Appcc Pastelaria
Appcc Pastelaria
Escola de Engenharia
Setembro de 2022
Universidade do Minho
Escola de Engenharia
Dissertação de Mestrado
Mestrado em Tecnologia e Ciência Alimentar
Setembro de 2022
Universidade do Minho
Escola de Engenharia
Dissertação de Mestrado
Mestrado em Tecnologia e Ciência Alimentar
Setembro de 2022
DECLARAÇÃO
Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas
práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos.
Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada.
Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas
no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho.
Atribuição-NãoComercial-SemDerivações
CC BY-NC-ND
[Link]
iii
AGRADECIMENTOS
Quero expressar o meu profundo agradecimento, reconhecimento e estima a todas as pessoas que
contribuíram para a realização desta dissertação.
À Escola de Engenharia da Universidade do Minho e à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto,
pela excelente parceria que tornou possível a realização do Mestrado em Tecnologia e Ciência Alimentar, e
a todos os professores de ambas as instituições pela dedicação e excelência no ensino.
À empresa Biocheck – Higiene e Segurança Alimentar, Lda. e aos responsáveis que possibilitaram a
realização deste estágio para a conclusão deste ciclo de trabalhos e a todos os colegas pelo acolhimento,
companheirismo e simpatia com que me receberam e fizeram sentir integrada ao longo destes nove meses.
Ao Dr. Armando Venâncio pela orientação desta dissertação, pela compreensão e por toda a
disponibilidade dispensada.
Em especial, à minha supervisora de estágio, Eng.ª Isabel Costa, pela oportunidade de desenvolver este
projeto, pelo carinho, amabilidade e dedicação, que permitiu o meu crescimento a nível profissional e
pessoal.
À minha família, em particular à minha mãe, por me apoiar incondicionalmente em mais uma etapa da
minha vida académica e profissional e por acreditar sempre em mim.
Aos meus amigos e colegas de curso, que me acompanharam neste percurso e com os quais partilhei
todas as alegrias, dificuldades e conquistas ao longo destes anos.
A todos, o meu sincero obrigado!
iv
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não
recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou
resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração.
Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v
Revisão e Implementação do Sistema HACCP numa Indústria de Panificação e Pastelaria
RESUMO
Atualmente, a Segurança Alimentar é um requisito fundamental para garantir um elevado nível de
proteção da vida e da saúde, no que respeita ao consumo de produtos alimentares. Devido à crescente
exigência dos consumidores relativamente à qualidade alimentar, fundamentada pelas crises alimentares
dos últimos anos, houve necessidade de criar legislação alimentar, que regulamentasse as empresas do
setor, em matéria de Higiene e Segurança, de forma a promover a produção de alimentos seguros.
Consequentemente, a implementação de um Sistema de Gestão da Segurança Alimentar, nomeadamente,
o Sistema HACCP, é crucial para auxiliar os operadores do setor alimentar a atingir níveis elevados de
segurança dos géneros alimentícios, evitando, assim, a ocorrência de doenças do foro alimentar.
Nesse sentido, a presente dissertação de Mestrado em Tecnologia e Ciência Alimentar consiste na
revisão e implementação do Sistema HACCP numa indústria de pastelaria e panificação. Esta é cliente da
Biocheck – Higiene e Segurança Alimentar, Lda., empresa na qual foi desenvolvido o projeto para a conclusão
deste ciclo de estudos.
Para a elaboração deste trabalho, numa primeira instância, avaliou-se a situação da empresa
relativamente ao cumprimento dos Pré-Requisitos, quer a nível da existência de não conformidades, quer a
nível de oportunidades de melhoria. Deu-se início ao processo de implementação do Programa de Pré-
Requisitos, com vista à sua aplicação eficaz e, após a consolidação desta etapa, procedeu-se à
implementação do Sistema de Análise dos Perigos e Controlo dos Pontos Críticos. Nesta fase, foram
identificados quatro pontos críticos de controlo ao longo do processo produtivo, nomeadamente nas etapas
de armazenagem e confeção, para os quais foram criadas medidas, com vista ao seu controlo e
monitorização.
Em suma, apesar de subsistirem oportunidades de melhoria, que não devem ser descuradas,
particularmente em relação à formação dos colaboradores, na adoção de boas práticas de fabrico e higiene,
conclui-se que a implementação do Plano HACCP é uma ferramenta essencial para garantir a segurança dos
géneros alimentícios na indústria de pastelaria e panificação em estudo.
vi
Review and Implementation of the HACCP System in a Bakery and Pastry Industry
ABSTRACT
Nowadays, food safety is a fundamental requirement to ensure a high level of protection of life and health,
when it comes to the consumption of food products. Due the growing consumer demand for food quality, due
to recent years food outbreaks, there was a need to create food legislation that would regulate the sector's
industries in terms of hygiene and safety, in order to promote the production of safe food. Consequently, the
implementation of a Food Safety Management System, namely the HACCP system, is crucial to help food
operators to achieve high levels of food safety, preventing the occurrence of foodborne diseases.
In this sense, the present Master's dissertation in Food Science and Technology, consists in the review
and implementation of the HACCP system in a pastry and bakery industry. This is a client of Biocheck -
Higiene e Segurança Alimentar, Lda, company in which the project for the conclusion of this cycle of studies
was developed.
For the elaboration of this work, in a first instance, it was evaluated the situation of the company regarding
the execution of the Pre-Requirements, both in terms of the existence of non-conformities and in terms of
improvement opportunities. The implementation process of the Pre-Requirements Program was initiated,
aiming at its effective application and, after the consolidation of this stage, we proceeded to the
implementation of the Hazard Analysis and Critical Control Points System. In this phase, four critical control
points were identified throughout the process, namely in the storage and confection stages, for which
measures were created, in order to control and monitoring them.
In brief, although there are still improvement opportunities, which should not be neglected, particularly
in relation to employee training, the adoption of good manufacturing and hygiene practices, we conclude that
the implementation of the HACCP Plan is an essential tool to ensure the safety of food in the pastry and
bakery industry under study.
Keywords: Implementation, Pastry and Bakery Industry, Pre-requisites Program,.Food Safety, HACCP
System.
vii
ÍNDICE
Agradecimentos........................................................................................................................................ iv
Resumo.................................................................................................................................................... vi
Abstract................................................................................................................................................... vii
Índice de figuras ........................................................................................................................................ x
Índice de tabelas ...................................................................................................................................... xi
Lista de abreviaturas e siglas ................................................................................................................... xii
1. Introdução............................................................................................................................................ 1
1.1 Enquadramento ............................................................................................................................. 1
1.2 Objetivos do trabalho...................................................................................................................... 2
1.3 Apresentação das empresas ........................................................................................................... 3
1.3.1 Apresentação da empresa de consultoria ................................................................................ 3
1.3.2 Apresentação da empresa em estudo ...................................................................................... 3
1.4 Estrutura da dissertação ................................................................................................................. 4
2. Revisão bibliográfica ............................................................................................................................. 5
2.1 Segurança Alimentar ...................................................................................................................... 5
2.2 Indústria da panificação e pastelaria ............................................................................................... 6
2.3 Perigos alimentares ........................................................................................................................ 7
2.3.1 Químicos ................................................................................................................................ 8
2.3.2 Físicos .................................................................................................................................. 10
2.3.3 Alergénios ............................................................................................................................. 11
2.3.4 Biológicos ............................................................................................................................. 12
2.4 O Codex Alimentarius ................................................................................................................... 18
2.5 Sistema HACCP ........................................................................................................................... 19
2.5.1 História e Princípios do Sistema HACCP ................................................................................ 20
2.5.2 Programa de Pré-Requisitos .................................................................................................. 21
2.5.3 Metodologia do Sistema HACCP ............................................................................................ 36
3. Implementação do Sistema de Gestão da Segurança Alimentar ........................................................... 43
3.1 Metodologia ................................................................................................................................. 43
3.2 Implementação do Programa de Pré-Requisitos ............................................................................ 44
3.2.1 Instalações, equipamentos e materiais em contato com alimentos ......................................... 48
3.2.2 Higienização da unidade de fabrico ....................................................................................... 52
3.2.3 Controlo de pragas................................................................................................................ 55
viii
3.2.4 Manutenção técnica e calibração........................................................................................... 56
3.2.5 Alergénios ............................................................................................................................. 58
3.2.6 Gestão de resíduos ............................................................................................................... 58
3.2.7 Abastecimento de água ......................................................................................................... 59
3.2.8 Controlo analítico .................................................................................................................. 59
3.2.9 Matérias-primas .................................................................................................................... 60
3.2.10 Manutenção da cadeia de frio ............................................................................................. 64
3.2.11 Saúde e higiene pessoal...................................................................................................... 65
3.2.12. Formação .......................................................................................................................... 66
3.3 Implementação do Sistema de Análise dos Perigos e Controlo dos Pontos Críticos ........................ 67
3.3.1 Constituição da equipa HACCP ............................................................................................. 67
3.3.2 Descrição do(s) produto(s) .................................................................................................... 67
3.3.3 Identificação do uso pretendido ............................................................................................. 67
3.3.4 Construção de um fluxograma ............................................................................................... 68
3.3.5 Confirmação in loco do fluxograma........................................................................................ 73
3.3.6 Análise de perigos e identificação de medidas de controlo (1º princípio)................................. 73
3.3.7 Identificação dos pontos críticos de controlo (2ºprincípio) ...................................................... 75
3.3.8 Estabelecimento dos limites críticos para cada pcc (3ºprincípio) ............................................ 75
3.3.9 Estabelecimento de procedimentos de monitorização para cada pcc (4º princípio) ................. 76
3.3.10 Estabelecimento de ações corretivas (5ºprincípio)................................................................ 76
3.3.11 Estabelecimento de procedimentos de verificação (6º princípio) ........................................... 76
3.3.12 Estabelecimento de documentação e registos( 7º princípio) ................................................. 77
4. Conclusão ........................................................................................................................................ 113
Bibliografia ........................................................................................................................................... 115
Anexos ................................................................................................................................................. 118
Anexo I – Ficha de verificação de Pré-Requisitos ............................................................................... 119
Anexo II – Plano de higienização ....................................................................................................... 135
Anexo III – Instrução de trabalho para a higienização das mãos ........................................................ 153
Anexo IV – Plano de manutenção de equipamentos .......................................................................... 154
Anexo V – Plano de controlo analítico................................................................................................ 156
Anexo VI – Boletins das análises microbiológicas e físico-químicas .................................................... 157
Anexo VII – Questionário de avaliação e seleção de fornecedores ...................................................... 163
Anexo VIII – Formação de higiene e segurança alimentar .................................................................. 165
ix
Anexo IX – Teste de avaliação ........................................................................................................... 181
Anexo X – Instrução de trabalho para a receção de matérias-primas ................................................. 184
Anexo XI – Instrução de trabalho para o armazenamento de matérias-primas .................................... 187
Anexo XII – Instrução de trabalho para a higiene e conduta pessoal .................................................. 190
Anexo XIII – Instrução de trabalho de boas práticas de fritura ............................................................ 191
Anexo XIV – Matriz de responsabilidades .......................................................................................... 192
Anexo XV – Ficha técnica do produto final (exemplo) ......................................................................... 193
ÍNDICE DE FIGURAS
x
Figura 15 – Materiais de limpeza dispersos no armazém geral (A) e túnel de congelação não operacional
da secção de fabrico de pastelaria doce (B). ........................................................................................... 54
Figura 16 – Linha automática de produção de rissóis com acumulação de sujidade entre as diferentes
preparações (A) e (B). ............................................................................................................................. 54
Figura 17 – Presença de baratas nas paredes da estufa (secção de fabrico de pastelaria doce). ........... 56
Figura 18 – Infestação de baratas mortas na zona de fornos da secção de fabrico de pastelaria doce. .. 56
Figura 19 – Borracha vedante da câmara de ovo-produtos com sujidade (A), borrachas vedantes dos
armários refrigerados danificadas e com sujidades (B) e (C). ................................................................... 57
Figura 20 – Balde do lixo sem tampa. .................................................................................................. 59
Figura 21 – Embalagens de farinhas e manteiga abertas (A) e sacos de frutos secos abertos (B). ........ 61
Figura 22 – Matérias-primas acondicionadas juntamente com produtos pré-preparados. ...................... 61
Figura 23 – Óleo de fritura com sinais de degradação. ......................................................................... 62
Figura 24 – Batatas cozidas (A), preparado de carne (B) e bacalhau desfiado (C) desprotegidas(os) à
temperatura ambiente. ........................................................................................................................... 62
Figura 25 – Produtos pré-preparados desprotegidos (A) e sobras de pão colocadas diretamente no
pavimento (B). ........................................................................................................................................ 63
Figura 26 – Marmelos com bolores (A) e saco de farinha com humidade (B). ....................................... 63
Figura 27 – Ervilhas (A) e frango (B) em processo de descongelação à temperatura ambiente. ............. 65
Figura 28– Fluxograma do processo produtivo. .................................................................................... 69
ÍNDICE DE TABELAS
xi
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
xii
1. INTRODUÇÃO
1.1 ENQUADRAMENTO
A conceção de segurança alimentar é, provavelmente, quase tão antiga como a própria história humana,
e poderá ter começado com o reconhecimento e subsequente rejeição de alimentos que eram naturalmente
tóxicos. Os primeiros seres humanos, por tentativa e erro, começaram a desenvolver técnicas básicas de
conservação de alimentos que consequentemente os tornaram mais seguros, como por exemplo a secagem,
a salga e a fermentação (Griffith, 2006).
Os alimentos são o combustível que o organismo humano precisa para se abastecer, como condição
inerente à manutenção da vida. Porém, por vezes, os alimentos podem causar perturbações na saúde dos
consumidores, algumas das quais têm consequências fatais (Bernardo, 2006). Embora existam alimentos
que são naturalmente venenosos ou tóxicos, os quais devem ser evitados, a grande maioria deles passa por
um processo longo desde a produção até ao ponto de consumo, sendo que, em cada etapa desse processo
pode existir um potencial foco de contaminação, associado a fatores químicos, físicos, biológicos ou
alergénios que põem em risco a salubridade dos alimentos. Com as mudanças dos padrões alimentares,
dos hábitos dos consumidores e com o desenvolvimento de novos produtos, a segurança alimentar tornou-
se cada vez mais regulamentada, englobando todas as etapas do processamento, desde a transformação,
preparação até à manipulação dos alimentos (Griffith, 2006).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que uma em cada dez pessoas no mundo
adoece após consumir alimentos contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas e
que, 420 mil pessoas morrem em cada ano, sendo as crianças menores de cinco anos as mais afetadas.
De facto, a inocuidade dos alimentos é fundamental para a manutenção da saúde humana, a prosperidade
económica, a agricultura, o turismo e para o desenvolvimento sustentável (OMS, 2020).
A larga disseminação dos contaminantes nos alimentos, que têm vindo a originar incidentes graves e de
risco elevado para a saúde dos consumidores, passou a exigir a implementação de sistemas que visem
garantir a segurança dos alimentos. Por essa razão, todos os operadores do setor alimentar devem adotar,
de forma sistemática, segundo o Regulamento (CE) n.º 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de
29 de abril de 2004, o sistema HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Points – Análise de Perigos e
Controlo dos Pontos Críticos), ferramenta essencial para avaliar os perigos e estabelecer medidas para o seu
controlo, cuja finalidade assenta na prevenção ao longo de toda a cadeia alimentar (Novais, 2006).
1
1.2 OBJETIVOS DO TRABALHO
No âmbito do Mestrado em Tecnologia e Ciência Alimentar da Universidade do Minho, em parceria com
a Universidade do Porto, foi desenvolvida a presente dissertação na empresa Biocheck - Higiene e Segurança
Alimentar, Lda, empresa prestadora de serviços de consultoria, auditoria e formação na área alimentar, para
a conclusão deste ciclo de estudos.
Este projeto teve como objetivos a aplicação de conhecimentos adquiridos ao longo da minha formação
académica e o desenvolvimento das minhas competências técnicas, laborais e interdisciplinares.
Paralelamente ao trabalho desenvolvido, diretamente relacionado com o tema da dissertação de mestrado,
este projeto teve como objetivos adicionais o desenvolvimento de trabalhos e atividades complementares à
implementação do Sistema HACCP, tais como, a realização de auditorias e formação no que se refere à
qualidade, higiene e segurança dos alimentos, nas diversas áreas do setor alimentar.
Relativamente à dissertação de mestrado, cujo tema é “Revisão e Implementação do Sistema HACCP
numa Indústria de Panificação e Pastelaria”, esta apresentou como objetivos a compreensão dos
procedimentos baseados nos princípios do Sistema HACCP e o âmbito da sua aplicação, com vista ao
desenvolvimento e implementação do Plano HACCP numa empresa do setor alimentar. Nesse sentido,
realizou-se um estudo de caso numa indústria de panificação e pastelaria, no qual foram desenvolvidas todas
as tarefas e documentação inerentes à sua implementação, isto é, elaboração de uma lista de verificação de
pré-requisitos, acompanhamento das auditorias e realização dos respetivos relatórios de visita, elaboração
de um plano de formação, procedimentos e instruções de trabalho, fichas técnicas de produto final, análise
de perigo e avaliação dos riscos associados ao processo produtivo, entre os demais documentos necessários
para a implementação lógica e sequencial do Sistema de Gestão da Segurança Alimentar.
2
1.3 APRESENTAÇÃO DAS EMPRESAS
1.3.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA DE CONSULTORIA
A empresa Biocheck – Higiene e Segurança Alimentar, Lda., é uma empresa de consultadoria técnica,
auditoria e formação na área de higiene e segurança dos alimentos. Foi fundada em 2007, está integrada
no Grupo Medilogics, S.A. e fica sediada no grande Porto. Presta serviços personalizados a cada cliente, que
incluem a realização de auditorias de diagnóstico, de acompanhamento e de verificação de sistemas de
gestão da segurança alimentar, o apoio técnico na implementação e manutenção de processos baseados
nos princípios do HACCP e de referenciais normativos, assim como, a formação contínua de clientes e de
outras partes interessadas no âmbito da segurança e higiene alimentar.
O projeto desenvolvido nesta empresa, para a conclusão do ciclo de estudos equivalente ao grau de
mestre, permitiu criar e desenvolver diversos trabalhos, projetos e atividades entre as quais a implementação
do Sistema HACCP numa Indústria de Pastelaria e Panificação, que será o tema desta dissertação.
3
1.4 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO
No primeiro capítulo são apresentados os assuntos gerais deste projeto, como o enquadramento teórico,
os objetivos do trabalho e as empresas envolvidas, no caso, a empresa de consultoria onde foi concretizado
o estágio e a empresa do estudo de caso.
No segundo capítulo são abordados os fundamentos teóricos que apoiam o desenvolvimento deste
estudo, nomeadamente, o conceito de Segurança Alimentar, uma caracterização da indústria de pastelaria
e panificação, uma breve revisão bibliográfica do Codex Alimentarius, do Regulamento (CE) n.º 852/2004
do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de abril de 2004 e da legislação em vigor. Adicionalmente, são
abordados os perigos e riscos associados aos géneros alimentícios e, no final deste capítulo, encontra-se a
contextualização e a metodologia de implementação deste SGSA.
No terceiro capítulo é abordado todo o processo de acompanhamento do estudo de caso, no que se
refere ao cumprimento do Programa de Pré-Requisitos, bem como, a metodologia adotada para o
desenvolvimento do Plano HACCP e, ainda, toda a documentação inerente ao processo de implementação
do sistema.
No quarto e último capítulo exibem-se as conclusões deste trabalho, assim como, as limitações
encontradas no decorrer de todo o projeto.
4
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 SEGURANÇA ALIMENTAR
A segurança dos alimentos (Food Safety) refere-se ao manuseamento, preparação e armazenamento dos
géneros alimentícios, de forma a reduzir, substancialmente, o risco de doenças de origem alimentar (AIFS,
2019). Este conceito está diretamente relacionado com o termo “Food Security” que, segundo a Organização
das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), é definido como a capacidade de satisfazer as
necessidades alimentares básicas da população mundial, na qual todos os cidadãos devem ter acesso a
alimentos seguros, nutritivos e em quantidades suficientes (FAO, 1996). Contudo, não é possível atingir a
segurança alimentar, se a segurança dos alimentos não for assegurada, uma vez que é a base para o
desenvolvimento humano (FAO, s.d.). O facto destes dois termos surgirem comumente associados, originou
a generalização da tradução do termo Food Safety como “Segurança Alimentar”, pelo que, irá ser
referenciado dessa forma ao longo deste trabalho.
Nos últimos anos, a segurança alimentar tem vindo a constituir uma preocupação crescente entre os
consumidores, que são cada vez mais exigentes, as organizações não governamentais, os produtores e
comerciantes, exigindo por parte do setor Agro-Alimentar, uma maior atenção para as questões relacionadas
com a segurança alimentar (UE, 2002; Baptista e Antunes, 2005).
Os alimentos inseguros criam um ciclo vicioso de doenças e desnutrição, que afetam principalmente
crianças pequenas, bebés e idosos, tornando-se num grave problema de saúde pública (WHO, 2020). A sua
ocorrência deve-se, em grande parte, ao crescimento demográfico, que implica uma maior produção de
alimentos, com uso excessivo de produtos químicos, pesticidas e medicamentos veterinários, resultando na
sobrevivência e crescimento de agentes patogénicos responsáveis pelas contaminações alimentares. Além
disso, a urbanização da população e o comércio internacional, provocam o aumento do consumo de produtos
rápidos e convenientes e, a deslocação facilitada de produtos e pessoas, resulta na extensão da cadeia
alimentar, com mais etapas e processos, desde a matéria-prima até ao produto final. Em adição, o
desenvolvimento da tecnologia possibilita a produção em massa de vários produtos com recurso a poucas
indústrias, sobrelotando o fabrico e tornando-o menos sustentável (WHO, 1999).
Estes fatores colocam uma responsabilidade acrescida sobre os produtores e manipuladores de
alimentos em garantir a segurança dos produtos. Estes, por sua vez, podem ser contaminados em qualquer
ponto da sua produção e distribuição, através de falhas de higiene, ou do não cumprimento de determinadas
práticas, sendo da inteira responsabilidade dos produtores/comerciantes. No entanto, grande parte das
doenças transmitidas por alimentos são causadas pela incorreta preparação/confeção dos mesmos, pelos
próprios consumidores. É de extrema importância elucidar os manipuladores de alimentos e os
consumidores das consequências ao nível da saúde pública, bem como, das consequências económicas
5
diretas e indiretas para as empresas envolvidas, salientando a necessidade de adotar práticas básicas de
higiene (WHO, 2020).
Neste contexto, tornou-se indispensável, por parte da União Europeia (UE), estabelecer princípios e
requisitos gerais relativos à legislação alimentar, para orientar os produtores e comerciantes nas suas
atividades. Em 1963 foi criado, pela FAO e a OMS, o Comité do Codex Alimentarius, constituindo a primeira
compilação de padrões reconhecidos internacionalmente, boas práticas, orientações e recomendações
relacionadas com a segurança alimentar para a proteção do consumidor. Mais tarde, em 1993, o sistema
HACCP começa a ser parte integrante da regulamentação europeia, através da Diretiva 93/43/CEE do
Conselho, de 14 de junho de 1993, que estabeleceu as primeiras definições dos princípios gerais de higiene
e a obrigatoriedade dos operadores adotarem medidas de autocontrolo dos pontos críticos (Dias, 2006).
