MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
ESCOLA DE ENGENHARIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE MINAS,
METALÚRGICA E MATERIAIS – PPGE3M
LABORATÓRIO DE CORROSÃO, RECUPERAÇÃO E RECICLAGEM DE
MATERIAIS (LACOR)
E L E T R O D I Á L I S E C O M O T R AT A M E N T O
T E R C I Á R I O E M U M A E S TA Ç Ã O D E
T R AT A M E N T O D E E F L U E N T E S D E U M
CAMPUS UNIVERSITÁRIO VISANDO O
REÚSO DE ÁGUA
Louidi Lauer Albornoz
Engenheiro Químico
Porto Alegre, 2017.
ii
Louidi Lauer Albornoz
E l e t r o d i á l i s e c o m o T r a t a m e n t o Te r c i á r i o e m u m a
Estação de Tratamento de Efluentes de um Campus
Universitário visando o Reúso de Água
Dissertação submetida ao Programa de
Pós-Graduação em Engenharia de
Minas, Metalúrgica e de Materiais -
PPGEM, como requisito parcial para a
obtenção do título de Mestre em
Engenharia na área de Concentração:
Ciência dos Materiais
Orientadora: Prof.ª. Drª. Andréa Moura Bernardes – PPGE3M
Porto Alegre, 2017.
iii
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
Reitor: Rui Carlos Opperman
Vice-Reitor: Jane Fraga Tutikian
ESCOLA DE ENGENHARIA
Diretor: Luiz Carlos Pinto da Silva filho
Vice-Diretora: Carla Schwengber ten Caten
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE MINAS,
METALÚRGICA E DE MATERIAIS
Coordenador: Carlos Pérez Bergmann
Coordenador substituto: Afonso Reguly
CIP - Catalogação na Publicação
Albornoz, Louidi Lauer
Eletrodiálise como tratamento terciário em uma
estação de tratamento de efluentes de um campus
universitário visando o reúso de água / Louidi
Albornoz. -- 2017.
155 f.
Orientadora: Andréa Moura Bernardes.
Dissertação (Mestrado) -- Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Programa de
Pós-Graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de
Materiais, Porto Alegre, BR-RS, 2017.
1. Efluente universitário. 2. Eletrodiálise. 3.
Reúso. I. Bernardes, Andréa Moura, orient. II.
Título.
Elaborada pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da UFRGS com os
dados fornecidos pelo (a) autor(a).
iv
LOUIDI LAUER ALBORNOZ
ELETRODIÁLISE COMO TRATAMENTO TERCIÁRIO EM UMA ESTAÇÃO DE
TRATAMENTO DE EFLUENTES DE UM CAMPUS UNIVERSITÁRIO VISANDO
O REÚSO DE ÁGUA
Esta dissertação foi analisada e
julgada adequada para a obtenção do
título de Mestre em Engenharia, área
de concentração Ciência e
Tecnologia dos Materiais e aprovada
em sua forma final, pela Orientadora
e pela Banca Examinadora designada
pelo Curso de Pós-Graduação em
Engenharia de Minas, Metalúrgica e
de Materiais da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul.
Orientadora: Prof.ª. Drª. Andréa Moura Bernardes
BANCA EXAMINADORA:
Dr. Alexandre Giacobbo – UFRGS
Drª. Jane Zoppas Ferreira ´- PPGE3M – UFRGS
Dr. Marco Antônio Siqueira Rodrigues – Universidade FEEVALE
Prof. Carlos Pérez Bergmann
Coordenador do PPGE3M
v
Dedico este trabalho aos meus pais, minha namorada Aline, irmãos,
avós, familiares, agregados, colegas de trabalho e amigos que
souberam compreender os momentos que não pude estar presente.
vi
AGRADECIMENTOS
Primeiramente gostaria de agradecer aos meus pais (Christiane e Luís
Anderson) por todo o amor incondicional ao longo de toda essa jornada. Amo muito
vocês e contem comigo sempre.
Gostaria de agradecer aos meus pais (Christiane e Luís Anderson), padrasto
(Silvio), irmãos (Lorenzo e Eduardo), avós (Silvio & Elisabeth e Tânia & Newton), e
todos familiares, que devido ao tamanho de todas famílias que possuo me impedem
de citar todos aqui, que me proporcionaram a oportunidade de me dedicar aos
estudos de forma integral e que, sem este apoio fundamental, nada disto teria
acontecido.
Gostaria de agradecer a presença, paciência e amor da minha namorada Aline
em todos os momentos difíceis e complicados nesses últimos anos. Que estes anos
juntos sejam apenas uma pequena fração do que iremos percorrer na nossa
jornada.
Agradeço a Professora Andréa pela oportunidade de desenvolver este trabalho,
pelas diversas reuniões de dúvidas e sugestões na condução desta dissertação e
pelo reconhecimento em oportunidades muito interessantes e importantes para
minha carreira profissional.
Agradeço a todos meus colegas de trabalho citados em ordem alfabética -
Álvaro, Antônio, Cleinir, Mara, Nailaine, Tiago e Vera – pelos conselhos, ajuda e
imenso aprendizado na área prática do Saneamento Ambiental do
LADETEC/LABSAN/IPH. Agradeço também a todos alun(@)s da “salinha” do
Professor David pela ajuda e companheirismo nesta caminhada.
Agradeço aos colegas de LACOR, principalmente a futura Drª. Tatiana
Benvenuti, pela grande ajuda e conhecimento em todas as áreas relacionadas a
eletrodiálise.
E finalmente agradeço a banca examinadora pelos comentários extremamente
pertinentes que agregaram muito valor a esta dissertação.
vii
No fim tudo dá certo, e se não deu certo é
porque ainda não chegou ao fim.
Fernando Sabino
viii
Sumário
Lista de Figuras x
Lista de Tabelas xii
Lista de Abreviaturas e Siglas xiv
Resumo xvi
Abstract xvii
1 Introdução 1
2 Objetivos 4
2.1 Objetivo geral 4
2.2 Objetivos específicos 4
3 Revisão Bibliográfica 5
3.1 Recursos hídricos no Brasil 5
3.2 Tratamento de água 7
3.3 Tratamento de efluentes sanitários 8
3.3.1 Histórico do tratamento de efluentes sanitários no Brasil 8
3.3.2 Panorama atual do tratamento de efluentes sanitários no Brasil 9
3.3.3 Legislação ambiental 11
3.3.4 Etapas do tratamento de efluentes sanitários 13
3.3.5 Tratamento preliminar 15
3.3.6 Tratamento primário 15
3.3.7 Tratamento secundário 16
3.3.8 Tratamento terciário 24
3.3.9 Tratamento do lodo de excesso 25
3.4 Processos de separação por membranas 25
3.4.1 Processos de separação por membranas 25
3.5 Eletrodiálise 27
3.5.1 Célula de eletrodiálise 28
3.5.2 Eletrodos 30
3.5.3 Membranas íon-seletivas 31
3.5.4 Espaçadores 31
3.5.5 Polarização por concentração 32
3.5.6 Curva de corrente voltagem (CVC) 34
3.5.7 Dissociação da água 35
3.6 Reúso do efluente sanitário tratado 35
4 Parte experimental 40
4.1 Estação de tratamento de efluentes 40
4.2 Pontos do processo avaliados no presente trabalho 45
4.3 Dados de vazão e meteorológicos 46
4.4 Análises para caracterização do efluente 46
4.4.1 pH 49
4.4.2 Alcalinidade total 49
4.4.3 Turbidez 49
4.4.4 Oxigênio dissolvido 50
4.4.5 Condutividade elétrica 50
4.4.6 Cor 51
4.4.7 Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) 51
ix
4.4.8 Demanda Química de Oxigênio 53
4.4.9 Sólidos Totais, Fixos e Voláteis 54
4.4.10 Sólidos Suspensos Totais, Fixos e Voláteis 55
4.4.11 Sólidos Dissolvidos Totais, Fixos e Voláteis 57
4.4.12 Coliformes totais e fecais 59
4.4.13 Nitrogênio Total Kjeldahl 61
4.4.14 Amônia 62
4.4.15 Concentração iônica 63
4.4.16 Cone Imhoff e Índice Volumétrico de Lodo (IVL) 64
4.4.17 Análise de carbono total, orgânico total e inorgânico total 64
4.4.18 Razão de adsorção de sódio - RAS 65
4.5 Divisão dos períodos do trabalho 66
4.6 Eletrodiálise 67
4.6.1 Planta piloto 67
4.6.2 Membranas íon-seletivas 68
4.6.3 Soluções dos compartimentos 69
4.6.4 Aplicação da eletrodiálise 69
4.6.5 Determinação da corrente limite através da CVC 70
4.6.6 Ensaio 1 – Avaliação do transporte iônico 72
4.6.7 Ensaio 2 – Avaliação do comportamento das membranas 73
5 Resultados 75
5.1 Resultados de vazão e dados meteorológicos 75
5.2 Resultados da caracterização do efluente da ETE – Resultados de concentração 77
5.2.1 Ponto de entrada da ETE – P1 77
5.2.2 Ponto do tanque de aeração – P2 80
5.2.3 Ponto do decantador secundário – P3 80
5.2.4 Ponto do tanque de desinfecção – P4 82
5.2.5 Ponto do lodo de retorno – P5 84
5.2.6 Ponto do tanque de armazenamento – P6 85
5.3 Resultados da caracterização do ETE – Eficiência de Remoção 87
5.3.1 Eficiência de remoção – Decantador secundário em relação à entrada 87
5.3.2 Eficiência de remoção – Tanque de desinfecção em relação a entrada 88
5.3.3 Eficiência de remoção – Tanque de armazenamento em relação a entrada 89
5.4 Eletrodiálise 90
5.4.1 Ensaio 1 – Avaliação do transporte iônico 91
5.4.2 Caracterização físico-química antes e após a eletrodiálise 98
5.4.3 Ensaio 2 - Avaliação do comportamento das membranas 100
5.5 Reúso da água 122
5.5.1 Reúso do efluente após o ensaio 1 122
5.5.2 Reúso do efluente após o ensaio 2 124
6 Considerações finais 128
7 Conclusões 130
8 Trabalhos Futuros 131
9 Referências 132
x
Lista de Figuras
Figura 3.1: Histórico mundial dos processos físico-químicos e biológicos dos sistemas de
tratamento de efluentes. ................................................................................................................... 14
Figura 3.2: Curva típica de crescimento bacteriano mostrando os diferentes regimes em relação ao
número de células por mL. ............................................................................................................... 20
Figura 3.3: Representação dos principais poluentes retidos em MF, UF, NF e OI. ....................... 27
Figura 3.4: Representação do processo de eletrodiálise. ............................................................... 28
Figura 3.5: Esquema de uma célula de eletrodiálise. ..................................................................... 29
Figura 3.6: Espaçador de fluxo tortuoso e de fluxo direto. ............................................................. 32
Figura 3.7: Esquema da polarização por concentração no processo de eletrodiálise. .................. 33
Figura 3.8: Curva de corrente voltagem. ......................................................................................... 34
Figura 4.1: Estação de Tratamento de Efluentes - UFRGS. ........................................................... 40
Figura 4.5: Fluxograma da estação de tratamento e os pontos utilizados, onde P1 corresponde ao
efluente o gradeamento, P2 ao efluente que sofreu o tratamento aeróbio, P3 ao efluente do
decantador secundário, P4 ao efluente após a desinfecção, P5 ao lodo de excesso e P6 o efluente
após todos os tratamentos. .............................................................................................................. 45
Figura 4.6: Comportamento da curva de DBO em função do tempo, em dias, mostrando os dois
estágios de oxidação da matéria orgânica. ...................................................................................... 52
Figura 4.7: Cartela vazia e meio de cultura da marca Colilert™ para análise de coliformes totais e
fecais. ............................................................................................................................................... 60
Figura 4.8: Cartela com amostra e meio de cultura da marca Colilert™ para análise de coliformes
totais. ................................................................................................................................................ 60
Figura 4.9: Cartela vazia e meio de cultura da marca Colilert™ para análise de coliformes totais e
fecais. ............................................................................................................................................... 61
Figura 4.10: Esquema da planta piloto e indicação de cada compartimento e acessórios. ........... 68
Figura 4.11: Stack de eletrodiálise utilizado no ensaio de CVC para determinar a corrente limite. Na
imagem também são vistos os multímetros, para a medida do potencial de membrana, ligados aos
fios de platina inseridos no stack. .................................................................................................... 71
Figura 5.2: Curva de CVC da membrana catiônica do efluente da coleta 33 mostrando as linhas de
determinação da corrente limite. ...................................................................................................... 92
Figura 5.3: Remoção percentual e desvio padrão para cada ânion para o tratamento do efluente P6
das 4 coletas. ................................................................................................................................... 95
Figura 5.4: Remoção percentual e desvio padrão para cada cátion para o tratamento do efluente
P6 das 4 coletas. .............................................................................................................................. 97
Figura 5.5: Comportamento da condutividade elétrica dos compartimentos de diluído, concentrado
e eletrodo da planta piloto durante todo o Ensaio 2....................................................................... 101
Figura 5.6: Comportamento da diferença de potencial do sistema em relação ao tempo em todo o
Ensaio 2. Cada mudança brusca representa a mudança de amostra do mesmo efluente. .......... 102
xi
Figura 5.7: Fotografias da mesma membrana aniônica antes da eletrodiálise, na esquerda, e depois
da eletrodiálise, na direita, mostrando a diferença de coloração da superfície da membrana que pode
ser devido a formação de biofouling. ............................................................................................. 103
Figura 5.8: Resultados de concentração média, em mg/L, e desvio padrão para cada ânion em cada
eletrodiálise onde observa-se que a concentração média ficou abaixo de 10 mg/L para todos ânions
em todas eletrodiálises. .................................................................................................................. 105
Figura 5.9: Resultados de remoção percentual, em %, e desvio padrão para cada ânion ao final de
cada eletrodiálise mostrando que remoção percentual foi acima de 60 para quase todos os ânion, à
exceção do fluoreto.. ...................................................................................................................... 106
Figura 5.10: Resultados de concentração média, em mg/L, para cada cátion, mostrando que a
concentração média ficou abaixo de 10 mg/L para todos os cártion em todas eletrodiálises. ...... 108
Figura 5.11: Resultados de remoção percentual, em %, e desvio padrão para cada cátion ao final
de cada eletrodiálise. ..................................................................................................................... 109
Figura 5.12: Resultados de concentração de sólidos totais, fixo e voláteis, em mg/L, e remoção
percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise. ........................................... 110
Figura 5.13: Resultados de concentração de sólidos dissolvidos totais, fixo e voláteis, em mg/L, e
remoção percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise. ............................ 111
Figura 5.14: Resultados de concentração de sólidos suspensos totais, fixo e voláteis, em mg/L, e
remoção percentual, em %, do efluente filtrado e ao final de cada eletrodiálise. Para a análise foi
utilizado filtro de fibra de vidro com diâmetro de poro de 0,6 µm, ................................................. 112
Figura 5.15: Resultados de concentração de cor, em mg/L de Pt.Co, e remoção percentual, em %,
do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise........................................................................... 113
Figura 5.16: Fotografias da amostra antes da ED, na esquerda, e pós ED, na direita evidenciando
que a cor da amostra não variou de forma significativa após a eletrodiálise. Amostra antes da ED na
esquerda e pós ED na direita. ........................................................................................................ 114
Figura 5.17: Resultados de concentração de turbidez, em NTU, e remoção percentual, em %, do
efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise. ............................................................................... 115
Figura 5.18: Resultados de concentração de amônia, em mg/L NH4+ - N, e remoção percentual,
em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise. .............................................................. 116
Figura 5.19: Resultados de concentração de DQO, em mg/L O 2, e remoção percentual, em %, do
efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise................................................................................ 117
Figura 5.20: Resultados de concentração de DBO, em mg/L O 2, e remoção percentual, em %, do
efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise. ............................................................................... 118
Figura 5.21: Resultados de concentração, em colunas, de carbono total (CT), carbono inorgânico
total (CI) e carbono orgânico total (COT), em mg/L, e remoção percentual, em % e em linhas, do
efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise ................................................................................ 119
Figura 5.22: Resultados de pH do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise. ...................... 120
xii
Lista de Tabelas
Tabela 3.1: Demanda hídrica, em m³/s, brasileira no ano de 2015 mostrando todos tipos de
demanda e seus valores percentuais. ............................................................................................... 6
Tabela 3.2: % de tratamento de efluentes e índice de atendimento em cada região do Brasil. ..... 10
Tabela 3.3: Valores de concentração e eficiência de remoção para o lançamento de efluentes
domésticos tratados segundo a Resolução nº 128/2006 do CONSEMA. ....................................... 12
Tabela 3.4: Valores de concentração para o lançamento de efluentes domésticos tratados segundo
a Resolução nº 430/2011 do CONAMA. .......................................................................................... 13
Tabela 3.5: Resumo das etapas de tratamento anaeróbio mostrando os compostos iniciais e finais
e os tipos de bactérias que realizam cada etapa. ............................................................................ 17
Tabela 3.6: Classificação e definição do reúso de efluentes para diversos tipos de usos. ............ 38
Tabela 3.7: Principais parâmetros de controle para o reúso de efluentes tratados. ....................... 38
Tabela 4.1: Volumes dos equipamentos da ETE. ........................................................................... 44
Tabela 4.2: Dados de vazão, potência, tipo e observações das bombas utilizadas na ETE. ......... 44
Tabela 4.3: Análises realizadas em cada ponto avaliado da ETE. ................................................. 48
Tabela 4.4: Períodos e respectivas datas utilizadas no monitoramento da ETE. ........................... 66
Tabela 5.1: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P1 (entrada) da ETE. ...... 79
Tabela 5.2: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P2 (tanque de aeração) da
ETE para cada período. ................................................................................................................... 80
Tabela 5.3: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P3 (decantador secundário)
da ETE. ............................................................................................................................................. 81
Tabela 5.4: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P4 (caixa de desinfecção) da
ETE. .................................................................................................................................................. 83
Tabela 5.5: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P5 (lodo de retorno) da ETE.
.......................................................................................................................................................... 84
Tabela 5.6: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P6 (tanque de
armazenamento) da ETE. ................................................................................................................ 86
Tabela 5.7: Valores de eficiência de remoção, em %, entre os pontos P1 (entrada) e P3 (decantador
secundário) da ETE e respectivos desvios padrão. ......................................................................... 88
Tabela 5.8: Valores de eficiência de remoção, em %, entre os pontos P1 (entrada) e P4 (tanque de
desinfecção) da ETE e respectivos desvios padrão. ....................................................................... 89
Tabela 5.9: Valores de eficiência de remoção, em %, entre os pontos P1 (entrada) e P6 (tanque de
armazenamento) da ETE e respectivos desvios padrão. ................................................................ 89
Tabela 5.10: Corrente limite para cada efluente do ponto P6 coletado. ......................................... 91
Tabela 5.11: Resultados de concentração média e desvio padrão para cada ânion antes e depois
da eletrodiálise para o tratamento do efluente P6 das 4 coletas. .................................................... 93
Tabela 5.12: Resultados de concentração média e desvio padrão para cada cátion antes e depois
da eletrodiálise para o tratamento dos 4 efluentes. ......................................................................... 96
Tabela 5.13: Concentração média inicial e final e remoção, em %, com respectivos desvio padrão
do efluente antes e depois da eletrodiálise. ..................................................................................... 99
xiii
Tabela 5.14: Valores de concentração média, em mg/L, e desvio padrão dos ânions do efluente
que foi utilizado no Ensaio 2. ......................................................................................................... 104
Tabela 5.15: Valores de concentração média, em mg/L, e desvio padrão dos cátions do efluente
que foi utilizado no Ensaio 2. ......................................................................................................... 107
Tabela 5.16: Avaliação do reúso para fins agrícolas, urbanos e na piscicultura do efluente P6 –
Coleta 33 após o Ensaio 1. ............................................................................................................ 123
Tabela 5.17: Avaliação do reúso agrícola do efluente final do Ensaio 2. ..................................... 125
Tabela 5.18: Avaliação do reúso para fins urbanos do efluente final do Ensaio 2. ...................... 126
Tabela 5.19: Avaliação do reúso na piscicultura do efluente final do Ensaio 2. .......................... 127
xiv
Lista de Abreviaturas e Siglas
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS
ANA – AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS
BRM - BIORREATOR COM MEMBRANA
CE – CONDUTIVIDADE ELÉTRICA
CETESB – COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
CIT – CARBONO INORGÂNICO TOTAL
CONAMA – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE
CONSEMA – CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE
CORSAN – COMPANHIA RIOGRANDENSE DE SANEAMENTO
COT – CARBONO ORGÂNICO TOTAL
CT – CARBONO TOTAL
DBO – DEMANDA BIOQUÍMICA DE OXIGÊNIO
DQO – DEMANDA QUÍMICA DE OXIGÊNIO
ETE – ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES
INMET - INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA
IQA – ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS
IVL – ÍNDICE VOLUMÉTRICO DE LODO
NTK – NITROGÊNIO TOTAL KJELDAHL
OD – OXIGÊNIO DISSOLVIDO
PLANASA – PLANO NACIONAL DE SANEAMENTO
POA – PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS
POC – PROCESSOS OXIDATIVOS CONVENCIONAIS
RAS – RELAÇÃO DE ADSORÇÃO DE SÓDIO
SDF – SÓLIDOS DISSOLVIDOS FIXOS
SDT – SÓLIDOS DISSOLVIDOS TOTAIS
SDV – SÓLIDOS DISSOLVIDOS VOLÁTEIS
xv
SSF – SÓLIDOS SUSPENSOS FIXOS
SST – SÓLIDOS SUSPENSOS TOTAIS
SSV – SÓLIDOS SUSPENSOS VOLÁTEIS
ST – SÓLIDOS TOTAIS
STF – SÓLIDOS TOTAIS FIXOS
STV – SÓLIDOS TOTAIS VOLÁTEIS
UASB - UPFLOW ANAEROBIC SLUDGE BLANKET
UTN – UNIDADES DE TURBIDEZ NEFELOMÉTRICA
xvi
Resumo
A demanda atual por recursos hídricos com quantidade e qualidade exige que
todos os efluentes domésticos sejam tratados de maneira adequada para minimizar
os impactos ambientais causados no meio ambiente. As estações de tratamento de
efluentes domésticos que utilizam sistemas tradicionais de tratamento em muitos
casos não conseguem atingir os valores de remoção de poluentes exigidos pelas
legislações ambientais e, portanto, processos avançados de tratamento de
efluentes devem ser realizados para garantir tal atendimento. No presente trabalho
foi realizada a coleta e caracterização físico-química de amostras em diferentes
pontos de processo na estação de tratamento de efluentes do Campus Litoral Norte
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O monitoramento foi realizado
durante 33 semanas e mostrou que o efluente tratado final da ETE apresentou
valores elevados de poluentes como, por exemplo, nitrogênio total Kjeldahl (NTK),
amônia e demanda química de oxigênio (DQO), o que impossibilita seu lançamento.
O processo de eletrodiálise do efluente tratado da ETE foi realizada em uma planta
piloto onde foram realizados 2 diferentes tipos de ensaios de eletrodiálise. No 1º
ensaio o objetivo era avaliar o transporte iônico de poluentes do efluente após a
eletrodiálise e os resultados encontrados mostram que, o efluente tratado por
eletrodiálise, foram encontrados valores de concentração média abaixo de 1 mg/L
para os ânions fluoreto, cloreto, nitrito e nitrato e para os cátions sódio, amônio,
potássio e magnésio. Os resultados encontrados na caracterização fisico-química
do efluente tratado indicam que o mesmo pode ser utilizado como água de reúso
na agricultura, para fins urbanos e na psicicultura se for realizada a correção do pH.
O 2º ensaio tinha como objetivo avaliar o comportamento das membranas através
da qualidade do efluente após sucessivas eletrodiálises sem realizar a limpeza do
sistema e os resultados encontrados mostram que foram obtidos valores de
concentração média abaixo de 10 mg/L para todos os ânions e cátions. Os
resultados encontrados pela caracterização fisico-química deste efluente tratado
por eletrodiálise indicam que o mesmo pode ser utilizado como água de reúso na
agricultura e reúso para fins urbanos se for realizada a correção do pH e a remoção
da turbidez do efluente. Para o reúso na psicicultura, além da correção do pH, deve
ser realizada a remoção do ânion nitrato para valores inferiores a 5 mg/L.
Palavras-chave: Efluentes; Eletrodiálise; Reúso.
xvii
Abstract
The current demand for water resources with quantity and quality requires that
all domestic effluents must be adequately treated to minimize the environmental
impacts caused on the environment. Municipal sewage treatment plants (MSTP)
using traditional process in many cases fail to achieve the pollutant removal required
by environmental. Therefore, advanced wastewater treatment processes must be
carried out to ensure such care. The present work carried out the sampling and
characterization samples at different process points from the wastewater treatment
plant (WWTP) of Campus Litoral Norte of the Universidade Federal do Rio Grande
do Sul. The monitoring was performed during 33 weeks and showed that the final
treated effluent of the WWTP showed high values of pollutants such as NTK,
ammonia and COD, which makes it impossible to discharge in nature. The process
of electrodialysis of the final effluent, after the treatment at the WWTP, was carried
out in the pilot plant. Two different electrodialysis tests were carried out. On the first
test, the objective was to evaluate the ionic transport of pollutants from the effluent
after the electrodialysis and the results found show that the effluent treated were
found values of average concentration below 1 mg / L were obtained for fluoride,
chloride, nitrite and nitrate anions and for sodium, ammonium, potassium and
magnesium cations. The results found by the physicochemical characterization of
the effluent indicate that it can be used as reuse water in agriculture, for urban
proposes and in pisciculture if the pH correction is performed. In the second test,
the objective was to evaluate the behavior of the membranes through the quality of
the effluent after successive electrodialysis without cleaning the system. The results
obtained in the effluent after the second test showed that mean values below 10
mg/L were obtained for all anions and cations. The results obtained by the
physicochemical characterization of the effluent indicates that it can be used as
reuse water in agriculture and for urban proposes reuse if the correction of the pH
and the removal of the turbidity of the effluent is carried out. For reuse in the
pisciculture, besides the correction of the pH, the removal of the nitrate anion should
be carried out to values below 5 mg/L.
Keywords: Effluents; Electrodialysis; Reuse.
1 Introdução
A demanda atual para o tratamento de efluentes não encontra incentivo apenas
para o cumprimento da legislação ou devido à fiscalização através dos órgãos
ambientais, mas também na conscientização da população de que o tratamento é
importante para a saúde coletiva, pois além de melhorar visualmente o ambiente,
reduz a incidência de doenças, principalmente nas populações mais carentes.
Apesar da grande disponibilidade hídrica do Brasil, mesmo que a mesma esteja
distribuída de forma heterogênea, adições de pequenas quantidades de poluentes
específicos em um corpo hídrico ou lençol freático causam uma grande
contaminação, resultando em custos para o seu tratamento e um impacto ambiental
negativo.
A questão do saneamento ambiental não está relacionada apenas com o
tratamento de efluentes, mas com toda uma cadeia de conscientização. Pesquisas
de novas tecnologias e processos são de extrema importância, contribuindo para
uma melhor relação do homem com o meio ambiente. O conhecimento dos
recursos hídricos disponíveis no Brasil, seus principais usos, identificação dos
parâmetros de maior importância que devem ser monitorados, tanto para água
quanto para efluentes, a interpretação destes parâmetros em situações específicas,
o conhecimento dos processos de remoção dos poluentes em estações de
tratamento e as legislações vigentes e, por fim, o destino final destes produtos
tratados, são pontos que devem ser avaliados para um bom gerenciamento destes
recursos. O conhecimento de como cada item mencionado interfere no outro
possibilita o projeto e a construção de um desenvolvimento sustentável com a
minimização dos danos ao meio ambiente. Tradicionalmente o tratamento de
efluentes é realizado em 4 etapas:
Tratamento preliminar - Visa a remoção de sólidos grosseiros, promovendo a
proteção dos equipamentos utilizados no processo;
Tratamento primário – Tem como objetivo a remoção de sólidos que
sedimentam ou flotam, seja pela ação da gravidade seja pela adição de
produtos químicos;
2
Tratamento secundário - Consiste na etapa biológica do tratamento onde ocorre
a conversão da matéria orgânica poluente e complexa em produtos mais
simples, podendo essa conversão ocorrer em ambiente com a presença de
oxigênio ou na ausência do oxigênio;
Tratamento terciário - Consiste na remoção de poluentes específicos que não
são removidos nas etapas anteriores ou na desinfecção do efluente, visando
eliminar microrganismos patogênicos através da oxidação dos mesmos com
produtos químicos ou através de processos físicos.
A eletrodiálise é um processo de tratamento de efluentes que tem como objetivo
a remoção de poluentes orgânicos iônicos através da aplicação de um campo
elétrico entre 2 eletrodos. A eletrodiálise surge como uma alternativa interessante
em efluentes domésticos que já foram previamente tratados por processos de
tratamentos convencionais onde a maior parte da matéria orgânica já foi convertida
em matéria inorgânica que pode ser removida através da eletrodiálise.
