01 Lingua Portuguesa
01 Lingua Portuguesa
CONAB
Língua Portuguesa
Língua Portuguesa
Tipologia e gênero textual............................................................................................... 10
Coesão e coerência........................................................................................................ 19
Ortografia oficial.............................................................................................................. 27
Acentuação gráfica.......................................................................................................... 31
Pontuação....................................................................................................................... 40
Formação, classe e emprego de palavras...................................................................... 50
Significação de palavras................................................................................................. 70
Período composto por coordenação e subordinação...................................................... 78
Concordância nominal e verbal....................................................................................... 85
Regência nominal e verbal.............................................................................................. 92
Emprego do sinal indicativo de crase.............................................................................. 99
Colocação pronominal..................................................................................................... 103
Ambiguidade na construção do texto.............................................................................. 108
Transitividade verbal....................................................................................................... 110
Produção textual utilizando a norma culta...................................................................... 115
Redação oficial................................................................................................................ 117
Questões......................................................................................................................... 131
Gabarito........................................................................................................................... 144
Compreensão, interpretação e reescrita de textos e de fragmentos de textos, com
domínio das relações morfossintáticas, semânticas, discursivas e argumentativas
A compreensão e a interpretação de textos são habilidades fundamentais para quem se prepara para con-
cursos públicos, exames escolares ou qualquer prova que envolva Língua Portuguesa. Dominar essas compe-
tências pode ser o diferencial entre uma boa e uma excelente pontuação, especialmente em provas que cobram
interpretação textual de forma intensa e minuciosa.
Mas qual é a verdadeira diferença entre compreensão e interpretação? Muitas vezes, esses dois conceitos
são tratados como sinônimos, mas possuem diferenças importantes. A compreensão envolve a habilidade de
entender o que o texto expressa de maneira clara e direta, ou seja, aquilo que está explícito na superfície das
palavras. É a capacidade de captar o significado literal das frases, ideias e argumentos apresentados pelo
autor. Já a interpretação vai além: é a habilidade de ler nas entrelinhas, de inferir significados ocultos e de
construir sentidos que não estão evidentes no texto, mas que podem ser deduzidos a partir do contexto, dos
detalhes e da experiência do leitor.
Desenvolver a habilidade de compreender e interpretar textos é uma tarefa que exige prática e dedicação.
Ao longo deste estudo, exploraremos as diferenças entre compreensão e interpretação, os tipos de linguagem
que influenciam a interpretação textual e o conceito de intertextualidade, que é quando um texto se relaciona
com outro para construir novos significados. Esses conhecimentos são essenciais para uma leitura mais apro-
fundada e para uma interpretação mais assertiva dos textos que aparecem em provas de concursos e avalia-
ções em geral.
Exemplo de compreensão:
Se o texto afirma: “Jorge era infeliz quando fumava”, a compreensão dessa frase nos leva a concluir apenas
o que está claramente dito: Jorge, em determinado período de sua vida em que fumava, era uma pessoa infeliz.
Por outro lado, a interpretação envolve a leitura das entrelinhas, a busca por sentidos implícitos e o esforço
para compreender o que não está diretamente expresso no texto. Essa habilidade requer do leitor uma análise
mais profunda, considerando fatores como contexto, intenções do autor, experiências pessoais e conhecimen-
tos prévios. A interpretação é a construção de significados que vão além das palavras literais, e isso pode envol-
ver deduzir informações não explícitas, perceber ironias, analogias ou entender o subtexto de uma mensagem.
Exemplo de interpretação:
Voltando à frase “Jorge era infeliz quando fumava”, a interpretação permite deduzir que Jorge provavelmen-
te parou de fumar e, com isso, encontrou a felicidade. Essa conclusão não está diretamente expressa, mas é
sugerida pelo contexto e pelas implicações da frase.
Em resumo, a compreensão é o entendimento do que está no texto, enquanto a interpretação é a habilidade
de extrair do texto o que ele não diz diretamente, mas sugere. Enquanto a compreensão requer uma leitura
atenta e literal, a interpretação exige uma leitura crítica e analítica, na qual o leitor deve conectar ideias, fazer
inferências e até questionar as intenções do autor.
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Ter consciência dessas diferenças é fundamental para o sucesso em provas que avaliam a capacidade
de lidar com textos, pois, muitas vezes, as questões irão exigir que o candidato saiba identificar informações
explícitas e, em outras ocasiões, que ele demonstre a capacidade de interpretar significados mais profundos e
complexos.
— Tipos de Linguagem
Para uma interpretação de textos eficaz, é fundamental entender os diferentes tipos de linguagem que
podem ser empregados em um texto. Conhecer essas formas de expressão ajuda a identificar nuances e
significados, o que torna a leitura e a interpretação mais precisas. Há três principais tipos de linguagem que
costumam ser abordados nos estudos de Língua Portuguesa: a linguagem verbal, a linguagem não-verbal e a
linguagem mista (ou híbrida).
Linguagem Verbal
A linguagem verbal é aquela que utiliza as palavras como principal meio de comunicação. Pode ser apre-
sentada de forma escrita ou oral, e é a mais comum nas interações humanas. É por meio da linguagem verbal
que expressamos ideias, emoções, pensamentos e informações.
Exemplos:
– Um texto de livro, um artigo de jornal ou uma conversa entre duas pessoas são exemplos de linguagem
verbal.
– Quando um autor escreve um poema, um romance ou uma carta, ele está utilizando a linguagem verbal
para transmitir sua mensagem.
Na interpretação de textos, a linguagem verbal é a que oferece o conteúdo explícito para compreensão e
análise. Portanto, ao se deparar com um texto em uma prova, é a partir da linguagem verbal que se começa o
processo de interpretação, analisando as palavras, as estruturas frasais e a coesão do discurso.
Linguagem Não-Verbal
A linguagem não-verbal é aquela que se comunica sem o uso de palavras. Ela faz uso de elementos visuais,
como imagens, cores, símbolos, gestos, expressões faciais e sinais, para transmitir mensagens e informações.
Esse tipo de linguagem é extremamente importante em nosso cotidiano, já que muitas vezes as imagens ou
os gestos conseguem expressar significados que palavras não conseguem capturar com a mesma eficiência.
Exemplos:
– Uma placa de trânsito que indica “pare” por meio de uma cor vermelha e um formato específico.
– As expressões faciais e gestos durante uma conversa ou em um filme.
– Uma pintura, um logotipo ou uma fotografia que transmitem sentimentos, ideias ou informações sem o uso
de palavras.
No contexto de interpretação, a linguagem não-verbal exige do leitor uma capacidade de decodificar men-
sagens que não estão escritas. Por exemplo, em uma prova que apresenta uma charge ou uma propaganda,
será necessário interpretar os elementos visuais para compreender a mensagem que o autor deseja transmitir.
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Exemplos:
– Histórias em quadrinhos, que utilizam desenhos (linguagem não–verbal) e balões de fala (linguagem ver-
bal) para narrar a história.
– Cartazes publicitários que unem imagens e slogans para atrair a atenção e transmitir uma mensagem ao
público.
– As apresentações de slides que combinam texto e imagens para tornar a explicação mais clara e interes-
sante.
A linguagem mista exige do leitor uma capacidade de integrar informações provenientes de diferentes fon-
tes para construir o sentido global da mensagem. Em uma prova, por exemplo, é comum encontrar questões
que apresentam textos e imagens juntos, exigindo que o candidato compreenda a interação entre a linguagem
verbal e não-verbal para interpretar corretamente o conteúdo.
— Intertextualidade
A intertextualidade é um conceito fundamental para quem deseja compreender e interpretar textos de ma-
neira aprofundada, especialmente em contextos de provas de concursos públicos. Trata-se do diálogo que um
texto estabelece com outros textos, ou seja, a intertextualidade ocorre quando um texto faz referência, de ma-
neira explícita ou implícita, a outro texto já existente. Esse fenômeno é comum na literatura, na publicidade, no
jornalismo e em diversos outros tipos de comunicação.
Definição de Intertextualidade
Intertextualidade é o processo pelo qual um texto se relaciona com outro, estabelecendo uma rede de sig-
nificados que enriquece a interpretação. Ao fazer referência a outro texto, o autor cria um elo que pode servir
para reforçar ideias, criticar, ironizar ou até prestar uma homenagem. Essa relação entre textos pode ocorrer
de várias formas e em diferentes graus de intensidade, dependendo de como o autor escolhe incorporar ou
dialogar com o texto de origem.
O conceito de intertextualidade sugere que nenhum texto é completamente original, pois todos se alimen-
tam de outros textos e discursos que já existem, criando um jogo de influências, inspirações e referências.
Portanto, a compreensão de um texto muitas vezes se amplia quando reconhecemos as conexões intertextuais
que ele estabelece.
Tipos de Intertextualidade
A intertextualidade pode ocorrer de diferentes formas. Aqui estão os principais tipos que você deve conhe-
cer:
– Citação: É a forma mais explícita de intertextualidade. Ocorre quando um autor incorpora, de forma literal,
uma passagem de outro texto em sua obra, geralmente colocando a citação entre aspas ou destacando-a de
alguma maneira.
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Exemplo: Em um artigo científico, ao citar um trecho de uma obra de um pesquisador renomado, o autor
está utilizando a intertextualidade por meio da citação.
– Paráfrase: Trata-se da reescritura de um texto ou trecho de forma diferente, utilizando outras palavras,
mas mantendo o mesmo conteúdo ou ideia central do original. A paráfrase respeita o sentido do texto base,
mas o reinterpreta de forma nova.
Exemplo: Um estudante que lê um poema de Carlos Drummond de Andrade e reescreve os versos com
suas próprias palavras está fazendo uma paráfrase do texto original.
– Paródia: Nesse tipo de intertextualidade, o autor faz uso de um texto conhecido para criar um novo texto,
mas com o objetivo de provocar humor, crítica ou ironia. A paródia modifica o texto original, subvertendo seu
sentido ou adaptando-o a uma nova realidade.
Exemplo: Uma música popular que é reescrita com uma nova letra para criticar um evento político recente
é um caso de paródia.
– Alusão: A alusão é uma referência indireta a outro texto ou obra. Não é citada diretamente, mas há indí-
cios claros que levam o leitor a perceber a relação com o texto original.
Exemplo: Ao dizer que “este é o doce momento da maçã”, um texto faz alusão à narrativa bíblica de Adão
e Eva, sem mencionar explicitamente a história.
– Pastiche: É um tipo de intertextualidade que imita o estilo ou a forma de outro autor ou obra, mas sem a
intenção crítica ou irônica que caracteriza a paródia. Pode ser uma homenagem ou uma maneira de incorporar
elementos de uma obra anterior em um novo contexto.
Exemplo: Um romance que adota o estilo narrativo de um clássico literário como “Dom Quixote” ou “A Divi-
na Comédia” para contar uma história contemporânea.
A Função da Intertextualidade
A intertextualidade enriquece a leitura, pois permite que o leitor estabeleça conexões e compreenda melhor
as intenções do autor. Ao perceber a referência a outro texto, o leitor amplia seu entendimento e aprecia o novo
sentido que surge dessa relação. Além disso, a intertextualidade contribui para criar um diálogo entre diferentes
obras, épocas, autores e gêneros, tornando a literatura e outros tipos de textos mais dinâmicos e multifaceta-
dos.
Em provas de concursos públicos, questões de intertextualidade costumam explorar a capacidade do can-
didato de identificar essas referências e entender como elas influenciam o sentido do texto. A habilidade de re-
conhecer citações, alusões, paródias e outras formas de intertextualidade é, portanto, uma competência valiosa
para quem busca se destacar em exames que avaliam a interpretação de textos.
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– Preste atenção a citações e alusões: Fique atento a trechos que parecem ecoar outras obras ou expres-
sões conhecidas.
– Observe o tom e a intenção do autor: Analise se a referência tem um caráter humorístico, crítico ou de
homenagem. Isso ajuda a identificar se é uma paródia, citação, alusão, etc.
– Leia com atenção os títulos e epígrafes: Muitas vezes, os títulos de textos ou as frases introdutórias
(epígrafes) trazem referências explícitas a outras obras.
Compreender a intertextualidade é fundamental para interpretar textos de maneira mais completa e apro-
fundada. Ao perceber o diálogo que um texto estabelece com outros, o leitor consegue captar os múltiplos
significados e enriquecer sua análise, o que é uma habilidade valiosa tanto para provas quanto para a leitura
crítica em geral.
Faça Inferências
A interpretação de textos muitas vezes requer que o leitor vá além do que está explícito e faça inferências,
ou seja, deduções baseadas nas informações fornecidas pelo texto. Para isso, é importante juntar pistas, pala-
vras e contextos que o autor utiliza para chegar a conclusões não ditas diretamente. Uma boa prática é ques-
tionar: “O que o autor quer dizer com isso?” ou “Qual é a intenção por trás desta afirmação?”.
Exemplo: Se um texto diz: “Ele olhou para o céu e pegou seu guarda-chuva”, você pode inferir que prova-
velmente vai chover, mesmo que o texto não diga isso diretamente.
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Entenda o Contexto
Todo texto está inserido em um contexto, que pode ser histórico, cultural, social ou ideológico. Conhecer
esse contexto é essencial para interpretar corretamente o que o autor quer transmitir. Pesquise sobre o período
em que o texto foi escrito, o perfil do autor ou os eventos que influenciaram a obra. Isso pode oferecer insights
valiosos sobre as intenções do autor e o significado do texto.
Exemplo: Um texto produzido durante um período de guerra pode refletir ideias e valores diferentes de um
texto escrito em tempos de paz, e esse contexto é importante para interpretar a mensagem corretamente.
Questione o Texto
Uma leitura crítica e reflexiva é fundamental para uma boa interpretação. Faça perguntas ao longo da lei-
tura: “Por que o autor usou este termo?”, “O que ele quer me convencer?”, “Existe alguma contradição aqui?”,
“O autor tem um posicionamento ou opinião?”. Ao questionar o texto, você desenvolve uma interpretação mais
aprofundada e se torna um leitor mais ativo.
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Além disso, oferecemos dicas práticas para aprimorar a habilidade de interpretação, reforçando a necessi-
dade de atenção, reflexão e a aplicação de técnicas de leitura que ajudam a identificar ideias principais, con-
textos e inferências. Essas estratégias são fundamentais para decifrar mensagens explícitas e implícitas, bem
como para perceber nuances que enriquecem a análise de qualquer texto.
Desenvolver a capacidade de interpretar textos é um processo contínuo que exige prática e dedicação. Ao
se aprofundar nesses aspectos e aplicar as estratégias sugeridas, o leitor se torna mais crítico e eficiente na
compreensão de mensagens, o que é um diferencial não apenas em provas e concursos, mas também em to-
das as situações que demandam uma leitura cuidadosa e reflexiva. A interpretação de textos, portanto, é uma
ferramenta poderosa que, quando dominada, abre portas para o conhecimento e para o êxito em diversas áreas
da vida.
Reescrita de texto
A reescrita é tão importante quanto a escrita, visto que, dificilmente, para os escritores mais cuidadosos,
chegamos ao resultado que julgamos ideal na primeira tentativa. Aquele que observa um resultado ruim na
primeira versão que escreveu terá, na reescrita, a possibilidade de alcançar um resultado satisfatório.
A reescrita é um processo mais trabalhoso do que a revisão, pois, nesta, atenta-se apenas aos pequenos
detalhes, cuja ausência não implicaria em uma dificuldade do leitor para compreender o texto.
Quando reescrevemos, refazemos nosso texto, é um processo bem mais complexo; parte do pressuposto
de que o autor tenha observado aquilo que está ruim para que, posteriormente, possa melhorar seu texto até
chegar a uma versão final, livre dos erros iniciais. Além de aprimorar a leitura, a reescrita auxilia a desenvolver
e melhorar a escrita, ajudando o aluno-escritor a esclarecer melhor seus objetivos e razões para a produção
de textos.
Nessa perspectiva, esse autor considera que reescrever seja um processo de descoberta da escrita pelo
próprio autor, que passa a enfocá-la como forma de trabalho, auxiliando o desenvolvimento do processo de
escrever do aluno.
Graus de Formalismo
São muitos os tipos de registros quanto ao formalismo, tais como:
– Registro formal: que é uma linguagem mais cuidada;
– Coloquial, que não tem um planejamento prévio, caracterizando-se por construções gramaticais mais
livres, repetições frequentes, frases curtas e conectores simples;
– Informal, que se caracteriza pelo uso de ortografia simplificada e construções simples (geralmente usado
entre membros de uma mesma família ou entre amigos).
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As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação de comuni-
cação; com o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal ou escrito; com a sintonia entre inter-
locutores, que envolve aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade (domínio de um vocabulário
específico de algum campo científico, por exemplo).
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– Inclusive (a não ser quando significa incluindo-se).
Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também.
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– No sentido de, com vistas a.
Opção: a fim de, para, com a finalidade de, tendo em vista.
– Pois (no início da oração).
Opção: já que, porque, uma vez que, visto que.
– Principalmente.
Opção: especialmente, sobretudo, em especial, em particular.
O estudo dos tipos e gêneros textuais é fundamental para a compreensão e produção de textos em diversas
situações comunicativas, sendo um tema recorrente em provas de concursos públicos. Ao compreender esses
conceitos, o candidato adquire a capacidade de interpretar de forma mais eficaz os diferentes textos que encon-
trará, além de aprimorar sua habilidade de redigir conforme as exigências de cada situação.
Os tipos textuais referem-se a estruturas mais amplas e fixas que caracterizam a forma como o conteúdo
é apresentado, como o narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo e injuntivo. Já os gêneros
textuais são as variadas manifestações desses tipos, adaptando-se ao contexto social, à finalidade e ao meio
de comunicação, como notícias, editoriais, cartas de opinião, entre outros.
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Características principais:
– Uso predominante de verbos no modo imperativo e em formas que expressam obrigação ou instrução
(futuro do presente, por exemplo).
– A linguagem é direta e objetiva, com frases curtas e claras.
– A presença de marcas de interlocução, como pronomes e verbos em segunda pessoa, é comum para
estabelecer uma relação de diálogo com o leitor.
– Exemplos de gêneros textuais injuntivos: receitas culinárias, bulas de remédio, manuais de instrução,
regulamentos e editais.
– Características principais:
– Apresenta uma estrutura clara, com introdução, desenvolvimento e conclusão.
– Uso de linguagem formal, objetiva e impessoal.
– O verbo é empregado predominantemente no presente, e a organização das ideias segue uma sequência
lógica e ordenada.
Exemplos de gêneros textuais expositivos: enciclopédias, artigos científicos, verbetes de dicionário, pa-
lestras e entrevistas.
Características principais:
– Estrutura típica com introdução (apresentação da tese), desenvolvimento (argumentos) e conclusão (re-
forço ou síntese da ideia principal).
– Presença de elementos que visam convencer o leitor, como citações, dados estatísticos, exemplos e
comparações.
– Uso de verbos no presente, em primeira ou terceira pessoa, dependendo do grau de formalidade.
Exemplos de gêneros textuais dissertativo-argumentativos: artigos de opinião, editoriais, ensaios, re-
senhas e cartas argumentativas.
– Características principais:
– Presença de personagens, narrador, enredo, tempo e espaço.
– Uso predominante de verbos no pretérito, que conferem a ideia de acontecimentos já ocorridos.
– Pode adotar diferentes tipos de narrador, como o narrador em primeira pessoa (participa da história) ou o
narrador em terceira pessoa (observador ou onisciente).
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Exemplos de gêneros textuais narrativos: contos, romances, fábulas, crônicas e lendas.
Características principais:
– Uso de adjetivos e locuções adjetivas: Proporcionam detalhes sobre características físicas ou emocio-
nais do que está sendo descrito.
– Verbos de ligação: Verbos como “ser”, “estar” e “parecer” são frequentes, pois ajudam a conectar as
características ao objeto descrito.
– Detalhamento minucioso: Enumeração de características que podem incluir cor, forma, tamanho, textu-
ra, cheiro e emoções, tornando a descrição rica e detalhada.
– Estilo estático: A descrição não envolve ação ou movimento; o foco é a apresentação das características.
– Exemplos de uso: Biografias, descrições em romances, relatórios técnicos e anúncios de classificados.
Exemplo prático: “A casa era pequena, de paredes brancas, janelas azuis e telhado vermelho. O jardim à
frente era bem cuidado, com flores amarelas e rosas que exalavam um perfume suave.”
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Características principais:
– Uso de verbos no modo imperativo: O uso de verbos como “faça”, “coloque”, “misture” é frequente,
indicando instruções claras e diretas.
– Frases curtas e objetivas: O texto é conciso e vai direto ao ponto, facilitando a compreensão do leitor.
– Linguagem clara e prática: Evita ambiguidades e busca a eficiência na comunicação.
– Exemplos de uso: Receitas de culinária, manuais de instruções, leis, regulamentos e bulas de remédio.
Exemplo prático: “Misture a farinha e o fermento em uma tigela. Adicione o leite aos poucos, mexendo bem
para não formar grumos. Cozinhe em fogo baixo até engrossar.”
Características principais:
– Organização lógica: O texto geralmente é estruturado com introdução, desenvolvimento e conclusão,
apresentando o tema de maneira ordenada.
– Linguagem clara e objetiva: Não há subjetividade ou opiniões pessoais; o foco é fornecer informações
de forma neutra.
– Presença de exemplos, definições e explicações: Para facilitar a compreensão do leitor, o autor utiliza
recursos que ajudam a esclarecer o tema.
– Exemplos de uso: Textos didáticos, verbetes de dicionário, palestras, conferências e resumos.
Exemplo prático: “A água é uma substância composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio
(H2O). Ela é essencial para a vida e cobre cerca de 71% da superfície do planeta.”
Características principais:
– Estrutura bem definida: Composto por introdução (apresentação da tese), desenvolvimento (apresenta-
ção dos argumentos) e conclusão (reforço da tese ou proposta de solução).
– Uso de recursos argumentativos: Inclui citações, exemplos, comparações, dados estatísticos e contra-
-argumentos para fundamentar a tese.
– Linguagem formal e objetiva: O texto deve ser claro, coerente e evitar gírias ou expressões coloquiais.
– Exemplos de uso: Redações de concursos, artigos de opinião, editoriais, ensaios e monografias.
Exemplo prático: “A educação é a chave para o desenvolvimento de um país. Investir em escolas e for-
mação de professores é fundamental para garantir um futuro próspero, pois é através do conhecimento que se
forma uma sociedade consciente e preparada para os desafios do mundo moderno.”
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Tipo Textual Narrativo
O tipo textual narrativo conta uma história, real ou fictícia, envolvendo personagens, acontecimentos, tempo
e espaço. É muito utilizado em textos literários, mas também pode aparecer em relatos de experiências, ane-
dotas, notícias e biografias.
Características principais:
– Presença de enredo: A narrativa possui uma sequência de eventos que formam a trama da história.
– Elementos essenciais: Envolve personagens, tempo (quando a história acontece), espaço (onde ocor-
re), narrador (quem conta a história) e conflito (problema ou situação a ser resolvida).
– Uso de verbos no passado: O tempo verbal predominante é o pretérito, pois as ações narradas geral-
mente já ocorreram.
– Exemplos de uso: Contos, romances, crônicas, lendas e notícias.
Exemplo prático: “João sempre sonhou em ser piloto. Desde criança, colecionava aviõezinhos de papel
e passava horas imaginando-se voando pelo céu. Um dia, decidiu que era hora de transformar seu sonho em
realidade e se inscreveu em uma escola de aviação.”
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Características dos Gêneros Textuais
– Variabilidade e adaptabilidade: Os gêneros textuais são variados e se adaptam a diferentes situações
comunicativas, podendo surgir novos gêneros ou modificações nos já existentes.
– Função social: Cada gênero textual cumpre uma função social, seja informar, persuadir, instruir, divertir
ou expressar sentimentos.
– Estrutura e linguagem específicas: Embora sejam flexíveis, os gêneros possuem características estru-
turais e linguísticas próprias que os identificam, como o formato, o estilo e o vocabulário.
– Contexto e intencionalidade: A escolha de um gênero textual depende do contexto de comunicação e
da intenção do emissor, ou seja, do objetivo que se quer alcançar com o texto.
– Gêneros Descritivos
Os gêneros descritivos são aqueles em que a descrição é a principal característica. Esses gêneros buscam
retratar objetos, lugares, pessoas, sentimentos ou situações de forma detalhada, permitindo que o leitor forme
uma imagem clara do que está sendo apresentado.
– Gêneros Injuntivos
Os gêneros injuntivos visam instruir, orientar ou ordenar o leitor a realizar uma determinada ação. Eles apre-
sentam informações de forma clara e objetiva, com o uso frequente de verbos no modo imperativo.
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– Gêneros Expositivos
Os gêneros expositivos têm como principal objetivo informar ou explicar um determinado assunto ao leitor,
de forma clara, objetiva e imparcial, sem a intenção de influenciar ou persuadir.
– Gêneros Dissertativo-Argumentativos
Os gêneros dissertativo-argumentativos são utilizados quando o objetivo é apresentar um ponto de vista,
discutir um tema e convencer o leitor de determinada opinião, utilizando argumentos bem fundamentados.
– Gêneros Narrativos
Os gêneros narrativos são aqueles que apresentam uma sequência de eventos, reais ou fictícios, envolven-
do personagens, tempo e espaço. Nesses gêneros, há um enredo que guia a narrativa, e o leitor acompanha o
desenvolvimento dos fatos.
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Compreender os gêneros textuais é essencial para aprimorar a capacidade de interpretar e produzir textos
em diferentes contextos comunicativos. Cada gênero cumpre uma função específica e se adapta às necessi-
dades de interação social, permitindo que as mensagens sejam transmitidas de forma eficaz. Ao dominar os
gêneros textuais e suas características, o leitor e o escritor ganham habilidades que vão além do conhecimento
teórico, desenvolvendo a competência necessária para se comunicar com clareza e objetividade em qualquer
situação, especialmente em provas e concursos públicos.
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Diferenças Fundamentais Entre Tipos e Gêneros Textuais
Por exemplo:
– Em uma prova de redação que pede um artigo de opinião, é esperado que o candidato utilize o tipo disser-
tativo–argumentativo, apresentando uma tese, argumentos e conclusão. Ao mesmo tempo, deve adequar–se
às características específicas do gênero “artigo de opinião”, como a exposição de seu ponto de vista sobre um
tema atual e relevante.
– Já em uma questão que solicita a análise de uma notícia, o candidato deve reconhecer que se trata de
um gênero predominantemente expositivo, mas que pode incorporar elementos narrativos para relatar os fatos.
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Enquanto os tipos textuais fornecem um arcabouço teórico e estruturado para a organização de textos, os
gêneros textuais se manifestam na prática comunicativa, adaptando-se às diferentes demandas da sociedade
e aos diversos meios de comunicação. Compreender essas diferenças é fundamental para interpretar, analisar
e produzir textos de forma eficaz, especialmente em contextos formais, como provas e concursos, onde a ha-
bilidade de identificar e utilizar corretamente os tipos e gêneros textuais pode ser determinante para o sucesso
do candidato.
— Conclusão
Compreender a diferença e a inter-relação entre tipos e gêneros textuais é fundamental para desenvolver
uma leitura crítica e produzir textos de forma eficiente, especialmente em contextos de concursos públicos e
exames. Enquanto os tipos textuais oferecem uma base estrutural fixa e padronizada, orientando a forma e a
finalidade de um texto, os gêneros textuais representam as diversas manifestações práticas dessa estrutura,
adaptando-se ao contexto social, à intenção do autor e ao meio de circulação.