Posteriormente, em janeiro de 2002, foram oficialmente adotados pela União Europeia (UE), os
princípios base descritos no Codex Alimentarius com a publicação do Regulamento (CE) nº 178/2002 do
Parlamento Europeu e do Conselho de 28 de janeiro de 2002. Este regulamento determina os princípios e
normas gerais da legislação alimentar, estabelece procedimentos em matéria de segurança alimentar,
aplicados a todas as fases de produção, transformação e distribuição de géneros alimentícios e de alimentos
para animais, e cria a autoridade europeia para a segurança dos alimentos (EFSA) (Dias, 2006). Além disso,
esta legislação alimentar visa prevenir práticas fraudulentas ou enganosas, a adulteração dos géneros
alimentícios e quaisquer outras práticas que possam induzir em erro o consumidor (UE, 2002).
Por fim, em janeiro de 2006, entrou em vigor o Regulamento (CE) n.º 852/2004 do Parlamento Europeu
e do Conselho de 29 de abril de 2004 relativo à higiene dos géneros alimentícios, revogando a Diretiva
93/43/CEE do Conselho, de 14 de junho de 1993. Este novo regulamento estipula que, de forma a prevenir,
eliminar ou apenas reduzir os perigos que podem vir a contaminar os géneros alimentícios durante o
processo produtivo, e posterior distribuição, devem ser considerados requisitos baseados nos 7 princípios
do Sistema HACCP, permitindo a sua aplicação (UE, 2004). Assim, o Sistema de Análise de Perigos e
Controlo dos Pontos Críticos de Controlo (HACCP) permite demonstrar o compromisso de qualquer
empresa/indústria com a segurança alimentar e reforçar a satisfação do cliente, acompanhando o mercado
em evolução.
6
Também os antigos egípcios aprenderam a utilizar a levedura para fermentar o pão. Mais tarde, o pão branco
tornou-se no bem alimentar destinado à sociedade mais rica, e a partir de 1900, generalizou-se a toda a
população, com o aumento do poder de compra. Atualmente, a gama de produtos de panificação e pastelaria
apresenta uma vasta complexidade, desde os poucos ingredientes que constituem uma massa simples, até
aos inúmeros componentes que compõem um bolo (Zhou, 2014).
A evolução dos produtos da sua forma mais simples (p. ex., pão), até às variedades modernas com
atributos e funcionalidades específicas que são comercializados nos dias de hoje, só foi possível através da
utilização de tecnologias de fabrico sofisticadas, que acompanharam o progresso da ciência e da tecnologia
(Zhou, 2014). As tendências na evolução dos produtos de panificação e pastelaria estão relacionadas com a
saúde, o prazer e a conveniência dos consumidores. No sentido em que, a conveniência, em grande parte,
está relacionada com mudanças nos hábitos sociais e nas estruturas domésticas. O prazer associado ao
consumo destes produtos está diretamente relacionado com o consumo de bolos e doces típicos desta
indústria. No campo da saúde, as inovações remetem para o desenvolvimento de produtos direcionados para
nichos de consumidores (p. ex., celíacos) ou a criação de alternativas aos produtos tradicionais numa vertente
mais saudável (p. ex., doces e bolos com baixos teores de açúcares) (Monzó et. al., 2013).
Para que este setor continue em expansão, é fundamental melhorar a produtividade, as práticas
utilizadas, respetivamente à higiene e segurança alimentar, bem como, manter uma elevada competitividade
de mercado (Zhou, 2014).
7
Uma doença transmitida por um género alimentício pode ser definida como um incidente, comum a
duas ou mais pessoas que apresentem sintomas de doença semelhantes, após a ingestão de um mesmo
produto alimentar, e as análises epidemiológicas confirmem que o alimento está na origem da doença
(Baptista e Antunes, 2005). Estima-se que cerca de 90% das doenças transmitidas por alimentos sejam
provocadas por microrganismos, sendo que, estes podem se encontrar em quase todos os alimentos e a sua
transmissão resulta, em grande parte, da utilização de metodologias erradas nas etapas de confeção e
distribuição (ASAE, s.d.).
As doenças alimentares causadas por microrganismos, resultam, especialmente, da contaminação por
bactérias e/ou pelas suas toxinas. As doenças transmitidas por alimentos são classificadas em infeções,
intoxicações e toxinfeções dependendo da forma como o agente causador da doença atua no organismo
Humano. A infeção resulta da ingestão de um alimento que contém um microrganismo prejudicial vivo (p.
ex., Salmonella, Bacillus cereus, entre outros), já uma intoxicação é causada por toxinas que estão
presentes no alimento ingerido, ainda que, o microrganismo produtor destas toxinas tenha sido eliminado,
são exemplos dessas toxinas, aquelas produzidas pelo Clostridium botulinum e pelo Staphylococcus aureus.
Por último, uma toxinfeção é provocada pela produção de uma toxina após a ingestão do alimento
contaminado com um microrganismo patogénico, que é responsável por produzir e libertar as toxinas no
trato intestinal, alguns destes microrganismos incluem o Vibrio cholerae e o Clostridium perfringens (Baptista
e Antunes, 2005).
2.3.1 QUÍMICOS
As substâncias químicas podem ocorrer na cadeia alimentar de diversas formas e constituir um perigo
grave para a saúde, manifestando-se de forma aguda ou crónica. Nesta categoria, incluem-se perigos
associados às características das próprias matérias-primas, desde aqueles que são introduzidos durante o
processo, ou até aqueles que resultam da contaminação das matérias-primas utilizadas. Deste conjunto de
perigos químicos destacam-se:
• Aditivos alimentares
Entende-se por aditivo alimentar qualquer substância, com ou sem valor nutritivo, que não é considerada
por si só um género alimentício nem um ingrediente característico na alimentação, e cuja adição intencional,
com objetivo tecnológico ou organolético, em qualquer fase do processo, tenha como consequência, que ela
própria ou os seus derivados se tornem direta ou indiretamente um componente desses géneros alimentícios
(Baptista e Linhares, 2005).
A sua utilização pode ter diversos objetivos, desde a conservação da qualidade nutritiva dos alimentos,
impedir o desenvolvimento de microrganismos ou oxidação, aumentar a estabilidade ou até mesmo melhorar
8
as propriedades organoléticas dos produtos e, dependendo do objetivo principal do aditivo, este pode ser
agrupado em diferentes categorias, tais como antioxidante, conservante, emulsionante, intensificador de
sabor, entre outros. No entanto, a utilização indevida destes aditivos, pode resultar em contaminações,
quando usados em grandes quantidades (Baptista e Linhares, 2005).
• Pesticidas
A utilização excessiva destes químicos na agricultura e na produção animal aumenta a probabilidade de
contaminação química dos produtos alimentares, incluindo das espécies aquáticas, nomeadamente no
pescado. A contaminação química por pesticidas tem um efeito nefasto perceptível apenas ao fim de alguns
anos, devendo-se à ação acumulativa da toxicidade no organismo humano. A sua utilização na produção
primária tem como principal objetivo proteger ou eliminar a ocorrência de possíveis pragas ou pestes nas
culturas agrícolas e no gado, promovendo o seu crescimento, no entanto, esta prática deve ser
cuidadosamente regulamentada a nível nacional e Europeu, para assegurar que os pesticidas não causam
problemas de saúde nos consumidores. Também nos estabelecimentos do setor alimentar, a utilização de
pesticidas químicos é comum no controlo de pragas, devendo ser efetuada de forma controlada, por técnicos
especializados, garantindo que não existem contaminações cruzadas (Baptista e Linhares, 2005).
• Medicamentos veterinários
A utilização de antibióticos e outras substâncias no tratamento de animais, pode resultar em
contaminações, através da presença de resíduos de medicamentos veterinários nos produtos alimentares
provenientes de matérias-primas animais sujeitos a esses tratamentos. Alguns dos problemas que podem
advir do uso excessivo destes medicamentos são o desenvolvimento de reações alérgicas em consumidores
mais sensíveis, bem como, o desenvolvimento de doenças associadas à toxicidade do produto e a possíveis
mutações que podem ocorrer, levando ao surgimento de doenças cancerígenas. Além disso, pode levar a
uma redução da eficácia dos antibióticos quando administrados em Humanos, resultado de uma maior
resistência por parte dos microrganismos (Baptista e Linhares, 2005).
• Metais pesados
Ao longo das cadeias alimentares, podem ocorrem contaminações das reservas de alimentos para
consumo humano provenientes da produção industrial, que liberta grandes quantidades de produtos e
subprodutos químicos, tais como os metais pesados (p. ex., chumbo, mercúrio, cádmio) para o ambiente.
Estes contaminantes constituem um grave risco para a saúde pública, uma vez que, acumulam-se em
determinados órgãos do corpo humano, não tendo este capacidade para os eliminar.
A evolução técnico-científica e as alterações ao nível da legislação, relativamente às embalagens
destinadas ao contacto com os géneros alimentícios, possibilitaram uma redução substancial de
9
contaminações por metais pesados, que no passado, ocorriam frequentemente devido ao contacto dos
produtos com os materiais dos equipamentos e utensílios durante a confeção, com os materiais de
embalagem e ainda pelo contato com a água contaminada por metais pesados (Baptista e Linhares, 2005).
• Toxinas naturais
As contaminações químicas dos alimentos podem ainda resultar de géneros alimentícios que
naturalmente possuem ou produzem toxinas. Dentro do grupo das toxinas naturais existentes nos alimentos,
existem os compostos secundários, as biocidas, as micotoxinas e as biotoxinas marinhas.
Estas toxinas, não sendo destruídas pelo calor, permanecem no alimento após o tratamento térmico,
podendo causar doenças graves e inclusive levar à morte. Por esse motivo, é importante assegurar que estes
produtos não entram na cadeia alimentar ou que são prontamente eliminados em condições adequadas para
não contaminarem ou deteriorarem os demais produtos alimentares (Baptista e Linhares, 2005).
• Outros
Existem ainda substâncias químicas que podem ser introduzidas inadvertidamente nos alimentos, como
por exemplo os produtos de limpeza e desinfeção utilizados na higienização dos equipamentos, utensílios e
instalações e, os produtos de lubrificação dos equipamentos. Estes produtos deverão ser adequados para
uso alimentar e após a sua utilização deverá ser assegurada a remoção de quaisquer resíduos através do
enxaguamento final dos produtos utilizados. Além disso, o cumprimento das instruções de trabalho relativas
à limpeza e desinfeção é de extrema importância para minimizar a probabilidade de ocorrência deste tipo de
contaminações (Baptista e Linhares, 2005).
2.3.2 FÍSICOS
Os perigos físicos englobam um vasto conjunto de objetos que na sua generalidade não representam um
risco grave para saúde, no entanto, podem por vezes constituí-lo. Os objetos estranhos podem ser de origem
intrínseca às próprias matérias-primas, como os ossos nos produtos cárneos, as espinhas nos produtos à
10
base de pescado, ou até os talos nos produtos vegetais. Contudo, o mais comum é a presença de objetos
extrínsecos aos géneros alimentícios, entre os quais, aqueles que têm origem:
• Nas instalações, nos equipamentos ou nos utensílios (p. ex., presença de parafusos ou peças de
equipamentos, vidros de janelas ou lâmpadas);
• Nos operadores que entram em contacto com os géneros alimentícios (p. ex., presença de adornos
pessoais como anéis, brincos, pulseiras);
• Nos materiais de embalagem (p. ex., presença de fragmentos de materiais de embalagem);
• Nas atividades de higienização (p. ex., presença de fragmentos de utensílios de limpeza como
vassouras, esfregonas);
• Nas pragas (p. ex., presença de insetos nos alimentos).
Na maioria das vezes, os perigos físicos causam pequenos danos ao consumidor, porém podem existir
situações mais graves, normalmente associadas a situações de asfixia com fragmentos de plástico,
provenientes de materiais de embalagem, com consequências potencialmente fatais, ou à presença de
objetos perfurantes, como vidro, metais ou, menos comum, madeiras que podem causar lesões a nível da
boca ou ao longo do aparelho digestivo, sendo esta última de maior gravidade para a saúde do consumidor
(Baptista e Linhares, 2005).
2.3.3 ALERGÉNIOS
A alergia alimentar é um problema crescente de saúde pública e de segurança alimentar, resultante de
uma reação do sistema imunitário, aquando da ingestão de um alimento que o organismo humano reconhece
como uma ameaça, sendo que a fração do alimento responsável por essa reação se denomina por alergénio.
As alergias alimentares mais comuns são a alergia ao leite de vaca, ovo, amendoins, frutos gordos e
oleaginosos (conhecidos como “frutos de casca rija” ou “frutos secos”), peixe, marisco, trigo e soja, sendo
que estes alimentos são responsáveis por cerca de 90% das reações alérgicas. Existem ainda alergénios que
são menos prevalentes, mas que ainda assim, é obrigatório constarem na rotulagem como o aipo, a mostarda
ou o tremoço (Pádua et al., 2016).
Existem outras reações a alimentos, que são muitas vezes confundidas, de forma errada, como sendo
uma alergia alimentar, como é o caso de uma intolerância alimentar, que se caracteriza por ser uma reação
adversa, reproduzível, que ocorre após a exposição a um determinado componente do alimento e que, ao
contrário da alergia, não envolve o sistema imunitário (Pádua et al., 2016).
Os alergénios são ingredientes ou auxiliares tecnológicos que podem estar presentes naturalmente nos
alimentos, ou ser utilizados na preparação/fabrico de outros géneros alimentícios. Segundo o Regulamento
(UE) nº 1169/2011 do Parlamento Europeu e do Conselho de 25 de outubro de 2011, as 14 substâncias
ou produtos considerados como alergénios estão representadas na Figura 1.
11
Figura 1 – Representação dos 14 alergénios (Adaptado de ASAE, 2017).
As manifestações clínicas das reações alérgicas podem variar de moderadas a graves, podendo mesmo,
em alguns casos, ser fatais, dependendo da sensibilidade de cada pessoa. Os sintomas podem surgir após
alguns minutos ou até duas horas após a ingestão do alergénio (AHRESP, s.d.). Algumas reações alérgicas
e intolerâncias moderadas manifestam-se através de sintomas como lacrimejar, descarga nasal, irritações
cutâneas e cefaleia, no entanto, podem ocorrer reações mais severas em pessoas extremamente sensíveis
ao alergénio, estas podem entrar em choque em poucos minutos e numa situação mais grave, levar à morte
(Baptista e Venâncio, 2003).
A base de tratamento de uma alergia alimentar é a eliminação por completo do alergénio da alimentação
do indivíduo. Esta exclusão implica evitar qualquer exposição acidental que possa advir de uma contaminação
cruzada. A contaminação cruzada representa uma das maiores fontes de alergénios ocultos nos alimentos,
dificultando assim o cumprimento da exclusão alimentar (Pádua et al., 2016).
Em Portugal, de acordo com o Decreto-Lei n.º 26/2016 de 9 de junho do Ministério da Agricultura,
Florestas e Desenvolvimento Rural, é obrigatório apresentar de forma clara e efetiva os alergénios presentes
nos alimentos pré-embalados (ênfase por fonte, estilo ou cor de fundo) na lista de ingredientes, assim como,
fornecer as informações relativas à existência destas substâncias em produtos que não se encontram
embalados, quer sejam produzidos ou não nos estabelecimentos que os comercializam, para evitar o
consumo inadvertido destas substâncias por parte de pessoas que lhes são suscetíveis.
2.3.4 BIOLÓGICOS
Os agentes biológicos representam o maior risco para a salubridade dos alimentos. Estes incluem
bactérias, fungos, vírus e parasitas patogénicos, que estão normalmente associados à manipulação dos
12
alimentos por parte dos trabalhadores e aos produtos crus contaminados que são utilizados como matérias-
primas. A maioria destes agentes biológicos estão presentes naturalmente no ambiente onde os géneros
alimentícios são preparados/confecionados, sendo por isso necessário um maior cuidado e controlo. Uma
grande parte destes agentes contaminantes é destruída através de processos térmicos e controlada por
práticas adequadas de manipulação, higiene e pelo controlo das variáveis associadas aos processos. É de
salientar que nem todos são prejudiciais à saúde do consumidor, pelo contrário, existem microrganismos
utilizados na produção de alimentos fermentados (p. ex., iogurtes, queijos, cervejas e vinhos) (Baptista e
Linhares, 2005).
[Link] FUNGOS
Os fungos englobam os bolores e as leveduras e embora existam fungos benéficos para a saúde do
consumidor, que inclusive são utilizados para produzir determinados produtos, existem outros que produzem
toxinas (micotoxinas) nocivas ao Homem. A redução do risco de contaminação por fungos na cadeia
alimentar, passa pela implementação de boas práticas de higiene, por condições adequadas de
armazenamento, respeitando as temperaturas de conservação dos produtos, pela redução do contacto com
o ar e pela adição de conservantes (Baptista e Linhares, 2005).
[Link] VÍRUS
Os vírus podem ser transmitidos ao Homem pelos alimentos, através da água ou por outras vias, sendo
incapazes de se reproduzir e sobreviver por longos períodos de tempo nos alimentos, pelo que, estes servem
apenas de transporte para os agentes infeciosos. Uma vez que os vírus apenas se multiplicam em seres
vivos, podemos encontrá-los somente em alguns alimentos que se consomem crus, como por exemplo o
sushi, ou como algum tipo de marisco (Baptista e Linhares, 2005).
Diferentes tipos de vírus têm sido atribuídos a um crescente número de doenças alimentares, entre os
quais destacam-se o vírus Norwalk, o vírus da hepatite A, os rotavírus, entre outros. Neste sentido, a higiene
pessoal dos manipuladores, em particular a correta higienização das mãos, são a principal prevenção contra
a transmissão destes vírus através dos alimentos (Baptista e Linhares, 2005).
[Link] PARASITAS
As doenças alimentares de origem parasitária estão normalmente associadas a produtos mal cozinhados
ou a alimentos prontos a consumir já contaminados. Visto que os parasitas são organismos que dependem
de um hospedeiro vivo para crescer e se reproduzir, é comum ocorrer a transmissão através do consumo de
carne desses animais, ou pelo contacto com o animal, no caso de animais domésticos. A propagação destes
parasitas decorre quando o manipulador é contaminado ou, principalmente, se os alimentos manipulados
não sofrerem qualquer processamento térmico após a manipulação (p. ex., saladas e pratos frios) (Baptista
13
e Venâncio, 2003). A congelação é um método que pode eliminar os parasitas encontrados em alimentos
consumidos crus, marinados ou parcialmente cozidos, mas por si só, não reduz o risco de contaminação.
Para tal, deve manter-se as temperaturas adequadas no processamento térmico e no armazenamento e
utilizar sempre água potável (Baptista e Linhares, 2005).
[Link] BACTÉRIAS
Entre os vários tipos de microrganismos, as bactérias patogénicas são as principais responsáveis por
grande parte dos casos de doenças alimentares, pela sua ubiquidade no meio ambiente, estas podem estar
presentes nas matérias-primas numa fase de produção primária, ou até no produto final.
Quando estas bactérias estão presentes ou em contacto com o alimento, e existem condições adequadas
que permitam a sua sobrevivência e crescimento, estas podem multiplicar-se até atingir um determinado
nível, o qual se designa por dose infectante, em que o produto deixa de ser inócuo e pode provocar doenças
nas pessoas que o consumam (Baptista e Linhares, 2005).
Por esta razão, a conservação e manipulação adequadas dos produtos ao longo de toda a cadeia
alimentar são fundamentais para minimizar a ocorrência destes microrganismos. Apesar da grande maioria
ser destruída durante a confeção dos alimentos, podem existir sob a forma resistente, à qual se denomina
esporo, que protege a bactéria das condições adversas causadas pelo tratamento térmico e permite a sua
sobrevivência até que se criem condições favoráveis para a sua multiplicação. As bactérias esporulantes
mais vulgarmente conhecidas que estão presentes nos alimentos pertencem aos géneros Bacillus e
Clostridium (Baptista e Linhares, 2005).
14
• Temperatura
Todos os microrganismos possuem uma taxa de crescimento que varia com a temperatura, existindo
um valor mínimo, máximo e ótimo para o seu crescimento. Esta relação depende significativamente de
microrganismo para microrganismo, mas na sua maioria as condições ótimas de temperatura para o
desenvolvimento dos microrganismos patogénicos encontram-se entre os 30 e os 45 ºC, sendo que o
crescimento é tanto mais acelerado quanto mais próximo do valor ótimo de temperatura de crescimento se
apresentar (Baptista e Linhares, 2005).
De acordo com as diferentes temperaturas para a sua multiplicação, as bactérias podem dividir-se em:
− Psicrófilas, que podem crescer entre -5 e 20 ºC, sendo a temperatura ótima de crescimento
entre 12 e 15 ºC. Por exemplo, Clostridium botulinum, Listeria monocytogenes, Flavobacterium
spp, etc.;
− Mesófilas, que podem crescer entre 10 e 50 ºC, sendo a temperatura ótima de crescimento
entre 30 e 37 ºC. Por exemplo, Escherichia coli, etc.;
− Termófilas, que podem crescer entre 40 e 70 ºC, sendo a temperatura ótima de crescimento
entre 50 e 55 ºC. Por exemplo, Bacillus cereus, etc;
− Hipertermófilas, que podem crescer entre 65 e 100 ºC. Por exemplo, Thermococcus celer;
− Hipertermófilas extremas, que podem crescer entre 80 e 110 ºC. Por exemplo, Pyrodictium
brockii.
Embora a maioria dos microrganismos patogénicos possua uma temperatura ótima de crescimento à
volta dos 37 ºC (mesófilos), são igualmente capazes de se desenvolver a temperaturas entre os 4 e os 63
ºC, intervalo de temperaturas que se designa por “zona de perigo”, sendo por isso necessário manter os
alimentos a uma temperatura inferior a 4 ºC ou superior a 63 ºC.
Para temperaturas abaixo dos 4 ºC, as bactérias multiplicam-se mais lentamente, reduzindo a sua
atividade metabólica, e a temperaturas de congelação (-18 ºC), o seu desenvolvimento não se verifica, isto
porque, a água presente nos alimentos passa ao estado sólido, deixando de estar disponível para o
crescimento dos microrganismos. Quando a temperatura aumenta, as condições voltam a ser favoráveis
para o seu crescimento e as bactérias são capazes de se multiplicar novamente. Esta situação representa
um problema em produtos refrigerados e/ou congelados, nos quais não ocorre a destruição das bactérias.
Acima dos 63 ºC, os microrganismos são destruídos, sendo que, quanto maior for o tempo de exposição
a altas temperaturas, maior será a sua mortalidade. Por esse motivo, utiliza-se o efeito combinado do binómio
tempo/temperatura para impedir o crescimento microbiano ou garantir a sua destruição térmica. Quando
este é utilizado indevidamente, com tempos e temperaturas incorretas, possibilitam a multiplicação dos
microrganismos, originando doenças no Homem, associadas ou não à produção de toxinas, neste sentido,
15
é fundamental o controlo efetivo destes dois parâmetros durante o processamento dos alimentos (Baptista e
Linhares, 2005).
16
manipulada por várias formas, através da adição de solutos, como o sal e o açúcar, através da remoção da
água por processos de secagem, cozedura, ou através da indisponibilidade da água por congelação, com o
objetivo de controlar o desenvolvimento de microrganismos patogénicos nos alimentos (Baptista e Linhares,
2005).
• Acidez
A acidez, incluindo a dos alimentos, é normalmente medida numa escala de pH, com valores
compreendidos entre 0 e 14, sendo que para valores de pH inferiores a 7, os alimentos são considerados
ácidos, podendo ser divididos em duas categorias: pouco ácidos (4,6 <pH<7) e ácidos (pH <4,5), para
valores de pH superiores a 7 são considerados alcalinos (ou básicos) e, os alimentos que apresentam valores
de pH iguais a 7 são considerados como neutros.
A maioria dos alimentos, na sua essência, são ligeiramente ácidos, como a carne, o peixe e os vegetais,
enquanto as frutas são moderadamente ácidas. Apenas alguns alimentos apresentam um pH alcalino, como
é o caso da clara de ovo.
A acidez apresenta-se como fator limitante no crescimento microbiano, já que, em alimentos
extremamente ácidos, como os iogurtes, vinho, vinagre e limão, algumas bactérias não são capazes de se
desenvolver, preferindo, idealmente, ambientes com pH neutro, entre 6 e 8, valores para os quais
apresentam uma taxa ótima de crescimento ou, levemente alcalinos, entre os 7,2 e 7,6. Por esta razão,
recorre-se à acidificação dos alimentos, quer através de processos fermentativos (p. ex., iogurtes), quer
através da adição de ácidos fracos (p. ex., conservas de pickles) para a conservação dos alimentos (Baptista
e Linhares, 2005).
• Nutrientes
Os nutrientes como a água, hidratos de carbono, proteínas, vitaminas, sais minerais e outros são
essenciais para o crescimento dos microrganismos, bem como para a realização das suas funções
metabólicas. A necessidade quanto à quantidade e o tipo de nutriente irá diferir consoante os diferentes
microrganismos, no entanto, estes nutrientes podem encontrar-se, de forma generalizada nos alimentos,
embora possa variar de produto para produto (Baptista e Linhares, 2005).
As bactérias, multiplicam-se mais facilmente em alimentos ricos em proteínas, como a carne, peixe, ovos
e produtos lácteos (Carrelhas, 2008).
17
2.4 O CODEX ALIMENTARIUS
O Codex Alimentarius, fundado em 1963, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), constitui um conjunto de normas,
orientações e códigos de práticas que contribuem significativamente para a segurança, qualidade e justiça
do comércio internacional de alimentos. Os padrões do Codex são baseados em ciência sólida fornecida por
órgãos internacionais independentes e de aplicação voluntária, sendo necessário a sua transcrição para a
legislação nacional, a fim de se tornar de aplicação obrigatória. As normas do Codex são transversais, no
sentido em que incluem orientações relativas à higiene alimentar, aos aditivos, aos medicamentos
veterinários, à rotulagem, inspeção e certificação. Desta forma, o Codex Alimentarius representa a referência
internacional mais importante no que respeita às normas alimentares (FAO e OMS, 2016).
Os códigos de práticas do Codex definem as práticas de produção, processamento, fabrico, transporte e
armazenamento para os diferentes alimentos ou grupos de alimentos, que se consideram essenciais para
garantir a segurança e qualidade destes para consumo humano. Em 1969 foi publicado o primeiro exemplar
do Código Internacional de Práticas recomendadas para os Princípios Gerais de Higiene Alimentar, tendo
sido revisto e atualizado, mais recentemente, em 2020. Este documento é particularmente importante, uma
vez que estabelece os requisitos necessários para a segurança dos alimentos ao longo de toda a cadeia
alimentar, desde a produção primária até ao ponto de venda, destacando os principais controlos de higiene
em cada etapa (FAO e OMS, 2016). Segundo este, os objetivos dos Princípios de Higiene Alimentar do Codex
incluem:
• Fornecer princípios e orientações no âmbito da higiene dos alimentos, aplicáveis a toda a
cadeia alimentar, de modo a fornecer alimentos seguros e adequados para consumo;
• Orientar para a aplicação dos Princípios HACCP, como forma de melhorar a segurança dos
alimentos;
• Oferecer bases para o desenvolvimento de códigos de práticas específicos para setores da
cadeia alimentar, processos ou produtos, de forma a criar requisitos de higiene específicos desses
setores (FAO e WHO, 2020).
As preocupações públicas sobre questões de segurança alimentar colocam o Codex Alimentarius no
centro dos debates globais, sendo que, a revisão e atualização dos padrões e orientações do Codex devem
refletir o conhecimento científico atual, com vista a proteção da saúde dos consumidores e a criação de um
comércio de produtos alimentares seguros, saudáveis, livres de adulteração, corretamente rotulados e
apresentados (FAO, s.d.).
18
2.5 SISTEMA HACCP
A sigla HACCP, do inglês Hazard Analysis and Critical Control Points, significa Análise de Perigos e
Controlo dos Pontos Críticos. O sistema HACCP, constitui uma ferramenta de base científica e sistemática,
aplicável a qualquer fase da cadeia alimentar, capaz de identificar perigos específicos e definir medidas para
o seu controlo, a fim de garantir a segurança dos alimentos (Baptista, Pinheiro, e Alves, 2003). Através do
seu carácter preventivo, permite identificar fases críticas do processo que possam remeter a uma falha de
segurança do produto, por contaminação física, química ou biológica. O seu objetivo é evitar acidentes
alimentares, salvaguardando a saúde pública (Afonso, 2006). Estas fases críticas do processo, identificadas
como pontos críticos de controlo (PCC), devem ser monitorizadas e todos os incumprimentos imediatamente
corrigidos, através da remoção de material ofensivo, através da requalificação do pessoal e da retificação
das falhas identificadas no processo ou equipamentos (Arvanitoyannis, 2009)
A implementação do sistema HACCP facilita o cumprimento das exigências legais e permite o uso mais
eficiente dos recursos no controlo de questões relacionadas com a salubridade dos alimentos (Baptista e
Antunes, 2005). Ao focar nos pontos críticos de controlo, definindo limites críticos, medidas de controlo e
ações corretivas, é possível minimizar a ocorrência dos perigos, proporcionando um controlo consistente e
documentado. Na União Europeia, a existência de sistemas de segurança alimentar, baseados nos princípios
do HACCP, é uma obrigatoriedade legal, em todas as unidades, industriais ou não, onde se proceda à
preparação, transformação, fabrico, embalamento, armazenamento, transporte, distribuição,
manuseamento e venda ao consumidor de géneros alimentícios. Neste conjunto, inclui-se naturalmente o
setor da panificação e pastelaria, que a nível higio-sanitário, é um setor extremamente complexo, devido à
variedade e quantidade de alimentos que são fabricados, pelo que, a aplicação de medidas adequadas de
higiene na manipulação de alimentos é essencial, não se devendo basear, exclusivamente em boas práticas.
As boas práticas de higiene (BPH) e boas práticas de fabrico (BPF) devem ser integradas num programa de
segurança alimentar mais abrangente (Baptista e Antunes, 2005).
Além de garantir a gestão da segurança alimentar, a aplicação do sistema HACCP proporciona um
conjunto de benefícios, entre os quais, o aumento da confiança do consumidor, aquando do consumo de
produtos confecionados por estabelecimentos alimentares, o reforço da qualidade e consequente redução
de custos operacionais, uma vez que diminui a necessidade de reprocessamento, por razões de segurança
dos produtos finais. E ainda, reforça a imagem do estabelecimento junto dos clientes e proporciona
evidências documentadas do controlo dos processos, permitindo demonstrar o cumprimento das normas e
especificações, ao mesmo tempo que facilita o seguimento e rastreabilidade das ocorrências e surtos
(Baptista e Antunes, 2005).
19
2.5.1 HISTÓRIA E PRINCÍPIOS DO SISTEMA HACCP
Nos anos 60, o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo foi pela primeira vez aplicado
pela Agência Espacial Norte Americana (NASA), no decorrer de um programa espacial, a missão APOLO.
Surgiu na sequência da identificação de intoxicações alimentares como uma das origens de doenças que
poderiam afetar os astronautas e comprometer o sucesso da missão. O sistema HACCP foi desenvolvido
pela companhia americana Pillsbury, em parceria com a NASA e os laboratórios do exército dos Estados
Unidos da América, com o objetivo de desenvolver técnicas para a produção de alimentos seguros, que
pudessem ser utilizados em condições de gravidade zero, no programa espacial americano (Baptista e
Antunes, 2005).
O conceito do Sistema HACCP foi pela primeira vez apresentado, pela empresa Pillsbury, em 1971,
numa conferência sobre segurança alimentar, tendo sido publicado o primeiro documento sobre a técnica
do Sistema HACCP, dois anos mais tarde. Nos Estados Unidos da América (EUA), este serviu como base
para a FDA (Food and Drugs Administration) desenvolver normas legais aplicadas à indústria de alimentos
enlatados de baixa acidez. Em 1985, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, recomendou a
sua aplicação nos programas de segurança alimentar. E em 1988, a Comissão Internacional para
Especificações Microbiológicas em Alimentos (ICMSF) sugeriu que o sistema HACCP fosse utilizado como
base para o controlo de qualidade alimentar, do ponto de vista higiénico e microbiológico (Baptista e Antunes,
2005).
Desde 1986 que o Comité do Codex Alimentarius recomenda a aplicação de sistemas de autocontrolo
baseados nos princípios do HACCP e em 1989 a Organização Mundial de Saúde considerou-o um dos
melhores instrumentos para garantir a segurança dos alimentos, aconselhando a sua introdução nas
regulamentações nacionais e internacionais (Afonso, 2006).
Em 1993, através da Diretiva 93/43/CEE do Conselho, de 14 de junho de 1993, o HACCP começou a
fazer parte da regulamentação europeia, tendo por base a publicação da Comissão do Codex Alimentarius,
na qual define as normas gerais aplicadas aos géneros alimentícios. Esta foi transposta para a legislação
portuguesa pelo Decreto-Lei n.º 67/98 de 18 de março do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento
Rural e das Pescas (Baptista e Antunes, 2005). Atualmente, devido à livre circulação de produtos no espaço
comunitário, pelo Regulamento (CE) n.º 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de abril de
2004, todas as empresas do setor alimentar estão obrigadas a implementar o sistema HACCP (Afonso,
2006).
De acordo com o Codex Alimentarius, a implementação do sistema HACCP deve seguir uma metodologia
que se baseia nos sete princípios fundamentais:
• Princípio 1 – Análise de perigos e identificação de medidas de controlo;
20
• Princípio 2 – Determinação dos pontos crÍticos de controlo (PCC) para os perigos identificados
como significativos, visando a eliminação ou redução da sua ocorrência;
• Princípio 3 – Estabelecimento de limites críticos validados, que asseguram que cada PCC se
encontra controlado;
• Princípio 4 – Estabelecimento de um sistema de monitorização que garante um controlo
sistemático dos pontos críticos de controlo;
• Princípio 5 – Estabelecimento de ações corretivas que devem ser tomadas quando a monitorização
indicar que ocorreu um desvio de um limite crítico num PCC;
• Princípio 6 – Validação do plano HACCP e estabelecimento de procedimentos de verificação que
permitam confirmar que o sistema HACCP está a funcionar como previsto;
• Princípio 7 – Estabelecimento de documentação relativa a todos os procedimentos e registos
adequados a estes princípios e à sua aplicação eficaz.
21
A distinção entre o que se deverá considerar um pré-requisito ou incluir-se no plano HACCP irá depender
da relevância do perigo, como também da dimensão da empresa, a natureza do produto a ser manipulado
e até mesmo da cultura do país em que a empresa está sediada (Wallace e Williams, 2001). Por norma, os
pré-requisitos devem controlar os perigos associados ao meio envolvente ao processo, enquanto o sistema
HACCP está associado ao controlo dos perigos relacionados diretamente com o processo de produção do
género alimentício, como esquematizado na Figura 2 (Novais, 2006).
Figura 2 – Decisão sobre o controlo de perigos (não significativos e significativos) através de pré-requisitos ou do plano
HACCP (Novais, 2006).
22
Instalações,
equipament
os e Higienizaçã
Formação viaturas o
Saúde e
Controlo de
higiene
Pragas
pessoal
Manutençã
Programa Manutençã
o da cadeia
de frio
de Pré- o técnica e
Calibração
Requisitos
Matérias-
Alergénios
primas
Controlo Gestão de
Analítico Abastecime Resíduos
nto de água
23
• Paredes – As paredes externas e as fundações das instalações deverão ser impermeáveis à água
e constituir uma barreira eficaz a insetos e roedores. No interior, as paredes e divisórias devem ser
constituídas por materiais impermeáveis, não absorventes, laváveis e não tóxicos, devendo ser lisas
até uma altura adequada às operações, impedindo a acumulação de qualquer tipo de resíduo. Todos
os cantos nas paredes e as junções entre as paredes, pavimento e teto deverão ser
convenientemente seladas e arredondadas para facilitar a limpeza.
• Janelas – As janelas e outras aberturas devem ser constituídas de forma a evitar a acumulação de
sujidade e estar devidamente equipadas com redes de proteção contra insetos (rede mosquiteira),
facilmente removíveis para limpeza, sempre que se considerar necessário para assegurar a
segurança dos géneros alimentícios. As janelas deverão permanecer fechadas durante a
manipulação de alimentos, se da sua abertura resultar na contaminação dos produtos alimentares
pelo ambiente exterior. Se as janelas forem de vidro, este deverá ser inquebrável.
• Portas – As portas devem ter superfícies lisas, de cor clara, de material resistente e não absorvente
para permitir uma limpeza adequada. Todas as portas que abram para o exterior ou que ligam áreas
onde se encontram subprodutos com áreas alimentares devem ser, sempre que possível, de fecho
automático.
• Teto – Os tetos e outras estruturas suspensas devem ser concebidos e construídos de modo a evitar
a acumulação de sujidade, reduzir a condensação e o desenvolvimento de bolores indesejáveis e o
desprendimento de partículas, outras substâncias ou objetos nocivos, bem como, não deve possuir
elementos da sua estrutura à vista. As lâmpadas devem estar convenientemente protegidas por
armadura.
• Pavimentos – Os pavimentos deverão ser constituídos por materiais resistentes, impermeáveis,
duráveis, não absorventes, não tóxicos e permitir uma fácil limpeza e desinfeção. Além disso, deverão
ser antiderrapantes, tanto para pessoas como para veículos, de forma a evitar quedas ou outros
acidentes de trabalho, e ligeiramente inclinados, para possibilitar um escoamento adequado. As
caleiras devem ter grelhas de proteção amovíveis e estar posicionadas, de preferência, junto às áreas
com bastante água, nomeadamente em zonas de lavagem.
• Superfícies – As superfícies (incluindo as dos equipamentos e utensílios) das zonas em que os
géneros alimentícios são manuseados, nomeadamente, as que entram em contacto com os géneros
alimentícios, devem ser mantidas em boas condições e ser facilmente limpas e, sempre que
necessário, desinfetadas. Para o efeito, deverão ser utilizados materiais lisos, laváveis, resistentes à
corrosão e não tóxicos. Todos os materiais devem ser próprios para uso alimentar, isto é, devem
conter o símbolo do copo e garfo (Figura 4), devendo ser devidamente acondicionados ao abrigo de
24
eventuais contaminações, após higienização, de forma a não comprometer a salubridade dos
géneros alimentícios.
Figura 4 – Símbolo próprio para contacto com géneros alimentícios (ACIP, s.d.).
As instalações devem ser convenientemente ventiladas, uma vez que a ventilação, quer seja natural
ou mecânica, permite a renovação contínua de ar e, evita a acumulação de humidade, o calor excessivo e a
condensação no interior do edifício, equipamento e produto. Quando necessário, deverão ser instalados
sistemas de ventilação mecânicos, e estes devem ser projetados e construídos para minimizar a entrada de
contaminantes, tais como, odores, poeiras, cinzas, fumos ou vapor, bem como, o fluxo de ar de zonas
contaminadas para zonas limpas (Noronha e Baptista, 2003).
A iluminação correta de todas as áreas, quer seja de forma natural ou artificial, é igualmente essencial
para garantir boas condições de trabalho e uma boa higiene do local (Noronha e Baptista, 2003).
No que diz respeito às áreas de laboração, as instalações devem possuir, de um modo geral, um
conjunto de especificações que assegurem as condições de higiene mínima, devendo existir um local
destinado à receção de matérias-primas, uma zona de armazenamento, zonas de preparação e fabrico bem
organizadas. Deve ainda existir lavatórios suficientes para a correta higienização das mãos, equipados com
torneira de comando não manual, e dispositivos adequados de sabão líquido e toalhetes de papel descartável
(ACIP, s.d.).
No transporte dos produtos de panificação e pastelaria, é obrigatório utilizar viaturas adaptadas para o
efeito, que sejam capazes, sempre que necessário, de manter os géneros alimentícios a temperaturas
adequadas e controladas. Os veículos de transporte e/ou os contentores para o transporte de géneros
alimentícios devem ser mantidos limpos e em boas condições e, ser concebidos e construídos de forma a
permitir uma limpeza e desinfeção adequadas. Deverá existir, sempre que necessário, a devida separação
dos produtos, aquando do transporte simultâneo de diferentes géneros alimentícios, além disso, entre
carregamentos de produtos diferentes, dever-se-á proceder a uma limpeza adequada, para evitar
contaminações (UE, 2004).
25
[Link] PLANO DE HIGIENIZAÇÃO
Na indústria alimentar, a higienização eficaz de toda a unidade é fundamental para mitigar a ocorrência
de contaminações. A higienização compreende a limpeza e a desinfeção, operações que se destinam a
manter os locais onde se manipulam, preparam e confecionam alimentos livres de microrganismos capazes
de contaminar os alimentos ou, que a sua presença seja minimizada. A grande diferença entre estas duas
operações é que, a limpeza pressupõe a remoção de sujidade, restos de alimentos, gorduras ou outro tipo
de detritos, enquanto a desinfeção permite eliminar microrganismos, invisíveis a olho nu, e que, portanto,
poderão resistir à limpeza (Carrelhas, 2008).
Para facilitar e melhorar as operações de higienização, todos os procedimentos e práticas necessárias
para assegurar as condições higiénicas das instalações, equipamentos, utensílios e veículos de transporte,
devem ser compilados num plano organizado, que normalmente se designa por Plano de Higienização
(Cipriano e Leitão, 2015). Este deve conter informações relativas ao tipo de superfície a higienizar, o tipo de
agente de limpeza e respetiva dosagem, o modo e a periodicidade de higienização, o responsável pela
execução da tarefa e o responsável pela sua verificação. Para demonstrar a aplicação do plano de
higienização, deve ser elaborado um registo de higienização e, todos os trabalhadores que realizem as tarefas
de limpeza e desinfeção devem ter formação adequada, seguir as instruções que constam no plano e
preencher devidamente os registos (Carrelhas, 2008; Cipriano e Leitão, 2015). A adequabilidade do plano
de limpeza e desinfeção e o seu efetivo cumprimento devem ser comprovados através da realização de
atividades de monitorização ou de verificação, que devem incluir a inspeção visual antes do início do arranque
de trabalho, e análises microbiológicas de superfícies em contato com os alimentos e do meio ambiente
(Baptista e Linhares, 2005).
De acordo com o Codex Alimentarius, a limpeza pode ser realizada através da utilização separada ou
combinada de métodos físicos, como por exemplo, calor, fricção, aspiração/sucção, entre outros métodos
que evitem a utilização de água e, de métodos químicos, através da utilização de detergentes alcalinos ou
ácidos. A limpeza a seco pode ser necessária para eliminar resíduos ou detritos em certas áreas onde o uso
de água proporciona a contaminação microbiológica. Contudo, em nenhuma fase das operações de
higienização, deve ser efetuada a varredura a seco, uma vez que permite a disseminação de partículas finas
que se depositam sobre os equipamentos e superfícies de trabalho, proporcionando a contaminação dos
mesmos. Para o efeito, é aconselhável a utilização de aspiradores apropriados, de forma a remover quaisquer
partículas provenientes da utilização de farinha e outros ingredientes (ACIP, s.d.). Os procedimentos de
limpeza consistem:
• Na remoção de resíduos grosseiros das superfícies;
• Na aplicação de uma solução detergente para libertar as partículas bacterianas e de sujidade;
26
• No enxaguamento com água para remover toda a sujidade em suspensão e os resíduos de
detergente.
Quando necessário, a limpeza deve ser complementada com a desinfeção química com subsequente
enxaguamento, a não ser que o fabricante indique que não é necessário enxaguamento, suportado numa
base científica.
Os produtos de limpeza e desinfeção devem ser escolhidos de acordo com a realidade de cada
estabelecimento e, uma vez que, alguns produtos podem ser considerados tóxicos, é necessário ter em
atenção os produtos escolhidos. Para isso, e de forma a garantir a segurança alimentar e proteger a saúde
e o ambiente, é necessário que sejam verificadas as respetivas fichas técnicas e fichas de dados de
segurança de todos os produtos de higienização, quando adquiridos, de forma a averiguar a sua
adequabilidade para uso alimentar. Os produtos de limpeza e desinfeção devem estar devidamente rotulados
e fechados nas embalagens de origem, de modo a evitar o risco de contaminação e incidentes com os
mesmos. Além disso, devem ser armazenados fora das áreas de manuseamento de alimentos, em local
fechado e devidamente identificado (Cipriano e Leitão, 2015).
27
• Inspecionar as matérias-primas no ato da receção, bem como, remover todas as embalagens
exteriores;
• Limitar o acesso e permanência de animais domésticos dentro e nas proximidades do
estabelecimento;
• Inspecionar, periodicamente, as instalações e os equipamentos para verificar a existência de indícios
de pragas (p. ex., presença de excrementos, odores estranhos, organismos vivos ou mortos) e
reparar de imediato quaisquer inconformidades que possibilitem essa existência (p. ex., buracos nas
paredes, janelas partidas, etc.)
• Remover com frequência os resíduos das áreas de preparação e confeção de alimentos, e colocá-
los em contentores próprios no exterior das instalações.
• Manter as portas e janelas sempre fechadas durante a manipulação de alimentos;
• Colocar proteções nas portas (p. ex., molas de retorno, cortinas de lamelas, etc.);
• Vedar qualquer abertura e os buracos de saneamento;
• Higienização dos equipamentos e utensílios que se encontrem em desuso, para evitar criar condições
para o alojamento de pragas no seu interior (Baptista e Antunes, 2005).
Embora as medidas preventivas se apresentem bastante eficazes e económicas na redução substancial
da probabilidade de ocorrência de pragas nas instalações, as medidas de carácter corretivo são necessárias
para corrigir as situações quando estas surgem nos estabelecimentos, nomeadamente através da eliminação
física das pragas. O controlo corretivo deve ser efetuado por empresas especializadas e de preferência
certificadas, dado que o combate é efetuado por via da utilização de tratamento com agentes químicos ou
biológicos (p. ex., inseticidas, pesticidas, raticidas, etc.) ou por ação física de equipamentos (p. ex.,
armadilhas), o que requer o manuseamento por técnicos especializados para evitar acidentes ou injúrias
(Baptista e Antunes, 2005).
28
No caso da lubrificação dos equipamentos, o produto utilizado deve ser apropriado para uso alimentar,
e após a sua utilização deve proceder-se ao enxaguamento do produto, para evitar contaminações (ACIP,
s.d.).
Todos os equipamentos de monitorização, inspeção, medição e ensaio (p. ex., balanças, termómetro,
medidor de caudal) devem ser calibrados regularmente, para assegurar resultados válidos no controlo da
segurança e higiene dos géneros alimentícios (Baptista, Pinheiro, e Alves, 2003).
[Link] ALERGÉNIOS
Os alergénios devem ser abrangidos pelo sistema de gestão da segurança alimentar, uma vez que
constituem um perigo. Após a definição dos alergénios relevantes ao produto, a estratégia de prevenção deve
basear-se em duas abordagens, nomeadamente:
• Os alergénios devem ser mantidos fora das instalações através de garantias dos fornecedores de
matérias-primas e outros ingredientes; ou
• Devem ser aplicadas medidas rigorosas para minimizar a contaminação cruzada, tais como, a
separação dos produtos que potencialmente contenham alergénios de outros produtos no momento
da produção, utilizando linhas de produção, recipientes e instalações de armazenamento diferentes,
através de uma metodologia de trabalho específica, a sensibilização dos trabalhadores e o
cumprimento das regras de higiene, principalmente antes do regresso ao trabalho e depois das
pausas para comer.
O processo produtivo deverá ser revisto, caso a estratégia preventiva não seja aplicada de forma eficaz
(CE, 2016).
29
através dos esgotos urbanos, provocando problemas nos sistemas de tratamento de águas residuais. Quando
eliminados de forma incontrolada representam um potencial perigo de contaminação, quer dos solos, das
águas e, a nível de aquíferos, das ribeiras e águas do mar. Desta forma, quando os óleos alimentares não
apresentam condições para ser reutilizados, os operadores do setor alimentar devem assegurar o devido
encaminhamento dos respetivos OAU para a sua valorização (apa, s.d.).
Segundo o Regulamento (CE) n.º 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de abril de
2004, os resíduos alimentares, subprodutos não comestíveis e outros resíduos devem ser
tratados, transportados ou descartados com frequência suficiente para evitar a sua acumulação em locais
de manipulação de alimentos, de forma a minimizar a sua contaminação. Os mesmos devem ser depositados
em contentores de fácil limpeza e desinfeção, forrados com saco plástico e que possam ser devidamente
fechados com tampa acionada por pedal, evitando, assim, o contato com possíveis contaminantes presentes
na superfície do contentor. Os locais de recolha de resíduos devem ser concebidos e utilizados de modo que
possam ser mantidos limpos, e sempre que necessário, livres de animais e parasitas. O circuito de recolha
e eliminação dos resíduos deve ser distinto do circuito dos alimentos, a fim de evitar qualquer contaminação
cruzada.
30
individual (captação própria), a mesma assemelha-se a um sistema de gestão de água, devendo cumprir
todas as imposições presentes no Decreto-lei referido (Carrelhas, 2008).
Segundo o Regulamento (CE) n.º 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de abril de
2004, o gelo que entre em contato com os géneros alimentícios ou que possa contaminar os alimentos deve
ser fabricado com água potável, manipulado e armazenado em condições que o protejam de qualquer tipo
de contaminação. Além disso, as fontes e tubagens de água não potável que possam existir (p. ex., rede de
incêndios, sistemas de refrigeração/congelação), devem estar devidamente sinalizadas e identificadas.
31
[Link] MATÉRIAS-PRIMAS (RECEÇÃO DAS MATÉRIAS-PRIMAS, AVALIAÇÃO E SELEÇÃO DE
FORNECEDORES, RASTREABILIDADE DOS GÉNEROS ALIMENTÍCIOS)
Os aspetos relevantes diretamente relacionados com as matérias-primas englobam um conjunto de
requisitos gerais associados à receção das matérias-primas e dos ingredientes, na qual se deve garantir a
rastreabilidade de todos os produtos, bem como, efetuar uma avaliação e seleção dos fornecedores, para
assegurar a qualidade dos géneros alimentícios.
A receção das matérias-primas e dos ingredientes é a primeira etapa do processo de fabrico de um
produto alimentar, pelo que, é uma etapa de grande importância no desenvolvimento de todo o processo.
Desta forma, os operadores do setor alimentar devem garantir que as matérias-primas e os ingredientes são
de qualidade e provêm de fornecedores selecionados, devidamente licenciados/aprovados ou registados e
que cumprem com a legislação em vigor, quer no que respeita à segurança alimentar, quer à rotulagem. A
fim de comprovar o cumprimento dos requisitos exigidos a nível da qualidade e segurança da empresa
fornecedora, deve enviar-se um questionário de avaliação e seleção de fornecedores, onde deve ser solicitado
também um comprovativo ou declaração, em como a empresa tem um sistema HACCP implementado, as
fichas técnicas das matérias-primas, assim como, os certificados de conformidade (Cipriano e Leitão, 2015).
No ato da receção das matérias-primas e embalagens devem ser verificadas as condições de higiene dos
veículos de transporte que, no caso, devem também obedecer a um conjunto de requisitos gerais impostos
pela legislação em vigor, que permitam o transporte seguro e a manutenção da cadeia de frio dos géneros
alimentícios. Além disso, devem ser verificadas as quantidades e as características dos produtos,
comparando com a nota de encomenda, as temperaturas de transporte, no caso dos produtos refrigerados
ou congelados, a integridade e conformidade das embalagens de acondicionamento dos alimentos e a
rotulagem, os lotes, datas de durabilidade mínima ou limites de consumo (Cipriano e Leitão, 2015).
A rastreabilidade de todos os produtos alimentares deve ser assegurada a montante (origem das
matérias-primas), a jusante (destino) e a nível interno (durante a produção), permitindo seguir o rasto de um
género alimentício durante todo o processo. Para garantir a rastreabilidade a montante, os produtos
fabricados devem ser marcados com um número de lote para que seja possível conhecer a origem das
matérias-primas a partir das quais foram elaborados. Durante a produção, a rastreabilidade interna permite
relacionar as matérias-primas recebidas com os lotes produzidos, através do preenchimento de um mapa de
produção. A rastreabilidade a jusante, permite identificar o produto após a sua expedição, através de um
registo de saída do produto (fatura com a data de expedição) (ACIP, s.d.).
Todas as observações feitas no ato da receção devem ser registadas, recorrendo a fichas de verificação
para os produtos a rececionar. Para isso, os operadores responsáveis pela receção das mercadorias devem
ter um conhecimento prévio de todas as características dos produtos e a autoridade suficiente para rejeitar
32
qualquer produto que não cumpra com os requisitos pré-definidos. Caso algum dos alimentos não cumpra
com uma ou mais das especificações estabelecidas, ou em caso de dúvida relativamente à qualidade do
produto, este deve ser identificado como “produto não conforme” e colocado num local apropriado para o
efeito, para posterior devolução ou eliminação. Após a inspeção das mercadorias e a confirmação da sua
conformidade, estas devem ser imediatamente armazenadas em função das suas características, priorizando
o armazenamento dos produtos congelados e refrigerados de modo que não seja quebrada a cadeia de frio
(Baptista e Linhares, 2005).
33
armazenar este tipo de alimentos. As temperaturas recomendadas para a conservação dos alimentos em
ambientes refrigerados e congelados, são cerca de 0 a 4ºC e entre -12 a -18ºC, respetivamente (Cipriano e
Leitão, 2015). O controlo da temperatura dos equipamentos de frio é essencial para garantir a manutenção
da cadeia de frio dos produtos, pelo que, devem ser verificadas as temperaturas e registadas no mínimo
duas vezes por dia (ACIP, s.d.).
Os restantes produtos alimentares, ou seja, produtos secos e/ou que não necessitam de permanecer a
temperatura controlada (p. ex., farinhas, açúcar, cereais, etc.), devem ser armazenados à temperatura
ambiente (10 a 21ºC), em locais frescos, secos e bem ventilados, devendo os alimentos estar separados dos
produtos não alimentares, tais como, produtos de limpeza e desinfeção (Baptista e Linhares, 2005).
34
ocasionais. Qualquer pessoa que trabalhe num local de manipulação de alimentos deve cumprir um conjunto
de regras e boas práticas relativas ao vestuário de trabalho, nomeadamente:
• O fardamento e equipamento de proteção deve ser adequado às tarefas a desempenhar, de cor
clara, de uso exclusivo no estabelecimento e estar sempre limpo;
• O cabelo deve estar totalmente coberto com touca ou barrete, sempre que as funções incluam
manuseamento dos alimentos;
• Todos os objetos pessoais e adornos, como anéis, pulseiras, brincos e outros devem ser retirados
antes do início das atividades laborais, de forma a evitar que os mesmos constituam um perigo físico
ou uma fonte de contaminação.
Por outro lado, as mãos são a principal fonte de contaminações bacterianas dos alimentos, e por isso,
merecem uma atenção especial. A fim de garantir a salubridade dos alimentos, as mãos devem ser
corretamente e frequentemente higienizadas, de acordo com as orientações criadas pela DGS, ou com as
instruções de trabalho. As escoriações e cortes de pouca importância devem ser tratados e protegidos com
pensos impermeáveis e de preferência de cor azul, para se distinguir dos alimentos. Relativamente às unhas,
estas devem estar convenientemente limpas, curtas e sempre sem verniz (Carrelhas, 2008).
Por fim, cada trabalhador deve assumir comportamentos adequados às funções que desempenha, e
manter sempre uma conduta apropriada, nomeadamente evitando fumar, comer, mascar pastilha elástica,
cuspir ou tomar/guardar medicamentos durante a manipulação e confeção de alimentos. Não deve mexer
no cabelo, nariz ou boca ou tossir/espirrar próximo dos alimentos ou utensílios, em alternativa deve usar um
lenço ou guardanapo descartável e lavar de imediato as mãos (Cipriano e Leitão, 2015).
[Link] FORMAÇÃO
A formação dos manipuladores é essencial para assegurar as boas práticas de higiene e consciencializar
os operadores da importância do seu trabalho e das responsabilidades que este acarreta (Baptista e Antunes,
2005).
Segundo o Regulamento (CE) n.º 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de abril de
2004, os trabalhadores que manuseiam géneros alimentícios devem ser devidamente orientados e
supervisionados, em matéria de higiene dos géneros alimentícios, possuir a instrução e/ou formação
adequada para o desempenho das suas funções. Esta formação deverá ser contínua, com a realização de
cursos periódicos de forma que os manipuladores renovem os seus conhecimentos referentes a boas práticas
de higiene e segurança alimentar (Baptista e Antunes, 2005). Em adição, todos os requisitos da legislação
nacional relacionados com programas de formação de indivíduos que trabalhem em determinados setores
alimentares devem ser respeitados (UE, 2004).
35
2.5.3 METODOLOGIA DO SISTEMA HACCP
A implementação prática de um Sistema HACCP segue uma metodologia constituídas por 12 passos
(Figura 5), sete dos quais estão diretamente relacionados com os princípios do HACCP, e os restantes 5 são
passos preliminares que correspondem à estruturação da equipa que irá desenvolver o estudo e planeamento
do HACCP e à compilação de informação de suporte relevante para a realização e análise de perigos (Baptista
e Antunes, 2005).
Figura 5 – Sequência e interação dos passos da metodologia HACCP (Baptista, Pinheiro & Alves, 2003).
36
• Passo 1 – A equipa HACCP
A equipa responsável pelo estudo e planeamento do HACCP deve ser uma equipa multidisciplinar, ou
seja, deverá incluir pessoas com responsabilidades em diferentes áreas, como por exemplo, produção,
manutenção, controlo da qualidade, limpeza e desinfeção, que detenham conhecimentos e experiências
relativamente aos produtos, processos e perigos relevantes no âmbito do estudo HACCP. Caso as
competências sejam insuficientes/inexistentes, deverá ser obtido aconselhamento especializado de outras
fontes para aplicar com eficiência o plano HACCP (FAO e WHO, 2020).
37
medida do necessário para avaliar a possível ocorrência, aumento, diminuição ou introdução de perigos (FAO
e WHO, 2020).
38
Figura 6 – Matriz de avaliação do risco (CE, 2016).
39
Figura 7 – Árvore de decisão (CE, 2016).
40
frequentemente utilizados incluem valores mínimos e/ou máximos associados a medições de temperatura,
tempo, humidade, pH, atividade da água e parâmetros sensoriais como aspeto, sabor, textura, entre outros.
Um desvio aos limites críticos estabelecidos pode indicar que foi produzido um alimento inseguro (FAO e
WHO, 2020).
41
• Passo 11 – Estabelecimento de procedimentos de verificação (Princípio 6
Devem ser estabelecidos procedimentos de verificação para assegurar o funcionamento e a eficiência do
Sistema HACCP. Os métodos de verificação incluem observações, auditorias (internas ou externas),
calibrações, amostragens e testes, análises de reclamações, entre outros. A frequência da verificação deve
ser suficiente para validar o sistema HACCP, e ser realizada sempre que ocorram modificações ao processo,
equipamentos ou matérias-primas (Afonso, 2006).
O procedimento de verificação deve incluir uma revisão abrangente do plano HACCP. A revisão deve
incluir a confirmação de que as várias atividades de verificação são executadas como expectável, isto é,
confirmar que foram identificados todos os perigos significativos, que as medidas de controlo e limites críticos
são adequadas para o controlo dos perigos, que as atividades de monitorização e verificação são capazes de
identificar desvios, e que as ações corretivas são adequadas para o controlo desses desvios (FAO e WHO,
2020).
42
3. IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DA SEGURANÇA ALIMENTAR
A implementação do SGSA na indústria de pastelaria e panificação inclui todos os passos inerentes à
implementação do Sistema HACCP de acordo com o Codex Alimentarius. No decorrer das auditorias
realizadas às instalações da fábrica e através da análise dos dados recolhidos, foi elaborado um plano
HACCP, de acordo com os requisitos legais em vigor.
3.1 METODOLOGIA
Para o presente trabalho, foi adotada uma metodologia de investigação qualitativa, na qual foram
utilizados procedimentos para desenvolver dados descritivos, permitindo analisar e melhorar a realidade.
Nesse sentido, este trabalho foi subdividido em duas fases, em que na primeira fase se procedeu à verificação
e implementação do Programa de Pré-Requisitos e na segunda fase iniciou-se o processo de implementação
das 12 etapas do sistema HACCP.
Para a primeira fase deste projeto foi elaborada uma ficha de verificação de pré-requisitos (Anexo I) com
base nas indicações do Codex Alimentarius, na legislação em vigor e nos códigos de boas práticas de higiene
e segurança alimentar aplicados ao setor de panificação e pastelaria. Posto isto, realizou-se a auditoria de
diagnóstico, com a aplicação da lista de verificação e elaboração do respetivo relatório de visita. Através
deste, foi possível estabelecer a situação inicial da empresa face ao cumprimento dos requisitos aplicáveis.
A lista de verificação foi desenvolvida para averiguar o desempenho global da empresa, tendo sido
dividida pelas diferentes secções de modo a abranger todas as variantes do processo. Com esta avaliação,
no final do relatório de visita, foi elaborado um gráfico das não conformidades detetadas, sendo deste modo
possível avaliar as áreas com maior percentagem de não conformidades e que necessitam de uma
intervenção urgente. Este cálculo foi feito através da divisão das não conformidades detetadas pela soma
das conformidades e não conformidades de cada secção e multiplicado por cem, para converter em
percentagem. Este processo foi repetido ao longo das auditorias de acompanhamento, o que permitiu avaliar
a evolução do cumprimento do Programa de Pré-Requisitos. Paralelamente à realização das auditorias, foram
desenvolvidos os documentos inerentes, nomeadamente as instruções de trabalho, o plano de higienização,
entre outros impressos.
Para a segunda fase do trabalho, durante as visitas de acompanhamento procedeu-se à recolha de dados
importantes para a elaboração do Plano HACCP, através da análise dos procedimentos de trabalho
existentes, das condições de higiene, dos métodos de armazenamento, entre outros. Após a consolidação
de toda a informação necessária, deu-se início à implementação das 12 etapas do sistema HACCP,
primeiramente com o desenvolvimento do fluxograma do processo e a sua confirmação in loco e,
posteriormente, seguindo os 7 princípios do sistema HACCP.
43
3.2 IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE PRÉ-REQUISITOS
A Ficha de verificação de Pré-Requisitos é uma ferramenta que permite aferir o (in)cumprimento dos pré-
requisitos existentes nas diferentes secções da fábrica e estabelecer prioridades no que respeita às áreas
que necessitam de intervenção imediata. Deste modo, após a auditoria de diagnóstico, foi desenvolvido um
gráfico de percentagem das não conformidades detetadas por secção da fábrica/parâmetro de PPR (Figura
8). A partir deste é possível verificar que o parâmetro com maior percentagem de não conformidades é o
controlo de pragas com 33%. Além disso, é de notar que as secções A (Cozinha), F (Armazém de Farinhas)
e N (Veículos de Transporte) não apresentam um valor de percentagem, dado que não foi possível averiguar
o estado de implementação dos pré-requisitos nesta primeira auditoria.
35,00% 33,00%
29,00%
30,00%
25,90% 26,00%
25,00%
Percentagem de NC
19,00%
20,00%
15,70%
15,00%
10,00% 8,33%
5,00%
0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
0,00%
A B C D E F G H I J K L M N
Secções
Figura 8 – Gráfico de percentagem de Não Conformidades por secção da fábrica/parâmetro de PPR da primeira
auditoria.
Legenda: A. Cozinha (Secção A); B. Secção de fabrico de Pastelaria Salgada (Secção B); C. Secção de fabrico de
Pastelaria Doce (Secção A); D. Secção de Armazenagem de Biscoito e Produto Acabado (Secção A); E. Secção de
Armazenagem Geral (Secção B); F. Secção de Armazenagem de Farinhas (Secção A); G. Cais de Receção/Expedição
(Secção B); H. Secção de Sanitários e Vestiários dos Trabalhadores (Secção A); I. Condições dos Trabalhadores; J.
Higienização; K. Controlo de Pragas; L. Abastecimento de água; M. Gestão de Resíduos; N. Transporte.
Do mesmo modo, com base na última auditoria às instalações da fábrica, foi desenvolvido o gráfico de
não conformidades (Figura 9), a partir do qual é possível constatar melhorias a nível do cumprimento dos
pré-requisitos, uma vez que, na maioria das secções/parâmetros a percentagem de não conformidades
diminuiu em comparação com a primeira auditoria. Excecionalmente, na secção de sanitários e vestiários
dos trabalhadores a percentagem de não conformidades aumentou relativamente à auditoria de diagnóstico,
esta situação advém do agravamento a nível das infraestruturas que será descrito mais à frente. Também
nesta auditoria foi possível avaliar as secções que não tinham sido verificadas na primeira visita. À
44
semelhança do que acontece na primeira auditoria, o parâmetro K (Controlo de pragas) continua como o
parâmetro com maior percentagem de não conformidades (25%). Não obstante, de um modo geral, é
percetível uma evolução positiva no cumprimento do programa de pré-requisitos.
30,00%
25,00%
25,00%
21,05%
Percentagem de NC
20,00%
16,67% 16,67%
15,00%
11,11% 11,76% 11,11%
10,71%
10,00%
4,00%
5,00%
0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
0,00%
A B C D E F G H I J K L M N
Secções
Figura 9 – Gráfico de percentagem de Não Conformidades por secção da fábrica/parâmetro de PPR da última
auditoria.
Legenda: A. Cozinha (Secção A); B. Secção de fabrico de Pastelaria Salgada (Secção B); C. Secção de fabrico de
Pastelaria Doce (Secção A); D. Secção de Armazenagem de Biscoito e Produto Acabado (Secção A); E. Secção de
Armazenagem Geral (Secção B); F. Secção de Armazenagem de Farinhas (Secção A); G. Cais de Receção/Expedição
(Secção B); H. Secção de Sanitários e Vestiários dos Trabalhadores (Secção A); I. Condições dos Trabalhadores; J.
Higienização; K. Controlo de Pragas; L. Abastecimento de água; M. Gestão de Resíduos; N. Transporte.
45
Piso térreo
46
Piso superior Legenda: Secção A - ; Secção B - ;
Figura 10 – Planta do piso térreo (A) e do piso superior (B) das instalações.
47
3.2.1 INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E MATERIAIS EM CONTATO COM ALIMENTOS
Auditoria inicial:
A fábrica de pastelaria e panificação está localizada numa zona industrial e o edifício é constituído por
dois pisos. Nas áreas circundantes não existem potenciais fontes de contaminação, existindo redes de
abastecimento de água (rede pública) e de eletricidade, bem como, rede de saneamento de águas residuais.
A fábrica está dividida em duas secções A e B, sendo que, no piso térreo, existe uma zona de cais para
a receção das matérias-primas e para a expedição do produto acabado em cada secção, duas zonas de
fabrico distintas, uma delas destinada ao fabrico de pastelaria doce (secção A) e a outra reservada ao fabrico
de pastelaria salgada (secção B). Para além disso, existem ainda zonas designadas para o
embalamento/cartonagem dos produtos. Na secção A, encontram-se os fornos e as estufas para a confeção
dos produtos, existindo uma passagem para o armazém de farinha. As zonas de confeção estão equipadas
com copas integradas, para a lavagem das loiças, utensílios e tabuleiros. Nas zonas do cais, assim como,
nas zonas de armazém de ambas as secções, encontram-se as câmaras de conservação de congelados e
câmaras refrigeradoras.
No piso superior, existe uma zona de cozinha geral inativa (secção B), que foi concebida para a confeção
dos preparados e recheios dos produtos, mas que, neste momento, não está em funcionamento, dado que
se encontra em fase de licenciamento. Além disso, ainda existem dois locais de armazenagem distintos, uma
sala de refeições, escritórios e as instalações sanitárias e vestiários dos trabalhadores. Uma das zonas de
armazenagem, designada como armazém geral, é utilizada para acondicionar todos os produtos não
perecíveis e algum material de acondicionamento, existindo ainda uma câmara de refrigeração de ovo-
produtos. É nesta zona que são pesados todos os ingredientes sólidos, para posteriormente seguirem para
as zonas de fabrico/produção. A outra zona de armazenagem (secção A), destina-se ao armazenamento de
biscoitos e produto acabado. Neste armazém ainda existe um armário para guardar todos os produtos e
materiais de limpeza, sendo que, este encontra-se sempre fechado, não existindo qualquer probabilidade de
ocorrer contaminações cruzadas. O transporte das matérias-primas e dos produtos acabados entre os dois
pisos da fábrica é realizado com auxílio de três monta-cargas, um deles está instalado no armazém de
biscoito e produto acabado e apenas é utilizado para expedir estes produtos. Já os restantes monta-cargas
são utilizados para transportar todas as matérias-primas e os resíduos alimentares, em alturas distintas do
dia.
Apenas o pessoal autorizado tem acesso ao interior da fábrica e durante o fornecimento de mercadorias,
efetuado nas zonas de cais, os fornecedores somente têm acesso a estas áreas, não existindo qualquer
possibilidade de estes atravessarem as zonas de fabrico. Uma vez que ambos os cais servem para a
expedição e receção dos produtos, existe o cuidado de efetuar estas operações em horários diferentes. Além
48
disso, é proibida a entrada e permanência de animais nas instalações, estando afixada a respetiva informação
na porta de entrada.
A disposição dos espaços da fábrica permite que o fluxo de produção ocorra numa só direção (sistema
de “marcha em frente”), facilitada pelo uso dos monta cargas, no entanto, os circuitos limpos (circuito dos
géneros alimentícios desde a receção até à expedição) e os circuitos sujos (remoção dos resíduos) têm
trajetos comuns, mas são realizados em momentos diferentes, durante o período de trabalho, para evitar a
ocorrência de contaminações cruzadas.
As instalações apresentavam falhas de conservação principalmente na Secção A e falhas gerais de
higiene ao longo de todo o estabelecimento, nomeadamente, na zona de confeção de pastelaria doce, no
armazém de biscoito e produto acabado e ainda, nos sanitários e vestiários dos trabalhadores. As instalações
apresentam iluminação (natural e artificial) suficiente, que permite executar as operações de forma higiénica.
O sistema de iluminação é de cor clara e de fácil limpeza, com coberturas de proteção que impedem a
contaminação dos produtos, no caso de queda e consequente quebra das lâmpadas. Além disso, as
instalações apresentam uma ventilação adequada e suficiente, sendo a ventilação mecânica constituída por
sistemas de ar condicionado, permitindo a circulação conveniente de ar, e exaustores nas zonas de confeção,
que se encontram em bom estado de limpeza, permitem um acesso fácil aos filtros e apresentam dimensões
adequadas que impedem a condensação de vapores e a propagação de fumos e cheiros. Adicionalmente,
todas as áreas de manipulação de alimentos, incluindo todos os lavatórios exclusivos para a lavagem das
mãos possuem água quente e fria.
Relativamente aos locais de preparação e tratamento dos alimentos, ou seja, as zonas de confeção
(pastelaria salgada, pastelaria doce e biscoito e padaria) e as zonas de armazenagem (armazém geral e
armazém de biscoito e produto acabado), as características gerais das paredes, dos pavimentos, dos tetos,
das janelas e outras aberturas, portas, superfícies e equipamentos em contato com os géneros alimentícios
serão descritas em seguida. Os pavimentos são constituídos por materiais resistentes, impermeáveis e não
tóxicos, com inclinação suficiente para o escoamento de fluídos através das condutas de escoamento, que
estão devidamente cobertas com grelhas de proteção. As paredes até uma altura adequada às operações
estão revestidas por um material liso inoxidável, impermeável, lavável e não tóxico. A restante altura das
paredes é revestida por tinta, no entanto, no armazém de biscoito e produto acabado e na zona de copa suja
da secção de fabrico de pastelaria salgada, as paredes apresentavam a tinta a descascar, sendo que, se
recomendou a manutenção destes espaços o mais rapidamente possível. Os tetos não evidenciavam
qualquer acumulação de sujidade, condensação, desenvolvimento de bolores ou queda de partículas. Nestes
locais, não existem janelas com acesso direto ao exterior, as portas têm superfícies lisas e laváveis e são
de abertura manual, excetuando as portas na copa integrada da zona de confeção de pastelaria salgada que
49
possuem um sistema de vai e vem. As bancadas de trabalho e superfícies de contato com os alimentos,
incluindo as dos equipamentos, apresentavam-se em boas condições de conservação, e são constituídas por
materiais resistentes, lisos, não tóxicos, e de fácil higienização. No entanto, nem todos os utensílios e
materiais de trabalho (p. ex., bacias) utilizados nas instalações eram apropriados para o ramo alimentar,
nem se encontravam devidamente protegidos de contaminações, à semelhança do que se verificou com o
material de embalagem (Figura 11). Perante isto, foi sugerido a substituição desses recipientes/utensílios
por outros mais adequados, que apresentem o símbolo do copo e garfo e que fossem guardados em locais
fechados ou situação equivalente, assim como todos os materiais de embalagem.
A B
Figura 11 – Bacias sem o símbolo do copo e garfo (A) e material de embalagem desprotegido (B) .
Nas zonas de confeção, existem lavatórios exclusivos para a lavagem de mãos, cuja torneira é de
acionamento por pedal. Os lavatórios estão equipados com dispensadores de sabão líquido e toalhetes de
papel descartáveis para uma correta higienização das mãos, com a exceção do existente na zona de confeção
de pastelaria salgada, no qual este material estava em falta. Relembrou-se os colaboradores e a gerência
que, sempre que este material estiver em falta, deve ser reposto para facilitar a lavagem das mãos.
As zonas de armazenagem, incluindo as câmaras de refrigeração e conservação de congelados na zona
do cais, apresentam temperatura e humidade adequadas e são constituídas por prateleiras de metal e
estrados de plástico, de fácil higienização, e que não permitem o contato dos produtos com o pavimento ou
as paredes. Para além disso, as zonas de armazenagem encontravam-se bem organizadas, excetuando na
câmara de refrigeração na zona do cais (secção B), que se destina ao acondicionamento de matérias-primas,
mas, no entanto, encontravam-se armazenados produtos intermédios.
Relativamente às instalações sanitárias, estas são separadas por sexo e não existe acesso direto entre
as mesmas e as zonas de confeção e armazenamento dos produtos. Estão munidas de autoclismo e ligadas
ao sistema de esgotos, apresentam chuveiros, e as paredes e o pavimento são constituídos por materiais
adequados, no entanto, como referido anteriormente existem algumas não conformidades, nomeadamente,
as paredes, o pavimento e os tetos apresentavam ranhuras/fissuras (Figura 12), que devem ser reparadas
prontamente. Para além disso, nos sanitários das senhoras, à semelhança da situação constatada na zona
50
de confeção de pastelaria salgada, os dispensadores não estavam recarregados com os meios adequados
para a higienização e a secagem higiénica das mãos. Quanto à zona de vestiário dos colaboradores, esta
apresentava-se arrumada, havendo armários identificados para guardar a roupa e outros bens pessoais.
A B C
Figura 12 – Paredes das instalações sanitárias com fissuras (A) e (B) e pavimento dos balneários dos trabalhadores
em cimento (C).
Auditorias de acompanhamento:
Durante as visitas de acompanhamento, foi possível verificar o estado de higiene e conservação do
armazém de farinhas e da zona de cozinha geral, que já se encontra em funcionamento. Relativamente ao
armazém de farinhas, este não apresenta nenhuma não conformidade no que se refere ao estado de
conservação das instalações. Relativamente à cozinha geral, esta não está a ser utilizada para o fim a que
se destina, estando a ser utilizada para a confeção de novos produtos, tais como bolos e semifrios, sendo
que, foram detetadas algumas não conformidades, nomeadamente, o lavatório para a lavagem de utensílios
encontrava-se em mau estado de funcionamento (entupido) e uma das superfícies de trabalho era constituída
por um material impróprio para o ramo alimentar (contraplacado de madeira) (Figura 13 – Imagem A). Além
disso, alguns equipamentos apresentavam-se em mau estado de conservação, com sinais de ferrugem (p.
ex., fogão, chapa, grelhador).
Adicionalmente, foram detetadas não conformidades nas restantes áreas, entre elas, o lavatório indicado
para a lavagem das mãos na zona do cais encontrava-se não operacional e obstruído com outros materiais
(Figura 13 – Imagem B), o que dificulta a operação de higienização, as borrachas vedantes da câmara de
refrigeração no armazém geral continuam danificadas e o pavimento da copa suja na zona de confeção de
pastelaria doce apresenta acumulação de água, pelo que, foi recomendado a reparação e/ou substituição
dos equipamentos/instalações, prontamente.
51
A B
Figura 13 – Contraplacado de madeira utilizado como bancada de trabalho (A) e acesso ao lavatório obstruído (B).
Quanto às restantes não conformidades detetadas na auditoria inicial (p. ex., ausência de materiais de
limpeza e secagem das mãos nos respetivos lavatórios, paredes danificadas e a desorganização da câmara
de refrigeração), estas continuam a existir, uma vez que não foram aplicadas as medidas corretivas
sugeridas.
Numa das últimas visitas realizadas às instalações, verificaram-se algumas melhorias a nível das
instalações, nomeadamente, os lavatórios que se encontravam não operacionais (secção de cozinha e zona
do caís de receção e expedição) foram reparados, todos os materiais e objetos inadequados e que
dificultavam as operações de higienização (p. ex., contraplacado de madeira) foram retirados.
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A B C
D E F
Figura 14 – Pavimento com acumulação de água e sujidade (A), pavimento do equipamento com acumulação de farinhas (B),
parede da zona de fabrico com sujidade (C), armário com escorrências de gordura/sujidade (D), interior da máquina de gelo
com sinais de desenvolvimento de bolores (E), pavimento e armários dos sanitários dos trabalhadores com acumulação de
farinha e sujidade (F).
Para além disso, no armazém de biscoito e produto acabado, verificou-se que os equipamentos de
conservação de congelados em desuso, apresentavam sinais de desenvolvimento de bolores, o que constitui
uma situação particularmente grave tendo em conta que, os produtos acondicionados neste armazém já se
encontram prontos para consumo. Perante esta situação, alertou-se os colaboradores e a gerência para a
limpeza dos respetivos equipamentos com a máxima urgência, uma vez que representam uma possível fonte
de contaminação.
Relativamente à higienização das loiças para o serviço de catering e utensílios de fabrico, esta é realizada
nas copas integradas das zonas de fabrico. Nestes locais, existe uma cuba de lavagem onde é efetuada a
pré-lavagem destes materiais com o auxílio de detergente e esfregão adequados para o ramo alimentar e
uma máquina de lavar loiça que realiza as operações de lavagem, enxaguamento e secagem.
Na fábrica já existia um plano de higienização, no entanto, este foi atualizado e substituído (Anexo II).
Após revisão das fichas técnicas e de dados de segurança dos produtos de higienização, confirmou-se que
estes eram adequados para o ramo alimentar e que eram devidamente armazenados em áreas separadas
das zonas de confeção, o que não se verificou com os materiais de limpeza e desinfeção, como vassouras,
esfregonas e apanhadores, que se encontravam dispersos pelas áreas de manipulação de alimentos, mesmo
quando não estavam a ser utilizados (Figura 15).
53
A B
Figura 15 – Materiais de limpeza dispersos no armazém geral (A) e túnel de congelação não operacional da secção de fabrico
de pastelaria doce (B).
Relativamente à higienização das mãos, já existiam instruções de trabalho com o modo de proceder
desta operação, mas foram igualmente atualizadas e substituídas (Anexo III). As luvas descartáveis são
disponibilizadas aos trabalhadores durante o seu período de trabalho, mas, no entanto, verificou-se que estes
não as utilizam, particularmente para a desformagem e embalamento dos produtos acabados. Perante esta
situação, recomendou-se que os colaboradores usassem luvas durante o manuseamento dos produtos
prontos para consumo, e além disso, que fossem descartadas e trocadas por umas novas sempre que
houvesse interrupções ou mudanças nos processos, ou quando fossem manipulados diferentes produtos,
higienizando previamente e adequadamente as mãos, para evitar as contaminações cruzadas.
Auditorias de acompanhamento:
Relativamente ao estado de higienização das instalações, equipamentos e utensílios de fabrico a situação
mantém-se em estado crítico. O pavimento e os armários/prateleiras das zonas de fabrico e armazenagem
continuam com acumulação de sujidade e os equipamentos continuam a não ser devidamente higienizados
após serem utilizados, como se verificou com a linha automática de rissóis na secção de fabrico de pastelaria
salgada (Figuras 16). Também na cozinha geral, os equipamentos (p. ex., fogão, grelhas, chapa, entre
outros), apresentam falhas gerais de higiene e, visto que esta secção já se encontra em funcionamento, estes
devem sofrer uma limpeza profunda antes de começarem a ser utilizados regularmente.
A B
Figura 16 – Linha automática de produção de rissóis com acumulação de sujidade entre as diferentes preparações (A) e (B).
54
Para além disso, verificou-se que, os equipamentos em desuso no armazém de biscoito e produto
acabado permanecem sujos, tal como os equipamentos de frio na zona de cais e os armários nas instalações
sanitárias dos trabalhadores.
Adicionalmente, foi observada uma má prática de higienização, na qual, a colaboradora procedeu à
varredura a seco do pavimento durante a preparação/fabrico dos produtos. Neste caso, sugeriu-se que o
pavimento fosse limpo húmido ou através do uso de um aspirador ou mopa e sempre no final do turno de
trabalho, quando não fossem manipulados alimentos, de modo a evitar que as partículas de sujidade se
depositem sobre as bancadas e superfícies de trabalho ou nos próprios produtos.
Recentemente, na última visita às instalações, verificou-se uma alteração da situação que se tem vindo
a relatar, dado que, foi realizada uma limpeza geral às instalações, nomeadamente, toda a sujidade
acumulada dos pavimentos, armários e prateleiras de todas as seções foi devidamente limpa, assim como,
os bolores acumulados nos equipamentos de frio em desuso no armazém de biscoito e produto acabado.
Na cozinha, os equipamentos com ferrugem foram reparados e as borrachas vedantes dos equipamentos
limpas.
55
Figura 17 – Presença de baratas nas paredes da estufa (secção de fabrico de pastelaria doce).
Auditorias de acompanhamento:
Ainda não foi instalado um equipamento de eliminação de insetos à entrada da secção B, na zona de
cais de receção e expedição.
Relativamente à presença de pragas, a situação piorou. Para além de persistir a ocorrência de baratas,
numa das visitas às instalações, numa ação de formação no âmbito da covid-19, foi avistada uma ratazana
na zona de fabrico de pastelaria doce (Secção A). Segundo a gerência, foram solicitados, com urgência, os
serviços da empresa de controlo de pragas para solucionar esta situação.
Mais recentemente, verificou-se a ocorrência de uma infestação de baratas (Figura 18) na parte posterior
dos fornos na zona de confeção de pastelaria doce, que foi resolvida de imediato pela empresa de controlo
de pragas.
Na última visita realizada, foi possível verificar melhorias significativas a nível deste pré-requisito, dado
que não foram encontrados quaisquer vestígios da presença de ratazanas ou baratas nas instalações.
Figura 18 – Infestação de baratas mortas na zona de fornos da secção de fabrico de pastelaria doce.
56
equipamentos. É importante que o plano de manutenção incluía procedimentos de emergência a aplicar em
casos de avarias, instruções para a substituição de vedantes, entre outros.
Paralelamente, é necessário instruir aos trabalhadores boas práticas de higiene e conservação dos
equipamentos (p. ex., registar diariamente as temperaturas dos equipamentos), pois estas práticas
contribuem de igual forma para a manutenção preventiva dos mesmos.
De um modo geral, as borrachas vedantes dos equipamentos de frio de diversas secções encontravam-
se danificadas (Figura 19) e o túnel de congelação da secção de fabrico de pastelaria doce apresentava-se
avariado.
A B C
Figura 19 – Borracha vedante da câmara de ovo-produtos com sujidade (A), borrachas vedantes dos armários refrigerados
danificadas e com sujidades (B) e (C).
Além disso, verificou-se que o regulador de temperatura das fritadeiras não era visível, o que
impossibilitava a leitura e o controlo da temperatura dos óleos de fritura, assim, recomendou-se que este
fosse substituído ou fossem adquiridos termómetros de sonda que deverão ser utilizados sempre que se
proceder à fritura dos alimentos para garantir que a temperatura não excede os 180C.
Auditorias de acompanhamento:
Até à data não foi realizada a contratação dos serviços técnicos especializados para a realização dos
procedimentos de manutenção dos equipamentos e para a elaboração do plano de manutenção. No entanto,
foi desenvolvido um plano de manutenção simplificado (Anexo IV), por parte da Biocheck, que inclui alguns
procedimentos básicos de manutenção dos diferentes equipamentos. Para o desenvolvimento deste
documento, solicitaram-se os manuais de instruções aos fabricantes das máquinas para verificar as
manutenções necessárias para cada equipamento e as suas periodicidades.
Adicionalmente, o túnel de congelação já foi reparado, assim como, as borrachas vedantes dos
equipamentos de frio e o regulador de temperatura da fritadeira foram substituídas(os), no entanto, uma das
câmaras de refrigeração (Eq. nº4) no armazém de biscoito e produto acabado apresenta acumulação de gelo
na caixa de refrigeração.
As balanças utilizadas para pesagem do produto final não são calibradas, nem possuem o selo de
calibração anual imposto pela legislação para os aparelhos de medição, com exceção de uma balança que
57
foi comprada recentemente. Perante esta situação aconselhou-se a gerência a realizar a calibração de todos
os equipamentos.
Numa das auditorias de acompanhamento mais recentes, verificou-se que um dos equipamentos de frio
na sala de preparação de vegetais na zona da cozinha, que não estava em funcionamento até à data,
encontrava-se a verter água, pelo que, foi notificado à gerência para que procedam à manutenção do
equipamento.
3.2.5 ALERGÉNIOS
Auditoria inicial:
A fábrica já dispunha de informação acerca dos alergénios presentes nos seus produtos, informação
esta, disponível nas fichas técnicas dos produtos finais. Todavia, esta documentação estava desatualizada,
necessitando de ser revista.
Auditorias de acompanhamento:
No cumprimento deste pré-requisito, foram revistas e atualizadas as fichas técnicas dos produtos, que
incluem a informação relativa aos alergénios. Estas fichas técnicas dos produtos finais foram elaboradas com
base na informação disponibilizada pela gerência.
58
Figura 20 – Balde do lixo sem tampa.
Como referido anteriormente, a fábrica apresenta uma rede de saneamento de águas residuais, não
constituindo uma fonte de contaminação.
Relativamente aos óleos alimentares usados (OAU), estes são encaminhados para um operador de
gestão de resíduos devidamente licenciado. O certificado de OAU é emitido anualmente e os exemplares são
conservados na capa do manual HACCP que foi fornecido pela Biocheck, estando facilmente disponível para
ser apresentado caso seja solicitado pelas autoridades fiscalizadoras.
Auditorias de acompanhamento:
No seguimento da não conformidade verificada nas instalações sanitárias dos trabalhadores
relativamente à presença de recipientes do lixo sem tampa, a empresa adquiriu novos recipientes, como
sugerido, no entanto, até à data da última visita, estes ainda não haviam sido utilizados.
59
de contato com os alimentos periodicamente. No entanto, dado que as últimas análises foram realizadas
antes da auditoria de diagnóstico, recomendou-se proceder a um novo ensaio, após a implementação do
plano de higienização atualizado, de modo a verificar a adequação e execução do mesmo.
Auditorias de acompanhamento:
Foi desenvolvido um plano de controlo analítico (Anexo V), que inclui os tipos de amostras (géneros
alimentícios, superfícies e utensílios de trabalho, mãos dos colaboradores e água de consumo) e os
parâmetros microbiológicos e físico-químicos a analisar, a periodicidade da amostragem, bem como, a
identificação do laboratório, o responsável pela recolha e o responsável pela divulgação dos resultados. Posto
isto, foram realizadas análises (Anexo VI), de acordo com o plano de controlo analítico, nomeadamente, a
um dos produtos comercializados (pastelaria doce), às mãos de um dos colaboradores, a uma superfície e
a um utensílio de trabalho e ainda, à potabilidade da água de consumo. Os resultados obtidos, no caso das
análises ao produto final e às mãos do colaborador, não se encontraram dentro dos valores esperados. Visto
que os resultados da análise microbiológica e físico-química à água de consumo foram satisfatórios, rejeita-
se a hipótese de contaminação por esta via. As possíveis causas para os resultados obtidos podem advir do
incumprimento por parte da empresa e dos colaboradores no que respeita às orientações a nível do plano
de higienização e procedimentos de trabalho. Deste modo, será necessário reforçar boas práticas de higiene
e boas práticas de fabrico entre os trabalhadores e realizar novas análises de controlo para validar novamente
o processo.
3.2.9 MATÉRIAS-PRIMAS
Auditoria inicial:
Na primeira auditoria, para garantir o cumprimento dos requisitos legais relativos à qualidade, higiene e
segurança alimentar das matérias-primas, foi elaborado, um questionário para a avaliação e a seleção de
fornecedores (Anexo VII), que deverá ser entregue, por parte da gerência da fábrica, a todos os seus
fornecedores. Estes deverão ser preenchidos e devolvidos, fazendo-se acompanhar das cópias dos
comprovativos requeridos no questionário.
No ato da receção, são verificadas as temperaturas de transporte, no caso dos produtos refrigerados e
congelados, a integridade das embalagens, bem como, a rotulagem, lotes, datas de durabilidade
mínima/limites de consumo, e as características organoléticas dos produtos. Todos estes parâmetros são
registados em sistema informático, num registo de receção de mercadorias.
O armazenamento das matérias-primas não perecíveis é feito através dos monta-cargas para o armazém
geral que está localizado no segundo piso, excetuando a farinha, que é armazenada num armazém exclusivo
para o efeito, no piso térreo. Verificou-se que, alguns produtos alimentares, como os frutos cristalizados,
manteigas, entre outros, não se encontram devidamente protegidos nem identificados com a respetiva data
60
de abertura (Figura 21). Perante esta situação, relembrou-se todos os colaboradores e a gerência que, todos
os alimentos, devem estar devidamente acondicionados em recipientes/embalagens fechadas e
corretamente rotulados.
A B
Figura 21 – Embalagens de farinhas e manteiga abertas (A) e sacos de frutos secos abertos (B).
Relativamente ao processo de fritura, o óleo utilizado apresentava sinais de degradação (cor bastante
escurecida) (Figura 23), pelo que, deveria ser descartado e substituído por um novo óleo. Até à data da
primeira visita, a empresa não utilizava testes rápidos colorimétricos para avaliar a qualidade dos óleos de
fritura, baseando-se, exclusivamente, na verificação das características organoléticas dos mesmos.
61
Figura 23 – Óleo de fritura com sinais de degradação.
A B C
Figura 24 – Batatas cozidas (A), preparado de carne (B) e bacalhau desfiado (C) desprotegidas(os) à temperatura ambiente.
Por fim, os produtos acabados são colocados na câmara de conservação de congelados na zona do cais
de receção/expedição (Secção B), desprotegidos de contaminações aéreas (Figura 25 – Imagem A). Além
disso, verificou-se que as sobras de pão para fabricar o pão ralado, são colocadas diretamente no pavimento
no armazém de biscoito e produto acabado (Figura 25 – Imagem B). Assim, foi recomendado a colocação
destes produtos em recipientes ou embalagens fechadas ou situação equivalente e sempre a colocação dos
mesmos em estrados e/ou prateleiras.
62
A B
Figura 25 – Produtos pré-preparados desprotegidos (A) e sobras de pão colocadas diretamente no pavimento (B).
Auditorias de acompanhamento:
Relativamente ao processo de seleção e avaliação de fornecedores, já foram obtidas algumas respostas
por parte dos fornecedores, pelo que, foi possível realizar a avaliação dos mesmos.
Os equipamentos de frio das zonas de confeção e no cais de receção/expedição (Secção B) continuam
desorganizados, tendo produtos acabados (p. ex., bolos e doces) e produtos intermédios (p. ex., charcutaria)
juntamente com matérias-primas e subprodutos (p. ex., legumes/frutas e cascas de camarão,
respetivamente). Além disso, estes alimentos permanecem desprotegidos e sem identificação.
Nas zonas de armazenagem a situação inicial não se alterou, existindo ainda produtos alimentares, como
frutos cristalizados, coco ralado, chocolate granulado, entre outros, sem a devida rotulagem e desprotegidos.
Ainda se verificou bebidas e outros produtos acondicionados diretamente no pavimento. Recomendou-se que
estes fossem colocados sempre em estrados e/ou prateleiras.
Adicionalmente, tem se verificado a presença contínua de produtos impróprios para consumo (Figura
26), nomeadamente, com o prazo de validade expirado (p. ex., pão de forma, maionese, queijo fresco,
bebidas, etc.), com sinais de desenvolvimento de bolores (p. ex., marmelos) e com sinais de humidades (p.
ex., as farinhas). Posto isto, os produtos que não estejam em condições para serem utilizados, devem ser
rejeitados ou devolvidos ao fornecedor.
A B
Figura 26 – Marmelos com bolores (A) e saco de farinha com humidade (B).
63
Quanto aos óleos de fritura, verificou-se que os termóstatos das fritadeiras na zona de fabrico de
pastelaria doce já foram substituídos e, além disso, já foram adquiridos testes rápidos colorimétricos para
avaliar a qualidade dos óleos de fritura, como sugerido na primeira visita.
Mais uma vez, durante as auditorias de acompanhamento, constatou-se más práticas relativamente ao
arrefecimento dos produtos, nomeadamente os produtos pré-preparados (p. ex., calda de amêndoa, batatas
cozidas, bacalhau desfiado e preparados de carne), que continuam desprotegidos, dispostos à temperatura
ambiente, durante esta etapa.
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No caso da descongelação de produtos alimentares, foi possível verificar em algumas auditorias de
acompanhamento, que esta não estava a ser efetuada corretamente, no sentido em que, os produtos
congelados, nomeadamente frango, bacalhau e ervilhas, estavam a ser descongelados à temperatura
ambiente, ainda dentro das embalagens exteriores de cartão (Figura 27). Perante esta situação, foram
instruídas boas práticas aos colaboradores, relativamente à descongelação dos produtos, para que estes
fossem descongelados em ambiente refrigerado, devidamente acondicionados e protegidos em recipientes
adequados com grelha.
A B
Figura 27 – Ervilhas (A) e frango (B) em processo de descongelação à temperatura ambiente.
65
3.2.12. FORMAÇÃO
Auditoria inicial:
As instruções de trabalho afixadas ao longo das instalações e que são essenciais para auxiliarem os
trabalhadores em matéria de higiene e segurança alimentar serão substituídas, uma vez que a fábrica mudou
de serviços para a Biocheck.
Para um melhor desempenho dos trabalhadores na execução das suas tarefas foram agendadas datas
para a realização de ações de formação.
Auditorias de acompanhamento:
Foram elaboradas instruções de trabalho (Tabela 1) relativas às boas práticas de higiene, assim como,
a outros procedimentos de fabrico. Estas foram afixadas ao longo das instalações, nos locais adequados e
de fácil visualização (p. ex., instruções de trabalho relativas ao processo de fritura afixadas junto às
fritadeiras). Relativamente ao preenchimento dos registos de controlo, este é efetuado diariamente num
programa informático.
No seguimento das formações a realizar no âmbito da higiene e segurança alimentar, a empresa realizou
uma formação profissional de Boas Práticas de Higiene e Segurança Alimentar no contexto da pandemia,
através da plataforma Moodle da Medilogics, que permite aos formandos acederem aos conteúdos da
formação e realizarem as provas de avaliação de forma não presencial. Após a formação, foram emitidos os
certificados de conclusão da mesma.
Adicionalmente, foi também ministrada, presencialmente, uma formação no âmbito de Higiene e
Segurança Alimentar direcionada para a indústria de panificação e pastelaria, a todos os trabalhadores da
fábrica. Para isso, foi elaborado o respetivo plano da formação, o conteúdo da mesma (Anexo VIII) e ainda,
um teste de avaliação final (Anexo IX).
O conteúdo da formação foi dividido por capítulos e compreende uma breve introdução do sistema
HACCP, a contaminação dos alimentos, algumas noções de microbiologia alimentar, bem como o PPR,
nomeadamente a higiene pessoal, a higiene das instalações, equipamentos e utensílios, e por fim algumas
boas práticas relacionadas com a higiene alimentar (desde a receção até à distribuição dos produtos).
Tabela 1. Listagem das instruções de trabalho elaboradas
Instruções de trabalho
IT_01_Receção de matérias-primas (Anexo X)
IT_02_Armazenagem de matérias-primas (Anexo XI)
IT_03_Plano de Higienização (Anexo II)
IT_04_Higiene e conduta pessoal (Anexo XII)
IT_05_Higienização das mãos (Anexo III)
IT_06_Boas práticas de Fritura (Anexo XIII)
66
3.3 IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE ANÁLISE DOS PERIGOS E CONTROLO DOS
PONTOS CRÍTICOS
Após a implementação do programa de pré-requisitos, deu-se início ao processo de implementação do
Sistema HACCP, que compreende 12 etapas, sendo que as 5 primeiras são etapas preliminares e as
restantes são os 7 princípios fundamentais. Cada etapa irá ser descrita em seguida de forma detalhada e
sequencial.
O plano HACCP da fábrica aplica-se a todas as etapas do processo produtivo, desde a receção das
matérias-primas até à distribuição dos produtos para as lojas e/ou clientes. Além disso, faz parte do âmbito
deste plano a identificação de todos os perigos (físicos, químicos, biológicos e/ou alergénios) que podem
ocorrer nas diferentes etapas do processo.
67
3.3.4 CONSTRUÇÃO DE UM FLUXOGRAMA
Nesta fase, foi elaborado o fluxograma (Figura 26) do processo produtivo que servirá de base para a
análise de perigos. Este inclui a descrição detalhada e sequencial de todas as etapas do processo (desde a
receção das matérias-primas, até à distribuição dos produtos para as lojas ou clientes).
Uma vez que a empresa fabrica diversos produtos, desde pão, produtos de pastelaria doce, pastelaria
salgada, produtos folhados e não folhados, bolos e tartes, biscoitos e bolachas, apenas será apresentado o
fluxograma e respetiva avaliação de risco do processo de produção dos produtos não folhados de pastelaria
doce e salgada.
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Figura 28– Fluxograma do processo produtivo.
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Descrição das etapas:
1. Receção de mercadoria: Consiste no período entre o momento da descarga dos produtos até ao
momento em que os produtos são colocados no seu local de armazenagem. Nesta etapa é realizada a
verificação do estado das matérias-primas e dos materiais de embalagem que chegam às instalações. O
produto não conforme é separado e identificado, para posterior devolução ao respetivo fornecedor ou
rejeição.
3. Pesagem e Mistura: Os ingredientes sólidos (p. ex., açúcar, farinha, frutos secos, frutas cristalizadas,
manteiga) são pesados, de acordo com a formulação a seguir, e colocados em sacos de plástico para serem
transportados para a secção de fabrico de pastelaria. Aquando da utilização dos ingredientes são gerados
resíduos de embalagens, que devem ser devidamente separados e encaminhados para os devidos locais, de
forma a serem recolhidos posteriormente pelas respetivas entidades.
4. Mistura: Os ingredientes sólidos e os ingredientes líquidos (p. ex., água e ovo-produtos) são adicionados
à amassadeira ou batedeira industrial, procedendo-se à sua mistura e homogeneização até obter uma massa
consistente. Nesta fase, ocorre a hidratação da farinha e a incorporação de ar que irá permitir o
desenvolvimento da massa.
6. Descanso da massa: Depois da divisão/moldagem, algumas massas (p. ex., bolo-rei, bolas, lanches)
são colocadas em repouso, em ambiente refrigerado (T < 4 ºC), antes de serem trabalhadas. Este processo
tem como objetivos a recuperação da elasticidade da massa e a minimização da atividade da levedura.
70
8. Recheio/Cobertura: Após a levedação da massa, é adicionado o recheio especificado na formulação,
que pode ser doce ou salgado.
11. Acabamento: Nesta etapa dá-se o acabamento dos produtos. Para os produtos de pastelaria doce que
contêm recheio (p. ex., bola de Berlim, éclair), este deve ser adicionado nesta fase.
13./18. Expedição: De acordo com as encomendas, o produto é separado, dividido nas quantidades
necessárias a expedir para cada loja e/ou cliente e colocado no(s) veículo(s) de transporte.
14. Distribuição/19. Distribuição (T<-18ºC): Representa o transporte final do produto para as lojas
e/ou clientes, em veículos adequados e à temperatura adequada. O transporte dos congelados deve ser
realizado a temperaturas iguais ou inferiores a -18 ºC.
15. Ultracongelação: No caso dos croissants, após a divisão/moldagem, a massa é colocada em túneis
de congelação, com o objetivo de baixar bruscamente a temperatura dos produtos, sem que estes percam a
qualidade, permitindo prolongar o seu tempo de vida.
20. Pesagem e Mistura: Os ingredientes sólidos e os ingredientes líquidos (p. ex., água, ovo-produtos)
são pesados, de acordo com a formulação a seguir, e ligeiramente misturados. Aquando da utilização dos
ingredientes são gerados resíduos de embalagens, que devem ser devidamente separados e encaminhados
para os devidos locais, de forma a serem recolhidos posteriormente pelas respetivas entidades.
71
21. Batedura: Nesta etapa, os ingredientes são adicionados à batedeira industrial, procedendo-se à sua
mistura e homogeneização até obter uma mistura cremosa. No caso do chantilly, as natas são batidas
manualmente, até ficarem firmes.
23. Arrefecimento: Após a confeção, a mistura é arrefecida rapidamente para posteriormente ser
incorporada nas etapas nº8 ou nº11.
24. Mistura: No caso do creme de ovos, à mistura arrefecida, são adicionados outros ingredientes, de
acordo com a formulação a seguir, e, posteriormente, misturados.
25. Descongelação: Os alimentos congelados (peito de frango) são colocados em recipiente adequado,
com grelha no fundo e tampa (ou película aderente) e, posteriormente, em equipamento de refrigeração, a
uma temperatura inferior a 4 ºC.
26./28. Preparação: Refere-se ao momento em que os alimentos são retirados do seu local de
armazenagem e são manipulados. Esta etapa compreende a realização de operações de preparação, tais
como lavagem da carne/vegetais, corte da charcutaria/vegetais, tempero, entre outras. A
preparação/manipulação pode ser efetuada antes ou após a confeção dos alimentos (p. ex.,
corte/desfia/picagem da carne cozida).
72
3.3.5 CONFIRMAÇÃO IN LOCO DO FLUXOGRAMA
A confirmação do fluxograma foi realizada em várias auditorias às instalações durante a fase de
produção, através da verificação das diferentes etapas do processo por todos os membros da Equipa HACCP
e aprovado pela mesma.
O fluxograma elaborado foi comparado com as respetivas operações no local, validando todo o processo.
Foram observadas todas as fases intermédias e os horários de produção para assegurar que o diagrama é
válido para todos os períodos de atividade.
73
Tabela 2. Classificação dos níveis de probabilidade de ocorrência e severidade dos perigos e níveis de risco
74
Biológicos – Escherichia coli, Salmonella spp., Shigella spp., Listeria
monocytogenes, Vibrio parahaemolyticus, Streptococcus pyogenes,
rotavírus, vírus Norwalk.
Químicos – compostos das embalagens de plástico, dioxinas, micotoxinas,
resíduos de produtos de higienização.
Físicos – metais.
3 = Grave:
- O consumo de produtos contendo o perigo identificado vai afetar a saúde
do consumidor, sendo necessário recorrer a atendimento médico para
reverter o estado (pode incluir ou não hospitalização);
- Lesões permanentes.
- Exemplos:
Biológicos – Clostridium botulinum, Salmonella Typhi, Salmonella Paratyphi
A e B, Clostridium perfringens tipo C, Escherichia coli O157:H7.
Químicos – metais pesados, resíduos de pesticidas/antibióticos.
Físicos – vidros, agulhas e objetos cortantes e perfurantes.
Significância Baixa ≤ 2 (não considerado para avaliação de PCC)
75
3.3.9 ESTABELECIMENTO DE PROCEDIMENTOS DE MONITORIZAÇÃO PARA CADA PCC (4º
PRINCÍPIO)
Os procedimentos de monitorização consistem no controlo programado do PCC, relativamente aos seus
limites críticos e foram elaborados de forma a permitirem a deteção precoce da perda de controlo de um
PCC, de forma a iniciar atempadamente as ações corretivas que asseguram o controlo do processo, antes
que seja necessário rejeitar o produto.
Na Tabela 4 estão discriminados os procedimentos de monitorização estabelecidos para cada um dos
PCC’s, que englobam os parâmetros a controlar, os métodos utilizados nesse controlo, a frequência de
observações e os responsáveis pelo controlo. Este controlo é suportado por um sistema adequado e rigoroso
de registo para uso futuro.
76
3.3.12 ESTABELECIMENTO DE DOCUMENTAÇÃO E REGISTOS ( 7º PRINCÍPIO)
Para a implementação eficaz do Plano HACCP, foi elaborado um sistema de documentação e registo. A
documentação está organizada num Manual HACCP, que inclui a apresentação da empresa, uma breve
descrição do Programa de Pré-Requisitos e do Sistema HACCP (incluindo das etapas antecedentes aos 7
Princípios HACCP), a análise de perigos, a identificação dos PCC, o estabelecimento dos limites críticos, a
descrição do sistema de monitorização, das medidas corretivas, as atividades de verificação e validação, os
registos de controlo, relatórios de auditorias, entre outros documentos relevantes.
Os registos de controlo, incluindo as faturas e guias de encomendas estão disponíveis em sistema
informático e facilmente acessíveis ao longo das zonas de fabrico e restantes áreas relevantes, o que permite
o fácil preenchimento dos mesmos. Estes são mantidos por um período de tempo suficiente para fins de
rastreabilidade e servir de evidência da eficácia e aplicabilidade do plano HACCP. Outros documentos,
designadamente as instruções de trabalho, encontram-se afixadas em pontos estratégicos das instalações
para uma fácil visualização e acessibilidade para todos os trabalhadores.
77
Tabela 3. Análise de perigos e determinação de pontos críticos de controlo (PCCs)
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
78
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
79
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Avaliar e selecionar fornecedores
Presença de bactérias patogénicas qualificados;
(Coliformes, Enterobacteriaceae, - Fornecedores não qualificados; - Verificar as condições de higiene do
Escherichia coli, Listeria spp., - Práticas inadequadas na produção, transporte, a integridade da embalagem e a 1 3 3 S N N - PPR
(carnes vermelhas, charcutaria, leite e derivados, manteiga, ovo-produtos, vegetais)
- Formação do pessoal.
80
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Avaliar e selecionar fornecedores
Presença de bactérias patogénicas qualificados;
(Coliformes, Enterobacteriaceae, - Fornecedores não qualificados; - Verificar as condições de higiene do 1 3 3 S N N - PPR
Escherichia coli, Listeria spp., - Práticas inadequadas na produção, transporte, a integridade da embalagem e a
Salmonella spp.) transporte e descarga; rotulagem, nomeadamente os prazos de
B - Acondicionamento inadequado da validade;
mercadoria (embalagens não - Controlar a temperatura do produto e a
íntegras); temperatura de transporte;
Presença de bolores e leveduras - Quebra na cadeia de frio. - Verificar, quando aplicável, os boletins 1 2 2 - - - - PPR
analíticos;
1.4) Receção de Matérias-primas Congeladas
- Formação do pessoal.
(bacalhau, carnes de aves e marisco)
81
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
82
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
Matérias-primas cruas
Desenvolvimento de bactérias - Temperatura de armazenagem - Controlar a temperatura e as condições de PPR
incorreta (avaria/ausência de armazenagem; 2 3 4 S N S Sa)
patogénicas (Coliformes, a)
Confeção
Enterobacteriaceae, Escherichia manutenção dos equipamentos de - Garantir a separação, proteção e
frio); identificação de todos os géneros Alimentos prontos a consumir (recheios)
coli, Listeria spp., Salmonella spp.)
- Armazenagem por um período alimentícios;
2 3 4 S N S N PCC 1
demasiado longo; - Assegurar a correta rotação de stocks
2.2) Armazenagem de Matérias-primas Refrigeradas
B
- Acondicionamento inadequado dos (FIFO); Matérias-primas cruas
produtos (embalagens fechadas - Cumprir o plano de higienização, o plano
PPR
incorretamente); de manutenção dos equipamentos, as boas 2 2 3 S N S Sa)
Desenvolvimento de bolores e - Incumprimento das boas práticas de práticas de higiene pessoal e o plano de
a)
Confeção
leveduras higiene; controlo de pragas; Alimentos prontos a consumir (recheios)
- Controlo de pragas insuficiente. - Formação do pessoal.
2 2 3 S N S N PCC 1
83
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Garantir a proteção de todos os géneros
- Acondicionamento inadequado dos alimentícios;
produtos (embalagens/ recipientes - Controlar e manter o bom estado de
fechadas/os incorretamente); conservação das instalações e
Introdução de corpos estranhos
- Instalações, equipamentos e equipamentos;
(adornos pessoais,
F materiais de acondicionamento em - Inspecionar, visualmente, os materiais de 1 2 2 - - - - PPR
areias/pedras/terra, fragmentos
mau estado de conservação; acondicionamento e os produtos;
de metal/plástico, insetos, etc.)
- Incumprimento das boas práticas de - Cumprir o plano de manutenção dos
higiene pessoal; equipamentos, as boas práticas de higiene
- Controlo de pragas insuficiente. pessoal e o plano de controlo de pragas;
- Formação do pessoal.
- Controlar a temperatura e as condições de
- Temperatura de armazenagem
2.3) Armazenamento de Matérias-primas congeladas
armazenagem;
Desenvolvimento de bactérias incorreta (avaria/ausência de
- Garantir a separação, proteção e
patogénicas (Coliformes, manutenção dos equipamentos de PPR
identificação de todos os géneros 2 3 4 S N S Sa)
Enterobacteriaceae, Escherichia frio); a)
Confeção
alimentícios;
coli, Listeria spp., Salmonella spp.) - Armazenagem por um período
- Assegurar a correta rotação de stocks
B demasiado longo;
(FIFO);
- Acondicionamento inadequado dos
- Cumprir o plano de higienização, o plano
produtos (embalagens fechadas
de manutenção dos equipamentos, as boas
Desenvolvimento de bolores e incorretamente); PPR
práticas de higiene pessoal e o plano de 2 2 3 S N S Sa)
leveduras - Incumprimento das boas práticas de a)
Confeção
controlo de pragas;
higiene.
- Formação do pessoal.
84
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
85
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Assegurar o cumprimentos das boas
Introdução e/ou desenvolvimento práticas de fabrico;
de bactérias patogénicas (Bacillus - Retirar as matérias-primas refrigeradas dos
cereus, Clostridium perfringens, equipamentos de frio apenas no momento
Coliformes, Enterobacteriaceae, da pesagem; PPR
2 3 4 S N S Sa)
Enterococcus, Escherichia coli, - Inspecionar as matérias-primas antes da a)
Confeção
Listeria spp., Pseudomonas - Presença de microrganismos
pesagem/mistura, rejeitando as que
aeruginosa, Salmonella spp., patogénicos nas matérias-primas;
apresentem alterações organoléticas;
Staphylococcus aureus) - Incumprimento das boas práticas de
B - Executar as tarefas de forma rápida,
higiene e fabrico;
higiénica e sem interrupções;
5) Divisão e Moldagem
86
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Controlar e manter o bom estado de
conservação das instalações, equipamentos
e utensílios;
- Instalações, equipamentos, utensílios
- Abrir com especial cuidado as embalagens,
Introdução de corpos estranhos e materiais de acondicionamento em
para evitar a contaminação dos produtos
(adornos pessoais, cabelos/pelos, mau estado de conservação;
F com estes materiais; 1 2 2 - - - - PPR
fragmentos de metal/plástico, - Incumprimento das boas práticas de
- Cumprir as boas práticas de higiene
insetos, etc.) higiene pessoal;
pessoal e o plano de controlo de pragas;
- Controlo de pragas insuficiente.
- Inspecionar, visualmente, os materiais de
acondicionamento e os produtos;
- Formação do pessoal.
87
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
B
aeruginosa, Salmonella spp., - Controlo de pragas insuficiente; - Cumprir o plano de higienização, o plano
Staphylococcus aureus) - Contaminação cruzada. de manutenção dos equipamentos, as boas
práticas de higiene pessoal e o plano de
controlo de pragas;
Introdução e/ou desenvolvimento - Formação do pessoal. PPR
2 2 3 S N S Sa)
de bolores e leveduras a)
Confeção
88
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
89
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
90
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
B Listeria spp., Pseudomonas - Incumprimento das boas práticas de produtos, para evitar a recontaminação dos
aeruginosa, Salmonella spp., higiene e fabrico; mesmos;
Staphylococcus aureus)
23) Arrefecimento
91
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
1 2 2 - - - - PPR
de bolores e leveduras - Formação do pessoal.
- Utilizar detergentes e desinfetantes
- Incumprimento das boas práticas de
Introdução de resíduos de aprovados para o ramo alimentar;
Q higiene (p. ex., enxaguamento 1 2 2 - - - - PPR
produtos de higienização - Cumprir o plano de higienização;
insuficiente dos utensílios).
- Formação do pessoal.
92
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Utilizar materiais de
Introdução de compostos dos - Utilização de materiais de
acondicionamento/embalagem adequados
materiais de acondicionamento/embalagem 1 2 2 - - - - PPR
para uso alimentar;
acondicionamento/embalagem inadequados para alimentos.
- Formação do pessoal.
Q
- Utilizar detergentes e desinfetantes
- Incumprimento das boas práticas de
Introdução de resíduos de aprovados para o ramo alimentar;
higiene (p. ex., enxaguamento 1 2 2 - - - - PPR
produtos de higienização - Cumprir o plano de higienização;
insuficiente dos utensílios).
- Formação do pessoal.
- Controlar e manter o bom estado de
conservação das instalações;
- Instalações e materiais de
Introdução de corpos estranhos - Utilizar materiais de
acondicionamento/embalagem em
(adornos pessoais, cabelos/pelos, acondicionamento/embalagem em bom
mau estado de conservação;
F fragmentos de estado; 1 2 2 - - - - PPR
- Incumprimento das boas práticas de
cartão/papel/metal/plástico, - Cumprir as boas práticas de higiene
higiene pessoal;
insetos, etc.) pessoal e o plano de controlo de pragas;
- Controlo de pragas insuficiente.
- Inspecionar, visualmente, os produtos;
- Formação do pessoal.
93
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
Desenvolvimento de bactérias
patogénicas (Bacillus cereus,
Clostridium perfringens, - Acondicionamento inadequado dos
Coliformes, Enterobacteriaceae, produtos (cestos/embalagens
- Acondicionar adequadamente os produtos; 1 3 3 S N N - PPR
Enterococcus, Escherichia coli, fechados/as incorretamente);
- Executar a tarefa de forma rápida, higiénica
Listeria spp., Pseudomonas - Tempo excessivo entre as etapas de
B e sem interrupções;
aeruginosa, Salmonella spp., acondicionamento e expedição;
- Cumprir o plano de higienização;
Staphylococcus aureus) - Incumprimento das boas práticas de
- Formação do pessoal.
higiene;
- Contaminação cruzada.
Desenvolvimento de bolores e
1 2 2 - - - - PPR
leveduras
13)/18) Expedição
- Utilizar materiais de
Introdução de compostos dos - Utilização de materiais de
acondicionamento/embalagem adequados
Q materiais de acondicionamento/embalagem 1 2 2 - - - - PPR
para uso alimentar;
acondicionamento/embalagem inadequados para alimentos.
- Formação do pessoal.
94
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
Desenvolvimento de bactérias
patogénicas (Bacillus cereus,
Clostridium perfringens,
- Tempo excessivo de transporte - Utilizar veículos próprios para o efeito;
Coliformes, Enterobacteriaceae,
(avaria do veículo de transporte); - Garantir o correto acondicionamento dos 1 3 3 S N N - PPR
Enterococcus, Escherichia coli,
- Acondicionamento inadequado dos produtos durante o transporte;
Listeria spp., Pseudomonas
produtos (cestos/embalagens - Cumprir o plano de higienização e o plano
B aeruginosa, Salmonella spp.,
fechados/as incorretamente); de controlo de pragas;
Staphylococcus aureus)
- Incumprimento das boas práticas de - Inspecionar, visualmente, os produtos
higiene; antes da entrega ao cliente;
- Contaminação cruzada. - Formação do pessoal.
Desenvolvimento de bolores e
1 2 2 - - - - PPR
leveduras
14) Distribuição
- Utilizar materiais de
Introdução de compostos dos - Utilização de materiais de
acondicionamento/embalagem adequados
Q materiais de acondicionamento/embalagem 1 2 2 - - - - PPR
para uso alimentar;
acondicionamento/embalagem inadequados para alimentos.
- Formação do pessoal.
95
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
96
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
1 2 2 - - - - -
leveduras - Controlo de pragas insuficiente.
97
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
98
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Assegurar o cumprimentos das boas
Introdução e/ou desenvolvimento práticas de fabrico;
de bactérias patogénicas (Bacillus - Retirar as matérias-primas refrigeradas dos
cereus, Clostridium perfringens, equipamentos de frio apenas no momento
Coliformes, Enterobacteriaceae, da pesagem; PPR
2 3 4 S N S Sa)
Enterococcus, Escherichia coli, - Inspecionar as matérias-primas antes da a)
Confeção
- Presença de microrganismos
Listeria spp., Pseudomonas pesagem/mistura, rejeitando as que
patogénicos nas matérias-primas;
aeruginosa, Salmonella spp., apresentem alterações organoléticas;
- Incumprimento das boas práticas de
B Staphylococcus aureus) - Executar a operação de forma rápida,
higiene e fabrico;
higiénica e sem interrupções;
- Controlo de pragas insuficiente;
20) Pesagem e Mistura
99
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Controlar e manter o bom estado de
conservação das instalações, equipamentos
- Instalações, equipamentos, utensílios e utensílios;
Introdução de corpos estranhos e materiais de acondicionamento em - Abrir com especial cuidado as embalagens,
(adornos pessoais, cabelos/pelos, mau estado de conservação; para evitar a contaminação dos produtos
F 1 2 2 - - - - PPR
fragmentos de metal/plástico, - Incumprimento das boas práticas de com estes materiais;
etc.) higiene pessoal; - Cumprir as boas práticas de higiene
- Controlo de pragas insuficiente. pessoal e o plano de controlo de pragas;
- Inspecionar, visualmente, os produtos;
- Formação do pessoal.
