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Comércio e Negócios Internacionais

O documento aborda a evolução histórica do comércio internacional, destacando teorias como as vantagens absolutas de Adam Smith e as vantagens comparativas de David Ricardo. Essas teorias são fundamentais para entender a dinâmica do comércio global e sua importância na economia moderna. O conteúdo também enfatiza a relevância desses conhecimentos para profissionais na área de negócios internacionais.
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Comércio e Negócios Internacionais

O documento aborda a evolução histórica do comércio internacional, destacando teorias como as vantagens absolutas de Adam Smith e as vantagens comparativas de David Ricardo. Essas teorias são fundamentais para entender a dinâmica do comércio global e sua importância na economia moderna. O conteúdo também enfatiza a relevância desses conhecimentos para profissionais na área de negócios internacionais.
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Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Unidade 1
Comércio Internacional: Teorias, Acordos e Organismos Internacionais

Aula 1
Abordagem Clássica do Comércio Internacional

Abordagem Clássica do Comércio Internacional

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Olá, estudante!
Nesta empolgante videoaula, você explorará a fascinante evolução histórica do comércio
internacional, mergulhando nas raízes desse campo tão importante. Além disso, desvendaremos
as teorias das vantagens absolutas e comparativas, fundamentais para compreender os
princípios que regem as trocas globais. Esses conhecimentos são cruciais para a sua prática
profissional, pois o comércio internacional desempenha um papel vital na economia global de
hoje. Prepare-se para enriquecer sua bagagem acadêmica e profissional!
Vamos lá!

Ponto de Partida
Seja muito bem-vindo, estudante!

Hoje, embarcaremos juntos em uma jornada de conhecimento na disciplina de Comércio e


Negócios Internacionais. Nesta aula, exploraremos a evolução histórica do comércio
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internacional, compreenderemos a teoria das vantagens absolutas e mergulharemos na teoria da


vantagem comparativa. Prepare-se para uma experiência enriquecedora.
Ao longo desta aula, convido você a refletir sobre algumas questões cruciais:

Como as trocas comerciais moldaram as relações globais ao longo dos séculos?

O que diferencia a teoria das vantagens absolutas da teoria da vantagem comparativa e como
esses conceitos influenciam as decisões de comércio internacional?

Qual é a relevância desses conhecimentos para um futuro profissional no mundo dos negócios
internacionais?

Lembre-se de que absorver essas informações será fundamental para o seu crescimento
acadêmico e profissional. Boa aula!

Vamos Começar!

Evolução Histórica do Comércio Internacional


O comércio internacional, é um fenômeno tão complexo quanto antigo, remonta aos primórdios
das civilizações humanas. De acordo com Fraporti, Giacomelli, Fonseca (2018), sua origem pode
ser traçada até os tempos em que as primeiras comunidades começaram a trocar bens e
serviços entre si, buscando atender necessidades que não podiam ser supridas localmente.

Fraporti, Giacomelli, Fonseca (2018), afirma que inicialmente o comércio internacional era
baseado no sistema de escambo, onde bens e serviços eram trocados diretamente sem o uso de
uma moeda. Este tipo de comércio era limitado pela necessidade de uma coincidência de
desejos – o que uma parte queria oferecer tinha que ser exatamente o que a outra parte desejava
receber. Com o tempo, as sociedades desenvolveram moedas, facilitando o comércio ao permitir
uma troca mais flexível e generalizada de bens e serviços.

De acordo com Silva (2021), o crescimento das civilizações, a expansão dos impérios e a
evolução dos transportes desempenharam papéis cruciais no desenvolvimento do comércio
internacional. As rotas comerciais, como a famosa Rota da Seda entre a Ásia e a Europa, não
apenas facilitaram o comércio de bens exóticos, mas também promoveram um intercâmbio
cultural e a disseminação de ideias, religiões e tecnologias.

A Era dos Descobrimentos, entre os séculos XV e XVII, segundo Silva (2021), marcou um ponto
de virada significativo na história do comércio internacional. A busca europeia por novas rotas de
comércio para as Índias resultou na descoberta das Américas e na subsequente colonização de
várias partes do mundo. Isso levou à criação de impérios coloniais e ao estabelecimento de rotas
comerciais globais, intensificando o comércio entre continentes de maneira sem precedentes.
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Silva (2021), afirma que no século XIX, a Revolução Industrial trouxe mudanças significativas,
com a introdução de novas tecnologias de produção e transporte, como o navio a vapor e a
ferrovia. Estas inovações reduziram drasticamente os custos e o tempo de transporte,
expandindo ainda mais o alcance e a eficiência do comércio internacional.

No século XX, a formação de blocos econômicos e a globalização deram nova forma ao


comércio internacional, segundo Silva (2021). Organizações como a Organização Mundial do
Comércio (OMC) foram estabelecidas para regular e facilitar o comércio entre as nações,
buscando reduzir as barreiras comerciais e promover um comércio mais livre e justo.

Segre (2018), afirma que o comércio internacional hoje é uma complexa rede de trocas que
abrange o globo, essencial para a economia mundial. Ele evoluiu de simples trocas de
mercadorias entre comunidades vizinhas para um sistema intrincado que conecta países e
continentes, demonstrando como a necessidade humana de troca e cooperação foi a força
motriz por trás de sua longa e fascinante história.

Siga em Frente...

Teoria das Vantagens Absolutas


A Teoria das Vantagens Absolutas é um pilar fundamental na compreensão do comércio
internacional, formulada por Adam Smith, o pai da economia moderna, em sua obra "A Riqueza
das Nações: Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações " (1776).
Esta teoria oferece uma visão crucial sobre as razões e os benefícios do comércio entre nações,
desafiando as noções mercantilistas que predominavam antes de Smith.

De acordo com Caparroz (2022), no século XVIII, a economia mundial era dominada pelo
mercantilismo, que via o comércio como um jogo de soma zero, onde a riqueza de uma nação só
poderia aumentar à custa de outra. Adam Smith contestou essa visão, propondo que o comércio
poderia ser mutuamente benéfico. Smith argumentou que a riqueza de uma nação não deveria
ser medida apenas por seu estoque de metais preciosos, mas pela capacidade total de produzir
bens e serviços.

A essência da Teoria das Vantagens Absolutas segundo Silva (2022), reside na especialização e
eficiência. Smith argumentou que cada país possui recursos naturais, habilidades, tecnologias e
condições climáticas distintas, que determinam suas 'vantagens absolutas'. Essas vantagens
significam que alguns países podem produzir certos bens com mais eficiência (a um custo
menor, com maior qualidade, ou de forma mais rápida) do que outros.

Segundo Caparroz (2022), a Teoria das Vantagens Absolutas de Smith sugere que cada país
possui diferentes eficiências na produção de diferentes bens, devido a fatores como recursos
naturais, tecnologia e habilidades. Um país tem uma vantagem absoluta em um produto quando
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pode produzi-lo com maior eficiência (menor custo, maior qualidade, ou maior velocidade) do
que outro país.

Para maior compreensão da teoria tomemos, por exemplo, dois países: A e B. Se o país A pode
produzir aço com menos recursos e mais eficientemente do que o país B, e o país B pode
produzir algodão mais eficientemente do que o país A, então, segundo a teoria, A deve
especializar-se em aço e B em algodão. Ao trocarem esses produtos entre si, ambos os países se
beneficiam. Essa prática não apenas aumenta a eficiência global, mas também leva a uma maior
diversidade de produtos disponíveis para os consumidores em ambos os países.

De acordo com Caparroz (2022), a visão de Adam Smith sobre o comércio internacional,
delineada na Teoria das Vantagens Absolutas, representa uma ruptura significativa com as
noções mercantilistas predominantes de seu tempo. Smith argumentava que o comércio não
deve ser visto como um jogo de soma zero, onde o benefício de um país ocorre às custas de
outro. Em vez disso, ele via o comércio internacional como uma via de mão dupla, onde todos os
países envolvidos poderiam se beneficiar.

Esta perspectiva oferece uma abordagem mais cooperativa e mutuamente vantajosa. Por
exemplo, quando um país com capacidade superior para produzir um bem troca com outro país
que possui vantagem em um produto diferente, ambos os lados podem se beneficiar dessa
troca. Isso não apenas aumenta a eficiência global, mas também promove uma alocação mais
eficaz de recursos, levando a um crescimento econômico acelerado.

Segundo Silva (2021), inspirado por esta teoria, o século XX viu um movimento em direção à
liberalização do comércio. As nações começaram a entender que reduzir barreiras, como tarifas
e quotas, poderia levar a uma economia global mais integrada e produtiva. Este entendimento é
uma das forças motrizes por trás de blocos comerciais e acordos internacionais que procuram
facilitar o comércio entre as nações.

No entanto, a Teoria das Vantagens Absolutas de Smith não está livre de críticas. Uma das
principais críticas é que ela pode simplificar demais a complexidade do comércio internacional.
Segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), a teoria presume uma mobilidade perfeita de
recursos e uma igualdade de condições entre as nações, o que raramente é o caso na prática. As
nações frequentemente enfrentam limitações na movimentação de recursos e capital, e existem
desequilíbrios significativos de poder e capacidade econômica entre diferentes países.

Além disso, David Ricardo, um economista do século XIX, expandiu a ideia de Smith com sua
Teoria das Vantagens Comparativas. Ricardo argumentou que mesmo que um país não tenha
uma vantagem absoluta na produção de qualquer bem, ainda poderia se beneficiar do comércio
especializando-se em bens que pode produzir com relativamente maior eficiência do que outros.

Teoria da Vantagem Comparativa


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A Teoria da Vantagem Comparativa, desenvolvida por David Ricardo no início do século XIX, é um
conceito fundamental na economia internacional. Ela estende e refina a Teoria das Vantagens
Absolutas de Adam Smith. Para Caparroz (2022), enquanto a teoria de Smith se concentra na
eficiência absoluta na produção de bens, a teoria de Ricardo considera a eficiência relativa e as
oportunidades de comércio entre países, mesmo quando um país não tem uma vantagem
absoluta em nenhum bem.

De acordo com Silva (2021), o princípio da Vantagem Comparativa, conforme descrito por
Ricardo, indica que mesmo um país menos eficiente na produção de todos os bens em
comparação a outro pode se beneficiar do comércio internacional. Este princípio se baseia na
noção de vantagem comparativa, que se manifesta quando um país consegue produzir um bem
com um custo de oportunidade inferior ao de outro país. O custo de oportunidade representa
aquilo que se deixa de produzir ou consumir para se dedicar à produção de um bem específico.

Para melhor compreensão da teoria, vamos considere dois países, o País X e o País Y. O País X é
mais eficiente na produção de ambos, café e trigo, comparado ao País Y. Contudo, sua eficiência
é particularmente superior na produção de café do que na de trigo. Em contrapartida, o País Y,
embora menos eficiente na produção de ambos os bens, possui uma desvantagem menor na
produção de trigo. Dessa forma, o País X possui uma vantagem comparativa na produção de
café, enquanto o País Y a possui na produção de trigo. Se cada país se especializar na produção
do bem no qual detém vantagem comparativa e realizar trocas comerciais, ambos beneficiar-se-
ão mutuamente dessa especialização e comércio.

A Teoria da Vantagem Comparativa segundo Caparroz (2022), sugere que o comércio


internacional pode ser benéfico mesmo para países que não possuem uma vantagem absoluta
em nenhum setor. Isso promove uma divisão internacional do trabalho e uma especialização que
aumentam a eficiência global e o bem-estar econômico. Como resultado, os países são
incentivados a identificar suas vantagens comparativas e a se especializar na produção desses
bens, aumentando assim a quantidade total de bens disponíveis para todos.

A teoria da vantagem comparativa, apesar de ser fundamental na economia internacional, não


está isenta de críticas relacionadas à sua aplicabilidade prática. Uma das principais críticas
segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), se concentra na suposição de mobilidade
limitada de capital e mão de obra entre os países. Na realidade, o fluxo de capital e trabalhadores
é frequentemente restrito por barreiras políticas, culturais e geográficas, o que pode distorcer as
premissas da teoria.

De acordo com Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), outro ponto de crítica é a influência
significativa de fatores políticos e econômicos nas decisões de comércio. Políticas
protecionistas, subsídios governamentais, tarifas e quotas podem alterar as condições de
mercado, desviando-as das previsões idealizadas pela teoria da vantagem comparativa. Isso
pode levar a cenários onde as trocas comerciais não refletem as eficiências relativas de
produção.
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Além disso, Silva (2021), afirma que a globalização e as tecnologias modernas têm remodelado
as dinâmicas comerciais tradicionais. A facilidade de comunicação e transporte, a proliferação
de acordos de comércio multilaterais e a ascensão de corporações multinacionais criam um
ambiente de comércio internacional complexo, onde as simplificações assumidas pela teoria da
vantagem comparativa podem não ser suficientes para explicar as práticas comerciais atuais.

Essas críticas sugerem que, embora a teoria da vantagem comparativa ofereça um quadro
teórico elegante e simplificado para entender o comércio internacional, sua aplicabilidade pode
ser limitada em um mundo globalizado e politicamente complexo, onde as condições ideais
assumidas pela teoria raramente existem na prática.

Vamos Exercitar?
Ao explorarmos a evolução histórica do comércio internacional, nos deparamos com um cenário
complexo e fascinante. Como as trocas comerciais moldaram as relações globais ao longo dos
séculos? O comércio internacional tem sido uma força motriz por trás do desenvolvimento de
civilizações, contribuindo para a disseminação de culturas, produtos e tecnologias. Desde as
antigas rotas da seda até a globalização contemporânea, as interações comerciais têm sido
vitais para a formação do mundo como o conhecemos hoje.

A teoria das vantagens absolutas, proposta por Adam Smith, enfatiza a eficiência produtiva de
uma nação em relação a um determinado bem. Como essa teoria se aplica nas decisões de
comércio internacional? Ela nos ajuda a entender por que certos países se especializam na
produção de determinados produtos, otimizando recursos e promovendo um comércio mais
eficiente.

Já a teoria da vantagem comparativa, formulada por David Ricardo, nos leva a outra questão
intrigante: como a especialização baseada em vantagens comparativas beneficia as nações? A
resposta está na eficiência alocativa, que permite que as nações se concentrem naquilo em que
são relativamente melhores, promovendo ganhos mútuos por meio do comércio.

Qual é a relevância desses conhecimentos para um futuro profissional no mundo dos negócios
internacionais? A compreensão da evolução do comércio internacional e das teorias das
vantagens absolutas e comparativas é fundamental para profissionais que atuam no cenário
global. Esses conhecimentos permitem a análise crítica de oportunidades e desafios comerciais,
a tomada de decisões estratégicas, a identificação de nichos de mercado e a maximização dos
benefícios nas relações comerciais internacionais. Portanto, são ferramentas essenciais para o
sucesso em carreiras relacionadas ao comércio e negócios internacionais, preparando você para
enfrentar os desafios do mercado global.

Saiba mais
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Recomendo que assista o filme “Diamante de Sangue” (2006), mostra o lado sombrio do
comércio internacional de diamantes, focando nas zonas de conflito da África.

Indico a leitura do artigo “As duas vias do princípio das vantagens comparativas de David Ricardo
e o padrão-ouro: um ensaio crítico” para expandir os conhecimentos sobre as teorias do
comércio internacional.

Recomendo a leitura do capítulo 1 – Surgimento e Evolução do Comércio Internacional, dos


autores Angela Cristina Kochinski Tripoli e Rodolfo Coelho Prates, para conhecer mais sobre os
desenvolvimentos do comércio internacional.

Referências
ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e
Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.

FRAPORTI, Simone; GIACOMELLI, Giancarlo; FONSECA, Joaquim J R. Logística internacional.


Porto Alegre: SAGAH, 2018. 87 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

IAMIN, Gustavo Paiva. Negociação: conceitos fundamentais e negócios internacionais. Curitiba:


Intersaberes, 2016. 280 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.
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KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Como preparar uma empresa para o comércio exterior. São Paulo: Saraiva,
2017. 126 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 202. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2012. 256 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, César Roberto Leite da; CARVALHO, Maria Auxiliadora de. Economia Internacional. 5ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 352 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.
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Aula 2
Abordagem Neoclássica do Comércio Internacional

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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você terá a oportunidade de explorar os fundamentos da "Abordagem
Neoclássica do Comércio Internacional". Abordaremos conceitos essenciais, como o Teorema de
Heckscher-Ohlin (H-O), o Teorema da Equalização do Preço dos Fatores e o Teorema de Stolper-
Samuelson. Estes conteúdos são cruciais para sua prática profissional, pois ajudam a
compreender as dinâmicas complexas que regem o comércio internacional e as implicações
econômicas para as nações. Prepare-se para aprofundar seus conhecimentos e ampliar suas
habilidades profissionais! Não perca esta oportunidade de aprendizado. Vamos lá!

Ponto de Partida

Seja bem-vindo à aula sobre a Abordagem Neoclássica do Comércio Internacional!

Hoje, conheceremos os conceitos fundamentais que moldam a compreensão moderna do


comércio entre nações. Exploraremos teorias centrais como o Teorema de Heckscher-Ohlin (H-
O), o Teorema da Equalização do Preço dos Fatores e o Teorema de Stolper-Samuelson. Estes
conceitos são pilares no estudo do comércio internacional e oferecem insights valiosos sobre
como os países interagem e se beneficiam mutuamente através do comércio.

Em nossa jornada de aprendizado, vamos considerar questões cruciais. Primeiramente,


questionaremos como as diferenças nos dotes de fatores entre países influenciam o comércio
internacional, utilizando o Teorema de Heckscher-Ohlin como base para nossa análise. Em
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seguida, discutiremos como o comércio afeta os preços dos fatores de produção e as


implicações desse fenômeno para diferentes grupos dentro de um país, guiados pelo Teorema da
Equalização do Preço dos Fatores. Por fim, abordaremos as repercussões do comércio
internacional sobre a distribuição de renda dentro de um país, um aspecto crucial trazido à luz
pelo Teorema de Stolper-Samuelson. Estas problematizações são essenciais para compreender
a dinâmica e os efeitos do comércio internacional, tanto em termos de política econômica
quanto de impacto social.

Lembre-se, cada conceito que exploramos é uma ferramenta poderosa para desvendar as
complexidades do comércio global. Estes conhecimentos não apenas enriquecerão sua
compreensão teórica, mas também fornecerão perspectivas práticas para sua futura carreira em
comércio e negócios internacionais. Encorajo você a abraçar este aprendizado com curiosidade
e entusiasmo.

Boa aula!

Vamos Começar!

Teoria de Heckscher-Ohlin
A Teoria de Heckscher-Ohlin, também conhecida como a Teoria H-O, é uma das mais influentes
teorias do comércio internacional. Foi formulada inicialmente por Eli Heckscher em 1919 e mais
tarde refinada por Bertil Ohlin, dando origem ao que é frequentemente denominado Modelo
Heckscher-Ohlin ou simplesmente Teoria H-O. Esta teoria oferece uma explicação para os
padrões de comércio entre nações baseando-se nas diferenças nas dotações de fatores de
produção.

De acordo com Silva (2021), a essência da Teoria de Heckscher-Ohlin reside na ideia de que as
nações possuem dotações variadas de fatores de produção, como terra, trabalho, capital e, em
interpretações mais modernas, tecnologia e habilidades, ou seja, refere-se à quantidade e
qualidade dos recursos produtivos disponíveis em um país.

Segundo Caparroz (2022), a teoria propõe que a diferença nas dotações de fatores entre os
países é a chave para entender os padrões de comércio internacional. Países tendem a exportar
bens que fazem uso intensivo dos fatores que são mais abundantes e, consequentemente, mais
baratos localmente, e importam bens que requerem fatores que são relativamente escassos e
caros em seu território.

Por exemplo, um país com uma grande quantidade de mão de obra, especialmente se for menos
qualificada e, portanto, mais barata, tenderá a se especializar na produção e exportação de bens
intensivos em trabalho. Da mesma forma, uma nação rica em recursos naturais, como minerais
ou terras férteis, provavelmente se concentrará na exportação de produtos agrícolas ou
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minerados. A teoria também sugere que este comércio baseado nas diferenças de dotação de
fatores leva a um aumento global na eficiência econômica, pois cada país se especializa na
produção daquilo em que é relativamente mais eficiente.

Paiva et al. (2016), afirma que a Teoria de Heckscher-Ohlin prevê que o comércio internacional
pode afetar a distribuição de renda dentro dos países. Os proprietários dos fatores de produção
que um país possui em abundância se beneficiarão do comércio, enquanto os proprietários dos
fatores que são escassos podem ser prejudicados, uma vez que o preço desses fatores tende a
diminuir com a competição internacional.

Segundo Caparroz (2022), essa teoria é importante porque oferece uma explicação mais
complexa e realista do comércio internacional do que modelos anteriores, como a Teoria da
Vantagem Absoluta de Adam Smith ou a Teoria da Vantagem Comparativa de David Ricardo, que
se focavam mais nas diferenças de produtividade. A abordagem de Heckscher-Ohlin destaca a
interação entre os recursos disponíveis e as escolhas de produção e comércio, fornecendo
insights valiosos sobre como os países se desenvolvem e competem no cenário econômico
global.

Teoria do Paradoxo de Leontief


Souza (2013) ressalta uma conexão essencial entre a Teoria do Paradoxo de Leontief e a Teoria
de Heckscher-Ohlin (H-O). A Teoria H-O postula que os países tendem a exportar bens que
intensivamente utilizam seus fatores de produção mais abundantes e a importar aqueles que
demandam fatores mais escassos. Essa diferença na disponibilidade de fatores é crucial para
entender os padrões do comércio mundial.

Entretanto, Appleyard et al. (2010) destacam que o Paradoxo de Leontief, proposto por Wassily
Leontief em 1953, desafia diretamente a Teoria H-O. Através de um estudo sobre os Estados
Unidos, que na época era um país abundantemente rico em capital, Leontief contrapôs a
expectativa da Teoria H-O. Segundo esta teoria, esperava-se que os EUA exportassem produtos
de uso intensivo de capital e importassem produtos que demandassem mais trabalho. Porém,
Leontief descobriu o contrário: os EUA exportavam produtos mais dependentes de mão de obra e
importavam aqueles que necessitavam de mais capital.

Appleyard et al. (2010) enfatizam que o primeiro teste significativo do modelo H-O foi conduzido
por Leontief, que usou uma tabela de insumo-produto criada por ele. Essa tabela detalha os
fluxos de produção e as necessidades de insumos entre as indústrias, permitindo o cálculo do
uso total de capital e trabalho em um conjunto específico de bens. No seu estudo de 1953,
usando dados dos EUA, Leontief analisou a relação entre capital (K) e trabalho (L) nas
exportações e importações. Contrariando as expectativas, os resultados mostraram que, como
um país rico em capital, os EUA deveriam ter uma maior proporção de K/L nas exportações do
que nas importações, mas ocorreu o oposto.
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Tomando como exemplo as indústrias têxtil e de maquinário, a Teoria H-O sugeriria que os EUA
exportassem maquinários (produtos intensivos em capital) e importassem têxteis (produtos
intensivos em trabalho). No entanto, Leontief observou uma realidade inversa, indicando a
necessidade de considerar outros fatores além das dotações de capital e trabalho para entender
os padrões de comércio internacional.

Krugman, Obstfeld, Melitz (2023) apontam que os achados de Leontief, contradizendo a Teoria H-
O, sublinharam a importância de fatores adicionais como tecnologia, qualidade dos insumos,
economias de escala e preferências dos consumidores, que não eram contemplados na teoria
original. As descobertas incentivaram novas pesquisas e debates, contribuindo para o
desenvolvimento de novos modelos e abordagens na economia internacional. O Paradoxo de
Leontief evidenciou que as teorias de comércio internacional devem englobar a complexidade e a
dinâmica do comércio global, considerando uma variedade mais ampla de influências.

Siga em Frente...

Teorema da Equalização do Preço dos Fatores


O Teorema da Equalização dos Preços dos Fatores, também conhecido como Teorema de
Heckscher-Ohlin-Samuelson (HOS), é uma extensão do modelo de Heckscher-Ohlin, que foi
inicialmente desenvolvido por Eli Heckscher e Bertil Ohlin, dois economistas suecos. Segundo
Appleyard et al. (2010), o modelo HOS foi posteriormente formalizado e expandido por Paul
Samuelson, um economista do século XX, que estendeu e formalizou o modelo de Heckscher-
Ohlin, proporcionando uma base teórica mais sólida para explicar como e por que os preços dos
fatores de produção tendem a se equalizar entre os países devido ao comércio internacional.

De acordo com Krugman, Obstfeld, Melitz (2023), Samuelson argumentou que, sob certas
condições, o comércio internacional leva à equalização dos preços dos fatores de produção
como trabalho, terra e capital entre os países. Essa ideia, embora derivada do modelo de
Heckscher-Ohlin, ganhou uma nova dimensão com a intervenção de Samuelson. Ele mostrou
que, quando os países comercializam livremente, sem barreiras ao comércio, e compartilham
tecnologias semelhantes, a competição e o intercâmbio de bens resultam na harmonização dos
custos dos fatores de produção.

Por exemplo, considere dois países: país A, que tem abundância de mão-de-obra mas é carente
em capital, e país B, que possui muitos recursos de capital, mas é limitado em trabalho.
Inicialmente, estes países têm estruturas econômicas e de produção distintas, refletindo suas
abundâncias e carências relativas de fatores de produção.

Quando os países A e B começam a comerciar, eles naturalmente se inclinam para se


especializar na produção de bens que mais eficientemente utilizam seus fatores de produção
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abundantes. Assim, o país A se especializa em bens que requerem muita mão-de-obra, enquanto
o país B foca na produção de bens que demandam mais capital.

Devido à especialização, a demanda por trabalho no país A e por capital no país B aumenta. No
país A, a necessidade ampliada de trabalhadores para produzir bens intensivos em mão-de-obra
eleva os salários. Paralelamente, no país B, a maior demanda por capital para a produção de
bens intensivos em capital eleva os retornos sobre este fator.

A longo prazo, essa mudança na demanda e nos preços dos fatores de produção em ambos os
países conduz à uma equalização. Os salários no país A e os retornos sobre o capital no país B
começam a se alinhar com os níveis internacionais. Este ajuste contribui para um equilíbrio na
remuneração dos fatores de produção entre os países, refletindo um dos impactos fundamentais
do comércio internacional na economia global.

A contribuição de Samuelson foi fundamental para entender o impacto do comércio internacional


na distribuição de renda entre e dentro dos países. Ele mostrou que, enquanto o comércio pode
ser benéfico globalmente, pode haver vencedores e perdedores dentro de cada país, dependendo
de como os fatores de produção são distribuídos. A importância desse teorema estende-se para
além da economia, influenciando políticas comerciais e debates sobre globalização e
desenvolvimento econômico.

Teorema de Stolper-Samuelson
O Teorema de Stolper-Samuelson, uma peça fundamental na teoria do comércio internacional,
oferece uma visão perspicaz sobre como a abertura ao comércio afeta a distribuição de renda
dentro de um país. De acordo com Krugman, Obstfeld, Melitz (2023), a teoria foi desenvolvida por
Wolfgang Stolper e Paul Samuelson em 1941, a partir de estudo sobre os efeitos das tarifas na
distribuição de renda. O que começou como uma análise específica de políticas tarifárias, logo
se ampliou para uma exploração mais abrangente dos efeitos do comércio internacional sobre a
distribuição de renda em diferentes países. Este teorema baseia-se na ideia de que o comércio
internacional altera os preços dos fatores de produção, impactando diretamente a renda real de
diferentes grupos dentro de uma economia.

Segundo Appleyard et al. (2010), a essência da Teoria de Stolper-Samuelson reside na inter-


relação entre os preços dos fatores de produção (trabalho e capital) e a abertura ao comércio
internacional. Em sua forma mais básica, a teoria postula que quando um país se engaja no
comércio internacional, o preço do fator de produção abundante no país tende a aumentar,
enquanto o preço do fator escasso tende a diminuir.

A lógica subjacente à teoria, conforme explicado por Krugman, Obstfeld e Melitz (2023), é
fundamentada na dotação de fatores de produção de um país. Se um país é abundantemente
dotado de trabalho, por exemplo, ele tende a se especializar na produção de bens intensivos em
trabalho ao se engajar no comércio internacional. Essa especialização leva a um aumento na
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demanda por trabalho, o que, por sua vez, resulta em elevação dos salários. Simultaneamente,
em contraste, o preço do capital - que neste cenário é um fator de produção relativamente
escasso - tende a diminuir. Essa dinâmica destaca como o comércio internacional pode
influenciar diferencialmente os preços dos fatores de produção em um país, dependendo de sua
abundância ou escassez relativa.

Contudo, Appleyard et al. (2010), afirmam que a teoria também enfatiza a importância da renda
real, ou seja, o poder de compra efetivo dos indivíduos. A renda real é afetada não apenas pela
renda nominal (ou salários), mas também pelos preços dos bens e serviços. Assim, para avaliar
o impacto do comércio sobre a renda real, é crucial considerar as mudanças nos preços dos
produtos.

Para ilustrar melhor, vamos considerar um exemplo simples. Suponha dois países: País A,
abundante em capital, e País B, abundante em trabalho. Antes do comércio, o País A se
especializa na produção de bens intensivos em capital, enquanto o País B produz bens intensivos
em trabalho. Com a abertura do comércio, o País A exporta bens intensivos em capital e importa
bens intensivos em trabalho do País B, e vice-versa.

No País A, a demanda por capital aumenta e seu preço sobe, enquanto o preço do trabalho
diminui devido à menor demanda. Isso resulta em um aumento na renda real dos proprietários de
capital e uma possível diminuição na renda real dos trabalhadores. No País B, ocorre o inverso:
os salários aumentam, beneficiando os trabalhadores, enquanto os detentores de capital podem
ver uma redução na renda real.

Um exemplo contemporâneo pode ser encontrado na dinâmica entre países desenvolvidos


(geralmente abundantes em capital) e países em desenvolvimento (geralmente abundantes em
trabalho). O comércio entre esses países frequentemente resulta em um aumento nos salários
nos países em desenvolvimento (devido à sua abundância de mão-de-obra) e um aumento nos
retornos de capital nos países desenvolvidos.

A Teoria de Stolper-Samuelson oferece uma perspectiva crucial para entender como o comércio
internacional pode afetar a distribuição de renda dentro dos países. Ela destaca a complexidade
das dinâmicas econômicas globais e a necessidade de políticas cuidadosamente calibradas para
garantir que os benefícios do comércio sejam amplamente distribuídos entre todos os
segmentos da sociedade. Enquanto essa teoria proporciona um quadro teórico robusto, ela
também sublinha a importância de considerar as condições específicas de cada país e os
diversos fatores que podem influenciar os resultados do comércio internacional.

Vamos Exercitar?

Ao explorarmos as problematizações propostas na aula sobre a Abordagem Neoclássica do


Comércio Internacional, nos deparamos com três questões fundamentais que nos guiam pela
complexidade do comércio entre nações. Vamos abordá-las uma a uma:
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Como as diferenças nos dotes de fatores entre países influenciam o comércio internacional?

Baseando-se no Teorema de Heckscher-Ohlin, entende-se que as nações se especializam na


produção e exportação de bens que intensivamente utilizam seus fatores de produção mais
abundantes. Um país rico em capital, por exemplo, tenderá a exportar bens intensivos em capital.
Isso ocorre porque a abundância relativa de um fator de produção reduz seu custo, tornando a
produção do bem que intensivamente utiliza esse fator mais competitiva internacionalmente​​.

Como o comércio afeta os preços dos fatores de produção e quais são as implicações para
diferentes grupos dentro de um país?

O Teorema da Equalização do Preço dos Fatores sugere que o comércio internacional leva à
equalização dos preços dos fatores de produção entre países. Isso implica que os trabalhadores
em países com mão de obra abundante podem experimentar um aumento nos salários à medida
que o comércio se expande, enquanto os detentores de capital em países onde é abundante
podem ver uma redução nos retornos. Essa dinâmica pode ter implicações significativas para a
distribuição de renda e a estrutura socioeconômica dentro de um país​​.

Quais são as repercussões do comércio internacional sobre a distribuição de renda dentro de um


país?

O Teorema de Stolper-Samuelson, parte integrante da teoria de Heckscher-Ohlin, aborda como as


mudanças nos preços dos bens devido ao comércio internacional afetam os retornos aos fatores
de produção. De acordo com este teorema, um aumento no preço de um bem levará a um
aumento no retorno ao fator de produção usado intensivamente na produção desse bem e a uma
queda no retorno aos outros fatores. Isso pode resultar em mudanças na distribuição de renda,
potencialmente beneficiando os proprietários do fator de produção intensivamente utilizado no
bem cujo preço aumentou​​.

Cada uma dessas questões abre um caminho para a compreensão mais profunda do comércio
internacional e seus impactos econômicos e sociais. As possíveis respostas a essas
problematizações não são definitivas e devem ser exploradas com um olhar crítico sobre as
variáveis e contextos específicos de diferentes países e regiões.

Saiba mais

Recomendo que assista o filme “Despachado para a Índia” (2006), é uma comédia que aborda a
terceirização e o choque cultural envolvido na movimentação de operações de negócios para o
exterior.

Indico a leitura do artigo “Aderência Liberalismo Econômico e Política Comercial Britânica em


1820-1913” para expandir os conhecimentos sobre o comércio internacional.
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Recomendo a leitura do capítulo 2 – Teorias do Comércio Internacional, dos autores Angela


Cristina Kochinski Tripoli e Rodolfo Coelho Prates, para conhecer mais sobre os
desenvolvimentos das teorias do comércio internacional.

Referências

ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e


Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

IAMIN, Gustavo Paiva. Negociação: conceitos fundamentais e negócios internacionais. Curitiba:


Intersaberes, 2016. 280 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.

LUDOVICO, Nelson. Como preparar uma empresa para o comércio exterior. São Paulo: Saraiva,
2017. 126 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 202. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, César Roberto Leite da; CARVALHO, Maria Auxiliadora de. Economia Internacional. 5ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 352 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

Aula 3
Teorias de Internalização

Teorias de Internalização

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Dica para você


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aprendizagem ainda mais completa.

Olá, estudante!
Na videoaula de hoje, exploraremos as intrigantes Teorias de Internalização, incluindo o Poder de
Mercado, o Ciclo do Produto e a Teoria Uppsala. Esses conceitos são vitais para entender como
as empresas expandem suas operações internacionalmente, impactando diretamente a
estratégia e o sucesso no mercado global. Compreender essas teorias é crucial para sua prática
profissional, ajudando a identificar oportunidades e desafios no ambiente internacional. Prepare-
se para ampliar seus horizontes e habilidades! Não perca esta oportunidade de aprendizado!
Vamos lá!

Ponto de Partida

Seja bem-vindo, estudante, à nossa aula focada nas Teorias de Internalização, um tema crucial
para todos que se aventuram no estudo do comércio e negócios internacionais. Hoje, vamos
explorar conceitos fundamentais que formam a espinha dorsal do entendimento sobre como as
empresas se estabelecem e prosperam em mercados globais.

Nosso primeiro tópico, o Poder de Mercado, questiona como as empresas utilizam sua influência
para moldar mercados internacionais. Este conceito é vital para compreender as estratégias que
corporações adotam para manter ou expandir sua presença global. Em seguida, abordaremos o
Ciclo do Produto, um aspecto chave para entender como as diferentes fases de um produto
influenciam as estratégias de internacionalização das empresas. Por último, a Teoria Uppsala
nos oferece uma perspectiva sobre como as empresas aumentam gradualmente seu
envolvimento em mercados estrangeiros, baseando-se em conhecimento e experiência
acumulados.

Ao longo da aula, três perguntas fundamentais guiarão nossa discussão: Como o Poder de
Mercado pode ser estrategicamente utilizado por empresas em sua expansão internacional? De
que maneira o Ciclo do Produto influencia as decisões de internalização das empresas? E, qual é
o papel da aprendizagem e experiência na abordagem incremental da Teoria Uppsala para a
internalização? Essas questões são essenciais para aprofundar seu entendimento e aplicação
prática dos conceitos abordados.

Esteja preparado para explorar esses temas complexos e instigantes. Seu entendimento
aprofundado sobre eles será uma ferramenta valiosa em sua futura carreira.

Boa aula!
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Vamos Começar!

Poder de Mercado
A compreensão da internacionalização das empresas passou por uma significativa evolução ao
longo do tempo. Inicialmente, os acadêmicos focavam mais no comércio internacional e nas
vantagens econômicas que os países obtinham a partir dele. Esse enfoque mudou
drasticamente a partir da década de 1960, conforme observado por Nyegray (2022). Durante este
período, o estudo da internacionalização ganhou destaque, com uma ênfase especial no
Investimento Estrangeiro Direto (IED) e em como as empresas multinacionais expandiam suas
operações para além das fronteiras nacionais.

Segundo Nyegray (2022), a pesquisa pioneira de Stephen Hymer foi fundamental nesta transição.
Sua tese de doutorado de 1960, intitulada "The International Operations of National Firms: A
Study of Direct Foreign Investment" e publicada em 1970, questionava se a internacionalização
via IED seguia a mesma lógica dos fluxos internacionais de capital observados em mercados de
ações. Hymer concluiu que a internacionalização tinha uma dinâmica distinta. As empresas, ao
se internacionalizar através do IED, procuravam explorar a concorrência imperfeita em mercados-
alvo, buscando vantagens como a redução de custos com tarifas de importação - uma estratégia
que Hymer denominou "vantagem de propriedade".

Mèrcher (2021), complementa essa perspectiva, destacando que Hymer via a internacionalização
não apenas como uma busca por eficiência, mas também como uma estratégia para obter e
manter o poder de mercado. As empresas buscavam dominar mercados e reduzir a
concorrência, utilizando suas vantagens competitivas exclusivas. Essa abordagem estratégica,
que inclui a criação de barreiras de entrada para novos concorrentes e a exploração de ativos
únicos da empresa, como patentes e marcas, desafiava as teorias econômicas tradicionais.

Um exemplo que ilustra a teoria de poder de mercado de Stephen Hymer pode ser observado no
caso da empresa Coca-Cola. A Coca-Cola, uma multinacional americana, é conhecida por sua
expansão global e dominação significativa no mercado de bebidas. Esta empresa não apenas
buscou eficiência e expansão geográfica ao internacionalizar-se, mas também adotou
estratégias para exercer controle e poder de mercado nas regiões onde atua.

Ao entrar em novos mercados, a Coca-Cola utilizou seu investimento estrangeiro direto (IED) para
estabelecer uma forte presença local. Isso incluiu a construção de fábricas, a criação de redes de
distribuição locais e campanhas de marketing adaptadas às culturas locais. Essas estratégias
ajudaram a Coca-Cola a desenvolver uma vantagem competitiva significativa, reduzindo a
dependência de importações e, consequentemente, diminuindo custos associados a tarifas e
logística.

Além disso, a marca globalmente reconhecida da Coca-Cola e seu marketing eficaz permitiram
que a empresa criasse uma forte demanda por seus produtos. Isso dificultou a entrada de novos
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concorrentes nos mercados onde a Coca-Cola já estava estabelecida, devido à lealdade à marca
que a empresa conseguiu cultivar entre os consumidores.

A estratégia da Coca-Cola de produzir localmente e adaptar seus produtos e marketing às


preferências locais também reflete a "vantagem de propriedade" identificada por Hymer. A
empresa conseguiu usar seus ativos únicos – sua marca, fórmula secreta, capacidades de
marketing e gestão – para obter uma posição dominante nos mercados internacionais.

Segundo Mèrcher (2021), a relevância da teoria de poder de mercado de Hymer é acentuada no


contexto atual de globalização. As empresas multinacionais continuam buscando formas de
fortalecer suas posições nos mercados globais, tornando crucial a compreensão das estratégias
por trás dessa expansão. A teoria de Hymer oferece uma lente crítica para analisar estas
estratégias e suas implicações na economia global.

De acordo com Nyegray (2022), o conceito de poder de mercado representa um marco no estudo
da internacionalização de empresas. Ele redirecionou o foco das discussões de meras vantagens
econômicas para uma abordagem mais abrangente e estratégica, explorando o que realmente
motiva as empresas a se expandirem internacionalmente. Este conceito continua sendo um pilar
relevante e influente no estudo da economia internacional e das estratégias empresariais no
cenário globalizado.

Siga em Frente...

