ESCOLA SUPERIOR TÉCNICA DE CIÊNCIA DO DESPORTO
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPOIA RESPIRATÓRIA EM
PACIENTES DE AMBOS OS SEXOS COM QUEIMADURA
DO 2º GRAU NO TRONCO DOS 20 AOS 30 ANOS ATENDIDOS
NO HOSPITAL GERAL ESPECIALIZADO NEVES BENDINHA
NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2024
ESCOLA SUPERIOR TÉCNICA DE CIÊNCIA DO DESPORTO
COORDENAÇÃO DE FISIOTERAPIA
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPOIA RESPIRATÓRIA EM PACIENTES DE AMBOS OS
SEXOS COM QUEIMADURA DO 2º NO TRONCO DOS 20 AOS 30 ANOS
ATENDIDOS NO HOSPITAL GERAL ESPECIALIZADO NEVES BENDINHA NO
PRIMEIRO SEMESTRE DE 2024
DISCENTE : TERESA KILEZI NICOLAU
DOCENTE: PEDRO KOCO
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por estar sempre comigo durante está caminhada , agradeço a minha
familia por todo apoio principalmente a minha mãe minha cobaia favorita, ao meu namorado , as
minhas amigas Márcia Barros , Isabel Fortunato, Amélia Camilo e Aldina Francisco . Ao Dr. Pedro
Koco por aceitar embarcar comigo nesta jornada. A Dr Euridice Pinge pela paciencia que teve conosco
durante o periodo de estagio , e ao INAGB por contribuir para a minha formação.
EPIGRAFE
“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio.”
Hipócrates
Intrudução
O presente trabalho tem como finalidade o estudo de caso sobre a atuação da fisioterapia
respiratória em pacientes com queimaduras do 2º grau no tronco, avaliar a eficácia da
fisioterapia respiratória na prevenção de complicações respiratórias, musculoesqueléticas e
cicatriciais nesses pacientes e identificar os principais fatores que influenciam a recuperação
funcional de pacientes com queimadura no tronco.
Segundo Bianchi et al (2005), o estágio supervisionado é uma experiência em que o aluno
mostra seu caráter, sua criatividade e sua independência. Essa fase lhe proporciona uma
oportunidade para descobrir se a sua escolha profissional corresponde com sua aptidão técnica
Brito (2020):Refere-se ao estágio como um momento de vivência e reflexão sobre a realidade
escolar, incluindo a cultura, dinâmicas e demandas do cotidiano.
Objetivos
Geral:
Analisar a atuação da fisioterapia respiratória no processo de reabilitação de pacientes
com queimaduras no tronco atendidos no hospital geral especializado Neves Bendinha .
Específicos:
Descrever os principais recursos e técnicas fisioterapêuticas aplicadas em casos de
queimadura do tronco.
Avaliar a eficácia da fisioterapia na prevenção de complicações respiratórias,
musculoesqueléticas e cicatriciais nesses pacientes.
Identificar os principais fatores que influenciam a recuperação funcional de
pacientes com queimadura torácica.
Compreender a importância da intervenção fisioterapêutica precoce e
multidisciplinar nesse tipo de trauma.
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
Pacientes com queimaduras no tronco apresentam um alto risco de complicações funcionais,
respiratórias e cicatriciais, que comprometem sua qualidade de vida e dificultam a reabilitação
completa e muitas das veses esses pancientes chegam a obito por conta da extensão da lesão.
Apesar do reconhecimento da importância da fisioterapia no processo de reabilitação, ainda
existem desafios da elaboração de protocolos fisioterapêuticos específicos para essa região do
corpo pela complexidade da zona afetada , o que pode comprometer a eficácia do tratamento e
retardar a recuperação funcional.
Diante disso, surge a questão: de que forma a atuação fisioterapêutica pode ser otimizada
para promover a reabilitação eficaz de pacientes com queimaduras no tronco, considerando os
desafios respiratórios, cicatriciais e funcionais envolvidos?
Justificativa
O trabalho visa contribuir o bate cientifico sobre a importância da fisioterapia respiratória no
atendimento do paciente queimado ou seja que implicancia tem a fisioterapia na reabilitação
do paciente queimado.
Hipóteses
HIPOTESE 1: uso de técnicas específicas como reeducação respiratória,cinesioterapia e
terapia manual reduz o risco de complicações e acelera o processo de reabilitação.