A capacidade de reconhecer e aplicar os conceitos de tipos e gêneros textuais contribui significativamente
para a interpretação de questões, compreensão de textos e elaboração de redações, tornando-se um diferen-
cial importante na preparação para provas. Ao dominar essas noções, o candidato amplia sua habilidade de co-
municação e sua competência textual, atributos essenciais não apenas para o sucesso em avaliações formais,
mas também para a atuação efetiva em diferentes situações da vida cotidiana e profissional.
Em resumo, o conhecimento sobre tipos e gêneros textuais possibilita uma visão mais ampla e aprofundada
da língua portuguesa, permitindo uma interação mais consciente, eficaz e estratégica com os textos que circu-
lam em nossa sociedade.
Coesão e coerência
A produção de um texto claro, organizado e compreensível é uma habilidade fundamental em diversos con-
textos, especialmente em provas de concursos públicos e na comunicação escrita em geral. Para alcançar esse
objetivo, é essencial compreender e aplicar os mecanismos de coesão e coerência, que são elementos-chave
na construção de um discurso eficaz.
A coesão refere-se à forma como as partes do texto – palavras, expressões, frases e parágrafos – se conec-
tam por meio de elementos linguísticos, criando uma estrutura lógica e articulada. Sem coesão, o leitor enfrenta
dificuldades para compreender o encadeamento das ideias, prejudicando a fluidez do texto. Por outro lado, a
coerência está relacionada ao sentido global do texto, ou seja, à capacidade de manter uma unidade de signi-
ficado, garantindo que as informações apresentadas sejam relevantes e estejam em harmonia.
Enquanto a coesão é comparada a uma “cola” que une as partes do texto por meio de conectores, prono-
mes, advérbios e outros elementos, a coerência é a “alma” que dá sentido ao conjunto, assegurando que a
mensagem transmitida faça sentido para o leitor. Ambas são fundamentais para a produção de um texto efi-
ciente e persuasivo.
— Coesão Textual
A coesão textual é um dos principais mecanismos que garantem a conexão entre as partes de um texto,
estabelecendo relações lógicas e estruturais entre as palavras, frases e parágrafos. Ela possibilita ao leitor
compreender como as ideias se organizam, criando uma sensação de continuidade e fluidez na leitura. Sem a
coesão, o texto se torna fragmentado, e o leitor encontra dificuldades para acompanhar o raciocínio do autor.
Definição de Coesão
A coesão pode ser entendida como a articulação dos elementos linguísticos que fazem com que as partes
de um texto se relacionem entre si de forma clara e lógica. É por meio da coesão que o autor consegue construir
frases e parágrafos que não apenas fazem sentido individualmente, mas que também se conectam, formando
uma unidade textual maior e coerente.
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Tipos de Coesão
Para que o texto seja coeso, é necessário utilizar diferentes recursos linguísticos que assegurem a ligação
entre as ideias. Esses recursos podem ser classificados em quatro principais tipos:
– Coesão Referencial: refere-se ao uso de pronomes, sinônimos ou expressões que retomam ou anteci-
pam elementos do texto, evitando repetições desnecessárias e estabelecendo ligações entre as informações.
Exemplo: “Maria foi à festa, ela se divertiu muito.” Nesse caso, o pronome “ela” retoma a referência a “Ma-
ria”, garantindo a coesão referencial.
– Coesão Sequencial: trata-se do uso de conectores e elementos de transição que indicam a progressão
das ideias e a relação entre as diferentes partes do texto, como conjunções, advérbios e expressões que mar-
cam a continuidade, oposição, causa, conclusão, etc.
Exemplo: “Primeiramente, estudou os conceitos teóricos; em seguida, aplicou-os na prática”. Aqui, as ex-
pressões “primeiramente” e “em seguida” criam uma sequência lógica no desenvolvimento das ações.
– Coesão Lexical: é a forma como o vocabulário é utilizado para conectar as partes do texto, por meio de
repetição, substituição por sinônimos, hiperônimos e hipônimos, ou termos relacionados. Esse tipo de coesão
enriquece o texto, evitando repetições e contribuindo para a variedade vocabular.
Exemplo: “O cachorro correu pelo parque. O animal parecia feliz ao sentir a liberdade do espaço.” neste
caso, “o cachorro” e “o animal” são termos que se referem à mesma entidade, mantendo a coesão lexical.
– Coesão Gramatical: refere-se ao uso correto de estruturas gramaticais, como concordância verbal e no-
minal, tempos verbais e preposições, que asseguram a harmonia e a ligação entre as partes do texto.
Exemplo: “Os alunos terminaram o exercício e entregaram-no ao professor”. A concordância e a estrutura
gramatical correta contribuem para a coesão do enunciado.
– Texto Coeso:
Exemplo: “Ana estudou para a prova. Ela revisou todos os tópicos, fez exercícios e se sentiu preparada. Por
isso, no dia da avaliação, estava confiante.”
Nesse texto, a coesão é garantida pelo uso dos pronomes “ela” e “se”, da conjunção “por isso”, e pela repe-
tição controlada de elementos relacionados ao estudo e à preparação de Ana.
– Texto Incoeso:
Exemplo: “Carlos comprou um carro novo. Ele gosta de pizza. Amanhã vai viajar.”
Aqui, falta coesão porque não há elementos conectores que indiquem a relação entre as informações. O
texto parece uma série de frases desconexas, sem um fio condutor.
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– Varie o vocabulário: Substitua palavras repetidas por sinônimos ou termos relacionados para enriquecer
o texto e manter a conexão entre as informações.
– Observe a concordância e a estrutura gramatical: Assegure-se de que os elementos do texto concor-
dam entre si e seguem uma estrutura lógica e gramaticalmente correta.
A coesão textual, portanto, é um dos pilares que sustentam a clareza e a organização de um texto. Quando
bem utilizada, torna a leitura mais agradável e facilita a compreensão, desempenhando um papel fundamental
na construção de um discurso eficaz e persuasivo.
— Coerência Textual
A coerência textual é um princípio fundamental para a produção de textos bem estruturados e compreensí-
veis, pois garante que as ideias apresentadas formem um todo lógico e com sentido. Enquanto a coesão se pre-
ocupa com a ligação entre as partes do texto por meio de elementos linguísticos, a coerência está relacionada
ao conteúdo e à forma como as informações se organizam, possibilitando que o leitor compreenda a mensagem
transmitida pelo autor.
Definição de Coerência
A coerência pode ser definida como a capacidade de um texto de manter uma unidade de sentido, garan-
tindo que as ideias se relacionem de forma lógica e consistente. É o que permite ao leitor identificar a intenção
do autor e compreender a relação entre os diferentes elementos do texto, como personagens, fatos, ideias e
argumentos. Um texto coerente não apenas apresenta informações de maneira clara e organizada, mas tam-
bém estabelece uma conexão entre elas, formando um todo harmonioso.
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– Consistência de Informações: para manter a coerência, é necessário que as informações sejam consis-
tentes e não se contradigam ao longo do texto. Contradições internas comprometem o entendimento e geram
confusão no leitor.
Exemplo: Um texto que, inicialmente, afirma que “João é um profissional pontual” e, mais adiante, diz que
“João sempre se atrasa para o trabalho” apresenta uma incoerência interna que prejudica a compreensão.
Conhecimento Compartilhado: a coerência também depende da adequação do texto ao conhecimento
prévio do leitor. O autor deve considerar o que o leitor já sabe ou precisa saber para entender a mensagem.
Se um texto aborda conceitos complexos sem explicá-los adequadamente, a coerência pode ser prejudicada.
Exemplo: Em um texto científico, é importante definir os termos técnicos utilizados para que o leitor consiga
acompanhar a argumentação e compreender o conteúdo apresentado.
– Texto Coerente:
“João acordou cedo, tomou café e saiu para trabalhar. No caminho, encontrou um amigo e conversou por
alguns minutos. Ao chegar ao trabalho, começou suas atividades.”
O texto é coerente porque as ações de João seguem uma sequência lógica e natural, permitindo que o leitor
compreenda o que aconteceu.
– Texto Incoerente:
“João acordou cedo, tomou café e saiu para trabalhar. Comprou um carro novo, que já estava em sua gara-
gem há anos, e continuou caminhando para o trabalho.”
- O texto apresenta incoerência porque há uma contradição temporal: João não poderia comprar um carro
que já possuía. Além disso, a ideia de “continuar caminhando” após comprar um carro é ilógica.
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— Coesão e Coerência na Prática: Exemplos
Para compreender como a coesão e a coerência atuam na construção de um texto, é importante analisar
exemplos práticos que evidenciam esses mecanismos em diferentes contextos. A prática desses conceitos é o
que diferencia um texto bem estruturado de um texto que apresenta dificuldades de entendimento. Vamos ex-
plorar exemplos que mostram como a coesão e a coerência podem estar presentes ou ausentes em um texto,
destacando sua importância para a comunicação eficiente.
Exemplo:
”Marcos decidiu começar a praticar esportes para melhorar sua saúde. Ele optou por correr três vezes por
semana e, aos poucos, percebeu que sua resistência física aumentava. Como resultado, sentiu-se mais dis-
posto em seu dia a dia e decidiu participar de uma corrida de 10 km. A prática regular de exercícios, portanto,
trouxe benefícios significativos para sua vida.”
– Análise: O texto é coeso, pois utiliza conectores como “e”, “como resultado” e “portanto” para articular as
ideias. Além disso, mantém a coerência, já que as informações apresentadas seguem uma sequência lógica,
desde a decisão de praticar esportes até os benefícios alcançados.
Exemplo:
”Carlos comprou um livro sobre culinária e decidiu experimentar novas receitas. No entanto, o livro ficou
parado na estante, pois o tempo estava frio e ele precisava viajar no dia seguinte. Em contrapartida, preparou
um bolo de chocolate e se lembrou de que não gostava de futebol.”
– Análise: Embora o texto utilize elementos de coesão como “no entanto” e “em contrapartida”, a sequência
das ideias não faz sentido. As informações sobre o tempo frio, a viagem e a lembrança sobre futebol não têm
relação com a compra do livro ou com a decisão de preparar um bolo. Portanto, apesar da coesão, o texto é
incoerente.
Exemplo:
”Acordou cedo. Café na mesa. Pôs o casaco. Saiu para o trabalho. Chegou ao escritório, ligou o computa-
dor. Iniciou as tarefas do dia.”
– Análise: O texto não apresenta conectores como “então”, “depois” ou “em seguida”, o que demonstra falta
de coesão no sentido estrito. No entanto, é totalmente coerente, pois as ações seguem uma sequência lógica
e natural, permitindo que o leitor compreenda o que aconteceu.
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Comparação entre Textos Coesos e Coerentes vs. Incoerentes e Incoesos
Para destacar a diferença entre textos que são coesos e coerentes e aqueles que não são, vejamos dois
exemplos em paralelo:
– Texto Coeso e Coerente:
“Ana estuda todas as noites para o vestibular, pois sabe que é importante se preparar. Além disso, ela or-
ganiza seu tempo para descansar e se alimentar bem, pois acredita que um corpo saudável ajuda no aprendi-
zado.”
- Aqui, há coesão pelo uso de conectores como “pois” e “além disso”, e coerência, pois as ações de Ana
estão relacionadas ao seu objetivo de se preparar para o vestibular.
Exemplo Incoerente:
“O acesso à educação de qualidade é um direito fundamental. Por outro lado, os carros são vermelhos, e os
cães dormem à tarde. Então, é necessário que o governo invista em infraestrutura.”
Apesar da presença de conectores, o texto é incoerente, pois as ideias não se relacionam de forma lógica.
A prática da coesão e da coerência é crucial para garantir que um texto atinja seu propósito comunicativo,
seja ele informativo, argumentativo ou narrativo. Ao dominar esses mecanismos, o autor consegue produzir
textos claros, fluentes e capazes de transmitir mensagens de forma eficaz. A coesão assegura que as frases
e parágrafos estejam bem conectados, enquanto a coerência garante que o texto faça sentido como um todo.
Dessa forma, é importante que quem escreve revise seu texto com atenção, verificando se as ideias se
conectam de maneira lógica e se os elementos de coesão foram utilizados de forma adequada, garantindo a
clareza e a eficiência da mensagem transmitida ao leitor.
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Use Conectores Adequados
Os conectores são palavras ou expressões que estabelecem relações lógicas entre as ideias do texto, como
adição, causa, consequência, oposição e conclusão. Utilizá-los corretamente contribui para a coesão e auxilia
na orientação do leitor ao longo do texto.
– Conectores de adição: e, além disso, também, bem como, ainda, da mesma forma.
– Conectores de oposição: mas, porém, entretanto, no entanto, todavia, por outro lado.
– Conectores de causa: porque, pois, devido a, por causa de.
– Conectores de consequência: portanto, assim, por isso, logo, consequentemente.
– Conectores de conclusão: em resumo, em conclusão, finalmente, por fim.
Dica: Não exagere no uso de conectores para não tornar o texto artificial. Utilize-os de forma equilibrada
para que a leitura flua naturalmente.
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– Exemplo de incoerência: João decidiu economizar dinheiro. Por isso, comprou um carro novo.
– Revisado para coerência: João decidiu economizar dinheiro. Por isso, adiou a compra de um carro novo.
Dica: Sempre revise o texto para verificar se as informações e os argumentos apresentados se complemen-
tam e fazem sentido dentro do contexto.
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— Conclusão
A coesão e a coerência são elementos essenciais para a construção de um texto claro, estruturado e capaz
de transmitir a mensagem de forma eficaz. Enquanto a coesão assegura a ligação entre as partes do texto por
meio de conectores, pronomes e outros recursos linguísticos, a coerência garante que as ideias apresentadas
façam sentido e estejam em harmonia, criando uma unidade de significado.
Ao longo deste estudo, exploramos a definição, a importância e os mecanismos de coesão e coerência,
bem como exemplos práticos que demonstram a aplicação correta e incorreta desses conceitos. Observamos
que, mesmo que um texto seja coeso, ele pode não ser coerente, e vice-versa, reforçando a necessidade de se
trabalhar ambas as habilidades em conjunto para garantir uma comunicação escrita eficaz.
Em contextos como provas de concursos públicos, redações e outras situações em que a clareza e a pre-
cisão da linguagem são fundamentais, dominar os mecanismos de coesão e coerência torna-se um diferencial
importante. A prática constante, a revisão atenta e a aplicação das dicas apresentadas são passos essenciais
para aprimorar essas habilidades e garantir que seus textos alcancem o objetivo desejado.
Em suma, a coesão e a coerência formam a base de um texto bem elaborado. Elas são o que diferencia
uma simples sequência de frases de um discurso eficaz, capaz de engajar o leitor e transmitir a mensagem com
clareza e precisão. Portanto, compreender e aplicar esses conceitos é indispensável para qualquer pessoa que
busca se comunicar de maneira eficiente e alcançar excelência em suas produções textuais.
Ortografia oficial
A ortografia oficial da Língua Portuguesa passou por importantes mudanças com a implantação do Acordo
Ortográfico, cujo objetivo principal é padronizar a escrita nos países que têm o português como idioma oficial,
como Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, entre outros. As alterações propostas afetam aspectos como o
uso de acentos, o emprego do hífen, a inclusão de letras no alfabeto e a eliminação do trema. Por isso, a com-
preensão dessas regras é essencial para a escrita correta, sobretudo para candidatos que prestam concursos
públicos, já que uma das habilidades mais valorizadas nesses certames é o domínio da norma culta da língua.
O desconhecimento das mudanças pode levar a erros que comprometem a clareza e a credibilidade do
texto. Desta forma, o entendimento e a prática das novas regras ortográficas são imprescindíveis para garantir
precisão e adequação ao padrão linguístico atual. Este material tem como finalidade apresentar, de maneira
clara e objetiva, as principais mudanças ortográficas, oferecendo um guia completo que aborda desde as alte-
rações no alfabeto até as regras de acentuação e uso do hífen, buscando sanar dúvidas comuns e auxiliar no
preparo para provas e situações formais que exigem o uso correto da língua.
Na sequência, serão detalhadas as alterações ocorridas, com explicações e exemplos práticos que facilita-
rão o entendimento e a aplicação das novas regras.
— Mudanças no Alfabeto
Uma das primeiras alterações trazidas pelo Acordo Ortográfico foi a reintrodução das letras K, W e Y no alfa-
beto da Língua Portuguesa, expandindo-o para um total de 26 letras. Antes da reforma, essas letras eram consi-
deradas estrangeiras e, portanto, seu uso era restrito a situações específicas, como em nomes próprios, siglas
e estrangeirismos. Com a nova ortografia, essas letras passaram a ser oficialmente reconhecidas e integradas
ao alfabeto, o que reflete a influência e a presença crescente de palavras de outras línguas em nosso cotidiano.
O alfabeto completo atualmente é:
A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y, Z
Aplicações das Letras Reintroduzidas:
– Letra K: Usada em palavras como kilograma, karaokê, e em nomes próprios, como Kátia ou em siglas
como km (quilômetro).
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– Letra W: Aparece em palavras como web, whisky e em siglas como www (World Wide Web). Também é
comum em nomes próprios, como William.
– Letra Y: Encontrada em palavras como yakisoba ou em nomes como Yasmin, além de ser empregada em
termos matemáticos e científicos, como na abreviação de unidades de medida (yard).
Essas mudanças visam a modernização e a internacionalização da língua, refletindo a influência de outros
idiomas e culturas. É importante lembrar que, apesar de sua reintrodução no alfabeto, o uso dessas letras con-
tinua sendo menos frequente no português do que em outras línguas, predominando em situações específicas,
como estrangeirismos, siglas e nomes próprios. Portanto, em contextos formais, é necessário ter cuidado para
manter o uso adequado dessas letras dentro das novas regras ortográficas.
— Trema
O trema (¨), que consistia em um sinal gráfico utilizado sobre a letra “u” para indicar sua pronúncia em de-
terminadas situações, foi eliminado do português na maior parte dos casos com a entrada em vigor do Acordo
Ortográfico. Antes da mudança, o trema era aplicado em palavras onde a letra “u” deveria ser pronunciada nos
grupos “que”, “qui”, “gue” e “gui”, como em tranqüilo e lingüiça.
Como fica o uso do trema após a reforma:
– Palavras como agüentar, lingüiça e tranqüilo passaram a ser escritas sem o trema, ficando aguentar, lin-
guiça e tranquilo.
No entanto, é importante ressaltar que o som do “u” nesses casos continua existindo. Ou seja, mesmo sem
o trema, as palavras devem ser pronunciadas como antes, respeitando a articulação do “u” nas combinações
mencionadas.
Exemplos práticos de palavras que perderam o trema:
– Como era: seqüência, cinqüenta, tranqüilo.
– Como ficou: sequência, cinquenta, tranquilo.
Observação Importante:
Embora o uso do trema tenha sido abolido em palavras da língua portuguesa, ele ainda permanece em
palavras de origem estrangeira e seus derivados, especialmente aquelas provenientes do alemão, como em
Müller, Hübner, führer, ou em expressões que mantêm a grafia original, como über. Isso ocorre para preservar
a pronúncia correta e a integridade do idioma de origem.
O fim do uso do trema foi uma mudança significativa, mas que busca simplificar a escrita da língua portu-
guesa, eliminando sinais gráficos desnecessários em palavras já consolidadas. Essa alteração reforça a neces-
sidade de os falantes estarem atentos à correta articulação de palavras, mesmo sem o auxílio visual do trema,
garantindo a adequação e precisão na comunicação escrita e oral.
— Regras de Acentuação
As regras de acentuação da Língua Portuguesa também sofreram ajustes importantes com o Acordo Orto-
gráfico. A seguir, apresentamos as principais mudanças, destacando como elas impactam a escrita de palavras
paroxítonas, oxítonas e outros casos específicos.
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– Oxítonas: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.
Acentos Diferenciais
Outra mudança importante foi a eliminação de certos acentos diferenciais, que tinham a função de distinguir
palavras de mesma grafia, mas com significados diferentes.
— Uso do Hífen
O uso do hífen é uma das áreas que mais sofreu alterações com o Acordo Ortográfico, gerando dúvidas e
exigindo atenção especial. O objetivo foi padronizar o emprego do hífen em palavras compostas, locuções e
com o uso de prefixos. A seguir, apresentamos as principais regras de forma clara e objetiva, com exemplos
para facilitar a compreensão.
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Regra Básica do Hífen com a Letra “H”
Sempre se usa o hífen quando a segunda palavra começa com a letra “h”.
– Exemplos: anti-higiênico, super-homem, pré-história.
– Com o prefixo “sub-”, usa-se o hífen diante de palavras iniciadas por “r”:
– Exemplos: sub-região, sub-raça.
– Palavras iniciadas por “h” perdem essa letra e se unem sem hífen:
– Exemplos: subumano, subumanidade.
– Com os prefixos “circum-” e “pan-”, usa-se o hífen diante de palavras iniciadas por “m”, “n” e
vogal:
– Exemplos: circum-navegação, pan-americano, circum-escolar.
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– O prefixo “co-” aglutina-se com o segundo elemento, mesmo quando começa com “o”:
– Exemplos: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação.
Acentuação gráfica
A acentuação gráfica é um elemento fundamental da língua portuguesa, pois garante a correta pronúncia e
a compreensão das palavras. Através dos sinais diacríticos, conseguimos identificar a sílaba tônica, distinguir
diferentes significados e evitar ambiguidades na comunicação escrita. Por exemplo, palavras como “avó” (a
mãe de um dos pais) e “avô” (o pai de um dos pais) possuem significados distintos que só podem ser reconhe-
cidos corretamente por meio da acentuação.
Além de indicar a tonicidade – o destaque de uma sílaba em relação às demais –, a acentuação também de-
sempenha o papel de esclarecer a entonação e a intenção das palavras, reforçando a expressividade do texto.
Ao observarmos as regras de acentuação, percebemos que a língua portuguesa segue padrões bem definidos
que visam não apenas a precisão da comunicação, mas também a manutenção de sua riqueza e beleza.
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— Tipos de Acentos e Suas Funções (Expandido)
A língua portuguesa faz uso de três tipos principais de acentos gráficos: o acento agudo, o acento circunflexo
e o acento grave. Cada um desses acentos tem funções específicas que contribuem para a correta pronúncia,
a distinção semântica e a clareza na escrita. A seguir, detalharemos a função de cada acento, suas aplicações,
e apresentaremos exemplos mais variados para reforçar o entendimento.
Acento Agudo ( ´ )
O acento agudo é utilizado para marcar a tonicidade da palavra, ou seja, a sílaba que deve ser pronunciada
de forma mais intensa. Além disso, ele indica que as vogais “a”, “e” e “o” possuem um timbre aberto. É impor-
tante lembrar que o acento agudo também pode ser utilizado sobre as vogais “i” e “u” para indicar a tonicidade,
porém, nesses casos, o timbre não sofre alteração.
– Função: Destacar a sílaba tônica e indicar o som aberto das vogais “a”, “e” e “o”.
Exemplos:
– Palavras com o timbre aberto em “a”: maracujá, sofá, está.
– Palavras com o timbre aberto em “e”: você, bebê, até.
– Palavras com o timbre aberto em “o”: avó, anatólico, herói.
– Nas vogais “i” e “u” para marcar a tonicidade: juízes, baía, país, saída.
Além de marcar a tonicidade, o acento agudo também é utilizado para diferenciar palavras que, sem o acen-
to, teriam significados distintos:
– pôr (verbo) e por (preposição)
– pode (presente do indicativo) e pôde (pretérito perfeito do indicativo)
Essas distinções são essenciais para evitar ambiguidades e garantir a correta interpretação do que se de-
seja comunicar.
Acento Circunflexo ( ^ )
O acento circunflexo é usado para marcar a tonicidade da palavra e indicar o timbre fechado das vogais “e”
e “o”. Ele também é importante para diferenciar palavras que possuem grafia igual, mas significados diferentes,
assim como o acento agudo. É comum em palavras que possuem uma terminação nasal.
– Função: Destacar a sílaba tônica e indicar o som fechado das vogais “e” e “o”.
Exemplos:
– Com o timbre fechado em “e”: pêssego, lês, tênis, fênix.
– Com o timbre fechado em “o”: avô, pôr, lógico, corôa.
Além disso, o acento circunflexo é empregado em formas verbais para diferenciar o singular do plural de
determinadas conjugações:
– Singular: ele vem, ele tem
– Plural: eles vêm, eles têm
Observe que o acento circunflexo cumpre um papel fundamental na distinção semântica e na clareza das
palavras, especialmente em casos onde a ausência do acento alteraria completamente o sentido da frase.
Acento Grave ( ` )
O acento grave é utilizado exclusivamente para indicar a ocorrência da crase, que é a fusão da preposição
“a” com o artigo definido feminino “a” ou com pronomes que iniciam com “a”. Ao contrário dos outros acentos,
ele não tem função de indicar tonicidade ou timbre, mas sim de sinalizar essa junção gramatical.
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– Função: Indicar a ocorrência da crase e a combinação da preposição “a” com o artigo feminino ou com
pronomes.
Exemplos:
– Entreguei o presente à professora. (preposição “a” + artigo “a”)
– Ela se referiu àquela situação com cuidado. (preposição “a” + pronome demonstrativo “aquela”)
– Vamos à praia amanhã. (preposição “a” + artigo “a”)
É importante destacar que a crase não ocorre antes de palavras masculinas, verbos, pronomes pessoais,
pronomes de tratamento (exceto senhora e senhorita) ou antes de pronomes indefinidos. Por exemplo, não
usamos crase em frases como “Fui a Paris” (sem artigo) ou “Gosto de ir a qualquer lugar”.
O uso correto do acento grave é essencial para a clareza e correção gramatical do texto, evitando equívocos
que podem comprometer a interpretação da mensagem.
Oxítonas
As palavras oxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a última. Em outras palavras, a última sílaba é pronun-
ciada com mais força em relação às demais. Normalmente, as oxítonas são acentuadas quando terminam em
“a(s)”, “e(s)”, “o(s)”, “em”, “ens”, além das terminações ditongais abertos como “éi(s)”, “éu(s)” e “ói(s)”.
Exemplos:
– Terminação em -a(s): sofá, maracujá, já
– Terminação em -e(s): você, café, porquê
– Terminação em -o(s): avô, pavô, robô
– Terminação em -em/ens: alguém, também, parabéns
– Terminação em -éi(s), -éu(s), -ói(s): papéis, chapéu, herói
Observação: Nem todas as palavras oxítonas são acentuadas, apenas aquelas que terminam nos grupos
mencionados acima.
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Paroxítonas
As palavras paroxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a penúltima. Essas palavras são acentuadas se
terminarem em qualquer uma das seguintes letras ou conjuntos de letras: “l”, “n”, “r”, “x”, “i(s)”, “us”, “um/uns”,
“ão(s)”, “ã(s)”, “ps”, “ei(s)”, “om/ons”. As palavras que não se enquadram nessas terminações não recebem
acento.
Exemplos:
– Terminação em -l: fácil, papel, útil
– Terminação em -n: hífen, pólen, elétron
– Terminação em -r: caráter, açúcar, amador
– Terminação em -x: tórax, fênix, córtex
– Terminação em -i(s): júri, cútis, lápis
– Terminação em -us: ônus, vírus, bônus
– Terminação em -um/uns: álbum, lúmens, vácuo
– Terminação em -ão(s): órfão, bênção, órgãos
– Terminação em -ã(s): ímã, lã, sã
– Terminação em -ps: bíceps, fórceps
– Terminação em -ei(s): nênufar, pôneis
Observação: A maioria das palavras na língua portuguesa é paroxítona, e muitas delas não necessitam de
acento gráfico, a menos que terminem em uma das letras ou grupos de letras mencionados.
