MESTRADO NACIONAL PROFISSIONAL EM ENSINO DE FÍSICA – POLO 06
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
FUNDAMENTOS TEÓRICOS EM ENSINO E APRENDIZAGEM
DOCENTE: PROFESSOR DR. JOÃO CARDEAL
ELIEL MÁRIO NUNES DA SILVA
PAULO FREIRE COMO FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA PARA O ENSINO DE FÍSICA
Uma Revisão Bibliográfica
Santo Antônio de Jesus
2025
Paulo Freire como Fundamentação Teórica para o Ensino de Física: Uma
Revisão Bibliográfica
Resumo: Este artigo revisita a obra de Paulo Freire como um referencial teórico
relevante e atual para repensar o ensino de Física no contexto da educação
brasileira contemporânea. Partindo de críticas ao ensino tradicional e da
necessidade de inovação pedagógica diante da complexidade escolar, a análise
explora os principais conceitos freireanos – diálogo, problematização, crítica à
educação bancária, historicização do conhecimento, professor como mediador,
investigação temática e práxis – e discute suas potenciais aplicações no
planejamento e implementação de aulas de Física, especialmente no campo da
Física Moderna. A revisão bibliográfica demonstra a perene contribuição de Freire
para uma educação emancipadora, dialógica e conectada à realidade dos
estudantes.
Palavras-chave: Paulo Freire; Ensino de Física; Pedagogia Crítica; Diálogo;
Problematização.
Introdução
Esta revisão bibliográfica propõe uma análise da obra de Paulo Freire como uma
fundamentação teórica pertinente para reexaminar o ensino de Física frente aos
desafios contemporâneos da educação brasileira. A escolha de Freire como eixo
central desta discussão foi motivada pelas reflexões de três autores que apontam
para a urgência de novas abordagens pedagógicas:
• A crítica de Marco Antônio Moreira (2018) à persistência de modelos
didáticos ultrapassados e sua defesa de práticas que estimulem o
pensamento crítico e a conexão com a realidade dos alunos.
• A análise de Dermeval Saviani (2008), em Escola e Democracia, sobre a
necessidade de respostas inovadoras diante da fragmentação e pluralidade
da escola atual.
• A proposição de Vera Maria Candau (2002), que, ao destacar as limitações
de uma educação homogênea, defende um currículo que dialogue com a
diversidade cultural dos estudantes.
Esses autores convergem na importância de uma reflexão crítica e estrutural sobre
a prática pedagógica, um cenário no qual a pedagogia freireana se apresenta como
fundamental e atual. Mais do que um conjunto de técnicas, Freire propõe uma nova
dinâmica entre educador, educando e saber, centrada no diálogo, na
problematização da realidade e no reconhecimento do aluno como sujeito ativo no
processo de aprendizagem. Como argumenta Moacir Gadotti (1979, p. 4), "depois
de Paulo Freire ninguém mais pode ignorar que a educação é sempre um ato
político". No entanto, a politização do debate em torno de sua obra, intensificada
pela polarização partidária nas últimas décadas no Brasil, pode ter obscurecido
seu potencial transformador no contexto do ensino-aprendizagem.
Neste artigo, revisitaremos o pensamento de Paulo Freire como um caminho
relevante para a prática pedagógica no ensino de Física, a partir de uma reflexão
crítica sobre a própria lógica da escola. Buscamos uma educação que transcenda
a mera transmissão de conteúdos, que supere a dicotomia entre estruturas
impostas e realidades negligenciadas, e que, de fato, contribua para a
transformação social.
2. Paulo Freire: Trajetória e Legado
Nascido em Recife, Pernambuco, em 1921, Paulo Reglus Neves Freire (1921–1997)
se consagrou como um dos pensadores mais influentes da educação no século XX,
deixando uma obra de relevância atemporal e universal. Suas experiências iniciais
no Nordeste brasileiro, marcadas pelas desigualdades sociais, moldaram
profundamente sua visão de mundo. Sua infância, rica em experiências de
alfabetização no cotidiano, contrastou com os desafios da crise econômica de
1929 e a perda precoce do pai, eventos que o levaram a vivenciar a pobreza em
Jaboatão. Essa imersão na dialética entre possuir e não possuir foi crucial para
nutrir sua sensibilidade às injustiças e desigualdades estruturais da sociedade
(Terra, 2011).
