Dissertação Ivaí
Dissertação Ivaí
Maringá
2005
ii
Maringá
2005
iii
AGRADECIMENTOS
Ao professor Edvard Elias de Souza Filho, meus sinceros agradecimentos pela orientação
demonstrada na elaboração deste trabalho e pela amizade durante os anos de graduação;
Á CAPES pela concessão da bolsa, que permitiu a mim, tempo integral de dedicação para os
estudos e sem a qual não seria possível atingir meus objetivos acadêmicos;
A Andrelina Laura dos Santos, funcionária da Agência Nacional de Águas - ANA, a Mário
Sérgio Fernandes funcionário da ITAIPU BINACIONAL e a Edson Nagashima Sakae
funcionário da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental - SUDERHSA, pela atenção e fornecimento dos dados e informações hidrológicas
do rio Ivaí;
Aos professores Drs. Paulo Fernando Soares e Astrid Meira Martoni do Departamento de
Engenharia Civil, pelas discussões e orientações no tratamento das informações hidrológicas;
As minhas amigas Claudia Priori, Marlene Aparecida Bossi, Lígia Cristina Turozi, Patrícia de
Sousa, Rose Batalioto e Telma Batalioti, pela grande amizade, carinho, companheirismo,
risos, conselhos, incentivos e por comporem minha família durante toda a minha caminhada
acadêmica;
Ao meu irmão Emerson Mário Destefani, que é um exemplo de determinação e atitude, meu
agradecimento pelo afeto e carinho;
Um agradecimento todo especial ao meu esposo Leandro César Cunha, meu grande amor, que
me acompanhou durante essa trajetória e a tantas outras que engendraram a esta, seu carinho,
companheirismo e dedicação oferecidos, a compreensão nas horas que tive que estar ausente
v
para dedicar-me aos estudos, o seu incentivo que me impulsionou nos momentos difíceis, me
fez mais forte para vencer os desafios e conquistar a vitória;
Aos meus pais Estefano Destefani e Elza Miloch Destefani a quem dedico não apenas este
trabalho, mas agradeço por toda a educação, dedicação, carinho, amor, afeto... meus exemplos
de força, coragem e determinação, toda a minha gratidão e amor...
E finalmente a Deus... Àquele que não existem palavras suficientes para agradecer...
vi
SÚMARIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 11
2 REGIME HIDROLÓGICO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ............................................................ 13
3 CONCEITOS, MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADAS PARA A ANÁLISE,
CARACTERIZAÇÃO E DEFINIÇÃO DO REGIME HIDROLÓGICO DOS SISTEMAS
FLUVIAIS .................................................................................................................................................. 14
4 PESQUISAS DESENVOLVIDAS SOBRE O ESTUDO DO REGIME HIDROLÓGICO ................. 18
5 A BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO IVAÍ: ÁREA DE ESTUDO ..................................................... 20
6 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO .................................................................................... 21
6.1 Geologia/geomorfologia da bacia hidrográfica do rio Ivaí ........................................................... 21
6.2 O padrão de canal do rio Ivaí .......................................................................................................... 24
6.3 Algumas considerações sobre a hidrodinâmica do sistema rio Ivaí ............................................. 27
6.4 Clima ................................................................................................................................................. 27
6.5 Vegetação natural ............................................................................................................................. 29
6.6 Histórico de ocupação e uso do solo: o caso do desmatamento..................................................... 30
7 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................................................ 33
7.1 Monitoramento das vazões e rede hidrométrica ............................................................................ 34
7.2 As estações de monitoramento das vazões do rio Ivaí ................................................................... 35
8 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................................................... 38
8.1 Variabilidade das vazões: periodicidade e estacionariedade ........................................................ 39
8.2 Freqüência e curva de duração do fluxo ........................................................................................ 40
8.3 Recorrência ....................................................................................................................................... 41
9 O REGIME HIDROLÓGICO DO RIO IVAÍ ......................................................................................... 42
10 FREQÜÊNCIA E PERMANÊNCIA DAS VAZÕES NO CANAL FLUVIAL ..................................... 50
11 AS VAZÕES DE ELEVADA MAGNITUDE .......................................................................................... 56
11.1 As cheias do rio Ivaí ......................................................................................................................... 57
11.2 Recorrência das cheias ..................................................................................................................... 62
11.3 Caracterização das ondas de cheia.................................................................................................. 64
12 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................................... 84
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 86
ANEXO....................................................................................................................................................... 91
vii
LISTA DE FIGURAS
LISTA DE FOTOS
Foto 1 - Rio Ivaí na seção de Porto Paraíso do Norte, segmento médio – (fase de cheia) ....... 24
Foto 2 – Estação fluviométrica de Porto Paraíso do Norte – segmento médio ........................ 36
Foto 3 – Vista parcial dos lances de réguas – estação Porto Paraíso do Norte no rio Ivaí ....... 36
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Vazão média diária do rio dos Patos na estação Rio dos Patos, segmento superior
– período 20/5/1930 – 30/9/2002 ........................................................................... 42
Gráfico 2 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Tereza Cristina, segmento superior –
período 7/8/1956 – 30/9/2002 ................................................................................ 43
Gráfico 3 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Porto Espanhol, segmento superior –
período 13/8/1965 – 30/6/2003 .............................................................................. 43
Gráfico 4 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Ubá do Sul, segmento superior –
período 16/4/1967 – 30/11/2002 ............................................................................ 44
Gráfico 5 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Vila Rica, no segmento médio –
15/8/1985 – 30/9/2003 ............................................................................................ 44
Gráfico 6 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Porto Bananeira, segmento médio –
período 19/2/1974 – 30/4/2003 .............................................................................. 45
Gráfico 7 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação de Porto Paraíso do Norte, segmento
médio – período 14/3/1953 – 13/12/2003 .............................................................. 45
Gráfico 8 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação de Novo Porto Taquara, segmento
inferior – período 8/7/1974 – 31/10/2002 .............................................................. 46
Gráfico 9 – Correlação vazões médias vs área de drenagem ................................................... 48
viii
LISTA DE TABELAS
LISTA DE SIGLAS
RESUMO
O rio Ivaí com uma área de drenagem de 36.587 km2 e um percurso de 680 km, é a segunda
maior bacia hidrográfica interiorana do estado do Paraná, com considerável importância
agrícola e potencial hidrelétrico. Embora seja um rio extremamente importante no que se
refere ao aspecto ambiental, ecológico, humano e econômico, é um sistema fluvial
praticamente desconhecido e informações sobre seu regime hidrológico são imprescindíveis
no entendimento do funcionamento da bacia. Portanto o objetivo deste trabalho foi a
caracterização do regime hidrológico do rio, considerando a periodicidade, a estacionariedade,
a freqüência, a permanência e a recorrência como parâmetros de análise, por meio das
informações de vazões e cotas registradas nas estações fluviométricas de Rio dos Patos,
Tereza Cristina, Porto Espanhol, Ubá do Sul, Vila Rica, Porto Bananeira, Porto Paraíso do
Norte e Novo Porto Taquara, distribuídas em seu segmento superior, médio e inferior. Os
resultados mostraram que as características físicas da bacia e do canal do rio Ivaí e em
destaque o regime de precipitações, condicionam um regime hidrológico de baixa
periodicidade, porém estacionário. Para a maioria das seções, as vazões que ocorrem com
maior freqüência e permanência oscilam em torno do valor médio. Em relação às vazões de
elevada magnitude, as cheias extraordinárias mais críticas apresentam uma recorrência de 22
anos em média. As cheias por sua vez, ocorrem em reciprocidade a eventos de precipitações
intensas. Os dados observados permitiram concluir que o regime hidrológico do rio Ivaí é
controlado pelo escoamento superficial, e que o fluxo de base é incapaz de manter fluxos
próximos ao das vazões médias.
Palavras-chave: rio Ivaí, regime hidrológico, vazões.
ABSTRACT
The Ivaí River drains an area of 36.587 km2 and it stretches for 680 km and thus is the second
biggest river basin in Paraná state. It is important because of its immense hydroelectric and
agricultural potential. Although it is an extremely important river system concerning
environmental, ecological, human and economical aspects, it is practically unknown and it is
a must to understand its hydrological regime to understand how this river basin works. This
work was aimed at characterizing the features of the river’s hydrologic regime. We took into
consideration its regularity, stationarity, frequency, permanence/intermittence and recurrence.
Information about the quotas and discharge of this river were gathered from river stations
located at: Rio dos Patos, Tereza Cristina, Porto Espanhol, Ubá do Sul, Vila Rica, Porto
Bananeira, Porto Paraíso do Norte and Novo Porto Taquara, which are distributed along the
river segment (upper, middle and lower segment). Results showed that the physical features of
Ivaí River’s basin canal and mainly the precipitation regime, contribute to a hydrological
regime of low periodicity, however stationary. At most river sections, the most frequent and
permanent discharges oscillate around their average values. Concerning high-magnitude
discharges, we must say that extraordinary floods, at least the most critical ones, have a
recurrence interval of 22 years in average. Floods in turn, occur reciprocally during intense
precipitation events. Based on the collected data, we concluded that River Ivaí hydrological
regime is controlled by the superficial draining, and that the base flow is incapable to keep
flowing close to the discharges average values.
Key words: River Ivaí, hydrological regime, discharges.
