Content
Content
Faro
(2006)
NOME: Francisco Miguel Viegas Lopes
FACULDADE de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade do Algarve
ORIENTADOR: Doutor Paulo Fernandes
DATA: 15 de Dezembro de 2006
TÍTULO DA DISSERTAÇÃO: Geologia e génese do relevo da Rocha da Pena (Algarve,
Portugal) e o seu enquadramento educativo
JÚRI:
Presidente:
Doutor José Paulo Patrício Geraldes Monteiro, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências do
Mar e do Ambiente da Universidade do Algarve;
Vogais:
Doutor Tomasz Boski, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente
da Universidade do Algarve;
Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Professor Auxiliar da Faculdade de
Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa;
Doutor Paulo Manuel Carvalho Fernandes, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências do Mar
e do Ambiente da Universidade do Algarve;
RESUMO
A Rocha da Pena (RP), localizada no centro do Algarve, é um local de reconhecido
interesse multidisciplinar e constitui hoje uma área protegida sob a figura do Sítio
Classificado da RP. A área de estudo abrange terrenos pertencentes ao Maciço Antigo e à
Bacia Algarvia e as unidades litostratigráficas encontradas possuem idades compreendidas
entre o topo do Carbonífero Inferior e o Quaternário, com duas grandes lacunas
estratigráficas – uma entre a base do Carbonífero Superior e o Triásico Superior e outra
entre o Jurássico Inferior e, pelo menos, o Pliocénico. A RP corresponde a um relevo
estrutural e residual que resultou da interligação de condicionantes litológicas,
estratigráficas, tectónicas, geomorfológicas, hidrológicas e climáticas. A fracturação, com
orientação preferencial E-O, controla o alinhamento da rede hidrográfica e do relevo. A
estrutura da RP corresponde a um anticlinal com eixo E-O formado durante o regime
compressivo N-S ocorrido a partir do Cretácico Superior. A RP foi destacada em relação
ao relevo adjacente a partir do Pliocénico Superior através de erosão vertical – resultado
do levantamento da Serra Algarvia que promoveu o encaixe da rede hidrográfica – e de
erosão diferencial – associada às diferentes competências das unidades litostratigráficas. A
RP constitui um relevo cársico conservado ao longo do tempo, devido quer ao
desenvolvimento do fenómeno de imunidade cársica – associado ao carso – quer a
condições paleoclimáticas pouco favoráveis à erosão subaérea (climas pouco húmidos).
Reconhecendo a RP como um geomonumento e um local de elevada
geodiversidade, dadas as suas características de monumentalidade e particularidades a
nível da geologia, sendo sujeita à curiosidade de inúmeros visitantes, esta deve ser
considerada um património geológico que importa valorizar e divulgar, de modo a ser
preservada e legada como herança às gerações futuras. Nesse sentido, foi desenvolvida
uma vertente educativa de valorização e divulgação, efectivada através da produção de
materiais e do desenvolvimento de actividades de cariz científico-educativo a nível dos
domínios da geodiversidade e geoconservação. Essa vertente educativa foi facilitada
através do estabelecimento de parcerias e da articulação de objectivos e iniciativas com
algumas instituições, o que se revelou bastante vantajoso.
i
ABSTRACT
Located in central Algarve, the Rocha da Pena (RP) Classified Site constitutes a place of
renowned scientific importance for several disciplines. The study area involves terrains
belonging to the Hesperian Massif and to the Algarve Basin. The ages of the units found in
the study area range from the topmost Lower Carboniferous to the Quaternary, presenting
two major stratigraphic hiatuses – the first between the lowermost Upper Carboniferous
and Upper Triassic and the second between the Lower Jurassic and, at least, the Pliocene.
Several factors, such as the lithology, stratigraphy, tectonics, geomorphology, hydrology
and climate, acted together to produce the RP, which consists of a residual and structural
upland. Fracturing along an E-W direction controlled the alignment of both the
topography and the drainage network in the area. Structurally, the RP consists of an
anticline, which axis bears an E-W trend inherited from the Upper Cretaceous N-S
compressive phase. Vertical fluvial erosion resulting from the uplift of the Algarve Ridge
and differential erosion associated to the uneven resistance of the lithologic units and its
stratigraphic order isolated the RP from the neighbouring terrains during Upper Pliocene
times. The RP constitutes an example of karst topography that has been preserved
throughout the geologic time due to karst immunity phenomena and to a paleoclimatic
setting unfavourable to its erosion.
Given its geologic peculiarities and grandeur, which kindles the curiosity of numerous
visitors, the RP should be considered a valuable piece of geologic heritage and, as such, it
is a legacy that should be promoted and preserved for the future generations. On this
account, several partnerships were forged with a number of institutions in order to
develop scientific and educational material and activities rooted on the fields of
geodiversity and geoconservation.
ii
AGRADECIMENTOS
A todos os que de alguma forma contribuíram, directa ou indirectamente, para a realização
deste trabalho, aqui fica os meus sinceros agradecimentos.
Ao meu Orientador, Professor Doutor Paulo Fernandes, pela disponibilidade, incentivo,
apoio e orientação prestados ao longo de todo o trabalho, pelos ensinamentos e partilha de
conhecimentos.
Ao Professor Doutor João Pais da Universidade Nova de Lisboa pela identificação do
fóssil de estegocéfalo.
Ao Dr. Vítor Correia e ao Dr. António Xavier pelo auxílio prestado a nível da utilização
do programa de Sistema de Informação Geográfica ArcGis 9®.
À Natércia, pela paciência, pela amizade e amor, pelo incentivo e apoio constantes, pelos
incómodos, ausências, privações que este trabalho provocou, pela leitura atenta e pelas sugestões
que propôs para melhorar o texto da dissertação.
À Silvinha, pela amizade, pelo incentivo, pelo apoio e pela disponibilidade na revisão de
texto realizada.
À Patricinha, pela amizade e pelo auxílio na elaboração do abstract.
Ao amigo e colega Tiago Neves pelo incentivo e pelo auxílio na elaboração do abstract.
À mãe, ao mano, aos avós e familiares pela compreensão e disponibilidade e pelas minhas
ausência e indisponibilidade recorrentes durante estes últimos anos.
Aos meus amigos, pelo apoio constante, especialmente nos momentos mais difíceis, e que
apesar das minhas frequentes indisponibilidades e faltas nunca se esqueceram de mim.
Aos meus colegas de licenciatura e de mestrado, pelo interesse demonstrado ao longo do
desenvolvimento do trabalho realizado e que de alguma forma me iam apoiando com incentivos e
estímulos.
À Câmara Municipal de Loulé, representada pela Divisão de Ambiente e Espaços Verdes,
à Associação Almargem e à Associação para a Defesa e Divulgação do Património Geológico do
Alentejo e Algarve (DPGA), pela disponibilidade e abertura demonstradas para articular
objectivos e projectos.
iii
ÍNDICE GERAL
RESUMO ............................................................................................................................... i
ABSTRACT............................................................................................................................ ii
ÍNDICE GERAL.................................................................................................................. iv
CAPÍTULO 1
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 2
CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
iv
3.1.2. Triásico Superior - Jurássico Inferior ................................................................ 33
a) Arenitos de Silves (Triásico Superior) .................................................................... 33
b) Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas (Triásico Superior -
Hetangiano) ................................................................................................................. 35
c) Complexo vulcano-sedimentar (Hetangiano - Sinemuriano) .................................. 42
d) Formação de Picavessa (Sinemuriano) ................................................................... 52
3.1.3. Plio-Quaternário ................................................................................................ 57
a) Cascalheiras e areias (Plio-Plistocénico) ................................................................. 57
b) Brechas cársicas e terra rossa (Quaternário) .......................................................... 60
c) Depósitos de vertente (Quaternário)........................................................................ 63
d) Aluvião (Holocénico) .............................................................................................. 65
3.1.4. Lacunas estratigráficas ...................................................................................... 66
3.2. Estrutura e tectónica ................................................................................................. 67
3.3. Geomorfologia ......................................................................................................... 80
3.3.1. Relevo da área de estudo ................................................................................... 80
3.3.2. Morfologia cársica ............................................................................................. 84
3.3.3. Génese da RP e evolução das suas escarpas ...................................................... 91
3.4. História geológica da RP.......................................................................................... 94
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
v
APÊNDICES
ANEXOS
Tabela cronostratigráfica
vi
LISTA DE FIGURAS
CAPÍTULO 1
Fig. 1.1 – Localização geográfica da área de estudo. I – Mapa do Algarve com a localização da área de estudo; II – Parte
da folha 588 da Carta Militar de Portugal, na escala original 1/25.000, do Instituto Geográfico do Exército, com a
delimitação da área de estudo e do Sítio Classificado da RP. ............................................................................................. 3
Fig. 1.2 – Panorâmica da vertente sul da RP (fotografia tirada a partir da vila de Salir)..................................................... 3
CAPÍTULO 2
Fig. 2.1 – Enquadramento geomorfológico do Algarve com a localização da Serra, Barrocal e Litoral (Litoral Ocidental
e Litoral Meridional: Barlavento e Sotavento) e alguns acidentes tectónicos (adaptado de FEIO, 1952; DIAS, 2001). ...... 12
Fig. 2.2 – Mapa geológico da ZSP e enquadramento da área de estudo no Maciço Antigo (modificado de OLIVEIRA,
1990). ................................................................................................................................................................................ 14
Fig. 2.3 – Principais estruturas tectónicas e diapíricas da Bacia Algarvia (adaptado de Manuppella et al., 1988; Ribeiro et
al., 1990). .......................................................................................................................................................................... 15
Fig. 2.4 – Mapa geológico simplificado da região do Algarve (adaptado de MANUPPELLA et al., 1988; OLIVEIRA et al.,
1992; MANUPPELLA, 1992a, b; KULLBERG et al., 1992; TERRINHA, 1998). ....................................................................... 16
Fig. 2.5 – Tabela estratigráfica sintética do Mesozóico do Algarve (adaptado de OLIVEIRA et al., 1992 in DIAS, 2001). 17
Fig. 2.6 – Tabela estratigráfica sintética do Cenozóico do Algarve (adaptado de Pais et al., 2000). ................................ 18
Fig. 2.7 – Correlação entre as unidades litostratigráficas do Triásico-Hetangiano definidas por a) PALAIN (1975), b)
ROCHA (1976) e a correspondência da classificação de Palain (1975) com as terminologias utilizadas na presente
dissertação. ........................................................................................................................................................................ 19
Fig. 2.8 – Reconstrução paleogeográfica e tectónica da evolução da Península Ibérica desde o Carbonífero Superior até
ao presente (adaptado de JABALOY et al., 2002). ............................................................................................................... 21
Fig. 2.9 – Enquadramento geodinâmico da placa Ibérica no contexto da interacção das placas Africana e Eurasiática
(adaptado de VEGAS, 1988). .............................................................................................................................................. 22
Fig. 2.10 – Corte nos relevos do Algarve Central, evidenciando-se a estrutura em mesa da RP destacada por erosão
diferencial, e o contacto por falha das formações mesozóicas com o Maciço Antigo (adaptado de FEIO, 1952). ............. 25
Fig. 2.11 – Esquema ilustrando a circulação subterrânea da água na RP (adaptado de ALMEIDA, 1985). (1) argilitos; (2)
Complexo vulcano-sedimentar; (3) calcários e dolomitos da Picavessa; (4) nascente perene; (5) nascente periódica ...... 26
Fig. 2.12 – Geologia da RP e da área envolvente segundo OLIVEIRA (1992a). I- Mapa geológico da RP e da sua área
envolvente; II- Corte geológico de direcção NNO-SSE, atravessando o sector oriental da RP......................................... 27
CAPÍTULO 3
Fig. 3.1 – Coluna litostratigráfica sintética da RP e área envolvente. ............................................................................... 30
Fig. 3.2 – Bancada de grauvaque tingida de vermelho de atitude N160º,48ºNE com marcas de arraste que indicam a base
da camada (povoação de Alcaria; martelo como escala). .................................................................................................. 31
Fig. 3.3 – Sequência de Bouma completa (entre a Brazieira e a Tameira na barreira esquerda da estrada 503 no sentido
sul-norte; moeda como escala). ......................................................................................................................................... 32
Fig. 3.4 – Bancada de grauvaque amalgamada, a qual resultou da sobreposição de duas sequências de Bouma, em que as
Divisões d e e da sequência de Bouma inferior foram erodidas (entre a Brazieira e a Tameira na barreira esquerda da
estrada 503 no sentido sul-norte; moeda como escala)...................................................................................................... 32
Fig. 3.5 – Afloramento de Arenitos de Silves de atitude N120º,24ºSO (início do caminho Alcaria – RP; martelo, moeda e
lapiseira como escalas). I- Fotografia evidenciando leitos ou bolsadas de conglomerados e brechas intercalados com
arenitos finos a médios de cimento ferruginoso; II- Pormenor de um leito de conglomerado com elevada
heterogeneidade de clastos de grauvaque e quartzo angulosos e subangulosos suportados por uma matriz arenosa e
ferruginosa; III- Pormenor de uma figura erosiva. ........................................................................................................... 34
vii
Fig. 3.6 – Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas. I- Afloramento nas Eirinhas onde se evidencia uma
unidade pelítica predominante de cor avermelhada com níveis e camadas carbonatadas (dolomitos primários) perto do
topo; o afloramento é coroado por uma bancada de material piroclástico do Complexo vulcano-sedimentar; II- Esquema
do afloramento em I; III- Aspecto bicolor (avermelhado e esverdeado) dos pelitos no caminho Brazeira - moinhos da
Pena (martelo como escala).............................................................................................................................................. 36
Fig. 3.7 – Aspecto de uma bancada maciça de dolomitos do termo AB3 de PALAIN (1975) (vertente norte da RP; martelo
como escala)...................................................................................................................................................................... 37
Fig. 3.8 (I e II) – Intraclastos em camadas centimétricas de dolomitos nos Pelitos com evaporitos e intercalações
carbonatadas (sopé da vertente sul da RP, perto das Eirinhas; moeda como escala). ........................................................ 37
Fig. 3.9 – Estruturas sedimentares nas camadas centimétricas de dolomitos intercalados nos Pelitos com evaporitos e
intercalações carbonatadas (sopé da vertente sul da RP, perto das Eirinhas; moeda e martelo como escalas). I e II-
Bioturbação (no caso de II a camada está parcialmente tingida de vermelho); III- Fendas de contracção. ...................... 38
Fig. 3.10 – Nódulos carbonatados (calcrete) nos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas (So: N85º,16ºSSO)
(Eirinhas; lapiseira, moeda e martelo como escalas). I- Nódulos associados a camadas de carbonatos no topo da unidade,
formando horizontes; III- Nódulos no seio dos níveis pelíticos vermelhos; III- Pormenor do aspecto exterior dos
nódulos; IV- Pormenor do aspecto interior dos nódulos. .................................................................................................. 38
Fig. 3.11 – Nível carbonatado tingido de cor vermelha com fragmentos de argilitos (Ar), de carbonatos (Ca) e de
conchas (Co) e nódulos circulares cinzentos claros (No) (vertente sul da RP; moeda como escala). ................................ 39
Fig. 3.12 – Fragmento ósseo de estegocéfalo(?) integrado num nível carbonatado com fragmentos de argilitos e nódulos
circulares cinzento claros (vertente sul da RP); I- Vista longitudinal; II- Vista transversal (identificação gentilmente
realizada por J. PAIS da Universidade Nova de Lisboa)................................................................................................... 40
Fig. 3.13 – Gesso dos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas. I e II – Gesso nodular no seio de pelitos
vermelhos (no sopé da RP perto das Eirinhas; lapiseira e moeda como escalas); III- Gesso fibroso no seio de pelitos
vermelhos (no sopé da RP perto das Eirinhas); IV- Fragmento de gesso de aspecto brechóide, provavelmente injectado
na falha que limita a sul a RP. ........................................................................................................................................... 40
Fig. 3.14 – Coluna litostratigráfica de um afloramento do Complexo vulcano-sedimentar (caminho Brazieira - moinhos
da Pena)............................................................................................................................................................................. 43
Fig. 3.15 – Sequência métrica de material piroclástico fino da base do Complexo vulcano-sedimentar com estratificação
cruzada e vários níveis erosivos (Fonte do Vale do Álamo). ............................................................................................ 44
Fig. 3.16 – Diversos aspectos do material piroclástico da base do Complexo vulcano-sedimentar (martelo e lapiseira
como escalas). I- Bancada de cor amarelada evidenciando estratificação cruzada e superfícies de descontinuidade (Vale
do Álamo); II- Bancada de tonalidade branca ligeiramente tingida (Eirinhas); III- Bancada tingida de vermelho,
parecendo-se, à vista desarmada, aos Arenitos de Silves (Fonte do Vale do Álamo)........................................................ 44
Fig. 3.17 – Brecha vulcânica do Complexo vulcano-sedimentar (caminho Brazieira - moinhos da Pena; martelo e moeda
como escalas). I- Aspecto de uma brecha vulcânica com xenólitos de diversas litologias desde argilitos, carbonatos e
fragmentos de materiais de outros episódios magmáticos, que denotam um alinhamento preferencial (indicado pela seta
branca) concordante com a estratificação das unidades sub e suprajacentes; II- Pormenor da brecha vulcânica,
destacando-se uma inclusão de argilito provavelmente dos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas
subjacentes; III- Pormenor da brecha vulcânica, evidenciando-se uma inclusão de material piroclástico de um episódio
explosivo anterior. ............................................................................................................................................................. 45
Fig. 3.18 – Complexo vulcano-sedimentar, evidenciando uma chaminé de brecha a cortar uma intrusão. (estrada 1089,
entre a Penina e a Quinta do Freixo; martelo e lapiseira como escalas). I- Fotografia retratando dois episódios
magmáticos distintos que contactam por falha: uma intrusão magmática cortada por uma chaminé vulcânica – brecha
vulcânica com xenólitos de carbonatos, de argilitos e de material vulcânico de episódios anteriores; II- Pormenor da
brecha vulcânica, englobando diversos xenólitos incluindo fragmentos da intrusão adjacente, o que permite inferir que a
brecha é mais recente que a intrusão. ................................................................................................................................ 46
viii
Fig. 3. 19 – Pormenor de fragmentos de dolomitos do termo AB3 incluídos nas brechas explosivas (caminho Brazieira -
moinhos da Pena; moeda como escala). I- Xenólito marmorizado com uma auréola de alteração; II- Xenólito
marmorizado com zonações causadas por metamorfismo de contacto. ............................................................................ 46
Fig. 3.20 – Piroclastos estratificados S0: N80º,30ºS) (caminho Brazieira - moinhos da Pena; martelo e moeda como
escalas); I- Camadas centimétricas de material piroclástico grosseiro; II- Camadas centimétricas de material piroclástico
(Pr) muito grosseiro e muito vesiculado no seio de duas escoadas (Es), destacando-se ainda a existência de um nível
argiloso de tonalidade amarelada (Ar); III- Pormenor de uma camada de material piroclástico muito grosseiro, cujas
vesículas se encontram preenchidas com calcite. .............................................................................................................. 47
Fig. 3.21 – Aspecto de material piroclástico fino de cor amarelada com estratificação N80º,25ºS (caminho Brazieira -
moinhos da Pena; martelo como escala). .......................................................................................................................... 48
Fig. 3.22 – Intrusões do Complexo vulcano-sedimentar (estrada 1089, entre a Penina e a Quinta do Freixo; moeda como
escala). I- Fotografia evidenciando dois episódios magmáticos distintos retratados por uma intrusão magmática (IP) no
seio de uma intrusão anterior (IA); II- Pormenor da intrusão mais recente (IP), realçando-se vesículas esféricas de escape
de gases preenchidas com carbonato de cálcio (Am). ....................................................................................................... 48
Fig. 3.23 – Complexo vulcano-sedimentar (caminho Brazieira - moinhos da Pena; martelo e moeda como escalas). I-
Escoada basáltica com algumas vesículas preenchidas com carbonato de cálcio – amígdalas (S0: N90º,28ºS); II-
Pormenor de uma amígdala fusiforme (Am) que indica o sentido do escape dos gases para o topo da bancada. ............. 49
Fig. 3. 24 – Aspecto de um fragmento de uma intrusão de dolerito do Complexo vulcano-sedimentar, evidenciando uma
textura entre o gabro e o basalto e alguns cristais macroscópicos de olivina, de piroxenas e de hornebleda (vertente norte
da RP; martelo e moeda como escalas). ............................................................................................................................ 49
Fig. 3.25 – Nível argiloso de cor avermelhada de atitude N92º,30ºS, no seio de escoadas basálticas amigdalóides,
rejeitado 50 cm por uma falha inversa N35º,58ºN (caminho Brazieira - moinhos da Pena; martelo como escala). .......... 49
Fig. 3.26 – Transição entre material piroclástico grosseiro, à direita, e argilas vermelhas, à esquerda, as quais marcam o
topo do Complexo vulcano-sedimentar (caminho Brazeira - moinhos da Pena; martelo como escala). ........................... 50
Fig. 3.27 – Aspecto de alteração de uma intrusão de dolerito (caminho Brazieira - moinhos da Pena; martelo como
escala). I- Intrusão de dolerito com o aspecto típico de grande fracturação, evidenciando-se a acção das raízes das
plantas no processo de alteração; I- Disjunção esferoidal – casca-de-cebola. .................................................................. 50
Fig. 3.28 – Algumas litologias de Formação de Picavessa (topo da RP; moeda como escala). I- Calcário dolomítico(?) de
tonalidades rosadas; II- Dolomito sacaróide muito poroso de cor rosada. ........................................................................ 53
Fig. 3.29 – Pormenores das litologias da Formação de Picavessa. I- Calcário pisolítico (perto do topo da RP no caminho
pedestre na vertente sul); II- Fragmento de calcário oolítico, encontrado nos depósitos de vertente (vertente norte da
RP); III- Laminações, provavelmente originadas por microalgas (perto do topo da RP no caminho pedestre na vertente
sul). ................................................................................................................................................................................... 53
Fig. 3.30 – Pormenores das litologias da Formação de Picavessa (moeda como escalas). I- Calcário com pisólitos (Pi) e
fragmentos de gastrópodes (Ga), evidenciando-se um estilólito (Es) a atravessar a amostra (topo da RP); II- Calcário
bioclástico (caminho pedestre na vertente oeste da RP). ................................................................................................... 54
Fig. 3.31 – Aspecto brechóide de uma bancada carbonatada in situ com estratificação N55º,18ºNO (sector central da RP
junto à escarpa sul; martelo como escala). ........................................................................................................................ 55
Fig. 3.32 – Brecha dolomítica (150 m a leste do Vértice Geodésico; martelo e moeda como escalas). I- Aspecto da
brecha com pátina de oxidação a mascarar um pouco o aspecto brechóide. II- Pormenor da brecha dolomítica de textura
sacaróide com clastos subangulosos a muito angulosos. ................................................................................................... 55
Fig. 3.33 – Estilólitos (perto do topo da RP no caminho pedestre na vertente sul; martelo e moeda como escalas). I-
Estilólitos litostáticos paralelos à estratificação (S0: N90º,20ºN); II- Estilólitos tectónicos perpendiculares à
estratificação (S0: N90º,20ºN). .......................................................................................................................................... 55
Fig. 3.34 – Aspecto das cascalheiras e areias de aluviões plio-plistocénicos, destacando-se a sua composição em areias,
seixos e blocos de quartzo, quartzito, grauvaque, xisto e Arenitos de Silves rolados e pouco rolados de dimensão variável
(estrada Tameira - Casa Branca; martelo como escala). .................................................................................................... 58
ix
Fig. 3.35 – Afloramento das cascalheiras e areias de aluviões plio-plistocénicos onde é possível observar paleocanais e
figuras erosivas de canal (estrada Tameira - Casa Branca). .............................................................................................. 58
Fig. 3.36 – Cascalheiras plio-plistocénicas cuja imbricação dos seixos indica uma paleocorrente para leste (indicada pela
seta amarela) (estrada Tameira - Casa Branca; martelo como escala). .............................................................................. 58
Fig. 3.37 – Nódulos, provavelmente provenientes da Formação e Mira, incluídos nos aluviões plio-plistocénicos (estrada
Tameira - Casa Branca; moeda como escala). I- Aspecto exterior dos nódulos; II e III- Pormenor do interior de alguns
nódulos, os quais podiam conter restos de organismos, provavelmente goniatites; no caso de (III) realça-se a existência
de uma estrutura septária. .................................................................................................................................................. 59
Fig. 3.38 – Brechas cársicas na RP associadas à Formação de Picavessa (martelo, moeda e esferográfica como escalas). I
e II- Aspecto de brechas cársicas que preenchem o carso e que se encontram expostas na escarpa sul da RP; III e IV-
Pormenores de brechas cársicas que constituem a escarpa sul da RP no interior de uma cavidade artificial com cerca de 5
m de desenvolvimento horizontal; V- Aspecto da brecha cársica na escarpa norte da RP. ............................................... 61
Fig. 3.39 – Terra rossa com concreções de óxidos de ferro (Co) (no caminho pedestre no topo da RP, perto do Algar da
Caldeirinha; moeda como escala)...................................................................................................................................... 62
Fig. 3.40 – Vertente norte da RP. I- Fotografia evidenciando um bloco de brecha cársica (Br) destacado da escarpa (Es)
e depósitos de vertente (Dv) na base da escarpa. II- Pormenor do bloco destacado de brecha cársica, realçando-se uma
fractura (D1: N148º,90º) subparalela à escarpa possivelmente associada a distensão gravítica......................................... 63
Fig. 3.41 – Depósitos de vertente na vertente norte da RP. I- Depósitos de vertente no sector este da vertente norte; II e
III- Pormenor dos depósitos de vertente na escarpa norte, observando-se uma concentração caótica e uma elevada
heterogeneidade dos calhaus e blocos de calcários e dolomitos provenientes da escarpa. ................................................ 64
Fig. 3.42 – Depósitos de vertente com clastos de carbonato de dimensão variada com uma matriz argilosa (rególito e
terra rossa) na vertente oeste da RP (martelo como escala). ............................................................................................ 64
Fig. 3.43 – Depósitos de vertente (DV) com clastos de diversas litologias, incluindo fragmentos de rochas vulcânicas
piroclásticas, a coroar um afloramento dos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas (P) (S0: N77º,20ºS), a
norte da aldeia Penina. ...................................................................................................................................................... 65
Fig. 3.44 – Estrutura da RP. I- Mapa geológico com a localização dos cortes geológicos (cartografia do autor e adaptada
de MANUPPELLA, 1992b; base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal à escala 1/25.000 do IGEO); II- Corte
geológico de direcção N-S realizado no sector este da RP; III- Corte geológico de direcção N-S realizado no sector oeste
da RP. ................................................................................................................................................................................ 69
Fig. 3.45 – Modelo conceptual para o comportamento da Falha de São Marcos - Quarteira em S. Bartolomeu de
Messines para explicar a variação de espessura das unidades triásicas e infra-liásicas (adaptado de TERRINHA, 1998). .. 70
Fig. 3.46 – Afloramento da Formação de Mira com camadas em posição normal, evidenciando um dobramento vergente
para SO recortado e deslocado por falhas inversas e com clivagem tectónica moderada associada (S1) (na barreira
esquerda da estrada 503, entre a Brazieira e a Tameira, no sentido sul-norte). I- Fotografia do afloramento; II-
Esquematização do afloramento. ....................................................................................................................................... 71
Fig. 3.47 – Afloramento da Formação de Mira com camadas sub-horizontais (S0) em posição normal (entre a Brazieira e
a Tameira na barreira esquerda da estrada 503 no sentido sul-norte; martelo como escala). I- Fotografia evidenciando
uma clivagem tectónica moderada (S1: N0º,30ºE) num nível argiloso – xistos argilosos; II- Fotografia destacando a
refracção da clivagem – clivagem tectónica oblíqua nos xistos argilosos e quase perpendicular à estratificação nos
grauvaques (Cv). ............................................................................................................................................................... 72
Fig. 3.48 – Modelo digital do terreno com a geologia da RP e área envolvente e com a localização das sete estações de
medição das diáclases (modelo elaborado por Victor Correia). ........................................................................................ 73
Fig. 3.49 – Afloramento de Arenitos de Silves de atitude N120º,24ºSO afectado por 3 famílias de fracturas principais
(D1: N55º,90º; D2: N0º,90º e D3: N100º,90º) (estação 2; caminho Alcaria - RP; martelo como escala). .......................... 76
Fig. 3.50 – Fracturação N80º,85ºS (D1) a afectar o Complexo vulcano-sedimentar (estação 4; caminho Brazeira -
moinhos da Pena; martelo como escala). .......................................................................................................................... 77
x
Fig. 3.51 – Afloramento da Formação de Picavessa (estação 5; perto do topo da RP, no caminho pedestre na vertente sul;
martelo como escala). I- Panorâmica do afloramento; II- Pormenor do afloramento evidenciando-se três famílias de
fracturas principais (D1: N85º,80ºS; D2: N10º,80ºE e D3: N145º,80ºE). .......................................................................... 77
Fig. 3.52 – Afloramento da Formação de Picavessa na escarpa norte no sector nordeste (estação 7; martelo como escala).