Neste contexto, o objetivo do presente trabalho é a caracterização física,
química e biológica de efluentes tratados em uma estação de tratamento
convencional de efluentes e o posterior tratamento terciário destes efluentes por
eletrodiálise visando o reúso de água.
A estação de tratamento de efluentes utilizada no trabalho está localizada no
Campus Litoral Norte da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, situado no
município de Tramandaí do Estado do Rio Grande do Sul.
Para alcançar o objetivo proposto foi realizado o monitoramento semanal em
pontos importantes de entrada e saída das diferentes etapas do tratamento durante
33 semanas. Para a caracterização física, química e biológica foram realizadas
análises de 29 parâmetros diferentes.
A aplicação da eletrodiálise foi realizada em uma planta-piloto com uma vazão
de 100 L/h e foram realizados 2 diferentes ensaios com 5 efluentes diferentes. Para
avaliar o efluente antes e após o processo de eletrodiálise foram realizadas análises
de cromatografia-iônica e caracterização física, química e biológica.
Além disso, com base nas características do efluente tratado, realizou-se o
estudo de alternativas de reúso do mesmo promovendo o seu reaproveitamento em
3
algum setor que possa gerar algum valor econômico e evitar, desta forma, a
poluição de um corpo hídrico.
4
2 Objetivos
2.1 Objetivo geral
Caracterizar a estação de tratamento de efluentes (ETE) do Campus Litoral
Norte da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e posteriormente realizar o
processo de eletrodiálise no efluente tratado da ETE visando o reúso de água.
2.2 Objetivos específicos
Caracterizar o efluente sanitário física, química e biologicamente em
diferentes pontos do tratamento da ETE e do efluente tratado pela ETE ao
final da eletrodiálise;
Avaliar a remoção de íons poluentes do efluente de saída da ETE pelo
processo de eletrodiálise em uma planta-piloto utilizando membranas íon-
seletivas;
Avaliar a possibilidade de reúso do efluente sanitário após o processo de
eletrodiálise;
5
3 Revisão Bibliográfica
3.1 Recursos hídricos no Brasil
Os recursos hídricos no Brasil apresentam uma situação favorável, segundo a
Agência Nacional de Águas (ANA) em ANA (2013), apesar dos recentes problemas
de estresse hídrico ocorridos nos últimos anos, pois apresenta aproximadamente
12 % das reservas de água doce do planeta (MMA, 2006). A disponibilidade hídrica
atualmente no Brasil, em termos de vazão, é de 102.730 m³/s, sendo que
91.300 m³/s (88,9%) desta vazão corresponde a reservas superficiais e 11.430 m³/s
(11,1%) corresponde a reservas subterrâneas que estão disponíveis para
captação. Porém, a distribuição destes recursos no território brasileiro possui uma
distribuição espacial extremamente heterogênea, visto que aproximadamente 81%
da disponibilidade está concentrada na região hidrográfica da Amazônia, que
possui apenas 5% da população brasileira, enquanto as regiões das bacias
próximas ao Atlântico possuem 45,5% da população e apenas 2,7% da
disponibilidade hídrica (ANA, 2015). A demanda hídrica é dividida em 2 tipos, não
consultiva e consultiva:
Não-consultiva: Utilização da água para fins de lazer e/ou navegação.
Consultiva: Utilização da água para fins de abastecimento público urbano ou
rural, dessedentação animal, usos industriais e para irrigação de culturas.
Os valores estimados, em m³/s, de demanda hídrica consultiva total e seus
usos, em %, no ano 2015 estão apresentados na Tabela 3.1 conforme ANA (2016).
6
Tabela 3.1: Demanda hídrica, em m³/s, brasileira no ano de 2015 mostrando
todos tipos de demanda e seus valores percentuais.
Tipo de demanda Demanda hídrica (m³/s) Valor percentual (%)
Irrigação 1253 55
Abastecimento urbano 503 22
Indústria 346 15
Animal 135 6
Abastecimento rural 38 2
Total 2275 100
Fonte: Adaptado de ANA (2015).
A Tabela 3.1 mostra que 55% dos recursos hídricos no Brasil são utilizados na
irrigação como, por exemplo, nas culturas de soja e arroz. Em termos percentuais
a área irrigada em relação a área cultivada corresponde a 15,2%. No mundo esse
percentual é de aproximadamente 20% (Scarpare et al, 2016), e, considerando-se
que o Brasil possui 12% das reservas mundiais de água doce, era esperado que o
valor percentual de áreas irrigadas fosse superior ao encontrado em outros países
devido à grande disponibilidade. Entretanto, com o panorama futuro onde haverá
escassez de água a utilização em grande escala desta reserva para esse fim
ocasionará problemas socioambientais de desabastecimento de água potável,
principalmente para as populações que residem em áreas vulneráveis e/ou de baixa
renda (MENDONÇA, CUNHA, LUÍS, 2016).
7
3.2 Tratamento de água
O tratamento da água segundo a UNESCO (2015) é fundamental para a
manutenção de um ambiente saudável, assim como para garantir a dignidade
social, além de gerar inúmeros benefícios econômicos, sejam estes na agricultura
ou no ambiente urbano.
No relatório da UNESCO (2015) é apresentada uma estimativa de retorno entre
US$ 5 a US$ 28 para cada dólar aplicado em investimento no saneamento básico
para regiões em desenvolvimento. Este valor de retorno é devido ao fato de ser
mais barato realizar um investimento em saneamento básico (onde se inclui o
tratamento de águas) do que realizar o tratamento de saúde da população
contaminada por microrganismos patogênicos, tanto através do contato direto ou
indireto com águas de abastecimento ou mesmo com a retirada local d’água dos
corpos hídricos sem tratamento.
O tratamento de água tradicional é realizado em Estações de Tratamento de
Águas (ETA) visando a remoção de sólidos dissolvidos e em suspensão, matéria
orgânica dissolvida e em suspensão e microrganismos patogênicos, garantindo,
assim, uma potabilidade mínima. No Brasil, 69,2% da água distribuída recebe
tratamento tradicional, 23,2% recebe apenas uma desinfecção para a eliminação
de microrganismos patogênicos e os outros 7,6% recebem tratamento de formas
não tradicionais, tais como dessalinização, clarificadores de contato, filtração direta
entre outros (IBGE, 2011).
O tratamento de água é extremamente afetado pelo tratamento de efluentes,
pois no Brasil grande parte da água utilizada em grandes cidades é proveniente de
corpos hídricos onde são lançados os seus próprios efluentes, sejam eles tratados
ou não.
8
3.3 Tratamento de efluentes sanitários
O tratamento de efluentes compreende o tratamento de águas residuárias que
em geral apresentam matéria orgânica poluente, que necessitará de tratamento por
ação da natureza, químico, biológico ou ainda sistemas mais complexos com uma
combinação entre os tipos de tratamento. O tratamento de efluentes é
extremamente necessário, pois o mesmo está ligado diretamente à poluição
ambiental de recursos hídricos que são utilizados para a captação de águas para
consumo humano e de animais, degradação visual do meio ambiente, inundações
devido ao assoreamento dos rios e córregos em cidades que estão próximas a
estas fontes, além de inúmeras doenças causadas pela ingestão ou contato com
águas contaminadas como, por exemplo, cólera, hepatite A, esquistossomose,
leptospirose, diarreia entre outras (IBGE, 2011).
3.3.1 Histórico do tratamento de efluentes sanitários no Brasil
O histórico do tratamento de efluentes sanitários no Brasil pode ser separado
em duas partes, antes da criação do Plano Nacional de Saneamento (PLANASA)
no ano de 1969 e após a criação do PLANASA (MMA, 2006; MONTEIRO, 1993).
Anteriormente ao PLANASA, os efluentes eram tratados com base em projetos
isolados produzidos através do esforço de uma comunidade interessada. Este
esforço isolado ocasionava diversos problemas como a inviabilidade econômica por
parte de comunidades mais pobres, devido ao alto custo de implementação e pela
taxa de retorno do projeto; falta de material humano qualificado, ocasionando uma
pequena qualidade no tratamento e aumento do custo operacional; aporte
financeiro e de material humano em nível muito inferior ao necessário para um
perfeito tratamento, entre outros problemas (MONTEIRO, 1993).
Além disso a população brasileira no final da década de 60 era de
aproximadamente 93 milhões de pessoas e grande parte desta população se
encontrava em locais com grande disponibilidade hídrica para a depuração de
matéria orgânica poluente, fazendo com que a necessidade do tratamento não
fosse visível. Porém, com o avanço na área econômica ocasionado pelo “milagre
9
econômico” durante o período militar, grande parte da população migrou das áreas
rurais para as áreas urbanas e começou a se notar a necessidade do tratamento
do efluente gerado, pois o meio ambiente, que anteriormente conseguia promover
a depuração destes poluentes, agora não mais conseguia, principalmente nas
grandes cidades que estavam em franco crescimento populacional e no mesmo
ritmo de aumento da poluição (MMA, 2006).
O PLANASA, através do decreto N° 82.587, de 1978 (BRASIL, 1978), tinha
como objetivo permanente a correção dos problemas em relação ao saneamento
que o país apresentava. Os objetivos específicos eram o planejamento, a
programação e o controle sistematizado do equilíbrio entre a demanda e a oferta
de serviços públicos de água e efluentes em núcleos urbanos, adequação dos
níveis tarifários às possibilidades dos usuários, permitindo, desta forma, um maior
alcance do tratamento, e o desenvolvimento institucional de companhias estaduais
de saneamento básico, através de programas de treinamento e assistência técnica.
O alcance do plano segundo Monteiro (1993) para o serviço de efluentes
sanitários foi o acréscimo de 6,07% ao ano, em população atendida, durante o
período de 1970/1986 e um aumento da expectativa de vida da população em 7
anos, além do desenvolvimento e fortalecimento das companhias estaduais de
saneamento por todo o Brasil.
3.3.2 Panorama atual do tratamento de efluentes sanitários no Brasil
Panorama atual do tratamento de efluentes sanitários no Brasil mostra que a
coleta de efluentes sanitários no Brasil atinge 48,6% da população brasileira, porém
mais de 100 milhões de brasileiros não possuem acesso a este serviço. Estima-se
que apenas nas 100 maiores cidades do Brasil, onde as estruturas administrativas
possuem uma maior capacidade de planejamento e execução de obras e serviços
em saneamento, mais de 3,5 milhões de habitantes possuam rede coletora de
efluentes, mas despejam seus efluentes diretamente na natureza sem realizar o
tratamento adequado (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2016; BRASIL, 2014).
O índice de tratamento de efluentes médio no Brasil é de 42,67% e de 50,26%
nas 100 maiores cidades, entretanto apenas 10 destas cidades possuem índice de
10
tratamento superior a 80%. Entre as 5 regiões do Brasil observa-se que ocorre uma
grande diferença entre os valores de % de tratamento e o índice de atendimento,
ou seja, a % de população atendida, conforme mostrado na Tabela 3.2.
Tabela 3.2: % de tratamento de efluentes e índice de atendimento em cada
região do Brasil.
Região % Tratamento Índice de atendimento (%)
Norte 16,42 8,66
Nordeste 32,11 NI
Sudeste 47,39 77,23
Sul 41,43 41,02
Centro-Oeste 50,22 < 50
Onde: NI – Não informado.
Fonte: Adaptado de Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (2015)
O Estado do Rio Grande do Sul possui tanto o índice de coleta de efluente
sanitário inferior ao nacional, aproximadamente 28,6% frente a 48,6% no Brasil,
quanto a % de tratamento de efluentes, aproximadamente 15,51% frente a 42,67%
no Brasil (OLIVEIRA; SCAZUFCA; PIRES, 2016).
No relatório técnico realizado por Ex Ante Consultoria Econômica (2014)
encomendado pelo Instituto Trata Brasil e Conselho Empresarial Brasileiro para o
Desenvolvimento Sustentável, a falta de saneamento acarreta diversos problemas
sociais e econômicos ao Brasil em diversas áreas onde podemos citar:
Imóveis em áreas com saneamento chegam a valer quase 14% mais do que
outro em área sem os serviços;
Em 2012, cerca de 300 mil trabalhadores se afastaram do trabalho por
diarreias e perderam 900 mil dias de trabalho;
Cada afastamento leva à perda de 17 horas de trabalho, então em 2012
houve um gasto de R$ 1,112 bilhão em horas pagas, mas não trabalhadas
efetivamente;
11
Com a universalização do saneamento seriam 196 mil dias a menos de
afastamento por parte dos trabalhadores implicando numa redução de custo
de R$ 258 milhões por ano para as empresas;
Trabalhadores sem acesso à coleta de efluente sanitário ganham salários,
em média, 10,1% inferiores aos daqueles que moram em locais com coleta
de efluente sanitário;
A probabilidade de uma pessoa com acesso a rede de efluente sanitário
faltar as suas atividades normais por diarreia é 19,2% menor que uma
pessoa que não tem acesso à rede;
Em 2013 foram notificadas mais de 340 mil internações por infecções
gastrintestinais no país;
O custo de uma internação por infecção gastrintestinal no Sistema Único de
Saúde (SUS) foi de cerca de R$ 355,71 por paciente na média nacional.
Se 100% da população tivesse acesso à coleta de efluente sanitário haveria
uma redução, em termos absolutos, de 74,6 mil internações;
Em 2013, 2.135 morreram no hospital por causa das infecções
gastrintestinais. Se todos tivessem saneamento básico haveria redução de
329 mortes (15,5%);
A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e não têm
acesso ao saneamento básico pode chegar a 18%;
3.3.3 Legislação ambiental
Os parâmetros de qualidade para efluentes dependem do fim para o qual este
efluente será destinado e, também, deve-se considerar os resíduos sólidos gerados
no seu tratamento. Se objetivo é o lançamento do efluente tratado na natureza
como, por exemplo, córregos ou rios, deve-se respeitar os valores de concentração
de poluentes em função da vazão de lançamento. As legislações ambientais que
regem o lançamento de efluentes na natureza são a Resolução N° 357, de 2005
(CONAMA, 2005), alterada pela Resolução N° 430, de 2011 (CONAMA, 2011), no
âmbito nacional, e pela Resolução N° 128, de 2006 (CONSEMA, 2006a), e a
Resolução N° 129, de 2006 (CONSEMA, 2006b) no âmbito estadual. Nestas
resoluções os valores de concentração dos parâmetros de interesse poluidor se
12
tornam cada vez menores para vazões maiores para evitar a prática de diluição dos
efluentes visando o não tratamento.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) através da Resolução
N°357 alterada pela Resolução N° 430 estabelece os padrões de lançamento de
poluentes no meio ambiente, proibindo o lançamento em níveis nocivos ou
perigosos para os seres humanos e outras formas de vida.
O Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA) do Estado do Rio Grande
do Sul através das Resoluções N° 128 e N° 129, visando a redução progressiva da
carga poluidora lançada nos recursos hídricos do estado, fixa novos padrões e
critérios de emissão de efluentes líquidos em águas superficiais no Estado do Rio
Grande do Sul.
Os valores de lançamento dos efluentes, segundo CONSEMA (2006a) e
CONAMA (2011), estão apresentados nas Tabelas 3.3 e Tabela 3.4,
respectivamente.
Tabela 3.3: Valores de concentração e eficiência de remoção para o lançamento
de efluentes domésticos tratados segundo a Resolução nº 128/2006 do
CONSEMA.
Faixa de vazão DBO5,20 DQO SS Fósforo Total Coliformes Fecais Fluoreto
m³/d mg/L O2 mg/L O2 mg/L mg P/L Eficiência (%) NMP/100 mL Eficiência (%) mg F/L
Q < 20 180 400 180 NI NI NI NI 10
20 ≤ Q < 100 150 360 160 NI NI NI NI 10
100 ≤ Q < 200 120 330 140 NI NI NI NI 10
200 ≤ Q < 500 100 300 100 NI NI 1,00E+06 90 10
500 ≤ Q < 1000 80 260 80 NI NI 1,00E+05 95 10
1000 ≤ Q < 2000 70 200 70 3 75 1,00E+05 95 10
2000 ≤ Q < 10000 60 180 60 2 75 1,00E+04 95 10
10000 ≤ Q 40 150 50 1 75 1,00E+03 99 10
NI - Não informado
Fonte: adaptado de CONSEMA (2006a). Parâmetro
DBO5,20
DQO
SS
NTK
NH3
pH
Oxigênio dissolv
Coliformes fec
13
Tabela 3.4: Valores de concentração para o lançamento de efluentes domésticos
tratados segundo a Resolução nº 430/2011 do CONAMA.
Parâmetro Unidades Valores
pH - 6-9
DBO5,20 mg/L O2 120
Fluoreto mg F-/L 10
NTK mg NH4+ - N/L 20
Fonte: adaptado de CONAMA (2011).
Entretanto, uma análise mais crítica dos valores exigidos pelas legislações deve
ser realizada, pois para parâmetros importantes como coliformes totais e fecais não
são informados valores máximos de concentração para vazões muito baixas e, para
o parâmetro de DBO, os valores de eficiência de remoção exigidos poderiam ser
inferiores, o que resulta em descarte de um efluente com alta concentração de
matéria orgânica carbonácea e patógenos.
3.3.4 Etapas do tratamento de efluentes sanitários
Os sistemas de tratamento de efluentes sanitários dependem das
características do efluente a ser tratado. Os sistemas de tratamento podem ser
divididos em 4 etapas: preliminar, primário, secundário e terciário. Na Figura 3.1 é
apresentado um histórico dos sistemas de tratamento de efluentes, onde observa-
se que no surgimento dos sistemas de tratamento o objetivo era a remoção de
sólidos em suspensão e de DBO, pois além das legislações ambientais para
lançamentos de efluentes no momento serem inexistentes ou pouco rígidas, para
os padrões atuais, o conhecimento do funcionamento biológico era escasso.
Atualmente, devido à conscientização ambiental e legislações cada vez mais
rigorosas em relação à remoção não apenas de poluentes orgânicos e nutrientes,
os estudos e estações de tratamento de efluentes focam na remoção de poluentes
de preocupação emergente e no reúso de água. (DEZOTTI, LIPPEL e BASSIN,
2011).
Figura 3.1: Histórico mundial dos processos físico-químicos e biológicos dos sistemas de tratamento de efluentes.
Fonte: Dezotti, Lippel e Bassin (2011).
3.3.5 Tratamento preliminar
O tratamento preliminar é a etapa que visa atender 3 premissas básicas: (a)
remoção de sólidos grosseiros que chegam à estação de tratamento e que não
podem ser tratados pela mesma, como por exemplo, pedaços de madeira, pedras,
restos de alimentos, papeis entre outros, (b) aumento da eficiência das unidades
de tratamento posteriores atenuando a carga orgânica e (c) proteção dos
equipamentos e tubulações à jusante, evitando entupimento, desgaste, esforços
excessivos das bombas (WEF, 2010). Como principais exemplos de tratamento
preliminar podem ser citados o gradeamento e a caixa de areia.
As caixas de areia ou desarenadores têm como finalidade a remoção de
partículas sólidas durante a sedimentação. Nesta sedimentação os principais
sólidos removidos são os compostos de sílica (RICHTER, 2011). O gradeamento
tem como finalidade a separação de materiais sólidos grosseiros é uma técnica
utilizada devido à facilidade de instalação e limpeza. Consiste em um sistema de
barras metálicas dispostas paralelas entre si podendo ser instaladas verticalmente
ou inclinadas, sendo esta última instalada com inclinação entre 45° a 60° facilitando
a limpeza pelos operadores (PRADO, 2006).
3.3.6 Tratamento primário
O tratamento primário consiste na remoção de sólidos em suspensão e ou
sedimentáveis que podem ser de origem inorgânica ou orgânica, tais como
gorduras ou óleos, por ação física (gravitacional, arraste ou coesão) ou por ação
química através da adição de produtos químicos que facilitem a coesão das
partículas (RICHTER, 2011). Os tratamentos primários mais utilizados são:
decantação, sedimentação, coagulação, floculação, flotação e filtração.
A sedimentação e a decantação consistem na remoção de partículas que
possuem massa específica maior que a da água através da força gravitacional. A
sedimentação é utilizada para a remoção de partículas de diâmetro igual ou
superior a 0,1 mm. A decantação é utilizada para separação de partículas
floculentas (RICHTER, 2011).
16
A coagulação e a floculação consistem em processos de separação de
partículas que não podem ser removidas pela ação da gravidade. A etapa de
coagulação necessita da adição de produtos químicos para promover a
desestabilização das forças que mantêm separadas as partículas sólidas em
suspensão. Após a etapa de coagulação as partículas desestabilizadas sofrem
colisões entre si e formam partículas de maior tamanho, chamados de flocos, que
por possuírem uma massa maior decantam (RICHTER, 2011).
A flotação é o processo de separação baseado na retirada da fase sólida
presente em solução através da adesão de microbolhas à superfície do sólido
alterando sua massa específica e tornando-a menor que a do líquido, fazendo o
sistema sólido-microbolhas flutuar e, desta forma, ocorre a sua separação na
superfície (METCALF e EDDY, 2003).
A filtração é o processo mais utilizado para remoção de sólidos em suspensão.
Consiste na passagem do líquido através de um meio poroso, sendo o filtro de areia
o mais utilizado seguido pelo carvão ativado. A distribuição granular e a porosidade
do meio têm grande influência na remoção dos sólidos (RICHTER, 2011).
3.3.7 Tratamento secundário
O tratamento secundário consiste na oxidação da matéria orgânica complexa,
tais como carboidratos, óleos, graxas, lipídios e proteínas, em compostos mais
simples, como CO2, NH3, H2O, H2S, CH4 e etc., através da comunidade de
microrganismos presentes no lodo (bactérias, fungos, algas e etc.) que a utilizam
como fonte de energia para o crescimento e manutenção das suas necessidades
energéticas. Esta oxidação pode ser conduzida em ambiente onde há a presença
de oxigênio (processo aeróbio) ou ser conduzido em ambiente desprovido de
oxigênio (processo anaeróbio) (SANT’ANNA JUNIOR, 2010).
17
Processo anaeróbio
A degradação da matéria orgânica complexa por parte dos microrganismos
ocorre em um ambiente sem a presença de oxigênio, de forma muito mais complexa
do que se o tratamento fosse aeróbio. O resumo do processo de tratamento
anaeróbio pode ser dividido em 4 etapas apresentado na Tabela 3.5, adaptada de
Campos (1999).
Tabela 3.5: Resumo das etapas de tratamento anaeróbio mostrando os
compostos iniciais e finais e os tipos de bactérias que realizam cada etapa.
Etapa Compostos iniciais Compostos finais Tipos de bactéria
Aminoácidos, açucares solúveis e
Hidrólise Lipidios, carboidratos e proteinas Fermentativa
ácidos graxos de cadeia longa
Ácidos graxos voláteis de cadeia curta,
Aminoácidos, açucares solúveis e ácidos Anaeróbias
Acidogênese álcoois, ácido lático e compostos
graxos de cadeia longa obrigatórias
minerais (ácido sulfídrico e amônia)
Ácidos graxos voláteis de cadeia curta,
Ácido acético, hidrogênio e dióxido de
Acetogênese álcoois, ácido lático e compostos Acetogênicas
carbono
minerais (ácido sulfídrico e amônia)
Ácido acético, hidrogênio e dióxido de Acetotróficas ou
Metanogênese Metano, monóxido de carbono e água
carbono hidrogenotróficas
Fonte: adaptado de Campos (1999).
Abaixo são apresentados com mais detalhes cada etapa apresentada no
resumo apresentado na Tabela 3.5 de acordo com Campos (1999).
Hidrólise: nesta etapa a matéria orgânica complexa é convertida em compostos
mais simples e solúveis de menor massa molar por bactérias fermentativas. As
proteínas são convertidas a aminoácidos, os carboidratos são convertidos em
açúcares solúveis, principalmente mono e dissacarídeos, os lipídios são
convertidos em ácidos graxos de cadeia longa, entre 15 a 17 carbonos. Esta etapa,
em muitos casos, é a etapa limitante de todo o tratamento anaeróbio.
Acidogênese: os compostos mais simples gerados na hidrólise são absorvidos
pelas bactérias fermentativas anaeróbias obrigatórias, que apenas sobrevivem em
ambientes isentos de oxigênio, e são excretados como substâncias mais simples.
Os ácidos graxos de cadeia longa são convertidos em ácidos graxos voláteis de
18
cadeia curta, os açúcares solúveis são convertidos em álcoois e ácido lático e
compostos minerais simples.
Acetogênese: nesta fase ocorre a transformação dos produtos que serão o
substrato para a formação do metano na etapa de metanogênese. Estes produtos
são o ácido acético, o hidrogênio e o dióxido de carbono.
Metanogênese: ocorre a redução do ácido acético por parte das bactérias
acetotróficas ou a redução do dióxido de carbono por parte das bactérias
hidrogenotróficas formando metano como produto final.
O tratamento anaeróbio possui vantagens em relação ao tratamento aeróbio,
pois gera um volume de lodo 30% menor do que o aeróbio, diminuindo o custo de
tratamento, transporte e disposição deste lodo gerado (CAMPOS, 1999). Porém,
possui a desvantagem de ser mais sensível às condições climáticas e gerar
produtos com odor desagradável, o que dificulta sua implementação em zonas
centrais de cidades (SANT’ANNA JUNIOR, 2010).
No tratamento anaeróbio pode ocorrer também a oxidação da matéria orgânica
por outros oxidantes alternativos, como, por exemplo, o nitrato (NO3-) e o sulfato
(SO4-2). Nesta forma de tratamento, temos a formação de produtos como o
nitrogênio molecular no processo chamado de desnitrificação (SANT’ANNA
JUNIOR, 2010) e o ácido sulfídrico, ou gás sulfídrico, um composto com odor
desagradável, corrosivo e venenoso para as bactérias produtoras de metano na
etapa de metanogênese (CAMPOS, 1999).
Lagoas anaeróbias e os decanto-digestores são exemplos de tratamento
anaeróbio clássicos. Inúmeras pesquisas para o desenvolvimento de diferentes
tecnologias foram desenvolvidas para o tratamento anaeróbio, nas quais podemos
citar os reatores anaeróbios de fluxo ascendente e manta de lodo, chamados de
UASB, (LI et al., 2015; PAT-ESPADAS et al, 2015), e os biorreatores associados a
membranas, chamados MBR (RAMOS et al., 2014; OZAN; ACIKGOZ, 2016) ou a
combinação destes dois processos em um processo híbrido (ALVARINO et al.,
2016).
19
Processo aeróbio
No processo aeróbio para o tratamento de efluentes a comunidade microbiana
utiliza a matéria orgânica como doadora de elétrons e o oxigênio gasoso como
receptor de elétrons ocorrendo, assim, a oxidação da matéria orgânica inicial
complexa e poluente em compostos químicos mais simples, tais como o CO2, H2O
e NO3-. Este processo é muito mais simples que o processo anaeróbio, mais rápido
e com um aproveitamento energético muito maior por parte da comunidade
microbiana. Porém, este maior aproveitamento tem como desvantagem uma maior
geração de biomassa no sistema, necessitando etapas adicionais para tratar esta
biomassa gerada (METCALF e EDDY, 2003; SANT’ANNA JUNIOR, 2010).
No processo aeróbio a variação da composição do efluente de entrada no
sistema de tratamento, principalmente na proporção entre carboidratos, proteínas
e lipídios, além de variações locais bruscas de pH e temperatura propiciam um
ambiente competitivo e predatório entre as bactérias com a comunidade microbiana
ocasionando um estresse nas bactérias que realizam a conversão dos poluentes.
Devido a estas adversidades, as bactérias produzem camadas de polímeros ou
cápsulas que facilitam a adesão em flocos formando a biomassa (SANT’ANNA
JUNIOR, 2010; VAN HANDEEL, MARAIS, 1999). Estes flocos possuem diferentes
capacidades de adesão, podendo o sistema ser fixo ou em suspensão. Para o
sistema com biomassa fixa tem-se como exemplos o leito expandido (VILLEMUR
et al., 2015; BROSSEAU et al, 2016) e o sistema de elevação pneumática de
líquidos mais conhecido como air lift (GUO et al., 2014; (ASADI, ZINATIZADEH,
VAN LOOSDRECHT, 2016) e para o sistema com biomassa em suspensão tem-se
as lagoas aeradas agitadas (FUCHS CLEAN SOLUTION, 2011) e o tanque agitado
com reciclo de biomassa, chamado de lodos ativados (MARTÍNEZ-ALCALÁ,
GUILLÉN-NAVARRO, FERNÁNDEZ-LÓPEZ, 2017), sendo este o sistema de
tratamento secundário mais comum no Brasil (OLIVEIRA, 2014).