Proparoxítonas
As palavras proparoxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a antepenúltima. Diferentemente das oxítonas
e paroxítonas, todas as palavras proparoxítonas são acentuadas, sem exceção. Essa é uma regra de acentua-
ção absoluta e não apresenta exceções.
Exemplos:
– mágico
– tômbola
– gramática
– lógico
– câmera
– sândalo
As palavras proparoxítonas destacam-se por sua entonação particular e sua característica marcante de ter
o acento gráfico sempre presente.
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Compreender a classificação das palavras quanto à tonicidade é essencial para dominar as regras de acen-
tuação gráfica na língua portuguesa. Esse conhecimento não apenas facilita a aplicação correta dos acentos,
mas também contribui para uma comunicação escrita mais clara, precisa e elegante. Ao identificar corretamen-
te se uma palavra é oxítona, paroxítona ou proparoxítona, o falante ou escritor torna-se capaz de empregar a
acentuação de forma eficaz, evitando equívocos que possam comprometer a interpretação e a expressividade
do texto.
Palavras Proparoxítonas
Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas. A sílaba tônica é sempre a antepenúltima, e, indepen-
dentemente de sua terminação, essas palavras recebem acento.
Exemplos: mágico, gramática, lógico, técnico, ânimo
– Resumo da Regra: Se a sílaba tônica for a antepenúltima, a palavra sempre receberá acento gráfico.
Palavras Paroxítonas
As palavras paroxítonas têm a penúltima sílaba como tônica e são acentuadas apenas quando terminam em
determinados conjuntos de letras. As paroxítonas que não possuem essas terminações não recebem acento
gráfico.
Palavras Oxítonas
As palavras oxítonas têm a última sílaba como tônica e são acentuadas quando terminam em:
– A(s): sofá, maracujá, já
– E(s): você, café, porquê
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– O(s): avô, paletó, alô
– Em/ens: armazém, parabéns, alguém
– Ditongos abertos -éi(s), -éu(s), -ói(s): papéis, chapéu, herói
– Exemplo de não acentuação: Se a palavra oxítona não terminar com nenhuma das terminações acima,
não recebe acento, como em sabor e amor.
Exemplos:
– saída (o “i” está sozinho e forma um hiato com a vogal anterior)
– baú (o “u” está em hiato e é acentuado)
– juízes, raízes, baía
Exceções: Não se acentuam as vogais “i” e “u” quando, mesmo em hiato, vêm precedidas de ditongos,
como em feiura e baiuca.
Acento Diferencial
O acento diferencial é utilizado em poucas palavras para diferenciar significados ou classes gramaticais. É
um recurso importante para evitar ambiguidades.
Exemplos:
– pôr (verbo) e por (preposição)
– pode (presente do indicativo) e pôde (pretérito perfeito do indicativo)
– fôrma (molde) e forma (do verbo formar ou forma física, o acento diferencial foi facultativo com o Novo
Acordo, mas ainda é aceito).
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O domínio das regras de acentuação gráfica é essencial para a comunicação escrita eficaz e clara. Embora
pareçam complexas à primeira vista, essas regras seguem padrões lógicos que, com a prática, tornam-se intui-
tivos. Aplicar corretamente os acentos não só evita mal-entendidos como também demonstra conhecimento e
zelo pelo idioma, enriquecendo a expressividade e a clareza de nossas mensagens.
Exemplos:
– pôr (verbo, com significado de “colocar”) e por (preposição, com sentido de “através de”)
– pêlo (substantivo que indica a cobertura de pelos em animais) e pelo (contração da preposição “por” +
artigo “o”)
Outro exemplo clássico é a diferença entre avô e avó, em que o acento circunflexo e o acento agudo indi-
cam claramente quem é o pai e quem é a mãe de um dos pais. Sem esses acentos, a compreensão exata do
parentesco ficaria comprometida.
Exemplo:
– sábia (adjetivo, que significa “inteligente, conhecedora”) e sabia (verbo “saber” no pretérito imperfeito)
A correta acentuação gráfica garante que a leitura e a oralidade respeitem a entonação pretendida, o que é
essencial para manter a integridade da mensagem que se deseja transmitir.
Exemplo:
– Ele tem um plano (Ele possui um plano)
– Ele têm um plano (Indicação de plural: Eles possuem um plano)
Nesse exemplo, a ausência do acento circunflexo no segundo caso poderia gerar dúvidas sobre se estamos
falando de uma pessoa ou mais. Ao aplicar corretamente os acentos, eliminamos essa ambiguidade e garanti-
mos que a mensagem seja compreendida da maneira correta.
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Preservação da Riqueza e da Beleza do Idioma
A acentuação gráfica também contribui para a riqueza e a expressividade do idioma. Ela é uma ferramenta
que ajuda a preservar a melodia e a musicalidade da língua portuguesa, tornando-a mais elegante e precisa.
Cada acento acrescenta nuances à leitura, proporcionando ao leitor uma experiência mais envolvente e fiel à
intenção original do autor.
Por exemplo, a diferença entre húmido (variante de “úmido”, em português europeu) e humilde representa
sutis nuances na forma como pronunciamos e entendemos a língua. Essas variações tornam o português um
idioma único e dinâmico, e a acentuação gráfica desempenha um papel fundamental na manutenção dessa
diversidade linguística.
— Conclusão
A acentuação gráfica na língua portuguesa é um elemento indispensável para a construção de uma comu-
nicação escrita clara, precisa e eficaz. Por meio dos acentos, é possível identificar a correta pronúncia das pa-
lavras, distinguir significados e evitar ambiguidades que poderiam comprometer a compreensão do texto. Além
disso, a acentuação contribui para a preservação da riqueza e da expressividade do nosso idioma, valorizando
sua musicalidade e nuances.
O estudo e o domínio das regras de acentuação gráfica são fundamentais para quem deseja se comunicar
de forma correta e eficiente, seja em contextos acadêmicos, profissionais ou em situações cotidianas. A aplica-
ção adequada dos acentos não apenas reflete um conhecimento profundo da língua portuguesa, mas também
demonstra atenção aos detalhes e respeito às normas da escrita, características essenciais para qualquer pes-
soa que busca se destacar em ambientes que exigem o uso formal e culto da linguagem.
Ao compreender a importância da acentuação, percebemos que ela vai além de simples regras gramaticais;
trata-se de uma ferramenta que enriquece a nossa comunicação, tornando-a mais clara, elegante e significati-
va. Portanto, investir no aprendizado das normas de acentuação é investir na nossa capacidade de expressar
ideias com precisão e beleza, fortalecendo assim o intercâmbio linguístico e cultural.
39
Pontuação
A pontuação desempenha um papel fundamental na clareza e na compreensão dos textos escritos, atuando
como um guia para o leitor no entendimento das ideias apresentadas. Trata-se de um conjunto de sinais que or-
ganiza a estrutura da frase, estabelece pausas e define entonações, contribuindo para a coesão e a coerência
do discurso. Ao controlar a maneira como as informações são apresentadas, a pontuação permite que o texto
se torne mais acessível e compreensível, evitando ambiguidades e mal-entendidos.
Segundo a linguista Nina Catach, a pontuação pode ser definida como “um sistema de reforço da escrita
constituído de sinais sintáticos destinados a organizar as relações e a proporção das partes do discurso e das
pausas orais e escritas. Estes sinais também participam de todas as funções da sintaxe gramaticais entonacio-
nais e semânticas” (Bechara, 2009, p. 514). Com base nessa definição, podemos perceber que a pontuação
não é apenas um elemento decorativo, mas sim um componente essencial que agrega valor ao texto, conferin-
do-lhe sentido e lógica.
Neste contexto, é imprescindível conhecer e dominar o uso correto dos sinais de pontuação para produzir
textos bem estruturados e precisos, especialmente em situações formais, como na redação de textos oficiais e
em provas de concursos públicos. Ao longo deste estudo, vamos explorar as principais regras e os usos ade-
quados de cada sinal de pontuação, destacando os aspectos práticos que norteiam a aplicação correta desses
elementos. Com isso, proporcionaremos um guia abrangente para a utilização eficiente da pontuação na Lín-
gua Portuguesa, promovendo a comunicação escrita de forma clara, objetiva e eficaz.
Separadores
Os separadores são sinais de pontuação que têm a função de delimitar frases, períodos, orações e expres-
sões, indicando pausas de maior ou menor duração. São essenciais para evitar ambiguidades e assegurar que
o leitor compreenda as relações entre as partes do texto.
Vírgula ( , ): Indica uma pausa breve e é usada para separar elementos de uma enumeração, orações co-
ordenadas, expressões explicativas, apostos, entre outras funções. A vírgula também desempenha um papel
importante na separação de termos dentro de uma oração, evitando confusões na leitura.
– Exemplo: “Estudamos gramática, literatura e redação para a prova.”
Ponto e vírgula ( ; ): Indica uma pausa intermediária, maior que a da vírgula, mas menor que a do ponto
final. É utilizado para separar itens de uma lista, principalmente quando os elementos já contêm vírgulas, ou
para separar orações que guardam relação de sentido.
– Exemplo: “O candidato estudou Língua Portuguesa, que inclui gramática e redação; Matemática, com foco
em aritmética e álgebra; e Direito Constitucional, que abrange os principais artigos.”
Ponto final ( . ): Marca o encerramento de uma frase ou período declarativo. É o sinal de pontuação que
indica a maior pausa e delimita o fim de uma ideia completa.
– Exemplo: “A professora explicou o conteúdo de forma clara.”
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Ponto de exclamação ( ! ): Expressa emoções intensas, como surpresa, admiração, alegria ou indignação.
É usado ao final de interjeições, frases exclamativas ou imperativas.
– Exemplo: “Que incrível!”
Ponto de interrogação ( ? ): Indica a entonação interrogativa, sendo utilizado ao final de frases que ex-
pressam perguntas diretas
– Exemplo: “Você já estudou todos os conteúdos?”
Reticências ( ... ): Sugere continuidade, interrupção ou dúvida, podendo indicar uma fala inacabada, uma
ideia em desenvolvimento ou hesitação. Muitas vezes, é utilizada para criar suspense ou dar margem à inter-
pretação.
– Exemplo: “Eu queria falar sobre... deixa pra lá.”
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Reticências ( ... ) Sugere continuidade ou interrupção “Ele hesitou... depois decidiu falar.”
Dois-pontos ( : ) Introduz explicações, citações ou “Há três cores principais: vermelho,
enumerações azul e amarelo.”
Aspas (“ ”) Destaca palavras ou citações “Ele disse: ‘Vou estudar agora’.”
Travessão ( — ) Indica diálogo ou destaque “— Vamos começar a aula.”
Parênteses ( ) Acrescenta informações “A aula (que estava programada) foi
complementares cancelada.”
Colchetes [ ] Inserções em citações ou notas “O autor afirmou: ‘A obra [referindo-
explicativas se ao romance] é única’.”
Chaves { } Agrupamento de elementos em “{a, e, i, o, u} representam as vogais.”
textos técnicos
Esses sinais de pontuação, quando usados corretamente, contribuem para a clareza e a expressividade do
texto. Conhecê-los e aplicá-los de maneira adequada é fundamental para produzir uma comunicação eficaz e
precisa, principalmente em textos formais e em situações como provas e concursos públicos.
Ponto final ( . )
O ponto final é o sinal de pontuação que marca o término de uma frase declarativa ou de uma ideia com-
pleta. É um dos sinais que indicam a maior pausa e delimita o fim de um período, garantindo que a informação
foi concluída.
– Uso correto:
– Ao encerrar uma frase declarativa: ”O aluno estudou para a prova.”
– Após abreviaturas: ”Dr., Sra., etc.”
Dica: Evite o uso de múltiplos pontos finais consecutivos, pois isso pode causar confusão e não segue a
norma gramatical.
Ponto de interrogação ( ? )
O ponto de interrogação é utilizado ao final de frases interrogativas diretas, ou seja, perguntas que exigem
ou sugerem uma resposta.
– Uso correto:
– Em perguntas diretas: ”Você estudou para o exame?”
– Em frases que indicam incerteza ou dúvida: ”Será que ele virá?”
Observação: O ponto de interrogação não é utilizado em perguntas indiretas. Por exemplo: ”Quero saber
se você estudou para o exame.”
Ponto de exclamação ( ! )
O ponto de exclamação é usado para expressar emoções fortes, como surpresa, alegria, espanto, ordem
ou entusiasmo.
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– Uso correto:
– Após interjeições: ”Nossa!” “Parabéns!”;
– Em frases exclamativas: ”Que espetáculo maravilhoso!”;
– Para enfatizar ordens ou comandos: ”Pare agora!”.
Dica: Evite o uso exagerado do ponto de exclamação, especialmente em textos formais, pois pode passar
a impressão de informalidade ou excesso de emoção.
Reticências ( ... )
As reticências indicam uma interrupção do pensamento, hesitação, suspense ou continuidade indefinida.
Elas são formadas por três pontos e sugerem que algo foi deixado implícito ou que a ideia não foi finalizada.
– Uso correto:
– Para indicar uma interrupção na fala ou pensamento: ”Eu pensei que... bem, não importa.”
– Para sugerir continuidade ou suspense: ”Ele olhou para ela e disse... nada.”
– Para indicar que a lista continua: ”Trouxe tudo: frutas, verduras, legumes...”
Observação: As reticências já indicam uma pausa longa, então não devem ser seguidas de outro ponto
final.
Dois-pontos ( : )
Os dois-pontos têm a função de introduzir uma explicação, citação, enumeração, aposto ou oração subor-
dinada.
– Uso correto:
– Para introduzir uma citação direta: ”Ele afirmou: ‘O conhecimento é poder’.”
– Antes de uma enumeração: ”Precisamos comprar: arroz, feijão, carne e legumes.”
– Para introduzir um esclarecimento ou explicação: ”Ela tinha um desejo: ser reconhecida pelo seu talento.”
Dica: Os dois-pontos não devem ser usados após um verbo de forma desnecessária. Por exemplo, evite:
”Os ingredientes são: açúcar, farinha e leite.” O correto seria: ”Os ingredientes são açúcar, farinha e leite.”
Ponto e vírgula ( ; )
O ponto e vírgula indica uma pausa maior que a vírgula, mas menor que o ponto final. É usado para separar
elementos internos em orações mais complexas e para organizar listas extensas.
– Uso correto:
– Para separar orações coordenadas extensas que já possuem vírgulas internas: ”Ela terminou o trabalho,
que estava muito difícil; descansou um pouco, e depois foi ao cinema.”
– Em listas onde os itens já apresentam vírgulas: ”Os temas abordados foram: gramática, que inclui morfo-
logia e sintaxe; literatura, com ênfase no modernismo; e redação, com foco na dissertação.”
Observação: O uso do ponto e vírgula pode conferir elegância e clareza ao texto, mas deve ser utilizado
com moderação e apenas quando necessário.
Vírgula ( , )
A vírgula é um dos sinais de pontuação mais versáteis, usada para indicar pausas breves, separar elemen-
tos de uma lista, destacar informações e evitar ambiguidades.
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– Uso correto:
– Para separar elementos de uma enumeração: ”Estudei gramática, literatura, redação e matemática.”
– Para isolar apostos: ”Carlos, meu irmão, chegou ontem.”
– Para separar orações coordenadas: ”Ela estudou bastante, mas não conseguiu a nota desejada.”
– Para isolar expressões explicativas: ”O autor, por exemplo, utilizou uma linguagem coloquial.”
– Erros comuns: Não usar vírgula entre sujeito e predicado, como em ”A professora, explicou a matéria.” A
forma correta é: ”A professora explicou a matéria.”
Travessão ( — )
O travessão é utilizado para enfatizar partes do texto, indicar diálogos e substituir parênteses ou vírgulas
em expressões intercaladas.
– Uso correto:
– Para indicar a fala de personagens em diálogos: ”— O que você fará hoje? — perguntou ela.”
– Para destacar expressões ou informações adicionais: ”O resultado da prova — como todos já esperavam
— foi excelente.”
Dica: Não confunda o travessão com o hífen, que possui função distinta.
Parênteses ( )
Os parênteses são usados para acrescentar informações adicionais ou explicativas que não fazem parte
da estrutura principal da frase.
– Uso correto:
– Para inserir uma explicação ou comentário: ”Ele finalmente concluiu o projeto (após muitos meses de
trabalho).”
Observação: Use os parênteses com parcimônia, pois o excesso pode prejudicar a fluidez do texto.
Aspas ( “ ” )
As aspas são empregadas para indicar citações diretas, destacar palavras ou expressões e assinalar ter-
mos estrangeiros ou gírias.
– Uso correto:
– Para citação direta: ”Como dizia o poeta: ‘Tudo vale a pena se a alma não é pequena’.”
– Para destacar palavras ou expressões específicas: ”Ele se considera um ‘expert’ em tecnologia.”
Dica: Ao usar aspas em um texto que já contém aspas, utilize aspas simples dentro das aspas duplas.
Colchetes [ ]
Os colchetes são usados principalmente em textos técnicos ou acadêmicos para inserir informações adicio-
nais em citações ou indicar trechos modificados pelo autor.
– Uso correto:
– Para inserir um comentário em uma citação: ”Ela disse: ‘A educação [no Brasil] precisa de melhorias’.”
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Chaves { }
As chaves têm um uso restrito e são comuns em áreas técnicas, matemáticas ou científicas para delimitar
conjuntos ou agrupar elementos.
– Uso correto: para representar conjuntos: ”{1, 2, 3, 4}”
Cada sinal de pontuação desempenha um papel único e essencial na escrita, garantindo que as ideias se-
jam transmitidas de forma clara e eficaz. O domínio dessas regras permitirá que o escritor construa textos mais
coerentes, evitando mal-entendidos e ambiguidades.
Separação de vocativos
Vocativos são palavras ou expressões usadas para chamar ou invocar o interlocutor. Sempre devem ser
isolados por vírgulas.
– Exemplo: “João, por favor, entregue o relatório.”
– Exemplo: “Venha aqui, Maria, precisamos conversar.”
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Para indicar a elipse de um verbo
A vírgula pode ser utilizada para indicar a ausência de um verbo que foi omitido por já ter sido mencionado
anteriormente na frase.
– Exemplo: “João gosta de cinema; Maria, de teatro.” (A vírgula substitui o verbo “gosta” na segunda parte
da frase.)
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Isolar datas e localidades em endereçamentos e documentos formais
Ao redigir documentos formais, cartas ou e-mails, usa-se a vírgula para isolar a localidade e a data.
– Exemplo: “São Paulo, 25 de dezembro de 2024.”
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– Erro Comum: “A equipe de profissionais, resolveram o problema.” (A vírgula cria uma separação indevida,
levando a um erro de concordância verbal.)
– Forma Correta: “A equipe de profissionais resolveu o problema.”
Dica: Certifique-se de que a pontuação não cria separações desnecessárias entre o sujeito e o verbo, ga-
rantindo a concordância correta.
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– Forma Correta: “Ele subiu rapidamente.”
Dica: Elimine palavras ou expressões que não acrescentam informação ao contexto, evitando a sobrecarga
do texto.
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– Forma Correta: “Trouxe lápis, canetas, etc.”
Dica: Sempre use “etc.” sem o “e” antes, e use “nem” diretamente sem conjunção anterior.
— Conclusão
A pontuação é um dos aspectos mais importantes da Língua Portuguesa, desempenhando um papel funda-
mental na clareza, coesão e precisão do texto. Cada sinal de pontuação possui funções específicas que, quan-
do usadas corretamente, garantem a transmissão clara das ideias e evitam ambiguidades e mal-entendidos.
O conhecimento aprofundado dessas regras é essencial, especialmente em contextos formais como reda-
ções, provas de concursos públicos e documentos profissionais.
Ao longo deste estudo, exploramos os principais sinais de pontuação e suas funções, as regras específicas
de uso e os erros mais comuns que ocorrem na aplicação desses sinais. Compreendemos que a pontuação vai
muito além de indicar pausas; ela estrutura o pensamento, orienta o leitor e confere ritmo ao texto, tornando a
comunicação escrita mais eficaz e sofisticada.
Para garantir a aplicação correta da pontuação, é fundamental praticar a escrita e revisar cuidadosamente
os textos, prestando atenção às regras e evitando os erros mais frequentes. Ao desenvolver essa habilidade,
o escritor torna-se capaz de produzir textos mais claros, coesos e que atendem às exigências da norma culta
da língua.
Portanto, o domínio da pontuação não é apenas uma questão de técnica, mas um passo essencial para
aprimorar a comunicação e alcançar sucesso em contextos que exigem precisão e clareza, como na redação
de documentos formais, na produção acadêmica e na realização de provas de concursos.
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Compreender esses elementos é o ponto de partida para o estudo dos diversos processos de formação de
palavras, como a derivação, a composição, a onomatopeia, a abreviação, a siglonimização, o hibridismo e a
palavra-valise. Ao longo deste material, abordaremos cada um desses processos de forma detalhada, apresen-
tando exemplos práticos e explicações claras para auxiliar no entendimento e na aplicação desses conceitos
na interpretação e produção de textos.
▸ Radical
O radical é a base de significado da palavra, ou seja, é o elemento que carrega o sentido central e invariá-
vel. Todas as palavras que compartilham o mesmo radical têm uma relação de sentido entre si, mesmo quando
passam por processos de modificação, como a adição de afixos. O radical é indispensável para a formação de
palavras, pois é a partir dele que surgem novas variações e palavras derivadas.
Exemplo:
▪ O radical da palavra “amargo” é “amarg”. Todas as palavras formadas a partir dele, como “amargor”,
“amargura”, “amargurar” e “amargurado”, mantêm a ideia central de “amargura” ou “amargo”.
▸ Afixos
Os afixos são elementos que se unem ao radical para criar novas palavras ou alterar o sentido da palavra
original. Eles são classificados em dois tipos principais: prefixos e sufixos.
▸ Prefixos
Os prefixos são morfemas que se colocam antes do radical e têm o papel de modificar o significado da pa-
lavra original, resultando em uma nova palavra com um sentido diferente.
Exemplos:
▪ “desleal” (des- + leal): o prefixo “des-” altera o sentido da palavra “leal”, transformando-a em seu oposto.
▪ “analfabeto” (an- + alfabeto): o prefixo “an-” confere à palavra o sentido de ausência ou falta de alfabeti-
zação.
▸ Sufixos
Os sufixos são morfemas que se acrescentam ao final do radical, servindo para modificar o significado ou a
classe gramatical da palavra original. Eles podem criar substantivos, adjetivos, verbos, advérbios, etc., a partir
de um mesmo radical.
Exemplos:
▪ “livraria” (livr- + -aria): o sufixo “-aria” forma um substantivo que indica o local relacionado a livros.
▪ “fortaleza” (fort- + -eza): o sufixo “-eza” transforma o adjetivo “forte” em um substantivo que significa a
qualidade de ser forte.
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▸Desinências
As desinências são elementos que indicam as flexões de gênero, número, tempo, modo, pessoa e voz nas
palavras. Ao contrário dos afixos, as desinências não criam novas palavras, mas sim estabelecem variações na
forma de uma palavra para adaptá-la a diferentes contextos gramaticais.
Desinências Nominais
As desinências nominais indicam as variações de gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural)
nos substantivos e adjetivos.
Exemplos:
▪ “aluno” (masculino singular), “aluna” (feminino singular)
▪ “amigos” (masculino plural), “amigas” (feminino plural)
Desinências Verbais
As desinências verbais indicam o tempo, o modo, o número e a pessoa nos verbos. Elas são essenciais
para identificar o contexto da ação expressa pelo verbo em uma frase.
Exemplos:
▪ “falávamos” (pretérito imperfeito do indicativo, 1ª pessoa do plural): a desinência “-ávamos” indica que a
ação ocorreu no passado e se refere à 1ª pessoa do plural.
Compreender a estrutura das palavras é essencial para o domínio da formação e da flexão das palavras
em Língua Portuguesa. O conhecimento do radical, dos afixos e das desinências permite identificar a origem
e a relação entre palavras, além de possibilitar a compreensão de como novas palavras podem ser formadas
e adaptadas a diferentes contextos. Essas noções básicas são o alicerce para avançarmos nos processos de
formação de palavras, que serão explorados em detalhes nas próximas seções.
▸ Derivação
A derivação é um dos processos mais comuns e consiste na formação de novas palavras a partir de uma
base já existente, mediante o acréscimo de prefixos, sufixos ou ambos. Este processo cria palavras que man-
têm uma relação de sentido com o radical original, porém, apresentam novas nuances de significado ou perten-
cem a diferentes classes gramaticais.
Há cinco tipos principais de derivação:
▪ Derivação Prefixal: acrescenta-se um prefixo ao radical, sem modificar sua estrutura interna. (Ex.: “infe-
liz” – “in-” + “feliz”).
▪ Derivação Sufixal: envolve a adição de um sufixo ao final do radical, criando novas palavras. (Ex.: “livrei-
ro” – “livro” + “-eiro”).
▪ Derivação Prefixal e Sufixal: ocorre quando tanto um prefixo quanto um sufixo são acrescentados ao
radical simultaneamente, e a palavra resultante só faz sentido com ambos os elementos. (Ex.: “deslealdade” –
“des-” + “leal” + “-dade”).
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▪ Derivação Regressiva: reduz o tamanho da palavra original, formando substantivos a partir de verbos.
(Ex.: “debate” a partir de “debater”).
▪ Derivação Imprópria: ocorre quando há mudança de classe gramatical sem alteração da forma da pala-
vra. (Ex.: “O jantar” (substantivo) a partir de “jantar” (verbo)).
▸ Composição
A composição é o processo de formação de palavras a partir da junção de dois ou mais radicais. Ela pode
ser feita de duas maneiras:
▪ Justaposição: os radicais são unidos sem que ocorra qualquer alteração fonética ou gráfica. (Ex.: “pas-
satempo” – “passa” + “tempo”).
▪ Aglutinação: os radicais se fundem, resultando em alguma alteração de sua estrutura original. (Ex.: “pla-
nalto” – “plano” + “alto”).
Esse processo é responsável por enriquecer o vocabulário da língua, formando palavras mais complexas e
expressivas.
▸ Onomatopeia
A onomatopeia é um processo que cria palavras para representar sons e ruídos que ocorrem na natureza ou
na vida cotidiana. É um dos processos mais criativos, pois tenta reproduzir, por meio da linguagem, a realidade
sonora que o falante quer expressar.
▪ Exemplos: “tic-tac” (relógio), “zum-zum” (som de insetos).
▸ Siglonimização
A siglonimização consiste na formação de palavras por meio de siglas, que são abreviações formadas pe-
las letras iniciais de um grupo de palavras que compõem nomes de instituições, organizações, expressões ou
termos técnicos. As siglas podem variar em complexidade e extensão.
▪ Exemplos: “ONU” (Organização das Nações Unidas), “INSS” (Instituto Nacional do Seguro Social).
▸ Hibridismo
O hibridismo acontece quando uma palavra é formada a partir de radicais oriundos de diferentes línguas.
Esse processo reflete a influência de outras culturas e idiomas sobre a Língua Portuguesa, criando vocábulos
que combinam elementos de diferentes origens.
▪ Exemplos: “automóvel” (do grego “auto” + do latim “móvel”), “sociologia” (do latim “socio” + do grego “lo-
gia”).
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Cada um desses processos contribui para a riqueza e a flexibilidade da Língua Portuguesa, permitindo que
ela se adapte às necessidades comunicativas da sociedade em constante transformação. Por meio da deriva-
ção, composição, onomatopeia, abreviação, siglonimização, hibridismo e palavra-valise, a língua é capaz de
criar expressões precisas e inovadoras, ampliando as possibilidades de expressão e interpretação de ideias,
sentimentos e conceitos.