11
1 INTRODUÇÃO
O rio Ivaí localizado na região sul do Brasil é um dos principais rios do estado do
Paraná. Sua bacia hidrográfica, a segunda maior do estado, drena ambientes distintos que se
diferenciam pelas características geológicas e geomorfológicas, além de estar localizado na
faixa de transição do clima tropical para subtropical. Este conjunto de características pode
refletir em particularidades em relação ao escoamento fluvial do rio e por essa razão, já se
justificaria um estudo do seu regime hidrológico.
A bacia hidrográfica do rio Ivaí, também se destaca pelo potencial agrícola em
decorrência de solos férteis e bem desenvolvidos na área dominada por rochas basálticas. Para
a maior parte de sua bacia destaca-se a produção de cereais como soja, milho, trigo e em
menor quantidade a cana-de-açúcar e a atividade agropastoril. Suas várzeas são palco de
extração de argila, matéria-prima que movimenta as inúmeras olarias da região. Além disso, o
rio possui um perfil longitudinal com locais de alta declividade, o que o coloca como alvo de
implantação de usinas hidrelétricas.
Tais aspectos fazem da mesma uma das áreas mais produtivas economicamente do
estado e também uma das bacias que pode estar comprometendo significativamente seu
regime hidrológico.
Embora o rio Ivaí apresente uma considerável importância ambiental e econômica,
existe uma carência de estudos e este rio é praticamente desconhecido. Recentemente a
atenção de um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá foi voltada para
esta bacia, e tais estudos necessitam de um conhecimento preliminar da dinâmica hidráulica
do rio.
Sendo assim, a proposta geral desta dissertação de mestrado é realizar uma
caracterização e análise do regime hidrológico do rio Ivaí, ação necessária para gerar
importantes informações que servirão de subsídio para o manejo adequado desse recurso
natural e para o desenvolvimento de futuras pesquisas na área de geografia, geomorfologia,
sedimentologia, ecologia, hidrologia etc.
Nesse sentido, os objetivos específicos deste trabalho são:
- Caracterizar e analisar a variabilidade do regime hidrológico verificando-se sua
periodicidade e estacionariedade;
- Estabelecer o tempo de permanência de determinadas vazões que ocorrem no
canal nas seções que dispõem de estações fluviométricas;
12
Chow (1964) salienta que a análise de freqüência do ponto de vista prático, é somente
um procedimento de ajuste dos dados hidrológicos a um modelo matemático de distribuição,
permitindo a interpretação de processos físicos dos fenômenos hidrológicos auxiliando no
entendimento do regime de um rio.
É importante destacar que em geral o conhecimento do regime de vazões de um rio
baseia-se na análise e tratamento de dados coletados no passado, ou seja, vazões que já
ocorreram, por essa razão Tucci (2002) ressalta que a freqüência é a probabilidade de
ocorrência de diferentes magnitudes de vazões. Portanto, a freqüência assim como a maioria
dos resultados estatísticos são considerados uma análise probabilística.
A duração é o número de dias ou a porcentagem de tempo que uma determinada
magnitude de vazão permanece no canal de um curso d’água. Para Rocha (2002) é uma
específica condição de fluxo associado a um período de tempo.
A duração das vazões é estimada elaborando-se a curva de duração ou curva de
permanência do fluxo e também está relacionado a freqüência com que ocorrem vazões de
diferentes magnitudes.
A recorrência é o intervalo médio de tempo que uma vazão de dada magnitude pode
ser igualada ou excedida.
Em relação ao tratamento estatístico aplicado para analisar o regime hidrológico,
destaca-se primeiramente a representação gráfica das séries históricas das informações
hidrológicas por meio de fluviogramas. Pode ser elaborado uma hidrógrafa ou hidrograma
construindo-se gráficos da informação de vazão ou um cotagrama a partir dos dados de nível
d’água, tais informações são organizadas em função do tempo de ocorrência. Esses gráficos
mostram a variabilidade da vazão ou da altura d’água do rio numa escala temporal que pode
ser organizada em valores diários, mensais ou anuais, por isso facilitam a identificação de
períodos de enchentes e estiagens, podendo fornecer a definição da sazonalidade do regime
hidrológico.
A variabilidade do regime fluvial pode ser examinada e detalhada com maior precisão
quando parâmetros estatísticos são atribuídos à representação gráfica. Chow (1964) indica o
desvio médio, o desvio padrão, a variância, a amplitude e o coeficiente de variação como
parâmetros de distribuição auxiliares na avaliação da variabilidade de um evento hidrológico
em questão.
A ocorrência ou caracterização das vazões não pode ser determinada no momento
imediato em que ocorre, mas pode ser prevista e conhecida por meio de tratamento estatístico
baseado em métodos probabilísticos que de acordo com Tucci (2002) ajustam os valores da
16
amostra (por ex. informações das séries históricas) a uma função matemática, que procura
retratar a distribuição dos valores.
A maioria das técnicas matemáticas e estatísticas direcionadas ao estudo dos eventos
hidrológicos são aplicados no sentido de expressar os fenômenos em termos quantitativos
baseado em sua freqüência e probabilidade de ocorrência. Seguindo essa idéia, Lanna (1997)
ressalta que os dados registrados no passado que exprimem a forma como ocorreram os
eventos, deverão ocorrer de forma semelhante no futuro, caso não existam modificações nos
processos de formação das vazões.
A freqüência de ocorrência das vazões é conhecida a partir do método da curva de
permanência ou também denominada curva de duração do fluxo. Para isso, são utilizados as
séries de vazões diárias, mensais ou anuais e determinado o número de vezes em que ocorrem
determinados valores de vazão dentro de intervalos pré-definidos. A freqüência é
transformada em porcentagem e acumulada do menor para o maior valor de vazão. O
resultado é apresentado de forma gráfica, no qual cada valor de vazão tem uma
correspondente porcentagem de tempo referente àquela seção do canal em que foi medida a
vazão. O conhecimento da freqüência com que ocorrem vazões iguais ou superiores a um
determinado valor, além de estabelecer o regime de um rio mostra a potencialidade de sua
utilização (VILLELA; MATTOS, 1975) e a distribuição dos fluxos (CHRISTOFOLETTI,
1981).
O intervalo de recorrência ou período de retorno é um dos procedimentos mais
utilizados para estudar as vazões máximas ou enchentes. Os valores das descargas máximas
anuais são tratadas através de métodos estatísticos de distribuição, sendo os principais:
distribuição log-normal, distribuição Gumbel Tipo I e II (valores extremos), distribuição de
Person III, distribuição Gamma entre outros. Essas funções matemáticas permitem ajustar os
dados a uma curva de distribuição, que nada mais é do que uma curva de freqüência, que
indica a relação da magnitude da vazão e sua provável freqüência de ocorrência (SILVA,
2002). Assim estabelece-se o intervalo de recorrência para cada cheia como sendo o intervalo
de tempo que decorre entre duas cheias de igual magnitude (CHRISTOFOLETTI, 1981).
Christofoletti (1981), Morisawa (1968), Dunne e Leopold (1998), Leopold, Wolman e
Miller (1964) indicaram a equação 1 para calcular o intervalo de recorrência. Entretanto, esta
equação não ajusta os dados adequadamente em uma curva, mostrando quebras, visto que as
distribuições supra mencionadas permitem tratar os dados relacionando parâmetros como
desvio padrão, média, valores logaritmos e variância ajustando os valores a erros resultando
desse modo num tratamento estatístico mais refinado.
17
Ir =
(n + 1) (1)
m
Sendo:
Ir intervalo de recorrência
n número total de eventos considerados
m número de ordem do evento organizado numa escala em ordem decrescente
r
f = (2)
n
Sendo:
f recorrência das cheias
r ordem do evento
n número de anos (n) da série histórica
Apesar do Brasil ser um dos países de maior potencial hídrico do mundo são poucos
os trabalhos tendo por objeto de estudo o conhecimento do regime de vazões em seus vários
aspectos quantitativo ou qualitativo.
Alguns trabalhos menos recentes (anterior a década de 80) realizaram uma abordagem
do estudo das vazões num contexto técnico seja para o aproveitamento hidrelétrico, para a
previsão de demanda mínima do sistema, como discussão metodológica entre outros
(SUVALE, 1972a e b), (RAMOS, 1973), (UEHARA, 1973), (SÃO PAULO, 1980),
(BRASIL, 1985a e b), (BRASIL, 1974).
O conhecimento do regime de vazões de um sistema fluvial pode apresentar diferentes
abordagens segundo um contexto hidrológico, geomorfológico, geográfico, ecológico entre
outros que dependerá do profissional que está desenvolvendo a pesquisa, dos seus objetivos
ou até mesmo dos métodos e conceitos empregados para a análise das informações.
Martoni (1998) realizou uma análise das vazões no trecho superior do rio Paraná que
estende-se de Porto São José ao Porto 18. A autora analisou e caracterizou as vazões diárias,
19
Inserida na região sul do Brasil, a bacia hidrográfica do rio Ivaí é a segunda maior
bacia do estado do Paraná e está situada entre as coordenadas geográficas 22º56’17” -
25º35’27” de latitude sul e 50º44’17” - 53º41’43” de longitude oeste. Com uma área de
36.587 km2 e um percurso de 680 km (Figura 1), o rio Ivaí é afluente da margem esquerda do
curso superior do rio Paraná e apresenta uma vazão média de 363 m3/s.
Sua nascente forma-se no sudeste do estado pelo do rio dos Patos e São João na Serra
da Boa Esperança no segundo planalto, ambos a mais de 800 m de altitude. O rio Ivaí só
recebe este nome a partir da junção deste dois rios no terceiro planalto. Suas águas deságuam
no rio Paraná a aproximadamente 230 m de altitude.
