.

Tronco horizontal: traço horizontal principal da letra.

Tronco vertical: traço vertical principal da letra.


81
Unidade II

Versal: variação do desenho da letra em caixa‑alta ou maiúscula.

Versalete: variação do desenho da letra em caixa‑alta, com altura da


caixa‑baixa (MATSUSHITA, 2011, p. 125‑129).

6.2.3 Classificação dos tipos e exemplos tipográficos

Na classificação dos tipos, Matsushita explica que existem diferentes classificações de tipos de letras.
As mais conhecidas são as europeia e a norte‑americana. Há outros tipos que não se encaixam em
nenhuma categoria e aqueles que são motivos de discórdia e ações jurídicas envolvendo sua criação.
Vamos à classificação:

• Humanistas: originários dos alfabetos romanos, conhecidos também como venezianos, são
inspirados nas letras dos manuscritos humanistas. Exemplo de tipos: Italian Old Style, Jenson,
Stempel Schneider e Verona.

• Estilo antigo: variação dos tipos humanistas, com modificações nas minúsculas e nas maiúsculas.
Dependendo da cultura ou região que eram utilizados, modificavam‑se sua estrutura. Exemplos
de tipos: Times New Roman, Garamond, Goudy Old Style, Palatino, Plantin e Sabon.

Figura 16 – Nomenclatura tipográfica

Figura 17 – Reprodução das fontes tipográficas em estilo antigo

• Transicionais: são baseados no alfabeto que marcou a fase de transição do estilo antigo para os
tipos modernos. Na França foram utilizadas, pela primeira vez na criação de um tipo, as medidas
matemáticas do quadrado perfeito. Exemplos de tipos: Baskerville, Bookman, Quadriga Antiqua e
Stone Serif.
82
COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

• Modernos: marca a entrada da tipografia moderna. Influenciados diretamente na evolução da


tipografia transicional. Exemplos de tipos: Bell, Didot, Bodoni, Fenice e Walbaun.

• Serifas retas: tipos definidos pelas serifas de arestas quadradas. Exemplos de tipos: Achen,
American Typewriter, Clarendon, Lubalin Graphs e Menphis.

• Sem serifa: foi considerado avançado, pois a época era dominada pelos tipos de serifas quadradas.
No início não obteve sucesso comercial, mas, pouco tempo depois, foi criado o albeto completo,
popularizando este tipo de caractere. Exemplo de tipos: Arial, Eurostile, Franklin, Gill Sans,
Helvéticam Kabel e Univers.

Figura 18 – Reprodução das fontes tipográficas em estilo moderno

Figura 19 – Reprodução das fontes tipográficas em estilo sem serifa

• Displays: alfabetos sem base nas antigas formas tipográficos e não classificáveis em nenhum
grupo anterior. Exemplos de tipos: Coorperplate, Bauhaus, Belwe, Bradway, Novarese, Poster
Bodoni e Zapf Chancery.

Podemos também classificar a evolução dos tipos de letras pelo século que foi inspirado sua criação.
No livro, Elementos do Estilo Tipográfico, de Robert Bringhurst, são apresentados exemplos de letras
construídas no século XX que foram buscar inspiração nos tipos originais utilizados em cada época.

• Renascentista: as letras romanas têm como base os manuscritos escritos nos século. XV e XVI. Tipo
com traços leves e pouco contraste entre as hastes grossas e finas. Exemplos de tipos: Centaurs,
Bembo e Van den Keere.