Ciclo do Produto
No contexto do comércio internacional, o Modelo do Ciclo do Produto, criado por Raymond
Vernon em 1966, é essencial para entender como produtos são produzidos e comercializados ao
longo do tempo. Segundo Souza (2009), esse modelo ajuda a compreender as constantes
mudanças no comércio mundial, especialmente em um ambiente marcado por rápidas inovações
tecnológicas e produtos que têm ciclos de vida cada vez mais breves. Nyegray (2022) destaca
que Vernon identifica três fases principais no ciclo do produto:

Fase Inicial: Desenvolvimento e Produção no Mercado Doméstico: Esta fase é marcada


pela criação e fabricação de um novo produto no país de origem, geralmente uma nação
desenvolvida com um mercado avançado e consumidores com poder de compra elevado. A
produção inicial é em pequena escala, e o produto inovador é vendido a preços altos, como
é o caso dos lançamentos de novos dispositivos eletrônicos.
Exemplo: O lançamento do iPhone pela Apple em 2007. Na época, o iPhone
representou uma inovação significativa no mercado de smartphones. Foi
desenvolvido e produzido inicialmente nos Estados Unidos, um país com um mercado
tecnológico avançado e consumidores com alto poder de compra. A produção inicial
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foi relativamente limitada, e o iPhone foi introduzido a um preço elevado, refletindo


seu status de produto inovador e exclusivo.
Fase Intermediária: Expansão para Mercados Externos: Neste estágio, o produto começa a
ser adotado em outros países, levando à padronização do processo de produção para
aumentar a eficiência e diminuir os custos. O país de origem, aproveitando a crescente
demanda, exporta o produto para mercados desenvolvidos similares, mudando o foco da
inovação para a eficiência produtiva.
Exemplo: Durante a fase intermediária do Modelo do Ciclo do Produto, a Apple
expandiu a distribuição do iPhone para mercados internacionais, iniciando logo após
seu lançamento nos Estados Unidos em 2007. Esta expansão abrangeu países
desenvolvidos na Europa, Japão e Austrália, entre outros. Nesse período, a Apple
otimizou e padronizou seu processo de produção para atender à crescente demanda
global, mudando o foco de inovação inicial para eficiência na produção e distribuição.
Essa estratégia não apenas impulsionou as vendas do iPhone globalmente, mas
também foi essencial para manter sua competitividade no mercado de smartphones,
respondendo eficientemente à concorrência e às necessidades variadas dos
consumidores internacionais, enquanto continuava a inovar e a manter a alta
qualidade do produto.
Fase de Maturação do produto: Na etapa final, o produto se torna completamente
padronizado, com a competição de mercado centrada no preço. A produção é então
transferida para países em desenvolvimento com custos de mão de obra mais baixos,
tornando o produto um item comum no mercado global.
Para a fase de maturação do Modelo do Ciclo do Produto, o exemplo do iPhone da
Apple também é relevante. Após as fases iniciais de desenvolvimento e expansão
para mercados externos, o iPhone entrou em uma fase de maturação. Nesta etapa, a
produção do iPhone começou a se expandir para países em desenvolvimento, como a
China e Índia, onde os custos de mão de obra são mais baixos. Isso ajudou a Apple a
reduzir os custos de produção, mantendo a qualidade e as características inovadoras
do produto.

Exemplo: Durante a fase intermediária do Modelo do Ciclo do Produto, a Apple expandiu a


distribuição do iPhone para mercados internacionais, iniciando logo após seu lançamento
nos Estados Unidos em 2007. Esta expansão abrangeu países desenvolvidos na Europa,
Japão e Austrália, entre outros. Nesse período, a Apple otimizou e padronizou seu processo
de produção para atender à crescente demanda global, mudando o foco de inovação inicial
para eficiência na produção e distribuição. Essa estratégia não apenas impulsionou as
vendas do iPhone globalmente, mas também foi essencial para manter sua
competitividade no mercado de smartphones, respondendo eficientemente à concorrência
e às necessidades variadas dos consumidores internacionais, enquanto continuava a
inovar e a manter a alta qualidade do produto.

Para a fase de maturação do Modelo do Ciclo do Produto, o exemplo do iPhone da Apple


também é relevante. Após as fases iniciais de desenvolvimento e expansão para mercados
externos, o iPhone entrou em uma fase de maturação. Nesta etapa, a produção do iPhone
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começou a se expandir para países em desenvolvimento, como a China e Índia, onde os


custos de mão de obra são mais baixos. Isso ajudou a Apple a reduzir os custos de
produção, mantendo a qualidade e as características inovadoras do produto.

Gremaund, Silber e Vasconcellos (2017) apontam que um elemento crucial do modelo de Vernon
é a transição geográfica na produção ao longo do ciclo de vida do produto. Inicialmente
concentrada no país de origem, a produção migra para nações em desenvolvimento em busca de
menores custos, refletindo a passagem de uma produção intensiva em capital para uma mais
focada em mão de obra. Dois exemplos ilustram essa dinâmica:

Souza (2009) ressalta que o Modelo do Ciclo do Produto de Vernon tem implicações profundas
para estratégias empresariais e políticas econômicas. Ele sugere que as empresas devem
constantemente adaptar suas estratégias de produção e localização para se alinhar à evolução
de seus produtos, indicando também que as vantagens competitivas dos países são dinâmicas e
dependem de sua posição no ciclo de vida do produto.

Teoria Uppsala

A Teoria Uppsala, também conhecida como Modelo Uppsala, é uma das teorias mais influentes e
amplamente aceitas na área de internacionalização de empresas. Segundo Nyegray (2022), a
teoria foi desenvolvida por Jan Johanson e Jan-Erik Vahlne na Universidade de Uppsala, na
Suécia, na década de 1970, esta teoria oferece uma explicação abrangente e detalhada dos
processos envolvidos na internacionalização das empresas.

Para Mendes (2022), a Teoria Uppsala parte do pressuposto de que as empresas têm uma
abordagem gradual e evolutiva para a internacionalização. Ela se baseia em dois conceitos-
chave: a aprendizagem e a incerteza. Segundo os autores, as empresas geralmente começam
suas atividades de internacionalização em mercados geográficos próximos e culturas
semelhantes, devido à maior familiaridade e menor risco percebido. À medida que ganham
experiência e conhecimento sobre esses mercados, elas gradualmente expandem para
mercados mais distantes e culturalmente diferentes.

Mendes (2022), afirma que aprendizagem é central para a Teoria Uppsala. Os autores da teoria
argumentam que as empresas acumulam conhecimento e experiência por meio de suas
atividades internacionais. Isso ocorre através da realização de experimentações em mercados
mais próximos, onde o risco é menor, e da adaptação gradual à medida que conquistam
confiança e compreensão dos mercados estrangeiros. A aprendizagem é um processo contínuo
que permite que as empresas enfrentem desafios maiores à medida que se internacionalizam.

Segundo Mendes (2022), a incerteza é um elemento fundamental da Teoria Uppsala. Os autores


reconhecem que a incerteza é uma característica inerente aos mercados internacionais, e as
empresas tendem a minimizar essa incerteza através da acumulação de conhecimento. À
medida que as empresas ganham confiança em sua capacidade de lidar com a incerteza, elas se
aventuram em mercados mais distantes e complexos.
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De acordo com Nyegray (2022), a Teoria Uppsala também destaca a importância dos
relacionamentos e das redes empresariais na internacionalização. Os autores argumentam que
as empresas desenvolvem relacionamentos de longo prazo com parceiros comerciais, como
distribuidores e agentes, para facilitar a entrada em novos mercados. Esses relacionamentos
ajudam a reduzir a incerteza e a melhorar a eficiência das operações internacionais.

Segundo Nyegray (2022), a Teoria Uppsala tem sido amplamente aplicada e testada em diversos
contextos e setores, e continua a ser uma ferramenta valiosa para entender a internacionalização
de empresas. No entanto, é importante notar que, como qualquer teoria, ela não é sem críticas.
Alguns argumentam que a Teoria Uppsala pode não se aplicar igualmente a todas as empresas e
setores, e que a globalização e a tecnologia têm alterado significativamente a forma como as
empresas internacionalizam nos tempos modernos.

A Teoria Uppsala é uma abordagem valiosa para entender a internacionalização das empresas,
destacando a importância da aprendizagem, da redução gradual da incerteza e dos
relacionamentos comerciais na expansão global. Ela fornece uma estrutura sólida para analisar
como as empresas se tornam globais e como enfrentam os desafios associados à
internacionalização.

Vamos Exercitar?

Nesta aula, abordamos temas essenciais dentro das Teorias de Internalização no contexto de
comércio e negócios internacionais. Agora, vamos explorar as respostas para as perguntas-
chave que foram levantadas, oferecendo uma compreensão mais profunda de cada tópico.

Como o Poder de Mercado pode ser estrategicamente utilizado por empresas em sua expansão
internacional?

O Poder de Mercado é utilizado pelas empresas como uma ferramenta estratégica para
estabelecer e expandir sua influência em mercados internacionais. Isso é alcançado por meio de
práticas como precificação competitiva, inovação em produtos e serviços, e a criação de
barreiras de entrada para competidores. Ao exercer seu poder, as empresas podem efetivamente
moldar as preferências do mercado e as tendências de consumo, facilitando a penetração em
novos mercados. Entretanto, é importante que os estudantes reflitam sobre o equilíbrio entre o
exercício do poder de mercado e a manutenção de práticas comerciais éticas e sustentáveis.

De que maneira o Ciclo do Produto influencia as decisões de internalização das empresas?

O Ciclo do Produto desempenha um papel crucial nas decisões de internalização das empresas.
Durante as fases iniciais do ciclo, as empresas tendem a se concentrar em mercados
domésticos para estabelecer uma base sólida. À medida que o produto amadurece e a saturação
do mercado doméstico ocorre, as empresas buscam oportunidades de expansão internacional.
Essa expansão pode ser impulsionada pela necessidade de explorar novos mercados ou pela
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transferência de produção para regiões com custos mais baixos. É valioso para os estudantes
considerarem como as características específicas de um produto e as condições de mercado
influenciam essa dinâmica.

Qual é o papel da aprendizagem e experiência na abordagem incremental da Teoria Uppsala para


a internalização?

Na Teoria Uppsala, a aprendizagem e a experiência são fundamentais para a abordagem


incremental da internalização. As empresas começam a se internacionalizar em mercados
culturalmente e geograficamente próximos, aumentando gradualmente seu comprometimento
em mercados mais distantes à medida que acumulam conhecimento e experiência. Esse
processo permite que as empresas minimizem riscos e adaptem suas estratégias à medida que
aprendem com cada novo mercado. Os estudantes são encorajados a refletir sobre como essa
abordagem pode ser aplicada em diferentes setores e contextos de negócios internacionais,
considerando as vantagens e desafios de uma expansão gradual versus uma abordagem mais
agressiva.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo: O que é internacionalização e quais as vantagens para sua


empresa, para ampliar os conhecimentos sobre internacionalização.

Indico o documentário “China Blue” (2005), explora as condições de trabalho nas fábricas de
roupas na China, destacando as complexidades do comércio internacional.

Recomendo o artigo: Internacionalização e a Necessidade de Inovação em Modelos de Negócios


- Uma Abordagem Teórica, das autoras Moema Pereira Nunes e Fernanda Kalil Steinbruch, para
ampliar os conhecimentos sobre Internacionalização.

Referências

ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e


Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.
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CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 202. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, César Roberto Leite da; CARVALHO, Maria Auxiliadora de. Economia Internacional. 5ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 352 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.

Aula 4
Acordos e Organismos Internacionais

Acordos e Organismos Internacionais


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Olá, estudante!
Nesta videoaula, mergulharemos no mundo dos "Acordos e Organismos Internacionais",
explorando a Conferência de Bretton Woods, a Carta de Havana, o Acordo Geral sobre Tarifas e
Comércio (GATT) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Esses temas são cruciais para
sua prática profissional, pois oferecem uma compreensão profunda das estruturas e dinâmicas
que moldam o comércio e as relações econômicas globais. Entender esses conceitos é vital para
navegar e influenciar o cenário econômico mundial. Prepare-se para expandir seus horizontes e
habilidades!
Vamos lá!

Ponto de Partida

Sejam bem-vindos a mais uma etapa do seu percurso formativo em Comércio e Negócios
Internacionais! Hoje, abordaremos um tema de extrema relevância: os "Acordos e Organismos
Internacionais". Ao longo desta aula, desvendaremos os intrincados caminhos da Conferência de
Bretton Woods e a Carta de Havana, o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), e a
Organização Mundial do Comércio (OMC). Cada um desses tópicos carrega um peso
significativo na formação do cenário econômico global e, consequentemente, na sua área de
estudo. A compreensão desses elementos é essencial para formar profissionais capazes de
navegar e influenciar o dinâmico mundo dos negócios internacionais.

Durante nossa exploração, convido-os a refletir sobre três questões fundamentais: Primeiro, qual
o impacto da Conferência de Bretton Woods na economia mundial atual? Segundo, como a Carta
de Havana e o GATT moldaram as regras do comércio internacional? E terceiro, qual é o papel e a
influência da Organização Mundial do Comércio no comércio global e nas relações econômicas
entre países? Essas perguntas servirão como guias para a nossa discussão, estimulando uma
análise crítica e aprofundada dos tópicos abordados.

Ao fim desta aula, vocês estarão mais preparados para entender e participar ativamente das
dinâmicas do comércio internacional, um campo em constante evolução. Lembre-se: o
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

conhecimento adquirido hoje é a ferramenta para as oportunidades de amanhã. Estudem com


dedicação e curiosidade. Boa aula!

Vamos Começar!

Conferência de Bretton Woods


Em julho de 1944, a Conferência de Bretton Woods ocorreu, reunindo representantes de 44
nações aliadas. O propósito desse encontro era formular um novo sistema monetário global,
visando estabilizar as relações econômicas internacionais, que foram desestabilizadas pela
Segunda Guerra Mundial. Em meio a um cenário de devastação pós-guerra, o foco era
estabelecer um sistema financeiro global sólido, prevenindo futuras crises econômicas como as
vividas durante a Grande Depressão.

Segundo Caparroz (2022), esse encontro foi marcado por negociações e debates acirrados,
notavelmente entre as duas maiores potências econômicas daquele período, os Estados Unidos
e o Reino Unido, liderados respectivamente por Harry Dexter White e John Maynard Keynes.
Essas discussões resultaram na fundação de duas instituições fundamentais: o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que
mais tarde se integrou ao Grupo Banco Mundial.

Segundo Krugman, Obstfeld e Melitz (2023), o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi
estabelecido visando garantir a estabilidade das taxas de câmbio e oferecer assistência
financeira essencial aos países membros. Esta instituição desempenha um papel crucial na
manutenção da ordem econômica global e na prevenção de crises nas balanças de pagamentos,
contribuindo para um ambiente econômico mais seguro e estável. Hoje, o FMI tem três funções
principais: supervisão econômica, assistência técnica e financeira, e pesquisa e treinamento. Ele
monitora a economia global e assessora seus países membros sobre políticas econômicas e
financeiras para promover a estabilidade, evitar crises e incentivar o crescimento. Além disso,
fornece financiamento temporário para países com dificuldades de balança de pagamentos,
ajudando-os a estabilizar suas economias. Este apoio financeiro geralmente vem acompanhado
de orientação política para garantir reformas econômicas sustentáveis. Paralelamente, o Banco
Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), foi inicialmente focado em financiar
a reconstrução de nações devastadas pelos conflitos da Segunda Guerra Mundial. Com o passar
do tempo, o escopo do BIRD evoluiu, passando a incluir o suporte ao desenvolvimento
econômico e social de países emergentes, proporcionando a eles recursos financeiros e
assistência técnica necessários para impulsionar seu crescimento e progresso.

Para Silva (2021), um dos elementos mais notáveis de Bretton Woods foi a implementação do
sistema de taxas de câmbio fixas. Neste sistema, as moedas dos países participantes seriam
vinculadas ao dólar americano, que, por sua vez, poderia ser convertido em ouro a uma taxa fixa.
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Esse mecanismo buscava promover estabilidade e previsibilidade no comércio internacional e


nas finanças globais.

No entanto, o sistema de Bretton Woods apresentou falhas. Caparroz (2022), observa que a
inflexibilidade das taxas de câmbio fixas acabou por se tornar insustentável com o tempo,
resultando no colapso do sistema nos anos 70. Adicionalmente, a dominância do dólar
americano e a influência dos Estados Unidos nas decisões dessas instituições financeiras
internacionais geraram debates sobre equidade e representatividade no sistema financeiro
global.

A Conferência de Bretton Woods foi um marco importante na criação de uma ordem econômica
global mais estável e cooperativa. Apesar de seus desafios e limitações, as instituições e os
princípios estabelecidos em Bretton Woods ainda exercem grande influência nas políticas
econômicas e relações financeiras internacionais contemporâneas.

Carta de Havana
A Carta de Havana, formalmente intitulada como a Carta Final da Conferência das Nações
Unidas sobre Comércio e Emprego, é considerada um marco histórico nas relações comerciais
internacionais e na economia global, conforme apontado por Caparroz (2022). Elaborada em
1948, em Havana, Cuba, o documento visava a criação de uma entidade global, a Organização
Internacional do Comércio (OIC), destinada a regulamentar e fomentar o comércio entre os
países. Porém, a OIC, proposta pela Carta de Havana, nunca foi efetivamente estabelecida,

Krugman, Obstfeld e Melitz (2023), destacam que a Carta de Havana tinha a ambição de
estabelecer um quadro regulatório global para o comércio internacional, mais inclusivo e amplo
do que os sistemas existentes até então. O foco estava em definir regras claras para o comércio,
com o intuito de diminuir as barreiras tarifárias e não tarifárias, promover a estabilidade
econômica e incentivar a cooperação internacional. Esse movimento ganhou força no contexto
pós-Segunda Guerra Mundial, marcado pela busca de estratégias para evitar futuros conflitos e
estimular a paz e a prosperidade por meio da cooperação econômica.

Silva (2021), ressalta que a Carta propunha princípios fundamentais como a reciprocidade
comercial, a não discriminação (cláusula da nação mais favorecida) e a transparência nas
políticas comerciais. O documento também enfocava o combate a práticas desleais, como
subsídios e dumping, e reconhecia a necessidade de integrar questões de desenvolvimento
econômico nos acordos comerciais. Além disso, previa a colaboração em outras áreas
econômicas, incluindo emprego e atividades empresariais.

Conforme Caparroz (2022), a Carta enfrentou vários desafios para sua implementação efetiva e a
efetivação da OIC. Silva (2021) aponta que o crescimento do protecionismo e do nacionalismo
econômico em diversas regiões dificultou a aceitação de um acordo tão amplo e vinculante. As
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disparidades nas políticas econômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento


também foram um obstáculo significativo para alcançar um consenso.

Apesar de não ter sido ratificada, a Carta de Havana e a proposta da OIC deixaram um legado
significativo. Caparroz (2022), afirma que muitos dos princípios e ideias da Carta influenciaram
negociações e acordos comerciais subsequentes, especialmente o Acordo Geral sobre Tarifas e
Comércio (GATT), que se tornou o principal meio de regulamentação do comércio internacional
até a fundação da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995.

A OMC, de certa forma, concretizou muitos dos objetivos da Carta de Havana, ainda que em um
contexto global distinto. Assim, embora a Carta não tenha atingido suas metas imediatas,
desempenhou um papel crucial na formação das políticas e práticas comerciais atuais.

Siga em Frente...

Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT)


O Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), foi uma peça-chave na história do comércio
internacional do século XX. Criado em 1947, o GATT surgiu no contexto pós-Segunda Guerra
Mundial como um esforço para estabelecer regras de comércio internacionais. Segundo
Caparroz (2022), o GATT surgiu inicialmente como uma medida provisória, aguardando a
formação da Organização Internacional do Comércio (OIC), que nunca se concretizou.

Silva (2021), afirma que o GATT evoluiu para ser a principal estrutura reguladora do comércio
internacional até o surgimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995. Suas
principais metas eram a redução de tarifas alfandegárias e a promoção de um comércio baseado
na não discriminação.

Silva (2021), ressalta que durante quase cinco décadas, o GATT foi fundamental para o
crescimento do comércio internacional e para a modelagem da economia global. No entanto, o
sistema GATT começou a apresentar limitações, sendo mais um conjunto de regras e acordos do
que uma organização formal. Ele se concentrava em tarifas e barreiras comerciais, mas não
abordava de forma adequada questões emergentes como comércio de serviços, propriedade
intelectual e medidas de investimento.

Jaime (2018), aponta a necessidade de uma abordagem mais integrada e institucionalizada para
o comércio internacional, o que culminou na criação da OMC em 1995. A OMC não só sucedeu
ao GATT, mas também expandiu e formalizou o sistema de comércio, incluindo comércio de
serviços e questões de propriedade intelectual. Além disso, implementou um mecanismo de
resolução de disputas mais robusto, superando as limitações do GATT.
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Caparroz (2022), enfatiza que a transição do GATT para a OMC representou uma evolução
significativa no comércio global. A OMC, diferentemente do GATT, é uma organização
internacional com uma estrutura legalmente vinculante. As regras do GATT foram incorporadas e
expandidas na OMC, incluindo novos acordos sobre agricultura, serviços (Acordo Geral sobre o
Comércio de Serviços - GATS) e propriedade intelectual (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de
Propriedade Intelectual - TRIPS), refletindo as necessidades de um mundo em constante
mudança.

Silva (2018), destaca que a OMC reflete uma transformação na governança do comércio
internacional. Diferente da estrutura flexível e informal do GATT, a OMC possui uma estrutura
institucional mais sólida, com uma Secretaria e órgãos decisórios, como a Conferência
Ministerial e o Órgão de Solução de Controvérsias. Isso permite negociações mais eficientes e a
implementação de políticas comerciais.

Silva (2018), observa que a OMC promove um sistema de comércio mais inclusivo e
democrático. Ao contrário do GATT, onde as decisões eram frequentemente dominadas por
grandes potências, na OMC, cada membro tem igual direito de voto, assegurando maior equidade
nas decisões comerciais internacionais.

Caparroz (2022), argumenta que a transição do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT)
para a Organização Mundial do Comércio (OMC) representou uma transformação significativa
além de uma simples alteração de nome ou estrutura organizacional. Ele salienta que essa
mudança constituiu uma reformulação fundamental nas práticas de gestão e regulamentação do
comércio global. Essa evolução foi motivada pelo reconhecimento da necessidade de uma
abordagem mais abrangente e regulada para lidar com os complexos desafios e oportunidades
emergentes no contexto do comércio internacional no século XXI. Essa perspectiva implica que a
OMC adotou uma visão mais holística, considerando não apenas as questões econômicas, mas
também as sociais, ambientais e políticas, visando uma governança comercial mais eficaz e
equitativa no cenário mundial.

Princípios do GATT e da OMC


Os princípios do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e da Organização Mundial do
Comércio (OMC), conforme destacado por Caparroz (2022), são cruciais para compreender a
estrutura e o funcionamento do comércio internacional no contexto contemporâneo. Estes
princípios, que têm se adaptado ao longo do tempo para atender às mudanças na dinâmica
global do comércio e às necessidades variadas das nações participantes, incluem aspectos
como a não discriminação, transparência, redução de tarifas, entre outros.

Princípio da Não Discriminação: Este princípio, fundamental tanto para o GATT quanto para
a OMC, baseia-se em duas cláusulas principais:
Cláusula da Nação Mais Favorecida (Artigo I): Obriga que todas as concessões
comerciais feitas a um país-membro sejam estendidas a todos os demais signatários,
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promovendo igualdade entre os membros e evitando favoritismos.


Cláusula de Igualdade de Tratamento ou Tratamento Nacional (Artigo III): Exige que
os produtos importados tenham o mesmo tratamento tributário e regulatório que os
produtos nacionais similares, inibindo práticas protecionistas. Existem exceções,
como na integração econômica (Artigo XXIV) e tratamentos diferenciados para
nações em desenvolvimento.
Princípio da Transparência: Essencial para a confiança mútua entre nações, este princípio
exige clareza nas medidas protecionistas, geralmente por meio de tarifas. Além disso,
alinha-se com a premissa de respeito aos acordos (pacta sunt servanda), sendo um
instrumento contra barreiras não alfandegárias ocultas.
Princípio da Redução Geral e Progressiva das Tarifas: Originário do GATT de 1947, este
princípio visa à diminuição das barreiras tarifárias e não tarifárias para fomentar o
comércio. Ampliado pela Rodada Uruguai da OMC, abarca todos os tipos de barreiras e
oferece condições mais flexíveis para países em desenvolvimento.
Princípio da Proibição de Medidas Não Alfandegárias: Proíbe barreiras não tarifárias como
cotas de importação e práticas de dumping, favorecendo um comércio baseado em tarifas
transparentes. Exceções incluem medidas para proteção da balança de pagamentos em
países em desenvolvimento (Artigo XII).
Princípio da Previsibilidade: A previsibilidade é fundamental para a estabilidade das
relações comerciais, incentivando investimentos e promovendo um ambiente competitivo
saudável. Compromissos tarifários estáveis e políticas comerciais claras são a base deste
princípio.
Princípio da Concorrência Leal: Visa a mercados justos e competitivos, combatendo
práticas como dumping e subsídios desleais. Reforçado pela OMC através de acordos
específicos e pela criação do Órgão de Solução de Controvérsias, melhora a efetividade na
aplicação de medidas compensatórias e na resolução de disputas.
Princípio do Tratamento Diferenciado para Países em Desenvolvimento: Reconhece
disparidades econômicas globais e promove condições mais favoráveis para nações em
desenvolvimento, incluindo prazos maiores para implementação de acordos, assistência
técnica e fortalecimento de capacidades negociais.
Princípio da Flexibilização em Caso de Urgência: Permite a adoção de medidas
excepcionais em situações emergenciais, como proteção à saúde pública, segurança
nacional ou meio ambiente. Tais medidas devem respeitar critérios de necessidade e
proporcionalidade, evitando o uso disfarçado para protecionismo, ou seja, as medidas
devem ser temporárias, necessárias e proporcionais, seguindo as diretrizes da OMC para
evitar práticas protecionistas.
Princípio da Ação Coletiva: Enfatiza a cooperação e coordenação entre países-membros
para resolver disputas e avançar em negociações. Reflete a natureza interdependente do
comércio global, promovendo soluções benéficas mútuas.
Princípio do Reconhecimento dos Processos de Integração: Valida a importância de blocos
econômicos e acordos regionais, como União Europeia e MERCOSUL, no sistema global. O
GATT e a OMC aceitam tais processos sob condições específicas (Artigo XXIV), desde que
contribuam para a liberalização comercial sem discriminar membros externos.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Os princípios estabelecidos pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e pela
Organização Mundial do Comércio (OMC) constituem a espinha dorsal do comércio internacional
moderno, fornecendo um arcabouço essencial para a regulação, a equidade e a eficiência nas
trocas comerciais globais. Eles refletem uma delicada balança entre os interesses dos países
desenvolvidos e em desenvolvimento, promovendo um ambiente de negócios justo e
transparente.

Vamos Exercitar?

Iniciamos nossa análise sobre os impactos e implicações dos acordos e organismos


internacionais, elementos fundamentais no comércio e negócios internacionais. Nesta jornada
de descoberta, três perguntas-chave nos guiaram, proporcionando insights profundos e
estimulando a reflexão crítica sobre tópicos complexos.

Qual o impacto da Conferência de Bretton Woods na economia mundial atual?

A Conferência de Bretton Woods, realizada em 1944, estabeleceu as bases para o sistema


financeiro internacional pós-Segunda Guerra Mundial. Esta conferência resultou na criação de
instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O impacto mais
significativo foi a promoção de uma estabilidade econômica global, criando um sistema de taxas
de câmbio fixas que vinculava as moedas nacionais ao dólar americano, e este, por sua vez, ao
ouro. Embora o sistema de Bretton Woods tenha colapsado na década de 1970, dando lugar a
taxas de câmbio flutuantes, o legado desta conferência ainda é perceptível na forma como as
instituições financeiras internacionais operam e influenciam a economia global.

Como a Carta de Havana e o GATT moldaram as regras do comércio internacional?

A Carta de Havana, embora nunca tenha sido ratificada, foi um passo inicial na tentativa de
estabelecer uma organização internacional de comércio. Em seu lugar, o Acordo Geral sobre
Tarifas e Comércio (GATT) emergiu como um marco regulatório provisório para o comércio
internacional. Desde 1947, o GATT desempenhou um papel fundamental na liberalização do
comércio, reduzindo tarifas e outras barreiras comerciais. As várias rodadas de negociações do
GATT ajudaram a moldar as regras do comércio internacional, promovendo uma abordagem mais
multilateral e menos discriminatória nas relações comerciais entre os países.

Qual é o papel e a influência da Organização Mundial do Comércio no comércio global e nas


relações econômicas entre países?

A Organização Mundial do Comércio (OMC), estabelecida em 1995 como sucessora do GATT,


desempenha um papel crucial no comércio global. Ela oferece um fórum para negociações
comerciais, um conjunto de regras para o comércio internacional e um mecanismo de resolução
de disputas. A OMC promove a liberalização do comércio, visando reduzir ou eliminar barreiras
comerciais. Sua influência é vasta, impactando não apenas as políticas comerciais, mas também
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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aspectos relacionados a propriedade intelectual, serviços e normas de comércio. A OMC enfrenta


desafios, como críticas sobre sua eficácia e debates sobre a equidade de suas regras, mas
continua sendo um ator fundamental na formação das relações econômicas globais.

Essas reflexões fornecem uma compreensão inicial sobre a complexidade e a importância dos
acordos e organismos internacionais no cenário global. Contudo, convido os estudantes a
ponderarem sobre as possibilidades adicionais e as nuances que cada um desses tópicos
apresenta.

Saiba mais

Recomendo o artigo “Atuação da delegação brasileira na formulação do Acordo Internacional de


Bretton Woods (1942-1944)”, do autor Daniel de Pinho Barreiros, para conhecer mais sobre as
dinâmicas que levaram a formulação do acordo.

Indico que ouça o podcast “O que é o GATT – Acordo Geral de Tarifas e Comércio? Para ampliar
os seus conhecimentos sobre esse tema tão importante.

Recomendo o filme "Cães de Guerra" (2016), é baseado em uma história real, este filme mostra
como dois jovens utilizaram a internet para se envolver no comércio internacional de armas.

Referências

ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e


Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.


Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

IAMIN, Gustavo Paiva. Negociação: conceitos fundamentais e negócios internacionais. Curitiba:


Intersaberes, 2016. 280 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Como preparar uma empresa para o comércio exterior. São Paulo: Saraiva,
2017. 126 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 202. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2012. 256 p.

Aula 5
Encerramento da Unidade

Videoaula de Encerramento

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Olá, estudante!
Nesta empolgante videoaula, mergulharemos no mundo do Comércio Internacional, explorando
tópicos cruciais para sua prática profissional. Discutiremos a Abordagem Clássica e a
Neoclássica do Comércio Internacional, desvendando como essas teorias moldaram as relações
comerciais globais. Além disso, aprofundaremos nosso conhecimento nas Teorias de
Internalização, compreendendo como as empresas expandem globalmente. Por fim,
analisaremos a influência dos Acordos e Organismos Internacionais nas transações comerciais
entre nações.
Estes conhecimentos são fundamentais para quem busca uma carreira de sucesso em negócios
globais, e você não pode perder esta oportunidade de adquirir insights valiosos. Vamos começar
essa jornada de aprendizado juntos!

Ponto de Chegada

Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é compreender e analisar
criticamente as tendências e desafios do comércio global, você deve começar conhecendo os
conceitos fundamentais do comércio internacional. Iniciamos com a evolução histórica do
comércio, desde as primeiras trocas até a complexidade atual, evidenciando a influência da
Revolução Industrial, formação de blocos econômicos e a globalização, bem como as teorias das
Vantagens Absolutas e Comparativas.

Avançamos para a Teoria de Heckscher-Ohlin, o Paradoxo de Leontief, e o Teorema da


Equalização dos Preços dos Fatores, que fornecem insights sobre como as dotações de fatores
de produção influenciam o comércio internacional. Entendendo essas teorias, você será capaz de
avaliar as decisões comerciais sob diferentes perspectivas econômicas.

No terceiro tema, discutimos o poder de mercado e teorias de internacionalização, como o


Modelo do Ciclo do Produto e a Teoria Uppsala. Estes conceitos são cruciais para entender a
dinâmica da internacionalização das empresas, o investimento estrangeiro direto e as
estratégias de adaptação aos mercados regionais.

Finalmente, abordamos a importância dos Acordos e Organismos Internacionais, analisando


eventos como a Conferência de Bretton Woods, a Carta de Havana, o GATT e a transformação
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deste na OMC. Esses estudos são essenciais para compreender como os acordos e organismos
influenciam as relações comerciais entre países.

Reflita sobre as seguintes questões:

Como a evolução histórica do comércio internacional influencia as práticas comerciais


atuais?
De que forma a Teoria de Heckscher-Ohlin complementa ou desafia as teorias clássicas de
comércio internacional?
Qual é o impacto dos organismos internacionais como a OMC nas decisões comerciais
globais?

É Hora de Praticar!

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A TechGlobal, uma renomada empresa multinacional de tecnologia, está planejando expandir


suas operações para a América Latina, com um foco específico no Brasil. Este mercado
emergente é atraente devido ao seu potencial de crescimento econômico, aumento da adoção de
tecnologia e uma crescente classe média. No entanto, esta expansão apresenta desafios
complexos.
Primeiro, a empresa precisa aplicar as teorias do comércio internacional, como as Vantagens
Comparativas e a Teoria de Heckscher-Ohlin, para identificar produtos que sejam mais
adequados ao mercado brasileiro. Isso requer uma análise das capacidades produtivas e
dotações de recursos do Brasil em comparação com os pontos fortes da TechGlobal.
Além disso, a TechGlobal deve se adaptar às normativas locais e regionais do Brasil. Isto inclui
compreender as regulamentações tributárias, padrões de qualidade e compliance, garantindo
que todos os produtos e operações estejam em conformidade.
Por fim, a empresa deve considerar os efeitos dos acordos comerciais e a influência de
organismos internacionais como a OMC, que podem impactar suas operações no Brasil.
Você deverá ajudar a TechGlobal a resolver as seguintes questões:

Como a TechGlobal pode utilizar a Teoria de Heckscher-Ohlin para otimizar sua seleção de
produtos para o mercado brasileiro?
Quais estratégias específicas a TechGlobal deve adotar para se alinhar às normativas
brasileiras, mantendo a eficiência operacional?
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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De que maneira os acordos comerciais e a influência da OMC podem ser usados a favor da
expansão da TechGlobal no Brasil?

Para resolver o estudo de caso da TechGlobal, é essencial aplicar a competência de analisar


criticamente as tendências e desafios do comércio global. No cenário proposto, a TechGlobal
enfrenta desafios ao expandir para o Brasil, incluindo a aplicação de teorias econômicas,
adaptação regulatória e navegação em acordos comerciais.

Utilizando a Teoria de Heckscher-Ohlin, a TechGlobal pode identificar produtos com vantagem


competitiva no Brasil ao analisar a dotação de recursos e habilidades laborais locais. Por
exemplo, se o Brasil tem uma grande dotação de recursos naturais, a TechGlobal pode focar em
produtos que utilizem esses recursos de forma eficiente.
Para se adaptar às normativas brasileiras, a empresa deve realizar uma análise detalhada das
regulamentações locais, trabalhando com consultores locais e adaptando seus produtos e
processos para atender aos padrões brasileiros. A implementação de uma estratégia de
localização dos produtos pode ser um caminho eficaz.
Em relação aos acordos comerciais e a influência da OMC, a TechGlobal pode buscar entender
como esses fatores impactam as tarifas de importação e exportação, além de normas
comerciais, usando essa informação para otimizar sua estratégia de entrada no mercado.

O comércio internacional, fundamental para a economia global, envolve a troca de bens, serviços
e capital entre países. Esta prática permite que nações se concentrem na produção daquilo que
podem fazer de forma mais eficiente e negociem para suprir outras necessidades. Ao longo da
história, o comércio internacional passou por várias fases, influenciadas por descobertas
geográficas, inovações tecnológicas e mudanças políticas. Aqui está uma linha do tempo
simplificada que destaca a evolução do comércio internacional:

Era Pré-Moderna (Antes do século XV):


Antiguidade: Comércio baseado em rotas terrestres e marítimas, como a Rota da
Seda entre Ásia e Europa.
Idade Média: Feiras comerciais na Europa e rotas comerciais do Mar Mediterrâneo.
Era das Grandes Navegações (século XV - XVII):
Século XV: Início das explorações marítimas por europeus, lideradas por Portugal e
Espanha, abrindo novas rotas de comércio para a Ásia e as Américas.
Século XVI-XVII: Formação de impérios coloniais e comércio triangular envolvendo
Europa, África e Américas.
Era do Mercantilismo (século XVII - XVIII):
Séculos XVII e XVIII: Políticas mercantilistas focadas na acumulação de metais
preciosos e balança comercial favorável.
Fim do século XVIII: Primeiras críticas ao mercantilismo, antecipando o liberalismo
econômico.
Era do Livre Comércio e Industrialização (século XIX):
Início do século XIX: Avanços na navegação a vapor e nas comunicações (telégrafo)
facilitam o comércio internacional.
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Meado do século XIX: Reino Unido adota políticas de livre comércio; expansão do
comércio internacional.
Período Entre Guerras e Protecionismo (1914-1945):
1914-1918 e 1939-1945: As duas Guerras Mundiais e a Grande Depressão levam a um
aumento do protecionismo e à desintegração dos mercados globais.
Pós-Segunda Guerra Mundial e Instituições Globais (1945-1990):
1947: Criação do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).
Anos 1950-1990: Formação de blocos econômicos (CEE, NAFTA, MERCOSUL) e
expansão do comércio multilateral.
Globalização e Comércio Digital (1990-Presente):
1995: Formação da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Início dos anos 2000: Aumento do comércio eletrônico e integração econômica
global.
Século XXI: Desafios contemporâneos, como disputas comerciais, questões
ambientais e a pandemia de COVID-19, moldam o comércio internacional.

Esta linha do tempo destaca como o comércio internacional tem sido uma força motriz na
história mundial, evoluindo continuamente em resposta a mudanças políticas, tecnológicas e
econômicas.

ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e


Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.
APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.
CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.
CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e
novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.
FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.
FRAPORTI, Simone; GIACOMELLI, Giancarlo; FONSECA, Joaquim J R. Logística internacional.
Porto Alegre: SAGAH, 2018. 87 p.
GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.
IAMIN, Gustavo Paiva. Negociação: conceitos fundamentais e negócios internacionais. Curitiba:
Intersaberes, 2016. 280 p.
JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.
KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.
LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.
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LUDOVICO, Nelson. Como preparar uma empresa para o comércio exterior. São Paulo: Saraiva,
2017. 126 p.
LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.
MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.
MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:
Intersaberes, 202. 203 p.
NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2012. 256 p.
PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.
PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.
SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.
SILVA, César Roberto Leite da; CARVALHO, Maria Auxiliadora de. Economia Internacional. 5ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 352 p.
SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.
SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.
TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.
,

Unidade 2
Integração Regional e Políticas Comerciais

Aula 1
Integração Regional

Integração Regional

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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você irá descobrir os conceitos de Integração Regional, Integração Econômica e
os diferentes níveis de Integração Econômica. Estes temas são cruciais para sua prática
profissional, pois oferecem uma compreensão profunda sobre como países podem unir esforços
para promover desenvolvimento econômico, estabilidade política e cooperação social. Entender
esses processos é essencial para profissionais que buscam atuar com visão estratégica no
cenário global. Prepare-se para ampliar seus conhecimentos nessa área!
Vamos começar?

Ponto de Partida
Bem-vindo à aula sobre Integração Regional. Neste encontro, exploraremos conceitos
fundamentais que moldam o comércio e os negócios internacionais, focando na integração
regional, integração econômica e nos diferentes níveis de integração econômica. Esses
conceitos são cruciais para qualquer estudante de Comércio e Negócios Internacionais, pois
oferecem uma compreensão profunda de como os países colaboram para fortalecer suas
economias e criar blocos econômicos que impactam diretamente o fluxo global de bens,
serviços e capital. Compreender essas dinâmicas é essencial para navegar no complexo
ambiente de negócios de hoje.

Durante a aula, três perguntas nortearão nossa discussão e análise. Primeiramente,


questionaremos como a integração regional facilita o comércio entre países membros e quais
são os principais desafios enfrentados por esses blocos. Essa pergunta é vital para entender as
motivações por trás da formação desses agrupamentos e suas implicações para as políticas
comerciais. Em seguida, investigaremos como a integração econômica influencia as estratégias
empresariais em um contexto globalizado. Isso é crucial para identificar oportunidades e riscos
para empresas que operam ou pretendem operar internacionalmente. Por fim, discutiremos os
diferentes níveis de integração econômica e como cada um afeta a soberania econômica dos
países envolvidos.

Essas perguntas são projetadas para estimular o pensamento crítico e garantir que você, como
estudante, possa aplicar o conhecimento adquirido de forma prática e eficaz no campo do
comércio e negócios internacionais. Encorajo você a se envolver ativamente com o material, pois
a compreensão desses conceitos é fundamental para seu sucesso profissional no mundo
globalizado. Mantenha a mente aberta e prepare-se para ampliar sua perspectiva sobre como as
nações trabalham juntas para alcançar objetivos econômicos comuns.
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Boa aula!

Vamos Começar!

Integração Regional
A integração regional é um fenômeno que tem ganhado cada vez mais relevância no cenário
global, marcado por suas diversas facetas e implicações. Segundo Nyegray (2022), a integração
regional representa o esforço colaborativo de países geograficamente próximos para formar uma
união que transcende barreiras econômicas, políticas, sociais e culturais. Para o autor, o objetivo
primordial dessa união é fortalecer a posição dos países membros no cenário mundial,
enfrentando coletivamente os desafios e aproveitando as oportunidades que a globalização
oferece.

No âmbito político, de acordo com Segre (2018), a integração regional promove uma maior
estabilidade e segurança entre os países membros. Através da criação de instituições e
mecanismos de cooperação, os Estados conseguem gerenciar melhor suas diferenças, resolver
conflitos de forma pacífica e adotar políticas externas mais coesas. Esta união política também
se estende a questões de direitos humanos, democracia e governança, onde os países membros
estabelecem padrões comuns e se comprometem a respeitá-los.

Social e culturalmente, a integração regional fomenta um maior entendimento e apreciação


mútua entre as nações. Através de programas educacionais, intercâmbios culturais e iniciativas
de mobilidade, os cidadãos dos países membros têm a oportunidade de interagir e aprender uns
com os outros. Esta troca cultural enriquece a experiência humana, promovendo a diversidade e
o respeito mútuo, além de ajudar a dissipar preconceitos e estereótipos.