Constituída por uma densa rede de drenagem a bacia hidrográfica do rio Ivaí
compreende centenas de afluentes, sendo os principais da margem direita os rios Alonso ou
do Peixe e Paranavaí e os da margem esquerda os rios Corumbataí, Mourão, Ligeiro e dos
Índios.
21
1050
Tereza Cristina
Porto Espanhol
750
Porto Bananeira
Ubá do Sul
650
Vila Rica
450
s4
350
início do rio Ivaí s5
250 s6 s7
150
0
50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 750 800
Distância (km)
segmentos do rio si... segmento superior segmento médio segmento inferior
• Segmento médio:
Das proximidades da estação fluviométrica Vila Rica até pouco mais da estação
fluviométrica Porto Paraíso do Norte estende-se o segmento médio entre altitudes de 300 a
250 m em um percurso de aproximadamente 170 km. A declividade deste segmento é de
apenas 0,03% tornando-se bastante reduzida em direção jusante apresentando um desnível de
50 m.
O rio Ivaí neste segmento corta as rochas resistentes do basalto da Formação Serra
Geral (JK), correndo por patamares e mesetas de um relevo menos enérgico, com morros
tornando-se cada vez mais arredondados em direção jusante. As corredeiras, rasos e pequenos
saltos ainda são presentes até as proximidades do município de Ivatuba. Deste ponto até a
Corredeira de Ferro, o trecho é marcado por corredeiras importantes como a do Ferro e a do
Índio separadas por remansos de gradiente suave (PARANÁ, 1982).
• O segmento inferior:
Em um percurso de 164 km e entre altitudes de 250 a 230 m delimitou-se o segmento
inferior do rio Ivaí que se estende do início da planície à sua foz. Neste segmento o rio Ivaí
24
passa a escoar sobre os arenitos da Formação Caiuá (K) e dos sedimentos aluvionares da
planície. O desnível neste trecho é de apenas 20 m e a declividade é de aproximadamente
0,01%, mostrando que o rio Ivaí corre pela topografia mais suave da bacia, compreendendo
um relevo de chapadas e colinas bastante suaves, ao longo do qual seu curso está praticamente
desprovido de cachoeiras.
A planície aluvionar apresenta trechos diferenciados considerando-se sua largura e
relacionamento genético conforme apontado em PARANÁ (1982). Os primeiros vestígios de
planície podem ser observados em pequenos terraços aluvionares a montante de corredeiras e
saltos. Seguindo para jusante até a Corredeira de Ferro a planície alarga-se um pouco
configurando uns 3 a 5 km de largura. Por mais 75 km rumo a foz a planície se alarga até
chegar a ter de 6 a 10 km. Desse ponto em diante até atingir a foz, a planície apresenta sua
porção mais ampla e encontra-se geneticamente relacionada com o rio Paraná.
O rio Ivaí (Foto 1) percorre diferentes direções até a sua foz. De sua nascente (trecho
então formado pelo Rio dos Patos) passando pelo início propriamente dito do rio Ivaí até a
estação de Ubá do Sul a direção geral é sul – norte. Desse ponto até a estação de Porto Paraíso
do Norte o rio segue a direção noroeste e daí em diante até desaguar no rio Paraná a direção é
oeste.
Foto 1 - Rio Ivaí na seção de Porto Paraíso do Norte, segmento médio – (fase de cheia)
25
5 16
MD ME MD ME
4,5
14
4
12
3,5
Profundidade (m)
cota
Profundidade (m)
máx. 10
3 4,35m
cota cota
2,5 8 11,24m
4,05m
2
cota 6 cota
1,5 3,70m 8,82m
4
1 cota
mín. cota
0,98m 2 mín.
0,5
0,85m
0 0
0
5
12
16
26
38
50
62
74
86
95
103
113
129
145
161
177
193
0
6
9
12
14
17
23
29
35
41
47
53
59
62
64
67
72
Figura 4 - Perfil transversal - seção Rio dos Patos Figura 5 - Perfil transversal - seção Tereza
Cristina
26
16 12
MD ME MD ME
14
10
8
12
6
10
Profundidade (m)
4
Profundidade (m)
8 2 cota máx.
cota máx. 6,55m
6 10,92m 0
cota
4 -2
5,97m
cota -4
2 10,41m cota
-6 5,68m
0
cota mín. -8
-2 -0,17m cota mín.
-10 0,45m
-4 -12
0
6
12
18
23
26
29
49
67
85
103
121
139
151
160
167
170
173
176
180
186
192
198
204
0
8
13
15
17
21
26
28
31
33
47
61
75
89
103
117
131
145
159
173
174
179
181
186
188
190
192
194
197
201
Distância (m) Distância (m)
Figura 6 – Perfil transversal – seção Porto Figura 7 - Perfil transversal - seção Ubá do Sul
Espanhol
14 10
M ME MD ME
12 D 8
10
6
8
Profundidade (m)
Profundade (m)
4 cota
6
8,07m
4 cota 2
máx.
2 8,46m cota
0
cota 7,18m
0 6,73m
-2
-2 cota
cota
-4 mín. -4 mín.
0,31m 0,14m
-6 -6
0
10
16
19
22
27
31
44
74
104
134
164
194
224
254
265
268
271
276
280
283
287
305
0
16
28
36
42
46
48
50
51
77
103
129
155
181
207
233
259
285
311
312
314
317
321
325
Distância (m) Distância (m)
Figura 8 - Perfil transversal - seção Vila Rica Figura 9 - Perfil transversal - seção Porto
Bananeira
16 14 MD ME
MD ME
14 12
12 10
Profundidade (m)
Profundidade (m)
10 cota 8
máx. cota
8 14m 6 máx.
cota 12,59m
6 4 cota
11,96m 9,84m
4 cota 2 cota
10,33m mín.
2 0 0,76m
cota cota
0 mín. -2 12m
0,39m
-2 -4
0
6
20
31
33
35
38
42
44
52
68
84
100
116
132
148
164
180
196
199
201
203
209
214
220
223
225
227
0
2
6
12
18
24
29
31
33
35
36
46
66
86
106
126
156
176
196
216
236
256
266
267
269
271
274
278
282
284
286
289
Figura 10 - Perfil transversal - seção Porto Figura 11 - Perfil transversal - seção Novo Porto
Paraíso do Norte Taquara
27
6.4 Clima
Pela posição geográfica, a bacia do rio Ivaí na direção norte a sul encontra-se em uma
área de transição do clima de características tropicais para subtropicais.
Conforme a classificação de Köppen as condições climáticas que ocorrem na bacia
podem ser estabelecidas como:
28
[a montante da bacia o clima é Cfb], subtropical úmido sem estação seca, verões
frescos e ocorrência de geadas severas e freqüentes. A média das temperaturas dos
meses mais quentes é inferior a 22ºC e dos meses mais frios é inferior a 18ºC. [O
restante da bacia o clima é Cfa], subtropical úmido com tendência de concentração
de chuva nos meses de verão sem estação seca definida. A média das temperaturas
dos meses mais quentes é superior a 22ºC e dos meses mais frios é inferior a 18ºC
(PARANÁ, 1987, p.16).
-23.10
-23.60
-24.10
-24.60
-25.10
-25.60
-53.50 -53.00 -52.50 -52.00 -51.50 -51.00 -50.50
-23.00
-23.50
-24.00
-24.50
-25.00
-25.50
De modo geral, a bacia hidrográfica do rio Ivaí exibe uma vegetação de florestas de
caráter tropical e subtropical, sendo portanto, a latitude e a altitude um dos fatores geográficos
importantes para o desenvolvimento de determinadas espécies que permitem diferenciar a
mata em determinadas áreas da bacia. Pela classificação do IBGE (1993) as formações
vegetais que cobrem a bacia são a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Estacional
Semidecidual.
A montante da bacia constitui-se a Floresta Ombrófila Mista, que corresponde a uma
mescla de matas da Floresta Estacional Semidecidual de características tipicamente
subtropicais e de espécies de pinheiros entre os quais a araucária (Araucária Angustifólia -
pinheiro símbolo do estado do Paraná). Esta formação vegetal recobre áreas de altitudes mais
elevadas acima de 500 m e temperaturas mais amenas com média em torno dos 18ºC e
pluviosidade entre 1800 mm anuais (IAPAR, 1978), condições de clima Cfb.
A partir da junção do rio Ivaí com o rio Alonso mais precisamente na passagem do
segundo para o terceiro planalto até a foz do rio Ivaí, a bacia é dominada pela Floresta
Estacional Semidecidual. Esse tipo de mata tem ocorrência na área dominada pelo clima Cfa,
30
mas adquire aspectos diferentes em três porções da bacia, basicamente devido ao tipo de solo
e das condições climáticas (MAACK, 1981).
Principalmente no segmento médio essa floresta “está relacionada ao clima de duas
estações, uma chuvosa e outra seca na área tropical (ao norte da bacia), com temperatura
média entre os 22ºC, ou com curto período seco acompanhado de uma acentuada baixa
térmica na área subtropical (ao sul da bacia), com temperatura média em torno dos 15ºC”
(IBGE, 1993). Por causa dessa diferença de temperatura e intensidade das chuvas, ao norte a
floresta apresenta características tropicais pois está associada a temperaturas mais quentes e
menor umidade. Em contrapartida ao sul, a mesma formação vegetal mostra características
subtropicais pois o desenvolvimento de muitas espécies está influenciado pela predominância
de temperaturas mais amenas e chuvas mais abundantes.
No segmento jusante a Floresta Estacional Semidecidual apresenta características
tropicais aparentando-se menos exuberante por se desenvolver em solos mais arenosos na área
de ocorrência da Formação Caiuá. Já a mata tropical de maior exuberância se assenta sobre
solos argilosos em área de ocorrência de basalto.
A floresta Estacional Semidecidual caracteriza-se por perder parte das folhas na
estação seca e/ou fria. Entre as principais espécies destaca-se a madeira de lei peroba
(Aspidosperma polyneuron).
cafezais. Assim após anos de “glória” dos cafeeiros, a década de 70 “marca o fim” do apogeu
do café.
Segundo Moro (1991), com o declínio da cultura do café iniciou-se um processo de
substituição de culturas cedendo espaço para as pastagens num primeiro momento e depois
pela cultura associada da soja e do trigo.
Nesse sentido, a introdução gradativa nos últimos 30 anos e aceleradamente entre os
anos de 1970 a 1985 dessas culturas comerciais foi acompanhada pelo processo de
modernização da agricultura paranaense (MORO, 1991), que, da mesma forma como ocorreu
com o café, acabou ganhando destaque como produto de exportação como se tem verificado
atualmente.
Realizando-se um balanço geral, o processo de ocupação e uso do solo ocorrido no
estado foi acompanhado de uma intensa destruição da cobertura florestal. O estado do Paraná
até o final do século XIX apresentava 83% de sua área ocupado por florestas e atualmente
restam apenas 7%, sendo que na região noroeste remanescem apenas 1% (CAMPOS, 1999).
Esses dados, por sua vez, dão idéia da amplitude das mudanças e das perdas em termos
ambientais que foram gerados no estado do Paraná. As exuberantes florestas pode nos dias de
hoje ser observada apenas em manchas que foram instituídas como área de preservação ou em
áreas de afloramentos rochosos. A Tabela 2, fornece uma idéia quantitativa e visual da
evolução do desmatamento no estado do período de 1500 a 1995.
A bacia hidrográfica do rio Ivaí drena as áreas que mais sofreram com o
desmatamento no estado. A porção média e baixa da bacia por apresentar características
físicas adequadas para a agricultura principalmente do tipo mecanizada apresenta-se hoje
como a área mais desprovida de vegetação florestal. A vegetação primária da área subtropical
situada da porção média a montante da bacia encontra-se mais preservada porque a cultura do
café não se desenvolveu muito bem nas regiões onde as geadas são freqüentes, da mesma
forma que a agricultura mecanizada não é possível de ser introduzida nas áreas de relevo mais
acidentados e íngremes e, dependendo do tipo de cultura, não se adapta às temperaturas mais
amenas típicas do clima subtropical da maior parte da região sul do país.
Dentro do contexto abordado, fica evidente que o processo de uso e ocupação do solo
adotado no estado do Paraná e notado principalmente na região norte e noroeste que são
regiões que compõe a maior parte da bacia do rio Ivaí, pode ter conduzido algum tipo de
modificação em relação aos recursos hídricos. A retirada da vegetação deixa o solo sem
proteção e o escoamento pluvial pode se acentuar ocasionando mudanças na vazão no que se
refere à magnitude dos picos de descarga. Processo como este pode ter se acentuado a partir
da introdução das culturas temporárias como a soja e o trigo que devido ao seu ciclo de
desenvolvimento entre crescimento e colheita expõe o solo uma a duas vezes ao ano, além de
ser uma planta de menor porte e que oferece uma menor proteção ao solo do que as matas e os
cafezais. Como é uma agricultura intensiva e que utiliza máquinas para preparo do solo, a
remoção do mesmo leva a uma perda maior de solo durante os períodos de chuva
intensificando o assoreamento nos cursos d’água.
7 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Antes de prosseguir com a descrição dos métodos aplicados para o tratamento das
informações, é interessante destacar como é realizada a operação de uma estação
fluviométrica, os critérios considerados na escolha do local de implantação da estação e
algumas de suas características.
34
Residência do
observador
Posto equipado
com aparelhos
Lances de réguas
Rio Ivaí
Foto 3 – Vista parcial dos lances de réguas – estação Porto Paraíso do Norte no rio Ivaí
37
Tabela 4 - Situação das séries históricas das vazões registradas no rio Ivaí
estações período de registro interrupções
Rio dos Patos* 20/5/1930 – 30/9/2002 sem interrupções
Tereza Cristina* 07/8/1956 – 30/9/2002 1/3 – 30/4/78, 22/12/93 – 31/1/94, 1/3/94
– 9/5/94, jan/02
Porto Espanhol** 13/8/1965 – 30/6/2003 sem interrupções
Ubá do Sul** 16/4/1967 – 30/11/2002 12/5 – 3/6/67, 01 – 18/4/83, 1997,1998,
1999, 2000, 2001
Vila Rica** 15/8/1985 – 30/9/2003 Jan/93, 01/2/95, 08/2 – 18/4/95, out/02
Porto Bananeiras* 19/2/1974 – 30/4/2003 3 – 29/6/88, 18/1/95, 22/1 – 21/4/95, 27/4
– 31/5/95, 1 – 5/10/95, 8/10 – 30/11/95,
20 – 29/3/96
Porto Paraíso do 14/3/1953 – 13/12/2003 sem interrupções
Norte***
Novo Porto Taquara* 8/7/1974 – 31/10/2002 1 – 7/6/83, 11 - 18/6/83, 23 – 28/6/83, 1/7
– 18/8/83, 22 – 29/8/83, 3108 – 18/9/83,
22 – 29/9/83, 1/10 – 30/11/90, 1/12 –
31/5/94, 1/12 – 31/12/94, jul/95, 2 –
30/9/95, 31/8/00
Fonte: *ANA (2004); **SUDERHSA (2003); ***ITAIPU BINACIONAL (2004)
38
8 MATERIAL E MÉTODOS
por isso foram tratados os dados e organizados/representados em forma gráfica, que permite
analisar as informações de modo quantitativo e visual.
( )
n 2
∑ Qi − Q
σ= i =1
(3)
n −1
Sendo:
σ desvio padrão
Q vazão
Q vazão média
n número de vazões registrados na série histórica
O cálculo do coeficiente de variação por sua vez, é expresso pelo inverso da vazão
média da série histórica de vazões diárias pelo seu desvio padrão, assim tem-se a equação 4:
σ
Cv = (4)
Q
40
Sendo:
C v coeficiente de variação
Qmáx − Qmín
A= (6)
m
Sendo:
A amplitude para os intervalos de classe
Qmáx vazão máxima da série histórica
Qmín vazão mínima da série histórica
m número de intervalos de classe
8.3 Recorrência
A recorrência foi elaborada para as vazões máximas anuais ajustando os dados pela
função matemática de Gumbel. Tal função foi escolhida por ser de uso mais prático e ser
freqüentemente utilizada por hidrólogos e outros profissionais, além de apresentar resultados
satisfatórios em relação ao tratamento de extremos. Para aplicação da função de Gumbel os
valores são ordenados conforme a seqüência de magnitude numa escala crescente e aplicados
a equação 7, que conforme apresentado no trabalho de Martoni (1998) pode ser expressa da
seguinte maneira:
A distribuição de Gumbel tem como função densidade de probabilidades:
x−a x−a
−
f x (x ) =
1 β −e β
e (7)
βe
x−a
FCP: P[x ≤ x] = Fx ( x ) = e
β −y
−e
= e −e , para − ∞ < x < +∞
x−a
Onde: y =
β
Sendo:
y variável reduzida
x é a variável (Qmáx)
42
α e β parâmetros da distribuição dos valores extremos do Tipo I, que podem ser estimados
pelo método dos momentos
α parâmetro de locação (moda da distribuição)
α = x − 0,45 * δ
900
800
vazão média 21m3/s
700
600
vazão m /s
3
500
400
300
200
100
0
20/05/30
20/05/32
20/05/34
20/05/36
20/05/38
20/05/40
20/05/42
20/05/44
20/05/46
20/05/48
20/05/50
20/05/52
20/05/54
20/05/56
20/05/58
20/05/60
20/05/62
20/05/64
20/05/66
20/05/68
20/05/70
20/05/72
20/05/74
20/05/76
20/05/78
20/05/80
20/05/82
20/05/84
20/05/86
20/05/88
20/05/90
20/05/92
20/05/94
20/05/96
20/05/98
20/05/00
20/05/02
período
Gráfico 1 – Vazão média diária do rio dos Patos na estação Rio dos Patos, segmento superior – período
20/5/1930 – 30/9/2002
3 3
vazão m /s vazão m /s
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
13/08/65
07/08/56
13/08/66 07/08/57
13/08/67 07/08/58
13/08/68 07/08/59
07/08/60
13/08/69
07/08/61
13/08/70 07/08/62
7/8/1956 – 30/9/2002
13/8/1965 – 30/6/2003
13/08/71 07/08/63
13/08/72 07/08/64
07/08/65
13/08/73
07/08/66
13/08/74 07/08/67
13/08/75 07/08/68
vazão média 77m3/s
período
07/08/80
13/08/85
07/08/81
13/08/86 07/08/82
período
13/08/87 07/08/83
13/08/88 07/08/84
13/08/89
07/08/85
07/08/86
13/08/90 07/08/87
13/08/91 07/08/88
13/08/92 07/08/89
13/08/93 07/08/90
07/08/91
13/08/94 07/08/92
13/08/95 07/08/93
13/08/96 07/08/94
13/08/97 07/08/95
07/08/96
13/08/98 07/08/97
13/08/99 07/08/98
13/08/00 07/08/99
13/08/01 07/08/00