Derivação
A derivação é um dos processos mais produtivos e importantes na formação de palavras em Língua Portu-
guesa. Trata-se do mecanismo pelo qual uma nova palavra é criada a partir de outra já existente, denominada
palavra primitiva, por meio do acréscimo ou modificação de elementos como prefixos e sufixos. Esse processo
mantém uma ligação semântica com a palavra original, permitindo a criação de termos que pertencem a dife-
rentes classes gramaticais ou que ganham novos significados.
Vamos detalhar os principais tipos de derivação, destacando suas características e fornecendo exemplos
que ilustram como esse processo se manifesta.
Derivação Prefixal
Na derivação prefixal, um prefixo é adicionado ao radical da palavra primitiva. O prefixo é um elemento que
precede o radical, modificando o significado da palavra original. Vale ressaltar que a classe gramatical da pala-
vra geralmente não é alterada nesse processo, apenas o sentido.
Exemplos:
▪ “refazer” (re- + fazer): o prefixo “re-” indica repetição.
▪ “inútil” (in- + útil): o prefixo “in-” confere o sentido de negação ou oposição.
Neste caso, observamos que a essência da palavra é mantida, mas o prefixo acrescenta um novo significa-
do ou nuance.
Derivação Sufixal
Na derivação sufixal, um sufixo é acrescentado ao final do radical, originando uma nova palavra. O sufixo
pode alterar a classe gramatical da palavra primitiva, transformando, por exemplo, um substantivo em adjetivo,
um adjetivo em substantivo, entre outras possibilidades.
Exemplos:
▪ “beleza” (belo + -eza): o sufixo “-eza” transforma o adjetivo “belo” em um substantivo abstrato.
▪ “amizade” (amigo + -dade): o sufixo “-dade” cria um substantivo a partir do adjetivo “amigo”.
A derivação sufixal é um processo altamente produtivo que enriquece a língua ao formar palavras com no-
vos significados e funções gramaticais.
Exemplos:
▪ “enriquecer” (en- + rico + -ecer): o verbo “enriquecer” só existe com a presença do prefixo “en-” e do sufixo
“-ecer”.
▪ “amanhecer” (a- + manhã + -ecer): a palavra só tem sentido completo com o acréscimo dos dois elemen-
tos simultaneamente.
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Na derivação parassintética, a formação ocorre de maneira única, tornando esse processo particularmente
interessante para a formação de verbos e adjetivos na Língua Portuguesa.
Derivação Regressiva
A derivação regressiva é um processo que ocorre de forma inversa aos outros tipos de derivação. Em vez
de adicionar elementos, há a retirada de partes da palavra primitiva, formando um novo vocábulo. Comumente,
esse processo forma substantivos a partir de verbos.
Exemplos:
▪ “corte” a partir de “cortar”: a retirada do sufixo “-ar” do verbo gera o substantivo.
▪ “venda” a partir de “vender”: a supressão do sufixo “-er” resulta no substantivo “venda”.
Esse processo é frequente na criação de substantivos que representam ações ou efeitos associados ao
verbo original.
Exemplos:
▪ “O jantar estava delicioso” (substantivo). “Vamos jantar agora” (verbo): a palavra “jantar” mantém sua for-
ma, mas desempenha funções diferentes dependendo do contexto.
▪ “O olhar dela é intenso” (substantivo). “Ela vai olhar a vitrine” (verbo): a palavra “olhar” continua inalterada
na escrita, mas sua classe gramatical muda de acordo com o uso.
A derivação imprópria é um recurso que enriquece o uso das palavras, permitindo a flexibilidade de signifi-
cado e de função gramatical dentro do idioma.
A derivação é um processo que destaca a versatilidade e a riqueza da Língua Portuguesa. Através dos dife-
rentes tipos de derivação – prefixal, sufixal, prefixal e sufixal (parassintética), regressiva e imprópria – o idioma
é capaz de expandir seu vocabulário, adaptando-se às demandas comunicativas e expressivas dos falantes.
Cada um desses processos de derivação contribui para a multiplicidade de palavras e significados, tornando o
estudo da morfologia um campo fundamental para o domínio pleno da língua.
Composição
A composição é outro processo essencial de formação de palavras em Língua Portuguesa, caracterizado
pela união de dois ou mais radicais para criar um novo vocábulo, resultando em uma palavra que combina os
significados dos termos que a originaram. Diferente da derivação, em que um único radical é modificado por
afixos, a composição utiliza elementos já existentes no idioma para produzir palavras com sentidos mais com-
plexos ou específicos.
Há dois tipos principais de composição: a composição por justaposição e a composição por aglutinação.
Vamos entender como cada uma delas funciona e quais são suas características principais.
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Exemplos:
▪ “pé-de-moleque”: a expressão é composta por três elementos (“pé”, “de” e “moleque”) que, juntos, formam
o nome de um doce típico brasileiro.
▪ “guarda-chuva”: resultado da junção das palavras “guarda” e “chuva”, que formam um termo que repre-
senta um objeto usado para proteger da chuva.
É importante destacar que, na maioria dos casos de composição por justaposição, o uso de hífen é frequen-
te, embora nem todas as palavras formadas dessa maneira o utilizem.
Exemplos:
▪ “planalto” (de “plano” + “alto”): ao unir os dois elementos, ocorre uma simplificação fonética que transforma
o som original e dá origem a uma nova palavra.
▪ “vinagre” (de “vinho” + “acre”): nesse caso, houve a fusão dos radicais com perda de parte dos sons origi-
nais, formando um termo que designa um produto ácido derivado do vinho.
A composição por aglutinação é um processo que demonstra como a língua pode criar palavras novas a par-
tir da combinação e modificação de elementos já existentes, resultando em termos que muitas vezes parecem
não estar diretamente relacionados às palavras de origem.
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Outros Processos de Formação de Palavras
Além dos processos de derivação e composição, a Língua Portuguesa apresenta outros mecanismos que
enriquecem o vocabulário e demonstram a capacidade de inovação e adaptação da língua. Esses processos,
embora menos comuns que os já mencionados, desempenham um papel importante na formação de palavras e
são responsáveis pela criação de termos que refletem sons, abreviações, combinações e influências de outras
línguas. Vamos explorar esses processos em detalhes.
▸ Onomatopeia
A onomatopeia é um processo que envolve a criação de palavras que imitam sons naturais ou ruídos do
ambiente. É uma forma de reproduzir, através da linguagem, sons que ocorrem em nossa realidade, utilizando
combinações de letras que se assemelham ao som representado. Esse processo é muito comum em histórias
em quadrinhos, poesias e na literatura infantil, onde há a necessidade de expressar sons de forma mais direta
e visual.
Exemplos:
▪ “tic-tac”: reproduz o som do relógio.
▪ “miau”: representa o som emitido por gatos.
▪ “zum-zum”: imita o som de insetos voando.
A onomatopeia é uma forma lúdica e expressiva de formação de palavras que contribui para a riqueza da
linguagem, trazendo mais vivacidade e realidade para a comunicação escrita.
Exemplos:
▪ “moto” (de “motocicleta”)
▪ “foto” (de “fotografia”)
▪ “prof” (de “professor” ou “professora”)
A abreviação não altera o significado da palavra original, mas a simplifica, tornando a comunicação mais ágil
e direta. Muitas dessas abreviações acabam sendo incorporadas definitivamente ao léxico da língua.
▸ Siglonimização
A siglonimização é o processo de formação de palavras a partir das iniciais de outras palavras, formando
siglas ou acrônimos. As siglas podem ser pronunciadas como uma única palavra ou letra por letra, dependendo
da estrutura e da sonoridade resultante. Esse processo é especialmente frequente na criação de nomes de
instituições, órgãos governamentais, empresas e produtos.
Exemplos:
▪ “INSS” (Instituto Nacional do Seguro Social)
▪ “ONU” (Organização das Nações Unidas)
▪ “USP” (Universidade de São Paulo)
A siglonimização permite a criação de termos mais curtos e práticos, facilitando a identificação e o uso de
nomes complexos no dia a dia.
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▸ Hibridismo
O hibridismo ocorre quando uma palavra é formada pela combinação de elementos provenientes de línguas
diferentes. Esse processo é reflexo da influência de outras culturas e idiomas sobre a Língua Portuguesa, re-
sultando em termos que carregam partes de radicais ou afixos de diferentes origens. O hibridismo é comum em
áreas técnicas, científicas e em neologismos, e evidencia o caráter multicultural do nosso idioma.
Exemplos:
▪ “automóvel” (grego “auto”, que significa “por si próprio”, e latim “móvel”, que significa “móvel”)
▪ “sociologia” (latim “socio”, que significa “sociedade”, e grego “logia”, que significa “estudo”)
Esse processo demonstra a capacidade da língua de integrar e adaptar elementos estrangeiros, enrique-
cendo seu vocabulário e ampliando sua expressividade.
Exemplos:
▪ “sofressor” (sofrer + professor): combina o sofrimento de ser professor, criando um termo humorístico.
▪ “aborrescente” (aborrecer + adolescente): termo que une o sentido de aborrecimento com o comporta-
mento típico da adolescência.
As palavras-valise refletem a flexibilidade e a criatividade da língua, permitindo a formação de expressões
únicas e bem-humoradas.
▸ Empréstimos Linguísticos
Embora não seja um processo de formação de palavras nativo, o uso de empréstimos linguísticos é uma
maneira de incorporar palavras de outras línguas ao vocabulário da Língua Portuguesa. A globalização e os
avanços tecnológicos facilitaram a entrada de termos estrangeiros, que são adaptados fonética e ortografica-
mente ao nosso idioma.
Exemplos:
▪ “mouse” (do inglês, utilizado em informática)
▪ “pizza” (do italiano, referente à comida)
Os empréstimos linguísticos enriquecem a língua, permitindo que ela acompanhe a evolução cultural e tec-
nológica da sociedade.
Os processos de formação de palavras que exploramos – onomatopeia, abreviação, siglonimização, hi-
bridismo, palavra-valise e empréstimos linguísticos – demonstram como a Língua Portuguesa é dinâmica e
adaptável.
Cada processo contribui para a diversidade e expressividade do idioma, refletindo a criatividade, a influência
cultural e a necessidade de acompanhar as mudanças do mundo moderno. Compreender esses mecanismos
é fundamental para quem deseja dominar a língua em toda a sua complexidade e riqueza.
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Classe de Palavras
Classes gramaticais são grupos de palavras que organizam o estudo da gramática. Isto é, cada palavra
existente na língua portuguesa condiz com uma classe gramatical, na qual ela é inserida em razão de sua
função. Confira abaixo as diversas funcionalidades de cada classe gramatical.
▸Artigo
É a classe gramatical que, em geral, precede um substantivo, podendo flexionar em número e em gênero.
Na frase, o artigo definido “a” esclarece que se trata do marido do sujeito “ela”, omitindo o pronome possessivo
dela.
▪ Expressão de valor aproximado: devido à sua natureza de generalização, o artigo indefinido inserido
antes de numeral indica valor aproximado. Mais presente na linguagem coloquial, esse emprego dos artigos
indefinidos representa expressões como “por volta de” e “aproximadamente”. Observe:
“Faz em média uns dez anos que a vi pela última vez.”
“Acrescente aproximadamente umas três ou quatro gotas de baunilha.”
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Contração de artigos com preposições:
Os artigos podem fazer junção a algumas preposições, criando uma única palavra contraída. A tabela abaixo
ilustra como esse processo ocorre:
PREPOSIÇÃO
de em a per/por
singular o do no ao pelo
masculino
ARTIGOS plural os dos nos aos pelos
DEFINIDOS singular a da na à pela
feminino
plural as das nas às pelas
singular um dum num
masculino
ARTIGOS plural uns duns nuns
INDEFINIDOS singular uma duma numa
feminino
plural umas dumas numas
▸Substantivo
Essa classe atribui nome aos seres em geral (pessoas, animais, qualidades, sentimentos, seres mitológicos
e espirituais). Os substantivos se subdividem em:
▪ Próprios ou Comuns: são próprios os substantivos que nomeiam algo específico, como nomes de pessoas
(Pedro, Paula, etc.) ou lugares (São Paulo, Brasil, etc.). São comuns aqueles que nomeiam algo de forma geral
(garoto, caneta, cachorro).
▪ Primitivos ou derivados: os substantivos derivados são formados a partir de palavras, por exemplo,
carreta, carruagem, etc. Já os substantivos primitivos não se originam de outras palavras, no caso de flor, carro,
lápis, etc.
▪ Concretos ou abstratos: os substantivos que nomeiam seres reais ou imaginativos, são concretos (cavalo,
unicórnio); os que nomeiam sentimentos, qualidades, ações ou estados são abstratos.
▪ Substantivos coletivos: são os que nomeiam os seres pertencentes ao mesmo grupo. Exemplos: manada
(rebanho de gado), constelação (aglomerado de estrelas), matilha (grupo de cães).
▸Adjetivo
É a classe de palavras que se associa ao substantivo, atribuindo-lhe caracterização conforme uma qualidade,
um estado e uma natureza, bem como uma quantidade ou extensão à palavra, locução, oração, pronome,
enfim, ao que quer que seja nomeado.
Os tipos de adjetivos
▪ Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regular);
apresenta mais de um radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, amarelo-limão).
▪ Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adjetivos
originados de verbo, substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: substantivo: morte →
adjetivo: mortal; verbo: lamentar → adjetivo: lamentável).
▪ Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou origem de uma pessoa (paulista, brasileiro,
mineiro, latino).
60
O gênero dos adjetivos
▪ Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, isto é, não flexionam em gênero. Exemplo:
“Fred é um amigo leal.” / “Ana é uma amiga leal.”
▪ Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que variam conforme o gênero. Exemplo: “Menino
travesso.” / “Menina travessa”.
Pronome adjetivo:
Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses pronomes alteram os substantivos aos
quais se referem. Assim, esse tipo de pronome flexiona em gênero e número para fazer concordância com os
substantivos. Exemplos: “Esta professora é a mais querida da escola.” (o pronome adjetivo esta determina o
substantivo comum professora).
Locução adjetiva:
Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, que, associadas, têm o valor de um único
adjetivo. Basicamente, consiste na união preposição + substantivo ou advérbio.
Exemplos:
▪ Criaturas da noite (criaturas noturnas).
▪ Paixão sem freio (paixão desenfreada).
▪ Associação de comércios (associação comercial).
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▸ Verbo
É a classe de palavras que indica ação, ocorrência, desejo, fenômeno da natureza e estado. Os verbos se
subdividem em:
Verbos regulares: são os verbos que, ao serem conjugados, não têm seu radical modificado e preservam
a mesma desinência do verbo paradigma, isto é, terminado em “-ar” (primeira conjugação), “-er” (segunda
conjugação) ou “-ir” (terceira conjugação). Observe o exemplo do verbo “nutrir”:
▪ Radical: nutr (a parte principal da palavra, onde reside seu significado).
▪ Desinência: “-ir”, no caso, pois é a terminação da palavra e, tratando-se dos verbos, indica pessoa (1a,
2 , 3a), número (singular ou plural), modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempo (pretérito, presente ou
a
futuro). Perceba que a conjugação desse no presente do indicativo: o radical não sofre quaisquer alterações,
tampouco a desinência. Portanto, o verbo nutrir é regular: Eu nutro; tu nutres; ele/ela nutre; nós nutrimos; vós
nutris; eles/elas nutrem.
▪ Verbos irregulares: os verbos irregulares, ao contrário dos regulares, têm seu radical modificado quando
conjugados e/ou têm desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma.
Exemplo: analise o verbo dizer conjugado no pretérito perfeito do indicativo: Eu disse; tu dissestes; ele/ela
disse; nós dissemos; vós dissestes; eles/elas disseram. Nesse caso, o verbo da segunda conjugação (-er) tem
seu radical, diz, alterado, além de apresentar duas desinências distintas do verbo paradigma”.
Se o verbo dizer fosse regular, sua conjugação no pretérito perfeito do indicativo seria: dizi, dizeste, dizeu,
dizemos, dizestes, dizeram.
▸Pronome
O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala),
a posse de um objeto e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os
pronomes podem suplantar o substantivo ou acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome
substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em: pessoais, possessivos, demonstrativos,
interrogativos, indefinidos e relativos.
Pronomes pessoais:
Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em
pronomes do caso reto (desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como
complemento), sendo que, para cada caso reto, existe um correspondente oblíquo.
Observe os exemplos:
▪ Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria.
▪ Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o que?
O forno.
Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na nos, e nas desempenham apenas
a função de objeto direto.
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Pronomes possessivos:
Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso.
Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós).
Pronomes de tratamento:
Tratam-se de termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o
pronome você. Eles têm a função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de
comunicação).
São divididos conforme o nível de formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome de tratamento
específico. Apesar de expressarem interlocução (diálogo), à qual seria adequado o emprego do pronome na
segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos pronomes de tratamento, os verbos devem ser usados em 3a
pessoa.
Pronomes demonstrativos:
Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo, ao espaço e à pessoa do discurso –
nesse último caso, o pronome determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em
gênero e número.
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Observe os exemplos:
“Esta caneta é sua?”
“Esse restaurante é bom e barato.”
“Aquela bolsa é sua.”
Pronomes Indefinidos:
Esses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do
discurso. Os pronomes indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis
(não flexionam). Analise os exemplos abaixo:
▪ Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefinida
ou não especificada).
▪ Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de
modo vago, pois não se sabe de qual convidado se trata.
▪ Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase
“criança”, sem especificá-lo.
▪ Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem
especificar de quais lojas se trata.
Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos:
Pronomes relativos
Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, sendo
importante, portanto, para prevenir a repetição indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o
qual, cujo, quanto) ou invariáveis (que, quem, onde).
Observe os exemplos:
▪ Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos
(“pessoas” e “história”) e se relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”).
▪ Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o
substantivo dito anteriormente (“problemas”).
Pronomes interrogativos:
Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e
indiretas. Exemplos:
“Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta)
“Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta)
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CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INTERROGATIVOS
VARIÁVEIS Qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que.
▸Advérbio
É a classe de palavras invariável que atua junto aos verbos, adjetivos e advérbios, com o objetivo de
modificar ou intensificar seu sentido, ao adicionar-lhes uma nova circunstância.
De modo geral, os advérbios exprimem circunstâncias de tempo, modo, lugar, qualidade, causa, intensidade,
oposição, aprovação, afirmação, negação, dúvida, entre outras noções. Confira na tabela:
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▸ Conjunção
As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado
ou oração e, com isso, estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados.
Em função dessa relação entre os termos conectados, as conjunções podem ser classificadas,
respectivamente e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras palavras, as conjunções
são um vínculo entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado uma maior clareza e precisão
ao enunciado.
▪ Conjunções coordenativas: observe o exemplo:
“Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e
chamaram o socorro.”
No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações
em um mesmo período: além de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há
relação de dependência entre ambas as sentenças, e que, para fazerem sentido, elas não têm necessidade uma
da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as relaciona, como coordenativa.
▪ Conjunções subordinativas: analise este segundo caso:
Não passei na prova, apesar de ter estudado muito.”
Neste caso, temos uma locução conjuntiva (duas palavras desempenham a função de conjunção). Além
disso, notamos que o sentido da segunda sentença é totalmente dependente da informação que é dada
na primeira. Assim, a primeira oração recebe o nome de oração principal, enquanto a segunda, de oração
subordinada. Logo, a conjunção que as relaciona é subordinativa.
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▪ Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a
conjunção subordinativa pode ser de dois subtipos:
1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto
indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se.
Exemplos:
“É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.”
“Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.”
2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância
adverbial relacionada à oração principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo:
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Conjunções
Introduzem uma oração indicando a finalidade
subordinativas A fim de que, para que.
da oração principal.
finais
▸Numeral
É a classe de palavra variável que exprime um número determinado ou a colocação de alguma coisa dentro
de uma sequência. Os numerais podem ser: cardinais (um, dois, três), ordinais (primeiro, segundo, terceiro),
fracionários (meio, terço, quarto) e multiplicativos (dobro, triplo, quádruplo). Antes de nos aprofundarmos em
cada caso, vejamos o emprego dos numerais, que tem três principais finalidades:
▪ Indicar leis e decretos: nesses casos, emprega-se o numeral ordinal somente até o número nono; após,
devem ser utilizados os numerais cardinais. Exemplos: Parágrafo 9° (parágrafo nono); Parágrafo 10 (Parágrafo
10).
▪ Indicar os dias do mês: nessas situações, empregam-se os numerais cardinais, sendo que a única
exceção é a indicação do primeiro dia do mês, para a qual deve-se utilizar o numeral ordinal. Exemplos:
dezesseis de outubro; primeiro de agosto.
▪ Indicar capítulos, séculos, capítulos, reis e papas: após o substantivo emprega-se o numeral ordinal
até o décimo; após o décimo utiliza-se o numeral cardinal. Exemplos: capítulo X (décimo); século IV (quarto);
Henrique VIII (oitavo); Bento XVI (dezesseis).
Os tipos de numerais:
▪ Cardinais: são os números em sua forma fundamental e exprimem quantidades.
▪ Exemplos: um, dois, dezesseis, trinta, duzentos, mil.
Alguns deles flexionam em gênero (um/uma, dois/duas, quinhentos/quinhentas).
Alguns números cardinais variam em número, como é o caso: milhão/milhões, bilhão/bilhões, trilhão/trilhões,
e assim por diante.
A palavra ambos(as) é considerada um numeral cardinal, pois significa os dois/as duas. Exemplo: Antônio e
Pedro fizeram o teste, mas os dois/ambos foram reprovados.
▪ Ordinais: indicam ordem de uma sequência (primeiro, segundo, décimo, centésimo, milésimo…), isto é,
apresentam a ordem de sucessão e uma série, seja ela de seres, de coisas ou de objetos.
Os numerais ordinais variam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos:
primeiro/primeira, primeiros/primeiras, décimo/décimos, décima/décimas, trigésimo/trigésimos, trigésima/
trigésimas.
Alguns numerais ordinais possuem o valor de adjetivo. Exemplo: A carne de segunda está na promoção.
▪ Fracionários: servem para indicar a proporções numéricas reduzidas, ou seja, para representar uma parte
de um todo. Exemplos: meio ou metade (½), um quarto (um quarto (¼), três quartos (¾), 1/12 avos.
Os números fracionários flexionam-se em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural).
Exemplos: meio copo de leite, meia colher de açúcar; dois quartos do salário-mínimo.
▪ Multiplicativos: esses numerais estabelecem relação entre um grupo, seja de coisas ou objetos ou coisas,
ao atribuir-lhes uma característica que determina o aumento por meio dos múltiplos. Exemplos: dobro, triplo,
undécuplo, doze vezes, cêntuplo.
Em geral, os multiplicativos são invariáveis, exceto quando atuam como adjetivo, pois, nesse caso, passam
a flexionar número e gênero (masculino e feminino). Exemplos: dose dupla de elogios, duplos sentidos.
▪ Coletivos: correspondem aos substantivos que exprimem quantidades precisas, como dezena (10
unidades) ou dúzia (12 unidades).
Os numerais coletivos sofrem a flexão de número: unidade/unidades, dúzia/dúzias, dezena/dezenas,
centena/centenas.
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▸Preposição
Essa classe de palavras cujo objetivo é marcar as relações gramaticais que outras classes (substantivos,
adjetivos, verbos e advérbios) exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas relações entre as unidades
linguísticas dentro do enunciado, as preposições não possuem significado próprio se isoladas no discurso.
Em razão disso, as preposições são consideradas uma classe gramatical dependente, ou seja, sua função
gramatical (organização e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que gera significado e
sentido, possua valor menor.
Locuções prepositivas:
Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e emprego de uma preposição. As principais locuções
prepositivas são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da preposição de, a ou com. Confira
algumas das principais locuções prepositivas.
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▸Interjeição
É a palavra invariável ou sintagma que compõe frases que manifestam, por parte do emissor do enunciado,
surpresa, hesitação, susto, emoção, apelo, ordem, etc. São as chamadas unidades autônomas, que usufruem
de independência em relação aos demais elementos do enunciado.
As interjeições podem ser empregadas também para exigir algo ou para chamar a atenção do interlocutor e
são unidades cuja forma pode sofrer variações como:
▪ Locuções interjetivas: são formadas por grupos e palavras que, associadas, assumem o valor de
interjeição. Exemplos: “Ai de mim!”, “Minha nossa!” Cruz credo!”.
▪ Palavras da língua: “Eita!” “Nossa!”
▪ Sons vocálicos: “Hum?!”, “Ué!”, “Ih…!”
Os tipos de interjeição:
De acordo com as reações que expressam, as interjeições podem ser de:
Significação de palavras
A significação das palavras é um aspecto fundamental da comunicação, sendo responsável por garantir que
a mensagem transmitida seja compreendida da maneira correta pelo interlocutor. Dentro da Gramática Norma-
tiva, esse estudo é abordado pela área da Semântica, que se dedica a investigar os diferentes sentidos que as
palavras podem assumir em diversos contextos.
Ao utilizarmos a língua portuguesa, as palavras não possuem um único significado; sua interpretação pode
variar conforme o contexto em que são inseridas, o tom do discurso ou até mesmo a intenção do emissor. Por
isso, compreender a significação das palavras é essencial para aprimorar a clareza e a precisão na comunica-
ção, especialmente em situações formais, como em provas de concursos públicos ou na redação de documen-
tos oficiais.
— Antônimo e Sinônimo
A compreensão de antônimos e sinônimos é fundamental para enriquecer o vocabulário e tornar a comuni-
cação mais variada e expressiva. Esses conceitos desempenham um papel crucial na produção textual e na in-
terpretação de textos, ajudando a evitar repetições indesejadas e a construir discursos mais coesos e precisos.
70
Antônimo: Palavras de Sentidos Opostos
Antônimos são palavras que possuem significados opostos ou contrários entre si. Eles são utilizados para
criar contrastes e realçar diferenças em um texto, contribuindo para a clareza e a força do discurso. A habilidade
de identificar e usar antônimos corretamente é uma ferramenta valiosa para quem deseja aprimorar a expres-
são escrita e oral.
Exemplos de Antônimos:
– Felicidade vs. Tristeza: A felicidade representa um estado de contentamento e alegria, enquanto a tris-
teza denota um estado de desânimo ou infelicidade.
– Homem vs. Mulher: Aqui, temos a oposição entre os gêneros, onde o homem representa o masculino e
a mulher, o feminino.
– Claro vs. Escuro: Estes termos indicam a presença ou ausência de luz, respectivamente.
Os antônimos também podem ser úteis na elaboração de comparações e na construção de argumentos. Por
exemplo, ao escrever uma redação, ao mostrar um ponto de vista negativo e depois contrastá-lo com um ponto
de vista positivo, a ideia é reforçada e o texto ganha em riqueza argumentativa.
Exemplos de Sinônimos:
– Felicidade: alegria, contentamento, júbilo.
– Homem: varão, macho, cavalheiro.
– Inteligente: sábio, esperto, perspicaz.
O uso adequado de sinônimos demonstra um domínio amplo do vocabulário e a capacidade de adaptar
a linguagem a diferentes contextos, o que é especialmente importante em redações de concursos públicos e
exames, nos quais a repetição excessiva de termos pode ser vista como uma limitação do repertório linguístico
do candidato.
— Contexto é fundamental: Nem sempre uma palavra pode ser substituída por um sinônimo sem alterar
o sentido original da frase. É essencial considerar o contexto em que a palavra está inserida antes de optar por
um sinônimo.