Para Segre (2018), é na esfera econômica que a integração regional revela seu impacto mais
significativo. A integração econômica, como um componente essencial da integração regional,
refere-se à colaboração entre países para promover o comércio e o investimento. Essa
colaboração é frequentemente manifestada através da formação de blocos comerciais, zonas de
livre comércio e uniões aduaneiras. O objetivo é facilitar o comércio entre os países membros,
reduzindo ou eliminando tarifas e barreiras não tarifárias ao comércio. Este ambiente de
comércio facilitado não só estimula o crescimento econômico, mas também promove a
interdependência econômica entre os países membros.

Segundo Silva (2021), a integração econômica proporciona diversos benefícios. Ela permite que
os países membros tenham acesso a mercados maiores, o que pode levar a uma maior
eficiência produtiva e a uma ampla variedade de bens e serviços para os consumidores. Além
disso, a competição estimulada dentro do bloco pode levar a inovações e melhorias na qualidade
dos produtos. Por outro lado, essa integração também pode trazer desafios, como a necessidade
de adaptação das indústrias locais e a preocupação com a perda de soberania econômica.
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Integração Econômica
A integração econômica entre nações é um dos fenômenos mais impactantes no cenário
mundial atual. Como Caparroz (2022), aponta, embora esses processos tenham uma longa
história, eles assumiram novas formas e ganharam um impulso distinto com o advento da
globalização na era pós-moderna. A integração econômica, muitas vezes orquestrada por
organizações intergovernamentais, é fundamental na formação das dinâmicas comerciais e
políticas atuais entre estados soberanos.

Silva (2021), ressalta que a prática de acordos comerciais é um conceito antigo, com origens nas
primeiras civilizações. As redes comerciais do Império Romano e a Rota da Seda na China são
exemplos clássicos. Esses exemplos não só mostram a troca de mercadorias, mas também de
ideias e culturas, evidenciando o caráter multifacetado da integração econômica desde seus
primórdios. Esses acordos iniciais, baseados em benefícios mútuos e acertos entre civilizações,
abriram caminho para abordagens mais complexas e estruturadas de integração econômica.

Conforme Tripoli e Prates (2016), destacam, a globalização dos anos 90 trouxe uma mudança
significativa na integração econômica. A diminuição das barreiras políticas pós-Guerra Fria e os
avanços tecnológicos possibilitaram uma conexão global sem precedentes. Dentro deste
cenário, a criação de blocos econômicos surgiu como uma resposta estratégica dos países às
transformações no comércio internacional. Esses blocos têm como objetivo reforçar as posições
econômicas e políticas dos seus membros através de cooperação e união.

Mendes (2022), destaca a União Europeia (UE) como um exemplo de bloco econômico, que foi
formalizado pelo Tratado de Maastricht em 1992. A UE se destaca por ter ido além da integração
econômica, desenvolvendo-se em uma união política e social mais ampla, servindo de modelo
para a integração multilateral. De forma similar, na América do Norte, o Acordo Estados Unidos-
México-Canadá (USMCA), que em 2020 substituiu o NAFTA, continua a promover a integração
econômica mantendo uma zona de livre comércio entre os três países. No mesmo contexto, o
Mercosul, na América do Sul, busca objetivos semelhantes, incentivando a cooperação
econômica entre seus membros.

Caparroz (2022), analisa o impacto desses blocos econômicos, salientando que eles geraram um
debate intenso. Defensores da integração econômica enxergam-na como um resultado natural
da globalização, argumentando que a formação de blocos de países gera mercados maiores,
estimula o comércio e investimento e aumenta a competitividade internacional. Em
contrapartida, os críticos veem esses processos como potenciais causadores de fragmentação
regional, criando barreiras ao livre comércio global e, ironicamente, desafiando os princípios de
um mercado aberto e desregulamentado.

Mendes (2022), observa que, na contemporaneidade, a existência dos blocos econômicos parece
ser uma tendência inescapável e uma resposta estratégica às dinâmicas da globalização. A
formação desses blocos é considerada um meio eficiente para o desenvolvimento econômico
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sustentável, conferindo aos países membros maiores poder de negociação e influência no


comércio global. Em um mundo cada vez mais interconectado economicamente e politicamente,
a integração econômica representa uma plataforma essencial para a colaboração entre países,
enfrentamento de desafios comuns e exploração de oportunidades coletivas.

Siga em Frente...

Níveis de integração econômica


A integração econômica se apresenta em vários níveis, cada um representando um estágio de
cooperação econômica cada vez mais profundo. Estes estágios não só promovem maior
facilidade de comércio, mas também indicam um comprometimento crescente com políticas
econômicas conjuntas e, em alguns casos, políticas fiscais e monetárias compartilhadas.

Segundo Segre (2018), os níveis de integração econômica entre as nações delineiam os


diferentes estágios de colaboração e unificação econômica. Cada nível possui características e
objetivos específicos, sendo cruciais para compreender como países soberanos podem
colaborar para formar entidades econômicas maiores e mais integradas. Estas entidades têm
impactos significativos, tanto local quanto globalmente, refletindo a importância e a
complexidade da integração econômica no cenário internacional contemporâneo. Nyegray
(2022) delineia várias categorias de integração econômica, tais como:

1. Área de Preferência Comercial (APC): O nível mais básico de integração é a Área de


Preferência Comercial, onde países concordam em conceder uns aos outros tarifas
preferenciais que são mais baixas do que as aplicadas a nações fora do acordo. Essa
preferência pode estimular o comércio entre os países membros, mas não requer a
remoção total de tarifas.
Um exemplo de APC é o Sistema Geral de Preferências (SGP), que são reduções
tarifárias concedidas por países desenvolvidos a produtos importados de países em
desenvolvimento. O programa SGP oferecido pela União Europeia, remove ou reduz
tarifas de importação de produtos provenientes de países em desenvolvimento. Este
esquema tem como objetivo incentivar o crescimento econômico nos países
beneficiários e ajudá-los no processo de desenvolvimento.
2. Zona de Livre Comércio: É um acordo regional entre dois ou mais países onde há a
concordância em reduzir ou eliminar as barreiras ao comércio em relação aos bens e
serviços negociados entre eles. Isso significa que os produtos podem ser comprados e
vendidos através das fronteiras dos países membros com tarifas reduzidas ou nenhuma
tarifa, e com menos burocracia aduaneira, facilitando assim o fluxo de comércio. No
entanto, a característica distintiva de uma Zona de Livre Comércio em relação a outros
níveis mais profundos de integração econômica é que, apesar da existência de um acordo
comercial coletivo entre os membros, cada país mantém sua própria política comercial
independente em relação a nações que não fazem parte do acordo. Isso significa que cada
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país membro da Zona de Livre Comércio pode ter tarifas e quotas diferentes para produtos
provenientes de países externos ao bloco.
Um exemplo é a Associação de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), agora
substituída pelo USMCA, que criou uma das maiores zonas de livre comércio do
mundo, removendo a maioria das tarifas entre os Estados Unidos, Canadá e México.
3. União Aduaneira: É um tipo de acordo comercial que vai além da Zona de Livre Comércio.
Os países membros de uma União Aduaneira decidem não só eliminar as tarifas e
restrições comerciais entre si, mas também estabelecer uma política comercial comum em
relação a terceiros países. Isso implica na adoção de uma Tarifa Externa Comum (TEC), que
é aplicada de forma uniforme a todas as importações provenientes de países que não são
membros do bloco. Na prática, isso significa que os países membros da União Aduaneira
concordam em cobrar as mesmas tarifas de importação, independentemente de qual
membro da união o produto externo entre. Por exemplo, se o Brasil e a Argentina são parte
de uma União Aduaneira e importam o mesmo produto de um país que não faz parte do
acordo, como a China, ambos aplicariam a mesma tarifa de importação para esse produto
chinês.
4. Mercado Comum: representa um estágio avançado de integração econômica que
transcende a mera colaboração em termos de comércio. Neste nível, os países membros
eliminam todas as barreiras tarifárias entre si e adotam uma tarifa externa comum para
produtos importados de estados não membros. Contudo, o que distingue um Mercado
Comum de uma União Aduaneira é a implementação da livre circulação de fatores
produtivos: capital e trabalho. Neste arranjo, não só mercadorias e serviços, mas também o
capital e as pessoas podem transitar sem impedimentos pelas fronteiras dos países
membros. Isso significa que os investimentos podem fluir sem restrições, as empresas
podem se estabelecer e operar em qualquer país membro, e os cidadãos têm o direito de
viver, trabalhar e estudar em qualquer estado dentro do Mercado Comum. Essas liberdades
são fundamentais para a promoção de uma maior integração econômica e social entre os
países.
A União Europeia (UE) é o exemplo mais significativo e bem-sucedido de um Mercado
Comum. Sua fundação foi estabelecida pelo Tratado de Roma em 1957, que visava
criar um mercado unificado permitindo a livre circulação de pessoas, bens, serviços e
capital. A União Europeia expandiu-se significativamente desde então, adotando
políticas comuns em diversas áreas, como agricultura, pesca e regional, e até
introduzindo uma moeda comum, o euro, entre a maioria dos seus membros. A livre
circulação de trabalhadores dentro da UE, por exemplo, permite que um cidadão de
um estado membro busque emprego em outro país membro sem necessidade de um
visto de trabalho. Da mesma forma, a livre circulação de capital possibilita que os
bancos operem em vários estados membros, e que os cidadãos comprem
propriedades ou invistam em qualquer lugar dentro da união. Essa integração
aprofundada busca não apenas melhorar a eficiência econômica, mas também
fortalecer a coesão política e social entre os países membros.
5. União Monetária: Este é um dos estágios mais avançados de integração econômica. Os
países membros não só harmonizam suas políticas econômicas e fiscais, mas também
adotam uma moeda única. O exemplo mais destacado é a zona do euro, onde 19 dos 27
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países membros da União Europeia adotaram o euro como sua moeda oficial, coordenando
suas políticas econômicas por meio do Banco Central Europeu e do Eurogrupo.

Cada um desses níveis de integração econômica representa um passo em direção a uma maior
união econômica e política. Enquanto alguns países e regiões abraçaram esses níveis de
integração com entusiasmo, outros têm sido mais cautelosos, resguardando sua autonomia
política e econômica. A integração econômica é uma escolha estratégica que pode levar ao
crescimento econômico e estabilidade, mas também exige concessões em termos de soberania
nacional e políticas internas.

Vamos Exercitar?

A integração regional e econômica são processos fundamentais que permitem aos países
fortalecerem suas economias por meio da colaboração e união de esforços. A integração
regional refere-se ao processo pelo qual países de uma determinada área geográfica trabalham
juntos para melhorar a cooperação política, econômica e social. A integração econômica, por sua
vez, envolve a coordenação de políticas econômicas e fiscais entre países, visando a eliminação
de barreiras ao comércio e ao investimento. Existem diversos níveis de integração econômica,
desde zonas de livre comércio até uniões econômicas e monetárias, cada qual com graus
variados de compartilhamento de soberania econômica e políticas comuns.

A integração regional facilita o comércio entre países membros ao reduzir ou eliminar tarifas e
outras barreiras ao comércio, promovendo assim um aumento do fluxo de bens, serviços e
capitais entre os países participantes. Isso pode resultar em economias de escala, acesso a
mercados maiores e um ambiente de negócios mais estável e previsível. No entanto, os
principais desafios enfrentados por esses blocos incluem a negociação de acordos que sejam
mutuamente benéficos, a harmonização de regulamentações e políticas, e o gerenciamento das
disparidades econômicas entre os países membros, que podem levar a tensões políticas e
sociais.

No contexto globalizado, a integração econômica exerce uma influência significativa sobre as


estratégias empresariais. Empresas em países integrados economicamente podem se beneficiar
de cadeias de suprimentos otimizadas, acesso ampliado a novos mercados e clientes, e a
redução de custos de comércio. As empresas precisam adaptar suas estratégias para aproveitar
as oportunidades oferecidas pela integração, como expandir operações para novos mercados ou
adaptar produtos e serviços às normas e preferências regionais. Ao mesmo tempo, devem estar
atentas às regulamentações harmonizadas e às políticas econômicas conjuntas que podem
afetar suas operações.

Os diferentes níveis de integração econômica afetam a soberania econômica dos países


envolvidos de maneiras complexas. Em níveis iniciais, como zonas de livre comércio, o impacto
na soberania pode ser relativamente limitado, concentrando-se na redução de barreiras
comerciais. À medida que a integração avança para uniões aduaneiras, mercados comuns e
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uniões econômicas e monetárias, os países membros podem necessitar ceder maior controle
sobre suas políticas comerciais, fiscais e monetárias a entidades supranacionais. Isso pode levar
a benefícios econômicos significativos, mas também requer que os países abdiquem de uma
parte de sua capacidade de tomar decisões independentes sobre importantes políticas
econômicas, o que pode ser visto tanto como uma oportunidade para crescimento quanto como
um potencial perda de autonomia.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo “O processo de integração regional: fronteiras abertas para os


trabalhadores do Mercosul” para ampliar os conhecimentos sobre os processos de integração e
o seu impacto.

Indico o filme “Fome de Poder” (2016), conta a história de como Ray Kroc transformou o
McDonald's em um gigante global de fast-food. Esse filme ajudará a compreender como as
integrações econômicas entre os países afetam as econômicas e o desenvolvimento das
indústrias locais.

Recomendo a leitura do Capítulo 1 – A Globalização dos Mercados, do livro Manual de Comércio


Exterior e Negócios Internacionais dos autores Amaury Gremaud, Simão D. Silber e Marco
Antônio Sandoval de Vasconcellos, para ampliar os conhecimentos sobre níveis de integração.

Referências

ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e


Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.


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GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

IAMIN, Gustavo Paiva. Negociação: conceitos fundamentais e negócios internacionais. Curitiba:


Intersaberes, 2016. 280 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Como preparar uma empresa para o comércio exterior. São Paulo: Saraiva,
2017. 126 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 202. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2012. 256 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, César Roberto Leite da; CARVALHO, Maria Auxiliadora de. Economia Internacional. 5ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 352 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.
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SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

Aula 2
Medidas e Prática de Regulação do Comércio

Medidas e Prática de Regulação do Comércio

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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você vai descobrir tudo sobre Medidas e Prática de Regulação do Comércio,
incluindo barreiras tarifárias e não tarifárias, tarifas, subsídios, cotas de importação e barreiras
técnicas. Este conteúdo é vital para sua prática profissional, pois entender como as nações
regulam o comércio internacional é fundamental para navegar com sucesso no ambiente global
de negócios. Ao compreender esses mecanismos, você estará mais bem equipado para planejar
estratégias eficazes e lidar com desafios comerciais. Convido você a assistir a esta videoaula e
ampliar seus conhecimentos sobre regulação do comércio.
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Vamos começar?

Ponto de Partida

Seja bem-vindo à aula sobre Medidas e Prática de Regulação do Comércio. Neste encontro, você
será introduzido aos conceitos fundamentais que regem o comércio internacional, incluindo as
barreiras tarifárias e não tarifárias, além de tarifas, subsídios, cotas de importação e barreiras
técnicas. Este conhecimento é essencial para qualquer estudante da área de Comércio e
Negócios Internacionais, uma vez que compreender como as nações regulamentam o comércio
pode determinar o sucesso ou o fracasso de operações comerciais além-fronteiras. A aula de
hoje visa oferecer uma visão abrangente sobre como essas medidas afetam o fluxo global de
mercadorias e serviços, preparando-o para navegar com competência no cenário econômico
mundial.

Durante nossa discussão, três perguntas fundamentais orientarão nossa exploração do tema.
Primeiro, como as barreiras tarifárias e não tarifárias são utilizadas pelos países para proteger
suas economias locais e quais os efeitos dessas medidas sobre o comércio internacional? Em
seguida, de que maneira tarifas, subsídios e cotas de importação influenciam as decisões de
comércio e investimento das empresas que operam no cenário global? Por fim, como as
barreiras técnicas podem servir tanto como proteção quanto como obstáculo ao livre comércio, e
quais são as implicações para as estratégias de negócios internacionais?

À medida que avançamos nesta aula, encorajo você a considerar essas questões
cuidadosamente, refletindo sobre como elas se aplicam aos contextos reais de negócios
internacionais. Compreender a regulação do comércio é crucial para qualquer profissional que
aspire a atuar com sucesso no mercado global. Por isso, aproveite ao máximo esta oportunidade
para expandir seus conhecimentos e habilidades nesta área fundamental. Estude com
dedicação, pois o entendimento aprofundado desses conceitos será um diferencial significativo
em sua carreira.

Boa aula!

Vamos Começar!

Barreiras tarifárias e não tarifárias


No contexto das relações comerciais internacionais, observa-se uma intrigante contradição:
embora haja um crescente clamor por um comércio mais aberto e livre, muitos países continuam
a adotar medidas protecionistas em suas políticas comerciais. Essa aparente dicotomia revela-
se uma questão de relevância crucial, uma vez que as barreiras comerciais têm um impacto
significativo na economia global e nas dinâmicas comerciais entre nações. Portanto, é
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fundamental explorar os motivos subjacentes que levam à persistência das medidas


protecionistas, enquanto ao mesmo tempo se promove a ideia de um comércio internacional
mais liberalizado.

Segre (2018), afirma que as restrições no comércio internacional podem ser categorizadas em
barreiras tarifárias e não tarifárias, ambas com características e impactos distintos na economia
global. Uma compreensão profunda da natureza e do funcionamento dessas barreiras é
essencial para entender como os países regulam o comércio e buscam proteger suas indústrias
locais.

Seguindo a análise de Caparroz (2022), as barreiras tarifárias, em sua essência, são taxas ou
impostos aplicados a produtos importados. Seu principal objetivo é salvaguardar as indústrias
domésticas, aumentando o custo dos produtos importados e, consequentemente, reduzindo sua
competitividade em relação aos produtos nacionais. Para ilustrar, em 2020, os Estados Unidos
impuseram tarifas sobre a importação de produtos agrícolas de diversos países, justificando a
medida como necessária para proteger sua agricultura local. Em retaliação, outros países
impuseram tarifas sobre produtos americanos, como eletrônicos e produtos químicos.

Por outro lado, conforme destacado por Paiva et al. (2017), as barreiras não tarifárias
compreendem medidas que não envolvem a aplicação de tarifas, mas que podem restringir o
comércio por meio de diferentes abordagens. Essas medidas englobam cotas, subsídios,
requisitos de qualidade e segurança, diretrizes de embalagem e etiquetagem, além de
procedimentos burocráticos detalhados. Tais barreiras, muitas vezes mais discretas, podem ter
um impacto igualmente poderoso na limitação da quantidade ou da natureza dos produtos que
ingressam em um país. É fundamental explorar as distinções e particularidades das tarifas, cotas
de importação e subsídios.

De acordo com a análise de Paiva et al. (2017), as tarifas, também conhecidas como Impostos
de Importação (II) no Brasil, representam encargos adicionais impostos sobre produtos
estrangeiros. Essas tarifas elevam o custo dos produtos importados, tornando-os menos
competitivos em relação aos produtos locais. Por exemplo, se um país impõe tarifas elevadas
sobre produtos têxteis importados, isso resulta em preços mais altos para os consumidores
locais, incentivando a aquisição de produtos têxteis fabricados internamente.

As tarifas apresentam diversas modalidades, cada uma delas com características distintas, e
podem ser agrupadas em três tipos principais, como apontado por Paiva et al. (2017):

Tarifas Ad Valorem (Frete Valor): Esta categoria envolve a imposição de uma porcentagem
com base no valor da mercadoria importada. O cálculo é realizado a partir de uma parcela
percentual do preço do produto. Por exemplo, se a tarifa ad valorem for de 10% e o produto
importado custar $100, o imposto devido será de $10. Esse tipo de tarifa é frequentemente
adotado devido à sua facilidade de cálculo e à capacidade de se ajustar automaticamente
às flutuações de preço dos produtos.
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Tarifas Específicas: Em contraste com as tarifas ad valorem, as tarifas específicas são


determinadas como um valor fixo em moeda por unidade da mercadoria importada,
independentemente de seu valor. Por exemplo, uma tarifa específica pode ser de R$ 10,00
por item importado. Esse tipo de tarifa é especialmente útil para produtos cujos preços não
variam significativamente.
Tarifas Mistas: As tarifas mistas combinam elementos das tarifas ad valorem e
específicas. Nesse caso, é aplicada tanto uma porcentagem com base no valor da
mercadoria quanto um valor fixo por unidade. Por exemplo, pode ser imposto sobre um
produto importado uma tarifa de 10% mais R$ 10,00. As tarifas mistas oferecem uma
abordagem mais abrangente, garantindo uma receita tributária mínima, independentemente
das flutuações de preço.

Conforme ressaltado por Paiva et al. (2017), a escolha entre essas modalidades de tarifas
depende de diversos fatores, incluindo o tipo de mercadoria importada, as políticas econômicas
do país e os objetivos específicos da política comercial. Cada uma dessas modalidades possui
vantagens e desvantagens, tornando a seleção de uma abordagem tributária adequada um
processo cuidadoso e estratégico.

Krugman, Obstfeld e Melitz (2023), destacam que a aplicação de tarifas no comércio


internacional tem um impacto direto sobre os preços finais das mercadorias importadas,
influenciando, consequentemente, a demanda por esses produtos. Quando um governo impõe ou
aumenta as tarifas, o custo das importações se eleva, levando a uma redução na procura e
estimulando a produção interna, uma vez que os produtos estrangeiros se tornam mais
dispendiosos. Em contrapartida, a diminuição ou eliminação das tarifas tende a diminuir os
preços das importações, aumentando sua demanda e intensificando a competição com os
produtos nacionais.

Conforme ressaltado por Tripoli e Prates (2016), essas mudanças nas tarifas não afetam apenas
o mercado, mas também o bem-estar dos consumidores. Com a imposição de tarifas, os
consumidores podem optar por produtos nacionais semelhantes, mas a redução da concorrência
estrangeira também pode levar a um aumento nos preços desses produtos nacionais. Além
disso, quando as tarifas são aplicadas a insumos e matérias-primas, como o aço, isso pode
resultar em um aumento generalizado nos preços dos produtos que dependem desses materiais.

Do ponto de vista fiscal, como mencionado por Paiva et al. (2017), as tarifas geram um aumento
na receita governamental, tanto de forma indireta, através da maior arrecadação de impostos dos
setores protegidos, quanto de forma direta, pelo aumento das receitas do imposto de
importação. Historicamente, em economias menos diversificadas, as tarifas desempenharam um
papel fundamental na arrecadação estatal, como foi o caso do Brasil até 1940. No entanto,
atualmente, em economias mais complexas, a dependência da receita tarifária tende a ser
menor.

Tripoli e Prates (2016) afirmam que as tarifas exercem influência sobre o balanço de
pagamentos. No curto prazo, podem melhorar a balança comercial devido à redução das
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importações, mas a longo prazo podem provocar retaliações comerciais e desafios relacionados
à conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, as
alterações nas tarifas podem afetar a taxa de câmbio, influenciando a oferta de moeda
estrangeira e o valor da moeda nacional.

De acordo com Paiva et al. (2017), tem-se observado uma tendência global de redução dos
esquemas tarifários, com o objetivo de promover o comércio livre e a integração econômica.
Exemplos incluem as decisões tomadas na Rodada Uruguai da OMC. No Brasil, desde o final dos
anos 1980, tem-se acompanhado essa tendência global, com uma notável redução das tarifas,
buscando uma maior abertura comercial e integração com a economia global.

Krugman, Obstfeld e Melitz (2023), explicam que as cotas de importação representam uma
limitação na quantidade de um determinado bem que pode ser importado em um período
específico. Ao estabelecer um limite máximo para as importações, as cotas têm o propósito de
proteger as indústrias nacionais contra a concorrência externa. Por exemplo, ao restringir a
quantidade de têxteis importados, pode-se contribuir para a preservação da indústria têxtil
doméstica.

Conforme observado por Caparroz (2022), os subsídios envolvem transferências de recursos


financeiros feitas pelo Estado a produtores ou segmentos empresariais com o objetivo de
proporcionar vantagens monetárias que impulsionem o crescimento de setores estratégicos,
regiões geográficas específicas ou a manutenção de atividades industriais particulares. No
contexto do comércio internacional, os subsídios consistem em pagamentos diretos ou indiretos
do governo aos produtores, com o propósito de estimular as exportações ou desencorajar as
importações. De acordo com a definição de Paiva et al. (2017), existem três formas comuns de
subsídios:

Pagamentos Diretos: Consistem em transferências financeiras diretas concedidas aos


produtores com base na quantidade de unidades exportadas. Por exemplo, um país pode
oferecer um subsídio de US$ 5 por tonelada de trigo exportado, garantindo um incentivo
financeiro direto aos agricultores que embarcam seus produtos no mercado internacional.
Benefícios Fiscais: Essa modalidade envolve a redução de impostos ou isenções fiscais
destinadas a aliviar a carga tributária sobre os produtores, tornando suas operações mais
vantajosas. Um exemplo prático seria a redução do imposto sobre o valor acrescentado
(IVA) para exportadores de eletrônicos, diminuindo os custos tributários das empresas
envolvidas na exportação desses produtos.
Financiamento Subsidiado: Nesse caso, os governos oferecem empréstimos aos
produtores com taxas de juros inferiores às praticadas pelo mercado. Por exemplo, uma
nação pode disponibilizar empréstimos a uma taxa de juros de 3% ao ano para empresas
que desejam investir na expansão de sua capacidade de produção e aumentar suas
exportações, o que torna o financiamento mais acessível e atrativo para os negócios que
visam ao comércio internacional.
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Krugman, Obstfeld e Melitz (2023), entendem que os subsídios podem ser direcionados de
diversas maneiras, seja para exportadores, setores internos que enfrentam competição de
importações ou mesmo para compradores estrangeiros, com o propósito de impulsionar as
exportações locais. O objetivo principal dessas medidas é reduzir os custos dos produtores,
possibilitando que eles compitam de forma mais eficaz com as empresas estrangeiras.

Cada uma dessas estratégias de protecionismo acarreta implicações significativas tanto para o
comércio global quanto para a economia local. Embora no curto prazo possam proteger
determinadas indústrias, também estão sujeitas a retaliações comerciais por parte de outros
países e, a longo prazo, podem limitar a inovação e a eficiência econômica. É essencial
considerar o equilíbrio entre proteger os interesses domésticos e promover a competição e a
abertura nos mercados internacionais ao implementar essas políticas comerciais.

Siga em Frente...

Barreiras Técnicas
As Barreiras Técnicas, muitas vezes referidas como TBTs (do inglês, Technical Barriers to Trade),
são regulamentações, padrões técnicos e requisitos de qualidade estabelecidos pelos governos
ou organizações de padrões com o objetivo de garantir a segurança, saúde, proteção ambiental e
qualidade dos produtos comercializados. Essas barreiras podem abranger uma ampla gama de
aspectos, desde especificações técnicas e testes de conformidade até etiquetagem e
certificação.

Os regulamentos técnicos, conforme definidos por Brasil (2017), são diretrizes oficiais
estabelecidas por autoridades governamentais que determinam as características obrigatórias
de produtos ou os métodos de sua produção. Essas diretrizes abrangem uma variedade de
aspectos, incluindo dimensões, design, funcionalidade, desempenho e requisitos de etiquetagem
e embalagem. A não conformidade com esses regulamentos pode resultar na proibição da venda
de um produto no mercado, destacando sua importância para a proteção dos consumidores e a
garantia de produtos de qualidade.

De acordo com Paiva et al. (2017), as normas técnicas, estabelecidas pela Organização Mundial
do Comércio, em particular pelo Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio (Acordo TBT) da
OMC, estipulam medidas necessárias e características desejáveis para produtos ou processos
de produção. Embora a adesão a essas normas não seja estritamente obrigatória, o não
cumprimento delas pode resultar em uma redução na competitividade dos produtos no mercado
internacional.

Entre os exemplos de regulamentos e normas técnicas implementados pelo Ministério do


Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços - MDIC, de acordo com Paiva et al. (2017),
incluem-se:
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Requisitos para Embalagens: Estabelecem normas para os materiais, dimensões e padrões


de peso utilizados nas embalagens de produtos.
Requisitos de Rotulagem: Especificam o estilo e o tamanho da fonte nos rótulos dos
produtos, bem como a necessidade de tradução desses rótulos.
Informações sobre o Produto: Exigem a inclusão de informações relacionadas ao conteúdo
nutricional ou outras informações específicas para os consumidores.
Requisitos Técnicos Adicionais: Incluem a obrigação de certificação de que o produto foi
fabricado seguindo práticas ambientalmente sustentáveis.

Essas normas e regulamentos desempenham um papel fundamental na garantia da segurança e


qualidade dos produtos, mas também podem funcionar como barreiras ao comércio
internacional, especialmente quando não estão alinhados com práticas e padrões internacionais.

Vamos Exercitar?
No complexo mundo do comércio internacional, as barreiras tarifárias e não tarifárias,
juntamente com tarifas, subsídios, cotas de importação e barreiras técnicas, desempenham
papéis cruciais. As barreiras tarifárias referem-se a impostos ou tarifas aplicados sobre bens
importados, tornando-os mais caros e, assim, menos atraentes em comparação aos produtos
locais. Por outro lado, as barreiras não tarifárias podem incluir normas, regulamentos e
procedimentos que não resultam diretamente em cobrança de impostos, mas que podem
restringir a importação ou exportação de bens. Tarifas, subsídios e cotas de importação são
ferramentas diretas usadas pelos governos para influenciar o volume e o valor do comércio
internacional, enquanto as barreiras técnicas, como padrões de qualidade e segurança, garantem
que os produtos importados atendam aos requisitos locais.

Os países utilizam barreiras tarifárias e não tarifárias para proteger suas economias locais de
competidores estrangeiros, preservando assim os empregos e promovendo o desenvolvimento
de indústrias internas. Ao elevar o custo de bens importados, as tarifas tornam os produtos
locais mais competitivos. As barreiras não tarifárias, por sua vez, podem limitar a quantidade de
produtos que entram no país ou garantir que apenas produtos que atendam a certos padrões
estejam disponíveis no mercado. No entanto, essas medidas podem levar a retaliações
comerciais, aumentar as tensões entre os países e limitar as opções disponíveis para os
consumidores, potencialmente elevando os preços e reduzindo a eficiência econômica global.

As tarifas, subsídios e cotas de importação influenciam diretamente as decisões de comércio e


investimento das empresas ao modificar o cenário econômico em que operam. Tarifas elevadas
podem desencorajar a importação de certos bens, enquanto os subsídios podem tornar os
produtos nacionais mais competitivos no mercado global, influenciando as empresas a se
concentrarem na produção de bens subsidiados. As cotas de importação limitam a quantidade
de um determinado bem que pode ser importado, protegendo assim os produtores locais da
concorrência externa. Essas medidas podem levar as empresas a reavaliarem suas cadeias de
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suprimentos, optar por fontes de produção mais locais ou buscar mercados alternativos para
importação ou exportação.

As barreiras técnicas, embora estabelecidas sob o pretexto de proteger a saúde, a segurança e o


meio ambiente, podem funcionar tanto como medidas de proteção quanto como obstáculos ao
livre comércio. Ao exigir que os produtos importados atendam a padrões rigorosos, os países
garantem que apenas produtos de alta qualidade entrem no mercado. No entanto, essas
exigências podem também ser vistas como formas de protecionismo disfarçado, dificultando a
entrada de empresas estrangeiras. Para as estratégias de negócios internacionais, isso significa
que as empresas devem não apenas adaptar seus produtos para atender a esses padrões, mas
também considerar os custos adicionais e os processos de conformidade como fatores cruciais
em suas decisões de entrar ou expandir em novos mercados.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo “Rodada DOHA e a possível redução de Barreiras Tarifárias e não
tarifárias: Uma estimativa dos benefícios para o Brasil por meio do modelo de equilíbrio geral
computável”, para ampliar os conhecimentos sobre barreiras tarifárias e não tarifárias.

Indico o filme “O Senhor das Armas” (2005), aborda o comércio internacional de armas,
mostrando o lado sombrio dos negócios globais.

Recomendo a leitura do capítulo 6 – A implementação da legislação de defesa comercial no


Brasil do livro Manual de Comércio Exterior e Negócios Internacionais dos autores Amaury
Gremaud, Simão D. Silber e Marco Antônio Sandoval de Vasconcellos, para ampliar os
conhecimentos sobre barreiras.

Referências

CAPARROZ, Roberto. Esquematizado - Comércio Internacional e Legislação Aduaneira. 8ª ed. São


Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.
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LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

Aula 3
Estratégias de Proteção: Antidumping e Salvaguardas

Estratégias de Proteção: Antidumping e Salvaguardas

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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você vai explorar as estratégias de proteção no comércio internacional, focando
em Antidumping e Salvaguardas. Você entenderá o conceito de Dumping, aprenderá sobre as
Ações Antidumping e descobrirá como as Medidas de Salvaguarda são aplicadas para proteger
as indústrias nacionais contra práticas comerciais desleais. Esse conhecimento é crucial para
sua prática profissional, pois oferece uma base sólida para entender como as políticas
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comerciais podem impactar as operações de negócios internacionais. Convido você a ampliar


seus conhecimentos sobre estas importantes ferramentas de política comercial.
Vamos começar?

Ponto de Partida
Bem-vindo à aula sobre Estratégias de Proteção: Antidumping e Salvaguardas. Neste encontro,
exploraremos conceitos críticos que são fundamentais para a compreensão das dinâmicas do
comércio internacional. A prática do dumping, a implementação de ações antidumping e a
aplicação de medidas de salvaguarda são temas que afetam diretamente a maneira como os
países protegem suas indústrias locais de práticas comerciais desleais.

Durante esta aula, três perguntas orientarão nossa discussão e ajudarão a aprofundar a
compreensão dos temas abordados. Primeiro, como o dumping afeta a competitividade das
indústrias domésticas e por que é considerado uma prática desleal? Em segundo lugar, de que
maneira as ações antidumping são formuladas e implementadas para contrabalançar os efeitos
do dumping? Por fim, quais são as circunstâncias sob as quais as medidas de salvaguarda são
aplicadas e como elas diferem das ações antidumping? Essas questões são essenciais para
compreender as nuances das políticas comerciais e suas implicações para o comércio global.

Ao refletir sobre essas perguntas, encorajo você a pensar criticamente sobre como essas
estratégias de proteção influenciam tanto a economia global quanto a tomada de decisão em
empresas que operam no comércio internacional. Esta aula oferece uma oportunidade valiosa
para entender melhor as complexidades do comércio mundial e as ferramentas disponíveis para
países e empresas navegarem neste ambiente. Mantenha-se engajado e curioso, pois o
conhecimento adquirido aqui será um ativo valioso em sua futura carreira profissional. Boa aula!

Vamos Começar!

Dumping
O termo "dumping" é amplamente utilizado no campo da economia internacional e do comércio
internacional, descrevendo uma prática que pode afetar profundamente as relações comerciais
entre países. Trata-se de uma estratégia mais agressiva adotada por empresas, geralmente em
busca de uma vantagem competitiva em mercados estrangeiros. Segundo as pesquisas de
Mendes (2022), o conceito de dumping evoluiu de uma simples estratégia de expansão de
mercado para se tornar um fenômeno comercial complexo, com profundas implicações nas
esferas econômicas, políticas e sociais. De acordo com Caparroz (2022), o dumping não é uma
prática uniforme, mas sim um conjunto de estratégias que variam em resposta às condições
econômicas, tecnológicas e sociais.
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Conforme destacado por Silva e Carvalho (2017) e Johannpeter (1996), várias modalidades de
dumping podem ser identificadas:

Dumping Predatório: Esta forma de dumping envolve a venda de produtos a preços abaixo
do custo de produção com o objetivo de eliminar concorrentes que fabricam produtos
similares. Após a eliminação da concorrência e o estabelecimento de uma posição
dominante no mercado, o exportador pode aumentar os preços para obter lucros acima do
normal.
Dumping Esporádico: Ocorre quando uma empresa busca se livrar de excesso de estoque
em mercados estrangeiros, oferecendo seus produtos a preços reduzidos. Geralmente,
esse tipo de dumping é de natureza temporária e não visa necessariamente prejudicar a
indústria local.
Dumping Persistente: Envolve a exportação constante de produtos a preços baixos. Ao
contrário do dumping predatório, o objetivo principal não é necessariamente eliminar a
concorrência, mas manter uma presença contínua no mercado a preços competitivos.
Dumping por Excedente: Essa modalidade ocorre quando a maximização das vendas é
mais prioritária do que a busca de lucros imediatos. O aumento na produção leva a
economias de escala, permitindo que o excedente de produção seja exportado a preços
mais baixos, o que resulta em uma maior oferta no mercado importador e na consequente
diminuição dos preços.
Dumping Tecnológico: Esta estratégia se baseia nas rápidas mudanças tecnológicas que
reduzem os custos de produção ao longo do tempo. O dumping tecnológico aproveita a
curva de aprendizado, vendendo produtos a preços cada vez mais baixos à medida que a
eficiência na produção aumenta.
Dumping Estrutural: Surge em mercados com excesso de oferta, especialmente nos
setores petroquímico e siderúrgico. Os produtores podem sentir-se motivados a exportar
produtos a preços mais baixos do que os praticados no mercado interno devido à
saturação do mercado local.
Dumping Ecológico: Caracteriza-se pelo uso de materiais não recicláveis e práticas de
produção menos respeitosas ao meio ambiente. Isso pode incluir a transferência de
indústrias poluentes para países com regulamentações ambientais menos rigorosas, o que
reduz os custos de produção.
Dumping Cambial: Acontece quando governos mantêm artificialmente as taxas de câmbio
abaixo de seu valor real, fortalecendo a competitividade das exportações e desencorajando
as importações. A falta de um sistema internacional de compensação monetária permite
essas manipulações, que podem beneficiar tanto interesses governamentais quanto
especulativos.
Dumping Social: Resulta das diferenças sociais entre países, como salários e direitos
trabalhistas. Países em desenvolvimento, com custos de mão de obra mais baixos, podem
exportar produtos a preços inferiores, criando uma vantagem competitiva. No entanto, essa
vantagem muitas vezes é equilibrada pela maior produtividade dos países desenvolvidos.

O dumping é uma prática complexa e multifacetada que pode ter efeitos profundos nas relações
comerciais internacionais, exigindo abordagens diferenciadas para sua compreensão e
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regulamentação.

Para Silva e Carvalho (2017), a introdução de uma cláusula social nos acordos comerciais da
Organização Mundial do Comércio (OMC) tem sido motivo de intenso debate no cenário do
comércio internacional. Este debate tem gerado polarização, com países como os Estados
Unidos e a França liderando a defesa dessa cláusula. Os defensores argumentam que ela poderia
elevar as condições de trabalho e os padrões de vida nos países menos desenvolvidos,
estabelecendo normas mínimas para questões trabalhistas e benefícios sociais. Essa medida é
vista como uma resposta ao fenômeno conhecido como "dumping social", onde a competição
desleal é sustentada por condições de trabalho precárias e salários baixos em alguns países. Os
países desenvolvidos argumentam que a cláusula social não apenas melhoraria as condições de
trabalho globalmente, mas também promoveria um comércio mais justo e ético.

No entanto, como apontado por Silva e Carvalho (2017), os países em desenvolvimento têm uma
visão cética dessa proposta, considerando-a uma forma disfarçada de protecionismo
econômico. Eles argumentam que o verdadeiro objetivo por trás da cláusula social é proteger as
indústrias dos países desenvolvidos da concorrência de nações com mão de obra mais
acessível, em vez de realmente melhorar as condições de trabalho em todo o mundo. De acordo
com as análises de Caparroz (2022), há uma preocupação significativa de que a imposição
abrupta dessas normas trabalhistas possa prejudicar suas economias, que são altamente
dependentes das exportações e ainda estão em fase de desenvolvimento econômico. Portanto, o
desafio central reside em encontrar um equilíbrio que promova um comércio justo e ético, sem
criar barreiras comerciais prejudiciais às economias em desenvolvimento.

Siga em Frente...

Medidas de Defesa Comercial

As medidas de defesa comercial representam um conjunto de ferramentas essenciais para que


os países protejam suas indústrias nacionais e empresas contra práticas comerciais desleais,
como o dumping e as importações excessivas. Para Brasil (2022), essas medidas, que incluem a
imposição de tarifas antidumping, direitos compensatórios e salvaguardas, têm o propósito de
equilibrar as condições de competição no mercado internacional e proteger setores estratégicos
da economia. Embora sejam legítimas para proteger interesses domésticos, seu uso deve ser
criterioso, a fim de evitar o protecionismo excessivo, que poderia prejudicar o comércio global.
De acordo com o Brasil (2022), as medidas incluem o antidumping, as medidas compensatórias
e as salvaguardas.