I- Área onde foram realizadas a medições das diáclases; II- Pormenor do afloramento evidenciando-se o padrão
ortogonal de duas famílias de diáclases (D1: N172º,72ºE e D2: N82º,55ºS). ..................................................................... 77
Fig. 3.53 – Esquema que retrata a origem de diáclases de tracção associadas a dobramentos, as quais apresentam-se
paralelas ao eixo das dobras (adaptado de JAKUCS, 1977)................................................................................................. 79
Fig. 3.54 – Escarpa norte na parte central da RP, evidenciando-se diversas diáclases subparalelas à escarpa (indicadas
pelas setas amarelas), as quais condicionam o colapso de blocos e o recuo da escarpa; muitas dessas diáclases
encontram-se preenchidas por material brechóide. ........................................................................................................... 80
Fig. 3.55 – Fractura com alinhamento aproximadamente E-O, associada ao abatimento de cavidades cársicas
subterrâneas; abertura com cerca de 50 cm de largura (perto da entrada do Algar dos Mouros). ..................................... 80
Fig. 3.56 – Modelo digital de terreno com a elevação, a hidrografia e o alinhamento dos relevos da área de estudo. ...... 81
Fig. 3.57– Mapa geomorfológico da RP. 1- Topo e base da vertente; 2-Vertente rectilínea (a proximidade dos traços
verticais indica maior declive); 3- Escarpa de falha; 4- Cornija; 5- Falha; 6- Linha de água; 7- Sentido da inclinação da
superfície topográfica; 8- Dolina; 9- Campo de lapiás; 10- Algar (a- Algar da Caldeirinha; b- Algar dos Mouros); 11-
Ponto cotado e Vértice Geodésico (altitude em metros); 12- Povoação; 13- Amuralhamento de cascalheiras do Neolítico;
cartografia realizada com recurso a trabalho de campo e a fotografias aéreas à escala 1:15.000 fornecidas pelo IGEO;
base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal à escala 1/25.000 do IGEO. .................................................... 82
Fig. 3.58 – Vertente norte da RP. I- Panorâmica da vertente norte da RP, evidenciando-se a escarpa com orientação E-O;
II- Pormenor da escapa norte no sector este da RP, observando-se uma zona mais recuada (A) e um grande bloco de
brecha cársica destacado da escarpa (B). .......................................................................................................................... 82
Fig. 3.59 – Vertente sul da RP. I- Panorâmica da vertente sul da RP, evidenciando-se uma escarpa bastante imponente
com orientação E-O; II- Pormenor da escapa sul no sector oeste da RP, observando-se uma zona de abatimento (A) de
uma ou de várias cavidades cársicas e blocos de brecha cársica destacados da escarpa (B). ............................................ 83
Fig. 3.60 – Campo de lapiás (Karrenfeld) semi-enterrado, apresentando algumas arrestas vivas no topo da RP (martelo
como escala)...................................................................................................................................................................... 85
Fig. 3.61 – Alguns exemplos de lapiás na RP (martelo e bússola como escalas). I- Lapiás de arestas vivas, observando-se
a influência das diáclases na delimitação das lâminas (sector noroeste do topo da RP); II- Lapiás onde é notória a
influência da orientação das fracturas (N100º,40ºS), subparalela à escarpa norte (no topo da RP junto à escarpa norte). 86
Fig. 3.62 – Formas menores de corrosão dos lapiás (bússola, lapiseira e martelo como escalas). I- Lapiás com sulcos
rectilíneos sob a influência da fracturação com orientação preferencial N70º, portanto subparalela às escarpas da RP
(escarpa sul da RP); II- Caneluras de largura centimétrica e palalelas (sector este do topo da RP); III- Pia de dissolução
com bordos aguçados e forma rectangular (sector este do topo da RP); IV- Pia de dissolução com forma de poço
desenvolvida numa brecha, o que indica uma evolução cársica polifásica na RP (sector oeste no topo da RP). .............. 86
Fig. 3.63 – Alguns aspectos característicos na superfície dos lapiás (topo da RP; martelo e lapiseira como escalas). I-
Corrosão alveolar em dolomitos com um aspecto ruiniforme; II- Corrosão alveolar em dolomitos cujo aspecto se
assemelha a favos-de-mel; III- Corrosão em dolomitos, que ao sublinhar as fendas e fracturas confere um aspecto
rendilhado tipo pele-de-elefante. ....................................................................................................................................... 87
Fig. 3.64 – Duas dolinas alinhadas na direcção E-O e embutidas numa depressão maior, no sector oeste da RP
(contornos da depressão maior representados com elipse de cor laranja; fundo das dolinas assinalado com elipses de cor
amarela). ........................................................................................................................................................................... 88
Fig. 3.65 – Grutas tipo algar na RP (martelo como escala). I- Abertura do Algar dos Mouros na parte central do topo da
RP; II- Entrada do Algar da Caldeirinha no sector oeste do topo da RP. .......................................................................... 89
Fig. 3.66 – Estruturas típicas do carso subterrâneo expostas nas escarpas da RP (martelo e moeda como escalas). I-
Espeleotemas na escarpa sul; II- Algumas estalactites na escarpa norte; III e IV- Cavidades preenchidas com brechas
cársicas (mistura de fragmentos de calcários e dolomitos e terra rossa) na escarpa sul. .................................................. 90
xi
Fig. 3.67 – Fragmentos de grauvaque no topo da RP (martelo como escala). ................................................................... 92
Fig. 3.68 – Perfil entre o Juncal e a RP ilustrando a continuidade, na orla, da superfície de aplanação do soco Paleozóico
(retirado de ALMEIDA, 1985) ............................................................................................................................................. 92
Fig. 3.69 – Vista da cota 481 m a sudoeste do Barranco-do-Velho para oeste, destacando-se a aplanação que nivela os
cimos do Maciço Antigo e da Orla Algarvia (retirado de FEIO, 1952). A partir da RP já pertencente à Orla Algarvia: à
direita e no primeiro plano, o relevo de xistos da Serra Algarvia (Negros, Juncal); à esquerda, o relevo calcário do
Barrocal Algarvio (Soídos, Cabeço da Areia, Rocha Amarela, etc.); Salir está situado na depressão periférica (margas
hetangianas); na Orla, adivinha-se pela feição do relevo, a inclinação das camadas para sul. .......................................... 92
Fig. 3.70 – Esquema simplificado da evolução das escarpas norte e sul da RP. ............................................................... 94
Fig. 3.71 – Esquema da génese e da estrutura da RP. ....................................................................................................... 96
LISTA DE TABELAS
CAPÍTULO 3
Tabela 3.1 – Quadro síntese da estratificação evidenciada pelas unidades litostratigráficas da RP............... 67
Tabela 3.2 – Síntese das diáclases medidas em sete estações na área de estudo. ........................................... 74
xii
CAPÍTULO 1
– INTRODUÇÃO –
1. INTRODUÇÃO
pormenorizados.
acompanhamento do texto.
presentemente uma área protegida sob a figura do Sítio Classificado da RP, nos termos do
2
Capítulo 1 – Introdução
_____________________________________________________________________________________________________________
N
Alcoutim
Área de estudo
N Odeceixe Martilongo
124
Estrada
Lisboa
Serra de Monchique
Aljezur IC1
Faro Localidades
Monchique 50 km
Serra do Caldeirão
São Bartolomeu A02 503 124
de Messines
Serra do Espinhaço Salir
Alte Castro
de Cão 124 124 Barranco do Velho Marim
124 Benafim 525
Silves Tôr
524
A22
396
S. Brás de Alportel
125 V. R. Sto.
Odiáxere IC1 525
125 António
Boliqueime Tavira
Portimão
A22 Loulé
125 A22
Lagoa Guia
Vila do 125 Lagos 125
Bispo Luz
Albufeira Quarteira
Olhão
Sagres Faro 125
Cabo de
São Vicente
0 20 km
Ponta de
I
Sagres
II 0 1000 m
Fig. 1.1 – Localização geográfica da área de estudo. I – Mapa do Algarve com a localização da área de
estudo; II – Parte da folha 588 da Carta Militar de Portugal, na escala original 1/25.000, do Instituto
Geográfico do Exército, com a delimitação da área de estudo e do Sítio Classificado da RP.
Fig. 1.2 – Panorâmica da vertente sul da RP (fotografia tirada a partir da vila de Salir).
reconhecimento suficiente para ser citada nos mais diversos tipos de literatura e meios de
3
Capítulo 1 – Introdução
_____________________________________________________________________________________________________________
FEIO (1952, p. 103), no seu trabalho sobre A Evolução do Relevo do Baixo Alentejo
PESSOA (1991, citado por Horta (1996)), no 1.º Congresso do Concelho de Loulé
um «(…) maciço calcário imponente, desde sempre referido como um dos pontos
HORTA (1996, p. 25), num estudo sobre o património e educação aplicado à aldeia
direcção ao cruzamento com a E.N. 124 que nos leva à aldeia da Pena (…)
avistamos imponente como se fosse uma muralha dum castelo altaneiro de uma
qualquer vila ou cidade portuguesa, a RP, só que esta foi construída pela própria
natureza, o que é mais uma razão para a admirarmos e pensar como devemos
concretizar com tanta perfeição, beleza estética, imponência e que marca uma
4
Capítulo 1 – Introdução
_____________________________________________________________________________________________________________
calcário;
estrangeiras, que destacam a RP pelas mais variadas razões, por exemplo, pela
morfologia cársica, pela flora e fauna, por constituir um local agradável para se
com o objectivo da criação de uma base de dados de sítios com interesse geológico
no território nacional, é feita nesta página Web uma pequena descrição de alguns
não menos comum é questionarem sobre a existência de informação que lhes possa
5
Capítulo 1 – Introdução
_____________________________________________________________________________________________________________
outro lado, durante a consulta da bibliografia não ficámos com uma ideia esclarecida sobre
a génese e as principais condicionantes responsáveis pela origem daquele relevo nem que
área. Além do mais, actualmente para a RP, enquanto local de reconhecido interesse
turistas e de outros interessados com ou sem formação científica, não existe um suporte
informativo sob a forma de materiais de apoio científico e educativo, como uma brochura,
Pelas razões acima referidas, a presente dissertação tenta, por um lado, contribuir
da RP e, por outro lado, reunir e produzir informações sobre a geologia daquele relevo e
seguintes objectivos:
pela génese do relevo da RP, iii) identificar locais de interesse geológico para a
6
Capítulo 1 – Introdução
_____________________________________________________________________________________________________________
Numa primeira fase, foi efectuada uma pesquisa bibliográfica com o objectivo de
1
Actividade outdoor, no sentido aqui empregue, refere-se a uma actividade realizada em ambiente natural como, por
exemplo, o estudo de um afloramento rochoso (ORION e HOFSTEIN, 1994). Contudo, é de realçar que este tipo de
actividade deve ter um carácter holístico e deve ser organizado e desenvolvido por monitores com preparação científica e
determinada disciplina e de um determinado nível de ensino. Por outro lado, o ensino não-formal engloba as actividades
extra-curriculares, como clubes de ciência, passeios pedestres e outras actividades realizadas no âmbito da divulgação e
7
Capítulo 1 – Introdução
_____________________________________________________________________________________________________________
estudo, onde foi realizada uma investigação a nível da litologia, estratigrafia, estrutura, e
publicadas pelos Serviços Geológicos de Portugal; ii) as cartas militares à escala 1/25.000
(folhas 587 e 588), publicadas pelo Instituto Geográfico do Exército; iii) as fotografias
geológica e geomorfológica foi utilizada a folha 588 da carta militar à escala 1/25.000, a
partir da qual se obteve, por ampliação, a base topográfica à escala 1/10.000; as medições
da atitude da estratificação foram efectuadas com recurso a uma bússola do modelo Suunto
estudo, tendo sido seleccionados alguns desses afloramentos para uma caracterização mais
8
Capítulo 1 – Introdução
_____________________________________________________________________________________________________________
Nas diversas etapas da dissertação foi utilizado diverso software como, por
mapas; vi) Microsoft Office Word 2002® – processamento de texto; vii) Macromedia
de 2005, durante quatro a seis dias por mês, com uma interrupção de aproximadamente três
meses (Julho, Agosto e Setembro), tendo depois sido feitas até finais de Agosto de 2006
9
CAPÍTULO 2
A área de estudo (Fig. 1.1), com cerca de 21.000 m2, localiza-se no Algarve, no
da Rocha da Pena e encontra-se no sector sudoeste da folha 588 (Salir) da Carta Militar de
distintas, de norte para sul (Fig. 2.1): i) Serra Algarvia; ii) Barrocal Algarvio e iii) Litoral
região algarvia mais setentrional, constituindo a barreira montanhosa que marca o final da
1938; p. 22). Os dois conjuntos de relevo que se destacam na Serra Algarvia são a Serra do
11
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
pela Falha de S. Marcos - Quarteira com orientação hercínica NO-SE (FEIO, 1952).
N
1
Serra de Monchique
Aljezur
500
300
200 2
3
100
4 200
V.R.Sto.
Tavira António
Portimão
Lagos Quarteira
Albufeira
Sagres Faro
Cabo de 0 20 km
São Vicente
Ponta de
Sagres
Litoral Meridional
Barlavento Sotavento
Litoral Algarvio Barrocal Algarvio Serra Algarvia Curvas de nível 1- Falha de S. Marcos-Quarteira
Área de Estudo Limite entre zonas
(equidistância de 50 m) 2- Falha da Eira de Agosto
3- Falha de Alportel
4- Flexura do Algibre
Fig. 2.1 – Enquadramento geomorfológico do Algarve com a localização da Serra, Barrocal e Litoral (Litoral
Ocidental e Litoral Meridional: Barlavento e Sotavento) e alguns acidentes tectónicos (adaptado de FEIO,
1952; DIAS, 2001).
GOUVÊA, 1938), individualiza-se da Serra Algarvia por uma depressão, de orientação E-O,
(COELHO et al., 2001). A sul desta depressão periférica desenvolve-se o Barrocal Algarvio
(MANUPPELLA, 1992a, b; COELHO et al., 2001). Face aos alinhamentos do relevo e da rede
três direcções principais de fracturação: i) NO-SE; ii) NE-SO; e iii) E-O. Contudo, a
direcção E-O parece a que maior influência teve sobre o relevo, dado que no Barrocal
O Litoral Algarvio, que BONNET (1850) designou por Beira-mar e que mais tarde
12
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
Litoral Ocidental e Litoral Meridional (Fig. 2.1) (MANUPPELLA, 1992a, b; MOURA 1998;
Dias, 2001).
O Maciço Antigo, também conhecido por maciço hespérico, soco hercínico, soco
1981; ROSAS et al., 1993; MEDEIROS, 2000). Para o Maciço Antigo peninsular,
corresponde à Zona Sul Portuguesa (ZSP), a qual encontra-se limitada a norte pela Zona de
Ossa Morena (ZOM) e a sul pela Bacia Algarvia (Fig. 2.2) (RIBEIRO et al., 1979;
TEIXEIRA, 1981; OLIVEIRA, 1990). A ZSP no Algarve encontra-se representada pela Faixa
Piritosa (ramo sul, Anticlinal de Alcoutim), pelo Grupo do Flysch do Baixo Alentejo e pelo
ZSP apenas está representada pelo Grupo do Flysch do Baixo Alentejo através da
quando se formou uma extensa plataforma siliciclástica, provavelmente, com uma área
continental emersa a sul e uma zona mais profunda a norte, onde existia um mar profundo
crosta continental (OLIVEIRA, 1992b, 2001). Esse mar profundo no Viseano sofreu inversão
13
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
em progressão para SO. Foi neste contexto tectónico que se formaram os turbiditos do
Grupo do Flysch do Baixo Alentejo (OLIVEIRA, 1992b, 2001). Essa compressão orogénica,
2001), foi responsável pela elevação da parte da Cadeia Varisca correspondente à actual
ZSP e pela consequente erosão e aplanação desses terrenos durante o Pérmico e grande
1992).
9º 8º 7º
N
Mt
Beja
38º 38º
Aljustrel
Odemira Mértola
Neves Corvo
Pomarão
Mi Mt
Alcoutim
Aljezur
Br
Bordeira
B ABACIA
C I A AALGARVIA
LGARVIA
Faro
Sagres
37º 37º
9º 8º 7º
Grupo do Flysch do
Baixo Alentejo
Fig. 2.2 – Mapa geológico da ZSP e enquadramento da área de estudo no Maciço Antigo (modificado de
OLIVEIRA, 1990).
14
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
direcção aproximadamente E-O que se estende, na parte emersa (onshore), desde o cabo de
Triásico Médio a Superior e o Quaternário com uma grande lacuna sedimentar desde o
Miocénico (Figs. 2.5 e 2.6) (TERRINHA e RIBEIRO, 1995; TERRINHA, 1998; PAIS et al.,
N Odeceixe
Lisboa
Faro
50 km
Monchique Cachopo
Aljezur
Barranco
do Velho
Salir
Nave do Barão
Castro Marim
Silves Tôr
V. R. Sto.
Loulé S. Brás de Alportel Cacela António
Lagoa
Portimão
Vale Judeu Tavira
Lagos
Moncarapacho
Albufeira
Quarteira
Olhão
Faro
Cabo de
São Vicente
Sagres 0 20 km
Ponta de
Sagres
Alto Fundo de
Sub-bacia Ocidental Budens-Lagoa Sub-bacia Oriental
Soco Paleozóico Bacia Algarvia Sienito de Monchique Diapiro Falha inversa Falha Limite da Localidade Área de estudo 1- Flexura de Algibre
Bacia Algarvia 2- Flexura Sto. Estevão - Mte. Figo - Vale Judeu
3- Falha de Tavira
4- Falha de Faro
5- Falha de S. Marcos-Quarteira
6- Falha de Albufeira
7- Falha de Portimão
Fig. 2.3 – Principais estruturas tectónicas e diapíricas da Bacia Algarvia (adaptado de MANUPPELLA et al.,
1988; RIBEIRO et al., 1990).
15
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
N Odeceixe
Lisboa
Monchique Faro
50 km
Alzejur
Barranco
do Velho
Silves
V. R. Sto.
Loulé António
Tavira
Portimão
Lagos
Albufeira Quarteira
Faro
Cabo de Sagres 0 20 km
São Vicente
Ponta de
Sagres
Alto Fundo de
Sub-bacia Ocidental Budens-Lagoa Sub-bacia Oriental
Fig. 2.4 – Mapa geológico simplificado da região do Algarve (adaptado de MANUPPELLA et al., 1988; OLIVEIRA et al., 1992; MANUPPELLA, 1992a, b; KULLBERG et al., 1992; TERRINHA, 1998).
16
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
Fig. 2.5 – Tabela estratigráfica sintética do Mesozóico do Algarve (adaptado de OLIVEIRA et al., 1992 in
DIAS, 2001).
17
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
Fig. 2.6 – Tabela estratigráfica sintética do Cenozóico do Algarve (adaptado de Pais et al., 2000).
18
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
trabalhos de PALAIN (1975, 1977) e de ROCHA (1976) (Fig. 2.7), que dedicam especial
Dolomitos e calcários
dolomíticos de Espiche
?
”Grés de Silves”
Topo dos
? – >50 m
LIÁSICO
Hetangiano
Complexo
margo-carbonatado
A Hetangiano
de Silves
Termo AB3 0-16m A
Limite cartográfico
80 – 200 m
A Hetangiano
?
Termo AB2
50 – 80 m
mV Triásico
“Grés de Silves”
Triásico superior
TRIÁSICO
Limite cartográfico
MV
MV
A Keuper
10 – 150 m
Termo AB1
10 – 140 m
A
Unidade AA
0 – 100 m
0 – 60 m
Xistos e grauvaques
(Carbonífero)
1- 2- 3- 4- 5- 6- 7- 8-
19
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
associadas à fronteira entre as placas ibérica e africana (Fig. 2.8) (VEGAS, 1988; TERRINHA
abertura do oceano Atlântico Norte e a expansão do oceano Tétis para ocidente (Neo-Tétis
do Atlântico Norte esteve associada ao desenvolvimento dos ramos N-S do ponto triplo a
entre a Ibéria e a América do Norte (RIBEIRO et al., 1984; DIAS, 2001). Por sua vez, o
fachada meridional (RIBEIRO et al., 1984; DIAS, 2001), os quais foram controlados pelo
lado, a origem da bacia cenozóica flexural algarvia, que se sobrepõe à bacia mesozóica,
aproximadamente E-O (Fig. 2.3), das quais se destacam: i) a Flexura do Algibre, que se
estende desde Vila Real de Sto. António a Portimão, com prolongamento para oeste ao
longo da Falha da Mexilhoeira Grande – Espiche, e ii) a Flexura de Sto. Estêvão - Monte
que provavelmente funcionam como zonas de transferência (DIAS, 2001), como acontece
20
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
Fig. 2.8 – Reconstrução paleogeográfica e tectónica da evolução da Península Ibérica desde o Carbonífero
Superior até ao presente (adaptado de JABALOY et al., 2002).