- Assegurar o cumprimentos das boas
práticas de fabrico;
Introdução e/ou desenvolvimento - Retirar as matérias-primas refrigeradas dos
de bactérias patogénicas (Bacillus equipamentos de frio apenas no momento
cereus, Clostridium perfringens, da pesagem;
Coliformes, Enterobacteriaceae, - Inspecionar as matérias-primas antes da
- Presença de microrganismos 2 3 4 S N N - PPR
Enterococcus, Escherichia coli, batedura, rejeitando as que apresentem
patogénicos nas matérias-primas;
Listeria spp., Pseudomonas alterações organoléticas;
- Incumprimento das boas práticas de
B aeruginosa, Salmonella spp., - Executar a operação de forma rápida,
higiene e fabrico;
Staphylococcus aureus) higiénica e sem interrupções;
21) Batedura
100
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
101
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
102
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
103
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Retirar as matérias-primas refrigeradas dos
Introdução e/ou desenvolvimento
equipamentos de frio apenas no momento
de bactérias patogénicas (Bacillus
da preparação;
cereus, Clostridium perfringens,
- Inspecionar as matérias-primas antes da PPR
Coliformes, Enterobacteriaceae,
preparação, rejeitando as que apresentam 2 3 4 S N S Sa)
Enterococcus, Escherichia coli, a)
Confeção
alterações organoléticas;
Listeria spp., Pseudomonas - Presença de microrganismos
- Executar a operação de forma rápida,
aeruginosa, Salmonella spp., patogénicos nas matérias-primas;
higiénica e sem interrupções;
B Staphylococcus aureus) - Incumprimento das boas práticas de
- Assegurar a diferenciação no tempo e no
higiene e fabrico;
espaço dos utensílios/locais de preparação
- Contaminação cruzada.
26)/28) Preparação
104
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
- Controlar e manter o bom estado de
conservação das instalações, equipamentos
e utensílios;
- Instalações, equipamentos, utensílios
Introdução de corpos estranhos - Abrir com especial cuidado as embalagens,
e materiais de acondicionamento em
(adornos pessoais, cabelos/pelos, para evitar a contaminação dos produtos
F mau estado de conservação; 1 2 2 - - - - PPR
fragmentos de metal/plástico, com estes materiais;
- Incumprimento das boas práticas de
insetos, etc.) - Cumprir as boas práticas de higiene
higiene pessoal.
pessoal;
- Inspecionar, visualmente, os produtos;
- Formação do pessoal.
Sobrevivência de bactérias
patogénicas (Bacillus cereus,
Clostridium perfringens,
Coliformes, Enterobacteriaceae, - Presença de microrganismos - Atingir, no centro térmico do produto, a
2 3 4 S N S N
Enterococcus, Escherichia coli, patogénicos nas matérias-primas; temperatura mínima adequada;
Listeria spp., Pseudomonas - Confeção incorreta; - Cumprir o plano de higienização e as boas
B PCC 4
aeruginosa, Salmonella spp., - Incumprimento das boas práticas de práticas de higiene pessoal;
Staphylococcus aureus) higiene e fabrico; - Inspecionar, visualmente, os produtos;
27) Confeção
Sobrevivência de bolores e
2 2 3 S N S N
leveduras
105
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
Desenvolvimento de bactérias
patogénicas (Bacillus cereus, - Garantir que o arrefecimento é efetuado o
Clostridium perfringens, mais rápido possível;
Coliformes, Enterobacteriaceae, - Arrefecimento lento; - Assegurar que os produtos permanecem
Enterococcus, Escherichia coli, - Acondicionamento inadequado dos devidamente protegidos; 2 3 4 S N N - PPR
Listeria spp., Pseudomonas produtos; - Minimizar ao máximo a manipulação dos
B
aeruginosa, Salmonella spp., - Incumprimento das boas práticas de produtos, para evitar a recontaminação dos
Staphylococcus aureus) higiene e fabrico; mesmos;
- Contaminação cruzada. - Cumprir o plano de higienização, as boas
Desenvolvimento de bolores e práticas de higiene pessoal;
2 2 3 S N N - PPR
29) Arrefecimento
106
Análise
Árvore de Decisão
Etapa Perigo Causas Medidas Preventivas de Risco
P S NR Q1 Q2 Q3 Q4 PPR/PCC
matérias-primas;
Presença e/ou introdução de - Contaminação cruzadas;
A - Elaborar as fichas técnicas dos produtos 2 3 4 S N N - PPR
alergénios - Rotulagem inadequada.
finais;
- Informar o cliente da não garantia quanto à
contaminação cruzada.
107
Justificação dos PCC e dos não PCC:
2.1) Armazenagem de matérias-primas secas: Não é considerado um PCC, dado que os perigos
identificados nesta etapa, no caso das matérias-primas pouco suscetíveis à contaminação microbiológica,
não aumentam para valores superiores aos aceitáveis, e no caso das restantes matérias-primas, o
controlo dos perigos pode ser efetuado numa etapa subsequente, a confeção, que irá eliminar ou reduzir
os perigos identificados para níveis aceitáveis;
2.2) Armazenagem de matérias-primas refrigeradas: Esta etapa não é um PCC, no caso das
matérias-primas cruas, visto que existe uma etapa no processo (cozedura), que não permite que a
contaminação com os perigos identificados nesta etapa ocorra acima de níveis aceitáveis ou aumente
para níveis inaceitáveis. No caso dos recheios e coberturas prontos(as) para consumo, esta etapa
corresponde a um PCC, uma vez que estes produtos não sofrem tratamento térmico e por isso, é
necessário o controlo da temperatura dos equipamentos de refrigeração para garantir que a
contaminação microbiológica não aumente para níveis inaceitáveis;
3) Pesagem e Mistura/(4) Mistura/(5) Divisão e Moldagem: Estas etapas não são consideradas
um PCC, uma vez que, os perigos identificados podem ser controlados através de boas práticas de
fabrico e boas práticas de higiene. Acresce que, existe uma etapa posterior capaz de reduzir ou eliminar
os perigos considerados como significativos para valores aceitáveis.
6) Descanso da massa: a mesma justificação da etapa “3) Pesagem e Mistura”, “4) Mistura” e “5)
Divisão e Moldagem”;
108
8) Recheio/Cobertura: a mesma justificação da etapa “3) Pesagem e Mistura”, “4) Mistura” e “5)
Divisão e Moldagem”;
10) Arrefecimento e Desenformagem/ 23) Arrefecimento: Esta etapa não é um PCC, dado que
as boas práticas de higiene e produção implementadas, impedem que a contaminação com os perigos
significativos identificados possa ocorrer acima dos níveis aceitáveis ou aumentar para níveis inaceitáveis;
13)/18) Expedição: Esta etapa não é considerada um PCC, dado que é uma operação relativamente
rápida e sendo cumpridos os pré-requisitos definidos, a possibilidade de ocorrer contaminação dos
produtos com os perigos identificados é baixa;
17) Armazenagem a -18ºC: Uma vez que, alguns produtos são finalizados nas lojas, esta etapa não
é um PCC, pois existe uma etapa, nomeadamente confeção em loja, que irá eliminar ou reduzir o perigo
para níveis aceitáveis.
109
20) Pesagem e Mistura/ 24) Mistura: a mesma justificação da etapa “3) Pesagem e Mistura”, “4)
Mistura” e “5) Divisão e Moldagem”;
21) Batedura: Esta etapa não é considerada um PCC, dado que as boas práticas de higiene e produção
implementadas, impedem que a contaminação com os perigos significativos identificados possa ocorrer
acima dos níveis aceitáveis ou aumentar para níveis inaceitáveis;
22)/27) Confeção: É um PCC porque pode ocorrer a sobrevivência microbiológica caso a temperatura
mínima, no centro térmico do produto, não for atingida, sendo por isso, necessário controlar a
temperatura da operação.
25) Descongelação: Não é um PCC, porque as boas práticas de descongelação, bem como, a epata
posterior de confeção, impedem que a contaminação com os perigos identificados possa ocorrer acima
dos níveis aceitáveis ou aumentar para níveis inaceitáveis.
26)/28) Preparação: a mesma justificação da etapa “3) Pesagem e Mistura”, “4) Mistura” e “5)
Divisão e Moldagem”;
110
Tabela 4. Estabelecimento de limites críticos, procedimentos de monitorização, ações corretivas e procedimentos de verificação
PCCs Monitorização
Limite Ações Atividades de
/ Perigo Registos
Crítico Método Frequência Responsável Corretivas Validação/Verificação
Etapa
- Em caso de avaria do - Registo
equipamento, passar - Verificar, diariamente, os informático de
de Matérias-primas
B dos de
Escherichia coli, inferior a 4ºC dia (caso se encontre fora calibrado; Não
Armazenagem
equipamentos Responsabilidades
Listeria spp., do limite crítico) e - Realizar auditorias periódicas Conformidades e
de frio.
Salmonella spp.) e solicitar assistência ao Sistema HACCP; Ações Corretivas;
bolores e leveduras técnica; - Realizar, anualmente, - Registo de
- Rever o plano de análises microbiológicas ao manutenção e
2.2)
111
PCCs Monitorização
Limite Ações Atividades de
/ Perigo Registos
Crítico Método Frequência Responsável Corretivas Validação/Verificação
Etapa
22) Confeção
- Verificar, anualmente, os
- Registo
PCC 3
termómetro de manutenção e
Salmonella spp.) e análises microbiológicas ao
PCC 4
112
4. CONCLUSÃO
Perante a realidade que caracteriza o setor de panificação e pastelaria, é notória a dificuldade sentida
por todos os produtores e comerciantes em se adaptarem às novas exigências legais em matéria de higiene
alimentar, nomeadamente em relação à obrigatoriedade de implementação de sistemas de autocontrolo.
A implementação do sistema HACCP numa indústria de pastelaria e panificação é, atualmente, uma
obrigação legal, acarretando a todos os trabalhadores e manipuladores responsabilidades. Contudo, depende
essencialmente da implementação de um conjunto de pré-requisitos, na qual a aplicação de boas práticas
de higiene e fabrico é fundamental para a eficácia do SGSA.
No final do período de estágio na Biocheck, foi possível concluir o objetivo principal deste trabalho, uma
vez que o plano HACCP encontra-se, atualmente, em fase de implementação. Durante este período foram
realizadas atividades essenciais para o desenvolvimento deste trabalho, nomeadamente, a elaboração de
auditorias de diagnóstico e acompanhamento e dos respetivos relatórios de visita, a atualização de
documentação existente, como o plano de higienização, as instruções de trabalho, as fichas técnicas dos
produtos finais, os fluxogramas de produção, entre outros, e ainda, o desenvolvimento de nova
documentação, como o plano de controlo analítico, a análise de perigos e identificação dos PCC, a definição
dos limites críticos e do sistema de monitorização, bem como, a ministração de formação em matéria de
Higiene e Segurança Alimentar a todos os colaboradores da empresa.
Ao longo deste projeto, foram verificadas melhorias no cumprimento das exigências do Programa de Pré-
Requisitos, nomeadamente, a higienização e manutenção das instalações e equipamentos que evidenciavam
falhas de higiene e conservação. Não obstante, a maior dificuldade neste processo de implementação foi a
sensibilização dos trabalhadores para a necessidade de adotarem novos métodos de trabalho que assegurem
as boas práticas de higiene, fabrico e manipulação dos géneros alimentícios.
Relativamente ao Plano HACCP, durante a análise de perigos, foi possível identificar quatro Pontos
Críticos de Controlo, dois deles relacionados com as etapas de confeção dos recheios e coberturas, e os
outros dois relacionados com o armazenamento de cremes de pastelaria doce e com a etapa de fritura. Os
PCC identificados encontram-se controlados, visto que são alvo de constante monitorização por parte do
pessoal responsável. No entanto, uma falha no processo pode pôr em causa a salubridade dos produtos,
sendo por isso muito importante que os PCC sejam atualizados e revistos, sempre que decorrerem alterações
no processo ou nos métodos de trabalho que assim o exijam.
Futuramente, será necessário melhorar a implementação das BPF e BPH, dadas as falhas descritas ao
longo do trabalho. É particularmente importante reforçar a formação dos colaboradores, incutir novos hábitos
de trabalho e incentivar à mudança, de forma a desencadear procedimentos de trabalho que evitem a
113
contaminação e proliferação de perigos alimentares. Em suma, este é um processo de melhoria contínua,
pelo que, é necessário a revisão periódica dos PPR e do Plano HACCP.
114
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117
ANEXOS
Anexo I – Ficha de Verificação de Pré-Requisitos
Anexo II – Plano de Higienização
Anexo III – Instrução de Trabalho para a Higienização das Mãos
Anexo IV – Plano de Manutenção de Equipamentos
Anexo V – Plano de Controlo Analítico
Anexo VI – Boletins das Análises Microbiológicas e Físico-químicas
Anexo VII – Questionário de Avaliação e Seleção de Fornecedores
Anexo VIII – Formação de Higiene e Segurança Alimentar
Anexo IX – Teste de Avaliação
Anexo X – Instrução de Trabalho para a Receção de matérias-primas
Anexo XI – Instrução de Trabalho para a Armazenagem de matérias-primas
Anexo XII – Instrução de Trabalho para a Higiene e Conduta pessoal
Anexo XIII – Instrução de Trabalho de Boas Práticas de Fritura
Anexo XIV – Matriz de Responsabilidades
Anexo XV – Ficha Técnica de Produto Final
118
Anexo I – Ficha de verificação de Pré-Requisitos
IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA
Designação:
Morada:
Contactos:
Atividade:
Responsável:
119
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
LISTAGEM DE EQUIPAMENTOS
SECÇÃO QUANTIDADE DESIGNAÇÃO
120
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
2. Pavimento constituído por material impermeável, resistente, lavável e não tóxico. (Reg. (CE) nº 852/2004)
3. Inclinação suficiente para garantir o escoamento adequado do local. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas Práticas
ACIP)
4. Paredes revestidas por materiais resistentes, impermeáveis, laváveis, não tóxicos e lisas até à altura das
operações. (Reg. (CE) nº 852/2004)
5. Rodapés e cantos arredondados para fácil limpeza, quando aplicável. (Boas Práticas ACIP)
6. Portas constituídas por superfície lisa, impermeável, não absorvente, lavável e não tóxica. (Reg. (CE) nº
852/2004)
7. Janelas e outras aberturas constituídas por superfície lisa, impermeável, resistente, lavável e não tóxica.
(Reg. (CE) nº 852/2004)
8. As janelas e outras aberturas encontram-se fechadas durante o processo produtivo. (Reg. (CE) nº
852/2004)
9. Teto constituído por material que evita acumulação de sujidade, reduz a condensação e o desenvolvimento
de bolores indesejáveis. (Reg. (CE) nº 852/2004)
10. Iluminação natural e/ou artificial adequada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
13. Exaustão adequada de fumos e cheiros, em bom estado de higiene. (Boas Práticas ACIP)
14. Local para lavagem de géneros alimentícios, sempre que necessário, equipado com água corrente quente e
fria. (Reg. (CE) nº 852/2004)
15. Local de lavagem de mãos, com torneira acionada por comando não manual e com água corrente quente e
fria ou pré-misturada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
16. Materiais de limpeza das mãos e dispositivos de secagem higiénica. (Reg. (CE) nº852/2004)
17. Baldes do lixo com tampa acionada por pedal e revestidos com saco plástico. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas
práticas ACIP)
18. Local distinto para limpeza de equipamentos e utensílios de trabalho, equipado com água corrente quente e
fria e máquina de lavar loiça. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas Práticas ACIP)
19. Sinalização de uso obrigatório de vestuário de proteção. (Codex Alimentarius)
121
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
25. Sistema de monitorização e registo de temperaturas. (Reg. (CE) nº852/2004) (Codex Alimentarius)
26. Fritura dos alimentos a uma temperatura inferior a 180ºC. (Boas práticas ACIP)
27. Sistema de controlo e registo da qualidade dos óleos de fritura. (Portaria nº 1135/95)
28. Verificação da integridade e limpeza das embalagens (metálicas e vidro) antes do enchimento. (Reg. (CE)
nº852/2004)
A.3 Géneros Alimentícios
29. Géneros Alimentícios identificados/rotulados e em boas condições de armazenagem. (Reg. (CE)
nº852/2004)
30. Alimentos protegidos. (Reg. (CE) nº852/2004)
33. Descongelação em recipientes próprios que permitam drenagem de líquidos. (Reg. (CE) nº852/2004)
122
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
2. Pavimento constituído por material impermeável, resistente, lavável e não tóxico. (Reg. (CE) nº 852/2004)
3. Inclinação suficiente para garantir o escoamento adequado do local. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas Práticas
ACIP)
4. Paredes revestidas por materiais resistentes, impermeáveis, laváveis, não tóxicos e lisas até à altura das
operações. (Reg. (CE) nº 852/2004)
5. Rodapés e cantos arredondados para fácil limpeza, quando aplicável. (Boas Práticas ACIP)
6. Portas constituídas por superfície lisa, impermeável, não absorvente, lavável e não tóxica. (Reg. (CE) nº
852/2004)
7. Janelas e outras aberturas constituídas por superfície lisa, impermeável, resistente, lavável e não tóxica.
(Reg. (CE) nº 852/2004)
8. As janelas e outras aberturas encontram-se fechadas durante o processo produtivo. (Reg. (CE) nº
852/2004)
9. Teto constituído por material que evita acumulação de sujidade, reduz a condensação e o desenvolvimento
de bolores indesejáveis. (Reg. (CE) nº 852/2004)
10. Iluminação natural e/ou artificial adequada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
13. Exaustão adequada de fumos e cheiros, em bom estado de higiene. (Boas Práticas ACIP)
14. Local para lavagem de géneros alimentícios, sempre que necessário, equipado com água corrente quente e
fria. (Reg. (CE) nº 852/2004)
15. Local de lavagem de mãos, com torneira acionada por comando não manual e com água corrente quente e
fria ou pré-misturada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
16. Materiais de limpeza das mãos e dispositivos de secagem higiénica. (Reg. (CE) nº852/2004)
17. Baldes do lixo com tampa acionada por pedal e revestidos com saco plástico. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas
práticas ACIP)
18. Local distinto para limpeza de equipamentos e utensílios de trabalho, equipado com água corrente quente e
fria e máquina de lavar loiça. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas Práticas ACIP)
19. Sinalização de uso obrigatório de vestuário de proteção. (Codex Alimentarius)
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RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
25. Sistema de monitorização e registo de temperaturas. (Reg. (CE) nº852/2004) (Codex Alimentarius)
26. Fritura dos alimentos a uma temperatura inferior a 180ºC. (Boas práticas ACIP)
27. Sistema de controlo e registo da qualidade dos óleos de fritura. (Portaria nº 1135/95)
28. Verificação da integridade e limpeza das embalagens (metálicas e vidro) antes do enchimento. (Reg. (CE)
nº852/2004)
B.3 Géneros Alimentícios
29. Géneros Alimentícios identificados/rotulados e em boas condições de armazenagem. (Reg. (CE)
nº852/2004)
30. Alimentos protegidos. (Reg. (CE) nº852/2004)
33. Descongelação em recipientes próprios que permitam drenagem de líquidos. (Reg. (CE) nº852/2004)
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RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
2. Pavimento constituído por material impermeável, resistente, lavável e não tóxico. (Reg. (CE) nº 852/2004)
3. Inclinação suficiente para garantir o escoamento adequado do local. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas Práticas
ACIP)
4. Paredes revestidas por materiais resistentes, impermeáveis, laváveis, não tóxicos e lisas até à altura das
operações. (Reg. (CE) nº 852/2004)
5. Rodapés e cantos arredondados para fácil limpeza, quando aplicável. (Boas Práticas ACIP)
6. Portas constituídas por superfície lisa, impermeável, não absorvente, lavável e não tóxica. (Reg. (CE) nº
852/2004)
7. Janelas e outras aberturas constituídas por superfície lisa, impermeável, resistente, lavável e não tóxica.
(Reg. (CE) nº 852/2004)
8. As janelas e outras aberturas encontram-se fechadas durante o processo produtivo. (Reg. (CE) nº
852/2004)
9. Teto constituído por material que evita acumulação de sujidade, reduz a condensação e o desenvolvimento
de bolores indesejáveis. (Reg. (CE) nº 852/2004)
10. Iluminação natural e/ou artificial adequada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
13. Exaustão adequada de fumos e cheiros, em bom estado de higiene. (Boas Práticas ACIP)
14. Local para lavagem de géneros alimentícios, sempre que necessário, equipado com água corrente quente e
fria. (Reg. (CE) nº 852/2004)
15. Local de lavagem de mãos, com torneira acionada por comando não manual e com água corrente quente e
fria ou pré-misturada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
16. Materiais de limpeza das mãos e dispositivos de secagem higiénica. (Reg. (CE) nº852/2004)
17. Baldes do lixo com tampa acionada por pedal e revestidos com saco plástico. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas
práticas ACIP)
18. Local distinto para limpeza de equipamentos e utensílios de trabalho, equipado com água corrente quente e
fria e máquina de lavar loiça. (Reg. (CE) nº 852/2004, Boas Práticas ACIP)
19. Sinalização de uso obrigatório de vestuário de proteção. (Codex Alimentarius)
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RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
25. Sistema de monitorização e registo de temperaturas. (Reg. (CE) nº852/2004) (Codex Alimentarius)
26. Fritura dos alimentos a uma temperatura inferior a 180ºC. (Boas práticas ACIP)
27. Sistema de controlo e registo da qualidade dos óleos de fritura. (Portaria nº 1135/95)
28. Verificação da integridade e limpeza das embalagens (metálicas e vidro) antes do enchimento. (Reg. (CE)
nº852/2004)
C.3 Géneros Alimentícios
29. Géneros Alimentícios identificados/rotulados e em boas condições de armazenagem. (Reg. (CE)
nº852/2004)
30. Alimentos protegidos. (Reg. (CE) nº852/2004)
33. Descongelação em recipientes próprios que permitam drenagem de líquidos. (Reg. (CE) nº852/2004)
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RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
2. Paredes e pavimento constituídos por material impermeável, resistente, lavável e não tóxico. (Reg. (CE) nº
852/2004)
3. Iluminação natural e/ou artificial adequada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
5. Teto constituído por material que evita acumulação de sujidade, reduz a condensação e o desenvolvimento
de bolores indesejáveis. (Reg. (CE) nº 852/2004)
6. Sistema de ventilação adequado, natural ou mecânico. (Reg. (CE) nº 852/2004)
11. Sistema de monitorização e registo de temperaturas. (Reg. (CE) nº852/2004) ( Codex Alimentarius)
12. Materiais de acondicionamento próprios para o setor alimentar. (Reg. (CE) nº852/2004 )
20. Armazenamento distinto entre produtos alimentares e não alimentares. (Reg. (CE) nº 852/2004)
127
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
2. Paredes e pavimento constituídos por material impermeável, resistente, lavável e não tóxico. (Reg. (CE) nº
852/2004)
3. Iluminação natural e/ou artificial adequada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
5. Teto constituído por material que evita acumulação de sujidade, reduz a condensação e o desenvolvimento
de bolores indesejáveis. (Reg. (CE) nº 852/2004)
6. Sistema de ventilação adequado, natural ou mecânico. (Reg. (CE) nº 852/2004)
11. Sistema de monitorização e registo de temperaturas. (Reg. (CE) nº852/2004) ( Codex Alimentarius)
12. Materiais de acondicionamento próprios para o setor alimentar. (Reg. (CE) nº852/2004 )
20. Armazenamento distinto entre produtos alimentares e não alimentares. (Reg. (CE) nº 852/2004)
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RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
2. Paredes e pavimento constituídos por material impermeável, resistente, lavável e não tóxico. (Reg. (CE) nº
852/2004)
3. Iluminação natural e/ou artificial adequada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
5. Teto constituído por material que evita acumulação de sujidade, reduz a condensação e o desenvolvimento
de bolores indesejáveis. (Reg. (CE) nº 852/2004)
6. Sistema de ventilação adequado, natural ou mecânico. (Reg. (CE) nº 852/2004)
11. Sistema de monitorização e registo de temperaturas. (Reg. (CE) nº852/2004) ( Codex Alimentarius)
12. Materiais de acondicionamento próprios para o setor alimentar. (Reg. (CE) nº852/2004 )
20. Armazenamento distinto entre produtos alimentares e não alimentares. (Reg. (CE) nº 852/2004)
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RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
2. Paredes e pavimento constituídos por material impermeável, resistente, lavável e não tóxico. (Reg. (CE) nº
852/2004)
3. Iluminação natural e/ou artificial adequada. (Reg. (CE) nº 852/2004)
5. Teto constituído por material que evita acumulação de sujidade, reduz a condensação e o desenvolvimento
de bolores indesejáveis. (Reg. (CE) nº 852/2004)
6. Sistema de ventilação adequado, natural ou mecânico. (Reg. (CE) nº 852/2004)
11. Sistema de monitorização e registo de temperaturas. (Reg. (CE) nº852/2004) ( Codex Alimentarius)
12. Materiais de acondicionamento próprios para o setor alimentar. (Reg. (CE) nº852/2004 )
20. Armazenamento distinto entre produtos alimentares e não alimentares. (Reg. (CE) nº 852/2004)
130
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
131
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
132
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
133
RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DE PRÉ-REQUISITOS Data
HIGIENE E SEGURANÇA ALIMENTAR
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Numa perspetiva de melhoria contínua, para além das medidas corretivas anteriormente recomendadas, sugere-se que:
•
•
Considerando a lista de verificação acima apresentada, o ponto (p. ex., A. Seção de Fabrico/Produção) é o que revela um
maior número de não conformidades, pelo que deve ser alvo de especial atenção. No entanto, os restantes pontos não devem ser
descurados.