Antidumping: O antidumping é uma medida que visa combater o dumping, que é a prática
de exportar produtos a preços abaixo do custo de produção ou a preços inferiores aos
praticados no mercado doméstico. Isso pode prejudicar a indústria local e criar condições
de competição desleal. Para combater o dumping, um país pode impor tarifas antidumping
sobre as importações desses produtos. Essas tarifas têm o propósito de elevar o preço dos
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produtos importados a um nível que seja considerado equitativo em relação aos preços
praticados pelo mercado doméstico. Isso não apenas protege a indústria local contra
práticas comerciais desleais, mas também busca manter um ambiente competitivo justo
no mercado interno.
Exemplo de Antidumping: Suponha que um país A esteja exportando aço para o país
B a preços significativamente mais baixos do que os praticados no mercado interno
do país A. O país B, preocupado com o impacto negativo sobre sua indústria
siderúrgica, decide impor tarifas antidumping sobre as importações de aço do país A.
Essas tarifas aumentariam o preço do aço importado, tornando-o menos competitivo
no mercado do país B.
Medidas Compensatórias: As medidas compensatórias são aplicadas quando um país
suspeita que empresas estrangeiras estão sendo beneficiadas por subsídios injustos de
seus respectivos governos. Esses subsídios podem assumir diversas formas, como
subsídios diretos, empréstimos subsidiados, isenções fiscais ou incentivos à exportação.
Como resultado desses benefícios, as empresas estrangeiras podem vender seus produtos
no mercado internacional a preços artificialmente baixos, o que cria uma concorrência
desleal em relação às empresas locais. Para enfrentar essa prática prejudicial, o país
importador pode recorrer à imposição de direitos compensatórios sobre as importações.
Esses direitos têm o propósito de nivelar a concorrência, aumentando o preço dos produtos
importados a um nível que reflita as condições de mercado justas. Os direitos
compensatórios são calculados com base na diferença entre o preço de exportação real do
produto e o preço que seria praticado em uma situação de mercado normal, sem os
subsídios. Essa medida busca garantir que as empresas locais não sejam prejudicadas por
práticas comerciais desleais, promovendo, assim, uma concorrência mais justa e equitativa
no mercado internacional.
Exemplo de Medidas Compensatórias: Digamos que o país X fornece subsídios
significativos para suas empresas de aviação, permitindo que elas vendam aeronaves
a preços muito baixos no mercado internacional. O país Y, que também possui uma
indústria de aviação, alega que isso cria concorrência desleal. O país Y pode impor
direitos compensatórios sobre as importações de aeronaves do país X para
neutralizar o impacto dos subsídios e restaurar a concorrência justa.
Salvaguardas: As medidas de salvaguarda são aplicadas quando uma indústria doméstica
está sob ameaça séria devido a um aumento súbito e significativo nas importações. Essas
medidas visam proteger temporariamente a indústria local e podem incluir a imposição de
tarifas ou cotas sobre as importações.
Exemplo de Medidas de Salvaguarda: Suponha que o país Z tenha uma indústria de
produção de automóveis, e uma súbita inundação de importações de carros
estrangeiros a preços muito baixos cause um declínio acentuado na produção e no
emprego na indústria local. Para proteger sua indústria de automóveis, o país Z pode
impor cotas temporárias sobre as importações de carros estrangeiros até que a
situação se estabilize.

Exemplo de Medidas Compensatórias: Digamos que o país X fornece subsídios


significativos para suas empresas de aviação, permitindo que elas vendam aeronaves a
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preços muito baixos no mercado internacional. O país Y, que também possui uma indústria
de aviação, alega que isso cria concorrência desleal. O país Y pode impor direitos
compensatórios sobre as importações de aeronaves do país X para neutralizar o impacto
dos subsídios e restaurar a concorrência justa.

Exemplo de Medidas de Salvaguarda: Suponha que o país Z tenha uma indústria de


produção de automóveis, e uma súbita inundação de importações de carros estrangeiros a
preços muito baixos cause um declínio acentuado na produção e no emprego na indústria
local. Para proteger sua indústria de automóveis, o país Z pode impor cotas temporárias
sobre as importações de carros estrangeiros até que a situação se estabilize.

É importante observar que a aplicação dessas medidas deve seguir regras e procedimentos
estabelecidos em acordos comerciais internacionais, como os da Organização Mundial do
Comércio (OMC), para garantir que não sejam usadas indevidamente para fins protecionistas. O
uso adequado dessas medidas de defesa comercial busca equilibrar a competição no comércio
internacional e proteger os interesses econômicos dos países de maneira justa e equitativa.

Vamos Exercitar?
O dumping, as ações antidumping e as medidas de salvaguarda representam elementos centrais
nas discussões sobre proteção comercial e práticas de comércio internacional. O dumping
ocorre quando uma empresa exporta um produto a um preço inferior ao que normalmente cobra
em seu próprio mercado doméstico. Esta prática pode prejudicar as indústrias do país
importador, pois os produtos a preços artificialmente baixos podem deslocar os produtos locais,
reduzindo a competitividade das empresas domésticas. Isso é considerado desleal porque tal
prática de preços pode ser usada estrategicamente para conquistar participação de mercado em
um país estrangeiro, potencialmente levando à falência de produtores locais.

Para contrabalançar os efeitos do dumping, os países afetados podem implementar ações


antidumping. Essas ações geralmente envolvem a imposição de tarifas adicionais sobre os
produtos importados que são considerados objeto de dumping, com o objetivo de elevar seus
preços para o nível do mercado local ou acima dele, assim, reduzindo sua atratividade e
protegendo as indústrias domésticas. A formulação dessas medidas requer uma investigação
detalhada que comprove a ocorrência de dumping e demonstre o dano causado à indústria local.
A implementação de ações antidumping segue normas internacionais, como as estabelecidas
pela Organização Mundial do Comércio (OMC), para garantir que sejam justas e não se
convertam em barreiras comerciais protecionistas sem justificativa.

As medidas de salvaguarda, por sua vez, são aplicadas em circunstâncias diferentes das ações
antidumping. Elas são medidas de emergência tomadas para proteger indústrias domésticas que
sofreram um aumento súbito das importações, o qual cause ou ameace causar danos graves à
indústria local. Diferentemente das ações antidumping, que se dirigem a práticas desleais de
preços por empresas específicas, as medidas de salvaguarda são geralmente aplicadas a todos
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os produtos importados em questão, independentemente de sua origem ou práticas de preços.


Isso significa que as salvaguardas podem ser usadas quando o aumento das importações ocorre
de maneira legítima, sem dumping ou subsídios, mas ainda assim prejudica a indústria local.
Ambas as estratégias são essenciais para os governos protegerem seus mercados internos,
embora devam ser aplicadas de maneira que respeite os acordos comerciais internacionais e
mantenha o equilíbrio na economia global.

Saiba mais
Recomendo o artigo “Política antidumping no Brasil: Determinantes e seus efeitos para
concorrência”, para ampliar os conhecimentos sobre antidumping.

Indico o documentário “O verdadeiro custo” (2015, explora o impacto da indústria da moda no


mundo, desde as condições de trabalho nas fábricas de baixo custo em países em
desenvolvimento até os efeitos ambientais da produção em massa e as medidas de proteção.

Recomendo a leitura do capítulo 6.5 - Benefícios da regulamentação comercial multilateral para o


setor privado, do livro Manual de Comércio Exterior e Negócios Internacionais, dos autores
Amaury Gremaud, Simão D. Silber e Marco Antônio Sandoval de Vasconcellos, para ampliar os
conhecimentos sobre defesas.

Referências

ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e


Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.


Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

IAMIN, Gustavo Paiva. Negociação: conceitos fundamentais e negócios internacionais. Curitiba:


Intersaberes, 2016. 280 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Como preparar uma empresa para o comércio exterior. São Paulo: Saraiva,
2017. 126 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 202. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2012. 256 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, César Roberto Leite da; CARVALHO, Maria Auxiliadora de. Economia Internacional. 5ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 352 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

Aula 4
Sistema Harmonizado e os Termos Internacionais do Comércio

Sistema Harmonizado e os Termos Internacionais do Comércio

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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você vai se aprofundar no Sistema Harmonizado e nos Termos Internacionais
do Comércio, abordando temas como a Codificação de Mercadorias, a Nomenclatura Comum do
Mercosul e os Incoterms. Esses conceitos são fundamentais para quem deseja atuar no
comércio internacional, pois fornecem as bases para a classificação de produtos e a
compreensão dos termos de negociação. Conhecê-los facilitará sua navegação pelas
complexidades das operações de importação e exportação, tornando suas práticas profissionais
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

mais eficientes e conformes às regulamentações globais. Junte-se a nós para desvendar esses
importantes instrumentos do comércio global.
Vamos começar?

Ponto de Partida
Seja bem-vindo à nossa aula dedicada ao Sistema Harmonizado e aos Termos Internacionais do
Comércio. Neste módulo, abordaremos a essência da Codificação de Mercadorias, a importância
da Nomenclatura Comum do Mercosul e o papel fundamental dos Incoterms nas operações
comerciais internacionais. Estes temas são pilares fornecendo-lhe as ferramentas necessárias
para compreender a linguagem universal do comércio global. A familiaridade com estas áreas
não só facilitará sua interação com parceiros comerciais internacionais, mas também assegurará
que suas transações sejam eficientes, seguras e em conformidade com as normativas
internacionais.

Ao longo desta aula, três questões centrais orientarão nossa exploração do conteúdo:

Como a Codificação de Mercadorias sob o Sistema Harmonizado facilita o comércio


internacional e a comunicação entre países?
Qual é a relevância da Nomenclatura Comum do Mercosul para as empresas que operam
dentro desse bloco econômico?
Por fim, de que maneira os Incoterms influenciam as responsabilidades e os custos nas
transações comerciais internacionais?

Estude com dedicação e aproveite esta oportunidade de aprendizado.

Boa aula!

Vamos Começar!

Codificação de Mercadorias
O Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, frequentemente
abreviado como Sistema Harmonizado (SH), é uma nomenclatura internacional padronizada para
classificar produtos e mercadorias que são importados e exportados em todo o mundo. Segundo
Segre (2018), foi desenvolvido e é mantido pela Organização Mundial das Aduanas (OMA) e é
amplamente utilizado por países de todo o mundo para fins de classificação de produtos e
determinação de tarifas aduaneiras.

De acordo com Silva (2022), a necessidade de padronizar as informações das mercadorias por
meio do sistema harmonizado surgiu da crescente complexidade do comércio internacional e da
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

diversidade de produtos sendo comercializados entre os países. Antes da adoção do SH, cada
nação tinha seu próprio sistema de classificação de mercadorias, o que resultava em confusão,
erros e atrasos nas operações aduaneiras. Além disso, tornou-se cada vez mais crucial para
governos e organizações comerciais coletar dados precisos sobre o comércio global para fins
estatísticos e de políticas comerciais.

Para Ludovido (2017), o Sistema Harmonizado (SH) desempenha um papel bastante importante
no comércio internacional, pois ele fornece um código numérico universalmente aceito para
categorizar mercadorias, simplificando substancialmente os procedimentos de importação e
exportação entre países. Cada produto é atribuído um código de seis dígitos, que é reconhecido
globalmente, facilitando a identificação consistente de mercadorias, independentemente de
barreiras linguísticas ou culturais.

Além disso, como mencionado por Segre (2018), o SH desempenha um papel crucial na
aplicação justa e uniforme de tarifas aduaneiras. A padronização da classificação de
mercadorias permite que os países apliquem suas tarifas de maneira equitativa, contribuindo
para a regulamentação eficaz do comércio internacional e a implementação justa de tratados
comerciais e políticas econômicas.

O SH também desempenha um papel na segurança internacional, conforme observado por Silva


(2022). Facilita o rastreamento de mercadorias perigosas ou proibidas, como armas e
substâncias ilegais, melhorando as medidas de segurança e controle nas fronteiras.

Mendes (2022), destaca que o Sistema Harmonizado representa um marco fundamental no


comércio internacional, fornecendo uma estrutura codificada para a classificação de
mercadorias. Com mais de 5.000 categorias de produtos, cada uma identificada por um código
de seis dígitos organizado de forma lógica, o SH baseia-se em regras de interpretação uniformes
e internacionalmente aceitas.

O SH tem sua base jurídica na Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de


Designação e Codificação de Mercadorias, conforme mencionado por Silva (2022). Esta
convenção foi adotada em Bruxelas em 14 de junho de 1983 e modificada pelo Protocolo de
Emenda de 1986. Atualmente, 151 países, além da União Europeia, são signatários da Convenção
do SH, e mais de 200 países, representando quase 99% do comércio internacional, utilizam o
sistema para fins tributários e estatísticos.

No Brasil, como destacado por Segre (2018), a Convenção do SH foi aprovada e promulgada em
1988, refletindo a adoção global do sistema. Embora o foco principal do SH seja a classificação
tributária, sua importância transcende isso, contribuindo de maneira significativa para a coleta,
comparação e análise de estatísticas do comércio internacional. Isso permite a uniformização de
documentos e a transmissão eficiente de dados entre administrações aduaneiras.

Conforme enfatizado por Mendes (2022), o Sistema Harmonizado (SH) utiliza uma codificação
de seis dígitos que abrange detalhes específicos dos produtos, como origem, composição e
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

aplicação. Essa lógica numérica reflete o nível de sofisticação ou industrialização das


mercadorias. A eficiência e aplicabilidade global do Sistema Harmonizado (SH) são sustentadas
por uma variedade de elementos, como ressaltado por Silva (2022). Esses elementos
desempenham um papel crucial na funcionalidade do SH e incluem:

Nomenclatura do Sistema Harmonizado: A base do Sistema Harmonizado (SH) é sua


nomenclatura, que é estruturada em 21 Seções e 96 Capítulos. Esta organização permite
uma categorização lógica e sistemática de um amplo espectro de mercadorias, facilitando
o comércio internacional. Além disso, a nomenclatura inclui Notas de Seção, de Capítulo e
de Subposição, que oferecem orientações detalhadas para a classificação precisa de
produtos específicos. É importante destacar que o Capítulo 77 está vazio e reservado para
futuras inclusões, enquanto os Capítulos 98 e 99 são destinados a situações específicas
definidas pelas partes contratantes. Um exemplo, é o uso do Capítulo 99 no Brasil para
categorizar operações especiais de exportação.
Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado: As regras gerais de
interpretação do SH são cruciais para a classificação correta das mercadorias. Elas
estabelecem um conjunto de diretrizes hermenêuticas que auxiliam na identificação
precisa do posicionamento de um item dentro da nomenclatura do SH. Essas regras
garantem uma interpretação consistente dos códigos e categorias em diversos contextos
internacionais e situações comerciais, promovendo uniformidade e entendimento comum
entre diferentes países.
Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH): As NESH desempenham um papel
fundamental na interpretação e aplicação do SH. Elas constituem a interpretação oficial e
administrativa do SH, baseada em análises técnicas de questões apresentadas à
Organização Mundial das Aduanas (OMA). Essas notas fornecem esclarecimentos
abrangentes sobre o SH, detalhando extensivamente o escopo e o conteúdo da
nomenclatura. As NESH são instrumentos indispensáveis para esclarecer ambiguidades e
oferecem diretrizes claras para a classificação de mercadorias complexas ou novas,
assegurando uma aplicação precisa e eficiente das regras do SH no comércio global.

O modelo a seguir demonstra a estrutura hierárquica do Sistema Harmonizado (SH),


evidenciando como os códigos numéricos evoluem de capítulos para posições e subposições,
facilitando uma classificação minuciosa e organizada das mercadorias no âmbito do comércio
internacional.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Figura 1: Estrutura do Código do Sistema Harmonizado - SH. Fonte: adaptado de Ludovido (2017, p. 117).

Conforme apontado por Segre em 2018, em casos de dúvidas sobre a classificação fiscal de
produtos no Sistema Harmonizado, é aconselhável que os interessados procurem
aconselhamento diretamente com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF). Para tanto,
deve-se realizar uma consulta formal por escrito à unidade da Receita Federal que atende à
região do domicílio fiscal do requerente, seguindo as orientações disponíveis no site oficial da
SRF. Este procedimento garante uma classificação fiscal adequada, prevenindo contratempos
relacionados a questões fiscais e aduaneiras.

Siga em Frente...

Nomenclatura Comum do MERCOSUL


Com a criação do Mercosul em 1991 levou à adoção da Nomenclatura Comum do Mercosul
(NCM), que se baseia no Sistema Harmonizado. Conforme explica Segre (2018), essa
nomenclatura é empregada por todos os países integrantes do Mercosul e aprimora o sistema
original de seis dígitos do SH com dois dígitos extras. Estes representam, respectivamente, o
item (sétimo dígito) e o subitem (oitavo dígito), proporcionando uma classificação mais
detalhada das mercadorias.

Silva (2022) destaca que a NCM, também referida como "classificação fiscal", é essencial para as
empresas. Ela é utilizada para definir as taxas de impostos aplicáveis, como o IPI (Imposto sobre
Produtos Industrializados), de acordo com o estipulado na Tabela do IPI (Tabela de incidência do
Imposto sobre produtos industrializados - TIPI). Em transações comerciais, a NCM de cada
produto é indicada nas notas fiscais, tornando-se uma fonte de consulta valiosa. A estrutura da
NCM engloba Seção, Capítulo, Posição, Subposição, Item e Subitem.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Nyegray (2022) esclarece que a estrutura do código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul),
uma adaptação do Sistema Harmonizado para os países do Mercosul, segue a seguinte
configuração:

Capítulo: Representado pelos dois primeiros dígitos do código do Sistema Harmonizado.


Posição: Correspondente aos quatro primeiros dígitos do código do Sistema Harmonizado.
Subposição: Abrange os seis primeiros dígitos do código do Sistema Harmonizado.
Item: Determinado pelo sétimo dígito do NCM.
Subitem: Designado pelo oitavo dígito do NCM.

Esta configuração facilita uma classificação precisa das mercadorias para propósitos de
comércio internacional, tributação e coleta de dados estatísticos. Um exemplo utilizando a
estrutura do código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), seria o código [Link]. Este
código pode ser decomposto da seguinte forma:

Seção: XVI - Máquinas e aparelhos, material elétrico, e suas partes; aparelhos de gravação
ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som
em televisão, e suas partes e acessórios
Capítulo (85): 85 - Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos
de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de
imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
Posição (17): 8517 - Aparelhos telefônicos, incluindo os telefones para redes
celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos para a transmissão ou
recepção de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos para
comunicação em redes por fio ou redes sem fio (tal como uma rede local (LAN)
ou uma rede de área estendida (alargada*) (WAN)), exceto os aparelhos das
posições 84.43, 85.25, 85.27 ou 85.28.
Subposição (62):62 - Aparelhos para recepção, conversão, transmissão ou
regeneração de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos de
comutação e roteamento
Item (5):62.5 - Aparelhos para transmissão ou recepção de voz,
imagem ou outros dados em rede com fio
Subitem (6):62.56 - Interfones

O código NCM 8517.62.56 refere-se especificamente a interfone. No sistema de classificação,


esse código detalha o produto dentro da categoria geral de aparelhos telefônicos e de
transmissão de voz, imagem ou outros dados, identificando-o como um dispositivo de
comunicação interno, utilizado em edifícios residenciais, comerciais e em diferentes instalações
para facilitar a comunicação entre diferentes áreas de uma estrutura.

Incoterms
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Os Incoterms (International Commercial Terms ou Termos Internacionais de Comércio) são


regras padronizadas, estabelecidas pela Câmara de Comércio Internacional (CCI), que definem as
responsabilidades de compradores e vendedores nas transações internacionais de mercadorias.
Segundo Segre (2022), essas regras são utilizadas para esclarecer questões como o transporte
de mercadorias, transferência de riscos, e quem deve arcar com os custos em várias etapas do
processo de envio e entrega.

Segundo Caparroz (2022), os Incoterms são organizados em quatro grupos principais,


categorizados com base na natureza do transporte e nas responsabilidades envolvidas. Cada
grupo é identificado pela primeira letra do termo. Os quatro grupos de acordo com Brasil (2022),
são E, F, C e D.

1. Grupo E - Partida:
EXW (Ex Works – Na origem): Este é o termo que implica o mínimo de
responsabilidade para o vendedor. O vendedor disponibiliza a mercadoria em suas
próprias instalações (fábrica, armazém etc.), e o comprador assume todos os custos
e riscos envolvidos no transporte da mercadoria a partir daí.
2. Grupo F - Transporte Principal Não Pago pelo Vendedor:

FCA (Free Carrier – Livre no transportador): O vendedor entrega a mercadoria,


desembaraçada para exportação, ao transportador indicado pelo comprador no local
determinado.
FAS (Free Alongside Ship – Livre ao lado do navio): Usado apenas para transporte marítimo,
o vendedor entrega a mercadoria ao lado do navio, no porto de embarque, e o comprador
assume todos os custos e riscos daí em diante.
FOB (Free On Board – Livre a bordo): Também para transporte marítimo, o vendedor é
responsável pela mercadoria até que ela esteja a bordo do navio no porto de embarque,
momento em que o risco passa para o comprador.

1. Grupo C - Transporte Principal Pago pelo Vendedor:


CFR (Cost and Freight – Custo e frete): O vendedor paga o frete para o transporte da
mercadoria até o porto de destino, mas o risco é transferido para o comprador
quando a mercadoria passa pela amurada do navio no porto de embarque.
CIF (Cost, Insurance and Freight – Custo, seguro e frete): Semelhante ao CFR, mas o
vendedor também precisa fornecer seguro contra o risco do comprador de perda ou
dano da mercadoria durante o transporte.
CPT (Carriage Paid To – Transporte pago até): O vendedor paga o frete para o
transporte da mercadoria até o destino designado, mas o risco é transferido para o
comprador assim que a mercadoria é entregue ao primeiro transportador.
CIP (Carriage and Insurance Paid to – Transporte e seguro pago até): Semelhante ao
CPT, mas o vendedor também deve contratar e pagar o seguro contra o risco do
comprador de perda ou dano da mercadoria durante o transporte.
2. Grupo D - Chegada:
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

DAP (Delivered At Place – Entregue no local): O vendedor assume todos os riscos e


custos (excluindo direitos, impostos e outros encargos oficiais) necessários para
trazer a mercadoria ao país de destino e entregar em um local combinado.
DPU (Delivered at Place Unloaded – Entregue no local descarregado): O vendedor
entrega e descarrega a mercadoria no destino final acordado e assume todos os
riscos até esse ponto.
DDP (Delivered Duty Paid – Entregue com direitos pagos): O vendedor é responsável
por entregar a mercadoria no local de destino, assumindo todos os riscos e custos,
incluindo impostos e taxas.

Cada grupo reflete um nível diferente de responsabilidade de custos e riscos entre o comprador e
o vendedor. É essencial que as partes envolvidas em uma transação internacional compreendam
bem o Incoterm escolhido para garantir uma negociação clara e eficiente.

Vamos Exercitar?
No contexto do comércio internacional, conceitos como dumping, ações antidumping e medidas
de salvaguarda são fundamentais para entender as dinâmicas regulatórias que protegem as
economias nacionais de práticas comerciais desleais. Enquanto o dumping refere-se à venda de
produtos no mercado internacional a preços inferiores aos praticados no mercado interno, as
ações antidumping e as medidas de salvaguarda são instrumentos utilizados por países para
contra-atacar essas práticas, protegendo suas indústrias locais.

A Codificação de Mercadorias sob o Sistema Harmonizado (SH) é uma ferramenta essencial


para facilitar o comércio internacional e a comunicação entre países. Este sistema padronizado
de nomenclatura e números de identificação para mercadorias permite que as alfândegas de
diferentes países identifiquem produtos de maneira consistente, simplificando procedimentos de
importação e exportação, reduzindo barreiras comerciais e promovendo um comércio mais fluido
e eficiente. Ao oferecer uma linguagem comum, o SH facilita as negociações comerciais, a coleta
de estatísticas de comércio global e a implementação de tarifas e políticas comerciais.

No âmbito do Mercosul, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) desempenha um papel


crucial para as empresas que operam dentro desse bloco econômico. A NCM é uma adaptação
do Sistema Harmonizado que atende às especificidades do comércio entre os países membros,
permitindo uma uniformização dos procedimentos aduaneiros e a aplicação de políticas
comerciais comuns. Para as empresas, isso significa maior previsibilidade e facilidade na
realização de comércio intra-bloco, otimizando as cadeias de suprimentos e abrindo
oportunidades de mercado por meio da redução de custos aduaneiros e da simplificação de
processos logísticos.

Os Incoterms, por sua vez, influenciam significativamente as responsabilidades e os custos nas


transações comerciais internacionais. Esses termos de comércio internacional, estabelecidos
pela Câmara de Comércio Internacional, definem as obrigações, os riscos e os custos entre
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

compradores e vendedores em transações internacionais, proporcionando clareza e segurança


jurídica. Ao determinar pontos chave como o momento da transferência de riscos do vendedor
para o comprador, os custos de transporte, seguro e as obrigações alfandegárias, os Incoterms
permitem que as partes envolvidas em transações comerciais internacionais tenham
expectativas alinhadas, minimizando conflitos e mal-entendidos.

Saiba mais
Recomendo a leitura do artigo “Reflexos Tributários causados pela classificação incorreta da
NCM no valor do PIS/COFINS devido por um supermercado Paraibano”, para ampliar os
conhecimentos em nomenclatura comum do Mercosul.

Indico o filme “Negócio das Arábias” (2016), retrata um empresário americano tenta reiniciar sua
carreira na Arábia Saudita, lidando com a complexidade dos negócios internacionais.

Recomendo o podcast “O novo Incoterms 2020: O que mudou?”, para conhecer mais sobre as
mudanças dos incoterms.

Referências

BRASIL. Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). INCOTERMS. Disponível em:


[Link]
importador-1/incoterms. Acesso em: 01 de jan. 2024.

BRASIL. Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Incoterms 2010 – tabela resumo.
Disponível em: [Link]
com-o-importador-1/incoterms-2010-2013-tabela-resumo. Acesso em: 01 de jan. 2024.

CAPARROZ, Roberto. Esquematizado - Comércio Internacional e Legislação Aduaneira. 8ª ed. São


Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.

Aula 5
Encerramento da Unidade

Videoaula de Encerramento

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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você vai explorar os conceitos de Integração Regional e Políticas Comerciais,
compreendendo as medidas e práticas de regulação do comércio, as estratégias de proteção
como antidumping e salvaguardas, além do Sistema Harmonizado e os Termos Internacionais do
Comércio. Este conhecimento é crucial para sua prática profissional, pois oferece as ferramentas
necessárias para entender como as políticas comerciais afetam as operações de comércio
internacional e como otimizar as transações comerciais em um cenário global. Prepare-se para
ampliar sua visão sobre o comércio internacional. Não perca essa oportunidade de enriquecer
sua carreira!
Vamos lá!
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é compreender os conceitos
de Integração Regional e Políticas Comerciais, você deverá primeiramente conhecer os conceitos
fundamentais que fundamentam a análise e avaliação dos benefícios e desafios das alianças
econômicas regionais. Isso inclui identificar as políticas comerciais adotadas por diferentes
blocos comerciais e compreender como a integração regional afeta o comércio internacional e
as estratégias de negócios globais. Este conhecimento é crucial para capacitar você a tomar
decisões estratégicas fundamentadas em contextos de integração regional.

Na unidade sobre Integração Regional, discutimos os pilares essenciais da integração regional,


econômica e os níveis de integração econômica. Compreender esses conceitos é vital para
analisar como países e regiões se unem para fortalecer suas economias e mercados. A
integração regional promove a cooperação econômica entre países próximos, visando ao
desenvolvimento econômico conjunto e à redução de barreiras comerciais, o que é um passo
fundamental para a formação de blocos comerciais eficazes.

Ao abordarmos Medidas e prática de regulação do comércio, focamos nas barreiras tarifárias e


não tarifárias, tarifas, subsídios e cotas de importação, além de barreiras técnicas. Este
conhecimento é essencial para entender as políticas comerciais adotadas pelos blocos
econômicos e países individualmente, visando proteger suas economias locais e controlar o
fluxo de bens e serviços. Compreender essas medidas é crucial para avaliar os desafios e
oportunidades no comércio internacional.

A unidade sobre Estratégias de Proteção: Antidumping e Salvaguardas nos ensina sobre o


dumping, ações antidumping e medidas de salvaguarda. Estes são instrumentos importantes
para combater práticas comerciais desleais e proteger a indústria nacional de danos causados
pela importação de produtos vendidos a preços inferiores ao custo ou abaixo dos preços de
mercado no país exportador.

No tópico Sistema Harmonizado e os Termos Internacionais do Comércio, discutimos a


codificação de mercadorias, a Nomenclatura Comum do Mercosul e os Incoterms. Estes
conceitos são fundamentais para facilitar o comércio internacional, padronizando termos e
códigos que definem responsabilidades claras para compradores e vendedores, garantindo um
entendimento comum nas transações comerciais.

Todos os conteúdos abordados fornecem uma base sólida para entender a complexidade da
integração regional e das políticas comerciais. Ao compreender a importância da cooperação
econômica entre países, as estratégias de proteção comercial e a padronização no comércio
internacional, você estará apto a analisar e avaliar os impactos desses elementos nas estratégias
de negócios globais e tomar decisões informadas em um contexto de integração regional.

Como a integração regional e econômica pode beneficiar os países membros de um bloco


comercial?
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

De que maneira as medidas de proteção comercial, como antidumping e salvaguardas,


afetam as relações comerciais internacionais?
Qual a importância dos Incoterms e da Nomenclatura Comum do Mercosul no comércio
internacional?

É Hora de Praticar!

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Imagine que você é um analista de negócios internacionais em uma empresa multinacional com
sede no Brasil, que fabrica e exporta componentes eletrônicos. Sua empresa está planejando
expandir suas operações para a União Europeia (UE) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul),
buscando aproveitar as oportunidades oferecidas pela integração regional e pelas políticas
comerciais desses blocos. Este movimento estratégico visa não apenas aumentar a participação
de mercado, mas também otimizar a cadeia de suprimentos e acessar novos clientes. No
entanto, a expansão enfrenta desafios significativos relacionados à navegação pelas complexas
regulamentações comerciais, barreiras tarifárias e não tarifárias, e a implementação de
estratégias de proteção eficazes.
Seu primeiro desafio envolve compreender a estrutura da integração regional tanto na UE quanto
no Mercosul, identificando como as políticas de integração econômica e os níveis de integração
podem afetar as operações de sua empresa. Além disso, você precisa analisar as barreiras
tarifárias e não tarifárias existentes nesses mercados, incluindo tarifas, subsídios, cotas de
importação e barreiras técnicas, e como elas podem impactar a competitividade dos produtos de
sua empresa.
O segundo desafio é desenvolver estratégias de proteção contra práticas desleais de comércio,
como o dumping, e entender as ações antidumping e medidas de salvaguarda que podem ser
implementadas pela sua empresa ou que podem ser enfrentadas ao entrar nesses novos
mercados. Isso é crucial para garantir que sua expansão seja sustentável e protegida contra
concorrentes que possam tentar minar sua posição no mercado.
Por fim, para facilitar as transações comerciais, você deve familiarizar-se com o Sistema
Harmonizado (SH) de codificação de mercadorias, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e
os Incoterms. Estes são essenciais para a logística internacional, garantindo que os termos de
envio, os riscos e as responsabilidades estejam claramente definidos e compreendidos por todas
as partes envolvidas.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Como sua empresa pode utilizar os princípios da integração regional para otimizar sua
entrada nos mercados da UE e do Mercosul, considerando as diferenças nas políticas
comerciais e níveis de integração econômica entre os dois blocos?
Quais estratégias você recomendaria para minimizar os impactos das barreiras comerciais
enfrentadas pela sua empresa, tanto tarifárias quanto não tarifárias, ao entrar na UE e no
Mercosul?
Como você implementaria as medidas de proteção, como antidumping e salvaguardas,
para proteger sua empresa contra práticas comerciais desleais, e como garantiria a
conformidade com os regulamentos de codificação de mercadorias e os Incoterms nas
operações internacionais?

No estudo de caso proposto, você ocupa a posição de um analista de negócios internacionais


em uma empresa multinacional brasileira que fabrica e exporta componentes eletrônicos,
enfrentando o desafio de expandir suas operações para a União Europeia (UE) e o Mercado
Comum do Sul (Mercosul). O cenário abrange a necessidade de compreender as dinâmicas da
integração regional, as políticas comerciais, as barreiras tarifárias e não tarifárias, e a
implementação de estratégias de proteção contra práticas comerciais desleais, alinhadas ao
Sistema Harmonizado de codificação de mercadorias, a Nomenclatura Comum do Mercosul e os
Incoterms.
Para otimizar a entrada nos mercados da UE e do Mercosul, a empresa deve primeiro realizar
uma análise detalhada das políticas comerciais e dos níveis de integração econômica de ambos
os blocos. Isso envolve entender os acordos de livre comércio, as preferências tarifárias, as
regras de origem e os procedimentos aduaneiros. Uma estratégia eficaz pode incluir o
estabelecimento de parcerias locais ou joint ventures com empresas dessas regiões para
aproveitar as redes de distribuição existentes e minimizar os riscos regulatórios e comerciais.
Além disso, participar de feiras e eventos comerciais nesses blocos pode aumentar a visibilidade
da marca e facilitar a entrada no mercado.
Para minimizar os impactos das barreiras comerciais, a empresa deve realizar uma avaliação
meticulosa das barreiras tarifárias e não tarifárias existentes, utilizando ferramentas de
inteligência comercial para identificar os desafios específicos em cada mercado. A adoção de
estratégias como a diversificação de produtos para atender aos padrões e regulamentos locais, a
negociação de acordos de reconhecimento mútuo e o investimento em certificações
internacionais pode ajudar a superar essas barreiras. Além disso, a empresa pode explorar
regimes de drawback e zonas de processamento de exportação para otimizar os custos
aduaneiros e fiscais.
Para proteger a empresa contra práticas comerciais desleais e garantir a conformidade com os
regulamentos de codificação de mercadorias e os Incoterms, é essencial desenvolver uma
estratégia robusta de compliance. Isso inclui o monitoramento contínuo das práticas de mercado
para identificar possíveis casos de dumping e a preparação para a aplicação de medidas
antidumping e de salvaguarda, se necessário. A empresa deve também se familiarizar
profundamente com o Sistema Harmonizado e a Nomenclatura Comum do Mercosul para
garantir a classificação correta dos produtos e evitar penalidades. A utilização dos Incoterms
corretos nas negociações contratuais assegura que os termos de entrega, os riscos e as
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responsabilidades estejam claramente definidos, minimizando disputas comerciais e facilitando


o processo de exportação.
A expansão para os mercados da UE e do Mercosul representa uma oportunidade significativa
para a empresa, mas requer uma abordagem estratégica que leve em conta as complexidades do
comércio internacional e as especificidades dos blocos comerciais. Através da compreensão
aprofundada da integração regional, da implementação de estratégias para superar barreiras
comerciais e da adoção de medidas de proteção e compliance, a empresa pode estabelecer uma
presença sólida nesses mercados, contribuindo para o seu crescimento e sucesso global.

Os Incoterms, abreviação de International Commercial Terms (Termos Internacionais de


Comércio), são um conjunto de regras internacionais definidas pela Câmara de Comércio
Internacional (CCI) para interpretar os termos mais usados nas transações comerciais
internacionais. Antes da introdução dos Incoterms em 1936, o comércio internacional era
marcado por uma grande incerteza e falta de uniformidade nas práticas comerciais. Cada país
seguia seus próprios regulamentos, o que levava a mal-entendidos frequentes, disputas
contratuais e dificuldades logísticas, afetando a eficiência e a segurança das trocas comerciais
internacionais. Os processos de importação e exportação eram complexos, arriscados e muitas
vezes confusos, devido à ausência de um conjunto padronizado de termos para guiar as partes
envolvidas nas transações.
Linha do Tempo: Processos de Importação e Exportação Antes dos Incoterms

Até o século XIX:


Comércio Bilateral Baseado em Negociações Diretas: Os processos de importação e
exportação eram predominantemente bilaterais, com negociações diretas entre o
importador e o exportador. Isso exigia um entendimento mútuo dos termos, que
variavam significativamente de uma transação para outra.
Regulamentações Nacionais Diversas: Cada país tinha seu próprio conjunto de
regulamentações para o comércio, resultando em uma miríade de práticas
comerciais. Isso dificultava a previsibilidade e a segurança nas transações
internacionais.
Final do século XIX e início do século XX:
Crescimento do Comércio Internacional e suas Complexidades: O comércio
internacional começou a crescer rapidamente, trazendo consigo uma complexidade
crescente e a necessidade de padrões mais uniformes.
Diferenças nos Métodos de Transporte: As diferenças nos métodos de transporte e
nas práticas logísticas entre os países tornavam as transações internacionais ainda
mais complicadas.
Disputas Comerciais Frequentes: A falta de termos comerciais padronizados levava
frequentemente a disputas contratuais, especialmente em relação a custos de
transporte, seguros, entrega de mercadorias e transferência de riscos.
Década de 1920:
Reconhecimento da Necessidade de Padronização: Comerciantes, transportadores e
seguradoras começaram a reconhecer a necessidade de padronizar os termos e
práticas comerciais internacionais para reduzir os riscos e as incertezas.
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1936:
Introdução dos Primeiros Incoterms: A Câmara de Comércio Internacional publicou os
primeiros Incoterms em uma tentativa de unificar e simplificar as práticas comerciais
internacionais. Isso marcou um ponto de virada, estabelecendo regras claras para a
interpretação dos termos comerciais mais comuns.

Antes dos Incoterms, os processos de importação e exportação eram marcados por uma grande
variabilidade e incerteza. A introdução dos Incoterms representou um avanço significativo no
comércio internacional, proporcionando uma linguagem comum que facilitou as negociações,
reduziu as disputas e promoveu um entendimento mais claro das responsabilidades de
importadores e exportadores.

ALMEIDA, Roberto Caparroz de; LENZA, Pedro. Esquematizado - Comércio Internacional e


Legislação Aduaneira. 8ª ed. São Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.
APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.
CARVALHO, Fernando. Economia Monetária e Financeira - Teoria e Política. 3ª. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 406 p.
CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e
novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.
FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.
GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.
IAMIN, Gustavo Paiva. Negociação: conceitos fundamentais e negócios internacionais. Curitiba:
Intersaberes, 2016. 280 p.
JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.
KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.
LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.
LUDOVICO, Nelson. Como preparar uma empresa para o comércio exterior. São Paulo: Saraiva,
2017. 126 p.
LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.
MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.
MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:
Intersaberes, 202. 203 p.
NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2012. 256 p.
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PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.
PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.
SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.
SILVA, César Roberto Leite da; CARVALHO, Maria Auxiliadora de. Economia Internacional. 5ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 352 p.
SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.
SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.
TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.
SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.
SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.
TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.
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Unidade 3
Finanças Internacionais e o Ambiente de Negócios Globais

Aula 1
Pagamento Internacionais e Balança de Pagamentos

Pagamento Internacionais e Balança de Pagamentos


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aprendizagem ainda mais completa.

Olá, estudante!
Nesta videoaula, você irá se familiarizar com os conceitos e práticas relacionados a Pagamentos
Internacionais e à Balança de Pagamentos. Abordaremos desde o Pagamento Antecipado e
Remessa sem Saque até a Cobrança Documentária e a Carta de Crédito, além de uma análise
detalhada do Balanço de Pagamentos e suas contas: corrente, capital e financeira. Este conteúdo
é crucial para sua prática profissional, oferecendo as bases necessárias para entender as
transações internacionais e sua influência na economia global. Prepare-se para adquirir
conhecimentos valiosos para sua carreira. Assista agora e amplie suas competências no campo
financeiro internacional!

Ponto de Partida
Seja muito bem-vindo à aula de hoje, dedicada aos estudantes de Comércio e Negócios
Internacionais. Esta sessão é projetada para equipá-lo com conhecimento crucial sobre
Pagamentos Internacionais e a Balança de Pagamentos, elementos fundamentais para a
compreensão do comércio global e das finanças internacionais. Ao longo desta aula, vamos
explorar as diversas formas de pagamento utilizadas nas transações internacionais, como
Pagamento Antecipado e Remessa sem Saque, além de Cobrança Documentária e Carta de
Crédito. Também conheceremos a Balança de Pagamentos, abordando seus componentes
principais: a Conta Corrente, a Conta Capital e a Conta Financeira.

Para garantir que esteja plenamente preparado para participar ativamente e aproveitar ao
máximo esta aula, convido você a se concentrar em três questões chave. Primeiro, como os
diferentes métodos de pagamento internacional, como o Pagamento Antecipado e a Carta de
Crédito, impactam a segurança e a confiança entre compradores e vendedores em transações
transfronteiriças? Em segundo lugar, de que maneira a Balança de Pagamentos reflete a saúde
econômica de um país, considerando suas transações internacionais? Por último, como as
subcontas da Balança de Pagamentos, especificamente a Conta Corrente, a Conta Capital e a
Conta Financeira, interagem entre si para fornecer uma imagem completa da posição financeira
internacional de um país?
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Encorajo você a se engajar, questionar e explorar esses conceitos, pois o conhecimento que você
adquire aqui é fundamental para sua futura carreira no mundo dos negócios globais.

Lembre-se, o sucesso no campo do Comércio e Negócios Internacionais começa com uma


sólida compreensão dos seus princípios fundamentais.

Boa aula!

Vamos Começar!

Pagamentos Internacionais
Na era da globalização, o comércio internacional desempenha um papel fundamental na
economia mundial, envolvendo uma diversidade de estratégias de pagamento que se adaptam às
necessidades e aos riscos de cada transação. A escolha do método de pagamento apropriado é
crítica, pois afeta diretamente a segurança e a eficiência das operações comerciais entre países.
Os meios de pagamentos e recebimentos de acordo com Brasil (2022), são, pagamento
antecipado, remessa sem saque, cobrança documentária e carta de crédito.

O método de Pagamento Antecipado, conforme elucidado por Brasil (2022), envolve uma prática
financeira onde o importador realiza o pagamento dos bens ou serviços antes de efetivamente
recebê-los. Esse adiantamento financeiro pode ser total ou parcial, dependendo do acordo prévio
entre as partes. A mecânica dessa modalidade geralmente se dá através de transferências
bancárias internacionais, que facilitam o movimento de grandes somas de dinheiro através das
fronteiras de maneira segura e rastreável.

Segundo Mendes (2022), esta forma de pagamento é particularmente comum em negociações


que se baseiam em uma forte relação de confiança mútua entre exportador e importador. Tal
confiança pode ser fruto de longas parcerias comerciais, nas quais ambas as partes têm
históricos comprovados de cumprimento de suas obrigações. A confiança também pode ser
estabelecida através da reputação do exportador no mercado, onde uma sólida trajetória de
confiabilidade e qualidade dos produtos ou serviços fortalece a segurança percebida pelo
importador. No entanto, apesar de o Pagamento Antecipado oferecer vantagens significativas
para o exportador — principalmente a garantia de pagamento antes mesmo de despachar a
mercadoria —, essa modalidade não está isenta de desafios, especialmente para o importador. O
principal risco reside na possibilidade de o exportador não cumprir com o envio das mercadorias
após receber o pagamento.