21
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
com a Flexura do Algibre, cortada pela Falha de Portimão - Monchique (N-S) e pela Falha
de S. Marcos - Quarteira (NO-SE) (KULLBERG et al., 1992; MANUPPELLA, 1992a, b). Estas
1988; TERRINHA, 1998; DIAS, 2001; DIAS e CABRAL, 2005), junto ao cruzamento da
Atlântico Norte –, com a Zona de Fractura de Açores - Gibraltar (ZFAG) disposta segundo
uma direcção E-O correspondente a uma zona de fronteira de placas difusa entre a Eurásia
Fig. 2.9 – Enquadramento geodinâmico da placa Ibérica no contexto da interacção das placas Africana e
Eurasiática (adaptado de VEGAS, 1988). 1- Crista Médio-Atlântica; 2- Fronteira de placas Ibéria - Eurásia abandonada; 3- Rift
dos Açores; 4- Zona de fractura da Glória; 5- Zona de deformação distribuída e de rotação de blocos (fronteira de placas difusa);
6- Zona de subducção Tirreniana; P- Pólo de rotação da Ibéria (Eurásia) - África.
22
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
De acordo com GRILLOT e ALMEIDA (1982), KULLBERG et al., (1992), DIAS (2001)
e TERRINHA et al., (2000a, b) pode-se resumir que a Bacia Algarvia, desde o Triásico, foi
23
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
enquadrar o conhecimento actual sobre a geologia da RP, citam-se algumas das principais
Algarve;
afirmando que o desgaste desenvolvido pela «(…) rêde fluvial aliado aos acidentes
Alto Algarve e o Algarve Calcário que desfez a antiga unidade morfológica» (p.
80); e que essa erosão diferencial «(…) fêz sobressair as “Rochas” [Rocha de
Messines, Rocha dos Soídos e RP], separando-as entre si por vales largos e
profundos (…) no limite dos terrenos do paleozóico» (p. 115). O mesmo autor
afirmando que «Foi a difusão das águas nos terrenos calcários e nas dolomias (…)
FEIO (1952, p. 103) descreve a RP como «(…) uma grande superfície estrutural,
3
O termo imunidade cársica aplicado neste contexto significa a manutenção de determinado relevo cársico
devido à reduzida erosão em virtude da ausência de escorrência subaérea nas superfícies plenamente
cársicas, contudo este termo também pode ser empregue como propriedade das rochas que resistem à
corrosão cársica (FÉNELON, 1967).
24
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
relatando que o topo daquele relevo estrutural é formado por dolomitos liásicos
Fig. 2.10 – Corte nos relevos do Algarve Central, evidenciando-se a estrutura em mesa da RP destacada por
erosão diferencial, e o contacto por falha das formações mesozóicas com o Maciço Antigo (adaptado de
FEIO, 1952). 1- xistos do maciço antigo; 2- Triásico e Hetangiano, constituído por margas (incluem-se também nesta convenção
algumas ofites (doleritos) que não foi possível individualizar); 3- ofites; 4- dolomias e calcários do Liásico.
Complexo vulcano-sedimentar;
25
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
RP (Fig. 2.11), tendo em conta a estrutura em sinclinal aberto referida por FEIO
Picavessa;
que a cornija imponente da RP referida por FEIO (1952) é uma escarpa de falha,
Legenda
N
Aluviões, areias e lodos (Quaternário)
Rocha da Pena
Areias e Cascalheiras de Faro-Quarteira (Plistocénico)
Limite geológico
Falha
2 km
I Falha fotointerpretada
26
Capítulo 2 – Enquadramento da área de estudo
_____________________________________________________________________________________________________________
Rocha da Pena
II
Fig. 2.12 – Geologia da RP e da área envolvente segundo OLIVEIRA (1992a). I- Mapa geológico da RP e da
sua área envolvente; II- Corte geológico de direcção NNO-SSE, atravessando o sector oriental da RP.
27
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
CAPÍTULO 3
3.3. Geomorfologia
28
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
texto, gráficos, figuras ou quadros que sejam total ou parcialmente resultado de outros
inequívoca a sua fonte. No caso das fotografias apresentadas, a sua localização encontra-se
entre o Jurássico Inferior e, pelo menos, o Pliocénico (Fig. 3.1 e Apêndice II).
De seguida serão descritas, das mais antigas para as mais recentes, as unidades
29
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Aluvião Argilas, siltes, areias e A cobrir o fundo dos vales Continental fluvial; actualmente em
seixos rolados que rodeiam a RP fase de assoreamento
Clastos e blocos angulosos A cobrir as vertentes da RP Continental; erosão subaérea;
Depósitos de vertente associados à evolução dos relevos
Quaternário
v v v
v Materiais piroclásticos
v v
Jurássico Inferior
Paleocorrentes de N para
Arenitos, siltitos, argilitos e
Até 65 m
Argilitos, siltitos e v v v Piroclastos, tufos vulcânicos, brechas Dolomitos, calcários Areias, siltes, argilas e
arenitos finos vulcânicas e escoadas de basaltos dolomíticos e calcários seixos rolados
Conglomerados Dolomitos e calcários Clastos e blocos angulosos
Material argiloso de rochas carbonatadas
Arenitos, siltitos e Clastos e blocos angulosos de rochas
argilitos Gesso Intrusões de doleritos
carbonatadas cimentados, depósito argiloso
Xistos argilosos e
grauvaques Halite Material piroclástico Areias, siltes, argilas e seixos rolados
30
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
3.1.1. Carbonífero
estruturas sedimentares, tais como, marcas de arraste (Fig. 3.2) e sequências de Bouma
(Fig. 3.3), bem como estruturas erosivas, como é o caso de bancadas de grauvaque
e localmente surgem tingidas de vermelho. Apesar de não terem sido encontrados na área
de estudo, esta unidade possui alguns conglomerados com clastos provenientes da Faixa
al., 1979; OLIVEIRA, 1992b, c, 2001; OLIVEIRA e OLIVEIRA, 1996). Esta formação constitui
Locais de boa observação: ao longo da estrada 503 entre Alcaria e Tameira (sector
31
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Divisão e (Argilas)
Divisão c
(Areias com laminação cruzada)
Divisão b
Divisão a
Superfície de amalgação
Divisão c
Divisão b
1.ª Sequência de Bouma
Divisão a
Fig. 3.4 – Bancada de grauvaque amalgamada, a qual resultou da sobreposição de duas sequências de
Bouma, em que as Divisões d e e da sequência de Bouma inferior foram erodidas (entre a Brazieira e a
Tameira na barreira esquerda da estrada 503 no sentido sul-norte; moeda como escala)
(OLIVEIRA e OLIVEIRA, 1996; TORSVIK et al., 2002). Nessa altura, o oceano Rheic estava a
32
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Os Arenitos de Silves são uma unidade detrítica composta por arenitos, argilitos e
MANUPPELLA, 1988). Na área de estudo, os arenitos são de grão médio a fino de cimento
por uma matriz argilo-arenítica (Fig. 3.5), cuja proveniência é das formações da ZSP e,
com redução da fracção arenítica e gradual aumento da fracção argilosa (AZERÊDO et al.,
2003).
33
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
OSO ENE
II
III
Fig. 3.5 – Afloramento de Arenitos de Silves de atitude N120º,24ºSO (início do caminho Alcaria – RP;
martelo, moeda e lapiseira como escalas). I- Fotografia evidenciando leitos ou bolsadas de conglomerados e
brechas intercalados com arenitos finos a médios de cimento ferruginoso; II- Pormenor de um leito de
conglomerado com elevada heterogeneidade de clastos de grauvaque e quartzo angulosos e subangulosos
suportados por uma matriz arenosa e ferruginosa; III- Pormenor de uma figura erosiva.
sugerem ter sido transportados por uma rede hidrográfica, esporadicamente em regime
depocentros originados pelo rejogo das falhas variscas sinorogénicas (NO-SE e E-O) que
passaram a funcionar como falhas normais devido às forças distensivas relacionadas com a
TERRINHA, 1998; TERRINHA et al., 2000a). Supõe-se assim que o depocentro triásico se
al., 2000a). Esses sedimentos triásicos sugerem ainda ter sido depositados em clima quente
Península Ibérica no continente Pangea (TORSVIK et al., 2002; BUCHDAHL, 1999). Porém,
localmente existiam áreas húmidas a formar charcos onde viviam estegocéfalos, bivalves
34
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
do género Estheria e outros seres aquáticos (AZERÊDO et al., 2003; PALAIN, 1975). Os
leitos de conglomerados e brechas podem ser interpretados como materiais depositados nos
canais fluviais activos, enquanto os materiais mais finos, ricos em óxidos de ferro,
(NICHOLS, 1999).
Hetangiano)
2003). Estes evaporitos, cuja espessura original não é conhecida, apenas ocorrem de forma
vermelhos, por vezes violáceos e esverdeados, os quais são o componente mais importante
35
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
SE NO
Falha normal: N28º,66NO
NC
v v v v v v
II v v
v
v
v v
v
v
v v v
v v v v v
So: N85º,16ºSE
v v Material piroclástico do
v Complexo vulcano-sedimentar
intercalações carbonatadas
Pelitos com evaporitos e
Níveis carbonatadas
intercalados nos pelitos
2m
Níveis pelíticos com alguns
nódulos carbonatados dispersos
36
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
No caso das camadas mais espessas, estas são bancadas maciças de cor parda a cinzenta
(Fig. 3.7), enquanto as camadas menos espessas normalmente são argilosas de cor branca a
3.8), fendas de contracção e bioturbação (Fig. 3.9). Existem ainda nódulos carbonatados –
calcrete – a formar horizontes ou dispersos no seio dos materiais pelíticos (Fig. 3.10). As
visíveis, foram utilizadas como limites cartográficos para marcar o contacto entre a
Topo da camada
Secção da camada
I II
Fig. 3.8 (I e II) – Intraclastos em camadas centimétricas de dolomitos nos Pelitos com evaporitos e
intercalações carbonatadas (sopé da vertente sul da RP, perto das Eirinhas; moeda como escala).
37
III
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
I II
III IV
Fig. 3.10 – Nódulos carbonatados (calcrete) nos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas
(So: N85º,16ºSSO) (Eirinhas; lapiseira, moeda e martelo como escalas). I- Nódulos associados a camadas de
carbonatos no topo da unidade, formando horizontes; III- Nódulos no seio dos níveis pelíticos vermelhos;
III- Pormenor do aspecto exterior dos nódulos; IV- Pormenor do aspecto interior dos nódulos.
38
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
esverdeados claros, cuja cor original parece ser o cinzento-esverdeada clara sendo a cor
vermelha adquirida (Fig. 3.11); neste nível foi encontrado um fragmento ósseo que parece
Em relação aos evaporitos (Fig. 3.13), apenas foi encontrado gesso sob a forma
nodular e fibrosa nas Eirinhas, na base sul da RP, e sob a forma de fragmentos
brechificados, na Fonte Feita no alinhamento da falha E-O que atravessa a vertente sul da
RP.
Locais de boa observação: ao longo da base sul da RP, desde a Penina até à Pena;
Ar
Co
No
Ca
39
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
2 cm 1,5 cm
I II
Fig. 3.12 – Fragmento ósseo de estegocéfalo(?) integrado num nível carbonatado com fragmentos de argilitos
e nódulos circulares cinzento claros (vertente sul da RP); I- Vista longitudinal; II- Vista transversal
(identificação gentilmente realizada por J. PAIS da Universidade Nova de Lisboa)
I II
III IV
Fig. 3.13 – Gesso dos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas. I e II – Gesso nodular no seio de
pelitos vermelhos (no sopé da RP perto das Eirinhas; lapiseira e moeda como escalas); III- Gesso fibroso no
seio de pelitos vermelhos (no sopé da RP perto das Eirinhas); IV- Fragmento de gesso de aspecto brechóide,
provavelmente injectado na falha que limita a sul a RP.
40
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
dolomíticos com faunas marinhas, a que se associam evaporitos, sugerem que esta unidade
tenha tido origem num contexto de subsidência progressiva da área deposicional com a
(MANUPPELLA, 1988; AZERÊDO et al., 2003). Estas condições, associadas ao clima quente
ambiente sedimentar existente, com pulsos regressivos, e num clima quente e seco. Porém,
1999; SUGUIO, 2003), não necessitando assim de existir exposição subaérea. Os nódulos de
paleossolos (NICHOLS, 1999). Os intraclastos podem ser explicados como sendo camadas
de carbonatos muito finas que acabaram por ser fragmentadas e remobilizadas: i) por
árido e quente vigente; estes clastos de carbonatos eram depois reintegrados em episódios
41
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
presença de estegocéfalos num nível próximo do topo da unidade levanta problemas nesta
datação, pois supostamente estes anfíbios deveriam estar extintos no Jurássico (MELENDEZ,
é remobilizado a partir de litologias dos Arenitos de Silves drenados de norte para sul de
acordo com as paleocorrentes locais, o que é possível, pois de facto existe a norte uma
faixa de Arenitos de Silves que no passado seria mais extensa; ii) o fóssil é contemporâneo
dos sedimentos e, neste caso, os Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas são
intrusões de doleritos (ROMARIZ et al., 1976, 1979; MARTINS, 1991; MANUPPELLA, 1988).
disso, estes materiais vulcânicos, por vezes, encontram-se cimentados por carbonato de
cálcio.
42
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
?
6m
Material argiloso de cor vermelha (Fig. 3.26)
(3)
(4)
(3)
Escoada basáltica amígdalóide
12 m
(3) (4) Camadas centimétricas de material piroclástico grosseiro e vesicular (1 m de espessura) (Fig. 3.20 – II e III)
(3) Níveis argilosos de tonalidades amareladas (Fig. 3.20 – II)
0,2 m Nível argiloso de cor avermelhada rejeitado 50 cm por uma falha inversa N35º,58ºN; S0: N92º,30ºS (Fig. 3.25)
Escoada basáltica amígdalóide (vesículas preenchidas com CaCO3); com diáclases N34º e N70º;
8m
desligamento esquerdo N130º
(2) base da escoada de textura maciça, fina e pouco vesicular (Fig. 3.23)
(2)
Contacto com direcção N90º,30ºS
4m
Camada de material muito fino de cor avermelhada
1,7 m Tufos vulcânicos de grão fino, formando camadas de espessura centimétrica; S0: N85º,28ºS
(1)
4,5 m
Material piroclástico de grão fino, cor amarelada (Fig. 3.21)
1m Material piroclástico de grão fino, cor avermelhada, cimento carbonatado; S0: N85º,26ºS
?
43
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
3.17 e 3.18) (ROMARIZ et al., 1976, 1979). Os xenólitos que compõem as brechas
apresentam-se afectados por metamorfismo de contacto, como é o caso dos carbonatos que
44
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
se encontram marmorizados (Fig. 3.19). Estas brechas, por vezes, estão associadas a fluxos
II III
Fig. 3.17 – Brecha vulcânica do Complexo vulcano-sedimentar (caminho Brazieira - moinhos da Pena;
martelo e moeda como escalas). I- Aspecto de uma brecha vulcânica com xenólitos de diversas litologias
desde argilitos, carbonatos e fragmentos de materiais de outros episódios magmáticos, que denotam um
alinhamento preferencial (indicado pela seta branca) concordante com a estratificação das unidades sub e
suprajacentes; II- Pormenor da brecha vulcânica, destacando-se uma inclusão de argilito provavelmente dos
Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas subjacentes; III- Pormenor da brecha vulcânica,
evidenciando-se uma inclusão de material piroclástico de um episódio explosivo anterior.
45
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Brecha
Intrusão
1m
I II
Fig. 3.18 – Complexo vulcano-sedimentar, evidenciando uma chaminé de brecha a cortar uma intrusão.
(estrada 1089, entre a Penina e a Quinta do Freixo; martelo e lapiseira como escalas). I- Fotografia retratando
dois episódios magmáticos distintos que contactam por falha: uma intrusão magmática cortada por uma
chaminé vulcânica – brecha vulcânica com xenólitos de carbonatos, de argilitos e de material vulcânico de
episódios anteriores; II- Pormenor da brecha vulcânica, englobando diversos xenólitos incluindo fragmentos
da intrusão adjacente, o que permite inferir que a brecha é mais recente que a intrusão.
I II
Fig. 3. 19 – Pormenor de fragmentos de dolomitos do termo AB3 incluídos nas brechas explosivas (caminho
Brazieira - moinhos da Pena; moeda como escala). I- Xenólito marmorizado com uma auréola de alteração;
II- Xenólito marmorizado com zonações causadas por metamorfismo de contacto.
outros constituem tufos de lapili de grão fino, médio ou mesmo grosseiro (Figs. 3.20 e
3.21) (ROMARIZ et al., 1976, 1979). A intercalar com as brechas e os tufos vulcânicos
46
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
carbonatadas (Figs. 3.22 e 3.23). De notar, que no seio das escoadas e dos próprios tufos
vulcânicos (Figs. 3.20 e 3.25). Estes níveis são mais frequentes perto do topo do
Complexo, que termina com um nível de argilas vermelhas (tufos vulcânicos argilosos?)
Es
Pr
Es
I II Ar
47
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
IA
IP
1m
48
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Am
I II
Fig. 3.23 – Complexo vulcano-sedimentar (caminho Brazieira - moinhos da Pena; martelo e moeda como
escalas). I- Escoada basáltica com algumas vesículas preenchidas com carbonato de cálcio – amígdalas
(S0: N90º,28ºS); II- Pormenor de uma amígdala fusiforme (Am) que indica o sentido do escape dos gases
para o topo da bancada.
49
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
elevado grau de alteração (Fig. 3.27), o que dificulta a determinação das relações
Álamo e na E.N. 124 entre a Beirada e a Pena; na vertente norte – no caminho que
atravessa a vertente norte e que liga os moinhos da Pena à Quinta do Freixo; na vertente
I II
Fig. 3.27 – Aspecto de alteração de uma intrusão de dolerito (caminho Brazieira - moinhos da Pena; martelo
como escala). I- Intrusão de dolerito com o aspecto típico de grande fracturação, evidenciando-se a acção das
raízes das plantas no processo de alteração; I- Disjunção esferoidal – casca-de-cebola.
50
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
et al., 2000a; LOPES, 2002). Os materiais que compõem o Complexo foram originados por
vulcânicos). Porém, estes episódios explosivos foram intercalados com episódios efusivos
podem ser interpretadas como partes de chaminés vulcânicas (ROMARIZ et al., 1979;
ALMEIDA, 1985), enquanto outras, como fluxos de lavas viscosas englobando piroclastos e
xenólitos que escoavam ao longo das vertentes dos centros vulcânicos, evidenciado pelo
unidade parecem ter sido remobilizados e transportados por um fluxo, aquático ou eólico, e
a sua espessura variável pode ser explicada: i) com a distância aos centros vulcânicos;
ii) como resultado de centros vulcânicos com uma evolução distinta de centros vizinhos, ou
Nesse último caso, infere-se que o vulcanismo ocorria em condições subaéreas ou que o
Complexo é marcado pela presença de uma camada argilosa de cor vermelha, cuja origem
pode estar relacionada com a alteração meteórica de material piroclástico fino associada a
51
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
referidos se tornarem mais frequentes perto do topo e considerando estes níveis associados
carbonatada que marca esse período. Deste modo, apesar das elevadas taxas de subsidência
transgressivo que marca o Sinemuriano (MANUPPELLA, 1988; TERRINHA, 1998), podem ter
acontecido curtos períodos de emersão, tal como supostamente ocorria durante a formação
De realçar que seria importante confirmar as ideias apresentadas, sendo necessário outras
AZERÊDO et al., 2003). Esta unidade dolomítica constitui quase todos os relevos
mesozóicos situados a norte da ribeira do Algibre, assumindo deste modo uma grande
do Barrocal Algarvio.
Barrocal Algarvio, onde se inclui a RP, sendo constituída, em termos litológicos, por
rosados com macrofósseis de corais, gastrópodes e outros (Figs. 3.28, 3.29 e 3.30).
52
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Algumas destas litologias foram observadas in situ; outras, apenas foram encontradas sob a
preenchem o carso.
I II
Fig. 3.28 – Algumas litologias de Formação de Picavessa (topo da RP; moeda como escala). I- Calcário
dolomítico(?) de tonalidades rosadas; II- Dolomito sacaróide muito poroso de cor rosada.
I II
Fig. 3.29 – Pormenores das litologias da
Formação de Picavessa. I- Calcário pisolítico
(perto do topo da RP no caminho pedestre na
vertente sul); II- Fragmento de calcário
oolítico, encontrado nos depósitos de vertente
(vertente norte da RP); III- Laminações,
provavelmente originadas por microalgas
(perto do topo da RP no caminho pedestre na
vertente sul).
III
53
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Es
Pi II
encontram-se preenchidas com terra rossa (Fig. 3.31). As litologias, aqui denominadas
brechas dolomíticas (Fig. 3.32) estão representadas por materiais que parecem encontrar-se
in situ. O seu aspecto brechóide deve-se aos clastos angulosos a subangulosos na sua
maioria de cor clara – rosada, beje ou branca – os quais encontram-se suportados por uma
incipiente, parecendo não existir dolomitos s.s. e havendo uma preponderância dos
calcários, que ocupam uma extensão muito maior do que os dolomitos cálcicos. As
3.33).
54
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
Fig. 3.32 – Brecha dolomítica (150 m a leste do Vértice Geodésico; martelo e moeda como escalas).
I- Aspecto da brecha com pátina de oxidação a mascarar um pouco o aspecto brechóide. II- Pormenor da
brecha dolomítica de textura sacaróide com clastos subangulosos a muito angulosos.
I II
Fig. 3.33 – Estilólitos (perto do topo da RP no caminho pedestre na vertente sul; martelo e moeda como
escalas). I- Estilólitos litostáticos paralelos à estratificação (S0: N90º,20ºN); II- Estilólitos tectónicos
perpendiculares à estratificação (S0: N90º,20ºN).
55
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
dado que nessa altura houve uma forte subsidência (Manuppella, 1988; Terrinha, 1998),
profundidades – por exemplo, os oóides (<2 mm) e os pisólitos (>2 mm) são originados
águas quentes saturadas em carbonato de cálcio (Tucker e Wright, 1990). Neste processo,
agitados (Nichols, 1999). Algumas das litologias encontradas nos depósitos de vertente e
nas brechas cársicas, como referido, não foram observadas in situ, sugerindo que as fontes
alguns problemas de interpretação, pois a sua origem não é clara, podendo ser interpretadas
litificar; em qualquer das hipóteses apresentadas, toda a brecha parece ter sofrido pelo
56
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
não são conhecidas, porém a abundância de estilólitos paralelos à estratificação sugere que
a espessura original da unidade foi relativamente elevada, dado que para serem produzidas
3.1.3. Plio-Quaternário
encontram-se assentes sobre a maioria dos terrenos mais antigos e são constituídos por
areias de grão médio a fino, argilas e cascalheiras com seixos rolados de quartzo, quartzito,
grauvaque e xisto, podendo possuir também blocos de Arenitos de Silves (Fig. 3.34). Em
alguns afloramentos, normalmente nas barreiras dos caminhos que atravessam a unidade, é
possível observar os paleocanais (Fig. 3.35) e até determinar as paleocorrentes (de O para
E), através do imbricamento evidenciado pelos seixos suportados por uma matriz argilo-
existiam restos de fósseis de goniatites, contudo estes terão sido alterados, impedindo
57
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
NE SO
1m
Fig. 3.35 – Afloramento das cascalheiras e areias de aluviões plio-plistocénicos onde é possível observar
paleocanais e figuras erosivas de canal (estrada Tameira - Casa Branca).
O E
58
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
sólida pela rede fluvial, pois esse intervalo de tempo foi globalmente húmido, apesar de o
Pliocénico ter sido geralmente mais quente do que o Plistocénico Inferior (MOURA, 2001;
afluxos de material em regime torrencial, sendo compatível com o clima árido e com as
59
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
As brechas cársicas (Fig. 3.38) e a terra rossa (Fig. 3.39), materiais não
relacionadas com as estruturas cársicas desenvolvidas na RP. No que respeita à terra rossa,
esta trata-se de um depósito argiloso de cor vermelha que preenche as cavidades cársicas e
diversas, aglutinados por um cimento carbonatado por vezes rico em terra rossa. As
a sua extensão uma brecha cársica de cimento carbonatado com alguma terra rossa (Fig.