HIPOTESE 2:A ausência de intervenção fisioterapêutica adequada pode levar a sequelas
permanentes, como limitações funcionais e alterações posturais e surgimento de cicatrizes
irregulares como a queloide.
Descrição da intituição acolhedora
O hospital geral especializado Neves Bendinha, fundado em 1973 é referência em Angola no
treatamento de quimaduras. Após sua reabilitação em 2023 a capacidade foi aumentada para
80 camas com melhorias em áreas críticas como UCI, bloco operatório e reabilitação. Está
localizado no bairro popular em Luanda e atende pacientes de diversas regiões do país.
Estrutura física: O hospital conta com várias unidades de atendimento, incluindo consultórios,
salas de exames, áreas de internação e um centro de reabilitação onde se encotra e equipe de
fisioterapia .
A organização é composta por:
Direção geral
Chefia médica
Equipe de enfermagem
Serviço de fisioterapia
Psicologia
Serviços admnistrativo
Principais características:
Especialização: Tratamento de queimaduras, cirurgia plástica reconstrutiva, cuidados
intensivos e reabilitação.
Serviços prestados: Urgência e emergência, bloco operatório, enfermarias, cuidados
intensivos, ambulatório especializado e fisioterapia.
Infraestruturas: Conta com enfermarias masculinas, femininas e pediátricas, centro cirúrgico,
laboratório, banco de sangue e farmácia hospitalar.
Capacidade: O hospital possui diversas camas de internamento e atende tanto pacientes
internados quanto em regime de ambulatório.
Equipe Multidisciplinar: Médicos especialistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos,
nutricionistas e outros profissionais da saúde.
Área de Fisioterapia
A área de fisioterapia do Hospital Neves Bendinha é essencial para o processo de reabilitação
funcional dos pacientes, especialmente os que sofreram queimaduras graves ou passaram por
cirurgias reconstrutivas.
A área de fisioterapia conta com três ambulatórios dos quais: ambulatório homem,
ambulatório mulher e ambulatório pediátrico.
Objetivos principais:
Restaurar a mobilidade e função motora afetadas por queimaduras ou imobilizações
prolongadas.
Prevenir e tratar deformidades e contraturas articulares.
Reduzir dor, edemas e promover adaptação funcional do paciente ao seu novo estado físico.
Serviços oferecidos:
Fisioterapia motora: Exercícios terapêuticos para melhorar a força muscular, amplitude de
movimento e coordenação.
Fisioterapia respiratória: Utilizada principalmente em pacientes internados, com o objetivo de
melhorar a função pulmonar e prevenir complicações respiratórias.
Terapia ocupacional (em articulação com fisioterapia): Focada na reintegração funcional e
social do paciente.
Reeducação postural e funcional: Muito importante para pacientes com sequelas de
queimaduras extensas.
Equipamentos e técnicas utilizadas:
Aparelhos de eletroterapia (como TENS, ultrassom terapêutico).
Faixas elásticas, bolas terapêuticas, barras paralelas e outros materiais de reabilitação
funcional.
Técnicas manuais de cinesioterapia, drenagem linfática e liberação miofascial.
Equipe:
Composta por fisioterapeutas com formação em reabilitação de queimaduras, mobilização
precoce em UTI e fisioterapia hospitalar.
Trabalho em equipe multidisciplinar, com médicos, enfermeiros e psicólogos, para um plano
terapêutico personalizado.
1-FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1- CONCEITOS
queimadura é a destruição permanente das proteínas dos tecidos por um agente externo,
caracterizam-se em lesões coagulativas (isto é que desnaturam, coagulando as proteínas dos
tecidos) envolvendo diversas camadas do corpo (pele, tecido subcutâneo, músculo, etc...).
Geralmente são causadas por calor (liquidos quentes, chamas, objetos aquecidos) mas também
podem ser causadas por substâncias químicas, por eletricidade e por irradiação. Nas
queimaduras mais profundas, a coagulação das proteínas causa morte celular.
O tecido menos queimado apresenta uma área de estase com lacerações reversíveis, enquanto
as queimaduras muito superficiais apresentam área de hiperemia com pequeno
compromentimento celular.
As lesões por Queimaduras estão entre as mais devastadoras de todas as lesões e são
responsáveis por uma grande crise global de saúde pública. As queimaduras são o quarto tipo
de trauma mais comum no mundo, após acidentes de trânsito, quedas e violência interpessoal.
Aproximadamente 90% das queimaduras ocorrem em países de baixa a média renda, regiões
que geralmente não possuem a infraestrutura necessária para reduzir a incidência e a
gravidade das queimaduras.