71
— Varie o vocabulário: Ao redigir um texto, evite a repetição excessiva de palavras. Utilize sinônimos para
enriquecer a linguagem e tornar o texto mais envolvente.
— Cuidado com os antônimos parciais: Nem sempre os antônimos possuem um sentido totalmente
oposto. Por exemplo, “quente” e “frio” são opostos, mas há outros graus de temperatura entre eles, como “mor-
no” e “gelado”.
— Considere o nível de formalidade: Nem todos os sinônimos são adequados para todos os contextos.
Em textos formais, como redações de concursos públicos, prefira sinônimos mais formais e evite gírias ou ex-
pressões coloquiais.
O uso consciente e estratégico de antônimos e sinônimos aprimora a qualidade da comunicação, tornan-
do-a mais eficaz, rica e adaptada ao propósito do discurso. Esses recursos, quando bem aplicados, refletem
um domínio aprofundado da língua portuguesa, contribuindo para uma expressão clara, precisa e impactante.
— Hipônimos e Hiperônimos
Os conceitos de hipônimos e hiperônimos são essenciais para compreender as relações de sentido e hie-
rarquia entre palavras na língua portuguesa. Essas relações semânticas ajudam a organizar o vocabulário de
forma mais lógica e estruturada, permitindo uma comunicação mais clara e precisa.
Exemplos de Hipônimos:
– Rosa, margarida e tulipa são hipônimos da categoria “flores”.
– Cachorro, gato e hamster são hipônimos de “animais domésticos”.
– Carro, moto e ônibus são hipônimos de “veículos”.
Os hipônimos permitem que a comunicação seja detalhada e enriquecida, possibilitando que o falante ou
escritor seja mais específico e preciso em suas colocações. Por exemplo, ao falar “Eu gosto de flores”, estamos
sendo genéricos, mas ao afirmar “Eu gosto de rosas”, o sentido torna-se mais específico e claro.
Exemplos de Hiperônimos:
– Flores é o hiperônimo que abrange rosa, margarida e tulipa.
– Animais domésticos é o hiperônimo que inclui cachorro, gato e hamster.
– Veículos é o hiperônimo que abrange carro, moto e ônibus.
Ao utilizar hiperônimos, é possível simplificar a comunicação e evitar repetições desnecessárias, especial-
mente quando queremos referir-nos a um grupo de itens ou conceitos de forma mais geral.
72
Diferença entre Hipônimos e Hiperônimos
A principal diferença entre hipônimos e hiperônimos reside no grau de especificidade. Os hipônimos são
mais específicos e detalhados, enquanto os hiperônimos são mais genéricos e abrangentes. A relação entre
hipônimos e hiperônimos é hierárquica, pois o hiperônimo está sempre em um nível superior ao dos hipônimos
na cadeia de significados.
Essa relação é semelhante à ideia de uma “árvore” semântica: o hiperônimo seria o “tronco” que dá origem
a vários “galhos”, que são os hipônimos. Essa analogia ajuda a entender como as palavras se conectam e or-
ganizam em campos de sentido.
73
— Conotação e Denotação
A distinção entre conotação e denotação é um dos aspectos mais importantes da Semântica, pois revela
como as palavras podem assumir diferentes significados dependendo do contexto em que são empregadas.
Esses dois conceitos são essenciais para entender a linguagem de maneira mais aprofundada e para inter-
pretar corretamente o sentido de textos, especialmente em exames de concursos públicos, onde a análise
semântica é bastante exigida.
Exemplo de Denotação:
– “O gato subiu no telhado.”
– Aqui, a palavra “gato” é usada em seu sentido literal, referindo-se ao animal felino que subiu no telhado.
Não há nenhuma interpretação além do que a palavra originalmente representa.
A linguagem denotativa é mais comum em textos técnicos, científicos, jornalísticos e informativos, onde a
clareza e a objetividade são fundamentais. Nesses tipos de textos, o emprego da denotação garante que a
mensagem seja compreendida de forma precisa, sem margem para interpretações dúbias.
Exemplo de Conotação:
– “João está com um pepino para resolver.”
– Aqui, a palavra “pepino” não está sendo usada no sentido literal de vegetal, mas sim no sentido figurado
de “problema” ou “dificuldade”, indicando que João enfrenta uma situação complicada.
Outro exemplo seria a frase “Ela tem um coração de ouro”, que não significa que a pessoa tem um órgão
feito de metal precioso, mas sim que ela é bondosa e generosa.
Exemplo Comparativo:
– Denotativo: “A criança pegou o peixe no rio.” Aqui, “peixe” refere-se literalmente ao animal aquático.
– Conotativo: “Ele ficou como um peixe fora d’água na reunião.” Neste caso, “peixe fora d’água” é uma
expressão que significa que a pessoa se sentiu desconfortável ou deslocada, sendo usada no sentido figurado.
Nos textos literários, a conotação é um recurso expressivo que permite a criação de imagens poéticas e
metafóricas, enriquecendo a narrativa e possibilitando múltiplas interpretações. Já nos textos informativos ou
científicos, a linguagem denotativa é preferida para garantir que a mensagem seja objetiva e direta.
74
— Aplicações Práticas de Conotação e Denotação em Provas de Concurso
Nas questões de interpretação de texto em concursos públicos, é comum encontrar perguntas que exigem
do candidato a habilidade de identificar se a palavra ou expressão está sendo utilizada de forma denotativa
ou conotativa. É importante prestar atenção nas pistas contextuais e no estilo do texto para distinguir o tipo de
linguagem que está sendo empregado.
Por exemplo, em uma questão que apresenta uma frase como “O projeto enfrentou diversas pedras no
caminho”, o candidato precisa perceber que “pedras no caminho” não se refere a pedras reais, mas sim a obs-
táculos ou dificuldades, caracterizando um uso conotativo.
— Ambiguidade
A ambiguidade é um fenômeno linguístico que ocorre quando uma palavra, frase ou expressão apresenta
mais de um sentido ou interpretação. Essa duplicidade de sentidos pode surgir de forma intencional, como um
recurso estilístico em textos literários ou publicitários, ou de maneira não intencional, resultando em falhas de
comunicação e mal-entendidos. Por isso, compreender a ambiguidade e saber evitá-la é essencial para uma
comunicação clara e precisa, especialmente em textos formais, como aqueles exigidos em concursos públicos.
O que é Ambiguidade?
A ambiguidade ocorre quando a estrutura linguística de uma frase permite interpretações diferentes, seja
em nível lexical (palavras isoladas) ou estrutural (construção da frase). Em outras palavras, uma frase ambígua
pode transmitir mais de um significado, e o contexto é fundamental para identificar qual sentido é o mais ade-
quado.
75
Exemplos de Ambiguidade:
– Ambiguidade Lexical: Ocorre quando uma palavra tem mais de um significado, e o contexto não deixa
claro qual é o sentido pretendido.
Exemplo: “João foi ao banco.”
A palavra “banco” pode significar tanto uma instituição financeira quanto um assento, e a frase não esclare-
ce qual das duas interpretações é a correta.
– Ambiguidade Estrutural: Ocorre quando a construção da frase permite múltiplas interpretações.
Exemplo: “A professora elogiou a aluna dedicada.”
A interpretação pode ser que a professora elogiou “a aluna que era dedicada” ou que a professora, que é
dedicada, elogiou a aluna.
76
– Leia o Texto em Voz Alta: Ao ler o texto em voz alta, fica mais fácil identificar construções que podem
causar dúvidas ou ambiguidades. Essa prática ajuda a perceber onde a mensagem pode ser mal interpretada.
Exemplo Publicitário:
Uma propaganda de móveis com a frase “Nossos móveis não duram”, que pode ser interpretada como:
– Os móveis não duram na loja porque são vendidos rapidamente devido ao preço baixo.
– Os móveis não têm boa qualidade e, portanto, não são duráveis.
Essa ambiguidade pode ser intencional para gerar curiosidade e provocar uma reflexão sobre o verdadeiro
significado da mensagem.
A ambiguidade, quando utilizada intencionalmente, pode ser um poderoso recurso estilístico que enriquece
a linguagem e torna a comunicação mais expressiva e interessante. No entanto, em contextos formais ou aca-
dêmicos, ela deve ser evitada para garantir a clareza e a precisão da mensagem.
Ao desenvolver a habilidade de identificar e corrigir ambiguidades, o estudante aprimora sua capacidade de
produzir textos bem estruturados e de interpretar mensagens de forma mais eficaz. Esse é um conhecimento
especialmente relevante para quem se prepara para concursos públicos, onde a clareza e a objetividade da
comunicação são fundamentais.
A compreensão da significação das palavras é um aspecto essencial do domínio da língua portuguesa e tem
impacto direto na qualidade da comunicação, seja na forma escrita ou oral. Os conceitos de antônimos e sinôni-
mos, hipônimos e hiperônimos, conotação e denotação, bem como a questão da ambiguidade, são ferramentas
que auxiliam na construção de textos mais ricos, claros e expressivos.
Ao entendê-los e aplicá-los corretamente, o falante ou escritor é capaz de transmitir mensagens de forma
mais precisa e de interpretar com maior profundidade o que lê ou ouve.
Em particular, o reconhecimento e a aplicação desses conceitos são fundamentais em situações formais,
como em provas de concursos públicos, redações e discursos profissionais, onde a clareza, a variedade de
vocabulário e a exatidão são habilidades valorizadas. Dominar os antônimos e sinônimos permite evitar repeti-
ções e enriquece a linguagem; o uso consciente de hipônimos e hiperônimos garante um discurso coerente e
adaptado ao grau de especificidade desejado; a distinção entre conotação e denotação permite uma interpreta-
ção mais precisa de textos; e, finalmente, a conscientização da ambiguidade previne mal-entendidos e melhora
a eficiência da comunicação.
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Portanto, estudar a significação das palavras é muito mais do que aprender conceitos teóricos; é aprimorar
a habilidade de se comunicar de maneira efetiva e de se relacionar com o mundo por meio da linguagem. Esse
conhecimento contribui para o desenvolvimento de um repertório linguístico mais amplo e para a capacidade
de adaptar a linguagem a diferentes contextos, objetivos e públicos, o que é uma competência essencial tanto
para a vida acadêmica quanto para o dia a dia.
O estudo da sintaxe é um dos pilares fundamentais para a compreensão da língua portuguesa, pois permite
que os estudantes entendam como as palavras se organizam em frases e orações para formar mensagens
com sentido completo. Ao adentrar no universo da sintaxe, é comum que muitos alunos se sintam intimidados,
especialmente ao confrontar conceitos como frase, oração e período. No entanto, compreender esses elemen-
tos é mais simples do que parece, e é essencial para aprimorar o uso da linguagem em situações cotidianas e,
especialmente, em contextos formais como provas de concursos públicos.
Uma análise sintática eficaz ajuda não apenas a identificar as partes que compõem uma oração, mas tam-
bém a entender como elas se relacionam para construir significados mais complexos. Por isso, a compreensão
da estrutura da oração e do período é fundamental para o domínio da escrita e interpretação de textos, além de
ser uma competência frequentemente cobrada em exames de língua portuguesa.
— Definições Básicas
Para compreender a estrutura da oração e do período, é necessário partir de três conceitos fundamentais:
frase, oração e período. Estes elementos constituem a base da análise sintática e servem como ponto de parti-
da para compreender como as palavras se organizam para formar enunciados com sentido completo.
Frase
A frase é um enunciado que transmite uma mensagem com sentido completo, podendo ser composta por
uma ou mais palavras. A característica essencial da frase é que ela não depende necessariamente da presença
de um verbo para transmitir a ideia que se pretende comunicar. Isso significa que expressões como interjeições,
saudações, ordens ou afirmações, desde que transmitam um pensamento acabado, são consideradas frases.
Exemplos:
– “Silêncio!”
– “Bom dia!”
– “Parabéns pela conquista!”
Como podemos ver, mesmo sem a presença de um verbo, essas frases cumprem seu papel comunicativo,
transmitindo mensagens claras.
Oração
A oração é um enunciado que possui um verbo ou uma locução verbal, formando uma unidade de sentido
em torno dessa estrutura verbal. A presença de pelo menos um verbo é indispensável para que um enunciado
seja classificado como oração. Assim, sempre que houver um verbo, haverá uma oração.
Exemplos:
– “O sol nasceu.”
– “Ela está estudando para o concurso.”
As orações se caracterizam por expressar um fato, uma ação, um estado ou um fenômeno, sendo capazes
de formar sentido mesmo de maneira isolada.
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Período
O período é uma estrutura que pode ser formada por uma ou mais orações e sempre tem início com letra
maiúscula e termina com um sinal de pontuação (ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, etc.).
Ele pode ser classificado em dois tipos:
– Período Simples: Formado por apenas uma oração, ou seja, apresenta um único verbo ou locução ver-
bal. É o caso das frases que expressam uma ideia de maneira direta e sem subdivisões.
Exemplo: “O gato dorme tranquilamente.”
– Período Composto: Formado por duas ou mais orações, ou seja, há a presença de mais de um verbo ou
locução verbal. O período composto representa uma estrutura mais complexa e pode expressar ideias que se
complementam, se explicam ou se opõem.
Exemplo: “O aluno estudou muito, mas não conseguiu passar no exame.”
Essas definições básicas são essenciais para entender como as palavras se conectam e interagem em uma
estrutura sintática mais ampla. A partir desse ponto, podemos aprofundar o estudo da oração, explorando seus
elementos internos e como eles se relacionam para formar períodos simples ou compostos.
— Estrutura da Oração
A oração, sendo a unidade central da sintaxe, é composta por diversos elementos que interagem para
construir um enunciado com sentido completo. Esses elementos desempenham funções específicas dentro da
oração e, ao serem analisados, revelam como a língua organiza pensamentos e ideias. Vamos detalhar os prin-
cipais componentes da estrutura da oração, começando pelos mais fundamentais e avançando para aqueles
que enriquecem o sentido e a função do enunciado.
Sujeito
O sujeito é o termo da oração sobre o qual se faz uma declaração ou se atribui uma característica. É ele que
concorda em número e pessoa com o verbo da oração, sendo, por isso, o ponto de partida da análise sintática.
Existem diferentes tipos de sujeito, como o sujeito simples (quando há apenas um núcleo), o sujeito composto
(com dois ou mais núcleos), o sujeito oculto (implícito na desinência verbal) e o sujeito indeterminado (quando
não é possível identificar claramente quem pratica a ação).
Exemplo:
– “Os alunos (sujeito) resolveram o problema.”
Predicado
O predicado é tudo o que se declara sobre o sujeito, ou seja, é a parte da oração que contém o verbo e os
complementos que atribuem ações, estados ou características ao sujeito. O predicado pode ser classificado
em três tipos:
– Predicado Verbal: Quando o núcleo do predicado é um verbo que indica ação.
– Exemplo: “O professor explicou a matéria.”
– Predicado Nominal: Quando há um verbo de ligação e o núcleo é um predicativo que atribui uma carac-
terística ao sujeito.
– Exemplo: “A situação está complicada.”
– Predicado Verbo-Nominal: Uma combinação do predicado verbal e do nominal, apresentando tanto um
verbo significativo quanto um predicativo do sujeito ou do objeto.
– Exemplo: “O atleta terminou a prova exausto.”
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— Complementos Verbais
Os complementos verbais são termos que completam o sentido do verbo, podendo ser diretos ou indiretos.
Sua função é agregar informações necessárias para que o sentido da ação ou do estado expresso pelo verbo
seja totalmente compreendido.
– Objeto Direto: Termo que se liga diretamente ao verbo transitivo sem o uso de preposição.
– Exemplo: “O aluno leu o livro.”
– Objeto Indireto: Termo que se liga ao verbo por meio de uma preposição.
– Exemplo: “Ela obedece às regras.”
Adjunto Adverbial
O adjunto adverbial é o termo que modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio, indicando circunstâncias de
tempo, lugar, modo, causa, intensidade, entre outras. Ele traz informações adicionais que enriquecem a ação
ou o estado descrito na oração.
Exemplo:
– “O professor falou claramente sobre o assunto.” (adjunto adverbial de modo)
Agente da Passiva
O agente da passiva é o termo que, em uma oração na voz passiva, indica quem praticou a ação verbal. Ele
aparece sempre acompanhado de uma preposição (por, de, etc.).
Exemplo:
– “O projeto foi concluído pelos engenheiros.”
Adjunto Adnominal
O adjunto adnominal é um termo que se junta a um substantivo, qualificando-o ou determinando-o, sem que
haja a intermediação de um verbo. Sua função é fornecer mais informações sobre o substantivo.
Exemplo:
– “As belas flores da primavera alegraram o ambiente.”
Complemento Nominal
Diferente do adjunto adnominal, o complemento nominal completa o sentido de substantivos, adjetivos ou
advérbios, estabelecendo uma relação mediada por preposição.
Exemplo:
– “Ele tem orgulho de sua trajetória.”
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— 3.9 Aposto
O aposto é um termo que explica, especifica, resume ou enumera outro termo da oração, acrescentando
mais informações. Pode aparecer isolado por vírgulas, dois-pontos ou travessões.
Exemplo:
– “Pedro, o meu amigo de infância, veio me visitar.”
— 3.10 Vocativo
O vocativo é o termo que se usa para chamar ou invocar um interlocutor, estando sempre separado do
restante da oração por vírgulas.
Exemplo:
– “Maria, venha aqui!”
A estrutura da oração é, portanto, uma combinação organizada desses elementos que, juntos, dão forma
e sentido ao enunciado, permitindo uma comunicação clara e precisa. A identificação correta desses compo-
nentes é essencial para o domínio da análise sintática e para a compreensão da língua portuguesa em sua
totalidade.
— Tipos de Orações
O estudo dos tipos de orações é fundamental para entender como as ideias se articulam dentro de um texto.
As orações podem ser classificadas de acordo com a relação que estabelecem entre si e com a função que
desempenham dentro do período. Elas se dividem, principalmente, em orações coordenadas e orações subor-
dinadas, cada uma apresentando características distintas que definem a estrutura e o sentido do enunciado.
Vamos explorar cada um desses tipos com suas particularidades.
Orações Coordenadas
As orações coordenadas são aquelas que, dentro de um período composto, apresentam autonomia em rela-
ção ao sentido, ou seja, não dependem uma da outra para serem compreendidas. Mesmo estando conectadas
por meio de conjunções, essas orações poderiam existir de forma independente. Elas se subdividem em dois
grupos principais:
– Orações Coordenadas Assindéticas: Não são conectadas por conjunções, mas sim por sinais de pon-
tuação, como a vírgula.
– Exemplo: “Ela estudou muito, passou no concurso.”
– Orações Coordenadas Sindéticas: São conectadas por conjunções e, de acordo com a ideia que trans-
mitem, podem ser classificadas em:
– Aditivas: Indicam soma ou adição de ideias.
– Exemplo: “Estudou durante horas e fez todos os exercícios.”
– Adversativas: Expressam contraste ou oposição.
– Exemplo: “Ele tentou explicar, mas ninguém o ouviu.”
– Alternativas: Apresentam alternativas ou escolhas.
– Exemplo: “Ora estuda para o concurso, ora descansa um pouco.”
– Conclusivas: Indicam uma conclusão ou consequência.
– Exemplo: “Estudou bastante, portanto, foi aprovado.”
– Explicativas: Justificam ou explicam uma afirmação anterior.
– Exemplo: “Estude, pois a prova será difícil.”
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Orações Subordinadas
As orações subordinadas, ao contrário das coordenadas, não possuem autonomia de sentido. Elas depen-
dem de uma oração principal para que seu sentido fique completo. Dentro dessa categoria, encontramos três
tipos principais, cada um com suas subdivisões e características específicas:
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– Concessivas: Expressam uma ideia de contraste ou oposição, apesar de um fato.
– Exemplo: “Embora estivesse cansado, continuou a estudar.”
– Finais: Indicam a finalidade ou o propósito da ação principal.
– Exemplo: “Estudou para que pudesse ser aprovado.”
– Proporcionais: Estabelecem uma relação de proporção com a ação principal.
– Exemplo: “Quanto mais estuda, mais aprende.”
– Temporais: Relacionam a ação principal com o tempo em que ocorre.
– Exemplo: “Quando chegou em casa, já era tarde.”
Os tipos de orações, sejam coordenadas ou subordinadas, desempenham um papel crucial na construção
da linguagem, permitindo que ideias sejam expressas de forma clara, organizada e detalhada. Compreender
essas classificações é fundamental para o domínio da análise sintática e para a interpretação e produção de
textos em língua portuguesa.
Para consolidar os conhecimentos sobre a estrutura e os tipos de orações, um quadro-resumo é uma exce-
lente ferramenta, pois facilita a visualização e a memorização dos conceitos apresentados. A seguir, temos um
quadro que sintetiza as informações essenciais sobre os principais elementos da oração, bem como a classifi-
cação das orações coordenadas e subordinadas.
Elementos da Oração
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Tipos de Orações Coordenadas
Estes quadros-resumos servem como uma ferramenta prática para consulta rápida, auxiliando na revisão e
reforço do conteúdo estudado. Ao reunir as principais informações de forma organizada, ele permite uma visão
clara e abrangente das orações e seus elementos, facilitando o processo de aprendizado e compreensão da
língua portuguesa.
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Compreender a estrutura da oração e do período é fundamental para o domínio da língua portuguesa, pois
é por meio desse conhecimento que podemos interpretar, construir e analisar textos de forma clara e precisa.
Ao longo deste estudo, exploramos a diferença entre frase, oração e período, destacando a relevância de cada
um na formação do sentido e da coesão textual. Além disso, investigamos os elementos que compõem a ora-
ção, como o sujeito, o predicado e os complementos verbais, bem como as diversas classificações dos tipos de
orações, tanto coordenadas quanto subordinadas.
Ao assimilar esses conceitos, o estudante desenvolve habilidades essenciais para interpretar textos de
maneira mais crítica e elaborar discursos mais estruturados, sejam eles orais ou escritos. A análise sintática,
apesar de parecer desafiadora à primeira vista, revela-se uma ferramenta poderosa para a compreensão do
funcionamento da língua e para o aprimoramento da comunicação.
Portanto, o estudo da estrutura da oração e do período não é apenas um requisito para provas e concursos,
mas também um investimento na capacidade de expressar ideias de maneira mais efetiva e coerente. Com
prática e dedicação, o conhecimento aqui apresentado servirá de base para um domínio cada vez mais apro-
fundado da língua portuguesa.
A concordância nominal e verbal é um dos pilares fundamentais para a correta aplicação da língua portugue-
sa. Trata-se da harmonização entre palavras dentro de uma oração, garantindo que os elementos se ajustem
em gênero (masculino/feminino), número (singular/plural) e pessoa. Esse mecanismo é essencial para que a
mensagem transmitida seja clara, precisa e compreensível, evitando ambiguidades e interpretações incorretas.
A concordância nominal diz respeito à relação de concordância entre o substantivo e seus determinantes,
como adjetivos, pronomes, numerais e artigos. Por exemplo, na frase “As meninas simpáticas chegaram cedo”,
os termos “as”, “simpáticas” e “meninas” concordam em gênero (feminino) e número (plural). Já a concordância
verbal se refere ao ajuste entre o sujeito da oração e o verbo, em termos de número e pessoa, como na frase
“Eles estudam para o concurso”, em que o verbo “estudam” está no plural, concordando com o sujeito “eles”.
Compreender e aplicar as regras de concordância nominal e verbal é crucial para quem deseja se comu-
nicar de forma efetiva e para aqueles que se preparam para concursos públicos, em que o domínio da norma
culta do idioma é frequentemente exigido.
— Concordância Nominal
A concordância nominal é a relação de ajuste entre os substantivos e os termos que a eles se referem,
como adjetivos, pronomes adjetivos, numerais e artigos. Essa relação deve obedecer às regras de gênero
(masculino/feminino) e número (singular/plural), de modo que os elementos concordem adequadamente dentro
da oração. A compreensão e aplicação da concordância nominal são essenciais para a construção de frases
corretas e para a elaboração de textos claros e coesos.
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Regras Gerais da Concordância Nominal
Para que a concordância nominal seja aplicada corretamente, é fundamental conhecer as principais regras:
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— Casos Especiais de Concordância Nominal
A concordância nominal apresenta algumas situações que fogem às regras gerais e exigem atenção es-
pecial. Esses casos peculiares são essenciais para o pleno domínio da norma culta, já que aparecem com
frequência em contextos formais e em provas de concursos públicos. Vamos analisar cada um deles de forma
detalhada.
– Exemplos:
– “Ela trouxe menos documentos do que o necessário.” (O termo “menos” não varia.)
– “Os soldados estão alerta para qualquer movimentação.” (O termo “alerta” permanece invariável.)
– Exemplos:
– “O discurso foi cheio de pseudointelectuais.”
– “Ele acredita ser um todo-poderoso.”
– Exemplos:
– “As cartas estão anexas ao e-mail.” (“anexas” concorda com “cartas”)
– “Eles mesmos resolveram o problema.” (“mesmos” concorda com “eles”)
– “Ela se mostrou muito agradecida e disse ‘muito obrigada’.” (Concordância de “obrigada” com o sujeito
feminino “ela”)
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Exemplos:
– “Eles estavam sós na sala de reunião.” (“sós” como adjetivo, concordando com “eles”)
– “Ela só queria um pouco de paz.” (“só” como advérbio, invariável)
– Exemplos:
– “É proibido entrada de pessoas não autorizadas.” (Invariável, sem artigo)
– “É proibida a entrada de pessoas não autorizadas.” (Variável, com artigo “a”)
Os casos especiais de concordância nominal representam nuances da língua portuguesa que demandam
atenção e prática para serem plenamente assimilados. São situações que, embora não sejam as mais comuns,
aparecem frequentemente em contextos formais e em provas, exigindo do falante ou candidato um conheci-
mento apurado da gramática normativa. Compreender esses casos e praticá-los é crucial para evitar erros e
garantir a fluência e a correção na expressão escrita e oral.
— Concordância Verbal
A concordância verbal é o mecanismo que estabelece a relação de ajuste entre o verbo e o sujeito da ora-
ção, respeitando as variações de número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª pessoa). A correta aplicação
das regras de concordância verbal é fundamental para a construção de frases gramaticalmente adequadas e
para a manutenção da clareza e da precisão na comunicação. Vamos explorar as principais regras e situações
especiais que envolvem a concordância verbal.
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Concordância com Sujeitos Formados por Coletivos
Quando o sujeito é um substantivo coletivo, o verbo geralmente permanece no singular.
Exemplo: “A multidão aplaudiu o espetáculo.”
– Embora “multidão” represente várias pessoas, o verbo fica no singular por se tratar de um sujeito coletivo.
– Exemplos:
– “A maioria dos alunos aprova a proposta.” (Concordância no singular com “a maioria”.)
– “A maioria dos alunos aprovam a proposta.” (Concordância no plural com “alunos”.)
Ambas as formas são aceitas, mas o contexto pode ditar a escolha.
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– Verbos impessoais: Verbos que indicam fenômenos da natureza ou expressões como “haver” no sentido
de existir são impessoais e permanecem na 3ª pessoa do singular.
– Exemplos: “Há muitos alunos na sala.” / “Nevou ontem à noite.”
– Concordância com “ser” e “parecer”: Quando ligados a expressões que indicam datas, horas e distân-
cias, a concordância segue o complemento.
– Exemplo: “Eram três horas da tarde.” / “São dez quilômetros até lá.”
A concordância verbal requer atenção às particularidades da língua, principalmente nas situações em que o
sujeito apresenta nuances ou exceções. Ao dominar essas regras, é possível construir frases corretas e claras,
evitando ambiguidades e equívocos comuns. A prática constante e a análise de exemplos variados são cami-
nhos eficazes para a assimilação e aplicação adequada da concordância verbal em contextos escritos e orais.