3.38), indicando que a escarpa nesse local é largamente desenvolvida em brecha cársica.
especial na RP e pelo facto de existirem indícios de a RP ter sido habitada em tempos pré-
Locais de boa observação: Brechas cársicas – nas escarpas da RP, principalmente no sector
oeste da escarpa sul e nos relevos calcários no sector sul da área de estudo; Terra rossa –
60
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
III IV
61
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Co
As brechas cársicas e a terra rossa são depósitos cuja origem relaciona-se com o
residual resultante da acumulação das impurezas contidas nas formações carbonatadas que
subaéreas, sendo mais intensa durante os períodos de clima húmido, pelo que estas
condições tiverem de se reunir ao longo da história geológica da RP, pois toda ela
por um lado, devido à estrutura; por outro, devido à geomorfologia muito condicionada por
residuais destacados das escarpas da RP devido ao recuo destas (Fig. 3.40). De realçar que
62
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Es
Br
Dv
2m
I
oolíticos, micríticos e recifais, dolomitos sacaróides, entre outros). Encontram-se por vezes
misturados com terra rossa e com o rególito (Fig. 3.42), podendo também ser constituídos
por clastos das outras unidades litostratigráficas existentes na área (Fig. 3.43). Estes
consolidados.
Locais de boa observação: sectores este das vertentes sul e norte da RP.
63
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
E O
1m
II III
Fig. 3.41 – Depósitos de vertente na vertente norte da RP. I- Depósitos de vertente no sector este da vertente
norte; II e III- Pormenor dos depósitos de vertente na escarpa norte, observando-se uma concentração caótica
e uma elevada heterogeneidade dos calhaus e blocos de calcários e dolomitos provenientes da escarpa.
64
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
d) Aluvião (Holocénico)
Os aluviões actuais são constituídos por areias e argilas e apresentam alguns leitos
Arenitos de Silves. Estes sedimentos cobrem os vales que marcam os contactos geológicos
Locais de boa observação: ao longo das linhas de água que rodeiam a RP.
plistocénicas e as linhas de água que lhes dão origem dissecam esses materiais fluviais
antigos. As actuais linhas de água são pouco caudolosas e possuem diminuta capacidade
subida do nível médio das águas do mar quer da fraca pluviosidade que se faz sentir no
clima actual caracterizado por precipitações com acentuada sazonalidade (MOURA, 2001;
65
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Varisca nesse período, existe outra grande lacuna estratigráfica entre o Jurássico Inferior e,
TERRINHA et al., 2000b). Durante esses períodos, se ocorreu uma emersão das unidades
que ter-se-á dado a emersão definitiva dos terrenos, pois a partir do Kimeridgiano Superior
paleogeográfica para o Cretácico Inferior, realizada por Correia (1989), o mar esteve
relação à Ibéria (TERRINHA, 1998; TERRINHA et al., 2000b). Após esta inversão tectónica
polifásica, ocorreu no Miocénico uma nova transgressão marinha bastante extensa, tendo-
Lagos-Portimão (MANUPPELLA, 1988; ANTUNES e PAIS, 1992; PAIS et al., 2000). Porém,
essa plataforma não deve ter atingido a área de estudo (KULLBERG et al., 1992). A partir do
66
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
No que respeita à estratificação (Tabela 3.1, Fig. 3.44 e Apêndice II), as rochas que
formações mesozóicas, estas encontram-se, de um modo geral, basculadas para sul (OSO a
SE), com ângulos de inclinação variáveis (10º a 50º) e com direcções que variam entre os
pois as camadas da Formação de Picavessa estão basculadas para norte, com uma
inclinação entre os 7º e os 41º e com uma direcção que varia entre os N25º e os N104º
realizadas sobretudo nas rochas calcárias, dado que nas rochas dolomíticas foi muito difícil
Tabela 3.1 – Quadro síntese da estratificação evidenciada pelas unidades litostratigráficas da RP.
Formação de Mira Bem visível e muito variável, afectada por estruturas tectónicas.
Direcção: N73º a N154º
Arenitos de Silves
Inclinação: 14º a 50º para SSE a OSO
Pelitos com evaporitos e Direcção: N92º a N116º
intercalações carbonatadas Inclinação: 20º a 42º para S a SSO
Direcção: N45º a N116º
Complexo vulcano-sedimentar
Inclinação: 10º a 42º para SE a SSO
Na RP:
Direcção: N25º a N104º
Inclinação: 7º a 41º para NNE a ONO
Formação de Picavessa
Na restante área de estudo (apenas uma medição):
Direcção: N108º
Inclinação: 12º para SSO
67
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Com base na cartografia geológica realizada, foi possível, elaborar dois cortes
RP.
Cas
?
AS
Cas
AL
28
GS 28
AS
Cas
Cas
Cas
Cas Cas Cas XG
? 26
Cas 18
Cas
CVS PV
15 AL
PV Cas PV
Cas 50 CVS PV ?
CVS
AS PV
AL
30
? CVS
XG
PV
20 45
CVS
?
AS
23
Quinta do? CVS 70 32
51
Freixo CVS
35
? PV
BICA
AL 42
? DV
48
DV
25 383
17
PV 33
25
CVS DV CVS
62
DV
CVS
15 41
37
12 Cal 40
DV
22 33
50
20 37
22 17
20 16 30
20
Cal
DV ROCHA
07
DA PENA 479
30 35
18
58
CVS 20
PENA
Int
? DV Int
Int
DV
Gesso
374
23 DV DV 16
25 DV
20 56
CVS
Int
22
14
CVS
10 Gesso
66
DV
Rocha da
CVS DV
Penina 18 25 18
20 16 Pena DV 22 27
70 DV
30 20
33 AS
DV CVS DV
24 PV
18 30
20 48
15 30
Int 14
12 30
17 CVS 19
26
16
27 PV 34
Cal 24
Cas Cas
Cas Cas
ArgV 30
AL
Cal
0 500 m CVS
Pena
ArgV
Cal
1- 2- 3- 4- 5- 6- 7- 8- 9- 10- 11-
12- 13- 14- 15- 16- 17- 18- 19- 28 20- 21- 22-
1- Aluvião (Quaternário); 2- Depósitos de vertente (Quaternário); 3- Cascalheiras e areias (Plio-Quaternário); 4- Formação de Picavessa
(Sinemuriano); 5- Argilas vermelhas do Complexo vulcano-sedimentar (Sinemuriano); 6- Complexo vulcano-sedimentar (Hetangiano-
Sinemuriano); 7- Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas (Retiano-Hetangiano); 8- Arenitos de Silves (Retiano);
9- Formação de Mira (Namuriano); 10- Gesso; 11- Intrusão básica; 12- Limite geológico; 13- Falha; 14- Falha normal; 15- Falha inversa;
16- Desligamento; 17- Falha provável; 18- Falha oculta; 19- Atitude da camada (direcção e inclinação); 20- Vértice Geodésico e ponto
cotado; 21- Moinho; 22- Povoação; As linhas com orientação N-S de cores azul e verde correspondem aos cortes geológicos que se
apresentam a seguir.
N S
500 500
400 400
300 300
200 200
100 100
0 0
-100 -100
-200 -200
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
Distância (m)
68
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
400 400
300 300
200 200
100 100
0 0
-100 -100
-200 -200
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
Distância (m)
Fig. 3.44 – Estrutura da RP. I- Mapa geológico com a localização dos cortes geológicos (cartografia do autor
e adaptada de MANUPPELLA, 1992b; base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal à escala
1/25.000 do IGEO); II- Corte geológico de direcção N-S realizado no sector este da RP; III- Corte geológico
de direcção N-S realizado no sector oeste da RP.
De notar que nalgumas das falhas de direcção E-O, como representado na figura
encontrado, ainda, gesso brechóide perto da Fonte Feita (Fig. 3.13 – IV), no alinhamento
da falha E-O que atravessa a vertente sul da RP. Esse gesso sugere encontrar-se injectado
na falha referida, o que pode ter acontecido durante os movimentos halocinéticos ocorridos
no Miocénico Médio (RIBEIRO et al., 1979; MANUPPELLA, 1988; KULLBERG et al., 1992),
falha.
um sinclinal amplo como referido por FEIO (1952) e reiterado noutros trabalhos, como em
Almeida (1985), Feio (1992) e Tomé (1996), pois a estrutura corresponde a um anticlinal
com eixo E-O recortado e deslocado por falhas. Verifica-se ainda que a orientação das
escarpas norte e sul da RP é controlada pelas falhas de direcção E-O que as limitam. Essas
sul no sector oriental, que rejeita mais de 300 m as unidades litostratigráficas, colocando,
69
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Picavessa (Jurássico Inferior). Note-se também que na vertente norte da RP, o contacto das
formações mesozóicas com o soco Paleozóico não se faz por falha, ao contrário do que é
de água na RP (Fig. 2.11) apresentada por ALMEIDA (1985), que identifica nascentes na
espessura dos Arenitos de Silves e dos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas
de oriente para ocidente, facto concordante com as observações de PALAIN (1975), que
Messines, onde parece ter existido um depocentro triásico relacionado com a Falha de S.
Marcos - Quarteira, cuja movimentação foi esquematizada por TERRINHA (1998) (Fig.
3.45).
Topo do soco
Paleozóico
Cavalgamento varisco
Fig. 3.45 – Modelo conceptual para o comportamento da Falha de São Marcos - Quarteira em S. Bartolomeu
de Messines para explicar a variação de espessura das unidades triásicas e infra-liásicas (adaptado de
TERRINHA, 1998).
70
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
flanco inverso curto, normalmente recortado e deslocado por falhas inversas (Fig. 3.46) e
ii) uma clivagem tectónica moderada (Fig. 3.47). As estruturas tectónicas encontradas são
compatíveis com a deformação descrita para a ZSP noutras áreas (OLIVEIRA, 1992b; SILVA
et al., 1992). A unidade contacta com as formações mesozóicas por discordância angular
S N
1m
I
Falha: N45º,81ºS
S N
Falha: N43º ,90º
Falha: N68º ,90º
Falha: N37º,80ºN
S1: N72º,80ºS 1m
II 25 m
Fig. 3.46 – Afloramento da Formação de Mira com camadas em posição normal, evidenciando um
dobramento vergente para SO recortado e deslocado por falhas inversas e com clivagem tectónica moderada
associada (S1) (na barreira esquerda da estrada 503, entre a Brazieira e a Tameira, no sentido sul-norte).
71
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
S0
S1 S0
S0
Cv
S1
S1
10 cm
II III
Fig. 3.47 – Afloramento da Formação de Mira com camadas sub-horizontais (S0) em posição normal (entre a
Brazieira e a Tameira na barreira esquerda da estrada 503 no sentido sul-norte; martelo como escala).
I- Fotografia evidenciando uma clivagem tectónica moderada (S1: N0º,30ºE) num nível argiloso – xistos
argilosos; II- Fotografia destacando a refracção da clivagem – clivagem tectónica oblíqua nos xistos
argilosos e quase perpendicular à estratificação nos grauvaques (Cv).
Foi efectuada uma análise sobre a fracturação das unidades litostratigráficas da área em
localização das estações onde foram efectuadas as medições das diáclases encontra-se
72
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
N
Estação 6
Estação 7
Estação 4
Estação 1
Estação 2
Estação 3
Estação 5
Aluvião (Quaternário)
Fig. 3.48 – Modelo digital do terreno com a geologia da RP e área envolvente e com a localização das sete
estações de medição das diáclases (modelo elaborado por Victor Correia).
73
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Tabela 3.2 – Síntese das diáclases medidas em sete estações na área de estudo.
Interpretação das diáclases por estação
Representação gráfica das diáclases (seta branca indica a direcção de distensão (σ3);
seta preta indica a direcção de compressão (σ1))
Formações
------------- -------------
N N N
(Estação 2; Medidas: 39)
Arenitos de Silves
74
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
afectam a Formação de Mira torna-se relativamente complexa, pois esta unidade, regista os
extensão do Triásico (RIBEIRO et al., 1979). Desta forma, as diáclases encontradas naquele
aproximadamente N-S terá gerado, por exemplo, as diáclases NE-SO cuja direcção
coincide com uma das orientações dominantes das falhas tardi-orogénicas; por outro lado,
as fracturas ESE-ONO podem ter sido geradas durante um segundo evento compressivo
com direcção principal E-O (RIBEIRO et al., 1979; TERRINHA, 1998) ou formadas já
durante a extensão N-S mesozóica. Em qualquer um dos casos, estas fracturas terão sido
75
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
(estação 2; Fig. 3.49), apresentam um padrão com três famílias de diáclases verticais
duas famílias, sendo estas últimas consideradas, por isso, mais recentes. No caso dos
Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas, perto das Eirinhas (na estação 3),
estes evidenciam duas famílias de diáclases principais de padrão ortogonal – NE-SO e NO-
Brazieira - moinhos da Pena (na estação 4; Fig. 3.50), este regista duas famílias principais
de diáclases conjugadas com orientação NNO-SSE e E-O, na sua maioria verticais. No que
(estação 5; Fig. 3.51) a fracturação apresenta um padrão com três famílias de diáclases – E-
O, NNO-SSE e NNE-SSO –, todas com uma inclinação muito elevada, onde a família de
fracturas E-O intersecta as restantes; ii) na parte central da RP, no Algar dos Mouros
(estação 6), a fracturação observada tem uma orientação dominante muito próxima de E-O,
no entanto as inclinações são menores e variam quer para norte quer para sul; iii) e na
representada por duas famílias de diáclases principais de padrão ortogonal – N-S e E-O.
OSO ENE
D3: N100º,90º
D2: N0º,90º
D1: N55º,90º
Fig. 3.49 – Afloramento de Arenitos de Silves de atitude N120º,24ºSO afectado por 3 famílias de fracturas
principais (D1: N55º,90º; D2: N0º,90º e D3: N100º,90º) (estação 2; caminho Alcaria - RP; martelo como
escala).
76
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
D1: N80º,85ºS
Fig. 3.50 – Fracturação N80º,85ºS (D1) a afectar o Complexo
vulcano-sedimentar (estação 4; caminho Brazeira - moinhos
da Pena; martelo como escala).
O E
ONO ESE
D3 D2
D1
I II
Fig. 3.51 – Afloramento da Formação de Picavessa (estação 5; perto do topo da RP, no caminho pedestre na
vertente sul; martelo como escala). I- Panorâmica do afloramento; II- Pormenor do afloramento
evidenciando-se três famílias de fracturas principais (D1: N85º,80ºS; D2: N10º,80ºE e
D3: N145º,80ºE).
D2
D1
I II
Fig. 3.52 – Afloramento da Formação de Picavessa na escarpa norte no sector nordeste (estação 7; martelo
como escala). I- Área onde foram realizadas a medições das diáclases; II- Pormenor do afloramento
evidenciando-se o padrão ortogonal de duas famílias de diáclases (D1: N172º,72ºE e D2: N82º,55ºS).
77
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
A partir da análise das diáclases que afectam as unidades da área de estudo pode-se
principais: i) uma primeira fase de distensão N-S a NO-SE e ii) uma segunda fase de
orientação aproximadamente E-O terão tido origem durante a extensão N-S ocorrida
(GRILLOT e ALMEIDA, 1982; KULLBERG et al., 1992; TERRINHA, 1988; TERRINHA et al.,
2000a). Contudo, tanto as diáclases com orientação E-O como as com orientação N-S terão
rejogado durante os diversos regimes tectónicos durante a orogenia Alpina, pelo que
fracturas compressivas. Tal é evidenciado por fracturas regionais como é o caso da Flexura
tectónico compressivo, como o actual, foi reactivada, desta vez como falha compressiva
(TERRINHA, 1998; DIAS, 2001). No que se refere à estrutura da RP, o anticlinal com eixo
a diáclases de tracção (Fig. 3.53) associadas ao dobramento anticlinal com eixo E-O que
constitui a RP. Porém, essas diáclases tanto podem ter tido origem durante o dobramento
78
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
como ter-se formado antes, em regime distensivo, tendo depois sido reactivadas na fase
Eixo da dobra
Diáclases de tracção
Eixo da dobra
tensão máxima ao longo do tempo, o qual terá sofrido uma rotação horária desde NO-SE
até N-S ou ii) diferente comportamento físico face aos tensores máximos (reologia) por
De notar que é frequente encontrar, perto dos bordos e nas próprias escarpas norte e sul da
RP, fracturas subparalelas à orientação das escarpas (E-O) (Fig. 3.54). Essa fracturação
cársicas, como se verifica no Algar dos Mouros, onde se observam diversas fracturas,
algumas delas abertas, devido ao colapso de blocos associado à evolução cársica (Fig.
3.55).
79
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
3.3. Geomorfologia
norte e outro no sector central (Fig. 3.56): i) o primeiro, com alinhamento ONO-ESE, é
talhado nos xistos argilosos e grauvaques da Formação de Mira e ii) o segundo, com
Bacia Algarvia, apresentando-se no seu extremo leste formado pelos xistos e grauvaques
80
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Elevação (m)
480m
ROCHA DA PENA
479m 448m
Metros
Fig. 3.56 – Modelo digital de terreno com a elevação, a hidrografia e o alinhamento dos relevos da área de
estudo.
A RP (Figs. 3.56 e 3.57) constitui um relevo de forma tabular cujo eixo maior tem
orientação E-O, afunilado no extremo leste e alargado no extremo oeste. Este relevo
representa uma mesa com cerca de 1850 m de comprimento, 455 m de largura máxima e
uma altitude que varia entre os 440 e os 480 m. O topo do relevo no essencial é aplanado,
inclinando geralmente para sul, à excepção da superfície a norte do Vértice Geodésico (479
m), a qual inclina para norte. As vertentes norte e sul (Figs. 3.58 e 3.59) são simétricas e
bastante íngremes, sendo constituídas por escarpas talhadas nos carbonatos da Formação
de Picavessa, que atingem os 50 m de altura no sector sul; por outro lado, as vertentes este
e oeste são assimétricas, em que a vertente este tem a forma de uma crista que inclina de
vertente oeste, a menos inclinada de todas, abre-se e inclina suavemente até ao sopé
81
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
N 267 312
304
Quinta do Freixo
311
331
344
0 500 m 328
238
285 Pena
296
c
1- 2- 3- 4- 5- 6- 7- 8- 9- 10-a b 11- 12- 13-
Fig. 3.57– Mapa geomorfológico da RP. 1- Topo e base da vertente; 2-Vertente rectilínea (a proximidade dos traços verticais
indica maior declive); 3- Escarpa de falha; 4- Cornija; 5- Falha; 6- Linha de água; 7- Sentido da inclinação da superfície topográfica;
8- Dolina; 9- Campo de lapiás; 10- Algar (a- Algar da Caldeirinha; b- Algar dos Mouros); 11- Ponto cotado e Vértice Geodésico
(altitude em metros); 12- Povoação; 13- Amuralhamento de cascalheiras do Neolítico; cartografia realizada com recurso a trabalho de
campo e a fotografias aéreas à escala 1:15.000 fornecidas pelo IGEO; base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal à escala
1/25.000 do IGEO.
E O
E A O
II
Fig. 3.58 – Vertente norte da RP. I- Panorâmica da vertente norte da RP, evidenciando-se a escarpa com
orientação E-O; II- Pormenor da escapa norte no sector este da RP, observando-se uma zona mais recuada
(A) e um grande bloco de brecha cársica destacado da escarpa (B).
82
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
O E
A
O E
II
Fig. 3.59 – Vertente sul da RP. I- Panorâmica da vertente sul da RP, evidenciando-se uma escarpa bastante
imponente com orientação E-O; II- Pormenor da escapa sul no sector oeste da RP, observando-se uma zona
de abatimento (A) de uma ou de várias cavidades cársicas e blocos de brecha cársica destacados da escarpa
(B).
sector norte existe um vale onde estão instaladas duas linhas de água principais de
orientação E-O – uma a drenar para oeste – ribeira do Freixo – e outra para leste – ribeira
da Brazieira. A ribeira da Brazieira prolonga-se pelo sector este com um traçado NO-SE,
enquanto a ribeira do Freixo continua para oeste através de um vale de orientação N-S, o
sector sul encontra-se um vale principal com direcção E-O, menos amplo que os restantes,
onde se desenvolve uma linha de água para leste, que conflui com a ribeira da Brazieira; no
sector sul encontram-se ainda duas linhas de água de orientação N-S a drenar para sul,
83
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
cortando os relevos calcários que formam pequenas colinas inclinadas para sul. No
quadrante nordeste da área de estudo observa-se ainda parte de um vale com uma
de cimos arredondados, próximos e a cotas semelhantes. Por outro lado, os sectores sul e
orientação preferencial das linhas de água é o alinhamento E-O, tal como a fracturação
local. Além disso, aquelas encontram-se talhadas essencialmente nas formações vulcano-
diferencial dada a menor competência destas litologias face aos calcários e dolomitos da
2006a, b).
No que respeita à morfologia cársica presente na RP (Figs. 5.57 e 3.60 a 3.65), esta
estraficação4, além de microformas de lapiás5 (Figs. 3.61, 3.62 e 3.63 ) (CRISPIM, 1982,
1987; TOMÉ, 1996). No caso das microformas de carso nu, encontram-se caneluras
(Kamenitza), estas últimas embutidas nas superfícies horizontais dos lapiás. No caso das
4
A classificação apresentada para os lapiás corresponde à adoptada por CRISPIM (1982 e 1987), a qual tenta conciliar o
tipo de cobertura, as condicionantes estruturais e os vários tipos de morfologia lapiar do Algarve, de acordo com a
tipologia clássica.
5
Formas de dimensões decimétricas a decamétricas, cuja tipologia foi construída por vários autores franceses e alemães e
cuja terminologia aqui apresentada é a de CRISPIM (1982, 1987), baseada no Projecto de Léxico Multilingue de
Espeleologia Física e Carsologia de FINK, (1973, citado por CRISPIM (1982)).
84
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
fracturação (Fig. 3.63 - III) (CRISPIM, 1982, 1987). A evolução dos lapiás da RP e da
maioria das formações lapiares algarvias pode ser resumida pelo esquema evolutivo
proposto por NICOD (1945, citado por CRISPIM (1982, 1987)): i) o ciclo lapiar inicia-se
iv) ocorre o arrastamento dos depósitos cársicos para as depressões, facilitado na situação
depósitos de terra rossa englobando calhaus de calcário, e lapiás nús no topo das vertentes.
Fig. 3.60 – Campo de lapiás (Karrenfeld) semi-enterrado, apresentando algumas arrestas vivas no topo da RP
85
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
N65º N120º
I II
Fig. 3.61 – Alguns exemplos de lapiás na RP (martelo e bússola como escalas). I- Lapiás de arestas vivas,
observando-se a influência das diáclases na delimitação das lâminas (sector noroeste do topo da RP); II-
Lapiás onde é notória a influência da orientação das fracturas (N100º,40ºS), subparalela à escarpa norte (no
topo da RP junto à escarpa norte).
I II
III IV
Fig. 3.62 – Formas menores de corrosão dos lapiás (bússola, lapiseira e martelo como escalas). I- Lapiás com
sulcos rectilíneos sob a influência da fracturação com orientação preferencial N70º, portanto subparalela às
escarpas da RP (escarpa sul da RP); II- Caneluras de largura centimétrica e palalelas (sector este do topo da
RP); III- Pia de dissolução com bordos aguçados e forma rectangular (sector este do topo da RP); IV- Pia de
dissolução com forma de poço desenvolvida numa brecha, o que indica uma evolução cársica polifásica na
RP (sector oeste no topo da RP).
86
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
ser consideradas dolinas (Figs. 3.57 e 3.64) (Crispim, 1982; Horta, 1996; Tomé, 1996).
apresentando forma, dimensões e génese distintas. No sector oriental existem pelo menos
cinco dolinas (Fig. 3.57), destacando-se uma dolina de abatimento em cujo fundo se abre o
Algar dos Mouros, classificada como uma dolina furada (Crispim, 1982). No sector
ocidental encontram-se pelo menos três dolinas (Figs. 3.57 e 3.64), as quais parecem
termos morfológicos. Duas dessas dolinas estão embutidas numa depressão relativamente
6
O termo dolina em concha foi introduzido por MARTINS (1949), correspondendo aos termos doline en auge e bowl-
shaped dolines (CRISPIM, 1982).