70,00%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
0,00%
A B C D E F G H I J K L M N
Secções
Legenda: A. Cozinha; B. Secção de Fabrico de Pastelaria Salgada; C. Secção de Fabrico de Pastelaria Doce; D. Secção de Armazenagem
de Biscoito e Produto Acabado; E. Secção de Armazenagem Geral; F. Secção de Armazenagem de Farinha; G. Secção de Cais; H. Secção
de Sanitários e vestiários dos trabalhadores; I. Higiene e Formação dos trabalhadores; J. Higienização dos Equipamentos, utensílios e
instalações; K. Controlo de pragas; L. Abastecimento de água; M. Gestão de resíduos; N. Transporte.
Nas próximas auditorias dar-se-á continuidade à implementação do sistema HACCP, assim como o devido acompanhamento das
atividades do estabelecimento e dos trabalhadores do mesmo.
134
Anexo II – Plano de Higienização
Portas L+D
135
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Paredes L+D
- Detergente e desinfetante adequado para o ramo alimentar;
Portas L+D
Estrados L+D
136
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Paredes L+D
- Detergente e desinfetante adequado para o ramo alimentar;
Portas L+D
137
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Paredes L+D
Portas L+D
- Detergente e desinfetante adequado para o ramo alimentar;
Baldes do lixo L+D
138
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Após cada
Balança, Superfícies de Trabalho L+D utilização
- Detergente, desengordurante e desinfetante adequado para o
Portas L+D ramo alimentar;
139
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Exaustor L+D
*Legenda: L – Limpar; D – Desinfetar; P – Processo húmido; Dc - Descongelar;
Observações: - Garantir a limpeza e desinfeção do balde e esfregona para o pavimento no final de cada utilização;
-Os materiais de limpeza utilizados devem ser específicos para a áreas de manipulação de alimentos (panos, balde e esfregona);
Seguir a seguinte sequência de limpeza: lavatórios (1.º as torneiras e só depois a superfície interna do lavatório e os ralos, por último as superfícies externas (sem tocar no pavimento)).
- Efetuar a manutenção e limpeza do teto e lâmpadas, sempre que necessário.
140
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Após cada
Superfícies de trabalho L+D utilização - Detergente, desengordurante e desinfetante adequado para o
ramo alimentar;
Portas, Lavatórios L+D 1x/Turno
141
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Paredes L+D
- Detergente e desinfetante adequado para o ramo alimentar;
Portas L+D
142
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Após cada
Balanças, Superfícies de Trabalho L+D utilização
- Detergente, desengordurante e desinfetante adequado para o
Portas, Lavatório L+D 1x/Turno
ramo alimentar;
143
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
SECÇÃO B: COZINHA
Frequência
Equipamento/superfície Operação* Características do produto de higienização
Diária Semanal Mensal
Pavimento P+L+D 1x/Turno
Exaustor L
*Legenda: L – Limpar; D – Desinfetar; P – Processo húmido; Dc - Descongelar;
Observações: - Garantir a limpeza e desinfeção do balde e esfregona para o pavimento no final de cada utilização;
- Os materiais de limpeza utilizados devem ser específicos para a áreas de manipulação de alimentos (panos, balde e esfregona);
- Seguir a seguinte sequência de limpeza: lavatórios (1.º as torneiras e só depois a superfície interna do lavatório e os ralos, por último as superfícies externas (sem tocar no pavimento)).
- Efetuar a manutenção e limpeza do teto e lâmpadas, sempre que necessário.
144
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Após cada
Balança, Fatiadoras, Superfícies de trabalho L+D utilização - Detergente, desengordurante e desinfetante adequado para o
ramo alimentar;
Portas, Lavatório L+D 1x/Turno
145
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
146
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
147
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Após cada
Superfícies de trabalho L+D utilização - Detergente, desengordurante e desinfetante adequado para o
ramo alimentar;
Portas, Lavatórios L+D 1x/Turno
148
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Após cada
Superfícies de trabalho, Tábuas L+D utilização - Detergente, desengordurante e desinfetante adequado para o
ramo alimentar;
Portas, Lavatórios L+D 1x/Turno
149
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E UTENSÍLIOS
Paredes L+D
150
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03.01
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO – INSTRUÇÕES DE APLICAÇÃO DE PRODUTOS
PRODUTOS DE HIGIENIZAÇÃO
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO
PRODUTO SUPERFÍCIE(S) MODO DE APLICAÇÃO
INDIVIDUAL
1. Diluir 100 ml de detergente por 1 L de água quente ou fria; Luvas Óculos
DESENGORDURANTE FORTE Equipamentos e Utensílios 2. Efetuar pulverização ou imersão;
3. Deixar atuar 5 a 10 minutos;
Desengordurante concentrado de baixa (bancas, chapas, fogões, fornos, fritadeiras,
4. Esfregar com esfregão, se necessário;
espuma hottes, grelhas, tabuleiros, etc.)
5. Enxaguar com água.
LAVAQ Óculos
151
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 03.01
PLANO DE HIGIENIZAÇÃO – INSTRUÇÕES DE APLICAÇÃO DE PRODUTOS
PRODUTOS DE HIGIENIZAÇÃO
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO
PRODUTO SUPERFÍCIE(S) MODO DE APLICAÇÃO
INDIVIDUAL
MULTIUSOS S/ CHEIRO Equipamentos e Utensílios
Detergente líquido apropriado para a área (janelas, pavimentos, superfícies em aço Luvas Óculos
alimentar inox, superfícies plastificadas, azulejos) 1. Diluir 5 % em água quente ou fria (50 ml de detergente por 1 L
de água);
2. Aplicar com esfregão ou pano sintético.
MULTIUSOS PERFUMADO
Sanitários
Detergente líquido
Superfícies de toque frequente 1. Lavar a superfície com água quente ou morna; Luvas Óculos
SAN D 2. Pulverizar o produto sobre um pano ou papel apropriado e
(balcões, corrimões, equipamentos, esfregar na superfície;
Detergente higienizante extra para a área
teclados, telefones, pavimentos, puxadores 3. Para a higienização de pavimentos/superfícies, aplicar 50 a
alimentar
de portas, tampos de secretárias, etc.) 250 ml de produto para 5 L de água, com uma esfregona ou pano.
152
Anexo III – Instrução de trabalho para a Higienização das mãos
✓ Esfregar as partes detrás dos dedos de uma mão nas palmas da outra, em
movimentos de vaivém. Repetir na outra mão.
✓ Esfregar o polegar e o pulso de uma das mãos, em sentido rotativo, com a palma
da outra, entrelaçando bem. Repetir na outra mão.
✓ Passar as mãos por água corrente para remover todo o desinfetante e a espuma.
✓ Secar bem as mãos com um toalhete de papel descartável. Caso a torneira seja
de comando manual, utilizar o toalhete para fechar devidamente a torneira antes
de o descartar.
153
Anexo IV – Plano de Manutenção de Equipamentos
- Pressão do gás
Fogão (gás) - Fugas de gás Trimestral
- Sistema de queima
- Desobstrução de gorduras nas pás do ventilador
Semestral
- Verificação do estado das correias
Hote de extração de fumos
- Limpeza da hote, caixa, ventilador, motor e todos os
Anual
restantes componentes
- Termostatos
Fritadeira Semestral
- Resistências
- Entrada de água Diário
- Pressão de gás
- Fugas de gás
Forno convetor - Sistema de queima
- Borracha da porta Trimestral
- Filtro interior
- Termostatos
- Motor de ventilação
- Afiar lâmina Mensal
Fatiadora - Lubrificação de corrediças (veio) Trimestral
- Limpeza geral Semestral
Arca de conservação de congelados - Limpeza do condensador
Trimestral
- Lubrificação dos ventiladores
Câmara de refrigeração
- Verificação das pressões de funcionamento e carga de gás
Semestral
Refrigerador vertical - Verificação do estado dos vedantes da porta
154
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IMP 04
PLANO DE MANUTENÇÃO
Termómetro de sonda
Calibração/Verificação
Termómetro registador de temperatura Anual
(I.P.Q.)
(Câmaras/Veículos)
155
Anexo V – Plano de Controlo Analítico
PERIODICIDADE RESPONSABILIDADES
Nº DE
AMOSTRAS PARÂMETROS RECOLHA DIVULGAÇÃO
AMOSTRAS TRIMESTRAL SEMESTRAL ANUAL LABORATÓRIO DAS DE
AMOSTRA RESULTADOS
Produtos prontos para
2* X
consumo Microrganismos a 30ºC
Superfícies de trabalho 2 Bolores e Leveduras X
Enterobacteriaceae a 37ºC
Utensílios de fabrico 2 Escherichia coli X
Listeria spp.
Mãos dos colaboradores 2 X
Escherichia coli
Bactérias coliformes Laboratório Responsável
Técnico do
Colónias a 22ºC e 37ºC acreditado (Zona Sistema
laboratório
Clostrudium perfringens do Porto) HACCP
Cheiro
Condutividade (µS cm a 20°C)
-1
Água de consumo 2 X
Cor
Oxidabilidade (mg/l O2)
pH
Sabor
Temperatura (ºC)
Turvação
*(1 amostra de pastelaria doce /1 amostra de pastelaria salgada)
156
Anexo VI – Boletins das análises Microbiológicas e Físico-Químicas
Identificação da empresa
157
Identificação da empresa
158
Identificação da empresa
159
Identificação da empresa
160
Identificação da empresa
161
Identificação da empresa
162
Anexo VII – Questionário de Avaliação e Seleção de Fornecedores
A. IDENTIFICAÇÃO DO FORNECEDOR
Empresa: NIF:
Morada:
Email:
1. ORGANIZAÇÃO
1.2 São realizadas auditorias internas e/ou externas ao sistema de gestão da qualidade?
_________________________________________________________________________________________
2. INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS
2.2 Os equipamentos de medição são adequados para atender a exatidão requerida nas inspeções?
163
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IMP 03
QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO E SELEÇÃO DE FORNECEDORES
3. VEÍCULOS DE TRANSPORTE
4. PRODUTOS COMERCIALIZADOS
4.3 São realizadas análises microbiológicas aos produtos? Os resultados são satisfatórios?
(Se SIM, anexar os boletins analíticos)
4.4 Os produtos são inspecionados durante o processo de produção e/ou antes do envio para o cliente?
_________________________________________________________________________________________
4.6.1 Se SIM, que medidas são utilizadas para evitar a contaminação cruzada?
_________________________________________________________________________________________
5. PESSOAL
5.2 É disponibilizado vestuário e EPI’s adequados a todos os colaboradores, de acordo com as suas
funções?
A gerência
_______________________
(com carimbo)
164
Anexo VIII – Formação de Higiene e Segurança Alimentar
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
Anexo IX – Teste de Avaliação
Nome do formando:
Classificação: Data:
Assinatura do Formador:
181
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IMP 05
TESTE DE AVALIAÇÃO
5. O Sr. João tem um restaurante que serve arroz de cabidela às sextas-feiras. A cozinheira, a Dª Maria, costuma descongelar o
frango no dia anterior, coloca-o num recipiente com grelha, devidamente tapado e identificado, nas prateleiras inferiores do
equipamento de refrigeração.
Quando a Dª Maria está de folga, é o Sr. João que faz o arroz de cabidela. Ele retira o frango do congelador na sexta-feira de manhã
e deixar o produto a descongelar sobre a bancada, à temperatura ambiente, até à hora de o confecionar. Qual dos dois
trabalhadores está a proceder corretamente?
3
3
5 6
3
8
3
182
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IMP 05
TESTE DE AVALIAÇÃO
9. Complete a frase com as seguintes palavras: arrefecidos; refrigerado; 5ºC; superior; 65ºC
Após a confeção, os alimentos podem ser mantidos a quente, a uma temperatura superior a ___. Os alimentos que são
servidos/consumidos a frio devem ser ___________ o mais rápido possível até aos ____, em menos de 2 horas, e
11. Enuncie três comportamentos que NÃO deve adotar no seu local de trabalho.
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
___ Os processos de limpeza e desinfeção, apesar de diferentes, têm uma ação complementar.
___ O processo de congelação permite eliminar os microrganismos presentes nos alimentos.
___ Um manipulador de alimentos deve manter as unhas curtas, limpas e sem verniz.
Bom trabalho!
183
Anexo X – Instrução de trabalho para a Receção de matérias-primas
A. HORTOFRUTÍCOLAS
✓ Os frutos devem apresentar uma superfície lisa, uniforme e firme e uma coloração viva típica da variedade.
✓ Os vegetais devem estar limpos e isentos de terra ou manchas, e apresentar
folhas verdes, lisas e intactas.
O produto deve ser rejeitado quando:
X Evidenciar um estado avançado de maturação.
X Apresentar um cheiro e/ou sabor anormal.
X Apresentar sinais de podridão ou alterações que o torne impróprio para
consumo.
X Apresentar traumatismos e/ou lesões provocadas pelo frio ou sol.
X Aparentar sinais de contaminação com bolores e/ou larvas.
B. PRODUTOS CÁRNEOS
✓ As carnes devem apresentar um selo de inspeção das autoridades sanitárias.
✓ Evidenciar tecido firme e elástico ao toque.
✓ No caso da carne de vaca, esta deve apresentar uma cor vermelha brilhante e a carne de porco, cor rosa-claro.
O produto deve ser rejeitado quando:
X Apresentar uma consistência mole ou viscosa.
X Evidenciar sinais de descoloração em tons de castanho, verde ou
púrpura.
X Apresentar queimaduras pelo gelo.
X Aparentar contaminação por fungos (manchas verdes, pretas ou
brancas).
184
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 01
ESPECIFICAÇÕES DAS MATÉRIAS-PRIMAS
D. OVO-PRODUTOS
✓ Os ovos devem estar limpos, secos e com a casca intacta.
✓ Os ovos devem apresentar um selo de inspeção das autoridades sanitárias
O produto deve ser rejeitado quando:
X No caso dos ovos, apresentarem a casca fissurada ou estiverem sujos.
E. LATICÍNIOS
✓ O leite deve ser pasteurizado ou ultrapasteurizado, com embalagens hermeticamente seladas.
✓ O queijo deve ser proveniente de leite pasteurizado.
✓ A manteiga deve ter uma textura firme, isenta de grumos com cor uniforme.
O produto deve ser rejeitado quando:
185
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 01
ESPECIFICAÇÕES DAS MATÉRIAS-PRIMAS
G. PESCADO
O produto deve ser rejeitado quando:
X Apresentar os olhos sem brilho e afundados, escamas pouco aderentes e boca e guelras escurecidas.
X Evidenciar uma consistência mole e mucosa, ventre flácido e untuoso ao tato.
X Apresentar traumatismos nas barbatanas e/ou na parte abdominal.
X Apresentar um cheiro desagradável, não característico.
H. ÓLEOS E GORDURAS
I. TRANSPORTE
186
Anexo XI – Instrução de trabalho para o Armazenamento de matérias-primas
CONDIÇÕES GERAIS
• A armazenagem de produtos alimentares deve ser num local separado da armazenagem de produtos não alimentares.
• Devem ser retiradas quaisquer embalagens secundárias de cartão, para evitar a contaminação dos produtos alimentares.
• O rótulo deve fazer-se acompanhar do produto, mas nunca entrar em contacto direto com este, devendo ser transpor a
informação para etiquetas próprias de forma a garantir a rastreabilidade e a correta identificação do mesmo.
• Os recipientes e/ou embalagens de acondicionamento dos produtos alimentares devem ser próprias
para uso alimentar (conter o símbolo do copo e garfo), devendo estar sempre tapados com tampa.
• Os produtos não conformes, no caso de não ser possível devolver ao fornecedor no ato da receção,
devem ser colocados num local separado das restantes matérias-primas devidamente identificado.
187
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 02
BOAS PRÁTICAS DE ARMAZENAMENTO
• Os produtos alimentares devem ser armazenados em local fresco, seco, ventilado e ao abrigo da luz;
• Os produtos devem ser mantidos a uma temperatura ambiente entre 10ºC e 21ºC;
• As portas devem ser abertas apenas o tempo necessário para a entrada/saída de produtos,
ou outras operações, de forma a evitar contaminações por pragas;
CONDIÇÕES GERAIS
• Devem existir equipamentos de frio em número suficiente e com termómetro que permita verificar a temperatura e assegurar
o bom funcionamento dos mesmos.
• Não devem ser guardadas latas dentro dos equipamentos, ainda que, não se tenha gastado na totalidade o produto, este
deve ser transferido para um recipiente adequado
e devidamente tapado.
188
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) IT 02
BOAS PRÁTICAS DE ARMAZENAMENTO
B1. REFRIGERAÇÃO
• Devem existir diferentes equipamentos de frio para diferentes tipos de produtos (p. ex., carne, peixe e hortofrutícolas). Caso
não seja possível esta separação, deve proceder-se à organização do equipamento de frio da seguinte forma:
2. Os produtos crus, tais como carne e peixe, devem ser colocados nas
prateleiras intermédias;
do equipamento.
B2. CONGELAÇÃO/ULTRACONGELAÇÃO
• Devem existir diferentes equipamentos de frio para diferentes tipos de produtos (p. ex., carne, peixe e hortofrutícolas);
189
Anexo XII – Instrução de trabalho para a Higiene e Conduta pessoal
A. VESTUÁRIO DE TRABALHO
✓ O vestiário e outro material de uso pessoal deve ser mantido em local próprio (vestuários), durante o período de trabalho.
✓ Deve usar fardamento adequado às suas funções, que seja lavável ou descartável.
✓ O fardamento deve ser de uso exclusivo no local de trabalho e estar sempre limpo.
✓ O fardamento usado nas zonas de preparação e confeção de alimentos deve ser de cor clara,
permitindo ver a sujidade.
✓ O cabelo deve estar sempre coberto com touca ou outro meio equivalente durante a preparação
ou confeção de alimentos. Durante outras funções, o cabelo deve estar preso.
✓ Não deve utilizar, durante o período de trabalho, qualquer tipo de adornos, como, anéis, pulseiras,
brincos, colares, relógios, entre outros.
C. COMPORTAMENTOS PESSOAIS
✓ Deve manter um elevado nível de higiene pessoal e bons hábitos durante todo o período de trabalho.
✓ Não deve fumar, comer, mascar pastilha elástica, cuspir ou tomar/guardar medicamentos durante a manipulação e
confeção de alimentos.
✓ Não deve mexer no cabelo, nariz ou boca durante a manipulação e confeção de alimentos.
✓ Deve evitar tossir ou espirrar próximo dos alimentos ou utensílios. Usar um lenço ou guardanapo descartável e lavar de
imediato as mãos.
✓ Não deve molhar os dedos com saliva para realizar
qualquer tarefa.
190
Anexo XIII – Instrução de trabalho de Boas Práticas de Fritura
2. Utilizar óleos de qualidade, resistentes a altas temperaturas (p. ex., óleo de palma, azeite, o óleo de girassol, entre outros).
3. Não adicionar óleo novo ao óleo em utilização, devendo proceder-se à mudança do óleo na sua totalidade.
5. Após cada utilização e depois de arrefecido, filtrar o óleo de forma a remover todas as
partículas sólidas suspensas.
6. Devem existir fritadeiras ou cubas de fritura distintas para a fritura de diferentes alimentos
(p.e., carne, peixe, batatas ou doces).
8. Após cada utilização, a cuba de fritura deve ser devidamente limpa e desinfetada e corretamente coberta quando não está a
ser utilizada.
• Características organoléticas:
o Cor do óleo: Se o óleo apresentar uma cor escura ou turva , deve observar-se a
espuma;
191
Anexo XIV - Matriz de Responsabilidades
ATIVIDADE RESPONSÁVEL
Manutenção de Empresa -
Equipamentos
Responsável Interno Responsável de fábrica/ Responsável da zona de fabrico pastelaria salgada
192
Anexo XV – Ficha técnica do produto final (exemplo)
IDENTIFICAÇÃO
CARACTERÍSTICAS
Farinha de trigo T55, açúcar, margarina vegetal [óleos e gorduras vegetais (palma, soja e girassol),
água, sal, emulsionante (E471), regulador de acidez (ácido cítrico), corante (carotenos) e aromas],
Composição água, ovo, levedura, leite, brioche 5 % [farinha de trigo, açúcar, emulsionantes E471 e E472(e),
enzimas, corante E160(a) e agente de tratamento da farinha (ácido ascórbico)], sal, vinho de porto
(sulfitos e dióxido de enxofre).
Características Organoléticas Doce de cor amarela, forma típica de croissant e sabor característico.
CONDIÇÕES DE
CONDIÇÕES DE PREPARAÇÃO/UTILIZAÇÃO PÚBLICO-ALVO
ARMAZENAMENTO/TRANSPORTE
Produto Ultracongelado:
Retirar o produto da caixa e colocar no tabuleiro, espaçados entre
si. Deixar descongelar à temperatura ambiente e, posteriormente,
levedar à temperatura ambiente durante, aproximadamente, 4 h.
Produto Ultracongelado:
Pincelar, levemente, com ovo batido. Levar ao forno à temperatura
Temperatura inferior a – 18 ºC.
de 215/220 ºC (cima) e 200/205 ºC (baixo), durante
Público em geral.
aproximadamente 12 a 15 min. Pincelar com calda de brioche.
Produto Confecionado:
Não voltar a congelar após a descongelação.
Local fresco e seco.
Produto Confecionado:
Produto pronto a consumir, não sendo necessária qualquer
preparação prévia.
PRAZO DE VALIDADE
Produto Ultracongelado: 6 meses Produto Confecionado: Produto do dia
193
DOCUMENTAÇÃO – SISTEMA HACCP
(Logótipo da empresa) DOC 01
FICHA TÉCNICA DE PRODUTO
DADOS LOGÍSTICOS
(Endereço da empresa)
194