No tratamento por lodos ativados, conforme mencionado, a biomassa
permanece em suspensão através do movimento provocado pela aeração do
tanque por difusores de ar localizados no fundo do tanque, ou através de aeradores
mecânicos localizados na superfície. Ocorre também o reciclo da biomassa
decantada no decantador secundário localizado ao lado do tanque de aeração. O
20
decantador promove a separação das fases líquida e sólida (METCALF e EDDY,
2003), ocasionando um aumento da concentração da biomassa e diminuindo o
tempo do tratamento, pois esta biomassa não apresentará, desta forma, a fase de
adaptação ao meio apresentado na curva de crescimento dos microrganismos,
conforme mostrado na Figura 3.2. A parte de lodo que não é recirculada para o
sistema é enviada para digestores de lodo de excesso (VAN HAANDEL, MARAIS,
1999; SANT’ANNA JUNIOR, 2010). Os processos que utilizam bactérias para
realizar o tratamento de efluentes operam em regime estacionário, pois conforme
apresentado na Figura 3.2, é o regime que apresenta o maior número de células
por mL garantindo assim uma maior eficiência de conversão da matéria orgânica.
Se as bactérias do sistema de tratamento estiverem no regime de morte o mesmo
deverá ser enviado para os tanques de adensamento de lodo para se realizar o seu
tratamento.
Figura 3.2: Curva típica de crescimento bacteriano mostrando os diferentes
regimes em relação ao número de células por mL.
Fonte: Curva de crescimento bacteriano em sistema fechado (2017).
21
A oxidação da matéria complexa e poluente em compostos mais simples
depende da transferência de oxigênio da fase gasosa para a fase líquida. O
oxigênio dissolvido é necessário para a oxidação dos poluentes e, também, para a
respiração endógena por parte dos microrganismos, que representa o consumo de
oxigênio necessário para a oxidação das reservas energéticas dos microrganismos
quando ocorre uma diminuição na concentração de nutrientes no meio
(SANT’ANNA JUNIOR, 2010; OLIVEIRA, 2014).
A oxidação da matéria carbonácea ocorre em uma grande faixa de temperatura
(10 – 40°C), pH entre 7,5 a 8,5 e faixa de oxigênio dissolvido maior que 2,0 mg/L
sendo realizada por microrganismos onde os principais grupos são: bactérias,
protozoários, fungos e micro metazoários (SANT’ANNA JUNIOR, 2010; VON
SPERLING, 2012, AMON; BENNER, 1996).
Bactérias: Neste sistema, há a predominância de bactérias heterotróficas, que
utilizam fontes de carbono orgânico como substrato e possuem alta taxa de
reprodução, garantindo ao sistema robustez frente a variações de
concentrações como exemplo de bactérias temos Bacillus, Aerobacter,
Pseudomonas, Achromobacter, Flavobacterium, Alcaligenes, Arthrobacter,
Citromonas, Sphaerotilus natans, Thiothrix, Beggiatoa, Microthrix parvicella,
Nocardia e Zooglea ramigera. As bactérias presentes no lodo ativado podem
ser divididas entre filamentosas e não filamentosas.
Protozoários: Os protozoários são organismos que promovem a predação de
flocos pequenos que não sedimentam rapidamente assegurando um efluente
clarificado. Como exemplo temos as amebas (Sarcodina), flagelados
(Mastigophora) e ciliados (Ciliophora).
Fungos: Os fungos podem dominar a comunidade e serem os maiores
responsáveis pelo tratamento se condições adversas ocorrerem como, por
exemplo, pH baixo e deficiência em nitrogênio. O pH ótimo para a maioria das
espécies gira em torno de 5, contudo, sobrevivem em pH entre 2 e 9. Os
gêneros de fungos mais observados no lodo ativado são: Fusarium,
Geotrichoides, Oospora, Phoma, Pulularia e Sporotrichum e vários gêneros
carnívoros, tais como Zoophagus, Arthrobotrys e outros.
22
Metazoários: Os metazoários (rotíferos, nematóides e anelídeos) são
organismos pluricelulares. Os metazoários mais frequentes nos processos de lodo
ativado são os rotíferos, em particular os pertencentes aos gêneros Philodina
roseolla e Rotaria citrinus, que geralmente são associados a lodos de sistemas com
bom nível de depuração. Já os vermes (anelídeos, nematóides) são encontrados
mais raramente, sendo representante desse filo o gênero Rhabditis.
A oxidação da matéria nitrogenada, um dos macronutrientes presentes em
efluentes, é um processo mais lento do que a oxidação da matéria carbonácea e
necessita de um tempo maior de contato entre a biomassa e o efluente, pois as
bactérias nitrificantes, como as Nitrossomonas que convertem a amônia em nitrito,
conforme Equação 3.1, e as Nitrobacter que convertem nitrito em nitrato, conforme
Equação 3.2, e as bactérias desnitrificantes que realizam a conversão do nitrato em
nitrogênio atmosférico, conforme Equação 3.3, apenas conseguem se desenvolver
quando a taxa de crescimento das bactérias que realizam a oxidação da matéria
carbonácea estiver em um patamar de estabilização. Quando esta fase é atingida
pode ocorrer a oxidação da matéria nitrogenada, porém temperaturas acima de
10°C devem ser garantidas para o início da oxidação (BASTOS, VON SPERLING,
2009).
𝑁𝐻4 OH + 1,5 𝑂2 → 𝑁𝑂2 + 2 𝐻2 𝑂 Equação 3.1
𝑁𝑂2 + 0,5 𝑂2 → 𝑁𝑂3 Equação 3.2
2 𝑁𝑂3 + 2 𝐻 + → 𝑁2 + 2,5 𝑂2 + 𝐻2 𝑂 Equação 3.3
O fósforo, outro macronutriente presente em efluentes, provém de fosfatos,
derivados de produtos de limpeza como, por exemplo, detergentes, e de fósforos
ligados a aminoácidos, chamados de fósforo orgânico. O processo de remoção do
fósforo é altamente complexo e pouco eficiente para processos convencionais de
tratamento, principalmente para lodos ativados. No processo convencional
segundo Bastos, Von Sperling (2009) tem-se que praticamente todo o fósforo
orgânico é mineralizado para a forma de fosfato e este é removido no lodo de
excesso que é gerado no sistema, porém apenas 2,5% do fosfato são efetivamente
removidos, sendo que os outros 97,5% permanecem na fase líquida e são
23
despejados no meio ambiente. Uma alternativa para aumentar a concentração de
fosfato no lodo de excesso é utilizar um tempo de residência de lodo médio entre 8
a 12 dias ou realizar a precipitação química através de adição de cloreto férrico
(MARGUTI; FERREIRA FILHO; PIVELI, 2008).
24
3.3.8 Tratamento terciário
O tratamento terciário é utilizado para a remoção de componentes específicos
que não são eliminados nos tratamentos primário e secundário, como, por exemplo,
os microrganismos patogênicos e os compostos orgânicos e inorgânicos que não
são removidos por técnicas físico-químicas tradicionais utilizadas nos tratamentos
primários (TEIXEIRA, 2002).
O tratamento terciário mais comum é a desinfecção por cloro, seja ele da forma
de gás cloro, dióxido de cloro ou hipoclorito, segundo FUKUSHIMA et al. (2014). A
desinfecção tem como objetivo a eliminação parcial ou total de um grupo de
microrganismos que podem causar doenças. O processo é utilizado por ser
extremamente barato, facilmente disponível e eficiente para a destruição da maioria
dos microrganismos patogênicos, porém possui a desvantagem de poder formar
compostos tóxicos para os seres humanos como, por exemplo, os organoclorados
(RICHTER, 2011).
Os processos oxidativos convencionais (POC) são técnicas utilizadas para a
mineralização de poluentes orgânicos através de processos físicos, químicos e
biológicos (RODRIGUES-SILVA et al., 2014). As técnicas mais utilizadas são a
incineração e o tratamento biológico. A incineração é o POC mais conhecido e
antigo, porém tem a desvantagem de gerar compostos altamente tóxicos, como a
bifenila policloradas em dioxinas (OLIE; ADDINK; SCHOONENBOOM, 1998), em
certas condições de tratamento e requerer alta carga energética. Os processos que
utilizam o tratamento biológico possuem uma grande eficiência de remoção de
diversos compostos orgânicos poluentes, porém apresentam as desvantagens de
gerar uma grande quantidade de biomassa, serem muito sensíveis as condições
ambientais e demandarem um longo tempo de tratamento (TEIXEIRA, JARDIM,
2004).
Em contraponto às desvantagens descritas para os processos oxidativos
convencionais novas técnicas foram desenvolvidas para minimizar estes problemas
e obter os mesmos resultados. Os processos oxidativos avançados (POA) são
técnicas utilizadas para a mineralização química de poluentes orgânicos altamente
estáveis em dióxido de carbono, água e íons com uma toxicidade geralmente menor
e que podem ser tratados com processos tradicionais (RODRIGUES-SILVA et al.,
25
2014). Estas técnicas utilizam compostos químicos como, por exemplo, ozônio,
peróxido de hidrogênio, entre outros, podendo utilizar radiação ou não para gerar
compostos químicos altamente oxidantes como o radical hidroxila. Estes processos
possuem a vantagem de gerar compostos com toxicidade menor em relação aos
POC (TEIXEIRA JARDIM, 2004, GRADY JUNIOR et al., 2011).
Novas tecnologias e materiais para a remoção destes poluentes em efluentes
sanitários estão sendo estudadas e aplicadas como o uso de fotocatálise para
remoção de fosforo e coliformes fecais (BORGES; HERNÁNDEZ; ESPARZA, 2013)
e a oxidação anódica em efluente oriundo de tratamento secundário obtendo
resultados de concentração a níveis de traço em 29 compostos farmacêuticos e
pesticidas e com baixa concentração de organoclorados (GARCIA-SEGURA et al.,
2015).
3.3.9 Tratamento do lodo de excesso
O lodo gerado apresenta umidade elevada, metais tóxicos, nutrientes como
nitrogênio e fósforo (OLIVEIRA et al. 2014; SOUZA et al. 2005) além de
microrganismos patogênicos e poluentes emergentes. Esse lodo é gerado durante
o processo e representa a parte que não foi recirculada para o sistema, devendo
ser destinado para equipamentos ou locais específicos para a eliminação dos
organismos patogênicos, estabilização da matéria orgânica não oxidada e secagem
(METCALF e EDDY, 2003; CHAGAS, 2000).
3.4 Processos de separação por membranas
3.4.1 Processos de separação por membranas
Os processos de separação por membranas foram desenvolvidos para o
tratamento de água, água de reciclo e como potencial reúso e recuperação de
subprodutos. Diferentes tipos de processos de separação de membranas são
26
utilizados no tratamento de água, efluentes sanitários ou efluentes industriais
(BERNARDES; RODRIGUES; FERREIRA, 2013).
A diferença de pressão, potencial elétrico entre outros é a força motriz no
processo de separação por membranas onde a membrana atua como uma barreira
semipermeável. Na Figura 3.3 estão apresentados os principais componentes
retidos em cada processo apresentado abaixo. Os processos que utilizam a
diferença de pressão como força motriz, conforme Bernardes; Rodrigues; Ferreira
(2013), são:
Microfiltração – É utilizada principalmente para a remoção de sólidos
suspensos ou bactérias, o diâmetro de poro varia entre 0,1 a 10 µm. O
mecanismo de transporte é a exclusão estereoquímica, onde moléculas com
diâmetro maior que o diâmetro do poro da membrana são rejeitadas.
Ultrafiltração – É utilizada principalmente na separação e concentração de
macromoléculas, o diâmetro de poro varia entre 1 a 100 nm e massas
molares entre 1000 e 50000 Da. Os mecanismos de transporte através das
membranas ocorrem por exclusão molecular e difusão.
Nanofiltração – É utilizada principalmente na separação de soluções
orgânicas com baixa massa molares, entre 200 a 1000 Da, ou separação de
sais polivalentes de correntes líquidas. Os mecanismos de transporte que
ocorrem são a difusão e a exclusão molecular, porém interações
eletrostáticas também podem ocorrer.
Osmose inversa – É utilizada na separação de sais e pequenas moléculas
orgânicas. A membrana é densa o que faz que a diferença de pressão
utilizada deve ser muito maior que as utilizadas em microfiltração e
nanofiltração. O mecanismo de transporte é a difusão.
27
Figura 3.3: Representação dos principais poluentes retidos em MF, UF, NF e
OI.
Fonte: Markos (2016)
Diferentemente dos processos descritos acima a força motriz da eletrodiálise,
outro processo de separação por membranas, é o campo elétrico aplicado entre
dois eletrodos.
3.5 Eletrodiálise
A eletrodiálise é uma técnica eletroquímica que promove a remoção de íons
poluentes de soluções aquosas através da aplicação de uma diferença de potencial
entre dois eletrodos. Durante o processo ocorre a transferência de íons através de
membranas seletivas produzindo uma solução que ao longo do processo irá se
tornando cada vez mais diluída e que pode ser reutilizada em outros processos que
exijam uma solução com baixa concentração de íons, e a produção de uma solução
cada vez mais concentrada que pode ser enviada novamente para o processo de
origem servindo como uma nova corrente concentrada de matéria-prima.
28
A utilização da eletrodiálise está bem consolidada no tratamento de diversos
tipos de água e efluente no Laboratório de Corrosão, Proteção e Reciclagem de
Materiais (LACOR) como: efluentes oriundos de curtumes (STREIT, 2006);
efluentes de refinarias (MACHADO, 2008); soluções contendo cromo hexavalente
(KORZENOWSKI et al., 2008); efluentes oriundos de eletrodeposição de níquel
(BENVENUTI, 2012); efluente de drenagem ácida de minas (BUZZI, 2012);
soluções contendo íons molibdato (MARDER et al., 2016). Conforme descrito acima
a aplicação de um campo elétrico entre dois eletrodos é a força motriz do processo.
A separação dos íons de uma solução para outra solução ocorre devido à
configuração do sistema de eletrodiálise onde membranas catiônicas permitem a
passagem somente de cátions e membranas aniônicas permitem a passagem
somente de ânions.
Figura 3.4: Representação do processo de eletrodiálise.
Fonte: Hidrodex (2017).
3.5.1 Célula de eletrodiálise
A célula de eletrodiálise, chamada de stack, é composta por um par de
eletrodos, membranas íon-seletivas e espaçadores onde cada elemento da célula
tem uma função específica resumida abaixo:
Eletrodos – São constituídos de material inerte às soluções de trabalho e
que quando aplicada a diferença de potencial nos mesmos atraem os íons
29
da solução, os cátions se movendo em direção ao cátodo e os ânions
movem-se em direção ao ânodo (VEERMAN et al, 2010);
Membranas íon-seletivas – São constituídas de uma matriz polimérica onde
são fixadas cargas como, por exemplo, através de reação de reticulação em
polímeros não funcionalizados (TANAKA, 2015).
Espaçadores – São feitos com material inerte, geralmente um polímero
como, por exemplo, o PVC, e tem como função gerar um fluxo turbulento
visando diminuir a polarização por concentração (STRATHMANN, 2010).
A Figura 3.5 apresenta um esquema de um stack de eletrodiálise, onde C
representa a membrana catiônica e A representa a membrana aniônica. Diversas
configurações são possíveis de serem utilizadas dependendo do propósito do
tratamento.
Figura 3.5: Esquema de uma célula de eletrodiálise.
Fonte: Adaptado de Baker (2004).
Quanto maior o número de membranas no sistema maior é a eficiência de
remoção dos íons, entretanto, como cada membrana funciona como uma
resistência elétrica o aumento do número de membranas acarreta um aumento da
30
resistência elétrica total ocasionando um aumento do gasto energético. O
desenvolvimento de membranas que possuam uma baixa resistência elétrica sem
perder a sua capacidade de separação de íons é fundamental para se garantir uma
alta eficiência no processo aliado a um menor gasto energético (MÜLLER, 2013).
3.5.2 Eletrodos
Os eletrodos são produzidos com material inerte e devem ser física e
quimicamente resistentes a variações de composição, pH e temperatura
(BERNARDES, RODRIGUES, FERREIRA, 2013).
No cátodo ocorrem reações de redução, principalmente da água, gerando como
produto hidrogênio (H2) e íons hidroxila (OH-) conforme Equação 3.4 para soluções
alcalinas e Equação 3.5 para soluções ácidas. O pH da solução aumenta se não
houver o seu controle, o que pode acarretar a deposição de sais de cálcio e
magnésio que aumentam a resistência total do sistema, assim como geração de H2
na superfície do cátodo.
2𝐻2 𝑂 + 2𝑒 − → 𝐻2 + 2𝑂𝐻 − Equação 3.4
2𝐻 + + 2𝑒 − → 𝐻2 Equação 3.5
No ânodo ocorrem reações de oxidação com a formação de oxigênio (O2) em
soluções alcalinas, conforme mostrado na Equação 3.6, ou formação de oxigênio
(O2) mais cátions H+ em soluções ácidas, conforme mostrado na Equação 3.7.
4𝑂𝐻 − → 𝑂2 + 4𝐻 + + 4𝑒 − Equação 3.6
2𝐻2 𝑂 → 𝑂2 + 4𝐻 + + 4𝑒 − Equação 3.7
31
3.5.3 Membranas íon-seletivas
As performances das membranas trocadoras de íons podem ser avaliadas
através dos seguintes aspectos: custos de produção, estabilidade física ou química,
resistência mecânica e fluxo e seletividade. Pesquisas na área de membranas
visam o aumento da condutividade iônica sem a perda da resistência mecânica
aliado a baixos custos de produção.
Membranas íon-seletivas podem ser obtidas, por exemplo, através da
polimerização in situ e pode-se adicionar uma matriz polimérica para garantir
estabilidade mecânica. A seletividade das membranas íon-seletivas está associada
à restrição ou permeação dos íons e isso se deve à repulsão eletrostática que
ocorre no interior das membranas.
As membranas catiônicas possuem grupos funcionais carregados
negativamente com características ácidas o que garante o transporte dos cátions
no interior da membrana. Os grupos funcionais mais comuns são derivados de
ácidos fracos: sulfito (SO3-2), fosfato (PO4-3), HPO4-2 e que permitem apenas a
permeação dos cátions (contra-íons) e barram a passagem ânions (co-íons)
(BENVENUTI, 2012; BERNARDES; RODRIGUES; FERREIRA, 2013, STREIT,
2006, MÜLLER, 2013).
As membranas aniônicas possuem grupos funcionais carregados positivamente
com características básicas. Os grupos funcionais mais comuns são derivados de
amônio quaternário como NH4+, -RNH2+, -R2NH+ e R3P+ e que permitem apenas a
permeação de ânions (contra-íons) e barram a passagem dos cátions (co-íons)
(BENVENUTI, 2012; BERNARDES; RODRIGUES; FERREIRA, 2013, STREIT,
2006, MÜLLER,2013).
3.5.4 Espaçadores
Os espaçadores têm como objetivo conduzir o fluxo das soluções dentro do
módulo de eletrodiálise. São produzidos com material inerte e possuem 2 diferentes
tipos de configuração de fluxo: tortuoso (tortuous-path) e direto (sheet-flow),
mostrado na Figura 3.6, onde na esquerda está apresentado o espaçador tortuoso
32
e na direita o direto. No fluxo direto a velocidade de fluxo varia entre 3 – 15 cm/s e
no fluxo tortuoso o fluxo possui uma velocidade de fluxo varia entre 15 – 300 cm/s,
o que permite nesta configuração uma melhor possibilidade de deposição de
sólidos na superfície, porém a perda de carga no módulo é muito maior (BAKER,
2004).
Figura 3.6: Espaçador de fluxo tortuoso e de fluxo direto.
Fonte: Adaptado de Baker (2004).
3.5.5 Polarização por concentração
No processo de eletrodiálise é recomendável utilizar a maior densidade de
corrente obtendo assim um maior fluxo de íons por unidade de área de membrana.
Entretanto, quando se utiliza uma elevada densidade de corrente pode ocorrer o
fenômeno chamado polarização por concentração.
Em densidades de correntes abaixo da densidade de corrente limite o transporte
de íons do seio da solução para a superfície da membrana e o transporte de íons
no interior da membrana possuem a mesma velocidade. Quando a densidade de
corrente limite é atingida, o transporte de íons no interior da membrana é superior
ao transporte dos íons da solução para a superfície da membrana, resultando em
gradientes de concentração em regiões adjacentes à membrana. Na Figura 3.7 está
representado o esquema da polarização por concentração durante o processo de
33
eletrodiálise onde se pode observar o aumento do potencial elétrico ao longo do
sistema de eletrodiálise.
Figura 3.7: Esquema da polarização por concentração no processo de
eletrodiálise.
Fonte: Adaptado de Baker (2004).
A densidade de corrente limite é o valor da densidade de corrente quando a
concentração na superfície da membrana do compartimento diluído tende a valores
próximos de zero. Se a densidade de corrente utilizada for superior a esse valor a
eficiência do processo diminui drasticamente, pois ocorre o aumento da resistência
elétrica da solução diluída devido à falta de íons na solução. Para se descobrir o
valor da densidade de corrente limite é necessário a construção da curva de
polarização ou curva de corrente potencial (CVC).
34
3.5.6 Curva de corrente voltagem (CVC)
A determinação da densidade de corrente limite é realizada através da
construção da curva de polarização ou curva de corrente potencial (CVC). A
construção da curva é realizada através da aplicação de uma densidade de
corrente conhecida, i, e a medida do potencial da membrana em que essa
densidade foi aplicada, φm. Uma curva típica de CVC é apresentada na Figura 3.8.
Figura 3.8: Curva de corrente voltagem.
Fonte: Bernardes, Rodrigues e Ferreira (2013)
Na Figura 3.8 estão apresentadas três regiões distintas:
I – Região quasi-ôhmica onde a resistência do sistema é devida ao
transporte dos íons no interior da membrana. A relação entre a densidade
de corrente e a voltagem da membrana é linear. A densidade de corrente
nesta região é menor que a densidade de corrente limite;
35
II – Região do platô onde a densidade de corrente praticamente não varia
em relação ao potencial da membrana. Com o aumento do potencial da
membrana a polarização por concentração se acentua provocando uma
diminuição da concentração na camada limite no compartimento diluído e
por consequência ocasiona o aumento da resistência elétrica do sistema. A
densidade de corrente no platô é chamada de densidade de corrente limite.
III – Região onde a densidade de corrente já ultrapassou a densidade de
corrente limite e os efeitos da polarização por concentração se acentua e
outros fenômenos como a dissociação da água, eletro convecção, exaltação
dos íons e convecção gravitacional ocorrem.
3.5.7 Dissociação da água
A dissociação da água é o fenômeno em que a molécula da água é dissociada
nos íons H+ e OH- e ocorre quando a densidade de corrente utilizada na eletrodiálise
é superior a densidade de corrente limite. Esse fenômeno ocasiona variações de
pH nas superfícies das membranas e pode causar problemas como o scaling, é o
depósito de sólidos na superfície das membranas, e a degradação das mesmas se
o material em que foram feitas não for resistente o suficiente.
3.6 Reúso do efluente sanitário tratado
O reúso do efluente sanitário tratado cada vez tem maior importância devido ao
quadro de poluição e escassez de água, provocada por um desenvolvimento não
sustentável. O reúso promove um aproveitamento destes efluentes em novas
finalidades que podem gerar um retorno financeiro como o aproveitamento dos
nutrientes presentes para a piscicultura (SANTOS, 2011), hidroponia
(GONÇALVES, 2003, ALVES et al., 2014) ou diretamente na agricultura como
aporte de água e ou de nutrientes (BASTOS, VON SPERLING, 2009; ALVARENGA
et al., 2015). Estes efluentes originalmente seriam devolvidos para a natureza com
um padrão de qualidade possivelmente inferior ao corpo hídrico receptor. O reúso
dos efluentes domésticos tratados para a descarga de toaletes, irrigação de
36
campos de esporte, limpeza de ruas, combate a incêndios e lavagens de veículos
são alternativas interessantes que não exigem um nível de tratamento de efluentes
muito elevado (AISSE, BASTOS, FLORENCIO, 2006).
O Brasil ainda carece de resoluções e normas informando os limites de
concentração para o aproveitamento de efluentes sanitários tratados visando o
reúso. A resolução n° 54, de novembro de 2005 (CNRH, 2005), estabelece as
modalidades, diretrizes e critérios gerais para a prática de reúso direto não potável
de água, e apresenta outras providências. A resolução n° 121, de dezembro de
2010 (CNRH, 2010), estabelece diretrizes e critérios para a prática de reúso direto
não potável de água na modalidade agrícola e florestal, definidos na resolução n°
54. Estas resoluções definem os diferentes tipos de reúso que estão apresentados
na Tabela 3.6.
A definição dos parâmetros que devem ser monitorados e suas concentrações
visando o reúso de efluentes tratados podem fornecer os subsídios à
regulamentação do reúso da água de efluentes sanitários tratados conforme
mostrado na Tabela 3.7 (AISSE, BASTOS, FLORENCIO, 2006). Tais opções de
reúso mostradas na Tabela 3.7 foram escolhidas neste trabalho, pois os 3 reúsos
podem ser aplicados no Campus Litoral Norte devido a sua grande extensão
territorial, interessante para o uso na piscicultura e agrícola, quanto pela sua
recente construção o que é interessante do ponto de vista de engenharia já que as
suas tubulações hidrossanitárias possuem projetos e execuções catalogadas
facilitando assim as adequações necessárias para o uso urbano.
Os parâmetros apresentados na Tabela 3.7 consideram que, por exemplo:
Valores de turbidez abaixo de 5 UTN são necessários, pois em valores mais
altos pode ocorrer a deposição de microrganismos na superfície da matéria
orgânica em suspensão;
Valores de amônia livre na piscicultura maiores que 2,5 mg/L são
extremamente tóxicos para os peixes;
Sólidos dissolvidos totais, condutividade elétrica e razão de adsorção de sódio
(RAS) são parâmetros que indicam a quantidade de íons dissolvidos no
efluente, parâmetros que influenciam na troca osmótica e no valor de oxigênio
dissolvido e afetam diretamente o reúso do efluente;
37
Valores elevados de DBO podem causar odor desagradável e diminuição do
oxigênio dissolvido em corpos hídricos;
Tabela 3.6: Classificação e definição do reúso de efluentes para diversos tipos de
usos.
Utilização da água de reúso para fins de irrigação paisagística, lavagem de logradouros públicos e veículos,
Para fins urbanos
desobstrução de tubulações, construção civil, edificações, combate a incêndio
Para fins agrícolas e
Aplicação de água de reúso para produção agrícola e cultivo de florestas plantadas
florestais
Para fins ambientais Utilização da água de reúso para implantação de projetos de recuperação do meio ambiente
Para fins industriais Utilização de água de reúso em processos, atividades e operações industriais
Para fins na aquicultura Utilização da água de reúso para a criação de animais ou cultivo de vegetais aquáticos
Irrigação superficial ou por aspersão de qualquer cultura, inclusive culturas alimentícias consumidas cruas,
Irrigação irrestrita
inclusive hidroponia
Irrigação superficial ou por aspersão de qualquer cultura não ingerida crua, inclui culturas alimentícias e não
Irrigação restrita
alimentícias, forrageiras, pastagens e árvores, inclusive a hidroponia
Uso em campos de esporte, parques, jardins, usos ornamentais e paisagísticos em áreas com acesso
Uso irrestrito
irrestrito ao público, limpeza de ruas
Uso em parques, canteiros de rodovias, usos ornamentais e paisagísticos em áreas com acesso controlado ou
Uso restrito
restrito ao público, abatimento de poeiras em estradas vicinais, usos na construção
Descargas de toaletes, para efluentes com concentrações de DBO e nitrato inferiores a 30 e 50 mg/L
Uso predial
respectivamente, para evitar geração de odores no sistema de armazenamento
Fonte: adaptado de CNRH (2005) e AISSE, BASTOS, FLORENCIO (2006).
Tabela 3.7: Principais parâmetros de controle para o reúso de efluentes tratados.
Uso agrícola Uso para fins urbanos Uso piscicultura
Parâmetro Unidade
Irrestrito Restrito Irrestrito Restrito Predial Afluente No tanque
Turbidez UTN ≤5 ≤5 ≤5 ≤5 ≤5 ND ND
NTK mg NH4+- N/L <5 <5 ND ND ND ND ND
Nitrato mg NO3-- N/L 30 30 < 20 < 20 < 20 <5 <5
Amônia mg NH4+- N/L ND ND ND ND ND ≤ 2,5 ≤ 2,5
pH Faixa 6,5-9,0 6,5-9,0 6-8 6-8 6-8 6,5-9,5 6,5-9,5
SDT mg/L < 450 450< SDT<2000 <200 <200 <200 ND ND
OD mg O2/L > 2,0 > 2,0 ND ND ND > 3,0 > 3,0
CE mS/cm < 0,7 0,7< CE < 3,0 ND ND ND ND ND
DBO mg O2/L < 10 < 30 < 10 < 30 < 30 200 - 300 200
RAS - <3 <3 ND ND ND ND ND
Fluoreto mg F-/L <1 <1 ND ND ND ND ND
Onde: ND – Não disponível.
Fonte: adaptado de AISSE, BASTOS, FLORENCIO (2006), MACHADO (2006)
MARA (2012) e ABNT (1997).