87
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
S N
Fig. 3.64 – Duas dolinas alinhadas na direcção E-O e embutidas numa depressão maior, no sector oeste da
RP (contornos da depressão maior representados com elipse de cor laranja; fundo das dolinas assinalado com
elipses de cor amarela).
localizado no sector oriental da RP, é uma cavidade do tipo algar-lapa, a qual inicia-se
com uma entrada semi-vertical que dá acesso a uma gruta de desenvolvimento horizontal –
lapa –, formada em toda a sua extensão por um único corredor que comunica com uma
Caldeirinha, localizado no sector ocidental próximo da escarpa sul, é uma cavidade com
(TOMÉ, 1996; MARTINS, 1949). O Algar dos Mouros parece ter surgido à superfície por
88
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
Fig. 3.65 – Grutas tipo algar na RP (martelo como escala). I- Abertura do Algar dos Mouros na parte central
do topo da RP; II- Entrada do Algar da Caldeirinha no sector oeste do topo da RP.
verificar que o tipo, a orientação e a distribuição das formas cársicas são condicionadas
pela litologia, pela estrutura e pela fracturação. A RP é de facto um relevo cársico cuja
anteriores. No caso dos lapiás, esta evolução é evidente, pois hoje apresentam uma
adquiridas (CRISPIM, 1982, 1987). A existência de dolinas na RP sugere que durante a sua
associada à evolução dessas depressões superficiais (SWEETING, 1972). Por outro lado, o
superficiais que facilitam a infiltração, como é o caso dos lapiás. Contudo, actualmente as
cavidades subterrâneas apresentam um aspecto senil, mostrando que após uma fase
progressivamente degradadas quer por corrosão quer por abatimentos (Fig. 3.66). Tal é
89
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
I II
III IV
Fig. 3.66 – Estruturas típicas do carso subterrâneo expostas nas escarpas da RP (martelo e moeda como
escalas). I- Espeleotemas na escarpa sul; II- Algumas estalactites na escarpa norte; III e IV- Cavidades
preenchidas com brechas cársicas (mistura de fragmentos de calcários e dolomitos e terra rossa) na escarpa
sul.
FÉNELON, 1967; CRISPIM, 1982). Neste contexto, quanto mais aptas forem as superfícies
cársicas para manter a ausência de escorrência subaérea tanto maior será a imunidade
lapiás forem nús, situação em que a infiltração ocorre rapidamente e as taxas de erosão
serão muito reduzidas, dando-se apenas corrosão nas microformas do lapiás, que no seu
todo conserva as formas envolventes (CRISPIM, 1982). Supõe-se também que a imunização
90
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
do relevo é tanto maior quanto mais árido for o clima. Deste modo, pode-se evocar a
GOUVÊA, 1938; CRISPIM, 1982), pelo que este relevo trata-se de um relevo cársico herdado,
cuja conservação se tem devido, por um lado à infiltração das águas promovida pelas
formas cársicas e consequente reduzida acção corrosiva e, por outro lado, prende-se com a
existência de períodos com climas pouco favoráveis à dissolução dos carbonatos. De notar
que na RP existem brechas cársicas afectadas por fenómenos cársicos (Fig. 3.62 - IV), cuja
presença indica que o carso hoje observado resulta de uma evolução carsológica e
como é o caso das brechas cársicas, foram retomados em fases posteriores de carsificação.
distribuição esparsa mas com relativa abundância (Fig. 3.67) (Crispim, 1982; ALMEIDA,
relevos do Barrocal Algarvio tem sido relacionada com a existência de uma superfície de
continuidade pelo Barrocal Algarvio na sua parte central (MEDEIROS-GOUVÊA, 1938; FEIO,
final do Terciário ou no Quaternário pelos acidentes NO-SE e E-O que limitam a Serra do
Caldeirão (MEDEIROS-GOUVÊA, 1938; FEIO, 1952). Essa superfície única pode ser
reconstituída através do alinhamento dos cimos dos relevos calcários do Barrocal com os
cimos dos relevos da Serra, sendo observável a partir da RP (Figs. 3.68 e 3.69). Todavia,
DIAS (2001) levanta alguns problemas nesta interpretação, dada a presença de sedimentos
neogénicos no sopé dos relevos calcários do Barrocal a cotas muito inferiores àquela
superfície culminante.
91
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
SO NE
Juncal
600 m
1 3 5 7 km
Fig. 3.68 – Perfil entre o Juncal e a RP ilustrando a continuidade, na orla, da superfície de aplanação do soco
Paleozóico (retirado de ALMEIDA, 1985)
Desenho de F. Galhano.
Fig. 3.69 – Vista da cota 481 m a sudoeste do Barranco-do-Velho para oeste, destacando-se a aplanação que
nivela os cimos do Maciço Antigo e da Orla Algarvia (retirado de FEIO, 1952). A partir da RP já pertencente à Orla
Algarvia: à direita e no primeiro plano, o relevo de xistos da Serra Algarvia (Negros, Juncal); à esquerda, o relevo calcário do Barrocal
Algarvio (Soídos, Cabeço da Areia, Rocha Amarela, etc.); Salir está situado na depressão periférica (margas hetangianas); na Orla,
adivinha-se pela feição do relevo, a inclinação das camadas para sul.
92
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
pelo seu rejuvenescimento a partir do Pliocénico Superior, pelo que a partir dessa altura
relevo adjacente por erosão diferencial. Nos sectores norte e sul da RP, a origem das
E-O assumida pela fracturação e pelos eixos dos dobramentos locais e regionais. Contudo,
nos sectores este e oeste a génese das respectivas vertentes, apesar de relacionada com a
importantes na região algarvia – falha N-S no sector oeste e falha NO-SE no sector este;
ii) o seu alinhamento e entalhe por erosão reflectem antigas direcções de uma drenagem
desmantelada pelo encaixe das linhas de água que por erosão vertical exumaram e
esta situação sugere que o alinhamento E-O de relevos estruturais foi formado ou sofreu
Em relação à evolução das escarpas norte e sul da RP, esta está intimamente
elevada competência das litologias da Formação de Picavessa confere uma resistência aos
alinhamento das escarpas (E-O) favorece o colapso de blocos, e iii) a meteorização cársica
93
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
Depósitos de
Diáclases
vertente
TEMPO
Falha Gruta
Falha
E
O recuo das escarpas é condicionado pela
fracturação, com direcção preferencial E-
O, e pelo abatimento de cavidades
O cársicas.
Fig. 3.70 – Esquema simplificado da evolução das escarpas norte e sul da RP.
sedimentos que originaram a Formação de Mira (OLIVEIRA et al., 1979; Silva et al., 1992;
ibérica (TERRINHA, 1998; TERRINHA et al., 2000a), as falhas variscas sinorogénicas (NO-
94
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
começou a drenar de norte para sul e sudoeste (PALAIN, 1975; TERRINHA, 1998; TERRINHA
et al., 2000a). Assim, num clima quente e seco com chuvas torrenciais esporádicas
direcção E-O que conjuntamente com fracturas N-S e NO-SE, controlaram a evolução
2001). Donde, neste contexto tectónico e estrutural ocorreu uma elevada subsidência que
intercalações carbonatadas (Fig. 3.71) (argilas, siltitos e arenitos finos de cor vermelha, sal-
e intrusões de doleritos).
95
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
N S N S N S
N S
96
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
ocorrer num clima quente e húmido (tropical) e a ser de carácter carbonatado, por vezes
com alguma componente mais argilosa (MANUPPELLA, 1988; RAMALHO, 1988). Na área de
emersão dos terrenos (MANUPPELLA et al., 1988; RAMALHO, 1988). Deste modo, no
inversão tectónica polifásica da bacia em regime compressivo N-S (KULLBERG et al., 1992;
TERRINHA et al., 2000a) que terá provocado o rejogo das fracturas (diáclases e falhas) pré-
recortado e deslocado por falhas que constitui a RP. Nesse intervalo de tempo, pelo facto
de os terrenos estarem emersos, supõe-se que se ocorreu sedimentação, esta foi de carácter
unidades carbonatadas, principalmente durante o Cretácico, pois esse foi um período mais
húmido do que o Paleogénico (RAMALHO, 1988; PEREIRA, 1990; BUCHDAHL, 1999). Desta
97
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
carbonatada temperada, que em princípio não se estendeu até à área de estudo (KULLBERG
et al., 1992; PAIS et al., 2000). A partir do Miocénico Médio houve uma fase compressiva
(N-S) (KULLBERG et al., 1992) que além de ter provocado o rejogo das facturas pré-
1979; MANUPPELLA, 1988; KULLBERG et al., 1992), tal como ocorre na falha E-O que
sopé de aproximadamente 200 m (DIAS, 2001). A nível das litologias, na área estudo, estão
GOUVÊA, 1938; FEIO, 1952; DIAS, 2001). Esse soerguimento da cabeceira conduziu ao
maturidade. Esse rejuvenescimento foi responsável pelo encaixe das rede hidrográfica e
pela erosão vertical preferencialmente ao longo das fracturas E-O e ao longo de linhas de
água herdadas, o que destacou a RP do relevo adjacente por erosão diferencial associada à
98
Capítulo 3 – Resultados, Discussão e Interpretações
____________________________________________________________________________________________________________
2006a, b). Por outro lado, a natureza carbonatada da Formação de Picavessa e a sua
paleoclimas pouco favoráveis à erosão têm conservado ao longo do tempo a RP, sendo esta
tectónica e à evolução carsológica (Fig. 3.70) (LOPES e FERNANDES, 2006a, b). A elevada
além de controlar o alinhamento das escarpas (E-O), favorece o colapso de blocos que
rede hidrográfica que se encontra em fase de colmatação devido à subida do nível das
99
CAPÍTULO 4
– PRODUTOS –
Capítulo 4 – Produtos
____________________________________________________________________________________________________________
4. PRODUTOS
reproduzidos e utilizados:
RP (Outubro de 2006);
(Apêndice IX);
101
Capítulo 4 – Produtos
____________________________________________________________________________________________________________
102
Capítulo 5 – Conclusões
____________________________________________________________________________________________________________
CAPÍTULO 5
– CONCLUSÕES –
103
Capítulo 5 – Conclusões
____________________________________________________________________________________________________________
5. CONCLUSÕES
direcção E-O, formado durante o regime tectónico compressivo de direcção N-S ocorrido
2000a). A tectónica Alpina produziu uma fracturação com orientação preferencial E-O
Superior, foi efectivado pela rede fluvial através de erosão vertical – devido ao encaixe da
104
Capítulo 5 – Conclusões
____________________________________________________________________________________________________________
renovável, e que deve ser preservada e legada como herança às gerações futuras
(GALOPIM DE CARVALHO, 1999; LOPES e FERNANDES, 2006a, b). Deste modo, procurou-
articular várias iniciativas para a valorização da RP. Para além dos materiais científico-
referidas, visando fomentar uma divulgação fácil, rápida e acessível a qualquer cidadão,
foi elaborada uma página Web – Rocha da Pena (Loulé, Algarve) – ao encontro da
105
Capítulo 5 – Conclusões
____________________________________________________________________________________________________________
geodiversidade e da geoconservação.
alargar mais tempo do que aquele que havia sido previsto inicialmente, pelo facto do
trabalho ter sido dificultado devido aos difíceis acessos associados às características
área (parte da folha 588 da Carta Militar de Portugal do IGEO) –, não tendo utilizada
entanto, qualquer investigação nunca é definitiva nem considerada terminada, pelo que se
106
Capítulo 5 – Conclusões
____________________________________________________________________________________________________________
levantam-se algumas interrogações: quais as fontes? qual o processo? qual o grau e qual a
encontradas nas falhas com direcção E-O e algumas que cortam o Complexo vulcano-
visadas, de forma pouco sistematizada e formal, apenas algumas das tarefas necessárias
para uma estratégia de geoconservação. Deste modo, para efectivar e optimizar uma
107
– REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS –
Referências bibliográficas
____________________________________________________________________________________________________________
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
109
Referências bibliográficas
____________________________________________________________________________________________________________
110
Referências bibliográficas
____________________________________________________________________________________________________________
Manuppella, G. (1988) – Litoestratigrafia e Tectónica da Bacia Algarvia. Geonovas, vol. 10, Lisboa, pp. 67-
71.
Manuppella, G. (Coord.) (1992a) – Carta Geológica da Região do Algarve, escala 1/100.000, Folha
Ocidental, Serv. Geol. Portugal, Lisboa.
Manuppella, G. (Coord.) (1992b) – Carta Geológica da Região do Algarve, escala 1/100.000, Folha Oriental.
Serv. Geol. Portugal, Lisboa.
Manuppella, G. (1992c) – Traços Gerais da Geologia Algarvia, Mesozóico in Manuppella, G. (Coord.) –
Carta Geológica da Região do Algarve, escala 1/100.000, Nota explicativa. Serv. Geol. Portugal,
Lisboa, pp. 6-8.
Manuppella, G. (1992d) – Mesozóico, Estratigrafia, Algarve Oriental in Oliveira J. T. (Coord.), Carta
Geológica de Portugal na escala 1/200.000, Notícia Explicativa da Folha 8. Serv. Geol. Portugal,
Lisboa, pp. 51-56.
Manuppella, G.; Marques, B.; e Rocha, R. B. (1988) – Évolution tectono-sedimentar du basin de l’Algarve
pendant le Jurassique. 2nd Intern. Symp. Jurassic Stratigraphy, Lisboa, pp. 1031-1046.
Martins, A. F. (1949). Maciço Calcário Estremenho: Contribuição para um estudo de geografia física,
Coimbra. 248 pp.
Martins, L. M. N. C. T. S. (1991) – Actividade Ígnea Mesozóica em Portugal (contribuição petrológica e
geoquímica). Tese de Doutoramento, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, 419 pp.
Medeiros, C. A. (2000) – Geografia de Portugal: Ambiente Natural e Ocupação Humana, Uma Introdução.
5.ª Edição. Editorial Estampa, Lisboa, 282 pp.
Medeiros-Gouvêa, A. (1938) – Algarve: aspectos fisiográficos. Tese de Doutoramento. Universidade de
Coimbra, Instituto para a Alta Cultura, Lisboa, 160 pp.
Melendez, B. (1986) – Paleontologia, Vertebrados: Peces, Anfíbios, Reptiles y Aves, Tomo 2, 2.ª Edição,
PARANINFO, Madrid, 571 pp.
Moura, D. (1998) – Litostratigrafia do Neogénico Terminal e Plistocénico na Bacia Centro-Algarve.
Evolução Paleoambiental. Tese de Doutoramento, Universidade do Algarve, Faro, 252 pp.
Moura, D. (2001) – Últimos dois milhões de anos da história do Algarve, Resumos das comunicações, II
Encontro de Professores de Geociências do Algarve, Lagos, pp. 13-14.
Moura, D. e Boski, T.; Dias, R. (1998) – Sedimentação detrítica durante o Pliocénico e Plistocénico no
Algarve Central. Actas do V Congresso Nacional de Geologia, Comum. Inst. Geol. e Mineiro, t. 84, f. 1,
Lisboa, pp. A177-A180.
Moura, D.; Boski, T.; Veiga-Pires, C. e Pereira, H. (2006) – Variações Climáticas no Algarve durante o
Quaternário, Comunicações do I encontro de Professores de Geociências do Alentejo e Algarve,
Universidade do Algarve, Faro, CD-ROM, pp. 17-22.
Munhá, J. (1983) – Low-grade Regional Metamorphism in the Iberian Pyrite Belt. Com. Serv. Geol.
Portugal, Lisboa, t. 69, fasc. 1, pp. 3-35.
Nichols, G. (1999) – Sedimentology and Stratigraphy, Blackwell Publishing, UK, 355 pp.
Nicod, J. (1954) – Les lapiés en Basse – Provence. Formes karstiques superficielles méconnues. Rev. Géogr.
Alp., 42 (2), pp. 303-319.
Oliveira, J. T. (1984) – Paleozóico, Estratigrafia, Zona Sul Portuguesa in Oliveira, J. T. (Coord.) – Carta
Geológica de Portugal, escala 1/200.000, Notícia explicativa da Folha 7. Serv. Geol. Portugal, Lisboa,
pp. 17-27.
111
Referências bibliográficas
____________________________________________________________________________________________________________
112
Referências bibliográficas
____________________________________________________________________________________________________________
Romariz, C.; Almeida, C.; e Silva, M.O. (1979) – Contributions to the Geology of Algarve (Portugal). II -
Volcanic Structures in Eastern Algarve (Portugal). Bol. Museu e Lab. Min. e Geol. da Fac. Ciências,
Lisboa, Vol. 16 (1), pp. 253-263.
Romariz, C., Silva, M.O., Almeida, C.; e Palma, F. (1976) – Episódios vulcano-sedimentares no Algarve
(Nota Prévia), Bol. Museu e Lab. Min. e Geol. da Fac. Ciências, Lisboa, Vol. 14 (2), pp. 373-376.
Rosas., F. M.; Madureira, P. M.; Fonseca, P. E.; Ribeiro, A. (1993) – Complexo Ofiolítico de Beja-
Acebuches: Estudo de afloramentos críticos ao longo desta sutura, situada no segmento sul da Cadeia
Varisca Ibérica, Gaia, n.º 7, Lisboa, pp. 36-53.
Salvador, P. e Vasconcelos, C. (2003) – Actividades outdoor: avaliação do seu impacte junto de alunos de
um Clube de Ciências, Geonovas, vol. 17, Lisboa, pp. 53-59.
Silva, J. B.; Oliveira, J. T.; e Ribeiro, A. (1990) – Structural Outline in R. D. Dallmeyer e E. Martínez
Garcia (Eds.) – Pré-Mesozóic Geology of Iberia, Spring-Verlag, Berlin, New York, pp. 348-362.
Suguio, K. (2003) – Geologia Sedimentar. Editora Edgard Blücher Ltda, São Paulo, 400 pp.
Sweeting, M. M. (1972) – Karst Landforms. The Macmillan Press Lda, London, 362 pp.
Teixeira, C. (1981) – Geologia de Portugal, Vol. I - Precâmbrico, Paleozóico, Fundação Calouste
Gulbenkian, Lisboa, 629 pp.
Terrinha, P. A. G. (1998) – Structural Geology and Tectonic Evolution of the Algarve Basin, South
Portugal. Tese de doutoramento. Department of Geology, Imperial College of Science, Tecnhology and
Medicine, University of London, London, United Kingdom, 425 pp.
Terrinha, P. (2005). As fontes sismogénicas do offshore do Algarve. Comunicações do VI Encontro de
Professores de Geociências do Algarve, Escola Secundária de Loulé, CD-ROM, pp. 6-15.
Terrinha, P.; Dias, R.; e Cabral, J.; Ribeiro, A. e Pinheiro, L. (2000a) – Estrutura e evolução tectónica Meso-
Cenozóica da Bacia Algarvia, Margem Sul Portuguesa. Correlação da estrutura onshore e offshore in
Dias, J. A. e Ferreira, Ó. (Coord.) – 3.º Simpósio sobre a Margem Ibérica Atlântica, Universidade do
Algarve, Faro, pp. 185-186.
Terrinha, P, e Ribeiro, A. (1995) – Tectonics of the Algarve Basin, South Portugal. IV Congresso Nacional
de Geologia, Resumos alargados, Fac. Ciências e Museu e Lab. Mineralógico e Geológico,
Universidade do Porto, Memória, n.º 4, Porto, pp. 321-325.
Terrinha, P.; Ribeiro, C.; Kullberg, J. C.; Lopes, C. Rocha, R. e Ribeiro, A. (2000b) – Short-lived
Compressive Episodes during the Mesozoic Rift Tectonics in the Algarve Basin, South Portugal: The
Cause of Interruption of Marine Communication Around SW Corner of Iberia in Dias, J. A. e Ferreira,
Ó. (Coord.) – 3.º Simpósio sobre a Margem Ibérica Atlântica, Universidade do Algarve, Faro, pp. 185-
186.
Terrinha, P. A. G.; Ribeiro, A.; Kullberg, M. C.; Kullberg, J. C.; e Rocha, R. B. (1998) – Lower Jurassic to
lowermost Cretaceous compressive episodes as the cause of early transient basin inversion episodes in
the Algarve and Lusitanian Basins. Actas do V Congresso Nacional da Geologia, Lisboa, Com. Inst.
Geol. Mineiro, Lisboa, 84/1, D49-D52.
Tomé, R. (1996) – Morfologia Cársica no Concelho de Loulé – Abordagem preliminar. al-ulyã – Revista do
Arquivo Histórico Municipal de Loulé, n.º 5, Loulé, pp. 217-239.
Torsvik, T. H.; Carlos, D.; Mosar, J.; Cocks, L. R. M. e Malme, T. (2002) – Global reconstructions and
North Atlantic palaeogeography 400 Ma to Recent. In: Eide, E.A. (coord.). BATLAS – Mid Norway
plate reconstructions atlas with global and Atlantic perspectives. Geological Survey of Norway, pp. 18-
39.
113
Referências bibliográficas
____________________________________________________________________________________________________________
Tucker, M. E. e Wright, V. P. (2002) – Carbonate Sedimentology. Blackwell Science, USA, 482 pp.
Vegas, R. (1988) – Alpine and Recent Geodinamic Evolution of Iberia: Crustal Implications. In: Banda, E. e
Mendes Victor, L. A. (Eds.) – Proceedings of the 5th Workshop on the EGT Project: The Iberia
Peninsula, European Science Foundation, CEC, Estoril, pp. 91-98.
114
– APÊNDICES –
Os materiais que se seguem encontram-se incluídos num CD-ROM, anexado à
Apêndice VII – Painel: Formações rochosas da vertente sul da Rocha da Pena (miniatura
anexada)
Casa Branca
Tameira
Fig. 3.36
Fig. 3.46
Brazieira
de Cima
Quinta do Freixo Fig. 3.24
Fig. 3.7
Fig. 3.40
Fig. 3.54; 3.66-II Fig. 3.6 III
Fig. 3.18; 3.22
Fig. 3.61-I
Fig. 3.62-IV Fig. 3.28-I
Brazieira
Fig. 3.52
Fig. 3.29-II
de Baixo
Fig. 3.61-II; 3.62-II Fig. 3.14; 3.17; 3.19; 3.20; 3.21; 3.23; 3.25; 3.26; 3.27; 3.50
Fig. 3.65-I
Fig. 3.64 Fig. 3.55 Fig. 3.60; 3.67
Fig. 3.62-III
Fig. 3.39 Fig. 3.38-I,II
Fig. 3.31 Fig. 3.38-III,IV Fig. 3.63-II
Fig. 3.30-II Fig. 3.30-I
Fig. 3.28-II
Fig. 3.31 Fig. 3.63-I
Fig. 3.65-II
Fig. 3.42
Fig. 3.62-I
Fig. 3.63-III
Fig. 3.13-IV
Moinhos
Fig. 3.66-I,III,IV Fig. 3.59-II Fig. 3.29-I,III
Fig. 3.33; 3.51 da Pena
Fig. 3.43
Fig. 3.9-II; 3.11; 3.12
Fig. 3.13-I,II,III
Fig. 3.16-II
Fig. 3.6-I; 3.8; 3.9-I,III; 3.10
Fig. 3.16-I
Fig. 3.15
Fig. 3.16-III
Fig. 3.2
Alcaria
Fig. 3.5; 3.49
Beirada
1000 metros
EN124
Parte da folha 588 (Salir) da Carta Militar de Portugal na escala original 1/25.000 do IGEO.
APÊNDICE II MAPA GEOLÓGICO DA ROCHA DA PENA E DA ÁREA ENVOLVENTE
XG
N Cas
Cas
?
AS
Cas
AL
291 GS28 28
AS
Cas
Cas
Cas
Cas Cas Cas XG
? 26
Cas
290
18
Cas
CVS PV
15 AL
PV Cas PV
Cas 50 CVS PV ?
CVS
PV
267 AL
AS
30
? CVS 301
XG
PV
CVS
?
20
304 45
360
AS
23
Quinta do? CVS 70 32
51
299
Freixo CVS
35
? PV
BICA
AL 42
? DV
48
256 DV
25 383
17
PV 33
25
CVS DV CVS
62 468
356 DV 278 266
CVS 480
15 41
37
Cal
471 DV
12
22 473 40 50
33
20 37
22 17
20 16 30
20
Cal
DV ROCHA DA PENA 479 35
18
58
CVS
07 30 20 456 PENA
Int
? DV Int
Int
DV
Gesso
374
264
23 DV DV 16
25 DV
20 56
DV
CVS
Int
22
CVS
10 Gesso
335 Rocha da
CVS 14 66 DV
Penina 18
20 16 Pena DV 22 27
30
25 18
70 20
DV 302
33
DV AS
CVS DV
24 PV
282 317 18 30
331 15 20
Int 14
30
48
30
12 17 CVS 19
26
16
27 PV 34
Cal 24
344 Cas Cas
Cas Cas
0 500 m CVS
296
249
285 Pena
ArgV
Cal
Cartografia do autor e adaptada da folha oriental da Carta Geológica da Região Algarvia, na escala 1/100.000, SGP (1992); base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal na escala original 1/25.000 do IGEO.