1.1.1 CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS
Quanto a profundidade
Superficias : são as mais rasas (também chamadas de queimaduras de primeiro grau).
Estas afetam apenas a camada exterior da pele epiderme
Espessura parcial: chegam à camada média da pele derme. As queimaduras de
espessura parcial são, por vezes descritas ainda como superficiais (que envolvem a
parte mais superficial da derme ou profundas )
Espessura total : também chamadas queimaduras de terceiro grau, envolvem as 3
camadas da pele epiderme, derme e camada de gordura. Geralmente, as glândulas
sudoríparas, os folículos capilares e as extremidades nervosas são igualmente
destruídos.
Quanto a gravidade
Queimaduras leves: todas as queimaduras superficiais e de espessura parcial que
envolvem menos de 10% da superfície corporal costumam ser classificadas como
leves.
Moderadas e graves: queimaduras que envolvem mãos, pés, rosto ou genitália,
queimaduras de espessura parcial que envolvem mais de 10% da superfície corporal e
todas as queimaduras de espessura total que envolvem mais de 1% do corpo são
classificadas como moderadas ou, mais frequentemente, como graves.
1.1.2 -SINTOMAS DAS QUEIMADURAS
1º GRAU: vermelhidão, dor e inchaço.
2º GRAU: : bolhas, vermelhidão, dor e inchaço , pode haver risco de infecção.
3º GRAU: pele esbranquiçada, rececada , geralmente a pouca dor pois as terminaçõos
nervosas podem estar destruidas.
1.1.3- COMPLICAÇÕES DAS QUEIMADURAS
As queimaduras causam complicações sistêmicas e locais. Os principais fatores que
contribuem para complicações sistêmicas são rompimento da integridade da pele e perda de
líquidos. Complicações locais incluem escaras, contraturas e cicatrização.
Complicações sistêmicas das queimaduras
Quanto maior o percentual da área da superfície total corporal (ASCT) envolvida, maior o
risco de ocorrer complicação sistêmica.
As complicações sistêmicas mais comuns são hipovolemia e infecção.
A hipovolemia, causando hipoperfusão nos tecidos queimados e, às vezes, choque, pode
resultar da perda de líquidos devido a queimaduras mais profundas ou que acometem grandes
partes da superfície corporal; edema no corpo todo por perda de volume intravascular para o
interstício e célula também ocorre. Além disso, as perdas hídricas insensíveis podem ser
significativas. A hipoperfusão do tecido afetado também pode ser resultante do dano direto
aos vasos sanguíneos ou da vasoconstrição secundária à hipovolemia.
A infecção, mesmo em pequenas queimaduras, é causa comum de sepsia, complicações locais
e morte. Invasão e crescimento bacteriano são acentuados quando as defesas orgânicas estão
prejudicadas e os tecidos desvitalizados. Os patógenos mais comuns são estreptococos e
estafilococos durante os primeiros dias e bactérias Gram-negativas após 5 a 7 dias; contudo, a
flora é sempre mista.
Hipotermia pode resultar da grande quantidade de líquidos frios intravenosos (IV) e de
prolongada exposição da superfície corporal ao ambiente frio do serviço de emergência,
particularmente em pacientes com queimaduras extensas.
Complicações locais das queimaduras
A escara é um tecido duro e morto, causada por queimaduras profundas. Uma cicatriz
circunferencial, que envolve total a circunferência de um membro (às vezes, o pescoço ou o
tórax), é potencialmente constritiva. Cicatrizes constritivas limitam a expansão do tecido em
resposta ao edema; em vez disso, a pressão tecidual aumenta, causando isquemia local. A
isquemia ameaça a viabilidade dos membros e dos dedos distais à escara, e uma cicatriz em
torno do tórax pode comprometer a ventilação.
Cicatrizes e contraturas são resultados da cura de queimaduras profundas. Dependendo da
extensão da cicatriz, deformidades por contratura podem aparecer nas articulações. Se a
queimadura estiver localizada perto das articulações (especialmente nas mãos), nos pés ou no
períneo, a função pode ser gravemente comprometida. A infecção pode aumentar a
cicatriz. Queloides se formam em alguns pacientes, em especial da raça negra.
1.2 QUEIMADURA DO 2º GRAU
Queimadura de 2º grau é o segundo tipo mais grave de queimadura, que atinge as camadas
mais profundas da pele, causando sintomas como dor intensa, vermelhidão e bolha na
pele, que não deve ser estourada para evitar a entrada de micro-organismos que possam causar
infecção.