O reúso de água obtida de efluentes domésticos possui vários trabalhos
publicados. Burn et al. (2015) realizaram uma revisão de três tipos de processos
aplicados a efluentes com intuito de reúso na agricultura: Osmose inversa,
nanofiltração e eletrodiálise. Os resultados mostram que os processos de osmose
inversa e a eletrodiálise produzem água de reúso com qualidade, porém com um
custo muito elevado, o que acarreta um aumento no valor do produto final (BURN
et al., 2015). Li et al. (2016) no estudo da nanofiltração como tratamento terciário
de um efluente doméstico municipal mostraram que a água permeada possui
qualidade para reúso segundo as legislações de reúso de Pequim. Zhang et al.
(2014) no estudo da osmose direta em efluentes domésticos municipais tratados,
mostraram que o aumento da concentração de DQO na solução retida foi maior que
300%, apesar do declínio da vazão de permeado. Ebbers, Ottosen e Jensen (2015)
no estudo da aplicação da eletrodiálise visando a remoção de metais tóxicos e
recuperação de fósforo de lodos de diferentes etapas do processo de tratamento
mostraram que baixos valores de pH e utilização de lodos anaeróbios digeridos
permitem uma melhor remoção dos metais tóxicos juntamente com uma maior
recuperação de fósforo.
A utilização do processo de eletrodiálise na recuperação de compostos que
possam ser reutilizados no próprio processo possui diversos trabalhos publicados.
Benvenuti et al. (2014) em estudos na recuperação de níquel e água através da
eletrodiálise mostraram que a solução tratada possuía uma baixa condutividade e
qualidade para ser utilizada como água de lavagem do processo, enquanto a
solução concentrada possuía qualidade para ser utilizada novamente no processo.
Buzzi et al. (2013) no estudo da recuperação de água do efluente de drenagem
ácida de minas obtiveram uma remoção de contaminantes superior a 97%. Martí-
Calatayud et al. (2014) comprovaram que se pode recuperar ácido sulfúrico e ferro
através do processo de eletrodiálise. Rodrigues et al. (2008) mostraram que é
possível a recuperação e o reúso da água de um efluente derivado do processo de
curtume.
Considerando os resultados obtidos por estes autores, neste trabalho será
avaliado a recuperação de água por eletrodiálise visando o reúso a partir de um
efluente doméstico tratado por processos convencionais.
40
4 Parte experimental
4.1 Estação de tratamento de efluentes
A estação de tratamento de efluentes (ETE) está localizada na cidade de
Tramandaí, com coordenadas 29°58'25.3"S 50°13'38.5"W, no Estado do Rio
Grande do Sul no sul do Brasil, mostrado na Figura 4.1. A ETE foi projetada pela
empresa FIBRATEC™ Engenharia com base nas normativas ambientais
estabelecidas pela Resolução N° 430, de 2011 (CONAMA, 2011), que estabelece
os padrões de lançamento de efluentes tratados na natureza, nas normas ABNT
NBR 12209, para elaboração de projetos hidráulico-sanitários de estações de
tratamento de efluentes sanitários (ABNT, 2011), e na norma ABNT NBR 13969,
para o projeto de tanques sépticos de desinfecção do efluente final (ABNT, 1997).
Figura 4.1: Estação de Tratamento de Efluentes - UFRGS.
Uma fotografia da estação de tratamento é apresentada na Figura 4.2, onde
podem ser visualizados a estação compacta onde, bem à frente, se encontra o
tanque de desinfecção; atrás do tanque de desinfecção, observa-se o reator de
aeração e o decantador secundário; mais ao fundo, observa-se o tanque de
adensamento de lodo.
41
Decantador
secundário Reator de Tanque de
aeração adensamento de lodo
‘
‘
‘ Caixa de desinfecção
Figura 4.2: Fotografia da ETE do Campus Litoral Norte da UFRGS mostrando
algumas etapas do tratamento.
Para evitar o desgaste dos componentes do sistema por abrasão de eventuais
materiais grosseiros, que são carregados com o efluente bruto, como, por exemplo,
pedaços de galhos de árvores, pedras e sacolas plásticas, é utilizado o tratamento
preliminar por gradeamento (PRADO, 2006). A caixa de gradeamento, mostrada na
Figura 4.3, possui o cesto feito de aço inoxidável, com dois diferentes
espaçamentos, o primeiro possui um espaçamento entre grades maior para reter
os sólidos maiores e o segundo possui um espaçamento menor para retenção de
sólidos de tamanho menor.
42
1º gradeamento
2º gradeamento
Fluxo de efluente
Figura 4.3: Sistema de gradeamento da ETE Litoral Norte, mostrando os dois
diferentes tipos de espaçamento entre as grades.
O efluente, após a passagem pelo gradeamento, é encaminhado à estação de
recalque do efluente, que tem como função a elevação do efluente bruto de uma
cota inferior para uma cota superior, onde se encontra a entrada no sistema de
tratamento. A elevação do efluente é promovida por duas bombas de recalque,
sendo sua atuação alternada para evitar o aquecimento das mesmas. Para o
acionamento das bombas são utilizadas boias elétricas fabricadas em
polipropileno.
O sistema de tratamento secundário utilizado na ETE é caracterizado como um
sistema de tratamento contínuo através do tratamento biológico por lodo ativado
com aeração prolongada, para a conversão da matéria orgânica carbonácea e
nitrogenada às suas formas oxidadas, dióxido de carbono (CO 2) e nitrato (NO3-),
respectivamente. Além disso, apresenta a fase anaeróbia, sem a presença de
oxigênio, para a realização da conversão do nitrato a nitrogênio gasoso (N2). O
processo de aeração é promovido por um aerador de 3,73 kW localizado na parte
inferior do tanque de aeração.
43
Para a separação do efluente tratado é utilizado um decantador secundário, tipo
Dortmund, muito utilizado em estações compactas por possuir declividade de
aproximadamente 60°, impossibilitando sua utilização em estações de grande porte
devido à exigência de grande profundidade (CHERNICHARO et al., 2001). O lodo
separado pode retornar ao sistema através de uma bomba de recirculação pela
válvula lateral inferior do tanque de aeração ou ser enviado ao tanque de
adensamento de lodo. Esse tanque de adensamento tem como função o aumento
da concentração do lodo, através da separação das fases líquida e sólida; a partir
da separação, o clarificado é retirado e o lodo é devolvido ao sistema por ação da
gravidade.
O efluente tratado é retirado do sistema através da válvula na parte superior da
lateral do decantador secundário por ação da gravidade, sendo então enviado ao
tanque de desinfecção que, por contato do efluente com o hipoclorito de sódio 10
% (m/m), ocorre a eliminação dos microrganismos patogênicos, que não foram
removidos no processo de aeração. O tanque de desinfecção possui chicanas em
seu interior com o intuito de aumentar o tempo de contato do efluente com o
hipoclorito de sódio, conforme mostrado na Figura 4.4. O gotejamento da solução
de hipoclorito ocorre por pulsos promovidos por uma bomba dosadora. A
concentração de cloro na caixa de desinfecção deve ficar entre 6 a 8 mg/L.
Figura 4.4: Sistema de desinfecção da ETE Litoral Norte, mostrando as
chicanas para aumentar o tempo de residência do efluente.
44
Após a desinfecção, o efluente é enviado ao reservatório de efluente tratado
para ser devolvido ao meio ambiente, através de uma tubulação presente após a
etapa de desinfecção, caso possua as especificações adequadas para tal, ou então
enviado à ETE da Companhia Rio-grandense de Saneamento (CORSAN).
Para o projeto da estação foi utilizado o número de 700 pessoas como a
população máxima a ser atendida no tratamento de efluentes. Os volumes dos
equipamentos utilizados em cada etapa de tratamento na ETE são apresentados
na Tabela 4.1.
Tabela 4.1: Volumes dos equipamentos da ETE.
Equipamento Volume (m³)
Estação elevatória de efluente bruto 2
Reator aeróbio 45
Caixa de desinfecção 1
Adensador de lodo de excesso 5
Reservatório de efluente tratado 20
Os dados de vazão, potência e tipo das bombas utilizadas na estação e algumas
observações sobre as bombas são apresentados na Tabela 4.2.
Tabela 4.2: Dados de vazão, potência, tipo e observações das bombas
utilizadas na ETE.
Vazão Potência
Bomba Tipo Observação
(m³/h) (W)
Recalque do Centrífuga
11,1 367,75 Recalque de 7m
efluente bruto submersa
Recirculação do Centrífuga Mesmo nível de altura
24,4 367,75
lodo submersa da estação
Dosadora 0,005 30 Peristáltica 0,83 mL/pulso
45
4.2 Pontos do processo avaliados no presente trabalho
O fluxograma simplificado da ETE do Campus Litoral Norte da UFRGS com a
indicação de todos os pontos avaliados neste trabalho está apresentado na Figura
4.5. O ponto P1 corresponde ao efluente após a passagem pelo gradeamento, o
ponto P2 corresponde ao efluente que sofreu o tratamento aeróbio, o ponto P3
corresponde ao ponto de coleta do efluente tratado e clarificado do decantador
secundário, o ponto P4 corresponde ao ponto de coleta do efluente tratado após a
etapa de desinfecção por contato com o hipoclorito de sódio, o ponto P5
corresponde ao lodo de excesso que irá ser recirculado ao sistema ou será enviado
ao adensador de lodo. O ponto P6 corresponde ao ponto de coleta do efluente
tratado que será destinado ao meio ambiente, caso possua as concentrações
indicadas na legislação, ou destinado a uma ETE. Vale ressaltar que o ponto P6 foi
incluído após a constatação de problemas no ponto P4, com objetivo de identificar
possíveis causas de contaminação.
Figura 4.5: Fluxograma da estação de tratamento e os pontos utilizados, onde P1
corresponde ao efluente o gradeamento, P2 ao efluente que sofreu o tratamento
aeróbio, P3 ao efluente do decantador secundário, P4 ao efluente após a
desinfecção, P5 ao lodo de excesso e P6 o efluente após todos os tratamentos.
Fonte: Adaptado de Fibratec 2014™.
46
4.3 Dados de vazão e meteorológicos
A medida de vazão da ETE foi realizada através dos dados obtidos através do
sistema de controle da ETE. Os dados de acionamento das bombas foram tratados
no software Excel versão 2013. Após o tratamento foi gerado o gráfico de vazão,
em m³/dia vs. dia do período de 04/03/2015 até o dia 31/03/2016 que foi o período
de monitoramento da ETE.
Os dados meteorológicos foram obtidos pelo site do Instituto Nacional de
Meteorologia (INMET) da estação RS_A834_TRAMANDAÍ solicitados à Seção de
Armazenamento de Dados Meteorológicos (SADMET) e posteriormente tratados
no software Excel versão 2013.
4.4 Análises para caracterização do efluente
Para caracterizar cada ponto da ETE foram realizadas ao total 33 coletas de
amostras em cada ponto. As análises foram realizadas no Laboratório de
Desenvolvimento de tecnologias (LADETEC) do Instituto de Pesquisas Hidráulicas
(IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) localizado no
Campus do Vale em Porto Alegre.
As análises utilizadas neste trabalho foram: oxigênio dissolvido (OD), pH,
condutividade elétrica (CE), cor, turbidez, sólidos totais (ST), sólidos totais fixos
(STF), sólidos totais voláteis (STV), sólidos suspensos totais (SST), sólidos
suspensos fixos (SSF), sólidos suspensos voláteis (SSV), sólidos dissolvidos totais
(SDT), sólidos dissolvidos fixos (SDF), sólidos dissolvidos voláteis (SDV)
alcalinidade total, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de
oxigênio (DQO), nitrogênio total kjeldahl (NTK), amônia (NH3), fluoreto (F-), cloreto
(Cl-), nitrito (NO2-), nitrato (NO3-), fosfato (PO4-3), sulfato (SO4-2), índice volumétrico
de lodo (IVL), coliformes totais, coliformes fecais e fósforo total. As análises foram
realizadas segundo metodologias do Standard Methods for Examination of Water
and Wastewater (APHA/AWA/WEF, 2012) ou referência indicada pelo equipamento
utilizado na análise. Para realizar a caracterização física, química e biológica foram
47
coletados 2 litros de efluente de cada ponto e acondicionados em caixas térmicas
refrigeradas e enviadas ao laboratório, onde eram realizadas as análises o mais
rápido possível para garantir a confiabilidade dos resultados.
As análises realizadas para cada ponto, abreviação e método estão mostradas
na Tabela 4.3.
Tabela 4.3: Análises realizadas em cada ponto avaliado da ETE.
Ponto de coleta
Parâmetro/Análise Abreviação Método/Modelo
P1 P2 P3 P4 P5 P6
Oxigênio Dissolvido OD 10360 LDO Hach® X X X X X X
Potencial Hidrogeniônico pH Químis Q400A X X X X X X
Condutividade elétrica CE 8160 Hach® X X X X X X
Cor Cor DM-COR Digimed® X X X X X
Turbidez Turbidez SM 2130 X X X X X
Sólidos Totais ST SM 2540B X X X X X X
Sólidos Totais Fixos SSF SM 2540E X X X X X X
Sólidos Totais Voláteis SSV SM 2540E X X X X X X
Sólidos Suspensos Totais SST SM 2540D X X X X X
Sólidos Suspensos Fixos SSF SM 2540E X X X X X
Sólidos Suspensos Voláteis SSV SM 2540E X X X X X
Sólidos Dissolvidos Totais SDT SM 2540C X
Sólidos Dissolvidos Fixos SDF SM 2540E X
Sólidos Dissolvidos Voláteis SDV SM 2540E X
Alcalinidade Total Alcalinidade SM 2320 X X X X
Demanda Bioquímica de Oxigênio DBO5,20 OXITOP® X X
Demanda Química de Oxigênio DQO SM 5220C X X X X
Nitrogênio Total Kjeldahl NTK 4500-Norg C X X X X
Amônia NH3 4500-NH3 C X X X X
Fluoreto F- Metrohm™ 882 X X X X
Cloreto Cl - Metrohm™ 882 X X X X
Nitrito NO2- Metrohm™ 882 X X X X
Nitrato NO3- Metrohm™ 882 X X X X
Fosfato PO4 3- Metrohm™ 882 X X X X
Sulfato SO4 2- Metrohm™ 882 X X X X
Índice volumétrico de lodo IVL SM 2540F X
Coliformes totais CoT Colilert® X X
Coliformes fecais CoF Colilert® X X
Fósforo total PT SM 4500-P D X X X X
Onde: SM - Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 22nd Edition
4.4.1 pH
O pH é o valor da concentração do íon hidrogênio conforme Equação 4.1.
𝑝𝐻 = − 𝑙𝑜𝑔10 [𝐻 + ] Equação 4.1
O conhecimento do valor do pH é importante para a escolha dos materiais
utilizados no projeto da ETE para evitar corrosão dos equipamentos e das
tubulações e para manutenção correta dos tratamentos químico e biológico do
efluente. A medida de pH foi realizada no pHmetro Químis Q400A calibrado com
soluções padrão de valor de pH de 4, 7 e 10 da marca Dinâmica™.
4.4.2 Alcalinidade total
A alcalinidade total indica a capacidade que o efluente apresenta para
neutralizar ácidos através da neutralização dos cátions H+ pela soma de todas
bases dissolvidas, principalmente as bases hidroxila (OH-), carbonato (CO32-) e
bicarbonato (HCO3-). Efluentes possuem alta alcalinidade proveniente da água
utilizada, águas de superfície, subterrâneas e materiais adicionados durante o uso
da água.
A medida de alcalinidade foi feita seguindo o método 2320 do Standard Methods
(APHA/AWA/WEF, 2012) que consiste na titulação da amostra até o valor de pH
4,5, que representa o ponto de neutralização total de todas bases presentes na
amostra. A unidade utilizada para expressar alcalinidade é o mg/L de carbonato de
cálcio (mg/L CaCO3).
4.4.3 Turbidez
A turbidez representa a quantidade de matéria suspensa ou coloidal que causa
interferência na passagem da luz sobre a amostra. Esta matéria suspensa pode ser
de origem inorgânica, areia, argila ou silte, ou orgânica, algas, bactérias, fungos e
outros microrganismos em geral. Efluentes com elevada coloração e turbidez
50
quando despejados na natureza dificultam a penetração da luz no corpo receptor
inibindo a produção de oxigênio por parte das algas causando uma diminuição no
oxigênio dissolvido promovendo, desta forma, a mortandade da fauna e da flora
aquática (SANT’ANNA JUNIOR,2010).
A medida de turbidez foi feita seguindo o método 2130 do Standard Methods
(APHA/AWA/WEF, 2012) no turbidímetro Hach™ modelo 2100N calibrado com
padrões de turbidez de 0,2; 2; 20; 200 e >4000 unidades de turbidez nefelométrica
(UTN).
4.4.4 Oxigênio dissolvido
O oxigênio dissolvido em um efluente é o parâmetro mais importante quando o
processo aeróbio for escolhido, devido ao seu consumo por parte dos
microrganismos que o utilizam para a oxidação da matéria orgânica poluente. A
concentração de oxigênio na água pura a 20°C é de aproximadamente 9 mg/L O2
variando consideravelmente para um valor menor com o aumento da temperatura
(SAWYER, MCCARTY, PARKIN, 2003). A sua concentração é muito menor em
águas contaminadas com sais minerais devido ao aumento da pressão osmótica
da solução dificultando assim o equilíbrio líquido-gás do oxigênio com a água.
A medida de oxigênio foi realizada com sonda multiparâmetro Hach™ HQ40d
utilizando o método 10360 LDO Hach™, que utiliza a medida da resistência da
amostra a luminescência fornecida pela sonda. A unidade de medida de
concentração de OD é mg/L de O2.
4.4.5 Condutividade elétrica
A condutividade elétrica representa a capacidade de condução de uma corrente
elétrica por parte do efluente através de minerais inorgânicos dissolvidos em
solução. Segundo Metcalf e Eddy (2003) o valor da condutividade elétrica é dos
parâmetros mais importantes usados para o reúso de efluentes, principalmente na
utilização na irrigação.
51
A medida da condutividade elétrica foi realizada na sonda multiparâmetro Hach™
HQ40d utilizando o método 8160 Hach™, que realiza a medida de condutividade
através da diminuição da diferença de voltagem aplicada entre os eletrodos devido
à resistência causada pela solução. A unidade de medida de condutividade elétrica
é mS/cm.
4.4.6 Cor
A cor de uma amostra de água ou efluente está associada à diminuição da
passagem de um feixe de luz pela mesma. Este decréscimo é proveniente de
sólidos dissolvidos orgânicos, devido principalmente às substâncias húmicas e
fúlvicas resultantes da decomposição natural de compostos orgânicos, e
inorgânicos, tais como óxidos de manganês e de ferro entre outros (SAWYER,
MCCARTY, PARKIN, 2003).
A determinação da cor foi realizada no colorímetro Digimed DM-COR que
realiza a medida da coloração da amostra em 450 nm e posteriormente compara o
valor obtido com uma curva de calibração previamente inserida no equipamento
utilizando como soluções padrão de Platina Cobalto sendo expressa na unidade de
mg/L de Pt-Co (Platina-cobalto).
4.4.7 Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)
A demanda bioquímica de oxigênio (DBO) é um parâmetro muito utilizado para
a medida de oxigênio utilizado pelos microrganismos na oxidação bioquímica da
matéria orgânica carbonácea e nitrogenada, ou seja, indica o quanto da matéria
orgânica presente em efluente pode ser oxidada simplesmente por ação dos
microrganismos; é calculada conforme Equação 4.2. Este parâmetro pode ser
utilizado também para o projeto de estações de tratamento biológico, medida da
eficiência do tratamento e qualidade do efluente a ser despejado no corpo hídrico
(METCALF e EDDY, 2003). No entanto, apresenta a desvantagem de ser uma
análise com um tempo longo de duração, impedindo o acompanhamento em tempo
real do processo de tratamento.
52
a b 3c 𝑎 3𝑐
𝐶𝑛 𝐻𝑎 𝑂𝑏 𝑁𝑐 + (𝑛 + − − ) 𝑂2 → 𝑛𝐶𝑂2 + ( − ) 𝐻2 𝑂 + 𝑐𝑁𝐻3 Equação 4.2
4 2 4 2 2
A medida de DBO foi realizada segundo o método do OXITOP™ utilizando o
conjunto marca WTW™ modelo IS12. Esta técnica consiste na medida de diferença
de pressão provocada pela absorção do CO2 formado no consumo do O2
disponível, na garrafa do conjunto vedado, pela matéria orgânica da amostra, pelo
hidróxido de sódio adicionado no início da análise. Esta análise é chamada de
DBO520, pois a análise é realizada com temperatura controlada de 20°C e em um
espaço de tempo de 5 dias, sendo então, lido o valor de DBO informado pelo
equipamento. A unidade de medida de DBO é mg/L O2 e representa apenas o
consumo de oxigênio para oxidação da matéria orgânica carbonácea, pois o início
da oxidação da matéria nitrogenada ocorre a partir do 10° dia (METCALF e EDDY,
2003). A Figura 4.6 apresenta um diagrama da demanda de oxigênio em função do
tempo para a DBO proveniente de apenas compostos carbonáceos, primeiro
estágio, e para compostos provenientes carbonáceos e nitrogenados, segundo
estágio.
Figura 4.6: Comportamento da curva de DBO em função do tempo, em dias,
mostrando os dois estágios de oxidação da matéria orgânica.
Fonte: Adaptado de Campos (2012).
53
4.4.8 Demanda Química de Oxigênio
A demanda química de oxigênio representa a quantidade equivalente de
oxigênio utilizada para oxidar totalmente a matéria orgânica, biodegradável e não-
biodegradável; carbonácea e nitrogenada, contida no efluente, e pode ser calculada
através da equação 4.3 (SAWYER, MCCARTY, PARKIN, 2003). A vantagem deste
método em relação ao de determinação de DBO é a rapidez da obtenção do
resultado, aproximadamente 3 horas, enquanto que no mínimo 5 dias para
obtenção do resultado de DBO, porém possui a desvantagem de não indicar se a
matéria orgânica é ou não biodegradável. A Equação 4.4 informa o número de mols
de dicromato para posterior conversão em mols de O2.
𝑎+8𝑑−3𝑐
𝐶𝑛 𝐻𝑎 𝑂𝑏 𝑁𝑐 + 𝑑𝐶𝑟2 𝑂72− + (8𝑑 + 𝑐)𝐻 + → 𝑛𝐶𝑂2 + ( ) 𝐻2 𝑂 + 𝑐𝑁𝐻4+ + 2𝑑𝐶𝑟 3+
2
Equação 4.3
onde:
2𝑛 a b c
𝑑 = ( 3 + 6 − 3 − 2) Equação 4.4
Para a conversão de mols de dicromato (Cr2O72-) em mols de O2 basta proceder
a conversão apresentada pela Equação 4.5.
6𝑒𝑞.𝐶𝑟 𝑂2− 1𝑒𝑞 𝑂2 1 𝑚𝑜𝑙 𝑂2 32000 𝑚𝑔 𝑂2
𝑑 𝑚𝑜𝑙𝑠 𝐶𝑟2 𝑂72− ∗ 𝑚𝑜𝑙 𝐶𝑟2 𝑂72− ∗ 𝑒𝑞.𝐶𝑟 2− ∗ ∗ Equação 4.5
2 7 2 𝑂7 4 𝑒𝑞 𝑂2 𝑚𝑜𝑙 𝑂2
A análise de DQO foi realizada seguindo o método 5220C do Standard Methods
(APHA/AWA/WEF, 2012). O método se baseia na oxidação de toda matéria
orgânica presente na amostra por uma quantidade conhecida e em excesso pelo
dicromato de potássio em meio fortemente ácido obtido com a adição do reagente
que contém ácido sulfúrico com sulfato de prata atuando como catalisador. Esta
oxidação ocorre em refluxo da amostra na temperatura de 150°C e durante 2 horas
em um digestor específico para DQO, Velp™ modelo DK6. Após o término da
oxidação titula-se o dicromato em excesso com o reagente sulfato ferroso
amoniacal podendo assim ser determinada a quantidade de dicromato consumido
durante a oxidação.
54
4.4.9 Sólidos Totais, Fixos e Voláteis
Os sólidos totais representam a quantidade de matéria suspensa e dissolvida
em uma amostra de água ou efluente. Esses sólidos podem ser de origem orgânica
ou inorgânica e podem causar impactos ambientais sérios como, por exemplo,
assoreamento do leito e margens de rios ou lagos e diminuição da intensidade da
luz que penetra no corpo hídrico, causando diminuição da fotossíntese pelas algas
(SAWYER, MCCARTY, PARKIN, 2003).
A análise de sólidos totais foi realizada seguindo o método 2540B do Standard
Methods (APHA/AWA/WEF, 2012). Este método consiste na evaporação a 103-
105°C de um volume conhecido de amostra. Esta evaporação ocorre em duas
etapas: primeiramente ocorre a evaporação da maior parte da água da amostra em
banho maria, De Leo modelo BM8DOCA, até a secura da amostra presente em
uma cápsula de porcelana previamente pesada para obter o seu valor de tara. Após
esta evaporação as cápsulas de porcelana são colocadas na estufa, Brasimet™
modelo Professional 50, durante 1 hora a temperatura entre 103-105°C para a
retirada de eventual umidade ainda presente na cápsula. Após este período na
estufa as cápsulas são armazenadas em um dessecador com sílica gel, onde é
aplicado vácuo para retirada de qualquer umidade presente no ambiente. Quando
as cápsulas atingem a temperatura ambiente são pesadas novamente em um
balança analítica, Bel Engineering™ modelo Mark 250A, para determinar a
quantidade de sólidos presentes. O cálculo é realizado segundo a Equação 4.6.
𝑚𝑔 𝐴−𝐵
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.6
𝐿 𝐿
onde:
A = massa da cápsula mais amostra evaporada, em mg;
B = massa da cápsula, em mg.
A análise de sólidos totais fixos e voláteis foi realizada segundo a metodologia
2540E do Standard Methods (APHA/AWA/WEF, 2012) que consiste na ignição da
cápsula de porcelana, proveniente da análise de sólidos totais, em uma mufla,
Químis™ modelo Q.318.24, durante aproximadamente 15 a 20 min a temperatura
de 550°C. Após a ignição a cápsula de porcelana é colocada em um dessecador
55
com sílica gel, onde é aplicado vácuo para retirada de qualquer umidade presente
no ambiente até as cápsulas atingirem a temperatura ambiente para então serem
pesadas novamente na balança analítica, Bel Engineering™ modelo Mark 250A,
para determinar a quantidade de sólidos totais voláteis presentes. O cálculo é
realizado segundo a Equação 4.7 para a determinação da quantidade de sólidos
totais voláteis e segundo a Equação 4.8 para a determinação dos sólidos totais
fixos.
𝑚𝑔 𝐴−𝐶
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑣𝑜𝑙á𝑡𝑒𝑖𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.7
𝐿 𝐿
𝑚𝑔 𝐵−𝐶
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.8
𝐿 𝐿
onde:
A = massa da cápsula mais amostra evaporada antes da ignição, em mg;
B = massa da cápsula mais amostra evaporada depois da ignição, em mg;
C = massa da cápsula, em mg.
A análise dos sólidos totais fixos informa o quanto dos sólidos totais presente
na amostra de efluente são provenientes de compostos inorgânicos, pois todos os
compostos orgânicos são oxidados a CO2 e H2O durante a ignição.
4.4.10 Sólidos Suspensos Totais, Fixos e Voláteis
Os sólidos suspensos representam os sólidos presentes na amostra que são
retidos em um filtro de fibra de vidro ao se filtrar um volume conhecido de amostra,
aplicando vácuo no sistema. O aumento da massa do filtro após a filtração
representa o total de sólidos suspensos na amostra.
A análise de sólidos suspensos foi realizada seguindo o método 2540D do
Standard Methods for (APHA/AWA/WEF, 2012). Este método realiza a filtração a
vácuo, bomba Fabbe Primar modelo 341, de um volume conhecido de amostra em
um filtro de fibra de vidro, Macherey-Nagel™ modelo GF-3 com diâmetro de 47mm
56
com tamanho de poro de 0,6µm. Após a filtração os filtros contendo a matéria
suspensa retida são inseridos na estufa, Brasimet™ modelo Professional 50,
durante 1 hora a temperatura entre 103-105°C para a evaporação da umidade dos
filtros. Após este período na estufa os filtros são armazenados em um dessecador
contendo sílica gel, onde é aplicado vácuo para retirada de qualquer umidade
presente no ambiente, até os filtros atingirem a temperatura ambiente para então
serem pesados novamente na balança analítica, Bel Engineering™ modelo Mark
250A, para determinar a quantidade de sólidos suspensos totais segundo a
Equação 4.9.
𝑚𝑔 𝐴−𝐵
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑠𝑢𝑠𝑝𝑒𝑛𝑠𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.9
𝐿 𝐿
onde:
A = massa do filtro + amostra evaporada, em mg;
B = massa do filtro, em mg.