LEGENDA
Aluvião
Quaternário
Neogénico Depósitos de vertente
Cascalheiras e areias
Pliocénico
Formação de Picavessa (dolomitos, calcários dolomíticos,
calcários e brecha dolomítica)
Sinemuriano Argilas vermelhas do topo do Complexo vulcano-
sedimentar
Jurássico Inferior Complexo vulcano-sedimentar (piroclastos remobilizados,
tufos vulcânicos, brechas vulcânicas, intrusões de
doleritos e escoadas de basaltos)
Hetangiano
Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas
(argilitos e arenitos finos, calcários, dolomitos e gesso
intercalados)
Triásico Superior Retiano Arenitos de Silves (arenitos, siltitos, argilitos e
conglomerados)
Falha
Falha normal
Falha inversa
Desligamento
Falha provável
Falha oculta
Limite geológico
Moinho
Povoação
Gesso
Intrusão básica
APÊNDICE III MAPA GEOMORFOLÓGICO DA ROCHA DA PENA
Francisco Lopes (2006)
N 267 312
304
Quinta do Freixo
311
331
344
0 500 m 328
238
285 Pena
296
Cartografia realizada com recurso a trabalho de campo e a fotografias aéreas à escala 1:15.000 fornecidas pelo IGEO; base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal na escala original 1/25.000 do IGEO.
LEGENDA
Vertente rectilínea (maior proximidade dos traços verticais indica maior declive)
Escarpa de falha
Cornija
Falha
Linha de água
Dolina
Campo de lapiás
Povoação
de rochas indica-nos que nesta área existiram, ao longo do tempo, Depósitos de vertentes – fragmentos de rochas carbonatadas a
400 400 1,81 Ma* – Actual
cobrir as vertentes da Rocha da Pena
ambientes geológicos diversificados. No corte geológico e na coluna 300 300
200
litostratigráfica, que se encontram à direita, é possível observar, de uma 190 – 180 Ma*
200
Calcários, dolomitos e brechas carbonatadas
100 100
TEMPO
A Rocha da Pena é formada por calcários e dolomitos e apresenta 1 A água da chuva torna-se
estruturas típicas do modelado cársico. Este tipo de paisagem caracteriza-se ligeiramente acidificada por possuir
CO2
pela existência de formas superficiais (lapiás, dolinas, …) e subterrâneas CO2
ácido carbónico, o qual resulta da 2
dissolução de dióxido de carbono A água da chuva adquire ainda maior acidez ao
(grutas), cuja formação se deve a um processo lento e natural denominado CO2 (CO2) atmosférico na água. atravessar o solo que se encontra enriquecido em CO2 e
em outros ácidos provenientes da respiração das raízes
carsificação. Esse processo consiste essencialmente no alargamento e das plantas e da decomposição da matéria orgânica.
CO2
aprofundamento gradual de fracturas e planos de estratificação através da
3
dissolução de rochas carbonatadas, como os calcários e os dolomitos. O Os calcários, maioritariamente compostos por calcite, sofrem dissolução pelo
CO2 ácido carbónico presente na água. Nesse processo de dissolução do calcário,
Fracturas
processo de dissolução dos calcários encontra-se esquematizado na figura à o ácido reage com a calcite formando bicarbonato de cálcio, o qual, dada a
direita. sua propensão de se dissolver na água, é assim fácil e gradualmente
removido pela água que circula através das rochas.
Terra rossa – depósito argiloso de cor Dolinas – Depressões geralmente fechadas, de dimensão variável (da dezena à centena de metros de Algares – Cavidades que se desenvolvem no sentido vertical, mais profundas do
vermelha, resultante da acumulação dos diâmetro), mais largas do que profundas, e com contorno aproximadamente circular ou elíptico. que largas, e que podem comunicar com cavidades subterrâneas (grutas).
resíduos insolúveis presentes nas rochas
carbonatadas (argilas, areia fina e óxidos de
ferro) que ficam retidos como um solo
residual, no fundo dos sulcos, devido à
dissolução dessas rochas.
Dolina de dissolução (fotografia tirada a partir do amuralhamento de cascalheiras central, para sudoeste).
Bibliografia: Crispim, J. A. (1982) Morfologia cársica do Algarve. Monografia da Licenciatura de Geologia. Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, 172 pp. / Tomé, R. (1996) Morfologia Cársica no Concelho de Loulé: Abordagem preliminar. al-ulyã – Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, n.º 5, Loulé, pp. 217 – 239. Autores: Francisco Lopes e Paulo Fernandes
APÊNDICE VI
Formações rochosas da vertente norte da Rocha da Pena
As rochas são como livros, se as soubermos ler podemos conhecer a sua história. Através das rochas podemos saber quais as condições e os ambientes que existiram durante
Fotografia panorâmica da vertente norte a sua formação e conhecer, ainda, a localização paleogeográfica dos continentes e oceanos onde essas rochas se formaram. Com as rochas existentes na Rocha da Pena e na
região envolvente podemos reconstituir uma parte da história geológica do Algarve (ver quadro e evolução paleogeográfica abaixo).
Sul Norte
1 1. Formação de Picavessa 4. Pelitos com evaporitos e carbonatos Idade
Coluna
litostratigráfica Nome da
2. Depósitos de vertente 5. Arenitos de Silves Milhões de anos Litologia (características e origem das rochas)
(não reflecte a verdadeira Formação
(Ma)
3. Complexo vulcano-sedimentar 6. Formação de Mira espessura das litologias)
6 Rochas: fragmentos de rochas carbonatadas, angulosos, de dimensão variada, geralmente não consolidados.
Quaternário Depósitos de
(1,81 Ma – Presente) vertente Origem: materiais associados à evolução das escarpas e vertentes da Rocha da Pena, resultantes da
meteorização física das rochas e que se movimentam por acção da gravidade.
5
Pliocénico – Quaternário Cascalheiras e Rochas: fragmentos de grauvaques, xistos e quartzo, de dimensão variável, não consolidados.
4 areias
(2 – 0,01 Ma) Origem: transportados e depositados por antigas redes fluviais.
3
Rochas: carbonatadas (calcários, dolomitos e brechas dolomíticas) de cor clara.
2 Jurássico Inferior Formação de
Picavessa Origem: sedimentação em plataformas marinhas carbonatadas pouco profundas (inferiores a 100 metros) e de
(190 – 180 Ma)
águas quentes.
AL
- As diferentes cores representam as diferentes v v
GS
Cas
Cas
Cas
AS
litologias (legenda no quadro do lado direito) v v
Cas Cas Cas XG
Pelitos com
Cas
Rochas: argilas de tonalidade avermelhada, por vezes, violácea e esverdeada, com intercalações de arenitos
Cas
PV
Triásico Superior –
CVS
AL
PV Cas
Limite geológico v v evaporitos e
PV
Cas CVS PV ? v
CVS v finos, carbonatos e evaporitos.
Jurássico Inferior
AS PV
intercalações
AL
? CVS
CVS
? Falha
Origem: sedimentação num clima quente e seco em lagoas marinhas salgadas temporárias.
PV
CVS CVS
Gesso DV
Rocha da
DV
Vértice geodésico
Int DV
CVS
Penina Pena DV
DV CVS
DV
DV
PV
AS
Moinho Rochas: camadas alternantes de xistos argilosos e grauvaques com tonalidades acastanhadas, por vezes,
Int acinzentadas e violáceas; rochas dobradas e fracturadas.
Carbonífero
CVS
Cal
PV
Corte geológico
Cas Cas
Cas Cas
Formação de Mira Origem: sedimentação de areias e argilas transportadas para bacias oceânicas profundas, por correntes de
(325 – 310 Ma)
ArgV
AL
Cal
0 500 m
Pena
CVS
Área abrangida pela fotografia turbidez (mistura de água e sedimentos que se desloca sobre taludes submarinos); deformação posterior das
rochas associada à origem de uma cadeia montanhosa.
ArgV
Cartografia realizada pelos autores e adaptada da folha oriental da Carta Geológica da Região do Algarve, 1/100.000, do SGP (1992). Local de onde foi tirada a fotografia
Base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal do IGEO.
Há 240 Há 180
200 200
milhões de milhões de
América
do Norte Eurásia
100 100 anos atrás anos atrás América Presente
Oceano do Norte Eurásia
Pantalassa África
Índia
0 0 0º Equador 0º Equador 0º Equador
África América
-100 -100 Território do Sul
português América
Território
Austrália
-200 -200 do Sul
Índia
português
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
Austrália
Distância (m)
Antártida Antártida
Bibliografia: Manuppella, G. (1988) Litoestratigrafia e Tectónica da Bacia Algarvia. Geonovas, Lisboa, Vol. 10, pp. 67 – 71 / Manuppella, G. (1992) Mesozóico. Carta Geológica de Portugal. Notícia Explicativa da Folha 8, escala 1/200 000. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, pp. 51 – 63 Autores: Francisco Lopes e Paulo Fernandes
APÊNDICE VII
Formações rochosas da vertente sul da Rocha da Pena
As rochas são como livros, se as soubermos ler podemos conhecer a sua história. Através das rochas podemos saber quais as condições e os ambientes que existiram durante
Fotografia panorâmica da vertente sul a sua formação e conhecer, ainda, a localização paleogeográfica dos continentes e oceanos onde essas rochas se formaram. Com as rochas existentes na Rocha da Pena e na
Sul 1
Norte região envolvente podemos reconstituir uma parte da história geológica do Algarve (ver quadro e evolução paleogeográfica abaixo).
Vértice geodésico
1. Formação de Picavessa 3. Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas Coluna
Idade
2. Depósitos de vertente 4. Complexo vulcano-sedimentar litostratigráfica Nome da
Litologia (características e origem das rochas)
Milhões de anos
(não reflecte a verdadeira Formação
(Ma)
espessura das litologias)
1 2
4 3 Quaternário Rochas: areias, argilas e seixos.
(Holocénico) Aluviões
Origem: materiais depositados pelos cursos de água no seu leito e fora deste durante períodos de cheia.
(0,01 Ma – Presente)
Rochas: fragmentos de rochas carbonatadas, angulosos, de dimensão variada, geralmente não consolidados.
Quaternário Depósitos de
(1,81 Ma – Presente) vertente Origem: materiais associados à evolução das escarpas e vertentes da Rocha da Pena, resultantes da
meteorização física das rochas e que se movimentam por acção da gravidade.
Pliocénico – Quaternário Cascalheiras e Rochas: fragmentos de grauvaques, xistos e quartzo, de dimensão variável, não consolidados.
(2 – 0,01 Ma) areias Origem: transportados e depositados por antigas redes fluviais.
XG
N Cas
v v
?
Cas Legenda: v Rochas: lavas de basaltos, piroclastos (materiais sólidos expelidos nas erupções vulcânicas) e intrusões de
Jurássico Inferior v
doleritos; normalmente, muito alteradas.
AS
Cas
Cas
Cas
Cas
AS
litologias (legenda no quadro do lado direito) (195 – 190 Ma). v Origem: magmatismo associado à evolução de um rifte continental (vale formado por falhas, na fronteira de
Cas XG
Cas
Cas Cas
Cas v
CVS
AL
PV
v v placas tectónicas divergentes).
PV
Cas
Cas PV
CVS PV ? Limite geológico
AL
AS
CVS
PV v v
? CVS
PV
CVS
? Falha Pelitos com Rochas: argilas de tonalidade avermelhada, por vezes, violácea e esverdeada, com intercalações de arenitos
AS Quinta do? CVS Triásico Superior – v
v v evaporitos e
Freixo CVS ? PV
BICA v finos, carbonatos e evaporitos.
? DV
383
Falha provável Jurássico Inferior intercalações
DV
CVS
PV
DV CVS
(200 – 195 Ma) carbonatadas Origem: sedimentação num clima quente e seco em lagoas marinhas salgadas temporárias.
CVS
ROCHA DA PENA
DV
Falha oculta
Cal DV
DV ROCHA DA PENA 479 Aglomerado populacional Rochas: arenitos, argilas e alguns leitos de seixos (conglomerados) com coloração avermelhada.
Triásico Superior
PENA
Origem: deposição em ambientes fluviais, num clima quente e árido.
Int
Gesso
? DV Int DV
Arenitos de Silves
Int 374
DV DV
DV
Vértice geodésico (230 – 200 Ma)
Entre estes sedimentos e a Formação de Mira existe um hiato temporal de cerca de 80 milhões de anos,
DV
CVS
Int
CVS
Gesso
Rocha da DV
CVS
Penina Pena DV
DV
Moinho devido ao levantamento tectónico e à erosão associada que ocorreu nesse período.
DV AS
CVS DV
PV
Int
CVS
Cal
PV
Cas Cas
Cas Cas
Corte geológico Rochas: camadas alternantes de xistos argilosos e grauvaques com tonalidades acastanhadas, por vezes,
ArgV
AL
0 500 m CVS
Área abrangida pela fotografia
Pena Carbonífero
ArgV Formação de Mira Origem: sedimentação de areias e argilas transportadas para bacias oceânicas profundas, por correntes de
Local de onde foi tirada a fotografia (325 – 310 Ma)
Cartografia realizada pelos autores e adaptada da folha oriental da Carta Geológica da Região do Algarve, 1/100.000, do SGP (1992). turbidez (mistura de água e sedimentos que se desloca sobre taludes submarinos); deformação posterior das
Base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal do IGEO.
rochas associada à origem de uma cadeia montanhosa.
Corte geológico evidenciando a vertente sul da Rocha da Pena Evolução paleogeográfica dos continentes e oceanos
4 5
1 2 3 Associado a esse rifte formaram-
Os processos que produziram A evolução do rifte levou 6
Durante a formação O supercontinente se lagoas salgadas temporárias A evolução desse rifte originou o
Área abrangida na fotografia a Cadeia Varisca originaram a ao afastamento dos
do supercontinente Pangea ao onde sedimentaram os Pelitos oceano Atlântico e juntamente com
deposição e posterior continentes e originou
Pangea originou-se a fragmentar-se com evaporitos e carbonatos; e outros riftes foi determinada a
Norte deformação da Formação de mares. Nas margens
500
Sul 500
cadeia montanhosa originou zonas de vulcões que originaram o distribuição dos continentes e
Mira. A erosão dessa cadeia continentais desses
Varisca rifte continental. Complexo vulcano-sedimentar. oceanos actuais.
400 400
originou os sedimentos dos mares depositaram-se
300 300 Arenitos de Silves. calcários, como os da
Formação de Picavessa
200 200
Há 240 Há 180
100 100 milhões de milhões de
América
do Norte Eurásia
anos atrás anos atrás América Presente
0 0 Oceano do Norte Eurásia
Pantalassa África
Índia
0º Equador 0º Equador 0º Equador
-100 -100
África América
Território do Sul
-200 -200 português América
Território
Austrália
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 do Sul
Índia
português
Distância (m)
Austrália
Antártida Antártida
Bibliografia: Manuppella, G. (1988). Litoestratigrafia e Tectónica da Bacia Algarvia. Geonovas, Lisboa, Vol. 10, pp. 67 – 71 / Manuppella, G. (1992). Mesozóico. Carta Geológica de Portugal. Notícia Explicativa da Folha 8, escala 1/200 000. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, pp. 51 – 63 Autores: Francisco Lopes e Paulo Fernandes
GUIA-DE-CAMPO
Francisco Lopes
2006
ÍNDICE
1. Introdução..................................................................................................................................................................... 1
3. Enquadramento geológico............................................................................................................................................ 4
Local A – Estrada 503, entre a Brazieira e a Tameira (panorâmica da vertente norte da RP; afloramentos da
Formação de Mira)……………………………………………………………………………………………......... 7
Local B – Caminho Brazieira - moinhos da Pena (afloramento do Complexo vulcano-sedimentar; falha E-O que
atravessa a vertente sul da RP e põe a contactar a Formação de Mira com a Formação de Picavessa)... 10
Local C – Alcaria, caminho Alcaria - RP (afloramento dos Arenitos de Silves; zona perto do contacto entre a
Formação de Mira e os Arenitos de Silves)………….. …………………………………………………………. 14
Local D – A oeste das Eirinhas, no caminho Eirinhas - RP (afloramento de Pelitos com evaporitos e intercalações
carbonatadas; panorâmica da vertente e da escarpa sul da RP)…………………………………………....... 15
Local E – Fonte do Vale do Álamo (afloramento de material piroclástico da base do Complexo vulcano-
sedimentar)…………………………………………………………………………………………………………... 17
Local F – Subida ao longo da vertente sul (escarpa sul da RP; brechas cársicas e afloramentos da Formação de
Picavessa)…………………………………………………………………………………………………………… 18
Local G – Miradouro norte (panorâmica da vertente norte) e LOCAL H – Vértice Geodésico 479 m (panorâmica
da vertente sul)…………………………………………………………………………………………………....... 19
5. Morfologia cársica…………………………………………………………………………………………………………….... 20
7. Referências Bibliográficas........................................................................................................................................... 26
8. Anexos........................................................................................................................................................................ 27
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
1. INTRODUÇÃO
A Rocha da Pena (RP) (Fig. 1) é um local de reconhecido interesse multidisciplinar devido às suas particularidades
geológicas, geomorfológicas, biológicas, paisagísticas e culturais, constituindo presentemente uma área protegida sob a figura do
Sítio Classificado da RP, nos termos do Decreto-Lei n.º 392/91 de 10 de Outubro. As suas particularidades atribuem-lhe um estatuto
que lhe confere o reconhecimento suficiente para ser citada nos mais diversos tipos de literatura e meios de comunicação com um
cariz mais científico e investigativo ou de índole meramente divulgativa. Por exemplo, M. FEIO (1952, p. 103), no seu trabalho sobre
“A Evolução do Relevo do Baixo Alentejo e Algarve” refere-se à RP como «(…) o único relevo verdadeiramente vigoroso de toda a
Orla Algarvia (…)».
Reconhecendo a RP como um geomonumento e um local de elevada geodiversidade, dadas as suas características de
monumentalidade e particularidades e a nível da geologia, esta deve ser considerada um património geológico que importa valorizar
e divulgar como um georrecurso cultural, numa concepção de cultura alargada ao saber científico, não renovável, e que deve ser
preservada e legada como herança às gerações futuras [1, 2]. Nesse sentido e tendo em conta a elevada geodiversidade e a boa
acessibilidade que a RP apresenta, esta constitui um local com elevado interesse científico-educativo passível de uma exploração
em actividades outdoor1 integradas no ensino formal ou mesmo no ensino não-formal2, onde, por exemplo, durante uma Saída de
Campo os visitantes poderão, na perspectiva das Geociências e da Educação Ambiental, explorar diversos aspectos geológicos e
geomorfológicos, tais como:
i) Enquadramento geológico – litologias, respectivos ambientes geológicos e estruturas não-tectónicas (estruturas
sedimentares), realçando o facto das rochas e das estruturas por elas evidenciadas representarem testemunhos da
história geológica da Terra;
ii) Estrutura, génese e evolução da RP e das suas escarpas – estruturas tectónicas (fracturas, dobras) e condicionantes
responsáveis pela origem e evolução da RP;
iii) Morfologia cársica – génese e algumas formas cársicas presentes na RP.
O E
Fig. 1 – Panorâmica da vertente sul da RP, evidenciando-se uma escarpa imponente com orientação E-O.
1 Actividade outdoor, no sentido aqui empregue, refere-se a uma actividade realizada em ambiente natural como, por exemplo, o estudo de um
afloramento rochoso [4]. Contudo, é de realçar que este tipo de actividade deve ter um carácter holístico e deve ser organizado e desenvolvido por
monitores com preparação científica e académica para o efeito [5].
2 O ensino formal enquadra as actividades curriculares, portanto, no âmbito de um programa curricular de uma determinada disciplina e de um
determinado nível de ensino. Por outro lado, o ensino não-formal engloba as actividades extra-curriculares, como clubes de ciência, passeios
pedestres e outras actividades realizadas no âmbito da divulgação e da alfabetização científicas [5, 6].
1
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
A RP localiza-se no Algarve, no concelho de Loulé, a oeste da vila de Salir (Fig. 2), encontrando-se na transição entre a
Serra Algarvia e o Barrocal Algarvio, abrangendo a Serra no sector norte e o Barrocal no sector sul (Fig. 3). Este relevo, juntamente
com outros relevos a oriente, como a Rocha dos Soidos e a Rocha de Messines, constitui o alinhamento E-O mais setentrional de
relevos carbonatados [3] do Barrocal Algarvio e da Bacia Algarvia no Algarve Central.
N
Alcoutim Rocha da Pena
Área de estudo
N Odeceixe Martilongo
124
Estrada
Lisboa
Serra de Monchique
Aljezur IC1
Faro Localidades
Monchique 50 km
Serra do Caldeirão
São Bartolomeu A02 503 124
de Messines
Serra do Espinhaço Salir
Alte Castro
de Cão 124 124 Barranco do Velho Marim
124 Benafim 525
Silves Tôr
524
A22
396 125 V. R. Sto.
Odiáxere IC1 525 S. Brás de Alportel
125 António
Boliqueime Tavira
Portimão
A22 Loulé
125 A22
Lagoa Guia
Vila do 125
Lagos 125
Bispo Luz
Albufeira Quarteira
Olhão
Faro 125
Cabo de
São Vicente
Sagres
0 20 km
I
Ponta de
Sagres
II
Limite do Sítio Classificado
0 1000 m da Rocha da Pena
Fig. 2 – Localização geográfica da RP. I – Mapa do Algarve com a localização da RP; II – Parte da folha 588 da Carta Militar de Portugal, na escala
original 1/25.000, do Instituto Geográfico do Exército, com a delimitação do Sítio Classificado da RP.
2
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
N
1
Serra de Monchique
Aljezur
500
300
200 2
3
100
4 200
V.R.Sto.
Tavira António
Portimão
Lagos Quarteira
Albufeira
Sagres Faro
Cabo de
São Vicente
0 20 km
Ponta de
Sagres
Litoral Meridional
Barlavento Sotavento
Litoral Algarvio Barrocal Algarvio Serra Algarvia Curvas de nível 1- Falha de S. Marcos-Quarteira
Área dedaEstudo
Rocha Pena Limite entre zonas
(equidistância de 50 m) 2- Falha da Eira de Agosto
3- Falha de Alportel
4- Flexura do Algibre
Fig. 3 – Enquadramento geomorfológico da RP, com a localização da Serra, Barrocal e Litoral (Litoral Ocidental e Litoral Meridional: Barlavento e
Sotavento) e alguns acidentes tectónicos (adaptado de [3, 7]).
A RP (Fig. 4) constitui um relevo de forma tabular cujo eixo maior tem orientação E-O, afunilado no extremo leste e
alargado no extremo oeste. Este relevo representa uma mesa com cerca de 1850 m de comprimento, 455 m de largura máxima e
uma altitude que varia entre os 440 e os 480 m. O topo do relevo no essencial é aplanado, inclinando geralmente para sul. As
vertentes norte e sul são simétricas e bastante íngremes, sendo constituídas por escarpas, que atingem os 50 m de altura no sector
sul, talhadas nas rochas carbonatadas da Formação de Picavessa,.
Elevação (m)
480m
ROCHA DA PENA
479m 448m
Metros
Fig. 4 – Modelo digital de terreno com a elevação, a hidrografia e os alinhamentos do relevo na RP e na área envolvente.
A RP (Fig. 4) encontra-se individualizada dos relevos adjacentes por vales talhados essencialmente nas formações
vulcano-argilo-areníticas do Triásico e da base do Jurássico Inferior. No sector norte, desenvolve-se um vale de orientação E-O onde
estão instaladas a ribeira da Brazieira e a ribeira do Freixo – a ribeira da Brazieira prolonga-se pelo sector este com um traçado NO-
3
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
SE, enquanto a ribeira do Freixo tem continuidade para oeste através de um vale de orientação N-S, o qual interrompe a
continuidade do alinhamento E-O da RP com a Rocha dos Soídos. No sector sul, encontra-se um vale principal com direcção
também E-O, menos amplo que os restantes, onde se desenvolve uma linha de água para oriente que conflui com a ribeira da
Brazieira. No sector sul, encontram-se ainda duas linhas de água de orientação N-S a drenar para sul, cortando os relevos calcários
que formam pequenas colinas inclinadas para sul.
Sendo a RP formada por rochas carbonatadas, é um local propenso à instalação de fenómenos cársicos, apresentando
consequentemente estruturas como lapiás, dolinas, algares e grutas.
3. ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO
A RP e a área envolvente localizam-se em terrenos pertencentes ao Maciço Antigo (soco Paleozóico) e à Bacia Algarvia
(Fig. 5). O Maciço Antigo, na Península Ibérica, corresponde a um aplanamento da cadeia montanhosa Hercínica, que foi arrasada
pela erosão durante o Pérmico e parte do Triásico antes da fragmentação do Pangea [8]. Na área considerada, as formações
rochosas do Maciço Antigo pertencem ao Grupo do Flysch do Baixo Alentejo, uma das unidades litostratigráficas da Zona Sul
Portuguesa [9]. As restantes unidades pertencem à Bacia Algarvia, de idade meso-cenozóica, cuja estruturação esteve relacionada
com a abertura do oceano Atlântico Norte e a expansão do oceano Tétis para ocidente (Neo-Tétis Ocidental) e a consequente
fracturação do Pangea [10, 11]. Esta estruturação e evolução da Bacia Algarvia decorreram desde o Triásico Médio até meio do
Cretácico, tendo na fachada meridional estado essencialmente associada a movimentos distensivos NO-SE a N-S controlados pela
deriva diferencial da placa africana em relação à placa ibérica [7, 10, 11]. A Bacia Algarvia foi sujeita a um regime compressivo
polifásico de orientação N-S (inversão tectónica) durante o Cretácico Superior e o Cenozóico [10, 11].