Silepse de Gênero
A silepse de gênero ocorre quando a concordância é feita com o gênero implícito, e não com o gênero gra-
matical da palavra. Essa forma de silepse é comum quando um termo masculino ou feminino está subentendi-
do, mas a palavra escrita está em outro gênero.
– Exemplos:
– ”Vossa Excelência está satisfeito com a decisão?”
– Neste exemplo, o pronome de tratamento “Vossa Excelência” é feminino, mas a concordância do adjetivo
“satisfeito” é feita com o gênero masculino da pessoa a quem se refere.
– Exemplos 2:
– ”Blumenau é famosa por suas festas.”
– Apesar de “Blumenau” ser um substantivo masculino, a concordância ocorre com o gênero subentendido
da cidade, que é feminino.
Silepse de Número
A silepse de número acontece quando a concordância verbal é feita com a ideia de plural ou singular que
está implícita na frase, em vez de seguir o número gramatical do sujeito que está explicitamente presente.
– Exemplos:
– ”O povo gritou e correram pelas ruas.”
– O sujeito “o povo” é singular, mas a concordância verbal “correram” está no plural, pois se refere às pes-
soas que compõem o povo.
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– Exemplos 2:
– ”A multidão estava ansiosa e aplaudiram o espetáculo.”
– “A multidão” é um substantivo coletivo no singular, mas o verbo “aplaudiram” concorda com o sentido plural
das pessoas que formam a multidão.
Silepse de Pessoa
Na silepse de pessoa, o verbo é conjugado de acordo com a pessoa gramatical que está subentendida na
frase, e não com a que está expressamente indicada. Esse tipo de silepse ocorre frequentemente em contextos
em que o falante inclui a si mesmo ou ao interlocutor na ação expressa pelo verbo.
– Exemplos 1:
– ”Os brasileiros sempre fomos otimistas.”
– Embora o sujeito “os brasileiros” esteja na 3ª pessoa do plural, o verbo “fomos” está na 1ª pessoa do plu-
ral, porque o falante se inclui no grupo.
– Exemplos 2:
– ”Todos na sala sabemos que o esforço vale a pena.”
– O sujeito “todos na sala” está na 3ª pessoa, mas o verbo “sabemos” aparece na 1ª pessoa do plural, indi-
cando que o falante se inclui no sujeito.
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A concordância nominal e verbal, juntamente com a concordância ideológica ou silepse, são elementos es-
senciais para o domínio da língua portuguesa em sua forma culta e estruturada. A compreensão e a aplicação
correta dessas regras garantem a clareza, a precisão e a elegância na comunicação, seja ela escrita ou falada.
A observância das normas de concordância contribui para a construção de textos coesos e coerentes, evitando
equívocos que possam comprometer a interpretação e a credibilidade do conteúdo, especialmente em contex-
tos formais, como redações de concursos, textos acadêmicos e comunicações profissionais.
Os casos especiais de concordância nominal e verbal, bem como os fenômenos que envolvem a silepse,
demonstram a riqueza e a flexibilidade da língua portuguesa. Ao assimilar essas nuances, os estudantes e
profissionais conseguem aprimorar sua capacidade de expressão, adaptando-se a diferentes contextos e tor-
nando-se mais eficazes ao transmitir suas ideias.
Portanto, o estudo constante e a prática são fundamentais para consolidar o entendimento dessas regras e
garantir o uso correto da concordância. Afinal, uma comunicação bem estruturada reflete não apenas conheci-
mento técnico, mas também respeito pela língua e pelo interlocutor. O domínio da concordância é um diferen-
cial que permite ao falante ou escritor expressar-se de maneira clara, objetiva e elegante, destacando-se em
qualquer ambiente que exija o uso proficiente da língua portuguesa.
A regência nominal e verbal é um dos tópicos mais relevantes da gramática da Língua Portuguesa, pois
desempenha um papel fundamental na compreensão e construção de frases de maneira correta e coerente. Ao
entender como se estabelecem as relações entre os termos de uma oração, o falante ou escritor torna-se capaz
de expressar suas ideias com maior precisão e clareza, evitando erros que podem comprometer o sentido do
que se quer transmitir.
A regência diz respeito à dependência que uma palavra tem em relação a outra para que o sentido da frase
se torne completo e compreensível. Quando falamos de regência nominal, tratamos das relações estabelecidas
pelos nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) com seus complementos. Já na regência verbal, o foco é a
relação entre o verbo e seus complementos, ou seja, como o verbo interage com outros elementos dentro de
uma oração.
Dominar as regras de regência é crucial para quem deseja se comunicar de forma eficaz, seja na escrita
ou na fala. Esta introdução tem o objetivo de apresentar as noções gerais sobre a regência nominal e verbal,
proporcionando uma base para o estudo aprofundado das regras, exemplos e aplicações práticas desses con-
ceitos ao longo do texto.
— Regência Nominal
A regência nominal é a área da gramática que estuda a relação de dependência que certos nomes (subs-
tantivos, adjetivos e advérbios) estabelecem com outras palavras dentro de uma oração. Essa dependência
é marcada, geralmente, pelo uso de preposições, que conectam o nome a um complemento, proporcionando
um sentido completo e claro à frase. Em outras palavras, a regência nominal mostra como um termo da oração
depende de outro para que o sentido da expressão seja bem definido.
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Nem todos os substantivos exigem preposição, mas muitos estabelecem uma relação de dependência com
outras palavras por meio delas, o que torna fundamental o seu correto uso para evitar construções gramaticais
inadequadas.
— Regência Verbal
A regência verbal é o estudo da relação entre o verbo (termo regente) e seus complementos (termos re-
gidos) dentro de uma oração. Para entender essa relação, é importante reconhecer como os verbos exigem
ou não a presença de uma preposição para se conectar aos seus complementos. A regência verbal, portanto,
estabelece como o verbo se relaciona com os objetos diretos e indiretos, bem como quais preposições são
necessárias para que essa relação seja gramaticalmente correta.
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Verbos Transitivos e Intransitivos
Antes de abordar a regência propriamente dita, é fundamental compreender a diferença entre verbos tran-
sitivos e intransitivos:
– Verbos Transitivos: São aqueles que necessitam de um complemento para que seu sentido seja com-
pleto. Esse complemento pode ser direto ou indireto:
– Verbo Transitivo Direto (VTD): Não exige preposição para ligar–se ao objeto.
– Exemplo: “Ela leu o livro.” (o complemento “o livro” está ligado diretamente ao verbo “leu”).
– Verbo Transitivo Indireto (VTI): Necessita de uma preposição para ligar–se ao complemento.
– Exemplo: “Ela gostou de música.” (o complemento “música” é ligado ao verbo “gostou” por meio da pre-
posição “de”).
– Verbo Transitivo Direto e Indireto (VTDI): Precisa de dois complementos, um com preposição e outro
sem.
– Exemplo: “Ele informou a todos sobre a reunião.” (“a todos” é objeto direto, e “sobre a reunião” é objeto
indireto).
– Verbos Intransitivos: Não necessitam de complemento para completar seu sentido.
– Exemplo: “O avião pousou.” (o verbo “pousou” tem sentido completo e não requer complementos).
– Assistir:
– No sentido de “ver” ou “presenciar”: é transitivo indireto e exige a preposição “a”, como no exemplo: “Ele
assistiu ao filme.”
– No sentido de “ajudar” ou “prestar assistência”: é transitivo direto e não requer preposição. Por exemplo:
“O médico assistiu o paciente.”
– Preferir:
– É sempre transitivo direto e exige a presença da preposição “a” quando há comparação.
– Exemplo: “Ela prefere café a chá.” (nunca se deve usar “do que” ou “ao invés de”).
– Aspirar:
– No sentido de “ter como objetivo”: é transitivo indireto e exige a preposição “a”.
– Exemplo: “Ela aspira a uma carreira de sucesso.”
– Namorar:
– É transitivo direto e não requer preposição.
– Exemplo: “Ele namora Maria.”
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– Obedecer / Desobedecer:
– São transitivos indiretos e exigem a preposição “a”.
– Exemplo: “Os alunos obedecem ao professor.”
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– Ansioso: exige a preposição “por”.
– Exemplo: “Ela está ansiosa por notícias.”
– Satisfeito: pode exigir “com” ou “por”, dependendo do contexto.
– Exemplo: “Ele está satisfeito com o resultado.” ou “Ela ficou satisfeita por ter participado.”
– Atento: exige a preposição “a”.
– Exemplo: “Fique atento a todas as instruções.”
– Agradar:
– No sentido de “fazer carinho” ou “satisfazer”, é transitivo direto (não exige preposição).
– Exemplo: “Ele agradou o cachorro.”
– No sentido de “ser agradável a alguém”, é transitivo indireto e exige a preposição “a”.
– Exemplo: “O discurso agradou a plateia.”
– Aspirar:
– No sentido de “ter como objetivo” ou “almejar”, é transitivo indireto e exige a preposição “a”.
– Exemplo: “Ele aspira a uma carreira bem–sucedida.”
– No sentido de “inalar”, é transitivo direto (não exige preposição).
– Exemplo: “Ela aspirou o perfume.”
– Assistir:
– No sentido de “ver”, é transitivo indireto e exige a preposição “a”.
– Exemplo: “Ela assistiu ao filme.”
– No sentido de “prestar assistência”, é transitivo direto (não exige preposição).
– Exemplo: “A enfermeira assistiu o paciente.”
– Chegar / Ir:
– Exigem a preposição “a”.
– Exemplo: “Ela chegou ao escritório cedo.”
– Esquecer / Lembrar:
– Quando são pronominais (esquecer–se / lembrar–se), exigem a preposição “de”.
– Exemplo: “Ela se esqueceu do aniversário.”
– Quando não são pronominais, não exigem preposição.
– Exemplo: “Ela esqueceu o documento.”
– Preferir:
– Exige a preposição “a” quando há comparação.
– Exemplo: “Prefiro chá a café.”
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– Namorar:
– É transitivo direto e não exige preposição.
– Exemplo: “Ela namora João há dois anos.”
– Acessível:
– Usa–se com “a”.
– Exemplo: “Aquela informação é acessível a todos.”
– Conforme:
– É utilizada sem preposição.
– Exemplo: “Ele agiu conforme as instruções.”
– Respeito:
– Pode ser “por” ou “a”.
– Exemplo: “Ele tem respeito por seus colegas.” ou “Ele demonstrou respeito a seus superiores.”
— Exemplos Práticos
Para reforçar o entendimento sobre a regência nominal e verbal, apresentaremos exemplos práticos que
ilustram o uso correto das preposições e das relações entre os termos em diferentes contextos. Cada exemplo
será seguido de uma breve explicação para esclarecer o motivo do uso de determinada preposição ou cons-
trução.
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– Dúvida acerca de:
– “Ele tinha dúvida acerca de suas intenções.”
– Explicação: O substantivo “dúvida” pode ser seguido da expressão “acerca de”, que complementa seu
sentido.
– Responsável por:
– “Ela é responsável por organizar o evento.”
- Explicação: O adjetivo “responsável” exige a preposição “por” para indicar a relação com a ação de “orga-
nizar o evento”.
– Preferir a:
– “Ela prefere chá a café.”
– Explicação: O verbo “preferir” é transitivo direto, mas quando há uma comparação, exige a preposição “a”
para ligar os elementos comparados.
– Lembrar–se de:
– “Ela se lembrou do compromisso.”
– Explicação: O verbo pronominal “lembrar–se” exige a preposição “de”. Como o complemento é “o compro-
misso”, temos a junção “de + o = do”.
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– Incorreto: “Estou em dúvida se faço ou não.”
– Correto: “Estou com dúvida se faço ou não.”
– Explicação: O substantivo “dúvida” exige o uso da preposição “com” em certas construções.
– Atento a:
– “Ele estava atento às explicações
— Conclusão
A compreensão e o domínio da regência nominal e verbal são essenciais para o uso correto e preciso da
Língua Portuguesa. Esses elementos gramaticais desempenham um papel crucial na construção de frases co-
erentes e bem estruturadas, garantindo que a mensagem seja transmitida de forma clara e sem ambiguidades.
A escolha adequada das preposições, bem como o entendimento das relações de dependência entre os termos
da oração, contribuem para a eficácia da comunicação, tanto na escrita quanto na fala.
Ao longo deste estudo, foi possível perceber como pequenas variações na regência podem alterar o sentido
de uma frase ou até mesmo torná-la gramaticalmente incorreta. Por isso, o conhecimento das regras e a prática
constante são fundamentais para evitar erros comuns e aprimorar a competência linguística.
Para aqueles que se preparam para concursos públicos ou desejam melhorar suas habilidades na Língua
Portuguesa, o aprofundamento na regência nominal e verbal deve ser uma prioridade. Assim, o domínio dessas
regras não só eleva a qualidade da expressão escrita e oral, mas também reflete um maior grau de proficiência
e profissionalismo no uso do idioma.
A crase é um dos fenômenos gramaticais mais desafiadores da Língua Portuguesa para muitos estudantes.
Trata-se da fusão de duas vogais idênticas, que resulta no uso do acento grave (`à`). Essa fusão ocorre quan-
do a preposição “a” se encontra com um artigo definido feminino “a(s)” ou com pronomes demonstrativos que
também começam com “a”. O uso correto da crase é essencial para garantir a clareza e a precisão na escrita,
evitando ambiguidades e mal-entendidos.
Em termos práticos, a crase pode ser entendida como a junção de palavras em construções específicas,
como *”Vou à festa”* (preposição “a” + artigo “a”). Além disso, o uso do sinal indicativo da crase é obrigatório
em várias situações, como antes de palavras femininas, em locuções prepositivas e expressões fixas. Por outro
lado, há casos em que a crase jamais deve ser utilizada, como antes de substantivos masculinos, pronomes e
verbos no infinitivo.
Compreender as regras que determinam o uso e a ausência da crase é fundamental para quem deseja es-
crever de forma correta e sofisticada.
— Uso da Crase
O emprego correto da crase é regido por uma série de regras e situações específicas em que ocorre a fu-
são da preposição “a” com um artigo, pronome ou expressão. A seguir, exploraremos em detalhes os principais
contextos que exigem o uso da crase.
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Antes de Palavras Femininas
O uso da crase é obrigatório antes de palavras femininas que aceitam o artigo definido “a” e que são pre-
cedidas por uma preposição “a”. Nesse caso, ocorre a junção dessas duas vogais idênticas, formando o “à”. É
importante lembrar que a palavra deve necessariamente ser feminina para que a crase seja empregada.
Exemplos:
– “Dirigi-me à escola para entregar os documentos.”
– “Referiu-se à situação com muita clareza.”
Aqui, o uso da crase se justifica pela presença simultânea da preposição “a” e do artigo definido feminino
“a”. Quando a palavra posterior não admite o artigo ou não é feminina, não ocorre a crase.
Exemplos:
– “Ele cozinhou à moda francesa.” (Entende-se “à moda da culinária francesa”)
– “Fiz uma dança à Michael Jackson.” (Aqui, a locução “à moda de” está implícita)
Este uso ressalta a flexibilidade e a importância da crase ao transmitir expressões idiomáticas e construções
com sentido comparativo ou de estilo.
Expressões Fixas
Existem certas expressões na Língua Portuguesa em que a crase é obrigatória, independentemente do con-
texto. Essas expressões são chamadas de “expressões fixas” e geralmente se tratam de locuções adverbiais,
prepositivas ou conjuntivas que possuem um núcleo feminino.
Exemplos:
– “Refiro-me àquela aluna que se destacou na aula.”
– “Entreguei o trabalho àquele professor.”
100
Nesse contexto, a presença da crase é essencial para indicar que existe uma relação de regência que exige
a preposição “a”.
Em Indicações de Horas
Ao expressar horas específicas, a crase é utilizada quando a indicação de tempo vem precedida de prepo-
sição e seguida por um numeral que aceita o artigo feminino “a(s)”.
Exemplos:
– “A reunião está marcada para às 14h.”
– “Chegaremos à uma da tarde.”
Note que, se a expressão for genérica, como “de manhã” ou “ao meio-dia”, não haverá crase, pois o contex-
to não admite o artigo feminino “a”.
Exemplos:
– “Fui à Bahia nas férias.” (Dizemos “Fui para a Bahia”, por isso há crase)
– “Viajarei a Portugal.” (Não usamos artigo com “Portugal”, então não há crase)
A aplicação da crase é uma questão de observar a combinação entre a preposição “a” e elementos que
exijam o artigo feminino “a”. Conhecer e reconhecer os padrões de uso ajuda a evitar equívocos comuns e a
empregar o sinal indicativo da crase de forma precisa e correta.
Exemplos:
– “Ele foi a pé ao trabalho.”
– “Assisti a um filme incrível.”
Note que mesmo em expressões que aparentam necessitar de crase, a presença de um substantivo mas-
culino impede seu uso, já que o artigo definido seria, nesse caso, “o”, e não “a”.
101
Exemplos:
– “Gosta de ir a festas durante o fim de semana.” (Refere-se a festas de modo geral, sem especificidade)
– “Não fiz referência a crianças na discussão.” (Crianças de forma genérica, sem artigo definido)
Nessas construções, a ausência do artigo torna impossível a formação da crase, pois não há fusão com a
preposição.
Exemplos:
– “Vou a uma festa hoje à noite.”
– “Comparecemos a uma reunião inesperada.”
Em ambas as frases, a presença de “uma” deixa claro que não há a fusão da preposição com um artigo
definido feminino, descartando o uso da crase.
Antes de Pronomes
Em geral, a crase não deve ser utilizada antes de pronomes pessoais, de tratamento, indefinidos ou de-
monstrativos. Como esses pronomes não admitem a combinação com o artigo “a”, a crase não é possível.
Entretanto, vale ressaltar que, em casos envolvendo pronomes possessivos femininos, o uso da crase é facul-
tativo e depende do contexto e da escolha do autor.
Exemplos:
– “Enviei a mensagem a ela.” (Pronome pessoal)
– “Não fiz alusão a esta situação.” (Pronome demonstrativo)
A exceção ocorre quando a combinação resulta em uma construção que permite a fusão, mas, de modo
geral, a regra é não utilizar a crase antes desses pronomes.
Exemplos:
– “Comecei a estudar para o concurso.”
– “Ele foi convidado a participar do evento.”
Como não há um artigo feminino “a” acompanhando o verbo, a crase é inaplicável nesses casos.
102
Exemplos:
– “Vou a Brasília amanhã.” (Dizemos “Vou para Brasília”, sem artigo)
– “Viajaremos a Salvador no próximo mês.” (Sem artigo também)
Assim, a crase só aparece se o nome da cidade naturalmente admite a combinação com o artigo definido
“a”.
Exemplos:
– “O projeto foi desenvolvido de porta a porta.”
– “Ele caminhou de mão a mão.”
A construção dessas expressões não exige a presença do artigo feminino, portanto, a crase não ocorre.
O uso adequado da crase implica, sobretudo, identificar as situações em que a junção da preposição “a”
com o artigo feminino “a(s)” não acontece. Compreender essas exceções é crucial para evitar erros comuns e
garantir uma comunicação escrita precisa e alinhada com a norma culta da Língua Portuguesa.
— Conclusão
O uso da crase é um aspecto da Língua Portuguesa que requer atenção e compreensão das regras que
orientam sua aplicação. Trata-se de um elemento essencial para a clareza e a correção gramatical, uma vez
que a crase evita ambiguidades e confere precisão ao texto, permitindo ao leitor identificar a relação entre as
palavras e a ideia transmitida.
Ao longo deste estudo, vimos que a crase ocorre em situações específicas, como antes de palavras femini-
nas, em locuções prepositivas e em expressões fixas, além de outras ocorrências em construções mais com-
plexas, como com pronomes demonstrativos e em indicações de horas. Por outro lado, é igualmente importante
saber identificar os contextos em que a crase não deve ser utilizada, como antes de substantivos masculinos,
artigos indefinidos, pronomes e verbos no infinitivo.
A correta aplicação da crase vai muito além de decorar regras: envolve o entendimento do funcionamento
da língua e de como os elementos se combinam para formar construções claras e eficazes. O domínio dessas
regras é, portanto, um diferencial para quem deseja escrever com precisão e elegância. Com a prática e o es-
tudo contínuo, o uso da crase deixa de ser um desafio e se torna uma ferramenta poderosa para aprimorar a
comunicação escrita.
Colocação pronominal
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- Formular perguntas ou indicar indefinição.
Exemplo:
Maria disse que ela não virá hoje. (O pronome “ela” substitui “Maria”)
Agora, vamos explorar a classificação dos pronomes, que é um dos pontos mais cobrados nas provas de
concursos públicos.
Pronomes Pessoais:
Substituem os substantivos e indicam as pessoas do discurso:
Pronomes Possessivos:
Indicam posse em relação às pessoas do discurso.
Pronomes Demonstrativos
Indicam a posição de algo em relação às pessoas do discurso.
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Regra prática:
- Este → Indica algo presente ou que será citado: “Este é um problema grave.”
- Esse → Refere-se a algo já mencionado: “Esse erro foi corrigido.”
- Aquele → Indica algo distante no tempo ou espaço: “Aquele dia foi inesquecível.”
Pronomes Relativos:
Substituem um termo anterior e introduzem uma oração subordinada.
Pronome Exemplo
que O livro que comprei é ótimo.
quem A professora a quem me refiro é excelente.
cujo, cuja Li um livro cujo autor é famoso.
onde A cidade onde nasci é linda.
o qual, a qual A decisão pela qual lutei foi aprovada.
Pronomes Interrogativos?
Usados para formular perguntas diretas ou indiretas.
Quem → “Quem fez isso?”
Que → “Que dia é hoje?”
Qual, quais → “Qual é o seu nome?”
Quanto, quanta, quantos, quantas → “Quanto custa?”
Pronomes Indefinidos:
Referem-se a seres de modo vago, sem especificação.
Singular Plural
algum, alguma alguns, algumas
nenhum, nenhuma nenhuns, nenhumas
muito, muita muitos, muitas
pouco, pouca poucos, poucas
certo, certa certos, certas
outro, outra outros, outras
qualquer quaisquer
todo, toda todos, todas
vários, várias —
Exemplos:
“Alguém ligou para você.” (Pessoa indefinida.)
“Nenhum aluno faltou à aula.” (Negação.)
105
Uso Correto dos Pronomes:
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Outros exemplos:
REGÊNCIA PRONOMINAL
A regência pronominal estuda a relação entre os pronomes e os verbos que os acompanham. Em alguns
casos, a regência exige o uso de preposição.
Erro comum:
“Ela falou eu.”
“Ela falou de mim.”
107
Regência dos Pronomes Demonstrativos
Os pronomes isso, isto, aquilo muitas vezes exigem preposição antes deles, dependendo do verbo.
“Lembre-se de que isso é importante.”
“Tenho certeza de que isto está correto.”
Erro comum:
“Tenho certeza que isso está correto.” (Falta a preposição “de”)
DIFERENÇA ENTRE PRONOMES OBLÍQUOS ÁTONOS E TÔNICOS
Os pronomes oblíquos átonos não vêm precedidos de preposição e costumam funcionar como complemen-
to direto ou indireto.
Erro comum:
“Ele disse para eu sair.” (Errado)
“Ele disse para mim sair.” (Correto – “mim” após preposição)
A concordância e regência dos pronomes são temas repletos de pegadinhas em concursos. Para dominar
esse assunto:
Estude preposição + pronome com atenção.
Pratique pronomes relativos com regência verbal.
Revise pronomes oblíquos átonos e tônicos.
— Ambiguidade
A ambiguidade é um fenômeno linguístico que ocorre quando uma palavra, frase ou expressão apresenta
mais de um sentido ou interpretação. Essa duplicidade de sentidos pode surgir de forma intencional, como um
recurso estilístico em textos literários ou publicitários, ou de maneira não intencional, resultando em falhas de
comunicação e mal-entendidos. Por isso, compreender a ambiguidade e saber evitá-la é essencial para uma
comunicação clara e precisa, especialmente em textos formais, como aqueles exigidos em concursos públicos.
O que é Ambiguidade?
A ambiguidade ocorre quando a estrutura linguística de uma frase permite interpretações diferentes, seja
em nível lexical (palavras isoladas) ou estrutural (construção da frase). Em outras palavras, uma frase ambígua
pode transmitir mais de um significado, e o contexto é fundamental para identificar qual sentido é o mais ade-
quado.
Exemplos de Ambiguidade:
– Ambiguidade Lexical: Ocorre quando uma palavra tem mais de um significado, e o contexto não deixa
claro qual é o sentido pretendido.
Exemplo: “João foi ao banco.”
108
A palavra “banco” pode significar tanto uma instituição financeira quanto um assento, e a frase não esclare-
ce qual das duas interpretações é a correta.
– Ambiguidade Estrutural: Ocorre quando a construção da frase permite múltiplas interpretações.
Exemplo: “A professora elogiou a aluna dedicada.”
A interpretação pode ser que a professora elogiou “a aluna que era dedicada” ou que a professora, que é
dedicada, elogiou a aluna.
109
Ambiguidade e Figuras de Linguagem
A ambiguidade também pode ser utilizada como figura de linguagem em textos literários ou publicitários,
gerando efeitos de humor, ironia ou suspense. Quando usada de forma consciente, a ambiguidade pode enri-
quecer o texto, tornando-o mais interessante e criativo.
Por exemplo, a ambiguidade é frequentemente explorada em trocadilhos, charadas e piadas:
– Trocadilho: “É verdade que o padeiro é muito pão–duro?”
– A palavra “pão–duro” pode significar tanto alguém avarento quanto fazer referência ao fato de o padeiro
trabalhar com pão.
Exemplo Publicitário:
Uma propaganda de móveis com a frase “Nossos móveis não duram”, que pode ser interpretada como:
– Os móveis não duram na loja porque são vendidos rapidamente devido ao preço baixo.
– Os móveis não têm boa qualidade e, portanto, não são duráveis.
Essa ambiguidade pode ser intencional para gerar curiosidade e provocar uma reflexão sobre o verdadeiro
significado da mensagem.
A ambiguidade, quando utilizada intencionalmente, pode ser um poderoso recurso estilístico que enriquece
a linguagem e torna a comunicação mais expressiva e interessante. No entanto, em contextos formais ou aca-
dêmicos, ela deve ser evitada para garantir a clareza e a precisão da mensagem.
Ao desenvolver a habilidade de identificar e corrigir ambiguidades, o estudante aprimora sua capacidade de
produzir textos bem estruturados e de interpretar mensagens de forma mais eficaz. Esse é um conhecimento
especialmente relevante para quem se prepara para concursos públicos, onde a clareza e a objetividade da
comunicação são fundamentais.
Transitividade verbal
Os verbos são palavras que expressam ações, estados ou fenômenos da natureza. Eles são a base da
comunicação verbal, pois estruturam as orações e indicam a relação temporal entre os fatos.
Estrutura do Verbo
Os verbos são compostos por três partes principais:
110
Radical, Vogal Temática e Desinências
Conjugação Verbal
Os verbos podem ser divididos em três grupos, conforme a vogal temática:
• 1ª conjugação: terminados em -AR (cantar, falar, estudar).
• 2ª conjugação: terminados em -ER (vender, correr, beber).
• 3ª conjugação: terminados em -IR (partir, dormir, sorrir).
Cuidado! O verbo “pôr” e seus derivados (“compôr”, “supor”) pertencem à 2ª conjugação, pois ori-
ginalmente eram escritos como “poer”.