07/08/01
13/08/02 07/08/02
43
Gráfico 3 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Porto Espanhol, segmento superior – período
Gráfico 2 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Tereza Cristina, segmento superior – período
3 3
vazão m /s vazão m /s
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
5000
0
15/08/85 16/04/67
30/9/2003
16/04/68
15/08/86 16/04/69
16/04/70
15/08/87
16/04/71
16/04/72
16/4/1967 – 30/11/2002
15/08/88
16/04/73
16/04/74
15/08/89
16/04/75
16/04/76
16/04/78
15/08/91
16/04/79
15/08/92 16/04/80
16/04/81
15/08/93 16/04/82
16/04/83
15/08/94 16/04/84
período
16/04/85
15/08/95 16/04/86
período
16/04/87
15/08/96 16/04/88
16/04/89
15/08/97 16/04/90
16/04/91
15/08/98 16/04/92
16/04/93
15/08/99 16/04/94
16/04/95
15/08/00
16/04/96
16/04/97
15/08/01
16/04/98
16/04/99
15/08/02
16/04/00
16/04/01
15/08/03
16/04/02
44
Gráfico 5 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Vila Rica, no segmento médio – 15/8/1985 –
Gráfico 4 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Ubá do Sul, segmento superior – período
3 3
vazão m /s vazão m /s
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
14/03/53 19/02/74
14/03/54
14/03/55 19/02/75
14/03/56
14/03/57 19/02/76
14/03/58
14/03/59 19/02/77
14/03/60 19/02/78
19/2/1974 – 30/4/2003
14/03/61
14/03/62 19/02/79
14/03/63
14/03/64 19/02/80
14/03/65
19/02/82
14/03/68
14/03/69 19/02/83
14/03/70
14/03/71 19/02/84
14/03/72 19/02/85
14/03/73
14/03/74 19/02/86
14/03/75
14/03/76 19/02/87
14/03/77
19/02/88
período
14/03/78
14/03/79 19/02/89
14/03/80
14/03/81 19/02/90
período
14/03/82
14/03/83 19/02/91
14/03/84
19/02/92
14/03/85
14/03/86 19/02/93
14/03/87
14/03/88 19/02/94
14/03/89
14/03/90 19/02/95
14/03/91 19/02/96
14/03/92
14/03/93 19/02/97
14/03/94
14/03/95 19/02/98
14/03/96
14/03/97 19/02/99
14/03/98 19/02/00
14/03/99
14/03/00 19/02/01
14/03/01
14/03/02 19/02/02
14/03/03 19/02/03
Gráfico 7 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação de Porto Paraíso do Norte, segmento médio –
Gráfico 6 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação Porto Bananeira, segmento médio – período
45
46
7000
vazão média 728m3/s
6000
5000
vazão m /s
4000
3
3000
2000
1000
0
18/07/74
18/07/75
18/07/76
18/07/77
18/07/78
18/07/79
18/07/80
18/07/81
18/07/82
18/07/83
18/07/84
18/07/85
18/07/86
18/07/87
18/07/88
18/07/89
18/07/90
18/07/91
18/07/92
18/07/93
18/07/94
18/07/95
18/07/96
18/07/97
18/07/98
18/07/99
18/07/00
18/07/01
18/07/02
período
Gráfico 8 – Vazão média diária do rio Ivaí na estação de Novo Porto Taquara, segmento inferior –
período 8/7/1974 – 31/10/2002
estiagem e ondas de cheia podem ocorrer em qualquer mês do ano e mudam de um ano para
outro, ou seja, o rio não mostra um período sazonal definido de cheia e de estiagem, e por
isso, o regime de vazões do rio Ivaí caracteriza-se como de baixa periodicidade. As cheias por
sua vez para a maioria das estações, ocorrem preferencialmente nos meses de janeiro, maio e
junho, pois conforme pode ser observado na Tabela 7 e 8, são nesses meses que ocorrem as
cheias máximas anuais com maior freqüência. Contudo, isso não revela um período sazonal
de cheia para o rio Ivaí, mas mostra apenas o mês em que ocorre seu pico máximo durante o
ano. Outros picos muitas vezes de magnitude minimamente inferior antecedem e sucedem o
pico máximo (dependendo do tipo da onda de cheia) ou, ocorrem em vários outros meses do
ano e também podem ser considerados como cheias, além disso, mesmo o pico máximo tem
uma ocorrência muito forte durante outros meses.
800
700
y = 0,021x + 7,7647
vazão média (m /s)
600
3
2
R = 0,9986
500
400
300
200
100
0
0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000
2
área de drenagem (km )
Outro fator a considerar é a forma alongada e de certo modo estreita que a bacia do
Ivaí apresenta no sentido longitudinal do rio. As bacias com essa configuração originam picos
maiores de cheia, pois o escoamento pluvial tem um espaço menor para percorrer até alcançar
o canal do rio (VILLELA; MATTOS, 1975).
Deve ser considerado também que o rio Ivaí escoa por rochas resistentes tanto quando
se trata do basalto como do arenito. O afloramento de rocha na base das margens do curso é
comum e a maior parte de seu leito é formado por rochas (Tabela 4). Esta conformação do rio
colabora na ocorrência de picos de descarga pontiagudos e com elevada amplitude entre fases
de águas altas e baixas, pois as águas não tem por onde extravasar, a não ser quando ocorrem
episódios de cheias extremas nos locais em que o rio possui margens de menor altura e/ou em
seções menos encaixadas.
Pode-se inferir ainda que estando o rio fluindo em material rochoso é bem provável
que a contribuição do lençol freático na manutenção do escoamento fluvial durante os
períodos de estiagem é baixa, uma vez que nesses períodos os valores das vazões são muito
inferiores a média e declinam drasticamente.
Diante das considerações apontadas, o comportamento que o rio Ivaí mostra nas fases
de águas baixas e altas é reflexo do tipo de escoamento pluvial e fluvial condicionado pelas
próprias características físicas da bacia e dos eventos de precipitação distribuídos
temporalmente e espacialmente na área de sua bacia hidrográfica.
900
800
700
600
vazão m3/s
500
200
média 21m3/s; 35%
100
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
% tempo
2000
1800
1600
1400
vazão m3/s
4000
3500
3000
média das cheias 1927m3/s; 0,40%
vazão m3/s
2500
2000
1500
500
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
% tempo
5000
4500
4000
3500
vazão m /s
3000
2500
2000
1500
média 276m3/s; 40%
1000
500
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
% tempo
6000
5000
média das cheias 3800 m3/s; 0,32%
4000
vazão m3/s
3000
2000
média 431 m3/s; 47%
1000
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
% tempo
7000
6000
4000
3000
1000
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
% tempo
7000
6000
5000
vazão m3/s
3000
1000
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
% tempo
7000
6000
média das cheias 4019 m3/s; 1,05%
5000
vazão m /s
3
4000
3000
1000
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
% tempo
variabilidade do fluxo, ocasionado por fluxos rápidos e pouca base de fluxo. Essa condição
tem sido notada para o rio Ivaí, que possui um escoamento fluvial extremamente oscilatório e
com pouca contribuição do lençol freático o que é observado durante as vazões muito baixas
durante os períodos de estiagem.
Foram consideradas as vazões máximas anuais para caracterizar as cheias que ocorrem
no rio Ivaí. Os Gráficos 18 a 25 apresentam as cheias tendo a vazão média (Qm) e a média
das cheias (Qmc) como referência de análise.
No segmento superior do rio Ivaí formado pelo rio dos Patos, a seção do canal onde
está instalada uma estação do mesmo nome, a vazão de maior magnitude atingiu um valor de
806 m3/s em 1992. Para as outras estações desse segmento e que fazem parte do rio Ivaí a
maior cheia exibiu uma vazão de 1733 m3/s em 1992 para Tereza Cristina, 3520 m3/s em 1983
para Porto Espanhol e 4500 m3/s para Ubá do Sul em 1992. No segmento médio a maior
vazão para a estação Vila Rica registrada até o momento foi de 6078 m3/s com ocorrência no
ano de 1998, para a estação Porto Bananeira uma vazão de 6028 m3/s registrada também em
1998 e para Porto Paraíso do Norte uma vazão de 6194 m3/s em 1993. Para o segmento
inferior a estação de Novo Porto Taquara registrou uma vazão de maior magnitude entre os
5747 m3/s para o ano de 1983.
Em algumas estações, verificou-se vazões máximas anuais muito baixas que não
ultrapassaram a vazão média ou atingiram vazões superiores a média da série, porém de
magnitude muito inferior as demais. Neste caso, os anos que se destacaram para as estações
foram: Rio dos Patos em 1944 (40 m3/s), 1960 (33 m3/s) e 1962 (49 m3/s), Tereza Cristina em
1956 (130 m3/s) e em 1968 (273 m3/s), Porto Espanhol no ano de 1968 (593 m3/s), Ubá do Sul
em 1968 (779 m3/s) e em 1985 (1310 m3/s), Vila Rica em 1985 (240 m3/s) e em 1991 (1635
m3/s), Porto Bananeira nos anos de 1983 (1690 m3/s) e em 1996 (2557 m3/s), Porto Paraíso do
Norte em 1991 (1673 m3/s) e em Novo Porto Taquara o ano de 1991 (1959 m3/s).