Segundo Brasil (2022), a Remessa sem Saque é uma modalidade de pagamento no comércio
internacional que simplifica significativamente o processo de transação entre importador e
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exportador. Neste método, a necessidade de intermediários financeiros, como bancos ou


instituições de crédito, é eliminada, permitindo que o importador efetue o pagamento
diretamente ao exportador. Este arranjo se dá após o importador receber os documentos
essenciais para a importação, tais como faturas comerciais, lista de embalagem, certificados de
origem e documentos de transporte, que são cruciais para o desembaraço aduaneiro e a
liberação da mercadoria.

De acordo com Mendes (2022), a principal vantagem dessa modalidade é a agilização do


processo de pagamento e redução de custos operacionais. Sem a necessidade de processos de
saque (drafts) ou a intervenção de bancos para a emissão e confirmação de documentos, as
transações podem ser concluídas mais rapidamente. Além disso, ao evitar as taxas bancárias
associadas à emissão e tratamento de documentos de crédito, tanto importadores quanto
exportadores podem beneficiar-se de uma redução nos custos totais da transação.

Para Brasil (2022), a Cobrança Documentária é uma modalidade de pagamento que se destaca
por envolver a atuação de bancos como intermediários essenciais na operação. Essa técnica
permite a troca segura de documentos comerciais e financeiros entre exportador e importador,
facilitando o processo de pagamento e liberação de mercadorias de maneira controlada e
confiável. No âmbito dessa modalidade, os documentos que comprovam a posse e o direito
sobre as mercadorias são enviados pelo exportador ao seu banco, que, por sua vez, os transfere
para o banco do importador. Este último só disponibiliza os documentos ao importador mediante
o pagamento ou a aceitação de pagar em um momento futuro, conforme os termos acordados.

Mendes (2022), salienta que o procedimento inicia-se quando o exportador embarca a


mercadoria e envia os documentos necessários, como conhecimento de embarque, faturas
comerciais e certificados de origem, ao seu banco. Estes documentos são cruciais para que o
importador possa realizar o desembaraço aduaneiro e obter a liberação da mercadoria em seu
país. O banco do exportador encaminha os documentos ao banco do importador, que por sua
vez, notifica o importador sobre a chegada dos mesmos. Neste ponto, o importador tem a opção
de efetuar o pagamento imediatamente (cobrança à vista) ou de reconhecer a obrigação de
pagar em uma data futura acordada (cobrança a prazo), permitindo-lhe receber os documentos
necessários para a retirada da mercadoria.

Esse mecanismo oferece um equilíbrio de segurança entre as partes envolvidas. Para o


exportador, a segurança reside no fato de que os documentos, que são essencialmente o
controle sobre a mercadoria, só são entregues ao importador após a confirmação do pagamento
ou do compromisso de pagamento. Isso minimiza o risco de o importador receber a mercadoria
sem que o pagamento tenha sido efetuado. Por outro lado, para o importador, a segurança vem
da garantia de que, ao realizar o pagamento, receberá os documentos necessários para acessar
legalmente a mercadoria.

Segundo Mendes (2022), A Carta de Crédito, amplamente reconhecida como uma das formas
mais seguras de pagamento no comércio internacional, funciona como um mecanismo
sofisticado que envolve o comprometimento formal de um banco, atuando por conta do
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importador, em garantir o pagamento ao exportador sob a condição de que todos os termos e


requisitos especificados sejam cumpridos à risca. Este documento bancário serve como uma
promessa irrevogável de que o exportador receberá o pagamento, desde que possa apresentar
os documentos exigidos dentro dos prazos estabelecidos e em conformidade total com os
termos detalhados na carta.

Para Brasil (2022), O processo começa quando o importador solicita ao seu banco a emissão de
uma Carta de Crédito em favor do exportador. Este pedido inclui uma descrição detalhada dos
termos sob os quais o pagamento será liberado, incluindo, mas não limitado a, detalhes da
mercadoria, valor do contrato, prazos para embarque e apresentação dos documentos, bem
como especificações sobre os documentos necessários, como conhecimentos de embarque,
faturas comerciais, certificados de inspeção, entre outros.

Brasil (2022), destaca que uma vez emitida, a Carta de Crédito é encaminhada ao banco do
exportador, que então notifica o exportador sobre a sua disponibilidade. Com a confiança de que
o pagamento está assegurado, desde que cumpra com as exigências estabelecidas, o exportador
procede com o embarque das mercadorias e a preparação dos documentos conforme
especificado. Após a apresentação bem-sucedida destes documentos ao banco, e verificação de
sua conformidade com os termos da Carta de Crédito, o pagamento é realizado ao exportador.

Este método traz benefícios substanciais para ambas as partes. Para o exportador, a Carta de
Crédito oferece a segurança de que receberá o pagamento, assumindo que todas as condições
sejam atendidas. Essa segurança é especialmente valiosa em negociações com novos parceiros
comerciais ou em mercados considerados de maior risco. Para o importador, a vantagem reside
na garantia de que o pagamento só será efetuado se as condições acordadas forem estritamente
observadas, incluindo, por exemplo, a qualidade e a quantidade da mercadoria, assim como o
cumprimento dos prazos de entrega.

Siga em Frente...

Balança de Pagamentos
A balança de pagamentos é um instrumento contábil essencial que documenta todas as
transações econômicas e financeiras realizadas entre os residentes de um país e entidades
estrangeiras em um período determinado, usualmente um ano. Essa documentação, conforme
explicado por Paiva et al. (2016), é crucial para o entendimento das dinâmicas econômicas
globais, especialmente no que tange à atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI). O FMI
desempenha um papel significativo no monitoramento e suporte à balança de pagamentos,
oferecendo recursos financeiros e orientações a países que enfrentam desafios econômicos,
com o objetivo de manter a estabilidade econômica mundial. No entanto, as políticas e
intervenções do FMI são objeto de debates e críticas, sobretudo em relação às suas implicações
sociais e aos efeitos sobre a autonomia econômica dos países envolvidos.
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Avançando na discussão, Krugman, Obstfeld e Melitz (2023) caracterizam a balança de


pagamentos como um registro abrangente das transações econômicas internacionais de um
país, elaborado meticulosamente por economistas e estatísticos governamentais. Este registro é
indispensável para a realização de análises econômicas e para o planejamento tanto do setor
público quanto do privado, oferecendo uma perspectiva detalhada da situação econômica e
financeira nacional. Além disso, a balança de pagamentos serve como uma ferramenta analítica
eficaz para o monitoramento da dívida externa do país e a avaliação da performance de suas
indústrias de exportação e importação, ilustrando também a relação entre as transações
internacionais e a circulação de moeda dentro do país.

Segundo Gremaud, Silber e Vasconcellos (2017), o Balanço de Pagamentos é dividido em quatro


principais áreas: 1) Conta Corrente; 2) Conta de Capital; 3) Conta Financeira; e 4) Conta de Erros e
Omissões. A Conta Corrente, por sua vez, se desdobra em quatro categorias específicas: a)
balança comercial, também chamada de conta de mercadorias; b) conta de serviços; c) rendas
primárias; d) rendas secundárias. A seguir, vamos detalhar cada uma dessas áreas que
compõem o Balanço de Pagamentos.

Conta Corrente: Esta área documenta as transações econômicas entre os residentes de um


país e o resto do mundo durante um período específico. Oferece um panorama amplo da
situação econômica internacional de um país, abrangendo várias categorias de transações:
Balança Comercial: Registra todas as transações de bens a nível internacional,
calculando-se pela diferença entre exportações e importações de bens. Um resultado
positivo indica superávit comercial (mais exportações do que importações), enquanto
um resultado negativo reflete um déficit comercial (mais importações do que
exportações).
Balança de Serviços: Documenta os serviços transacionados internacionalmente pelo
país, incluindo uma ampla gama de serviços como transporte, seguros, turismo,
serviços financeiros, direitos de propriedade intelectual, eventos culturais e serviços
governamentais.
Rendas Primárias: Abrange fluxos financeiros relacionados a rendimentos de
investimentos, como salários de expatriados, lucros e dividendos de multinacionais,
juros de empréstimos internacionais, entre outros.
Rendas Secundárias: Reflete as rendas provenientes do exterior e distribuídas no
Brasil, destacando-se as transferências pessoais, como o dinheiro enviado por
imigrantes aos seus familiares no país.
Conta de Capital: Engloba as transações relacionadas a transferências de capital e
movimentos de ativos não financeiros entre residentes e entidades estrangeiras, incluindo
subsídios, heranças, perdões de dívida, bem como a compra e venda de ativos não
financeiros.
Conta Financeira: Essencial para o entendimento dos fluxos de investimento entre o país e
o exterior, registra as variações nos ativos e passivos externos, abrangendo investimentos
diretos e em carteira, derivativos, empréstimos, créditos comerciais, entre outros,
modificando a posição internacional de débito ou crédito do país.
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Conta de Erros e Omissões: Usada para ajustar as discrepâncias que possam surgir na
coleta de dados ou em transações não registradas, garantindo o equilíbrio do Balanço de
Pagamentos.

O Balanço de Pagamentos fornece uma visão abrangente da posição econômica de um país


frente ao mundo, detalhando comércio, movimentações de capital, fluxos financeiros e ajustes
para discrepâncias, sendo crucial para a formulação de políticas, análises de mercado e decisões
de investimento. Entender cada conta e suas subdivisões é vital para avaliar a saúde financeira, a
estabilidade econômica e as tendências de comércio e finanças do país.

Vamos Exercitar?

Nos negócios internacionais, os métodos de pagamento desempenham um papel crucial na


construção da confiança e na segurança das transações entre compradores e vendedores além-
fronteiras. O Pagamento Antecipado e a Carta de Crédito representam dois desses métodos,
cada um com suas próprias vantagens e desafios. O Pagamento Antecipado, ao exigir o
adiantamento do valor total antes da entrega, oferece segurança ao vendedor, mas pode gerar
desconfiança no comprador quanto à entrega dos bens ou serviços. Por outro lado, a Carta de
Crédito atua como uma garantia de pagamento para o vendedor, proporcionando confiança ao
comprador de que o pagamento só será liberado após o cumprimento dos termos acordados.
Portanto, a escolha do método de pagamento adequado pode impactar significativamente a
segurança e a confiança nas transações transfronteiriças.

A Balança de Pagamentos é uma ferramenta fundamental para avaliar a saúde econômica de um


país por meio do registro de suas transações internacionais. Ela abrange todas as transações de
bens, serviços e ativos financeiros entre residentes e não residentes. Ao analisar as exportações
e importações, bem como os fluxos de capital, a Balança de Pagamentos fornece uma visão
abrangente das relações econômicas de um país com o resto do mundo. Um superávit na
Balança de Pagamentos indica que o país exporta mais do que importa, enquanto um déficit
sinaliza o oposto, refletindo assim a saúde econômica e a competitividade internacional do país.

As subcontas da Balança de Pagamentos, como a Conta Corrente, a Conta Capital e a Conta


Financeira, desempenham papéis distintos, mas inter-relacionados, na análise da posição
financeira internacional de um país. A Conta Corrente registra transações de bens e serviços,
transferências unilaterais e renda primária e secundária. A Conta Capital abrange transferências
de ativos não financeiros e inclui transferências de capital, como doações e heranças. Por fim, a
Conta Financeira registra transações de ativos financeiros, como investimentos em ações
estrangeiras e empréstimos. Essas subcontas interagem entre si para fornecer uma imagem
completa da posição financeira internacional de um país, permitindo uma análise mais precisa de
seu desempenho econômico global.
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Saiba mais
Recomendo a leitura do artigo “O marco legal do cambio e o futuro da digitalização dos
pagamentos internacionais” para ampliar os conhecimentos sobre as formas de pagamentos
internacionais.

Indico a leitura do artigo “Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução


recente e perspectivas” para ampliar os conhecimentos sobre o tema.

Um filme notável sobre finanças internacionais é "A Grande Aposta" (The Big Short). Lançado em
2015, o filme é baseado no livro homônimo de Michael Lewis e dirigido por Adam McKay. A
narrativa foca na crise financeira de 2007-2008, desencadeada pelo colapso do mercado
imobiliário nos Estados Unidos, e segue vários financistas que preveem o colapso econômico e
decidem apostar contra o mercado de hipotecas subprime, ganhando fortunas com a crise.

Referências

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

BRASIL. Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Modalidades de Pagamento.


Disponível em: [Link]
com-o-importador-1/modalidades-de-pagamento. Acesso em 30 de dez. 2023.

FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.

Fundo Monetário Internacional - FMI. International Monetary Fund: Balance of payments and
international investment position manual. Washington, DC: International Monetary Fund, 2009.
371 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.
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INTERNACIONAIS

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

Aula 2
Mercado de Câmbio e Taxa de Câmbio, Arbitragem, Swaps, Derivativos e Hedge

Mercado de Câmbio e Taxa de Câmbio, Arbitragem, Swaps, Derivativos e


Hedge

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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.

Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos desvendar os aspectos fundamentais do Mercado de


Câmbio e Taxa de Câmbio, além de explorar os conceitos e aplicações de Arbitragem, Swaps,
Derivativos e Hedge. Você entenderá como esses elementos interagem dentro do cenário
econômico global e a importância deles para a gestão financeira e a mitigação de riscos. Esse
conhecimento é essencial para profissionais que buscam excelência no ambiente de negócios
internacional, proporcionando as ferramentas para tomar decisões estratégicas mais
informadas. Junte-se a nós nesta jornada de aprendizado e prepare-se para aprimorar suas
habilidades no mercado financeiro. Vamos lá!
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Ponto de Partida
Seja bem-vindo! Neste espaço de aprendizado, cada estudante é convidado a explorar os
conceitos fundamentais e as práticas que definem o ambiente global de comércio e negócios
internacionais. Hoje, vamos nos concentrar em tópicos essenciais que moldam as estratégias
financeiras e operacionais das organizações em um contexto global: o mercado de câmbio e a
taxa de câmbio, bem como as operações de arbitragem, swaps, derivativos e hedge. Estes são
pilares que sustentam o dinamismo e a complexidade dos mercados financeiros internacionais,
representando ferramentas críticas para gestores e analistas que buscam maximizar ganhos,
minimizar riscos e assegurar a estabilidade financeira das empresas no cenário global.

No decorrer desta aula, abordaremos o funcionamento do mercado de câmbio e a importância


do contrato de câmbio para as operações de comércio exterior, explorando o conceito de taxa de
câmbio e os diferentes regimes cambiais adotados pelos países. Aprofundaremos nosso
entendimento sobre como a arbitragem contribui para a eficiência do mercado, ao mesmo tempo
em que examinamos os swaps, os derivativos e as estratégias de hedge como mecanismos de
proteção contra as flutuações cambiais e outros tipos de riscos financeiros.

Para estimular a reflexão e aprofundar o entendimento sobre os temas propostos, considere as


seguintes perguntas durante a aula: Como as variações na taxa de câmbio impactam as
decisões de investimento e financiamento das empresas que operam internacionalmente? De
que maneira as estratégias de arbitragem contribuem para a eficiência dos mercados financeiros
globais? E, por fim, como os instrumentos financeiros, como swaps, derivativos e operações de
hedge, podem ser utilizados para gerenciar os riscos associados às operações de comércio e
negócios internacionais? Mantenha-se atento a estes pontos-chave, pois eles o ajudarão a
compreender melhor os desafios e as oportunidades presentes no comércio e nos negócios
internacionais.

Boa aula!

Vamos Começar!

Mercado de Câmbio
O mercado de câmbio é um ambiente global descentralizado no qual moedas são negociadas. É
o maior e mais líquido mercado financeiro do mundo, operando 24 horas por dia, cinco dias por
semana, em centros financeiros globais como Londres, Nova York, Tóquio, Zurique, Frankfurt,
Hong Kong, Singapura, Paris e Sydney. Este mercado determina as taxas de câmbio para cada
moeda, permitindo que empresas, governos e outros participantes comprem e vendam moedas
para transações internacionais ou para especulação.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Caparroz (2022) destaca que o mercado cambial, responsável pela negociação de moedas, é
influenciado significativamente pela política cambial de um país. Tal mercado desempenha um
papel crucial no comércio internacional e nos investimentos, facilitando a conversão de moedas
para empresas e investidores. A política cambial determina o regime de câmbio (fixo, flutuante
ou híbrido) e pode intervir no mercado para estabilizar ou ajustar a valorização da moeda
nacional. Essas ações afetam diretamente a competitividade das exportações, o custo das
importações e servem como um instrumento eficaz no combate à inflação. Uma gestão eficiente
da política cambial é vital para a estabilidade econômica e para fortalecer a confiança na
economia de um país.

No contexto brasileiro, Caparroz (2022) aponta que o mercado de câmbio envolve diversas
operações, como a compra e venda de moedas estrangeiras e transações com diferentes
instrumentos cambiais, realizadas por entidades autorizadas pelo Banco Central do Brasil.
Incluem-se nesse escopo transações em reais entre residentes no Brasil e no exterior, operações
com cartões internacionais, e transferências financeiras postais internacionais, incluindo a
emissão e o reembolso de vales postais internacionais.

Além disso, Caparroz (2022) menciona que tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem efetuar
compra e venda de moedas estrangeiras sem limitação de valor, desde que tais operações sejam
legítimas. Isso requer a formalização de contratos por meio de intermediários autorizados,
observando-se a capacidade financeira das partes e a transparência na origem dos fundos e na
legalidade das atividades comerciais relacionadas.

Caparroz (2022) descreve o mercado de câmbio como um ambiente amplo onde diversas formas
de negociação de moedas estrangeiras ocorrem simultaneamente. Para propósitos
educacionais, esse mercado pode ser dividido em categorias distintas:

O Mercado Cambial de Documentos, inclui transações de moedas estrangeiras realizadas


por bancos autorizados, usando instrumentos financeiros como letras de câmbio, cheques
e ordens de pagamento.
O Mercado Cambial Físico, refere-se a transações em espécie, particularmente envolvendo
moedas estrangeiras, frequentemente relacionadas ao turismo e viagens internacionais,
abrangendo a compra e venda de cheques de viagem.
O Mercado Cambial Paralelo, é formado por operações realizadas fora da supervisão oficial,
por indivíduos ou entidades não autorizadas a lidar com câmbio.
O Mercado Cambial Primário, onde as transações ocorrem diretamente entre os bancos e
seus clientes.
O Mercado Cambial Intermediário, envolve transações interbancárias ou entre bancos e o
Banco Central, destinadas a ajustar ou equilibrar as posições cambiais.
O Mercado Cambial à Vista, caracterizado por operações de entrega imediata, seguindo as
taxas de câmbio atuais.
O Mercado Cambial Futuro, abrange acordos de compra e venda com entrega programada
para uma data futura, a uma taxa previamente definida, podendo incluir ajustes de "prêmio"
ou "desconto" baseados na variação esperada da taxa à vista.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

O mercado de câmbio desempenha um papel fundamental na economia global, facilitando o


comércio internacional e os investimentos ao redor do mundo. A eficácia com que bancos e
instituições financeiras gerenciam a identificação de clientes e a legalidade das transações,
juntamente com a complexidade e diversidade das operações cambiais, sublinha a importância
de um sistema financeiro regulado e transparente.

Siga em Frente...

Contratos de Câmbio
Um contrato de câmbio é um acordo financeiro crucial no contexto do comércio internacional e
dos investimentos transfronteiriços. Este contrato estabelece os termos e condições sob os
quais duas partes – geralmente um indivíduo ou empresa e uma instituição financeira – se
comprometem a trocar uma quantia específica de uma moeda por outra a uma taxa de câmbio
previamente acordada, em uma data definida ou dentro de um período estabelecido

Segre (2018) salienta que os contratos de câmbio são essenciais em operações de compra e
venda de moedas estrangeiras, delineando todos os termos relevantes da transação. Caparroz
(2022) adiciona que, na era digital atual, muitos desses contratos são formalizados
eletronicamente, com o uso de assinaturas digitais conforme as diretrizes da Infraestrutura de
Chaves Públicas do Brasil (ICP-Brasil). Contudo, nos casos de contratos físicos, é necessária a
assinatura manual das partes em duas vias, que são devidamente registradas no Sistema
Câmbio e conservadas por um período de cinco anos, independentemente do motivo de término
do contrato.

Adicionalmente, Caparroz (2022) destaca a existência de diferentes categorias de contratos de


câmbio, regulamentados pelas normas cambiais vigentes, incluindo:

Contrato de Compra: Destinado às instituições autorizadas para a aquisição de moedas


estrangeiras.
Contrato de Venda: Aplicável às instituições autorizadas que desejam vender moedas
estrangeiras.

Existem também situações específicas onde a formalização de contratos de câmbio não se faz
necessária, bastando apenas o registro no Sistema Câmbio, como em casos de arbitragem com
bancos internacionais ou o Banco Central do Brasil, transações nas quais o banco atua como
comprador e vendedor, cancelamentos de contratos com valores inferiores a US$ 5.000,00,
operações interbancárias internacionais, e compra ou venda de moeda estrangeira até o limite de
US$ 10.000,00.

Segundo Borges (2017), os contratos de câmbio são regidos pelo princípio da inalterabilidade,
proibindo alterações em elementos fundamentais como a identidade das partes, valores
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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envolvidos, código da moeda e taxa de câmbio. Contudo, modificações em outras cláusulas são
permitidas mediante acordo formal e devidamente registradas, incluindo ajustes no prazo de
liquidação, modificações nas cláusulas e declarações, alteração no método de entrega da moeda
e no tipo de operação, bem como na identificação do pagador ou receptor no exterior. Borges
(2017) ressalta que alterações menores podem ser realizadas por agentes financeiros a pedido
do cliente, desde que exista um consenso claro e que tais ajustes sejam integrados ao contrato
original, assegurando a conformidade e a flexibilidade nas operações cambiais.

Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais


De acordo com Paiva et al. (2016), a taxa de câmbio é o preço de uma moeda expresso em outra
moeda, ou seja, é a quantidade de moeda estrangeira que pode ser obtida com a troca de uma
unidade da moeda nacional, ou vice-versa. Este valor não é fixo, variando constantemente devido
a fatores como oferta e demanda no mercado de câmbio, políticas econômicas, estabilidade
política, taxas de juros e balança comercial, entre outros. Os tipos de taxas de câmbio são:

Taxa de Câmbio Nominal: Refere-se à taxa propriamente dita, ou seja, o número de


unidades de uma moeda estrangeira que se pode comprar com uma unidade da moeda
nacional. Por exemplo, se a taxa de câmbio entre o real brasileiro (BRL) e o dólar americano
(USD) é de 5,00, isso significa que 1 dólar pode ser trocado por 5 reais.
Taxa de Câmbio Real: Considera o poder de compra entre duas moedas, ajustando a taxa
de câmbio nominal pelos níveis de preços entre os dois países. Isso permite uma
comparação mais precisa do valor relativo das moedas.

Segundo Paiva et al. (2016), as taxas de câmbio influenciam a economia global, afetando o
comércio internacional, investimentos estrangeiros, inflação e crescimento econômico. Elas são
determinadas por regimes de câmbio, que podem ser:

Fixo: O valor da moeda é fixado em relação a uma moeda estrangeira ou a um cesto de


moedas, com o banco central intervindo no mercado para manter a taxa.
Flutuante: O valor da moeda é determinado pelo mercado, através das forças de oferta e
demanda, sem intervenção direta do governo.
Flutuação "Limpa": Nessa modalidade, o banco central se abstém de qualquer
intervenção no mercado cambial, deixando que o preço da moeda seja integralmente
determinado pelas forças de oferta e demanda.
Flutuação "Suja": Embora o regime seja, em essência, de flutuação, ocorrem
momentos em que o governo ou o banco central decide intervir no mercado cambial.
Essas intervenções podem ocorrer por meio de ações diretas, como comprar ou
vender moeda estrangeira para afetar a taxa de câmbio, ou por meio da definição de
limites para as variações cambiais. O objetivo dessas medidas pode ser a
estabilização da moeda do país ou a busca por metas econômicas mais amplas,
como o controle da inflação ou o fomento das exportações.
Híbrido: Combina elementos dos sistemas fixo e flutuante, permitindo flutuações dentro de
uma faixa predeterminada.
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A taxa de câmbio é um indicador econômico crucial, refletindo a saúde econômica de um país e


influenciando diretamente o custo das importações e exportações, o retorno dos investimentos
estrangeiros e a competitividade econômica global.

Arbitragem, Swaps, Derivativos e Hedge


No mundo financeiro internacional, conceitos como Arbitragem, Swaps, Derivativos e Hedge são
fundamentais para entender como investidores e instituições gerenciam riscos, aproveitam
discrepâncias de preços e protegem seus investimentos contra volatilidades inesperadas. De
acordo com Caparroz (2022), esses mecanismos oferecem oportunidades para otimizar retornos
e minimizar perdas, atuando como ferramentas estratégicas no mercado financeiro global.

Arbitragem refere-se à prática de lucrar com a diferença de preço de um mesmo ativo em


mercados diferentes. Os arbitradores, como são conhecidos, compram um ativo onde o
preço é mais baixo e simultaneamente vendem onde o preço é mais alto, capitalizando na
discrepância de preços sem risco significativo. Este processo ajuda a manter os preços dos
ativos consistentes entre os mercados.
Swaps são instrumentos financeiros derivativos que permitem a troca de fluxos de caixa
entre duas partes. Geralmente, essa troca envolve fluxos de caixa baseados em diferentes
taxas de juros, moedas ou índices de preços. Os Swaps são usados para gerenciar riscos
associados à volatilidade das taxas de juros, taxas de câmbio ou outras variáveis
econômicas.
Derivativos são contratos financeiros cujo valor é derivado do desempenho de um ativo
subjacente, índice ou taxa de referência. Incluem uma ampla gama de instrumentos, como
futuros, opções e swaps. Os derivativos são utilizados para especulação, alavancagem
financeira ou como proteção contra variações de preços, taxas de juros ou taxas de
câmbio.
Hedge é uma estratégia utilizada para reduzir ou eliminar o risco de movimentos adversos
de preços em um ativo. Os investidores usam derivativos como futuros, opções e swaps
para criar uma posição de hedge. Esta prática permite aos investidores protegerem-se
contra incertezas do mercado, assegurando-se contra perdas potenciais em suas posições
de investimento.

A arbitragem, swaps, derivativos e hedge são conceitos interligados que desempenham papéis
vitais na gestão de riscos e na otimização de retornos no mercado financeiro. Eles oferecem aos
participantes do mercado ferramentas complexas, mas poderosas, para navegar na volatilidade e
nas incertezas, garantindo a estabilidade e a eficiência dos mercados financeiros. Entender
esses conceitos é crucial para qualquer pessoa envolvida no investimento e na gestão financeira,
seja em nível individual ou institucional.

Vamos Exercitar?
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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O entendimento aprofundado sobre o impacto das variações cambiais, a aplicação de


estratégias de arbitragem e o uso eficaz de instrumentos financeiros como swaps, derivativos e
operações de hedge são fundamentais para compreender os negócios internacionais. Estas
ferramentas e estratégias não somente capacitam as empresas a se protegerem contra riscos
financeiros inerentes às suas atividades internacionais, mas também a aproveitar as
oportunidades de mercado para otimizar seus investimentos e operações de financiamento.
Vamos explorar como esses elementos interagem e influenciam as decisões empresariais no
cenário global.

As variações na taxa de câmbio têm um impacto direto nas decisões de investimento e


financiamento das empresas que atuam internacionalmente. A volatilidade cambial pode afetar a
competitividade dos preços de exportação e importação, alterar o valor dos investimentos
estrangeiros e influenciar a capacidade de uma empresa em servir suas dívidas em moeda
estrangeira. Quando a moeda de um país se valoriza, por exemplo, suas exportações podem se
tornar mais caras e menos competitivas no mercado global, enquanto as importações se tornam
mais baratas. Inversamente, a desvalorização da moeda pode tornar as exportações mais
competitivas, mas aumentar o custo das importações e o peso da dívida em moeda estrangeira.
Empresas que compreendem e monitoram essas dinâmicas podem tomar decisões mais
informadas sobre onde e quando investir ou buscar financiamento, escolhendo estrategicamente
moedas e mercados que minimizem os riscos e maximizem os retornos.

As estratégias de arbitragem, por sua vez, contribuem significativamente para a eficiência dos
mercados financeiros globais. Elas se baseiam na exploração de diferenças de preço de um
mesmo ativo em mercados distintos, permitindo que os investidores realizem lucros sem risco.
Ao identificar e explorar essas discrepâncias, a arbitragem ajuda a garantir que os preços dos
ativos se mantenham consistentes em diferentes mercados, reduzindo as distorções e
promovendo a liquidez. Isso não apenas facilita uma alocação mais eficiente dos recursos
financeiros em escala global, mas também auxilia na estabilização das taxas de câmbio,
beneficiando tanto as empresas quanto os investidores que operam internacionalmente.

Quanto aos instrumentos financeiros, como swaps, derivativos e operações de hedge, eles
oferecem meios robustos para gerenciar os riscos associados às operações de comércio e
negócios internacionais. Os swaps permitem que as empresas troquem fluxos de caixa ou
dívidas em diferentes moedas ou com diferentes taxas de juros, adaptando-se melhor às suas
necessidades de liquidez e exposição cambial. Os derivativos, incluindo opções, futuros,
proporcionam a possibilidade de fixar preços ou taxas de câmbio futuras, protegendo as
empresas contra movimentos adversos do mercado. Já as operações de hedge são estratégias
que utilizam esses instrumentos para minimizar a exposição a riscos específicos, como
flutuações cambiais ou mudanças nos preços das commodities. Ao implementar tais
estratégias, as empresas podem reduzir sua vulnerabilidade a choques externos e volatilidade do
mercado, assegurando uma maior previsibilidade em suas operações financeiras e comerciais.

Saiba mais
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Recomendo a leitura do artigo “Determinação da razão de hedge: um estudo sobre as teorias de


hedging”, para ampliar os conhecimentos sobre hedge.

Indico a leitura do artigo “O atual regime cambial brasileiro” para conhecer mais sobre os regimes
cambiais.

Recomendo o filme "O Lobo de Wall Street" é uma escolha interessante para quem deseja
explorar o mundo das finanças internacionais, embora seu enfoque principal seja o
comportamento e as práticas dentro do mercado financeiro dos Estados Unidos. Dirigido por
Martin Scorsese e estrelado por Leonardo DiCaprio, o filme é baseado na história verdadeira de
Jordan Belfort, um corretor de bolsa ambicioso que ascende rapidamente no mundo financeiro,
apenas para se envolver em crimes de fraude e corrupção.

Referências

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.

BORGES, Joni Tadeu. Câmbio: mercado e prática. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2018.

BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
Curitiba: Intersaberes, 2017. 248 p.

CAPARROZ, Roberto. Esquematizado - Comércio Internacional e Legislação Aduaneira. 8ª ed. São


Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.

MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.

PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.

TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.

Aula 3
Mercado Internacional

Mercado Internacional

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Olá, estudante!
Nesta videoaula, vamos abordar o Mercado Internacional, focando nas Estratégias Genéricas,
como a Estratégia de Replicação Doméstica, Multidoméstica, Global e Transnacional. Esses
conteúdos são cruciais para sua prática profissional, pois oferecem um entendimento claro de
como as empresas podem expandir suas operações globalmente, adaptando-se às diversas
realidades de mercado. Compreender essas estratégias aprimora sua capacidade de tomar
decisões estratégicas eficazes em um ambiente de negócios internacional. Prepare-se para
aprimorar seus conhecimentos!
Vamos lá!

Ponto de Partida

Seja bem-vindo. Hoje, vamos explorar o dinâmico e complexo tema do Mercado Internacional.
Este assunto é vital para entender como as empresas expandem suas operações além das
fronteiras nacionais, adotando estratégias que melhor se alinham às suas metas globais e às
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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especificidades dos mercados locais. Nossa discussão abrangerá as Estratégias Genéricas,


incluindo a Estratégia de Replicação Doméstica, Estratégia Multidoméstica, Estratégia Global e
Estratégia Transnacional. Cada uma dessas estratégias oferece um caminho único para as
empresas atuarem no cenário internacional, influenciando diretamente seu sucesso e
sustentabilidade a longo prazo.

Neste contexto, três perguntas fundamentais serão o foco de nosso estudo e debate.
Primeiramente, como cada estratégia genérica permite que uma empresa atenda às demandas
específicas de diferentes mercados internacionais? Esta questão busca entender a adequação e
aplicabilidade de cada estratégia às variadas condições de mercado. Em segundo lugar, qual o
impacto das diferenças culturais, políticas e econômicas na escolha da estratégia de mercado
internacional por uma empresa? Esta pergunta destaca a importância do ambiente externo na
formulação de estratégias. Por fim, como as empresas podem equilibrar a necessidade de
eficiência global com a necessidade de responsividade local ao implementar suas estratégias
internacionais? Esta questão aborda o desafio constante enfrentado pelas empresas para manter
uma presença global competitiva, ao mesmo tempo em que se adaptam às nuances locais.

Ao manter essas perguntas em mente, você estará melhor preparado para compreender a
complexidade e a importância das estratégias de mercado internacional. Mantenha-se curioso e
engajado, pois o conhecimento adquirido aqui é fundamental para aumentar o sucesso no
mundo dos negócios internacionais.

Boa aula!

Vamos Começar!

A competitividade nos negócios internacionais é um tema de relevância crescente no contexto


da globalização econômica. Esta dinâmica complexa envolve uma série de fatores que
determinam o sucesso ou fracasso das empresas no palco mundial. A competição entre países
em dimensões estruturais, observada nos mercados, é impulsionada tanto por fatores
macroeconômicos quanto pelas estratégias empresariais individuais.

Segundo Ludovico (2012), a competitividade, em sua essência, é a capacidade de uma empresa


ou país de oferecer produtos e serviços que atendam melhor às necessidades dos consumidores
em comparação com seus concorrentes. No entanto, isso não se resume apenas à qualidade e
ao preço dos bens produzidos; estende-se também à eficiência com que esses bens são
produzidos e ao ambiente inovador que permite a criação de valor agregado.

Ludovico (2012), afirma que é fundamental reconhecer a influência das políticas econômicas e
das taxas de câmbio na competitividade. Uma moeda nacional desvalorizada pode tornar as
exportações mais competitivas, mas também pode aumentar o custo das importações e, por
extensão, o custo dos insumos para a produção. As taxas de câmbio flutuantes podem, portanto,
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afetar a estabilidade e a previsibilidade necessárias para o planejamento de longo prazo das


empresas.

Para Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), a produtividade é outro pilar essencial. A relação
entre o valor agregado por hora trabalhada e o custo dessa hora trabalhada é um indicador
crucial de eficiência. Empresas que conseguem otimizar essa relação têm uma vantagem
significativa, pois podem oferecer preços mais competitivos ou margens de lucro mais elevadas.

Segundo Nyegray (2022), as estratégias genéricas propostas por Michael Porter são uma
ferramenta fundamental para empresas que buscam sucesso no ambiente competitivo
internacional. Estas estratégias, de acordo com Kotler e Keller (2019), que se concentram em
liderança em custos, diferenciação e foco, oferecem um roteiro para as empresas alcançarem e
manterem uma posição competitiva nos mercados globais.

Liderança em Custos: A liderança total em custos é uma estratégia onde a empresa busca
ser o produtor de menor custo em seu setor. No contexto internacional, isso significa que
uma empresa pode oferecer preços mais baixos que seus concorrentes globais, ganhando
uma maior fatia de mercado. Esta abordagem é particularmente importante em mercados
sensíveis a preço, onde os clientes priorizam o custo sobre outros atributos do produto ou
serviço. Para alcançar essa posição, a empresa deve buscar eficiências em todas as áreas
da operação, desde a aquisição de matérias-primas até a produção e logística. Contudo, a
busca incessante por custos mais baixos pode levar a uma corrida para o fundo, onde a
qualidade e a sustentabilidade podem ser comprometidas. Assim, é crucial que as
empresas mantenham um equilíbrio entre custos baixos e manutenção da qualidade.
Diferenciação: A estratégia de diferenciação envolve a criação de produtos ou serviços
percebidos como únicos no mercado. Para as empresas internacionais, a diferenciação
pode ser alcançada através da inovação, tecnologia, branding superior ou atendimento ao
cliente excepcional. Esta estratégia permite que a empresa se destaque em um mercado
saturado, criando uma lealdade à marca que pode proteger contra a competição baseada
em preços. Empresas que operam internacionalmente devem entender as nuances
culturais e as preferências locais para efetivamente personalizar suas ofertas e
comunicação, garantindo que sua diferenciação seja relevante e valiosa para os clientes
internacionais.
Foco: A estratégia de foco, por sua vez, direciona a atenção da empresa para um ou mais
segmentos estreitos de mercado. Ao se concentrar em nichos específicos, a empresa pode
atender melhor às necessidades desses grupos do que os concorrentes com uma base de
clientes mais ampla. No mercado internacional, isso pode significar adaptar produtos para
mercados locais específicos ou atender a um segmento global que não está sendo
eficazmente servido. A estratégia de foco pode ser combinada com liderança em custos ou
diferenciação dentro do segmento escolhido, oferecendo um valor excepcional que os
concorrentes mais amplos não conseguem igualar.

De acordo com Nyegray (2022), a aplicação dessas estratégias genéricas é essencial para o
sucesso internacional, pois cada uma delas pode ser ajustada às complexidades de operar em
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diferentes contextos culturais, econômicos e regulatórios. A escolha da estratégia adequada


depende da análise do mercado-alvo, dos recursos da empresa, de sua capacidade de inovação e
de sua habilidade em se adaptar às condições locais.

Empresas internacionais que adotam a liderança em custos devem lidar com a pressão
constante para reduzir despesas sem sacrificar a qualidade, o que pode ser um desafio maior
quando lidam com cadeias de suprimentos complexas e padrões de produção variados. As que
optam pela diferenciação devem inovar continuamente para manter sua vantagem competitiva,
uma tarefa que exige um entendimento profundo das tendências globais e das expectativas dos
consumidores. E as que seguem a estratégia de foco devem permanecer ágeis, capazes de se
adaptar rapidamente às mudanças nos nichos de mercado que escolheram servir.

Siga em Frente...

Estratégia de Replicação Doméstica, Estratégia Multidoméstica,


Estratégia global e Estratégia Transnacional
No mundo dos negócios internacionais, as empresas enfrentam o desafio de operar em
mercados com diferentes demandas e expectativas. Para lidar com essa complexidade, várias
estratégias de operação internacional foram desenvolvidas. Nyegray (2022), salienta que cada
uma das estratégias oferece um conjunto de táticas para as empresas que buscam expandir
além de suas fronteiras nacionais, e a escolha entre elas depende da natureza do negócio, das
características do mercado-alvo e dos objetivos estratégicos da empresa. As estratégias
segundo Nyegray (2022), são:

Estratégia de Replicação Doméstica: A estratégia de replicação doméstica envolve a


transferência das operações e modelos de negócios que são bem-sucedidos no mercado
interno diretamente para os mercados internacionais, sem adaptações significativas. Essa
abordagem é eficaz quando os mercados de destino têm preferências de consumo,
práticas de negócios e ambientes regulatórios semelhantes aos do mercado de origem. A
vantagem dessa estratégia é a simplicidade e a consistência, oferecendo a possibilidade de
manter uma identidade corporativa unificada e economias de escala. Contudo, seu ponto
fraco é a inflexibilidade, já que a falta de adaptação pode resultar em falhas ao não atender
às necessidades específicas e às diferenças culturais de cada mercado.
Estratégia Multidoméstica: A estratégia multidoméstica, por outro lado, reconhece e
respeita as diferenças entre os países. As empresas adaptam seus produtos, marketing e
operações para atender às demandas e preferências locais. Esta estratégia é beneficiada
pela autonomia das subsidiárias locais, permitindo uma resposta rápida às mudanças do
mercado e uma maior satisfação do cliente local. As empresas que adotam essa
abordagem podem desenvolver uma forte imagem de marca em cada mercado, mas
enfrentam custos mais altos e uma complexidade operacional aumentada devido à falta de
padronização.
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A Nestlé é um exemplo de estratégia multidoméstica. Como uma das maiores


empresas de alimentos e bebidas do mundo, a Nestlé adapta seus produtos às
preferências locais. Por exemplo, oferece diferentes tipos de chocolates e
sobremesas que se alinham com os gostos e hábitos culinários locais, variando de
país para país.
Estratégia Global: A estratégia global enfatiza a eficiência e a padronização, com a empresa
mantendo um modelo de negócios coerente em todos os países em que opera. O controle
centralizado permite que as empresas aproveitem ao máximo as economias de escala e
mantenham a consistência da marca em todos os mercados. Esta estratégia é
particularmente adequada para indústrias onde a pressão de custos é intensa e onde as
diferenças entre os mercados são mínimas. No entanto, a estratégia global pode ser menos
eficaz em mercados altamente diferenciados, onde a customização local é chave para o
sucesso.
Um exemplo de aplicação da estratégia global pode ser observado no setor
automobilístico. A empresa pode projetar seus carros para atuar em uma base global
de consumidores, ela pode modificar certos aspectos dos veículos para mercados
específicos. Por exemplo, no mercado europeu, onde as ruas são geralmente mais
estreitas e o preço do combustível é mais alto, a empresa pode oferecer modelos
mais compactos e com motores mais eficientes em comparação com os modelos
vendidos nos EUA, onde há uma preferência por carros maiores e mais potentes. A
autorização para essas modificações específicas é concedida pela sede central da
empresa, garantindo que as alterações estejam em harmonia com a imagem global
da marca e com os padrões operacionais estabelecidos.
Estratégia Transnacional: A estratégia transnacional busca combinar o melhor das
estratégias multidoméstica e global, mantendo a eficiência global e a reatividade local. As
empresas que adotam essa estratégia operam com uma rede flexível em que diferentes
operações, como P&D, manufatura e marketing, são distribuídas globalmente, mas
coordenadas para trabalhar em conjunto. Essa abordagem permite que as empresas sejam
tanto globais quanto locais, atendendo a necessidades específicas de cada mercado
enquanto mantêm eficiências operacionais. A estratégia transnacional é complexa e
desafiadora de gerenciar, mas pode oferecer uma vantagem competitiva sustentável em
um ambiente global cada vez mais integrado e competitivo.
A Toyota é um exemplo de uma estratégia transnacional. A empresa automobilística
japonesa combina a eficiência global com a responsividade local. A Toyota possui
fábricas e operações de design em vários países, permitindo-lhe adaptar veículos às
preferências locais, ao mesmo tempo em que mantém a eficiência na produção e no
desenvolvimento de tecnologias em escala global.