A análise de sólidos suspensos fixos e voláteis foi realizada segundo a
metodologia 2540E do Standard Methods (APHA/AWA/WEF, 2012) que consiste
na ignição do material orgânico presente no filtro de fibra de vidro, proveniente da
análise de sólidos suspensos totais, em uma mufla, Químis™ modelo Q.318.24,
durante aproximadamente 15 a 20 min a temperatura de 550°C. Após a ignição a
o filtro é colocado em um dessecador contendo sílica gel, onde é aplicado vácuo
para retirada de qualquer umidade presente no ambiente, até os filtros atingirem a
temperatura ambiente para então serem pesados novamente na balança analítica,
Bel Engineering™ modelo Mark 250A, para determinar a quantidade de sólidos
suspensos voláteis presentes segundo a Equação 4.10 e para determinar a
quantidade de sólidos totais fixos presentes segundo a Equação 4.11.
𝑚𝑔 𝐴−𝐶
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑠𝑢𝑠𝑝𝑒𝑛𝑠𝑜𝑠 𝑣𝑜𝑙á𝑡𝑒𝑖𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.10
𝐿 𝐿
𝑚𝑔 𝐵−𝐶
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑠𝑢𝑠𝑝𝑒𝑛𝑠𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.11
𝐿 𝐿
onde:
A = massa da cápsula mais amostra evaporada antes da ignição, em mg;
57
B = massa da cápsula mais amostra evaporada depois da ignição, em mg;
C = massa da cápsula, em mg.
A análise dos sólidos suspensos fixos informa o quanto dos sólidos suspensos
totais presente na amostra de efluente é proveniente de compostos inorgânicos,
pois todos os compostos orgânicos são oxidados a CO2 e H2O durante a ignição.
4.4.11 Sólidos Dissolvidos Totais, Fixos e Voláteis
Os sólidos dissolvidos representam os sólidos presentes na amostra que não
são retidos em um filtro de fibra de vidro ao se filtrar um volume conhecido de
amostra, aplicando vácuo no sistema e que após evaporação permanecem em um
recipiente previamente pesado. A análise de sólidos dissolvidos representa a
quantidade de substâncias orgânicas e principalmente inorgânicas presentes na
amostra. As substâncias dissolvidas envolvem os íons carbonato, bicarbonato,
cloreto, sulfato, fosfato, nitrato, cálcio, magnésio, sódio e íons orgânicos, como
ácidos orgânicos dissolvidos (SAWYER, MCCARTY, PARKIN, 2003).
A análise de sólidos dissolvidos totais foi realizada seguindo o método 2540C
do Standard Methods (APHA/AWA/WEF, 2012). Este método consiste na
evaporação a 103-105°C de um volume conhecido de amostra que foi previamente
filtrado em um filtro com um filtro de fibra de vidro, Macherey-Nagel™ modelo GF-
3 com diâmetro de 47mm com tamanho de poro de 0,6µm. Esta evaporação ocorre
em duas etapas: primeiramente ocorre a evaporação da maior parte da água da
amostra em banho maria, De Leo modelo BM8DOCA, até a secura da amostra
presente em uma cápsula de porcelana previamente pesada para obter o seu valor
de tara. Após esta evaporação as cápsulas de porcelana são colocadas na estufa,
Brasimet™ modelo Professional 50, durante 1 hora a temperatura entre 103-105°C
para a retirada de eventual umidade ainda presente na cápsula. Após este período
na estufa as cápsulas são armazenadas em um dessecador com sílica gel, onde é
aplicado vácuo para retirada de qualquer umidade presente no ambiente, quando
as cápsulas atingem a temperatura ambiente são pesadas novamente em um
58
balança analítica, Bel Engineering™ modelo Mark 250A, para determinar a
quantidade de sólidos presentes. O cálculo é realizado segundo a Equação 4.12.
𝑚𝑔 𝐴−𝐵
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.12
𝐿 𝐿
onde:
A = massa da cápsula mais amostra evaporada, em mg;
B = massa da cápsula, em mg.
A análise de sólidos dissolvidos fixos e voláteis foi realizada segundo a
metodologia 2540E do Standard Methods (APHA/AWA/WEF, 2012) que consiste
na ignição da cápsula de porcelana, proveniente da análise de sólidos dissolvidos
totais, em uma mufla, Químis™ modelo Q.318.24, durante aproximadamente 15 a
20 min a temperatura de 550°C. Após a ignição a cápsula de porcelana é colocada
em um dessecador com sílica gel, onde é aplicado vácuo para retirada de qualquer
umidade presente no ambiente até as cápsulas atingirem a temperatura ambiente
para então serem pesadas novamente na balança analítica, Bel Engineering™
modelo Mark 250A, para determinar a quantidade de sólidos dissolvidos voláteis
presentes. O cálculo é realizado segundo a Equação 4.13 para a determinação da
quantidade de sólidos dissolvidos voláteis e segundo a Equação 4.14 para a
determinação dos sólidos totais fixos.
𝑚𝑔 𝐴−𝐶
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑣𝑜𝑙á𝑡𝑒𝑖𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.13
𝐿 𝐿
𝑚𝑔 𝐵−𝐶
𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 = 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎, Equação 4.14
𝐿 𝐿
onde:
A = massa da cápsula mais amostra evaporada antes da ignição, em mg;
B = massa da cápsula mais amostra evaporada depois da ignição, em mg;
C = massa da cápsula, em mg.
O valor de sólidos dissolvidos fixos representa quantidade de material
inorgânico presente na amostra, proveniente principalmente de sais inorgânicos.
Os valores de sólidos dissolvidos voláteis representam a parte orgânica da amostra,
proveniente principalmente de ácidos orgânicos voláteis.
59
4.4.12 Coliformes totais e fecais
Os coliformes totais e fecais, no caso deste trabalho a Escherichia coli, são
bactérias gram-negativas e não são patogênicas ao homem, pois habitam em
grande quantidade o intestino humano. Essa bactéria é utilizada como um indicador
da presença de microrganismos patogênicos que são transmissores de doenças
aos humanos, pois estão presentes em ambientes onde se encontram estes
microrganismos (OLIVEIRA, RESENDE, CARDOSO, 2015).
A análise de coliformes totais e fecais foi realizada segundo a metodologia do
kit teste marca Colilert™ modelo IDEXX, as cartelas do teste e o meio de cultura
estão mostradas na Figura 4.5. Esse método utiliza um substrato definido com dois
nutrientes indicador, ONPG® que é utilizado na determinação de coliformes totais,
pois quando há o consumo deste nutriente pelos coliformes totais ocorre a
coloração da amostra para a cor amarela, mostrado na Figura 4.6, e o nutriente
indicador MUG® que é utilizado para determinação dos coliformes fecais, pois
quando ocorre o consumo deste nutriente pelos coliformes fecais ocorre a
coloração da amostra na luz ultravioleta, como mostrado na Figura 4.7. A unidade
utilizada foi a de NMP/100 mL que indica o número mais provável de
microrganismos por 100 mL de amostra utilizada.
60
Figura 4.7: Cartela vazia e meio de cultura da marca Colilert™ para análise de
coliformes totais e fecais.
Fonte: Idexx Laboratories (2017).
Figura 4.8: Cartela com amostra e meio de cultura da marca Colilert™ para
análise de coliformes totais.
61
Fonte: Idexx Laboratories (2017).
Figura 4.9: Cartela vazia e meio de cultura da marca Colilert™ para análise de
coliformes totais e fecais.
Fonte: Idexx Laboratories (2017).
4.4.13 Nitrogênio Total Kjeldahl
O nitrogênio total Kjeldahl é o método utilizado para determinar a concentração
de nitrogênio na forma de nitrogênio orgânico, proveniente de proteínas e
aminoácidos, e de amônia. Esse método não representa o total de nitrogênio
presente na amostra, pois não apresenta a contribuição de formas de nitrogênio
inorgânicas como por exemplo nitrito e nitrato, porém, em efluentes, a maior
contribuição de carga nitrogenada é proveniente de nitrogênio amoniacal e orgânico
logo é um bom indicador da quantidade de nitrogênio (METCALF e EDDY, 2003).
Altas concentrações de nitrogênio nas formas orgânica e amoniacal se descartadas
no corpo hídrico diretamente podem causar o fenômeno de eutrofização, em que
ocorre a alta procriação de algas devido à grande disponibilidade de nutrientes na
água. Após esse consumo ocorre a morte das mesmas havendo então consumo
de oxigênio dissolvido na água ocasionando assim a morte da fauna aquática.
62
A análise de nitrogênio total Kjeldahl foi realizada conforme o método 4500-Norg
C do Standard Methods (APHA/AWA/WEF, 2012). Esse método se baseia na
transformação de todo o nitrogênio orgânico e amoniacal (NH 3) para a forma do
cátion amônio (NH4+) através da digestão, no digestor Solab™ modelo SL145/6, da
amostra em meio ácido em temperatura entre
375 - 385°C conforme Equação 4.15. Após a digestão a amostra é neutralizada
procedendo a transformação do nitrogênio da forma de NH4+ para a forma NH3
conforme Equação 4.16 que então é destilada, Foss™ modelo Kjeltech 2100, sendo
recolhido em uma solução de ácido fraco com concentração conhecida, onde
ocorre a reação de transformação da NH3 para NH4+ conforme Equação 4.17. Essa
solução então é titulada com um ácido forte com concentração conhecida conforme
Equação 4.18 onde pelo volume utilizado de ácido na titulação é calculado o valor
de nitrogênio total Kjeldahl pela Equação 4.19.
A + 𝐻2 𝑆𝑂4 → (𝑁𝐻4 )2 𝑆𝑂4 (aq) + 𝐶𝑂2 (g) + 𝑆𝑂2 (g) + 𝐻2 O(g) Equação 4.15
(𝑁𝐻4 )2 𝑆𝑂4 (aq) + 2NaOH → 𝑁𝑎2 𝑆𝑂4 (aq) + 2𝐻2 O(l) + 2𝑁𝐻3 (g) Equação 4.16
𝐻3 𝐵𝑂3 + NH3 → 𝑁𝐻4+ + 𝐻2 𝐵𝑂3− Equação 4.17
𝐻2 𝐵𝑂3− + 𝐻 + → 𝐻3 𝐵𝑂3 Equação 4.18
𝑚𝑔 (𝐵−𝐶)∗280
𝑁𝑇𝐾 = 𝑚𝐿 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 Equação 4.19
𝐿
onde:
A = Amostra
B = volume de ácido utilizado para titular a amostra, em mL;
C = volume de ácido utilizado para titular o branco, em mL.
4.4.14 Amônia
A amônia presente em efluentes é proveniente da hidrólise da ureia proveniente
de sanitários. Essa amônia, se diretamente lançada em um corpo hídrico, é
altamente tóxica para os peixes além de causar a eutrofização (BASTOS, VON
SPERLING, 2009).
A análise de amônia foi realizada seguindo o método 4500-NH3 C do Standard
Methods (APHA/AWA/WEF, 2012). Esse método se baseia na fixação do íon
63
amônio na forma de amônia através do aumento do valor de pH seguida da
destilação da amostra, Foss™ modelo Kjeltech 2100, sendo recolhido em uma
solução de ácido fraco com concentração conhecida onde ocorre a reação de
transformação da NH3 pra NH4+ conforme Equação 4.17. Essa solução então é
titulada com um ácido forte com concentração conhecida conforme Equação 4.18
onde pelo volume utilizado de ácido na titulação é calculado o valor de amônia pela
Equação 4.19.
4.4.15 Concentração iônica
Na análise de cromatográfica iônica são analisados os ânions fluoreto, cloreto,
nitrito, nitrato, sulfato e fosfato e os cátions lítio, sódio, amônio, potássio, magnésio
e cálcio. Os íons nitrito e nitrato são as formas inorgânicas presentes em efluentes
sendo proveniente da conversão da amônia através de bactérias do gênero
Nitrossomonas e Nitrobacter em ambiente com presença de oxigênio (BASTOS,
VON SPERLING, 2009). Concentrações de fluoreto superiores a 1,0 mg/L em
águas de abastecimento podem ocasionar doenças dentárias como, por exemplo,
a fluorose dentária (DRISCOLL et al., 1986). A presença de sulfato em
concentrações elevadas em efluentes a serem tratados podem ocasionar a
produção de gás sulfídrico, se o tratamento for realizado em condições anaeróbias,
que possui um odor desagradável e provoca a corrosão das tubulações utilizadas
nos sistemas de tratamento (SAWYER, MCCARTY, PARKIN, 2003).
Para a análise dos ânions foi utilizado o cromatógrafo iônico da marca
Metrohm™ modelo 882 Compact IC plus® com coluna analítica para análise de
ânions Metrosep A supp5®. Foi utilizado como fase móvel uma solução de
carbonato de sódio 3,2 mmol/L e bicarbonato de sódio 1,0 mmol/L com modo de
eluição isocrática e com vazão de 1,0 mL/min. Para a análise dos cátions foi
utilizado o cromatógrafo iônico da marca Dionex modelo ICS 3000. As amostras
foram previamente filtradas em um filtro de acetato de celulose marca Whatman™
de diâmetro de poro de 0,45 µm.
64
4.4.16 Cone Imhoff e Índice Volumétrico de Lodo (IVL)
O índice volumétrico de lodo é uma análise que representa o volume em mL de
1 g de sólidos sedimentáveis durante o teste de cone Imhoff e nos informa o quão
denso é o lodo presente no tanque de aeração (METCALF e EDDY, 2003). Um
valor alto de IVL representa um lodo com dificuldade de sedimentação devido à
baixa densidade e sendo então retirado no efluente sobrenadante do decantador
secundário e não pelo lodo sedimentado no mesmo. Esse lodo presente no
sobrenadante contamina o efluente aumentando sua turbidez, DQO, DBO e sólidos
suspensos dificultando os tratamentos posteriores.
O teste do cone Imhoff é realizado seguindo o método 2540 F do Standard
Methods for Examination of Water and Wastewater (APHA/AWA/WEF, 2012). Esse
método realiza a inserção da amostra do aerador em um cone graduado onde é
deixado em uma superfície horizontal e é deixado em repouso durante um tempo
determinado e após este tempo é realizada a leitura do volume de sólidos
sedimentáveis. Com este valor obtido no cone e com o valor de sólidos suspensos
totais da amostra do aerador da ETE obtemos o valor de IVL conforme a Equação
4.20.
𝑚𝐿 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑙𝑖𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑒,𝑒𝑚 𝑚𝐿/𝐿∗1000
𝐼𝑉𝐿 𝑒𝑚 = Equação 4.20
𝑔 𝑆𝑆𝑇𝑎, 𝑒𝑚 𝑚𝑔/𝐿
onde:
SSTa = valor de sólidos suspensos totais na amostra do aerador, em mg/L.
4.4.17 Análise de carbono total, orgânico total e inorgânico total
A análise de carbono total representa a soma das formas orgânicas e
inorgânicas de carbono. O carbono orgânico representa a forma de carbono
derivada de compostos orgânicos como, por exemplo, proteínas, carboidratos,
lipídeos, ácidos orgânicos e etc. O carbono inorgânico é proveniente de compostos
inorgânicos como, por exemplo, carbonatos e bicarbonatos.
As análises de carbono total (CT), carbono orgânico total (COT) e carbono
inorgânico total (CIT) foram realizadas no equipamento Shimadzu TOC-L. Segundo
65
Shimadzu Corporation (2003) a análise de carbono total é realizada da seguinte
forma: primeiramente ocorre a oxidação de todas formas de carbono, através da
combustão catalítica (680°C), a forma de dióxido de carbono que posteriormente é
enviado ao detector por infravermelho não dispersivo (NDIR) para realizar a sua
quantificação. Tal valor corresponde ao valor de TC. A análise de carbono
inorgânico é realizada através da conversão do carbonato e bicarbonato em dióxido
de carbono pela acidificação da amostra com ácido clorídrico. Após a acidificação
e conversão a amostra é enviada ao detector por infravermelho não dispersivo
(NDIR) para realizar a sua quantificação. O valor de concentração de carbono
orgânico total é obtido através da Equação 4.21.
𝑚𝐿 𝑚𝐿 𝑚𝐿
𝐶𝑂𝑇 ( 𝑔 ) = 𝐶𝑇 ( 𝑔 ) − 𝐶𝐼𝑇 ( 𝑔 ) Equação 4.21
4.4.18 Razão de adsorção de sódio - RAS
A razão de adsorção de sódio descreve a relação entre o cátion sódio em
relação aos cátions cálcio e magnésio. Um valor de RAS muito alto indica que a
utilização da água na agricultura pode acarretar problemas no solo como a redução
da permeabilidade e consequentemente a restrição da entrada de água. O cálculo
do RAS é realizado através da Equação 4.22.
[𝑁𝑎+ ]
𝑅𝐴𝑆 = Equação 4.22
√0,5∗([𝐶𝑎2+ ]+ [𝑀𝑔2+ ])
Onde as concentrações utilizadas estão expressas em miliequivalentes por litro.
66
4.5 Divisão dos períodos do trabalho
A divisão dos períodos de avaliação da ETE, conforme Tabela 4.4, foi baseada
em etapas particulares da implementação do processo em questão. No período 1
foram realizadas as coletas e análises das amostras referentes à fase inicial de
operação. A partir da data de início do período 2 foi incluído, no monitoramento, a
caracterização do ponto P6 (tanque de armazenamento). O início do período 3
corresponde à data do retorno da operação da ETE após problemas técnicos numa
das bombas de recalque. O início do período 5 corresponde a data de retorno do
monitoramento da ETE após um período onde houve a impossibilidade de coleta
por parte dos operadores.
Tabela 4.4: Períodos e respectivas datas utilizadas no monitoramento da ETE.
Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
Coleta Data Coleta Data Coleta Data Coleta Data Coleta Data
1 04/03/2015 9 06/05/2015 16 07/07/2015 23 03/11/2015 29 16/02/2016
2 19/03/2015 10 19/05/2015 17 08/09/2015 24 10/11/2015 30 23/02/2016
3 24/03/2015 11 26/05/2015 18 15/09/2015 25 17/11/2015 31 01/03/2016
4 31/03/2015 12 02/06/2015 19 22/09/2015 26 24/11/2015 32 09/03/2016
5 07/04/2015 13 09/06/2015 20 06/10/2015 27 01/12/2015 33 16/03/2016
6 14/04/2015 14 16/06/2015 21 13/10/2015 28 08/12/2015
7 22/04/2015 15 30/06/2015 22 27/10/2015
8 29/04/2015
Além das 33 coletas apresentadas na Tabela 4.4, a coleta 34 foi realizada no
dia 02 de agosto de 2016 para a realização do Ensaio 2, conforme explicado no
explicado no item 4.6.7. Nesta data foram coletados 60 litros do efluente do ponto
P6 (tanque de armazenamento).
67
4.6 Eletrodiálise
4.6.1 Planta piloto
A eletrodiálise foi realizada na planta piloto Tecnoimpianti TI-1624 conforme
esquema apresentado na Figura 4.8. O stack (numeração 6) utilizado possuía 5
pares de membranas íon-seletivas, IONAC® MC-3470 (membrana catiônica) e
IONAC ®MA-3475 (membrana aniônica) fabricadas pela empresa Sybron. Cada
membrana possuía 16 x 24 cm e uma área efetiva de 172 cm². Entre cada
membrana foi utilizado um espaçador de PVC com espessura de 0,75 mm, para
diminuir a camada limite entre a superfície da membrana e a solução. Os eletrodos
são feitos de titânio recoberto de platina (numeração 3). O stack foi compactado
tipo filtro prensa.
As soluções são circuladas através de bombas centrífugas (IXAKI MD-30)
(numeração 5) e mantidas em um fluxo de 100 L/h, através do medidor de vazão
(GEMU 855) (numeração 4).
A fonte Supplier FCC 150-15 (numeração 7) com tensão ajustável de 0 – 150V
fornece a corrente contínua necessária para o transporte dos íons através das
membranas.
68
Figura 4.10: Esquema da planta piloto e indicação de cada compartimento e
acessórios.
4.6.2 Membranas íon-seletivas
As membranas íon-seletivas utilizadas no processo de eletrodiálise foram:
IONAC® MC-3470 (membrana catiônica) e IONAC ®MA-3475 (membrana
aniônica). As características das membranas estão apresentadas na Tabela 4.5.
69
Tabela 4.5: Características das membranas IONAC MC-3470 e IONAC MA-3475
Membrana
Parâmetro / Informação Unidade
MC-3470 MA-3475
Característica iônica - Catiônica Aniônica
Grupo funcional - Ácidos sulfônicos Amônio quaternário
Resistência Elétrica 15 24
0,1N NaCl Ohm.cm-2 15 24
1,0N NaCl 6 8
Permisseletividade
% 96 75
(0,5N NaCl/1,0N NaCl)
Espessura mm 0,4 0,4
Capacidade de Troca Iônica
meq / g 1,25 1
(base seca)
Permeabilidade de água (em
mL.h-1.dm-2 <3,2 <3,2
0,35 kg/cm-2)
Resistência à Ruptura Kg.cm-2 ≥ 14 ≥ 14
Fonte: BENVENUTI (2012), RESINDION (2008).
4.6.3 Soluções dos compartimentos
No compartimento do efluente usou-se o efluente do ponto P6 (Tanque de
armazenamento) para ser tratado por eletrodiálise. No compartimento de solução
concentrada foi utilizado solução de sulfato de sódio P.A. (Synth®) com
concentração 0,5 g/L, obtendo uma condutividade elétrica de aproximadamente
700 µS/cm que se assemelha à condutividade elétrica média do efluente final da
ETE, neste trabalho chamado de solução A. No compartimento da solução de
eletrodo utilizou-se solução de sulfato de sódio P.A. (Synth®) com concentração de
1,5 g/L, obtendo uma condutividade elétrica de aproximadamente 2300 µS/cm,
neste trabalho chamado de solução B. Todos os compartimentos das soluções
eram preenchidos com 2,5 L de solução ou efluente.
4.6.4 Aplicação da eletrodiálise
Para avaliar a possibilidade da aplicação da eletrodiálise no tratamento do
efluente final da ETE monitorada no trabalho foram realizados 2 ensaios. O primeiro
ensaio consiste em avaliar o transporte iônico através das membranas tendo como
70
objetivo a máxima de remoção de poluentes de 4 efluentes do ponto P6 de
diferentes coletas (coletas 24, 28, 31 e 33 mostradas na Tabela 4.4). O segundo
ensaio consiste em avaliar o comportamento das membranas através da remoção
de poluentes do mesmo efluente sem realizar a limpeza das membranas, onde foi
utilizado o efluente do ponto P6 da coleta 34. Para avaliar a remoção foram
realizadas análises de cromatografia iônica e caracterização físico-química.
Durante o ensaio foram monitorados o pH e a condutividade do efluente antes do
experimento, depois de 10, 20 e 30 minutos ou final do ensaio. Foi realizada uma
filtração de todo efluente utilizado na avaliação da eletrodiálise com filtro qualitativo
com 3 µm de tamanho de poro, para a remoção dos sólidos que poderiam causar
impedimento físico nas membranas afetando assim o resultado de remoção de
poluentes por eletrodiálise e evitar também problemas nas bombas centrifugas
utilizadas no sistema.
4.6.5 Determinação da corrente limite através da CVC
Antes de realizar os ensaios descritos nos itens 4.6.6 e 4.6.7 foi realizada a
determinação da corrente limite através da construção da curva de corrente
voltagem (CVC). A metodologia da construção da CVC consiste em:
1. Na montagem do stack deve-se realizar a inserção de um par de eletrodos
de platina na membrana aniônica central e um par de eletrodos de platina na
membrana catiônica central, como visto na Figura 4.11. Deve-se garantir que
o eletrodo esteja em contato com as soluções utilizadas para se obter o valor
de potencial de cada membrana correto;
2. Adicionar 2,5 L de efluente no compartimento diluído, 2,5 L da solução A
descrita no item 4.6.3 no compartimento concentrado e 2,5 L da solução B
descrita no item 4.6.3 no compartimento de eletrodo;
3. Deixar a solução circular no sistema durante 20 minutos com o sistema de
bombas da planta-piloto ligado e posteriormente desligar o sistema e deixar
em repouso durante no mínimo 12 horas para ambientar as membranas com
as soluções e o efluente;
71
4. Após 12 horas ligar o sistema de bombas novamente e deixar o mesmo
ligado durante 20 minutos sem ligar a fonte de corrente;
5. Após este período deve-se ligar a fonte de corrente e ajustar na mesma a
corrente de 100 mA e manter tal corrente durante 2 minutos. Ao final deste
período deve ser realizada a anotação dos valores de potencial das
membranas e do sistema da forma mais rápida possível e então zerar o valor
de corrente na fonte de corrente e manter durante 3 minutos;
6. Após os 3 minutos deve-se reajustar a corrente com um incremento de
corrente sobre o valor anterior e realizar novamente o procedimento 5
descrito acima até que seja alcançado o valor de potencial do sistema de
120 V, que é o valor máximo de potencial que a fonte de corrente utilizada
neste trabalho pode operar;
7. De posse dos valores obtidos, deve-se plotar os resultados de potencial de
membrana, aniônica e catiônica, vs. corrente e realizar a intersecção das
retas de prolongamento das regiões I e II, conforme mostrado na Figura 3.8,
onde tal valor de corrente representa o valor da corrente limite. A corrente a
ser utilizada no ensaio deve ser 80% do menor valor de corrente limite.
Figura 4.11: Stack de eletrodiálise utilizado no ensaio de CVC para determinar a
corrente limite. Na imagem também são vistos os multímetros, para a medida do
potencial de membrana, ligados aos fios de platina inseridos no stack.
72
4.6.6 Ensaio 1 – Avaliação do transporte iônico
O Ensaio 1 tem como objetivo avaliar o transporte iônico através da máxima
remoção de cada íon e, por consequência, a menor concentração que pode ser
alcançada através da eletrodiálise do efluente, além da realização da
caracterização físico-química do efluente P6 da coleta 33 para avaliar a sua
qualidade após a eletrodiálise.
Foram realizados 3 ensaios de eletrodiálise para cada efluente das 4 coletas do
ponto P6 utilizada neste ensaio. No total foram utilizados 17,5 L de cada efluente:
7,5 L nos ensaios de eletrodiálise, 7,5 L nos ensaios de CVC e 2,5 L de efluente
para realizar a caracterização físico-química antes da eletrodiálise. O procedimento
utilizado no ensaio 1, após a realização da CVC, consiste em:
1. Adicionar 2,5 L de efluente no compartimento diluído, 2,5 L da solução A
descrita no item 4.6.3 no compartimento concentrado e 2,5 L da solução B
descrita no item 4.6.3 no compartimento de eletrodo;
2. Deixar a solução circular no sistema durante 20 minutos com o sistema de
bombas da planta-piloto ligado e posteriormente desligar o sistema e deixar
ambientando durante no mínimo 12 horas para ambientar as membranas
com as soluções e o efluente;
3. Após 12 horas ligar o sistema de bombas novamente e deixar ligado durante
20 minutos e após este período coletar a alíquota inicial, ou seja, a alíquota
sem realizar a eletrodiálise;
4. Ajustar a corrente encontrada no ensaio de CVC, descrito no item 4.6.5, na
fonte de corrente e começar a contar o tempo de ensaio;
5. Realizar a eletrodiálise até atingir um valor de voltagem na fonte de tensão
de 120 V; coletar alíquotas a cada 10 minutos para monitorar o pH e a
condutividade elétrica e guardar para realização da cromatografia iônica;
6. Retirar as soluções de todos os compartimentos, armazenando uma amostra
de no mínimo 2 L para realizar a caracterização;
73
7. Realizar a limpeza manual das membranas. Tal limpeza deve ser feita com
o desmonte do stack e lavagem das membranas em água corrente;
8. Deve-se então montar novamente o stack e colocá-lo na planta-piloto e
adicionar água deionizada nos 3 compartimentos e ligar o sistema de
bombas durante 20 minutos. Após este período retira-se a água dos
compartimentos e preenche-se conforme item 1 acima;
4.6.7 Ensaio 2 – Avaliação do comportamento das membranas
Para avaliar o processo de eletrodiálise na planta-piloto, o ensaio 2 consiste na
aplicação da eletrodiálise nove vezes seguidas sem realizar a limpeza das
membranas, diferentemente do ensaio 1 em que ao final de cada ensaio era
realizada a limpeza das mesmas. O objetivo deste ensaio era avaliar o
comportamento do sistema de membranas ao final de cada ensaio de eletrodiálise
através da quantificação da concentração final de diversos poluentes na solução
diluída ao final de cada eletrodiálise e se ocorria um aumento na concentração dos
mesmos na solução de diluído ao longo do ensaio, pois como não haveria a limpeza
das membranas entre cada processo poderia ocorrer um aumento da concentração
de poluentes.
Foram realizados 9 ensaios de eletrodiálises do efluente P6 da coleta 34
totalizando 22,5 L de efluente. Ao final de cada ensaio eram retirados o efluente,
que era coletado para realizar as análises de caracterização, a solução de
concentrado e a solução de eletrodos dos respectivos compartimentos e
preenchido novamente com o efluente, P6 da coleta 34, e as soluções de
concentrado, solução A, e solução de eletrodo, solução B, descritos no item 4.6.3.
