EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA __ª VARA DO TRABALHO DE
VITÓRIA - ES
JANAÍNA SILVEIRA, brasileira, casada, trabalhadora doméstica, portadora do CPF nº 6.000.000,
residente e domiciliada na Rua Oscar Ulrick, nº 22, Praia das Flores, Vitória, ES, CEP 29.000.080,
por seu advogado que esta subscreve, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência,
propor a presente:
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
em face de DAYANE TOMPSON, brasileira, casada, portadora do CPF nº 5.000.000, residente e
domiciliada na Avenida Nossa Senhora da Penha, nº 900, apartamento 1001, Praia do Canto,
Vitória - ES, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:
I - DOS FATOS
A reclamante foi admitida pela reclamada em 5 de janeiro de 2020 para exercer a função de
trabalhadora doméstica, desempenhando atividades como cuidados com os afazeres
domésticos, incluindo o preparo de refeições (almoço e jantar) e a lavagem e passagem de
roupas de cama. Durante todo o pacto laboral, a reclamante laborou de segunda a sexta-feira
das 08h00 às 22h00, com apenas uma hora de intervalo, e aos sábados, das 08h00 às 16h00,
com uma hora de intervalo.
O salário pactuado entre as partes foi de R$2.200,00 mensais, contudo, nunca houve a
anotação de sua Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), em flagrante
descumprimento às normas trabalhistas.
A reclamante também não usufruiu de férias durante todo o contrato de trabalho, recebendo o
décimo terceiro salário apenas referente ao ano de 2020, sendo que nos anos seguintes o
pagamento dessa verba não foi efetuado.
Em 7 de outubro de 2024, a reclamante foi dispensada sem justa causa, mesmo estando no
sexto mês de gravidez, fato do conhecimento da reclamada. Além disso, até a presente data,
nenhuma verba rescisória foi paga à reclamante.
II - DO DIREITO
1. Do vínculo empregatício
A relação jurídica existente entre as partes caracteriza-se como vínculo de emprego, conforme
os requisitos previstos no artigo 3º da CLT, uma vez que a reclamante prestava serviços de
forma não eventual, mediante subordinação, recebendo salário e com pessoalidade. Dessa
forma, requer a anotação de seu contrato de trabalho na CTPS desde a data de admissão (5 de
janeiro de 2020).
2. Das horas extras
A jornada cumprida pela reclamante ultrapassava o limite legal de 8 horas diárias e 44 horas
semanais previsto no artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal, sem a devida
contraprestação das horas extras laboradas. Considerando que a reclamante laborava das
08h00 às 22h00 de segunda a sexta-feira, com apenas uma hora de intervalo, e aos sábados
das 08h00 às 16h00, faz jus ao pagamento das horas extras excedentes, com adicional de 50%,
conforme preceitua o artigo 59 da CLT.
3. Das férias
A reclamante não usufruiu de férias durante todo o período do contrato de trabalho, razão pela
qual requer o pagamento em dobro das férias vencidas, com base no artigo 137 da CLT.
4. Do décimo terceiro salário
A reclamante não recebeu o décimo terceiro salário dos anos de 2021, 2022 e 2023, e o
décimo terceiro proporcional ao período trabalhado em 2024. Assim, faz jus ao pagamento
dessas verbas, conforme prevê o artigo 1º da Lei nº 4.090/62.
5. Da estabilidade provisória da gestante
A reclamante, estando no sexto mês de gestação à época da dispensa, faz jus à estabilidade
provisória prevista no artigo 10, inciso II, alínea "b", do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT), sendo nula sua dispensa. Dessa forma, requer sua reintegração ao
emprego ou, subsidiariamente, o pagamento da indenização correspondente ao período
estabilitário.
6. Das verbas rescisórias
Até o presente momento, nenhuma verba rescisória foi paga à reclamante, motivo pelo qual
são devidas as seguintes verbas:
- Aviso prévio indenizado;
- Saldo de salário de 7 dias;
- Férias proporcionais com 1/3 constitucional;
- Décimo terceiro salário proporcional;
- Multa de 40% sobre o FGTS.
7. Da multa do artigo 477 da CLT
Diante do atraso no pagamento das verbas rescisórias, a reclamada deve ser condenada ao
pagamento da multa prevista no artigo 477, §8º, da CLT.
III - DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência:
a) O reconhecimento do vínculo empregatício desde 5 de janeiro de 2020, com a devida
anotação na CTPS da reclamante;
b) O pagamento das horas extras laboradas, com adicional de 50%;
c) O pagamento em dobro das férias vencidas e proporcionais, acrescidas de 1/3
constitucional;
d) O pagamento do décimo terceiro salário referente aos anos de 2021, 2022, 2023, e
proporcional ao ano de 2024;
e) A reintegração da reclamante ao emprego, ou, subsidiariamente, o pagamento da
indenização correspondente ao período de estabilidade da gestante;
f) O pagamento das verbas rescisórias: aviso prévio indenizado, saldo de salário, férias
proporcionais com 1/3, décimo terceiro salário proporcional, e multa de 40% sobre o FGTS;
g) A condenação da reclamada ao pagamento da multa do artigo 477 da CLT;
h) A concessão dos benefícios da Justiça Gratuita, nos termos do artigo 790, § 3º, da CLT;
i) A condenação da reclamada ao pagamento de honorários advocatícios, nos termos do artigo
791-A da CLT.
Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente o depoimento
pessoal da reclamada, sob pena de confissão, além de prova documental e testemunhal.
Dá-se à causa o valor de R$ _______________.
Nestes termos, pede deferimento.
Vitória - ES, ___ de outubro de 2024.
______________________________________
Advogado
OAB/ES nº __________