N Odeceixe
Lisboa
Monchique Faro
50 km
Alzejur
Barranco
do Velho
Silves
V. R. Sto.
Loulé António
Tavira
Portimão
Lagos
Albufeira Quarteira
Faro
Cabo de Sagres 0 20 km
São Vicente
Ponta de
Sagres
Alto Fundo de
Sub-bacia Ocidental Budens-Lagoa Sub-bacia Oriental
Fig. 5 – Mapa geológico simplificado da região do Algarve (adaptado de [10, 12, 13, 14, 15, 16]).
4
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
Na RP e na área envolvente as unidades litostratigráficas encontradas possuem idades compreendidas entre o topo do
Carbónico Inferior (Namuriano) e o Quaternário, com duas grandes lacunas estratigráficas (Fig. 6 e 7): i) entre a base do Carbónico
Superior e o Triásico Superior; e ii) entre o Jurássico Inferior e, pelo menos, o Pliocénico.
Cas
?
AS
Cas
AL
28
GS 28
AS
Cas
Cas
Cas
Cas XG
? 26
Cas
Cas Cas 18
Cas
CVS PV
15 AL
PV Cas
Cas 50
PV
CVS PV ?
CVS
AS PV
30
? CVS AL
XG
PV
20 45
CVS
?
AS
23
Quinta do? CVS 70 32
Freixo CVS
35
? PV
51
BICA
42
AL
? DV
48
DV
25 383
17
PV 33
25
CVS DV CVS
62
DV
CVS
15 41
37
12 Cal 40
DV
22 33
50
20 37
22 17
20 16 30
20
Cal
DV ROCHA DA PENA 07 479
30 35
18
58
CVS 20
PENA
Int
? DV Int
Int
DV
Gesso
374
23 DV DV 16
25 DV
20
Rocha da
56
22 10 Gesso DV
CVS CVS
Int 66
Pena DV
CVS 14 DV
Penina 18 25 18
20 16 22 27
70 DV
30 20
33
DV AS
CVS DV
24 PV
18 30
20 48
15 30
Int 14
30
12 17 CVS 19
26
16
27 PV 34
Cal 24
Cas Cas
Cas Cas
ArgV 30
AL
Cal
0 500 m CVS
Pena
ArgV
Cal
1- 2- 3- 4- 5- 6- 7- 8- 9- 10- 11-
12- 13- 14- 15- 16- 17- 18- 19- 28 20- 21- 22-
1- Aluvião (Quaternário); 2- Depósitos de vertente (Quaternário); 3- Cascalheiras e areias (Plio-Quaternário); 4- Formação de Picavessa (Sinemuriano); 5- Argilas
vermelhas do Complexo vulcano-sedimentar (Sinemuriano); 6- Complexo vulcano-sedimentar (Hetangiano-Sinemuriano); 7- Pelitos com evaporitos e
intercalações carbonatadas (Retiano-Hetangiano); 8- Arenitos de Silves (Retiano); 9- Formação de Mira (Namuriano); 10- Gesso; 11- Intrusão básica; 12- Limite
geológico; 13- Falha; 14- Falha normal; 15- Falha inversa; 16- Desligamento; 17- Falha provável; 18- Falha oculta; 19- Atitude da estratificação (direcção e
inclinação); 20- Vértice Geodésico e ponto cotado; 21- Moinho; 22- Povoação; A linha com orientação N-S de cor verde corresponde ao corte geológico que se
apresenta na figura 23.
Fig. 6 – Mapa geológico simplificado da RP e da região envolvente (cartografia do autor e adaptada da folha oriental da Carta Geológica da Região
do Algarve, à escala 1/100.000, do SGP (1992); base cartográfica: folha 588 da Carta Militar de Portugal do IGEO).
5
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
v v v
v Materiais piroclásticos
v v
Jurássico Inferior
Paleocorrentes de N para
Arenitos, siltitos, argilas e
Até 65 m
6
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
Dentre a elevada geodiversidade que a RP encerra, foram seleccionados 8 locais (Fig. 8) devido às suas características
representativas de algumas particularidades existentes naquele geomonumento. Deste modo, nesses locais poder-se-ão realizar
actividades de campo com o objectivo de observar e discutir alguns aspectos geológicos e geomorfológicos relacionados com as
unidades litostratigráficas aflorantes e com a estrutura, a génese e a evolução do relevo da RP. Para melhor enquadrar no tempo e a
paleogeografia da área de estudo encontra-se em anexo uma tabela cronostratigráfica (Anexos, Quadro 1) e uma reconstituição
paleogeográfica global (Anexos, Fig. 43) para o intervalo de tempo compreendido entre o Carbónico e o Quaternário.
N D
H F
E G
B
A
C
Aluvião (Quaternário)
Depósitos de vertente (Quaternário)
Areias e cascalheiras (Plio-Quaternário)
500 m Formação de Picavessa (Jurássico Inferior)
Argilas vermelhas (Jurássico Inferior)
Complexo vulcano-sedimentar (Jurássico Inferior)
Pelitos com evaporitos e carbonatos (Jurássico Inf. – Triásico Sup.)
Arenitos de Silves (Triásico Superior)
Formação de Mira (Carbónico)
Falha Gesso Intrusão básica
Fig. 8 – Modelo digital do terreno com a geologia da RP e da área envolvente e com a localização dos oito locais de interesse geológico
seleccionados (modelo elaborado por Vítor Correia).
LOCAL A – Estrada 503, entre a Brazieira e a Tameira (panorâmica da vertente norte da RP; afloramentos da Formação de
Mira)
Descrição geral: O local A encontra-se em terrenos pertencentes à Serra Algarvia, com litologias da Formação de Mira
(325 a 310 Ma3) do Grupo de Flysch do Baixo Alentejo da Zona Sul Portuguesa (soco Paleozóico). Neste local é possível obter uma
panorâmica da vertente e da escarpa norte da RP (Fig. 9). Nas barreiras da estrada 503, encontram-se afloramentos da Formação
de Mira – o substrato das unidades mesozóicas da Bacia Algarvia a leste de S. Bartolomeu de Messines –, que corresponde a
sequências de grauvaques e xistos argilosos intercalados com tonalidades acinzentadas e acastanhadas. Estas rochas tiveram
origem no Carbónico, há cerca de 325 a 310 Ma, durante a orogenia Varisca (período de compressão tectónica) no fundo de um
oceano profundo para onde ocorria o aporte de materiais siliciclásticos (areias, siltes e argilas) através de correntes de turbidez [9,
14, 15, 17, 18, 19] – os sedimentos mais grosseiros originaram os grauvaques e os mais finos os xistos argilosos. A evolução da
orogenia Varisca, durante o Pérmico e grande parte do Triásico – ao longo de mais de 70 Ma – promoveu a deformação e a
3 Ma = milhões de anos
7
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
elevação daqueles turbiditos, originando a cadeia montanhosa Varisca, que foi erodida e aplanada [8], tendo-se originado uma
lacuna estratigráfica correspondente a esse intervalo de tempo [13, 14, 15]. Essas rochas turbidíticas apresentam estruturas
sedimentares típicas de correntes de turbidez (sequência de Bouma) (Fig. 10) e estruturas tectónicas relacionadas com a orogenia
Varisca (dobras, fracturas, filões e clivagem) (Figs. 11 e 12).
E O
E A O
II
Fig. 9 – Vertente norte da RP. I- Panorâmica da vertente norte da RP, evidenciando-se a escarpa com orientação E-O; II- Pormenor da escapa
norte no sector este da RP, observando-se uma zona mais recuada (A) e um grande bloco de brecha cársica destacado da escarpa (B).
Divisão e (Argilas)
Divisão c
Fig. 10 – Sequência de Bouma completa;
(Areias com laminação cruzada) as divisões a, b, c correspondem a uma
bancada de grauvaque e as divisões d, e
Divisão b
(Areias com laminações paralelas) correspondem aos xistos argilosos (entre
a Brazieira e a Tameira na barreira
Divisão a (Areias com gradação positiva; base erosiva)
esquerda da estrada 503 no sentido
sul-norte; moeda como escala).
8
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
S N
1m
I
Falha: N45º,81ºS
S N
Falha: N43º / vertical
Falha: N68º / vertical
Falha: N37º,80ºN
S1: N72º,80ºS 1m
II 25 m
Fig. 11 – Afloramento da Formação de Mira com camadas em posição normal, evidenciando dobramentos, falhas e clivagem tectónica (S1).
I- Fotografia do afloramento; II- Esquematização do afloramento.
Xistos argilosos
S1
Grauvaques
Cv
S0
S1
Xistos argilosos
Fig. 12 – Afloramento da Formação de Mira com camadas sub-horizontais (S0) em posição normal evidenciando uma clivagem tectónica moderada
(S1: N0º,30ºE) nos xistos argilosos e a respectiva refracção da clivagem – clivagem tectónica oblíqua nos xistos argilosos (S1) e quase
perpendicular à estratificação nos grauvaques (Cv) (martelo como escala).
9
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
LOCAL B – Caminho Brazieira - moinhos da Pena (afloramento do Complexo vulcano-sedimentar; falha E-O que atravessa a
vertente sul da RP e põe a contactar a Formação de Mira com a Formação de Picavessa)
Descrição geral: O percurso entre o local A e o local B estabelece a passagem de terrenos pertencentes ao Maciço Antigo,
de idade paleozóica, para terrenos da Bacia Algarvia, de idade mesozóica. Deste modo, desde o local A até ao local B os visitantes
passam da Formação de Mira (325 a 310 Ma; local A) para os Arenitos de Silves (230 a 200 Ma) e destes para os Pelitos com
evaporitos e intercalações carbonatadas (200 a 195 Ma) até chegar ao Complexo vulcano-sedimentar (195 a 190 Ma; local B). É
possível assim nesse percurso observar alguns aspectos associados às litologias dessas unidades da base da Bacia Algarvia.
Contudo, os Arenitos de Silves e os Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas podem ser melhor observados,
respectivamente, nos locais C e D. De notar que, por vezes, o contacto entre as diferentes unidades não é visualizado porque estes
encontram-se cobertos por depósitos de vertente associados à evolução das vertentes e das escarpas da RP.
No caso do Complexo vulcano-sedimentar, trata-se de uma sequência formada por uma alternância de piroclastos
remobilizados, tufos vulcânicos, brechas vulcânicas, escoadas de basaltos e intrusões de doleritos (Figs. 13 a 22) [20, 21, 22, 23]
em elevado grau de alteração. A origem destas litologias esteve associada ao magmatismo continental de tipo fissural e de carácter
toleítico da primeira fase de riftogénese do Mesozóico [23], que conduziu à abertura do oceano Atlântico na actual fachada ocidental
e de um braço do mar de Tétis na fachada meridional [11]. De um modo geral, o vulcanismo terá ocorrido principalmente em
condições subaquáticas e terá sido relativamente explosivo dado que há predomínio de materiais piroclásticos (piroclastos
remobilizados, tufos vulcânicos e brechas). Porém, esses episódios explosivos foram intercalados com episódios efusivos traduzidos
por escoadas basálticas, encontrando-se também rochas hipabissais representadas por intrusões de doleritos (rochas magmáticas
com composição química idêntica à do gabro e do basalto e com textura entre esses dois tipos de rocha).
No local B, após o afloramento do Complexo vulcano-sedimentar, perto do final do caminho que conduz até aos moinhos
da Pena, encontra-se novamente a aflorar a Formação de Mira (325 a 310 Ma), a qual contacta com a Formação de Picavessa (190
a 180 Ma). Esta situação é possível graças a uma falha de direcção E-O que atravessa a vertente sul da RP e que rejeita as
unidades litostratigráficas mais de 300 m na vertical (Fig. 23).
10
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
?
6m
Material argiloso de cor vermelha (Fig. 22)
(3)
(4)
(3)
Escoada basáltica amígdalóide
12 m
(3) (4) Camadas centimétricas de material piroclástico grosseiro e vesicular (1 m de espessura)
(3) Níveis de descontinuidade de tonalidades amareladas (Fig. 21)
0,2 m Nível argiloso de cor avermelhada rejeitado 50 cm por uma falha inversa N35º,58ºN; S0: N92º,30ºS (Fig. 20)
Escoada basáltica amígdalóide (vesículas preenchidas com CaCO3); com diáclases N34º e N70º;
8m
desligamento esquerdo N130º
(2) base da escoada de textura maciça, fina e pouco vesicular (Fig. 19)
(2)
Contacto com direcção N90º,30ºS
4m
Camada de material muito fino de cor avermelhada
1,7 m Tufos vulcânicos de grão fino, formando camadas de espessura centimétrica; S0: N85º,28ºS
(1)
4,5 m
Material piroclástico de grão fino, cor amarelada (Fig. 15)
1m Material piroclástico de grão fino, cor avermelhada, cimento carbonatado; S0: N85º,26ºS (Fig. 14)
?
Fig. 13 – Coluna litostratigráfica de um afloramento do Complexo vulcano-sedimentar (caminho Brazieira – moinhos da Pena).
11
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
12
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
Es
Pr
13
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
N S
500 500
400 400
300 300
200 200
100 100
0 0
-100 -100
-200 -200
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
Distância (m)
Fig. 23 – Corte geológico de direcção N-S realizado no sector este da RP, passando pelo ponto cotado de 473 m (miradouro norte).
LOCAL C – Alcaria, caminho Alcaria - RP (afloramento dos Arenitos de Silves; zona perto do contacto entre a Formação de
Mira e os Arenitos de Silves)
Descrição geral: Os Arenitos de Silves (230 a 200 Ma) assentam em discordância angular sobre o soco Paleozóico,
consistindo em arenitos, argilitos e conglomerados avermelhados (Fig. 24) [22, 24], organizados em sequências positivas, que
correspondem a depósitos aluvionares transportados de NE para SO e S para depocentros (zonas mais abatidas) originados por
forças distensivas na fase de pré-riftogénese associada à formação do oceano Atlântico Norte e do Neo-Tétis Ocidental e
consequente fragmentação do Pangea [10, 11, 24]. Os leitos de conglomerados podem ser interpretados como materiais
depositados nos canais fluviais activos, enquanto os materiais mais finos se depositavam nas planícies de inundação [24, 25]. A
coloração avermelhada dos sedimentos deve-se às condições de oxidação e à presença de óxidos de ferro [26]. Esses sedimentos
triásicos sugerem ainda ter sido formados num clima quente e árido compatível com a posição geográfica próxima do equador e com
a interioridade da Península Ibérica no continente Pangea [27, 28]. No local C, a unidade encontra-se afectada por 3 famílias de
diáclases principais (N55º,90º; N0º,90º e N100º,90º) (Fig. 25).
14
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
OSO ENE
II
III
Fig. 24 – Afloramento de Arenitos de Silves com atitude N120º,24ºSO. I- Fotografia evidenciando leitos e bolsadas de conglomerados e brechas
intercalados com arenitos finos a médios de cimento ferruginoso; II- Pormenor de um leito de conglomerado com elevada heterogeneidade de
clastos de grauvaque e quartzo angulosos e sub-angulosos suportados por uma matriz arenosa e ferruginosa; III- Pormenor de uma figura erosiva
(martelo, moeda e lapiseira como escalas)
OSO ENE
N100º,90º
N0º,90º
LOCAL D – A oeste das Eirinhas, no caminho Eirinhas - RP (afloramento de Pelitos com evaporitos e intercalações
carbonatadas; panorâmica da vertente e da escarpa sul da RP)
Descrição geral: No local D é possível ter uma panorâmica sobre a vertente e a escarpa sul da RP, para além de se
observar uma sequência dos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas (200 a 195 Ma). Essa unidade é representada por
uma sequência de argilitos, siltitos e arenitos finos de cor avermelhada, com dolomitos argilosos laminados e evaporitos intercalados
(Figs. 26 a 28) [22, 29, 30]. Os dolomitos constituem bancadas de espessura variável e são normalmente argilosos, de cor branca a
esverdeada, apresentando estruturas sedimentares, tais como laminações, intraclastos, fendas de contracção e bioturbação (Fig.
27). Podem ainda ser encontrados nódulos carbonatados pedogénicos (calcrete) (Fig. 28) a formar horizontes ou dispersos no seio
dos materiais pelíticos. Esses nódulos de calcrete encontram-se associados a processos pedogénicos, provavelmente durante fases
de regressão marinha – os níveis de calcrete que formam horizontes correspondem a estádios mais avançados de desenvolvimento
15
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
desses paleossolos [26]. Esta unidade teve origem em lagoas salgadas marinhas sujeitas a sucessivos pulsos transgressivos e
regressivos num clima quente e seco (ambiente margino-litoral tipo sabkha) [22, 24, 26, 30], durante a fase de pré-riftogénese
associada à fracturação do Pangea.
SE NO
Falha normal: N28º,66NO
NC
Fig. 26 – Afloramento de Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas, nas Eirinhas, onde se evidencia uma unidade pelítica predominante
de cor avermelhada com níveis e camadas carbonatadas (dolomitos primários) perto do topo; o afloramento é coroado por uma bancada de
material piroclástico do Complexo vulcano-sedimentar;
I II III
Fig. 27 – Nódulos de carbonatos e gesso nodular nos Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas. I- Nódulos de calcrete formando
horizontes associados a camadas de carbonatos no topo da unidade; II- Pormenor do aspecto interior de um nódulo carbonatado; III- Gesso
nodular no seio de pelitos vermelhos (lapiseira e moeda como escalas).
16
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
Topo da camada
I II
LOCAL E – Fonte do Vale do Álamo (afloramento de material piroclástico da base do Complexo vulcano-sedimentar)
Descrição geral: No local E é possível observar o contacto entre os Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas
(200 a 195 Ma) e o Complexo vulcano-sedimentar (195 a 190 Ma). A base do Complexo vulcano-sedimentar é marcada por uma
bancada com mais de 4 m de espessura de materiais piroclásticos de grau fino (Fig. 29), os quais apresentam tonalidades amarelo-
torradas, estratificação cruzada, parecendo ter sido remobilizados por um fluxo – aquático ou eólico –, encontrando-se no seu seio,
com alguma abundância, mineralizações, provavelmente de óxidos de ferro.
17
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
LOCAL F – Subida ao longo da vertente sul (escarpa sul da RP; brechas cársicas e afloramentos da Formação de
Picavessa)
Descrição geral: Ao longo da subida da vertente sul até ao topo é possível observar diversos aspectos relacionados com
as litologias da Formação de Picavessa (190 a 180 Ma) e a evolução do relevo da RP. Em termos litológicos, a escarpa sul da RP
pode ser dividida em dois sectores: i) sector oeste, formado por brechas cársicas (clastos e blocos de carbonatos cimentados, que
preenchem as cavidades cársicas como grutas e algares; 1,8 Ma até ao presente) (Figs. 30 e 31), e ii) sector leste, constituído por
rochas carbonatadas da Formação de Picavessa (calcários, calcários dolomíticos, dolomitos e brechas dolomíticas [15, 22]) bem
estratificadas (N80º,20ºN). Associada à evolução e ao recuo das escarpas há o abatimento de cavidades cársicas e a queda de
blocos que acabam por cobrir as vertentes (depósitos de vertente), encontrando-se em alguns locais massas rochosas de material
brechificado destacadas da escarpa. No caso das rochas carbonatadas da Formação de Picavessa, que constituem as escarpas da
RP, pode-se encontrar perto do topo no sector este litologias indicadoras de que aqueles materiais tiveram origem em plataformas
marinhas carbonatadas de águas quentes e de baixa profundidade [26, 31], sendo frequente encontrar pisólitos, laminações
microbianas e macrofósseis de corais, gastrópodes e outros (Fig. 32).
I II
Fig. 30 – Brechas cársicas na RP associadas à Formação de Picavessa. I e II- Aspecto de brechas cársicas que preenchem o carso e que se
encontram expostas na escarpa sul da RP (martelo e moeda como escalas).
18
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
O 2 2 E
Fig. 31 – Pormenor da escapa sul no sector oeste da RP; (1) toda a escarpa na área representada na fotografia é constituída por brechas cársicas,
identificando-se essas brechas em alguns locais mesmo à distância; (2) zonas de abatimento de cavidades cársicas, que constituem locais de
recuo com forma côncava na escarpa; (3) clastos e blocos carbonatados de dimensão variável que resultam da evolução da escarpa e que cobrem
a vertente – depósitos de vertente; as rochas apresentam cavidades e fissuras devido à existência de fracturas que acabaram por ser alargadas e
aprofundadas devido à circulação da água da chuva, a qual tem a capacidade de dissolver as rochas carbonatadas; a coloração da superfície das
rochas da escarpa é, normalmente, cinzenta; contudo, essa cor é resultante da meteorização química das rochas, por reacção dos seus elementos
metálicos com o oxigénio atmosférico; a sua cor real é, entre outras, branca e bege.
I II
Fig. 32 – Pormenores das litologias da Formação de Picavessa. I- Calcário pisolítico; II- Laminações, provavelmente originadas por microalgas
(perto do topo da RP no caminho pedestre na vertente sul; lapiseira e moeda como escalas).
LOCAL G – Miradouro norte (panorâmica da vertente norte) e LOCAL H – Vértice Geodésico 479 m (panorâmica da vertente
sul)
Descrição geral: Os locais G e H são privilegiados para a observação da disposição espacial e da relação estratigráfica
das unidades litológicas que afloram na RP, além do alinhamento E-O das escarpas e dos vales que destacam a RP do relevo
adjacente (Figs. 33 e 34). Deste modo, estes dois locais possibilitam a discussão de particularidades e aspectos sobre a génese, a
evolução e a estrutura da RP e das suas escarpas norte e sul. Por outro lado, as escarpas e o topo da RP constituem áreas onde é
possível a observação e a discussão de aspectos inerentes à morfologia cársica. Assim, o percurso entre o local G e o local H torna-
se muito interessante a nível do modelado cársico.
19
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
Sul 1 Norte
1 2
4 3
Fig. 33 – Panorâmica a partir da vertente sul da RP (Vértice Geodésico), evidenciando-se a distribuição espacial das diferentes unidades
litostratigráficas.
Sul Norte
1. Formação de Picavessa 4. Pelitos com evaporitos e carbonatos
1 2. Depósitos de vertente 5. Arenitos de Silves
3. Complexo vulcano-sedimentar 6. Formação de Mira
4
3
Fig. 34 – Panorâmica a partir da vertente norte da RP (miradouro norte), evidenciando-se a distribuição espacial das diferentes unidades
litostratigráficas.
5. Morfologia cársica
A natureza carbonatada das litologias da Formação de Picavessa, em associação com condições paleoclimáticas
favoráveis (climas húmidos), promoveu a instalação de fenómenos de carsificação (Fig. 35). Deste modo, a RP encerra várias
formas cársicas que apesar de modestas e pouco exuberantes têm, certamente, um importante significado morfológico e genético a
nível local e regional. Relativamente ao exocarso, pode-se encontrar um campo de lapiás (formas escavadas e em relevo esculpidas
nas rochas, que afloram à superfície ou que estão cobertas de solo) (Fig. 36) muito característico com diversas formas de corrosão
(Fig. 37) e várias dolinas (depressões geralmente fechadas, de dimensão variável – da dezena à centena de metros de diâmetro –,
20
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
mais largas do que profundas, e com contorno aproximadamente circular ou elíptico) (Fig. 38). O carso subterrâneo encontra-se
representado por grutas tipo algar (cavidades que se desenvolvem no sentido vertical, mais profundas do que largas, e que podem
comunicar com outras cavidades subterrâneas) (Figs. 39) [32, 33, 34]. Através de uma análise geral da morfologia cársica presente
na RP, pode-se verificar que o tipo, a orientação, a localização e a distribuição das formas cársicas são condicionadas pela litologia,
pela estrutura e pela fracturação. A RP é de facto um relevo cársico cuja carsificação em tempos foi extremamente importante e
determinante no desenvolvimento das formas cársicas encontradas. Todavia, actualmente, ao invés de existir a construção de novas
formas, predomina a degradação das formas herdadas de ciclos carsológicos anteriores [35].
CO2
CO2 2 A água da chuva adquire, ainda, maior
CO2 acidez, ao atravessar o solo que se
CO2
encontra enriquecido em CO2.
21
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
I II
III IV
Fig. 37 – Alguns aspectos característicos na superfície dos lapiás. I- Corrosão alveolar em dolomitos com um aspecto ruiniforme; II- Corrosão
alveolar em dolomitos cujo aspecto se assemelha a favos-de-mel; III- Corrosão em dolomitos que ao sublinhar as fendas e fracturas confere um
aspecto rendilhado tipo “pele-de-elefante”; IV- Pia de dissolução com bordos aguçados e forma rectangular (topo da RP; martelo e lapiseira como
escalas).