111
Pegadinha comum:
- “Ele assistiu o filme.” (Errado)
- “Ele assistiu ao filme.” (Correto – verbo “assistir” no sentido de “ver” exige preposição.)
Verbos Abundantes
São verbos que possuem duas ou mais formas no particípio:
Uso correto:
- Com os auxiliares “ter” e “haver”, usa-se o particípio regular: “Eu havia aceitado a proposta.”
- Com os auxiliares “ser” e “estar”, usa-se o particípio irregular: “A proposta foi aceita.”
112
CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA VERBAL
Os verbos são o núcleo das orações e, para usá-los corretamente, é essencial entender as regras de con-
cordância e regência verbal.
• Concordância verbal: o verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito da oração.
• Regência verbal: estuda a relação entre o verbo e seus complementos, podendo exigir ou não preposição.
Concordância Verbal
A concordância verbal acontece quando o verbo se flexiona para concordar com o sujeito em número (sin-
gular/plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª).
Casos Gerais
Regra básica: O verbo concorda com o núcleo do sujeito.
“O aluno estuda para concursos.” (sujeito singular → verbo no singular)
“Os alunos estudam para concursos.” (sujeito plural → verbo no plural)
Erro comum em provas:
“Os alunos estuda para concursos.” (Erro de concordância)
“Os alunos estudam para concursos.” (Certo)
Sujeito Simples
Se houver um único núcleo, o verbo concorda com ele.
Exemplos:
- “A professora explicou a matéria.”
- “O diretor e a coordenadora aprovaram a mudança.” (Sujeito composto → verbo no plural)
Pegadinha:
“Nem o aluno nem o professor faltaram.” (Verbo no plural porque o sujeito é composto.)
“Ou o aluno ou o professor faltará.” (Quando há “ou”, o verbo concorda com o mais próximo.)
Sujeito Composto
O verbo concorda com o sujeito no plural, mas há exceções:
Caso Regra Exemplo
Núcleos no singular Verbo no plural "O professor e o aluno saíram cedo."
Núcleos unidos por "ou" Concorda com o mais próximo "Ou João ou Pedro será promovido."
"A angústia e o desespero tomou
Núcleos sinônimos Verbo no singular
conta dele."
Sujeito Coletivo
Quando o sujeito é um substantivo coletivo, o verbo fica no singular.
Exemplos:
“A multidão aplaudiu o cantor.” (Sujeito coletivo → verbo no singular.)
113
“O grupo de alunos saiu cedo.” (O núcleo “grupo” está no singular.)
Exceção: Se o coletivo vier especificado, o verbo pode ir para o plural.
“A maioria dos alunos aprovou o projeto.” (Certo – verbo no singular.)
“A maioria dos alunos aprovaram o projeto.” (Certo – verbo no plural enfatizando os alunos.)
Verbos Impessoais
Os verbos impessoais são aqueles que não possuem sujeito, ficando sempre no singular.
Tipo Exemplo
Verbos que indicam fenômenos da natureza "Choveu muito ontem."
"Haver" no sentido de existir "Havia muitos alunos na sala."
"Fazer" indicando tempo "Faz dois anos que estudo."
Pegadinha comum:
- “Haviam muitos alunos na sala.” (Errado – “haver” é impessoal.)
- “Havia muitos alunos na sala.” (Certo.)
Regência Verbal
A regência verbal estuda a relação entre o verbo e seus complementos, podendo exigir preposição.
Tipo Exemplo
Verbo Transitivo Direto (VTD) (não exige preposição) "Ele comprou um livro."
Verbo Transitivo Indireto (VTI) (exige preposição) "Ele gosta de música."
Verbo Transitivo Direto e Indireto (VTDI) (exige objeto com e
"Ele informou a todos a novidade."
sem preposição)
Erro comum:
Pegadinhas comuns:
- “Ela obedece as regras.” (Errado – falta a preposição “a.”)
- “Ela obedece às regras.” (Certo – uso da preposição “a.”)
114
Produção textual utilizando a norma culta
A análise linguística é uma ferramenta essencial para compreender como a língua funciona em diferentes
contextos e formas de uso. Ela examina desde as normas estabelecidas até as variações que ocorrem na
prática cotidiana, revelando como a língua reflete a diversidade social, cultural e tecnológica de seus falantes.
Entre os aspectos mais importantes para essa análise estão a distinção entre a norma culta e as variedades
linguísticas, a complexa relação entre oralidade e escrita, e o impacto da linguagem da internet no uso contem-
porâneo do idioma. Esses temas abordam tanto o funcionamento da língua em situações formais e informais
quanto as mudanças que ela sofre em resposta às inovações tecnológicas e às interações sociais nas platafor-
mas digitais.
A compreensão dessas questões é fundamental para entender como a língua se adapta e evolui, espe-
cialmente em um mundo globalizado e digital. Ao analisar esses aspectos, é possível ver como as regras da
língua padrão coexistem com as variações linguísticas e como a linguagem está em constante transformação,
moldada pelas novas formas de comunicação e pela multiplicidade de seus falantes.
115
A escrita, por sua vez, é uma forma secundária da língua, mais estruturada e formal. Ela exige maior pla-
nejamento e revisão, já que a comunicação escrita não permite as correções imediatas da fala. Além disso, a
escrita é frequentemente associada à permanência e à formalidade, sendo usada em textos acadêmicos, jurí-
dicos, literários, entre outros. Por ser uma forma mais controlada de expressão, a escrita segue com mais rigor
as normas da gramática, o que a diferencia da fala cotidiana.
No entanto, a relação entre oralidade e escrita é complexa e fluida. Com o surgimento de novas tecnologias
e formas de comunicação, a linha que separa essas duas modalidades tornou-se mais tênue. Na internet, por
exemplo, vemos uma mistura entre as características da fala e da escrita. A linguagem usada em aplicativos
de mensagens, redes sociais e e-mails tende a ser mais informal, incorporando elementos da oralidade, como
abreviações, gírias e emojis. Isso cria uma forma de escrita mais próxima da espontaneidade da fala, que de-
safia as normas tradicionais da escrita formal.
Um exemplo clássico dessa aproximação entre oralidade e escrita são as conversas em aplicativos de men-
sagens, onde frases curtas, sem a pontuação adequada, ou mesmo o uso de emoticons substituem expressões
orais, permitindo uma comunicação rápida e eficiente, ainda que distante da norma culta escrita. Assim, a inter-
net tem transformado a maneira como percebemos e usamos a língua, aproximando cada vez mais as formas
oral e escrita.
A Linguagem da Internet
A linguagem da internet é uma das manifestações mais contemporâneas e dinâmicas da língua. Ela surge
como resultado das inovações tecnológicas que mudaram a forma como as pessoas se comunicam, permitindo
uma interação mais rápida, acessível e global. A internet trouxe consigo novos gêneros textuais e novas formas
de expressão que desafiam as convenções tradicionais de escrita e oralidade.
Um dos aspectos mais marcantes da linguagem da internet é o uso de abreviações e siglas que surgiram
para agilizar a comunicação em plataformas digitais. Termos como “vc” (você), “tb” (também), “rs” (risos) e “kkk”
(risadas) são amplamente usados em conversas online, especialmente em contextos informais. Essas simplifi-
cações refletem a necessidade de rapidez e eficiência na comunicação virtual, em que a linguagem se adapta
às limitações de tempo e espaço.
Além das abreviações, outro aspecto da linguagem da internet é a presença de emojis e GIFs, que são
usados para expressar emoções e complementar o conteúdo textual. Esses elementos visuais atuam como
substitutos de aspectos da comunicação oral, como a entonação e a expressão facial, que não estão presentes
na escrita. Assim, emojis e GIFs ajudam a transmitir o tom e o humor da mensagem, evitando mal-entendidos
que podem ocorrer em uma comunicação puramente textual.
A linguagem da internet também é caracterizada pelo neologismo, ou seja, a criação de novas palavras e
expressões que emergem no contexto digital. Expressões como “selfie”, “influencer”, “hashtag” e “cancelar” as-
sumiram novos significados no ambiente online, muitas vezes refletindo comportamentos sociais e tendências
culturais que se originam e se espalham nas redes sociais.
A linguagem digital ainda desafia as normas tradicionais de ortografia e gramática. Em redes sociais como
Twitter ou em aplicativos de mensagens, a informalidade predomina, levando a uma flexibilidade na escrita que
seria inaceitável em contextos formais. Isso, no entanto, não significa que a linguagem da internet seja caótica
ou sem regras. Pelo contrário, ela segue normas próprias, criadas e compartilhadas pelos usuários, que enten-
dem e utilizam essas convenções para garantir a eficácia da comunicação em contextos específicos.
Embora essa linguagem seja considerada inadequada para textos formais, como os acadêmicos ou profis-
sionais, ela representa a inovação e a adaptação da língua às novas necessidades comunicativas. A internet é
um espaço em que a língua é constantemente transformada, e isso mostra como o português é flexível e capaz
de se ajustar a diferentes meios e situações.
A análise linguística de temas como a norma culta e as variedades linguísticas, a relação entre oralidade
e escrita, e a linguagem da internet revela a incrível flexibilidade e dinamismo da língua portuguesa. A coexis-
tência da norma culta com as variações regionais e sociais mostra a pluralidade de expressões que refletem
a diversidade de seus falantes. Da mesma forma, a interação entre oralidade e escrita, especialmente no con-
texto digital, destaca como a língua se adapta às novas formas de comunicação e às demandas tecnológicas.
116
A linguagem da internet, com suas abreviações, neologismos e emoticons, desafia as normas tradicionais,
mas também mostra a criatividade dos usuários em reinventar a língua para atender às necessidades da co-
municação online. Essas mudanças revelam que a língua está em constante evolução, moldada pelas práticas
sociais e pelos avanços tecnológicos.
Redação Oficial
O que é Redação1
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige atos norma-
tivos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo.
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, con-
cisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe,
no artigo 37: “A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, mora-
lidade, publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda
administração pública, claro que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
Ademais, não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que
dificulte ou impossibilite sua compreensão.
A transparência do sentido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são requisitos do próprio Es-
tado de Direito: é inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A publicidade implica, pois,
necessariamente, deve possuir clareza e concisão, além de atender à disposição constitucional, a forma dos
atos normativos obedece a certa tradição. Há normas para sua elaboração que remontam ao período de nossa
história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade - estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro
de 1822 - de que se aponha, ao final desses atos, o número de anos transcorridos desde a Independência.
Essa prática foi mantida no período republicano.
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformidade, concisão e uso de linguagem formal)
aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente
impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo nível de linguagem. Nesse quadro, fica claro também que
as comunicações oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o Serviço
Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de expedientes dirigidos
por um órgão a outro) - ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o público).
Outros procedimentos rotineiros na redação de comunicações oficiais foram incorporados ao longo do tem-
po, como as formas de tratamento e de cortesia, certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes, etc.
Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para comunicações oficiais, regulados pela Portaria no 1 do
Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937, que, após mais de meio século de vigência, foi revogado
pelo Decreto que aprovou a primeira edição deste Manual.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se buscou fazer das características específicas da forma
oficial de redigir não deve ensejar o entendimento de que se proponha a criação ▪ ou se aceite a existência - de
uma forma específica de linguagem administrativa, o que coloquialmente e pejorativamente se chama burocra-
tês. Este é antes uma distorção do que deve ser a redação oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões
e clichês do jargão burocrático e de formas arcaicas de construção de frases.
A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida e infensa à evolução da língua. É que sua finali-
dade básica - comunicar com impessoalidade e máxima clareza - impõe certos parâmetros ao uso que se faz
da língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da correspondência particular, etc.
Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial, passemos à análise pormenorizada de
cada uma delas.
1 [ [Link]
117
A Impessoalidade
A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. Para que haja comunicação, são ne-
cessários:
a) alguém que comunique,
b) algo a ser comunicado, e
c) alguém que receba essa comunicação.
No caso da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou aquele Ministério, Secreta-
ria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é sempre algum assunto relativo às atribuições
do órgão que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o público, o conjunto dos cidadãos, ou outro
órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da União. Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal
que deve ser dado aos assuntos que constam das comunicações oficiais decorre:
a) da ausência de impressões individuais de quem comunica: embora se trate, por exemplo, de um ex-
pediente assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em nome do Serviço Público que é feita a
comunicação. Obtém-se, assim, uma desejável padronização, que permite que comunicações elaboradas em
diferentes setores da Administração guardem entre si certa uniformidade;
b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um
cidadão, sempre concebido como público, ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos um destinatário
concebido de forma homogênea e impessoal;
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo temático das comunicações oficiais se
restringe a questões que dizem respeito ao interesse público, é natural que não cabe qualquer tom particular
ou pessoal. Desta forma, não há lugar na redação oficial para impressões pessoais, como as que, por exem-
plo, constam de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto literário. A
redação oficial deve ser isenta da interferência da individualidade que a elabora. A concisão, a clareza, a obje-
tividade e a formalidade de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ainda, para que
seja alcançada a necessária impessoalidade.
118
Entretanto, o mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu caráter impessoal, por sua finalidade de informar
com o máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do padrão culto da língua. Há consenso de que o
padrão culto é aquele em que:
a) se observam as regras da gramática formal, e
b) se emprega um vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idioma.
É importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na redação oficial decorre do fato de
que ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos modismos vocabulares,
das idiossincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendida compreensão por todos
os cidadãos.
Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de expressão, desde que não seja confundida
com pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto implica emprego de linguagem rebusca-
da, nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios da língua literária.
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso
do padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso de determinadas
expressões, ou será obedecida certa tradição no emprego das formas sintáticas, mas isso não implica, neces-
sariamente, que se consagre a utilização de uma forma de linguagem burocrática. O jargão burocrático, como
todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
A linguagem técnica deve ser empregada apenas em situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso
indiscriminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o vocabulário próprio a determinada área, são
de difícil entendimento por quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se ter o cuidado, portanto, de expli-
citá-los em comunicações encaminhadas a outros órgãos da administração e em expedientes dirigidos aos
cidadãos. Outras questões sobre a linguagem, como o emprego de neologismo e estrangeirismo, são tratadas
em detalhe em 9.3. Semântica.
Formalidade e Padronização
As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto é, obedecem a certas regras de forma: além das
já mencionadas exigências de impessoalidade e uso do padrão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa
formalidade de tratamento. Não se trata somente da eterna dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele
pronome de tratamento para uma autoridade de certo nível (v. a esse respeito 2.1.3. Emprego dos Pronomes
de Tratamento); mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade no próprio enfoque dado ao
assunto do qual cuida a comunicação.
A formalidade de tratamento vincula-se, também, à necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a
administração federal é una, é natural que as comunicações que expede sigam um mesmo padrão.
O estabelecimento desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que se atente para todas as carac-
terísticas da redação oficial e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos. A clareza datilográfica, o uso
de papéis uniformes para o texto definitivo e a correta diagramação do texto são indispensáveis para a padro-
nização. Consulte o Capítulo II, As Comunicações Oficiais, a respeito de normas específicas para cada tipo de
expediente.
Concisão e Clareza
A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do texto oficial. Conciso é o texto que conse-
gue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras. Para que se redija com essa qualidade,
é fundamental que se tenha, além de conhecimento do assunto sobre o qual se escreve, o necessário tempo
para revisar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas vezes se percebem eventuais redundâncias
ou repetições desnecessárias de ideias.
O esforço de sermos concisos atende, basicamente ao princípio de economia linguística, à mencionada
fórmula de empregar o mínimo de palavras para informar o máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la
como economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens substanciais do texto no afã de re-
duzi-lo em tamanho.
119
Trata-se exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao que
já foi dito. Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe em todo texto de alguma complexidade: ideias
fundamentais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclarecer o sentido daquelas detalhá-las, exempli-
ficá-las; mas existem também ideias secundárias que não acrescentam informação alguma ao texto, nem têm
maior relação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dispensadas.
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial, conforme já sublinhado na introdução deste
capítulo. Pode-se definir como claro aquele texto que possibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto
a clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente das demais características da redação
oficial. Para ela concorrem:
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações que poderia decorrer de um tratamento per-
sonalista dado ao texto;
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de entendimento geral e por definição avesso a vocá-
bulos de circulação restrita, como a gíria e o jargão;
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a imprescindível uniformidade dos textos;
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos linguísticos que nada lhe acrescentam.
É pela correta observação dessas características que se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispen-
sável releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em textos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramati-
cais provém principalmente da falta da releitura que torna possível sua correção.
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, se ele será de fácil compreensão por seu destinatário.
O que nos parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos
em decorrência de nossa experiência profissional muitas vezes faz com que os tomemos como de conhecimen-
to geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o significa-
do das siglas e abreviações e os conceitos específicos que não possam ser dispensados.
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa com que são elaboradas certas comunicações
quase sempre compromete sua clareza. Não se deve proceder à redação de um texto que não seja seguida por
sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com
sua indesejável repercussão no redigir.
▸ As comunicações oficiais
A redação das comunicações oficiais deve, antes de tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I,
Aspectos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há características específicas de cada tipo de expediente, que
serão tratadas em detalhe neste capítulo.
Antes de passarmos à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase todas as modalidades de co-
municação oficial: o emprego dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos e a identificação do signatário.
Pronomes de Tratamento
O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na língua portuguesa. De
acordo com Said Ali, após serem incorporados ao português os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento
direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-se a empregar, como expediente linguístico
de distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior.
Prossegue o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra a um
atributo ou qualidade eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se
os vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim usou-se o tratamento
ducal de vossa excelência e adotou-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, vossa paternidade, vossa
eminência, vossa santidade. ”
A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já estava em voga também para os ocupan-
tes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome
vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual emprego de pronomes de tratamento
indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas.
120
Concordância com os Pronomes de Tratamento
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à
concordância verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com
quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam a concordância para a terceira pessoa. É que o ver-
bo concorda com o substantivo que integra a locução como seu núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o
substituto”; “Vossa Excelência conhece o assunto”.
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são sempre os da terceira
pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos
a esses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o
substantivo que compõe a locução.
Assim, se nosso interlocutor for homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria
deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeita”.
a) do Poder Executivo;
Presidente da República;
Vice-Presidente da República;
Ministros de Estado;
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas;
Embaixadores;
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natureza especial;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais.
b) do Poder Legislativo:
Deputados Federais e Senadores;
Ministro do Tribunal de Contas da União;
Deputados Estaduais e Distritais;
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
c) do Poder Judiciário:
Ministros dos Tribunais Superiores;
Membros de Tribunais;
Juízes;
Auditores da Justiça Militar.
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor,
seguido do cargo respectivo:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
121
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal.
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, seguido do cargo respectivo:
Senhor Senador,
Senhor Juiz,
Senhor Ministro,
Senhor Governador,
No envelope, o endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência,
terá a seguinte forma:
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Ministro de Estado da Justiça
70.064-900 ▪ Brasília. DF
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal
Senado Federal
70.165-900 ▪ Brasília. DF
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Juiz de Direito da 10a Vara Cível
Rua ABC, no 123
01.010-000 - São Paulo. SP
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento digníssimo (DD), às autoridades arroladas na
lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua
repetida evocação.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para particulares. O vocativo adequado é:
Senhor Fulano de Tal,
(...)
No envelope, deve constar do endereçamento:
Ao Senhor
Fulano de Tal
Rua ABC, nº 123
70.123 - Curitiba. PR
Como se depreende do exemplo acima fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as au-
toridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
tratamento Senhor. Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo
indiscriminadamente. Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que te-
nham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado.
É costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina. Nos
demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações. Mencionemos, ainda, a
forma Vossa Magnificência, empregada por força da tradição, em comunicações dirigidas a reitores de univer-
sidade. Corresponde-lhe o vocativo:
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Magnífico Reitor,
(...)
Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a hierarquia eclesiástica, são:
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente é:
Santíssimo Padre,
(...)
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe
o vocativo:
Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal,
(...)
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comunicações dirigidas a Arcebispos e Bispos; Vossa Re-
verendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos. Vossa
Reverência é empregado para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.
▪ Identificação do Signatário
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações ofi-
ciais devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma
da identificação deve ser a seguinte:
(espaço para assinatura)
NOME
Chefe da Secretária-geral da Presidência da República
(espaço para assinatura)
NOME
Ministro de Estado da Justiça
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do expediente. Transfira
para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
123
▸ O Padrão Ofício
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e
o memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se adotar uma diagramação única, que siga o que chamamos
de padrão ofício. As peculiaridades de cada um serão tratadas adiante; por ora busquemos as suas semelhan-
ças.
124
f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
g) assinatura do autor da comunicação; e
h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do Signatário).
▪ Forma de diagramação
Os documentos do Padrão Ofício5 devem obedecer à seguinte forma de apresentação:
a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10
nas notas de rodapé;
b) para símbolos não existentes na fonte Times New Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wing-
dings;
c) é obrigatória constar a partir da segunda página o número da página;
d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser impressos em ambas as faces do papel. Neste
caso, as margens esquerda e direta terão as distâncias invertidas nas páginas pares (“margem espelho”);
e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância da margem esquerda;
f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo, 3,0 cm de largura;
g) o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm; 5 O constante neste item aplica-se também à
exposição de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Motivos e 5. Mensagem).
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor
de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, rele-
vo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegância e a sobriedade do documento;
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco. A impressão colorida deve ser usada
apenas para gráficos e ilustrações;
l) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem ser impressos em papel de tamanho A-4, ou seja,
29,7 x 21,0 cm;
m) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo Rich Text nos documentos de texto;
n) dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo de texto preservado para con-
sulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos;
o) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser formados da seguinte maneira: tipo do
documento + número do documento + palavras-chaves do conteúdo Ex.: “Of. 123 - relatório produtividade ano
2002”
Aviso e Ofício
▸ Definição e Finalidade
Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial praticamente idênticas. A única diferença entre eles
é que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao
passo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos têm como finalidade o tratamento de
assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no caso do ofício, também com particulares.
▸ Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que in-
voca o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido de vírgula.
125
Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República
Senhora Ministra
Senhor Chefe de Gabinete
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes informações do remetente:
▪ Nome do órgão ou setor;
▪ Endereço postal;
▪ telefone E endereço de correio eletrônico.
Memorando
O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que
podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente. Trata-se, portanto, de uma forma de
comunicação eminentemente interna. Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado para a
exposição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados por determinado setor do serviço público. Sua
característica principal é a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela ra-
pidez e pela simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar desnecessário aumento do número de
comunicações, os despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento e, no caso de falta de
espaço, em folha de continuação. Esse procedimento permite formar uma espécie de processo simplificado,
assegurando maior transparência à tomada de decisões, e permitindo que se historie o andamento da matéria
tratada no memorando.
▸ Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, com a diferença de que o seu desti-
natário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa.
Exemplos:
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
Exposição de Motivos
Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presidente da República ou ao Vice-Presidente para:
a) informá-lo de determinado assunto;
b) propor alguma medida; ou
c) submeter a sua consideração projeto de ato normativo.
Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro de Estado.
Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição de motivos deverá ser
assinada por todos os Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial.
▸ Forma e Estrutura
Formalmente, a exposição de motivos tem a apresentação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício). O anexo
que acompanha a exposição de motivos que proponha alguma medida ou apresente projeto de ato normativo,
segue o modelo descrito adiante.
A exposição de motivos, de acordo com sua finalidade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma
para aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e outra para a que proponha alguma medida ou sub-
meta projeto de ato normativo.
No primeiro caso, o da exposição de motivos que simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do
Presidente da República, sua estrutura segue o modelo antes referido para o padrão ofício.
126
Já a exposição de motivos que submeta à consideração do Presidente da República a sugestão de alguma
medida a ser adotada ou a que lhe apresente projeto de ato normativo ▪ embora sigam também a estrutura
do padrão ofício ▪, além de outros comentários julgados pertinentes por seu autor, devem, obrigatoriamente,
apontar:
a) na introdução: o problema que está a reclamar a adoção da medida ou do ato normativo proposto;
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar
o problema, e eventuais alternativas existentes para equacioná-lo;
c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser tomada, ou qual ato normativo deve ser editado para
solucionar o problema.
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à exposição de motivos, devidamente preenchido, de
acordo com o seguinte modelo previsto no Anexo II do Decreto no 4.176, de 28 de março de 2002.
Anexo à Exposição de Motivos do (indicar nome do Ministério ou órgão equivalente) nº de 200.
1. Síntese do problema ou da situação que reclama providências
2. Soluções e providências contidas no ato normativo ou na medida proposta
3. Alternativas existentes às medidas propostas
Mencionar:
▪ Se há outro projeto do Executivo sobre a matéria;
▪ Se há projetos sobre a matéria no Legislativo;
▪ Outras possibilidades de resolução do problema.
4. Custos
Mencionar:
▪ Se a despesa decorrente da medida está prevista na lei orçamentária anual; se não, quais as alternativas
para custeá-la;
▪ Se é o caso de solicitar-se abertura de crédito extraordinário, especial ou suplementar;
▪ Valor a ser despendido em moeda corrente;
5. Razões que justificam a urgência (a ser preenchido somente se o ato proposto for medido provisória ou
projeto de lei que deva tramitar em regime de urgência)
Mencionar:
▪ Se o problema configura calamidade pública;
▪ Por que é indispensável a vigência imediata;
▪ Se se trata de problema cuja causa ou agravamento não tenham sido previstos;
▪ Se se trata de desenvolvimento extraordinário de situação já prevista.
6. Impacto sobre o meio ambiente (sempre que o ato ou medida proposta possa vir a tê-lo)
7. Alterações propostas
8. Síntese do parecer do órgão jurídico
Com base em avaliação do ato normativo ou da medida proposta à luz das questões levantadas no item
10.4.3.
A falta ou insuficiência das informações prestadas pode acarretar, a critério da Subchefia para Assuntos Ju-
rídicos da Casa Civil, a devolução do projeto de ato normativo para que se complete o exame ou se reformule
a proposta. O preenchimento obrigatório do anexo para as exposições de motivos que proponham a adoção de
alguma medida ou a edição de ato normativo tem como finalidade:
a) permitir a adequada reflexão sobre o problema que se busca resolver;
127
b) ensejar mais profunda avaliação das diversas causas do problema e dos efeitos que pode ter a adoção
da medida ou a edição do ato, em consonância com as questões que devem ser analisadas na elaboração de
proposições normativas no âmbito do Poder Executivo (v. 10.4.3.).
c) conferir perfeita transparência aos atos propostos.
Dessa forma, ao atender às questões que devem ser analisadas na elaboração de atos normativos no âm-
bito do Poder Executivo, o texto da exposição de motivos e seu anexo complementam-se e formam um todo co-
eso: no anexo, encontramos uma avaliação profunda e direta de toda a situação que está a reclamar a adoção
de certa providência ou a edição de um ato normativo; o problema a ser enfrentado e suas causas; a solução
que se propõe, seus efeitos e seus custos; e as alternativas existentes.
O texto da exposição de motivos fica, assim, reservado à demonstração da necessidade da providência pro-
posta: por que deve ser adotada e como resolverá o problema. Nos casos em que o ato proposto for questão de
pessoal (nomeação, promoção, ascensão, transferência, readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração,
recondução, remoção, exoneração, demissão, dispensa, disponibilidade, aposentadoria), não é necessário o
encaminhamento do formulário de anexo à exposição de motivos.
▸ Ressalte-se que:
▪ A síntese do parecer do órgão de assessoramento jurídico não dispensa o encaminhamento do parecer
completo;
▪ O tamanho dos campos do anexo à exposição de motivos pode ser alterado de acordo com a maior ou
menor extensão dos comentários a serem ali incluídos.
