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Valdira HC

Ana Irisleny da Silva Oliveira impetra um Habeas Corpus em favor de Nivaldo Batista Lima, preso preventivamente por supostos crimes de lavagem de dinheiro e favorecimento a foragidos. A defesa argumenta que a prisão carece de fundamentação legal e não atende aos requisitos do Código de Processo Penal, além de ter sido decretada sem requerimento do Ministério Público. O pedido inclui a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a aplicação de medidas cautelares menos severas.

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Tópicos abordados

  • Lei nº 13.964/2019,
  • Mudança Legislativa,
  • Requerimento do MP,
  • Atuação Ex Officio,
  • Participação Societária,
  • Direito à Liberdade,
  • Bloqueio de Bens,
  • Prova Concreta,
  • Risco à Ordem Pública,
  • Pacote Anticrime
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Valdira HC

Ana Irisleny da Silva Oliveira impetra um Habeas Corpus em favor de Nivaldo Batista Lima, preso preventivamente por supostos crimes de lavagem de dinheiro e favorecimento a foragidos. A defesa argumenta que a prisão carece de fundamentação legal e não atende aos requisitos do Código de Processo Penal, além de ter sido decretada sem requerimento do Ministério Público. O pedido inclui a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a aplicação de medidas cautelares menos severas.

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  • Requerimento do MP,
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  • Participação Societária,
  • Direito à Liberdade,
  • Bloqueio de Bens,
  • Prova Concreta,
  • Risco à Ordem Pública,
  • Pacote Anticrime

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR

PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO


CEARÁ.

ANA IRISLENNY DA SILVA OLIVEIRA, advogada que esta subscreve,


devidamente constituída, com escritório profissional situado em Rua das
Pedrinhas, 748, CENTRO, Independência-CE onde recebe intimações e
notificações, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fulcro
no artigo 5º, LXVIII, da Constituição Federal e nos artigos 647 e seguintes do
Código de Processo Penal, impetrar a presente ORDEM DE HABEAS
CORPUS, com pedido liminar, em favor de NIVALDO BATISTA LIMA,
atualmente
preso por força de decisão do Juízo da 12ª Vara Criminal da Capital/PE,
pelos fatos
e fundamentos a seguir expostos.

I. DOS FATOS

O Paciente teve sua prisão preventiva decretada no âmbito do processo


nº 0022884-49.2024.8.17.2001, em trâmite na 12ª Vara Criminal da Capital de
Recife. A decisão judicial incluiu a suspensão de seu passaporte e o bloqueio de
bens, sob a alegação de envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro e
favorecimento a foragidos ligados à empresa “Vai de Bet”, na qual ele adquiriu
participação societária  .

No entanto, o Paciente se encontra em liberdade, uma vez que a decisão


judicial não foi cumprida, estando ele no exterior em viagem programada e com
data de retorno ao Brasil já agendada. Não há qualquer indício de tentativa de
fuga ou obstrução das investigações.
A decisão que decretou a prisão preventiva não observou os requisitos
legais previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP), que
estabelece a necessidade da presença de pressupostos como a garantia da
ordem pública, a conveniência da instrução criminal ou a necessidade de
assegurar a aplicação da lei penal. A ausência de tais fundamentos concretos no
caso específico evidencia a ilegalidade da prisão, uma vez que medidas
cautelares extremas só podem ser decretadas diante de situações claramente
demonstradas e justificadas, e não com base em meras suposições ou
alegações abstratas.

Essa falha na fundamentação vai contra a excepcionalidade da prisão


preventiva, conforme já reiterado por nossos tribunais superiores, que exigem
elementos objetivos que demonstrem a necessidade da medida, e não apenas
a gravidade do crime em tese.

II. DO DIREITO

A decretação da prisão preventiva, conforme o art. 312 do Código de


Processo Penal, exige prova concreta de que o Paciente oferece risco à ordem
pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. No presente caso, a
decisão carece de fundamento concreto e está baseada em conjecturas e
suposições que não configuram os requisitos legais para a prisão.

O Paciente é empresário conhecido, com residência fixa e


comprometimento com os trâmites judiciais. A simples participação societária na
empresa não justifica a medida extrema da prisão preventiva, tampouco há
provas de que ele tenha agido para favorecer foragidos.
A) AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO FORMULADO PELO
MINISTÉRIO PÚBLICO (ART . 282, §4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO
PENAL)
Conforme o disposto no artigo 282, § 4º, do Código de Processo
Penal, a decretação de qualquer medida cautelar, inclusive a prisão
preventiva, exige a solicitação expressa da parte interessada, seja ela o
Ministério Público ou a autoridade policial. Dessa forma, o magistrado
está proibido de agir ex officio, ou seja, de maneira autônoma e
desvinculada de provocação externa, para impor tais medidas.
No presente caso, verifica-se uma clara violação ao texto legal,
uma vez que a prisão preventiva do paciente foi decretada sem um
requerimento específico por parte do Ministério Público. Essa omissão
configura uma grave afronta ao devido processo legal e, por conseguinte,
ao princípio acusatório, que é o alicerce do sistema processual penal
brasileiro. O modelo acusatório determina uma separação rigorosa entre
as funções de acusar, defender e julgar, sendo proibida a atuação
inquisitorial do juiz.
Além disso, a mudança legislativa trazida pela Lei nº 13.964/2019,
conhecida como “Pacote Anticrime”, reforçou ainda mais a exigência de
provocação para a decretação de medidas cautelares. O objetivo do
legislador, ao introduzir essa norma, foi justamente evitar a atuação ex
officio do magistrado em questões que envolvem restrição de direitos,
garantindo assim maior imparcialidade e proteção ao acusado.

III. DOS PEDIDOS

• Concessão de medida liminar para que haja revogação da prisão


preventiva, evitando cumprimento do mandado.
• Subsidiariamente, a aplicação de medidas cautelares diversas da
prisão, previstas no art. 319 do CPP.

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