900
800 fenômeno El Niño
700
vazão (m /s)
600
3
500
400
300
200
100
0
1930
1932
1934
1936
1938
1940
1942
1944
1946
1948
1950
1952
1954
1956
1958
1960
1962
1964
1966
1968
1970
1972
1974
1976
1978
1980
1982
1984
1986
1988
1990
1992
1994
1996
1998
2000
2002
Gráfico 18 - Vazões máximas anuais, seção Rio dos Patos – período 1930 - 2002
3 3
vazão (m /s) vazão m /s
0
300
600
900
1200
1500
1800
2100
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
1956
1965 1957
1966 1958
1967 1959
1968 1960
1969 1961
1962
1970 1963
1971 1964
1972 1965
1966
fenômeno El Niño
1973
fenômeno El Niño
1974 1967
1975 1968
1969
1976 1970
1977 1971
1978 1972
1979 1973
1980 1974
1975
1981 1976
1982 1977
1983 1978
1984 1979
1980
1985
período em anos
1981
período em anos
1986 1982
1987 1983
1988 1984
1989 1985
1990 1986
1987
1991 1988
1992 1989
1993 1990
1994 1991
Qmc
Qmc
1995 1992
1993
Gráfico 19 - Vazões máximas anuais, seção Tereza Cristina – período 1956 - 2002
Gráfico 20 - Vazões máximas anuais, seção Porto Espanhol – período 1965 - 2003
1996 1994
1997 1995
1998 1996
1999 1997
1998
Qm
2000 1999
Qm
2001 2000
2002 2001
2003 2002
58
59
5000
fenômeno El Niño
4500
4000
3500
vazão (m s)
3
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
1967
1968
1969
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
período em anos Qmc Qm
Gráfico 21 - Vazões máximas anuais, seção Ubá do Sul – período 1967 - 2002
7000
fenômeno El Niño
6000
vazão (m /s)
5000
3
4000
3000
2000
1000
0
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
7000
fenômeno El Niño
6000
5000
vazão (m /s)
3
4000
3000
2000
1000
0
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
período em anos Qmc Qm
Gráfico 23 - Vazões máximas anuais, seção Porto Bananeira – período 1974 - 2003
7000
fenômeno El Niño
6000
vazão (m /s)
5000
3
4000
3000
2000
1000
0
1953
1955
1957
1959
1961
1963
1965
1967
1969
1971
1973
1975
1977
1979
1981
1983
1985
1987
1989
1991
1993
1995
1997
1999
2001
Gráfico 24 - Vazões máximas anuais, seção Porto Paraíso do Norte – período 1953 - 2003
61
7000
fenômeno El Niño
6000
5000
vazão (m /s)
3
4000
3000
2000
1000
0
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
período em anos Qmc Qm
Gráfico 25 - Vazões máximas anuais, seção Novo Porto Taquara – período 1974 - 2002
Tabela 9 - Eventos El Niño definidos a partir da anomalia da temperatura da superfície do mar, para a
região El Niño (1+2) e excedendo valores de 0,4ºC positivo.
Período de El Niño Duração (meses)
mar/65 a jan/66 11
mar/69 a jan/70 11
jan/72 a fev/73 14
mai/76 a jan/77 9
jun/79 a jan/80 8
jul/82 a dez/83 18
out/86 a dez/87 15
nov/91 a jun/92 8
fev/93 a jun/93 5
out/94 a fev/95 5
mar/97 e out/98 20
Fonte: Baldo (2000), atualizada.
900
800 cheia de 1983 cheia de 1992
700
vazão (m /s)
3
600
cheia de 1995
500
400
300
200
100
0
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
recorrência em anos
Gráfico 26 - Recorrência das vazões máximas anuais – seção Rio dos Patos
1
Considerou-se a recorrência das cheias dos anos de 1983, 1992 e 1995 como anômalos, por apresentarem
valores de recorrência muito dispares dos demais. Contudo, recomenda-se a aplicação de vários modelos
matemáticos, de modo a comparar os resultados, pois os mesmos utilizam parâmetros diferentes para o ajuste das
informações e um ou outro modelo podem apresentar resultados mais coerentes.
64
7000
Rio dos Patos
6000
Tereza Cristina
5000
vazão (m /s)
Porto Espanhol
3
Gráfico 27 - Recorrência das vazões máximas anuais para as seções do rio Ivaí
As ondas de cheia podem ser caracterizadas pelas formas com que os registros de
vazão se distribuem nos fluviogramas. A forma que uma onda de cheia adquire pode ser
reflexo da morfologia do canal e da bacia hidrográfica, uso do solo na bacia, intensidade e
duração dos eventos de precipitação. Dessa forma, as cheias podem se destacar pela sua
magnitude, duração, volume, oscilação e número de picos. Portanto, uma classificação das
cheias é um critério que auxilia no entendimento do comportamento do regime hidrológico de
um rio.
Para o rio Ivaí foram consideradas cheias extraordinárias (de magnitude superior a
vazão média das cheias anuais) e cheias ordinárias (de magnitude até a vazão média das
cheias anuais).
Nesse sentido, foram elaborados hidrogramas de vazão diária referente ao período de
doze meses do ano da cheia considerada e comparou-se os hidrogramas das cheias de todas as
estações que estão sendo consideradas na presente pesquisa. A ausência de dados de uma
determinada estação nos hidrogramas ocorre pela falta de registro no intervalo de tempo
considerado.
Desse modo, pode ser verificado em geral, que o rio Ivaí apresenta três tipos principais
de cheias:
Cheias tipo A: são constituídas pelas cheias extraordinárias mais importantes do
ponto de vista de sua magnitude, apresentando maior volume e duração, sendo por isso mais
65
raras. Constam de um pico principal mais importante, precedido e sucedido por vários picos
que aumentam e diminuem de magnitude sucessivamente caracterizando um efeito de cascata.
A subida do pico principal é mais lento por ser precedido da oscilação de vários outros picos
menores. Esse tipo de cheia é formada em média por sete picos e pode ocorrer até duas vezes
ao ano. As cheias de 1983 e 1998 retratam muito bem as cheias do tipo A (Gráfico 28 e 29).
Cheias tipo B: são representadas tanto pelas cheias extraordinárias quanto ordinárias.
Apresentam três picos sucessivos de subida rápida, no qual geralmente dois são de magnitude
mais importante. Essas cheias são freqüentes e podem acompanhar as cheias do Tipo A. As
mesmas são observadas nos anos de 1975, 1989, 1987,1999 entre outros (Gráfico 30, 31 e
32).
Cheias tipo C: representam as cheias do tipo mais simples e freqüente caracterizando
apenas um pico principal de subida relativamente rápida, que pode vir ou não, acompanhado
de vários picos sem significado importante. Podem ser observadas pelo menos nos anos de
1985, 1991, 1992 e 1995 (Gráfico 33 e 34). Podem apresentar um pico máximo de 5000 a
6000 m3/s registrado em Porto Bananeira, Porto Paraíso do Norte e Novo Porto Taquara.
Essas cheias podem ocorrer junto as cheias Tipo A e B.
As ondas de cheia são caracterizadas pela ascensão de diversos picos principalmente
nas cheias Tipo A e B. Os picos de vazão que constituem as ondas de cheia apresentam
formato de “estaca” e raramente constam de valores conservativos, e quando isso ocorre é por
pouquíssimo tempo, pois o rio se conforma em vale encaixado o que dificulta o
amortecimento dos picos que pode ocorrer caso haja transbordamento ou refluxo em
afluentes, por exemplo. Nesse sentido, a quantidade e a magnitude dos picos que as ondas de
cheia apresentam estão relacionados aos episódios de precipitação que ocorrem na bacia
hidrográfica.
Analisando-se as ondas de cheia em detalhe (Gráfico 35) observa-se que os picos
propagam-se de montante para jusante passando por todas as seções, entretanto, a oscilação
torna-se mais acentuada para a maioria dos picos ao passar pela estação de Ubá do Sul a partir
dos 500 m3/s para esta estação. Para a estação Rio dos Patos a oscilação é menor e quando
existente é mais suave mesmo nos picos principais das grandes cheias.
3
vazão (m /s)
vazão (m3/s)
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
01/01/83
01/01/98
15/01/98 15/01/83
Rio Patos
12/02/98 12/02/83
26/02/98 26/02/83
12/03/83
Ter. Crist.
12/03/98
26/03/98 26/03/83
Ter. Crist.
09/04/98 09/04/83
23/04/98 23/04/83
P. Espanhol
21/05/83
04/06/98
04/06/83
18/06/98
18/06/83
Ubá do Sul
02/07/98
02/07/83
Vila Rica
16/07/98
período em dias
16/07/83
período em dias
30/07/98
30/07/83
13/08/98
13/08/83
P. Bananeira
27/08/98
P. Bananeira
27/08/83
10/09/98
10/09/83
24/09/98
24/09/83
08/10/98
08/10/83
P. Paraíso
22/10/98
P. Paraíso Norte
05/11/98 22/10/83
19/11/98 05/11/83
03/12/98 19/11/83
17/12/98 03/12/83
N. P. Taquara
31/12/98 17/12/83
N. P. Taquara
31/12/83
66
vazão (m3/s) vazão (m3/s)
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
01/01/89 01/01/87
Rio Patos
Rio dos Patos
15/01/89 15/01/87
29/01/89 29/01/87
12/02/89 12/02/87
26/02/89 26/02/87
Ter. Crist.