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presente que a atenção aos requisitos básicos da redação
oficial (clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, padronização e uso do padrão culto de linguagem)
deve ser redobrada.
A exposição de motivos é a principal modalidade de comunicação dirigida ao Presidente da República pe-
los Ministros. Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder
Judiciário ou, ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo ou em parte.
Mensagem
É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos, notadamente as mensa-
gens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre fato da Administração
Pública; expor o plano de governo por ocasião da abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso
Nacional matérias que dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; enfim, fazer e agradecer
comunicações de tudo quanto seja de interesse dos poderes públicos e da Nação. Minuta de mensagem pode
ser encaminhada pelos Ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias caberá a redação final. As
mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Congresso Nacional têm as seguintes finalidades:
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, complementar ou financeira.
Os projetos de lei ordinária ou complementar são enviados em regime normal (Constituição, art. 61) ou
de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1o a 4o). Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminhado sob o regi-
me normal e mais tarde ser objeto de nova mensagem, com solicitação de urgência. Em ambos os casos, a
mensagem se dirige aos Membros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com aviso do Chefe da Casa
Civil da Presidência da República ao Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para que tenha início sua
tramitação (Constituição, art. 64, caput). Quanto aos projetos de lei financeira (que compreendem plano pluria-
nual, diretrizes orçamentárias, orçamentos anuais e créditos adicionais), as mensagens de encaminhamento
dirigem-se aos Membros do Congresso Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao Primeiro Secre-
tário do Senado Federal. A razão é que o art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual sobre as
leis financeiras em sessão conjunta, mais precisamente, “na forma do regimento comum”. E à frente da Mesa
do Congresso Nacional está o Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 57, § 5o), que comanda as ses-
sões conjuntas. As mensagens aqui tratadas coroam o processo desenvolvido no âmbito do Poder Executivo,
que abrange minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financeiro das matérias objeto das proposições
por elas encaminhadas. Tais exames materializam-se em pareceres dos diversos órgãos interessados no as-
128
sunto das proposições, entre eles o da Advocacia-Geral da União. Mas, na origem das propostas, as análises
necessárias constam da exposição de motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1. Exposição de Motivos) ▪ ex-
posição que acompanhará, por cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso.
b) encaminhamento de medida provisória.
Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Constituição, o Presidente da República encaminha mensa-
gem ao Congresso, dirigida a seus membros, com aviso para o Primeiro Secretário do Senado Federal, juntan-
do cópia da medida provisória, autenticada pela Coordenação de Documentação da Presidência da República.
c) indicação de autoridades.
As mensagens que submetem ao Senado Federal a indicação de pessoas para ocuparem determinados
cargos (magistrados dos Tribunais Superiores, Ministros do TCU, Presidentes e Diretores do Banco Central,
Procurador-Geral da República, Chefes de Missão Diplomática, etc.) têm em vista que a Constituição, no seu
art. 52, incisos III e IV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional competência privativa para aprovar a indica-
ção. O curriculum vitae do indicado, devidamente assinado, acompanha a mensagem.
d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Presidente da República se ausentarem do País por
mais de 15 dias. Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art. 49, III, e 83), e a autorização é da com-
petência privativa do Congresso Nacional. O Presidente da República, tradicionalmente, por cortesia, quando
a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-lhes
mensagens idênticas.
e) encaminhamento de atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e TV. A obriga-
ção de submeter tais atos à apreciação do Congresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da Constitui-
ção. Somente produzirão efeitos legais a outorga ou renovação da concessão após deliberação do Congresso
Nacional (Constituição, art. 223, § 3o). Descabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64 da Cons-
tituição, porquanto o § 1o do art. 223 já define o prazo da tramitação. Além do ato de outorga ou renovação,
acompanha a mensagem o correspondente processo administrativo.
f) encaminhamento das contas referentes ao exercício anterior. O Presidente da República tem o prazo de
sessenta dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao Congresso Nacional as contas referentes ao
exercício anterior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer da Comissão Mista permanente (Consti-
tuição, art. 166, § 1o), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a tomada de contas (Constituição, art. 51,
II), em procedimento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno.
g) mensagem de abertura da sessão legislativa.
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre a situação do País e solicitação de providências que
julgar necessárias (Constituição, art. 84, XI). O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da Presidência
da República. Esta mensagem difere das demais porque vai encadernada e é distribuída a todos os Congres-
sistas em forma de livro.
h) comunicação de sanção (com restituição de autógrafos).
Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congresso Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Se-
cretário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se informa o número que tomou a lei e se restituem
dois exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o Presidente da República terá aposto o despacho
de sanção.
i) comunicação de veto.
Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 66, § 1o), a mensagem informa sobre a decisão
de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas, e as razões do veto. Seu texto vai publicado na ínte-
gra no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao contrário das demais mensagens, cuja publicação
se restringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo. (v. [Link])
j) outras mensagens.
Também são remetidas ao Legislativo com regular frequência mensagens com:
▪ Encaminhamento de atos internacionais que acarretam encargos ou compromissos gravosos (Constitui-
ção, art. 49, I);
129
▪ Pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de expor-
tação
(Constituição, art. 155, § 2o, IV);
▪ Proposta de fixação de limites globais para o montante da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI);
▪ Pedido de autorização para operações financeiras externas (Constituição, art. 52, V); e outros.
Entre as mensagens menos comuns estão as de:
▪ Convocação extraordinária do Congresso Nacional (Constituição, art. 57, § 6o);
▪ Pedido de autorização para exonerar o Procurador-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2o);
▪ Pedido de autorização para declarar guerra e decretar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
▪ Pedido de autorização ou referendo para celebrar a paz (Constituição, art. 84, XX);
▪ Justificativa para decretação do estado de defesa ou de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4o);
▪ Pedido de autorização para decretar o estado de sítio (Constituição, art. 137);
▪ Relato das medidas praticadas na vigência do estado de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, pará-
grafo único);
▪ Proposta de modificação de projetos de leis financeiras (Constituição, art. 166, § 5o);
▪ Pedido de autorização para utilizar recursos que ficarem sem despesas correspondentes, em decorrência
de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual (Constituição, art. 166, § 8o);
▪ Pedido de autorização para alienar ou conceder terras públicas com área superior a 2.500 ha (Constitui-
ção, art. 188, § 1o); etc.
▸ Forma e Estrutura
As mensagens contêm:
a) a indicação do tipo de expediente e de seu número, horizontalmente, no início da margem esquerda:
Mensagem no
b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início
da margem esquerda; Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com
a margem direita.
A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente da República, não traz identificação de seu
signatário.
Telegrama
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os procedimentos burocráticos, passa a receber o
título de telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de telegrafia, telex, etc. Por tratar-se de forma
de comunicação dispendiosa aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve restringir-se o uso do
telegrama apenas àquelas situações que não seja possível o uso de correio eletrônico ou fax e que a urgência
justifique sua utilização e, também em razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação deve pautar-se
pela concisão (v. 1.4. Concisão e Clareza).
▸ Forma e Estrutura
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
Correios e em seu sítio na Internet.
130
Fax
O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é uma forma de comunicação que está sendo menos
usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de mensagens urgentes e para o
envio antecipado de documentos, de cujo conhecimento há premência, quando não há condições de envio do
documento por meio eletrônico. Quando necessário o original, ele segue posteriormente pela via e na forma
de praxe. Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo
papel, em certos modelos, se deteriora rapidamente.
▸ Forma e Estrutura
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura que lhes são inerentes. É conveniente o
envio, juntamente com o documento principal, de folha de rosto, i. é., de pequeno formulário com os dados de
identificação da mensagem a ser enviada, conforme exemplo a seguir:
Correio Eletrônico
Correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e celeridade, transformou-se na principal forma de comu-
nicação para transmissão de documentos.
▸ Forma e Estrutura
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir
forma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível com uma comuni-
cação oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais). O campo assunto do formulário de correio
eletrônico mensagem deve ser preenchido de modo a facilitar a organização documental tanto do destinatário
quanto do remetente. Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado, preferencialmente, o formato
Rich Text. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu conteúdo.
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve
constar na mensagem o pedido de confirmação de recebimento.
▸ Valor documental
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de correio eletrônico tenha valor documental,
i. é, para que possa ser aceito como documento original, é necessário existir certificação digital que ateste a
identidade do remetente, na forma estabelecida em lei.
Questões
131
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Com base em Bakhtin, a respeito dos gêneros textuais, assinale a alternativa CORRETA.
(A) Os gêneros textuais são formas estáticas e imutáveis de comunicação, definidas por regras fixas e uni-
versais.
(B) Os gêneros textuais são entidades dinâmicas, moldadas pelas esferas de atividade humana, refletindo
as necessidades comunicativas de cada contexto.
(C) Os gêneros textuais são determinados exclusivamente pela forma e estrutura do texto, independente-
mente do contexto social e cultural.
(D) Cada gênero textual possui características únicas e específicas, não havendo relação ou influência en-
tre diferentes gêneros.
A imagem apresentada ilustra o uso de siglas e abreviações como possibilidades para conversas informais
em ambiente digital. Considerando as características da linguagem digital e o emprego de siglas nesse contex-
to, assinale a alternativa CORRETA.
(A) O uso de siglas e abreviações é um fenômeno recente, impulsionado pelo surgimento das redes sociais
e aplicativos de mensagens instantâneas.
(B) As siglas presentes na imagem, como “td bm” (tudo bem), “pfvr” (por favor) e “sdds” (saudades), são
exemplos de reduções silábicas, em que cada letra representa uma sílaba da palavra original.
(C) O uso de siglas e abreviações na linguagem digital evidencia um empobrecimento da língua portuguesa,
comprometendo a comunicação e a norma culta.
(D) O emprego de siglas e abreviações na linguagem digital reflete a necessidade de economia linguística e
agilidade na comunicação, adaptando-se às características do meio e ao contexto de uso.
132
O material publicitário, veiculado em um guardanapo, apresenta a frase “Feito à mão com ingre dientes
frescos todos os dias”, explorando recursos gráficos e linguísticos para criar um efeito de sentido. Considerando
o sistema de escrita da língua portuguesa e os desafios de leitura impostos pelo texto, assinale a alternativa
CORRETA.
(A) A justaposição das palavras “ingre” e “dientes” evidencia a arbitrariedade do signo linguístico, pois a
relação entre significante e significado é convencional e não motivada pela semelhança física entre ambos.
(B) A ausência de espaços entre “ingre-” e “todos” compromete a legibilidade do texto, dificultando a identi-
ficação das unidades lexicais e a interpretação da mensagem.
(C) A utilização do símbolo do coração (♡) no lugar da preposição “com”, configura um exemplo de escrita
ideográfica, em que um símbolo representa diretamente uma ideia, sem a necessidade de decodificação
fonética.
(D) A frase “Feito à mão com ingre dientes frescos todos os dias” apresenta uma estrutura sintática ambí-
gua, que pode ser interpretada tanto como uma oração simples quanto como um período composto por
subordinação.
Observe a imagem:
- Que seja dito a quem me deu à luz que no meu estômago prevalece um vazio!
- Oh, por amor de Deus, Shakespeare! Basta dizer: “mãe, tenho fome!”
O texto multimodal apresenta a imagem do filho dizendo à mãe: “Que seja dito a quem me deu à luz que no
meu estômago prevalece um vazio”, ao que a mãe responde: “Oh, por amor de Deus, Shakespeare! Basta diz-
er: ‘mãe, tenho fome’”. O texto/imagem explora diferentes níveis de linguagem para criar um efeito humorístico
e transmitir uma mensagem.
Considerando os níveis de linguagem e o propósito comunicativo do texto/imagem, analise as sentenças a
seguir e assinale a CORRETA:
(A) O texto/imagem utiliza a linguagem formal e a linguagem coloquial em momentos distintos para gerar
humor, mas não há um propósito comunicativo claro além do entretenimento.
(B) A primeira parte do texto, com linguagem formal, tem o propósito de satirizar o uso excessivo de rebus-
camento linguístico em situações cotidianas, enquanto a segunda parte, com linguagem coloquial, busca
apresentar uma alternativa mais simples e direta.
133
(C) A utilização da linguagem formal na primeira parte do texto tem como objetivo principal demonstrar a
erudição e o conhecimento linguístico do autor, enquanto a linguagem coloquial da segunda parte serve
apenas para contrastar com o registro anterior.
(D) O texto/imagem não apresenta uma mensagem clara, pois a justaposição de diferentes níveis de lin-
guagem cria uma ambiguidade que impede a compreensão do seu propósito comunicativo.
134
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Os memes apresentados – o primeiro com uma moça humana beijando o busto de uma estátua de már-
more, com o escrito “amor concreto”; e o outro com a famosa personagem do seriado mexicano Chaves, Dona
Florinda, observando a imagem do seu amado Professor Girafales refletida na água em um balde, com a escrita
“amor líquido” – exploram a linguagem em seus diferentes níveis de significação, utilizando referências culturais
para ilustrar os conceitos de “amor concreto” e “amor líquido”.
Considerando a relação entre linguagem, cultura e os conceitos de denotação e conotação, assinale a al-
ternativa CORRETA.
(A) O meme “AMOR CONCRETO” utiliza a imagem de uma escultura em mármore para representar a soli-
dez e a durabilidade de um relacionamento, explorando a linguagem denotativa ao associar o amor a um
objeto físico e tangível.
(B) O meme “AMOR LÍQUIDO”, ao retratar a personagem Dona Florinda observando o Professor Girafales
em um balde de água, faz referência à obra de Jorge Amado, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, explorando
a linguagem denotativa para representar a fluidez e a inconstância do amor.
(C) Ambos os memes utilizam a linguagem conotativa, explorando referências culturais para construir metá-
foras visuais sobre os diferentes tipos de amor, ao se ater ao sentido literal das imagens.
(D) O meme “AMOR LÍQUIDO” utiliza a linguagem conotativa ao retratar o Professor Girafales em um balde
de água, referenciando o comportamento ambíguo e não comprometido da personagem, que se alinha ao
conceito de “amor líquido” proposto por Bauman.
135
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Analise o poema Carta, de Carlos Drummond de Andrade (Antologia Poética. 26ª. ed. Rio de Janeiro: Re-
cord, 1991, p. 74-6) e responda às questões 8 a 11.
Bem quisera escrevê-la
com palavras sabidas,
as mesmas, triviais,
embora estremecessem
a um toque de paixão.
Perfurando os obscuros
canais de argila e sombra,
ela iria contando
que vou bem, e amo sempre
e amo cada vez mais
a essa minha maneira
torcida e reticente,
e espero uma resposta,
mas que não tarde; e peço
um objeto minúsculo
só para dar prazer
a quem pode ofertá-lo;
diria ela do tempo
que faz do nosso lado;
as chuvas já secaram,
as crianças estudam,
uma última invenção
(inda não é perfeita)
faz ler nos corações,
mas todos esperamos
rever-nos bem depressa.
Muito depressa, não.
Vai-se tornando o tempo
estranhamente longo
à medida que encurta.
O que ontem disparava,
desbordado alazão,
hoje se paralisa
em esfinge de mármore
e até o sono, o sono
que era grato e era absurdo
136
é um dormir acordado
numa planície grave.
Rápido é o sonho, apenas,
que se vai, de mandar
notícias amorosas
quando não há amor
a dar ou receber;
quando só há lembrança,
ainda menos, pó,
menos ainda, nada
nada de nada em tudo,
em mim mais do que em tudo,
e não vale acordar
quem acaso repouse
na colina sem árvores.
Contudo, esta é uma carta.
Ainda no poema “Carta”, de Carlos Drummond de Andrade, observa-se uma mescla de gêneros textuais,
com elementos da carta pessoal e do poema lírico. Considerando essa hibridização genérica, assinale a alter-
nativa CORRETA.
(A) A presença de elementos da carta pessoal, como o vocativo e a despedida, confere ao poema um
caráter narrativo, aproximando-o de um relato confessional e íntimo.
(B) A estrutura em versos livres e a linguagem poética, marcada por figuras de linguagem e subjetividade,
evidenciam a predominância do gênero lírico, distanciando a função comunicativa da carta.
(C) A hibridização genérica no poema “Carta” resulta em um texto fragmentado e incoerente, no qual a voz
lírica oscila entre a confissão pessoal e a reflexão filosófica, sem estabelecer um diálogo claro com o inter-
locutor.
(D) A fusão dos gêneros carta e poema cria um efeito de estranhamento no leitor, que se depara com um
texto que subverte as expectativas de ambos os gêneros, gerando uma experiência estética singular.
Neste poema, o eu lírico explora diferentes recursos estilísticos para expressar a complexidade de seus
sentimentos e reflexões. Assinale a alternativa que apresenta uma análise CORRETA sobre um desses recur-
sos presentes no poema.
(A) O uso da sinestesia, como em “as chuvas já secaram”, evoca a intensidade das emoções do eu lírico,
mesclando sensações visuais e táteis para criar uma atmosfera de nostalgia e melancolia.
(B) A presença de paradoxos, como em “Vai-se tornando o tempo estranhamente longo à medida que encur-
ta”, revela a contradição inerente à experiência humana, em que o tempo pode ser simultaneamente breve
e eterno.
(C) A utilização da hipérbole, como em “nada de nada em tudo”, intensifica a sensação de vazio e ausência
do eu lírico, expressando a impossibilidade de preencher o espaço deixado pela perda do amor.
(D) A recorrência de anáforas, como em “e amo sempre e amo cada vez mais”, enfatiza a persistência do
sentimento amoroso, mesmo diante da distância e da impossibilidade de um reencontro.
137
11. CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE
Analise o poema Carta, de Carlos Drummond de Andrade (Antologia Poética. 26ª. ed. Rio de Janeiro: Re-
cord, 1991, p. 74-6), e assinale a alternativa CORRETA.
(A) O remetente promove uma reflexão em versos sobre a correspondência epistolar, mostrando o caráter
metalinguístico do poema.
(B) Os signos ganham um tom lírico-amoroso, que se exacerba em contato com a temática central do poe-
ma.
(C) Ao dizer que espera uma resposta, Drummond introduz ao poema um pensamento sobre a finitude do
tempo.
(D) O tempo materializa-se como motivo de angústia, diante da ausência de resposta à correspondência
epistolar, que é sanada pela “última invenção”.
138
13. CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE
139
14. CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE
A placa bilíngue da imagem, com a indicação “Avenida da Amizade” em português e seu equivalente em
mandarim, exemplifica a coexistência de sistemas linguísticos em Macau. Considerando os conceitos de signo,
ícone, índice e símbolo na semiótica peirceana, assinale a alternativa CORRETA.
(A) A placa, como um todo, constitui um ícone, pois representa visualmente a avenida da Amizade, estabe-
lecendo uma relação de semelhança com o objeto que representa.
(B) Os caracteres chineses na placa funcionam como índices, pois indicam a presença da cultura chinesa
em Macau e a influência do mandarim na região.
(C) A palavra “Amizade”, tanto em português quanto em sua tradução para o mandarim, atua como um sím-
bolo, evocando um conceito abstrato e culturalmente construído.
(D) A placa bilíngue, por apresentar duas línguas distintas, configura um exemplo de signo híbrido, combi-
nando elementos icônicos (a representação visual da avenida) e simbólicos (as palavras que nomeiam o
local).
140
Macau sempre teve importância estratégica singular. Tornada domínio do Império Português em 1557, a
reboque da expansão colonial lusitana na Ásia, a cidade converteu-se rapidamente em entreposto comercial e
porto seguro para incursões portuguesas na região do Pacífico. Após um motim liderado por grupos pró-Pequim
nos anos 1960, foram postas em andamento negociações com as autoridades portuguesas sobre o futuro do
território. Formalmente devolvida à República Popular da China em 1999, Macau é gerida atualmente por uma
junta administrativa autônoma, que governará até 2049, quando a região será definitivamente integrada ao
sistema administrativo chinês.
A grande maioria da população (94%) é composta por cantoneses, grupo da etnia han do sul da China, mas
a presença portuguesa se faz sentir no nome de inúmeras ruas e na boca de setores da sociedade macauense
que ainda falam o português, o que, segundo o censo de 2006, equivale a 2,4% da população. A administração
da cidade é oficialmente bilíngue e todos os sinais e placas públicas são grafados em cantonês e português.
É justamente esse caráter híbrido e cosmopolita que faz de Macau uma área estratégica para o projeto
de expansão dos estudos da língua portuguesa em território chinês. Tal expansão tem uma clara dimensão
econômica e geopolítica, ligada a interesses estratégicos chineses na América Latina e, sobretudo, na África
lusófona.
Disponível em: [Link] -41022424.
No trecho “É um desejo claro de a China formar muitos professores e tradutores de língua portuguesa”, a
preposição “de” aparece separada do artigo “a” que antecede o substantivo “China”.
Considerando as relações sintáticas e semânticas estabelecidas por essa construção, assinale a alternativa
CORRETA.
(A) A separação da preposição “de” do artigo “a” configura um desvio da norma culta, caracterizando um
erro gramatical que compromete a clareza e a coesão do texto.
(B) A construção “de a China” evidencia uma marca de oralidade presente no texto, resultante da transcrição
de uma fala espontânea e informal do professor Caio César Christiano.
(C) A construção “de a China” configura um caso de topicalização do sujeito da oração subordinada, desta-
cando o agente da ação de formar professores e tradutores.
(D) A preposição “de” separada do artigo “a” introduz uma oração subordinada substantiva completiva nom-
inal, na qual o termo “a China” exerce a função de sujeito.
O texto apresenta Macau como um “vetor” da expansão do português na China. Essa metáfora pode ser
interpretada CORRETAMENTE como:
(A) Uma força motriz que impulsiona o ensino da língua portuguesa no país, aproveitando o legado histórico
e cultural da região.
(B) Uma barreira que impede a plena integração da língua portuguesa na China, devido às diferenças cul-
turais e linguísticas entre Macau e o restante do país.
(C) Um obstáculo a ser superado pelo governo chinês, que busca minimizar a influência de Macau e cen-
tralizar o ensino do português em Pequim.
(D) Um modelo a ser replicado em outras regiões da China, com a criação de centros de ensino de portu-
guês semelhantes ao Instituto Politécnico de Macau.
141
17. CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE
A partir da leitura do texto, pode-se inferir que o interesse da China em expandir o ensino da língua portu-
guesa está relacionado, principalmente, a;
(A) Uma tentativa de reaproximação cultural com Portugal, buscando reavivar laços históricos e linguísticos
adormecidos.
(B) Um projeto de dominação cultural sobre os países lusófonos, impondo a língua e os costumes chineses
como forma de influência.
(C) Uma estratégia de soft power, utilizando a língua como ferramenta de diplomacia e influência em países
estratégicos para a China.
(D) Uma busca por mão de obra qualificada em língua portuguesa para atender às demandas do mercado
de trabalho interno chinês.
A postagem da usuária na rede social, “Tô dentro do salão, mas olha meu carro! Rezem pra chuva parar!”,
evidencia uma mistura de níveis de linguagem que revela informações sobre o contexto comunicativo e a iden-
tidade da falante. A esse respeito, assinale a alternativa CORRETA.
(A) A presença de marcas de oralidade, como a contração “tô” e a interjeição “olha”, indica que a usuária
pertence a um grupo social de baixa escolaridade e que desconhece as normas da língua padrão.
(B) A mistura de registros formal e informal, evidenciada pela expressão “rezem”, demonstra a inadequação
da linguagem utilizada pela usuária, que deveria optar por um registro mais uniforme em sua comunicação.
(C) A utilização de um registro coloquial, com marcas de oralidade e informalidade, aproxima a usuária de
seus interlocutores, criando um efeito de identificação e empatia na rede social.
(D) A expressão “rezem” assume um sentido literal na postagem, indicando que a usuária é profundamente
religiosa e busca amparo divino para solucionar o problema do carro.
No post de uma rede social, a usuária publicou uma imagem de um carro estacionado numa rua, com água
à altura da porta, relatando “Tô dentro do salão, mas olha meu carro! Rezem pra chuva parar!” e, na postagem
seguinte, publica uma foto da rua alagada e o carro ao fundo, e sua mão com unhas feitas na frente, com o
enunciado “Apavorada”.
142
Assinale o fenômeno linguístico-discursivo presente no texto/imagem.
(A) Ambiguidade, pois a segunda postagem deixa dúvidas sobre o real motivo da apreensão da usuária: o
carro ou as unhas.
(B) Eufemismo, pois a usuária utiliza a palavra “apavorada” para suavizar a gravidade da situação, evitando
demonstrar desespero.
(C) Ironia, pois a usuária utiliza a expressão “apavorada” de forma sarcástica, evidenciando sua indiferença
em relação ao carro.
(D) Incoerência, pois a segunda postagem apresenta uma inversão de figura e fundo em relação à primeira,
deslocando o foco da preocupação com o carro para as unhas.
A releitura dos nomes das emoções do filme DivertidaMente 2 na questão anterior, utilizando expressões do
dialeto baiano, revela uma mudança na classe gramatical dos termos, substituindo substantivos abstratos por
outras classes de palavras. Essa alteração linguística acarreta uma transformação na forma como as emoções
são representadas. Considerando essa transformação, assinale a alternativa que explica CORRETAMENTE o
efeito da mudança de classes gramaticais na representação das emoções no meme.
(A) A substituição dos substantivos abstratos por adjetivos no meme intensifica a carga emotiva, conferindo
maior subjetividade à experiência individual de cada emoção.
(B) A utilização de um verbo no gerúndio no meme (“Vendo Bicho”) enfatiza a natureza efêmera e passage-
ira das emoções, que são experimentadas como processos em constante mutação.
(C) A presença de substantivos concretos no meme (“Gaiatice”) ancora as emoções em elementos do mun-
do real, tornando-as mais tangíveis e relacionáveis à experiência cotidiana.
(D) A combinação de adjetivos e verbo (“Duro”, “Atribulado”, “Vendo bicho”) amplia o espectro semântico
das emoções, abrangendo diferentes nuances e intensidades de cada sentimento.
143
20. CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE
A imagem acima apresenta uma releitura dos personagens do filme DivertidaMente 2, utilizando expressões
do dialeto baiano para nomear as emoções representadas. “Tristeza” é traduzido como “Duro(a); “Alegria”,
como “Gaiatice”; “Ansiedade”, como “Atribulado”; e “Medo”, como “Vendo bicho”.
Considerando o contexto sociocultural e linguístico em análise, julgue as seguintes sentenças:
I- A substituição de “Tristeza” por “Duro(a)” e “Medo” por “Vendo Bicho” exemplifica o uso de gírias e ex-
pressões regionais, que conferem um caráter coloquial e identitário à linguagem.
II- A tradução de “Alegria” por “Gaiatice” e “Ansiedade” por “Atribulado” revela a criatividade e a expressivi-
dade do dialeto baiano, que utiliza recursos linguísticos próprios para transmitir emoções e sentimentos.
III- A adaptação dos nomes das emoções para o dialeto baiano reforça a ideia de que a norma culta da
língua portuguesa é a única forma correta e válida de comunicação, sendo as demais variantes consideradas
inferiores ou inadequadas.
IV- A imagem evidencia a importância da variação linguística como forma de expressão cultural e identitária,
promovendo a valorização da diversidade e o reconhecimento das diferentes formas de falar o português no
Brasil.
Estão CORRETAS:
(A) I e II, apenas.
(B) III e IV, apenas.
(C) I, II e III, apenas.
(D) I, II e IV, apenas.
Gabarito
1 D
2 B
3 D
4 B
5 B
6 A
7 D
8 D
9 B
10 A
11 D
12 C
13 D
14 D
15 A
16 C
17 C
18 D
19 D
20 D
144