O ensaio foi realizado em duplicata. No total foram utilizados 55 L de efluentes
nesse ensaio: 45 L nos ensaios de eletrodiálise, 7,5 L nos ensaios de CVC e 2,5 L
de efluente para realizar a caracterização físico-química antes da eletrodiálise. O
procedimento utilizado no ensaio 2, após a realização da CVC, consiste em:
1. Adicionar 2,5 L de efluente no compartimento diluído, 2,5 L da solução A
descrita no item 4.6.3 no compartimento concentrado e 2,5 L da solução B
descrita no item 4.6.3 no compartimento de eletrodo;
74
2. Deixar a solução circular no sistema durante 20 minutos com o sistema de
bombas da planta-piloto ligado e posteriormente desligar o sistema e deixar
ambientando durante no mínimo 12 horas para ambientar as membranas
com as soluções e o efluente;
3. Após 12 horas ligar o sistema de bombas novamente e deixar ligado durante
20 minutos após este período coletar a alíquota inicial, ou seja, a alíquota
sem realizar a eletrodiálise;
4. Ajustar a corrente encontrada no ensaio de CVC, descrito no item 4.6.5, na
fonte de corrente e começar a contar o tempo de ensaio;
5. Realizar a eletrodiálise até a condutividade elétrica do compartimento diluído
atingir o valor próximo de 100 µS/cm, que é o valor aproximado da água de
abastecimento; coletar alíquotas a cada 10 minutos para monitorar o pH e a
condutividade elétrica e guardar para realização da cromatografia iônica;
6. Retirar as soluções de todos os compartimentos, armazenando uma
amostra de no mínimo 2 L para realizar a caracterização, e preencher
novamente conforme item 1 acima.
75
5 Resultados
5.1 Resultados de vazão e dados meteorológicos
Durante o monitoramento da estação de tratamento de efluentes foi realizado o
cálculo da vazão da mesma diariamente através dos dados obtido no sistema
automação. O valor médio de vazão da ETE foi de 26,8 m³/d com um desvio padrão
de 56,3 m³/d. Este valor de desvio padrão elevado pode ser explicado se for
observada a Figura 5.1 onde estão apresentados os dados de vazão diária, em
linha azul, em relação a precipitação, em linhas laranjas, o que indica que pode
haver uma relação direta entre essas duas variáveis em que quando ocorre a
precipitação a vazão da ETE aumenta. Tal fato não é benéfico para o sistema de
tratamento da ETE, pois a água da chuva é deficiente em matéria orgânica e
nutrientes para o desenvolvimento e manutenção dos microrganismos que
promovem o tratamento biológico o que pode explicar em parte os resultados
insatisfatórios de remoção de poluentes apresentados nas Tabelas 5.7, 5.8 e 5.9.
Figura 5.1: Resultados de vazão, em m³/dia, e de precipitação, em mm/m², ao longo do período de monitoramento.
5.2 Resultados da caracterização do efluente da ETE – Resultados de
concentração
Os valores de concentração encontrados nos pontos analisados no processo serão
apresentados no item 5.2. Os valores de eficiência de remoção serão apresentados
no item 5.3.
5.2.1 Ponto de entrada da ETE – P1
Na Tabela 5.1 estão apresentados os resultados médios de concentração e desvio
padrão para o efluente P1 (entrada) da ETE, para os períodos do monitoramento.
Observa-se na Tabela 5.1 a grande variação da concentração média e do desvio
padrão da entrada de poluentes na ETE, por exemplo, para o 3° período DQO com
média de 897,5 mg/L e desvio padrão de 691,6 mg/L e NTK com média de 348,1 mg/L
e desvio padrão de 300,5 mg/L. Tais variações se devem a influência da precipitação
pluviométrica, mostrada na Figura 5.1, e impactam negativamente na eficiência de
tratamento da ETE, pois os microrganismos do sistema biológico devem
constantemente se adaptar frente a essas adversidades, fato que não ocorre
instantaneamente, ocasionando uma grande dificuldade da ETE atingir os padrões
necessários de descarte. Observa-se na operação da ETE que em dias de
precipitação pluviométrica ocorre um arraste de sólidos que não são retidos no
gradeamento, pois são menores que os espaçamentos das grades, para dentro das
tubulações de entrada, fato que pode ser observado também na grande variação de
concentração dos parâmetros ST e SST, influenciando negativamente todas as etapas
posteriores do tratamento.
Os valores de concentração de DQO, NTK e amônia superiores encontrados no
Período 3 em relação aos outros períodos se deve ao fato de que ao final do Período
2 e início do Período 3 a bomba de recalque estragou o que ocasionou o impedimento
de tratamento pela ETE. O Período 4 apresentou valores de concentração inferiores
para parâmetros importantes como, por exemplo, DQO, NTK e amônia, em relação
aos outros períodos. Tal fato pode ser relacionado com a grande precipitação
78
pluviométrica que ocorreu nesse período conforme visto na Figura 5.1 ocorrendo
assim uma diluição dos poluentes.
Tabela 5.1: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P1 (entrada) da ETE.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
pH - 8,18 ± 0,30 7,58 ± 1,92 7,56 ± 0,68 7,63 ± 0,23 8,38 ± 1,34
Cor mg/L Pt.Co 383 ± 42 355 ± 27 253 ± 120 213 ± 55 395 ± 103
Turbidez UTN 165 ± 95 161 ± 97 137 ± 161 33 ± 37 401 ± 361
Condutividade elétrica µS/cm 1116 ± 409 1214 ± 284 851 ± 377 755 ± 115 862 ± 395
OD mg/L O2 3,57 ± 1,62 2,63 ± 2,01 4,49 ± 1,02 3,05 ± 1,51 1,72 ± 1,06
DBO mg/L O2 255 ± 103 346 ± 39 144 ± 127 190 ± 133 400 ± 193
DQO mg/L O2 611,8 ± 295,2 671,3 ± 318,8 897,5 ± 691,6 168,8 ± 108,3 757,1 ± 335,4
Alcalinidade mg/L CaCO3 340,3 ± 109,7 524,0 ± 290,2 1295,1 ± 120,6 513,7 ± 229,8 281,5 ± 140,5
ST mg/L 720 ± 221 1738 ± 1785 1020 ± 594 508 ± 160 1118 ± 545
STV mg/L 388 ± 169 462 ± 386 715 ± 500 168 ± 161 613 ± 418
STF mg/L 332 ± 112 1275 ± 1885 305 ± 140 339 ± 36 506 ± 232
SST mg/L 229 ± 118 487 ± 577 209 ± 277 107 ± 123 524 ± 438
SSV mg/L 100 ± 110 283 ± 419 164 ± 239 58 ± 82 343 ± 302
SSF mg/L 129 ± 97 204 ± 173 44 ± 41 49 ± 51 181 ± 217
Coliformes totais NMP/100mL 2,99E+07 ± 1,63E+07 2,83E+07 ± 2,79E+07 2,42E+07 ± 1,75E+07 9,38E+06 ± 1,32E+07 9,76E+07 ± 7,51E+07
Coliformes fecais NMP/100mL 8,25E+06 ± 6,17E+06 6,86E+06 ± 8,06E+06 7,96E+06 ± 7,94E+06 1,88E+06 ± 1,47E+07 5,18E+07 ± 9,51E+07
NTK mg/L NH4+ - N 120,8 ± 48,5 173,5 ± 80,6 348,1 ± 300,5 70,3 ± 15,4 90,9 ± 40,7
Amônia mg/L NH4+ - N 97,6 ± 37,7 92,2 ± 35,4 195,4 ± 165,4 49,9 ± 7,7 62,0 ± 39,5
Fluoreto mg/L F- 1,124 ± 0,479 0,508 ± 0,194 0,410 ± 0,225 0,464 ± 0,071 0,782 ± 0,481
Cloreto mg/L Cl- 135,748 ± 71,156 70,089 ± 33,711 64,100 ± 38,964 67,068 ± 20,425 56,090 ± 32,445
Nitrito mg/L NO2- 0,544 ± 1,282 4,177 ± 7,217 4,474 ± 3,856 5,326 ± 5,574 0,141 ± 0,268
Nitrato mg/L NO3- 0,036 ± 0,020 0,707 ± 0,822 3,741 ± 6,399 3,085 ± 3,931 4,815 ± 9,259
Fosfato mg/L PO4-3 4,448 ± 2,884 6,306 ± 5,075 3,832 ± 2,004 5,067 ± 0,903 3,558 ± 1,810
Sulfato mg/L SO4-2 38,576 ± 29,928 19,953 ± 10,190 16,293 ± 4,839 16,239 ± 4,845 17,740 ± 6,968
Fósforo total mg/L PO4-3 - P NR NR NR 33,0315 ± 2,1876 7,5070 ± 7,3865
Onde: NR – Não realizado
5.2.2 Ponto do tanque de aeração – P2
Na Tabela 5.2 estão apresentados os resultados de concentração médios e
desvio padrão para a P2 (tanque de aeração) da ETE, para os períodos do
monitoramento.
Tabela 5.2: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P2 (tanque
de aeração) da ETE para cada período.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
pH - 6,49 ± 0,84 6,70 ± 0,52 6,42 ± 0,88 6,91 ± 1,01 6,07 ± 1,21
Cor mg/L Pt.Co 309 ± 60 280 ± 90 156 ± 41 187 ± 30 199 ± 39
Turbidez UTN 151 ± 62 125 ± 66 23 ± 9 19 ± 8 59 ± 12
Condutividade elétrica µS/cm 936 ± 104 721 ± 194 600 ± 158 730 ± 151 670 ± 171
OD mg/L O2 6,64 ± 2,67 6,33 ± 1,89 7,39 ± 0,92 6,46 ± 1,48 6,11 ± 1,10
IVL mL/g 13,8 ± 9,0 11,8 ± 10,3 2,9 ± 4,7 0,9 ± 0,3 0,5 ± 0,1
ST mg/L 638 ± 129 776 ± 488 1649 ± 2152 2622 ± 4445 546 ± 71
STV mg/L 430 ± 84 256 ± 41 1411 ± 2204 2259 ± 4457 239 ± 40
STF mg/L 207 ± 111 520 ± 456 238 ± 167 349 ± 168 306 ± 63
SST mg/L 241 ± 63 190 ± 130 51 ± 23 60 ± 17 105 ± 27
SSV mg/L 97 ± 36 47 ± 56 35 ± 27 36 ± 13 82 ± 28
SSF mg/L 145 ± 52 143 ± 102 16 ± 6 24 ± 25 23 ± 14
Os valores de oxigênio dissolvido (OD), em todos períodos, estão acima de 2,0
mg/L valor ideal para garantir o suprimento de oxigênio para os microrganismos
heterotróficos converterem a matéria orgânica mais complexa em produtos mais
simples e que são menos nocivos ao meio ambiente, mostrando que a aeração
fornecida pelos aeradores submersos ocorre de forma satisfatória. Os valores de
IVL (índice volumétrico de lodo), em todos os períodos, apresentam concentrações
menores que 50 mL/g o que indica um lodo ativado de boa sedimentabilidade,
conforme Von Sperling (2012).
5.2.3 Ponto do decantador secundário – P3
Na Tabela 5.3 estão apresentados os resultados de concentração médios e
desvio padrão para o P3 (decantador secundário) da ETE, para os períodos do
monitoramento.
Tabela 5.3: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P3 (decantador secundário) da ETE.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
pH - 6,50 ± 0,78 5,87 ± 1,46 6,35 ± 0,89 6,97 ± 1,03 5,88 ± 1,17
Cor mg/L Pt.Co 235 ± 29 201 ± 80 145 ± 38 182 ± 30 176 ± 36
Turbidez UTN 44 ± 14 52 ± 28 21 ± 6 17 ± 7 47 ± 13
Condutividade elétrica µS/cm 927 ± 89 695 ± 204 600 ± 159 731 ± 154 674 ± 174
OD mg/L O2 6,32 ± 1,88 6,08 ± 0,77 7,17 ± 1,30 5,75 ± 1,90 6,25 ± 0,89
DBO mg/L O2 53 ± 41 19 ± 7 19 ± 7 22 ± 7 29 ± 16
DQO mg/L O2 509,4 ± 0,0 255,4 ± 261,0 391,1 ± 638,0 122,0 ± 73,2 124,3 ± 54,5
Alcalinidade mg/L CaCO3 NR NR 22,0 ± 0,0 167,9 ± 68,5 21,2 ± 20,6
ST mg/L 559 ± 132 658 ± 484 490 ± 208 415 ± 136 519 ± 72
STV mg/L 365 ± 94 417 ± 496 278 ± 148 157 ± 103 222 ± 40
STF mg/L 194 ± 73 241 ± 89 212 ± 109 258 ± 79 297 ± 55
SST mg/L 82 ± 18 94 ± 47 49 ± 30 48 ± 20 74 ± 17
SSV mg/L 28 ± 18 55 ± 53 35 ± 29 32 ± 20 63 ± 19
SSF mg/L 54 ± 20 39 ± 30 14 ± 6 16 ± 7 11 ± 5
NTK mg/L NH4+ - N 33,2 ± 0,0 23,5 ± 12,6 65,9 ± 31,6 45,4 ± 13,9 22,1 ± 5,1
Amônia mg/L NH4+ - N 26,4 ± 0,0 16,9 ± 9,1 51,6 ± 26,0 35,5 ± 10,5 22,4 ± 8,3
Fluoreto mg/L F- NR 0,248 ± 0,0 0,357 ± 0,145 0,339 ± 0,050 0,386 ± 0,084
Cloreto mg/L Cl- NR 29,662 ± 0,0 50,505 ± 22,315 75,504 ± 17,620 62,656 ± 22,685
Nitrito mg/L NO2- NR 15,120 ± 0,0 8,981 ± 6,028 13,632 ± 9,248 4,446 ± 5,221
Nitrato mg/L NO3- NR 0,062 ± 0,0 7,789 ± 8,443 8,469 ± 4,437 26,989 ± 8,571
Fosfato mg/L PO4-3 NR 1,773 ± 0,0 3,660 ± 1,401 4,964 ± 1,194 3,764 ± 0,791
Sulfato mg/L SO4-2 NR 14,551 ± 0,0 14,730 ± 3,885 18,331 ± 3,039 18,432 ± 3,071
Fósforo total mg/L PO4-3 - P NR NR NR 28,7857 ± 5,0848 2,6956 ± 1,3488
Onde: NR – Não realizado.
Na Tabela 5.3 vemos que as concentrações dos parâmetros poluentes, por
exemplo, DBO, DQO, NTK e amônia são inferiores e os valores de nitrito e nitrato, são
superiores aos mostrados na Tabela 5.1 (ponto da entrada ETE), indicando que a
etapa de aeração converteu a matéria orgânica nitrogenada como, por exemplo, NTK
e amônia em parcelas inorgânicas. Vemos também que os valores de turbidez, ST e
SST são menores que os valores encontrados na entrada da ETE, indicando que a
separação do lodo ativado do efluente clarificado é eficiente, pois esses indicadores
apresentariam um valor superior se a separação não estivesse adequada.
5.2.4 Ponto do tanque de desinfecção – P4
Na Tabela 5.4 estão apresentados os resultados de concentração médios e desvio
padrão para a P4 (caixa de desinfecção) da ETE, para os períodos do monitoramento.
Observa-se que os valores de coliformes totais e fecais nas análises são inferiores
aos mostrados na Tabela 5.1, ponto de entrada, indicando que a etapa de desinfecção
por hipoclorito 10% m/m ocorre, com diminuição média de 1 unidade, porém com uma
redução da concentração inferior a esperada, que seria de aproximadamente 3
unidades, ou, 99,9%. Em relação aos outros parâmetros os resultados de
concentração estão próximos aos encontrados na Tabela 5.3 (decantador
secundário).
Tabela 5.4: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P4 (caixa de desinfecção) da ETE.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
pH - 6,56 ± 0,76 6,60 ± 0,47 6,65 ± 0,72 6,98 ± 0,97 6,15 ± 0,97
Cor mg/L Pt.Co 294 ± 67 230 ± 97 159 ± 51 185 ± 25 179 ± 42
Turbidez UTN 91 ± 65 99 ± 91 34 ± 20 25 ± 21 50 ± 17
Condutividade elétrica µS/cm 927 ± 87 693 ± 204 598 ± 156 733 ± 156 797 ± 353
OD mg/L O2 6,66 ± 1,78 7,08 ± 0,79 6,28 ± 2,16 5,53 ± 1,84 5,97 ± 2,46
DQO mg/L O2 305,0 ± 259,6 389,1 ± 261,9 323,3 ± 273,3 94,9 ± 93,8 111,7 ± 57,9
Alcalinidade mg/L CaCO3 99,9 ± 125,6 35,5 ± 12,5 154,7 ± 63,4 160,4 ± 76,9 47,8 ± 40,4
ST mg/L 485 ± 131 1212 ± 927 679 ± 257 669 ± 311 588 ± 213
STV mg/L 297 ± 90 662 ± 792 474 ± 246 344 ± 382 230 ± 73
STF mg/L 189 ± 89 550 ± 423 200 ± 67 325 ± 100 358 ± 143
SST mg/L 138 ± 60 183 ± 169 97 ± 123 53 ± 27 100 ± 33
SSV mg/L 56 ± 33 57 ± 34 74 ± 95 43 ± 27 87 ± 35
SSF mg/L 82 ± 48 126 ± 145 23 ± 31 10 ± 5 13 ± 6
Coliformes totais NMP/100mL 1,02E+06 ± 5,71E+05 2,39E+06 ± 1,78E+06 4,71E+06 ± 7,99E+06 4,50E+06 ± 8,82E+06 2,15E+06 ± 3,98E+06
Coliformes fecais NMP/100mL 3,87E+05 ± 3,77E+05 1,42E+05 ± 1,80E+05 2,18E+05 ± 9,73E+04 8,40E+05 ± 1,33E+06 3,43E+04 ± 3,44E+04
NTK mg/L NH4+ - N 46,4 ± 19,6 31,6 ± 19,9 72,8 ± 35,9 43,6 ± 9,1 22,0 ± 5,7
+
Amônia mg/L NH4 - N 40,4 ± 19,5 17,3 ± 9,7 55,2 ± 24,4 31,7 ± 9,6 21,4 ± 6,8
-
Fluoreto mg/L F 0,548 ± 0,131 0,430 ± 0,108 0,398 ± 0,133 0,420 ± 0,067 0,384 ± 0,077
-
Cloreto mg/L Cl 122,944 ± 23,219 67,415 ± 27,550 53,064 ± 21,141 75,921 ± 18,123 81,974 ± 42,644
-
Nitrito mg/L NO2 37,990 ± 24,575 25,989 ± 14,435 9,199 ± 5,394 13,457 ± 9,314 3,588 ± 4,485
-
Nitrato mg/L NO3 1,512 ± 1,646 6,296 ± 9,524 9,319 ± 8,670 8,382 ± 4,340 27,742 ± 7,394
-3
Fosfato mg/L PO4 4,687 ± 3,158 3,842 ± 2,087 3,591 ± 1,224 5,213 ± 1,323 4,079 ± 0,738
-2
Sulfato mg/L SO4 33,014 ± 9,214 21,314 ± 6,808 15,518 ± 3,808 18,952 ± 3,263 20,333 ± 4,440
-3
Fósforo total mg/L PO4 - P NR NR NR 29,8513 ± 3,8765 9,8974 ± 9,5444
Onde: NR – Não realizado
5.2.5 Ponto do lodo de retorno – P5
Na Tabela 5.5 são apresentados os resultados de concentração médios e desvio
padrão para o P5 (lodo de retorno) da ETE, para os períodos do monitoramento.
Tabela 5.5: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P5 (lodo de
retorno) da ETE.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
pH - 6,66 ± 0,24 6,82 ± 0,54 6,66 ± 0,21 7,10 ± 0,16 7,02 ± 0,85
Condutividade
µS/cm 2182 ± 285 1703 ± 208 1577 ± 289 1581 ± 167 820 ± 165
elétrica
OD mg/L O2 0,37 ± 0,79 0,12 ± 0,07 0,41 ± 0,65 0,09 ± 0,07 1,81 ± 2,11
ST mg/L 48661 ± 18901 38869 ± 7256 50598 ± 17608 28586 ± 8374 16887 ± 15265
STV mg/L 24535 ± 9910 15361 ± 2929 27242 ± 15882 16472 ± 4731 9236 ± 7397
STF mg/L 24125 ± 9501 23509 ± 5814 20867 ± 12040 12114 ± 3707 7651 ± 7947
Pela Tabela 5.5 observamos que os valores de concentração de ST encontrados
são elevados, o que indica, conforme Anglian Water (1991), que ocorre uma
concentração de matéria orgânica no lodo de retorno, como óleos, graxas e
microrganismos, e de nutrientes inorgânicos, como fosfato, nitrato e nitrito. O valor da
condutividade elétrica duplica em relação ao P1 (entrada) devido a mineralização da
matéria orgânica em material inorgânico e que é concentrado no lodo de retorno. Os
valores de oxigênio dissolvido encontrados estão abaixo de 2,0 mg/L, pois o lodo
apresenta uma grande concentração de matéria orgânica e microrganismos, conforme
mencionado acima, o que promove um rápido consumo do oxigênio disponível.
85
5.2.6 Ponto do tanque de armazenamento – P6
Na Tabela 5.6 são apresentados os resultados de concentração médios e desvio
padrão para a P6 (Tanque de armazenamento) da ETE, para os períodos do
monitoramento.
Tabela 5.6: Valores de concentração média e desvio padrão do ponto P6 (tanque de armazenamento) da ETE.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
pH - NR 6,59 ± 0,48 6,89 ± 0,57 7,31 ± 0,93 6,58 ± 0,82
Cor mg/L Pt.Co NR 245 ± 95 145 ± 44 182 ± 62 160 ± 39
Turbidez UTN NR 165 ± 112 17 ± 6 21 ± 21 55 ± 28
Condutividade elétrica µS/cm NR 691 ± 206 587 ± 151 744 ± 142 767 ± 338
OD mg/L O2 NR 6,23 ± 1,68 6,53 ± 2,01 6,51 ± 0,93 6,99 ± 0,92
DQO mg/L O2 NR 460,7 ± 305,4 183,5 ± 112,2 132,9 ± 87,0 147,7 ± 32,1
Alcalinidade mg/L CaCO3 NR 34,4 ± 14,2 163,6 ± 133,2 163,8 ± 73,0 25,8 ± 15,8
ST mg/L NR 814 ± 415 3286 ± 5641 458 ± 72 555 ± 145
STV mg/L NR 515 ± 467 244 ± 98 177 ± 96 199 ± 26
STF mg/L NR 299 ± 166 3041 ± 5663 281 ± 98 356 ± 151
SST mg/L NR 204 ± 132 52 ± 21 57 ± 41 113 ± 56
SSV mg/L NR 69 ± 31 14 ± 14 17 ± 9 36 ± 33
SSF mg/L NR 135 ± 130 38 ± 15 40 ± 37 77 ± 39
NTK mg/L NH4+ - N NR 34,4 ± 20,7 65,1 ± 28,0 47,8 ± 9,6 21,7 ± 6,5
Amônia mg/L NH4+ - N NR 17,2 ± 9,7 52,5 ± 23,5 32,0 ± 8,9 18,2 ± 6,2
Fluoreto mg/L F- NR 0,450 ± 0,129 0,371 ± 0,136 0,401 ± 0,101 0,397 ± 0,083
Cloreto mg/L Cl- NR 63,871 ± 30,975 57,420 ± 26,893 74,637 ± 19,721 83,048 ± 51,066
Nitrito mg/L NO2- NR 29,647 ± 11,939 11,167 ± 7,996 10,062 ± 9,348 1,699 ± 1,446
Nitrato mg/L NO3- NR 1,338 ± 1,054 9,309 ± 8,695 6,794 ± 4,999 24,710 ± 7,441
Fosfato mg/L PO4-3 NR 3,633 ± 1,827 3,559 ± 1,233 5,220 ± 1,590 4,005 ± 0,713
Sulfato mg/L SO4-2 NR 22,458 ± 8,943 15,357 ± 3,895 17,537 ± 3,922 20,262 ± 5,908
Fósforo total mg/L PO4-3 - P NR NR NR 34,0530 ± 9,5401 2,7242 ± 1,2389
Onde: NR – Não realizado
Os valores encontrados no parâmetro de DQO, que é um indicador da
concentração da matéria orgânica carbonácea, indicam que ocorre remoção da
mesma ao final do tratamento pela ETE, pois os valores são inferiores aos
encontrados na Tabela 5.1 (entrada da ETE). Porém, observando os valores de
NTK e NH3, indicadores da matéria orgânica nitrogenada, os mesmos encontram-
se acima dos valores permitidos para lançamento de efluente doméstico tratado na
natureza, conforme as legislações ambientais vigentes apresentadas nas Tabelas
3.3 e 3.4, o que impossibilita o seu lançamento na natureza.
No intuito de oferecer um destino mais nobre a esse efluente doméstico tratado,
o processo de eletrodiálise apresenta-se como um processo interessante, pois
pode possibilitar o reúso do mesmo. Tal possibilidade se deve ao fato de que
parâmetros que impossibilitam o lançamento do efluente doméstico tratado como,
por exemplo, NTK, amônia, além de diversos íons poluentes, são removidos
durante o ensaio de eletrodiálise, obtendo-se uma água com qualidade para reúso.
5.3 Resultados da caracterização do ETE – Eficiência de Remoção
Os resultados de eficiência de remoção no monitoramento estão apresentados
em tabelas, informando o valor médio de eficiência de remoção, em %, com os
respectivos desvios padrão.
5.3.1 Eficiência de remoção – Decantador secundário em relação à entrada
Na Tabela 5.7 são apresentados os valores de eficiência de remoção, em %, entre
os pontos P1 (entrada) e P3 (decantador secundário), visando avaliar a qualidade
do efluente após o tratamento aeróbio, realizado no ponto P2 (aerador).
88
Tabela 5.7: Valores de eficiência de remoção, em %, entre os pontos P1
(entrada) e P3 (decantador secundário) da ETE e respectivos desvios padrão.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
DBO mg/L O2 72 ± 24 94 ± 2 77 ± 14 78 ± 16 87 ± 15
DQO mg/L O2 91,5 ± 22,4 67,1 ± 19,1 57,7 ± 31,2 6,9 ± 51,3 76,8 ± 19,3
SST mg/L 53 ± 27 57 ± 24 31 ± 49 22 ± 35 73 ± 18
NTK mg/L NH4+ - N 95,6 ± 11,7 83,7 ± 9,7 62,6 ± 28,7 34,4 ± 20,3 71,6 ± 11,0
NH3 mg/L NH4+ - N 95,5 ± 11,9 81,5 ± 7,2 56,1 ± 28,7 29,8 ± 16,0 42,9 ± 40,1
Nota-se que conforme mostrado na Tabela 5.7, concentrações encontradas no
P3 (decantador secundário), ocorre com eficiência a remoção de poluentes
orgânicos, por exemplo, DBO, DQO e NTK e NH3. O período 4 apresentou valores
de eficiência de remoção inferiores aos outros períodos, principalmente para o
parâmetro DQO, devido à grande precipitação pluviométrica ocorrida no período,
mostrado na Figura 5.1 e mencionado no item 5.2.1. Além de promover a diluição
dos poluentes a precipitação pluviométrica ocasiona problemas de eficiência de
tratamento conforme mencionado no item 5.1.
5.3.2 Eficiência de remoção – Tanque de desinfecção em relação a entrada
Na Tabela 5.8 estão apresentados os valores de eficiência de remoção, em %,
entre os pontos P1 (entrada) e P4 (tanque de desinfecção), visando avaliar a
qualidade do efluente após a separação do lodo ativado do efluente tratado no
ponto P3 (decantador secundário) e posterior adição de hipoclorito de sódio no
ponto P4 (tanque de desinfecção).
89
Tabela 5.8: Valores de eficiência de remoção, em %, entre os pontos P1
(entrada) e P4 (tanque de desinfecção) da ETE e respectivos desvios padrão.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
DQO mg/L O2 49,4 ± 31,1 63,7 ± 29,2 63,7 ± 29,2 47,6 ± 21,9 84,9 ± 4,3
CF NMP/100mL 96 ± 3 91 ± 7 91 ± 7 68 ± 25 97 ± 4
NTK mg/L NH4+ - N 55,3 ± 20,4 65,6 ± 28,6 65,6 ± 28,6 36,3 ± 13,7 72,3 ± 10,0
NH3 mg/L NH4+ - N 51,6 ± 24,7 61,0 ± 30,6 61,0 ± 30,6 36,7 ± 16,4 46,2 ± 37,2
Em relação aos valores de coliformes fecais, observa-se que a eficiência de
remoção foi superior a 90% em 4 dos 5 períodos. No período 4 a remoção de
coliformes fecais e totais não atingiu valores superiores a 90%, pois ocorreram
problemas no fornecimento de hipoclorito de sódio, utilizado nesta etapa. Para os
parâmetros DQO, NTK e amônia os valores de eficiência de remoção foram
inferiores devido a influência da precipitação pluviométrica, mostrado no item 5.1,
ocasionando problemas de tratamento, conforme mencionado no item 5.1.