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Unidade II

• Maneirista: tem características similares às dos tipos renascentistas com um sutil exagero de
extensão, regularidade e tensão. Exemplos de tipos: Poetica e Galliard.
• Barroca: assim como na pintura, a criação dos tipos barrocos experimentaram formas contraditórias
em sua composição. Apresentavam grande variação de eixo de uma letra para a outra. Exemplos
de tipos: Garamond, Elzevir, Janson e Caslon.
• Neoclássica: os tipos do neoclássico são mais estáticos e contidos do que o barroco e renascentista.
Com resquícios do manuscrito, seu eixo principal de letra torna‑se vertical conforme a racionalidade
da época. Exemplos de tipos: Fournier, Baskerville e Bell.
• Romântica: tem em comum com o estilo neoclássico o eixo principal racionalista, oferecendo
pouca semelhança com o manuscrito, mas se diferencia em seu contraste muito maior. Exemplo
de tipos: Bulmer, Didot e Berthold Bodoni.
• Realista: marcado pela rápida transição das artes como o impressionismo, pop art, art nouveau e
cubismo, sofreu verdadeira influência no realismo. Exemplo de tipos: Helvética, Akzidenz Grotesk
e Hass Clarendon.
• Modernista geométrica: as formas geométricas do modernismo influenciaram a criação desse
alfabeto tipográfico e são baseadas nas estruturas físicas das linhas e do círculo, se distanciando
totalmente dos manuscritos. Exemplo de tipos: Futura e Menphis.
• Modernista lírica: foi no expressionismo abstrato que os tipógrafos se basearam na construção
desta letra. Com intervenções orgânicas em oposição ao mecânico. Suas formas curvilíneas
marcam este estilo. Exemplo de tipos: Sprectrum, Palatino e Dante.
• Pós‑moderna: nas últimas décadas, surgiram vários movimentos que marcam o pós‑modernismo
e o contemporâneo atual. Mais leves, divertidas e com humor, estes novos desenhos baseiam‑se
na assimetria e estilização. Exemplos de tipos: Espirit, Nofret, Triplex e Officina.

Resumo
Nas Teorias da Composição estudamos quais são os tipos de percepção
e como elas agem na experimentação sensorial que nos imprimem em
diversas mensagens que recebemos. Como, a partir do ponto, criamos todos
os conceitos visuais das formas que nos rodeiam e estudamos todos os
elementos de construção da composição de projetos para a comunicação
visual eficiente.

A percepção é o ponto de partida para o exercício de entendimento e


produção das Artes Visuais e nos ajuda a trabalhar todos os sentidos para uma
ampla compreensão dos signos que envolvem toda a estrutura da mensagem.

A exploração de todos os sentidos para a construção de uma


comunicação visual arrojada força o artista ao estudo e pesquisa do uso de
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COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

vários tipos de percepção. O artista‑criador toma como base de execução,


de um projeto publicitário impresso, adotar outras formas de comunicação
mais modernas e atuais. A junção da percepção visual com a percepção
tátil e olfativa eleva a comunicação para um patamar diferenciado com
alto grau de sensibilidade, criatividade e tecnologia.

O estudo dos cinco tipos de percepção mais comuns, como a percepção


visual, tátil, olfativa, gustativa e auditiva soma‑se à percepção temporal e
espacial para o entendimento de todas as sensações relacionadas ao ser
humano.

Na sequência, as categorias de configuração, real e esquemática ajudam


na composição, e a Escola de Gestalt mostra algumas leis para ajudar na
estruturação das formas e na distribuição da informação, além de entender
por que algumas mensagens visuais são mais compreensíveis e outras não
e por que algumas estruturas visuais agradam mais que outras.

Com a compreensão e utilização sensoriais definidas, partimos para


o entendimento das formas geométricas e orgânicas, para definição
dos elementos conceituais invisíveis e visíveis, como a forma visível
do ponto e o início da criação de todas as figuras conhecidas. A forma
linha é a base da estruturação dos projetos de diagramação, engenharia
e arquitetura, por exemplo, além da forma plano e as construções das
figuras geométricas básicas, como o quadrado, triângulo, o círculo e
todas as figuras orgânicas.

As ferramentas de comunicação da imagem, da cor e da tipografia,


são elementos essenciais da mensagem e de elaboração da comunicação
visual. Mostramos a evolução das principais linguagens e estilos da história
da arte e como foi o nascimento da imagem nos primórdios da história
do homem e da civilização. Com um breve passeio, visitamos os principais
movimentos artísticos que marcaram época nas Artes Visuais e como
utilizar de forma consciente e criativa esta imagem nos meios das artes
plásticas e da comunicação de massa.

Em seguida estudamos as outras ferramentas de comunicação que não


podem faltar em uma comunicação bem-estruturada. As cores e os tipos,
juntamente com a imagem, fazem parte do principal trio de elementos que
compõe a comunicação visual.

Com abordagens envolvendo as sensações e emoções emanadas pelas


configurações cromáticas, vimos como as cores refletidas são captadas
pelos nossos olhos e percebidas pelo cérebro através da Teoria da Harmonia
e da Psicodinâmica das Cores.
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Unidade II

E finalmente, interferindo simultaneamente em nossos comportamentos


e sentimentos, a tipografia também age no posicionamento do texto dentro
da comunicação. Por meio do estudo da formação dos caracteres, de suas
nomenclaturas e na classificação tipográfica com exemplos de utilização
dos tipos, vimos como a tipografia, as cores e a imagem são capazes de
atrair positivamente o espectador para as Artes Visuais.

Exercícios

Questão 1. Os elementos visuais aparecem quando desenhamos um objeto em um papel e podemos


vê-los de fato. A partir das linhas que vão representar este objeto visualmente aplicamos o formato, o
tamanho, a cor e a textura para completar sua forma. Leia os textos seguintes:

Texto I – É o início de construção de qualquer imagem, ou melhor, é por onde começamos os


traçados para o desenvolvimento de qualquer estrutura visual, como em um desenho.

Texto II – É reconhecida por duas razões: sua largura, que é bem fina, e seu comprimento, que é
grande. Sua aparência pode ser reta, curva, quebrada, irregular ou manuscrita.

Texto III – Simboliza solidez, sobriedade, resistência, caráter e masculinidade. Podemos interpretar
esta relação e associá-la com a arquitetura romana antiga.

Texto IV – Representa tensão, ação e conflito. Por conta das diagonais, esta associação está
diretamente relacionada ao nosso senso de equilíbrio.

Escolha a alternativa correta:

A) O Texto I refere-se ao círculo.

B) O Texto II refere-se ao plano.

C) O Texto III refere-se ao quadrado.

D) O Texto IV refere-se às linhas.

E) Todos os textos estão corretos.

Resposta correta: alternativa C.

Análise das alternativas

A) Alternativa incorreta.

Justificativa: o texto I refere-se ao ponto.


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COMPOSIÇÃO E PROJETO GRÁFICO

B) Alternativa incorreta.

Justificativa: o texto II refere-se à linha.

C) Alternativa correta.

Justificativa: realmente, o texto III refere-se ao quadrado.

D) Alternativa incorreta.

Justificativa: o texto IV refere-se ao triângulo.

E) Alternativa incorreta.

Justificativa: apenas a alternativa C está correta.

Questão 2. Raquel Matsushita explica que existem diferentes classificações dos tipos de letras. As
mais conhecidas são a europeia e a norte-americana. Há outros tipos que não se encaixam em nenhuma
categoria, além daqueles que são motivos de discórdia e ações jurídicas envolvendo sua criação.

A respeito dos diferentes tipos de letras, escolha a alternativa correta:

A) Humanistas: são tipos baseados no alfabeto que marcou a fase de transição do estilo antigo para
os tipos modernos. Na França foram utilizadas pela primeira vez na criação de um tipo, as medidas
matemáticas do quadrado perfeito. Exemplos de tipos: Baskerville, Bookman, Quadriga Antiqua e
Stone Serif.

B) Estilo antigo: marca o início da tipografia moderna. São tipos diretamente influenciados pela
evolução da tipografia transicional. Exemplos de tipos: Bell, Didot, Bodoni, Fenice e Walbaun.

C) Serifas retas: esses tipos foram considerados avançados, pois a época era dominada pelos tipos de
serifas quadradas. No início não obtiveram sucesso comercial, mas pouco tempo depois foi criado
o alfabeto completo, popularizando este tipo de caractere. Exemplos de tipos: Arial, Eurostile,
Franklin, Gill Sans, Helvéticam Kabel, Optima e Univers.

D) Renascentistas: as letras romanas têm como base os manuscritos escritos nos séculos XV e XVI.
Os tipos têm traços leves e pouco contraste entre as hastes grossas e finas. Exemplos de tipos:
Centaurs, Bembo, Van den Keere.

E) Pós-modernas: marcadas pela rápida transição de artes como impressionismo, pop art, art nouveau
e cubismo, as letras sofreram verdadeira influência do realismo. Exemplos de tipos: Helvética,
Akzidenz Grotesk e Hass Clarendon.

Resolução desta questão na plataforma.


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