Essa vivência precoce das disparidades sociais foi fundamental para o
desenvolvimento de sua crítica perspicaz às estruturas de poder e para a
construção de uma pedagogia intrinsecamente ligada à transformação social e à
emancipação dos sujeitos oprimidos. Sua atuação no Serviço Social da Indústria
(SESI) proporcionou um contato direto com a complexidade da vida do povo
brasileiro, aguçando sua observação crítica das práticas educativas vigentes. Essa
proximidade com o universo dos trabalhadores e suas famílias alimentou uma
profunda indignação contra a desumanização e os preconceitos, impulsionando
sua busca por uma educação dialógica e genuinamente participativa (Terra, 2011).
A paixão pela educação de adultos impulsionou Freire ao cenário educacional,
culminando na criação de um método inovador de alfabetização, notavelmente
aplicado em Angicos. Essa abordagem pedagógica revolucionária transcendia a
mera decodificação de palavras, vinculando o aprendizado da leitura e da escrita à
conscientização política e social dos educandos (Terra, 2011). Ao conceber a
educação como um processo dialético onde educadores e educandos se
reconhecem como sujeitos ativos na busca por conhecimento, Freire rompeu com
a passividade inerente aos modelos tradicionais de ensino. Essa experiência
seminal pavimentou o caminho para a elaboração de obras que se tornariam
referenciais da pedagogia crítica, desafiando as bases do fazer pedagógico em
direção a uma práxis libertadora e humanizadora, como bem sintetiza Carlos
Rodrigues Brandão (2017, p. 49) ao destacar a proposta freireana de criar "com o
poder do saber do homem libertado, um homem novo, livre também de dentro para
fora".
A obra de Paulo Freire transcendeu fronteiras geográficas e culturais, consolidando-
se como uma das mais influentes no campo da educação crítica e emancipadora.
Seu livro mais emblemático, Pedagogia do Oprimido, publicado em 1970, foi
traduzido para mais de 20 idiomas, tornando-se leitura fundamental em cursos de
formação docente em todo o mundo (Souza et al., 2018, p. 5).
Essa relevância também se manifesta nos inúmeros reconhecimentos
internacionais que lhe foram concedidos por sua significativa contribuição à
educação. Em 1986, sua dedicação à promoção da paz através da educação foi
laureada com o Prêmio UNESCO de Educação para a Paz (UNESCO, 1986).
Posteriormente, em 1992, a Organização dos Estados Americanos (OEA) o agraciou
com o Prêmio Andrés Bello como Educador do Continente (OEA, 1992). A
magnitude de sua influência também se reflete nos cerca de quarenta títulos de
Doutor Honoris Causa concedidos por universidades de prestígio em diversos
países (IPEJA, s.d.; Martins, 2019). Sua abordagem pedagógica inovadora e seu
compromisso com a emancipação inspiraram e continuam a moldar programas de
alfabetização e projetos educativos em contextos tão diversos como Chile,
Nicarágua, Moçambique, África do Sul e Estados Unidos (Gadotti, 2018; Freire,
1987).
Foi em reconhecimento à sua profunda relevância para a educação brasileira, que
Paulo Freire foi declarado Patrono da Educação Brasileira pela Lei nº 12.612, de 13
de abril de 2012 (Brasil, 2012). Sua metodologia pedagógica, focada no diálogo e na
conscientização, continua a inspirar uma ampla gama de iniciativas. Estudos
acadêmicos e publicações de organizações não governamentais, universidades e
organismos internacionais demonstram a persistente influência de seu
pensamento, reforçando seu papel como um intelectual de alcance global e um
símbolo da luta por uma educação que promova a humanização e a transformação
social (Freire, 2021; Freire, 2001).