5.3.3 Eficiência de remoção – Tanque de armazenamento em relação a entrada
Na Tabela 5.9 são apresentados os valores de eficiência de remoção, em %,
entre os pontos P1 (entrada) e P6 (tanque de armazenamento), visando avaliar a
qualidade do efluente no mesmo.
Tabela 5.9: Valores de eficiência de remoção, em %, entre os pontos P1
(entrada) e P6 (tanque de armazenamento) da ETE e respectivos desvios padrão.
Análise Unidade Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5
DQO mg/L O2 NR 47,8 ± 27,0 68,5 ± 35,4 14,4 ± 38,6 71,4 ± 21,2
SST mg/L NR 3 ± 92 -27 ± 153 -46 ± 172 50 ± 45
NTK mg/L NH4+ - N NR 79,7 ± 13,6 66,1 ± 29,5 30,1 ± 14,3 71,3 ± 14,5
NH3 mg/L NH4+ - N NR 85,6 ± 9,3 62,8 ± 29,8 35,8 ± 15,2 54,3 ± 30,9
Onde: NR – Não realizado.
90
Constata-se que a remoção de matéria orgânica ocorre, porém, os valores de
SST, em determinados períodos, apresentaram resultados de eficiência de
remoção negativos o que indica que efluente tratado está sendo encaminhado ao
tanque de armazenamento ainda contém sólidos, como pode ser observado na
tabela 5.6. A explicação para tal acontecimento pode ser devido as coletas da
amostra no tanque de armazenamento foram realizadas na parte inferior do
mesmo, pois a válvula de coleta se encontra neste local. Logo o mesmo está
atuando como um sedimentador e, ao longo do tempo, ocorre a deposição dos
sólidos no fundo do tanque. Isso faz com que as amostras coletadas ao final do
tratamento apresentem valores de SST maiores do que as amostras coletadas na
entrada da ETE. Para se evitar isso deve-se realizar a coleta em diferentes pontos
do tanque de armazenamento e promover a sua mistura garantindo assim uma
amostra mais representativa do tanque de armazenamento.
5.4 Eletrodiálise
Para avaliar a aplicação da eletrodiálise no tratamento do efluente final da ETE
monitorada no trabalho foram realizados 2 ensaios diferentes. O primeiro ensaio
consiste em avaliar o máximo transporte iônico através das membranas através da
eletrodiálise de 4 coletas diferentes, coletas 24, 28, 31 e 33. O segundo ensaio
consiste em avaliar o comportamento da membrana frente a remoção de poluentes
de um mesmo efluente sem realizar a limpeza das membranas, efluente P6 da
coleta 34. Para avaliar a remoção foram realizadas análises de cromatografia iônica
e caracterização físico-química. Durante o ensaio foram monitorados o pH e a
condutividade elétrica do efluente, da solução de concentrado e da solução de
eletrodos antes do experimento, depois de 10, 20 e 30 minutos ou final do ensaio.
91
5.4.1 Ensaio 1 – Avaliação do transporte iônico
Primeiramente foi determinado a corrente limite através da construção da curva
corrente potencial utilizando o mesmo sistema de eletrodiálise que foi utilizado na
eletrodiálise, ou seja, utilizando a mesma fonte de corrente, planta piloto, stack,
membranas e sistema de bombas. Uma curva obtida durante o trabalho é
apresentada na Figura 5.2 onde é apresentada a CVC da membrana catiônica do
efluente da coleta 33 e as linhas utilizadas para definir a corrente limite do ensaio
com esse efluente. Para a obtenção dos valores de corrente limite cada CVC foi
realizada em triplicata para cada efluente. Os valores das correntes limite
encontradas e utilizadas no trabalho estão apresentados na Tabela 5.10.
Tabela 5.10: Corrente limite para cada efluente do ponto P6 coletado.
Coleta Corrente limite (mA)
24 360
28 310
31 220
33 290
Os valores de correntes limite foram bem diferentes para cada coleta, resultado
esperado devido à grande diferença entre as coletas, conforme resultados da
Tabela 5.6 onde está apresentada a caracterização do efluente do tanque de
armazenamento da ETE. Isso mostra que, apesar da condutividade elétrica não
variar muito em valores numéricos, a concentração dos diversos íons presente no
efluente e demais componentes, físicos, químicos e biológicos interferem nos
fenômenos de transporte que ocorrem nas membranas influenciando o resultado
final da corrente limite.
600
550
500
450
400
I aplicada (mA)
350
300 CVC1
CVC2
250
CVC3
200
150
100
50
0
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4
Voltagem (V)
Figura 5.2: Curva de CVC da membrana catiônica do efluente da coleta 33 mostrando as linhas de determinação da corrente limite.
A corrente utilizada no ensaio foi de 80% do valor da corrente limite apresentadas
na Tabela 5.10. O experimento foi realizado até a fonte de tensão atingir uma voltagem
de 120V, onde além de ser o valor máximo de voltagem permitido pela fonte de
corrente era também observada uma queda na corrente apesar do aumento da
voltagem, condição esta atingida quando a condutividade elétrica do efluente a ser
tratado é baixa permitindo que efeitos como a dissociação da água ocorra para manter
a corrente do sistema e afetando assim o transporte de íons poluentes através da
membrana.
Na Tabela 5.11 estão mostrados os resultados de concentração do efluente P6 em
cada coleta, chamado inicial, e a concentração do efluente P6 após a eletrodiálise,
chamado final, e o desvio padrão dos ânions analisados no trabalho para as 4 coletas.
Tabela 5.11: Resultados de concentração média e desvio padrão para cada ânion
antes e depois da eletrodiálise para o tratamento do efluente P6 das 4 coletas.
Ânion
Concentração
Coleta
(mg/L)
Fluoreto Cloreto Nitrito Nitrato Fosfato Sulfato
Inicial 0,57 ± 0,16 38,41 ± 1,97 8,84 ± 2,82 56,24 ± 2,21 10,36 ± 0,61 29,30 ± 2,63
24
Final 0,02 ± 0,00 0,14 ± 0,10 0,05 ± 0,00 0,25 ± 0,15 0,97 ± 0,16 0,71 ± 0,13
Inicial 0,53 ± 0,03 62,04 ± 0,07 1,75 ± 0,71 77,82 ± 4,91 18,90 ± 0,83 89,98 ± 43,23
28
Final 0,07 ± 0,01 0,92 ± 0,50 0,05 ± 0,00 0,55 ± 0,10 3,20 ± 0,22 2,57 ± 1,30
Inicial 1,69 ± 0,16 41,25 ± 1,86 0,69 ± 0,50 73,43 ± 4,41 18,59 ± 1,43 30,23 ± 5,43
31
Final 0,07 ± 0,01 0,27 ± 0,12 0,05 ± 0,00 0,13 ± 0,05 0,90 ± 0,54 0,80 ± 0,31
Inicial 0,39 ± 0,02 137,44 ± 52,33 3,96 ± 0,26 131,80 ± 1,95 16,65 ± 0,26 45,64 ± 12,39
33
Final 0,03 ± 0,01 0,68 ± 0,26 0,05 ± 0,00 0,42 ± 0,13 1,91 ± 0,96 2,60 ± 1,54
Concentrações inferiores a 4 mg/L foram encontradas após a eletrodiálise para
compostos que, em elevadas concentrações, ocasionam a eutrofização de corpos
hídricos receptores como, por exemplo, fosfato, nitrito e nitrato (MISHIMA et al., 2016),
sendo que para esse último ânion é importante que o mesmo apresente uma
concentração extremamente baixa, pois em elevadas concentrações em águas pode
94
ocasionar a doença chamada Meta-hemoglobinemia, principalmente em crianças
(FAN; STEINBERG, 1996). Os valores de concentrações finais dos ânions fosfato e
sulfato apresentaram valores mais elevados, principalmente para os efluentes das
coletas 28 e 33. A explicação para este acontecimento deve-se ao fato de que
membranas íon seletivas possuem diferentes forças de afinidade para diferentes íons
(BERNARDES; RODRIGUES; FERREIRA, 2013). Quanto maior é o tamanho do íon
menor a sua mobilidade no interior da membrana e quanto maior a carga iônica maior
é a afinidade do íon com a membrana e, portanto, como os ânions fosfato e sulfato
possuem tanto um tamanho iônico quanto uma carga iônica maior, frente aos outros
ânions do estudo, os mesmos têm uma afinidade maior e mobilidade menor no interior
da membrana e então sua remoção do efluente para o compartimento de concentrado
é menor, apesar do fato de suas concentrações iniciais serem mais baixas em relação
à concentração inicial de cloreto e o mesmo apresentar concentrações finais inferiores
ao fosfato e sulfato (BRUGGEN et al, 2004).
Na Figura 5.3 são apresentados os valores de remoção percentual dos ânions
analisados posteriormente a eletrodiálise em relação aos mesmos anteriormente a
eletrodiálise para cada efluente P6 da ETE. As barras no topo das colunas
representam o desvio-padrão.
95
100
90
80
Remoção percentual (%)
70
60
Fluoreto
50 Cloreto
40 Nitrito
30 Nitrato
Fosfato
20
Sulfato
10
0
24 28 31 33
Coleta
Figura 5.3: Remoção percentual e desvio padrão para cada ânion para o tratamento
do efluente P6 das 4 coletas.
Os resultados encontrados para os ânions fluoreto, cloreto, nitrito, nitrato e sulfato
apresentaram eficiência de remoção superiores a 90% em todas as análises dos
efluentes após a eletrodiálise para todos os diferentes efluentes. O ânion fosfato
atingiu valores de remoção superiores a 80%, mas inferior aos outros ânions, e com
o maior valor de desvio padrão, encontrado no tratamento do efluente P6 da coleta
33. Isso deve-se ao fato de que o fosfato possui uma alta afinidade com a membrana,
conforme Bruggen et al (2004). Para o ânion sulfato o mesmo resultado era esperado,
mas o mesmo apresenta uma concentração inicial superior a concentração inicial do
fosfato em todos os efluentes o que, no resultado final, influencia o valor de remoção
percentual para cima, apesar da concentração final de sulfato ser próxima a do fosfato.
O desvio padrão para o ânion nitrito no tratamento do efluente P6 da coleta 31 foi
grande, pois sua concentração varia dependendo da quantidade de oxigênio
dissolvido do efluente. Se o mesmo se torna anaeróbio, como acontece no
armazenamento do efluente durante os testes, tende a ocorrer a redução do nitrato a
nitrito e do nitrito a N2, ocasionando mudanças nos valores de concentração ao longo
96
dos testes para esses ânions. Tal fato não ocorre durante a ED, porém pode ocorrer
durante o período de armazenamento do efluente que será utilizado no ensaio.
Na Tabela 5.12 estão mostrados os resultados de concentração do efluente P6 em
cada coleta, chamado inicial, e a concentração do efluente P6 após a eletrodiálise,
chamado final, e o desvio padrão dos cátions analisados no trabalho para as 4 coletas.
Tabela 5.12: Resultados de concentração média e desvio padrão para cada cátion
antes e depois da eletrodiálise para o tratamento dos 4 efluentes.
Cátions
Concentração
Coleta
(mg/L)
Sódio Amônio Potássio Magnésio Cálcio
Inicial 64,19 ± 6,59 44,44 ± 4,29 14,32 ± 2,07 1,31 ± 0,29 16,08 ± 4,86
24
Final 1,12 ± 0,83 0,06 ± 0,00 0,04 ± 0,00 0,02 ± 0,00 0,98 ± 0,02
Inicial 144,19 ± 71,12 4,51 ± 3,44 16,27 ± 0,10 1,95 ± 0,88 7,72 ± 3,53
28
Final 1,93 ± 1,54 0,17 ± 0,09 0,35 ± 0,07 0,19 ± 0,17 0,99 ± 0,21
Inicial 46,95 ± 5,90 12,58 ± 0,54 12,55 ± 0,73 0,55 ± 0,71 6,66 ± 1,20
31
Final 0,17 ± 0,05 0,06 ± 0,00 0,33 ± 0,05 0,13 ± 0,15 0,90 ± 0,58
Inicial 96,26 ± 4,59 33,71 ± 0,27 68,08 ± 52,34 5,69 ± 0,13 21,62 ± 0,43
33
Final 0,29 ± 0,06 0,62 ± 0,09 0,42 ± 0,25 0,31 ± 0,19 1,05 ± 0,11
Concentrações abaixo de 2 mg/L foram encontradas para os cátions. Para o cátion
cálcio podemos atribuir a sua concentração maior no efluente final, pois como possui
uma elevada afinidade com a membrana catiônica devido a sua carga elétrica e,
portanto, uma velocidade de remoção menor do que encontrada para os outros
cátions, mesmo sendo sua concentração inicial inferior aos outros cátions como, por
exemplo, o sódio, amônio e potássio (BRUGGEN et al, 2004).
Na Figura 5.4 são apresentados os valores de remoção percentual dos cátions
analisados posteriormente à eletrodiálise em relação aos mesmos anteriormente à
eletrodiálise para cada efluente P6 da ETE. As barras no topo das colunas
representam o desvio-padrão.
97
100
90
80
Remoção percentual (%)
70
60
Sódio
50
Amônio
40
Potássio
30
Magnésio
20
Cálcio
10
0
24 28 31 33
Coleta
Figura 5.4: Remoção percentual e desvio padrão para cada cátion para o tratamento
do efluente P6 das 4 coletas.
A redução do valor de remoção percentual ocorre com os aumentos da carga
elétrica, devido a maior afinidade dos mesmos com a membrana, e tamanho do cátion,
onde cátions de maior raio iônico possuem uma mobilidade menor no interior da
membrana (BRUGGEN et al, 2004). Apesar da queda em relação aos valores de
remoção percentual os resultados encontrados foram acima de 85% para todos os
cátions. Os valores de desvio padrão elevados encontrados principalmente para os
cátions magnésio e cálcio se devem ao fato de que os valores de concentrações
iniciais, principalmente no efluente P6 da coleta 31, e finais são muito próximas e,
portanto, qualquer variação no valor final de concentração têm um efeito acentuado
no valor final de remoção para cada ensaio.
98
5.4.2 Caracterização físico-química antes e após a eletrodiálise
Para avaliar a remoção de poluentes do efluente final da ETE foi realizada a
caracterização físico-química anterior e posteriormente ao processo de eletrodiálise
conforme os métodos utilizados na caracterização do efluente P6 da ETE. O efluente
utilizado para esse experimento foi o efluente P6 da coleta 33 mostrado nas Tabelas
5.11 e 5.12, chamado de inicial. Na Tabela 5.13 estão apresentados os resultados de
concentração média inicial, chamado de inicial, e após a eletrodiálise, chamado de
final, do efluente e os respectivos desvios padrão. Foram realizadas 3 eletrodiálises
de cada efluente e cada análise foi realizada em triplicata para cada eletrodiálise.
99
Tabela 5.13: Concentração média inicial e final e remoção, em %, com respectivos
desvio padrão do efluente antes e depois da eletrodiálise.
Concentração (mg/L)
Análise Unidade Remoção (%)
Inicial Final
pH - 6,73 ± 0,12 5,42 ± 0,09 -
Cor mg/L Pt.Co 84,8 ± 3,1 21,2 ± 4,6 75,0 ± 5,4
Turbidez UTN 8,37 ± 0,09 4,13 ± 0,27 50,7 ± 3,2
CE µS/cm 806,3 ± 23 8,0 ± 2,4 99,0 ± 0,3
DQO mg/L O2 46,8 ± 2,7 32,0 ± 7,0 31,6 ± 15,0
Alcalinidade mg/L CaCO3 37,8 ± 1,8 9,1 ± 0,5 76,0 ± 1,2
ST mg/L 538 ± 13 113 ± 20 78,9 ± 3,7
STV mg/L 396 ± 19 62 ± 24 84,3 ± 6,1
STF mg/L 142 ±10 51 ± 4 63,8 ± 2,9
SDT mg/L 530 ± 16 108 ± 20 79,6 ± 3,7
SDF mg/L 140 ±15 50 ± 3 64,0 ± 2,4
SDV mg/L 390 ± 9 58 ± 23 85,2 ± 5,9
NTK mg/L NH4+ - N 27,1 ± 2,0 1,0 ± 0,0 96,3 ± 0,0
NH3 mg/L NH4+ - N 22,3 ± 1,5 1,0 ± 0,0 95,5 ± 0,0
F- mg/L F- 0,5 ± 0,02 0,02 ± 0,01 96,72 ± 1,91
Cl- mg/L Cl- 139,86 ± 2,31 0,33 ± 0,14 99,76 ± 0,08
NO2- mg/L NO2- 1,19 ± 0,01 0,01 ± 0,00 99,16 ± 0,00
NO3- mg/L NO3- 23,19 ± 0,54 0,04 ± 0,02 99,84 ± 0,08
PO4 2- mg/L PO4-3 2,64 ± 0,06 0,18 ± 0,12 93,16 ± 3,69
SO4 2- mg/L SO4-2 17,99 ± 1,35 0,21 ± 0,11 98,81 ± 0,51
PT mg/L PO4-3 - P 3,90 ± 1,00 0,50 ± 0,00 87,18 ± 0,00
Os resultados apresentados na Tabela 5.13 demonstram que o processo de
eletrodiálise para a remoção de poluentes ocorre de forma bem acentuada para os
compostos que apresentam características iônicas como, por exemplo, sólidos
dissolvidos e amônia como era o esperado. O pH da solução diminui após a
eletrodiálise, porém não de forma que possa afetar as membranas e o posterior reúso
do efluente. Os valores de NTK e amônia também diminuíram, pois, como visto na
Tabela 5.13, aproximadamente 80% do valor de NTK é composto por amônia, e como
em valores abaixo de pH = 6,0 a amônia se apresenta na forma do íon amônio (NH4+)
100
(METCALF; EDDY, 2003) e o mesmo possui carga elétrica e é conduzido através da
membrana catiônica da solução diluída para a solução concentrada.
Observa-se que a remoção percentual de compostos que possuem carga
iônica como, por exemplo, fluoreto, cloreto, nitrito, nitrato, sulfato, amônia, NTK e
fósforo total foram superiores a 95%. Outro parâmetro que apresentou resultado
satisfatório foi a condutividade elétrica com valor de remoção percentual de 99%. Os
valores de DQO e turbidez não apresentaram um bom resultado de remoção, apenas
31,6% e 50,7% respectivamente, mostrando que para efluentes com alta carga
orgânica que não apresenta em sua composição compostos iônicos, o tratamento do
efluente através do processo de eletrodiálise não é indicado.
Como será visto no item 5.5.1 o efluente após este ensaio pode ser reutilizado no
uso em agricultura, urbano e piscicultura se houver a correção do pH para valores
acima de 6,0.
5.4.3 Ensaio 2 - Avaliação do comportamento das membranas
O efluente utilizado nesse ensaio foi o efluente do ponto P6 da coleta 34 e filtrado
conforme item 5.4. Primeiramente foram realizados ensaios de CVC para determinar
a corrente limite através da construção da curva corrente potencial. A corrente
utilizada no ensaio foi de 80% do valor da corrente limite para evitar o acontecimento
da polarização por concentração. Para a obtenção dos valores de corrente limite a
CVC foi realizada em triplicata. O valor de corrente utilizada neste ensaio foi de 230
mA.
Na Figura 5.5 está apresentado o comportamento da condutividade elétrica em
relação ao tempo. Cada mudança brusca nos valores de condutividade elétrica
corresponde a troca de amostra e solução de concentrado e solução de eletrodo. Cabe
salientar que este ensaio foi todo realizado com o efluente da coleta 34, conforme
mencionado no item 4.5.
101
Condutividade elétrica (µS/cm) 2500
2000
1500
λ Diluido
1000 λ Concentrado
λ Eletrodo
500
0
0 50 100 150 200 250 300
Tempo (min)
Figura 5.5: Comportamento da condutividade elétrica dos compartimentos de
diluído, concentrado e eletrodo da planta piloto durante todo o Ensaio 2.
De acordo com Figura 5.5 observa-se que não ocorre grande variação do
comportamento da condutividade elétrica ao longo do ensaio nos compartimentos
diluído, concentrado e de eletrodos. Tal comportamento informa que não houve perda
de eficiência do sistema de eletrodiálise, pois não ocorreu um aumento acentuado da
concentração final do compartimento de diluído o que poderia indicar que ocorreu
deposição de matéria orgânica na superfície da membrana o que impediria
fisicamente o transporte através das membranas.
Na Figura 5.6 está apresentada o comportamento da diferença de potencial da
fonte de tensão em relação ao tempo. Cada mudança brusca nos valores de diferença
de potencial corresponde à troca de efluente e solução.
102
35
Diferença de potencial (V) = 0,0523.Tempo (min) + 16,266
R² = 0,9549
30
Diferença de potencial (V)
25
20
15
10
0
0 50 100 150 200 250 300
Tempo (min)
Figura 5.6: Comportamento da diferença de potencial do sistema em relação ao
tempo em todo o Ensaio 2. Cada mudança brusca representa a mudança de
amostra do mesmo efluente.
Observa-se que a diferença de potencial aumenta ao longo do ensaio. Esse
acréscimo de potencial pode ser atribuído ao possível aumento da resistência elétrica
na superfície da membrana devido à deposição de matéria orgânica, biofouling,
principalmente na superfície da membrana aniônica (HADDAD et al, 2017), conforme
pode ser visto pela mudança de coloração da membrana apresentada na Figura 5.7,
onde é apresentada uma fotografia da membrana aniônica antes da eletrodiálise, na
esquerda, e depois da eletrodiálise, na direita, evidenciando a mudança de coloração.
103
Figura 5.7: Fotografias da mesma membrana aniônica antes da eletrodiálise, na
esquerda, e depois da eletrodiálise, na direita, mostrando a diferença de coloração
da superfície da membrana que pode ser devido a formação de biofouling.
Na Figura 5.5 nota-se que, com os valores finais da diferença de potencial ao final
de cada eletrodiálise, pode-se unir os mesmos e gerar uma reta em que como variável
dependente é o tempo em minutos e como variável independente temos a diferença
de potencial. Essa reta nos proporciona estimar o tempo em que a diferença de
potencial chegará no valor de 120 V, que é o valor máximo que a fonte de tensão
utilizada no trabalho pode atingir.
Considerando-se que é utilizado 2,5 L de efluente em cada eletrodiálise e que cada
eletrodiálise é realizada em aproximadamente 35 minutos pode-se estimar que 141,7
L de efluente poderiam ser tratados até atingir o valor máximo de diferença de
potencial em aproximadamente 33 horas. Para facilitar a rotina de limpeza da planta
piloto se a mesma operasse nas condições descrita no Ensaio 2 deveria ser realizada
a limpeza das membranas uma vez ao dia.
104
Na Tabela 5.14 estão apresentados os valores de concentração média e
respectivos desvios padrão para cada ânion antes da eletrodiálise.
Tabela 5.14: Valores de concentração média, em mg/L, e desvio padrão dos ânions
do efluente que foi utilizado no Ensaio 2.
Fluoreto Cloreto Nitrito Nitrato Fosfato Sulfato
mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L
0,90 ± 0,033 114,72 ± 0,001 21,66 ± 0,014 171,89 ± 0,03 33,49 ± 0,012 36,07 ± 0,016
A Tabela 5.14 mostra que a concentração dos ânions cloreto e nitrato são
superiores aos dos outros ânions analisados. O cloreto é proveniente da característica
da água de abastecimento do Campus Litoral Norte, pois a mesma é obtida, e
posteriormente sofre o tratamento de água conforme as legislações ambientais
vigentes, de lagoas costeiras a aproximadamente 10 km de distância do Oceano
Atlântico. Além disso, é importante salientar que há a adição de hipoclorito de sódio
no ponto P4 (caixa de desinfecção). A presença elevada do ânion nitrato pode ser
atribuída à conversão da matéria orgânica nitrogenada, onde o nitrogênio se encontra
na forma orgânica e é convertido em nitrato por oxidação por parte dos
microrganismos, ou pela sua presença como conservante de alimentos
industrializados que são carregados para o interior do sistema de tratamento na
lavagem dos pratos do restaurante universitário.
Na Figura 5.8 estão apresentados os valores de concentração média de cada
ânion ao final de cada eletrodiálise.
105
10
Concentração média (mg/L) 9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Fluoreto Cloreto Nitrito Nitrato Fosfato Sulfato
Ânion
ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Figura 5.8: Resultados de concentração média, em mg/L, e desvio padrão para
cada ânion em cada eletrodiálise onde observa-se que a concentração média ficou
abaixo de 10 mg/L para todos ânions em todas eletrodiálises.
A concentração média, em mg/L, dos ânions fluoreto e nitrito em todas as
eletrodiálises foram inferiores a 0,5 mg/L, conforme Figura 5.8, mostrando que apesar
do aumento da resistência elétrica do sistema, como mostrado na Figura 5.6 onde se
observa o aumento da diferença de potencial, o que pode indicar um início de
biofouling na superfície da membrana, a remoção de tais ânions não foi afetada. O
fato de o valor da concentração média final do ânion cloreto ser inferior aos valores
de concentração média final dos ânions fosfato e sulfato comprova que o tamanho da
carga iônica do íon sofre uma grande influência na sua remoção por membranas íon-
seletivas (BRUGGEN et al, 2004), pois a concentração média inicial do ânion cloreto
era muito superior aos ânions sulfato e fosfato.
Na Figura 5.9 estão apresentados os valores de remoção percentual de cada ânion
ao final de cada eletrodiálise.
106
100
90
REMOÇÃO PERCENTUAL (%)
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Fluoreto Cloreto Nitrito Nitrato Fosfato Sulfato
ÂNIONS
ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Figura 5.9: Resultados de remoção percentual, em %, e desvio padrão para cada
ânion ao final de cada eletrodiálise mostrando que remoção percentual foi acima de
60 para quase todos os ânion, à exceção do fluoreto.
A remoção percentual dos ânions não foi afetada de maneira comprometedora ao
longo do ensaio, conforme mostrado na Figura 5.9. Os valores de remoção percentual
do ânion fluoreto possuírem valores inferiores a 70% pode ser explicado devido a sua
baixa concentração inicial, inferior a 1 mg/L. Como mostrado na Figura 5.8 em que a
concentração média final do ânion fosfato apresentou valores superiores aos do ânion
sulfato o valor de remoção percentual do mesmo ficou próximo a 70%, valor muito
inferior aos ânions cloreto, nitrito, nitrato e sulfato que atingiram valores superiores a
90%. Tal comportamento deve ser melhor estudado em trabalho posterior.
Na Tabela 5.15 estão apresentados os valores de concentração média e
respectivos desvios padrão para cada cátion do efluente que foi utilizado no Ensaio 2.
107
Tabela 5.15: Valores de concentração média, em mg/L, e desvio padrão dos cátions
do efluente que foi utilizado no Ensaio 2.
Sódio Amônio Potássio Magnésio Cálcio
mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L
108,06 ± 0,01 37,04 ± 0,02 31,59 ± 0,01 5,61 ± 0,02 20,16 ± 0,01
A concentração do cátion sódio é muito superior aos dos outros cátions. O sódio é
proveniente da característica da água de abastecimento do Campus Litoral Norte, pois
a mesma é obtida, e posteriormente sofre o tratamento de água conforme as
legislações ambientais vigentes, de lagoas costeiras a aproximadamente 10 km de
distância do Oceano Atlântico. O cátion amônio apresenta uma concentração média
superior a 20 mg/L, que é o valor de concentração máxima para o lançamento de
efluentes tratados na natureza, indicando que o tratamento visando a sua remoção
deve ser realizado.
Na Figura 5.10 estão apresentados os valores de concentração média e desvio
padrão de cada cátion ao final de cada eletrodiálise.
108
7
Concentração média (mg/L)
0
Sódio Amônio Potássio Magnésio Cálcio
Cátions
ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Figura 5.10: Resultados de concentração média, em mg/L, para cada cátion,
mostrando que a concentração média ficou abaixo de 10 mg/L para todos os cártion
em todas eletrodiálises.
Os valores de concentração média não sofreram variações significativas ao longo
do ensaio. Os cátions sódio e cálcio apresentaram variações na concentração ao
longo do ensaio, porém os resultados obtidos foram inferiores a 10 mg/L para o cátion
sódio e de 4 mg/L para o cátion cálcio. Valores de concentração baixos, principalmente
de sódio, magnésio e cálcio, são importantes devido a salinidade e a RAS serem
parâmetros muito importantes quando o reúso agrícola do efluente é considerado (AL-
HAMAIEDEH, BINO, 2010; BUNANI et al, 2015).
Na Figura 5.11 estão apresentados os valores de remoção percentual de cada
cátion ao final de cada eletrodiálise.
109
100
REMOÇÃO PERCENTUAL (%)
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Sódio Amônio Potássio Magnésio Cálcio
CÁTIONS
ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Figura 5.11: Resultados de remoção percentual, em %, e desvio padrão para cada
cátion ao final de cada eletrodiálise.