Este grau de queimadura pode ser causado por agente químicos, térmicos ou elétricos, e é
muito doloroso, pois pode causar destruição de terminações nervosas, folículos pilosos ou
glândulas.
1.2.1 Principais Caracteristicas
Bolha no local da lesão
Dor intensa
Vermelhindão ou escurecimento da pele
Pele umida e brilhosa
Ferida dolorosa
1.2.2 Tempo de cicatrização
O tempo de cicatrização da queimadura de 2º grau geralmente entre 2 a 3 semanas, mas pode
variar de acordo com o tamanho da queimadura e a região do corpo afetada.
Após cicatrizar, a queimadura de 2º grau pode deixar uma mancha mais clara, nas
queimaduras superficiais, ou cicatriz como cicatriz hipertrófica e queloide.
1.3QUEIMADURA NO TRONCO
A queimadura do tronco, classificada como T21.0 de acordo com a Classificação
Internacional de Doenças (CID-10), é uma lesão na pele que afeta a região do tronco do corpo
humano.
As queimaduras de segundo grau do tronco podem ocorrer por acidentes domésticos,
industriais ou durante atividades recreativas. O diagnóstico é baseado na avaliação clínica,
com observação das alterações cutâneas e, em casos mais complexos, por exames
complementares de imagem.
Os sintomas da queimadura do tronco podem variar de acordo com a gravidade da lesão. Nos
casos mais leves, é comum observar vermelhidão, inchaço e dor na região afetada. Já em
queimaduras mais graves, podem surgir bolhas, descamação da pele e até mesmo necrose do
tecido. Além disso, a queimadura do tronco também pode estar associada a febre, mal-estar e
outros sintomas sistêmicos.
1.3.1Complicações das queimaduras no tronco
As queimaduras do tronco podem estar associadas a diversas complicações, especialmente
nos casos mais graves. Entre as complicações mais comuns estão as infecções secundárias,
que podem surgir devido à exposição dos tecidos internos, e as cicatrizes hipertróficas, que
podem comprometer a estética da região afetada. Além disso, em casos extremos, as
queimaduras do tronco podem levar à insuficiência respiratória e até mesmo ao óbito.
1.3.2Impacto da queimadura no tronco na função respiratória
Dor intensa : dificulta movimentos respiratórios, levando à respiração superficial.
Restrição da expansão torácica : devido à perda de elasticidade da pele e formação de
cicatrizes.
Acúmulo de secreções : por tosse ineficaz e imobilidade.
Risco de complicações : como atelectasias e pneumonia
1.4FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA EM PACIENTES COM QUEIMADURA DO 2º
Pacientes com queimaduras extensas no tronco estão em risco de desenvolver complicações
respiratórias devido a alterações na mecânica ventilatória, dor, resposta inflamatória sistêmica
e imobilização. A fisioterapia respiratória atua na prevenção de atelectasias, pneumonia,
retenção de secreções e na promoção da ventilação adequada.
Alterações Respiratórias em Pacientes Queimados
Comprometimento da complacência torácica: A queimadura no tronco pode
levar a edema e formação de escaras que restringem a expansibilidade pulmonar.
Dor intensa: Inibe a inspiração profunda e a tosse eficaz, aumentando o risco de
infecção pulmonar.
Inalação de fumaça: Pode causar lesão direta nas vias aéreas e agravar o quadro
respiratório.
Ventilação mecânica: Frequentemente necessária em casos graves, aumentando o
risco de complicações pulmonares.
Objetivos da Fisioterapia Respiratória
Melhorar a ventilação pulmonar.
Prevenir ou tratar atelectasias.
Facilitar a mobilização e eliminação de secreções.
Reduzir o risco de infecções respiratórias.
Promover reexpansão pulmonar e troca gasosa eficiente.
Técnicas Utilizadas
Exercícios Respiratórios
Incentivadores respiratórios (ISV): Estimulam inspiração profunda.
Respiração diafragmática: Melhora o padrão respiratório e reduz o uso de musculatura
acessória.
Técnicas de Higiene Brônquica
Vibração torácica manual ou mecânica.
Tosse assistida e estímulo à tosse efetiva.
Drenagem postural (avaliando contraindicações devido a dor ou feridas).
Mobilização Precoce
Sentar-se no leito, ortostatismo e deambulação precoce.
Favorece ventilação e previne complicações tromboembólicas.