Considerado um dos pensadores mais influentes e citados no campo da educação,
sua vasta obra, permeada por um profundo compromisso com a justiça social e a
libertação dos oprimidos, oferece uma perspectiva revolucionária sobre o processo
de ensino-aprendizagem. Longe de ser um mero conjunto de técnicas pedagógicas,
a filosofia educacional de Freire se configura como uma teoria da aprendizagem
que interliga dimensões políticas, sociais e epistemológicas, com o objetivo de
fomentar a conscientização e a autonomia dos educandos.
A produção de Paulo Freire é extensa e abrange desde suas primeiras experiências
com alfabetização até reflexões profundas sobre educação, cultura e sociedade.
Sua escrita, acessível e sensível, dialoga com campos como filosofia, sociologia,
psicologia e teologia da libertação. Segundo Ana Maria Araújo Freire (2001), sua
obra incita tanto educadores quanto educandos a se tornarem agentes de
mudança, desafiando as estruturas opressoras que perpetuam a desigualdade.
Embora sua obra aborde temas amplos – envolvendo política, cultura, economia e
sociedade –, esta revisão bibliográfica concentra-se na identificação de
fundamentos em seu pensamento que contribuam para repensar o ensino-
aprendizagem, especialmente no contexto do ensino de Física – mais
especificamente Física Moderna. O objetivo é destacar os elementos conceituais e
metodológicos que possam inspirar práticas pedagógicas mais críticas, dialógicas
e conectadas aos desafios da educação atual.
Sua trajetória como pensador da teoria da aprendizagem ganha contornos mais
definidos a partir de suas experiências pedagógicas iniciais, culminando na
publicação de obras seminais. Em Educação Como Prática da Liberdade (1967),
escrito durante seu exílio no Chile, Freire já delineava sua crítica à "educação
bancária", modelo em que o educador deposita passivamente o conhecimento nos
educandos. Em contraposição, ele defendia uma "pedagogia problematizadora",
que estimula a reflexão crítica sobre a realidade e a busca por transformação
(PAULOFREIREUFMG, 2010).
No ano seguinte, Pedagogia do Oprimido (1968) consolidou seu pensamento e
alcançou reconhecimento internacional. Nesta obra fundamental, Freire propõe
uma nova relação dialógica entre educador e educando, em que ambos se tornam
sujeitos do processo de conhecimento. A aprendizagem, para Freire, não é um ato
individual, mas um encontro dialético em que a palavra – tanto a de nomear o
mundo quanto a expressa verbalmente – desempenha um papel central na
conscientização das opressões e na busca por libertação.
Ainda no período de seu exílio no Chile, Freire publicou Extensão ou Comunicação?
(1969), onde aprofunda a crítica a modelos de desenvolvimento que ignoram o
saber e a cultura das populações locais. Ele enfatiza a importância da
comunicação horizontal e do diálogo genuíno entre técnicos e camponeses,
estendendo seus princípios pedagógicos para além da sala de aula e para o
contexto do desenvolvimento social.
Ao longo da década de 1970, Freire continuou a expandir suas reflexões sobre a
relação entre educação e transformação social. Em Ação Cultural: Para a Liberdade
e Outros Escritos (1976) e Educação e Mudança (1979), ele explora a dimensão
política da educação, alertando para o papel da ciência e da educação na
manutenção da ordem estabelecida e defendendo uma prática educativa engajada
na transformação histórica. Em Conscientização (1979), Freire explora em
profundidade um dos pilares de sua teoria, articulando a ligação intrínseca entre a
conscientização, a liberdade e a libertação da opressão (Freire, 1981).
A década de 1980 marca um período de diálogo e aprofundamento de suas ideias
em colaboração com outros educadores. Em A Importância do Ato de Ler em Três
Artigos que se Completam (1981), Freire analisa a leitura e a escrita como atos
políticos, inseparáveis da leitura crítica do mundo (Freire, 1982). Em Partir da
Infância - Diálogos Sobre a Educação (1981) e Aprendendo com a Própria História
(1987), em parceria com Sérgio Guimarães, ele revisita suas experiências e
aprofunda a discussão sobre a prática pedagógica e a formação do educador.
Alfabetização: Leitura do Mundo, Leitura da Palavra (1987), escrito com Donaldo
Macedo, detalha sua metodologia de alfabetização, que parte da realidade e do
universo vocabular dos educandos para a conquista da leitura e da escrita como
ferramentas de compreensão e transformação do mundo.
Os diálogos continuam produtivos em Por Uma Pedagogia da Pergunta (1985), com
Antônio Faundez, e Medo e Ousadia (1986), com Ira Shor, onde exploram a dinâmica
do diálogo em sala de aula e os desafios da implementação de uma pedagogia
libertadora. Em Política e Educação (1985) e Pedagogia: diálogo e conflito (1989),
Freire reafirma a inseparabilidade entre a prática educativa e o contexto político e
social. Educadores de rua: Uma Abordagem Crítica (1989) e Essa Escola Chamada
Vida (1985) trazem reflexões sobre a educação em contextos sociais
marginalizados, demonstrando a amplitude e a relevância de seu pensamento para
diferentes realidades.
Na década de 1990, Freire revisita e reafirma seus conceitos fundamentais em
Pedagogia da Esperança: Um Reencontro com a Pedagogia do Oprimido (1992),
onde enfatiza a importância da esperança como motor da transformação. Em
Professora, Sim; Tia, Não - Cartas a Quem Ousa Ensinar (1993) e Pedagogia da
Autonomia (1996), sua última obra publicada em vida, Freire oferece reflexões
sobre a ética na prática docente, a importância da autonomia dos educandos e os
saberes necessários à prática educativa (Freire, 1996). Cartas a Cristina (1994)
revela um lado mais pessoal do autor, ao analisar sua própria trajetória como
educador e pensador.
Em suma, a obra de Paulo Freire constitui um arcabouço teórico robusto e
inspirador para a teoria da aprendizagem. Sua ênfase no diálogo, na
conscientização, na autonomia e na dimensão política da educação continua a
ressoar e a influenciar educadores e pesquisadores em todo o mundo, reafirmando
sua relevância perene para a construção de uma educação mais justa e
emancipadora. Autor de mais de 40 livros, o legado de Paulo Freire permanece não
apenas relevante, mas profundamente inspirador. Como perspicazmente observa
Walter Kohan (2019), sua filosofia mantém-se viva e pulsante, convocando-nos
incessantemente a uma prática educacional verdadeiramente emancipadora e
profundamente humanizadora.
Ele publicou diversos livros e artigos que aprofundam sua proposta de uma
educação crítica e transformadora, entretanto, Pedagogia do Oprimido (1968) é a
sua obra mais conhecida. É nesta que ele critica o modelo tradicional de ensino – a
“educação bancária” – que silencia o pensamento crítico e reduz o aluno a um
receptor passivo. Em resposta, propõe uma pedagogia baseada no diálogo, na
problematização da realidade e na consciência crítica. Como destaca Miguel
Arroyo (2019), trata-se de um clássico que ainda hoje desafia práticas educativas e
relações de opressão.
Outras obras, como Educação como Prática da Liberdade (1967) e Pedagogia da
Autonomia (1996), reforçam esses princípios e indicam valores fundamentais para
a docência, como a humildade, o afeto, a curiosidade e o compromisso ético
(Freire, 1996). Para Paulo Roberto Padilha (2011), a fase final da obra de Freire
reafirma seu projeto de formar sujeitos críticos e atuantes na transformação social.
Freire também discute a relação entre cultura e educação, como em Ação Cultural
para a Liberdade (1976) e A Importância do Ato de Ler (1982), onde defende que ler
o mundo é tão importante quanto ler a palavra (Freire, 1982; Freire, 1981).