S N
Fig. 38 – Duas dolinas alinhadas na direcção E-O e embutidas em uma depressão maior, no sector oeste da RP (contornos da depressão maior
representados com cor laranja; fundo das dolinas assinalado com cor amarela).
22
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
I II
Fig. 39 – Grutas tipo algar na RP. I- Abertura do Algar dos Mouros na parte central do topo da RP; II- Entrada do Algar da Caldeirinha no sector
oeste do topo da RP (martelo como escala).
23
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
N S
3 PRESENTE
A RP é um relevo
estrutural e residual
herdado de fases
morfogenéticas
anteriores.
Complexo vulcano-sedimentar
24
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
SO NE
Juncal
600 m
1 3 5 7 km
Distância
Fig. 41 – Perfil entre o Juncal e a RP ilustrando a continuidade, na orla, da superfície de aplanação do soco Paleozóico (adaptado de [38]).
E
As fracturas e as estruturas cársicas
Lapiás promovem a infiltração da água da
Dolina chuva, pelo que a erosão das rochas
à superfície é pouco significativa –
imunidade cársica.
O
Algar
A presença de fracturas com
orientação preferencial E-O
condiciona a direcção das escarpas.
Depósitos de vertente
Diáclases
T Falha
Gruta
Falha
E
M
P
O E
O recuo das escarpas é condicionado pela
fracturação, com direcção preferencial E-O,
e pelo abatimento de cavidades cársicas.
O
Associada à evolução recente das
escarpas há a formação de
depósitos de vertente (clastos e
blocos carbonatados) que cobrem as
vertentes da Rocha da Pena.
Fig. 42 – Esquema simplificado da evolução das escarpas norte e sul da RP (adaptado de [35]).
25
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] Galopim de Carvalho, A. M. (1999) – Geomonumentos: uma reflexão sobre a sua caracterização e enquadramento num projecto nacional de defesa e valorização
do Património Natural, Lisboa, 36 pp.
[2] Lopes, F. e Fernandes, P. (2006) – Promoção geológica e ambiental: o exemplo da Rocha da Pena (Algarve) in Mirão, J. Balbino, A. (Coord.) – Livro de resumos
do VII Congresso Nacional de Geologia, vol. III, Pólo de Estremoz da Universidade de Évora, pp. 953-956.
[3] Feio, M. (1952) – A Evolução do Baixo Alentejo e Algarve, Estudo de Geomorfologia, Lisboa, 186 pp.
[4] Orion, N. e Hofstein (1994) – Factors that influence learning during a Scientific Field Trip in a Natural Environment. Journal of Research in Science Teaching, 31,
(10), pp. 1097-1119.
[5] Araújo, M. (2001) – Alfabetização Científica e Actividade Outdoor em Geologia: uma Experiência Inovadora. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências,
Universidade do Porto, Porto, 119 pp.
[6] Salvador, P. (2002) – Avaliação do Impacto de Actividades Outdoor: contributo dos Clubes de Ciência para a Alfabetização Científica. Dissertação de Mestrado,
Universidade do Porto, 196 pp.
[7] Dias, R. P. (2001) – Neotectónica da Região do Algarve. Tese de Doutoramento. Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, 369 pp.
[8] Galopim de Carvalho, A. M. (2002) – Introdução ao estudo do Magmatismo e das Rochas Magmáticas, 1.ª Edição, Âncora Editora, Lisboa, 435 pp.
[9] Oliveira, J. T. ; Horn, M. & Paproth, E. (1979) – Preliminary note on the stratigraphy of the Baixo Alentejo Flysch Group, Carboniferous of Portugal and on the
Paleogeographic development compared to corresponding units in Northwest Germany, Com. Serv. Geol. Portugal, 65, pp. 151-168
[10] Terrinha, P. A. G. (1998) – Structural Geology and Tectonic Evolution of the Algarve Basin, South Portugal, Tese de doutoramento, Department of Geology,
Imperial College of Science, Tecnhology and Medicine, University of London, London, UK, 425 pp.
[11] Terrinha, P.; Dias, R.; e Cabral, J.; Ribeiro, A. e Pinheiro, L. (2000) – Estrutura e evolução tectónica Meso-Cenozóica da Bacia Algarvia, Margem Sul Portuguesa.
Correlação da estrutura onshore e offshore in Dias, J. A. e Ferreira, Ó. (Coord.) – 3.º Simpósio sobre a Margem Ibérica Atlântica, Universidade do Algarve, Faro, pp.
185-186.
[12] Manuppella, G.; Marques, B.; e Rocha, R. B. (1988) – Évolution tectono-sedimentar du basin de l’Algarve pendant le Jurassique. 2nd Intern. Symp. Jurassic
Stratigraphy, Lisboa, pp. 1031-1046.
[13] Oliveira, J. P.; Pereira, E.; Ramalho, M. M.; Antunes, M. T.; e Monteiro, J. H. (Coord.) (1992) – Carta Geológica de Portugal, escala 1/500.000. Serv. Geol.
Portugal, Lisboa.
[14] Manuppella, G. (Coord.) (1992) – Carta Geológica da Região do Algarve, escala 1/100.000, Folha Ocidental, Serv. Geol. Portugal, Lisboa.
[15] Manuppella, G. (Coord.) (1992) – Carta Geológica da Região do Algarve, escala 1/100.000, Folha Oriental, Serv. Geol. Portugal, Lisboa.
[16] Kullberg, J. C.; Pais, J.; e Manuppella, G. (1992) – Aspectos gerais da tectónica Alpina no Algarve. Ciências da Terra (UNL), Lisboa, n.º 11, pp. 293-302.
[17] Oliveira, J. T.; Oliveira, V. (1996) – Síntese da geologia da Faixa Piritosa em Portugal, e das principais mineralizações associadas. In: REGO, M. (Coord.) -
Mineração no Baixo Alentejo. Câmara Municipal de Castro verde, Castro Verde, pp. 8-27.
[18] Oliveira, J. T. (1992) – Traços Gerais da Geologia Algarvia, Paleozóico in Manuppella, G. (Coord.) – Carta Geológica da Região do Algarve, escala 1/100.000,
Nota explicativa. Serv. Geol. Portugal, Lisboa, pp. 4-6.
[19] Oliveira, J. T. (2001) – O Paleozóico do Algarve: de Alcoutim à Carrapateira. Resumos das comunicações, II Encontro de Professores de Geociências do Algarve,
Lagos, pp. 1-4.
[20] Romariz, C., Silva, M.O., Almeida, C.; e Palma, F. (1976) – Episódios vulcano-sedimentares no Algarve (Nota Prévia), Bol. Museu e Lab. Min. e Geol. da Fac.
Ciências, Lisboa, Vol. 14 (2), pp. 373-376.
[21] Romariz, C.; Almeida, C.; e Silva, M.O. (1979) – Contributions to the Geology of Algarve (Portugal). II - Volcanic Structures in Eastern Algarve (Portugal). Bol.
Museu e Lab. Min. e Geol. da Fac. Ciências, Lisboa, Vol. 16 (1), pp. 253-263.
[22] Manuppella, G. (1988) – Litoestratigrafia e Tectónica da Bacia Algarvia. Geonovas, vol. 10, Lisboa, pp. 67-71.
[23] Martins, L. M. N. C. T. S. (1991) – Actividade Ígnea Mesozóica em Portugal (contribuição petrológica e geoquímica). Tese de Doutoramento, Faculdade de
Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, 419 pp.
[24] Palain, C. (1975) – Une série détritique terrigène. Les "Grès de Silves'': Trias et Lias inférieur du Portugal, Tese de Doutoramento, Université de Nancy, Nancy,
503 pp.
[25] Ramalho, M. M. (1988) – 400 Milhões de Anos de Historia do Algarve. Anais do Município de Faro, n.º XVII, Faro, 45 pp.
[26] Nichols, G. (1999) – Sedimentology and Stratigraphy, Blackwell Publishing, UK, 355 pp.
[27] Blakey, R. (2005) – 1st-Order Global Tectonic ElementsDepartment of Geology, Northern Arizona University, Flagstaff
{http://jan.ucc.nau.edu/~rcb7/1storder.html} (acedido a 24/09/2006)
[28] Buchdahl, J. (1999) – Global Climate Change Student Guide: A review of contemporary and prehistoric global climate change. Atmosphere, Climate &
Environment, Information Programme, aric, Manchester Metropolitan University, Manchester, 99 pp.
[29] Azerêdo, A. C.; Duarte, L. V.; Henriques, M. H. e Manuppella, G. (2003) – Da Dinâmica Continental no Triásico aos Mares do Jurássico Inferior e Médio.
Cadernos de Geologia de Portugal. Inst. Geol. Mineiro, Lisboa, 43 pp.
[30] Manuppella, G. e Oliveira, J. T. (2000) – Magmatismo e Vulcanismo: o Complexo Vulcano-Sedimentar do Jurássico Inferior e Unidades Subjacentes, Resumos
das comunicações, Aula de Campo n.º 1, I Encontro de Professores de Geociências do Algarve, Albufeira.
[31] Tucker, M. E. e Wright, V. P. (2002) – Carbonate Sedimentology. Blackwell Science, USA, 482 pp.
[32] Crispim, J. A. (1982) – Morfologia Cársica do Algarve. Monografia de Licenciatura. Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, 172 pp.
[33] Tomé, R. (1996) – Morfologia Cársica no Concelho de Loulé – Abordagem preliminar. al-ulyã – Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, n.º 5, Loulé, pp.
217-239.
[34] Lopes, F. e Monteiro, A. (2004) – Modelado cársico no Concelho de Loulé {http://sapiens.no.sapo.pt/m-carsico/introducao.htm} (acedido a 02/10/2006)
[35] Lopes, F. e Fernandes, P. (2006b) – A Rocha da Pena (Algarve) – Aspectos geológicos e geomorfológicos, Guia de Campo do I Encontro de Professores de
Geociências do Alentejo e Algarve, Universidade do Algarve, Faro, CD-ROM, 18 pp.
[36] Medeiros-Gouvêa, A. (1938) – Algarve: aspectos fisiográficos, Tese de Doutoramento, Universidade de Coimbra, Instituto para a Alta Cultura, Lisboa, 160 pp.
[37] Fénelon, P. (1967) – Vocabulaire français des phénomènes karstiques. Mémoires et Documents - Phénomènes Karstiques, 4, Centre Rech. Doc. Cart. Géogr.,
CNRS, pp. 13-68.
[38] Almeida, C. A. (1985) – Hidrogeologia do Algarve Central. Tese de Doutoramento, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, 333 pp.
26
Guia-de-campo: «Rocha da Pena (Loulé, Algarve): ao encontro da geodiversidade»
8. ANEXOS
Quadro 1 – Tabela cronostratigráfica desde o Carbónico até ao Quaternário (modificado de Internacional Stratigraphic Chart of ICS, 2006)
Eonotema/Éon Eratema/Era Sistema/Período Série/Época Andar/Idade Idade (Ma)
Holocénico
Quaternário 0,01
Plistocénico
1,8
Pliocénico
Neogénico 5,3
Cenozóico Miocénico
Oligocénico 23,0
33,9
Paleogénico Eocénico
55,8
Paleocénico
65,5
Superior
Cretácico 99,6
Inferior
Superior 145,5
Médio 161,2
Toarciano 175,6
Fanerozóico Jurássico
Pliensbaquiano
Inferior
Sinemuriano
Mesozóico Hetangiano
199,6
Retiano
Superior Noriano
Carniano
228,0
Triásico Ladiniano
Médio
Anisiano
245,0
Olenequiano
Inferior
Induano
Pérmico 251,0
Paleozóico Pensilvaniano 299,0
Carbónico 318,1
Mississipiano
359,2
27
EVOLUÇÃO DAS ESCARPAS NORTE E SUL MORFOLOGIA CÁRSICA
CO2
Diáclases
Planos de 3
Depósitos estratificação
Falha
Gruta de vertente
Falha
Calcário
Fracturas 4
Gruta
O recuo das escarpas é
te
Es condicionado pela fracturação,
com direcção preferencial este-
oeste, e pelo abatimento de 1 A água da chuva torna-se ligeiramente acidificada por possuir ácido carbónico, o qual resulta
cavidades cársicas. da dissolução de dióxido de carbono (CO2) atmosférico na água.
st e
Oe
Associada à evolução 2 A água da chuva adquire ainda maior acidez ao atravessar o solo que se encontra
recente das escarpas há enriquecido em CO2 e em outros ácidos provenientes da respiração das raízes das plantas
a formação de depósitos
e da decomposição da matéria orgânica.
de vertente (clastos e
blocos carbonatados)
que cobrem as vertentes
da Rocha da Pena. 3 Os calcários, maioritariamente compostos por calcite, sofrem dissolução pelo ácido
carbónico presente na água. Nesse processo de dissolução do calcário, o ácido reage com
a calcite formando bicarbonato de cálcio, o qual, dada a sua propensão de se dissolver na
água, é assim fácil e gradualmente removido pela água que circula através das rochas.
Os calcários são assim dissolvidos pela água da chuva acidificada que ao circular pelas
4
fracturas e juntas de estratificação alarga-as e aprofunda-as gradualmente, originando-se
Vertente norte da Rocha da Pena, evidenciando-se a escarpa e os deste modo um modelado cársico com lapiás, dolinas, grutas, …
depósitos de vertente na base da escarpa cobrindo a vertente
(fotografia tirada de oeste para este).
Entrada do Algar da Caldeirinha – cavidade com
cerca de 15 m de desenvolvimento vertical
(martelo como escala).
Escarpa Pia de dissolução desenvolvida na
superfície horizontal de um lapiás
(lapiseira como escala).
Depó
Depósitos de vertente
Outubro 2006
Outubro 2006
A Rocha da Pena é um Sítio Classificado nos termos do As rochas e as paisagens geológicas são como livros, se as Coluna litostratigráfica da Rocha da Pena
Decreto-Lei n.º 392/91 de 10 de Outubro e localiza-se no Algarve, no soubermos ler podemos conhecer a sua história e assim saber quais as Idade Coluna litostratigráfica
concelho de Loulé, a oeste da vila de Salir. Este relevo, encontra-se na condições e os ambientes que existiram durante a sua origem. Milhões de anos (Ma) (não reflecte a verdadeira Descrição da Formação
espessura das litologias)
transição entre a Serra Algarvia e o Barrocal Algarvio, abrangendo a
Serra no sector norte e o Barrocal no sector sul. A Rocha da Pena, Modelo digital do terreno e geologia da Rocha da Pena Quaternário Aluviões: areias, argilas e seixos; ambiente continental
(0,01 Ma – Presente) fluvial.
juntamente com outros relevos a ocidente, como a Rocha dos Soídos
e a Rocha de Messines, constitui o alinhamento este-oeste mais N Depósitos de vertente: fragmentos de rochas carbonatadas
Quaternário
geralmente não consolidados; associados à evolução das
setentrional de relevos carbonatados do Barrocal Algarvio e da Bacia (1,81 Ma – Presente)
escarpas e vertentes da Rocha da Pena.
v
v v
v Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas:
Aluvião (Quaternário) argilitos de tonalidade avermelhada, por vezes esverdeada,
com intercalações de arenitos finos, carbonatos e evaporitos;
480m Depósitos de vertente (Quaternário) Triásico Superior – sedimentação num clima quente e seco em lagoas marinhas
ROCHA DA PENA
479m 448m Areias e cascalheiras (Plio-Quaternário) Jurássico Inferior salgadas temporárias.
(200 – 195 Ma)
Formação de Picavessa (Jurássico Inferior) Arenitos de Silves: arenitos, argilas e alguns leitos de seixos
(conglomerados) com coloração avermelhada; deposição em
Argilas vermelhas (Jurássico Inferior) ambientes fluviais, num clima quente e seco.
Triásico Superior
Complexo vulcano-sedimentar (Jurássico Inferior) (230 – 200 Ma)
Formação de Mira: camadas alternantes de xistos argilosos e
Metros Pelitos com evaporitos e intercalações carbonatadas (Triásico Superior – Jurássico Inferior) Carbonífero grauvaques com tonalidades acastanhadas, por vezes,
(325 – 310 Ma) acinzentadas e violáceas; sedimentação de argilas e areias
Arenitos de Silves (Triásico Superior) transportadas para bacias oceânicas profundas, por correntes
Formação de Mira (Carbonífero) de turbidez (mistura de água e sedimentos que se desloca
sobre taludes submarinos); rochas dobradas e fracturadas por
Falha Gesso Intrusão forças tectónicas associadas à origem de uma cadeia
A Rocha da Pena constitui um relevo de forma tabular cujo eixo montanhosa.
maior tem orientação este-oeste, afunilado no extremo leste e
alargado no extremo oeste, representando uma mesa com cerca de
1850 m de comprimento, 455 m de largura máxima e uma altitude que GÉNESE E ESTRUTURA DA ROCHA DA PENA
varia entre os 440 e os 480 m. O topo do relevo no essencial é
2
A PARTIR DO CRETÁCICO SUPERIOR (99 Ma)
aplanado, inclinando geralmente para sul. As vertentes norte e sul são Regime compressivo N-S; rejogo das falhas como compressivas e
1 3 PRESENTE
simétricas e bastante íngremes, apresentando escarpas que atingem dobramento das unidades litológicas; instalação de linhas de água com
A Rocha da Pena é um relevo estrutural e
TRIÁSICO (250 Ma) – CRETÁCICO INFERIOR (100 Ma) direcção preferencial E-O e erosão diferencial (calcários e dolomitos
no sector sul os 50 m de altura e que são talhadas nas rochas Regime distensivo N-S; deposição das unidades subsistiram aos processos erosivos, enquanto as unidades subjacentes residual herdado de fases morfogenéticas
litostratigráficas triásicas e jurássicas; formação de falhas vulcano-argilo-areníticas foram erodidas); carsificação das unidades anteriores, o qual tem sido conservado ao
carbonatadas da Formação de Picavessa. distensivas de orientação preferencial E-O. carbonatadas, principalmente, em períodos húmidos e desencadeamento do longo do tempo geológico
fenómeno de imunidade cársica que conduziu à preservação do relevo.
Reconhecendo a Rocha da Pena como um geomonumento e um
N
local de elevada geodiversidade, dadas as suas características de N N S
S
S
monumentalidade e particularidades a nível da geologia, esta deve
ser considerada um património geológico que importa valorizar e
divulgar como um georrecurso cultural, numa concepção de cultura
alargada ao saber científico, não renovável, e que deve ser
preservada e legada como herança às gerações futuras.
(Legenda na coluna litostratigráfica acima)
Apêndice X
Eonotema
Eonotema
Eonotema
Glaciação
Glaciação
Glaciação
Glaciação
Eratema
Eratema
Eratema
Eratema
Sistema
Sistema
Sistema
Sistema
Período
Período
Período
Período
Andar
Andar
Andar
Época
Época
Época
Idade
Idade
Idade
Idade
Idade
Idade
Idade
(M.a.)
(M.a.)
(M.a.)
(M.a.)
Série
Série
Série
IEPG
Eon
Eon
Eon
Eon
ELG
ELG
ELG
ELG
Era
Era
Era
Era
145,5 ± 4,0 359,2 ± 2,5 542
* Holocénico Titoniano Fameniano Ediacárico
0,0115 150,8 ± 4,0 Superior 374,5 ± 2,6 Neo- 630
Superior Superior Kimeridgiano Frasniano Criogénico
0,126 155,0 ± 4,0 385,3 ± 2,6 proterozóico 850
Devónico
Pleistocénico Médio Oxfordiano Givetiano Tónico
0,781 161,2 ± 4,0 Médio 391,8 ± 2,7 1000
Proterozóico
Inferior Caloviano Eifeliano Sténico
1,806 164,7 ± 4,0 397,5 ± 2,7 Meso- 1200
Gelasiano Batoniano Emsiano Ectásico
Jurássico
2,588 Médio 167,7 ± 3,5 407,0 ± 2,8 proterozóico 1400
Neogénico
Pré-Câmbrico
Messiniano Toarciano Pridoli Orosírico
Mesozóico
Paleo-
7,246 183,0 ± 1,5 418,7 ± 2,7 2050
Tortoniano Pliensbaquiano Lufordiano proterozóico Rhyácico
11,608 Inferior 189,6 ± 1,5 Ludlow 421,3 ± 2,6 2300
Serravaliano Sinemuriano Gorstiano Sidérico
Cenozóico
Silúrico
Langhiano Hetangiano Homeriano
15,97 199,6 ± 0,6 Wenlock 426,2 ± 2,4 Neoarcaico
Burdigaliano Retiano Sheinwoodiano
20,43 203,6 ± 1,5 428,8 ± 2,3 2800
Fanerozóico
Aquitaniano Superior Noriano Telichiano
Paleozóico
23,03 216,5 ± 2,0 436,0 ± 1,9 Mesoarcaico
Arcaico
Chatiano Carniano Llandovery Aeroniano
Triásico
Oligocénico 28,4 ± 0,1 228,0 ± 2,0 439,0 ± 1,8 3200
Rupeliano Ladiniano Rhudaniano
33,9 ± 0,1 Médio 237,0 ± 2,0 443,7 ± 1,5 Paleoarcaico
Fanerozóico
Fanerozóico
Ordovícico
Luteciano Induano
48,6 ± 0,2 251,0 ± 0,4 460,9 ± 1,6
Ipresiano Changhsingiano Darriwiliano
55,8 ± 0,2 Lopingiense 253,8 ± 0,7 Médio 468,1 ± 1,6
Tanetiano Wuchiapingiano
58,7 ± 0,2 260,4 ± 0,7 471,8 ± 1,6 Tendo como base a sucessão de espécies fósseis identifi-
Paleocénico Selandiano Capitaniano cadas no registo estratigráfico, pode estabelecer-se uma
61,7 ± 0,2 265,8 ± 0,7 Inferior 478,6 ± 1,7 divisão do tempo geológico em tempos relativos, de apli-
Daniano Guadalupiense Wordiano Tremadociano cação global, desde o Ediacárico até aos nossos dias. Os
Pérmico
65,5 ± 0,3 268,0 ± 0,7 488,3 ± 1,7 limites de alguns Andares englobados no Eonotema Fa-
Maastrichtiano Roadiano nerozóico (– 542 M.a. até à actualidade), bem como a base
70,6 ± 0,6 270,6 ± 0,7 Furongiano
Campaniano Kunguriano Paibiano do Andar Ediacárico, são definidos com base no estabele-
83,5 ± 0,7 275,6 ± 0,7 501,0 ± 2,0 cimento de Estratotipos de Limite Global (ou Global
Câmbrico
Santoniano Arstinsquiano Standard Section and Points). Um ELG (ou GSSP) correspon-
Paleozóico
Superior 85,8 ± 0,7 Cisuraliense 284,4 ± 0,7 Médio de ao limite inferior de um determinado Andar, sendo o
Coniaciano Sakmariano limite superior desse Andar coincidente com o estabeleci-
89,3 ± 1,0 294,6 ± 0,8 513,0 ± 2,0 mento do limite inferior do Andar seguinte. Cada estrato-
Turoniano Asseliano
Mesozóico
99,6 ± 0,9 Superior 303,9 ± 0,9 542,0 ± 1,0 so concreto do Bajociano, corresponde à base de uma ca-
Albiano Kasimoviano mada definida na praia da Murtinheira (cabo Mondego).
112,0 ± 1,0 306,5 ± 1,0
Carbonífero
As unidades inferiores ao Sistema Ediacárico são estabelecidas com base em datações radiométricas, sendo, por isso, definida uma Idade
Aptiano Médio Moscoviano
125,0 ± 1,0 311,7 ± 1,1 Estratigráfica Padrão Global (Global Standard Stratigraphic Age).
Barremiano Inferior Bashkiriano Esta escala cronostratigráfica mundial de referência fornece uma visão global das diversas unidades crosnostratigráficas, as suas
Inferior 130,0 ± 1,5 318,1 ± 1,3 designações e as suas durações. As unidades cronostratigráficas só têm validade formal depois de aprovadas pela União Internacional de
Hauteriviano Superior Serpukoviano Ciências Geológicas (IUGS).
136,4 ± 2,0 326,4 ± 1,6
Valanginiano Médio Viseano Uma vez que esta tabela tem por base o registo estratigráfico, não aparecem representadas unidades cronostratigráficas correspondentes ao
140,2 ± 3,0 345,3 ± 2,1 tempo que antecedeu a solidificação crustal e a formação das primeiras rochas terrestres (Eon Hádico).
Berriasiano Inferior Turnaciano
145,5 ± 4,0 359,2 ± 2,5 As cores de cada uma das divisões apresentadas na tabela são as definidas pela Commission for the Geological Map of the World.
Adaptado de: International Commission on Stratigraphy (ICS) e Porto Editora * Quaternário; idade informal e a aguardar ratificação
Capítulo 3 – Resultados, Discussão, Interpretações
_____________________________________________________________________________________________________________
CD-ROM
Conteúdo: