UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
DEPARTAMENTO DE ENTOMOLOGIA
MANEJO DE PRAGAS-CHAVES DO CAFEEIRO
Prof. Geraldo Andrade Carvalho
Universidade Federal de Lavras
E-mail:
[email protected] Fone: 35 3829 1801
PRAGAS PRINCIPAIS
Bicho-mineiro
• ( Leucoptera coffeella )
Broca-do-café
• (Hypothenemus hampei )
Cigarras
• (Quesada gigas, Dorisiana spp.,
Carineta spp., Fidicinoides pronoe
)
Bicho-mineiro (Leucoptera coffeella)
postura - página superior das folhas –
Adulto média 7 ovos/noite - 60 ovos/fêmea; 1
fêmea: 1 macho
5 a 21 dias – lagartas penetram no
mesofilo foliar, sem entrar em contato
com o exterior, ficando entre as duas
epidermes – destruição do parênquima.
Ovos
Lagarta “Mina”
Pupa
Postura nas folhas superiores
(parte superior da folha)
Pupação na saia do cafeeiro
(parte inferior da folha)
Ciclo de vida (ovo a adulto) do bicho-mineiro
Ovo
Adulto
Larva
pupa
Ciclo de vida (ovo a adulto) do bicho-mineiro
- Ovo: 7 a 21 dias;
- Lagarta: 9 a 40 dias;
- Pupa: 5 a 26 dias;
- Ciclo: 19 a 87 dias.
Sintomas
Sintomas
Desfolha
FLUTUAÇÃO BMC EM REGIÕES DE
CLIMA FAVORÁVEL
Pico set.-out.
Pico abr.-maio
FLORADA
J F M A M J J A S O N D
Fonte: Souza et al. (1998).
FATORES QUE BENEFICIAM O BMC
1 CLIMA
- seco e prolongado
- baixa umidade relativa
- baixa precipitação
2 INSETICIDAS EM CULTURAS INTERCALARES
- produtos de largo espectro matam INs
- favorecimento de pragas secundárias: lagartas e
ácaros
FATORES QUE BENEFICIAM O BMC
3 USO INDISCRIMINADO DE PRODUTOS
- desequilíbrios biológicos
- resistência
4 INIMIGOS NATURAIS
- uso adequado de pesticidas
- conservação de matas ciliares
- predadores: 69% de controle do BMC
- parasitoides: 18% de controle do BMC
FATORES QUE BENEFICIAM O BMC
5 TAMANHO DAS LAVOURAS
- áreas extensivas
- grandes áreas plantio contínuo - regiões favoráveis
6 PRÁTICAS CULTURAIS
- espaçamentos: mecanização da lavoura (aeração)
- regiões quentes: mesmo café adensado BMC é problema
- fungicidas cúpricos pode favorecer o BMC
FATORES QUE BENEFICIAM O BMC
7 VENTO
- parte mais alta
- arejamento da lavoura >ataque do BMC
- disseminação dos insetos adultos
- > evaporação de água das folhas com >BMC
INJÚRIAS, PREJUÍZOS E DANOS DO BMC
• DESFOLHA
- queda na produção de até 41%
- < rendimento
- < longevidade
- desfolha per. floração: <vingamento e <rendimento
- desfolha drástica
• queima de ramos
• queima e seca de chumbinhos
INJÚRIAS, PREJUÍZOS E DANOS DO BMC
• DESFOLHA DRÁSTICA
- tempo recuperação: 2 anos
- redução de mais de 50% na produção devido 67%
de desfolha na floração cafeeiro.
MEDIDAS DE CONTROLE DO BICHO-MINEIRO
Método Cultural
- Cerca viva ou quebra vento: (sansão-do-campo, grevilha ou
bananeira): impede o ressecamento das folhas
- Manejo do mato: capina nas linhas e roçagem nas entre
linhas na altura do joelho
- Adensamento: >umidade do cafezal
- Adubação orgânica: melhora a absorção de nutrientes
Controle Biológico
Espécies de parasitoides coletadas em Campinas, Franca e
Pindorama com as respectivas porcentagens de ocorrência
Localidades
Família Espécies
Campinas Franca Pindorama
Colastes letifer 13,98 11,76 51,41
Braconidae Eubadizon punctatus 6,45 2,94 11,97
Mirax sp. --- --- 0,70
Neochrysocharis
30,11 44,12 7,04
Eulophidae coffeae
Tetratichus sp. 9,68 --- 8,45
Horisnemus sp. 39,78 41,18 20,43
Porcentagem de controle natural do
bicho-mineiro
Parasitoides
(Eulophidae &
Braconidae)
Predadores
(Vespidae)
“Mina” com sinais de predação por vespa
Controle químico
AMOSTRAGEM DO BICHO-MINEIRO
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AMOSTRAGEM
3o Par
4o Par
- NC= 30% de folhas minadas no sul de Minas.
- NC = 10 a 20% no cerrado.
AMOSTRAGEM DO BICHO-MINEIRO
• AMOSTRAGEM SEQUENCIAL
- Caminhamento em espiral
AMOSTRAGEM DO BICHO-MINEIRO
AMOSTRAGEM- BICHO-MINEIRO DO
CAFEEIRO
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Inseticida Foliar
Interessante associar Piretroide + Produto de
Contato com ação de profundidade;
Manter monitoramento em talhões aplicados;
É recomendável que se use óleo mineral, vegetal ou
emulsionável;
Cloridrato de cartape tem ação ovicida e de
profundidade.
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EXEMPLOS DE PRODUTOS REGISTRADOS
TIAMETOXAM CIPERMETRINA
• Actara 250 WG • Cipermetrina
CLORANTRANIPROLE • Commanche 200 EC
• Altacor BR • Polytrin
• Voliam Targo DELTAMETRINA
CLORPIRIFÓS • Decis 25 EC
• Astro; Sabre; Vexter • Deltaphos EC
• Lorsban 480 BR
-Carbamatos e fosforados: residual de 20-35 dias
-Piretróides: maior poder residual, mas não tem ação de profundidade
Agrofit, 2016
INSETICIDA VIA SOLO
• Preventivo - regiões com altas
incidências / infestações no período
de abr/maio;
• Alta eficiência;
• Aplicado no período das chuvas;
• 110 a 160 dias de proteção;
• Levado à parte aérea via xilema;
• GR - necessária incorporação / 25 a 40 dias para absorção pelas
raízes.
Novas modalidades de aplicação de
inseticidas sistêmicos
Esguicho no colo da planta (50 mL/planta)
Aplicação no solo - Tratorizada (filete)
(200 L calda/ha) - Irrigação (gotejamento)
- Thiamethoxan 600 WG – 1,0 kg/ha
Produtos
- Imidacloprid 700 WG – 1,5 kg/ha
Aplicação com esguicho (“Drench”)
Broca-do-café (Hypothenemus hampei )
Primeira referência no Brasil - 1922
Proporção sexual
10 : 1
Após o acasalamento, a fêmea sai do
fruto nativo para colonizar outros frutos;
Luz, temperatura e UR estimulam a sua
saída do fruto;
É atraída por voláteis dos frutos,
especialmente os que estão no estágio de
“cereja”.
Macho não sai do fruto e não voa.
Asas membranosas atrofiadas.
Local de penetração no fruto
Ciclo de vida ovo a adulto: 25 a 31 dias
Trânsito da broca
Novembro a
Dezembro
Condições favoráveis à broca
• Épocas chuvosas
• Menor espaçamento
• Baixadas
• Parte inferior da planta
• Faces sul e oeste
• Invernos úmidos
Fatores Predisponentes
• Colheita mal feita;
- Ano de preço baixo: lavoura não ou mal colhida =
alta infestação de broca na safra seguinte
Fatores Predisponentes
• Umidade;
• Temperatura alta;
• Altitude mais baixa;
• Lavouras adensadas (sombreamento e facilidade de
dispersão do adulto entre plantas).
ESQUEMA DE GALERIA DA
BROCA NO FRUTO E CÂMARA
DE POSTURA COM OVOS NUMA
SEMENTE
Dano nos grãos
Danos quantitativos
Perda de peso dos grãos
8 – 13 % - C. arabica
Queda de frutos
46 % - C. canephora
Danos qualitativos
Tipos*: 2 8
Classificação * 5 grãos broqueados = 1 defeito
Penetração de fungos
Qualidade da bebida (Fusarium / Penicillium)
Controle cultural
Evitar plantios adensados
Colheita bem feita
“Repasse”
Controle por comportamento
Armadilhas com atraentes alcoólicos
Etanol + Metanol
1 : 1
44 armadilhas/ha
Dufour; Frérot (2008)
Controle biológico
Vespa-de-uganda Vespa-da-costa-do-marfim
Cephalonomia stephanoderes
Prorops nasuta
Informação Importante
para Controle
As fêmeas voam das 16 as 18h até 348m
Portanto qual é o melhor período para
pulverizações contra este alvo?
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• Controle Biológico = Não há relatos de sucesso até o
momento.
Ex.: Vespa de Uganda (Prorops nasuta) e Fungo
Beauveria bassiana.
• Controle Químico
Monitoramento – mensalmente
Período de trânsito: 15/nov. a 18/jan.
3º mês após a primeira grande florada
(chumbões) – frutos com 86% de umidade
Início de postura: somente depois de 30 a 60
dias.
Aparecimento dos
chumbões – nov. a jan.
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FORMAS DE MONITORAMENTO
Iniciar por talhões mais baixos e mais
úmidos da lavoura;
Retirar 500 frutos/talhão (1 litro);
Regra de três (porcentagem de
brocados);
3 a 5% de frutos brocados iniciam-se
as pulverizações.
Monitoramento
Amostrar 30 plantas por talhão
Cada planta avaliar 60 frutos (10 em 1/3 superior
cada terço e mais 10 em cada terço
do outro lado da planta 1/3 médio
Calcular a porcentagem de frutos
1/3 inferior
broqueados em 1800 frutos
DICAS - MONITORAMENTO
Talhões tratados - repetir 15 a 30 dias após aplicação;
contar galerias abandonadas, as galerias com adultos
vivos e mortos dentro;
3 a 5% brocados = repetir a aplicação.
Uso de armadilhas para monitorar a chegada da broca
na lavoura em trânsito
Importante: controle por talhão
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Armadilha Modelo IAPAR para Broca
CONTROLE
Atraente: Metanol ou alcóol metílico (500 mL) + álcool etílico
(500 mL) + café puro torrado e moído(1 colher de sopa bem
cheia/1L de solução)
25 arm. /ha
Métodos de Controle
• Controle Químico
Até 2013 o produto largamente utilizado era o
Endosulfan, um ciclodienoclorado de alta toxicidade,
e por esse motivo, proibidos a comercialização e uso.
• 31/07/2012 proibição de fabricação.
• 31/07/2013 proibição de comercialização.
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SEM
ENDOSULFAN!!
Ó MEU DEUS!
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Controle Químico
- ORGANOFOSFORADOS - CLORPIRIFÓS
*Klorpan 480 EC®; Lorsban 480 BR®; Pyrinex 480 EC®;
Vexter®;
- ÉTER DIFENÍLICO - Etofenproxi (Trebon®);
- TETRATRITERPENÓIDE - Azadiracthina (Azamax®)
- CYANTRANILIPROLE=CYAZIPYR (BENEVIA®) -
CHLORANTRANILIPROLE = RYNAXYPIR (ALTACOR®)
aguardando registro MAPA(tarja azul)
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Controle químico
Classe
Produto I.A. (Grupo Químico) Formulação
Tóx. Amb.