A Figura 5.11 mostra que, como apresentado na Figura 5.10, não houve grande
variação na remoção percentual dos cátions ao longo do ensaio mostrando que ocorre
uma reprodutividade dos resultados durante o ensaio. Valores de eficiência de
remoção média acima de 80% foram encontrados para todos os cátions e próximos a
90% para os cátions sódio, amônio e magnésio.
Na Figura 5.12 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L, dos parâmetros sólidos totais, fixos e voláteis e em linhas os valores de
remoção percentual, em %, ao final de cada eletrodiálise.
110
700 100
90
600
80
Remoção percentual (%)
500 70
Sólidos Totais (mg/L)
60
400
50
300
40
200 30
20
100
10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
ST STF STV %ST %STF %STV
Figura 5.12: Resultados de concentração de sólidos totais, fixo e voláteis, em mg/L,
e remoção percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
Os valores de concentração média de sólidos totais, fixos e voláteis sofreram
pequena variação ao longo do ensaio, como pode ser visto nos resultados das EDs 6,
7 e 8, onde ocorreu um aumento nos seus valores com posterior decréscimo, porém
ainda que tenha havido essa variação frente aos valores iniciais de concentração essa
variação não interfere na qualidade do efluente gerado. Em relação aos valores de
remoção percentual observa-se que os valores foram superiores a 70% em quase
todas as eletrodiálises, exclui-se deste valor as eletrodiálises 2 e 3 onde as remoções
percentuais foram de 63% e 66%. A diminuição na concentração média e o valor
elevado de remoção percentual desses parâmetros se deve ao fato de que
praticamente todo o valor do sólido total é devido a parcela de sólidos dissolvidos
totais e que o mesmo é removido por eletrodiálise por possuir características iônicas,
como pode ser visto nas Figuras 5.12 e 5.13 onde, os valores totais é praticamente
111
igual ao de sólidos dissolvidos totais. A remoção percentual dos sólidos totais fixos é
superior aos dos sólidos totais voláteis devido a característica inorgânica do primeiro,
sendo possível então o seu transporte através das membranas, e a característica
orgânica do segundo, o que dificulta o seu transporte através das membranas. Tal fato
ocorre nas Figuras 5.12 e 5.13.
Na Figura 5.13 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L, dos parâmetros sólidos dissolvidos totais, fixos e voláteis e em linhas os
valores de remoção percentual, em %, ao final de cada eletrodiálise.
700 100
90
600
80
Sólidos Dissolvidos (mg/L)
500
Remoção percentual (%)
70
60
400
50
300
40
200 30
20
100
10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
SDT SDF SDV %SDT %SDF %SDV
Figura 5.13: Resultados de concentração de sólidos dissolvidos totais, fixo e
voláteis, em mg/L, e remoção percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada
eletrodiálise.
112
A concentração de sólidos dissolvidos totais, fixos e voláteis sofreram uma redução
considerável durante o processo de eletrodiálise com remoções percentuais acima de
70% em todos os ensaios, com exceção do valor de sólidos dissolvidos voláteis da 2º
eletrodiálise, onde o valor alcançado foi de 67%. Tais valores elevados podem ser
explicados devido ao fato de os sólidos dissolvidos totais, fixos e voláteis
representarem principalmente sais inorgânicos, que possuem carga e são
transportados através das membranas íon-seletivas, e matéria orgânica, que possui
compostos facilmente ionizáveis como, por exemplo, ácidos graxos voláteis, que
também podem ser transportados através das membranas (SAWYER, MCCARTY,
PARKIN, 2003; JONES et al., 2015).
Na Figura 5.14 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L, dos parâmetros sólidos suspensos totais, fixos e voláteis e em linhas os
valores de remoção percentual, em %, ao final de cada eletrodiálise.
35 100
90
30
Sólidos suspensos (mg/L)
Remoção percentual (%)
80
25 70
20 60
50
15 40
10 30
20
5
10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
SST STF STV %SST %STF %STV
Figura 5.14: Resultados de concentração de sólidos suspensos totais, fixo e
voláteis, em mg/L, e remoção percentual, em %, do efluente filtrado e ao final de
cada eletrodiálise. Para a análise foi utilizado filtro de fibra de vidro com diâmetro de
poro de 0,6 µm,
113
Os valores de concentração de sólidos suspensos totais, fixos e voláteis são muito
inferiores aos encontrados para os sólidos totais e dissolvidos. Observa-se que a
remoção de sólidos suspensos totais, fixos e voláteis sofre uma variação considerável
nos valores de remoção percentual ao longo do processo de eletrodiálise ocorrendo
um pico na 7º eletrodiálise, com valores entre 85% - 92%, e depois decaindo a valores
entre 67% - 50%. Pode-se presumir que, ao longo do processo, junto com o transporte
de compostos através das membranas, há deposição de material na superfície da
membrana, biofouling, e em determinado ponto, essa camada não permite a chegada
dos íons na superfície da membrana para serem transportados através da mesma,
ocorrendo assim a queda observada nos valores de remoção percentual e aumento
na concentração. Entretanto, tal afirmação deve ser comprovada com um maior tempo
de ensaio.
Na Figura 5.15 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L Pt.Co, da cor do efluente e em linha o valor de remoção percentual, em %,
ao final de cada eletrodiálise.
100 100
Remoção percentual (%)
90 90
80 80
Cor (mg/L Pt.co)
70 70
60 60
50 50
40 40
30 30
20 20
10 10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
Concentração (mg/L) % Remoção
Figura 5.15: Resultados de concentração de cor, em mg/L de Pt.Co, e remoção
percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
114
Os resultados de concentração de cor não sofreram diminuição considerável o que
se pode concluir que a coloração do efluente se deve a componentes que não
possuam carga elétrica como, por exemplo, substâncias húmicas (SAWYER,
MCCARTY, PARKIN, 2003). Os valores de remoção percentual foram inferiores a 40%
em todas eletrodiálises, com exceção da eletrodiálise 4 que o valor atingido foi de
43,6% onde na mesma eletrodiálise a remoção de sólidos dissolvidos totais e sólidos
totais atingiram os seus maiores valores de remoção percentual o que pode-se inferir
que praticamente toda parte inorgânica dissolvida da amostra foi removida e, portanto,
que toda a coloração é devida ao material orgânico dissolvido e que permanece após
a eletrodiálise.
Na Figura 5.16 estão apresentadas fotografias da amostra antes do tratamento por
eletrodiálise, na esquerda, e da amostra após a eletrodiálise, na direita. Nota-se que
não ocorre uma remoção acentuada de cor da amostra.
Figura 5.16: Fotografias da amostra antes da ED, na esquerda, e pós ED, na direita
evidenciando que a cor da amostra não variou de forma significativa após a
eletrodiálise. Amostra antes da ED na esquerda e pós ED na direita.
Na Figura 5.17 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em UTN, da turbidez do efluente e em linha o valor de remoção percentual, em %, ao
final de cada eletrodiálise.
115
35 100
90
30
Remoção percentual (%)
80
25 70
Turbidez (mg/L)
20 60
50
15 40
10 30
20
5
10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
Turbidez (NTU) % Remoção
Figura 5.17: Resultados de concentração de turbidez, em NTU, e remoção
percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
Os resultados de concentração de turbidez, assim como os resultados de SST,
mostrados na Figura 5.14, e de cor, mostrados na Figura 5.15, não sofreram
diminuição considerável o que se pode concluir que a turbidez do efluente se deve a
componentes que não possuam carga elétrica como, por exemplo, matéria orgânica
na forma de húmus, que são coloides que em pH ácido não liberam o seu hidrogênio
e, portanto, não são removidos por eletrodiálise e também não são removidos na pré-
filtração devido ao seu tamanho ser inferior ao tamanho do poro do filtro qualitativo (3
µm) (SAWYER, MCCARTY, PARKIN, 2003). Os valores de remoção percentual se
situaram entre 50% e 60% em todas eletrodiálises e atingindo o maior valor na
eletrodiálise 4 e que conforme explicado acima pode-se atribuir esse valor como a
máxima remoção de poluentes inorgânicos que pode ser alcançada.
Na Figura 5.18 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L NH4+ - N, da amônia do efluente e em linha o valor de remoção percentual,
em %, ao final de cada eletrodiálise.
116
40 100
35 90
80
30
Amônia (mg/L)
Remoção (%)
70
25 60
20 50
15 40
30
10
20
5 10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
NH3 % Remoção
Figura 5.18: Resultados de concentração de amônia, em mg/L NH4+ - N, e remoção
percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
Observa-se que ocorreu a diminuição da concentração de amônia ao longo de
todas as eletrodiálises e o resultado final permite tanto o lançamento do efluente na
natureza quanto o reúso em diversos tipos. A remoção percentual foi acima de 94%
em todo o processo, pois a amônia em pH abaixo de 9,5 se encontra na forma do
cátion amônio (NH4+) e por possuir carga elétrica e pode ser transportado através da
membrana íon-seletiva (METCALF e EDDY, 2003).
Na Figura 5.19 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L O2, de DQO do efluente e em linha o valor de remoção percentual, em %, do
bruto e ao final de cada eletrodiálise.
117
180 100
160 90
80
Remoção percentual (%)
140
Concentração (mg/L)
70
120
60
100
50
80
40
60
30
40 20
20 10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
DQO % Remoção DQO
Figura 5.19: Resultados de concentração de DQO, em mg/L O2, e remoção
percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
A Figura 5.19 indica que a eletrodiálise não é efetiva na diminuição de DQO ao
longo das eletrodiálises, pois a concentração permanece entre valores entre 60 e 80
mg O2/L e com remoção percentual entre 62% na 1º eletrodiálise e 48,9% na 9º
eletrodiálise. Tal fato de deve ao fato de a DQO representar a matéria orgânica
presente no efluente e a mesma não é transportada através das membranas íon
seletivas, conforme mostrado na Figura 5.15 (cor) e Figura 5.17 (turbidez).
Na Figura 5.19 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L O2, de DBO do efluente e em linha o valor de remoção percentual, em %, do
bruto e ao final de cada eletrodiálise.
118
25 100
90
20 80
Remoção percentual (%)
Concentração (mg/L)
70
15 60
50
10 40
30
5 20
10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
DBO % Remoção DBO
Figura 5.20: Resultados de concentração de DBO, em mg/L O2, e remoção
percentual, em %, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
A eletrodiálise também não é efetiva na diminuição da DBO ao longo das
eletrodiálises, pois a concentração permanece entre valores entre 10 e 13 mg/L O2 e
com remoção percentual entre 52,4% na 1º eletrodiálise e 38,1% na 9º eletrodiálise.
Os resultados de remoção percentual, tanto para DBO quanto para DQO, ser menor
que, por exemplo, o resultado acima de 90% encontrado na análise de amônia não
surpreende, pois a DBO e a DQO representam a quantidade de O2 necessária para
degradar a matéria orgânica presente na amostra e como a mesma não é transportada
através das membranas íon-seletivas como visto também pelos resultados de cor,
mostrado na Figura 5.15, turbidez, mostrado na Figura 5.17, e agora DQO e DBO
mostram tal afirmação está correta, conforme apresentado na Figura 5.19 e Figura
5.20.
Na Figura 5.21 estão apresentados em barras os valores de concentração média,
em mg/L, de carbono total (CT), carbono inorgânico total (CIT) e carbono orgânico
119
total (COT) do efluente e em linha o valor de remoção percentual, em %, do bruto e
ao final de cada eletrodiálise.
30 100
90
25
80
Concentração média (mg/L)
Remoção percentual (%)
70
20
60
15 50
40
10
30
20
5
10
0 0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
Carbono Total Carbono Inorgânico Total Carbono Orgânico Total
% CT % CIT % COT
Figura 5.21: Resultados de concentração, em colunas, de carbono total (CT),
carbono inorgânico total (CI) e carbono orgânico total (COT), em mg/L, e remoção
percentual, em % e em linhas, do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
Os resultados de concentração e remoção percentual de carbono total e
orgânico apresentam comportamentos semelhantes, pois quase a totalidade do valor
de carbono total é devida a carbono orgânico e conforme mostrado acima a
eletrodiálise não possui capacidade de remoção superior a 50%. O carbono inorgânico
representa a fração de carbono ligada a sais de carbonatos (CO3-2) e bicarbonatos
(HCO3-) e dióxido de carbono (CO2) dissolvido em água (BENEDETTI, 2012), e que,
portanto, é removido do efluente pelo processo de eletrodiálise e obteve uma remoção
percentual acima de 90% até a 7º eletrodiálise onde na 8º e 9º eletrodiálise ocorreu
uma queda acentuada atingindo valores próximos a 40%. Tal redução pode ser
120
atribuída ao princípio de formação de biofouling, principalmente na membrana
aniônica (HADDAD et al, 2017; LINDSTRAND; JÖNSSON; SUNDSTRÖM, 2000).
Na Figura 5.22 estão apresentados em barras os valores de pH do efluente do
bruto e ao final de cada eletrodiálise.
4
pH
0
Bruta ED1 ED2 ED3 ED4 ED5 ED6 ED7 ED8 ED9
Eletrodiálise
Figura 5.22: Resultados de pH do efluente bruto e ao final de cada eletrodiálise.
Os resultados de pH se situaram entre 4,48, na 1º eletrodiálise, e 3,31, na 7º
eletrodiálise, o que pode ser explicado devido à redução de compostos que possuem
características básicas como, por exemplo, amônia, conforme visto na Figura 5.16,
carbonato e bicarbonatos, conforme visto na Figura 5.19, diminuindo assim o valor do
pH da solução. Tais valores indicam que para ser lançado na natureza ou ser utilizado
no reúso o efluente deve passar por uma correção do pH com a adição de compostos
químicos como, por exemplo, hidróxido de potássio ou de sódio até atingir valores de
pH entre 6 e 9.
Cabe salientar ao final destes resultados do Ensaio 2 que foram apenas realizadas
9 eletrodiálises seguidas devido a limitação da quantidade de efluente coletado.
Foram coletados 55 litros de efluente, conforme mencionado no item 4.6.7. Se fosse
121
coletado um volume maior de efluente tal ensaio poderia ser continuado, pois a
qualidade do efluente se manteve ao longo do Ensaio 2.
122
5.5 Reúso da água
5.5.1 Reúso do efluente após o ensaio 1
Considerando-se que no Brasil não existe uma legislação específica para o reúso
de água, a possibilidade e a finalidade do reúso do efluente tratado foi avaliada através
dos padrões recomendados na Tabela 3.7, onde são apresentados 3 usos diferentes
do efluente: uso agrícola, para fins urbanos e na piscicultura. Os porquês de tais usos
foram explicados no item 3.6.
O efluente P6 da coleta 33 após o ensaio 1 pode ser reutilizado nos 3 diferentes
usos se houver a correção do pH através da adição de uma base forte como, por
exemplo, hidróxido de potássio ou potássio. Na Tabela 5.16 estão apresentados os
valores de concentração e os valores recomendados para fins de comparação.
Tabela 5.16: Avaliação do reúso para fins agrícolas, urbanos e na piscicultura do efluente P6 – Coleta 33 após o Ensaio 1.
Uso agrícola Uso para fins urbanos Uso piscicultura Efluente P6
Parâmetro Unidade
Irrestrito Restrito Irrestrito Restrito Predial Afluente No tanque Coleta 33
Turbidez UTN ≤5 ≤5 ≤5 ≤5 ≤5 ND ND 4,13
NTK mg NH4+ - N/L <5 <5 ND ND ND ND ND 1
Nitrato mg NO3- - N/L < 30 < 30 < 20 < 20 < 20 <5 <5 0,04
Amônia mg NH4+ - N/L ND ND ND ND ND ≤ 2,5 ≤ 2,5 1
pH Faixa 6,5-9,0 6,5-9,0 6,0-8,0 6,0-8,0 6,0-8,0 6,5-9,5 6,5-9,5 5,42
SDT mg/L < 450 450< SDT<2000 <200 <200 <200 ND ND 108
OD mg O2/L > 2,0 > 2,0 ND ND ND > 3,0 > 3,0 > 5,0
CE mS/cm < 0,7 0,7< CE < 3,0 ND ND ND ND ND 0,08
DBO mg O2/L < 10 < 30 < 10 < 30 < 30 200 - 300 200 NR
RAS - <9 <9 ND ND ND ND ND 0,06
Fluoreto mg F-/L <1 <1 ND ND ND ND ND 0,02
NR – Não realizado.
ND – Não disponível.
5.5.2 Reúso do efluente após o ensaio 2
O efluente P6 da coleta 34 após o Ensaio 2 poderia ser reutilizado no reúso
agrícola ou para fins urbanos com uso restrito se houver a correção do pH, através do
uso de uma base como, por exemplo, hidróxido de potássio, e a remoção da turbidez,
através de uma filtração, conforme mostrado nas Tabela 5.17 e 5.18.
Para o reúso agrícola ou para fins urbanos com uso irrestrito deve-se também
remover a DBO do efluente, o que provavelmente seria atingido na filtração da
amostra, com um filtro com tamanho de poro menor que 1 µm para remoção de
compostos coloidais conforme mencionado na discussão abaixo da Figura 5.17, com
o objetivo da remoção de turbidez, pois o sólido em suspensão possui também
características orgânicas e essa característica interfere de forma positiva no valor de
DBO.
Observando a Tabela 5.19 observa-se que o efluente P6 da coleta 34 após o
Ensaio 2 poderia ser reutilizado para o reúso na piscicultura se houver a correção do
pH e a remoção de nitrato, que poderia ser alcançada se a eletrodiálise fosse
conduzida até atingir um valor de menor de condutividade elétrica, conforme mostrado
no Ensaio 1 na Tabela 5.11 onde concentrações médias abaixo de 1 mg/L foram
encontradas.
Tabela 5.17: Avaliação do reúso agrícola do efluente final do Ensaio 2.
Uso agrícola Amostra / Eletrodiálise
Parâmetro Unidade
Irrestrito Restrito Bruta 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Turbidez UTN ≤5 ≤5 29,4 11,5 12,1 11,9 11,3 13,2 14,7 13,5 15,1 15,4
NTK mg NH4+ - N/L <5 <5 NR NR NR NR NR NR NR NR NR NR
Nitrato mg NO3- - N/L < 30 < 30 171,89 0,79 7,87 8,84 6,15 3,89 9,34 9,72 8,81 8,51
Amônia mg NH4+ - N/L ND ND 36,6 0,5 0,9 1 1,1 1,2 1,2 1,4 1,5 1,9
pH Faixa 6,5-9,0 6,5-9,0 6,23 4,48 4,08 4,41 4,01 4,05 4,12 3,31 3,81 3,95
SDT mg/L < 450 450< SDT<2000 638 117 138 148 49 66 52 118 148 83
OD mg O2/L > 2,0 > 2,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0
CE mS/cm < 0,7 0,7< CE < 3,0 0,9364 0,057 0,08 0,09 0,08 0,09 0,06 0,09 0,09 0,09
DBO mg O2/L < 10 < 30 21 10 11 11 11 12 11 12 12 13
RAS - <9 <9 5,57 0,08 1,02 1,14 0,72 0,42 0,98 0,94 1,08 0,95
Fluoreto mg F-/L <1 <1 0,9 0,14 0,35 0,28 0,28 0,21 0,31 0,19 0,38 0,33
NR – Não realizado.
ND – Não disponível.
Tabela 5.18: Avaliação do reúso para fins urbanos do efluente final do Ensaio 2.
Uso agrícola Amostra / Eletrodiálise
Parâmetro Unidade
Irrestrito Restrito Bruta 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Turbidez UTN ≤5 ≤5 29,4 11,5 12,1 11,9 11,3 13,2 14,7 13,5 15,1 15,4
NTK mg NH4+ - N/L <5 <5 NR NR NR NR NR NR NR NR NR NR
Nitrato mg NO3- - N/L < 30 < 30 171,89 0,79 7,87 8,84 6,15 3,89 9,34 9,72 8,81 8,51
Amônia mg NH4+ - N/L ND ND 36,6 0,5 0,9 1 1,1 1,2 1,2 1,4 1,5 1,9
pH Faixa 6,5-9,0 6,5-9,0 6,23 4,48 4,08 4,41 4,01 4,05 4,12 3,31 3,81 3,95
SDT mg/L < 450 450< SDT<2000 638 117 138 148 49 66 52 118 148 83
OD mg O2/L > 2,0 > 2,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0
CE mS/cm < 0,7 0,7< CE < 3,0 0,9364 0,057 0,08 0,09 0,08 0,09 0,06 0,09 0,09 0,09
DBO mg O2/L < 10 < 30 21 10 11 11 11 12 11 12 12 13
RAS - <9 <9 5,57 0,08 1,02 1,14 0,72 0,42 0,98 0,94 1,08 0,95
Fluoreto mg F-/L <1 <1 0,9 0,14 0,35 0,28 0,28 0,21 0,31 0,19 0,38 0,33
NR – Não realizado.
ND – Não disponível.
Tabela 5.19: Avaliação do reúso na piscicultura do efluente final do Ensaio 2.
Uso piscicultura Amostra / Eletrodiálise
Parâmetro Unidade
Afluente No tanque Bruta 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Turbidez UTN ND ND 29,4 11,5 12,1 11,9 11,3 13,2 14,7 13,5 15,1 15,4
NTK mg NH4+ - N/L ND ND NR NR NR NR NR NR NR NR NR NR
Nitrato mg NO3- - N/L <5 <5 171,89 0,79 7,87 8,84 6,15 3,89 9,34 9,72 8,81 8,51
Amônia mg NH4+ - N/L ≤ 2,5 ≤ 2,5 36,6 0,5 0,9 1 1,1 1,2 1,2 1,4 1,5 1,9
pH Faixa 6,5-9,5 6,5-9,5 6,23 4,48 4,08 4,41 4,01 4,05 4,12 3,31 3,81 3,95
SDT mg/L ND ND 638 117 138 148 49 66 52 118 148 83
OD mg O2/L > 3,0 > 3,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0 > 5,0
CE mS/cm ND ND 0,9364 0,057 0,08 0,09 0,08 0,09 0,06 0,09 0,09 0,09
DBO mg O2/L 200 - 300 200 21 10 11 11 11 12 11 12 12 13
RAS - ND ND 5,57 0,08 1,02 1,14 0,72 0,42 0,98 0,94 1,08 0,95
Fluoreto mg F-/L ND ND 0,9 0,14 0,35 0,28 0,28 0,21 0,31 0,19 0,38 0,33
NR – Não realizado.
ND – Não disponível.
6 Considerações finais
A caracterização do efluente de diferentes pontos de tratamento da ETE Litoral
Norte mostrou que o mesmo apresenta remoção satisfatória de diversos parâmetros
em relação às legislações ambientais vigentes. Entretanto, parâmetros NTK e amônia,
os resultados encontrados para o efluente P6 (tanque de armazenamento) mostram
que as concentrações estavam acima dos valores exigidos pelas legislações
ambientais o que impediria o seu lançamento na natureza.
O objetivo de avaliar o processo de eletrodiálise do efluente do ponto P6 na planta-
piloto Tecnoimpianti TI-1624 foi realizado de maneira satisfatória. A remoção de íons
atingida no Ensaio 1 foi superior a 90% para diversos cátions e ânions e
concentrações abaixo de 4 mg/L e 2 mg/L para ânions e cátions, respectivamente,
foram encontradas. A caracterização física e química do efluente da coleta 33 utilizada
no Ensaio 1 mostra que os parâmetros NTK e amônia apresentaram valores de
concentração média inferiores a 1 mg/L o que possibilitaria o lançamento do efluente
na natureza após correção do pH. O Ensaio 1 tinha como objetivo realizar a máxima
remoção de poluentes do efluente e tal ensaio mostrou que isso é possível, porém
deve-se ter um controle no gasto energético para não tornar o processo inviável
economicamente.
O Ensaio 2 mostrou que, apesar do aumento da diferença de potencial do sistema
ao longo do ensaio, indicando um início de fouling nas membranas, a qualidade do
efluente após o processo de eletrodiálise é muito superior ao efluente antes da
eletrodiálise e se manteve ao longo do ensaio. Resultados de cromatografia iônica
mostram que a maior concentração média encontrada foi de 9,84 mg/L para o ânion
cloreto, que possuía uma concentração inicial de 114,72 mg/L, e de 7,85 mg/L para o
cátion sódio, que possuía uma concentração inicial de 108,06 mg/L. Os valores de
remoção percentual foram acima de 80% para todos cátions, acima de 90% para os
cátions sódio, amônio e magnésio. Os valores de remoção percentual próximos a 70%
encontrados para o fosfato frente aos 90% alcançados pelos ânions cloreto, nitrito,
nitrato e sulfato deve ser estudado com mais detalhes em trabalhos posteriores. A
caracterização física e química dos efluentes ao final do processo de eletrodiálise
129
mostrou que a qualidade do efluente se manteve ao longo do mesmo sem haver queda
substancial nos valores encontrados.
O estudo do reúso do efluente após o processo de eletrodiálise mostra que o
efluente P6 da coleta 33 após o Ensaio 1 pode ser reutilizado nos 3 diferentes usos
se houver a correção do pH. Para o reúso do efluente após o Ensaio 2 visando o reúso
agrícola ou para fins urbanos poderia ser realizado se houver a correção do pH e a
remoção da turbidez, se a alternativa de reúso escolhida fosse o uso restrito e para o
reúso irrestrito deve-se também remover a DBO do efluente. Para o reúso na
piscicultura do efluente do Ensaio 2 pode ser realizado se houver a correção do pH e
a remoção de nitrato.
130
7 Conclusões
I. A remoção de íons atingida na avaliação do transporte iônico dos poluentes
através das membranas de eletrodiálise foi superior a 90% para diversos ânions e
cátions e concentrações abaixo de 4 mg/L e 2 mg/L para ânions e cátions,
respectivamente, foram encontradas;
II. A caracterização física e química do efluente tratado por eletrodiálise, da avaliação
citada no item I, mostra que os parâmetros nitrogenados apresentaram valores de
concentração que possibilitaria o lançamento do efluente na natureza após correção
do pH. Entretanto, realizando-se a correção do pH, o reúso do efluente é indicado para
os 3 diferentes usos, garantindo assim um melhor destino ao efluente tratado por
eletrodiálise;
III. A avaliação do comportamento das membranas mostrou que, apesar do aumento
da diferença de potencial do sistema ao longo do ensaio, indicando um início de fouling
nas membranas, a qualidade do efluente após o processo de eletrodiálise é muito
superior ao efluente antes da eletrodiálise e se manteve ao longo do ensaio;
IV. A caracterização física e química dos efluentes ao final do processo de
eletrodiálise, da avaliação citada no item III, mostrou que a qualidade do efluente se
manteve ao longo do mesmo sem haver queda substancial nos valores encontrados.
V. Os valores de remoção percentual, na avaliação citada no item III, foram acima de
80% para todos cátions, acima de 90% para os cátions sódio, amônio e magnésio.
Valores de remoção percentual próximos a 70% foram encontrados para o fosfato e
acima de 90% para os ânions cloreto, nitrito, nitrato e sulfato;
VI. Para o reúso do efluente, obtido da avaliação citada no item III, o reúso agrícola
ou para fins urbanos pode ser realizado se houver apenas a correção do pH e a
remoção da turbidez para o reúso com uso restrito. Com a remoção também de DBO
o reúso irrestrito é possível. O reúso na piscicultura do efluente pode ser realizado se
houver apenas a correção do pH e a remoção de nitrato.
131
8 Trabalhos Futuros
Realizar ensaios de toxicidade dos efluentes obtidos após o Ensaio 2, pois apesar
do efluente apresentar valores de concentração abaixo do exigido pelas legislações
ambientais a sua toxicidade deve ser avaliada para garantir que não haja um impacto
ambiental na alternativa de reúso escolhida.
Realizar um novo ensaio na planta-piloto onde ao final de cada eletrodiálise seja
realizada apenas a troca da amostra apenas no compartimento diluído, mantendo-se
a solução de concentrado e de eletrodos, avaliando-se a qualidade do efluente através
de caracterização física, química e toxicológica.
A caracterização física e química de todas amostras antes e após a eletrodiálise
deve ser realizada e não apenas de uma amostra inicial como foi realizado neste
trabalho, pois a concentração do efluente doméstico ao longo do tempo varia por
possuir microrganismos que convertem a matéria orgânica em inorgânica o que pode
influenciar os valores de concentração e remoção percentual (GLASS, SILVERSTEIN,
1998).
132
9 Referências
ABNT. NBR 12209:2011: Elaboração de projetos hidráulico-sanitários de estações
de tratamento de esgotos sanitários. 2 ed. Rio de Janeiro: Abnt, 2011.
ABNT. NBR 13969:1997: Tanques sépticos - Unidades de tratamento
complementar e disposição final dos efluentes líquidos - Projeto, construção e
operação. 2 ed. Rio de Janeiro: Abnt, 1997.
ABNT. Tanques sépticos – Unidades de tratamento complementar e disposição
final dos efluentes líquidos – Projeto, construção e operação. Rio de Janeiro, RJ. set.
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