Ter. Crist.
12/03/89 12/03/87
26/03/89 26/03/87
09/04/89 09/04/87
P. Espanhol
23/04/89 23/04/87
P. Espanhol
21/05/89 21/05/87
04/06/89 04/06/87
Ubá do Sul
Ubá Sul
18/06/89 18/06/87
02/07/89 02/07/87
16/07/87
período em dias
16/07/89
Vila Rica
Vila Rica
30/07/89 30/07/87
período em dias
13/08/89 13/08/87
27/08/89 27/08/87
P. Bananeira
10/09/89 10/09/87
P. Bananeira
24/09/89 24/09/87
08/10/89 08/10/87
22/10/89 22/10/87
P. Paraíso
05/11/89 05/11/87
P. Paraíso Norte
19/11/89 19/11/87
03/12/89 03/12/87
17/12/89 17/12/87
31/12/87
N. P. Taquara
31/12/89
N. P. Taquara
67
vazão (m3/s) vazão (m3/s)
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
01/01/85 01/01/99
Rio Patos
15/01/85 15/01/99
Rio Patos
29/01/85 29/01/99
12/02/85 12/02/99
26/02/85 26/02/99
Ter. Crist.
12/03/85 12/03/99
Ter. Crist.
26/03/85 26/03/99
09/04/85 09/04/99
23/04/85
P. Espanhol
23/04/99
P. Espanhol
21/05/85 21/05/99
04/06/85
Ubá Sul
04/06/99
18/06/85 18/06/99
Vila Rica
02/07/85 02/07/99
período em dias
16/07/85 16/07/99
Vila Rica
período em dias
30/07/85 30/07/99
13/08/85 13/08/99
27/08/85 P. Bananeira 27/08/99
10/09/85 10/09/99
P. Bananeira
24/09/85 24/09/99
08/10/85 08/10/99
P. Paraíso
22/10/85 22/10/99
P. Paraíso
05/11/85 05/11/99
19/11/85 19/11/99
03/12/85 03/12/99
17/12/85 17/12/99
N. P. Taquara
N. P. Taquara
31/12/85 31/12/99
68
69
6000
5000
4000
vazão (m3/s)
3000
2000
1000
0
01/01/95
15/01/95
29/01/95
12/02/95
26/02/95
12/03/95
26/03/95
09/04/95
23/04/95
07/05/95
21/05/95
04/06/95
18/06/95
02/07/95
16/07/95
30/07/95
13/08/95
27/08/95
10/09/95
24/09/95
08/10/95
22/10/95
05/11/95
19/11/95
03/12/95
17/12/95
31/12/95
período em dias
Rio Patos Ter. Crist. P. Espanhol Ubá Sul Vila Rica P. Bananeira P. Paraíso N. P. Taquara
Além disso, duas características nas cheias de grande porte chamam a atenção.
Primeiro, que por diversas vezes a vazão em Porto Paraíso do Norte é superior a de Novo
Porto Taquara e pela lógica deveria ser o contrário, considerando-se que Novo Porto Taquara
está situada a jusante de Porto Paraíso do Norte recebendo a contribuição de uma área de
drenagem maior e, portanto deveria concentrar também uma maior vazão. Neste caso, a cheia
de 1992 (Gráfico 35) retrata bem esse efeito. Segundo, que pode também ser notado que além
de menor, esse pico apresenta um achatamento, ou seja, um amortecimento das vazões
exibindo uma subida e descida por um tempo mais prolongado. Esse efeito visualizado na
hidrógrafa merece ser analisado com atenção, pois pode indicar particularidades do regime
hidrológico neste trecho do canal e fornecer importantes informações em relação a dinâmica
do escoamento fluvial.
Como esse efeito é observado principalmente nas cheias de elevada magnitude,
buscou-se correlacionar a média das cheias anuais registradas nas estações fluviométricas com
sua respectiva área de drenagem (Gráfico 36), assim como foi feito com a vazão média. Com
isso, foi possível verificar uma redução das vazões para as estações de Porto Paraíso do Norte
e em menor proporção para Novo Porto Taquara, situada a jusante, no trecho de planície.
70
7000
6000
5000
Vazão m3/s
4000
3000
2000
1000
0
30/04/92
01/05/92
02/05/92
03/05/92
04/05/92
05/05/92
06/05/92
07/05/92
08/05/92
09/05/92
10/05/92
11/05/92
12/05/92
13/05/92
14/05/92
15/05/92
16/05/92
17/05/92
18/05/92
19/05/92
20/05/92
21/05/92
22/05/92
23/05/92
24/05/92
25/05/92
26/05/92
27/05/92
28/05/92
29/05/92
30/05/92
31/05/92
01/06/92
02/06/92
03/06/92
04/06/92
05/06/92
06/06/92
07/06/92
08/06/92
09/06/92
10/06/92
11/06/92
12/06/92
13/06/92
14/06/92
15/06/92
16/06/92
17/06/92
18/06/92
19/06/92
20/06/92
21/06/92
22/06/92
23/06/92
24/06/92
25/06/92
26/06/92
período em dias
Rio Patos Ter. Cristina P. Espanhol Ubá Sul Vila Rica P. Bananeira P. Paraíso N. P. Taquara
Gráfico 35 - Onda da cheia de mai/jun de 1992, com um pico máximo de cheia para a estação Porto
Paraíso do Norte ao invés de Novo Porto Taquara que por sua vez, configura um amortecimento de
pico da cheia
5000
vazão média de cheia (m /s)
4000 2
R = 0,8476
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000
2
área de drenagem (km )
Silva (2002) constatou o mesmo efeito para as cheias do rio Araguaia, que apresenta
uma diminuição das vazões no médio curso como conseqüência da entrada de fluxo do canal
para a planície aluvial e para o rio Javaés, importante tributário do rio Araguaia. Desse modo,
a interação entre canal e planície por meio do escoamento fluvial, produz modificações
visualizadas no hidrograma e mostra que se torna necessário o conhecimento das
71
características das cheias, no que se refere a sua magnitude em termos de cota e de sua
freqüência de ocorrência, como também a relação desses parâmetros com a geomorfologia do
ambiente fluvial considerando-se a forma da seção transversal do canal e das margens.
Dentro desse contexto, utilizou-se o método elaborado por Lambert (1990) da curva
de freqüência para as cotas das cheias máximas anuais e comparou-se com o perfil da seção
transversal do canal. A presente metodologia ajusta as cotas fluviométricas a uma curva em
escala logarítmica que representa a freqüência de recorrência em anos. Como sobre os pontos
são traçadas retas, na inflexão da curva ocorre a quebra da mesma. De acordo com Lambert
(1990), essas quebras indicam as cotas onde ocorre o extravasamento do escoamento fluvial.
Assim faz-se sentido, correlacionar as quebras da curva com a morfologia da seção
transversal do canal, verificando-se a relação existente.
Analisando-se as curvas (Gráfico 37 a 44), nota-se que até a primeira quebra da reta os
pontos ajustam-se muito próximos, de modo a formar uma linha contínua sem interrupções, e
em geral, o alinhamento dos pontos apresenta-se numa posição mais vertical. Esse detalhe
mostra que as cotas que formam essa primeira reta são mais freqüentes e recorrem em um
período de tempo mais curto. De fato, se o canal mostra-se encaixado e a vazão aumenta,
conseqüentemente as cotas se elevam, pois as margens são relativamente íngremes e altas e o
escoamento fluvial não tem por onde extravasar, por isso que se forma uma linha
retilineamente uniforme.
A partir da segunda e terceira quebra os pontos apresentam-se em menor número e
mais espaçados e o alinhamento dos pontos tende a se adequar numa posição mais horizontal,
revelando que os valores desses níveis ocorrem com menor freqüência e levam mais tempo
para voltar a recorrer, constituindo eventos de cheias mais raras e também de maior
magnitude.
Cruzando-se os valores das cotas fluviométricas onde ocorre as quebras com a
morfologia do canal, constata-se que existe uma certa correlação das quebras da curva com
alguma mudança na forma do canal. Na maioria dos casos o valor de cota da quebra encaixa-
se com a passagem das águas do canal de um patamar a outro ou para uma abertura maior do
canal e até mesmo para uma cota de transbordamento. Em outros casos, o cruzamento das
informações não é exato, mas, demonstram-se muito próximos, isso faz pensar que ajustes
não adequados no levantamento dos perfis, assim como da curva-chave, pode ser a causa do
desajuste entre as cotas e a morfologia das seções.
72
o canal é bem estreito e a partir de 2 m até o topo da margem direita o canal sofre uma
significativa abertura. À uma cota de 5,68 m ocorre uma quebra da curva no local em que o
canal sofre praticamente seu maior alargamento, portanto a quebra pode estar associada às
mudanças do escoamento em relação as diferenças na morfologia do canal. Nesta seção assim
como a anterior não se encontrou valores que mostrassem transbordamentos, mas a cota
máxima de 6,55 m que tem uma recorrência de 0,03,ou seja, três vezes a cada cem anos
apresenta-se bem próxima ao topo da margem direita.
Vila Rica (Gráfico 41) apresenta uma seção transversal semelhante a anterior, porém o
aumento da largura do canal se dá um pouco acima da cota mínima registrada para esta seção.