Bio Broca Feromônio – coleta massal GE - Gerador de gás * IV
clorpirifos EC - Concentrado
Clorpirifos Sabero 480 EC I II
(organofosforado) Emulsionável
clorpirifos EC - Concentrado
Klorpan 480 EC I II
(organofosforado) Emulsionável
Lorsban 480 BR; Pyrinex clorpirifos EC - Concentrado
II II
480 EC (organofosforado) Emulsionável
Altacor Clorantraniliprole= Rynaxypir WG – Granulado dispersível III II
Trebon 100 SC etofenproxi (éter difenílico) SC - Suspensão Concentrada III III
clorpirifos EC - Concentrado
Vexter II II
(organofosforado) Emulsionável
Benevia ciantraniliprole (diamida) SC - Suspensão Concentrada IV III
Volian Targo* clorantraniliprole + abamectin SC - Suspensão Concentrada II II
metaflumizone
Outros em teste etiprole
Imidacloprid + bifentrin
CIGARRAS-DO-CAFEEIRO
- Quesada gigas ( set - out )
- Dorisiana viridis ( set - out )
- Dorisiana drewseni ( dez )
- Fidicinoides pronoe ( out )
- Carineta fasciculata ( jan - fev )
- Carineta matura ( jan - fev )
- Carineta spoliata ( jan - fev )
Histórico
• 2001 aumento na
população de
Quesada gigas em
Minas, reiniciaram-
se os estudos sobre a
praga e controle com
neonicotinoides.
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Adultos
Dorisiana drewseni
Quesada gigas
Ninfas
Ninfa se Alimentando
Ninfa: esquema de saída do solo
Orifícios de saída de ninfas
Orifícios de saída de ninfas do solo
Emergência
Ciclo Evolutivo
Oviposita no
interior dos
±2 ano nas raízes
ramos
Setembro – Outubro
emergência
DESCRIÇÃO E BIOLOGIA
Coloração escura – verde-oliva; asas transparentes com
manchas escuras
Pilosidade intensa no abdome
Machos – órgãos emissores de sons
DESCRIÇÃO E BIOLOGIA
Fêmeas colocam os ovos no interior da casca dos ramos do
cafeeiro;
Formas jovens – penetram no solo – entre 20 a 50 cm – fixam
na raízes, sugando a seiva;
Fim do período ninfal – saem do solo e fixam nos troncos do
cafeeiro (ninfa móvel)
Rompe-se o tegumento na região do tórax e emergem os
adultos, deixando a exúvia.
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Ninfas Móveis Sugando
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Prejuízos
Altas infestações provocam:
1) Depauperamento (definhamento, clorose e
queda precoce das folhas apicais dos ramos);
2) Queda precoce de flores e frutos;
3) Extremidades dos ramos secam;
4) Como consequência final pode haver a queda de
produção (pequena florada).
- Os sintomas são sempre mais acentuados em épocas de
déficit hídrico (400 ninfas/cova) – morte da planta.
Sintomas
MONITORAMENTO
1º) Dividir em Talhões;
2º) Monitoramento anual começo de novembro;
3º) 10 plantas/talhão – trincheira de um lado da planta;
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MONITORAMENTO
4º) Contar as ninfas (x2);
5º) Maior ou igual a 30
ninfas/cova = NC.
• Método Cultural
Controle
Eliminação do cafezal (quando já está muito velho e
pouco produtivo).
• Controle Biológico
Metarhizium anisopliae – realizaram pesquisas - mas não
é considerado eficaz.
• Controle Químico
• Método mais eficiente;
• Inseticida via solo;
• Matar por ingestão – ninfas no solo;
• Aplicação no início do período chuvoso.
• Controle Químico
Mudança de perfil de controle em 2001 com WG
e Neonicotinoides.
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Inseticidas via solo controlam pela movimentação
no floema (cigarras) e via xilema (bicho-mineiro e
ferrugem, se tiver um fungicida associado).
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PRODUTOS REGISTRADOS PARA CIGARRAS
TIAMETOXAM IMIDACLOPRIDO
• Actara 250 WG • Premier
DISSULFOTOM • Premier Plus
• Baron CIPROCONAZOL + TIAMETOXAM
• Baysiston GR • Verdadero 600 WG
CARBOFURAN
• Diafuran 50
• Furadan 50 GR / 350 SC
Agrofit, 2015
Recepa – (Poda)
Armadilha sonora para cigarras
EcoSpray F-65
• Raio de ação = 80m (2 ha)
• 30 – 40 min / ponto
• 20 – 30 ha / dia
www.maquideia.com.br
Eco Spray.mp4
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
DEPARTAMENTO DE ENTOMOLOGIA
OBRIGADO PELA ATENÇÃO!
Prof. Geraldo Andrade Carvalho
Universidade Federal de Lavras
E-mail:
[email protected] Fone: 35 3829 1801