3. O Fazer Pedagógico e o Ensino de Física numa Perspectiva Freireana
A proposta pedagógica de Paulo Freire revoluciona a educação ao postular o
diálogo como o fundamento da construção coletiva do saber, em oposição a
modelos meramente transmissivos. Nessa visão, a educação floresce no encontro
autêntico entre educador e educando, impulsionada pela problematização da
realidade, reconhecendo a incompletude do conhecimento individual: "Ninguém
ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós
ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre" (Freire, 1982, p. 78).
Considerando essa perspectiva de um encontro dialógico e de mútua
aprendizagem, como se configuraria a aula de Física? Quais procedimentos seriam
adotados, que formas seriam privilegiadas e, crucialmente, qual seria a postura do
professor para alcançar os objetivos da educação e da sua disciplina? Seria factível
operacionalizar as ideias pedagógicas de Paulo Freire no ensino de Física? De que
maneiras a práxis freireana poderia ser implementada em consonância com os
conteúdos específicos da área?
Uma forma interessante de trabalhar essa problematização seria destacar as
principais propostas de Paulo Freire e depois empreender esforços para, pelo
menos de forma preliminar e sugestiva, à guisa de experimentação, propor algumas
aplicações daquelas no planejamento e na implementação das aulas de Física.
No ensino de Física, particularmente em domínios abstratos como relatividade e
mecânica quântica, os princípios freireanos do diálogo e da problematização
emergem como hipóteses promissoras. A superação da memorização de fórmulas
poderia ser alcançada através de uma constante troca de saberes e da construção
conjunta de sentido. Através do diálogo, professor e alunos poderiam explorar
fenômenos físicos, buscando transcender dificuldades e expandir a compreensão
de maneira crítica. A problematização de situações cotidianas permeadas por
esses conceitos seria uma estratégia para fomentar a curiosidade e atribuir
relevância ao aprendizado.
Considerações Finais
A presente revisão bibliográfica buscou demonstrar a profunda relevância e a
atualidade do pensamento de Paulo Freire como um sólido referencial teórico para
repensar o ensino de Física no contexto educacional brasileiro. Partindo das
críticas ao ensino tradicional e da reconhecida necessidade de práticas
pedagógicas inovadoras que dialoguem com a complexidade e a diversidade da
escola contemporânea, a análise explorou os pilares da pedagogia freireana e suas
potenciais aplicações no ensino de uma disciplina frequentemente percebida
como abstrata e distante da realidade dos estudantes.
Os conceitos centrais da obra de Freire, como o diálogo genuíno, a problematização
da realidade, a crítica à "educação bancária", a valorização da historicização do
conhecimento, o papel do professor como mediador e a centralidade da
investigação temática, oferecem um caminho promissor para transformar a
maneira como a Física é ensinada e aprendida. Ao invés da mera transmissão de
informações e da memorização de fórmulas, a perspectiva freireana convida a uma
construção coletiva do saber, onde a voz e a experiência dos alunos são valorizadas
como ponto de partida para a exploração dos fenômenos físicos.
A implementação da práxis freireana no ensino de Física, através da articulação
entre a teoria e a prática, da investigação de temas geradores emergentes do
universo dos estudantes e da promoção de um ambiente de aprendizado dialógico
e acolhedor, pode contribuir significativamente para o desenvolvimento do
pensamento crítico, da autonomia intelectual e do engajamento dos alunos com a
disciplina. Ao conectar os conceitos da Física com a realidade social, cultural e
histórica, o ensino se torna mais significativo e capaz de formar cidadãos
conscientes e atuantes.
Em suma, a obra de Paulo Freire, longe de ser apenas um legado histórico,
apresenta-se como um conjunto de princípios pedagógicos dinâmicos e
inspiradores para enfrentar os desafios do ensino de Física na contemporaneidade.
Ao adotar uma abordagem freireana, educadores podem construir aulas mais
dialógicas, problematizadoras e emancipatórias, alinhadas com o objetivo de uma
educação que promova a humanização e a transformação social, conforme
preconizado por este influente pensador brasileiro. A contínua revisitação e
aplicação de suas ideias no contexto específico do ensino de ciências, como a
Física, representa um caminho promissor para a construção de uma educação
mais justa, relevante e engajadora para as futuras gerações.
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