Um exemplo de aplicação da estratégia global pode ser observado no setor


automobilístico. A empresa pode projetar seus carros para atuar em uma base global de
consumidores, ela pode modificar certos aspectos dos veículos para mercados específicos.
Por exemplo, no mercado europeu, onde as ruas são geralmente mais estreitas e o preço
do combustível é mais alto, a empresa pode oferecer modelos mais compactos e com
motores mais eficientes em comparação com os modelos vendidos nos EUA, onde há uma
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

preferência por carros maiores e mais potentes. A autorização para essas modificações
específicas é concedida pela sede central da empresa, garantindo que as alterações
estejam em harmonia com a imagem global da marca e com os padrões operacionais
estabelecidos.

A Toyota é um exemplo de uma estratégia transnacional. A empresa automobilística


japonesa combina a eficiência global com a responsividade local. A Toyota possui fábricas
e operações de design em vários países, permitindo-lhe adaptar veículos às preferências
locais, ao mesmo tempo em que mantém a eficiência na produção e no desenvolvimento
de tecnologias em escala global.

Cada uma dessas estratégias oferece vantagens e desvantagens únicas, e a escolha entre elas
deve ser feita com base em uma análise cuidadosa do ambiente de negócios, das capacidades
internas da empresa e da natureza da indústria. A eficácia de qualquer estratégia internacional
depende da capacidade da empresa de executá-la de forma consistente com sua visão, seus
recursos e seus objetivos estratégicos.

Vamos Exercitar?
Cada estratégia genérica de mercado internacional possui características distintas que permitem
às empresas atender às demandas específicas de diferentes mercados. A Estratégia de
Replicação Doméstica foca na exportação de produtos e modelos de negócio usados no
mercado de origem, sem grandes adaptações para mercados externos, o que pode ser eficaz em
mercados com necessidades similares às do mercado doméstico. A Estratégia Multidoméstica,
por outro lado, adapta produtos, serviços e estratégias de marketing às peculiaridades de cada
mercado local, o que demanda um entendimento profundo das necessidades e preferências
locais, mas permite uma maior satisfação e fidelização do cliente. A Estratégia Global busca
padronizar produtos e processos para alcançar economias de escala, sendo ideal para empresas
que operam em mercados globais com demandas homogêneas. Já a Estratégia Transnacional
combina elementos das estratégias global e multidoméstica, buscando equilibrar a eficiência
global com a responsividade local, adequando-se a empresas que enfrentam tanto pressões por
integração global quanto por diferenciação local.

O impacto das diferenças culturais, políticas e econômicas na escolha da estratégia de mercado


internacional é significativo. As diferenças culturais influenciam as expectativas dos
consumidores e a percepção de valor, determinando a necessidade de adaptação de produtos e
comunicações de marketing. As políticas locais e regulamentações governamentais podem
afetar a viabilidade de certas estratégias, como restrições à importação, exigências de conteúdo
local ou regulações ambientais. Diferenças econômicas, incluindo o poder de compra e a
estrutura de mercado, também orientam a seleção da estratégia, com mercados emergentes
possivelmente requerendo abordagens distintas dos mercados desenvolvidos. Essas diferenças
exigem uma análise cuidadosa e uma abordagem estratégica flexível para maximizar a eficácia
da entrada e operação da empresa em mercados internacionais.
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INTERNACIONAIS

Para equilibrar a necessidade de eficiência global com a responsividade local ao implementar


estratégias internacionais, as empresas devem buscar uma abordagem híbrida, como a
Estratégia Transnacional, que permite a otimização de operações globais enquanto se adapta às
exigências locais. Isso pode ser alcançado através da descentralização de decisões que
permitam adaptações locais, enquanto mantém certos processos e padrões centralizados para
garantir eficiência e consistência. A tecnologia de informação e comunicação desempenha um
papel crucial nesse equilíbrio, facilitando a coordenação e o compartilhamento de conhecimento
entre as unidades globais e locais. Essa abordagem permite que as empresas aproveitem as
vantagens globais, como economias de escala, ao mesmo tempo em que se mantêm ágeis e
receptivas às variações de mercado locais, navegando com sucesso pela complexidade do
ambiente de negócios internacional.

Saiba mais
Recomendo a leitura do artigo “Estratégias de Empresas no contexto da internacionalização”
para ampliar os conhecimentos de como as empresas podem expandir os seus mercados.

Indico que assista o filme "Invictus" (2009)", pois o filme oferece lições valiosas sobre liderança e
estratégia. Ele conta a história de como Nelson Mandela uniu a África do Sul durante a Copa do
Mundo de Rugby de 1995, usando o esporte como uma estratégia para promover a reconciliação
nacional.

Recomendo a leitura do artigo “As estratégias competitivas genéricas de Porter e o novo


paradigma da customização em massa”, para ampliar os conhecimentos a cerca do tema.

Referências
CATEORA, Philip R.; GILLY, Marcy C.; GRAHAM, John L. Marketing internacional. 15ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2013. 661 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

CZINKOTA, Michael R.; RONKAINEN, Ilkka A. Marketing Internacional: 8ª Ed. São Paulo: Cengage
Learning, 2008. 626 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

JUNIOR, Amadeu N. Marketing internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2004. 350 p.
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KEEGAN, Warren Joseph. Marketing global. 7ª. ed. São Paulo, SP: Pearson, 2005. 448 p.

KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, planejamento, implementação e controle.


2ª ed. São Paulo: Pearson Pretince Hall, 2004. 730 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15ª. ed. São Paulo: Pearson,
2019. 874 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane; CHERNEV, Alexander. Administração de marketing. 16. ed.
Porto Alegre, RS: Grupo A, 2024. 669 p.

LAS CASAS, A. L. Administração de marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade


brasileira. São Paulo: Atlas, 2008. 544 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Mercados e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2012. 120 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 2021. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.

Aula 4
Ambiente Internacional de Negócios

Ambiente Internacional de Negócios

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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você irá se familiarizar com o "Ambiente Internacional de Negócios", abordando
temas cruciais como Ambiente Econômico, Social e Cultural, além do Ambiente Político e Legal.
Estes conteúdos são vitais para sua prática profissional, ajudando a compreender como
diferentes contextos influenciam o mundo dos negócios globalmente. Esta compreensão é
essencial para tomar decisões estratégicas acertadas e para navegar com sucesso no complexo
mercado internacional. Prepare-se para adquirir conhecimentos que serão um diferencial na sua
carreira.
Vamos lá!

Ponto de Partida
Seja bem-vindo à nossa aula sobre o Ambiente Internacional de Negócios, um tema essencial
para estudantes que se aventuram no campo do Comércio e Negócios Internacionais. Neste
módulo, exploraremos como o ambiente econômico, social e cultural, além do ambiente político
e legal, moldam o cenário em que as empresas operam globalmente. Compreender esses
aspectos é crucial para quem busca sucesso e sustentabilidade no competitivo mercado
internacional. Essa visão abrangente oferece a base necessária para enfrentar desafios e
aproveitar oportunidades além das fronteiras nacionais.

Durante a aula, três perguntas fundamentais nortearão nossa discussão, estimulando uma
reflexão profunda sobre os conteúdos abordados. Primeiro, questionaremos como o ambiente
econômico global influencia as estratégias de negócios internacionais. Em seguida,
investigaremos o impacto do ambiente social e cultural nas operações e na comunicação de
empresas que atuam em diversos países. Por fim, examinaremos a importância do ambiente
político e legal para a gestão de riscos e a conformidade regulatória em diferentes jurisdições.
Estas perguntas são projetadas para aguçar sua curiosidade e motivá-lo a entender não apenas o
"o quê", mas o "porquê" por trás das dinâmicas do comércio global.

Encorajamos você a se engajar ativamente com o material, utilizando-o como um guia para
navegar pelos complexos, mas recompensadores, caminhos do negócio internacional. Este
conhecimento não apenas enriquecerá sua educação, mas também ampliará suas perspectivas
profissionais. Com dedicação e interesse, você está prestes a adquirir ferramentas valiosas para
o seu futuro. Boa aula!

Vamos Começar!
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

O ambiente internacional dos negócios é um campo complexo e multifacetado, que engloba


diversas dimensões, incluindo o ambiente econômico, social e cultural, bem como o ambiente
político, legal e regulatório. Cada um desses aspectos desempenha um papel crítico na forma
como as empresas operam e competem em uma escala global.

Ambiente Econômico
Segundo Keegan (2005), a dimensão econômica é considerada a mais crítica no ambiente do
mercado global. Ela dita não apenas a viabilidade dos negócios, mas também o seu potencial de
crescimento e expansão. O poder aquisitivo dos consumidores é um fator determinante para o
sucesso de produtos e serviços. Produtos de luxo, por exemplo, são direcionados para mercados
com alta renda, enquanto bens de consumo básicos têm um mercado mais amplo e
diversificado. Além disso, o desenvolvimento de grandes infraestruturas de varejo, como
hipermercados, depende de uma base substancial de consumidores com a capacidade financeira
de realizar compras volumosas e, muitas vezes, a posse de veículos para transporte. Da mesma
forma, a venda de produtos industriais sofisticados está condicionada à presença de indústrias
avançadas e economias desenvolvidas.

Nyegray (2022), afirma que o cenário econômico internacional, é caracterizado pela interação
entre as economias nacionais, regionais e globais, abrange fatores críticos como taxas de
câmbio, inflação, PIB, taxas de juros e políticas econômicas. Estas variáveis são vitais para
empresas que operam em escala internacional, pois afetam diretamente o custo de fazer
negócios, a demanda dos consumidores e a competitividade no mercado global. Por exemplo,
uma valorização da moeda local pode encarecer as exportações, reduzindo sua competitividade,
enquanto uma economia em crescimento pode abrir novas oportunidades de mercado.

Para Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), é importante reconhecer os riscos que a variável
econômica enfrenta, como a instabilidade política, conflitos geopolíticos, crises financeiras
globais e pandemias, que podem afetar drasticamente as economias. Estes fatores podem levar
a flutuações significativas nas taxas de câmbio, alterações nas políticas comerciais, e variações
abruptas na oferta e demanda. Além disso, a crescente preocupação com questões ambientais e
sustentabilidade pode influenciar as práticas de negócios e as preferências dos consumidores,
exigindo adaptações por parte das empresas. A volatilidade econômica exige das empresas uma
estratégia de negócios flexível e adaptável, além de uma constante avaliação do ambiente de
mercado para identificar riscos e oportunidades.

Ambiente Social e Cultural

O ambiente social e cultural é um componente fundamental no contexto dos negócios


internacionais, uma realidade cada vez mais relevante na era da globalização. A cultura, segundo
Keegan (2005), é definida como o conjunto de crenças, valores, costumes, práticas e
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comportamentos compartilhados pelos membros de uma sociedade, molda profundamente as


atitudes e comportamentos dos indivíduos. Este conceito abrange desde as tradições mais
profundas até as preferências cotidianas, influenciando aspectos tão variados quanto a
alimentação, a vestimenta e as práticas de negócios.

Para Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), o desafio de cruzar as fronteiras culturais no


ambiente empresarial é multifacetado. Primeiramente, há a questão da comunicação. As
barreiras linguísticas são apenas a ponta do iceberg; as diferenças culturais na comunicação
não-verbal, nas normas de etiqueta e nas expectativas de negociação podem ser igualmente
significativas. Além disso, as práticas empresariais variam consideravelmente de uma cultura
para outra. O que é considerado uma negociação agressiva em um país pode ser vista como uma
abordagem padrão em outro.

Nyegray (2022), salienta que o outro desafio é a adaptação do produto ou serviço ao mercado
local. As preferências dos consumidores podem variar drasticamente entre diferentes culturas,
como evidenciado pelo fracasso de certos produtos alimentares ao serem introduzidos em
mercados estrangeiros sem a devida adaptação cultural. Este aspecto ressalta a importância da
pesquisa de mercado e da customização de produtos para atender às expectativas e gostos
locais.

Segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), no contexto dos negócios internacionais, a


cultura é crucial por várias razões. Primeiramente, um entendimento profundo da cultura local
pode ser um diferencial competitivo significativo. As empresas que compreendem e respeitam as
nuances culturais estão mais bem posicionadas para construir relacionamentos fortes com
clientes e parceiros de negócios locais. Além disso, a sensibilidade cultural ajuda as empresas a
evitar erros de marketing que podem ser custosos e prejudicar a sua imagem.

Para Keegan (2005), a cultura influencia diretamente as estratégias de marketing e vendas. Uma
campanha publicitária que ressoa bem em um país pode ser ineficaz ou mesmo ofensiva em
outro, devido a diferenças nas normas e valores culturais. Da mesma forma, estratégias de
precificação e distribuição precisam ser ajustadas para se adequar às expectativas e
comportamentos de compra locais.

No cenário globalizado atual, a habilidade de uma empresa em se adaptar e operar


eficientemente dentro do ambiente social e cultural é tão crucial quanto sua competência técnica
ou financeira. Entender a cultura vai além de ser um elemento da responsabilidade social
corporativa; é uma necessidade estratégica fundamental para aqueles que almejam êxito no
âmbito internacional dos negócios.

Siga em Frente...

Ambiente Político Legal


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O ambiente político e legal de um país é um fator crucial que influencia tanto as operações
internas das empresas quanto as estratégias de negócios internacionais. Para Cavusgil, Knight e
Riesenberger (2010), o conceito de sistema político envolve uma variedade de instituições
formais que compõem o governo, incluindo assembleias legislativas, partidos políticos, grupos
de pressão e organizações sindicais. Por outro lado, um sistema jurídico abrange o modo como
as leis são interpretadas e aplicadas. Este sistema estabelece padrões de comportamento por
meio de legislações, regulamentos e diretrizes, contando com instituições e processos
específicos para garantir a manutenção da ordem.

Dentro deste contexto, o conceito de risco-país desempenha um papel significativo, referindo-se


à probabilidade de um país interferir negativamente nas operações comerciais ou nos
investimentos. Este risco pode ser desencadeado por uma série de fatores, incluindo políticas
governamentais, estruturas legais, e condições econômicas e sociais.

Para Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010, 149 p.), risco-país refere-se:

"à exposição a uma perda em potencial ou a efeitos adversos sobre as operações e a


lucratividade de uma empresa causados por desdobramentos no ambiente político e/ou legal de
um país."

Para Keegan (2005), o risco-país é uma medida usada para avaliar o nível de risco que um
investidor pode enfrentar ao investir em um país específico. Este risco pode ser influenciado por
uma variedade de fatores, incluindo a estabilidade política e econômica do país, a eficácia do seu
sistema legal, e o nível de intervenção governamental na economia.

Segundo Ludovico (2022), os sistemas políticos e legais de um país são fundamentais para
determinar o nível de risco-país. Sistemas políticos variam desde democracias, onde há um alto
grau de transparência e responsabilidade governamental, até regimes autoritários, onde o poder
é concentrado e as decisões políticas podem ser imprevisíveis. Sistemas legais também variam,
com alguns oferecendo forte proteção aos direitos de propriedade e contratos, enquanto outros
podem ser menos confiáveis ou mais sujeitos a mudanças abruptas.

Segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), os riscos podem ser de origem político ou legal,
vamos conhecer esses riscos:

Riscos Produzidos pelo Sistema Político


Controle Governamental de Ativos Corporativos: Governos podem intervir nos ativos
corporativos de duas formas principais: confisco e expropriação. O confisco é a
apreensão de ativos estrangeiros sem compensação, enquanto a expropriação ocorre
com alguma forma de compensação. Além disso, a nacionalização, que é a
transferência do controle de um setor econômico inteiro para o Estado, com ou sem
compensação, também é uma prática relevante.
Embargos e Sanções: Apesar da maioria dos países participar de tratados e acordos
internacionais que estabelecem regras para o comércio, governos podem impor
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unilateralmente sanções e embargos em resposta a ações consideradas ofensivas


por nações estrangeiras. As sanções são vetos ao comércio internacional, e os
embibições específicas de exportações ou importações de bens ou de certos modos
de transporte com determinados países. Geralmente, embargos são aplicados em
tempos de guerra ou em períodos de tensão internacional, resultando em
regulamentações que proíbem o comércio com certos países.
Boicotes Contra Empresas ou Nações: Consumidores e grupos de interesse podem,
por vezes, direcionar boicotes a empresas que acreditam ser prejudiciais aos
interesses locais, recusando-se a fazer negócios com elas. Esses boicotes, assim
como protestos públicos, podem resultar em perda de vendas e aumento dos custos
de relações públicas para as empresas visadas.
Guerra, Insurreição e Revolução: Conflitos como guerras, insurreições e revoluções
podem não afetar diretamente as empresas, mas seus efeitos indiretos podem ser
devastadores para as operações comerciais.
Terrorismo: Caracteriza-se pelo uso ou ameaça de violência para atingir objetivos
políticos, criando um clima de medo e intimidação. O terrorismo pode desencadear
uma retração no consumo, potencialmente levando a recessões econômicas, e afeta
especialmente setores como hotelaria, aviação, entretenimento e varejo, além de
impactar os mercados financeiros.
Riscos Produzidos pelo Sistema Legal
Leis de Investimento Estrangeiro: Estas legislações influenciam diretamente as
estratégias de entrada e operação das empresas no mercado internacional, bem
como seu desempenho geral. Várias nações adotam medidas restritivas quanto ao
ingresso de investimento direto estrangeiro (IDE), limitando as opções disponíveis
para as empresas que buscam expandir suas operações nesses países.
Controles sobre formas e práticas de operação: Os governos estabelecem uma série
de leis e regulamentos que definem como as empresas devem realizar suas
atividades de produção, marketing e distribuição em seu território.
Leis de marketing e distribuição: Estas leis estabelecem as normas aceitáveis para
publicidade, promoção e distribuição de produtos. Em diversos países, existem
limites estabelecidos para o preço de itens essenciais, como alimentos e serviços de
saúde, influenciando diretamente as estratégias de marketing e a margem de lucro
das empresas. Além
Leis de repatriação de lucro: Empresas multinacionais, ao operarem em diferentes
nações, geralmente visam transferir seus lucros de volta para seus países de origem.
No entanto, existem situações em que governos impõem regulamentações que
limitam ou condicionam essa transferência de fundos internacionais.
Leis ambientais: Os governos formulam legislações com o objetivo de proteger os
recursos naturais e combater a degradação ambiental. Estas leis são essenciais para
minimizar a poluição do ar, solo e água, além de serem fundamentais na garantia da
saúde pública e segurança ambiental.
Leis Contratuais: As leis contratuais são essenciais no ambiente de negócios globais,
pois estabelecem os direitos, deveres e obrigações das partes em transações
internacionais. As categorias de transações comercial são (a) venda de Bens ou
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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Serviços; (b) Distribuição dos produtos de uma empresa por meio de distribuidores
estrangeiros; (c) licenciamento e franquia; (d) Investimento Direto Estrangeiro (IDE);
(e) joint ventures ou outras categorias de cooperação internacional.
Regulamentações de Internet e comércio eletrônico: Os contratos internacionais são
complexos e regidos por uma variedade de leis locais. Além disso, as
regulamentações em torno do comércio eletrônico estão em constante evolução,
apresentando um campo minado potencial para as empresas que operam online.

Leis de Investimento Estrangeiro: Estas legislações influenciam diretamente as estratégias


de entrada e operação das empresas no mercado internacional, bem como seu
desempenho geral. Várias nações adotam medidas restritivas quanto ao ingresso de
investimento direto estrangeiro (IDE), limitando as opções disponíveis para as empresas
que buscam expandir suas operações nesses países.
Controles sobre formas e práticas de operação: Os governos estabelecem uma série de leis
e regulamentos que definem como as empresas devem realizar suas atividades de
produção, marketing e distribuição em seu território.
Leis de marketing e distribuição: Estas leis estabelecem as normas aceitáveis para
publicidade, promoção e distribuição de produtos. Em diversos países, existem limites
estabelecidos para o preço de itens essenciais, como alimentos e serviços de saúde,
influenciando diretamente as estratégias de marketing e a margem de lucro das empresas.
Além
Leis de repatriação de lucro: Empresas multinacionais, ao operarem em diferentes nações,
geralmente visam transferir seus lucros de volta para seus países de origem. No entanto,
existem situações em que governos impõem regulamentações que limitam ou
condicionam essa transferência de fundos internacionais.
Leis ambientais: Os governos formulam legislações com o objetivo de proteger os recursos
naturais e combater a degradação ambiental. Estas leis são essenciais para minimizar a
poluição do ar, solo e água, além de serem fundamentais na garantia da saúde pública e
segurança ambiental.
Leis Contratuais: As leis contratuais são essenciais no ambiente de negócios globais, pois
estabelecem os direitos, deveres e obrigações das partes em transações internacionais. As
categorias de transações comercial são (a) venda de Bens ou Serviços; (b) Distribuição dos
produtos de uma empresa por meio de distribuidores estrangeiros; (c) licenciamento e
franquia; (d) Investimento Direto Estrangeiro (IDE); (e) joint ventures ou outras categorias de
cooperação internacional.
Regulamentações de Internet e comércio eletrônico: Os contratos internacionais são
complexos e regidos por uma variedade de leis locais. Além disso, as regulamentações em
torno do comércio eletrônico estão em constante evolução, apresentando um campo
minado potencial para as empresas que operam online.

O risco-país, seja ele derivado de sistemas políticos ou legais, requer uma análise cuidadosa e
uma gestão estratégica por parte das empresas que operam internacionalmente. A compreensão
aprofundada desses riscos e a adaptação às realidades políticas e legais locais são
fundamentais para o sucesso e sustentabilidade no cenário global de negócios.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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Vamos Exercitar?
O ambiente econômico global afeta as estratégias de negócios internacionais de várias
maneiras, incluindo a determinação de mercados-alvo, a gestão de riscos cambiais e a
adaptação a diferentes ciclos econômicos. Empresas que atuam internacionalmente precisam
considerar fatores como taxas de câmbio, inflação, taxas de juros, e o PIB dos países em que
desejam operar. Essas variáveis econômicas influenciam as decisões sobre onde investir, que
produtos lançar e como precificar esses produtos para diferentes mercados. Além disso,
entender o ambiente econômico ajuda as empresas a se prepararem para flutuações
econômicas e a aproveitar oportunidades de crescimento em mercados emergentes.

O ambiente social e cultural exerce um impacto significativo nas operações e na comunicação de


empresas internacionais. Cada cultura tem seus próprios valores, crenças, práticas de negócios e
preferências de consumo. As empresas precisam adaptar suas estratégias de marketing,
comunicação e gestão para respeitar e atender a essas diferenças culturais. Isso pode envolver a
adaptação de produtos ou serviços para atender às expectativas locais, o uso de estratégias de
comunicação que ressoem com o público local e a implementação de práticas de gestão que se
alinhem com a cultura corporativa local. Ignorar as nuances culturais pode levar a mal-
entendidos, conflitos e até mesmo ao fracasso do negócio em um novo mercado.

O ambiente político e legal é crucial para a gestão de riscos e a conformidade regulatória, pois as
leis e regulamentos variam significativamente entre países. As empresas internacionais devem
estar cientes das leis de comércio, normas de importação e exportação, leis trabalhistas,
regulamentações de proteção ao consumidor e leis de propriedade intelectual nos países em que
operam. A estabilidade política de um país também pode afetar as operações de negócios, pois
mudanças políticas podem levar a alterações nas políticas comerciais, riscos de expropriação e
flutuações na economia. As empresas devem, portanto, realizar avaliações de risco político e
legal detalhadas antes de entrar em novos mercados e continuar monitorando esses ambientes
para adaptar suas estratégias conforme necessário e garantir a conformidade.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo “Comércio internacional e crescimento econômico: uma análise


considerando os setores e a assimetria de crescimento dos estados”, para ampliar os
conhecimentos sobre as variáreis econômicas que afetam o comércio e os negócios
internacionais.

Indico a leitura do artigo “Interação entre comércio internacional e meio ambiente”, para
conhecer mais sobre o impacto do meio ambiente nos negócios.

Recomendo o filme “Hacker”: é um thriller sobre cibersegurança que envolve crimes cibernéticos
e suas implicações no comércio e na segurança internacional.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Referências

CATEORA, Philip R.; GILLY, Marcy C.; GRAHAM, John L. Marketing internacional. 15ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2013. 661 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

CZINKOTA, Michael R.; RONKAINEN, Ilkka A. Marketing Internacional: 8ª Ed. São Paulo: Cengage
Learning, 2008. 626 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

JUNIOR, Amadeu N. Marketing internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2004. 350 p.

KEEGAN, Warren Joseph. Marketing global. 7ª. ed. São Paulo, SP: Pearson, 2005. 448 p.

KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, planejamento, implementação e controle.


2ª ed. São Paulo: Pearson Pretince Hall, 2004. 730 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15ª. ed. São Paulo: Pearson,
2019. 874 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane; CHERNEV, Alexander. Administração de marketing. 16. ed.
Porto Alegre, RS: Grupo A, 2024. 669 p.

LAS CASAS, A. L. Administração de marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade


brasileira. São Paulo: Atlas, 2008. 544 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Mercados e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2012. 120 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 2021. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.


Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Aula 5
Encerramento da Unidade

Videoaula de Encerramento

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Olá, estudante!
Nesta videoaula, você irá explorar o universo das Finanças Internacionais e o Ambiente de
Negócios Globais, abordando temas cruciais como Pagamentos Internacionais, Balança de
Pagamentos, Mercado de Câmbio, Taxa de Câmbio, Arbitragem, Swaps, Derivativos e Hedge,
além de uma visão geral sobre o Mercado Internacional e o Ambiente Internacional de Negócios.
Este conteúdo é essencial para a sua prática profissional, fornecendo as ferramentas
necessárias para entender e atuar efetivamente no dinâmico mercado global. Prepare-se para
ampliar seus conhecimentos e aplicá-los no mundo dos negócios internacionais.
Vamos lá!

Ponto de Chegada

Olá, estudante! Para desenvolver a competência nesta Unidade, que visa capacitar você a
analisar e gerenciar riscos financeiros associados a transações internacionais, entender os
efeitos das taxas de câmbio e flutuações cambiais nas finanças corporativas, e avaliar como
fatores globais impactam as estratégias financeiras das empresas em um ambiente
internacional de negócios, é crucial adquirir conhecimento em Finanças Internacionais e
compreender o Ambiente de Negócios Globais. Este processo de aprendizado permitirá que você
tome decisões financeiras sólidas e estratégicas em um cenário globalizado.

Primeiramente, a seção "Pagamentos Internacionais e Balança de Pagamentos" aborda


conteúdos essenciais como Pagamento Antecipado, Remessa sem Saque, Cobrança
Documentária, Carta de Crédito, e os Conceitos do Balanço de Pagamentos e suas subdivisões
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

em Conta Corrente, Conta Capital e Conta Financeira. Este módulo é fundamental para
compreender as operações e os instrumentos financeiros utilizados em transações
internacionais, além de oferecer uma visão clara sobre como os países e as empresas registram
suas transações econômicas com o resto do mundo, um conhecimento crucial para a gestão de
riscos financeiros em operações internacionais.

Em seguida, na seção "Mercado de Câmbio e Taxa de Câmbio, Arbitragem, Swaps, Derivativos e


Hedge", estudamos o funcionamento do Mercado de Câmbio e Contrato de Câmbio, os Conceitos
de Taxa de Câmbio, os Regimes Cambiais, e os mecanismos de Arbitragem, Swaps, Derivativos e
Hedge. Esses conteúdos são vitais para entender como as flutuações cambiais afetam as
finanças corporativas e como utilizar instrumentos financeiros para proteger as empresas contra
esses riscos.

A seção "Mercado Internacional" explora as Estratégias Genéricas de internacionalização, como


a Estratégia de Replicação Doméstica, Estratégia Multidoméstica, Estratégia Global e Estratégia
Transnacional. Este conhecimento é indispensável para compreender como as empresas podem
expandir suas operações internacionalmente, adaptando suas estratégias para maximizar sua
eficácia em diferentes ambientes globais.

Na seção "Ambiente Internacional de Negócios", discutimos os diferentes ambientes que


impactam os negócios globais: Econômico, Social e Cultural, além do Político e Legal.
Compreender estes ambientes é fundamental para avaliar como fatores globais influenciam as
estratégias financeiras das empresas e para tomar decisões informadas em um contexto
internacional.

Todos os conteúdos abordados são integrados para formar uma base sólida de conhecimento
em Finanças Internacionais e Ambiente de Negócios Globais. Essa base é essencial para
desenvolver a competência de analisar e gerenciar riscos financeiros, compreender os efeitos
das taxas de câmbio e flutuações cambiais, e avaliar o impacto dos fatores globais nas
estratégias financeiras das empresas, capacitando você a tomar decisões estratégicas em um
ambiente de negócios internacional.

Como as estratégias de hedge podem proteger as empresas contra flutuações cambiais


adversas?
De que maneira o entendimento do Balanço de Pagamentos de um país pode influenciar
decisões de investimento internacional?
Qual a importância de adaptar estratégias de negócios para diferentes ambientes culturais
e legais ao expandir operações internacionalmente?

É Hora de Praticar!
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A Calçados Global S.A. é uma renomada fabricante de calçados situada no Brasil, conhecida por
sua qualidade excepcional e design inovador. Recentemente, a empresa decidiu expandir suas
operações para o mercado europeu, um passo ambicioso que promete abrir novos horizontes e
oportunidades de crescimento. Como parte da equipe de estratégia financeira internacional da
empresa e você tem um papel crucial nesta expansão.
A primeira etapa desse processo envolveu a análise detalhada da Balança de Pagamentos da
União Europeia, buscando entender as tendências de importação e exportação, bem como a
posição financeira do bloco. A Calçados Global S.A. optou por um modelo de entrada no
mercado que combina Estratégias Multidomésticas e Globais, adaptando seus produtos às
preferências locais, ao mesmo tempo em que mantém a eficiência global em operações e
produção.
No entanto, a empresa enfrenta desafios significativos relacionados às flutuações cambiais. O
euro tem sido particularmente volátil, o que afeta diretamente os custos de importação de
matérias-primas e os preços de venda no mercado europeu. Para mitigar esses riscos, a empresa
está considerando o uso de instrumentos financeiros como futuros, swaps e opções de câmbio,
mas a decisão final requer uma análise aprofundada e estratégica.
Além disso, a complexidade do ambiente de negócios internacional, com suas diversas variáveis
econômicas, sociais, culturais, políticas e legais, exige que a Calçados Global S.A. esteja
constantemente avaliando e ajustando suas estratégias. Isso inclui o entendimento profundo das
regulamentações de comércio e tarifas na União Europeia, bem como as práticas culturais que
podem influenciar as preferências de compra dos consumidores.

Diante deste cenário, três questões emergem como fundamentais para o sucesso da expansão
da Calçados Global S.A. no mercado europeu:

Como a empresa pode utilizar os instrumentos de hedge cambial para proteger-se contra
as flutuações adversas do euro, considerando as operações de importação de matérias-
primas e as vendas de calçados no mercado europeu?
De que maneira a análise do Balanço de Pagamentos da União Europeia pode auxiliar a
Calçados Global S.A. na tomada de decisões estratégicas sobre investimentos e
financiamentos no mercado europeu?
Qual estratégia a Calçados Global S.A. deve adotar para adaptar seus produtos e operações
às variáveis culturais, políticas e legais do mercado europeu, garantindo o sucesso de sua
expansão internacional?
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Você, como parte da equipe, tem a responsabilidade de abordar essas questões, utilizando os
conhecimentos adquiridos em Finanças Internacionais e Comércio e Negócios Internacionais,
para desenvolver soluções estratégicas que garantam o sucesso da Calçados Global S.A. neste
novo empreendimento.

No contexto de expansão da Calçados Global S.A. para o mercado europeu, a habilidade de


navegar com destreza pelas complexidades das finanças internacionais e do ambiente de
negócios global é fundamental. Este desafio demanda não apenas um entendimento teórico dos
conceitos de comércio internacional, mas também a aplicação prática desses conhecimentos
para tomar decisões estratégicas informadas. A capacidade de analisar e gerenciar riscos
financeiros, compreender as nuances das taxas de câmbio e suas flutuações, bem como avaliar
o impacto de fatores globais nas estratégias financeiras, é crucial para o sucesso no cenário
internacional.
Neste cenário, a Calçados Global S.A. enfrenta desafios relacionados à volatilidade cambial, à
necessidade de adaptação aos mercados locais e ao entendimento do ambiente de negócios
internacional. As questões levantadas destacam áreas críticas para a expansão bem-sucedida da
empresa na União Europeia: a gestão do risco cambial, a importância da análise do Balanço de
Pagamentos e a adaptação estratégica às variáveis culturais, políticas e legais.
Para resolver o primeiro desafio, a utilização de instrumentos de hedge cambial, como futuros,
swaps e opções de câmbio, é uma estratégia viável. Esses instrumentos podem ser empregados
para fixar as taxas de câmbio para transações futuras, protegendo a empresa contra movimentos
adversos do euro. Por exemplo, contratos futuros de câmbio podem ser usados para garantir
uma taxa fixa para a compra de matérias-primas, enquanto opções de câmbio podem oferecer
flexibilidade para lidar com as flutuações cambiais nas receitas de vendas. A chave é uma
análise cuidadosa do custo desses instrumentos versus os benefícios da proteção cambial,
equilibrando a exposição ao risco com o potencial impacto nos lucros.
Em relação ao Balanço de Pagamentos da União Europeia, uma análise profunda pode revelar
tendências de importação e exportação, além de fornecer insights sobre a saúde econômica do
bloco. Esta informação é valiosa para a tomada de decisão sobre onde investir e como financiar
esses investimentos. Por exemplo, um déficit em conta corrente pode indicar uma maior
demanda por produtos importados, sugerindo uma oportunidade para a Calçados Global S.A.
Além disso, entender a conta financeira pode ajudar a empresa a identificar as melhores opções
de financiamento disponíveis no mercado europeu.
Quanto à adaptação aos mercados locais, a empresa deve considerar não apenas as diferenças
culturais que influenciam as preferências dos consumidores, mas também as regulamentações
locais e as barreiras comerciais. Isso pode envolver ajustes no design dos produtos para atender
às expectativas dos consumidores europeus ou alterações nas estratégias de marketing. A
colaboração com parceiros locais pode oferecer insights valiosos e facilitar a navegação pelo
ambiente político e legal.
Embora estas soluções abordem os desafios imediatos enfrentados pela Calçados Global S.A., é
importante reconhecer que o cenário internacional está em constante evolução. Portanto, a
empresa deve manter uma postura proativa, continuamente revisando e ajustando suas
estratégias para permanecer competitiva. Este estudo de caso ilustra a importância de uma
abordagem holística e adaptativa no comércio internacional, enfatizando a necessidade de uma
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compreensão profunda tanto dos instrumentos financeiros quanto dos aspectos culturais e
regulatórios dos mercados globais.

As estratégias de expansão no mercado internacional referem-se ao conjunto de táticas e


abordagens que as empresas adotam para entrar e crescer em mercados fora de seus países de
origem. Este tema abrange uma ampla gama de ações, desde a pesquisa de novos mercados,
seleção de países-alvo, adaptação de produtos e serviços às necessidades e preferências locais,
até a implementação de estratégias de entrada específicas, como exportação, joint ventures,
franquias, ou estabelecimento de subsidiárias integrais. A expansão internacional é motivada
pela busca de novas oportunidades de mercado, diversificação de riscos e aproveitamento de
economias de escala. Com o avanço da globalização e o aumento da conectividade global, as
estratégias de expansão internacional tornaram-se centrais para o crescimento e a
sustentabilidade das empresas em diversos setores.
Linha do Tempo das Estratégias de Expansão no Mercado Internacional

Década de 1950 e 1960: Início da era moderna da globalização, com empresas


principalmente dos EUA e Europa expandindo internacionalmente através de exportações e
investimentos diretos no exterior. A ênfase estava na exportação de produtos e na
exploração de mercados pouco atendidos.
Década de 1970: Crescimento das estratégias de diferenciação de produtos e adaptação ao
mercado local para atender às necessidades específicas dos consumidores em diferentes
países. Surgimento de acordos de licenciamento e franchising como formas populares de
entrada em mercados internacionais sem grandes investimentos em ativos fixos.
Década de 1980: Aumento da integração global e do comércio internacional levou a uma
maior ênfase nas joint ventures e alianças estratégicas, permitindo às empresas
compartilhar riscos e aproveitar o conhecimento local. Início da era da globalização
financeira, facilitando o investimento direto estrangeiro.
Década de 1990: Consolidação da globalização com a queda das barreiras comerciais e o
desenvolvimento tecnológico, especialmente em comunicação e transporte. As empresas
começaram a adotar estratégias de "globalização", buscando eficiência global, enquanto
adaptavam suas ofertas a mercados locais.
Anos 2000 até o presente: A digitalização transformou as estratégias de expansão
internacional, com o e-commerce e as plataformas digitais permitindo às empresas entrar
em novos mercados com rapidez e eficiência reduzida. Crescimento dos mercados
emergentes como destinos de investimento preferenciais. A sustentabilidade e a
responsabilidade social corporativa tornam-se elementos integrantes das estratégias de
expansão internacional.

2020 em diante: A pandemia de COVID-19 destacou a importância da resiliência da cadeia de


suprimentos e acelerou a tendência de digitalização e comércio eletrônico. As empresas estão
reavaliando suas estratégias de expansão internacional, com um foco renovado na diversificação
geográfica para mitigar riscos e na adaptação rápida às mudanças nas condições de mercado. A
expansão internacional está cada vez mais alinhada com estratégias de sustentabilidade e
inovação digital.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

APPLEYARD, Dennis R.; JR., Alfred F.; COBB, Steven L.; et al. Economia Internacional. 6ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2010. 828 p.
BORGES, Joni Tadeu. Câmbio: mercado e prática. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2018.
BORGES, Joni Tadeu. Financiamento ao comércio exterior: o que uma empresa precisa saber.
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Disponível em: [Link]
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CAPARROZ, Roberto. Esquematizado - Comércio Internacional e Legislação Aduaneira. 8ª ed. São
Paulo: SaraivaJu, 2022. 105 p.
CATEORA, Philip R.; GILLY, Marcy C.; GRAHAM, John L. Marketing internacional. 15ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2013. 661 p.
CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e
novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.
CZINKOTA, Michael R.; RONKAINEN, Ilkka A. Marketing Internacional: 8ª Ed. São Paulo: Cengage
Learning, 2008. 626 p.
FONTES, Kleber. Exportação descomplicada. São Paulo: Labrador, 2020. 240 p.
Fundo Monetário Internacional - FMI. International Monetary Fund: Balance of payments and
international investment position manual. Washington, DC: International Monetary Fund, 2009.
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GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.
JAIME, Arciniegas. Comercio internacional para Latinoamérica (SIL). Bogotá]: ECOE Ediciones
LTDA, 2018. 289 p.
JUNIOR, Amadeu N. Marketing internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2004. 350 p.
KEEGAN, Warren Joseph. Marketing global. 7ª. ed. São Paulo, SP: Pearson, 2005. 448 p.
KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, planejamento, implementação e controle.
2ª ed. São Paulo: Pearson Pretince Hall, 2004. 730 p.
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15ª. ed. São Paulo: Pearson,
2019. 874 p.
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane; CHERNEV, Alexander. Administração de marketing. 16. ed.
Porto Alegre, RS: Grupo A, 2024. 669 p.
KRUGMAN, P. R.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M. J. Economia internacional: teoria e política. 12ª. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2023. 803 p.
LAS CASAS, A. L. Administração de marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade
brasileira. São Paulo: Atlas, 2008. 544 p.
LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.
LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.
LUDOVICO, Nelson. Mercados e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2012. 120 p.
MENDES, Giselly Santos. Fundamentos de comércio exterior: termos técnicos. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2022. 223 p.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 2021. 203 p.
NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.
PAIVA, Donizetti Leônidas de; MARQUEZINI, Simone Vilela F.; PASSANEZI, Paula Meyer S.; et al.
Economia Internacional - 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 240 p.
PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.
SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.
SILVA, Rodolfo dos Santos. Espaço geográfico, economia e comércio internacional. São Paulo:
Contentus, 2021.109 p.
SOUSA, José Meireles de. Gestão financeira do comércio exterior. v.5. São Paulo: Saraiva, 2010.
67 p.
TRIPOLI, Angela Cristina Kochinski; PRATES, Rodolfo Coelho. Comércio internacional: teoria e
prática. Curitiba: Intersaberes, 2016. 332 p.
,

Unidade 4
Marketing e Logística Internacional

Aula 1
Segmentação e Posicionamento Internacional

Segmentação e Posicionamento Internacional

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Nesta videoaula, você vai descobrir as "Intersecções Financeiras: Segmentação e
Posicionamento Internacional", abordando temas cruciais como marketing internacional,
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segmentação de mercado global e posicionamento de marca. Este conteúdo é essencial para


sua prática profissional, pois oferece conhecimento fundamental para entender como as marcas
se posicionam e alcançam sucesso em um mercado globalizado. Você aprenderá a aplicar
estratégias eficazes de segmentação e a criar um posicionamento de marca sólido que ressoe
com públicos internacionais. Prepare-se para agregar valor à sua carreira!
Vamos lá!

Ponto de Partida

Seja bem-vindo à aula sobre "Segmentação e Posicionamento Internacional". Esta aula é


desenhada para oferecer uma compreensão profunda sobre como as empresas globais
identificam seus mercados-alvo e se posicionam de forma competitiva em diferentes regiões do
mundo. Com foco em marketing internacional, segmentação de mercado global e
posicionamento de marca, os temas abordados são vitais para quem deseja se destacar na
prática de negócios internacionais, fornecendo as ferramentas necessárias para desenvolver
estratégias eficazes que respondam às dinâmicas complexas dos mercados globais.

Durante a aula, três perguntas fundamentais orientarão o debate e a reflexão crítica. Primeiro,
como as empresas podem adaptar suas estratégias de marketing para atender às necessidades
específicas de diferentes mercados internacionais? Esta questão é crucial para compreender a
importância da pesquisa de mercado e da análise cultural na segmentação efetiva. Em segundo
lugar, qual a melhor maneira de uma marca se posicionar em mercados estrangeiros,
considerando as variáveis locais e a concorrência existente? Esta pergunta destaca a
necessidade de estratégias de posicionamento que ressoem com os valores e expectativas dos
consumidores locais. Por último, de que maneira a segmentação e o posicionamento
internacional influenciam a percepção da marca e o seu sucesso em mercados globais? Este
ponto chama a atenção para o impacto de longo prazo das decisões de marketing na construção
da imagem da marca e na fidelização de clientes ao redor do mundo.

Aprofundar-se nesses tópicos não apenas enriquecerá seu conhecimento teórico, mas também
aprimorará suas habilidades práticas em negócios internacionais. Estude com empenho.

Boa aula!

Vamos Começar!

O marketing é essencial vital tanto para o contexto doméstico quanto para o internacional, ainda
que as práticas e estratégias variem significativamente entre esses dois campos. Segundo Kotler
e Keller (2019), no marketing doméstico, as empresas se concentram em atender às
necessidades e desejos dos consumidores dentro de um único país. Esta abordagem é muitas
vezes marcada por uma compreensão profunda do ambiente cultural, político, econômico e legal
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local. As empresas podem aproveitar esse conhecimento intrínseco para criar ofertas de valor
que se alinham estreitamente com as expectativas dos clientes locais. A proximidade com o
mercado permite uma resposta rápida às mudanças nas preferências dos consumidores e
dinâmicas do mercado.

Segundo Kotler e Keller (2019), o marketing internacional exige que as empresas transcendam as
fronteiras nacionais e se adaptem a múltiplos ambientes externos, cada um com seu próprio
conjunto de desafios e oportunidades. As empresas devem ser sensíveis às diferenças culturais,
sociais, legais e econômicas que existem entre os países. Isso pode significar alterar aspectos
do produto, ajustar estratégias de comunicação para diferentes idiomas e normas culturais, e
navegar por sistemas legais e regulatórios variados. Além disso, as empresas enfrentam o
desafio de operar em várias moedas, com riscos associados às flutuações das taxas de câmbio.

De acordo com Kotler (2004), o marketing internacional apresenta um conjunto de desafios que
exigem decisões estratégicas criteriosas. Cada uma das cinco decisões descritas é um passo
essencial na criação de uma estratégia de marketing internacional sólida e eficaz.

Decisão de Expansão Internacional: A primeira e mais fundamental decisão é o


compromisso da empresa com a internacionalização. Isso envolve não apenas o
reconhecimento das oportunidades além das fronteiras nacionais, mas também a vontade
e a determinação de adaptar a empresa a novos mercados. A administração deve estar
completamente engajada, comprometida e pronta para alocar recursos para as iniciativas
internacionais. O sucesso nesta fase depende da capacidade da empresa de entender a
complexidade de operar em ambientes diversos e muitas vezes voláteis.
Seleção de Mercados e Definição de Objetivos: Após o compromisso com a
internacionalização, a empresa precisa decidir quais mercados deseja entrar. Essa decisão
estratégica envolve a análise de mercado, avaliação de riscos e oportunidades e definição
de objetivos claros e mensuráveis. A escolha dos mercados deve considerar fatores como
tamanho, potencial de crescimento, acesso e compatibilidade com os objetivos de longo
prazo da empresa. A sequência e os prazos para entrar nesses mercados também devem
ser cuidadosamente planejados para alinhar com a estratégia geral da empresa.
Modos de Entrada: A terceira decisão estratégica refere-se à escolha do modo de entrada
nos mercados internacionais selecionados. Esta decisão deve considerar os recursos
disponíveis, tanto humanos quanto materiais, e pode variar desde exportações diretas e
indiretas até joint ventures, franquias e subsidiárias totalmente operacionais. Cada modo
de entrada tem suas próprias implicações em termos de custo, controle, risco e retorno
potencial.
Desenvolvimento do Programa de Marketing: A quarta decisão abrange o programa de
marketing, que deve ser adaptado às necessidades e características de cada mercado
internacional. Isso envolve decisões sobre a oferta de produtos, preços, canais de
distribuição e estratégias de comunicação. Um mix de marketing internacional eficaz
considerará as diferenças culturais, econômicas e regulatórias entre os mercados e
buscará a melhor maneira de posicionar a marca e os produtos da empresa para atingir o
público-alvo.
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Organização de Marketing Internacional: Por fim, as empresas devem decidir sobre a


estrutura organizacional de marketing que irá suportar suas operações internacionais. Isso
inclui a escolha de um sistema de controle das transações que seja eficiente e eficaz. A
estrutura escolhida deve permitir a coordenação e a integração das atividades de marketing
em diferentes mercados, garantindo que os padrões da empresa sejam mantidos, enquanto
se permite flexibilidade suficiente para adaptar-se às exigências locais.

Essas decisões estratégicas não são isoladas; elas são interdependentes e devem ser tomadas
considerando-se o quadro geral da estratégia de negócios da empresa. Uma abordagem holística
e integrada é necessária para garantir que as operações internacionais apoiem os objetivos
globais da empresa e gerem vantagem competitiva sustentável.

Siga em Frente...

Segmentação de Mercado global


A segmentação de mercado é uma prática essencial em marketing, caracterizada pela divisão de
um mercado amplo e diversificado em subgrupos de consumidores com necessidades, desejos e
comportamentos de compra similares. Conforme descrito por Keegan (2005, p. 157).

O processo de subdividir um mercado em vários subconjuntos de clientes que se comportam de


maneira semelhante ou tenham necessidades similares. Cada subconjunto pode ser escolhido
como um alvo de mercado a ser atingido com uma estratégia específica de marketing. O
processo começa com uma base de segmentação — um fator específico ao produto que reflita
as diferenças de exigências ou de resposta às variáveis de marketing por parte dos clientes.
Como exemplos de variáveis de segmentação, podemos citar: comportamento de compra, uso,
benefícios pretendidos, intenções, preferências ou fidelidade.

No contexto internacional, a segmentação de mercado assume uma complexidade adicional.


Para Cateora, Gilly e Graham (2013), as empresas que buscam operar globalmente devem
identificar e categorizar potenciais clientes em diferentes países ou regiões, considerando
critérios que refletem as similaridades e diferenças entre eles. A meta é desenvolver estratégias
de marketing que sejam sensíveis e respondam efetivamente às variadas necessidades e
preferências dos grupos de consumidores internacionais. Ao contrário da segmentação no
mercado doméstico, que pode se concentrar em variáveis mais homogêneas, a segmentação de
mercado global requer uma compreensão profunda das nuances culturais, econômicas, políticas
e legais que diferenciam os países e regiões, garantindo uma abordagem mais personalizada e
eficaz. Segundo Keegan (2005), os tipos de segmentação são:

Segmentação Geográfica: Divide o mercado com base na localização física dos


consumidores. Esta segmentação pode ser por países, regiões, cidades ou até mesmo
bairros.
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Exemplo: A McDonald's é uma empresa que pratica segmentação geográfica ao


oferecer menus que se adaptam às preferências culinárias locais. Por exemplo, na
Índia, onde uma grande parte da população não come carne de vaca por razões
religiosas, a McDonald's oferece o Maharaja Mac feito de frango ou vegetariano.
Segmentação Demográfica: Segmenta consumidores com base em variáveis demográficas
mensuráveis, como idade, gênero, renda, nível de educação e tamanho da família.
Exemplo: A Toyota utiliza a segmentação demográfica para comercializar diferentes
modelos de carros. O Toyota Prius é frequentemente comercializado para
consumidores mais conscientes do meio ambiente, que tendem a ser de faixas
etárias médias e com renda média a alta.
Segmentação Psicográfica: Divide o mercado com base no estilo de vida, personalidade,
valores e atitudes dos consumidores.
Exemplo: A Nike segmenta seus clientes por atitude e estilo de vida, focando em
consumidores que valorizam o fitness e um estilo de vida ativo. Suas campanhas de
marketing muitas vezes refletem um espírito de determinação e realização pessoal.
Segmentação por Comportamento: Baseia-se no comportamento do consumidor em
relação ao produto, incluindo conhecimento do produto, uso do produto, resposta ao
produto e atitude em relação ao produto.
Exemplo: A Netflix segmenta seus usuários com base em seus hábitos de
visualização e preferências, recomendando programas e filmes com base no
comportamento anterior de visualização de cada usuário.
Segmentação por Benefícios: Segmenta os consumidores com base nos benefícios
específicos que procuram em um produto ou serviço.
Exemplo: A Procter & Gamble (P&G) oferece uma gama de detergentes que são
segmentados com base nos benefícios que os consumidores buscam, como
sensibilidade da pele (Dreft), limpeza poderosa (Tide) ou preço acessível (Gain).
Segmentação Horizontal versus Vertical: A segmentação horizontal atende a uma ampla
gama de consumidores com uma necessidade específica, enquanto a segmentação
vertical foca em um grupo específico de consumidores com várias necessidades
relacionadas a uma área específica.
Exemplo Horizontal: A Microsoft oferece seu pacote Office para uma ampla gama de
consumidores e empresas, independentemente do setor, focando na necessidade de
produtividade e processamento de dados.
Exemplo Vertical: A Salesforce oferece soluções de CRM (Customer Relationship
Management) que são adaptadas para indústrias específicas, como saúde, finanças e
varejo, atendendo a várias necessidades dentro desses setores verticais.

Exemplo: A Toyota utiliza a segmentação demográfica para comercializar diferentes


modelos de carros. O Toyota Prius é frequentemente comercializado para consumidores
mais conscientes do meio ambiente, que tendem a ser de faixas etárias médias e com
renda média a alta.

Exemplo: A Nike segmenta seus clientes por atitude e estilo de vida, focando em
consumidores que valorizam o fitness e um estilo de vida ativo. Suas campanhas de
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marketing muitas vezes refletem um espírito de determinação e realização pessoal.

Exemplo: A Netflix segmenta seus usuários com base em seus hábitos de visualização e
preferências, recomendando programas e filmes com base no comportamento anterior de
visualização de cada usuário.

Exemplo: A Procter & Gamble (P&G) oferece uma gama de detergentes que são
segmentados com base nos benefícios que os consumidores buscam, como sensibilidade
da pele (Dreft), limpeza poderosa (Tide) ou preço acessível (Gain).

Exemplo Horizontal: A Microsoft oferece seu pacote Office para uma ampla gama de
consumidores e empresas, independentemente do setor, focando na necessidade de
produtividade e processamento de dados.
Exemplo Vertical: A Salesforce oferece soluções de CRM (Customer Relationship
Management) que são adaptadas para indústrias específicas, como saúde, finanças e
varejo, atendendo a várias necessidades dentro desses setores verticais.

Esses métodos de segmentação permitem que as empresas com negócios internacionais


atendam eficientemente às necessidades de seus clientes em diferentes mercados, otimizando
seus produtos, serviços e estratégias de marketing para grupos específicos, melhorando assim a
satisfação do cliente e maximizando o retorno sobre o investimento em marketing.

Posicionamento de marca
O posicionamento de marca no âmbito internacional é uma prática estratégica de marketing que
envolve a criação de uma identidade de marca distinta em vários mercados ao redor do mundo.
Segundo Lima (2015), o posicionamento de uma marca no cenário internacional é um elemento
decisivo na percepção que os consumidores têm sobre um produto ou serviço, bem como sua
comparação com as ofertas dos concorrentes. A base desse processo é estabelecer um
diferencial claro e significativo — um conjunto de características distintivas que ressoem com o
público-alvo. De acordo com Las Casas (2008), a diferenciação é o processo de desenvolver e
manter um conjunto de atributos distintos que separam a oferta de uma empresa das de seus
concorrentes.

Keegan (2005), ressalta que o posicionamento define como uma empresa ou marca é percebida
em comparação com seus concorrentes, baseado em atributos específicos do produto ou
valores corporativos. No entanto, ele adverte que um posicionamento muito agressivo ou
diretamente oposto a um concorrente pode provocar reações igualmente agressivas, levando a
um resultado incerto para ambas as partes.

Lima (2015), destaca que a verdadeira medida de uma estratégia de posicionamento eficaz, não
está apenas na sua concepção, mas sim nos resultados tangíveis que ela proporciona. Tais
resultados incluem aumento de vendas, crescimento da participação de mercado, retorno
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financeiro, taxas de crescimento, satisfação do cliente e outras métricas que evidenciam uma
vantagem competitiva. Portanto, uma estratégia de posicionamento bem-sucedida é aquela que
alcança os objetivos desejados e fortalece a posição da marca no mercado internacional.

O posicionamento de marca no contexto internacional não é um exercício de aplicação de uma


fórmula uniforme em todos os mercados. É uma abordagem equilibrada que requer uma fusão
entre a consistência da identidade de marca e a flexibilidade para adaptar-se a diferentes
mercados. Uma estratégia bem-sucedida de posicionamento de marca internacional não apenas
constrói uma identidade forte e reconhecível, mas também cria relações profundas e
significativas com consumidores em uma escala global.

Vamos Exercitar?

O marketing internacional, a segmentação de mercado global e o posicionamento de marca são


temas fundamentais para empresas que operam ou pretendem operar em múltiplos países. O
marketing internacional abrange as estratégias e práticas adotadas por empresas para promover
e vender produtos ou serviços além das fronteiras nacionais. A segmentação de mercado global
envolve a identificação de grupos específicos de consumidores em diferentes países ou regiões
que compartilham necessidades, desejos ou características similares, permitindo à empresa
focar suas estratégias de marketing de forma mais eficiente. O posicionamento de marca refere-
se ao processo de criação de uma imagem ou identidade da marca na mente dos consumidores
em um mercado global, diferenciando-a da concorrência e estabelecendo uma conexão
emocional com o público-alvo.

Para adaptar suas estratégias de marketing às necessidades específicas de diferentes mercados


internacionais, as empresas devem realizar pesquisas de mercado extensivas para entender as
peculiaridades culturais, sociais, econômicas e legais de cada região. Isso inclui compreender as
preferências do consumidor, os hábitos de compra, os valores culturais e as tendências locais.
Com base nessas informações, as empresas podem personalizar suas ofertas de produtos,
mensagens de marketing e táticas promocionais para ressoar melhor com cada público-alvo,
aumentando assim a eficácia de suas campanhas e a aceitação da marca.

Quanto à melhor maneira de uma marca se posicionar em mercados estrangeiros, considerando


as variáveis locais e a concorrência existente, é crucial desenvolver uma estratégia de
posicionamento flexível que permita adaptações conforme necessário. Isso pode envolver a
modificação de produtos ou serviços para atender às expectativas locais, a utilização de canais
de distribuição específicos que sejam mais efetivos na região, e a comunicação de valores da
marca que tenham significado e relevância cultural para o público local. Além disso, analisar a
concorrência local e internacional ajuda a identificar lacunas no mercado que a marca pode
explorar para se diferenciar e ganhar vantagem competitiva.

A segmentação e o posicionamento internacional influenciam profundamente a percepção da


marca e o seu sucesso em mercados globais ao permitir que as empresas comuniquem de
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forma eficaz o valor e a unicidade de seus produtos ou serviços para o público certo. Uma
segmentação bem executada garante que as mensagens de marketing cheguem aos
consumidores mais propensos a se interessar pela oferta da empresa, enquanto um
posicionamento de marca forte e coerente em diferentes mercados ajuda a construir uma
imagem de marca consistente e confiável. Isso não só aumenta a visibilidade da marca em uma
escala global, mas também fortalece a lealdade do cliente e potencializa o crescimento da
empresa ao atender efetivamente às necessidades e expectativas dos consumidores em
diversos contextos culturais e econômicos.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo “As Estratégias do Marketing Internacional em um Contexto


Global", para ampliar o conhecimento sobre as estratégias de marketing internacional.

Recomendo que assista o filme "Sabor da Vida" (An) (2015), é um filme japonês que conta a
história de uma vendedora de dorayakis (doces japoneses) que descobre uma receita única de
anko (pasta de feijão vermelho) com a ajuda de uma idosa. O filme aborda o marketing
internacional ao explorar como produtos locais podem ser adaptados e apreciados globalmente,
ressaltando a importância da autenticidade e da tradição na diferenciação de produtos no
mercado global.

Recomendo a leitura “Estratégias de Marketing Internacional para empresas que atuam no


Comércio Exterior” do Sebrae para ampliar os conhecimentos a cerca do tema.

Referências

CATEORA, Philip R.; GILLY, Marcy C.; GRAHAM, John L. Marketing internacional. 15ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2013. 661 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

CZINKOTA, Michael R.; RONKAINEN, Ilkka A. Marketing Internacional: 8ª Ed. São Paulo: Cengage
Learning, 2008. 626 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

JUNIOR, Amadeu N. Marketing internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2004. 350 p.

KEEGAN, Warren Joseph. Marketing global. 7ª. ed. São Paulo, SP: Pearson, 2005. 448 p.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, planejamento, implementação e controle.


2ª ed. São Paulo: Pearson Pretince Hall, 2004. 730 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15ª. ed. São Paulo: Pearson,
2019. 874 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane; CHERNEV, Alexander. Administração de marketing. 16. ed.
Porto Alegre, RS: Grupo A, 2024. 669 p.

LAS CASAS, A. L. Administração de marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade


brasileira. São Paulo: Atlas, 2008. 544 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Mercados e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2012. 120 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 2021. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.

Aula 2
Composto Mercadológico

Composto Mercadológico

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Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Olá, estudante!
Nesta videoaula, você será introduzido ao conceito do Composto Mercadológico, abrangendo os
pilares essenciais: Produto, Preço, Praça e Promoção. Entender esses elementos é crucial para a
estratégia de marketing, ajudando a definir como seu produto ou serviço se posiciona no
mercado, como precificá-lo, onde e como distribuí-lo, além das melhores estratégias para
promovê-lo. Esses conhecimentos são fundamentais para a sua prática profissional, pois
oferecem as ferramentas necessárias para tomar decisões estratégicas assertivas. Prepare-se
para adquirir conhecimentos valiosos!
Vamos lá!

Ponto de Partida

Seja bem-vindo, estudante, ao estudo do Composto Mercadológico, um conceito fundamental


para quem deseja se destacar no campo do Comércio e Negócios Internacionais. Nesta aula,
você terá a oportunidade de compreender os pilares que formam a base de qualquer estratégia
de marketing eficaz: Produto, Preço, Praça e Promoção. A importância desses elementos não
pode ser subestimada, pois juntos, eles definem como uma empresa comunica e entrega valor
aos seus clientes, além de determinar a posição competitiva no mercado.

Neste contexto, três perguntas-chave irá guiar nossa exploração e ajudá-lo a entender melhor
cada componente do mix de marketing. Primeiro, como a definição clara de um produto
influencia sua aceitação no mercado? Essa questão destaca a relevância de conhecer
profundamente as características e benefícios do que está sendo oferecido. Em segundo lugar,
de que maneira a estratégia de precificação afeta a percepção de valor por parte do consumidor
e a competitividade no mercado internacional? Isso leva à reflexão sobre como os preços podem
ser ajustados para atrair diferentes segmentos de mercado, mantendo a rentabilidade. Por
último, como as decisões relativas à praça (distribuição) e promoção se entrelaçam para garantir
que o produto certo chegue ao consumidor certo, no momento certo, da maneira mais eficiente
possível?

Através da exploração dessas perguntas, você será capaz de construir uma compreensão sólida
sobre como integrar e aplicar o Composto Mercadológico na prática profissional, especialmente
em um contexto de negócios internacionais. Este conhecimento é vital para quem busca não
apenas entender o mercado global, mas também para se posicionar de forma estratégica e
inovadora frente aos desafios e oportunidades que ele apresenta. Estude com dedicação e
curiosidade. Boa aula!

Vamos Começar!

Composto de Mercadológico
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

O composto mercadológico, também conhecido como mix de marketing ou os 4 P's, constitui um


conceito central no campo do marketing. Criado por E. Jerome McCarthy em 1960, este modelo é
destacado por Junior (2004) como um agrupamento de quatro elementos fundamentais para a
gestão de estratégias de marketing: Produto, Preço, Praça (Ponto de Venda) e Promoção.

Produto

No que se refere ao Produto, pode-se entender, seguindo as palavras de Kotler e Armstrong


(2007), que este é um item físico ou tangível, ou até um serviço intangível, oferecido no mercado
para venda, troca ou consumo. Seu objetivo primordial é satisfazer uma necessidade ou desejo
do consumidor. É interessante observar que, na definição de produto fornecida por estes autores,
ressalta-se a importância de atender à necessidade ou desejo do consumidor, enfatizando que a
existência de um produto está intrinsecamente ligada à demanda do mercado.

Os produtos abrangem uma vasta gama, desde bens de consumo, como alimentos, roupas e
eletrônicos, até bens duráveis como carros e móveis, bem como serviços, incluindo viagens,
consultorias e assistência técnica. Eles são dinâmicos, evoluindo e aperfeiçoando-se com o
tempo. Para uma compreensão mais aprofundada do conceito de produto, Kotler e Armstrong
(2007, p. 222), oferecem a seguinte definição:

"Definimos um produto como algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação,
aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade. Produtos
incluem mais do que apenas bens tangíveis. Definidos amplamente, incluem objetos físicos,
serviços, eventos, pessoas, lugares, organizações, idéias ou um misto de todas essas entidades”.

No mundo do comércio e da indústria, os produtos são frequentemente classificados com base


em sua abrangência de mercado e alcance geográfico. Esta classificação pode ser dividida em
quatro categorias principais: produtos locais, nacionais, internacionais e globais. Segundo
Keegan (2005), cada uma dessas categorias apresenta características distintas, que refletem as
estratégias de mercado, a cadeia de suprimentos e o impacto econômico e cultural.

Produtos Locais: Produtos locais são aqueles fabricados e consumidos dentro de uma
mesma área geográfica restrita, muitas vezes dentro dos limites de uma cidade ou região.
Eles são valorizados por sua frescura e sustentabilidade, muitas vezes associados a
pequenas produções artesanais ou agrícolas. O apoio a produtos locais ajuda a manter a
economia da comunidade, fortalece a identidade regional e reduz o impacto ambiental
devido a cadeias de suprimentos mais curtas.
Produtos Nacionais: Os produtos nacionais são produzidos dentro de um país e destinados
ao consumo em seu mercado interno. Eles podem representar a cultura e as tradições
nacionais, sendo frequentemente protegidos por regulamentos governamentais que
apoiam a indústria interna. O investimento em produtos nacionais é uma maneira de
promover o desenvolvimento econômico interno, incentivando a criação de empregos e o
crescimento da indústria local.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Produtos Internacionais: Produtos internacionais são aqueles que cruzam fronteiras


nacionais, sendo exportados para diferentes países. Esses produtos são adaptados às
necessidades e exigências dos mercados estrangeiros e podem ser influenciados por
regulamentações internacionais, acordos comerciais e tarifas. Os produtos internacionais
enriquecem o mercado com diversidade e permitem que os consumidores tenham acesso
a bens que não estão disponíveis localmente.
Produtos Globais: Produtos globais são desenhados e produzidos com o mercado global
em mente. Eles transcendem as fronteiras nacionais e são comercializados em muitas
regiões do mundo. Marcas como a Apple, Coca-Cola e Nike são exemplos de produtos que
alcançaram um status global. Esses produtos mantêm consistência em qualidade, branding
e mensagem em todos os mercados onde estão presentes. O objetivo é criar uma imagem
e experiência universal para o consumidor, independentemente de onde ele esteja.

Cada categoria de produto traz consigo uma série de considerações estratégicas. Produtos
locais e nacionais têm o benefício de apelar para a identidade cultural e para o patriotismo
econômico, enquanto os produtos internacionais e globais oferecem escala e alcance,
importantes para empresas que buscam crescimento e expansão.

Preço

Segundo Keegan (2005), a precificação de produtos no mercado internacional é uma tarefa


complexa e estratégica que requer uma análise cuidadosa de múltiplos fatores. No contexto
global, três fatores básicos são cruciais na determinação dos limites dentro dos quais os preços
de mercado devem se situar: o custo do produto, o preço mínimo abaixo do qual a empresa não
pode operar lucrativamente e o preço máximo que os consumidores estão dispostos a pagar.

Para Junior (2004), o custo do produto é a fundação da estratégia de precificação. No mercado


internacional, os custos podem variar significativamente devido a diferenças em salários,
matérias-primas, métodos de produção e regulamentações econômicas entre os países. As
empresas devem considerar todos esses elementos para estabelecer um preço base que cubra
todos os custos e ainda permita a obtenção de lucro.

De acordo com Keegan (2005), é o preço mínimo, está intrinsecamente ligado à sobrevivência da
empresa no mercado global. Este preço deve ser cuidadosamente calculado para assegurar que
a empresa mantenha a capacidade de cobrir todas as suas despesas operacionais, incluindo as
variações cambiais e as flutuações nos custos de produção que podem ocorrer em diferentes
regiões.

Keegan (2005), salienta que o preço máximo é determinado pela elasticidade de demanda do
produto e pelo valor que os consumidores atribuem a ele. Produtos com alta elasticidade de
preço verão uma queda significativa na demanda se os preços forem aumentados, enquanto
produtos menos elásticos podem suportar aumentos de preço sem grandes perdas em volume
de vendas. O preço ótimo, portanto, é aquele que equilibra a relação entre custo e valor
percebido, maximizando os lucros sem ultrapassar o que os consumidores consideram aceitável.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

No cenário internacional, Cateora, Gilly e Graham (2013), salientam que a competição é


intensificada pela presença de concorrentes de vários países, cada um com seus próprios custos
de produção e estratégias de precificação. Um exemplo clássico é a indústria automobilística
global, onde fabricantes de todas as partes do mundo competem nos mesmos mercados. A
concorrência internacional pressiona as empresas a reduzirem os preços, enquanto busca
manter uma posição competitiva. Isso é ainda mais desafiador em mercados onde a competição
é baseada não apenas em preço, mas também em inovação, qualidade e prestígio de marca.

Keegan (2005), afirma que a globalização intensificou a pressão competitiva e forçou as


empresas a serem mais estratégicas na gestão de seus preços. As empresas devem não apenas
considerar o custo de produção, mas também as estratégias de preços dos concorrentes, as
expectativas dos consumidores, as regulamentações governamentais, as variações cambiais e
outros desafios econômicos e sociais. Além disso, a volatilidade dos mercados pode levar à
especulação, forçando as empresas a estarem vigilantes e responsivas às rápidas mudanças nas
condições de mercado.

A determinação de preços em um ambiente internacional exige um equilíbrio delicado e uma


compreensão profunda do dinamismo dos mercados globais. As empresas devem ser ágeis,
adaptáveis e culturalmente sensíveis para estabelecer estratégias de preços que não apenas
sustentem suas operações, mas também ressoem com os consumidores em diferentes regiões,
garantindo competitividade e lucratividade a longo prazo.

Siga em Frente...

Praça

O P de Praça, dentro do contexto do Marketing Mix, refere-se aos canais de distribuição pelos
quais um produto é entregue ao consumidor final. No ambiente de marketing internacional,
segundo Keegan (2005), este componente assume uma complexidade ainda maior devido à
necessidade de transpor barreiras geográficas, culturais, legais e econômicas. A eficácia com
que uma empresa gerencia seus canais de distribuição internacional pode ser um diferencial
competitivo crucial, influenciando fortemente o sucesso de seus produtos em mercados
estrangeiros.

Segundo Pigozzo (2012), os canais de distribuição em marketing internacional podem ser diretos
ou indiretos. Um canal direto significa que a empresa vende seus produtos diretamente aos
consumidores em um mercado estrangeiro, o que pode envolver vendas online, a abertura de
lojas próprias ou a venda direta por meio de representantes de vendas. Canais diretos permitem
um controle maior sobre a marca, a experiência do cliente e a estratégia de preços.

Por outro lado, segundo Cateora, Gilly e Graham (2013), os canais indiretos envolvem
intermediários, como distribuidores, agentes, atacadistas e varejistas, que vendem produtos para
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

o consumidor final. Embora a empresa possa perder parte do controle sobre a experiência do
cliente e possíveis conflitos de canal possam surgir, os intermediários oferecem conhecimento
local e acesso a redes de distribuição estabelecidas, o que pode ser vantajoso em termos de
custos e eficiência logística.

Segundo Keegan (2005), a adaptação cultural é vital no marketing internacional. Os métodos de


distribuição que funcionam em um país podem não ser eficazes em outro devido a diferenças
nas expectativas dos consumidores, comportamentos de compra e a própria infraestrutura de
varejo. Além disso, regulamentações locais podem afetar a forma como os produtos são
vendidos e distribuídos, exigindo uma compreensão aprofundada e respeito às leis de cada
mercado.

Promoção

No cenário global atual, dinâmico e altamente competitivo, a promoção no marketing


internacional desempenha um papel decisivo no estabelecimento da presença de uma marca. Os
objetivos centrais da promoção são aumentar o valor percebido de um produto e convencer os
consumidores a adquiri-lo. Neste contexto, segundo Keegan (2005), as estratégias promocionais
devem ser cuidadosamente elaboradas para ressoar com o público-alvo, mantendo a essência da
marca e, ao mesmo tempo, adaptando a mensagem às particularidades culturais de cada
mercado. Pigozzo (2012, 151 p.), conceitua a promoção como:

O mix de promoção de marketing consiste no conjunto de ações veiculadas nos meios de


comunicação com o objetivo de informar clientes e opinião pública sobre atributos e benefícios
dos produtos e/ou serviços, persuadindo-os a comprá-los, consumi-los e/ou usá-los dentro de
seu período de validade.

Para Pigozzo (2012), a promoção efetiva ultrapassa a simples divulgação do produto; ela busca
estabelecer uma conexão emocional com os consumidores, muitas vezes explorando valores
universais como segurança, amor, reconhecimento, sucesso e alegria. Esses temas universais
podem ser adaptados para ressoar em diferentes culturas, o que exige uma compreensão
profunda das nuances locais.

Cateora, Gilly e Graham (2013), salientam que a promoção internacional deve lidar com a
complexidade de diferentes idiomas, estilos de comunicação e preferências de mídia. O que
funciona em um mercado pode não ser eficaz em outro. Assim, empresas que operam
globalmente podem usar uma estratégia de comunicação integrada, garantindo que a mensagem
central da marca seja consistente, enquanto as táticas promocionais são customizadas para
cada mercado específico.

Cateora, Gilly e Graham (2013), apontam que o esforço de promoção, por mais eficiente que seja,
não pode garantir o sucesso do produto sozinho. Ele deve estar alinhado e ser complementado
pelos outros três elementos do composto de marketing: Produto, Preço e Praça. A sinergia entre
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

esses elementos é o que reforça a vantagem competitiva de uma empresa no mercado


internacional.

A promoção no marketing internacional requer não só criatividade e adaptabilidade, mas também


um compromisso com a coerência da marca e a relevância cultural. As empresas precisam de
estratégias promocionais que não apenas comunicam benefícios e características do produto,
mas que também criem uma narrativa envolvente que possa ser adaptada e apreciada
globalmente, alinhando-se aos valores e expectativas dos consumidores em diferentes regiões
do mundo.

Vamos Exercitar?

No contexto internacional, os temas de Produto, Preço, Praça e Promoção assumem uma


complexidade adicional devido à diversidade de mercados, culturas e regulamentações. O
Produto, sendo o cerne de qualquer negócio, deve ser desenhado e adaptado para atender às
necessidades e expectativas de diferentes públicos-alvo, considerando variações culturais e de
consumo. O Preço reflete não apenas o valor percebido do produto, mas também deve
considerar fatores como taxas de câmbio, impostos locais e poder de compra dos
consumidores. A Praça, ou distribuição, enfrenta o desafio de transpor barreiras logísticas e
regulatórias para entregar o produto ao consumidor final de forma eficiente. Por fim, a Promoção
deve ser culturalmente relevante, aproveitando canais de comunicação adequados para cada
mercado, a fim de engajar efetivamente o público-alvo.

A definição clara de um produto influencia significativamente sua aceitação no mercado, pois


determina como os consumidores percebem e interagem com a oferta. Um produto bem
definido, que claramente comunica seus benefícios e diferenciais, tem maior probabilidade de
satisfazer as expectativas dos consumidores e, portanto, ser bem-sucedido em diversos
mercados. No contexto internacional, entender e respeitar as nuances culturais pode ser o fator
determinante na aceitação de um produto, uma vez que o que funciona em um país pode não ser
bem recebido em outro.

A estratégia de precificação afeta diretamente a percepção de valor por parte do consumidor e a


competitividade no mercado internacional. Preços adequados podem criar uma imagem de valor
para o produto, incentivando a compra. No entanto, estratégias de precificação devem considerar
o equilíbrio entre ser competitivo e manter a rentabilidade, especialmente em mercados com
diferentes níveis de poder de compra. Estratégias como a precificação psicológica ou a
adaptação de preços para mercados específicos podem ser cruciais para o sucesso
internacional de um produto.

As decisões relativas à Praça (distribuição) e Promoção são fundamentais para garantir que o
produto certo chegue ao consumidor certo, no momento certo, de maneira mais eficiente. Uma
estratégia de distribuição eficaz considera a melhor forma de atravessar fronteiras, lidar com
regulamentações e alcançar os consumidores onde eles estão. Simultaneamente, a promoção
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

deve garantir que a mensagem sobre o produto seja transmitida de forma atraente e
compreensível para diferentes públicos, utilizando os canais mais eficazes para cada mercado. A
integração dessas estratégias é crucial para maximizar a visibilidade e a disponibilidade do
produto, construindo uma base sólida para o sucesso em um ambiente global competitivo. Este
complexo equilíbrio entre Produto, Preço, Praça e Promoção requer uma abordagem cuidadosa e
personalizada, considerando as peculiaridades de cada mercado internacional.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo “A demanda doméstica e internacional do produto turístico Ouro


Preto e seus limites temporais e espaciais”, para ampliar o conhecimento sobre os diferentes
tipos de produtos internacionais e as suas características.

Indico a leitura do artigo “Invista em global branding e conquiste o mercado internacional” para
ampliar o conhecimento sobre estratégias de marketing.

Recomendo o filme “O informante (1999), a história se centra em um executivo da indústria do


tabaco que decide revelar práticas perigosas de sua empresa, destacando os desafios
enfrentados ao tentar expor a verdade em um cenário global. "O Informante" não apenas
mergulha nos aspectos legais e de saúde pública relacionados ao produto, mas também nos
esforços corporativos para expandir mercados internacionais, lidando com regulamentações,
percepções públicas e questões éticas.

Referências

ARMSTRONG, G.; KOTLER, P. Princípios de marketing. 12ª ed. São Paulo: Person Prentice Hall,
2007.

CATEORA, Philip R.; GILLY, Marcy C.; GRAHAM, John L. Marketing internacional. 15ª Ed. Porto
Alegre: AMGH, 2013. 661 p.

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

CZINKOTA, Michael R.; RONKAINEN, Ilkka A. Marketing Internacional: 8ª Ed. São Paulo: Cengage
Learning, 2008. 626 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

JUNIOR, Amadeu N. Marketing internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2004. 350 p.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

KEEGAN, Warren Joseph. Marketing global. 7ª. ed. São Paulo, SP: Pearson, 2005. 448 p.

KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, planejamento, implementação e controle.


2ª ed. São Paulo: Pearson Pretince Hall, 2004. 730 p.

KOTLER, Philip. KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 12ª ed. São Paulo: Pearson
Pretince Hall, 2006.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15ª. ed. São Paulo: Pearson,
2019. 874 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson,
2019. 877 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane; CHERNEV, Alexander. Administração de marketing. 16. ed.
Porto Alegre, RS: Grupo A, 2024. 669 p.

LAS CASAS, A. L. Administração de marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade


brasileira. São Paulo: Atlas, 2008. 544 p.

LIMA, Gustavo B. Marketing Internacional: Teoria e Casos Brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. 162
p.

LUDOVICO, Nelson. Mercados e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2012. 120 p.

MÈRCHER, Leonardo. Estratégias de internacionalização: teorias e práticas. Curitiba:


Intersaberes, 2021. 203 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

PIGOZZO, Ana Flávia. Marketing internacional. Curitiba: Intersaberes, 2012. 222 p.

Aula 3
Logística Global

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Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai descobrir os fundamentos da Logística Global,
abordando temas cruciais como Logística, Logística Reversa Internacional e o papel dos
Contêineres. Estes conteúdos são essenciais para quem busca compreender as dinâmicas do
comércio e distribuição mundiais, além de serem vitais para a eficiência operacional e
sustentabilidade em práticas profissionais. Ao dominar esses conceitos, você estará preparado
para enfrentar os desafios do mercado global e contribuir para um sistema de comércio mais
integrado e responsável. Não perca essa oportunidade de enriquecer seus conhecimentos.
Junte-se a nós!

Ponto de Partida

Seja bem-vindo, estudante, ao nosso estudo sobre Logística Global. Este campo é fundamental
para entender como os produtos e serviços circulam em escala mundial, impactando
diretamente o comércio e os negócios internacionais. A aula de hoje cobrirá aspectos essenciais
da Logística, Logística Reversa Internacional e a importância dos Contêineres no transporte de
mercadorias. Esses temas são cruciais para quem busca compreender as complexidades da
cadeia de suprimentos global e como as empresas podem operar de maneira eficiente e
sustentável.

Nossa discussão será guiada por três perguntas principais: Como as estratégias de logística
influenciam a eficiência e a competitividade das empresas no mercado global? De que maneira a
logística reversa internacional contribui para a sustentabilidade das operações de comércio
exterior? E qual o papel dos contêineres na otimização do transporte internacional de cargas?
Estas questões irão ajudá-lo a focar nos aspectos mais relevantes da logística global,
estimulando a reflexão sobre como esses elementos se interconectam para formar o
ecossistema de comércio e negócios internacionais.

Entender a logística global é essencial para qualquer profissional que atue ou aspire atuar no
campo do comércio e negócios internacionais. Mantenha-se curioso e empenhado, pois o
conhecimento adquirido aqui é um passo fundamental na sua formação.

Boa aula!
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Vamos Começar!

A logística internacional, tanto como campo de estudo quanto como prática, encontra suas
origens nos primórdios do comércio e nas primeiras trocas de mercadorias entre diferentes
regiões e culturas. Inicialmente, o comércio entre nações enfrentava limitações significativas
devido às dificuldades de transporte, comunicação e às variadas regulamentações.

Nesse contexto, segundo Fraporti, Giacomelli, Fonseca (2018), o surgimento da logística


internacional esteve vinculado à expansão do comércio marítimo e às grandes navegações,
especialmente entre os séculos XV e XVII. Esse período histórico foi marcante, pois assinalou o
início da exploração de novas rotas comerciais e o estabelecimento de redes de comércio
internacionais. A evolução subsequente da logística internacional foi a Revolução Industrial, que
introduziu inovações tecnológicas revolucionárias, como a locomotiva e o telégrafo. Estas
invenções não apenas transformaram os métodos de transporte e comunicação, mas também
facilitaram consideravelmente o comércio internacional, estabelecendo as bases para a moderna
cadeia de suprimentos.

A cadeia de suprimentos de acordo com Robles e Nobre (2016), engloba o conjunto de etapas
necessárias para levar um produto ou serviço do seu ponto de origem até o consumidor final.
Este processo inclui uma série de atividades interligadas, como aquisição de matérias-primas,
produção, armazenamento, transporte e distribuição. A eficiência e eficácia da cadeia de
suprimentos são cruciais para o sucesso de empresas e têm um impacto significativo na
economia global. David (2016, 35 p.), define a gestão da cadeia de suprimentos como:

A gestão da cadeia de suprimentos inclui o planejamento e o gerenciamento de todas as


atividades relativas à compra e aprovisionamento, conversão e gerenciamento logístico.
Igualmente importante, também inclui a coordenação e colaboração com parceiros de
distribuição, que podem ser fornecedores, intermediários, prestadores de serviços terceirizados e
clientes. Em essência, a gestão da cadeia de suprimentos integra o gerenciamento da oferta e da
demanda nas empresas e entre elas.

Segundo Pozo (2019), a cadeia de suprimentos representa uma abordagem holística que integra
todas as etapas, desde a origem dos insumos até a entrega do produto ou serviço ao cliente
final. Para o autor as características e objetivos do SCM são:

Integração de Funções: Unifica competências, recursos e funções internas e externas à


organização para agregar valor aos serviços oferecidos.
Sinergia na Cadeia Produtiva: Busca a cooperação entre todas as partes envolvidas na
produção, desde fornecedores até o consumidor final, para reduzir custos e melhorar a
satisfação do cliente.
Enfoque Estratégico: Visa ao controle do custo total, à melhoria da qualidade e à
maximização da gama de serviços ao consumidor, ampliando os lucros da empresa.
Desafios: Incluem a superação de obstáculos como a otimização local e a variabilidade de
informações na cadeia
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Segundo Pozo (2019), a logística, é um componente essencial da cadeia de suprimentos,


concentrando-se nas atividades de movimentação de materiais e armazenamento que facilitam o
fluxo de produtos desde a obtenção da matéria-prima até o ponto de consumo final. David (2016,
35 p.) define a logística como:

Logística é a parte do processo da cadeia de suprimentos que planeja, implementa e controla o


fluxo bidirecional (para a frente e para trás), eficiente e efetivo, além do armazenamento de
mercadorias, serviços e informações a elas relacionadas, do ponto de origem ao ponto de
consumo, com o propósito de atender exigências dos clientes.

Segundo David (2016), os gestores de logística estão focados em uma variedade de tarefas
cruciais, como o transporte, a embalagem, o armazenamento, a segurança e o manuseio dos
produtos que suas empresas adquirem ou vendem. Além disso, esses profissionais mantêm uma
interação constante com gestores de outras áreas diretamente ligadas ao movimento desses
produtos. Isso inclui departamentos como fabricação e produção, compras e suprimentos,
marketing, gestão de estoques, finanças e atendimento ao cliente.

Pozo (2019), complementa esta visão, detalhando as funções e a importância da logística em


três aspectos principais:

Movimentação e Armazenamento: Refere-se ao transporte, à armazenagem, ao manuseio e


à administração de tráfego dos produtos.
Eficiência Operacional: Concentra-se na entrega eficaz dos produtos aos clientes a um
custo razoável.
Processo Integrado: Envolve o planejamento, a implementação e o controle do fluxo e
armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semiacabados e
produtos acabados.

Além disso, é fundamental entender que a logística internacional, um campo vital para o
comércio global, vai além do simples transporte físico de mercadorias. De acordo com Fraporti,
Giacomelli, Fonseca (2018), a logística internacional abrange o planejamento, a implementação e
o controle eficaz do fluxo e armazenamento de bens e serviços através das fronteiras
internacionais. Esse processo incorpora não apenas os aspectos físicos, mas também uma série
de elementos estratégicos e operacionais essenciais para garantir a eficiência e a conformidade
das operações internacionais. Segundo Fraporti, Giacomelli, Fonseca (2018), os elementos da
logística internacional são:

Conhecimento Legal e Tratados de Comércio: Uma operação logística internacional exige


um entendimento profundo dos aspectos burocráticos e legais, que são significativamente
mais complexos do que em operações nacionais. Isso inclui:
Desembaraço aduaneiro. Verificação dos requisitos legais no país de destino.
Impostos sobre importação e exportação.
Conhecimento dos Incoterms (termos internacionais de comércio).
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
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Empresas com estratégias de negócios internacionais frequentemente têm


departamentos dedicados a essas questões ou contratam consultorias
especializadas.
Estratégias de Transporte Intermodais: Operações internacionais geralmente exigem a
utilização de múltiplos modais de transporte. Esses podem incluir:
Transporte ferroviário e rodoviário dentro do país de origem, levando as mercadorias
até portos ou aeroportos.
Transporte aéreo ou marítimo para o país de destino.
Transporte adicional após o desembaraço aduaneiro no país de destino.
Securitização de Transporte: Devido às longas distâncias e a passagem por diversos países
ou zonas territoriais, o seguro de transporte é um elemento crucial da logística
internacional. A responsabilidade pelo seguro varia de acordo com o Incoterm contratado,
podendo recair sobre o comprador ou o vendedor.
Alternativas de Armazenamento: O armazenamento em logística internacional pode ser
necessário em várias etapas, tanto durante o transporte internacional quanto em processos
de produção que ocorrem em diferentes países. Isso envolve a gestão eficiente de
armazéns e centros de distribuição em várias localidades.

Transporte ferroviário e rodoviário dentro do país de origem, levando as mercadorias até


portos ou aeroportos.
Transporte aéreo ou marítimo para o país de destino.
Transporte adicional após o desembaraço aduaneiro no país de destino.

A logística internacional é mais do que simplesmente mover produtos de um ponto a outro; é


uma prática complexa que requer habilidades especializadas em planejamento, execução e
conformidade legal. Cada um dos elementos - desde o conhecimento legal até estratégias de
transporte, seguros e armazenamento - desempenha um papel vital para assegurar que as
mercadorias sejam movidas de forma eficiente, segura e em conformidade com as
regulamentações internacionais. Esta complexidade é o que torna a logística internacional uma
parte indispensável do comércio e dos negócios globais no mundo moderno.

Siga em Frente...

Logística Reversa
A logística reversa internacional é um conceito emergente e cada vez mais relevante no campo
da logística e gestão de cadeias de suprimentos. Para David (2016), a logística tradicional foca
no fluxo de produtos do ponto de origem ao consumidor, e a logística reversa inverte essa
direção, tratando da movimentação de bens do ponto de consumo de volta ao ponto de origem
ou para locais de reciclagem e reuso. Este processo é fundamental para práticas de negócios
sustentáveis e para a economia circular.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Segundo Pozo (2019), a logística reversa é definida como o processo de planejamento,


implementação e controle do fluxo eficiente e de custo efetivo de matérias-primas, inventário em
processo, produtos acabados e informações relacionadas, do ponto de consumo até o ponto de
origem. O objetivo é recapturar valor ou realizar a eliminação apropriada de produtos. Segundo
David (2016), há diversas razões pelas quais os bens são devolvidos ao fabricante, incluindo:

Final de Vida Útil: Produtos que completaram sua vida útil para o consumidor e podem ser
remanufaturados ou recondicionados pelo fabricante.
Reparos e Garantia: Produtos que necessitam de reparos sob garantia ou que não
atenderam às expectativas do cliente.
Defeitos de Fabricação: Bens que estão defeituosos e precisam ser reparados ou refeitos
para atender às exigências do mercado.
Reutilização de Embalagens: Embalagens que podem ser reutilizadas em novos envios.

Empresas estão começando a reconhecer que um sistema eficaz de logística reversa,


combinado com processos de redução de resíduos na fonte, pode proporcionar vantagens
competitivas significativas.

Contêineres
O desenvolvimento e a adoção generalizada de contêineres revolucionaram o transporte e a
logística internacional, transformando fundamentalmente a maneira como os bens são
movimentados em todo o mundo. Para entender completamente a importância dos contêineres,
é essencial olhar para o cenário de transporte antes de sua invenção, quem os criou e como eles
impactam a logística internacional hoje.

Segundo Ludovico (2017), antes da introdução dos contêineres, o transporte de mercadorias era
um processo extremamente manual e ineficiente, conhecido como "break-bulk shipping". As
cargas eram manuseadas individualmente, o que significava que cada saco, caixa ou barril
precisava ser carregado e descarregado separadamente. Isso não apenas consumia muito
tempo, mas também aumentava o risco de danos e perdas, além de ser mais vulnerável a furtos.
O processo era lento e caro, com a necessidade de muita mão-de-obra, o que limitava a
velocidade e a eficiência do comércio internacional.

David (2016), afirma que o contêiner moderno, como conhecemos hoje, foi inventado por
Malcolm McLean, um empresário americano do setor de transportes, na década de 1950.
McLean teve a ideia de padronizar as dimensões das caixas de transporte para que pudessem
ser facilmente transferidas entre caminhões, trens e navios. Em 1956, o primeiro navio porta-
contêineres, o Ideal X, fez sua viagem inaugural, transportando 58 contêineres metálicos.

De acordo com Ludovico (2017), a invenção de McLean revolucionou a logística internacional de


várias maneiras fundamentais:
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Eficiência e Redução de Custos: Os contêineres permitem o transporte de cargas de


maneira muito mais eficiente. Eles são projetados para serem facilmente transferidos entre
diferentes modos de transporte, reduzindo significativamente o tempo de manuseio e os
custos associados. Isso também diminuiu drasticamente o tempo de viagem das
mercadorias.
Padronização e Flexibilidade: Com tamanhos padronizados, os contêineres oferecem
flexibilidade, podendo transportar uma grande variedade de mercadorias. Eles também
facilitaram a automação em portos e terminais, melhorando ainda mais a eficiência.
Segurança Aprimorada: Os contêineres reduzem o risco de danos e perdas, pois as
mercadorias estão melhor protegidas dentro deles. Além disso, a segurança contra roubos
melhorou, já que os contêineres podem ser selados e bloqueados.
Expansão do Comércio Global: A eficiência e a redução de custos proporcionadas pelos
contêineres contribuíram para o aumento do comércio global. Produtos de diferentes
partes do mundo tornaram-se mais acessíveis e econômicos, estimulando o crescimento
econômico e a globalização.
Impacto Ambiental: Apesar de serem uma solução eficiente, os contêineres também
apresentam desafios ambientais, especialmente relacionados à emissão de gases de efeito
estufa dos navios porta-contêineres e ao descarte de contêineres antigos.

Os contêineres transformaram o transporte de carga, tornando-o mais rápido, mais seguro e


mais econômico. Eles desempenham um papel crucial na logística internacional moderna,
facilitando um comércio mais ágil e robusto entre as nações. A invenção dos contêineres não
apenas impulsionou a globalização, mas também continua a moldar as dinâmicas do comércio e
da logística no século XXI.

Vamos Exercitar?
As estratégias de logística influenciam significativamente a eficiência e a competitividade das
empresas no mercado global. Uma gestão logística eficaz permite que as empresas otimizem
suas operações de cadeia de suprimentos, reduzam custos, melhorem os prazos de entrega e
aumentem a satisfação do cliente. Estratégias como a gestão just-in-time, a otimização de rotas
e a utilização de tecnologias avançadas, como a Internet das Coisas (IoT) e a análise de big data,
podem oferecer vantagens competitivas significativas. Empresas capazes de entregar produtos
de forma mais rápida e confiável, ao mesmo tempo em que mantêm os custos baixos, estão
melhor posicionadas no mercado global.

A logística reversa internacional desempenha um papel crucial na promoção da sustentabilidade


nas operações de comércio exterior. Ao implementar processos de retorno eficazes para
produtos e materiais, as empresas não apenas cumprem regulamentações ambientais, mas
também demonstram compromisso com práticas empresariais responsáveis. A reciclagem, a
reutilização e a remanufatura de produtos podem reduzir significativamente o desperdício,
diminuir a demanda por recursos naturais e minimizar o impacto ambiental das atividades de
comércio. Além disso, a logística reversa oferece oportunidades econômicas, transformando
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

potenciais passivos ambientais em ativos recuperáveis, o que contribui tanto para a rentabilidade
quanto para a sustentabilidade empresarial.

Os contêineres têm um papel vital na otimização do transporte internacional de cargas. Sua


padronização permite a compatibilidade global entre diferentes modos de transporte, o que
facilita a logística multimodal e reduz a necessidade de transporte das mercadorias, evitando os
riscos de danos e perdas. Isso não apenas melhora a eficiência do transporte, mas também
contribui para a redução dos custos operacionais. Além disso, a capacidade de rastrear
contêineres por meio de sistemas de tecnologia de informação aumenta a visibilidade da cadeia
de suprimentos, permitindo uma melhor gestão de inventário e planejamento de demanda.
Portanto, os contêineres são essenciais para a eficácia do comércio internacional, facilitando o
comércio global, encurtando os tempos de trânsito e contribuindo para a eficiência global das
operações de transporte de cargas.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo “Logística Internacional e Cadeias de Suprimento Global: Uma


revisão sistemática da literatura” para melhor compreender sobre o tema logística internacional.

Indico que ouça o podcast “Logística internacional” com o Nelson Ludovido, para ampliar o
conhecimento sobre a importância e características da logística internacional.

Recomendo a leitura do artigo “Como reduzir custos de logística internacional”, recomendo a


leitura do artigo para melhor compreensão da logística internacional.

Referências

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.

DAVID, Pierre A. Logística internacional: Gestão de operações de comércio internacional. 4ª ed.


São Paulo: Cengage Learning, 2016.

FRAPORTI, Simone; GIACOMELLI, Giancarlo; FONSECA, Joaquim J R. Logística internacional.


Porto Alegre: Sagah, 2018.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística de transportes internacionais. 3. ed. Jundiaí, SP: Paco e Littera,
2022. 230 p.
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INTERNACIONAIS

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

POZO, Hamilton. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Uma Introdução. 2ª ed.


São Paulo: Atlas, 2019. 152 p.

ROBLES, Léo Tadeu. Nobre Marisa. Logística internacional: uma abordagem para a integração de
negócios. Curitiba: Intersaberes, 2016. 242 p.

Aula 4
Global Sourcing

Global Sourcing

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Dica para você
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Olá estudante!
Nesta videoaula, você será apresentado ao conceito de Global Sourcing, abordando suas
estratégias e desafios, além de compreender o papel do Offshore nesse contexto. Este conteúdo
é essencial para sua prática profissional, pois amplia sua visão sobre como as empresas operam
em uma economia globalizada, otimizando recursos e buscando eficiência operacional. Prepare-
se para adquirir conhecimentos que serão importantes para sua carreira. Convido você a assistir
a esta videoaula e se capacitar ainda mais para o mercado global.
Vamos lá!

Ponto de Partida
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Seja bem-vindo, estudante, ao nosso módulo dedicado ao Global Sourcing, um tema crucial no
contexto atual de comércio e negócios internacionais. Neste espaço de aprendizado, você terá a
oportunidade de entender profundamente como o Global Sourcing se configura como uma peça-
chave para as empresas que buscam competitividade e inovação em uma economia cada vez
mais globalizada. A importância dessa abordagem se destaca não apenas pela capacidade de
redução de custos, mas também pela sua influência na qualidade, inovação e na expansão
estratégica para novos mercados.

Neste contexto, três perguntas fundamentais orientarão nossa exploração do tema: Primeiro,
como o Global Sourcing pode ser eficaz integrado às estratégias de negócios internacionais para
maximizar os benefícios enquanto minimiza os riscos? Em segundo lugar, quais são os
principais desafios enfrentados pelas empresas ao implementar estratégias de Global Sourcing e
como podem ser superados? Por último, qual o papel do Offshore dentro da estratégia de Global
Sourcing e como ele contribui para o alcance dos objetivos organizacionais em um ambiente
competitivo global? Estas questões são essenciais para entender não apenas a teoria por trás do
Global Sourcing, mas também suas aplicações práticas e implicações no mundo dos negócios.

Ao manter essas perguntas em mente, você estará melhor preparado para absorver os
conteúdos desta aula, aplicá-los em cenários práticos e desenvolver uma perspectiva crítica
sobre as estratégias de negócios internacionais.

Boa aula!

Vamos Começar!

Global Sourcing
As transformações nas práticas de compras empresariais refletem uma adaptação às dinâmicas
em constante evolução do mercado global. Tradicionalmente, a função de compras nas
empresas era vista como uma atividade secundária, focada primariamente em adquirir
suprimentos ao menor custo possível. Contudo, este cenário tem mudado significativamente.

Segundo Souza (2014), hoje, as empresas reconhecem que as estratégias de compra são
fundamentais para o sucesso e a sustentabilidade dos negócios. A ênfase não recai apenas no
custo, mas também na qualidade, na inovação e na agregação de valor ao negócio e ao cliente
final. Este novo paradigma é impulsionado por diversos fatores.

De acordo com Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), observa-se uma tendência à formação de
parcerias estratégicas e de longo prazo com fornecedores. Essas relações vão além das
transações comerciais típicas, envolvendo colaboração em áreas como desenvolvimento de
produtos, inovação e logística. A ideia é criar uma cadeia de suprimentos mais integrada e
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

eficiente, que possa responder rapidamente às mudanças nas demandas dos mercados e dos
consumidores.

Nesse contexto, surge o conceito de Global Sourcing, que é a prática de buscar os melhores
fornecedores ao redor do mundo para adquirir bens e serviços. As empresas que adotam essa
abordagem não estão limitadas por fronteiras geográficas e podem aproveitar ao máximo as
oportunidades oferecidas pela economia global. O Global Sourcing permite às empresas acessar
novos mercados, tecnologias, habilidades e ideias, otimizando custos e melhorando a qualidade
de seus produtos e serviços. Segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010, 397 p.):

“O global sourcing é a aquisição de produtos ou serviços de fornecedores independentes ou de


subsidiárias da própria empresa localizadas no exterior para o consumo no país de origem ou em
outro país. Também chamado de contratação global ou compra global, o global sourcing se
traduz na importação de mercadorias e serviços continuamente. É uma estratégia de entrada que
envolve uma relação contratual entre o comprador (a empresa focal) e uma fonte externa de
abastecimento. O global sourcing envolve a terceirização de tarefas de manufatura ou serviços
específicos com as filiais da própria empresa ou com fornecedores independentes."

Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010), salienta que o global sourcing tenha se estabelecido
como uma prática internacional significativa desde a década de 1980, seu papel e importância no
comércio mundial ganharam um ímpeto renovado na era atual de globalização. Este crescimento
pode ser atribuído a quatro fatores chave:

Avanços Tecnológicos: O desenvolvimento tecnológico tem sido um motor fundamental no


impulso do global sourcing. A conectividade imediata proporcionada pela Internet e a
disponibilidade de banda larga de alta velocidade facilitaram a comunicação e a
colaboração entre empresas e fornecedores ao redor do mundo.
Redução dos Custos de Comunicação e Transporte: Uma diminuição significativa nos
custos de comunicação e transporte tem permitido às empresas explorar mercados antes
inacessíveis. Isso tornou viável a aquisição de materiais e a venda de produtos em
diferentes partes do mundo, otimizando a cadeia de suprimentos e aumentando a margem
de lucro.
Acesso Generalizado à Informação: A era digital trouxe uma expansão sem precedentes no
acesso à informação. Com a crescente conectividade entre fornecedores e clientes, as
empresas podem agora acessar dados relevantes sobre tendências de mercado, preços,
qualidade dos produtos e reputação dos fornecedores, facilitando decisões de sourcing
mais informadas e estratégicas.
Empreendedorismo e Transformação Econômica em Mercados Emergentes: O
empreendedorismo e o rápido desenvolvimento econômico em muitos mercados
emergentes têm criado novas oportunidades de sourcing. Países em desenvolvimento
estão se tornando centros de manufatura e serviços competitivos, oferecendo às empresas
globais alternativas de custo-benefício e inovadoras para suas necessidades de sourcing.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Esses elementos combinados delineiam um cenário onde o global sourcing não é apenas uma
necessidade econômica, mas também uma estratégia empresarial complexa e multifacetada,
essencial para o crescimento e competitividade no ambiente de negócios global de hoje.

Siga em Frente...

Estratégias e Desafios do Global Sourcing


As estratégias de global sourcing são fundamentais na definição de como as empresas
interagem com o mercado internacional, influenciando diretamente sua capacidade de competir
e inovar. Na base dessas estratégias está a decisão de onde e como adquirir componentes e
produtos finais, seja por meios internos ou através de fornecedores externos.

Segundo Correa (2019), a escolha entre internalização (intrafirma) ou terceirização (outsourcing)


de componentes é uma decisão estratégica que envolve não apenas questões de custo, mas
também considerações sobre controle, qualidade, flexibilidade e riscos. As empresas podem
optar por manter a produção e o fornecimento de componentes dentro de suas próprias
operações, valendo-se de suas subsidiárias nacionais ou estrangeiras, o que é conhecido como
sourcing intrafirma. Esta opção geralmente é guiada pela busca de integração e controle ao
longo da cadeia de valor, permitindo uma coordenação mais estreita e uma alinhada missão
estratégica.

Correa (2019), afirma que o outsourcing se tornou uma prática cada vez mais comum,
impulsionada pela busca incessante de eficiência e redução de custos. Este modelo envolve a
delegação de certas funções produtivas a operadores independentes e subcontratados, muitas
vezes em locais onde os custos de produção são mais baixos. No entanto, isso não está isento
de desafios, como a perda de controle sobre o processo produtivo e possíveis
comprometimentos na qualidade e na entrega.

O global sourcing, enquanto estratégia de negócios, tem se consolidado como uma ferramenta
indispensável para empresas que buscam competitividade em uma economia cada vez mais
integrada e complexa. Apesar de suas vantagens, como redução de custos e acesso a novos
mercados, o global sourcing apresenta um conjunto considerável de desafios e riscos que
exigem atenção e gestão estratégica.

Segundo Christopher (2018), os desafios começam com a identificação e avaliação de


fornecedores potenciais. Nesse processo, as empresas enfrentam custos significativos
relacionados à busca de informações e à aquisição de materiais ou serviços. A distância
geográfica e as barreiras linguísticas e culturais podem complicar a comunicação e a avaliação
de fornecedores, aumentando os custos de transação. Além disso, o transporte internacional
envolve não apenas custos diretos, mas também riscos associados a atrasos, danos durante o
transporte e questões alfandegárias.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Para Nyegray (2022), o global sourcing pode afetar a cultura corporativa e alterar o moral dos
funcionários, especialmente quando a mudança implica na terceirização de empregos para
outras regiões. O comprometimento com a sustentabilidade interna e a reputação da marca
também estão em jogo, pois os consumidores estão cada vez mais conscientes e preocupados
com a origem e as condições de produção dos bens que consomem.

Segundo Corrêa (2019), as empresas devem estar atentas aos desafios que envolvem as
flutuações cambiais, diferenças nas regulamentações comerciais e laborais e na estabilidade
política dos países fornecedores. Estes fatores podem impactar drasticamente os custos e a
viabilidade do fornecimento, além de influenciar a percepção do consumidor sobre a marca.

De acordo com Corrêa (2019), o global sourcing deve ser praticado de maneira responsável, com
atenção às práticas ambientais e sociais dos fornecedores. As empresas devem avaliar não
apenas o custo, mas também o impacto ambiental e social da produção, o que pode incluir o
cumprimento de normas trabalhistas e ambientais.

Segundo Corrêa (2019), para mitigar esses riscos, as empresas precisam desenvolver estratégias
robustas de gerenciamento de risco, o que pode incluir a diversificação de fornecedores, a
criação de parcerias estratégicas e o investimento em tecnologias de informação para melhorar
a transparência e a rastreabilidade da cadeia de suprimentos. Além disso, a comunicação e o
treinamento contínuos são essenciais para alinhar as equipes internas com as práticas de
sourcing global e para garantir que os padrões da empresa sejam mantidos em todas as
localidades.

O global sourcing oferece tanto oportunidades significativas quanto riscos substanciais. Uma
abordagem bem planejada e executada pode permitir que as empresas maximizem os benefícios
e minimizem os riscos associados a essa prática complexa e indispensável no comércio global
moderno.

Offshore
Offshore é uma prática de negócios que vem se solidificando no cenário internacional como uma
ramificação avançada do global sourcing. De acordo com Christopher (2018), o offshoring
acontece quando uma empresa decide transferir parte ou a totalidade de seus processos de
negócios para um país estrangeiro, buscando benefícios como redução de custos e acesso a
talentos especializados não disponíveis ou mais caros no país de origem.

Para Correa (2019), esta estratégia tem se mostrado particularmente prevalente entre as
multinacionais que buscam manter ou ampliar sua vantagem competitiva. Em um mundo onde
as fronteiras econômicas são cada vez mais permeáveis, o offshoring permite que as
organizações operem em um nível global, aproveitando as condições favoráveis ​de outras
economias - como custos laborais reduzidos e regimes fiscais vantajosos.
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Para Christopher (2018), o offshore, no entanto, não se limita a atividades simples e rotineiras.
Tarefas complexas e especializadas também estão sendo deslocalizadas, desde que não
comprometam as competências centrais ou os ativos estratégicos da empresa. A externalização
de funções críticas de negócios - como finanças, recursos humanos e atendimento ao cliente -
pode ser realizada com sucesso, desde que haja uma gestão eficaz e uma integração
operacional entre a empresa matriz e suas subsidiárias ou terceiros.

De acordo com Christopher (2018), o offshore é amplamente impulsionado pela busca


incessante de eficiência operacional e redução de custos, especialmente em tempos de
desaceleração econômica. Economias emergentes, com suas forças de trabalho qualificadas e
custos operacionais mais baixos, tornaram-se destinos atraentes para as empresas do Ocidente.

O offshore, com todas as suas vantagens, segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010),
apresenta também desafios significativos, incluindo a gestão de riscos associados à distância,
diferenças culturais e potenciais impactos na qualidade e na proteção da propriedade intelectual.
Além disso, questões éticas e sociais muitas vezes emergem, relacionadas ao impacto no
emprego nos países de origem e às condições de trabalho nos países offshoring.

O offshore não é apenas uma tática de redução de custos; é uma faceta complexa da estratégia
de negócios global que exige uma abordagem cuidadosa e estratégica para maximizar seus
benefícios e mitigar seus riscos. Como tal, ele representa uma faceta integral da globalização e
da transformação dos negócios internacionais.

Vamos Exercitar?

Global Sourcing é uma estratégia empresarial que consiste na busca de produtos, serviços ou
recursos fora dos limites geográficos de um país, visando aproveitar vantagens competitivas
globais como custo, qualidade, tecnologia e habilidades. As Estratégias e Desafios do Global
Sourcing abrangem a identificação, avaliação e integração de fornecedores internacionais para
criar cadeias de suprimentos eficientes e resilientes. Essas estratégias são cruciais para manter
a competitividade em uma economia mundial, mas incluem desafios como variações culturais,
questões logísticas, riscos políticos e econômicos. O Offshore, por sua vez, refere-se à
realocação de processos de negócios de uma empresa para outro país, seja para produção,
serviços ou atividades de desenvolvimento, e é uma faceta importante do Global Sourcing,
permitindo às empresas acessar recursos a custos mais baixos ou com qualidades distintas.

Para que o Global Sourcing seja eficazmente integrado às estratégias de negócios internacionais,
maximizando benefícios e minimizando riscos, é crucial uma abordagem meticulosa que envolve
pesquisa e análise aprofundada de mercados potenciais. A empresa deve considerar não apenas
os custos diretos, mas também fatores como estabilidade política, barreiras comerciais, taxas de
câmbio e compatibilidade cultural. Além disso, uma gestão de risco robusta, incluindo a
diversificação de fornecedores e a implementação de acordos contratuais claros, pode mitigar
desafios potenciais, garantindo a continuidade e a integridade da cadeia de suprimentos.
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COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

Os principais desafios enfrentados pelas empresas ao implementar estratégias de Global


Sourcing incluem a comunicação e diferenças culturais, questões logísticas, conformidade
regulatória e riscos associados à volatilidade política e econômica. Superar esses desafios exige
uma abordagem estratégica que priorize a due diligence, ou seja, uma avaliação e
monitoramento contínuo dos fornecedores, além de investimentos em tecnologia de informação
para melhorar a comunicação e a transparência. Estratégias de mitigação de riscos, como a
diversificação de fornecedores e a criação de planos de contingência, são essenciais para
garantir a resiliência da cadeia de suprimentos.

O papel do Offshore dentro da estratégia de Global Sourcing é fundamental para alcançar


objetivos organizacionais em um ambiente competitivo global, permitindo às empresas acessar
recursos e habilidades não disponíveis internamente ou em seu mercado local, a custos
limitados. Além disso, o Offshore pode facilitar a entrada em novos mercados e a expansão
global, oferecendo uma base operacional em regiões estratégicas. Para esses benefícios, é vital
uma gestão cuidadosa, que considere as especificidades legais e culturais do país escolhido,
garantindo que as operações offshore estejam alinhadas com os objetivos estratégicos e os
valores da empresa.

Portanto, a integração bem sucedida do Global Sourcing nas estratégias de negócios


internacionais exige uma abordagem holística que considere tanto as oportunidades quanto os
desafios, garantindo que as operações globais contribuam para a sustentabilidade e o
crescimento no longo prazo da organização.

Saiba mais

Recomendo a leitura do artigo “Aproximações entre “Global Soucing” e integração produtiva: Uma
análise da internacionalização das atividades produtivas no contexto Brasileiro”, esse artigo irá
ampliar o conhecimento acerca do tema global sourcing.

Indico o filme “Despachado para a Índia (2006)”, este filme de comédia/drama oferece
perspectivas sobre as diferenças culturais e desafios enfrentados ao mover operações de
negócios para outro país, um conceito próximo ao Global Sourcing.

Recomendo o podcast “Global Sourcing como política de compras - Episódio 01”, para conhecer
mais sobre as estratégias de global sourcing.

Referências

CAVUSGIL, S. T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e


novas realidades. São Paulo, Pretince Hall, 2010. 546 p.
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. 5ª ed. São Paulo:


Cengage, 2018. 378 p.

CORRÊA, Henrique L. Administração de Cadeias de Suprimentos e Logística - Integração na Era


da Indústria 4.0. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2019. 379 p.

GREMAUD, Amaury P.; SILBER, Simão D.; VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Manual
de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2017. 385 p.

LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4ª ed. São Paulo:
Saraiva Educação, 2018. 290 p.

NYEGRAY, João Alfredo Lopes. Negócios internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. 162 p.

SEGRE, German. Manual Prático de Comércio Exterior. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 224 p.

SOUSA, José Meireles de. Empreender em mercados internacionais: um guia para


internacionalizar sua empresa. São Paulo: Saraiva, 2014. 200 p.

Aula 5
Encerramento da Unidade

Videoaula de Encerramento

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Olá, estudante!
Nesta videoaula você irá explorar os fundamentos do Marketing e Logística Internacional,
abordando temas cruciais como Segmentação e Posicionamento Internacional, Composto
Mercadológico, Logística Global e Global Sourcing. Esses conteúdos são necessários para sua
Disciplina

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prática profissional, capacitando-o a desenvolver estratégias de mercado e melhorar operações


logísticas em um contexto global. Este conhecimento é fundamental para enfrentar os desafios
do comércio internacional e se destacar em sua área. Prepare-se para adquirir habilidades que
irão transferir sua carreira.
Vamos lá!

Ponto de Chegada

Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é a capacidade de


desenvolver estratégias de marketing globalmente eficazes, identificar oportunidades de
mercado em contextos internacionais, compreender os desafios logísticos associados ao
comércio internacional, e otimizar a cadeia de suprimentos globais para atender às necessidades
dos clientes em diferentes regiões do mundo, você deverá primeiro conhecer os conceitos
fundamentais de Marketing e Logística Internacional. Esta base de conhecimento é essencial
para permitir que você contribua para o sucesso de uma empresa em um mercado global
competitivo.

Começando com a seção sobre Segmentação e Posicionamento Internacional, os conceitos de


Marketing Internacional, Segmentação de Mercado Global e Posicionamento de Marca são
cruciais. Compreender como uma empresa pode identificar segmentos específicos do mercado e
posicionar sua marca de forma eficaz em diferentes culturas e regiões é fundamental para o
desenvolvimento de estratégias de marketing que ressoem com públicos diversos. Essa
compreensão permite que as empresas se comuniquem de maneira mais eficaz com seus
clientes potenciais, adaptando suas mensagens e ofertas para atender às necessidades e
preferências locais.

Na seção sobre o Composto Mercadológico, exploramos os elementos essenciais de Produto,


Preço, Praça e Promoção. Cada um desses elementos deve ser cuidadosamente considerado e
adaptado para diferentes mercados internacionais. A decisão sobre que produtos oferecer, como
precificá-los, onde disponibilizá-los e como promovê-los em um contexto internacional pode
determinar o sucesso ou fracasso de uma empresa no palco global. Essas decisões são
influenciadas por fatores culturais, econômicos, políticos e sociais de cada mercado alvo.

Em relação à Logística Global, os conceitos de Logística, Logística Reversa Internacional e


Contêineres são explorados. A compreensão desses conceitos é vital para gerenciar com
eficiência a entrega de produtos através das fronteiras internacionais. A capacidade de otimizar a
cadeia de suprimentos, minimizar custos e tempo de entrega, enquanto se navega pelas
complexidades regulatórias, é crucial para atender às expectativas dos clientes em diferentes
regiões.

A seção sobre Global Sourcing aborda o Conceito de Global Sourcing, Estratégias e Desafios do
Global Sourcing e Offshore. O sourcing global é uma estratégia chave para empresas que
buscam vantagens competitivas, permitindo-lhes o acesso a recursos, mão de obra ou
Disciplina

COMÉRCIO E NEGÓCIOS
INTERNACIONAIS

tecnologia disponível em outros países. Compreender como gerenciar os riscos e desafios


associados ao sourcing global, incluindo questões de qualidade, confiabilidade da cadeia de
suprimentos e questões éticas, é essencial para o sucesso internacional.

Concluindo, o conhecimento adquirido sobre marketing e logística internacional é fundamental


para desenvolver estratégias de marketing global, identificar oportunidades de mercado,
compreender os desafios logísticos e otimizar a cadeia de suprimentos globais. Este
conhecimento capacita você a contribuir significativamente para o sucesso de uma empresa em
um mercado global competitivo, permitindo uma atuação consciente e estratégica em diferentes
contextos internacionais.

Como a adaptação do Composto Mercadológico pode influenciar o sucesso de uma marca


em diferentes mercados internacionais?
De que maneira as estratégias de Global Sourcing podem contribuir para a competitividade
de uma empresa no mercado global?
Quais são os principais desafios logísticos enfrentados pelas empresas no comércio
internacional e como podem ser superados?

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A EcoTec é uma empresa emergente no setor de tecnologia sustentável, com sede no Brasil. Sua
missão é desenvolver soluções inovadoras que promovam a sustentabilidade ambiental, focando
em produtos de energia renovável e eficiência energética. Até o momento, a EcoTec conquistou
uma sólida base de clientes no mercado nacional e está agora explorando oportunidades de
expansão internacional.
Como parte do time da EcoTec, você, um estudante de comércio e negócios internacionais, foi
encarregado de liderar a iniciativa de expansão. Sua tarefa é identificar mercados-alvo potenciais,
avaliar os desafios regulatórios e logísticos e desenvolver uma estratégia de entrada que alinhe
com os objetivos de sustentabilidade e crescimento da empresa.
A primeira etapa envolve uma análise detalhada dos mercados internacionais para identificar
regiões com alta demanda por tecnologias sustentáveis. Essa análise deve considerar fatores
econômicos, políticos, sociais e ambientais que podem influenciar a aceitação dos produtos da
EcoTec.
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A expansão internacional traz consigo uma série de desafios regulatórios e logísticos. Você
precisará entender as políticas de importação/exportação, certificações necessárias para
produtos de tecnologia sustentável e possíveis barreiras tarifárias ou não tarifárias nos
mercados-alvo. Além disso, a logística de transporte e distribuição dos produtos em um novo
mercado requer atenção especial para garantir eficiência e sustentabilidade.
Com base na análise de mercado e nos desafios identificados, você deve desenvolver uma
estratégia de entrada adaptada para cada mercado-alvo. Isso pode incluir a escolha entre
exportação direta, parcerias locais, joint ventures ou estabelecimento de uma subsidiária. A
estratégia deve considerar também os aspectos culturais e a necessidade de adaptação dos
produtos ou serviços às preferências locais.

Os questionamentos a seguir precisam ser respondidos para melhor orientação das estratégias
adotadas.

Quais são os três mercados internacionais mais promissores para a expansão da EcoTec,
com base na demanda por tecnologia sustentável e nas condições econômicas e políticas?
Identifique e descreva as principais barreiras regulatórias e logísticas que a EcoTec
enfrentará ao entrar em um dos mercados escolhidos. Como a empresa pode superar
essas barreiras de forma eficaz?
Desenvolva uma estratégia de entrada detalhada para um dos mercados identificados,
incluindo o método de entrada, planos de marketing e vendas adaptados à cultura local, e
uma abordagem para a gestão da cadeia de suprimentos que seja tanto eficiente quanto
sustentável.

A EcoTec, empresa brasileira no setor de tecnologia sustentável, almeja expandir sua presença
para mercados internacionais. Este movimento requer uma análise cuidadosa dos mercados
potenciais, uma compreensão das barreiras regulatórias e logísticas específicas desses
mercados, e o desenvolvimento de uma estratégia de entrada que seja eficaz e alinhada com
seus valores de sustentabilidade.
A seleção de mercados deve ser baseada na análise de demanda por tecnologias sustentáveis,
bem como na estabilidade econômica e política. Alemanha, Japão e Canadá emergem como
opções viáveis. A Alemanha, com sua forte ênfase em energias renováveis e sustentabilidade,
oferece um ambiente regulatório favorável. O Japão, conhecido por sua liderança em tecnologia
e inovação, possui um mercado consumidor disposto a adotar soluções sustentáveis. O Canadá,
com políticas de apoio à tecnologia limpa e um mercado crescente para produtos sustentáveis,
também apresenta uma oportunidade significativa.
Ao entrar no mercado alemão, por exemplo, a EcoTec enfrentará desafios como normas rígidas
de certificação de produtos e regulações ambientais. A superação dessas barreiras pode ser
alcançada através da parceria com entidades locais que já possuam entendimento e
conformidade com as regulamentações locais, além da adaptação dos produtos da EcoTec para
atender às especificações técnicas e ambientais do mercado alemão.
Para o mercado alemão, uma estratégia de joint venture com uma empresa local pode ser a mais
benéfica. Isso não só facilitaria a navegação no complexo ambiente regulatório, mas também
proporcionaria acesso a uma rede de distribuição estabelecida e conhecimento do mercado. O
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marketing e as vendas deveriam enfatizar a compatibilidade dos produtos da EcoTec com os


valores de sustentabilidade tão estimados pelos consumidores alemães, utilizando canais de
comunicação que ressoem com a sensibilidade local para a sustentabilidade.
Embora esta resolução destaque um caminho potencial, existem múltiplas estratégias que a
EcoTec poderia adotar, dependendo de suas capacidades internas, tolerância ao risco e objetivos
de longo prazo. A expansão internacional é um processo multifacetado que pode incluir
abordagens alternativas como exportação direta, estabelecimento de subsidiárias ou até mesmo
e-commerce transfronteiriço, dependendo das características específicas de cada mercado.
Encorajamos os estudantes a explorar essas alternativas, refletindo sobre como cada opção se
alinha com as metas estratégicas da EcoTec e os princípios de sustentabilidade. Isso não
apenas fortalece a compreensão do comércio e negócios internacionais, mas também prepara o
terreno para tomadas de decisão informadas e responsáveis no cenário global.

A evolução do contêiner é um capítulo fundamental na história do transporte e da logística


globais. Este simples, porém revolucionário, conceito transformou radicalmente o comércio
internacional ao padronizar o transporte de carga, reduzindo custos e tempos de envio, e
simplificando as operações de carga e descarga. Antes da introdução do contêiner, as
mercadorias eram manuseadas de forma manual e individual, um processo demorado e
propenso a erros conhecido como "carga geral". A padronização dos contêineres permitiu a
intermodalidade entre navios, trens e caminhões, otimizando toda a cadeia de suprimentos e
inaugurando uma nova era de eficiência no transporte de mercadorias. A linha do tempo a seguir
destaca os principais marcos na evolução dos contêineres, ilustrando como esta inovação se
tornou a espinha dorsal do comércio global moderno.
Linha do Tempo da Evolução dos Contêineres:

1956 – Malcolm McLean, um empresário americano do setor de transportes, introduz o


primeiro contêiner de transporte moderno. Ele transformou um navio petroleiro, o Ideal X,
para transportar 58 contêineres metálicos, além de carga a granel, em sua viagem inaugural
de Newark a Houston.
1961 – A International Organization for Standardization (ISO) começa a trabalhar na
padronização dos tamanhos de contêineres, um passo crucial para a adoção global da
tecnologia de contêineres.
1968 – A ISO estabelece os padrões de tamanho para contêineres, incluindo os mais
comuns hoje em dia, como os de 20 e 40 pés, facilitando a globalização do uso de
contêineres.
1970 – O desenvolvimento e a implantação do contêiner refrigerado (reefer) expandem as
possibilidades do comércio global, permitindo o transporte de produtos perecíveis por
longas distâncias.
1980 – A introdução do sistema de gerenciamento de contêineres computadorizado
melhora a eficiência do rastreamento e da gestão de contêineres em todo o mundo.
1990s – A globalização e o aumento do comércio eletrônico impulsionam o crescimento
exponencial do uso de contêineres, tornando-os fundamentais para a economia global.
2006 – Lançamento do Emma Maersk, um dos maiores porta-contêineres do mundo na
época, capaz de transportar aproximadamente 15.000 TEUs (Twenty-foot Equivalent Units),
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destacando a crescente demanda e eficiência no transporte de contêineres.


2010s – Avanços tecnológicos, como a introdução de contêineres inteligentes equipados
com GPS e sensores IoT, oferecem melhor visibilidade, rastreamento em tempo real e
monitoramento das condições de carga, otimizando ainda mais a logística e a segurança.
2020 e além – A sustentabilidade torna-se uma prioridade crescente, com a indústria
explorando maneiras de tornar os contêineres e o transporte de contêineres mais
ecológicos, incluindo a utilização de materiais recicláveis e a otimização de rotas para
reduzir as emissões de carbono.

Desde sua invenção, os contêineres revolucionaram o transporte de carga, promovendo uma


eficiência sem precedentes e conectando mercados globais de maneiras que eram inimagináveis
antes de sua introdução. Continuam a ser uma área de inovação, com foco em melhorias
tecnológicas e sustentabilidade, refletindo as mudanças nas demandas e valores da sociedade
global.

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