A curva de freqüência por sua vez, apresenta-se simples, e após a quebra, o alinhamento dos
valores das cotas são ligeiramente inclinados revelando que o canal não apresenta patamares
configurando acima da cota mínima uma morfologia homogênea. Nesta seção, contudo, não
se verificou transbordamento sendo a cota de 8,46 m a cota máxima registrada em 1998 que
apresenta um retorno provável de seis vezes a cada cem anos, retorno este condicionado por
uma cheia de 5639 m3/s.
Para Porto Bananeira (Gráfico 42) a seção transversal se torna bem menos funilada
com um fundo do canal mais aberto. Apresenta também um patamar bem desenvolvido na
margem direita podendo estar associado possivelmente a um dique, já que esta seção está
situada num segmento mais próximo de jusante, onde a área adjacente ao canal passa a
caracterizar feições geomorfológicas mais associadas a ambientes de planície. Em relação a
curva de freqüência para a seção Porto Bananeira, esta se apresenta relativamente simples,
porém a quebra que representa o valor de cota de 7,18 m se destaca na curva, pois se encaixa
perfeitamente a passagem do escoamento sobre o patamar de mais ou menos 10m de extensão
na margem direita e próximo ao nível de transbordamento para a margem esquerda. Para tanto
é necessário que o rio apresente uma vazão de 5514 m3/s que de acordo com as informações
geradas pela curva de freqüência, apresenta uma recorrência de sete vezes a cada cem anos.
A seção de Porto Paraíso do Norte (Gráfico 43) apresenta uma morfologia com
tendência a retangular, canal encaixado e profundo com margens altas. A medida que as
margens se elevam o canal torna-se mais aberto e essa abertura do canal faz com que a curva
de freqüência das cotas seja menos vertical do que a maioria das outras seções, mostrando
nitidamente a evolução do preenchimento do canal pelo escoamento fluvial. À 10,3 m, 11,96
m e 12,76 m a curva apresenta quebras e uma inclinação maior e quando se compara essas
alturas com a morfologia do canal verifica-se que estes pontos revelam a abertura do canal
principalmente do lado da margem direita, isso por sua vez, reflete mudanças na curva como
74
pode ser verificado. A cota de maior importância para a seção de Porto Paraíso do Norte seria
a de 14 m que representa a cota de transbordamento do canal quando a vazão é de 5710 m3/s,
com um retorno de duas vezes em um século, ou melhor dizendo, uma vez a cada cinqüenta
anos.
O perfil transversal da seção de Novo Porto Taquara (Gráfico 44) exibe uma forma do
canal de certo modo retangular, profundo e com margens consideravelmente íngremes,
interrompidas em sua porção mais superior pelo desenvolvimento de dois diques marginais
em sua margem direita. A transposição do primeiro dique ocorre a cota de 9,84 m,
coincidindo com a primeira quebra da reta e tem uma recorrência de quatro vezes ao ano,
quando a vazão atinge 446 m3/s. O nível das águas atinge o segundo dique a 12 m de altura, a
partir de 3731 m3/s de vazão. Nesse sentido, do primeiro para o segundo dique tem-se a
inundação da planície por uma extensão de mais ou menos 30 m, nessa fase verifica-se
também que as cheias ocasionam o transbordamento sobre a margem esquerda. Esse processo
de transbordamento das águas por sua vez, ocorre em torno de cinco vezes a cada dez anos.
Acima de 12 m as cheias apresentam-se como eventos muito raros e principalmente as cheias
de 1983, 1993 e 1998 atingiram valores de cota que vão de 12 a 12, 59 m, sendo este último
valor a altura máxima registrada atingida pelo nível das águas para esta seção que
corresponde a passagem das águas sobre o segundo dique na margem direita. Para tanto, esse
valor de cota foi conseguido pela cheia de 1993 quando a vazão alcançou 5280 m3/s. Uma
cheia extraordinária como esta tem um retorno de apenas três vezes a cada cem anos,
podendo, portanto, ser considerada como um evento excepcionalmente raro ou até mesmo
fora de regra.
75
5
4,35m; 0,01 5
MD ME
4,5
4,5 4
Profundidade (m)
4,35m
3
4 2,5
cota
4,05m
2
cota
3,70m
1,5
3,5 cota mín.
1
4,05m; 0,03 0,5
0,98m
0
3
12
14
17
23
29
35
41
47
53
59
62
64
67
72
Distância (m)
Cota (m)
2,5
1,5
0,5
0
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
Freqüência em anos
Gráfico 37 - Recorrência das cota fluviométricas, estação Rio dos Patos
76
12
11,08m; 0,05
16
MD ME
14
12
10 11,24m; 0,02 8,82m; 0,59
cota 11,24m
Profundidade (m)
10
8
cota 8,82m
9,97m; 0,11 6
8 4
cota mín.
0,85m
2
0
cota (m)
12
16
26
38
50
62
74
86
95
103
113
129
145
161
177
193
Distância (m)
6
0
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
Freqüência em anos
’
Gráfico 38 - Recorrência das cotas fluviométricas, estação Tereza Cristina
77
12
10,41m; 0,14 16
MD ME
14
12
10 10
10,92m; 0,03
Profundidade (m)
8
cota máx.
6 10,92m
4
8 cota
10,41m
2
0
cota mín. -
0,17m
cota (m)
-2
6 -4
0
6
12
18
23
26
29
49
67
85
103
121
139
151
160
167
170
173
176
180
186
192
198
204
Distância (m)
-2
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
Freqüência em anos
7
6,55m; 0,03 12
MD ME
10
5,68m; 0,21 8
6 6
Profundidade (m)
2
6,55m
0
cota 5,97m
-2
5 -4
cota 5,68m
-6
-8
cota mín.
-10 0,45m
-12
4
0
8
13
15
17
21
26
28
31
33
47
61
75
89
103
117
131
145
159
173
174
179
181
186
188
190
192
194
197
201
cota (m)
Distância (m)
0
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
frequência em anos
Gráfico 40 - Recorrência das cotas fluviométricas, estação Ubá do Sul
79
9
14
MD ME
12
8 10
8,46m; 0,06 6,73m; 0,76
8
Profundade (m)
6
cota máx.
7 4
8,46m
2
cota 6,73m
0
-2
6 cota mín.
0,31m
-4
cota (m)
-6
0
10
16
19
22
27
31
44
74
104
134
164
194
224
254
265
268
271
276
280
283
287
305
5 Distância (m)
0
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
frequência em anos
9
8,07m;
14
0,04 12
MD ME
8 10
7,18m; 8
0,07
Profundade (m)
6
7 4
cota máx.
8,46m
2
cota 6,73m
0
6 -2
cota mín.
0,31m
-4
cota (m)
-6
0
10
16
19
22
27
31
44
74
104
134
164
194
224
254
265
268
271
276
280
283
287
305
5 5,87m; 0,71 Distância (m)
0
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
frequência em anos
Gráfico 42 - Recorrência das cotas fluviométricas, estação Porto Bananeira
81
16
14m; 0,02 16
MD ME
14
14 12,76m; 0,05 12
11,96m; cota máx.
10
0,30 14m
Profundidade (m)
8
cota
11,96m
12 6
4
cota
10,33m
12,25m; 0,14 2
cota mín.
0
0,39m
10
-2
10,33m; 1,19
0
2
6
12
18
24
29
31
33
35
36
46
66
86
106
126
156
176
196
216
236
256
266
267
269
271
274
278
282
284
286
289
Distância (m)
cota (m)
0
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
frequência
Gráfico 43 - Recorrência das cotas fluviométricas, estação Porto Paraíso do Norte
82
14
14
12m; 0,55 MD ME
12
10
12 8
Profundidade (m)
6 cota máx.
12,59m
12,59m; 0,03 4
cota 9,84m
2
10 0
cota mín.
-2 0,76m
-4
0
6
20
31
33
35
38
42
44
52
68
84
100
116
132
148
164
180
196
199
201
203
209
214
220
223
225
227
9,84m; 4,48
Distância (m)
8
cota (m)
0
0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 1000,00
Frequência em anos
Gráfico 44 - Recorrência das cotas fluviométricas, estação Novo Porto Taquara
83
12 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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88
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SUDERHSA. Dados hidrológicos do rio Ivaí: séries históricas das estações fluviométricas
(Porto Espanhol, Ubá do Sul e Vila Rica). 2003.
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
0
100
200
300
400
500
600
ANEXO
set/56 out/30
out/32
set/58 out/34
set/60 out/36
out/38
média
set/62 out/40
set/64 out/42
out/44
vazão média
set/66 out/46
out/48
set/68
out/50
set/70 out/52
desv. padr.+
out/54
set/72
out/56
set/74 out/58
out/60
set/76
desv padrão +
out/62
set/78 out/64
período
período
out/66
out/68
desv padrão -
out/78
set/88 out/80
out/82
set/90 out/84
set/92 out/86
out/88
set/94 out/90
set/96 out/92
out/94
set/98 out/96
set/00 out/98
out/00
set/02 out/02
91
]
3
vazão (m /s) 3
vazão (m /s)
0
300
600
900
1200
1500
0
200
400
600
800
1000
1200
jul/67
out/65
jul/68
out/66
jul/69 out/67
jul/70 out/68
jul/71 out/69
jul/72 out/70
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Gráfico 52 - Vazão média mensal do rio Ivaí – estação Novo Porto Taquara
out/88
Gráfico 51 - Vazão média mensal do rio Ivaí – estação Porto Paraíso do Norte
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